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Direito do Consumidor – Fábio Azevedo

(fabioazevedo@infolink.com.br)
Aula 02 – 10/10/09
Apanhado de súmulas do STF e STJ:
Súmula 284 STJ
Observação: A previsão de pagamento de 40% foi modificada pela alteração
que a lei 10.931 (artigo 3º, §2º) promoveu no decreto-lei 911.
O TJ RJ aplica a possibilidade de purga da mora indiscriminadamente aos
contratos de financiamento, promovendo um diálogo com o CC/02, no caso de
lacuna. Nesse caso, há decisões fundamentando na boa-fé objetiva e na
função social dos contratos (o problema das cláusulas gerais é qe esão sendo
aplicadas sem fundamentação).
E o pagamento deve ser feito apenas sobre o débito vencido, podendo ser
discutida a validade da cláusula que prevê a antecipação das prestações em
cão de mora. (esse foi o voto do Alexandre Câmara: decisão entendendo que
não poderia cláusula resolutória ser convencionada apenas para uma das
partes – porque violaria o artigo 54 §2º).
Súmula 285 STJ
Essa súmula não permite retroatividade mínima, entendendo que não se aplica
a multa de 2% prevista no artigo 52 §1º, com alteração da lei 9298/96, caso
haja um contrato anterior prevendo os 10%.
Ex.: contrato anterior ao Estatuto do Idoso, aplicação imediata. Se o contrato foi
assinado antes do Estatuto, não se aplica. (ver aula 01)
Súmula 297 STJ
Afirma a incidência do CDC em instituições financeiras fornecedoras de
serviços (inclui serviços bancários).
Súmula 302 STJ
Porque viola a boa-fé objetiva essa cláusula e é considerada abusiva pelo
artigo 51, inciso IV, na medida em que não se pode exigir que o consumidor
anteveja o tempo necessário para a recuperação em caso de doença.
Essa é a argumentação jurídica que dá sustentação a situação.
Isso tudo é para cumprir Estado Democrático de Direito, você precisa dar a
plano de saúde o direito de discordar.

mas a doutrina diverge nesse sentido. que é a surra. eu tenho uma lesão. Isso para Cavalieri é dano moral. Súmula 385 Fábio Azevedo entende que uma negativação é diferente de ter duas ou três. Mas Humberto Theodoro e o Gustavo Tepedino entendem que é prazo para eficácia jurídica. deve Casas Bahia. Portanto. O CC prevê um prazo para a cobrança de título de crédito: 03 anos (mas há controvérsia quanto a natureza deste prazo de três anos: o CC fala em prescrição em 03 anos. O entendimento do STJ é que seria dano estético.  05 anos é o prazo máximo. no caso de prescrição. os recursos administrados não são próprios. mas em decorrência de um serviço que ela presta.Súmula 321 Na entidade de previdência privada. E a cicatriz seria um outro dano. mas é pretensão ou eficácia executiva? Fábio Azevedo acha que é prazo para a cobrança e não para eficácia executiva. que é presumido. mas pode ocorrer antes. Fábio Azevedo entende que se for considerar dano moral. porque eles têm naturezas diferentes. Súmula 323 Veja §1º do artigo 43 CDC. diferente do que ocorre com a associação. por exemplo. que fere a dignidade da pessoa humana. deve chamar de dano moral 1 e 2. Súmula 388 Não é necessário produzir prova do dano moral. Ponto Frio e o Banco Itaú e acontece mais uma negativação. no caso de devolução. O STJ entende que a perda da eficácia executiva não autoriza o cancelamento do débito. O que é demonstrada com a devolução do cheque é a violação da dignidade da pessoa humana – a honra em seu aspecto subjetivo e objetivo. é mais prejudicial. terceira . principalmente quando a segunda. Discussão interessante: levo uma surra e fico com uma cicatriz. diferente do que entendeu o STJ. pois o CC trata de pretensão. Mas eu ao ser surrado. Súmula 387 O professor Sergio Cavallieri defende que o dano estético é absorvido pelo dano moral. desde que ainda haja prazo para cobrança. com naturezas diferentes. incide o CDC na relação de participante e entidade de previdência privada.

O dano deve ser certo e subsistente. Súmula 381 O conhecimento de ofício da abusividade pelo Tribunal ou pelo STJ vilaria o princípio processual do tantum devoluto quantum apelato. mas erroneamente. de maneira que se tiver o ressarcimento por um. mas tem uma dívida no Banco Itaú que não é minha. é dano moral. Nancy Andrigui e Felipe Salomão foram votos vencidos. Se o ato é ilícito. Exemplo: não fui notificado. embora conhecida e reconhecida. Observação: O STJ entende que apesar de haver um ato ilícito na negativação irregular. Há uma decisão no sentido de que a notificação enviada ao devedor não surtiria qualquer efeito. e meu nome é negativado pela segunda vez. porque após anos de tramitação do processo a dívida ainda não foi paga. eu devo somente as Casas Bahia. §único – se entender que existem dois responsáveis pelo dano cabe a solidariedade. Mas o STJ não entende assim. está descaracterizado o dano. Súmula 380 (ver exemplo do áudio 1:23) A súmula aqui é perfeita depende. Peraí. que já foi provocado pela primeira negativação. o nome não poderia ser nagativado. salvo em relações de consumo). Uma aluna sugere que pode ocorrer uso de CPF clonado. para a corte. Mas muda significativamente de acordo com a extensão do dano. em que pese não ter lesão no aspecto objetivo. o aspecto subjetivo deve ser observado. não precisa ser ressarcido pelo outro – sob pena de enriquecimento ilícito -(942.negativação decorre de ato ilícito. Isso fere a minha honra no aspecto subjetivo. Mas em prol da Dignidade da Pessoa Humana. pois já havia uma nagativação. até porque deve haver uma notificação. Súmula 382 Já foi falada. SPC  deve comunicar. que o agente utiliza em vários lugares e disso decorre uma série de negativações. . é responsabilidade sim! Não se aplica a solidariedade entre SPC e os Bancos no que tange a notificação ao consumidor pela ausência de previsão legal.

constitucionalmente com o princípio da solidariedade. Súmula 356 Não há lesividade nem violação a boa-fé objetiva. Essa comissão é um cálculo complexo. com atualização moratória.960). (ver áudio 1:32) A alteração para o cálculo de juros relativo ao débito fazendário. apenas para uma das partes. que se refere ao crédito fazendário. Súmula 379 Será rediscutida. que passou a ser o índice da poupança (Lei 11. Se você pega um dinheiro emprestado. Não pode ficar atualizando a dívida. §2º CDC. Responsabilidade Civil por Fato Pode associar . Súmula 369 O STJ entende ser nula por ofensa ao artigo 54. parou ali e depois você corrige monetariamente ou pela comissão de permanência. a estipulação de cláusula resolutiva. Súmula 359 Os órgãos de proteção alegam que apenas cumprem uma determinação contratual das instituições com quem mantém vínculo. Súmula 370 Em observância a boa-fé. que continua a ser regido pela SELIC. pois o professor está buscando o entendimento com base nos precedentes. (veja áudio 1:27) Súmula 370 A comissão de permanência não pode ser cumulada com nenhuma outra verba. não altera em nada o artigo 406. em matéria de juros. além de ser necessário o questionamento integral da dívida ou depósito da parte incontroversa. mas que não pode ser cumulada por força da complexidade da comissão de permanência. tem que pagar a remuneração do capital. se o questionamento for parcial. caracterizada pela compatibilidade da tese alegada com a orientação dos tribunais superiores (exemplo simples: capitalização de juros). e o fará através dos juros remuneratórios. dependerá da verossimilhança.A Antecipação dos efeitos da tutela para exclusão do nome do devedor enquanto tramita demanda de revisão.

Comprei um celular e ele explode  o comerciante não tem a ver. perigoso. surgirá uma solidariedade entre o comerciante (responsável aparente). existe um defeito. tem responsabilidade? (o objetivo era discutir a aplicação do CDC. faca ou medicamentos. Depende da fundamentação. o adquirido e o excessivo. Entretanto. para depois argumentar com a doutrina e/ou O Fatp do produto não se limita ao defeito.O legislador diz quando o serviço tem defeito ou vício. b) pelo artigo 14 CDC é serviço defeituoso (mesma definição acima).: a doutrina distingue o perigo inerente. é o fabricante. Obs. da súmula e isso em uma análise técnica adequada ao caso concreto). podendo ocorrer quando houver informação inadequada ou insuficiente sobre a utilização. é uma opinião se você levar em consideração que é razoável esperar que o banco tenha segurança na frente de uma agência que fica em local com reiterados assaltos. É possível. Se for verificada a sua responsabilidade. 1 – Fato: (defeito) a) produto defeituoso pelo artigo 12 CDC. o importador (responsável presumido) e o fabricante produtor ou construtor que é o responsável real. A responsabilidade do comerciante por fato é subsidiária pelo artigo 13. sob pena de transformá-lo em adquirido. aquele que não oferece a segurança legitimamente esperada. Exemplo de risco inerente: tesoura. Ou seria razoável esperar isso em um local que foi um caso pontual/isolado. No caso inerente é dever informar sobre os riscos. É razoável esperar que o banco reprima um assalto que acontece na porta de sua agência? O parâmetro está nos artigos 12 e 14 CDC. Os excessivos inviabilizam a própria comercialização. O perigo adquirido é justamente o defeito. Existe controvérsia: . Primeiro deve fundamentar que há um defeito. De quem é a responsabilidade no fato? O comerciante pode ser responsabilizado no caso de fato do produto? Comprei um celular e não funciona  o comerciante tem tudo a ver. que o responsável possa regressivamente cobrar através da denunciação da lide por fato do produto ou serviço? A lei só fala no artigo 13 §único. Saidinha de banco: você é assaltado na porta do banco.

Responde o fabricante de remédios que coloca um novo medicamento ainda em fase de experimentação para ser comercializado? (responsabilidade civil pelos riscos do desenvolvimento) – o que eu pergunto tem a ver com a discussão de fato do produto.1ª – Autores como Nelson Nery. Cavalieri. É ou não razoável esperar segurança de um medicamento em fase de experimentação Predomina o entendimento de que é defeituoso o produto na medida em que o risco econômico desta atividade não deve ser transferido ao consumidor. artigo 931 CC: O professor Sergio Cavalieri entende que a responsabilidade do comerciante por fato do produto. 190 e 378 do CJF. mas se não funciona e eu venho a bater é fato. enunciado 43 CJF. Para o prof. Observação minha: o JEC tem vedação expressa quanto a denunciação da lide (verificar esse assunto). [pergunta] se o remédio já não estava na fase experimental e não estava na bula. não afasta a aplicação do artigo 13 CDC. sob pena de ser criada uma responsabilidade fundada no risco integral. Arruda Alvim e K. ela poderá ser vedada com base no artigo 70. Enunciados 42. Artigo 4º . Outra questão – falei que o comerciante não responde por fato – o Cavalieri fala bem sobre isso. se a denunciação no caso concreto tumultuar o processo e prejudicar a defesa do consumidor. resp 660130 interpretação civil constitucional do CDC. é vício. de modo a viabilizar os princípios e as relações econômicas. II do CPC. 2ª – Decisões mais atuais do STJ: resp 439233/SP vem entendendo que o artigo 88 só é aplicável ao fato do produto e não ao fato do serviço. prevista no artigo 931. Quando provoca um dano: é defeito. uma vez que os efeitos desconhecidos incluem-se nos riscos da atividade e assim caracterizam um defeito de concepção. Watanabe não sustentam a interpretação literal do artigo 88 e com isso estendem a vedação a denunciação a qualquer situação de consumo diante da vulnerabilidade do consumidor e tem precedentes no STJ: resp 782919/05.“harmonia” dos interesses: a proteção aos consumidores não é absoluta. O Cavalieri cita o exemplo: Freio demora a funcionar é vício. O inciso III é um bom fundamento para contra-argumentar o fato da iniciativa do fabricante. . Entretanto. trata-se de um fortuito interno.

portanto. 5) A vulnerabilidade é mais ampla. A hipossuficiência deve ser demonstrada no caso em concreto.produção probatória existe do início ao fim do processo. Barbosa Moreira . sendo um dever de lealdade do réu produzir provas durante o processo. Resp 881651 e 4422778 STJ – informativo 324. em matéria de acidente de consumo nos artigos 12 §3º e 14 §3º CDC. O primeiro entendimento. que violaria a ampla defesa e só possibilitaria ao réu a produção de prova em segundo grau. é presumida para todo o consumidor. §1º do CC. No TJ RJ e no STJ é pacífico o entendimento de que o inadimplemento contratual não se enquadra no conceito de defeito. não é possível a inversão na sentença (é o entendimento do TJ/RJ súmula 91). Existe no CDC a inversão ex lege. A segunda corrente se justifica na lealdade processual. 4) Há uma discussão para saber se a regra n inversão é de instrução ou de julgamento. 1) artigo 27 CDC – 05 anos – se aplica a FATO do produto ou serviço. foi aplicado o prazo geral do código de 16 (20 anos) e hoje seria pelo CC/02 – 10 anos. 0:57:00. na ausência de prazo específico. . VII deve ser literal. pois é um juízo de valor de teor de sentença. de maneira que o requisito da inversão é alternativo e não cumulativo. é um juízo de valor do magistrado por ocasião da sentença (regra de julgamento).2 – Vício: (qualidade) a) Produto: artigo 18 CDC b) Serviço: artigo 20 CDC Respostas das perguntas da aula passada: ver áudio parte II. bastando a hipossuficiência ou a verossimilhança. que é majoritário no STJ diz que a regra é de instrução e. aplicando-se o prazo específico do artigo 206. 2) Posição minoritária do Cavalieri – defende que o conceito de defeito se aplica tanto a responsabilidade contratual como a extracontratual. 3) O STJ afastou a aplicação do artigo 27 simplesmente porque não houve um dano decorrente desse serviço que não oferece a segurança que é razoável esperar. razão pela qual o inadimplemento por parte da seguradora pode ser considerado um acidente de consumo. Posição minoritária no Tribunal e doutrina. É majoritário o entendimento de que a interpretação d artigo 6º.