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BANCA DEVE 56% DO PIB AO EXTERIOR
RUDOLFO REBÊLO

A febre dos portugueses pelos empréstimos bancários está a levar os banqueiros a endividarem-se no exterior, a aumentar as responsabilidades financeira do País e a fazer disparar o défice externo. Os cifrões são inimagináveis... Os dinheiros em dívida e os compromissos do País no estrangeiro já ultrapassam os 148,7 mil milhões de euros, o equivalente a criação de riqueza em 11 meses de árduo trabalho dos portugueses (91,3% do PIB). Deste montante, as dívidas (compromissos) da banca portuguesa no estrangeiro já atingem os 91,6 mil milhões de euros, 56% da riqueza do País. Este é o resultado de contratações de empréstimos para compra de casas próprias e de bens de consumo, como carros e electrodomésticos, resultante da queda das taxas de juro na última década. Esta exposição dos banqueiros nacionais aos seus homólogos internacionais só é possível porque os portugueses estão a consumir mais do que produzem. Ou, por outro lado, as poupanças (resultantes dos salários e rendimentos) são insuficientes para satisfazer os apetites pelos créditos . No final do ano passado, os depósitos - aplicações a prazo e à ordem - efectuados pelas famílias e empresas "cobriam" apenas 57% dos empréstimos pedidos pelos portugueses à banca. Ou seja, em depósitos os bancos acumulavam 130,6 mil milhões de euros uma quantia curta para enfrentar os 229 mil milhões de euros de empréstimos contratados ao longo dos últimos anos. Sem dinheiro no País, os banqueiros são obrigados a recorrer a poupanças externas, cada vez mais caras. É que as taxas de juro estão subir, em consequência da falta de liquidez após o crash nos empréstimos imobiliários nos EUA. No final de 2007, a conta-corrente com a banca estrangeira chegou nas 91,6 mil milhões de euros e a factura em juros custou uma fatia importante dos 20 mil milhões de euros (incluindo rendimentos) transferidos para o exterior em 2007, levando a que a Balança de Rendimentos apresente um défice recorde de 4,5% do produto. O drama é que o alto endividamento bancário dos portugueses - que em média ultrapassa em 20% os rendimentos anuais, descontados já os impostos - está a causar engulhos no défice externo. Sob pressão da factura com os juros, o desequilíbrio das contas externas atingiu os 8,5% do PIB. Uma redução face ao défice de 9,3% atingido em 2006, mas ainda assim assustador. "O significativo recurso à poupança externa", relata o Banco de Portugal no boletim da Primavera, esta semana publicado, indica que a economia portuguesa "se tenha tornado progressivamente mais devedora". O défice externo em 2007, diz a instituição governada por Vítor Constâncio, não foi mais alto graças ao bom comportamento das exportações nacionais (bens e serviços) e às transferências da União Europeia, associadas ao Quadro Comunitário de Apoio (QCA III).

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Ninguém sabe até quando as instituições estrangeiras continuarão a alimentar os pedidos de créditos da banca nacional. O relatório do Banco d e Portugal refere que no ano passado os banqueiros portugueses tiveram a sorte de contratar no primeiro semestre as necessidades de financiamento para todo o ano de 2007. Escaparam assim aos efeitos da falta de liquidez e da pressão sobre os juros, após Julho do ano passado, quando a banca internacional começou a fechar as torneiras do crédito, receando a contaminação de produtos financeiros - que servem de garantia a empréstimos entre a banca - ligados ao subprime norte-americano. Os banqueiros portugueses - temendo um aumento de custos das poupanças externas - já estão a mudar de estratégia. Apostam agora na captação de depósitos de clientes nacionais. Contraíram margens e estão a oferecer aos clientes melhores remunerações pelos depósitos a prazo. Sem grandes campanhas publicitárias, a captação de dinheiro doméstico empreendida pela banca está a ser facilitada "nos meses mais recentes", afirma o banco central, "pelas reduções na rendibilidade dos produtos alternativos". Ou seja, os aforradores portugueses (incluindo emigrantes) estão a retirar dinheiro dos fundos de investimento e dos certificados de aforro e aplicarem em depósitos a prazo. Aqui, os banqueiros tiveram um segundo momento de sorte em 2007: é que o Governo mudou as regras de remuneração dos certificados de aforro, diminuindo o interesse pelo produto financeiro. E, assim, só nos últimos dois meses os certificados de aforro perderam 305 milhões de euros. |

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