You are on page 1of 4

A África na religião

Vieram os Orixás, protetores de seu povo – Oxalá, Iansã, Ogum, Oxossi, Iemanjá, Omulu, Exu.
Com cantos, preces e cultos hoje protegem milhões de pessoas em todo o país, e precisam ser
reconhecidos cada vez mais como religião e não como divindades alternativas. É preciso
reverenciar as grandes mães de santo, que conduzem seus terreiros e se ocupam de propagar a paz, a
união, a fé.
Na África, o culto tinha um caráter familiar e era exclusivo de uma linhagem, clã ou grupo de
sacerdotes. As divindades iorubas eram cultuadas em suas cidades: Xangô, em Oió; Oxossi, em
Keto; Oxum, em Ipondá, e assim por diante. Com a vinda ao Brasil e a separação ardilosa das
famílias, das nações, das etnias, essa estrutura religiosa não pode se repetir e se fragmentou. Mas os
negros criaram uma unidade nesta diversidade e pluralidade e puderam partilhar e comungar os
cultos e os conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura. E
desta nova maneira de ser e viver, aberta a todos, surgiu a forma acabada do que se chama hoje
candomblé.

Típica loja de artigos de candomblé.
A África na culinária
A presença negra é marcante também (e fundamental) na mesa deste país com o vatapá, acarajé,
caruru, mungunzá, sarapatel, caruru e a tão celebrada feijoada e, não bastasse, também na baba de
moça, a cocada e a bala de coco.
Alguns escravos conseguiam criar algum animal ou cultivar uma pequena horta. Talvez por isso, o
tempero e o uso de uma grande variedade de pimentas deu um sabor especial aos seus pratos. O
azeite de dendê também foi um dos ingredientes mais importantes da culinária negra. O dendezeiro
é uma palmeira de origem africana, e de sua polpa se extrai o azeite que dá a cor, o sabor e o aroma
de tantas receitas deliciosas.
O uso de pimentas, que já era antigo nas terras da América, se espalhou pelo Brasil no século 18.
Uma outra tradição, a de vender comida nas ruas, em grandes tabuleiros, se estabeleceu na mesma
época na cidade de Salvador, na Bahia. Esses tabuleiros traziam de tudo. Um cronista daquele
tempo relatou ter visto, num mesmo tabuleiro, mais de vinte qualidades diferentes de comidas
salgadas e doces.

Esses festejos. constituíram. Lingüiça. coco. festa ligada aos ritos de passagem para a puberdade). influenciados pela espetaculosidade das procissões católicas do Brasil colonial e imperial. é verbo que significa “cabriolar. alguém até lhe atribuindo uma estranha procedência indígena. segundo a qual o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: san. que domina o Brasil de ponta a ponta e ganha avenidas no Carnaval com a grande e bela presença negra predominando. mas legitimamente banto. africaníssimo. circulava uma lenda. gostosamente narrada pelo cronista Francisco Guimarães. em um de seus livros de memórias. a velocidade inicial dos maracatus. muito se tentou explicar a origem da palavra. brincar. E os nomes dos personagens. seriam não só uma recriação das celebrações que marcavam a entronização dos reis na África como uma sobrevivência do costume dos potentados bantos de animarem suas excursões e visitas diplomáticas com danças e cânticos festivos. separar. e para o compositor Chico Buarque de Holanda. ao Maracatu. A presença africana na música popular brasileira Os tambores de África trouxeram também os cantos e danças. que deu origem ao quimbundo di-semba. com quem os exploradores quatrocentistas portugueses trocaram credenciais em suas primeiras expedições à África subsaariana. Esses cortejos de “reis do Congo”. Depois de Vagalume. rejeitar. cuja origem ocorreu nas senzalas: enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores. umbigada – elemento coreográfico fundamental do samba rural. dos ranchos de reis (depois carnavalescos) e das escolas de samba – que nasceram para legitimar o gênero que lhes forneceu a essência. Moçambique. congados ou cucumbis (do quimbundo kikumbi. as ruas das principais cidades brasileiras assistiam às festas de coroação dos “reis do Congo”. Mas o vocábulo é. eram permeados de termos e expressões originadas nos idiomas quicongo e quimbundo. para se construir uma imagem. certamente. os escravos ficavam com as sobras. e gbà. batuque. o Vagalume. receber. em seu amplo leque de variantes. entre os quiocos (chokwe) de Angola. a partir da Bahia. Samba. Do samba. realçados por muita música e dança. no início do século XX. Entre os bacongos angolanos e congueses o vocábulo designa “uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro”. Sobre as origens africanas do samba veja-se que. entre outras formas. E não iorubano. . personagens que projetavam simbolicamente em nossa terra a autoridade dos muene-e-Kongo. em séqüito aparatoso. na forma de congadas. A feijoada chegou a servir de inspiração para escritores como Pedro Nava. Cavalhada. pagar. Já nos primeiros anos da colonização. lundu. Congada. calango. carne-seca e carnes de porco eram misturados com feijão preto e cozidos em um grande caldeirão. que tem uma música onde dá a receita de uma "Feijoada Completa". jongo etc. no clássico Na roda do samba. baiano.Outro prato muito popular é a feijoada. divertir-se como cabrito”. sem dúvida. Sons e ritmos que vão de Parintins ao Rio de Janeiro. que inclui. E essas duas formas se originam da raiz multilinguística semba. passando por todas as comunidades brancas e negras. bem como os textos das cantigas entoadas nos autos dramáticos em que esses cortejos culminavam. de 1933 [1].

cercada de segredos.Mulheres vestindo trajes típicos da cultura afro. foi proibida no Brasil. foi sendo ensinada aos negros ainda cativos. a capoeira. a Capoeira ganhou a malícia dos escravos e dos freqüentadores da zona portuária. luta bem valiosa em defesa da liberdade do negro. capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçando o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira. Na cidade do Salvador. Assim como no candomblé. por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. quando uma variação da capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente Getúlio Vargas. Do campo para a cidade. A capoeira Desenvolvida inicialmente para ser uma defesa. os movimentos da luta foram adaptados ás cantorias e músicas africanas para que parecesse uma dança. Vários pesquisadores. A liberação de sua prática deu-se apenas na década de 30 (Estado Novo). . a Capoeira se desenvolveu como forma de resistência. e historiadores brasileiros estiveram na África e principalmente em Angola e jamais foram encontrados vestígios de uma luta parecida com a nossa Capoeira. Para não levantar suspeita. forma de identidade grupal e afirmação pessoal.