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Charlot: Enquanto houver professores - os universais da situação de ensino

O Autor se propõe a enunciar premissas universais existentes na situação de ensino, que
teoricamente independem da cultura e situação escolar. O objetivo não é levantar conclusões
sobre esses universais, mas sim levantar o debate acerca desses universais.
Universal número 1: A dialética da interioridade e da exterioridade está sempre presente.
Antes de explicar esse universal, o autor parte da seguinte premissa: “A educação é o processo
pelo qual o pequeno animal que é gerado por homens se torna ele mesmo humano,
apropriando-se de uma parte do patrimônio humano.”
A interioridade refere-se a condição de educabilidade do filhote humano. A exterioridade referese ao mundo externo que educa esse ser humano. A existência dessas duas condições
indissociáveis para que a educação ocorra é caracterizada como um universal. Essas
condições devem existir sempre que um processo de educação acontecer, em qualquer lugar.
Universal número 2: Uma aprendizagem só é possível se for imbuída do desejo
(consciente ou inconsciente) daquele que aprende e se houver envolvimento daquele
que aprende. Muitas vezes o professor se sente vítima da ausência de mobilização intelectual
do aluno.
Universal número 3: A educação pressupõe uma relação com o outro, já que não há
educação sem algo de externo àquele que se educa. O outro é, ou representa, um conjunto
de valores, objetos sociais, práticas, etc… Pode ser, ao mesmo tempo, um sujeito (com suas
características pessoais), um representante da instituição escolar (com direitos e deveres) e um
adulto encarregado de transmitir o patrimônio humano às jovens gerações (função
antropológica). Essa pluralidade de estatutos produz inevitavelmente, certas ambiguidades e
confusões.
Universal número 4: O ensino não transmite o patrimonio humano, ele transmite uma
parte deste, em formas específicas. Por isso mesmo o professor (ou a instituição
representada) é sempre contestável - “Para que serve isso?” ou “Para que serve a escola, já
que a vida real está lá fora?”. É em sua legitimidade antropológica que o professor é, deste
modo, sempre ameaçado.
Obs: O autor não enuncia nenhum universal no parágrafo subjacente, mas escreve que a
educação é um triplo processo de humanização (tornar-se um ser humano), de socialização
(tornar-se membro de certa sociedade e certa cultura) e de singularização (tornar-se um sujeito
original, que existe em um único exemplar). Na prática, essas três dimensões podem ser
conflitantes, exigindo que o professor privilegie uma delas em detrimento da outra (caso do véu
islâmico).
Universal número 5: Existe uma instituição que gere o processo de ensinar. O ideal de gerir
é o da perfeita transparência e do total domínio. O autor contrapõe essa lógica a do ensino,
pois o sucesso depende da mobilização do aluno, cujas forças são sempre um tanto obscuras.
(discordo um tanto desse ponto)

O autor destaca então. tem a vantagem de eleger culpados. todos devem passar de ano e o fracasso escolar tem um peso cada vez maior. do qual deriva a impossibilidade do sucesso escolar de todos os alunos. o que seria inviável (a característica 2 terá de ser desconsiderada). mas não os três simultaneamente. A escola e o sistema foram estabelecidos para que os alunos dos meios populares fracassem e também a sociedade não dá a escola e aos professores os meios para que todos os alunos obtenham sucesso. relacionadas às suas condições de vida. São as tensões originadas desse contexto que vão moldar o discurso justificativo do professor. 2) Vínculo cada vez mais estreito entre o nível de escolarização e o nível de inserção profissional. mas prepará-los para as desigualdades que se originarão a partir do ítem 2. O de agente social está em lidar com a ambivalência de receber igualmente os alunos. Também protege a imagem do professor e salva a idéia de educabilidade. 1) Abertura do ensino às camadas da população antes excluídas. ela se depara indiretamente com a característica 2 que está presente na expectativa dos alunos (“arrumar um bom emprego”).O PROFESSOR E O NOVO MODELO SOCIOESCOLAR O autor identifica três características da história do sistema escolar. Daí o autor atenta para a incompatibilidade desses três princípios: se todos os alunos estudarem e tiverem sucesso escolar (características 1 e 3 satisfeitas). Certos alunos sofrem de deficiências e carências socioculturais. Cada dois princípios são compatíveis. entra em contradição com a educabilidade de qualquer ser humano. . o sistema não comporta o sucesso escolar para todos (a característica 3 terá de ser desconsiderada) e por aí vai. e a existência dessas reflete um trabalho desconfortavel. o de agente social e o de agente cultural. Os motivos utilizados. Essa justificativa se reflete na imagem dos professores. dois papéis assumidos pela escola (o autor fala muito em “professor” ao invés de escola). Dado que a escola é responsável por responder às características 1 e 3 (receber o maior número de alunos e fazê-los vencer). que constituem teorizações de experiências de ensino. Protege a imagem do professor. Se o ensino for aberto a todos e o vínculo entre a escolarização e profissional se mantiver (características 1 e 2 satisfeitas). Os professores articulam essas três justificações para formar um parecer. entre os pólos que foram apresentados. cujo sucesso depende do investimento do aluno em um contexto em que todos tem acesso a escola. todos deverão ter cargos de chefia. para justificar o insucesso escolar são: ● ● ● Existem alunos mais e menos dotados. 3) Afirmação da exigência de sucesso escolar de todos os alunos.

educa. discorre sobre quatro fenômenos que caracterizam esse ambiente: ● ● ● ● Novas formas de saber Mudança na natureza dos vínculos sociais. em busca de lidar com essas diferenças. Depois. Isso gera uma série de consequências desastrosas. analisando o nosso mundo em transformação. o autor. podem incentivar novas formas de solidariedade entre os seres humanos). o fato de os alunos irem a escola para terem um bom emprego. Outro fenômendo analisado é a lógica de gerência predominante sobre a lógica de ensino e a construção do mesmo sobre a lógica de avaliação… E para finalizar. o papel de agente cultural do professor é realizado na medida em que este instrui. a uma lógica de hierarquização entre os alunos e entre os próprios professores. Dimensão mundial da interdependência. forma. Mais um fenômeno analisado é a idéia de que o professor é o agente ativo do aprendizado e não o educando. . analisa outro fenômeno. Redefinição da subjetividade. A outra opção seria enfrentar a dificuldade profissional da heterogeneidade entre alunos. A partir daí o autor analisa as consequências que este modelo socioescolar trazem para a escola. apagamento das especificidades culturais e outros problemas da globalização (que ao mesmo tempo. o que levou.Pelo que entendi. desvinculando a mesma da idéia de aprender. A idéia de que o saber se origina da atividade intelectual do próprio aluno perdeu a força. definidas por formas de interdependência nas quais os saberes desempenham um papel fundamental. O autor analisa a questão da abertura da escola do ponto de vista da heterogeneidade dos alunos.