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CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO

INFANTIL DE CONTAGEM

EXPERIÊNCIAS,

SABERES E
CONHECIMENTOS
A CRIANÇA, O CORPO E A
LINGUAGEM CORPORAL

SABERES E CONHECIMENTOS VOLUME 7: A CRIANÇA. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL 2012 .CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE CONTAGEM EXPERIÊNCIAS.

Minas Gerais. saberes e conhecimentos estabeleça um diálogo fértil sobre a Educação Infantil em nossa cidade. 2. além de provocar a articulação entre teoria e prática.Educação Infantil. de Educação Infantil. D.Corpo. Babita Camargos Maristela Aguiar da Silva– CEI Santa Filomena Regiane Martins Costa Ribeiro – E.4.Currículo. de infâncias. busca uma relação interativa com a profissional que atua na Educação Infantil. 1. Sebastião Camargos Regina Magalhães Gomes da Silva – E. consubstanciada na Coleção que ora apresentamos. 6. o corpo e a linguagem corporal/ Prefeitura Municipal de Contagem. I. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL Ana Paula Aguiar da Silva – CEI Santa Filomena Cristiane Diniz Oliveira – CEMEI Pés No Chão Daniele Aparecida Diniz – CEI Lírio do Vale Darci Aparecida Dias Motta – Coordenação do Grupo Leila Henriques Lima Lopes .M. variadas. Prefeitura Municipal. A proposição de um currículo para a Educação Infantil.Campos de Experiências.21 Lindomar Diamantino Segundo Secretário de Educação e Cultura 2 | Prefeitura Municipal de Contagem Marília Campos Prefeita de Contagem A CRIANÇA. 3. A Coleção.M. Nosso objetivo é possibilitar às crianças contagenses experiências que as toquem. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 3 . as transformem e as considerem cidadãs. na qual a criança possa se apropriar do mundo e da cultura.E. que têm como eixo comum a formação humana dessa criança. .Série. diversas. coerente com as concepções de criança. assim como o são as propostas pedagógicas que desenvolvemos na cidade. COLABORAÇÃO Ghisene Santos Alecrim Gonçalves – NRE Ressaca Pauline Gonçalves Cardoso Duarte – NRE Nacional GRUPO DE TRABALHO RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DO CADERNO A CRIANÇA.Linguagem corporal. ao provocar a reflexão e ao desconstruir propostas prescritivas que meramente apontam conteúdos a serem desenvolvidos. tem como objetivo orientar o processo de elaboração da proposta curricular de cada instituição. ISBN Coleção: 978-85-60074-08-2 ISBN Volume: 978-85-60074-15-0 32 p.(Currículo da Educação Infantil de Contagem. .Contagem: Prefeitura Municipal de Contagem. explicitando os objetivos.Título. Essa atitude democrática de construção coletiva é uma das marcas da política municipal que estamos gestando na cidade e que visa à garantia do direito da criança a uma Educação Infantil de qualidade. A criança. 5. fomentando a discussão sobre a prática educativa.FICHA TÉCNICA PREFEITA MUNICIPAL Marília Aparecida Campos VICE – PREFEITO Agostinho da Silveira SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA Lindomar Diamantino Segundo SECRETÁRIO ADJUNTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA Dimas Monteiro da Rocha COORDENADORA DAS POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA Maria Elisa de Assis Campos REVISÃO Luciani Dalmaschio produção editorial fernanda Cristina Mariano Diniz Mário Fabiano da Silva Moreira AUTORAS DO DOCUMENTO DIRETORIA DE EDUCAÇÃO INFANTIL Lucimara Alves da Silva Rosalba Rita Lima Valma Alves da Silva APRESENTAÇÃO ASSESSORIA DE EDUCAÇÃO INFANTIL DOS NÚCLEOS REGIONAIS DE EDUCAÇÃO Cibelle de Souza Braga – NRE Industrial/Riacho Darci Aparecida Dias Motta – NRE Sede Érica Fabiana Beltrão Pereira – NRE Vargem das Flores Liliane Melgaço Ornelas – NRE Eldorado Maria Elizete Campos – NRE Petrolândia Micheli Virgínia de Andrade Feital – NRE Eldorado Sandro Coelho Costa – NRE Industrial/Riacho Silvia Fernanda Mutz da Silva – NRE Ressaca/Nacional Sônia Maria da Conceição Félix – NRE Sede A publicação da coleção Currículo da Educação Infantil de Contagem: experiências. Esperamos que a leitura dos cadernos da coleção Currículo da Educação Infantil de Contagem: experiências. 2012. os saberes e conhecimentos que possibilitaremos que as crianças vivenciem nas nossas instituições. CDD: 372. considerando sua especificidade e as concepções que acreditamos. tornando-se cada vez mais humana. Francisco Borges CO-AUTORAS Profissionais da Educação Infantil da Rede Municipal e da Rede Conveniada de Contagem CONSULTORIA PEDAGÓGICA Fátima Regina Teixeira de Salles Dias Vitória Líbia Barreto de Faria Contagem. M. flexível. de aprendizagem e desenvolvimento que a política municipal de educação defende. construída a partir das dúvidas e inquietações das profissionais. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. realizado pelas profissionais que atuam nas instituições de Educação Infantil públicas e conveniadas de Contagem. saberes e conhecimentos vem coroar o trabalho de reflexão sobre o currículo a ser desenvolvido com as crianças dessa etapa da Educação Básica.Sexualidade. II. Um diálogo que garanta tempos e espaços para a vivência de uma infância cidadã. 7). A Coleção.: il. Experiências que serão plurais. pretende ser um material aberto.

As fotos utilizadas na Coleção retratam propostas de trabalho desenvolvidas nas Instituições de Educação Infantil da cidade. • A Criança. o Cuidado e as Relações. • A Criança. • A Criança e o Mundo Natural. embora estejam sempre abertas ao imprevisível. Os outros dez cadernos. considerando as especificidades do seu desenvolvimento e do contexto onde vivem. a Música e a Linguagem Musical. como veem o que tem sido desenvolvido nas instituições. a seleção das experiências é determinada pelas necessidades e interesses das crianças com as quais a IEI trabalha. profissionais. Trabalhamos nessa Coleção com o seguinte conceito de currículo: Conjunto de experiências culturais relacionadas aos saberes e conhecimentos. Em cada um deles busca-se fundamentar a discussão sobre o campo de experiência. a criança é sujeito de sua ação e reflexão. foram produzidos pelas crianças especialmente para essa Coleção. devendo se articular com os demais elementos desse projeto e ser norteado por suas concepções. • A Criança. ainda. o Brincar e as Brincadeiras. O currículo é um dos elementos do PPP. o histórico do processo de construção da Coleção e destaca a necessária relação que cada instituição deve estabelecer entre seu currículo e seu Projeto Político-pedagógico. Com isso. o Corpo e Linguagem Corporal. na construção de saberes e conhecimentos e na formação integral. saberes e conhecimentos possa enriquecer as práticas pedagógicas que vêm sendo desenvolvidas nas instituições. convocamos as educadoras. • A Criança e a Matemática. Nesse sentido. a partir da interação com outras crianças e com adultos e das experiências que vivencia nas relações sociais e nos processos de aprendizagem e desenvolvimento. não estamos dizendo que esse é um campo fechado aos homens. elencar objetivos. Já os desenhos. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 5 . Esses desenhos constituem um texto a ser lido e permitem a produção de outros sentidos para a nossa prática pedagógica. O caderno Discutindo o Currículo da Educação Infantil de Contagem apresenta e detalha o conceito de currículo adotado pelo município e as concepções que norteiam o trabalho na Educação Infantil. • Discutindo o Currículo da Educação Infantil de Contagem. Nesse sentido. Equipe da Educação Infantil • A Criança. • A Criança e o Mundo Social. uma forma alegre e colorida delas dizerem para nós. Outro ponto que gostaríamos de salientar na Coleção foi a opção por tratar no feminino as profissionais que atuam na Educação Infantil. bem como pelas exigências do mundo contemporâneo. 4 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. • A Criança. que são maioria na atuação nas IEI. um trabalho que incite novas aprendizagens e que seja estimulador para todos e todas. A Coleção está organizada em onze cadernos. saberes. a Arte e a Linguagem Plástica e Visual. conhecimentos e experiências e apontar possibilidades de trabalho.INTRODUÇÃO A Coleção Currículo da Educação Infantil de Contagem: experiências. As experiências vividas nessa caminhada são selecionadas e organizadas intencionalmente pelas profissionais da IEI. a diversidade que as caracteriza. sua formação humana. a saber: Esperamos que a Coleção Currículo da Educação Infantil de Contagem: experiências. saberes e conhecimentos tem como objetivo orientar o processo de construção da proposta curricular de cada instituição de Educação Infantil de Contagem. para discutir a efetivação de uma educação de qualidade a partir de um trabalho com as crianças que esteja pautado no respeito mútuo. • A Criança e a Linguagem Oral. Nessa perspectiva. cada um identificado por uma cor específica. Apresenta. Esse conceito procura consolidar uma concepção que leve em conta o contexto em que a Instituição de Educação Infantil está inserida e que coloque a criança na centralidade do processo pedagógico. vividas por adultos e crianças numa instituição de Educação Infantil – IEI –. apresentam os campos de experiências a serem trabalhados com as crianças. mas preferimos dar destaque às mulheres. Poderíamos ter optado pela forma masculina/feminina. • A Criança e a Linguagem Escrita. possibilitando. mas apenas valorizando e destacando a força e a presença feminina na Educação Infantil de Contagem. na perspectiva da formação humana. nossas interlocutoras privilegiadas.

O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 7 . reflexos e sensações. é nele que experimentamos as sensações despertadas pelos estímulos externos. suas necessidades e desejos mudam progressivamente. na saúde e na sexualidade. é com ele que nos movimentamos. as máquinas que nele se acoplam. as intervenções que nele se operam. Portanto.A CRIANÇA. 1 FUNDAMENTAÇÃO 1. se revela. o manuseio dos ar- A CRIANÇA. com ênfase nos movimentos. Enfim. portanto. o gosto por determinados alimentos. também. 2012 6 | Prefeitura Municipal de Contagem Sendo assim. A primeira forma de linguagem da criança é o movimento e ela utiliza o corpo para dialogar com o outro. diz respeito a aspectos relacionados ao corpo. os sentidos que nele se incorporam. é um sem limite de possibilidades sempre reinventadas e a serem descobertas. gradativamente. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL Um corpo não é apenas um corpo. na expressividade. É também o seu entorno. É nele e com ele que conhecemos o mundo. Ela aprende. os vestígios que nele se exibem. é com ele que perpetuamos a nossa espécie. a comer. Mais do que um conjunto de músculos. a criança não aprende apenas a andar.1 O que é esse campo de experiência e qual o seu siginificado? Na interação com outros seres humanos. é ele que expressa nossos sentimentos e emoções.. ossos. Enfim. o corpo biológico vai. não se pode conceber o corpo como instrumento. a maneira de andar. é com ele que vivenciamos nossa sexualidade.. de se comportar e falar nos diferentes lugares. os silêncios que por ele falam. se apresenta. a controlar os esfíncteres. nas sensações. Não são. a imagem que dele se produz. mas fundamentalmente os significados culturais e sociais que a ele se atribuem Silvana Goellner DELIMITAÇÃO Este campo de experiência. a educação de seus gestos. Ainda que ele seja lugar de expressão da nossa subjetividade. etc. se materializa. é no corpo que a vida se consubstancia. sendo marcado e continuamente alterado pela cultura e pelos valores de determinado tempo histórico. o corpo é também a roupa e os acessórios que o adornam. as semelhanças biológicas que o definem. mas como lugar e espaço da manifestação da nossa humanidade. é nele que a cultura deixa suas marcas. na Educação Infantil. a falar. A capacidade de movimentar-se e criar movimentos amplia a interação entre os humanos.

lápis. nossos hábitos de higiene e saúde e nossa sexualidade. O ato motor faz-se presente em suas funções expressivas. expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança. p. essas situações precisam ser discutidas. Nesse sentido. Contudo. aqui. as normas e os costumes. entre outros documentos.possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal. o corpo “fala”. o que pode ser verificado. manifestando emoções. biológicas e psicológicas. que perpassam por questões etnicorraciais. 18). mutável e mutante. o cuidado/autocuidado e a sexualidade. Nestes conteúdos estão incluídas. os conhecimentos.. nega ou transgride os saberes. a luta. realizando. de gênero. saúde e bem-estar. p. nossa forma de expressar sentimentos e emoções. dia após dia.tefatos culturais para se alimentar. Ele é provisório. 2010. pelo social e pelo cultural. entre outros. por isso. façam cultura. sente o mundo e. não raro. Nessa direção. determinados pelo biológico. Uma educação que explicite os modos de ver e tratar o corpo. Ao se tornar “cultural”. não é estático.] as práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira. [. garantindo experiências que: I . o movimento para a criança pequena significa muito mais que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. as que usam óculos podem sofrer preconceitos e discriminações por parte de outras crianças e de adultos. Ao serem detectadas. assim como é na cultura que se aprende o manuseio de objetos específicos tais como pás. A dimensão corporal integra-se ao conjunto de atividade da criança. inclui no currículo oficial da Educação Básica a obrigatoriedade do ensino da “História e Cultura Afro-brasileira e Africana”. expressivas. passa a ser responsabilidade das instituições de Educação Infantil – IEI . 8 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. ao assumirem determinadas referências. A criança se expressa e se comunica por meio dos gestos e das mímicas faciais e interage usando fortemente o apoio do corpo. verbal. contemplando. ela está potencialmente em condições de descobrir os limites e as possibilidades do seu corpo. sensações e emoções são aspectos indissociáveis da humanidade. Assim. as altas. p. os gestos e as expressões ganham significado na cultura. Nesse trabalho com o corpo a ser desenvolvido cotidianamente nas IEI.promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais. esclarecidas e. sociais. (BRASIL. humanizado. a resistência do povo negro e a sua participação na formação da sociedade brasileira. 191) que. mais do que atender a determinações legais. como resultado da cultura. permitindo que os seres humanos. repete. bolas de gude e outros. problematizadas.favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual. possibilitando à criança a construção de suas identidades e subjetividades. ideias. no Referencial Curricular para a Educação Infantil – RCNEI e na Lei 10639/03. as profissionais que lidam cotidianamente com as crianças precisam estar atentas para o fato de que as características físicas da criança. bolas. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 9 . também produz cultura. 2005. preconizam que [.] VI . nossas sensações. as muito magras. as crianças com deficiência. O debate sobre o trabalho com o corpo já se encontra contemplado no campo das políticas públicas. Sob essa perspectiva. aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em dezembro de 2009. admitindo que corpo. instrumental ou de sustentação às posturas e aos gestos. mas social e política” (TIRIBA. a diversidade que nos caracteriza como humanos. ao inserir-se no mundo.TRINDADE. nesse processo. valores.4). descons- As DCNEI. aprovado em 1998.” (BRANDÃO. significadas. cabe. na medida do possível. dramática e musical. A cultura molda nossos gestos. nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI -. auto-organização.. cujo objetivo é possibilitar “que a população negra apareça no espaço educacional de forma efetiva e não apenas em datas comemorativas. uma educação que é também corporal. é necessário atentar para o fato de que os corpos das crianças negras e pardas trazem marcas sociais que os inferiorizam e desqualificam. ainda. II .. etc. 2009. na medida em que imita. O corpo. ressignificadas e. p. preconceitos e sentimentos. a forma correta de utilizar o banheiro. a expressividade. as gordas. Esse documento reconhece também que. ao modificar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96). especial atenção à lei 10639/03. o RCNEI. Esse olhar remete à necessidade de se criar possibilidades interativas que instiguem nas crianças o seu desejo natural de explorar a multiplicidade de manifestações culturais relacionadas ao corpo. as sensações. corporais que possibilitem movimentação ampla. 24). plástica. mediada por outros sujeitos. seu corpo se constrói e reconstrói na síntese das determinações culturais. Assim como as crianças negras. Marcas que precisam ser compreendidas. o meio no qual ela nasce e a cultura mais ampla na qual está inserida deixam marcas no seu corpo. o corpo “não é apenas uma construção pessoal. (BRASIL. também as meninas. Por isso. 1998. Na relação com o meio.possibilitar que as crianças vivenciem o movimento.. Trata-se de refletir sobre a integralidade da criança. do ponto de vista biológico. já afirmava que o movimento. Uma das principais características da criança de 0 até 6 anos é que ela está em pleno desenvolvimento motor. que.

10 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. por parte dos adultos.higiene pessoal.escovação dos dentes. É interessante levar em conta que a sexualidade faz parte da vida da criança desde o seu nascimento e que uma postura mais tranquila e equilibrada diante dessa questão. dramatiza. Nesse sentido. quando ela dança. A intervenção do profissional deve ser sempre no sentido de ajudar todas as crianças a terem uma autoimagem positiva. a linguagem corporal se manifesta quando a criança corre. a criança também precisa sentir que sua natural curiosidade sobre as questões relacionadas à sua sexualidade é considerada. expressivas e de movimentos corporais possibilita que a criança amplie sua noção espacial.expressividade. Se o corpo fala. o que se deseja mesmo é que todos que lidam com a educação da criança de 0 até 6 anos de idade compreendam o corpo como construção biológica e cultural e que trabalhar na perspectiva da formação humana exige atenção a esse campo de experiência. uma vez que o corpo é o primeiro espaço que ela conhece e reconhece.movimento.hora do banho. Finalmente. a ampliarem sua capacidade de comunicar com o corpo. interpreta. a realização de atividades sensoriais. faz mímica. respeitada e respondida pelos adultos com os quais lida cotidianamente. gesticula. a valorização das brincadeiras infantis. limpeza da instituição e cuidado com o meio ambiente -. . a reconhecerem e respeitarem a diversidade com a qual se deparam constantemente no convívio social. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 11 . oral e corporalmente.sensações. é a partir dele que ela explora o espaço externo. Então.truídas. anda. o trabalho com o corpo possibilita à criança construir sua autonomia e conquistar sua independência em relação aos adultos. recolhimento de brinquedos. manifestada no movimento. na expressividade e nas sensações. Além disso. higienização das mãos. não há espaço externo que se configure sem envolvimento do corpo. rola. desejos e necessidades . assim como não há corpo que não ocupe um espaço. Portanto. Sendo assim. de prazer e de aprendizagem. além do desenvolvimento da linguagem corporal.ou em momentos individuais . Afinal. etc. mas também dizem muito da instituição e da sociedade a que pertencemos. de nossas origens. Mas. a respeitarem o próprio corpo e o corpo das outras pessoas. sentimentos. as profissionais das IEI devem desenvolver atividades que visem consolidar as práticas de autocuidado . deslocamentos dentro e fora da sala de atividades e da instituição. nossos corpos dizem muito de nós. do teatro e da dança são fortes aliados no processo de construção e expressão de conhecimentos e saberes e de humanização da criança. O espaço é o lugar no qual o corpo pode mover-se e o corpo é o ponto em torno do qual o sujeito organiza o espaço. expressa. conheça o mundo e se manifeste sobre o que conhece. as sensações e a expressividade do corpo como formas privilegiadas de manifestação de cultura. quando externa bem estar ou mal-estar nas diversas situações que vivencia . salta. movimentação segura nos diferentes espaços. é fundamental que as IEI procurem considerar os movimentos. Estimular a linguagem corporal é possibilitar que a criança se conheça. que podem ser trabalhadas em momentos coletivos . Para tanto. exerce grande influência na construção de uma sexualidade sadia e sem culpa. troca de fralda e uso do banheiro. por exemplo. brinca com o corpo .

específica do ser humano. percebemos que o corpo é um espaço ilimitado de possibilidades.. está. No século XVII. o fortalecimento do corpo e a energia espiritual. permitiu a supremacia do homem sobre os demais animais. Portanto. foram “relegados a um segundo plano algumas dimensões e canais de expressão da experiência humana. tenta esclarecer a relação da sociedade ocidental com o corpo em cada contexto histórico. a alimentação pura e sadia e o arejamento do A CRIANÇA. que viveu no século XVIII. logo existo”). a intuição. para reverenciar os deuses e pedir-lhes sucesso nas caçadas e lutas. Mas foi na Idade Média. Porém. precisou provocar algumas cisões filosóficas e epistemológicas. mas a dicotomia entre corpo e mente já tinha se consolidado. utilizando-as para comemorar a volta do sol na primavera. Mais tarde. Cada governante geria seu território de forma a preservar os bens e as pessoas. seu campo de visão. a psiquiatria. Junto com o corpo. percepção e memória). na luta pela sobrevivência. linguagens. pescar e procurar moradias mais seguras. analisando os dados estatísticos e demográficos e implantando políticas para controlar as questões pessoais (nascimentos. é bastante aceita a teoria de que o homem só foi capaz de produzir conhecimento e se apropriar do ambiente ao começar a se locomover de forma ereta. Toda essa discussão serve de base para entendermos o formato de escolarização que temos hoje. óbitos. Para ele. significando e ressignificando continuamente o seu corpo de acordo com as necessidades e exigências de cada tempo histórico. para tentar curar um enfermo. [.). pois a escola não é natural. Sugeria. a perfeição das formas. instabilidade do humor das mulheres. Concomitantemente. a burguesia ofereceu seu próprio corpo para a validação de várias ciências. ainda hoje. mais tarde. p. com a consolidação do Teocentrismo (a ideia de Deus como centro do universo).p. roupas. à construção da cultura e ao estabelecimento de relações sociais. para cultuar seus deuses e realizar seus rituais. dirigiria os indivíduos à verdade. Haja vista que o início da escolarização. no século XIX. etc. Essa motricidade. música e dramatizações. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 13 . a disciplina cívica. com preocupações nunca antes cogitadas (vigilância sobre a masturbação da criança.d. a psicologia e a pedagogia (FOUCAULT. por ser pura. Assim. no texto A pele é a raiz cobrindo o corpo inteiro: as linguagens do corpo.2 Como o conhecimento sobre esse campo de experiência foi construído historicamente pela humanidade? Atualmente. muito competitivas. gestos. biológico e psicológico. indo ao encontro da ideia de um corpo científico. um adulto em miniatura. A noção hegemônica era que o corpo submetia o homem à sua condição de animal. o aumento da possibilidade de movimentação favoreceu o desenvolvimento intelectual da espécie humana. mesmo que. Essas potencialidades físicas e mentais permitiram que o homem. sabores. controlado. disciplinado. formas. relacionavam as práticas esportivas a treinamentos intensivos. fortemente influenciado pelo seu entorno e que se constitui de sentidos. concebiam o corpo como instrumento da alma. os afetos. as emoções. Como não tinha “sangue azul”. para lamentar uma morte. que o corpo perdeu definitivamente seu lugar privilegiado. atenção. tanto os filósofos do final da Antiguidade como os medievais. 12 | Prefeitura Municipal de Contagem Por volta do século XV. em nome de uma racionalidade pura. sociais (moral burguesa) e políticas (fortalecimento dos Estados Nacionais).. Ela nasce da necessidade de disciplinar os corpos dos meninos (e. Mas. a prática de exercícios físicos. se tornou um marco importante para a pedagogia.. ao romper com a ideia de que a criança era um ser desprezível. destituído de alma. surgimento da sexualidade e da noção de complexo de Édipo). tinha que se submeter a uma razão que. Na Antiguidade clássica. cheiros. assim. combinava dança. a burguesia fomentou a emergência de novas formas de relação com o corpo. com exercícios físicos para o aprimoramento militar. De fato. o caráter competitivo. 24).. Somos parte de uma civilização ocidental que. sustentado numa supervalorização da razão em detrimento de outras dimensões humanas (s. a criação artística”. a relação da sociedade ocidental com o corpo modificou-se completamente. entre elas as sensações físicas. Ainda preso aos mitos. que foi gestado ao longo dos séculos XVI. O percurso traçado mostra como o corpo é continuamente ressignificado de acordo com os diferentes contextos históricos. passando a ser associado a práticas pecaminosas. a Igreja Católica começou a perder sua hegemonia econômica. antes de qualquer coisa. utilizava o corpo para se defender dos animais e de outros homens. com o advento do cristianismo. mais preocupados em formar jovens guerreiros para a conquista de novos territórios. política e ideológica. casamentos.1. dentre eles São Tomaz de Aquino. os romanos. de maneira elementar. o homem pré-histórico. com o surgimento dos Estados Nacionais e a ascensão política e econômica da classe burguesa. Mas. sentimentos. passasse a se organizar política e socialmente. desconsiderava a subjetividade do corpo infantil. formar o homem. Segundo Tiriba (s. ampliando. 1999). Descartes definiu o homem como sendo fundamentalmente espírito (“Penso.). inicialmente.] O projeto de modernidade enquanto desenvolvimento/progresso material. (TIRIBA. cores. a educação deveria. os desejos.) que podiam interferir na vida da população (FOUCAULT. das meninas) para atender a demandas econômicas (mercado de trabalho). a beleza e utilizava os exercícios físicos para o aprimoramento da beleza estética. para se preparar para as guerras e competições. XVII e XVIII e floresceu nos séculos XIX e XX. 2008. Ao traçarmos o percurso histórico das atividades físicas da espécie humana. começaram a se disseminar concepções que se pautavam na valorização do espírito em detrimento do corpo. com todas as suas potencialidades. para realizar o seu projeto de modernidade. enquanto o povo grego valorizava a simetria. 1988). Sua teoria estabeleceu uma assimetria entre o corpo e a mente. que precisava ser educado. como a medicina. para celebrar os nascimentos. onde o primeiro. como se deu esse processo de escolarização? Qual o lugar ocupado pelo corpo nele? Rousseau. então. a relação da humanidade com o corpo sofreu grande influência das culturas grega e romana. adornos. preparavam seus jovens para os grandes jogos olímpicos. que. aliada ao desenvolvimento das funções mentais superiores (a função simbólica. para caçar.

As ideias de Rousseau traduzem bem a consolidação da concepção de infância como uma fase específica da vida humana. sentiam. na medida em que o processo de constituição da identidade é influenciado pelos conhecimentos adquiridos e pelos desdobramentos do crescente mercado de produtos e serviços direcionados ao corpo. como as teorias de Montessori. fazei primeiro vosso aluno são e forte para poder vê-lo inteligente e sábio (ROUSSEAU apud BONONINO. 53). Vygotsky. Froebel. emocional e social’ realizando suas práticas corporais lúdicas nos espaços e nos tempos da escola”. práticas de um corpo “brincante”. a escola ainda tem que se haver com os apelos da mídia e da indústria de produtos destinados ao corpo. Portanto. jogos de futebol e cambalhotas no gramado. 77). a criança pobre teria um déficit cultural e a escola teria o papel de moralizar e controlar a vida social: ensinar regras e valores. falar de corpo é falar também da identidade atribuída aos sujeitos pela cultura contemporânea.ambiente. e construíam ali sua corporeidade. Defendiam que a escolarização e a possibilidade de expressão permitiriam o desenvolvimento do pensamento na infância. Essa crença favoreceu a proposição de atividades repetitivas e sem sentido. 1931. as discussões propostas pelos teóricos acima não impediram que discursos de uma educação compensatória ganhassem força por volta dos anos 1970. aconselhando: Cultivai a inteligência de nossos alunos. o seu físico por que é ele que vai orientar o desenvolvimento intelectual. p. viviam. além de tentar ressignificar suas concepções e práticas pedagógicas referentes ao corpo. Tais aulas não propiciam às crianças o que Vago (1996) chama de práticas corporais lúdicas. por exemplo. No entanto. o que permitiu a expansão de várias experiências pedagógicas. Segundo essa concepção. a concentração e a coordenação.” (p. Exige repensar o conflito entre corpo e mente. elementos para a saúde e o desenvolvimento corporal. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 15 . ou seja. No final do século XIX e início do século XX. Uma forma de trabalho que ilustra essa concepção e que ainda persiste são as aulas de Educação Física baseadas em exercícios repetitivos que objetivam apenas disciplinar os corpos dos pequenos e prepará-los para a alfabetização (os famosos exercícios para desenvolver a coordenação motora) e em práticas esportivas que enfatizam a competição. Piaget. surgiram tendências pedagógicas mais abertas. que questionaram os métodos mais tradicionais e colocaram os interesses e/ou necessidades dos sujeitos no centro do processo de escolarização. controlar corpos e comportamentos. definir a utilização dos espaços. tais como corridas no pátio. elas provavam. que visavam apenas desenvolver a disciplina. experimentavam seu corpo. 14 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. sem nenhuma preocupação com o desenvolvimento da linguagem corporal. diferenciar meninos e meninas. segundo Goellner (2003). Freinet. Observando algumas crianças consideradas “portadoras de ‘grande defasagem intelectual. Nos dias de hoje. o autor afirma que “naquele instante. mas cultivai antes de tudo. Decroly. com a erotização do corpo infantil e com a banalização da sexualidade.

a ampliar suas sensações e emoções. 2010 p. por meio desse campo de experiência? Quando nasce. a saúde. a se autocuidar.] Esse modelo leva crianças de lugares os mais diferentes a querer modificar seus corpos com o objetivo de fazê-los parecer o mais o possível com os “normais” e “bonitos”. a construir conhecimentos e. oferecer a todas as crianças condições para compreender esse mundo tão rico em informações e possibilidades. mas ela vai tentar se apropriar do espaço da forma mais parecida possível com os modelos que possui e com os recursos que o seu corpo oferece. [. imitar. hábitos e costumes da sua cultura. Esse processo de apropriação deve ser mediado pelos adultos da instituição.. ela os compreende e começa a entender como se dão as relações sociais. colocar objetos na boca. As considerações acima se aplicam ao trabalho com todas as crianças atendidas em IEI. mas existem algumas especificidades quando se trata de crianças de 0 até 3 anos de idade e de crianças com deficiência. o bebê não anda. com seu corpo. a significar e se apropriar dos gestos. do ambiente que a cerca. A linguagem corporal é uma das formas que a criança utiliza para representar o mundo e. Se a criança tiver alguma deficiência física ou mental. muito prazer. Aprende a apontar os objetos que deseja. a andar. pois é nos corpos que se inscrevem nossos modos de sermos sujeitos. ele começa a perceber a função de determinados gestos e expressões. Concomitantemente a esse processo de conseguir se locomover. sendo necessário 16 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. As imagens e discursos veiculados na mídia são carregados de significados. na relação com outros humanos.. Portanto. ao ser inserido na cultura. que permita a ela. não fala e não se alimenta sozinho. É necessário atentar para o fato de que o modelo de corpo oferecido pela mídia é magro. mas que também questione estereótipos e “verdades” produzidas pela mídia e pela cultura. se desenvolve e torna-se progressivamente humana. por exemplo. a conhecer a si e o meio em que vive. Para que os processos de locomoção e de desenvolvimento do pensamento simbólico sejam potencializados. conhece as potencialidades do seu corpo e começa a usá-lo para se apropriar do mundo. 1. a criança começa a perceber que pode imitar os gestos das pessoas que convivem mais intimamente com ela para comunicar e conseguir o que quer. o bebê. Uma de suas primeiras manifestações é o choro. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 17 . alto. em alguns casos. reconhece ruídos familiares.TRINDADE. inicia seu processo de humanização. pegar objetos. ainda que de outras formas. a infância é uma fase de grande desenvolvimento da função simbólica. corpos “anormais” não fazem parte dos brinquedos encontrados nas escolas ou em nossas casas.3 Como a criança aprende. consequentemente. sendo extremamente dependente do adulto... expressar sentimentos e ideias. Deve ser uma preocupação constante das IEI a garantia de um trabalho com a linguagem corporal que contemple o movimento.É claro que a escola não pode. acima de tudo. (BRANDÃO. pega os objetos. por fim.] apresentar diferentes repertórios de brinquedos a serem utilizados nas atividades com bonecos e bonecas. Ao imitar os papéis desempenhados pelos adultos. a se sentar para ter uma visão melhor das coisas e das pessoas. Assim. as sensações. que vão observar e acompanhar as brincadeiras.. Para além da questão física.. por meio do qual ele comunica que algo está acontecendo.] Por isso é importante [. pular. entre outras coisas. mas essas discussões não podem ficar fora de um currículo que conceba o corpo como uma dimensão importante do ser humano. é necessário conver- Na medida em que cresce e se desenvolve. se movimentar. participando e interagindo com as crianças. trazem embutida uma “pedagogia da beleza”. Na medida de suas potencialidades físicas e mentais. Portanto. a sentir prazer. a criança experimenta o mundo com todo o seu corpo. ficando com as mãos livres para segurar os objetos que alcança. a fim de questionar os tipos físicos tidos como “certos”. As crianças de 0 até 3 anos de idade estão iniciando o processo de construção da linguagem oral e de significação de gestos. tocar a própria pele e a das outras pessoas. esse processo pode ser mais lento e. a expressividade. para se apropriar. e nem deve desejar. louro e de olhos claros. o adulto que cuida da criança deve proporcionar um ambiente estimulante. correr. no caso de crianças com deficiência. pode chegar a não acontecer. Aos poucos. controlar a educação ofertada pela família e pela mídia. Isso vai levar a criança a conhecer o próprio corpo. a descobrir o mundo. a engatinhar para alcançar sozinha o que quer e. [. o autocuidado e a sexualidade. conhece gostos e cheiros. Essa exploração do espaço vai ajudar a criança a desenvolver as habilidades necessárias para se locomover sozinha ou. para consolidar o pensamento simbólico. 31-32). o que vai exigir do adulto uma atenção especial no trabalho com essa faixa etária. leva-os à boca.

a criança tem um corpo que precisa ser inserido na cultura. as brincadeiras. gradativamente. com crianças mais velhas e com outros adultos. lêem o mundo. desafiá-las. E é nessa perspectiva de estimulação e troca que Pasqualini (2004) afirma que: As crianças vão construindo conhecimentos. oferecer objetos diversos e permitir a interação delas com crianças da mesma idade. com o objetivo de descobrir a melhor maneira de desenvolver a linguagem corporal dela. a imitação. Quando o adulto acredita que a construção do conhecimento passa também pelo corpo. cabe ao adulto realizar um trabalho de observação sistemática dessa criança. 2 OBJETIVOS A Educação Infantil. o manuseio de diversos materiais. afetos a partir de sua experiência com o mundo. e se constituem como fontes de experiências. Nesse sentido. sim. Fica evidente. em relação ao corpo e à linguagem corporal. Não se pode esperar que uma criança com deficiência conheça e reconheça o mundo do mesmo modo que as demais. deve possibilitar às crianças: • ampliar experiências sensoriais. 31). escutam. então. Isso só será possível se o adulto se desvencilhar da ideia de déficit e trabalhar na perspectiva da potencialidade. os gestos vão construindo a cultura. os jogos. uma vez que seus ritmos de aprendizagem são muito diferentes. 18 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA.sar muito com essas crianças. • conhecer o próprio corpo na sua integralidade construindo. as dramatizações e a dança. expressivas e corporais. possibilitar a sua locomoção.não pode deixar o corpo e a linguagem corporal fora de seu currículo. o contato físico. que precisa ser humanizado. cheiram. mas. “o que ela já consegue realizar?”.espaço legítimo de construção de conhecimentos formais e informais . Portanto. a degustação de diferentes alimentos. É nesse processo que a criança constrói sua identidade e se apropria do mundo para viver nele de forma cada vez mais humana. os passeios. É por meio das experiências vividas que o indivíduo tem a possibilidade de levantar inúmeras hipóteses para construir e reconstruir conhecimentos. Outro grupo que precisa de atenção especial é o de crianças com deficiência. No entanto. Durante o brincar. deve-se ampliar o leque de possibilidades corporais por meio de atividades que incentivem o movimento. Corpos que sentem o mundo. possibilitando que a criança se aproprie da cultura da forma mais intensa possível. experiência vivida num universo de corpos que tocam. olham. o cuidado/autocuidado. a pergunta não é “o que essa criança não dá conta de fazer?”. valores. adquirindo autonomia e independência. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 19 . A construção de todo e qualquer tipo de conhecimento inicia-se no corpo e a instituição de Educação Infantil . levando em consideração que toda criança é capaz de aprender. a imagem mental dele. os movimentos. ele propõe atividades que privilegiam o movimento e a expressividade. satisfações e insatisfações físicas e emocionais (p. que a interação é a estratégia privilegiada para que todas as crianças possam desenvolver a linguagem corporal. Com deficiência ou não. comem. o autoconhecimento físico e emocional.

proporcionar às crianças a vivência de múltiplas experiências. • desenvolver noções básicas de segurança. degustar. rodar. dançar. • construir a autonomia de movimentos. cheirar. passar dentro. vivenciando-a da forma mais natural possível. • Fazer mímica. de saúde. danças. pular. tais como: • Ser respeitada na sua especificidade física. trilhas. andar. engatinhar. teatro e outras. equilibrar-se. arrastar. a Educação Infantil deve. subir escadas. abraçar. • reconhecer os limites e as possibilidades do corpo no espaço e o prazer que pode usufruir dele. puxar. marchar. empilhar. embolar. rasgar. • apropriar-se das manifestações da cultura e do patrimônio cultural relacionados ao corpo tais como jogos. • Manusear e explorar sensorialmente objetos e materiais diversos (morder. encaixar. • Ser incentivada a encarar desafios corporais. ficar em pé com apoio. chutar. túneis. etc. 20 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. enrolar. ouvir. em relação ao corpo e à linguagem corporal. arremessar. • comunicar corporalmente desejos. significando-os. sentimentos. etc. • apropriar-se dos gestos. • Explorar as várias possibilidades do corpo no espaço: sentar. • Imitar movimentos. esconder. correr. picar. olhar. passar por circuitos. amassar. • desenvolver a sexualidade própria da sua faixa etária. hábitos e costumes da sua cultura.• construir a identidade corporal. rolar. enfileirar. etc. brincadeiras. agrupar. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 21 . higiene e autocuidado. • Explorar as várias possibilidades dos materiais e objetos no espaço: pegar. emoções e sensações. saltar. segurar. ultrapassar obstáculos.). 3 EXPERIÊNCIAS Tendo como eixo a formação humana.

etc. 22 | Prefeitura Municipal de Contagem • Desenvolvimento da Identidade corporal. pegador. • Alimentar-se sozinho. capoeira. • Experimentar roupas. sonoplastia. fazendo caretas. gestos e sorrindo diante dele. • Dançar. bancos. • Construir brinquedos. • Brincar de faz de conta. • Lavar as mãos. centros culturais. lojas.). • Atravessar ruas e avenidas sob a orientação das profissionais da instituição. enfeites e adornos.).• Tirar sons do próprio corpo. funcionários e familiares. fazendo cenários. recortar e colar. • Degustar diferentes alimentos. escovar os dentes. etc. supermercados. • Relaxar. • Expressar sentimentos e sensações com o corpo. • Cuidar do corpo. figurinos. etc. • Despir-se e vestir-se sozinha. músicas. • Rodar bambolê. de fantoches. 4 SABERES E CONHECIMENTOS • Brincar de roda. praças. • Assistir peças teatrais. • Brincar no parquinho. jogos e brincadeiras. • Representar o próprio corpo e o corpo dos colegas e adultos da instituição por meio de desenhos. • Controlar os esfíncteres. • Realizar investigação sobre danças. A CRIANÇA. peteca. utilizando diferentes materiais. de vara. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 23 . • Calçar e amarrar o tênis. • Importância do autoconhecimento físico e emocional. • Ser respeitada na vivência da sua sexualidade. • Participar de jogos corporais (amarelinha. • Ouvir informações sobre o funcionamento do corpo humano. bola. proteção e higiene. • Fazer apresentações para colegas. de sombra. etc. tomar banho. • Ganhar e perder (nas brincadeiras e jogos). • Possibilidades e limites do próprio corpo. as crianças poderão construir saberes e conhecimentos. • Brincar com corda. etc. • Visitar o entorno da escola (parques. • Jogar bola. • Identificar e comparar semelhanças e diferenças corporais. colchões. atendendo as regras de segurança. modelagem. • Dramatizar e produzir representações teatrais de pessoas. de máscaras. quebra-cabeças. A partir das experiências relacionadas acima e de muitas outras. • Rasgar. tais como: • Andar de velotrol. • Contemplar sua imagem no espelho. • Massagear e ser massageado.

• Utilização de respiração adequada. Tempo em que os conceitos tradicionais sobre gênero e sexualidade estão sendo questionados. • Atitudes adequadas como plateia. a imobilidade. na sua subjetividade. trabalhar a dimensão corporal com as crianças de 0 até 6 anos requer reconhecê-las como sujeitos que se apropriam da cultura e. a despeito de termos vinte ou sessenta anos. Portanto. Ademais. desenvolvendo atividades que silenciam os corpos das crianças. • Atitudes de ousadia e coragem. Tempo em que questões sobre a sexualidade adulta estão cada vez mais expostas e banalizadas. Além disso. com ênfase no aprendizado da coordenação motora. • Respeito ao outro. embaixo. jovens. o trabalho corporal vem sendo tratado como secundário. • Noções e hábitos de saúde. perto. de habilidades e de percepções. • Segurança para apresentação em público.• Autonomia de movimento. a ideia de que o corpo deve ser trabalhado por partes. em seus corpos. • Percepção do funcionamento do corpo humano. do gênero e da família. como sujeitos de direitos que precisam ser respeitados nas suas especificidades e formados na sua integralidade de seres humanos. Portanto. • Atitudes de cooperação. largura. dependendo. • Identificação de diferentes manifestações culturais. a nomeação das partes do corpo. da idade. sabores. é utilizado para ocupar o tempo. autocuidado e proteção. • Diferenciação de diferentes odores. • Percepção de ritmos diversos. as experiências em relação ao corpo são bastante repressivas. ninguém está descolado do presente. longe. a família e a cultura deixaram e deixam nos sujeitos. ao mesmo tempo. • Regras para locomoção segura nos diferentes espaços. • Percepção das diferenças e semelhanças entre as pessoas. as aulas de Educação Física que privilegiam os polichinelos. uma prática mais libertária em relação ao trabalho com o corpo vai requerer uma reflexão sobre a forma como o adulto se relaciona com o próprio corpo. os jogos de competição e a noção de disciplina como silenciamento. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 25 . • Percepção do silêncio e da inércia em oposição ao barulho e ao movimento. na sua sexualidade. a proposta de andar em cima de uma linha riscada no chão. em cima. • Controle e planejamento de movimentos. • Percepção de tensão e relaxamento. 24 | Prefeitura Municipal de Contagem 5 DINAMIZAÇÃO DO CAMPO DE EXPERIÊNCIA DO CURRÍCULO NA RELAÇÃO COM OS ELEMENTOS DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO Na história da escolarização da infância. • Noções espaciais (lateralidade. como meninas e meninos que têm necessidade de compreender o mundo para viver nele da forma mais humana possível. Somos produto. mas também produtores delas. higiene. adultos e velhos continuam sendo marcados pelas exigências deste tempo também. passam a ser mercadoria à qual se acoplam outras mercadorias. produzem cultura. Podemos citar como exemplo os pontilhados para as crianças “passarem por cima”. face à voracidade do mercado. comprimento. etc. Muitas instituições de Educação Infantil. a escola na qual estudamos operava nessa lógica restrita em relação ao trabalho com o corpo. • Compreensão da sexualidade. não podemos dizer que elas foram completamente abolidas da escola. ainda hoje. o silêncio. espessura. Então. A CRIANÇA. O trabalho nessa vertente propõe atividades repetitivas. ainda que a cisão provocada pelo pensamento cartesiano e a disciplinarização da sociedade ocidental (tese defendida por Foucault) sejam bastante questionadas hoje. como sujeitos de desejos que querem ser satisfeitos. regras e instruções.). profundidade. o que significa que os corpos de crianças. Tempo em que os corpos infantis são erotizados pela mídia. entendendo que elas serão suficientes para garantir que a criança se aproprie da sua corporeidade. tendo como objetivo suplementar ou preparar para outras disciplinas consideradas mais importantes. as flexões. • Respeito à diversidade. o que impõe o desvelamento das marcas que a escola. • Elaboração e cumprimento de combinados. Geralmente. partem do pressuposto de que a aprendizagem só é possível num ambiente em que impere a ordem. Às vezes. equilíbrio. como danças e brincadeiras populares. entre outros fatores. o que deixou marcas muito fortes em todos que passaram por ela. Tempo em que as crianças têm maior liberdade de expressão. sons e imagens. texturas. Tempo em que os corpos.

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eficiência. possibilitar a interação delas com o meio. destaca: Hoje. os corpos têm sido solicitados e enfatizados na sociedade e na cultura. Sobre essa questão. levar as crianças para explorarem o espaço externo à sala de atividades e à instituição. 28 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. Ainda é preciso levar em conta o contexto onde essas crianças vivem. E o segundo refere-se à aparência e a seu controle dentro do espaço social. os agrupamentos de crianças. • proponham atividades significativas e. de criança. Oliveira (2004) esclarece que A tecnologia. Aparecem. vão sendo elaboradas e impostas a todos? (LOPES. a cada dia. adolescentes e até mesmo crianças a se entregarem a um consumo desmedido e a naturalizarem a erotização dos corpos infantis e a banalização do sexo. 2006. Diante do exposto. as profissionais precisam organizar os espaços. a liberdade. suas concepções de mundo. as especificidades da sua faixa etária e as exigências do mundo contemporâneo. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 29 . Isso implica. A manutenção e aparência do corpo na cultura de consumo que vivemos sugere duas categorias: o corpo interno e o externo. Mas os corpos têm sido valorizados tendo como princípio o direito. FARIA. MENDES.Requer também questionar as relações que estabelecemos com elas e com as colegas de trabalho. As escolhas feitas pela profissional em relação a esses aspectos traduzem suas crenças. os tempos. cada vez mais. o que influencia fortemente. dentro de projetos de trabalho. cujos padrões levam famílias.12).. Nessa mesma direção. gostos e desejos das crianças. diversão. valorizando a manutenção do corpo. desejos e necessidades.. novos produtos e práticas que trazem promessas e receitas de felicidade. quando possível. a dignidade. juventude. o conhecimento. na medida em que relações de respeito e de atenção são importantes demais para serem relegados a segundo plano. exigindo manutenção diante de doenças e do declínio orgânico no processo de envelhecimento. a formação das crianças com as quais trabalha. deixar a sala de atividades com o maior espaço livre possível para as crianças se movimentarem. Em relação a esse último aspecto. Nas revistas e nos canais de televisão anunciam-se novas modas. revelam formas de controle e incentivos ao consumo que. as metodologias. os instrumentos de trabalho e os materiais de forma a favorecer a realização do trabalho com o corpo.] continuamente lançam para o indivíduo a responsabilidade pela qualidade de vida. entre outras coisas. Além disso. de Educação Infantil e de desenvolvimento e aprendizagem nessa faixa etária. habilidade. a mídia oferece o modelo “certo” de corpo. o Proinfantil. é necessário que as profissionais: • reconheçam os interesses. inferiorizando os corpos tidos como “anormais”. (s. de sociedade. saúde. sabemos que a sociedade atual sofre uma influência avassaladora da mídia. a indústria cultural e da beleza [. dia após dia. Atentos às questões acima.p). relaxamento. dispor os materiais de maneira a favorecer o manuseio fácil e seguro. p. O interno refere-se à saúde e ótimo funcionamento do corpo como um todo. prazer. material de formação produzido pelo MEC. positiva ou negativamente. a sensibilidade e a vida em sua riqueza e totalidade? Ou. ao contrário. pelo bem-estar. assim como as relações que elas estabelecem com o coletivo de funcionários da escola. conforme discussão anterior. diminuir o tempo que elas ficam sentadas.

músicas e ritmos variados. se necessário. ensinando as crianças a se vestir. conhecê-los e reconhecê-los. a criatividade e a inventividade delas. produzir 30 | Prefeitura Municipal de Contagem A CRIANÇA. • ajudem as crianças a compreenderem sua cultura e sua história. em função da maior possibilidade de a criança movimentar-se. • estabeleçam. • favoreçam o desenvolvimento de noções básicas de higiene. bem como possibilitem a interação com os adultos da instituição. músicas. Os significados e sua compreensão emergem das relações compartilhadas. Enfim. por meio de conversas e entrevistas. • organizem o espaço da sala de aula e do pátio. se expressar e produzir ritmos e sons. • trabalhem com as crianças a expressão de suas singularidades. shows e apresentações artísticas em geral. sempre que possível. permitindo a elas tocá-los. gestos e jeitos de dançar. • ajudem a criança a construir uma autoimagem positiva. O CORPO E A LINGUAGEM CORPORAL | 31 . trabalhar com o corpo na Educação Infantil é uma oportunidade de ajudar as crianças a desenvolverem essa dimensão tão importante do ser humano. • procurem conhecer as diversas manifestações culturais que privilegiam o uso do corpo. intervindo nas situações em que preconceitos e/ou racismo se apresente. mas sem esquecer da produção coletiva de gestos. • envolvam as crianças na pesquisa e na identificação dos conhecimentos que se relacionam aos movimentos corporais. a lavar as mãos. encenar. pode ser sempre reiniciada de acordo com o que a realidade exigir. dramatizar. • preparem um cantinho com roupas. teatro e outras. • promovam passeios e excursões aos mais variados locais. concertos. mas uma tarefa que. sons com diferentes objetos e com o próprio corpo. reconhecidas e apropriadas. fazendo e ouvindo perguntas. • levem as crianças para assistir peças teatrais. formando grupos com a mesma idade e com idades diferentes. significar. a escovar os dentes. ressignificar e. • possibilitem que as crianças inventem movimentos. representar. a tomar banho. de forma a privilegiar e favorecer o movimento das crianças. formulando novas questões e estimulando a curiosidade. não é um trabalho pronto. • estabeleçam relações entre a cultura mais ampla e o contexto das crianças. como danças. etc. o que significa dançar junto. adornos e acessórios para as crianças. • resgatem. levá-los à boca. • ajudem as crianças a identificar. • proponham jogos coletivos que pressuponham a colaboração e não a competição. a usar o banheiro. mesmo sistematizada e intencional. Portanto. • Incentivem a produção e a apresentação de peças teatrais. • partilhem com as crianças danças. • valorizem a identidade cultural de todas as crianças. • privilegiem o uso do espaço externo à sala de atividades e à instituição. movimentos. relações com o trabalho de outros profissionais da instituição. as experiências corporais coletivas da comunidade onde as crianças vivem. • garantam o aprendizado de técnicas (maneiras de fazer) que possibilitem às crianças realizarem movimentos e gestos com maior facilidade. • favoreçam a interação entre as crianças. brincadeiras. segurança e autocuidado. mas é também a oportunidade de a profissional se interrogar sobre as experiências corporais que propõe cotidianamente às crianças. dramatizações e escolha de temas. apagar as marcas negativas deixadas no corpo pela cultura.• ofereçam diversos materiais para as crianças manusearem. a amarrar os sapatos.

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Secretaria Municipal de Educação e Cultura 34 | Prefeitura Municipal de Contagem .