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Rio de Janeiro, 20 de abril de 2007

Trabalho de Saúde Coletiva II
Grupo: Alessandro Rafael Leal
Cristine Matos de Souza
Daniela Oliveira Gonçalves
Mario Junqueira
Ricardo Augusto Lutterbach Penna

HEPATITES VIRAIS

Sumário
Introdução ......................................................................................................................3
Hepatite A ..................................................................................................................3
Hepatite B ..................................................................................................................4
Hepatite C ..................................................................................................................5
Hepatite D ..................................................................................................................7
Hepatite E...................................................................................................................8
Objetivo..........................................................................................................................9
Metodologia ...................................................................................................................9
Discussões....................................................................................................................10
Conclusão.....................................................................................................................21
Bibliografia ..................................................................................................................23

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Com isso. explicando as formas de contagio e de prevenção. causada pelo vírus A (HAV) e também conhecida como “hepatite infecciosa”. é uma doença viral infecto-contagiosa. por meio do contato da mucosa da boca de uma pessoa com o ânus de outra portadora da infecção aguda da hepatite A. nível socioeconômico da população. assim como prevenir possíveis surtos e epidemias. temos que primeiramente conhecer a doença da qual estaremos fazendo o levantamento epidemiológico. O período de incubação varia de 15 a 50 dias. poderemos tomar medidas que visem a diminuir essa incidência. por contato inter-humano ou por água e alimentos contaminados. Assim. grau de educação sanitária e condições de higiene da população. A disseminação está relacionada às condições de saneamento básico. iremos estudar os cinco tipos de hepatites virais existentes. Contudo. A principal via de contágio é a fecal-oral. traga as conseqüências que justificam informar essas possibilidades aos 3 . portanto. O agente etiológico é um pequeno vírus RNA. “hepatite epidêmica”. embora. inferir se há algum fator de risco que esteja aumentando a incidência dessa doença na população estudada. membro da família Picornaviridae. sendo a média de 30 dias. É a partir dela que podemos ter noção das patologias que estão acometendo as regiões. A transmissão sexual da hepatite A pode ocorrer com a prática sexual oral-anal. fazendo com que entendamos suas causas e possamos traçar estratégias que visem a prevenir e a diminuir suas incidências. A hepatite pelo HAV apresenta distribuição mundial. o que faz com que este modo de transmissão não tenha grande importância na circulação do vírus na comunidade. para de fazermos qualquer tipo de campanha. ou “hepatite de período de incubação curto”. em termos individuais. Podemos fazer isso através de campanhas de conscientização sobre a doença. Hepatite A A hepatite A. assim como as demais hepatites virais.Introdução A pesquisa epidemiológica sobre uma determinada doença é de grande importância dentro de uma população. Poderemos. Deve ser lembrado que um dos parceiros precisa estar infectado naquele momento e que a infecção pelo HAV não se cronifica. Com esse estudo poderemos obter dados que nos permitam analisar a epidemiologia da hepatite viral da população atendida pelo Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues.

que iremos enumerá-las a seguir: 1. o período de doença se caracteriza pela presença de colúria. Há algumas formas de transmissão. A detecção de anticorpos da classe IgG não permite diferenciar se a infecção é aguda ou trata-se de infecção pregressa. O período de incubação da doença varia de 30 a 180 dias. varizes de esôfago e alterações hematológicas. nos casos agudos sintomáticos ou assintomáticos. Nos pacientes sintomáticos. ascite. por meio da detecção de anticorpos anti-HAV da classe IgM.usuários. devido à maioria dos casos cursar sem icterícia e com sinais e sintomas pouco específicos. persiste por mais de seis meses. pode passar na maioria das vezes despercebida. hepatovírus da família Hepadnaviridae. predominando fadiga. Ela pode ser prevenida pela utilização da vacina específica contra o vírus A1. Relações sexuais desprotegidas. sendo 70 dias a média. considera-se que a infecção está evoluindo para a forma crônica. como a cirrose. Em uma parcela dos casos crônicos. O agente etiológico é um vírus DNA. Entretanto. hipocolia fecal e icterícia. ou podem permanecer sem replicação do vírus (HBeAg não reagente e anti-HBe reagente). o que confere maior propensão de evolução da doença para formas avançadas. com adequação do saneamento básico e das medidas educacionais de higiene. conhecida anteriormente como sorohomóloga. podendo apresentar-se como infecção assintomática ou sintomática. A doença pode ocorrer de forma esporádica ou em surtos e. Hepatite B A hepatite B é causada pelo vírus HBV. mal-estar geral e sintomas digestivos. edema. Em surtos. após anos de evolução. Os pacientes com a forma crônica podem apresentar-se em uma condição de replicação do vírus (HBeAg reagente). a melhor estratégia de prevenção desta hepatite inclui a melhoria das condições de vida. Os sintomas. Há que se considerar que existe um gradiente de risco 4 . pois o vírus encontra-se no sêmen e secreções vaginais. pode aparecer cirrose. o que confere taxas menores de progressão da doença. são inespecíficos. com surgimento de icterícia. favorecendo a não identificação da fonte de infecção. quando presentes. depois que um ou dois casos apresentaram anticorpos antiHAV da classe IgM. de modo rotineiro. Quando a reação inflamatória do fígado. Somente de 20 a 40% dos casos têm história prévia de hepatite aguda sintomática. O diagnóstico específico de hepatite A aguda é confirmado. pode-se confirmar a hepatite A também por vínculo epidemiológico.

varizes de esôfago e alterações hematológicas. 3. Seu período de incubação varia de 15 a 150 dias. Aleitamento materno. É importante também prevenir através do uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da Saúde e o não compartilhamento de alicates de unha. Transmissão vertical (mãe/filho). 4.decrescente desde o sexo anal receptivo. Hepatite C Causada pelo vírus HCV. Uma parcela das formas crônicas pode evoluir para cirrose. era conhecida anteriormente como uma hepatite Não-A Não-B. mal-estar geral e sintomas digestivos. caracteriza a infecção crônica. escovas de dente e equipamentos para uso de drogas. considera-se que a infecção está evoluindo para a forma crônica. A persistência do HBsAg no sangue por mais de seis meses. Quando a reação inflamatória. Acidentes perfurocortantes. devido à sua complexidade. Os sintomas. Transfusão de sangue e derivados contaminados. 5. edema. Uso de drogas com compartilhamento de seringas. até o sexo oral insertivo sem ejaculação na boca. 6. nos casos agudos. O hepatocarcinoma também faz parte de uma porcentagem do quadro crônico de evolução desfavorável. tatuagens. O tratamento medicamentoso está indicado para algumas formas da doença crônica e. quando presentes. assim como a vacinação completa contra hepatite B. lâminas de barbear. colocação de piercings. Também é importante o controle efetivo de bancos de sangue por meio da triagem sorológica. são inespecíficos . perfurações de orelha. agulhas ou outros equipamentos. Realização dos seguintes procedimentos sem esterilização adequada ou utilização de material descartável: intervenções odontológicas e cirúrgicas. A confirmação diagnóstica é laboratorial e realiza-se por meio dos marcadores sorológicos do HBV. deverá ser realizado em ambulatório especializado. persiste sem melhoras por mais de seis meses. predominando as fadiga. disponível no SUS. 7. A suspeita diagnóstica pode ser guiada por dados clínicos e/ou epidemiológicos. ascite. hemodiálise. com aparecimento de icterícia. 5 . 2. A principal e fundamental prevenção da hepatite B é a educação e a divulgação do problema.

sobretudo para aqueles que utilizaram estes produtos antes do ano de 1993. tais como utilização de heparina de uso coletivo e ausência de limpeza e desinfecção de todos os instrumentos e superfícies ambientais. droga inalada. Isto é válido para tratamentos odontológicos. Triagem em bancos de sangue e centrais de doação de sêmen para garantir a distribuição de material biológico não infectado. Transplante de órgãos e tecidos: o vírus HCV pode ser transmitido de uma pessoa portadora para outra receptora do órgão contaminado. acupuntura. destacam-se: 1. O grande problema dessa forma de hepatite é a não existência de uma vacina para a sua prevenção. 2. A prática do uso de droga inalada com compartilhamento de canudo também pode veicular sangue pela escarificação de mucosa. 6 . piercings. Aquelas que compartilharam ou compartilham agulhas ou seringas contaminadas por esse vírus como usuários de drogas injetáveis. manicures. Dentre as medidas de prevenção primária. quando os instrumentos utilizados não forem devidamente limpos e esterilizados. 6.O Mecanismo mais eficiente para transmissão desse vírus é pelo contato com sangue contaminado. Desta forma. Pacientes que faziam hemodiálise. piercings. 5. instrumentos cirúrgicos: qualquer procedimento que envolva sangue pode servir de mecanismo de transmissão desse vírus. época em que foram instituídos os testes de triagem obrigatórios para o vírus C nos bancos de sangue em nosso meio. Aquelas que receberam transfusão de sangue e/ou derivados. as pessoas com maior risco de terem sido infectadas são: 1. Ainda podemos dizer que existem outras formas de prevenção. a não ser em condições especiais. barbearia. 2. Transmissão vertical e aleitamento materno: a transmissão do vírus da hepatite C durante a gestação ocorre em menos de 5% dos recémnascidos de gestantes infectadas por esse vírus. rim e pulmão. 3. pequenas ou grandes cirurgias. Triagem de doadores de órgãos sólidos como coração. tatuagem. As medidas primárias visam à redução do risco para disseminação da doença e as secundárias à interrupção da progressão da doença em uma pessoa já infectada. Relacionamento sexual: esse não é um mecanismo freqüente de transmissão. as primárias e as secundárias. Alguns fatores aumentam o risco de aquisição de hepatite C por meio de hemodiálise. tatuagens ou mesmo procedimentos realizados em barbearias e manicures. 7. 4. Acupuntura. fígado.

um vírus RNA. até mesmo com formas graves de hepatite. dependendo em parte do momento de aquisição do vírus delta. do colesterol e da glicemia são medidas que visam a reduzir a probabilidade de progressão da doença. Os testes sorológicos podem identificar anticorpos contra esse vírus e. Dentre as medidas de prevenção secundária. que precisa do vírus B para que ocorra a infecção. a hepatite D pode cursar de maneira assintomática. Controles do peso. O período de incubação. seus resultados apresentam alta sensibilidade e especificidade. A suspeita diagnóstica pode ser guiada por dados clínicos e epidemiológicos. normalmente. Pode apresentar-se como uma infecção assintomática ou sintomática e. nesses casos. posterior à realização dos exames para o HBV. Triagem de doadores de córnea ou pele. tendo uma média de 35 dias. intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença nesse hospedeiro.3. O diagnóstico da hepatite C é feito através da realização de exames de sangue de dois tipos: exames sorológicos e exames que envolvem técnicas de biologia molecular. respectivamente. 7 . quando presentes. Se conjugado com o HBV ou em já portadores crônicos deste vírus. quando indicado. podemos definir: 1. serviços de hemodiálise. dizemos que ocorre uma co-infecção e uma superinfecção. Abstinência ou diminuição do uso de álcool. Tratamento dos indivíduos infectados. podem ajudar a acelerar o desenvolvimento de formas graves de doença hepática. 4. não exposição a outras substâncias hepatotóxicas. laboratórios. A presença do anticorpo contra o vírus da hepatite C (anti-HCV) significa que o paciente teve contacto com o vírus. Sua presença não significa que a infecção tenha persistido. já que estes fatores. consultórios dentários. A confirmação diagnóstica é laboratorial e realiza-se por meio dos marcadores sorológicos do HDV. Da mesma forma que as outras hepatites. Cumprimento das práticas de controle de infecção em hospitais. varia de 30 a 50 dias. Hepatite D Ela é causada pelo vírus da hepatite delta ou HDV. oligossintomática e sintomática. Utiliza-se o teste ELISA (anti-HCV) para essa pesquisa de anticorpos. 2.

especialmente em crianças. onde a contaminação dos reservatórios de água mantém a cadeia de transmissão da doença. A via de transmissão fecal-oral favorece a disseminação da infecção nos países em desenvolvimento. Da mesma forma que na hepatite A. os quais são mais freqüentes entre gestantes. O repouso é considerado medida imposta pela própria condição do paciente. apesar de ser possível a suspeita em casos com quadro clínico característico em áreas endêmicas. por um ano. A maioria dos casos evolui para a cura. A hepatite pelo HEV ocorre tanto sob a forma epidêmica. Em alguns casos os fatores de risco não são identificados. como de forma esporádica. Esta restrição deve ser mantida por um período mínimo de seis meses e. A única restrição está relacionada à ingesta de álcool. 8 . Seu período de incubação varia de 15 a 60 dias. sendo necessária a hospitalização dos casos mais graves. O Quadro clínico assintomático é comum. preferencialmente. o diagnóstico clínico da HEV aguda não permite diferenciar de outras formas de hepatites virais. classificado como pertencente à família Caliciviridae. De forma prática. como na hepatite A. porém seu maior benefício é ser de melhor digestão para o paciente anorético.Hepatite E Causada pelo vírus E (HEV) do tipo RNA. a melhor estratégia de prevenção da hepatite E inclui a melhoria das condições de saneamento básico e medidas educacionais de higiene. O diagnóstico específico pode ser feito pela detecção de anticorpos IgM contra o HEV no sangue. deve ser recomendado que o próprio indivíduo doente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. sendo a média de 40 dias. Assim. Como na hepatite A. em áreas endêmicas de países em desenvolvimento. A utilização de dieta pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular. admite-se que não existem formas crônicas de hepatite E. A transmissão interpessoal não é comum.

Lagoa. Esse pertence à AP 2. Jardim Botânico. que responde pelos bairros de Ipanema. ocupação. resultado sorológico/virológico.Objetivo Através de seu comportamento histórico. diminuir a sua incidência na população como um todo. Metodologia Foram coletadas informações das cem fichas de investigações de Hepatites Virais do SINAN (Sistema de Informações de Agravos de Notificação). bairro de residência. forma clínica. permitindo que separemos essa população em grupos heterogêneos. Em seguida. O trabalho foi realizado nos dias 13 e 18 de abril de 2007. idade. visando a uma sondagem quantitativa dos dados. poderemos analisar cada grupo e procurar por fatores predisponentes da doença em cada um deles. data dos primeiros sintomas. poderemos traçar planos de prevenção e campanhas de tratamento visando a diminuir a incidência das hepatites virais nos diferentes grupos e. Vidigal e Rocinha. Foram analisados os seguintes dados: data de notificação. município de notificação.A. Gávea. Além disso. exposição aos fatores de risco. institucionalização. Leblon. 9 . (Região Administrativa). Essas fichas correspondem ao ano de 2005 e estão arquivadas no centro epidemiológico do Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues. afim de extrair críticas qualitativas. conseqüentemente. Realizando essa pesquisa poderemos quantificar a população acometida por hepatites virais. sexo.1 (Área de Planejamento) da 6º R. data de investigação. podemos traçar o perfil epidemiológico da doença na região estudada. Eles serão explicados de forma ordena no decorrer desse trabalho. data de encerramento e provável fonte ou mecanismo de infecção. data da coleta sorológica. classificação final. Horto. São Conrado. Assim. história anterior de alcoolismo e/ou icterícia. permitindo-nos enxergar a evolução da doença e verificar a eficácia dos planos e estratégia adotados em anos anteriores para combater essa doença. vacinação. poderemos fazer uma análise comparativa entre os demais anos.

O gráfico 1 mostra a distribuição. atendidos por esse 10 . dado que a grande parte dos pacientes. abaixo. Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Janeiro Número de Pacientes Distribuição Mensal de Notificação (2005) Gráfico 1 . Nesse. haveria um número maior de pacientes que estariam notificando a doença em 2005. seria capaz de distinguir se realmente teve um sintoma de hepatite? Achamos que esse é um dado infundado e errado. ao longo do ano de 2005.Discussões Iremos nessa parte do trabalho apresentar os gráficos de todas as informações coletadas dos pacientes que possuíam ficha de investigações de Hepatites Virais no SINAN. das datas de notificação de qualquer tipo de hepatite viral. mostra essa distribuição. isso só ocorreria com 12% dos pacientes notificados. Apresentaremos cada um dos resultados e. podemos ver que 66 pessoas responderam que os sintomas haviam começado no ano pesquisado. pois.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues Em seguida a ficha notificava a data do aparecimento dos primeiros sintomas. Isso faria com que levantássemos a hipótese de que poucos são os pacientes que evoluíram para uma forma crônica da doença com outros problemas associados. faremos comentários e críticas. caso isso não fosse verdadeiro. mas que começaram a sentir os sintomas há alguns anos. temos que fazer uma crítica a essa questão da ficha. Caso essa teoria fosse verdadeira. O gráfico 2. Observamos que 74% das notificações ocorridas nesse ano aconteceram no primeiro semestre. Porém. quando possível. Seria o paciente capaz de afirmar que o sintoma que ele relata ter sido o primeiro sintoma da hepatite realmente ser um sintoma ligado a hepatite? Mesmo que todos os sintomas lhe fossem listados.

Data dos Primeiros Sintomas 70 Número de Pacientes 60 50 40 30 20 10 0 1992 1996 2000 2002 2003 2004 2005 Igno rado Gráfico 2 . feita somente em 1993. uma vez que. Idade Número de Pacientes 30 25 20 15 10 5 0 A té 9 ano s Entre 10 e 19 Entre 20 e ano s 29 ano s Entre 30 e 39 ano s Entre 40 e 49 ano s Entre 50 e 59 ano s A cima de 60 ano s Gráfico 3 . como estamos analisando uma doença viral infecto-contagiosa. Podemos pensar em duas hipóteses para justificar o fato de que 60% dos respondentes terem mais de 40 anos. temos que pensar que esse é um grupo que está mais suscetível a contrair a doença. pessoas que foram operadas ou receberam transfusão de sangue há 14 anos. essa era uma época que nem se sabia que existia o vírus. pois apresentam uma imunidade mais baixa do que os mais jovens.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues 11 . Ou seja. Vemos que há uma grande elevação de incidência a partir dos 40 anos. A segunda hipótese seria a relativa recente descoberta do HCV. tem um risco muito maior de terem hepatite C.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O gráfico 3 mostra a distribuição de idade dos pacientes notificados por hepatite viral no ano de 2005. Primeiramente. tem um nível de escolaridade e social que dificulta a crença nesses dados.centro municipal de saúde.

O gráfico 5. não temos como nesse trabalho analisar qual o tipo de hepatite que ocorre com mais freqüência em cada um dos bairros. Sexo 45% Masculino 55% Feminino Gráfico 4 . verificamos que todos os pacientes afirmaram que o Rio de Janeiro foi o município de notificação. que lidera a incidência de hepatites virais nesse estudo. abaixo. Infelizmente. mostra a distribuição do bairro de residência dos pacientes. Vemos que não há uma grande diferença entre os sexos. achamos que na pesquisa tem que constar o endereço completo do paciente. privando-os de ter acesso ao saneamento básico. Vemos que há uma maior incidência de casos em lugares onde há ausência do Estado. há hepatites virais cuja transmissão é oro-fecal. seria também interessante. Sabemos que uma resposta como “Ipanema” tanto engloba um morador de um apartamento luxuoso quanto um morador da favela Pavão-Pavaozinho. não podemos realmente afirmar onde ele mora.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues Inicialmente. não há água encanada e os esgotos são a céu aberto.O gráfico 4 mostra a distribuição do sexo dentre os pacientes notificados. verificar se a incidência de hepatites tem baixado. Ainda podemos fazer uma crítica a esse item da ficha. Sabemos que em lugares como Rocinha. o que nos leva a desconsiderar qualquer associação entre o sexo do paciente e a contaminação por hepatite viral. Pela urbanização da Rocinha nos últimos anos. Mas seria interessante comprovar e verificar a relação entre infra-estrutura e tipo de hepatite. Como não consta o endereço completo do paciente. 12 . através de um estudo histórico comparativo. Logo. Como vimos. fazendo que as favelas sejam lugares onde se espera uma maior incidência dessas doenças.

mostrando a eficiência do atendimento. apesar de todas as dificuldades conhecidas.Bairro de Residência Número de Pacientes 35 30 25 20 15 10 5 0 OB S. podemos ver a distribuição da data de investigação. Assim.: M unicípio s de No tificação : 100% no Rio de Janeiro Gráfico 5 . pois perdemos um grande dado que nos poderia informar possíveis ocupações que apresentam uma relação com as hepatites virais.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues Esse mesmo problema repete-se quando olhamos o gráfico 7. Isso nos faz pensar que o tempo entre a notificação (gráfico 1) e a investigação é curto. Número de Pacientes Data de Investigação 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Gráfico 6 . Em 33% das fichas a opção ocupação foi ignorada. Isso é um grande erro. Devido a esse problema perdemos uma grande chance de avaliar a eficiência do sistema.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues No gráfico 6. Vemos que a maior parte concentra-se no primeiro semestre. o que mais chama a atenção é o enorme número de “ignorados”. ficamos impossibilitados de fazer qualquer 13 . Contudo.

Parece que não há uma conscientização da necessidade e das vantagens de se imunizar contra esses vírus. Porém. porém não teremos como avaliar a efetividade dessa campanha.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O gráfico 8 mostra como é falha o sistema de vacinação contra as hepatites A e B. Caso essa imunização fosse feita de maneira correta e abrangesse um número maior de pessoas. principalmente porque essas são vacinas disponíveis de graça nos postos de saúde. O número de não vacinados assusta. Ocupação x Ignorados 33% Ocupações Ignorados 67% Gráfico 7 . temos que fazer uma análise temporal.tipo de campanha voltada para um determinado grupo de trabalhadores. que não será abordada nesse trabalho. quase a mesma quantidade não se imuniza completamente. nessa pesquisa. Vemos também que mais uma vez o número de “ignorados”e “nãopreenchidos” é grande. nenhum grande grupo que justificasse a inclusão de um gráfico para mostrar uma maior incidência em um determinado grupo. os gastos do Governo em tratar a hepatite seriam muito menores. para fazer uma análise da eficiência das campanhas de vacinação das hepatites. podemos dizer que as campanhas não estão atingindo o seu objetivo. Mais uma vez. se considerarmos que a grande maioria dos atendidos nesse centro municipal de saúde tem pouca escolaridade. O gráfico 7 não mostra a incidência por ocupação. 14 . pois não foi encontrado. distorcendo e impossibilitando um conhecimento do estado de saúde real da população estudada. Também verificamos que das poucas pessoas que se vacinam. Verificamos que pouquíssimos pacientes foram imunizados completamente contra HAV e HBV. Podemos até fazer campanhas para aquelas ocupações que são conhecidamente de risco.

Problemas de Informação em Institucionalizado 10% Total de Institucionalizado Ignorados 90% Gráfico 9 .Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues 15 . pois através deles estaríamos identificando se há algum foco em alguma instituição. por exemplo. Será que aqueles que preenchem essas fichas consideram que esse é um dado que não tem relevância alguma sobre a epidemiologia das hepatites virais? Consideramos isso um ato errado. ficaria mais difícil localizar esse foco e identificar suas causas. uma contaminação em creches ou escolas e sem esse dado. temos que refletir o porquê disso acontecer.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O gráfico a seguir mostra a total despreocupação e descaso com o item da ficha do SINAN que pretende levantar os dados epidemiológicos da institucionalização do paciente.Vacinação 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 43 HBV 9 8 2 Completa HAV 58 8 2 Incompleta 31 7 Não Vacinado Ignorado Não Preenchido Gráfico 8 . Poderia estar havendo. Com uma falta de adesão tão alta. Vemos que em 90% das fichas esse item foi ignorado.

a maioria afirma ter feito transfusão de sangue ou derivados. ter tido três ou mais parceiro sexuais. Além disso. Contudo. vimos que há uma enorme incidência de negação. pois. é importante saber se há algum histórico de alcoolismo. Temos que ponderar esse dado. Nele vemos se o paciente já foi exposto a alguma dessas situações e há quanto tempo. poucos são os alcoólatras que reconhecem que o são. Podemos ainda dizer que há dados mais importantes para o andamento do tratamento das hepatites virais. abaixo. Com todos esses problemas. Assim. Outro problema é o respondente saber o que é e se já teve icterícia. justifica-se essa pergunta não constar mais na ficha nova de 2007. primeiramente. ter tido DST. é de grande importância. uma resposta positiva. poucas pessoas viciadas falam que são alcoólatras. pode ser que a pessoa não tenha notado ou o seu grau de icterícia tenha sido tão baixo que não tenha dado para ele perceber que esteve ictérico. 16 . pois. C e D.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O gráfico 11. ter feito algum tipo de tratamento cirúrgico ou dentário ou ter feito acupuntura. Esses fatores listados nesse gráfico são os fatores de risco ligados às hepatites virais que são contraídas por contágio hematológico. esse dado é difícil de ser apurado. Sabemos que uma grave complicação das hepatites é a cirrose. como a associação com o HIV e outras DSTs. Vemos também que. Por mais que se explique. Histórico Anterior 120 100 50 80 Alcoolismo 60 Icterícia 40 56 9 5 20 3 36 5 0 Sim Não Ignorado Não Preenchido Gráfico 10 . daqueles que responderam que sim. Verificamos que a grande maioria afirma nunca ter sido exposta a qualquer uma dessas situações.Abaixo vemos que poucos eram os pacientes que notificavam a doença e relatavam ter tido algum histórico anterior de alcoolismo ou icterícia. é um indicador de grande risco para agravamento da hepatite. como as hepatites B. Assim.

sobre o início da sintomatologia e a distribuição de idade. vemos que há uma grande 17 . ao longo do ano de 2005. há mais de seis meses 88 40 Sim.Assim. Se somarmos esses dois dados. Paciente Submetido ou Exposto 100 5 7 11 11 9 90 14 7 9 5 7 8 9 9 9 12 19 Número de Pacientes 80 70 55 60 72 50 Ignorado 72 86 86 80 77 74 Não 80 84 91 70 88 91 88 Sim. O que assusta nesse gráfico é que 48% das fichas estavam com esse dado ignorado. Isso vai ao encontro dos gráficos 2 e 3. há menos de seis meses 30 27 20 19 23 10 0 2 7 0 0 7 2 14 0 12 5 2 0 2 0 5 11 9 13 2 2 0 0 0 2 0 0 0 0 Tr an sf us ão de Sa ng ue H ou D er iv ad os em od D ro i á ga l is Tr e s ês In je D ou tá ro ve M ga i ai s s s In Pa al áv rc ei e ro is s S ex Ex ua M po ed is si ic çã am o en D a ST to Sa s ng In je ue tá ou ve is S Tr ec at r am eç õe en s to Tr C at i rú am rg en co to D en tá Pa rio rto N or m Ac al up un nt ur a Ta tu ag em Ac id Pi en er te ci ng Pe rc ut ân e Tr o an sp la nt e 0 Gráfico 11 . podemos estudar quais foram os resultados sorológicos / virológicos encontrados nas fichas de 2005. respectivamente. Vemos que a maior incidência de resultado sorológico reagente ou positivo é de hepatite C.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues A partir do gráfico 13. Data da Coleta da Sorologia (2005) Número de Pacientes 60 50 40 30 20 10 Ignorado Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro 0 Gráfico 12 . como a maioria das fichas apresentou a resposta “não”. espera-se que a maioria dos pacientes notificados tenha sido devido a infecção por hepatites A e E. Verificamos que não há uma grande disparidade entre os meses.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O gráfico 12 mostra uma distribuição homogênea da data da coleta sorológica.

Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues 18 . Com isso. Assim. Lembramos. fica difícil fazermos qualquer análise sobre a incidência das hepatites virais. Temos que pensar nesses motivos. é importante que todos os dados sejam corretamente preenchidos. Outro dado que chama a atenção no gráfico 13 é o enorme índice de exames ignorados e não-realizados. contudo. característica desse vírus.incidência de sintomatologia recente e que há uma maior incidência em pessoas acima de 40 anos. uma vez que esses vírus são raros? Seja qual for a resposta. também conhecido como hepatite silenciosa. Seria também o custo proibitivo. estaríamos de acordo com as características da HCV. Vemos também que os exames para hepatites D e E não são feitos. suspeite? Caso essa última pergunta seja verdadeira. para que uma análise epidemiológica possa ser feita de maneira correta. pois esse infectou muitas pessoas que hoje estão acima dos 40 anos. e a maioria das pessoas só apresentou os sintomas recentemente. uma vez que ele só foi identificado em 1993. através da anamnese. isso descartaria um estudo epidemiológico de co-infecções de hepatites virais.AgHBe HBc IgM 11 19 39 25 16 7 0 AntiHBe 0 AntiHDV IgM AntiHBc (Total) Reagente ou Positivo 4 23 26 Não Reagente / Negativo 25 33 20 0 Não Realizado 23 50 AntiHBs 0 0 AntiHEV IgM 11 AntiHAV IgM AntiHCV HCVRNA (PCR) Gráfico 13 . Seria interessante pensarmos porque esse número é tão alto. Resultado Sorológico / Virológico 100 90 32 Nímero de Pacientes 80 42 44 42 37 30 42 47 46 47 47 70 11 60 Ignorado 16 26 40 30 30 21 23 28 21 47 19 30 10 53 53 5 2 0 AgHBs Anti. Os custos do kit de diagnóstico são muito elevados? Será que o médico só solicita o exame sorológico do tipo de hepatite que ele. apenas suposições de análises numéricas juntamente com o conhecimento do comportamento viral. que essas não são conclusões.

Olhando o gráfico 14 vemos que a maioria das classificações finais é feita através de cicatriz sorológica (48%) e confirmação laboratorial (14%). Esse grande número mostra uma grande preocupação. reforçando o que foi dito no gráfico 14. mas é assintomático. ou seja. A forma clínica que conhecemos que mais se apresenta é a crônica e a portadora. Apenas 2% das hepatites apresentam uma forma clinica fulminante. Classificação Final 48% Confirmação Laboratorial Confirmação ClínicoEpidemiológica Descartado 0% 2% 14% Cicatriz Sorológica Inconclusivo 36% Gráfico 14 . Forma Clínica 10% Aguda 46% Crônica / Portadora Fulminante 42% Inconcludente / Ignorado 2% Gráfico 15 . Vemos que a maioria delas tem uma forma clinica inconcludente ou ignorada (46%). Ou seja. pois não podemos tratar de uma doença que não sabemos qual é. 36% dessas classificações são inconclusivas. onde o paciente sabe que tem a doença.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues 19 .Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues O próximo gráfico mostra a forma clinica das hepatites virais. Porém. não se sabe qual é o vírus que estaria causando a hepatite. além de não saber qual a hepatite que estamos tratando. quando o tratamento é apenas paliativo. não sabemos a forma clínica.

20 . Esse é um dado muito importante. Verificamos que dentre as fichas preenchidas. pois através de sua análise poderíamos fazer um plano de prevenção das hepatites virais. Isso faz com que percamos a noção de tempo de duração da doença. que. apesar de termos uma boa distribuição de datas de notificação (gráfico 1). Data de Encerramento Número de Pacientes 25 20 15 2005 10 2006 5 0 Gráfico 16 . fazendo com que o trabalho de planejamento de programas de prevenção e combate às hepatites virais seja bastante prejudicado. o que mais chama a atenção é a quantidade de fichas que não estavam preenchidas. essa análise de duração da doença fica impossível e só se faz através de uma análise estatística. Infelizmente esse trabalho não tem como analisar quais as hepatites virais mais incidentes em cada um desses grupos. os que apresentam maior indicador de provável fonte ou mecanismo de infecção é o tratamento cirúrgico ou dentário (16%).Nesse gráfico 16 vemos a distribuição da data de encerramento. seguido da transmissão sexual (12%) e transfusional (12%). porém. o gráfico 17 mostra a provável fonte ou mecanismo de infecção.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues Por fim. Mais uma vez. Isso facilitaria e ajudaria aos gestores a criarem planos mais específicos para cada uma das hepatites dentro de cada um dos grupos. 54% das fichas o ignoraram. não será fidedigna. Apesar da sabida importância desse dado. abordando os grupos com maior incidência através de uma comunicação mais adequada para cada um. pois. Com isso. praticamente não temos dados de encerramento.

não damos o devido cuidado ao preenchimento dos dados epidemiológicos.Provável Fonte ou Mecanismo de Infecção 12% 12% 0% 0% 2% 54% 0% 4% Sexual Transfusional Drogas Injetáveis Vertical Acidente de Trabalho Outro Domiciliar Tratamento Cirúrgico ou Dentário Ignorado 16% Gráfico 17 . permitindo que as informações possam ser cruzadas e forneçam uma relação entre os dados estudados. podendo ser aplicado nas diferentes análises causais que esses dados nos fornecem. Desta forma. pois questionamos que muitas vezes que o respondente não tem como fornecer ao médico os dados a ele solicitado. Esse cenário não é diferente quando analisamos os dados epidemiológicos das hepatites virais. ficamos impossibilitados de fazer uma análise da saúde da população. Propusemos que seja feita uma análise por paciente. permitindo comprovar ou desmentir as afirmações e observações feitas nesse trabalho. Achamos também que um 21 . Vimos que o grande problema está no grande número de fichas que têm várias perguntas ignoradas. Com isso. poderia fazer-se um estudo mais causal. pois sua escolaridade é muito baixa.Fonte: CMS Píndaro de Carvalho Rodrigues Conclusão Apesar de sabermos que a melhor forma de fazer medicina é através da prevenção. Verificamos também que se pode fazer algumas mudanças nos dados a serem preenchidos. Achamos que a informatização do sistema deve ir muito mais além do que um simples mecanismo de substituir-se o papel. fazendo com que muito mais dinheiro público seja gasto no tratamento.

se bem aplicada. que. Com esse vinculo. a conscientização pode-se espalhar fazendo com que as incidências de qualquer doenças fortemente reduzidas.formulário como esse não pode ficar restrito apenas ao conhecimento da doença. 22 . pois os dados nele contidos são uma poderosa ferramenta de relacionamento com o paciente. pode aumentar a adesão aos tratamentos. criando vínculos entre o centro médico de saúde e a população por ele atendida.

• www.gov. • Guia do Ministério da Saúde: “A. B.saude. acessado em 19 de abril de 2007 23 . durante os dias 13 e 18 de abril de 2007. C.br/svs. D e E de Hepatites para Comunicadores”.Bibliografia • Fichas de investigações de Hepatites Virais do SINAN (Sistema de Informações de Agravos de Notificação). Brasília: 2005.