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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE QUÍMICA

AÇOS INOXIDÁVEIS AUSTENÍTICOS
Aluno: RÓGENES PARGA COSTA
Prof.: ULISSES MAGALHÃES
Disciplina: CORROSÃO

SÃO LUIS – MA
2013

Sumário 2 .

INTRODUÇÃO Os aços inoxidáveis surgiram de estudos realizados em 1912. Anteriormente. Na Alemanha se tratou de uma liga que. neste estado. No primeiro caso era um aço inoxidável muito próximo ao que hoje chamamos de 420 e no segundo outro aço inoxidável bastante parecido com o que hoje conhecemos como 302. durante muitos anos. Com 10. Outros elementos metálicos também integram estas ligas. Os aços inoxidáveis são divididos. Os aços inoxidáveis são ligas de ferro (Fe) e cromo (Cr) com um mínimo de 10. boa soldabilidade.50% de Cr. fizeram abandonar. Podem ser endurecidos por deformação e. 2008). aliado a incapacidade das aciarias daquela época de reduzir a quantidade de carbono (C). 2000). O aço estudado na Inglaterra era uma liga Fe-Cr. com cerca de 13% de Cr. exceto corrosão sob tensão. além de Fe e Cr. sendo as principais: as dos aços Austenísticos. trabalhabilidade a frio e resistência à corrosão. o conceito predominante considerava que um material era resistente à corrosão se resistia ao mais popular e conhecido dos ácidos inorgânicos: o ácido sulfúrico. foram feitas ligas Fe-Cr. Ferríticos e Martensíticos. o estudo destas ligas. continha também níquel (Ni). 3 . de acordo com a sua microestrutura. na primeira metade do século XIX. observa-se uma grande diminuição da velocidade de oxidação nas ligas Fe. são ligeiramente magnéticos. Nessa época. com baixo teor de carbono. Em atmosferas rurais. tanto na Inglaterra como na Alemanha. A adição de elementos de liga como o molibdênio e a redução do teor do carbono melhoram sua resistência à corrosão (TEODORO. 1995). Dentre as principais características dos aços inoxidáveis austeníticos podemos citar: • Excelente resistência à corrosão.Cr na medida em que aumenta a quantidade de Cr presente na mesma. com baixos índices de contaminação.50% de Cr constata-se que a liga não sofre corrosão atmosférica nessas condições (CALLISTER. Austeníticos: São ligas não-magnéticas de ferro-cromo-níquel contendo tipicamente 8% de níquel. Apresentam boas propriedades mecânicas. mas o Cr é considerado o elemento mais importante porque é o que dá aos aços inoxidáveis uma elevada resistência à corrosão (NUNES. Este fato.

30% N 2 – 3% Mo 2 – 3% Mo 3 – 4% Mo %Ti= 5x%C %Nb= 10x%C 4 .0 1.0 2. 304. 308. Tabela .0 1.0 2.0 2. têm excelente resistência à corrosão.25% N 0. Tipos e composição dos aços austeníticos.08 0.0 %Si (máx) 1.5 2. 303. 347 Sufixo L – baixo teor de carbono Sufixo H – alto teor de carbono Os aços inoxidáveis austeníticos.0 2.0 2.0 2.15 9 – 12 9 – 13 19 – 22 19 .0 1.8% Ni) é o mais popular.08 0.0 outros Até 0.08 0.5 1.16 – 0.0 1.0 2.03 0.15 0.0 2. CLASSIFICAÇÃO Classificações AISI – série 300: 301.0 1. 310.5 6–8 8 -10 8 – 10.0 1.0 1.0 2.0 1.25 0.0 2. 321.08 0.5 10 – 14 10 – 14 11 .15 0.0 1.0 1.08 0.5 8 – 12 8 – 10. 309.08 %Cr 16 – 18 16 – 18 17 – 19 18 – 20 18 – 20 18 – 20 16 – 18 16 – 18 18 – 20 17 – 19 17 – 19 24 – 26 24 – 26 %Ni 3.03 0. 302. dos quais o 304 (18% Cr .0 2.5 – 7. 317. excelente ductilidade e excelente soldabilidade.• Não são endurecíveis por tratamento térmico • Têm excelente conformabilidade plástica • Têm baixa energia de falha de empilhamento • Apresentam alto coeficiente de encruamento (n) • A estrutura austenítica não apresenta transição dúctil-frágil • Possuem baixas condutividade elétrica e térmica (característica comuns aos inox) • Possuem elevado coeficiente de expansão térmica (maior do que os demais tipos de inox).08 0. 316. Tipo 201 301 302 304 304L 304N 316 316L 317 321 347 310 310S %C (máx) 0.5 – 5.22 %Mn (máx) 5.0 1.15 0.

Tipos 304L. 304ELC e 316ELC.10%) são submetidos a tratamento térmico para obtenção de granulação grossa. São exemplos de aço inoxidável de carbono normal os tipos 304. cabendo. 2006). É o material normalmente empregado na indústria alimentícia e farmacêutica (COSTA E SILVA. 316L. • mais uma maior resistência à corrosão.2%) melhora até em 15% o imite de resistência do material e em até 40% o limite de escoamento do aço. o tipo 304 (vulgarmente 18-8) é o mais empregado na prática. o que melhora a resistência à • fluência. por isso. 1994). cerca de 50% de todas as aplicações de aços inoxidáveis em geral. A adição de nitrogênio (até 0.03%) resistência mecânica menor que o anterior. Aços de carbono controlado (entre 0. são eles: • Aços de carbono normal (até 0.De todos os aços austeníticos. 316. por ser uma ótima combinação de excelente resistência à corrosão e custo não muito elevado. alguns exemplos são 0 304N e 0 316N (PADILHA. a esse tipo de aço.04% e 0. cujo valor mínimo de LR é 53kg/mm3. São denominados aços tipo N. Podem-se dividir os aços inoxidáveis austeníticos em relação à quantidade de carbono.321 e 347 entre • outros Aços de baixo carbono (até 0. Aços com nitrogênio. ainda ajuda na estabilização da forma austenita do aço. 5 .8%).

a tal ponto que o podemos encontrar em nossas casas (em um garfo ou em uma panela. 303 – geralmente é empregado na fabricação de eixos. equipamentos para leiteria. sendo normalmente empregado em peças de fornos. parafusos. fins estruturais. conjuntos estruturais onde alta resistência e exigida. válvulas etc. A seguir encontram-se listadas as características e aplicações práticas de alguns aços inoxidáveis austeníticos: 301 . em aplicações de grande responsabilidade (DE ARAÚJO. refinaria de petróleo. condutores de águas pluviais. 1997). estojos). depósitos de cerveja. diafragmas. cúpula para casa de reator de usina nuclear. tubos de vapor. instalações criogênicas. utensílios domésticos. buchas. O aço 304 é um material com grandes possibilidades em suas aplicações. carros ferroviários e aplicações quando se faz necessário um teor de carbono 6 . ferragens para postes. equipamentos para indústria química e naval. ferragens. indústria de papel e celulose.Fins estruturais.Tanques de pulverização de fertilizantes líquidos. possui melhor resistência à formação de casca de óxido a temperaturas mais elevadas.. 304L . aeronaves. uma série de alternativas que dificilmente são conseguidas com outros materiais. são facilmente trabalhados e são empregados em ornamentação. de transporte etc. correias transportadoras. fins estruturais. naval. de fabricação de alimentos. fechos. equipamento para as indústrias química. indústria farmacêutica. utensílios domésticos. por exemplo) e também na indústria. equipamentos para refino de produtos de milho. porcas. adornos de automóveis.150 °C) e em baixíssimas temperaturas (condições criogênicas). 302 – são os aços inoxidáveis austeníticos mais populares. equipamentos para transporte. válvulas e peças de tubulações. tanques para estoque de massa de tomate. fixadores (grampos. tanques de fermentação de cerveja. em altas temperaturas (até 1. 304 – Utensílios domésticos. indústria frigorífica.. peças de carburador. 302 B – devido à presença de silício.APLICAÇÕES Os inoxidáveis austeníticos são utilizados em aplicações em temperatura ambiente. permutadores de calor. calhas. indústria têxtil.

peças de bombas etc.Peças de válvulas. resultando em suas aplicações a estruturas como aparelhos de pressão a indústria química (HANDBOOK. de petróleo. Resiste à oxidação até temperaturas de 1050ºC ou 1100ºC. como vasos de pressão. 309 S – devido ao baixo teor de carbono permite a soldagem com menor risco de corrosão intercristalina. equipamentos têxteis. de borracha. 309 – apresentam boas resistências mecânica e à oxidação a altas temperaturas. 201 e 202 – apresentam resistência à corrosão inferior à dos tipos ao Cr-Ni. têxteis. REAÇÕES ESPECIFICAS COM NIÓBIO E CROMO 7 . 308 – maior resistência à corrosão que o 18-8 (Cr-Ni). condensadores. possuem melhores limites de escoamento e ainda são bastante resistentes à corrosão. equipamentos para indústria química.. peças de fornos e estufas. 1980).317 – possui resistência à corrosão ainda melhor que o 316. bandejas. revestimento para fornos de calcinação 321 e 347 – tipos 18-8 estabilizados contra corrosão intercristalina a temperaturas elevadas. porém. tanques. bombas. peças e componentes diversos usados na construção naval. aplicam-se quando se exige soldagem. estufas. instrumentos cirúrgicos.. tanques soldados para estocagem de produtos químicos e orgânicos. geralmente apresentam melhor resistência mecânica a temperaturas elevadas. 316 – Peças que exigem alta resistência à corrosão localizada. dessa forma. é aplicado em fornos industriais e em eletrodos de solda. aplicado a eletrodos de solda. é aplicado a equipamentos da indústria química. farmacêuticas. sendo.menor que o tipo 304 para restringir a precipitação de carbonetos resultantes de operações de soldagem. peças expostas à atmosfera marítima. 310 – possui boa estabilidade à temperatura de soldagem. portanto. cubas de fermentação. equipamentos criogênicos. esse tipo de aço também se aplica a equipamentos para indústria química. adornos. juntas de expansão etc. 304 N e 316 N – devido a presença de nitrogênio. equipamentos de indústrias químicas. de papel e celulose. peças de fornos. evaporadores e agitadores. 316L .

0% de cromo.O nióbio tem grande afinidade com o carbono e. do sistema cúbico. 2005). a temperatura ambiente. Quando em excesso ao necessário para a formação de carbonetos.65% C. a baixas temperaturas. Tais aços têm granulação fina e boa resistência ao impacto. o qual diminui a tendência a descarbonetação. podem ser adicionados com o objetivo de evitar a sensitização. A 990º C. como titânio e nióbio. Em aços de carbono mais elevado. Por exemplo: com 2. Os carbonetos e outros compostos de nióbio não participam da formação de nitretos. impedindo desta maneira a precipitação de carbonetos de cromo. o nióbio forma um composto metálico de elevado ponto de fusão (1660ºC). o Fe3Nb2 o qual entra em solução nas várias fases do ferro. Exemplos destes tipos de aço são o 321 e o 347. que se dissolve na cementita formando um carboneto duplo duro e resistente. Os aços para nitretação frequentemente contêm nióbio. FUNÇÃO DO NIÓBIO E DO CROMO NO AÇO AUSTENÍTICO Elementos estabilizadores. este a porcentagem de carbono desse ponto cai para 0. é menor que 0. Conforme a sua porcentagem presente.35%. a 1220º C. quando em pequenas quantidades forma o Cr3C2 do sistema ortorrômbico. forma carbonetos muito estáveis. O cromo é um forte gerador de carbonetos. consequentemente. devido a que estes elementos tem uma afinidade química com o carbono superior a aquela que tem o cromo. o cromo diminui o teor de carbono do ponto eutetóide. A formação desse composto e a dos cristais mistos de nióbio e ferro eleva o limite de ruptura dos aços com baixo teor de carbono. o eutetóide forma-se com 0. esse valor cai para 1.30% (CHIAVERINI. porque o elemento contido nos cristais mistos combina-se facilmente com o nitrogênio acima de 400ºC. O 316Ti é a versão estabilizada do 316. e em quantidades maiores forma o Cr 4C. com 12% de cromo. 8 .0% de nióbio. basicamente aços 304 estabilizados.0% e. Nióbio A austenita consegue dissolver até 2. Carbonetos desses metais são precipitados. aumenta a resistência ao desgaste.

Os carbonetos presentes aumentam a resistência ao desgaste. contendo 18% 9 . válvulas etc.0% níquel. o que se deve à elevada dureza dos carbonetos de cromo. Quase todos os aços para trabalho a quente possuem quantidades apreciáveis de cromo. para rolamentos. em 0. que pode conter até 15% de cromo. a temperaturas de serviço acima de 540ºC. o (CrFe) 4C.4 MPa (15 kg/mm²). do sistema ortorrômbico. como níquel.5% de cromo. os aços resistentes à corrosão.0 a 6. devido à pouca tendência à formação de inclusões. especialmente os do tipo 18% cromo e 8.9 MPa (10 kg/mm²). 85). A adição de níquel aos aços com alto teor de cromo aumenta ainda mais a resistência à corrosão e à oxidação. são cada vez mais utilizados. Sendo aços mais econômicos.5% Mo.0% de carbono. de refinarias de petróleo. O teor de nióbio deve ser de 7 a 10 vezes o de carbono. em 1. do sistema cúbico. Aços contendo de 4.0 a 6. nos contornos de grão (ALONSO. usa-se um aço com 1. formam-se carbonetos como: o (FeCr) 3C. Os aços com 4. são necessárias pequenas adições de nióbio. o nióbio eleva o limite de deformação permanente.0%C e 0. para obterem-se propriedades mecânicas superiores.0% de cromo tendem a temperar ao ar. O cromo também aumenta a resistência ao desgaste.Nos aços semi-acalmados de baixo teor de carbono. Devido à sua afinidade com o nitrogênio. o cromo é um componente importante dos aços NITRALLOY. do sistema rômbico. o que pode causa trincas durante a solda.0% de cromo são usados em tubos sem costura. titânio ou alumínio. O mais utilizado desses contém 3. e o limite de ruptura. Às temperaturas entre 500ºC e 800ºC. especialmente em oleodutos e estruturas leves. Outra propriedade importante dos aços ao cromo é a resistência ao desgaste e a capacidade de corte. Um aço com baixo teor de carbono. sendo que o nióbio é o preferido. Uma elevada dureza superficial pode ser obtida com aços para nitretação contendo cromo. Para solucionar esse problema.0% de carbono e 1. Um dos mais comuns contém 12% de cromo e até 2.. tendem a depositar um carboneto de cromo Cr4C juntamente com cementita. e o (CrFe)3C2. Cromo O cromo é essencialmente um elemento endurecedor e é comumente usado com um reforçador da matriz. Se as ligas Fe-Cr contiverem carbono.

quando o aço é aquecido entre 650ºC e 850ºC. É por isso que esses aços não são temperáveis. pode conter entre 3. a resistência aos ataques químicos nos contornos de grão é bastante reduzida. permanece austenítico.0% aumenta-se a resistência à corrosão. Com adições de molibdênio até 3. que comumente têm até 35% de cobalto e/ou até 6. a tendência à corrosão intercristalina aumenta rapidamente.05%. então.0% de níquel. 10 . Nos aços com 18% de cromo e 8.0% de tungstênio. enquanto ela permanecer intacta e aderente. mesmo quando resfriado abaixo da temperatura ambiente. Esta propriedade deve-se à formação de uma camada delgada de óxido que constitui-se rapidamente após a exposição a qualquer fluido contendo oxigênio.de cromo e 8. 85).0 e 10% de cromo (ALONSO.0% de níquel normais. Com a presença dessa camada de óxido. nióbio ou titânio ao aço. o que evita a formação de carbonetos de cromo. especialmente se for inoculada igual quantidade de cobre. pois estes dois elementos possuem maior afinidade com o carbono. O grupo dos imãs permanentes. Se o teor de carbono ultrapassa 0. o aço fica protegido da corrosão. Adiciona-se.

ACESITA. Dissertação (Mestrado) apresentada à Escola Politécnica da USP. L. para obtenção do titulo de Mestre em Engenharia. Editora Arte & Ciência. D. CALLISTER JR. Seminário Inox 2000. 2006... V. v. 2ª ed. P. Marco Antônio Catálogo de Produtos Inox da Acesita.. 2. Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais – ABM. Editora Edgar Blücher. CHIAVERINI.BIBLIOGRAFIA ALONSO. 11 . São Paulo. André Lazarin. Seminário Inox 2000. Aços e ferros fundidos. 179p. R. GALLINA. Ciência e engenharia de materiais. A. Estudo do efeito da adição de Nb à liga Fe – 17% Cr sobre a resistência à corrosão generalizada por pite. uma introdução. Editora LTC. tool materials and special-purpose metals v.. ESTUDO DA CORROSÃO DO AÇO INOXIDÁVEL AUSTENÍTICO ABNT 304 EM BIODIESEL Isabel Noemi Gonçalves. N.3. 2005. DE ARAUJO. Manual de siderurgia. 9th edition ASM International 1980 NUNES. A. V. 1997.. Departamento de Engenharia Metalúrgica. Corrosão e Proteção contra Corrosão em Equipamentos e Estruturas Metálicas.. 2008. 7ª ed. COSTA E SILVA. Metal Handbook. Aços e ligas especiais. em 09 de abril de 1985. transformação.. Properties and selection:stainless steels. L. W. & MEI.

F.WOLYNEC.4-5. L.pp.. Estudo da Sensitização de Aços Inoxidáveis austeníticos e do inconel 600 por meio de método eletroquímico.A. A.PADILHA. S. TEODORO. C. 12 . & GUEDES. C. Tese de doutorado EPUSP 1995. 1994. Aços inoxidáveis austeníticos. Editora Hemus. microestrutura e propriedades..