You are on page 1of 31

Tropa de Elite- PRF

Direito Administrativo
Giuliano Menezes

2013 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor.

Direito Administrativo

CAPÍTULO 01 – DIREITO ADMINISTRATIVO
1.1) Origem do Direito Administrativo
O Direito Administrativo, como ramo autônomo do direito, começa a se
organizar no final do século XVIII e início do século XIX, com as revoluções
liberais desse período, particularmente a Revolução Francesa. Antes, os estados
europeus eram monarquias absolutas e, evidentemente, referidos estados não
se submetiam às regras jurídicas, posto que, os monarcas concentravam em
suas mãos todos os poderes e, consequentemente, jamais se submeteriam a um
regime jurídico-administrativo.
Após a Revolução Francesa, com o surgimento do constitucionalismo, do
princípio da Legalidade e da Separação dos Poderes, começam a surgir
normas administrativas, que, mais tarde, se organizariam como ramo próprio do
direito.
Inicialmente, não se pode falar em Direito Administrativo como um ramo
próprio do direito, posto que, existiam leis que cuidavam da matéria
administrativa, porém estas leis eram esparsas, inexistindo uma sistematização
entre as mesmas. Eram estudadas de acordo com os princípios do Direito Civil.
O Direito Civil disciplinava as matérias, que atualmente são estudadas
pelo Direito Administrativo. No Brasil, ainda hoje o Direito Civil, por exemplo,
classifica bens públicos, no art. 99, ratificando a origem civilista da matéria.
Posteriormente, em função das novas funções assumidas pelo Estado,
aumentando a complexidade da sua estrutura organizacional, o Direito Civil
não consegue mais disciplinar as novas relações jurídico-administrativas,
surgindo a necessidade da organização de um novo ramo do Direito, que seria
o Direito Administrativo.
No final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do Estado
Social, que veio substituir o Estado Liberal, prevalente nos séculos XVIII e XIX, o
Direito Administrativo ganha um impulso extraordinário, pela necessidade de
conferir ao Estado poderes até então inexistentes, tornando-se definitivamente
um ramo próprio do direito, com regras sistematizadas, com princípios próprios e
com uma hermenêutica própria.

Prof. Giuliano Menezes

2

Direito Administrativo

1.2) Objeto e Conceito do Direito Administrativo
O Direito Administrativo disciplina as relações entre os diversos entes e órgãos
estatais, assim como a relação destes com os particulares, sempre buscando a
realização do interesse público. Na relação com os particulares, o Estado
sempre terá prerrogativas, posto que sempre busca a realização do interesse
público e, muitas vezes, para realizá-lo, terá que restringir a esfera individual dos
particulares. Ex.: multa de trânsito aplicada em decorrência do poder de polícia
do Estado, fechamento de estabelecimentos comerciais que desobedecem as
normas sanitárias, desapropriação, dentre outras.
Hely Lopes Meireles afirma que o Direito Administrativo Brasileiro “sintetiza-se
no conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes
e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente
os fins desejados pelo Estado”.(Direito Administrativo Brasileiro, 28ª ed., São
Paulo: Editora Malheiros, 2003, p. 38)
Maria Sylvia Zanella Di Pietro afirma que:Direito Administrativo é “o ramo do
direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas
administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não
contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus
fins, de natureza pública.” (Direito Administrativo, 23º ed, São Paulo: Editora
Atlas, 2010, p. 47).
José dos Santos Carvalho Filho afirma que o Direito Administrativo é “o
conjunto de normas e princípios que, visando sempre ao interesse público,
regem as relações jurídicas entre as pessoas e órgãos do Estado e entre este e
as coletividades a que devem servir.” (Manual de Direito Administrativo, 23ª ed.,
Rio de Janeiro: Lúmen Júris Editora, 2010, p. 09).
Celso Antônio Bandeira de Mello define o Direito Administrativo como “o
ramo do direito público que disciplina a função administrativa e os órgãos que
a exercem.” (Curso de Direito Administrativo, 27ª ed., São Paulo, Editora
Malheiros, 2010, p. 37).
Pode-se conceituar o Direito Administrativo como o ramo do direito público
que disciplina o conjunto de princípios e regras jurídicas, visando a realização
do interesse público, aplicáveis às relações entre os diversos órgãos e entes
estatais com os particulares e a coletividade em geral.
1.3) Fontes do Direito Administrativo
A Constituição Federal apresenta-se como a fonte primordial do Direito
Administrativo, porque nela estão disciplinadas as principais regras e princípios
que estruturam e disciplinam o Estado. A Lei aparece como uma das principais
fontes, posto que no Direito Administrativo o Princípio da Legalidade tem uma
presença muito forte, na medida em que o agente público só pode fazer aquilo
que a lei previamente lhe autoriza que o faça.
Existem inúmeras leis administrativas relevantes, tais como: Lei n. 8666/93
que estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos
pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e
locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

Prof. Giuliano Menezes

3

ou seja. Lei 8987/95 que disciplina de forma geral as concessões e permissões de serviços públicos. material. Uma das classificações (forma de Estado) subdivide o Estado em Estados Unitários ou Federativos. Deve-se destacar a autonomia federativa de tais entes políticos.4) A expressão Administração Pública A expressão Administração Pública tem dois sentidos básicos: um. 8112/90 que regulamenta os servidores públicos federais estatutários. Sendo assim. Giuliano Menezes 4 . objetivo ou funcional. além dos diversos órgãos que integram o Estado. Na acepção subjetiva. mas. culturais e sociais totalmente distintos. ao lado da função legislativa e judicial). mas. corresponde a toda a estrutura administrativa do estado. terá uma organização administrativa própria. compreende todos os órgãos e entes que integram a Administração Pública. difereciando-se basicamente pela centralização ou não do poder estatal. Acre e São Paulo.5) Federação A Teoria Geral do Estado costuma classificar o Estado de diversas formas. não se pode falar em uma única Administração Pública. a própria função administrativa (uma das funções estatais. em várias esferas de poder. 1. o poder não está centralizado numa única instância. posto que cada ente que integra a Federação brasileira. formal ou orgânico e o outro. É evidente que teremos algumas semelhanças entre as estruturas administrativas internas destes entes Prof. competência administrativa própria para a prestação de serviços públicos. subjetivo. compreendendo a prática dos atos administrativos.Direito Administrativo Municípios. posto que se tratam de estados federativos com aspectos econômicos. inclusive estaduais e municipais. 1. 18 da Constituição Federal). No Estado Unitário. dentre outras características. Os Estados que têm uma grande dimensão territorial geralmente são estados federativos. o poder está centralizado numa única instância de governo. Lei n. por exemplo. a jurisprudência e os costumes diários são outras fontes do Direito Administrativo na aplicação e interpretação dos diversos atos praticados pelo Estado. dentre outras leis. empresas públicas. sociedades de economia mista e consórcios públicos. fundações. sim. os Estados. Os estados do Ceará. ou seja. em função de ser o Brasil uma Federação. No Brasil. autonomia administrativa e competência tributária própria. ressaltando-se a existência de organizações administrativas distintas. englobando autarquias. A doutrina. Lei 9784/99 que regulamenta o processo administrativo no âmbito federal. o Distrito Federal e os Municípios (art. o que demonstra a autonomia de tais entes. No Estado Federativo. exercendo a função administrativa. integram a Federação a União Federal. sim em várias. Na acepção objetiva compreende a própria atividade administrativa. não terão a mesma organização administrativa. Lei 10520/02 que regulamenta o Pregão como modalidade licitatória. populacionais. Os entes integrantes da Federação possuem eleições próprias. em função de suas especificidades.

como a administração dos seus próprios servidores. fala-se mais em separação de funções. 60. 2º da Constituição Federal Brasileira de 1988 e elencada como cláusula pétrea em seu art. pratica ato administrativo. Prevista no art. ao Congresso Nacional. estes mesmos órgãos. Em conclusão. a Separação de Poderes. não existe mais. o Poder Judiciário. não é mais vista como uma separação absoluta. A sua função principal é julgar. não significa que o Poder Judiciário só julgue. como o envio do projeto de lei. bem como algumas funções administrativas. referente ao Estatuto da Magistratura. Quando um Tribunal de Justiça promove um juiz de uma comarca para outra. que prevaleceu inicialmente.Direito Administrativo federativos. Giuliano Menezes 5 . entregando-se a órgãos diferentes funções distintas. No entanto. Desta forma o Direito Administrativo estuda também os atos administrativos praticados pelo Poder Judiciário e Legislativo. exercem funções de outros órgãos (funções atípicas). ou seja. além das funções que lhes são próprias (funções típicas). econômicas. porém. geográficas. atualmente. posto que. representa uma das maiores contribuições da Revolução Francesa no final do século XVIII.: Julgamento do ex-presidente Collor por crime de responsabilidade pelo Senado Federal) e também administra suas próprias Casas. quando expressamente autorizado pelo texto constitucional. atualmente.6) Separação dos Poderes A Separação dos Poderes. § 4º . entregando-se a órgãos distintos as três principais funções estatais de administrar. 1. essencialmente julga. posto que os outros dois Poderes também exercem função administrativa Desta forma. não. Implica na limitação dos poderes estatais. julgar e legislar. Sendo assim. No entanto. haverá muitas diferenças entre tais organizações em função das diferenças políticas. cuja função principal é legislar. excepcionalmente ele julga (Ex. Os outros poderes (Judiciário e Legislativo) também exercem função administrativa. função jurisdicional. e. mas também exerce funções de outros poderes. posto que os Poderes Legislativo e Judiciário também exercem Prof. essencialmente administrativa. por exemplo. além da atividade do Poder Executivo. pode-se afirmar que a realização de atos administrativos não é restrita ao Poder Executivo. porém. até pelo fato de originarem do texto constitucional. aplicando a Constituição e a lei ao caso concreto. ele também tem algumas funções legislativas. Assim também ocorre em relação ao Poder Legislativo. 2º da Constituição Federal. de iniciativa exclusiva do Supremo Tribunal Federal. não se deve restringir a função administrativa apenas ao Poder Executivo. Quando a Câmara dos Deputados realiza uma licitação pratica inúmeros atos administrativos. prevista expressamente no art. Quando se refere ao Poder Judiciário. populacionais. O gênio político francês de Montesquieu sistematizou esta teoria. culturais e sociais. a função administrativa não é exclusiva do Poder Executivo. Esta separação absoluta.

1) ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL As modernas Constituições dos países ocidentais. 237 Prof. princípios estes consagradores de direitos fundamentais. Hodiernamente. é a do pós-positivismo. sendo uma das espécies de norma. para a consagração de uma pauta mínima de direitos fundamentais. dar-lhes a melhor e mais efetiva aplicação. Paulo. assinala o prof. p. 1 BONAVIDES. em caso de confronto. passaram a consagrar a existência de direitos que seriam fundamentais à pessoa humana. Assim nos ensina Paulo Bonavides 1. São Paulo : Malheiros. para melhor entender a sua natureza e. Referidos princípios previstos no texto constitucional. prevalecendo. positivando-os. distinção esta brilhantemente realizada por Ronald Dworkin e Robert Alexy. sendo a nossa Constituição um exemplo da consagração de tais princípios. nada mais são do que uma de suas espécies. Giuliano Menezes 6 . em que inúmeros absurdos foram praticados sob o argumento de cumprimento à lei. posto que. convertidos em pedestal normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico dos novos sistemas constitucionais”. É importante ressaltar a distinção entre as espécies de normas (princípios e regras). É corrente hoje na moderna teoria do Direito Constitucional a distinção entre normas que são regras e normas que são princípios. Desta forma. CAPÍTULO 02 – PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 2. enfim.Direito Administrativo função administrativa de forma atípica. servem de fundamento a todo o ordenamento jurídico. principalmente após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto as regras são dotadas de um caráter “bem fechado”. ao comentar a evolução histórica da juridicidade dos princípios: “A terceira fase. sob a alegativa de obediência à lei. diante das respectivas situações fáticas. com um grande grau de especificidade. Os direitos fundamentais é que condicionam todo o ordenamento jurídico. Curso de Direito Constitucional.. Esclarecendo tal diferenciação. período em que a legalidade estrita serviu de esteio a um dos piores períodos da história do homem ocidental. Afasta-se assim de um apego formal e “cego” à lei. falando a doutrina em normas de tipo fechado (regras) e normas de tipos abertos (princípios). A outorga desta autonomia administrativa a estes Poderes (Judiciário e Legislativo) assegura uma independência maior dos mesmos na hora de exercerem a função típica de julgar e legislar. estas é que devem obediência àqueles. ao lado das regras. consequentemente. Os modernos textos constitucionais. os princípios são dotados de um alto grau de generalidade. que não podem jamais ser afastados. 8ª ed. que corresponde aos grandes momentos constituintes das últimas décadas deste século. As novas Constituições promulgadas acentuam a hegemonia axiológica dos princípios. que antes eram confundidas com o próprio conceito de norma. os princípios jurídicos foram “normatizados”. de forma crescente. consagram uma grande quantidade de princípios em seus textos. introduzindo-os em seus textos. sobre as regras.

como afirmado anteriormente. Giuliano Menezes 7 . mediante a aplicação de outras regras (de interpretação) tais como lex posterior derrogat legi priori ou lex specialis derrogat legi generali. que este prevalece sobre aquela. é comum. 2 GUERRA FILHO. a escolha de uma levará necessariamente à declaração de invalidade da outra. que dê suporte à incidência de norma jurídica. que incidem sobre situação jurídica determinada. e sim. Tratando-se de conflitos entre princípios. ou seja. na medida em que não se reportam. dois ou mais princípios colidam. 52-53 3 PONTES. que diante de um caso concreto. pelo diferente grau de abstração. conforme o seu maior ou menor grau de abstração ou concreção. se pode distinguir aqueles que se situam em diferentes níveis de abstração”. duas regras aparecem para o intérprete como igualmente aptas à regulação do caso. dentre os quais. A solução para referidas situações de conflito permite uma melhor diferenciação das normas. nos princípios. No patamar mais inferior.Direito Administrativo Willis Santiago Guerra Filho2 que. em relação aos princípios. enquanto conjunto de regras e princípios. pode continuar a ser concebida. Em suma. 1ª ed. Helenilson Cunha. e menor. aplicando-se a outra. “uma das características dos princípios jurídicos que melhor os distinguem das normas que são regras é sua maior abstração. abandonando-se todos os métodos clássico-liberais de solução de antinomias. então. pode-se diferenciar tais espécies. diante de um caso concreto. como a sentença. Willis Santiago. à qual se reporta a decisão judicial. quando para uma mesma situação de fato. colidem com outros princípios constitucionais. uma das regras é afastada pela perda de validade. Processo Constitucional e Direitos Fundamentais. ou ainda. Helenilson Cunha Pontes3 nos ensina que “duas regras jurídicas em oposição. resolve-se pelo aniquilamento de uma delas. especialidade e critério temporal). é inquestionável. contudo. isto é. pp. posto que as regras encontram seus fundamentos nos princípios. que estão na base do ordenamento jurídico. O fundamental é que o conflito entre regras reduz-se a uma questão de validade. em um ordenamento jurídico de estrutura escalonada (Stufenbau). Quando uma regra colide com um princípio. à la KELSEN. como formada por normas que se situam em distintos patamares. São Paulo : Dialética. pp 33-34 Prof. 1ª ed. O conflito entre duas regras. A nossa Constituição traz a previsão de inúmeros princípios jurídicos. O grau de abstração vai então crescendo até o ponto em que não se tem mais regras. há a colisão de duas regras.. a colisão entre uma regra e um princípio. Em outras ocasiões. ainda que hipoteticamente. com o maior grau de concreção. Os conflitos entre regras jurídicas resumem-se a uma questão de validade. maior. estariam aquelas normas ditas individuais.” Trata-se da aplicação das regras clássicas de soluções de antinomias (hierarquia.. nas regras. que em muitas ocasiões. princípios. A ordem jurídica. Considerando a natureza do princípio de grande generalidade. a solução é bem distinta. tais como a subsunção ou o método silogístico. reputando-se a outra como válida. São Paulo : Celso Bastos Editor. não referindo-se a um caso específico. a nenhuma espécie de situação fática. consubstanciam um conflito de regras. O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário.

em outra situação.. 34 GODOI. a lição de Marciano Seabra de Godoi5: “as colisões de princípios devem ser solucionadas de maneira totalmente diversa. cit.Direito Administrativo Neste caso. consiste em uma colisão de princípios. A precedência de um princípio em relação a outro deve ser aferida sempre diante das circunstâncias do caso concreto e do respectivo peso que cada um dos princípios assume diante dessas circunstâncias. Em face disso. sem prejuízo de. 119 6 In ob. 5º. A dimensão de peso inerente aos princípios jurídicos permite que as colisões entre eles resolvam-se segundo uma ponderação dos pesos dos princípios colidentes. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. prevaleça o outro princípio que fora afastado. Hoje. É importante 4 In ob. Mas isto não significa declarar inválido o princípio que deu lugar a outro nem que naquele deva ser introduzida uma cláusula de exceção.” É inquestionável. p. O que ocorre é que. perseguido por todos. prevalece um princípio em relação ao outro. da opção política feito pelo legislador. que resultam da própria estrutura do texto constitucional. além dos princípios expressamente previstos no texto constitucional. cit. p. Willis Santiago Guerra Filho6 que: “o traço distintivo entre regras e princípios por último referida aponta para uma característica desses que é de se destacar: sua relatividade”. o princípio que teve a sua aplicação afastada tenha que perder a sua validade. 2º do texto constitucional de 1988 segundo o qual: “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. por outro lado. que a solução das colisões de princípios só pode ser feita à luz do caso concreto. Helenilson Cunha Pontes4 ensina que: “A oposição entre princípios. As colisões entre princípios jurídicos resolvem-se segundo uma técnica de composição. Apenas. um dos princípios precede ao outro. este ser anulado. existem princípios implícitos. sem. por conseguinte. por isso.” No mesmo sentido. p. diante da possibilidade de colisão entre dois mais princípios previstos no texto constitucional. São Paulo : Dialética. Isto é o que se quer dizer quando se afirma que nos casos concretos os princípios têm pesos diferentes e que prima o princípio de maior peso. um deles deve ceder ao outro. Aqui a argumentação de Alexy é idêntica à de Dworkin. no entanto. sempre diante do caso concreto a ser solucionado. Igualdade e Direito Tributário. em que um dos princípios deve ceder diante do outro sem que. sob certas circunstâncias. afirma o Prof. obriga a uma análise do caso concreto. Inexiste a solução pré-determinada de caráter abstrato. simplesmente verificando se aquela situação fática adequase à hipótese abstrata prevista pelo legislador. bem como do disposto no art. Marciano Seabra de. a solução mais próxima do ideal de justiça. Ressalte-se ainda que. 45 5 Prof. Quando dois princípios entram em colisão. diante daquela situação fática prevalece um determinado princípio. 1ª ed. e sob outras circunstâncias a questão da precedência poderia ser solucionada de maneira inversa. mudadas as condições e ocorrendo semelhante conflito. Continuando em seu livro. sem que o princípio afastado perca a sua dimensão de validade. Justiça. par. Giuliano Menezes 8 .

ob. necessidade e proporcionalidade em sentido estrito. significando a relação entre o meio utilizado e o objetivo colimado. a dar prevalência a um princípio. cit. se o fim alcançado supera o prejuízo causado a outros interesses igualmente protegidos. 2. isto é. quais sejam: adequação. pois sem a sua utilização não se concebe como bem realizar o mandamento básico dessa fórmula. por sua vez. coletivos e públicos. 59 Prof. ou seja. se preconiza o recurso a um ‘princípio dos princípios’. Sintetizando a importância desse princípio. se para a solução de uma colisão de princípios. Giuliano Menezes 9 . A necessidade. existem vários meios. embora não esteja explicitado de forma individualizada em nosso ordenamento jurídico. apto à realização do fim colimado. de respeito simultâneo dos interesses individuais. procurando desrespeitar o mínimo ao(s) outro(s). afetando o mínimo possível o outro princípio colidente. Esse princípio.. um dos princípios em conflito. que determina a busca de uma ‘solução de compromisso’.3) Princípios da Supremacia e da Indisponibilidade do Interesse Público 7 In. implica na adoção do meio mais suave. o princípio da proporcionalidade. é uma exigência inafastável da própria fórmula política adotada por nosso constituinte. A proporcionalidade em sentido estrito é o núcleo do princípio da proporcionalidade. nos ensina Willis Guerra Filho7 que: “para resolver o grande dilema da interpretação constitucional. p. representado pelo conflito entre princípios constitucionais. deve-se buscar aquele que menor ofensa causar ao(s) outro(s) princípio(s). procurando não afetar o seu “núcleo essencial”. segundo a situação fática a ser solucionada. 2. ferindo-lhe seu ‘núcleo essencial’. a do ‘Estado Democrático de Direito’. ou seja. o princípio que “cede” em face do outro deve ser desrespeitado somente no que for necessário para a solução do caso concreto.2) Princípio da Proporcionalidade A solução para a colisão entre princípios previstos no texto constitucional deve ser feita de forma. e jamais lhe(s) faltando minimamente com o respeito. É corrente na doutrina a consideração de três aspectos do princípio da proporcionalidade. na qual se respeita mais. desrespeitando o mínimo possível o princípio colidente. o princípio da proporcionalidade é indispensável à correta interpretação constitucional que privilegia um princípio. aos quais se deve igual obediência.” Desta forma. por ser a mesma a posição que ocupam na hierarquia normativa. Pela adequação. que são resolvidos semelhantemente à colisão entre princípios expressos. exige-se que o meio utilizado seja adequado para o alcance do objetivo visado.Direito Administrativo destacar a possibilidade de colisão entre princípios explícitos e implícitos. aspectos estes que foram sendo desenvolvidos pela jurisprudência da Corte Constitucional Alemã. em determinada situação. ou seja.

É o interesse público superior ao interesse privado e. por exemplo. A esfera individual. sendo inerente à própria sociedade. 96). como. Deverá administrá-lo em conformidade com a lei e. no auge do Liberalismo. antes intocável.Direito Administrativo O professor Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que estes dois princípios norteiam toda a atividade administrativa. p. segundo sua vontade. consistindo sua obrigação a sua preservação. supremo e indisponível. posto que o agente público não terá a possibilidade de escolher o eventual parceiro do Estado. para a compra de bens pela Administração Pública demonstra cabalmente esta indisponibilidade do interesse público. Ademais. 170. Afinal. não se radica em dispositivo específico algum da Constituição. ainda que inúmeros aludam ou impliquem manifestações concretas dele. A exigência de licitação. ou seja. é importante ressaltar que o administrador público exerce um encargo público. a Administração Pública goza de inúmeras prerrogativas processuais quando está litigando judicialmente como prazos maiores para contestar e recorrer. o princípio em causa é um pressuposto lógico do convívio social”. Como afirma o Prof. O Estado pode compulsoriamente condicionar o interesse privado à satisfação do interesse público. verdadeiro titular do patrimônio público. Assim. No âmbito material. 27ª ed. da defesa do consumidor ou do meio ambiente (art. pode ser limitada em prol do interesse público. conseqüentemente. Edit. Em relação ao princípio da indisponibilidade do interesse público. referidos princípios constituem a essência do regime jurídico-administrativo. rito próprio para a execução dos seus créditos. Malheiros. dentre outros. É a própria condição de sua existência. Desta forma. Este princípio tem uma íntima relação com o Princípio da Legalidade. III. não. por exemplo. o administrador não tem a disponibilidade do referido interesse público. Não é a sua vontade Prof. como acontece em relação aos administradores privados. Elas aparecem como meios a fim de que o Estado consiga realizar o interesse público. o Estado não teria como realizar o interesse público. Segundo ele. V e VI). precatório judicial dentre outras prerrogativas. um “munus” público.. administra em nome e em favor do povo. posto que sem elas. ele não tem disponibilidade em relação ao patrimônio público. Giuliano Menezes 10 . imperatividade e autoexecutoriedade. Pode-se afirmar que referido princípio está implícito no ordenamento jurídico. duplo grau de jurisdição obrigatório em caso de decisão judicial desfavorável. decorrendo os demais princípios dos mesmos. Referidas prerrogativas se justificam. A Supremacia do Interesse Público justifica inclusive as diversas prerrogativas materiais e processuais asseguradas ao Estado. ou tantos outros. Celso Antônio Bandeira de Mello: “O princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado é princípio geral de Direito inerente a qualquer sociedade. posto que a lei é que vai determinar o norte de atuação do agente público. os princípios da função social da propriedade. tais como: presunção de legalidade. (IN Curso de Direito Administrativo. o regime jurídico-administrativo confere ao Estado diversos atributos ao ato administrativo.

do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da Legalidade. segundo sua vontade.Direito Administrativo individual que vai funcionar como seu guia de atuação. O agente público só pode fazer o que a lei permite que ele faça. Moralidade. Em seu artigo 37. 150. A competência administrativa é pré-definida. a Constituição Federal determina que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. Entre eles. normas estas que se impõem ao próprio Estado. No âmbito privado. No âmbito administrativo. I CF. no art. O servidor público administra o patrimônio público pertencente ao povo. qualquer atividade do administrador deve ser precedida de uma prévia autorização legal. ou seja. dentre outros. é o povo que legisla. 5º. Esse mesmo povo. Trata-se de legalidade estrita. É a vontade da lei que vai orientar a sua atuação administrativa. A legalidade na esfera administrativa deve ser vista de forma diversa da esfera privada. Publicidade e Eficiência. numa democracia representativa. 2. consagrando um capítulo inteiro à Administração Pública (Arts. A matriz do princípio esta no art. dos Estados. A sua atuação deve ser previamente precedida de uma lei. Prof. Sendo o povo o titular do poder. Giuliano Menezes 11 . não há espaço para a licitude: ou é legal ou ilegal. elege seus representantes que irão elaborar leis que determinam a atuação do servidor público. sendo repetido ao longo da Constituição no art 37.4) Princípio da Legalidade A Constituição Federal disciplina em vários artigos o regime jurídicoadministrativo. caput. ou seja. posso fazer o que a lei não proíbe. Impessoalidade. posto que é a lei que vai atribuir competência aos seus ocupantes. Esta é a razão pela qual os cargos públicos devem ser criados por lei. posto que em última instância. CF. É o princípio da legalidade que melhor caracteriza o Estado de Direito. PATRIMÔNIO PÚBLICO POVO Servidor Público Representantes LEIS É o Direito Administrativo um ramo do direito onde a legalidade é estrita. ou seja. há espaço para a licitude. “caput”. Só posso fazer o que a lei do meu cargo permite que eu faça. destaca-se o Princípio da Legalidade. o seu representante (administrador público) não tem a liberdade para agir. 19/98. este último acrescentado pela Emenda Constitucional n. 37-43). um Estado disciplinado por normas jurídicas. através de seus representantes.

Devidamente motivado. por exemplo. CF). servidores. 50 da lei n. posto que a atuação na esfera econômica só pode ocorrer por razões relevantes de interesse coletivo ou por razões de segurança nacional. O administrador deve sempre motivá-los. consegue identificar as razões que levaram o administrador público a praticar determinado ato administrativo. o povo. A impessoalidade está intimamente ligada à legalidade. 37. 9784/99 elenca diversos atos administrativos que devem ser motivados. A exigência da motivação funciona como instrumento de controle em relação às atividades do administrador. sendo pautada na legalidade. Contrata o administrador. até para facilitar o controle por parte do povo.7) Princípio da Finalidade e da Impessoalidade O administrador público deve ser impessoal. XXI. por exemplo. mediante uma prévia licitação. bem como para possibilitar o conhecimento por parte de todos dos atos administrativos que interessam aos administrados. mas contratando. Giuliano Menezes 12 . 173 da Constituição Federal).11) Princípio da Moralidade Hoje. através de concurso público. O devido processo legal é decorrência lógica dos princípios da segurança jurídica e da legalidade. O art. LV. 2. posto que a atividade do administrador. não beneficiando ninguém. que devem ser observadas pelo legislador e pelo administrador.9) Princípios da Ampla Defesa. A finalidade pública deve sempre ser o escopo do administrador. titular do patrimônio público. utilizando-se de todos os meios de prova para defender-se (princípio da ampla defesa) em processos administrativos (art.Direito Administrativo 2. Ainda que o Estado esteja realizando atividades econômicas (art. 2. do Contraditório e do Devido Processo Legal Cuida-se de princípios semelhantes aos que são exigidos em processos judiciais. podendo a parte opor-se ao que é afirmado sobre ela (princípio do contraditório). um particular. como determina a Constituição Federal no seu art.10) Princípio da Publicidade Os atos administrativos devem ser publicados em órgão oficial do ente estatal.8) Princípio da Motivação Os atos administrativos devem ser justificados. 5º. 2. independentemente de quem sejam “os candidatos”. 2. Apesar da Prof. assim como de um edital de concurso público aparecem como exemplos da aplicação deste princípio. não pode beneficiar ou prejudicar ninguém. A publicidade de um edital de licitação. busca realizar o interesse público. o legislador constituinte originário prevê várias exigências.

5. 2. LXXIII e art. surgiu o Estado Burocrático no final do século XIX e ao longo do século XX. CF). também chamado de princípio da jurisdição única. que mesmo diante de decisões desfavoráveis na esfera administrativa. há uma referência a este princípio. XXXV. se eventualmente. O critério que diferencia. nada foge ao controle do Poder Judiciário (art.15) Princípio da Eficiência O Poder Constituinte Derivado elevou este princípio a um nível constitucional. ou seja. O administrado pode propor uma ação judicial sem a necessidade de. desigual. Em um Estado regido por normas jurídicas. Em inúmeros artigos. para modificar as decisões administrativas. estas obrigam-no também. é vista como um tratamento igual de pessoas que se encontrem em situação igual e. deve ser responsabilizado.13) Princípio da Isonomia A exigência de um tratamento igual de pessoas que se encontram em situação igual é uma das grandes preocupações do legislador constituinte de 1988. que a Isonomia. 37. previamente. Nenhuma jurisdição administrativa pode. A moralidade funciona como um vetor que deve nortear a atuação e a interpretação do administrador público. 2. no entanto. atualmente. causa o Estado prejuízo a um terceiro. Não basta ser legal. não implica na necessidade de prévio esgotamento da instância administrativa. pela Lei Maior. Em nosso sistema. dentre outros) 2. de quem se encontre em situação desigual. que prevaleceu ao longo do século XIX (Brasil Império). Inexiste a “coisa julgada administrativa” para o administrado. teria inaugurado no Brasil o Estado Gerencial. dar a palavra final. pelos seus atos. patrimonialmente.14) Princípio da Responsabilidade do Estado Este princípio decorre diretamente do Estado de Direito. 2. que inseriu na Constituição o princípio da Eficiência. § 4º. tem que ser moral também. 19/98. 5º. Consagrado pela legislação infraconstitucional. podem ser identificados vários dispositivos que visam a proteção da Moralidade Administrativa (art. deve ser um critério razoável. Referido princípio. A emenda constitucional n. que busca Prof. pode socorrer-se do Poder Judiciário. no entanto. encontra-se o mesmo previsto de forma expressa na Constituição no “caput” do art. É importante ressaltar. Ao longo da Constituição Federal. na realização de suas atividades.12) Princípio da Inafastabilidade do Poder Judiciário. como requisito para a propositura de uma ação judicial. esgotar a via administrativa. cujo tratamento diferenciado seja exigido. sabe-se qual situação fática está de acordo com a moral ou não. Giuliano Menezes 13 .Direito Administrativo dificuldade de definir o que seja moral. Em substituição ao Estado Patrimonialista. 37. como meio à realização da justiça.

respeitados os direitos adquiridos. quando eivados de vícios que os tornem ilegais. posto que. Desta forma. 346. por exemplo. não tem o mesmo caráter absoluto. a apreciação judicial. que. porque deles não se originam direitos. As etapas legais de um procedimento administrativo. Os bens indispensáveis à sua prestação são intocáveis. O administrador só pode agir. como o precatório judicial. existindo outros meios.17) Princípio da Continuidade do Serviço Público Os bens que são afetados à prestação do serviço público são impenhoráveis em razão deste princípio. Pode-se elencar outros. não podem ser afastadas. além dos já citados. sua conduta é presumivelmente legal. 473. Outros princípios norteiam a atividade do Poder Judiciário e do Administrador. da Tutela. da Especialidade e da Hierarquia. tais como: da Proporcionalidade. eventualmente. Giuliano Menezes 14 . 2. Súmula n. por motivo de conveniência ou oportunidade. da Segurança Jurídica. SÚMULAS Súmula n. o interesse público não pode sucumbir perante os interesses privados de eventuais credores individuais. ou revogá-los. STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 1)Marque V ou F: A) O Direito Administrativo estuda somente os atos administrativos praticados pelo Poder Executivo. da Razoabilidade. quando previamente autorizado por lei. objetivando dar aos administrados uma resposta mais rápidas aos seus pleitos. em todos os casos. STF: A administração pode anular os seus próprios atos. 2.Direito Administrativo incorporar ao setor público métodos privados de gestão. Presunção esta que não é absoluta. Deve-se ressaltar. podendo ser afastada por prova em contrário do administrado que. não é possível. Prof. sob o argumento de dar maior eficiência à Administração Pública. quando da aplicação da lei administrativa. para satisfazer os interesses individuais em face do Estado. seja prejudicado com as atividades da Administração Pública. no entanto.16) Princípio da Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos A presunção de legitimidade dos atos administrativos é decorrência lógica do princípio da legalidade. afastar a legalidade. da Autotutela. como a licitação. O serviço público não pode ser afetado. como todo princípio. posto que. e ressalvada.

o que está sintetizado no princípio da (A) finalidade e coordenação para os Poderes Executivo e Legislativo. (D) exercício das atribuições parlamentares de cada Legislatura. (C ) legalidade. sendo lícito fazerse o que a lei não proíbe. 2º da Constituição impede a prática de atos administrativos pelo Poder Judiciário. podem eventualmente ser afastados por estados e municípios. (B) moralidade. 04) O Princípio da Inafastabilidade do Poder Judiciário: A) Impede a existência de contencioso administrativo B) Condiciona o acesso ao Poder Judiciário ao esgotamento das vias administrativas C) É o sistema adotado em nosso país. (B) controle externo atribuído a cada cidadão.D. 02) Para o setor privado predomina a autonomia da vontade. (E) publicidade e eficiência do Poderes Legislativo e Judiciário.A. em face de ser o Brasil um estado federal. (D) impessoalidade e razoabilidade dos Poderes Judiciário e Executivo. válido para os três Poderes Políticos em todos os níveis. E)O direito administrativo moderno limita-se ao estudo dos serviços públicos. em qualquer nível. no âmbito de cada um dos três Poderes Políticos. eventualmente. 05) Sobre o Princípio da Eficiência: Prof. através do mandado de segurança e da ação popular. em todos os níveis dos três Poderes. (C) trabalho de fiscalização que o Tribunal de Contas realiza sobre os atos dos três Poderes do Estado. presente nos três Poderes Públicos em qualquer nível. mas no âmbito do Poder Público todo ato administrativo pressupõe a existência de permissão legal. que. com relação aos atos dos Poderes Públicos Municipais. praticar atos administrativos. Giuliano Menezes 15 . (E) controle interno exercido sobre todos os atos administrativos. D) Os poderes Legislativo e Judiciário podem. 03) Entre os princípios básicos da Administração Pública está o de autotutela que consiste no (A) controle necessário por imposição constitucional. apesar da existência de cortes administrativas D) É imprescindível ao exercício do Poder de Polícia E)N. com relação aos três Poderes. efetuado pelo Poder Judiciário.Direito Administrativo B) A Separação dos Poderes prevista no art. C) A Constituição Federal elenca os princípios básicos da Administração Pública.

09) A Administração Pública não está apenas proibida de agir contra legem ou extra legem. publicidade e supremacia do interesse público.Direito Administrativo A) Pode eventualmente prevalecer sobre o princípio da Legalidade. afastando algumas fases da licitação. A. restritividade ou da legalidade estrita. moralidade e publicidade. supremacia do interesse público e legalidade. D. mas só pode atuar secundum legem. supremacia do interesse público. E)supremacia do interesse público. A. previstas em lei E)N. moralidade. legalidade e impessoalidade. moralidade. C) publicidade. publicidade. legalidade. Giuliano Menezes 16 . D) legalidade. por exemplo B) Afasta a necessidade de motivação do ato administrativo C) Implica na extinção dos recursos administrativos D) Objetiva dar maior celeridade à Administração Pública. Eis a consagração do princípio do(a) (Promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – 1997): A) B) C) D) discricionariedade. impessoalidade. desde que obedecidas as formalidades inafastáveis do ato administrativo. em condições normais C) Impede a existência de cargos de confiança D) Impede o uso privativo de bens por públicos por particulares E)N. 06) Princípio administrativo que autoriza a fiscalização por parte dos entes estatais quanto à realização dos fins para os quais foram criados os entes da administração indireta (controle finalístico) é oprincípio da: A) Autotutela B) Tutela C) Moralidade D) Motivação E)Legalidade 07) A Impessoalidade: A) Impede algumas exceções à indispensabilidade de licitação B) Impede a contratação direta de determinada pessoa sem concurso público para cargo de provimento efetivo. D. impessoalidade e moralidade. B) moralidade. condicionamento da administração Prof. 08) A Constituição Federal prevê expressamente Administração Pública (Promotor de Justiça/SP – 1997): como princípios da A) impessoalidade.

02 (CESPE – DETRAN/ES/Administrador/2010) O gestor público. 06) B. não há qualquer inconstitucionalidade em se conferir o nome de uma pessoa pública viva ao estádio. Giuliano Menezes 17 . segundo a qual ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 07) B. QUESTÕES CESPE DE FIXAÇÃO 01 (CESPE . Gabarito: 01) D. deve evitar favorecimentos. sob o fundamento de que tais atos configuram atuação do órgão e não do agente público. 05 (CESPE – BACEN/Procurador/2009) Segundo o STF. a Administração Pública manifesta-se exclusivamente no Poder Executivo. 10) E. respeitando o princípio constitucional da impessoalidade. D) no sentido orgânico. bem como o fomento à promoção pessoal de servidor público. 09) C. C) a Administração Pública. 02) C. 04) C. E) a Administração Pública materialmente expressa uma das funções tripartites do Estado. distinções ou direcionamentos em desacordo com a finalidade pública e que não estejam previstos em lei. 05) D. embora se reconheça a existência de promoção especial. B) o conjunto de órgãos e entidades integrantes da Administração é compreendido no conceito funcional de Administração Pública. fundada em ideais liberais. é correto afirmar (Procurador da Fazenda Nacional –1998 – ESAF): A) em seu sentido material. em seu sentido objetivo. 03 (CESPE – PGE/PE/Procurador/2009) De acordo com o principio da impessoalidade. 08) D. Nessa situação hipotética. 03) E. 04 (CESPE – TRF5/Magistratura/2009) Suponha que seja construído grande e moderno estádio de futebol para sediar os jogos da copa do mundo de 2014 em um estado e que o nome desse estádio seja o de um político famoso ainda vivo.MPE/AM/Promotor/2007) O princípio da legalidade no âmbito da administração pública identifica-se com a formulação genérica. é possível reconhecer a validade dos atos praticados por funcionário público irregularmente investido no cargo ou função. emenda inserida na constituição estadual que estabeleça subsídio mensal e vitalício para ex- Prof.Direito Administrativo 10) Sobre os conceitos de Administração Pública. a Administração Pública confunde-se com a atividade administrativa. não se manifesta no Poder Legislativo.

em seus dispositivos.Direito Administrativo governador e sua transferência ao cônjuge supérstite não afronta o princípio constitucional da impessoalidade 06 (CESPE – SEFAZ/AC/Auditor/2009) – A aplicação do princípio da segurança jurídica pode afastar o da mera legalidade 07 (CESPE – PGE/PB/Promotor/2008) – O princípio da eficiência. no ato. informações. 175 da Constituição Federal) ou exercer atividades econômicas (art. que justifiquem a atuação estatal na economia. Prof. decisões ou propostas. relevante interesse coletivo ou razões de segurança nacional. 173 da Constituição Federal). ou seja. 173. como forma de descentralizar a prestação de serviços públicos. evidentemente. posto que a organização estatal existe essencialmente para a realização do interesse público. admite a possibilidade do Estado prestar serviços públicos (art. A prestação de serviços públicos. como forma de suprimento da motivação do ato. em seu art. à sua concordância com anteriores pareceres. A própria Constituição Federal exige. consiste a área de atuação própria do Estado. 09 (CESPE – PGE/PE/Procurador/2009) – O princípio da hierarquia é aplicável quando o Estado cria pessoas jurídicas públicas administrativas. é possível a chamada motivação aliunde. em seu aspecto subjetivo. a mera referência. finalidade esta que é atingida também pelo fornecimento de serviços públicos aos administrados. posto que em países capitalistas. traduz a idéia de uma administração gerencial (adaptada). corresponde à conduta leal e honesta do administrado. Giuliano Menezes 18 . CAPÍTULO 03 – ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 3. O exercício de atividades econômicas ocorrerá de forma excepcional. 08 ( CESPE – PGE/PE/Procurador/2009) – O princípio da boa-fé está previsto expressamente na CF e. introduzido expressamente na Constituição Federal (CF) na denominada Reforma Administrativa. 10) (CESPE – TJ/RJ/Analista/2008) – Pelo princípio da motivação. a esfera econômica deve ser exercida essencialmente pelos particulares.1) Áreas de atuação estatal A Constituição Federal.

CF). razão pela qual continuam regidos por normas de direito privado na sua organização. A atuação na esfera econômica só é possível. os diferentes entes políticos (União Federal. o estado atua através de empresas públicas e sociedades de economia mista. CF) e o Tribunal de Contas da União exerce fiscalização sobre as suas contas (arts. determinando a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas em relação às obrigações civis. inciso II. Estas empresas estão sujeitas a um regime híbrido (público e privado). Estabelecendo a Constituição a base da organização do estado. CF). bem como de forma descentralizada. preocupa-se o Direito Administrativo com a organização e funcionamento diário dos componentes do estado. a flexibilização do regime público a estas empresas estatais que atuam na economia. com algumas semelhanças. CF) ou aos particulares (concessionários e permissionários de serviços públicos). inciso II. com a flexibilização do regime público. no entanto. o fato de prestarem serviços públicos não os colocam como entes da administração pública indireta. 3.Direito Administrativo A prestação de serviços públicos poderá ser feita de forma centralizada através dos órgãos públicos. Referidas empresas também são obrigadas a realizar concurso público (art. Distrito Federal e Municípios) se organizam de forma diferenciada. § 1º. tais como: licitação para transferir a execução de serviço público. incisos II e III. Giuliano Menezes 19 . porém com muitas diferenças. Os concessionários de serviços públicos não integram o estado. Na esfera econômica. 70 e 71. posto que a Constituição Federal expressamente admite no art. O próprio dispositivo constitucional supra citado determina a aplicação da licitação a estas empresas (art. transferindo a execução dos serviços públicos aos entes de administração pública indireta (ART. regendo-se por este regime misto. É natural que os estados do Acre. No entanto.2) Organização administrativa estatal A organização interna da Administração Pública constitui um dos principais objetos de estudo do Direito Administrativo. Organizam-se segundo regras públicas (concurso público. 173. CF). 37. no entanto. normas públicas quanto ao objeto (prestação de serviços públicos). regras privadas quanto ao objeto econômico (art. 37. é fundamental ressaltar que estas empresas não estão sujeitas a um regime exclusivamente privado. ou seja. 173. trabalhistas e tributárias. licitação. controle pelos Tribunais de Contas). inciso III. inciso II. controle do serviço pelas agências reguladoras. aplicando-se. do Ceará e de São Paulo tenham estruturas administrativas diferenciadas. fixação da tarifa cobrada. em função Prof. despersonalizados. 173. aplicando-se. § 1º. comerciais. Estados. XIX. Sendo o Brasil uma república federativa. Cuida-se de aplicação de legislação privada e pública.

populacional. representando a cúpula dos Poderes Estatais. político. os órgãos públicos são disciplinados de forma hierarquizada. que não é absoluta em função de encontrar-se logo abaixo do Órgão Independente. dentre outros. Fala-se em desconcentração administrativa quando ocorre a criação de órgãos públicos. ou seja. por sua vez. social. As classificações de órgãos públicos foram sistematizadas por Hely Lopes Meirelles: 1ª Classificação: Quanto à posição Hierárquica: Órgão Independente. quando existem. Tribunais do Poder Judiciário. tais como os Ministérios Prof.: Protocolos. Atualmente. tais como: Ministérios. Os órgãos superiores não gozam de autonomia administrativa e financeira. se limitam a cumprir ordens. São despersonalizados e subordinados ao ente central. fundação. Secretarias de Estado e de Município. Os órgãos Subalternos. 11107/05). Estados. Casas Legislativas. O órgão Autônomo. No entanto. 37. Estes órgãos têm uma atuação muito técnica. Geralmente são os órgãos que estão mais próximos dos particulares. Polícia Federal. A União Federal é a soma de seus órgãos públicos. entende-se que o órgão integra o próprio ente estatal (Teoria do Órgão). Os órgãos Simples são aqueles formados por um só centro de competência. A administração pública indireta. tais como Receita Federal. os mesmos têm poder decisório. tais como: Chefias do Poder Executivo. etc 2ª Classificação: Quanto à estrutura: Órgão Simples (Unitário) e Órgão Composto. Ex. é composta por entes dotados de personalidade jurídica. XIX. por sua vez. A administração pública direta é formada pelos entes políticos (União. Não se subordina a nenhum outro órgão administrativo. O órgão Independente são aqueles que se encontram no grau mais elevado da hierarquia administrativa. Não decidem nada. ao passo que os órgãos Compostos são formados por vários órgãos subordinados. são órgãos sem nenhum poder decisório. Giuliano Menezes 20 . etc. Autônomo. cultural e geográfico A administração pública divide-se em administração pública direta e indireta. ou seja. Os órgãos públicos caracterizam-se pela inexistência de personalidade jurídica própria. vem um degrau abaixo do órgão Independente. Distrito Federal e Municípios) e seus respectivos órgãos públicos. CF). com personalidade jurídica de direito público (Lei n.Direito Administrativo das realidades distintas dos mesmos sob o aspecto econômico. gozando de autonomia administrativa e financeira. Originam-se da Constituição Federal. empresa pública e sociedade de economia mista (art. além dos consórcios públicos. quais sejam: autarquia. Superior e Subalterno. Procuradorias. sendo subordinados aos órgãos Autônomos. São órgãos meramente executórios.

para executar atividades da Administração Pública que requeiram. 100. ou seja. INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Seus bens são impenhoráveis em função de estarem sempre afetados ao interesse público. CF). Goza das mesmas prerrogativas dos entes federativos. concurso público. bem como sujeição ao pagamento de seus débitos através de precatório judicial (art. O ente autárquico. apresenta-se como o ente mais próximo do ente central. Giuliano Menezes 21 . CF). dotados de personalidade jurídica própria. tais como: licitação. 150. VI. Os órgãos Colegiados. não são subordinados ao ente central. são beneficiadas pela imunidade recíproca (art. Os órgãos Singulares são aqueles órgãos em que uma só pessoa tem poder de decisão. razão pela qual a interferência do ente político sobre um ente da administração indireta só ocorrerá em caso de afastamento da finalidade legal para a qual ele foi criado. etc. § 2º. em função de ser dotado de personalidade jurídica própria. de vinculação. os entes da administração indireta gozam de autonomia administrativa. Seus atos são atos administrativos e. Ex. patrimônio e receita próprios. está a autarquia sujeita a um regime público. uma só pessoa fala em nome do órgão.: Tribunal Administrativo. Ex. mas. externam a sua vontade através de várias pessoas. ou seja. com personalidade jurídica. por sua vez. conseqüentemente. são presumivelmente legais. São vinculados ao ente federativo respectivo. A relação entre eles não é de subordinação. gestão administrativa e financeira descentralizadas” Criada por lei (art. 188 do Código de Processo Civil). CF). IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). 37 XIX. A autarquia. para seu melhor funcionamento. tem patrimônio próprio e é criado para o exercício de funções típicas do Estado. a c/c art. controle finalístico exercido pelo ente Prof. pessoa jurídica de direito público. O Decreto-lei 200/67 assim define: autarquia é “o serviço autônomo criado por lei. Ex. de coordenação. Os entes da administração indireta.Direito Administrativo 3ª Classificação: Quanto à composição: Órgãos Singulares (Unipessoais) e Colegiados (Pluripessoais). diversas pessoas têm o poder constitucional ou legal para falar em nome do órgão público respectivo. os prazos processuais são diferenciados (art. O controle feito pelo ente central liga-se ao cumprimento das finalidades que justificaram a criação do respectivo ente (controle finalístico ou princípio da Tutela). pessoa distinta do ente central.: INSS (Instituo Nacional do Seguro Social). ou seja. 150.: Presidência da República. Este controle finalístico é essencial para verificar se referida entidade administrativa está cumprindo a finalidade legal para a qual ela foi criada. UFC (Universidade Federal do Ceará).

licitação e regulação dos serviços públicos executados por particulares são transferidas do estado para a agência reguladora. Existem algumas autarquias que sujeitam-se a um regime especial. que. beneficiando-se com a duplicação dos limites de dispensa de licitação. posto que as atividades de fiscalização. IBGE. como ocorre com o Banco Central. As fundações estatais. como dispõe o § único do art. o DNOCS. As empresas públicas e sociedades de economia mista também integram a Administração Pública Indireta. as Agências Reguladoras. Giuliano Menezes 22 . são organizadas sob a forma de autarquias. a ANP (Lei 9478/97). Podem ser citadas como exemplos a ANEEL (Lei 9472/97). assim como a Lei 10871/04.Direito Administrativo central e controle externo exercido pelos Tribunais de Contas. Nesse grupo de autarquias. lhes conferem maiores prerrogativas. surge a necessidade de descentralizar o gerenciamento dessa nova forma de prestação dos serviços públicos. gozam de algumas prerrogativas. chamadas de “autarquias sujeitas a um regime especial”. mesmo sujeitas ao regime jurídico próprio das autarquias. São criadas para a execução de atividades próprias do ente central. o Banco Central. posto que cada uma delas foi criada por uma lei específica. a ANATEL (Lei 9472/97). administração. feita por particulares. A agência reguladora resulta da descentralização do estado. A função dessas agências alcança hoje até mesmo o exercício de atividades econômicas. dentre outras. 8666/93. geralmente. FUNASA. 9649/98 e Decreto n. a estabilidade maior dos seus dirigentes. ou seja. tais como o processo de escolha dos seus dirigentes. 2487/98). posto Prof. podem ser incluídas as Agências Reguladoras. a Universidade Federal do Ceará (UFC). Exemplo: FUNAI. 24 da Lei n. A Lei 9986/00 disciplina algumas normas gerais comuns às agências reguladoras no âmbito federal. o IBAMA. sendo pessoas jurídicas de Direito Privado. Em função da opção dos últimos governos de delegar a prestação de serviços públicos a particulares (concessão e permissão de serviços públicos). Embora não exista lei alguma disciplinando de forma uniforme referidas agências. A doutrina administrativa diverge a respeito de sua natureza jurídica. prevalecendo o entendimento de que poderiam ser pessoas jurídicas de direito privado e de direito público. o IJF dentre outras. juntamente com as autarquias podem se qualificar como agências executivas (Lei n. São exemplos de autarquias: o INSS. As fundações públicas (Lei nº 7596/87) também integram a administração pública indireta. aplicando-se às mesmas regras específicas.

sendo necessário o arquivamento dos seus atos constitutivos para que adquiram personalidade jurídica própria. CF). 37. Devese ressaltar ainda que há diferença entre as duas em relação ao foro competente para julgar ações judiciais contra as mesmas. 11107/05 disciplina a criação de Consórcios Públicos. que litigam na justiça estadual. posto que a sociedade de economia mista somente pode organizar-se sob a forma de sociedade anônima e a empresa pública pode organizar-se de outras formas. ressaltando o fato de ser uma entidade não integrante do Estado. que resultam da convergência de interesses dos entes federativos (União. inúmeras súmulas do STF (Súmulas n. sendo que neste último caso (direito Público) integram a Administração Indireta de todos os entes consorciados. XIX. não alcançando as sociedades de economia mista federais. posto que sujeitam-se à Justiça Estadual. formada pelos órgãos públicos e da administração indireta. Os consórcios públicos de direito privado.107/05. Prof. I. 11. deverão atender os requisitos da lei civil. A Lei n. não integram a administração pública indireta dos entes consorciados. Esta distinção não existe entre as empresas públicas e sociedades de economia mista estaduais e municipais. transcritas no final deste capítulo. Exemplos de Empresa Pública: ECT (Empresa de Correios e Telégrafos). Giuliano Menezes 23 . 109. no entanto. etc). CEF (Caixa Econômica Federal). 6º. 508 e 556) e do STJ (Súmula n. que para existirem. § 2º da Lei n. Distrito Federal e Municípios) para a execução de serviços públicos comuns aos mesmos. Exemplos de Sociedade de Economia Mista: Petrobrás. Há de se ressaltar que ao lado da administração direta ou centralizada. Referidos consórcios podem ser pessoas jurídicas de direito privado e pessoas jurídicas de direito público. CF). cumprir regras públicas no que diz respeito aos contratos e licitação. Estados. também chamadas de entidades que atuam em colaboração com o Estado ou ainda pessoas públicas não estatais. mas que visa realizar um fim público. Seus empregados são celetistas A diferença entre elas reside basicamente na composição do capital (100% público na empresa pública e misto – público e privado na sociedade de economia mista) e na organização societária. posto que a Constituição Federal reserva o foro federal (Justiça Federal) apenas em relação às empresas públicas federais (art. Nesse sentido. apresentando-se como um novo ente estatal ao lado de autarquias. devendo. Banco do Brasil.Direito Administrativo que a lei específica apenas autoriza a criação das mesmas (art. formada pelas entidades estatais. LTDA. do ponto de vista societário (S/A. nos termos do art. fundações. existem as entidades do terceiro setor ou paraestatais. aos concursos públicos e controle de gastos (prestação de contas). 42). empresas públicas e sociedades de economia mista.

que a autoriza a defender os seus interesses em juízo. legalmente. como saúde (art. Súmula n. Giuliano Menezes 24 . capacidade processual” (TJ-BA. Prof. 9478/97. STF: É competente a Justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista. CF). 64 e 65 da Lei n. que autorizam a PETROBRÁS à criação de subsidiárias. 24. Súmula n. Min. posto que: “o requisito da autorização legislativa (CF. Rel. na consecução do interesse público. É titular de direitos subjetivos. Súmula n. 37. 508. Tem. não sendo necessária a edição de lei especial para cada caso”.Informativo STF n. a par de ser órgão com autonomia financeira expressa no orçamento do Estado. STJ: Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar reclamação de servidor público relativamente a vantagens trabalhistas anteriores à instituição do regime jurídico único. ApCív n. o que lhe confere a chamada ‘personalidade judiciária’.Direito Administrativo As entidades paraestatais não integram a administração pública. 03/09/1997) A criação de subsidiárias de estatais não depende de lei específica. Pleno. atuando em serviços não exclusivos do estado.417-7. STF: As sociedades de economia mista só tem foro na Justiça Federal. 42. set/2000). Civ. 4 Câm. 1649-DF (MC). 97. 517. O objeto da discussão era a interpretação dos arts. julg. Súmula n. 516. etc. em ambas as instâncias. as Organizações Sociais (Lei nº 9637/98) e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Lei nº 9790/99).. São parceiros do estado na realização do interesse público. 201. Auxiliam o estado. SÚMULAS Súmula n. STF: Compete à Justiça Estadual. mediante parceria. art. 1999. quando a União intervém como assistente ou opoente. processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S/A Súmula n.). (ADIN n. Podem ser citados como exemplo os Serviços Sociais Autônomos (SESC. Maurício Corrêa . 556. de independência organizacional. JURISPRUDÊNCIA “A Assembléia Legislativa Estadual. goza. STF: O Serviço Social da Indústria – SESI – está sujeito à jurisdição da Justiça Estadual. Não são pessoas estatais. XX) acha-se cumprido. SESI. SENAI. pois. STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes em seu detrimento.

empresa pública federal. 1717-DF. nos Estados-membros. 16 do Código Civil. Rel. com a EC n. O Supremo Tribunal Federal decidiu que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). são fundações de direito público. na verdade. que assumem a gestão de serviço estatal e se submetem a regime administrativo previsto. jun/04). Este art. Min. por leis estaduais. (RE n. portanto. O Supremo Tribunal Federal determinou que: “nem toda fundação instituída pelo Poder Público é fundação de direito privado. out/2001). Giuliano Menezes 25 . 163 – set/99. EXERCÍCIOS 01) A Administração Pública. da CF.Direito Administrativo Autarquias interestaduais: “Não há a possibilidade de criação de autarquia interestadual mediante a convergência de diversas unidades federadas”. 58 e parágrafos da Lei n. a) as concessionárias de serviço público em geral b) as universidades federais que são fundações públicas c) as organizações sindicais d) os chamados serviços sociais autônomos (Senai. 148. Min. Moreira Alves – Informativo STF n. 101. por se tratar de prestadora de serviço público exclusivo do Estado (RE 407. 150. 247.) e) os partidos políticos Prof. 58 afirmava que os conselhos profissionais seriam pessoas jurídicas de direito privado.126-RJ. pessoas jurídicas de direito público.099-RS. “a”. 37) e na legislação pertinente (Decreto-Lei no 200/67. Min. Rel. instituídas pelo Poder Público. Tais fundações são espécies do gênero autarquia. As fundações. fazendo jus às vantagens insertas no art. além dos órgãos estatais e de diversos tipos de entidades abrange. com o fim de prestar assistência social à coletividade. chamadas comumente de autarquias profissionais. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. A referência ao art. Fundação instituída pelo Poder Público. e. (Ação Cível Originária n. através de lei. aplicando-se a elas a vedação a que alude o parágrafo 2 do art.99 refere-se à Constituição de 1967. Pleno. 188 do CPC. 9649/98 (ADIN n. VI. Carlos Velloso – Informativo STF n. Rel. Rel.521-PE. também. 503-RS. tratando-se. Min. exerce atividade eminentemente pública. DJ 14/09/1998. 99 da Constituição Federal”. Adhemar Maciel). “Fundação – Pessoa Jurídica de Direito Público – Efeitos. Em função do julgamento do STF voltaram a ter a natureza de autarquias. 353. Sidney Sanches – Informativo STF n. Min. como tal prevista na Constituição Federal (art. 2 Turma. Moreira Alves). com alterações supervenientes). de pessoa jurídica de direito público. pelo que não é regida pelo inc. Senac etc. está abrangida pela imunidade tributária recíproca prevista no art. (Resp n. 01/69. I do art. 2 turma.

1) Sabendo que o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO). 2) Tendo o Departamento de Polícia Federal (DPF) criado. portanto. tramitando na justiça federal. julgue os seguintes itens (V ou F).Direito Administrativo 02) As autarquias e as empresas públicas. se exercer atividade econômica e) varia de acordo com o objeto de sua atuação. que tem a natureza de empresa pública. 04) Os órgãos públicos são (V ou F): a) b) c) d) e) despersonalizados integrantes da Administração Pública eventualmente. possui. nesse caso. é correto afirmar que o DPF praticou a desconcentração administrativa. 3) O Ministério Público Federal é órgão da União sem personalidade jurídica. sem personalidade jurídica própria c) pessoas jurídicas de direito público interno d) pessoas jurídicas de direito privado e) pessoas ou entidades políticas estatais 03) Acerca dos mecanismos de organização administrativa. descentralização administrativa. tramitando na justiça estadual. é correto afirmar que a União praticou. com personalidade jurídica própria b) pessoas administrativas. como integrantes da Administração Federal Indireta. mantém-se relação de hierarquia entre o Estado e os órgãos e pessoas jurídicas dela surgida. natureza autárquica. 4) As pessoas jurídicas integrantes da administração pública indireta constituem um produto do mecanismo da desconcentração administrativa. dotados de personalidade jurídica resultado da descentralização administrativa 05) Uma ação proposta contra empresa pública federal: a) tramita na Justiça Federal b) tramita no mesmo juízo das ações propostas contra a sociedade de economia mista federal c) tramita na justiça estadual d) varia de acordo com o objeto de sua atuação. se prestar serviços públicos 06) A descentralização administrativa: a) resulta na entrega de funções estatais à entes despersonalizados Prof. 5) Tanto na descentralização quanto na desconcentração. dotados de capacidade processual eventualmente. Superintendências Regionais (SRs/DPF). Giuliano Menezes 26 . equiparam-se entre si pelo fato de que ambas são a) pessoas administrativas. nos estados da Federação. foi criado porque a União concluiu que Ihe conviria criar uma pessoa jurídica especializada para atuar na área de informática.

a elas são aplicáveis as hipóteses de imunidade tributária previstas na Constituição c) submetem-se integralmente às normas de direito privado d) submetem-se integralmente às normas de direito publico e) N. de órgão colegiado. D. as empresas públicas e as autarquias. submetem-se ao princípio da exigibilidade da licitação.F 04) V. 08) E.V.F. c) assim como as sociedades de economia mista. e) as empresas públicas e as sociedades de economia mista não se regem integralmente pelas normas de direito privado. Esses são exemplos. elas. 09) Acerca dos órgãos públicos e da organização administrativa.V. exceto: a) Empresa Pública b) Fundação Autárquica c) Autarquia d) União Federal e) Distrito Federal 08) Em relação às empresas estatais que realizam atividade econômica. pode-se afirmar que: a) a Constituição não exige justificação alguma para o Estado atuar na economia b) em regra.F. simples e composto.F. d) a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e a Fundação Nacional de Saúde (FNS) são exemplos de entes que desempenham serviço público. são centros de competência constituídos por diversos órgãos subalternos. exceto os da Justiça Militar. na órbita federal. A. GABARITO: 01) B. respectivamente.F 05) A 06) C 07) A.F. 09) F. são órgãos estatais titulados por uma só pessoa. o Conselho de Recursos da Previdência Social é órgão cujas decisões são tomadas pelo voto do conjunto de seus membros. b) a doutrina administrativa mais recente firmou o entendimento de que todas as fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público têm natureza de autarquia.Direito Administrativo b) c) d) e) é sinônimo de desconcentração objetiva uma melhor prestação dos serviços públicos só pode ocorrer entre entes políticos implica na entrega de funções às autarquias e aos seus órgãos 07) São Pessoas Jurídicas de Direito Público. julgue os seguintes itens (UNB – Delegado da Polícia Federal/1998): a) os ministérios. 02) A. 03) V. assim como as demais fundações públicas.V.F. Giuliano Menezes 27 .V.V Prof. as fundações públicas só podem ser criadas por lei específica. os juízos de primeiro grau.

C burocráticos são aqueles que estão a cargo de uma só pessoa física ou de várias pessoas ordenadas verticalmente. D subalternos são órgãos de direção. para verificação do cumprimento das metas estabelecidas. Direito administrativo. controle e comando. Prof. Eles gozam de autonomia administrativa e financeira. com estrutura e atribuições definidas em lei.a ed. é correto afirmar que os órgãos públicos. mas sujeitos à subordinação e ao controle hierárquico de uma chefia. Considerando o texto acima como referência.PCRN/2009) A existência de órgãos públicos. 2008. C independência da entidade para escolha dos próprios dirigentes.Direito Administrativo QUESTÕES CESPE DE FIXAÇÃO 78. para resguardar o interesse público.Escrivão Substituto. Maria Sylvia Zanella Di Pietro. A existência de uma organização e de uma distribuição de competências são atualmente inseparáveis da ideia de pessoas jurídicas estatais. B obrigatoriedade da existência de contrato de gestão. Giuliano Menezes 28 . mas sujeitos à subordinação e ao controle hierárquico de uma chefia. E autônomos não gozam de autonomia administrativa nem financeira. 21. 481 (com adaptações). B autônomos são originários da Constituição e representativos dos três poderes do Estado. corresponde a uma necessidade de distribuir racionalmente as inúmeras e complexas atribuições que se incumbem ao Estado nos dias de hoje.Direito. 79. São Paulo: Atlas.AC/2009) O controle exercido por órgãos da administração direta sobre a administração indireta apresenta uma série de peculiaridades..TCE. (CESPE. (CESPE.Analista do Controle Externo. controle e comando. as quais incluem a A subordinação hierárquica da entidade ao ministério ou secretaria a que as atividades se relacionem. p. sem qualquer subordinação hierárquica ou funcional. D possibilidade de intervenção sob determinadas circunstâncias. A superiores são os de direção.

Delegado de Polícia. eventualmente. E III e V. B Considere a seguinte situação hipotética. II A criação de uma fundação pública se efetiva com a edição de uma lei específica. empresa pública federal que presta serviço público aeroportuário em regime de monopólio. relativos à administração direta e indireta.PCPB/2009) Acerca do regime jurídico dos órgãos e das entidades que compõem a administração pública direta e indireta. C II e IV. III Cabe à lei complementar definir as áreas de atuação das fundações públicas. I As empresas públicas e as sociedades de economia mista são criadas por lei específica. O município de João Pessoa pretende receber o Imposto Sobre Serviços (ISS) da INFRAERO.PCPB/2009) Julgue os itens subsequentes. conforme entendimento do STJ. caberá ao respectivo tribunal regional federal julgar o referido mandado de segurança.Direito Administrativo E faculdade incondicional de recurso à administração direta. Estão certos apenas os itens A I e II. (CESPE. criadas sob a forma de sociedades anônimas para o exercício de atividade econômica ou. (CESPE. 81. a prestação de serviços públicos. assinale a opção correta. A Caso uma empresa pública federal impetre mandado de segurança contra ato do juiz de direito do estado da Paraíba. Giuliano Menezes 29 . quanto às decisões dos dirigentes da entidade. D III e IV. 80. V O regime jurídico das empresas públicas e sociedades de economia mista é de caráter exclusivamente privado. IV As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado. B I e V.Perito Oficial Criminal. em face dos Prof.

E Os conselhos de profissões regulamentadas. por meio de convênio. As entidades de apoio são pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos. em regra.Advogado da União/2009) Relativamente à administração indireta. mas apenas a administração direta da União. Nesse caso. ____ 84. Por sua vez. é uma autarquia pública em regimeespecial e se submete ao controle do TCU. Não se confundem os conceitos de agência reguladora e de agência executiva. os serviços sociais autônomos são entes paraestatais. são pessoas jurídicas de direito privado. caracterizando-se esta última como a autarquia ou fundação Prof. dos estados. As agências reguladoras são autarquias sob regime especial. regra geral. as quais têm. de cooperação com o poder público. conforme entendimento do STF. a função de regular e fiscalizar os assuntos relativos às suas respectivas áreas de atuação. a associação pública integrará a administração indireta de todos os entes da Federação consorciados. C Os órgãos subalternos. D A OAB.Advogado da União/2009) Relativamente aos consórcios públicos. Giuliano Menezes 30 . ____ 82. Nessa situação. têm capacidade para a propositura de mandado de segurança para a defesa de suas atribuições. em caráter privado.Advogado da União/2009) Acerca do denominado terceiro setor. julgue o item seguinte. Tais entidades mantêm vínculo jurídico com a administração pública direta ou indireta. já que a imunidade recíproca não atinge as empresas públicas. A União somente participará de consórcios públicos de que também façam parte todos os estados em cujos territórios estejam situados os municípios consorciados. (CESPE . mediante a vigência das leis de ratificação do protocolo de intenções. No caso de constituir associação pública.Direito Administrativo serviços prestados. (CESPE . a pretensão do município deve ser atendida. ____ 83. associação ou cooperativa. como o CREA e o CRM. de serviços sociais não exclusivos do Estado. prestando serviço público delegado pelo Estado. julgue o item que se segue. sobre os quais não incide ICMS. bem como as suas autarquias e fundações públicas. do Distrito Federal e dos municípios. julgue o item seguinte. o consórcio público adquirirá personalidade jurídica de direito público. (CESPE . tendo por objeto a prestação. conforme entendimento do STF. que podem ser instituídas sob a forma de fundação.

____ 86.ANATEL/2009) Julgue os itens a seguir.Direito. seus atos estão sujeitos à revisão pelo ministério a que se acha vinculada. Giuliano Menezes 31 . relativamente à ANATEL. para melhoria da eficiência e redução de custos. que eles somente podem perder nas hipóteses expressamente previstas. aos estados. aos dispositivos constitucionais relacionados ao setor de telecomunicações e à concessão de serviço público. Os dirigentes da ANATEL possuem estabilidade. garantida pelo exercício de mandato fixo. ____ 85. ao Distrito Federal e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio. Prof. É vedado à União. ____ 87.Especialista em Regulação de Serv. Por ser a ANATEL uma autarquia de regime especial. a renda e os serviços vinculados às finalidades essenciais da ANATEL ou delas decorrentes.Direito Administrativo que celebra contrato de gestão com o órgão da administração direta a que se acha hierarquicamente subordinada.. afastada a possibilidade de exoneração ad nutum. (CESPE .