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Modernidade e diversidade: reflexões sobre a controvérsia

entre teoria da modernização e a teoria das múltiplas
modernidades
Volker H. Schmidt
Resumo: O artigo revisita a hipótese de convergência da teoria da modernização, fortemente
criticada pelos teóricos das múltiplas modernidades, que defendem que as realidades
emergentes não confirmam suas premissas basilares. Baseado em uma leitura completa dos
textos clássicos, o artigo reconstrói o significado do termo dentro de um quadro teórico de
referência sobre a modernização e, então, considera os fatos aos quais se opõem os teóricos
das múltiplas modernidades. Identifica que nenhuma das observações citadas pelos teóricos
mais proeminentes das múltiplas modernidades são capazes de desafiar a teoria da
modernização, que pode acomodar facilmente os tipos de diferença destacados pelos críticos.
Em particular, a modernidade do Leste Asiático, para qual os dois lados atribuem um peso
especial para qualquer teste da teoria da modernização, se parece notadamente/notavelmente
semelhante à modernidade ocidental quando observada através das lentes dessa teoria. Ao
mesmo tempo, a literatura das múltiplas modernidades, apesar de alegar que leva a diferença
muito a sério, silencia sobre as diferenças que grandes partes do mundo menos desenvolvido
demonstram frente ao Ocidente e ao Leste Asiático em aspectos sócio-estruturais e culturais,
que indicam diferentes graus de modernização. O artigo conclui com uma nota breve sobre o
peso diferenciado dos diferentes tipos de diversidade para os problemas de referência
diferentes e com uma sugestão para uma resolução construtiva do conflito entre as duas
abordagens.
Palavras-chave:
modernidades.

Convergência;

diversidade;

modernidade;

modernização;

múltiplas

I
O conceito das múltiplas modernidades tem sido desenvolvido com o objetivo de destacar os
modos sobre os quais as sociedades modernas se diferenciam entre si1. Outras abordagens
sociológicas, a maioria baseada em alguma versão da teoria da modernização, enfatizam
aspectos comuns dessas sociedades. Mas será que a justaposição de convergência e
divergência na forma de exclusão mútua, de oposição binária, realmente faz sentido? É
possível existir convergências em alguns aspectos, enquanto a diversidade persiste em outros
elementos; que existam dimensões da mudança social que exibem tendências comuns entre as
regiões e zonas culturais, enquanto outros aspectos da vida social revelem uma resiliência
destacada contra a homogeneização?
Este artigo argumenta que a controvérsia entre a teoria da modernização e a teoria
das múltiplas modernidades não pode ser resolvida por meios empíricos apenas porque a
questão de saber se as sociedades convergem ou divergem não é uma questão simples de optar

por um ou outro. A comparação entre duas sociedades quaisquer trará, inevitavelmente,
semelhanças assim como diferenças. Os fatos não têm sentido a não ser que sua condição seja
determinada por um problema de referência dado: a mesma observação pode ser pode
carregar um peso extremamente diferente dependendo do quadro de referência sobre o qual é
considerado. O quadro de referência para a controvérsia entre teoria da modernização e a
teoria das múltiplas modernidades é a teoria da modernidade. Se alguém deseja saber o que
uma observação particular significa para aquela teoria, precisa primeiro determinar que
concepção de modernidade que está sendo empregada ou proposta. Só então pode-se avaliar a
significação dos fenômenos empíricos.
Como será mostrado abaixo, os entendimentos de modernidade da teoria da
modernização e da teoria das múltiplas modernidades diferem muito. Mas enquanto a teoria
da modernização se baseia em uma concepção relativamente clara de modernidade, a teoria
das múltiplas modernidades ainda tem que elaborar a sua própria – até agora, não foi além de
algumas dicas vagas sobre o que querem dizer com o termo. Ao invés disso, se posiciona
contra a teoria da modernização, especialmente em relação à hipótese da convergência,
argumentando que realidades emergentes não confirmam suas premissas basilares.
Para julgar a solidez desta crítica, depende-se muito de como a noção de
convergência é compreendida. Baseada em uma leitura completa da literatura pertinente, a
seção dois examina o significado do termo num contexto teórico de modernização. Identifica
que a teoria da modernização oferece um escopo amplo para analisar a diversidade. A seção
três confirma esta alegação ao explorar a significação dos resultados que Shmuel Eisenstadt,
que cunhou o termo “múltiplas modernidades”, tem contra ela. Argumentando que a teoria da
modernização pode facilmente acomodar os tipos de diferença a que Eisenstadt alude, a seção
analisa um número de diferenças que parecem ser muito significativas de um ponto de vista
teórico da modernização, mas que são completamente ignoradas por teóricos das múltiplas
modernidades. A seção quatro compara as duas regiões do mundo que mais avançaram em
direção à modernidade até então, o Ocidente e algumas partes do Leste Asiático, para “testar”
a hipótese da convergência, e verifica que ela pode ser validada empiricamente. O artigo
conclui com uma nota breve sobre o peso diferenciado dos diferentes tipos de diversidade
para problemas de referência diferentes e também com uma sugestão provisória para uma
resolução construtiva do conflito entre as duas abordagens.

II
Modernidade é um conceito importante na sociologia, uma vez que se aplica a toda formação

alguém primeiro precisa conhecer que elementos suas variações tem em comum. Max Weber. 2000). no entanto. é radicalmente diferente dos modelos anteriores de organização societal e as consequências de uma transformação fundamental da sociedade equiparam-se em significação histórica apenas com a revolução Neolítica. não há nenhum modo de afirmar se um caso particular é realmente uma variante do tipo em questão ou outra coisa. 2000a. Allardt. racionalização cultural e individuação pessoal na visão desses clássicos. o ponto principal da controvérsia entre a teoria da modernização e a teoria das múltiplas modernidades é a reivindicação anterior de que a modernização é um processo homogeneizante. Modernização. torna as mudanças sociais endêmicas. como até mesmo os observadores simpatizantes tiveram a oportunidade de salientar (ver. uma definição suficientemente clara de modernidade está visivelmente ausente da literatura sobre múltiplas modernidades. Como indicado na introdução. é um processo interligado de diferenciação estrutural. Émile Durkheim. no fim das contas. Não pode haver nenhuma discussão significativa sobre modernidades sem uma definição adequada de modernidade2. pode ser considerada apenas se o conceito de modernidade for pluralizado. É claro. Tomar a teoria da modernização como ponto de partida deve fornecer. algumas sugestões a respeito dos tipos de suposições que os críticos devem estar fazendo para dar credibilidade à noção das múltiplas modernidades. A sociedade moderna. Uma vez posto em movimento. a teoria de modernização de 1950 e 1960. 2005). Wittrock. por exemplo. porque ao menos se alguém o fizer. a mudança que resulta em modernidade. Lamentavelmente. favorecendo instituições que são ao mesmo tempo adaptáveis a elas e que estimulam mudanças posteriores. especialmente. conduz à convergência as sociedades que se submetem a ele: “um processo de mudança social através do qual sociedades menos desenvolvidas adquirem características comuns às sociedades mais . que. Essa diversidade. política e cultural exibida pela Idade Moderna. Mas antes que alguém possa pluralizar qualquer conceito. como conceitualizada nos trabalhos dos pensadores clássicos da sociologia como Herbert Spencer. Os teóricos da abordagem das múltiplas modernidades rejeitam essa conceitualização baseando-se em sua suposta incapacidade em captar a imensa diversidade social. Georg Simmel e Talcott Parsons. eles afirmam. porém. porque Eisenstadt e vários de seus seguidores não pouparam esforços em declarar sua aversão a essas teorias (ver Eisenstadt. Karl Marx. que a noção das múltiplas modernidades vai contra as teorias denominadas clássicas da modernidade e.societal a cujo surgimento a própria disciplina deve sua existência. consequentemente.

em conseqüência da modernização. especialmente em sua teoria de universos evolucionários. Parsons associa a progressão de estágios da evolução societal a descobertas evolucionárias críticas que dão às sociedades mais avançadas uma . que a modernização conduz à racionalização. portanto. por sua vez. 1968. a propagação rápida da informação para audiências em massa e. a teoria de Parsons sobre a modernidade está fixada em uma teoria mais abrangente de sistemas de ação. o sistema legal e a mídia de massa também são analisados4. consciente de sua individualidade e empático. Parsons. Mas o quê a teoria da modernização quer dizer com “convergência”? Para responder esta questão. na ciência. a enunciação de normas universais e sua aplicação por profissionais treinados. juízes independentes. no direito. é um dos quatro sub-sistemas do sistema de ação geral. bem como a principal característica estrutural da sociedade moderna. o sistema de personalidade se torna cada vez mais orientado para realizações pessoais. A sociedade. se diferencia da estrutura da sociedade pré-moderna (cujo modo de organização societária é dominado pelo sistema de estratificação). a mudança mais destacada do ponto de vista da teoria da modernização é o desenvolvimento auto-sustentável emergente. segundo o conceito de Parsons. é um subsistema do sistema social. talvez a chave. a propagação da escolarização em massa. Como é bem sabido. 1977). A teoria da modernização refere-se apenas ao sistema social. o estabelecimento da universidade de pesquisa e outras instituições orientadas puramente à pesquisa. generalização de valores e a difusão de normas seculares no sistema cultural. e a diferenciação funcional é a tendência dominante. A compreensão da teoria da modernização sobre a formação da instituição da sociedade moderna inspira-se. é compatível com uma variedade de formas institucionais. o sistema científico. Na economia. 1958.desenvolvidas”. cultural e de personalidade. e a mídia. no trabalho de Parsons. não é determinada institucionalmente e. é a crescente participação dos cidadãos (grupo em que a população se transforma apenas na época moderna). na política. que. 1964. mas outros subsistemas importantes como o sistema educacional. a criação da opinião pública. assim. na educação. Ela argumenta que. A diferenciação funcional. do sistema social que é de interesse especial para a teoria sociológica (Lerner. é importante manter a ideia de que a teoria da modernização está ancorada conceitualmente no trabalho de Talcott Parsons. como Daniel Lerner (1968: 386) coloca. o sistema de personalidades e o organismo comportamental. mais uma vez. Em um artigo influente que destaca essa teoria. os outros três sendo o sistema cultural. enquanto se constitui como uma chave. Como outras abordagens macro-sociológicas. a teoria da modernização enfatiza particularmente os desenvolvimentos de subsistemas econômicos e políticos da sociedade3.

Isso deixa espaço para alternativas políticas além (do que hoje é visto amplamente como) do modelo ocidental6. segundo seu conceito. sendo . como muitas das críticas de Huntignton apontaram. seja como for. mas entre governos que realmente governam seu país sobre sua jurisdição (formal) e aqueles que não governam. em seu livro Political Order in Changing Societies (1968). no entanto. em modelos autoritários. apresenta um conceito menos exigente pelo menos da modernidade política. como pode ser visto em sua análise sobre a União Soviética que considerou um exemplo similar aos Estados Unidos no tocante à profundidade e aos níveis de modernização que alcançou a partir da segunda metade do século XX (Parsons. Parsons afirma explicitamente que crê na existência de ‘(grandes) variações dentro do tipo moderno de sociedade’ (Parsons. É aplicada principalmente à estrutura básica da sociedade9. Samuel Huntington. por exemplo. ao qual deve muito. que não reflete uma posição consensual compartilhada por todos os teóricos da modernização. obviamente é bastante semelhante ao modelo ocidental de modernidade. Entretanto. um desenvolvimento que ele previu que provavelmente continuaria bem no século 21 (1977: 241). e a organização burocrática das instituições públicas e privadas (ver Parsons. 1977: 216ff.vantagem em relação às sociedades menos avançadas em termos de capacidade de adaptação a condições ambientais. mais do que apenas seus próprios interesses. por exemplo. 1964: 126). A noção de convergência deve ser entendida como algo que vai de encontro com o contexto desta expectativa. certamente. argumentando que a distinção política mais importante na modernidade não é aquela entre democracias e ditaduras. e que muitas outras variações provavelmente emergiriam como um resultado da tendência global “em conclusão” desse tipo de sociedade. Uma ordem política moderna. ainda que um pouco vaga. democracia no contexto político. e tenham a capacidade de executar políticas escolhidas baseando-se no controle do bom funcionamento do aparato estatal. 1977: 228)8.). é um sistema de autoridade racionalizada em que se espera que os funcionários atendam ao público. era cético quanto à estabilidade em longo prazo dos sistemas políticos de estilo soviético por conta de seus déficits inerentes de legitimidade (Parsons. o império da lei e igualdade antes da lei na esfera legal. Devemos notar. Essa caracterização. No caso da modernidade. A história parece provar que ele estava certo nesse ponto7. 1964)5. Parsons também identificou mais de um caminho para a modernidade e para institucionalizações diferentes de seu ‘programa’. Mas. Parsons identifica quatro universais que acredita serem cruciais tanto para sua descoberta e consolidação final: sistema de mercado e dinheiro na economia.

Todavia. Mesmo contemporaneamente. nenhuma circunstância requer que qualquer país em modernização se torne uma cópia exatamente igual aos seus precursores (Parsons. Wittrock. efeitos agregados de ações descoordenadas que. assim compreendida.. o termo “modernização” precisa ser esclarecido. Esse é um julgamento razoável? Ainda que politicamente compreensível na época. enquanto subvertem a ordem antiga. devem se movimentar de modo a estabelecer uma série de instituições que a teoria considera como essenciais para a modernidade. em segundo lugar. essa sugestão se tornou bastante polêmica porque foi interpretada como uma racionalização pouco camuflada do imperialismo americano. A convergência. ocorre quando os países em modernização encontram duas condições principais. 2000: 54). simplesmente se refere ao aspecto dinâmico da modernidade. 1997) da modernidade12. De um lado. através dos meios de planejamento racionais. 1977:215). Para entender o porquê. Historicamente.11 e. eram raramente direcionados a realização de (o que apenas a partir de uma . sobre a descolonização de grande parte do mundo não-Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial. 1977: 215) dos Estados Unidos. devem ter sucesso em alinhar estas instituições aos propósitos do Estado. o termo denota os esforços conscientes de atores sociais influentes a serem postos em prática. os processos e produtos de mudança que acompanham a transição do prémoderno ao moderno e além. como os mais ferozes críticos da teoria da modernização diriam (ver. um projeto que Parsons considerava longe de estar completo. É verdade que Parsons sugere que os Estados Unidos poderiam servir como um “modelo para outros países em inovações estruturais centrais para o desenvolvimento societário moderno” (Parsons. muitos países falham em alcançar essas condições e assim. e outros teóricos da modernização tenham feito o mesmo. ainda que seja difícil de alcançá-las. mais do que serem meras “fachadas” (Meyer et AL. Em conseqüência da Guerra do Vietnã e as revoltas estudantis no fim da década de 1960. e também. não se qualificariam como completamente modernos. a plausibilidade teórica desse julgamento é passível de ser debatida. no presente. os dois modos de modernização formam uma sequência.sua premissa a de que as sociedades modernas e pré-modernas diferem muito mais uma das outras do que de as variedades de (um tipo de) sociedade moderna que surge como um resultado de uma modernização bem sucedida10. Primeiro. Enquanto os primeiros movimentos em direção a modernidade são primariamente fenômenos emergentes. ainda que discutível. Por outro lado. cujos desenvolvimentos resultam no que é entendido como modernidade em um ponto particular do tempo. por exemplo.

Hoje a imagem é mais variada porque. contra a visão. e. vale à pena lembrar que a essência do paradigma é explicitamente direcionada contra a teoria da modernização. inevitavelmente. ainda que claramente diferentes do padrão ocidental. é movida pelo objetivo de alcançar o patamar dos precursores. os EUA eram claramente os líderes do desenvolvimento moderno: na economia. ou.retrospectiva e a partir de uma perspectiva científica ou um observador de segunda ordem poderia parecer como) um “programa” ou “projeto” de modernidade. precisamente. neste caso. modernizadores posteriores. e esse objetivo pode ser realizado apenas pela aprendizagem com os “pioneiros”. em outros campos também13. porque essa estrutura é a verdadeira condição de sucesso do Ocidente. da modernidade européia. diz Eisenstadt. Agora. E o que faz deles atrativos como modelos é. propor os Estados Unidos como modelo de modernização tardia faz bastante sentido porque. discutivelmente. mobilidade social. Essa idéia. deve ser rejeitada porque “os desenvolvimentos atuais nas sociedades em modernização tem refutado as homogeneizantes (…) pretensões do programa ocidental de modernidade” com o surgimento de padrões múltiplos de organização societária que são manifestamente modernas. no momento em que a proposta foi feita. para citar Eisenstadt (2000a: 1). servem como modelos para os seguidores não apenas porque é impossível para os últimos ignorar (o conhecimento sobre) a existência dos primeiros. na medida em que reflete uma ação intencional. Os “pioneiros”. através da demonstração do efeito dos precursores. imitando “boas práticas” de design institucional e designações políticas nos Estados Unidos e em outros países avançados sócio-economicamente. o que eles já alcançaram enquanto outros ainda se esforçando para conseguir: tornar-se modernos e alcançar o Ocidente. A proposta da teoria da modernização de ver os Estados Unidos como um modelo de desenvolvimento equivale a um pouco mais do que o conhecimento desse fato. pesquisa e desenvolvimento. cultura (diária de massa) popular. “da convergência das sociedades industriais prevalecentes na década de 1950”. eles próprios. educação formal. Mas alguém não pode se tornar moderno e alcançar o Ocidente sem estabelecer uma estrutura básica de sociedade que assemelhe-se à do Ocidente. tendem possuir idéias relativamente claras como que direção devem seguir e como chegar lá. em . ciência. III Retomando o paradigma da teoria das múltiplas modernidades. A argumentação. mas a suposta superioridade dos precursores garante um verdadeiro estímulo para a modernização. modelos. A modernização tardia. diversos seguidores anteriores se tornam.

de acordo com Eisenstadt e.suma. com a fundamentação de seu argumento. ele selecionou o Japão como o caso-teste mais importante para o argumento de convergência da teoria da modernização. (Eisenstadt. nas bases culturais e civilizacionais das “comunidades imaginadas” (Anderson. Ele continua. durante algum tempo. mais do que pelo governo ou o parlamento. mas se distinguem fundamentalmente deste modelo. Já que Parsons (1977: 228) compartilhou este argumento. O primeiro exemplo tem a ver com os objetivos e os efeitos dos movimentos sociais no Japão contemporâneo. Geralmente. Eisenstadt dá outros exemplos de peculiaridades japonesas. O Japão moderno. não conseguem induzir uma mudança maior no centro político. já que decisões obrigatoriamente coletivas são frequentemente tomadas por redes diversas de burocratas. ch. mas nenhum de natureza substancialmente diferente.). Esse centro também não é o principal órgão de direção da sociedade. 1983) que refletem a construção da ordem simbólica dos estados-nação modernos. Eisenstadt reconhece que as razões por trás da modernização no Japão podem ter sido bastante similares àquelas dos precursores do Ocidente Europeu14. Eisenstadt sabe que a linguagem da teoria das múltiplas modernidades pode ser defendida apenas se as diferenças observadas entre as sociedades modernas forem realmente profundas. dado que o Japão foi o primeiro país não-ocidental a se tornar completamente moderno. ainda que mantenha que o padrão de modernidade que surgiu do processo não é o mesmo. então. políticos e membros de grupos de interesse poderosos. que são superados muitas vezes por considerações pragmáticas.3). Outros recursos ditos únicos do sistema político do Japão são a pouca importância dada às ideologias ou princípios fixados. e a fraqueza relativa do Estado frente à sociedade que restringe o escopo de medidas coercitivas e promove um estilo consensual de governança (Eisenstadt. é que a teoria da modernização foi falseada empiricamente. . ele provavelmente teria concordado com esse peso especial que Eisenstadt dá ao Japão em qualquer teste de validação da teoria de modernização. ele argumenta. Eles são suficientemente significantes para apoiar o argumento de que o Japão constitui uma modernidade única. uma modernidade que difere fundamentalmente da modernidade ocidental? Isso depende do conceito de modernidade empregado. estes movimentos tendem a ser menos radicais e menos adeptos ao confronto do que seus ocidentais homólogos. através de ilustração empírica. 2000b: 111). O que Eisenstadt e seus seguidores têm dito sobre modernidade indica que sua concepção se foca primariamente no sistema político e em questões de identidade coletiva. 2000b. Em outro texto (2000b: 110f. embora obtenham sucesso em algumas reformas instigantes. mais especificamente. apresenta peculiaridades que não são somente variações locais do modelo ocidental.

ou modelo. Os teóricos orientados por esta abordagem têm ainda que mostrar isso e porque essas diferenças são importantes teoricamente e em que sentido subvertem a noção de convergência como entendida pela teoria da modernização. identidades coletivas. A razão é. uma coisa deve ficar clara sobre a reconstrução acima sobre as proposições teóricas principais da modernização: a evidência que Eisenstadt emprega contra elas até agora não apresenta qualquer desafio aquela teoria. Diferenças desse tipo. os tipos de diferença que ele invoca são. têm sua própria história. são fortemente ignoradas pela teoria das múltiplas modernidades. Se alguém julgar esses indícios à luz das premissas da teoria – como deveria. peculiaridades institucionais e culturais. independentemente do uso que se faz disso. a despeito de sua relevância inegável para a teoria da modernidade. compartilha com o Ocidente. que tem como objetivo capturar a sociedade moderna em sua completude16. O sistema político. provavelmente. ao menos quando comparada com aquelas que fundamentam a tradição teórica de diferenciação em sociologia. que teóricos das múltiplas modernidades. etc. que reflete graus maiores ou menores de modernização e desenvolvimento. negam. embora bastante atentos às diferenças. e reduzir toda a sociedade a ele argumentativamente cria uma concepção demasiadamente simples da modernidade. Mas na medida em que sim. ou pelo menos não estão dispostos a considerar a possibilidade de que tais diferenças podem persistir na era moderna. Mas ainda é apenas um dos diversos sistemas. O mesmo é verdadeiro sobre o que outros teóricos das múltiplas modernidades têm dito para destacar a importância da diferença ― nenhuma de suas observações aponta sistematicamente para além do conceito. Para a perspectiva dessa . legados. de modernidade que orienta o conhecimento teórico da modernização. se o objetivo é refutá-la – então. os modos de troca política que permitem ou encorajam. a teoria da qual querem se distanciar. como outros países em modernização no Leste Asiático. é um subsistema importante da sociedade. que referem-se a fatores que são condutores ou prejudiciais a modernização. eles tendem a ser aqueles que separam a sociedade moderna dos tipos prémodernos de organização societária. realmente.e também os tipos de regime que estabelecem. Mas. nada além de variantes menores de uma estrutura básica de sociedade que o Japão. considera as diferenças. certamente. mas isso era sabido muito antes do paradigma das múltiplas modernidades surgir. e assim por diante15. Questionar a significância de alguns tipos de diferença para a teoria da modernidade não é sugerir que as ciências sociais devem ser indiferentes a diferenças per se. A teoria da modernização certamente não é. por outro lado. Ninguém nega que os países se diferenciam entre eles. as políticas que possuem.

e. Desde a sua independência em 1974. Todas as sociedades contemporâneas são modernas. humilhação. onde vive 70% da população. para manter os grupos mais baixos em sua posição de desvantagem (ver. são negados os direitos básicos de cidadania a vários Dalits. predominantemente. o acesso a serviços públicos. apenas diferentemente modernas18. Este sistema divide a população em grupos hereditários fixos classificados por status rituais. O casamento ou as refeições entre as castas são alvos de proibição. entretanto. a despeito das várias deficiências de sua democracia19. 2006. sofrendo a imposição do trabalho forçado. exploração e privação20. em termos políticos. Ao mesmo tempo. Frequentemente. o sistema de castas e. e as classes mais baixas são relegadas a posições que refletem seu valor social menor a elas determinado. a entrada em templos. como tendo que usar roupas imundas. 2008). . como a proteção contra atos de violência ou confisco de propriedade. Especialmente na Índia rural. não-remunerado ou mal-remunerado (pagamentos abaixo do preço de mercado. Junto com outras minorias (especialmente a população muçulmana). andar nus em público. o mundo inteiro é (igualmente) moderno agora (Eisenstadt. abuso sexual. cujos baixos investimentos sistemáticos e a baixa qualidade contribuem. ou Dalits. o país tem sido uma democracia política e. e de numerosos grupos tribais que não se encaixam no sistema de castas e. é a dos chamados intocáveis. em que as classes mais altas controlam posições de prestígio no âmbito do poder econômico e também político. De acordo com um estudo recente. como também de atos visíveis de subordinação ou abuso público. Um caso a ser colocado é a Índia. eles também têm de lidar com a discriminação contemporânea no sistema público de educação. uma estrutura social que é incompatível com a modernidade completa. de andar com a cabeça curvada. muitas vezes. sofre formas extremas de exclusão. mas os grupos privilegiados sócioeconomicamente são das castas mais elevadas e vice-versa. Uma perspectiva teórica de diferenciação põe essa visão em dúvida. consequentemente.escola. são mantidos em condições de escravidão por dívida. Ainda pior que a situação dos membros das classes mais baixas. riqueza material e pobreza. que compõem um número estimado em um quarto da população indiana. 2000ª: 14)17. persiste a despeito de sua abolição legal há várias décadas atrás.. e as relações entre os diversos grupos inclusos no sistema são organizadas estritamente de modo hierárquico. depois. a liberdade de escolha dos locais de residência. moderno. etc (Shah et al. esse grupo. sem dúvida nenhuma. tem se tornado menos rígida desde o século XIX. não têm qualquer lugar dentro dos limites definidos pelo sistema. portanto. A ligação secular entre casta e ofício. é. a venda ou compra em mercados públicos. algumas vezes até ao casamento. ou baseados nos critérios sem restrição de proprietários de terra quase feudais). assim. Sooryamoorthy. o direito a voto. consequentemente.

algumas vezes até abertamente heréticas (contra a “natureza”). mas as desigualdades tratadas como permitidas seguem uma lógica diferente. Estas estruturas também subvertem o funcionamento apropriado de muitas das instituições modernas formais. demonstra divisões arraigadas baseadas em grupos quase hereditários que são bastante similares (Scheper-Hughes. Elas desenham uma linha entre o que é visto – e tratado – como tipos essencialmente diferentes de seres humanos entre os quais relações horizontais (simétricas) são impensáveis. as clivagens sociais e as exclusões deste tipo que produzem não são únicos. são preenchidas com base no status mais do que pela qualificação). Sistemas sociais modernos. Larrain. tratado) como um igual. grande parte da América Latina. instrumentos dos interesses da elite em avanço – através da alocação de repartições públicas (que. de Ferranti et al.por exemplo. importante porque aponta para uma diferença chave entre as fundações ideacionais das sociedades modernas e pré-modernas. Antes do avanço da modernidade. são graduais ao invés de naturalmente categóricas. a ordem societária dividindo a população em estratos estritamente separados e hierarquizados era a norma em todas as sociedades avançadas. no mundo real. é estranha e não tem significado. cada vez mais. Analiticamente a distinção é. contudo. 2004). depois. por outro lado. os dois tipos de desigualdade quase sempre se sobrepõem. Enquanto o sistema de castas é único para a Índia. porque contradiz seu auto-entendimento – a semântica em que elas . aquela de igual cidadania. O que é apenas um fato da vida imutável para as sociedades pré-modernas constitui um constrangimento permanente em sociedades modernas. muitas vezes. porque. e por outros meios. Dubey. as Filipinas) e em outros lugares do mundo menos modernizado.. Formas extremas de exclusão social permeando a estrutura inteira da sociedade também são encontradas em partes do sudeste da Ásia (por exemplo. efetivamente. Não é necessário dizer que essa é uma distinção ideal. 2009). certamente não são igualitários em todos os aspectos. Estruturas sociais que sustentam ― e tradições sócio-culturais que sancionam ― práticas e hierarquias como estas são hostis à modernidade porque são baseadas em desigualdades categóricas que subvertem o princípio ou a diferenciação funcional ao erigir barreiras virtualmente intransponíveis entre os pouco privilegiados e os privilegiados. a própria noção de igualdade de status. que se tornam. assim. e. por exemplo. esta ordem começou a ruir e gradualmente teve de abrir espaço a nova ordem onde cada membro da sociedade é (deve ser) considerado (e. 1992. 2000. Para sistemas hierárquicos de estratificação. a alocação de reservas públicas ou serviços (cuja distribuição tende a ser regressiva).

costumes e normas negam a elas o direito do prazer sexual. Casamentos forçados e assassinatos em “defesa da honra” de filhas ou irmãs não-condescendentes são a ordem do dia em grande parte do mundo muçulmano. Enquanto a estratificação continuar como o modo dominante de estruturar a sociedade. em resumo: a existência das diferenças atribuídas refletindo gradações de reconhecido valor social é um problema que requer esforços em curso para remediá-lo e/ou justificativas na sociedade moderna. excluindo grandes partes. Para uma escola de pensamento sensível a “diferença” como a escola das múltiplas modernidades. são o dobro do que aquela entre os homens. 2006). servem para perpetuar hierarquias e práticas de origem pré-moderna. raças. que estão quase completamente ausentes de suas análises da (diversidade na) era moderna. 2002). A UNICEF (2006) estima que mais de 130 milhões de mulheres e meninas vivas hoje são submetidas à circuncisão genital forçada baseada em visões de mundo tradicionais na África Sub-Saariana. O valor baixo comparativamente dado a vida de garotas e mulheres em partes do sul e do leste da Ásia é responsável por difundir o infanticídio e a morte de fetos femininos. segundo esse ponto de vista. As taxas de analfabetismo de mulheres na Índia (Drèze &Sem. estão subnutridas por causa de normas culturais que dão prioridade do fornecimento de alimento aos homens (Suddarchan & Bhattacharya. Tradições culturais. é válido notar como presta pouca atenção a diferenças como essas. de acordo com a qual a diferença mais importante entre a modernidade e seu precursor evolucionário é aquela entre a diferenciação funcional ou por estratos da sociedade (Luhmann. a modernidade foi estabelecida genuinamente. mais do que homens e meninos. .. etnias. resultando em taxas da população por sexo altamente enviesadas e dezenas de milhões de mulheres “desaparecidas” na Índia e na China (Croll. 1964). não se pode afirmar que. 1997. Ao contrário. Um campo em que este fato é particularmente evidente é o das relações de gênero. A razão poderia ser a dificuldade de conciliá-las com uma teoria que trata todos os países e regiões do mundo como igualmente modernos? Isso. 2000). da população ao acesso a instituições e benefícios. E a lista continua indefinidamente. mas também em muitos dos países árabes (ver UNDP.descrevem a si mesmas e refletem a performance de suas instituições. se não a maioria. é uma realidade vivida apenas pelas minorias socialmente incluídas (Luhmann. de qualquer maneira. 2000b: 232)23. entre os sexos. ver também Parsons. 2006)21. é como parecem as coisas de uma perspectiva teórica da diferenciação. especialmente em partes menos desenvolvidas e entre os segmentos menos escolarizados da população22. e muito mais garotas e mulheres. etc. muitas vezes. É precisamente por essa razão que a existência de diferenças arraigadas de classe social.

de tipos de regimes institucionais promulgados. em contraste. então são necessários critérios através dos quais se pode julgar estes casos particulares. ainda que privilegiadas indevidamente em detrimento da “grande teoria”. como as famosas propostas de Robert Merton. Apenas diferenças que fazem diferença em seu problema de referência devem ser levadas em consideração pela teoria da modernidade. a individuação das pessoas. porque elas não têm qualquer influência em seu assunto de interesse25. por exemplo. de modo acertado. essas duas escolas pelo menos se aventuram em criar alguns critérios. a difusão de normas seculares e igualitárias e outros. Como indicado acima. . aquilo que distingue a modernidade de outras formações societárias. parece insensível às diferenças verdadeiramente fundamentais. não adiciona nada a nossa compreensão de nenhuma das duas. enquanto dá muito destaque a diferenças relativamente menores nas culturas expressivas dos Estados-nação contemporâneos. ignora. em vez de refletir a diversidade intra-moderna. A teoria da diferenciação propõe um tal critério. de identidades temporárias adotadas coletivamente. e de tradições culturais supostamente imutáveis adotadas pelos (elites intelectuais e políticas de) países particulares simplesmente funde níveis de análise e. e seus seguidores na teoria da modernização adicionam outros. de “coisas que não importam no sistema moderno”. mas. tendo em vista que isto não afeta o que a teoria considera como os blocos fundamentais da construção da sociedade moderna. os níveis de desenvolvimento sócio-cultural e sócio-econômico. E enquanto qualquer proposta é passível de debate. como John Meyer (2000: 245) fala sem rodeios. A teoria da modernização não enfatiza muito essa variação. são melhor entendidas como demarcadoras de zonas de níveis maiores ou menores de modernização atingidos24. seria melhor recorrer a várias teorias de “médio-alcance”. o grau em que a diferenciação funcional foi realizada. portanto. mas confundir o estudo da modernidade com a análise comparativa de caminhos das políticas escolhidas. permitindo que consideremos outras diferenças (por exemplo. a teoria da modernização acomoda facilmente as diferenças do tipo que importam a teoria das múltiplas modernidades porque seu conceito de modernidade é suficientemente abstrato para permitir uma grande variação dentro do tipo moderno de sociedade. Para conceitualizar variedades desse tipo. essas diferenças. A sociologia não é desprovida de instrumentos conceituais. entre países) em um esquema comparativo de análise adequado. A escola das múltiplas modernidades. a propagação e a performance das instituições modernas.Assumindo que existem diferenças culturais e sócio-estruturais que.

Onde alguém teria que procurar pela evidência necessária e o que este alguém teria que mostrar para tornar a proposta de Eisenstadt mais plausível? A evidência poderia vir de uma região que. A modernização nessas duas regiões. ao invés de ser limitada a setores particulares da sociedade e/ou a certos segmentos da população. transformando todos os aspectos da organização societal e as vidas de todos os membros da sociedade em um período de tempo muito curto. da maioria das outras regiões do mundo ― mais do que uma da outra ―. tampouco. as diferenças não são significantes para uma teoria da modernidade. 2000). e associado. Um aspecto que as modernidades do Leste Asiático e do Ocidente compartilham. de modo que podem existir realidades mais danosas para a hipótese da convergência do que os achados contra ela por Eisenstadt e seus seguidores. A realidade. mas em termos que perpassem o quadro em todas. a noção poderia ser ampliada para abranger mais terreno social do que uma limitada interpretação culturalista e/ou política da modernidade captura. Se este grupo apresenta evidência de padrões que o distingue “fundamentalmente” da modernidade Ocidental ― não meramente em termos de sistema de governo e de semânticas da auto-descrição societal. quanto a favor de sua alternativa proposta ― não prova a precisão da teoria da modernização e. é o caráter sistemático dos processos de modernização aos quais elas foram submetidas e aos quais continuam expostas. invalida o paradigma das múltiplas modernidades. 1971: 288). Como o próprio Eisenstadt sabe bem. Hong Kong e Cingapura os quais. e no ponto em que diferem uma da outra. ou maioria dos setores da sociedade ― então pode realmente ser sensato considerar uma pluralização do conceito de modernidade. tem raízes culturais/civilizacionais diferentes e tem tido diferentes encontros com a modernidade. Com variações . nenhuma região atende tão bem estes critérios quanto o Japão e seus vizinhos “tigres asiáticos”. aspecto que os respectivos processos de modernização compartilham é a direção da mudança. o que significa que “mudanças em um elemento estão associadas a e produzem mudanças em outros elementos” (Huntington. Um segundo. no entanto. Taiwan. e que indiscutivelmente diferencia ambas. foi e continua sendo um fenômeno inclusivo.IV Dizer que Eisenstadt não consegue criar argumentos convincentes ― tanto contra a teoria da modernização. não dá suporte à idéia. ou maioria das dimensões de mudança social e em todas. A modernidade do Leste Asiático e a modernidade Ocidental têm muito em comum. compreendem atualmente os exemplares mais avançados daquilo que poderia ser chamado de Modernidade do Leste Asiático (Tu. Coréia do Sul. tomados juntos. No final das contas. ao passo em que se encontra em uma posição sócio-econômica similar ao Ocidente. sobretudo.

Os perfis demográficos das duas regiões são marcadamente similares: níveis de urbanização. taxas de fecundidade. legal. desaparecem completamente. 2005). diferenças nos sistemas políticos. É claro que diferenças também são passíveis de serem encontradas entre e em relação às duas regiões. científico. etc.).). essas diferenças são relativamente insignificantes embora elas ganhem cor. cedo ou tarde. servindo melhor a população do que seus (com freqüência altamente corruptos. com alguma variação e adaptação local. embora em diferentes graus26. e em termos de condições específicas que defrontam diferentes grupos de cidadãos ou partes interessadas. Todos os países em questão são ricos. com padrões praticamente similares. composição da força de trabalho (por setor e gênero). estilos de vida. estão em posição de perseguir metas similares. certamente. etc. Os sistemas legais são todos baseados no direito civil ou no direito comum europeus (com a adição. e são mais ou menos igualmente efetivos. enquanto valores “tradicionais” vão lentamente ficando para trás. os respectivos governos. Ao mesmo tempo. econômico. por exemplo. sistemas político. médico. até mesmo sistemas de valores estão.pequenas. Aart & Mastruzzi. ver Inglehart & Welzel. se não inteiramente “predatórios”) lugares equivalentes no mundo (Kaufmann. previdenciário. 2008). em alguns casos. se movendo em direções comuns (com valores de “auto-expressão” tornando-se mais prevalecentes ao longo do tempo. 2003: 216ff. atendimento educacional. estabelecendo os parâmetros de mudança para outros (Katzenstein. e os retardatários do passado podem ser justamente os líderes do presente e do futuro ― o Japão. por exemplo. As principais reformas políticas iniciadas e implantadas com sucesso por um país são. 2007: 243ff. Em termos de seu impacto na performance de instituições públicas e organizações privadas. em lugar nenhum. Existem. alguns um pouco mais que outros. educacional. todos. estruturas etárias. sobressaem-se em “boa governança”. UNDP. copiadas. Cingapura é crescentemente vista como modelo de desenvolvimento para o Oriente Médio. executar programas institucionais similares. expectativas de vida. de suas populações todas variam de acordo com margens relativamente pequenas típicas de nações desenvolvidas (ver. Condições de vida. de elementos do direito . tornou-se líder mundial em importantes tecnologias nos anos 1990. padrões de consumo e. cada vez mais. com políticas de “crescimento compartilhado” beneficiando todas as classes sociais. Todos eles enfrentam problemas similares e respondem. como pesquisas globais mostram.. todos. pelos outros27. embora. e todos os cinco países têm tido um profundo impacto na transformação chinesa da era pós-Mao. estas diferenças podem significar um excelente acordo. se comparadas às diferenças que distinguem o grupo enquanto todo de quase todo o resto do mundo que ainda não alcançou níveis comparáveis de desenvolvimento. administrativo.

embora eles tendam a ser mais ecléticos no Leste Asiático do que no Ocidente (bem como são caracterizados por uma preferência geral pela persuasão e pela resolução informal do conflito através de litígio e da aplicação do direito formal que está profundamente arraigado na tradições confucionistas. nas divindades (quando existem) que elas adoram. embora o Ocidente estivesse muito à frente em um passado recente. e. mas. eficiência e competitividade global. nos alimentos aos quais dão preferência. 2008). etc. em parte devido aos legados do . as economias das duas regiões lideram qualquer lista de inovação. 2002) que os pobres tenham mais espaço (Schmidt. a despeito de algumas variações locais28. A ciência produzida ali se destina à mesma comunidade global. ver Haggard & Kaufman. as duas regiões também ostentam os melhores sistemas educacional e médico no mundo e. o Leste Asiático rapidamente o alcançou e agora é a única região fora do ocidente que tem um número considerável de universidades e institutos de pesquisa de classe mundial (Shanghai Jiao Tong University. juntas. 2007. Hall & Soskice. produtividade. 2007. 2007)29. Gill & Kharas. 2007. 1995. onde estes sistemas mal existem (ou onde eles atendem muito mais às necessidades de grupos pequenos enquanto excluem outros. tecnologias e características basilares. deixando outras regiões bem atrás (World Economic Forum. Os sistemas de bem-estar social estabelecidos pelos membros do grupo se diferem marcadamente. 2001. em contraste com boa parte do mundo. 9). Europa e no Leste Asiático (Stubbs. 2007). usa as mesmas metodologias. ver Glenn. De forma geral. 2009). segue os mesmos padrões de excelência e é igualmente produtiva em termos do número de patentes registradas por cientista (World Intellectual Property Organization. World Trade Organization. como na América Latina. mas. e. Yeung. 2008)30. além de uma importante base comum de conhecimentos31. e as respectivas culturas empresariais também variam algum tanto. 2001. 2004). eles todos têm mecanismos em funcionamento para proteger os mais vulneráveis e para “permitir” (Gilbert. embora a organização de ambos os sistemas variem ligeiramente de país para país. Diferentes variedades do capitalismo com diferentes graus de intervenção/coordenação estatal são praticadas na (em partes da) América do Norte. 2007). o preceito do direito é observado de forma mais meticulosa e integral nessas duas regiões do que em qualquer outro lugar. Eles também lideram a pesquisa e o desenvolvimento no mundo (Gill & Kharas. QS. elas compartilham premissas. a moralidade cotidiana e o pensamento político tendem a ser mais conservadores no Leste Asiático do que no Ocidente.chinês clássico). Tomadas juntas. ch. Algumas diferenças também podem ser encontradas nas vidas cotidianas levadas pelas várias populações: nos ritos que elas realizam. nas festividades religiosas e seculares que elas celebram. 2009. Streeck & Yamamura.

mas. em parte à maior compressão do tempo de desenvolvimento32. enquanto o Cristianismo prevalece no Ocidente. questionamentos em relação aos valores coletivistas. em quase todos os aspectos. Entretanto. segundo a qual graus de similaridade provavelmente variam de acordo com os níveis de desenvolvimento e. assemelha-se à sua contraparte na outra região34. mas enfrentam. a despeito de poderosas forças que fazem contraponto (Peng. e em parte às disposições culturais enraizadas na tradição Confucionista e em outras tradições indígenas que mantêm alguma força. A religiosidade é provavelmente mais forte no Leste Asiático do que na Europa Ocidental. as diferenças mais fundamentais não são encontradas dentre regiões do mundo ou países igualmente ou similarmente modernos (desenvolvidos). ou superior) típica.autoritarismo (Chung. há pluralismo religioso33. Do ponto de vista da alimentação. perseguem as mesmas metas e os mesmos divertimentos. a variedade culinária aumenta no Leste Asiático. com o aumento da riqueza. enfrentam as mesmas pressões etc. entretanto. bem como no Ocidente. 2005. então o que isto implica para o poder de persuasão dos argumentos da abordagem das múltiplas modernidades? . 2005). As taxas de divórcio e de pessoas que vivem sozinhas. Se. O que é assertivo na comparação entre Leste Asiático e Ocidente não seria assegurado com o mesmo grau de asserção em uma comparação entre tais regiões e a maioria das outras partes do mundo ― o que é precisamente o que alguém iria esperar de um ponto de vista da teoria da modernização. com isto. As elites conservadoras do Leste Asiático rejeitam. têm fases biográficas mais ou menos padronizadas. a despeito do efeito corrosivo da modernização. alegadamente “Asiáticos”. mas primordialmente entre eles e o restante menos moderno (desenvolvido). 2008). crescentemente rejeitam-se a sacrificar suas próprias aspirações em benefício de um grupo mais amplo (principalmente a família) e. 2005). a experiência vivida de uma pessoa de classe média (inferior. altamente qualificadas e orientadas à carreira. e. especialmente jovens mulheres. com poucas exceções. com alguma freqüência. Bulbeck. a emancipação feminina vai progredindo em toda a região. 2003. Quah. cada vez mais. Em suma. tais níveis tendem a ser menores em outras regiões. As pessoas passam pelas mesmas situações. com isto. A vida religiosa no Leste Asiático é dominada por tradições Budistas. mesclas sincretistas entre religiões locais e estrangeiras estão se tornando cada vez mais comuns em ambas as regiões. mas não necessariamente mais forte do que nos Estados Unidos. a culinária “local” se sobressai em quase todos os lugares. embora baixas para os padrões ocidentais. o que eles consideram individualismo “Ocidental”. estão crescendo por todo o Leste e Sudeste Asiático (Jones.

1975). Outro achado é que os sistemas de bem-estar social diferem-se entre si. como ele foi desenvolvido e empregado até então. a divergência diria que eles não existem. algum tipo de estado de bem-estar social. A convergência diria que existem. e é também outra descoberta o fato de que praticamente todos os países que enriquecem como resultado de uma modernização bem sucedida irão estabelecer. Um achado desta literatura é que existem diferentes regimes de bem-estar social em diferentes partes do mundo. Ao invés disso. Haggard & Kaufman. cedo ou tarde. a questão mais importante não está relacionada às peculiaridades de estados de bem-estar social específicos e. 2008). econômicos. por outro lado. mas sim se mecanismos de bem-estar social ― estatal ou regulado ― existem em todos eles. além de outros fatores que determinam os tipos de regime que emergem em cada localidade (ver Esping-Andersen. resultando no fato de que fenômenos que apareceriam como “diferentes” em um nível menor de abstração deverão ou poderão ser tratados como instâncias de convergência se comparados com o que seria considerado uma diferença “real” em um nível de abstração mais alto. com diferentes fatores sócio-históricos. políticos. 2000. de países desenvolvidos. desafiando todo e qualquer esforço de encaixá-los em tipologias amplas (Kasza. deve-se mirar níveis de abstração relativamente altos. deixa muito a desejar. cuja existência ninguém nega. consideremos a literatura sobre o estado de bem-estar social. Ele não fornece novos insights em relação à modernidade e tampouco amplia nossos horizontes analíticos para abranger aspectos que outros conceitos não poderiam alcançar35. Usando-se a modernidade como o quadro de referência. Estas descobertas são apresentadas freqüentemente como se contradissessem entre si.V O paradigma das múltiplas modernidades. mas cuja relevância para a teoria da modernidade ainda não foi estabelecida de forma sistemática e coerente. Valendo-se da diferenciação ― e das tradições teóricas da modernização. independentemente das orientações políticas das elites dominantes. Holliday. Mas fazer isto é desnecessário porque. o peso conceitual dessas diferenças depende dos problemas de pesquisa a serem respondidos e dos quadros de referência analíticos usados para observar tais diferenças. em certo sentido. (Winlensky. Para ilustrar. 2002). ele cria uma confusão ao pluralizar a noção de modernidade sem pontuar o seu significado e ao invocar evidências anedóticas em relação à “diversidade”. Do ponto de vista de uma teoria da modernidade. 1990. elas todas estão corretas. o presente artigo argumentou que nem todas as diferenças empiricamente observáveis são igualmente significantes. etc. Dizer que a seguridade social no contexto de um estado de bem- . Ao invés disso. dos recursos de poder dos atores políticos.

estar social pode ser organizada de formas muito diferentes é verdade. A teoria das múltiplas modernidades está interessada em certas questões. Por exemplo. o quadro de referência escolhido não captura diferenças que os estados de bem-estar social. assemelhando-se uns aos outros em algumas dimensões. que consiga dar conta de várias diferenças que chamam a atenção (ver. e assim por diante. “Como eles se desenvolveram historicamente?”. Então. por exemplo. etc. se alguém quer saber como os fundos de bem-estar social são alocados em diferentes campos da política social (por exemplo. educação pública. Os teóricos das múltiplas modernidades querem saber como continuidades culturais profundamente arraigadas se manifestam nas identidades coletivas. à construção e ao funcionamento de instituições. . Uma forma de lidar com este problema é revisar a tipologia. Transpondo esta consideração para a controvérsia entre a teoria da modernização e a teoria das múltiplas modernidades. de estados-nação. sugere-se a seguinte conclusão. aposentadoria. Se a pesquisa estimulada por tais questões encontra coisas em comum através dos países e diferenças que co-variam com outros fatores. os aspectos da realidade que as análises científico-sociais enfatizam não são simplesmente uma questão de verdade ou falsidade. dos problemas de referência que elas se propõem a observar. que preocupa-se com o que é único à modernidade enquanto formação societal. mas responde um diferente problema de referência. com as transformações que se desenrolam com a transição da era pré-moderna para a era moderna. etc. Eles querem assentar fundações para uma sociologia historicamente orientada e sensível aos contextos. Spohn. tipologias inevitavelmente abstraídas de diferenças que existem entre os representantes de um tipo ideal particular. mas depende. Mas não são os mesmos interesses que guiam o conhecimento teórico da modernização. de repente. saúde pública. podem apresentar em outras dimensões que são ignoradas ou jogadas abaixo pela tipologia36. e a teoria da modernização em outras. como elas dão forma à percepção de problemas. e até mesmo nas políticas. quando uma maior ênfase é colocada nas variações transnacionais. em larga escala. outra forma seria descer para um nível ainda menor de abstração. Todavia. etc. 2006). São certamente interesses legítimos. mirando problemas de referência para os quais as respectivas diferenças têm alguma importância.) e como isto impacta o bem-estar agregado de diferentes populações. então o que podem ser variações ínfimas do ponto de vista de uma teoria do estado de bem-estar social podem. O exercício poderia ser continuado e estendido para praticamente qualquer campo de investigação. nomeadamente questões do tipo “Como diferentes estados de bem-estar social provêm seguridade social?”. Em suma. assumir uma grande importância. então faz sentido sistematizar essa descoberta e construir tipologias de regimes de bem-estar social.

à medida que tal deslocamento vai acontecendo efetivamente. as descobertas de cada abordagem não têm qualquer implicação sobre a outra. uma abordagem globalmente orientada das “variedades de modernidade” (ver Schimidt. e aqui é onde os teóricos das múltiplas modernidades poderiam gozar de mais receptividade em relação ao pensamento teórico da modernização. a linguagem em comum que eles utilizam ― a linguagem da modernidade ― sugere que eles podem compartilhar pelo menos algum terreno comum. enquanto os teóricos das múltiplas . que acentuam fortemente (talvez demasiadamente) continuidades culturais. Uma possibilidade é esta. o poder ocidental para “definir” a modernidade também diminui. Conforme a modernidade vai se tornando um fenômeno verdadeiramente global (Schimidt. E esta modernização pode mudar os (recém-) modernizados mais do que os teóricos das múltiplas modernidades. Além disso. Os teóricos das múltiplas modernidades têm apontado. como também refletirá um valor. Ao mesmo tempo. E. frequentemente. com novos competidores participando nas políticas de interpretação. ele tem lugar precisamente em função da modernização em curso fora do hemisfério ocidental. 2007). Por este motivo. análises meticulosas de “modernidades tardias” (Kaya.Uma conseqüência desta diferença é que. Por exemplo. parecem estar preparados para imaginar. realçam diferentes facetas da realidade. cujo alicerce experimental era evidentemente mais limitado do que aquele disponível para os analistas contemporâneos. conforme os centros de modernidade deslocam-se gradualmente para locais não-ocidentais (Schimidt. é seguro predizer que a compreensão mundial da modernidade futuramente não somente se diferenciará da compreensão de hoje. os teóricos das múltiplas modernidades poderiam proporcionar alguma abertura e inspiração. ambos claramente têm seus pontos cegos. de modo que pode-se questionar se eles poderiam realmente complementar ou ser fecundos um ao outro. Entretanto. que os teóricos da modernização tendem a ver o mundo moderno através do prisma do Ocidente. Isto abre espaço para interpretações renovadas e. uma experiência e uma base de interesses mais amplos. com isso. outros subsistemas da sociedade poderia ajudar a superar alguns vieses e paroquialismos da teoria da modernização. assim como a literatura comparativa sobre as “variedades do capitalismo” enriqueceu nossa compreensão do capitalismo moderno ao demonstrar que não existe “uma” forma “melhor” de organizar uma economia capitalista. também. 2004) podem sugerir mudanças em algumas das premissas que constituem a base das teorias clássicas da modernidade. Isto seria possível? Certamente seria. não deve haver surpresa no fato de que os dois lados frequentemente desentendem-se. Neste ponto. Ignorar isto pode nos levar a equívocos. acertadamente. Então. Elas respondem a diferentes problemas de pesquisa e. 2006) que fosse além da economia e abrangesse. 2009).

Schimidt é autor ou co-autor de cinco livros e editor ou co-editor de outras quatro publicações. teoria social. ele foi professor/pesquisador do Memorial J. Endereço do autor: Department of Sociology. Em 1997/98. Universidade de Münster. Volker Schimidt leciona sociologia na Universidade Nacional de Cingapura (National University of Singapore). Singapoure 117570. 11 Arts Link. tênue. F. e. na melhor das hipóteses. ele ocupou posições de docência e pesquisa nas Universidades de Mannheim e Bremen. saúde e política social. foi professor visitante no grupo de excelência “Religião e Política na Modernidade”. nós devemos evitar subestimar as capacidades transformadoras da modernidade e evitar pensar em termos de emergência de novas “modernidades” cujo enraizamento no passado é. e pesquisas sobre modernização (com ênfase especial no Leste Asiático). National University of Singapore. [e-mail: socvhs@nus. Kennedy Fellow) no Centro de Estudos Europeus. Kennedy (J.sg] . Antes de filiar-se à instituição. Universidade de Havard.F. Suas principais áreas de especialização são a sociologia da justiça.edu. durante 2008/09. respectivamente.modernidades acertadamente insistem na variedade de formas a partir das quais a modernidade se expressa.

Assumindo que esse padrão era diferente. 6 Nas décadas de 1950 e 1960. 7 Permanece a necessidade de observar se isso se aplica a todos os tipos de regimes autoritários ou apenas a suas variantes mais repressivas. enquanto se inclinaram para a democracia como um ideal normativo. certamente acreditavam que os prospectos de democratização poderiam aumentar com níveis mais elevados de modernização sócio-econômica (o lócus clássico para esse argumento é. ênfase original) a afirmar: ‘a teoria inicial da modernização’ era ‘a priori não receptiva a idéia de divergências significativas’ em padrões de modernização. então sua afirmação se torna ainda mais confusa. considera o movimento econômico como o “elemento de impulsão” da modernização. consequentemente. Parsons (1956: 357) identifica a institucionalização da pesquisa e desenvolvimento (‘investigação científica e aplicação tecnológica da ciência’) como denominou o quinto universal evolucionário. e durante minha estadia como Pesquisador/Professor Visitante (Visiting Fellow) na Universidade de Münster. Lipset. Teóricos da modernização. algumas democracias consolidadas existiam mesmo na Europa Ocidental. ocorrido entre 23-5 de junho de 2008. depois de um longo período de instabilidade política. por exemplo Bendix. a Grécia. O lócus estrutural para a institucionalização desse programa na conceitualização de Eisenstadt é o Estado-nação. em Budapeste. que (não é um teórico da modernização mas) pode ser visto como um herdeiro legítimo de Parsons na teoria sociológica de sistemas. sofreu um golpe militar em 1967. mas Niklas Luhhmann. ainda enfrentava um legado altamente autoritário. 3 Lerner (1968: 388). recebe muita atenção nas considerações sobre modernidade de Lerner (ver 1958: 54ff. 1993). Não ocupa um papel central na arquitetura teórica de Parson. quando a teoria da modernização era mais influente. 1959). Eu agradeço a todos os participantes pelas discussões ao vivo e as críticas. 1970). na verdade. no Núcleo de Excelência “Modernidade e Religião” (agosto de 2008 a junho de 2009). de 5 a 8 de setembro de 2008.). concorda com o ponto de vista de Lerner sobre a importância da mídia. ele devotou. Partes deste paper também foram apresentadas no 38º Congresso Mundial do Instituto Internacional de Sociologia (38th World congresso of the International Institute of Sociology). 4 A mídia. Eu sou grato particularmente a Thomas Gutmann por me convidar a Münster e por seu esforço incessante em fazer da minha estadia o mais produtiva e agradável possível. 5 Na última página deste artigo. Combinando esses dois aspectos com a observação de que Estados-nação tem sistemas políticos diferentes com diferentes legados e com entendimentos próprios que foram historicamente enraizados. claro. argumentando como este complexo estrutural foi capaz de assumir a mesma importância que os outros quatro no século 20. já que Arnason também diz. que “a teoria inicial da modernização . 'alguém é confrontado pelo problema do que realmente constitui o núcleo comum da modernidade'. 2 Eisenstadt (2000a: 3) admite: 'No reconhecimento de uma multiplicidade de modernidades em constante evolução'. por exemplo. ver Putnam. em Barcelona. então. mas mesmo onde argumentam que a transição para a democracia torna-se provável em um certo estágio (por exemplo Inglehart & Hezel. ele escreve. a Itália continuou a ser dividida em o Norte “cívico” e o Sul dominado pelas relações hierárquicas patrãocliente (sobre o caso italiano. no mesmo artigo em que se refere a Parsons e a outros. seria muito mais fraco do que aparenta contemporaneamente. fica difícil entender o que motiva Arnason (2004. dado o espaço conceitual que sua teoria garante à diversidade. onde a democracia havia sido imposta pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial. 200a). em Pusan. 1 Este artigo é uma versão estendida e revisada de um paper originalmente preparado para uma conferência midterm do Comitê de Pesquisa em Teoria Sociológica ISA (ISA Research Committee on Sociological Theory) na Universidade Nacional de Pusan. A hipótese de identificar “o” modelo ocidental com a democracia política. e a Alemanha Ocidental. Ele identifica como esse núcleo 'o modo ou os modos de interpretação do mundo' que se cristalizam em 'um distinto programa cultural' (Eisenstadt. 8 Se considerarmos Parsons como o autor que criou as bases teóricas da teoria da modernização. A versão atual também se beneficiou de comentários de Misha Pretrovic e as sugestões de um revisor anônimo. A península Ibérica era governada por regimes ditatoriais. 2005:31) que corroem formas tradicionais de legitimação das ordens social e política ao questionar sua naturalidade e ao tomar consciência de sua maleabilidade. ainda insistem na natureza probabilística dessa proposição. de 26-30 de junho de 2008. uma monografia inteira para a discussão deles (ver Luhmann. 2005). tem-se a noção das múltiplas modernidades. citando o padrão soviético como um exemplo. ainda que não seja de interesse vital para os teóricos da modernização. no 1º Fórum de Sociologia ISA (1st ISA Forum of Sociology). e estudiosos empregando em sua análise um quadro teórico geral da modernização tem enfatizado repetidamente a importância da iniciativa política para o sucesso de uma modernização ‘tardia’ (ver.

hoje esse não é mais o caso (ver Goldin & Katz. que estruturas de instituições formais estão frequentemente “desconectadas” de sua prática institucional atual. numa fase anterior os próprios Estados Unidos tiveram de aprender com modelos estrangeiros. ch 3) e Smelser (1968). 14 Um caso adequado seria a Alemanha. 2008). significando que existe uma má combinação entre a adoção aparente de um modelo particular (por exemplo. para adquirir sua condição de modelo. Isso é verdade. etc. não ignorou a experiência soviética’ (2008. também. o direito e a economia ao conferir a cada sistema o mesmo peso conceitual. administrações burocráticas providas de pessoal e cujos funcionários sejam tecnicamente competentes e desprovidos de interesses ‘especiais’. 2000:31). Luhmann. 9 Originalmente. e que estudiosos recentes chegam a questionar o caráter moderno da União Soviética. o direito. 2000b). ele diz que ‘à medida em que sociedades diferentes se tornam mais modernas ou desenvolvidas. que descarta o esquema ÁGIL para a derivação de sistemas. O resultado. no entanto. o sistema fiduciário ou da comunidade societal).. que. Essa observação é correta. 17 Alguns leitores podem fazer a objeção sobre o fato de que Eisenstadt não diz expressamente que o mundo inteiro é igualmente moderno. a noção de ‘estados falidos’). com cobertura a toda a população e assegurando a satisfação de suas necessidades básicas. foi algo novo que agora influencia os padrões globais de excelência. por exemplo. Não é necessário dizer que. mais se tornam parecidas em seus aspectos básicos. As duras teorias vão além de definições políticas da sociedade. setor em que permanecia atrás de diversos países europeus cujos sistemas de bem-estar eram mais avançados. similaridade. o mundo contemporâneo exibe graus impressionantes de isomorfismo institucional. contudo. um sistema de bem estar regulado ou coletivamente controlado. escandinava). por exemplo. enquanto os Estados Unidos lideraram os desenvolvimentos no campo educacional durante a maior parte do século 20. Lerner (1958. O que ele realmente diz é que modernidade ‘envolveu quase o . 1997. Eisenstadt apresentou essa concepção. puramente. bem-estar social) como subsistemas de um dos outros (por exemplo. Wagner (2008) entende sua análise aos sistemas econômicos e científicos. Suas universidades mais importantes. mas reduz a análise do discurso. um dos primeiros países da modernidade tardia na Europa cujo desenvolvimento é comparado frequentemente com o do Japão depois da Restauração Meiji (ver por exemplo Bendix. trata a religião. uma observação que permite vários diagnósticos de falha institucional (como. um sistema de ‘bem’. o modelo de Estado-Nação) e sua implementação e performance real. 12 Essa qualificação é necessária tendo em vista as descobertas do neo-institucionalismo sociológico. Wittrock (2000). combinam elementos dos sistemas de universidades germânicas e britânicas (ver Bem-David. a construção institucional e a performance dos sistemas sociais. Nota: mais parecida não significa idêntica. apesar de terem sido consideradas obsoletas analiticamente pelos avanços feitos pela teoria social do século 19 (Luhmann. 1977: 1. 1971). a educação e até as artes em conjunto com a política.e. um império da lei e um sistema legal garantindo um conjunto de direitos humanos principais. Claro que ascender a uma posição de liderança em um momento do tempo não evita um possível declínio mais tarde. a teoria de Parsons considera a existência de quatro subsistemas societais e tem a capacidade de acomodar vários outros tratando setores adicionais da sociedade (por exemplo. Como outros culturalistas. os modos pelos quais os intelectuais percebem e constroem a modernidade (política. uma adesão simbólicaa modelos compartilhados não é suficiente para aplicar a noção de convergência. os Estados Unidos não era um líder na “componente social”. 11 Algumas dessas instituições mais importantes são: as do tipo produção-crescimento. preferivelmente um governo político-democrática. 1970). ele adiciona que os autores posteriores (como Giddens e Habermas) negligenciam a experiência soviética na teorização da modernidade. Eles também observam. 13 Como Parsons (1977:188) admitiu prontamente. Dessa maneira. ênfase minha). a ciência. Contudo. econômica. pesquisa e desenvolvimento em grandes organizações científicas. continuam a inspirar boa parte da teorização contemporânea. Depois. ele tem pouco a dizer sobre a estrutura. centrais e institucionais’ (Eisenstadt. Strath (2004) e os outros artigos no número especial de Thesis Eleven que editou sobre a modernidade “Nórdica” (i. ver. o cuidado com a saúde. educação. por exemplo. preferivelmente uma economia capitalista. 10 Parsons não era o único estudioso a defender esses pontos de vista. científica). observações similares foram feitas mais tarde sobre seu sistema de valores comparativamente mais tradicional (ver por exemplo Inglehart &Baker. porque seria utilizada contra a teoria inicial da modernização é um mistério. 16 Como mencionado na seção anterior. por exemplo. mas ele também foca principalmente no sistema político. Para a teoria da modernização. A orientação de Arnason (2000) é um pouco mais ampla. e convergência em aspectos institucionais básicos não significa convergência em todos os aspectos concebíveis. Resumindo o estudo teórico da modernização na década de 1970. quer dizer resultados similares. neste contexto. possui o melhor resumo). ênfase minha). 15 Ver também Tu (2000). Como John Meyer e seus colegas tem mostrado em vários estudos (Meyer et AL.

Dado o assunto e o problema de referência de seu estudo. na base de seu nível de desenvolvimento econômico’ – e esse nível é bem menor do que o Japão. ver. nada de moderno a respeito delas. sujas ou difíceis de viver’. 1997) e além. 19 Observe que. o Oriente Médio. Inglehart e Welzel (2005: 161). 1977: 18) claramente persistem na era moderna. Na Europa do século XVIII. 23 Por razões relacionadas. há 2500 anos. enquanto Eisenstadt (2000ª: 23) consegue visualizar apenas as diferenças neutras entre as democracias da Índia e do Japão.. Consequentemente. 2010:6).. tornando o “amor” um componente essencial de uma crescente individualidade na escolha das esposas (Luhmann. e vários países asiáticos (do Japão através da Índia e China e Laos e Cambodja) como exemplos (Eisenstadt. se apoiando na distinção usada amplamente entre a democracia formal e efetiva. Em conformidade com essa observação. até agora não foi capaz de alterá-la fundamentalmente. 2000a: 14) e não indica em nenhum ponto do texto quaisquer diferenças a respeito dos níveis de modernização. 2008). Para indicar esta natureza interpretativa. ele dá ênfase em como cada país reflete ‘expressões únicas de modernidade’ – e diferenças localizadas em diversos ‘programas culturais’ de modernidade são as únicas diferenças a que ele alude. 24 25 O argumento acima de que grande parte das realidades sociais indianas são melhor entendidas como reminiscentes do seu passado pré-moderno do que como sintomas da modernidade também é defendido por Heller (1999: 13). Em outras palavras. descobrem que ‘o score da Índia de democracia efetiva’ está ‘onde se poderia esperar. mundo todo’ no ‘fim do século 20’. o termo ‘igualmente’. com o Japão como claramente superior à. entretanto. citando a África. essa prioridade faz perfeito sentido analiticamente. ‘em um nível mínimo de subsistência. ou a frente da Índia. Exclusões sociais baseadas em “inferioridade indiferenciada” (Toby. nas “regularidades em que estão fundamentas a diversidade”. 21 Uma comparação global de desigualdade de gênero identifica os níveis de privação das mulheres na Índia como “excepcionais” (Drèze & Sem. Gradualmente. em tempos modernos. As transformações sócio-econômicas massivas que a Índia tem passado desde o início da década de 1990. ou que apenas assume significância entre pequenos círculos de intelectuais. outros. diz Wagner. eram norma em todas as altas culturas. não tem nenhum problema em considerar a Grécia Antiga. 186f. uma mudança ocorreu no pensamento das classes mais altas sobre a base apropriada do casamento. apesar de terem submetido esta ordem a um certo “stress”. Lerner (1958: 78). . as quais atribui as variações de tradição cultural dos dois países e suas experiências históricas no encontro com a modernidade Ocidental. Aart & Mastruzzi. detectam diferenças enormes na performance das duas políticas (ver apêndice C em Kauffmann. por exemplo. foi posto entre aspas. 22 Os casamentos arranjados. Ao mesmo tempo. é certamente diferente da “nossa própria”. hierárquica e atributiva” e afirma que apenas o estado de Kerala conseguiu superar esta ordem em uma base ampla. Não há. 1987). trabalhando nas condições mais miseráveis. ele identifica as raízes históricas da modernidade em tempos mais remotos que a corrente principal da sociologia.). enquanto aludia expressamente a “rica diversidade” das sociedades modernas e em modernização. Pode ser difícil superar as vastas desigualdades de gênero indianas. estava interessado. enquanto em nenhum ponto do ponto texto considera a possibilidade que possa se manifestar em diferentes graus. 18 Ver também Wagner (2008: 1). não parece uma imputação injustificada. propriamente na Era Axial. uma ‘manifestação antecipada de modernidade’. por exemplo. apesar disso.. 2002: 70) mesmo de acordo com as taxas do mundo em desenvolvimento. aproximadamente 90% dos Dalits e dos grupos tribais são extremamente pobres. Parsons (1977: 184) encarou a “inclusão incompleta” nos Estados Unidos da população negra em sua comunidade societária como um caso de ‘estratificação atributiva’ que subverte a premissa igualitária da sociedade moderna com uma “estrutura de classe aberta” (p. mas não é menos moderna que a modernidade “corrente” ou “contemporânea” (2008: vii). ainda assim. Como Eisenstadt. A modernidade Grega. que inicia o primeiro capítulo de seu lívro com a expressão “Nós todos somos modernos agora” – e depois argumenta que a modernidade pode se manifestar em diferentes maneiras. Bhandari & Mehta (2009). usando os critérios que medem a qualidade do governo. sem empregos ou seguridade social. mas modelos mundiais que dão ênfase a igualdade de gênero tem alcançado a Índia não menos que outras regiões do mundo e fornecem padrões para a deslegitimização por atores locais afirmando a validade e aplicabilidade universal desses modelos. o ideal se espalhou para outras classes sociais e se tornou a norma – na Europa e. enquanto a expressão acima é claramente uma interpretação. Para análises detalhadas das várias dimensões dessa privação e muitas das iniciativas destinadas a resolvê-la. que também persistem em grande parte do sul da Ásia. 20 Mesmo atualmente. se moderno for significado de práticas e percepções que são congruentes com o princípio da diferenciação funcional e/ou fundamentalmente com idéias novas que origina. através da difusão da “cultura mundial” moderna (Meyer et al. que relata a evidência para a prevalência generalizada “da ordem social tradicional. de acordo com India’s National Commission for Enterprises in the Unorganized Sector (citado em Banerjee.

 26 Usando o Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de medição. no entanto. na América Latina. etc. Mullis & Foy. a medicina científica. 2008a). é válido notar que levou-se séculos para desenvolver tradições legais autônomas e sistemas legais relativamente livres de corrupção. 2008). Dúvidas tem sido levantadas. ambos os países atuam notavelmente bem (muito melhor do que muitos países latino-americanos que já estiveram à frente deles em diversos aspectos) ― e também é de se admirar que o Japão esteja à frente deles. refletem a significância continuada da lógica da diferenciação pela estratificação. 261). os sistemas de bem-estar social. nenhuma dúvida existe de que estas variedades são todas variedades do capitalismo moderno. então os resultados alcançados pelo Japão e pelos quatro Tigres Asiáticos são igualmente similares a ou melhores que aqueles dos países líderes do Ocidente (ver UNDP. 2008b) e leitura (Mullis et al. embora continue sendo praticada. As marcas de Japão e Hong Kong estão próximas a. Claro que tais legados podem também ser encontrado em outros lugares. De maneira interessante. ou do leste asiático. Sachs. 28 Usando o método de avaliação de Kaufman. sem sombra de dúvidas. 1990) da Europa continental. nenhum país não-ocidental fora do leste asiático está atualmente à frente de qualquer protagonista da região. 2009). com o capitalismo alemão (ou francês) compartilhando mais características com sua contraparte japonesa. os quais estes sistemas também contêm. O objetivo é aprender a partir da experiência dos outros que já tiveram que enfrentar problemas de mesma sorte. o pensamento crítico e a compreensão profunda têm ganhado. mortalidade infantil. o Reino Unido ou a França. os estudantes do Japão e dos quatro tigres asiáticos . 1999. O forte contraste entre países com baixos e altos níveis de corrupção judicial é demonstrado pelos numerosos estudos de caso empreendidos pela organização Transparência Internacional. Mullis & Foy. Sem. Coréia do Sul e Taiwan ficam um pouco atrás de grandes países ocidentais como os Estados Unidos. 2007).). por exemplo. Pontos similares poderiam ser levantados em relação aos regimes sócio-políticos (Schimidt. i. e em contraste ao que alguém esperaria de uma perspectiva culturalista. por outro lado eles servem essencialmente aos interesses de grupos “núcleos”. quando eles começaram a se modernizar mais seriamente. mais proeminência na prática e no pensamento pedagógico. Em estudos que comparam as realizações de alunos de quarta e oitava séries do ensino fundamental em ciências (Martin. quanto a modernidade de outros capitalismos (ver. uma vez que diferentes índices (por exemplo. Becker.e. os métodos de instrução enfatizam a aprendizagem sistemática e a preparação para exames mais fortemente do que no Ocidente (onde tais técnicas foram gradualmente descartadas nos anos 1960). do que com a variedade anglo-americana. já que o Japão foi o primeiro país do leste asiático a se modernizar.. cujo membro mais fraco (Coréia do Sul) está na posição 26 em um total de 182 países medidos a partir deste índice (UNDP. A situação nos outros países do leste asiático é semelhante. 1977: 415) é precisamente esta oportunidade de aprender: os países que se desenvolvem tardiamente não precisam reinventar a roda. a medicina oriental (incluindo a medicina chinesa).. mas com níveis crescentes de desenvolvimento sócio-econômico e a potencial demanda por empregados mais “criativos” que sejam capazes de solucionar problemas de maneira independente. mas estão à frente da Itália. 2000. Japão e os quatro tigres asiáticos estão na mesma liga como seus modelos ocidentais de outrora. 2003). 30 Haggard & Kaufman (2008: 79) apropriadamente chamam os sistemas de bem-estar social (welfare systems) encontrados em quase toda a América Latina de sistemas “estratificados” porque. 2009: 171ff. O caso de Cingapura é difícil de ser avaliado. Como outros subsistemas da sociedade. Na educação. 31 No caso da medicina. 29 Além disso. Se a efetividade dos sistemas de cuidados com a saúde é mensurada em termos de indicadores comumente utilizados tais como a expectativa de vida ao nascer. ou são maiores que aquelas de alguns dos países ocidentais citados acima. 2003: 224). dependendo das qualidades e aspectos do direito que eles enfatizam. uma condição que Marx e Weber viam como essencial para o capitalismo moderno. Uma das vantagens do desenvolvimento tardio (ou “atraso”. no jargão dos anos 1950 e 1960) enfatizadas pela escola da teoria da modernização (ver Bendix. destarte. entre os quais nem todos libertaram a força de trabalho da escravidão e mercantilizaram ela. 2007: 247. se de um lado eles vagarosamente começam a abranger segmentos menos favorecidos da população. o modo de diferenciação societal que predomina em condições pré-modernas. De fato. mas seus “efeitos conservadores” estão deslocados em relação a uma extensão muito maior de elementos igualitários. a Alemanha. Kaufmann et al. tardiamente. vs Bertelsmann ou Freedom House) o classificam de formas muito distintas. na Coréia do Sul. Aart & Mastruzzi (2008). matemática (Martin. as variedades acima também perpassam linhas civilizacionais. Por exemplo. Nos casos de Coréia do Sul e Taiwan. como por exemplo nos regimes sóciopolíticos “conservadores” (Esping-Andersen. esta base de conhecimentos é. 27 “Exame sistemático do ambiente relevante” é frequentemente o primeiro passo dado pelas burocracias do leste asiático uma vez que um problema foi assinalado para regulação política (Katzenstein. Considerando a progressão muito menor do tempo de desenvolvimento desde os anos 1950 e 1960. é responsável por menos de 20% do gastos com saúde do país e por menos de 10% da medicina privada (ver OECD.

ele teria que restringir consideravelmente sua agenda quanto à evolução da sociedade. O Japão no Leste Asiático e diversos países predominantemente protestantes ou católicos na Europa parecem ser exceções a esta tendência. e a ordem política constitui apenas um de seus quatro subsistemas da sociedade. O resto do mundo consistentemente se sai mal. . Destarte. em segundo lugar (a única exceção é a habilidade de leitura. o Serviço de Saúde Nacional Britânico (British National Health Service) contém elementos “socialistas” que o fazem mais similar aos seus equivalentes nos países europeus “socialdemocratas” do que à sua contraparte nos Estados Unidos. Novos valores. com estudantes das nações líderes do Ocidente vindo. em sua maioria. 32 33 34 35 36 consistentemente alcançaram pontuações máximas. estilos de vida e modelos de papéis normalmente substituem os antigos em um processo gradual que pode durar sucessivas gerações (ver Inglehart & Welzel. enquanto é comum observar os sistemas de bem-estar social britânico e americano como variedades do tipo regime liberal. Robison & Goodman (1996). O mesmo não se verifica quando temos a situação inversa ― se Parsons fosse adotar o paradigma das múltiplas modernidades. há um amplo escopo para que os teóricos das múltiplas modernidades persigam suas inquietações de acordo com a arquitetura da teoria de Parsons. 2005). por exemplo. O sistema cultural de Parsons proporciona espaço conceitual suficiente para analisar o que os teóricos das múltiplas modernidades vêem como a cultura de modernidade. ver. Pinches (1999). sendo muito superiores ao restante do mundo. Lange & Meier (2009). Para as classes médias em rápida ascensão na Ásia (Leste da Ásia) e como elas se comparam a suas contrapartes norte-americanas e européias. Por exemplo. um campo no qual os estudantes da Europa Oriental são fortes competidores em relação a qualquer grupo).