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78, n9 11, Novembro de 2014

Revista LTr. 78-11/1

DEVERES DO EMPREGADO NA EXECUÇÃO DO
CONTRATO DE TRABALHO
Arion Sayão Romita (*)

Un poncif est un lieu commum dénué d'originalité, un stéréotype répandu, un cliché. Hn règle générale, il est
erroné ou exagéré à l'extrême. Une fois entré dans les moeurs et dans les mentalités, il est cependant difficile
de l'en déloger, ce d'autant qu'il continue à être alimenté par diverses sources, par inertie ou par
intérêt (**).

1. Introdução
Lê-se na epígrafe deste estudo que uma ideia feita é um lugar comum desprovido de
originalidade, um estereótipo difundido, um clichê. Em regra geral, ele é errôneo ou
exagerado ao extremo. Uma vez inserido nos costumes e nas mentalidades, ele é, contudo,
difícil de ser daí desalojado, tanto mais que continua a ser alimentado por diversas fontes,
por inércia ou por interesse.
O que caracteriza a literatura trabalhista brasileira, de modo geral, no que tange à
exposição doutrinária do tema pertinente aos direitos e deveres dos sujeitos da relação de
emprego, é exatamente isto: um poncif, vale dizer, uma congerie de ideias feitas, de
lugares-comuns resultantes da assimilação de teorias aventadas durante os anos de 1930 e
1940 por autores estrangeiros, na fase histórica marcada pelas ideias autoritárias que se
refletiam no Brasil no período do Estado Novo getuliano, época em que elaborada boa
parte da legislação trabalhista (i/ compris a própria CLT), vigente até hoje.
Convencido de que o direito do trabalho registra de modo bastante fiel as ideologias
que dominam uma sociedade"1 e que as normas de direito do trabalho refletem o contexto
econômico e ideológico do momento histórico em que promulgadas u>, o autor destas linhas
tentou demonstrar, a propósito do exame dos poderes do empregador^ 1,que a doutrina
brasileira, em regra geral (consignadas as exceções -1e praxe), não acompanhou as
transformações históricas, políticas e ideológicas ocorridas no País até a presente data.
Como fenómeno de superestrutura, o direito não é estático: se muda a base
sociológica sobre a qual incide, ele deve necessariamente transformar-se, acompanhando
as mudanças verificadas. A doutrina, que inspira transformações legislativas, mas que, por
seu turno, sofre o influxo das alterações da lei, deve também evolver pari pnssu.
2. Noção de dever jurídico
A etimologia do subst. dever aponta para o significado de obrigação moral.
O vocábulo dever deriva cio lat. debere, verbo formado de de + habere, dever, ser
devedor. Fig. dever, estar obrigado a<4>. Debere é empregado igualmente com um infinitivo
complemento para marcar a obrigação de fazer alguma coisa1**.
Mais tarde substantivado, significa obrigação moraJM.
O termo dever é polissêmico. Usado em sentido bastante geral, designa ações ou
omissões impostas por normas vigentes em esferas importantes da vida social. No uso
comum, a palavra é empregada em sentido mais restrito com referencia a ações requeridas
de alguém que tem de desempenhar funções relativamente duradouras num grupo social,
daí falar-se em deveres de um cidadão, de um marido, de um servidor público. O uso do
vocábulo está geralmente associado a assunto que envolve algum sacrifício; daí não serem
consideradas como dever as regras de etiqueta ou de linguagem^.
O vocábulo dever é de uso comum a vários ramos do saber humano: há um dever
moral, um dever político, um dever jurídico.
O dever moral constitui o objeto do estudo da moral. A moral (de niores, costumes),
também chamada ética, é a ciência das leis que regem os atos humanos e a arte de aplicálas corretamente ãs diversas situações da vida. A moral se divide em: a) moral teórica, que
é a ciência do dever; tem caráter especulativo, pois trata da natureza, das condições e das
consequências da moralidade; b) moral particular ou aplicada, que é a ciência dos deveres;
entra nas minúcias dos preceitos e das regras a observar, com o fim de identificar os
diferentes deveres do homem18’. A relevância atribuída ao dever na ordem moral é de tal
ordem que Chateaubriand (1768-1848) não hesitou em escrever que "é o dever que cria o
direito e não o direito que cria o dever" (Mémoires d'outre tombe) e Augusto Comte (17981857) pôde dizer que "ninguém possui outro direito além daquele de sempre cumprir o seu
dever" (Système de politique positive).
O dever político refere-se ao dever do cidadão de obedecer à lei. Segundo a lição de
John Austin, toda lei ou regra é um mandamento. Se alguém formula ou declara o desejo de
que eu faça ou me abstenha de fazer alguma coisa, e que me infligirá um dano no caso de
eu não me sujeitar a esse desejo, a expressão ou manifestação desse desejo é um
1r) Arion Sayão Romita é da Academia Brasileira de Direito do Trabalho.t*) CH ATTON, Gregor T. Vers la pleine
reconnaissance des droits n. inuques, sociaux et culturels, Cenebra: Schurlthess, 2013, p. 411.
lURIVERO, Jean; SAVAT1FK, Jean. Droit du travail, 5. éd., Paris: FIT. 1970, p. 22.

p. regula de certa forma a respectiva conduta. mas com isso não se quer significar que a tais deveres correspondam direitos subjetivos. o direito é um pritis com relação ao dever. os credores. Essas noções gerais. Este. Esta precisão assume especial relevo quando se pensa no ilícito: todo ilícito. em colaboração recíproca. mas é certo que a existência do dever jurídico não é encontrada apenas no direito subjetivo: o dever do sujeito passivo também é identificado quando estamos diante de uma relação de poder 08’. Este dever negativo." ”1 ronaracão a cargo do responsável). e dever jurídico. à qual se opõe a teoria normativis. Ao ficar sujeito ao dano se não me conformar com tal desejo. Sustenta-se em doutrina que direito e dever nem sempre representam termos verdadeiramente correlatos e também se sustenta que há deveres aos quais não correspondem direitos. o dever constitui um momento antecedente ao direito ou se. . os temos mandamento e dever são correlatos. que assiste a todo sujeito do direito. de Gérard Cornu. O aspecto político. o outro não o é02). dever é frequentemente sinónimo de obrigação. devem uma prestação (ação ou omissão) a outra (ou a outras). ocorrendo. pois. ficarei sujeito ou obrigado ao mandamento. quem tiver a seu cargo o cumprimento de uma obrigação assume o dever jurídico de satisfazer o direito do credor. Do ponto de vista da ciência do direito. por "imposição a alguém de fazer ou deixar de fazer alguma coisa". dotado de fisionomia própria. em sentido técnico. de abstenção do exercício de qualquer atividade sobre as coisas alheias. Do mandamento da norma nasceriam imediatamente deveres para as pessoas as quais ela se dirige e somente secundariamente. Pode dizer-se que o mandamento ou o dever são sancionados ou impostos coativamente ante a possibilidade de sofrer um dano'*'’. do contrato ou de outra fonte01'. dever pode ser definido. pelo contrário. Assimilando as duas noções — dever e obrigação — Teixeira de Freitas define devedores como "todos quantos se acham sujeitos a qualquer obrigação jurídica. A doutrina frisa que "ao direito subjetivo contrapõe-se o dever jurídico"2*'1 ou que "o lado oposto do direito subjetivo é o dever jurídico"07’. Obrigação. Santi Romano nega a existência de um perfeito paralelismo entre o conteúdo ou objetivo do direito e do dever e bem assim a concomitância entre ambos. a posição de credor. Importa saber se. em virtude da lei. ou seja. Esta é a concepção própria da escola imperativa inglesa e dos realistas norte-americanos. enquanto o primeiro é exigível.. obrigação é o vínculo jurídico por imposição do qual somos obrigados a pagar uma coisa a alguém de acordo com o direito de nosso Estado“4'. Este princípio não se refere somente aos direitos absolutos. Segundo o "Vocabulário Jurídico". do ponto de vista lógico.Revista LTr. Paris: PUF. Segundo o pensamento do autor. de dar. os direitos de outras pessoas. leciona Orlando Gomes que ao sujeito ativo a lei atribui poderes e ao sujeito passivo. constitui violação de deveres. é o lado passivo do direito pessoal (ou direito de crédito) pelo qual uma ou mais pessoas. A referência à lei aplicável (secundum nostrae dvitatis iura) evidencia a submissão dos sujeitos de direito que travam a relação jurídica à lei que regula esta relação.ta de Kelsen.-se sanção. Gérard. "sugerem reparos" e merecem ser reduzidas a termos bem diversos. Existe um dever específico. 8. então. outra. 307e 627. fixando as posições de cada qual: uma. penal ou civil. O dano que provavelmente será aplicado em caso de desobediência ao mandamento ou no caso de descumprimento do dever denomina. Novembro de 2014 mandamento. não é correto dizerse que relações jurídicas existem suscetíveis de esgotarem sua qualificação através da 2Devoir. Esta consideração remonta à noção de obrigação preconizada pelo direito romano: obliga tio est inris vinculum quo necessita te adstringimur alieuius solvendae rei secundum nostrae dvitatis iura. fazer. nB 11. Contrapondo-se a essa teoria. Obligation. pondo em destaque a relação entre as pessoas e o ordenamento jurídico. 78. a de devedor. éd. é um daqueles em relação aos quais não há direitos correlatos"9’. que insiste no caráter essencialmente normativo da obrigação: esta se converte em dever jurídico. À luz dessa concepção. Este dever genérico é a todos imposto pelo principio altemni nott laedere. que considera “errônea". O dever jurídico se distingue do dever moral porque. ln: CORNU. levando em conta a relação jurídica existente entre as pessoas. caracterizado por sua independência em relação à probabilidade de ação oficial. os devedores. como "o vínculo de que deriva a necessidade jurídica de cumprir aquilo a que se está obrigado"' 10*. segundo a lição de Vicente Ráo. 78-11/2 Vol. seja em sentido geral (para designar tudo o que alguém deve ou não deve fazer) seja em sentido téc. 2007. a sujeição de um ao outro'1’’’. Por isso. faz deslizar a noção de dever para o campo do jurídico. Vocabulaire Juridique. em termos gerais. ou de não fazer"<13). deveres. o que conduziria à recíproca independência de tais conceitos. Portanto. como reflexo de tais deveres. sob o dever de obedecer. mas tutela a esfera jurídica de todas as pessoas.

obrigação do empregado)''1’. há um dever geminado a este. tais deveres resultam da relação das justas causas elencadas no art. 31 ACERDA. a guarda de segredos. Após lecionar que as obrigações do empregado decorrem da lei ou da natureza do contrato. Dorval de. o empregado assume deveres contrapostos aos poderes exercidos pelo empregador. Cotrim Neto. 78. 482 da CLT. o de colaboração. Muitos dos doutrinadores brasileiros que versam o direito do trabalho silenciam sobre o tema dos deveres do empregado. de submeter-se à revista ao deixar o serviço. por força do contrato. diligência1221. trad. urbanidade e boa conduta(2W. O direito c a vida dos direitos..). Ao direito do empregador de dirigir e comandar a atuação concreta do empregado corresponde o dever de obediência por parte deste. Ainda assim. 1991. Novembro de 2014 Revista LTr. O que interessa à qualificação das relações jurídicas é a bilateralidade ou multilateralidade dos poderes e deveres distribuidos entre sujeitos diversos. Vicente.. 4. Serão expostas a seguir as lições de vários autores. assiduidade. que só pode darse entre pessoas. fidelidade. fidelidade<2u). São obrigações do empregado a diligência. o autor deixa de ser citado. Messias Pereira Donato. As ações humanas só assumem natureza jurídica quando consistem em relações entre pessoas. Tal dever traduz-se num sentido de lealdade do empregado não só em relação à pessoa do empregador. obediencia. aquele rendimento qualitativo e quantitativo que o empregador pode legitimamente esperar (. diligência e lealdade1271. vol. os efeitos naturais: a) a diligência na prestação dos serviços (obrigação do empregado). obediência. Além do dever de obediência (. que tem fundamento idéntico. na prestação do trabalho. de fidelidade. caracterizada pelo vínculo jurídico que os une e atinge os respectivos sujeitos ativos e passivos í20). é claro — das obrigações de fazer e não fazer antinómicas dos atos faltosos'3’. o respeito ao empregador e aos companheiros de trabalho. Francisco Meton Marques de Lima. a matéria é exposta por diversos compêndios. segundo a ordem alfabética dos prenomes. a não concorrência. 3. Além do dever fundamental de prestar trabalho. diligencia. Os principais deveres do empregado sào os de trabalhar.. assim..Vol. c) o sigilo profissional (ideni. a fidelidade e a colaboração — sem falar. Rio . A. Relaciona. diligência e fidelidade (. B. 2. por motivo de dificuJdade de consulta da respectiva obra. valendo salientar que a omissão de um ou outro não representa desprezo ou restrição: apenas. assiduidade e pontualidade. Hugo Gueiros Bernardes. entre as últimas: 1. José Augusto Rodrigues Pinto. ao direito de controle correspondem os deveres de obediência. Santi. b) a abstenção de concorrência (também obrigação do empregado). torna correlativos". 78-11/3 ação do titular sobre o seu objeto. a lealdade são. Relaciona as obrigações do empregado: prestação de trabalho. Délio Maranhão. Tão relevante é o papel do dever de colaboração que a boa-fé. se não conotações do dever de colaboração. ao contrário do que sucede com (19) ROMANO. p. a diligencia.) impõe-se ao empregado.. do Santiago Sentis Melendo e Marino Ayerra Redin. a solidariedade necessária entre as partes do contrato de trabalho (. 2. t?d„ São Paulo: Revista dos Tribunais. Fragmentos de un dicdonario jurídico. de comunicar invenções no curso da prestação de serviços121*’. n9 11. Cesarino Jr. relaciona. 3. a diligência. higiene e segurança do trabalho12*’1. Dorval Lacerda.). O dever de diligência importa para o empregado a obrigação de dar. A relação jurídica. 3. mas ao próprio empreendimento em que colabora*2-*’. 89 e segs (20) RÁO. Buenos Aires: Edidones Jurídicas Europa-América. pelo menos corolarios de sua acepção mais estrita. segundo a doutrina trabalhista brasileira Na execução do contrato de trabalho. a assiduidade. Christóvão Tostes Malta. a prestação pessoal. Compreendem-se na obrigação do empregado a colaboração com o empregador. "integrando-se no instante em que a bilateralidade pessoal se verifica e conjuga os poderes e os deveres que. A colaboração honesta exige boa-fé. gera correlação entre os poderes e os deveres. 719 e segs o tema dos poderes do empregador.. obediencia. Direito individual do trabalho.). Relaciona as “obrigações complementares" do empregado (algumas tratadas como deveres): diligencia. por interpretação. entre os efeitos do contrato de emprego. Inexiste previsão legal dos deveres atribuídos ao empregado. o dever de fidelidade que decorre do caráter fiduciário da relação. dos quais se apresentará adiante uma ligeira resenha. pontualidade. 1964. salvo se se admitir que. o zelo pelo nome da empresa. Os deveres do empregado. segundo o argumento a contrario... p. o cumprimento das normas de saúde.

ao examinar o conceito de "insubordinação e indisciplina". que. Assim entende Délio Maranhão 134’. Vale notar que a colaboração já era preconizada pelo art. Por exemplo. o de sujeição a revista™. no sentido da bilateralidade do dever de colaboração. de acordo com a praticamente unânime manifestação da doutrina trabalhista brasileira. Barassi salienta que "a colaboração pressupõe um comportamento das duas partes — empregado e empregador — concorde precisamente neste sentido"'*1. O dever jurídico de colaboração atribuído a ambos os sujeitos da relação de emprego resulta implicitamente do regime político corporativo. alude ao "dever de obediência do empregado". examina. em cada caso de falta disciplinar. define o prestador de trabalho subordinado como "quem se obriga. o mestre italiano vê na colaboração um modo. A constituição de Weimar. quando trata do "abandono de emprego". Em resumo. Novembro de 2014 Octávio Bueno Magano. o dever que. de modo a evidenciar um escopo comum.mo divergentes. o de diligência. os deveres ou obrigações do empregado. diante do qual todos os interesses e egoísmos particulares devem curvar-se. De forma esquemática. Milão: Francesco Vallardi. Orlando Gomes e Elson Gottschalk. apoiado na lição de Barassi. A colaboração A Declaração VII da Carta dei Lavoro qualifica o prestador cie trabalho de "colaborador ativo da empresa econômica" e o art. alude ao dever violado. destinado a realizar entre interesses. na doutrina civilista. mas ele é. p. dando a impressão de que este dever incumbe unicamente ao empregado.47. Ubaldo. mediante remuneração. A relação. c) a obediência. afirma que "quando é admitido. bem como no desenvolvimento das forças produtivas". 2.Revista LTr. 78-11/4 Vol. d) a diligência. foi desrespeitado. na verdade. reza a já citada Declaração VII da Carta dei Lavoro que "da colaboração das forças produtivas deriva a reciprocidade de direitos e deveres entre elas". de 1942. do qual se valeu como instrumento para a negação da luta de classes (esgrimida pela doutrina marxista). há necessidade de colaboração entre as partes: o contrato é visto como instrumento de colaboração.gime fascista. leciona que "está presente quando for infringido o dever social do empregado de boa conduta". a confiança recíproca). que é o contrato de trabalho. não taxativa. fidelidade e de não concorrência02*. mes. Vale dizer. dos deveres do empregado compreende o de sujeição ao poder hierárquico do empregador. são os seguintes: a) a colaboração. tida por bem público de altíssimo valor. na regulamentação dos salarios e das condições de trabalho. Da mesma forma se manifesta Ubaldo Prosperetti. a colaborar na empresa". um aspecto na execução bilateral da relação sinalagmática. 165 da Constituição de Weimar. da primeira república alemã. o de atuação com boa-fé. 1966. o de não concorrência. de 1919: "Os operarios e empregados são chamados a colaborar em pé de igualdade com os patrões.Ü94 do Código Civil italiano. Ao invés de relacionar os deveres do empregado. de resto instrumental com relação ao sinalagma contratual"' 4’. a colaboração entre os fatores da produção (capital e trabalho) não foi "inventada" pelo re. O certo é que o regime corporativo italiano fez ampla utilização política do conceito de colaboração. bilateral. Ao proceder ao "estudo de algumas faltas" disciplinares cometidas pelo empregado. 78. afirma que "é dever do empregado manter segredo acerca dos detalhes que cercam a atividade do empregador". 4. fidelidade e obediência130. data da era pré-nazista. na hipótese. o de colaboração. Roberto Norris. no negócio jurídico bilateral (do qual o contrato é a expressão mais evidente). os modelos de solução do conflito industrial nos países de capitalismo maduro podem ser assim classificados: a) modelo alemão (da República Federal da 4PROSPERETTI. Vólia Bomfim Cassar. para quem "é próprio da execução do contrato de trabalho um contínuo comportamento ativo das partes. sem dúvida de colaboração. Relacionam os deveres de diligencia. Daí a necessidade política de se reconhecer a "comunidade de empresa"0*’. A colaboração encontrou sua máxima expressão na ideologia da "comunhão de empresa". O fato de consagrar a Constituição de Weimar a colaboração entre os fatores da produção não deve impressionar. o empregado obriga-se a prestar serviços com diligência e continuidade"133*. De fato. à atuação com boa-fé e aos deveres de diligência. e) a fidelidade. o de assiduidade. Alude ao dever de sujeição ao poder hierárquico. Realmente. ao tratar do "mau procedimento". b) a confiança ( na verdade. Este fato há de ser entendido à luz da orientação ideológica adotada pela sociedade considerada. em face do conflito industrial. ou seja. além da própria prestação do trabalho (que de fato constitui o objeto do contrato de trabalho). No mundo da produção deve imperar a paz. Já se assinalou. urna convergencia que corresponda à utilidade sodal'4*’. ao expor a noção de "violação de segredo da empresa". . nB 11. 11 lavoro subordínalo.

próprio de uma sociedade de consenso. entende. mas para a obtenção de um escopo comum a todos os colaboradores" — grifo do origina\m.). assim. procurando permanentemente o acesso às instâncias do poder político e econômico da empresa e da sociedade. Ao ser admitido pelo empregador. Como esta teoria. a colaboração na execução do pacto laborai só encontra espaço quando se aceita a ideia de comunidade de empresa1421. em consequência. Giuffré. em 1943.lian. mas que não revestem necessariamente forma negociai. sob certo aspecto. esta também incompatível com o regime político da democracia. levar a ponta de faca a ideia de que a colaboração deva ser excluída do rol dos deveres do empregado.). à luz da teoria contratualista: na verdade. do ponto de vista nacional. e sem a qual em lugar da ordem reinaria o caos"w. No fundo. Quer apenas dar execução ao contrato de trabalho e espera que o empregador cumpra com suas obrigações contratuais.-se hoje que a colaboração exerce um papel preponderante na organização do trabalho na empresa. Vê-se. da Itália (e. sem qualquer conotação ideológica. E acrescentam: "Por outro lado. Milao: Dott. Emilio. conjugada com a valoração negativa do conflito (que conduz à ideia da greve como ultima ralio). exercendo formas de pressão que até podem assumir feição contratual. Nas sociedades conflituosas. referindo-se ao objeto da prestação do trabalho.Vol. a valoração positiva do conflito traduz a admissão explícita da tensão social. Sem discutir o fundamento do poder na sociedade capitalista e — mais ainda — conformando-se com esse tipo de organização. n9 11. 78-11/5 Alemanha). Teoría gernl do negocio jurídico. II. Duas são. referem-se à "cordialidade que deve reinar na comunhão da empresa".. tudo isso corresponde ao princípio mais vasto da colaboração permanente e eficiente a que estão obrigados os componentes da empresa. Coimbra: Coimbra Editora. O primeiro se caracteriza por uma sociedade de consenso. pura e simplesmente. privilegiando as soluções participativas e de colaboração. tuale delprestatore di lavoro. as entidades sindicais de trabalhadores preferem questionar a própria sobrevivência do regime capitalista. com a consequente afirmação da greve como meio usual de luta e rejeição das modalidades de participação. Agop Kaisser. a democracia industrial consagra a participação dos trabalhadores na gestão da empresa. Sob o influxo dos estudos de relações industriais. A organização dos trabalhadores participa. A ideia de colaboração cedo repercutiu na doutrina brasileira. como a da França. a colaboração não encontra espaço para afirmar-se. com .. 78. que a inclusão da colaboração entre os deveres contraídos pelo empregado na execução do contrato de trabalho não só hostiliza a natureza das coisas como atrita com a teoria contratualista da natureza jurídica da relação de emprego. 209. em linhas gerais. 1969. A. afastada a ideia de integração(. caracterizado por uma inclinação conflitual. 1957. Na Alemanha. trad. no modelo francês e italiano. o segundo. pelo contrário. também o Brasil). prevalece a concepção geral da paz social. A expressão relações industriais designa genericamente o estudo das relações travadas entre aqueles que se empenham em um trabalho produtivo. p. Por outro lado. segue-se que ela não merece a acolhida no atual momento político brasileiro. as entidades sindicais aceitam as consequências de uma integração social. 127. Em obra datada de 1931. na formação das decisões da empresa. p. de (42) MANCIN1. que tende a "deixar na sombra o conflito". porém. ela se ajusta com mais propriedade à teoria institucional. o empregado não tem em vista "colaborar" com o patrão: apenas deseja trabalhar na empresa. Giuseppe Federico. por uma sociedade conflitual (ou conflituosa). tendo em vista o bem coletivo e do Estado. Não se deve. do lado de dentro. As organizações de trabalhadores tentam influir de fora sobre a formação das decisões da empresa. afirma que "o objeto da prestação aqui está na colaboração do operário não mais no sentido das necessidades pessoais do patrão na indústria. La responsabilitá contratFemando Miranda. Os autores de "Direito brasileiro do trabalho". b) modelo francês e italiano. as modalidade de visão do conflito industrial: no modelo alemão. Novembro de 2014 Revista LTr. (38) BETTI. não se compatibiliza com o regime político de feição democrática.

Relations industrielles. é a fidúcia que decorre do caráter intuitu personae do contrato de trabalho. de determinada prestação. ressaltase. 5. a estrutura da empresa e da organização é um sistema estável de relações coordenadas1461. A empresa precisa que o empregado se interesse por ela(4<. Esta concepção é rejeitada.Revista LTr. em relação à pessoa do empregado.to. entre protagonistas que logram formular um conjunto de regras relativas às condições de trabalho. a saber. Do ponto de vista do próprio empregado. por uns denominado sociologia da empresa (Belriebssoziulogie) e. Já que a prestação de serviços há de ser pessoal.cia) na execução das sucessivas prestações. 5WEISS. entendido como "o grau de identificação psicológica da pessoa com o seu trabalho e a importância do trabalho para a autoimagem" <501. de um ramo especial da sociologia. éd.). na atualidade. o que subentende um alto grau de colaboração do trabalhador. em muitos países. Dimitri. como consequência de ter o trabalhador incorporado a lógica do sistema de relações do trabalho. ns 11.564 do Código Civil italiano. 2. própria da ciência da administração de empresas. não basta obter aumento de produtividade. participação e diálogo tem por objetivo a substituição das noções tradicionais de autoridade e controle pela livre assunção. de 1942. que o conflito de interesses se torne explícito raramente. que define o papel e o lugar de cada ator. Esta — a produtividade — não pode ser concebida apenas como resultado do produto físico dos operários na produção. segundo a corrente doutrinária majoritária brasileira. Como salienta Douglas McGregor. na economia do contrato de trabalho. Sem dúvida. analisadas pela sociologia do trabalho. tiverem consciência de que os respectivos direitos e deveres hão de ajustar-se em clima de entendimento e de cooperação' 6'. em caso de inadimplemen. aos objetivos e valores da organização. mas como uma característica que assume a prestação de trabalho na empresa industrial. Ressalta Cario Smuraglia que. Marco. por parte dos trabalhadores. inclusive. Novembro de 2014 o precipuo objeto de estabelecer as condições nas quais o trabalho será executado (sabendo-se que. diversificado: as relações contratuais. In: MARAFFI. O sistema de relações industriais constitui um processo de interação em um ambiente particular. pode ser denominado sistema de relações industriais o conjunto das estruturas. considerado como confiança nas qualidades do outro contratante. 1980. no interior da empresa.. Sob esse aspecto. por sua parte. sua ideologia (ou filosofia) evoca uma congruência ou compatibilidade entre estas ideias e os outros elementos do sistema'451. uma das maiores preocupações da administração da empresa. na verdade. 3-5. nos últimos tempos. o lado humano da empresa tornou-se. Hm um sistema estável. dos objetivos perseguidos pela empresa. De acordo com o disposto no art. Para a boa administração empresarial. por outros. No plano micro. há que considerar a colaboração do empregado não propriamente um dever a ele imposto pelo direito do trabalho. pela psicologia social. há que se estimular o envolvimento com o trabalho. onde existe o intuitus. sobretudo as organizações de trabalhadores e de empresários. os serviços contratados. domínio da gestão dos chamados "recursos humanos". que se obriga a prestar. 1. as relações interpessoais. como "mesquinha e insultuosa do valor do ser humano na empresa industrial"*481. todo contrato de trabalho repousa sobre uma base de confiança. Como o empregador espera. sociologia industrial ou relações humanas na indústria'431. um comportamento que corresponda a esta confiança. surge quase sempre uma relação particular de fidúcia. o que implica a adesão. a ideologia ou corpo de ideias e de crenças partilhadas pelos atores. A crescente aplicação de estratégias empresariais de cooperação. se o inadimplemento provocar a perda de confiança (fidu. Diante dessa nova perspectiva. Trata-se. estudadas pelo direito do trabalho. 78-11/6 Vol. A confiança Outro dever do empregado. a outra pode optar pela resolução do contrato. Introduzi one. p. 6MARAFFI. Como as relações industriais compreendem relações individuais e coletivas que se estabelecem por ocasião do trabalho nas empresas industriais. pessoalmente. desejável. Paris: Sirey. as relações estruturais. Marco (a . a ideia de coordenação das relações entre os atores sociais reflete a concepção macro de que a harmonia entre as classes é essencial para o funcionamento e a estabilidade de toda a sociedade. e as relações com o pessoal. Entende-se como algo normal e. mas é indispensável introduzir uní novo elemento. daquele em que ele confia. Essa harmonia só se realizará se os vários grupos funcionais existentes na sociedade. o elemento fiduciário1511. por uma das partes. 78. geram um conjunto de saberes que têm por objeto o desenvolvimento organizacional e de gestão da empresa. a maior parte dessas condições é fruto da intervenção do Estado no domínio econômico e social). mecanismos e operações destinadas a regular o consenso social no sistema industrial'5'. com o resultado de uma conduta compatível com essa adesão. o bom êxito económico e social só pode ser alcançado mediante a substituição da concepção tradicional de direção e controle pelas modernas técnicas de integração entre os objetivos individuais e os organizacionais. A psicologia das relações industriais demonstra que.

2. n® 11. uma vez que se restringe a um campo excessivamente subjetivo e imponderável"8. como uma planta frágil. mas pratica atos pelos quais o empregador pode resolver o contrato. no sentido de que pagava propina ao autor para alterar o cartão de ponto. Recurso provido. Comprovado o ato de improbidade pelo depoimento não contrariado de uma testemunha. Luigi de Litala explica: "Para a resolução antecipada do contrato por tempo determinado e para a resolução sem aviso prévio no contrato por tempo indeterminado. Não aplicação. . Não há como se aplicar o princípio da bagatela.Vol. em consequência. por motivos que admitem a condição resolutiva subentendida nos contratos bilaterais. quando não representarem violação do contrato de trabalho. isto é. Seria justa causa para a resolução do contrato de trabalho "todo fato que legitime o desaparecimento da confiança entre as partes". Esse critério configura. justifica-se a despedida por justa causa'*1*. Prevaleceu o entendimento de que. Cario. em tema de justa causa para resolução do contrato de trabalho. porquanto tem motivo para não depositar mais confiança no seu empregado"'* 4’. cuja relação baseia. ed. "de modo a ficar quebrada ou abalada a confiança que o empregador nele depositava"1551.-se expressamente na confiança. 78. Rio de Janeiro: Forense. deve adotar-se um critério especifico e apropriado a natureza especial da relação.todi lavoro. A configuração da falta grave se dá no momento da subtração. entretanto. segundo a qual o conflito entre as classes era resolvido pela imposição dos superiores interesses da produção nacional. o elemento da fidúcia representa um dos mais relevantes atributos da relação de emprego. desenvolvia "software" para uso desta e o passava para outra empresa1581. 1968. Novembro de 2014 Revista LTr. como se pode aferir pelas seguintes ementas: Justa causa. na qual a confiança deve ser mantida sem necessidade de um controle contínuo. mesmo de caráter geral. a inaptidão dessas concepções 7SMURAGLIA. uma vez que neste já há a quebra da confiança. por outro lado. com ênfase na obrigação de fidelidade. Neste caso. Milâo: Dott. na Itália. 1967. na visão do autor.825. foi acolhido por inúmeros julgados da Justiça do Trabalho. na qualidade de empregado de confiança. porque a ideologia que impregna o ordenamento jurídico nesse período encontra na concepção de fidúcia uma elaboração dogmática facilmente utilizada em uma visão autoritária. no particular*'"’. A este elemento está vinculado o prosseguimento da relação de emprego. que dá azo ao desprendimento e à aplicação da falta grave. A fidúcia é o elo que liga patrão e empregado e. não há que falar em gradação de pena para a aplicação da dispensa motivada (s/t'). há de ser regada diariamente para que cada vez mais se acentue e fortaleça. decorrente da desonestidade do trabalhador. posto que o que está em discussão é a quebra da confiança do empregador. 1. Não importa a destinação que o autor fará à coisa. Era necessário "encontrar uma fórmula clara e precisa. Evaristo de Moraes Filho leciona que a "lesão de confiança" foi o primeiro critério apresentado para fundamentar o conceito de justa causa no término do contrato de trabalho por iniciativa do empregador. discutiu-se. o conceito de justa causa para a despedida do empregado. A justa causa na rescisáo do contrato de trabalho. Na esteira desse entendimento. Subtração de coisa de pequeno valor. Recurso ordinário não provido 1571. a resolução não se pode verificar por fatos contratuais quando as violações contratuais sejam de tal monta que não façam abalar a confiança entre as partes. A concepção da fidúcia se difunde na Itália como critério de determinação da justa causa para resolução do contrato de trabalho. A fórmula da justa causa como lesão da fidúcia remonta. A. representa manifestação da sujeição pessoal do súdito ao suserano. torna impossível a manutenção do liame. p S6-88. Na doutrina italiana. A fidúcia se torna uma obrigação de colaboração. a fidúcia restou em frangalhos quando a empresa constatou que o autor.. no início do século XX. discutiu-se se a resolução deveria dar-se por motivo de inadimplemento contratual das obrigações principais. derivação feudal do conceito medieval defidelitas. O trabalhador que mata ou rouba um terceiro não viola o contrato. Se ele falta. 78-11/7 idônea a realizar o interesse do credor'7’. é evidente a inidoneidade intrínseca dos conceitos de colaboração e de fidelidade para ajustar-se à teoria contratualista da relação de emprego e. 8MORAES FILHO. no contrato de trabalho. Princípio da bagatela. a resolução pode ocorrer também por motivos alheios à relação. "um ponto de vista muito vago e insuficiente. Acontece que o conceito de fidúcia. Assim. Giuffrè. impossível de ser obtido. a conduta do empregado deve implicar violação de seus deveres. E não por acaso isto se verifica durante o período corporativo. a doutrina trabalhista brasileira sufragava pacificamente a tese de que. acoplado ao de fidelidade. de 13 de novembro de 1924). Evaristo de. e. Ora. pois a perda da confiança. que abrangesse tanto quanto possível as diferentes hipóteses de ruptura legítima". p 37. à lei de relação de emprego privado (Decreto n. La persona dei prestatwv ncl rappor. Segundo Peretti-Griva.

mas como contratante que. O código introduziu um critério de avaliação por assim dizer técnico. contém um complexo de cuidados e cautelas que todo devedor deve normalmente empregar ao satisfazer a expectativa do credor na execução do contrato. 78. ao precisar que "no cumprimento das obrigações inerentes ao exercício de atividade profissional. na execução do contrato. como integridade de caráter. como Mario Ghidini"’ 11 e Domenico Na. Aqui. já compreende. II lavoro subordinado. honradez. prometeu obedecer^'. O critério da diligência. o empregado deve obediência não como inferior hierárquico. depois de instituir o dever de diligência. Contrato de trabalho. típico do regime corporativo italiano. nos limites impostos pelo contrato e pelas fontes formais do direito do trabalho* 10'. estabelece o Código Civil brasileiro. 7. A noção de fidúcia ostenta. no já citado art. 2. à consagração de 9NAPOLETANO. Aqui. masl inteiramente supérfluo à luz da teoria contratualista. Daí a desnecessidade de impor ao empregado um dever especifico de obediência. porquanto a boa-fé. obriga o empregado a dar o melhor de si no cumprimento das obrigações I que lhe incumbem na execução do contrato de traba. do Führerprinzip. Hoje em dia.104. assim. significado m¡stificador(‘.086 do mesmo diploma legal. confere ao empregador os poderes de um chefe. investido de supremacia em face do inferior: tratase. diversos autores utilizam a "expressão "obrigação de obediência". A despeito dessa afirmação. entre outros. o Código Civil. Domenico. Além disso. a diligência deve ser avaliada como referência à atividade exercida". dá-se ao poder.poletano9. a probidade deve ser considerada. eni seu amplo significado. no art.Revista LTr. contrato é. La strutturn del rapporlo di lavoro. Entretanto. P>63. lhe dá. 422. o dever que tem o empregado de acatar as ordens do empregador.. Trata-se. O contrato de trabalho deve ser executado com probidade: basta esta consideração para concluir-se. O mesmo código já dispunha. portanto. p. inspirado por concepções de natureza autoritária. concebido como medida do comportamento do devedor ao cumprir sua obrigação. de um critério objetivo e geral e não subjetivo e particular^. pundonor. 2. obriga os contraentes. o próprio Código Civil italiano. 422. Este comanda não como chefe.. a doutrina italiana frisa que se trata de manifestação da sujeição do empregado ao poder diretivo do empregador.cia". dispõe que o contrato deve ser executado de acordo com a boa-fé. em consequência. no art. Miláo: Dott. Giuseppe. Como observa Mario Ghidini. de 2002. O Código Civil italiano. 37 e 77. Alfredo Galasso fala do "mito da fidú. 1. 78-11/8 Vol. a tese da diligência objetiva. p. ao estipular o contrato. No mesmo sentido. O Código Civil brasileiro. 1. pelo interesse da empresa e pelo interesse da produção nacional". que deve ser observada na execução do contrato.375. que os contratantes são obrigados a guardar na execução do contrato o princípio da boafé.. no art. no art. Em sua execução. mas sem dúvida. nos termos do art.175. o empregado se obriga a seguir as orientações dadas pelo empregador. o empregado deve guardar o princípio da boafé. A probidade. o empregado deve obedecer às ordens que o empregador.104 do Código Civil italiano que "o prestador de trabalho deve usar a diligência requerida pela natureza da prestação devida. a guardar os princípios de probidade e boa-fé. repelindo a tendência a utilizar a fidúcia como instrumento técnico-operativo de fundamentação da justa causa para a resolução do contrato de trabalho. Por tal motivo. em cujos termos "o empregador é o chefe (capo) da empresa e dele dependem hierarquicamente os seus colaboradores".. enfim. em substância. prevalece a teoria contratualista. 1. Novembro de 2014 autoritárias para conviverem em um ambiente político de coloração democrática. mais uma vez. O chamado dever de diligencia dá margem essencialmente à adoção de um critério para avaliar a conformidade do comportamento do empregado àquilo que dele se espera na execução do contrato de trabalho. só cabe falar em "dever de obediência". da sociologia nazista. que tem o empregador. A diligência A prestação a cargo do empregado deve ser executada com diligência: dispõe o art. Padua: CEDAM. A obediência Quanto ao dever de obediência. Assim. Giuffrè. A hierarquia na empresa é regulada pelo art. A.hS). 6. não em "obrigação de obediência". de dar ordens ao empregado. 71. o devedor deve usar a diligência do bom pai de família". Com o emprego do teono sujeição em sentido técnico. adotando. conteúdo e fundamento contratual: ao celebrar o contrato de trabalho. não se trata propriamente de execução de boa-fé do contrato de trabalho. . ns 11.] pela desnecessidade de um dever especifico de di-i ligência. assinala ao empregado o dever de "observar as disposições para a execução e para a disciplina do trabalho impostas pelo empregador e pelos colaboradores dos quais depende hierarquicamente". no exercício do poder de direção e como superior hierárquico. ultrapassada aquela etapa histórica. mas como credor de trabalho.j lho. levando-se em conta a natureza da relação e todas as circunstâncias de fato que concorrem para defini-lo. 1955. 10SUPP1EI. 2.176: "Ao cumprir a obrigação. de 2002. II. "o devedor e o credor devem comportar-se segundo as regras de correção".

s" tituído pela aplicação da noção de boa-fé contr al t7Sl. 244-245.-fé e correção se traduzem em fidelidade e subordinação171'. art. Por essa razão. prescindind do exercício daquele poder. da qual se aproxima a solidariedade corporativa. mas também. Diritto del lavoro. absorvido pelas noções de boa. de 2002. Fidelidade e assistência são.Vol. De fato. ínsita ao contrato de trabalho. Mattia.105 do Código Civil iten0 proíbe o empregado de tratar de negócios. quanl mais alta a posição do empregado na escala do pe soai a serviço da empresa. p. seria atribuído ao chefe [capo) um poder de Fiihrting dos dependentes. um em face do outro e ambos em face da comunidade na qual os sujeitos se acham inseridos. . Mattia Persiani salienta que. Em resumo: o dever de fidelidade vincula o séquito (Gefolgschaft) ao guia (Fiihrer). 13NICOUNI. Ultrapassada essa concepção doutrinária. Milão: Giuffrè. 1. p. No que diz respeito ao direito do trabalho brasileiro. 482. A ideia germânica da comunhão medieval encontra no antigo Treudienstvertrag a origem do contrato de trabalho. 78. 127. arts. art.175. É no âmbito da comunidade. Surge uma relação do tipo senhoril. No fundo. que.. que se obrigava a um Fiírsorgepflicht. mais intensa se faz sentir sua fidelidade 12. A falta de diligência pode ser conceituada como desídia. no sentido de abstenção de qualq atividade ou comportamento que possam cont. justa causa para a resolução do contrato (CLT.375 e 1. tudo isso abrangido no conceito de colaboração na empresa'11*. É um conceito jurídico típico do direito das pessoas e escapa à noção patrimonial ou obrigacio. 422). de evidente inspiração nazifascista. C lo Smuraglia demonstra que a fidelidade. art. um dever de fidelidade (Código Civil italiano. por força do qual um homem livre se submetia a um Herr. o concito de fidelidade se esvai. relaciona o dever de fidelidade ao comportamento do trabalhador. coloca-se além do exercício dt poder de direção do empregador. A fidelidade é devida a um dos membros da comunidade ou à própria comunidade inteira. mais do que à noção de instituição. no ordenamento corporativo. em concorrência 0 empregador. divulgar notícias referentes à rtani‘ zação e aos métodos de produção da empr^. Desta forma. em certos casos. em consequência. mas a vedar-lhe certas ccu_ tas13.tar com os fins perseguidos pela empresa'7“. Giovanni. de 1942. como sustenta Guido Trioni. assume o dever de assistência. o art. como leal colai ração com a empresa. em contrapartida. alínea e). o empregado está sujeito a comportamentos que são obrigatórios. que a fidelidade se expressa. A fidelidade O regime corporativo italiano atribuía ao empregado. caracteriza-se pela subordinação. conceitos inseparáveis. Realmente. o dever de fidelidade pode deix de ser aceito: Giuliano Mazzoni explica que a delidade é absorvida pelo conceito de boa-fé e resolve em uma série de comportamentos que ini gram o objeto da obrigação de trabalhar de mo> característico e peculiar. pois a noção de fidelidade. 12PERSIANI. Giuseppe Federico. La responsabilitä oontraUuale del prestatore di lavoro. Desnecessário é incluir a obrigação de fidelidade entre os deveres do empregado. Na atualidade. uma "homenagem"{tó) prestada. 8. incompatível com a teoria contratualista (já que apresenta feição unilateral. que o conceito de dt de fidelidade deve ser considerado superado. ainda que não ordenados pelo empregador. os critérios de boa. finalmente. tal como ocorre com cumprimento de qualquer outra obrigação171'.ou delas fazer uso de modo a causar-lhe prejuó. em um contrato sinalagmático) pode ser perfeitamente substituída pela boa-fé e pela probidade (Código Civil brasileiro. Já que a obrigação de prestar serviços. vale dizer. para a realização de um fim comum"’ 9'. por isso que tend a satisfazer o interesse do empregador. além ser tomada em sentido positivo.nal da relação de emprego: não pode ser concebida como elemento de uma relação contratual. que deve ser avaliado segundo criterios de boa-fé e de correção (Código Civil italiano. a fidelidade ultrapassa a subordinação.-fé e de correção 177*. respectivamente). 78-11/9 um critério de responsabilidade^75. n® 11. O dever de fidelidade não constitui apenas uma aplicação do princípio de boa-fé na execução dos contratos em geral (Código Civil italiano. Luisa Riva Sanseverino. Relativamente à empresa. Novembro de 2014 Revista LTr. 2. salientando a dificuldade de dar conteúdo jurídico a um conceito de evidente acepção moral. art. o papel da fidelidade re£e não a estimular o trabalhador a cumprir suastx' gações contratuais. cuida-se de explicar a fidelidade à luz da teoria contratualista.105). 1.375). Trata-se de um vínculo pessoal. Fidelidade e comunidade são noções interdependentes e inseparáveis. pol?n' ta própria ou de terceiros. 11MANC1NI. a fidelidade se liga à noção de comunidade. em vista do comum favor e do imperativo de socorro mútuo. 2.. na execução do contrato de trabalho. à concepção germânica de Gemeinschaft. concebido como contrapeso ao dever de fidelidade. apresenta também um asp to negativo.suma. as mesmas conclusões a que chegou a doutrina italiana em face da questão da fidelidade encontram aplicação. Contratto di lavoro e or-w^zzaz'one* cit. cit. C Giugni afirma.

sabendo que viola os direitos cle terceiros e transgride as disposições da lei. Marlv A.no*811. na execução do contrato de trabalho. nas palavras de Larissa Maria de Moraes Leal. Assim. como seja um contrato. tio Paulo: LTr. A. 482. Tampouco se admite a improbidade. Relativamente à doutrina brasileira. segundo a mesma autora. Acrescenta-se o espírito de cooperação. 1993. I. a mesma observação pode ser formulada.. A noção de boa-fé nem sempre apresenta o mesmo alcance: segundo o contexto em que é empregada.-se das partes envolvidas que procedam com honradez.. A primeira. A boa-fé na execução do contrato de trabalho Entre os vários significados que a noção de boa. CARDONE. 0 efeito prático da relação dos deveres atribuídos ao mpregado na execução do contrato de trabalho reside apenas na possibilidade do exercício do poder disciplinar pelo empregador. contraditoriamente relaciona os deveres de obediência. de Gérard Comu. ser fiel à palavra empenhada. uma diretiva básica e geral que orienta o intérprete na realização do direito (. com o seu modelo de sistema fechado. sem receio de erro. 78. violação de segredo da empresa (alínea %).máticos.ve es do empregado. que abririam excessivos espaços de apreciação e estimulariam de modo inadequado a criatividade do intérprete'7^.ção das relações jurídicas (. 422 do Código Civil brasileiro. a boa-fé objetiva'** 1. A violação de cada um dos deveres constitui falta disciplinar. o emprego das cláusulas gerais (boa-fé. "envolve conteúdo psicológico. alínea li)..-fé apresenta no direito privado. de 2002. Novembro de 2014 Caso lembra Guiseppe Ferraro. ou seja. Direito social.chalk'^'. ns 11. 10. para lembrar apenas alguns poucos. espírito de correção. 9.). Código Civil comentado. dignidade e denodo".-fé é um princípio ético-jurídico. sincero.-se de um dever de cooperação entre os contraentes (sentido positivo)". 182. cuja importância crescente traduz a superação do positivismo legalista. em favor da eticiza. Ensina Francisco Amaral que. Na dependência da gravidade. a violação do dever de obediência constitui indisciplina ou insubordinação (CLT.M). Aboa-fé se apresenta sob duas modalidades: subjetiva e objetiva. etc. Esclarecendo o significado da expressão boa-fé no contexto do art.lw. que determina o adequado comportamento dos contratantes no cumprimento das obrigações reciproca men te assumid as (no caso d os con tra tos sina lag. Também se compreendem neste conceito a ausência de má vontade e ausência de má intenção (ou inconsciência do prejuízo causado) na execução de uma obrigação' 14’.. suscetível de sanção pelo empregador. b) de norma criadora de deveres jurídicos entre as partes contratantes. ainda aferrada a velhos preconceitos. c) crença errônea a respeito da existência de certa situação jurídica. podem ser citados Orlando Gomes e Elson Gotts. exerce três funções: a) de cânone hermenêuticointegrativo contratual. confundindo-se com o instituto da lealdade e fundamentada na própria consciência do indivíduo". Arnaldo Süssekind**2’.. . Fabrício Zamprogna Matiello comenta: "Exige. 78-11/10 Vol. diligência e fidelidade entre os deveres assinalados ao empregado. um tratado ou uma lei. Não apenas os doutrinadores italianos e brasilei. vol.) torna-se cada vez mais frequente. destaca: comportamento leal exigido na execução de uma obrigação. honesto. Também na doutrina espanhola se rncontram manifestações neste sentido. Fabricio Zamprogna. Carmem Cami. A vertente objetiva "engloba toda a gama de valores morais da sociedade. do dever de diligência: desídia (art. Crítica Forte concorrente doutrinária. Cesarino Júnior e Marly C ardone<8í).Revista LTr.-lo segundo seu espirito e não literalmente. E um princípio normativo que se exprime por meio de cláusulas gerais. duros de morrer (Guido Trioni). atitude de integridade e honestidade. probidade. sem embargo da profissão de fé contratualista. Aboa-fé objetiva. já que superada a desconfiança que tradicionalmente acompanhava o reconhecimento da potencialidade de aplicação das referidas cláusulas. art. Meste sentido.res relacionam a diligência e a obediência entre os de. pode conter três sentidos: a) um critério de interpretação: interpretar um texto jurídico. Caracteriza ele a boa-fé pelo seu oposto (a má-fé): "ânimo doloso de quem age ilicitamente. manter suas promessas. segundo o qual as convenções devem ser executadas de boa-fé.). b) uma qualidade moral: agir de boa-fé significa agir com espirito leal. 1. que é o agir com espírito de emulação e falta de decoro" 15. 166. como o contrato de trabalho). pode ela ensejar a resolução do contrato de trabalho por justa causa. correção. alínea e). obrigando-os a respeitar as exigências da relação econômico-social em 14CESARJNl' JÚNIOR. 2. 0 "Vocabulário Jurídico". ed. 15MATIELLO. ato lesivo da honra e boa fama contra o empregador (alínea k). c) de norma limitadora do exercício de direitos subjetivos. p. F. Seu conteúdo compõe. "o princípio da boa. de boa-fé é entendê. do dever de fidelidade: negociação habitual por conta própria ou alheia (alínea c). a propósito da doutrina italiana. Para os fins deste estudo. adicionados à objetividade da atenta avaliação e estudo das relações sociais". interessa particularmente a segunda (sub b) . Messias Pereira DonatoIB(l)..134 do Código Civil francês. advindo do disposto no art.

A propósito deste último preceito. W. de 1944. em "execução leal".NSSLER. Na Alemanha. (89) L. Kohlhammer. de 10 de inarço). não permitem exigir daquele que efetuou a ruptura contratual a continuação da relação de trabalho". A teoria do contrata e o novo Código Civil. I) que "a inteligência simples e adequada. RÜTHERS. No que se refere ao direito do trabalho. 1. LYRA JÚNIOR.366). em duas oportunidades mencionava a boa-fé: no art. Boa-fé contratual. 1. Em Portugal. a executarem as obrigações contraídas de acordo com a função social do contrato. da Lei de Contrato de Trabalho. o contrato de trabalho submete-se às regras do direito comum. (90) BROX. que for mais conforme à boa-fé e ao verdadeiro espírito e natureza do contrato. HF. deverá sempre prevalecer à rigorosa e restrita significação das palavras". n® 11. Francisco. 18. Realmente: pelo fato de "pertencer" à empresa. possui e é imposto pela confiança e a boa-fé que devem presidir às relações entre os contratantes". Na Espanha. alínea a.). sempre que tal salvaguarda não implique um apreciável sacrificio do próprio interesse". "cumprir com as obrigações concretas de seu posto de trabalho. implicitamente. 90. de 1850 (revogado. Bernd. de tal modo que funcione como a atmosfera necessária para o normal desenvolvimento da relação jurídica(l'5>. esclarecendo o § 2 S deste dispositivo que "são notadaniente consideradas justos motivos todas as circunstâncias que. o Código do Trabalho (Lei n. 93 ("quem negoceia com outrem para a conclusão de um contrato deve. na execução do contrato (art. Direito Civil — introdução. as convenções devem ser executadas de boa-fé — preceito este que se aplica sem deixar resto ao instituto do contrato de trabalho. p. 78. O Código Civil italiano menciona a boa-fé em diversos dispositivos: na formação do contrato (art.v-'. nesta parte) dispunha (art. Esclarece Montoya Melgar que "a boa-fé na execução do contrato de trabalho consiste em que cada contratante deve salvaguardar o interesse do outro. como dever de assistència" (<*)). foi repelida por não corresponder ao espírito que preside às relações de trabalho no interior de uma empresa da qual o empregado não faz parte. 2003. tanto ñas prelimi- . 25 e segs. Como preceito regedor da interpretação do contrato. incluindo. pode-se afirmar que o preceito da boa-fé é de aceitação universal quando se trata da execução do contrato de trabalho. p. 83. Novembro de 2014 Revista LTr. aplica-se ao contrato de trabalho o estatuído pelo direito civil. Segundo o disposto no art. em um dever de fidelidade que o empregado assume em face do empregador. a boa-fé já era consagrada pelo direito brasileiro desde o século XIX: o Código Comercial. 1 lan». segundo as regras da boa-fé. o Código das Obrigações dispõe que tanto o empregador quanto o empregado podem a qualquer tempo resilir imediatamente o contrato por justo motivo (art. Falou-se em doutrina. Estas mesmas disposições já constavam da primeira versão do Estatuto dos Trabalhadores (Ley n. A observância do princípio de boa-fé conduz os contratantes. Stuttgart. e a palavra "correção" parece melhor corresponder às exigências que podem ser feitas a um trabalhador. o § 242 do Código Civil (BGB) dispõe que "o devedor é obrigado a efetuar a prestação como exigido pela boa-fé e a intenção comum das partes determinada pelo costume".375). ed.337). a demonstrar perfeita lealdade nas suas relações com o empregador. entre os deveres dos trabalhadores. Nos termos do art. 8/1997) faz alusão à boa-fé no art.Vol. "em favor de uma versão mais estritamente contratual de cumprimento de boa-fé*'*4'.. 131. Recife: Nossa Livraria. impregnada de paternalismo e que refletia a noção germânica de senhoria. Em suas palavras. o trabalhador e o empresário se submeterão em suas prestações recíprocas às exigências da boa-fé". Este último declara expressamente: "O contrato deve ser executado de acordo com a boa-fé". 78-11/11 que se encontram e garantindo que o ajuste será cumprido de acordo com sua função social(W). 20. L. a serviço da qual ele se acha e da qual pode ser despedido. A boa-fé (Treu und Glaiiben) é admitida para reger os deveres dos sujeitos da relação de emprego: "O dever de respeito do empregado é muitas vezes designado como dever de fidelidade (lealdade) e o correspondente dever do empregador. alínea 3 do Código Civil. 5o.2 que. de conformidade com as regras da boa-fé e diligência". mais ainda além da disciplina legal e negociai. cit. Em consequência. em suma. Só uma execução "leal" das obrigações assumidas pelo empregado pode ser legitimamente exigida pelo empregador*-3*. notadamente no que diz respeito à formação e à execução do contrato de trabalho. 8/1980. Observa Jean Vincent que o "direito de denúncia irregular deriva do caráter pessoal que o contrato de trabalho (88) AMARAL. Paulo Luiz Netto. 337). 99/2003). 1. na interpretação do contrato (art. Larissa Maria de Moraes. 1. em vez de fidelidade. 2011. o empregado se obriga. p. Arbeitsrecht. na França. Acrescenta o art. salienta Alonso Olea que o Estatuto abandona a referência a "dever de fidelidade" contida no art. In: LOBO.FAL. Fala-se. 70. Eduardo Messias Gonçalves de (coord. 134. "em qualquer caso. a boa-fé genérica deve inspirar toda a conduta do trabalhador e do empresário. Essa doutrina. o Estatuto dos Trabalhadores (Real Decreto-ley n. 121-1 do Código do Trabalho francês. Martin. assim no plano do direito material como no do direito processual.. fazendo expressa referência ao já citado § 242 do BGB(91>. Na Suíça.

ainda.) pela boa-fé (.. inclui-se o de "proceder com lealdade e boa. Incidência do princípio nemo potest venire contra factum proprium (ninguém pode se opor a fato a que ela própria deu causa)<w). entendido como expressão do corporativismo.„))". de 1970.-empregado. não comprovada de forma inequívoca a infidelidade do depositario. 284. maior significado: não autoriza o entendimento de que a boa-fé não pode ser invocada. Ora. transcrevem-se a seguir algumas ementas que entre muitas poderiam ser citadas: Recurso ordinário.11. essa exigência persiste mesmo nos períodos de interrupção e suspensão1100'. Não concretização. 422 do Código Civil. A jurisprudência dos tribunais do trabalho tem sufragado esse entendimento. Ofensa à boa-fé objetiva. Quanto ao Brasil. não obstante referido dispositivo esteja endereçado aos contratos de natureza civil. Alteração de contrato de trabalho. 422 ("Os contratantes são obrigados a guardar. proceder segundo as regras de boa-fé. entre os deveres das partes e seus procuradores. 18 da Lei do Contrato Individual de Trabalho (Decreto-lei n. (95) MONTOYA MELGAR. Pedro Romano el al. Quanto ao direito material. La buena fe en el derecho del trabajo.1 ("o empregador e o trabalhador. Depositário infiel.Revista LTr. Apenas a título exemplificativo. 2007. Tratando especificamente do empregado — objeto deste estudo — observa-se que ele é credor de . da CLT.1990). ns 11. a boa-fé encontra plena aplicação ao direito material. de 11. p. Esta omissão não tem. 224. Comportamento contraditório posterior. 3y e 46. não pode ser considerado depositario infiel. da CLT. II). Manuel. ed. Portanto. 113 ("Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé"). 187 ("Também comete ato ilícito o titular de um direito que. de 2002. de 1973. que era consagrado pelo art. § 2 8.9. 14. Novembro de 2014 nares como na conclusão dele. No Código Civil. depositário fiel. Como se recorda. El Estatuto los trabajadores — texto y comentario breve. Madri: Civitas. 2001. no tocante ao direito processual do trabalho. lembra-se que. Madri: Tccnos. afastado da guarda dos bens em razão de rescisão contratual havida. No Código de Processo Civil. os deveres básicos dos sujeitos do contrato de trabalho são. a regra do art. amplamente adotado. 78.. no art. Impõe-se considerar. no cumprimento das respectivas obrigações.-fé" (art. 8. naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste. 14. Assim. não se vislumbra nenhum motivo para não considerá-lo com relação ao contrato de trabalho<y7). Promessa de emprego. a função por ele exercida exige responsabilidade quanto à assinatura do processo levado à sua análise.. "desconforme com a ordem jurídica constitucional ausente na Constituição de 1976"l‘*. da parte do empregado. 7/2009. vale salientar que o princípio da boa-fé está amplamente consagrado no ordenamento jurídico. dispõe. 769 da CLT. IV. a Lei Federal do Trabalho. que diligentemente noticia a situação nos autos. 119. com a não efetivação da contratação representa ofensa à boa-fé objetiva. 102 e 126.408. assim na conclusão do contrato como em sua execução.. II. Destarte. e 51. o de prestar pessoalmente o trabalho e. Cabe observar que. Nas atribuições cometidas ao recorrente. do CPC não é incompatível com as que regulam o direito processual do trabalho. E. No México. de 12 de fevereiro). além do aspecto técnico. Dano moral. (94) ALONSO OLEA. contudo. 49. 8o. especificamente no que diz com o cumprimento das obrigações contratuais por ambos os sujeitos da relação de emprego. Código do Trabalho anotado. a despeito da lacuna. o princípio da boa-fé que norteia o contrato de trabalho de acordo com o art. Alteração de 6 para 8 horas. III. o direito comum é fonte subsidiária do direito do trabalho. Inexiste. à boa-fé e à equidade". tudo nos termos do art. assim no direito material como no processual. parágrafo único. a boa-fé é exigível pela simples existencia do contrato de trabalho e. os mesmos dispositivos figuram nos arts. (%) MARTINEZ. o de pagar salário. 31: "Os contratos e as relações de trabalho obrigam ao que expressamente ajustado e às consequências que sejam conformes às normas do trabalho. O Código do Trabalho optou por afastar o princípio da mútua colaboração.078. em consequência. é mencionado nos arts.) boa-fé"). assim como no exercício dos correspondentes direitos devem proceder de boa-fé"). Na revisão de 2009 (Lei n. observação de idêntico teor tem cabimento: nos termos do art. porque guarda manifesta compatibilidade com os princípios fundamentais do direito do trabalho. de 24. 40. p.1969). fazendo aplicação do princípio da boa-fé tanto em questões de direito material como de direito processual. No Código de Defesa do Consumidor (Lei n.. p. de acordo com o disposto no art. disposição a respeito da exigência de boa-fé na formação. com a mesma redação. na legislação trabalhista brasileira. 1980. cabendo o direito de indenização. Coimbra: Almedina. condição essencial caracterizadora da falta de diligencia e ensejadora da pena de prisão impõe-se a concessão definitiva do babeas corpusM). da parte do empregador. ao exercê-lo. 5. excede manifestamente os limites impostos (. o direito processual comum constitui fonte subsidiária do direito processual do trabalho desde que inexista incompatibilidade. respectivamente. execução e extinção do contrato de trabalho. os princípios de (. Princípio da vedação do comportamento contraditório.1. Alfredo. está prevista nos arts. 78-11/12 Vol. 4-. sob pena de responder pelos danos culposamente causados") e no art. O comportamento da empresa consistente no pré-ajustamento da contratação com o trabalhador é conduta apta a gerar expectativa justificada de que a contratação se concretizaria.. Comprovada a boa-fé do ex. Indenização devida.

em alguns casos (contados). Rei. conquanto se admita que. como satélites que gravitam ao redor do planeta. portanto. MEILLET. Dicionário latino-porluguõs. Não é o que ocorre. agosto de 2014. que pressuponha uma especial relação de confiança entre as partes. deveriam inspirar a doutrina no sentido de abolir as reminiscências de um regime autoritário. A boa-fé no direito individual do Trabalho. praticamente â unanimidade. Mercia Tomazinho — DOE 15.. F. de. 268. p. Antotae. 201. 1930. 12. 11. Paris Klincksieck. (99) Ac.TRT/SP-SDl 2007025823. Hermenêutica filo* sofica e direito. p. Virada aquela página histórica. "ínsito ao caráter do homem.2007. Breve diccionario etimológico de la lengua castellana. p. passa a ser negado: escreve João Leal Amado que. de obediência. Os deveres de proteção impõem ao empregado. Leandro do Amaral D. diligência. 341. Conti. 132. Alíred. 1°). In: ERNOUT. em que se constitui o Brasil (Constituição de 1988. que o direito toma em conta para valorar situações suscetíveis de produzir consequências jurídicas"0051. ed. n® 11.Vol. instaurados pela Constituição de 18 de setembro de 1946 e revigorados pela de 5 de outubro de 1988. p. Le droit du travail. 1991. n. porém. 2. José Carlos Moreira da. Novembro de 2014 Revista LTr. FGV. Ao cumprir sua obrigação de prestar trabalho. 2003. certamente porque a Consolidação das Leis do Trabalho foi elaborada à luz daquela doutrina. p. Que sais-je?). O mesmo se diga em relação ao suposto "dever de colaboração": "A relação de emprego deve ser vista como uma ordem de cooperação entre as partes que atuam no sentido de alcançar um objetivo comum"16. (100) DORNELES. também chamados de instrumentais ou acessórios. uma série de deveres laterais ou anexos. Jean. país que ultrapassou a fase corporativista para alcançar o regime democrático. o cuidado de evitar causar danos ao empregador: ele deve cuidar para que "sua atividade não atinja as esferas de proteção pessoal e patrimonial" do empregador. (2) DESPAX. p. Rio de Janeiro: Garnier. confiança. Coimbra: Almedina. (7) HART. 932 usqut964. ed. Todos esses deveres podem (e devem) ser absorvidos pela obrigação genérica de guardar o princípio de boa-fé. Estes deveres não estão presentes na execução da obrigação principal. 33. em sua acepção ampla e com os desdobramentos correspondentes aos deveres laterais dele decorrentes. 1987. 128. Conclusão A enumeração dos deveres atribuídos ao empregado na execução do contrato de trabalho. sujeito à supremacia e ao poder hierárquico do empregador. 78.. p. 2001. Quanto ao dever de fidelidade.8. p.nua-se a falar em dever de colaboração. p. além de merecer desprezo em face de sua vinculação com o feudalismo. os de conteúdo positivo inspiram ao empregado uma atitude de cooperação (de resto. Os deveres de lealdade (também chamados de cooperação) dividem-se em deveres de conteúdo negativo e de conteúdo positivo. c) deveres de esclarecimento.. de fidelidade. afina pelo diapasão corporativista. etc. até o caráter fiduciário do contrato de trabalho. p. (12) RADBKUCH. R. O mesmo ocorre quando se cuida dos chamados "deveres" do empregado: colaboração. essa característica possa verificar-se" tI<M). Eduardo Milléo. ln: Justiça do trabalho. 364 (abril de 2014). mas a ela se ligam por exercerem função auxiliar para a realização dos fins perseguidos pela empresa110”. (102) SILVA FILHO. o contrato de trabalho não é um negócio fiduciário. de Luis Recasens Siches. deve ser considerado apenas um princípio moral. Arion Savâo. (101) CORDEIRO. p. 734. Michel. Introducción a La Ciencia del Derecho. Porto Alegre: HS Editora. 201. p. L. (6) Deber. b) deveres de lealdade. In: SARAIVA. A. este dever incumbe também ao empregador e. 78-11/13 salário e devedor de trabalho. ln: Tribunal Regional do Trabalho da 2* Região. comportando. 10. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Equilíbrio 11/2007 (maio/agosto). pela doutrina trabalhista brasileira. . São Paulo: LTr. nele injetando a dose de democracia preconizada pela Constituição de 1988. Madri: 1973. como se o empregado fosse um súdito. infelizmente. os primeiros aludem à observância de uma conduta que não frustre as expectativas do empregador no sentido da realização dos fins perseguidos pela empresa. Dicioná rio de ciencias sociais.). In: SILVA.re étymologique de la langue latine. sendo termo relativo à vida humana. conforme visto acima. 16BARACAT. ed. 15 •. trad. Paris: PUF. Em conclusão: urge atualizar o Direito do Trabalho brasileiro. Poderes dn empregador e Ideologia. o empregado encontrase sob o império do princípio da boa-fé. Dictionnai. "em regra. n. Benedicto (coord. C>. obediência. 3. no cumprimento da obrigação de prestar trabalho. H. art. como já salientado anteriormente. Mas o cumprimento da obrigação da boa-fé não se resume à prestação principal. O princípio da boa* -fé e a negociação coletiva. * 'i f’auto: Revista LTr. Dever. 1973.. 1993. 2003. fidelidade. Antonio Menezes Manual de direito do trabalho. incompatível como Estado democrático de direito. Em Portugal. In: COROMINAS. durante o período do Estado Novo getuliano<lu5). constitui dever de mútua observância). 306 e segs. Madri: Revista do Derecho Privado. (5) Debeo. Os deveres de esclarecimento (que incluem os de informação) são também de caráter mútuo: devem os sujeitos do contrato prestar todas as informações e esclarecimentos relacionados com a execução do contrato de trabalho'l0:!). 1 ' ROM1TA. os novos rumos políticos. (4) Debeo. 336. Rio de Janeiro. Os deveres laterais se classificam em: a) deveres de proteção. decantado pela doutrina inspirada no corporativismo.

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