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Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP

Departamento de Engenharia de Construção Civil

ISSN 0103-9830

BT/PCC/505

Sistemas de reparo para estruturas de
concreto com corrosão de armaduras.

Maurício Grochoski
Paulo Helene
São Paulo - 2008

Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Departamento de Engenharia de Construção Civil
Boletim Técnico - Série BT/PCC

Diretor: Prof. Dr. Ivan Gilberto Sandoval Falleiros
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Coordenador Técnico
Prof. Dr. Alex Kenya Abiko

O Boletim Técnico é uma publicação da Escola Politécnica da USP/ Departamento de Engenharia de
Construção Civil, fruto de pesquisas realizadas por docentes e pesquisadores desta Universidade.

Este texto faz parte da tese de doutorado de título "Sistemas de reparo para estruturas de concreto
com corrosão de armaduras", que se encontra à disposição com os autores ou na biblioteca da
Engenharia Civil.

FICHA CATALOGRÁFICA
Grochoski, Maurício.
Sistemas de reparo para estruturas de concreto com corrosão de
armaduras. - São Paulo: EPUSP, 2008.
21 p. - (Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP,
Departamento de Engenharia de Construção Civil, BT/PCC/5)
1. Concreto armado 2. Corrosão de armaduras 3. Durabilidade 4. Sistemas
de reparo I. Helen, Paulo 11. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica.
Departamento de Engenharia de Construção Civil 111. Título IV. Série
ISSN 0103-9830

Keywords: reinforced concrete. Departamento de Engenharia de Construção Civil Escola Politécnica. para a correta especificação e emprego destes sistemas. In this context. superando esse valor. durabilidade. como no caso da Itália (VEDA & TAKEWAKA.br Resumo o gasto com a recuperação de estruturas vêm crescendo muito ultimamente chegando a corresponder a 50% do total de gastos com a construção em diversos países. o trabalho apresenta uma breve descrição dos principais sistemas de reparo ofertados atualmente. a necessidade de contínuo aperfeiçoamento e estudo por parte dos profissionais envolvidos no tema. corrosão de armaduras. Doutorando da Escola Politécnica da USP email: mgrochoski@gmaíl. or even more.helene@polí. 2007). Abstract Lately. This paper presents a synthesis of this thema. It is very c/ear. Universidade de São Paulo . repair systems. Paulo Helene (2) (1) Eng. Diante desse panorama. ou mesmo. so to indicate the right repair system for each situation. of ali money spent on constructions works (VEDA & TA KEWAKA. reinforcement corrosion. many repair materiaIs and systems are being offered to the technical community. Além de abordar os aspectos gerais do tema.com (2) Professor Titular. .emaí/: paulo. 2007). in front of the great number of possibilities. corresponding in some cases to 50%. diversos materiais e sistemas de reparo vêm sendo ofertados à comunidade técnica. durability. Este trabalho apresenta uma síntese dos sistemas de reparo para estruturas de concreto com corrosão de armaduras.Sistemas de reparo para estruturas de concreto com corrosão de armaduras Maurício Grochoski (1). Palavra-Chave: Concreto armado. sistemas de reparo.usp. the amount of money spent on repair is rapidly increasing. Besides the discussion about general aspects. that the professiona/ invo/ved in this process needs to be continuous/y improving his know/edge about this subject. Civil. diante das diversas possibilidades existentes. this work presents a short description of the main repair systems used nowadays. Fica clara.

onde a parcela dos gastos com manutenção e reparo chega a 57% (VEDA & TAKEWAKA.7 bilhões de libras (50%) 61. 2007).2 bilhões de euros (100%) Alemanha 99.7 bilhões de euros (100%) Itália 58.9 bilhões de libras (100%) País Novas estruturas Japão Além dos custos diretos.7 bilhões de euros (50%) 99.2 bilhões de libras (50%) 121.6 bilhões de euros (48%) 165. somente a Alemanha gastou aproximadamente 90 bilhões de euros com manutenção e reparo de estruturas de concreto armado (VEDA & TAKEWAKA 2007). 2007).1 Introdução O mercado mundial de reparo e proteção de estruturas de concreto armado vem crescendo o que demonstra de forma indireta que os custos econômicos e sociais da carrosão das armaduras nas estruturas de concreto armado e protendido estão cada vez mais presentes nas economias dos países tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento.6 bilhões de euros (43%) 76.8 trilhões de wones (85%) 21. Trabalhos de Total de gastos com a manutenção e reparo construção civil 52.Valores gastos com a construção de novas obras e a manutenção e reparo das existentes (adaptado de UEDA. como é o caso da Itália.6 bilhões de euros (52%) 79.5 trilhões de ienes (83%) 10. Além dissa. Tabela 1-1 . Em 2004. a parcela dos gastos realizados com reparos e manutenção frente ao tatal gasto pela indústria da canstrução civil é em muitos países superior a 15%. podendo chegar a superar o montante gasto com construções novas.0 bilhões de euros (50%) 198.2 trilhões de ienes (100%) Coréia 116.1 trilhões de wones (15%) 137. existem os custos sociais e os custos econômicos indiretos que são mais complexos de avaliar e não constam das estatísticas.4 bilhões de euros (100%) Reino Unido 60. sendo na maioria das . A Tabela 1-1 mostra os gastos com a construção civil para diversos países.8 bilhões de euros (57%) 135.9 trilhões de wones (100%) França 85.7 trilhões de ienes (17%) 63.

1996. deficiências no conhecimento dos materiais. porém observa-se que estão deteriorando-se precocemente até antes disso. vários estudos têm sido desenvolvidos para explicar. por negligência ou desconhecimento da gravidade do problema por parte dos proprietários. que dentre as manifestações patológicas do concreto armado no mundo. em geral. O objetivo deste texto é discorrer sobre os sistemas de reparo. Do ponto de vista técnico. na sua concepção. seja para a prevenção ou para terapia da corrosão. responsável pela redução da vida útil das estruturas de concreto armado. diagnosticar e remediar a fenomenologia envolvida com a corrosão das armaduras. apresenta-se com uma elevada incidência de 14% a 58% (NINCE & CLlMACO. Embora a corrosão de armadura seja. bem como apresentar um pequeno panorama atual dos principais materiais e sistemas de reparo ofertados atualmente no mercado mundial. Várias soluções já estão disponíveis e a cada dia novos produtos surgem no mercado e outros tantos estão em estudo. As estruturas de concreto têm potencial para apresentarem vida útil muito superior a 50 anos. aI. Seus mecanismos e causas já foram compreendidos. Já aos dez. um processo lento. 1998). RINCÓN et. Sendo a estrutura de concreto armado o mais freqüente e principal sistema utilizado na construção dos edifícios e da infra-estrutura no mundo atual.vezes impossíveis de serem contabilizados com precisão. . generalidades e classificação.. exigem intervenção corretiva significativa por razões de corrosão das armaduras. construção e manutenção. e em alguns casos irressarcíveis. A corrosão de armadura tem sido um dos principais problemas patológicos. até o colapso de estruturas tem ocorrido. podem resultar em grandes perdas diretas e indiretas para a sociedade. prajeto. quinze anos.

e/ou execução na estrutura que não atende as solicitações de carregamento para a qual fora executada. podemos atuar de maneira preventiva. neste caso a capacidade portante desta é aumentada. ou quando se pretende alterar o uso previsto em projeto para a mesma. • Substituição da estrutura: em determinados casos. podemos resumidamente atuar de cinco formas distintas na mesma (Red Rehabilitar. • Reforços: são intervenções que ocorrem quando existe um erro de projeto.2 Sistemas de Reparo 2. De acordo com o grau de deterioração da estrutura e a sua importância econômicosocial. Deve-se proceder a uma série de levantamento de dados de forma a verificar a origem dos problemas (diagnóstico). são tomadas as medidas de intervenção para reparar ou reforçar as estruturas danificadas pela corrosão de armaduras (RILEM. protegendo a estrutura com a o ingresso de contaminantes e. 2003): • Atuações emergenciais: ocorre quando o risco de colapso total ou parcial da estrutura é elevado.1 Generalidades Quando se trata de intervir em uma estrutura de concreto com corrosão de armaduras. assim. 1994). e medidas de proteção devem ser tomadas rapidamente de forma a evitar a ruína desta. alguns aspectos devem ser considerados. o custo da intervenção na estrutura é tão elevado e/ou a sua importância econômico-social é baixa. Com base nesse levantamento. • Reparos: são ações que visam reconduzir a estrutura à sua condição de uso original: reduzindo ou interrompendo o processo de deterioração e recuperando a integridade da estrutura. sua extensão e a conseqüente evolução do quadro de deterioração (prognóstico) e as suas conseqüências no desempenho estrutural e na funcionalidade da mesma. ou ainda. . • Atuações de prevenção e/ou proteção: em casos onde a estrutura apresenta um grau de deterioração baixo. acidentes de maiores proporções. ou de parte desta. que a melhor alternativa pode ser a substituição da mesma. reduzindo a velocidade de degradação da mesma.

[)~Iineª~(l~os trabalh~. HELENE (1993) faz uma classificação dos métodos de reparo dividindo-os em cinco tipos: . ambientais. ANDRADE & GONZÁLEZ (1988) dividiram os sistemas de reparo em dois grandes grupos: os métodos que atuam sobre a armadura (proteção catódica. 2003). arquitetônicos e técnicos.Seqüência lógica de uma reabilitação de estrutura (adaptado de RED REHABILlTAR. recobrimentos metálicos galvanizados e pinturas epóxi) e os métodos que atuam sobre o concreto que envolve a armadura (aditivos inibidores de corrosão e pinturas epóxi). fica difícil de estabelecer uma classificação padronizada destes. econômicos. 2.Definido o tipo de intervenção.2 Classificação Diante da enorme variedade de materiais e sistemas de reparo. a seleção dos materiais e métodos deve levar em consideração uma série de aspectos operacionais. Vários autores já fizeram sua proposta baseado em diversos aspectos. Figura 2-1 .

atuando como barreira. cuja função é atuar como barreira contra a penetração de O2. com ou sem adições minerais). cuja função é restaurar o meio alcalino que permita a passivação da armadura. materiais de origem orgânica (polímeros e pigmentos especiais). Os materiais de origem inorgânica (cimento Portland. HELENE (1997) apresenta uma nova proposta de classificação dos sistemas de reparo. realcalinização e proteção catódica). citado por FIGUEIREDO (1994) e ANDRADE (1992). reparo pela limitação da umidade dentro do concreto. os primers e tintas de base epóxi). dividindo-os em três grupos: sistemas de reparo. . CO2 ou íons cloreto. o Sistemas de reparo por barreira química (inibidores de corrosão). como proposto por GEHO. reforços estruturais e os reforços empregados nas fundações. acrílica ou poliuretana). Já ARANHA (1994) classifica os processos de reabilitação das estruturas de acordo com o tipo e local da intervenção. e materiais mistos. Neste caso os sistemas de reparo são divididos em dois grupos. reparo por revestimento da armadura e proteção catódica.o Sistemas de reparo por repassivação localizada (argamassas. ANDRADE (1997) propõe a classificação dos sistemas de reparo em tradicionais (os que passivam a armadura e os que criam uma barreira que isola a armadura do contato com o meio) e não-tradicionais (dessalinização. o Sistemas de reparo por barreira sobre o concreto (vernizes e tintas de base epóxi. separando-os diretos e indiretos. que possuem as duas funções. Outra classificação interessante foi proposta pela RILEM (1994) que apresenta quatro tipos de sistemas de reparo de acordo com o mecanismo de atuação destes: reparo por repassivação. o Sistemas de reparo por barreira sobre a armadura (argamassas de base epóxi. o Sistemas de reparo por proteção catódica. Os sistemas de reparo podem também ser classificados segundo a natureza química dos seus materiais. como por passivação. Outra classificação possível tem a ver com a complexidade do método utilizado. umidade. Mais recentemente. concretos e grautes de base cimento Portland).

a profundidade e método de execução do reparo. considerando entre outras coisas a extensão. 0 2. . No entanto a proposta desta tese é avaliar o comportamento dos diversos sistemas.• • Proteção direta o Catódica por corrente impressa o Catódica do tipo galvânica o Barreira física o Barreira galvânica Proteção indireta o Repassivação • Argamassa e concreto de base cimento • Realcalinização eletroquímica • Extração eletroquímica de cloretos o Inibidores químicos o Recobrimentos superficiais do concreto Como foi apresentado. Assim se propõe a seguinte classificação. H2 0. e os bloqueadores de poros. (2006) apresenta uma lista extensa de possibilidades de classificação para os sistemas de reparo. como forma de facilitar o entendimento destes. Os sistemas de reparo são divididos em 6 grupos conforme a forma de atuação do sistema de reparo. cada qual com as suas vantagens e desvantagens. primers e argamassas. acrílica ou poliuretânica. os hidrofugantes: silanos e siloxanos.como exemplo de sistemas integrantes deste grupo temos as pinturas. BERTOLO B. assim é muito importante que se concentre a classificação na forma de atuação dos diversos sistemas de reparo. seja de base epóxi. Cf . existe uma grande variedade de classificações dos sistemas de reparo. o Grupo I - Este grupo é composto pelos produtos que visam reduzir ou interromper o processo corrosivo através da limitação/eliminação do acesso de agressivos e/ou demais elementos participantes do processo corrosivo como: C02.

galvanizado e de PRF (polímero reforçado com fibras). substitui-se a armadura. concretos e grautes base cimento Portland Estes são os materiais mais utilizados na recuperação de estruturas deterioradas pela corrosão das armaduras. o Grupo 1/1. Isso ocorre por se tratarem de materiais similares aos empregados quando da confecção do elemento estrutural. ou por ânodo de sacrifício.Este grupo é composto pelos sistemas de reparo por proteção catódica. 3. limpa-se a região (substrato e armadura).1 Argamassas de reparo. 3 Principais Sistemas de Reparo Atualmente existe uma grande variedade de materiais e sistemas de reparo disponíveis no mercado.Este grupo é composto pelos sistemas que sistemas que atuam de forma combinada. O seu principio de uso é bastante simples: retira-se o material contaminado. o Grupo IV .armaduras de aço inoxidável. o Grupo VI .o Grupo 11 .Este grupo é composto pelos sistemas de reparo por inibição. que empregam as características do grupo /I (repassivação dada pela alta alcalinidade). seja por corrente impressa. Alguns destes materiais/sistemas de reparo estão descritos de forma sucinta. o Grupo V . apresentando algumas de suas características principais. mesclando as formas de atuação de dois ou mais grupos um exemplo de sistema misto são as argamassas de cimento Portland com adição de polímeros.Este grupo é composto pelos sistemas que envolvem a substituição das armaduras convencionais por outras de material mais resistente à corrosão .Este grupo é composto pelos produtos e sistemas que visam restabelecer as condições iniciais de estabilidade da armadura (repassivação)fazem parte deste grupo as argamassas. fica difícil escolher e/ou avaliar o desempenho destes sem conhecer suas características. a extração de cloretos e a realcalinização. concretos e grautes de base cimento Portland. reconstitui-se a seção com material . se necessário. Diante desta diversidade. com as características do grupo I (efeito barreira proporcionado pelo polímero incorporado).1.

cinza de casca de arroz queimada em campo). é muito comum a utilização de aditivos e adições quando da pradução destes. FERREIRA et alli (1998) mostraram a influência positiva da sílica ativa no desempenho de concretos frente à migração de íons c/oreto. e as pozolanas altamente reativas (sílica ativa. Por não apresentar contaminantes e. e os mais comuns. já as inertes. aditivos redutores e/ou compensadores de retração. 13.1. dos quais podemos destacar: os aditivos inibidores de corrasão. LACERDA (2002) verificou o mesmo efeito em concretos com adição de metacaulim e também em concretos com sílica ativa. onde estas adições apresentaram desempenho muito bom. fibras de polipropileno. além disso. adições minerais e poliméricas. tanto mecânico. Das adições minerais existentes. cinza volante com alto teor de cálcio). As adições minerais ativas reagem com os compostos hidratados do cimento.1 Efeito das adições minerais Existem dois tipos principais de adições minerais: as ativas e as inertes. Muitos tipos de polímeros (poliéster. a sílica ativa é a mais utilizada.1. apenas provocam efeitos físicos tais como o efeito "microfiller" (Fornasier. alta alcalinidade. I~3. látex etc) vêm sendo adicionados a concretos e argamassas com o objetivo de melhorar algumas das propriedades destes (RINCÓN et aln 1996). GIANOTTI (2006) avaliou o desempenho de concretos com sílica ativa e cinza de casca de arroz frente à corrosão de armaduras. 1995).1. as pozolanas comuns (cinza volante com baixo teor de cálcio e materiais naturais que contém quartzo. as pozolanas pouco reativas (escória de alto-forno resfriada lentamente._-- . Mais recentemente. cinza de casca de arroz). metacaulim. De forma a melhorar o desempenho destes materiais. epóxi. acrílicos. Vários autores já avaliaram o uso destes materiais e a sua influência no desempenho. quanto do ponto de vista da durabilidade de concretos e argamassas.novo. Segundo Metha & Monteiro (1994) existem quatro grupos de adições ativas: as cimentantes e pozolânicas (escória de altojorno. feldspalto e mica). Esse uso tem sido amplamente difundido devido à sua .2 Efeito das adições políméricas --_._-----_._-------_. o novo material possui a capacidade de passivar as armaduras e cessar o pracesso corrosivo no local.1.

outro ponto marcante é o aumento da aderência entre os materiais acrescidos de polímeros e o substrato antigo. . como estes interferem na polarização do sistema: catódicos. Esses materiais foram descobertos na década de 60. anódicos. Alteram a camada de passivação do aço.2 Inibidores de corrosão Inibidores de corrosão. 1996). possuíam a capacidade de inibir e/ou retardar o processo de corrosão do aço (LIMA. formando um filme que impede as reações na superfície do mesmo. como o próprio nome diz. ou seja. aumentando a durabilidade destes materiais. que podem ocorrem. e verificou-se que. Interferem nas reações anódicas e/ou catódicas. Além disso.capacidade reduzir a entrada de água e a conseqüente penetração de agentes agressivos. Vale ressaltar que uma parte dos inibidores comercializados atualmente tem como característica serem aceleradores de pega. uma das forrras de c/assificação dos inibidores é segundo sua forma de atuação. 3. como os aceleradores de base c/oreto. são substancias químicas capazes de inibir e/ou reduzir o processo de corrosão. Vale salientar que a forma de atuação dessas substâncias interfere diretamente na resposta eletroquímica do sistema concreto-aço. além disso. aumentando a sua estabilidade. 3. ou mistos.1. em pesquisas que visavam o desenvolvimento de aceleradores de pega que não possuíssem efeitos negativos na corrosão. alterando a velocidade com que o processo corrosivo se desenvolve (formam nós complexos com os íons c/oreto). ou não. Adsorvem-se na superfície do metal. concomitantemente: 1. Segundo WRANGLÉN (1972) apud LIMA (1996). Nessas pesquisas foram desenvolvidos produtos capazes de acelerar a pega do cimento. 2. Os inibidores de corrosão agem basicamente de três formas distintas.

. Atualmente são encontrados no mercado diversos tipos de inibidores de corrosão. porém em cada caso.. HOLLOWA Y et AL. . ora menores que o valor inicial. os quais podem ser aplicados diretamente sobre a superfície do concreto. Estes são os chamados MCI (migrating corrosion inhibitors). 2004. 1996). / E.. Estes podem ser vendidos na forma de pó ou líquido para ser adicionado ao concreto e/ou argamassa quando da execução de uma obra nova ou reparo. observamos a redução da corrente de corrosão. Dos inibidores existentes no mercado. Em todos os casos. Essa informação é muito importante. Entretanto existe muita controvérsia a respeito da capacidade destes últimos realmente alcançarem a superfície do aço (JAMIL et AL.Esquema simplificado das diferentes formas de polarização promovidas pelos inibidores de corrosão (adaptado de LIMA. A Figura 3-1 mostra claramente como a interferência promovida por estes produtos nas reações de corrosão altera o equilíbrio eletroquímico do sistema concreto-aço. • Mono-flúor fosfato de sódio. como era esperado. • Aminas.).> " E. a maioria tem como base as seguintes substâncias químicas: • Nitrito de sódio e de cálcio. " ...o Log(i) Log(i) Log(i) Catódico Anódico Misto Figura 3-1 .a " " . pois o desconhecimento destes mecanismos pode levar a interpretações erradas sobre o funcionamento destes materiais.o . resultando em diferentes situações.o Ec. protegendo-o. 2005. • Óxido de zinco. onde estes penetram e migram até a superfície do aço.E E Ecoo E Eç. Mais recentemente novos produtos têm sido desenvolvidos e pesquisados. . amino-álcoot amino-carboxilato. . ora maiores.o EI. o potencial de corrosão assume valores diferentes.

apresenta grande vantagem do ponto de vista executivo (maior facilidade na aplicação e re-aplicação).3 Silano organo-funcional base flúor. Sistemas formadores de película São sistemas compostos por polímeros que ao coalescerem formam uma película/filme sobre a superfície a ser protegida. As resinas mais comuns utilizadas na construção civil como um todo são: 1 • PVAc. Esses materiais podem ser aplicados. que a base deste produto é um conhecido hidrofugante. necessita que o aço esteja exposto (antes da concretagem). o que minimizaria possíveis efeitos de macro-célula. solvente e carga). impedindo assim a passagem de gases e íons através da mesma. . na quantidade de material envolvido e na proteção ou não do concreto de cobrimento. apesar de mais econômica do ponto de vista do consumo de material. • Acrílicas. Este material é um dos sistemas estudados no presente trabalho. 2003). esta apresenta uma molécula mui diminuta capaz de penetrar efetivamente no concreto e inibir/reduzir a corrosão. pigmento. Sabe-se. no entanto. A descrição deste produto segue o disponibilizado pelo fabricante. A aplicação direta sobre o aço. sendo seu uso em reparos controverso. • Alquídicas. permitindo recobrir todo o trecho da estrutura (não sá o reparo). apesar de consumir maior quantidade de material. Alguns pesquisadores afirmam que o recobrimento de trechos isolados da barra pode levar à formação de macrocélulas. e a real capacidade de inibição deste será verificada no transcorrer da pesquisa.• 3. O uso desses materiais sobre o concreto reduz significativamente a carbonatação e a lixiviação deste (RED REHABILlTAR. e que segundo o fabricante. Já a aplicação sobre o concreto. diretamente sobre a superfície do aço. Outra vantagem reside na proteção do concreto de recobrimento. ou sobre o concreto que o envolve. dependendo do caso.1. A capacidade de proteção destes materiais está relacionada à qualidade da resina empregada e da formulação do produto (relação entre resina. A diferença principal entre as formas de aplicação reside na questão operacional (momento da obra em que a pintura é aplicada). • Poliuretânicas.

No entanto. Outra característica muito importante destes materiais é fato destes não colmatarem/tamponarem a superfície dos poros. têm a capacidade de repelir a mesma. permitindo que estes "respirem". Estes materiais então penetram nos poros existentes e reagem com a matriz cimentícia. . JACOa & HERMANN (1997) afirmam que estes materiais apresentam desempenho reduzido quando aplicados sobre concreto/argamassa jovem (idade menor que seis meses). As resinas alquídicas não são recomendadas para uso em contato com o concreto2. A demais são bastante empregadas na proteção/recuperação de estruturas de concreto armado. uma vez que é muito comum o uso destas diretamente sobre as armaduras.• Epoxídicas. Estes materiais devem ser aplicados sobre a superfície do concreto/argamassa que deve estar seca. Essa confusão ocorre uma vez que este tipo de pintura (comumente conhecido como "zarcão') tem desempenho excelente como primer para elementos metálicos como portões e grades.sofre um processo de "saponificação". Esse uso está totalmente errado. ligando-se quimicamente a mesma. isso ocorreria uma vez que a continuidade da hidratação da matriz cimentícia após a aplicação destes produtos permitiria a formação de compostos hidratados sobre a área tratada. possuem aversão à água. 3. onde o grau de agressividade é bastante reduzida. Estes materiais. não existe a elevada alcalinidade proveniente da argamassa ou concreto.1. Dentre estas resinas. sendo a epoxídica à mais resistente a meios extremamente agressivos. devido à sua baixa resistência à alcalinidade elevada do mesmo .4 Sistemas hidrofugantes Sistemas hidrofugantes são compostos por resinas da família dos silicones que têm por principal característica serem hidrófobas. afastando-a da superfície sobre a qual esta está aplicada (isto não ocorre no caso de existirem gradientes de pressão). Isso 2 Grande atenção deve ser dada a baixa resistência à alcalinidade dessas resinas. devido a sua baixa capacidade de proteção. reduzindo a efetividade do tratamento. esta resina deve ser usada com cautela (em locais cobertos e/ou sistemas duplos) devido à sua baixa resistência à radiação ultravioleta. onde sabemos. isto é. é utilizada somente nas áreas internas das edificações. a primeira. devido à sua polaridade similar à da água.

comportando-se então como uma área catódica. aumentando a vida útil do sistema e o intervalo de troca destes. onde sistemas formadores de película reteriam a passagem deste vapor. no entanto. Baseado neste fato. 3.5 Proteção catódica A prateção catódica utiliza conceitos de eletroquímica para se proteger o metal desejado. formando bolhas no revestimento. e revestido com uma argamassa de fixação de alta condutividade iônica (Figura 3-3). já que estes apresentam baixas taxas de corrosão e menor volume nos produtos resultantes desta. como o C02. Numa célula eletroquímica convencional. chegando à reduções na absorção de água da ordem de 95% (MEDEIROS & HELENE. A corrosão neste caso não é eliminada. Dessa forma a capacidade de redução da carbonatação e da lixiviação não é tão efetiva como nos formadores de película. Para conseguir criar esse mecanismo. principalmente em situações onde é necessária a passagem de vapor d'água pelo concreto (locais onde há percolação de água). no que diz respeito aos fenômenos de transporte relacionados à água. utiliza-se um retificador de corrente capaz de criar um fluxo constante e controlado de elétrons. permite não só a passagem de vapor d'água. existem dois métodos bastante comuns: ânodos galvânicos e corrente impressa. Por corrente impressa: Para se estabelecer um sistema de proteção catódica por corrente impressa. 2007).1. Como ânodos de sacrifício são utilizados metais nobres como titânio. Dessa forma a área anódica existente na célula eletroquímica.é muito interessante. Todavia. por exemplo. entre o metal a ser protegido e o ânodo de sacrifício (Figura 3-2). Esse ânodo de sacrifício é normalmente colocado sobre a estrutura de concreto armado a ser protegida. estes sistemas se mostram bem efetivos. perdendo seus elétrons para a área catódica onde estes são consumidos. como também de outros gases. Esta característica. por exemplo. porém passa a ocorrer em local pré-determinado e de forma controlada enquanto a corrente de elétrans for mantida. em vez de perder elétrons passa a recebê-los. . o sistema de proteção catódica visa criar uma corrente de elétrons entre um ânodo de sacrifício e o metal a ser protegido. a área anódica se corrói. da ordem de 3 a 20 mA/cm 2.

Esquema de aplicação do sistema de proteção catódica por corrente impressa (TULA & HELENE.Retine.Exemplo de um ânodo de sacrifício na forma de malha. 2001).dor i. aplicado em uma estrutura real (GONÇAL VEZ et AL..eonta:m. 2003) .eeorrente (±l Argamassa de fixação.nado Figura 3-2 . Armaduras no . Figura 3-3 .oonçreto.

são mobilizados em direção ao ânodo externo. que possui caráter fortemente anódico e. além disso. Embora o método tenha bastante sucesso na elevação do ph. seus produtos de corrosão apresentam volumes menores que o do aço. consiste na reposição dos álcalis no interior do concreto. 3. o ph da região é elevado para níveis onde a armadura poderia se repassivar. 3.6 Extração eletroquímica de cloretos A extração eletroquímica de c/oretos é um método que reabilitação de estruturas de concreto armado que consiste na criação de um campo elétrico entre as armaduras e um ânodo externo. os íons de carga negativa. junto às armaduras. Com a criação desse campo elétrico. 2004). Depois de algumas semanas. No sistema de proteção catódica por ânodos galvânicos.1. Existem basicamente dois métodos para a realcalinização das estruturas de concreto armado: realcalinização passiva e realcalinização eletroquímica.Por ânodos galvânicos É sabido que quando dois metais de natureza distinta entram em contato dentro de um eletrólito. Assim. utiliza-se um metal de sacrifício fortemente anódico. de forma a se contrapor a célula de corrosão naturalmente existente na estrutura. metais como o zinco. a carbonatação do concreto. alguns estudos apresentam problemas com a repassivação do aço (ARAÚJO. enquanto os íons positivos são conduzidos ao cátodo (armaduras). proteção contra a corrosão.1.7 Realcalinização O método de realcalinização. o eletrólito colocado junto ao ânodo (normalmente polpa de celulose úmida) é removido juntamente com o ânodo e os íons cloreto que migraram para essa região. esse processo é conhecido como eletro-osmose. como os c/oretos. como por exemplo. . Uma vez reposto o nível de álcalis na solução do poro junto às armaduras. são utilizados como ânodo de sacrifício. conferindo às armaduras de aço. o metal mais anódico corrói. como o próprio nome diz. uma vez que estes podem ter sido consumidos por algum processo de degradação.

a diferença principal está no objetivo de cada método. limitado a cerca de 2 cm dependendo da manutenção da umidade do revestimento e da mobilidade iônica no revestimento e no concreto da região a ser recuperada (influenciada diretamente pela quantidade. com relação ao interior do concreto. Uma vez mantido úmido esse revestimento. bem como aumentar a profundidade de atuação do mesmo. foi desenvolvida com bastante sucesso em laboratório uma metodologia de realcalinização passiva denominada de "realcalinização natural". dimensões e interconectividade dos poros). a realcalinização eletroquímica visa restabelecer a alcalinidade do . faz com estes migrem por difusão para o interior do concreto. no entanto. visando reduzir o tempo de duração do método. 2004). onde o revestimento é trocado por uma solução rica em álcalis (ARAÚJO. essencial para garantir a mobilidade dos íons alcalinos.Realcalinizacão passiva A realcalinização passiva consiste na aplicação de um revestimento rico em álcalis sobre a estrutura de concreto armado a ser realcalinizada. 2004). como mostra a Figura 3-4. a grande diferença de concentração destes no revestimento. Esse método. Realcalinizacão eletroquímica: A realcalinização eletroquímica é um método bastante semelhante ao de extração eletroquímica de c/oretos. De forma a se minimizar esses inconvenientes.cerca de dois anos.Mecanismo de funcionamento do método de realcalinização passiva (ARAÚJO. Outro ponto importante com relação ao método é o seu tempo de duração bastante longo . revestimento rico em álcalis frente (te realcaliniza ão concreto carbouatado m'ma(lura Figura 3-4 . possui limitações quanto à profundidade de atuação. Ao invés de visar a retirada dos íons c/oreto. Ambos se baseiam no princípio de eletro-osmose.

Equação 1 Equação 2 As equações acima mostram que há formação de íons hidroxila junto ao cátodo (armadura). são atraídos para o cátodo (armadura a ser protegida). se aperfeiçoar continuamente de forma a conhecer todos os mecanismos e forma de atuação destes. Outro ponto importante de ser mencionado diz respeito às reações catódicas. 2004). elevando o ph na região. . auxiliando no restabelecimento das condições de passivação das armaduras.concreto. Dessa forma. 4 Conclusão Diante da grande quantidade de materiais e sistemas de reparos disponíveis no mercado. o profissional teria então subsídio para escolher e especificar a melhor solução para cada situação de obra.Esquema simplificado do método de realcalinização eletroquímica (ARAÚJO. bem como os mecanismos envolvidos no processo de deterioração das estruturas. Para isso. utililiza-se um eletrólito rico em álcalis. que por possuírem carga positiva. cabe ao profissional atuante na área. eletrólito alcalino + frente de realcaliniza ão concreto carbonatado Figura 3-5 .

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