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A relação entre cuidar e educar na Educação Infantil.

O objetivo desse trabalho foi entender se o ato de cuidar estava associado ou dissociado do ato de educar, e, para tal se fez
necessário uma busca histórica da concepção de criança. Pois, é sabido que o contexto sócio-histórico em que a criança está
inserida é de revelável importância no entendimento sobre a infância e posteriormente o entendimento das relações entre
cuidado e educação. O problema em questão é entender qual a relação existente no binômio cuidar-educar e o que este
implica para se obter uma qualidade na Educação Infantil, sabendo que nos primeiros anos de vida é de extrema importância o
desenvolvimento dos aspectos físico, cognitivo, afetivo e emocional.
Palavras-chave: Cuidar, educar, Educação Infantil e infância.
1.0 Introdução
Esse texto se preocupou em buscar historicamente a concepção de infância para entender melhor a relação entre cuidar e
educar na Educação Infantil já que entende-se que este binômio é o cerne da Educação Infantil. Esse artigo é parte de um
projeto mais amplo, um projeto monográfico, e que desde já pretende-se contribuir com os estudos na área da Educação
Infantil.
Este tema partiu das indagações que fiz ao tentar entender o que seria preciso para desenvolver as capacidades,
competências e habilidades das crianças, o que seria preciso para obter uma Educação Infantil de qualidade.
Ao retratar o cuidar na Educação Infantil se fez necessário buscar a trajetória da concepção de infância ao longo da história.
Da criança-adulto à criança sujeito social de direitos. A expansão da revolução industrial foi um fator que contribuiu para a
conquista da identidade social da criança. No decorrer do processo de evolução histórico da sociedade as concepções de
infância foram se transformando. A priori tinha-se um cuidar assistencialista(guarda da criança, voltado apenas para a saúde,
alimentação e higiene).
Com o progresso das ciências humanas, principalmente a psicologia do desenvolvimento, a criança passa a ser o epicentro do
interesse educativo dos adultos. O cuidar passa gradativamente a adquirir um caráter essencial. Contudo, deve-se ressaltar
que esse aspecto assistencialista ainda perdura em algumas instituições de Educação Infantil.
Este artigo foi divido em duas partes a primeira falando da concepção de infância , uma busca histórica, e dentro desta
encontra-se uma abordagem sobre a criança sujeito de direitos. A Segunda parte trata da relação entre cuidar e educar, e no
interior deste tópico encontra-se uma abordagem sobre os desafios do cuidar na Educação infantil. Segue então as
considerações finais, ou seja, algumas conclusões a partir do texto apresentado.
2.0 Histórico da concepção de infância
Entende-se por "criança" um ser humano de pouca idade e no sentido figurado como uma pessoa ingênua ou infantil. Quando
nos referimos a um adulto por ser "como criança" tal expressão é tomado como uma ofensa, pois ninguém que ser entendido
como um infantil, ou seja, um tolo, uma pessoa sem maturidade.
Percebe-se que a criança se opõe ao adulto no que concerne a falta de idade ou de maturidade. Porém não se pode
horizontalizar esse pensamento e arbitrariamente confirmar a existência de uma população infantil homogênea, já que ao fator
idade estão associados determinados papéis e desempenhos específicos, dependendo da classe sociala qual a criança está
inserida.
É preciso levar em consideração sua participação no processo produtivo, a sua escolarização, o processo de socialização no
interior familiar e da comunidade e suas atividades cotidianas, pois estes fatores estão intrinsecamente ligados a posição da
criança e de sua família na estrutura sócio-econômica. Sendo assim, é inadequado supor uma homogeneidade infantil quando
se pensa numa concepção de criança.
Ao falar de família e de como esta instituição tem uma efetiva participação na identidade da criança, se faz importante buscar
historicamente a participação da família e a sua relação com o sentimentoou sentimentos de infância e sua descoberta.
Ariès(1981) em seus estudos sobre a história social da criançae da família, chega a conclusão que até por volta do século XVII
a arte medieval desconhecia a infância ou segundo ele não tentava representá-la. O historiador cita alguns exemplos para
comprovar essa afirmativa. Um deles é a cena do evangelho em que Jesus pede que deixe vir a ele as criancinhas. A miniatura
otoniana[1] do séc. XI é representada com oito homens sem características de crianças em torno de Jesus, o que os
distinguedos adultos seria apenas o tamanho.
Outro exemplo seria no evangeliário da Sainte-Chapelle do século XIII, na passagem da multiplicação dos pães, Cristo e um
apóstolo ficam ao lado de um homenzinho que bate em sua cintura, certamente, deveria ser a criança que trazia o peixe. Com
base nesses exemplos,Ariès(1981: 51) diz que:
No mundo das fórmulas românicas e até o fim do século XIII, não existem crianças caracterizadas por uma expressão
particular, e sim homens de tamanho reduzido.
De acordo com estas idéias nota-seque a criança era vista como um adulto em miniatura nesse período, não se percebe uma
caracterização do ser infante. A criança-adulto, aquela que assim que atingia certa idade se misturava aos adultos e vivia
como tal. Tinha apenas um período que era visto como "criança" de fato, que brincava que era paparicada, era justamente a
fase que Ariès(1981) denominou de paparicação[2]. Quando esta morria nesta fase, como muitas vezes ocorria, alguns ficavam

a principal arkhé[3] formadora do cidadão. A educação passa a ter uma notável importância. O que pode se perceber até aqui é que a civilização medieval não tinha idéia da educação. um espaço de esperança. melhoria de vida. uma melhor educação. logo outra criança substituiria. A famíliapassa a se preocupar com a educação dos seus filhos. os pais. Em concordância com as idéias de Ariès. e ao qual se dá o nome de escolarização. Esta substituiria a aprendizagem como meio de educação. Já que." Entende-se que a família seria. ou seja. mais precisamente com a articulação do que pode vir a ser cuidar e educar. com os seus estudos e os acompanhavam com um certo interesse nos séculos XIX e XX e um outro sentimento nasce: a preocupação com o filho. A partir do fim do século XVII a criança deixa de ser misturada aos adultos e de aprender a vida com o contato direto com eles. "A criança não chegava a sair de uma espécie de anonimato" Ariès(1981: 10). O objeto dessa separação entre adulto e criança toma corpo no que chama-se de escola. um sujeito social de direitos.A família passa a se preocuparem cuidar e educar suas crianças. trouxeram novas luzes sobre a criança e a influência de seus primeiros anos em seu desenvolvimento posterior a pré-escola com a proposta na visão psicológica de atender a criança de tenra idade. o que motiva demandas por uma Educação Institucional para a criança de zero a seis anos. então. A intenção aqui é deixar claro que a criança depois de passar por um longo processo de anonimato vai conquistando à duras penas um lugar de importância no seio da família. 2. Ariès(1981: 12) a esse respeito fala que: A família começou então a se organizar em torno da criança ea lhe dar uma tal importância. Na contemporaneidade.de uma boa educação. . que se tornou impossível perdê-la ou substituí-la sem enorme dor. houve umanecessidade de se ter um lugar para guarda[4] as crianças enquanto seus pais estavam na jornada de trabalho. vão sendo conquistados direitos por pessoas. antes de seu ingresso formal na escola. a criança. pois é empregada nas crianças a esperança de um futuro melhor para a família. muitas vezes.1 A criança como sujeito social de direitos O desenvolvimento das ciências humanas. Daí porque a concepção de criança está enraizada com a forma de organização das famílias que antes entendia a criança como um adulto em potencial e com a industrialização. mas não faziam muito caso. Sabendo-se é claro que ninguém vai querer regredir e pensar: "Ah! quero que meu filho seja um mártir e morra de fome pelos pobres. esta é a formadora da nossa primeira identidade social. não sendo esta a casa de sua família. fracos e oprimidos". instituições e organizações sensíveis a sua causa.entristecidos. E sendo a família o local de "dominação" das crianças. era muito comum que esta criança vivesse em outra casa. como o causador da moralização da criança com ajuda da igreja e da família. Nota-se uma preocupação com o "cuidar das crianças". Ariès(1981: 11) ainda sobre este assunto. Acredita-se que por motivo de trabalho. A família começa a conceber a criança como criança ecomo disse Rousseau(17121778)em sua obra Emílio "A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens". Depois que a criança passava pelos obstáculos dos primeiros anos de vida. da psicanálise do desenvolvimento e da biologia. mas hoje nossa sociedade e sabe que seu sucesso depende também. principalmente a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. dos pobres e das prostitutas) que se estenderia até nossos dias. comenta que: Começouentão um longo processo de enclausuramento das crianças(como dos loucos. tá certo que pensando no bemdas suas "crias". em sua maioria. que a criança saia do seu antigo anonimato. pois. ou seja. Estes fatores provocaram na sociedade uma consciência da importância das experiências da primeira infância. A criança passa a ser o centro das atenções dos adultos e também o centro dos interesses. a família começou a preocupar-se em reduzir o número de crianças para lhe oferecer melhor assistência. entenda-se por este processo. Talcott Parsons citado por Reis(1984: 100) diz que: "A família teria por função desenvolver a socialização básica numa sociedade que tem sua essência no conjunto de valores e de papéis. ao nascer uma criança principalmente com elevado nível social. ou seja. mas claro que nas entrelinhas sabe-se que o objetivo é a continuação de um elevado nível social e porque não de dominação. mais tarde evoluiria e passamos achamar de pré-escola este local de "depósito". financeiramente falando. maior atenção. conseguia sobreviver ao tempo da "paparicação". Começa-se então uma espécie de confinamento das crianças nas instituições escolares. já fala em profissões para os pequenos: "Ah! Esse será um médico de sucesso". que ela não pôde mais ser reproduzida muitas vezes e que se tornou necessário limitar seu número para melhor cuidar dela. que vêem a criança como uma pessoa peculiar.

Esta visão de escolarização da criança pequena. o direito à Educação Infantil. e um deste direitos é que na sua fase inicial na escola goze de uma boa educação. faz uma reflexão a respeito da importância da família. Betty M. cuidadas de forma assistencialista. mas o que seria o cuidar na Educação Infantil? A princípio faz-se necessário definir o que seria "educar". de forma que possa contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação. como antes era denominado depré-escola. Ter cuidado consigo mesmo. sendo tratadas em uma seção específica. Pestalozzi acreditava que só através da educação os pobres poderiam modificar sua condição de miséria. no qual a criança pequena é criada: a sua própria casa. Além do caráter assistencialista o cuidar compreende também o caráter instrucional.N não apresenta pesquisas com experiências que confirmem as idéias apresentadas. que é a 1ª série. na sua condição de criança. o educar significa: Propiciar situações de cuidado. É definida como primeira etapa da educação básica. não se troca sua fralda. A luz do R. etc.No Brasil.C. A criança não é apenas uma promessa de futuro. todas fazem parte integrante do que se entende por educar. enfim cuidar. Assim como Caldwell e também João Henrique Pestalozzi(1746-1827) defende-se aqui a idéia de que a criança começa sua aprendizagem desde o nascimento. a qual passa a fazer parte da primeira etapa do ensino básico. A criança é vista com sujeito de direito social. brincadeira e aprendizagens orientadas. Este seria o conceito de cuidar isoladamente. Caldwell(1975). muitas vezes. Ele indicava o estudo da criança como caminho para melhor dirigir os incentivos ao seu crescimento. em seu artigo 53.. A Educação é um direito e não mais um "artifício" para atender as necessidades dos pais. sem nenhuma proposta pedagógica. no contexto de uma relação emocional afetuosa e nutriente. Ter cuidado: cuidar das crianças. social e cultural das sociedades e de um determinado tempo e lugar. Este direito é reafirmado no ECA[5]. vai gradativamente apagando a terminologia pré-escolar. assim como todo cidadão. . É a primeira vez que a expressão "Educação Infantil" aparece numa lei nacional de educação. apesar da Educação Infantil ser o pontapé inicial para este tipo de educação formal. o qual explicita que: "O dever do Estado com a Educação será efetivado(. quando nasce um bebê. alimenta e educa fazendo um favor a este novo ser. educar e cuidar.0 A relação entre cuidar e educar: assistência ou essência? Conforme o dicionário[6] o termo "cuidar" significa: imaginar. pois este não conhece ainda seus direitos e tão pouco pode brigar pelos mesmos. com as indicações referidas por esse documento. Todavia. tem-se que pensar na criança no presente. a constituinte que culminou com a promulgação da carta magna de 1988. pois esta denominação é considerada como fase anterior a escolarização propriamente dita. são atores sociais. Portanto. proteger. o termo "Educação Infantil" aparece denotando a importância desta fase. respeito e confiança e o acesso pela criança aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural. ela entende que o ambiente ideal da aprendizagem para a criança pequena é aquele.C. Empregar a atenção. ou seja.. Voltando um pouco para o período industrial. entretanto. deixando claro que o cuidar na Educação Infantil deve ser realizado de forma que ajude no desenvolvimento integral da criança auxiliando assim na construção de sua autonomia. Percebe-se desde já que entre esses dois termos existe uma relação. a infância não é um mero período latente de esperar para ficar adulto. interação e transformação da sociedade. não integrando essas ações ao ato de educar. higiene e saúde da criança. Acautelar-se. A importância da Educação na vida de qualquer ser humano é incontestável. Denota-se ai dentro do que seria educar. a criança tem direito a uma educação de base e não mais a uma prévia escolarização. mas estamos fazendo o que lhe é de direito. 3. A criança não pede para nascer e se veio ao mundo.)mediante garantia de atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos". pois estas são peças fundamentais no processo de troca. abominando assim a relevância da educação de 0 a 6 anos. De acordo com as idéias contidas no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil(1998). lavar. Fazer os preparativos. As crianças eram assistidas. Um marco também de grande significação para a Educação Infantil é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. assistir. sancionada em dezembro de 1996. vale ressaltar o papelda família neste processo. neste tinha-se a necessidade de guardar a criança enquanto seus pais estavam trabalhando. uma propensão ao cuidar. curar. e entre eles. Recebe um destaque inexistente nas legislações anteriores. pode-se tirar aqui uma definição para o cuidar assistencialista que seria diferente do cuidar essencial. o R. A infância é fruto da construção histórico. a maioria das instituições escolares da rede pública não correspondem. incluído no Inciso IV do artigo 208 da Constituição Federal do Brasil(1988).). consolar. Com a LDB(9394/96). com sua mãe e também sob condições de estimulação sensorial e cognitiva variada. tratarse( da saúde. tratar. A criança como ser social de direitos recebe a garantia de um desenvolvimento integral assegurado por lei. Ter desvelo por. O Referencial curricular Nacional para a Educação Infantil é um documento produzido por um organismo público. supor.N o cuidar aparece totalmente imbricado no educar. o que implica intrinsecamente em cuidados essenciais. trocar. julgar. meditar. já que o primeiro só preocupa-se com alimentação. representoumomento de grande participação da sociedade civil e de organismos governamentais na afirmação dos direitos das crianças. tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. deve ter garantido seus direitos e deveres. Segundo Campos(1994) todas as atividades ligadas à proteção e apoio necessários ao cotidiano de qualquer criança: alimentar. Então.

3. tempo. o ato de educar a criança está inegavelmente integrado ao ato de cuidá-la. O cuidar é algo dinâmico. Ao educar o professor despertará o sujeito a buscar entender certas indagações(porquê? Como? Para quê?) possibilitando assim que este sujeito reflita e construa conhecimentos que vai além do ato de educar. Portanto. Para confirmar este pensamento. dança. longe e perto. Para vencer estes desafios se faz necessário um profissional que possua um perfil polivalente. devem interagir. Por exemplo. brincadeira ou de aprendizagem orientada. segurança e das brincadeiras. Utilizar recursos como jogos. adulto e criança nas situações de conversa. instantâneo. afetivo e emocional. mas salientando que é um processo que requer mais elaboração. 3. onde educadores pessoas consciente dos direitos das crianças.1 O cuidar e o aspecto cognitivo na Educação Infantil O professor enquanto mediador deve estimular a capacidade intelectual da criança. e não desvincula do ato de educar. dentre outras. Por isso nessa relação de cuidado. mas não significa dizer que o educar não esteja presente nesse momento. o profissional da Educação infantil quando prepara a aula que dará noção de direção para as crianças. desde a hora em que se está trocando uma frauda.Defende-se aqui a idéia de que cuidar é uma espécie de subconjunto[7] do educar. a criança ao mesmo tempo em que está construindo conceitos de direção. Defende-se aqui que o cuidar é preocupar-se . todos esses aspectos que parecem ser simplesmente "cuidados". na Educação Infantil. Weis (1999: 108) diz que: O cuidado na Educação Infantil é uma ação cidadã. comunicar-se e expressar-se. brevemente. música. Quando realizamos estas atividade é preciso conversar com a criança a respeito da necessidade daquele procedimento e já incentivando que ela tente fazer sozinha. Nota-se que toda forma de educação implica em um cuidado e ao cuidar o professor também está educando. abrangendo desde cuidados básicos e essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. pretendia-se mensurar esta questão. Porém o educar é mais profundo é mais abrangente. . o professor também automaticamente cuidará do aspecto psicomotor. Estes aspectos são a base para a estruturação da personalidade e construção da identidade do sujeito. esses aspectos. empenham em contribuir favoravelmente ao crescimento e desenvolvimento das crianças. ou seja. como já se sabe. planejamento etc. Portanto. que consequentemente influenciará no desenvolvimento integral da criança. para assim contribuir para a independência da criança. tem uma forte relação com o ato de educar. torna-se imprescindível como instrumentos didáticos para atingir uma melhor qualidade de ensino. a criatividade e aumente sua capacidade de imaginação. doar-se e querer bem ao outro. físico. Nos primeiros anos de vida de uma criança é de extrema importância que o professor propicie o desenvolvimento dos aspectos cognitivo. é um processo. estabelecendo assim um vínculo afetivo. ressaltando que educar vai além de cuidar.1. teatro. Será destacado aqui. sociais. 3. Para tanto não poderá desvincular-se da questão do espaço. Ao tratar da ação instantânea do cuidar. Ressaltando que este "cuidar" apesar de dinâmico não implica em dizer que a criança aprende instantaneamente também tais conhecimentos. o educar abarca o cuidar de forma que os cuidados físicos. penando que estas relações acontecem dentro de um determinado tempo. demonstrando seus modos de agir e sentir. cognitivos se façam presentes no âmago do educar. emocionais. ou seja. O cuidar e o educar estão nas coisas mais simples da rotina pedagógica da Educação Infantil. o ato de cuidar e educar são indissociáveis.1. O cuidar é visto aqui como uma prática pedagógica e como forma de mediação. e usufruir das várias linguagens existentes como: arte. É grande a responsabilidade desse profissional. pois terá o papel de provocar à criança para que no cotidiano escolar esta possa desenvolver o raciocínio.1 Os desafios do cuidar na Educação Infantil Os desafios do ato de cuidar na Educação Infantil. O problema da separação entre cuidado e educação é uma decorrência da tentativa de superação do caráter assistencial substituindo-o pelo caráter pedagógico. Assim sendo caracteriza-se o ato de cuidar como essencial.2 O cuidar e o aspecto físico e afetivo na Educação Infantil Para promover o desenvolvimento físico da criança o ideal é que se faça coadunado com os cuidados afetivos. alimentando a criança. ou seja. histórias. sendo assim o cuidar na Educação Infantil está entrelaçado com o educar. no momento da higiene. direita e esquerda. eles também podem e devem ser trabalhados dentro do aspecto educativo. um educador que trabalhe com conteúdos de naturezas diversas. não tem como separar essas duas ações. que se constitui pela interação através da dialogicidade e quer possibilitar à criança leituras da realidade e apropriação de conhecimentos.

como a concepção assistencial da educação da criança. Fora estes fatores o limite entre criança e adulto é complexo. Sendo assim. – Brasília: MEC/SEF. emocional. M. físico e social). p. Froebel(1782-1852) o idealizador do jardim de infância. a visão de higiene. Privação Cultural e desenvolvimento. pregava uma pedagogia da ação. 1975. CALDWELL. ao momento histórico e aos papéis determinados pela sociedade. 1981. é um tema abrangente e novo no que concerne a literatura sobre o assunto.1998).1. a conduta do professor pode suscitar prejuízos de longa duração na vida da criança. Aquela idéia de aprender brincando e brincando de aprender. Ele dizia que a criança não deveria apenas olhar e escutar. CAMPOS. Conclui-se aqui que para uma Educação infantil de qualidade. construir uma identidade negativa. Concebe-se aqui que é necessário cuidar para educar. logo requer mais pesquisas e estudos que venham a suscitar novas discussões. "O professor ajuda a estruturar o campo das brincadeiras na vida das crianças. e mais particularmente do jogo. São Paulo. mas agir e produzir. A medida que o profissional de Educação Infantil lida com a criança designando determinadas rotulações pode. Secretaria de Educação Fundamental. certamente desenvolverá benefícios perante o aspecto emocional.Este processo. afetivo. Philippe.3O cuidar e o aspecto emocional na Educação infantil O aspecto emocional funciona como instrumento que dá suporte ao progresso nos diferentes âmbitos do desenvolvimento infantil.4 O cuidar e as brincadeiras na Educação infantil De acordo com as idéias de Frabboni(1998) os jogos constituem a ocasião própria para a socialização e a aprendizagem. n 78. Geraldina Port et ali. São Paulo: Pioneira. A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara. as mudanças econômicas e políticas da estrutura social tem grande influência e participação na modificação desses sentimentos. Ele organiza sua base estrutural. mas como essencial. A valorização e sentimentos atribuídos a infância nem sempre existiram de forma como hoje são concebidas. o qual deve ser tratado com atenção privilegiada. objetos. Qual é o ambiente ideal de aprendizagem para a criança pequena? In: WITTER. Porém atingirá com grnde relevância o plano emocional da criança. a fim de pesquisar como este binômio interfere na qualidade da Educação infantil. sem os quais seu crescimento estaria comprometido. Referências ARIÈS. que compreendam o desenvolvimento integral da criança.1. Educar e cuidar: questões sobre o perfil do profissional de Educação Infantil. delimitando os espaços e o tempo para brincar" (RCN. Dessa forma. 1991. Para que o indivíduo seja educado ele precisa passar por cuidados essenciais (cognitivo. fantasia. Betty e M. Este trabalho foi significativo para entender que o cuidar é a base de todas as relações existentes na educação. alimentação e saúde é uma visão limitada do cuidar. Volume 1: Introdução. confirmou-se nesse artigo que cuidar-educar não se separa. é de extrema importância que cuidar e educar estejam imbricados. BRASIL: Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil Ministério da Educação e do Desporto. até o intelectual. M. Brasília: MEC/SEF/Coedi. Por uma política de formação do profissional em educação infantil. BRASIL: Ministério da Educação e do desporto. nesse momento. implicando nos cuidados citados acima. Sente-se a necessidade de ir a campo para assim realizar um estudo mais profunda e ao mesmotempo prático desta relação entre cuidar e educar. . remete ao princípio de que brincar é fundamental na educação infantil. pois este limite está associado à cultura. Tudo na Educação infantil é influenciado pelos aspectos emocionais: desde o desenvolvimento psicomotor. já que o indivíduo costuma ser como o outro o vê. Acredita-se que cuidar é ter responsabilidade e ajudar na promoção de capacidades. Assim sendo. 1998. diferenciando-se deste na idade e na maturidade. tanto para a criança quanto para o adulto. o social e o cultural. ajeitando brinquedos. Cadernos de Pesquisa. Considerações finais Considera-se aqui a criança como um ser diferente do adulto. A descoberta e a observação são capacidades que auxiliam as crianças a construir um processo de diferenciação dos outros e consequentemente sua identidade. 3. 3. Não apenas assistência. Estes papéis dependem da classe social e econômica em que está inserida a criança e sua família.

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