You are on page 1of 7

Faculdade Santo Agostinho – FSA

Disciplina: Teorias e Técnicas Psicoterápicas nas
Abordagem Humanista e Fenomenológica
Professora: Ilana Arêa Leão Turma: 01T8A

RESENHA: GESTALT-TERAPIA: REVISITANDO AS NOSSAS
HISTÓRIAS

Teresina-PI
2014

GESTALT-TERAPIA: REVISITANDO AS NOSSAS HISTÓRIAS

SENHA CRÍTICA
O artigo Gestalt-Terapia: revisitando as nossas histórias, um artigo de Jean
Clark Juliano, traz um relato das origens históricas da Gestalt-Terapia e a sua
contribuição como psicoterapia no mundo e no Brasil.
No início do artigo há uma breve história de Laura Perls para a GestaltTerapia e de como ela desenvolveu seu próprio estilo dentro dessa abordagem. Uma
pessoa com muitas características, pois falava várias línguas, tocava piano, estudou
dança, escreveu poemas, sendo também muito comprometida com a tradição
intelectual e cultural de sua época. Seu interesse por psicologia se deu ao ter um
primeiro contato com Adhemar Gelb em um curso dado por ele, onde conheceu
Frederick Perls com quem casou-se em 1930 contra a vontade da família. Foi aluna
de Goldstein, Max Wertheimer, Paul Tilich e Martin Buber e por causa desse fato
exerceram uma grande influência sobre ela, sendo também que a sua tese de
doutorado foi em Psicologia da Gestalt. .
No transcorrer do artigo há o desenrolar da trajetória do casal na GestaltTerapia após a decepção sofrida com a psicanálise, pois ambos se identificavam
com essa abordagem desde o início de seus estudos em psicologia. Essa decepção
aconteceu em um Congresso Internacional de Psicanálise na Checoslováquia em
1936, onde após Frederick Perls ter realizado uma palestra nesse congresso, Freud
alegou que suas ideias eram inadequadas e por causa desse acontecimento ele
ficou muito decepcionado. Em consequência desse fato deram início ao afastamento
da psicanálise de Freud, em que culminou com a publicação de Ego, Hunger and
Agression, em Durban, África do Sul, em 1942 e na Inglaterra em 1947 com o
subtítulo “Uma revisão da teoria e método de Freud”, e em 1969, nos Estados
Unidos, com o subtítulo “O início da Gestalt-Terapia”. Esse livro foi o resultado da
reflexão do casal, sendo muito bem recebido por profissionais de renome.
Já em 1951, ocorreu a fundação do Instituto de Gestalt de Nova York por
iniciativa de Frederick, mesmo Laura não se interessando muito. Entretanto, o artigo
vai trazendo toda uma aproximação de Laura nesse instituto, pois ao perceber o
entusiasmo das pessoas que participam dele ia se contagiando com esse clima,

chegando mesmo a ter posteriormente uma parte significativa no instituto, se
tornado uma pessoa indispensável. Dessa forma, após a morte de Frederick foi que
realmente ela começou a tomar posse de seu papel de co-fundadora da GestaltTerapia e, com isso, numerosos autores começaram a se remeter às suas
contribuições práticas e teóricas.
O artigo aborda em seguida sobre a origem da Gestalt-terapia, procurando
mostrar que a mesma tem duas respostas, sendo bem divergentes e polêmicas, pois
para alguns o fundador é Frederick Perls e para outros há um grupo de fundadores,
o grupo dos sete, que era composto por vários profissionais. Não se tratava
entretanto, de uma divergência puramente histórica, mas sim de duas maneiras
diferentes de se pensar e praticar a Gestalt-Terapia. O grupo dos sete era
constituído por Frederick Perls, Laura Perls, Paul Goodman, Isadore From, Paul
Weisz, Elliot Shapiro e Sylvester Eastman.
À medida que o artigo transcorre o leitor vai penetrando suavemente nas
principais ideias da Gestalt-Terapia e com isso vai percebendo o quanto elas se
tornaram inovadoras dentro da psicologia. Perls enfatiza que a tarefa central da
terapia é ajudar as pessoas a se tornarem vivas interpretações de sua história e a
estarem atentas para a imediatez e simplicidade do agora, preocupando-se mais
com o como do que com o por que. E é interessante compreender aqui, como é
relatado no artigo, que na terapia se pode começar a partir de qualquer ponto e com
qualquer material disponível no momento que na verdade pode ser um sintoma, um
sonho, um suspiro, uma expressão facial, etc.
Dessa forma, a busca de uma solução terapêutica trabalhável no presente dá
à Gestalt-Terapia seu ímpeto para improvisar e experimentar, mais que explicar.
Ainda no artigo se enfatiza que Perls foi mais além, pois ele tornou possível para o
paciente em terapia, revisar todo o seu padrão de existência a partir da perspectiva
do agora. Entretanto, ele estava também muito interessado em criar técnicas cada
vez mais eficientes e espetaculares, integrando e transformando no seu estilo de
trabalho terapêutico, teorias e técnicas de todos os tipos, ocidentais e orientais. Em
consequência disso sofreu muitas críticas, pois julgavam que ele estava
transformando psicoterapia em teatro, confundindo workshops com terapia a longo
prazo, além também de estar encorajando a introjeção.
Perls bublicou alguns livros e entre eles está “Gestalt-Terapia”, considerado
como o nascimento da Gestalt, sendo esse termo utilizado aqui pela primeira vez.

Um outro livro importante, publicado em 1969, Perls já com 75 anos, foi “Gestaltterapia Explicada”, colocando na introdução a Oração da Gestalt que ficou muito
popularizada. Foi somente em 1972, após a sua morte que se começou a prestar
atenção e a recuperar a contribuição significativa de Laura Perls e de Paul
Goodman. Novamente o autor do artigo traz Laura como peça importantíssima no
desenvolvimento da Gestalt-Terapia.
Na segunda parte do artigo o autor irá fazer um panorama da Gestalt no
Brasil, iniciando pelos anos 60, onde todos estavam muito influenciados pelas ideias
de Carl Rogers e também pelas ideias libertárias que chegavam dos movimentos
europeus. A partir da década de 70, em plena Ditadura Militar,Thérese Tellegen e
outros profissionais trabalhando no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo preocuparam-se com problemas
referente à comunicação na interação entre as pessoas e com isso deram início ali
a trabalhos em grupos, em que eram formados grupos com professores, grupos com
alunos, para logo em seguida misturar os dois grupos a fim de integrá-los em uma
nova unidade. Essa preocupação em fazer com que os professores aprendessem a
se perceber melhor na interação com seus companheiros poderia levar depois a ter
uma comunicação mais efetiva com seus alunos.
A Gestalt-Terapia veio com uma nova proposta considerada uma revolução,
pois se percebe aqui uma vontade de quebrar modelos antigos de relacionamento
para se chegar a relacionamentos mais profundos e não se para por aí porque aos
poucos os profissionais eram solicitados a fazer esse mesmo trabalho em outras
clínicas.
Durante o decorrer do artigo se observa toda uma preocupação em se
reciclarem na Gestalt-Terapia, participando de workshops em, outros países e
Thérese foi uma das grandes iniciadoras para que isso ocorresse, publicando
Elementos de Psicologia Gestáltica”, no Boletim de Psicologia da Sociedade de
Psicologia de São Paulo, se constituindo portanto, a primeira publicação nacional. O
entusiasmo possibilitou a continuação dos workshops, os quais se constituíram em
experiências bem abrangentes, se percebendo também uma maturidade entre eles,
pois sentiam que precisavam passar por uma outra fase, a da aculturação, isto é,
deveriam tentar extrair do modelo importado aquilo que era compatível com o
modelo brasileiro, buscando um sentido para as intervenções terapêuticas.

O artigo traz a preocupação com a formação dos Gestalt terapeutas, pois
queriam se aprimorar sempre mais e com isso trabalhavam intensamente para
desenvolver estilos e habilidades específicas a cada um. Havia também o cuidado
no planejamento do curso de especialização que se tinha iniciado: Abordagem
Gestáltica em Psicoterapia, com 3 anos de duração, no Instituto Sedes Sapientiae.
O envolvimento de todos nesse progresso de formação e desenvolvimento da
Gestalt-Terapia é percebido no decorrer da leitura do artigo. Uma caminhada sempre
mais pautada no querer oferecer uma terapia que compreendesse o sujeito como
um ser global e único.
O crescimento da Gestalt-Terapia permitiu o seu ensino nas principais
faculdades de Psicologia do país e atualmente se conta com um vasto material
bibliográfico sem esquecer a publicação de duas revistar brasileiras, o Gestalt
Terapia Jornal e a Revista de Gestalt, como também há temas disponíveis de
mestrado e doutorado.
O artigo conclui com uma análise crítica do autor sobre a falta de disciplina de
todos em não registrar por escrito suas ideias, nem que fosse para alterá-las
posteriormente. Entretanto, percebe que hoje se tem condições de uma reflexão e
uma compreensão maior de suas experiências para passá-las adiante.
Portanto, o artigo foi bem objetivo e claro ao fazer todo o percurso histórico da
Gestalt-Terapia, ao mesmo tempo a leitura foi fascinante e enriquecedora,
possibilitando um aprofundamento e um conhecimento maior da mesma. Permitiu
também se ver um amadurecimento dos profissionais que queriam cada vez mais
melhorar nessa nova abordagem da Psicologia, reconhecendo os acertos e tecendo
críticas sobre eles mesmos.
Em 1981, Thérèse e outros colaboradores, funda o Centro de Estudos de
Gestalt de São Paulo, para solidificar a ideias sobre Gestalt e servi para essa
comunidade como referencia. Em São Paulo os participantes desse grupo se reuniu
com a finalidade de passar adiante, de forma mais organizada, essas ideias com
isso foi criado o curso de especialização Abordagem Gestáltica em Psicoterapia, de
3 anos de duração, no Instituto Sedes Sapientiae.
Diante dessa busca de novas ideias e conhecimentos, foi se ampliando e
surgindo outros grupos nacionais, que estavam se deparando com a mesma
realidade dessas questões, Começava a se esboçar grupos no Rio de Janeiro, em

Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
Espírito Santo e Goiás, alguns com Centro de Estudos organizados. Onde houve
uma reunião de pessoas de várias partes do Brasil no verão de 81.
Diante do exposto, às questões relacionadas com a Gestalt nessa
retrospectiva que se deu na década de 70 á 90 se fez com grandes marcos,
publicações e viagens internacionais, para solidificar e enriquecer as ideias acerca
da Gestalt, fazendo florescer em varias partes do mundo até os nosso dias atuais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JULIANO, J. C. “Gestalt-terapia: revisitando as nossas histórias”. Revista de
Gestalt, ano II, nº 2, 1992