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Administração Pública, seus princípios

constitucionais e corrupção

O Estado surge a partir da formação e organização das
sociedades. Estas surgiram como decorrência da necessidade do
homem de viver em grupo, porque se associar a outros seres
humanos é para ele condição essencial de vida.
O Estado, como conseqüência do contrato social, é o
detentor do poder político, decisório e responsável por cuidar do
interesse comum e da gestão da coisa pública.
Dentro do nosso modelo de Estado Democrático de
Direito, elegemos representantes, que terão a função de elaborar as
leis que nos comprometemos a seguir e acatar. Elegemos
representantes que terão, entre outras, a função executiva, por meio
das Administrações Públicas, de cuidar dos interesses coletivos na
gestão dos bens e interesses públicos.
Essa a enorme importância, a nosso ver, da
Administração Pública. O Estado, para executar, materializar suas
opções políticas, necessita da Administração, onde estarão atuando
os órgãos e os agentes públicos.
Concluímos que a Administração Pública terá
responsabilidades
com
o
próprio
contrato
social,
quando
transferimos, por meio do voto, nossas aspirações, nossos objetivos,
nossos sonhos, àqueles que nos representarão. Dentro do contrato
social que vivenciamos, esperamos que o interesse coletivo seja
protegido. Quando a Administração Pública, que tem a missão de
materializar os objetivos traçados pelo Estado, não os cumpre,
insurge-se, em nosso entendimento, contra o próprio contrato social.
O Estado necessita da Administração Pública para cumprir sua
função, que é cuidar do bem-estar e do interesse comum.
Entendemos que os princípios constitucionais da
Administração Pública, inseridos em nossa Carta Magna de 1988 no
artigo 37, caput, têm o condão de orientar a atividade administrativa
do Estado e conseqüentemente proteger o próprio contrato social.
A importância da Administração Pública para a gestão
dos negócios estatais é tão importante que não se tem notícia de
Estado que tenha conseguido sobreviver sem ela.

para atingir seus objetivos de gestão dos bens e interesses da comunidade e materialização da política governamental. e assim por diante. O princípio da eficiência. A atitude primordial entre os cidadãos é a competição desconfiada para preservar o que cada um possui e ganhar mais. da Universidade de Washington. Esta pode ser conceituada como um conjunto de práticas que implica uma troca entre aquele que detém o poder decisório na política e quem detém o poder econômico. comum. pelo menos em grande parte. a moralidade e a publicidade se observadas poderão conduzir à eficiência. por outro lado. para os envolvidos. e. O esforço na elaboração deste artigo foi o de procurar demonstrar a relação. quando analisamos o princípio da legalidade. impessoalidade. September 1978. evidentemente ilícitas e ilegais. Patrick Dobel. O professor norte-americano J. se possível. Assim. A legalidade. deve seguir os princípios constitucionais inseridos no artigo 37. é deixado de lado. da nossa Constituição Federal de 1988 a saber: legalidade. poderia solucionar esta questão. Procura estabelecer as causas da corrupção do Estado segundo três linhas: institucional. a inobservância desses mesmos princípios pode criar condições favoráveis à corrupção. O interesse próprio passa a ser o motivo normal da maioria das ações. Os referidos princípios se interligam. entre a violação dos princípios constitucionais da Administração Pública e a corrupção. Em conseqüência. elaborou uma teoria sobre a corrupção intitulada “The Corruption of a State” (“The American Political Science Review”. quem é totalmente egoísta é também totalmente . A corrupção leva à violação dos princípios constitucionais da Administração Pública.958-973).A Administração Pública. um influenciando o outro. moralidade. publicidade e eficiência. podemos admitir como conseqüência de sua observância a existência da moralidade. moral e econômica. O interesse coletivo. Quando analisamos o princípio da publicidade podemos admitir como conseqüência de sua observância a existência da legalidade. A explicação moral refere-se à quebra de valores morais e conseqüentemente à perda da lealdade cívica. se observado. a impessoalidade. A abordagem institucional argumenta que as estruturas sociais e políticas desatualizadas não atendem à população que passa a não mais acreditar no Poder Público. a nosso ver. caput. do civismo. visando à obtenção de vantagens. A corrupção estatal tem que ver com a incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos morais desinteressados de ações e instituições que beneficiam a comunidade. pp. que nos parece muito íntima.

criados pela capacidade humana de egoísmo e orgulho. por meio da informação. levando a população ao descrédito no Poder Público e dando margem ao surgimento das facções. pois o bem comum traz consigo. Observar o princípio da moralidade garantirá a proporcionalidade entre os meios e os fins a atingir. da Constituição Federal brasileira. de proteção. Analisando a desobediência aos princípios do artigo 37. caput. Na desigualdade econômica. A observância do princípio da publicidade garantirá a transparência dos atos da Administração Pública e a participação dos cidadãos nas questões públicas. A eficiência se opõe à lentidão. caput. entre os sacrifícios impostos à coletividade e os benefícios por ela auferidos. quando não são suas vias de acesso. de 1988. geram a corrupção do Estado. Estes são os verdadeiros condutores da corrupção. Os membros das classes mais altas sacrificam sua lealdade cívica para ganhar posições ou mantê-las. principalmente no que concerne à aplicação dos recursos públicos. poder e status. não possui desinteresse nem compromisso com o bem comum. A observância dos princípios constitucionais da Administração Pública. não atendem aos anseios da coletividade. A obediência ao princípio da impessoalidade evitaria que atos da Administração Pública viessem a ser utilizados para satisfação de indivíduos e grupos. apontará o caminho correto da atividade . por ineficiência. o sofrimento da coletividade. corruptas e corruptoras. precisam ser obedecidos. para exercer essa função de guarda. e podem levar a rupturas sociais. sem qualquer preocupação com a coletividade. manter o bem comum exige certa lealdade por parte dos homens e instituições sólidas que tenham como meta garantir esses bens. inseridos no artigo 37. algumas criminosas. cumpridos.corrupto. A interpretação econômica explica que a distribuição desigual da riqueza gera forças que alienam o povo. ao menos parcialmente. garantindo o bem-estar social. Nesse sentido. exercitados. Guiar-se pelo princípio da eficiência evitará a pobreza. a idéia de bens que são comuns a todos os cidadãos. O fator institucional da corrupção. entre as vantagens usufruídas pelas autoridades públicas e os encargos impostos à maioria dos cidadãos. e esta é muitas vezes usada pela corrupção como meio de atingir alguns fins. evitando atos de corrupção. surge quando as instituições. no sentido de que não possui lealdade. A discussão sobre as desigualdades é importante. da Constituição Federal vigente e seu vínculo com a corrupção. O controle das atividades administrativas será maior. A obediência ao princípio da legalidade evitará a prática de atos ilegais. concluímos que referidos princípios funcionam como guardiões.

sofrimentos à população mais pobre e sacrifícios desnecessários à coletividade em geral. progresso social e econômico a todos.org. Tal procedimento orientará a Administração e os administradores públicos para uma boa gestão dos negócios públicos. propiciando bem-estar. segurança.administrativa. Evitar-se-ão.html .transparencia. assim. Dionísio Pires de Andrade Advogado e Mestre em Direito pela PUC/SP Fonte: http://www.br/index.