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Ciência Rural, Santa

Anestesia
Maria, Online
epidural cranial com lidocaína e morfina para campanhas de castração em cães.

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ISSN 0103-8478

Anestesia epidural cranial com lidocaína e morfina para campanhas de
castração em cães

Cranial epidural anesthesia with lidocaine and morphine for sterilization
campaign in dogs

Renato Batista TamanhoI Nilson OleskoviczI* Aury Nunes de MoraesI Fabíola Niederauer FlôresI
Ademar Luiz DallabridaI Doughlas RegalinI Ruiney CarneiroI Acácio Duarte PachecoII
Ademir Cassiano da RosaI

RESUMO
A castração de machos e fêmeas tem sido
preconizada como a principal técnica para redução do grande
número de cães errantes. No entanto, vários são os entraves
com relação à escolha do melhor protocolo anestésico, em
relação à eficácia, segurança e redução de custos. Objetivouse, com este trabalho, avaliar os efeitos cardiorrespiratórios,
hemogasométricos e analgésicos da utilização de lidocaína
em um volume maior, associada à morfina, pela via epidural
em cadelas submetidas à ovariosalpingohisterectomia (OSH),
com ou sem suplementação de oxigênio. Utilizaram-se 12
cadelas, com peso médio de 11,5±3,7kg e idade de um a
quatro anos. Os animais receberam como medicação préanestésica (MPA) acepromazina (0,1mg kg -1) e meperidina
(5mg kg - ¹), pela via intramuscular. Após 15 minutos,
administrou-se tiopental (10mg kg -¹), por via intravenosa,
seguido de intubação endotraqueal. Nesse momento, os animais
foram alocados em dois grupos: o grupo GCO (com oxigênio,
n=06) recebeu suplementação de oxigênio 100% e o grupo
GSO (sem oxigênio, n=06) permaneceu intubado sem
suplementação de oxigênio. Após a intubação, foi
administrada, pela via epidural, em ambos os grupos, morfina
(0,1mg kg -¹) em volume final ajustado para 1mL 3,0kg-1 de
peso com lidocaína 2% sem vasoconstritor. Imediatamente
após a anestesia epidural, os animais foram posicionados em
decúbito dorsal com a cabeça no mesmo plano do corpo, e
iniciou-se o procedimento cirúrgico, o qual foi padronizado
em 30 minutos. Em ambos os grupos, foi possível realizar a
cirurgia sem a necessidade de complementação analgésica e
sem resposta de dor. A pressão arterial média (PAM) foi menor
no GSO em todos os momentos em comparação ao basal. No
GCO, a PAM foi menor após MPA e após epidural. Houve
redução da f de M1 até M6 no GSO. A SaO2 e PaO 2 foram
maiores no GCO em comparação ao GSO. O pH foi menor no

GCO 15 minutos após MPA até 40 minutos após epidural, em
comparação ao GSO. Conclui-se que a anestesia epidural
lombossacra com morfina e lidocaína na dose e no volume
propostos é efetiva para realização de OSH em cadelas, com
mínimas alterações cardiovasculares e hemogasométricas, as
quais são bem toleradas em animais hígidos. Essa prática é
exequível em campanhas de castração em que não há
possibilidade de oxigenação dos animais.
Palavras-chave: cães, morfina, epidural, campanhas de
castração.
ABSTRACT
Male and female sterilization have been established
as the main technique to reduce the huge number of mongrel
dogs. However, there are several barriers regarding to the choice
of the best anesthetic protocol, in terms of efficacy, security and
cost reduction. The aim of this study was to evaluate the
analgesic, cardiorespiratory and hemogasometric effects of
epidural anesthesia with a large volume of lidocaine in
combination with morphine in female dogs submitted to
ovariosalpingohisterectomy (OSH), with or without oxygen
supplementation. Twelve adult female dogs were used, with
average weight of 11.5±3.7kg and age of 1 to 4 years. The
animals received acepromazine (0.1mg kg-¹) and meperidine
(5mg kg-¹) as premedication, administered by the intramuscular
route. Fifteen minutes later, thiopental (10mg kg -¹) was
administered by intravenous route, followed by endotracheal
intubation. The animals were allocated into two groups: GCO
(group with oxygen, n=06), where the animals received 100%
oxygen supplementation and GSO (group without oxygen
supplementation, n=6), mantained with endotracheal
intubation, but without oxygen supplementation. After
intubation, epidural with morphine (0,1mg kg-¹), adjusted to

Departamento de Medicina Veterinária, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Av. Luiz de Camões 2090, Bairro
Conta Dinheiro, 88520-000, Lages, SC, Brasil. E-mail: a2no@cav.udesc.br. *Autor para correspondência.
II
Departamento de Clínica, Cirurgia e Reprodução Animal, Faculdade de Odontologia de Araçatuba (FOA), Universidade Estadual
Paulista (UNESP), Araçatuba, SP, Brasil.
I

Recebido para publicação 17.04.09 Aprovado em 02.10.09

The pH was lower in GCO after 15 minutes after premedication.. 2002). acarreta efeitos sistêmicos menos pronunciados (PASCOE. Para tanto. produzindo analgesia pós-cirúrgica de melhor qualidade e maior duração (de 16 a 24 horas) (BONATH & SALEH 1985) do que aquela obtida após administração desses agentes por via parenteral. surgery was performed without the need of additional analgesia and without signs of pain. 1998).. A administração lombossacra de morfina é recomendada para intervenções na região caudal do corpo. Nesse contexto.. 2000). e contribuem para melhorar a recuperação do animal no período póscirúrgico (VALADÃO et al. o débito cardíaco. 1989. 2009). além do aumento considerável de animais de estimação presentes nas regiões mais carentes dos municípios. In GCO.. sem interferir nas funções sensorial e motora. são alternativas que minimizam os efeitos colaterais. morphine. a administração epidural de opioides promove alívio da dor visceral e somática pelo bloqueio seletivo de impulsos nociceptivos. sterilizations campaigns. sem afetar a frequência cardíaca. o uso isolado de anestésicos locais.26mL kg-¹ determina bloqueio anestésico máximo entre a quarta ou a quinta vértebra lombar (ISHIY et al. 1mL 3kg -1 in lidocaine 2% without epinepherine was administered.. às vezes observados com o uso isolado da morfina. avança até o quarto ou quinto espaço lombar. A anestesia epidural com anestésicos locais possui baixa seletividade. Nesse sentido. Estudos sobre a fisiologia da dor. a resistência vascular periférica. A injeção simultânea de anestésicos locais e opioides oferece como vantagens o rápido início de ação do anestésico local. Além disso. eficientes e economicamente viáveis para solucionar ou amenizar o problema. em parceria com universidades e organizações não governamentais (ONGS). eficiência e baixo custo (CRUZ et al.2 Tamanho et al. não é suficiente para produzir anestesia que viabilize a ovariosalpingohisterectomia (OSH) em cães (ISHIY et al. which is feasible in sterilizations campaigns where there is no possibility of oxygen supplementation of the animals. da proliferação de doenças e zoonoses vinculadas a esse processo. PASCOE & DYSON. a morfina destaca-se pela ação analgésica duradoura e pelos mínimos efeitos colaterais (PASCOE. Devido a isso. em cães com 10-15kg. 1992). Entretanto.. tanto bloqueio sensitivo. . 1997). 1993. Respiratory rate was lower from M1 to M6 in GSO.. INTRODUÇÃO Em virtude do aumento do número de animais errantes encontrados nas grandes cidades. 2007). 1988). vêm buscando cada vez mais programas de castração em massa com o intuito de reduzir o número de animais de rua (DINIZ. e a utilização da lidocaína via epidural na dose usual de 5mg kg-¹ ou 0. têm fomentado o uso de agentes analgésicos opioides como importante alternativa no controle da nocicepção em animais e... Immediately after epidural administration. 2007). epidural. como bloqueio motor. destaca-se a anestesia epidural como uma técnica anestésica consagrada. para o controle segmentar da dor pós-operatória (POPILSKIS et al. GASPARINI et al. MAP was lower after premedication and epidural anesthesia. Dentre os opioides utilizados pela via epidural em cães. a PaO2 e o pH arterial. já que os ovários são inervados pelo terceiro e pelo quarto nervo lombar (BAILEY et al. principalmente pela via epidural. until 40 minutes after the epidural administration. se torna necessária a utilização de protocolos anestésicos que sejam de baixo custo. práticos e promovam analgesia adequada.. (2007). busca-se encontrar soluções rotineiras. particularmente da dor clínica. por atuarem em diferentes locais e receptores. como pós-operatória. diluída em 3 a 4ml de solução salina. 2002. Segundo THURMON et al. produzindo. a aplicação epidural de 1mg total de morfina. a pressão arterial. It was concluded that the epidural administration using morphine and lidocaine in the dosage and volume proposed are effective to OSH procedure in dogs. 1992). Tais associações. posteriormente. existem evidências de que a analgesia possa se estender rostralmente em direção ao tórax e aos membros torácicos (VALVERDE et al. tornando essa técnica pouco atrativa para o controle da dor por períodos prolongados (TORSKE et al. a PaCO2. the animals were positioned in dorsal recumbency.). o fármaco injetado por essa via sofre menor absorção e. a ação analgésica prolongada do opioide. produzindo analgesia de toda a região caudal ao arco costal. que tem como principais vantagens: segurança. The lack of oxygen supplementation promoted minimal cardiovascular and hemogasometric alterations. portanto. por aproximadamente 22 horas. 2002). The SaO2 and PaO2 were higher in GCO when compared to GSO. aliviando a dor e possibilitando. produzindo bloqueio sensitivo e motor imediato. normalmente lidocaína. with the head in the same level of the body. tanto trans. prefeituras. por inibição das vias somatossensoriais aferentes e supraespinhais e ativação das vias inibitórias descendentes (THURMON et al. compared to GSO. Mean arterial pressure (MAP) was lower in GSO in all moments compared to baseline values. In both groups. bloqueando o estímulo doloroso no corno dorsal da medula espinhal. Key words: dogs. Além disso.

estéril n°4 acoplada a um transdutorc de pressão preenchido com solução heparinizada para permitir a mensuração da pressão arterial e a obtenção das amostras de sangue arterial para hemogasometriad. região da veia cefálica e artéria femoral. os animais foram alocados em dois grupos: GCO (com oxigênio. Em seguida. o qual foi padronizado em um período de 30 minutos. Após a preparação dos animais.. n=06). com estrutura limitada e com restrições orçamentárias. objetivou-se avaliar os efeitos cardiovasculares. Antes do início do experimento. trabalha-se com um grande número de cães.7kg.. MATERIAL E MÉTODOS Foram utilizadas 12 cadelas. Após esse período. Vários protocolos de anestesia epidural já foram testados e aprovados para uso em cães.. 1989). seguido de intubação endotraqueal com endotubo adequado ao tamanho de cada um deles. sem elevação. O correto posicionamento da aplicação epidural foi confirmado pela ausência de resistência à aplicação de ar com auxílio de uma seringa de vidro (THURMON et al. 1mL para cada 4.5kg de peso (BRANSON et al.5±3. sem raça definida (SRD). . com peso médio de 11. tanto trans-operatória quanto pós-operatória. Nesse momento. muitas vezes. encerrouse a administração de isofluorano e aguardou-se um período de 30 minutos para recuperação completa destes.Anestesia epidural cranial com lidocaína e morfina para campanhas de castração em cães. Dessa forma.1mg kg-1) e meperidinaf (5mg kg-1).0kg de peso com lidocaína 2% sem vasoconstritor. foi administrado antibiótico profilático com ampicilina sódica na dose de 20mg kg-1 pela via intravenosa. Após. No dia do experimento. foram realizados hemograma completo e avaliação de proteínas totais. os animais receberam como medicação pré-anestésica (MPA) acepromazinae (0. Nesse momento. O período total de instrumentalização foi de aproximadamente 10 minutos. Após a realização da anestesia epidural. No entanto.26mL kg-¹ ou 1mL para cada 4. com os membros pélvicos estendidos cranialmente para realização da anestesia epidural lombossacra com agulha hipodérmica 40x8. com fluxo diluente de oxigênio de 3 4L min-1. Outro problema observado nas campanhas de castração em massa é a dificuldade de suplementação de oxigênio. administrou-se tiopental sódicog (10mg kg-1) por via intravenosa. os animais foram posicionados em decúbito esternal. Após a intubação. torna-se necessário a adequação dos protocolos anestésicos comumente utilizados na rotina em centros de referência. No entanto. e anestesiadas com isofluoranoa em vaporizador calibrado mensurado por meio de analisador de gases anestésicos. 2007). inclusive a associação de lidocaína e morfina. sendo uma técnica rotineira para controle da dor. A maioria desses estudos padronizam o volume final de fármaco injetado pela via epidural em 0. em decúbito lateral direito. com ou sem suplementação de oxigênio. foi realizado botão anestésico com lidocaína 2% sem vasoconstritorb e foi realizada a dissecação da artéria femoral para a introdução de uma sonda urinária. comprovadamente hígidas e provenientes do Centro de Controle de Zoonoses do Município de Lages. pela via intramuscular. idade entre um a quatro anos. sem suplementação analgésica adicional. não existem estudos que demonstrem e comprovem a confiabilidade desse procedimento. foi realizada tricotomia da região ventral do abdômen. respiratórios. Dessa forma. os animais foram submetidos a jejum alimentar de 12 horas e hídrico de 6 horas.7mL para cada 4kg de peso (CASSU et al. Os animais foram desverminados. região lombossacra. as cadelas foram posicionadas sobre colchão térmico ativo. Aguardou-se um período de cinco minutos para o início do procedimento cirúrgico. para uma maior progressão do bloqueio anestésico.1mg kg-1) com volume final ajustado de 1mL para cada 3.0kg de peso (VALVERDE et al. hemogasométricos e analgésicos da administração de um volume elevado de lidocaína 2% associada à morfina pela via epidural em cadelas submetidas à ovariosalpingohisterectomia. os animais foram imediatamente colocados em decúbito dorsal com a cabeça posicionada no mesmo nível do corpo. vacinados e mantidos em gaiolas individuais por 15 dias para padronização dos cuidados e da alimentação. 2008). visto que. Nesse momento. sendo excluídos os animais comprometidos. Decorridos 15 minutos. Essa técnica vem sendo utilizada rotineiramente pelos autores deste trabalho em campanhas de castração. n=06). não existem relatos da possibilidade de realização de OSH em cadelas. 1993) ou ainda 1. Santa Catarina (SC). administrado por máscara facial por meio de circuito anestésico de Bain. os quais permaneceram intubados sem suplementação de oxigênio.. os quais receberam suplementação de oxigênio 100% no volume de 150ml kg-1 por meio de circuito anestésico de Bain e GSO (sem oxigênio. Os animais de ambos os grupos receberam morfinah (0. Um cateter 20G foi introduzido na veia cefálica esquerda para administração de fluidoterapia com solução de Ringer com lactato (10mL kg-1 h-1). A temperatura da sala foi mantida em 23°C. administrado no período de 60 segundos. sendo padronizada a concentração expirada de isofluorano em 3V%.

Na+.1mg kg-1 apresenta um período de latência de 20 a 60 minutos e uma duração que varia entre 16 e 24 horas. em relação ao M-15 (basal).05). com silêncio abdominal presente e qualidade de recuperação suave. No entanto. Nesse sentido. nos momentos M0. Da mesma forma. M3. Tal fato deve-se.0mg kg-1. K+. durante quatro dias. ao volume de lidocaína administrado. normalmente lidocaína. pois. 4. PAD. ou seja. M4. no f. no pH. pode-se inferir algum efeito analgésico da morfina durante o terço final da cirurgia. para os valores de TS. Embora os valores basais de FC não tenham diferido significativamente entre os grupos. pH. Um aumento da FC e PAS superior a 20% do valor referente ao momento anterior seria considerado sinal positivo para dor e. A comprovação da eficiência dessas dosagens e volumes pôde ser constatada pela ausência de dor durante o procedimento cirúrgico. todos os animais receberam escore de relaxamento muscular igual a três (ótimo). o objetivo primário da administração desta foi de fornecer ao animal analgesia pós-operatória. RESULTADOS E DISCUSSÃO Com relação aos parâmetros subjetivos. nos tempos M0. 1mL para cada 3kg de peso. M0 (15 minutos após MPA). e também devido à associação de morfina. NOLTE et al. já que os ovários são inervados pelo terceiro e pelo quarto par de nervo lombar (BAILEY et al. M2 e M3. mas o efeito da lidocaína epidural encontrava-se no pico máximo. PAM e TR. Por outro lado. em virtude do tempo decorrido entre a anestesia epidural e o início da cirurgia. no primeiro dia. bem como entre os grupos. O procedimento cirúrgico foi iniciado imediatamente após M3. observou-se redução significativa nos valores de PAS em todos os momentos quando comparados ao momento basal (M-15). PAS. segundo WETMORE & GLOWASKI (2000). 1: leve. com Repetições Múltiplas entre os tempos dentro de cada grupo (P≤0. pressão arterial sistólica (PAS). Não foi necessária a aplicação de fentanil durante o transoperatório em nenhum dos animais. (2002) demonstraram que o uso isolado de anestésico local. Houve diminuição nos valores de PAD. observa-se que os valores médios observados estão dentro dos valores normais para cães durante anestesia geral (THURMON et al. IV). Os dados paramétricos foram submetidos ao teste t entre os grupos e à Análise de Variância. como: grau de relaxamento muscular (0: sem relaxamento. a associação de opioides a anestésicos locais pela via epidural visa a aumentar a duração do bloqueio sensitivo e estendêlo a segmentos espinhais mais craniais. quando administrado em volumes de até 0. É possível que esses resultados possam explicar o fato de que FC diminuiu significativamente ao longo do tempo em GSO. 3 ótimo).4μg kg-1. duas vezes ao dia (BID). 2007). SaO2. M2 (imediatamente após epidural). nos momentos M-15 (basal). temperatura retal por meio de termômetro digitalc (TR). no GSO (Tabela 1). na PaCO2 e na PaO2 em cães sedados com acepromazina. No grupo GCO.2% na dose 0. Além disso. e 0.e DB. Ca+. frequência respiratória (f). M1 (após intubação). Não foram observadas diferenças significativas entre os tempos dentro de cada grupo. Também não foram observadas diferenças significativas entre os grupos para os valores de FC.e déficit de base. em doses usuais de 5mg kg-1 (0. 20. diastólica (PAD) e média (PAM). quando comparados ao momento . além do efeito analgésico prolongado. No período pós-operatório. 2: moderado.2mg kg-1. por via subcutânea (SC). meloxicam 0. a anestesia epidural realizada com o uso de morfina na dose de 0. 30 e 40 minutos após epidural). PaO2.26mL kg-1). mas não em GCO.. ISHIY et al. não é suficiente para produzir anestesia que viabilize a OSH em cães.4 Tamanho et al. o efeito analgésico da morfina ainda não havia sido alcançado. SC e SID. chega somente até o quarto e o quinto espaço lombar. valores mais elevados foram observados em GSO. temperatura da sala (TS). silêncio abdominal (presente ou ausente) e qualidade de recuperação (suave ou com excitação) aferidos sempre pelo mesmo avaliador. PaCO2. foram avaliados parâmetros subjetivos durante a realização do procedimento.. visto que o procedimento cirúrgico teve início cinco minutos após a realização da anestesia epidural e duração máxima de 30 minutos. K+. Foram coletados os seguintes parâmetros: frequência cardíaca (FC). pois não houve aumento da FC e PAS superior a 20% do valor referente ao momento anterior. administrou-se enrofloxacina 10% na dose de 5. Na+. M5 e M6 (10.1mg kg-1 nos três dias subsequentes. M2 e M3 do grupo GSO. mesmo durante a tração dos ligamentos suspensores do ovário. HCO3. perdurando até M6. administrar-se-ia uma dose resgate de analgésico (fentanili. Nesse período. (1983) demonstraram que bloqueios epidurais craniais que chegam à região espinhal T5 não geram depressão e mudanças no sistema cardiovascular. em primeiro lugar. Ca+. HCO3. e o anestésico local. 1988). Segundo BONATH & SALEH (1985). nesse caso. ocorreu redução na PAS. No grupo GSO. Houve redução significativa da FC entre os momentos M4 (20 minutos após a anestesia epidural) até M6 (40 minutos após anestesia epidural). Por outro lado. quando comparados ao basal.26mL kg-1.

02Ab 7.5 37. 1995).8±1.8±0. A TR foi reduzida no GSO do M2 até M6.04a 7.7A 37. que a administração epidural de um volume elevado de lidocaína associada à morfina não resultou em redução adicional na pressão arterial além daquela observada antes da anestesia epidural (M0 e M1).05). Letras minúsculas diferentes nas colunas significam diferença entre grupos (P=0. frequência cardíaca (FC).8±0.03 7.6±0.2±4 38.03a 7.01b 7.6A 36.2±0. Tabela 1 .9A±8 34. quando comparados ao basal.4±0.02a 7. Por outro lado.9 96.7±0. durante a cirurgia.4±5 34.39±0.5Ab 99.8Ab 99.1±17 119±6A PAD (mmHg) GCO GSO 85±11 97±13 67±7 72±6A 84±11 90±5 76±7 75±15A 76±13 76±6A 92±14 91±7 88±21 92±7 93±19 87±4 FC (bat min-1) GCO GSO 110±6 121±26 98±14 105±19 115±19 113±17 96±17 111±29 96±22 108±14 91±23 91±19A 97±14 95±11A 102±20 94±14A f (mov min-1) GCO GSO 26±7 31±6 20±6 30±6 18±7 22±4A 16±4 20±3A 16±6 17±2A 18±7 17±3A 24±10 16±2A 21±8 17±2A PaCO2 (mmHg) GCO GSO 31.0±0.40±0.1Aa 96. induzindo a ocorrência de hipotermia (MATSUKAWA et al.5±0.9A 37.0±10Ab 473. 1991).7±9Ab 450.6±0.8±0. como exposição da cavidade abdominal. CARPENTER et al.8±6 PaO2 (mmHg) GCO GSO 94..36±0.2±5 33.5 38.1±5 31.6b pH GCO GSO 7.02Aa TR (?C) GCO GSO 38. assim como descrito por FARVER et al.38±0. A temperatura retal foi reduzida pela anestesia geral.3Aa 96.3 38.6A 37.6A 99.02Aa 7.0±77Aa 89.32±0.9±0.8±0.1Ab 99.0±59 82. a anestesia epidural também pode ser prejudicial ao controle da termorregulação central e periférica.7±65Aa 76.4±0.3A 37.Valores médios e desvios-padrão da pressão arterial média (PAM).5±5 38.0±0.3±3 34.5 Anestesia epidural cranial com lidocaína e morfina para campanhas de castração em cães.1Aa 95.39±0.4A 38. (1986).6A 37. perda sanguínea e anestesia geral (CASSU et al. hipotensão.3±18Ab 470. frequência respiratória (f).6±2 37. fato que também ocorreu no GCO a partir de M1 até M6 (Tabela 1).03a 7.1Ab 99.03 7. A discreta redução da temperatura retal no decorrer do tempo pode ser atribuída à ação vasodilatadora e depressora dos mecanismos termorreguladores do hipotálamo e miorrelaxamento induzido pela acepromazina (HALL & CLARKE.03b 7.6±73Aa 97.0 95.8A 37. Os efeitos sobre a pressão arterial observados previamente à anestesia epidural parecem ter sido ocasionados pela administração da acepromazina.3Aa 97.39±0.8±55Aa 91.4 38.7±4Ab 450.4±6 32. no presente estudo.5±5 34.3±0. No grupo GCO. Além disso.7±0.8±0.36±0.9 97.9A 37.3±6 36.33±0. pressão parcial de dióxido de carbono arterial (PaCO2).8±0.1±0.8±63Aa 92.7±0. quando comparado ao basal (Tabela 1).05).3Aa 93. em todos os grupos.6 37. 2008).38±0.2±1. Observou-se. da sistólica (PAS) e da diastólica (PAD).3Aa 96.0±17 87.4±9 107.38±0.6±5 29. potencial hidrogeniônico (pH) e temperatura retal (TR) após a realização da anestesia epidural cranial com morfina e lidocaína para o grupo sem suplementação de oxigênio (GSO) e com suplementação de oxigênio (GCO) em cadelas submetidas à ovariosalpingohisterectomia.42±0.0±2.35±0.37±0.01Aa 7.9±1. (1992) afirmam que a aplicação de doses adicionais ou maiores de anestésicos locais tem sido associada com bloqueio simpático.3±1.6±0. pressão parcial de oxigênio arterial (PaO2).4±15Ab 496. paralisia e hipotermia. .3±4.0b 99.1±0.2±7 31. Ademais.6±4 36.3±10Ab SaO2 (%) GCO GSO 96. ocorreu redução nos valores de PAM. nos momentos M0 e M2.01a 7.6A 37.8±6A 381..5±0.6A Letras maiúsculas nas linhas significam diferença de M-15 (P=0.38±0. outros fatores facilitam a ocorrência da redução da temperatura corpórea.02Aa 7. saturação de oxigênio na hemoglobina do sangue arterial (SaO2). basal. Variável Grupo M-15 M0 M1 M2 M3 M4 M5 M6 PAM (mmHg) GCO GSO 108±11 117±9 82±14A 87±7A 99±9 102±4A 86±6A 86±15A 88±11 87±10A 101±11 102±8A 99±16 101±6A 106±18 100±6A PAS (mmHg) GCO GSO 139±31 135±8 108±9A 106±5A 118±7 120±8A 104±7A 103±16A 105±17A 110±14A 120±8 123±6A 117±15 117±6A 124.5±0.5±0. A PAM reduziu em todos os momentos no GSO.07a 7. em comparação com a M-15.1±2 40.01Aa 7.1±1.2±8 85.35±0.

a queda do pH iniciou após a epidural. apenas no momento M1 se comparado ao basal. Esse valor pode ser explicado pelo valor de um único animal. Ocorreu uma redução significativa nos valores da PaO2. o qual.36 a 7. MUIR III et al. durante a maior parte do estudo. nos momentos de M0 até M4. a TR em ambos os grupos foi mantida em valores iguais ou maiores a 37oC. valores maiores de SaO2. pela mesma razão. tiveram uma fração inspirada de oxigênio (FiO2) de 1. Na análise entre grupos. Observou-se redução da f em relação ao basal no GSO de M1 até M6.1mg kg-1). ocorreu um aumento expressivo a partir de M1 até M6. a partir de M1 até M6. Esses resultados ocorreram em decorrência da suplementação de oxigênio no GCO (Tabela 1). VALVERDE et al. Na análise entre os grupos. No GSO. mas não no GCO. não há indícios de que tenha ocorrido hipoventilação. A SaO2 foi significativamente menor no GSO.26mL kg-1. tanto diluída num volume de 0. nos momentos M0 e M1 (Tabela 1). os valores obtidos estão dentro dos valores fisiológicos para a espécie (Tabela 1). No GCO. consequentemente. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos analisados. Esses dados estão de acordo com os descritos por THURMON et al. fármaco reconhecido como potente depressor respiratório. em todos os momentos em relação ao basal. resulta em valores de SaO2 iguais ou maiores a 90%. No entanto. 1997). visto que os valores de PaCO2 encontram-se dentro dos limites aceitáveis (3545mmHg) para cães sob anestesia geral (Tabela 1). e os do GSO permaneceram apenas intubados (M1). no grupo GSO.. que apresentou PaCO2 de 53. Ocorreu redução nos valores de pH. em comparação com a M-15 (Tabela 1). foram constatados valores significativamente maiores da SaO2 no grupo GCO. os animais do GCO foram suplementados com oxigênio. foram observados valores significativamente maiores na PaO2 do grupo GCO em relação ao GSO. dessa maneira apresentaram valores de PaO2 maiores desde a intubação até o final do período de avaliação e. no GCO. 2001).6 Tamanho et al.. os valores encontram-se dentro do intervalo fisiológico (7. ocorreu um aumento expressivo nos valores de PaO2 a partir de M1 até M6. no grupo GSO. bem como da presença ou ausência de suplementação de oxigênio.21. em comparação ao basal. Não foi observada alteração significativa entre os tempos do GSO nos valores referentes à PaCO2 em relação ao basal.. Além disso. baseado no fato de serem submetidos a uma FiO2 de 0. os quais relatam que os barbitúricos possuem ação depressora sobre o centro respiratório bulbar. Na análise entre grupos. Esse momento coincide com o pico plasmático do tiopental. Na análise dos valores de f. quando comparados com M-15. . no GCO. Cabe salientar que ambos os grupos receberam tiopental sódico como agente indutor único para promover maior conforto ao anestesista e ao animal no momento da realização da anestesia epidural e este promove diminuição da f após sua administração. soma-se a esse efeito a intensa sedação obtida com o uso da MPA proposta. Embora o GSO não tenha sido suplementado com oxigênio. No entanto. foram observados redução nos valores de pH e aumento na PaCO2. Além disso. causando hipoventilação. após injetar morfina (0. Tal fato provavelmente ocorreu em virtude dos maiores valores obtidos no tempo basal (M-15). PaCO2 e SaO2 de ambos os grupos. sem suplementação de oxigênio. quando comparado a GSO de M1 até M6. de acordo com a curva de dissociação da oxihemoglobina para o cão. Porém. no entanto. 2007. em GSO. para obtenção de menores valores de PaO2 no grupo GSO. culminando com o aumento da PaCO2. Ressalta-se que todos os valores de PaO2 obtidos para o grupo GSO foram superiores a 68mmHg.13mL kg-1 ou em 0. ou seja.45) para o sangue arterial na espécie canina (WILLIAMS et al. no GSO. pois os animais do GCO foram suplementados com oxigênio 100%. dessa forma. em virtude de sua ação depressora sobre o centro respiratório bulbar. 1975). Esses valores de PaO2 e SaO2 são menores do que aqueles considerados normais para o cão e são esperados para um paciente sob anestesia geral. de M2 até M6 e redução em M1. elevação da PaCO 2 e consequentemente redução do pH. no GCO. (2007). foram constatados valores menores de pH em GCO em relação ao GSO. ressalta-se que. foi constatado um aumento significativo.9mmHg nesse momento. perdurando até o término do período de avaliação. embora não observaram diferenças significativas na analgesia segmentar obtida em cães. acarretando hipoventilação e consequentemente elevação da PaCO2 (THURMON et al. contribuindo. PaO2. Em contrapartida. imediatamente após a intubação. A diminuição do pH no GCO coincidiu com a administração do tiopental. não foram observadas diferenças entre os grupos estudados. (1989) afirmam que os efeitos benéficos e colaterais da injeção epidural de opioides podem estar relacionados ao volume final da solução. quando comparados ao M-15. Em contrapartida. pode-se afirmar que não houve depressão respiratória em decorrência dos fármacos e das doses utilizadas pela via epidural. não caracterizando hipotermia (WATERMAN. Essas alterações são facilmente explicadas.

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