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ROTEIRO DE ATUAÇÃO – COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

2ª CCR – MPF

INTRODUÇÃO

A criminalidade globalizada, fenômeno relativamente
recente, leva os agentes incumbidos da investigação e persecução
penal, cada vez mais, à necessidade de conceder e obter cooperação
de outros países para coleta de informações, provas e realização de
diligências diversas, judiciais e extrajudiciais.
A partir da última década, o Brasil tem promulgado
diversos acordos e tratados de cooperação internacional em matéria
penal, fixando como Autoridade Central, na maioria deles, o Ministério
da Justiça.
Este breve roteiro tem como objetivo auxiliar na
identificação e padronização de procedimentos relativos aos pedidos
de cooperação internacional realizados no âmbito do MPF.
A cooperação poderá ser ativa ou passiva, conforme um
Estado formule a outro ou receba de outro um pedido de assistência
jurídica. Poderá, também, ser direta ou indireta, conforme haja, ou

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CPF: 023.975.677-09 ALUNO: marcellovp

não, necessidade de um juizo de delibação a cargo do Poder
Judiciário.

A cooperação judiciária internacional pode ser realizada
nos seguintes casos:

a) realização de atos de mera instrução: notificação,
intimação,

citação,

interrogatórios,

oitiva

de

testemunhas, etc.;

b) realização de atos de caráter executório, que têm projeção sobre o
domicílio, a intimidade e o patrimônio das pessoas: cumprimento de
sentenças civis, medidas cautelares ou preventivas como busca e
apreensão, seqüestro ou bloqueio de bens, entrega de documentos,
entrega de peças processuais, remessa de dados bancários e fiscais,
repatriação de ativos, interceptação de telecomunicações, etc. e

c) execução de medidas que importam em restrição compulsória à
liberdade: localização, detenção e devolução do acusado ou

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condenado da prática de determinado delito, para que responda a
processo ou cumpra a respectiva sanção penal.

Tradicionalmente, essas medidas eram viabilizadas, no
Brasil, por meio de três instrumentos principais: a carta rogatória
(para as medidas referidas na letra “a” e “b”), a homologação de
sentença estrangeira (para algumas medidas referidas na letra “b”) e
a extradição (para as medidas referidas na letra “c”). Esses
instrumentos ainda são largamente utilizados principalmente no âmbito
civil, na solução de conflitos familiares e comerciais e, no que diz
respeito ao âmbito penal, para fins de viabilização do processo e
execução de penas relativas à prática de crimes não necessariamente
caracterizados por transnacionalidade.
O final do Século XX viu crescer, de forma assustadora,
a prática de crimes transnacionais, entendendo-se estes como sendo
não só aqueles cuja execução ocorre em mais de um Estado, mas
também aqueles que produzem efeitos em mais de um Estado ou cujo
produto é levado para fora do Estado em que cometido: tráfico
internacional

de

entorpecentes,

crimes

cibernéticos

e

crimes

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677-09 ALUNO: marcellovp .975. As cartas rogatórias têm sido.financeiros ou que envolvem ativos financeiros – lavagem de ativos. como ocorre na cooperação tradicional. assim. entrega de documentos. autoridades judiciais e diplomáticas. Os três instrumentos clássicos de cooperação internacional acima referidos têm previsão constitucional. o instrumento utilizado para veicular pedidos de realização de atos como busca e apreensão. evasão de divisas. Surge. tradicionalmente. necessária e primeiramente. a ineficiência dos tradicionais instrumentos de cooperação internacional. tendo sido desenvolvidos novos mecanismos. assim. mais aptos e adequados ao combate desse novo tipo de criminalidade. corrupção. remessa de dados bancários e fiscais. o modelo da assistência legal direta. entrega de peças processuais. pela qual o pedido de cooperação tramita diretamente da autoridade competente para formulá-lo e a autoridade correspondente no país requerido. no Brasil. seqüestro ou bloqueio de bens. estando mencionados nos dispositivos que estabelecem as competências dos Tribunais Superiores. entre outros. por meio de canais menos burocratizados e mais ágeis que não envolvem. 4 CPF: 023. Revelou-se.

Convenção Interamericana sobre Assistência Mútua em Matéria Penal e seu Protocolo facultativo (Decreto 6. entre outros. sempre se levando em consideração os princípios gerais de cooperação internacional. no denominado juízo de delibação.678. de 17.2000). tão somente. que não há. a análise dos pedidos de cooperação é feita à luz da Constituição. Protocolo de Medidas Cautelares (Decreto nº 2.2002) e a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Decreto 5. verificar se está de 1 Citem-se.975. Convenção Interamericana sobre Cartas Rogatórias (Decreto 1. de 9. de 30. de normas internas dos próprios Tribunais.5. de 7.678. de 15.1996). Tratados e Acordos Internacionais1 aplicáveis ao caso concreto. Convenção das Nações Unidas contra a Delinqüência Organizada Transnacional (Decreto 5. no Brasil. de 31.677-09 ALUNO: marcellovp . uma lei específica. A análise feita – antes pelo STF e agora pelo STJ – para a concessão de exequatur leva em consideração o preenchimento de requisitos formais (como a verificação da autenticidade. de 3.2000). 5 CPF: 023. a Convenção Interamericana contra a Corrupção (Decreto 4.015/2004). no qual não é dado ao Tribunal apreciar o mérito ou a procedência do pedido.1.5. infra. a existência de tradução) e materiais (não ser contrário à ordem pública. à soberania nacional e aos bons costumes).10.10. de 7. podendo.De se esclarecer.468.2008). Por isso.340.11.1996) e Protocolo Adicional (Decreto 2. regulamentando a cooperação internacional. desde logo.6. a Convenção sobre Corrupção de Funcionários Públicos em Transações Comerciais Internacionais (Decreto 3.022.2006).410.1998).626. Convenção Interamericana sobre Obtenção de Provas no Exterior da OEA (1975) e Protocolo Adicional (1984). referidos na nota 4. e de seus precedentes. das Convenções.01.899. Acordos bilaterais de Assistência Mútua em Matéria Penal. nos moldes em que existe em outros ordenamentos jurídicos. os seguintes instrumentos em vigor no Brasil: Protocolo de Assistência Mútua em Assuntos Penais do Mercosul (Decreto nº 3.

independentemente de sentença e sem exame do mérito por uma autoridade judicial. a soberania nacional e os bons costumes. passando a considerar que a existência de Tratado ou Convenção sobre determinada matéria exigia que se 6 CPF: 023.677-09 ALUNO: marcellovp . até porque não havia. entre os quais busca e apreensão e quebras de sigilo bancário. a maior parte dos pedidos de quebra de sigilo bancário formulados por meio de carta rogatória teve. antes. o exequatur indeferido. invariavelmente. implicaria ofensa à ordem pública.975. a homologação da sentença estrangeira respectiva. quando ainda competente para a concessão de exequatur nas cartas rogatórias. entendia que os pedidos de caráter executório. sentença estrangeira a ser homologada (é que não são todos os ordenamentos jurídicos que exigem decisão judicial para a quebra de sigilo bancário. Assim é que. O STF. não poderiam ser deferidos sem que tivesse havido. Entendia-se que o deferimento de medida de caráter executório. ainda antes de 2004 – quando a competência para apreciação das cartas rogatórias passou para o STJ – o STF modificou esse entendimento. que pode ser pedida por outras autoridades declaradas como competentes para tanto). mesmo.acordo com a ordem pública. Porém. até 2004.

caso a caso. e que era no sentido de que diligências como busca e apreensão e quebra de sigilo bancário dependiam de sentença e. No que diz respeito. CRCR 9511. Entendeu o STJ na CR 438 que.verificasse. de forma geral. também. Foi concedido exequatur na CR 9528 (pedido proveniente de autoridade judicial chilena) e na CR 9928 (com base no Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal. E. o STF continuou entendendo. aos pedidos de informações bancárias. entre Brasil e Portugal). no nível interno2. só poderiam ser viabilizadas após a homologação de sentença estrangeira. A partir de 2004 a competência para o julgamento das cartas rogatórias e das homologações de sentenças estrangeiras passou a ser do Superior Tribunal de Justiça. de fato. que é exigida. porém. ser imprescindível a decisão judicial de quebra de sigilo bancário. o que trouxe a possibilidade de uma alteração na jurisprudência.975. 7 CPF: 023.677-09 ALUNO: marcellovp . especificamente. no julgamento da Carta Rogatória nº 438. especialmente quando às cartas rogatórias relativas a medidas consideradas de caráter executório (entre as quais as buscas e apreensões e quebras de sigilo bancário). levando em 2 Foi negado exequatur na CR 7126. CR 8622. o STJ modificou o entendimento anteriormente adotado pelo Supremo Tribunal Federal. portanto. se a inexistência de sentença efetivamente ofendia a ordem pública.

efetivamente. No pedido formulado via carta rogatória. §§ 3º e 8º) e por força do princípio da efetividade do Poder Jurisdicional no novo cenário de cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional. art. no Estado demandante. No Brasil. é preciso que essa 8 CPF: 023. não bastando o entendimento do membro do Ministério Público no sentido da necessidade e cabimento da medida. nos casos de pedidos formulados por países em que o membro do Ministério Público tem essa competência. por força de compromisso internacional (Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.613/98.consideração a necessidade de ampla cooperação com as autoridades estrangeiras. seja porque é integrante da magistratura. competência para tanto. há necessidade de se demonstrar que a autoridade que está fazendo o pedido tem. é perfeitamente viável que um pedido de medidas de caráter executório – como buscas e apreensões.975.677-09 ALUNO: marcellovp . Por isso que. a quebra de sigilo bancário só pode ser decretada mediante autorização judicial. § 1º). 8º. 18. independentemente homologação de sentença estrangeira. por força de lei (Lei 9. seja porque tem competência para determinar a quebra do sigilo bancário. art. bloqueios e quebras de sigilo bancário – sejam atendidas no bojo de cartas rogatórias.

975. na quarta espécie de instrumento previsto no ordenamento jurídico brasileiro. mais eficaz no combate à criminalidade transnacional. três Convenções: a da OCDE. assim. têm força de lei no país. O modelo de assistência legal ou auxílio direto. revelando-se. sem dúvida alguma. Além dos três instrumentos clássicos de cooperação internacional. desde que aprovados pelo Poder Legislativo e postos em vigor pelo Poder Executivo. no âmbito da cooperação internacional. Trata-se da chamada “assistência legal” ou “auxílio direto”. no Brasil. especificamente. No que diz respeito.circunstância reste muito bem esclarecida no pedido. Tais instrumentos. havendo neles previsão de assistência legal direta. de tal forma que. como já chegou a acontecer (CR 3124-IT). ao combate à corrupção. que se constitui.677-09 ALUNO: marcellovp . a 9 CPF: 023. não há como negar ser ela aplicável e invocável. um outro instrumento vem sendo cada vez mais utilizado. a fim de que não seja oposto o óbice da ausência de competência da autoridade demandante. estão em vigor. pelo qual os pedidos tramitam diretamente entre autoridades centrais – em geral administrativas e não judiciais – designadas como tais em cada Estado está previsto em vários instrumentos internacionais de que o Brasil é signatário.

Parágrafo único.282. regulamentando a atuação da Corte quanto aos processos que envolvem cooperação internacional. via Ministério da Justiça (que é a autoridade central para a maioria absoluta dos tratados e convenções.324.988. COLÔMBIA (Decreto nº 3. ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (Decreto nº 3. sob esse aspecto. 4 “Art. CHINA (Decreto nº 6. 7º. PORTUGAL (Decreto nº 1. As cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios. a possibilidade de cumprimento de diligências por “auxílio direto”. a autoridade central para a quase totalidade dos acordos é o 3 O Brasil é signatário de acordos bilateriais de cooperação ou assistência em matéria penal com os seguinte países: ITÁLIA (Decreto nº 862. Os pedidos de assistência legal ou auxílio direto tramitam.810.gov. de 29 de outubro de 2001). CUBA (Decreto nº 6. por meio de autoridades centrais. via de regra. FRANÇA (Decreto nº 3.721. a Convenção de Palermo e o Protocolo de Medidas Cautelares. de 9 de julho de 1993). de 13 de março de 2006). A Resolução prevê. Os tratados bilaterais e multilaterais (MLATs) também contêm diversas referências à cooperação direta ou assistência legal3. de 21 de maio de 2008) e ESPANHA (Decreto nº 6. Compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil levaram à edição da Resolução STJ nº 9/2005.mj.da OEA e a da ONU. ainda que denominados como carta rogatória.br). de 2 de maio de 2001). No Brasil. serão encaminhados ou devolvidos ao Ministério da Justiça para as providências necessárias ao cumprimento por auxílio direto”. de 08 de dezembro de 2008) (fonte: www. de 23 de agosto de 2001). CORÉIA (Decreto nº 5. Também contém disposições relevantes. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que tiverem por objeto atos que não ensejem juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça.975. 10 CPF: 023.320.677-09 ALUNO: marcellovp . no Brasil) sem a intervenção do Tribunal4. expressamente. de 3 de dezembro de 2007).681. de 30 de dezembro de 1999).462. de 30 de novembro de 1994). PERU (Decreto nº 3.895.

677-09 ALUNO: marcellovp . após o exame preliminar de preenchimento dos requisitos formais. imediatamente. quando houver medida judicial. sem atuação judicial. O DRCI. o DRCI transmite o pedido.Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional – DRCI. nos termos da Portaria Conjunta MJ-PGR-AGU nº 01/2005. como nos pedidos de busca e apreensão. ou para a autoridade administrativa brasileira competente.975. à ASCJI da PGR. que os encaminha para a Assessoria de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria Geral da República (ASCJI). não tem competência para ajuizar os pedidos. quebras de sigilo bancário e outras medidas. nas hipóteses em que isso seja necessário. Os pedidos de auxílio direto passivos (aqueles em que o Brasil é demandado) são recebidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. nos demais casos. por ser órgão do Poder Executivo. Assim é que. então ao membro do Ministério Público Federal que tenha atribuição para promover a diligência solicitada. Exemplo: o Ministério Público da Argentina faz um pedido de quebra de sigilo bancário de uma empresa sediada em São 11 CPF: 023. seqüestro de bens. que o encaminha.

que deve ter sido feita pela autoridade requisitante e pelo representante do Ministério Público no Brasil. da necessidade e pertinência da medida. A quebra de sigilo bancário judicialmente determinada não pode deixar de ser atendida pelas instituições financeiras. e até mesmo seqüestros 12 CPF: 023. da existência de elementos que a justifiquem. não se admite a chamada “fishing expedition”. à luz da lei brasileira. Relembre-se. ainda. se os dados bancários forem de outra forma obtidos.Paulo. Enviados os dados respectivos ao juiz. já que. enfim.677-09 ALUNO: marcellovp . para que lá seja requerido ao Juiz que decrete a quebra de sigilo e obtenha os dados necessários para remessa à autoridade argentina. é indispensável. É que também aqui. a prova será considerada ilegal.975. sejam os dados encaminhados à autoridade estrangeira que os requisitou. que a autorização judicial está condicionada à demonstração. que remete à ASCJI para que. O pedido será encaminhado a um Procurador da República na cidade de São Paulo. este os disponibiliza ao Ministério Público. via DRCI. O mesmo procedimento pode ser utilizado para a realização de outros tipos de diligências. nesse caso. tais como pedidos de oitivas de testemunhas e obtenção de documentos. A obtenção da autorização judicial.

sua procedência ou não. precisamente. 7 O Brasil faz parte. 5 Trata-se. O pedido de assistência ou auxílio direto parece ser. é possível que o Ministério Público realize a diligência sem a necessidade de acionamento do Poder Judiciário. de três redes de cooperação jurídica internacional: a IberRED . a ser transmitida pelo DRCI ao STJ. de autoridade judicial. atualmente.e buscas e apreensões. sem necessidade de analisar o conteúdo do pedido. que já constatou a presença dos requisitos necessários para a essa quebra.975. de redes de cooperação. assim. instituída em 2004 em Cartagena de 13 CPF: 023. na Resolução nº 45/117. Em casos como pedidos de certidões. aliás. por exemplo. só exercerá o juízo de delibação.Rede Ibero-americana de Cooperação Judicial. de toda a sorte. em geral mais lentas. A tramitação do pedido de assistência legal. por exemplo. facilitar e acelerar a cooperação direta entre os Estados que as integram. provendo informações jurídicas e práticas que viabilizem a formulação correta dos pedidos de auxílio7. acontece de maneira mais ágil e direta. que têm como objetivo. do modelo recomendado pelas Nações Unidas. continuam sendo um instrumento válido para a obtenção de cooperação jurídica. A relevância que vem assumindo essa espécie de cooperação internacional é demonstrada pelo surgimento.677-09 ALUNO: marcellovp . sem a intervenção de tribunais superiores ou vias diplomáticas. como se vê. preferível à utilização de cartas rogatórias5 que. como acima explicitado6. nesse caso. que. os últimos anos. pode ele tramitar pela via da Carta Rogatória. 6 Caso o pedido de quebra de sigilo provenha.

Honduras. a Rede Judiciária da CPLP. econômico. República Dominicana. Peru. Granada. seja nos planos político. Brasil. Bahamas.Veja-se. adotada pela Vª Reunião de Ministros da Justiça daquela Organização. Jamaica. Paraguai. Dominica. 14 CPF: 023. que têm sido utilizados para atos de forma mais simplificada. Panamá. Guiné-Bissau. Teori Zavascki (Caso Boris Berezovski). Haiti. Equador. Guatemala. São Venezuela. Canadá. São Tomé e Príncipe. Peru. durante a X Conferência de Ministros da Justiça dos Países de Língua Portuguesa. compostas por representantes dos 23 Estados que participam das Cúpulas Ibero-americanas de Chefes de Estado e de Governo (Argentina. El Salvador. criada em novembro de 2005. cultural ou em outros. o acórdão de julgamento da Reclamação nº 2645 pela Corte Especial do STJ. Bolívia. República Dominicana. Portugal. Nicarágua. Chile. realizada no ano de 2004 em Washington e da qual fazem parte 34 (trinta e quatro) países: Antígua e Barbuda. a respeito. Bolívia. Honduras. composta por oito países (Angola. Barbados. Moçambique. Os Memorandos de Entendimento firmados entre o Ministério Público Federal e as Instituições estrangeiras congêneres têm como objetivo principal a intensificação da Cooperação Jurídica Internacional. Rede de Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional dos Países de Língua Portuguesa. e Venezuela). e Timor Leste). Colômbia. Guatemala. Índias (Colômbia). Uruguai.677-09 ALUNO: marcellovp . A cooperação direta pode ocorrer de MP para MP. Panamá. destinados a registrar princípios gerais que orientarão as relações entre as Partes. Cuba. possibilitando a troca de informações entre estas no intuito de combater o crime organizado internacional de forma mais rápida e eficaz. Guiana. Rel. Estados Unidos. Brasil. Colômbia. e a Rede Hemisférica de Intercâmbio de Informações para o Auxílio Jurídico Mútuo em Matéria Penal e de Extradição. Porto Rico. Argentina . Paraguai.975. Belize. Brasil. jurídico. México. México. El Salvador. Costa Rica. Chile. criada no âmbito da OEA. Guiné Equatorial. Cabo Verde. por meio de Memoriais de Entendimento. Nicarágua. com menor formalidade. Equador. Costa Rica. Espanha. Portugal.

Com a assinatura dos Memorandos. Houve. a Troca de Cartas para intensificar a cooperação entre o Ministério Público Federal e as Instituições congêneres dos seguintes países: Finlândia.975. Paraguai. 15 CPF: 023. Ucrânia e Venezuela. Portugal. A Procuradoria Geral da República tem Memorandos de Entendimento firmados com os Ministérios Públicos dos seguintes países: Colômbia. formulando políticas de cooperação informal e direta entre os Ministérios Públicos e obtendo informações de grande utilidade para o desempenho das funcional dos membros do MPF. Japão. promoção de programas específicos de combate ao crime organizado e realização de estudos e encontros de coordenação. Itália. Noruega e Suíça. aprimoramento de operadores do direito. ainda. Vale ressaltar que o previsto nestes Memorandos não gera obrigações no âmbito do Direito internacional. A colaboração entre os Ministérios Públicos pode prever. Rússia. Espanha. complementar ao trabalho que já é feito pelos Ministérios da Justiça dos dois países.677-09 ALUNO: marcellovp . ainda. Peru. fica aberto mais um canal de cooperação jurídica direta.

Nauru. com 38 países. Brunei.975. Ilhas Marshall. Antilhas Holandesas. Liechtenstein. Singapura. Samoa. a OCDE divulgou duas listas de países considerados paraísos fiscais: uma “lista negra”. Libéria. Vanuatu e Ilhas Virgens. Bermudas. Recentemente. Bahrein. destaque-se que nem todos os países dispõem-se à cooperação internacional. Anguila. Ilhas Caiman. especialmente em matéria de colaboração relativa a sonegação fiscal e lavagem de ativos. Ilhas de São Cristóvão e Nevis. Suíça. Panamá. Bélgica. Montserrat. A lista “cinzenta” dos países não-cooperantes em matéria fiscal é composta por: Áustria. São Vicente e Granadinas. Gibraltar. 16 CPF: 023. Belize. Muitos não são firmatários de acordos ou tratados em matéria penal e/ou rejeitam eventual colaboração por reciprocidade. Luxemburgo. por falta de interesse. Costa Rica. Niue. Ilhas Cook. República Dominicana. e uma “lista cinzenta”.PAÍSES COOPERANTES E NÃO-COOPERANTES Primeiramente. Santa Luzia. com quatro nações onde constam o Uruguai. Mônaco. Malásia e Filipina. Chile. Bahamas.677-09 ALUNO: marcellovp . São Marino. Andorra. Aruba. Guatemala. São chamados de países não-cooperantes. Grenada. Antigua e Barbados. Ilhas Turcos e Caicos.

No Brasil. o Primeiro-Ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker declarou que os Estados norte-americanos de Delaware. No Brasil.Em abril de 2010. perante o Parlamento Europeu. mais de metade das 500 maiores fortunas e 43 por cento das empresas cotadas na Bolsa de Nova Iorque estão domiciliadas no Estado de Delaware. a autoridade central examina os pedidos ativos e passivos. exercendo uma sorte de juízo de admissibilidade administrativo. devido à política de benesses em impostos e benefícios. A lista foi extinta pela Carta-Circular COAF nº 014/2006. AUTORIDADE CENTRAL A Autoridade Central é a autoridade designada para gerenciar o envio e o recebimento de pedidos de auxílio jurídico. Wyoming e Nevada são como paraísos fiscais. adequando-os e os remetendo às respectivas autoridades nacionais e estrangeiras competentes. sugerindo adequações. 17 CPF: 023. Atualmente. desde 2001 o COAF vinha emitindo CartasCirculares com a lista oficial de países considerados não-cooperantes em matéria de lavagem de ativos. tendente a acelerar e melhorar a qualidade dos resultados da cooperação.677-09 ALUNO: marcellovp .975.

remeterá o pedido ao Estado requerido. Inexistindo acordo. no papel de Autoridade Central.No Brasil. subordinado à da Secretaria Nacional de Justiça. o DRCI. Havendo acordo bilateral ou multilateral de cooperação jurídica internacional. cabe ao DRCI encaminhar o pedido à Divisão Jurídica do Ministério das Relações Exteriores.677-09 ALUNO: marcellovp . por meio do DRCI – Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional. a autoridade central para processar praticamente todos os pedidos de cooperação internacional é o Ministério da Justiça. ou jurisdições: Os pedidos de auxílio direto devem ser encaminhados para o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça – DRCI. para que seja transmitido por meio dos canais diplomáticos. por via da ASCJI – Assessoria de Cooperação Jurídica Internacional da PGR. o papel de Autoridade Central é desempenhado pela Procuradoria Geral da República. Autoridade brasileira para pedidos de auxílio direto ativos efetuados pelo Brasil para outros Estados. No caso específico dos pedidos de auxílio direto destinados a Portugal. nos termos do respectivo acordo.975. Autoridade brasileira responsável pela execução do pedido de auxílio direto passivo: 18 CPF: 023.

de 9/8/2004) é a Autoridade Central para: .975. ou para a autoridade administrativa brasileira competente. . de 1956. A SECRETARIA ESPECIAL DE DIREITOS HUMANOS (Decreto nº 5.677-09 ALUNO: marcellovp .714. -Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre Brasil e Portugal. nos demais casos. de 1980.Convenção de Nova Iorque sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro.pedidos de auxílio direto destinados e provenientes de Portugal e do Canadá. quanto houver medida judicial. de 1991. que os encaminhará à ASCJI Assessoria de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria Geral da República.Os pedidos de auxílio direto são recebidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. 19 CPF: 023. Outras autoridades centrais: A PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA é a Autoridade Central no Brasil para: .Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Menores.

br/institucional/equipe.mpf. designados pelo PGR.gov. vinculado ao Gabinete do ProcuradorGeral da República.mpf.. A equipe de servidores pode ser consultada em http://ccji.pgr.975. Foi criada em 3/2/2005 pela portaria PGR nº 23.Convenção de Haia sobre Cooperação Internacional e Proteção de crianças e Adolescentes em Matéria de Adoção Internacional.677-09 ALUNO: marcellovp .br/institucional/membros. sendo um deles o coordenador (atualmente. o SPGR Edson Oliveira de Almeida) - http://ccji. ASCJI – ASSESSORIA DE COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL Órgão do MPF. 20 CPF: 023. bem como no relacionamento com os órgãos nacionais voltados às atividades próprias da cooperação internacional. de 1993. A ASCJI é composta por três subprocuradores-gerais da República.gov. Entre as principais atribuições da ASCJI. está a de assistir o Procurador-Geral da República em assuntos de cooperação jurídica internacional com autoridades estrangeiras e organismos internacionais.pgr.

2. disponível no menu à direita. via e-mail. por meio eletrônico. conforme procedimento abaixo: 1. o idioma e o regime de prazo pretendido. O formulário preenchido e assinado deve ser encaminhado à ASCJI. à autoridade requerente para registro. A requisição do serviço deve especificar o Estado destinatário. 21 CPF: 023.677-09 ALUNO: marcellovp . O documento traduzido será encaminhado por esta Assessoria. O formulário para pedido de assistência mútua em matéria penal pelas unidades do MPF deve ser preenchido. segundo o modelo existente. em português.br 4. sendo este de uso exclusivo para a tradução. O documento em versão eletrônica será encaminhado à empresa licitada. A ASCJI encarregar-se-á do acompanhamento do pedido junto à empresa licitada. 5. 3. por meio eletrônico. observando o regime de prazo requerido. as unidades devem solicitar à ASCJI a tradução para o idioma aceito no Estado requerido. a solicitação de execução do serviço e o referido formulário devem ser encaminhados.975.mpf. 7. e este será transmitido à autoridade central juntamente com o documento traduzido. 8. para tradução. por meio de ofício. Para celeridade do processo. 6.gov.Os pedidos de cooperação devem ser inicialmente encaminhados à ASCJI. ao seguinte correio: internacional@pgr. Preenchido o formulário.

Conjunto A. em português. CEP 70716-900. Ed. Telefone: 61 2025-8919 .061/2007. Localiza-se em Brasília-DF. Bloco A.9. sugerindo adequações.975. deve compreender os formulários em português e em idioma estrangeiro. 2º andar. no SCN Quadra 6. DRCI – DEPARTAMENTO DE RECUPERAÇÃO DE ATIVOS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL O DRCI é vinculado à Secretaria Nacional de Justiça e integra o Ministério da Justiça.gov. O pedido. tem suas competências estabelecidas.677-09 ALUNO: marcellovp . 22 CPF: 023.br/drci Ao DRCI cabe o gerenciamento do envio e recebimento de pedidos de auxílio jurídico.991 de 18/02/2004. 10. Asa Norte. atualmente. O DRCI examina os pedidos ativos e passivos.http://www.mj. no Anexo I do Decreto nº 6. deve ser assinado pela autoridade requerente. no momento da remessa à autoridade central. Venâncio 3000. Criado pelo Decreto nº 4. adequando-os e os remetendo às respectivas autoridades nacionais e estrangeiras competentes. É o órgão incumbido de exercer a atividade de Autoridade Central nos acordos e tratados internacionais. ficando a critério desta a assinatura no formulário em idioma estrangeiro. Vale ressaltar que o formulário.

ao crime organizado transnacional.coordenar a atuação do Estado brasileiro em foros internacionais sobre prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado transnacional.negociar acordos e coordenar a execução da cooperação jurídica internacional. no que se refere ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado transnacional.061/2007) I . IV . a fim de agilizar e melhorar a qualidade dos resultados da cooperação.975. à recuperação de ativos e à cooperação jurídica internacional. Legislativo e Judiciário. integrar e propor ações do Governo nos aspectos relacionados com o combate à lavagem de dinheiro. recuperação de ativos e cooperação jurídica internacional. Competência do DRCI: (Anexo I do Decreto nº 6.promover a articulação dos órgãos dos Poderes Executivo.articular. II . inclusive dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais.exercer a função de autoridade central para tramitação de pedidos de cooperação jurídica internacional. III . 23 CPF: 023. V .quando necessárias.677-09 ALUNO: marcellovp .

24 CPF: 023. prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado transnacional no País. utilizado principalmente para a comunicação de atos processuais. merecem destaque: Homologação de sentença estrangeira Instrumento destinado a dar eficácia.promover a difusão de informações sobre recuperação de ativos e cooperação jurídica internacional. Carta Rogatória Instrumento tradicional pelo qual se solicita a prática de diligência a autoridade judicial estrangeira.VI . e VII . a decisões judiciais definitivas provenientes de outro Estado. opinar e coordenar a execução da cooperação jurídica internacional ativa e passiva. inclusive cartas rogatórias. INSTRUMENTOS DE COOPERAÇÃO A cooperação jurídica pode se basear em tratado ou em pedido de reciprocidade. em um Estado. Dos mecanismos de cooperação jurídica internacional.975.677-09 ALUNO: marcellovp .instruir.

25 CPF: 023. notificada. e.975. ! endereço do juízo rogante. no Brasil. diligência solicitada por autoridade judicial estrangeira.STJ. Trata-se de ordem para que se efetive.O trâmite de cartas rogatórias se efetua pela via diplomática ou por meio de Autoridades Centrais. indicadas em acordos internacionais ou nas legislações nacionais. se possível. ! descrição detalhada da medida solicitada. Compete ao Superior Tribunal de Justiça a concessão de exequatur às cartas rogatórias passivas. nos termos da alínea “i” do artigo 105 da Constituição da República Federativa do Brasil. nos termos do Parágrafo Único do art. Os pedidos de cooperação jurídica internacional passivos que têm por objeto atos que não ensejam juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça . são tramitados como auxílio direto. ! finalidades para as quais as medidas são solicitadas. intimada ou inquirida na jurisdição do juízo rogado. 7º da Resolução STJ nº 9.677-09 ALUNO: marcellovp . Requisitos da Carta Rogatória ! indicação dos juízos rogante e rogado. ainda que denominados como carta rogatória. ! nome e endereço completos da pessoa a ser citada.

parágrafo único. e 148. 8. de 13 de junho de 1990 .826. ! encerramento com a assinatura do juiz. b. §§ 1º e 2º.Estatuto da Criança e do Adolescente). ! quando cabível. da competência da justiça da infância e da juventude (artigos 141. as cartas rogatórias deverão ainda incluir: a.sua qualificação. para os países vinculados à Convenção de Nova Iorque. nome e endereço completos do responsável pelo pagamento das despesas processuais decorrentes do cumprimento da carta rogatória no país destinatário. salvo as extraídas das ações: a. de 2 de setembro de 1965 (vide artigo 26 da Lei nº. da Lei nº.975. c.069. lugar de nascimento e o número do passaporte. data de nascimento. promulgada no Brasil pelo Decreto nº. 5. texto dos quesitos a serem formulados pelo juízo rogado. incisos I a VII. que tramitam sob os auspícios da justiça gratuita.478 de 25 de julho de 1968). especialmente o nome da genitora. 26 CPF: 023. e ! qualquer outra informação que possa ser de utilidade ao juízo rogado para os efeitos de facilitar o cumprimento da carta rogatória. letras “a” a “h”. ! Para interrogatório de réu ou oitiva de testemunha.677-09 ALUNO: marcellovp . 56. de prestação de alimentos no exterior.

! denúncia ou queixa. e ! outras peças consideradas indispensáveis pelo juízo rogante. ! duas cópias dos originais da carta rogatória. designação de audiência.677-09 ALUNO: marcellovp . conforme a natureza da ação.b. ficando cópia nos autos do processo. quando se tratar de matéria civil. ! Obs. Requisitos por País: Argentina – Uruguai – Paraguai 27 CPF: 023. ! documentos instrutórios. ! original da tradução oficial ou juramentada da carta rogatória e dos documentos que a instruem. caso se trate de matéria penal.: Quando o objeto da carta rogatória for exame pericial sobre documento. este deverá ser remetido em original. quando se tratar de matéria penal e de 180 dias. com antecedência mínima de 90 dias. Documentos que devem acompanhar as cartas rogatórias: ! petição inicial. a contar da remessa da carta rogatória à Autoridade Central.975. quando se tratar de matéria civil. da tradução e dos documentos que os acompanham. ! despacho judicial que ordene sua expedição.

No que tange ao Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil. Paraguai e Uruguai são disciplinadas pelo Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil. além de medidas como citação e notificação. Merece destaque o fato de que o Protocolo de Las Leñas prevê. especialmente. assinado em 26 de março de 1991. Comercial. Trabalhista e Administrativa (Mercosul). Comercial. Seu artigo 20 reúne as condições necessárias para o processamento de medidas executórias. 28 CPF: 023. também conhecido como Protocolo de Las Leñas e pelo Protocolo de Medidas Cautelares.975. exceto quando são solicitados meios probatórios que ocasionem custos especiais. no Estado requerido. os artigos 6. Trabalhista e Administrativa (Mercosul).677-09 ALUNO: marcellovp . onde constam os requisitos para a preparação da carta rogatória. Em tais casos devem ser registrados na carta rogatória os dados da pessoa que. Uruguaia e Paraguaia para o Cumprimento de Cartas Rogatórias em Matéria Civil As cartas rogatórias encaminhadas à Argentina.Recomendações das Justiças Argentina. devem ser observados. e 10. procederá ao pagamento das despesas. o reconhecimento e execução de sentenças e laudos arbitrais. que requer a tradução da carta rogatória e dos documentos que a acompanham. O encaminhamento das cartas rogatórias conforme os Protocolos não acarreta custas. asinado em 16 de dezembro de 1994.

! indicação das autoridades centrais requerente e requerida. 7º da Resolução STJ nº 9. bens e obrigações de dar.975. as providências junto às autoridades competentes para o seu cumprimento. Auxílio Direto Instrumento por meio do qual a integralidade dos fatos é levada ao conhecimento de judiciário estrangeiro para que profira decisão que ordene ou não a realização das diligências solicitadas.Já o Protocolo de Medidas Cautelares destina-se a impedir a irreparabilidade de um dano em relação às pessoas. cabendo ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional – DRCI.677-09 ALUNO: marcellovp . 29 CPF: 023. de fazer ou de não fazer. ! indicação da autoridade requerente. do Ministério da Justiça. Requisitos do Auxílio Direto ! base legal por meio da qual se efetua a solicitação – acordo ou garantia de reciprocidade. conforme dispõe o Parágrafo Único do art. O auxílio direto passivo não enseja a concessão de exequatur pelo Superior Tribunal de Justiça.

os tipos penais. endereço. da base factual que lhe deu origem. nacionalidade. c. sempre que possível. indicando o lugar e a data. d. incluindo: a. descrição do nexo de causalidade entre o procedimento em curso. quando os fatos forem complexos. profissão e número do passaporte). os envolvidos e as medidas solicitadas no pedido de auxílio. b. resumo descritivo dos fatos principais.! sumário contendo número(s) e síntese(s) do(s) procedimento(s) ou processo(s) no país requerente os quais servem de base ao pedido de cooperação. ! narrativa clara. e. em matéria criminal. nome da genitora. em um único documento. sobrenome.975. descrição. ! qualificação completa e precisa das pessoas às quais o pedido se refere (nome. no próprio texto do pedido de cooperação jurídica internacional. data de nascimento. lugar de nascimento. concisa e completa.677-09 ALUNO: marcellovp . objetiva. destacando-se. referência expressa e apresentação da correlação da documentação que se julgue necessário anexar ao pedido de cooperação jurídica internacional. dos fatos ocorridos. 30 CPF: 023. ! referência e transcrição literal e integral do texto dos dispositivos legais aplicáveis.

! descrição do objetivo do pedido de cooperação jurídica internacional. bem como. nome da genitora. local e data. para os efeitos de facilitar o cumprimento do pedido de cooperação jurídica internacional. o número da conta. ! qualquer outra informação que possa ser útil à autoridade requerida. profissão e número do passaporte). b.! descrição detalhada do auxílio solicitado. a localização da agência bancária e a delimitação do período desejado. sobrenome. c. a forma de encaminhamento dos documentos a serem obtidos (meio físico ou eletrônico). endereço completo. indicando: a.677-09 ALUNO: marcellovp . ! outras informações solicitadas pelo Estado requerido. expressamente. nos casos de rastreio ou bloqueio de contas bancárias. 31 CPF: 023. nos casos de notificação. lugar de nascimento. citada ou intimada (nome. data de nascimento. citação ou intimação. nacionalidade. o nome do banco. fornecer qualificação da pessoa a ser notificada. sempre que possível. apresentar o rol de quesitos do juízo requerente e das partes a serem formulados.975. e. ! assinatura da autoridade requerente. nos casos de interrogatório e inquirição.

32 CPF: 023. pois visa à proximidade da família e de seu ambiente social e cultural.gov.br/data/Pages/MJ86D74191ITEMIDADBC7CA2BDAB4352ADB251C67F8FC5CFPTBRIE. Extradição e Transferência de condenados É de responsabilidade do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça. podendo também ser acessados em http://portal. sem a necessidade de atuação do Poder Judiciário.Os documentos para o Pedido de Cooperação Internacional foram padronizados e os formulários para preenchimento encontram-se anexos a este roteiro.mj. O instituto de transferência de pessoas condenadas para cumprimento de pena em estabelecimentos prisionais em seus paises de origem tem cunho essencialmente humanitário.htm Cooperação Administrativa Solicitação de autoridade judicial ou administrativa estrangeira que possa ser atendida por meio de providências administrativas.677-09 ALUNO: marcellovp .975. o que vem a ser importante apoio psicológico e emocional facilitando sua reabilitação após o cumprimento da pena.

33 CPF: 023. por sentença transitada em julgado. a fim de cumprir o restante da pena a ele imposta. No caso do Brasil a autoridade central é a Secretaria Nacional de Justiça. quando um estrangeiro preso no Brasil requer o translado para seu país de origem. quando um brasileiro preso em outro país. imposta por sentença estrangeira. A transferência de presos pode ser: ! Ativa. no que pertine à execução da pena. próximo de seus familiares. Os Tratados deverão necessariamente estabelecer as autoridades centrais de cada país que serão responsáveis pelo andamento e concordância dos pedidos de transferência.A transferência de pessoas condenadas possibilita solucionar as dificuldades inerentes ao estrangeiro. Cumpre salientar que a transferência de pessoas condenadas estrangeiras presas no Brasil ocorre simultaneamente a sua expulsão do país.677-09 ALUNO: marcellovp . cumprindo pena. já transitada em julgado solicita ser transferido para estabelecimento carcerário do Brasil. bem como de seu ambiente social. ! Passiva. No Brasil a transferência de presos somente poderá ser efetivada quando houver Tratado celebrado. as indesejáveis discriminações ocorridas dentro dos estabelecimentos prisionais. evitando assim. pela justiça brasileira.975.

A Divisão de Medidas Compulsórias.Trâmite dos Processos O Departamento de Estrangeiros é o órgão do Ministério da Justiça responsável pelos trâmites de todos os processos administrativos para fins de transferência de pessoas condenadas e é ele quem realiza a análise de admissibilidade do pedido.975. do Departamento de Estrangeiros. Estando o processo administrativo devidamente instruído. as autoridades centrais de ambos os Estados. conforme o previsto no acordo. são encaminhados ao Juiz da Vara de Execuções Penais onde residam os familiares do brasileiro condenado no exterior que providenciará vaga em estabelecimento prisional brasileiro. remetente e recebedor. Os funcionários do governo brasileiro responsáveis pela escolta do brasileiro condenado no exterior dirigem-se até o Estado remetente a fim de traze-lo ao Brasil. atua no sentido de agilizar os trâmites dos pedidos. caso estejam de acordo com o Tratado aplicável ao caso. a Polícia Federal. deverão proferir decisão final aprovando a transferência. a Interpol e os Juizes das Varas de Execuções Criminais. agindo em parceria com os diversos órgãos envolvidos. para ser recolhido em 34 CPF: 023. incluindo o Ministério das Relações Exteriores. Os documentos.677-09 ALUNO: marcellovp .

o país recebedor providenciará a retirada do território brasileiro de seu nacional. Uma vez instruído. em local e dia acordado pelas Partes. para cumprimento do restante da pena a ele imposta pela justiça estrangeira.677-09 ALUNO: marcellovp . recebe o pedido expresso do estrangeiro no sentido de ser transferido para seu país de origem. 35 CPF: 023. o Departamento de Estrangeiros. A entrega do preso estrangeiro aos policiais de seu país de origem responsável pela escolta deverá ocorrer concomitantemente à efetivação da sua expulsão.estabelecimento prisional. Tratando-se de transferência passiva. incumbe à Divisão de Medidas Compulsórias providenciar junto ao Poder Judiciário os documentos destinados à instrução do processo. condenado pela justiça brasileira. da Secretaria Nacional de Justiça. que poderá concordar ou não com o translado. O processo administrativo para fins de expulsão tramita paralelamente ao processo de transferência.975. O processo será então submetido à apreciação da Secretária Nacional de Justiça que deverá expressar sua anuência como o translado. via diplomática. é providenciada a tradução dos referidos documentos para o idioma oficial do país de origem do preso estrangeiro. Recebido o pedido. Os documentos serão encaminhados ao país recebedor. Caso a resposta seja positiva.

tais como.677-09 ALUNO: marcellovp . ! cópia da sentença condenatória.975. 36 CPF: 023. o país recebedor deverá informar o país sentenciador.Instrução dos processos de transferência de condenados: Os documentos necessários para formalizar um pedido de transferência podem variar de acordo com o Tratado. será composto de: ! pedido formal do preso solicitando ser transferido para seu país de origem. Extinguindo-se a pena a que o preso foi condenado. ! textos legais aplicáveis ao delito. ! dados relativos à execução da pena do preso. Importante ressaltar que o país recebedor poderá requerer qualquer outro documento que julgue necessário para a análise do pleito. e. bem como a respeito da pena e da prescrição da pretensão punitiva. se for o caso do resultado do recurso interposto da referida sentença. Via de regra. uma certidão que conste o tempo de pena que ele já cumpriu e o que resta a cumprir e um atestado de conduta carcerária.

2002. de 26.1998 e promulgado pelo Decreto nº 3. o Brasil possui Tratados de Transferência de Pessoas Condenadas. ! Espanha: Celebrado em 04.1998. ! Canadá: Celebrado em 15.01.1998 e promulgado pelo Decreto nº 3.2002.09.677-09 ALUNO: marcellovp .1992 e promulgado pelo Decreto nº 2.002.2002 e promulgado pelo Decreto nº 4.03. de 30.2001.10. celebrados com 6 (seis) países: ! Argentina: Celebrado em 11.04. de 23. de 28.1998 e promulgado pelo Decreto nº 2.07.547.875.10.04. ! Chile: Celebrado em 29. ! Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: Celebrado em 29.05. Atualmente.1998. ! Paraguai: Celebrado em 29.443. em vigor.1999. de 28.107.Tratados de transferência de presos O Brasil não prevê em seu ordenamento jurídico o instrumento da transferência de pessoas condenadas.576. de 14. 37 CPF: 023.07. necessitando de acordos bilaterais ou multilaterais para proceder com a medida.975.2002 e promulgado pelo Decreto nº 4.01.04.

Peru e a Convenção Interamericana sobre o Cumprimento de Sentenças Penais no Exterior. tratados com a Alemanha.975. entre os Estados Parte do Mercosul. e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa-CPLP. 38 CPF: 023. ainda pendentes de aprovação legislativa ou assinatura.677-09 ALUNO: marcellovp . O Brasil tem negociado.Tramitam ainda no Congresso Nacional Projetos de Tratados de Transferência de Pessoas Condenadas com Portugal.