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1

RENÉ DESCARTES

DISCURSO

DO

MÉTODO
PARA BEM CONDUZIR

A PRÓPRIA

RAZÃO
E PROCURAR

A VERDADE

NAS

CIÊNCIAS

Tradução de Jacob Guinsburg

e

Bento

Prado Jr.
Notas de Gérard

Lebrun

in

à

escolhidas.

Obras

Gilles-Gaston
Gérard
Lebrun;

tradução

de

Jacob

e

Guinsburg

do Livro, 1962 (col. Clássicos
39)
indicada (|
é a da 2ª ed. de 1973.
Européia

na

Reproduzida

Paulo:

Abril

e

prefácio

Granger;
Bento

de

Introdução

notas

de

Prado Jr. São Paulo: Difel – Difusão
21973,
pp. 39-103. A paginação aqui

Garnier);

col. “Os

Pensadores”.
São
21979,

pp.

1973,

Cultural,

#;
25)
(|
é

25-71. A paginação aqui indicada

pp.

a

da 2ª

ed. de 1979.

— Há

algumas

quanto
da

em

pontuação,

os erros

sublinhados
col.

aqui

com
na ed.

assinaladas
numeradas
relação

especial

duas edições

vírgulas;

Difel,

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(*)
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estão

da reprodução

tipográficos

Pensadores”,

“Os

retificações

as

entre

diferenças

estavam

não

a

diferença

notas

da

as

notas

ed.

da

com
col.

“Os Pensadores”.

[Original

pour
vérité

bien
dans

1637; in

conduire
les

Œuvres

..

Discours

francês:

la

sciences

de

raison,

&

Leiden:

de Descartes.

la

méthode,

chercher
Jan

Publiées

la

Maire,

par

Ch.

et P. Tannery.

Adam

1897-1913;

e

Rochot

1964-74,

reimpressão
P.

Costabel.

11 vols.;

Paris:

pp.

sob

Paris:

reimpressão:

1996, 11 vols. O Discours
VI,

Éditions du

revista

J.

a

Cerf,

dir. de

B.

Vrin/CNRS,

Paris,

encontra-se

J. Vrin,

no

vol.

1-78].

2

39

25

| |

DISCURSO

DO MÉTODO
PARA BEM CONDUZIR

A

PRÓPRIA RAZÃO
E PROCURAR
1

CIÊNCIAS
26

| [em branco]

A VERDADE

NAS

Na quarta. que coisas crê necessárias para ir mais adiante do que foi na pesquisa da natureza e terceira. partes. poder-se-á à primeira. as razões pelas quais prova a existência de Deus e da alma humana. na última. a explicação do movimento do coração e algumas outras dificuldades que concernem Medicina. particularmente. do método algumas que demasiado das . e.27 | Advertência este Se para ser dividi-lo em longo lido seis encontrar-se-ão atinentes regras às parecer de uma só vez. que são os fundamentos de sua metafísica. diversas Na segunda. Na quinta. E. e depois também a diferença que há entre nossa alma e a dos animais. Na regras da Moral que tirou desse método. E. na discurso ciências. a ordem das questões de Física que investigou. considerações as principais o Autor buscou.

que razões o 40 levaram a escrever. 28 | | [em branco] título em que pensou o autor era: uma Ciência universal que possa elevar a nossa natureza ao seu mais alto grau de perfeição. 1. que mesmo os que são contentar em qualquer outra pois cada qual . Mais os Meteoros. Não se deve esquecer que a obra constitui uma apenas uma Introdução. a Dióptrica e a Geometria. onde as mais curiosas matérias que o autor pôde escolher para dar prova da ciência universal que ele propõe são tratadas de tal modo que mesmo aqueles que não estudaram podem entendê-las”. que perde muito de seu sentido quando separada dos três ensaios que ela antecede. tão bem mais O provido difíceis de senso é PARTE a coisa do mundo pensa estar dele. primeiro O “Projeto de 3 41 29 | | PRIMEIRA [1] melhor bom partilhada.

se seguirem sempre o caminho reto. denomina naturalmente destarte. do que aqueles que correm e dele se distanciam. Pois não é suficiente ter o espírito bom. o principal é aplicá-lo bem. e. mas o de poder o que se é que isso bem do que nossas opiniões não provém uns mais racionais do igual a do todos que se antes julgar e que é o bom senso em todos os falso. desejar respeito. homens. mais tê-lo verossímil verdadeiro propriamente ou a é diversidade de do fato de serem que outros. mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. tanto quanto das maiores virtudes.coisa o não costumam E têm. jamais presumi que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que . enganem não a distinguir tal que testemunha o razão. [2] Quanto a mim. As maiores almas são capazes dos maiores vícios. e os que só andam muito lentamente podem avançar muito mais.

quero crer que existe inteiramente em cada um. qualidades. do pensamento nítida e presente. mesma espécie 42 | [3] Mas não temerei dizer que penso ter tido muita felicidade de me haver encontrado. em certos caminhos.os àà comum. ou a ou a memória tão ampla alguns outras perfeição mesmo outros. e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma 2. de que formei um método. razão que . pelo qual me parece que eu tenha meio de aumentar gradualmente meu conhecimento. e seguir nisso a opinião comum dos filósofos. quaisquer servem tão quanto amiúde desejei rápido. do espírito. posto que é a única coisa nos torna homens e nos distingue dos animais. e de alçá-lo. que me conduziram a considerações e máximas. ter imaginação E não exceto pois. que dizem não haver mais nem menos senão entre os acidentes. desde a juventude. ou tão sei as o tão de que quanto ou ao senso. distinta.

3. como sempre em Descartes. e que. satisfação na busca 4 não do da . tanto para a conduta da vida quanto para a conservação da saúde e a invenção de todas as artes”. embora no juízo que faço de mim próprio eu procure pender mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção. ao mais alto ponto. a que a mediocridade de meu espírito e a curta duração de minha vida lhe permitam atingir 3. os escolásticos. — “Os filósofos” designam. Cf. não haja quase colhi dele tais frutos 2. acidente o que pertence a um ser sem pertencer sua essência. que nenhum deixo de progresso não obter me pareça extrema que penso já ter vão 30 | feito e inútil.àÉ à pouco a pouco. a definição de sabedoria (assimilada ciência) no Prefácio dos Princípios: “O perfeito conhecimento de todas as coisas que o homem pode saber. Pois já que. mirando com um olhar de filósofo as diversas ações e empreendimentos de todos os homens.

informado pelo comentário geral das opiniões emitidas a respeito dela. e talvez não passe de um pouco de cobre e vidro o que eu tomo por ouro e diamantes. Sei como estamos sujeitos a nos equivocar no que nos tange. ouso crer que é aquela que escolhi. que juntarei àqueles de que costumo me utilizar. e representar nele a minha vida como num quadro. o meu desígnio não é ensinar aqui o método que cada qual deve verdade . neste discurso. Mas estimaria muito mostrar. quando são a nosso favor. seja este um novo meio de me instruir. pode acontecer que me engane. 43 | [5] Assim.e de conceber tais esperanças para o futuro que. se entre as ocupações dos homens 4. puramente homens há alguma que seja solidamente boa e importante. quais os caminhos que segui. [4] Todavia. e como também nos devem ser suspeitos os juízos de nossos amigos. para que cada qual possa julgá-la e que.

preceitos devem sua razão. sem ser nocivo a ninguém. aprendê-las. são por isso dão. se encontrarão talvez também muitos outros que se terá razão de não seguir. recebido sentia extraordinário Mas. mas apenas me esforcei por que se metem a dar maneira Os considerar-se que aqueles a quem as menor coisa. como uma fábula. e por me haver persuadido de que. por meio delas. de estudos. entre alguns exemplos que se podem imitar.à seguir para bem conduzir mostrar de que conduzir a minha. espero que ele será útil a alguns. se o útil preferirdes. logo ao na cabo classe que do de esse curso se costuma ser terminei qual dos desejo doutos. mais e. e que todos me serão gratos por minha franqueza. 5 [6] Fui nutrido nas letras desde a infância. se hábeis do falham na censuráveis. não senão como uma história. Mas. se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é este escrito propondo ou. na qual. mudei . vida.

escrevi minha filosofia de modo que possa ser recebida em toda parte. basta considerar o homem na medida em que. de meu lado. a Retórica. proveito. “Não devemos submeter a teologia a raciocínios”.inteiramente É de parecia procurando dúvidas instruir-me. VI. vez cada no entanto. célebres pensava que deviam se é que existiam em algum lugar da Terra. e eu. só depende de si. a Poesia. em tantas enleado ter de minha ignorância. a História. 550). 4. 5. o da homens” exclusiva assistência doutrina constante que em são “luz Deus homens natural”. filósofo deva sobrenatural: deixar “Para .T. estivera 6. Isto é: a Gramática. nas coisas naturais. das mais E. possa que Descartes ao teólogo toda investigação do o filósofo. Europa onde existir da homens mais sapientes. mesmo entre os turcos. A. o senão a numa descoberto escolas outro obtido haver não me achava e erros. com Burman. que me Pois opinião. “homens Os puramente considerados ao abstraindo-se qualquer nível proporcionar-lhes. e que eu não cause escândalo a ninguém” (Col.

não me tendo contentado com ciências que nos ensinavam. onde depreciou dos jesuítas Descartes entrou La a Assim. que vieram a cair em minhas mãos. do excelência melhor ainda a La em como sempre em permanecendo de Flèche. e não via de modo algum que me julgassem inferior a meus condiscípulos. aí tudo entre a eles houvesse os o nosso preencher E. lugares 31 século tão florescente e | til em como dos precedentes. eu conhecia os juízos que os outros faziam de mim. Flèche. e mesmo. em La Flèche só acusa pretende bons termos ensino insuficiência da tradição cultural. 5 o que os outros aprendiam. 1606. O qualquer tão fér- alguns de já nossos parecia-me bons espíritos que me levava . Além disso. com seus mestres. enfim. percorrera todos os livros que tratam daquelas que são consideradas as mais curiosas e as mais raras. O colégio 1604. em nunca fundado Descartes a lenda.6. Aprendera embora destinados mestres.

a tomar a liberdade de julgar por mim todos os outros e de pensar que não existia doutrina no mundo que fosse tal como dantes me haviam feito esperar. leitura de todos . que as Matemáticas juízo. ajudam os bons livros é igual conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados. Sabia aprendem livros com os que as que antigos. na qual eles nos revelam tão-somente os melhores de seus pensamentos. estimar ocupam nas que nelas se entendimento gentileza espírito. quais são necessárias desperta sendo deixava. e até uma conversação premeditada. a formar o alevantam. que a poesia tem delicadezas e ternuras muito encantadoras. que a a uma a todavia. que a eloqüência tem forças e belezas incomparáveis. o memoráveis lidas línguas ao que histórias o com discrição. que foram seus autores. 44 | os [7] Não exercícios escolas. das se de as das dos fábulas realizações e que.

acreditava já ter dedicado e mesmo também antigos. a Medicina e as outras ciências trazem honras e riquezas àqueles que as cultivam. [8] bastante leitura às suas Mas tempo dos eu às livros fábulas. enfim. que os escritos que tratam dos costumes contêm muitos ensinamentos e muitas exortações virtude que são muito úteis. que é bom tê-las examinado a todas. que a Teologia ensina a ganhar o céu. que a Filosofia dá meio de falar com verossimilhança de todas as coisas e de se fazer admirar pelos menos eruditos. quanto para facilitar todas as artes e diminuir o trabalho dos homens. e que podem para contentar os curiosos. às suas histórias e Pois quase o mesmo que línguas. que a Jurisprudência. bastante tanto enganado.àà sutis. a fim de conhecer-lhes o justo valor e evitar ser por elas têm invenções servir muito. e. . até mesmo as mais supersticiosas e as mais falsas.

e mesmo as histórias mais fiéis. a fim de sãmente e dos séculos. costumes é de o viajar. quando empregamos demasiado tempo em viajar. Mas. ao menos omitem quase sempre as circunstâncias mais baixas e menos ilustres. como soem proceder os que nada viram.Éà conversar com os bom saber de outros algo povos. e quando somos demasiado curiosos das coisas que se praticavam nos séculos passados. as imaginar como possíveis muitos que não o são. de onde resulta que o resto não parece tal qual é. ficamos praticam não 6 no presente. se não mudam nem alteram o valor das coisas para torná-las mais dignas de serem lidas. diversos que julguemos os nossos mais pensemos que tudo quanto é contra os nossos modos é ridículo e contrário razão. e fábulas eventos fazem . acabamos tornando-nos estrangeiros em nossa própria terra. Além do mais.

podem sempre persuadir melhor os 32 outros daquilo que pro. a fim de torná-los claros e inteligíveis. ainda que 9 falem apenas baixo bretão e nunca tenham aprendido retórica. mas pensava que uma e outra fossem dons do espírito. ultrapassam suas forças [9] Eu apreciava muito a eloqüência e estava enamorado da poesia. são mais agradáveis com o máximo deixariam a arte de poética [10] Matemáticas. Aqueles cujo raciocínio é 8 mais vigoroso e que melhor digerem seus pensamentos. de ser os E aqueles cujas e que as ornamento melhores e por causa doçura não que 10.que pelos que regulam que deles aqueles exemplos os seus tiram costumes estão sujeitos 45 a cair nas extravagâncias | dos paladinos de nossos romances e a conceber desígnios que 7. ainda lhes fosse desconhecida Comprazia-me invenções sabem certeza com e as da .| põem. mais do que frutos do estudo. sobretudo da exprimir poetas.

evidência

seu

àà

suas razões; mas

de

não notava

ainda

emprego,
e, pensando
que
serviam
apenas
às
artes
mecânicas,
espantava-me
de que, sendo seus fundamentos
tão firmes e tão sólidos, não se tivesse edificado
11.
sobre eles nada de mais elevado
Tal como, ao
contrário,
eu comparava
os escritos
dos
antigos
pagãos
que tratam de costumes
a
palácios
muito
soberbos
e
magníficos,
erigidos
apenas sobre a areia e a lama.
Erguem muito alto as virtudes e apresentam-nas
como as mais estimáveis
entre todas as coisas
46
que existem no | mundo; mas não ensinam
bastante
a conhecê-las,
e amiúde
o que
chamam com um nome tão belo não é senão uma
insensibilidade,
ou um orgulho,
ou um
12.
desespero, ou um parricídio
verdadeiro

7.

Descartes

dirá

História, são adquiridas
elas

recorrem

apenas

que

“sem

as

línguas,

nenhum

memória,

a

Geografia,

discurso

jamais

a

da razão”:
razão.

Essa

àà
as

entre

distinção

nos

fundamental

“ciências

8.* Digerem:

ordenam,

latim digerere, cf. Littré

9.

língua:

mantida

o

segundo

é

“históricas”

Kant.

sentido

primitivo

do

[(N. do T.)].

pouca

da

Sinal

concede

e
por

racionais”

será

Clássicos;

que

importância

pensamento

todo

pode

Descartes

em

exprimir-se

qualquer língua.

regras

10. As

em arte
pequena
atesta
embora

não há

parte.

a
o

11.

que

tendo

que este
ainda

o

ensinada

Matemática

12. Alusão

aos

denomine

mira

“artista”,

“artesão”.

das

em

inspiração

do

aplicações

agrimensura).

a

aristotélica

por

física

Ele cita,

autor

de

era

Matemáticas

as suas

das matemáticas

Clavius,

versado

condição

“aplicado”

estranha

de

reconhecido

na

fortificações,

caráter

ao mesmo tempo.

antiaristotélico

aprendizado

ensino

sobretudo

mais

o

primado

o

menosprezar, mas
tem só uma

são de

não

nela

ocorrida

(cartografia,

técnicas

e

XVII ainda

século

Parece

observa

tornar

Este

mutação

ministrado

arte

da

método

Gilson

devia

que era
um texto

em apoio,
um compêndio

de

Descartes.

estóicos.

7

[11]
pretendia,

Eu reverenciava

como

qualquer

a nossa
outro,

Teologia

ganhar

o

e

céu;

à

mas, tendo aprendido,
como coisa
muito
segura, que o seu caminho não está menos
aberto aos mais ignorantes
do que aos mais
doutos e que as verdades reveladas que para lá
conduzem
estão acima
de nossa inteligência,
não me
ousaria
submetê-las
fraqueza
de
meus
raciocínios,
e pensava
que, para
empreender
seu exame e lograr êxito,
era
ter alguma

necessário

e ser

do céu

[12]

mais do
Da

extraordinária

que

homem.
nada

filosofia

assistência

direi,

senão

que,

que foi cultivada pelos mais excelsos
que viveram desde muitos séculos e
que, no entanto, nela não se encontra ainda uma
só coisa sobre a qual não se dispute, e por
conseguinte
que não seja duvidosa, eu não
vendo

espíritos

alimentava
melhor

quantas
homens
matéria,

qualquer

do

que

opiniões

presunção

outros;

e que,

diversas,

jamais

possa

considerando

por
uma e mesma

sustentadas

doutos, pode haver sobre

sem que

acertar

de

existir

mais

de

para 33 o alívio de | minha fortuna. fazia. nem pelos seja verdadeira. pensava já conhecer bastante o que valiam. na medida em que tomam seus princípios da Filosofia. nem pelas imposturas de um mágico.| messas de um alquimista. 47 nem pelas pro. pois não me sentia.uma que reputava quase como 13. eram suficientes para me incitar a aprendê-las. quanto às outras ciências. nem o ganho que elas prometem. de modo algum. quanto às más doutrinas. nem pelas predições de um astrólogo. muito pouca questão daquela que eu só podia esperar adquirir com falsos títulos. julgava que nada de sólido se podia construir sobre fundamentos tão pouco firmes. e conquanto não fizesse profissão de desprezar a glória como um cínico. entretanto. era somente verossímil [13] Depois. E enfim. E nem a honra. graças a Deus. para não mais estar exposto a ser enganado. falso tudo quanto . numa condição que me obrigasse a converter a ciência num mister.

Eis sair da o inteiramente a resolvendo-me daquela além próprio. tão sujeição de que do mundo.ou artifícios jactâncias à de qualquer fazem profissão de saber mais do [14] permitiu deixei por que. em provar a mim mesmo nos reencontros que a fortuna me propunha e. que eu pudesse delas tirar gente algum 13. Descartes se convertera professores de visa em citar aqui exercício e refutar tifiques de Descartes”). de diversos humores e empreguei viajar. logo a idade me meus preceptores. procurar outra ciência achar em mim poderia no então dos sabem. mocidade em em freqüentar em recolher diversas experiências. E. condições. ou não mais que que das letras. por toda parte. estudo grande livro o resto de minha em ver cortes e exércitos. em fazer tal reflexão sobre as coisas que se me apresentavam. “disputa” escolar as escolástica e ao opiniões hábito de que dos diferentes 8 .

mais efetua lhe verdade nos no que e respeitante puni-lo que um gabinete. em tanto mais vaidade do de aos desfecho. produzem conseqüência distanciadas tanto empregar de letras espírito faz julgou que em seu do que não talvez cada negócios se seguida. especulações algum efeito proporcionarem outro homem sobre que raciocínios cujo logo encontrar poder afigurava-se-me importam. e que senão senso no 14. deve naqueles outra É Pois lhe a não trazem de quanto lhe mais comum. enquanto me limitava a considerar os costumes dos outros homens. muito qual que mal. pois advertia neles quase tanta diversidade como a verossímeis E .proveito. para ver claro nas minhas ações e caminhar com segurança nesta vida. por causa do e artifício que precisou esforço de torná-las eu sempre tive um imenso desejo de aprender a distinguir o verdadeiro do falso. pouco encontrava que me satisfizesse. [15] certo que.

que o as vendo maior . daí tirei De foi modo que. e em procurar adquirir alguma experiência. | Mas.que notara anteriormente entre opiniões dos proveito que uma porção de coisas que. depois que empreguei alguns anos em estudar assim no livro do mundo. assim. do que se jamais tivesse me afastado de meu país e de meus livros. livrei-me de muitos erros que podem ofuscar a nossa luz natural e 48 nos tornar menos capazes de ouvir a razão. e. tomei um dia a resolução de estudar também a mim próprio e de empregar todas as forças de meu espírito na escolha dos caminhos que devia 15. não deixam de ser comumente acolhidas e aprovadas por outros grandes povos. aprendi a não crer demasiado firmemente em nada do que me fora inculcado só pelo exemplo e pelo costume. seguir O que me deu muito mais resultado. pouco a pouco. filósofos. parece-me. embora nos pareçam muito extravagantes e ridículas.

cortes foram não fundação não foram Milhaud. findaram. . Após dos costumes. das ocorrência quando 16 imperador para o nossos manuais de Filosofia) pensa que a verdade é uma só (“não havendo senão uma verdade de cada coisa. que ainda não pela e. premiers essais de Descartes”). do coroação Alemanha. primeiros coroação O celebraram-se episódio da dias de novembro poêle de é. PARTE retornava da na então. e a mundo ciência.”) e que ela compele todos os espíritos ao assentimento. de que nos os fala intelectual (cf.. tal como a concebemos ainda Notar brutal disciplina atualmente a 15. julho em a geral. observação Na realidade. As da inopinados. Descartes situado festas de nos anos Os anos de preguiça “Les Savant.34 | SEGUNDA [1] Achava-me. scientifiques 16. 14. Descartes setembro do “experiência” a da 1619. de 1619.. mais bem que toda essa passagem constitui a e desdenhosa condenação da Filosofia como e como profissão. G. para onde fora atraído guerras.

início que freqüentação tendo. e vê-se ordenados procuraram do que reformar. dispunha de considerar peças. não de mão em que belos aqueles que uso fazendo outros de diversos que os por mais para todo meus compostas concluídos costumam arquiteto de os primeiros que. o quartel.9 exército. empreendidos paredes nas feitas quaisquer com um eles. construídas ser foi amiúde. pela num sozinho dos obras naquelas Assim. onde. entreter perfeição nenhuma distraísse. . e como e felicidade. trabalhou. não perturbassem. que me há mestres. onde me Entre lembrei tanta várias aquecido para num deteve encontrando ou paixões que me o dia inteiro fechado permanecia o me inverno me por disso. bem vagar pensamentos. além solicitudes quarto do não um só edifícios um e só melhor muitos de fins. velhas Assim.

traçadas por um engenheiro sua fantasia numa planície. reconhecer-se-á realmente que é penoso. a ver como se acham arranjados. começo pequenos burgos.àà essas antigas cidades que. ali um pequeno. que. todavia. embora considerando seus edifícios cada qual parte. se encontre neles muitas vezes tanta ou mais arte que nos das outras. E se se considerar que. em com essas praças regulares. trabalhando apenas nas obras de outrem. 49 aqui | um grande. imaginei que os ordinariamente comparação . decorrer do tempo grandes tornaram-se no no centros. fazer coisas muito acabadas. são tendo sido tão mal compassadas. dir-se-ia que foi mais o acaso do que a vontade de alguns homens usando da razão que assim os dispôs. apesar de tudo. Assim. sempre houve funcionários com o encargo de fiscalizar as construções dos particulares para torná-las úteis ao ornamento do público. e como tornam as ruas curvas e desiguais.

tendo sido outrora semi-selvagens e só pouco a pouco se tendo civilizado. não poderiam ser tão bem 17 policiados como aqueles que. os outros. tendiam todas ao mesmo fim. creio E. ao menos aquelas cujas razões são apenas prováveis e que todos humanas. visto que muitas eram bastante alheias e mesmo contrárias aos bons costumes. .àà povos. que. bem cujas que o ordenanças incomparavelmente que prudente estado só melhor Deus da Tal verdadeira fez. a começar do momento em que se reuniram observaram as constituições de algum como certo é religião. que. legislador. não o deveu bondade de cada uma de suas leis em particular. não elaboraram suas leis senão medida que a incomodidade dos crimes e das querelas a tanto os compeliu. deve regulamentado ser do para falar das coisas se Esparta foi outrora muito florescente. E assim pensei que as ciências dos livros. mas ao fato de que. havendo sido inventadas apenas por um só.

* Policiados: demonstrações. nem uns nem outros. e como nos foi preciso por muito tempo sermos governados por nossos apetites e nossos preceptores. pensei que. como todos nós fomos crianças antes de sermos homens. E assim ainda. tão simples senso pessoas. avolumaram pois pouco a pouco de de “policiar” (policer). nem sempre.| niões 17. é quase impossível que nossos juízos sejam tão puros ou tão sólidos como seriam. que eram amiúde contrários uns aos outros. e que. se tivéssemos o uso inteiro de coisas . talvez nos aconselhassem o melhor. não próximas da raciocínios pode fazer que se acham. no sentido de 10 mui diversas algum.não apresentam quaisquer se compuseram e 35 com opi. de um homem com os quanto verdade naturalmente modo de bom respeito às que se lhe apresentam.

e de tornar assim suas ruas mais belas. A exemplo disso. no tocante a todas as opiniões que até então acolhera em meu crédito. por ela 50 | [2] certo que não vemos em parte alguma lançarem-se por terra todas as casas de uma cidade. a razão tivéssemos desde o nascimento sido guiados senão . mas que.nossa É e se não 18. quando elas correm o perigo de cair por si próprias. nem tampouco reformar o corpo das ciências ou a ordem estabelecida nas escolas para ensiná. mudando-o em tudo desde os fundamentos e derrubando-o para reerguê-lo. por seus alicerces não se estarem muito firmes. com o exclusivo propósito de refazê-las de outra maneira. persuadi. mas vê-se na realidade que muitos derrubam as suas para reconstruí. sendo mesmo algumas vezes obrigados a fazê-lo. de uma vez para sempre.las.me de que verdadeiramente não seria razoável que um particular intentasse reformar um Estado. o melhor a fazer seria dispor-me.las.

e suas quedas não podem deixar de ser muito rudes. se as têm. e me apoiasse tão-somente sobre princípios de que me deixara persuadir em minha juventude. sem ter jamais examinado se eram verdadeiros. Pois. e mesmo evitou e melhor do . o uso sem dúvida as suavizou.retirar-lhes em essa confiança. E meio. Pois. Esses grandes corpos são demasiado difíceis de reerguer quando abatidos. após tê-las seguida pelas razão. por este ajustado firmemente conduzir substituí-las minha vida muito que se a edificasse apenas sobre velhos fundamentos. como a mera diversidade existente entre eles basta para assegurar que as têm numerosas. embora notasse nesta tarefa diversas dificuldades. ou mesmo de suster quando abalados. ou por outras mesmas. nem comparáveis às que se das menores coisas encontram na reforma atinentes ao público. lograria acreditei a fim de melhores. quanto às suas imperfeições. não eram todavia irremediáveis. ou então ao nível da que.

18. Desprezo pela história. que E. entre volteiam pouco serem tão e tão freqüentados. que é ir mais e 11 bem força de melhor reto. estes se alguma acham melhor c oncentrados.àà corrigiu quais um insensivelmente se não poderia tão grande bem número remediar às por quase sempre mais suportáveis do que o seria a sua mudança. da mesma forma que os grandes caminhos. batidos que tentar rochedos cômodos. [3] forma Eis alguma por que não poderia de aprovar esses temperamentos . prudência. razão mesmos ao leitmotiv enfim. da evidência herdado “preconceito” cartesianos em parte oposição da conquistada por nós da tradição. segui-los do por dos cima se tornam pouco a montanhas. são erudição livresca. escalando descendo até o fundo dos precipícios.

e inquietos que, não
nem pelo nascimento,

perturbadores
51

|

mados,

fortuna,

deixam

manejo

de

neles

nova

alguma

neste

ao

escrito

tornar-me

pesaroso

dos

cha-

nem

pela

públicos,

não

sempre, em idéia,
se eu pensasse haver
36
coisa que | pudesse

praticar

reforma.

a menor

suspeito

negócios

sendo

E

de tal loucura,

de ter aceito

publicá-lo.

ficaria

Nunca

muito

o meu
meus

procurar reformar
e construir num terreno
que é todo meu. De maneira que, se, tendo
minha
obra
me agradado bastante, eu vos
mostro aqui o seu modelo, nem por isso quero
aconselhar
alguém
a imitá-lo.
Aqueles a quem
Deus melhor partilhou suas graças alimentarão
talvez
desígnios
mais
elevados;
mas temo
bastante que já este seja ousado demais para
muitos. A simples resolução de se desfazer de
todas as opiniões a que se deu antes crédito
não é um exemplo que cada qual deva seguir; e
o mundo compõe-se quase tão-somente
de
intento

próprios

foi

além

de

pensamentos,

duas

que,

de

à

de

espécies

convém

aos

espíritos,

modo

algum.

A

quais
saber,

ele

não

daqueles

que são, não
podem
impedir-se
de precipitar
seus juízos,
nem ter suficiente paciência
para conduzir por
ordem todos os seus pensamentos:
daí resulta
que, se houvessem tomado uma vez a liberdade
de duvidar dos princípios
que aceitaram e de
se
apartar
do
caminho
comum,
nunca
poderiam
ater-se
senda
que é preciso
tomar para ir mais direito, e permaneceriam
extraviados
durante
toda
a vida; depois,
daqueles
que,
tendo
bastante
razão,
ou
modéstia,
para julgar que são menos capazes de
distinguir o verdadeiro do falso do que alguns
outros,
pelos
quais
podem
ser instruídos,
devem antes contentar-se
em seguir as opiniões
desses outros, do que procurar por si próprios
crendo-se

mais

hábeis

do

mim,

estaria

outras melhores.
[4] E, quanto

no número

destes

a

últimos,

se eu

sem

tivesse

dúvida
tido

um

único

mestre,

ou se nada soubesse
das
em todos os tempos entre as

diferenças

havidas

opiniões

dos

aprendido,
poderia

mais

o

desde

imaginar

doutos.

Mas,

que nada se
pouco crível

Colégio,

tão estranho

e

tendo

tão

que algum dos filósofos já não houvesse dito;
e depois, ao viajar, tendo reconhecido
que
todos
os que possuem
sentimentos
muito
contrários
aos nossos nem por isso são bárbaros
ou selvagens, mas que muitos usam, tanto ou
mais do que nós, a razão; e, tendo considerado
o quanto um mesmo homem, com o seu mesmo
espírito,
sendo
criado
desde a infância entre
franceses
ou alemães, torna-se diferente do que
seria
se vivesse sempre entre chineses ou
canibais; e como, até nas modas de nossos trajes,
52
a mesma coisa que nos agradou há | dez anos,
12

ainda antes

de decorridos

agora extravagante

e

nos parece
sorte que são

outros dez,

ridícula,

de

que. de tanta como um resolvi homem que caminha ir tão lentamente. circunspecção em as pouco. por ser bem mais verossímil que um só homem as tenha encontrado do que todo um povo: eu não podia escolher ninguém cujas opiniões me parecessem dever ser preferidas às de outrem. [5] Mas. antes de o projeto elaborar despender da obra . todas e usar coisas. a pluralidade das vozes não é prova que valha algo para as verdades um pouco difíceis de descobrir. e achava-me como compelido a tentar eu próprio bem mais persuadem do conduzir-me. mesmo se avançasse muito evitaria pelo menos cair. Não quis de modo algum começar rejeitando inteiramente qualquer das opiniões que porventura se insinuaram outrora em minha confiança. sem que aí fossem introduzidas bastante pela tempo em razão.o costume e o exemplo que nos que qualquer conhecimento certo e que. não obstante. só e nas trevas.

ou mesmo. em estudara Matemáticas. Lógica. para falar. notei e a maior seus outros preceitos servem mais para a outrem as coisas já se sabem. pareciam quanto todas 19. E embora ela contenha. sem julgamento. dos artes examinando-as. com efeito. como a arte de Lúlio. que é quase tão difícil separá-los quanto tirar uma Diana ou uma parte de explicar . a sendo a ou contribuir com algo os seus silogismos e. há todavia tantos outros misturados de permeio que são ou 53 nocivos. do que para aprendê-las. daquelas que se ignoram. verdadeiro método conhecimento espírito de capaz fosse [6] Eu jovem. | ou supérfluos. e a desígnio. Mas. uma porção de preceitos muito verdadeiros e muito bons. Análise três Álgebra. entre as entre geômetras que meu 20 coisas as partes da Filosofia.que à ia empreender. e para as ciências para o que. mais Lógica. dever procurar o 37 ao | de que meu chegar um pouco.

daquelas. problemas entre por as reflexões método. a certas regras e certas cifras. em lugar de uma ciência que o cultiva. os intervalo elaboração porém do bem mais (construção. Análise além dos Antigos de de novembro parábola. 19. se estenderem apenas a matérias muito abstratas. dos trabalhos meio de uma dos sólidos do terceiro e . e de não parecerem de nenhum uso. com respeito e Álgebra dos modernos. em curso de todos quarto graus). Houve. na segunda. a primeira permanece sempre tão adstrita consideração das figuras que não pode exercitar o entendimento sem fatigar muito a imaginação. àà de que nem mármore Depois. Aliás. e esteve-se de tal forma sujeito. que se fez dela uma arte confusa e obscura que embaraça o espírito. e a de 1619 este não resulta matemáticos um portanto.Minerva sequer um de está bloco esboçado. Por esta causa.

são estritamente vez desse grande se compõe a bastariam amiúde que um melhor quando. em A Análise supor as conhecidas. assim.20. os quatro Estado tendo E. que método linha que relações o a sob forma geométrica. desde que . de preceitos julguei seguintes muito de em que que me 21. até outros Entre domínios. como a escusas aos defeitos. aqui a conhecida estabelecer relações. designa que se possa os a esse a ligam a método em grandezas partir destas (válido para se apresenta da Geometria) além consiste desconhecida. 13 pensei ser mister procurar algum outro método as vantagens desses que. de modo dirigido poucas. número Lógica. construí-la Antigos. compreendendo três. fosse isento de seus multidão de leis fornece vícios. é bem embora cumpridas.

para pouco a pouco. em de dividir que eu examinasse e quantas de conduzir começando e tão eu não dúvida. alguma precipitação se apresentasse 54 38 acolher não como evidentemente de não . por a meus ordem meus pelos objetos e mais fáceis de conhecer. como por degraus. e tão clara espírito. isto incluir ocasião de pô-lo | [8] O segundo. o em que de é.a firme e constante resolução uma só vez de observá-los. até o mais simples subir. o possíveis cada uma em tantas necessárias 24. tomasse deixar era o [7] O primeiro coisa como de jamais verdadeira conhecesse que eu cuidadosamente a 22. prevenção e de nada evitar que juízos não distintamente 23 tivesse nenhuma a meu | das dificuldades parcelas fossem quantas para pensamentos. tal. melhor resolvê-las [9] O terceiro.

A chegado “prejuízos 23. Leibniz deste método. 45: “Denomino a um manifesto de tal modo deve”. pouco proveitosas: é o que se esquece com demasiada 21. Cf. a leitura da Geometria — o único dos três ensaios que. Princípios. de infância”. na verdade. compreendidas como preceitos gerais. prova a validade do método — mostra o quanto esta banalidade é aparente. o “dificuldade” e “resolver” si dos o que distinto é o apenas o que (que devem e ter de persistência atento espírito antes julgar I. as regras seriam. 22. Separadas desta referência.. a zombar da banalidade que o Método está contido mais nas Regulae do que nessa apresentação esotérica. e que manifestamente 24. em “prevenção”. que é parece e a evidência. foi primeiro E é verdade freqüência. presente consiste “precipitação” como se significa: remeter-nos . problema na As claro compreende em a quem considere palavras matemático) .à conhecimento dos mais mesmo uma ordem entre os que supondo se não uns aos outros precedem naturalmente 25. Não obstante. segundo o Autor. o e compostos.

que a multiplicação de grau. na sua das curvas. se trata quer III. uma série em que cada termo que dele dependem e depois que ele depende.àà nomeadamente Geometria. 389). VI. equação de decompor 25. se encontra nenhum binômio que possa a soma toda da equação proposta”. onde métodos: compostos “quando assim polinômios das (método exemplo. mediante menos cada uma das raízes. mais da segundo mas simples cuja solução. Não é. Isto será válido tanto em Metafísica como em Geometria. A geometria. pois. podemos sempre ter um conhecimento exato de sua medida” (A. a equação como o produto de dois dividir também do equações da incógnita não considerando por o realizando parte primeira da resolução de concebida: de antes dos “as linhas como as mais compostas” serão nela que por um movimento contínuo ou por vários que se seguem e dos quais os últimos sejam inteiramente regrados pelos que os precedem. “contanto . ilustra a importância da ordem Constituição daqueles do equações duas combinação engendrará ficará produto indeterminadas). questão colocado de classificação assim de Livro dois binômios os até grau quarto arbitrárias somente elementos de Supor-se-á. quer. é do fruto “dividir”. mediante isso. A ordem é o garante da homogeneidade de um domínio e da possibilidade de determinar com certeza os seres que ele inclui ou exclui. recebidas possamos tanto imaginá-las mais descritas simples.T. pois.

ocasião de imaginar revisões tão 26. necessária por e que 39 | verdadeira guardemos para qualquer sempre a deduzi-las umas 27. que eu tivesse a certeza de | [10] [11] E costumam e para demonstrações. . contanto maneira da mesma que nos abstenhamos somente de aceitar que o não ordem toda longas cadeias de razões 28.14 55 o último. nada omitir de cair sob às suas chegar haviam-me mais dado que todas as coisas o conhecimento dos homens seguem-se umas às outras e que. o de parte enumerações tão completas gerais. fáceis de que os geômetras servir-se possíveis e em Essas todas simples difíceis fazer seja.

conhecer. acostumariam verdades razões. ciências . isto é.das outras. só os algumas demonstrações. de modo algum certas e matemáticos puderam não duvidei que não fosse pelas mesmas 29. algumas evidentes. E não me foi afastadas ocultas muito pois já penoso procurar por quais devia começar. sabia que haveria de ser pelas mais e simples pelas mais que. examinaram embora não nenhuma outra utilidade. não pode haver quaisquer tão a que não se chegue por fim. todas essas razões 56 | disso que alimentar com meu encontrar de falsas para tanto. procurar e a Mas o meu não a a se exceto espírito se contentar não foi aprender que eles esperasse de intuito. verdade nas ciências. nem tão que não se descubram. entre considerando precedentemente de fáceis os que todos a buscaram e.

embora seus diferentes. seu gênero pelo número mínimo dessas proporções — em geral. coisa Como ciência os Por mostra que Vuillemin. sejam 26. em dificuldade regra comumente chamam divisão enumeração e e. a seu Descartes ilustrada para a possíveis variáveis. uma proporção contínua é o modelo da ordem. Uma série como multiplicação. de das sua obra.que particulares 30. Mathématiques visto que a evoca et pensa que tal de todos os casos equação. “razões”. o que 137). cartesiana é deve-se no uma entender capítulo IV teoria “proporções”. livro (pág. pela enumeração de uma uma solução mais geral. matemáticas objetos esta vendo que. Pode que a se de problemas”. divisão de construção de 3/6 = 6/12 = 12/24 mostra-nos “de que maneira estão envolvidas todas . não deixam de parecer que esta regra repita a em “parcelas” é a mesma das chez Métaphysique é antes possibilita “Preceito segunda. e regulador que versa sobre os métodos solução escolha reflexivo não sobre 27. Vuillemin. a proporções: e extração de raiz são três meios uma quarta proporcional — o grau de uma equação é definido pelo número de proporções requeridas entre as quantidades.

550-51). próprio para Acrescente-se preciso a somente do encontramos nela encontraríamos vez de outras “que verdades. 118). (Op. sinteticamente) (segundo a e ordem analiticamente). Alusão Matemáticas (Astronomia. e (pedagógica fácil da matemática ciência pela ordem das coisas” raciocínio O que observa “É fácil dizer. espírito matemáticos. era Matemática verdade. O das Matemáticas: Aritmética) que interessa a e Mistas Descartes comum dessas ciências (a ordem e a ao passo que os Escolásticos desejavam grega. 29. posto a Em aos espírito tornado tê-lo-emos “A raciocínios alhures. assim que do é primeiro nem o que ponto mais é sempre o é e “simples” simples de vista mais simples não são “fácil” nós e.. toda 385).T..T. 28. pág. VI. rigorosos começar”. por simples o segundo psicológico. pág. 30. — acostuma o porque que raciocínios parte há sempre não uma conseqüência. Para resolver o que nós formulamos 15 denominador medida). Óptica). Música. VI. também que em forma de raciocinar” toda (A.Éà as questões e em que só constitui às proporções ou razões das coisas ser procuradas: o que por si referentes ordem o devem essencial de pura” (Reg. é o geometria escolástica (Geometria. divisão Puras . X. Vuillemin sinônimos. cit. pesquisa claridade Cf. o afeito uma e mesma texto: com Burman: a reconhecer Col. A.

pelo fato de não conferirem objetos senão as diversas proporções que neles que examinar valia mais proporções em geral nos suportes que seu conhecimento sem restringi-las suportes. particular. tão melhor. teria algumas considerá-las outras vezes compreender. considerá-las assim.concordar nesses todas. de forma mesmo nenhuma os outros todos objetos Depois. tendo notado conhecê-las. e somente a fácil. a que. para deveria cada somente várias melhor supô-las vezes qual em em reter. ou em 32. em a relações se encontram. porquanto não . para conjunto. de em linhas tais a que necessidade particular. pensei estas supondo-as servissem mais ou e de pensei que. conviessem. de apenas para me tornar o fim de poder aplicá-las seguida. 31.

meus sentidos e aos mas que. por esse meio. ou compreender.encontraria nada mais representar pudesse nem simples. e corrigiria todos os defeitos de uma pela minha imaginação 40 outra. [12] como. à 57 que | mais distintamente 33. começado e pelas constituindo cada quais que. para | reter. várias em conjunto. alguns signos. observação preceitos que eu de deslindar me escolhera todas essas meses que desses duas ciências três empreguei gerais. cumpria que eu as designasse por 34. E a exata efetivamente. simples verdade e mais que eu . tomaria de empréstimo o melhor da Análise geométrica e da Álgebra. os mais breves possíveis e que. nos em mais dizer que deu tal facilidade as questões às estendem tendo ouso poucos se dois ou examiná-las.

diz o texto latino. perto do fim. Trata-se. bem como a soma ou uma porque permite evitar o incomensurável. “Matemática “ciência como faz Descartes. como às vezes se pretende falsamente. com do a qual relativos discreta” método. em geral. Sobre a ser qual gênero (A. verdade. esta que requer apenas memória. muitas que julgava antes muito difíceis como me pareceu também. A linha reta é escolhida como figuração universal da grandeza porque ela é o suporte mais flexível para a teoria das proporções (pode representar um produto. da geometria “analítica”. um mathesis quociente.T. o de 156) método e foi esta interpenetração da quarta regra. universalis. que achava que impedia . não só consegui resolver 35. “Lineis rectis”. poderão X. nova inteiramente resolvidos os todos quantidade. e ou contínua fruto concebido problemas da do método. distinguir. Não se trata aqui. de modo algum. 3 1 “ciência de comum”. vistas mathesis pela Na ela. O fato de as letras algébricas representarem linhas e não números (e. primeiro portanto. e a que não é bebida nos livros”.uma regra que me servia em seguida para achar outras. matemática. uma raiz. a desconfiança de Descartes para com a aritmética) atesta diferença). também . 32. mas cf. Regulae.

ao Indispensável (a imaginação entendimento consideração em Matemática. 1620. Cf. figuras) não é. ainda o continuado da interseção mostra. Milhaud solução dos problemas graus por meio parábola. entretanto. a uma grandeza retilínea). dos gregos de todo cálculo figuradas por grandezas retilíneas por sua vez. regra catorze. do da em realismo que o colocando Leibniz Álgebra pela intuitivo resultado critique de Geometria”. A simplificação da Álgebra consiste em designar todas as grandezas por letras do alfabeto. ignorava. resolvê-las No que não vos 58 talvez muito vaidoso. mas quantidades corresponde.à o que Belaval a Descartes. em representar as potências pelas cifras escritas em expoentes (salvo para x2 que Descartes ainda escreve xx) e o equacionamento pela igualdade a zero. Descartes (por libertou-se exemplo. Milhaud Descartes. Regulae. senão 35. se | determinar. de um círculo a este propósito. Segundo uma das auxiliar. G. foi denomina. podia em da é Savant). (Descartes alusão e quarto e de uma o quanto dos sólidos do terceiro geometria 16 mesmo naquelas que por quais meios e até onde seria 36. possível parecerei até . 34. sobre a só pela 33. “limitação metade.

e que. quanto soma que examinava. Pois. que meu espírito se acostumava pouco a pouco a conceber mais nítida e distintamente seus objetos. pode estar certa de ter achado. e que. além disso. por exemplo. ao menos o melhor que eu pudesse. à uma que a encontrar sabe a seu respeito tanto quanto se pode saber. não o tendo submetido a considerardes cada havendo coisa. tudo o que o espírito humano poderia achar.verdade de que. todo somente aquele . ao praticá-lo. sentia. o que me contentava mais nesse método era o fato de que. por ele. o método que ensina a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procura contém tudo quanto dá certeza às regras da aritmética. estava seguro de usar em tudo minha razão. [13] Mas. uma criança instruída na aritmética. enfim. que haja realizado uma adição segundo as regras. se não perfeitamente.

pensei que seria mister. antes de tudo. sendo isso a coisa mais importante do mundo. Porém. na qual não encontrava ainda quaisquer que fossem certos. e onde a precipitação e a prevenção eram mais de recear. tanto desenraizando de meu espírito todas as más opiniões que nele acolhera até essa época como acumulando empreender 41 primeiramente de todas . tendo notado que os seus princípios deviam ser todos tomados Filosofia. e que. à particular. às fizera para tanto.qualquer mesmo das matéria aplicá-lo outras Álgebra. não devia empreender sua realização antes de atingir uma idade bem mais madura do que a dos vinte e três anos que eu então contava e antes de ter despendido muito tempo em preparar-me para isso. ciências Não prometia utilmente tão como o que. pois isso mesmo seria contrário ordem que ele prescreve. o exame a mim dificuldades com as da ousasse as | que se me apresentassem. procurar ali estabelecê-los.

x3 equação: segunda método para experiências. mas que é possível construir de maneira exata e por um movimento contínuo —. a2 tal médias este por definidas = y. procurar das solucionar abscissas. que “não pertencem de modo algum ao número das que penso que devem ser aqui recebidas onde são delimitados .muitas pela É em servirem de variável. introduzia ay. Tanto é que Descartes nunca se vangloriou da Geometria Analítica. mas antes o pois. . Para parábolas razões das ordenadas com as que Descartes sistematiza para terceiro e do quarto graus. Arquimedes que: ≠ x2 proporcionais problema. enfim os problemas para os quais as curvas só podem ser construídas por pontos discretos (as “transcendentes”). o que entre a e servia-se de duas uma significa b. problemas do livro II da Geometria. como a espiral ou quadratriz. tarde “Geometria aos gregos o lógico. Exemplo dessa determinação dos “limites”: a próprio conteúdo classificação dos desta análise. b. ponto de duas este as equações do partida do que Analítica”. seguida método será denominado Descartes analítico como não mais toma. 36. os problemas resolúveis com régua e compasso — com curvas mais complicadas. procedimento e seu gênio consiste mais em explorar os recursos de um processo já utilizado do que em “descobrir” este processo..

de ou prover-se de materiais e arquitetos. além disso. nem.porque as possa imaginamos e que separados descritas não têm medir exatamente” por dois entre si nenhuma movimentos relação que se (A. método firmar nele cada vez 59 [1] E a enfim. mas cumpre também ter-se provido de outra qualquer onde a gente possa alojar-se comodamente durante o tempo em que nela se trabalha. ou adestrar-se a si mesmo na arquitetura. a PARTE como não a casa reconstruir fim de mais. 390). para não 37 permanecer irresoluto em minhas ações. derrubá-la. 17 matéria aos meus sempre no me raciocínios.T. assim. exercitando-me que me prescrevera. ter traçado cuidadosamente o seu projeto. | TERCEIRA começar e basta. . VI. antes onde se mora.

moral formei provisória. porque eu as queria submeter todas a exame. Pois. apenas em três ou quatro 38. estava certo de que o melhor a fazer era seguir as dos mais sensatos.enquanto e juízos. entre os persas e chineses. homens tão sensatos como entre [2] A primeira . vos participar máximas que consistia que eu quero era obedecer às leis e aos costumes de meu país. em tudo o mais. mais a razão felizmente mesmo me obrigasse a sê-lo. segundo as opiniões mais moderadas e as mais distanciadas do excesso. em meus o para mim de não deixar de viver desde então de uma possível. E. começando desde então a não contar para nada com as minhas próprias opiniões. e governando-me. que fossem comumente acolhidas em prática pelos mais sensatos daqueles com os quais teria de viver. embora haja talvez. retendo constantemente a religião em que Deus me concedeu a graça de ser instruído desde a infância.

Col. cf. se qual E. adicionar não por estas . | crê pela com escrever dos pedantes Burman. há poucas pessoas que queiram dizer tudo o que acreditam. por sua vez. pela qual se crê uma coisa. a autor forçado. pois. para saber quais eram verdadeiramente as suas opiniões. Sobre Paixões. mas também porque muitos o ignoram. devia tomar nota mais daquilo que praticavam do que daquilo que diziam. a nela. sendo a ação do pensamento. Moral.T. na corrupção de nossos costumes. VI. não só porque. parecia-me que o mais útil seria pautar-me por aqueles entre os quais teria de viver. 1º de de de 1645. sobre a e gente A. e que. 552: mas “O viu-se desta espécie.nós. Cartas. setembro 38. se males. entre pior dos Elisabeth. outra irresolução 60. e como o a conhece uma amiúde 39. que diferente daquela 42 60 se | sem apresenta a 37. gosta de causa art.

fosse o outro o que deveria ter seguido. são e 40 verossimilmente as melhores. tudo isso”. ter em duvido não “eu em juízo o de de Deus. como também a fim de me desviar menos do verdadeiro caminho. pois todo excesso costuma ser mau. a e que. E. particularmente. tenha não me não sentem dela não Hyperaspistes. com o seu diferença deste que juízo. um Assim. tendo escolhido um dos extremos. conhecimento modo modo. que . agosto de 1641). ou absolutamente”. fé. que se trata dele um de método. do . cada implícita homens melhor.. caso eu que. colocava entre os falhasse. pelo de menos ver uma que (Cartas. no entanto. si esta apercebem e idéia.regras. Existe algum diriam sem religião. 18 várias opiniões apenas as sempre as igualmente mais moderadas: mais cômodas aceites. de outro homem sem quer derrubar 39. porque tanto para escolhia a prática. se entre um si a idéia surpreendo.

mas porque não via no mundo nada que permanecesse sempre no mesmo estado. ou quando eu cessasse quando de considerá-la [3] ser o tal. a própria liberdade Não que as leis que. algum desígnio que seja apenas indiferente. permitem. no meu caso particular. pensaria cometer grande falta contra o bom senso. e de modo algum torná. para a segurança do comércio. se. me sentisse na obrigação de tomá-la como boa ainda depois.excessos cerceia todas em as promessas pelas quais se 41.los piores. como prometia a mim mesmo aperfeiçoar cada vez mais os meus juízos. Minha mais firme segunda e o mais máxima resoluto consistia possível em em . e porque. que se façam votos ou contratos que obriguem a perseverar nele. ou mesmo. se alimenta algum bom propósito. quando deixasse talvez de sê-lo. pelo fato de ter aprovado então alguma coisa. para remediar a algo desaprovasse inconstância dos espíritos fracos.

ações. ora para outro. e mesmo. E. assim como as ações da vida não suportam às vezes qualquer delonga. por este meio. ao menos chegarão no fim a alguma parte. devemos seguir as mais prováveis. ainda que não floresta. é uma verdade muito certa que. e não mudá-lo por fracas razões. sempre que eu me 42. minhas constantemente as opiniões tivesse mais decidido viajantes e menos seguras duvidosas. não devem errar não volteando. quando não está em nosso poder o discernir as opiniões mais verdadeiras. em que se vendo-se seguir fossem muito extraviados nalguma ora para um lado. ainda que no começo só o acaso talvez haja determinado a sua escolha: pois. onde verossimilmente estarão melhor do que no meio de uma floresta. se não vão exatamente aonde desejam. 61 a tanto | Imitando nisso os do que. nem menos ainda deter-se num sítio. mas caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado. .

março teórica... A . esta outras ordem simples fracos”? para com Descartes fim menos julgamos da ordem prática. portanto.. às ações “. para a remédio Notar-se-á “o como religiosos. devemos. voluntarismo cego. opiniões consideramos aquelas Não regra mais segundo quando soubéssemos de mal-entendido. recobrará verossimilhança. na medida em que se relacionam com a prática. “inconstância excluída que 1638). principalmente esta “além Descartes precisa: as são as do que da Não que haver não melhores” se trata. valor na Não será 4 1 pergunta desprezo todas de as suas 42. aqui o sob engajamento” formas. A formulará agir os votos rebaixar dos como espíritos de evitar um de maneira regra . não obstante. constantemente duvidosas que XXX. de (A um relaciono vida que não .em umas notemos mais probabilidades que do em outras. decidir-nos por algumas e considerá-las depois não mais como duvidosas. mas como muito 40. encará-los Gilson.

depois de termos feito o melhor possível no tocante às coisas que nos são exteriores. e de antes modificar os meus desejos do que a ordem do mundo. e. porquanto a razão 43 que a isso nos decidiu | se apresenta como 43. desde então. libertar-me de todos os arrependimentos e remorsos que costumam agitar as consciências desses espíritos fracos e vacilantes que se deixam levar inconstantemente a praticar. de sorte que. em geral. como boas.à sofrem qualquer delonga e me sirvo dela apenas provisoriamente”. exceto os nossos pensamentos. 19 e muito certas. [4] Minha terceira máxima era a de procurar sempre antes vencer a mim próprio do que fortuna. a de acostumar-me a crer que nada há que esteja inteiramente em nosso poder. tal E isto me permitiu. as coisas que depois julgam más. tudo em que deixamos de verdadeiras .

E em relação só isso a nós. é certo que. assim. quando deles formos privados sem culpa nossa. não lamentaremos mais a falta daqueles que parecem dever-se ao nosso nascimento. para me tornar contente. do agora corpos de uma matéria tão pouco os diamantes. virtude. e que fazendo. estando não desejaremos doentes. impossível.nos sair bem é. de desejar algo que eu não pudesse adquirir. desejamos ter . da mais necessidade estar sãos. Pois. no futuro. inclinando-se a nossa vontade naturalmente a desejar só aquelas coisas que nosso entendimento lhe representa de alguma forma como possíveis. ou asas para corruptível quanto que ou livres. como se diz. se considerarmos todos os bens que se acham fora de nós 62 como igualmente afastados de nosso | poder. e. me absolutamente parecia suficiente para impedir-me. estar estando na prisão. do que lamentamos não possuir os reinos da China ou do México.

os quais. por . que tinham neste caso especial certa razão de se julgarem mais ricos. malgrado as dores e a pobreza. mais poderosos. Mas confesso que é preciso um longo exercício e uma meditação amiúde reiterada para nos acostumarmos a olhar por este ângulo todas as coisas. desses filósofos que puderam outrora subtrair-se ao império da fortuna e. que só isso bastava para impedi-los de sentir qualquer afecção por outras coisas.voar como as aves. e dispunham deles tão absolutamente. ocupando-se incessantemente em considerar os limites que lhes eram prescritos pela natureza. mais livres e mais felizes que quaisquer outros homens. não tendo esta filosofia. disputar felicidade aos seus deuses. persuadiram-se tão perfeitamente de que nada estava em seu poder além dos seus pensamentos. e creio que é principalmente nisso que consistia o segredo 44. Pois.

20 mais favorecidos pela fortuna. do T. e. e adiantar-me. empregar toda a minha vida em cultivar minha razão. quanto querem que jamais 45.* Filósofos: estóicos (N.43. Tudo se passa como se essas opiniões fossem e. o mais que pudesse. decidi . para procurar escolher a melhor. isto é. Eu sentira tão extremo [5] moral. Enfim. muito verdadeiras visto que não pudemos encontrar outras melhores. sem que pretenda dizer nada sobre as dos outros. para nós. no conhecimento da verdade. segundo o método que me prescrevera. elas o são efetivamente.). 44. sejam dispõem pela natureza assim de e tudo para a conclusão dessa passar em revista as diversas ocupações que os homens exercem nesta vida. pensei que o melhor a fazer seria continuar naquela mesma em que me achava.

quando fosse tempo e não saberia isentar-me de escrúpulos. e. Além do que. que não pudessem 44 | os que mais me satisfação outros inocentes. desde servir-me método. pareciam assaz ignoradas que a acreditava receber por dias. tendo Deus concedido a cada um de nós alguma luz para discernir o verdadeiro do falso. as três máximas precedentes não se baseavam senão no meu intuito de continuar a me instruir: pois. um só momento. se não esperasse não perder com enchia de tal mais não isso ocasião alguma de encontrar outras . descobrindo algumas todos verdades e importantes outros homens.contentamento. deste que. que tudo o me tocava. seu meio. ao segui-las. comumente a começara quando 63 | isso pelos me dava modo meu espírito. se não me propusesse empregar o meu próprio juízo em 46. doces. examiná-las. não julgaria dever contentar-me. nesta mais se nem vida. com as opiniões de outrem.

julgava estar seguro da aquisição de todos os verdadeiros bens que alguma vez viessem a estar em meu alcance. quando se está certo de que é assim. para adquirir todas as virtudes e. basta bem julgar. e julgar o melhor possível para proceder também da melhor 47. não nem estar contente. senão conforme o nosso entendimento lha represente como boa ou má. se não tivesse trilhado um caminho pelo qual. não se pode deixar de ficar contente. não se inclinando a nossa vontade a seguir ou fugir a qualquer coisa. caso as limitar meus à E. para bem proceder. enfim. e. tanto mais que. todos os outros bens que se possam adquirir. conjuntamente. que sempre foram as primeiras saberia os houvesse. pensando estar seguro da aquisição de todos os conhecimentos de que fosse capaz. com as verdades da fé. desejos. . [6] Depois de me ter assim assegurado destas máximas. e de as ter posto parte. maneira isto é.melhores.

E. quanto a julguei opiniões. em todos os nove anos seguintes. 21 esperava chegar ao melhor conversando por mais os dessa que no quarto aquecido onde me haviam ocorrido esses pensamentos. recomecei a viajar quando o inverno ainda não acabara. do a Elisabeth. 46. podia delas. Isto é: elas só se justificam como condições provisórias da busca da verdade. tempo do encerrado . daqui para ali. cf. não fiz outra coisa senão rolar pelo mundo. tarefa continuando com cabo homens. procurando ser mais 64 espectador do que ator em todas | as 48. acento na moral o livremente como E. comédias que nele se representam e.na crença. minha restante de tentar desfazer-me 45. A destino minhas respeito do regra desta que. e Cartas. estóico todo passagem da definitiva.

E. meu espírito todos os erros que se houvessem insinuado. e dar desenraizava. os céticos. Não que imitasse. podia nos em torná-la cada suspeita equivocarmos. todo o meu intuito tendia tão-somente a me certificar e remover a terra movediça e a areia. parece-me. procurando descobrir a falsidade ou a incerteza das proposições que examinava. mas por raciocínios claros e seguros. não por fracas conjeturas. tanto mais que. para tanto.particular efetuando sobre o ocasião que de reflexão. não deparava quaisquer tão duvidosas que delas não tirasse sempre alguma entrementes. matéria. como ao demolir uma velha casa. que duvidam apenas por duvidar e afetam ser sempre irresolutos: pois. quando mais 45 | não a de que não continha nada de certo. para encontrar a rocha ou a argila. até então conclusão do nele bastante certa. O que consegui muito bem. ao contrário. reservam-se comumente os escombros para fosse .

estabelecer ademais. que empregava particularmente em aplicá-lo nas dificuldades de Matemática. aparentemente. todos meus pensamentos segundo as suas como reservava. como vereis que procedi com 49. que são explicadas neste volume E várias assim. de forma 65 diferente daqueles que. método só tomava geralmente o os regras. de tempos em tempos. ou mesmo também em algumas outras que eu podia tornar quase semelhantes às das Matemáticas. não tendo | outro emprego senão passar uma vida doce e . algumas horas. separando-as de todos os princípios das outras ciências. me cuidado de a conduzir ao julgava e observações que me outras mais exercitar-me pois assim. que eu não achava bastante firmes.servir destruir mal à construção as todas fundadas. nova. adquiria depois minhas continuava que prescrevera. sem viver. diversas fazia muitas para outra de não serviram certas. no E. que opiniões experiências.

22 . 1 1de março de 1640. Cartas. e 178 e segs.inocente. compará-lo nos Estóicos (Cf. do no esforço para seguir sempre o que o me representa como melhor. procuram separar e que. do arco-íris etc. saberá efetivamente que toda a minha Física não é mais do que Geometria”. cf. a Mersenne.). estabelece que Descartes formulou a lei da refração por volta de 1626). Acerca do tema de 18 de maio ao tema do ator Stoïcien. págs. No idéias segundo. de 17 de maio de 1638. Goldschmidt. 48. As claras duas caso. — Sobre a concepção cartesiana da Física Matemática. por esclarecido não deveria entendimento cf. 150 . de 1645. Poder-se-á a Cartas. verdade equivalentes. do arco-íris) e na Dióptrica (G. juízo. 49. primeiro e o distintas estando fórmulas compele assegurada não entendimento a a são vontade. para gozar os prazeres dos seus lazeres de sem se 47. vícios. do eu espectador. envidar Elisabeth. bem como a de 27 de julho de 1638: “Pois se lhe apraz considerar o que escrevi do solo. Milhaud. da neve. Système e segs.. das nuvens. Deve referir-se aos problemas versados em Os Meteoros (explicação dos ventos.

não antes haviam levava-me não teria a logrado. [7] Todavia. mais talvez do livros os da ler freqüentar homens de letras. tendo alimentado precedentemente esse intento. ou começado a procurar os fundamentos de 50. deve ter sido por confessar neles mais . escoaram-se esses nove anos que eu tivesse tomado qualquer partido. dificuldades. imaginar talvez ousado parecia-me. se não soubesse de que alguns já faziam correr o rumor de que eu já o levara a termo. Não poderia dizer em que baseavam esta opinião. e. usam honestos. alguma Filosofia mais certa do que a vulgar E o exemplo de muitos espíritos excelsos que. com respeito às dificuldades que costumam ser disputadas entre os doutos.aborrecer. não desígnio e todos deixava de ou divertimentos de persistir que são em meu no conhecimento que se me limitasse a progredir verdade. empreendê-lo que tão cedo. tantas realizá-lo. se para isso contribuí com algo em meus discursos.

do que curioso dos assunto dos de outrem. e talvez também por mostrar as razões que tinha de duvidar de muitas coisas que os outros consideram certas. e 51. pensei que cumpria esforçar-me. a retirar-me para aqui para um país onde a longa duração da guerra levou a estabelecer tais ordens. dentre a multidão um grande povo muito ativo 46 e mais zeloso de seus pró. sem ingenuamente o que eu ignorava do .que costumam fazer aqueles que estudaram um pouco. por todos os meios. tendo o coração bastante altivo para não querer que me tomassem por alguém que eu não era. do que por me jactar de qualquer doutrina. e onde. Mas. que os exércitos nele mantidos parecem servir apenas para que os frutos da paz sejam gozados com tanto mais segurança.| prios negócios. para tornar-me digno da reputação que me atribuíam. e faz justamente oito anos que esse desejo me decidiu a afastar-me de todos os lugares em que pudesse ter conhecimentos.

em de 1628. vejo-me. De muito são não E. se os julgar bastante são alguma há mundo.carecer de existem nas viver das comodidades que mais freqüentadas. talvez. é necessário às vezes seguir . 23 costumes. que sei Não PARTE durará até escolástica. para a Suécia. das firmes. pude retirado como nos nenhuma cidades e tão solitário desertos mais remotos. Início que tão do fim fundamentos falar-vos se deva falar-vos que aí realizei. de todo que se possa de que escolhi forma. quanto gosto de delas. da estada a partida na no outono Holanda. A Filosofia 51. 1649. compelido observara a que. pois pouco comuns. 66 | QUARTA [1] primeiras tão meditações e metafísicas serão. aos 50. a todavia.

considerando que todos os mesmos pensamentos que temos quando despertos nos opiniões. mesmo no tocante às mais simples matérias de Geometria.que sabemos serem muito incertas. e cometem aí paralogismos. E. mas. rejeitei como falsas. julgando que estava sujeito a falhar como qualquer outro. como se fossem indubitáveis. tal . dúvida a fim de ver se. por desejar então ocupar-me somente com a pesquisa da verdade. Assim. E enfim. como já foi dito acima. todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. porque há homens que se equivocam ao raciocinar. não restaria algo em meu crédito. quis supor que não havia coisa alguma que fosse tal como eles nos fazem imaginar. que fosse inteiramente indubitável. porque os nossos sentidos nos enganam às vezes. e rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor 52. após isso. pensei que era necessário agir exatamente ao contrário.

e vendo que podia supor que não tinha corpo algum e que não havia qualquer mundo. e que. que pensava fosse alguma coisa. adverti que. extravagantes suposições de a dos céticos não que podia aceitá-la. cumpria necessariamente que 53. enquanto eu queria assim pensar que tudo era falso. notando que esta verdade: eu penso. caso. ou qualquer lugar onde eu existisse.podem sem que ocorrer também quando dormimos. [2] Depois. ao contrário. eu. pelo fato mesmo de seriam capazes nesse abalar. mas que nem por isso podia supor que não existia. como o primeiro princípio da Filosofia que procurava. logo em seguida. julguei . logo 54. Mas. que seja verdadeiro. 67 existo era tão firme e tão certa que | todas as mais haja nenhum. E. resolvi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais verdadeiras que as ilusões de meus sonhos. examinado com atenção o que eu era. sem escrúpulo.

embora tudo o mais que alguma vez imaginara fosse verdadeiro. Está. logo Cumpre sou”. O constatação que notar dúvida não do fato de não também Descartes importa que eu Cogito não é de Por que fato. 53. A conhecimento 54. 55. a alma pela qual sou o certamente portanto.eu pensar outras em coisas. compreendi por aí que eu era uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar. não necessita de nenhum lugar. dúvida só aquilo aquilo não de diz: de que “duvido. que eu duvido de existia. para ser. 52. e que. se ao passo apenas houvesse cessado de pensar. nem depende de qualquer coisa material. à duvidar seguia-se que eu da mui verdade evidente das e mui que. De sorte que esse eu. isto é. poderia duvidar de direito. mas como duvido. já não teria razão alguma de crer que 47 | eu tivesse existido. um raciocínio: então se emprega é uma aqui o . sujeito mas fato. como ato.

distinta de corpo do e. Respostas. que fosse. nas Descartes. como acabava de uma que eu sabia ser exatamente assim.. Mens parágrafo. 55. II. cit. declara op. . tendo notado que nada há no eu penso. ainda que este nada de ser tudo o que é. preferiu mens apenas o a Segundas anima no texto entendimento. 309). que é mais fácil ele. ela não deixaria considerei a uma do conhecer em proposição geral para o ser e certa. é inteiramente mesmo. que me assegure de que digo a verdade. e. [3] que é Depois necessário disso. pois.termo “logo”? “Descartes vez que raciocínio toda necessário da ligação dá ao Cogito o aspecto pôr em deseja que o mesmo o relevo um de caráter contém” (Gueroult. pensei que devia saber também em que 56. logo existo. consiste essa certeza E. que designa Descartes 24 que sou. exceto que vejo muito verdadeira encontrar 57. Neste latino.

da me era tão porque. por conseqüência. e conheci. onde a de não outras da terra. para pensar. que tinha como do pensamentos coisas duvidava. se que mim. não me parecesse podia crer que. e de de neles superiores mil outras. do difícil fora torná-los de mim. com evidência. tendo refletido sobre e que. pois via claramente que o conhecer é perfeição maior do que o duvidar. ser não era totalmente perfeito. é tomar por regra claramente julguei poder coisas que concebemos distintamente apenas quais são [4] todas são alguma Em mui em havendo notar bem distintamente. dificuldade as que que preciso geral mais fato luz. deliberei procurar de onde aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era. que devia ser de alguma natureza que aquilo de fosse aos eu meu que as e mui clara concebemos seguida. nada concernente No . vinham.que. existir 68 | verdadeiras. calor saber advertindo perfeita. muitas céu.

verdadeiros. e que mesmo tivesse em si todas as perfeições de que eu poderia ter alguma idéia. que pensamento. eu não podia tirá-la forma que tampouco de mim próprio. estabelece heterógena também substância a natureza puramente do corpo. fossem natureza. que eu os é. intelectual mas da . e. para explicar-me numa palavra. minha alguma na perfeição. visto que não há menos repugnância em que o mais perfeito seja uma conseqüência e uma dependência do menos perfeito do que em admitir que do nada procede alguma coisa. isto é. pois tirá-la do nada era manifestamente impossível. isto que à seriam dependências de em que esta possuía e se não o eram. que estavam em mim pelo medida eu possuía de falho. tinha do nada. Mas não podia acontecer o mesmo com a idéia de um ser mais perfeito do que o meu. De restava apenas que tivesse sido posta em mim por uma natureza que fosse verdadeiramente mais perfeita do que a minha.

sem o Cogito eu tampouco teria consciência deste adágio. Gueroult princípio “Para (op.alma. do qual | isso haver eu acrescentei outro algum dependesse e mais de quem 59..”. mostra 307-10) preciso ser” não é 25 58. Por que supor. como seria “Tudo o que pensa é”. à 56. Reflexão que conduzirá geral: o as sobre condições da certeza conhecimento encontrar do da certeza critério claro que eu encontrava verdade do Cogito em e distinto. que o a premissa maior de um raciocínio. pergunta Descartes. outras. “Sendo cada uma regra que me servia para determinação diz mais abaixo Descartes. se vos aprouver. em contrapartida. eu não era o único ser que existia (usarei aqui livremente. mas que devia fosse Deus A necessariamente perfeito. eu . cit. dado que conhecia algumas perfeições que não possuía.. Trata-se de um adágio sem o qual eu não teria consciência da ligação necessária entre Cogito e Sum. alguns termos da Escola). é II.. 48 que. mas. “que o conhecimento das proposições particulares deve sempre ser deduzido de universais”? 57. pensar.

pela mesma razão. todo-poderoso. e estava seguro de que nenhuma das que eram marcadas por alguma imperfeição existia nele. e enfim ter todas as perfeições que podia notar existirem em Deus. se era ou não perfeição possuí-las. de que tivesse recebido. Assim.tivesse recebido eu 69 | tudo o que possuía Pois. para conhecer a natureza de Deus. acerca de todas as coisas de que achava em mim qualquer idéia. se só e independente de qualquer outro. a tristeza e coisas semelhantes não podiam existir nele. de mim próprio. eu via que a dúvida. dado que eu próprio estimaria muito estar isento delas. tanto quanto a minha o era capaz. imutável. todo o restante que sabia faltar-me. Pois segundo os raciocínios que acabo de fazer. a inconstância. e ser assim eu próprio infinito. mas que todas as outras existiam. poderia receber de mim. eu tinha idéias fosse modo . onisciente. todo esse pouco pelo qual participava do Ser perfeito. Além disso. bastava considerar. eterno.

e que. Interrogação sobre a origem da idéia do perfeito . dependência é manifestamente um defeito julguei por aí que não podia ser uma perfeição em Deus o ser composto dessas duas naturezas. por conseguinte. que não fossem inteiramente perfeitos. ou então algumas inteligências. que as muitas tudo podia não coisas sensíveis supusesse embora existissem era pois.de e que estava quanto via e imaginava negar. e que falso. se haviam alguns corpos no mundo. contudo. sonhando inteligente que toda a composição testemunha dependência. 61. não a respeito em meu ter reconhecido em idéias verdadeiramente mas. ele não o era mas que. e que a 60. por já claramente que a natureza pensamento. só momento é distinta da corporal. seu ser deveria depender do poder de Deus. mim mui corporais. ou outras naturezas. de tal sorte que não pudessem subsistir sem ele um 62. considerando 58.

Santo tal que 26 . Composição umas em . quais as dele criação contínua: da descontínuo descontínuos.º esta em mim (em virtude 2.º que ela não pode estabelecido que há ex nihilo nihil gignit). tempo Evocação da radicalmente é depende do momentos pensamento precedente). 2. do princípio: vir de mim. ao passo que esta solução seria para as idéias que eu tenho das coisas externas. 62. doutrina de das ordem a) presente um o não desses e meu mundo Deus. não pode provir idéia Fica do nada que: “1. das dependência e em às relação partes. no efeito possível de outra natureza 1.. Para conceber a infinita perfeição cumpre atribuir-lhes todas as perfeições possuímos apenas fragmentos e excluir imperfeições que há em nós. Tese ligada Enquanto. 61. ser imperfeito (não pode haver mais realidade do que na causa). instituiu Deus. fora de mim. do todo partes.º as perfeições. Criador da idéia mim existente.º existência Donde: que todas contém 59. negação das formas Tomás. agora considerado como o meu no ser e não mais como o autor relação implica às outras. Deus é que me mantém de Deus em 60.à que em meu há espírito. das para coisas. b) o são conservados “Deus (o tempo em estado uma cada do no ser por substanciais.

depois disso. apesar disso. nada via que garantisse haver grande certeza. eu via muito bem que. geômetras. Pois. contínuo ou um espaço infinitamente extenso em comprimento. por exemplo. se funda apena s no fato de serem concebidas com evidência. divisível em diversas partes que podiam ter diferentes figuras e grandezas. segundo a regra que há pouco expressei. pois os geômetras supõem tudo isto em seu objeto. outras e tendo-me proposto o objeto dos que eu concebia como um corpo 63. simples que essa 49 | demonstrações. mas. largura e altura ou profundidade. notei também que nada havia nelas que me assegurasse a existência de seu objeto. percorria algumas de suas mais verdades. . tendo notado que todo o mundo lhes atribui. cumpria que seus três ângulos fossem iguais a dois retos. e ser movidas ou transpostas de todas as maneiras. supondo um triângulo. E.70 | [5] Quis procurar.

é o fato de nunca elevarem o espírito além das coisas sensíveis e de estarem de tal forma acostumados a nada considerar senão imaginando. a idéia que tinha de um Ser perfeito. ainda mais evidentemente. por conseguinte. verificava que a existência estava aí inclusa. mundo qualquer voltando a examinar quanto sê-lo-ia qualquer demonstração de Geometria.no triângulo. Ao passo que.lo. e 64 que. é pelo menos tão certo que Deus. que é uma forma de pensar 71 particular às | coisas materiais. que é esse Ser perfeito. da mesma forme como na de um triângulo está incluso serem seus três ângulos iguais a dois retos. e mesmo também em conhecer o que é sua alma. é ou existe. que tudo quanto não é imaginável lhes parece não ser [6] Mas . ou mesmo. ou na de uma esfera serem todas as suas partes igualmente distantes do seu centro. o que leva muitas pessoas a se persuadirem de que há dificuldade conhecê.

. da alma me parece que todos os que querem usar a imaginação para compreendê-las procedem do mesmo modo que se. corpo Um senão corpo partes de matéria 64. no ser ”. um instante secundariamente não haver fazer E conservadas nenhuma “virtude após”. sentidos de Deus idéias fato máxima.. essência da as comparável porque a de a Deus relações às é prova inclusão uma não sendo que separasse um corpo. haja E isto assaz é próprios filósofos estado nada no há que as por nos nas que 65. que absolutamente extensão. Descartes afirma por meio da qual eu possa com que eu. exceto com esta diferença ainda: que o sentido da vista não jamais estiveram. a priori: relação ainda citadas matemáticas ainda “. de os que escolas. é certo pelo manifesto terem e não onde. mais na necessária mais (ela simples é o duas do antes indemonstráveis). ela própria. da existência geométricas verdades pleno: extensão seria. quisessem servir-se dos olhos. entendimento primeiramente todavia. seja ainda. para ouvir os sons ou sentir os odores. 63.inteligível. Exposição evidente”. que sou agora. .

escolástico. com as razões que apresentei. . Pois. das quais se julgam talvez certificados. como a de terem um corpo. Adágio constitui de qualquer serventia. [7] Enfim. 27 nos garante menos a verdade de seus objetos do que os do olfato ou da audição. se o nosso entendimento não interviesse. ao passo que a nossa imaginação ou os nossos sentidos nunca poderiam assegurar-nos de qualquer coisa. e coisas semelhantes. quero que saibam que todas as outras coisas. haver astros e uma terra. são ainda menos certas.“Pelo menos possível da estar verdade tão seguro dos certo” teoremas inverso verdadeiro. Em Metafísica e na Matemática. matemáticos. se há ainda homens que não estejam bem persuadidos da existência de Deus e da alma. a imaginação não poderia se 65. Toda essa passagem um ataque ao excessivo papel concedido pelo aristotelismo e pelo tomismo “imaginação”. à significa da existência “mais certo”: é sem o estar não sendo o de Deus.

todavia. exceto sendo-se extravagante. quando adormecidos. ainda que os melhores espíritos estudem o caso tanto quanto lhes aprouver. o fato de se advertir que podemos do mesmo modo imaginar. Pois. de onde sabemos que os pensamentos que ocorrem em sonhos são mais falsos do que os outros. se não 72 pressupuserem a existência | de Deus. Pois. metafísica não se pode negar. que temos outro corpo. aquilo mesmo que há pouco embora moral. em primeiro lugar. .se possua dessas coisas uma certeza que é de tal ordem que. não creio que possam dar qualquer razão que seja suficiente para desfazer essa dúvida. quando se trata da certeza 66. que é motivo suficiente. se muitos não são amiúde menos vivos e nítidos? E. sem que na realidade assim o seja. a não ser que sejamos desarrazoados. parece impossível pô-la em dúvida. que vemos outros astros e outra terra. 50 para | não estarmos inteiramente seguros a respeito.

e é um ser perfeito. se temos muitas vezes outras que contêm falsidade. só podem por isso ser verdadeiras. E é evidente que não repugna menos admitir que a falsidade ou a imperfeição procedam de Deus. do que admitir que a verdade ou a perfeição procedam do nada. se não soubéssemos de modo algum que tudo quanto existe em nós de real e verdadeiro provém de um ser perfeito e infinito. Donde se segue que as nossas idéias ou noções. Ma. sendo coisas reais. porque nisso participam do nada. e porque tudo o que existe em nós nos vem dele. a concebemos mui clara coisas que mui distintamente são saber. isto é. são assim confusas em nós. e que as ser porque Deus é ou existe. não é certo senão . De sorte que. como tal. por claras e distintas que fossem nossas todas verdadeiras. só podem ser as que possuem algo de confuso e obscuro.tomei como regra. porque nós não somos de todo perfeitos. e provenientes de Deus em tudo em que são claras e distintas.

dado certeza dessa regra. a moral” (“quando metafísica que razão duvidar loucura segundo. após a prova da existência de um Deus e não enganador — portanto idéias claras e distintas). é que a regra da 67. sensíveis. perfeito garante das imutável 28 que o conhecimento de Deus e da alma nos tenha. é muito fácil compreender que os sonhos que imaginamos [8] quando Ora. assim. 66. assegurasse que serem verdadeiras qualquer possuem elas 67. dos acordados. não é do é que da leviandade delas. de modo verdade quando mesmo algum. Distinção entre “certeza vida e prática) de modo algum No primeiro julgamos”). duvidar que da temos acontecesse que. das coisas existência que a possível estar “seguro” no para a (suficiente pensamos seria nos perfeição de que coisa seja diferente plano. depois se não devem. dormindo. dormimos a levar-nos pensamentos Pois. Somente (logo. .teríamos não idéias.

nunca nos devemos deixar persuadir senão pela evidência de nossa 68. enfim. E. porque estas também podem nos enganar repetidas vezes. geômetra demonstração. inventasse a impediria de ser verdadeira. ou 51 de nossos sentidos. quer dormindo. que consiste em nos representarem diversos objetos tal como fazem nossos sentidos exteriores. quanto ao erro mais comum de nossos sonhos. razão E deve-se observar que digo de nossa razão e de modo algum de nossa imaginação. quer | estejamos em vigília.tivéssemos por alguma exemplo. Porque. ou quando os astros ou outros corpos fortemente afastados de nós se nos afiguram muito menores 73 do que são. sem que estejamos dormindo. não importa que ele nos dê ocasião de desconfiar da verdade de tais idéias. como sucede quando os que têm icterícia vêem tudo da cor amarela. embora | vejamos o sol mui claramente. Pois. idéia um muito distinta. o sono como. não devemos julgar por isso qualquer nova que deste não .

seja verdadeiro. por isso. da grandeza imaginar de que Deus. sem que devamos concluir. apenas.que ele e bem que o vemos. mas nos dita realmente que todas as nossas idéias ou noções devem ter algum seja. as houvesse distintamente verdade. verdade naquele deve que temos encontrar-se quando infalivelmente acordados. que posto pois todo é não seria e perfeito em nós sem isso. podemos fundamento possível verídico. mais do . ainda de que às vezes nossas imaginações sejam tanto ou mais vivas e expressas. ela nos dita também que. pois a razão não nos dita que tudo quanto vemos ou imaginamos. não podendo nossos pensamentos serem inteiramente verdadeiros. assim. E. porque não somos de tudo o que eles encerram de todo perfeitos. que no mundo há uma quimera. uma cabeça de leão enxertada no corpo de uma cabra. pelo fato de nossos raciocínios jamais serem tão evidentes nem tão completos durante o sono como durante a vigília.

abstenha a toda efeito. a dessas de cadeia creio e somente fim de deixar outras Mas. agora seria muitas os será diga.que em nossos sonhos. mais sábios quais elas julguem . de falasse muito Gostaria aqui desejo que eu me geral. Todos os argumentos possíveis do ceticismo são doravante varridos: não poderíamos ser sensíveis ao argumento do sonho. Agora só as idéias claras e distintas têm força constrangedora. 29 [1] mostrar que para deduzi tal os entre são. doutos. que os que. Antes disso. 68. gozam apenas de uma certeza subjetiva. Q UINTA PARTE ser colocadas como verdadeiras. por exemplo. indispor-me. verdadeiras só quando penso nelas efetivamente. a não ser que ainda concedêssemos nosso crédito às imagens sensíveis. que dado controvertidas quais não melhor em de verdades necessário questões com que e prosseguir de primeiras.

depois de refletir bastante sobre delas. . e de não 74 acolher | coisa alguma por verdadeira que não me parecesse mais clara e mais certa do que me haviam parecido anteriormente as demonstrações dos geômetras. existe ou se faz no mundo Depois. e das quais imprimiu tais noções em nossas almas que. exceto aquele de que acabo de me servir para demonstrar a existência de Deus e da alma. não poderíamos duvidar que não fossem exatamente observadas em tudo o que 69.se seria mais útil que o público particularmente fosse a esse informado. E. mas também que notei certas leis que Deus estabeleceu de tal modo na natureza. considerando a seqüência dessas leis. respeito Permanecia sempre firme na resolução que tomara de não supor qualquer outro princípio. ouso dizer que não só encontrei meio de me satisfazer em pouco tempo no tocante a todas as principais dificuldades que costumam ser tratadas na Filosofia. no entanto.

e. só as fazem aparecer tanto quanto se possa vê-las ao olhar aquela. tentei apenas expor bem amplamente o que concebia da luz. não num quadro plano todas as diversas faces de um corpo sólido. muitas importantes nele aqui. do não poderia que dizendo ele contém. do que tentei explicar as que certas considerações dado de verdades que tudo ou mesmo esperava então. depois. tudo o que das coisas natureza como os dá-las pintores que. até Mas. [2] principais me ter úteis num impedem a melhor 52 | tratado antes de julgava materiais. escolhem uma das principais. quanto tal 70. que colocam luz. publicar conhecer sumariamente. incluir escrevê-lo.parece-me mais quanto àà descoberto e mais aprendera aprender. temendo não poder pôr em meu discurso tudo o que tinha no pensamento. assim. Eu pretendia. o que saber Mas. no podendo representar igualmente bem . sombreando as outras.

são natureza” serão supremo no de dos no seu e “Descartes tão-somente leis lei as no regras... porque são ou coloridos. ou transparentes. e. as regras as “segundo princípio corpos. como de] Criação. sobre todos os corpos que há sobre a Terra. e Elas [critique pensam da que o sublinha et constituição do mundo” (pág. alguma a coisa o sobre e as estrelas fixas. efetuam quantidade do choque Belaval Descartes: na natureza as se constantes em comum com a têm legislador da leis inércia. porque a luz procede quase toda deles.seu acrescentar ensejo. etc. sobre os planetas. porque a refletem. sentido Leibniz Leibniz teológico razões. ou sol 69. quais conservação de nada determinista. em particular. As “leis da instituídas por Deus mudanças na matéria”: movimento. os cometas e a terra. faz contexto máximas reinar na 453). 30 . sobre os céus. porque a transmitem.

as leis 73 por natureza. resolvi-me mundo que homem. partes desta matéria. Também. se imaginários bastante matéria 72. agir segundo estabelecidas. para sombrear um 75 pouco todas essas | coisas e poder dizer mais livremente o que julgava a seu respeito. nem a seguir entre esse falar somente Deus a obrigado opiniões aceitas deixar o à porque é o seu espectador. que compusesse com e a num novo. compô-lo e se agitasse diversamente.sem ser e. descrevi . qualquer 71. primeiramente. brilhantes. e seguida. em prestar e ela para fazer e sem de tão crer. enfim. não fizesse outra coisa senão o seu concurso comum deixá-la um caos os poetas possam nos parte. a disputas. sobre todo criasse os do agora às suas aconteceria em as modo as diferentes confuso quanto que. ele Assim. ordem. espaços refutar doutos.

se 53 | qualquer tão natural não fosse pudesse disso. fiz ver outro nenhum infinitas demonstrar todas suscitar são qualquer fingir eram aquelas dúvida conhecimento almas ignorá-la as não Além 76 razões em não ser no 75. e a que de tal modo mais claro alma. parece-me. escolas. da apoiar de de | princípio. matéria nada há nem mais foi dito sobre Deus o que exceto inteligível. sem natureza.essa e procurei representá-la no mundo. que não existia nela nenhuma dessas formas ou qualidades acerca das se quais modo geral. pois pouco supus há mesmo. nas disputa a que pudessem e mostrar que elas . Deus procurei das minhas leis que 74. perfeições cujo às nossas quais nem. expressamente. coisa mesmo e.

do formação criado Tratado de Depois da Descartes do mundo. metodológico: a natureza tivéssemos de da noção “hipótese” da prudência (o o relato das Escrituras) é que me faz ver que “seria Deus que este não criasse o com toda a perfeição que suas sementes. 72. Paraíso. para ele inadmissível. A contrário mundo terá. art. valor qual foi se saem que não pode pensa. Aqui começa o resumo da formação de o seu situa “espaços desse que Luz deixara escolástica. 45). da matéria Galileu. não poderia indiquei 70. ter” pois. ou Mundo Ironicamente. como a maior parte deixassem devido Deus de do e das árvores como os suas mães que se filhos se e como tivéssemos . nos mundo muitos um só em que existir de condenação 634). Esta hipótese “Quão melhor de Adão examinado pouco a pouco no ventre plantas já ele tanto não “mito” (1 contradiz onipotência desde deveria Falsa Descartes. espaço não cheio se. O 71. formam as de o começo um conheceríamos do razão (Princípios. tais embora mundos. espaço e falsa por III. haver disso. publicar imaginários”. como matéria se reciprocam.àà que. tivesse ser observadas. processo revolutivo quanto por razão.

. III. governa sensível extensão. 132). embora saibamos que ele não foi somente do considerado mesmo produzido 73. extraordinário” “concurso qual Deus eram quais modo. La Philosophie torna deste) em com suas oposto é milagres): Física redução formas que. como nota um época. art.” (Prin. 45). se que sejam muito pudermos imaginar alguns princípios inteligíveis e muito simples. das corpo.àà os criou. em seqüência dessas leis. em geral. escolástica doutrina da é (isto é.. desta maneira O “concurso conserva o o alcance e distintas evacuação da das a entendimento. do as e claras A princípio operações inteiramente transparente ao as coisas já não têm “força interior elas se conservam no ser”.. os quais nos façam ver claramente que os astros e a terra.. ao ação pela torna idéias matéria substanciais cada a leis. extraordinário” mundo 74. entenderemos natureza Mas pág. (Citado por Bréhier. a natureza de todas as coisas existentes no mundo. interno (os da polêmico Deus qual é. 31 caos devia. Esta referência quando melhor . e enfim todo este mundo visível poderia ser produzido assim apenas de algumas sementes. pela qual teólogo et son da Passé.

à

dispor-se
e arranjar-se
de uma
certa
forma
que a torna semelhante
aos nossos
céus;
como, entretanto,
algumas
de
suas partes
deviam compor uma terra, alguns dos planetas e
cometas, e outras, um sol e estrelas fixas. E
neste ponto, estendendo-me
sobre o tema da
luz, expliquei bem longamente
qual era a que
se devia encontrar no sol e nas estrelas, e
como, a partir daí, atravessava num instante
76,
os imensos espaços dos céus
e como se
refletia
dos planetas
e dos cometas para a
terra.
Juntei
a isso também
várias
coisas
atinentes
substância, situação, movimentos
e

as

todas

astros;
respeito
nada

ou ao

várias
77

|

o

para

suficiente,

desses

que

sorte

se nota nos
menos

totalmente

estava

de

qualidades

deste

pensava

descrevendo.

ter

e

desses
dito

fazer compreender

que

que

não devesse,

parecer
mundo
que
a
falar

nos
Daí

a

pudesse,

mundo

não

semelhante

céus

do
vim

acerca

à

como,
embora
houvesse
expressamente
suposto
que
77
Deus não pusera peso algum
na matéria de
54
que ela era | composta, todas as suas partes
não deixavam
de tender
exatamente
para o
seu centro; como, havendo água e ar
sua
superfície,
a disposição dos céus
e dos
astros, principalmente da Lua, devia nela causar
um fluxo e refluxo, que fosse semelhante, em
todas as suas circunstâncias, ao que se observa
nos nossos mares; e além disso, certo curso, tanto
da água
como do ar, do levante para o poente,
tal como se observa também
entre os trópicos;
como as montanhas, os mares, as fontes e os
rios podiam naturalmente
formar-se
nela, e os
metais
aparecerem nas minas, e as plantas
crescerem nos campos, e em geral
particularmente

75. Sobretudo

a

imutabilidade,

da inércia

(que Descartes

parte

matéria,

estado,

da

enquanto

da

foi

o

terra:

essencial

primeiro

a

ao

princípio

enunciar: “Cada

em particular, continua no mesmo
o encontro com outras não a obrigue a

e ao

mudá-lo”)

princípio

76. A luz não é

ocorre no

instantânea

ação

as
do

raio

da

mais

luminoso
dependentes

instante

é

verdade

que

a

existindo”,

nosso

distante.

estado
é

I,

fora

um

coração das coisas

criadas,

Assim,

“Ao

o
a

próxima

as

que
ao

diferentes

embora

ela

conceito

por

Cassini

substituir,

dinâmico

o

de

continua
medida

e

do

Huyghens,

esta tese do instante

da luz destruirá
do tempo;

movimento”)
mais

enquanto

finito). A medição,

da velocidade

uma

é

consiste

não

umas
das
outras,
e
que exclui toda duração
apenas “uma maneira

coisa
55),

mas

contemporâneas,

são

“duração”

Prin.,

espírito

indivisível

um
uma

considerarmos

luz

sutil

matéria

espacialmente
de luz

da

força

de

movimento

(“Nenhum

II, art. 39),

duração de qualquer

partículas

mesmo tempo que a
partes

movimento

Princípios,
(“A

na

absolutamente
anima

um

instante”,

à

de conservação da quantidade

movimento.

com

como
no

efeito,

pelo estático

(esta

ao puro
geométrico”
(Gueroult, Descartes, I, 273). Cf. Cartas, a
Beeckmann, de 22 de agosto de 1634, onde é afirmada a
importância capital desta teoria: se ela for falsa, o mundo
poderá
conter vazio, matéria
e extensão deixam de se
reciprocar e a Física de Descartes se esboroará.
77. Entenda-se gravitas no sentido de “tendência
do
elemento a se dirigir para baixo”. A gravidade não é uma
qualidade última
do corpo e tampouco resulta da atração
do grave pela terra, mas de um empuxo do corpo pela
descoberta)

impossibilitava

redução do

físico

Descartes os compostos 78 corpos serem denominados nela et Galilée. como dessas cinzas. Sobre a a partir daí. vezes apenas calor sem luz e outras vezes. como se nutre. como funde uns e endurece outros. Mersenne. 32 mistos engendrados. sem calor como pode introduzir diversas cores em diversos corpos e diversas outras qualidades. como ele se faz. cf. para determinar que recebe o movimento dos corpos ao ar em que se movem”. E ou entre que após os astros nada conheço no mundo. Cartas. e a obra de Alexandre gira Descartes tem. a de junho de 1637. Koyré. como existe às 79. todos devido de 22 ao à redor da terra”. que produza a luz. apliquei-me a explicar bem claramente tudo o que pertence sua natureza. como os pode consumir a quase todos ou converter em cinzas e em fumo. já . La Loi de la Chute des Corps.“o que sutil “matéria que dificuldade retardamento pesados. luz 80. a não ser o fogo. só pela violência de sua outras coisas. e enfim.

com o tempo. que só por isso todas as coisas que são puramente materiais poderiam.la. não desejava inferir. essas parecendo-me em vidro essa tão admi- 78 | que se produza na prazer descrevê. Mas é certo. embora não lhe houvesse dado. Deus o tenha tomado tal como devia ser. que a ação pela qual ele agora qual o criou: de modo que.ação. lhe tenha prestado seu concurso. tendo estabelecido as leis da natureza. tornar-se tais 81. desde que. e é uma opinião comumente adotada entre os teólogos. para ela agir assim como costuma. desde o começo. de pois. sem prejudicar o milagre da criação. no começo. pode-se crer. como as vemos no presente E sua natureza é bem mais fácil de ser conceber. de todas que este mundo tivesse sido criado da forma como propunha. deu-me particular [3] Todavia. outra forma senão a do Caos. . quando as coisas. pois é bem mais verossímil que. cinzas nenhuma outra natureza. firma transmutação rável como o vidro.

corpos dos plantas. contava para isto falar é. e sem pôr nele. tanto na figura exterior de seus membros como na conformação interior de seus órgãos. em supor que Deus formasse o contentei-me corpo de um homem inteiramente semelhante a um dos nossos. passei dos do feitas. ainda suficiente deles no mesmo os demonstrando dos Mas.àà vemos nascer pouco a pouco que quando já as consideramos [4] Da e inanimados animais como e não do das resto. particularmente conhecimento que descrição desta maneira. no começo. nem qualquer outra coisa para servir-lhe de alma 55 vegeta-| tiva ou sensitiva. estilo efeitos causas. totalmente homens. senão que excitasse em seu coração um desses fogos sem luz que eu pelas de já . qualquer alma racional. sem compô-lo de outra matéria além da que eu descrevera. e mostrando de quais sementes e que maneira a natureza deve produzi-los.

Princípios. de matéria. e pelo combinações são três já não são ordens movimento de o de frio. 33 explicara. e que não concebia nenhuma outra a que aquece o feno quando o guardam antes de estar seco. encontrava exatamente todas as que podem estar em nós sem que o pensemos. como 79 já | foi dito mais acima. arts. essa parte distinta do corpo cuja natureza. 79. natureza. exceto . Pois. volume. o seco e o definidas pelo Cf. Exemplo: a 80. é apenas a de pensar. suas partes. 52-54. ou seja. podiam estar neste corpo. nem por conseguinte que a nossa alma. os pois elementos o quente. examinando as funções que. Exemplo: as cal viva. estrelas cadentes. cartesianos mas úmido. III. ou a que faz ferver os vinhos novos quando ficam a fermentar sobre o bagaço. Entenda-se: elementos. em virtude disso.os corpos que 78.

e que são todas as mesmas. são as únicas que nos pertencem enquanto homens. gostaria que todos os que não são versados em anatomia se dessem ao trabalho. sem que eu possa achar para isso qualquer daquelas razões que. esse corpo de uma certa maneira que descrevia [5] Mas. ao supor que Deus criara uma alma racional e que a juntara a 82. a partir dele. sendo dependentes do pensamento.para tal contribua. antes de ler isto. o que permite dizer que os animais sem razão se nos assemelham. de mandar cortar diante deles o coração de . para que se tenha menos dificuldade de entender o que vou dizer a esse respeito. ao passo que achava a todas em seguida. o qual. E. sendo o primeiro e o mais geral que se observa nos animais. permitirá julgar facilmente. a fim de que se possa ver de que modo eu tratava esta matéria. quero apresentar aqui a explicação do movimento do coração e das artérias. o que se deve pensar de todos os outros.

depois de sair dele. pois é em tudo semelhante ao do homem. se divide. Depois. a 81. a veia cava. “Sendo tomar estas sucessivamente considerarmos por leis a causa todas as ordem de que a formas todas de matéria que estas é deva capaz. em muitos ramos que vão espalhar-se por toda a parte nos pulmões. .à um grande animal que possua pulmões. da 80 mesma | forma. se formas. dois tubos que são tanto ou mais largos que os precedentes: a saber. 83. a que está no lado direito a que correspondem dois tubos muito largos: a saber. e que peçam para que se lhes mostrem as duas câmaras ou concavidades nele existentes. a qual. por se tratar efetivamente de uma artéria. e a veia arteriosa que foi assim impropriamente designada. ramos. tomando sua origem no coração. a que se está 85. Primeiramente. que é o principal receptáculo do sangue e como que o tronco da árvore da qual todas as outras veias do corpo são 84. no lado esquerdo qual correspondem.

art. presentemente de portanto. mas. maio de 1641). . nele. a alma é una e é a alma racional as faculdades que dão ao corpo vida e movimento.. uma porque veia. 82. o corpo humano nunca é uma máquina. imaginária chegar enfim. de enquanto se encontra III. foi não é vem dos ramos. racional” (A Regius. uma reconstituição antes animal-máquina. encontram-se também no homem. não devemos denominá-las almas . neste mundo” Trata-se. Na realidade. e que denominamos nas plantas e nos animais alma vegetativa e alma sensitiva. e que é preciso. 34 venosa artéria impropriamente outra coisa pulmões. que também designada.. Mas esta redução mostra que a única função da alma é o pensamento. 83. renunciar às noções escolásticas de alma sensitiva ou vegetativa. divide da veia em que vários arteriosa 87. A artéria direito. e com os .elas são de um gênero inteiramente diferente do da alma da inserção da alma. “No homem. senão se com os onde entrelaçados 86. pulmonar..poderemos. portanto. O ventrículo 84. 47). pois está sempre unido a uma alma. homem que àquela (Princípios.

entrada da veia arteriosa que. Gostaria também que lhes mostrassem 89. cuidadosamente as onze pequenas peles 56 que. abrem e fecham as quatro aberturas que há nessas duas concavidades: a saber. mas não ao que está nos 92 pulmões voltar para lá. que deixam fluir o sangue dos pulmões para a concavidade esquerda do coração.desse conduto chama gasnete por 88.| quenas portas. permitem realmente ao sangue que está nessa concavidade passar para os pulmões. e assim duas outras entrada da artéria venosa. àà onde e a grande artéria que. entrada da veia cava onde se acham de tal modo dispostas que não podem de maneira alguma impedir que o sangue nela contido corra para a concavidade direita do coração. como outras tantas pe. seus ramos por todo o corpo. lança 93. mas opõem-se ao seu entra o ar que se saindo da respiração. do coração. três 91. e todavia impedem exatamente que possa dali sair. três 90. estando dispostas bem ao contrário. .

retorno;

que

lhe

e

três

àà
entrada

permitem

sair

da

do

grande

artéria

coração,

mas

o seu retorno. E não há necessidade de
procurar outra razão para o número dessas peles,
senão a de que a abertura
da artéria
venosa,
sendo oval devido ao local onde fica, pode ser
comodamente
fechada
com duas, ao passo
que, as outras sendo redondas, três podem
melhor
fechá-las.
Demais,
gostaria
que lhes
fosse dado considerar
que a grande artéria e a
veia arteriosa
são de uma composição muito
mais dura e mais firme do que a artéria venosa
e a veia cava, e que as duas últimas se alargam
antes de entrar no coração, formando aí como
que duas bolsas, chamadas orelhas do coração,
que se compõem de uma carne semelhante
deste; e que há sempre mais calor no coração do
81
94,
que em qualquer outro lugar do | corpo
e,
enfim, que este calor é capaz de fazer que, se
uma gota de sangue entrar em suas
concavidades,
ela se infle prontamente
e se
impedem

como

dilate,
líquidos

em

procedem

os

quando

deixamos

geral
cair

todos

gota

os

a gota

vaso que esteja bem quente.
Isso porque, depois disso, nada mais
preciso
dizer
para explicar o movimento do
coração,
salvo
que,
quando
as
suas
concavidades
não estão cheias de sangue, este
nalgum

[6]

corre
85. O ventrículo

esquerdo.

86. As veias pulmonares.

87. A traquéia-artéria.

88. A aorta.
89. As válvulas.

.

90. A válvula
9 1

As

tricúspide.

válvulas

sigmóides

no

orifício

da

artéria

pulmonar.

92. A válvula

mitral.

93. As válvulas
94. “O calor
maior

do

sigmóides

que

que em

no

todo mundo

todas

orifício

da aorta.

reconhece

as outras partes

ser no
do

coração

corpo”,

diz

Descartes.

“Todo

mundo”,

isto

é,

a

medicina

tradição medieval.

à

grega e a

35

para
a
concavidade
direita, e da artéria
venosa para
a esquerda; já que esses dois vasos se acham
sempre cheios, e que suas aberturas, voltadas
para o coração, não podem então ser tapadas;
mas, tão logo tenham entrado assim duas gotas
de sangue,
uma em cada concavidade, estas
gotas, que só podem ser muito grossas, porque
as aberturas por onde penetram são muito
largas, e os vasos de onde provêm
muito cheios
de sangue, rarefazem-se
e dilatam-se por causa
do calor
que aí encontram; por esse meio,
fazendo
inflar
o coração todo, empurram e
fecham as cinco pequenas
portas que ficam
entrada dos dois vasos de onde vêm,
impedindo,
assim, que desça
mais sangue ao coração; e,
continuando
a rarefazer-se
cada
vez mais,
necessariamente

da

veia

cava

que entra assim no coração. . que vão de novo inflar o 57 coração e as artérias.à empurram e abrem as seis outras pequenas portas que ficam entrada dos dois outros vasos por onde saem. e que elas 95. por se resfriar o sangue que nelas entrou. daí resulta que o movimento dessas é contrário ao seu. passa por essas duas bolsas que se chamam suas orelhas. e suas seis pequenas portas se fecham e as cinco da veia cava e da artéria venosa reabrem-se. tal | como as precedentes. dando passagem a duas outras gotas de sangue. em seguida. a fim de que aqueles que não conhecem a força das 82 demonstrações | matemáticas. quase no mesmo instante que o coração. desinflam quando ele se infla De resto. se desinfla. como sucede também com essas artérias. fazendo inflar por esse meio todos os ramos da veia arteriosa e da grande artéria. E porque o sangue. incontinenti. o qual. e não estão acostumados a distinguir as razões verdadeiras 96.

da situação e da figura de seus contrapesos e rodas. e da natureza do sangue que se pode conhecer por experiência. Gilson. e como as artérias não se enchem demais. se se pergunta como o sangue das veias não se esgota. já que tudo quanto passa pelo coração para elas se dirige. como o de um relógio segue-se da força. e do calor que se pode sentir com os dedos. erro deste opondo é triplo: a) o Harvey a coração é Descartes. não necessito responder algo mais do que já foi escrito por um médico da Inglaterra. fluindo assim continuamente para o coração. quero adverti-los de que esse movimento que acabo de explicar segue-se tão das verossímeis fato necessariamente da simples dos disposição que se podem ver a olho nu no coração. um nota que o órgão passivo. [7] Mas. a quem é preciso dar o louvor de ter rompido o órgãos 95. b) a .não se aventurem a negar tal sem exame.

verá na hipótese da atração. Descartes faculdade movimento a explicação que. estritamente é Harvey. o quanto muitas no o vezes sentido em entendemos. um recurso às qualidades ofensa do diz Descartes Gilbert. a com a estar julga contratilidade) natureza se c) saborosa. constitui dogmatismo longe que o de ser ele. quanto por emitida parecer pode (a a mesma. 36 gelo neste ensinado passagens ponto. Passagem muito significativa. mais é pretende diástole mas que que imaginar cause este de conceber difícil explicar ao mecânica. que 96. por .causa é a e da dilatação fase ativa. fase passiva. mister “é por é verdade. para alguma da contração é a seu “claro sinônimo e do gênio distinto” verificar está rigor científico. visto que sua passo cuja que tudo Do mesmo Não modo. ocultas. meio do dela”. e a sístole. e de ser o primeiro a ter a existência de muitas pequenas nas extremidades das artérias.

de onde ele torna a dirigir-se para o coração. não impede no entanto que para aí sempre aflua novo sangue pelas artérias. acima do local onde abrem a veia. que já está no braço. ligando o braço sem apertá-lo muito. são menos fáceis de pressionar. podendo impedir que o sangue. retorne ao coração pelas veias. Pois é manifesto que o laço medianamente apertado. se eles o ligassem abaixo. ou então se o ligassem mui fortemente em cima. entre a mão e a abertura. e também 83 | porque o sangue procedente do coração onde entra . que. e porque suas peles. E isso ele prova muito bem pela experiência comum dos cirurgiões. sendo mais duras. fazem que o sangue saia dela com mais abundância do que se não o houvessem ligado. E aconteceria exatamente o contrário. de sorte que o seu curso não é mais do que uma circulação perpétua.o sangue que elas recebem do coração nos pequenos ramos das veias. porque estas se situam por baixo das veias.

E. pela experiência que mostra que todo o sangue existente no corpo pode dele sair em muito pouco tempo por uma única artéria. por onde possa vir das 97. de imaginar sorte que o . deve necessariamente haver algumas passagens abaixo do laço. de coração. quando secionada. na direção das extremidades do braço.com mais força a passar por elas para a que a voltar daí para o coração pelas veias. por certas pequenas peles. artérias Ele prova. muito bem o que diz sobre o fluxo do sangue. isto é. e. demais. que não lhe permitem passar do meio do corpo para as 58 extremidades. ainda mesmo que ela fosse tende mão do estreitamente ligada e secionada entre que não houvesse muito ele e a motivo perto do ligadura. como esse sangue sai do braço pela abertura que existe numa das veias. mas somente | retornar das extremidades para o coração. outrossim. as quais se acham de tal modo dispostas em diversos pontos ao longo das veias.

sangue que saísse proviesse de outro lugar. que só a sua descoberta 98. e [8] mais daí Mas quente nas há logo depois de sair isto é. a diferença que se nota entre o sangue que sai das veias e o que sai das artérias só pode proceder do fato de que. um pouco antes de nele entrar. quando nas veias. movimento do sangue é a que eu disse Assim. mostrar. E. agora. Resumo de de Harvey expressamente a ao do um coração. Cordis. artérias. isto é. primeiramente. é mais sutil e mais vivo. capítulo (1628). se se presta atenção. ao é do qual De Motu Descartes atribui sangue. da circulação do 37 . tendo-se rarefeito e como que destilado ao passar pelo coração. numerosas outras coisas que testemunham que a verdadeira causa desse 98. verifica-se que tal diferença só aparece realmente na direção do coração e de modo algum nos lugares que dele mais se quando 97. Descartes vai que o dele.

Depois. a e dureza das que a veia arteriosa a grande compõem. se se examina como esse calor se comunica aos outros membros. se não porque o sangue da artéria venosa. não cumpre confessar que é por meio do sangue concavidade fosse . mostra suficientemente sangue bate contra elas com mais 100. é mais sutil e rarefaz-se mais forte e mais facilmente do que aquele que vem 101? imediatamente da veia cava E o que podem os médicos adivinhar.distanciam 99. tateando o pulso. conforme o sangue muda de natureza. de que se o força do artéria a a que seriam e coração mais largas do direita e a veia arteriosa. pode ser rarefeito pelo calor do coração mais ou menos forte e mais ou menos rápido do que antes? E. que contra as veias E por que 84 concavidade esquerda grande artéria mais amplas a | do e peles. tendo estado apenas nos pulmões depois de passar pelo coração. se não sabem que.

não bastaria. antes de recair na concavidade esquerda. sem o que não poderia ser próprio para servir de alimento ao fogo aí 103. se se tira o sangue de alguma parte. enviasse continuamente novo sangue Depois. também se sabe daí que a verdadeira utilidade da respiração é trazer bastante ar fresco aos pulmões. se espesse e se converta de novo em sangue. que para aí vem da concavidade direita do coração. existente O que se conforma. se não lhes 102. como não basta. ainda que o coração fosse tão ardente quanto um ferro abrasado. todo desprovidos do que de pulmões tampouco uma só concavidade no e as crianças. nele se aquece e o corpo? Donde resulta que. visto que os daí passando se espalha animais têm 59 | coração. tira-se-lhe da mesma maneira o calor.que. e. para fazer com que o sangue. pelo por . onde foi rarefeito e como que transmudado em vapores. para aquecer os pés e as mãos. que não podem usá-los. mais coração.

o sangue venoso em sangue arterial (ignorava-se. 100. | se o coração não lhe enviasse calor pelas artérias. como. sangue e na aorta.encerradas no ventre de suas mães. respiração pulmonar). . possuem uma abertura por onde corre o sangue da veia cava para a concavidade esquerda do coração e um conduto por onde ele vem da veia arteriosa para a grande artéria. sem passar pelos pulmões. 101. o sangue na artéria a constituição dessas. ventrículo deve esquerdo. dilatar-se mais. Depois a cocção. arterial. deve ser só é explicável pelo calor do argumento: Segundo pulmonar dada Ora. isso coração. e com esse. alguns das mais fluidas partes do sangue. que ajudam a dissolver os alimentos que foram aí postos? E a ação que enquanto 99. maior do Terceiro que o no o sangue argumento: direito. como se faria ela no 85 estômago. transformar-se que argumento Primeiro explica essa contra Harvey: ele no coração. transformação decorre da não pode então.

aí explicar-se-á a função da respiração: no pulmão. o sangue que fora transformado. tendo passado demorou dilatar coração”. Por condensar. talvez mais de cem ou duzentas vezes por dia? E de que mais se necessita para explicar a nutrição e a produção 104. mas onde o sangue é há que alimenta este calor. 38 o converteu sangue. calor for no do Quarto argumento: corpo. destila. “retém mais facilidade em se e se reaquecer do que possuía antes de entrar no Com efeito. 102. onde se pouco tempo. ao rarefazer-se. passa do coração às extremidades das artérias leva algumas de suas partes a se deterem entre as dos membros onde se acham considera não será que ela este fácil se de conhecer. no em vapor de sangue. dos diversos humores que existem no corpo exceto dizer que a força com que o sangue. passando .apenas pelos pulmões. antes de retornar ao coração. de haurir se o não coração? 103. coração. suco desses alimentos em se se e repassando pelo coração.

enfim. o que há de mais notável em tudo isso é a geração dos espíritos animais. a se dirigirem mais ao cérebro do que a outras partes. dirige-se daí. são as mais próprias para compor tais espíritos. sendo as mais agitadas e as mais penetrantes. sendo diversamente perfurados. para os músculos.e a tomarem aí o lugar de algumas outras que elas expulsam. e 105. que são como um vento muito sutil. ou a figura. e que. subindo continuamente em grande abundância do coração ao cérebro. ou a pequenez dos poros que encontram. que as . conforme a situação. servem para separar diversos grãos uns dos outros? E. ou melhor. imprime movimento a todos os membros sem que seja preciso imaginar outra causa que leve as partes do sangue que. mas somente que as artérias. umas vão ter a certos lugares mais do que outras. da mesma forma como cada qual pode ter visto diversos crivos que. como uma chama muito pura e muito viva que. pelos nervos.

[9] Explicara assaz particularmente todas essas coisas no tratado que pretendi outrora 107. estando dentro. se remexem ainda. onde não existe espaço suficiente para todas. em seguida. e mordem a terra. as mais fracas e menos agitadas devem ser desviadas pelas mais fortes. são aquelas linha mais reta de todas. não levam em para aí. que por esse meio aí vão ter sós.que vêm do coração e que. pouco depois de decepadas. segundo as leis da Mecânica. que são as mesmas da 106. para fazer que os espíritos animais. tenham a força de mover seus membros: assim como se vê que as cabeças. tal 86 como as | partes do sangue que saem da concavidade esquerda do coração tendem para o cérebro. publicar E. mostrara nele qual deve ser a estrutura dos nervos e dos músculos do corpo humano. natureza quando várias coisas tendem a mover-se em conjunto para um mesmo lado. obstante não mais sejam animadas. quais .

Princípios. IV.. 60 luz. a urina. ao mecânico. que a orgânicas funções dos escolásticos.se mudanças devem no efetuar para como a cérebro. mecanicista circulantes sangue do significa . assimilação necessita de teoria a igualmente (partículas se mais permite eliminar 105. o sono e os sonhos. os sabores. 39 obj etos exteriores nele podem imprimir diversas . Acerca o suor. os sons. de que os A a a saliva.” as todas produção pelo influxo nervoso) 106. pelos “E A órgãos. o | e todas as outras qualidades dos 104. art. O Tratado do Homem. 107. os odores. “humores” mecânica explicação a designa “nutrição” calor dos há de “espíritos nos nervos e partir da dilatação do desta identificação do físico explicar animais” responsáveis sangue.. a são alma vegetativa materiais cf. causar a vigília. 203.

sem que a vontade os conduza. sem empregar nisso senão pouquíssimas peças. diversamente . a indústria dos homens | pode produzir. em comparação grande quantidade de ossos. sabendo quão diversos autômatos 87 ou máquinas móveis. fantasia 110. modificar e compor com elas outras novas. e pelo mesmo meio. que os ossos se possam mover. e as outras paixões interiores também podem lhe enviar as suas. movimentar os membros desse corpo de tão diversas maneiras. e pela pela memória. quer a propósito dos objetos que se apresentam a seus sentidos. O que não parecerá de modo algum estranho a 111. que que as conserva as pode 109. quem. quer das paixões interiores que estão nele. como a fome. músculos. tomado pelo senso comum onde essas idéias idéias a sede são acolhidas. nervos. o que deve ser nele 108. distribuindo os espíritos animais nos músculos.à por intermédio dos sentidos.

o primeiro é que nunca poderiam usar animal meio . ao passo que. tendo sido feita veias artérias. ordenada admiráveis ser de mãos melhor de assim.e todas as outras partes no corpo de cada animal. E detivera-me particularmente para mostrar que. Desses. se houvesse outras que apresentassem semelhança com os nossos corpos e imitassem tanto nossas ações quanto moralmente fosse possível. considerará esse corpo uma máquina que. ou de qualquer outro ponto. máquinas figura Deus. sem razão. teríamos sempre dois meios muito seguros para reconhecer que nem por isso seriam verdadeiros homens. se houvesse que tivessem os órgãos e a um macaco. não disporíamos de nenhum para reconhecer que elas não seriam em tudo da mesma natureza que esses animais. existentes pelas do inventadas [ 1 0] neste e que é incomparavelmente contém qualquer movimentos das mais que possam pelos homens.

que animais. traçam figuras que se reportam às de 1. Pois compondo-os. Cartas. para responder ao sentido de conceber modo tudo 108. abril de ao saírem cérebro 1640). 177: uma (distinta de os espíritos idéia sensível. I. Sobre explicação da memória corporal da memória intelectual. A. e até que profira algumas a propósito das ações corporais que causem qualquer mudança em seus órgãos: por exemplo. como nossos outros para fazemos sinais. se em outro. que pergunte o que se lhe quer dizer.T.nem palavras. impressão de da glândula pineal. que grite que lhe fazem mal. e coisas semelhantes. Tratado das Paixões. A sede do “senso comum” a é glândula pineal (cf. v. pensamentos. mas não que ela as arranje diversamente. aos declarar pode-se os outros muito bem que uma máquina seja feita de tal que profira palavras. 31-32). a XI. recebem cf. a 109.º Mersenne. se a tocam num ponto. a pág. na parte dos objetos. interior Por do meio . arts.

instrumento todas muitas do infalivelmente conhecimento. ou talvez nós. os Sobre que consiste as quando a lugar quais se memória”. 110. pelo circunstâncias. é pelas quais fizessem melhor um em tais seus se descobriria mas que em que somente ao passo universal. embora bem. março XXX. falhariam não que a na sua presença. ausência autômatos. de 1638. 40 se quanto disser podem fazer segundo é coisas tão qualquer algumas de outras. A que o 111 Cartas. que órgãos. E o os homens mais que. Pois. no cérebro imagens são aí de todo objeto. agem pela disposição razão pode servir como embrutecidos. de aos dos objetos a tornar podem ocupa o mesmo “fantasia” “senso sensíveis idéias cf. na suscitadas a E é nisso mas comum”.destas as figuras. de assim as órgãos espécies necessitam de de . que a presença “sem formar-se referem seja requerida. .

ao contrário. pois vemos que as pegas e os papagaios podem proferir palavras assim como nós. tal ocorrências que resulta que numa para fazê-la impossível faz agir 61 daí para particular disposição particular.alguma | diversas máquina da vida. animais Pois é uma e os notável esses a tão estúpidos. e de compô-las num discurso pelo qual façam entender seus pensamentos. e todavia não podem falar como nós. isto embrutecidos e dois diferença existente 113. que faça o mesmo. não exista outro animal. também homens conhecer meios. é cada ação moralmente existam bastante agir em todas as como a nossa razão nos 112. e que. que não sejam capazes de arranjar em conjunto diversas palavras. que não haja homens tão sem excetuar mesmo os insanos. 88 | pode-se [11] entre os coisa bem por Ora. E isso não acontece porque lhes faltem órgãos. por mais perfeito e felizmente engendrado que possa ser. .

ao que os homens que. assim como entre os de adestrar homens. disponha de lazer para aprender a sua língua. são desprovidos dos órgãos que servem aos outros para falar. tanto ou mais que os animais. que fossem os mais perfeitos de sua espécie. não é crível que um macaco ou um papagaio. mas que não possuem nenhuma razão. E isso não testemunha apenas que os animais possuem menos razão do que os homens. e que uns são mais fáceis que outros. não igualassem nisso uma criança das mais estúpidas ou pelo menos uma criança com o cérebro perturbado. é. se a sua alma não fosse de uma natureza inteiramente diferente da nossa. posto que se nota desigualdade entre os animais de uma mesma espécie. estando comumente com eles. costumam inventar eles próprios alguns sinais. tendo nascido surdos e mudos.que pensam o que dizem. Pois vemos que é preciso muito pouco para saber falar. testemunhando passo . pelos quais se fazem entender por quem. e.

124-160). 41 entendamos sua verdade. “A teoria dos 113. a porta ao materialismo. Para Descartes. . longe de abrir indispensável animais-máquinas existo’”. págs. O melhor do texto citado Newcastle. linguagem: têm poderiam muitos pois. nem pensar. Canguilhem. fazer-se por nós como por seus se fosse órgãos correlatos compreender semelhantes. É com os as palavras confundir naturais. do ‘Penso. é o corolário ao espiritualismo. comentário mais acima. além de de 1646. como antigos. logo (cf. que os animais falam. paixões assim alguns embora não 112.E se não deve movimentos as que testemunham e podem ser imitados pelas máquinas como pelos animais. a tese do animal-máquina. desta passagem a carta ao Marquês de 23 de novembro é. porquanto aos tanto nossos. escreve Connaissance é inseparável Canguilhem de la Vie.

com toda a nossa prudência. todavia. depois disso. [12] Eu descrevera. vê-se. que é composto apenas de rodas e molas. e que é a natureza que atua neles segundo a disposição de seus órgãos: assim como um relógio. como as outras coisas de que falara. mas. embora que demonstram mais indústria do que nós em algumas de suas 89 ações. a alma racional. assim também coisa existam muitos mui digna animais . expressamente ter sido e como não basta 62 que esteja | alojada no corpo humano.de nota que. pode contar as horas e medir o tempo mais justamente do que nós. mas que deve 114. pois. antes. por esse critério. e mostrara que ela não pode ser de modo algum tirada do poder da matéria. tê-lo-iam mais do que qualquer de nós e procederiam melhor em tudo. que não a | demonstram nem um pouco em muitas outras: de modo que aquilo que fazem melhor do que nós não prova que tenham espírito. que não o têm.

como um piloto em seu navio. nem a esperar. e assim compor um verdadeiro homem. após o erro dos que negam Deus. sabendo-se o quanto diferem. sentimentos e apetites semelhantes aos nossos. por conseguinte. mas que é preciso que esteja junta e unida estreitamente com ele para ter. como não . por conseguinte. e que. além disso. que penso haver refutado suficientemente mais acima. exceto talvez para mover seus membros. depois. ao passo que. não há outro que afaste mais os espíritos fracos do caminho reto da virtude do que imaginar que a alma dos animais seja da mesma natureza que a nossa. depois dessa vida. nada temos a temer. compreende-se muito mais as razões que provam que a nossa é de uma natureza inteiramente independente do corpo e. De resto. porque é dos mais importantes. não mais do que as moscas e as formigas. que não está de modo algum sujeita a morrer com ele. eu me alonguei um pouco aqui sobre o tema da alma. pois.

somos julgar por isso que ela é mesmo vai na trilha o movimento Ao do filósofo corpo no interesse da no interesse da religião. 42 . imortal 114. com respeito ao materialismo. tese A colocar a contrário. que requer um ato especial de pensa tê-lo estabelecido com mais pode não “substância” criação. contra os quais Descartes lutava (aliado ao Oratório). A alma uma clareza do 115. Em outro contexto. leva ser engendrada pela matéria.ÉÉ se vêem causas levados a outras naturalmente 115. eram menos materialistas. E Descartes que a Santo Tomás. necessário lembrar que os “libertinos”. a e a que uma alma em um aos pensamento atribui e corruptível mecanicista explicação cristianismo: que a destruam. funcionamento porém cerebral e animais mortal. que eles não negavam a existência da alma. na acepção atual. mas — ao atribuir uma alma aos animais — a sua imortalidade. do que os “naturalistas”. a teoria dos animais-máquinas não trabalhará mais em estabelece separação da alma Física substancialidade favor de da substancialidade imortalidade). da da do alma alma tenderá humana a (presunção reduzi-la ao (presunção de materialidade).

a fim de pô-lo em mãos de um impressor. publicada pouco antes por alguém. a quem respeito e cuja autoridade sobre minhas ações quase não é menor que minha própria razão sobre meus pensamentos. nem. que me impedisse de escrevê-la. antes de a censurarem.90 | SEXTA PARTE à agora três anos que chegara ao fim do tratado que contém todas essas coisas. que pudesse imaginar ser prejudicial religião ou ao Estado. haviam desaprovado uma opinião de Física. por conseguinte. alguma entre as minhas. quando soube que pessoas. na qual me tivesse enganado. do mesmo modo. e que começara a revê-lo. opinião que não quero dizer que a partilhasse. faz . se a razão mo houvesse persuadido. mas que nada reparara nela. não obstante o grande cuidado que sempre tomei em [1] Ora. e isso me fez recear que se encontrasse.

muito que pudesse qualquer a obrigar de das confiança. [2] Nunca vinham de recolhi outros a não algumas ciências fiz muito meu frutos ser que espírito. caso e. dificuldades especulativas. o mister de fazer livros. conhecê-las.quais e novas acolher não tivesse não de em para desvantagem bastou anteriormente. minha quais que sempre me movera a detestar me levou incontinenti a achar muitas outras para me escusar dela. a mudar publicá-las. nenhuma para me resolução que eu tomara embora as razões. fossem certas. coisas enquanto que não que me sirvo no tocante a que concernem às ou então que procurei do método fiquei das satisfeito de . muito Pois. 63 como talvez o pú. que não só tenho aqui algum interesse em dizê-las. E essas razões de uma parte e de outra são tais.| blico também o tenha em inclinação. pelas O que minha demonstrações escrever não resultar em pessoa. eu a adotara fortes.

e o quanto diferem dos princípios que foram utilizados até o presente. . além dos que Deus estabeleceu como soberanos dos povos. se fosse permitido a outros. em algo. cada qual segue de tal forma o seu próprio parecer que se poderia encontrar tantos 91 reformadores | quantas cabeças. no que toca aos costumes. e. Pois. tão logo adquiri algumas noções gerais relativas Física. pensei que os outros também tinham as suas que lhes agradariam talvez mais. tentar mudá-los. julguei que não podia mantê-las ocultas sem pecar grandemente contra a lei que ensinava.à regrar meus costumes pelas razões que ele me não me julguei obrigado a nada escrever a seu respeito. embora minhas especulações me aprouvessem muito. Mas. começando a comprová-las em diversas dificuldades 116. ou então aos que concedeu suficiente graça e zelo para serem profetas. e. particulares notei até onde podiam conduzir.

se pode encontrar uma outra prática. poderíamos empregá-los da mesma maneira em todos os usos para os quais são próprios. O que é de desejar. e assim nos tornar como que senhores e possuidores da natureza. o 117. nos à da 43 a procurar. dos astros. e que. no que depende de nós. dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam. em vez dessa Filosofia especulativa que se ensina nas escolas. do ar. conhecendo a força e as ações do fogo. os obriga bem geral de todos . pela qual. trata-se do problema I. que permitiriam gozar. os homens Pois elas me fizeram ver que é possível chegar a conhecimentos que sejam muito úteis vida. Segundo Gilson. não só para a invenção de uma infinidade de artifícios. da água. sem qualquer custo. tão distintamente como conhecemos os diversos misteres de nossos artífices.116.

mesmo 64 entre os que a profes.se da terra acham.| sam. em comparação com o que resta saber. quer do corpo. Medicina que se deve procurá-lo verdade que aquela que está agora em uso contém poucas coisas cuja utilidade seja tão notável. e talvez mesmo do enfraquecimento da velhice. mas e todas as É que nela para a conservação da saúde. se é possível encontrar algum meio que torne comumente os homens mais avisados e mais 92 hábeis do que foram até aqui. que é sem dúvida o primeiro bem e o fundamento de todos os outros bens desta vida. | creio que é na 118. pois mesmo o espírito depende tanto do temperamento e da disposição dos órgãos do corpo que. e que poderíamos livrar-nos de uma infinidade de moléstias. sem que alimente nenhum intuito de desprezá-la. se frutos comodidades principalmente também . mas. estou certo de que não há ninguém. quer do espírito. que não confesse que tudo quanto nela se sabe é quase nada.

se o seguirmos. ciência à conhecimento na que de o desígnio pesquisa tendo de encontrado.bastante tivéssemos causas e de nos natureza empregar toda os todos dotou. a Seu fim com esta interpretação . ou pela falta de experiências. científica. contra julguei que não havia melhor remédio esses dois impedimentos a não ser comunicar fielmente ao público todo o pouco que já tivesse descoberto. minha vida e tão necessária. afasta de portanto. a não ser que disso sejamos impedidos. “útil Comparar pronto toda constituir vida”. para as experiências que seria caminho 117. e convidar os bons espíritos a esforçarem-se por passar além. cada qual segundo sua inclinação e seu poder. contemplação. A fundação de não página reside — me suas de Filosofia uma na que prática só pode. a de uma um parece tal que se deve infalivelmente achá-la. contribuindo. ou pela curta duração da vida. a que remédios tendo Ora.

todas as comunicando coisas que outrossim aprendesse. e a de que conseqüências maneira a relata Cardeal conservação do esperança a o uma dos três tempo No Descartes. aplicasse a passagem — com as pensamentos tais restabelecimento diminuição M. de janeiro de filosofar saúde a poder e a outra a Acerca respeito.. cf.. 164). op. de jovem daí tiraria Medicina Vie cartesiano tronco a é alimentava a Medicina de que fala a da evolução de cit. Descartes Mecânica. cujo constituir o produziria Descartes infalíveis 1630. Medicina Física.espiritualista em que àà na Baillet. (A. a ao fim de .. ainda é um a baseada em em dos trabalhos dos homens” ramos Descartes a este de e Moral a da árvore Discurso. t. quais das com Juntamente . 44 preciso público e fazer. entrevista do Este Bérulle. II. a Mecânica. Gueroult. ter poderiam público pensamento do e “fez-lhe entrever se se e a e o alívio 118.T. I. que o utilidade da demonstrações Mersenne.

e que não poderíamos ignorar. no começo. juntando as vidas e acabado. e que as circunstâncias das quais dependem são quase sempre tão particulares e tão pequenas. de muitos. [3] experiências. quando se conhecem ainda as causas das mais comuns. é muito penoso | adverti-las Mas a ordem que guardei nisso foi a seguinte. necessárias quanto mais avançada . em vez de procurar as mais raras e complicadas: a razão disso é que essas mais raras nos enganam muitas vezes. mais vale servir-se apenas das que se apresentam por si mesmas aos nossos sentidos. Notara que mesmo. mais longe do que fôssemos poderia todos juntos ir cada um em particular. elas no são tocante tanto às mais a gente está no conhecimento.que os últimos houvessem os trabalhos muito começassem onde os precedentes e assim. Pois. que 93 119. contanto que lhes dediquemos o pouco que seja de reflexão.

examinei quais os primeiros e os mais ordinários efeitos que se podem deduzir dessas causas: e parece-me que. fogo. senão Deus só. de tudo quanto existe. por conseguinte. uma terra. sem nada considerar. ou pode existir. por aí. Depois disso. Depois. princípios. astros. as mais fáceis de conhecer. sobre a terra. encontrei céus. ar. ou procurei encontrar primeiras . minerais e algumas outras dessas coisas que são as mais comuns de todas e as mais simples. e mesmo. apresentaram-se-me tão diversas. de uma infinidade de outras que 65 poderiam nela existir. nem tirá-las de outra parte. exceto de certas sementes de verdades que existem naturalmente em nossas almas. e. que o criou. água. no mundo. para tal efeito. quando quis descer às que eram mais particulares.em geral os causas. se fosse | a vontade de Primeiramente. que não acreditei que fosse possível ao espírito humano distinguir as formas ou espécies de corpos que existem sobre a terra.

120. por conseqüência. sem dos curiosos As pelas experiências e do e expressamente deduzir” as natureza No experimental” Descartes necessário prefere na complicadas. espírito os objetos que alguma vez se aos meus sentidos. meu repassando 120. é de o o que portanto. O outra desprezo que lenda Descartes realizadas maravilhoso estádio. de encontro recorra a muitas Em decorrência particulares experiências disso. ouso dizer que não observei nenhum que não pudesse explicar assaz comodamente por meio dos princípios sobre todos ofereceram 119. nosso uso.ÉÉ aí Deus torná-las nem. caráter “instituídas preciso é no terceiro dedutivo desta . que se que com inútil o opõe menos fito verdade que experiências “método amantes do método. insistir das desconfia experiências (Gilson) experiências denunciar. particulares de sobre é inteiramente ao dos desconfia saber só aparecem. a não ser que se vá ao das causas pelos efeitos e que se colocá-las.

que quase não notei um 94 | único efeito particular que eu já não soubesse ser possível deduzi-lo daí de várias maneiras diferentes. dessas Pois. racional efetuar verdadeira causa possam todos os a feita das “fantasias” fácil de pretendo a este face é qual é ela no aspecto em Físicas. pertencem e a que que número” seja acolhida. Mas cumpre que eu confesse que o poder da natureza é tão amplo e tão vasto e que esses princípios são tão simples e tão gerais. separação: “É de certos efeitos claramente ser que falei efeitos de (A Morin. provar que alhures oferecem seja dedução contradiga não “suposição” a a Mas que suas da Escola. e que a minha maior dificuldade também é comumente maneiras o descobrir referido efeito de qual depende. 45 que achara.Física: que basta e experiência uma que para “consequentemente” Descartes insiste “hipóteses” Entre as suficiente para duas uma dar-lhes deduzidos. para . 13 de julho de 1638).

mas vejo também que são tais e em tão grande número que nem as minhas mãos. todos os que são de fato virtuosos.parece-me. muito bem qual o meio a que se deve recorrer para efetuar a maioria das que podem servir para esse efeito. outra De resto. nem a minha renda. de sorte que. estou agora num ponto em que vejo. isso é. bastariam para todas. se explicado de uma dessas maneiras e não de 121. ainda que eu tivesse mil vezes mais do que possuo. Fato que prometia a mim próprio tornar conhecido. procurar novamente algumas senão experiências .o de que sejam tais que seu resultado não seja o mesmo. pelo tratado que escrevera. avançarei mais ou menos no conhecimento da natureza. e não tanto. conforme tiver doravante a comodidade de fazê-las em maior ou menor número. não conheço outro expediente. e mostrar tão claramente a utilidade que daí podia advir ao público que obrigaria a todos os que desejam em geral o bem dos homens.

e proporcionar-lhes o mesmo cuidado que se quisesse mandar imprimi-las: quer para ter mais ocasião de bem examiná-las. se meus . [4] Mas fingimento. porque sem dúvida se olha sempre mais de perto o que se acha dever ser visto por muitos. tanto à nem somente por a comunicar. se é que disso sou capaz. | medida que fosse descobrindo sua verdade. pareceram-me falsas quando pretendi pô-las no papel. do que aquilo que se faz apenas para si próprio. e para que. sobrevieram.apenas por opinião. e. na verdade. outras razões que me levaram a mudar de opinião e pensar que devia.| deiras quando comecei a concebê-las. continuar escrevendo todas as coisas que julgasse de 66 alguma importância. quer para não perder nenhuma ocasião de beneficiar o público. as coisas que 95 me pareceram verda.me as que já tivessem feito como a me ajudar na pesquisa das que restam por fazer. desde então. amiúde.

a fim de que nem as objeções e as controvérsias a que estariam talvez sujeitos. sem outras”. pensa ter quanto papel quando produzir mundo. Segundo opiniões de produção da Física. o que . Princípios. 204 Matemática.escritos valem possuírem como for os que os morte possam usá-los alguma após a coisa. 121. ou por assim. algum consentir reputação. nem mesmo a de mais modo conveniente. seria “Eu expliquei podem aos que vemos no são produzidos aí pragmática: se as causas que efeitos dogmática a as modos vários Sobre com uma certeza semelhantes cosmologia poderia Física suficiente todos ela desempata plausíveis IV. Física Experimental. minha mas que não devia que fossem publicados durante a minha vida. crerei se um mesmo de dado as possível da experiência: são igualmente cf. arts. — os a validade 206: Descartes demonstrações tão rigorosas mas concede que que elas por elas entremostra. em sua da contentar-se ter feito forem tais que verifiquem me Esta informar o se ser uma efeito.

no que depende dele. começando a enriquecer. e que é bom omitir as coisas que trariam talvez algum proveito aos que vivem. quando é com o intuito de fazer outras que aproveitarão mais aos nossos vindouros. embora seja verdade que cada homem deve procurar.46 que ela fosse. o bem dos outros. quero que se saiba que o pouco que aprendi até agora não é quase nada. Pois. com efeito. pois acontece quase o mesmo aos que descobrem pouco a pouco a verdade nas ciências. todavia é verdade também que os nossos cuidados devem estender-se mais longe que o tempo presente. e que é propriamente nada valer o não ser útil a ninguém. que me pudessem granjear. têm qualquer . que àqueles que. e que não desespero de poder aprender. Porque. me dessem o menor ensejo de perder o tempo que desejo empregar em instruir-me. em comparação com o que ignoro.

é para verdadeiramente procurar vencer erros que nos batalhas e os impedem de chegar ao conhecimento da verdade. em pobres. realizar outras compará-los forças aos quando menores. proporção de Pois mais de suas muito costumam à grandes outrora. tiveram vitórias. chefes de crescer e que necessitam se manterem após a perda de uma batalha. quando já se têm princípios que sejam seguros. depois de vencê-la. habilidade. então que do se realizar pode cujas exército. Quanto a mim. para tomar cidades e províncias.menos mais Ou em dificuldade aquisições. em seguida. se deparei precedentemente com algumas verdades nas ciências (e espero que as todas as dar dificuldades . é preciso. muito mais destreza para voltar ao mesmo estado em que se encontrava antes do que para fazer grandes progressos. e é perder uma acolher qualquer falsa opinião no tocante a uma matéria um pouco geral e importante. do que possuem.

todavia. Mas creio estar tanto mais obrigado a poupar o tempo que me resta quanto maior a esperança de poder empregá-lo bem. se 67 publicasse os | fundamentos de minha 123. e que considero outras tantas batalhas em que tive a sorte a meu lado.coisas contidas neste volume 122 levarão a que que descobri algumas). posso dizer passam de conseqüências e dependências 96 de cinco ou seis dificuldades principais | que sobrepujei. Física Pois. muitas ocasiões de perdê-lo. Não temerei mesmo dizer que penso precisar ganhar apenas mais duas ou três semelhantes para levar inteiramente a cabo os meus desígnios. e não haja nenhum de que não pense poder dar demonstração. não possa ainda dispor de lazer suficiente para tal efeito. e teria. sem dúvida. segundo o curso ordinário da natureza. porque é impossível que julgar não . e que minha idade não é tão avançada que. embora sejam quase todos tão evidentes que basta entendê-los para os aceitar.

à 122. começando desde já a servir-se desse bem. Os “fundamentos serão publicados escolástica exercício muitas ensaios Tratado com e a procura todas homens. serão mais velados de linguagem. Isto é. eles me ajudassem também com suas invenções. desviado ea mas os doutrina as prevejo pelas de da verdade 47 diversas que oposições seria que engendrariam. Mas. estejam concordes opiniões dos vezes que seguem o outros Discurso. tanto para me fazerem conhecer as minhas faltas. como para que. como muitos podem ver melhor do que um homem só. do Mundo. se eu tivesse algo de bom. por esse meio. para que. A saber: 123. os outros poderem. e não me fio [5] Pode-se dizer . embora reconheça que sou extremamente sujeito a falhar. que essas oposições seriam úteis. da Física” ataques o os três nos Princípios. entendê-lo mais. e.

enquanto cada qual alguém . mas raramente aconteceu que alguém me objetasse algo que. todavia a experiência que tenho das objeções que me podem ser feitas impede-me de esperar delas qualquer proveito: pois muitas vezes já comprovei os juízos. tanto daqueles que eu tinha por meus amigos quanto de alguns outros a quem eu pensava ser indiferente. por meio das disputas que se praticam nas escolas. eu não houvesse previsto. de modo algum. ignorada pois. e mesmo também de alguns de quem eu sabia que a malignidade e a inveja se esforçariam bastante por revelar o que o afeto ocultaria a meus amigos. 97 | então descobrisse alguma verdade até 124. E jamais notei tampouco que. de sorte que quase nunca deparei com algum censor de minhas opiniões que não me parecesse ou menos rigoroso ou menos eqüitativo do que eu próprio. a não ser que fosse coisa muito distanciada de meu assunto.quase nunca nos primeiros pensamentos que me ocorrem.

tanto que tempo bons advogados seguida. quando se aprende de outrem. como quando a gente mesmo a inventa. hei de ser eu mais do que outro qualquer: não que não possam existir no mundo muitos espíritos incomparavelmente melhores que o meu. que. exercita-se bem mais em a verossimilhança do que em pesar as uma e de outra parte. mas porque não se poderia conceber tão bem uma coisa. [6] outros à em vencer. sem vaidade. se há alguém que seja capaz disso. longe muito isso são. que. O que é tão verdadeiro. e torná-la sua. nesta matéria. embora tenha muitas vezes explicado algumas coisas antes de aplicá-los . os de os meus ser muito levei juntar-lhes tão muitas ao uso. e aqueles que da que utilidade comunicação não poderia mais que também ainda não seja necessário não juízes. melhores Quanto colheriam pensamentos.se empenha fazer valer razões de foram durante nem por em grande. E penso poder afirmar.

que quase sempre as de tal sorte que não mais podia como minhas. visto serem os melhores espíritos de seu tempo. ótimo pareciam todavia. mas apenas julgo que nos foram mal relatados. E não me espantam de modo algum as extravagâncias que 68 se atri. cujos escritos não possuímos. mui entendê-las quando as mudavam confessá-las a eu pessoas lhes de falava. Nova oposição entre ê-lo-ão também. distintamente. por isso. nas coisas . notei 124. nem julgo. com simples maior razão. a disputa dialética.de minhas opiniões e. que estimo pedir jamais creiam aqui. muito vindouros. enquanto espírito. que os seus pensamentos tenham sido muito desarrazoados. Porque se vê propósito. se eu próprio não as tiver divulgado.| buem a todos esses antigos filósofos. de ac 48 aos nossos que lhes forem apresentadas como vindas de mim. A esse repetiam.

e que muitas vezes mesmo torna a descer. a maneira de filosofar é muito cômoda para aqueles que possuem tão-somente espíritos muito medíocres. 98 aqueles que. querem. isto é. Todavia.que quase nunca aconteceu que seus sectários os haja superado: e estou seguro de que os mais apaixonados dos que seguem agora Aristóteles crer-se-iam felizes se tivessem tanto conhecimento da natureza quanto ele o teve. pois a também algum de . a cujo respeito nada disse e nas quais nunca talvez pensou. que não tende a subir mais alto que as árvores que a sustentam. encontrar nele a solução de muitas dificuldades. depois de ter chegado ao seu topo. além disso. São como a hera. embora sob a condição de nunca o terem maior. pois me parece que também voltam a descer. tornam-se de certa forma menos sapientes do que se se abstivessem de estudar. | não contentes em saber tudo o que é inteligivelmente explicado no seu autor.

o fizesse vir ao fundo de uma adega escura. Nisso se me parecem semelhantes a um cego que. hão contentando-se de consegui-lo com a mais facilmente verossimilhança. e sustentar tudo o que dizem contra os mais sutis e os mais hábeis sem que haja meio de convencê-los. faria quase o mesmo. e posso dizer que esses têm interesse que eu me abstenha de publicar os princípios da filosofia de que me sirvo: pois.das distinções e dos princípios de que se servem é causa de que possam falar de todas as coisas tão atrevidamente como se as soubessem. para se bater sem desvantagem com alguém que vê. que . sendo muito simples e muito evidentes. que se abrisse algumas janelas e fizesse entrar a luz nessa mesma adega. publicando-os. se querem saber falar de todas as coisas e adquirir a reputação de obscuridade doutos. para onde desceram para se bater. Mas até mesmo os melhores espíritos não devem desejar conhecê-los: pois. como o são.

Visto que preferem o conhecimento de um pouco de verdade vaidade de parecerem nada ignorar. não precisam. e teriam muito não falta ainda mais que . por si próprios tudo o 125. é certo para descobrir é em si oculto do que aquilo que encontrar. obriga a confessar francamente que a gente as ignora. como sem dúvida é bem preferível. Pois. muito do custo à em todas que procurando a pouco a pouco em que só se descobre e que. que lhes diga nada mais do que já disse nesse discurso. e se pretendem seguir um intento semelhante ao meu. quando se trata de falar das outras. se são capazes de passar mais adiante do que eu fui.pode as ser sem encontrada espécies de matérias. ações do 49 método. examinado algo que o que me mais difícil e a pude precedentemente não penso tendo ter jamais ser por ordem. para isso. verdade. algumas. achado Tanto mais que.

no concernente às experiências que podem servir para isso. medida que me aplico a procurá-las. se há no mundo alguma obra que não possa ser tão bem acabada por nenhum outro exceto pelo mesmo que a começou.àÉ menos prazer em por si próprios. E. que. ensinado. por mim do que que. o hábito que primeiramente pouco a outras mais que poderiam persuadi-me desde do procurando passando mente. fáceis. a de a todas quanto tivessem as gradual- lhes servir-lhes Porque. e pelo menos jamais teria adquirido o hábito e a facilidade. um demonstrações procurei depois. se me juventude. é aquela em que trabalho. para sempre descobrir outras novas. verdades cujas 69 e se eu | não tivesse nenhuma dificuldade em aprendê-las. mais aprendê-lo além servirá todas a as mim. jamais saberia talvez algumas outras. que penso ter. [7] verdade que. difíceis. adquirirão. coisas pouco. numa palavra. 99 | e do minhas instruções. .

faria executar exatamente todas as coisas que ele lhes prescrevesse. quanto aos voluntários. E. único todas. que lhe custariam sempre algum tempo. homem mas não poderia não poderia bastar também . Pois. por curiosidade ou desejo de aprender. exceto as dos artífices ou pessoas tais a quem pudesse pagar. que. desejariam infalivelmente ser pagos pela explicação de algumas dificuldades. por pouco que perdesse. e a quem a esperança do ganho. na maioria.para as fazer empregar utilmente outras mãos que não as suas. além de comumente apresentarem mais promessas do que resultado e de não fazerem senão belas proposições de que nenhuma jamais logra êxito. que é um meio muito eficaz. ou ao menos por cumprimentos e conversas inúteis. são. o que aqueles que as chamam de segredos nunca o fariam. se oferecessem talvez para o ajudar. quanto às experiências já feitas pelos outros. ainda que quisessem lhas comunicar.

por todos os efetuaram conformes esforçaram-se com meios. não poderiam valer outra vez o tempo que teria de empregar a fim de escolhê-las. se estivesse no mundo alguém. os demais homens se esforçassem. se algumas houvessem que lhe servissem. 125. de quem se soubesse que seria seguramente capaz de encontrar as maiores coisas e as mais úteis possíveis ao público. Regulae: do O Discurso pode-se método mas não é. De modo que. não um equivalente como uma como um das exposição prefácio a aplicações do método. porquanto aqueles por torná-las seus princípios que. todas ou circunstâncias. seria além de muito que as ou que as tão mal explicadas. lhe verdade.compostas de ingredientes supérfluos. penoso tantas decifrar-lhes quase encontraria mesmo tão a que falsas. considerá-lo simplesmente pois. 50 . e a quem. por essa causa.

nem durante do qual minha se vida. de que eu não quisesse divulgar o tratado que tinha em mãos. de pensamentos alimente seus desígnios. [8] Todas causa. extraordinário. não tenho também a alma tão baixa. que queira aceitar de quem quer que seja qualquer favor. essas considerações juntas anos. e mesmo que adotasse a resolução de não foram elaborar que fosse há nenhum tão três outro. pudesse . geral.em auxiliar que vejo os custear necessitasse lhe na nas gastos e. tanto prometer fazer arrebatado fosse pessoa presumo realização de pudessem tão vãos. 100 | de de algo pela Mas. que o público se deva interessar muito com meus projetos. impedir alguma. mim de não de de que que seu lazer experiências importunidade além de que não que deseje nem me como os de de mesmo. que possa crer que eu não imaginar tenha merecido. por ele além mais resto.

ou | mesmo. nem usei muitas precauções para ficar desconhecido. tanto por crer que isso me faria mal. novo duas outras obrigaram a apresentar aqui particulares. e a prestar ao conta de minhas ações e de A primeira é que. se ouso dizê-lo. a deteste. na medida em que a julgo contrária ao repouso. alimentava alguns causas minha Física. Pois. que estimo acima de todas as coisas. muitos. se deixasse de que souberam da intenção que houve de anteriormente escritos. embora não ame a glória 70 em excesso. todavia nunca procurei esconder minhas ações como crimes. como por saber que me daria uma espécie de inquietação. eu ensaios alguma desígnios. que seria mais uma vez contrária ao perfeito repouso de espírito que mais desvantajosas do . que me Mas alguns público meus fazê-lo. pelas de fundamentos poderiam quais de mandar imprimir imaginar me abstivera para mim disso que as fossem que na realidade o são.conhecer os em seguida razões.

procuro. A outra razão que me obrigou a escrever este livro é que. todavia não quero faltar tanto a mim próprio que dê motivo aos que me sobreviverão para me censurar um dia de que eu certa conquistar fazer o podia máximo ter-lhes melhores tivesse do negligenciado compreender os meus deixado muitas que as que em que projetos. assim que. pensei que devia para me livrar ao menos de a ter má. vendo todos os dias mais e mais o retardamento que sofre o meu intento de me instruir. por causa de uma infinidade de experiências de que necessito. coisas deixei. o que me é impossível realizá-lo sem a ajuda de outrem. embora não me lisonjeie tanto a ponto de esperar que o público tome grande parte em meus interesses. demais poderiam se em não bem me fazê-los contribuir para . E visto o entre e o não sê-lo. conhecido de sempre tendo-me indiferente cuidado não pude mantido de ser evitar de reputação.

vendo em conjunto uma e outra. procure juntar-lhes ao mesmo tempo a minha resposta. não deixariam de mostrar 5 plicar”. mas estimaria muito que fossem examinados e. suplico a todos os que tiverem quaisquer objeções a fazer-lhes que se dêem ao trabalho de enviá-las ao meu livreiro. ciências. sem estarem controvérsias. eu não poderia dizer se fui quero predispor os juízos de ninguém.101 | escolher expostas obrigarem os meus [9] E algumas a a que me era fácil que. sendo advertido. nem me mais do que desejo sobre pensei matérias muitas declarar princípios. julgarão tanto mais facilmente a verdade. Pois prometo nunca lhes dar respostas longas. falando eu próprio dos meus escritos. E nisso bem sucedido e não . e por esse meio. para que. para que haja tanto mais ocasião. os leitores.

caso simplesmente o para a defesa das coisas sem acrescentar a explicação de qualquer nova matéria.mas somente confessar francamente. derradeiras que são demonstradas são as suas causas. chocam de início. no começo da Dióptrica e dos Meteoros. se as não consiga percebê-las. essas reciprocamente efeitos. que se tenha a paciência de ler o todo com atenção. primeiras o são que são seus que cometo que os lógicos chamam um como a experiência torna a pelas se falta pelas últimas. por eu as denominar suposições. e por parecer que não anseio prová-las. deve imaginar . como as julgar necessário escrevi. com E isso 126. a fim de não me enredar sem fim entre uma e outra. e espero que todos hão de se ver satisfeitos. [10] Se algumas daquelas de que falei. dizer ou faltas mui então. primeiras. círculo não a pois. Pois se me afigura que nelas as razões se seguem de tal modo que. que que minhas reconhecer.

Pois.maioria desses efeitos muito certos. e que depois me atribuíssem a culpa disso. não as desculpo de serem novas. são elas que são provadas por eles. quanto às opiniões que são totalmente minhas. as causas os deduzo não servem tanto para prová-los como servem para explicá-los. tanto mais que. 71 mas que expres. se se das quais . tão logo ele lhes diz apenas duas ou três palavras a respeito. não pudessem aproveitar a ocasião para erigir alguma Filosofia extravagante sobre o que acreditariam ser os meus princípios. e que 102 são tanto mais sujeitos a falhar. | e menos capazes da verdade quanto mais penetrantes e vivos são.| samente não o quis fazer para impedir que certos espíritos. E não as chamei suposições só para que se saiba que penso poder deduzi-las dessas primeiras verdades que expliquei mais acima. mas bem ao contrário. que imaginam saber num dia tudo o que um outro pensou em vinte anos.

52 delas. proferidas nem pelo que possam ter sido. por mas tão na . da acusação do “círculo diferença entre “provar” e “explicar”. Cartas. nem mas antes pelo fato de de não as ter terem sido jamais acolhido. E não me vanglorio também de ser o primeiro inventor de considerarem bem qualquer 126. [11] Se os artífices não puderem cedo executar a invenção que é explicada outrem. unicamente porque a razão mas fez aceitar. Cf. onde Descartes lógico” e se a Morin. estou certo de que serão julgadas tão simples e tão conformes ao senso comum que parecerão menos extraordinárias e menos estranhas do que quaisquer outras que se possa ter sobre os mesmos assuntos. defende estabelece a de 13 de julho de 1638.as suas razões.

que é o de meus preceptores.dizer. que é preciso destreza e hábito para fazer e ajustar as máquinas que descrevi. do que se alguém conseguisse aprender. a tocar o alaúde excelentemente. porque as explico em língua vulgar. E quanto aos que unem o bom senso ao estudo. que é língua de meu país. desde algum. sem que nelas falte qualquer circunstância. não Dióptrica. tenho certeza. não quero falar aqui. é porque espero que aqueles que se servem apenas de sua razão natural inteiramente pura julgarão melhor minhas opiniões do que aqueles que não acreditam senão nos livros antigos. tão parciais em favor do latim que recusem ouvir minhas razões. por isso. num dia. não me espantaria menos se eles as lograssem no primeiro lance. tão-só porque lhe foi fornecida uma boa tavolatura. E se escrevo em francês. [12] Além disso. . não creio que ela seja serão de modo má: que se possa pois. os únicos que desejo para meus juizes. e não em latim.

que. não poderá servir para me tornar notável no mundo. e que minha inclinação me afasta tanto de espécie qualquer 103 dos que de outros desígnios. sei muito bem. e ficarei sempre mais obrigado àqueles graças aos principalmente não poderiam . nem me comprometer em relação ao público com qualquer promessa que não tenha certeza de cumprir: mas direi unicamente que resolvi não empregar o tempo de vida que me resta em outra coisa exceto procurar adquirir algum conhecimento da natureza. mais seguras do que as adotadas até agora. mas tampouco tenho o qualquer desejo de sê-lo. ser úteis a uns | sem prejudicar a outros. faço aqui uma declaração que. que seja de tal ordem que dele se possam tirar normas para a Medicina. espero fazer dos progressos que no futuro nas ciências. Pelo que. não creio que fosse capaz de lograr êxito.em particular. se algumas circunstâncias me compelissem a dedicar-me a eles.

desfrutarei do oferecessem terra. que os sem o mais meu seria aos que me honrosos empregos da impedimento do .quais lazer.