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de autoria atribuída ao pintor José de Oliveira Barbosa representando a primeira batalha dos Montes Guararapes. depois pelas outras “mídias” desenvolvidas pela indústria – cinema. exímio pintor de paisagens terrestres e marinhas que. onde já eram aplicados elementos locais como frutos – cajus e mangabas – e flores da região. a criação e a produção dos ornatos das fachadas e dos interiores. que registrou a fauna e a flora da região. função que passou a ser cumprida pelo fotógrafo. especialista em paisagem. a de documentador. foi quem melhor traduziu a luz do Recife e arredores. Albert Eckhout. Fator decisivo para isto foi o desenvolvimento das técnicas de reprodução da imagem que a revolução industrial acarretou. da ciência. Importante lembrar 6 . Legaram-nos obras como o painel sob o coro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares. do desenho e da gravura como auxiliar dos negócios do Príncipe Maurício de Nassau à frente da Companhia das Índias Ocidentais. o Modernismo As artes visuais do Brasil começam a exprimir identidade nativa no século dezesseis com a construção das primeiras igrejas nas poucas vilas que aqui havia no século XVI. nos primeiros momentos. Finalmente o artista se desencarregou da função de apêndice da história. Telles Júnior. documentarista preciso de nossa luz e das obras humanas aqui construídas. A arte da pintura foi exercida por portugueses. de registrador dos fatos. Do ponto de vista do artista. a autonomia do pintor foi conquistada definitivamente. informática. os levaram a expressar seu ambiente. da sociedade quando na maioria dos casos apenas cumpria uma função. pois os olhares dos mestres construtores que também desenhavam as imagens. nativos e mestiços. Nassau trouxe para o Recife os pintores Frans Post. segundo Francisco Brennand. e a habilidade dos artífices e artesãos. fax. a coleção de pinturas religiosas da pinacoteca da Igreja de São Francisco de Igarassu e diversos tetos e painéis de pintura ou azulejaria. na modernidade. os entalhes em madeira (hoje chamados talhas) e pinturas religiosas e decorativas. Na ocupação holandesa do Recife. na estatuária religiosa e na prática da pintura. onde os mestres de obras portugueses empregaram a mão de obra de colonos. nativos e negros escravos como pedreiro e artífices para a construção da Colônia. Neste afã dos assentamentos coloniais nasceram os ornatos em pedras de cantarias. Estes artistas e seus sucessores retrataram a vida da aristocracia rural originária da monocultura da cana de açúcar.Os Primórdios. xerox. o desenhista e ilustrador Marc Grave. pintor de figuras e costumes. foi o artista que se destacou na passagem entre os séculos IX e XX com uma pintura cheia da espontaneidade tropical que identifica nossa terra.

Lasar Segall. na criação das expressões modernas e pós-modernas que representam o tesouro artístico que temos hoje. com 43 desenhos. A Semana de 22. de suas observações da vida. John Groz. que formou as bases de nossa cultura atual. o grande artista lituano que passara pela Alemanha onde se integrou à arte de Berlim. No século XX. o pintor Cícero Dias. como veremos no capítulo referente à arte contemporânea. então. Victor Brecheret e W. antecipando-se dois anos da Semana de Arte Moderna que os escritores e artistas realizaram em 1922. eles contaram com condições propícias para marcharem sincronicamente com seus pares em todo o mundo. fez em 1913 a primeira exposição de arte moderna no Brasil. como é mais conhecido este acontecimento. incorporando à arte novas técnicas e linguagens. A Semana de Arte Moderna de 1922 e a arte pernambucana Recife divide com São Paulo a primazia de nossa modernidade artística. Este pioneirismo sugere que o pintor Vicente e seus irmãos Joaquim e Fédora. Em 1920. de suas elucubrações filosóficas.que os meios modernos de multiplicação da imagem se tornaram na contemporaneidade meios artísticos também. tão antenados com o mundo quanto Oswald e Mário de Andrade e a “Paulicéia Desvairada”. são tão modernistas quanto São Paulo. mas aderiu ao movimento e posteriormente teve definitiva participação no Movimento Antropofágico lançado por Oswald de Andrade em 1928 que deu sequência às ideias modernistas. É certo que alguns dos modernistas paulistas. detonou o “movimento modernista” de São Paulo. Esta não foi a primeira exposição de arte moderna realizada no Brasil. Essa liberdade propagou-se no mundo ocidental gerando também os instrumentos da modernidade. 7 . Haelerg. que foi apresentada em seguida no Rio de Janeiro e em São Paulo. ao lado de Anita Malfatti. 16 e 17 de fevereiro. Di Cavalcanti. pois Vicente do Rêgo Monteiro realizara em 1920 uma exposição no Recife. que teve a participação de Cassiano Ricardo e Flávio de Carvalho. Um dos pontos máximos da biografia de Vicente é a sua participação na semana de 22. foi a vez da exposição da escola de Paris trazida por Vicente do Rêgo Monteiro. A exposição foi montada no hall do Teatro Municipal de São Paulo. O artista liberto de suas funções pragmáticas pôde mergulhar profundamente na expressão de seus sentimentos. Em 1916 foi a vez de Anita Malfatti realizar a tal exposição que provocou a ira de Monteiro Lobato. devido às mudanças de conceito da obra de arte. como também a cidade do Recife como referência de arte conectada com o mundo. Tarsila do Amaral estava na Europa e não participou. palco de todas as manifestações dessa semana de três dias – na verdade as atividades só ocuparam os dias 15.

1922 foi um ano singular para o Brasil. foi também o ano da revolta do Forte de Copacabana e da fundação do Partido Comunista. Menotti Del Picchia. por Astrogildo Pereira. Ronald de Carvalho. ano da Feira Internacional de Rio de Janeiro montada para comemorar o Centenário da Independência. outros a Menotti Del Picchia que teria encontrado Oswald de Andrade na escadaria do teatro Municipal de São Paulo e sugerido um manifesto que marcasse a posição dos intelectuais paulistanos que se opunham a “ditaduras” da academia. enquanto Aracy Amaral disse que “não se entende modernismo fora das grandes cidades”. pois marcou o fim do governo progressista de Epitácio Pessoa e a passagem para o governo de Artur Bernardes. num primeiro momento. pois Mário de Andrade chegou a dizer que o modernismo era coisa para São Paulo. 2– A estabilização da atualização estética brasileira. não concordavam com isto. Certamente São Paulo se ressentia do acúmulo de poder do Rio de Janeiro. Graça Aranha. Mas seus desdobramentos levaram a uma cisão no meio intelectual a partir do Manifesto Regionalista de Gilberto Freyre. outros ainda atribuem a Ronald de Carvalho. Menotti Del Picchia. O manifesto de autoria de Mário de Andrade colocava que a arte moderna brasileira deveria ter como base o seguinte conjunto de princípios: 1– O direito permanente à pesquisa estética. 3 – A estabilização de uma consciência criadora nacional. Como veículo do texto e da imagem modernista.ou teóricos pós-modernistas. As artes plásticas se manifestaram na exposição coletiva que comentamos acima. por sua vez. que Mário de Andrade define: “Klaxon sabe que a humanidade existe. que foi inaugurado com a presença do Rei da Bélgica. a grande pianista brasileira da época. A Heitor Villa Lobos e Guiomar Novais. um movimento de escritores que teve a participação de Oswald de Andrade que é tido como seu líder. Mário de Andrade reivindica o modernismo para São Paulo. entendeu o modernismo em sua verdadeira universalidade. Basta este manifesto para afirmar o modernismo de 22 como um movimento proposto para abranger todo o Brasil. Ele a define. Mário de Andrade. por isso é internacionalista”. como “uma nova técnica para expressar a vida”. foi editada por Oswald de Andrade a revista mensal Klaxon. foi entregue a área musical. 8 . em “Avenida Paulista”. Fato é que foi. entre outros grandes escritores brasileiros. como estética paulistana. não para o Rio de Janeiro rico e aristocrático. Não se sabe ao certo de quem foi a ideia da Semana de 22. Alguns a creditam a Di Cavalcanti. pelo menos é isto o que sugere a “consciência criadora nacional”.

De qualquer forma. De volta ao Recife. Gilberto Freyre. o surrealismo e o dadaísmo. que já ocupava importante posição na intelectualidade brasileira. de grandes estrelas da arte internacional como Picasso. inclusive de Cícero Dias cujo trabalho expressava traços modernistas.A Semana de 22 e o Manifesto Regionalista O jornalista Rubens Borba de Morais declara que “o Regionalismo simplesmente precedeu o Modernismo. Entre os efeitos decorrentes da exposição surgiram movimentos teóricos e se montaram ateliês coletivos e individuais que visavam vitalizar a arte pernambucana de memória colonial- 9 . e instalou no Salão Nobre do Teatro Santa Isabel. na música e nas artes plásticas. a exposição esteve no Rio de Janeiro e São Paulo. Regionalismo foi o termo que deu nome ao movimento que Gilberto Freyre lançou em 1926. como sucedâneo do modernismo. mas dessa vez como desligamento da estética europeia na literatura. olhava para o futuro proclamando também a independência. Severini. A Semana de 22. inevitavelmente. sobraram sementes de uma arte que. entrou logo em contato com o meio intelectual e artístico local proclamando as “boas novas”. Vicente trouxe para Recife em 1930. no metafórico campo de combate entre Freyre e Inojosa. ainda no fogo das ideias modernistas. uma importantíssima exposição que marcou profundamente nossa cultura visual: Artistas da Escola de Paris. e nada mais”. a rixa entre modernistas e regionalistas acabou se transformando em uma saudável briga de ideias. Vicente morava em Paris e pouco sabia da geopolítica cultural brasileira. Miró entre outros. em passagem por São Paulo. embora fosse um pernambucano em São Paulo. Enquanto as ideias da Semana de 22 ganhavam corpo entre os artistas locais. porém com temáticas regionais. Até porque. Embora Vicente do Rêgo Monteiro manifestasse a influências das correntes modernas europeias como o cubismo. Não estavam comemorando os 100 anos passados. raízes. O Manifesto Regionalista é um texto que contou em seu lançamento com o apoio de artistas da época. seus amigos. Com a convivência adquirida no meio artístico parisiense e a mobilidade transoceânica que tinha. coincidindo com o Centenário da Independência do Brasil. a discussão foi sendo amenizada e. insistia em colocar dúvidas em relação ao propósito dos modernistas. mas celebrando os anos do porvir. documentos e indagações. Braque. os princípios teóricos do movimento paulista chegaram aqui por intermédio de Joaquim Inojosa. Ele liderava a oposição ao movimento e em seu discurso empregava palavras abolidas pelos jovens modernistas: permanência. Com os anos. valor ao passado e regionalismo. que teve a participação. Além do Recife. além dele próprio e do seu irmão Joaquim do Rêgo Monteiro. seu maior semeador no Nordeste. Gris. Léger. não seria a mesma sem essas arengas. repleto de imagens. O jornalista pernambucano Joaquim Inojosa. tomou conhecimento das ideias modernistas da Semana de 22.

Em outros lugares foi o contrário. Como informa Nise Rodrigues. Carlos Holanda. em agosto de 1933 alguns artistas de destaque reuniram-se em torno do que se autodenominara Grupo dos Independentes: os que não aceitavam o padrão oficializado das escolas de belas artes. Reagindo-se a este espírito efervescente. em Paris.” O 2º Salão dos Independentes integrou o Congresso 10 . notadamente os pintores Vicente do Rêgo Monteiro. Francisco Lauria. Elezier Xavier. O exemplar ensaio de autoria de Bise de Souza Rodrigues publicado em 2008 “O Grupo do Independentes – arte moderna no Recife 1930” esclarece para a atualidade a importância dos independentes. da realização de um Salão de Arte em 1929 que teve a participação de Balthazar da Câmara.barroca e acadêmica. Bibiano Silva. Luiz Soares. visto que a arte moderna no Recife se constituiu abrangente ao panorama cultural brasileiro. Fédora Monteiro e Murillo La Greca. O Grupo dos Independentes No entanto. Muito curioso é o fato de ser criada depois que o modernismo foi implantado e frutificado aqui. porém. O grupo era formado por Augusto Rodrigues. hoje Arquivo Público Jordão Emerenciano. Cícero Dias e Lula Cardoso Ayres – grandes precursores da arte moderna no Brasil. eram os que realizavam um trabalho livre de conceitos e regras. os Independentes apreenderam os símbolos de uma sociedade moderna emergente e praticaram valores estéticos renovadores. incluindo a recém-criada Escola de Belas Artes do Recife. a reação ao salão de arte parisiense que se norteava pela École de Baux Arts. Manoel Bandeira. a produção dos 1º e 2º Salões dos Independentes. concretizando uma escola artística. Nise relata: “No contexto sociocultural dos anos 1930. à Rua do Imperador. chamados também de Salão de Arte Moderna do Recife. Nestor Silva e Percy Lau. como passaram a se chamar. foi criada em 1932 a Escola de Belas Artes do Recife. Danilo Ramires. o modernismo é que reagiu ao academismo assim como o impressionismo foi.” Mas a atuação dos Independentes não se limitou à oposição que fizeram à Escola de Belas Artes. Hélio Feijó.” “Constato que a formação do grupo não se deu ao acaso. sabe-se. “o 1º Salão Independente foi inaugurado pelo Governador Carlos de Lima Cavalcanti no dia 12 de agosto de 1933 na Biblioteca Pública. entre outros. Os Independentes. Precisou seguir os caminhos já percorridos por pioneiros brasileiros e pernambucanos. Estes foram os primeiros salões de arte moderna realizados em Pernambuco.

Augusto Rodrigues atuou como um elo entre a cultura pernambucana e a carioca. Nascido em 1907. entre outros críticos de arte. Eis. Os Independentes foram sem dúvida o primeiro “coletivo de artistas”. ao lado da artista gaúcha Lúcia Alencastro Valentim e a escultora norte-americana Margareth Spencer. entre elas Salvador e Recife. Faleceu em 1998. se coloca na história da arte brasileira como um dos fundadores. principalmente como paisagista que plasmou. da realização da primeira exposição de Vitalino no Rio de Janeiro. instituição que. e os cursos de licenciatura em educação artística. preferencialmente em aquarela. Ele foi uma das primeiras pessoas a despertar no Brasil a importância da cultura popular nordestina através. é fundamental conhecermos este grupo e sua importância na arte nacional. autor de “História da caricatura no Brasil”. analisada e comentada por Frederico Morais. contribuir para o reconhecimento social da arte da criança”. 11 . em seguida. como chamamos na contemporaneidade. hoje obrigatórios no ensino das artes visuais das universidades brasileiras. foi muito amigo do poeta Manuel Bandeira. os casarios das cidades históricas e as praias de Pernambuco. na Rua da Imperatriz. baseado nas ideias do filósofo e crítico de arte inglês Herbert Read. fundou em 1948 a Escolinha de Arte do Brasil.Afro Brasileiro coordenado por Gilberto Freyre em 1936 na Sociedade dos Empregados do Comércio. Para compreendermos corretamente nossa história recente da época. proporcionou à infância e à adolescência a arte na educação. especialmente seu desenho. Esse último tópico talvez seja o mais importante. Elezier Xavier: Pintor de grande importância local. Augusto Rodrigues faleceu em 1993 quando era um dos artistas de maior prestígio no Rio de janeiro. desenvolver projetos de interesse da arteeducação. tópicos da carreira destes artistas: Augusto Rodrigues: Além de sua arte. onde fez sua carreira de artista e professor. Jacob Klintowitz e Herman Lima. que lhe apresentou a Portinari. por décadas. A Escolinha propõe “estimular a autoexpressão. São considerados desdobramentos da Escolinha o Ateliê Infantil do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro criado pelo artista e professor Ivan Serpa em 1972. a Escolinha se desenvolveu e se espalhou por algumas cidades brasileiras. as várzeas do Capibaribe. teve uma vida intensa. segundo contou Elezier Xavier a Nise Rodrigues. por exemplo. Entre 1950 e 1970.

PE. foi desenhista. assim como o desenho do peruano Percy Lau. Carlos de Holanda e Luiz Soares. O desenho nos dá uma dimensão que a fotografia não tem. o mesmo esbatimento que se encontra em Braque e Léger. Lauria constrói misteriosos retratos de moças. porém. é a observação do detalhe. Sua obra pictórica é pequena. Estudou no Rio de Janeiro com o importante pintor de paisagens Carlos Chamberlland em 1929.Francisco Lauria: Pintor e desenhista. Bandeira foi o ilustrador do livro fundamental de Gilberto Freyre sobre Olinda. arquiteto e poeta. Foi também discípulo de Portinari e amigo de Vicente do Rêgo Monteiro. por vezes grotesca. esbatimentos de verde esmeralda e azul cobalto. No convite de sua exposição individual em setembro de 1973. Um tipo de criatura por vezes bela. nas portas e nas janelas. mas de grande importância para a arte pernambucana. Seu desenho. desenhou a cidade nos seus mais relevantes ângulos. O grande crítico de arte baiano Clarival do Prado Valadares escreveu sobre ele: “Sobre o esquema duma cidade despovoada.” Hélio Feijó: Nascido em 1913. em 1900 e faleceu em 1964. mas sempre envolta em uma história. e desenhou com aparato técnico rudimentar da jangada dos pescadores locais. sem vivalma nas ruas. Hélio Feijó exibe seus grandes recursos tonais: os efeitos de cores esbatidas. um desenho de importância perene pois a maioria daqueles instrumentos e implementos não são mais usados pelos pescadores. Tudo está editado pelo IBGE e formam um acervo fundamental para pesquisa iconográfica. Percy Lau: Desenhou para o IBGE os aspectos das regiões brasileiras que mais chamavam a atenção nos idos dos anos 1950. pintor. histórica e artística. são exemplos de habilidade e talento para o registro do patrimônio cultural e natural de nosso povo. Manoel Bandeira: O pintor e desenhista. nasceu em Escada. Joaquim Cardozo comenta: “Nos quadros de sua atual exposição. onde participou de um ateliê coletivo com Percy Lau. 12 . nasceu em Maceió em 1912 e tornou-se artista no Recife. os contornos das linhas limites das formas pintadas. do que mais impressiona o desenhista na cena registrada. numa passagem que continua. executadas com a pureza que se vê também em Vicente e Portinari.”. até quase branco. não o poeta. Ninguém necessita de legenda para logo saber de quem se trata.

Em 1948. propostas diversas e novas categorias de arte. com o título Salão Pernambucano de Artes Plásticas. com a participação de artistas como Balthazar da Câmara. O Salão Pernambucano de Artes Plásticas 2000 foi realizado no espaço do Observatório Cultural Malakoff. assim como todo evento. quando o salão mofou em suas intenções até 1999. fato que confunde quem pesquisa). A partir de 1949. no casarão da Av. sua quadragésima quinta versão (houve um 40º Salão de Arte no Estado. os salões vão se consolidando no calendário artístico do Estado e. Voltou a funcionar com sede própria em 40. os salões de arte em Pernambuco só foram consolidados a partir de 1942 com a criação do Salão Anual de Pintura. onde está até hoje. dia da independência. O Museu foi locado numa instalação provisória na Cúpula do Palácio da Justiça. financeiras ou estritamente políticas. A finalidade do Salão Anual de Pintura era expor os trabalhos de conclusão dos alunos da Escola de Belas Artes do Recife. ele foi extinto e suas coleções foram anexadas à Biblioteca Pública do Estado. e nos anos 1990. passam por suas crises. no entanto. Em 1933. são abertas inscrições para artistas de fora do Estado. que apoiou a criação do Salão. Porém. deixando de ser realizado. peças pré-históricas. que. encontram-se em seu acervo peças de mobiliário. foi fundado o Museu do Estado de Pernambuco . com a suspensão dos salões até 1976. um espaço cuja proposta era guardar e expor coleções nacionais e regionais de importância social e científica. desenho. o museu não existiu nem mesmo no papel. Murillo La Greca. Além das obras de artes plásticas. ficando para o MEPE o acervo de arte moderna. dando sequência aos salões promovidos pelos Independentes. o que levou mais credibilidade ao evento. o Salão foi ganhando nomes diferentes. de influência belasarteana. Durante sete anos. Fédora Monteiro e outros.MEPE. Nos anos seguintes. por sua vez. gravura e até mesmo arquitetura. montou o 4º Salão de Arte Moderna. Em Pernambuco. Foi o que aconteceu na década de 1970. Mário Túlio. das culturas indígena e afro-brasileiras. Rui Barbosa. objetos do período colonial. Seu funcionamento naquele prédio. outorgando-lhe prêmios de aquisição cujas obras adquiridas formam hoje a parte acadêmica do acervo do Departamento de Extensão Cultural da UFPE. que divergiam do teor acadêmico do Salão de Pintura do MEPE. como escultura. 13 .O Museu do Estado e os salões de arte No dia 7 de setembro de 1930. durou apenas três anos. nove anos depois do primeiro salão do Grupo dos Independentes. Em 1933 e 1936 foram realizados os 1º e 2º Salões do Grupo dos Independentes. O evento só emergiu do naufrágio temporário em 2000. alguns autores citam o aparecimento do primeiro salão de arte em 1929. quando voltou ao cenário artístico da cidade. Com o tempo. foi criada a Sociedade de Arte moderna do Recife – SAMR.

Luiz Soares. Eles conseguiram ao endereço nº 150. Adão Pinheiro. Em meio a discussões entre o novo e o tradicional. no “Solar dos Amorim”. Humberto Magno. Heinrich Moser. inclusive no setor cultural. Ladjane Bandeira. O currículo dos cursos e a forma de acesso à escola batiam de frente com os questionamentos dos Independentes.EBAR. Henrique Eliot. Lenine de Lima. estando reunidos no ateliê de Mário Nunes e Álvaro Amorim. Bibiano Silva. José Norberto e Neves Deltro. Georges Munier. É importante dizer que a maioria dos artistas que formaram o grupo que criou a Escola era contrária à arte moderna que já se praticava no Recife. no dia 29 de março de 1932 os artistas Balthazar da Câmara. Dantas Suassuna. Reynaldo Fonseca. Mário Nunes. Conta-se que o pintor paisagista Telles Júnior reivindicava a criação de uma escola de belas artes no Recife. em cerimônia simples que constou da abertura de um livro de atas. Nestor Silva e Percy Lau. A formação proposta batia de frente com as tendências modernas que aqui se desenvolviam. Ismael Caldas. A Escola de Belas Artes seria uma instituição destinada à capacitação dos artistas em nível universitário. do moderno e o acadêmico surgiu a Escola de Belas Artes do Recife . Para recordar. Luiz Matheus. tendo como pioneiros Vicente. Manoel Bandeira. Raul Córdula. Francisco Brennand. Luciano Pinheiro. Rodolfo Mesquita. em 22 de agosto de 1930. instituição destinada à formação acadêmica de artistas. Cícero e Lula. tradicional. Flávio Emanuel. Hélio Feijó. Carlos de Holanda. afinal Sabe-se que havia uma tensão política e social no ar com mobilizações operárias e greves. Dez anos depois da Semana. João Câmara. Pimentel. José Cláudio acrescenta ainda os nomes de J. da Rua Benfica. Entre os anos 20 e 30. Pernambuco vivia uma inquietação em todos os sentidos. Oriana Duarte. eram eles: Augusto Rodrigues.Os Salões de Arte do Estado de Pernambuco foram responsáveis pela formação de um acervo de altíssima qualidade reunido através dos prêmios de aquisição que se acumulam desde suas primeiras versões e que formam um verdadeiro tesouro cultural. Sua ideia interessou a muitos artistas ao longo do tempo. Rinaldo. o moderno. criaram a Escola de Belas Artes do Recife. Bibiano Silva. Murillo La Greca. a mansão chamada de “Solar dos Amorim”. Fédora e Joaquim do Rêgo Monteiro. Montez Magno. Deste acervo constam obras de Vicente. deram vez às articulações de um grupo de jovens artistas que propuseram a criação de um salão de arte independente. Elezier Xavier. Jayme Oliveira. A arquitetura do local já demonstrava por si a proposta da escola: uma construção neoclássica e pomposa. Mário Nunes e Murillo La Greca. Em “Tratos da Arte em Pernambuco”. e o novo. Os embates entre o velho. Danilo Ramires. A Escola de Belas Artes do Recife. Francisco Lauria. que recebia então suas primeiras influências da Semana de 22. Emílio Franzosi. Roberto Lúcio. Ocorreu que. Wellington Virgolino. Gil Vicente. se iniciaram os 14 . entre outros.

que doaram livros para a biblioteca e quadros para a pinacoteca. João Câmara. A partir dos anos 1950 foram criados os cursos livres da EBAR oferecendo oficinas de arte com duração de três anos. Nos anos da ditadura. Desenho Industrial e Comunicação Visual. pintura e escultura. Nos anos de 1970. porém. Aurora Lima. entre outros. Laerte Baldini. Inicialmente. os currículos dos cursos da EBAR seguiam o modelo da Escola Nacional de Belas Artes criada no Rio de Janeiro pelo Imperador Dom Pedro II. mecenas da arte brasileira. Passaram artistas como Ypiranga Filho. Murillo La Greca. os cursos. Lula Cardoso Ayres. o Curso de Belas Artes foi extinto e começou a funcionar no mesmo prédio os cursos de Licenciatura em Educação Artística. faziam concessões aos estilos neoclássico e eclético que norteavam a arquitetura e a arte ornamental de décadas nos séculos XVII e XIX.cursos de arquitetura. Queralt Pratt. entre outros. José Tavares e Jairo Arcoverde. estavam artistas renomados que trabalhavam no Estado tais como os irmãos Fédora e Vicente do Rêgo Monteiro. A instituição contou com apoio de vários artistas e professores. De caráter acadêmico. foram transferidos para o Centro de Artes e Comunicação no Campus da UFPE. Entre seus professores. *** 15 . Roberto Correia.

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12 anos depois da criação do Grupo dos Independentes. nos informa o nome de quase todos os associados da SAMR: “Durante o 4º Salão. que desenhou o emblema. numa perspectiva de atualização e crescimento coletivo: a Sociedade de Arte Moderna do Recife – SAMR. Ladjane Bandeira. consequentemente. memória viva. Maria de Jesus Costa. e a ideia e realização da SAMR sua melhor consequência. A exposição de Abelardo não foi importante apenas para ele. e no ir e vir das visitações e da exposição de Abelardo. A questão acadêmica eivada do formalismo e dos cânones colocados sobre a prática artística provocava um estado de inércia nos jovens artistas. de conhecimento à produção da arte em outras cidades e regiões brasileiras. Da Sociedade faziam parte Augusto Reinaldo. Hélio Feijó redigiu o parecer que autorizou o patrocínio do DDC para a exposição. quando a presidência passou a Abelardo. dirigir um curso de fotografia dado pela Sociedade no qual saíram muitos fotógrafos.A Sociedade de Arte Moderna do Recife e o Atelier Coletivo Em 1948. ao lado de Hélio Feijó. o ambiente artístico no Recife vibrava de entusiasmo. surgiram questionamentos motivados pela conjunção de muitas ideias e projetos grandiosos carregados de queixas constantes sobre a academização das artes plásticas. cabendo a este um ano depois. Naquele ano. José Cláudio. editado pela Galeria Artespaço e Renato Magalhães Gouveia na década de 1970. Lula Cardoso Ayres. Uma consequência fundamental para a história da arte moderna no Recife foi a sua decisão. o jovem escultor Abelardo da Hora realizou sua primeira exposição na Associação dos Empregados do Comércio do Recife que ficava na Rua da Imperatriz. conectada com outras categorias de arte. Reynaldo Fonseca. de fundarem uma sociedade que tinha como propósito pensar e discutir a arte moderna de forma interdisciplinar. sendo um deles Clodomir Bezerra. tornando-se este seu primeiro presidente. a mesma instituição que abrigara em 1936 o 2º Salão Independente. Em “Memória do Atelier Coletivo (Recife 1952 – 1957)”. Os dois conseguiram arregimentar a participação dos principais nomes da cultura artística no Recife da época. dirigido pelo Sr. Césio Regueira. A aproximação dos dois gerou uma forte amizade. os fotógrafos Delson Lima e Alexandre Berzin. 17 . Francisco Brennand. de onde sairia o Atelier Coletivo. da Secretaria de Educação e Cultura do Estado. foi criada a Sociedade de Arte Moderna do Recife por Abelardo da Hora e Hélio Feijó. mas não contava com apoio institucional que correspondesse à sua instigante produção artística. que sofriam com a carência de exposições e com a falta de contatos e. Darel Valença Lins. A partir da exposição de Abelardo. Hélio Feijó era ainda um jovem artista e arquiteto que trabalhava no Departamento de Documentação e Cultura – DDC.

nesses seis anos. Barbosa Leite. para dar continuidade ao trabalho já desenvolvido pela SAMR. o entusiasmo transbordava em forma de reuniões frequentadas pelos interessados em fazer algo novo e diferente. Waldemar de Oliveira. Aderbal Jurema. Otávio Morais. José Laurênio. o ateliê. Foi então que surgiu a ideia do Atelier Coletivo do Recife. todas de literatura e arte. Abelardo Rodrigues. Ziembinski – que estava ajudando Hermilo na criação do Teatro do Estudante de Pernambuco – Joel Pontes. Edson Régis. avalizou e prestigiou a SAMR. Abelardo Rodrigues. o filho de Aníbal Bruno. José Gonçalves de Oliveira e Cezário Melo. Pelópidas da Silveira. a oficina. especialmente em oposição à disciplina acadêmica tradicional da Escola de Belas Artes. Guignard. Emeric Marcier. e artistas como Portinari. três vezes de lugar. um Moacir amigo de Delson (e que tinha sido muito amigo de Nestor Silva). Foi ainda quando os concretistas e neoconcretistas se lançaram em Rio e São Paulo e a pintura naïfe se colocou no mercado através da pintura de Dejanira e de Heitor dos Prazeres. José Teixeira. entre outros vigorosos artistas da ‘era’ moderna. o Grupo Santa Helena de São Paulo. a maioria intelectuais conhecidos até hoje. depois na Rua Velha e por 18 .o escultor e poeta Waldemar das Chagas. ela privilegiava a teoria em detrimento da prática. Otávio de Freitas Júnior. mudando. Embora a Sociedade de Arte Moderna fosse a válvula de escape de muitos artistas que não se viam encaixados no perfil convencional. no âmago dos artistas. Era o tempo em que se consagraram os primeiros artistas modernos de Pernambuco e modernistas da Semana de 22. que editava a revista Contraponto. o escritor Antonio Franca. Aderbal Jurema e Waldemar de Oliveira. Gilberto Freyre. o poeta Carlos Moreira. localizando-se primeiro na Rua da Soledade. o engenheiro Manuel Caetano. o escritor Hermilo Borba Filho. Bernardo Ludemir. pintores Eliezer Xavier e Mário Nunes. os petas Craveiro Leite. A participação de pessoas como Gilberto Freyre. Maurílio Bruno. palestras e encontros.” É importante notar que as pessoas citadas. que dirigia a revista “Região”. da revista ”Resenha Literária” e o seu fundador Permínio Asfora. que desenhava muito e fazia “móbiles”. pai de Paulo Fernando Craveiro. entre outros. conferências. A princípio. Tilde Canto e seu marido. como Dejanira. porém. Segall. O Atelier (assim mesmo. O Atelier Coletivo do Recife Havia. aderiram à discussão da arte moderna quando ainda era motivo de preconceito na tradicional sociedade pernambucana. escrito em francês) funcionou até 1957. Geraldo Seabra. a necessidade de se incrementar o ofício da arte. A SAMR colocava essas novas realidades em foco e com isso mexia com a cultura da cidade incentivando discussões e incrementando teorias ao produzir textos. Gilvan Samico. Iberê Camargo. criado em 07 de fevereiro de 1952.

Wilton de Souza e seu irmão Wellington Virgolino. Outra questão referente ao assunto é a distinção que se deve fazer entre a arte vista no conceito de arte aplicada e o simples ornato ou objeto de decoração. mas a vontade de aprender era intensa. em uma abordagem 19 . Com um novo conceito de arte transmitido pelos cursos livres. Guita Charifker. encontra-se desatualizada tornando-se necessária uma revisão profunda que vise disciplinar a escala e o material e a habilitação dos projetos em relação à qualidade da obra e a adequação à arquitetura do edifício. como cerâmica de alta queima. a religiosidade cristã e os xangôs. as festas populares como o São João e o Carnaval. Abelardo liderava um grupo composto inicialmente por Gilvan Samico.fim na Rua da Matriz. voltado para as tendências vigentes na época. Mesmo que este curso refira-se à arte moderna e contemporânea. Num segundo momento entraram José Cláudio. Genilson Soares e Armando Lacerda. assim como quase nada se sabe dos escultores anteriores a eles. Não se vendia. Do ponto de vista do mercado e da profissionalização do artista. Bernardo Dimenstein. que permita ser aplicado em fachadas. A escultura e suas interações – arte pública e muralística Do Grupo dos Independentes constavam os escultores Bibiano Silva e Carlos de Hollanda. Infelizmente pouco se conhece sobre suas vidas e obras. Um dos grandes feitos de Abelardo da Hora. mas também os pintores que trabalham com material de alta resistência. as visões do Sertão com o drama da seca – tudo o que representasse o povo pernambucano. As mudanças foram motivadas por problemas de caixa. Anchises Azevedo. Ivan Carneiro. e praticada pelos outros participantes. Ladjane Bandeira. Com isto não só os escultores. fez com que o Recife se tornasse pródigo na arte da escultura: seu empenho na aprovação pela Câmara Municipal da Lei de Obrigatoriedade da inclusão de obras de arte nos edifícios com área maior de 1000m². essa Lei é um avanço. Os mais jovens tornaram-se devotos do Atelier. entre outros. buscava a expressão cultural do cotidiano do povo: a realidade das ruas e a imagem dos mocambos. Esta lei resiste até hoje. A proposta temática que Abelardo defendia. conhecida como Lei das Obras de Arte. beneficiam-se desde então. Celina Lima Verde. Marius Lauritzen Bern. a inclusão da arte é condição sine qua non para o “habite-se”. Ionaldo Cavalcanti. esses artistas tornaram-se figuras ímpares no circuito da arte pernambucana. nem se comprava. Corbiniano Lins. como acontece na dinâmica dos processos artísticos. O aluguel da casa era mantido por uma cota dividida entre alguns participantes e associados. embora. porém. A proposta era criar um ambiente artístico.

eles instruíram os modernistas. que se pode notar nas esculturas como “Cantadores” e “Vendedor de Caldo de Cana” – Parque 13 de Maio. Ele é o autor do magnífico conjunto de esculturas instalado no molhe de pedras dos arrecifes em frente ao Marco Zero do Recife e do importante mural cerâmico realizado em 1952 na Rua das Flores. Monumento ao Maracatu – Rua da Aurora. pois. Monumento ao Frevo. Abelardo da Hora: Em “Memórias do Atelier Coletivo”. em aguada de nanquim colorido. Francisco Brennand: Ao lado de Abelardo e Corbiniano Lins. tradicionais empresários e industriais dessa atividade no Brasil. 20 . Abelardo passou a ter influência da cerâmica popular. na fase em que estavam reunidos no Atelier Coletivo. na Praça Joaquim Nabuco. realizado em 1950.ampla. no entanto. interpretaram os valores estéticos do povo manifestando-os através de admiráveis sínteses formais. ao se referir à sua própria obra. Brennand é o autor do maior acervo público do Recife. Sertanejo – Praça em frente ao Clube Internacional. principalmente Corbiniano Lins. sendo Abelardo. é necessário maior conhecimento dos escultores acadêmicos. na fachada do edifício Joaquim Nabuco. Rosa Soares e Roberto Correia. centro da cidade. e em 2004. um conjunto de obras composto de esculturas e murais cerâmicos de alta queima cuja matéria é desenvolvida por ele próprio por meio das pesquisas da tradição cerâmica que herdou de sua família. são os mais presentes escultores da cidade. Memorial aos Retirantes – Parque Dona Lindú – Monumento a Miguel Arraes – entorno do Aeroporto. Neste meio estavam Edson Figueiredo. a série É Hora de Brincar. pois não tiveram o mercado desbravado por ela. Abelardo desenhou no ano de 1962 o álbum Meninos do Recife. Armando Lacerda e Wilton de Souza. poética denúncia da miséria dos entornos da cidade e a série Danças Brasileiras. o precursor desse “estilo”. Há também o mural cerâmico Nabuco e a Abolição. sobre a Batalha dos Guararapes. pai do escultor Jobson Figueiredo e orientador de Abelardo da Hora na Escola de Belas Artes e o português também professor da Escola Cassimiro Correia. de 1977. lê-se que.” Abelardo e seus pares. aguadas de nanquim. De sua fase social-expressionista. Família. especialmente de Caruaru. como professores da Escola de Belas Artes. constam obras como “A Fome e o Brado”. além de Álvaro Amorim. Infelizmente pouco se conhece da obra e vida dos escultores de antes da Lei. Abelardo falava do sofrimento e do drama do povo: “Meus trabalhos eram de uma linguagem nova e de um expressionismo muito forte. “Seu Birunga” e “Água Para o Morro”. ambas em bico de pena.

Também é. Em alumínio. vendedores. Analisando a linha do tempo em sua obra. Ao retornar de seus estudos na Europa ele montou o seu ateliê-oficina na antiga fábrica de cerâmica da famíia. Brennand transformou-se neste artista monumental que o Nordeste e o Brasil conhecem hoje. dedica-se a esculpir as características populares do Recife representando aspectos da vida dos trabalhadores. Ele desenvolve seu trabalho em dois materiais principais. que. como Abelardo e Brennand. Brennand foi estudar na Europa com diversos mestres. onde está plasmada a maior parte de sua obra. mas pela dimensão simbólica de sua obra. seu pai. Esta opção influenciou outros artistas de Pernambuco e da Paraíba. porém com o molde feito em isopor que. músicos. ele também desenvolveu uma técnica de fundição a partir da “cera perdida”. mas hoje são aspectos diferentes de sua arte: a matéria cerâmica contaminou. geralmente baixa e sem cobertura de engobe. a madeira e o alumínio.pode-se mesmo chamá-lo de templo. integrante do 21 . como pescadores. em muitas ocasiões. Monumental não apenas pela dimensão física de sua enorme produção. com a cera. ao esfriar. jornaleiros. como Ferreirinha. grande e constante tema de sua obra. Plínio Palhano e os paraibanos Miguel dos Santos e Chico Ferreira.Brennand recebeu de Abelardo suas primeiras orientações artísticas. foi contaminada pela cor morna da terra queimada e seus esmaltes. ex-aluno da escola de Belas Artes. gesto comumente afeito ao artesão ou ao designer. graças ao silêncio e ao respeito que o ambiente inspira. lavadeiras. também usada para a fundição de joias de ouro e prata. no período em que trabalhou para Ricardo. verificamos então que cerâmica e pintura sempre travaram intenso diálogo. na fábrica da família. Corbiniano Lins: Assim como Abelardo. mas sua convivência com a cerâmica fez com que seu material expressivo transcendesse à cor e abarcasse a terracota (outro nome para cerâmica – terra cosida – geralmente chama-se de terracota a cerâmica escultórica que passou por uma só queima. Brennand é pintor na origem. onde trabalha até hoje. Ypiranga Filho: Grande mestre da arte e da técnica. É um escultor dos raros que empregam a cerâmica como material expressivo. na Várzea. etc. admirador do corpo feminino. com as possibilidades tridimensionais. torna-se a escultura. inclusive André Lothe. e a pintura. a escultura que realiza agora. vidro ou esmalte). volatiliza-se com o calor deixando na areia de fundição o vazio para ser ocupado pelo alumínio liquefeito. Seu ateliê é uma atração do turismo cultural por sua beleza arquitetônica e pela importância do acervo escultórico lá existente .

desenvolveu a terracota como sua matéria escultórica junto aos artesãos e artistas de Tracunhaém. Na 4ª aula voltaremos ao assunto. É uma referência como líder comunitário e pensador das questões que envolvem arte e artesanato. João Câmara. José Cláudio experimentou diversas matérias escultóricas optando finalmente pelo granito a partir de oficina que ministrou aos artesãos da cantaria em granito na região de Nova Jerusalém. Marcos Cordeiro. um dos pioneiro da arte contemporânea no Nordeste. Guita. É um vanguardista. Na ocasião ele também orientou os artesãos na direção da criação de suas esculturas. Maria do Carmo Nino e Sebastião Pedrosa. Ele morou na Alemanha nos anos de 1960 e no seu retorno para Recife se integrou no Movimento da Ribeira. Ypiranga é pioneiro no Nordeste da assamblage – técnica escultórica de criação de objetos através da colagem de diversos materiais – que ele faz a partir do ferro e de objetos de origem metalúrgica. autor de obras em várias cidades nordestinas. José Barbosa e outros. José Cláudio é escritor e pesquisador da arte pernambucana. este por excelência.e mesmo literatura.Movimento da Ribeira. Além de artista plástico. apoiando e transmitindo seus conhecimentos de mestre a garotos da comunidade do entorno de seu ateliê. Sua esculturas de maior porte se encontram em jardins residenciais e institucionais. em Olinda. entre outros. também escrevem: Brennand. tendo como modelo a cultura do povo do lugar. Como ele. Plínio Palhano. José Cláudio: Outro pintor. Ele foi Monge Beneditino e conservou em Tracunhaém a mesma atitude sacerdotal que mantém em Olinda. seguiu os caminhos simplificados da escultura popular. sintetizando curvas dinâmicas à procura de harmonia e expressão. ao lado de Adão Pinheiro. na Praça com seu nome. José Tavares. no Horto do Juazeiro do Ceará. que também lança mão da escultura. autor de títulos como “Tratos da Arte em Pernambuco” e “Memória do Atelier Coletivo do Recife”. Possui no Bairro do Recife a “Cabeça de Ascenso Ferreira”. Paulo Bruscky. A escultura representa uma das mais importantes sequências de sua obra. com a altura de oito andares. José Cláudio é um artista eclético. sertão pernambucano. Tiago Amorim: Também pintor e precursor da “talha” de Olinda. pintor e desenhista que já foi ligado à arte de vanguarda. Assim como Corbiniano Lins. onde por muito tempo manteve ateliê e foi orientador. 22 . praticantes e interessados na teoria e crítica de arte . Armando Lacerda: Sua obra principal é a “Estátua do Padre Cícero”.

por exemplo. principalmente em prédios de Boa Viagem. de poetas da cidade. mas suas obras mais conhecidas estão nos edifícios de Oscar Niemeyer desde que o conheceu na Europa quando de seu exílio. Paulo Andrade: Escultor e designer que utiliza. em Belém do Pará. João Cabral de Mello Neto. mas sua obra está também presente em outros edifícios assinados por Niemeyer na Capital Federal. No Recife. ela tem o vitral do Tribunal Regional Federal e a escultura em bronze da Escola de Contas Públicas Professor Barreto Guimarães. ele é autor do monumento “Tortura Nunca Mais”. além das obras particulares em fachadas e halls de diversos edifícios. do Memorial JK e da Câmara dos Deputados. É patente sua participação em obras de grandes arquitetos no Recife e em outras cidades brasileiras. Além disso. geralmente feitas em concreto moldado. Helder Ferrer: Outro escultor que trabalha com diversos materiais. Demétrio: Tem obras por todo o centro do Recife. Sua arte reflete sua condição metropolitana. Joaquim Cardoso. como Manuel Bandeira. Designer de joias. Jobson Figueiredo: Outro escultor presente na cidade com obras como os monumentos militares que estão em frente ao Quartel do Derby e outros na pracinha atrás do Cemitério dos Ingleses. pois ele é autor das diversas esculturas. como os vitrais do Panteão da Pátria. e há décadas reside em Olinda. Ascenso Ferreira. entre outras que estão distribuídas pela cidade. o metal em suas peças moldadas e dobradas em alumínio e ferro. seu gosto pela estética da organização e da ordem.Marianne Peretti: Escultora e vitralista nascida em Paris que vive em Pernambuco desde 1953. Ela é filha de pai brasileiro. Digno de citação também é o vitral do Memorial da Cabanagem. Uma de suas obras conhecidas é um enorme caranguejo de chapas de ferro moldadas e soldadas que por muito tempo ficou na Rua da Aurora ao redor do monumento “Tortura Nunca Mais”. Sua obra mais importante talvez seja o conjunto de vitrais da Catedral de Brasília. mobiliário e instalações de supermercados e lojas. do Palácio do Jaburu. 23 . onde estão também outras esculturas de autores diferentes. Suas obras mais conhecidas são ligadas ao movimento Manguebeat e refletem o ambiente vegetal e a fauna dos mangues do entorno do Recife. Ele também é autor de muitas obras em edifícios produzidas a partir da Lei das Esculturas. sobretudo.

citaremos as obras dos artistas Marcelo Silveira. José Paulo. como a arte postal (ou mail-art) e o Livro de Artista. assunto que veremos na 4ª aula. matéria dos marcos da entrada do Porto do Recife – um verde outro vermelho. Cristina Machado. também utiliza a cerâmica como matéria. e produz suas esculturas em alta queima na sua oficina-ateliê de Campo Grande. Sua produção envolve esculturas e painéis cerâmicos. Maurício Castro. embora sejam colecionadas como artesanato de qualidade. A gráfica moderna e o desenho no Recife O Gráfico Amador: Em 1954. A concepção do livro como objeto de arte fixou-se na concepção dos escritores e do público. Braz Marinho. desenvolveu técnicas de moldagem e desmoldagem formando assim diversos novos escultores. Esta casa de criação. Outros artistas da escultura: João Batista de Queiroz que trabalhou com madeira. Alex Mont’Elberto. acompanhado do designer Aloísio Magalhães. de uma série de painéis cerâmicos no Country Club e na Universidade Católica de Pernambuco. Na arte contemporânea. e orientou a criação de mídias expressivas que apareceram posteriormente. 24 . mestre da madeira. são na verdade esculturas sacras. Cavani Rosas. colocou o Recife na vanguarda das artes gráficas e nos legou uma profícua produção de textos e imagens. composta escritores e artistas do livro. mais conhecido como santeiro. muito antes da criação da Oficina Guaianases de Gravura. utiliza a madeira para esculpir grandes cabeças de São Francisco que. Amaro Maciel e Zeferino. principalmente. Pedro Índio.Ferreira: Como Brennand. mestre da moldagem em concreto. “ferreiros” já falecidos. mas também produz azulejaria pintada em painéis e cria elegantes objetos de porcelana. Marcelo Coutinho. Ele também experimentou a escultura em ferro soldado e o mosaico. e com resina plástica. Adolfo Sérgio. Nicola. da Capitania dos Portos. escultor e desenhista. Ferreira também é pintor e desenhista de muita presença nas galerias de arte da cidade. escultor de pedra. o escritor e editor Gastão de Holanda. escultor e designer de mobiliário presente nas fachadas dos edifícios em várias regiões da cidade. É autor do mural Navio Chegando. formam uma geração de escultores espontâneos de Olinda. dos escritores Orlando da Costa Ferreira e José Laurênio Melo. criaram uma oficina experimental de artes gráficas que nomearam de O Gráfico Amador.

de Gastão de Holanda”. arte postal). e o Curwen Press. de Paris. estão catalogadas 27 edições tipográficas ilustradas por artistas como Adão Pinheiro – que ilustrou. primórdios da imprensa. ilustrações manual dos livros na Idade Média. Esta foi uma das conquistas da modernidade. “Ode” de Ariano Suassuna. 25 . “Memórias do Boi Sarapião” de Carlos Pena Filho. chega-nos também a concepção do “Livro de Artista”. Percy Lau. como a pintura e a escultura. além da adoção do design gráfico moderno. porém. o precursor do desenho Industrial (design) no Brasil. A experimentação foi sua tônica – veja-se. Aloisio Magalhães. o cinema e o vídeo (cinema de artistas e videoarte). de Mauro Mota. João Câmara e Delano. desde que no período acadêmico o desenho não existia isoladamente como categoria de arte. o livro de poemas “Gesta”. por exemplo. Segundo a pesquisadora Lúcia Gaspar. mentor da criação da Escola Superior de Desenho Industrial. no Rio de Janeiro. Hélio Feijó. principalmente a fotografia. Francisco Brennand. é um conceito que cinge a relação entre escritor e artista. Entre estas publicações constam “Pregão Turístico do Recife“ e “Aniki Bobó” de João Cabral de Mello Neto. e dos ilustradores da imprensa literária nos anos 50/60. mantinha contatos com o Corbusier Graphique. Augusto Rodrigues. ocupando seu lugar nas coleções particulares e acervos públicos. como Lula Cardoso Ayres. como O Gráfico Amador. “Ciclo”. como Ladjane Bandeira e Zuleno. a exemplo da praxe existente na produção de gravura. da Biblioteca da Fundação Joaquim Nabuco. de Londres. A evolução da imprensa nos levou à alta tecnologia que agrega hoje várias categorias de arte. de Carlos Drummond de Andrade e “O Burro de Ouro”. e ainda pela arte desenhada por artistas de outras categorias. consequência do olhar abrangente dos novos tempos da arte que. As artes gráficas sempre se destacaram no Recife pelo reflexo da obra de artistas desenhistas como Manuel Bandeira. a partir da xilogravura. por exemplo. entre tantas fronteiras rompidas. O livro como objeto de arte. embora sendo o elemento básico para sua prática. Abelardo da Hora. Na contemporaneidade. característica fundamental na concepção dos que fizeram O Gráfico Amador. A “Tecelã”.O Gráfico Amador produzia pequenas edições tipográficas numeradas e assinadas. ESDI. de Jorge Wanderley. a fotocópia (xerografia). haja vista a produção das “iluminuras”. O desenho como arte O desenho em papel tornou-se produto artístico das galerias do Recife nas décadas de 50/60. O Gráfico Amador contava com a colaboração de 57 sócios. Adão Pinheiro. entre artistas e intelectuais. se concretiza pela utilização de novos meios – novas mídias – como o correio (mail art. a obra e a vida de Aloisio Magalhães. ele tinha apenas a função de estrutura para a pintura.

que atingiu seu auge no Japão no período Ukuioê (século XIX). Este uso não se restringe ao Nordeste do Brasil. A xilogravura foi em determinada época o principal meio de editar imagens na imprensa. obra chave para a geografia física e humana tratada oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. acasala. onde as reportagens de guerra eram impressas em xilo. em 26 . cabe perfeitamente no equipamento de impressão tipográfica. a técnica de repassar uma imagem gravada numa matriz para outro meio. se repetiu também na obra ilustrativa de Manuel Bandeira – veja-se o livro de Gilberto Freyre. A matriz gravada saiu da madeira para o metal (buril. Em 1972 o crítico de arte carioca Roberto Pontual escreveu: ”Desde a vinda para o Rio de Janeiro. na arte moderna. responsáveis pela impressão dos cordéis com as capas em xilo. manipula e organiza o sonho. de traços finos que se entrelaçam como uma malha. intitulado Cabchui. curador do MASP. que o editou. para a pedra (litogravuras). na sua pequena oficina gráfica. Na concepção moderna. A gravura em Pernambuco A necessidade de expandir o conhecimento: a partir desse princípio a gravura surgiu na história humana. a xilo. de 1949. como Bardi referiu a arte de Maria Carmem. Trabalhadas em tacos de madeira. como as “Minervas”. ponta seca. em fins de 1970. água forte e água tinta). Gita também se destaca no mesmo afã pelo desenho. em essência. Mãe da imprensa. especialmente nos prelos ou nas pequenas máquinas. e durante a revolução mexicana o grande artista Guadalupe Posada imprimia em xilo. A gravura é. se coloca na fronteira entre o desenho e a pintura.Foi também nas décadas de 50 e 70 que surgiram as obras de Maria Carmem e Gita Charifker. existiu um jornal em Assunção editado em Guarani. depois de longa atividade como desenhista no Recife. como a mais importante artista do desenho brasileiro. Guita tem dado sequência a um desenho que absorve. Maria Carmem chegou a ser colocada criticamente por Pietro Maria Bardi. duas das mais importantes artistas brasileiras que se destacaram através do desenho e da aquarela – técnica artística que muitas vezes. Vejam-se as ilustrações de Percy Lau para o livro “Tipos e Aspectos do Brasil”. Este desenho como malha. até às técnicas modernas de reprodução de imagens como o estêncil e a serigrafia. onde ela realizou uma grande exposição. a gravura é originária da China e sua técnica primeira foi a gravura em Madeira – xilogravura. geralmente o papel. a gravura adquiriu com o tempo o status de arte.” Interessante é notar que desde Percy Lau se pratica um tipo de desenho minucioso. Durante a guerra do Paraguai. como é popularmente chamada a matriz de xilogravura.

que 27 . com um grupo de amigos. nos quais obras de maior valor são vendidas em grupo e a prazo. o artista gaúcho Carlos Scliar. composto pelos artistas Abelardo da Hora. uma vez o grupo completo. foi o responsável pela criação da Oficina Guaianases de Gravura. sendo o mais ativo o Clube de Gravura da Oficina Guaianases. Viveu no Rio de Janeiro e em São Pulo. como fizeram também os xilogravadores que ilustravam as capas. Gilvan Samico e Ionaldo Cavalcanti. A intenção do artista gaúcho era propor a criação de um clube de gravura no Recife. que pagavam uma mensalidade e eram sorteados com quatro gravuras por ano. Com esta inspiração. A abrangência da gravura em Pernambuco vai muito mais longe. Depois de realizar o conjunto de 100 litogravuras da antológica série “Cenas da Vida Brasileira”. em busca da ideologia sócio-política por ele difundida e vigente no Atelier através das ideias de Abelardo. O resultado foi a criação da Oficina Guaianases. Outros clubes de gravura foram criados. entre eles o pintor Delano. Em Pernambuco. como veremos a seguir. assim nomeada por ter como início o antigo ateliê de Câmara na Rua Guianeses. além de ser o grande artista que todos conhecem. a gravura tem uma importância fundamental a partir da xilogravura popular e a obra gráfica de Gilvan Samico. Isto inspirou a formação dos chamados “consórcios de arte”. em 1952. conviveu com as obras de Lívio Abramo e Oswaldo Goeldi na década de 50. Wilton de Souza. as prestações são divididas em número igual aos dos consorciados. os equipamentos adquiridos para tal: pedras e prensas. em Campo Grande. Câmara. fundada em Olinda em 1974. Scliar procurou Abelardo da Hora. principalmente. Samico tornou-se um dos mais importantes eruditos do Brasil. ele aprofundou este universo simbólico e com isto determinou a identidade de sua obra única. por sua vez. isto é. criou do Clube de Gravura de Porto Alegre. resolveu socializar com um grupo de artistas amigos. A ideia dos clubes de gravura foi facilitar e democratizar a aquisição de arte por edições comercializadas entre seus sócios. um pasquim diário sobre os combates e os fatos políticos. os artistas do Atelier Coletivo fundaram. Inspirado nos contos e lendas populares e nos textos dos folhetos de “cordel”. em busca da ideologia sócio-política que procurava para expandir suas ideias. Wellington Virgolino. foi o mestre da xilogravura erudita pernambucana.Guadalajara. o Clube da Gravura do Recife. O Clube editou em 57 um álbum pioneiro de xilogravura. e da obra litográfica do pintor e gravador João Câmara. Os Clubes de Gravura Ainda no final da década de 1950. dirigente do Atelier Coletivo. Ele assumira a tarefa de divulgar pelo Brasil a importância da gravura como expressão artística ideal para expandir a problemática social brasileira em um raio de alcance maior que a obra de arte convencional.

Piedade Moura. A Guaianases deu a Olinda a posição de referência nacional da produção de gravura e recuperou uma técnica tradicional de produção de imagens colocando-a a serviço dos artistas. Maurício Silva. José Patrício. Gil Vicente. e Maria Bonnomi. Luciano Pinheiro. a única ainda viva dos quatro. que abriga o acervo de litogravuras da Oficina Guaianases. Maurício Silva. Liliane Dardot. binário que só a xilogravura comporta. O impressor Alberto. documentos. como Oswald Goeldi. Maria Carmem. Amélia Couto. Pérside Omena. fotografias e desenhos procedentes de várias personalidades relacionadas à sua vida intelectual. José Carlos Viana. 28 . Utilizando a xilogravura como seu meio principal. Maria Tomaselli. pois dela foram sócios artistas como Delano. entre tantos outros. na Biblioteca Joaquim Cardoso do Centro de Artes e Comunicação da UFPE. Alexandre Nóbrega. alguns de origem popular em lito e xilogravura. no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco – principalmente o acervo que pertenceu ao colecionador Abelardo Rodrigues. Dulce Lobo. ele criou um universo fantástico tomando como base o imaginário popular nordestino. para muitos historiadores. Lívio Abramo. Marcos Cordeiro. Exemplos da gravura pernambucana são encontrados em acervos como a coleção de Giuseppe Baccaro.funcionou por mais de dois anos e editou gravuras de Liliane Dardot. José de Moura. Em suas entrevistas ele lembra a importância determinante de Ariano Suassuna na sua arte quando o procurou em busca de conselhos do amigo. A Guaianases ainda cumpre um grande papel na formação e na socialização dos artistas do Recife. já é falecido. com coleções de estampas (rótulos de cachaça e cigarro). Mariza Lacerda. A gravura de Samico Gilvan Samico é. Vemos hoje seu nome ao lado dos mestres da gravura moderna brasileira. podemos dizer. e Ariano lhe disse que “procurasse” no mundo mágico da poesia e da gráfica de cordel. Petrônio Cunha. Oficina Guaianases de Gravura A Guaianases serviu a cerca de cem sócios artistas que criaram. pois a Oficina ainda existe funcionando no Centro de Artes da UFPE. composto de gravuras. e ainda criam suas obras. José Patrício. Pérside Omena. críticos e curadores de arte. Daí sua arte se alinhou numa vertente de representações do mundo ao modo. Samico. Maurício Castro. ambos seus antigos mestres. a grande gravadora experimentalista de São Paulo. entre outros. do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco – acervo iconográfico e fotográfico. Tereza Costa Rêgo. preservando também o saber dos antigos litógrafos. um dos mais importantes artistas da gravura do mundo. o outro grande artífice pernambucano do delicado conhecimento da impressão litográfica. José Paulo. através de seus equipamentos e da habilidade do impressor Hélio Soares.

*** 29 . é sobretudo. O desenhista tendente à fantasia da perfeição que nos surpreende quando vemos seus desenhos dos ano 50. e a virtuosa. representada por suas paisagens e seus retratos. que reproduz o universo de sua xilogravura. o pintor quando conhecemos as duas direções de sua arte: a imagística. Samico não é somente o gravador. o desenhista e o pintor.Porém.

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José Tavares. que Adão Pinheiro apelidou. a temática popular e a superabundância formal própria da arte barroca. A comparação entre estes filósofos e juristas do século XIX com o meio artísitico certamente se deve à identidade de propósitos em relação à autenticidade – do pensamento. Tinham em comum algumas características. em relação aos filósofos. talvez inspirados pelo movimento filosófico do século XIX intitulado de Escola do Recife. no entanto. Martins Júnior. mas também dos artistas do teatro e da música. inclusive. a Escola do Recife teve a liderança do filósofo sergipano Tobias Barreto. Alguns jornalistas ligados à crítica de arte. Mas a Escola filosófica do Recife foi um acontecimento muito diferente que vale a pena ser lembrado: Nascida na Faculdade de Direito do Recife entre os anos de 1860 e 1880. Pode-se. e a influência disto em artistas locais como José Barbosa. José Higino Duarte Pereira. com alguns acréscimos. tanto pintados como entalhados. Urbano Santos da Costa Araújo. Ladjane Bandeira. vigorou na América Ibérica. 31 . pensar em resquícios do Regionalismo pernambucano próprio do pensamento de Gilberto Freyre. Paralamente. Artur Orlando. para o meio artístico do Recife àquela época vingou o termo Figuração do Recife. Recife se torna um polo de arte figurativa chamada também de Figuração do Recife. nas décadas de 1960/1970. porém. Guita Charifker. Vitoriano Palhares. Gumercindo Bessa e João Carneiro. os artistas de Recife e Olinda. Araripe Júnior. assim. de Neobarroco. Graça Aranha. Capistrano de Abreu. Adão referia-se ao ornamento das igrejas. No entanto. com a colonização. Faelante da Câmara. ele mesmo. quando adquiriu “cor local”. em relação aos artistas. em Olinda nascia uma variação da mesma visão de arte.A Figuração do Recife Os artistas cujos nomes estão citados acima. formam o ambiente artístico de Pernambuco na primeira metade do século passado. Clóvis Beviláqua. Wellington Virgolino e. e do olhar. A partir de então. O surgimento de Olinda como cidade propícia à atividade artística na década de 1950 provocou a descentralização não apenas dos artistas plásticos. como a paisagem. que foi acompanhado por personalidades de grande importância intelectual. inteligentemente. o meio artístico se ampliou e sedimentou-se com níveis críticos de excelência. algo que pronunciava o interesse pela desordem estética que caracteriza este “estilo” que vigorou na Europa advindo da contrarreforma e. nomearam. mesmo com o advento da ditadura. como Sílvio Romero. Reynaldo Fonseca. Em meados do século passado. Abelardo Lobo. entre outros.

de José Cláudio. a disponibilidade de sobrados com ótimos espaços para ateliês para alugar por preços mais em conta do que no Recife. e muito criticado por correntes críticas exteriores ao Nordeste. Humberto Magno. basta percorrer a obra dos seus artistas: José Barbosa. a presença de vários outros artistas atraídos por fatores como a tranquilidade. de alguma maneira. aqui nasceu uma nova geração de artistas que hoje estão adultos. “designers”. Catarina Aragão e Paulinho do Amparo de Humberto Magno e Iza do Amparo. que a convite do Prefeito Eufrásio Barbosa. Liliane Dardot. Eis a Olinda de hoje. se respeitam. paisagística e comunitária. Tiago Amorim e muitos outros. se gostam e quase todos que aqui moram. Tereza Costa Rêgo. Tereza Costa Rêgo. como se proclamou um Bajado um dia. e os filhos-artistas Mané Tatu . além dos artistas de Olinda. Cícero e Lula. Roberto Peixe. relacionamos os pioneiros Vicente. Marcelo Peregrino. são artistas de Olinda. Luciano Pinheiro. e o conforto de sair do foco que era Recife na época da ditadura. o incentivador dos artistas na década de 1960. no sentido da atualidade da arte que não se limita mais a categorias artísticas. foi Secretário Municipal de Cultura e Turismo. posteriormente. como Ypiranga Filho. Marisa Lacerda. Marilah Dardot. de Samico. Guita Charifker. José Tavares. Guita Charifker. Figuração do Recife abrangeu a quase todos. Maria Carmem. substituindo Adão . José Cláudio. fotógrafos. José Amorim.muitíssimo utilizado para classificar a quase totalidade da produção da arte local antes da contemporaneidade. Petrônio Cunha. miscigenada de novas e antigas manifestações artísticas. e ainda o Grupo dos Independentes. consequentemente. com destaque para João Câmara. colocando-se com sucesso no meio artístico nacional como pintores. com seu carnaval impregnado nas ladeiras de som e movimento. Um lugar onde todos se conhecem. Juliana Notari. Olinda Quem conhece o Sítio Histórico de Olinda sabe que ele é uma joia urbana. e sua democracia barroca. de Liliane Dardot. e. Tiago Amorim. uma tradição da cidade – e contemporâneos. Nos primórdios de seus movimentos artísticos modernos. Roberto Amorim. arquitetônica. Gilvan Samico. escultores gravadores. artesãos. Eles foram para Olinda e criaram suas famílias e. performáticos – aliás. Marisa Varela. Na “crônica” artístico-social da época. de Roberto Peixe e Juliana Calheiros. Bernardo Dimenstein. a “cidade dos artistas” com suas diversas faces. Cidade impregnada de uma arte que almeja às visões do paraíso. de Sônia e Ivaldevan 32 . João Câmara e Vicente do Rêgo Monteiro. iniciados na década de 1950 por Adão Pinheiro e seus companheiros de ateliê Anchises Azevedo e Montez Magno.

Ypiranga Filho – que se iniciou nos ateliês livres e depois. Os Naïfes Nos anos de 1950. coloca-se numa posição preconceituosa. no campo das artes visuais. É necessário distinguir o universo da arte dita “popular”. Para comentar e definir este campo de conhecimento gosto de usar os preceitos com os quais o crítico de arte Oscar D’Ambrósio. artista naïfe por excelência – ou ingênuo – já estava aqui e assistiu a chegada dos novos que interagiram com ele. alunos da Escola de Belas Artes da UFPE ou de seu famoso Curso Livre e tiveram formação ou treinamento pelas mãos de artistas como Vicente do Rêgo Monteiro. Tiago Amorim. pelos próprios pais.a crítica e curadora Aracy Amaral foi quem proclamou esta. na maioria. arte é arte em qualquer contexto. Há década se falou em Arte Provincial . Nada mais correto. Eles são. categoria sociológica da arte. mesmo aqui existindo excelências em todas as outras categorias da arte. Esta é a arte de povos que vivem defasados no tempo.Calheiros. Falamos então de “arte primitiva”. mas como um privilégio urbano. por exemplo. pois os desenhistas. 33 . digamos. Citando o teórico Georges Kasper. fotógrafos escultores e artistas de várias linguagens modernas e contemporâneas. que é mais complexo do que a maioria das pessoas pode imaginar. depois. Desde os primeiros movimentos artísticos dos anos sessenta até agora. um tesouro vivencial de cultura preservada. Não. Ele coloca que a arte naïfe é uma produção simbólica ingênua onde o detalhe tem um papel preponderante. patrimônio humano e material. este domínio é apenas quantitativo. entre outros. Lula Cardoso Ayres. Mas. para citar somente estes três integrantes do notável naipe de artistas-professores da época. José Tavares. os pioneiros da modernidade olindense foram treinados pela persistência do olhar sobre as obras de arte nas casas-ateliês onde viviam com seus pais. Quem pensa dessa maneira. também exercem um papel qualitativo. José Cláudio. professor da USP. tornou-se professor do curso regular de nível superior. gravadores. Agregaram-se a eles Guita Charifker. que também nasceram para a arte a partir de estudos e orientações com os mestres da época. Bajado. pelo menos se conhecemos Olinda e seus artistas. Jairo Arcoverde. nas questões pragmáticas. Samico e Baccaro. os pintores dominam a cena. Não estamos colocando “província” como “atraso”. Os artistas que para aqui vieram nos anos 60 eram. A pintura é a principal arte praticada aqui. Portanto. quando os filhos apontavam para a velha mania da arte. João Câmara. através de concurso. ele coloca a arte naïfe como “arte primitiva moderna”. pois este conceito é duvidoso quando se nota que por popular se quer dizer pobre de cultura ou pertencente a uma classe na qual a cultura não passa de vulgar. Reynaldo Fonseca. analisou a pintura da paraibana Analice Uchoa no prefácio do seu livro.

fruto do embasamento ibérico de nossa cultura e do aspecto medieval da representação gráfico-plástica de nosso olhar. clãs e reinados. na dimensionalidade da figura e da composição. etc. pintada ou realizada em outras técnicas. carnaval. Tudo isto ocorre na cultura do mundo. Isto ocorre em Olinda nos quadros que retratam os caboclos de lança. Ariano. A Arte Armorial Ainda na década de 1960. como simbolicamente se considera qualquer cidade. Ariano Suassuna codifica sua visão da arte nordestina. e para Ariano a tradução disso está na linearidade do desenho. sua própria obra desenhada. Ariano enxerga em todas as manifestações de nossa cultura autêntica e pura. drogados ou alucinados. é um grande artista e designer. Nem todos concordam com isto. Há ainda os que fazem “arte bruta”. por muitos denominada de “estilo armorial” por conter elementos estilísticos preponderantes. que repercute em todas as manifestações artísticas encontradas aqui no Nordeste: artes visuais. e das manifestações das artes plásticas que se alinham com a estética dos “brasões”. desenvolveu um “alfabeto armorial” 34 . teatro e literatura. no sentido de “brasões”. que se expressam artisticamente. comunidades rurais. pois o principal motivo da existência do “armorial” reside no conteúdo historicamente nordestino. Os pintores “ínsitos”. Nas artes visuais. que por sua vez são o receptáculo literário desta herança. como foi na tapeçaria e na pintura medieval. Os “maneiristas” são aqueles que elaboram cuidadosamente a superfície da tela em busca de uma suposta perfeição. estão em todas as sociedades sem necessitarem formação ou inclusão em movimentos artísticos eruditos. oleiras. da religiosidade mágica ou negra como o Candomblé. maracatus. e Olinda está no mundo. ele mesmo. ainda sem as máculas da civilização contemporânea pelo capital. ou inatos. isto é. vê o mundo. música. principalmente se vermos a xilogravura das capas dos “cordéis”.povos tribais. indígenas ou semelhantes. da música – moda de viola e música medieval. dança. cirandas. pela vulgaridade trazida pelo lucro fácil. são universais. como os psicopatas. tendo lançado o Movimento Armorial. classificação vinda de Jean Dubufet. das “armas” das famílias. grupos. os mesmos traços da narrativa medieval – poesia de cordel e menestréis –. define formalmente a “Arte Armorial”. Armorial é o coletivo de “armas”. Os “instintivos” são os “pintores do coração”. Podemos falar também em “pintores folclóricos”. aqueles que plasmam em suas cores vivas as danças e os ritos populares. é o mundo. malucos.

Muitos artistas visuais pernambucanos se ombrearam com Ariano. o pintor e xilogravador Gilvan Samico.baseado nos “ferros de gado”.. João Suassuna. *** 35 . e construiu um mundo paralelo de imagens fantásticas que. como uma baliza deste movimento. embora assustadora. seu genro Alexandre Nóbrega. pois seu pai. sobrinho Romero Andrade Lima. no Palácio do Governo. se vistos por sua mente sem fronteiras formais ou acadêmicas. Bernardo Dimenstein. mostrará uma realidade sóciopolítica belíssima. Elegendo a cidade de Taperoá como sua cidade – ele nasceu em João Pessoa. sendo o mais importante. Ariano a transformou em centro das visões históricas eivadas da magia de sua arte. Muitos outros o seguiram e seguem: seu filho Manuel Dantas Suassuna. era à época Presidente da Província da Paraíba –. que são o equipamento para marcar com ferro-em-brasa as reses de um determinado rebanho. o escultor em cerâmica e pintor Miguel dos Santos – pernambucano de Caruaru residente em João Pessoa . Aluísio Braga. entre outros.

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chamadas de artes plásticas. como equilíbrio cromático. chegamos ao seguinte: pós-impressionismo – expressionismo – cubismo – futurismo – construtivismo – suprematismo – dada – surrealismo – realismo socialista – informalismo – expressionismo abstrato – neoconcretismo – happening – minimalismo – land art – arte povera – arte conceitual – Arte Performática – Arte Tecnológica – body art – vídeo arte – grafite e outras manifestações de arte de rua – instalação. uma instalação e uma pintura naïfe.A arte contemporânea É comum a incompreensão do termo “arte contemporânea”. partindo do impressionismo. Na tentativa de traçar uma linha no tempo. mesmo que em alguns momentos tenham sido utilizados como meta linguagem. a criação de arte mostra uma feição nova. observação do mundo. O impressionismo mudou a expressão da arte. principalmente. da mesma época. pois assim. foi uma sucessão lógica de causas e efeitos que acompanhou a evolução social atrelada aos mesmos valores e conceitos técnicos e estéticos caucionado por uma academia que inclusive tratou a arte mais como uma forma de habilidade do que de pensamento. seriam exemplos de arte contemporânea. Cezanne e outros: o impressionismo. A razão das mudanças está na história: revolução industrial. o cinema e os atuais meios de reprodução de imagem no nível que estavam na segunda metade do século passado. Em meados do século XIX. Arte contemporânea não é a que é feita ao mesmo tempo. como uma crítica sobre si mesma. Vemos que. algo importante aconteceu: foram os primeiros estertores da arte moderna com o aparecimento de artistas como Manet. evolução da ciência e invenções como a fotografia. pois a pintura evoluiu antes das outras categorias de artes plásticas. desde o Renascimento até meados do século XX. mais de vinte movimentos da arte internacional se sucederam. 37 . ambas realizadas em 2014. Monet. o público geral entende contemporâneo com coetâneo. enquanto que nos três séculos e meio anteriores vimos apenas o Renascimento e seu desdobramento. mas não da arte. a Arte Barroca – mesmo assim com a função de arma da Contrarreforma -. mudando seus modos e técnicas de pintar. o que é correto do ponto de vista da língua. em um século e meio. porém os conceitos básicos da estética belasarteana. Renoir. por exemplo. permaneceram. composição aérea e harmonia. O que aconteceu com a criação das artes visuais. Normalmente. o Romantismo e o Academismo. A cada passo da humanidade. com as variações que possibilitaram a arte heroica do período da Revolução Francesa e o surgimento da Academia de Belas Artes.

o que não significa término. Fala-se mesmo no “fim da arte” como verdade marcante do século XX. produziu o “Prêmio Pernambuco de Artes Plásticas – Novos Talentos”. Cristiana Tejo e Beth da Matta. seu diretor na época. e pelos que lhe sucederam. ofereceu na década de 1990 uma série de cursos ministrados pelo curador Agnaldo Farias. O grande artista contemporâneo alemão Joseph Beuys. A fundação Joaquim Nabuco. As categorias artísticas foramse transformando em experiências linguísticas e se “desmaterializando”. Muitos consideram o ready made. com o olhar no passado. Em 1999. Ele definiu o espírito da contemporaneidade da arte como: “Atenção e contemplação desinteressadas e complacentes de qualquer objeto da consciência em função de si mesmo”. Este conceito é defendido por Jerome Stelnitz. Anchises Azevedo. Fato é que a arte tradicional. quando retomou seu caminho na vida. no importante artigo “A atitude estética”. assistimos ao aparecimento de movimentos que. com a finalidade de reativar o antigo Salão dos Jovens. sob nossa curadoria. mas uma nova relação da arte com o mundo. Isso nos leva a Foucault quando fala em “uma estética da existência” que não se pode colocar apenas do ponto de vista do objeto. que revelou a existência de jovens artistas contemporâneos como Bruno 38 . Daniel Santiago. ou principalmente. pouco convive com a realidade que conduz a arte contemporânea no século XXI. através de sua Superintendência de Cultura. o que podemos colocar como uma estética da existência. no sentido de abandonar os “materiais nobres da arte”. adotou atitudes absolutamente relacionadas à estética. que esmiúça a independência da arte dos últimos quarenta anos preconizando o seu fim. Para ele. como o primeiro objeto da arte contemporânea. depois da 2ª Guerra. com as políticas implantadas pelo curador Marcos Lontra. A criação do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães – MAMAM foi decisiva para sua consolidação. do artista que se envolve em atitudes que podem ser pensadas como estéticas da indiferença. do qual o Museu de Arte Contemporânea de Olinda realizara várias versões. mas também. como Moacir dos Anjos. a arte contemporânea esboça-se na década de 1970 com as obras de Montez Magno. Paulo Bruscky e Silvio Hansen.Nesta sequência. nas décadas de 1910/1920. preconizavam o que aconteceria no final do século XX. a secretaria de Cultura do Estado. É comum se dizer hoje que arte é atitude. Refiro-me a Marcel Duchamp e seus seguidores que propuseram as mudanças mais profundas existentes num sistema de arte. O filósofo e crítico de arte Arthur Danto escreveu sobre isto no importante livro “Após o Fim da Arte – a arte contemporânea e os limites da história”. que contribuíram fundamentalmente para a formação deste olhar. inventado por Marcel Duchamp em 1917. porém. a arte é o único meio “evolucionário – revolucionário” capaz de “combater os efeitos repressores de um sistema social senil que continua a capengar na direção da morte”. Em Pernambuco.

Jeims Duarte. do comunicador 39 . entre outros. Maurício Castro. ainda que o artista trabalhe a sua linguagem pessoal). Branco do Olho. Molusco Lama. Carlos Mélo. ou quando outros seguiram Abelardo da Hora criando o Atelier Coletivo. esta prática existe como forma de abrir novas possibilidades e permitir trocas de experiências. Rodrigo Braga. a Oficina. Beth da Matta. André Aquino. Os Coletivos Os artistas sempre se organizaram em grupos. quando alguns artistas se juntaram para organizar a Escola de Belas Artes. também teve nossa curadoria. Decorreu do envolvimento dos artistas José Paulo. Rodrigo Naves e o próprio Moacir dos Anjos. e outros formaram o Grupo dos Independentes. Fernando Augusto. Juliana Calheiros. do cartunista Humberto Araújo. que teve a coordenação da Fundação Joaquim Nabuco sob a responsabilidade de Moacir dos Anjos. Quarta Zona de Arte O Quarta Zona de Arte foi um espaço cultural dedicado à arte contemporânea e à sua discussão. a Oficina Guaianases. Tivemos também em Olinda o Movimento da Ribeira. inclusive um Festival de Arte Door onde vários artistas pintaram em papéis e os resultados foram colados nos out door da cidade. Márcio Almeida e Flávio Emanuel.Monteiro. Neste seminário foram conferencistas curadores como Lisethe Lanhado. e colocamos no seu programa o seminário intitulado “O Curador Como Coautor da Obra de Arte”. No Recife. Na arte contemporânea. Hoje. Em 2000. responsável por atitudes de vanguarda nos anos 70 e 80. Telefone Colorido. os Carasparanabuco e os que seguem: Grupo Camelo. se observa este espírito gregário desde sempre. o Atelier +10. Agnaldo Farias. mas a arte na Idade Média não tinha o mesmo significado da arte atual. foi criada a Quarta Zona de Artes. Adriana Aranha e Marina Mendonça. as organizações de artistas em torno de ateliês coletivos ou grupos criativos foram denominados “Coletivos”. o Atelier Coletivo de Olinda e Artistas de Iputinga. Kilian Glasner. intitulado pelo secretário de cultura Carlos Garcia de Salão Pernambucano de Artes Plásticas 2000. talvez herança das guildas de artesãos da Idade Média (artesão não é necessariamente artista. a Equipe Bruscky Santiago. Renata Pinheiro. A Menor Casa de Olinda. a 45ª versão do Salão do Estado. nos anos de 1980. Consideramos o primeiro “Coletivo”. Marcos Costa. por estarem desde os anos de 1970 inseridos no conceito de arte contemporânea.

lançando ideias e abordagens que ajudaram a colocar a arte pernambucana no nível de atualidade em que se encontra. Marcelo Silveira. O nome Camelo nasceu de uma pitoresca história: o Imperador Dom Pedro II pretendeu importar camelos para o sertão nordestino. ou ainda a vontade internacionalista que norteou o concretismo paulista. a maioria sócios da Oficina Guaianases que tinham em mente montar um ateliê próprio onde pudessem criar e questionar o velho dilema tradição x contemporaneidade. como defendem os integrantes do Movimento Armorial. Por lá passaram muitos artistas. José de Barros. oficina de gravura e ateliê coletivo. naquela época. José Patrício. entre outros. daí o nome ao grupo: Carasparanabuco. Rinaldo. tais como: Tereza Costa Rego. como também interagir na comunidade e divulgar seus trabalhos. parece inútil e despropositado um país naturalmente mestiço pretender qualquer pureza cultural. Este fato remete à velha discussão sobre a autenticidade e a pureza da cultura regional. O Quarta Zona existiu de 1988 a 1994 com uma proposta autônoma e independente. A força da iconografia popular é marca profunda da cultura regional. e a ausência desses elementos é uma das características mais fortes do Camelo. Carasparanabuco Todos eram ‘caras’ de Pernambuco. Dentro dessa relativa homogeneidade de pensamento. os artistas Jobalo. jovens artistas plásticos. existem peculiaridades diferentes em cada autor: Jobalo investe na pintura modulando superfícies em busca da representação do corpo e seus símbolos. José Patrício e Félix Farfan. animal supostamente mais resistente que o nosso jumento. fizeram exposições coletivas e desenvolveram suas obras até o nível de importância que todos conquistaram. João Chagas. Paulo Meira e Renata Pinheiro reuniram-se em torno da formação do Grupo Camelo. construindo sua obra na fronteira da incomunicabilidade. esse espaço pioneiro do Bairro do Recife possuía galeria de arte. Luciano Pinheiro. ambiente para cursos. fim dos anos 80. Juntos. Faziam parte do grupo: Maurício Silva. Oriana Duarte. Marcelo Coutinho.visual Aurélio Velho e de interessados nas suas propostas de articulação e desenvolvimento da arte no Estado. Oriana 40 . Nos três andares de um edifício neoclássico na Av. Marcelo Coutinho investiga da obra do filósofo austríaco Wittgenstein que tentou limitar a fronteira entre o que é possível e o que é impossível de ser expresso com palavras. Rinaldo. Os ‘caras’ em questão eram. um jumento com duas corcovas como símbolo. Alexandre Nóbrega. Eduardo Araújo. porém. Marquês de Olinda. Grupo Camelo Em 1996. fixando em suas esculturas as surpresas que o material pode lhe oferecer. Para os integrantes do Grupo Camelo. Eduardo Melo. com o nome Camelo. Ismael Portela. o grupo adotou. Ismael Portela propõe uma arqueologia do acaso. Apostando na mestiçagem e inspirados na metáfora do camelo de Dom Pedro.

todos artistas atuantes. Branco do Olho Entre julho e dezembro de 2004. tendo outras constituições ao longo deste caminho. comentando assim questões da genética e do preconceito. Eduardo Romero. e Renata Pinheiro trabalha com construções de ambientes marcados pela passagem de personagens fictícios. Romo. Submarino O Submarino foi um coletivo fundado em 2001 por Maurício Castro com a participação de Juliana Notari. participaram do Prêmio Pernambuco de Artes Plásticas 1999. Zel.Duarte afirma seu interesse criativo no encontro entre as coisas que estão no mundo e a possibilidade do desdobramento significativo dessas coisas nesses encontros. Daniel Santiago. da conversa e da tertúlia. uma cópia de si mesmo feita como uma malha de ferro que ela pode vestir. ou BO. com o objetivo do encontro. João Manuel. uma sátira à “Casa Cor”. perfis e vergalhões de ferro. Dois deles. Bruno Monteiro e Augusto Japiá. a “Área de Serviço”. “Show da Monga” foi uma performance de Juliana Calheiros. Paulo Meira utiliza qualquer material que seja vital para a construção de seu ruído plástico. Bárbara Collier. um grupo de jovens artistas alugou por seis meses a casa 155 da Ladeira da Misericórdia. um ser exaurido pela condição de encarceramento urbano. Rodrigo Cabral. o grupo apresentava ambientes como o “Quarto de Empregada”. o “Galinheiro”. evento realizado em várias cidades. onde foi recriado o show popular no qual uma moça se transforma em macaco através de um jogo de espelho. como na fase pós-Olinda: Rodrigo Braga e Clarissa Diniz. “Show da Monga” foi outra produção do Submarino. Aí nasceu o coletivo Branco do Olho. Jacaré e Fernando Augusto. promovido por arquitetos e lojas de decoração. Sérgio Vasconcelos. Em “Casa Coisa”. Balneário de Água Fria Outro coletivo liderado por Mauricio Castro. Roy Rêgo. O Branco do Olho. que funcionou na fábrica de móveis da arquiteta Janete Costa e teve a participação de Fernando Augusto. Xanxa. Cristina Machado produziu sua escultura “Armadura”. Nesta oficina. O Balneário produziu uma oficina de serralheria onde artistas trabalharam com chapas. O BO se modificou na sua dinâmica e em 2012 estava constituído pelos artistas Bruno Monteiro. Luciana Padilha. que hoje é o ateliê-galeria do artista naïfe J. como é simplificado. Isabela Stampanoni. Calazans. Charles Martins. alémd de Bruno Vieira e Bruno Vilela. etc. Cristina Machado e a galerista Lúcia Santos. Séphora. Luciana Padilha. Maurício Silva. Eduardo Romero. 41 . cujo nome foi sugestão de Bruno Vilela. o “Quarto da Donzela com a Calcinha Pendurada”. Uma das realizações do grupo foi a exposição “Casa Coisa”. Maurício Castro. em seus nove anos de vida percorreu um rico caminho e formou um currículo que é referência na arte contemporânea daqui.

Rádio Frei Damião e Telefone Colorido Paulinho do Amparo é um artista atuante na Olinda de hoje: “Sou um artista fora de qualquer sistema”. título que com o tempo foi simplificado para SPA das Artes (segundo Maurício Castro. porém. Contaram também com a participação do artista Goto. o grupo Rádio Frei Damião – Ernesto também integra o coletivo Telefone Colorido ao lado do grafiteiro Grilo. No semestre que o BO se localizou em Olinda. Maurício Castro assumiu a Diretoria de Artes Visuais da Fundação Cultural Cidade do Recife que tinha como um dos seus projetos a reativação desse Salão. mas também. que veio a ser Secretário Municipal de Cultura em três gestões. Em seguida. como havia um tradicional Salão do Estado. ele realizou um programa exemplar de manifestações de arte contemporânea iniciado com exposição Frankenstein 2. Com sua coordenação. de viver exclusivamente de arte. Todas as ideias apontaram para um festival de artes visuais que envolvesse a cidade do Recife. nas suas criações. Da equipe de Maurício já fazia parte Fernando Augusto. O SPA das Artes Na década de 1980. este seria uma repetição em menor escala. físicos ou sonoros. Paulinho integra com Ernesto Teodósio. e Rinaldo Silva. portugueses e norteamericanos. De imediato. O SPA produziu dezenas de eventos 42 . pois seu modelo estava defasado e. SPA é uma sigla aleatória). foi reunido um grupo de artistas e pensadores da arte. filho do importante teórico comunista Mano Teodósio. foi criado no Recife um Salão Municipal de Arte que realizou apenas uma versão. o BO realizou a exposição ‘Fotografias no Jardim’. foi criada a Semana de Artes Visuais do Recife – SPA. ele pensou em reformular o Salão. como os pintores de paisagens e retratos. pois empregam diversos suportes. experientes em gestão cultural. Ambos são artistas “multimídiáticos”.Marcela Camelo e Braz Marinho. que faleceu em fevereiro de 2013. Foram convidados José Paulo. e do curador Moacir dos Anjos. Com isto ele se afina não apenas com os artistas contemporâneos fora do eixo Rio/ São Paulo. ao lado de sua irmã. Ele diz me disse que se orgulha. autor da “marca”. O BO participou com todo o grupo do festival Olinda Arte em Toda Parte 2004. duas décadas depois. paradoxalmente. que também participara da Quarta Zona de Arte. Em 2002. artista e ativista. com os artistas tradicionais. com participantes argentinos. que na época era membro do Conselho Municipal de Cultura e também integrara a Quarta Zona. artista curitibano que vivenciara experiência do Faxinal das Artes realizado no Paraná. Trata-se de um festival anual de arte contemporânea com edições diferentes de ano para ano que movimenta os jovens artistas. que saiu de Olinda numa itinerância pelo Rio de Janeiro e São Paulo. além dos artistas do coletivo. Assim. Fernando Duarte. por exemplo. para discutir o destino do Salão.

confecção de um mapa das artes visuais da cidade com indicações dos ateliês. museus de arte e monumentos de arte pública. o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães. instalações e oficinas. bolsas de incentivo a jovens artistas. Finalmente não se pode esquecer das galerias particulares das quais citamos Arte Plural Galeria. assim como residências artísticas. Dumaresc e Mariana Moura. as últimas versões dos salões de artes visuais do Estado. *** 43 . semanas de fotografia. Outras iniciativas e atuações do poder público são. especialmente a arte contemporânea que tem pouco apelo comercial. Amparo 60. da mesma forma. do Banco Santander e dos Correios. como fez Cristina Machado. Citamos a programação da Galeria Vicente do Rego Monteiro da Fundação Joaquim Nabuco. o Instituto de Arte Contemporânea da UFPE. O SPA é um evento cultural oficial que atende à política cultural do Recife. intervenções urbanas. o Museu Murillo La Greca. galerias. e as agências culturais da Caixa Econômica.como exposições. e colagens de cartazes conceituais. além de editar a REVISPA (veículo de crítica e teoria da arte mostrada e produzida no SPA). importantes para a consolidação da arte. institutos de arte. grafitagens. performances.

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era necessário reformular as relações de trabalho entre empresas e operariado. repensar o desenvolvimento do capitalismo brasileiro e reorganizar o papel do Estado. ocorreu em 1932 um levante armado conhecido como Revolução Constitucionalista. 46 . Foi realizada uma Assembleia Nacional Constituinte Obs. Esse fato provocou o fim do governo provisório e o início do governo constitucional. o governo Vargas passou a organizar os preparativos para a nova constituição do Brasil: 1. a partir da convocação de uma assembléia nacional constituinte.VARGAS NO PODER Para boa parte dos historiadores . a Era Vargas marcou uma nova e importante etapa na história do Brasil. O levante aconteceu em São Paulo e exigia a normalização democrática do país. com um mandato de quatro anos. Nesse período. além de elaborar a Constituição de 1934. liderada por setores importantes da sociedade paulista. Nesse contexto. No entanto. Vargas contava com uma forte oposição. O governo provisório ( 1930 – 1934 ) A tarefa principal do governo provisório foi a de organizar politicamente a nova estrutura de poder. elegeu Vargas para a presidência da República. afirmando-o como o grande responsável pelas transformações que viriam a acontecer. Foi feito um novo código eleitoral 2. Fazia tempo que nossa sociedade e economia precisavam se ajustar às novas exigências dos anos 30. A Assembleia Nacional Constituinte. Apesar de ter vencido os constitucionalistas. a Era Vargas pode ser dividida em três períodos: 1º) Governo Provisório ( 1930 – 1934 ) 2º) Governo Constitucional ( 1934 – 1937 ) 3º) Estado Novo ( 1937 – 1945 ) De uma maneira geral.

inclusive com o apoio da Rússia (país comunista à época). esse período foi marcado pela consolidação de uma situação de radicalização política e ideológica. As revoltas se deram em datas diferentes. defendia os ideais comunistas e suas propostas iam além daquelas defendidas pelo PCB: . de cunho fascista. que enviou dinheiro e agentes para o Brasil. A principal falha dos revolucionários foi com relação à organização. no dia 27.infoescola. nazifascistas.Reforma agrária. O movimento ganhou adeptos dentro dos batalhões. sob a liderança do político paulista Plínio Salgado foi fundada a Ação Integralista Nacional. Paralelamente à campanha Integralista. Vargas decretou estado de sítio e uma forte repressão aos envolvidos na Intentona Comunista. caracterizada pela ascensão de regimes totalitários. Este foi o estopim para que Getúlio Vargas decretasse a ilegalidade do movimento.com/historia/intentona-comunista/ 47 . a Intentona eclodiu em novembro de 1935. militares e intelectuais. no Rio Grande do Norte. Depois se estendeu para Maranhão. bem como vários líderes sindicais. mas foi rapidamente combatida pelas Forças de Segurança Nacional. Recife e por último para o Rio de Janeiro. . mas isto não ocorreu. criada em 1935. Militares simpatizantes da ANL deram início às rebeliões. em Natal. No dia 5 de julho de 1935. A ação foi planejada dentro dos quartéis.Nacionalização das empresas estrangeiras. e pela ameaça de uma II Guerra Mundial. além de mandar prender seus líderes. Liderada pela Aliança Nacional Libertadora (ANL). .Combate ao fascismo. o Partido Comunista Brasileiro (PCB) incentivou a fundação da Aliança Nacional Libertadora. Aliança Nacional Libertadora (ANL) Influenciados pela estrutura política européia pós primeira guerra mundial. Rebeliões Com o decreto de Vargas. os integralistas combatiam fervorosamente o comunismo. Em 1932. um movimento político radicalmente oposto à Ação Integralista Nacional.Não pagamento da dívida externa. Mas tudo isto não passou de estratégias do presidente para preparar um futuro golpe de Estado. onde os revolucionários chegaram a tomar o poder durante três dias. Imaginavase que depois a revolta ganharia o apoio popular. Fonte: http://www. . Após derrotá-los. Militares de baixa patente inclinados ao comunismo iniciaram a rebelião na noite do dia 23 de novembro de 1935. na qual duas frentes disputavam espaço – Fascismo e Comunismo – surgiram dois movimentos políticos no Brasil com estas características. o movimento tinha por objetivo derrubar o presidente e tomar o poder. De extrema direita. A ANL. data em que se comemoravam os levantes Tenentistas. Texto para análise A Intentona Comunista foi uma espécie de rebelião contra o governo de Getúlio Vargas. Na realidade. o que facilitou as ações do governo para dominar a situação e frustrar o movimento. Luís Carlos Prestes foi preso.O governo constitucional (1934 – 1937) Na história da humanidade. Luís Carlos Prestes lançou um manifesto de apoio à ANL. o plano de fazer uma revolução foi colocado em prática. no qual incentivava uma revolução contra o governo.

Getúlio governou durante todo o Estado Novo através de decreto-lei e nunca convocou o plebiscito previsto na “Polaca”. uniram-se e formaram o Eixo. com objetivos expansionistas. quando Getúlio foi deposto pelas Forças Armadas. pelo Departamento de Imprensa e Propaganda. e. o mesmo apelido de uma zona de baixo meretrício no Rio de Janeiro). A guerra na Europa (1939 – 1945) Um conflito desta magnitude não começa sem importantes causas ou motivos. Getúlio Vargas determinou o fechamento do Congresso Nacional e extinção dos partidos políticos. Getúlio deu ampla autonomia na tomada de decisões. esse foi o erro de Getúlio no Estado Novo: não ter instalado o Poder Legislativo. conhecido como Estado Novo. o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Na prática a Constituição de 1937 não vigorou. os apelos patrióticos na imprensa e nos livros didáticos. Um dos mais importantes motivos foi o surgimento. Na Itália. liderado por Benito Mussolini. na década de 1930. desrespeitando o Tratado de Versalhes. Tanto a Itália quanto a Alemanha passavam por uma grave crise econômica no início da década de 1930. na Europa. liderado por Hitler. Podemos dizer que vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e rapidamente se espalhou pela África e Ásia. nem ter se legitimado pelo voto em plebiscito. O Estado Novo promovia grandes manifestações patrióticas. Na Ásia. inclusive reconquistando territórios perdidos na Primeira Guerra. o Plano Cohen. Vargas suspendeu as eleições que estavam programadas para o ano de 1938 e implantou um regime totalitário. que lhe conferia o controle total do pode executivo e lhe permitia nomear interventores nos estados. tinha depreciativamente. que se tornou o Duce da Itália. porém nunca se realizaram eleições no Estado Novo. e durou até 29 de outubro de 1945. Na Alemanha. Para enfrentar a “ação” dos comunistas. Ele outorgou uma nova constituição. tanques etc). Estes três países. (denominação usada para mostrar que a Constituição Brasileira de 1937 foi amplamente influenciada pela Constituição autoritária da Polônia). navios. pois. cívicas e nacionalistas e eram incentivados. O ESTADO NOVO Texto para análise Esse regime político recebeu o nome de Estado Novo. com milhões de cidadãos sem emprego. Uma das soluções tomadas pelos governos fascistas destes países foi a industrialização. e que pretendia expandir o território alemão. estava crescendo o Partido Fascista. 48 . de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas. Como Francisco Campos afirmou que começara a redigir a nova constituição em 1936. Na versão de Francisco Campos que redigiu a “Polaca”.O Falso Plano Cohen Em 1937. (nome inspirado na ditadura de António de Oliveira Salazar em Portugal). com poderes sem limites. o governo Vargas anunciou um suposto plano de ação comunista. principalmente na criação de indústrias de armamentos e equipamentos bélicos (aviões de guerra. e previa um novo Legislativo. surgiu o nazismo. Uma aliança com fortes características militares e com planos de conquistas elaborados em comum acordo. Esta constituição de 1937 tinha o apelido de “Polaca”. aos quais. suspeita-se que a decisão de dar um golpe de estado foi tomada logo depois da Intentona Comunista em novembro de 1935.

Desenvolvimento e Fatos Históricos Importantes: •O período de 1939 a 1941 foi marcado por vitórias do Eixo. Polônia. •O Brasil participou diretamente. em 1945. cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. colocando agora. que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Noruega e territórios no norte da África. 49 . Neste período. quando o exército alemão invadiu a Polônia. os últimos anos do Estado Novo foram marcados por fortes pressões contra Vargas. os aliados ganharam força nas frentes de batalha. o Brasil assumiu uma posição de neutralidade. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes. que conquistou o Norte da França. Fato Importante: Internamente. principalmente para os países derrotados. onde ambos buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados. Foram milhões de mortos e feridos. iniciadas com as perdas sofridas pelos alemães no rigoroso inverno russo. O Japão anexou a Manchúria. enviando para a Itália (região de Monte Cassino) os pracinhas da FEB. foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas). O Japão. Força Expedicionária Brasileira. principalmente na Alemanha. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria. Estados Unidos e União Soviética. com a rendição da Alemanha e da Itália. França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha. Ucrânia. lideradas pelas forças armadas da Alemanha. Fonte: http://www. somando uma importante vitória ao lado dos Aliados. Itália e Japão). último país a assinar o tratado de rendição. o Japão atacou a base militar norte-americana de Pearl Harbor no Oceano Pacífico (Havaí). Iugoslávia. •Em 1941. deixando um rastro de destruição nestas cidades. De acordo com a política de alianças militares existentes na época. os estados Unidos entraram no conflito ao lado das forças aliadas. •De 1941 a 1945. ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos. formaram-se dois grupos: Aliados (liderados por Inglaterra. onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus. Os cerca de 25 mil soldados brasileiros conquistaram a região. 1944 O Brasil teve uma importante participação no conflito. exigindo-se a redemocratização do Brasil. com destaque para a vitória do nosso exército na batalha de Monte Castelo na Itália.O Início O marco inicial ocorreu no ano de 1939. Com o final do conflito. considerado uma traição pelos norte-americanos. em lados opostos. Após este fato. Final e Consequências Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945. Bomba Atômica explode na cidade japonesa de Hiroshima Os prejuízos foram enormes. ocorreram as derrotas do Eixo. a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha.suapesquisa. indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. ocorreu uma regressão das forças do Eixo que sofreram derrotas seguidas. enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia.com/segundaguerra/ O Brasil e a II Guerra Inicialmente. cidades destruídas. Mas o envolvimento dos EUA no conflito e o ataque a navios brasileiros por parte da marinha alemã exigiram uma postura radical de Vargas contra as nações do eixo. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave. Com a entrada dos EUA. De imediato. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norteamericano e o socialismo soviético. URSS.

houve uma grande abertura da nossa economia para os produtos americanos. a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão(1979-1989) são os conflitos mais famosos da Guerra Fria. mesmo que tenham existido outras potências regionais entre 1945 e 1991. também na América do Sul.(1945 – 1950) Dutra foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o Estado Novo.PSD . política e econômica durante esse período. Durante o seu governo. É chamada “fria” porque não houve uma guerra direta entre as superpotências.GOVERNO DUTRA . O american way of life A GUERRA FRIA Texto para análise Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética. defendido pela União Soviética (URSS). A sutileza da guerra fria fazia da coca-cola. guerras civis ou guerras inter-estatais foi intensificado pela polarização entre EUA e URSS. Os EUA e a URSS passaram a liderar uma nova “GUERRA”.Época marcada por importantes mudanças na economia e na sociedade brasileira. foi estabelecida uma situação de grande tensão política entre as principais potências. se um movimento popular combatesse um governo aliado aos EUA. dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. disputando influência político-ideológica. a Guerra das Malvinas (1982). durante todo este período. representado pelos EUA e o socialismo. onde cada potência apoiava um dos lados em guerra. que ficou conhecida como Guerra Fria. Dada a impossibilidade da resolução do confronto no plano estratégico. Este processo se caracterizou pelo envolvimento dos Estados Unidos e União Soviética em diversas guerras regionais. a maior parte dos conflitos locais. Além da famosa tensão na Crise dos mísseis em Cuba (1962) e. 1. Uma parte dos historiadores defende que esta foi uma disputa entre o capitalismo. 50 . as disputas durante a Guerra Fria foram muito mais amplas e conplexas. No mundo. apenas EUA e URSS tinham capacidade nuclear de segundo ataque. econômica e ideológica em todo o mundo. Era o american way of life. Entretanto. estabilizando-se na década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente estadunidense Ronald Reagan “Guerra nas Estrelas”. A Guerra da Coreia (1950-1953). Principalmente porque. é que justifica a caracterização da polaridade deste período como bipolar. capacidade de disuasão nuclear. pela via tradicional da guerra aberta e direta que envolveria um confronto nuclear. compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Se um governo socialista fosse implantado em algum país do Terceiro Mundo. Entretanto. mas também para mostrar o seu poder de fogo e reforçar as alianças regionais. Estados Unidos e União Soviética não apenas financiavam lados opostos no confronto. ou seja. logo poderia ser visto com simpatia pelo soviético e receber apoio. as duas superpotências passaram a disputar poder de influência política. Esta polarização dos conflitos locais entre apenas dois grandes pólos de poder mundial. do hamburguer e da brilhantina grandes aliados na defesa do estilo de vida capitalista. Norte-americanos e soviéticos travaram uma luta ideológica.(1945-1964) REPÚBLICA NOVA . o governo norte-americano entendia como uma ameaça à sua hegemonia. A corrida pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi central durante a primeira metade da Guerra Fria.

A política nacionalista do Governo Vargas não agradava aos EUA. patrocinada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e Carlos Lacerda – Principal opositor de Vargas O CRIME DA RUA TONELEROS. toda essa crise teve um fim trágico. 51 . devido principalmente à sua aproximação com os comunistas do PCB e com o movimento sindical. Obs. batizado de Plano SALTE: O objetivo do Plano SALTE era estimular o desenvolvimento de setores estratégicos. Esse crime foi um atentado contra Carlos Lacerda. supostamente sem a intermediação de partidos ou corporações. que provocou a morte do Major Vaz. o populismo se identifica com certos fenômenos políticos típicos da América Latina. estando associado à industrialização. pelo então presidente da república.1950 O segundo Governo Vargas foi marcado por uma política desenvolvimentista e nacionalista. O presidente Vargas se suicidou com um tiro no peito. que viria a ser a figura central da política brasileira até seu suicídio em 1954. a Alimentação. o crime da rua Toneleros propiciou a diminuição do apoio das forças armadas em relação ao Governo Vargas. e mais adiante seria escolhida como o lema da Campanha do Petróleo. estar ligada à Revolução de 1930. No dia 24 de agosto de 1954. Os recursos para a sua execução vieram de empréstimos externos e do próprio governo. MAIOR EXEMPLO DE POLÍTICA NACIONALISTA DO SEGUNDO GOVERNO VARGAS . Dutra promoveu um plano econômico. O efeito imediato do crime foi um aumento radical da pressão contra Vargas. Getúlio Vargas. O endividamento do país terminou por provocar uma grande inflação. como as denúncias que já existiam e a crise política e institucional. Aliando-se aos demais problemas. colocando no poder Getulio Vargas. prejudicando a economia e fazendo cair a popularidade do presidente Dutra. que deu origem à PETROBRÁS O petróleo é nosso! Esta frase tornou-se famosa ao ser pronunciada. que concentravam firmemente o poder político na mão de aristocracias rurais. deixando uma carta-testamento que tentava justificar sua atitude e acusava a oposição pelo ocorrido. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático (caudilho). voltado para investimentos em infra-estrutura. o Transporte e a Energia. O POPULISMO Historicamente.A campanha “O Petróleo é Nosso”. Daí a gênese do populismo. Esse fato permitiu que a ameaça de um golpe se fortalecesse e o presidente passou a não ter muitas alternativas políticas. que derrubou a República Velha oligárquica.A POLÍTICA INTERNA DE DUTRA Internamente. por ocasião da descoberta do petróleo baiano. no Brasil. A VOLTA DE VARGAS AO PODER . como a Saúde. à urbanização e à dissolução das estruturas políticas oligárquicas. principalmente a partir dos anos 30.

dia a dia.br/historia-brasil/ult1689u62.com. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Lutei contra a espoliação do Brasil. sentireis no pensamento a força para a reação. não me combatem. as pressões de grupos oposicionistas civis e militares desencadearam uma aguda crise política que levou Vargas a interromper seu mandato com um ato que atentou contra sua própria vida: o suicídio. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação. Vargas se candidatou pelo PTB e recebeu apoio do Partido Social Progressista (PSP). tudo esquecendo.7% dos votos. (. Ao ódio respondo com o perdão. as infâmias. Escolho este meio de estar sempre convosco. tudo suportando em silêncio. Lutei contra a espoliação do povo. como sempre defendi. Quando vos vilipendiarem. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. O segundo mandato presidencial de Getúlio Vargas foi marcado por importantes iniciativas nas áreas social e econômica. querem continuar sugando o povo brasileiro. Veio a crise do café. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Nada receio. Eu vos dei a minha vida. conferindo ao Estado 52 .. Nacionalismo e intervencionismo Sem dúvida. desvalorizou-se o nosso principal produto. Quando vos humilharem. a calúnia não abateram meu ânimo. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. e praticamente todos os governos que vieram depois adotaram algum tipo de planejamento econômico. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Quando a fome bater à vossa porta. hora a hora. para defender o povo.) Não querem que o povo seja independente. Agora vos ofereço a minha morte. caluniam e não me dão o direito de defesa.uol.CARTA-TESTAMENTO DE VARGAS “Mais uma vez. Getúlio Vargas retornou a presidência da República. Tenho lutado mês a mês. Nada mais vos posso dar.” Getúlio Vargas Texto para análise APROFUNDAMENTO Suicídio de Getúlio pôs fim à Era Vargas Renato Cancian (http://educacao. Não me acusam. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Este tipo de política desenvolvimentista começou a ser posta em prática na década de 1930. Na fase final do seu governo. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia. renunciando a mim mesmo. a intervenção estatal tinha por objetivo estimular a industrialização e modernização do país. vencendo o pleito de 1950 com 48. sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. resistindo a uma pressão constante. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História. a não ser meu sangue. dessa vez por meio do voto popular. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém. que agora se queda desamparado. sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.. porém. eu ofereço em holocausto a minha vida. incessante.jhtm) Em 1951. O ódio. para que eu não continue a defender. insultam. um dos maiores legados do varguismo foi a implementação de um projeto desenvolvimentista baseado na forte presença do Estado em áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento do país. o povo e principalmente os humildes. Atuando como regulador ou empreendedor de certas atividades econômicas. Tenho lutado de peito aberto. a ponto de sermos obrigados a ceder.

que preferem confiar a defesa de seus interesses e aspirações a líderes políticos carismáticos. A campanha foi denominada de “O petróleo é nosso” e conseguiu galvanizar o apoio do povo ao governo federal. Enquanto os governantes e líderes políticos foram capazes de controlar essas camadas sociais. A contrapartida dessa política é concessão de benefícios econômicos e sociais para as camadas populares mobilizadas. foi o “populismo”. A partir dela. passaram a se organizar autonomamente. podemos entender o fenômeno do populismo a partir da relação entre o Estado e a sociedade num contexto de regime democrático. petroquímica. o populismo funcionou de forma estável. Vargas elaborou uma política desenvolvimentista baseada no fortalecimento da indústria de base: siderurgia. A crise política A ascensão e a radicalização dos movimentos populares. Foi com esse objetivo que. operariado e classe médias. As massas populares se prestavam à manipulação devido à pouca experiência de participação política e familiaridade com o sistema de sufrágio eleitoral. em seu segundo mandato. O populismo foi um fenômeno que vigorou em praticamente todos os países do continente latino-americano. fora do controle estatal. porém. porque seu êxito depende da quase completa desorganização das massas populares.papel preponderante e central. inúmeras greves de trabalhadores e movimentos sociais tendo como motivação básica exigências de aumento salariais e denúncias do alto custo de vida ocorreram por todo o país. como por exemplo. Vargas estabeleceu o monopólio estatal sobre o petróleo. em 1964. aumento de salários. a partir de uma campanha de cunho nacionalista que recebeu forte apoio popular. Modernização acelerada O acelerado processo de modernização do país provocou vertiginosas ondas migratórias do campo para as cidades. De forma sintética. dificultando a manipulação política de seus interesses por líderes demagógicos. O governo Vargas. Quando assumiu a presidência da República. Por outro lado. e o Estado foi capaz de responder plenamente às demandas populares. fazendo surgir um expressivo contingente de trabalhadores urbanos. Foram essas classes sociais que formaram a base de sustentação do populismo. Em seu aspecto pejorativo ou alienante. No transcurso de seu governo. energia e transportes. ou seja. criou-se a empresa estatal Petrobrás. que monopolizou as atividades de exploração e refino do todas as reservas de petróleo encontrado em território brasileiro. No primeiro ano de seu governo. principalmente o operariado. se deparou com situações em que a necessidade de implementação de reformas econômicas e projetos desenvolvimentistas comprometeram a capacidade do Estado de fornecer respostas adequadas aos anseios e interesses populares. etc. direitos sociais. o populismo pode ser caracterizado também como política demagógica de manipulação das classes sociais subalternas. são considerados os 53 . Vargas se deparou com um operariado que rapidamente se reorganizava e buscava definir seus interesses e agir autonomamente. Populismo e dominação de classe Umas das principais características políticas do período histórico que abrange o segundo governo de Getúlio Vargas até a queda do governo João Goulart. diversos setores das camadas populares. onde os líderes políticos e governantes buscam o apoio popular para obterem vitórias eleitorais e implementar seus projetos políticos.

As investigações revelaram que o responsável pela tentativa de assassinato foi Gregório Fortunato. De acordo com essa linha interpretativa.principais fatores desencadeadores da crise política que levaria ao fim o governo Vargas. quando redigiu uma carta-testamento e suicidou-se com um tiro no peito. principal guarda-costas do presidente Getúlio Vargas. Setores das Forças Armadas e da sociedade civil se uniram aos grupos de oposição e exigiram que Vargas renunciasse. Na área da imprensa. O suicídio de Getúlio Depois do episódio da rua Toneleros. É sabido. 54 . Zenóbio da Costa. O suicídio de Vargas. João Goulart. Rubens Vaz. de limitações de remessa de lucros das empresas multinacionais para o estrangeiro e de fortalecimento das empresas públicas. o antigetulismo ganhou força com a atuação do jornalista Carlos Lacerda. como o jornal “O Globo”. o então ministro do Trabalho. O impacto provocado pela notícia do suicídio de Vargas e pela divulgação da carta-testamento foi intenso e acabou se voltando contra a oposição. foi entregue a Vargas. Nunca foi esclarecido quem foi o mentor do atentado. tanto por políticos que o apoiavam como por grupos da oposição. nas disputas eleitorais legislativas e presidencial. que pessoas ligadas a Getúlio estavam envolvidas. Críticas e pressões oposicionistas minaram rapidamente a estabilidade governamental. entre outros. Depois de algumas semanas. os grupos oposicionistas exigiram o afastamento de Vargas da presidência da República. as classes dominantes ficaram temerosas com o avanço dos movimentos populares e discordaram do modo como o governo respondeu às exigências e demandas sociais que irromperam no cenário político da época. argumentando que grupos subalternos. que o acusava constantemente de planejar um golpe em conluio com líderes sindicais. que em seus pronunciamentos e artigos denunciava recorrentes casos de corrupção e desmandos administrativos do governo federal. O episódio desencadeador da crise final do governo Vargas ocorreu com o atentado fracassado contra a vida do jornalista Carlos Lacerda. objetivando criar um regime socialista no país. que ficou encarregado de completar o mandato até o fim de 1955. morreu. concedeu um aumento salarial de 100% aos que recebiam salário mínimo. um ultimato dos generais. A oposição ao governo varguista foi crescendo paulatinamente à medida em que o país era agitado por manifestações de protesto e greves trabalhistas. Crime da rua Toneleros Em 1954. acabou sendo muito explorado. a crise política desestabilizou o governo Vargas. sobretudo aquelas ligadas à área de energia. Na área da política institucional. No início do ano. e a embaixada dos Estados Unidos foram alvo de ataques populares. no entanto. os principais grupos oposicionistas ao governo de Getúlio Vargas faziam parte da União Democrática Nacional (UDN). O presidente se encontrava no Palácio do Catete. haviam se unido na tentativa de impedir que o governo avançasse na área de proteção ao trabalho. Greves de trabalhadores também ocorreram como forma de protesto. Órgãos de imprensa. Grandes manifestações populares de apoio ao ex-presidente estouraram em várias cidades do país. O presidente se defendia das críticas. porém. No dia 24 de agosto. assumiu o governo o vice-presidente Café Filho. assinado pelo ministro da Guerra. Esse episódio ficou conhecido como “o crime da rua Toneleros”. Comícios organizados por líderes sindicais e políticos ligados ao getulismo responsabilizavam a UDN e o governo norte-americano pelo fim dramático de Getúlio. As pressões de grupos oposicionistas contrárias à medida foram tão violentas que o governo recuou. Carlos Lacerda apenas se feriu. ligados a interesses internacionais e nacionais. Com a morte de Vargas. e o ministro João Goulart foi obrigado a renunciar ao cargo. as manifestações e agitações populares cessaram. mas o major da aeronáutica.

O Plano de Metas Em seu mandato presidencial. Formulou a Operação Panamericana. Educação Texto para análise – OS ANOS JK Juscelino foi o último presidente da República a assumir o cargo no Palácio do Catete. As metas básicas do Plano de JK 1. eleito também em 3 de outubro de 1955. OBS:O desenvolvimento do capitalismo brasileiro. estava associado ao desenvolvimento do capitalismo internacional. também chamado de Plano de Metas. através da aliança PSD-PTB. JK não foi um político nacionalista e abriu nossa economia para a chegada das multinacionais de grande porte. Juscelino lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento. foi eleito vice. Teve grande habilidade política 55 . JK desenvolveu uma política desenvolvimentista. Indústria de base 5. com 36% dos votos válidos. conhecido como Jango. A estratégia do Plano de Metas era corrigir os “pontos de entrangulamento” da economia brasileira. Seu vice-presidente. que tinha o célebre lema “Cinquenta anos em cinco”. por exemplo) foi uma das características do desenvolvimentismo de JK. Joaõ Goulart.1956: ELEIÇÃO DE JK (PSD) Juscelino Kubitschek foi eleito Presidente da República. como forma de evitar que o continente americano fosse assolado pelo fantasma do comunismo. em 3 de outubro de 1955. O Plano de Metas visava estimular a diversificação e o crescimento da economia brasileira. já que o Brasil padecia de uma crônica falta de divisas externas (dólares). Energia 2. O plano tinha 31 metas distribuídas em 5 grandes grupos: Energia. Juscelino procurou estreitar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos da América. Alimentação. no processo chamado de “substituição de importações”. governou por 5 anos. Por isso. a meta principal ou meta-síntese: Brasília. Educação. e. que gerou um clima de confiança e de esperança no futuro entre os brasileiros. iniciativa diplomática em que solicitava apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento da América do Sul. Assim. em termos atuais “reduzir o custo brasil”. criou o PLANO DE METAS (baseado no slogan de campanha. que poderiam estancar o crescimento econômico brasileiro (por falta de estradas e energia elétrica) e reduzir a dependência das importações. principalmente os EUA. ciente de que isso ajudaria na implementação de sua política econômica industrial e na preservação da democracia brasileira. foi João Goulart. Transportes. na região do Brasil Central. No plano internacional. segundo JK. A abertura da nossa economia para a entrada de empresas estrangeiras (norte-americanas. Foi empossado em 31 de janeiro de 1956. 50 anos em 5). baseado na expansão industrial e na integração dos povos de todas as regiões do Brasil através da nova capital localizada no centro do território brasileiro.A convivência democrática Outro fato importante do governo de JK foi a manutenção do regime democrático e da estabilidade política. Transportes 3. Alimentação 4. e. Indústria de base. até 31 de janeiro de 1961.

A consolidação da Revolução Cubana ameaça os interesses dos EUA. Estas consistem em papéis negociados na bolsa de valores para se conseguir capital de curto prazo. Abriu as rodovias transregionais que uniram todas as regiões do Brasil. Sudene. depois. JK rompeu com o FMI. promoveu a indústria naval. antes sem ligação rodoviária entre elas. que se tivesse deixado Lacerda ter acesso a televisão. com um preço abaixo do valor de mercado que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos.para conciliar os diversos setores da sociedade brasileira. Isso. Entre 1959 e 1960. Isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais. assim como liberou a entrada de capitais externos em investimentos de risco. e permitiu a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Juscelino não permitiu o acesso de Carlos Lacerda à televisão durante todo o seu governo. em 1956. Para ampliar o mercado interno. por aumentar a dívida pública federal. o Plano de Metas. no entanto. pois este havia proposto reformas econômicas que não seguiam o seu modelo de governo. este o derrubaria. Juscelino confessou a Lacerda. a expansão da indústria pesada. para a Marinha do Brasil. A Economia brasileira e as obras realizadas O governo de Juscelino Kubitschek usou uma plataforma nacional desenvolvimentista. a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas hidrelétricas. para integrar a região ao mercado nacional. JK vendeu esses papéis com deságio. Com isso. A construção de Furnas foi iniciada em 1957 e concluída em 1963. Comprou. Seu maior adversário foi Carlos Lacerda. precisou agir de outra forma para conseguir o capital para terminar Brasília. Também em 1959. mostrando-lhes as vantagens de cada setor dentro da estratégia de desenvolvimento de seu governo. 56 . desde que associados ao capital nacional (“capital associado”). JK conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. e. ou seja. JK promoveu a implantação da indústria automobilística com a vinda de fábricas de automóveis para o Brasil. lançado em 1956. 1960: Vitória de Jânio Quadros (UDN) Obs. Com exceção das empresas de energia hidrelétrica. Em 15 de dezembro de 1959. o seu primeiro porta-aviõe. com o qual se reconciliou posteriormente. Juscelino rompeu com o FMI por não aceitar a reforma cambial pedida pelo FMI. As verbas haviam acabado e JK entendia que não poderia terminar o governo sem construir Brasília. Juscelino praticamente não criou nenhuma empresa estatal. Aumentou a produção de petróleo da Petrobrás. Furnas formou um dos maiores lagos artificiais do mundo que banha 34 municípios mineiros e que ficou conhecido como o “Mar de Minas Gerais”. fez com que JK fosse acusado de inviabilizar os próximos governos do país. como a Furnas localizda em São João da Barra e a Três Marias. houve uma crise na obra de construção de Brasília. acirrando ainda mais o clima de disputa da Guerra Fria. JK criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. sendo assim. o plano ofereceu uma generosa política de crédito ao consumidor. JK emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias.

não servia aos Estados Unidos nem à Rússia. isso não aconteceu. combatendo a corrupção. Os estudos históricos revelam. A MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE. porém. Texto para análise – JÂNIO QUADROS Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960. não tinha padrinhos.vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora. Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). utilizando um programa de governo baseado em REFORMAS para o povo.de vereador a Presidente da República . Jânio não alcançou o poder na crista de uma revolução armada. pois assim as elites e militares pensariam duas vezes antes de dar um golpe. Comício da central do Brasil. não era dono de jornal. Comício da central do Brasil Reação da oposição: Passeata. Ele acreditava que o fato de muitos não aceitarem Jango iria lhe dar mais poderes. Jango não era aceito pelas elites. com 5. Março de 1964: Grande comício em defesa de Jango e das reformas de base. contidas no PLANO TRIENAL. buscando mais apoio dos partidos e da sociedade. do Partido Trabalhista Brasileiro. que Jânio tentou uma jogada política. não era bonito.a maior votação até então obtida no Brasil . Existia o medo da cubanização do Brasil.6 milhões de votos . presidente do antigo Movimento Popular Jânio Quadros. 57 . GRANDE APOSTA DE JANGO Conquistar um grande apoio popular. pela coligação PTN-PDC-UDN-PR-PL. como demonstra o símbolo da sua campanha: OBS: A renúncia de Jânio continua a ser um tema bastante polêmico. ou seja. em menos de quinze anos.que não tem paralelo na história do Brasil.JANGO (PTB) – VICE. Essas reformas ficaram conhecidas como REFORMAS DE BASE. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan. para o mandato de 1961 a 1966. Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart. já que haveria apoio popular para Jango. uma carreira política inteira . então. nem simpático. O que era. por mais de dois milhões de votos. Qual a razão do sucesso de Jânio Quadros? Castilho Cabral. não era ligado a grupo econômico. Jânio Quadros? Um político carismático e populista que conquistou o eleitor com sua campanha em favor da moralidade pública. não fazia parte de algum clã. sempre se perguntava por que esse moço desajeitado conseguiu realizar. não tinha dinheiro. nossas elites e grande parte dos partidos iriam pedir para ele não renunciar. Não era rico. como Getúlio Vargas. Porém não conseguiu eleger o candidato a vicepresidente de sua chapa. Contudo.

MARCHA DA FAMÍLIA COM DEUS PELA LIBERDADE
.

Texto para análise
A CRISE DO GOVERNO JANGO
O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, e que
culminaram no dia 1 de abril de 1964 em um golpe de estado. Todavia, para a maioria dos militares, chamar
o golpe de Revolução de 1964 estaria associado à ideia de futuro, de esperança e de um tempo melhor, algo
prometido para a população. Esse golpe encerrou o governo do presidente João Belchior Marques Goulart,
também conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros à presidência pela União
Democrática Nacional (UDN).
Jânio renunciou ao mandato no mesmo ano de sua posse (1961) e quem deveria substituí-lo automaticamente e
assumir a Presidência era João Goulart, segundo a Constituição vigente à época, promulgada em 1946. Porém
este se encontrava em uma viagem diplomática na República Popular da China. Militantes então acusaram
Jango de ser comunista e o impediram de assumir seu lugar como mandatário no regime presidencialista.
Depois de muita negociação, lideradas principalmente pelo cunhado de Jango, Leonel de Moura Brizola, na
época governador do Rio Grande do Sul, os apoiadores de Jango e a oposição acabaram fazendo um acordo
político pelo qual se criaria o regime parlamentarista, passando então João Goulart a ser chefe-de-Estado.
Em 1963, porém, houve um plebiscito, e o povo optou pela volta do regime presidencialista. João Goulart,
finalmente, assumiu a presidência da República com amplos poderes, e durante seu governo tornaram-se
aparentes vários problemas estruturais na politica brasileira, acumulados nas décadas que precederam o
golpe e disputas de natureza internacional, que desestabilizaram o seu governo.
O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente os Estados Unidos da América. O
regime militar durou até 1985, quando tivemos a posse de Jose Sarney na presidência.
31 de março para 01 de abril: Golpe Militar – Início da Ditadura

58

(1964 - 1965) A DITADURA MILITAR NO BRASIL
1ª. - Junta militar
Ato Institucional Nº 1 ( AI – 1 ) - Ato que modifica a constituição, estabelecendo eleição indireta para presidente.

OS AI`S – ATOS INSTITUCIONAIS

Castelo Branco – Primeiro Presidente
FOI CRIADO O BIPARTIDARISMO
CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DITADURA:
1

- Políticos cassados

2

- Grande Repressão

* Mortos
* Torturados

Destaque para as ações dos órgãos de repressão:

DOI-CODI, DOPS, CCC

* Desaparecidos
3

- Censura

4

- Intensa propaganda oficial do governo.

Governo Costa e Silva – A vitória da linha dura
Os militares indicaram Costa e Silva para a presidência da República. Esse fato representou o estabelecimento
de uma situação de maior repressão. Tal atitude dos militares foi motivada, entre outros fatores, pela reação
armada de parte da esquerda brasileira.
OBS.1: Existiu a operação “Brother Sam”: o apoio dos EUA ao golpe militar, apoio logístico aos militares, caso
estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango.
OBS.2: Parte da esquerda resolveu pegar em armas, promovendo técnicas de guerrilha rural e urbana.
Ex: MR-8, PCBR, PC do B, ALN
FATO- Surgiu a Frente Ampla para lutar contra a ditadura. Tal frente era liderada por Jango, JK e Carlos
Lacerda. Esses dois últimos haviam apoiado o golpe, mas mudaram de opinião quando perceberam que a
ditadura seria longa e extremamente violenta.
Resposta de Costa e Silva - Decretação do AI-5 (1968).
O AI-5 foi uma resposta à passeada dos 100mil e ao discurso do deputado Márcio Moreira Alves, que pediu à
população para não ir ao desfile de 7 de setembro, em protesto às mortes que estavam ocorrendo como a do
estudante Edson Luís. Em seu discurso, o deputado pedia para que ninguém fosse ao desfile e estimulava a
realização de greves, até por parte das mulheres dos militares.

59

APROFUNDAMENTO - OS PRINCIPAIS ATOS INSTITUCIONAIS
ATO INSTITUCIONAL Nº 1 (AI-1)
Redigido por Francisco Campos, foi editado em 9 de abril de 1964 pela junta militar. Passou a ser designado
como Ato Institucional Número Um, ou AI-1, somente após a divulgação do AI-2. Com 11 artigos, o AI-1 dava ao
governo militar o poder de alterar a constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos por
dez anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse
atentado contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública. Determinava
eleições indiretas para a presidência da República no dia 11 de abril, tendo o mandato do presidente término
em 31 de janeiro de 1966, quando expiraria a vigência do ato.
ATO INSTITUCIONAL Nº 2 (AI-2)
Com 33 artigos, o ato instituiu a eleição indireta para presidente da República, dissolveu todos os partidos
políticos, aumentou o número de ministros do Supremo Tribunal Federal de 11 para 16, reabriu o processo de
punição aos adversários do regime, estabeleceu que o presidente poderia decretar estado de sítio por 180 dias
sem consultar o Congresso, intervir nos estados, decretar o recesso no Congresso, demitir funcionários por
incompatibilidade com o regime e baixar decretos-lei e atos complementares sobre assuntos de segurança
nacional.
O Ato Complementar (AC) nº 1 estabeleceu as sanções a serem estabelecidas contra as pessoas com direitos
políticos cassados que se manifestassem politicamente, o que passou a ser qualificado como crime.
O AC 2 estabeleceu, em 1 de novembro, disposições transitórias até serem constituídos os tribunais federais
de primeira instância, enquanto o AC 3, no mesmo dia, determinava as formalidades para a aplicação da
suspensão de direitos políticos e garantias constitucionais.
O AC 4, em 20 de novembro estabeleceu a nova legislação partidária, fixando os dois partidos políticos que
poderiam existir: Aliança Renovadora Nacional (Arena) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
ATO INSTITUCIONAL Nº 3 (AI-3)
Em 5 de fevereiro de 1966, o presidente Castelo Branco editou o Ato Institucional Número Três, ou AI-3,
que estabelecia eleições indiretas para governador e vice-governador e que os prefeitos das capitais seriam
indicados pelos governadores, com aprovação das assembléias legislativas. Estabeleceu o calendário eleitoral,
com a eleição presidencial em 3 de outubro e em 15 de novembro para o Congresso.
Com a pressão do governo, somada às cassações de deputados estaduais, a ARENA elegeu 17 governadores.
No dia 3 de outubro, foi eleito para presidente o marechal Artur da Costa e Silva, ministro da Guerra de Castelo
Branco, e para vice, Pedro Aleixo, deputado federal eleito pela UDN, então na Arena. O MDB se absteve de votar
nas eleições em protesto.
No dia 12 de outubro, foram cassados 6 deputados do MDB, entre os quais Sebastião Pais de Almeida, do antigo
PSD, e Doutel de Andrade, do antigo PTB.
No dia 20 de outubro, foi editado o AC 24, estabelecendo recesso parlamentar até 22 de novembro. Em 15 de
novembro, foram feitas as eleições legislativas, ficando a Arena com 277 cadeiras contra 132 do MDBR.
ATO INSTITUCIONAL Nº 4 (AI- 4)
Baixado por Castelo Branco em 7 de dezembro de 1966, o Ato Institucional Número Quatro, ou AI-4, convocou
o Congresso Nacional para a votação e promulgação da Constituição de 1967.Projeto de Constituição, que
revogaria definitivamente a Constituição de 1946.
ATO INSTITUCIONAL Nº 5 (AI-5)
Em 1968, reações mais significativas ao regime militar começaram a surgir.
O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi a contra-reação. Representou um significativo endurecimento

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pois pregavam a paz. além de vetar o “habeas corpus” para crimes contra a segurança nacional (ou seja. tais como: fechar o Congresso Nacional.Grave crise internacional Teve início em 1973. foi uma das marcas do governo.“Os anos de chumbo da ditadura” A luta armada da esquerda foi um pretexto para os militares agirem com mais tortura e mais violência. concedia ao Presidente da Republica enormes poderes. Não somente as letras políticas foram censuradas.do regime militar. A CONTRA CULTURA NO MUNDO E NO BRASIL 1968 . os mais duros. que apoiavam as ditaduras na América Latina. Logo após o AI-5. A guerra começou com um ataque conjunto surpresa pelo Egipto e Síria no feriado judaico de Yom Kipur. O Ato Institucional Número Cinco (Ai5). mas também artistas como Odair José. decretar estado de sítio. que ficou conhecido como o Milagre Brasileiro. remover ou aposentar quaisquer funcionários. Isso no mundo todo. 1973/1974 . Entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968. cassar mandatos parlamentares. No Brasil. Obs. O governo reagiu com violentíssima repressão. Este ato incluía a proibição de manifestações de natureza política. o movimento de contracultura revolucionava os costumes e exigia a paz. os piores anos de repressão política. promovida contra opositores. entre uma coalizão de estados árabes liderados por Egipto e Síria contra Israel. julgamento de crimes políticos por tribunais militares. Esse fato foi mais um foco de resistência contra a ditadura. não à violência. certinha. que abriu ainda mais espaço para o nacionalismo ufanista. Governo Médici . O crescimento econômico. uma sexta-feira que ficou marcada para a história contemporânea brasileira. sobretudo na França e nos EUA. foi feito o Golpe dentro do Golpe e uma nova Junta Militar assumiu o poder. Foi editado no dia 13 de dezembro. 1969: Junta Militar no poder *Indicação de Médici para presidente (1969-1974). O vice de Costa e Silva era Pedro Aleixo. por cantar músicas consideradas imorais. No final dos anos 60.). Essa propaganda foi valorizada com a vitória do Brasil na Copa de 70. etc. Uma época de intensa propaganda política: Obs. As imagens da guerra do Vietnã prejudicaram os EUA . Nesse contexto. tendo os países árabes organizados na OPEP aumentado o preço do petróleo em mais de 300%. Todos os movimentos como “Woodstock” prejudicavam os interesses da ditadura. em protesto pelo apoio prestado pelos Estados Unidos a Israel durante a Guerra do Yom Kippur (conflito militar ocorrido em 1973. demitir. “VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!”. crimes políticos). Costa e Silva teve um grande problema de saúde e deixou o governo. mas não pôde assumir porque não apoiou o AI-5.A CONTRACULTURA – Movimento liderado por jovens que não queriam pertencer àquela cultura conservadora. suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer pessoa. 61 . esse movimento repercutiu na “Tropicália” e em músicos como Raul Seixas.

querendo uma abertura mais rápida. um conjunto de medidas modificando a legislação. como os movimentos sociais e o MBD. a fim de diminuir a esfera de influência dos opositores. favorecendo o governo e a ARENA. para não fazer a abertura. da linha dura. Ex: Vitória Eleitoral do MDB.iniciou um processo de abertura (redemocratização). Fato: Fortalecimento da oposição.Geisel. Na verdade. Essas mudanças ficaram conhecidas como o “Pacote de Abril”. desde que fosse “LENTA.Governo Geisel (1974-1979) Político de linha moderada (o que não quer dizer que não tenha sido um ditador). pois o MDB queria um processo mais rápido. GRADUAL E SEGURA”. Essa vitória do MDB punha em risco o projeto de transição lenta e gradual. e da oposição. muda a lei. Geisel sofreu pressão dos dois lados. então. 62 .

. 63 .. A lua Tal qual a dona do bordel Pedia a cada estrela fria Um brilho de aluguel E nuvens! Lá no mata-borrão do céu Chupavam manchas torturadas Que sufoco! Louco! O bêbado com chapéu-coco Fazia irreverências mil Prá noite do Brasil. Que sonha com a volta Do irmão do Henfil.. Com tanta gente que partiu Num rabo de foguete Chora! A nossa Pátria Mãe gentil Choram Marias E Clarisses No solo do Brasil. que uma dor Assim pungente Não há de ser inutilmente A esperança.. Meu Brasil!.. Mas sei. Asas! A esperança equilibrista Sabe que o show De todo artista Tem que continuar..A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NA LUTA PELA DEMOCRACIA O Bêbado e A Equilibrista Composição: João Bosco e Aldir blanc Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos.... Dança na corda bamba De sombrinha E em cada passo Dessa linha Pode se machucar....

cassado e depois reformado por defender o governo João Goulart. que havia começado a ganhar forma em 1975 com a criação do Movimento Feminino pela Anistia. o presidente dos anos mais duros do ciclo inaugurado em 1964. a inflação já estava em 77% e a taxa de crescimento havia sido reduzida a 6.8%. casada com o general Euryale Zerbini. “Éramos oito mulheres e fizemos um manifesto à nação pedindo anistia ampla e geral”. A tese é contestada por dois colaboradores de Figueiredo. afirma o ex-ministro Jarbas Passarinho. o partido já havia eleito 16 dos 22 senadores e obtido 48% dos votos para a Câmara dos Deputados. já havia decidido conceder a anistia. os atos finais do governo Geisel foram uma tentativa de esvaziar a campanha popular pela anistia. feita pela Emenda Constitucional nº 11. O primeiro ato da abertura foi encenado no governo Ernesto Geisel (1974-79). diz Farhat. Além da deterioração dos indicadores econômicos. Figueiredo deu a senha para a aprovação da anistia logo no início de seu governo.2% e a inflação anual não superava o patamar de 19% ao ano. que era a guerrilha. afirma Therezinha. Geisel entregou duas medidas consideradas uma espécie de prévia da anistia: a revogação de todos os atos institucionais. promovendo a Campanha da Anistia. o MDB. 64 . No primeiro ano da gestão Figueiredo. O país que Figueiredo recebeu também era bem diferente daquele do “milagre econômico” de Médici. Do lado da sociedade civil. “Quando Figueiredo tomou posse. deposto pelo movimento de 64. Segundo Passarinho. o fim da resistência armada ao regime militar foi outro fator que abriu caminho para a anistia. no qual o crescimento médio anual da economia era de 11. Ele começou a falar sobre isso em 78. Na opinião do ex-líder da Arena. “A conjuntura econômica já não era a mesma”. continuou ampliando sua votação nas eleições de 1976 e 1978.” Farhat acrescenta que Figueiredo via na medida o único caminho para a “reconciliação do país com a revolução”. o crescimento da pressão popular e a determinação do próprio regime militar de realizar uma abertura lenta e gradual. com a mistura de quatro ingredientes básicos: a vitória da oposição nas eleições de 74. Junto com a faixa que passou a João Baptista Figueiredo (1979-85). líder da Arena no Senado à época da votação da lei. o primeiro passo foi dado pelo grupo de mulheres reunidas no Movimento Feminino pela Anistia. o próprio Passarinho e o então secretário de Comunicação Social. sucessor de Emílio Garrastazu Médici (1969-74). inclusive o AI-5. organizado em 1975 por iniciativa de Therezinha Zerbini. Em 1974. Texto para análise A CAMPANHA DA ANISTIA LEI DA ANISTIA FOI PROCESSO DE 4 ANOS Cláudia Trevisan e Patrícia Zorzan Extraído do site do Jornal Folha de São Paulo em 26/08/99 A anistia formalizada no Brasil em 28 de agosto de 1979 começou a ser gestada pelo menos quatro anos antes. com a frase “lugar de brasileiro é no Brasil”. e o abrandamento das penas previstas na Lei de Segurança Nacional. Para alguns dos opositores do regime militar. Said Farhat.Campanha da Anistia (perdão) A oposição se mobilizou pela absolvição dos crimes políticos. ainda durante a campanha”. “Havia acabado a motivação de 64. legenda de oposição ao regime.

Belisário dos Santos Júnior. Vilela deixa o partido governista e filia-se ao MDB. “A única luta que a esquerda ganhou durante o regime militar foi a anistia. geral e irrestrita como pretendiam seus defensores. afirma o secretário da Justiça de São Paulo. afirma o ministro da Justiça. assalto. No mês seguinte. durante a vigência do regime. diz Greenhalgh. como os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes e o líder comunista Luís Carlos Prestes. Organizado em 1978. sequestro e atentado pessoal”. em São Paulo. disse Vilela ao final de sua primeira visita. em 1975. Éramos radicais. Inicialmente defensor da exclusão dos chamados crimes de sangue e de terrorismo da anistia. por 206 a 201. E acrescentou: “Convidaria todos para se hospedarem em minha casa. mas jovens idealistas que arriscaram suas vidas pelo bem do Brasil”. Entre os que voltaram. o senador presidida a comissão mista responsável pela análise do projeto no Congresso. o CBA (Comitê Brasileiro pela Anistia). 65 . No dia 15 de abril de 1979. durante conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o Ano Internacional da Mulher. “Apesar de ter sido restrita. a anistia não foi tão ampla. Aprovada. em São Paulo. o movimento se espalhou por outros Estados entre 1975 e 1977. outro advogado de presos políticos que participou do movimento.000 exilados. que também atuava como advogado de presos políticos. O movimento logo se expandiu. Mas. pois queríamos a anistia ampla. O manifesto do grupo foi lido por Therezinha na Cidade do México. resultado da benevolência do presidente Figueiredo. geral e irrestrita”. a anistia acabou cumprindo seus objetivos”. Vilela decidiu conhecer de perto as pessoas acusadas desses atos. a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Em novembro de 1978. A campanha pela anistia ganhou um considerável peso institucional com a adesão do senador Teotonio Vilela à ideia. José Carlos Dias. Arenista. o CBA deu caráter mais amplo à campanha iniciada pelas mulheres em 1975. “A anistia não foi uma coisa gratuita. de qualquer forma. “Não encontrei nenhum terrorista. foram excluídos os condenados pela “prática de crimes de terrorismo. presidente da executiva nacional do CBA.Depois de São Paulo. ela permitiu a libertação de praticamente todos os presos políticos e a volta ao país de pelo menos 5. advogado de presos políticos militante do movimento pela anistia. convite que não faço a muitos ministros do atual governo”. De acordo com a lei aprovada. estavam lideranças de esquerda. começaria a chamada “peregrinação” pelas cadeias de todo o país onde havia presos políticos. entre eles a Igreja Católica. com a adesão de outros setores. Luiz Eduardo Greenhalgh. conquistada dentro do próprio regime. A idéia cresceu com a resistência da sociedade civil”. todas essas organizações se reuniram no Primeiro Congresso Nacional pela Anistia. afirma que o projeto inicial do regime militar para a anistia era restrito e atribui sua ampliação à pressão popular.

o “Hino Nacional Brasileiro”. Arena  PDS Sarney  Governo (ainda defendia a ditadura) MDB  PMDB Ulisses Guimarães PTB  Ivete Vargas OPOSIÇÃO PDT  Brizola 1984: Eleição para presidente de acordo com a lei  Eleição indireta (colégio eleitoral) Campanha das DIRETAS JÁ Foi a mais importante campanha de toda a nossa história. civis. gravado no seu álbum Aprendizes da Esperança. A partir daí. frustrando a sociedade brasileira. O movimento agregou diversos setores da sociedade brasileira. cantando de forma magistral e muito original. Fafá se apresentou gratuitamente em diversos comícios e passeatas. Teotônio Vilela. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial. Tancredo Neves. artísticas.Governo Figueiredo (1979 – 1985) Manteve o processo de abertura. a Proposta de Emenda Constitucional foi rejeitada. Entretanto. Orestes Quércia. Eduardo Suplicy. Roberto Freire. de entre outros temas. Miguel Arraes. mas ao mesmo tempo. destacaram-se Ulysses Guimarães. Ainda assim. além de lideranças sindicais. Mário Covas. foi muito contestada pela Justiça. Fernando Henrique Cardoso e muitos outros. foi ovacionada e aclamada pelo público. Gérson Camata. Tancredo Neves. para uma multidão que clamava pela redemocratização do país. Leonel Brizola. foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. André Franco Montoro. estudantis e jornalísticas. A possibilidade de eleições diretas para a Presidência da República no Brasil se concretizou com a votação da proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso. Dentre os políticos. A célebre interpretação. lançado no ano seguinte. 66 . mobilizando milhões de brasileiros. a Fafá passou a ser conhecida como a “musa das Diretas”. os adeptos do movimento conquistaram uma vitória parcial em janeiro do ano seguinte quando um de seus líderes. Luiz Inácio Lula da Silva. No seu governo foi aprovada a lei da Anistia e o pluripartidarismo. Texto para análise A CAMPAMHA DAS DIRETAS JÁ Diretas Já foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984. diante das câmeras. Dante de Oliveira. José Richa. A cantora paraense Fafá de Belém participou ativamente no movimento das Diretas Já a partir do comício de 16 de Abril de 1984.

que envolvia troca de favores governamentais por dinheiro. gerou o processo de impeachment – ou seja. O governo de Fernando Collor de Mello (1990/92) Aplicou o plano econômico denominado de Plano Brasil Novo. do pequeno Partido da Renovação Nacional (PRN). do Partido dos Trabalhadores (PT). extinção da correção monetária e o cruzeiro perdia três zeros e passava ser chamado de cruzado. porém a população foi às ruas exigindo seu afastamento (“os caraspintadas”). fim da censura. que. intervenção do Estado nos assuntos econômicos e nacionalismo econômico ao reservar algumas atividades às empresas estatais. No dia 21 de abril o resultado do plebiscito confirmou a manutenção da república presidencialista. A disputa foi para o segundo turno entre Fernando Collor e Lula. cabendo ao primeiro a vitória nas eleições – graças à imagem de “caçador de marajás”. As eleições presidenciais de 1989 Em dezembro de 1989 foram realizadas as primeiras eleições diretas para a Presidência da República desde 1960.A Nova República Governo de José Sarney (1985/1990) O mandato de José Sarney foi marcado pelos altos índices inflacionários e pela existência de vários planos econômicos: Plano Cruzado (1986). as denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo levou o Congresso a formar uma Comissão Parlamentar de Inquérito. o qual extinguiu o cruzado novo e retornou o cruzeiro. que buscava combater a inflação e estabilizar a economia nacional. ou quando a inflação atingisse 20%. redução nas tarifas de importação e um tumultuado processo de privatizações. O Plano contribuiu para a queda da inflação e aumento do poder aquisitivo e da capacidade de consumo – em razão da queda dos preços dos produtos face à concorrência estrangeira. jovens entre 16 e 18 anos e pessoas acima de 70 anos. instituição do voto facultativo aos analfabetos. O presidente renunciou em 30 de dezembro de 1992. como a convocação de uma Assembléia Constituinte que elaborou e promulgou a Constituição de 1988 – “Constituição Cidadã”. congelou preços e salários. O Plano pregava a contenção dos gastos públicos. Três candidatos destacaram-se na disputa: Fernando Collor de Mello. A popularidade do Plano Real auxiliou o ministro da Fazenda de Itamar Franco. procurando conter a inflação determinou: congelamento de todos os preços por um ano. No aspecto econômico o mais importante foi a aplicação do Plano Real. e reajustados após um ano. a redução do consumo mediante o aumento da taxa de juros e maior abertura do mercado aos produtos estrangeiros. e de uma plataforma de luta contra a corrupção. Plano Bresser (1987) e Plano Verão (1989). a legalização dos partidos políticos de qualquer tendência. garantido o direito de greve e a liberdade sindical. O envolvimento de Collor no chamado “esquema PC”. O plano de maior repercussão foi o Plano Cruzado. bloqueio boa parte do dinheiro de aplicações financeiras e de poupanças por 18 meses. Por ser um governo de transição democrática. Fernando Collor procurou bloquear o processo. na modernização do Brasil e de representar os pobres e marginalizados – os “descamisados”.que estabeleceu as eleições diretas em todos os níveis. No entanto. abono salarial de 8%. após decisão histórica do Congresso Nacional no dia anterior pelo seu afastamento. O relatório final da CPI apontou ligações do presidente com Paulo César Farias – amigo pessoal e tesoureiro da campanha presidencial. Leonel Brizola do Partido Democrático Brasileiro (PDT) e Luís Inácio “Lula” da Silva. a privatização de empresas estatais. Fernando Henrique Cardoso. a vencer as eleições em outubro de 1994. o afastamento do Presidente da República. O governo de Itamar Franco ( 1992/1995) Realização de um plebiscito em 1993 que deveria estabelecer qual o regime político (monarquia ou república) e qual a forma de governo (presidencialismo ou parlamentarismo). Houve grande número de demissões no setor público. O vice-presidente Itamar Franco assumiu o cargo. ampliação dos direitos trabalhistas. 67 . importantes avanços políticos ocorreram.

Diversos programas assistencialistas e a criação de bolsas aos mais necessitados sustentavam o caráter popular do governo Lula. O Partido dos Trabalhadores. Petistas históricos como Heloísa Helena e João Batista Babá afastaram-se do governo ao perceber as negociações e manobras políticas do governo junto aos setores de oposição. Conquistando alguns governos em esfera estadual e municipal tentavam alavancar o antigo desejo de colocar Lula a frente da presidência. Os setores políticos mais a esquerda. postarem-se como uma opção a população brasileira. através da ocupação de terras procura agilizar o processo de reforma agrária no país. No plano econômico. Uruguai e Paraguai ( a formação do bloco obedece várias etapas). o “sonho” de um mandato popular e de uma nova esperança ao povo brasileiro finalmente colocou o antigo sindicalista no cargo Maximo do Estado brasileiro. o governo parecia buscar a rota do desenvolvimento sem que para isso tivesse que adotar medidas de grande impacto. Vivia-se o impasse de uma democracia plena onde os problemas de ordem social e econômica não pareciam ter uma clara via de solução. Nos eventos entre os grandes lideres de Estado. Seus dois mandatos são caracterizados pela aceleração do processo de globalização: a criação do Mercosul e a eliminação das barreiras alfandegárias entre Brasil. percebemos que o tom da esquerda que chegou ao poder em 2003 era bem mais reformista do que revolucionário. desde o inicio da Nova Republica.O governo de Fernando Henrique Cardoso (1995/2002) Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente do Brasil a conseguir uma reeleição – através de uma mudança constitucional. Lula deu continuidade a diversas posturas anteriormente adotadas no governo FHC. Em termo de organização social destaque para a questão fundiária do país e a atuação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O envio de tropas brasileiras à regiões de conflito (Haiti e Timor Leste) e a realização de competições internacionais (Pan-Americano) são ações que visam dar uma imagem positiva no cenário internacional *** 68 . Em 2002. o presidente Lula destacava-se por sua articulação política e sua defesa pelos países em desenvolvimento. já no primeiro mandato. A escolha de um oposicionista frente ao Banco Central foi o mais claro tom dessa política continuísta. que. Argentina. A aparência dúbia do governo Lula. O governo Lula (2003/2009) Sentimentos de mudança e transformação tomavam conta das expectativas em torno daquele novo presidente. Em meio a tantas expectativas. começavam a manifestar a sua frustração. Além disso. No entanto. As medidas conservadoras na economia também dividiram espaço com os programas sociais de seu governo. Os anos de FHC como presidente foram marcados pela hegemonia do neoliberalismo. Os mais exaltados chegavam a acusá-lo de populismo. Os problemas enfrentados durante a crise econômica no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso reavivou antigas questões políticas que marcaram a recente experiência democrática no país. a diplomacia tentou abrir portas para o pais junto a grandes organismos internacionais como a ONU. não provocou nenhum tipo de entrave político maior. valendo-se da trajetória política junto às casses trabalhadoras de Luis Inácio Lula da Silva era um dos maiores partidos de oposição da época. As esquerdas tentavam. ainda assim.