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Luís Filipe Menezes à procura de novo fôlego
Luís Filipe Menezes abandona a liderança do PSD porque objectivamente falhou a sua aposta e não estava a ser capaz de construir uma alternativa ao PS de José Sócrates. Faltava rumo, faltavam ideias claras, e sobravam contradições - além de que nos últimos dias o partido até caiu em discussões absolutamente medíocres de que o presidente do partido não foi capaz de se distanciar e muito menos silenciar. Assim sendo, estamos perante uma saída de cena digna do líder dos sociais-democratas, que retirou as devidas ilações da conjuntura real que o envolvia: ele perdera por completo as condições para fazer uma boa oposição e mobilizar o PSD. Com as consequências óbvias: o País entrava no último ano de uma legislatura sem oposição capaz de beliscar o PS e José Sócrates, com o que isso representava em termos de discussão e pressão sobre as grandes medidas governamentais. A atitude de Menezes, com a surpreendente convocação de novas eleições directas, para 24 de Maio, cerca de sete meses depois das que o elegeram, permite também acalmar os críticos do PSD: o desafio é que os seus inúmeros adversários falem agora ou se calem para sempre. O anúncio, feito ontem, falhou o prime time dos telejornais, mas nem por isso foi mais esclarecedor: o discurso deixou a ideia de que tudo isto é apenas uma manobra para procurar um novo fôlego, que recebeu de imediato apoio de uma vaga de fundo de várias distritais e actuais dirigentes. Pedro Passos Coelho e José Pedro Aguiar-Branco não ficarão bem na fotografia se não derem agora um passo em frente e se apresentarem perante o eleitorado laranja - a não ser que de entre as respectivas claques se destaquem agora candidatos de maior peso que os desobriguem dos recentes compromissos. Marcelo Rebelo de Sousa, cujas actividades conspirativas se têm multiplicado, foi ontem à noite colocado na delicada posição de ter de decidir já se Cristo vai ou não descer novamente à terra. Mas outras grandes figuras do PSD, como Manuela Ferreira Leite, Rui Rio e até Morais Sarmento.

Na semana em que o novo Governo liderado por Rodriguez Zapatero tomou posse, a ETA fez questão de fazer-se ouvir. À bomba, como é seu hábito. E o alvo foi de novo os socialistas, desta vez uma sede do partido em Bilbau. Mas quem acabou por sofrer ferimentos ligeiros foram sete polícas bascos, chamados a desactivar os explosivos. O anterior ataque da ETA, em vésperas das eleições, foi também dirigido contra os socialistas. Um ex-vereador de Mondragon, uma localidade basca, foi na altura morto a tiro à saída da sua casa, perante os olhos da mulher e da filha. Perante este permanente desafio etarra, ao primeiro-ministro Zapatero, que já acreditou nas virtudes da negociação com os separatistas bascos, só resta agora a firmeza. Mas precisa também de reconstruir uma frente unida contra o terrorismo, chegando a um acordo de acção com o Partido Popular, principal força da oposição. E o próprio Rei Juan Carlos fez já um apelo a toda a sociedade espanhola - políticos sobretudo - para se unir contra a ameaça etarra.|

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