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investigação preliminar

1. Polícia Judiciária
Inicialmente, é preciso analisar o conceito de polícia judiciária e de polícia investigativa.
A polícia judiciária é aquela que auxilia o poder judiciário no cumprimento
de suas ordens, ou seja, o órgão policial que presta auxílio ao poder judiciário.
Já a polícia investigativa é a que atua na apuração de infrações penais e de sua
autoria.
Ambas as situações são encontradas no art. 144 da CF:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento
de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos
públicos nas respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras

com exclusividade.448/02. Polícia Rodoviária. pois menciona que cabe à PF a apuração de outros crimes.às polícias civis. . mas lembre-se que estes crimes serão julgados pela justiça comum estadual. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. .a CF traz a previsão legal investigação. (. sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art.) § 4º .esta previsão está incumbida à polícia civil e à polícia federal.Direito Processual Penal IV . 1º. as funções de polícia judiciária da União. incumbem. 144 da Constituição Federal. A polícia federal.polícia judiciária. São exemplos a PM. . 144. Esta parte do dispositivo constitucional está regulamentada pela Lei 10.a Leis 10. pois o dispositivo menciona que à polícia civil incumbe duas funções: .apuração de infrações penais.compete à polícia federal os crimes relacionados no art.. b) Polícia Judiciária: . em seu art. determina que quando houver repercussão interestadual ou internacional que exija repressão uniforme. possui as mesmas atribuições da justiça federal. ressalvada a competência da União. das infrações penais mencionadas nos seus incisos.exercer. portanto.no §4º do mesmo artigo. Ferroviária e Marítima. poderá o Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça. exceto as militares. dentre outras. temos as atribuições de polícia judiciária e polícia investigativa das polícias civis. . em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados..446/02 traz alguns crimes que passam a ser de atribuição concorrente da polícia federal. dirigidas por delegados de polícia de carreira. . almejando evitar a ocorrência dos crimes. Conceito de Polícia Judiciária Observe os conceitos abaixo: a) Polícia Administrativa (ou Ostensiva): Tem o papel de prevenção. em um primeiro momento. Podemos. mas a própria Constituição amplia essa atribuição. 2. I. que. Neste parágrafo. resumir esta introdução ao tema nos seguintes termos: . proceder à investigação. conseguimos enxergar a distinção entre polícia judiciária e polícia investigativa.

IP é um procedimento administrativo preliminar. pois. materialidade e circunstâncias das infrações penais.830/13 – Estatuto do Delegado de Polícia). Esta lei ampliou a competência e as atribuições do Delegado de Polícia. 2º. com tratamento protocolar similar ao dos Juízes. Lembrar que a Polícia judiciária não pertence ao Poder Judiciário. que passa a ter sua carreira elevada ao mesmo patamar de carreira jurídica de Estado. 3º . 2º. devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados. Art.830/13). um braço do governo do Estado. Tipos de Investigação Vimos que a investigação é a busca da autoria. eventualmente. os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados. Assim. essas duas funções cabem à polícia civil.Direito Processual Penal Esta função é atribuída à Polícia Civil Estadual e à Polícia Civil Federal. pode-se dizer que cabe à Polícia Civil funcionar como auxiliar do Poder Judiciário e elaborar o IP (art. Defensores e Advogados (art. Percebe-se que o IP contribui para convencer o titular da Ação Penal quanto à deflagração ou não do processo. a) Inquérito Policial: Segundo Aury Lopes Jr. §1º. O IP é instrumento imparcial do Estado: é a ferramenta para . portanto. que tem o objetivo de apurar a autoria. 144 CF c/c art. mas de caráter judicial. por determinação constitucional.830/13). A polícia civil é. então. materialidade (existência do crime) e aferir as circunstâncias em que a infração foi praticada (art.O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito. Lei 12. 3. A investigação pode ocorrer de duas formas: inquérito policial ou termo circunstanciado. Lei 12. Lei 12. Com o advento da CF.830/13). Lei 12.. 2º. Compete à mesma Polícia Judiciária apurar a autoria. a Polícia Judiciária passou a ser gerida por Delegados concursados e bacharéis em Direito. § 2º. mas sim ao Poder Executivo. não há acusação na investigação: é preciso investigar para que. 3º. possa acusar. de caráter informativo e presidido pela autoridade policial (art. Podemos afirmar. Promotores. sendo o IP a principal ferramenta do Estado em uma investigação. tanto na esfera federal quanto na esfera estadual. que o IP é um procedimento administrativo. Assim. materialidade e circunstâncias do fato. e que tem por finalidade contribuir na formação da opinião delitiva do titular da Ação Penal. Não se trata de uma polícia militarizada.

sendo analisado em caráter de urgência (Lei 1001/00).099/95. parágrafo único. no Brasil. o auto de prisão em flagrante será substituído pelo TC. LC 35/79). e terá como finalidade apurar a ocorrência de infrações penais de natureza pública. instaurado e presidido pelo membro do Ministério Público com atribuição criminal. Hoje. Há ainda outros tipos de investigação. Tanto faz se cumulada ou não com multa e tanto faz se sujeitos (em virtude do crime) ou não a procedimento especial”. . 1º: O procedimento investigatório criminal é instrumento de natureza administrativa e inquisitorial.Direito Processual Penal buscar a autoria e as circunstâncias. o IP ainda alimenta uma finalidade acidental. . senão vejamos: .Ministério Público Havendo indício de que o membro do MP contribuiu para a infração penal. b) Termo Circunstanciado: O termo circunstanciado será usado para as infrações de menor potencial.Inquérito Parlamentar São elaborado pelas CPI’s. as investigações serão encaminhadas para a Procuradoria-Geral. da respectiva ação penal. já que não cabe à polícia judiciária promover o respectivo indiciamento (Lei Orgânica Nacional do MP).Magistrados Neste caso as investigações serão encaminhadas ao Tribunal ao qual o magistrado está vinculado (art. este inquérito será encaminhado ao MP. ou não.Investigação pelo Ministério Público (Resolução 13 do Conselho Nacional do Ministério Público): Art. Quando o caso se enquadrar nas hipóteses acima. 33. . fornecendo lastro indiciário (justa causa) para adoção de medidas cautelares ao longo da persecução penal. infração de menor potencial ofensivo “são todas as contravenções e crimes cuja pena máxima não seja superior a 2 anos. . Havendo indícios da ocorrência de delito. . Lembrar que o IP não pode ser base exclusiva para uma condenação. servindo como preparação e embasamento para o juízo de propositura. Para Aury. Este é o conceito da lei 9.Inquérito Militar Tem por objeto as infrações militares e serão presididos por um oficial da respectiva instituição militar.

) Parágrafo único .. no curso de investigação. remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento. o indiciamento destas autoridades e a evolução da investigação pressupõem autorização do tribunal onde elas usufruem da prerrogativa funcional (STF Inq. 2411). no IP não há contraditório.Demais autoridades com foro com prerrogativa de função: Para o STF. 2ª posição: a presidência da investigação compete ao Desembargador ou ao Ministro Relator no Tribunal onde a autoridade usufrui da prerrogativa de função e as diligências necessárias serão requisitadas à autoridade policial (usada apenas em casos notórios.. 3ª posição: para Paulo Rangel. em homenagem ao Sistema Acusatório e numa crítica à 2ª posição. civil ou militar. Características do Procedimento Investigativo e seus Princípios Norteadores Todos os instrumentos investigativos possuem características e princípios próprios. Vamos estudar os mais significativos: 1 . ex. a fim de que prossiga na investigação.” Alguns autores defendem a processualização dos procedimentos. Segundo Miguel Calmon. devemos aplicar o Princípio do Devido Processo Legal aos procedimentos investigativos e a sua respectiva carga axiológica (valorativo). 33 . . a autoridade policial.: Mensalão). 4. com isso permitiremos o contraditório e a ampla defesa na fase investigativa.Procedimento inquisitivo: o Inquérito Policial é dirigido com concentração de poder em autoridade única. provocando o Tribunal nas hipóteses de cláusula de reserva de jurisdição (prevalece no Brasil). importante a leitura da Súmula Vinculante 14: “É direito do defensor. portanto.Direito Processual Penal Art. e. que os norteiam. já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária. no interesse do representado. No que tange à ampla defesa. que provocará o Judiciário nas hipóteses de cláusula de reserva e requisitará à polícia as diligências necessárias. Uma vez promovida a autorização pelo Tribunal.São prerrogativas do magistrado: (.Quando. melhor seria que a presidência investigativa fosse promovida pela cúpula do MP. ter acesso amplo aos elementos de prova que. na dosagem . subsistem 3 posições quanto à real presidência da investigação a ser desenvolvida: 1ª posição: caberia ao Delegado conduzir a investigação criminal. digam respeito ao exercício do direito de defesa. houver indício da prática de crime por parte do magistrado.

Características do Procedimento Investigativo e seus Princípios Norteadores II 3. por analogia. cabe ao Delegado velar pelo sigilo (art. mas os artigos 6º e 7º do CPP. 14 CPP). 20 CPP). caberá Recurso Administrativo endereçado ao chefe de polícia. contudo. O IP não possui rito. além do art. atualmente. Esta posição. Esta é a posição majoritária. traduzida no reconhecimento de que o Delegado conduzirá a investigação da forma que entender mais eficiente. é o que ocorre no Inquérito para expulsão de estrangeiro (Lei 6815/80.830/13. elencam uma série de exigências que podem ou devem ser cumpridas pelo Delegado para melhor orquestrar a investigação. promotor e delegado. IX. não lhe sendo aplicável a publicidade ordinária.Procedimento discricionário: é a margem de conveniência e oportunidade. Ex. disciplinada pelo Dec. CPP) mesmo não havendo vínculo hierárquico. 2º da Lei 12.Procedimento sigiloso Segundo Norberto Avena. José Eduardo Cardoso. Aury Lopes e Min. II. o exame de Corpo de Delito quando a infração deixar vestígios (art. 86715/81). Os requerimentos apresentados pela vítima ou pelo suspeito podem ser deferidos ou indeferidos pelo Delegado. de forma não exaustiva. 158 CPP). Ressalve-se. Segundo Tourinho Filho. .Direito Processual Penal adequada para preservação dos direitos e garantias fundamentais. Não há que se falar em hierarquia entre juiz. as requisições manifestamente ilegais. defendida por Fredie Didier. o IP é conduzido de forma sigilosa em favor da sua eficiência. 2 . São exercício prático da atividade defensiva no Inquérito Policial a) Exercício exógeno: é aquele desenvolvido fora dos autos da investigação. Já as requisições emanadas do MP ou do juiz serão obrigatoriamente cumpridas por imposição normativa (art. Isto ocorre em virtude do Princípio da indisponibilidade da Ação Penal. 13. era o que ocorria no Inquérito Falimentar. Além disso. 5. que levará em conta a impertinência (art. até chegar à realidade do caso concreto. prevista no art. CF. é minoritária. do indeferimento das diligências obrigatórias. contudo. e. Havendo vontade pública nada impede que determinado IP comporte contraditório e ampla defesa. 93. b) Exercício endógeno: é aquele efetivado dentro dos autos da investigação. Ressalve-se. mas o que norteia a investigação é sempre a busca da verdade real.: utilização de HC almejando trancar Inquérito Policial. contudo. e não tem base legal.

ao presidir o IP. isto imprimirá uma maior fidedignidade ao IP. mesmo que remoto à liberdade de locomoção do indiciado. 405. porque não se tem a certeza da culpa no momento do inquérito. 4. 9º CPP). Ou seja: o advogado poderá ter acesso aos autos. os atos produzidos oralmente serão reduzidos a termo (art. . 6 . afinal a investigação é direcionada ao titular da ação. difuso). para que ele formule a opinião crítica e jurídica sobre o caso. Atualmente as novas ferramentas tecnológicas como captação de som e imagem. XIV. e de 30 dias. .Procedimento temporário Os procedimentos investigativos policiais possuem regência prazal no CPP (art. EOAB e na Súmula Vinculante 14 STF. como existe risco. pois não atinge o acesso aos autos do MP. se solto. CPP). Juiz. mas não às diligências que ainda não estão anexadas aos autos ou que irão ocorrer em momento futuro. é um sigilo frágil. Segundo Eugênio Pacceli.Procedimento escrito Prevalece que a investigação é dotada da forma documental. Este direito está previsto na Lei Orgânica da Defensoria Pública. Para o STJ. Importante: Este direito compreende o acesso aos autos e não dá margem de acesso às diligências futuras (direito retrospectivo). 10) ou na legislação especial. Defensor Público e Advogado. a imprensa). caberá Habeas Corpus profilático (o risco à liberdade é remoto. pelo fato do advogado não ter acesso aos autos. e até mesmo a estenotipia (técnica de resumo de palavras por símbolos) podem ser utilizados para documentar o IP (art. não emite juízo de valor. acidental. no art. 5 -Procedimento unidirecional O Delegado. temos o prazo regra de 10 dias para a finalização do IP. Os doutrinadores Luigi Ferrajoli e Fauzi Hassan fazem uma classificação do sigilo: . São ferramentas para combater o arbítrio por parte das autoridades que presidem a investigação o Mandado de Segurança. 7º. §1º. e. 10 do CPP.Sigilo interno: aplicado aos interessados. se o indiciado estiver preso.Sigilo externo: é aquele aplicado aos terceiros desinteressados (notadamente. por isso.Direito Processual Penal Não se pode expor o indivíduo à uma investigação pública. No art. a Reclamação Constitucional e o chamado HC Profilático.

por isso. já que os seus elementos foram colhidos sem contraditório ou ampla defesa (art. 155. Em situações excepcionais. tendo valor limitado e servindo de base para adoção de medidas cautelares e para deflagração do processo. o Delegado denegará a instauração do IP.Procedimento dispensável Para que o processo comece não é necessária a prévia elaboração de IP. o IP tem valor probatório relativo. Elementos Indiciários e Prova Elementos de Investigação: para Fauzi Hassan.Direito Processual Penal 7 . já que o lastro indiciário pode ser conseguido por outras fontes autônomas. 6. como a notória atipicidade do fato ou a inexistência do crime. Os elementos de investigação não são colhidos sob a égide do contraditório. é diferido (feito no momento em que o elemento é migrado do IP para a ação penal). e normalmente. porque o caso é claramente atípico. O contraditório. nestes casos. 8 . pois ele serve de base para deflagrar o processo. São colhidos durante a ação penal. já que toda investigação iniciada deve ser concluída e encaminhada à autoridade competente (art. podendo servir de base para eventual condenação. no transcorrer do processo. sob o manto do contraditório e da total ampla defesa. Vejamos cada um desses elementos: a) Provas Irrepetíveis: . Desta decisão caberá recurso inominado ao chefe de Polícia. mas não se presta sozinho a sustentar uma futura condenação. com respeito ao contraditório e à ampla defesa. e este ato comporta Recurso Administrativo ao chefe de polícia. os elementos de prova são colhidos de maneira dialética. Mas observe que nada impede que sejam concedidas cautelares baseadas e nos elementos de investigação.Procedimento indisponível Em nenhuma hipótese o Delegado poderá arquivar o IP. 155 faz a ressalva dos chamados elementos migratórios. têm valor limitado. É o denominado juízo negativo de admissibilidade: não haverá instauração do IP pela autoridade. os elementos de investigação são colhidos inquisitoriamente. isso não significa desistência da investigação. Para Tourinho Filho. 17 CPP). pois não podem servir para condenação. De todo modo. CPP). servindo de base para eventual sentença. O próprio art. que são aqueles extraídos do IP e levados ao processo. e. Estes sim podem servir de base para eventual condenação. Elementos de Prova: para Nicolas Malatesta.

Lei 12. Traz. A ele cabe conduzir o inquérito ou o termo circunstanciado. mesmo durante o IP.: bafômetro O próprio Delegado. que a autoridade policial é o delegado de polícia. das atribuições da polícia investigativa. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica.830/2013 dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia. Ex. ainda.Aspectos processuais A lei 12. Função Jurídica da Polícia Judiciária: Art. Trata. que tem como objetivo a apuração das circunstâncias. serão submetidos à ampla defesa e ao contraditório retardado ou postergado no tempo.: interceptação telefônica. b) Provas Cautelares: Elas se justificam pelo binômio necessidade e urgência. Este artigo determina que só cabe ao delegado exercer a função de polícia judiciária e a apuração das infrações penais.830/2013 .Direito Processual Penal São aquelas de iminente perecimento e que não tem como serem refeitas na fase processual. cabe ao delegado de polícia a requisição de perícia. na qualidade de autoridade policial. temos. determinará a sua produção. 7. Neste dispositivo. bem claro. 225 e 366 CPP). Serão autorizadas pelo juiz. essenciais e exclusivas de Estado.Quando estes elementos migram para o processo. informações. conceitua a autoridade policial e dando as atribuições dessa autoridade. c) Incidente de produção antecipada de provas: É instaurado perante o juiz e já conta com a intervenção das futuras partes do processo e com respeito ao contraditório e à ampla defesa (arts. documentos e dados que interessem à apuração dos fatos. as definições de polícia judiciária e de polícia investigativa. § 2º Durante a investigação criminal. por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que . Ex. as medidas cautelares. da materialidade e da autoria das infrações penais. § 4º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico. como regra. § 1º Ao delegado de polícia. de maneira bem direta. mediante despacho fundamentado. cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei. Normalmente.

Indiciamento O indiciamento tem previsão legal no CPP. na Lei 12. mas o momento exato depende do caso concreto. materialidade e suas circunstâncias. . Se o suspeito está preso cautelarmente. este é o melhor momento. que só poderá ser removido por motivo fundamentado. Trata-se de um respaldo para o delegado. mas somente nas hipóteses previstas neste dispositivo. o indiciamento deve ocorrer assim que possível. o indiciamento vem ocorrendo apenas no relatório do IP. não se fundamentando o motivo. privativo do delegado de polícia. diz-se que esta lei criou o princípio do delegado de polícia natural. E. e em outras tantas leis extravagantes. pois este é o momento em que o delegado conclui suas investigações. Em que pese a omissão do código. § 6º O indiciamento. § 6º.830. dar-se-á por ato fundamentado. indiciar nada mais é do que convergir a investigação em razão de determinada pessoa a quem se atribui um fato criminoso. Art. Lei 12830/13). da materialidade e das circunstâncias do crime (art. sairemos um juízo de mera possibilidade onde o status é de suspeito para outro mais robusto de probabilidade onde o status passa a ser de indiciado. que deverá indicar a autoria. o delegado que terá atribuição é o do local do fato. Não se pode mais avocar inquérito policial ao livre arbítrio do chefe. sendo que. Segundo Eugênio Pacelli. 3º O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito. não poderá o inquérito ser avocado a outra autoridade § 5º A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato fundamentado. o que não ocorria anteriormente à esta lei. se o indivíduo foi ouvido perante autoridade. Com o indiciamento. Segundo Aury Lopes Jr.. mediante análise técnico-jurídica do fato. 8. presume-se que esteja indiciado. os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados. Lembrar que. assim sendo. num verdadeiro juízo de verossimilhança. O indiciamento deve ocorrer durante a investigação. 2º. É necessário despacho motivado da autoridade policial que está presidindo o IP. em regra.. analisando a situação fática de onde se extrai os indícios de autoria. segundo Aury Lopes Jr. devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados. Por isso.Direito Processual Penal prejudique a eficácia da investigação. na prática.

tendo em vista que atualmente. normalmente ocasionado por um redirecionamento da investigação. CPP. ou seja. pois se o IP é dispensável. II. 2411). Poder Investigatório do Ministério Público Antes de iniciarmos o estudo do novo assunto. LC 35/79). cabe ao Delegado. como o art. b) Juízes: não poderão ser indiciados pela polícia judiciária (art. 2ª. Em analogia ao que ocorre com o artigo 319. para o inimputável por doença mental. redirecionar a investigação. §6º. O art. privativamente. a prática de outro delito. A necessidade de nomeação de curador subsiste. durante o processo. 17-D da Lei 9613/98 autoriza o afastamento do funcionário público que lava dinheiro desde que exista pertinência temática. Não se submetendo a requisições do MP ou do juiz neste sentido (art. descobrindo-se. nada impede que se instaure uma investigação incidental. que determinava a nomeação de curador ao “menor” sofreu revogação tácita. 9. desindiciamento é a retirada do status de indiciado. Por fim. VI. Importante observar que o art.Direito Processual Penal Observações importantes: quem já é réu no processo criminal não tem por que ser indiciado retroativamente por aquele mesmo fato. Lei 12. Algumas pessoas não podem ser indiciadas: a) Membros do MP: eles não poderão ser indiciados pela polícia judiciária (art. importa lembrar que desindiciar não significa desistir da investigação e sim readequar a estratégia. O indiciamento pode ser classificada das seguintes formas: Direito: é aquele efetivado com a presença do suspeito Indireto: é aquele patrocinado quando o suspeito está ausente. o indiciamento também é. por se tratar de uma medida cautelar é necessário ordem judicial motivada. 5º do CC/02 considera os maiores de 18 como absolutamente capazes. Atualmente. 33. Lei 8625/93). 15 do CPP. c) Demais autoridades com foro por prerrogativa funcional: não poderão sofrer investigação ou indiciamento sem prévia análise do tribunal onde usufrui do foro por prerrogativa de função (STF Inq. contudo. 41. O desindiciamento pode ser voluntário (promovido pela própria autoridade . Todavia. é necessário que ele se valha do cargo ou da função. promover o indiciamento durante o IP. e o consequente indiciamento por aquele novo fato. § ú.830/13). já que o afastamento não é uma decorrência automática do indiciamento.

entretanto a lacuna continua. Por fim. o promotor que investiga não é suspeito ou impedido de atuar na fase processual. que ele usufrui de todas as ferramentas necessárias para cumprir o seu papel. Resolução 13 do Conselho Nacional do Ministério Público Conforme vimos. existe a Resolução 13 do CNMP. podendo ocorrer durante o IP e até mesmo no relatório da investigação) ou coacto/obrigatório (obtido em razão da procedência do HC impetrado para trancar o IP). como a CF entregou ao MP expressamente o poder-dever de processar (art. ou seja. no âmbito do Ministério Público. pode o menos”. STJ Súmula nº 234 . ou seja. a instauração e tramitação do procedimento investigatório criminal. O CNMP editou a Resolução n. hoje uma base legal para a investigação direta pelo MP. dentro da jurisprudência do STF. o que poderá quebrar o equilíbrio.º 8. logo. o MP não pode presidir investigação criminal. implicitamente. Art. disciplinando. I. Ellen Gracie) Para o STF e para o STJ. normalmente ocasionado por um redirecionamento da investigação.º 13 para disciplinar o tema. Contudo. do STJ e da doutrina majoritária (Hugo Nigro Mazilli). não há.A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. 129.661 – Rel. que regulamenta o art. “quem pode o mais. é sinal. assim como não existe lei federal disciplinando os limites. Inquérito Ministerial (PIC – Procedimento Investigativo Criminal) Atualmente. Min.625/93. 26 da Lei n. o STF se valeu da Teoria dos Poderes Implícitos. O poder investigativo do MP não está expressamente contemplado na CF. Para Luis Flávio Borges D’Urso. CF). afinal representaria uma intolerável aglutinação de funções. desindiciamento é a retirada do status de indiciado. instaurado e presidido pelo membro do Ministério Público com atribuição criminal. pois a matéria deve ser disciplinada por Lei Federal. 1º O procedimento investigatório criminal é instrumento de natureza administrativa e inquisitorial. o MP poderá presidir investigação criminal que conviverá harmonicamente com o Inquérito Policial (STF HC 91. 8º da Lei Complementar 75/93 e o art.Direito Processual Penal policial. e terá como finalidade apurar a ocorrência de . 10.

o que demonstra que o MP procura fazer a investigação paralela. Da instauração do procedimento investigatório criminal far-se-á comunicação imediata e escrita ao Procurador-Geral da República. servindo como preparação e embasamento para o juízo de propositura. nada mais lógico do que autorizar que investigue a prática do delito”. no âmbito de suas atribuições criminais. Surge nesse ponto. por membro do Ministério Público. prorrogações sucessivas. a Constituição. Argumentos Favoráveis ao Poder Investigatório do MP a) “Se o MP é o destinatário final das investigações (dominus litis). O procedimento investigatório criminal não é condição de procedibilidade ou pressuposto processual para o ajuizamento de ação penal e não exclui a possibilidade de formalização de investigação por outros órgãos legitimados da Administração Pública. O que essa doutrina dos poderes implícitos vai dizer o seguinte: “Ao conceder uma atividade-fim a determinado órgão ou instituição. temos as diligências e providências que o membro do MP poderá tomar na condução da investigação. por decisão fundamentada do membro do Ministério Público responsável pela sua condução. da respectiva ação penal. ao tomar conhecimento de infração penal.Geral de Justiça. Esse precedente surge no caso McCulloch vs. nos termos da lei.Direito Processual Penal infrações penais de natureza pública. implícita e simultaneamente. ou mediante provocação. ou não. mas sem nunca excluir a atuação da polícia. A própria resolução também permite que o promotor que instaura o PIC requisitar a instauração de IP. No art. Procurador. art. por qualquer meio. 6º da resolução. O procedimento investigatório criminal poderá ser instaurado de ofício. salvo hipótese justificada de relevância e urgência e em casos de complementação de informações O procedimento investigatório criminal deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa) dias. De acordo com a CF. Procurador-Geral de Justiça Militar ou ao órgão a quem incumbir por delegação. Maryland. . 11. a contar do recebimento. ainda que informal. concede a ele todos os meios necessários para atingir aquele objetivo. Parágrafo único.” O raciocínio dessa teoria é quase que instantâneo. de 1819. por igual período. uma teoria que deve ser demonstrada: Doutrina ou teoria dos poderes implícitos. permitidas. O prazo mínimo para resposta às requisições do Ministério Público será de 10 (dez) dias úteis.

HC 93. e terá como finalidade apurar a ocorrência de infrações penais de natureza pública.” Como vimos. Quem presidiu a investigação foi o MP.893. § único. fornecendo elementos para o oferecimento ou não da denúncia. c) “Polícia judiciária não se confunde com polícia investigativa. Este é o instrumento que vai ser usado pelo MP.RHC 97926 – Informativo 757 – outubro/2014: Favorável ao Ministério Público investigar – 2ª Turma . .Súmula 234.” A polícia judiciária é a polícia que auxilia o Poder Judiciário. Mas depois desse recurso em HC. E se possui esse fim. do Conselho Nacional do MP. b) “O instrumento a ser utilizado para a investigação do MP: o PIC (Procedimento Investigatório Criminal)”. já podemos dizer que o MP pode investigar: Jurisprudência sobre o assunto . PIC “é o instrumento de natureza administrativa e inquisitorial. o Supremo manifestou-se contrariamente. deve ser dotado dos meios para atingir esse objetivo e os meios seriam exatamente os poderes de investigar.Direito Processual Penal 129. o STF considerou válido o oferecimento de denúncia com base em elementos colhidos pelo MP em um inquérito civil. instaurado e presidido por um órgão do MP com atribuição criminal. As funções de polícia judiciária são exclusivas. porém Joaquim Barbosa. do CPP.893 – “A atuação do MP na fase investigatória encontra fundamento na legislação infraconstitucional.224 e também o Recurso Extraordinário 464. por sua vez. nesse recurso extraordinário 464. I. envolvendo deputados com uma máfia relacionada com o Ministério da Saúde. surge o famoso Inquérito 1968. Isso é exclusividade. Nesse inquérito. porquanto o investigado seria titular de foro por prerrogativa de função e. é o art. que é categórico e. Polícia investigativa é quando investiga a prática de infrações penais. o PIC está regulamentado pela Resolução nº 13. mas sobre a investigação a Constituição não fala nada.RHC 81323 – Nesse Recurso Ordinário em HC. STJ: “A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia”. o titular da ação penal é o Ministério Público. no âmbito da União. o Ministro Marco Aurélio manifestou-se contrariamente. . da Polícia Federal. com base neste artigo. Eros Grau e Carlos Britto manifestaram-se favoravelmente à investigação pelo MP. que é a propositura da ação penal púbica. de 2003. 4º.” . Prova disso.

Atualmente.” Permitir que o MP colha toda a prova na fase preliminar. a matéria não tem previsão no CPP. mesmo sem amparo de investigador. Pela lei 12. mas é disciplinada no art.099/57 e no Decreto 50. seria criar um certo desequilíbrio entre acusação e defesa. sendo que a atuação é válida se não houver ofensa à garantias constitucionais e está desprovida de coercitividade. deve requisitar a instauração do IPL e as diligências investigatórias. Ou seja: não há. na Lei 3. portanto. cria-se um desequilíbrio entre a acusação e defesa. .532/61. levantando os seguintes elementos: . 13 do PL 156/09 (novo CPP).830/12. pois a partir do momento em que se autoriza que o MP investigue. tem poder requisitório. Permitir que o órgão acusador realize a investigação. 13. por si só. § 1º. a investigação é uma atuação imparcial do Estado.identificação e localização de eventuais testemunhas. O MP. . da CF)”.comprovação de excludentes de ilicitude ou de culpabilidade. 144. Este argumento é bastante utilizado pelo professor Luis Flávio D’Urso. havendo quebra da imparcialidade da investigação. a norma constitucional não possibilita que o MP presida o inquérito policial. Investigação Direta pelo MP e Investigação Defensiva Tendo em vista a tese de que a investigação pelo MP quebraria a imparcialidade da investigação. Trata-se do conjunto de diligências promovidas pelo advogado do suspeito na esperança de demonstração da inocência. b) “Para o Ministro Marco Aurélio. hoje.” O MP não tem atribuição para presidir.demonstração de eventuais vícios na investigação. mas não tem poder de realizar. ilegalidade em . Cabe ao MP requisitar diligências investigatórias e a instauração de um inquérito policial. c) “A atividade investigatória é exclusiva da polícia judiciária (art.Direito Processual Penal 12. Se ele quiser alguma investigação. IV. surge a tese do chamado Inquérito Defensivo. Nada impede que o advogado de defesa atua.comprovação de eventual álibi. a investigação. geraria perda da garantia da imparcialidade do momento investigatório. . Argumentos Contrários ao Poder Investigatório do Ministério Público a) “Atenta contra o sistema acusatório.

. nas comarcas onde não há departamento da Polícia Federal. estão dispensadas as precatórias entre Delegados. na Polícia. 14. Nas comarcas com mais de uma circunscrição. essa atribuição passa a ser exercida pela polícia estadual. Mas o desrespeito a esses critérios não gera nulidade do IP. já que a Polícia Federal. a investigação vem sendo promovida pela polícia estadual. O desrespeito aos critérios de atribuição é mera irregularidade e não impede que o MP se valha desse IP para oferecer denúncia. teremos Delegados especialistas no combate a determinado tipo de crime. especificando o seu âmbito de abrangência. por meio de Resolução. dá atribuição para a polícia federal de investigação de crimes federais. Os crimes eleitorais são especiais e de conotação federal. Ex. Investigação feita pela Polícia Judiciária Atribuição A atribuição investigativa da polícia judiciária é a determinação da margem de atuação da autoridade.Direito Processual Penal atos investigativos realizados pelo advogado. Pelo critério Material a atribuição da Polícia Civil está bifurcada. Circunscrição nada mais é do que a delimitação territorial da atuação do Delegado.894/13). a) Critério Territorial Por ele. nas localidades onde não exista polícia federal. O TST.: Delegacia de Homicídios. investigará os crimes federais. a atribuição é definida pela circunscrição da consumação do crime. b) Critério Material Por ele. materialmente. Contudo.446/02 recentemente alterada pela Lei 12. 144 CF autoriza que a PF investigue crimes estaduais que exigem retaliação uniforme por sua repercussão interestadual ou internacional remetendo a matéria à Lei Ordinária (Lei 10. Ou seja: existem critérios de atribuição de investigação. O art. todavia.

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