Sábado, Abril 19, 2008

Entrevista de Mário Nogueira ao JN/Antena 1
Na manifestação dos 100 mil disse que não havia hipótese de diálogo com esta equipa ministerial mas afinal houve. Enganou-se? Não. Quem dialogou connosco foi o Governo. O diálogo que tivemos resultou de um pedido de reunião dirigido ao primeiro-ministro . O que aconteceu? O primeiro-ministro delegou competências na senhora ministra. Aceitámos. Foi a primeira vez? Até Outubro de 2005 houve duas, três reuniões com a ministra, mas como considerava que os sindicatos deveriam concordar com as suas posições, deixou de estar. Delega sempre no secretário de Estado-adjunto. Obviamente que esteve em representação do Governo, seguramente se fossem reuniões com o ministério não estaria, como aconteceu durante três anos. Foi uma excepção provocada pela força dos 100 mil. Recorreu ao primeiro-ministro, também houve mediação da presidência da República? O presidente disse-nos que estava a acompanhar a situação e que esperava que pudesse existir diálogo. Sentiu que tinha de haver resultados? Sim, quando recebemos uma resposta urgente do primeiro-ministro, percebemos que havia preocupação em desbloquear a situação e quando a senhora ministra se veio sentar à mesa percebemos que era de facto excepcional. Não podia ficar-se num impasse? Há pessoas que acham que as lutas quando se fazem é o tudo ou nada ou se demite a equipa ministerial; ou se revoga um decreto como o Estatuto da Carreira Docente ou não vale a pena. Não penso assim. Para se continuar a lutar, tem de haver resultados. Não são os pretendidos? Pois não, mas o contexto político é muito complicado. Falaram com o Governo sobre a continuidade dos protestos? Não, nem tínhamos. Não sei se consegue fazer este exercício colocar-se no papel do ME que assina um entendimento com os sindicatos e continuam os protestos...Coloco-me. Aquilo que pretendíamos com esta negociação foi salvar o 3º período. Passava por duas coisas a não introdução da avaliação nas escolas neste período e a não realização de greves aos exames ou classificações. Era isso que íamos discutir no dia D. Até final do ano lectivo não haverá interrupções? O que decidimos no dia D foi consensual acordou-se o não recurso à greve, independentemente do que pensam do entendimento. Mas não há pactos de silêncio. Outra coisa que disse no dia 8 é que esta equipa ministerial não tinha condições para continuar mas pelos vistos tem. Não. Continuo a pensar que esta equipa não deve continuar. O que representa o entendimento? Evita a introdução da avaliação e salvaguarda os professores, contratados ou em mudança de escalão que, a mês e meio das férias, iam ser alvos de processos completamente absurdos. O que o Governo deixou cair? Se não fosse este entendimento os professores, este ano, perderiam contratos, iriam para o desemprego, perderiam tempo de serviço, os sindicatos estavam afastados e não estava prevista qualquer negociação para revisão do modelo.

Anunciou que 86% dos professores aprovaram o entendimento mas há muitas críticas. A avaliação ia existir com ou sem entendimento. Podíamos ter virado as costas. Provavelmente algumas das pessoas que nos acusam agora - se não assinássemos estariam a acusar-nos de defender estratégias partidárias em vez dos professores. Receia que o movimento de professores extravase o sindical? Os sindicatos não têm que controlar os professores. Mas reconhece que os 100 mil não se deveram só à mobilização sindical. Sim. Mas, já agora, que 106 mil dos 136 mil professores registados no ME são sindicalizados. A Fenprof tem cerca de 70 mil. O ME desvalorizou a elevadíssima taxa de sindicalização. Diria que os 100 mil não eram todos nossos sócios mas nem todos os nossos sócios lá estiveram. Penso que ME deve estar contentíssimo na primeira vez que a grande unidade consegue resultados está a desunir-se. Deve estar a bater palmas. Como se controla uma manifestação por telemóvel ou pela Internet? Nós também usamos, são as novas tecnologias de convocação. O que o preocupa mais? O futuro da escola pública