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PÚBLICO•QUINTA-FEIRA, 20 NOV 2003

ANA admite estacionar aviões na Galiza durante o Euro 2004
A ANA encara a hipótese de utilizar a Base Aérea de Cortegaça ou aeroportos espanhóis, nomeadamente galegos, para fazer a hangaragem de aviões numa situação limite de sobrecarga do Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, no Porto, durante o Euro 2004. A empresa que gere os aeroportos comerciais portugueses frisa que o do Porto tem capacidade para assegurar o acréscimo previsto de tráfego aéreo associado à competição, mas prevê o cenário alternativo nem que seja como solução de recurso. De qualquer forma, a medida funcionará apenas para o estacionamento das aeronaves, nunca para o desvio de passageiros. “Estamos em negociações avançadas com a Base Aérea de Cortegaça [em Ovar] e alguns aviões poderão, eventualmente, estacionar em Vigo ou na Corunha, mas todos vão aterrar no Porto”, garantiu ao PÚBLICO o porta-voz da ANA, Rui de Oliveira, que deu como exemplo de uma situação semelhante o deslocamento de aviões de Sevilha para Faro durante a final da última Taça UEFA. O esclarecimento surge na sequência das críticas da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA), que voltou ontem a referir que a falta de um corredor paralelo a toda a pista de aterragem no Aeroporto Francisco de Sá Carneiro poderá acarretar problemas de segurança quando combinado com o aumento de tráfego aéreo esperado durante o Euro 2004. Segundo o presidente daquela entidade, Salvador Sottomayor, o facto de o “taxiway” do aeroporto se limitar a metade da pista obriga um avião de maior porte a monopolizar a via durante longos minutos. “Ele terá de ir até ao fim da pista, dar lentamente a volta, regressar até meio e, então, sair para o ‘taxiway’. Entretanto, vários aviões têm de esperar no céu pela sua vez”, declarou o piloto à agência Lusa, para quem a existência de um corredor paralelo ao longo de toda a pista permitiria o encaminhamento instantâneo para fora dela e, de imediato, uma nova aterragem. A crítica, de resto, incide mais no factor segurança, que, segundo a APPLA, poderá estar comprometida pelo perigo de cruzamentos entre os aviões que esperam pela autorização de descolagem na saída do “taxiway”, a meio da pista, e os que se encontram a utilizá-la, “uma situação que piora em dias de nevoeiro, comuns no Porto”. Rui de Oliveira refuta a apreciação dos associação dos pilotos e garante que a segurança está garantida, desde que toda a gente “cumpra os procedimentos”. O representante da ANA referiu ainda será pavimentada “de propósito” uma pista velha que duplicará a actual capacidade de estacionamento (35 lugares) e lembrou que a construção do “taxiway” está prevista e foi anunciada na altura da apresentação do novo projecto para o aeroporto do Porto, actualmente em construção. “O ‘taxiway’ estará pronto em 2007”, prometeu. ■ MANUEL ASSUNÇÃO com Lusa

A polícia procura os “hooligans” e a FSF ajuda os adeptos

Conquistar o coração dos portugueses
Os dois principais grupos de adeptos ingleses consideram que o Euro 2004 vai ser um sucesso e apostam “em grande” na preparação do evento. “Sabemos que temos uma má reputação e queremos conquistar o vosso coração. A maioria dos adeptos ingleses gosta, acima de tudo, de ver bom futebol, pois são apaixonados pelo desporto e pela sua equipa”, disse o entusiasmado Mark Perrymen, responsável pela organização que pertence à Federação Inglesa de Futebol, England Fans. Esta associação, que contabiliza 17 mil membros, destina-se essencialmente à venda de bilhetes para jogos da selecção inglesa. A Football Supporters Federation (FSF) é uma organização independente das autoridades de futebol e é baseada na filiação, contando com mais de cem mil membros de diversos clubes em Inglaterra e no País de Gales. De acordo com Kevin Miles, coordenador internacional da FSF, é garantido que um grande número de adeptos ingleses irão a Portugal. “A nossa missão é que eles tenham toda a informação necessária para que possam aproveitar o torneio e relaxar.” “É que a maior parte dos ingleses irão a Portugal para umas férias futebolísticas. Devem misturar-se com outros fãs, beber muita cerveja, terão as suas bandeiras e farão muito barulho a apoiar a equipa, deverão ser os adeptos mais barulhentos do Euro 2004”, acrescenta Miles. Para este adepto, essa relação com autoridades portuguesas começou no grupo de trabalho para a Prevenção da Violência no Desporto do Conselho da Europa, do qual fez parte. “Somos uma organização de campanhas, fazemos a campanha dos interesses dos adeptos normais de futebol. Opomo-nos à violência, ao racismo, mas também nos opomos ao preço dos bilhetes ser muito alto, opomo-nos ao mau policiamento e queremos ver bom tratamento aos adeptos”, explicou o responsável da FSF, que deu o exemplo da “brutalidade policial” que houve num jogo realizado este ano na Eslováquia. Esta organização recebe dinheiro do Governo britânico, mas actua de forma independente. Para o responsável da FSF, esta “independência” deve-se à estratégia governamental de “multi-agency”, na qual a polícia procura os “hooligans” e a FSF presta ajuda aos adeptos normais para aproveitarem o torneio, representando-os junto do Governo inglês, de governos estrangeiros e respectivas autoridades. Ainda segundo Kevin Miles, a Football Supportters Federation foi a criadora do serviço de apoio para adeptos, “fan embassy” (ver P&R), que começou no Mundial de Itália de 1990. Depois disso, organizações de adeptos alemães fizeram um serviço semelhante. “Desde aí temos feito esse serviço em todos os grandes torneios e agora fazêmo-lo em todos os jogos de Inglaterra”, referiu . No início do Euro 2004, quando estiver activa a “fan embassy”, a FSF vai produzir uma revista, uma edição para cada jogo que Inglaterra jogue, e que “terá informação sobre toda a cidade, também sobre o jogo, onde ir, onde ficar, como viajar, onde comer e beber, etc”, recisa Miles. Também será fornecida informação sobre as legislação local, que Potugal irá disponibilizar. Haverá uma presença física no local, através de um veículo identificado como “fan embassy”, que de acordo com a FSF estará estacionado permanentemente em cada uma das cidades onde Inglaterra jogue. “Vamos desenvolver um sítio na Internet, com toda a informação útil que vai ser lançado na Primavera”, disse ao PÚBLICO Kevin Miles. ■ J.T.