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José Sócrates à frente na informação na TV

Ana Gaspar Oprimeiro-ministro foi a personalidade que mais vezes e durante mais tempo interveio na primeira pessoa, nos principais blocos informativos dos canais generalistas, no primeiro trimestre deste ano. Entre Janeiro e Março, José Sócrates teve destaque em 403 notícias, que corresponderam a quase 17 horas de informação, distanciando-se do segundo lugar ocupado por Luís Filipe Menezes. Segundo a Marktest, a lista das principais figuras das notícias televisivas pertence aos políticos. A conclusão não surpreende os peritos ouvidos pelo JN que a atribuem a uma demasiada aproximação entre as agendas dos média ao Poder Político e aos governantes. Já a quase duplicação de tempo entre o líder do Governo e o da Oposição, é "normal que aconteça", no entender do politólogo António Costa Pinto. "É natural que tenha um destaque muito significativo na primeira pessoa. Não só na sua condição de chefe político, mas como primeiro-ministro. Tanto faz estar em Bruxelas como a responder à Oposição". Menezes não tem tanta visibilidade, na visão deste responsável, por "não estar no Parlamento, não ter governo-sombra e não participar nas actividades internacionais do partido". Por outro lado, a presença de três ministros entre os dez protagonistas das notícias explica-se pelas "dimensões de crise associadas aos seus ministérios", como tem acontecido com a Educação. E a ausência de outros grupos de interesse ou organizações [numa tabela de 35 figuras, os dois nomes fora do âmbito institucional são o do secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, em 21.º lugar, e o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, em 34.º] "remete para um carácter da Comunicação Social que é a dinâmica do acontecimento político". Também Felisbela Lopes, considera que a "noticiabilidade gravita muito em torno do noticiário político". A presença de José Sócrates justifica-se por este ser "muito pró-activo em relação aos jornalistas",

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mas ainda pelo facto destes últimos terem a "tendência de dar importância à parte política nos alinhamentos". A investigadora da Universidade do Minho critica a ausência de outros grupos sociais, como os médicos ou os académicos, e o facto das notícias gravitarem em torno de Lisboa. "Temos de estar atentos ao país inteiro", frisou. Manuel Falcão, responsável por uma agência de meios, alerta para a falta de proximidade entre as notícias e os cidadãos. "A agenda dos órgãos de Comunicação Social e das televisões em particular está demasiado preenchida pelas agendas governamental, em primeiro lugar, e político-partidária, em segundo. Mas há oito anos não seria diferente". O ex-director da 2 lamenta que 34 anos depois do fim da ditadura se verifique "uma outra forma de condicionamento da informação". Manuel Falcão critica a linha editorial dos jornais pagos que "não servem as necessidades das pessoas", e as televisões não fazem muito melhor. À excepção, sublinha, da TVI, que apresenta mais equilíbrio. Curiosamente, na estação de Queluz, foi Francisco Louçã, líder do BE, que teve mais protagonismo, bem como na RTP2. Na RTP1, Jerónimo de Sousa ficou à frente das outras personalidades, e na SIC a figura mais destacada foi o presidente da República, Cavaco Silva, seguido do ministro das Obras Públicas, Mário Lino.

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