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GiMIilMT AO CÓDIGO CRIMINAL BRASILEIRO .

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de Paula Ramos J u n i o r COMENTÁRIO CÓDIGO AO CRIMINAL B R A S I L E I R O X " 18 7 5 /"T\ .A.

s \ o £ Tribunal F»* .

d'une parolo qui a retenti sur tout le globe. c'est le point de départ d'une idée qui a renouvelé l'univers. filha dilecta do homem e de Deus. Acompanhando providencialmente as rápidas evoluções dos costumes e da civilisação. no dizer de um elegante publicista. As legislações de todos os povos modificão-se e aperfeiçoão-se no correr das idades.as instituições penaes libertão-se gradualmente das crenças e sentimentos do passado. pour le moraliste et pour l'historien. et le berceau du mondo nouveau. h . Ce torn bean est le sépulcre (lu vieux mondo. le mono> nouveau. d'une civilisation qui a tout transformé. le tombeau d u Christ est la borne qui sépara deux mondes : le monde ancien. A.ÎHHGBÏÏCÇAO Pour le chrétien et pour le philosophe. DE LAMARTINE.

Antonio da Costa. então modernos. Esquecidas as tradicçôes que mantinhão estáveis e dominadoras as velhas instituições repressivasjos princípios. e firmando d'est' arte seus verdadeiros destinos moraes. e rasgadas as sanguinárias leis da barbaria pelo férreo guante da reacção germânica dirigida pelos conquistadores do norte.o principio novo e vivificador do direito justo. incumbiu-se de realizar desde logo as esplendidas victorias d'aquella memorável e gloriosa revolução. de Montesquieu eBeccariaem materia de penalidade começaram a vingar por toda a parte. a propagarem-se por toda a Europa. e o Código Leopoldino. a solidariedade que é a grande lei da historia.YI Desde que o christianismo plantando sobre as ruinas fumegantes do mundo bárbaro. Dissipadas as trevas que envolviam até então as religiões materialistas e as crenças do paganismo. da Russia.o mais bello dos monumentos de legislação criminal d'essa época publicou-se na Toscan a em 1795. o século XVÍII ainda presenciou as reformas legislativas de Catharina II. na phrase elegante de D. Portugal regia-se nesse tempo pelas Ordenações Philippinas promulgadas desde o começo do .redemio a humanidade proclamando bem alto que o homem renascia do indivíduo.

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são as melhores e mais sabias conselheiras de quaesquer modificações e reformas penaes? Não hesitamos diante da affirmativa. que hoje tenta-se codificar. quase todas as nações da Europa .• gundo Bonneville. como asseguram todos os modernos criminalistas. A tendência irresistivel para a revisão das leis criminaes é um dos caracteristicos do presente século. depois de 1830. época em que foi promulgado nosso Código.VIII Ha mais de quarenta e quatro annos vivemos sob o regimen d'esse monumento legislativo de penalidade que honra nossa pátria e seus autores. as bancas-rotas ea outros ramos da lei penal* E' facto que a ninguém é licito contestar . e reclamos instantes dos costumes e da civilisação que. e rompendo com os preconceitos das gerações idas. se. Será porem chegado o tempo de rever a obra dos sábios de 1830 ? Estaremos preparados para tão importante trabalho pelas licções da experiência. depois de rever e ampliar. apesar de innumeras difficuldades e obstáculos. não satisfeita com as victorias alcança-das sobre o direito statuario na parte relativa ao jury. penetrou ella na propria Inglaterra nos dominios da common lato. Caminhando sempre.

quanto antes. Convencido d'isto.—em 1852Coburgo-Gotha e a Áustria. Brasileiro confrontando a theoria com a pratica. — em 1835 Zurich. é de crer que os legisladores brasileiros não deixarão. em 1837—Saxe e as Ilhas Jonias. procurando ao mesmo tempo j[l) Bonnevjlle de Marsangy.— em 1840 Hannover e Brunswick. que a experiência aliás tem de sobeJG apontado. a dar parecer sobre variadissimas hypotheses. emprehendi a tarefa de estudar artigo por artigo o Código Crim. De l'amélioration de la loi criminelle. que ha cinco annos exerço n'esta corte.—em 1853 e 1855 a Toscana e Modena. . (1) Reformarão seus Códigos em 1833 a Grécia e a Russia.—em 1845 Bade. e forçado pelos inperiosos deveres do cargo de Promotor Publico. de attender a semelhante aspiração nacional. Se pois é manifesta a tendência da época que atravessamos .—em 1851 Coburgo e a Prussia.— em 1839 Wurtemberg e Berne. se nosso Código não é isento de imperfeições e lacunas.— e em 1859 a Sardenha.IX têm trabalhado na revisão completa de sua legilação criminal. trabalhando Portugal desde 1860 na revisão de seu Código. A'proporçao que isso realisava escrevia o resultado colhido.—em 1841 Hesse.

a nosso ver. estou certo. D'ahi a idea deplublical-o. minhas humildes opiniões. Demais por que não communicaria aos que. enriquecidas pelas jobjecções que os debates judiciários costumão a despertar. bem podia succéder que meu imperfeito estudo servisse de estimulo aos muitos e ruditos mestres da lei que illustrão nosso foro. veio-me entam a idéa de methodisar o trabalho feito. Quase todos os artigos do código haviam sido estudados d'esté modo.X harmonisal-0 com a intelligencia que ao código têm dado juizes e tribunaes. delicto injustificável. Dispondo de pouco tempo cheguei entretanto ao fira do tentamen Lembrei-me então. e os trouxesse a discussão. Th o m az Alves Junior. de que não existindo ainda um commentario completo . As notas tomadas ligeiramente a principio crescerão dia a dia. dar-lhe uma formaP mais conveniente. ainda hoje se hão de encontrar em todos as suas partes. e escoimal-o dos innumeros defeitos que. por isso que seu silencio em assumpto de tamanha magnitude tem sido. como eu estudão ainda o direito criminal brasileiro. e as não sujeitaria a apreciação dos doutos ? .de nosso código criminal. trabalho este que com reconhecida vantagem encetara ha annos nosso distincto collega Dr.

. Escrevendo este trabalho. não o fiz pretenciosamente : pouco importa conse•guintemente que as opiniões emettidas n'elle não sejão julgadas pelos doutos nem as melhores nem às mais verdadeiras. Se isto conseguir dar-se-ha por satisfeito quem publicando seus estudos nem sonhou glorias. dizia recentemento Emílio de Girardin em seu notável livro—Le droit de Punir. e d'esté modo concorrerão proficuamente os competentes não só para ííxar-se a verdadeira intelligencia das disposições de nosso código.XI Acaso tenho eu receio de as ver discutidas ? « A controvérsia. já o confessei. Bemvindosserão portanto todos os antagonistas conscienciosos. nem deseja outra recompensa. Rio 29 de Julho de 1875.— é indispensável as ideas novas: para se conhecer de sua solidez é preciso que resistão ao peso accumulado das objecções judiciosas. se por ventura tiver este livro o mérito de os despertar. por isso que com a discussão virá a luz e a verdade. mas também para que em tempo opportuno seja elle aperfeiçoado e corrigido.

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as forças moraes que dirigem as nações.NO. nos primeiros tempos da vida da humanidade. segundo Gustavo Rousset. Pag. 9 e 10 . qnando o mundo estava ainda impregnado de poesia. (I) (1) Chassan. Nunc quid interest nullœ sint an incerta leges ? QUINTILIA. De la symbolique du droit Introd. Vivemos felizmente sob o regimen de leis penaes escriptas. Outr'ora. o bello social que civilisa os costumes. São elles.NECESSIDADE DE Um titulo preliminar sobre interpretação. e faz o bem estar dos povos. cantavão-no. a religião era um cântico e o direito não era escripto.

é hoje alli geralmente reconhecido. e menos ainda— a verdadeira liberdade. comprehendeu-se que sem leis escriptas era impossível existir a justiça. dizia Benthan. Se na Inglaterra celebravão os Jurisconsultes sua gloriosa obscuridade. são as únicas que podem merecer o nome de leis. que os publicistas contemporâneos não podem desculpar em um dos povos mais illustrados do globo ? As leis escriptas. correspondendo as crenças. que obrigar a humanidade a observar normas desconhecidas. e dissipadas lentamente as trevas que pezavão sobre o espirito humano. como obstaentão que o reinado das leis não escriptas. Desde pois que assentado ficou o principio de . a respeitar limites não traçados. se o culto dos hieroglylios chegara a ser encar recido pelos sacerdotes egypciacos. é o mais odioso dos attentados. por que outr'ora protegião ellas a liberdade.XIV No correr porem das idades. e imperfeita fôrma dos governos. se propagasse rapidamente. depois que Beccaria fez a luz a respeito. Se o predomínio das theocracias havia implantado o respeito cego aos mysterios e aos dogmas. ou que podem a todo o instante ser violados. senão a maior das insanias. quando ainda hoje a propria Inglaterra as mantém com supersticioso respeito.

e cumprindo traduzir suas prescripções por palavras que fossem conhecidas d'aquelles a quem obrigarião. na redacção das leis. o direito escripto conquistou defini ti v a l e n t e as adhesões de todos os povos. estabelecia princípios que ainda hoje se impõem aos publicistas das nações cultas. o mais rigoroso dever dos legisladores. e conciso. claro.a projectou ao pensamento a que deve ser submottida. no que diz respeito ás regras do estylo legislativo. e Jeremias Benthan completando o programma genericamente traçado por aquelle eminente pensador. pois como ensinava o sábio Bacon—leges non debent esse disputantes sedjitbentes. o que a distancia das controvérsias que a nivellarião ás opiniões. a identidade do pensamento e da palavra tornava-se. visto que 01 império soberano. Entretanto que longo period o tinha ainda de decorrer antes de alcançar-se aqnelle desideratum ! Montesquieu affîrmava que o estylo das leis deve ser simples.XV que uma lei para ser moralmente considerada tal é indispensável que seja realmente transmittida do pensamento que . e uniforme da lei depende essencialmente de sua forma real e durável e de sua certesa. — Firmado o regimen do direito escripto. Entretanto apezar dos esforços despendidos $ .

no dizer de Cdrmemn9 fornecem armas a todos os interesses e avtodas os sophismas.XVI para escoimar de antinomias.preliminar que regule materia de tão transcendente valor para a jurisprudência. ou devem ser. é conseguintemente intuitiva. No século III as escolas dos Proculianos e dos Sabis nianos por ella se debatião.a jurisprudência antiga. pesquisar sua mais intima expressão afim de evitar o reinado do arbítrio. Reconstruir o pensamento do legislador por meio do estudo aprofundado da palavra escripta. e impropriedades as leis pénales. A necessidade da existência de um titulo. e que ainda hoje absorve a attenção de eruditos escriptores. não admittindo aquella outra interpretação que não a gramma- . Uma vez porem que o direito 'penal foi redusido a preceitos escriptos a necessidade de conhecer o verdadeiro sentido de suas disposições. tal è. Não é esta uma questão de nosses dias. Quaes são porem. ambigüidades. não escapão ellas entre todos os povos áquelles terríveis adverarios que. e deve ser a missão de intreprete. tornadas obrigatórias. fez-se desde logo sen ti r^Q. as regras de interpretação do direito penal? Em nosso Código nenhum principio se encontra relativo a tão importante assumpto.

Assim Paulo escrevia a conhecida regra—in peaalibus causis benignius ixiterpretandum est. pènœ molliendœ sunt potius quam asperandœ. Desde porem que se estuda cuidadosamente semelhantes textos reconhece-se que tinhão elles por objecto não a interpretação das leis penaes.!) Théoiiï cb l'interprétation des lois. 18. e de (1) Waleh in Eckart. acreditando que a razão da lei deve estar acima de seus textos. Hermogeneo a reproduzia do seguinte modo — in interpreted tone leg u m. mas sim a applicação das penas. {. (2) seja certo. como o affirma Thibaut. bem como—si lUriusqûc leg is crimina objecta sunt. § 21. i . que textos existem que parecem indicar opinião manifestamente contraria. fica averiguado e fora de toda a duvida ter vingado o principio adoptado por esta ultima escola. e Ulpicmo ensinava que— in ambiguis rebus.XVII tical.p. Jnris. emqoanto esta. o que é sem contestação cousa essencialmente différente. pugnava heroicamente (1) pelo triumpho completo da interpretação lógica. nvitior lex erit sequenda. No Digesto porém encontram-se innumeros exemplos da regra firmada pelos Sabinianos. Ilermanent. Se estudamos no direito Romano qual foi a regra por elle seguida. humaniorem senleniiam sequi oportet. posto que.

tanto que a umas como a outras seapplicava o seguinte principio estabelecido por Juliano : neque leges neqicesenalus consulta ila scribipossunt ut omnes casus qui qiiandoque inciderint comprehendantur : sed sicffieil el ea pier unique accidunt conlineri. e 13 do Dig. adoptando assim a norma de que é permittido supprir por interpretação o silencio da lei : interprelalioae statuendum est. posto seja certo também que nenhuma distincçãò fazia-se entre as leis criminaes e as civis. 11. Jousse dizia que a regra fundamental em materia de interpretação era que nos factos duvidosos cumpre ao interprete inclinar-se sempre para o lado mais benigno : in dubiis enim beni(jniora prœferenda sunt. Quando porém a duvida versava sobre os termos da lei. como sele nas L. 12. como assegura Faustin Hólie. de legibus. Também na antiga jurisprudência franceza adoptaram-se aquelles mesmos preceitos. L.XVIII seus textos logicamente conclue-se que fora ella seguida pela antiga jurisprudência. . sem escrúpulo elles a completavam. Compulsando os antigos aretistas se encontra grande cópia de decisões em virtude das quaes se decretavam penas nos casos em que as chamadas —ordenanças—-eram completamente silenciosas.

«No julgamento de todo o delicto. o juiz deve proceder segundo um raciocínio perfeito. principio este que Menochius seguia absolutamente : cum igitur de delicto puniendo lata interpret alio sumi debent. se porém não o era. impedindo d est'arte a impunidade dos delictos. elle procurava estudar seu espirito .XIX D'aqui conclue-se irrecusavelmente que o espirito da antiga jurisprudência franceza era que a lei penal devia ser entendida mesmo além de seus termos. — Adoptar este . dizia este illustre escriptor. nada é mais perigoso que o axioma commum : — é preciso consultar o espirito da lei. o juiz a seguia. Com effeito. » dando assim occasião a que Beccaría mais tarde lançasse as bases de sua regra. a conseqüência é a absolvição ou condemnação do accusado. que os juizes do crime não têm o direito de interpretar a lei criminal pela simplicissima razão de não serem elles legisladores. tudo se transforma em incerteza e obscuridade. A primeira proposição é a lei geral : a segunda exprime a acção que é ou conforme ou coutraría a lei. Foi quando os princípios de interpretação em materia criminal eram estes que Montesquieu mal inspirado contra a fôrma monarchica. dizia que nos estados em que ella imperava : « se a lei era precisa. Se o juiz é obrigado a fazer outros raciocínios.

XX principio é romper todos o 5 diques. ou mesmo do mào humor do seu juiz. Esta verdade se me afflgura demonstrada. de um principio falso. Thibaut a combate fazendo sentir que o juiz não deve lutar contra um texto claro da lei. que de conseqüências mais longínquas. e a vida dos desgraçados ficar a mercê de um falso raciocínio. Assim verse-hia a sorte de um cidadão mudar de face. mas sim animar-se do espirito do legis- . Estas funestas desordens podem ser postas em parallelo com os momentâneos inconvenientes que produz algumas vezes a observância littéral das leis ?» Escusado ó dizer que a nova theoria de interpretação ensinada por Beccaria foi acolhida como verdadeira. mas mil vezes mais funestas. que se preocupam mais de uma pequena desordem actual. e entregar a lei a torrente das opiniões. em lugar de escutar a vóz constante e invariável da lei. pelo mesmo tribunal porque. Ver-se-hia magistrados interpretando rapidamente as leis. posto pareça ella paradoxal a espíritos vulgares. passando a um outro tribunal. olle se entregaria as contingências e igànadoras das interpretações arbitrarias. Ver-se-hia os mesmos delictos punidos differentemente. em diversos tempos. não lhe tendo comtudo faltado contradictoires. segundo as idéas vagas e coufusas que se apresentassem a seu espirito.

E' debaixo deste ponto de vista que julga elle fundadas as excepções que estabelece. Este escriptorfaz comtudo ecxepções as regras que estabelece : assim. por exemplo. e que nos parece sufficiente para ponto de partida da dou- . neste sentido porém. pela vontade mesmo da lei. emfim. pela legitima interpretação das palavras. Da doutrina seguida por este escriptor não resulta. e não hezitar em executal-a todas as vezes que a interpretação lógica o levar a conhecer seu verdadeiro sentido. não deva ser exactamente observado. Mailher de Chassât não adopta doutrina tão absoluta : estabelece como principio que a lei penal não é susceptível de extensão. ou ainda quando se reprimem delictos contrários a equidade natural. por isso que deve ella ser assimillada as leis derogatorias que se encerram em seus termos. quando se trata igualmente de impedir que uma lei se torne illusoria. compenetrar-se dos motivos que dictaram o texto da lei.XXI lador. qne se não possa dar extensão a lei penal. que tudo o que é autorisado pelo raciocínio. como elle próprio o diz. explicita ou implicitamente encerrado em seu enunciado. quando o caso não previsto na lei é conforme em todos os pontos aos casos nella previstos . Do pouco que até aqui temos dito.

Se nfío é possivel aceitar os princípios até agora por nos apontados. fica conhecida não só a divisão da antiga jurisprudência franceza sobre a interpretação em materia criminal. Quem estuda com critério as sciencias moraes sabe quanto ainda é imperfeita su t linguagem. dever-se-ha applicar ás leis penaes a interpretação littéral ou a doutrinai? Não hesitamos diante da negativa . conhecem quanto á redação d'elles. bem como a 'reacção operada contra-o programma novo da escola pliilosophica em assumpto de tamanho alcance. mas o sentido que sua construcção grammatical exprimisse. e para isto manuzeão os códigos penaes de todos os povos. Ora se admittissemos impensadamente a interpretação littéral como a única possivel. Os-que por em se dedicão ás pesquizas attrahentes do estudo da legislação comparada. Seriamos além disso forçados a admiUir que regras geraes fossem desde logo subordinadas a . teriamos de procurar nos textos da lei. por isso que tendem quasi sem excepção a genaralisar suas formulas. não o sentido verdadeiro que elles encerrassem. e seus princípios predominantes no direito romano.XXII trina que acreditamos verdadeira. falta a precisão que se deve exigir nas prescripções penaes.

Demais. Penal Francez com o art. sustentar que a lei penal deva ser minuciosamente circunscripta de modo que cada um de seus termos seja tomado no sentido o mais rigoroso e o mais abosluto. como perderia elle sua qualidade de sciencia. e nomenclatura de factos puni veis. . 388 do Cod. visto que sua applicação.XXIII intelligencia. se animarião a sustentar a aífirmativa.como bem diz o escriptor citado. coadunando-sese animão e movem-se áo influxo de regras pelas quaes a jurisprudência conhece seu verdadeiro sentido.. para tornar-se simples tarifa de penalidade. como pondera doutamente o illustre Faustin Helié. não passaria de uma operação mathematica que consistiria em medir exactamenteo facto definido com os termos da definição. não séra um absurdo revoltante ? Só os que desconhecem que o direito criminal tem princípios geraes. se por ventura fosse ella seguida um dia entre nós. Crim. se vingasse a interpretação littéral não só a cada momento descobririamos lacunas em nosso direito escripto. Ainda mais. Para demostrar practicamente o que seria a interpretração littéral. confrontemos o art. e textos que. 124 de nosso Cod. que lhes dessem os ligisladores porisso que não faltaria quem descobrisse na lei obscuridades grammaticaes.

do Cod. repelle semelhante intelligencia.XXIV O indivíduo que em França tivesse commettido o furto de um cavalío em um campo estaria compre hen d ido no art 388 ? A lettra d'esse artigo refere-se a —cavallos — .°daLein. 388 do Cod. Nosso Cod. Ora se alguém. Continuemos em nossa demonstração. usando d'aquelles meios. Francez da subtracção fraudulenta de cavallos e outros animaes de campos. Tracta o citado art. Deixou porem o legislador francez. no art. entretanto a lettra do art.° 1090 de 1. e para. e mostrando quanto era fallivel e imprestável. . Francezcomo art. é crime punido com a pena de prisão por 3 á 12 mezes. l. repudiando assim a interpretação littéral. os sectários pois da interpretação littéral sustentarão energicamente a negativa. chegar ao fim confrontemos ainda o citado art. 12Ipreceitua que franquear a fugida dos — presos — por meios astucios )S.° de Setembro de 1860. e se vingasse a theoria da interpretação littéral não poderia ser acceita. e para que não ficassem impunes semelhantes factos criminosos foi preciso que o Tribunal de Cassação firmasse em mais de um aresto a doutrina contraria. franquear a fugida a um só preso estará comprehendido n'elle ? De certo que sim.

mas os bosques. Se porem taes furtos se derem não nos campos e pastos.° 1090 de 1. do furto de gado vaccina e cavallar nos campos e pastos das fazendas de criação e de cultura. embora contrariemos d'e~te modo a doutrina modernamente sustentada por Haus que pensa ser cila legitima desde que chega-se a fixar o verdadeiro sentido dos termos da lei. 388 do Cod. as pastagens e outras propriedades da mesma natureza : ora se alli vingasse o principio da interpretação littéral nem poderia ser fixado o sentido de semelhante expressão. já estudando-a em seu conjuncto. Francez.XXV sem definição esta expressão—campos—de modo que a jurisprudência coube a tarefa de fixar-lhe o sentido decidindo que por aquella expressão — campos — se deve entender não só os campos cultivados. mas nos curraes ou redis poder-se-ha applical-a aos criminosos? Pensamos que sim. como no art. Se da interpretação littéral passamos a doutrinai não podemos deixar de reconhecer seus gravíssimos defeitos. já consi- .° de Setembro de I860 trata-se. ligados entretanto pela interpretação littoral seriamos coagidos pela lógica a sustentar a conclusão contraria. nem punidas as subtracções de cavallos o outros animaes que tivessem tido lugar nos bosques e pastagens Na Lei n.

onde o Código. não é outra cousa senão collecção de regras e prohiíjições. onde a sollicitude e previdência da lei sedetem. e aos pareceres e discussões a que deu lugar.XXVI derando as disposições que se prendem a mesma materia. Às razões de nossa opinião são as seguintes: Se no Direito Civel que se destina. a regular as relações dos cidadões mtre si. da interpreta- . Desde que a lei penal tem um caracter essencialmente proliibitivo. no Direito Criminal onde tudo que não è expressamente prohibido se entende pormittido. e já finalmente ai tendendo ao uso do tempo em que foi a lei promulgada. como o ensinão todos os criminalistas. podem ser permittidas as inducçoes na intelligencia dos textos escriptos. o mesmo não succède. por isso que a equidade de um lado e o uso de outro são complementos indispensáveis d'elle. maxime sendo indubitavel que as analogias e semelhanças dos casos previstos aos não previstos de modo algum podem trazer prejuizo aos letigantes. para ser entendida. corpo de doutrina. deve se presumir não haver mais perigo social: como pois supprir na lei criminal se é ella uma norma de conducta que deve ser observada por todos que com suas prohibições se devem conformar ? Se a lei penal não sendo clara e precisa tivesse necessidade.

dado o caso de acceitar-se a doutrina da interpretação doutrinai. » Não sendo por tanto admissível como legitima a interpretação doutrinai. Por outro lado a interpretação extensiva nos parece formalmente banida de nosso direito. porque em materia penal não é o juiz que deve interpretar. diz Faustin Hélie. como fazol-o. tu . de que modo poderia alguém abster-se cia practica. Uma vez restauradas as velhas máximas do Direito Romano o systematismo dos que vêem quasi sempre um attentaclo nas medidas repressivas ganharia desde logo crescido numero de proselytos. deve ser regeitada. senão estudando-as tão profundamente como os próprios legistas? « A interpretação que não é clara aos olhos de todos. Em materia de direito criminal a interpretação restrictiva viria abrir espaço a impunidade dos delictos. qual deverá ser acceita ? Diremos sem hesitar a opinião que seguimos. em detrimento da ordem publica e dos verdadeiros interesses da justiça social. é o cidadão mesmo. e como por isso seria punido ? t Demais se todos tem obrigação de conhecer as prohibiçoes penaes afim de observal-as. visto como é pelos textos cia lei que lhe cumpre pautar seus actos.XXVII çao doutrinai.de um acto que julgasse licito e permittido.

Seus elementos scientifícos. e denota quanto respeito tributava elle a esse inestimável bem -— a liberdade. visto que restringir a lei é. A interpretação que nos parece deverá ser abraçada e seguida. escreveu aquella garantidora disposição.e das locuções ambíguas ou equívocas por elle empregadas. recusar parte de seus effeitos. a incriminações vagas e a delictos indefinidos e comprehendendo sabiamente que a interpretação extensiva seria quasi que uma lezão á direitos muito sagrados por isso que tudo aquillo que não está expressamente prohibido na lei c: iminal se deveentender pérmittido. quando se tratar da revisão de nosso Cod. porque seria isso crear arbitrariamente um delicto e uma pena . nem também ampliando~a. que honra seu espirito. 1.° de nosso Cod. é a declarativa. diz um notável .XXVIII ex-vi da terminante disposição do art. Crim. não a restringindo para alcançar esse fim. O legislador brasileiro attendendo aos gravíssimos perigos que correrião os accusados se por ventura pudessem estar sujeitos. Tem ella por objecto explicar o sentido natural e regular da lei. Crim. como diz um criminalista. busca porém seu sentido directo e verdadeiro pela explicação dos termos obscuros ou incorrectos de que se servio o legislador.

hoje que o ideal de todos os pensadores. e se achão encerradas em seus próprios princípios. escripto e applicado com inflexivel lógica. Convém entretanto observar que todos estes elementos devem concorrer não para supprir a defficiencia ou obscuridade dos termos da lei. hh . o systema geral de suas disposições. Em uns e outros a bebemos Parece-nos entretanto que sanccionada pelos poderes competentes seria a interpretação declarativa de immenso valor. A opinião de que a interpretação declarativa é a única admissivel em direito penal é hoje geralmente acceita pelos criminalistas de mais reputação. são a materia da mesma lei. é que a lei não seja outra cousa senão o bom senso formulado. As regras a seguir para chegar a seus fins são simplicissimas.XXIX . o conjunct o de seus textos. e o valor das palavras empregadas. no dizer de Saint Albin. o caracter especial da materia que faz seu objecto.escriptor. mas somente para os explicar. sendo igualmente seguida pelos Tribunaes Francezes.

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MAXIMO. — Veja-se cartas. MÍNIMO. idem. —3 annos. MÉDIO.—5 .COMMBNTAp AO . idem.AJber*tixr*a clo c a r t a s . A T b o i r t o . Ponas annos de prisão com trabalho.— 1 anno. — Occasionar aborto por qualquer meio empregado interior ou exteriormente com consentimento da mulher pejada.

MÍNIMO. idem.— (CÓDIGO'CRIMINAL ART. idem. MÍNIMO. MÉDIO. foi essencial- . logo depois do INFANTECIDIO. MAXIMO.— 1 anno e 2 mezes. idem. 199) * « * O fim do legislador brasileiro tratando tão cautelosamente. 2 mezes e 20 dias de prisão com trabalho. MÉDIO. o MAXIMO. — 3 annos e 6 mezes. idem.-* dei t o n t a t i v a . — 16 mezes de prisão. idem. — 8 mezes. t o n t a t i v a 2 annos. idem. do crime de oôcasionar aborto por qualquer meio empregado interior ou exteriormente com consentimento ãa mulher pejada. iO anúos e 10 mezes de prisão. — 5 mezes e 10 dias de prisão.— cixsiiplioidado 3 annos e 4 mezes de prisão com trabalho. MÍNIMO. Se este crime for commettido sem consentimento da mulher pejada. — 2 annos. I * o n a s d a cuíüiplieidad© na.Z ABO j>ío c a 5 o cio a i ' t .—5 T'orna. MÉDIO. PENAS dobradas. MAXIMO.

visto como a precipitação viria sacrificar direitos igualmente respeitáveis — o pudor femenil e a honra das familias —. equiparando-os dest'arte aos que já viram a luz da vida. sem duvida. se nos revela por phenomenos mysteriosos. uma das mais tocantes inspirações do espiritualismo christão dos modernos legisladores. como a concepção. é. de que não descobrio ainda a sciencia o segredo . como ávida.ABO 3 mente moral e legitimo. diz Girard de Vasson. se a natureza humana oíferece de contínuo aos observadores exemplos bizarros e caprichosos em relação a concepção e suas phases inconstantes e varias. Mas por isso mesmo que a sociedade muito importa que a vindicta publica se não ache desarmada diante de attentados tão graves. e desde logo por um crime. sendo demais conhecidamente difficil a completa verificação de semelhante delicto. Proteger à seres que ainda nos limbos da vida intra-ufcerina têm entretanto sagrados direitos a inviolabilidade de sua existência. cumpre seja ella demasiado cautelosa em suas pesquizas. aquillo que pôde ser um accidente natural ? Seria uma . como todos os grandes e diííiceis problemas que se erguem entre o infinito e a imperfeição humana. Se a gestação. como tomar inconsideradamente.

como também por confundir manifestamente o aborto com o infantecidio Pelo antigo direito francez o aborto era punido com a pena de morte. quosst. 2. n'estes delictos é com as provas do crime na mão que a justiça publica deve — marcher sur l'honneur d'une femme. art. A razão de tal disposição. de Fevereiro de 1556. pois acortadamente diz Faustin Hclie. esta doutrina não devia realmente ser abraçada. 130. quœsl. 8. Antes cio predominio benéfico do cliristianismo. não punia elle os abortos occasionados ou mesmo tentados nos quarenta primeiros dias da concepção. antes mesmo das revisões por que passaram quasi todos elles de 1833 em diante. 122 n. e nem sancctonada pelos códigos das fraçõescultas. e sua tentativa com penas arbitrarias.4 ABO imprudência criminosa. não só por sua immoralidade. Farinac. como se lê no Edicto de Henrique IÍ. e conseguintcmente com alma. Nos antigos tempos. que em luta com as ideas do mundo bárbaro as . Caroline. quando o direito canonico predominava soberanamente nas relações da vida social. que felizmente nem foi seguida por criminalistas de nota. 133. era a seguinte : Dizia-se que o feto n'aquellas circumstancias não podia ser ainda reputado com vida. — Can. Ora. causa 32.

. à equidade a justiça. e tomando abertamenta a natureza pelo único fundamento da revolução social. no dizer elegante de D. Antonio da Costa (Três Mundos). Ná hypothèse contraria reputava-se então um bem caracterisado homicídio. que no conceito de Lamartine. 11. 47 tit. 19. conquista sem duvida mais eílicaz do que a da penalidade legalizada. a legislação romana estabelecia o exilio como pena. ou usando de instrumento ou qualquer meio para conseguir esse resultado.ABO O golpeara de morte. bem como o que simplesmente aconselha e ajuda o delicto. modificando o direito pretoriano da antiga Roma. 8o lei 8. ou qualquer substancia nociva. que mais tarde devia realizar. 48 tit. tão monstruoso delicto foi combatido em nome da natureza. Na Inglaterra aquelle que faz abortar uma mulher. L. triumpíiante a grandiosa doutrina. lei 38 § 5 o . L. porém. é culpado. . senão também instituindo para elle uma origem nova. desde que se reconhecia não ter ainda o feto sido verdadeiramente animado.Dig. resultando d'ahi o respeito a vida na família. L. lei 4. Uma vez. e como tal era punido.— Dig. fora o sello de um túmulo immensuravel que para sempre separou o mundo antigo do mundo moderno. (to procure miscarriage) fazendo-a tomar veneno. substituindo ao favor o direito. 48 tit. — Big.

supprimio a pena capital assimilando ambas as hypotheses na punição. 85. com ou sem consentimento da mulher pejada.6 ABO do crime de félonie. mas em conseqüência das observações de lord Lyndhurst. que sustentava que a intenção era a mesma em ambos os casos. 199 somente do facto de oceasionar aborto por qualquer meio empregado interior ou exteriormente. 1. G. Mas o acto 1 V c. sendo punido no primeiro com a pena de morte. Quando esse bill foi levado à câmara dos lords. 31. é que nosso código não . 317 do Código Penal Francez de 1810. e devia por conseguinte ser a mesma a punição. foi ella eliminada.) O primeiro destes estatutos fazia distincção entre o caso de ser o fdo viável e de o'não ser. ou pelo menos por 15 annos. e passível da pena de deportação perpetua. c. ou de prisão por três annos (9. continha a palavra—gravida—. O legislador brasileiro inspirando-se talvez na doutrina do art. rectificado pela Lei de 28 de Abril de 1832. confrontando-o com a fonte onde sua doutrina foi bebida. V. 85. A primeira consideração que nos oceorre ao 1er este artigo. c. Da mesma maneira nas tentativas de aborto não é indispensável que a mulher tenha estado gravida. oecupa-se no art. e no segundo com a de deportação. IV.

e empregados meios interiores ou exteriores elle se realizar. seria punida com taes e taes penas. acompanhando nesta parte o Cod.ABO 7 pune senão o aborto occasionado por terceiros. 199? Pela negativa responderemos a questão. porém. ou consentisse em empregar meios interiores ou exteriores para conseguü-o. são ambos os delinqüentes passíveis das penas estatuídas na pri- itf. que a mulher pejada que procurasse abortar. Se o legislador brasileiro quizesse punir o aborto provocado pela mulher em si mesma não só não usaria impropriamente do verbo—occasionar— referindo-se a ella. fundados para isso nas seguintes razoes. esquecendo-se do provocado pela propria mulher pejada visto como se assim não fora não teria certamente feito a significativa distincção do final desse artigo—com ou sem consentimento da mulher. Comprehende-se facilmente que se em processo regular ficar devidamente comprovado haver alguém concertado com uma mulher pejada o plano de provocar um aborto. que não procedeu desse modo. como teria estatuído especialmente. Em primeiro lugar a letra do artigo repelle formalmente aquella interpretação amplíativa. . Desde. pode-se admittir que o aborto provocado pela propria mulher pejada deva ser punido na fôrma do art. Francez.

Demais. o fora igualmente na execução. e em que convém a mulher pejada e não do provocado por ella propria. as expressões—occasional aborto—. 199.8 ABO meira parte do art. Ora. visivelmente copiadas do—procurei* imavortement do I o alinéa do art. 199 só trata do aborto obra de terceiro. O legislador de nosso Cod. 317 do Cod. Nem de outro modo se poderia explicar no citado artigo as expressões — com consenti*? ment o da 'mulher pejada—se à ella se referisse o verbo occasionar. parece fora de duvida que o art. Crim. Penal Francez. considerando o aborto neste caso como um attentado dos mais monstruosos. e inspirado talvez pela discussão que no conselho de estado francez em sessão de 26 de Agosto de 1809 se levantara a propósito de deixar-se impune o aborto provocado pela . Nem se poderia duvidar um só momento da verdade dessa classsificação porquanto . se é certo que em direito criminal a resolução e o fado material são os elementos constitutivos do delicto. se esta é a verdadeira intelligencia de taes expressões. na hypothèse figurada a mulher pejada depois de ser autora na resolução criminosa. não significam outra couca. tomadas em seu verdadeiro sentido. senão fornecer meios de levar o aborto á execução.

entendeu que o não devia punir. E aqui cumpre observar que. porque também em nenhum artigo do Cod.ABO 9 propria mulher gravida. em vista da doutrina seguida pelo legislador de nosso Código. francez o faz aliás no art. se o aborto fôr provocado pela propinação de substancias venanosas. A razão da disparidade na penalidade. que se nota existir entre a Ia e 2 a parte do art. juridicamente não se poderá consid rar aggravante a circumstancia especificada no § 2o do art. brasileiro se vê reprimido especialmente o parricidio. 13. as disposições peculiares de seu art. > . 16. 299. em relação á execução dos que forem d'elle convencidos. estabelecendo. 199 do Cod. como o Cod. e em que o illustre conde Berlier dizia que em semelhante materia a natureza das causas prescrevia a impunidade. Neste caso o veneno é o instrumento de que se servem os delinqüentes para occasionar o aborto : não deverá. é indubitavelmente que ha mais immoralidade em tentar o aborto sem o consentimento da mulher pejada do que consentindo ella. E foi lógico. conseguintemente. Demais o delinqüente no primeiro caso ataca audaciosamente não só a vida do feto. como a da propria mãi. ser jamais considerado circumstancia aggravante. Crim . mas sim elementar do delicto.

358 do Coei. 398 e 398. 317 do God. arts. sendo que os últimos sanecionam como attenuaçâo do delicto a consideração metaphysica do sentimento da honra. 328. e da Hespanha. o que não faz nosso Código. da Sardenha. Penal portuguez. um só processo por este delicto não fji trazido ao tribunal do jury. Todos estes Códigos incriminam a mulher pejada que provoca aborto. 192 também se a declara especialmente elementar do crime alli punido. Terminando observaremos que nesta capital. Já observamos que o legislador de nosso Código inspirou-se na doutrina do art. arts. bem como a dos Cods. durante o periodo de mais do dez annos. 395. 329 e 330. arts.10 ABO E isto é tanto mais exacto quando no art. Diversa da nossa é igualmente a doutrina do art. . das Duas Seciiias. 543 e 547. Penal francez sem que entretanto tivesse seguido a doutrina por elle preceituada. nem também os da França e Portugal.

—14 annos de prisão. MÉDIO. — 4 annos e 8 mezes de prisão. — F o r n e c e r com conhecimento de causa drogas ou quaesquer méios para produzir aborto. G annos de prisão com trabalho. idem. MÍNIMO. •— 4 annos de prisão. cirurgião ou praticante de taes artes. I*o:nas annos de prisão com trabalho. idem. boticário. idem. idem. idem. 49 —7 annos de prisão. — 2 annos e 4 mezes. ainda que este se não verifique. -— 8 annos de prisão.ABO 11 A b o r t o . Se este crime for commettido por medico. —12 US'o o a s o d o a r t . MÍNIMO. MÉDIO. MAXIMO. — 4 annos de prisão. MAXLMO. MKDIO. — 2 annos de prisão. 4 9 MAXIMO.— ÜNTo c a s o d o a r t MAXIMO. i . MÍNIMO.

200). como estatuo nosso Código. 5 o de nosso Cod. — 4 annos e 8 mezes. (CÓDIGO CRIMINAL ART. ABO — 9 annos e 4 mezes. ex-vi da regra do art. idem. desde que o indivíduo que fornece a qualquer mulher pejada drogas e substancias medicamentosas. 39 do liv. adduzindo para isso as seguintes razões : . os que praticarem os factos especificados no art. sem duvida. como pensa Girard de Vasson. sustentam opinião contraria. embora este se não verifique. Outros.. sendo conseguintemente cúmplice delle. e opina o illustre Rossi no cap. 2° de seu Traité de Droit Penal. porém. 200 ? A muitos parece fora de questão a affirmativa. sabendo que devem ser empregadas com o fiai manifesto de provocai* um aborto. Posto seja o aborto. idem.12 MEDIO. podem ser considerados complices delle. concorre. directamente para que o facto criminoso se dê. • * Na primeira parte deste artigo o legislador brasileiro pune especialmente o fornecimento de drogas ou quaesquer meios tendentes a provocar o aborto. Crim. MÍNIMO. desde que o fornecedor tem conhecimento de causa. um delicto sui generis.

.

insta . porém. Sancho arrependido da comparticipação que tomara em tão negra resolução criminosa. # Depois de um longo periodo de indecisão ella procura afinal terceiro droguista — Sancho — . Pedro sendo procurado por Isabel. fornece-lhe drogas para provocar o aborto.Paulo — e delle obtém. remédios para abortar. associa-se ao desígnio criminoso de semelhante mãi desnaturada vendendo para isso substancias medicamentosas. arrepende-se do crime e lança fora as substancias compradas. se até o começo da execução pôde o droguista arrepender-se e manifestar sua deliberação. como os dous primeiros. pela mesma fôrma. se vender . Passam-se dias : Isabel dirige-se a outro droguista —r. que. como se ha de punil-o neste caso ? Para melhor comprehender taes argumentos exempliíiquemol-os. mas não aborta por circumstancias inteiramente independentes de sua vontade. procurando evitar o delicto.drogas para provocar um aborto. que lhe pede drogas para provocar o aborto de um feto que traz em seu seio. No dia immediato.14 ABO lei ? Demais. preparando-os no momento em que se dispõe a tomal-os. Em occasião azada Isabel as toma. não é senão tomar parte nos actos preparatórios deste . Mas.

segundo os principes de nosso direito criminal. que concorreram elles directamente para o crime. e délie é cúmplice Pedro. porque razão escapa á responsabilidade legal o segundo. em- . na primeira hypothèse deu-se uma tentativa de aborto. como o faz o illustre Rossi.ABO 15 com Isabel para que se não sirva das drogas que lhe ministrara. devendo -se por esse facto afiançar em absoluto. 29—ao facto do crime. e não os dous outros ? Se é indiscutível que o cúmplice fica sempre estranho. Io n. um indivíduo que ãifectamente concorreu para que o aborto se realizasse. porém. porque na primeira hypothèse figurada só os actos de principio de execução praticados pelo agente do delicto hão de determinar a responsabilidade de Pedro. como diz Le Sellyer—Traité du Droit Criminei cap. e tomando os medicamentos o aborto se verifica. Na segunda não ha delicto algum a punir . Ora. isto é. sem o que seria autor . esses três individuos praticaram os mesmos actos — venda de 'drogas que deviam provocar um aborto —. Na terceira deu-se um crime consummado. conseguintemente seria impossível a existência de cumplicidade. Isabel mantém seu propósito criminoso. Se. e existe um cúmplice a punir.

16 ABO quanto a abstenção dos mesmos actos em relação a Paulo firma a irresponsabilidade deste ? Porque Sancho. que cada culpado só deva ser punido em razão da parte que tomou no delicto . só verificando-se a tentativa ou crime consummado pôde existir cumplicidade. pelos mesmos factes. mas em tempo se arrependera. como se ha de. sendo comtudo indispensável para haver cumplicidade que elle exista. embora seja Certo que o cúmplice fica estranho ao facto do crime. ha de ser punido por factos estranhos á sua vontade. e Paulo não pôde ser attingido por nenhuma pena ? Ainda mais : se é lei da responsabilidade humana. é a culpabilidade relativa de cada uai délies. mas diante do jure constituendo. se é regra de justiça distributiva que a medida da pena entre os culpados. se limitara a vender drogas para provocar um aborto. punir a uns e deixar impunes outros ? Como sustentar convencidamente semelhante doutrina. quando contra ella protesta energicamente o principio altamente proclamado pela sciencia da proporcionalidade das penas com os delictos ? Serão de subido valor e procedência taes argumentos. Assim ex-vi dos principios seguidos por nosso Código. que como Paulo. como ensinam Chauveau e Helie. Chau- . e isto dependa essencialmente do agente do delicto.

bem pondera Le Sellyer. 50 e seguintes.. por seu escravo Joaquim . Tom. tornando-se entretanto somente punivel desde que o delicto for tentado ou consummado. visto como o legislador brasileiro não trata nelle de firmar. Nem poderia fazel-o sem a grave pecha de casuistico.-200 de nosso Cod. tentativa. Todas essas objecções desapparecem. Crim. Não são ellas applicaveis ao art. ver-se-ha que a cumplicidade existe quando se dá o concurso directo para o crime. porém. pois no art. ou na execução para que seja responsável pelo concurso prestado ao delicto. pag. 5o firmou elle a regra . 132 e seguinte. I o pag. Demais. Pen. se attender-se. Boitord. 2o pag. e Dallóz verb. Cod. Tom. como. o que seja cumplicidade de aborto.ABO 17 veau e Ilelie. 276. e sobre a existência juridica da qual jamais poderá ser consultado o jury. que a cumplicidade é conseqüência de um facto e não um facto. sendo conseguintemente uma questão essencialmente de direito. ensinam que não é necessário que o cúmplice tenha tido participação no começo da execução. como luminosamente o decidio o Supremo Tribunal de Justiça por Accordão de 24 de Outubro de 1860 em causa em que era Recorrente Matheus Vieira Cardoso. Legraverend. diante do seguinte argumento.

que cremos ter feito a ' este respeito. cirurgião. e pondo ao serviço do crime. ou praticante de taes artes que abusando indignamente de seus conhecimentos fornece drogas a qualquer mulher pejada afim de que aborte. sua instrucção e experiência. se mostrasse alguém refractario â luz da evidencia. sem . faltando aos sagrados deveres de seu nobilissimo sacerdócio. e provando demais que o legislador brasileiro entendeu dever punir especialmente taes factos. 200 as significativas expressões — AINDA QUE ESTE SE NÃO VERIFIQUE — excluindo a possibilidade de admittir-se essa opinião.não acha em taes circumstancías. boticário. e tentasse improficuamente sustentar que fornecer com conhecimento de causa drogas ou quaesquer meios para provocar um aborto eqüivale a concorrer directamente para se commetter esse crime.18 ABO geral e invariável da cumplicidade do todos os crimes. Quando. porém. ahi estão no final do art. 200 encontra apoio em considerações valiosissimas. não podia ser punido com a mesma pena com que o é quem se. como o fez. O medico. com incrivel audácia o perversidade requintada. A desproporção no gráo de penalidade que se nota na 2a parte do ort. pois desse modo não haveria proporcionalidade na punição dos delictos.

é o mal merecido pelo autor do delicto. Francez. 317 do Cod. e Bonin comment. como também o é o Cod.ABO 19 contestação o ideal ainda não completamente attingido pelos legisladores de todos os povos. Ora é isto justamente o que justifica a disposição da 2. para o sacrifício da vida de um ser indefeso. visto como ninguém ousará negar a perversidade do medico que fornecendo drogas . a parte d'esté artigo. e são de ordinário. a parte do art. e a opiniãc de notáveis criminalistas ó em favor da afirmativa—Aresto do Tribunal de Cassação de 10 Dezembro de 1835. A pena em si mesmo. bem como diversos podem ser. Nosso Código é omisso a este respeito. Penal. A jurisprudência porém dos tribunaes francezes. os grãos de perversidade d'esses mesmos agentes. e não podia deixar de estar. Sua medida pois está. ara provocar um aborto concorre calmamente de seu gabinete. 200. ao citado artigo. diz o illnstre Rossi. E aqui cumpre-nos investigar se a parteira que praticar esses mesmas actos deve incorrer na sancção da l. Mas a compartecipação dos différentes agentes do delicio nem sempre é a mesma.—Carnot sobre o art. ou na 2 a . na nataresa e gravidade do acto imputavel. Nem outra poderia ser a solução desde que as parteiras se acham em condicções idênticas aos mencionados 4 .

por meio de papeis impressos. ou por meio de discursos proferidos em publicas reuniões. Na hypothèse de voriíicar-se o delicio. quer sejam ou não empregadas. MÁXIMO. O delicto do art. e multa correspondente á metade do tempo. . deve ser comprehend ido o delinqüente? À' primeira vista affigura~se difficil a resposta qúe aliás nos parece simplicissima. 1*011 a s . em qual dos dois artigos. ou na occasião e lugar em que o culto se prestar. 199 ao contrario o legislador pune facto diverso—o aborto consumado.—G mezes de prisão simples. e consiste no fornecimento de drogas para que o aborto se verifique. A J b x z œ a i * ou zombar de qualquer culto estabelecido no Império. 200 é um delicto sui gênons.—N'este caso o emprego dos meios pôde dar em resultado um crime consumado ou tentado. constitue por si sô a infracção punida. No art. A distincção parece-nos bem clara.20 ABO na segunda parte do artigo de que nos temos occupado. que se distribuírem por mais de quinze pessoas. N'aquelle o fornecimento de drogas. 199 ou 200. lithographados ou gravados.

Luz que brilha no intimo da consciência do homem civilisado. 211. idem. que segundo incrédulos dissertadores fora a primeira religião do gênero humano. apparece em face do sabbeismo e do fetichismo : se alli o pantheismo se desenvolve sob as formas emblemáticas em quanto o dualismo de Mai és firma seus princípios creadores—o áo bem e do mal—. MÍNIMO. 21 ~ 3 mezes e 15 dias idem. como diz Lamennais.ABU MEDIO.) O sentimento religioso é. emquanto na forma a lei da variedade as domina. como na do sem i-sol vagem. sem contestação. Se. — i niez idem. e mu Ha idem. Se aqui o polytheismo. (CÓDIGO CRIMINAL ART. fatal e irresistível tendência da organisação h u mana. nem por isso um laçocommum os deixa de j>render em suas variadas manifestações e encontradas tendências.te. visto como os systemas religiosos d'essas seitas fundãose em dados cosmogonicos. o multa. não existe senão uma \ \ . Não ha negar : uma lei de unidade prende em sua essência as religiões. embora falsamente comprehendidos. a natureza derramou-a em ambos providenciaime.

uma lei do homem. a liberdade de consciência. Ora se a religião é mais do que uma tendência. uma sociedade chamada gênero humano. firmando demais no art. bem como de apreciar suas doutrinas. e da fé religiosa. tendências.edesciplinas. . que representa completamente anaturesà immutavel e inalterável de que cada homem partecipa indubitavelmente. 277 quando o legislador constitucional compenetrado do dever sagrado que tem todo o homem civilisado de prestar culto de adoração ao creador do Universo depois de estabelecer como nacional a Religião catholica apostólica romana garantira no art. e immutavel. 5o a tolerância do culto publico das outras religiões em casas para isso destinadas sem forma alguma exterior de templo. não podia o legislador de nosso Código Criminal deixar de escrever o art. a Religião não é a lei do homem senão por que é ella a norma d'esta sociedade permanente ou lei do gênero humano. se os indivíduos ligados entre si por sua natureza commum formão um todo permanente. 179 § 5 de nossa Const. Polit. e se as leis dos seres intelligentes são conhecer a verdade e á ella adherir. Desde que cuidou elle de estatuir por esse modo o direito que ao Estado incontestavelmente assiste em relação á polie a dos cultos.natureza humana inalterável.

Mas se servindo-se delle. embair e seduzir. ou por meio de discursos proferidos em publicas reuniões. que se distribuem por mais de 15 pessoas. unicamente llude-se a terceiro ignorante dos ritos e cereimonias de tal culto. lithographia. ou gravados. Assegurar o Estado a liberdade de crenças religiosas. ou gravura n'essas condições contra qualquer culto permittido pelo Estado. Zombão dos cultos'aquelles que os motejão.—enganar. e incorre por isso na sancção do art. Zombão ainda dos cultos os que d'elles abusão enganando com falsas apparencias. abusa ou zomba d'elle. escarnecem. seria um absurdo revoltante. lithographados.) Assim quem publica um escripto. isto em seu Código Politico. tolerar se estabeleção com suas disciplinas e cultos e deixar impunes os que contra elles attentassem.ABU 23 seria impossível omittir o artigo de que nos occupants. ou como por jogo e zombaria (S. ou na occasião em que o culto se prestar Convém ligar a devida significação ás palavras —abusar e zombar—que á muitos podem parecer essencialmente différentes. Por isso no artigo que analysamos se incrimina os que d'elles abusão e zombão por meio de papeis impressos. Luiz verb. por exemplo.—üludir. mangão e ridicularisão. crer . 277. fazendo.

9o. as analyses que envolvem injuria e zombaria. permittida pelo § 2o do art. especificado no art. 277. por si só bastante para determinar a responsabilidade criminal de seu agente. e a esta não prejudica.. com met terá quem assim proceder o delicto previsto no art. lhe hade succéder um milagre. e como taes cahem necessariamente debaixo da alludida sancção penal. — nesse terreno a religião catholica nada . e disciplinas dos cultos permittidos não podeai ser consideradas como um delicto de abuso. Crim. Não são razoáveis. que as analyses razoáveis d)S princípios. e por esses meios obtém para si parte da fortuna alheia. por isso que abusara do culto ? Evidentemente não. visto como não se abusou do culto. ex vi do preceito do § 2. pois bellamente dizia em 1857 o padre Ventura tratando dos inconvenientes das discussões religiosas.24 ABU que praticados taes ac tos. Também é fora de duvida. 9o do Cod. e feito certo donativo. ou adquirir qualquer poder. porém. 277. vai até a analyse dos principios da religião do Estado. ritos symbolicos. Se a tolerância de discussão.° do art. O crime commettido não é o previsto no art que analysamos. mas sim da boa fé e ignorância de quem se deixou colher nas malhas de um bem caracterisado artificio fraudulento.

A lei franceza de 25 de Março de 1822 no art. e multa de trezentos a seis mil francos os que por—discursos. 179. gravuras. emblemas ultrajarem ou provocarem irrisão contra qualquer religião cujo estabeléciment > for legalmente reconhecido—. Seria impossivel affirmar que semelhante disposição não ficou virtualmente alterada pelo Oodigo. art. Comprehendendo a neceasidade de punir os insultos e zombarías contra os cultos permittidos em França. Também cumpre observar que a disposição do § 6o do art. desenhos. pinturas o". por escriptos impressos. 277. 2o da Lei de 20 de Setembro de 1830 não está em vigor desde que sua materia foi comprehendida no art. Io —pune com a pena de prisão por 3 mezes a 5 annos. § 4. da diffamação. Nem outra poderia ser a intelligencia desse § 2o. —da mesma maneira não prejudica aos outros cultos desde que se não firme no terreno do insulto. ameaças proferidas em lugares ou reuniões publicas. ou ainda no da critica grosseira e brutal.ABU 25 teme. deixou entretanto livres as contro- . grilos. desde que a Constituição garantio a liberdade de pensamento por palavras* escriptos e imprensa. —Const. e antes tem tudo a ganhar em ser conhecida e provada pela contradição e combate.

. não existirá cumplicidade ex-vi da regra do art. O legislador de nosso Cod crim. fôr praticado por meio de papeis impressos. lithographados ou gravados. a competência da accusação por parte da justiça publica.no nosso Código. exactamente co. e o fez no art. como asseverava o illustre Portalis na Câmara dos pares. 8o do mesmo Cod. irreconciliavel de tão salutar prerogativa. A razão de semelhante excepção é intuitiva. e publicidade delle pela imprensa. almittir cumplicidade em taes crimes seria contrariar aquelles princípios. de nenhum modo perturbam a segurança e paz publica. e indirectamente sanccionar a censura. 179 § 4 estabeleceu ampla liberdade de pensamento. e theologicas. por isso mes no qua estas. no terreno da decência e comedimento.26 ABU versias philosophicas. considerando altamente importante a punição do delicto previsto neste artigo. o que mais tarde fez no Código e leis do p/ocesso. Desde qua a Constituição politica no art. 312. Por ultimo cumpre attender que se o abuso ou zombaria contra os cultos permittidos. entendeu que lhe era licito desde logo estabelecer. adversaria.

outra cousa mais que o abuzo da fé.°—secção a 2.° Tit.° secção 3. 2. (PROV. DE 20 OUTUBRO DE 1834. bem como o Código Portuguez no Liv. . a .) _A_l>xi s o de autoridade.° Cap.ABU 27 A b u s o de liberdade de communícar os pensamentos. 2. da seguridade ou tranqüilidade de espirito nascida da opinião em que estamos de que nenhum perigo nos ameaça.° o considera como crime especid. l > x i ^ o de confiança no commettimento do crime é circunstancia aggravante. . (COD. isto é. . não exceptuados por lei que prive o delinqüente do foro. CRIM. 2. conlica.° Tit. 3. Veja-se Crime tra a boa ordem e administração . ART. 16 § 10 ) Não é o abuso de confiança. § 2. segundo nosso Código. 5. A J b u s o de autoridade em occasião de serviço. N'esta parte não seguio o legislador brasileiro Código Francez que no Liv. A . Veja-se Aecusação e Delidos. éciime militar. e classificou-o como circunstancia aggravante. ou influencia do emprego militar.

da Sordenha. ao menos a justa descriminição. 258 e 265. senão a completa solucção do diíficil problema da proporcionalidade dis penas aos delictos. das Duas Sicilias. Em sustentação d'esta opinião invoca-se o art. e mesmo em sua vida por quem jamais suspeitaram capazes de semelhantes attentados. Crim. e como es tellioMCçto no art. 430 do Cod. 408 do Cod. visto como em definitiva nos citid. Penal Francez. 2. e d'elle próprio. 265.)s artigos de nosso Código pune-se distinctamente o abuso de confiança como furto no art. 161 do Col. 258. da Austria.28 ABU O abuso de confiança facilita notavelmente os crimes. a parte do mesmo Cod. Temos ouvido sustentar algumas vezes que o abuzo de confiança não é circunstancia aggravante mas elementar dos delictos previstos nos arts. não pode certamente ter contra si a circunstancia aggravante do abuso de confiança. visto como as victimas são attacadas e offendidas em sua propriedade. e todos os modernos Códigos da Aliem an ha. 635 do Cod. ou a desvia ou dissipa. Em verdade desde que a cousa alheia é recebida por vontade do dono. e apreciação das circunstancias que os rodeão e os tor- . aquelle que :>e ar roga o dominio ou uzo d'ella. Se a theoria das circunstancias aggravantes tem por fim.

. visto como esta ficou desde então restabelecida. que nullificará a aggravante do abuso de confiança. extincto desde muito em seu espirito.ABU 29 não mais ou menos graves. que se não pode reconhecer a existência d'esta aggravante se o oíFendido algures mostrou receio de que o delinqüente o offendesse. Também pensam ainda alguns. e no momento em que é elle consumado deposita na pessoa do delinqüente fé e seguridade. embora acatemos devioamente aquelle julgado do Superior Tribunal. e em 13 de Maio de 1874 o decidioo Supremo Tribual de Justiça no processo e julgamento do desembargador José Cândido de Pontes Visgueiros. Mantemos opinião manifestamente em contrario. não será de certo a circunstancia de um receio. não pode certamente circunstancia que ó elementar do delicto ser considerada aggravante. demonstrando isto por palavras ou actos. e conseguintemente não se deve juridicamente deixar de computal-a para a medida da punição. Se o offendido antes do delicto.

nenhuma necessidade havia de accrescentar a doutrina do § de que agora nos occupamos.° § 3>) A' primeira -/ista parecerá a quem meditar o § 3 ° do art. 2.° que n'elle foi o legislador brazileiro redundante visto corno tendo definido no § 1. L. e quando as Ordenações Phillippinas publicadas no começo do século XVII reflectião na parte criminal toda a severidade dos códigos de Affonso V.30 ABU Aïynzo de poder. ORIM. (COD. ou em prejuízo dos particulares. que consiste no uso do poder (conferido por lei) contra os interesses públicos. Entretanto assim não é.° Tit. ART. e fírmavão a irresponsabilidade dos governos.° o que é crime. julgar-se-há crime ou delicto. sabe-se que esta se estendia aos funccionarios ou agentes da autoridade publica Então a impunidade das pessoas de maior qyalidade. 38 era mais que um facto. sem que a utilidade publica o exija. 2. e como tal considerado a tentativa no §2.° 5. . No domínio do antigo direito portuguez sob que vivemos.°. na expressão da Ord.

estatuindo porem uma regra geral que servisse á punição de todos os abuzos do poder. Em relação ás disposições subsfcanciaes do § 3. e fácil será enumeral-os.°. 179 § 18 estatuindo a organisação de um Código Criminal fundado nas sólidas bazes da justiça e eqicidade. e 179 § 29 de decretar a responsabilidade dos ^ninisíros. Em relação aos primeiros encontramos os arts. e n'ella. De uns e outros ofFerece numerosos exemplos. e sem hasitar.ABÜ 31 0 Brazil proclamando em 1822 sua independência. . 133 § 3.° são ellas de fácil comprehensão. 156. e fundou sobre novas bazes as leis penaes que o devião reger. art. devendo portanto alei penal ser derivação da lei moral.° do art. como diz Bonneville. magistrados e mais empregados públicos pelos delidos de abuso de poder. Definindo o que seja abuzo de poder distingue a violação de interesses públicos ou particulares. abolio a legislação do regimen colonial. senão porque é o reflexo da delegação dajustiçade Deus. Comprehendeu que a justiça social não é ligitima. sem contestação os mais fortes mantenedores do velho regimen absoluto. 2. attendendo aos novos e vivificadores elementos de sua vida social. e firmando a autonomia de nação livre e independente escreveu desde logo sua Constituição Politica. não esqueceu nos arts.

e com penalidade proporcionada a gravidade do prejuízo possível ou real—Veja-se Bonin Cornent. deixar de considerar delicio o abuzo de poder. A obrigação que assiste aos funccionarios públicos de rcspeital-os. Francez n. do que como sancionando sua violação pelo poder publico sob esse pretexto. como îez nosso legislador. exceptuado o caso de collisão com a publica utilidade. ao Cod. 145 e 149. isto é reconhecidos taes por nossas leis. Pen. Penal Francez encontra-se a mesma distincção de nosso Cod. 140 o 142: pelo que diz respeito aos segundos os arts. No Cod.—conferido porlèi. A clausula— sem que a utilidade publica o exija—deve ser entendida antes como resguardando os interesses. e que se encontra no systema geral de nossa legislação é a melhor resposta ás objecções que essa clausula possa levantar. Em relação aos delictos particulares cornmettidos por funccionarios públicos o abuzo de poder é çireumstancia aggravante—art. Nas expressões.—abuzo de poder contra particulares e contra a coicsa publica. São os magistrados essencialmente eacar- .—não como^rcgrageral mas como delidos especiaes.° 318. ou melhor os direitos dos particulares.—reíètése aos abusos de poderes legítimos. 275 do Cod. 144.32 ABU 130. Não se poderia em verdade.

a violação da confiança neste caso. . se refere á uma posição particular. é uma necessidade de ordem publica. como diz Benthan. Se.) A razão que determinou o legislador brazileiro a considerar o abuso de poder. A J b i x s o de poder dos empregados públicos nos delidos particulares é considerado circumstancia aggravante. paz publica. como espalhão o alarma no seio dessa sociedade que d'elles tudo espera. e para isso se lhes delega pode res. se a lei suprema dos %\. nos crimes particulares. e garantias de todos os direitos. . (CÓDIGOCRIMINAL ART. como circunstancia aggravante é de incontestável valor e procedência. á um po ier confiado que impunha ao delinqüente obrigação que esqueceu . Se pois os em pregão elles em abertamente violal-os. não só contrarião de fronte os fins de sua instituição. e conseguintemente devem ser punidos por esse àbuzo.33 ABU regados de velar no socego. 21O. em proveito de suas paixões. ou melhor por esse delicto. À responsabilidade dos funccionarios que abusão do poder confiado.

não pode este deixar de ser considerado circu nstancia aggravante. e fazel-os prevalecer sobre os personalíssimos. sendo por tanto circunstancia aggravarte de todos os mais. não podia nos crimes particulares deixar nosso legislador de considerar o abuso de poder como aggravante. visto que sendo elles como ensina Benthan. e como delictos espeeiaes punio violações d'essa natureza em diversos artigos. visto como encarregados de funeções publicas é lógico que . dos quaes mais tarde nos oecuparemos.^ bem de vêr que só nos crimes public )s o abuso constitue o próprio delicio. e nosso código nesta parte o seguio. mas sim elementar dos mesmos delictos. alem do próprio delinqüente. os deledos que prejudicão d tal ou taes in lividuos designadamente. 2. Em relação porem aos delidos particulares declarou-o circumstancia aggravante. Ainda mais: se nos delictos commettidos por funccionarios públicos o abuso de confiança não é circunstancia aggravante.34 ABU funccionarios públicos é promover os interesses collectives da sociedade.* o legislador brasileiro declarou crime o abuso de poder. desde que os empregados públicos praticão crimes d)s chamados 'particulares com abuso de poder.do art. sagundo a melhor e mais seguida opinião. No § 3.

justificou a distincção que estatuía entre a circurnsíaucia aggrava ate e o delido de que se oecupou nos arts.— fica fora de questão que o pensamento delictuoso não constitue facto punivel. 2.°) N'este artigo definio nosso Código de uma maneira precisa. Distinguindo finalmente o abuso do poder como Io. e até mesmo punil-o. o que seja crime ou delicto. (CÓDIGO CRIMINAL ART. Affirmando que é elle a acção ou omissão voluntária contraria as leis penaes. em proveito do crime.35 ABU sua punição seja aggravada por servirem-se. e como occasião. D'esde que só é crime—a acção ou omissão. julgar-se-ha crime ou delicto. 275 e Oõ Q Q 0 A c g à o ou omissão voluntária contraria às leis penaes. da autoridade que lhes foi confiada para prevenil-o.° § 1. E em verdade o pen- . traçou a linha divisória dos elementos material e moral do delido.

embora não consumado. e pesquisas inquesitoriaes. dizBoitard. em vista das regras geraes da imputabilidade criminal. irresistível em seus Ímpetos. exigindo para a existência de um delicto a de uma—acção ou omissão. Se algum Código. o pensamento não pode. o que seria o mesmo que punir o pensamento.36 ACC samento criminoso não podia como tal ser considerado. fora da acção da penalidade. Nosso God. e nem como delidos podem ser qualificados por isso que sua propria natureza exclue nãosóapossibilidadedebem averiguai-os. de sua criminalidade só conhece Deus e a consciência. principio yerigoéissimo e repudiado desde os tempos dó . como dizia o illustre Rossi. na expressão do Dr. e não é punido pela legislação de nenhum povo. mas ainda a de impor-se-lhes penas.—declarou indispensável a verificação de um facto material. pretendesse verificar e punir a resolução criminosa. que fariam um mal maior do que o bem proveniente da pena. por isso que. em regra. Assim os actos denominados preparatórios ficão. Braz Florentino. mysterioso as vezes em sua formação e revelação. Superior á acção dos seres exteriores. escapando a acção material do homem e ao império da justiça humana. lançar-se-hia necessariamente para conseguil-o no caminho das ficçoes odiosas.

L. a que denominamos vontade. como diz Ortolan. embora este Código a empregue também em seu art.ACC 37 Direito Romano— Corjitaiionis pœnam neraopatityr—Ulp. esse poder de resolução com império sobre os órgãos de nossa actividade. de pœnls. O raio que . não seria acção im~ pütavel e eonseguintemente punivol. se o não for escapa a acção da justiça social. 1. que não é outra cousa senão a abstenção deacção. não é em ultima analyse outra cousa senão a liberdade do ser pensante. por que esta só pune as violações filhas da vontade e intelligeacia que correspondem a direitos ou obrigações. Co r> effeito. condicção indispensável á imputabilidade de um facto delictuoso. como passamos a demonstrar. é o poder da liberdade ou da vontade. A omissão. Ora acção a que não presidisse a vontade. Á expressão—voluntária—que pelo legislador foi empregada com toda a justeza para determinar a espontaneidade. ou não fazer. 18 Dig. mas nem por isso deixa de determinar a existência do delicto desde que é voluntária. é um facto negativo na phrase dos Jurisconsultes. fazer. e por ella não fosse determinada. pareceu ao illustre commentador do Código Penal Portuguez o Conselheiro Ferrão inutil e redundante. pois.° Entretanto assim não é. A faculdade de querer.

e por isso não podem ser punidos. 2. com imputabilidade na linguagem jurídica. isto ó. D'ellas nos oceuparemos opportunamente. E' aqui o lugar próprio para observar que o nosso legislador no art. e que não são puramente criminaes.° As expressões—contraria á lei penal—vieram determinar quaes as leis cuja violação constitue delicto. para que tenha lug ir a punirão é mister que o mal produzido. Demais. Por ultimo. Se pois o legislador a tivesse omittido deixaria incompleta a bella difinição doutrinai e scientiííca de crime que nos deu n'este § do art. muitas outras leis temos que não estão comprehendidas no God. não praticam actos con voluntariedade. . distincto commentador do Código Penal Portuguez. o irracional que accommette e mata. que o resultado da acção ou omissão seja coasequencia da intelligencía e liberdade do homem. como diz Levy Maria Jordão. exceptuou como devia. pela falta do cumprimento de algum dever ou obrigação. com liberdade. ás quaes pelos regimentos das autoridades e leis sobre o processo esteja imposta alguma multa ou outra pena.38 ACO fulmina. comprehendendo-as como puniveis —as acções ou omissões não declaradas no Código. 310.

não sujeita a pena alguma. ( ) principio da não retroactividade das leis proclamado desde muito pela legislação romana na regra—ubi non est lex. e de que se não conceda revista. como principio. não h v ria m. firma de modo irrecusável a não retroactividade das penas. exceptuadas porém as que não sendo puramente criminaes.° do art. pois se a lei penal retrogadasse a idéa de segurança indivi lua] desapareceria.39 ACC A o ç a o . 310. (CÓDIGO CRIMINAL ART. e antes d'esté. que já não esteja imposta por sentença. 310 confirmando o legislador brasileiro a não retroactividade das leis penaes. . mas não declarada nelle como tal. e com ella a liberdade. no § 3.sis segurança nem liberdade. dizia Toullier. que se tenha tornado irrevogável.—é a suprema garantia de todos os direitos.) * • Na primeira parte do art. 1. pelos regimentos e leis do processo são punidas com multa ou outra pena. e como regra em relação a competência e penalidade no § 11 do citado art. 179 de nossa Constituição politiea. criminosa antes do código criminal. já por elle prescripta no art.° do Cod. Se as leis podessem ter eífeito retroactive. nee preoaricatio..

E' aqui o lugar próprio de descutir a these— . que constitue sua 2. entretinto são passíveis de punição. delidos. — não eram passíveis de penalidade. a parte d'esté artigo. que nossa lei civil reconhece acções e omissões que posto não constituam. especial e formalmente faliando. existindo também muitas outras que como taes são consideradas. Accresce ainda. por sentença irrevogxvel. Não tem entretanto actual mente valor algum a doutrina da l. a parte. O art 308 em seus §§ refere-se a diversas.40 ACC bem inestimável. Não podia conseguintemente o legislador de nosso Código Criminal deixar em 1830 de especificar que—as acções ou omissões. já dissemos que nem todas as acções ou omissões não consignadas especialmente no Código escapam por isso a acção da penalidade. na opinião de muitos. Em relação a doutrina da excepção. visto ser ella de todo o ponto inapplicavel. ou de que se não conceda revista porque então dar-se-hia o caso julgado. contra o qual não ê licito legislar.—que posto criminosas pelas leis anteriores não fossem como taes por elle consideradas. Exceptuou entretanto a hypothèse da existência de imposição de pena. visto como o abuso e o capricho seriam então árbitros dos destinos dos cidadãos.

entregasse a cousa. por isso que o art. Tit.ACC 41 sea falta de entrega de deposito civil sujeita o depozitario infiel á prisão. os escriptores antigos e mesmo alguns de nossos tribunaes tem constantemente confundido cousas essencialmente distinctas. ou usasse úJella sem vontade expressa do senhor. No Direito commercial nenhuma duvida se pode levantar. a respeito d'esta materia. que aliás nos parece simples. E' prova d'esta nossa proposição a propria épigraphe da citada Ord. por isso que ó um contrai-lo do qual conhecem os juizes por meio das acções competentes. Em primeiro lugar observaremos que a Ord. e o depositari recuzasse enlregal-aao senhor sem justa e légitima causa. E senão vejamos. é. só depois de sentença em pro- . L. 2&4 do respectivo Cod. aos depositários judiciaes. que trata especialmente da prisão por dividas Cim vis. devia ser preso ate que da cadê'. como se tem entendido. 76 § 5o que dispunha:—se alguma cousu fosse posta em guarda e deposito. Ora se o deposito extrajudicial diffère essencialmente do judicial. ou simplesmente a processo crime. Não succède porém o mesmo no direito civil pátrio.—não se refere. mas sim aos extrajudiciaes. N'este assumpto. 4o. positivo.

e por virtude d'ella. recebedores. Se pensamos d'esté modo é claro que não podemos deixar de responder pela negativa a primeira parte da these que discutimos. concluindo por tanto que semelhante procedimento dos depositários infiéis só pode dar lugar a acçâo criminal. de 18 de Agosto do mesmo anno. é claro que caducou a doutrina da Ord. se occupava do caso do haver entrega do deposito á qualquer funccionario da justiça. mesmo na hypothèse figurada.° que propriamente se referia aos depósitos judiciaes. Em relação porem aos desfalques em que forem encontrados os thesoureiros.42 ACO cesso regular. não sò pela disposição terminante da Lei de 20 de Junho de 1774 § 19. é hoje inadmissível a prisão quer do depositário judicial. e Ass. posto seja indispensável attender á que esta Ord. L. 49 § 1. Se nos arts. almoxarifes. 146. 4o. como também em virtude da doutrina do artigo que analyzamos. que não entregam as cousas que lhes são confiadas n'esse caracter. 147 e 265 o legislador criminal punio não só os depositários extrajudiciaes. 4. como osjudiciaes. Tit. poderia ter lugar a prisão se esta fosse admittida por nosso direito. Em segundo lugar observaremos ainda que. 76 § 5o e também a do L. collecterez. quer do extrajudicial.° Tit. contratadores e rendei- .

SENTENÇA Conhecendo-se. em que era Recorrente o Juiz de Direito da Cidade da Vict ria.° do Decreto n. e Recorrido o tenente Antonio Rodrigues Pereira. por quanto não constando da Ordem de fl 6. e auto de perguntas de ft\ 13. que na Corte o Ministro da Fazenda. e resposta de fl. visto não haver motivos legaes que justifiquem sua prisão. mandando mesmo formar-lhes culpa pelo crime de peculato. nos casos previstos no art. 15 do refelido Inspector. ex vi do art. que o tenente Antonio Rodrigues Pereira. exThezoureiro da Fazenda Provincial. 429 / .° do citado Decreto.é indiscutível. 657de 5 de Dezembro de 1849. 2. que antes da prisão administrativa do paciento se .ACC 43 ros. e nas Províncias os Inspect >res das Th escuraria-*. 6. soffreu violência. podem e devem ordenar a prisão administrativa d'aquelles funccionarios. pelas deligencías a que procedi. preso no quartel da companhia de infantaria d'esta Cidade â ordem do Inspector da mesma Thozouraria José Joaquim de Almeida Ribeiro. A' este respeito não podemos deixar de transcrever aqui a sentença e accord ao da Relação da Corte proferido sobre o habeas-cor pus n.

como deprecou. e mais documentos de sua gestão.. ainda menos que o paciente deixasse de apresentar no auto do exame nos cofres á seu carg ). por isso que estão previstos pelo art. contas e t c . as contas. 143 do Reg.44 ACC tivesse tomado em sessão. ou em qualquer outra occasião.. Provincial. 80.° § 12 combinado com o art. para dar-se então a providencia recommendada pelo § 13 art. casos estes em que também tem lugar a prisão preventiva dos responsáveis pelos dinheiros públicos da Fazenda Provincial. 3. no dia 28 do mez proximo findo. a deliberação do que reza o art. está visto que ao Inspector da Thezouraria faltava attríbuição para deprecar. livros. 88 do faliado Reg. 72 e seguintes do Reg. 33 de 4 de Dezembro de 1889. approvado pela lei provincial n. 86 do mesmo Reg. na Thezouraria da Fazenda Provincial. Mas. como fica expendido. com as formalidades exigidas nos arts. fixando o alcance do paciente para com a Fazenda Provincial. depois do praso marcado para apresentação dos livros. a prisão administrativa que soffre o paciente. 3 o do mesmo Reg.. E nem podeai reger o caso em questão os Decretos e mais Inslrucçdes e ordens geraes. os casos em que tem lugar a prisão administrativa. como nas faltas e omissões manda o art. segundo o disposto no art. quando fosse ne- .

e mais peç is d'estes autos para responder no praso de 15 dias pelo abuso de autoridade. ê arbitrariamente preso á requisição do respectivo Inspector. ou omissos em fazer as entradas dos dinheiros a seu cargo nos prasos que lhes estiverem marcados : entretanto que o paciente por simples exame á bocca dos cofres da Thezouraria. Recorro ex -officio para o Tribunal da Relação. concedo a pedida ordem de habeascorpus.° da Lei da Reforma Judiciaria) á quem se entregará copia da presente dicizão. vê-se que os Inpectores das Thesourarias só podem ordenar a prisão dos Thezoureiros quando forem remissos. sem liquidação do active o passivo provincial.ACC 45 cessario recorrer ao Decrete n. nos termos do § 3o do art. Pelo que. 18 § G. ainda assim do art. como pretende o inspector da Thezouraria em sua portaria de fl. 1G de Setembro de 1873. G57 de 5 de Dezembro de 1849. Victoria. pagas as custas em três dobro a favor do paciente.° d'esté mesmo Decreto. e mando que em virtude d'ella se expeça ordem de soltura em favor de Antonio Rodrigues Pereira. 18 da citada lei.—Luiz Duarte Pereira. autor da violência commettida (art. pelo Inspector da Thezouraria Almeida Ribeiro. 15. . 6 e resposta de íl. 2. e antes de se lhe marcar praso para fazer a entrada do alcance que se dizia verificado.

16 para. e terminantes.46 Ace ACC0RDÃ0 DA RELAÇÃO. vistos os autos. positivas. julgar illegal a requisitada e decretada prisão do recorrido.° 657. assistia o restricto e rigoroso dever de requisitar da autoridade competente a prisão do recorrido. e do art. ao qual. nos termos do Decreto n ° 657 de 5 de Dezembro de 1849. &. sendo evidente o nenhum valor e procedência das razões em que o juiz d quo se baseou no despacho recorrido de fl. depois de verificado o desfalque dos 17:7498940. incontestavelmente se acha indiciado no crime de peculato. que. Dão provimento ao recurso ex-officio interposto do despacho a fl. cujas disposições não podem ser mais claras. 16. Accordão em Relação. nas expostas circtimstancías. em que se acha indiciado. e assim julgando condemnam o recorri- . suhtrahidos do cofre a cargo do recorrido. instaurando-se desde logo contra o mesmo recorrido o devido processo de formação de culpa pelo crime de peculato. n. 6 e 15 é indubitavel que a prisão do recorrido Antonio Rodrigues Pereira foi regular e legalmente requisitada pelo Inspector da Thezouraiia Provincial do Espirito Santo. 310 do Código Criminal. Porquanto. contra as expressas disposições do cit. attentas as informações ofrieiaes à fl. que mandam se torne effectiva. Dec.

262.) À primeira observação que o artigo 262 de nosso Cod. e contabilidade das rendas. 13 de Fevereiro de 1874. Lisboa.° do Alvará de 28 de Junho de 180S. por força do disposto no art. 380 do Cod. para. copiado do art. e art.4 °—5.47 ACC do nas custas.. arrecadação.— Pereira Monteiro. ° . Crim. distribuição.AOÇÍJLO (CÓDIGO CRIMINAL ART.° 057 de 5 de Dezembro de 18 19 art. 88 da lei de 4 de Outubro de 1831. 310 do Cod. B. ascendentes ou descendentes e affins nos mesmos gráos. quanto ás couzasque pertenceram ao cônjuge morto. .—Decreto n. Crim.° de furto não se dará entre marido e mulher. Terminando observaremos que subsisie em inteiro vigor as disposições contidas nos Titulos 3 . Rio. se proceder no que é relativo á físcalisação da receita e despeza publica. presidente interino—Sayão Lobato —Gouvea.°--7 °—e 8. Penal . vencido—/. i. nem por ella poderão ser demandados os viúvos ou viuvas.tendo somente lugar em todos estes casos a acção civil para satisfação. na conformidade d'ellas.

O art. isto é. foram as mesmas que actuaram no animo do legislador francez do Cod. ou affins nos mesmos gráos.) dizia Faure na exposição de motivos do Cod. ascendentes ou descendentes.. 262 é uma excepção estabelecida pelo legislador em favor das pessoas n'elle enumeradas. por causa de interesses pecuniários. e harmônico com os artigos 408 e 431 dosOodigos Hespanhol e Portuguez.m sem meditar é a seguinte. aliás consagrada já no Direito Romano como teremos occasião de apreciar. 257. não considerando como delicto o mesmo facto qualificado tal no art.48 ACC Francez. E* perigosissimo proseguir em uma accusação sobre negócios em que é difficilimo descriminar a linha . encarregar o ministério publico de prescrutar os segredos das famílias que talvez não devessem jamais vir á publico. E' elle vizivelmente um enxerto por isso que sua materia é do dominio das leis de processo. são tão intimas q\ie não convém. de 1810. Não é entretanto verdadeira esta arguição. a tirada da cousa alheia contra a vontade de seu dono desde que o o/fensor e offendido sejam marido ou mulher. «Às relações entre essas pessoas (marido e mulher etc. suggère aos que o lê. As razões que determinaram o legislador brazileiro a consignar no aitigo que analysamos uma tal excepção.

E' este o motivo. isto por causa ào. que aquelle que pôde punir por si mesmo. como poderia ainda ser uma origem eterna de divisão e de ódios. igualmente não era permittida a acção do furto. de Just. que impedia os antigos de concederem a!) pai acção contra o filho. que se não dava acção de furto ao pai contra o filho. mas a natureza mesmo das couzas. Em relação á esposa. não só lançaria a consternação entre todos os membros da família. dizia o mesmo § 12—que por nenhuma outra causa podia nascer acção entre elles. de oblig. Ulpiano na lei í 7 Big. não é a disposição de direito que assim o preceitúa. cod. de farils explica essa razão dizendo—o que impede que o pai possa intentar acção de furto contra o filho. e a razão era. do mesmo modo que contra nós não o podemos fazer. tit acerescenta. Paulo na lei 1G Dig. honra iH . nascuntur.ACC 49 que separa a falta de delicadeza do verdadeiro delicio. affirmava-o elle. não podemos proceder contra os que estão sob nosso poder. §12. Emfim se o ministério publico pedisse por taes factos a imposição de pena. porque. qitoe ex delict. submettido á seu poder. o ladrão não tem necessidade de propor contra elle acção. acerescontava elle.» Era principio reconhecido e acceito no Direito Romano— Inst.

para os delictos contra a propriedade. N'esta parte seguindo a opinião de Chauveau nos apartamos da que professa o illustre commentador do Cod. mas sim um delicto nas condicções expostas pelo illustre commentador. amolaram.° E tanto é irrecusável a opinião que sustentamos. velo-hia-mos figurando no seu art 9. Seo art. que analysamos. que reconhece elle com os notáveis crimi* nalistas Feüerbach. e de seu confronto com o art. para os delictos contra a propriedade. e tão bem por que &commu>%l\ão a tornava co-proprietaria dos bas do "marido. 1* JDig. e como excepção a consignou no capitulo 1 do Tit 3. a Parte. 282de nosso Código não fosse uma excepção a regra geral firmada n'esse Cap. {crimes particulares) por que se o não fizesse entraria elia na regra geral firmada n'esse mesmo Cap. Paulo L. Si. Levy Maria Jordão quando diz haverem taes subtracções verdadeiro delicto que o legislador por algum molivo não julgou prudente punir. concluimos que nosso legislador não considerou de modo algum como delicto a subtracção que tiver lugar entre as pessoas n'elle expressamente designadas.° ou 10.de rer. Portug.noni e Achilles . Do exposto. Sterling.50 Ace e do respeito devido ao casamento. Apenas contra ella era licito propor a acção denominada—rerum amotarum.° da 3.

.

L ° 4 ° Tit. eram os filhos naturaes excluídos da successão dos collateraes paternos— Lei 12 Cod. pelo direito de "representação — Novell. Civ. 5o Tit. 118 cap. e deve ser interpretada comforme os termos restrictos do mesmo direito. não podemos acceitar aquella opinião pelos seguintes fundamentos. 262 não comprehende esta ultima hypothèse Sustentam alguns que. Logo não se pode admittir semelhante regra como verdadeira quando até segundo o Direito Romano. não duvidamos assegurar que o art. L. Como porem a successão é de direito civil. os filhos naturaes não eram expressamente admittidos á sucessão dos ascendentes. e regulando os modos de seu reconhecimento. . disposição esta modernamente seguida pelo Cod. e conseguintomente que reconhecido o filho natural adquire por isso aquello direito. Pela doutrina da Ord. 27. I o e 3 o . le natiiralihics liberi-s. regularmente. nos casos em que o filho succède ao pai succède o neto ao avô.52 ACC direito á successão dos ascendentes. A lei de 2 de Setembro de 1847 igualando os direitos dos filhos naturaes dos nobres aos dos plebeos. que se invoca para ligitimal-a. e mesmo dos collaieracs pelo lado paterno. não creou direito novo quanto às regras da successão. Portuguez art. 92 pr.

N'este sentido conta a jurisprudência um Accordão da Relação Révisera de Maranhão na Revista Civil n° 8075. prende o filho natural ao avô e collateraes paternos. Fran- . Pelas expressões— acção de furto —ficou a excepção restringida a esse delicto. que segundo alguns. Se diante do direito civil são estes os fundamentos pelos quaes se não pode acceitar a relação jurídica. Civ. como diz Boitard e já o fizemos sentir. e também pelo Cod. 75G. não podia o legislador referir-se aos filhos naturaes. por isso que o Cod. Ainda outra questão não menos importante que a precedente suggère o art. Francez art. e que não teve parte no reconhecimento. Crim. ou esíende-se ella ao roubo e estellionato ? Embora Le Sellyer e Chauveau e Helié sustentem a afirmativa. a que era estranho. é bem de vêr que fundando o art. Ora se o reconhecimento do filho natural é um acto exclusivo do pai. a excepção que estabelece nos laços de familia.ACC 53 2005. e excusal-os pelas subtracçoes practicadas contra os cendèntes e collateraes de seu pai. de que nos oceupamos. não pode ter o effeito de prender por um laço juridico um indivíduo à uma familia creandó relações de direito entre elle e a familia. 262 do Cod.

54 AÇO cez usa da expressão genérica subtracçõf&t nós pensamos que só compreliende ella o crime de furto. firmou os seguintes princípios: « Que sendo o estellionato um furto praticado por meios artificiosos. 262—nos delictos contra a proprieda le não sedará acção aUju. que na Revista n. na hypothèse deque" nos occuparnos. é claro que a elle se refere a excepção do art.) Supre no Tribunal de Justi.ve da opinião que sustentamos. . Em primeiro lugar o estglliojiato e o roubo são punidos* pop nosso C >d. différente d > furto.nri entra miMdp e mulher % ascen lentes e descendentes. autor do delieto. não se deve. e que nos parece ser a verdadeira. Tit.-282» : Assim também não existindo. 1700. o recorrida a justiça.i^j correntes José Joa [uim Barbos i Serzedello e outro. Se esta não fosse a mente do legislador diria elle de certo no art. re.ii. e:n Cap. Xão ó esta entretanto a opiaiã> d. o que bem denota quo o legislador limitou a excepção à &$t$ delicto. nem mesmo hiver à ri'estes casos accusação por parie da justiça. slste julgado porem não nos dem . e até.c moderar cúmplices y e como taes serem processados os estranhas que se manccmmunam com algum dos cônjuges p ira defraudar o outio.

Náo se pôde descobrir pois analogia entre um e outro delicto. devendo por tanto estar comprehendido na d( utrina do art. aliás respeitável. crime publico e em que cabe accusação por parte da justiça. 462 condigna doutrina idêntica a do nosso. O código da Bélgica no art. e acreditando no arteíicio fraudulento de que elle se servira lhe faz voluntariamente entrega de parte de sua fortuna. uzando porém das expressões — vols commis par les époux au judice de leurs conjoints-—O Código da . além das já expendidas. como seria qualificada essa ecoo n'este caso? Parece irrecusável. diante d'esté argumento. De mais se fcsse possível ampliav a disposição do art. 262 ao estellionato. 262. do Supremo Tribunal de Justiça. analogia que se por ventura existisse devia estender-se também ao crime de falsidade. contra o que pronunciou-se o Tribunal de Cassação da Bélgica em 4 de Fevereiro de 1850. E' manifestamente falso que o estellionato seja uma espécie de furto. O furto é a tirada da cousa alheia contra a vontade de seu dono para si ou para outro: o estellionato ao contrario suppoe que a victima embaida pelo criminoso.ACC 55 Às razões que temos para pensar d'esté modo são as seguintes. a improcedência da doutrina.

—10 annos de prisão com trabalho. por amor do methodo. . 21 do Cod. bem como sua intelligencia. em face do art.56 ACC Ba viera ao contrario servindo-se no art. como os qualificados. A c c o m n i e í t e i ' ' qualquer prisão com força e constranger os carcereiros ou guardas a franquear a fugida aos prezos. De tudo quanto até agora temos expendindo conclue-se quaes as razoes que determinaram o art. pôde ter lugar semelhante satisfação. Crim que presupõe a existência d'elle. e sem cuja autoria previamente estabelecida pelos meios legaes. como o declarou o Commentario Official. 262. MAXIMO. não se pode reconhecer e determinar a responsabilidade do agente. Se esta se verificar. Deixa elle em seu final livre aos offendidos a acção civil para satisfação do damno causado. as fraudes &. 202. X*e'n a s . para discutil-a quando tratarmos em geral da satisfação. 228 da expressão genérica — détournements — eomprehende não só os roubos simples. Em relação á este ponto seria o lugar próprio para examinar a questão se não existindo delido nos factos especificados no art. Reservamos-nos porem.

— 4f).ACG MEDIO. 57 — 6 annos e 6 mezes. £ * o n a s cia. MED. MRDIO. MAXIMO. idem. idem. — 3 annos. MAXIMO. c u m p l i c i d a d e o t o u t a t i v a .— MEDIO. MÍNIMO. MÍNIMO. — 4 annos e 4 mezes. idem. MÍNIMO. IV o c a s o d o a r t . — 3 annos e G mezes. — 1 anno e 2 mezes. MÍNIMO. 11 annos e 8 mezes de prisão sim- ples. idem. — 7 annos e 7 mezes. — 3 annos. MAXIMO. 3Vo c a s o d o a r t . — 1 anno. I?enas 5 annos de prisão com trabalho.— 5 annos e 10 mezes de prisão sim- ples. idem.— 6 annos e 8 mczes de prisão com trabalho. MÍNIMO. idem. idem. MAXIMO. MEDIO. idem. — 2 annos. idem. Se a fugida se não verificar. . — 3 annos e 6 mezes.IO. idem. 4 9 .

Embora arrojados utopistas como Latize de Peret*e íí. — 2 annos. 122.58 ACC P e n a s cia o u n p H c i d a i l o o t e n t a t i v a . Substituir pela publicidade do delicto a penalidade em geral. M Í N I M O . coaio pretende o arguji >so autor do recente livro—Direito de puni?*—. — 8 mezes. e com eila a garantia do todos os direitos.) Ninguém desconhece que a j ustiça human t s n do um elemento de ordem social.— 3 annos e 4 mazes de prisão trabalho. de Girirdin procurem ardent 1 nente demonstrar qae a penalidade corporal. ino> tes ta vel mente legitim t nas sociedades civilisadas desde que é applioa Ia aos culpados. nã ) á um freio aos delictos. idem. a verdade é que sem essa penalidade não se p >de conceber sociedade. por que é ella na ordem social o que a luz é na o r - . a penalid t te ê como diz ftossi. (JoDiGo CRIMINAL ART. idem.-crMO. emb >ra Monte quieu tivesse dito \IXQ a tyrannia infli age as mesmas penas aos seelerados e aos homens de bem. alem iie illegitima. MA . MEDIO.

isto é. impõe ao culpado. pode ser transformada em fim. offere:. Com effeito propriamente fallando não é ella outra couza senã:) o soffrimento que o poder social. que quando muito será meio. Se pois é ella incontestavelmente legitima e necessari i. e:a materia de repressão.endo como conseqüência u l tima aquelles elevados fins no intuito manifesto de produzir o bem. não é men)s exacte que seja tauibem a mais forte das garantias da ordem social. oriundos da lei. a penalidade é sem duv da a sancção que torna eiíeetivos o$ direitos e obrigações. Sua eífectiva applicação é poiso desideratum da justiça s ocial. 122occupa-se do facto de . escudada no eterno principio da retribuição do mal pelo m ti. ó um crime grave visto como importa nada menos do que a nullificação d'esse meio eíficáz de punição. pois que só d'e farte pôde legitimamente proteger a ordem.ii physica. seria desconhecer a natureza e fim da pena. coaio assegura Ortolan. Violar consegui temente com força o lugar destinado ao eu nprimento d'ella. Como pois a publicidade. mas na proporção d'esté. M. Nosso Cod. em correcção moral e exemplo? E' impossível.no art.ti necessário. como diz Rossi. como o proclamam todos os criminalistas.ACO 59 de.

por virtude de ordem legal de autoridade competente. sendo que este pôde ser physico ou maral. Mostrou-se o legislador mais severo punindo-o do que o fora com a propria resistência..GO ACC accommétter alguém qualquer prisão com força. ou se consegue o mesmo resultado. e conseqüentes arrombamentos: d'esta Irrpothese occuoa-se o Cod. e constranger os carcereiros ou guardas áfranquear a fugida aos prezos. No aocornmettimento de uma prisão pode haver ou deixar de haver violência à mesma. ou mesmo os simples detidos preventiva a en te? Não se pode rasoavelmente duvidar se refira á uns e outros. e revela bem a audácia e sangue frio dos que o practicam. no caso do art. Não é entretanto possivel verificar-se a fuga. isto é. sern duvida porque o alarma causado é maior. no art 123. Assim. ou por meio da força physica se constrange. Como já dissemos é sem contestação gravíssimo um tal attentado. . visto como tal expressão é comprehend v \ de todos aquelles que soffrem restricção em sua liberdade. Na expressão genérica—p?*ezos—comprehende o i cdigo somente os que se acha a no cumprimento de pena. sem que haja o constrangimento. mas por meio da coacção moral. se obriga alguém á praticar taes ou taes actos. 122.

o delicto previsto noart.° 707 de 9 de Outubro do mesmo anno. As razões porem que determinaram o legislador brazileiro á consignal-a em nosso Cod. como o nosso. isto na forma do Decreto n. Francez. 119.16 de Deze. o nos de abuzo da liberdade de co nmunicar os p msamentos accuzarâ o P r o motor nos casos declarados nos arts. e consegumtemente estranha á um Código penal. 1.° 562 de 2 de Julho de 1850. não podiam OI Vi .ACC 61 Pela disposição do § 4. 99. e 279. . de que nos occupamos é processado pelos Juizes Mimicipaes e julgado pelos de Direito. (CODIUO CRIMINAL ART. 20i.° do art. 312 ) Pode-se afíírmarsem receio de contestação que a materia do art. promulgado á. 122. 277. 278. sendo que o Hespanhol e da Ba viera d'elle se occupam nos arts. 90.A a c o u z a ç ã o por parte da justiça continuará em todos os crimes em que até agora tinha lugar. nem o Portuguez punem. Nem o Cod.° do Decreto n. e 328. 312 é do dominio das leis de processo. 241.nbro de 1830. 242. o delicto previsto no art.

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Por isso nossas leis dão ao offendido o direito de jueixà. .Ace 63 mettido por meio de papeis impressos. lithographados ou gravados que se distribuírem por mais de quinze pessoas. por exemplo. e conseqüente desaggratfo di sociedade: pira isto porém é indispensável que aquelle que vem á juízo. e cio cidadão o direito de denunciar os crimes públicos e particulares inafiançáveis. ou acção puramente privada. que todo o crime offende a sociedade. 233 d'esse mesmo delicto. e bem assim no art. assumpto este de que detidamente nos occup ire nos em outro lugar-. obrig mdo-o á passar aos olhos da sdSreiade. o faça de boa fé. mas commettido por outros meios que não aquelles acima especificados. bem foi qualificado por um notável eriminalista brasileiro — direito social — . E' indiscutivel. 235 do que se realiza por meio de accusação calumniosa. por ser evidente. Se aquelle ô um direito natural. como autor de um crime infamante. e istoirresponsávelmente por que uza deura direito. e sem intençã ) dolosa de expor o denunciado ao desprezoe execração publica. este sendo verdadeira excepção positiva. occupa-se no art.). em um ou e n outro cas. Ambos tendem â repressão dos delictos. quando elle de facto o não é. provando se que o foi de má fé.

attribuidb falsamente um cri« me de roubo. de combinação com o art. 269 do mesmo « Cod. por lhe haver em queixa criminal e sum« mario respectivo. Todo o gênero de provas é fallivel. 235. è tão luminoza a sentença que abaixo transcrevemos que nos julgamos dispensados de accrescentar alguma cousa ao muito que n'ella proficientemente se diz. N'estes casos é evidente que não há um delicto á punir. quando na realidade não existem senão ligeiras presumpções. Quantas vezes testemunhas que antes de arrolladas sabiãodo facto detalhada e cumpridamente. A respeito da verdadeira intelligencia do artigo de que nos occupamos. e confessa que não conseguio pro- . Cumpre observar que o facto de dccahir simplesmente do processo. 233 do Cod. não autorisa a conclusão de ter sido calumniosa e de má fé a accusação. serão punidos na fôrma do art. Eil-a : « Vistos estes autos &.61 ACG Os que assim convencida e dolosamente propuzerem ou intentarem accuzação calumnioza. « Crim. na occasião de deporem tudo ignoram ! Alem d'isso pôde bem succéder quo alguém intente convencidamente uma accuzação crendo dispor de prova robusta. Pretende o recorrente « Manoel Teixeira Machado que seja pronunciado « o recorri Io como incurso no art.

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6ô ACC « 233 marca penas . 3. 235 do Cod.elemento indispensável de criminalidade na « hypothèse cm questão. e á qualquer cidadão o « da denuncia] e pois em queixa ou denuncia S3 « podem expor os factos mais desabonadores pos« siveis do supposto réo. acobertados os quei« xosos ou denunciantes com a presumpç-o de « que exercem um direito. Ese o próprio recorrente em suas « razões confessa que não provou a ma fé com « que essa accusação foi proposta en juizo. provando-se ser calumnioza « e intentada de má fé. mas sim por lhe haver proposto em juizo « accusação calumniosa.°. por meio de accuzação « proposta emjuizo. certo como é que essa má fé « é. e livre de responsa« bilidade. « Â razão pela qual se exige a prova directa « da má fé de quem propóz emjuizo uma aceuza« . Ora o recorrente não se queixou « do recorrido porque lhe houvesse calumniado « por qualquer dos dous primeiros* meios indica« dos. Orirn. e para a qual o art. como já ficou dito. .ção criminal. Logo « o juiz à quo nenhum outro artigo senão este « deveria ter tomado em consideração. ainda que não provera suas queixas. épor que a lei permitte ao offen« d ido o uzo da qveixa. hypothèse especial do « art. muito « justamente também o mesmo juiz deixou de « pronunciar o réo. como jus« tamente fez. 235 « marca penas.

Corno porem toda a" « presumpção deve ceder lugar à verdade se o « supposto rép conseguir provar directamente a « má fé do autor. então deverá este soffrer a « pena do art. que no art. e no art. der queixa ou denuncia. O contrario acontece quan« do a calumnia é praticada por algum outro « meio. « Assim pois. 234 do « Cod. que 7 . Crim.'' « A lei. « sob pena de ser considerado e punido como ca« lumniador. 235garante o direito de quei« xa e da denuncia-. embo« ra não possa proval-a. não prove embora o queixoso « sua queixa. Quem mal disser. e com a melhor boa fé intentada. « quem. que só por isso não poderá ser tido « por calumniador. Quem por esses meios publica factos cri« minosos de terceiros é obrigado á proval-os.ACG 67 « por que é sabido que ás vezes escapa a verda« deira prova. 235 do God. prove . 234 refreia a maledi« cencia. de modo que a accusação a mais « verdadeira. porém. fique tranquillo. e por vezes de funestas consequence cias. fora isso autorizar a maledicencia « desprezível. « pode não vingar em juizo. Eis a grande dif ferença e a sabia disposi« cão da lei. á ninguém dá o de andar propalando cri« mes alheios. segundo estabelece o art. que dá o direito da queixa e dadcnun« cia. ou falha ella por corrupção das « testemunhas.

68 ACG « nada soffre em quanto directamente contra « elle não provarem que o fez de má fé. como acima disse. . « de modo que deva infallivelmente provai a « para que não seja seu autor punido. do Cod. porque « n'esse caso restringiriam a disposição favorável « do art. p. . « o que é contrario ás regras de interpretação « criminal. 234.. também a queixa o ó.rque é o mais favorável aos « réos. Os que enten« derem que a queixa calumniosa não está com« prehenclida no art. 235. E «nem se argumente com a expressão—aceu« saç'7i — usada pelo Código. e cujo exercício « deve ser garantido. fez com« prehender a queixa e summario criminal na « disposição favorável no art. e « de que procederam de má fé. não a podem «julgar incluída no art. nem também no art. desde a queixa até os últimos « e íinaes julgamentos. e « não somente a aceusação em juizo plenário. 235. « como alguns pretendem . 235 do Código. « Esta doutrina. e ampliariam a odiosa do art. porque se esta é um « direito facultado pela lei. desde qne exige para « sua punição a prova directa da calunnia. porque esta em « sentido lato abrange todos os actos do pro« cesso criminal. e deve-se tomal-a n'este « sentido lato. que é verdadeira. 230 porque fora isso « evidente absurdo. 233.

241 do Cod. com o qual concordam inteiramente os arts. « e por isso mais apropriada. o « que rege a materia do presente processo. nego provimento ao recurso. Olegario. razão pela qual n'este ponto me aparto « da sentença do Dr. e con« demno o recorrente nas custas. Criminal. 235. Sendo por tanto. . e que aqui se trouxe á « discussão. como fica « demonstrado. Hespanliol. que agora não tenho noces« sidade de refutar. e 133 e 134 do moderno Código da Prussia. « como a ãecusação e julgamento final e clefi« nitiv*. Portuguez.ACC 69 « Será caso omisso? Não. 244 do Cod. o próprio recorrente decla« rou em suas razões de recurso não ter podido « provar. tanto que uma « d'ellas. comprehende ne« cessariamente tanto a queixa e tu. a má fè. « — Nictheroy. que foi publi« cada pela imprensa. » Como dissemos n'esta senteuça está consubstanciada toda a doutrina do art. 235 do Cod. o art. a expressão accu« sação calumniosx— mais lata que a expressão «—queixa calumnio-a—da antiga legislação. O Escrivão « leve este processo e decisão ao juiz á quo. e não estando provadas contra o recorri« doascondieções n'elle exigidas.—Joa« quim Francisco de Faria. 12 de Outubro de 1965. e re« curso.amaria. assim como da mesma me aparto « em outro ponto.

Se porem a denuncia for unicamente de um .possível. visto como é sabido. que saibamos ào menos. do L. do Processo. do Proc. ser acusado o denunciante. pode entretanto sel-o. é . ex vi do preceito do art. 78 do Cod. aventada em nosso foro. por isso que a hypothèse é possível. fica ao queixado o direito salvo de provar a falsidade d'aquella. 3. as quaes são quaze sempre -iseadas em falsas narrações ? Não se pôde sustentar a negativa.°Tit. Xo caso de queixa é fora de devida que o juramenío preceituado pelo art.5. e bellamente o diz Saint Simon. 235. em uma palavra. 43 §6. 118. á um principio de accusação.° Tit. quando até da generalidade do art. sendo uma garantia de verdade. provando-se que é ella calumniosa e filha do ódio ou vingança. inqueriçoes de testemunhas.70 ACO No dominio da antiga legislação portugueza regulavam o assumpto as Os Ids. a qual posto não tivesse sido ainda. 4824 de 22 de Novembro de 1871 se deprehende que devem ser ellas recebidas. Uma importante questão suscita o art. No caso porém de simples denuncia feita por qualquer cidadão. 279 do Cod. e dão lugar à buscas. bem como a má fé e calumnia do autor. n.° o L. é cousa facillima fabricar clen^ircias anonymas. 38 do Reg. ou âo menos de bòa fé.

por exemplo. visto como ninguém senão elle poderia ter ordenado semelhante enterramento em seu jardim. é nossa opinião que não pôde o denunciante ser punido. Entretanto. dada de má fé. falta-lhe porém um requesito indispensável— ser prejudicial a determinada pessoa. — que acompanha sempre todo e qualquer facto qualificado como crime por nosso Código. como. embora mais tarde se reconheça que é falsa. e só no intuito de fazer pairar a suspeita de um delicto sobre pessoa certa. poderá queixar-se Pedro do denunciante calumniador ? Nosso código no art. como aliás o fasem os códigos portuguez e hespanhol. se alguém denunciasse que no jardim da casa de Pedro existe sepultado um cadaver de pessoa que fora assassinada. 235 não previnio a hypothèse. exigindo que a denuncia malici< seja contra determinada pessoa. e que na hypothèse íignrada a denuncia d'esse falso delicto importa a do dono da casa. Neste sentido pensa também o erudito professor Ba- i .ACC 71 crime e não de quem seja seu autor. embora seu nome não fosse declinado. Semelhante acção é essencialmente immoral . e posto em contrario se possa argumentar que o código punindo a aceusação calumniosa o faz por que d'ahi resulta prejuiso ao denunciado.

queixa calumniosá-ç quem é por ella responsável ? Se o representante da 11 raia . embora. por intermédio de seu representante. e para tal houver sido especialmente autorisado pelos membros componentes delia.social fòr um simples gerente. sem duvida serão responsáveis os membros da firma que tiverem autorisado o i mio criminal. o que se depreliende de suas explicações do Código Portuguez. pois sem isso será nullo o processo.a. Uma ultima questão nos cumpre ainda examinar. em relação ás violações de leis penaes outras são as regras. Em geral as sociedades mercantis são entidades moraes. de 28 de Julho de 1874 no processo em que eram autores Meuron & C. e nem deve ser admittida a queixa. Se porém o representante da firma social delia fizer parte. . a queixa tenha sido dada em nome da firma social. e é a seguinte : Se uma firma social dér contra alguém. como declarou o Accordão da Relação da Bahia. sem duvida só elle responderá pelo delicto. como diz Pardessus . uma . mias se em relação ás obrigações nesse caracter contrahidas regula o direito commercial.72 ACC zilio Antonio de Souza Pinto. e íor quem iniciar a queixa. A razão disto é intuitiva.

buscando para isso o antigo — qui no ii vet at peccare. por quanto nosso legislador não punjp como delicto semelhante omissão. Nem se diga. a lei que o constitue e personifica. como bem diz Ortolan. encontra-se. Se pois se não provar que os membros componentes da firma queixosa. jubet—que os demais sócios são responsáveis por não se oppôrem á que tal queixa calumniosa fosse dada. por isso que segundo nosso God. entidades ou creações metaphysicas do direito. pôde obrigar todos os demais sócios pelos contractos que celebrar. é impotente para lhes ciar essas duas faculdades que são indispensáveis para a imputabilidade penal. e peza exclusivamente sobre cada um dos que tomam parte no delicto. 235 attinja outro que não aquelle que a jurar. a responsabilid . indivíduos dotados cada um délies de razão e liberdade moral. e conseguintemente responsáveis criminalmente por seus actos. foram delia sabedores.ACC 73 O gerente de uma firma social.de criminal é pessoal. naquelle seu indestructivel caracter de collectividade. approvaram e concordaram em que fosse dada. . é certo. seta impossível que a sancção do art. e obrigações que contrahir. Se porém nas sociedades commerciaes. delia fazendo parte.

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iquella distincção jurídica. Não [ \i o o art. 3. Constitue pois unicamente este delicto a omissão. nec animo furtum admittitur—L. § 18 de adquirir velamü posses. como synonima de—bem alheio. firmando assim a regra de que— fart um non committitur in rebus immobilibus. que no art. empregando a expressão—cousa alhei i—da mesma fôrma que nosso direito civil o faz. quer de serem achados. a classificação era diversa.) .—E tanto é verdadeira esta opinião. 260 parece fora de duvida que o legislador brazileiro não cogitou d. mas sim a omissão de não manifestal-a á autoridade policial dentro de 15 dias. como se podia dar não só a contrectatio. isto é. 257 já elle a empregara sem fazer distincção alguma. mas ainda a intenção fraudulenta.ACH 75 como delictos dè usurpação de immoveis. Segundo as expressões genéricas do art. Big. Em relação porém aos moveis. acto essencialmente negativo. L. na phrase dos jurisconsultos (delinqicere omit te ndo. Demais é irrecusável que entre os immoveis por distino muitos ha que são susceptiveis quer de serem tirados contra a vontade de seu dono. 52 § 19. 260 a apprehensão e posse da cousa alheia que tiver sido achada.—e isto porque—sme contreclatio fiere non potest. de furtis.

lucri facièndi causa sustulit. Nosso Código. Embora sustentem notáveis criminaiistas que mais freqüentes e variados são os delictos de acção. embora se tenha largamente discutido se o dever de empregarmos nossa actividade em serviço alheio. e são tanto mais gravemente punidos quanto a inacção que offende alheios direitos. é sem duvida alguma mais grave do que a propria acçã >. pune-o como delicto de omissão. bem que comprehendido no numero dos denominados moraes. mostrou-se o legislador brazileiro perfeitamente harmônico com a doutrina por elle próprio firmada no art. fiirium obstringitur — . que os de omissão . 43 § 4o Dig.76 ACH O Direito Romano era expresso em relação á este facto delictuoso. de furtis—dizia— qui alienam quid jacens. 2o § I o . Exige porem que a causa achada tenha sido perdida por seu dono. não è menos certo que semelhantes delictos existem. 31 § 27 . é realmente uma obrigação de direito . Ulpiano na L. como temos visto. pois se tiver sido abandonada não se dará o crime de furto. O legislador de nosso cod. Punindo pois nosso Código a omissão da não communicação da achada da cousa alheia. foi beber no Direito Romano este principio que se lê nas sentenças (II T.

ou « de outrem que a possua em nomeou com auto« risação d'esté. desde que a cousa alheia não está em . ou conhecido são reputadas perdidas ou abandonadas. .° Dig. de fur lis—quad si dominus id derriliquid. 43 § 5. Eil-a : « O elemento constitutivo do crime de roubo é « a subtracção da cousa alheia contra a vontade « de seu dono. ex vi do preceito do art. Será porem crime de furto segundo o art. 260 a não communicação da achada de um tlxezouro ? Posto sustentem alguns a affirmativa. na província do Pará. transcreveremos antes parte da sentença á que alludimos. 11 § 1. « Logo. c em Ulpiano na L. etiam si ego furandi animitm habue^o. porque as cousas achadas sem senhorio certo. Para bem cxplanal-a. « A subtracção consiste no facto material de « tirar a cousa alheia do poder de seu dono.° do Reg. furtam non co/nmillil. para si ou para outro. de 15 de junho de 1859. por meio « de violência.ACH 77 PauL}_'#tfï pro. tendo até n'este sentido se pronnnciado o juiz de direito da comarca de Santarém.e passão por isso á classe de bens vagos que se devolvem a Fazenda Nacional. não é essa entretanto nossa opinião.ãereliota rem jaceníem oeciipewit. furtum nou fit ejics.

cujo dono havia desappare« cido da face da terra. 11 § 1. reputa-se perdida ou abandonada. « porque aquella cessou e desappareceu com o « desapparecimento ou morte d'esté. « A espécie dos autos consiste em ter o réo « Gaspar sabido e descoberto o logar em que. « Faltando. que como « taes se devolvem a Fazenda Nacional. este desapparece e « não tem mais razão de ser. o primeiro elemento consti« tutivo do crime de roubo. não pode haver subtracção. « mas simples apprehensão. e não tem senhorio » certo ou conhecido. ex vi do « disposto no art. e « passa para a classe dos bens vagos. de 15 de ju« nho de 1859. « E seria inqualificável absurdo o considerar« se como posse continua e perpetua o enterra« mento d'esse dinheiro pelo seu primitivo dono.78 Acir « poder de pessoa alguma. e não co« nhecimento ou existência da pessoa á quem por « direito fosse transmittida a suecessão. e era absolutamente igno- . « Por tanto desde que a causa alheia movei ou « de raiz é encontrada sem senhorio certo ouco« nhecido. em tempos idos. fora « enterrada. no « matto proximo á villa do Albuquerque. que é um acto de « posse permittido em direito.° do Reg. E mais adiante. uma certa quanti« dade de dinheiro. pois.

« e posteriormente o foi confiar ao réo João So« ares.AÇU 79 « rada a existência de pessoa que o succedesse . e conseqüente « appropriação do mesmo dinheiro. verifica-se que aquelle digno magistrado entendia serem os thesouros propriedade da Fazenda Nacional. como bens vagos. como lhes cumpria. isto é. « e dirigindo-se á esse lugar cavou a terra e en« encontrou á certa altura uma igaçaba de bar« ro: tirou-a para fora. não dâ d'isso parte â autoridade respectiva. nã9 se refere aos thesouros ou antigos depósitos de dinheiro e preciosidades escondidas . isto é. Em um fragmento de Paulo. Provemos esta asserção. 2ü0 « do Cod. que o recebeu e guardou sem que nunca « um e outro o manifestassem a autoridade. art.por donos de que não ha noticia. Ambas estas proposições nos parecem falsas. achada. licitos os primeiros actos. 3 L ç . a « omissão da parte á autoridade. forão criminosos os últimos. cit. / D'esta sentença. « a procura. em nosso conceito. 260 o que achando-o. apprehenção e posse do di« nheiro.—Dig 41 L. quebrou-a e apossou-se « do dinheiro em ouro e prata n'ella existente. pois. Que commette o delicto previsto no art. Em primeiro lugar o Regulamento citado. « Sendo.

Dous factos pois distinctes determina vão o caracter do thesouro: 1. visto como a propriedade não se tinha perdido realmente. Nosso direito a respeito dos thesouros não é outro senão o Romano. Ainda na L.° o deposito d'elle feito outr'ora en qualquer lugar: 2 ° a perda de toda a lembrança da propriedade. chamado caducaria Dig. 26 § 17 na generalidade de suas expressões os comprehendeu. simplesmente a falta de herdeiros vivos ou conhecidos. segundo a disposição da lei Julia.°l. unie. L. e ainda a achada por acaso. Ora na opinião de notáveis Romanistas não podião aquelles entrar jamais na classe das cousas nullius. Segundo o Direito Romano differião pois essencialmente os thesouros dos chamados bonis vacantibus.80 ACH § í . 30 l/96% L. Cod. L. encontra-se a seguinte regra—condita ab ignotis dominis tempore veslutiore mobília. eL. e só a lembrança se havia apagado com o tempo.°. por quanto nem a Ord. embora assim o pre- ..° 40 TU.° 2. O que determinava porem o dos bens vagos (bonis vacantibus) era. caso em que se torna vão elles propriedade do fisco. ° encontra-se a seguinte definição do que seja : thesouro— thesaurus est quœdam depositiopecit 7UJUS non extat mèmõriq>itt jam do miaum non habent. de thes'aur. 4.° Tit. 5.

Lei unie. cumpre distinguir. div. e ligitima o domínio é. couzas essencialmente différentes. e forão sempre. á quem pertencem os thesouros? Ex vi do preceito do art. nenhuma duvida ha de que á elle pertence exclusivamente. Isto posto. de rer. ainda se o poderia legitimar pela aeeessào. A rasao porém que determina. visto como bens vagos e thesouros. e se este for o Fisco à elle—Lei 30 Inst. Cod. ou propriedade de torceiro então terá o inventor unicamente direito á metade.—-sendo certo que se não bastasse o preceito acima indicado para fundamentai-o. Se porém for encontrado em terreno. em ambas as hypotheses. de thesaur. e por elle próprio. são. a hypothèse figurada nenhuma obrigação tem o inventor do thesouro de communicar sua achada por que elle lhe pertence.ACC 81 tendesse o illustre Mello Freire. pertencendo a outra metade ao dono do teraeno. 179 § 22 de nossa Constituição Politica sendo garantido em toda a sua plenitude o direito de propriedade. De tudo quanto até aqui temos dito conclue-se logicamente que na l. nem podia v* . Se o thesouro for encontrado na propriedade do inventor. bem como que^ião é elle bem vago. como cremos ter demonstrado.—a propriedade do terreno.

82

ACH

ter sido comprehendido na disposição do § 1.°
do art. 11 do Reg. de 15 de junho de 1859.
Admittido isto como verdadeiro, e aehãndo-se
o thesouro na 2. a hypothèse, pro indiviso, commette crime quem havendo-o achado não fizer a
communicação à autorid ide ?
Respondemos pela negativa.
Em primeiro lugar porque o facto da achada é
que veio determinar a propriedade do inventor e
do terceiro, e o cod. exige para que se vereííque
a infracção do art. 260 que a propriedade seja
anteriormente certa, tanto que considera indispensável que a cousa tenha sido perdida.
Ora não se perde aquillo que ainda se não possue. Logo a não communicação da achada de um
thesouro não é crime, por que não foi prevista
semelhante hypothèse no a'rt. 260.
Em segundo lugar, por que desde que não ha
em tal facto delicto, e a cousa está pro indeviso
o Direito Civil ensina quaes as acções que cabem
não só' para exigir sua divisão, como mesmo reivindical-a se aquelle que d'ella está de posse
nega a communhão no jus in re.
Examinemos uma outra questão não menos
importante. Pode dar-se a tentativa do delicto
previsto no art. 260 ?
À omissão punida n'este artigo é um facto negativo que se opera todo subjectivamente.

ACH

83

Ora é impossível determinar ou mesmo conhecer se alguém não quer practicar um acío senão
quando exteriormente demonstra, ou manifesta
essa deliberação. E ainda assim só no momento
em que o deve praticar se pôde affirmar que o não
faz,
Na espécie de que nos occupamos até a derradeira hora do décimo quinto dia não commette
delicto algum aquelle que deixa de participar o
achado da cousa alheia, visto que nosso Cod.,
como temos dito, só pune a omissão passado o lapso de tempo. No instante porém em que elle expira dá-se o crime consummado.
Sendo isto indubitavel é claro que será impossível darem-se na omissão da communicação actos
exteriores, principio de execução, e menos ainda
que esta se não verifique por circunstancias independentes da vontade. Demais para que se pudesse dar os requesitos indispensáveis da tentativa seria mister transformar a abstenção ou
omissão em acção, o que seria insania pretender.
Quando quinze dias se passão sem que o inventor da causa perdida faça à autoridade policial
communicação d'isso — a omissão é um facto consumado, e esse facto é o delicto previsto no art.
260 de nosso Cod.
E' pois impossível a tentativa d'este delicto,
desde que se não force os princípios que a regem.
8

8-1

ACII

Concorda em todas as suas partes com o artigo
que analysamos o Código Portuguez no art. 423.
O Código da Baviera no art. 212 pune o inventor da causa perdida, que para apropriar-se d'ella
illicitamente a não entrega senão depois de reclamada pelo proprietário, como se tivesse commettido o crime de roubo simples^ punido pelo
art. 215. N'esta parte o legislador bávaro seguio
o antigo direito germânico, que preceituava que
aquelle que achasse um objecto perdido era obrigado á prevenir seus vesinhos, ou os juises do paiz
afim de desculpar-se de toda a intenção fraudulenta.
A experiência porem, diz Ch. Yatel, demonstrou que na Baviera era impossível fazer comprehender ao povo como a falta de declaração da
achada da cousa perdida constituia o crime de
roubo. Conser»uintemente no projectode reforma
penal de 1831 este delicto foi classificado, entre
os factos da mesma natureza, sob o titulo de-retenção fraudulenta da cousa alheia.
O moderno Código da Prussia considera como
prevaricação no § 226, o delicto de que nos temos occupado. Refere-se porem exclusivamente
aos object os moveis, sendo que n'esta parte talvez
o inspirasse a doutrina do antigo direito romano.
Terminando cumpre obsenar, que pelo Decreto de 15 de outubro de 1837 ficando extensi-

ACII

85

vos ao delicto de furto de escravos as penas, e
mais disposições legislativas estabelecidas para o
roubo, semelhante decreto abrange todas as hypo thezes de furto de escravos que podem dar-se,
comprehendido igualmente n'ellas a do artigo de
que nos temos occupado. A' respeito d'esté ponto
citaremos a seguinte decisão do juizo do direito
da Diamantina, provincia de Minas-Geraes.
- « AUTORA — A jtcstiça.
« RÈO — Antonio Ângelo Xavier.
« Vistos estes autos &. Dou provimento ao
« recurso interposto ex officio, por quanto, dos
« autos prova-se que Antonio Ângelo Xavier
« acoutou em sua casa scientemente e com fraude
« o escravo Francisco Capitão, incorrendo d'est'a
« maneira na sancção penal do art. 200 do Cod.
« Crim., entendido e explicado pelo que ensina
« o Sr. Dr. Perdigão Malheiros na Escravidão
« no Brasil § 14 pag. 29 nota 120, citando a Lei
« de 15 de Outubro de 1837, e Aviso de 8 de
« Julho de 18G3 n.° 307, por tanto o pronuncio
« incurso no citado art. 260 combinado com a
« Lei de 15 de Outubro de 1837, e o sujeito a
« prisão e livramento. O Escrivão lance o nome
« do réo no rói de culpados, e o reconimcnde na
« prisão em que se acha, pagas pelo mesmo as
« custas.
rí%

AÇO

87
>

o agitão, fazendo-o transpor ouzadamente a barreira erguida diante de si pelos direitos alheios,
que a mesma sociedade, despida de sentimentos pessoaes, violentos, e vingativos, tem
obrigação de respeitar e fazer respeitar por meio
da única sancção legitima e protectoia— a
pena
Infelizmente tão grandioso ideal se afigura
impossível mesmo áos olhos dos que cuidadosamente investigão a historia dos povos modernos,
que oriundos (\^ paganismo, abraçarão entretanto a doutrina do Evangelho coma suprema energia dos que,subitamente illuminados pelos clarões
da verdade, se tfánsformâo, substituindo a vingança á justiça, ás torturas a punição por meio
de penas humanas e proporcionadas áos delictos.
No estado actual de nossa civilisaçao, dizia o
illustre Rossi, a pena que não tem por fim a emendado culpado, deve-se desejar não seja applicada.
Aquella porem que tende á desmoralisar o criminoso, não é permittido empregal-a.
Estas considerações ncs forão suggeridas pelo
estudo do art. 60, sem contestação a sombra, o
contraste, o ponto negro que se destaca salientemente da parte mais trabalhada d'esté monumento
legislativo, que com ufania chamamos Código Criminal do Brazil.

Uzada entre os Judeos e Persas. a historia da penalidade nos refere que Henrique II de Inglaterra. se açouta. na Europa catholica pela autoridade espiritual não há muitos annos. Como pena. e pela civil om Brest. Mas porque de Constantinopía á Madrid. pode-se concluir que é legitima e necessária. Luiz V I U e o próprio Henrique IV de França forão por eíla punidos. faltão-lhe todos os requisitos que a legitimão. porque o Código da Baviera a applica em quinze casos différentes. e deixa por isso de ser o ponto negro de nosso aliás liberrimo Código ? Não. já como pena principal. na Maldiria e em Cayenna. applicada em Sparta aos Motas para que não esquecessem a servidão á que estavão condemnados. Não é exempla**. e é irreooqavel Por sua natureza não é reparavely alem de ser uma excepção odiosa. nem pôde ser uma pena legitima. visto como se diante de nosso Código toda a infracção que parte de um ser intelligente. no dizer de Saint-Edme. na China. ali em nome da religião e das leis. Gregos e Romanos. . já como acjessoria. desde que é producto de sua vontade. e contraria ás prescripções penaes é um delicto. aqui pelo capricho de um pachá. Toulon e Rochefort.88 ACO À flagellação dos conclemnados não é.

Aos que tendo em vista o preceito terminante do art. não podemos deixar de estudal-a. Falsa. arguem áo artigo que analysamos de vicio radical. que analysamos é das que se comprehenlem nas leis O . E' nossa opinião que a doutrina do art. 179 § 19 de nossa Constituição Política. Como pois distinguil-o unicamente na punição ? Longe iríamos se intentássemos mostrar o absurdo de semelhante distincção. responde-se que a Constituição garantio esse direito não ao escravo mas ao cidadão. pretendendo-se concradictoriamente justiflcal-a com a necessidade de repressão dos delictos commetti Jos pelos escravos. visto como a pena de açoutes fora abolida por cruel. para os quaes diz-se que são ineffieazes as outras penas.AÇO 89 a-especialisação da pena é um absurdo que espanta e contrista. Desde porem que a pena de açoutes existe em nosso Cod.i incapacidade com que o ferio a lei civil? Não é elle considerado tão impatavel. e responsável como qualquer cidadão pela violação das leis penaes ? Não se o pode negar. e cruel intelligencia de táo sabi < e salutar garantia ! Pois diante da lei penal o escravo ainda conserva .

90 ACO de processo. o que é impossível se o legislador não fixa o seu máximo e mínimo. na hypothèse figurada. deve ser por elles limitado na sentença. e n'elias deveria ter sido incluída. 18 § 10. sempre foi salutar e benevolente para com os àceusados) pelo art. visto como os juizes das execuções não são para isso competentes. visto como não podendo ser condemnado á galés. bem como fixado será a prazo em que os réos devem trazer ferro. menor de 17 anãos. cumpre ao juiz. 60 foi concedido aos magistrados. Nem se deixa ao arbítrio dos juizes. fazendo referencia aos arts. e fôr por elle condemnado. e 45 § 2.a medida da pena e applicação da penalidade. Desde porem que assim se estatuio. 192. o arbitrio que.. visto corno uma das condicções que legitimão as penas é a igualdade da sancção. e devendo ser tal pena substituída pela de prisão com trabalho. No Código Criminal de um povo civilisado não se escreve uma disposição d'essas salvo se esse Código tem um titulo negro. será aquella a commuta- . Se o réo escravo.° do Cod. fazendo-se a respeito uma simples referencia nas disposições geraes logo em seguida ao art. 311. (digamol-r» aqui por honra dos juizes brazileiros. como sefez. com mu tar desde logo a pena. comi ne tter por exemplo o crime previsto no art.

.

importa a cessação absoluta « do castigo. « 3.em con« seqüência de grave perigo da vida do paciente. O Imperador.92 ACO « representando sobre o facto de ter o respectivo «juiz municipal dado execução á uma sentença « de açoutes contra um réo escravo.° 97.° 365 de 10 « de junho de 18G1. que não pode « o Juiz Municipal. « E x c .* Se tem eííeito suspensivo o recurso « de" graça interposto da sentença de açou« tes. sob n. Exc. com a representação do dito « Juiz de Direito. de 5 de novembro do anno pas« sado. « 2. não obstante « o recurso de graça interposto por seu curador « suscitou as duvidas seguintes : « l. de « que trata a ultima parte do Aviso n. « é admissível o recurso de graça. por trazer suaexecução damno irreÀ « ravel. deter« minar a cessão absoluta da pena de açoutes. quanto á primeira duvida. e n'este caso qual a autoridade com« pet ente para ordenal-a. á quem foi presente o of« ficio de V. tondo ouvido a secção de justiça « do Conselho de Estado. e que o « citado Aviso de 10 de Junho de 1861 providen« ciou como convinha. nem o Juiz de Direito. manda declarar à V. al« terando assim a sentença exequenda. M. « S. sobre o modo de applicar . a Se a suspensão da pena de açoutes. a Se durante a suspensão do castigo.

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extingue. — segundo já estatui i o direito romano Se ate o momento da execução da pena a lei.94 AÇO Pode. como porque—libertas omnib•/<rébus faoorabilior. ter lugar a execução da sentença? Por nenhuma razão. e em conseqüência de sua condição ordenava a com mutação da pena em açoutes. desde que tal condicção desappareceu não pôde consentir lhe seja ella applicada. que. as condemnaçoes proferidas por esse delicto. não pode ser elle punido com a pena de açoutes. Da mesma fôrma que a lei nova declarando que não é delicto um facto. se revoga a liberdade uma vez concedida. segando Montesquieu. que não a de açoutes. visto como para os que são livres outras penas existem em nosso Cod. Se pois o escravo tornou-se liberto antes de passar em julgado a sentença. e de ser a mesma executada. como tal anteriormente punido. éa razão humana governando todos os povos. indulta de penalidade. o considerava escravo. pois seria iniquo que alguém continuasse á expiar factos que a sociedade não reputando delictuosos. a mudança de condição. antes da execução da sentença extin- . segundo o direito vigente. n'este caso. de sua execução em diante. não só porque —in penalibits causis benignius interp?*etem lum est—.

Chegou este officio ao processo depois de pronuncia. que deu-se n'esta Corte» é xi seguinte. tratandose de verificar esta suspeita. e arguido no inquérito de desertor do exercito. visto como n'elle se dizia que era Braga escravo. Por Oocasião da formação da culpa. e ate o nome de seu senhor. um officio do Quartel General veio lançar duvidas sobre a condição do Réo.AC0 05 gue evidentemente a excepção odiosa do art. de 32 annos de idade. o pardo claro Manoel Francisco Braga. em semelhantes casos. A segunda questão. indicando-se que era natural de Sobral. declarar sempre a pena e grau d'esta em que incorreu o Réo antes de commutal-a. Como proceder porem? E' nossa opinião que devendo o juiz da sentença. ín-mliuma difficuldade pode offerecar a execução pois será aquella a pena que soffrerá o culpado. 60 de nosso Cod. informações estas prestadas por um sargento que conhecia o rèo. natural do Ceará. N'este sentido existe nm Accordão da Relação da Corte de 7 de Dezembro de 1844. ofierecimento de libello e preparo para jul- . e remettido para esta Corte onde foi processado por tentativa de morte. A' 12 de Dezembro de 1873 foi preso na Freguezia de Santa Cruz.

certidão de matricula em que o declarava fugido. Manoel Francisco Braga ou Sancho. e comprado. tinha vindo do Ceará. Attendido no so requerimento. que tanto conhecia bem o pardo Sancho que asseverava ter elle uma larga cicatriz no ventre. e requereu fosse admittido a defender seu escravo. Informado do occorrido o senhor de Sancho apresentou-se em juizo. para ser vendido por um negociante d'esta Corte. continuou a afíirmar qne era livre. declarou que o conhecia muito. Inquerido este na presença de Braga. Por occasião d'esté requeremos seu addiamento para verificar-se tão importante ponto. declarando o nome do comprador. ahi estava. e pela pessoa indicada. que era escravo. por intermédio do Dr.96 ACO gamento. oífereceu escriptura de compra. fora de facto remettido mezes antes um pardo com os signaes dados. e fora por elle vendido n'esta Corte. isto por que o art. e de facto verificou-se que era isto exacto. chamava-se Sancho. que nunca conhecera as pessoas que afíirmavam havel-o vendido. 60 do cod. No Tribunal do Jury porém. pois que uma vez tentara suicidar-se ferindo-se ahi . Por occasião de seu depoimento declarou este negociante. formalmente exigente. . Chefe de Policia do Ceará ficou averiguado que de Sobral.

e deu-lhe por isso um defensor ex-officio. concordando com a nossa humilde opinião. devia como livre ser julgado.AC0 97 Nestas delicadíssimas circumstancias entendeu o digno e illustrado presidente do jury. » Esta decisão. o condemno nas penas de prisão por um mez e multa correspondente á metade do tempo. em 25 de Setembro de 1874. nos parece escoimada de vicio. que devia submetter ao jury o seguinte quesito : O jury reconhece o réo como escravo ? E este por oito votos respondeu : ^iio: o jury não reconhece o réo como escravo. como julgo. julgando. que sendo o juizo criminal incompetente para decidir a questão da escravidão do Réo.—João Lustosa da C'unha Paranaguá. tendo o Réo cumprido a pena. Sala das sessões do jury da Corte. Encerrados os debates entendeu porém. E pague o mesmo Réo as custas em que igualmente o condemno. que passou em julgado. Em conseqüência pro ferio elle esta sentença : « De conformidade com as decisões do jury.nU . o Réo Manoel Francisco Braga incurso no art. embora discuta até hoje nos tribunaes civis a questão de sua liberdade. \. e a única possivel nas circumstancias dadas. 201 do Código Criminal.

e da pena em que incorro mesmo no caso de renuncia feita por termo nos autos. Cahir em escravidão desde os antigos tempos era perder o estado natural de liberda le. 120 de 31 de Janeiro de 1842. 60 do Código. n. que a questão da escravidão é de direito e sobre e l k não podia ter sido consultado o jury. não de Paulo que o reclama. 366 do Reg. temos o .98 AGO Disse-se porém. A escravidão é sem contestação um facto. e por excepção um direito. Ora quem affirma que alguém é escravo assevera este facto do qual se origina um direito. mas de Pedro que o abandonou. e o fez porque é isso uma questão que lhe cumpria averiguar. Conseguintemente é indubitavel que o juiz de direito perguntando se o jury reconhecia Manoel Francisco Braga como escravo. Este diífere essencialmente daquelle visto que João pôde ser escravo. À respeito do abandono de escravo pelo senhor. Nao nos parece acceitavei esta opinião. não perguntou senão sobre o correlativo odioso do estado de liberdade. visto como o estado de liberdade é o único natural e legitimo. verificar senão o facto : o direito é da c >mpetencia da j u risdicção civil. Nem nos tribunaes criminaes se pôde. ex-vi do preceito do art. pois disso dependia a applicação do art.

província de Minas Geraes.3 do Código Criminal.ACO 99 •seguinte caso julgado que não poderíamos fur. 9 I r .u. Francelino. entendido no caso sempre que esse valor esteja ou venha a íicar em favor dos senhores. Juiz Municipal.tar-nos de consignar aqui. de 24 annos de idade. foi pela subclelegacia de Sant'Anna do termo do Pará. pronunciado no art. E exigindo as leis que os senhores sejam obrigados á indemnisar os prejuisos causados por seus escravos até o valor destes. ceu a promotoria publica o seu libello accusatorio jpedindo o máximo das penas do citado artigo. Sr.—Diz Miguel Fernandes da Silva. que ora se acha na cadeia desta Villa. O senhor do escravo endereçou então ao Juiz Municipal a i > oí. que não pretendendo tratar do livramento de seu escravo Francelino. não só por o dito escravo não lhe merecer tal sacrifício.a. 19.o cio t o o r s e g u i n t e « lllm. Sustentada a pronuncia pelo Juízo Muuicipal offere-. processado por ferimentos graves que produziram a morte do José da Costa Rebello . como porque julga justo que soffra a recta averiguação •da justiça. morador no districto da freguezia de Sant'Anna deste município. o Supplicante protestando desistir de suadefeza no jury. escravo de Miguel Fernandes da Silva. pardo.

ser julgado-^pessoarni'sexavel—o como tal ser sustentado na cadeia. desistir de todo o direito que pudesse terno dito réo Francelino. deve ser punido. « P. M. antes que movido pelo vil interesse tratar da defeza de um crime. S. « Pela razão expendida o Supplicante protesta não pagar custas. » . e protesto de irresponsabilidade de indemnisação produzam seus devidos eíFeiíos. visto como o Supplicante por amor da justiça de bom grado se sujeita a perder o seu valor para dar á sua custa um edificante exemplo.100 ACO assim como se absteve já de figurar em seu favor no processo inicial do crime. e afinal julgado. e abstenção de qualquer resultado de seu valor que pudesse haver afinal como seu senhor. devendo pelo abandono que delle faz o Supplicante. S. nem outras quaesquer despezas á que dér lugar o dito réo pelo presente crisme. se digne mandar por seu respeitável despacho que o respectivo escrivão juntando esta aos autos lavre o competente termo do desistência e protesto. cujo perpetrador. quando mesmo fosse afinal absolvido do crime. quem quer que for. « E. E para que a presente desistência de direito e domínio. a V. R. voai perante Y.

adduzindo em substancia as seguintes allegações: Que o abandono e entrega á justiça. e d'alli em diante a Municipalidade. SENTENÇA.— Frederico Augusto Alvares da Silva.AC0 101 À petição.se em conseqüência o termo de desistência. 60 do mesmo Cod. e tendo em vista o disposto no art. D'esta sentença appellou aPromotoria Publica. Pará 30 de Agosto de 2865. 193 do Cod. teve o seguinte despacho : Deferida. Crím.. o condemno a sofFrer 600 açoutes. declarando desistir de todo o direito . Condemno seu senhor nas custas do processo até a desistência. Sala das sessões do jury na Villa do Pará 13 de Setembro de 1865. que do réo Francelino fez seu senhor Miguel Fernandes da Silva. e a trazer um ferro com gancho ao pescoço por espaço de 3 annos. que fica trascripta. e submettido Francelino á julgamento em 13 de Setembro do mesmo anno foi condemnado pela seguinte. Lavrou-. Em vista das decisões do jury julgando o réo Francelino escravo de Miguel Fernandes da Silva incurso no gráo medio das penas do art. — Moreira.

193.102 ACO que n'elle ainda pudesse ter como seu escravo. 17. no gráo medio. convertendo-se a pena em 600 açoutes « e ferro por 3 annos. não podia elle soffrer a pena de 600 açoutes. 17 e 20. quando por ventura viesse a ser absolvido. Apresentada a appellação na superior instância. O Promotor Publico appel« lou. em conseqüência da « petição de fl. mas as penas do art. conforme a decisão do jury. e a de trazer ferro por 3 annos. . 15 e seguido no libello « a fl. devendo reputar-se Francelino como pessoa livre. 193 pela morte de José da Costa Rebello. ora appellado. « supra. não vejo « como ter-se por liberto. 19. 193. como julgar-se em « plena liberdade o escravo Francelino. importava a mesma cousa que haver-lhe conferido a liberdade. e que então « deve-lhe ser imposta a verdadeira pena do « art. e quer que seja o réo considerado livre a « vista do documento a fls. Mas ainda quando seja reputada « completa a desistência feita pelo dono do « escravo. 14 leva o appelludo ao « art. « No jury foi condemnado no medio do art. teve vista o Conselheiro Promotor da justiça que officiou nos termos seguintes : « A pronuncia a fl. Que em tal caso. e termo de fl. « isto foi sustentado a fl. 26.

« Não pôde. L. depois de cumprir « a pena. por tanto. « Rio. Que relatados estes autos na fôrma da lei. e no Cod. julgam improcedente a appellação interposta a fl. L. « 13 de 12 de Janeiro de 1854 vê-se uma appli« cação bem frizante. J. 1. 8.—O promotor da « justiça—Silveira.AC0 103 « Este por força da desistência fica completa« mente sujeito á pagar custas. « Accordão em Relação etc. 44 v. « 28 § 1.° Tit 86 § « 5. etc.° disposição bem análoga. L. e o seu « producto applicado ás custas.° Isto não está em uso no rigor do Direito « Romano .° Tit.°.°. 9 tit 4. entretanto temos no Cod.° 4. no « Dig. dar o escravo à noxa9 e de < que tratava-se nas Inst.° Tit 4L « Vemos um exemplo na Ord. o que dizia-se em « Direito Romano.° de Março de 18C56. ser levado à praça vendido. No Aviso n. Crífn. á satisfazer os « damnos. ser procedente a appel« lação. 3. Verifica-se. e á resarcir o « damno. visto que dos autos não consta ter sido preterida formula alguma . — F. L. 5. art. tanto quanto for possivel. « Deve portanto o escravo. » Foi a appellação julgada improcedente pelo seguinte ÀCCORDÃO.

mas a de prisão applicavel ao home. presidente interino.101 ACO substancial do processo.n livre. — P. Terminando não podeaios deixar de íran icrever aqui a seguinte jurídica con va lia do Conselho d'Esi. A. 6. —Travassos. como julgo o réo. O facto sobre o qual versa a duvida proposta pelo juiz municipal de Caethé. L.° do art. de Lsã). » Hoje porém Francelino não poderia ser condemnado á pena de ajoutes. Pereira Monteiro — Azevedo. » .>.—Sciente—Silveira. « provou achar-se liberto pelo ab mdo« no de seu senhor. « antes de lhe ser applicada a pena. M. Rio 11 de Maio de 1866. votei pela procedência da appeliação para mandar que ao réo fosse imposta não a pena de açoutes. ex vi da disposição terminante do § 4. vencido.— / .° da Lei n. . e mandão cumprir a sentença appellada. vencido. —Almeida. — F. — Costa Pinto. e trazida à consideração de Vossa Magestade Imperial pelo presidente de Minas-Geraes em officio de 27 de Abril é este : « Um escravo condemnado à açoutes.° 2040 de 28 de Setembro de 1871. — Figueira de Mello.ido. sendo as custas pagas pelo senhor do réo appellado. Câmara. — Gomes Rib . — Ar anjo Soares.

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dizem os Pandectas(lugar citado)—tertia itaque species poénœ est. a ConsoL dasleis civis. A perpetuidade da pena. il s'en suit que la condemnation d'un esclave n'en ôte pas la propriété â son maitre.° Avista. 4. ex his servus jlagellis ccedi. a condemnação não suspendendo senão direitospoliticos. nada obsta á liberdade conferida ao condemnado (Yid. porém. de nosso direito pat no não havendo entre nós servidão de pena. diz Pothier. e não á de açoites commun! á livres e'escravos entre os romanos. Introducç.° Se o réo se tornou liberto. ou direitos civis. e não a servidão. qœnon mutât servUuteni sed dmxtaxat aggravat ut est poena vinculorum.) ayant aboli la servitude de la peine. ad libert pervenire) a qual diz assim — denique non potest servus ad vincula damnatus ad libertatem perduci quandiu pena durât—. como é a de açoites entre nós. Referindo as penas á que são submissos os escravos.106 ACO Justinien. (Pandectas citados. ou morte civil. e não affectando o estado civil. e tanto mais que . por ser particular aos escravos. Mas na Lei Œlia-sentia (l. Sem duvida é bem cabido esse exemplo da pena ad vincula . é que pôde excluir a propriedade do senhor. 7—12—qui nom poss. Ex quibus causis liber fuHibus cceditur. a Cod.) 5.

e não a pena em que foi ella commutada. 6o O ar esto da Relação da Corte de 7 de Dezem-bro do 1844. citado na informação da secretaria de estado é bem digno de constituir uma regra geral :—não será. quando se verificar posteriormente a concessão da liberdade ao condemnado. e só propria dos escravos. é a conversão d'essa * pena na de açoites. porque não ha mais um réo escravo. • 7.AÇO 107 não foi por alforria do senhor.°.° 2040 de 1871 art. porque o julgamento subsiste. reconheceu o citado aresto. A A . mas um réo liberto. cumprida a sentença que houver condemnado o réo a açoites. O Conselheiro Visconde de Souza Franco escreveu o seguinte voto em separado. 8o Que cabe no poder do juiz da execução executar a pena imposta ao crime. mas em virtude da lei n. tãobem subsiste à \ ena que ao crime compete: o que fica sem efíeito. na qual se podia enxergar a fraude da pena. 6. por ter cessado a sua razão. e dizem os principios mais triviaes da hermenêutica. porém. parece as secções evidente que ao mesmo réo se não pôde impor a pena de açoites que é particular aos escravos. e antes será d9elles relevado no juízo da execução.° Nem ha ahi violação da cousa julgada.° § 4.

que infelizmente vêm mal preparados.. O que me parece conveniente é a intervenção do Poder Moderador. E se ha perigos em deixar que fiquem impunes crimes por meio de libertação por acto.108 ACO « Concordo com os princípios do muito douto parecer. e não a em que foi commutada. porém não com a sua conclusão. e para os quaes não haja mais recurso. senão as que passam em julgado. attribuiçlo cujo fim é também emendar erros que se introduzam nos julgamentos. perigos. ou por omissão e abandono do escrava. Ora a pena que foi imposta ao réo. Crim.. como todos os que vêm das provincias. e nem ahi se falia em com mutação de pena. E' incontestável que os açoites não podem ser inflmgidos á réo reconhecido livre em virtude da lei. em verdade muito sérios. não podia ser outra senão a de açoites. autorizado pelo § 8o do art. 60 do Cod. 101 da Constituição para perdoar ou minorar as penas. . Segundo esta o juiz da execução pôde executar a pena que é imposta ao crime. outro meio é preciso adopta r para que sojão evitados. Não se pôde verificar dos papeis. Em todo o caso o que passou em julgado foi a pena de açoites e não é permittido aos juizes executar outras sentenças. nos precizos termos do art. qual o teor da sentença.

. ao qual replico com todo o respeito devido ao illustrado conselheiro de estado autor d'elle. e mesmo n'estes o" art. 60 não falia em commutação de pena. * 1 ° Porque o art.s que o réo é escravo. mas a de açoites que substitue essa pena. Cria. 2. O Conselheiro relator José Thomaz Nabuco de Araújo replicou noa seguintes termos. assim como o 3. porque a disposição do artigo constitucional não estabelece tal limitação : a lei de 11 de Setembro de 1826 trata de recursos no caso de pena de morte . « Não me parece procedente nenhum dos fundamentos do voto separado. po. O que me parece pois conveniente é que avista do processo o Poder Moderador commute a pena de açoites em tantos annos de prisão quanta as circunstancias aggravantes ou atténuantes do crime tornarem justificados.° da Lei de 9 de Março de 1837 dispensa o requerimento.° d'aquella lei declara que as excepções são da privativa competência do Poder Moderador. pune o crime. I « Não pôde o juiz da execução impor a pena com que o Cod.AC 0 109 Será preciso que o réo requeira? Creio que não.

mas devemos presumir que eila foi juridicamente escripta. « 3 o Porque o que passou em julgado foi a pena de açoites. e que é substituida pelos açoites . Ora a sentença não pôde deixar de declarar a pena em que o réo incorre. porquanto è a gravidade d'essa pena que determina e justifica o numero de açoites que a deve substituir. não se pôde verificar qual a pena incorrida. O quid judicature regula-se pelo quid jitdicandum. visto como esse art. e a pena que lhe é imposta pelo Código. O quid judicandum não tem por objecto senão a existência do crime. e nem podia passar em j u l gado.no ACO Ha ahi inexactidão. » Aqui ha também inexactidão. A conversão em açoites é antes uma questão de execução do que de appli- . visto como a pena de açoites não passou. que pela de açoites foi substituida. sendo que também não tem lugar a substituição por açoites quando a pena é de morte ou galés. « 2o Porque dos papeis juntos não constando a sentença. » E' verdade que não consta a sentença. 60 não tem por objecto outra cousa se não a commutação da pena incorrida substituindo-a pela de açoites quando o réo é escravo.

a substituição de galés quando o réo attinge aos 60 annos etc. À pena de açoites não passou em julgado. e ao depois enviado . já não ha um senhor . que por diversos modos se pôde resolver. pela alforria facultada ou forçada. imprópria de nossa civilisação. e esta qualidade em geral não entra no julgamento. A pena de açoites entre nós. o nacional e o estrangeiro são sempre taes. não pôde mais haver essa pena: ella não tem razão de ser. por que não passou em julgado o estado servil. o homem livre. como é a suspensão da morte na mulher prenne. isto é. Já não ha um escravo. A pena de açoites depende da qualidade de escravo. Seria uma iniqüidade. como a de ferros entre os romanos.ACC 111 cacao de pena. tem por motivo o interesse do senhor. e são admissiveis. só propria do escravo. e só admittida pela lei no interesse do senhor. o escravo. Dizia a lei romana : nos casos em que o homem livre é fustigado. o marido. o filho. e novas provas podem destruir as decisões havidas. O pai. E quando entra no julgamento este não constitue cou-sa julgada por quanto è corrente que as decisões sobre questões do estado civil nunca passam em julgado. actual ou superveniente ao julgamento. que provada a liberdade d:> réo se lhe impuzesse a pena infamante de açoites.

. C'est ainsi.. 3. 2. em que só caberia o remédio da Graça Imperial. on punit l'esclave sans graver le maitre. 1. mas para prevenir outros que podem sobrevir.° — Porque não se trata de uma providencia só para este caso.112 ACO pára às obras publicas. en condemnant l'esclave á servir son maitre dans les fers. o recurso de graça só é official na pena de morte. e forçadas .° — Porque á vista da lei de 11 de Outubro de 182G e seguintes. o cuja freqüência se deve esperar depois da lei de 28 de Setembro de 1871. como seria erro do julgamento irrevo- . qu*on concilie l'intérêt du maître et la peine due au crime. diz Pothier. II Ao Conselheiro de estado divergente parece preferível a intervenção do Poder Moderador.° — Porque o recurso de graça só tem effeito suspensivo no caso de pena de morte. e movimento das emancipações concedidas. o escravo é /lagellado e entregue d seu senhor para tel-o em ferros durante o mesmo tempo em que o homem livre está nos trabalhos públicos. sendo que outrosirn não é um caso extraordinário. O remédio não seria eíficaz e admissível.

Como parece á maioria das secçoes. incontestavelmente superior aos Códigos da Austria e da Ba vi era. com uma providencia que depende do Poder Moderador. O moderno Código da Prussia. Paço 3 de Dezembro de 1874. — Com a rubrica de sua Magestado o Imperador — Manoel Antonio Duarte de Asevêdo. mas é um caso ordinário. JoséTJwmaz Nabuco de Araújo — Visconde de Jaguary. — Marques de Sapucahy —Visconde de Sousa Franco.—Visconde do Bom Betiro.ACO 113 gavel . não contem o menor vestígio de admissão dos castigos corporaes ou açoutes. próprio da providencia do juiz executor. n'esta parte. e com a qual não se pó Je previamente contar. Sala dos conferências das secçoes reunidas de justiça e império em 30 de Outubro de 1864. mandará o que for mais justo. que lhe é sujeito. nem como elemento de pena] idade. nem como aggravação da pena. . fréquente.°—Porque não pode o poder executivo occorrer à um caso. Yossa Magestado Imperial. porém. um dos mais perfeitos que actualmente existem na Europa. sendo por tanto. 4.

— 1 anno de prizão. MÍNIMO. A mulher casada que o commetter será punida com a pena de prizão com trabalho por um á três annos. idem. 3 annos e G mezes de prizão.— P<Mias d a t e n t a t i v a o c u m . como o estupro e o rapto o são contra a segurança da * honra. idem. MÍNIMO. da honestidade do que a prostituição. 2 annos de prizão com trabolho. MÍNIMO. — 1 anno e 4 mezes de prizão. Violação.114 ADU A d u l t é r i o . — 8 mezes de prizão. — 2 annos e 4 mezes. MAXIMO. renas 3 annos de prizão com trabalho. 'IO.— (CÓDIGO CRIMINAL ART.— X o c a s o dLo u r i . — 1 anno e 2 mezes. idem. MEDIO. . idem. p l . — 2 annos de prizão. A mesma pena se inporá n'este caso ao adúltero. menos publica. i c ÊLacI©. MAXIMO. idem. MEDIO. 250. MEDIO. idem. como diz Levy Maria Jordão. MAXIMO.) * O adultério (ad alter um ti* dos R nos ) é sem contestação o mais grave des delictos contra a segurança do estado doméstico.

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engendrando direitos. como refere Herodoto. gottoso. Pela hi judaica os réos de adultério eram lapidados. A lei mosaica tratava a mulher convencida de adultério corn extremo rigor condemnando-a á ser enterrada viva até a cintura. como bellamente ensina um erudito escriptor. nem tempo para isso De outro modo comprehenderiam que. se na Scythii. valetudinario. ou fim único do casamento. inteira a uma outra. o adultério foi expiado mais tarde de um modo tremendo. e estrangulada depois. e creando obrigações. synthetica ou harmonica sobre a qual uma pessoa se une toda. o amor matrimonial ó a affecção fundamental. Veriam que o laço pets )ál é a intenção. Alli onde se dizia que a mulher não tinha outro Deus senão seu marido? que o devia achar mais brilhante do que aquelle? embora fosse elle velho. glorifícou-se o rrgimen da communhào em materia de união sexual. que bem caractérisa o progresso dos povos quo o permittiam. ladrão ou assassino. brutal. s e a India guardou para elle um lugar de honra na lei de Manon . .116 À DU návia como na Cafraria . commimicando-se tão fatal contagio ao Egypto . promiscuidade. nos veio a punição desse facto. é porque os povos selvagens nem tinham necessidade de amar. Da propria Asia porem. se na Abyssinia imperou a.

e nos pedes com a pena -\M . Àffonsina L. Pelo antigo direito lusitano nenhuma lei até o reinado de* D. 30 § I o Cod. Tits. 7o e 12 o adultério era punido nos nobres com o perdimento dos bens da coroa. 5 o . foi publicada a lei chamada—Julia deadulteriis—em que semelhante delicto era punido com a pena de relegação. de 9 de Setembro de 1350 compilada na Ord. e não com a capital. O primeiro que punio o adúltero e adultera com esta pena foi Constantino Magno—L. de adulter. ad leg. Pela lei porem. Diniz punia o adultério. no reinado de Julio Cesar. como pretendem alguns interpretes. Jul. Novel. que desse modo ficava entregue a vindicta particular. a punição do adultério era arbitrariamente decretada pelo marido. depois de haver deliberado com os parentes em conselho de fam ilia. e depois encerrada por dous annos em um mosteiro. e ficava reclusa perpetuamente.ADU 117 Pelo antigo direito romano. 134 Cap. 10. segundo Dionizio de Ilalicarnazo o affirma. em virtude de lei attribuida á Romulo e mais tarde inserida no Código Papyriano. porem Justiniano modificou aquella disposição ordenando que a mulher adultera fosse açoutada. Mais tarde. e se neste período o marido a não procurava cortava-se-lhe os cabellos.

25. Philippina do L. Na Inglaterra. que cahem debaixo da jurisdicção criminal./) era dos crimes punidos com pena capital. . a natureza da seducção.) Semelhante indemnisação é regulada pela posição e qualidade do marido. durante a Republica do 1650 o adultério (adulter. Tit. O adultério é hoje neste paiz considerado unicamente como injuria civil. segundo o affirma A. e o remédio contra elle é a acção civil pela qual o marido pode obter indemnisação pela privação da sociedade e assistência de sua mulher (the society and assistance of his toife. 5 o . se não accusava a pena era de degredo por 10 annos para a Africa. dessa época milhares de tentativas se tem infructiferamente feito para incluil-o no numero dos delictos. À Ord. e finalmente pelas obrigações impostas ao marido que tem de cuidar dos filhos. os quaes podem ser por elle suspeitados de adulterinos. pela condição do adúltero. que também nos regeu por algum tempo. porem. Lava. estatuía que se o marido accusava os criminosos eram punidos com a pena 'capital. Segundo o actual direito portuguez—Cod. o que se julga em geral pela conducta e caracter da esposa. 401. tanto o adúltero como a adultera são punidos com a pena de degredo temporário. Penal—art. Depois.118 ADÜ de morte.

ADU 119 Pelo Código Penal Francez. como ainda que á elle presidio a voluntariedade. o o cúmplice delia são punidos. aquella com prisão por três mezes á dous annos. a sociedade toma parte directa na offensa feita à um de seus membros. e este com a mesma pena. isto não seria suficiente. não bastam suspeitas vagas. visto como o que caractérisa. não é punido criminalmente o adultério. são elementos do crime de adultério a união dos sexos. de onde foi textualmente traduzido o artigo de nosso Código de que nos occupamos. art. e os acima citados. E' indispensável prova convincente não só de "que o delicto se verificou. ou melhor constitue o delicto. voluntária e dolosa. a prova delle (evidence) deve ser clara e concludente para levar ao animo do jury a convicção da existência de relações criminosas. embora se diga que só tem que ver o marido. a mulher adultera. Na propria Inglaterra onde. como já observamos. e mais a multado cem á milfrancos. é a união dos sexos. Para a condemnação em delicto tão grave como esto em que. Quando mesmo o pensamento licencioso dos aceusados estivesse sufficientemente comprovado. o casamento pelo menos de um dos culpados e o dolo. . e com elle actos de inteira familiaridade. Segundo nosso Código. 337 e 338.

semelhante disposição não nos parece digna de figurar em um código christão. Se a prova porem de concurso directe para o delicto nem sempre é difflcil. pois se for ella violentada. como pelo direito francez. por escriptos ou cartas particulares. em que o adultério em vez de ser um negro delicto foi um acto de verdadeiro heroísmo conjugai. se a mulher fôr idiota. ou louca. Como dissemos é indispensável a voluntariedade doloza da parte cia mulher adultera. 324 do Cod. que é possível. Sem contestação neste delicto pôde verificar-se a tentativa e mesmo a cumplicidade. Em boa hora o legislador de nosso Código dei- .° e 10 §§ 2. semelhante prova se pôde fazer por meio de testemunhas.° de nosso Cod. não existirá evidentemente delicto ex-vi dos preceitos dos artigos 2.° § 1. Excepção odiosa em favor unicamente do marido. Penal Francez. que os criminalistas chain ão—uxo ricidio. e Voltaire refere um.° e 3. ou mesmo se a união sexual se der por virtude de erro. a da tentativa o é na maioria dos casos.120 ADU Por nosso direito porem. Não discutiremos aqui a hypothèse do art. ao lado de outras tantas em que a vingança não é a penalidade.

« Similhante moderação em offensa de direito alheio de tanta gravidade. 38. de que essencialmente dependem a felicidade. que analysamos. uma vez que do adultério se siga o divorcio. com que os offendidos suppram a falta de protecção da lei. a seguinte judiciosa critica. cujos matrimônios não se- h . O moderno Código da Prussia no § 140 trata com extrema benignidade o crime de adultério. Com a doutrina do art. é um grande erro. que com justiça.ADÜ % 121 xou esquecida a disposição análoga da Ord. Hespanhol no art. 250.° 5. Portuguez também rejeitou. a moralidade. passa hoje por um dos mais perfeitos da Europa. considerando-o não como crime. a segurança do Estado. 349. Em código. principalmente a respeito d'aquelles dos Estados da Prussia ou subditos prussianos. más sim como delicio. e o das Duas Sicilias nos artigos 32G e327. na introducção da traducção publicada em Portugal. e a prevenção de muitos outros crimes. que o Cod.° Tit. para a honra e tranqüilidade das famílias. L. suo harmônicos o Cod. e punindo o cônjuge culpado e seu cúmplice com a pena de prisão simples de quatro semanas até seis mezes. semelhante disposição é realmente censurável. A' este respeito escrevia em 1855 o illustre Silva Ferrão.

401 pune o adultério simples com penas de 1 a 3 mezes. E' notável diz elle. o esquecimento da fidelidade promettida entre os espozos. comprometta a educação dos filhos. . que o da Prussia. caso este em que a mulher é punida então com mais rigor. Segundo este notável criminalista o verdadeiro ponto de vista é o interesse publico. e conduza de ordinário aos crimes os mais graves. relativamente á mulher. § 373. Mittermaier ao contrario pensa que este ponto de vista ô demaziado exclusivo. e a protecção devida á sanctidade da família. que este Código é ainda mais benigno. Vê-se pois. e que cumpre não ver unicamente no adultério. excepto se o adultério puder levantar duvidas sobre a legitimidade dos filhos. que o adultério attaque de frente a moralidade da família*. e de 8 dias á um mez quanto ao marido.a violação de um contracto privado. » O Código da Baviera no art. Feuerbach.122 ADU jam susceptiveis de ser dissolvidos por semelhante causa. e segundo elle o—Commentario official—fazem derivar a criminalidade do adultério da lesão feita ao direito que o casamento dá a cada um dos cônjuges de exigir íideli íade da parte do outro. (I) O Código da Austria pune indistinctamente os adúlteros com a pena de 1 a 6 mezes de prisão simples. (1) Mittermaier sobre Feuerbach.

0 homem casado que tiver conciibina.123 ADU A c î x i l t o T ' i o . e lançar ahi a perturbação e ã desintelligencia entre os cônjuges.) * » m Nosso Código depois de tratar do adultério da mulher casada occupa-se do que commette o marido que tem conoubina teúda e manteúda. pela . 251. Nem o direito Romano. e legitimadafica conseguintemente a acção da mulher.° Tit. porque então verifica-se aquelle gravissimo perigo. nem o antigo Direito Francez permittiam á mulher accuzar o marido por aquelle delicto. não conseguindo demais penetrar no seio da familiâ. será punido com as penas do artigo antecedente. que o facto criminoso se dê na casa conjugai para que seja punido. teúda e manteúda. Foi esta sem contestação alguma a razão porque os legisladores dos Códigos acima apontados exigem. A Ord.° 5. nem os mesmos resultados que os da mulher. do L. P r o cede do mesmo modo que os Códigos Francez e Portuguez nos artigos 339 e 404. e sem duvida pelas mesmas razões. (CÓDIGO CRIMINAL ART. 28 punia o homem casado que tivesse barregã teúda e manteúda. visto que os desvios do homem não tem os perigos.

e a quarentena em dobro. pela 2. e ainda pela 3. e na quarentena. não só não pune a concubina. faltando depois esta ao ajustado? Mas se o accôrdo se deu. A barregâ tão bem era punida. como aquelles á que nos temos referido. más com a pena de açoutes. se tiver pois. a vez com a mesma pena. que não teria efFeito por circumstancias independentes da vontade do agente ? O accôrdo entre o homem e a concubina. simplesmente relações illicitas com qualquer mulher sem que a mantenha por sua conta. como não exige para se dar o delicto que seja ella mantida debaixo do próprio tecto conjugai.124 ADÜ primeira vez com degradação por três annos para Africa. E' esta portanto a condicção indispensável para que seja considerado adúltero . duplicada sempre nas reincidências. se a concubina acceitou a qualidade . e a quarentena em três dobro. Nosso Código. 251. não vingará a accusaçào porque é isso elementar do delicto punido no art. alem da quarentena. a vez com a mesma pena. Quaes seriam os actos de principio de execução. O delicto previsto n'este artigo é d'aquelles em que se dá impossibilidade da existência da tentativa. um anno de degradação para Villa Maior. Limita-se a estatuir a punição desde que o homem cazadotem concubina teúda e manleáda.

Duas Sicilias. Francez. aliás sustentado brilhantemente em Fran- . e Portuguez punem uma tal cumplicidade como delicto especial. Os Códigos cia Hespanha.— O moderno Código da Prussia no § 147 comp. Outro tanto se não pôde affirmar relativamente & cumplicidade: esta não só é possível. como por annos. e ínterdicção temporária do exercido dos direitos de honra civil. A aceuzação d'esté crime não será permittida á pessoa. 251. què não seja marido ou mulher.) • • Não se pôde acceitar como verdadeiro o principio. Austria.ADÜ 125 de amante. e como tal foi considerada ainda que por horas. se em algum tempo tiverem consentido no adultério. o estes mesmos não terão diteito de aceuzar. por dias. como por mais de uma vez se terá dado em semelhantes delictos. l t o r i o .ehende e pune este facto como delicio de—alcovitaria— com prisão simples por não menos de seismezes. tanto se tem uma concubinapor horas. visto como. (CÓDIGO CRIMINAL ART. A c l x i . á que estes dous últimos denominam—maqzcer \c lenocinio. consumou-se o delicto previsto no art. 252.

só ao cônjuge innocente compete denunciar o crime de adultério e proseguir em sua aceusação. de facto e de direito sobre o processo em julgamento. Tem conseguintemente de exigir o cumprimento das obrigações. que o adultério da mulher só a torna culpada para coin o marido. é que aos Promotores Públicos. cumpre dizer. torna-se por isso depositaria de suas reciprccas obrigações. opinião essa que Boitard convencidamente mantém. e o delicto é denunciado. por parte da justiça. 336 do Cod. incumbindo assistir como parte integrante d'aquelle tribunal á todos os julgamentos. a sociedade por intermédio do official civil.° do art. consagra a união dos dous espozos. Penal. Somente no Tribunal do Jury.126 AÜU ça pelo orador do governo por oecasião da discussão do art. Seèm França. O motivo real porque nosso legislador só permittio ao cônjuge innocente a queixa de aclul- . Portugal e na Baviera. assegurando-lhes por essa mesma razão direitos e previlegios. 20 do Peg n. ex-vi do preceito do § 1.° 4824 de 22 de Novembro de 1871. como em França. incuiübe-lhe punir ãquelle dos conjures que violou as prescripções do contracte No Brazil pelo art 252. diz Le Sellyer. e desde que isto se não dá.

* parte do art. cobrindo-se á um tempo de vergonha e ignomínia. A mulher que divorciada do marido por sevicias se ligará qualquer homem.° n.-estatuía que—'Crimen adutterii mar il uni. ad Leg. venha depois queixar-se em juizo. reienia in malrimonvum uxore. Este motivo que fora abraçado tãobera pela antiga jurisprudência.ÀDU 127 terio foi sem duvida por que a intervenção do poder publico hiria perturbar o socêgo do lar doméstico. e tolerado. Em relação á sua segunda parte já o Direito Romano —L\ 11 Ood. se por elle rompem-se não só a unidade. nenhuma razão existe para que consumada a reconciliação com o criminoso. G. e o confirmão Chauveau e Helie Tom. infer-re non posse. tornando demais conhecida a deshonra da mulher. foi o que determinou a 1.° 215 e seguintes. nemini diibium est. Aqui uma gravíssima questão se nos offerece á discutir e resolver. e offendendo com tal procedimento os bons costumes. e com elle coha4ft . desde que o cônjuge innocente consente n'elle. Jul. e mesmo indultado o crime. ou vice-versa.como assegura Jousse. de que ora nos occupâmes. e conseguintemente do marido. mas a santidade do laço matrimonial. Com effeito se o adultério é causa legitima de divorcio. ái adult.

desde que seja . a unidade de dous in carne una. o cônjuge innocente não commette delicto tomando uma concubina. como ensinão os escriptores? Sem receio decommetter uma heresia juridica pode-se responder negativamente a esta questão.128 ADU bítàr. Se no caso de verificar-se o divorcio pelo adultério da mulher. mio passando conseguintemente jamais em julgado. Pelo Direito Canonico o adultério trazendo quebra irritante e insanável da fidelidade conjugai. por que o crime de adultério punido por nosso Código só pôde ser commettido na constância do matrimônio. que um dos delinqüentes seja casado. como ensinam os canonistas. temporária ou perpetua. para se verificar o qual é indispensável. desapparece a família. e nem são aduUcrinos os filhos desta. e com ella o delicto de adultério. que viva sob o regimen do casamento. commetterá o crime do adultério e por este facto pôde ser dada pelo marido queixa. e rompendo o contracto que o casamento vinculara. Uma vez desfeito o laço que prende os cônjuges. mas sem o rompimento do vinculo matrimonial. uma vez que o divorcio é a separação material dos cônjuges. Em primeiro lugar. exime o cônjuge innocente de continuar á guardar a fè promettida. como já o dissemos. cessa. isto é.

se o que torna criminoso o commercio da mulher casada é o vinculo matrimonial. ART. por isso que as violações de leis penaes actuando directamente sobre os di- . mas simplesmente naturaes.) * Se a impunidade dos delictos perturba gravemente a sociedade. quest.ADU 129 solida. na hypothèse figurada. não pôde queixar-se do marido. como ha de poder queixar-se delia ? Seria urn absurdo. ^ c l u . i t o i ' i o . se for vivo : e um não poderá ser condemnado sem o outro. visto que este mantendo uma concubina não commette crime. I . Thomaz a Sent. como punir quem jâ não está preso á este senão pelo laço indissolúvel do sacramento ? Se a mulher. 4. — A accusação deste crime deverá ser intentada contra a mulher e o homem com quem ella o tiver commettido. pois que os cânones ensinam que — adulterium est pœnam illius qui /idem /regit. et infavorem illius qui serüavitn ut non sit adstrictus ad redendum debiium ei qui non sertaml—S. (CÓDIGO CRIMINAL. 253. Diste 2o.

é todavia certo qne nos delictos em que mais de um agente toma parte na resolução e. e attendendo naturalmente à vehemencia das paixões que poderiam deter- .130 ADÜ % reitos por ella consagrados. exigem imperiosamente a repressão. promovida pelo poder social. oífendem entretanto especialmente iyüeresses 'privados de ordem tão elevada. as penas não são decretadas senão no interesse da sociedade.execução criminosa. Assim. se não é sustentável a opinião de Merlin de que a pena pronunciada contra a mulher adultera só o é no interesse do marido. é um mal ainda maior. e que são as bases cia ordem social. nosso legislador compenetrado da gravidade da offensa que soffre o cônjuge innocente. Na classe destes delictos o adultério occupa lugar saliente. que segundo Chauvcau e Helie não é outra cousa senão ajusta sancção da morai publica. e sobretudo de alguns delinqüentes. que não convém expor inconsideradamente á publicidade das discussões judiciarias. pois se causam elles uma lesão mais ou menos profunda nos interesses geraes da sociedade. a punição de determinados delictos. um laço indestructivel os prende quer na punição quer no julgamento. Em relação ao adultério. pois como acertadamente observa Le Sellyer.

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403. não succède porém o mesmo com a cousa julgada no civil. por quanto sendo elle punido somente. não decretou entretanto o Cod. é indiscutível que a co iada no criminal produz effeitos no juizo eevil . nem de 'pessoa seria impossível reconhecer tal influencia da cousa julgada em outro juizo. nem mesmo se poderia lançar mão d'esse recurso para repellir a aceusação de adultério. 251. 08 da Lei de 3 de Dezembro de 1841. pelo faeto de ter^concubi teüda e manteûda. e a punição de um crime. e ex-vi do preceito do art. 253 de nosso Cod. 352 e Portuguez art. é bem de vér que não se dando nem identidade cie causa. Desde que a acção civil. pena alguma para esta. refere-se uninente ao marido cuja mulher commetteu adultério . em quanto o d'aquella é essencialmente diverso : desde que no juizo criminal e perante o jury a Promotoria Publica toma parte na discussão da causa. sendo o cVesta a vindicta publica.132 ADU aliás prevista nos Códigos das Duas-Sicilias art. como bem diz Toullier. tem sempre um objecto différente da criminal. . E' aqui o lugar próprio para observar que a regra do art. ex-vi do art. como aliás o fazia a antiga legislação portugueza. De mais em nosso paiz. 327. Hespanhol art.

mas ainda não tendo começado o processo chega Aleixo. 251. e Paulo com Isabel. Durante a ausência de Aleixo. Duas hypotheses se podem verificar n'este caso. estando ausente Aleixo. e pelo mesmo juizo queixa-se de ambos os delinqüentes. Aleixo é casado com Maria.ADU 133 Uma gravíssima questão se pôde suscitar no caso do adultério denominado duplex pelo Direito Canonico. Isabel. Voltando Aleixo quer queixar-se do adultério de sua mulher : pó le fazel-o ? Soguiiúu Iiyp!)tUcs<\ Isabel produz em juizo sua queixa. queixa-se de seu marido Paulo pelo delicto previsto no art. a de Isabel ou a de Aleixo ? A primeira hypothèse respondemos pela ne- . Qual das duas queixas deve vingar. Paulo mantém Maria como sua concubina íeucla e manieûd cimente. Aleixo partindo para uma viagem demora-se dousannos sem enviar novas suas áfamilia. entrando d'esde logo no cumprimento da pena. e formada culpa è elle julgado e condemnado. Para resolvel-a é conveniente primeiro figural-a.

não poderá ser intentada sò contra Maria. mas tendo já um d'elles produzido em juizo accusaçao pelo crime commettido. 03 do Coei. . 253 exclue formalmente aquella falsa argumentação nas palavras — conjunetamente contra a mulher e o homem — sendo demais certo que o — se for vivo — de que usou o legislador é complemento da regra que n'esse artigo se firmava.» As rasões que temos para sustentar esta opinião são as seguintes. O art. pois a condemnação de um dos Réos não pode ter como effeito garantir a impunidade do outro. soecorrendo-se das expressões — se for vivo —de que se serve o art.134 ADU gatîva porque sendo dons os offendidos. visto como o art. que analysamos claramente o veda. sobre o qual deu-so julgamento definitivo. seguindo n'esta parte a doutrina do art. estando. do Proc. de Instrucção Criminal da França. a accusaçao cle Aleixo contra Paulo viria contrariar a maxima salutar do — non bis in idem — que nossos legisladores sanccionaram nos arts. Nem mesmo poderá Aleixo. argumentar que assim como no caso de fallecer o adúltero é permettida accusaçao contra a mulher sò. Desde que é inadmissível pelo 'mesmo facto nova accusaçao contra Paulo.o adúltero já condamnado nada pôde iaipeclir que a queixa contra Maria seja recebida. 253. 149 e 327 do Cod.

Acção criminal porém nos parece que não mais será cabida. e por tanto lhes cabe o direito de queixa? Parece-nos que o unico possivcl é o não recebimenlo da queixa de Isabel por aquelle fundamento. contrariar de frente a doutrina que se estabelecia. Demais a queixa de Paulo. e também se ella se appresentar em juiz o sem estar legalmente aidori- . A doutrina contraria. mas também contra Paulo. Attendendo á 2. A impunidade de Maria na hypothèse figurada è pois uma conseqüência fatal. A Aleixo conpetirá acção de divorcio. quando possível fosse toleral-a em materia penal. a hypothèse é nossa opinião que das qneixas dadas simidlancamenie por Paulo e Isabel. deve vingar aquella. uma vez que Paulo e Isabel são ambos offend idos. que é também offendido> abrange a de Isabel e vai alem d'ella.ADU 135 Nem se poderia admittir semelhante interpretação extensiva que viria. e terminada esta. tende ao mesmo fim. visto como á elle só é permittido accusal-os conjunctaiãcníc. acçao civil de indemnisação não só contra Maria. Qual será porém o meio a empregar para que se chegue à este resultado.teria como conseqüência a annullação do direito de queixa permittido ao marido ultrajado contra ambos os culpados. e não sancciona a impunidade de um dos criminosos.

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18. Para que o delicto seja justificável pela legi- . Thomaz Alves Junior em suas Annotat e s do Código Criminal. é entretanto um facto consammado que o precede. Os que sustentam. desde que nosso Código não cogitou de limitai--o poderia também confundirse com a premedüação logo que 24 horas mediassem entre ella e o delicto. e a nosso ver perfeitamente bem. que é immédiatameute rcpellido. Se a aggressão fosse esse ataque que deixa tempo intermediário. confundem manifestamente a aggressão com a provocação. que a aggressão era circumstancia que devia modificar a penalidade. mas sim que deixa tempo intermediário. que a aggressão de que trata o Código não é o ataque physico. e por que seja essencialmente différente da legitima defeza escreveu-a no § 6o do cit. e por isso não pode deixar de attenual-o. Entendeu porem. que sendo impotente para justificai" o delicto. Com effeito em regra a legitima defeza dá-se quando o ataque está imminente : a aggressão ao contrario é a offensa physica. como nosso illustre collega Dr. art.AGG 137 rados. Aquella só é circumstancia atténuante porque a imprudência do ataque actuando de modo â perturbar o aggredido força-o a reagir commettendo o delicto. como circumstancia atténuante.

14 § 3 o . a considera aqueila que é precisa para remover de si ou de outrem uma aggressão presente e injusta. e tendo certeza do mal que está imminente. não pôde de certo invocar a justificativa do art. Em um caso. Parece-nos que nesta parte seguio o legislador prussiano doutrina diversa da nossa. impellido por consternação. medo ou susto. e neste estado considera o autor de um facto que excedeu os justos limites. O moderno Código da Prussia tratando no § 41 da justa defeza. Na defeza porem. Na aggressão porem. O indivíduo que esbofeteado por outro dispara um tiro de rewolver e o mata. o facto está consummado. mas não a do § 3o do art. Aquelle porem. e . tendo falta absoluta de outro meio menos prejudicial o mata. que tendo provocado a outrera é por elle aggredido. como no outro o mal está imminente. como circumstancia atténuante algum ou alguns délies não podem ter existido.138 AGG tinia defeza é necessário que.concorram os três requesitos jâ enumerados. não se pôde conseguintemente confundil-a com aqueila. o attaque realisado . mas tem evidentemente em seu favor a atténuante do § 3o do art. pôde invocar em seu favor a atténuante da aggressão. 18. 18.

° de setembro de 1800 foi essa lei revojada. substituindo-a. 3. ou para privarem illegalmente alguém do gozo.) Segundo a disposição do artigo 1. 285. pois que em relação à estas é elle mesmo que se encarrega de modificar a pena. dentro do certos limites.AGG 139 da maioria dos códigos europeus. 0 1090 de 1.° da Lei de 6 de Junho de 1831 os comprehendidos n'este a r tigo de nosso Código Criminal erão punidos com trez á nove mezes de prizão. Pelo art. afim de que se possa no julgamento attender ao maior ou menor numero délias. Conseguintemente hoje o art. reunindo-se três ou mais pessoas com a intenção de se ajudarem mutuamente para commetterem algum delicto. Julgar-se-ha commettido este crime. AjniitaiTionto illioito. v5 . observar que é também diverso o systema por elle adoptado quanto as circumstancias aggravantes e atténuantes dos deiictos. (CÓDIGO CRIMINAL ART. ou exercício de algum direito ou dever.° do Decreton. Cumpre porem.

286. e somente em relação às disposições contraídas ao referido Decreto. Mas na hypothèse de que nos occupamos nem tem applicação este principio. e por nós acceito. continuar em vigor.140 AJÜ de que nos occupamos só poderá ser estudado quando tratarmos de o combinar com o art. e repressão de vadios e mendigos.°.— o que exprime idéa completamente diversa. E' principio verdadeiro. entretanto revogada ella pela citada lein. nem procedência o primeiro argumento. que ficarão fora da alçada pela Lei de 26 de Outubro de 1831 arts. e não como o fez—revogada. como o têm entendido e decidido ate hoje . que as diposições de lei anterior que dizem respeito à materia não regulada pela lei posterior devem.° e 4. 3. em regra geral. Desde que o legislador usou das expressões claríssimas—fica revogada a lei de 6 do Junho de 183 1—não é admissível semelhante intelligencia sem violação das regras mais comesinhas de interpretação visto como se fora esse o pensamento do legislador de 1860 diria ellé positivamente—fica derogada a lei de 1831. Não se diga porem.como já ouvimos. 0 1090 voltarão á ser julgados por aquellas autoridades. tanto que não tratando a lei de 1860 dos crimes de uzo de armas. que se não pode considerar revogada aquella lei na parte penal.

. 285 o sábio legislador de nosso Código teve em vis/a deixar perfeitamente em relevo a idéa do que fosse ajuntamento illicito. (CÓDIGO CRIMINAL ART. Sendo isto exacto seria absurdo sustentar que as leis de 1831 somente se podem considerar revogadas nas disposições contrarias ao Decreto de 1860. — 100$000 idem. mas t a l como se acha redigida a lei outra não pode ser sua intelligencia. 286) Escrevendo o art. 285 quando nos occuparmos do que a elle se segue. ^Vjixntaiixeiito i l l i c i t o .141 AJU Juizes e tribunaes. Praticar em ajuntamento illicito algum dos actes declarados no artigo antecedente. Reservamos-nos pois para estudar o art. o que mais tarde fez a lei de 6 de Junho de 1831. a l e m MAXIMO MEDIO MÍNIMO dasmais e m ixicQx*jci<lo: CXITO O r ó o tiver — 200$000 de multa. sem que entretanto entendesse dever punil-o. I^enas. Talvez não fosse esta precizamente a intenção do legislador. — 20$000 idem.

de que em tempo nos oecuparemos.142 Aju Sabia elle que na sciencia de direito penal são essencialmente différentes os actos preparatórios dos delicto?. À razão que á tanto impellira o legislador brasileiro foi sem duvida que a preparação de um crime é um facto que causa já uma offensa grave á segurança publica. se a manutenção d'ellas é uma lei imperiosa. como por exemplo a do art. e estatuísse excepções à essas regras. na mais rigorosa censura jurídica não passão de actos simplesmente . não só porque não offerecem fundamento bastante solido para a imputação de uma resolução criminosa. Em these geral os actos essencialmente preparatórios não podem ser objecto da saneção penal. d'est'arte se multiplicarião os motivos para que os maus os oceultassem cuidadosamente. é claro que . posto reconhecesse. tão bem os actos preparatórios escapão á ella. ipio clé exccuriv-. bem como que os actos explicados no art. como diz ROSÜÍ. visto cr>mo vai nisso a segurança individual. iratoriòs. Sabia bellamente que se a resolução não pôde estar sujeita á saneção criminal. se a sociedade não pôde existir sem ordem e tranqüilidade. Em verdade. e o . 285. más tão bem porque. Apezar porem de tudo isso não se pôde duvidar que a Lei de 6 de Junho de 1831 os punia. 107.

285. por exemplo o de roubo. rebellions. foi a lei chamada Plaucia. 286 a practica de algum dos acios especificados no art. F senão vejamos: Antes do Decreto n. ad legem Jul. 1. promulgada a instâncias de Calicio durante o seu consulado com Lépido. A primeira lei porem que no antigo Direito Romano se occupou especialmente de os punir. as quaes se podem 1er nos títulos do Dig.° da Lei de 6 de Junho de 1831 visto como o art. de vi publ. esqueceu os salutares princípios que prezidirão á confecção de nosso excellente Código.AJU 143 lhe cumpre vigiar para que não sejão ellas impunemente perturbadas. el de vi privât. e insurreições. 4Veio depois Julio Cezar que a confirmou e manteve. merecedor de censura. ' O legislador de nosso Código Criminal punindo no art. não nos parece o Cod. sedições. Na lei das doze taboas já se encontrão penas contra os que celebra vão ajuntamentos illicitos nocturnos. 285 ó essencial- . podião ser punidos com as penas do art.a 1090 desde que trez ou mais indivíduos se reunissem com a intenção de se ajudarem mutuamente para commet:erem algum delicio. e finalmente Augusto que tão bem a manteve accrescentando porém algumas disposições sobre a violência publica. e por isso em relação as conspirações.

286. obrigando-o a deixar. Se trez ou mais indivíduos se reunirem em uma praça publica. 105. Estudemos porem o art.144 A. 286. mas o do art. de votar contra taes ou taes leis. Se os mesmos indivíduos uzarem de violência ou ameaça para com qualquer deputado provincial. por exemplo. e mutuamente se ajudarem á privar alguém do direito de passear ahi. mas o do art. que crime terão commettido ? Evidentemente não o do art. Seos mesmos indivíduos impedirem ouobstarem de qualquer maneira qne um cidadão vote nas eleições primarias ou secundarias. mas o do art. Punia-se pois quase a resolução criminosa. 286. que bem podia não ser mesmo tentado. Se finalmente.JÜ mento genérico. Por este lado pois a defeza de nosso legislador seria impossível diante desta simples ponderação. e para conseguirem seu intento o feixarem no aposento de uma casa qualquer. que crime terão commettido ? Evidentemente não o do art. que crime terão commettido? Evidentemente não o do art. os mesmos indivíduos obrigarem alguém que está á dar esmola ao men- . 100. visto como aquelle facto iiãõ pôde deixar de ser considerado senão como aoèo preparatório de um crime. 286. 189.

285. mas o do art. tal como se acha genericamente concebido e redigido. ou não são. não pode ella constituir um delicto á não sé realisar exactamente contra a prescripção da lei.A. Entretanto em todas as hypotheses figuradas deu-se a reunião de très individuos'que mutuamente se ajudando privaram illegalmente a mais de um indivíduo do goso e exercício de direitos e deoeres ! Em nosso conceito o art. e nas circunstancias suppostas pela definição do crime dada pelo legislador. 269 combinado com o art. 286. Ou as violações referidas no art. no art. que crime terão commettido? Evidentemente não o do art. são contrarias as leis penaes. D'esde que nosso código especificou em 241 artigos as diversas e variadas infracções que dão lugar a punição . mas sim a dal-a á José arrancando-a para isso de sua mão e entregando-a á este. e punidas quando factos consumados. t>* . 286. ou como melhor se exprimia — Raider — com as circunstancias. 286 não tem justificação possível .— é intuitiva que a disposição genérica do artigo de que nos occupamos não pôde ser defendida.îU 145 digo João á não fazel-o. 270. desde que é certo que por mais contraria que pareça uma acção qualquer á moral e mesmo a ordem publica.

ou leis penaes posteriores à elle.° do art. A opinião que acabamos de expender nos parece tanto mais verdadeira quando nos arts. Se o iião são. Em nosso conceito o que pretendeu o legislador brazileiro foi punir o crime conhecido na antigo legislação portuguesa como — assuada — quando fesse ella simplesmente um meio para o commettimento de outros crimes. deve ser applioada. estão forçosamente enumeradas e especificadas no Código. 120 de 31 de Janeiro de 1842. 180 — que se o crime. ex-vi do preceito do art. 289 e seguintes de nosso Cod. preceitua no § 2. segundo a lei. 129 e 130 do Rg. será imposta a Iodos os autores d'elle a pena que.-^escapando assim a increpação aliás justíssima que ao art. objecto da assuada. delicto este que ainda ô especificado pelo Código Portuguez. e § 1. oecupou-se o legislador das regras de dispersão dos ajuntamentos illicitos. se consummou.°. 1. regras essas qu e encontramos confirmadas nos arts. e não podem ser punidas senão com as penas que para ellas se decretou. .° art. 2. n. escapão a saneção penal.° do God. o qual mais perfeito que o nosso n'este ponto.146 AJÜ Se o são. 286 temos feito.

286 temos feito. A opinião que acabamos de expender nos parece tanto mais verdadeira quando nos arts. escapão a saneção penal. se consummou.° do Cod. 2. e não podem ser punidas senão com as penas que para ellas se decretou. deve ser appiicada. . segundo a lei.° art.°. estão forçosamente enumeradas e especificadas no Código. e § 1. 1. preceitua no § 2. delicto este que ainda ô especificado pelo Código Portuguez. objedo da assuada. oecupou-se o legislador das regras de dispersão dos ajuntamentos illicitos. regras essas qu e encontramos confirmadas nos arts. 129 e 130 do Rg. 120 de 31 de Janeiro de 1842.° do art. 289 e seguintes de nosso Cod. o qual mais perfeito que o nosso n'este ponto. será imposta a todos os autores d'elle a pena que. Em nosso conceito o que pretendeu o legislador braziieiro foi punir o crime conhecido na antigo legislação portuguesa como — assuada — quando fesse ella simplesmente um meio para o commettimento de outros crimes. Se o hão são. 180 — que se G crime.146 AJU Se o são.—escapando assim a increpação aliás justíssima que ao art. n. ex-vi do preceito do art. ou leis penaes posteriores à elle.

Se pois. 289 refere-se á mais de vinte pessoas.—Multa de 400$000 —Idem. P e n a s . 285 falia em 1res ou mais pessoas. direito.*i<lo MAXIMO. — S e elle t i ver por fim impedir a percepção de alguma taxa. a l é r o . a percepção de uma taxa municipal.—Idem. (CÓDIGO CRIMINAL ART.) » * * 0 legislador brazileiro tratando de ajunta. que crime commetteràõ desde que não pratiquem actos de violência ? 12 . j á no art. mais de vinte pessoas se reunirem em uma praça publica. por exemplo. 287. ou a execução de alguma lei ou sentença. c i a s xxiais oixi q i x o o r é o t i v e r ixicox*i. de 40$000 MEDIO. como recentemente succedeu nas provincias do Norte. visto como se no art. ou a execução de uma lei qualquer. x i t o i l l i o i t o .'los illicitos não determinou cm nenhum dos artigos do Código o numero preciso de indivíduos que reunidos o deviam constituir.147 AJÜ «A j . ou se fôr destinado á soltar algum réo legalmente preso. contribuição ou tributo legitimamente imposto . de 200$000 MÍNIMO. com o fim manifesto de impedir. t x x i t ã T i i o .

publica do mais de vinte indivíduos. embora com o designio manifestado de impedir que uma lei geral. 89.148 AJU Estudemos esta hypothèse que nos parece ser precisamente a do art. 6S. E' pois sem contestação o delicto previsto no art. desde quo não se acham elles armados. devendo a reunião ser composta de uma ou mais povoações que comprehendam todas mais de vinte mil pessoas. Também não é o crime previsto no art. . 69. condicção esta que nosso legislador foi beber em algumas legislações estrangeiras. o que se depredencle até de sua propria lettra. Em verdade punir indivíduos que "se reúnem só porque intentam obstar a percepção de taxa. 86. 91 e 92. 85. A agglomeração em uma praça. 287. Não é igualmente o delicto previsto no art. e contra sua doutrina militam as mesmas considerações que expendemos tratando do art. 87. 286. por faltar aquella condicção indispensável de estarem todos ou parte délies armados. 110 por isso que o fim da reunião neste caso deve ser o desígnio do perpetrar algum ou alguns dos crimes previstos nos arts. de quo agora nos occupamos. quando tratou de punir o crime de sedicção. 107. provincial ou municipal se execute. 88. 287. I l l do Código. nao pode constituir o delicto previsto no art.

Como pois nosso legislador foi ülogico destruindo no art. Dizse porém que um ajuntamento ülicito é um acto preparatório significativo de clelictos que causam damno a sociedade. 2SS que aquelles que os deicoarem antes de se haoer commettido algum acto de violência não incorrerão em pena. seus autores serão punidos com penas diversas. em relação porem a hypothèse de que nos oecupamos se as mesmas razoes militam quanto aos ajuntamentos illicitos. taes como assassinatos. e t c .AJU 149 dereita. 288 a regra que acabava de firmar no art. e t c . 288 impunes esse fado e oiãros ? Naquella hypothèse o delicto está na circumstancia inicial da reunião. Se em relação aos delictos de conspiração. rebellião e sedição não podemos desconhecer que tendendo elles á perturbar gravemente & ordem publica e segurança interna não seria possivel deixal-os impunes. roubos. 287 pune-se o facto da reunião de mais de três pessoas com o fim de impedir a percepção de alguma taxa. porque razão o legislador brazileiro foi inconseqüente preceituando no art.. visto como praticados outros factos criminosos. contribuição. incêndios. como se declara no art. 287 ? . direito. alguma ? Desde que no art. tributo ou contribuição legitimamente imposto. etc. é punir o pensamento criminoso.

Comprehende-se que se a autoridade empregar a força. Se verificando-se um ajuntamento illicito para os fins especificados no art. basta indagar quando podem ter applicação as penas do art. 287. pois que o art. como já vimos. . os que assim procederem hão de ser punidos nã forma do art. 289. possa ter applicaçãoa doutrina do art. como é que feitas as trez admoestações. 290 é facultativo e não imperativo. e conseguir a dispersão do ajuntamento. em vista das regras dos arts. incorrem desde logo seus autores na sancção por elle decretada. e não sendo obedecida a autoridade. As razoes porem que o determinarão á isso mais adiante as investigaremos. 290. Na hypothèse contraria o absurdo seria conseqüência inevitável. 293. 293? Serão punidos duas vezes pelo mesmo facto ? A aífirmativa répugna por absurda. e 293.150 AJU Para demonstrar á toda a luz quantas imperfeições se encontra n'este Capitulo de nosso Código. que analysamos.

de que anteriormente tratamos. sendo todos os demais factos que praticarem os delinqüentes punidos com diversas penas. Os que se tiverem retirado d'elle. 288 era lettra morta. (GODIGO CRIMINAL A. não incorrerão em pena alguma. 100 do Cod.AJÜ 151 A j u n t a m e n t o i l l i o i t o .° 1090 de 1. 287. 288) Já observamos que este artigo do Código está em manifesto antagonismo com a regra estatuida pelo legislador brazileiro no art. por isso que punia-se o simples ajuntamento de irez ou mais pessoas que tivessem intenção de se ajudarem mutuamente para commetterem algum delicio. 287. i . antes de se haver comme tt ido algum acto de violência. em que se firmou a regra de que nos delictos n'elle previstos é elementar a eircumstancia inicial da reunião. 288 não foi outra senão a ligeira meditação do art. Revogada porém aquella lei pelo Decreto n.RT. embora este se não chegasse á consumar.° cie Setembro de 1860. A razão que determinou o legislador à escrever em nosso Código Criminal o art. Quando vigorava a Lei de 6 de Junho de 1831 o art. o artigo de que nos occupamos não pôde escapar a incriminação de antinomico com o art.

etranscriplo quase. de onde foi elle extrahido. sèdiçãoe outros. os que desobedecem á segunda e terceira admoeslações só são passiveis das penas de trez annos 4 . evidentemente contrários k segurança interna do Estado. persistindo nos ajuntamentos depois de intimados para os deixarem. em primeiro lugar. 108. Se porém o ajuntamento tem um caracter politico tornando-se indispensável inflingir as penas com a justa circumspecção que exigem assumptos tão complexos. 100 do Cod. no art. como tão bem não. eem que há um plano preconcebido que em um momento dado vem à luz. relativa aos que se retirão dos ajuntamentos depois das intimações legaes. não premeditados. Penal Francez . 288 coma lei franceza de 10 de Abril de 1831. Comprehende-se e justifica-se a doutrina do art. e que não sô não tem a gravidade d'aquelles de lictos.152 AJU Penal Francez. Esta nossa opinião tem tanto mais procedência quando se compara o art. como teremos occasião de apreciar. Más em ajuntamentos puramente accidcntaes. e vê-se que apenas são punidos como contraventores os que não obedecem às ordens da autoridade. e se manifesta gorados exteriores. quando se trata dedelictos graves como a conspiração.inspirão os mesmos receios por isso que nem cabeças costumâo a ter. não nos parece ella justificável.

é liquida a competência do juiz para o julgamento definitivo. attenta a penalidade. pôde elle conhecer da excusa. Uma vez porém que assim não procedeu.-nples %. de 22 de Novembro do mesmo anno. não punindo. 20 e 84 da Lei de 20 de Setembro de 1871. e uma vez recenhecida deve interpor os recursos legaes. 288 não está comprehendida no art.AJU 153 de interdicção dos direitos especificados nos §§ 1. e menos ainda a cumplicidade. 2. Nem se diga que é insustentável esta opinião pois que a justificativa do art. e Reg. 4 e 5 do art. . 10 do Cod. D'esde que o legislador considerou como delicto especial si. e tendo antes firmado principio manifestamente contrario á esse. á que se referem exclusivamente aquelles artigos: porquanto desde que se tracta de uma justificativa em processo em que. 42 do Cod. desde que a retirada se effectue antes de se haver commettido algum acto de violência. Esta seria a doutrina que devera ter seguido o legislador brazileiro. como o fez aliás. e como tal pôde tomar d'ella conhecimento o respectivo juiz formador da culpa. E' elle evidentemente uma justificativa dos factos incriminados nos arts. exvi do disposto nos arts. analysemos o art. o simples facto de ajuntamento il licito. 286 e 287. 3. Penal. 288. N'estes delictos ó impossível a tentativa.

seria impossível a existência d'aquella e d'esta. . autoria de crime. (CÓDIGO CRIMINAL ART. Quando o juiz de páz (hoje autoridades policíaes)íor informado de que existe algum ajuntamento illicito de mais de vinte pessoais. visto como nem se pôde comprehender concurso directo que não seja. nem se poderia verificar o principio de execução que não teve lugar por circumstancias independentes da vontade do delinqüente. e achando o ajuntamento illicito. p r o clamará seu caracter. Por ultimo observaremos que n'estes delictos é impossível a constatação da circumstancia aggravante do art. n'este caso. 289. irá com seu escrivão ao lugar. . 16 § 17. e alçando uma bandeira verde admoestará aos reunidos para que se r e tirem. A J u L i r t a x n o i x t o i l l i o i t o . visto que se punem actos chamados pelos criminalistas de essencialmente prepa: lorios.154 AJTI actos preparatórios.) Esta disposição de nosso Código Criminal é em tudo semelhante à dos artigos 26 e 27 da Lei franceza de 3 de Agosto de 1791 reformada pela de 10 de Abril de 1831.

como na outra hypothèse illegitima sempre. 289 visto que muitos ajuntamentos illicitos se podem verificar sem que estejam reunidos mais de vinte pessoas .AJU loo 0 legislador francez porem foi mais cauteloso e previdente que o nosso. 286 e 287 por que razão só depois que o numero se elevar à mais de rude será pormettido à autoridade dispersar o a já lento illicito ? Ou a dispersão é uma necessidade de ordem elevada. e neste caso não ha razão para a limitação feita no art. quer de poucas pessoas. ajuntamento illicito desde que três ou mais pessoas se reúnem para os fins especificados nos arts. Se o legislador brazileiro tivesse supprimido . e neste caso a intervenção da autoridade será em uma. ou não é. Nosso legislador limitou esta competência ao caso de ser o ajuntamento illicito de mais de vinte pessoas. impondo-lhes a obrigação de se dispersarem á primeira intimação. visto como á autoridade incumbe evitar todas as reuniões que tendem â perturbar a tranquillidade publica. Assim referio-se genericamente ás pessoa? que fossem ene nos ajuntamentos e tumultos. Ora se existe. 285. estabelecendo de modo irrecusável a competência da autoridade para ordenar a dispersão quer de muitas.

(ordem de dispersar) que é intimada por um magistrado. C. G. 120 de 31 de Janeiro de 1842. reunião tumultuosa de pessoas que se ajuntam para commetter um acto illegal. que já detidamente estudamos. 285. 91. com as penas de deportação perpetua. I o . ou por 15 annos. porém. Na Inglaterra pelo art. tornam-se culpadas de alta traição. o seguintes é do domínio cias leis de processo e não devia figurar no Código Criminal. 129 e 130 do Reg.156 AJU do art. por virtude do Act. e o crime de rout. de que entretanto se não . Se uma hora depois da proclamado as pessoas que fazem parte do ajuntamento não se retiram. ou pelo sub sheriff. 5. pelo sheriff. Mas na Inglaterra distingue-se o crime de riot. se estes sobem alem de 12 pessoas pôde ter lugar o riotact. o que foi reconhecido por elle próprio nos arts. V. que occupa-se dos ajuntamentos tumultuo. e como taes são punidas. Conservando-as.sos. n. contrariou também de frente os princípios que estabelecera nos arts. C. ajuntamento tumultuoso de mais de três pessoas que commettem com força e violência um acto illegal. 1. 286 e287. 289 as expressões—mais de vinte pessoas nada teríamos a observar senão que a materia deste artigo. I. ou então por três annos. isto é.

e prisão com trabalhos. 289 estabelece o modo da ultimação. visto como a autoridade bem pôde fazer conhecer suas ordens por este modo. Em Portugal nenhuma lei antiga ou moderna occupou-so das regras de dispersão dos ajuntamentos illicitos. mas perfeitamente cabido nas leis de processo. o que de certo não poderia ter lugar se aquella doutrina pudesse ser acceita. Esta opinião porém.depois de intimadas três vezes para o fazerem. o que parece exorbitante em um Código Criminal. e Corteret pensão que se pôde conseguir os mesmos resultados por meio de editaes affixados nos lugares públicos. delictos estes que são punidos com as penas cie multa. O Código da Prussia no § 92 também estabelece a pena de prisão simples até três mezes. é combatida vantajosamente por Oarnot que mostra a conveniência de estar presente a autoridade para fazer effeotiva a ordem dada. devendo sempre serem ellas acatadas por todos. hire.AJU 157 tornam culpadas. como Se-. . Alguns criminalistas. Este Código porém decreta pena para um facto que entende punivel: nosso Código ao contrario no art. dado o caso de se não dispersaram as pessoas reunidas nas ruas ou praças publicas.

ou tributo legitimamente imposto. 285. 287). excepto nos casos declarados na lei. 179 de nossa Constituição Politica segundo os quaes ninguém ê obrigado á fazer ou deixar de fazer cotisa alguma se não em virtude de lei'. ou se não tiverem por -fim soltar algum réo legalmente preso (art. desde que nenhuma pena podem elles soffrer? Demais como conciliar a disposição d'este art. direito.)" » Desde que pelo Decreto n. por virtude de que disposição serão retidos em custodia os cabeças de semelhante ajuntamento illicito.ori.° e 9.° de Setembro de 1860 foi revogada a lei de 6 de Junho de 1831 que estabelecia a penalidade dos factos especificados no art. contribuição.os preceitos dos§§ 1. ou sentença.to i i l í o i t o . Se o juiz de paz nãofôr abe decido depoi do terceira admoestação.° 8.158 AJU A-jizntaEXi.° do art. selhe parecer necessário. (CÓDIGO CRIMINAL ART. se os indivíduos que se reunirem em ajuntamento illicito não tiverem por fim impedir a percepção de alguma taxa. com. ninguém pode ser preso sem culpa formada. poderá empregar força para desfazer o ajuntamento e reter em custodia os cabeças. au a execução de alguma lei. 290. 1090 de 1. e nestes dentro de .

Mas.como aquelles pro- . por meio da qual se guardavam as pessoas para cuja prizão não havia aidoiHdade. bem como não pôde ser conclus ido àella.AJU 159 24 horas deve receber not la de culpa em que se déchire o motivo de sua prisão. e disposições do próprio código restaurando a custodia. 21 de Outubro de 1763. como o fez com o vago —se lhe parecer necessário. A' isto responderemos. á semelhança do que estatuem as leis francezas por nós já citadas. e ahi conservado se prestar fiança idônea. decretar penas para os que não obedecessem á intimaçao da autoridade competente fizesse-o porque bem procedia. desde que se trata de crimes em que ei Ia pôde ter lugar? E' impossível. estabelecida pelos Alvarás de 11 de Dezembro de 1748. Se o legislador brazileiro pretendia. Estabelecer porém o arbítrio. infringir os salutares preceitos constitucionaes já citados. dir-nos-hão. 285 visto que a lei de 1831 está revogada.— e mais do que isso. e 24 de Outubro de 1774. uma vez que não obedeceram á autoridade que ordenara a dispersão. e n'este caso são retidos por virtude da clara e terminante disposição do art. se não podem ser presos pelo crime previsto no art. 290. podem ser entretanto retidos em custodia.

13 da Lei n. segundo o explica o Aviso de 15 de Julho de 1842. indefinida. considerados autores. nosso Código Criminal. e a autoridade que isso fizesse não poderia cumprir o disposto no § I o do art. como taes serão unicamente considerados os autores. Ora se os que forem encontrados em um ajuntamento illicito não podem. Demais em um ajuntamento illicito quem são os cabeças ? Desde que o legislador não deíinio aquella expressão em nenhum dos artigos em que d'ella usou. como hade a autoridade policial reter em custodia os cabeças. e não sendo licito dar a tal palavra uma ^telligencia vaga. em vista dos principios geraes de direito.160 AJu prios alvarás se expressavão. não é por certo doutrina que esteja em harmonia com as liberaes disposições de nosso sábio Código. . 2033 de 20 de Setembro de 1871 ? Do pouco que acabamos de diser se deprehende claramente a necessidade de ser convenientemente revisto. se ellccnsio é pena. e arbitraria.deixar de ser. n'esta parte.

—35$000 reis idem. — Se no lugar não houver força armada. » * As dificuldades practicas que a doutrina d'esté artigo offerece. poderá o juiz de paz convocar as pessoas que forem necessárias para desfazer o ajuntamento. O de- . (CÓDIGO CRIMINAL ART. 291.— 60$000 MEDIO MÍNIMO reis de multa. e menos de cincoenta que sendo convocados pela respectiva autoridade. para o fim declarado no artigo antecedente.1G1 AJU A j u n t a m e n t o i l l i o i t o . — O s homens livres de mais de desoito annos cie idade.) » • # Este artigo é evidentemente do domínio das leis de processo. Demais já fizemos sentir a conveniência de consubstanciar toda a materia relativa á ajuntamentos illicitos em uma lei especial como o fizeram os legisladores francezes. ou -se for difficil a sua convocação. recusarem ou deixarem de obedecer sem motivo justo. A j u n t a m e n t o i l l l e i t o . —10$000 reis idem. são de fácil apreciação. ou de ordem sua. DPenus: MAXIMO.

12 da lei n. attenta a unidade de circumstancias que rodeia o mesmo facto delictuoso. 128. de Proc. de modo especial. Se pois a autoridade. Quando o numero dos récusantes fòr crescido. Entendeu porém o legislador que devia punil-a. não attendendo aos motivos appresentados. bastará um só auto para todos. tratando-se de ajuntamentos illicitos. e por que a prisão é por delicto de que trata o art. Crim.° do God. a prisão em flagrante é conseqüência necessária. dever-se-ha proceder na forma do § 3. e julgando o récusante dentro do limite da lei—18 á 50 annos. e a prisão dos delinqüentes tiver lugar successivamente. 12 § 7.° do art. é bem de vêr que não poderá ser condemnado. e o fez. Verificando-se pois a recusa. mas também que os motivos que teve para não obedecer á ordem da autoridade são realmente justos.-—íizer lavrar o auto.102 AJU licto previsto n'elle não é outra cousa senão a desobediência punida no art. 2033 de 20 de setembro de 1871.. o mais tarde provar elle que não só é de maior idade do que 50 annos. .

.

—3 annos de prisão coin trabalho. Penas.—4 annos idem. depois de advertido por a toridade competente. idem. MÍNIMO. — Aquelleó que commetterem violências depois da p r i meira admoestação do juiz de paz. ('CÓDIGO CRIMINAL ART.—2 annos. Realmente persistir na pratica de um acto delictuoso. é intuitiva. além das penas em que incorrer pela violência. ou con UM as pessoas encarregadas de desfazer o ajuntamento. 294.—6 annos de prisão com trabalho. idem. MÍNIMO—2 annos.A j i i i i i t a .î X i o x i t o i l î i c l t o . MEDIO. além das mais em que incorrer pela violência. Se a violência fôr feita contra o juiz de paz. Penas MAXIMO. 294.164 AJÜ .) A razão porque o legislador punio mais g r a vemente os comprehendidos na primeira parte do art.—1 anno. idem. é muito . MAXIMO. MEDIO. idem. idem. idem. idem.

AJU

165

mais grave do que commetter simplesmente o
delicto sem que alguém o advirta. Se em um
caso a inconsideração poderia servir de atténuante, em outro a tenacidade em violar a
lei devia sem duvida aggravar a punição. Da
mesma maneira não podia o legislador deixar
de punir severamente os que praticassem violências contra a autoridade e seus agentes, pois
seria isso entregar aquelles f imccionarios á vontade e paixões das massas, anniquilando-se
dest'arte o salutar principio do respeito â autoridade, sem o qual não podem existir as sociedades ei vi lisa das.
Empregando, porém, o legislador a expressão
violência, teria comprehendido nella as vias de
facio ou offensais plvjsicas ?
Sabia elle bellamente que a violência pode
ser toda moral e intellectual'., pôde consistir em
simples ameaças, ultrages e injurias d autoridade. As vias de fado ao contrario são o
resultado da força bruta executando ou tendendo à executar as ameaças, quer sobre a
pessoa do agento, quér sobre alguma cousa que
lhe pertença, como por exemplo sobre o cavallo
do agente que faz a intimação afim de o desmontar. Também dam-se vias de facto, como
assegura Bonin, não só quando um meirinho ou
official de jicstiça è offenclido physicamente,

AJU

167

tem na negativa daquillo que nos parece não ser
objecto de duvida; e é esta a razão porque consignamos aqui semelhante disposição, que em
nosso conceito foi revogada, porque é essa a expressão da lei.
. A j u s t e . — T e r elle precedido entre dous ou
mais indivíduos para o fim de commetter-se
o crime, é circumstancia aggravante.
(CÓDIGO CRIMINAL ART. 16 § 17.)
*
* *

A circumstancia aggravante do ajuste prévio
entre dous ou mais indivíduos para o fim de commetter-se o crime, é, em relação aos criminosos?
como ensina Ben th an, indicio certo de caracter
perigoso, visto como não sò denota, aturada
reflexão, como ainda indigna covardia, desde
que se reúnem para attacar â uma só pessoa.
E em verdade, combinar de antemão com mais
de um co-réo o plano do delicto; reflectir sobre
os incidentes possíveis no momento da execução,
convence indubitavelmente o mais benevolente
dos juizes da perversidade dos criminosos, e
conseguintemente da necessidade de fazer que a
condemnação penda para o máximo da pena.
Cumpre porém observar que nem sempre o
ajuste prévio de dous ou mais indivíduos, é cir-

168

AJU

cumstanciá aggravante de crimes, pois que muitas vezes é ella elemérîtar, como por exemplo
na hypothèse dos delictos previstos nos arts. 107,
11Ò, 111, e 285 do Código.
Da mesma fôrma não se deve confundil-a com
a circumstancía da superioridade em forças de
que trata o § 6.° do art. 16, por quanto se na hypothèse do paragrapho que analysamos ventilase a questão da superioridade em numero em
conseqüência d > ajuste* no § 6.° occupasse o legislador da si(p-'riori:ladc de forças, mas sem
cogitar da
-alidade de ddi,vaieides,
Attendendo-se ás expressões —- ajuste prévio, —de que se uzou no paragrapho que analysamos, comprehende-se desde logo que não só o
ste posterior exclue a existência de semelhante circumstancía
vinte, como ainda que
se não poderá re3onhecel-a verificando-se que a
reunião dos delinqüentes fora simplesmente a
dental.
O Código Portuguez no art. 19 n.° 3.° firma
doutrina semelhante á d'esté § de nosso Cod., bem
como o da Austria no art. 37.
Uma vez reconhecida a circumstancia aggravante do ajuste prévio, logicamente não podem
ser invocadas em favor do delinqüente as atténuantes dos §.§ 3.°, 5.° e 6.° do art. 18 do Cod.
Examinemos agora uma questão que já foi re-

170

Aju

Justiça nojulgamento do Dezembargador Pontes
Visgueiro, e antes d'elle o j u r y da capital do Maranhão no julgamento do co-reo do referido Dezembargador de nome Guilhermino.
Nem se diga que na hypothèse figurada não podia ser desconhecida a circumstancia do § 17 r
porque se Pedro convidou cá Paulo para offender
simplesmente á Sancho, aproveitou-se com tudo
de seu auxilio para matal-o, o que era seu pensamento, que elle mascarou perftdamente
para
ter um auxílio de que carecia; e isto pela seguinte razão. Seria impossível reconhecer o
ajuste como aggravante de um crime que jamais
estivera na intenção de tem dos criminosos r
por isso que elle presupõe accordo, sem o qual se
não pôde dar, e na hypothèse figurada Paulo
não ajustou previamente a morte de Sancho.
A L H
A Ilxeaçao.—Veja-se

Esieffionalo.

AME
A m e a ç a .
crime.

A de fazer mal á alguém, è

(CÓDIGO CRIMINAL A R T . 2.°§

4.°)

*

A primeira observação que nos cumpre fazer,
tratando do § 4.° do art. 2.° de nosso Código, é que

nem outra d'estas observações tem entretanto procedência. não é um delicto consumado. supérfluo. Nem uma. que a doutrina do § que analjzamos parece opposta á dos § § antece lentes. como dizia um illustre professor da Faculdade de Direito de S. Em primeiro lugar a ameaça. Paulo respondendo á essa observação. faltando d'esté modo á coherencia que devia guardar. e punido é indispensável que tenha sido consumado. visto como já no § 1. e essa foi precisamente a razão por que o legislador brazileiro d'ella tratou no § 4. ex-vi de nosso Código.° se acha comprehendida a ameaça desde que indubitavelmente entra ella na classificação das acções voluntárias contrarias á lei penal Outra observação que também nos cumpre consignar aqui é. á primeira vista.AME 171 à alguns parecerá elle. ou pelo menos tentado. e pune-o unicamente por causa da intenção de commetter esse delicto. «aproveitou-se do conhecimento da resolução criminoza manifestada pelo ameaçador. o legislador tratando da ameaça.° Em segundo lugar não a punio elle como simples resolução criminosa. deixando n'esta parte . por quanto se para que um delicto seja como tal considerado. na linguagem genérica de que uzou.

orno por sua applicação no art. más ainda a grandeza do mal que o delinqüente promettesse causar.172 AME de acompanhar o Código Francez. o legislador brazileiro pela genérica disposição d'esté §-. embora o considerasse entretanto um delicto" sui generis. Nem procede qualquer contestação que se levante -contra esta opinião desde que se attenda á que no art. o que não suecederia se quizesse elle punir a vontade criminoza. escriptos. Ao passo que o Código Francez não colloca as ameaças na cathegoria de delictos senão quando revelão a seriae assentada resolução de commetter um attentado contra as pessoas. visto como então deveria 'attender não só áos perigos tanto mais graves quanto mais provável é a realização da ameaça. quer sejam feitas per palavras. 207.punindo-as não quiz reprimir a resolução criminoza. N'esta parte a doutrina de nosso Cod. mas sim como um delicto sai generis. más sim um facto de natureza particular que entendeu não*dever consentir ficasse impune. resultado de um facto immoral e nocivo á sociedade. ou ainda por qualquer outro meio. deixou bem claro que . é manifestamente diversa da seguida pelos Códigos . ?07 são punidas com as mesmas penas todas as espécies de ameaças. sendo por esta razão ainda que d'elle se oecupou especialmente.

MAXIMO. MEDIO.—6 Quando este crime for commettido contra corporações. isto é : anno de prisão e multa correspondente á duas terças partes do tempo. ou seja de palavra ou por escripto. e das Duas Sicilias. como teremos occasião de estudar detidamente. as penas serão dobradas. Penas.—2 mezes mezes de prisão. MÍNIMO. ou por outro qualquer modo. Hespanhol. — 3 mezes e 15 dias de prisão e multa. 207. Embora o il- . A i n e a ç a s . e multa etc. —1 mez de prisão e multa etc.AME 173 Francez. mezes de prisão simples e multa correspondente á duas terças partes do tempo. Portuguez. —7 mezes de prisão.) * Não se pôde rasoavelmente contestar á justiça social o direito de punir a ameaça. MAXIMO.—1 (CÓDIGO CRIMINAL ART. MEDIO. MÍNIMO. e multa etc. etc. — P r o m e t t e r ou protestar fazer mal à alguém por meio de ameaças.

eqüivaleria à entregar á vindicte particular a defensa da segurança dos cidadãos. em suas observações deixasse claramente transparecer. impotente á vingar tal doutrina. não se lhe pode fulminar pena por uma regra geral.174 AME lustre commentador de alguns artigos do Código Brazileiro o Dr. Desarmar o poder social do direito de punir um facto material exterior. para levar-lhes soccorros contra attentados imminentes. não podemos com tu do acceitar tão autorizado parecer. e mais ainda que sendo ella sempre ou quasi sempre o resultado de um movimento de cólera. por que a ameaça incontestav elm ente o é. em quem desperta as mais das vezes a idéa de previas reaeÇões. Mendes da Cunha. Nosso Código. a ameaça é punida em nosso . Facto criminoso pelo alarma que causa. entendendo por isso que os meios de dissipar os terrores do ameaçado são obrigar o ameaçador á assignar termo de bem viver e segurança. como já fizemos sentir. e capaz por si só de produzir os mais funestos resultados. Destricaux a opinião de que na punição da ameaça lia um castigo ao pensamento. pelas apprehensoes que gera nos ameaçados. influenciado pelas doutrinas de Rossi e. apartouse em relação á ameaça da theoria seguida pelo Código Francez. que aliás têm direito de appelât para a justiça penal.

.

Hespanhol. O Código Hespanhol porém no art. tanto assim que provada sua existência e quem delia seja autor. a pena imposta é mais forte do que nos demais casos. 207. por isso que nos escriptos rebelam os delinqüentes com mais certeza a resolução criminosa. princípios que acreditamos haver demonstrado serem manifestamente improcedentes. das Duas Sicilias. embora se verifique á luz da evidencia a não intenção de a realizar. e punindo estas mais severamente do que aquellas. e o próprio Código Portuguez são todos harmônicos eutre si quanto ao modo de encarar a punição deste delicto. 407 faz uma distincção importante que em nenhum dos outros Códigos se encontra.176 AME deria tornar effectiva a imposição da penalidade do art. por isso que são muitissimo failiveis. a punição é inevitável. ou satisfaz á condição. . ea premeditação. Se a ameaça é acompanhada de ordem ou condição. de nenhum modo se prendeu á resolução criminosa. parece-nos que o legislador brazileiro punindo a ameaça. 207« Os Códigos Francez. e considerando-a como um delicto sici-generis. Ao contrario digso . e se o ameaçado com receio cumpre a ordem. dividindo o Portuguez as ameaças em verbaes e escnpias. segundo a doutrina do citado art. da Ba viera.

de ter usado de violência com a intenção de.commetter um estupro. Crim. 3737 Appellants Innocencio Coelho da Fonseca. Em relação á competência para a punição do delicto previsto no art. ou ao menos por sete annos. 8. posto seja o máximo da I. ou entregar uma carta on escripto accusando uma pessoa de crime punivel com as penas de morte. IV. regulando-se a alçad dos juizes pelo disposto no art. duvidarão alguns juizes se o julgamento delia competia ao jury. decidio pela aíFirmativa a questão. não sabemos como se pôde hoswtar sobre a competência do jury para julgar tal delicto. é culpado de félonie. ou accusa ou ameaça accusar.AME 177 Na Inglaterra. E na verdade. deportação. A Relaçãe da Corte na appelação n. e passível de deportação por toda a vida. dinheiro ou qualquer objecto de valor. sem causa rasoavel. aquelle que scie aí emente envia ou entrega uma carta ou escripto pedindo com ameaças. 29 St.° do Cod. C. como já antes havia também explicado o aviso n. segundo os actos 7 e 8 G. e Appellada a Justiça. 41 de 19 de Janeiro de 3 850.. 12 § 7. ou. e de prizão que não deve exceder a 4 annos. do Proc. a parte 6 mezes de prisão e multa correspondente á duas terças partes do tempo. maxime quando a Resolução de Consulta do Conselho de Estado de 17 de Novembro de . 207.

do que trata na 2 a parte o art. que seria erro grosseiro applicar o titulo de — corporações — a todas as pessoasjurídicas. têm sua explicação na audácia revelada pelo ameaçador desde que não trepida levar o alarma ao seio de uma collectividade. E' hoje doutrina corrente entre os escriptores allemães principalmente. — e por isso não podemos forrar-nos ao trabalho de a estudar aqui. Algumas questões se podem suscitar sobre a intelligencia da expressão—corporações. .m Io a ameaça é feita às corporações.178 AME 1850 firmava igualmente o principio de que a alçada dos juizes se regula invariavelmente pela disposição citada do Cod. e de cujo julgamento se devam os juizes occupai' por determinação expressa de lei. À r. a perturbação causada é também indubitavelmente maior.ggravação da penalidade qu. excepção feita dos delidos especiaes. onde se o temor attinge mais crescido numero de victimas. sendo para isto necessário remontar a um pensamento de completa generalidade. do Proc. D'ahi as distincções entre as diversas espécies de pessoas de existência ideal. 207. E' sabido que as denominações admittidas de pessoas ciois ou moraes não comprehendem tola a synthèse da vida jurídica.

que são ellas uma idèa personificada tendo existência publica. a mais importante das associações que são pessoas juHdicas . como diz nosso eminente Jurisconsulte Teixeira de Freitas. sua existência é mais ideal. Estas são possoas jurídicas de existência possível. já porque são especialmente autorisadas pelo Governo. já pelos seus fins de utilidade geral. porém não é indubitavelmente uma corporação.—como diz leixeira de Freitas em seu esboço do Código Civil art. ou ao menos abertamente toleradas. 276 : 14 *r . diz que algumas vezes um certo numero de indivíduos constitue por sua reunião a pessoa jurídica : outras vezes porém falta-lhe esta apparencia visível . e repousa sobre um fim geral que lhe é assignado. o que lhes confere o caracter de pessoas jui-idleaSy á imagem. Sendo verdadeira.AME 179 Sâvígny tratando desta hypothèse. Ora o Estado. a universalidade que dá o caracter de pessoas ás universalidades subordinadas. por exemplo. Mas o Estado é pessoa jurídica de existência necessária. a doutrina que acabamos de expender. sendo o caracter essencial de todas. é elle a grande unidade collectiva. á sombra e sob a tutella ou vigilância do Estado. c sem contestação. é claro que só se podem considerar—corporações. como nos parece.

2o § 3o do Decreto n. Cabidos. como Bancos de qualquer espécie. e quaesquer outras associações existentes no Império. E' aqui o lugar próprio para observar que se alguém ameaçar um funccionario do Estado. Mitras. scientificos ou litterarios.° As sociedades anonymas. as Igrejas. Asylos. não poderá soffrer outra pena que não a prescripta na l. em acto do exercício de suas funcções. Capellas. Pensam alguns que ó possível a tentativa nos . ou em commandita por acções. Misericórdias. Estabelecimentos de credito. comtanto que também tenham patrimônio seu. religiosos ou pios. Caixas Econômicas. 2. posto deva ter lugar o procedimento official quer o delinqüente seja preso em flagrante quer não—Art. Hospitaes. Ordens Terceiras. a parte do art. e não subsistam só com o que percebem do Estado. Companhias de seguros.° Quaesquer corporações institui las para iguaes fins. e estejam legalmente autorisadas. Confrarias. Collegios. Irmandades. Companhias de navegação ou de estradas. 1090 de Io de Setembro de 1860. uma vez que tenham sido competentemento autorizadas. destinadas a qualquer fim de industria ou commercio. 207. Seminários.° Os estabelecimentos de utilidade publica. comtanto que tenham patrimônio seu. 3. como : Communidades Religiosas.180 AME 1.

ex-vi do art. por exemplo. 207 . tal como a pune o legislador brazileiro. não se verifica comtudo a preparação do delicto. pode dar lugar a punição.AME 1S1 delictus previstos no art. Provemos esta proposição. E' sabido que ha tentativas legalmente impossíveis como. entretanto semelhante opinião nos parece evidentemente falsa. 5 o : somente verificar-se-ha a cumplicidade por actos moraes. indubitavelmente pôde eliá dar-se. aquella em que se empregam meios de provocação afim de que o autor do delicio persista no p roje cto criminoso. é erigido pela lei em delicto sui gelieris. Ora na ameaça. por isso que o principio de execução constitue o próprio crime. ou como a denomina Haus—cumplicidade intellectual—. pela inquietação que é capaz de produzir. isto é. e menos ainda o principio de içução. ou ainda quando o acto de execução. segundo diz Haus. Em relação porém k cumplicidade . embora encerre promessa de ur. »_ '• . quando o delicio consiste" em um acto puramente moral ou intellectual. e é se a ameaça impossível. '. Conseguintcmente nunca poderá verificar-se a existência da tentativa. Uma questão delicada nos cumpre ainda estudar. posto se dê um—fado material exterio —que nosso Código entendeu dever punir como delicto especial.

não se dirá certamente que em semelhantes factos exibia uma ameaça. tratando da ameaça. segundo nosso direito. Não partilhamos a opinião da possibilidade de tal punição : para isto fora mister transpor os limites da justiça penal.182 AME Já dissemos que nosso Código não attende. nessa ameaça se descobre a perversidade do delinqüente. como aliás o fazem hoje quasi todos os Códigos europeus.o. para a resolução criminosa. por exemplo de homem em irracional. além de que é possivul o temor do ameaçado : logo deve ser punida igualmente. Mas dir-se-ha. e punindo a ameaça como simples perversidade punir igualmente talvez um louco. Esta nossa opinião. faz nascer os temores do ameaçado. Na hypothèse figurada. sendo isso absolutamente '"'possível. se Pedro ameaçar Antonio de transformai. e legitima a punição. exactamente o que provoca o alarma. não pôde de modo algum importar o reconhecermos como indispensável prescrutar na ameaça as circumstancias que lhe imprimam o caracter de resolução séria afim de dec aral-a passivel de pena. visto (. ou ainda se protestar que por meio de sortilegios hade fazel-o desapparecer da face da terra. que protesta realizar um acto impossível.-orno esta. porém. ô a promessa de um mal possível. porém. .

não só porque denota no delinqüente a firmeza da resolução. 208 que o facto de haver sido a ameaça feita em publico a tornava simples circumstancia aggravante. 208.) * • * Não quiz o legislador brazileiro preceituar no art. A publicidade de um facto criminoso qualquer imprime-lhe indubitavelmente um caracter muito mais gr<*ve. E com razão assim procedeu. (CÓDIGO CRIMINAL A R T . logo não se pôde acceitar semelhante intelligencia.183 AME A m e a ç a s . basta inquerir de que delicto se tornaria a ameaça feita em publico circumstancia aggravante ? Da propria ameaça? Mas então seria ella ao mesmo tempo delicio e circumstancia aggravante. Ora isto é mani-r festamente absurdo . Para demonstrar o absurdo de semelhante intelligencia. que a alguém ouvimos pretender sustentar em séria discussão perante o Tribunal do Jury desta Corte. e conseguintemente faz nascer desde logo no espirito da victima séria . Se ellas forem feitas em publico julgar-se-ha circumstancia aggravante. O que o legislador estatuio no artigo que analysamos é que a publicidade da ameaça aggrava o delicto.

e mais do que isso. e satisfeitas certas condições para a admissão. e as estradas. e antes de tudo prevenir os crimes. que foi feita em lugar púbico. cm suas genéricas expressões. . isto é. de desrespeito ao direito de punir. O que porém se deve entender pelas expressões —feitas em publico—de. dentro da orbita das leis. diz Chauveau. São públicos. de um modo absoluto. quan 'o é accessivel aos cidadãos ou a uma classe délies. em épocas determinadas. de comprehender quer urna quer outra. como ainda é prova irrecusável de audácia. São públicos. as ruas. Estudemol-as pois. Um lugar ò publico. os passeios. ou seja de um modo absoluto e continuamente. as praças. isto é. pirece-nos entretanto que não deixou. que se não pôde negar á sociedade a quem incumbe velar pela segurança individual.184 AME perturbação. que se usou no art. ou também â denominada—de facto ? Nosso Código em nenhum artigo faz distincção do caracter e meios de publicidade a que se refere em diversas secçooo . 208 ? Referir-se-ha o legislador á publicidade chamada de —direito—. para reprimir. ou de um modo relativo. lançando mão de todos os meios de acção indispensáveis.

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ex-vi da doutrina do art. Em primeiro lugar observaremos que a publicidade não é evidentemente uma questão de direito. e é. como ainda porque a publicidade da imprensa é r no systema geral de nossa legislação. a publicidade que podemos chamar legal.e devidamente apreciado.acompanhando demais o facto delictuoso.186 AME Nem se diga que é impossível o crime deameaça por meio da imprensa. nos leva ao exame (!essa questão. directamente percebido. o que por ningnem pôde ser contestado sem offensa dos mais comesinhos princípios. por quanto sem a menor duvida é ella um fado enierno e material. Cumpre porém observar que neste caso.°. a responsabilidade se deverá regular peío disposto no art. que cahindo debaixo dos sentidos. porquanto não sóa expressão—escripto—de que se serve o art. Veriíicando-se a hypothèse do artigo que analysâmes. 7. deverá ser proposto ao jury quesito especial sobre a publicidade da ameaça ? A estreita ligação que existe entre as leis de processo e as prescripçoes penaes. 207 evidentemente comprehende esta hypothèse.° Uma questão nos cumpre ainda investigar. 208. 8. . e delle tornando-seínseparavel. pode ser. como também não poJerá de nenhum modo deixar deser attondida a do art.

Nem se pode julgar dispensável este quesito desde que a publicidade aggravando o delicto não está entretanto comprehendida nos diversos paragraphos do art. se essas . 18 § 7. 367 do Regulamento n. na forma do disposto no art. depois de formular os primeiros quezitos relativos á ameaça. — T e r o delinquinte commettido o crime atterrado d'ellas. é circumstancia a t ténuante. perguntar também em quesito separado—se foi ella feita em publico.) Se em torno dos elementos essenciaas ou constitutivos dos delictos. 120 de 31 de Janeiro de 1842 ao juiz cie direito cumpre. como diz Haus. elementos accídentaes (aceidentalia delicti) os quaes produzem o effeito de modificar a criminalidade da acção ou a culpabilidade do agente. e conseguintemente o de augmentar ou diminuir a pena .AME 187 Ora se isso é exacto. m o a < ? a s . (CÓDIGO CRIMINAL ART. A . se agrupam circunstancias accessorias. 16. segundo nos parece.

como mesmo não tivera intenção de violar a lei. Não basta porém unicamente o concurso de ambos estes requesitos. não seja entretanto culpado por isso que não só desconhecia a illegalidade da acção.° de que nos oecupamos. não podia elle esquecer-se de enumerar a doutrina do § 7. desde que a elle for o delinqüente compelido por força ou medo irrestivel.17 e 18. Do mesmo modo não se pôde infli-ngir punição ao auetor de um delicto. Não succède porém o mesmo com o autor intellectual." extingue-se forçosamente a culpabilidade. o qual é. desde que procedesse em conseqüência do temor da ameaça. por que desapparecendo a vontade e a liberdade. e por tanto a responsabilidade criminal. em direito penal. não pôde ella existir. e deve ser punido. não ignorão que sem liberdade e intelligencia no agente de um delicto qualquer. que provocou o delicto por meio de ameaças. seja qual fôr o mal com que o autor material tivesse sido ameaçado. porquanto é bem possível que alguém sendo autor intelligente e livre de um facto criminoso. . Os que conhecem quaes são os elementos constitutes da culpabilidade.188 AME diversas modalidades forão especialmente enumeradas por nosso legislador nos artigos 16.

Se porém é ella futil e pueril de certo não será attendida pelo jury.° do art. 18 o ameaç idor ê a victima. visto como n'este caso é manifesto que o delinqüente obedeceu á outro movei que não o temor da ameaça. Nosso Código Criminal. Se a ameaça é feita ao delinqüente. e o delinqüente o ameaçado. somente durante ella será attenuado o delicto commettido.° do art. Na hypothèse porém do § 7. e fácil é comprcliender a differença. de modo que a coacção não é absoluta mas sim condicional. Na hypothèse do § 3. Ora n'este caso embora se não possa suppor medo irresistivel. como be ai a qualifica Levy Maria Jordão. e procede impellido por força e medo irresistível. attendeu entretanto o legislador brazileiro a circunstancia de não conservar o delinqüente perfeita tranquillidade cie espirito. 10 o autor material do delicto é provocado por meio de ameaças pelo autor intellectual.AME 189 Cumpre porém observar . mas o . e declarou a ameaça atténuante. 20 n. não é este o assumpto de que nos occupamos. não fixou prazo para que a ameaça deixasse de ser considerada circunstancia atténuante.° 3. entretanto desde que a situação moral em que se acha o ameaçado traz-lhe evidenteuente séria perturbação. como o Portuguez no art.

190 AME ameaçado for pessoa que lhe deva ser cara. Assim diz elle .Silva Ferrão. ou não das circunstancias atténuantes. achamos a sua concordância no § 7. parece-nos entretanto que n'esse caso não deixará de ser por elle attendida. como acreditamos.° do art. » E conclue dizendo : « Se exprimem as palavras—violência e ameaças—as da parte de um terceiro. 3. » Ha manifesto equivoco da parte do illustre commentador. 20 .que nosso Código como aquelle é imperfeito em sua redacção. sendo quase certo que sem a ameaça não se determinaria á commetter o delicto.poderá o delicto ser attenuado ? Posto seja da exclusiva competência do jury o reconhecimento. que é ambígua. sendo por tanto indispensável recorrer ás regras de hermenêutica para se lhe encontrar o sentido. porque superfluidades se não presumem no estylo do leerislador. Se pela doutrina do Código Portuguez é possível a confusão do n. visto como o delinqüente procede visivelmente influenciado por um temor mais ou menés forte.° do art. Pensa o illustre commentador do Código Portuguez. as expressões—ameaças—á quem se referem? A' pessoa offendida? De certo que não. IS do Código do Brazil.

da pro vocação com a ameaça. Em primeiro lugar porque nosso Código exige para que a provocação se considere atténuante que seja ella mais ou menos attendivel. 2 é harmonica com a do § 3. não se pode julgal-o criminoso. mas condicional. 14 n. Na hypothèse contraria porém ó ella simples atténuante. segundo nosso Código é isso impossível. basta considerar.° do art.° do art.a existência de três pessoas. mais ou menos recende . ao passo que neste trata simplesmente de duas—o ameaçador e o delinqüente. não nos parece que nossa lei criminal tenha o defeito que lhe notou o illustre commentador. iste é. . Em segundo lugar e para demonstrar de um modo completo que a expressão ameaça se não refere a terceiro que não o offendido.AMIS 191 com o n. 2. como já o fizemos. visto que a coacção não foi absoluta. visto como em um caso presuppõe o legislador. que isto sò poderia ter lugar confundindo-se a doutrina do paragraphe que analysamos com a do § 3. 10.° do art. ao passo que em relação á ameaça nada disto é indispensável. ex-vi do § 3. Ora se a ameaça sendo irresistível força o individuo violentado a commetter o delicto. seCfundo for mais ou menos grave. 10. 10 do nosso.—Ora se no Código Portuguez a doutrina do art.

"e invariavelmente observado. idem. 4 0 : MAXIMO. O § 5. mas .192 AME A . X o c a s o cio a r t . como a soberania d'onde emanam. MÍNIMO. x ï i e a ç a s . MÍNIMO.—Galés perpétuas.—10 annos. ou pelo inimigo. —Oppor-se alguém por meio délias. Ninguém contesta hoje que todo o navio é considerado uma porção do território a que pertence : nem é objecto de controvérsia que os navios de guerra trazem em si não só uma parte do poder publico da respectiva nação. 82 encerra entretanto manifesta excepção a esta regra. que as leis penaes são exclusivamente territoriaes. ou por violência.° do art. (CÓDIGO CRIMINAL A R T / 8 2 § 5. idem. à que o commandant ) ou tripolaçãp defenda o navio em occasião de ser atacado por piratas.—11 annos o 8 mezes.—23 annos e 4 mezes de prisão com trabalho. MEDIO. Penas : MAXIMO.—20 annos de prisão com trabalho. MÉDIO.—Galés perpétuas.°) * + E' principio admittido pelo legislador brazileiro.

o que aliás fazem outros Código >. exicptuados unicamente em relação aos primeiros os crimes cspeouiex. Se não fossa exacto aquelle principio. estão evidentemente sujeitos à jurisdição commum territorial de cada paiz. Ora no alto mar não podo existir jurisdicção territorial estrangeira : é pois irrecusável que os factos criminosos commettidos quer a bordo de navio de guerra.AME 193 também um corpo organisado de funccionarios administrativos e militares. além de serem cobertos pelo pavilhão do Estado a que pertencem. e entre todas as nações a justiça social se . Se. 82. em todos os tempos. coííio refere a historia. reguladora do assumpto. quer de mercante. so applicam sem duvida as leis espe^iae^ que para as infracções maritimas tom decretado o mesmo Estado. visto como é certo que nosso Código Criminal não estabeleceu regras espcciaos a respeito. invocar a doutrina do Direito das Gentes. Esta é a doutrina invariavelmente seguida por todas as nações cultas. bastaria ainda para demonstrar a legitimidade de nossa competência jurisdiccional nos delictos previstos nos diversos §§ do art. Aos navios mercantes não sendo permittido navegar sem que tragam a bordo prova convincente de sua nacionalidade.

como assegura Haute 1'euille. é um delicto gravíssimo e que não pôde ficar impune. Entre nós a pirataria. Nosso legislador tratando deste delicto inspirou-se na lei franceza de 10 de Abril de 1825 que. 82punio elle como pirataria o facto . se a tinham originariamente perderam-na por seu crime. mas delia affastou-se em alguns pontas. Ora os navios que a ella se entregam não tem nacionalidade. embora usurpadamente traga o pirata o pavilhão de qualquer nação. modernamente quando a civilísação multiplica as relações internacionaes toimando-as não só fáceis.° do art. é punida e julgada pelo jury. Assim no § 5.194 AME armou de . pois. è incompleta e in^uííiciente . essa severidade cresce de ponto. E em verdade : a pirataria. como teremos occasião de ver. e não por tribunaes especiaes. como diz Ortolan. que não é outra cousa senão a depredação commettida em alto mar por quem não tem para isso direito. como até necessárias atravez dos continentes habitados. Logo uma vez aprehendidos por navio mercante ou de guerra—cahem iminediatamente debaixo da jurisdicção territorial do apprehensor. exceptuada a de que trata a Lei de 4 de Setembro de 1850. e se acham portazrto desnacionalisados.severidade para reprimir a pirataria.

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—afim cie que o commandante ou tripolação não defenda o n ivio que esta sendo atacado. Cumpre aqui observar que em ambos os casos o legislador presupõe que o navio não cahe em poder do pirata. por isso que além do começo da execução não ser outra cousa senão a manifestação do pensamento criminoso.° trata-se da opposição moral — por meio do amenças. porquanto se isto se desse haveria a entrega de que antes se occupara elle no §4. porque realisada está a opposição.—ou material.° No primeiro caso deste § 5.ticadas o delicto está consumado.°~opposição por ameaças—é impossível a tentativa. que entretanto se não réalisa por circumstancias independente da vontade do delinqüente. visto como uma vez pr. Neste ciso a tentativa ê possível. Se são pois essencialmente distinetos os factos .—por meio de violências.19G AME verificou-se. que é o facto especialmente incriminado. visto como por actos exteriores e principio de execução se pôde tentara entrega. ainda a opposição por esse meio constitue evidentemente por si só o delicto—sut gcieris— nelle punido. c por isso o legrslador pune a agente do delicto. No segundo—opposição por violências—ainda é impossível a tentativa. No § 2.

Decretam-se também recompensas em favor dos marinheiros que se distinguem por actos de coragem na captura dos navios piratas. V. 88. O acto 6. ou de ferimentos comprommettedores da vida. e tripòlação nos navios reaes queapprehenderem ou destruírem qualquer pirata. receberão a somma de £ 20. Segundo a legislação ingleza a pirataria é considerada injuria contra as leis internacionaes. Neste paiz semelhante delicto é punido com as penas edictàdas polo art. que ampliou e emendou os antigos estatutos que regulavam a materia desde H. 49 para animar a captura dos navios que se entregam á pirataria. bem como a privação de garantias.AME 197 mencionados em ambos os paragraphes. G. \íi . IV. 1. ou mesmo resistindo-lhes. A pena de morte é decretada contra todo o pirata accusado de assassinato. C. marinheiros. se é elle commettido em mar alto. II. c. o prisão por seis mezes são as penas infringidas aos capitães. e patrões de navios que se portam covardemente nessas circumstancias. ainda mesmo matando-o durante a abordagem. VIII até G. e todo o acto que sobre o continente é classificado como roubo é reputado pirataria. dispoz que os cfficiaes. è impossível reconhecer a existência de semelhante redundância.

A m e a ç a s . desde que se trata de qualquer outra pessoa da equipagem. nestes deiictos de pirataria tem lugar a reclamação de extradição. MÍNIMO. MAXIMO. ou de commissòes especiaes nos diversos condidos.—4 . Os actos de pirataria caliem alli debaixo da jurisdicção da Corte central. MEDIO. idem. 15 do art.—6 mezes. que promulgou o tratado de extradição com a Bélgica.° do Decreto n. Ponas : annos de prisão com trabalho. 5. — U s a r d'ellas. Por virtude do disposto no n. idem.198 AME e £ 5. idem.385 de 1. alem das mais em que incorrer pela violência ou ameaças. ou para melhor influir na maneira de se portar no exercicio de seu emprego. que de novamente promulgou o tratado de extradição celebrado em 13 de Novembro de 1872 com a Grã-Bretanha. idem. 3.° de Setembro do mesmo anno. 10 do art. 2.—2 annos e 3 mezes. 5. ou pelo que tiver dito ou praticado no mesmo exercicio.° do Decreto n. bem como do n. ou de violência contra qualquer membro das câmaras legislativas.421 de 24 de Setembro de 1873.

ií>. O legislador criminal porem occupando-se das infracções penaes contra o livre exercicio dos poderes públicos. idem. não podia certamente ser esquecido na lei fundamental do Estado. Principio de tão transcendente importância.AME 199 !3Vo c a s o d o a r t . completou a prescripção cons- .—4 mezes. MEDIO. idem. toiií.—4 P o ü i t s cia. annos e 8 mezes de prisão com trabalho. visto como repres2ntam os membros do poder legislativo a soberania nacional no sagrado exercício de suas elevadíssimas funcções. idem. MAXIMO.ivi-Iva G c . idem.—2 annos. annnos e 8 mezes de prisão.m r i p l i c i t l a c l o . alem dos mais em que incorrer.) # » Nossa constituição política no art. alem das mais em que incorrer pela violência ou ameaça. 7 mezes e 15 dias. 26 declarou invioláveis os membros de cada uma das câmaras pelas opiniões que proferirem no exercício de suas funcções. MEDIO. MÍNIMO.—2 (CÓDIGO CRIMINAL A R T . idem.—18 mezes. idem* idem.—7 mezes. 93. MAXIMO. idem. MÍNIMO.

diz o mesmo escriptor. «Nada mais grave do que as violências de todo o gênero contr a as opiniões e procedimento dos representantes do povo.200 AME titucional. é bem de ver jque a pressão exercida por quem quer que seja é crime que não pôde ficar impune. Pensa nossa douto collega Dr. . dizia em 1834 um n o t á vel publicista francez. por que em taes c i r c u n s tancias o oíFendido não é só o homem. é principalmente a ordem publica. sendo certo que o exercício d'ellas jamais sujeita á responsabilidade legal de natureza alguma . uma vez admittido o art. Tliomaz Alves Junior que o art. como faser responsáveis aquelles que exercem pressão para que a opinião se professei Ainda mais. o que parece absurdo. 03 importa contradicção com a doutrina do art. 28 da Constituição Politica. 93 declara criminosos os que contra ella a t t e n t a r e m . 93. Se as nobilissimas funncções dos delegados da nação sò devem e podem ser exercidas com inteira r i i ç ã o de espirito.visto que no a r t . temos a responsabilidade de um agente por acto que não pôde ser criminoso. cercando d*est*arte ainda de mais prestigio aquella prerogativa. segundo a sua redacção ou espirito littéral. porquanto se a opinião de qualquer membro das câmaras legislativas não está sujeita a imputação.

4. . 93. 26 de nossa Constituição Política. Em primeiro lugar não nos parece haver absurdo em punir-se a pressão exercida sobre a opinião de um representante da nação por isso que elle não pôde ser criminoso. veio tornar practicamente verdadeiro o preceito do art. . Se estas não estão sujeitas a outra sancção que não seja—approvação ou reprovação de seus eleitores. . . visto como não só o legislador com a doutrina do art. —a pressão exercida por meio de ameaças ou violência. e tanto basta para que seja punivel na fôrma do disposto no art. 93. não pôde de nenhum modo importar a impunidade dos que por violência ou ameaça tentarem violental-a. ainda d'esta vez. como ainda por que nada tem este delicto com a prerogative salutar da inviolabilidade de opiniões do Deputado ou senador. . embora não produza o effeito desejado. ter de discordar de tão authorizada opinião. sem contestação possível.AME 201 Sentimos. sujeita entretanto o criminoso a sancção do art. Este facto é. imputa vel ao delinqüente. 93. por isso mesmo que semelhante regra constitucional é um attribute. uma condicção essencial e inseparável da existência das assembléas legislativas Em segundo lugar cumpre attender â que o facto de não ser a opinião do Deputado ou senador sujeita a imputaçâo.

ou de reclusão de mais de cinco annos.202 AME Alem das penas em que incorrer o delinqüente pelos factos n'eïle especificados. uma vez verificada ella tem lugar a classificação do delicto no art. e se não seder.» Pela legislação prussiana é considerado crime —toda a acção á que a lei commina pena de morte. O moderno Código da Prussia. porá o impedir de penetrar no local das suas sessões. commet* ter um crime ou delicto contra algum dos membros das câmaras legislativas. Quanto porém a violência ó indispensável se realise ella materialmente. de prisão com trabalhos forçados. ou de abi votar. não poderá ter lugar a applicação da pena por isso que ha constrangimentos moraes que são violências. ainda é elle responsável pelas em que incorrer por virtude da violência oa ameaça. segundo nosso Código. será punido com a prisão de trabalhos forçados até oito annos. Em relação a ameaça. Quem. Cumpre porém distinguir. dispôz a respeito o seguinte : « § 83. E' delicio toda . como tal punivel. mais perfeito incontestavelmente n'esta parte do que o nosso. por quanto se a ameaça è sem duvida uma violência moral. por força ou ameaças. mas não delidos. a violência material é-eousa différente. 207. se não existir um facto definido e considerado crime pelo Código.

além das mais em que incorrer pela violência. voto ou sentença. — U s a r d'ellas.—2 annos.AME 203 a acçao á que a lei commina reclusão até cinco annos. idem idem. prisão simples de mais de seis semanas. MEDIO. MÍNIMO. MEDIO. idem.— TSTo c a s o d o a r . 7 mezes e 15 dias. e 8 mezes de prisão.—2 annos. MÍNIMO. annos. ou multa de mais do cincoenta escudos.acto official. e 3 mezes. ordem. : 4 annos de prisão com trabalho além dos mais em que incorrer pela violência. IO. Usar de violência on ameaças para constranger algum juiz ou jurado a proferir ou deixar de proferir despachos. MAXIMO. MAXIMO. idem idem. idem. idem. I'ona-.il.—7 mezes.—4 . ou a fazer ou deixar de fazer qualquer outro acto official. ou a fazer como official um acto para que não estejam autorisados. ou de violência contra os agentes do poder executivo para forçal-os a fazer de maneira illegal um acto offici. A m e a ç a s . idem. ou deixar de fazer legalmente um.—6 mezes.

—1 anno. executivo e judiciário. MÍNIMO.—2 mezes e vinte dias. idem.—Quatro mezes.clo nzt t e n t a t i v a . idem. no art. idem.—1 anno. MAXIMO. 97) * * * Depois de haver legislado n s arts. MÍNIMO. em praneiro lugar. além cias mais em que incorrer pela violência. (CÓDIGO CRIMINAL A R T . além das mais em que incorrer pela violência.204 AME F o n a s cia t e n t a t i v a o c o m .—2 annos e 8 mezes de prisão com trabalho. idem. idem.—1 anno e 6 mezes.i>licIcla. 9 mezes e 10 dias de pri- são com trabalho. P û a a s tic coin. MEDIO.—N'ella se não acham comprehendiclos os membros do poder executivo pioro. c 3 cl xá o. e bem assim da opposição aos eíFeitos das determinações dos referidos poderes. p l i . E' indispensável observar que é genérica a expressão—agentes do poder executivo. MEDIO. político ou governamental. 95 e 96 sobre a opposição ao exercido dos poderes moderador. MAXIMO. oecupou-se o legislador brazileiro. idem. porquanto segundo os preceitos de nosso direito constitucional não só são elles membros d'esse . idem. 97 da opposição aos actos dos agentes do poder executivo.

O pensamento do legislador criminal punindo os que forçarem os agentes do poder executivo a fazer de maneira illegal um acto official. Na primeira tractou do facto de forçar alguém . entretanto jamais se occupam de indivíduos. os actos do poder executivo trazem em si um cunho de obrigatoriedade. dentro da orbita legal. Cautelosamente nosso legislador distinguio três hypotheses na primeira parte do artigo. é claro que todo aquelle que ameaça o executor de uma ordem officiai. foi som duvida de inímenso alcance. posto appliquera por si só e directamente as leis de ordem política. por isso que são elles actos legítimos. ipso facto. e comprehende. procedendo sempre em ardem a regular e decidir generalidades. que em vão se procuraria desconhecer. como também força o agente a practicar um acto que nenhum vajor pôde ter. como ainda n'aquelle caracter. Se é exalto que. as diversas jerarchias e classes dos funccionarios administrativos. primeira hypothèse por elle prevista. emanados de poder competente.AME 205 poder. e á que não po~ dem sequer faltar solemnidades externas. Ilefere-se porém á todos os agentes da administração. e o constrange j or meio de ameaça ou violência á proceder de modo illegal não só attenta contra as attribuiçoes de um dos nossos poderes políticos.

por isso que a responsabilidade dos diversos agentes administrativos. desappareceria. Na segunda. Da mesma fôrma se os juizes e jurados no . que é representação immediata da soberania da nação. Na terceira. e com ella a publica segurança. é entretanto certo que uma vez realisadas. 97.. finalmente. como já o affirmamos. a dignidade do poder. como attentatorias que são do exercicio dos poderes politicos. que é essencialmente diversa da primeira embora pense alguém que não. sujeitam ellas os delinquent tes á sancção do citado art. Posto sejam essencialmente différentes. occupou-se do facto de ser o agente coagido a deixar de fazer legalmente um aeto official. que é o legitimo correctivo de todos os abusos. legitimas delegações da nação em quem reside incontestavelmente o direito de punir semelhantes violações. Se ^s agentes do poder executivo pudessem impunemente ser violentados a practicar os factos criminosos acima enumerados. se tornaria por isso mesmo nulla. as diversas hypotheses da primeira parte do art.206 AME o agente do poder executivo a fazer de maneira illegal um acto official. teactou do facto de ser o agente forçado a practicar como officiai um acto para que não está authorisado.

pois como bem diz o Marquez de S. que são as duas hypotheses previstas na segunda parte do artigo que analysamos. das Duas Sicilias e da Prussia nos arts. a sociedade soffreria violento abalo. ou mesmo á fazer ou deixar de fazer qualquer act o official. ordens. 173 e 90. 185 e seus §§. e sò a lei. Segundo nossas leis de processo n'estes delictos cabe denuncia e procedimento por parte do ministério publico—§ 4. fosse adstricto a attender a vontade movei de qualquer outra origem. e a ordem publica correria sério perigo. 74 do Código de .—« a justiça publica seria nominal e illusoria desde que o magistrado em vez de obdecer a lei. N'este mesmo sentido dispõem os Códigos da Sardenha. 187 d'esta hypothèse Refere-se porém á—empregados públicos em geral.—» O Código Portuguez tractando da r''esistencia occupa-se no art. voto ou sentenças.AME 207 exercício de suas f uncções pudessem ser compellidos por violências ou ameaças á proferir ou deixar de proferir despachos. No caso porém de não ter o acto violento chegado a effeito. as regras que predominam são as do art.—e só previne o caso de ter effeito a violência para que o empregado publico pratique acto de suas íuncçoes a que a lei o não obriga. 223.° do art. Vicente.

9. producção immortal do Todo P o deroso. — Veja-se Entrar. submetter-se as mais fortes discussões. Filha da luz increada a Religião de Jesus Chris to desceu do seio do Eterno com todo o brilho e toda a magnificência da sabedoria Divina. os que as fizerem não se julgaram criminosos.°) * * « E' sem duvida um dos mais bellos caracteres da Divindade da Religião. (CÓDIGO CRIMINAL A R T . ella não teme as investigações da sabedoria e as conjurações da impiedade.208 AME Processo-art. Predicar e Resistência.° 1090 de 1.» Estas eloqüentes palavras bastariam por si só para justificar brilhantemente haver o legislador . A1VA A n a l y s e s .° do Decreto n. exclamava Frei Francisco de Monte Alverne pregando sobre a incredulidade.° de Setembro de 1860. 2. — R a z o á v e i s dos princípiose usos religiosos. A m e a ç a s . Estupro.°—§ 2. e não temer as provas mais diíficeis e as mais sublimes indagações.

a de nosso código criminal. do mesmo modo que no art. não seria injustificável tyrannia péar o pensamento de quem quer que seja. respeitados os demais cultos e a religião do Estado.° é inconstitucional. 277punio especialmente a offensa feita aos cultos tolerados e estabelecidos no paiz.ANA 200 brasileiro escripto o§ 2.° garantio a liberdade de religião e de crença. que no art. é a lei suprema da creatura intelligente. se é permittido 1er crenças religiosas quaesquer que elias sejam. Xãonos lemitaremos entretanto á ellas: Desde que a Constituição Política nos artigos 5. Entretanto uotaveis autoridades pretendem que a doutrina do § 2. não era permittido ao legislador criminal estabelecer restricções quanto a communicação do pensamento religioso. e de publicação e communicação d'esté.° e 179 § 5. 9-.° estatuirá a liberdade de pensamento. occupando-se d'esté delicado assumpto. que no dizer de um publicista nosso. E tão lógico foi.° do art. . no que diz respeito as analyses rasoaveis dos princípios e usos religiosos? De certo que sim. Ora. 9. 179 § 4.° do art. se é licito manifestai-as por meio da palavra e da imprensa.

s 2 no art. e a palavra—rasoaveis— . que muitos acreditam de incontestável procedência. e art. 179 § o. não desrespeitar a religião do Estado.° § 2. 276 e seguintes do mesmo código.—. 5. como é que o le gislador criminal não só permittio. O art. respondeu em erudita dissertação o dr. a firmou a existência de uma religião previlegiada—a catholica apostólica romana. Um principio destacado deixa muitas vezes tirar conseqüências repugnantes e errôneas: os principios prendem-se como os elos de uma cadea. resultando d'ahi que a analyse é tolerada emquanto não offender. Paulo. 9. e é por isso que o art.° da Lei de 20 de Setembro de 1830.° auxilia-se com o art.210 ANA Diseai ellas: se nossa Constituição Política no art. 9. Clemente Falcão de Souza Filho. como declarou não criminosas as analyses da religião do Estado quando é possivel que n'ellas seja desrespeitada por seus adversários ? A' esta abjecção. do seguinte modo: « A resposta a este orgumento parece-nos facii e completa.° § 2.° não authorisa o desrespeito a religião do Estado No estudo de uma legislação é preciso não acanhar o pensamento da lei ao que resulta ou parece resultar de suas palavras. 2 ° § 5. Lente da Faculdade de direito de S.° preceituou a liberdade de consciência de maneira formal.

Cap. se ella nada tem á recear do confronto com as demais religiões ? Sois methoclista. matar a liberdade de consciência. Desde que as analyses dos princípios e usos r e ligiosos são rasoaveis. não offensivas dos demais cultos e mesmo dos dogmas da religião professada pelo Estado. por isso que como bem diz Pelletan (l)só a religião tem na terra o poder de plenamente desenvolver o sentimento religioso.» Esta resposta á abjecção levantada parece-nos -cjmpleta. I .° se encontra. quaker ou piei isía. isto ê. e nossa Constituição firmou. pensamento.211 ANA -que no mesmo art. Ora se a Religião do Estado. a única verdadeira. e até a propria moralidade. e mais do que isso. 16 * o. não toleral-as seria suf•focar à liberdade do. como se amordaçaria a palavra cios que respeitosamente se propuzessem á discutir seus principios. é como acreditavam os legisladores da Constituição <e do Código. VIU § X. 3 com elle a moralidade social. bem deixa ver que as analyses tem seus limites.° §2. 9. prosigamos porém na discussão do assumpto. e pensais que vossas idéas religiosas são as únicas (1) Droits de L'Homme. Por ventura existirá n'isso inconvenientes ? A tolerância religiosa é principio que todas as -sociedades civilisadas acceitam.

faz ainda a nossa felicidade n'esta. Se procedordesporém de modo diverso. negando licença para a venda de livros sagrados por serem reputados contrários as doutrinas da .°. 9. não commettereis delicto algum.212 ANA verdadeiras: pois confrontai-as com os princípios elevadíssimos da religião Christã. e o vendedor deve ser punido na fôrma do disposto no art. sereis punidos.° do art. como as rasões que o determinaram á escrevel-o. 277 do Código Criminal ? Dispõe o Aviso citado: « Foi presente a Sua Magestade o Imperador. contra o acto «Tessa presidência e do chefe de policia dessa província. Terminando não podemos deixar de estudar aqui uma questão aventada no parlamento. em 1867. e desde que vossas analyses forem rasoaveis. Do exposto parece ter ficado bem claro não só a legitimidade do principio estabelecido pelo legislador no §2. o que foi resolvida em parte pelo Aviso da Ministério da Justiça de 4 de Maio de 1868. a representação de F. desde que não contiverem desrespeita aos dogmas e ás disciplinas por ella admittidas. A questão e a seguinte: A venda de biblias falsificadas é um attaque a religião do Estado. nue no dizer de Montesquieu parecendo occupar-se só com a felicidade da outra vida.

°. desde que não attacam abertamente a religião catholica apostólica .°. Em primeiro lugar porque garantindo a Constituição liberdade de pensamento. apostólica romana. 277 e 278 do Código. não podemos comprehender que seja isso um delicto. que ò do rigoroso dever dess i presidência respeitar e manter a liberdade individual consagrada no art. com cujo parecer se conformou por sua imperial e immediata resolução de 22 do mez proximo passado. 3. 5o. E x c : 1. 175 §§ Io. houve por bem mandar declarará V. não arbitrariamente senão por via de processo criminal. bem como que ninguém pôde ser perseguido por motivo de religião. e tomando em comsideração somente o facto arguido—de serem ellas uma publicação contraria as doutrinas da religião do Estado.AXA 213 religião catholica. » Deixando de parte a delicada questão de saber o que o sejam biblias falsificadas.°. E o mesmo Augusto Senhor. e 24 da Constituição: 2. firmou a regra de que os sectários de qualquer seita religiosa. tendo ouvido a secção de justiça do conselho de Estado. que não é licito a um delegado do governo imperial o diser e sustentar o propósito de proceder arbitrariamente no caso de deficiência das leis do paiz. que o chefe de policia não podia proceder contra o reclamante senão nos casos expressos nos arts.

214

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romana, e os cultos recebidos e acceitos, não
podem responder criminalmente pelo facto da
publicação e propagação, entre os que os acreditarem, dos principios por elles seguidos.
Não se pôde concluir, disia em 1832 o illustre
professor da Faculdade de Direito de S. Paulo,
Dr. José Joaquim Fernandes Torres, que o atlieo,
protestante, ou maliometano que procede d'esse
modo faça injuria á sociedade, einfrinja deveres
sociaes, porquanto pôz elle em exercido um direito sagrado que lhe conferio a natureza, seguindo os dictâmes de sua consciência.
Em segundo lugar porque no art. 277 o código
só pune os que abusam de qualquer culto estabelecido no Império. Ora quem vende livros em
que se explicam as doutrinas de uma seita religiosa não abusa ou zomba por esse facto dos
outros cultos, ou seitas: ao contrario propaga por
esse modo uma doutrina, que pôde ser manifestamente contraria á dos demais cultos, mas que
não os expondo á zombaria, nem contendo attaque á Religião do Estado, não pôde ser considerada criminosa. Na hypothèse em discussão—vender bíblias falsificadas —isto é biblias em que não
só se acham excluidos certos livros que o Concilio de Trento em 1546 acrescentou ao canon, ou
lista dos livros inspirados, mas também que em
uma ou outra parte trasem expressões que se

215

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dizem não exactas, nunca poderia ser um attaque
a religião do Estado, em vista dos princípios que
até agora temos procurado desenvolver. No
A-viso citado não se acha isto declarado, quando
nos parece que o devera ter sido, por isso mesmo
que era a questão que cumpria resolver.
A jurisprudência pátria não conta julga !o algum relativamente à estas questões.

A n a ^ s e s rasoaveis da Constituição, não
se atacando as suas bases fundamentaes, e das
leis existentes, não se provocando a desobediência a cilas; os que as fiserem não se julgaram criminozos.
(CÓDIGO CRIMINAL ART.

9.°

§

3.°)

O estudo das leis faz cidadãos, dizia na Sorbonna em 1831 o illustre professor Ortolan
abrindo o curso de historia do direito politico e
constitucional. « Todas as vezes, accrescentava
elle, que souberdes da existência de um povo
que viva alheio aos segredos de seus próprios direitos, o á quem seja prohibido o estudo publico
de suas leis sociaes, podeis affirmar sem receio

21G

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que esse povo é escravo, ou seu governe é antenacional. »
A verdade contida n'estas eloqüentes pala- .
vras, e que continuamente devera ser proclamada para que se gravasse em todos os espíritos, foi
pelo legislador brasileiro concretizada no § 3o do
art. 9o, de nosso código.
Desde que o principio social é a vida moral dos
povos, por isso que, como diz Huns, o desenvolvimento das faculdades humanas não é possível
senão no seio da sociedade, que foi concedida ao
homem como meio de realisar seus destinos, desde que os governos são os motores que poem em
execução as leis fundamentaes das sociedades
civilisadas, sendo da mesma fôrma indubitavel
que no systema representativo o exercício da soberania se partilha entre diversos poderes com
attribuições especiaes, não podia o legislador
criminal deixar de garantir à todos os cidadãcs
o direito de analysar rasoavelmente a Constituição, código politico que nos rege, attenta a parte
directa que a nação toma na governação publica, por isso que os poderes do Estado são delegações suas.
Collocar a Constituição política de um povo
fora do alcance das discussões da tribuna, e da
imprensa, é proclamal-a perfeita, é mais do
que isso, eleval-a á segundo Korão, que a fé

218

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poder, e pacificamente desperta a imprevidencia
dos mandatories da nação? Seria um erro funesto
pois como bem diz o illustrado Marquez de S. Vicente em seu Tratado de Direito Publico, «conservar intactas disposições que, pela força irresistível das circumstancias, se têm tornado formalmente contrarias, aos interesses públicos, é
sacrificar a sociedade e esquecer que as leis humanas são feitas para os homens, e não os homens-para ellas.»
Attacar porém de frente as bases fundamentaes do pacto social, isto é, tudo o que diz respeito
aos limites e respectivas attribuições dos poderes
politicos, e aos direitos politicos e individuaes da
cidadão, (art. 178 da Constituição) não é de certa
fazer uma analyse; é ao contrario erguer o brado
de revolta contra poderes legitimamente constituídos, e accender o facho da devastação, e do
extermínio. Ora, n'estas condicções, a desordem
pôde rebentar, e os attentados contra a existência política do Império surgirem inopinadamente.
No interesse pois de sua propria conservação a
Estado que é pessoa jurídica, tem o direito de
punir os delinqüentes, visto como só d'esté moda
poderá ser devidamente reparado o mal moral
que lhe fora causado. D'esta maneira precedeu
o legislador criminal nos artigos 85 e 86.

ANA

219

Não foram também esquecidas na excepção do
§3.° do art. 9.° as analyses razoáveis das leis existentes.
Se a Constituição no art. 179 § 13 garantio a
igualdade perante a lei, principio altamente philosophico, pois como diz Thiercelin (1) o direito é
igual porque o dever é idêntico, e a consciência
não pôde proclamar a identidade de dever sem
affirmar ao mesmo tempo a igualdade do direito;
se á todos os que habitam em nosso paiz assiste a.
faculdade de examinar as leis afim de conhecer
se ellas abrigam á alguma cousa, ou mesmo se estão ou não em harmonia com os preceitos constitucionaes, excluir a faculdade de analysal-as
seria manifesta incoherencia visto como a todos
os membros da sociedade civil assiste o direito de
petição.
Desde porém que elle, esquecido de seus direitos, e ao mesmo tempo das correlativas obrigações, em vez de reclamar dos poderes competentes o remédio legal atè para as violações de direitos individuaes, proclama e incita a desobediência às leis, o legislador que bem sabia que a
sociedade pune no interesse de sua conservação,
como diz Haus, sendo certo que o direito de repressão que compete ao estado tem duas sólidas
(í) Principes du Droit. Cap. II (de Tordre social) pag 43.

— que se apoiam na justiça absoluta eno interesse pnblico decretou para semelhantes infracções criminosas a sancção do art. (1) Le D roi Pinal étudié dcots sss principes.° do Liv.220 ANA bases—a noção do jicsio e do util. bem como que não será susceptivel de nenhum melhoramento no correr dos tempos. Tissot (1) no Cap. Yeja-se Terras.° diz quo se haveria verdadeiro fanatismo em pensar qualquer povo que sua lei sociale a melhor possivel. 3. deque nos occuparemos detidamente quando analisarmos aquelle artigo. por isso que os pactos fuudamentaes de todos os povos sao edifícios que cada século. Da infraeção d'esté ultimo artigo occupou-se recentemente o Supremo Tribunal de Justiça no julgamento dos Bispos de Pernambuco e do Pará. APO A p o s s a r . há incontestavelmeiite sabedoria e prudência em permittir o livre exame das leis. o cada geração mesmo tem o direito de tornar mais perfeitos. Tractando dos delictos contrxi a sociedade J. . 99 com referencia aos artigos 95 e 96. relativa e absolutamente. 3.

e multa correspondente a metade do tempo. Uzar das oífensivas que forem prohibidas. Veja-se Peculato. alem idem. ARM . MEDIO —37 dias e 1/2 emulta idem. Posto argumentem alguns criminalistas que pretender garantir a sociedade contra o abuso r . r ' i x x a . MAXIMO (CÓDIGO CRIMINAL A R T .APR 221 A p r o p r i a r . A . e multa idem. alem idem. s . MÍNIMO—15 dias idem. A rasão do facto que assignalamos é o perigo â queficariam expostas aquellas se por ventura nas diversas legislações penaes não fosse elle punido como delicto. além -da perda das armas. — 60 dias de prisão com trabalho. 297.) *• * » • Em todos os tempos o uzo de armas consideradas oífensivas excitou a attenção dos legisladores nos paizes onde a liberdade civil e a segurança dos cidadãos escrupulosamente são mantidas e respeitadas.

por meio da sancção criminal. é déspojal-ado uzo dos meios indispensáveis para tornar. Mas isto importaria a negação dos principios do . pensamos que nas sociedades policiadas. ao qual mais tarde se succedem a vingança. impotentes para proteger e para punir e sobre tudo compenetrados da justiça da punição. le1 de formação do direito penal em todas as sociedades. onde o dever de velar pela vida dos membros que a compõem incumbe á poderes legitimamente constituidos. que se chamava vingança. que por assim diser constituíram a abjectividade do direito criminal de muitas das nações européas.222 ARM de certas armas. Vatel. o talião. como o assevera Ch. E' facto incontestável. e como os primeiros legisladores. e mesmo do scaudinavo. e mais do que isso. e a compositio. em circustancias dadas effeetivo o legitimo exercício da natural defesa. não cuidar senão em favorecel-a. Ora acceitar aquella doutrina seria voltar ao estado rudimentario das prescripções não escriptas. como o demonstra á evidencia o estudo da origem do direito germânico. que não pode certamente deixar de ser considerada um direito. que antes de chegar a idéa abstracta da pena publica os povos passam pelo estado de guerra privada ou direito de represália. não pode ser admittida semelhante doutrina. só porque é ella individual .

todo o cidadão que apparecia armado era punido com uma multa . são ao mesmo tempo preventivos e reparadores. 3o de Eduardo III as penas eram e ainda são. À prova mais eloqüente desta proposição fornece-a o histórico da penalidade dos povos antigos relativamente ac uso das armas prohibidas. em Venesa decretava-se a pena de morte.° C. veio inspirar ainda a philosophia do século XVIII que animada dos sentimentos de misericórdia eu piedade. como diz Haus. a pena varia desde a condemnação as Ab% . como diz Tissot. proporcionando-a como medida â esse resultado. segundo uma lei de Solon. quem acceitaria a doutrina do desforço pessoal assim proclamada em absoluto ? Seria impossível que a civilisação a tolerasse. Na Inglaterra pelo Est. confiscação das armas. e que sua legitimidade absolu ta ou intrinseca se funda sobre o principio da expiação.ARM 223 christianismo que depois de ter feito a educação do mundo bárbaro. Em Athenas. e prisão por indeterminado tempo: ao passo que na Hespanha. 2. moralisadoo feudalisms. e temperado as realezas absolutas. Demais se hoje fora erro grosseiro desconhecer que os effeitos da pena applicada. proclamou bem alto que a pena se devia dar um caracter de correcção.

o que seria . factos materiaes que tenham relação directa e immediata com esta. 179 § 24. por isso que não só deixam de offerecer solido fundamente para a imputação óa resolução criminosa. A primeira questão que no art. Desta hypothèse pois não nos occuparemos. regem o direito criminal. 297 nos cumpre discutir é a da legitimidade de sua sancção diante dos princípios cardeaes que. que nosso pacto fundamental amplamente garantindo no art. como ainda por que.com licença das autoridades competentes.. segundo pensa o illustre Rossi. foi religiosamente observada pelo legislador criminal. entre todos os povos. sem contestação alguma mais liberal e adiantada em relação a punição do uso de armas defezas do que os Códigos Francez e Portuguez—arts 314 e 253. nem podem ser objecto de sancção penal. exige aquelle em these geral. No terreno do jure constüuendo acreditamos que ninguém se animaria a negar que os actos puramente preparatórios nem devem.224 ARM minas por seis annos. semelhante disposição é attentatoria da liberdade de industria. Desde que n'estes paises se permitte. Nosso Código Criminal.—não punio o fabrico de armas consideradas offensivas. até um anno de exiíio e mil maravêdis de multa. o uso de armas defesas.

em uma palavra. 297. Diante porém de nosso Código. dizia o illustrado professor Dr. actos que tendendo á preparar ou ao menos facilitar delictos gravíssimos por suas conseqüências. é um estado de cousas mais perigoso para a sociedade e para os indivíduos do que a possibilidade geral de um delicto. 297 e 300 como delictos sui generis. é indipensavel entretanto aprofundar o sentido das expressões—usar de armas oflensivas—afim de prevenir as questões que na practica se podem levantar sobre a verdadeira inteligência do-art. mas segundo seu valor.295. não podiam ficar impunes sem perigo real para a sociedade. com mais forte razão a preparação d'elle é facto que causa já uma offensa mais ou menos grave á segurança publica e particular. somos obrigados á convir que bem procedeu o legislador brazileiro visto que são elles. Se um crime resolvido. e os punio não como actos preparatórios. Braz Florentino. que considerou os factos especificados nos art. A' este respeito já expendemos opinião semelhante quando nos occupamos dos ajuntamentos illicitos.. . 281.ARM 225 impossível demonstrar om relação aos referidos actos preparatórios. abstraliindo dos crimes que por ventura tivessem como fim preparar. 29ô. Se estas razões plenamente justificam o legislador criminal.

e fez d'est'arte bem saliente a distin^ção. pois nem o Código. isto é sem trazel-a de continuo na practica da vida social. . como terminantemente o declarou a Portaria de 11 de Janeiro de 1837. commentando o art. Ora desde que nos dous artigos citados empregou expressões différentes. nem a revogada lei de 2G de Outubro de 1831 jamais prohibiram que alguém tenha em sua casa armas. não é licito dar ao artigo que analysamos outra intelligencia. e isto porque são ellas em extremo perigosas. não incorrerá na sancção do art. 253 do Código Portuguez. como diz Silva Ferrão. 300. Assim se alguém for encontrado com arma prohibida. mas também porque confiados na protecção do poder social as victimas seriam opanhadas de sorpreza. o costume de trazer constantemente comsigo armas prohibidas.226 ARM Não pune o Código Criminal senão o uso. tanto mais quando está ella em harmonia com as razões que ligitimam semelhante sancçâo penal. Tanto nos parece verdadeira a intelligencia que damos ao Código que se outro fosse o pensamento do legislador empregaria elle para tornal-o bem claro as significativas expressões—ter ou trazer—como fez no art. não unicamente pela possibilidade do abuso e conseqüentes delictos. 297. isto é. que comprara para ter em sua casa sem d'ella fazer uso.

Alexandre passando por ahi é accommettido por Pedro que dispara sobre elle um tiro. a segunda vai demonstrar á toda a luz á quantos absurdos pôde arrastar a intelligencia contraria. pôde ser circunstancia aggravante—art. 16 § 6. o qual por felicidade de Alexandre o não attinge.° Se esta primeira hypothèse serve para demonstrar que o facto de trazer uma arma defesa não pôde servir por si sô para determinar a qualificação do delicto no art. Nenhuma duvida pôde existir de que Pedro com esse procedimento commetteu uma tentativa de morte . e colloca-se de emboscada. Pedro delibera matar Alexandre. e ainda encontrado com a arma de que acabara de servir-se. conforme o que o processo averiguar. 297 por isso que pôde ser acto preparatório de crime de natureza essencialmente différente.ARM 227 E' de tamanha necessidade practica o fixar-se a intelligencia de semelhantes expressões que os dous seguintes exemplos bastam para convencer * o mais argucioso contradictor. que n'este caso fora o instrumento de que se servira para a practica do delicto. e que ainda. Pedro é preso em flagrante delicto. entretanto trazia elle urna arma prohibida. Compareceu em 1870 perante o jury d'esta 17 *>o . para isto arma-se convenientemente.

a parte e 297. O facto criminoso tivera lugar do seguinte modo. 116. uma navalha de seu uso para ser afiada. a parte do art. 116 do Código. segundo tinha por* costume. resistio a esta empregando sua força muscular. Trez dias antes levava F. ao sahir da loja do barbeiro foi intimado por uma praçj do corpo policial para que a seguisse ato a presença de um recrutador que se achava á alguma distancia. Com effeito. e deu-lhe voz de prisão. não tendo commettído delicto algum não podia ser preso. F. accusado do delicto previsto na 2. e em seu bolso encontrada a navalha. se opponha resistência com força. a resistência por elle empregada contra semelhante ordem illegal éra um direito seu. se é elemento do crime previsto no art. 2.228 ARM Corte F. se F. 116 a existência de ordem legal da autoridade competente. que tinha em seu favor isenção legal recusou-se à fazei-o : a praça redarguio com autoridade. uma vez intimado. . sendo entreta-ito preso. e espirito do Código eram em favor do accusado. Foi em conseqüência processado pelos crimes do art. buscai-a. Então F. e julgado improcedente o procedimento ex-oííicio em relação à este. á que. à um barbeiro. N'aquelle dia indo F. Tanto porém em uma hypothèse como na outra a letra. sendo aíínal absolvido por aquelle facto.

e 47 e 48 do Reg. duplicando-se na reincidência. da vida. por um á seis mezes. não podia ter incorrido na sanççao do art. 10 da Lei n. Este delicto é policial.ARM 229 que o próprio Código sancciona no art. 297. so vela. tem juizes certos e proso especial. e da honra dos cidadãos. O uzo sem. n. e ficando em vigor a disposição do código quanto as armas prohibidas. . faca de ponta. que em semelhantes casos è antes verdugo do que mantenedora da liberdade. (LEÍ DE 26 DE OUTUBRO DE 1831 ART. ou qualquer outro instrumento perfurante.°) . alem do desprestigio da justiça social. bacamarte. A' falsa e errônea intelligencia de ambos os artigos do Código deu pois em resultado que um cidadão íosse arrastado até a barra dos tribunaes.licença de pistola. que possuía e conservava e.A. 10 §o.:i su i casa.r m a s . 3. será punido coma pena de prisão com trabalho.° 2033 de 20 de Setembro do 1871. como se vê dos arts. com manifesta violação de direitos muito respeitáveis.° Da mesma forma se trazia elle aceidentalmen te uma anna defesa.° 4824 de 22 de Novembro do mesmo anno.

Se alguma cousa tiressemos de notar. ou em exercício. A j p m a s .° Àos officiaes de justiça andando em deligencia. Desde porém que acreditamos estar revogada semelhante lei. seria inutil d'elia nos occuparmos. na fôrma de seus regulamentos.° do art. exceptuou-a entretanto no uzo de armas defezas de que tratava a lei de 26 de Outubro de 1831. não esqueceríamos que havendo o legislador considerado no § 3.° Aos que abtiverem licença da autoridade competente. 16 a reincidência como simples aggravante de todos os delictos.230 ARM Já iornamos conhecida nossa opinião a respeito da revogação da presente lei pelo Decreto n. (CÓDIGO CRIMINAL ART. . § 2. andando em deligencia.) . § 3. e punio-a com o dobro das penas.° 1090 de 1. O uzo d'ellas é permittido.° Aos militares de primeira e segunda linha eordenanças.° de Setembro de 1860 quando tractamos dos—ajuntamentos iliicilos—: nada pois nos cumpre accrescentar ralativamente á disposição acima transcripta. 298. §1.

253 do Código Penal Portuguez. com as convenientes cautelas. 297 desapparece em relação aos comprehendidos nos trez §§ que n'elle se leêm. » A r m a s . e bem assim quaes as offensivas que será licito trazer e usar sem licença aos oecupados em traba- t„*4 .° do art. seria indesculpável a tolerância do uso de armas defezas como facto não criminoso. Quaes sejam as offensivas. pela perturbação que pode causar na sociedade. cujo uso poderão as autoridades competentes permittir. « Os extremos tocão-se.ARM 231 Segundo a doutrina d'esté artigo a prohibiçfio absoluta do art. também esse perigo não pôde justificar uma prohibição absoluta em prejuízo dessa mesma defeza. excepções á aquelle principio. Bastão ellas para justificar plenamente o artigo que analysamos. N'este ponto acceitamos sem reserva as seguintes judiciosas observações do erudito Silva Ferrão ao § 2. Se o direito de defeza não pódeautorisaro uso ou porte de armas quando habitual e fi-equcnte. parece igualmente irrecusável que se tornaria dura e cruel nossa legislação criminal senão abrisse. Se. como demonstramos. os casos em que poderão permittir.

o os casos em que o podem ser. Este systema de legislar cem. Que as leis prohibitivas devem ser. Se o uso cie armas defesas estivesse compree n d i d o entre o numero das leis de interesse publico. (CÓDIGO CRIMINAL ART. graves inconvenientes. Não o sendo porém. em nosso conceito.) O legislador de nosso Código Criminal demittio de si no art. em todos os paizcs. ninguém hoje o contesta. 299. Estas ligeiras considerações são corroboradas por factos segnificativos . assim não se pôde . cuja execução deve ser assegurada pela penalidade. permittir que as Câmaras Municipães legislem sobre tão importante assumpto é quebrar o vinculo de unidade. uniformes. quaes as armas offensivas que podem ser permittidas. isto é do domínio do direito penal com mum.232 ARM lhos para que ellas forem necessárias. 299 o determinar positivamente. o característico da legislação de um povo civilisado. e deve ser. as Câmaras Municipães declararão em editaes. como fora alias preferível. mas que são essencialmente variáveis e temporárias. e confiou essa tarefa as Câmaras Municipães. poderia ser tolerada a doutrina acceita por nosso legislador. que é.

ARM

233

conhecer, e menos assignalar em definitiva quaes
sejão as annas prohibidas em todo o Império.
Em primeiro lugar porque fora para isso mister
consultar todos os editáes affixados pelas diversas municipalidades. Em segundo lugar porque
ainda assim periodicamente podem ellas revogar
taes edita.es, ou mesmo modifical-os essencialmente, visto como nenhuma disposição legal
cohibe semelhante procedimento.
Em Portugal esta materia é sem contestação melhor regulada do que em nosso paiz.
Pela disposição do art. 227 do Código Administrativo competem aos Governadores civis as attribuições que são por nosso direito conferidas aos
juizes de paz : taes magistrados porém não têm
arbítrio algum, visto como os casos de concessão
de licenças são especificados no Decreto de 25
de Outubro de 1836, o qual enumera as armas
prohibidas em todo o Reino, as pessoas á quem
seu uso pode ser permittid », e até o praso da
concessão.
Nesta Capital regula o assumpto as seguintes
disposições do Titulo IX do Código de Posturas
da Illma. Câmara.
§ 15. As armas offensivas, cujo uso os juizes
de paz podem permittir são : as espingardas de
caçar, espadas ou floretes de mais de três palmos de folha e pistolas.

231

ARM

§ 16. A licença para uso das espingardas para
caça só será concedida a cidadãos estabelecidos
no paiz com um gênero de vida honesto e util,
de que possão subsistir, declarando o impetrante
a nação a que pertence, sua naturalidade, idade,
emprego e residência, e sendo esta declaração
abonada por nm ílador nas circunstancias do
art. 107 do Cod. de Proc. Crim., o qual ficará
responsável, no caso do impetrante commetter
qualquer crime com a dita arma e não ser capturado, a responder pela quantia de 400$000.
§ 17. A licença para uso de espadas o floretes, será concedida aos viandantes em viagem,
dando estes uma justificação de sua capacidade,
por pessoas estabelecidas no paiz e que como
taes os abonem ; e nas licenças se disignará o
lugar para onde é a viagem, assim como os signaes que facão conhecida a pessoa a quem a licença é concedida.
§ 18. A licença para uso de pistolas em viagem só poderá ser concedida a pessoas de reconhecida probidade, designando-se na licença
o lugar para onde é a viagem, e todos os signaes
da pessoas á quem é concedida, com a condicção
expressa de não as poderem trazer carregadas
em povoado, prestando o impetrante um fíador
idôneo, determinando no § 16, e que ficará sujeito as mesmas condicções.

235

ARM

§ 19. Só se concederá licença para andarem
armados com espadas de mais de trez palmos de
folha ou pistolas, dentro da cidade, á cidadãos
estabelecidos, de reconhecida probidade, e que
justifiquem com três fiadores idôneos, nas circunstancias exigidas no art. 107 do Cod. do
Proc. Crim., achar-sa a sua vida ameaçada por
inimigos, ficando os mesmos fiadores responsáveis pela quantia do 2:000$000 caso o impetrante commetta qualquer crime com as mencionadas annas, e nâo seja capturado.
§ 22. Fica prohibido o uso de qualquer outra
arma offensiva de fogo, contundente, cortante
ou perforante, o só é permittido á pessoas decentes, de avançada idade ou conhecidamente enfermas, o uso de bengalas.

.À.x*xïia,£-. A superioridade n'ellas, de maneira
que o offendido se nào possa defender com probabilidade de repellir a offensa, é circumstancia aggravante.
(CÓDIGO CRIMINAL ART 16 §

6.°)

* »

Desde que a sociedade, armada do direito de
punir, protege vigorosamente os direitos individuaes e collectivos, que constituem a ordem so-

>n£

236

ARM

ciai, por meio da única saacçãõ legitima — a
pena—, nada mais justo de que amparar o forte
contra o fraco, recorrendo para consegnil-o ao
equilíbrio da penalidade, uma vez que a disparidade de sexo, forças e armas se manifeste
n'aquelle contra este.
Inspirado pela doutrina de Benthan segundo a
qual—menos a parte offendida está fora do estado
de se defender, tanto mais o sentimento natural
de.compaixão obra com força, o legislador brasileiro escreveu o § 6.° do art. 16 de nossso Código.
Exigiu porém que o oífendido não possa defender-se com probabilidade de repellir a offensa,
pois se tal se nào der não será considerada circumstancia aggravante porque então dar-se-hia
o caso de considerar-se aggravado um delicto por
facto estranho á intenção do delinqüente.
A'que armas porém refere-se o Código no§ 6.°
do art. 16?
Entendemos que á todas as consideradas offensivas, visto como ás defensivas, isto é, as que segundo o antigo direito portuguez erão destinadas
a cobrir e defender o corpo como escudos, peitos
de aço, saias de malha, e outras enumeradas na
Ord. L.° 5.° Tit. 80 § 12, não podia o legislador
referir-se visto como o absurdo seria manifesto.
Na Revista n.° 1890, recorrente Emygdio Ferreira da Silva e recorrida a justiça, o Supremo

ARM

237

Tribunal de Justiça por accordão de 22 de Agosto
de 18G6, com o qual concordou plenamente a
Relação Revisora da Bahia, estabeleceu sobre
esta aggravante a seguinte doutrina.
« Tratando-se de offensas physicas feitas pelo
« senhor em seu escravo, sendo incontestável o
« direito que tem os senhores de castigar corpo« ralmente os seus escravos, e apenas prohibido
« o excesso e abuso, é claro que o uso de tal di« reito, suppondo sempre a existência do instru« mento do castigo, pressuppõo a superioridade
« de arma (alem da superioridade legal e moral,)
« a qual sendo neste caso constitutiva do delicto
« nunca pôde ser elevada à cíncurnstancia
« aggravante, mormente quando pela essência e
« natureza especial da sociedade heril nunca o
« escravo poderá resistir â seu senhor, haja ou
« não possibilidade de repellir a offensa, lissa cir« cumstancia que aggravaria o delicto de igual
« contra igual, nunca deveria ser articulada no
« libello, nem sobre cila formular-se esse que« sito.»
Segundo a doutrina d'esté accordão do mesmo
modoso deve procederem relação aos de naiscomprehendidos no § G° do art. 14 do Cod., porque onde
se dá a mesma razão da-se a mesma disposição.

AL<À

238

ARM

A r m a s . Tomal-as, o que fôr cidadão b r a zileiro. contra o império, debaixo de bandeiras
inimigas.
Penas:

— 14 annos de prisão com trabalho.
MEDIO
— 10 annos, ilem.
MINIM ) — 6 annos, idem.
MAXIMO

IS" o c a s o cio a r t . 4 9 .

— 16 annos e 4 mezesde prisão simples.
MEDIO
— 11 annos o 8 mezes. idem.
MÍNIMO — 7 annos, idem.

MAXIMO

(CÓDIGO CRIMINAL ART. 70)

Não conhecemos attentado mais grave contra
a segurança, de qualquer estado do que tomar o
cidadão armas contra sua pátria, debaixo de bandeiras inimigas.
Concorrer directamente para que os laços da
unidade social da terra que nos servio de berço
se quebrem, a ordem publica se perturbe, e os
movimentos harmônicos do estado social se modifiquem ao contacto de estranha dominaçãoj
é diz Tissot, matar uma nação, prival-a de vida
propria, de sua individualidade, ou existência
pessoal, na humanidade.
Nos antigos tempos, e quando o direito cri-

.

permanecer n'elle « depois da guerra declarada. O Código Portuguez no art.. deverá ser « punido com trabalhos forçados de 3 até 10 « annos. durante uma guerra « contra o estado. « Todo o prussiano. entrar no serviço militar do « exercito inimigo. segundo pensa Silva Ferrão. que. O moderno Código da Prussia porém no § G8 faz distincções : assim dispõe elle. 70 de nosso Código Criminal. 2. estando anteriormen« te ao serviço estrangeiro. Segundo a doutrina do art. pune um tal crime com a pena de cadêa temporária (caclena) em seu gráo superior até a de morte. « Todo o prussiano. e voltar as armas contra a « Prussia ou seus aliados. são elementos constitutivos do crime n'elle prévis :o 1. 141. será punido com a « morte como traidor á pátria. A primeira observação que nos cumpre fazer é que o legislador brazileiro comprehcndeu nas expressões—cidadão brazileiro—não só os militares .° .240 ARM copiou do nosso o art.° que o acto de tomar as armas seja dobaixo de bandeira inimiga. que o delinqüente seja cidadão brazileiro . que. sem contestação o mais moderado de todos relativamente á penalidade. e voltar as armas « contra a Prussia ou seus aliados. 141 também o pune com a pena de morto.

302 n. como ainda os de que trata a Lei n.ARM 241 como os simples paisanos.—. que a naturalisação em paiz estrangeiro quebrando o laço civil que á elle o prendia. de captiv et posUimin. 6. terminantemente formulada na L. do que se não pôde duvidar desde que se le o § 5. 1. como bem diz Boitard. Xão comprelieddeu porém no art. nas seguintes palavras—de sua civitate caique eúnstituendi facultas libera est.° 3.° 681 de 18 de Setembro de 1851. por isso que se hoje ó indiscutível ter todo o homem direito de escolher livremente a nacionalidade á que deseja pertencer. Comprehendeu da mesma fôrma não sô os cidadãos especificados nos diversos §§ do art. refere-se não A tf» . é ainda indispensável que seja estrangeira. o que no Direito líomano era uma das mais apreciadas garantias. e nem podia fazel-o. 70 não basta que a bandeira a que adherir o cidadão brazileiro seja inimiga. por isso que na expressão—inimiga—-por elle empregada no art. é também certo. 70.° de nossa Constituição Politica.° 1090 de 10 de Setembro de 1860. quebrou igualmente o laço politico. 12 Dig. os braziloiros que pertençam já â outra nacionalidade.° cío Decreto n. N'este ponto o Código da Baviera dispõe diversamente. Também observaremos que para se dar o delicto previsto no art.° do art.

Portuguez. no entender d'ellas. Parecem-nos tão applicaveis á doutrina de nosso Código as seguintes observações de Silva Ferrão. destruir uma anarchia assoladora. que para bem do reino. « Assim a respeito do portuguez que tomar armas e acompanhar tropas estrangeiras contra sua pátria. commentando o art. que aqui as reproduzimos. Pelas expressões—tomar armas —á que facto se referio o legislador ? . ainda que a bandeira seja estrangeira. como é preciso que a bandeira seja inimiga. mas ainda aos iuteriores e rebeldes. nao procede a incriminação. e que também existe no direito francez. é a seguinte. 70 de nosso Código. Da mesma fôrma.» Uma difficuldade que oííerece a intelligoncia de art. não podendo dizer-se inimiga' escapam à determinação d'esté artigo. viessem exercer um direito de protectorado ou de intervenção para salvar o Rei do captiveiro. mas de nações amigas e alliadas. se vierem estas organisadas em batalhões com bandeira nacional. os portuguezes que tomassem armas.242 ARM só aos inimigos exteriores. não sendo inquestionavelmente então uma bandeira inimiga.2. em companhia de tropas estrangeiras. restituir ou plantar a liberdade. 75 do Código Penal d'esté paiz sido revisto em 183. 141 do Cod. apezar de haver o art.

• » Ninguém contesta que a propriedade. 1.° do Decreto n. No caso contrario bem poderia succéder que ao facto punido como delicto por nosso Código se substituíssem simples presumpções. números.ARM 243 E' nossa opinião que somente depois de praticados. actos de hostilidades contra a pátria. materialmente. em nossos territórios. o4% . Todas as pessoas que arrancarem marcos e estacas divisórias. e declarações que se gravarem nos ditos marcos ou estac is. (DECRETO N. o que não podia ter em mente nosso legislador. quando commettido por paisanos é processado e julgado na fôrma da Lei n.° 562 de 2 Julho de 1850. se completará o fasto punido pelo Código nas -expressões referidas.° 631 de 18 de Setembro de 1851 o delicto do art. A r r a n c a r .° do art. ou destruírem os signaes. 108). e em arvores. pedras nativas etc. além das penas á que estiverem sujeitas pelas leis em vigor. no sentido genérico em que hoje a toma a sciencia do 18 . Em virtude do disposto no § õ. DE 30 DE JANEIRO DE 1854. serão punidas com a multa de 200$000. ou então factos essencialmente diversos. 1318 ART. 70.

— Assim os Gregos adoravão Jupiter Terminal. Sem nos alongarmos em combatter a opinião dos que aífirmào de que nos primeiros tempos da vida da humanidade. Estudando attentamente a historia do antigo direito romano vemos Numa Pompilio ordenando .244 ARR direito. Não escnpou aos jurisconsultes romanos o estabelecer regras certas relativamente â divisão das propriedades. se não a realisação do direito de personalidade no dominio material dos seres. chegando-se mesmo ao ponto de divinisaro—Deus Termino. e aqui e alli erigião-lhe sumptuosos templos. assim na L. de jure et jure se lê—Ex. agris termini poziti. a indivisibilidade da propriedade é um mal que todos os povos têm procurado prevenir. comprehenda os bens de que tem necessidade o homem para sua vida pessoal e social. que consideravão-se os marcos que servião para separar os campos como sagrados. que no fundo não é outra cousa. 5 a Dig. não deixareraose ntretanto de aflirmar que reconhecida a necessidade da existência de semelhante direito. e mesmo punir. por isso que se tornara ella um principio de ordem publica. permanecia ella indeviza.— Era tal nos antigos tempos o respeito consagrado a divisão da propriedade. jure gentium dominia distinctes. como diz Ahrens.

o depois que Julio Cesar promulgou a lei agraria de que falia a L. Mais tarde. Se por um lado encontra-se a propriedade valentemente amparada pelo elemento religioso.3a Dig. desde logo ficava considerado como sacrilego.— M. bem como que nos extreinos d'elles se plantassem marcos ou limites. . pois segundo refere Dionizio de Halicarnasso. segundo a qual a relagaçao. de termino moto. as minas. que servem para separar e distinguir as propriedades era terrivelmente punido pelos—coslicmes allemàes. que directamente actuava sobre o espirito dos povos. como a criminal. Michelet (1) refere que segundo elles entendia-se ser de justiça enterrar um homem até a cintura no lugar onde o marco estivera plant ido. e podia alem d'isso ser morto impunemente por qualquer do povo. por outro a repressão penal contra os que violavão seus limites se não fez por longo tempo esperar. (!) Origines du droit français pay. . celebrando-se sacrifícios e festas em honra do Deus Termino. e as fustigações erfio as penas que podião ser sanccionadas cont:a os delinqüentes. aquelle que arrancava marcos ou os transportava de um para outro lugar. O delicto de destruir os marcos. 104. não só appareceu legitimada por textos positivos a acção civil.245 ARIl a divisão dos terrenos.

546. não só propor as acções civis que entenderem lhes competir. e este por seis mezes á dous aunos. Na antiga jurisprudência franceza erão as penas d'esté crime deixadas ao arbítrio do jury. 178 e 181 como espécie de fraude. Os códigos Portuguez art. das Duas Sicilias art.246 ARR e passar depois sobre elle com a charrua e quatro cavallos. terão os cífendidos liberdade de. Não nos occuparemos aqui da questão se a destruição de marcos para o fim de tornar posse de alheia propriedade pode constituir o delicto previsto no . como ainda a criminal do art. más como usurpação qualificada. aquelle com a pena de prisão por um mez aum anno e multa correspondente. Concordãocom a incriminação d'este delicto os Códigos Hespanhol art. e no caso corntario. Penal é punido com a pena de reclusão se é praticado com o fim de commetter um furto. 431. 428. 389 e 456 do Cod. Terminam!o observaremos que todas as vezes que se consumar o delicto previsto no art. de simples malícia. 266. 108 da lei que analysamos. e para o qual a pena é de simples multa. e da Baviera art. com a de prisão por um mez à um anno. 386 punem o facto de destruir marcos. mas que variavam segundo as circumstancias. e da Austria arts. Actualmente em França pelos arts. O antigo Código da Carolina também decretava penas afilictivas.

MEDIO.) . militar. MÍNIMO. por isso que delia nos occuparemos detidamente quando o analysarmos. idem. MEDIO.—2 annos e 4 mezes. MAXIMO. » ^fo c a s o d o a r t . o r i t o .—3 annos de prisão com trabalho. MEDIO. MAXIMO.247 A RR art. — Veja-se Commando Emprego. 257.— 1 anno. — Fazer arrombamento na cadêà. 4 9 .—8 mezes. idem. idem. T b a m . 123. A . A r r o g a r . (CÓDIGO CRIMINAL A R T .—1 anno e 4 mezes. Penas MAXIMO.—2 annos de prisão com trabalho. idem. idem. idem. MÍNIMO.—2 annos. por onde fuja ou possa fugir o preso. P e n a s cia t e n t a t i v a o c i x i r t p l i c i c l a c l c. r * r * o m . idem. MÍNIMO.—3 annos e 6 mezes de prisão simplos.—1 anno e 2 mezes.

plantando a anarchia na sociedade. ex vi do preceito do art.248 ARR * # Quando nos occupamos do art. no artigo que analvzamos. 126 de nosso Código. procedeu justissimarnente visto como semelhante facto. por outro. 122 (aceõmmeítér qualquer prisão com força) demonstramos não só a necessidade e legitimidade da pena nas sociedades civilisadas. não pôde ser tomada senão no sentido da definição clara e precisa que se vê no artigo . violar com força os lugares destinados para cumprimento d'ella « commetter delicto gravíssimo. sabiamente o legislador brazileiro incriminando o terceiro que practica arromba men tos para conseguir que um delinqüente escape a acção da justiça. e é por este motivo exactamente que deve ser reprimido. é um perigo para a segurança publica. no dizer de Tissot. visto como d'est'arte nullifïca-se o unico meio efficaz da punição d>s crimes. mas também que sendo ella uma das mais sólidas garantias da ordem social. 123 pensamos que a expressão arrombamento de que se usou. Descendo a analyse particular do art. Se por n m lado é incontroverso que o preso procurando fugir á sancção penal desde que o consiga sem o emprego de violência contra o carcereiro ou guardas nào commette delicto.

que começado se não consumar por circunstancias alheias a vontade de ambos.ARR 249 270. 194. parece entretanto comprehendel-a no § único do art. Se alguém fornecer á um preso instrumentos para o arrombamento de uma prisão. por quanto o facto incriminado não é a fuga mas o àrrombamento da cadêa. e da Prussia não se occupam igualmente d'esta materia. Quereria porém o legislador significar n'estas outras por onde fuja ou possa fugir o preso que embora começado o arrombamento. Krn primeiro lugar porque o artigo de que nos occupamos só incrimina como delinqüentes á . mas não realisada a fnga deve considerar-se o crime como realisado ? Sem duvida que sim . 123 ? Pela negativa responderemos á ambas as questões. Os códigos Francez. participantes do crime de evasão que para conseguil-a usarem de violência contra as pessoas ou cousas. do delicto previsto no art. ou mesmo de complicidade. o que é disposição manifestamente différente. O código Portuguez não tratando especiíícaclamente da hypothèse prevista no artigo que analysamos. da Baviera. somente o ultimo na 2 a parte do § 96 refere-se vagamente aos. será passive! das penas de tentativa.

que resolveu hypothèse semelhante. como do facto re« vogo. e mesmo promette« ra aos presos auxilio da parte de fora na oc« casião azada . por que desde que se verifica a não criminalidade do facto alludido seria impossível a existência da cumplicidade. Em segundo. . ministrara os instrumentos ne« cessarios para semelhante commettimento. acoroçoara. que « o aconselhara.—A REO Justiça. « Consta mais que o Réo fora quem. o despacho de pronuncia do Réo João « Ignacio dos Reis como incurso nas penas de « tentativa do crime previsto pelo art. « Vistos estes autos.250 ARR terceiros que practicarem arrombamentos nas cadêas. —João Ignacio dos Reis. dou provimento ao re« curso retro. AUTORA . mas também consta que nenhum « auxilio chegou a prestar na execução. A' este respeito transcreveremos aqui a seguinte sentença. para revogar. porém. arrombamento que. para eva« direm-se. felis« mente fora em tempo descoberto e frustrado. « Consta dos autos e é certo que os presos da « cadêa d'esta cidade intentaram e começaram « -um arrombamento na mesma prisão. e não aos próprios presos. ou gratuita « ou venalmente. 123 do « Código Criminal.

« Para considerar-se commettido esse crime é necessário e elementar em nosso código que o agente tenha adiantado mais alguns passos além da preparação do delicto. Destaca-se entre elles Rossi.ARR « « « « « « « « « « « « « « * « « « « « « « « « 251 « Conseguintemente assim procedendo o Réo mostrou-se um indivíduo perigoso. que tenha começado a execução. porque não sendo crime em . desde sua concepção até a final consumação. como pretendeu o Promotor Publico em sua denuncia.—a fonte onde foi beber o nosso legislador. parou em actos preparatórios. foi o criminalista que mais lucida o desenvolvidamente tem tratado da escala gradativa dos actos constitutivos de crime. a tentativa punivel perante nosso código. « Com mais força de rasão não pôde ser o Réo considerado cúmplice do arrombamento de que se trata. juridicamente faliando-se a verdadeira tentativa. sobre quem a policia deve velar cautelosamente : não tendo porem commettido. que á meu ver. e que esta não tivesse effeito por circunstancias independentes de sua vontade. « E' esta também a doutrina dos criminalistas mais autorisados. de teve-se. e é necessário não confundir estes com os que constituem a tentativa propriamente dita.

a fuga tentada ou effectuada pelos mesmos presos. não pôde serpunido na qualidade de cúmplice aquelle que aconselhou. acoroçoou ou mesmo forneceu inst rum en to.252 « « « « « « ARE. A' esteres« peito deixemos faliar o criminalista Ortolan — « Il semblerait logique. Pague a Muni« cipalidade as custas.— Formiga. se fosse certa a exis« tencia do delicto. Si « le fait est déclaré par le juge non constant. por haver fallecido « ou por se reconhecer que não reunio as con« dicções de culpabilidade penal. Elemine-se pois o nome de « Réo do rol de culpados e passe-se contra« mandado em favor do mesmo. face do art. pas plus em qualité d'au« leur qu'en qualité de auviliaire. e não pode dar-se di sde « que o facto principal não é punido. 126 do Cod. « ou s'il'est déclaré non puni porta loi. diz elle. então podiam « os cúmplices ser punidos. não havendo violência contra o carcereiro. il est « clair qu'il ne saurait y avoir condemnation « contre personne. « A cumplicidade presuppoe essencialmente a « existência do crime. de poser in « 'axiome que pour qu'il y ait plusieurs per« sonnes liées entre elles dans un même délit % « il faut de toute necessite que ce délit existe.» « Se o autor não fosse punido por falta de pro« vas por ser desconhecido. 14 de Abril .

Terminando observaremos que o delicto previsto no art. 123 é inafiançável por virtude da disposição peculiar do art. ex vi do disposto no § 4. além das em que incorrer pelo crime commettido contra o preso. 28 § 1. isto na forma do Decreto n. MÍNIMO—1 anno. 707 de 9 de Outubro do mesmo anno.° do art. idem. annos de prisão com trabalho. 1. Arroinbamento. — Gabriel Caetano Guimarães « AI vim. I?erxas. idem etc. 562 de 2 de Julho de 1850 é elle processado pelos juizes municipaes e julgado pelos de direito. Da mesma maneira. 127. limipando-se á resolver a hypothèse com os princitios geraes de direito.) i A% . MAXIMO—5 (CODICO CRIMINAL ART. 123.° da Lei de 3 de dezembro de 1841. como alias acreditamos havel-o feito.ARR 253 « de 1874.° do Decreto n. » Parece-nos que este magistrado não encarou a questão precisamente diante da doutrina do art. alem etc.—Fasel-o ou accommetter qualquer prisão para maltratar os presos. idem. MEDIO — 3 annos.

armado do severidade. por que rasão não cercaria de garantias os que se acham debaixo de sua immediata guarda ? Seria um erro se assim procedesse. respeitou de um modo significativo o salutar principio de que se a sociedade deve protecção á todos e a cada um de seus membros. Se o poder social. que bem sabia que a pena é uma necessidade. para bem cumprir sua missão incumbe-lhe igualmente affastar as causas de violação dos alheios direitos. o legislador de nossa lei criminal.254 ARR A doutrina sanccionada n'este artigo. sem a menor constestação. tal foi. e que por isso mesmo devem merecer todos os cuidados e sollicitude da parte da justiça publica. attesta quanto era humanitário e previdente o sábio legislador de nosso código. e que se não encontra em nenhum dos códigos que conhecemos. Punindo pois semelhante attentado como um delicio —sai generis—. Dar protecção aos que se vêem debaixo da acção immediata da lei penal. reprime energicamente todas as violações das leis penaes contra quem quer que seja. . o flm do legislador brasileiro escrevendo o art. 127.

.

) « A sociedade como pessoa moral. fornecendo-lhe gente. (CÓDIGO CRIMINAL ART.» . 71. iO. MÍNIMO—9 annos e 4 mezes. se collocou sob a protecção de leis desde que os povos conceberam a idêa de—interesses e direitos collectivos— que unem os particulares destinados a viver em communhão.ileiito. MAXIMO—prisão perpetua simples. idem. ISTo c a s o <lo a. MÍNIMO—8 annos. —Veja-se Estellionàto.i*—alguma nação inimiga á fasera guerra ou a commetter hostilidades contra o Império. idem. diz Tissot. armas. MEDIO —15 annos.—Veja-so Tumulto. idem. MEDIO —17 annos e 6 mezes.256 ARR A r .i. idem.A/uzvilio. munições ou embarcações. Assuada. Penas: MAXIMO—prisão perpetua com trabalho.t i í i c i o fr*aixd. dinheiro.x%t. .

70 demonstramos de modo cabal. a pátria emfim. armas. nosso Código Criminal. 71. 71 se verifique que o ^uxilio consista no fornecimento de gente. mas ainda pune-o com penas muito mais severas.° 631 de 18 de Setembro de 1851. 143 não só occupa-se do facto de ajudar. que não só considera tal delicto como especial. exige para que o delicto previsto no art. esta these. deixando comtudo vaga e indecisa a natureza e qualidade do auxilio. é commetter gravíssimo delicto contra os membros componentes de qualquer sociedade. de que è verdadeiro complemento a doutrina do art. Quando nos occupamos do art.° da Lei n. concordando n'esta parte com o direito francez. a independência nacional. por isso que este no art. e conseguintemente contra a existência social. 1. munições ou embarcações. mais perfeito que o Código Portuguez. assim o acreditamos. Na expressão—gente—não se comprehendem os soldados alistados sob nossas bandeiras . ou commetter hostilidades contra o Império. dinheiro.Axu 257 Na realidade violar deveres de uma tal ordem trahir interesses de tamanha monta. . Incriminando o auxilio prestado á nação inimiga para fazer-nos guerra. como tentar ajudar qualquer potência estrangeira inimiga. d'isto convence de modo irrecusável a sancção do art.

pois que. os Códigos da . não incorrerá em sancção penal visto como essa distinccao capital não domina a materia. como ainda por que no systema por elle adoptado tanto é criminoso o fornecimento previamente concertado. 77. dinheiro. segundo a doutrina de nosso Código o delicto se considera realisado.258 AUX Código artigo 77. e Lei de 4 Niose art. cumpre observar que seja qual for a quantidade fornecida. 144 e 145. o Código Hespanhol no art. 142. 2. como o que o não è. munições ou embarcações. Não o seguimos porem quando pensa ser indispensável o prévio concerto com o inimigo para que a incriminação se verifique. se unicamente inspirado pelo pensamento de lucros illicitos alguém levar á inimigo de sua pátria armas ou munições. Nem poderíamos proceder de outro modo não só por que nosso Código não faz distincção alguma. D'este delicto. occupam-se o Código Francez no art. que legislou sobre a—embauchage. N'este ponto acceitamos sem restricções a doutrina de Cliauveau. mas de modo inteiramente différente.°. sendo que a única modificação á attender será a verificação'ou não da circumstancia aggravante da premeditação. o Portuguez nos artigos 143. manifestamente contraria á que sustenta Carnot e alguns outros criminalistas. Quanto as expressões—-armas.

e praza ao Céos que jamais não tenhamos. Segundo a disposição da Lei de 18 de Setembro de 1851 este delicto quando commettido por paisano é julgado pelos juizes de direito na fôrma da Lei n. 302 n. FIM DO TOMO 1 h\C y . Não tivemos ainda no Brazil. 71 de nosso sábio Código Criminal.° ô6ï de 2 de Julho de 1850. quando o for porem por militares sel-o-ha por conselho de guerra.° 4. occasião de applicar a sancção penal do art. e o da Baviera art.259 AUX Sardenha e das Duas Sicilias nos artigos 172 e 107. o Código da Prussia § 69.

.

. . Accusação calumniosa Acceitar promessas Achada de cousa alheia . . Acção ou Omissão voluntária . . Abuzo de confiança Abuzo de poder Abuzo de poder de empregados públicos . .IIIO Abertura de contas Aborto Aborto Abuzar Abuzo de liberdade de communicar os pensamentos Abuzo de autoridade Abuzo de autoridade . . XIII OOMMENTA. .u 1 1 11 20 27 27 27 27 30 33 35 39 47 56 61 62 74 74 . . . .Introducção I Necessidade de um titulo preliminar sobre a interpretação. . . . . . . . Acção criminosa Acção de furto entre marido e mulher . Accusação por parte da justiça . . Accommetter qualquer prisão .

Ameaças Ameaças Ameaças Ameaças . • Aggressor Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito . . . . . . . . . Ajuntamento nocturno Ajuste Alheação Ameaças " Ameaças Ameaças ^. Ajuntamento illicito Ajuntamento illicito . Ameaças .262 INDICE Açoutes Adultério Adultério Adultério' Adultério . . . . . 86 114 123 12o 129 136 139 141 147 151 154 158 161 161 163 164 166 167 170 170 173 183 187 192 203 198 203 208 . ." . Ameaças . . .

. . . . . 256 Assuada . . . . . . .INDICE 263 Analyses . 208 Analyses 215 Apossar 220 Apropriar 221 Armas 221 Armas . . 256 Auxiliar nação inimiga 256 . . . . . . . . 229 Armas 230 Armas 231 Armas 23o Armas 238 Arrancar marcos 243 Arrogar 247 Arrombamento 247 Arrombamento 253 Artificio fraudulento . . . . .

.

X 20 8 4 15 20 10 8 25 XIV XVI XVI XVI XXI XXIII XXIII ERROS EMENDAS muitos e ruditos muitos eruditos hieroglyhos hieroglyphos adverarios adversários intreprete interprete e dos Sabis e dos Sabi ecxepçdes excepções sera será interpretração interpretação O OMMENTARIO 23 23 28 29 75 77 78 80 83 83 83 27 28 22 5 4 4 15 16 9 10 23 llude-se imonias Sordenha Tribual fiere no u causa chamado 0 achado causa illude-se monias Sardenha Tribunal fieri non cousa chamada a achada cousa .ERRATAS ïntroducçâo PAGS. LINHS.