You are on page 1of 120

ELEMENTOS

DE
MÁQUINAS
Profo.:
Dr. Tércio Graciano Machado

Jacobina/2014

2

Apresentação da Disciplina
Elementos de Máquinas

Prezados Estudantes,
Estamos dando início aos trabalhos relativos aos conteúdos da disciplina de Elementos de Máquinas.
Analisando-se diversas máquinas, construídas das mais variadas formas e com finalidades distintas, percebe-se a
presença constante de certos elementos construtivos (árvores, engrenagens, polias, dentre outros); além de diversos processos
de fabricação que envolvem a montagem e confecção do conjunto (soldagem, rebitagem, fundição, conformação mecânica, e
outros). Um projeto de uma máquina surge sempre com o intuito de satisfazer uma necessidade, seja ela industrial, comercial,
para lazer ou outra finalidade e envolve o estudo detalhado de suas partes, a forma como serão montadas, tamanho e
localização das partes componentes tais como engrenagens, parafusos, molas, cames, etc.
Dessa forma, o objetivo principal dessa disciplina é fornecer informações gerais sobre os elementos de fixação, como
parafusos, porcas, arruelas, rebites, de transmissão de movimento e potência, como polias, correias e chavetas, de apoio, como
mancais, guias e rolamentos e outros elementos que envolvam a construção de máquinas e conjuntos mecânicos.
O conhecimento teórico de tais conhecimentos é de fundamental importância para que tenhamos condições de
entender efetivamente a importância desses elementos na montagem e no pleno desenvolvimento quando em uso das
máquinas.
Esperamos que todos possam desenvolver um excelente trabalho, sempre procurando ampliar seus conhecimentos e
aproveitar esse momento único de aprendizagem e que esse conhecimento adquirido possa contribuir de forma efetiva para o
pleno desenvolvimento de suas funções junto à sociedade brasileira.
Lembrem-se do ensinamento de Daisaku Ikeda:
“A causa da derrota não se encontra no obstáculo ou no rigor das circunstâncias, está no retrocesso da determinação
e na desistência da própria pessoa.”
Sucesso!

ELABORAÇÃO:
Professor
Dr. Tércio Graciano Machado

3

SUMÁRIO
1.

Introdução............................................................................................................................. .............................04

2.

Esforços Mecânicos .........................................................................................................................................04

3.

Tensões .............................................................................................................................................................07

4.

Deformações .....................................................................................................................................................08

5.

Classificação dos Materiais Utilizados em Elementos Estruturais .............................................................09

6.

Elementos de Fixação..................................................................................................................................... ..11

3.

Rebite ........................................................................................................................... ......................................14

4.

Pinos, Cavilhas, Cupilhas.................................................................................................................................22

5.

Parafusos, Porcas e Roscas.............................................................................................................................25

6.

Arruelas..............................................................................................................................................................38

7.

Anéis Elásticos........................................................................................................................................ ..........41

8.

Chavetas.............................................................................................................................................................45

9.

Elementos de Apoio..........................................................................................................................................48

10. Molas..................................................................................................................................................................72
11. Conjuntos Mecânicos ......................................................................................................................................77
12. Elementos de Transmissão..............................................................................................................................79
13. Elementos de Vedação...................................................................................................................................106
14. Freios ............................................................................................................................. .................................116
15. Variadores de Velocidade .............................................................................................................................117
Referências ....................................................................................................................................................120

4

1. Introdução
Analisando-se diversas máquinas, construídas das mais variadas formas e com finalidades distintas, percebe-se a
presença constante de certos elementos construtivos (árvores, engrenagens, polias, dentre outros); além de diversos processos
de fabricação que envolveu a montagem e confecção do conjunto (soldagem, rebitagem, fundição, conformação mecânica, e
outros). Um projeto de uma máquina surge sempre com o intuito de satisfazer uma necessidade, seja ela industrial, comercial,
para lazer ou outra finalidade e envolve o estudo detalhado de suas partes, a forma como serão montadas, tamanho e
localização das partes componentes tais como engrenagens, parafusos, molas, cames, etc. Esses elementos são denominados
Elementos de Máquinas e são subdivididos em elementos de Fixação, como parafusos, porcas, arruelas, rebites, de
transmissão de movimento e potência, como polias, correias e chavetas e de apoio, como mancais, guias e rolamentos.
O estudo dos elementos de máquinas é de fundamental importância para o “Projeto de Máquinas”. Os projetos podem
ser classificados em: Projeto Novo, que surge para atender a uma nova função, a uma nova necessidade, e Adaptação de
Projeto, caso bem mais comum, que surge quando se deve aplicar um projeto conhecido a condições particulares. No caso de
Adaptação de Projeto inclui-se, também, o aprimoramento de um projeto. Dessa forma, um projeto evolui com o decorrer do
tempo ou devido a novas necessidades, ou devido ao surgimento de novos materiais mais adequados.
O bom projetista começa a imaginar movimentos simples independentes, simultâneos ou não; algumas idéias
parecerão absurdas, outras não; algumas difíceis, outras fáceis. Nenhuma idéia deve ser abandonas a priori, pois o que parece
absurdo ou difícil à primeira observação pode não o ser na realidade. O conhecimento teórico dos elementos que compõem as
máquinas é de fundamental importância para que se tenham condições de entender o funcionamento das máquinas e como se
pode alterá-lo de forma consistente e vantajosa; e é este o foco principal dessa disciplina.

2. Esforços Mecânicos
Materiais sólidos tendem a deformar (ou eventualmente romper) quando submetidos a solicitações mecânicas. A
Resistência dos Materiais é um ramo da Engenharia que tem como objetivo o estudo do comportamento de elementos
construtivos sujeitos a esforços, de forma que eles possam ser adequadamente dimensionados para suportá-los nas condições
previstas de utilização.
2.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ESFORÇOS
2.1.1 Quanto à origem:
a) Externo – Força que age sobre o corpo.

F

b) Forças Reativas – força que age nos apoios e está vinculada ao esforço externo.
F

5

2.2.2 Quanto à Deformação dos Corpos:
a)

Tração: A força atuante tende a provocar um alongamento do elemento na direção da mesma.
Figura: Cabo de Sustentação submetido à tração.

b) Compressão: A força atuante tende a produzir uma redução de tamanho do elemento na direção da mesma.
Figura: Pés da mesa sujeito à compressão.

6

c) Flexão: A força atuante provoca uma deformação do eixo perpendicular à mesma.

Figura: Viga submetida á flexão.

d) Torção: As forças atuam em um plano perpendicular à mesma.

Figura: Ponta de eixo sujeito à torção.

e) Flambagem: É um esforço de compressão em uma barra de seção transversal pequena em relação ao comprimento que
tende a produzir uma curvatura na barra.

: Outras unidades de tensão normal. 149. (Resp. Kgf cm2 kgf mm2 Múltiplos da unidade Pascal: Kilo Pascal (KPa) = 10³ Pa Mega Pascal (MPa) = 106 Pa Por convenção. um deslocamento linear entre as seções transversais.7 f) Cisalhamento: Forças atuantes tendem a produzir um efeito de corte. isto é. Calcular a tensão normal de tração que atua no cabo de aço. F F A unidade de tensão tem a mesma dimensão da pressão mecânica. e é indicada pela letra grega σ (sigma). enquanto esforços de compressão geram tensões negativas. sujeita a uma força axial F. nesta seção. Qual é a tensão resultante? Exercícios: 1) Um cabo de aço de diâmetro ¼ “ (Polegada) (6. conforme a figura. 3. é obtida dividindo-se o módulo F da força pela área A. no Sistema Internacional.35 mm) é utilizado num guindaste para elevar uma carga de peso 4750N. Obs. a unidade básica é o pascal (Pa = N/m2) e no Sistema Inglês é o (psi= libra força/polegada2). a tensão em uma barra de seção transversal A. assim. Exemplo: Supondo que a barra da figura acima.98 MPa) . esforços de tração geram tensões positivas. Assim. Tensões A força por unidade de área ou a intensidade das forças distribuídas numa certa seção transversal é chamada tensão atuante.8 Pa Obs.: 1 Psi = 6894. está carregada axialmente por uma força F de intensidade igual a 20 kN e possui um diâmetro igual a 15 m.

Calcular o diâmetro do cabo de aço. (Resp. (Resp.8 MN) 3) Determine a área da seção transversal de uma barra maciça de alumínio que está sujeita a um esforço de tração 24kN. Calcular a intensidade da força normal de compressão atuante na peça. As deformações sofridas por um corpo são classificadas em dois tipos: Deformação elástica e Deformação Plástica. (Resp. Calcule a tensão normal de tração que atua em cada um dos cabos de aço. Deformações O corpo quando sujeito a esforços apresentam por menos que sejam. cujos lados medem 80 cm e 20 cm. 30. está sujeita a uma tensão normal de compressão de 80MPa. deformações. (Resp. 12. 0. . Calcular a tensão normal de tração atuante na barra.8mm são utilizados para elevar um carro de peso igual a 8500N. 89 MPa) 6) Calcular a área da seção transversal de um cabo que suporta um esforço de tração 10kN.8 2) Uma peça madeira de seção transversal retangular. (Resp. Estas deformações apresentam comportamentos diversos em função do material e do tipo de esforço que age sobre o corpo.0004 m²) 4) A peça vazada de seção transversal quadrada mostrada na figura suporta um esforço de compressão F=32kN. de modo que a tensão atuante na mencionada barra não ultrapasse o valor de 60MPa.66 MPa) 4. 9mm). (Resp.8kN.71 mm²) 7) Um cabo de cobre é utilizado para elevar um corpo com peso igual a 2000N de modo que a tensão normal de tração é 31. 285. (Resp. T=20MPa) 5) Dois cabos de aço iguais com diâmetro 7. 8) Uma barra circular de diâmetro 18mm suporta um esforço de intensidade 7. de modo que a tensão atuante no cabo citado é 35MPa. Calcular a tensão normal de compressão suportada pela peça.45MPa.

4. o corpo não volta a ter as suas dimensões iniciais. bronze e outras ligas metálica. .1 Deformação Elástica É aquela apresentada por um copo sujeito a um carregamento e que a deformação desaparece com a retirada do carregamento. Ou seja.2 Deformação Plástica É aquela apresentada por um corpo sujeito a um carregamento e que a deformação não desaparece por completo com a retirada do carregamento. cobre. o corpo volta a ter as suas dimensões iniciais. alumínio. Mantém uma deformação residual. seguida da deformação plástica. para atingirem o rompimento.1 Materiais Dúcteis São os materiais que submetidos ao esforço de tração ou de compressão apresentam a deformação elástica. 5. Ou seja.9 4. Figura: Diagrama Tensão x Deformação de um aço de baixo teor de carbono. Classificação dos Materiais Utilizados em Elementos Estruturais 5. Exemplos: aço.

. Vidro. Concreto. Não apresentam a deformação plástica.2 Materiais Frágeis São os materiais que submetidos ao esforço de tração ou de compressão apresentam a deformação elástica e em seguida atingem o rompimento. Exemplos: Ferro Fundido. Porcelana e outras. Cerâmica. Figura: Diagrama Tensão x Deformação de um Material Frágil.10 5.

representação. uma vez instalados.11 6. chavetas etc. por exemplo. porcas. exigem elementos próprios de união que são denominados elementos de fixação. Elementos de Fixação Inicialmente sempre há um questionamento: Por que estudar elementos de fixação? A resposta é simples: como mecânico. É o caso. . cavilhas. necessariamente. o material de que é feito. Na mecânica é muito comum a necessidade de unir peças como chapas. Iremos estudar cada um desses elementos de fixação para conhecer suas características. A união de peças feita pelos elementos de fixação pode ser de dois tipos: móvel ou permanente. usará pregos ou taxas para unir as partes. É o caso. você ficará capacitado para operar máquinas. simbologia e alguns cálculos necessários para seu emprego. perfis e barras. identificar seus possíveis defeitos e até mesmo corrigi-los. exige união de peças entre si. os elementos de fixação podem ser colocados ou retirados do conjunto sem causar qualquer dano às peças que foram unidas. os elementos de fixação mais usados em mecânica são: rebites. Qualquer construção. de uniões feitas com rebites e soldas. Entretanto. No tipo de união móvel. Por outro lado. conhecer tudo sobre máquinas. por mais simples que seja. Figura 01: União de peças mais comuns utilizadas na mecânica. se você pretende fazer uma caixa ou engradado de madeira. Numa classificação geral. suas aplicações. os elementos de fixação. Se você vai fazer uma caixa de papelão. não podem ser retirados sem que fiquem inutilizados. Figura 02: União móvel do tipo parafuso/porca/arruela. inclusive suas peças que são unidas ou fixadas entre si. possivelmente usará cola. de uniões feitas com parafusos. por exemplo. pinos. arruelas. você precisa. fita adesiva ou grampos para unir as partes da caixa. porcas e arruelas. parafusos. em mecânica as peças a serem unidas. Assim. No tipo de união permanente.

de materiais e de recursos financeiros. Essas tensões causam rupturas nas peças por fadiga do material. É fabricado em aço. alumínio. unirmos peças robustas com elementos de fixação fracos e mal planejados. c) Cavilha: A cavilha une peças que não são articuladas entre si. para projetar um conjunto mecânico é preciso escolher o elemento de fixação adequado ao tipo de peças que irão ser unidas ou fixadas. por exemplo. a) Rebite: O rebite é formado por um corpo cilíndrico e uma cabeça. Figura 04: Rebite de cabeça redonda. Ainda é importante planejar e escolher corretamente os elementos de fixação a serem usados para evitar concentração de tensão nas peças fixadas. Figura 05: Pino. . Nesse tipo de união. 6. geralmente. b) Pino: O pino une peças articuladas. cobre ou latão. É usado para fixação permanente de duas ou mais peças. Se. Assim. portanto. Tanto os elementos de fixação móvel como os elementos de fixação permanente devem ser usados com muita habilidade e cuidado porque são.1 – Tipos de Elementos de Fixação Apresentamos nesse momento alguns elementos de fixação para o conhecimento e entendimento preliminar de cada um deles. uma das peças pode se movimentar por rotação. desperdício de tempo. Ocorrerá. o conjunto apresentar á falhas e poderá ficar inutilizado.12 a) Rebite b) Solda Figura 03: Tipos de união permanente: a) Rebite e b) Solda. os componentes mais frágeis da máquina.

As pernas do contrapino são viradas para trás e. Figura 08: Parafuso de cabeça cilíndrica com fenda. d) Contrapino ou Cupilha: O contrapino ou cupilha é uma haste ou arame com forma semelhante à de um meio-cilindro. Apresenta um furo roscado. Figura 10: Arruela chanfrada. de cilindro etc. Figura 07: Cupilha. e) Parafuso: O parafuso é uma peça formada por um corpo cilíndrico roscado e uma cabeça. . f) Porca: A porca tem forma de prisma. O corpo do parafuso passa por esse furo. assim.13 Figura 06: Cavilha. dobrado de modo a fazer uma cabeça circular e tem duas pernas desiguais. Através desse furo. impedem a saída do pino ou da porca durante vibrações das peças fixadas. Introduz-se o contrapino ou cupilha num furo na extremidade de um pino ou parafuso com porca castelo. que pode ter várias formas. a porca é atarraxada ao parafuso. Figura 09: Porca sextavada g) Arruela: A arruela é um disco metálico com um furo no centro.

Alguns autores classificam a chaveta como elementos de fixação e outros autores. ela causa alterações na superfície da panela e das barras. por causa do calor. Figura 11: Anel tipo RS. portanto. Figura 13: Panela rebitada. para posicionar ou limitar o movimento de uma peça que desliza sobre um eixo. A solda é um bom meio de fixação mas. a chaveta desempenha as duas funções. Figura 12: Chaveta em Circular. Rebites Tem-se a seguinte proposição prática: Um mecânico tem duas tarefas: consertar uma panela cujo cabo caiu e unir duas barras chatas para fechar uma grade. i) Chavetas: A chaveta tem corpo em forma prismática ou cilíndrica que pode ter faces paralelas ou inclinadas.14 h) Anéis Elásticos: O anel elástico é usado para impedir deslocamento de eixos. O elemento mais indicado. em função da grandeza do esforço e do tipo de movimento que deve transmitir. 7. A questão é a seguinte: qual elemento de fixação é o mais adequado para Solda ou rebite? Nos dois casos é necessário fazer uniões permanentes. Serve. Na verdade. como elementos de Transmissão. é o rebite. Que o cabo fique bem fixado à panela e que as duas barras fiquem bem fixadas entre si. também. .

alumínio. No quadro 2 apresentamos as proporções padronizadas para os rebites. máquinas. Quadro 1: Classificação dos Rebites. veículos de transporte e treliças. em estruturas metálicas. . cobre ou latão. A cabeça pode ter vários formatos. segue normas técnicas que indicam medidas da cabeça. 7. caldeiras. Quadro 2: Padronização de rebites.1 – Tipos de Rebites e suas proporções O quadro 1 demonstra a classificação dos rebites em função do formato da cabeça e de seu emprego em geral. Unem rigidamente peças ou chapas. A fabricação de rebites é padronizada. principalmente. ou seja. navios. de reservatórios. aviões. Os valores que aparecem nas ilustrações são constantes. Um rebite compõe-se de um corpo em forma de eixo cilíndrico e de uma cabeça.15 Figura 14: Grades rebitadas. Os rebites são peças fabricadas em aço. do corpo e do comprimento útil dos rebites.

Esse procedimento está ilustrado nestas três figuras: . Por exemplo: · material do rebite: rebite de aço 1. Para solicitar ou comprar rebites você deverá indicar todas as especificações. O símbolo usado para indicar comprimento útil é L e o símbolo para indicar a sobra necessária é z.1. · o modo como vai ser fixado o rebite: a frio ou a quente. As figuras mostram o excesso de material (z) necessário para se formar a segunda cabeça do rebite em função dos formatos da cabeça. Depois você vai dar forma de cabeça no corpo dos rebites. é preciso levar em conta: · o diâmetro do rebite. · o seu comprimento útil. ¾” de comprimento útil. você vai colocar os rebites em furos já feitos nas peças a serem unidas. No caso de rebite com cabeça escareada. do comprimento útil (L) e do diâmetro do rebite (d).006 . · o diâmetro do seu corpo. Nesse caso. ou seja: · de que material é feito. a altura da cabeça do rebite também faz parte do seu comprimento útil. O comprimento útil do rebite corresponde à parte do corpo que vai formar a união. · diâmetro do corpo: ¼" . A parte que vai ficar fora da união é chamada sobra necessária e vai ser usada para formar a outra cabeça do rebite. · o tipo de sua cabeça.16 7. é necessário que você conheça suas especificações.010. Na especificação do rebite é importante você saber qual será o seu comprimento útil (L) e a sobra necessária (z). 7.2 – Especificação de Rebites Para adquirir os rebites adequados ao seu trabalho. · tipo de cabeça: redondo.3 – Processos de Rebitagem Na rebitagem. · o tipo de cabeça a ser formado.

no qual é introduzida a ponta saliente do rebite. ou seja. é martelado até começar a se arredondar. Em seguida. Na figura 16 temos o repuxador executando a rebitagem. Antes de iniciar o processo. Depois. o rebite é martelado até encorpar. A segunda cabeça do rebite pode ser feita por meio de dois processos: manual e mecânico. com o auxílio de duas ferramentas: o contra-estampo. que é uma peça de aço com furo interno. a) Rebitagem Manual: Esse tipo de processo é feito à mão.17 Figura 15: Etapas de rebitagem. que fica sob as chapas. dilatar e preencher totalmente o furo. . o formato da segunda cabeça é feito por meio de outra ferramenta chamada estampo. Figura 16: Repuxar em processo de rebitagem Após as chapas serem prensadas. com o martelo de bola. conforme figura 18. com pancadas de martelo. A figura 17 ilustra o “boleamento”. é preciso comprimir as duas superfícies metálicas a serem unidas. isto é. e o repuxador. em cuja ponta existe uma cavidade que será usada como matriz para a cabeça redonda. o rebite é “boleado”. Figura 17: Etapa de “boleamento”.

A rebitagem por processo mecânico apresenta vantagens. Figura 20: Martelo pneumático para rebitagem. dependendo da necessidade. Se compararmos o sistema manual com o mecânico. veremos que o sistema manual é utilizado para rebitar em locais de difícil acesso ou peças pequenas. veja figura 21. um tipo de martelo pneumático para rebitagem.4 – Rebitagem a quente e a frio . controlada pela alavanca do cabo. trabalha com rapidez e permite rebitamento mais resistente. Figura 21: Rebitadeira pneumática. principalmente quando é usada a rebitadeira pneumática ou hidráulica. Entretanto. em corte. sem deixar espaço.18 Figura 18: Estampo do rebite. é preferível o uso do martelo pneumático. Essa ferramenta é o estampo. pois o rebite preenche totalmente o furo. 7. b) Rebitagem Mecânica O processo mecânico é feito por meio de martelo pneumático ou de rebitadeiras pneumáticas e hidráulicas. O martelo pneumático é ligado a um compressor de ar por tubos flexíveis e trabalha sob uma pressão entre 5 Pa 7 Pa. as rebitadeiras são máquinas grandes e fixas e não trabalham em qualquer posição. Nos casos em que é necessário o deslocamento da pessoa e da máquina. O martelo funciona por meio de um pistão ou êmbolo que impulsiona a ferramenta existente na sua extremidade . que dá a forma à cabeça do rebite e pode ser trocado. Na figura 20 ilustramos. Essa máquina é silenciosa.

sem utilizar qualquer fonte de calor. e de 10 mm. Os fornos possibilitam um controle perfeito da temperatura necessária para aquecer o rebite. se o trabalho for à mão. Figura 23: Justaposição de chapas para rebitagem. É indicada para rebites com diâmetro de até 6.35 mm. c) Rebitagem de recobrimento duplo Usada unicamente para uma perfeita vedação. se for à máquina. a) Rebitagem de recobrimento Na rebitagem de recobrimento. Usa-se na rebitagem a frio rebites de aço. É empregada na construção de chaminés e recipientes de gás para iluminação.19 Tanto a rebitagem manual como a mecânica podem ser feitas a quente ou a frio. sendo aplicada. Nessa rebitagem as chapas se justapõem e sobre elas estende-se uma outra chapa para cobrilas. alumínio. Esse tipo destina-se somente a suportar esforços e é empregado na fabricação de vigas e de estruturas metálicas. As chapas são justapostas e envolvidas por duas outras chapas que as recobrem dos dois lados. de recobrimento simples e de recobrimento duplo. Veja figura 23. Depois o rebite é martelado à mão ou à máquina até adquirir o formato. em rebites de aço. as chapas são apenas sobrepostas e rebitadas. Já o maçarico apresenta a vantagem de permitir o deslocamento da fonte de calor para qualquer lugar. etc. Na rebitagem a quente o rebite é aquecido por meio de fornos a gás . . É empregada na construção de caldeiras a vapor e recipientes de ar comprimido.5 – Tipos de Rebitagem Os tipos de rebitagem variam de acordo com a largura das chapas que serão rebitadas e o esforço a que serão submetidas. elétricos ou maçarico até atingir a cor vermelho-brilhante. conforme figura 22. A rebitagem a frio é feita por martelamento simples. b) Rebitagem de recobrimento simples É destinada a suportar esforços e permitir fechamento ou vedação. 7. especialmente.3 mm. conforme figura 24. Figura 22: Estruturas metálicas rebitadas. Assim. temos a rebitagem de recobrimento. A rebitagem a quente é indicada para rebites com diâmetro superior a 6.

y = constante determinada pelo formato da cabeça do rebite. 1.5. segundo a fórmula: d = 1.d S. A prática recomenda que se considere a chapa de menor espessura e se multiplique esse valor por 1. dR = diâmetro do rebite.5. 1. Obs. d = diâmetro do rebite. Matematicamente.d + S. 1.5 = constante ou valor predeterminado.6 – Cálculos para Rebitagem a) Cálculo do diâmetro do rebite: A escolha do rebite é feita de acordo com a espessura das chapas que se quer rebitar. 2) Para rebites de cabeça escareada: L = 1.06 = constante ou valor predeterminado.5 . < S = menor espessura.: 1) Para rebite de cabeça redonda e cilíndrica: L = 1. < S onde: d = diâmetro. L = y. S = soma das espessuras das chapas. b) Cálculo do diâmetro do furo: O diâmetro do furo pode ser calculado multiplicando-se o diâmetro do rebite pela constante 1. c) Cálculo do comprimento útil do rebite: O cálculo desse comprimento é feito por meio da seguinte fórmula: onde: L = comprimento útil do rebite. podese escrever: dF = dR.20 Figura 24: Justaposição dupla de chapas para rebitagem.06. 7.d + S .06 onde: dF = diâmetro do furo.

que reduz muito a pressão do aperto. b) Chapas mal encostadas . por menores que sejam. Os defeitos causados pela má execução das diversas operações e fases de rebitagem são: . reduzindo sua resistência. Isso faz o rebite assumir um eixo inclinado. 7. uma com espessura de 5 mm e outra com espessura de 4 mm. é preciso estar bem atento e executar as operações de rebitagem com a maior precisão possível. Isso produz um engrossamento da secção do corpo do rebite. Os defeitos. o que diminui a resistência do corpo.feita a rebitagem para assegurar a resistência e a vedação necessárias às peças unidas por rebites. uma com 2 mm de espessura e a outra com 3 mm.35 mm. Os principais defeitos na rebitagem são devidos.7 – Defeitos de rebitagem É preciso fazer bem. qual o diâmetro do rebite? b) Determine o diâmetro do furo para um rebite com diâmetro de 6. representam enfraquecimento e instabilidade da união.Nesse caso. c) Calcular o comprimento útil de um rebite de cabeça redonda com diâmetro de 3.21 * Exercícios Aplicativos: a) Na rebitagem de duas chapas de aço. c) Diâmetro do furo muito maior em relação ao diâmetro do rebite – O rebatimento não é suficiente para preencher a folga do furo.175 mm para rebitar duas chapas.Nesse caso. encunhando-se entre elas. Alguns desses defeitos somente são percebidos com o passar do tempo por isso. o corpo rebitado preenche o vão e assume uma forma de rebaixo. Os defeitos causados pelo mau preparo das chapas são: a) Furos fora do eixo. o corpo do rebite preenche o vão existente entre as chapas. ao mau preparo das chapas a serem unidas e à má execução das operações nas fases de rebitagem. formando degraus . geralmente. formando uma incisão ou corte.

· Escreva com giz a palavra “quente” na peça onde houver rebites aquecidos. o material do rebite terá suas características físicas alteradas. Cavilhas e Cupilhas Os pinos e cavilhas têm a finalidade de alinhar ou fixar os elementos de máquinas. b) Rebitagem descentralizada . perde sua capacidade de apertar as chapas. o material disponível para rebitar a segunda cabeça não é suficiente e ela fica incompleta. com isso. Pinos. estabelecendo. A figura 25 ilustra a utilização de pinos e cavilhas. com uma superfície plana. d) O comprimento do corpo do rebite é pequeno em relação à espessura da chapa . uniões em que se juntam duas ou mais peças. é preciso saber operá-la corretamente. conexão entre elas. c) Mal uso das ferramentas para fazer a cabeça . · Use protetor auricular durante todo o trabalho. ou seja. pois após esfriar.Nesse caso. o rebite contrai-se e então a folga aumenta. a segunda cabeça fica fora do eixo em relação ao corpo e à primeira cabeça do rebite e.22 a) Aquecimento excessivo do rebite . ocorrerá o deslizamento das chapas. . permitindo uniões mecânicas.A cabeça do rebite é rebatida erradamente e apresenta irregularidades como rebarbas ou rachaduras. 8.Quando isso ocorre. algumas recomendações sobre procedimentos de segurança durante as operações de rebitagem: · Use óculos de segurança. · Verifique se todas as ferramentas estão em ordem antes de iniciar o trabalho. · Tome cuidado quando executar rebitagem à máquina. Para finalizar.Nessa situação. assim. Se a folga aumentar.

Por exemplo. No quadro 3 temos os principais tipos de pinos e funções específicas e na figura 26 a representação dos mesmos. · tratamento térmico. 8. ainda. Há vários tipos de pino. A forma e o comprimento dos entalhes determinam os tipos de cavilha. · material. pinos ranhurados ou. Pinos e cavilhas se diferenciam pelos seguintes fatores: · utilização. também.23 Figura 25: Utilização de Pinos e Cavilhas. indicando pinos com entalhes externos na sua superfície. rebite entalhado. são chamados pinos estriados. segundo sua função. Quadro 3: Principais tipos de pinos e respectivas funções. pinos entalhados. .1 Pinos Os pinos são usados em junções resistentes a vibrações. Esses entalhes é que fazem com que o conjunto não se movimente. · tolerâncias de medidas. · forma. · acabamento superficial. A diferenciação entre pinos e cavilhas leva em conta o formato dos elementos e suas aplicações. As cavilhas. pinos são usados para junções de peças que se articulam entre si e cavilhas são utilizadas em conjuntos sem articulações.

Exemplo: Um pino de diâmetro nominal de 15mm. 8. a ser utilizado como pino cilíndrico. Para especificar pinos e cavilhas deve-se levar em conta seu diâmetro nominal. Figura 28: Tipos de Cavilhas. indicada pela respectiva norma. dispensando-se o acabamento e a precisão furo alargado.24 Figura 26: Principais pinos. com comprimento de 20mm. . normas e utilização. Sua fixação é feita diretamente no furo aberto por broca. cuja superfície externa recebe três entalhes que formam ressaltos. Figura 27: Tipos de Cavilhas.2 Cavilhas A cavilha é uma peça cilíndrica. A forma e o comprimento dos entalhes determinam os tipos de cavilha. fabricada em aço. No quadro 4 temos a classificação de cavilhas segundo tipos. seu comprimento e função do pino. é designado: pino cônico: 10 x 60 DIN 1.

segundo a norma DIN.3 Cupilha ou Contrapino Cupilha é um arame de secção semi-circular.25 Quadro 4: Tipos de Cavilhas e a sua utilização. Os parafusos se diferenciam pela forma da rosca. Porcas e Roscas Parafusos são elementos de fixação. Figura 30: Contrapino em uso no travamento de porcas. as peças podem ser montadas e desmontadas facilmente. 8.: Pino Cupilhado Nesse caso. O pino cupilhado é utilizado como eixo curto para uniões articuladas ou para suportar rodas. isto é. Obs. empregados na união não permanente de peças. bastando apertar e desapertar os parafusos que as mantêm unidas. cabos. da cabeça. Sua função principal é a de travar outros elementos de máquinas como porcas. polias. dobrado de modo a formar um corpo cilíndrico e uma cabeça. etc. da haste e do tipo de acionamento. mas no próprio pino. . 9. a cupilha não entra no eixo. Parafusos. Figura 29: Cupilha.

a) Parafusos passantes: Esses parafusos atravessam. cônico e prisioneiro. porém. determinadas pela função dos parafusos. Há uma enorme variedade de parafusos que podem ser diferenciados pelo formato da cabeça. Figura 34: Fixação de peças com parafusos passantes. O corpo do parafuso pode ser cilíndrico ou cônico. Em geral. o parafuso é composto de duas partes: cabeça e corpo. há parafusos sem cabeça. Figura 33: Parafusos cilíndrico. parafusos não-passantes. do corpo e da ponta. Os parafusos passantes apresentam-se com cabeça ou sem cabeça. Dependendo do serviço. parafusos de pressão. de lado a lado. as peças a serem unidas. utilizam arruelas e contraporcas como acessórios. totalmente roscado ou parcialmente roscado. A cabeça pode apresentar vários formatos. passando livremente nos furos. permite classificá-los em quatro grandes grupos: parafusos passantes. Figura 32: Desenho esquemático de um parafuso. Essas diferenças. parafusos prisioneiros.26 Figura 31: Exemplo de parafuso com cabeça sextavada. esses parafusos. além das porcas. .

. As roscas dos parafusos prisioneiros podem ter passos diferentes ou sentidos opostos. aplicadas à extremidade livre do prisioneiro. Figura 37: Colocação dos parafusos prisioneiros. O quadro 5 é quadro síntese com características da cabeça. Caso não haja esta ferramenta. Após a fixação do prisioneiro pela outra extremidade. feito numa das peças a ser unida. O parafuso prisioneiro permanece no lugar quando as peças são desmontadas. A segunda peça é apertada mediante uma porca e arruela. A pressão é exercida pelas pontas dos parafusos contra a peça a ser fixada. c) Parafusos de pressão: Esses parafusos são fixados por meio de pressão. Os parafusos de pressão podem apresentar cabeça ou não. retiram-se as porcas. do corpo. o uso de outros tipos de parafusos acaba danificando a rosca dos furos. d) Parafusos Prisioneiros: São parafusos sem cabeça com rosca em ambas as extremidades. um horário e o outro antihorário. isto é. O papel de porca é desempenhado pelo furo roscado. Figura 36: Parafusos de pressão em ação. utilizamos uma ferramenta especial. das pontas e com indicação dos dispositivos de atarraxamento.27 b) Parafusos não-passantes: São parafusos que não utilizam porcas. Em tais situações. Figura 35: Fixação de peças com parafusos não-passantes. sendo recomendados nas situações que exigem montagens e desmontagens freqüentes. Para fixarmos o prisioneiro no furo da máquina. improvisa-se um apoio com duas porcas travadas numa das extremidades do prisioneiro.

Figura 38: Fixação com parafusos em furo broqueado e roscado. Esses quatro fatores se relacionam conforme mostra a figura38 e o quadro 6. Ao unir peças com parafusos. · Comprimento útil de penetração do parafuso. · Diâmetro do furo passante. · Profundidade do furo roscado.28 Quadro 5: Quadro síntese de Parafusos com suas formas e dispositivos de atarraxamento. o profissional precisa levar em consideração quatro fatores de extrema importância: · Profundidade do furo broqueado. .

Exemplo: Duas peças de alumínio devem ser unidas com um parafuso de 6 mm de diâmetro. d1 . A . B . .diâmetro do furo broqueado. C .29 Ǿ.diâmetro do furo passante.profundidade do furo broqueado.comprimento de penetração do parafuso d . Qual deve ser a profundidade do furo broqueado? Qual deve ser a profundidade do furo roscado? Quanto o parafuso deverá penetrar? Qual é o diâmetro do furo passante? No quadro 7 tem-se a ilustração dos tipos de parafusos em sua forma completa. Quadro 6: Fatores a considerar ao unir peças com parafusos.diâmetro da rosca. Quadro 7: Parafusos em sua forma completa.profundidade da parte roscada.

Figura 41: Parafuso de cabeça cilíndrica com sextavado interno. Esse parafuso pode ser usado com ou sem rosca. em locais onde o manuseio de ferramentas é difícil devido à falta de espaço.8 d = medida do sextavado interno.1 Principais tipos de Parafusos usados em mecânica a) Parafuso de cabeça sextavada Em geral. esse tipo de parafuso é utilizado em uniões em que se necessita de um forte aperto da chave de boca ou estria.2) Sem cabeça com sextavado interno: Em geral. Por ser um elemento utilizado para travar elementos de máquinas. Onde: A = d = altura da cabeça do parafuso.6 d = profundidade do encaixe da chave. de acordo com sua utilização. esses parafusos são fabricados com diversos tipos de pontas. Figura 39: Desenho técnico de um parafuso sextavado. b. b) Parafusos com sextavado interno b. esse tipo de parafuso é utilizado para travar elementos de máquinas.5 d = diâmetro da cabeça.1) De cabeça cilíndrica com sextavado interno (Allen): Este tipo de parafuso é utilizado em uniões que exigem um bom aperto. d = diâmetro do parafuso. Esses parafusos são fabricados em aço e tratados termicamente para aumentar sua resistência à torção. Figura 40: Parafuso sextavado em uso. Quando usado sem rosca. o rosqueamento é feito na peça. .30 9. e = 1. s = 0. t = 0.

· raio da circunferência da cabeça = d.31 Onde: d = diâmetro do parafuso. largura da fenda = 0. c) Parafusos de cabeça com fenda: c. latão. etc.5 d = profundidade do encaixe da chave.9 d. e a necessidade de um bom acabamento na superfície dos componentes. diâmetro da cabeça do parafuso = 1. Onde: .3) De cabeça cilíndrica boleada com fenda São utilizados na fixação de elementos nos quais existe a possibilidade de se fazer um encaixe profundo para a cabeça do parafuso.36 d. . Figura 43: cabeça escareada chata com fenda. aço inoxidável.5 d = medida do sextavado interno. s1 = 0. . São fabricados em aço.29 d. Possibilita melhor acabamento na superfície. Trata-se de um parafuso cuja cabeça é mais resistente do que as outras de sua classe. c. Figura 42: Parafuso sem cabeça com sextavado interno. Esse tipo de parafuso é muito empregado em montagens que não sofrem grandes esforços e onde a cabeça do parafuso não pode exceder a superfície da peça. t = 0. · profundidade da fenda = 0.2) De cabeça redonda com fenda Esse tipo de parafuso é também muito empregado em montagens que não sofrem grandes esforços. · profundidade da fenda = 0.1) De cabeça escareada chata com fenda São fabricados em aço. como latão.18 d. c. · medida do ângulo do escareado = 90º. cobre e ligas. Onde: · diâmetro da cabeça do parafuso = 2 d. Figura 44: Parafuso de cabeça redonda com fenda. · largura da fenda = 0. inox. cobre.18 d.

Figura 45: Parafuso de cabeça cilíndrica boleada com fenda. Quanto à escolha do tipo de cabeça a ser utilizado. · largura da fenda = 0. · comprimento da parte cilíndrica da cabeça = 0. parafuso-bucha é aplicado na fixação de elementos em bases de alvenaria. · raio da cabeça = 1. leva-se em consideração a natureza da união a ser feita. O conjunto.18 d. d) Parafusos com rosca soberba para madeira São vários os tipos de parafusos para madeira.66 d. Onde: · diâmetro da cabeça do parafuso = 2 d. São fabricados em aço. São fabricados em aço e tratados superficialmente para evitar efeitos oxidantes de agentes naturais.5 d. · profundidade da fenda = 0. · raio da cabeça do parafuso = 2 d. .32 Onde: · diâmetro da cabeça do parafuso = 1. Esse tipo de parafuso também é utilizado com auxílio de buchas plásticas.7 d. c.18 d. · profundidade da fenda = 0. Permitem um bom acabamento na superfície. · largura da fenda = 0.4) De cabeça escareada boleada com fenda São geralmente utilizados na união de elementos cujas espessuras sejam finas e quando é necessário que a cabeça do parafuso fique embutida no elemento.44 d. cobre e ligas como latão. Figura 46: Parafuso de cabeça escareada boleada com fenda.4 d.

plástico. alumínio.2. existem porcas que servem tanto como elementos de fixação como de transmissão. latão. zincagem e bicromatização para protegê-las contra oxidação (ferrugem). Há casos especiais em que as porcas recebem banhos de galvanização.1 Material de fabricação As porcas são fabricadas de diversos materiais: aço. A parte externa tem vários formatos para atender a diversos tipos de aplicação. Em conjunto com um parafuso. Assim. . bronze. Figura 48: Aplicação de porcas. a porca é um acessório amplamente utilizado na união de peças.2 Porcas Porca é uma peça de forma prismática ou cilíndrica geralmente metálica. ou uma barra roscada. 9. A porca está sempre ligada a um parafuso. 9.33 Figura 47: Tipos de parafusos com rosca soberba para madeira. com um furo roscado no qual se encaixa um parafuso.

34

9.2.1 Tipos de Porcas
Para aperto manual são mais usados os tipos de porca borboleta, recartilhada alta e recartilhada baixa. Veja quadro 8.
Na figura 49 tem-se aplicação desses tipos de porcas.
Quadro 8: Tipos de porcas.

Figura 49: Aplicação das procas tipo borboleta.
As porcas cega baixa e cega alta, além de propiciarem boa fixação, deixam as peças unidas com melhor aspecto. Veja
figura 50. Na figura 51 tem-se aplicação desse tipo de porca.

Figura 50: Porcas cega baixa e alta.

Figura 51: Aplicação de porca cega.

35

Para ajuste axial (eixos de máquinas), são usadas as seguintes porcas, conforme figura 52. Na figura 53 tem-se
aplicação desse tipo de porca.

Figura 52: Porcas para ajuste axial

Figura 53: Aplicação de porcas para ajuste axial.
Certos tipos de porcas apresentam ranhuras próprias para uso de cupilhas. Utilizamos cupilhas para evitar que a porca
se solte com vibrações. Veja figura 54 e na figura 55 se tem aplicações desse tipo de porca.

Figura 54: Porcas para uso de cupilhas.

36

Figura 55: Aplicação de porcas com cupilha.
Para montagem de chapas em locais de difícil acesso, podemos utilizar as porcas:

Na figura 56 se tem aplicação das porcas tipo rápida e rápida dobrada.

Figura 56: Aplicação das porcas tipo rápida e rápida dobrada.
9.3 Roscas
Rosca é um conjunto de filetes em torno de uma superfície cilíndrica.

Figura 57: Detalha de uma rosca e seu filete.
As roscas podem ser internas ou externas. As roscas internas encontram-se no interior das porcas. As roscas externas
se localizam no corpo dos parafusos.

Figura 58: Porca com rosca interna e parafuso com rosca externa.

as roscas podem ter dois sentidos: à direita ou à esquerda. Portanto. Quadro 9: Tipos de rosca e seus perfis. conforme a figura 60. Na rosca direita. também. conforme quadro 9. dão nome às roscas e condicionam sua aplicação. 9. Esses perfis. o filete sobe da direita para a esquerda. as roscas ainda podem ser direita e esquerda. movimento de peças. . As roscas permitem a união e desmontagem de peças. sempre uniformes. Permitem.37 Os filetes das roscas apresentam vários perfis.1 Sentido de direção da rosca Dependendo da inclinação dos filetes em relação ao eixo do parafuso.3. Figura 59: Morsa. O parafuso que movimenta a mandíbula móvel da morsa é um exemplo de movimento de peças.

P = passo (em mm).3. 10. 9.2 Nomenclatura da rosca Independentemente da sua aplicação. Para evitar esse inconveniente utilizamos um elemento de máquina chamado arruela. seja em máquinas ou em veículos automotivos. um afrouxamento imprevisto no aperto do parafuso. D = diâmetro do fundo da porca. Onde quer que se usem esses elementos. d = diâmetro externo. conforme a figura 61 .38 Figura 60: Rosca direita. existe o perigo de se produzir. a = ângulo do filete. c = crista. as roscas têm os mesmos elementos. h1 = altura do filete da porca. Figura 63: Utilização de arruela no conjunto porca-parafuso. variando apenas os formatos e dimensões. D1 = diâmetro do furo da porca. h = altura do filete do parafuso. Na rosca esquerda. d2 = diâmetro do flanco. Arruelas A maioria dos conjuntos mecânicos apresenta elementos de fixação. Figura 61: Rosca esquerda. f = fundo do filete. i = ângulo da hélice. d1 = diâmetro interno. o filete sobe da esquerda para a direita. em virtude das vibrações. . Figura 62: Rosca e seus elementos constituintes.

Figura 65: Arruela de Pressão. a arruela lisa tem. submetidos a grandes esforços e grandes vibrações. painéis automotivos. como. de travamento com orelha e arruela para perfilados. ondulada. ainda. a função de melhorar os aspectos do conjunto.39 As arruelas têm a função de distribuir igualmente a força de aperto entre a porca. Os dentes inclinados das arruelas formam uma mola quando são pressionados e se encravam na cabeça do parafuso. dentada. Figura 66: Arruela Dentada. como elemento de trava. basicamente. existe um tipo ideal de arruela. O travamento se dá entre o conjunto parafuso/porca. Figura 64: Arruela lisa. cobre e latão. 10. . Para cada tipo de trabalho. mas com pequenos esforços. é utilizada em órgãos de máquinas que sofrem pequenas vibrações. A arruela de pressão funciona. também. também funcionam como elementos de trava.1 – Tipos de Arruela Existem vários tipos de arruela: lisa. equipamentos de refrigeração etc. Os materiais mais utilizados na fabricação das arruelas são aço-carbono. evitando o afrouxamento do parafuso e da porca. prensas etc. as mesmas funções da arruela dentada. b) Arruela de Pressão A arruela de pressão é utilizada na montagem de conjuntos mecânicos. d) Arruela Serrilhada A arruela serrilhada tem. a) Arruela lisa Além de distribuir igualmente o aperto. muito empregada em equipamentos que sofrem variação de temperatura (automóveis. c) Arruela Dentada Muito empregada em equipamentos sujeitos a grandes vibrações.). É. Em algumas situações. o parafuso e as partes montadas. A arruela lisa por não ter elemento de trava. de pressão. também. É usada nos mesmos tipos de trabalho que a arruela dentada. serrilhada. eletrodomésticos. Apenas suporta esforços um pouco maiores.

dobra-se uma aba da orelha envolvendo um dos lados chanfrado do conjunto porca/parafuso. f) Arruela de travamento com orelha Utiliza-se esta arruela dobrando-se a orelha sobre um canto vivo da peça. É indicada. É adequada para equipamentos que possuem acabamento externo constituído de chapas finas.40 Figura 67: Arruela Serrilhada. Em seguida. evitando danificação do acabamento. Porém. e) Arruela Ondulada A arruela ondulada não tem cantos vivos. Figura 69: Arruela de travamento com orelha e aplicação. este tipo de arruela compensa os ângulos e deixa perfeitamente paralelas as superfícies a serem parafusadas. h) Outros tipos de arruelas Os tipos de arruelas mais usados são citados anteriormente. Devido ao seu formato de fabricação. existem outros tipos menos utilizados: . Figura 70: Arruela para perfilados e aplicação. g) Arruela para perfilados É uma arruela muito utilizada em montagens que envolvem cantoneiras ou perfis em ângulo. especialmente. Figura 68: Arruela Ondulada. para superfícies pintadas.

11. Anéis Elásticos O anel elástico é um elemento usado em eixos ou furos. de trava ou de segurança. Figura 72: Aplicação dos anéis elásticos. .41 Figura 71: Tipos diversos de arruelas. · Posicionar ou limitar o curso de uma peça ou conjunto deslizante sobre o eixo. Esse elemento de máquina é conhecido também como anel de retenção. tendo como principais funções: · Evitar deslocamento axial de peças ou componentes.

Trabalha externamente · Norma DIN 471.42 11. Trabalha internamente · Norma DIN 472. Alguns aplicações são: a) Eixos com diâmetro entre 4 e 1 000 mm. Figura 74: Anel para furo com diâmetro entre 9. d) Eixos com diâmetro entre 4 e 390 mm para rolamentos. Figura 76: Anel para eixos com diâmetro entre 4 e 390 mm. .1 – Material de Fabricação e forma dos Anéis Elásticos Fabricado de aço-mola.5 e 1000 mm. tem a forma de anel incompleto.5 e 1 000 mm. b) Furos com diâmetro entre 9. Figura 75: Anel para eixos com diâmetro entre 8 e 24 mm. Trabalha externamente · Norma DIN 6799. c) Eixos com diâmetro entre 8 e 24 mm. Figura 73: Anel para diâmetro entre 4 e 1000 mm. que se aloja em um canal circular construído conforme normalização.

43

e) Pequenos esforços axiais.

Figura 77: Anel de secção circular para pequenos esforços axiais.
Tendo em vista facilitar a escolha e seleção dos anéis em função dos tipos de trabalho ou operação, existem tabelas
padronizadas de anéis. Veja quadros 10 e 11.
Quadro 10: Anel elástico para Eixos.

44

Quadro 11: Anel elástico para Furos.

Na utilização dos anéis, alguns pontos importantes devem ser observados:
· A dureza do anel deve ser adequada aos elementos que trabalham com ele.
· Se o anel apresentar alguma falha, pode ser devido a defeitos de fabricação ou condições de operação.
· As condições de operação são caracterizadas por meio de vibrações, impacto, flexão, alta temperatura ou atrito
excessivo.
· Um projeto pode estar errado: previa, por exemplo, esforços estáticos, mas as condições de trabalho geraram
esforços dinâmicos, fazendo com que o anel apresentasse problemas que dificultaram seu alojamento.

45

· A igualdade de pressão em volta da canaleta assegura aderência e resistência. O anel nunca deve estar solto, mas
alojado no fundo da canaleta, com certa pressão.
· A superfície do anel deve estar livre de rebarbas, fissuras e oxidações.
· Em aplicações sujeitas à corrosão, os anéis devem receber tratamento anticorrosivo adequado.
· Dimensionamento correto do anel e do alojamento.
· Em casos de anéis de secção circular, utilizá-los apenas uma vez.
· Utilizar ferramentas adequadas para evitar que o anel fique torto ou receba esforços exagerados.
· Montar o anel com a abertura apontando para esforços menores, quando possível.
· Nunca substituir um anel normalizado por um “equivalente”, feito de chapa ou arame sem critérios.
12. Chavetas
É um elemento mecânico fabricado em aço. Sua forma, em geral, é retangular ou semicircular. A chaveta se interpõe
numa cavidade de um eixo e de uma peça.
A chaveta tem por finalidade ligar dois elementos mecânicos.

Figura 78: Desenho esquemático da aplicação de chaveta.
12.1 – Classificação das Chavetas
As chavetas se classificam em:
· chavetas de cunha;
· chavetas paralelas;
· chavetas de disco.
a) Chavetas tipo Cunha
As chavetas têm esse nome porque são parecidas com uma cunha. Uma de suas faces é inclinada, para facilitar a
união de peças.

porém. · comprimento (L). plana. o rasgo do eixo é sempre mais comprido que a chaveta. com ou sem cabeça. Para possibilitar seu emprego. Sua inclinação é de 1:100 e suas medidas principais são definidas quanto a: · altura (h). para sua montagem não se abre rasgo no eixo. a.3) Chavetas Planas: Sua forma é similar à da chaveta encaixada. meia-cana. a. conforme se observa na vista superior ao lado. pois a chaveta transmite o movimento por efeito do atrito. É feito um rebaixo plano. rodas. As chavetas longitudinais são colocadas na extensão do eixo para unir roldanas. O rasgo para seu alojamento no eixo possui o mesmo comprimento da chaveta.46 As chavetas de cunha classificam-se em dois grupos: chavetas longitudinais e chavetas transversais. · largura (b). quando o esforço no elemento conduzido for muito grande. embutida e tangencial. As chavetas embutidas nunca têm cabeça. Podem ser com ou sem cabeça e são de montagem e desmontagem fácil. Não é necessário rasgo na árvore.1) Chavetas Encaixada: São muito usadas. As chavetas longitudinais podem ser de diversos tipos: encaixada. Figura 79: Chaveta longitudinal. a. volantes etc. a. Figura 80: Chaveta Encaixada. Figura 82: Chaveta Plana. Figura 81: Chaveta Meia-cana.2) Chevatas Meia-cana: Sua base é côncava (com o mesmo raio do eixo).4) Chavetas Embutidas: Essas chavetas têm os extremos arredondados. Sua forma corresponde à do tipo mais simples de chaveta de cunha. Desta forma. . Sua inclinação é de 1:100. a chaveta desliza sobre a árvore.

Figura 85: Chaveta Transversal. não têm inclinação. quando o eixo está submetido a mudança de carga ou golpes. . Se a união se submete a montagem e desmontagem freqüentes. sua inclinação varia entre 1:25 e 1:50. a. A transmissão do movimento é feita pelo ajuste de suas faces laterais às laterais do rasgo da chaveta. b) Chavetas Paralelas ou Lingüetas Essas chavetas têm as faces paralelas. e os rasgos são posicionados a 120º. Transmitem fortes cargas e são utilizadas. Fica uma pequena folga entre o ponto mais alto da chaveta e o fundo do rasgo do elemento conduzido.5) Chavetas Tangenciais: São formadas por um par de cunhas.47 Figura 83: Chaveta Embutida.6) Chavetas Transversais: São aplicadas em união de peças que transmitem movimentos rotativos e retilíneos alternativos. a inclinação pode ser de 1:6 a 1:15. a. Figura 86: Chavetas Paralelas. sobretudo. Figura 84: Chaveta tangencial. portanto. colocado em cada rasgo. Quando as chavetas transversais são empregadas em uniões permanentes. São sempre utilizadas duas chavetas.

eles podem ser retos ou arredondados. c) Chaveta de Disco ou Meia-lua (tipo Woodruff) É uma variante da chaveta paralela. Na prática. podemos observar que buchas e mancais são elementos que funcionam conjuntamente. apenas sendo estudados separadamente para facilitar o estudo dos mesmos. rolamentos e mancais. 12. os elementos de apoio consistem de acessórios auxiliares para o funcionamento de máquinas. ter parafusos para fixarem a chaveta ao eixo. 13. Figura 88: Chaveta Woodruff. Podem. Figura 87: Tipos de chavetas paralelas. É comumente empregada em eixos cônicos por facilitar a montagem e se adaptar à conicidade do fundo do rasgo do elemento externo. Figura 89: Ajustes e Tolerâncias para chavetas. ainda. Recebe esse nome porque sua forma corresponde a um segmento circular.48 As chavetas paralelas não possuem cabeça.2 Tolerâncias para Chavetas A figura mostra os três tipos mais comuns de ajustes e tolerâncias para chavetas e rasgos. . Serão abordados neste tópico os seguintes elementos de apoio: buchas. Quanto à forma de seus extremos. Introdução aos Elementos de Apoio De modo geral. guias.

sendo que o furo possibilita a entrada de lubrificantes. mais conhecido como bucha reduz bastante o atrito. por exemplo o liqüidificador. No caso de rodas de madeira. deve haver lubrificação. de fricção axial para esforços axiais e cônicas para esforços nos dois sentidos. já existia o problema de atrito.1 – Buchas As buchas existem desde que se passou a usar transportes com rodas e eixos. Podem ser fabricadas de metal antifricção ou de materiais plásticos. Com a introdução das rodas de aço manteve-se o problema com atritos. Muitos aparelhos possuem buchas em seus mecanismos como. As mais comuns são feitas de um corpo cilíndrico furado. As buchas são elementos de máquinas de forma cilíndrica ou cônica. que até hoje são usadas em carros de boi. Servem para apoiar eixos e guiar brocas e alargadores. Os extremos são roscados e têm três rasgos longitudinais.1 – Classificação das Buchas As buchas podem ser classificadas quanto ao tipo de solicitação. Em alguns casos.49 13. o espremedor de frutas e o ventilador. desgastavam-se eixos e rodas sendo preciso trocá-los. 13. Nesse sentido. Essas buchas são usadas em peças para cargas pequenas e em lugares onde a manutenção seja fácil. essas buchas são cilíndricas na parte interior e cônicas na parte externa. Durante o movimento de rotação as superfícies em contato provocavam atritos e. a) Buchas de Fricção Radial Essas buchas podem ter várias formas. o que permite o reajuste das buchas nas peças.1. com o tempo. . a bucha deve ser fabricada com material menos duro que o material do eixo. passando a constituir um elemento de apoio indispensável. elas podem ser de fricção radial para esforços radiais. Normalmente. A solução encontrada foi a de colocar um anel de metal entre o eixo e as rodas. Esse anel. Nos casos em que o eixo desliza dentro da bucha.

ou seja. c) Buchas Cônicas Esse tipo de bucha é usado para suportar um eixo do qual se exigem esforços radiais e axiais.50 b) Bucha de Fricção Axial Essa bucha é usada para suportar o esforço de um eixo em posição vertical. de fazer furos. Para isso é preciso que a ferramenta de furar fique corretamente posicionada para que os furos sejam feitos exatamente nos locais marcados. Em determinados trabalhos de usinagem. há a necessidade de furação. são usadas as buchas-guia para furação e também para alargamento dos furos. Nesse caso. são pouco empregadas. Quase sempre essas buchas requerem um dispositivo de fixação e. . por isso.

usam-se buchas-guia longas com as seguintes características: · Ajuste: h7 . temperado ou nitretado. Para isso. A principal finalidade da bucha-guia é a de manter um eixo comum (coaxilidade) entre ela e o furo.2mm. · Diâmetro (d) conforme a ferramenta rotativa. · Bucha com borda para limitação da descida. as buchas-guia devem ser de tipos variados. a distância será de 0.51 As buchas-guia são elementos de precisão. Quando a distância (h) entre a peça e a base de sustentação da bucha-guia é grande. elas são feitas em aço duro. · Distância (e) com saída por baixo do cavaco. · Diâmetro (D) maior que a ferramenta rotativa. com superfícies bem lisas. multiplicado pelo diâmetro do furo da bucha. As maiores são feitas em aço cementado. As buchas pequenas com até 20 mm de diâmetro são feitas em aço-carbono. sujeitas a desgaste por atrito. A distância entre a bucha-guia e a peça baseia-se em dois parâmetros: · Quando o cavaco deve passar pelo interior da bucha-guia.5 mm. de preferência retificadas. Por isso. . a distância será igual ou maior que 0.n6. · Quando o cavaco deve sair por baixo da bucha-guia.

cabeça recartilhada e travamento lateral por parafuso de fenda. Ou. então. usam-se duas buchas-guia com borda e travamento entre si. mais sofisticada tecnologicamente. . usa-se uma bucha-guia de diâmetro que comporte os furos com travamento lateral por pino.j6.52 Quando dois furos são próximos um do outro. Ela serve para manter um eixo comum (coaxilidade) para centralizar a peça e para fixá-la no dispositivo. usam-se buchas-guia do tipo removível com ajuste H7 . Se for necessário trocar a bucha-guia durante o processo de usinagem. Segue a ilustração de uma bucha-guia com três usos.

53 Há grande variedade de tipos de buchas-guia. Para ficar clara sua descrição. 13. a trajetória de determinadas peças. As guias de deslizamento apresentamse.2. com certo rigor. como exemplo. nas seguintes formas: . 13. define-se o tipo de bucha-guia a ser usado. apresentamos. geralmente. De acordo com o projeto de dispositivos.2 – Guias Como você pôde perceber. a ilustração de uma porta corrediça do box de um banheiro. a guia é um elemento de máquina que mantém.1 – Classificação das Guias As guias classificam-se em dois grupos: guias de deslizamento e de rolamento.

As réguas têm perfil variado. de acordo com a dimensão da folga. Com o passar do tempo. mesmo que ele seja sempre lubrificado. Quando uma ou mais peças se movimentam apoiadas em guias. conhecidos como barramento. é preciso que ela seja compensada por meio de réguas de ajuste. o movimento vai provocando desgaste das superfícies dando origem a folga no sistema. . O quadro 12 apresenta alguns perfis combinados e sua aplicação. Para evitar que essa folga prejudique a precisão do movimento. as superfícies entram em contato por atrito. Quadro 12: Perfis de Guias combinados.54 Em máquinas operatrizes são empregadas combinações de vários perfis de guias de deslizamentos.

conforme mostram as ilustrações da figura 92. o barramento. 13. ou seja. que é introduzido entre as superfícies em contato por meio de ranhuras ou canais de lubrificação. 13. em um torno. Conforme a finalidade do emprego da guia. O óleo deve correr pelas ranhuras de modo que atinja toda a extensão da pista e forme uma película lubrificante. conjunto de guias de deslizamento é feito com ferro fundido. as guias são lubrificadas com óleo. O barramento é muito usado em máquinas operatrizes como.3 – Lubrificação De modo geral.2.2 – Material de Fabricação Geralmente.55 Figura 90: Tipos de barramentos e suas respectivas réguas de ajuste.2. por exemplo. Figura 91: Torno mecânico. . ela pode ser submetida a um tratamento para aumentar a dureza de sua superfície. Essas ranhuras são feitas sempre na pista da peça móvel.

13. Atualmente. são recomendadas as seguintes medidas: .2.2. Isto ocorre porque os elementos rolantes giram entre as guias.56 Figura 92: Guias com canaletas de lubrificação. 13.4 – Guias de Rolamento As guias de rolamento geram menor atrito que as guias de deslizamento. Figura 93: Guias de Rolamento.5 – Conservação de Guias Para conservar as guias de deslizamento e de rolamento em bom estado. como ilustrações apresentadas na figura 93. Os elementos rolantes podem ser esferas ou roletas. são largamente empregados em máquinas de Comando Numérico Computadorizado (CNC).

3. sempre que necessário. 13. 13. · Protegê-las quando são expostas a um meio abrasivo. os mancais de deslizamento são constituídos de uma bucha fixada num suporte.57 · Manter as guias sempre lubrificadas.1 – Mancais de Deslizamento Geralmente. os mancais podem ser de deslizamento ou de rolamento. . Dependendo da solicitação de esforços. No ponto de contato entre a superfície do eixo e a superfície do mancal. Figura 94: Mancal num “carro de boi”.3 – Mancais O mancal pode ser definido como suporte ou guia em que se apóia o eixo. · Protegê-las com madeira quando forem usadas como apoio de algum objeto. Figura 95: Aplicação de Mancal de Deslizamento. · Providenciar a manutenção do ajuste da régua. porque a baixa velocidade evita superaquecimento dos componentes expostos ao atrito. ocorre atrito. Esses mancais são usados em máquinas pesadas ou em equipamentos de baixa rotação.

As buchas são. utilizamos um outro elemento de máquina. roletes e agulhas. 13. d: diâmetro interno. Quando um eixo gira dentro de um furo produzse. R: raio de arredondamento. corpos cilíndricos ocos que envolvem os eixos. São feitas de materiais macios. Figura 97: Desenho ilustrativo da montagem bucha/eixo. funcionam assentados em apoios. Quando é necessário reduzir ainda mais o atrito de escorregamento. um fenômeno chamado atrito de escorregamento. As dimensões e características dos rolamentos são indicadas nas diferentes normas técnicas e nos catálogos de fabricantes. São geralmente constituídos de dois anéis concêntricos. Na figura 98 temos os principais tipos de rolamentos utilizados.3. Os rolamentos são classificados em função dos seus elementos rolantes. entre os quais são colocados elementos rolantes como esferas. geralmente. em geral. permitindo-lhes uma melhor rotação. Os eixos das máquinas. Ao examinar um catálogo de rolamentos. . ao máximo. como o bronze e ligas de metais leves. Figura 98: Tipos de rolamentos. ou uma norma específica. chamado rolamento. Os rolamentos limitam. L: largura.58 O uso de buchas e de lubrificantes permite reduzir esse atrito e melhorar a rotação do eixo. entre a superfície do eixo e a superfície do furo. as perdas de energia em conseqüência do atrito. você encontrará informações sobre as seguintes características: Características dos rolamentos: D: diâmetro externo.2 – Mancais de Rolamento Quando necessitar de mancal com maior velocidade e menos atrito. o mancal de rolamento é o mais adequado.

isto é. média e pesada. são usadas as séries média ou pesada. Os rolamentos classificam-se de acordo com as forças que eles suportam. Impedem o deslocamento tanto no sentido transversal quanto no axial Figura 102 : Sistema eixo-bucha com rolamento misto. axiais e mistos.Não podem ser submetidos a cargas radiais. média leve. Para cargas maiores. c) Mistos .59 Figura 99: Rolamento de Esferas. Em geral. Impedem o deslocamento no sentido axial. Os valores do diâmetro D e da largura L aumentam progressivamente em função dos aumentos das cargas.Não suportam cargas axiais e impedem o deslocamento no sentido transversal ao eixo. a partir do diâmetro do eixo em que o rolamento é utilizado. Podem ser radiais. . b) Axiais . Figura 100: Sistema eixo-bucha com rolamento radial. a normalização dos rolamentos é feita a partir do diâmetro interno d. Para cada diâmetro são definidas três séries de rolamentos: leve. longitudinal ao eixo. a) Radiais . isto é.Suportam tanto carga radial como axial. Figura 101 : Sistema eixo-bucha com rolamento axial. As séries leves são usadas para cargas pequenas.

Os corpos rolantes são formados de cilindros. Figura 105 : Rolamento de Agulhas. . Apropriados para rotações mais elevadas. São recomendados para mecanismos oscilantes.Os corpos rolantes são esferas.60 Quanto aos elementos rolantes. b) De rolos . os rolamentos podem ser: a) De esferas . Figura 104 : Rolamento de Rolos. Esses rolamentos suportam cargas maiores e devem ser usados em velocidades menores. c) De agulhas . rolos cônicos ou barriletes. onde a carga não é constante e o espaço radial é limitado.Os corpos rolantes são de pequeno diâmetro e grande comprimento. Figura 103 : Rolamento de esferas.

2 – Vantagens e Desvantagens do Rolamentos Vantagens Desvantagens · Menor atrito e aquecimento. · Maiores custos de fabricação. · a largura (L). axial de esfera. . de contato angular de uma carreira de esferas. as medidas do eixo. Suporta cargas radiais e pequenas cargas axiais e é apropriado para rotações mais elevadas. número Figura 106: Rolamento de Esferas.61 13. de rolos cônicos. · Intercambialidade internacional. É necessário um perfeito alinhamento entre o eixo e os furos da caixa. . autocompensador de uma carreira de rolos. · o tipo de solicitação.3. Os rolamentos podem ser de diversos tipos: fixo de uma carreira de esferas. · Maior sensibilidade aos choques · Baixa exigência de lubrificação. · Ocupa maior espaço radial. a vida útil. 13. Não suporta cargas tão elevadas como os mancais de · Pequeno aumento da folga durate deslizamernto. de rolo cilíndrico. · o nº de rotação. · Tolerância pequena para carcaça e alojamento do eixo. Sua capacidade de ajustagem angular é limitada. · Não há desgaste do eixo.3. · o diâmetro interno (d). axial autocompensador de rolos. autocompensador de duas carreiras de rolos.3 – Tipos e Seleção de Rolamentos Os rolamentos são selecionados conforme: . · o diâmetro externo (D). autocompensador de esferas. a) Rolamento fixo de uma carreira de esferas: É o mais comum dos rolamentos. de agulha e com proteção. · o tipo de carga.

c) Rolamento autocompensador de esferas É um rolamento de duas carreiras de esferas com pista esférica no anel externo. ou seja. Figura 109: Rolamento autocompensador de esferas. Seus componentes são separáveis. o que lhe confere a propriedade de ajustagem angular. d) Rolamento de rolo cilíndrico: É apropriado para cargas radiais elevadas. b) Rolamento de contato angular de uma carreira de esferas: Admite cargas axiais somente em um sentido e deve sempre ser montado contra outro rolamento que possa receber a carga axial no sentido contrário. . Figura 108: Rolamento de contato angular de uma carreira de esferas. o que facilita a montagem e desmontagem.62 Figura 107 : Rolamento fixo de carreira de esferas. de compensar possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo.

Devido ao alto grau de oscilação entre rolos e pistas. Os anéis são separáveis. um contra o outro. f) Rolamento autocompensador de duas carreiras de rolos: É um rolamento adequado aos mais pesados serviços. Figura 112 : Rolamento g) Rolamento de rolos cônicos: Além de cargas radiais.63 Figura 110: Rolamento de rolo cilíndrico. e) Rolamento autocompensador de uma carreira de rolos: Seu emprego é particularmente indicado para construções em que se exige uma grande capacidade para suportar carga radial e a compensação de falhas de alinhamento. os rolamentos de rolos cônicos também suportam cargas axiais em um sentido. Como só admitem cargas axiais em um sentido. Os rolos são de grande diâmetro e comprimento. Figura 111 : Rolamento autocompensador de uma carreira de rolos. . existe uma distribuição uniforme da carga. O anel interno e o externo podem ser montados separadamente. torna-se necessário montar os anéis aos pares.

i) Rolamento axial autocompensador de rolos: Possui grande capacidade de carga axial devido à disposição inclinada dos rolos. não podem ser submetidos a cargas radiais. Também pode suportar consideráveis cargas radiais. Figura 114: Rolamento axial de esferas. compensando possíveis desalinhamentos ou flexões do eixo. porém. é necessária a atuação permanente de uma carga axial mínima. . h) Rolamento axial de esfera: Ambos os tipos de rolamento axial de esfera (escora simples e escora dupla) admitem elevadas cargas axiais.64 Figura 113 : Rolamento de rolos cônicos. Para que as esferas sejam guiadas firmemente em suas pistas. A pista esférica do anel da caixa confere ao rolamento a propriedade de alinhamento angular.

É utilizado especialmente quando o espaço radial é limitado.65 Figura 115: Rolamento axial autocompensador de rolos. j) Rolamento de agulha: Possui uma seção transversal muito fina em comparação com os rolamentos de rolos comuns. A vedação é feita por blindagem (placa). k) Rolamentos com proteção: São assim chamados os rolamentos que. Existem vários tipos. As designações Z e RS são colocadas à direita do número que identifica os rolamentos. . precisam ser protegidos ou vedados. em função das características de trabalho. Os principais tipos de placas são: Figura 117: Rolamentos com proteção. Quando acompanhados do número 2 indicam proteção de ambos os lados. Figura 116: Rolamento de agulha.

entre outros. Figura 119: Descascamento na pista de rolamento. a) Desgaste: O desgaste pode ser causado por: · deficiência de lubrificação. fadiga e/ou falhas mecânicas. Figura 118: Desgaste nas pistas de rolamento.66 13. devem ser tomados os seguintes cuidados: · verificar se as dimensões do eixo e cubo estão corretas. · no caso de reaproveitamento do rolamento. ao girar em falso. · não usar estopa nas operações de limpeza. verificando sua procedência e seu código correto. · usar o lubrificante recomendado pelo fabricante. deve-se tomar muito cuidado. principalmente nos casos de carga excessiva. · desgaste por brinelamento. deve-se lavá-lo e lubrificá-lo imediatamente para evitar oxidação. · trabalhar em ambiente livre de pó e umidade. Na montagem. · presença de partículas abrasivas. Figura 120 : Descascamento parcial na pista de rolamento. · remover rebarbas.3. 13. Defeitos Comuns dos Rolamentos Os defeitos comuns ocorrem por: desgaste. Antes da instalação é preciso verificar cuidadosamente os catálogos dos fabricantes e das máquinas.4. seguindo as especificações recomendadas. ovalização ou por conificação do alojamento. Descascamento parcial revela fadiga por desalinhamento. · desgaste por patinação (girar em falso). Cuidados com os Rolamentos Na troca de rolamentos. b) Fadiga: A origem da fadiga está no deslocamento da peça.3.5. . · oxidação (ferrugem). A peça se descasca.

5.1) Brinelamento: É caracterizado por depressões correspondentes aos roletes ou esferas nas pistas do rolamento. 13.2) Goivagem: É defeito semelhante ao anterior. . c.6) O engripamento: Pode ocorrer devido a lubrificante muito espesso ou viscoso. Podem. também. Pode acontecer. devido a problemas de rolamentos.5) As rachaduras e fraturas: Resultam. de aperto excessivo do anel ou cone sobre o eixo.4) Queima por corrente elétrica: É geralmente provocada pela passagem da corrente elétrica durante a soldagem. é aconselhável conhecer com antecedência que rolamentos são utilizados nas máquinas e as ferramentas especiais para sua montagem e desmontagem.3) Sulcamento: É provocado pela batida de uma ferramenta qualquer sobre a pista rolante. c. Resulta de aplicação da pré-carga. mas provocado por partículas estranhas que ficam prensadas pelo rolete ou esfera nas pistas. c. acompanhado de sobrecarga. geralmente.3. por eliminação de folga nos roletes ou esferas por aperto excessivo. sem girar o rolamento. Para isso. também. c. é necessário ter certeza de que alguns desses rolamentos estejam disponíveis para troca. O que verificar durante o funcionamento Para evitar paradas longas na produção. ou da prensagem do rolamento com excesso de interferência. c.67 c) Falhas Mecânicas: c. As pequenas áreas queimadas evoluem rapidamente com o uso do rolamento e provocam o deslocamento da pista rolante. aparecer como resultado do girar do anel sobre o eixo.

Se o ruído for uniforme mas apresentar um som metálico. Pela observação. Atualmente. ou que não são muito solicitados. que pode durar de um a dois dias. pode-se verificar se há vazamento de lubrificante através dos vedadores ou de bujões. seu funcionamento. Quando o sistema de lubrificação for automático deve-se verificar. Confira se os rolamentos estão em sua embalagem original. é preciso trocar os vedadores e o óleo. sobrecarga. Rolamentos com placa de proteção não deverão ser guardados por mais de 2 anos. Mas é preciso lembrar que logo após a lubrificação é normal ocorrer um aumento da temperatura. antes de embalados. verifica-se a temperatura. se sua parada pode causar problemas. regularmente. não precisam de atenção especial. Com a mão. Nesse caso. tornando-o mais escuro. Coloca-se o ouvido junto à outra extremidade do objeto. devem ser guardados em local onde a temperatura ambiente seja constante (21ºC). Na rotina de verificação são usados os seguintes procedimentos: ouvir. regularmente.68 Os rolamentos são cobertos por um protetor contra oxidação. folga. Se ela estiver mais alta que o normal. Os rolamentos que não apresentam aplicações muito críticas. Para ouvir o funcionamento do rolamento usa-se um bastão de madeira. sentir. pressão ou calor nos retentores. vindos de uma fonte externa. Se o ruído for suave é porque o rolamento está em bom estado. sujeiras mudam a cor do lubrificante. sujeira. protegidos com óleo ou graxa e com papel parafinado. algo está errado: falta ou excesso de lubrificação. limpos. De preferência. existe um termômetro industrial para medir temperatura. Geralmente. . observar. fadiga. Atualmente. existe o analisador de vibração que permite identificar a folga e a intensidade da vibração do rolamento. é necessário lubrificar o rolamento. Nos rolamentos montados em máquinas deve-se verificar. uma chave de fenda ou objetos similares o mais próximo possível do rolamento.

Sempre que for trocar o óleo. no máximo. 50ºC e sem contaminação.3. quatro vezes ao ano. ou a critério do fabricante. As tampas devem ser retiradas para limpeza.3. uma vez por mês. uma vez por semana. acima de 120ºC.7. Na lubrificação em banho. Lubrificantes a) Graxa: A lubrificação deve seguir as especificações do fabricante da máquina ou equipamento. b) Óleo: Olhar o nível do óleo e completá-lo quando for necessário. deve-se retirar toda a graxa e lavar todos os componentes. é preciso limpar a engraxadeira antes de colocar graxa nova. acima de 130ºC. . Se as caixas dos rolamentos tiverem engraxadeiras.69 13. Representações de rolamentos nos desenhos técnicos Os rolamentos podem ser apresentados de duas maneiras nos desenhos técnicos: simplificada e simbólica. acima de 100ºC. 13. o óleo velho deve ser completamente drenado e todo o conjunto lavado com o óleo novo. geralmente se faz a troca a cada ano quando a temperatura atinge.6. Verificar se o respiro está limpo. Na troca de graxa.

Rolamentos montados incorretamente. i. Porcas de fixação que se afrouxam durante a operação. Poderão ocorrer danos e conseqüentes falhas do rolamento se a força de montagem for transmitida aos corpos rolantes. O eixo. deve-se consultar o catálogo geral do fabricante do rolamento. Montagens de Rolamentos a frio A falha prematura dos rolamentos pode ser causada pelos danos decorrentes da montagem inadequada dos rolamentos. deve-se tomar muito cuidado para garantir que as forças de montagem sejam aplicadas ao anel com ajuste fixo. .e. . a) Ajuste fixo: Eixos Cilíndricos..70 13. Montagem incorreta Quando os rolamentos são montados a frio. danificando a pista do rolamento. Essas ferramentas permitem que as forças de montagem sejam aplicadas eficaz e uniformemente ao componente de ajuste fixo. A maioria dos rolamentos são fixados aos eixos ou aos mancais através de um componente de ajuste fixo. . o apoio ou o ressalto do mancal apresentam rebarbas ou estão danificados. . Eixos e caixas de rolamentos de tamanhos incorretos.3. Para tanto. Os problemas mais comuns que causam a falha prematura dos rolamentos são: . . dessa forma evitando danificar a pista do rolamento. Montagem correta O meio correto de minimizar a possibilidade de danos à pista do rolamento é a utilização das ferramentas especificamente projetadas para realizar esse trabalho. muito frouxas ou muito apertadas. Danos causados durante os procedimentos de fixação.8.

a ponto de eliminar a folga interna. Deve-se tomar muito cuidado para que o rolamento não seja empurrado demasiadamente. No caso dos rolamentos maiores. recomenda-se em geral a consideração do uso do eixo cônico para facilitar a montagem e a desmontagem do rolamento. Rolamentos autocompensadores de rolos Método: O ajuste correto para os rolamentos autocompensadores de rolos é determinado pela medição da folga residual interna do rolamento ou pelo valor do ajuste axial. provocando danos ao rolamento. .71 b) Ajuste fixo: eixos cônicos Os rolamentos montados em eixos cônicos obtêm o ajuste fixo quando atingem o local certo de fixação no eixo cônico. Os detalhes da redução necessária da folga e do ajuste axial podem ser obtidos nas tabelas publicadas no Catálogo Geral de rolamentos do fabricante.

por exemplo. suspensão de automóvel. ou seja. principalmente. mas voltam ao estado normal. distribuição de cargas. limitação de vazão. Com certeza. Molas Peças fixadas entre si com elementos elásticos podem ser deslocadas sem sofrerem alterações. As molas são usadas. Elas sofrem deformação quando recebem a ação de alguma força. ao repouso quando a força pára. As uniões elásticas são usadas para amortecer choques. amortecimento de choques. válvulas de descarga. fechaduras. estofamentos.72 Rolamentos autocompensadores de esferas Método: O ajuste dos rolamentos autocompensadores com duas carreiras de esferas é mais difícil do que os rolamentos autocompensadores de rolos porque o calibrador de lâmina não pode ser usado para o primeiro tipo. Assim. 14. Um método muito eficiente de montagem deste tipo de rolamento é com o uso do conjunto de chavespara porcas de segurança. brinquedos. . preservação de junções ou contatos. você conhece muitos casos em que se empregam molas como. reduzir ou absorver vibrações e para tornar possível o retorno de um componente mecânico à sua posição primitiva. nos casos de armazenamento de energia. as molas são muito usadas como componentes de fixação elástica. relógios.

Figura 123 : a) Limitação de vazão – válvula de gás de botijão. b) Amortecimento de choques – suspensão veicular.73 Figura 121: a) Armazenagem de energia – Válvula de descarga. b) Preservação de junções – Preservar peças articuladas. Figura 122 : Distribuição de Cargas. .

as molas podem ser de tração. . de compressão ou de torção.74 14.1. Figura 125: Molas de tração. Compressão e Molas de Torção. Figura 124: Tipos de Molas. as molas podem ser helicoidais (forma de hélice) ou planas. Quanto à forma geométrica. Quanto ao esforço que suportam. Tipos de Molas Os diversos tipos de molas podem ser classificados quanto à sua forma geométrica ou segundo o modo como resistem aos esforços.

borracha. grande resistência. latão. cobre. magnéticas. a mola helicoidal é enrolada à direita. etc.3. A barra de aço pode ter seção retangular. Para conservar certas propriedades das molas . Os aços molas devem apresentar as seguintes características: alto limite de elasticidade. ela é feita de barra de aço enrolada em forma de hélice cilíndrica ou cônica. alto limite de fadiga. etc. pois a têmpera não chega até o núcleo. plastiprene. circular. . madeira. o sentido da hélice deve ser indicado no desenho. por tração ou por torção torção. Quando a mola helicoidal for enrolada à esquerda. apresentam a vantagem de constituírem elementos com menor peso e volume em relação à energia armazenada. solicitados a tração. As molas helicoidais podem funcionar por compressão.deve-se usar aços-liga e bronze especiais ou revestimentos de proteção. não são aconselháveis os aços-carbono. As molas de borracha e de arames de aço com pequenos diâmetros. Além de 8mm de diâmetro. bronze. usam-se aços-carbono .2. As molas planas podem ser simples. Material de Fabricação das Molas As molas podem ser feitas com os seguintes materiais: aço. resistência ao calor e à corrosão . quadrada. b) Molas Planas As molas planas são feitas de material plano ou em fita. Em geral.ABNT 1070 ou ABNT 1095.elásticas. Principais Tipos de Molas usadas na mecânica a) Molas Helicoidais A mola helicoidal é a mais usada em mecânica. prato. Em geral. 14.75 14. Quando as solicitações são leves. feixe de molas e espiral.

As molas de lâmina (feixe de molas) e de barra de torção requerem espaços de pequena altura (veículos). Aplicação Para selecionar o tipo de mola. São de baixo preço. As molas espirais (de relógios) e de prato podem ser montadas em espaços estreitos. como por exemplo. helicoidal de prato e de borracha dispendem pouca quantidade de energia por atrito. espaço ocupado.76 As molas destinadas a trabalhos em ambientes corrosivos com grande variação de temperaturas são feitas de metal monel (33% CU .4. As molas de borracha são utilizadas em fundações. molas helicoidais de arame de aço. de prato.67% Ni) ou aço inoxidável. Figura 127: Molas planas e de prato. sendo particularmente úteis no caso de molas de grandes dimensões. Na construção de máquinas empregam-se. 14. relações especiais entre força aplicada e deformação). é preciso levar em conta certos fatores. atritos internos ou externo adicional (amortecimento. . Figura 126 : Molas de borracha e plastiprene. peso e durabilidade. Os aços-liga apresentam a vantagem de se adequarem melhor a qualquer temperatura. de dimensionamento e montagem fáceis e podem ser aplicadas em forças de tração e de compressão. especialmente como amortecedores de vibrações e ruídos e em suspensão de veículos. As molas de lâmina. respectivamente. principalmente. Há casos em que se deve considerar a observação das propriedades elásticas.

cada peça tem uma função e ocupa determinada posição.77 15. No conjunto mecânico. Nas figuras temos alguns exemplos de máquinas. Uma máquina é formada por um ou mais conjuntos mecânicos. Conjuntos Mecânicos Máquinas e dispositivos são exemplos de conjuntos mecânicos. Figura 128 : Torno Mecânico Figura 129 : Furadeira e Fresadora. .

veja alguns exemplos de dispositivos que só funcionam quando acoplados a determinadas máquinas. Um dispositivo pode ter uma função isolada ou pode ser colocado em uma máquina para exercer determinadas funções.78 Um dispositivo também é formado de um conjunto de peças. Veja alguns exemplos de dispositivos que exercem função isolada de máquinas. . Agora.

o sistema de rotação é chamado variador. Figura 130: Polia condutora transmite energia e movimento à polia conduzida. · por atrito. Os sistemas de transmissão podem. · por correias. roscas e cabos de aço. rodas de atrito. sua função está ligada a eixos. Seja qual for o tipo de variador. também. . variar as rotações entre dois eixos. correntes. Figura 131 : Variador por engrenagens. Os principais elementos de transmissão são: correia. Elementos de Transmissão Elementos de transmissão são aqueles destinados a transmissão de movimento e potência de um sistema para outro. As maneiras de variar a rotação de um eixo podem ser: · por engrenagens. Na figura 131 tem-se um variador por engrenagens acionado por um motor elétrico. Nesse caso.79 16. engrenagens. Com esses elementos são montados sistemas de transmissão.

Essa maneira de transmissão é a mais usada. A transmissão por atrito possibilita uma boa centralização das peças ligadas aos eixos.80 A transmissão de força e movimento pode ser pela forma e por atrito. Os principais elementos de transmissão por atrito são os elementos anelares e arruelas estreladas. Figura 132 : Elementos Anelares. . A transmissão pela forma é assim chamada porque a forma dos elementos ransmissores é adequada para encaixamento desses elementos entre si. Entretanto. principalmente com os elementos chavetados. eixos-árvore entalhados e eixos-árvore estriados. não possibilita transmissão de grandes esforços quanto os transmitidos pela forma.

Figura 133 : Exemplos de eixos árvores. volantes. que podem ter perfis lisos ou compostos. os elementos (engrenagens com buchas. · eixo-árvore para altas rotações ou para bombas e turbinas são fabricados em aço cromo-níquel. são mais adequados para a fabricação de elementos de transmissão: · eixos com pequena solicitação mecânica são fabricados em aço ao carbono. as máquinas contam com sua coluna vertebral como um dos principais elementos de sua estrutura física: eixos e árvores. eixos de afiadores (esmeris). pois os materiais metálicos apresentam melhores propriedades mecânicas do que os outros materiais.1 – Materiais de Fabricação Os eixos e árvores são fabricados em aço ou ligas de aço. Por isso. por exemplo. Quando se trata de eixo-árvore giratório. o eixo se movimenta juntamente com seus elementos ou independentemente deles como.1. 16.81 16. manípulos etc. Os eixos e as árvores podem ser fixos ou giratórios e sustentam os elementos de máquina. rodas de trole (trilhos). em que são montadas as engrenagens. No caso dos eixos fixos. eixos de máquinas-ferramenta. polias sobre rolamentos e volantes) é que giram. polias. . eixos sobre mancais. rolamentos.1 – Eixos e Árvores Assim como o homem. · eixo-árvore de máquinas e automóveis são fabricados em aço-níquel.

usam-se espigas de anéis ou de cabeça. de manivela e esférica. o material de fabricação varia de acordo com a função dos eixos e árvores. Quando os eixos e árvores têm finalidades específicas. As forças axiais têm direção perpendicular (90º) à seção transversal do eixo. podem ser fabricados em cobre. enquanto as forças radiais têm direção tangente ou paralela à seção transversal do eixo.82 · eixo para vagões são fabricados em aço-manganês. que transforma movimentos circulares em movimentos retilíneos. de colar. uma árvore pode ser de engrenagens (em que são montados mancais e rolamentos) ou de manivelas. Para suporte de forças axiais. latão. cônicas.1. . usam-se espigas retas.2 – Tipos e Características das árvores Conforme suas funções. alumínio. Para suporte de forças radiais. Portanto. 16.

cônicos. por serem mais leves. Essas ranhuras engrenam-se com os sulcos correspondentes de peças que serão montadas no eixo. cujas características estão descritas a seguir. maciços. o que permite sua utilização como elemento de transmissão e também como eixo prolongador utilizado na fixação de rebolos para retificação interna e de ferramentas para usinagem de furos. A parte que se ajusta tem um formato cônico e é firmemente presa por uma porca. os eixos podem ser roscados. d) Eixos roscados Esse tipo de eixo é composto de rebaixos e furos roscados. as máquinas-ferramenta possuem o eixo-árvore vazado para facilitar a fixação de peças mais longas para a usinagem. Os eixos ranhurados são utilizados para transmitir grande força. b) Eixos vazados Normalmente. flexíveis. estriados.83 Quanto ao tipo. e) Eixos-árvore ranhurados Esse tipo de eixo apresenta uma série de ranhuras longitudinais em torno de sua circunferência. Uma chaveta é utilizada para evitar a rotação relativa. As arestas são arredondadas para aliviar a concentração de esforços. ranhurados. c) Eixos cônicos Os eixos cônicos devem ser ajustados a um componente que possua um furo de encaixe cônico. A extremidade do eixo é chanfrada para evitar rebarbas. com degraus ou apoios para ajuste das peças montadas sobre eles. vazados. a) Eixos maciços A maioria dos eixos maciços tem seção transversal circular maciça. . Temos ainda os eixos vazados empregados nos motores de avião.

caracterizam-se por garantir uma boa concentricidade com boa fixação.84 f) Eixos-árvore estriados Assim como os eixos cônicos.2 – Polias e Correias Figura 135: Sistema Polia-Correia. Figura 134: Cabo de Velocímetro . 16. alavancas de máquinas etc. O conjunto é protegido por um tubo flexível e a união com o motor é feita mediante uma braçadeira especial com uma rosca. g) Eixos-árvore flexíveis Consistem em uma série de camadas de arame de aço enroladas alternadamente em sentidos opostos e apertadas fortemente. os eixos-árvore estriados também são utilizados para evitar rotação relativa em barras de direção de automóveis. como chavetas. e adequados a forças não muito grandes e altas velocidades (cabo de velocímetro). . São eixos empregados para transmitir movimento a ferramentas portáteis (roda de afiar).

1 –Tipos de Polias Os tipos de polia são determinados pela forma da superfície na qual a correia se assenta. e a polia com superfície abaulada guia melhor as correias. . Essa superfície pode ser plana ou abaulada. As polias apresentam braços a partir de 200 mm de diâmetro. Uma polia é constituída de uma coroa ou face. As polias planas podem apresentar dois formatos na sua superfície de contato. Abaixo desse valor. Elas podem ser planas ou trapezoidais. a coroa é ligada ao cubo por meio de discos. A polia trapezoidal recebe esse nome porque a superfície na qual a correia se assenta apresenta a forma de trapézio. As polias trapezoidais devem ser providas de canaletes (ou canais) e são dimensionadas de acordo com o perfil padrão da correia a ser utilizada. A polia plana conserva melhor as correias. movimentadas pela rotação do eixo do motor e pelas correias. 16. na qual se enrola a correia.2. A face é ligada a um cubo de roda mediante disco ou braços.85 Polias As polias são peças cilíndricas.

polias (ou rodas) de atrito. Vamos ver um exemplo que pode explicar como consultar tabela. perfil padrão da correia C e ângulo do canal de 34º.25 mm Além das polias para correias planas e trapezoidais. . Imaginemos que se vai executar um projeto de fabricação de polia.86 Essas dimensões são obtidas a partir de consultas em tabelas.5 mm X: 8. Como determinar as demais dimensões da polia? Com os dados conhecidos. as palavras roda e polia são utilizadas como sinônimos. ao lado. cujo diâmetro é de 250 mm. polias para correias redondas e para correias dentadas.25 mm S: 25. Algumas vezes. Na figura 137 tem-se alguns exemplos de polias e.5 mm U = R: 1. a forma como são representadas em desenho técnico. consultamos a tabela e vamos encontrar essas dimensões: Perfil padrão da correia: C Diâmetro externo da polia: 250 mm Ângulo do canal: 34º T: 15.5 mm W: 22.5 mm Y: 4 mm Z: 3 mm H: 22 mm K: 9. para correntes. existem as polias para cabos de aço.

2.2 – Material das Polias Os materiais que se empregam para a construção das polias são ferro fundido (o mais utilizado). a correia irá se desgastar rapidamente. pois. . aços. ligas leves e materiais sintéticos. A superfície da polia não deve apresentar porosidade.87 Figura 137 : Tipos de Polias. do contrário. 16.

O emprego da correia trapezoidal ou em .2. é preferível ao da correia plana porque: · praticamente não apresenta deslizamento. É feita de borracha revestida de lona e é formada no seu interior por cordonéis vulcanizados para suportar as forças de tração. perlon e náilon) e material combinado (couro e sintéticos). · permite o uso de polias bem próximas. pêlo de camelo.V. como no comando de válvulas do automóvel. A correia em .3 – Material das Correias Os materiais empregados para fabricação das correias são couro. Outra correia utilizada é a correia dentada. · elimina os ruídos e os choques. ou trapezoidal é inteiriça. . materiais fibrosos e sintéticos (à base de algodão. fabricada com seção transversal em forma de trapézio. Existem vários perfis padronizados de correias trapezoidais.V.88 Correias As correias mais usadas são planas e as trapezoidais. típicos das correias emendadas (planas). 16. viscose. para casos em que não se pode ter nenhum deslizamento.

2. Assim. temos: · transmissão de rotação entre eixos não paralelos.4 – Transmissão Na transmissão por polias e correias. Para ajustar as correias nas polias. . utiliza-se o esticador de correia. a polia que transmite movimento e força é chamada polia motora ou condutora. mantendo tensão correta. A maneira como a correia é colocada determina o sentido de rotação das polias. A polia que recebe movimento e força é a polia movida ou conduzida.89 16.

n1 = π. que podem agredi-las.n Como as duas velocidades são iguais. e é calculada pela fórmula: V = π. as correias estão sujeitas às condições do meio ambiente como umidade. e poeira. sofrem esforços durante todo o tempo em que estiverem operando.90 16. temos: V1 = V2  π. e na transmissão por correia trapezoidal esse valor não deve ser maior do que 10 (dez). .5 – Relação de transmissão Na transmissão por polias e correias.D1. D2. e as forças de tração produzem alongamentos que vão lasseando-as. que provoca o aquecimento. Costuma-se usar a letra i para representar a relação de transmissão.2. As forças de atrito geram calor e desgaste. As rachaduras reduzem a tensão das correias e. A velocidade tangencial (V) é a mesma para as duas polias. substancias químicas. n2 Então: D1. pois estão sujeitas às forças de atrito e de tração. n1 = D2. polias com diâmetros incompatíveis. a sua eficiência.2. 16. resíduos. é necessário obedecer alguns limites em relação ao diâmetro das polias e o número de voltas pela unidade de tempo. consequentemente. poeira. deslizamento durante a transmissão. Além desses dois fatores. Para estabelecer esses limites precisamos estudar as relações de transmissão. para que o funcionamento seja perfeito. Um dano típico que uma correia pode sofrer é a rachadura. inevitavelmente. Ela é a relação entre o número de voltas das polias (n) numa unidade de tempo e os seus diâmetros. a relação de transmissão ( i ) não deve ser maior do que 6 (seis). As causas mais comuns deste dano são: altas temperaturas. D1 = diâmetro da polia menor D2 = diâmetro da polia maior n1 = número de rotações por minuto (rpm) da polia menor n2 = número de rotações por minuto (rpm) da polia maior Na transmissão por correia plana.D.6 – Danos Típicos das Correias As correias. n2 Portanto: i = n1 = D2 n2 D1 Onde: .

Em sistemas desalinhados. ou seja. As causas da fragilização de uma correia são múltiplas. polias com canais irregulares ou falta de tensão nas correias. canais das polias gastos e vibrações excessivas. normalmente. Um outro dano que as correias podem apresentar são os desgastes de suas paredes laterais. as correias industriais suportam temperaturas compreendidas entre 60°C e 70°C. Materiais estranhos entre a correia e a polia podem ocasionar a quebra ou o desgaste excessivo. A contaminação por óleo também pode acelerar a deterioração da correia. Outros fatores podem causar danos às correias. Correias submetidas a temperaturas superiores a 70°C começam a apresentar um aspecto pastoso e pegajoso. sendo vulcanizadas. como desalinhamento do sistema. De fato. as correias se viram nos canais das polias. . e os motivos podem ser sujeira excessiva. Esses desgastes indicam derrapagens constantes. Um outro fator que causa danos tanto às correias quanto às polias é o desligamento entre esses dois elementos de máquinas. O emprego de polias com canais mais profundos é uma solução para minimizar o excesso de vibrações. Os danos poderão ser sanados com a eliminação do fator que estiver prejudicando o sistema de transmissão. sem que seus materiais de construção sejam afetados. porém o excesso de calor é uma das principais.91 Outro dano típico sofrido pelas correias é sua fragilização. as polias ou o jogo de correias. quando os canais das polias estiverem desgastados pelo uso e quando o sistema apresentar correias de diferentes fabricantes. contudo temperaturas acima desses limites diminuem sua vida útil. Os danos surgem nas seguintes situações: toda vez que as correias estiverem gastas e deformadas pelo trabalho.

Quadro 13: Principais problemas com correias e suas causas/soluções. suas causas prováveis e soluções recomendadas. .92 É possível resumir os danos que as correias podem sofrer tabelando os problemas.

Os eixos de sustentação das engrenagens ficam perpendiculares ao plano.93 16.3 – Correntes As correntes transmitem força e movimento que fazem com que a rotação do eixo ocorra nos sentidos horário e antihorário.7 – Vantagens do uso de Correias em V 16.2. . as engrenagens devem estar num mesmo plano. Para isso.

O esticador ajuda a melhorar o contato das engrenagens com a corrente.94 O rendimento da transmissão de força e de movimento vai depender diretamente da posição das engrenagens e do sentido da rotação.1 – Transmissão A transmissão ocorre por meio do acoplamento dos elos da corrente com os dentes da engrenagem. Esse problema pode ser reduzido por meio de apoios ou guias. aumentando. . Algumas situações determinam a utilização de dispositivos especiais para reduzir essa oscilação. · Grandes choques periódicos . Veja alguns casos. 16. · Grandes distâncias . A junção desses elementos gera uma pequena oscilação durante o movimento. a corrente fica com barriga.3. a velocidade de transmissão. ocorre intensa oscilação que pode ser reduzida por amortecedores especiais. · Grandes folgas . conseqüentemente.devido à velocidade tangencial.usa-se um dispositivo chamado esticador ou tensor quando existe uma folga excessiva na corrente.quando é grande a distância entre os eixos de transmissão.

a corrente de bucha se desgasta mais rapidamente e provoca mais ruído. os pinos e as buchas são feitos com diâmetros maiores. Essas correntes são utilizadas em casos em que é necessária a aplicação de grandes esforços para baixa velocidade como. as correntes de rolo são constituídas de pinos. o que confere mais resistência a esse tipo de corrente do que à corrente de rolo. talas externa e interna. bucha remachada na tala interna. .2 – Tipos de Correntes a) Correntes de rolo simples. dupla e tripla Fabricadas em aço temperado. b) Corrente de bucha Essa corrente não tem rolo. por exemplo. O fechamento das correntes de rolo pode ser feito por cupilhas ou travas elásticas. Por isso. Os rolos ficam sobre as buchas. Entretanto. na movimentação de rolos para esteiras transportadoras.3.95 16. conforme o caso.

. é possível construir correntes bem largas e resistentes.3 – Dimensão das correntes A dimensão das correntes e engrenagens são indicadas nas Normas DIN. Assim. cada pino possui várias talas.96 c) Corrente de dentes Nessa corrente. O Quadro 14 mostra os principais defeitos apresentados pelas correntes e suas causas. d) Corrente de articulação desmontável Esse tipo de corrente é usado em veículos para trabalho pesado. como em máquinas agrícolas.3. 16. eixos. Essas normas especificam a resistência dos materiais de que é feito cada um dos elementos: talas. rolos etc. instalação ou manutenção podem fazer com que as correntes apresentem vários defeitos. colocadas uma ao lado da outra. e) Correntes Gall e de aço redondo Utilizadas para o transporte de carga.3. Seus elos são fundidos na forma de corrente e os pinos são feitos de aço. buchas.4 – Danos típicos das correntes Os erros de especificação. 16. são próprias para velocidade baixa e grande capacidade de carga. com pequena velocidade tangencial.

as engrenagens são usadas para variar o número de rotações e o sentido da rotação de um eixo para o outro. Muitas vezes. 16. Na figura 138 tem-se as partes de uma engrenagem: .4 – Engrenagens Engrenagens são rodas com dentes padronizados que servem para transmitir movimento e força entre dois eixos.97 Quadro 14: Principais defeitos apresentados pelas correntes e suas causas.

98 Figura 138: Partes de uma engrenagem. As engrenagens de um mesmo conjunto podem ter tamanhos diferentes. As rodas se engrenam quando os dentes de uma engrenagem se encaixam nos vãos dos dentes da outra engrenagem. Para produzir o movimento de rotação as rodas devem estar engrenadas. . a engrenagem maior chama-se coroa e a menor chama-se pinhão. observe as ilustrações. Quando um par de engrenagens tem rodas de tamanhos diferentes. Para você conhecer alguns desses tipos. As engrenagens trabalham em conjunto. Existem diferentes tipos de corpos de engrenagem.

como mostram os exemplos.4. Já os dentes retos são paralelos entre si e paralelos ao eixo da engrenagem. As engrenagens cilíndricas servem para transmitir rotação entre eixos paralelos. a) Engrenagens cilíndricas Engrenagens cilíndricas têm a forma de cilindro e podem ter dentes retos ou helicoidais (inclinados). que são escolhidos de acordo com sua função. 16. alumínio. bronze fosforoso. náilon. .1 – Tipos de Engrenagens Existem vários tipos de engrenagem. Na figura 139 temse duas engrenagens cilíndricas com dentes retos e na figura 140 tem-se a representação de uma engrenagem com dentes helicoidais. Figura 139: Engrenagens Cilíndricas com dentes retos Os dentes helicoidais são paralelos entre si mas oblíquos em relação ao eixo da engrenagem.99 Os materiais mais usados na fabricação de engrenagens são: aço-liga fundido. cromo-níquel. ferro fundido.

. As engrenagens cilíndricas com dentes helicoidais transmitem também rotação entre eixos reversos (não paralelos). Elas funcionam mais suavemente que as engrenagens cilíndricas com dentes retos e. o ruído é menor. b) Engrenagens cônicas Engrenagens cônicas são aquelas que têm forma de tronco de cone. s engrenagens cônicas transmitem rotação entre eixos concorrentes. Figura 140: Engrenagem com dentes helicoidais. Eixos concorrentes são aqueles que vão se encontrar em um mesmo ponto. por isso. quando prolongados.100 . As engrenagens cônicas podem ter dentes retos ou helicoidais.

As características dos dentes da engrenagem são: e = espessura . constituído de elementos de máquina.5. empregado na transmissão de movimento de rotação entre duas árvores ou eixo-árvores. a) Acoplamentos fixos .é a parte do dente que fica entre a circunferência primitiva e a circunferência interna (ou raiz).101 16.corresponde à soma da altura da cabeça mais a altura do pé do dente.2 – Características das Engrenagens Os dentes constituem parte importante das engrenagens. a = cabeça . se estuda as engrenagens pelas características comuns dos dentes. sobre a circunferência primitiva (determinada pelo diâmetro primitivo). h = altura .5 – Acoplamentos Acoplamento é um conjunto mecânico.é a medida do arco limitada pelo dente. P = passo . v = vão . elásticos e móveis.4. b = pé . Por isso. 16.é a soma dos arcos da espessura e do vão (P = e + v). 16.é a parte do dente que fica entre a circunferência primitiva e a circunferência externa da engrenagem.1 – Classificação Os acoplamentos podem ser fixos.é o vazio que fica entre dois dentes consecutivos também delimitados por um arco do diâmetro primitivo.

e permitem o funcionamento do conjunto com desalinhamento paralelo. nas árvores de turbinas. por exemplo. a. podendo ser montado e removido sem problemas de alinhamento. alinhando as árvores de forma precisa. como. e é próprio para a transmissão de grande potência em baixa velocidade. b) Acoplamentos Elásticos Esses elementos tornam mais suave a transmissão do movimento em árvores que tenham movimentos bruscos. . os acoplamentos devem ser construídos de modo que não apresentem nenhuma saliência. angular e axial entre as árvores. com a vantagem de não interferir no posicionamento das árvores. a. a.1) Acoplamento rígido com flanges parafusadas Esse tipo de acoplamento é utilizado quando se pretende conectar árvores. Por motivo de segurança.102 Os acoplamentos fixos servem para unir árvores de tal maneira que funcionem como se fossem uma única peça.3) Acoplamento de discos ou pratos Empregado na transmissão de grandes potências em casos especiais.2) Acoplamento com luva de compressão ou de aperto Esse tipo de luva facilita a manutenção de máquinas e equipamentos. As superfícies de contato nesse tipo de acoplamento podem ser lisas ou dentadas.

1) Acoplamento elástico de pinos Os elementos transmissores são pinos de aço com mangas de borracha. b. Veja a seguir os principais tipos de acoplamentos elásticos. b. O conjunto está alojado em duas tampas providas de junta de encosto e de retentor elástico junto ao cubo. constituídas por tocos de borracha. Esse acoplamento permite o jogo longitudinal de eixos. Todo o espaço entre .4) Acoplamento elástico de fita de aço Consiste de dois cubos providos de flanges ranhuradas. nos quais está montada uma grade elástica que liga os cubos. elástica ou articulada e elástica. Permitem a compensação de até 6 graus de ângulo de torção e deslocamento angular axial.103 Os acoplamentos elásticos são construídos em forma articulada. b.2) Acoplamento perflex Os discos de acoplamento são unidos perifericamente por uma ligação de borracha apertada por anéis de pressão. b. encaixam-se nas aberturas do contradisco e transmitem o movimento de rotação.3) Acoplamento elástico de garras As garras.

5) Acoplamento de dentes arqueados Os dentes possuem a forma ligeiramente curvada no sentido axial. A ilustração anterior é a de junta homocinética usada em veículos. . Obs. O anel dentado (peça transmissora do movimento) possui duas carreiras de dentes que são separadas por uma saliência central. as árvores devem estar bem alinhadas no ato de sua instalação para que não provoquem vibrações excessivas em serviço. A maioria dos automóveis é equipada com esse tipo de junta.: Junta Universal Homocinética Esse tipo de junta é usado para transmitir movimento entre árvores que precisam sofrer variação angular. b. Essa junta é constituída de esferas de aço que se alojam em calhas.104 os cabos e as tampas é preenchido com graxa. durante sua atividade. o que permite até 3 graus de desalinhamento angular. Apesar de esse acoplamento ser flexível.

105 c) Acoplamentos Móveis São empregados para permitir o jogo longitudinal das árvores. Geralmente. esses acoplamentos são usados em aventais e caixas de engrenagens de máquinas-ferramenta convencionais. Esses acoplamentos transmitem força e movimento somente quando acionados. pois durante o serviço ocorrerão os desalinhamentos a serem compensados.2 – Montagem de acoplamentos Os principais cuidados a tomar durante a montagem dos acoplamentos são: · Colocar os flanges a quente.5. . e a rotação é transmitida por meio do encaixe das garras ou de dentes. obedecem a um comando. · Evitar a colocação dos flanges por meio de golpes: usar prensas ou dispositivos adequados. sempre que possível. Os acoplamentos móveis podem ser: de garras ou dentes. 16. isto é. · O alinhamento das árvores deve ser o melhor possível mesmo que sejam usados acoplamentos elásticos.

É importante que o material do vedador seja compatível com o produto a ser vedado. flanges etc. para que não ocorra uma reação química entre eles. gaxetas.baixo valor de separação do óleo e alta resistência à separação por centrifugação. Figura 147: Junta de borracha em forma de aro e secção circular.150ºC ou acima. 16. Os materiais usados como elementos de vedação são: juntas de borracha. . resultando em prejuízo à empresa.106 · Fazer a verificação da folga entre flanges e do alinhamento e concentricidade do flange com a árvore. Exemplos: tampas.3 – Lubrificação de acoplamentos Os acoplamentos que requerem lubrificação. · Certificar-se de que todos os elementos de ligação estejam bem instalados antes de aplicar a carga. Se houver reação química entre o vedador e o produto a ser vedado. em termos industriais. É necessário um elemento contraposto entre a tampinha e a garrafa de refrigerante impedindo a passagem do refrigerante para o exterior e não permitindo que substâncias existentes no exterior entrem na garrafa.NLGI nº2 com valor de penetração entre 250 e 300. etc. etc. cabeçotes de motores. de maneira estática ou dinâmica. . deixará de ser comercializado. consideremos uma garrafa de refrigerante lacrada. juntas metálicas. Um vazamento. selos mecânicos. retentores. a) Juntas de borracha São vedações empregadas em partes estáticas. Elementos de Vedação Vedação é o processo usado para impedir a passagem.deve possuir qualidades lubrificantes equivalentes às dos óleos minerais bem refinados de alta qualidade. algumas características de lubrificantes para acoplamentos flexíveis são importantes para uso geral: . A tampinha em si não é capaz de vedar a garrafa. velumóide.consistência . anéis de borracha ou metálicos.não deve corroer aço ou deteriorar o neopreme (material das guarnições). eixos. muito usadas em equipamentos. gases e sólidos particulados (pó) de um meio para outro. . bombas. 17. poderá ocorrer vazamento e contaminação do produto. .ponto de gota . geralmente não necessitam cuidados especiais. No entanto. .5. O melhor procedimento é o recomendado pelo fabricante do acoplamento ou pelo manual da máquina. Podem ser fabricadas com materiais em forma de manta e ter uma camada interna de lona (borracha lonada) ou materiais com outro formato. papelão. Por exemplo. de líquidos. pode parar uma máquina e causar contaminações do produto que. consequentemente. Os elementos de vedação atuam de maneira diversificada e são específicos para cada tipo de atuação. válvulas.

O amianto suporta elevadas temperaturas e ataques químicos de muitos produtos corrosivos. Esse tipo de junta pode ser comprada pronta ou confeccionada conforme o formato da peça que vai utilizá-la. cobre ou chumbo. d) Juntas metálicas São destinadas à vedação de equipamentos que operam com altas pressões e altas temperaturas. A vantagem do anel padronizado é que nele não existe a linha de colagem. Estes vedadores podem ser comprados nas dimensões e perfis padronizados ou confeccionados colando-se. ar e água submetidos a baixas pressões. As juntas de teflon suportam temperaturas de até 260°C. em caixas de engrenagens. Figura 149: Junta metálica estriada. as pontas de um fio de borracha com secção redonda. em alumínio.107 b) Anéis de borracha (ring) São vedadores usados em partes estáticas ou dinâmicas de máquinas ou equipamentos. quadrada ou retangular. etc. nas tampas de caixas de engrenagens. h) Retentores . f) Juntas de amianto Material empregado na vedação de fornos e outros equipamentos. Figura 148: Aenl tipo “O” de secção circular. Os anéis de borracha ou anéis da linha ring são bastante utilizados em vedações dinâmicas de cilindros hidráulicos e pneumáticos que operam à baixa velocidade. com adesivo apropriado. por exemplo. c) Juntas de papelão São empregadas em partes estáticas de máquinas ou equipamentos como. ar e água. g) Juntas de cortiça Material empregado em vedações estáticas de produtos como óleo. As juntas de cortiça são muito utilizadas nas vedações de tampas de cárter. São normalmente aplicadas em flanges de grande aperto ou de aperto limitado. que pode ocasionar vazamento. São geralmente fabricadas em aço de baixo teor de carbono. e) Juntas de teflon Material empregado na vedação de produtos como óleo.

O retentor é sempre aplicado entre duas peças que executam movimentos relativos entre si. .108 O vedador de lábio. Acompanhe as legendas pela ilustração. h. Figura 141: Retentor entre um mancal e um eixo. suportando variações de temperatura. Como foi visto. Em muitas ocasiões provoca o desgaste no eixo na região de contato com o retentor. a vedação por retentores se dá através da interferência do lábio sobre o eixo. é composto essencialmente por uma membrana elastomérica em forma de lábio e uma parte estrutural metálica semelhante a uma mola que permite sua fixação na posição correta de trabalho. levando o lábio de vedação ao desgaste. o que tende a causar a degeneração do material do retentor. A figura 141 mostra um retentor entre um mancal e um eixo.2) Tipos de Perfis de Retentores As figuras mostram os tipos de perfis mais usuais de retentores. h. graxa e outros produtos que devem ser mantidos no interior de uma Máquina ou equipamento. Esta condição de trabalho provoca atrito e a consequente geração de calor na área de contato. A função primordial de um retentor é reter óleo.1) Elementos de um Retentor Os elementos de um retentor básico encontram-se na figura 142. também conhecido pelo nome de retentor. Figura 142: Elementos de um Retentor.

. bem como os limites de temperatura que eles podem suportar em trabalho. O quadro 14 mostra quatro tipos de elastômeros e suas recomendações genéricas de uso diante de diferentes fluidos e graxas. Quadro 14: Tipos de Elastômeros e suas recomendações de uso. bem como os limites de temperatura que eles podem suportar em trabalho. O quadro mostra quatro tipos de elastômeros e suas recomendações genéricas de uso diante de diferentes fluidos e graxas.109 A diminuição do atrito é conseguida com a escolha correta do material elastomérico.

os retentores deverão ser mantidos nas próprias embalagens. seguindo os padrões de qualidade exigidos pelo projeto. • A superfície de apoio do dispositivo e o retentor deverão ter diâmetros próximos para que o retentor não venha a sofrer danos durante a prensagem. • Quando um retentor for trocado.7) Montagem do retentor no eixo Os cantos do eixo devem ter chanfros entre 15º e 25º para facilitar a entrada do retentor.5) Pré-lubrificação dos retentores Recomenda-se pré-lubrificar os retentores na hora da montagem. danificar o lábio de vedação do retentor. Manipulações desnecessárias deverão ser evitadas para preservar os retentores de danos e deformações acidentais. oxidação e elementos estranhos devem ser evitados para não danificar o retentor ou acarretar vazamento.4) Condições de armazenagem dos retentores Durante o período de armazenamento. Não sendo possível chanfrar ou arredondar os cantos. • O dispositivo não poderá. h. O fluido a ser utilizado na pré-lubrificação deverá ser o mesmo fluido a ser utilizado no sistema. h. e é preciso que esteja isento de contaminações. a superfície do eixo e o lábio do retentor deverão atender aos seguintes parâmetros: • O acabamento da superfície do eixo deve ser obtido por retificação. h. mantendo-se o eixo. • A dureza do eixo.8) Cuidados na substituição do retentor • Sempre que houver desmontagem do conjunto que implique desmontagem do retentor ou do seu eixo de trabalho. no local de trabalho do lábio do retentor. deformação e oxidação. recomenda-se substituir o retentor por um novo. A temperatura ambiente deverá permanecer entre 10ºC e 40ºC. recomenda-se o uso de uma luva de proteção para o lábio. • A superfície de trabalho do lábio do retentor deverá ser isenta de sinais de batidas. Cuidados especiais precisam ser observados quanto aos lábios dos retentores. de forma tal que o lábio não venha a sofrer deformações. A pré-lubrificação favorece uma instalação perfeita do retentor no alojamento e mantém uma lubrificação inicial no lábio durante os primeiros giros do eixo. ou o retentor ter de passar obrigatoriamente por regiões com roscas.110 h. entalhes ou outras irregularidades. O diâmetro da luva deverá ser compatível. . sulcos.3) Recomendações para a aplicação dos retentores Para que um retentor trabalhe de modo eficiente e tenha uma boa durabilidade. rebarbas. deverá estar acima de 28 HRC. hidráulica e um dispositivo que garanta o perfeito esquadrejamento do retentor dentro do alojamento. especialmente quando eles tiverem que ser retirados das embalagens.6) Cuidados na montagem do retentor no alojamento • A montagem do retentor no alojamento deverá ser efetuada com o auxílio de prensa mecânica. trincas. sulcos. h. falhas de material. • Riscos. o lábio do novo retentor não deverá trabalhar no sulco deixado pelo retentor velho. ranhuras. h. de forma alguma.

latão e cobre. Os materiais usados na fabricação de gaxetas são: algodão. Quadro 15: Falhas e prováveis causas de vazamentos no uso de retentores. o calor gerado pelo atrito entre a gaxeta e o eixo rotativo é muito elevado e. pressionados por uma peça chamada sobreposta. de forma total ou parcial. A esses materiais são aglutinados outros. náilon. tais como: óleo. sob pressão conveniente para o trabalho. A caixa de gaxeta mais simples apresenta um cilindro oco onde ficam alojados vários anéis de gaxeta. pois é necessária uma passagem mínima de fluido com a finalidade de auxiliar a lubrificação entre o eixo rotativo e a própria gaxeta. graxa. silicone. deve-se cuidar para que o adesivo não atinja o lábio do retentor. sendo elevado. teflon. A função dessa peça é manter a gaxeta alojada entre a caixa e o eixo. sebo.9) Análise de falhas e prováveis causas de vazamentos No quadro 15 tem-se as análises de falhas e prováveis causas de vazamentos. asbesto (amianto). pois isso comprometeria seu desempenho. A função desses outros materiais que são aglutinados às gaxetas é torná-las autolubrificadas. O restringimento é aplicado. por exemplo. Na figura 143 tem-se as gaxetas alojadas entre um eixo e um mancal e a sobreposta. exige uma saída controlada de fluido para minimizar o provável desgaste. juta. borracha. mica etc. o fluxo de fluido não deve ser totalmente vedado. h. grafite. . i) Gaxetas Gaxetas são elementos mecânicos utilizados para vedar a passagem de um fluxo de fluido de um local para outro. por imperfeições no alojamento.111 • Muitas vezes. Nesse tipo de bomba. usam-se adesivos (colas) para garantir a estanqueidade entre o alojamento e o retentor. quando se trabalha com bomba centrífuga de alta velocidade. Nessa situação. A este tipo de trabalho dá-se o nome de restringimento. alumínio. Em algumas situações.

No entanto. . Figura 144: Tipos de Gaxetas. As gaxetas são fabricadas em forma de cordas para serem recortadas ou em anéis já prontos para a montagem. A figura 144 mostram gaxetas em forma de corda.1) Seleção da gaxeta A escolha da gaxeta adequada para cada tipo de trabalho deve ser feita com base em dados fornecidos pelos catálogos dos fabricantes. os seguintes dados deverão ser levados em consideração: • material utilizado na confecção da gaxeta.112 Figura 143: Gaxetas alojadas entre um eixo e um mancal e sobreposta. • dimensões da caixa de gaxeta. anéis e algumas de suas aplicações. i.

local de trabalho (submerso ou não). Caso não exista uma gaxeta padronizada. evitando assim possíveis vazamentos. meio (ácido. i. • material utilizado na construção do eixo ou da haste. . 1.3) Falhas ou defeitos nas gaxetas Na figura 145 se tem as principais falhas ou defeitos nas gaxetas. O corte deverá ser a 45° para que haja uma vedação. A gaxeta deverá ser montada escalonadamente para que não ocorra uma coincidência dos cortes ou emendas. • condições especiais da bomba: alta ou baixa temperatura.2) Substituição da gaxeta A gaxeta deve ser removida com um par de saca-gaxeta com tamanho adequado. • ciclos de trabalho da máquina. O grau de limpeza poderá ser verificado com o auxílio de um espelho ou lâmpada. caso seja necessário. O interior da caixa de gaxeta deve ser bem limpo. salino) a que se encontra exposta. básico. • temperatura e pressão dentro da caixa de gaxeta.113 • fluido líquido ou gasoso bombeado pela máquina. • tipo de movimento da bomba (rotativo/alternativo). tomando cuidado em seu corte e montagem. deve-se substituí-la por uma em forma de corda.

1) Vedação principal A vedação principal é feita num plano perpendicular ao eixo por meio do contato deslizante entre as faces altamente polidas de duas peças. O anel de selagem é fixado ao eixo e gira com ele. A sede é estacionária e fica conectada numa parte sobreposta. utilizam-se molas helicoidais conectadas ao anel de selagem. Figura 146 : Tipos de sedes e anéis de selagem. bem como um selo mecânico em corte. j) Selo mecânico O selo mecânico é um vedador de pressão que utiliza princípios hidráulicos para reter fluidos. A figura 146 mostram alguns tipos de sedes e de anéis de selagem. j.114 Figura 145: Falhas e causas de defeitos em gaxetas. A vedação exercida pelo selo mecânico se processa em dois momentos: a vedação principal e a secundária. geralmente chamadas de sede e anel de selagem. Para que as faces do anel de selagem e da sede permaneçam sempre em contato e pressionadas. .

2) Vedação secundária A vedação secundária. • Permite operar fluidos tóxicos. fole etc. • Tem capacidade de absorver o jogo e a deflexão normais do eixo rotativo. pois não permitem vazamentos e podem trabalhar sob grandes velocidades e em temperaturas e pressões elevadas. bombas de lama bruta nos tratamentos de água e esgoto. cunha. a perda de potência. j. bombas de fábricas de bebidas. • Elimina o desgaste prematuro do eixo e da bucha. anel "V". tais como: junta. Eles permitem a vedação de produtos tóxicos e inflamáveis.3) Uso do selo mecânico Os selos mecânicos são utilizados com vantagens em relação às gaxetas. sem apresentarem desgastes consideráveis. consequentemente. anel o'ring. aplicada à sede e ao anel de selagem. A figura 147 mostram exemplos de selos mecânicos em corte. bombas de submersão em construções. corrosivos ou inflamáveis com segurança. em usinas termoelétricas e nucleares.4) Vantagens do selo mecânico • Reduz o atrito entre o eixo da bomba e o elemento de vedação reduzindo. O selo mecânico é usado em equipamentos de grande importância como bombas de transporte em refinarias de petróleo. j.115 j. pode ser feita por meio de vários anéis com perfis diferentes. . • A vazão ou fuga do produto em operação é mínima ou imperceptível. Figura 147: Selos mecânicos em corte.

A seguir serão apresentados os principais tipos de freios. comprimida contra uma roda giratória (ou tambor) ligada ao órgão a freiar. hidráulico. Podem ter acionamento manual. b) Freio a disco É um freio em que um ou dois blocos segmentares. pneumático. Freios São mecanismos que. eletromagnético ou automático. c) Freio de sapata e tambor O detalhe característicos deste freio é uma sapata (ou parte de uma alavanca). Esse tipo de freio é utilizado em elevadores. a) Freio de duas sapatas Neste caso. transformam energia cinética em calor. . os blocos segmentares (ou pastilhas) são operados por pistões hidráulicos. Para liberar o tambor. revestida com material de alto coeficiente de atrito. Em automóveis. de material de fricção. duas sapatas são mantidas em contato com o tambor através da ação de uma mola que o impede de rodar. que pode ser operada manualmente. para interromper um movimento.116 18. por um solenóide ou por um cilindro pneumático. são forçados contra a superfície de um disco giratório. aciona-se a alavanca de comando. Os freios a disco são menos propensos à fadiga (queda de eficiência operacional em função do tempo de utilização) que os freios a tambor.

sem perdas de muito tempo na troca de rotações. Sua função é permitir a variação da velocidade de trabalho de outros elementos. O freio atua por compressão axial dos discos. f) Freio centrífugo É um freio onde as sapatas (revestidas com asbesto) atuam. contra o interior da borda de um tambor giratório. na parte interna de um tambor. desacelerações. A tensão da mola determina o instante de ação do freio. paradas. . troca de alavancas e novas acelerações. As sapatas são revestidas com material de atrito. Os discos de aço giram em um eixo entalhado e os discos de atrito são fixados por pinos. 19. rebitado ou colado em sua superfície externa.117 d) Freio de sapatas internas ou freio a tambor É um freio em que duas sapatas curvas são forçadas para fora. e) Freio multidisco Compõe-se de vários discos de atrito intercalados com disco de aço. conhecido como lona de freio. Variadores de Velocidade O variador de velocidade é um conjunto mecânico constituído por diversos elementos de máquinas. pela ação da força centrífuga contra a ação de mola lamelares.

mostradas a seguir: . b) Variador por roda de fricção Transmite o momento de giro por fricção entre duas árvores paralelas ou que se cruzam a distâncias relativamente curtas. a) Variador com transmissão por correia A mudança gradual da rotação na transmissão por correia obtém-se variando o diâmetro de contato da correia com as polias.118 Funcionando suavemente. Normalmente. conforme ilustrações. Esse mecanismo pode ser construído de várias formas. sem impactos.Tipos de variadores de velocidade Há dois tipos principais de variadores de velocidade: os de transmissão por correia e os de roda de fricção.1 . 19. As distâncias entre eixos podem permanecer variáveis ou fixas. a variação de velocidade é executada com a máquina em movimento com baixa carga. o variador de velocidade pode ser preparado para adaptar-se automaticamente às condições de trabalho exigidas.

árvores e outros elementos específicos.119 19. · Verificação dos elementos sujeitos ao atrito. com especial atenção aos mancais. · Verificação dos elementos de ligação em geral. · Inspeções periódicas. eixos. a manutenção dos variadores de velocidade exige os seguintes cuidados: · Alinhamento e nivelamento adequados. · Lubrificação correta. .Manutenção de variadores de velocidades Além dos cuidados com rolamentos.2 .

Vídeos.. O. Editora Globo. Globo editora. RJ. 1995. SENAI . 4. Coleção Telecurso 2000. 1998. RJ. Elementos de Máquinas. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma introdução. 5. Elementos de Máquinas.SP. São Paulo. L. Rio de Janeiro.120 Referências 1. A. D. Editora Guanabara Dois. Brasil. Elementos de Máquinas. LTC. 3. . 1980. W. 2. SENAI-ES. 2005. Callister Jr. Pires e Albuquerque. Telecurso 2000. 2002. Elementos de Máquinas.