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Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.

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FAMENE
NETTO, Arlindo Ugulino.

PATOLOGIA
INTRODUÇÃO À PATOLOGIA
(Profº Raimundo Sales)
O termo patologia significa, ao pé da letra, o estudo (logos) do sofrimento (pathos). A patologia é, portanto, um
ramo da ciência que visa realizar uma ponte entre as ciências médicas básicas à prática clínica, estando voltada ao
estudo das alterações estruturais e funcionais que ocorrem nas células, tecidos e órgãos decorrentes das doenças.
A patologia faz uso de técnicas moleculares, microbiológicas, imunológicas e morfológicas para explicar as
causas e os motivos dos sinais e sintomas que os pacientes manifestam, fornecendo uma base racional para uma
abordagem clínica e o tratamento.
O estudo da patologia está dividido em duas grandes correntes:
• Patologia geral: aborda as reações básicas das células e dos tecidos aos estímulos anormais relacionados às
doenças.
• Patologia sistêmica (especial): examina as respostas específicas de órgãos e tecidos especializados a
estímulos moderadamente definidos.
Os quatro aspectos das doenças que formam a base da patologia são as suas causas (etiologia), os
mecanismos de seu desenvolvimento (patogenia), as alterações estruturais induzidas nas células e nos órgãos
(alterações morfológicas) e as conseqüências funcionais das alterações morfológicas (significado clínico).
• Etiologia ou causa: considera-se que existam duas classes principais de fatores etiológicos: intrínsecos ou
genéticos, e adquiridos (ou seja, de forma infecciosa, nutricional, químico, físico).
• Patogenia: se refere à sequência de eventos da resposta das células ou dos tecidos ao agente etiológico,
desde o estímulo inicial até a expressão final da doença em si.
• Alterações morfológicas: referem-se às alterações estruturais nas células ou nos tecidos que são
característicos da doença ou levam ao diagnóstico do processo etiológico.
• Desordens funcionais e manifestações clínicas: a natureza das alterações morfológicas e sua distribuição nos
diversos órgãos o tecidos influencia a função normal e determina as características clínicas (sinais e sintomas),
curso e prognóstico de uma doença. As interações célula-célula e célula-matriz contribuem de forma
significativa para a resposta às lesões levando, em conjunto, à lesão tecidual e do órgão, que são tão
importantes quanto o dano celular na definição dos padrões morfológicos e clínicos da doença.

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FAMENE
NETTO, Arlindo Ugulino.

PATOLOGIA
LESÃO E MORTE CELULAR
(Profº Raimundo Sales)
A lesão celular é decorrente de um intenso processo de estresse com o qual a célula não é capaz de lidar ou
quando elas são expostas a agentes perniciosos. A lesão pode cursar por um estágio reversível até culminar na morte
célula, caracterizada por sua completa inativação da célula. Essas alterações são discutidas nos seguintes tópicos: 
Lesão celular reversível: é caracterizada, inicialmente, por alterações funcionais e morfológicas que podem ser
reversíveis caso a fonte nociva seja retirada. A lesão celular reversível pode ser caracterizada por redução na
quantidade de adenosina trifosfato (ATP) e edema celular causado por alterações na concentração de íons e
influxo de água. 
Lesão irreversível e morte celular: quadro causado pela progressão do dano, em que a lesão se torna
irreversível e a célula não apresenta mais meios de se recuperar. Em outras palavras, lesão celular irreversível
significa a morte celular.

MECANISMO DE ADAPTAÇÃO CELULAR AO CRESCIMENTO E À DIFERENCIAÇÃO
As células respondem ao aumento da demanda e ao estímulo externo por meio da hiperplasia (aumento de
número celular) ou da hipertrofia (aumento do volume celular), e respondem à redução de nutrientes e de fatores de
crescimento pela atrofia (redução do volume celular). Em algumas situações, as células mudam de um tipo para outro
diferente por meio do processo conhecido como metaplasia.
HIPERPLASIA
A hiperplasia significa um aumento no número de células de um órgão ou tecido, geralmente resultando em um
aumento do seu volume. Apesar de a hiperplasia e de a hipertrofia serem dois processos distintos, frequentemente
ocorrem juntas e podem ser desencadeadas pelos mesmos estímulos externos (como o crescimento uterino induzido
por hormônios durante a gravidez, por exemplo).
A hiperplasia ocorre se a população celular for capaz de sintetizar DNA, permitindo, assim, que ocorra mitose.
Por outro lado, a hipertrofia envolve o aumento do volume celular sem que ocorra divisão celular. A hiperplasia pode
ser fisiológica ou patológica:
• Hiperplasia fisiológica: pode ser dividida ainda em dois tipos: (1) hiperplasia hormonal, a qual aumenta a
capacidade funcional de um tecido quando é necessário (Ex: proliferação do epitélio glandular da mama
feminina na puberdade e durante a gravidez); e (2) hiperplasia compensatória, na qual ocorre aumento da
massa tecidual após dano ou ressecção parcial (como a regeneração as células hepáticas após lesão). A
hiperplasia é geralmente causada pela produção local de fatores de crescimento, aumento dos receptores de
fatores de crescimento nas células envolvidas no processo ou a ativação de determinadas vias intracelulares.
Na hiperplasia hormonal, os próprios hormônios podem atuar como fatores de crescimento e desencadear a
transcrição de vários genes celulares. A fonte dos fatores de crescimento na hiperplasia compensatória e os
estímulos para sua produção não estão bem definidos. Admite-se que o aumento no volume tecidual após
alguns tipos de perda celular ocorre tanto através da proliferação das células remanescentes como também
através do desenvolvimento de novas células a partir de células-tronco.
• Hiperplasia patológica: geralmente é causada pela estimulação excessiva das células alvo por hormônios ou
por fatores de crescimento. A hiperplasia endometrial é um exemplo de hiperplasia hormonal anormal: quando
o equilíbrio de estrogênio e a progesterona está alterado, ocorre um desenvolvimento anormal das glândulas
endometriais, gerando um tipo de sangramento menstrual anormal. É importante saber, porém, que a
hiperplasia patológica representa um solo fértil onde a proliferação cancerosa pode se instalar. Ex: Psoríase
(surgimento de placas escamosas na pele de etiologia desconhecida); vírus de papiloma humano.
HIPERTROFIA
A hipertrofia se refere a um aumento no tamanho das células, resultando em um aumento no tamanho geral do
órgão ou tecido. É importante saber que o aumento celular não é causado por algum tipo de edema, mas à síntese de
mais componentes estruturais.
Como foi mencionado anteriormente, as células capazes de se dividirem podem responder ao estresse,
sofrendo tanto hiperplasia quando hipertrofia, enquanto as células que não se dividem (como as células do miocárdio)
sofrem hipertrofia. A hipertrofia pode ser fisiológica (como a hipertrofia fisiológica induzida por hormônio que ocorre
com o útero por meio do estrogênio e dos seios por meio da prolactina) e patológica, sendo causada pelo aumento da
demanda funcional ou por estímulos hormonais específicos.

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Os mecanismos da hipertrofia (como a cardíaca) envolvem muitas vias de transdução de sinais, levando à
indução de vários genes que, por sua vez, estimulam a síntese de numerosas proteínas celulares. Os genes que são
estimulados durante a hipertrofia incluem aqueles que codificam fatores de transcrição, fatores de crescimento (como o
TGF-β), e agentes vasoativos (agonitas α-adrenérgicos, endotelina-1 e angiotensina II). Alguns tecidos apresentam
sinais que desencadeiam essas mudanças em seus genes: desencadeadores mecânicos (como o estiramento),
desencadeadores tróficos (como os fatores de crescimento polipeptídicos), etc.
ATROFIA
Atrofia consiste na redução no tamanho da célula devido à perda de substancia celular, representando uma
forma de resposta de adaptação celular que pode culminar em morte. A atrofia pode ser fisiológica (comum durante as
fases iniciais do desenvolvimento) ou patológica (depende da causa e pode ser localizada ou generalizada).
As causas mais comuns de atrofia são: diminuição da carga (atrofia por desuso); perda da inervação (perda da
ação trófica exercida por algum nervo); diminuição do suprimento sanguíneo (isquemia, como o que ocorre com o
cérebro na velhice, presumivelmente porque a aterosclerose reduz o seu suprimento sanguíneo); nutrição inadequada
(marasmo); perda da estimulação endócrina; envelhecimento (atrofia senil); pressão (compressão de um tecido por um
longo período de tempo).
Admite-se que os mecanismos bioquímicos responsáveis pela atrofia afetem o equilíbrio entre a síntese e a
degradação de proteínas. O aumento na degradação de proteínas provavelmente desempenha um papel importante na
atrofia.
METAPLASIA
A metaplasia é uma alteração reversível na qual um tipo de célula
adulta é substituída por outro tipo de célula adulta. A metaplasia mais comum
é a do epitélio colunar para escamoso que pode ocorrer no trato respiratório
em resposta a irritação crônica (como a causada pelo cigarro). Se as
influências que predispõem à metaplasia persistem, elas podem induzir
transformações malignas no epitélio metaplásico.
A metaplasia não resulta de uma alteração do fenótipo de uma célula diferenciada; ao contrário, é o resultado
de uma reprogramação de células-tronco (stem cells ou células de reserva) que sabemos existir nos tecidos normais
ou de células mesenquimatosas indiferenciadas presentes no tecido conjuntivo. Em uma alteração metaplásica, esses
precursores celulares seguem uma nova via de diferenciação. A diferenciação de células-tronco em uma linhagem
particular ocorre por meio de sinais gerados por citocinas, fatores de crescimento e componentes da matriz extracelular
no ambiente que cerca a célula. No caso das metaplasias, há uma desordem na sinalização feita por esses estímulos
externos, desencadeando a origem de vias metaplásicas para as células tronco do tecido acometido por um fator
irritante.
OBS: O epitélio estratificado escamoso é um epitélio de revestimento encontrado nas mucosas (esôfago, vagina, colo
do útero, etc) e na pele. A diferença é que nestes, o epitélio é queratinizado e naquele, não-queratinizado. Nas
mucosas (como a oral), não há a presença da camada córnea (mais superficial), por isso, a sua transparência rosada
característica.
OBS²: O epitélio simples colunar ciliado dos brônquios pulmonares, como um exemplo de metaplasia, é substituído por
um epitélio estratificado escamoso quando é submetido a um processo irritativo crônico (como o que faz o cigarro).
Admite-se que esta troca de epitélio é uma forma de defesa do organismo, pois há uma troca de um tecido por outro
mais resistente. O problema é a perda dos cílios dessa região, que por si só, servem de barreira física contra agentes
invasores além de exercer uma função na retirada do muco produzido pelas células caliciformes do epitélio colunar.
Admite-se ainda que esta desvio no desenvolvimento das células-tronco do epitélio pulmonar se deva aos efeitos que a
nicotina e substancias homólogas exerça sobre estas células, induzindo-as a produzir um epitélio metaplásico.
As vezes áreas de fibrose pode gerar uma ossificação e, como consequência, uma metaplasia óssea. Um
exemplo básico chama-se miosite ossificante: lesões em regiões de compartimento muscular pode gerar
uma extravasamento demasiado de sangue, formando um hematoma. Esta coleção sanguínea pode passar
por um processo de ossificação, caracterizando uma metaplasia óssea.
O esôfago é um tubo muscular revestido por epitélio estratificado escamoso não-queratinizado. Indivíduos que
apresentam refluxo, expõem o epitélio esofagiano a um refluxo de pH muito baixo. Com o tempo, é possível
encontrar ilhotas de tecido gástrico em toda extensão do esôfago (caracterizado um processo metaplásico).
Este quadro é conhecido como esôfago de Barret. Como a metaplasia é um processo reversível, tratando-se
o refluxo, trata-se este processo patológico.

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a célula chega a um ponto irreversível. é um processo irreversível caracterizado por desenvolver carcinomas na região lesada. portanto. agora. CAUSAS DAS LESÕES CELULARES As causas das lesões celulares variam de causas como violento fator físico externo (como o que ocorre em acidentes automobilísticos) a causas endógenas (como mutações sutis que possa alterar alguma enzima vital. passa-se a desenvolver um tecido neoplásico acima desta camada metaplásica. Isto gera um maior influxo de Na . Com o desenvolver deste processo. passando a realizar. Apenas a neoplasia é uma formação irreversível do ponto de vista fisiológico. na qual reduzem ou perdem a capacidade de se diferenciar. proliferação celular anormal. o mecanismo da lesão isquêmica está relacionada com eventos moleculares intracelulares que desencadeiam na lesão celular irreversível (morte celular): ao se formar um foco isquêmico (por trombo em pequenos vasos. todo o grupo celular irrigado por este vaso sofre com a carência de O2. A carência do O2. H2O. Consequentemente. consequentemente. gerando a morte celular. respiração anaeróbica. a displasia. como no sentido de má-formação (Ex: displasia óssea: falta de mineralização óssea). a bomba de Na -K deixa de + funcionar corretamente. tecidos isquêmicos são danificados mais rapidamente do que tecidos hipóxicos. em consequência de mudanças nos genes que regulam o crescimento e a diferenciação celulares. OBS3: O termo displasia é empregado tanto no sentido de lesão pré-cancerosa.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. perda das microvilosidades e formação de bolhas (o que ainda é uma lesão reversível). atrofia. em que ocorre a ruptura da membrana celular ou falência mitocondrial. 3 .1 NEOPLASIA A neoplasia (crescimento novo) é o termo que designa alterações celulares que acarretam um crescimento exagerado destas células. A neoplasia pode ser maligna ou benigna. gerando um edema celular generalizado com a formação de focos calcificados. Os principais estímulos nocivos podem ser listados a seguir:  Ausência de oxigênio (hipóxia). há uma carência de glicogênio e uma consequente diminuição do pH (devido ao + uso da glicólise anaeróbica e a produção de lactato e H ). A hipóxia deve ser diferenciada da isquemia. ou seja. Além disso. perde seu receptor final de elétrons na cadeia respiratória. A neoplasia. por exemplo). em certos casos. A isquemia compromete não apenas o suprimento de oxigênio. o que acarreta na condensação da cromatina nuclear. depois de instalada a metaplasia. metaplasia e. OBS5: Como veremos adiante. Este é o fator determinante para o início das lesões: a célula sem O2. hiperplasia. que é a perda do suprimento sanguíneo adequado devido à obstrução do fluxo arterial ou redução da drenagem venosa de um tecido. 4 OBS : A literatura consta como lesões reversíveis: hipertrofia. que altera toda uma função metabólica). Outra causa menos frequente é a perda da capacidade carreadora de oxigênio pelo sangue como o que ocorre na anemia (na qual ocorre anóxia sem isquemia) ou na intoxicação por monóxido de carbono. A consequência mais alarmante é a carência + + energética: sem ATP. Uma causa de hipóxia é a oxigenação inadequada do sangue devido à insuficiência cardiorrespiratória. molécula que funciona como último aceptor de elétrons da cadeia respiratória causa lesão celular justamente pela redução da respiração aeróbica oxidativa. sem controle e autônomia. No caso dos bronquios de um fumante crônico. 2+ Ca (este é responsável por ativar enzimas intracelulares que podem destruir as organelas da própria célula) e. mas também de substratos metabólicos como a glicose.

gradativamente. síntese protéica. podem causar. A redução do ATP a menor que 5% a 10% dos níveis normais. estado e grau de adaptação da célula danificada. morte celular: poluentes.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. presentes no cotidiano. DIMINUIÇÃO DO ATP A diminuição do ATP e a redução de sua síntese estão frequentemente associadas a lesões hipóxicas e químicas (tóxicas). Entretanto. monóxido de carbono. Esta diminuição é extremamente maléfica à célula. radiação. O estado nutricional e hormonal da célula e suas necessidades metabólicas são importantes na resposta às lesões.  Distúrbios genéticos. inseticidas. como no caso da anorexia nervosa ou da desnutrição auto-induzida. MECANISMOS DAS LESÕES CELULARES Os mecanismos bioquímicos responsáveis pela lesão celular são complexos.ATPase) está reduzida. etc. Uma falha nesse sistema causa acúmulo intracelular de sódio e perda de potássio da célula. Outras substancias. mudanças bruscas na pressão atmosférica. Quantidades mínimas de agentes conhecidos como venenos (tais como arsênico. pode ser altamente tóxico. Ironicamente. excessos nutricionais também se tornam causas importantes de lesão celular. álcool e narcórticos.  Reações imunológicas. existem vários princípios que são relevantes na maioria das lesões celulares:  A resposta celular a estímulos nocivos depende do tipo da lesão. Deficiências protéico-calóricas causam um número impressionante de mortes. integridade do componente genético da célula.  Desequilíbrios nutricionais. relacionada a distúrbios cromossômicos. Substancias químicas como a glicose ou o sal em concentrações hipertônicas podem causar lesão celular diretamente ou pela alteração da homeostasia eletrolítica das células. síntese protéica. citoesqueleto. etc. lipogênese e reações de deacilação-reacilação.  As consequências da lesão celular dependem do tipo. ou tão sutil a ponto de reduzir a vida dos eritrócitos devido à substituição de um único aminoácido na cadeia da hemoglobina (como ocorre na anemia falsiforme). membranas celulares. Problemas nutricionais podem ser causados pelas próprias pessoas. necessárias para as alterações que ocorrem com os fosfolipídeios. A lesão genética resulta em um defeito tão grave como uma malformação congênita associada a síndromes (como a Síndrome de Down). na forma de ATP.  A lesão celular resulta de anormalidades funcionais e bioquímicas em um ou mais componentes essenciais: fosforilação oxidativa e produção de ATP.1  Agentes físicos.  Agentes químicos e drogas. em altas concentrações. Este 4 . choque elétrico. as reações imunológicas causam como conseqüências algumas lesões celulares. Até mesmo o oxigênio. sua duração e gravidade. especialmente na população de baixo poder aquisitivo. uma vez que o fosfato de alta energia. tem efeito disseminados em muitos sistemas celulares críticos:  A atividade da bomba de sódio da membrana plasmática dependente de energia (Na+/K+ . cianeto ou sais de mercúrio) podem destruir um grande número de células em poucos minutos ou horas e causar morte. Apesar de o sistema imunológico desempenhar uma função essencial de defesa contra agentes infecciosos. estão inclusos traumas mecânicos. temperaturas extremas (queimaduras ou frio intenso). é necessário para vários processos sintéticos e de degradação na célula: transporte de membrana.

ativa várias enzimas que possuem efeitos celulares deletérios em potencial: ATPases (reduzindo ainda mais os níveis de ATP). resultando na diminuição da atividade de muitas enzimas celulares além da condensação da cromatina nuclear. Os radicais livres são espécies químicas que possuem um único elétron sem um par correspondente na órbita eletrosférica externa. o poro de transição de permeabilidade mitocondrial significa uma sentença de morte para a célula. ocorre uma ruptura estrutural dos mecanismos de síntese protéica manifestada pelo deslocamento dos ribossomos do retículo endoplasmático granular e dissociação dos polissomos em monossomos. além de uma redução brusca dos depósitos de glicogênio celular. pela degradação dos fosfolipídios pelas vias da fosfolipase A2 e da esfingomielina. radiações ionizantes).  Lesões no DNA. pequenas quantidades de formas reativas do oxigênio parcialmente reduzidas são produzidas como um produto não desejado da respiração mitocondrial. chamado poro de transição de permeabilidade mitocondrial. reduzindo o pH intracelular. tais como os ácidos graxos livres e a ceramida. macrófagos. neurônios e outros tipos celulares. levando a necrose celular.  Metabolismo enzimático de substancias químicas exógenas ou drogas. pelo estresse oxidativo. condição que tem sido associada com a lesão celular vista em muitas condições patológicas. O dano mitocondrial pode ainda estar associado ao extravasamento do citocromo C (componente integral da cadeia de transporte de elétrons) no citosol. na membrana mitocondrial interna. lipídios. 2+ Esse aumento intracelular de Ca . o qual. em um acúmulo de ácido lático e fosfato inorgânicos. raios X. Finalmente. como em NO2 e NO3-. carboidratos ou ácido nucléicos). importante mediador químico gerado por células endoteliais. por sua vez.  Se o suprimento de oxigênio para célula é reduzido. Os efeitos dessas espécies reativas são amplos.  Com a diminuição prolongada do ATP. ACÚMULO DE RADICAIS LIVRES DERIVADOS DO OXIGÊNIO As células geram energia reduzindo o oxigênio molecular em água. Apesar de ser reversível nos estágios iniciais. fosfolipases e as endonucleases. Algumas dessas formas são radicais livres que danificam os lipídios. em excesso. Esta glicólise resulta. ocorre um dano irreversível às membranas mitocondriais e lisossomais. a fosforilação oxidativa fica dependente da glicólise anaeróbica para a produção de energia. as proteínas e os ácidos nucléicos. Um desequilíbrio entre os sistemas de geração e eliminação de radicais livres causam um estresse oxidativo. A energia criada por essa configuração instável é liberada através de reações com moléculas adjacentes (como proteínas.  As reações de redução-oxidação que ocorrem durante os processos metabólicos normais. 5 . Os radicais livres podem ser criados nas células de várias maneiras:  Absorção de energia radiante (como luz ultravioleta. O aumento de níveis intracelulares Ca2+ também causa um aumento na permeabilidade mitocondrial e induz a apoptose. Elas podem ser danificadas pelo aumento do Ca2+ no citosol.  Modificação oxidativa das proteínas.  O óxido nítrico (NO). gerando edema celular e dilatação do retículo endoplasmático.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. DANO MITOCONDRIAL As mitocôndrias tornam-se alvos importantes para virtualmente todos os tipos de estímulos nocivos. Como a manutenção do potencial de membrana é crítico para a fosforilação oxidativa da mitocôndria. Durante este processo. Elas são chamadas de espécies reativas de oxigênio. mas três reações são particularmente relevantes para a lesão celular:  Peroxidação lipídica das membranas. passa a exercer efeito deletério para vários componentes celulares. incluindo as toxinas e a hipóxia. A isquemia e certas toxinas causam um aumento inicial da concentração de cálcio no citosol devido ao influxo de Ca2+ através da membrana plasmática e liberação do Ca2+ das mitocôndrias e do retículo endoplasmático.  Metais de transição como o ferro e o cobre que doam ou aceitam elétrons livres durante as reações intracelulares e catalisam a formação de radicais livres. e pelos produtos de degradação dos lipídios derivados dessas reações.1 sódio intracelular atrai a água do líquido intersticial. Ele pode atuar como radical livre e também pode ser convertido a um ânion altamente reativo. este poro torna-se permanente caso o estímulo nocivo persista. A lesão mitocondrial geralmente causa a formação de um canal de alta condutância. 2+  A deficiência da bomba de Ca resulta no influxo de cálcio. FLUXO INTRACELULAR DE CÁLCIO E PERDA DA HOMEOSTASIA DO CÁLCIO Os íons cálcio são importantes mediadores da lesão celular.

o que de forma indireta. entre essas lesões irreversíveis. Os principais sistemas enzimáticos e não-enzimáticos que contribuem para a desativação das reações de radicais livres incluem:  Antioxidantes que bloqueiam o início da formação dos radicais livres ou os inativa. A lesão irreversível. por rompimento da membrana celular. a membrana plasmática e outras membranas celulares. assim. anormalidades do citoesqueleto. • Cariorréxis: fragmentação do núcleo e do material genético por ele abrigado.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. por edema lisossomal. percebe-se um aumento da basofilia da cromatina. alteração que possivelmente reflete a atividade da DNAse. Esta morte pode ser causada. interfere na maquinaria biológica da célula.  Uma série de enzimas que agem como sistema de recolhimento (eliminador) de radicais livres e que degradam peróxido de hidrogênio e ânion superóxido. o qual passa a apresentar um aspecto puntiforme. É caracterizada por uma diminuição da basofilia da cromatina. Vale salientar também que. Vários mecanismos bioquímicos podem contribuir para o dano da membrana: disfunção mitocondrial. perda dos fosfolipídios de membrana. produtos de degradação de lipídios. O dano à membrana pode afetar a mitocôndria. podemos destacar três lesões que acometem o núcleo celular. etc. TIPOS DE LESÕES CELULARES IRREVERSÍVEIS Estímulos nocivos persistentes ou excessivos levam a célula a cruzar o limiar da lesão irreversível.  O próprio ferro e o cobre podem catalisar a formação de espécies reativas de oxigênio. entre outros motivos. o grau de lesão. 6 . etc. • Cariólise: dissolução do material genético. DEFEITOS NA PERMEABILIDADE DA MEMBRANA A perda inicial da permeabilidade seletiva da membrana leva. Além do encolhimento do núcleo. está associada à morte celular. finalmente. fazendo com que o núcleo apresente um aspecto pálido. cessando a lesão causada por eles. na maioria dos casos. espécies reativas de oxigênio. sendo uma característica consistente da maioria dos tipos de lesão celular. como o ácido ascórbico no citosol. Estruturas laminares compostas de grandes massas de fosfolipídios (as figuras de mielina) derivadas das membranas danificadas das organelas e da membrana plasmática aparecem inicialmente durante o estágio reversível e se tornam mais pronunciadas nas células que sofreram dano irreversível. a um dano evidente da membrana. os defeitos nas membranas podem resultar de uma série de eventos envolvendo a diminuição de ATP e a ativação das fosfolipases modulada pelo cálcio. Nas células isquêmicas. por vacuolização das mitocôndrias com redução da capacidade de gerar ATP. Exemplos incluem vitaminas lipossolúveis A e E. São as seguintes: • Picnose celular: condensação generalizada do núcleo.1 OBS6: As células desenvolvem múltiplos mecanismos para remover os radicais livres reduzindo.

Finalmente. aterosclerose. a lesão ou o aumento subsequente da acidose intracelular desnatura não somente as proteínas estruturais mas também as enzimas. O resultado final é a transformação do tecido em uma massa viscosa de odor e cor característica. Os tecidos afetados apresentam uma textura firme. caracterizados por uma auto-programação de destruição celular. uma vez que suas proteínas estruturais não sofreram ação de hidrolases. 7 . a liquefação digere completamente as células mortas. é causada por fatores internos. A gangrena apresenta um odor forte e característico pois na região necrosada se desenvolvem bactérias Clostridium perfringens.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. a arquitetura está completamente destruída. Admite-se que um tecido seja classificado como necrosado quando este representa apenas uma área restrita que se encontra circundando por tecido vivo. • Apoptose: ocorre quando os estímulos nocivos danificam o DNA. a via de morte celular que é induzida por um programa intracelular altamente regulado. Ao contrário da necrose de coagulação. Existem dois tipos de morte celular. A apoptose é. portanto. A massa de células em necrose pode apresentar diversos padrões morfológicos: • Necrose coagulativa: acontece principalmente nos órgãos parenquimatosos (sólidos). os membros (como na diabetes. Síndrome de Furnier. Cabe ainda diferenciar a autólise das demais modalidades de morte celular. É caracterizada ainda por causar inflamação no tecido circunjacente. • Esteatonecrose (necrose gordurosa): descreve áreas de destruição de gordura que ocorre tipicamente como resultado da liberação de lípases pancreáticas ativadas no parênquima pancreático e na cavidade peritoneal (como o que ocorre na pancreatite aguda). as células do miocárdio necrosadas são removidas por fragmentação e fagocitose dos restos celulares por leucócitos removedores e pela ação de enzimas lisossômicas proteolíticas trazidas pelos leucócitos que migram para a região. a morte das células nervosas leva a este tipo de necrose. e depois que a célula tenha sofrido qualquer mecanismo de lesão irreversível. mecanismos e papéis que desempenham nas doenças e fisiologia. • Necrose liquefativa: neste tipo de necrose. bloqueando. Abcessos cheios de secreção purulenta é exemplo de necrose liquefativa. • Necrose caseosa: do latim. no qual as células destinadas a morrer ativam enzimas que degradam seu DNA nuclear e as proteínas citoplasmáticas. diferentemente da necrose. a apoptose ocorre em várias funções normais e não está necessariamente associada à lesão celular. caseus = queijo. A apoptose. por exemplo. de modo que as células que o compõem apresentem uma delimitação visível. o qual induz a dissolução nuclear sem perda total da integridade das membranas. Este tipo de necrose é característica geral dos tecidos quando submetidos a morte por hipóxia. as células acidófilas. exceto as células que compõem o tecido nervoso. Diferentemente da necrose. a proteólise celular. independente da patogenia. que diferem quanto a sua morfologia. As enzimas envolvidas com a apoptose são as chamadas caspases. • Autólise: destruição da massa celular que ocorre post-mortem. Enquanto que a necrose é sempre um processo patológico. A necrose é sempre causada por um fator externo e patológico. Implica a preservação do contorno básico da célula por pelo menos alguns dias. Ex: o infarto do miocárdio gera uma área restrita de tecido morto no contexto de um organismo vivo. NECROSE Depois de instalada a isquemia e a carência de ATP. como uma isquemia. sendo chamado de pus. que é a gangrena perineal). O termo caseosa é derivado da aparência macroscópica semelhante a queijo branco da área de necrose. É uma forma distinta de necrose coagulativa. Os ácidos graxos liberados se combinam com o cálcio e produzem áreas brancas visíveis (saponificação) que permitem que o cirurgião e o patologista identifiquem as lesões (por eles chamados de lesões em pingo de vela). sem núcleo podem persistir por semanas. coaguladas. o material geralmente é um amarelo cremoso devido a presença de leucócitos mortos. Se o processo for iniciado por uma inflamação aguda. • Necrose: ocorre quando o dano às membranas é muito severo. Ex: no infarto agudo do miocárdio. Este extravasamento faz com que enzimas pancreáticas ativadas quebrem as membranas dos adipócitos e os ésteres de triglicerídios contidos nestas células. Existem dois tipos de gangrena: a gangrena úmida (ocorre quando a necrose de coagulação é modificada pela ação de liquefação das bactérias e os leucócitos que são atraídos para a região) e a gangrena seca (ocorre quando predominam os fenômenos coagulativos). o tecido entra em necrose. ou seja.1 MORTE CELULAR Células que sofreram lesões irreversíveis invariavelmente sofrem alterações morfológicas que são reconhecidas como morte celular. • Necrose gangrenosa: é causada por uma isquemia periférica e acomete. na maioria das vezes. a necrose e a apoptose. de modo que as enzimas lipossômicas entram no citoplasma e digerem a célula e os componentes celulares extravasam. assim. não causa inflamação. Presumivelmente. encontrada mais frequentemente em focos de tuberculose. Ex: é comum este tipo de necrose em certas infecções bacterianas focais ou fúngicas. por razões desconhecidas. um tecido necrosado se restringe a apenas uma área de necrose contida em um organismo vivo.

que consiste de respostas vasculares. PATOLOGIA INFLAMAÇÃO AGUDA (Profº Raimundo Sales) A inflamação é uma reação complexa a vários agentes nocivos. Um quinto sinal clínico (sinal de Virchow). Suas principais características são a exsudação de fluido e proteínas plasmáticas (edema) e a migração de leucócitos. a demanda de células inflamatórias. o tecido danificado é substituído por meio da regeneração de células parenquimatosas nativas. 2. como os microrganismos e células danificadas. basófilos e plaquetas). portanto. Alteração vascular e do fluxo: são os primeiros sinais evidentes no foco inflamatório. será dada ênfase ao mecanismo da inflamação aguda. mas uma resposta benéfica e inespecífica do organismo que tem o intuito de debelar a permanência do hospedeiro nocivo. eosinófilos. A inflamação aguda é uma resposta rápida a um agente nocivo encarregada de levar mediadores da defesa do hospedeiro (leucócitos e proteínas plasmáticas) ao local da lesão. calor (aumento da temperatura local) e dor (algia). ou seja. nesta última fase danosa. Celso. Apenas no período do renascimento. NOÇÕES GERAIS SOBRE INFLAMAÇÃO AGUDA Clinicamente. Esta fase é guiada. Esses sinais são tipicamente mais proeminentes na inflamação aguda do que na crônica. está fase é caracterizada pela ação das proteínas do complemento (C3a e C5a). no intuito de aumentar o fluxo sanguíneo local para aumentar. pelo preenchimento com tecido fibroso (cicatrização) ou. Não é obrigado a evolução de uma inflamação aguda para uma fase crônica. por uma combinação desses dois processos. Neste capítulo. que permitem que proteínas plasmáticas e leucócitos deixem a circulação. em 1793. A resposta inflamatória está intimamente associada a um processo de reparo. além de desencadear uma série de eventos que tentam curar e reconstruir o tecido danificado. preferencialmente. A inflamação aguda se inicia rapidamente (em alguns segundos ou minutos) e tem uma duração relativamente curta. o que não condiz em um resultado satisfatório. fibrose e necrose tissular.. A inflamação aguda possui três fases principais: (1) alterações no calibre vascular. que levam a um aumento no fluxo sanguíneo. A inflamação é fundamentalmente um mecanismo de defesa do organismo. deste modo. tumor (edema). foi o primeiro a listar os quatro sinais cardinais da inflamação (Sinais Cardinais de Celso): rubor (hiperemia). diluir ou isolar o agente nocivo.). A inflamação pode ser classificada ainda em aguda e crônica. O processo inflamatório é responsável por destruir. Além da ação da histamina e da serotonina. A inflamação crônica tem uma duração maior e está histologicamente associada à presença de linfócitos e macrófagos. monócitos. foi posteriormente adicionado por Virchow.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. As reações vasculares e celulares da inflamação aguda e da crônica são mediadas por fatores químicos derivados de proteínas ou células plasmáticas e são produzidos ou ativados pelo estímulo inflamatório. A principal característica do processo inflamatório é. pela liberação de histamina e serotonina. migração e ativação de leucócitos e reações sistêmicas. como é comum. os quais devem agir. HISTÓRICO Apesar de as características clínicas da inflamação serem descritas em papiros egípcios (datados de aproximadamente 3000 a. 1. à proliferação de vasos sanguíneos. o processo é esterotipado (podendo variar apenas de intensidade). a reação dos vasos sanguíneos. Por este motivo.1 FAMENE NETTO. Entretanto.C. a perda da função. controlando as sequelas danosas da inflamação sem interferir em seus efeitos benéficos. cujo objetivo final é a eliminação da causa inicial da lesão celular e das conseqüências de tal lesão. existe o comércio farmacêutico dos medicamentos antiinflamatórios. que leva ao acúmulo de fluido e leucócitos nos tecidos extravasculares. a inflamação e o reparo podem ser potencialmente prejudiciais: a última fase do processo inflamatório consiste em lesão tecidual e necrose. 1 . o cirurgião escocês John Hunter notou que a inflamação não é uma doença. o a resposta inflamatória aguda é inespecífica. geralmente necróticas. Aumento da permeabilidade vascular: a dilatação do vaso gera um aumento na permeabilidade vascular daquela região acometida pelo processo inflamatório. (3) emigração dos leucócitos da microcirculação. Durante a fase de reparação. um escritor romano do século I d. predominantemente de neutrófilos. (2) alterações estruturais na microcirculação. de alguns minutos a várias horas ou alguns dias. A resposta inflamatória consiste em dois componentes principais: uma reação vascular e uma reação celular (neutrófilos. Arlindo Ugulino. seu acúmulo no foco de lesão e sua ativação para eliminar o agente nocivo.C. para qualquer que seja o agente causador. praticamente.

No caso da inflamação aguda. um transudato é um fluido com pequeno teor protéico (sendo que a maior parte é composta por albumina) e de baixa densidade. Neste 2 . caracterizando o edema. ou exsudato purulento. ESTÍMULOS PARA A INFLAMAÇÃO AGUDA As reações inflamatórias agudas são desencadeadas por vários estímulos:  Infecções e toxinas microbianas. O pus. Ele é essencialmente um ultrafiltrado do plasma sanguíneo através da parede vascular sem que haja um aumento na permeabilidade vascular. queimaduras ou congelamento. em sua maioria). serotonina. polimorfonucleares (neutrófilos. Por outro lado. O extravasamento de fluido. OBS²: Modelo de Starling. a inflamação é a reposta de um tecido vivo vascularizado a uma agressão. o polimorfonuclear neutrófilo) realizam a marginação. Um exsudato é um fluido inflamatório extravascular que possui alta concentração de proteínas e fragmentos celulares (aprensentando alta densidade). integrinas e fatores quimiotáticos. portanto. proteínas e células sanguíneas dos sistema vascular para o tecido intersticial ou as cavidades corporais é chamado de exsudação. radiação. adesão e diapedese (migração) para alcançar o tecido inflamado. acidófilos e basófilos). passa a ser chamado de macrófago). fragmentos de células mortas e. etc)  Necrose tissular. é um exsudato rico em leucócitos (neutrófilos. sendo maior que a pressão hidrostática do fluido intersticial. acúmulo de leucócitos (especialmente neutrófilos) na região. • Aumento da permeabilidade vascular (extravasamento vascular): o aumento da permeabilidade vascular. em muitos casos. seriam os fenômenos vasculares que acontecem nas primeiras horas da inflamação. levando ao seu acúmulo no interstício.  Trauma (contuso ou penetrante). Os leucócitos são as células da linhagem branca sanguíena. O edema significa um excesso de fluido no interstício ou nas cavidades serosas.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Exsudação leucocitária: processo pelo qual os leucócitos (mais especificamente. monócitos (que em nível intersticial. aumento da viscosidade sanguínea (devido a maior presença de hemácias na região). Toda esta fase é guiada pela ação das selectinas. os fenômenos vasculares desempenham um papel de extrema importância na inflamação aguda. OBS: A inflamação aguda é. microrganismos. ele pode ser um exsudato ou um transudato.1 3. A vasodilatação (que aumenta o espaço entre as células endoteliais) e a perda de proteínas do plasma (reduzindo a pressão osmótica no fluido intravascular e aumentando no fluido intersticial) são dois fatores que acarretam no extravasamento acentuado de fluido dos vasos.  Reações imunológicas (também chamadas de reações de hipersensibilidade) ALTERAÇÕES VASCULARES Por definição.  Corpos estranhos. nesta fase inicial. As alterações são as seguintes: vasodilatação (o que leva a um aumento focal do fluxo sanguíneo. um evento vasculo-exsudativo. ou seja: linfócitos. As alterações vasculares da inflamação aguda acontecem por meio dos seguintes fenômenos: • Alterações no fluxo e calibre vasculares (alterações hemodinâmicas): essas alterações se iniciam logo após a lesão e se desenvolvem em graus variáveis dependendo de sua gravidade.  Agentes físicos e químicos (lesão térmica. A primeira célula a se envolver no processo inflamatório agudo é o polimorfonuclear neutrófilo. leucotrienos e neuropeptídeo substância P. rolamento. Já que os dois principais mecanismos da defesa do hospedeiro contra os microrganismos (anticorpos e leucócitos) se encontram normalmente na corrente sanguínea. levando ao extravasamento de fluido rico em proteínas (exsudato) para o tecido extravascular. Os eventos celulares serão detalhados logo a seguir. gerando o calor e o rubor) induzida por fatores como a histamina. é uma característica fundamental da inflamação aguda. • Exsudação leucocitária: são os eventos celulares que compõem a inflamação aguda. Sabe-se que o sangue que chega na microcirculação pelo lado arterial (arteríolas) apresenta cerca de 32 mmHg em pressão oncótica.

vão rolando aos saltos pelo endotélio. A sequência de eventos na jornada dos leucócitos do lúmen vascular para o tecido intersticial (extravasamento ou exsudação leucocitária: mecanismo pelo qual os polimorfonucleares deixam o capilar para atingir o foco inflamatório). e pelos mediadores químicos (quimiotoxinas e determinadas citocinas) que afetam esses processos modulando a expressão na superfície ou a avidez dessas moléculas de adesão. é drenado pela circulação linfática. como a pressão oncótica é muito menor que a pressão hidrostática. os polimorfonucleares passam pelas seguintes etapas: marginação. E-selectina). deslocando os leucócitos na direção da parede vascular. Já na região venosa da microcirculação (vênulas).1 momento. as condições hemodinâmicas mudam e aumenta o número de leucócitos na periferia do fluxo. a tendência do líquido é voltar à luz do vaso. Esse processo de acúmulo dos leucócitos é chamado de marginação. EVENTOS CELULARES (EXTRAVASAMENTO DE LEUCÓCITOS E FAGOCITOSE) Uma das funções mais essenciais da inflamação é o encaminhamento de leucócitos à área lesada e a ativação que desempenham suas funções normais de defesa do hospedeiro. onde aderem firmemente (processo chamado de adesão). 3. sendo este o passo inicial para que depois eles saiam dos vasos. inicialmente uma pequena quantidade seguida de um grande aumento desse número. a superfamília das imunoglobulinas (ICAM-1 e VCAM1). Trasmigração (diapedese) através do endotélio. aderindo transitoriamente a ele (processo chamado de rolamento) e finalmente param em um determinado ponto. a tendência do líquido vascular é de sair do vaso. os eritrócitos estão confinados a uma coluna axial central. ROLAMENTO. Como logo no início da inflamação ocorre uma diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo (estase). MARGINAÇÃO. O restante que não retornou.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. ADESÃO E TRANSMIGRAÇÃO LEUCOCITÁRIA No sangue que flui normalmente através das vênulas. 3 . e as glicoproteínas semelhantes à mucina (como o heparan sulfato). na inflamação. os leucócitos. A adesão leucocitária e a transmigração são reguladas principalmente pela ligação de moléculas de adesão complementares no leucócito e na superfície endotelial. No lúmen. que garantem uma maior eficácia neste processo) e adesão ao endotélio (mediado pelas integrinas). as integrinas (glicoproteínas como a Mac-1 e VLA-4). Porém. 2. rolamento (processo induzido pelas selectinas. o que é chamado de pavimentação. próximo à superfície vascular. Migração nos tecidos intersticiais em direção ao estímulo quimiotático. Subsequentemente. Vale salientar que o endotélio vascular normalmente não prende as células circulantes nem impede sua passagem. por meio da emissão de moléculas sinalizadoras pelas células endoteliais. o endotélio precisa ser ativado para permitir que ele se ligue aos leucócitos. Os receptores de adesão envolvidos pertencem a quatro famílias moleculares: as selectinas (Pselectina. pode ser dividida nas seguintes etapas: 1. O endotélio pode ficar virtualmente coberto de leucócitos.

monócitos. caracterizando o quadro clínico conhecido como atrite gotasa (ou. e citocinas. e C3b e C3a. na superfície dos leucócitos. realizando vasodilatação) além de serem fortes agentes quimiotáticos para neutrófilos. A PLCγ e a PI3K atuam no fosfolipídio inositol da membrana e geram mensageiros lipídicos secundários que aumentao o cálcio citosólico e ativam pequenas GTPases (da família Rac/Rho/cdc42). eosionófilos e basófilos. FAGOCITOSE A fagocitose e a liberação de enzimas pelos neutrófilos e macrófagos são responsáveis pela eliminação de agentes nocivos. os leucócitos são capazes de se locomover estendendo pseudópodes até o foco inflamatório. simplesmente. incluindo os fatores quimiotáticos. Os sinais iniciados por esses receptores resultam no recrutamento das proteínas G e na ativação de várias moléculas efetoras. gota). vários receptores ligados à proteína G que atravessam a membrana sete vezes e reconhecem os microrganismos e alguns mediadores produzidos em reposta a infecções e lesão tecidual. cuja definição mais simples é a locomoção ao longo de um gradiente químico gerado por mediadores produzidos no processo inflamatório. Os agentes exógenos mais comuns são os produtos bacterianos (como os peptídeos que possuem o N-formil-metionina terminal.  Desgranulação e secreção de enzimas lisossomais e ativação do surto oxidativo. recrutando células inflamatórias para a região. outros são de natureza lipídica). especialmente as que pertencem à família das quimiocinas (como o IL-8. incluindo a fosfolipase C (PLCγ) e a fosfoinositol-3 cinase (PI3K). incluem vários mediadores químicos. entre outras funções. produtos da via da lipoxigenase. açúcar que constitui moléculas encontradas na parede celular das bactérias). que são clivadas em C5b e C5a. gerando um aumento na concentração de Ca no citosol e na ativação de enzimas como a proteíno-cinase C e a fosfolipase A2. inclusive a função quimiotática de alguns de seus produtos. A eficácia da fagocitose é extremamente aumentada quando o organismo está opsonizado por 4 .1 QUIMIOTAXIA Após o extravasamento. assim. complexos antígeno-anticorpo e citocinas. geralmente nas regiões articulares e tendinosas. a fagocitose de microrganismos e células mortas é tipicamente iniciada pelo reconhecimento das partículas por receptores expressos na superfície dos leucócitos (como os receptores de manose. A ativação leucocitária resulta de várias vias 2+ de sinalização iniciadas nos leucócitos. Agentes quimiotáticos endógenos.  Modulação das moléculas de adesão leucocitária. mas relacionadas entre si: • Reconhecimento e ligação: apesar de os neutrófilos e os macrófagos serem capazes de capturar bactérias e materiais estranhos sem a ligação de receptores específicos. constituindo. Desta maneira. Como os polimorfonucleares não apresentam uricases. que serão abordados detalhadamente mais adiante. Isso significa que o ácido úrico é capaz de desencadear todo aquele processo da cascata de ativação das proteínas do complemento. Tanto substancias exógenas quanto endógenas podem agir como quimiotáticos. existem as chamadas C5 e C3. As respostas funcionais induzidas na ativação dos leucócitos incluem:  Produção de metabólitos do ácido araquidônico (resultante da ativação da fosfolipase A2 e do cálcio intracelular). 5 OBS : Os leucócitos apresentam vários receptores de superfície que estão envolvidos em sua ativação: receptores Toll-like (desempenham um papel essencial na resposta celular aos lipopolissacarídeos bacterianos e nucleotídios). induzem várias respostas nos leucócitos que são parte de suas funções de defesa (neutrófilo e monócito/macrófago) e são incluídos sob a rubrica de ativação linfocitária. por induzir a polimerização da actina do citoesqueleto celular. A fagocitose envolve três etapas distintas. receptores para as opsoninas que promovem a fagocitose de microrganismos cobertos por diversas proteínas e encaminham os sinais que ativam a fagocitose. responsáveis. dois dos maiores benefícios derivados do acúmulo de leucócitos no foco inflamatório. Dentre as proteínas. As proteínas C5a e C3a são anáfilotoxinas que promovem fenômenos vasculares (induzindo a liberação de histamina. o qual passa a se depositar gradativamente no organismo. Todos os agentes quimiotáticos mencionados se unem a receptores específicos ligados à proteína G (GPCRs). Este sistema será mais detalhado na seção Mediadores Químicos da Inflamação.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. especialmente o C5a e C3a. eles não são capazes de destruir este cristal.  Secreção de citocinas. como: componentes do sistema complemento (ver OBS³ mais adiante). que amplificam e regulam as reações inflamatórias. OBS³: O sistema complemento é um grupo de 20 proteínas (e os produtos de suas clivagens) que são encontradas em maior concentração no plasma. que atravessam a membrana sete vezes. 4 OBS : O ácido úrico (produto do metabolismo das purinas) é um cristal que tem a capacidade de ativar o sistema complemento. por exemplo). receptores expressos por células fagocíticas para as citocinas que são produzidas durante a resposta imunológica. ATIVAÇÃO LEUCOCITÁRIA Mircorganismos. especialmente o leucotrieno B4 (LTB4). produtos de células necróticas. os leucócitos migram nos tecidos em direção ao local da lesão por um processo chamado de quimiotaxia.

inicialmente. por si só. que pode ser desencadeada por moléculas da superfície bacteriana. com sua capacidade inerente de causar dano tecidual. Captura: a ligação de uma partícula ao receptor de um leucócito fagocitário inicia o processo de fagocitose: extensões do citoplasma (pseudópodes) se estendem em torno da partícula até engolfá-la em um fagossomo criado pela membrana plasmática da célula. TÉRMINO DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA É de se esperar que um sistema de defesa do hospedeiro tão potente. • Histamina: está distribuída por todos os tecidos. A histamina pré-formada está presente nos grânulos dos mastócitos e é liberada pela desgranulação dessas células em resposta a vários estímulos: lesão física como trauma. estando entre os primeiros mediadores a serem liberados durante a inflamação. glicogenólise. precise de um controle rígido para minimizar o dano. Uma vez ativados e liberados pelas células. tais como as proteínas do complemento. A fagocitose estimula o surto de consumo de oxigênio. vários sinais que atuam ativamente para terminar a reação são produzidos (como os derivados do ácido araquidônico. AMINAS VASOATIVAS As duas aminas. Um mediador pode. estimular a liberação de outros mediadores pelas células-alvo. Em parte. citocinas) em resposta a um estímulo. sendo que os mastócitos são sua fonte principal. A etapa crítica no desenvolvimento das funções biológicas do complemento é a ativação do terceiro (e mais abundante) componente. A produção de mediadores ativos é desencadeada por produtos microbianos ou por proteínas do hospedeiro. aumento da oxidação da glicose e a produção de intermediários reativos do oxigênio (espécies reativas do O2). Já outros. reações imunológicas envolvendo a ligação de anticorpos aos mastócitos. PROTEÍNAS PLASMÁTICAS • Sistema complemento: é um conjunto de 20 proteínas (e seus produtos de clivagem) encontradas em maior concentração no plasma. É um sistema que atua tanto na resposta imune inata quanto na adquirida. difosfato de adenosina (ADP) e complexo antígeno-anticorpo. Além disso. e citocinas (IL-1 e IL-8). pelos fragmentos do complemento chamados de anafilatoxinas (C3a e C5a). trombina. histamina e serotonina. a maioria desses mediadores têm uma meia vida curta. Está presente nas plaquetas e nas células enterocromafins. geralmente por meio de uma série de clivagens proteolíticas. na qual a lecitina plasmática que liga manose se une a 5 . • Serotonina (5-hidroxitriptamina): é um mediador vaso-ativo pré-formado com ações semelhantes às da histamina. na ausência de anticorpos. a inflamação diminui simplesmente porque os seus mediadores têm uma meia-vida curta. As proteínas do complemento estão presentes no plasma na sua forma inativa. A liberação de serotonina (e histamina) das plaquetas é estimulada quando ocorre a agregação plaquetária após o contato com colágeno. proteínas leucocitárias que liberam histamina. possuem atividade enzimática direta (como as proteases lisossomais). A maioria dos mediadores desempenha sua atividade biológica ligando-se. somente enquanto o estímulo persiste. Os mediadores derivados do plasma (como as proteínas do complemento. que é desencadeada por fixação de C1 a um complexo antígeno-anticorpo (IgM e IgG). uma cascata capaz de gerar enorme amplificação enzimática. Morte e degradação: a destruição do microrganismo é desempenhada em grande parte por mecanismos dependentes de oxigênio. a receptores específicos nas células alvo. o C3. e são numeradas de C1 a C9. lipoxinas antiinflamatórias). neuropeptídeos (como a substancia P). Depois que os microrganismos são mortos. polissacarídios complexos.1 • • proteínas específicas (opsoninas. tornam-se proteínas proteolíticas que clivam outras proteínas do complemento. assim. quando ativadas. as cininas. A clivagem de C3 pode ser feita por três vias: a via clássica.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. formando. 6 OBS : A maioria dos mediadores tem o potencial para causar efeitos danosos. eles são degradados dentro dos fagolisossomos pelas hidrolases armazenadas nos lisossomos. são degradados após serem liberados e são produzidos em surtos rápidos. Muitas delas. etc) estão presentes no plasma na forma de precursores que devem ser ativados. são especialmente importantes pois são armazenadas nas células. como o C5a e C3a) para as quais as células fagocitárias expressam receptores de alta afinidade. a via alternativa. MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO Os mediadores se originam de proteínas plasmáticas ou de células envolvidas no processo inflamatório. e a via da lecitina. Os mediadores derivados de células normalmente estão armazenados em grânulos intracelulares que precisam ser secretados (como a histamina nos grânulos dos mastócitos) ou são sintetizados de novo (prostaglandinas. veneno de cobra e outras substâncias. frio ou calor.

Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. PGF2α. agem como opsoninas que facilitam a fagocitose por neutrófilos e macrófagos. 6 . PGD2. O sistema da coagulação está dividido em duas vias (a via intrínseca e a via extrínseca) que convergem. junto a PGE2 e PGF2α. a COX-2 só estimula a produção de prostaglandinas envolvidas na reação inflamatória. Note que o número indicado em cada representação significa o número de ligações duplas no composto. que cliva C5 em C5a e C5b. em menor extensão. entretanto. O C3a é liberado e o C3b se liga covalentemente à célula ou molécula onde o complemento está sendo ativado. e a COX-2: enzima cuja produção é induzida pelo processo inflamatório. Independente da via envolvida nas etapas iniciais da ativação do complemento. quimiotaxia e ativação dos leucócitos. C4a. os quais apresentam receptores de superfície para esses fragmentos do complemento. assim.11. quando fixados a parede bacteriana. OBS5: Vale salientar. incluindo a inflamação e a homeostasia. todas levam à formação de uma enzima ativa chamada C3 convertase. Ele não se encontra livre na célula. elas são chamadas de anafilatoxinas (por terem efeitos semelhantes aos mediadores do mastócitos envolvidos na reação anafilática). enzima que cliva fibrinogênio. Além da lise celular por meio do MAC. culminando com a formação do chamado complexo de ataque à membrana (MAC. pois torna a pele sensível ao estímulos dolorosos. é a principal ligação entre o sistema da coagulação e a inflamação. também potencializa o aumento da permeabilidade e o efeito quimiotático de outros mediadores. A PGE2 causa hiperalgesia. um nonapeptídeo vasoativo que aumenta a permeabilidade vascular e causa contração do músculo liso. O C3b e o produto de sua clivagem (iC3b). Sistema da coagulação: este sistema e a inflamação são processos que estão intimamente relacionados. aumentando.  As prostaglandinas também estão envolvidas na patogenia da dor e da febre. dilatação de vasos sanguíneos e dor quando injetada na pele. admite-se ainda a COX-3: presente no centro termoregulador do hipotálamo). A ativação deste sistema resulta na liberação da bradicinina. As mais importantes no processo inflamatório são PGE2. mas também atua na homeostasia (como no balanço hidroeletrolítico nos rins e do tônus vascular basal). então. composto de várias moléculas de C9). leva a geração das prostaglandinas. PGI2 (prostaciclina) e a TxA2 (tromboxano). O fragmento C5b remanescente se liga aos componentes posteriores (C6 – 9). mas na forma esterificada de fosfolipídio de membrana. eosinófilos e basófilos. Os metabólitos do ácido araquidônico (também chamados de eicosanóides) são sintetizados por duas classes de enzimas: as cicloxigenases (gerando prostaglandinas e tromboxanos) e as lipoxigenases (leucotrienos e lipoxinas). tem-se ainda os efeitos dos fragmentos proteolíticos formados pela ativação desse sistema:  Fenômenos vasculares. C3a. causa vasodilatação e aumenta a permeabilidade das vênulas póscapilares. O C3b. METABÓLITOS DO ÁCIDO ARAQUIDÔNICO: PROSTAGLANDINAS. assim. são produtos da clivagem dos componentes correspondentes do complemento que estimulam a liberação de histaminas pelos mastócitos. liga a fragmentos gerados anteriormente para formar a C5 convertase. ácido linoléico. O C5a também ativa a via da lipoxigenase do metabolismo do ácido araquidônico nos neutrófilos e monócitos. potencializando. culminando na formação da fibrina. Estes eicosanóides se unem aos receptores ligados à proteína G de vários tipos celulares e podem mediar virtualmente cada passo da inflamação. o edema. a permeabilidade vascular e causando vasodilatação. sendo liberado desta forma quando sofre a ação da fosfolipase A2.  Opsonização e fagocitose.14eicosatetraenóico) derivado da dieta ou da conversão do ácido graxo essencial. os lipídios em suas membranas são rapidamente remodelados para gerar mediadores lipídicos biologicamente ativos.8. LEUCOTRIENOS E LIPOXINAS Quando as células são ativadas por diversos estímulos. • • Sistema das cininas: o sistema das cininas gera peptídeos vasoativos a partir de proteínas plasmáticas. A cicloxigenase e a lipoxigenase produzem mediadores diferentes a partir do ácido araquidônico: • Via da cicloxigenase: iniciada por duas enzimas diferentes (COX-1: constitutivamente expressa.  Adesão.1 carboidratos nos microrganismos e ativa C1 diretamente. Por outro lado. químicos e mecânicos ou por outros mediadores (como a C5a).  O TxA2. que quebra a C3 em dois fragmentos funcionalmente distintos: C3a e C3b. O C5a (e o C3a) é um agente quimiotático potente para os neutrófilos. C5a e. monócitos. um potente agente de agregação plaquetária e vasoconstrictor.  A prostaciclina (PGI2) é um vasodilatador e um potente inibidor da agregação plaquetária.  A PGD2. que a COX-1 é responsável não somente pela produção de prostaglandinas envolvidas na inflamação. O ácido araquidônico é um ácido graxo poliinsaturado contendo 20 átomos de carbono (ácido 5. os quais funcionam como sinais intracelulares ou extracelulares que afetam diversos processos biológicos. que pode ser ativada por fatores físicos. Por esta ação. é instável e rapidamente convertido na sua forma inativa (TxB2). A trombina.

A IL-1 e o TNF (assim como o IL-6) induzem as respostas sistêmicas da fase aguda associadas a infecções ou traumas (como febre. o NO reduz a agregação plaquetária. ou seja.1 Os antiinflamatórios não-esteroidais agem no intuito de inibir essas duas enzimas. sono de ondas lentas. desgranulação e surto oxidativo. regulação da pressão sanguínea. portanto. Os pequenos peptídeos. • Via da lipoxigenase: os produtos iniciais são gerados por três lipoxigenases diferentes que só estão presentes em algumas células. quimiotaxia. Elas estão implicados nas seguintes reações:  Lesão à célula endotelial com o consequente aumento da permeabilidade vascular. ÓXIDO NÍTRICO O NO. O NO é sintetizado a partir da L-arginina pela enzima óxido nítrico sintase (NOS) e desempenha um papel importante nos componentes vascular e celular das reações inflamatórias. complexos imunes. o PAF causa vasoconstrição e broncodilatação. FATOR DE ATIVAÇÃO DAS PLAQUETAS (PAF) O PAF é outro mediador bioativo derivado dos fosfolipídios que exerce suas ações através de um receptor ligado a uma única proteína G e seus efeitos são regulados por uma família de PAF acetil-hidrolases.  Inativação de antiprotease. No endotélio. relaxando o músculo liso vascular. etc). foi descoberto como um fator liberado pelas células endoteliais que causava vasodilatação. a produção de NO é um mecanismo compensatório endógeno que reduz as respostas inflamatórias. neutrófilos. • Fator de Necrose Tumoral (TNF) e Interleucina-1 (IL-1): são duas principais citocinas que participam do processo inflamatório.  Lesão de outros tipos de célula. estimulação da secreção pelas células endócrinas e aumento da permeabilidade vascular. além de potentes agentes quimiotáticos e ativadores das respostas dos neutrófilos. fatores de crescimento. perda de apetite. para evitar a inibição da COX-1. 7 . Ele é um potente vasodilatador devido a sua ação no músculo liso vascular. mas também células do endotélio) que modulam a função de outros tipos celulares. Ocorrem anormalidades na produção endotelial de NO na aterosclerose. lesão física e vários tipos de estímulos inflamatórios. são inibidores da cicloxigenase (como a aspirina). CITOCINAS E QUIMIOCINAS As citocinas são proteínas produzidas por vários tipos celulares (principalmente linfócitos e macrófagos ativados. quimiocinas e complexos imunes. A substância P tem muitas funções biológicas. Vários tipos celulares. e foi. participam na deflagração e propagação da resposta inflamatória. A liberação desses potentes radicais livres pode ser danosa para o hospedeiro. As quimiocinas exercem sua atividade ligando-se a receptores transmembrana ligados à proteína G. incluindo a transmissão de sinais dolorosos. chamado de fator de relaxamento derivado do epitélio (FRED). no diabetes e na hipertensão. NEUROPEPTÍDIOS Os neuropeptídios. eles induzem a síntese de moléculas de adesão endotelial e mediadores químicos. pertencem a uma família de neuropeptídeos traquicininas produzidas no sistema nervoso central e periférico. como a substância P e a neurocinina A. são muito mais potentes do que a histamina com relação ao aumento da permeabilidade vascular e broncoespasmo. assim como as aminas vasoativas e os eicosanóides discutidos anteriormente. basófilos (e mastócitos). RADICAIS LIVRES DERIVADOS DO OXIGÊNIO Os radicais livres derivados do oxigênio podem ser liberados pelos leucócitos no meio extracelular após a exposição a microrganismos. importante no processo de homeostasia. consequentemente. monócitos/macrófagos e células endoteliais. incluindo outras citocinas e quimiocinas. Elas são produzidas principalmente pelos macrófagos ativados. Os leucotrienos. • Quimiocinas: são uma família de proteínas pequenas que agem primariamente como quimiotáticos para tipos específicos de leucócitos. Ele também causa um aumento da adesão leucocitária no endotélio (aumentando a agregação dos leucócitos mediadas pelas integrinas). A 5-lipoxigenase (5-LO) é a enzima predominante nos neutrófilos. incluindo plaquetas. Além da estimulação das plaquetas. ou após uma provocação fagocitária. Assim. um mediador pleiotrópico da inflamação. A secreção de TNF e IL1 pode ser estimulada por endotoxina e outros produtos microbianos. eicosanóides e óxido nítrico (NO). Além disso. podem produzir PAF. Assim.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. o uso de inibidores seletivos da COX-2. o PAF pode desencadear a maioria dos principais acontecimentos da inflamação. Seria interessante.

IL-6 e Fator de Necrose Tumoral (FNT). resultando na estimulação dos nervos autonômicos. Os efeitos sistêmicos incluem.1 EFEITOS SISTÊMICOS DA INFLAMAÇÃO Os efeitos sistêmicos da inflamação ocorrem por decorrência das reatividades dos fatores exógenos agressores com os mecanismo de defesa do corpo como também por liberação das próprias citocinas endógenas. de curta duração ou quando houver pouca destruição tissular e as células parenquimatosas danificadas podem ser regeneradas. RESULTADOS DA INFLAMAÇÃO AGUDA  Resolução completa: o próprio processo inflamatório foi capaz de destruir o agente nocivo e. • Outras reações de fase aguda como sonolência. que quebra ácido araquidônico em prostaglandina E2 (PGE2). quando a lesão inflamatória envolve tecidos incapazes de ser regenerar.  Formação de abscesso: coleção localizada de secreção purulenta. neutrófilos e o microrganismo morto que desencadeou o processo. ocorre normalmente quando a lesão é limitada. Este caso. • Leucocitose que ocorre devido a dois fatores: (1) liberação acelerada de células medulares. 8 . células necrosadas. hipotensão e lipólise. vasoconstricção dos vasos cutâneos e retenção de calor na forma de febre. e (2) proliferação dos precursores na medula óssea por fatores estimulantes de colônia (FEC). amilóide A) induzida pela liberação de IL-1.  Cicatrização pela substituição do tecido conjuntivo: ocorre após uma destruição tecidual considerável. induzida por IL-1 e FNT. o processo foi atenuado por substâncias cujas funções se remetem para tais fins (como o NO). IL-1 e FNT interagem com receptores vasculares nos centros termoreguladores do hipotálamo. por conseguinte.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. o exsudato que eventualmente surgiu na região do foco inflamatório é reabsorvido e a área lesada é restaurada. induzindo a ação da cicloxigenase-3 (COX-3). • Elaboração de proteínas de fase aguda pelo fígado (por exemplo: proteína C reativa. entre outros: • Febre causada pela liberação de IL-1. FNT e IL-6. ou quando existe um abundante exsudato de fibrina. bem como o produto do seu metabolismo. perda de apetite. IL-2.  Progressão tecidual a inflamação crônica: a transição de aguda para crônica ocorre quando não há uma resolução da resposta inflamatória aguda devido à persistência do agente nocivo ou a alguma interferência com o processo normal de cicatrização. considerados agente pirogênicos endógenos. Neste caso. portanto.

Este último tipo de inflamação crônica é a causa de dano tecidual em algumas das doenças humanas mais comuns e debilitantes. CAUSAS DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA A inflamação crônica surge nas seguintes situações: 1 . como descrito anteriormente.  Proliferação de fibroblastos e vasos sanguíneos (angiogênese). geralmente assintomática. ou a reposta pode ser crônica praticamente desde o início. desencadeando os mediadores que promovem a instalação da inflamação crônica.  Os focos inflamatórios são caracterizados por infiltrados celulares mononucleares: linfócitos. como a artrite reumatóide. PATOLOGIA INFLAMAÇÃO CRÔNICA (Professor Ivan Rodrigues) A inflamação crônica é considerada um tipo de inflamação prolongada (semanas ou meses depois da instalação da inflamação aguda) na qual a destruição tissular e a tentativa de reparar os danos ocorrem simultaneamente. macrófagos (chegam com cerca de 24 – 48h depois de instalado o processo inflamatório) e plasmócitos.1 FAMENE NETTO. é inespecífica) e mais sofisticado (envolvendo apresentações antigênicas e mais outras reações características da resposta imune adaptativa). Os eosinófilos. tuberculose e as doenças pulmonares crônicas.  É um processo específico (diferentemente da inflamação aguda que. As concentrações de neutrófilos são muito menores quando comparadas às da inflamação aguda. ao tentar debelar o agente agressor. CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO INFLAMATÓRIO CRÔNICO Enquanto que o processo inflamatório agudo se caracteriza por eventos vasculares. formação de edema e presença marcante de neutrófilos no foco inflamatório.  Destruição tissular: o processo inflamatório. o processo inflamatório crônico apresenta particularidades que divergem da inflamação aguda:  É desencadeado por um processo inflamatório agudo prévio não eficiente. células inflamatórias e bactérias piogênicas)  Progressão tecidual a inflamação crônica. mastócitos e neutrófilos só surgem caso o agente agressor persista no processo lesivo. constituída de tecido destruído. Apesar de poder ser a continuação de uma inflamação aguda. a inflamação crônica frequentemente começa de maneira insidiosa como uma reação pouco intensa.  Aumento do tecido conjuntivo com deposição de colágeno e tecido fibrosado. passa a destruir por meio de suas enzimas o tecido da região onde o processo se instalou.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. de modo que o agente agressor ainda persista. Para se entender a instalação da chamada fase crônica da inflamação. aterosclerose. mais primitiva filogeneticamente. devemos descrever os possíveis destinos do processo inflamatório agudo:  Resolução completa  Cicatrização pela substituição do tecido conjuntivo  Formação de abscesso (coleção localizada de secreção purulenta. A transição de aguda para crônica ocorre quando não há uma resolução da resposta inflamatória aguda devido à persistência do agente nocivo ou a alguma interferência com o processo normal de cicatrização. Isso pode se seguir à inflamação aguda. Arlindo Ugulino.

Em algumas reações inflamatórias crônicas intensas. Os linfócitos e macrófagos interagem de maneira bidirecional e essas reações desempenham um papel importante na inflamação crônica. é o polimorfonuclear neutrófilo). 2 . os monócitos começam a migrar para os tecidos extravasculares logo no início da inflamação aguda e. Nessas doenças. etc). Os linfócitos ativados produzem citocinas e uma delas. ao passo em que os macrófagos. Os macrófagos ativados secretam uma variedade de produtos biologicamente ativos que. o IFN-γ. especialmente dos linfonodos. plasmócitos e células apresentadoras de antígenos pode assumir as características morfológicas dos órgãos linfóides. porém os monócitos estão localizados no sangue. por linfócitos e plasmócitos. podem constituir o tipo celular predominante.1  Nas infecções persistentes por determinados microrganismos. o macrófago. se não controlados. citocinas. os monócitos e os macrófagos são a mesma célula. Quando o monócito chega ao tecido extravascular. enquanto um macrófago tissular sobrevive por vários meses ou anos.  Auto-imunidade (como é o caso das doenças auto-imunes). como o bacilo da tuberculose. De uma forma geral. tranforma-se em uma célula fagocitária maior. e até mesmo nas reações inflamatórias não-imunológica. logo então. nos tecidos: os macrófagos são derivados dos monócitos do sangue periférico que foram induzidos a migrar através do endotélio por agentes químicos (C5a. resultam na lesão tecidual e fibrose características da inflamação crônica. fibrinopeptídios. A meia vida dos monócitos sanguíneos é de cerca de 1 dia. o Treponema pallidum (causador da sífilis) e determinados vírus. Estes produtos agentes nocivos como os microrganismos e iniciam o processo de reparação. quando inalado por longos períodos. linfonodos. além de serem responsáveis por boa parte da lesão tecidual na inflamação crônica (uma vez que a destruição tecidual é uma das principais características da inflamação crônica). Eles estão difusamente espalhados no tecido conjuntivo ou localizados em órgãos como o fígado (células de Kupffer). causa uma doença pulmonar inflamatória conhecida como silicose. material não-degradável que. sistema nervoso central (micróglia). LINFÓCITOS Os linfócitos são mobilizados tanto nas reações imunológicas humorais quanto celulares. causando lesão tecidual e inflamação crônicas. Esse padrão de organogênese linfóide é geralmente vista na sinóvia de paciente com atrite reumatóide de longa duração. Os macrófagos apresentam os antígenos via MHC aos linfócitos T e produzem citocinas (como a IL-12) que estimulam a resposta que será desencadeada por estas células T. Como discutido anteriormente. os auto-antígenos desencadeiam uma reação imunológica que se autoperpetua. fungos e parasitas. baço. OBS1: A presença de neutrófilos no foco inflamatório significa que o agente agressor que desencadeou a inflamação aguda ainda persiste no processo nocivo. incluindo monócitos sanguíneos e macrófagos tissulares. até mesmo com centros germinativos bem desenvolvidos. é o principal ativador dos macrófagos. Como exemplo: artrite reumatóide e o lúpus eritematoso. FCDP – fator de crescimento derivado de plaquetas. O extravasamento dos monócitos também é governado por moléculas de adesão e mediadores químicos quimiotáticos e de ativação. A aterosclerose é considerada uma doença inflamatória crônica da parede arterial induzida por componentes endógenos (lipídios tóxicos do plasma). sejam eles endógenos ou exógenos. o acúmulo de linfócitos. INFILTRADO CELULAR MONONUCLEAR O macrófago é a célula dominante na inflamação crônica (enquanto que na inflamação aguda. Um exemplo de agente exógeno é a sílica. sendo acompanhado. incluindo as citocinas (INF-γ. Os macrófagos podem ser ativados por uma variedade de estímulos. em 48 horas.  A exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos e nocivos.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. alvéolos pulmonares e ossos (osteoclastos). por exemplo) secretadas pelos linfócitos T ativados e pelas células NK. Este consiste de células intimamente relacionadas que se originam na medula óssea. MACRÓFAGOS Os macrófagos são um dos componentes do sistema fagocitário mononuclear.

EOSINÓFILOS Os eosinófilos são abundantes nas reações imunológicas mediadas pela IgE e nas infecções parasitárias. Assim como a resposta humoral.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Já na segunda. 3 OBS : Cortes histológicos mostrando a inflamação crônica pulmonar apresentam diferenças claras entre cortes mostrando a inflamação aguda pulmonar. Naquela forma. MASTÓCITOS Os mastócitos estão amplamente distribuídos no tecido conjuntivo e participam tanto da reação inflamatória aguda quanto da crônica. fator inibidor da migração de macrófagos. sendo este ativado mediante o anticorpo ou não. picada de insetos ou drogas. fibroblastos e fibrose. opsonização (facilitação da fagocitose). IMUNIDADE CELULAR  A fase efetora se caracteriza pela destruição de antígenos intracelulares (como vírus e bactérias com ciclo intracelular) por meio do complexo APCMHC – LTTCR. fatores de crescimento de vasos. Na primeira. a IgE ligada aos receptores Fc das células reconhece os antígenos de maneira específica e as células sofrem desgranulação e liberam mediadores. uma proteína altamente catiônica que é tóxica para os parasitas mas também causa lise das células epiteliais dos mamíferos. (2) destruição do parênquima (os alvéolos normais são substituídos por espaços revestidos de epitélio cubóide). sem ser necessário a instalação prévia de inflamação aguda. eliminando a sua antiga afinidade por um receptor alvo). como a histamina e os produtos da oxidação do ácido araquidônico. vê-se que os neutrófilos enchem os espaços alveolares e os vasos sanguíneos estão congestionados. Esse tipo de resposta ocorre durante as reações anafiláticas a alimentos. espécies reativas do oxigênio. Nas reações agudas.  Há uma transferência de células T para desencadear a resposta celular. A função deste tipo de resposta é a mesma desempenhada pelos anticorpos: neutralização do antígenos (ligação íntima do anticorpo com o antígeno fazendo com que este perca sua constituição espacial elementar. Eles possuem grânulos que contêm proteína básica principal. Seu núcleo é excêntrico (chamado pelos citologistas como em roda de carroça). ou seja. 3 . Os linfócitos ativados secretam linfocinas: fator quimiotático monocitário. a célula é capaz de secretar anticorpos que agem como opsoninas para auxiliar o reconhecimento e fagocitose do microrganismo que persiste no estímulo nocivo. na inflamação aguda (broncopneumonia aguda). citotoxicidade dependente de anticorpo e ativação do sistema complemento (responsável por realizar a lise de microrganismos. (3) substituição por tecido conjuntivo. Elas expressam na superfície o receptor que liga a porção Fc da IgE (FcεRI). Os macrófagos ativados secretam monocinas: IL-1 e TNF. • Imunidade celular: A imunidade mediada por células (IMC) é a função efetora dos linfócitos T e atua como um mecanismo de defesa contra os microrganismos que sobrevivem dentro dos macrófagos ou que infectam células não-fagocíticas. fagocitose de microrganismos opsonizados com fragmentos do complemento e inflamação). OBS5: Imunidade humoral x Imunidade celular: • Imunidade humoral: tipo de resposta imune adquirida cujos anticorpos produzidos estão localizados livres no plasma.  Há uma transferência de anticorpos no intuito de realizar a neutralização ou a opsonização. fator ativador de macrófagos (IFN-γ e IL-4). com proliferação de fibroblastos que liberam colágeno (ganhando características histológicas de órgãos linfóides). demonstra-se algumas características histológicas: (1) coleção de células crônicas. (4) o interstício torna-se mais espesso. a resposta celular é um tipo de imunidade específica (imunidade adquirida ou adaptativa).  Os linfócitos T ativam o macrófago (por meio do IFN-γ). deixando-o capaz de debelar o antígeno por si só. com citoplasma basófilo e um complexo de Golgi bastante desenvolvido que aparece nos cortes histológicos como um halo claro próximo ao núcleo. IMUNIDADE HUMORAL  A fase efetora se caracteriza pela neutralização dos antígenos extracelulares (localizados no plasma) por meio do complexo AgIg (produzidos pelos linfócitos B). O plasmócito representa uma das principais células da inflamação crônica. Mas também para o processo de patogênese dos granulomas. 4 OBS : A pneumonia intersticial pelo vírus Influenza e a sinovite crônica da artrite reumatóide são exemplo de processos inflamatórios que já se iniciam com aspecto crônico. É muito comum nas conhecidas osteomielites crônicas. PLASMÓCITOS Os plasmócitos são células originadas da diferenciação dos linfócitos B.1 OBS²: A interação macrófago/linfócito é de extrema importância não só para os processos de resposta imunológica (celular).

sarcoidose. a hanseníase. mas a sarcoidose. Um granuloma é um foco de inflamação crônica consistindo de agregados microscópicos de macrófagos transformados em células semelhantes a células epiteliais cercadas por um colar de leucócitos mononucleares. estacas. o LT ativado libera IFN-γ que ativa o macrófago. Sua gênese está intimamente relacionada com as reações imunológicas. o linfogranuloma inguinal. parasitas (doenças de Chagas). Após esta apresentação antigênica. suturas ou outras fibras são grandes o suficiente para impedir a fagocitose por um único macrófago e não provocam uma resposta inflamatória. algumas infecções micóticas. inertes e não-antigênicos: corpos estranhos. o diagnóstico etiológico é quase que impossível. (2) Granulomas imunes são causados por partículas insolúveis. INFLAMAÇÃO CRÔNICA GRANULOMATOSA O exsudato inflamatório crônico se dispõem na forma de pequenos nódulos (nódulos granulomatosos). Após fagocitar e processar o antígeno. As células epitelióides e as gigantes se formam e aderem à superfície do corpo estranho. não podendo chegar a um diagnóstico concreto. não haverá uma referencia ou um modelo de destruição tecidual. os macrófagos engolfam o material estranho. perpetuando a resposta. sífilis). • Imunitária (granulomas imunes): há a presença de macrófagos e linfócitos T. (1) Granulomas de corpos estranhos que são provocados por corpos estranhos relativamente inertes. O monócito circulante no sangue deixa este compartimento para alcançar os tecidos. os granulomas por corpos estranhos se formam quando materiais como o talco. A tuberculose é o protótipo da doença granulomatosa. a doença da arranhadura do gato. substâncias oleosas). Esta é subdividida ainda em imunitária e não-imunitária. vidros. Existem dois tipos de granulomas. metabólitos do ácido araquidônico e fatores de crescimento angiogênicos (que estimula a proliferação de vasos). Esta capacidade de persistência pode estar ligada à sua natureza:  Materiais insolúveis. especialmente linfócitos e. que diferem quanto a sua patogenia. esporotricose).  Microrganismos intracelulares: bactérias (hanseníase. ativando-os.1 MOTIVOS DA PERSISTÊNCIA DO AGENTE AGRESSOR Veremos agora que alguns agentes agressores podem persistir independente da potência do processo inflamatório que o acometeu. plasmócitos. é possível evidenciar com clareza o agente etiológico. Por não formar um granuloma organizado. processam-no e apresentam parte dele aos linfócitos T apropriados. • Não-imunitária (granuloma de corpos estranhos): linfócitos T não estão presentes (característica de infecções por corpos estranhos). silicone. As células T que reagem produzem citocinas. Este tipo de inflamação crônica pode ser subdividida em imunitária e não-imunitária. a beriliose e as reações a lipídios irritantes também estão inclusas. CLASSIFICAÇÃO DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA A inflamação crônica pode ser dividida em: inflamação crônica inespecífica e em inflamação crônica específica (ou granulomatosa). formando o granuloma complexo (imune). 4 . sífilis. infecções virais. tuberculose. englobando a região lesada. que são capazes de induzir uma resposta imunológica celular. Dependendo da sua constituição. de forma que não se tem indícios do agente etiológico.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. tipicamente microrganismos. envolvendo-o. e o IFNγ. que ativam outras células T. já na forma de macrófagos. cromomicose. O macrófago ativado (também conhecido como célula epitelióide) também libera proteases. PATOGÊNESE DOS GRANULOMAS A reação primordial para a patogênese dos granulomas é a interação macrófagos/linfócitos (ver OBS²). Por este motivo. que é importante na ativação dos macrófagos e na sua transformação em células epitelióides. tornando-o mais reativo e agressivo do ponto de vista imunológico por meio do aumento da produção das enzimas lisossomais e de radicais reativos do oxigênio. fungos (Paracoccidioidomicose. Nessas. Tipicamente. INFLAMAÇÃO CRÔNICA GRANULOMATOSA A inflamação granulomatosa é um padrão distinto de reação inflamatória crônica caracterizada pelo acúmulo focal de macrófagos ativados. como a IL-2. o macrófago apresenta um epítopo (sequência de aminoácidos patogênicos derivados do agente invasor) ao linfócito T. INFLAMAÇÃO CRÔNICA INESPECÍFICA É o tipo de inflamação crônica em que o exsudato inflamatório crônico e a proliferação de vasos se dispõem de uma maneira irregular. ocasionalmente. que geralmente desenvolvem uma aparência epitelióide (semelhante ao epitélio). brucelose.

IL-4 e FNT).Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. É comum encontrar também. este granuloma é caracterizado por pequenas coleções de células epitelióides (macrófagos altamente ativados) circundados por um halo de linfócitos. Envolvendo toda esta coleção de células e. caseosa (tipo de necrose típica da tuberculose e da toxoplasmose). eosinófilos (em processos de parasitismo helmíntico). Uma vez não eliminado. por exemplo). ocorre o acúmulo e a ativação dos macrófagos (células epitelióides) recrutados para região. consequentemente o agente agressor. fatores quimiotáticos para outros tipos celulares (linfócitos. fator inibidor da migração. portanto:  Formação de um microambiente isolado capaz de destruir o agente agressor ou de prevenir a disseminação do mesmo. mastócitos. Se este agente agressor apresentar um caráter imunogênico. este tipo de granuloma é formado a partir de um agente invasor não-imunogênico. células gigantes multinucleadas (formadas pela fusão de cerca de 20 macrófagos) do tipo Larghans (os núcleos se dispõem na periferia com um aspecto que lembra uma ferradura) ou do tipo corpo estranho (os núcleos estão dispostos na forma de uma colina longitudinal no centro da célula gigante. encontramos um halo de proliferação de fibroblastos com o objetivo de impor limites celulares ao processo inflamatório. ovais ou fusiformes com citoplasma abundante e eosinófilo (quando coradas. tornam-se vermelhas). etc) e fatores de crescimento de vasos (promovendo a angiogênese para a nutrição do granuloma). o granuloma formado é o granuloma puro. ou seja. esta célula não é tão comum no granuloma complexo). Esta fusão favorece a potencialidade da célula fagocítica. Estas células epitelióides passam a secretar então as monocinas (favorecendo a proliferação de fibroblastos e fibrose). Estas células apresentam-se agrupadas com formatos variados: redondas. Pode haver também a produção de produtos tóxicos aos tecidos (metabólitos do oxigênio e proteases). Caso o agente agressor não apresente imunogenicidade (como um corpo estranho. Dependendo da etiologia do processo inflamatório crônico. que não é capaz de ativar o linfócito T. pode ser observado ainda o desenvolvimento de processos necróticos causados principalmente pela liberação de radicais livres pelas células inflamatórias ativadas.1 O esquema acima demonstra o processo que segue após uma reação inflamatória aguda cuja reposta não foi suficiente para debelar o agente agressor. MORFOLOGIA DO GRANULOMA EPITELIÓIDE COMPLEXO (IMUNITÁRIO) O granuloma epitelióide complexo é aquele formado após uma apresentação antigênica (com a participação de macrófagos e linfócitos T). característica da doença da arranhadura do gato. Com isso. o mediadores químicos fazem com que a região onde está localizado o agente nocivo seja inundada por macrófagos. As vantagens da produção deste granuloma são. o que torna o processo mais eficaz. só haverá a formação arranjos nodulares de histiócitos. Deste modo.  Formação do processo inflamatório com participação do sistema imunológico. neste tipo de granuloma. fatores ativadores de macrófagos: IFN-γ. Vale salientar que estas células epitelióides estão mais voltadas com a secreção extracelular de mediadores químicos do que com a realização do processo de fagocitose (sendo este processo realizado pelo macrófago comum). causada por uma bactéria gram-negativa). 6 OBS : Resumo da formação do granuloma epitelióide complexo: o macrófago apresenta o antígeno processado aos linfócitos T auxiliares. neutrófilos (em processos fúngicos). o granuloma que se formará na região é classificado como granuloma epitelióide complexo. 5 . No interior do granuloma. Os macrófagos ativados são chamados de células epitelióides por lembrarem o formato das células da camada espinhosa da epiderme. Desta maneira. podemos encontrar também neste granuloma as seguintes células: plasmócitos. Estes liberam linfocinas (fator quimiotático monocitário. plasmócitos. A necrose encontrada nos granulomas pode ser do tipo: supurativa (necrose rica em neutrófilo. fibrinóide. A ativação deste histiócito não se dá de maneira eficiente. 7 OBS : Resumo da formação do granuloma puro (tipo corpo estranho): diferentemente do antígeno que desencadeou a formação do granuloma epitelióide complexo.

infiltrado de plasmócitos. aumenta também o número de lesões na pele. Doença Tuberculose Causa Mycobacterium tuberculosis Reação Tecidual Tubérculo não caseoso: foco de células epitelióides. com perda da atividade dos sistema imunológico. encontra-se necrose com a presença de neutrófilos. sem microrganismos OBS10: Pneumonia bacteriana ≠ Pneumonia intesticial ≠ Tuberculose. Por este motivo. concreção calcificada concêntrica. sendo caracterizada pela formação de granulomas cascosos na parede intestinal. Frequentemente nota-se a presença de necrose caseosa central (restos de tecido necrosado não identificado). Cortes histológicos demonstram claramente uma grande exsudação de polimorfonucleares neutrófilos para a luz dos alvéolos (daí a dificuldade respiratória. Não há a presença de necrose. a presença de necorese caseosa não é uma característica patognomônica. Este padrão de granuloma também é apresentado por doenças causadas por fungos. fibrose Sarcoidose Desconhecida Granuloma não-caseoso: células gigantes (tipo Langhans ou corpo estranho). granulomas e tipos epitelióides. não apresenta necrose caseosa central). Lepra Sífilis Mycobacterium leprae Treponema pallidum Lesão microscópica ou macroscopicamente visível. infiltrado de plasmócitos. devido ao edema alveolar da pneumonia). na maioria das vezes. camada envolvente de histiócitos. as células centrais são necróticas sem perda do contorno celular (necrose coagulativa) Doença da arranhadura do gato Bacilos gram-negativos Granuloma arredondado ou estrelado. 9 OBS : São exemplos de inflamações granulomatosas:  Tuberculose: ocorre a formação de granulomas tuberculosos. 6 . é apenas indicativo).  A pneumonia bacteriana (sempre caracterizada como um processo inflamatório agudo) se difere da tuberculose previamente descrita não só por se tratar de um processo agudo. Se o indivíduo apresentar uma queda da imunidade. ao diagnóstico de tuberculose.1 OBS8: Indivíduos que tenham imunodeficiência natural ou adquirida. O granuloma da sarcoidose se caracteriza principalmente pela grande quantidade de macrófagos ativados (formados basicamente pelas células epitelióides) envolto por um halo de linfócitos. histiócitos. o granuloma passa a ser inundado por macrófagos inativos (devido a consequente queda na produção de células epitelióides). Além dessas células epitelióides. berilose Metais inorgânicos e poeiras Comprometimento pulmonar. indolores ou por placas densas causada pela Mycobacterium leprae. células gigantes de Larghans ocasionais. pois na chamada hanseníase tuberculose observa-se a formação de granulomas repletos de células epitelióides similar ao granuloma da tuberculose (entretanto. a bactéria passa a se proliferar e os granulomas passam a apresentar histiócitos. Há a formação de granulomas repletos de células epitelióides. circundadas por fibroblastos. células gigantes raras Esquistossomose Schistosoma mansoni Embolia por ovos circundados por eosinófilos Silicose.  Sarcoidose: doença granulomatosa auto-imune de etiologia desconhecida caracterizada pela aparição de granulomas não-característicos nos pulmões e na pele (na forma de pequenas pápulas) principalmente. Para o diagnóstico diferencial. Há ainda a presença de corpúsculos asteróides (que não é patognomônico. como a histoplasmose. A forma terciária desta doença é caracterizada pela formação de granulomas cutâneos repletos de plasmócitos. encontra-se também macrófagos e linfócitos. asteróides nas células gigantes.  Doença de Crohn: doença inflamatória intestinal que compromete todo o trato gastrintestinal (da boca ao ânus). Com a queda da imunidade. apresentam uma deficiência na diferenciação dos macrófagos em células epitelióides. Este é histologicamente caracterizado por apresentar uma coleção nodular constituída de células de Langhans e células epitelióides. mas remete.  Hanseníase: doença granulomatosa que se manifesta por manchas esbranquiçadas. É importante a classificação da hanseníase por meio dos granulomas. contendo restos granulares centrais e neutrófilos reconhecíveis.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. perda de todo o detalhe celular. Tubérculo caseoso: fragmentos granulares amorfos centrais.  Doença da arranhadura do gato: é uma doença granulomatosa causada por um bacilo gram-negativo obtido pelo ataque das garras do gato. com um halo de linfócitos envolvendo-o. linfócitos.  Sífilis: é uma doença sexualmente transmissível causada por um espiroqueta chamado Treponema pallidum. No centro destes granulomas. procura-se o bacilo causador da tuberculose em meio ao foco granulomatoso (por meio de coloração especial de Ziehl-Neelsen). favorecendo com que este indivíduo tenha infecções oportunistas.

9  A tuberculose. sendo uma importante causa de morte). neste caso. deixando no lugar uma região cicatricial (seqüela). mas sim. Este material desencadeia uma inflamação aguda cujos neutrófilos são incapazes de suprimi-lo. Diferentemente da tuberculose. Estes granulomas. Com isso. A formação deste granuloma evita. o agente nocivo persiste no processo agressor. As poucas células epitelióides e as gigantes se aderem à superfície do corpo estranho. silicone. Trata-se de um processo inflamatório crônico inespecífico (não apresenta granuloma característico. etc). em que há uma destruição dos septos inter-alveolares. é caracterizada pela produção de granulomas com necrose caseosa central. GRANULOMA PURO (OU NU) O granuloma puro é formado a partir da reação inflamatória a um material insolúvel não-antigênico (como fio de sutura. portanto. Há. o que desencadeia uma ativação macrofágica parcial não imunológica: formação do granuloma sem elementos acessórios.1  A pneumonia intersticial é causada por infecções virais (principalmente na infância. envolvendo-o. geralmente destroem os septos inter-alveolares. uma inflamação aguda persistente e destrutiva. caso o exsudato de linfócitos seja drenado. 7 . um comprometimento da função pulmonar na região onde o granuloma se instalou. como descrito na OBS . um acúmulo de linfócitos nos septos que os divide. caso seja cessada a inflamação. os septos podem voltar a integridade nesta patologia.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. sendo impossível determinar um diagnóstico etiológico) no qual não há um acúmulo de exsudato nos alvéolos.

A migração e proliferação dos fibroblastos (2º mecanismo) também são mediadas por fatores de crescimento. como infarto. O tecido acometido passa a sofrer um processo inflamatório. assim como síntese aumentada e degradação reduzida de colágeno que será depositado na MEC.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Ocorre proliferação dos fibroblastos e acúmulo contínuo de colágeno. formação de abscesso e grandes feridas. o fechamento do epitélio ocorre em 24 a 48 horas. é muito resistente a infecções. produz fibrose e cicatrização. o defeito é acentuadamente reduzido. (4) maturação e organização nos tubos capilares. O tecido de granulação abundante cresce a partir das margens para preencher o defeito.1 FAMENE NETTO. FCF e TGF-β (sendo este um fator crítico no favorecimento da deposição de tecido fibroso). Quatro etapas fundamentam a angiogênese: (1) degradação enzimática da membrana basal do vaso de origem. processo conhecido como remodelagem.  Migração e proliferação de fibroblastos  Deposição de matriz extracelular (MEC)  Maturação e reorganização do tecido fibroso. A incisão é inicialmente preenchida por sangue e coagulo (formado pelo sistema da coagulação para garantir a hemostasia). FCE. FCEV). Este tecido. O espaço incisional é preenchido com tecido de granulação (que porventura. que causam angiogênese e permeabilidade aumentada. fibronectinas e plasmócitos. formado pelas células endoteliais que chegam a região e fibroblastos.  Segunda semana. Portanto. CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS Dependendo do tipo da lesão. O coagulo inicial é composto por fibrina e fibronectina. A neovascularização é máxima e as fibrilas de colágeno começam a aparecer e agora a proliferação epitelial atinge seu máximo. Os neutrófilos que margeiam a lesão infiltram o coagulo. que com o tempo. Os neutrófilos são substituídos por macrófagos (estes recrutam fibroblastos por meio da liberação de interleucinas). distinguem-se quatro componentes neste processo:  Formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). a reparação envolve substituição por tecido conjuntivo. Os miofibroblastos contribuem para a contração da ferida. Pelo menos dois fatores de crescimento são importantes na indução da angiogênese: fator de crescimento de fibroblastos básico (FCFb).  Segundo mês. PATOLOGIA REPARO CELULAR (CICATRIZAÇÃO) (Professor Raimundo Sales) Como a destruição tecidual na inflamação crônica envolve as células parenquimatosas e a estrutura do estroma. (2) migração das células endoteliais. coberto por epiderme intacta. ulceração. 1 . é um órgão provisório como a placenta). isto é.  5º dia. Começam a surgir mitoses nas células basais epiteliais. uma vez que a ação protetora do tecido de granulação entra em vigor. observa-se a formação de focos de tecido de granulação. • Cicatrização por segunda intenção: ocorre quando há perda mais extensa de tecido. e fator de permeabilidade vascular ou fator de crescimento endotelial vascular (FPV. Neste período. Portanto.  3 a 24 horas. Por isso que cirurgiões podem realizar suturas nas alças intestinais (mesmo com a grande presença de bactérias na região) sem nenhum problema. Arlindo Ugulino. acredita-se que o TGF-β desempenhe um papel importante na fibrose inflamatória crônica. Este induz a migração e proliferação dos fibroblastos. por apresentar uma grande concentração de proteoglicanos. a cicatrização pode se desenvolver das seguintes maneiras • Cicatrização por primeira intenção: A cicatrização de uma incisão cirúrgica limpa aproximada (fenda tecidual é mínima) envolve uma sequência cronológica de eventos:  0 hora. (3) proliferação das células endoteliais. a reparação deste tecido não pode ser realizada apenas por meio da regeneração das células do parênquima. mas ao mesmo tempo a ferida contrai. Didaticamente. OBS1: O tecido de granulação é tido como um órgão provisório. como o FCDP. Agora. assim como é classificada a placenta. A inflamação e os vasos recém-formados já desaparecem em grande parte.  3º dia. que pode mediar todas as etapas na angiogênese. a fibrose consiste em tecido conjuntivo sem inflamação.

A recuperação progressiva da força elástica a 70 a 80% do normal no 3º mês está associada. degradação e remodelagem SÍNTESE E DEGRADAÇÃO DE COLÁGENO E RESISTÊNCIA DA FERIDA As fibras de colágeno são. MECANISMOS ENVOLVIDOS NA CICATRIZAÇÃO DA FERIDA Três mecanismos são importantes por influenciar no reparo das feridas:  Fatores de crescimento (FCDP. O acúmulo final de colágeno não depende apenas da síntese do mesmo. O colágeno depositado no início do tecido de granulação é do tipo III. Por isso que pessoas desnutridas ou com deficiência de vitamina C apresenta distúrbios no processo de cicatrização. que é substituído por colágeno do tipo I. TGF-β)  Interações entre células e entre células e matriz  Síntese de MEC (colágeno). 2 . mas também da degradação (que é realizada por uma família de metaloproteínas dependentes do zinco). remodelagem tecidual e fibrose. e ao aumento do tamanho das fibras de colágenos. e inibida pelo TGF-β. a síntese de colágeno é estimulada por fatores de crescimento e por citocinas secretadas pelos leucócitos e pelos fibroblastos na cicatrização das feridas. Primeiramente. à síntese aumentada de colágeno. responsáveis pela resistência da ferida.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. OBS3: A cicatrização das feridas envolve. Os colágenos são divididos em 15 tipos (sendo os tipos I. seguida por um estágio de fibroplasia caracterizada por tecido de granulação. excedendo a degradação do mesmo e subsequentemente de ligação cruzada. II e III conhecidos como os colágenos intersticiais ou de fibrila). em primeiro lugar. seguida por deposição de matriz extracelular. em grande parte. o tecido de granulação necessita de toda a irrigação e suprimento nutricional suficiente para realizar a sua função cicatricial. eventos da inflamação precoce.1 OBS2: Por ser considerado um órgão. A secreção de metaloproteínas por fibroblastos e leucócitos é induzida por fatores de crescimento e citocinas. FCF. A resistência da ferida ao final da primeira semana é de cerca de 10% do normal (depende em grande parte da sutura cirúrgica/adesão tecidual). portanto.

FATORES QUE MODIFICAM A QUALIDADE DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA-REPARATIVA Vários fatores sistêmicos e locais modificam a intensidade da resposta inflamatória e a qualidade do reparo.  Local da lesão. ingesta de proteínas e de vitamina C. por exemplo. Isso acontece em dois casos bastante conhecidos: quelóide (mais relacionado com a etnia) e a cicatriz hipertrófica. aterosclerose. por exemplo. que impede o processo inflamatório-reparador. O termo regeneração tecidual está restrito a casos como.  Existência ou ausência de diabetes melito.1 OBS4: O processo da remodelagem consiste em um mecanismo equilibrado de síntese e degradação do colágeno.  Existência ou ausência de infecção.  O estado nutricional do hospedeiro.  Deficiências vasculares periféricas: varizes. etc. As principais influências são:  A adequação do suprimento sanguíneo. ao produzirem a sua matriz extracelular (a membrana basal). 3 . escoriações. em que os queratinócitos. OBS5: Regeneração ≠ Cicatrização. a cicatriz apresenta-se fenotipicamente defeituosa. fornecem uma espécie de base para fixação das células que vão recobrir novamente aquela região lesada superficialmente.  Níveis adequados de leucócitos circulantes.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.  Terapia intercorrente com glicocorticóides. Quando há uma síntese excessiva de colágeno.

sem sinais de processos inflamatórios associados (calor e rubor). pleural.  Linfedema. As mudanças no volume vascular. Síndrome nefrótica e casos de insuficiência cardíaca congestiva podem causar anasarca. peritoneal ou ascite) gerando um tipo de inchaço ou tumefação. um pequeno resíduo do excesso de líquido intersticial é drenado pelos linfáticos. à corrente sanguínea via ducto linfático. que é um tipo de edema grave e generalizado com tumefação tecidual subcutânea profunda. Mastectomias realizadas em virtude de carcinomas (tumores de linhagem epitelial que sofrem metástase por via linfática) de mamas pode gerar linfedema de membro superior devido à retirada de linfonodos da região axilar. em que as alterações do fluxo geram um aumento da permeabilidade vascular e extravasamento de líquido. Arlindo Ugulino. bem como a pressão intravascular e osmolaridade dentro de certas variações fisiológicas. pressão ou conteúdo protéico. gerando ainda uma insuficiência venosa local. hidropericárdio e hidroperitônio (ascite).1 FAMENE NETTO. O edema pode ser:  Inflamatório quando está relacionado à permeabilidade vascular aumentada com o escape de exsudato rico em proteínas. embolia. As principais perturbações envolvendo a hemodinâmica e a manutenção do fluxo sanguíneo incluem: edema. aparecerão sempre que houver: 1 . também pode gerar uma queda na pressão osmótica vascular e levar à formação de edemas. EDEMA O termo edema significa acúmulo anormal de líquido nos espaços intersticiais ou nas cavidades corporais (sendo. Neste caso. trombose. o sangramento local pode comprometer a perfusão do tecido regional. Casos de síndrome nefrótica. em que o paciente perde cerca de 3g de proteínas pela urina. nos casos de insuficiência cardíaca. Acontece. Qualquer líquido de edema intersticial em excesso é. ou sistêmico. ocorre a formação de um edema frio de pele com aspecto grosseiro. todas afetam o movimento final da água através da parede vascular. em que desequilíbrios hemodinâmicos causam o extravasamento de um transudato para o líquido intersticial. removido pela drenagem linfática. PRINCIPAIS CAUSAS DE EDEMA NÃO-INFLAMATÓRIO Os edemas não-inflamatórios. relacionado com o desequilíbrio das forças de Starling com perda de transudato pobre em proteínas. denominado de anasarca. infarto e choque. retornando. manutenção do fluxo sanguíneo. a obstrução linfática (devido à cicatrização ou tumor) também debilitará a drenagem líquida e resultará em edema. A homeostase normal do líquido abrange a manutenção da integridade da parede do vaso. hemorragia. ao final das contas. anormalidades na permeabilidade vascular ou na homeostasia pode resultar em lesão mesmo no cenário de um aporte sanguíneo intacto. Reciprocamente. Tal extravasamento de água nos espaços intersticiais é denominado edema e tem manifestações diferentes dependendo de sua localidade. a inabilidade em coagular após lesão vascular resulta em hemorragia. Uma retenção primária de sódio (e sua associação obrigatória com a água) na doença renal também leva ao edema. PATOLOGIA DISTÚRBIOS HEMODINÂMICOS (Professor Raimundo Sales) A integridade das células e dos tecidos requer um equilíbrio líquido normal e constante. nestes casos. por diminuição da síntese de proteínas plasmáticas. A coagulação em locais inadequados (trombose) ou a migração de coágulos (embolia) obstrui o fluxo sanguíneo aos tecidos e leva à morte da célula (infarto). a saída de líquido para o interstício a partir da terminação arteriolar da microcirculação é quase equilibrada pelo fluxo para dentro na terminação venular. por exemplo. como na obstrução do retorno venoso em uma extremidade ou bloqueio de um grupo regional de linfonodos ou vasos linfáticos. hiperemia. As coleções edematosas nas cavidades corporais são denominadas hidrotórax. O edema inflamatório surge como um evento do processo inflamatório agudo. ou seja. O edema pode ser localizado. No entanto.  Não-inflamatório ou hemodinâmico. tipicamente. Normalmente. mais comumente denominado de derrame: derrame pericárdico. ou alterações na função endotelial. Tanto a pressão capilar elevada ou a pressão osmótica coloidal diminuída pode resultar em líquido intersticial aumentado. pode causar edema. secundário à obstrução ou diminuição da drenagem linfática (como ocorre na filariose). enquanto a hemorragia mais extensiva pode resultar em hipotensão (choque) e morte.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. claramente. Cirrose hepática. A homeostase normal do líquido também significa manutenção do sangue como um líquido até determinado momento quando uma lesão necessita da formação de um coágulo. proteínas e células (exsudato) para o espaço intersticial (hiperemia ativa).

o que faz com que o líquido se mova para fora do compartimento vascular.  Retenção de sódio e água.1  Aumento na pressão hidrostática intravascular: elevações locais na pressão hidrostática podem resultar de drenagem venosa deficiente. crises hipertensivas ou obstrução do fluxo externo venoso do cérebro. síndrome da angústia respiratória aguda. mostrando sinais de achatamento contra o crânio inflexível. fibrose linfonódica e linfática maciça na região inguinal. filaríase. PRINCIPAIS SITUAÇÕES CLÍNICAS COM EDEMA SISTÊMICO A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é a causa mais comum de edema sistêmico. a infecção parasitária filaríase causa. mas a mais importante é a proteinúria da síndrome nefrótica. O edema resultante da genitália externa e membros inferiores é tão extremo que é denominado elefantíase. infecções pulmonares e reações de hipersensibilidade. A pressão oncótica reduzida do plasma ocorre em várias condições. periorbitário. Edema de membro inferior unilateral: obstrução das principais veias de efluxo de um perna. A síntese reduzida de albumina ocorre no cenário da patologia hepática difusa ou como uma consequência da má nutrição protéica. excisão cirúrgica. induzindo à retenção de sódio e água pelos rins (aldosteronismo secundário). tornozelos e parte inferior das pernas (edemas gravitacional). O trauma pode resultar em edema local ou generalizado. que por sua vez. a proteína sérica mais responsável pela manutenção da pressão osmótica coloidal. 2 .  Queda na pressão coloidosmótica: pode resultar da perda excessiva ou síntese reduzida de albumina (como ocorre na cirrose hepática). PRINCIPAIS SITUAÇÕES CLÍNICAS COM EDEMA LOCALIZADO Edema de membro inferior bilateral: obstrução ou estenose da veia cava inferior por trombose ou pressão externa. por exemplo. como na encefalite. líquido de edema e eritrócitos extravasados. gestação. com frequência. A síntese comprometida de proteínas plasmáticas na cirrose hepática é uma outra causa importante de pressão oncótica reduzida. O edema generalizado (anasarca) é caracterizado por edema facial. portanto. A insuficiência cardíaca congestiva está associada a débito cardíaco reduzido e. Por exemplo. o débito cardíaco e o fluxo renal reduzidos levam à ativação do eixo renina-angiotensina-aldosterona. A hipoperfusão renal. eventualmente. O sal elevado. expande o volume hídrico e a carga do coração. sobretudo. levando a posterior insuficiência cardíaca e a aumento adicional da pressão hidrostática. Ocorre hipertensão pulmonar. mas também ocorre na insuficiência renal. por exemplo. resultando em retenção renal de sódio e água. em geral. entretanto. MORFOLOGIA • Edema subcutâneo: mas evidente nos pés. ascite. Embora o aumento da pressão hidrostática seja o principal fator. veias varicosas nas pernas com retorno venoso comprometido Causas incomuns de edema localizado: destruição ou bloqueio dos linfonodos inguinais ou linfáticos. tumor. Em cada caso.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. a carga extra de líquido resulta somente na pressão venosa elevada e. e podem resultar de obstrução inflamatória ou neoplásica. portanto. o cérebro é excessivamente expandido. trombose das veias femoral ou ilíaca. Esse processo é presumidamente planejado para ampliar o volume intravascular e. com o acompanhamento obrigatório da água. linfonodos. Os pulmões têm duas a três vezes o seu peso normal e seccionamento revela líquido espumoso. tingido de sangue. O edema pulmonar é um problema clínico comum visto mais tipicamente no cenário da insuficiência ventricular esquerda. sucessivamente. localizados. Se o defeito cardíaco não puder aumentar o débito cardíaco. representando uma mistura de ar. causa o aumento da pressão hidrostática (devido à expansão do volume líquido intravascular) e a diminuição da pressão osmótica coloidal. Ainda que esta pressão hidrostática venosa elevada seja importante. por exemplo. dependendo da natureza ou extensão da lesão. deflagra o eixo renina-angiotensina-aldosterona. provocando o edema não-inflamatório. quando existe uma doença renal subjacente (glomerulonefrite e insuficiência renal aguda). O edema cerebral pode ser localizado (devido ao abscesso ou neoplasma) ou pode ser generalizado. melhorar o débito cardíaco (via a lei de Frank-Starling) com restauração da perfusão renal normal. a pressão osmótica plasmática reduzida leva ao consequente movimento de líquido para os tecidos intersticiais e a uma redução no volume plasmático resultante. edema. radiação e tumor. Com o edema generalizado. com sulcos estreitados e giros distendidos.  Obstrução linfática: a drenagem linfática deficiente e o consequente linfedema são. a patogênese do edema cardíaco é mais complexa. perfusão renal diminuída.

a organização de micro-hemorragias leva à fibrose. aterosclerose. baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia). separação dos elementos parenquimatosos e compressão da microcirculação. o sangue apresenta-se vermelho-azulado. O baço sofre congestões agudas com infecções hematogênicas. fibrose perissinusoidal. a estase do sangue pouco oxigenado também causa hipóxia crônica. com perda de sangue das veias centrais quando seccionadas. HIPEREMIA E CONGESTÃO Os dois termos significam aumento do volume sanguíneo no tecido ou na parte afetada. como na obstrução venosa. O acúmulo de sangue dentro do tecido é chamado hematoma. cianótico. porém podem ser exacerbadas por quaisquer das condições previamente mencionadas. Quando crônicas. que pode resultar em degeneração celular parenquimatosa ou morte. cardiopatia reumática com estenose mitral. A congestão (hiperemia passiva) é um processo passivo resultante do efluxo externo deficiente de um tecido. miocardite. em geral. Todavia. ligeiramente pesado. na insuficiência cardíaca direita. podem levar a atrofia hipóxica ou a morte das células parenquimatosas. em geral. Os capilares alveolares ficam ingurgitados e tortuosos. fígado e baço. A hemorragia pode ser manifestada em uma variedade de padrões. como no músculo esquelético durante o exercício ou em locais de inflamação. ocorre esplenomegalia congestiva. no infarto do miocárdio. aos cortes. Septos alargados e líquido pobre em proteínas nos espaços alveolares. com o decorrer do tempo. ocorrem juntos. inflamação vascular ou fragilidade vascular aumentada. O fígado sofre com a congestão aguda e crônica. A parte afetada adquire uma coloração vermelho-azulada devido à desoxigenação dos eritrócitos represados (cianose). como por exemplo. Os órgãos mais afetados são os pulmões. Como descrito previamente. algumas vezes gorduroso. raramente com obstrução da veia hepática ou da veia cava inferior. ou erosão inflamatória ou neoplásica da parede do vaso. subcreptantes e úmidos.  As diminutas hemorragias de 1mm a 2mm na pele. incluindo trauma. os vasos estão distendidos e os órgãos estão incomumente sanguinolentos.1 • • Edema de órgãos sólidos: discreto aumento no tamanho e no peso. apresentase discretamente aumentado. extravasamento de sangue devido à ruptura do vaso. o sangue apresenta-se vermelho-escuro. durante hiperemia aguda. mucosas ou superfícies séricas são denominadas petéquias (com formato punctiforme) e são associadas tipicamente a pressão intravascular localmente elevada.  Hemorragias subcutâneas maiores que 1cm ou 2cm são denominadas equimoses e são caracteristicamente vistas após trauma. com cicatrização microscópica. da extensão e da localização do sangramento:  A hemorragia pode ser externa ou interna (confinada dentro de um tecido). Se ocorrer rotura de sinusóides centrais. ou a micro-hemorragias com deposição de Fe2+ e fibrose. HEMORRAGIA A hemorragia indica. com preservação dos pulmões. de maneira primária visto que a congestão no leito capilar pode resultar em edema devido à transudação líquida aumentada. O baço. válvula mitral insuficiente com regurgitação. ou sistêmica. os órgãos sistêmicos são afetados. a hiperemia e a congestão estão associados ao edema. fígado. Na congestão de longa duração. Quando crônicas. ocorre extravasamento de líquido proteináceo nos espaços áreos. alguma vezes. função plaquetária defeituosa (como na uremia) ou déficits no fator de coagulação. Na insuficiência ventricular esquerda. MORFOLOGIA Em geral. os septos edemaciados e impregnados com hemossiderina tornam-se fibrinóticos (induração parda dos pulmões). A congestão e o edema. baço. Pode ser localizada. com insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale). 3 . miocardiopatia. Quando agudas. dependendo do tamanho. Quando agudas. tenso.  As hemorragias levemente maiores de 3mm são denominadas púrpuras e podem ocorrer de forma secundária ao trauma. A hiperemia é um processo ativo resultante do fluxo interno tecidual aumentado devido à dilatação arteriolar. O tecido afetado é avermelhado pelo congestionamento dos vasos com sangue oxigenado. Os pulmões sofrem por congestão e edema visualizados principalmente com insuficiência ventricular esquerda. como na insuficiência cardíaca. a ruptura de uma grande artéria ou veia é quase sempre devido à lesão vascular. Pulmões: pesados. denominada congestão passiva crônica. exsudação de sangue e colapso.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. os pulmões estão principalmente afetados. Quando crônicas. o sangramento capilar pode ocorrer sob condições de congestão crônica e uma tendência aumentada à hemorragia de lesão geralmente insignificante é vista numa grande variedade de disfunções coletivamente clínicas denominadas diáteses hemorrágicas. centro dos lóbulos congestionados com bordas de parênquima acastanhado. verifica-se necrose hemorrágica central. por exemplo.

a trombina converte o fibrinogênio solúvel circulante em fibrina insolúvel. essenciais para a hemostasia e para a formação de trombos. As plaquetas. são submetidas a adesão e alteração em sua forma. perdas maiores.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. mas. exercem funções pró-coagulantes. A trombina também induz adicionalmente o recrutamento plaquetário e a liberação granular. culminando na ativação da trombina. A seguir. resultando na deposição local de fibrina. por exemplo. um fator pró-coagulante fixado à membrana sintetizando pelo endotélio. pontes moleculares e dos receptores glicoprotéicos no colágeno e elementos 4 . Neste estágio. submetendo uma mundaça na forma e liberação de grânulos secretório. eventos estes coletivamente chamados de ativação plaquetária. O local da hemorragia também é importante: o sangramento que seria trivial em tecidos subcutâneos pode causar morte de localizado no cérebro. leva mais tempo que o tampão plaquetário inicial. também é exposto no local da lesão. as plaquetas (que desempenham um papel central na hemostasia e na trombose) são expostas ao colágeno subendotelial e a outras glicoproteínas do tecido conjuntivo. a perda de ferro e uma anemia subsequente pela deficiência do ferro tornam-se um consideração na perda sanguínea externa crônica ou recorrente (Ex: úlcera péptica ou sangramento menstrual). as células endoteliais possuem propriedades antiplaquetárias. A sequência geral de eventos na hemostasia no local da lesão vascular é a seguinte:  Após a lesão inicial.  A fibrina polimerizada e os agregados plaquetários formam um tampão permanente e sólido para prevenir qualquer hemorragia adicional. como na hemorragia dentro de cavidades ou tecidos corporais. coração e cérebro. A hemostasia é vital para o controle normal do sangramento. Ao contrário. ocorre através da formação de um coágulo sólido no local da lesão no vaso. secreção (reação de liberação) e agregação. Esta sequência.1 Os eritrócitos nessas hemorragias locais são degradados e fagocitados pelos macrófagos.  Os grandes acúmulos de sangue em uma ou outra cavidade corporal são denominados hemotórax. Finalmente. nos quais encontramos infusões de serotonina. causando as mudanças de características na cor de um hematoma.  Sistema de coagulação.  Plaquetas. adenosinadifosfato (ADP) e de tromboxanos. a hemostasia secundária. a hemoglobina (cor vermelho-azulada) é então enzimaticamente convertida em bilirrubina (cor azul-esverdiada). Quando ocorre a lesão. isto é. produzir infarto. os produtos secretados recrutam plaquetas adicionais (agregação) para formar um tampão hemostático. permitindo que as plaquetas se adiram e tornem-se ativadas. além de uma grande variedade de receptores. quando lesadas ou ativadas. O efeito é transitório.  A adesão refere-se à inserção nos locais de lesão endotelial do fator de von Willebrand (fixam as plaquetas ao colágeno). Por um lado. entretanto. podem resultar em choque hemorrágico (hipovolêmico). há um breve período de vasoconstrição arteriolar mediado pela endotelina. Entretanto. quando os eritrócitos são retidos. deslocar-se ou fragmentar-se criando êmbolos obstrutivos.  A lesão endotelial expõe a matriz extracelular (MEC) subendotelial altamente trombogênica. apresentam grânulos citoplasmáticos. além de alguns fatores da coagulação. o ferro pode ser reutilizado para a síntese de hemoglobina. hemopericárdio. hemoperitôneo ou hemartrose. Sucessivamente. A rápida perda de até 20% do volume de sangue ou perdas lentas de até grande quantidades pode ter pouco impacto em adultos sadios. A trombose tem o potencial de diminuir ou obstruir o fluxo vascular para as estruturas críticas.  O fator tecidual. 1 OBS : Melena e hematêmese são consideradas tipos de hemorragias externas partindo do pressuposto que a luz do trato gastrointestinal é tido como parte do meio externo. este é o processo da hemostasia primária. por outro lado. anticoagulante e fibrinolíticas. HEMOSTASIA E TROMBOSE Os dois processos estão intimamente relacionados. mas a trombose é um processo patológico. os mecanismos contra-regulatórios (Ex: ativador do plasminogênio tecidual – APT) são estabelecidos em movimento para limitar o tampão hemostático ao local da lesão. o sangramento reiniciar-se-á se não houver ativação dos sistemas plaquetários e de coagulação. com formação de uma massa coagulada de sangue no sistema vascular sem rotura. PROCESSO DE HEMOSTASIA NORMAL Existem três fatores contribuintes importantes para a hemostasia e a trombose:  A parede vascular com seu revestimento de endotélio e tecidos conjuntivos subendoteliais subjacentes. Em minutos.

as células são ativadas com liberação de fatores trombolíticos (e antitrombolíticos). há muitos elos entre as duas vias. o Redução do fluxo retarda a diluição dos fatores de coagulação ativados e a depuração hepática. É comum dividir-se a coagulação em uma via extrínseca e em uma via intrínseca. atuam três influências (tríade de Virchow): • Lesão endotelial: é o fator trombogênico mais importante.1 do tecido conjuntivo. culminando na polimerização de fibrinogênio em fibrina. iniciada por ADP e tromboxano A2. • Alterações no fluxo normal: a turbulência nas artérias no coração ou a estase nas veias interrompe o fluxo laminar e lâmina plasmática que separa os elementos figurados da parede vascular. A deficiência genética da doença de von Willembrand causa distúrbios hemorrágicos. Uma vez formada a fibrina. TROMBOSE A trombose é um tipo de coagulação intravascular patológico.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. o Estase ou turbulência retardam o influxo dos inibidores. o colágeno é exposto e tem início a série de eventos plaquetários e da coagulação. É particularmente importante nas artérias do coração (como ocorre na arterosclerose ulcerativa e no infarto transmural do miocárdio). inclusive o fator tecidual que também ativa a via intrínseca. o A turbulência pode induzir lesão endotelial. a via intrínseca é ativada pelo fator de Hangeman (fator XII) e a via extrínseca pelo fator tecidual. o Plaquetas são ativadas pelo contato com endotélio. Quando ocorre lesão. resultando no aparecimento de um complexo fosfolipídico da membrana na superfície da plaqueta. O sistema de coagulação consiste.  Agregação implica na interaderência. convergindo ambas para ativação do fator X. ocorre a agregação plaquetária sobre a lesão vascular.  Secreção ou reação de liberação libera conteúdos de grânulos plaquetários (proteínas de coagulação. uma série de transformações de pró-enzimas em enzimas ativadas. O trombo representa a hemostasia no sistema vascular intacto. fibrina. 5 . ao qual os fatores da coagulação aderem. Além de induzir a coagulação. Isso é realizado principalmente pela geração da plasmina a partir do plasminogênio (por uma via dependente do fator XIIa). Entretanto. seguida pela geração de trombina e. culminando na formação de um trombo sobre a mesma. finalmente. fatores de crescimento e enzimas) e corpúsculos densos (com ADP). em essência. podendo induzir a trombose sozinha. Na teoria. Na trombose. a ativação da cascata da coagulação estabelece em um movimento uma cascata fibrinolítica que limita e regula o tamanho do coágulo final.

Em geral são silenciosos. proteínas C e S. repouso ao leito e imobilização (associada a estase vascular). para a vasculatura pulmonar. o sinônimo coagulopatia de consumo).  Resolução e dissolução: remoção dos trombos por atividade fibrinolítica. que não está associado e achados laboratoriais compatíveis e significativos.1 • Hipercoagulabilidade: trata-se de um fenômeno mal definido. trabalho de parto). A morte súbita. por exemplo. insuficiência cardíaca congestiva. ao mesmo tempo.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. final de gestação ou período pósparto. pode ocorrer uma das seguintes sequências:  Propagação do trombo obstruindo um vaso ou um ramo crítico: o trombo pode acumular mais plaquetas e fibrina. queimaduras. câncer visceral disseminado. Mais de 98% têm como origem trombos (tromboembolia). Entre os outros tipos possíveis. apêndices auriculares. Os trombos venosos nas veias profundas das pernas são problemas comuns. mais amiúde nos trombos intracardíacos. e são. etc. os mais comuns são fragmentos de placas ateromatosas (ateroêmbolos) e embolia gordurosa. isto é. artérias ateroscleróticas. Os trombos podem formar-se em qualquer parte do sistema cardiovascular. ele pode ocluir a principal artéria pulmonar. devido ao rápido fluxo. formando uma cicatriz com pequenos novos vasos. são não-oclusivos (mural). heparina. ou podem ser incorporados na parede vascular espessada. SIGNIFICADO CLÍNICO Os trombos arteriais podem obstruir vasos críticos. passando para o lado direito do coração e. Aqueles localizados nas câmaras cárdicas podem embolizar para a perna. lesão tecidual (fraturas. no final da gravidez ou após o parto.  Embolização parcial ou total: os trombos podem deslocar-se e viajar para outros locais na vasculatura. DESTINO DO TROMBO Depois de formado o trombo. os trombos tendem a cinzaavermelhados e podem atingir os seguintes locais: ventrículo esquerdo sobre infarto do miocárdio. estenose mitral reumática. síndrome nefrótica. se o paciente sobreviver aos efeitos isquêmicos imediatos do mesmo. Os êmbolos que surgem nas veias impactam nos pulmões e podem causar tromboembolismo pulmonar. câncer disseminado. carregados através de canais progressivamente maiores. Dependendo do tamanho do embolo. anticoncepcionais orais. • Tromboembolismo pulmonar: os êmbolos venosos originam-se de trombos venosos profundos da coxa. daí. inibidor da via do fator tecidual-TFPI. os mecanismos fibrinogênicos são ativados e como resultado uma disfunção inicialmente trombótica pode desenvolver-se numa disfunção grave de hemorragias por falta de fatores de coagulação. podem restabelecer o fluxo vascular. lesão vascular ou anomalia cardíaca congênita). EMBOLIA Representa uma massa intravascular sólida. cérebro e vísceras e. costumam impactar para as pernas. OBS³: A coagulação intravascular disseminada (CID) é um início rápido e insidioso de trombos de fibrina disseminada na microcirculação. mas o sistema de ativação pode ser disseminadamente ativado por meio de células cancerígenas ou venenos de cobras. É mais comum em mulheres pós-parto. Os êmbolos que surgem no lado arterial da circulação. há um consumo concomitante de plaquetas e proteínas coagulantes (daí. impactar-se através da bifurcação ou distribuir-se nas arteríolas menores ramificadas. cardiopatias (infarto do miocárdio. podem embolizar para os pulmões (causando tromboembolismo pulmonar) e tendem a ocorrer em certos quadros clínicos: idade avançada. Algumas moléculas são sintetizadas para agir no mecanismo de regulação da coagulação: antitrombina III. sacos aneurismáticos. Considerado como fator responsável pela tendência aumentada à trombose com deficiência de antitrombina III ou de proteína C. Nos locais de origem. aorta sobre ateromas ulcerados e fissurados. Nas câmaras cardíacas e na aorta. coronário.  Organização e recanalização: os trombos podem induzir a inflamação e fibrose (organização) e podem tornarse eventualmente recanalizadas. insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) ou colapso cardiovascular ocorre quando 60% ou mais da circulação pulmonar é obstruída com êmbolos. dois terços dos quais estão associados a infartos da parede 6 . líquida ou gasosa transportada pelo sangue até um local distante de sua origem. politraumatizados. • Tromboembolismo sistêmico: refere-se aos êmbolos que viajam dentro da circulação arterial. os trombos costumam estar firmemente fixados. No lado arterial. Com o desenvolvimento de trombos múltiplos. Deve ser enfatizado que a CID não é uma doença primária. em geral. causam infartos. levando eventualmente à obstrução do vaso. cuja principal complicação é a embolia pulmonar. cerebral. uso de anticoncepcionais orais (estrogênio em altas doses). em geral. mas sem dúvida uma complicação potencial de qualquer condição associada com ativação disseminada de trombina. rins e baço. A maioria surge de trombos murais intracardíacos. mas nas extremidades ascendentes e descendentes podem propagar-se produzindo cabeças ou caudas frouxamente fixadas que podem fragmentar-se e embolizar.

Os pacientes apresentam sintomas que se originam 3 dias após a lesão: taquipnéia. O choque pode ser agrupado em cinco grandes categorias: choque cardiogênico. A causa de base é a infusão de líquido amniótico ou tecido fetal na circulação materna via um rasgo nas membranas placentárias ou ruptura das veias uterinas. • Embolia do líquido amniótico: é uma complicação grave e incomum. como por exemplo. compressão das veias de paredes delgadas. torção de uma víscera móvel. cianose e choque hipotensivo. Raramente é causado por obstrução da drenagem venosa. TIPOS DE CHOQUE • Choque cardiogênico: resulta da falência da bomba miocárdica. os êmbolos arteriais podem viajar para uma ampla variedade de locais. sintomas neurológicos. anafilático. depuração inadequada de metabólitos e um desvio hipóxico proveniente do metabolismo aeróbico para anaeróbico. no cenário do trauma de tecido mole e queimaduras. Placas ateromatosas podem ainda formar êmbolos migratórios. As causas do choque estão relacionadas a uma queda do volume sanguíneo circulante efetivo por conta de uma propulsão cardiopulmonar inadequada (problemas em nível do pulmão e coração) ou uma grande vasodilatação periférica (o que pode fazer com que os órgãos não sejam bem perfundidos). A síndrome embólica gordurosa é caracterizada por insuficiência pulmonar.  Padrão anatômico do suprimento vascular (Ex: o polígono de Willis diminui a probabilidade de infartos)  Velocidade do desenvolvimento de oclusão. e também sépticos ou moles. ovários e testículos. Isso pode ser causado por dano miocárdico intrínseco (infarto). O início é caracterizado por dispnéia abrupta grave. CHOQUE O choque (colapso vascular) consiste em um sério distúrbio hemodinâmico e metabólico devido a uma hipoperfusão disseminada das células e tecidos devido ao volume sanguíneo circulante inadequado. arritmias ventriculares. às vezes resultando em acidose láctica. Os fatores que modificam o resultado incluem:  Estado geral do sangue e do sistema cardiovascular (anemia e ICC aumentam a probabilidade). sendo removidos da circulação.  Vulnerabilidade do tecido à isquemia: os neurônios e as células miocárdicas e epiteliais dos túbulos proximais dos rins são especialmente sensíveis à isquemia (hipóxia). etc. hipovolêmico.1 ventricular esquerda e outro quatro com átrios esquerdos dilatados e fibrilantes. podem apresentar ainda trombocitopenia devido à adesão plaquetária a miríades de glóbulos gordurosos. Os infartos são classificados como hemorrágicos ou anêmicos. As obstruções vasculares apresentam as seguintes características:  Na maioria dos casos têm origem trombótica ou embólica.  Os infartos brancos ou pálidos ocorrem nos órgãos sólidos com artérias terminais. neurogênico e séptico.  Raramente são provocados por tumores expansíveis. em geral em órgão sem canais de desvio. Nem todas as oclusões vasculares levam a infarto.  Os infartos hemorrágicos ocorrem com oclusão venosa e nos tecidos que são frouxos ou que apresentam circulação dupla ou anastomótica. compressão extrínseca (tamponamento cardíaco). Os mergulhadores e os praticantes de pesca submarina. INFARTO Um infarto é uma área de necrose isquêmica causada pela oclusão do suprimento arterial ou da drenagem venosa num tecido particular. Uma forma particular de embolia gasosa. denominada doença de descompressão. obstrução ao 7 . a anemia pode resultar como consequência da agregação plaquetária. raramente. Este fato gera uma incapacidade do sistema circulatório de manter aporte sanguíneo adequado a microcirculação devido à diminuição da perfusão de nutrientes aos órgãos vitais. Ao contrário dos êmbolos venosos que tendem a alojar-se principalmente num leito vascular (o pulmão).Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. As bolhas (geralmente de Nitrogênio ou gás Hélio) agem como obstruções físicas e podem coalescer-se para formar massas espumosas suficientemente grandes para ocluir os grandes vasos. espasmo. aprisionamento de uma víscera em um saco herniário. • Embolia gasosa: as bolhas gasosas dentro da circulação podem obstruir o fluxo vascular quase tão prontamente como as massas trombóticas. anemia e trombocitopenia. dispnéia e taquicardia. os trabalhadores de construções subaquáticas e indivíduos em aeronaves despressurizadas em rápida ascensão estão todos sob risco. seguido de convulsões e coma. • Embolia gordurosa: glóbulos microscópicos podem ser encontrados na circulação após fraturas de ossos longos (que tem medula óssea amarela) ou. ocorre quando os indivíduos são expostos a mudanças bruscas na pressão atmosférica.

portanto:  Vasodilatação sistêmica (hipotensão)  Contratilidade miocárdica diminuída  Lesão e ativação endotelial. une-se a uma proteína circulante e torna-se capaz de se ligar a um receptor de superfície celular dos monócitos e macrófagos (CD14). formação excessiva de urina. as extremidades e órgãos periféricos não vão ser bem perfundidos (principalmente os pulmões e o fígado). Os sintomas respiratórios ocorrem devido a espasmos da musculatura bronquial e edema das mucosas brônquicas e glótica. lesões endoteliais e ativação da via extrínseca da coagulação). • Choque neurogênico: é decorrente do comprometimento do controle neural do tônus vasomotor provocando vasodilatação generalizada. miocardites. Este induz a produção de proteínas coagulantes. tamponamento cardíaco e mixoma atrial) pode causar uma dificuldade de expulsão do sangue do coração em direção aos demais órgãos.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. que passam a liberar mediadores químicos como a histamina.1 fluxo externo (embolia pulmonar). o que culmina em um hipotensão grave e falência da circulação periférica. A maioria dos casos (70%) é provocada por bacilos gram-negativos produtores de endotoxinas (daí o termo choque endotóxico). aumento da expressão das moléculas de adesão para neutrófilos pelas células endoteliais (o que gera focos inflamatórios). o que gera a CID (devido a uma maior expressão de proteínas de coagulação. Os resultados clínicos da liberação destes mediadores são:  Tríade de hipotensão (devido à liberação de óxido nítrico). perda líquida por queimaduras graves. • Choque hipovolêmico: é um fenômeno secundário à perda do volume sanguíneo ou plasmático. É comum também o desenvolvimento de prurido generalizado devido à ação irritativa da histamina sobre as terminações nervosas. caracterizando o estado de choque.  Hipotensão devido à vasodilatação sistêmica com queda da pressão arterial  Redução da contratilidade miocárdica devido à diminuição da pressão de perfusão com lesão das células miocárdicas e consequente diminuição do débito e perfusão tissular. Esta LPS. óxido nítrico (hipotensão). transpiração excessiva. Indivíduos previamente sensibilizados com anticorpos do tipo IgE.  Lesões endoteliais devido à ação danosa do TNF (que induz à apoptose) o que também favorece à trombose. picadas de insetos. culminando em coagulação intravascular disseminada (ver OBS³). 8 . As endotoxinas são lipopolissacarídios (LPSs) da parede bacteriana que são liberados quando as paredes celulares são degradadas como ocorre durante uma resposta inflamatória. Estes mediadores desencadeiam então uma vasodilatação sistêmica. apresentam a formação de complexos antígeno-anticorpos. Isso pode ser causado por hemorragia. O choque séptico é consequência da resposta do sistema imunológico do hospedeiro à agentes infecciosos. fator quimioático para neutrófilos. etc. rupturas ventriculares. causando adesão leucocitária e dano capilar alveolar pulmonar  Ativação do sistema de coagulação. Em suma. Esta reação desencadeia a liberação de uma grande variedade de citocinas como a IL-1 e o TNF que geram e propagam o estado patológico. Todos estes fatores causam. etc. Deste modo. ao manter um novo contato com aquele mesmo antígeno que o sensibilizara previamente.  Lesão endotelial pode ocorrer devido a ativação dos neutrófilos antes deles saírem dos vasos o que associado a uma maior aderência endotelial pode resultar em lesão difusa dos capilares alveolares (síndrome da angústia respiratória do adulto por edema pulmonar). podendo ocorrer falta da gliconeogênese com insuficiência na capacidade de manter os níveis normais de glicose.  O fígado também é suscetível a lesão pelos neutrófilos. ao cair na corrente sanguínea. qualquer afecção que previna o enchimento cardíaco direito ou esquerdo (embolia pulmonar. vômitos. trauma. • Choque anafilático: decorre de uma reação de hipersensibilidade do tipo 1 a injeção de drogas ou soros. a heparina. aumento da permeabilidade vascular e edema generalizado.  A ativação do sistema de coagulação. • Choque séptico: é a causa mais comum de morte na UTI. Muitos órgãos passam a apresentar inflamações e trombose intravascular. diarréria. Estes complexos se aderem à membrana plasmática dos mastócitos. ingestão de alimentos. É causada por lesão aguda do cérebro ou da medula espinhal e por acidente anestésico. efeito tóxico direto sobre o endotélio e a ativação da via extrínseca da coagulação (com a tendência de formação de tromboembolismos). coagulação intravascular disseminada (devido à ativação de proteínas coagulantes por TNF) e distúrbios metabólicos (por diminuição da perfusão). podendo ocorrer falência de múltiplos órgãos.

a piora clínica quase que inevitalmente culmina em morte. O efeito final é taquicardia. que se estabelece após o corpo ter causado a si próprio lesão celular e tecidual tão grave que mesmo se os defeitos hemodinâmicos fossem corrigidos. A acidose láctica metabólica diminui o pH tecidual e torna menos intensa a resposta vasomotora. apesar das medidas médicas heróicas. Neste ponto. o paciente tem uma interrupção renal completa devido à necrose tubular aguda e. liberação hormonal diurética e estimulação simpática generalizada. liberação de catecolaminas. leva à morte. a respiração aeróbia intracelular é substituída pela glicólise anaeróbia com produção excessiva de ácido láctico. se não corrigida. com agravamento adicional do estado do choque. incluindo acidose.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. ativação do eixo renina-angiotensina-aldosterona.  Um estágio progressivo. Uma variedade de mecanismos neuro-humorias ajuda a manter o débito cardíaco e a pressão sanguínea nesta fase: reflexos barorreceptores.1 ESTÁGIOS DO CHOQUE O choque é uma disfunção que. 9 . a sobrevivência não seria possível. A lesão celular disseminada é refletida na fuga enzimática lisossomal. A menos que o insulto seja maciço e rapidamente letal. as arteríolas dilatam-se e o sangue começa a acumular-se na microcirculação. vasoconstricção periférica e conservação renal de líquido. caracterizado por hipoperfusão tecidual e início da piora circulatória e desequilíbrios metabólicos. o choque tende a desenvolver-se através de três fases gerais:  Uma fase não-progressiva inicial durante a qual os mecanismos compensatórios reflexos são ativados e a perfusão dos órgãos vitais é mantida.  Um estágio irreversível. Este acúmulo expõe as células endoteliais ao desenvolvimento de lesão anóxica com CID subsequente. Neste cenário de hipóxia.

onde são engolidos ou depurados. TRANSMISSÃO E DISSEMINAÇÃO DOS MICRÓBIOS Por muitas vezes. ligam um microrganismo específico a uma patologia específica e suas manifestações clínicas. (2) podem liberar toxinas que destroem as células à 1 . inicialmente. Os postulados de Koch. Os agentes infecciosos. onde a maior parte das crianças morre por infecções respiratórias e diarréias provocadas por vírus e bactérias comuns. • Trato respiratório: as principais barreiras são os envoltórios mucociliares nas vias aéreas superiores e macrófagos e neutrófilos dentro dos alvéolos. sangue ou nervos. PATOLOGIA DOENÇAS INFECCIOSAS (Professor Raimundo Sales) As doenças infecciosas matam mais de 10 milhões de pessoas por ano nos países em desenvolvimento. lesionam diretamente os tecidos ao penetrar nas células. o plano tecidual de menor resistência e a anatomia linfática regional e vascular. em contraste com causa física (por exemplo: queimadura ou intoxicação química). Alguns microrganismos proliferam-se no local da infecção. assim como esse capítulo. para causar doenças. os microrganismos podem ser transportados livremente ou dentro de células hospedeiras. • Trato gastrointestinal (TGI): a maioria dos patógenos gastrointestinais são transmitidos pela alimentação ou por bebidas contaminadas com material fecal. as enzimas pancreáticas líticas e dos detergentes biliares. além da competição com as bactérias comensais. transmissão sexual.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. O fluxo (do jato urinário) através do trato urinário várias vezes ao dia e a acidez secundária à hiperinfecção com lactobacilos são meios de prevenção a infecções. Os micróbios também induzem respostas celulares que provocam lesão tecidual adicional. cicatrização e reações de hipersensibilidade. Em medicina. que são barreiras da defesa imunológica inata. Os agentes infecciosos estabelecem a infecção e lesionam os tecidos de três maneiras: (1) eles podem contatar ou entrar nas células hospedeiras e causar diretamente a morte da célula. Estes apresentam propriedades quimiotáxicas que fazem com que os agentes patogênicos tenham afinidade pelo seu sítio de ação. uma doença infecciosa ou doença transmissível é qualquer doença causada por um agente biológico (por exemplo: vírus. A propagação microbiana segue. As manifestações de doença infecciosa podem surgir em locais distantes daqueles em que os micróbios entram. As principais barreiras deste sistema são: acidez gástrica. No sangue. Arlindo Ugulino. As principais barreiras biológicas são: • Pele: o ressecamento constante e a descamação do epitélio queratinizado impermeável serve como barreira. • Trato urogenital: o trato urogenital é quase sempre invadido do exterior via uretra. Em geral. liberam toxinas ou comprometem os vasos sanguíneos. gastrointestinal ou genitourinário ocorrem em pessoas saudáveis e são causadas por microrganismos relativamente virulentos que são capazes de lesionar ou penetrar barreiras epiteliais intactas. a via de entrada pra microrganismos é a própria superfície epitelial ou mucosas.1 FAMENE NETTO. O dano à defesa mucociliar resulta de ataques repetidos por tabagistas e pacientes com fibrose cística. picadas de insetos ou animais. enquanto a lesão aguda ocorre em pacientes intubados e naqueles que aspiram acido gástrico. ingestão. as infecções dos tratos respiratório. Os microrganismos são contidos pelo muco secretado pelas células caliciformes e são transportados então pela ação ciliar de volta à garganta. ainda que outros penetrem na barreira epitelial e se propaguem em outros locais via vasos linfáticos. os anticorpos IgA secretados e a competição com as bactérias comensais no colo. bactéria ou parasita). camada mucosa viscosa que reveste o intestino. Os micróbios podem entrar no hospedeiro por inalação. incluindo supuração.

CATEGORIAS DE AGENTES INFECCIOSOS VÍRUS  Constituem organismos intracelulares obrigatórios. invadir células e tecidos. geram infecções sistêmicas caracterizadas por necrose tecidual. o organismo oportunista Pneumocystis carinii provoca uma pneumonia letal.  Crescem no meio extracelular (Ex: Pneumococcus) ou intracelular (Ex: Mycobacterium tuberculosis) CLAMÍDIA. em indivíduos imunocomprometidos. • Mecanismos da lesão bacteriana: o dano bacteriano aos tecidos do hospedeiro depende da habilidade da bactéria em se aderir às células hospedeiras. incluindo: receptores da célula hospedeira aos vírus.  Contém DNA ou RNA dentro de um capsídeo ou revestimento protéico ou esférico. Os vírus possuem proteínas específicas na superfície celular que se ligam às proteínas particulares da 2 . contendo duas camadas duplas de fosfolipídios (espécies Gram-negativas) ou uma única dupla camada (bactérias Gram-positivas). uma membrana plasmática flexível e organelas citoplasmáticas complexas  O Trichomonas vaginalis é transmitido por via sexual. (3) podem induzir as respostas celulares do hospedeiro que.  As clamídias provocam infecções geniturinárias. carrapatos e ácaros.  Podem produzir em indivíduos saudáveis infecções superficiais. FUNGOS  Apresentam paredes celulares espessas.  São as principais causas de doença infecciosa severa.1 distância ou danificar vasos sanguíneos. barreiras anatômicas. Os vírus matam as células do hospedeiro por inibir o DNA. o qual pode ser circundando por uma dupla camada lipídica (envelope). As bactérias podem se reproduzir dentro dos fagolisossomas ou do citosol. por lesionar a membrana plasmática.  Em pacientes com AIDS. • Mecanismo da lesão viral: os vírus podem danificar diretamente as células hospedeiras entrando nelas e replicando-se à custa do hospedeiro. e liberar toxinas. temperatura local. causando morte isquêmica. HELMINTOS  São organismos multicelulares altamente diferenciados com ciclos de vida complexos  Provocam doença em proporção ao número dos organismos infectantes ECTOPARASITAS  São artrópodes (Ex: piolho e carrapatos) que se fixam e vivem sobre a pele e podem ser vetores para outros patógenos. o RNA ou a síntese protéica da célula-hospedeira.  Causa doença aguda (Ex: resfriados. contento ergosterol. gripes). porém carecem de certas estruturas (uma parede celular-micoplasma) ou capacidades metabólicas. e crescem em seres humanos como tubos delgados e brotamento de células leveduriformes. latência por período prolongado e reativação a longo prazo (Ex: herpesvírus) ou doença crônica (Ex: HBV e HIV). toxinas ou resistência ao antibiótico). pH e defesas do hospedeiro. porém apresentam paredes celulares rígidas. causam dano tecidual adicional. mesmo direcionadas contra o invasor. BACTÉRIAS  Carecem de núcleos. A predileção dos vírus em infectar certas células e não outras é denominado tropismo tecidual e é determinada por vários fatores. abcessos ou granulomas. hemorragia e oclusão vascular.  Os microplasmas ligam-se à superfície das células epiteliais e provocam pneumonia atípica ou uretrite não-gonocócica. conjuntivite e infecções respiratórias dos neonatos. inclusive piolhos. os vírus necessitam ser reconhecidos por receptores das células hospedeiras. PROTOZOÁRIOS  São células únicas com um núcleo. fatores de transcrição celular que reconhecem o intensificador viral. RICKETISA E MICOPLASMA  São similares às bactérias.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. BACTERIÓFAGOS E PLASMÍDEOS São elementos genéticos móveis que codificam fatores de virulência bacteriana (Ex: adesinas. INFECÇÕES VIRAIS Para danificar as células do hospedeiro. As adesinas bacterianas incluem os pêlos filamentosos e hemaglutininas.  As Ricketsias são transmitidas por insetos. que determinam quais células do hospedeiro serão atacadas. por lisar as células e por induzir uma resposta imunológica do hospedeiro às células infectadas pelo vírus.

um herpesvírus do grupo-β. mais importante. em que os macrófagos podem atacar as células infectadas por vírus. desenvolvendo a doença da inclusão citomegálica (DIC). O que aparece é a visualização de inclusões mal definidas citoplasmáticas e nucleares. Uma vez que os vírus estejam dentro das células hospedeiras. A manifestação clínica mais comum da infecção pelo CMV em hospedeiros imunocompetentes além do período neonatal é uma doença infecciosa do tipo mononucleose. O sistema nervoso central é geralmente poupado. circundados por um envelope. porém são geneticamente similares e causam um conjunto similar de infecções primárias e recorrentes. linfadenopatia. os quais são neurotrópicos e provocam o herpes simples (HSV-1). a partir dos gânglios regionais.  Destruição viral de um tipo de célula que pode causar a morte de outras células que dependem delas. mas sim. Em cortes histológicos.  Podem danificar as células envolvidas na defesa antimicrobiana do hospedeiro. As lesões por herpesvírus mostram grandes inclusões intranucleares portadoras do vírus. o linfócito.  Inibindo a síntese de DNA. linfocitose atípica. róseas ou purpúreas. hepatoesplenomegalia. O CMV disseminado causa necrose focal com inflamação mínica em qualquer órgão. da condição imune deste. em que o vírus é adquirido da mãe com infecção primária (que não tem imunoglobulinas protetoras). 3 . com febre. O citomaglovírus (CMV). os seus efeitos citopáticos na mesma. o herpes genital (HSV-2). utilizar do próprio citoplasma do hospedeiro para replicar sem ser necessário imprimir seu genoma. espalham-se.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. TGI (colite) e retina (retinite). não é possível observar o vírus dentro da célula. deixando a célula com um aspecto de olho de coruja devido a formação de uma grande esfera basofílica circundada por um halo claro. VÍRUS DO HERPES SIMPLES O HSV-1 (acomete o hemicorpo superior) e o HSV-2 (acomete principalmente o hemicorpo inferior) difere sorologicamente. RNA ou de proteínas da célula hospedeira.  Induzir a ativação do sistema imune. sendo caracterizado pela formação de vesículas nas membranas da mucosa genital. geralmente encontrada em crianças. Estas células passam a apresentar proteínas (via MHC de classe I) que foram sintetizadas pelo genoma viral. Entretanto. INFECÇÕES POR CITOMEGALOVÍRUS São infecções latentes crônicas (infecções por herpesvírus) de grande importância clínica. o endotélio. com duplo filamento de DNA. mas sim.  Alguns vírus podem causar a proliferação e transformação celulares resultando em cânceres.  Manipular e induzir a morte programada das células (apoptose). que permanecem latentes nos neurônios. e hepatomegalia acompanhada por resultados de testes anormais da função hepática. pode produzir uma grande variedade de doenças. gerando infecções secundárias. com a produção de sincícios multinucleados. imprimir seu genoma e tomar o controle da maquinaria genética de uma célula. A gengivoestomatite. um infiltrado mononuclear intersticial com focos de necrose se desenvolve acompanhado por células aumentadas típicas com inclusões. ser profundamente doentes e manifestar icterícia. Nas infecções primárias. cegueira corneal e encefalite (raramente). anemia e encefalite. São vírus grandes. os vírus podem.  Danificar diretamente a integridade da membrana plasmática da célula hospedeira. Vale ressaltar que a primeira célula que chega a um foco de infecção viral não é o neutrófilo. A DIC se parece com eritroblastose fetal. os pneumócitos e células do TGI. o HSV-1 e HSV-2 replicam-se e provocam lesões vesiculares na epiderme da pele e das mucosas. cercadas por um infiltrado inflamatório. é causada pelo HSV-1. os herpesvírus. ou seja. por meio de uma transcriptase reversa. Na infecção pulmonar. eles podem destruí-las ou causar dano tecidual de várias maneiras:  Realizar uma fase epissomal. Os lactantes afetados podem sofrer retardo do crescimento intra-uterino. Pode ocorrer infecções congênitas. os quais são diagnosticados em esfregaços do líquido oriundo de vesículas intraepiteliais (preparações de Tzanck). O herpes genital é causado geralmente pelo HSV-2. bem como na genitália externa que são rapidamente convertidas em ulcerações superficiais. para pele e membranas mucosas. Em indivíduos imunocomprometidos (pacientes beneficiários de transplantes de órgãos sólidos ou de medula óssea e pacientes com AIDS) apresentam uma séria disseminação do CMV.1 superfície da célula hospedeira (Ex: a proteína gp120 do HIV liga-se ao CD4 nas células T). Pode atingir o epitélio. pondo em risco a sua vida por afetar principalmente os pulmões (pneumonite). mas causa infecções sistêmicas devastadoras em neonatos e pacientes imunocomprometidos. Nas infecções secundárias. Trata-se de uma erupção vesicular que se estende da língua à retrofaringe e causa linfadenopatia cervical. dependendo da idade do hospedeiro e.  Causar a lise das células hospedeiras como faz o vírus influenza com as células epiteliais respiratórias e o vírus da poliomielite e da raiva com os neurônios. O principal envelope glicoprotéico do CMV liga-se ao receptor de crescimento epidérmico do hospedeiro e passa a causar uma infecção do tipo mononuclear ou assintomática em indivíduos saudáveis.

denso. No intestino infecta os enterócitos da mucosa onde se multiplica. é uma causa significante de doença hepática aguda e crônica em todo o mundo. uma vez que o vírus não se encontra nas secreções naturais do corpo. por se tratar de uma doença benigna. Isso acontece porque o HDV necessita de um antígeno de superfície gerado por infecções do HBV. A transmissão pode se dar por via parenteral (agulhas infectadas e transfusão sanguíena). É transmitido. um vírus de DNA.1 VÍRUS VARICELA-ZOSTER Duas condições (varicela e herpes-zóster) são causadas pelo vírus varicela-zóster (VVZ). VÍRUS DA HEPATITE B O vírus da hepatite B (HBV). alguma diarréia que se mantém durante cerca de um mês. No sangue. Varicela e herpes-zoster nada mais são que manifestações clínicas diferentes de uma mesma doença. Em 0. Gênero: Hepatovírus). o agente etiológico da “hepatite sérica”. cirrose ou hepatocarcinoma (cancro do fígado). e depois infecta principalmente as células para as quais mostra a preferência. contraiu o vírus D. particularmente crianças. perinatal (transmissão vertical. É uma doença infecciosa frequentemente crónica causada pelo vírus da Hepatite B (HBV  Família: Hepadnaviridae. descama e cura-se por regeneração. que geralmente forma portadores assintomáticos) e sexual. desenvolve-se coinfecção. reativação do VVZ causa herpes-zóster.9% dos casos segue-se a recuperação e cura sem problemas. No exame histológico. A hepatite B pode. portadora assintomática do vírus B. uma fase crônica. sem cursar para uma fase de portador. sendo expelidos nas fezes. O período de incubação dura cerca de um mês (2 a 4 semanas). o HVA pode gerar uma hepatite fulminante por insuficiência hepática aguda. náuseas. geralmente de curso benigno. O enxantema da varíola ocorre aproximadamente duas semanas após a infecção respiratória. Em 99. O vírus é muito resistente a condições externas adversas (sobrevivendo em temperaturas relativamente altas. A infecção aguda com VVZ causa varicela (catapora). A transmissão se dá por via oral-fecal. que é tratada com vitamina B1 que é antineurítica) e a infecção pode retornar muitos anos depois causando o herpes-zoster. Como o HSV. por exemplo). garantindo uma imunidade permanente ao indivíduo. VÍRUS DA HEPATITE A A hepatite A é uma doença aguda do fígado causada pelo vírus da Hepatite A (HAV  Familia: Picornaviridae.1% dos casos. Os vírions produzidos são secretados nos canais biliares e daí migra para o duodeno. os hepatócitos do fígado (causando icterícia). Mais da metade dos doentes poderão ser assimtomáticos. Cada lesão avança rapidamente de uma mácula para uma vesícula. que geram quadros mais complexos. não provoca. e pode progredir ainda para uma fase crônica (em uma pequena porcentagem). por meio de alimentos contaminados ou água (do mar ou de piscinas. causando paralisia facial (síndrome de Ramsay Hunt). eu se parece com uma gota de orvalho numa pétala de rosa. O VVZ infecta os neurônios e/ou células satélites em torno dos neurônios no gânglio da raiz nervosa dorsal sensitiva (por isso a razão de tanta dor. Este tropismo é devido à abundância nessas células dos receptores membranares a que o vírus se liga durante a invasão. dor abdominal. se manifestar clinicamente das seguintes maneiras: 4 . ocorre a produção de IgM e IgG anti-HAV. portanto. o como a 60 C por 30min). Surgem geralmente de forma abrupta febre. mas não possui envelope. O vírus da hepatite D é um vírus defeituoso (não tem a capacidade de formar cápsulas e antígenos de superfície) que só ataca células já infectadas pelo HBV piorando o prognóstico dos doentes com hepatite B crônica. Os sintomas são tantos devidos aos danos do vírus como à reação destrutiva para as células infectadas pelo sistema imunitário. há um infiltrado predominantemente mononuclear. com cirrose hepática ou hepatocarcinoma. A superinfecção acontece naqueles casos em que a criança. Quando os dois vírus são contraídos simultaneamente por um mesmo indivíduo. Daí dissemina-se pelo sangue. O herpes-zóster ocorre quando os VVZ que permaneceram por um longo período em latência no gânglio da raiz dorsal após uma infecção prévia de varicela são reativados e infectam nervos sensitivos que carregam o vírus para um ou dois dermátomos correspondentes. pele e neurônios e causa uma infecção primária auto-limitada em indivíduos imunocompetentes. a maioria das vesículas da varíola se rompe. Gênero: Orthohepadnavirus).Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. por exemplo. portanto. mais complexo. Ao contrário da HSV. com inclusões herpéticas mononucleares dentro dos neurônios e suas células de sustentação. o VVZ é transmitido de forma epidérmica por aerossóis. Tem capsídeo icosaédrico. o VVZ infecta membranas mucosas. as vesículas da varíola contêm inclusões intranucleares nas células epiteliais como aquelas do HSV-1. passando a apresentar um prognóstico mais reservado e mais grave que a coinfecção. Mais de metade dos doentes desenvolve icterícia. A hepatite A. O vírus da Hepatite A é de RNA unicatenar (simples) positivo (é usado diretamente como mRNA na síntese proteica). está presente nas secreções corpóreas. sendo mais freqüente em crianças e adolescentes. sendo um pouco mais grave. A hepatite B apresenta uma fase aguda (de forma fulminante em 1% dos casos) mas que pode regridir. A recorrência localizada do VVZ é mais frequente e dolorosa nos dermátomos inervados pelo gânglio do trigêmeo. Ocorre dor especialmente forte quando os nervos trigêmio e facial são acometidos. Após poucos dias. Diferentemente do HAV. diferentemente da hepatite B e C. dissemina-se hematogenicamente e causa lesões cutâneas vesiculares disseminadas. com um período de incubação que pode chegar a 6 meses. Nos gânglios sensitivos. deixando cicatrizes.

daí a denominaçãode crup para esta patologia. dores musculares. tumores benignos de células escamosas sobre a pele. HPV18 e HPV31 apresentam uma capacidade carcinogênica elevada. o HPV leva a uma vacuolização perinuclear característica nas células epiteliais (coilocitose) formando o próprio halo claro em torno do núcleo enrugado. Em 85% dos casos. Os restantes tornam-se portadores a longo prazo. O vírus da hepatite C é um RNA-vírus flavivirus. Alguns HPV causam papilomas (verrugas). Estes grupos de lesões elementares da pele produzidas pelo HPV são genericamente chamadas de papilomas. irritação na garganta e secreções nasais. incluindo quase todas as crianças. com a tendência de desenvolver câncer de colo do útero. de penis e de vagina. Desenvolvimento da hepatite D. A sintomatologia clássica da doença engloba febre. dor de cabeça. febre amarela e Nilo ocidental) que não é transmitido por artrópodes. Os subtipos HPV16. portanto. um dos poucos dessa família (que inclui os vírus da dengue.1        Infecção assintomática. A melhor forma de prevenção reside no combate ao uso de drogas endovenosas. Infecção aguda que pode regredir totalmente. neoplasias benignas. causando necrose celular e irritação. Ele é capaz de sobreviver em temperaturas de 100 C por 2 minutos. infecciosos. fazendo com que a tosse da criança se assemelhe a um latido. carcinoma de células escamosas do cérvix. desenvolver uma hepatite aguda fulminante. O vírus influenza é o agente etiológico da gripe. acontece quando a via de transmissão foi vertical). PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV) Os vírus do papiloma humano (HPV) são vírus de DNA não-envelopados membros da família papovavírus. Em resumo. os subtipos HPV1. as mucosas acometidas por HPV apresentam células claras características com núcleos enrrugados semelhantes à uvapassa. binucleações. sendo encontradas. Hepatite crônica sem evolução. tosse. 1 OBS : O Haemophilus influenzaa é uma bactéria resistente a penicilina casadora de meningite em crianças. o causador da gripe. e a sua alta tendência para a cronicidade que complica eventualmente em cirrose hepática mortal. enquanto outros tipos de HPV estão associados a verrugas que podem evoluir para malignidades. 40% progridem rapidamente para cirrose e morte. a hepatite inicial pode ser assintomática ou leve. enquanto que o para-influenza causa a laringotraqueobronquite. VÍRUS INFLUENZA E PARA-INFLUENZA São vírus que acometem o trato respiratório. A incidência de hepatite C pôde ser reduzida pelo rastreamento adequado de doadores de sangue nas últimas décadas. Estado de portador assintomático (geralmente. particularmente. devido à inexistência de vacina e limitações do tratamento. Hepatite crônica com evolução para cirrose ou para hepatocarcinoma. A transmissão deste vírus é feita por via o parentérica (por transfusão sanguínea). O cancro do fígado surge em mais 5% após 30 anos. Os vírus se multiplicam no epitélio ciliado das vias respiratórias superiores e inferiores. Há evidências de que o tratamento da hepatite C reduz o risco de surgimento do hepatocarcinoma. Raramente. apenas 5% dos novos casos são adquiridos dessa forma. Gênero: Hepacivirus). Esta afecção é caracterizada por um edema na traquéia que causa uma estenose na mesma. HPV2 e HPV4 produzem verrugas vulgares. O sistema imunitário não responde eficazmente ao vírus. É uma das causas mais frequêntes de cirrose hepática de etiologia desconhecida. 5 . Em cortes histológicos. e outros 35% após 20 anos. A hepatite C pode ser considerada a mais temida e perigosa de todas as hepatites virais. geralmente. VÍRUS DA HEPATITE C A hepatite C é uma doença viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV  Família: Flaviviridae. Nas camadas espinhosas superiores do epitélio.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. e o resultado é cronicidade em 80% dos casos. 25% progridem lentamente com cirrose e morte ao fim de 10 anos. Destes. determinados subtipos produzem condilomas aculminados genitais e perineais. Hoje. Estas lesões consistem de alterações citoarquiteturais compatíveis com lesão HPV induzida. O vírus influenza é.

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VÍRUS EPSTEIN-BARR
O EBV causa mononucleose infecciosa, uma disfunção linfoproliferativa autolimitada, benigna, associada ao
desenvolvimento de leucopatia pilosa e um número de neoplasma, especialmente a maioria de certos linfomas e
carcinomas nasofaríngeo.
O EBV é transmitido por contato humano íntimo, frequentemente por meio da saliva duranta o beijo. A
glicoproteína do envelope do EBV liga-se à CD21 (CR2), receptor do componente C3d do complemento, presente nas
células B. A infecção viral começa nos tecidos linfóides da nasofaringe e orofaringe, particularmente as tonsilas. Devido
a sua capacidade de infectar células epiteliais, pode alcançar os tecidos linfóides da submucosa.
Os sintomas da mononucleose infecciosa (febre, linfadenopatia generalizada, esplenomegalia, dor de garganta
e presença de linfócitos T ativados atípicos no sangue) aparecem sob a iniciação da resposta imune do hospedeiro. A
imunidade celular mediada pelas células T citotóxica CD8+ e células NK (natural killers) é o componente mais
importante desta resposta.

INFECÇÕES BACTERIANAS
O dano bacteriano aos tecidos do hospedeiro (virulência bacteriana) depende da habilidade da bactéria em se
aderir às células hospedeiras, invadir células e tecidos, ou liberar toxinas.
As adesinas bacterianas são moléculas de superfície que se ligam às células hospedeiras. Diferentemente dos
vírus que infectam uma grande variedade de células hospedeiras, as bactérias intracelulares facultativas infectam tanto
as células epiteliais, macrófagos ou ambos. Para tal invasão intracelular, as bactérias fazem uso de um grande número
de mecanismos.
Qualquer substância bacteriana que contribui para uma doença pode ser considerada uma toxina. As toxinas
são classificadas como endotoxinas, que são componentes da célula bacteriana, e exotoxinas, que são proteínas
secretadas pela bactéria.
Deve-se lembrar que o achado patológico causado por bactérias piogênicas é um processo inflamatório agudo
com exsudato purulento.
INFECÇÕES ESTAFILOCÓCICAS
Os organismos Staphylococcus aureus são piogênicos, imóveis, cocos Gram-positivos que formam
agrupamentos em cachos de uva. Essas bactérias causam uma grande série de lesões cutâneas (bolhas, cabúnculos,
impetigo, tersol, furúnculo, síndrome da pele escaldada) e também causam osteomielites, síndrome do choque tóxico,
tampões, pneumonias, endocardite e envenenamento alimentar. O S. epidermidis, relacionada ao S. aureus, causa
infecções oportunistas em pacientes cateterizados, pacientes com valvas cardíacas protéticas e viciados em drogas. O
S. saprophyticus é uma causa comum de infecções do trato urinário em mulheres jovens.
O S. aureus e outros virulentos possuem uma variedade de fatores de virulência: proteínas de superfície celular
envolvidas na aderência, enzimas secretadas que degradam proteínas, toxinas, etc. Os Staphylococcus são
distinguidos por seu grande número de plasmídeos, que decodificam as proteínas envolvidas na resistência antibiótica
e outros fatores de virulência.
A lipase do S. aureus degrada os lipídios sobre a superfície da pele, e sua expressão está correlacionada à
habilidade da bactéria em produzir abscessos cutâneos. As toxinas esfoliativas também produzidas pelo S. aureus são
proteases serinas que dividem a pele pela clivagem da proteína desmogleína 1, que é parte dos desmossomos que
sustentam as células epidérmicas estritamente juntas. A esfoliação pode ocorrer no local da infecção cutânea
estafilocócica (impetigo bolhoso) ou ser disseminada (síndrome estafilocócica da pele escaldada). Os superantígenos
produzidos pelo S. aureus causam envenenamento alimentar e, de mais interesse, a síndrome do choque tóxico
(hipotensão, insuficiência renal, coagulopatia, doença hepática, desconforto respiratório, enxantema eritematoso
generalizado e necrose de tecido mole no local da infecção).
Se a lesão estiver localizada na pele, nos pulmões, nos ossos ou nas valvas cardíacas, o S. aureus causa
inflamação piogênica distinta para a sua destruição local. Um furúnculo é uma inflamação supurativa focal da pele e de
tecido subcutâneo, tanto isolada como múltipla ou recorrente nas manifestações sucessivas. Um carbúnculo está
associado à supuração profunda que se propaga lateralmente sob a fáscia subcutânea profunda e então se esconde
superficialmente, para sair por erupção em seios cutâneos múltiplos adjacentes.
A síndrome estafilocócica da pele escaldada (doença de Ritter) é causada pela liberação de citotoxinas
esfoliativas A e B. Trata-se de uma dermatite esfoliativa, semelhante a uma queimadura solar, que se propaga sobre
todo o corpo e forma bolhas frágeis, que levam à perda parcial de toda a pele.
INFECÇÕES ESTREPTOCÓCICAS
Os estreptococos são cocos Gram-positivos obrigatoriamente anaeróbios ou anaeróbios facultativos que
crescem em pares ou cadeias e causam uma miríade de infecções supurativas da pele (erisipela, impetigo bolhoso,
escarlatina), da orofaringe, dos pulmões e das valvas cardíacas, amigdalites, síndromes pós-estreptocócicas, incluindo
febre reumática, glomerulonefrite por imunocomplexo e eritema nodoso. As doenças estreptocócicas conhecidas como

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não-supurativas são: doença reumática e glomerulonefrites. Os Streptococcus pyogenes causam faringite, escarlatina,
erisipelas, impetigo, febre reumática, síndrome do choque tóxico e glomerulonefrite.
As diferentes espécies de Streptococcus produzem muitos fatores de virulência e toxinas. Muitos deles,
incluindo o S. pyogenes e S. pneumoniae, têm cápsulas que resistem à fagocitose.
As infecções estreptocócicas são caracterizadas por infiltrados neutrofílicos intersticiais difusos com destruição
mínima dos tecidos do hospedeiro. As lesões cutâneas causadas por estreptococos (furúnculos, carbúnculos e
impetigo) lembram aquelas dos estafilococos.
As erisipelas são muito comuns em pessoas de meia-idade, sendo caracterizada pela rápida propagação da
tumefação cutânea eritematosa, que pode iniciar na face ou, menos frequentemente, no tronco ou nas extremidades. O
exantema tem uma margem serpiginosa, bem dermacada e nítida, lembrando asas de borboleta. A infiltração
leucocitária é mais intensa em torno dos vasos e dos anexos da pele.
OBS²: As lesões estreptocócicas podem ser purulentas (escarlatina, erisipela, impetigo bolhoso, amigdalite, etc) e nãopurulentas (doença reumática, glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica, cardiopatias por doenças valvares, etc). As
bactérias que causam as lesões purulentas, por apresentarem semelhanças a alguns antígenos do organismo, podem
causar reação cruzada que culmina na forma não-purulenta dessas doenças.
DIFTERIA
A difteria é causada por um bastonete Gram-positivo delgado com extremidades baqueteadas, o
Corynebacterium diphtheriae, que é transmitido de pessoa a pessoa através de aerossóis ou dispersos na pele. A
apresentação da doença pode ser assintomática ou desenvolver uma variedade de sinais e sintomas: lesões cutâneas,
síndromes que inclue a formação de uma membrana faríngea rígida e lesão mediada por toxinas ao coração.
A liberação de endotoxinas causa necrose do epitélio acompanhada por um derrame de um denso exsudato
fibrinossupurativo. A coagulação do exsudato na superfície necrótica ulcerada cria uma membrana superficial de
coloração acinzentada e preta. A infiltração neutrófila nos tecidos subjacentes é intensa e é acompanhada por
congestão vascular marcada, edema intersticial e exsudação de fibrina. Quando a membrana se separa do leito da
nasofaringe, da orofaringe, da laringe ou da traquéia, pode ocorrer sangramento e asfixia. Importante são as lesões
cardíacas que as toxinas liberadas pelo agente etiológico causam.
ANTRAZ
O Bacillus anthracis é uma bactéria grande, em forma de bastonete, cujos esporos podem ser moídos a um pó
fino, tornando uma arma biológica potente. Existem três principais síndromes de antraz: cutâneo (pápula prurítica que
evolui gradativamente a vesícula, culminando úlcera coberta com uma escara), inalatório (tosse, febre, dor torácica e
mediastinite hemorragia) e gastrointestinal (diarréia e morte).
As lesões por antraz em qualquer local são caracterizadas por necrose e inflamação exsudativa com infiltração
de neutrófilos e macrófagos. A presença de bactérias extracelulares Gram-positivas de formação sequencial em cadeia
devem sugerir o diagnóstico.
COQUELUCHE
A coqueluche, causada pelo cocobacilo Gram-positivo Bordetella pertussis, trata-se de uma doença altamente
comunicável e aguda, caracterizada por paroximos de tosse violenta acompanhada por um estridor inspiratório alto. A
B. pertussis coloniza a borda ciliada do epitélio brônquico e invade os macrófagos, causando, assim,
laringotraqueobronquites que, em casos graves, evoluem em erosões da mucosa brônquica, hiperemia e exsudato
mucopurulento abundante. Os sintomas revelam tosses paroxísticas seguindas de dispnéia, com inspiração profunda e
angustiada.
OBS³: A vacina tríplice viral combate o tétano, a difteria e a coqueluche, sendo de grande importância por diminuir
notoriamente a prevalência de tais patologias.
CANCRÓIDE (CANCRO MOLE)
O cancróide é uma infecção ulcerativa aguda, transmitida sexualmente e causada pelo Haemophilus ducreyi.
O cancro mole, diferentemente da sífilis, desenvolve lesões de aspecto amolecido, disseminadas, mais escavadas e
dolorosas.
Após 4 a 7 dias da inoculação, o paciente desenvolve uma pápula eritematosa macia envolvendo a genitália
externa. Com o passar de vários dias, a superfície da lesão primária se deteriora para produzir uma úlcera irregular. Ao
contrário do cancro primário da sífilis, a úlcera do cancróide não é endurecida e podem estar presentes lesões
múltiplas. Em casos não tratados, os nódulos inflamados e aumentados podem deteriorar a pele sobrejacente para
produzir úlceras crônicas drenantes.

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SÍFILIS (CANCRO DURO)
A sífilis é uma doença infecciosa causada pelo micoplasma Treponema pallidum, uma espiroqueta
microaerofílica. O intercurso sexual da sífilis é o modo comum de propagação. A transmissão placentária do T.
Pallidum ocorre prontamente, e a doença ativa durante a gestação resulta em sífilis congênita. A sífilis gera lesões
únicas e isoladas, indolores e que podem regredir, sendo denominadas genericamente de cancro duro, ou sífilis
primária. A sífilis secundária é caracterizada pela presença de lesões com aspecto rosado. A sífilis terciária é um
quadro mais raro e de difícil prognóstico.
• Sífilis primária: ocorre aproximadamente 3 semanas após o contato, caracterizando-se por lesão (cancro) única
firme, insensível, vermelha e localizada no local da invasão do treponema. O cancro é uma pápula
avermelhada, firme e levemente elevada, que deteriora para criar uma úlcera superficial de base limpa. No
exame histológico, os treponemas são visíveis na superfície da úlcera com corantes de prata ou por meio da
imunofluorescência.
• Sífilis secundária: ocorre geralmente 2 a 10 semanas após o cancro primario e se deve à disseminação e
proliferação das espiroquetas dentro da pele e tecidos mucocutâneos. As lesões cutâneas, que ocorrem
frequentemente nas palmas das mãos ou nas solas dos pés, podem ser maculopalmares, escamosas ou
pustulares.
• Sífilis terciária: é raro, porém ele ocorre em um terço dos pacientes sem tratamento. Apresenta três
maifestações principais: sífilis cardiovascular (na forma de aortite sifilítica: dilatação gradativa da raiz e do arco
aórtico, causando insuficiência valvar aórtica e aneurisma da aorta), neurossífilis (tabes dorsalis: destruição
das divisões mediais das raízes posteriores dos nervos espinhais, acometendo fibras que formam os fascículos
gracil e cuneiforme) e sífilis terciária supostamente benigna.
Fortuitamente, o agente etiológico da sífils é sensível à penicilina, sendo facilmente combatido com
benzetacil®. O problema é que apenas um pequeno e seleto grupo da população tem acesso à informação e aos
medicamentos, e neste grupo, a doença é facilmente disseminada não só entre os parceiros, mas a transmissão
vertical (forma congênita) ainda é muito importante.
CLAMÍDIAS
A Chlamydia trachomatis é uma pequena bactéria Gram-negativa que é um parasita obrigatoriamente
intracelular. São bactérias mais rudimentares responsáveis por causar as infecções uretrais mais comuns nos EUA.
Tais bactérias são agentes etiológicos das chamadas linfogranulomas genitais ou venéreos (mais conhecidos
como mula), caracterizados por grandes bulbos (linfoadenomegalias) resultados de uma reação inflamatória causada
pelas clamídias, que entraram previamente por uma lesão e atingiram os linfonodos via circulação linfática. Estes
linfonodos, com o tempo, podem fistulisar e serem destruídos e substituídos por tecido fibrosado (cicatriz). Os vasos
linfáticos que antes chegavam a este linfonodo extravasam, causando um linfedema característico (elefantíase genital).
Os linfogranulomas genitais são mais comuns em mulheres e, em países desenvolvidos, nos homossexuais.
As lesões do linfogranuloma venéreo contêm resposta inflamatória neutrofílica e granolomatosa mistas, com
um número variável de inclusões de clamídias no citoplasma de células epiteliais ou células inflamatórias. O
envolvimento do linfonodo é caracterizado por uma reação inflamatória granulomatosa associada a focos de formas
irregulares de necrose e infiltração neutrofílica. Com o tempo, a reação inflamatória é dominada por infiltrados
inflamatórios inespecíficos crônicos e fibrose extensiva.
INFECÇÕES CLOSTRÍDEAS
O gênero Clostridium alberga bacilos Gram-positivos que crescem em condições anaeróbicas e produzem
esporos que estão presentes no solo. Três tipos de doença são causados pelo Clostridium: 
A gangrena gasosa, causada pelo C. perfrigens. Observa-se um edema marcado e necrose enzimática de
células musculares envolvidas 1 a 3 dias após a lesão. Um exsudato líquido extensivo, que é desprovido de
células inflamatórias, causa tumefação da região afetada e da pele sobrejacente. 
O tétano, causado pelo C. tetani, que libera uma neurotoxina potente, denominada tetanoespasmina, que
causa contrações convulsivas nos músculos esqueléticos; 
O C. botulinum que cresce em alimentos enlatados inadequadamente esterilizados e libera uma neurotoxinas
potente que bloqueia a ação sináptica da acetilcolina e causa uma paralisia grave dos músculos respiratórios e
esqueléticos (botulismo).
TUBERCULOSE
O Mycobacterium tuberculosis, bastonete aeróbio Gram-positivo, é responsável pela maioria dos casos de
tuberculose. Após o HIV, a tuberculose é a principal causa infecciosa de morte no mundo. A infecção com o M.
tuberculosis leva tipicamente ao desenvolvimento de hipersensibilidade retardada aos antígenos do agente etiológico,
que pode ser detectado pelo teste tuberculínico por meio da proteína purificada do M. tuberculosis (PPD). O achado

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Começa quase sempre nos pulmões. CANDIDÍASE Residindo normalmente na pele. como os granulomas caseificados e cavitação. são o resultado da hipersensibilidade que é parte e parcela da resposta imune do hospedeiro. • Tuberculose primária: é a forma da doença que se desenvolve previamente numa pessoa não-exposta e. baço. hemoptise. O C. neoformans está presente no solo e nos excrementos de pássaros (especialmente dos pombos) e infecta pacientes quando inalados. dor pleurítica. referidas com frequência como lesões em alvo. ASPERGILOSE O Aspergillus é um mofo ubiquitinoso que causa alergias (pulmão do cervejeiro) em diferentes pessoas saudáveis e sinusite. especialmente em diabéticas. No centro do foco inflamatório. no trato gastrointestinal e na vagina. os locais de envolvimento ativo são marcados por uma reação inflamatória granulomatosa característica que forma os tubérculos caseificados e não-caseificados. portanto. É responsável por desenvolver uma das doenças conhecidas como micoses profundas. existe. CRIPTOCOCOSE O Cryptococcus neoformans é uma levedura encapsulada que causa meningoencefalite em indivíduos normais. Pode se manifestar na forma pulmonar (localizada no ápice dos lobos superiores de ambos os pulmões) e localizada (pode ser assintomática ou apresentar sintomas sistêmicos: febre de baixo grau.1 patológico aqui. Essas infecções variam de lesões superficiais em pessoas saudáveis para infecções disseminadas em pacientes imunocomprometidos. as adrenais e os ossos. Os neutrófilos e a supuração também podem ocorrer. os fungos induzem uma reação granulomatosa crônica composta de macrófagos. A cápsula de polissacarídeo do C.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Todavia. etc. geralmente. prevenindo a fagocitose dos criptococos por macrófagos alveolares. INFECÇÕES FÚNGICAS As infecções fúngicas são denominadas micoses. Por apresentar vários tipos morfológicos. 9 . grávidas. com difícil prognóstico. necrose caseosa. linfócitos e células gigantes do tipo corpo estranho. • Tuberculose secundária: é um padrão da doença que surge no hospedeiro previamente sensibilizado. etc). os criptococos têm leveduras. bronquiectasias. bem como raras arterites granulomatosas do polígono de Willis. resultando em materiais gelatinosos. o fígado. As candidíases mais comuns tomam a forma de uma infecção superficial nas superfícies das mucosas da cavidade oral (sapinhos). As manifestações patológicas da tuberculose. Em pessoas gravemente imunocomprometidas. neoformans é o principal fator de virulência. As lesões pulmonares por aspergilose invasiva tomam a forma de pneumonia necrosante com focos acinzentados. hemoptise recorrente. diferentemente das bactérias piogênicas. As espécies de Aspergillus são transmitidas pelo ar por conídios. sendo uma infecção oportunista. pode chegar a exibir antigenicidade e virulência. Histologicamente. A Candida produz um número de enzimas que contribuem à invasão que podem estar envolvidas na degradação das proteínas da matriz extracelulares. atingindo o lobo superior dos mesmos. na boca. Podem ainda causar lesões de meninges. neoformans pode disseminar-se amplamente para a pele. colonizadas por fungos. não sensibilizada. ou nas que fazem uso de pílulas contraceptivas orais. Nos pacientes imunocompetentes ou naqueles com doença prolongada. é um processo inflamatório crônico granulomatoso com necrose caseosa ao centro. circulares e bem-definidios com margens hemorragias. O diagnóstico é feito por punção e exame do líquor ou por coloração por PAS. O principal achado é de fungos na meninge (a qual forma exsudato gelatinoso na meninge). A vaginite por cândida (colpites) é uma forma comum de infecção vaginal em mulheres. albicans é a causa mais frequente de infecções fúngicas humanas. Os fungos são organismos eucariontes. a C. lúpus eritematoso sistêmico. pneumonia e fungemia em indivíduos imunocomprometidos. porém mais frequentemente se apresenta como uma infecção oportunista em pacientes com AIDS. o gênero Candida são microrganismos versáteis. o C. leucemia. resultam de tuberculose preexistente.. Uma única cepa de Candida pode ser bem-sucedida como um comensal ou um patógeno. As cavidades respiratórias. Os pacientes com aspergilomas têm. porém não pseudo-hifas ou formas hifais. geralmente. e o pulmão é a principal porta de entrada. linfoma. próximo à pleura. quase sempre. transpiração noturna. infartos anteriores ou abscessos. Ao contrário da Candida. A esofagite por cândida é comumente vista nos pacientes com AIDS. principalmente pós-pneumonia estreptocócica.

com a formação de linfedema e elefantíase. Quando os sintomas surgem. o comprometimento mais extenso no sexo masculino. a epiderme está espessa e hiperceratosa. Wuchereria brancofti e Brugia malayi. vivax. do pênis. A maioria dos homens não apresentam sintomas. É incomum. consiste em uma irritação na ponta do pênis ou da uretra. Em outros casos. causando a lise dessas células liberando cada vez mais merozoítos na circulação.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Os parasitas alcançam. a mulher pode apresentar um corrimento fluido com pouca cor e ainda um certo desconforto na micção. da perna ou do braço. Muitas mulheres que são infectadas pelo T. faz-se uso de coloração ideal: PAS (Ácido Periódico de Shift). A filaríase crônica é caracterizada por linfedema persistente do escroto. o baço torna-se cada vez mais fibrótico e frágil. marrom-escuro granular. e. FILARÍASE LINFÁTICA A filaríase linfática é transmitida por mosquitos e causada por dois nematóides estritamente relacionadas. INFECÇÕES PARASITÁRIAS (PROTOZOÁRIOS) Os protozoários são organismos unicelulares e eucariontes. Para realizar o diagnóstico laboratorial de tais infecções por fungos. em humanos. caracterizam-se principalmente como corrimento abundante juntamente com um prurido (coceira) vaginal. ou por meio da impregnação por prata. Com a progressão da malária. MALÁRIA A malária é causada pelo parasita intracelular Plasmodium. vaginalis é o agente causador da tricomoníase: caracterizada por corrimentos de odor pútrido. Os protozoários parasíticos são transmitidos por insetos ou pela rota fecal-oral e. ocupam principalmente o sangue ou intestino. malariae) são transmitidos pelos mosquito-fêmea Anopheles. vaginite e ardor. Este fato gera uma obstrução definitiva dos vasos linfáticos. com uma cápsula espessa e trabéculas fibrosas. respectivamente. Os parasitas estão presentes dentro das hemácias e há atividade fagocitária aumentada dos macrófagos no baço. dentro de minutos. Na infecção crônica da malária. quando existe. doença que simula os sintomas da tuberculose. que causa a malária grave. quando alcançam a corrente linfática e ativam respostas imunes que. que realça em vermelho a cápsula do fungo. por meio de uma reação inflamatória. 10 . Quando o mosquito suga o sangue.1 HISTOPLASMOSE Histoplasma é um gênero de fungos que causa uma doença chamada histoplasmose. o fígado torna-se cada vez mais aumentado e pigmentado. vaginalis usualmente desenvolvem poucos sintomas. causando estase na circulação linfática. falciparum. O parênquima é cinza ou preto devido às células fagocitárias contento o pigmento hemozoína indistintamente birrefringente. P. atacam e invadem as células hepáticas pela ligação ao receptor do hepatócito às proteínas séricas trombospondina e properdina. os esporozóitos são liberados no sangue humano e. mas possível. das 90 milhões de infecções por todo o mundo. e os três outros parasitas da malária que infectam os humanos (P. O P. então. O T. que são responsáveis por 90% e 10%. ovale e P. da vulva. OBS4: Todas estas infecções fúngicas ganharam mais importância epidemiológica depois da disseminação da AIDS. Estes parasitas. Frequentemente há hidrocele e aumento de linfonodo. TRICOMONAS VAGINALIS O Trichomonas vaginalis é um parasita eucariota flagelado anaérobio facultativo. estimula a formação de granulomas em torno dos parasitas adultos. A pele elefantóide mostra dilatação dos linfáticos dermais com infiltrados linfocíticos disseminados e depósitos focais de colesterol. eritrócitos. As células de Kupffer são densamente carregadas com pigmento malárico.

especialmente nos lisossomos. o acúmulo é progressivo e as células podem se tornar tão sobrecarregadas que ocorre lesão secundária. em alguns casos. Vários processos resultam em uma deposição intracelular anormal: 1. resultando em seu acúmulo dentro do retículo endoplasmático rugoso. (2) uma substância anormal. 2. A deposição de partículas de carbono (derivados do petróleo) e substâncias químicas não-metabolizáveis. Uma substância exógena anormal é depositada e se acumula. resultando na deposição intracelular dessas substâncias. exógena. mas a velocidade de seu metabolismo é inadequada para removê-la. proteínas e carboidratos. como a sílica. mas ocasionalmente são altamente tóxicas. 4. Um exemplo desse tipo de processo é a alteração gordurosa que ocorre no fígado devido ao acúmulo intracelular de triglicerídeos. Essas substâncias podem se acumular transitoriamente ou permanentemente no citoplasma ou no núcleo. Nas doenças genéticas de deposição. Arlindo Ugulino. Se o excesso ocorrer devido a uma alteração sistêmica que pode ser controlada.1 FAMENE NETTO. podendo ser inócuas para as células. à morte do tecido e do paciente. armazenamento. Uma substância endógena normal é produzida a um índice normal ou aumentado. PATOLOGIA DEGENERAÇÕES CELULARES (Professor Ivan Rodrigues) Degenerações são danos celulares não-letais caracterizados por um acúmulo intracelular de quantidades anormais de várias substâncias. como um mineral ou produtos de agentes infecciosos. trazendo posterior prejuízo à célula. pois a célula não possui as enzimas necessárias para degradá-la nem a habilidade para transportá-la para outros locais. lipídios. 3. levando. tal como água.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. ou endógena. Uma substância endógena normal que se acumula devido à defeitos genéticos ou adquiridos do metabolismo. como um produto de uma síntese anormal ou do metabolismo. ela implica o armazenamento de alguns produtos pelas células individualmente. As degenerações mais conhecidas e que serão aqui abordadas são:  Degeneração hidrópica  Degeneração hialina  Degeneração lipídica  Degeneração com acúmulo de carboidratos 1 . devido a uma alteração metabólica na célula. Um exemplo é o grupo de condições causadas por defeitos genéticos de enzimas específicas envolvidas no metabolismo dos lipídios e dos carboidratos. As substâncias acumuladas pertencem a três categorias: (1) um componente celular normal. Qualquer que seja a natureza e a origem da deposição intracelular. transporte ou secreção destas substâncias. o acúmulo é reversível. e (3) um pigmento. são exemplos deste tipo de alteração. Mutações genéticas em proteínas específicas geram um defeito no dobramento e excreção da mesma.

1 DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA A degeneração hidrópica (inchação turva ou hidrópica. que é um processo basicamente centrado no controle de sódio (Na+) e potássio (K+) no citoplasma. EVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS A degeneração hidrópica é um fenômeno reversível que. o cálcio. É importante conhecer tais constituições pois existe uma série de doenças de diferentes patogenias que cursam com o acúmulo deste material hialina. ainda. tumefação turva ou celular. Enfim. Nos estados de vômitos constantes e diarréia. etc) que gera um desequilíbrio hidroeletrolítico na célula. DEGENERAÇÃO HIALINA O termo hialino refere-se simplesmente a qualquer material que. Esta condição leva a uma redução do pH. apresente-se homogeneamente corado em róseo pela HE. por exemplo. seja pela lesão da membrana por enzimas de oxidação (toxinas bacterianas/químicas e radicais livres produzidos no processo inflamatório). a célula pode voltar ao normal. etc) ou biológico (deficiência de oxigênio. amorfo e acidofílico (coloração rósea). Microscopicamente. Para este feito.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. que passam a apresentar citoplasma completamente vacuolizado. ocorre uma retenção de Na+ no citoplasma. A causa mais comum de degeneração hidrópica é a hipóxia (como ocorre no choque). Acredita-se que este fator reflita em uma alteração da bomba Na /K pela perda do potássio intracelular. levando à queda de ATP. ao microscópio óptico. a função dos órgãos continuará preservada. Consiste na lesão não-letal celular mais comum. a célula a entrar em respiração anaeróbica. Qualquer fator que altere o funcionamento desta bomba. seja por hipóxia ou por falta de substratos como ocorre na desnutrição grave. deixando escapar o K+ e com isto há um aumento de água citoplasmática no intuito de manter as condições isosmósticas e o consequente inchaço da célula. substâncias químicas e toxinas bacterianas podem lesar diretamente a membrana plasmática e levar a um edema celular. + O K tem ainda uma importante função nas reações enzimáticas e na manutenção da permeabilidade da membrana. se o agente lesivo for retirado. A falta de oxigênio altera a respiração celular. observa-se uma distensão das células. na síntese da Na+/K+-ATPase. o que leva a um aumento na produção de ácido láctico. degeneração vacuolar ou edema celular) é uma alteração que se caracteriza pelo acúmulo de água no citoplasma. sem levar a nenhum comprometimento da função do órgão. reduzindo a respiração aeróbica. toxinas. ASPECTOS MORFOLÓGICOS Os órgãos acometidos por este tipo de degeneração aumentam de volume e apresentam certa palidez por motivo da compressão da microcirculação. como a própria bomba Na+/K+-ATPase são afetados. A bomba Na+/K+-ATPase é + + responsável por retirar o Na de dentro da célula e colocar e manter o K intracelularmente. 2 . que se torna volumoso e pálido com núcleo normalmente posicionado. incluindo o potássio + + (hipocalemia). principalmente do rim. os vírus. há perda acentuada de vários eletrólitos. Todos os processo que requerer ATP. também. podem produzir degeneração hidrópica. A hipóxia força. mais alargado e mais claro. seja por destruição da bomba Na+/K+ ou por carência de ATP celular. Todos estes fatores levam a uma retenção de Na+ e água dentro da célula seguidos de uma expansão isosmótica. Condições que agridem a membrana celular como. É vista com mais frequência nas células parenquimatosas. uma vez que pode ser causada por qualquer agente físico. culminando no desacoplamento dos ribossmos e um decréscimo na síntese protéica. o que afeta. A degeneração hidrópica ocorre em função do comprometimento da regulação do volume celular. químico (tetracloreto. fígado e coração. Entretanto. é necessário o gasto de energia (ATP). todos os processos que interfiram na fosforilação oxidativa que produzirá ATP.

o Cicatrizes antigas: quando ocorre um acúmulo de fibrina para o local de uma lesão prévia. Quando ocorre uma hiperprodução de colágeno para o reparo da lesão. As lesões do lúpus são caracterizadas pelo tipo de hipersensibilidade do complexo auto-imune. deixando a superfície capsular finamente granular (nefrosclerose arteriolar). atingindo o tecido conjuntivo fibroso colágeno e a parede dos vasos. caracterizando uma DH propriamente dita. Este revestimento hialínico na superfície alveolar dificulta as trocas gasosas. Na chamada microangiopatia diabética. lipídeos e restos de células epiteliais necróticas. O rim atrofia. dando a este tecido o aspecto eosinofílico. Estas substâncias protéicas. patológica. Os glomérulos que se tornam isquêmicos passam a atrofiar. Ao microscópio. fusão e compactação das fibras colágenas. portanto. aparecem apenas feixes espessados de colágenos (praticamente acelular) corados em e róseo pela HE. Esta condição pode ocorrer nas glomerulonefrites. aderido à parede do vaso. • DH propriamente dita: é o tipo mais comum de DH. o glomérulo também aprisiona algumas proteínas plasmáticas e matriz mesangial. Em cortes histológicos. sofre uma infiltração por células da resposta inflamatória. o Diabetes millitus: pode aparecer hialinização das arteríolas sistêmicas. que com o acúmulo progressivo induz atrofia por compressão isquêmica das células adjacentes. ocorre o fenômeno denominado por quelóide. Podem ser sistêmicas ou localizadas. está relacionada à formação de autoanticorpos contra fatores nucleares. devido ao espessamento hialino dos glomérulos que é dado geralmente por depósitos de imunoglobulinas (IgG) e complemento. vê-se que nesta área cicatricial branca corada pela HE existem poucos fibroblastos. em que ocorre a proliferação de fibroblastos e de colágeno.1 A degeneração hialina é classificada em extracelular (quando o material hialino se acumula no espaço intersticial ou ao longo da parede dos vasos) e intracelular (quando o material se acumula dentro das células).Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. o Nefrosclerose vascular: é causada pelo mesmo processo que ocorre na hipertensão arterial (arteriosclerose hiperplásica). processos supurativos crônicos. proteinácea. homogênea e acidófila. depois de um certo tempo. conferindo aos trombos. ocorre um espessamento hialino causado por um depósito de complexos antígenos-anticorpos e fibrina justamente nessa região. etc. fazendo com que a superfície renal torne-se irregular e descontínua. A hialinização do tecido conjuntivo fibroso é encontrada em cicatrizes antigas decorrentes de organização de processos inflamatórios. cuja característica comum é o depósito intercelular (intersticial) e na parede dos vasos de uma substância hialina. o Hipertensão arterial: ocorre espessamento hialino das arteríolas (arteriolosclerose) e também da arteríola aferente renais. têm origem de imunoglobulinas. geralmente. que fazem parte da composição do glomérulo hilaino. que afeta as arteríolas sistêmicas. Neste processo. acontece um recrutamento de fibroblastos que passam a sintetizar fibras colágenas e.  Secundária: seguem a doenças crônicas como tuberculose. o qual substitui gradativamente o trombo. os glomérulos tornam-se isquêmicos. transformando-se em bola hialina. Como consequência. o vaso apresenta-se espessado com a luz bastante diminuída. a fibrina dos trombos também se organiza. sendo a nefrosclerose arteriolar conseqüência da hipertensão. proteínas plasmáticas. • Amiloidose: engloba um grupo de várias doenças que cursa com o depósito de uma substância amorfa de origem protéica em nível do interstício e da parede vascular dos órgãos. DEGENERAÇÃO HIALINA EXTRACELULAR (CONJUNTIVO-VASCULARES) Pode se apresentar na forma de degeneração hialina (DH) propriamente dita ou na forma da amiloidose. Na microscopia. plasmocitomas) 3 . Isso acontece depois que o trombo. além de alargamento. em que complexos Ag/Ac se depositam em regiões específicas e induzem a proliferação de fibroblastos. posteriormente. deixando a superfície com um aspecto granular e áspero. o Síndrome da Angústia Respiratória das crianças e dos adultos: nesta patologia. hanseníase. gerando a síndrome da angústia respiratória. o Classificação:  Primária (atípica): amiloidoses sem causa aparente. Conceitualmente. a amiloidose é uma síndrome que agrupa processos patológicos diversos. Isso ocorre porque a hipertensão estimula as células endoteliais a produzirem componentes da membrana basal sob a forma de colágeno e fibronectina.  Forma tumoral: associada a algum processo neoplásico (geralmente. hialinizada. bem como pode ocorrer no lúpus eritematoso devido ao próprio depósito de imunocomplexos nas paredes vasculares renais. atrofiam-se e hialinizam-se. o Trombos: do mesmo modo que a fibrina dos exsudatos inflamatórios. o aspecto hialino. a membrana hialina que atapeta os alvéolos é composta de fibrina condensada extravasada do processo inflamatório. nas arteríolas renais e nas ilhotas de Langerhans. doença auto-imune. desaparecem. Sabese que a patogenia do lúpus eritematoso. o Lúpus eritematoso cutâneo: na junção da epiderme com a derme. há hialinização da parede que corresponde ao espessamento da membrana basal e hiperplasia do músculo liso. amorfa.

• Degeneração hialina com deficiência de alfa-1 antitripsina: a deficiência congênita de alfa-1 antitripsina promove o acúmulo de material hialino protéico nas células do fígado. picnóticos.1 o o o Conseqüências do depósito: são muito variáveis. demonstrando-se PAS+) de diferentes tamanhos dentro das cisternas do retículo endoplasmático. fígado. A substância hialina corresponde a imunoglobulinas (principalmente IgG) hiperproduzidas e não-excretadas por estas células. constipação ou diarréia ou mesmo dificuldade de deglutição ou da fala nos casos de tumor da língua.  O envolvimento cardíaco pode levar a arritmias fatais  O envolvimento gastrointestinal pode levar a síndromes de má absorção. bem como a doença básica subjacente. fragmentados ou ausentes. Esta deposição ocorre porque a enzima não está sendo excretada. soltos da trabécula e com núcleos. • Corpúsculos de Councilman-Rocha-Lima: nas doenças hepáticas virais (como as hepatites por vírus A ou B e na febre amarela). Ocorre principalmente na musculatura esquelética dos retroabdominais. • Degeneração hialina de Crooke: esta DH é uma alteração observada nas células basofílicas hipofisárias produtoras de ACTH na Síndrome de Cushing. refringentes e vermelhas. O sarcoplasma dos 4 . homogêneos ou na forma de aglomerados irregulares. cardíaco e gastrointestinal. difteria e no choque anafilático. como avanço dos depósitos e obliteração glomerular. É mais comum na cirrose hepática alcoólica. Sabe-se que as células que contém estes corpúsculos são os plasmócitos que podem fazer parte da reação inflamatória aparecendo sobretudo nos processos inflamatórios crônicos em que há prolongada estimulação antigênica. Isso ocorre porque os produtos metabólicos do álcool atingem estruturas da mitocôndria. encontramos a substância hialina no interior das células. Estas verdadeiras “múmias” celulares. A alfa1 antitripsina é uma antiprotease produzida pelos fagócitos mononucleares do fígado e lançada no plasma que mantém um equilíbrio nos processos inflamatórios. vermelho-congo (coloração alaranjada) positivos e birrefringentes à luz polarizada firma o diagnóstico. destruindo as proteases produzidas pelas células inflamatórias. cirrose hepática. • Degeneração hialina de Mallory: os hepatócitos acometidos apresentam no citoplasma massas hialinas grumosas de tamanho e formas diferentes com bordas irregulares floconosas ou filamentosas. • Corpúsculo de Russell: são corpúsculos hialinos esféricos em células localizadas na proximidade de certos cânceres. que é visto sob a forma de uma gotícula hialina ao microscópio.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. são os corpúsculos de Councilman-Rocha-Lima. gastrocnêmio e diafragma nos casos de doenças febris graves como a febre tifóide. Isso acontece porque as proteínas que passam pelos glomérulos em processo patológios (como nas síndromes nefróticas) são pinocitadas pela célula tubular e se unem aos lisossomos formando um fagolisossomo. Diagnóstico: o diagnóstico clínico da amiloidose não é fácil e é feito apenas por meio da biópsia mostrando depósitos hialinos por coloração especial. se acumulando nos hepatócitos sob a forma de inclusões globulares de hialina (quando coradas pelo ácido periódico de Shift. hepatite neonatal com evolução pra cirrose. resultando da coagulação de parte de proteínas citoplasmáticas e por isso representando grave alteração da célula. o reto e o rim são os locais preferidos para biopsiar. sob a forma de pequeninos grânulos acidófilos. uremia forte e morte. • Degeneração cerea de Zenker: é secundária a processos degenerativos e necróticos celulares associados à coagulação focal de proteínas citoplasmáticas que levam ao aparecimento de massas homogêneas acidofílicas (hialinas). há insuficiência renal. dos microtúbulos e microfilamentos (que formam os filamentos irregulares citoplasmáticos). A gengiva. coração e tubo digestivo. pancreatite. Principais repercussões clínicas: os órgãos mais acometidos são rim (mais grave). que se cristaliza no citoplasma dos plasmócitos no interior do retículo endoplasmático. A DH de Mallory corresponde basicamente a filamentos paralelos de disposição irregular e tamanhos diferentes. São caracterizados por agregados de filamentos intermediários. As manifestações clínicas mais frequentes se relacionam com o envolvimento renal.  Nos rins. a proteinúria que se estabelece com a amioloidose renal consequente à síndrome nefrótica pode levar à grave hipoalbuminemia. mostrando-se estes depósitos róseos ao HE. DEGENERAÇÃO HIALINA INTRACELULAR Nas DH intracelulares. Os sintomas variam com a quantidade e o local dos depósitos. os hepatócitos podem entrar em apoptose e aparecerem diminuídos com citoplasma hialino (com organelas diminuídas por destruição apoptótica). • Degeneração hialina goticular: caracterizada pelo aumento de numerosas gotículas hialinias refrateis (geralmente menores do que o núcleo ou uma hemácia) no citoplasma de células dos túbulos contornados do rim. Deficiências nesta enzima propicia o sujeito à enfisema pulmonar.

1 músculos citados se coagula. formando lipoproteínas que são exportadas pelo hepatócito para serem utilizadas por outros órgãos. o aspecto gelatinoso observado na macroscopia é dado por células malignas que produzem muco em excesso. formando partículas estáveis denominadas quilomicrons. os TG dos adipóctios são transformados em ácidos graxos livres e colesterol. incorporando fosfolipídeos. que é então fundamental na utilização da gordura dos depósitos. 5 . Os TG no RER podem ainda servir como fonte de energia. ao serem convertidos em colesterol e ésteres que. Em alguns cânceres. Nas inflamações das mucosas (inflamação catarral). Juntam-se a eles então o colesterol e vitaminas lipossolúveis através de uma micela de bile. desenvolve fígado gorduroso. Para entender a esteatose. que são geralmente ingeridos sob a forma de triglicérides (TG). mas não calórico (doença de Kwashiokor). promovendo as hérnias de disco e ruptura dos meniscos.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. tem um desbalanço protéico. O TG+fosfolipíeos+colesterol e seus ésteres+ácidos graxos livres+vitaminas lipossolúveis reagem no RE Liso com proteínas lá sintetizadas. formando desta maneira uma micela mista que vai progressivamente incorporando mais colesterol e vitaminas. CAUSA DA ESTEATOSE E PATOGÊNESE Se interferimos em vários passos desse metabolismo. como do estômago. Uma vez na circulação. que possuem uma parede descontínua. DEGENERAÇÃO MUCÓIDE Degeneração mucóide celular acontece nas células epiteliais que produzem muco. Como o fígado é o órgão diretamente relacionado com o metabolismo lipídico. Por vezes. não há como formar depósitos de gordura ou mobilizar tais lipídeos. caem no especo de Disse e são ofertados às vilosidades dos hepatócitos. os lipídeos da dieta são emulsionados. homogêneo (hialino) nos cortes rotineiramente corados pela HE. Dos quilomicrons. perda e estriação. Não só da dieta. isto é. o aumento de TG no fígado pode ter as seguintes causas e gêneses: 1. uma única agressão pode determinar alterações em mais de um passo metabólico. mas os lipídeos que chegam aos hepatócitos têm origem do próprio tecido gorduroso corporal ou da própria célula hepática. Os ácidos graxos circulam ligados à albumina. Entrada excessiva de ácidos graxos livres: • A fome e o jejum produzem o aumento da mobilização de lipídeos dos depósitos corporais ofertados ao fígado e transformados em TG. hidrolizando-os em ácidos graxos livres e glicerol. Portanto. musculatura estriada e rins. é nele que vamos encontrar mais comumente a esteatose. sob ação da bile (constituída de saís biliares+fosfolipídeos+colesterol). os hepatócitos removem os TG. assumindo um aspecto róseo. DEGENERAÇÃO GORDUROSA (ESTEATOSE) Degeneração gordurosa ou esteatose se refere ao acúmulo anormal de lipídeos no interior das células parenquimatosas. Acúmulo de muco intesticial (mucopolissacarídeos) pode acontecer no tecido conjuntivo cartilaginoso dos discos intervertebrais e meniscos do joelho. onde são conjugados com proteínas (apoproteínas). há acumulo excessivo de muco no interior das células. na falta de proteínas. podemos determinar o acúmulo de lipídeos no interior dos hepatócitos. artrite reumatóide e lúpus eritematoso. carboidratos ou lipídeos na dieta (desnutrição). devemos relembrar um pouco do metabolismo lipídico que ocorre em nível hepático. Os AG livres são usados para o metabolismo energético ou são esterificados no RER. De acordo com as necessidades. intestino e ovário. os quilomicrons passam através dos sinusóides hepáticos. Mas esta pode desenvolver-se em órgãos como coração (miocardite diftérica que leva a esteatose). Diariamente ingerimos cerca de 25g-105g de lipídeos. No entanto. no conjuntivo das valvas cardíacas ou subendocárdio nos casos de doença reumática. são oxidados em corpos cetônicos. No intestino delgado. A criança que come apenas carboidratos.

apresenta-se aumentado de volume e peso (pode chegar a mais de 3kg). deslocando o núcleo perifericamente. • Através da formação de compostos tóxicos no seu metabolismo. por ser mais facilmente metabolizado. o que compromete a formação de lipoproteínas.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. que está aumentado no alcoolismo devido ao aumento do glicerol plasmático. colesterol e TG plasmáticos. • Drogas como o bismuto. Neste caso está o álcool e seus metabólitos (principalmente. determinando maior chegada de gordura ao fígado. Aumento de TG plasmáticos • Álcool: promove elevação dos TG plasmáticos. fazendo com que haja assim maior acúmulo deles dentro da célula.1 • • • • Dieta hipercalórica estimula o fígado a produzir mais TG e. aumentando a síntese de TG no fígado e tecido gorduroso. que é tóxico à membrana do retículo endoplasmático rugoso e mitocondrias). ASPECTOS MORFOLÓGICOS O fígado gorduroso. produz entrada excessiva de ácidos graxos livres no fígado. acumulando-se neste tecido. • Falta de colina e seu precursor. que são aminoácidos essenciais para a formação de fosfolipídeos e a ausência deles na dieta leva à formação de moléculas lipoprotéicas instáveis sem o essencial revestimento fosfolipídico. 6. • Diabetes: no diabetes descompensado também existe uma maior elevação dos ácidos graxos livres. na produção de lipoproteínas. Microscopicamente. o acetoaldeído. na melhor esterificação para TG. promovendo assim acúmulo de maior quantidade de TG na célula. produzindo fígado gorduroso. diminuindo assim a função mitocondrial de oxidação de ácidos graxos e de produção de proteínas. quando a esteatose é discreta. esteatótico. os quais passam a se acumular no fígado. o Tetracloreto de carbono (CCl4) lesa o RE impedindo a síntese de apoproteínas. portanto. Aumento na esterificação de ácidos graxos: • Álcool: a esterificação de ácidos graxos para TG tem participação ativa do alfa-glicerolfosfato. as gotículas são adjacentes ao RE e são vistas ao microscópio óptico como pequenos vacúolos no citoplasma. a tetraciclina e a dietilnitrosamina são drogas capazes de interferir com a síntese protéica e. Com a progressão do processo os pequenos vacúolos se fundem para criar um espaço claro maior que preenche todo o citoplasma (cistos gordurosos). O diabetes mellitus ou a falta de insulina favorece uma lipólise. próximo ao núcleo. estocar patologicamente. • Outro fator que envolve o álcool seria uma concorrência do etanol com os ácidos graxos: o etanol. por outro lado. Intoxicação por tetraciclina pode resultar neste processo. Decréscimo na síntese protéica: • Um decréscimo na síntese protéica resulta em uma formação deficiente de lipoproteínas. O aumento de ingestão de alimentos. • Ácido orótico: apresenta-se como agente de fígado esteatótico pelo mesmo mecanismo: impedindo a conjugação de TG a proteínas. a metionina. impede o catabolismo dos TG. levando assim ao acúmulo intracelular dos TG. 3. A adrenalina. o que diminui a excreção de TG do fígado. • O álcool produz esteatose por vários mecanismos que agem conjuntamente. Este aumento na lipólise é consequência da influência inibitória que a insulina exerce na liberação de gordura do tecido adiposo. Diminuição na oxidação de ácidos graxos: • Déficit de O2 (anemias prolongadas. os quais passam a se acumular no fígado. 5. No seu metabolismo hepático. observado nas dietas hipercalóricas. o hormônio de crescimento e os corticóides também aumentam a mobilização de gordura dos depósitos. Outros agentes hepatotóxicos que inferem na mitocôndria também levam a esteatose. Tem a cor amarelada e a consistência amolecida de um pacote de manteiga. 2. 6 . promovendo uma maior mobilização de ácidos graxos livres do tecido adiposo para o fígado. 4. insuficiência cardíaca e choque): a diminuição na oxidação dos ácidos graxos resulta. quando sobrecarregado. há formação de acetoaldeídos que são tóxicos mitocondriais. Obstáculo na liberação de lipoproteínas: • Álcool: o álcool impede a união adequada dos lipídeos (TG) às proteínas para a formação de complexos lipoprotéicos.

Doenças do acúmulo (ou armazenamento): existem doenças por erro genético do metabolismo. 3. que podem ter origem genética (primárias) ou adquiridas (secundárias). existem acúmulos de colesterol e seus ésteres no interior de células musculares lisas e macrófagos da íntima da aorta. Hiperlipidemias: nas hiperlipidemias. Das doenças por acúmulo de substâncias de origem lipídica (lipidoses). 7 . cessada a causa. Com o tempo. existe um aumento dos níveis de colesterol plasmático. São exemplos de hiperlipidemias secundárias aquelas que acompanham o diabetes mellitus. as mais freqüentes são:  Doença de Niemann-Pick: deficiência de esfingomielinase. coronárias e polígono de Willis. Acredita-se que a fibrose que acompanha a esteatose esteja relacionada com o consumo de álcool. Quando a esteatose é grave e duradoura. etc).  Doença de Gaucher: acumulação de glicocerebrosideo  Doença de Tay-Sachs: acumulação de gangliosídeo. 2.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. hemorragias. ulcerações. a lesão é rapidamente reversível e. a síndrome nefrótica e o hipotireodismo. uma vez que este tem a capacidade de estimular a fibrinogênese hepática. acumulando esfingomielina. pode ocasionar morte do hepatócito com alterações funcionais do órgão e a progressão para a cirrose hepática. cujo resultado é o acúmulo da substância não-metabolizada no organismo. de enorme importância na patologia humana. Na maioria dos casos. grandes vasos arteriais. OUTRAS CONDIÇÕES EM QUE HÁ AUMENTO DE LIPÍDEOS INTRACITOPLASMÁTICOS 1. levando à obstrução do vaso e consequente infarto. dependendo da intensidade e da associação com outros fatores. a célula volta ao normal.1 As conseqüências da esteatose hepática são variáveis. estes agregados podem sofrer fibrose e outras complicações (calcificações. Aterosclerose: nesta condição.

isto é. A coloração da pele deriva de processo complexo que vai desde moléculas que são relevantes à síntese melânica até a pele como um sistema totalmente integrado.  Degradação de melanossomas dentro dos queratinócitos. Contribuem. A pigmentação da pele humana é dividida em dois componentes: • Cor natural: cor básica da pele. dos pêlos e do olho é devida fundamentalmente à melanina. para a coloração da pele: pigmentos exógenos amarelos. por exemplo. de substâncias com cor própria. derivadas da crista neural. aliás. na ativação e capacidade destas glândulas em produzir melanina. A coloração da pele humana é relacionada ao número. lipocromos. que surge após uma exposição direta à radiação ultravioleta. juntos aos queratinócitos. PATOLOGIA PIGMENTOS E PIGMENTAÇÃO PATOLÓGICA (Profº Raimundo Sales) Pigmentos são substâncias que têm cor própria. MELANINA A coloração normal da pele. pois são produzidos através da atividade metabólica das próprias células do organismo. pigmentação medicamentosa. eles são a consequência da reflexão da luz nos humores do olho contra o fundo negro da retina. frequentemente identificam-se macrófagos contendo pigmento melânico no citoplasma – os melanóforos ou melanófagos. de maneira similar. a tirosinase dá início à melanização dos melanossomas. A não ser pelo fato de serem dotados de cor. denominadas melanossomas. OBS1: A grande variação de cores que se observa nos animais a nas plantas nem sempre depende da presença de pigmentos. não possuem nenhum corante azul. Os olhos azuis. siderose. a tirosinase e sua posterior localização nos melanossomas dentro dos melanócitos. São células neuroectodérmicas. estes pigmentos e seus distúrbios metabólicos quase nada tem de comum entre si e são estudados em conjunto na patologia geral por motivos meramente didáticos. chumbo e tatuagens). tamanho. que são os carotenóides e também o tom vermelho dado pela hemoglobina oxigenada nos capilares e a coloração azulada da hemoglobina reduzida nas vênulas da derme. isolados ou agregados. de degradar melanossomos. Os pigmentos orgânicos podem ser endógenos (melanina.6 DIIDROXIINDOL  MELANINA  Ocorre movimento dos melanossomos para os processos dendríticos do melanócito. Os principais eventos incluem:  Migração dos melanoblastos da crista neural e sua diferenciação até a formação de malanócitos epidérmicos.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Muitas vezes. que é a quantidade de pigmento melânico que surge de acordo com programas genéticos. que repousam na membrana basal e projetam seus dendritos dentro da epiderme. é por um mecanismo semelhante que o céu é azul. Na derme superficial ou profunda. A diferença entre a pele do negro e do caucasiano não está no número de melanócitos – que. tipo e distribuição de partículas citoplasmáticas pigmentadas. hemoglobina e derivados. as cores são produzidas por difusão. hemoglobina e derivados. que é um pigmento acastanhado que aparece em negro quando mais concentrado. que se faz através de lisossomas nestas células. no entanto. No organismo humano há três classes de pigmentos: melanina. • Cor induzida: é a coloração que inclui a pigmentação melânica não permanente.  Transferência e incorporação dos melanossomas nos queratinócitos. reflexão e refração da luz.1 FAMENE NETTO. Arlindo Ugulino. vindos já préformados do meio exterior. ao contrário dos pigmentos exógenos que alcançam o interior do organismo por via respiratória. que é maior nos negros.  Formação de proteínas estruturais e de uma enzima. que passam a produzir melanina para suprir e recobrir tal lesão e proteger esta epiderme. sem ação da radiação solar. a qual lesa células dessas regiões. é praticamente igual – mas sim. que se faz por mecanismos ainda discutidos. Aliás. Os próprios melanócitos são capazes. digestiva ou quando inoculados através da pele. que contêm um biocromo marrom.  Quando o melanócito é ativado (como por radiação solar). Estes são considerados pigmentos endógenos. lipocromos) e exógenos (antracose. A melanina se forma através dos seguintes passos a partir do aminoácido tirosina: TIROSINA  DOPA  L-alanina  DOPAQUINONA  LEUCODOPACROMO  DOPACROMO  5. Estas organelas especializadas são o produto de glândulas unicelulares exócrinas. a melanina. Os melanócitos são células secretoras de melanina presentes na camada basal da epiderme. os melanócitos. 1 .

comum em qualquer raça. • Ausência ou formação deficiente: o Vitiligo (focal): é uma doença não-contagiosa em que ocorre a perda da pigmentação natural da pele (a qual torna-se acrômica). senão igual. em que o excesso de pigmento produzido fica em parte retido. Quando um processo patológico causa a destruição das supra-renais. os melanócitos recebem também influência hormonal e. nas células da medula adrenal e em outros componentes do sistema cromafin e também nas próprias células que compreendem o sistema melânico. Sua etiologia ainda não é bem compreendida. tanto o ACTH quanto o hormônio estimulante de melanócitos sofrem uma ação repressora por parte dos hormônios corticais da supra-renal. uma condição em que aparecem múltiplas neoplasias derivadas dos nervos periféricos. que secreta o hormônio estimulante de melanócitos. há o aparecimento de manchas “café com leite” em várias partes do corpo. o vitiligo se caracteriza pela redução no número ou função dos melanócitos em que. e designada como neuromelanina. OBS³: É importante tomar nota que nem todos os pigmentos particulados de coloração marrom ou negra em nosso organismo devem ser considerados como melanina. o Lentigo simples (focal): acontece uma hiperplasia de melanócitos. aumentam de concentração por defeitos no feedback negativo. à parte da molécula do ACTH e parece que é produzido juntamente e pelas mesmas células que produzem o ACTH. Os melanócitos também são encontrados nas leptomeninges e no olho (úvea e retina) e caracteristicamente estas células conservam o pigmento durante toda a sua existência. Quando o córtex da suprarenal é destruída. as áreas hiperpigmentadas lembram a relação entre nervos e melanócitos.1 OBS²: As sardas são acúmulos isolados de excessos de melanina. Pode ocorrer em qualquer segmento da pele. o Doença de Addison (generalizada): insuficiência crônica da glandula supra-renal seguida de hiperpigmentação. partindo do pressuposto que as mesmas células que produzem ACTH produzem o hormônio estimulante de melanócitos. emocional. inclusive na retina (olhos). embora o fator autoimune pareça ser importante. mãos e genitais. evidentemente. produzindo uma camada linear basal hiperpigmentada. Estas alterações caracterizam a doença de Addison. Ambas as classificações podem ser subdivididas em focais ou generalizadas. O nevus melanocítico pode ser intradérmico. Caracteriza-se pelo aglomerado de células melanocíticas (células névicas) neoplásicas. Patologicamente. Os locais mais comuns são a face. Este controle no homem se dá pela hipófise anterior. Na síndrome de Peutz-Jeghers. Este hormônio é muito semelhante. assim como o hormônio estimulante de melanócitos. Pigmentação com estas características.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. genética. ao causar lesões na pele. os quais. DISTÚRBIOS DO METABOLISMO DO PIGMENTO MELÂNICO Os distúrbios que envolvem o metabolismo da melanina podem ser classificadas em dois grandes grupos: quando ocorre formação excessiva e quando ocorre ausência ou formação deficiente da melanina. • Formação excessiva (hipercrômicas): o Sardas (focal): trata-se de o acúmulo de melanina que gera manchas que aparecem na pele clara após exposição aos raios solares. A melanina da pele tem a função fundamental de proteção: protege a pele da ação lesiva dos raios solares. há pólipos do intestino com áreas hiperpigmentadas na mucosa oral e na mucosa labial. especialmente das partes expostas ao sol. Essa despigmentação ocorre geralmente em forma de manchas brancas (hipocromia) de diversos tamanhos e com destruição focal ou difusa. juncional e composto. está presente em neurônios do sistema nervoso central (como na substância negra e locus caeruleus). Na neurofibromatose. o ACTH. o melanoma (melanocarcinoma) é uma neoplasia maligna da pele que geralmente não evolui para metástase por não alcançar as vias linfáticas. Contudo. e ansiedade são fatores comuns no desencadeamento ou agravamento da doença. aumenta a produção do hormônio estimulador de melanócitos e ocorre um progressivo escurecimento da pele. o Nevus melanocítico (focal): significa sinal benigno. induzem a produção de melanina para cobrir a área afetada. o Melanoma (focal): por definição. Na neurofibromatose e na síndrome de Albright. os melanócitos estão ausentes na área acometida. formando um pequeno nódulo. é um quadro benigno que pode aparecer em qualquer idade. Por este motivo. O local atingido fica bastante 2 . estresse físico. Os pêlos localizados nas manchas de vitiligo se tornam esbranquiçados. há lesões ósseas que configuram uma displasia junto a vários distúrbios endócrinos. Além da influência dos raios ultra-violetas. principalmente na infância. diferentemente do albinismo. em que insuficiência da glândula supra-renal crônica ocorre por destruição das supra-renais seguida de hiperpigmentação. especialmente em células epiteliais e macrófagos. Na síndrome de Albright.

a bilirrubina (que constitui o pigmento da bile) e o ferro. Desta maneira. e o heme. Hanseníase: a hanseníase é uma doença granulomatosa que se manifesta. não contêm tirosinase. geralmente. a sua molécula de hemoglobina é cindida em três partes: a globina (que reverte como uma proteína para a engrenagem metabólica do organismo). 4 OBS : Um achado patológico importante é quando se observa uma hiperpigmentação escurecida do intestino grosso. os melanócitos estão presentes. A sua molécula consta de dois constituintes fundamentais: a globina. dois pigmentos podem se formar a partir da destruição das hemácias: a bilirrubina e a hemossiderina. eventualmente. formada a partir do radical heme da hemoglobina. HEMOGLOBINA E DERIVADOS A hemoglobina é o pigmento que dá a cor vermelha às hemácias e a substâncias responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e de gás carbônico para os pulmões. o Dificuldade na conjugação da bilirrubina: é bem evidente na chamada doença de Criggler-Najjar tipo 1. A partir do estado inicial. é transportada pelo sangue ligada à albumina. com icterícia e anemia. não possuindo glicuroniltransferase nos seus hepatócitos. com alteração de sensibilidade à temperatura. a bilirrubina é capaz de ser eliminada pela bile. a hanseníase pode então permanecer estável (o que acontece na maior parte dos casos) ou pode evoluir para hanseníase tuberculóide ou lepromatosa. juntamente com os sais biliares. Albinismo (generalizado): a negatividade da DOPA-reação (reação para formação de melanina) nos melanócitos dos indivíduos albinos permite também a evidenciação de que o defeito básico nestes indivíduos consiste em que seus melanócitos. É interessante notar que os albinos mostram pigmentação nos núcleos do encéfalo (como a substância negra). conferindo um risco para o desenvolvimento de câncer de pele. A hanseníase indeterminada é a forma inicial da doença. A bilirrubina é excretada pelo hepatócito. Caracteriza-se por um distúrbio iatrogênico observado em pacientes constipados que fazem uso crônico de laxantes. não se trata de uma hiperprodução de melanina ou neoplasia de melanócitos. de modo que esta coloração se encerra abruptamente quando se observa o intestino delgado. porém há falta ou defeito na produção da tirosina por deficiência da tirosinase. e. Quando as hemácias são destruídas (vida média de 100-120 dias) no baço. acaba impregnando os núcleos da base do encéfalo provocando sua morte (ver OBS ). na forma de manchas hipocrômicas e anestesiadas na pele. uma proteína. em que a criança nasce com defeito genético. dependendo da predisposição genética particular de cada paciente. Tais distúrbios podem ocorrer na dependência dos mecanismos gerais expostos a baixo: o Excessiva produção de bilirrubina: ocorre quando há hemólise intravascular ou excessiva destruição das hemácias anormais no baço. diminuição da sudorese sobre a mancha (anidrose). O resultado é a presença de excesso de bilirrubina não conjugada. e consiste na maioria dos casos em manchas de coloração mais clara que a pele ao redor. por defeito genético. podendo ser discretamente avermelhada. o que prova que a melanina nestes locais não é formada por ação da tirosinase. Essa doença é fatal porque a bilirrubina não-conjugada.1 o o sensível ao sol. denominada melanose coli. podendo ocorrer sérias queimaduras caso exposto ao sol sem protetor. 3 . íons orgânicos e água. Se o ferro se deposita em excesso vai formar um pigmento denominada hemossiderina. • Bilirrubina: a bilirrubina não-conjugada (indireta e lipossolúvel). em elevada concentração no 5 plasma.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Os casos em que o defeito enzimático é apenas parcial (Criggler-Najjar tipo 2) ou que resulta da imaturidade do sistema de conjugação (crianças prematuras) podem ser melhorados com o uso de indutores enzimáticos como o fenobarbital. ao chegar ao fígado. No albinismo. que possui quatro anéis pirrólicos que contêm ferro. A destruição excessiva das hemácias provoca uma dificuldade de oxigenação no fígado e a captação e a conjugação de um excesso de bilirrubina em condições de anoxia se tornam críticas. é conjugada no hepatócito junto ao ácido glicurônico (por meio da enzima UDP-glicuronil transferase) e torna-se bilirrubina conjugada (direta e hidrosolúvel). A bilirrubina. No final. Esta hiperpigmentação.

inferior a 6 mg/dl. a maioria dos pacientes exibe níveis inferiores a 3 mg/dl. conjugar e excretar a bilirrubina. Quando consideramos os distúrbios causados pela deposição da hemossiderina. A maneira normal e mais comum de armazenamento de ferro no organismo se faz sob a forma de ferritina (que consiste em micélios de hidrofosfato férricos ligados a apoferritina). a síndrome de Gilbert é uma doença benigna caracterizada por uma insuficiência parcial da UDP-glicuronil transferase. por ser lipossolúvel não é facilmente excretada. mas também sais biliares e colesterol. jejum. proteínas. períodos menstruais ou estresse. que se acumula primeiramente no baço. a hemossiderose significa o acúmulo de hemossiderina devido à hemólise. que passa a se acumular. porém sem a pigmentação dos hepatócitos. enquanto a hemocromatose é o acúmulo de hemossiderina devido a uma deficiência genéticamente determinada caracterizada por uma absorção exagerada do ferro. em alemão). Dificuldade de excreção da bile: por obstrução do fluxo biliar. OBS7: Na síndrome de Dubin-Johnson. e quando o organismo necessita de ferro.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. A colestase significa retenção de bile por cálculo ou neoplasias que comprimam as vias biliares externas. é fundamental saber se ela decorre de um dos dois mecanismos: o Excessiva destruição das hemácias: a hemossiderina aparece principalmente em células macrofágicas. OBS9: A hemossiderose pode ser focal ou difusa. seja nos ductos mais calibrosos intra ou extra-hepáticos (obstrução biliar extra-hepática) faz com que a bile fique retida no fígado e haja uma profunda elevação no plasma da bilirrubina conjugada. ocorre uma hiperbilirrubinemia não-conjugada. 8 OBS : A colestase deve ser diferenciada da hiperbilirrubinemia. acumulando não só bilirrubina. não sendo necessário tratamento. Assim como a icterícia é o termo utilizado para o acúmulo de bilirrubina. a transferrina passa a circular saturada de ferro. Quanto a estes distúrbios. As doenças difusas dos hepatócitos (inflamatórias ou tóxicas) se acompanham geralmente de icterícia. A síndrome de Rotor é semelhante a Dubin-Johnson. como uma doença intercorrente ou exercício vigoroso. e os níveis de bilirrubina ocasionalmente podem ser normais em até um terço dos pacientes. retira desse estoque. Este quadro é caracterizado por uma insuficiência total da UDP-glicuronil-transferase OBS6: A síndrome de Gilbert se caracteriza por icterícia intermitente na ausência de hemólise ou hepatopatia subjacente.1 o o Dificuldade da célula hepática lesada em metabolizar a bilirrubina: lesão do hepatócito o incapacita de captar. por definição. por haver uma maciça destruição de hemácias no recém-nascido (o qual apresenta um aparelho conjugador hepático deficiente). O ferro da apoferritina é descongregado e passa a se acumular na hemossiderina. notadamente no baço (devido a via sanguínea) e. Esses episódios se resolvem espontaneamente. A síndrome de Gilbert pode ser precipitada por desidratação. Este pigmento passa então pela barreira hemato-encefálica e impregna os núcleos da base. a qual. Trata-se de um produto heterogêneo e complexo. Os pacientes podem queixar-se de desconforto abdominal vago e de cansaço geral. OBS5: Na eritroblastose fetal. que trata-se de uma complicação fatal. A hiperbilirrubinemia é leve e. primeiramente. em menor porporção. seja dentro dos próprios lóbulos hepáticos (obstrução biliar intra-hepática). nas células de Kupffer do fígado. há um defeito na excreção da bilirrubina. São observadas consideráveis variações diárias e sazonais. o Excessiva absorção intestinal de ferro: a deposição de pigmento se faz predominantemente no citoplasma dos hepatócitos (devido a circulação porta) e em menor grau nas células macrofágicas do baço. Diferentemente do kernicterus. No entanto. diferentemente de Gilbert. com hiperbilirrubinemia direta. para a medula óssea para reaproveitar o ferro pelos eritroblastos. As principais fontes de ferro no nosso organismo são a hemólise e a absorção intestinal (distúrbios nesses mecanismos. podem causar acúmulo de ferro). o qual deixa de ser estocado pela ferritina. para os quais não se encontra causa. em que as hemácias são destruídas em grande parte localmente e o seu pigmento aprisionado nos macrófagos ou 4 . icterícia e pigmentação enegrecida do fígado. gerando um quadro chamado de kernicterus (kern= núcleo. As formas focais são consequentes a hemorragias ou hematomas. depositando-o nos hepatócitos. A hemossiderina é uma forma de armazenamento do excesso de ferro. • Hemossiderina: o ferro oriundo da hemoglobina é transportado pela corrente sanguínea por meio da transferrina até chegar ao fígado e daí. caracterizada por uma icterícia mais leve e que raramente se desenvolve (apenas no jejum prolongado). de onde não é mais reutilizado. A síndrome de Gilbert se diferencia de Crigler-Najjar tipo 2 uma vez que esta síndrome apresenta uma icterícia mais recorrente e mais intensa. insolúvel em água. que contém quantidades variáveis de carboidratos. exceto de suporte. lipídeos e ferro. no fígado.

não causa qualquer alteração. A destruição das ilhotas de Langerhans do pâncreas. em vez de enegrecidos. estando por isso intrinsecamente relacionado com o processo de envelhecimento. como a fenacetina. Estes agentes apresentam glicuronidades que podem desconjugar a bilirrubina. São empregadas substâncias que eliminam o ferro do organismo. tecido conjuntivo e tecido cardíaco. SIDEROSE Nos mineiros que trabalham em minas de minério de ferro. em células que sofrem alterações regressivas lentas.1 depositado no colágeno. Manifesta-se também uma cirrose com hipertrofia do fígado. Nas formas difusas. principalmente nas cidades. o carvão é inspirado sob a forma de pequeníssimas partículas e atinge os alvéolos pulmonares. onde entram nos linfáticos para serem depositados ao longo dos mesmos ou.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. OBS11: Lipofucsina (lixo celular) é um pigmento tido como resto de membrana mitocondrial que sofreu ação de radicais livres (peroxidação lipídica). não sendo responsável por fibrose pulmonar. nos linfonodos hiliares e mediastínicos. os pulmões tomam uma tonalidade ferruginosa. trata-se de um material insolúvel que é fagocitado e se acumula nas células (ex: células do músculo cardíacas e fígado). a maior parte pertence à classe dos medicamentos. preferencialmente. O processo. estudos realizados em mineiros de carvão demonstraram que entre eles só fumantes desenvolviam alterações da função pulmonar suficientes para produzir sintomas. OBS10: Se o distúrbio na absorção do ferro progredir (hemocromatose). alimentação demasiadamente rica em ferro. ANTRACOSE Dos pigmentos exógenos. mas aumenta em certos casos de infecção do trato biliar (como por Escherichia coli ou pelo Ascaris lumbricoides). devido principalmente a depósitos de hemossiderina. corando-se densamente em azul. a siderose. anemia com destruição dos glóbulos vermelhos. De fato. relaciona-se ao hábito de fumar cigarros. assim como a antracose. A bilirrubina não-conjugada é normalmente um componente secundário da bile. mas passa a destruir estes órgãos. produz uma pigmentação amarelada nos hepatócitos dos que fazem uso crônico desta droga. A hemossiderina pode se acumular nos pulmões e nas células cardíacas. Desde que não haja sílica presente (um fator fibrinogênico para os pulmões). Presente como um poluidor do ar atmosférico. Processos semelhantes podem ocorrer com os soldadores. transfusões repetidas) em que a hemossiderina aparece nos macrófagos do baço e em outros locais. bem como o pâncreas. Da mesma forma. bem como um diabetes açucarado. pequenas partículas ferruginosas podem ser inaladas do ar atmosférico. O diagnóstico diferencial do acúmulo de hemossiderina com o de bilirrubina no fígado é feito por coloração de cortes histológicos com o corante azul da Prússia. sem maiores repercussões clínicas. geralmente estando presentes em regiões onde ocorreram atrofias. Nas áreas cicatriciais. não provocam maiores transtornos. e um processo em tudo semelhante à antracose costuma aparecer. Suas origens são diversas: anomalia hereditária. que resiste ao tratamento da insulina. excesso de álcool. principalmente nas vizinhanças de antigas lesões tuberculosas. por aumento da glicemia. Esse acúmulo faz com que os órgão fiquem pardos. fazendo aparecer 5 . Essa doença ataca sobretudo os homens idosos. substância ferruginosa derivada da hemoglobina. etc. As partículas suficientemente pequenas para chegarem aos alvéolos são aí fagocitados por macrófagos que podem retornar com a sua carga de carvão para o tecido intersticial pulmonar. a pigmentação se acentua pois a fibrose dificulta a drenagem linfática. O mesmo ocorre com os fumantes. caracterizada por coloração bronzeada. exceto no que concerne a insulina. o mais freqüente é o carvão. PIGMENTAÇÃO MEDICAMENTOSA Dos pigmentos ingeridos. desencadeia a conhecida diabetes bronzeada (cirrose pigmentaria causada por hemocromatose). CALCIFICAÇÃO (CONCREÇÕES) CÁLCULOS BILIARES (COLELITÍASE) Os cálculos biliares de pigmento são misturas complexas de sais de cálcio insolúveis anormais de bilirrubina não-conjugada juntamente com sais inorgânicos de cálcio. conhecido com antracose. Analgésicos. agrava os efeitos nocivos do fumo sobre os pulmões. a hemossiderina passa a impregnar não só o fígado e o baço. há aquelas que são resultado de destruição excessiva de hemácias (anemias hemolíticas. Na siderose pulmonar dos mineiros. pardacenta e metálica da pele e dos órgãos internos. sais de prata podem ser depositados nas mucosas. que tem afinidade pelo ferro. O tratamento dos sintomas diabéticos é semelhante ao do diabetes açucarado. Porém. Doença rara.

Os cálculos de pigmento são classificados simplesmente como “negros” e “castanhos”. necrose com gangrena da parede biliar. Isto é causado por diversos fatores. inflamação da árvore biliar (colangite) e colestase obstrutiva ou pancreatite com problemas subsequentes. Os estruvitas são cálculos de fosfato-amônio-magnésio formados amplamente após infecções urinárias por bactérias clivadoras de uréia (Ex: Proteus e alguns estafilococos).1 bilirrunina não-conjugada na bile. A presença crônica dos cálculos na vesícula podem causar inflamações (colecistite) que. é a colesterolose. CÁLCULOS RENAIS (NEFROLITÍASE) Cálculos de oxalato de cálcio estão associados a hipercalemia e hipercalciúria. 12 OBS : A causa mais frequente de pancreatite em mulher é a colelitíase. São cálculos enormes que podem se moldar em toda porção da pelve renal (formando cálculos em chifre de alce). Os cálculos de pigmento negro (contém polímeros oxidados dos sais de cáclio de bilirrubina não-conjugada) são encontrados em bile vesicular estéril. é rico em oxalato de cálcio) e com ácido úrico (que sofrem de gota) elevado predispõem à formação desses cálculos. doença óssea difusa. perfuração por fístulas. sarcoidose ou outros estados hipercalêmicos. por exemplo. mas não diretamente relacionado à formação de cálculos biliares. Alternativamente. que tende a ser excruciante e constante ou em cólica (espasmódica). causados pelo hiperparatireoidismo. são cálculos muito pequenos que são os mais perigosos. também gera dor. Mais notável é o risco aumentado de carcinoma da vesícula biliar. enquanto que no homem é o alcoolismo. devido à natureza obstrutiva dos cálculos biliares. a hemólise intravascular leva à secreção hepática aumentada de bilirrubina conjugada. Quanto maiores os cálculos. Aproximadamente 50 a 75% dos cálculos negros são radiopacos. redondo a ovóides. Os cálculos de colesterol puro são amarelos-claros. Um achado incidental.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. um comprometimento intrínseco na reabsorção tubular renal de cálcio (hipercalciúria renal) ou hipercalciúria de jejum idiopática com função paratireoidiana normal. estando relacionado com obesidade e gestação) originam-se exclusivamente na vesícula biliar e são compostos de colesterol variando de 100% (puro) a cerca de 50%. Os cálculos de colesterol (a maioria. As complicações mais graves incluem empiema. suficiente carbonato de cálcio é encontrado em 10% a 20% dos cálculos de colesterol para torná-los radiopacos. é menos provável que eles entrem nos ductos cístico ou colédoco para produzir obstrução. em associação aos cálculos. As superfícies de cálculos múltiplos podem ser arredondadas ou facetadas. pertiniente à biologia do colesterol. 80%. Proeminente entre os sintomas dos cálculos biliares é a dor biliar. 6 . devido à aposição apertada. incluindo hiperabsorção de cálcio a partir do intestino. e os cálculos castanhos (contém sais de cálcio puros de bilirrubina não-conjugada) são encontrados em ductos intra-hepáticos ou extra-hepáticos infectados. Pessoas vegetarianas (o tomate. e têm uma superfície externa dura finamente granular. Os cálculos compostos predominantemente de colesterol são radiotransparentes (radiolúcidos).

As estrias gordurosas surgem na aorta de algumas crianças com menos de 1 ano de idade. afetando principalmente a aorta abdominal e seus ramos. As estrias gordurosas compreendem a lesão inicial da aterosclerose. A aterosclerose é caracterizada por lesões na íntima denominadas ateromas ou placas ateromatosas ou fibrogordurosas.  A camada elástica externa. As principais sedes arteriais da aterosclerose são: artéria aorta abdominal. e em todas as crianças com mais de 1 . estágios de estrias gordurosas. É caracterizada pelo acúmulo lipídeos. A aterosclerose é responsável por aproximadamente a metade de todas as mortes no ocidente. até as lesões mais avançadas. linfócitos B) ou material intercelular na camada íntima dos vasos. basicamente. síndromes coronarianas. São compostas por células espumosas (macrófagos repletos de lipídeos) que surgem como múltiplas manchas amarelas planas com menos de 1mm de diâmetro. Somente o infarto do miocárdio responde por 20% a 25% de todas as mortes nos Estados Unidos.  A camada elástica interna: é uma membrana elástica limitante localizada entre a íntima e a camada média. Apresenta pequenos filetes nervosos e vasos responsáveis pela irrigação de todas as camadas arteriais chamados de vaso vasorum. GENERALIDADES A aterosclerose é definida como uma doença das artérias de grande ou médio calibre. Seus meios para tal afirmação é a sua capacidade de provocar infartos. Arlindo Ugulino.  A túnica média. artérias femorais e poplíteas. que corresponde à própria camada muscular lisa.1 FAMENE NETTO.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.carboidratos complexos. A classificação da American Heart Association divide as lesões ateroscleróticas em seis tipos. óstio de abertura das artérias mesentéricas superior e das artérias renais. uma fina camada de células pavimentosas que estão em contato com a luz do vaso. HISTOLOGIA ARTERIAL Os vasos musculares apresentam. acometendo principalmente a artéria aorta e seus ramos. células (mastócitos. ateromas e fibroateromas. componentes do sangue (fibrina e anticorpos). artérias ilíacas. É justamente nesta camada onde o processo de aterosclerose se desenvolve. PATOLOGIA FISIOPATOGÊNESE DA ATEROSCLEROSE (Professor Ivan Rodrigues) A aterosclerose é uma doença degenerativa e inflamatória das artérias musculares. Ver OBS1. a aterosclerose é uma das principais causas de morte em todo o mundo. Estas placas podem provocar sérias complicações. linfócitos T. Em bases epidemiológicas. a qual passa a ser cronicamente alterada. acidente vascular cerebral.  A íntima. artérias coronárias no coração e as artérias carótidas internas e vertebrais no polígono de Willis. camada mais externa que reveste o vaso externamente. uma camada de tecido conjuntivo bastante fina. macrófagos. que invadem e obstruem o lúmen vascular e enfraquecem a média subjacente. etc. iniciando com células espumosas isoladas (pontos gordurosos). que coalescem em longas estrias de 1cm ou mais de comprimento. seis camadas:  O endotélio. gangrena nos membros inferiores em indivíduos diabéticos.  A camada adventícia.

Contudo. O HDL chega ser comparado como um coletor ou “carro de lixo” de colesterol para retirá-lo da corrente sanguínea e devolvê-lo ao fígado para sua excreção. É comum a partir da primeira década de vida e é clinicamente silenciosa. As estrias gordurosas coronarianas começam a se formar na adolescência. as placas invadem a média subjacente e enfraquece a parede dos vasos afetado. que se manifesta principalmente a partir da quarta década de vida. ateromas extensos podem ser friáveis. ocorrendo o acúmulo de LDL no plasma. Ocorre crescimento principalmente por acúmulo de lipídios. o encéfalo. Quando se faz dieta rica em colesterol (gema de ovo.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. 1 OBS : Classificação da American Heart Association para as lesões ateroscleróticas humanas:  Lesão do tipo I (inicial): células espumosas isoladas derivadas de macrófagos. independente da necessidade de LDL. o HDL e o LDL sejam disponibilizados e distribuídos. no entanto.1 10 anos. e algumas evidências experimentais apóiam o conceito da evolução das estrias gordurosas em placas. do intestino. sob esta forma. carnes gordurosas. e as englobam até se transformar em células grandes e cheias de gorduras (chamadas células xantomatosas ou espumosas). ocorrem com frequência em áreas da vasculatura que não são particularmente suscetíveis ao desenvolvimento de ateromas nos estágios posteriores da vida. uma vez que funciona como componente de membrana. causando aneurismas que podem se romper. comprometendo o fluxo sanguíneo dos órgãos mais distantes e resultando em lesão isquêmica. em locais anatômicos que podem ser propensos ao desenvolvimento de placas. liberando êmbolos na circulação distal. hematoma-hemorragia e trombo. ocorre trombose e hematoma. são transportados. As placas podem se romper e precipitar. onde são convertidos na lipoproteína VLDL. os receptores das lipoproteínas somem da superfície celular (ocorre inibição da biossíntese desses receptores e da expressão. até o fígado.  Lesão do tipo III (intermediária): surgem alterações de tipo II e pequenos reservatórios lipídicos extracelulares. 2 . As placas ateroscleróticas surgem primariamente nas artérias elásticas (Ex: aorta. aneurismas da aorta e doença vascular periférica (gangrena das pernas) são as principais consequências da aterosclerose. a medida que vai sendo distribuída as células. via sangue. As estrias gordurosas. etc. Infarto do miocárdio. Os níveis plasmáticos de lipoproteínas dependem da dieta e do consumo celular dependente de receptores celulares específicos geneticamente regulados. sendo clinicamente silenciosa ou evidente. são incorporados às células por meio de receptores específicos na membrana. O crescimento da placa também acontece por acúmulo de lipídios e se estabelece a partir da terceira década de vida. Com isso. os rins e as extremidades inferiores. formando trombos que aumentam a obstrução do fluxo sanguíneo. artérias carótidas e ilíacas) e nas artérias musculares de grande e médio calibre (Ex: artérias coronárias e poplíteas). Esta é lançada no sangue para que. As estrias gordurosas relacionam-se com os fatores de risco conhecidos para a aterosclerose em adultos (especialmente concentrações plasmáticas de colesterol e tabagismo). enquanto que o HDL faz o caminho inverso: transporta o colesterol das células e das placas ateromatosas para o fígado.  Lesão do tipo IV (ateroma): alterações do tipo II e núcleo lipídico extracelular caracterizam esta lesão que se estabelece também a partir da terceira década de vida. os monócitos e macrófagos não só possuem receptores para LDL geneticamente regulados como também apresentam receptores independentes da necessidade ou não de colesterol. Nas artérias maiores. etc) ocorre aumento dos níveis de LDL e do colesterol plasmático. A LDL é a principal transportadora de colesterol para as células.  Lesão do tipo V (fibroateroma): caracterizado por núcleos lipídicos e camadas calcificadas ou fibróticas. BIOQUÍMICA E TRANSPORTE DOS LIPÍDEOS Os lipídeos oriundos da dieta são empacotados na forma de quilomicrons e. mas ainda é clinicamente silenciosa. Contudo. A doença aterosclerótica assintomática acomete mais frequentemente as artérias que irrigam o coração. Além disso. os sinais clínicos são silenciosos ou evidentes. independentes fatores de risco. Quando a célula não precisa de colesterol. frituras. onde será metabolizado e excretado pela bile. essas células continuam a receber e fagocitar as lipoproteínas.  Lesão do tipo II (estrias de gordurosas): ocorre crescimento por acúmulo e lipídico intracelular. Acontece a partir da primeira década de vida e é clinicamente silenciosa. A presença de colesterol no plasma é importante. manteiga. Nas artérias pequenas. lipoproteína que apresenta receptores específicos nas células.  Lesão do tipo VI (avançada): caracterizada por defeitos de superfície. O mecanismo de crescimento se baseia no aumento acelerado de músculo liso e colágeno que ocorre a partir da quarta década de vida. os ateromas podem obstruir os lumens. uma vez que eles são geneticamente regulados). infarto cerebral (acidente vascular encefálico). Nesta se. participa na produção de hormônios esteroidais. Os lipídeos saem do fígado e são distribuídas para as células na forma de lipoproteínas e.

reduzindo a síntese de oxido nítrico (principal promotor de relaxamento vascular derivado do endotélio). • Genética: a predisposição familiar bem estabelecida para aterosclerose e cardiopatia isquêmica é mais provavelmente poligênica. é necessário tempo. o Aumento dos espaços interendoteliais. até mesmo em indivíduos jovens. Está associado ao aumento dos níveis de colesterol plasmático que. A própria toxina do cigarro também favorece a destruição do endotélio. o Lipídeos transportados no sangue sob a forma de lipoproteínas são incorporados às células por meio de receptores específicos que deixam de ser expressos quando a célula não mais necessita englobar lipídeo. Ocorre na faixa etéria entre 40-60 anos. Além disso. Esses pacientes apresentam ainda um sistema anti-oxidante (necessário por degradar citocinas. acelera o processo da aterosclerose. debelar processos inflamatórios e combater a LDL-oxidada. predispondo à produção das placas. por exemplo. fibrogordurosas. ao infarto. lipídicas ou fibrolipídicas. gerando o aumento dos níveis de LDL no plasma e favorecendo a sua infiltração na intima dos vasos. a propensão genética está relacionada com um agrupamento familiar de outros fatores de risco. um dos principais fatores para a formação da placa ateromatosa) deficiente. As mulheres são protegidas do desenvolvimento da aterosclerose até o advento da menopausa. apresentam o lipídeo ômega-3. Um ateroma (derivado da palavra grega para “mingau”) ou placa ateromatosa consiste uma lesão elevada que tem início na íntima. o Hipertensão arterial: favorece para agravar a aterosclerose. A pressão mecânica sobre o endotélio também é responsável por promover uma disfunção endotelial. A placa de aterosclerose não somente se forma pelo acúmulo de lipídios como também por meio da proliferação da musculatura lisa vascular e da matriz extracelular. a força mecânica sobre a parede dos vasos estimula a expressão de receptores que favorecem a proliferação da musculatura lisa e elementos da matriz extracelular. predispondo. as placas ateromatosas são brancas ou branco-amareladas. o as mulheres apresentarão a mesma propensão ao desenvolvimento da aterosclerose que os homens. o Hipercolesterolemia familiar: deficiência nos receptores de LDL. o Diabetes mellitus: diabéticos apresentam disfunção endotelial e diminuição da síntese de NO. • Tabagismo: aumenta a taxa de óbito por cardiopatia isquêmica. tendem a hiperlipidemia e hipercolesterolemia. Com menor frequência. uma vez que o estrógeno tem um efeito protetor contra a aterosclerose (diminuindo os níveis das lipoproteínas e aumentando os níveis de HDL). FATORES DE RISCO • Idade: para que aterosclerose se instale como um processo crônico. A partir da fase da menopausa. como ocorre na hipercolesterolemia familar. hiperlipidemia e infecções) acarreta um aumento da permeabilidade 3 . tendendo a apresentar hipertensão arterial. • Sexo: os homens são mais propensos ao desenvolvimento de aterosclerose. há o envolvimento dos distúrbios genéticos hereditários bem conhecidos no metabolismo das lipoproteínas. o que favorece a passagem de lipoproteínas para a íntima. macrófagos e monócitos. ocorrendo uma diminuição da síntese de substâncias vasodilatadoras como o óxido nítrico. dois eventos fundamentais para a fisiopatogênese da placa ateromatosa. repletas de gordura. que resultam em níveis excessivamente elevados de lipídios no sangue. como hipertensão ou diabetes. o que faz com que essas células continuem fagocitando lipídeos para formar as células xantomatosas. uma vez que a deficiência de insulina promove a lipólise e aumento dos níveis de lipídios no sangue. aumentando o tônus vascular e a pressão arterial. podendo baixar os níveis de colesterol. Uma lesão endotelial ou uma disfunção no endotélio (que pode ser gerada pela própria lesão ou por alterações da permeabilidade endotelial provocada pelo fumo. ocorre aumento do tônus vascular e da pressão arterial. A gordura de certos peixes. a aterosclerose não costuma ser evidente até a meia idade. O tabaco é rico em substancias oxidantes que podem levar à oxidação da LDL. além deste receptor regulado pela quantidade de gordura.1 Existem certos ácidos graxos polinsaturados presentes em óleos vegetais que fazem o efeito inverso do LDL.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. EVENTOS MORFOLÓGICOS E FISIOPATOLÓGICOS DA ATEROSCLEROSE O processo chave que caracteriza a aterosclerose é o espessamento da íntima e o acúmulo de lipídeos na região afetada. apresentam receptores constitutivos cuja expressão não é diminuída com o aumento de gordura. uma vez aumentado (hipercolesterolemia) pode provocar: o Disfunção endotelial. Além disso. faixa em que a incidência de infarto miocárdico 5x. • Hiperlipidemia: é o principal fator de risco da aterosclerose. coberto por uma cápsula fibrosa firme e branca. apresentando um centro lipídico grumoso consistente. amarelo (principalmente colesterol e ésteres de colesterol). Também denominadas palcas fibrosas. Contudo. Mais comumente. que diminui os níveis de colesterol plasmático. Com isso. pois. Por isso. e invadem o lúmen das artérias.

Uma vez na camada intima. formando LDL oxidada (capaz de aumentar a expressão de receptores de leucócitos e monócitos no endotélio. bem como a adesão de plaquetas na abertura inter-endotelial. crescimento e proliferação destas células musculares além da produção de matriz extracelular (por meio da estimulação da proliferação de fibroblastos). geralmente sutil.  Ocorre acúmulo de lipoproteínas nas paredes vasculares. a luz do vaso.  Maior acúmulo de lipídios. se o indivíduo já apresenta uma taxa elevada de lipoproteínas no plasma. levando o acúmulo de colágeno e proteoglicanos. 4 . Todos esses fatores pré-citados favorecem a migração das células inflamatórias para a camada íntima. o LDL passa a sofrer modificações estruturais (oxidação pela ação dos radicais livres formados pelas células endoteliais ou por macrófagos ou mesmo pelas substâncias tóxicas do fumo). incluindo as CML.1 endotelial e. incluindo colágeno. Por meio da interação e ativação celular. fibras elásticas e proteoglicanos. seguida por sua migração para a íntima e transformação em macrófagos e células espumosas. fazendo com que a região lesionada seja infiltrada por fibrose mediada por colágeno e proteoglicanos. e (3) lipídios intracelulares e extracelulares. adesão leucocitária e potencial trombócito. o processo inflamatório e a fibrose se prolonga. uma vez que as plaquetas tendem a se agregar onde a íntima estiver exposta). temos:  A lesão endotelial crônica.  Proliferação de células musculares lisas na íntima e elaboração da matriz extracelular. os macrófagos e linfócitos que migraram para a região da lesão liberam fatores (citocinas) importantes que vão promover a migração das células musculares da camada média para a camada íntima. além de ter caráter tóxico contra a própria camada endotelial. Estes são os principais componentes da placa ateromatosa.  Continuação do processo inflamatório. Ao final do processo. O aumento do volume da região lesada obstrui.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. resulta em elevada permeabilidade. com seus elevados conteúdos de colesterol (indivíduos com hiperlipidemia podem apresentar disfunções endoteliais que favorece a passagem de monócito para íntima. O LDL. promove o aumento da expressão de receptores no endotélio (principalmente para monócitos) e também favorece a adesão de plaquetas na superfície endotelial. além de causar lesão direta no endotélio). agora oxidado. linfócitos B e linfócitos T. macrófagos. As placas ateroscleróticas possuem três principais componentes: (1) células.  Adesão de monócitos plasmáticos (e outros leucócitos) ao endotélio.  Adesão plaquetária na região lesionada. Estes componentes ocorrem em proporções e configurações variadas em diferentes lesões. além de depósito de matriz extracelular e de outros elementos inflamatórios nesta região (linfócitos T. tendendo à calcificação e necrose. tanto no interior das células (macrófagos e CML) quanto no espaço extracelular (quando há rompimento das células espumosas). principalmente LDL. calcificação e necrose. (2) matriz extracelular. É fundamental saber também que a própria LDL oxidada tem a capacidade de promover a expressão de receptores para mastócitos. A medida que este processo evolui. ocorre acúmulo de lipídios dentro dos macrófagos (formação das células xantomatosas) e proliferação de células musculares na camada íntima. B e mastócitos). que faz com que sejam produzidas e liberadas fatores que promovem a migração e proliferação das células musculares lisas (CML).  Interação entre linfócitos (que também são recrutados para a região) e macrófagos. demais leucócitos e restos de células necróticas e rompidas. Os macrófagos passam a englobar as lipoproteínas que penetram na camada subendotelial e se transformam em células espumosas (ou xantomatosas).  Modificação de lipoproteínas lesionais por oxidação. gradativamente. caracterizando os efeitos nocivos da placa ateromatosa (infarto. etc). ocorre acúmulo dessas lipoproteínas na matriz subendotelial (que é a camada íntima). Em resumo. isquemia. as quais saem da camada média para acumular-se na íntima. com consequente disfunção endotelial.

Diversos aspectos do processo aterogênico serão agora considerados em detalhes. características do estado 5 . promovendo uma verdadeira limpeza da placa. Após a adesão dos monócitos ao endotélio. A causa específica da disfunção endotelial na aterosclerose inicial não é conhecida: possíveis candidatos incluem subprodutos da fumaça do cigarro. Os macrófagos produzem espécies tóxicas que aumentam ainda mais a oxidação do LDL nas lesões e produzem fatores de crescimento que podem contribuir para a proliferação das células musculares lisas. É por este motivo que indivíduos fumantes tendem a desenvolver placas ateromas: as substâncias tóxicas e oxidantes do tabaco promovem a oxidação da LDL mais rapidamente. OBS2: Como vimos. as células endoteliais começam a expressar em sua superfície moléculas de adesão seletivas (como a VCAM-1).1 Outro fator importante que acontece no advento da formação da placa é a formação de pequenos e frágeis vasos sanguíneos com a função de suprir e nutrir esta nova formação na parede do vaso. que pode obstruir pequenos vasos distantes da região onde se formara. Contudo. expondo a matriz e fatores trombogênicos. 3 OBS : Ao contrário do efeito patogênico da LDL. o HDL é responsável ainda por reverter o processo de acúmulo de lipídeos dentro da placa. a LDL oxidada promove a expressão de receptores endoteliais para células inflamatórias. Além disso. Isto faz com que plaquetas e fibrina se agregem na região do rompimento da placa. No entanto. ou seja. Quando a LDL. O endotélio normal não permite a ligação de leucócitos. oriunda da hiperlipidemia. a progressão e as complicações das lesões ateroscleróticas. Isso gera a ulceração da placa e do endotélio subjacente. a HDL é o tipo de colesterol desejado para maior oferta na dieta do indivíduo. Além de promover o retorno do colesterol de uma forma geral para o fígado (onde será excretado). homocisteína e possivelmente vírus e outros agentes infecciosos.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. nas fases iniciais da aterogênese. perder elétrons e ficar desestabilizada. promove a formação de um êmbolo. que elevam a adesão de leucócitos. como já vimos. Uma vez oxidada. em grande parte estimulados por citocinas e/ou transformam-se em macrófagos e englobam avidamente lipoproteínas. Os macrófagos produzem IL-1 e TNF. o rompimento desses vasos neoformados pode causar hemorragias e rompimento da placa ateromatosa. LESÃO ENDOTELIAL A lesão endotelial crônica ou repetida é o ponto principal da hipótese de resposta a lesão. principalmente LDL oxidadas. O diálogo entre os macrófagos e células T induz a ativação imune celular e humoral. pode sofrer oxidação (ou já pode entrar oxidada). que se ligam a diversas classes de leucócitos. INFLAMAÇÃO Os mecanismos inflamatórios medeiam o estabelecimento. um dos principais eventos da fisiopatologia da aterosclerose é a oxidação da LDL. estimulam a expressão de genes endoteliais que podem promover a aterosclerose. penetra na camada subendotelial. admite-se que os dois principais fatores desencadeantes são: alterações hemodinâmicas e hipercolesterolemia. eles migram entre as células endoteliais para se alojar na íntima. realizando um efluxo do excesso de colesterol. a LDL é reconhecida de forma mais rápida pelos macrófagos que passam a se transformar em células espumosas. como o fator de necrose tumoral (TNF). Os linfócitos T (tanto os CD4+ quanto os CD8+) também são recrutados para a íntima por quimioatração. se ocorrer seu desprendimento. provendo a formação de um trombo que. Contudo. Citocinas inflamatórias.

bactérias e vírus foram relacionados. à trombose.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.1 inflamatório crônico. Diversos fatores de crescimento estão relacionados com este processo: PDGF (liberado por plaquetas. enfraquecendo as placas ateroscleróticas e tornando-as suscetíveis à ruptura. estenose crítica por completa obstrução da luz do vaso pelo crescimento da placa. particularmente Chlamydia pneumoniae e citomegalovirus. gerados em macrófagos ou nas células endoteliais nas paredes vasculares. (4) ser tóxica para as células endoteliais e CML. acidentes vasculares encefálicos. O LDL oxidado. por acelerar as vias de inflamação crônica associadas a lesões ateroscleróticas. pneumoniae podem ativar macrófagos e induzir a produção de proteinases que degradam a matriz. No entanto. como a hipercolesterolemia. na hiperlipidemia crônica. que podem. os principais lipídios nas placas ateromatosas são colesterol e ésteres de colesterol que derivam do plasma. Podem provocar ainda alterações no metabolismo lipídico sistêmico. CÉLULAS MUSCULARES LISAS (CML) As CML migram da camada média para a íntima. As principais complicações são: formação de trombo sobre a placa. e portanto. aneurismas devido à fragilidade vascular. as lipoproteínas se acumulam no interior da íntima em locais de elevada permeabilidade endotelial. FGF e TGF-α. pneumoniae são as mais fortes. por sua vez. INFECÇÕES Estudos recentes mostram que há uma possibilidade de contribuição de infecções para a aterosclerose. Além disso. A hiperlipidemia crônica. encontrado em macrófagos presentes em estrias gordurosas. particularmente hipercolesterolemia. Alterações lipídicas químicas induzidas por radicais livres. A própria Chlamydia pneumoniae e o vírus da Herpes simples tipo 1 (HSV-1) podem garantir um processo inflamatório dentro da placa e piorar ainda mais o processo inflamatório que já estava instalado. uma vez que não é possível realizar mecanismos compensatórios ou circulações colaterais em pouco tempo. organismos infecciosos podem potencializar as complicações das lesões já existentes. (3) liberação de fatores de crescimento e citocinas. Os antígenos responsáveis por esta ativação ainda não são conhecidos. proteínas de choque térmico de C. As CML também podem absorver lipídios modificados. estimular macrófagos. Por exemplo. onde proliferam-se e depositam componentes da matriz extracelular. trombose intraluminal sobrejacente a uma placa aterosclerótica rompida. as doenças ateroscleróticas podem causar infarto do miocárdio. e rompimento da placa ateromatosa. Em idades mais avançadas. Admite-se que uma infecção secundária da lesão pode potencializar os efeitos locais dos fatores de risco conhecidos. As alterações vasculares que podem causar isquemia no coração e em outros órgãos envolvem uma complexa interação dinâmica entre o estreitamento aterosclerótico fixo das artérias coronárias. (2) acúmulo de monócitos nas lesões. Além disso. macrófagos. gangrena e aneurisma de aorta. ou por alterar a resposta das células da parede vascular à lesão. As evidências da participação de C. Quando esta obstrução se dá de maneira súbita. tromboembolismo por deslocamento do trombo pré-formado. 6 . As células T recebem sinais para produzir citocinas inflamatórias. células endoteliais vasculares e CML. contribuindo para a formação de células espumosas. as consequências são piores. evidências de mecanismos específicos através dos quais as bactérias ou vírus podem causar aterosclerose continuam desconhecidos. é um dos principais componentes da placa ateromatosa. agregação plaquetária e vasosespamos. como o IFN-γ e linfotoxina. pode prejudicar diretamente a função das células endoteliais por elevar a produção de radicais livres de oxigênio que desmobilizam o NO. A evidência mais concreta foi a detecção de componentes bacterianos em lesões ateroscleróticas. hemorragia dentro da placa por lesão dos pequenos vasos neoformados. células endoteliais e as próprias CML). respectivamente. mas antígenos bacterianos e virais ou proteínas do choque térmico e novos antígenos induzidor por constituintes da parede arterial modificada ou por lipoproteínas são algumas possibilidades. causando o desenvolvimento de lesões ateromatosas e suas complicações. LIPÍDIOS Como sabemos. geram LDL oxidada (modificada) responsável pelos seguintes fatores: (1) ser ingerida mais facilmente por macrófagos (por ser reconhecida por um receptor depurador) e formar células espumosa. principal fator de relaxamento derivado de endotélio. EFEITOS CLÍNICO-PATOLÓGICOS DA DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA ATEROSCLERÓTICA As complicações da doença arterial coronariana aterosclerótica podem ocorrer por perfusão coronariana prejudicada relativa à demanda miocárdica (isquemia miocárdica). transformando as estrias gordurosas em ateromas fibrogordurosos e contribuindo para o crescimento progressivo das lesões ateroscleróticas.

mas há muito tempo o emprego não-neoplásico do tumor saiu de uso. Arlindo Ugulino. fazendo com que as células acometidas se proliferem e passem dos limites teciduais. Contudo. desregulada e progressiva. Normalmente. o processo de um “novo crescimento” e um novo crescimento é chamado de neoplasma. literalmente. oncos = tumor) é o estudo dos tumores ou dos neoplasmas. ou seja. devido a alguma alteração nos genes que regulam o processo de divisão e proliferação celular normais. O termo tumor foi originalmente aplicado ao edema. tumor agora equivale a neoplasma. neoplasia é o termo utilizado para proliferações locais de clones celulares atípicos que. tendendo para a perda da diferenciação celular.1 FAMENE NETTO. acontece uma replicação celular excessiva. NOMENCLATURA A nomenclatura dos tumores é baseada no componente parenquimatoso dos mesmos (ver tabela no final): 1 . Oncologia (do grego. tendendo a perder a diferenciação celular. perder as características histológicas e funcionais do tecido que lhe deu origem. Biologicamente.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Todos os tumores benignos e malignos apresentam dois componentes básicos: (1) células neoplásicas em proliferação que constituem seu parênquima e (2) o estroma de sustentação formado por tecido conjuntivo e vasos sanguíneos. alterações nesses mecanismos geram um descontrole do desenvolvimento celular. as células se proliferam de forma coordenada por mecanismos genéticos bastantes rigorosos. PATOLOGIA NEOPLASIA (Professor Ivan Rodrigues) O termo neoplasia (neo = novo + plasia = tecido) significa. Portanto.

com aparência mais grosseira. apresentam células não especializadas e. e um tumor dos osteoblastos é um osteoma. são bastante frequentes e atípicas em tumores malignos. Os principais pontos diferenciais serão aqui abordados: • Biologia do crescimento tumoral: o tumor benigno tende a crescer de forma mais regular e bem delimitada. As células dos tumores malignos não podem ser confundidas com 2 . entretanto. são chamados de carcinomas (Ex: adenocarcinoma para padrões glandulares.1 • • Tumores benignos: em geral. a presença de mitoses não indica necessariamente que um tumor é maligno ou que o tecido é neoplásico. o crescimento tende a ser lento e expansivo. • Cromatina: tende a ser homogênea nos tumores benignos. enquanto que nos tumores malignos. Tumores malignos: a nomenclatura dos tumores malignos segue essencialmente o mesmo esquema usado para os neoplasmas benignos. sar = carne) porque apresentam pouco estroma conjuntivo e são carnosos (Ex: fibrossarcoma. papilomas (neoplasmas epiteliais benignos que produzem projeções digitiformes). não diferenciadas. cistoadenomas (lesões que formam grandes massas císticas no ovário). Por exemplo. pólipo (neoplasma benigno que produz uma projeção visível acima da camada mucosa). invasão local e metástases. é necessário tomar conta de alguns termos como diferenciação e anaplasia. Anaplasia acontece quando a célula tumoral perde suas características histomorfológicas. hemangiossarcoma para câncer do tecido sanguíneo). taxa de crescimento. CARACTERÍSTICAS DIFERENCIAIS ENTRE NEOPLASMAS BENIGNOS E MALIGNOS Em muitos aspectos. cistoadenomas papilares (tumores que produzem padrões papilares com protusão para os espaços císticos). de forma a comprimir os tecidos circunvizinhos. já o tumor maligno não apresenta uma ordem de crescimento regular. rabdomiossarcoma para um câncer que se diferencia como um músculo estriado. OBS1: Para caracterizar bem os tumores benignos e malingos. estruturais e funcionais. tumor que se origina no tecido adiposo lipoma. tende a ser rápido e progressivo. nos tumores malignos. aumentando apenas em número. tendendo a perder a diferenciação normal das células. A diferenciação se refere à extensão com que as células neoplásicas lembram células normais comparáveis tanto morfologicamente como funcionalmente. ou seja. pode desenvolver novamente a neoplasia. seminoma (tumor maligno nos túbulos seminíferos). pouco semelhantes ao tecido de origem. um tumor cartilaginoso é um condroma. • Mitoses: são poucos frequentes em tumores benignos. derivadas de qualquer uma das três camadas germinativas. Os tumores malignos que surgem no tecido mesenquimal são geralmente chamados de sarcomas (do grego.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. os tumores benignos são designados com a inclusão do sufixo OMA na célula de origem. a nomenclatura dos tumores epiteliais benignos é mais complexa. As principais diferenças entre tumores malignos e benignos correspondem aos mecanismos de diferenciação a anaplasia. • Volume das células: as células dos tumores benignos tendem a manter o volume a forma semelhante às céulas do tecido de origem. linfoma (tumor maligno de células do tecido linfóide). alguns com base nas suas células de origem. outros ainda no seu padrão macroscópico: adenoma (neoplasia epitelial benigna que forma padrões glandulares). Outros tipos de tumores malignos que apresentam uma nomenclatura bastante semelhante à dos tumores benignos são: melanoma (tumor maligno de melanócitos). lipossarcoma. Mais importante característica morfológica de neoplasia maligna são as mitoses atípicas. Em contraste. portanto. apresenta aspecto grosseiro nos tumores malignos. carcinoma de células escamosas para qualquer tumor que produza células escamosas identificáveis). etc. Os tumores de células mesenquimais geralmente seguem esta regra. fazendo com que os núcleos de células acometidas mostrem-se hipercromáticos. um tumor benigno que surge de células fibroblásticas é chamado de fibroma. • Ritmo de crescimento: nos tumores benignos. bizarras. • Formas das células: tende a ser preservada nos tumores benignos. com a adição de algumas expressões. algumas possuindo apenas um ou mais núcleos polimórficos enormes. os neoplasmas malignos e benignos se diferenciam entre si. com bordas irregulares e digitalizadas. mantendo a forma das células do tecido de origem. mesotelioma (tumor maligno que se origina em qualquer mesotélio). Os neoplasmas malignos originados a partir das células epiteliais. este processo não ocorre com os tumores malignos devido a seu caráter invasivo. enquanto células anaplásicas. É por este motivo que o cirurgião ao realizar a retirada cirúrgica de um tumor maligno. retira todo o tecido circunvizinho pois uma simples lingueta de célula neoplásica que permaneça no tecido após a cirurgia (lingueta esta não perceptível a olho nu). produzindo às vezes fusos tripolares. outros na arquitetura microscópica. Contudo. Eles são classificados de modo diverso. de forma a invadir os tecidos circunvizinhos. • Presença da pseudocápsula: revestimento formado nos tumores benignos pelo tecido circunvizinho comprimido. a falta de diferenciação é chamada anaplasia (ou desdiferenciação). refletindo a maior atividade proliferativa das células parenquimatosas. quadripolares ou multipolares. apresentam uma grande variação de tamanho e de forma (pleomofismo celular). os tumores malignos tendem a apresentar células tumorais gigantes. Tumores bem diferenciados são formados por células que lembram as células normais maduras do tecido de origem. para se ter uma margem de segurança. apresentando formas variadas. leiomiossacroma para o câncer do músculo liso.

por tanto. pode determinar o local de origem daquele corte histológico. de aspecto normal. metástase ocorre quando há formação de colônias neoplásicas em um órgão a distancia. estando o núcleo em tamanho completamente desproporcional. sendo perceptíveis macroscopicamente apenas pela formação de uma massa tumoral que se destaca do tecido normal.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. A medida que o tempo passa. nas neoplasias malignas. Por exemplo. teste que. Os tumores malignos tendem a perder a diferenciação do tecido de origem. isto não acontece com as formações malignas. por meio de anticorpos especiais. alterações menstruais e cólicas. De um modo geral. Metástase: significa disseminação das células tumorais para tecidos distantes de onde o processo neoplásico se iniciou. que passam a ser tão diferentes do tecido de origem que são irreconhecíveis durante uma biópsia. Acontece principalmente em tumores malignos devido ao seu caráter de crescimento irregular e invasivo. gere necrose e isquemia. mas permanecem in situ (não ultrapassam a membrana basal). A figura abaixo mostra. através de mutações. OBS2: De uma forma geral. ainda na figura. na microscopia. Repercussão sobre o estado geral: geralmente. Quando as células cancerígenas malignas. tendem a apresentar apenas o núcleo. Isso ocorre porque a arquitetura do tecido neoplásico maligno é perdida devido à falta de diferenciação que caracteriza este tipo de neoplasia. Necrose. ulcerações: são mais frequentes nos tumores malignos uma vez que estes apresentam uma massa de proliferação celular maior. corticosteróides) que influenciam na homeostasia do paciente. elas passam a apresentar a capacidade de degradar a membrana basal. apenas os tumores malignos tem alguma repercussão sobre o estado geral do portador. podendo alcançar um vasos e promover metástase. portanto. Esta afirmação é tão verdade que. Recidiva: significa a manifestação de novas neoplasias mesmos depois de tratada ou retirada cirurgicamente. com isso. de maneira esquemática. Relação núcleo/citoplasma: tende a ser normal nas células tumorais benignas. A proporção núcleo/citoplasma. totalmente diferentes do tecido de origem). é mais diferente que o tecido que o originou. ocorre em certos leiomiomas uterinos. é quase impossível determinar qual o tecido de origem daquele campo neoplásico. a diferenciação é quase que preservada. hemorragia. Para determinar qual o tipo de tecido durante uma biópsia. as neoplasias benignas são muito semelhantes ao tecido de origem. a repercussão sobre o estado geral não é tal preocupante.1 • • • • • • • células inflamatórias de Langhans ou células gigantes de corpo estranho. Daí. Apenas tumores malignos produzem metástase. nas neoplasias malignas. Diferenciação: nas formações benignas. Em outras palavras. como por exemplo. podem chegar a 1/1 (quando o normal é 1/4 ou 1/6). Este fato faz com que estroma vascularizado não acompanhe este crescimento e. tornem-se ainda mais desdiferenciadas. passam a secretar colagenases e proteases. fazendo com que as células. tendem a ser extremamente diferentes nas células tumorais malignas. a constituição normal de um tecido mamário e dos ductos mamários e. é necessário o exame de imunohistoquímica. existem tumores pulmonares em que se tem sarcoma de pequenas células (oab cells) que produzem hormônios paraneoplásicos com capacidade de promover a produção de hormônios (ADH. na microscopia. que são derivadas de macrófagos e contêm diversos núcleos pequenos. cada vez mais. o único tumor que tem a capacidade de invadir vasos é o tumor maligno. 3 . o tumor maligno apresenta-se como cortes histológicos exibindo uma desorganização da estrutura natural ou habitual representada pela proliferação neoplásica constituída de trabéculas ou ninhos de células sólidas. o tecido é menos diferenciado e. um exemplo de câncer benigno (bem diferenciado e praticamente normal) e um câncer maligno (pouco diferenciado e. Algumas células. Nos tumores benignos. as mutações continuam acontecendo e se generalizando. Invasão de vasos: o tumor benigno não invade vasos. Entretanto. tem-se a importância de tratar o câncer de forma precoce para evitar a formação de células capazes de produzir enzimas invasivas.

pois. o tecido está próximo do normal. rápido crescimento expansivo com hemorragias e necrose. Isto quer dizer que o portador apresenta um pior prognóstico e malignidade do tumor é maior. temos o exemplo de dois tumores da musculatura lisa no útero: o leiomioma (benigno) e o leiomiossarcoma (maligno). crescimento lento. não-metastático. por exemplo). Se um tumor é pouco diferenciado. de uma forma geral. a sua nutrição. pois. metastático e pouco diferenciado. observando a imagem ao lado. Por exemplo. com as neoplasias benignas). diminuindo. depende da formação ou não de fibrose. pode haver ainda neoplasias tai pequenas que não ultrapassam 1 cm de diâmetro (como os microcarcinomas papiliferos de tireóide). mais vai lembrar o tecido mamário hígido (íntegro). etc. mais diferentes serão estas massas tumorais com relação à arquitetura do tecido de origem. pior é a sua arquitetura tumoral e menos diferenciado ele é. em massas tumorais pequenas. O tamanho da massa tumoral (sendo ela capaz de secretar colagenase) e o grau de indiferenciação são diretamente proporcionais à disseminação. Quando há o crescimento tumoral. Existem tumores ovarianos que podem chegar a pesar até 10 kg (como os cistoadenomas serosos mucinóides. o termo pouco diferenciado em nível molecular refere que o tecido possui muitas alterações genéticas (aberrações) e não consegue mais se diferenciar (ou seja. em neoplasias bem diferenciadas. Contudo. Quanto mais bem diferenciado. por exemplo. Entretanto.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. O termo desdiferenciado significa que está se afastando da arquitetura do tecido normal. como ocorre nas neoplasias malignas. já podem existir células potencialmente capazes de formar metástase. cor. um carcinoma de mama. a sua luz desaparece. os túbulos mamários vão se tornando sólidos. Diferentemente do acontece em tumores pouco diferenciados: quando há uma desdiferenciação muito intensa. Quanto à consistência. quanto mais bem diferenciado. peso. já existem nesta área grupos tumorais capazes de invadir vasos. Quanto à forma. bem diferenciado. 1 • Disposição arquitetural: varia conforme o grau de diferenciação (ver OBS ). Muito embora. para isso. melhor é o prognóstico. formando trabéculas e ilhas tumorais sólidas que desconfiguram a arquitetura normal. ASPECTOS MICROSCÓPICOS Em nível microscópico. Ex: um laudo que determina “Carcinoma mamário ductal moderamente diferenciado” e outro com “Carcinoma mamário ductal pouco diferenciado” sugere que o primeiro tem melhor prognóstico e o segundo é de ruim prognóstico. As principais terapias utilizadas contra tumores são quimioterápicos que induzem uma diminuição da angiogênese neoplásica. forma. rígidos. consistência e superfície de cortes variados. amadurecer) a partir do tecido original.  Leiomiossarcoma: grande e irregular. CARACTERÍSTICAS MACROSCÓPICAS GERAIS As neoplasias. • Componentes básicos: os componentes básicos de uma neoplasia são dois: o componente que compõe o estroma e o componente vascular. é possível e mais fácil de perceber características histológicas que definem a origem do tecido na lâmina histológia. responsável pela nutrição da massa tumoral. não-invasivo. A cor do tumor vai depender da vascularização e presença de necrose. Inclusive. bem delimitado macroscopicamente. • Grau de malignidade: o grau de malignidade de um tumor está relacionado à sua arquitetura tumoral: quanto maior o grau de malignidade de um tumor. os tumores podem ser sólidos. 4 . melhor a neoplasia vai lembrar o tecido natural ou de origem (o que acontece. podem apresentar tamanho. significa dizer que a arquitetura tumoral pouco se parece com o tecido original. difícil delimitação.  Leiomioma: pequeno. Quando se fala em bem diferenciado. Provavelmente. assemelha-se mais com o tecido do local em neoplasia. Quanto mais diferenciado. no caso do carcinoma de mama. assim. seria o componente epitelial o estroma e o componente vascular responsável por nutrir esta neoplasia em proliferação. na maioria das vezes. Já aquelas neoplasias pouco diferenciadas. tumores menores apresentam menor probabilidade de disseminação e são mais fáceis de tratar. Isso acontece porque é a característica biológica do tumor é quem define a possibilidade de metástase. invasivo (se infiltra por todo miométrio). podemos destacar alguns pontos que caracterizam e individualizam cada tipo de neoplasia.1 Em resumo. Em um carcinoma. o próprio tumor é capaz de secretar fatores angiogênicos que induzem a formação de vasos (neovascularização). é necessária uma nutrição bastante regular e.

provavelmente.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Para o desenvolvimento do tumor em qualquer tecido. existe uma ordem de proliferação. a maioria das transformações neoplásicas do epitélio cervical escamoso está associada com o HPV (vírus do papiloma humano). se positivo para as lesões do tipo NIC. realizar metástases com maior facilidade (maior produção de fatores de neovascularização ou formação de colagenases) e se tornar ainda mais maligno do que já era no início. logo após uma camada de células parabasais. Como sabemos. em NIC-I. o resto do epitélio começa a ser tomado. isto é. células semelhantes àquelas que deveriam se encontrar apenas na camada basal. Isto é. observa-se que esta parte intermediária passa apresentar grande número de mitoses (onde normalmente não se via. em quatro cortes. acontecem alterações genéticas e morfológicas localizadas no terço inferior do epitélio À medida que essas alterações genéticas e epiteliais se proliferam. já encontramos tecido conjuntivo e vasos sanguíneos. A figura ao lado mostra. chamada de lesão intra-epitelial cervical de baixo grau). Isto caracteriza. deixa-se de produzir ceratina (que é uma característica típica do epitélio escamoso). toda espessura do epitélio é acometida e deixa de se diferenciar. uma vez que mitose é comum apenas na camada basal). tratando de uma neoplasia in situ (intraepitelial). as células começam a se proliferar. II ou III). Na primeira imagem (Normal). como as células repletas de glicogênio são gradativamente substituídas pelas células parabasais (devido ao processo de desdiferenciação). Com a desdiferenciação. se espera que toda a arquitetura do epitélio seja alterada. sem ruptura da membrana basal. a evolução do pitélio cervical escamoso que recobre o colo uterino. Quando todo o tecido está tomado. Isto porque o iodo apresenta afinidade pelo glicogênio presente nas células do epitélio cervical. as células se multiplicam mais e. as células repletas de glicogênio presentes no tecido normal deixam de existir ao serem substituídas pelas células parabasais. Apenas uma fina camada superficial (não mostrada na figura) permanece normal. em que o epitélio começou a sofrer transformação neoplásica. podemos perceber o epitélio escamoso normal que possui camadas de células basais. a ausência de células do tecido normal (que eram repletas de glicogênio). pois este teste demonstra a perda da diferenciação. Nesta fase. o iodo não consegue reagir com o glicogênio. A primeira fase seria uma neoplasia intraepitelial cervical grau I. portanto. não se observa coloração. Em casos de cirurgia. toda espessura do epitélio passa a ser desdiferenciada. 5 . ou seja. aplica-se iodo em cortes histológicos do colo uterino e. Neste teste. Além disso. 4 OBS : Desenvolvimento cronológico de uma lesão pré-neoplásica em epitéio escamoso cervical. As zonas claras do colo uterino devem ser biopsiadas. as aberrações cromossômicas (alterações genéticas) aumentam a cada divisão. O NIC-II e o NIC-III são lesões intra-epiteliais de alto grau. não é necessário. Durante a fase do NIC-III. realizar a retirada de linfonodos. não ocorreu extravasamento para o estroma (possível local onde poderia ocorrer a invasão vascular). Esta lesão caracteriza. quando ele começa a sofrer uma transformação neoplásica. Quando as mulheres têm lesão deste tipo (NIC-I. por tanto. Este vírus promove alterações genéticas que vai desregular a proliferação celular. inclusive. locais de possível disseminação neoplásica quando esta formação deixa de ser in situ. com o passar do tempo e do desenvolvimento tumoral. passam a se mostrar em toda extensão do epitélio. a formação neoplásica passa a apresentar novas características e podem se tornar mais resistentes à ação quimioterápica. neste caso o NIC-II. células intermediárias (com muito mais citoplasma e inclusões de glicogênio) e mais acima. Se esta lesão evoluir. começando a ocorrer uma proliferação desregulada e o epitélio começa a perder sua arquitetura normal. No caso do epitélio cervical escamoso. tumores de origem epitelial) é um termo utilizado na patologia para indicar que a proliferação neoplásica formada ainda não rompeu a membrana basal do epitélio. O termo carcinoma in situ foi introduzido para indicar as lesões em que células displásicas ocupavam a espessura total do epitélio. Quando o carcinoma é in situ. Observa-se claramente na figura (ao comparar a figura intitulada como CIN III e a figura intitulada como Normal) a presença de células parabasais em toda a extensão do epitélio. Células com o mesmo aspecto das células da camada basal passam a tomar a parte intermediária do tecido (cada vez mais vão se tornando mais indiferenciadas). neste caso. ou NIC-I (hoje. hoje conhecidas como lesões intraepiteliais cervicais). com isso. profundamente a camada basal. Os locais que não se coram com iodo refletem. Portanto. passará por três fases conhecidas como NIC (neoplasia intraepitelial cervical. Contudo. pode-se dizer que o carcinoma é in situ. desde um aspecto normal a um pré-aspecto neoplásico.1 À medida que o tempo de desenvolvimento tumoral é maior. existem relatos de NIC-II que são passíveis de regressão (o que não caracteriza uma neoplasia). Com isso. 3 OBS : Carcinoma in situ (com base nos carcinomas. mas ainda não virou carcinoma. que possui tropismo pelo epitélio escamoso cervical. uma neoplasia intra-epitelial cervical de grau mais elevado. há uma camada de células intersticiais. Este fator é importante pois. Contudo. as fases do NIC ainda não constituem um câncer e. podem ser submetidas ao teste de Schiller.

metástase ocorre quando um tumor primário localizado em uma dada região é submetido a uma proliferação celular neoplásica e ainda sofreria uma expansão clonal (as células se multiplicariam) e. as células neoplásicas continuam migrando até chegar a um novo sítio de instalação. se coram apenas parcialmente. Por isto é importante tratar o tumor o quanto antes. pode-se identificar a supra-renal com neoplasias provenientes de metástases. Em outras palavras. As áreas de NIC e neoplasia invasiva não captam o iodo (já que não possuem glicogênio) e apresentam-se como áreas espessas de coloração amarelo-mostarda ou cor de açafrão. as alterações seguem a seguinte cronologia: as células começam a sofrer displasias e passam a não sofrer diferenciação. Acredita-se que alguns tumores têm maior predileção para desenvolver metástases para alguns lugares.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. Ocorrendo o rompimento desta membrana basal. ocorre a liberação de fatores angiogênicos que promover a nutrição do tumor e seu crescimento. invadindo-os e caindo na circulação onde sofrem ação de células do sistema imunitário. Isso se dá principalmente devido a interação de vasos sanguíneos entre o local sede e o local hospedeiro. METÁSTASE Metástase significa o desenvolvimento de uma segunda população tumoral a partir da primeira. as células neoplásicas migram através dos tecidos até alcançar as paredes dos vasos.1 OBS5: O princípio do teste de Schiller é que o epitélio escamoso metaplásico maduro original e o epitélio escamoso metaplásico maduro recém-formado contêm glicogênio. pode conter glicogênio em pequenas quantidades. decorrente disto. Existem alguns tumores de mama (carcinoma lobular) que dão 6 . mais provável de que aconteça invasão vascular. Sobrevivendo a ação das células imunológicas (por meio do mecanismo de escape tumoral). mediadas por fatores carcinogênicos. Nesta mucosa. iria surgir um subclone que teria capacidade de invadir a membrana basal. tumores de pulmão dão metástases para supra-renal: quando se faz necropsia de neoplasia de pulmão. O iodo é glicofílico e. podendo alcançar vasos sanguíneos e se disseminar. Contudo. a biologia molecular do tumor é quem prevalece para que ocorra ou não metástase. As áreas com leucoplasia (hiperqueratose) não se coram com iodo. Por isso. Assim. mas sem uma conexão direta entre as duas. Por exemplo. Recomenda-se a aplicação sistemática de solução de iodo na prática colposcópica. essas áreas não se coram com iodo e continuam sendo acentuadamente incolores contra um fundo circundante preto ou castanho escuro. às vezes. Na imagem ao lado. Contudo. prevenindo o surgimento de um subclone metastásico. O epitélio escamoso metaplásico imaturo em geral não tem glicogênio ou. pode chegar ao ponto em que um grupo populacional de células neoplásicas mostre a capacidade de romper a membrana basal e invadir o estroma para ganhar os vasos sanguíneos. OBS6: Neoplasia invasiva é aquela capaz de romper a membrana basal e invadir o estroma. OBS7: Na OBS4 vimos o exemplo da progressão de uma lesão pré-neoplásica em epitélio cervical escamoso. ao passo que a NIC e a neoplasia invasiva contêm pouco ou nenhum glicogênio. Para que o processo de metástase se estabeleça é necessário uma série de ações pelas células tumorais e pelo sangue. já que isto pode ajudar a identificar lesões que não foram notadas durante o exame com solução salina e com ácido acético e delimitar a extensão anatômica das áreas anormais com maior precisão. a aplicação de solução iodada resulta na captação do iodo pelo epitélio que contém glicogênio.5 cm. Os condilomas podem não se corar com iodo ou. podem ocorre casos. O epitélio colunar não contém glicogênio. Quanto maior for o tumor. Se há descamação (ou erosão) das camadas de células superficiais e intermediárias associadas com afecções inflamatórias do epitélio escamoso. de que tumores de 23 cm tenham menor probabilidade de dá metástase do que tumorações de 2. as células passam a apresentar-se tortuosas. mas adquire um aspecto ligeiramente descorado devido a uma película fina de solução de iodo. No local onde ocorre o extravasamento a distância. podemos ainda falar do mesmo exemplo em glândulas. à medida que se tornam menos diferenciadas. o epitélio escamoso normal que contém glicogênio se cora de cor castanho escura ou preto depois da aplicação do iodo. as áreas de epitélio escamoso metaplásico imaturo podem não se corar com iodo ou corar-se apenas parcialmente. percebe-se a evolução de alterações pré-neoplásicas da mucosa glandular do estômago ou do intestino. O epitélio colunar não capta o iodo e não se cora. portanto. o que facilita o tratamento. às vezes.

como o primeiro linfonodo a drenar o câncer. temos o sinal de Troisier) e. daí que é facilmente disseminado. Com isto. Contudo.1 metástases para parede intestinal ou útero (dada pela interação de receptores do tumor com a parede destes locais). VIAS DE DISSEMINAÇÃO • Disseminação por esfoliação (por cavidades corporais): a metástase pode ocorrer por implantação pelas cavidades corporais (saco pericárdico. em casos de câncer de mama. muito comumente (e principalmente. não faz parte da cadeia ganglionar do estomago ou do esôfago. Eles aumentam de volume e ficam comprometidos quanto a sua função. que é um linfonodo sentinela para carcinomas esofágicos ou gástricos invasores de esôfago. pode-se optar por realizar um exame pré-operatório que consiste na congelação e infusão de corante para identificar linfonodo sentinela e avaliar se seria realmente necessária a retirada do complexo ganglionar do paciente (processo cirúrgico necessário em casos de metástases mas que traz complicações adversas. Todos os órgãos apresentam uma cadeia ganglionar relacionada para onde a sua linfa será drenada em um primeiro plano. Em casos de câncer de mama. O osteossarcoma. Ocorre quando os dois ovários recebem células metastáticas que extravasaram de tumores do trato gastrintestinal (geralmente. Em um laudo médico. Em caso de melanoma do pé. nem toda neoplasia maligna promove metástase. portanto. Para o primeiro linfonodo que ser corar. produz metástase para o pulmão. Contudo. porém não dão metástases. apenas infiltra o sentido da pele e área circunvizinha sem produzir metástase. injetase o corante na árvore ductal da mama. o Quando o cirurgião faz uma laparotomia e observa múltiplos nódulos tumorais na cavidade peritoneal a olho nu.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. A biópsia de linfonodo sentinela no câncer de mama está emergindo como um método de amostragem axilar seletiva. o carcinoma basocelular de pele. indicando a carcinomatose peritoneal. cavidade peritoneal. Os tumores do SNC (como os astrocitomas) vão apenas infiltrando as estruturas neurais circunvizinhas. em casos de metátase. se retira o primeiro linfonodo inguinal e se faz o estudo histopatológico. Se o exame histopatológico do LNS evidenciar que este está livre de comprometimento tumoral. como o surgimento de edemas). Ele será o único linfonodo acometido em mais de 40% dos casos. Hoje em dia. minimamente invasivo e altamente sensível na identificação de metástases. se o tumor não for muito grande e o paciente não apresentar nódulos palpáveis. o Um tumor de Krukenberg se refere a uma malignidade ovariana secundária cuja localização primária foi o trato gastrointestinal. pode-se fazer o tratamento seletivo de somente retirar um quadrante ou toda a mama. Com isso. O linfonodo sentinela (LNS) é definido. 7 . o Os tumores mucossecretores de ovário e apêndice enchem a cavidade peritoneal de muco (pseudomixoma peritoneal: quando se abre o abdômen. portanto. em adolescentes). alcançar os dois ovários. Os tumores de Krukenberg frequentemente são encontrados em ambos os ovários. a cavidade peritonial está cheia de muco por conta desses tumores metastáticos). e por esta razão será o primeiro sítio a receber metástases se ocorrer disseminação linfática. via cavidade peritoneal. Este gânglio localiza-se na fossa supra-clavicular esquerda (quando aumentado. • Disseminação hematogênica: é a via preferencial dos sarcomas. o patologista deve realizar o seu congelamento e identificar se houve disseminação para cadeias ganglionares próximas. quando chega à via linfática. como no caso do gânglio de Virchow. Um tumor invasivo que se origina em um determinado órgão. segue para o primeiro linfonodo da cadeia ganglionar. espaço pleural. pode-ser perceber ou não se a neoplasia pode desenvolver metástase. pode haver algumas exceções. O tamanho e a característica de diferenciação são os principais fatores na análise nestes laudos (embora não seja uma regra geral). A expressão “linfonodo sentinela” é o conceito anatômico que foi definido para o primeiro linfonodo a receber a drenagem da linfa de um determinado órgão. Por exemplo. sendo o fígado (recebe a veia porta) e pulmões (sangue de todo o corpo) os principais órgãos de predileção. do estômago). • Disseminação linfática: é a principal via de disseminação dos carcinomas. então o restante dos linfonodos da mesma axila tem baixa probabilidade (1% a 2%) de conter células tumorais. sendo ele muito maligno. O ovário é um órgão que está livre dentro do próprio peritônio. etc). A principal via de disseminação pelas cavidades corporais ocorre pela cavidade peritoneal (principalmente em tumores de ovário e apêndice). O tumor pode romper a parede gástrica e. sem ser necessário realizar o esvaziamento ganglionar. por exemplo. trata-se do primeiro linfonodo a receber a linfa do órgão que vai apresentar uma determinada neoplasia.

1 Carcinogênese Um câncer se forma a partir das alterações genéticas (mutações) dos genes que controlam a proliferação celular normal. Em (a). a síntese deste ácido nucléico não passará por suas correções necessárias. 8 . Este se liga ao receptor e ativa-o. sem ser necessário a interação com fatores de crescimento. ligando a uma molécula transdutora e sinalizando ao núcleo. promovendo. fazendo com que as membranas mitocondriais tornem-se mais permeáveis e as enzimas passem para o citosol e promovam a apoptose. observa-se um oncogene que produziu um agente ativador da transcrição responsável por promover a produção de uma proteína mutante ativadora da transcrição. Este crescimento acelerado predispõe a alterações de outros genes celulares. predispondo mutação em outro gene. Caso ocorra mutação no gene p53. assim. A própria célula determina através de mecanismos genéticos a sua morte. que é o gene BAX (responsável pela apoptose). Isso faz com que ocorra uma estimulação inadequada do crescimento celular pela ativação da transcrição. evitando o escape de determinadas enzimas saiam da mitocôndria e gerem a destruição celular). pode-se perceber que a ampliação de oncogenes que codificam receptores para fator de crescimento. na figura ao lado. são mutações que ocorrem em vários genes concomitantemente. gene do reparo do DNA). mutações celulares. ocorre repercussão em uma série de outros genes e na proliferação celular normal. Em (c) um protooncogene que se transformou em oncogene começa a secretar uma determinada proteína que vai simular a ligação dos receptores de crescimento com os fatores de crescimento. pode-se perceber a ativação de oncogenes que codifica um fator de crescimento. Uma vez alterado. O p53 é considerado um gene guardião do genoma e representa uma das mutações mais freqüentes encontradas nos tumores. não é possível a transformação neoplásica. tem-se o gene bcl-2 que codifica um fator que inibe a morte celular (pois vai determinar a produção de uma proteína que vai estabilizar a membrana mitocondrial. ocorrendo produção anormal de determinados fatores de crescimento. ocorrendo a formação de sinais positivos de crescimento que estimulam a divisão da célula. ocorrendo diminuição da mitose para que haja correção dos ácidos nucléicos por enzimas competentes. Quando ocorre mutação em um dos genes.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. É ativado quando ocorre uma mutação do DNA: as enzimas codificadas por este gene são responsáveis por inibir a multiplicação celular quando há um erro no metabolismo do DNA. Em (d). deste modo a sinalização para o núcleo promover a divisão celular. A taxa de mitoses vai aumentar. Dentre os genes que podem sofrer alterações. como o próprio gene que regula a síntese de DNA. Por exemplo. o proto-oncogene pode promover uma maior produção de fatores de crescimento ou um aumento na expressão de receptores destes fatores. por exemplo. destacam-se:  Proto-oncogenes (promotores do crescimento): genes que codificam. como aceleradores e freios para a proliferação celular. fatores de crescimento que estimula seu próprio crescimento ou o crescimento de células vizinhas. A proliferação celular já não teria seu gene guardião e as células passariam a se proliferam erroneamente. O gene BAX. produz uma maior quantidade de receptor de crescimento ou de fator de crescimento e as células se proliferam muito rapidamente. favorece a saída de caspases que vão destruir o núcleo. ao contrário da bcl-2 que inibe a apoptose. Isto favorece uma progressão das mutações. Em (b). vai se transformar em oncogenes. observamos carcinogênese mediada pela inativação dos genes responsáveis pela apoptose celular (morte celular programada). que serão passadas para as células filhas. Em (e) e (f). o gene p53 induz a expressão de outro gene. A multiplicação celular muito rápida favorece a mutação de uma segunda carga genética (por exemplo. Ocorrendo. respectivamente. ocorrendo grande quantidade de receptores que estimulam a proliferação celular.  Genes supressores de tumor/inibidores de crescimento  Genes que regulam a apoptose  Genes envolvidos no reparo do DNA Os proto-oncogenes e os antioncogenes (genes supressores de crescimento) controlam diretamente o crescimento do tumor ao funcionar. Quando há mutação do gene que codifica a enzima do reparo do DNA. Se a mutação não é corrigida. Se estes proto-oncogenes sofrerem uma mutação genética. Uma vez alterado. Na neoplasia maligna ocorre mutação combinada. promovendo uma aceleração do crescimento celular. As células podem produzir fatores de crescimento que estimulam seu próprio crescimento. ou seja.

A única maneira segura de evitar um câncer é “não nascer”: viver significa correr este risco.  Capacidade de invadir e metastizar: as metástases tumorais são a causa da maior parte de mortes por câncer e dependem de processos intrínsecos à célula ou são iniciados por sinais do ambiente tissular. Virchow propôs que o câncer se desenvolve em locais de inflamação crônica. É interessante notar que a inflamação crônica também pode promover uma instabilidade genômica através da produção de espécies reativas ao oxigênio. que se tornam sujeitas ao efeito de mutágenos. como o BAX.  Angiogênese mantida: os tumores não são capazes de crescer sem a formação de um aporte vascular. gastrite pelo Helicobacter pylori. as mutações de inativação afetam ambos os alelos p53 e são adquiridas nas células somáticas (não são herdadas na linhagem germinativa). hepatite viral e pancreatite crônica. O fato de as mutações p53 serem comuns em diversos tumores humanos sugere que a proteína do p53 funciona como um guardião crítico contra a formação do câncer. que estimulam o crescimento das células transformadas. São eles. Em alguns casos. É necessário lembrar também que a simples presença dos mediadores inflamatórios (como citocinas e fatores de crescimento) em um microambiente de proliferação celular neoplásica cria um efeito sinérgico neste processo. • Condições pré-cancerosas: algumas condições não-neoplásicas (a gastrite crônica atrófica da anemia perniciosa. a inflamação crônica pode aumentar o grupo de células-tronco tissulares. A p53 modificada não se liga ao DNA e produz uma proteína defeituosa (mutação missense) que bloqueia a atividade da proteína normal. Seja qual for o mecanismo exato. as proliferações regenerativas. são: • Inflamação crônica: em 1863. Como a replicação celular está envolvida na transformação neoplásica. luz UV ou agentes químicos mutagênicos e também em respostas a alterações no potencial celular de oxirredução. apresentam maior risco de desenvolvimento de câncer. a bcl-2. hipóxia. doença de Chron. a expressão da enzima cicloxigenase-2 (COX-2). e as relações potenciais entre o câncer e inflamação crônica foram estudadas desde então. O desenvolvimento dos inibidores da COX2 para o tratamento de câncer é uma área promissora.  Auto-suficiência nos sinais de crescimento: os tumores apresentam capacidade própria de proliferação sem estímulos externos. Com menor freqüência. 9 . O gene é chamado para aplicar freios de emergência quando o DNA é lesionado pela radiação.1 OBS8: Gene p53 – o “Guardião do genoma”. em geral como consequência da ativação de oncogenes. CONDIÇÕES PREDISPONENTES NÃO-HEREDITÁRIAS Há fatores ambientais que favorecem a mutação genética.  Evasão da apoptose: os tumores podem ser resistentes à morte celular programada. Os mecanismos exatos que relacionam a inflamação e os processos inflamatórios podem resultar na produção de citocinas. As principais condições que podem predispor a formação de neoplasias. senescência e outras condições de estresse que podem não lesionar diretamente o DNA. Ele estimula a produção de diversos genes que medeiam a parada do ciclo celular (tardiamente na fase G1 por meio da proteína CDK inibidor p21) e a apoptose (por meio da ativação de genes indutores da apoptose. podemos abordar algum detalhe da patogênese molecular do câncer e então discutir os agentes carcinogênicos que infligem lesão genética. Entre elas. tal elo pode apresentar implicações de ordem prática. promovendo a morte celular).  Potencial infinito de replicação: células tumorais apresentam uma capacidade infinita de proliferação associada a manutenção do comprimento e da função do telômero. Há ainda fatores congênitos que também favorecem o processo de formação tumoral. a colite ulcerativa crônica e a leucoplasia da cavidade oral. inclui-se colite ulcerativa. O gene p53 está localizado no cromossomo 17p13. que converte o ácido araquidônico em prostaglandinas.  Insensibilidade aos sinais inibidores do crescimento: os tumores podem não responder às moléculas inibidoras da proliferação de células normais. hiperplásicas e displásicas consistem num solo fértil para a origem de um tumor maligno. As principais atividades funcionais da proteína p53 são a parada do ciclo celular defeituoso para sua correção e início do processo de apoptose (por ativação do gene BAX) em resposta a lesão do DNA. Com a visão que tivemos no nosso estudo até agora. que se liga e antagoniza a proteína inibidora da apoptose. é induzida por estímulos inflamatórios e está aumentada nos tumores de cólon e noutros tumores. da vulva e do pênis) apresentam uma associação tão bem definida com o câncer que foram denominadas condições pré-cancerosas. por exemplo. Na maioria dos casos. OBS9: Alterações essenciais para a transformação maligna. que é induzido por diversos fatores (como o fator de crescimento endotelial vascular – VEGF).1 e é o alvo mais comum para alterações genéticas nos tumores humanos. Um pouco mais de 50% dos tumores apresentam mutações neste gene. Por exemplo. como conseqüência da inativação do p53. A perda homozigótica da atividade do p53 pode ocorrer virtualmente em todos os tipos de câncer. Seguindo a lesão do DNA.  Defeitos no reparo do DNA: os tumores deixam de reparar a lesão no DNA causada por carcinógenos ou proliferação celular desregulada. indivíduos herdam um alelo p53 mutante.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. existe um aumento rápido nos níveis de p53. inclusive carcinomas de pulmão. sem que haja um componente genético. predispondo assim a uma tranformação maligna. a ceratose cutânea solar. É fato que pacientes afetados por diversas doenças inflamatórias do aparelho gastrintestinal. cólon e mama (três principais causas de morte por câncer).

linfomas de Hodgkin e carcinomas da nasofaringe. em pacientes imunodeprimidos). ativa as vias NFκB e JAK/STAT e promove sobrevida e proliferação das células B o O EBV tem tropismo por células B e está relacionado com a mononucleose infecciosa (doença infecciosa auto-limitada e debelada pela imunidade do portador). o O APV apresenta um tropismo/afinidade pelo epitélio escamoso cervical. O genoma do HBV não codifica qualquer oncoproteína e foi sugerido que os tumores poderiam se desenvolver através da mutagênese de inserção. as proteínas E6 e E7 do HPV de alto risco incapacitam dois genes supressores de tumor importantes que regulam o ciclo celular. simulando a CD40. os linfomas de células B nos pacientes imunossuprimidos. o HBV aumenta o número de células no ciclo celular com risco de subsequentes alterações genéticas.1 CARCINOGÊNESE MICROBACTERIANA 1. condilomas aculminados. portanto. Assim. outros subtipos do HPV foram relacionados experimentalmente com diversos tipos de tumor (carcinoma de células escamosas da cérvice interna. Promove-se. Nestas regiões. gera um microambiente proliferativo alterado e. o Contudo. A LMP-1. presumivelmente. Existe. Em praticamente todos os casos de câncer de células hepáticas relacionadas com o HBV. • Vírus Epstein-Barr (EBV): o EBV. Assim. regeneração celular rápida. A membrana protéica 1 latente (LMP-1) se liga e ativa uma molécula de sinalização que normalmente é ativada pelo receptor CD40 nas células B. um co-fator ambiental – a malária. Causando uma lesão hepática crônica e a hiperplasia regenerativa consequente. restos de células mortas. p21 e também ao p53.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. tornando-se 200x mais susceptíveis a desenvolver o hepatocarcinoma. membro da família do herpes. O EBV infecta células epiteliais da faringe e os linfócitos B. o Durante o processo inflamatório ocorrem liberação de citocinas. fatores de crescimento (em um microambiente em que já se tem mutação). radicais livres de oxigênio (que podem promover mais mutação). o processo inflamatório (e seus mediadores) produzido pela infecção do HBV. apresentam uma incidência maior de carcinoma hepatocelular. Além disso. o DNA viral está integrado no genoma da célula hospedeira e como ocorre com o HPV. a forma mais comum deste tipo de tumor é o que se manifesta na região malar e mandibular. etc. fatores ambientais favorecem nesta associação: nos países do Oriente de da África. em que o HBV é endêmico. • Vírus da hepatite B (HBV): a infecção pelo HBV e a ocorrência do câncer de fígado estão diretamente associadas. O HBV codifica ainda um elemento regulador chamado de proteína HBx que interrompe o controle do crescimento celular normal dos hepatócitos infectados. da região anoretal. Os subtipos que apresentam tropismo pelo epitélio escamoso cervical podem causar lesões pré-neoplásicas intra-epiteliais (in situ) cervicais escamosas do colo uterino ou mesmo carcinomas invasores de células escamosas. 4 e 7) causam os papilomas escamosos benignos (verrugas) em humanos. cavidade oral e faringe). associado à capacidade de auto-regeneração hepática. O potencial oncogênico do HPV16 e 18 pode ser relacionado com dois produtos genéticos virais iniciais que agem em conjunto para causar danos à célula: as proteínas E6 e E7. os tumores são clonais em relação com estas inserções. o 5% dos indivíduos portadores podem se tornar portadores crônicos. Contudo. Vírus de DNA • Vírus do papiloma humano (HPV): alguns subtipos do HPV (1. papiloma de laringe com hiperplasia de epitélio laríngeo. um microambiente propício ao desenvolvimento da neoplasia devido aos mediadores da inflamação. portanto. 33. mas também pelo processo inflamatório que o vírus determina no fígado. As sequências de DNA do HPV 16 e 18. o Pode provocar proliferações hiperplásicas do epitélio escamoso. A proteína E6 se liga ao gene p53 e E7 se liga ao gene RB. o O linfoma de Burkitt (um tipo de linfoma não-Hodgkin) é um tumor de linfócitos B mais comum na infância em certas regiões da África e em Nova Guiné. Contudo. alguns subtipos de HPV pode causar ainda verrugas vulgares. Sugere-se que os genes virais desregulam os sinais proliferativos e de sobrevida normais das células portadoras da infecção latente. e com menor frequência 31. a E6 e E7 bloqueiam as vias de supressão do ciclo celular da p53 e da RB. o Ocorre não só pela integração do DNAviral e DNAhospedeiro. o Está relacionado ainda com linfomas de células B e com o subgrupo de Linfoma de Hodgkin (principalmente. A sorologia destes pacientes indica imunosupressão e malária concumitante. 2. 10 . gera uma instabilidade genética e desenvolvimento do câncer. Conseguem entrar nessas células por meio da molécula CD21. o O vírus do HPV produz duas proteínas (E6 e E7) que vai interromper a função das proteínas do gene p53. 35 e 51 são encontrados em aproximadamente 85% dos carcinomas invasivos de células escamosas e seus precursores presumidos (displasias graves e carcinomas in situ). foi implicado na patogênese de quatro tipos de tumores: a forma africana dos linfomas de Burkitt.

Bactérias • Helicobacter pylori: existem muitas evidências que relacionam a infecção gástrica com a bactéria H. morte celular. CARCINOGÊNESE POR RADIAÇÕES A energia radioativa. uma célula iniciada está alterada geneticamente.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. não é suficiente para a formação do tumor. A incapacidade está exatamente em um dos genes que controla a via de excisão de nucleotídeos. 3. carcinoma de células escamosas e pelos melanomas. pylori leva à formação de infiltrados linfóides em que as células B se proliferam ativamente e podem adquirir anormalidades genéticas. Toxinas desta bactéria funcionam como fator mitogênico. CARCINOGÊNESE POR AGENTES QUÍMICOS Como sabemos. fenóis e drogas) podem induzir tumores nas células previamente iniciadas. podem desenvolver o microcarcinoma papilífero de tireóide. gerando um aumento de 2000 vezes no risco de câncer de pele nas áreas expostas e em alguns casos em anormalidade neurológicas. Vírus de RNA • Vírus da Leucemia de Células T Humanas tipo 1 (HTLV1): o HTLV1 está associado com uma forma de leucemia/linfoma de células T (principalmente no Caribe e no Japão). 11 . Essas células infectadas começam a se multiplicar de forma exacerbada. O crescimento do tumor é inicialmente dependente de estímulo imune pelo H. os tumores não ocorrem quando o agente promotor é aplicado antes. O vírus infecta a célula T. em alguns casos. carcinomas basocelulares e possivelmente de melanoma cutâneo maligno. a inativação das enzimas. a leucemia só se desenvolve entre 3 a 5% dos indivíduos infectados depois de um grande período de latência de 40 a 60 anos. A iniciação isolada. tornando-se potencialmente capaz de dar origem a um tumor. Isto leva a grandes erros de transcrição e. No pescoço. gerando um clone neoplásico. • Raios ultravioletas: os raios UV derivados do sol levam a uma maior incidência de carcinoma de células escamosas.1 2. • Raios-X: promove quebra direta da estrutura do DNA. em vez de depois. Esses raios apresentam alguns efeitos sobre as células. A base molecular das alterações degenerativas na pele exposta ao sol e a ocorrência de tumores cutâneos encontram-se numa incapacidade hereditária de corrigir a lesão causada pelos raios UV no DNA. Também determina a liberação do fator estimulador de colônias de monócitos-granulócitos (GM-CSF). indução das mutações e. mas não são tumorigênicos por si só. o O xeroderma pigmentoso é um distúrbio autossômico recessivo que se caracteriza por extrema fotossensibilidade. Este vírus apresenta tropismo por células T CD4+ (assim como o HIV) e promove uma aceleração na proliferação celular. • Radionuclídeos: Promove quebra direta da estrutura do DNA. a carcinogênese é um processo que se manifesta em etapas múltiplas. inclusive a inibição da divisão celular. no momento em que estimula o processo de proliferação celular. A iniciação causa lesão DNA permanente (mutações)  Promoção: os promotores (tais como ésteres de forbol. o São os principais responsáveis pelo carcinoma basocelular. promove a alteração de protooncogenes que regulam a proliferação celular e faz com que ocorra grande quantidade de fatores de crescimento e expressão de receptores na superfície celular. pylori. no entanto. mas em estágios posterior não requer mais a presença da bactéria. estimulam mais ainda a mitose de linfócitos que já se encontravam em rápida proliferação. Contudo. Ocorre formação de pontes de pirimidina. hormônios. estimulando a mitose de macrófagos que. seja sob a forma de raios UV ou como radiação eletromagnética. Isto significa dizer que os agentes químicos promotores não afetam o DNA diretamente e são reversíveis. A carcinogenicidade da luz UVB é atribuída a formação de dímeros de pirimidina no DNA. Acredita-se que a infecção crônica com H. por sua vez. e a radiação de partículas são capazes de transformar praticamente todos os tipos celulares in vitro e induzir neoplasmas in vivo em humanos e nos modelos experimentais. Este tipo de lesão no DNA é dificilmente corrigido pela via de excisão de nucleotídeos. do agente iniciador. Estas células vão se proliferar muito rapidamente e. como também de ulceras pépticas. podem ocorrer algumas alterações em outros genes ainda. A bactéria também provoca a inflamação (ocorre estimulação de proliferação) em um meio cheio de citocinas pró-estimulatórias. A carcinogênese por agentes químicos é dividida em três estágios:  Iniciação: resulta da exposição de células a uma dose suficiente de um agente carcinogênico (iniciador). Ocorre também mutação do gene supressor do tumor. numa dose suficiente. pylori na etiologia dos carcinomas gástricos e dos linfomas gástricos. • Fissão nuclear: Promove quebra direta da estrutura do DNA. Além do mais. ao câncer. determinando mutações no DNA.

mesotelioma (tumor maligno de serosas. arroz e amendoins. • Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos: precisam de ativação metabólica e podem induzir tumores numa grande variedade de tecidos e espécies. Causam tumores de pulmão. especialmente com o fumo de cigarros. adesivos para plásticos. mas são exatamente estas ações que os tornam carcinogênicos. • Agentes carcinogênicos de ocorrência natural: a aflatoxina b1. entre outros. preservativos. Eles podem ser produzidos a partir da combustão do tabaco. Causa leucemia. aminas aromáticas – corantes. • Agentes diversos: o Arsênico ou compostos de arsênico: é um subproduto da fundição de metais. cloreto de vinil – que causam hepatocarcinoma. pele e hemangiossarcomas. Onde o desenvolvimento de uma neoplasia invasiva é o ponto final da progressão. Causa angiossarcoma e câncer de fígado. pigmentos. Os agentes químicos que iniciam a carcinogênese são de estrutura extremamente diversa e incluem tanto os produtos sintéticos como os naturais. calor e atrito. 12 .1  Progressão: indução de novas mutações genéticas com desenvolvimento de subclones de células neoplásicas. borrachas e adesivos. Os principais agentes químicos carcinogênicos são: • Agentes alquilantes com ação direta: parecem exercer efeitos terapêuticos com a interação e lesão do DNA. cimento. o Compostos do cromo: componente de ligas metálicas. A aflatoxina e o HBV colaboram na produção de carcinoma hepatocelular em algumas partes da África e da China. tinas. onde o agente carcinogênico final se forma pela ação dos sistemas do citocromo p450 oxigenase. como a pleura). Causa câncer de pulmão. é produzida naturalmente por algumas cepas do fungo Aspergillus flavus que cresce no milho mal armazenado. asbestos – que causam mesotelioma. cromo – presente no cimento que câncer de pele) precisam de conversão metabólica para produzir carcinógenos finais capazes de transformar células. equipamentos elétricos e semicondutores. Causa câncer de pulmão e do pelo o Óxido de etileno: agente usado para o amadurecimento de frutas e nozes. o Asbestos: usado em diversas aplicações devido a sua resistência ao fogo. componente de ligas. • Aminas aromáticas e corantes nitrogenados: a ação carcinogênica destes elementos se dá principalmente no fígado. Eles podem ser de dois tipos: (1) os carcinógenos de ação direta não precisam sofrer metabolismo hepático já agem aderindo às moléculas de DNA e as lesando. trato gastrointestinal. o Cloreto de vinil: é utilizado como refrigerantes. monômero para polímeros de vinil. (2) e os carcinógenos de ação indireta (hidrocarbonetos policíclicos . Também são produzidos a partir da gordura animal no processo de cozimento de carnes (como em churrascos) e presentes nas carnes defumadas e nos peixes. potente agente carcinogênico hepático. linfoma de Hodgkin. Causa leucemia. e acredita-se que contribuem com o estabelecimento dos tumores do pulmão e bexiga. nitrosaminas – alimentos enlatados.fumaça de churrasco.Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009. o Benzeno: principal componente da luz a óleo e de algumas tintas.

1 13 .Arlindo Ugulino Netto – PATOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.