Jornal Reconquista - Versão Impressão

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Imprimido em 17-04-2008 20:41:17 Jornal Reconquista Versão original em:http://www.reconquista.pt/index.asp?idEdicao=123&id=5945&idSeccao=1152&Action=noticia SECÇÃO: Destaque Vinte docentes aproveitam nova lei para se aposentarem “Sangria” de professores na Afonso de Paiva Na Escola Afonso de Paiva há vinte professores de malas aviadas para a aposentação. Um caso que gera alguma preocupação dado o aproximar do fim do ano lectivo. A Escola Básica Afonso de Paiva, em Castelo Branco, sede do agrupamento de escolas com a mesma designação, está em vias de ver sair do seu corpo docente cerca de duas dezenas de professores para aposentação. Esta situação pode acontecer ainda antes do final do ano lectivo em curso, o que deixa seriamente preocupados os responsáveis pela direcção desta escola tendo em vista o período arquivo decisivo de avaliação dos alunos que está a decorrer. A situação decorre da Lei 11/08 de 20 de Fevereiro que altera o regime de aposentação dos funcionários públicos e abre portas à reforma a indivíduos que tenham completado pelo menos 55 anos de idade e 33 de serviço e por aí adiante. Ora, na Afonso de Paiva – uma escola com 35 anos que já teve o estatuto de “Preparatória” – há uma série de professores ainda dessa época que reúnem as condições básicas para irem para aposentação. Só na sede do agrupamento, como Reconquista confirmou esta semana, são pelo menos vinte os docentes nessa situação. Na actual conjuntura, como se sabe, o descontentamento que reina na classe é outro dos factores que “empurra” os docentes para esta opção. Isso mesmo nos foi confirmado pelo presidente do Conselho Executivo. Joaquim Cardoso Abrantes refere que “as alterações às regras do jogo quer do acesso à aposentação quer do próprio funcionamento das escolas têm deixado muita gente descontente e há muitos professores que não confiando no futuro preferem aproveitar a oportunidade para abandonarem a profissão”. No caso da Afonso de Paiva “a maior parte dos docentes nesta situação já se decidiu pela aposentação e outros estão ainda a ponderar”, refere o mesmo responsável. A substituição dos professores faz-se de uma forma natural, pelo que não é esta a preocupação de quem dirige a escola. A preocupação chega se eles se forem embora todos ainda antes do final do ano, por causa da avaliação dos alunos. “Se isso acontecer a avaliação dos alunos pode ficar comprometida”, alerta Joaquim Abrantes, porque, como justifica, “um professor que chegue aqui de novo nesta altura ou daqui a umas semanas fica com os meninos nos braços e não sei como é que se vai dar a volta a esta questão”. Além do mais, as pessoas em questão são todas professores com bastante experiência e que “fazem muita falta a esta escola”, como acrescenta o presidente do Executivo. Atendendo a esta questão e ao número de pedidos de aposentação em causa, este responsável espera que “os serviços do Ministério da Educação tenham isso em consideração e que de alguma forma protelem a saída destes professores até ao final do ano lectivo”, visto que depois dessa data as substituições de docentes decorrerão de forma a criar menos impacto no dia a dia da escola. Joaquim Abrantes sublinha que “até hoje temos tido sempre mais alunos do que aqueles que conseguimos receber e esta imagem de marca do corpo docente também tem sido importante”, pelo que confia que “a qualidade do ensino aqui ministrado não se vá ressentir já que acredito plenamente que no próximo ano lectivo vamos continuar a ter excelentes professores e, eventualmente, alguns até bem mais motivados do que aqueles que estão de saída”. Na escola Afonso de Paiva leccionam neste momento cerca de oitenta professores pelo que a confirmarem-se as saídas previstas a escola vê sair um quarto do seu corpo docente apenas em alguns meses. Por: José Júlio Cruz © 2008 Jornal Reconquista - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt. Fechar

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