You are on page 1of 28

UFPE - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

CICLOS DE POTÊNCIA A GÁS

Jaqueline de Godoy, Rejane Gabe Gonçalves
Fernando Raul Licapa Contreras, Gustavo Galindez Ramirez

RECIFE
2014

SUMÁRIO
1
1.1
2

INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3
OBJETIVOS ............................................................................................................... 4
CICLOS TERMODINÂMICOS........................................................................... 5

2.1

CONSIDERAÇÕES BÁSICAS NA ANÁLISE DOS CICLOS ............................. 6

2.2

HIPÓTESES DO PADRÃO A AR ........................................................................... 6

3
3.1

CICLOS DE COMBUSTÃO INTERNA .............................................................. 7
CICLO OTTO ............................................................................................................. 8

3.1.1

Motores de ignição por centelha ............................................................. 8

3.1.2

Ciclo Ar-Padrão Otto ............................................................................... 10

3.2

CICLO DIESEL ........................................................................................................ 13

3.2.1

Motores de ignição por compressão..................................................... 13

3.2.2

Ciclo Ar-Padrão Diesel ........................................................................... 14

3.3

CICLO BRAYTON ................................................................................................... 18

3.3.1

Turbinas a gás ......................................................................................... 18

3.3.2

Ciclo Ar-Padrão Brayton......................................................................... 19

4
4.1

CICLOS DE COMBUSTÃO EXTERNA .......................................................... 21
CICLO STIRLING .................................................................................................... 21

4.1.1

Motor Stirling ........................................................................................... 21

4.1.2

Ciclo Ar-Padrão Stirling .......................................................................... 23

4.2

CICLO ERICSSON ................................................................................................. 24

4.2.1

Motor Ericsson ........................................................................................ 24

4.2.2

Ciclo Ar-Padrão Ericsson ....................................................................... 25

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................ 27

Os motores endotérmicos são máquinas motrizes cíclicas em que a energia interna que possuem um fluído (vapor. Isso também é verdadeiro para o motor real. o fluído de trabalho. Em outras centrais de potência. . embora os rendimentos dos ciclos Otto possam se afastar significativamente dos rendimentos dos motores reais. Os modernos motores automotrizes. é usualmente modelado como um ciclo Otto. A Figura 1 mostra um esquema de classificação dos ciclos de potência a gás conforme o tipo de combustão. Nesse caso. ainda que um equipamento opere segundo um ciclo mecânico. tais como o motor de combustão interna e a turbina a gás. caminhões. apresenta uma decomposição química diferente ou está num estado termodinâmico diferente do inicial. Isto quer dizer que o fluído de trabalho sofre uma série de processos e finalmente retorna ao estado inicial. gás) transforma-se parcialmente em energia mecânica. com ignição por centelha. Da análise deste ciclo (Otto) é possível concluir que aumentando a relação de compressão obtemos um aumento de rendimento do ciclo. o fluído de trabalho não passa por um ciclo termodinâmico. operam segundo um ciclo. como uma central de potência a vapor de água.3 1 INTRODUÇÃO Algumas centrais de potência. dito fluído é o meio à que proporciona ou subtrai em adequados pontos do ciclo operativo. são exemplos de aplicações extremadamente úteis desses processos. Tal procedimento é particularmente vantajoso na determinação da influência de certas variáveis no desempenho dos equipamentos. o motor de combustão interna. no fim do processo. semelhante ao ciclo real. para todos os tipos de equipamentos que operam com ciclo aberto ou fechado. Os ciclos de potência a gás ou dispositivos cíclicos geradores de potência são de grande importância no estudo da termodinâmica pelo fato que vários sistemas e maquinarias baseiam-se no seu funcionamento. Por exemplo. veremos que é interessante analisar o desempenho do ciclo fechado ideal. barcos e turbinas a gás. No presente trabalho.

.4 Figura 1: Classificação dos ciclos de potência a gás Fonte: Autores 1. tais como os motores de combustão interna (Otto e Diesel).1 OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivos estudar os sistemas de potência que utilizam gás como fluído de trabalho durante todo o ciclo. a partir deles. os respectivos diagramas p-v e T-s e. bem como suas aplicações. para cada ciclo. e os motores de combustão externa (Stirling e Ericsson) e analisar. as turbinas movidas a gás (Brayton). vantagens e desvantagens. fazer um balanço energético e estudo da eficiência térmica.

usado como referência. O ciclo de Carnot é o ciclo mais eficiente que pode ser executado entre uma fonte de calor a temperatura TH e um sumidouro a temperatura TL . no entanto. geralmente se mantém uma das variáveis de instância constante. e sua eficiência térmica é expressa como: t. O ciclo de Carnot pode ser executado num sistema fechado (um arranjo pistão-cilindro) ou em um escoamento com regime permanente (duas turbinas e dois compressores) e o fluído de trabalho pode ser um gás ou um vapor. Carnot  1  TL TH (1) A eficiência térmica do ciclo de Carnot é função apenas das diferenças de temperaturas entre a fonte e o sumidouro. ciclos termodinâmicos simples são geralmente compostos por quatro processos termodinâmicos. Geralmente processos adiabáticos (onde não há troca de calor) também são usados. O ciclo de Carnot.  Processo isobárico (pressão constante).5 2 CICLOS TERMODINÂMICOS Na prática. ou com a diminuição da temperatura com a qual o calor é rejeitado pelo sistema. qualquer processo pode ser usado. Existem limites para as temperaturas da fonte e do sumidouro. e as temperaturas mínimas são limitados pela temperatura do meio de resfriamento utilizado no ciclo. A princípio. rejeição isotérmica de calor e compressão isentrópica. A Tabela 1 a seguir mostra um resumo dos processos para cada ciclo que será analisado aqui em comparação com o ciclo de Carnot.  Processo isentrópico (entropia constante). como o pistão ou as pás da turbina podem suportar. expansão isentrópica. A eficiência térmica aumenta com o aumento da temperatura média com a qual o calor é fornecido ao sistema. como um lago. como nos seguintes processos:  Processo isotérmico (temperatura constante). . rio ou o próprio ar atmosférico.  Processo isocórico (volume constante). é composto de quatro processos totalmente reversíveis: fornecimento isotérmico de calor. quando ciclos idealizados são modelados. e estas estão limitadas pela temperatura máxima que os componentes da máquina térmica.

Assim.2 HIPÓTESES DO PADRÃO A AR Em ciclos de potência a gás. ou seja. Os ciclos de potência a gás são bastante complexos. não existem os processos de admissão e exaustão. o fluído de trabalho mantém-se como um gás em todo o ciclo. . normalmente são empregadas idealizações e simplificações. são levantadas algumas aproximações conhecidas como hipóteses do padrão a ar. Para a análise destes ciclos.1 CONSIDERAÇÕES BÁSICAS NA ANÁLISE DOS CICLOS A maioria dos dispositivos que produzem potência opera em ciclos. Para o entendimento geral dos ciclos. Nos ciclos de potência elas podem ser resumidas em:  O ciclo não envolve qualquer atrito.  Os tubos que conectam os diversos componentes de um sistema são bem isolados e a transferência de calor ao longo deles é desprezível.  Não considerar as variações de energia cinética e potencial do fluído de trabalho. 2. PROCESSOS CICLOS DE POTÊNCIA PADRÕES DE AR OTTO DIESEL CICLOS DE COMBUSTÃO BRAYTON INTERNA DUAL 1-2 2-3 3-4 4-1 COMPRESSÃO ADIÇÃO DE CALOR EXPANSÃO REJEIÇÃO DE CALOR ISENTRÓPICO ISOCÓRICO ISENTRÓPICO ISOCÓRICO ISENTRÓPICO ISOBÁRICO ISENTRÓPICO ISOCÓRICO ISENTRÓPICO ISOBÁRICO ISENTRÓPICO ISOBÁRICO ISENTRÓPICO ISOCÓRICO ISENTRÓPICO ISOCÓRICO ISOBÁRICO CICLOS DE STIRLING COMBUSTÃO EXTERNA ERICSSON CICLO DE CARNOT ISOTÉRMICO ISOCÓRICO ISOTÉRMICO ISOCÓRICO ISOTÉRMICO ISOBÁRICO ISOTÉRMICO ISOBÁRICO ISENTRÓPICO ISOTÉRMICO ISENTRÓPICO ISOTÉRMICO Fonte: Autores 2. o fluído de trabalho não sofre nenhuma queda de pressão ao escoar em tubos ou dispositivos como trocadores de calor.6 Tabela 1: Resumo dos processos para os ciclos de potência padrões de ar.  Todos os processos de expansão e compressão ocorrem de forma quase estática.  Uma quantidade fixa de ar modelado com gás ideal é o fluído de trabalho ao longo de todo o ciclo. além das considerações básicas citadas anteriormente.

7  O processo de combustão é substituído por uma transferência de calor a partir de uma fonte externa. A distância entre o PMS e PMI é a maior distância que o pistão pode percorrer em uma direção e é chamada de curso do motor. O ar ou a mistura de ar e combustível é sugada para o cilindro através da válvula de admissão. e os produtos da combustão são expelidos .  Todos os processos são internamente reversíveis.posição no pistão quando ele forma o maior volume no cilindro. A Figura 2 ilustra um motor de combustão interna convencional consistindo de um êmbolo que se move dentro de um cilindro equipado com duas válvulas.  Calores específicos são constantes nos seus valores para temperatura ambiente.  O processo de exaustão é substituído por um processo de transferência de calor para a vizinhança. adaptada. 3 CICLOS DE COMBUSTÃO INTERNA Antes de iniciar a análise dos ciclos de combustão interna será apresentada a terminologia básica utilizada no estudo de motores que estão baseados nesse ciclo.posição no pistão quando ele forma o menor volume no cilindro. Shapiro (2006). Figura 2: Relação entre pressão e volume e terminologia básica dos motores alternativos. Fonte: Moran. O pistão alterna-se no cilindro entre duas posições fixas chamadas de ponto morto superior (PMS) . e o ponto morto inferior (PMI) .

1. agindo sobre o pistão durante todo o curso ou tempo no motor. que depende de como é iniciado o processo de combustão no cilindro. a ignição da mistura de ar e combustível é resultado da compressão da mistura acima da temperatura de auto-ignição. A relação entre o volume máximo formado no cilindro e o volume mínimo (morto) é chamada de razão de compressão r do motor. Nos motores de ignição por centelha. definida como a pressão que. Ou seja. Nos motores de ignição por compressão.1 Motores de ignição por centelha Os motores de ignição por centelha utilizam combustível de baixa volatilidade. Motores baseados neste ciclo equipam a maioria dos automóveis de passeio atualmente. a combustão da mistura de ar e combustível é iniciada por uma vela de ignição. Para ignição necessitam de centelha produzida pelo sistema elétrico. pme  Wlíquido Vdeslocado  Wlíquido Vmáx  Vmín (3) Logo. respectivamente.1 CICLO OTTO 3. produziria a mesma quantidade de trabalho líquido que a produzida durante o ciclo real. conforme mostra a seguinte equação: r Vmáx VPMI  Vmin VPMS (2) Outro termo muito usado nos motores alternativos é a pressão média efetiva (pme). 3. em motores de duplo efeito) e pelo curso do pistão. O volume deslocado pelo pistão à medida que ele se movimenta entre o PMS e PMI é chamado de volume deslocado. é possível construir motores a quatro tempos mais eficientes e menos . O volume mínimo formado no cilindro quando o pistão está no PMS é chamado espaço morto. o trabalho em um ciclo pode ser determinado pela multiplicação dessa pressão média efetiva pela área do pistão (menos a área da haste. no lado da manivela. Para esta aplicação. como a gasolina e o álcool.8 do cilindro por meio da válvula de descarga. conforme dado: Wliq  ( pme)(área do pistão)(curso) = (pme)(Vdeslocado ) (4) Os motores alternativos ainda são classificados como motores de ignição por centelha ou motores de ignição por compressão. o ciclo de Otto e Diesel. Existem dois ciclos ideais dos motores alternativos com ignição por centelha e por compressão.

org/wiki/Ciclo_Otto)  Admissão: com o pistão no PMS é aberta a válvula de admissão. Este terceiro percurso do pistão é chamado o terceiro tempo do ciclo. maior complexidade. peso e volume. Um motor Otto de quatro tempos funciona com as seguintes etapas. apesar do maior número de partes móveis. impulsionado no seu sentido ascendente em direção à cabeça do motor por meio de manivelas até atingir de novo o PMS. enquanto se mantém fechada a válvula de escape. O pistão move-se então até ao PMI. comparando motores de mesma potência. que pode ser um carburador ou injeção eletrônica.9 poluentes em comparação aos motores a dois tempos. tempo de explosão. que é agora comprimida pelo pistão. Durante este movimento as duas válvulas se encontram fechadas. . a mistura gasosa que se encontra comprimida no espaço existente entre a face superior do pistão e a câmara de combustão é inflamada devido a uma faísca produzida pela vela e "explode".  Compressão: fecha-se nesta altura a válvula de admissão. Fonte Wikipédia( http://pt. A dosagem da mistura gasosa é regulada pelo sistema de alimentação. ilustradas na Figura 3: Figura 3: Funcionamento de um motor Otto quatro tempos. O aumento de pressão devido ao movimento de expansão destes gases empurra o êmbolo até ao PMI. tempo motor ou tempo útil. uma vez que é o único momento que efetivamente produz trabalho.wikipedia.  Expansão: quando o êmbolo atinge o PMS. ficando o cilindro cheio com a mistura gasosa. impulsionando desta maneira por meio de manivelas e produzindo a força rotativa necessária ao movimento do eixo do motor que será posteriormente transmitido às rodas motrizes. O pistão é interligado à biela e esta por sua vez é interligada ao eixo de manivelas o impulsionado em um movimento de rotação.

1.  Processo 2-3: transferência de calor a volume constante para o ar a partir de uma fonte externa enquanto o pistão está no ponto morto superior. É nessa altura em que o pistão. Após a expulsão dos gases o motor fica nas condições iniciais permitindo que o ciclo se repita. permitindo a expulsão para a atmosfera dos gases impelidos pelo êmbolo no seu movimento até ao PMS. impulsionado pelas manivelas. retoma o seu movimento ascendente e a válvula de escape se abre.  Processo 4-1: completa o ciclo através de um processo a volume constante no qual o calor é rejeitado para o ambiente conforme o pistão está no ponto morto inferior.10  Exaustão: nesta etapa o cilindro encontra-se cheio de gases queimados. Fonte: Moran. altura em que se fecha a válvula de escape. A Figura 4 mostra os diagramas com essas relações p-v e T-s.2 Ciclo Ar-Padrão Otto O ciclo ar padrão Otto é um ciclo ideal que considera que a adição de calor ocorre instantaneamente enquanto o pistão se encontra no ponto morto superior. O ciclo consiste em quatro processos internamente reversíveis em série:  Processo 1-2: compressão isentrópica e adiabática do ar conforme o pistão se move do ponto morto inferior para o ponto morto superior. Esse processo tem a intenção de representar a ignição da mistura ar-combustível e a queima rápida que segue. . 3.  Processo 3-4: expansão isentrópica (curso de potência). Figura 4: Diagramas p-v e T-s do ciclo Ar-Padrão Otto. Shapiro (2006).

o ciclo de Otto consiste em dois processos nos quais há trabalho. Assim. O trabalho líquido do ciclo é expresso por: Wciclo W34 W12     u3  u4    u2  u1  m m m (7) Alternativamente. mas não há transferência de calor (processos 1-2 e 3-4). as áreas nos diagramas p-v e T-s da Figura 4 podem ser interpretadas como trabalho e calor.  u3  u4 m m (5) Q23 Q41  u3  u2 . sendo. (processos 2-3 e 41). o calor líquido absorvido. Os resultados são: W34 W12  u2  u1 .  u4  u1 m m (6) Nessas equações não foi utilizada a convenção de sinais habitual para o calor e trabalho. o trabalho líquido obtido a área 1-2-3-4. Como pode ser observado nos diagramas. rearranjando. o trabalho líquido também pode ser calculado como o calor líquido adicionado. a área 2-3-a-b-2 representa o calor fornecido por unidade de massa e. respectivamente. A eficiência térmica é obtida pela razão entre o trabalho líquido do ciclo e o calor adicionado: . No diagrama T-s. a área 1-4-a-b-1 o calor rejeitado por unidade de massa durante o processo de expansão. considerando que as variações de energia cinética e potencial podem ser ignoradas. conforme a equação: Wciclo Q23 Q41     u3  u2    u4  u1  m m m (8) A qual. No diagrama p-v a área 3-4-b-a-3 é o trabalho realizado por unidade de massa no processo de expansão e a área 1-2-a-b-1 é o trabalho realizado por unidade de massa no processo de compressão. pode ser colocada na mesma forma que a expressão anterior para trabalho líquido. e dois processos nos quais há transferência de calor mas não há trabalho. a área 1-2-3-4.11 Uma vez que o ciclo ar padrão Otto é composto de processos internamente reversíveis. sendo. W12 m é um número positivo que representa o trabalho fornecido durante a compressão e Q41 m é um número positivo que representa o calor rejeitado no processo 41. As expressões para essas transferências de energia são obtidas pela simplificação do balanço de energia do sistema fechado.

Como V3  V2 e V3  V2 . Sejam as relações validas no processo isentrópico 1-2 e 3-4. então r  V1 V2  V4 V3 . temos:   1 cv T4  T1  T T T  1    1 1 4 1 cv T3  T2  T2 T3 T2  1 (12) Finalmente. são utilizadas as seguintes expressões para processos isentrópicos no lugar de: T2  V1    T1  V2  onde k  cp cv k 1 r k 1 e T4  V3    T3  V4  k 1  1 r k 1 (11) . é a relação entre os calores específicos. temos: V  v vr 2  vr1  2   r1  V1  r  V4    rvr 3  V3  e vr 4  vr 3  (10) onde r designa a taxa de compressão. Quando o ciclo de Otto é analisado em uma base de ar padrão frio. os valores para energia interna específica requeridos pela equação anterior podem ser obtidos usando as tabelas termodinâmicas. Para cv constante. conforme pode ser observado na Figura 5: .12   u3  u2    u4  u1   1  u4  u1 u3  u2 (9) u3  u2 Quando os dados da tabela de ar são usados para conduzir uma análise que envolve um ciclo de ar-padrão Otto.Otto  1  1 r k 1 (13) que indica que a eficiência térmica do ciclo ar-padrão Otto é uma função da taxa de compressão e aumenta com o aumento da razão desta. tendo. T4 T1  T3 T2 obtemos a equação: ter . O parâmetro vr é tabelado versus a temperatura.

 Compressão: o pistão sobe. quatro fases:  Admissão: o pistão desce. Observando novamente o diagrama T-s da Figura 4. A inflamação do combustível injetado sob pressão na câmara de combustão ocorre pela compressão de ar e conseqüente elevação da temperatura. No final da compressão. pode-se concluir que um aumento na taxa de compressão muda o ciclo de 1-2-3-4-1 para 1-2’-3’-4-1. estando a válvula de admissão aberta e a de escape fechada. o ar se aquece. as válvulas de admissão e de escape estão fechadas. passando pelo filtro de ar e pela tubulação de admissão.2 3. o ciclo 1-2’-3’-4-1 teria a maior eficiência térmica. em contato com o ar aquecido. O ar é então forçado pela pressão atmosférica a entrar no cilindro. 3. O óleo diesel.1 CICLO DIESEL Motores de ignição por compressão Os motores de ignição por compressão utilizam como combustível o óleo diesel. o bico injetor introduz o óleo diesel no interior da câmara de combustão. Uma vez que a temperatura média de fornecimento de calor é maior no último ciclo e ambos os ciclos têm o mesmo processo de rejeição de calor. iniciando assim a combustão. se inflama. Ao descer. Shapiro (2006).2. As .13 Figura 5: Eficiência térmica do ciclo de ar-padrão Otto em função da razão de compressão. Fonte: Moran. O motor a combustão interna de pistão que funciona segundo o ciclo Diesel apresenta. qualquer que seja a potência que estiver sendo utilizada ou a posição do acelerador. o pistão cria uma depressão no cilindro. A quantidade de ar admitida é sempre a mesma. O ar admitido na fase de admissão é comprimido até ocupar o volume da câmara de combustão. durante o funcionamento.  Combustão: o pistão desce acionado pela força de expansão dos gases queimados. Devido à compressão.

A Figura 6 ilustra esses processos.4: expansão isentrópica. Fonte: Wikipédia (http://pt. é restante do curso de potencia. Os gases queimados são expulsos através da passagem dada pela válvula de escape.2.  Processo 4-1: calor é rejeitado a volume constante para o ar enquanto o pistão está no ponto morto inferior.org/wiki/Ciclo_Diesel). Este processo substitui os processos de admissão e descarga de motor real.  Processo 1-2: semelhante ao ciclo Otto ocorre uma compressão isentrópica. A Figura 7 mostra os diagramas p-v e T-s onde se podem observar essas relações. 3.wikipedia. A força de expansão dos gases queimados é transmitida pelo pistão à biela e desta ao virabrequim.14 válvulas de admissão e de escape estão fechadas.  Processo 3. A expansão é o único tempo que produz energia. que se inicia com o pistão no ponto morto superior. estando a válvula de escape aberta e a de admissão fechada. O ciclo consiste em quatro processos internamente reversíveis em série.2 Ciclo Ar-Padrão Diesel O ciclo de ar-padrão Diesel é um ciclo ideal que considera que a adição de calor ocorre durante um processo à pressão constante.  Processo 2-3: adição de calor à pressão constante. provocando assim o movimento de rotação do motor. . constitui a primeira parte do curso de potência. sendo que os outros três tempos consomem uma parte dessa energia.  Escape: O pistão sobe. Figura 6: Funcionamento do motor Diesel quatro tempos.

o processo 2-3 envolve tanto trabalho quanto calor. Consequentemente. a área 1-2-a-b-1 é o trabalho fornecido por unidade de massa durante o processo de compressão. No ciclo ar-padrão Diesel a adição de calor ocorre à pressão constante. respectivamente. temos: Q23   u3  u2   p  v3  v2    u3  pv3    u2  pv2   h3  h2 m (16) . a área 2-3-a-b-2 representa o calor fornecido por unidade de massa e a área 1-4-a-b-1 é o calor rejeitado por unidade de massa. O trabalho é dado por: 3 W23  pdv  p2  v3  v2  m 2 (14) O calor adicional no processo 2-3 pode ser encontrado se aplicarmos o balanço de energia para o sistema fechado: m  u3  u2   Q23  W23 (15) Introduzindo a equação anterior e resolvendo para transferência de calor. Shapiro (2006). A área 2-3-4-b-a-2 é trabalho executado por unidade de massa conforme o pistão se move do ponto morto superior para o ponto morto inferior. Uma vez que o ciclo de ar-padrão Diesel é composto de processos internamente reversíveis. as áreas nos diagramas p-v e T-s da Figura 7 podem ser interpretadas como trabalho e calor. Fonte: Moran.15 Figura 7: Diagramas p-v e T-s do ciclo Ar-Padrão Diesel. No diagrama T-s. No diagrama p-v.

Assim como no ciclo de Otto. a razão volumétrica para o processo 3-4 pode ser expressa como: V4 V4 V2 V1 V2 r    V3 V2 V3 V2 V3 rc (21) em que a taxa de compressão r e a razão de corte rc foram introduzidos para se obter uma forma concisa. pode-se determinar o T4 por interpolação. Já que V4  V1 . h2 e h3 ou. foi introduzida. Utilizando-se a equação anterior juntamente com vr 3 e T3. as temperaturas nos principais estados do ciclo. chamado de razão de corte. a expressão apropriada para o cálculo de T2 é fornecida . a equação de estado de gás ideal simplifica-se com p3  p2 .16 em que a entalpia específica é introduzida para simplificar a expressão. Para uma dada temperatura inicial T1 e taxa de compressão r. fornecendo: T3  V3 T2  rcT2 V2 (20) em que rc  V3 V2 . uma vez que vr 4 seja determinado a partir da relação isentrópica: vr 4  V4 r vr 3  vr 3 V3 rc (22) Em uma análise do ar padrão frio. Vamos analisar a seguir como essas temperaturas são calculadas. de modo equivalente. a temperatura no estado 2 pode ser encontrada por meio da seguinte relação isentrópica e dados para vr : vr 2  V2 1 vr1  vr1 V1 r (19) Para encontrar T3 . o calor rejeitado no processo 4-1 é dado por: Q41  u4  u1 m (17) A eficiência térmica é razão entre o trabalho líquido do ciclo e o calor adicionado:  Wciclo / m Q /m u u  1  41  1 4 1 Q23 / m Q23 / m h3  h2 (18) Para calcular a eficiência térmica a partir da equação anterior são necessários valores para u1 . u4 .

a eficiência térmica o ciclo padrão de ar Diesel é menor do que a do ciclo padrão de ar Otto. . Figura 8: Eficiência térmica do ciclo de ar-padrão Diesel em função da razão de compressão. que dá a eficiência térmica do ciclo Otto. a eficiência térmica do ciclo Diesel aumenta com o aumento da taxa de compressão. a eficiência térmica do ciclo Diesel pode ser expressa como: ter . como pode ser visto na Figura 8. Em uma base de ar-padrão frio. Shapiro (2006). Diesel 1  rck  1   1  k 1   r  k (rc  1)  (25) em que r é taxa de compressão e rc é a razão de corte. Isto pode ser apresentado através de uma análise do arpadrão frio. Fonte: Moran. Comparando essa equação (25) da eficiência térmica do ciclo Diesel com a equação (13). Assim como no ciclo de Otto.17 por: T2  V1    T1  V2  k 1  r k 1 (23) A temperatura T4 é encontrada de modo semelhante a partir de: T4  V3    T3  V4  k 1 r   c  r k 1 (24) em que a equação acima foi utilizada para substituir a razão volumétrica. observa-se que quando a taxa de compressão é a mesma.

então à alta pressão segue até a câmara de combustão.3 3.1 CICLO BRAYTON Turbinas a gás O ciclo Brayton atualmente é utilizado em turbinas a gás onde os processos de compressão e de expansão acontecem em maquinarias rotatórias. Os gases a alta temperatura que resultam da combustão entram na turbina. Os gases de escape que saem da turbina são jogados para fora. Fonte: Moran. onde o processo de escape é substituído por um trocador de calor. O ar. onde o combustível é queimado à pressão constante. Figura 9: Motor de turbina a gás.3. por isso o ciclo é considerado aberto. fazendo uso das hipóteses de arpadrão a seguir:  O fluído de trabalho é ar e este se comporta como um gás ideal.  A câmara de combustão é substituída por um trocador de calor. . o qual adiciona calor QH à pressão constante. como se apresenta na Figura 9 à direita. O ar fresco entra no compressor onde temperatura e pressão do ar são acrescentadas. À esquerda. a partir de uma fonte externa. ciclo aberto e à direita. que rejeita calor QL à pressão constante para o ar a temperatura ambiente. O ciclo de turbina a gás aberto descrito acima também pode ser modelado como um ciclo fechado. sem recirculação. como é apresentado à esquerda na Figura 9.18 3. enquanto produz potência.  Todos os processos são internamente reversíveis.  O ciclo é modelado como um ciclo fechado. ciclo fechado. Shapiro (2006). onde se expandem até a pressão atmosférica.

composto por quatro processos internamente reversíveis.2 Ciclo Ar-Padrão Brayton O ciclo ideal que o fluído de trabalho faz neste ciclo fechado é conhecido como o ciclo Brayton. o balanço de energia para o processo de fluxo estacionário pode ser escrito como:  QH  QL    wentra  wsai   hsai  hentra (26) onde transferência de calor para e pelo o fluído de trabalho. que ocorrem em regime permanente sem mudança de fase.  Processo 2-3: adição de calor a pressão constante. Fonte: Moran. a eficiência térmica para o ciclo Brayton sob a consideração de ar-padrão torna-se: . Shapiro (2006).19 3. como se apresenta a seguir:  Processo 1-2: compressão isentrópica (no compressor). são: QH  h3  h2  cp T3  T2  (27) QL  h4  h1  cp T4  T1  (28) Logo.3. Com o objetivo de analisar a eficiência térmica do ciclo de Brayton.  Processo 4-1: rejeição de calor a pressão constante. vamos supor que as mudanças na energia cinética e potencial são desprezíveis então.  Processo 3-4: expansão isentrópica (na turbina). Figura 10: Diagramas p-v e T-s do ciclo ar-padrão Brayton. A Figura 10 mostra os diagramas p-v e T-s onde se podem observar essas relações.

o que também é certo para as turbinas de gases verdadeiros.Brayton  1  T1 T4 / T1  1 T2 T3 / T2  1 (30) Como os processos 1-2 e 3-4 são isentrópicos. a eficiência térmica do ciclo de Brayton ideal depende da relação de pressões da turbina de gás e da relação de calores específicos do fluído de trabalho. podemos escrever: T2  p2    T1  p1   k 1 k p   3   p4   k 1 k  T3 T4 Logo. Fonte: Moran. (29). p1 A Equação (32) mostra que sob a consideração de ar-padrão.Brayton  1  onde rp  1  k 1/ k (32) rp p2 é a relação de pressão e k é a relação de calores específicos. T2 T3 T4 T3    T1 T4 T1 T2 e T T4 1  3 1 T1 T1 (31) Assim a Equação (30) pode ser re-escrita como: ter. p2  p3 e p4  p1 . A eficiência térmica aumenta com ambos os parâmetros.20  wneto Q  1 L QH QH (29) Substituindo as Equações (27) e (28) em Eq. . temos: ter. como ilustrado na Figura 11. Shapiro (2006). Figura 11: Eficiência térmica do ciclo de ar-padrão Brayton em função da razão de pressão.

1 4. são usados somente em alguns casos específicos. a câmara da esquerda abriga todo o fluído de trabalho (um gás). porque a combustão atua externamente e não dentro do cilindro como acontece nos motores de combustão interna como motores a gasolina ou diesel. Este motor também é conhecido como motor de ar quente. onde o último ciclo analisado apresenta um maior fornecimento de calor. energia é transferida para o fluído atuante por produtos da combustão. Além disso. porque pode utilizar o ar como fluído de trabalho. que pode ser uma esponja metálica ou uma malha cerâmica usado para o armazenamento temporário da energia térmica. onde o combustível é queimado dentro do cilindro. o segundo ciclo correspondente à   linha tracejada opera com uma temperatura máxima T3' do que o ciclo original T3  . apresenta uma eficiência maior. onde o funcionamento silencioso é importante. 4.1 CICLO STIRLING Motor Stirling Os motores Stirling são mais eficientes do que um motor diesel ou gasolina. aumentando a relação de pressão. atualmente. e igual rejeição de calor do que o ciclo original e. 4 CICLOS DE COMBUSTÃO EXTERNA Nestes ciclos o fluído do trabalho opera em um ciclo fechado e a fonte de calor é externa. o qual está a temperatura e pressão altas. Esse sistema consiste em um cilindro com dois pistões em cada lado e um regenerador no meio. No motor Stirling. A Figura 12 ilustra o princípio básico do funcionamento desses motores.1. Isto faz que os motores que trabalham segundo esses ciclos possuam uma alta eficiência além de uma emissão reduzida de poluentes. portanto. Inicialmente. . A massa do fluído de trabalho contida dentro do regenerador em qualquer instante é considerada desprezível. o ciclo muda de 1-2-3-4-1 para 1-2’-3’-4-1.21 Analisando novamente o diagrama T-s da Figura 10 verifica-se que. como em submarinos ou geradores de energia auxiliar para iates. mas. os quais são mantidos separados.

.  Processo 2-3: ambos os pistões deslocam-se para a direita a mesma velocidade (para manter o volume constante) até que todo o gás seja forçado para a câmara da direita.  Processo 4-1: ambos os pistões se movimentam para a esquerda a mesma velocidade (para manter o volume constante). Fonte: Wikipédia (http://pt. a temperatura do regenerador será TH na extremidade esquerda e TL na extremidade direita do regenerador quando o estado 3 for atingido. o pistão da esquerda se move para fora. Para que esse processo de transferência de calor seja reversível. calor é transferido para o regenerador e a temperatura do gás cai de TH para TL .org/wiki/Ciclo_Stirling). forçando todo o gás para a câmara da esquerda. À medida que o gás se expande isotermicamente.  Processo 3-4: o pistão da direita movimenta-se para dentro.22 Figura 12: Princípio do funcionamento do motor Stirling. Calor é transferido do gás para um sumidouro à temperatura TL . À medida que o gás passa através do regenerador. durante o funcionamento. a variação da energia armazenada no regenerador durante o processo 2-3 é igual à quantidade recolhida pelo gás durante o processo 4-1. quatro fases:  Processo 1-2: calor é transferido para o gás a TH de uma fonte a TH . e a pressão do gás diminui. O motor a combustão externa de pistão que funciona segundo o ciclo Stirling apresenta. Ou seja. A temperatura do gás se eleva de TL para TH quando ele passa através do regenerador e recolhe a energia térmica nele armazenada durante o processo 2-3. comprimindo o gás. e que a transferência liquida de calor para o regenerador durante um ciclo é zero. Assim. O segundo processo a volume constante ocorre a um volume menor do que o primeiro. realizando trabalho. para que a temperatura do gás permaneça constante enquanto a pressão aumenta.wikipedia. a diferença de temperatura entre o gás e o regenerador não deve exceder a quantidade diferencial dT em nenhum ponto.

 Processo 2-3: calor é transferido ao fluído de trabalho a volume constante.1. onde TH é a temperatura absoluta da fonte quente e TL é a temperatura absoluta da fonte fria. Como vemos. alcançar o limite máximo de . teoricamente.  Processo 4-1: calor é rejeitado a volume constante. o motor Stirling têm o potencial de alcançar o rendimento de Carnot. Figura 13: Diagramas p-v e T-s do ciclo ar-padrão Stirling Fonte: Moran.2 Ciclo Ar-Padrão Stirling O ciclo Stirling é um ciclo termodinâmico que descreve a classe geral dos dispositivos de Stirling.23 4. Para um processo a uma temperatura constante de um gás ideal temos: Q  W  pV ln V2 V1  (33) A eficiência térmica do ciclo de Stirling é:    Qs  Qr  Qs   p1V1 ln V2 V1   p3V3 ln V3 V4   p1V1 ln V2 V1    mRT1 ln V2 V1   mRT3 ln V3 V4   mRT1 ln V2 V1  (34) Mas V2  V3 e V1  V4 assim V2 V1  V3 V4 e . As fases que compõem o ciclo ar-padrão Stirling são:  Processo 1-2: compressão isotérmica (na qual há também rejeição de calor). Shapiro (2006).   T1  T3  T1  TH  TL  TH    1  TL TH (35) Essa equação é semelhante à eficiência dos ciclos reversíveis ideais dada na Equação (1). o qual permite.  Processo 3-4: expansão isotérmica (há também transferência de calor).

O ar expande e realiza trabalho sobre o pistão quando este se move para cima. todo o calor fornecido ao fluído de trabalho de fontes externas ocorre no processo isotérmico 3-4 e todo o calor rejeitado para as vizinhanças ocorre no processo 1-2.org/wiki/Ciclo_Ericsson) . 4. que é aquecido externamente. Enquanto o pistão se move novamente para baixo. ar quente é empurrado de volta através do regenerador. Da analogia do ciclo de Carnot pode-se concluir que a eficiência térmica do ciclo de Stirling é dada pela mesma expressão dos ciclos de Carnot. onde ele é pré-aquecido. Fonte: Wikipédia (http://pt. um fluido de trabalho gasoso frio entra no cilindro através de uma válvula na parte superior. O ar comprimido é armazenado no tanque pneumático.2 CICLO ERICSSON 4. recuperando a maior parte do calor antes de sair da porta de escape como ar frio. Nele. um regenerador cuja efetividade é de 100% permite que o calor rejeitado durante o processo 4-1 proporcione o calor fornecido no processo 2-3. Figura 14: Representação Motor Ericsson.24 rendimento.2. por ser um ciclo fechado.wikipedia. fechando o tanque e abrindo a porta de escape. O ar entra então no espaço abaixo do pistão. O ar é comprimido pelo pistão quando este se move para cima. a válvula de duas vias se move para cima. Uma válvula de duas vias se move para baixo para permitir a passagem do ar pressurizado através do regenerador.1 Motor Ericsson A Figura 14 ilustra o funcionamento de um motor Ericsson. Consequentemente. Por exemplo. Este ciclo se parece muito com o ciclo de Carnot (válido para gases perfeitos). Depois da expansão.

2. que resfria o ar a uma baixa pressão e é aquecido para o próximo ciclo. Tanto o Ciclo Stirling como o Ciclo Ericson podem conseguir aumentos significativos na eficiência térmica de instalações de potência de turbinas a gás através de interresfriamentos. do tanque. Shapiro (2006). o ar comprimido flui através de um regenerador e ganha calor a uma alta pressão no caminho para um cilindro de energia aquecido. O ar comprimido flui para um tanque de armazenamento a pressão constante. não há transferência de calor através das paredes do tanque. antes de o ar ser liberado. é instrutivo considerar a situação em que o número de estágios tanto de interresfriamento como de reaquecimento torna-se infinitamente grande. e normalmente não há mais de dois ou três.  Processo 4-1: remoção de calor isobárica.25 4. reaquecimento e regeneração. No ciclo ideal. o espaço de compressão está inter-resfriado para que o gás seja comprimido isotermicamente. Fonte: Moran. A Figura 15 mostra o Ciclo Ericsson à esquerda com múltiplos interresfriamentos e reaquecimentos e à direita a situação limite. Entretanto.2 Ciclo Ar-Padrão Ericsson Os quatro processos que ocorrem durante o ciclo Ericsson ideal são:  Processo 1-2: compressão isotérmica. considerada como situação limite. Figura 15: Diagrama T-s Ciclo Ericsson. ele passa novamente pelo regenerador. Existe um limite econômico para o número de estágios que pode ser empregado.  Processo 2-3: Adição de calor isobárica. o cilindro de energia é aquecido externamente. O Ciclo Ericsson é o ciclo limite. e o gás expande isotermicamente. onde há um número infinito de estágios de .  Processo 3-4: expansão isotérmica.

a eficiência térmica do ciclo Ericsson é a mesma de qualquer ciclo que opere adicionando calor à temperatura alta e liberando calor à temperatura baixa. quando o fluido de trabalho estiver na temperatura mais alta e toda a remoção de calor para a vizinhança ocorre nos interresfriadores. Uma vez que se supões que as irreversibilidades são ausentes e todo o calor é fornecido e rejeitado isotermicamente.26 reaquecimento e inter-resfriamento. dependendo somente das temperaturas dos reservatórios. da entrada do primeiro estágio de compressão. e cada reaquecedor retorna o fluido de trabalho para a temperatura mais alta. O regenerador faz com que o calor recebido na transformação isobárica (processo 2-3) a alta pressão seja obtido do calor rejeitado na transformação isobárica a baixa pressão (processo 4-1). . dada pela Equação (35). Logo. Cada interresfriador retorna o fluído de trabalho para a temperatura mais baixa. da entrada do primeiro estágio de expansão. assim como o ciclo Stirling. toda a adição de calor pelo meio exterior ocorre nos reaquecedores. quando ele estiver na temperatura mais baixa. Nesse processo. a eficiência térmica do ciclo Ericsson é semelhante à do ciclo de Carnot. já que se trata de um processo reversível e todo o calor é fornecido e retirado em transformações isotérmicas.

Diesel e Brayton. . tais como o rendimento e a pressão média efetiva. diferirão muito daqueles do motor real. Ao avanço dos anos os motores de combustão externa tais como os motores Stirling e Ericsson foram deixando de ser utilizados porque se precisava de tecnologias com maior robustez. as quais foram encontradas momentaneamente nos motores de ciclo Otto.27 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A principal vantagem dos ciclos padrão de ar consiste em permitir que examinemos qualitativamente a influência de algumas variáveis no desempenho do ciclo. Os resultados quantitativos obtidos no ciclo padrão de ar.

An Engineering Approach. 2006. 6ª ed. BORGNAKKE C. 2003. Ed.. Thermodynamics. SONNTAG Richard E. 2006. SHAPIRO Howard N. MORAN Michael J. Ed. Fundamentos da Termodinâmica. A.28 REFERÊNCIAS CENGEL Y. E. V. Ed.. . 2006. Fundamental of Engineering Thermodynamics. LTC. BORGNAKKE Claus. J. Edgard Blucher. WYLEN G. Wiley. A. SONNTAG R. 6 th Edition.. BOLES M. Introdução à Termodinâmica para Engenharia. 5th Edition.. 6ª edição.