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Novas Oportunidades

Ministra da Educação diz que 'não há memória de tão grande mobilização da sociedade portuguesa'
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje, em Mirandela que «não há memória de tão grande mobilização na sociedade portuguesa como com o programa Novas Oportunidades»

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Mais de 400 mil adultos já se inscreveram neste programa de validação, reconhecimento e certificação de competências com equivalência ao 9.º ou 12.º ano. A ministra entregou hoje em Mirandela 500 certificados, nove com equivalência ao 12.º ano e a maioria dos restantes ao 9.º ano. Lembrando que o sistema de ensino português já ofereceu outros programas idênticos anteriormente, como a educação de adultos e o ensino recorrente, a ministra frisou que «nem nos melhores anos, com 70 mil inscrições, a adesão foi tão grande como agora». «É muito mais do que um reconhecimento daquilo que nós sabemos», considerou Fernando Sá, um dos 50 agentes das forças de segurança (PSP e GNR) que receberam certificados, no auditório municipal de Mirandela. As forças de segurança frequentam este programa ao abrigo de protocolos entre os ministérios da Educação, do Trabalho e Solidariedade Social e da Administração Interna. Esta oportunidade trouxe motivação para voos mais altos ao agente da PSP, que, aos 47 anos, está a pensar continuar a estudar, concretamente num curso de Direito. Indeciso ficou o colega da GNR, Domingos Alves, hoje certificado com o 9.º ano, mas que aos 51 anos entende que «já é um bocado tarde» para continuar os estudos. «Tenho pena é que tenha [este programa] vindo tão tarde», disse. A ministra desafiou os críticos do programa a «virem junto desta gente dizer que foi com facilitismo que conseguiram estes diplomas». Para Maria de Lurdes Rodrigues esta é a forma «de dar a oportunidade ao país para saldar a dívida para com estes adultos», que entraram no mundo do trabalho muito cedo e não puderam estudar. É para eles, segundo a ministra, este programa que quer «acertar contas com as gerações anteriores excluídas pelo sistema dos avanços que levaram Portugal a conseguir em 30 anos o que muitos países europeus levaram mais de um século». No país, existem 3,5 milhões de adultos sem o 9.º ou 12.º anos, meio milhão dos quais com menos de 24 anos. De acordo com a ministra da Educação, fazem parte de gerações anteriores à entrada em vigor da escolaridade obrigatória, em 1986. Segundo números avançados pela governante, há 30 anos, apenas sete por cento dos jovens tinham acesso ao ensino secundário. «Hoje este número multiplicou por dez» disse. A cobertura do antigo ensino primário chegou antes da democracia a todas as crianças portuguesas, mas apenas metade conseguia obter o diploma da quarta classe, de acordo com Maria de Lurdes Rodrigues. «A maior parte, noventa por cento, das nossas crianças, conclui hoje com êxito, aos dez anos (o primeiro ciclo), e prossegue o seu caminho escolar», afirmou. A ministra considera que a «imagem e percepção de pessimismo em torno da Educação no país baseia-se neste ponto de partida, neste défice». «Os progressos foram entretanto notáveis, e nós até tendemos a esquecer», declarou.

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A ministra foi elogiada pelo presidente da Câmara de Mirandela, o social democrata José Silvano, que «mesmo sendo politicamente incorrecto», quis mostrar que discorda das críticas que lhe têm sido feitas. A região transmontana teve dificuldades acrescidas, recordou, pelo seu isolamento e falta de oportunidades. Para o autarca, este é também «o programa das igualdades de oportunidades para aqueles que não as tiveram na devida altura». Lusa / SOL

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