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GESTÃO NAS INSTITUIÇÕES DE

ENSINO SUPERIOR PRIVADO
Fabio Fernando Kobs1
Dr. Dálcio Roberto dos Reis2

RESUMO
O objetivo principal deste estudo é apresentar uma reflexão sobre técnicas e
práticas de gestão que proporcionam aumento nos padrões de qualidade e na
produtividade das instituições de ensino superior privadas. A classificação deste
artigo, do ponto de vista de seus objetivos, classifica-se como pesquisa exploratória
e, quanto aos procedimentos, classifica-se como pesquisa bibliográfica. A gestão
traz inúmeras possibilidades para a instituição, dentre elas: possibilita acompanhar
o mercado e o setor de forma prospectiva; permite reconhecer ameaças e
oportunidades; e traz inteligência competitiva para a instituição, transformando
inúmeros dados e informações em conhecimento com valor agregado ao negócio.
Palavras-chave: Gestão, Instituições de Ensino Superior, Qualidade.

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Bacharel em Ciências da Computação pela Associação Catarinense de Ensino. Mestrando em Tecnologia
pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba. fabio@creativenet.com.br

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Doutor em Gestão Industrial pela Universidade de Aveiro. Professor titular da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná e Pesquisador da Fundação de Apoio Ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico
da UTFPR. dalcioreis@terra.com.br
GESTÃO • Revista Científica de Administração, v. 10, n. 10, jan./jun. 2008

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v.ABSTRACT The main objective of this study is to present a reflection about technical and management practices that provide increase in standards quality and productivity of private higher education institutions. classifies itself as literature search. 8 GESTÃO • Revista Científica de Administração./jun. among them: enables monitor the market and the sector of prospective form. n. 10. jan. classifies itself as exploratory research. 10. and brings competitive intelligence for the institution. Institutions of Higher Education. 2008 . The management brings many possibilities for the institution. allows recognize threats and opportunities. Quality. and for procedures. Key words: Management. transforming many data and information in knowledge with added value business. The classification from this article. in view of their goals.

pois. a oferta de 505 377 vagas nas IES privadas (22. mantidas e administradas pelo Poder Público.4% não preenchido). 2008 9 . 10. mantenedoras de IES. as pessoas jurídicas de direito privado. a pesquisa é desenvolvida a partir de material já elaborado. pois para Moreira e Caleffe (2006). quando constituídas como fundação. segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais . jan. INTRODUÇÃO Observa-se nos últimos anos. e referências. o censo registrou. processos de recursos humanos. considerações finais. e instituições privadas quando mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Desta forma. e também adaptar sua estrutura organizacional à realidade de constantes incertezas. São instituições públicas quando criadas ou incorporadas. o aumento de credenciamentos de novas Instituições de Ensino Superior Privadas (IES) e do número de vagas ofertadas. poderão assumir qualquer das formas admitidas em direito de natureza civil ou comercial. As entidades mantenedoras de IES sem finalidade lucrativa publicarão. em 1997. indicadores de gestão. 10. ainda segundo Moreira e Caleffe (2006). gestão ambiental e responsabilidade social. tem como principal finalidade desenvolver e esclarecer conceitos e ideias. Este artigo está estruturado da seguinte forma: breve apresentação das características de uma IES. e. v. 2. as práticas de gestão poderão ser usadas pelas empresas (IES) para avaliar políticas atuais em relação às técnicas e práticas apresentadas. Através deste. suas demonstrações GESTÃO • Revista Científica de Administração.Anísio Teixeira (INEP). para cada ano civil. No que tange à classificação da pesquisa quanto aos procedimentos usados no presente artigo. deve procurar aperfeiçoar continuamente seus produtos./jun. O INEP aponta que. como demonstrado anteriormente. conceitos de gestão e gestão estratégica de uma IES. é de pesquisa bibliográfica. serviços e processos. serão regidas pelo disposto no artigo 24 do Código Civil Brasileiro.1. como pesquisa exploratória.5% não preenchido).4% não preenchido). no Brasil. Para que uma universidade privada se torne competitiva no mercado de efetivo crescimento e de maior oferta que a demanda. em 2002 o número de vagas ofertadas subiu para 1 477 733 (37. CARACTERIZAÇÃO DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR O artigo 1o do Decreto 3860 classifica as IES em públicas e privadas. de acordo com os seus objetivos. este artigo apresenta como principal problema o desconhecimento de práticas de gestão que resultem em benefícios no que tange à melhoria da qualidade dos serviços e da produtividade das IES privadas. n. que podem representar ameaças ou oportunidades. constituído principalmente de livros e artigos científicos. Esta pesquisa classifica-se. e em 2005 para 2 122 619 vagas ofertadas (36. gestão da qualidade. O objetivo principal deste estudo é apresentar uma reflexão sobre técnicas e práticas de gestão que proporcionem aumentar os padrões de qualidade e produtividade das IES privadas. Conforme o artigo 3o do Decreto 3860.

como em termos quantitativos. deverão elaborar. onde comportamento e desempenho de uma instituição têm reflexo direto sobre as demais. 3 Interdependência entre as IES da mesma região.stm Acesso em: 19/07/2007).inep. De acordo com Tachizawa (2004). b) Confessionais . o setor educacional é composto pelas IES e quando analisados apenas os estabelecimentos de ensino de nível superior de caráter privado. 2 .br/tipos_de_instituicao. em caráter complementar às atividades do Estado.educacaosuperior. qualificação do corpo docente). 4 Não-existência de grande diversidade entre as tecnologias educacionais e as de processos utilizadas pelas instituições. 2008 . As IES públicas podem ser: 1 . inclusive cooperativas de professores e alunos que incluam. E as entidades mantenedoras de IES com finalidade lucrativa. tanto em termos qualitativos (porte. INSTITUIÇÕES PRIVADAS SEM FINS LUCRATIVOS.stm Acesso em: 19/ 07/2007). por região do país.educacaosuperior.mantidas e administradas pelos governos dos estados. jan. 2 Baixa concentração de IES em suas áreas geográficas de atuação. 10.mantidas e administradas pelo Governo Federal. 3. 10 GESTÃO • Revista Científica de Administração. ainda que de natureza civil.Municipais .mantidas e administradas pelo poder público municipal (http:/ /www. v.gov.são as instituições de educação ou de assistência social que prestam os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição da população em geral.instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas. n. na sua entidade mantenedora. caracteriza-se por: 1 Diferenciação das instituições de ensino em função de sua localização geográfica. As IES privadas podem se organizar como: 1 . c) Filantrópicas . 10.inep. em face do diferente grau de concentração geográfica de IES.Federais ./jun.Estaduais . segundo artigo 6o do mesmo decreto. tipos de cursos oferecidos. (http://www. QUE PODEM SER: a) Comunitárias . representantes da comunidade. conforme disposto no artigo 5o do Decreto 3860.financeiras certificadas por auditores independentes e com parecer do respectivo conselho fiscal. 3 . demonstrações financeiras atestadas por profissionais competentes.br/tipos_de_instituicao.Instituições privadas com fins lucrativos ou particulares em sentido estrito .gov.instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. sem qualquer remuneração. em cada exercício social.instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendam à orientação confessional e ideológica específicas.

A organização do trabalho é estabelecida por meio da departamentalização por função. O processo decisório é centralizado. 4. Elevada regulamentação estatal/governamental. já identificadas as características principais das IES. GESTÃO • Revista Científica de Administração. 10 Pouca diferenciação de produtos por parte das instituições. que. gestão é a busca de critérios para a tomada de decisão com base em evidência empírica e no seu valor preditivo. p. daquela que lhe é imediatamente superior. 11 Instituições de ensino já instaladas detêm significativo controle sobre o setor em sua área de atuação. Ainda para este autor. O planejamento é rudimentar. segundo Nobrega (2004 apud BRAGA. como a gestão está relacionada com a tomada de decisões. 10. com domínio dos fornecedores/docentes da região. aborda-se a seguir a gestão em IES. em busca de novos clientes. 150). Por outro lado. Para Sabia e Rossinholi (2001) as IES apresentam uma gestão tradicional. convém observar o conceito de gestão estratégica. os níveis hierárquicos mais baixos praticamente não possuem poder de decisão. MONTEIRO. jan. 2005. não existem instrumentos efetivos de controle./jun. n. é uma ciência de aprender as circunstâncias e agir de acordo com elas. v. “é um processo administrativo que visa dotar a instituição da capacidade de antecipar novas mudanças e ajustar as estratégias vigentes com a necessária velocidade e efetividade sempre que for necessário”. que possuem: uma estrutura organizacional verticalizada. ou seja. 150). Em gestão. é um processo pragmático. existindo apenas em algumas áreas específicas e estas desvinculadas umas das outras. assegurando unidade de controle. em que a diferenciação dá-se no nível da qualidade e das especificações didáticopedagógicas. A ciência da gestão tem tudo a ver com o aprendizado. a evidência empírica vem do nosso aprendizado com a observação dos acontecimentos e seus resultados. p. de tal maneira que a figura do dono é muito forte. ou seja. 2008 11 . CONCEITOS DE GESTÃO E GESTÃO ESTRATÉGICA DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR A gestão. Significativo volume de investimentos e de capital para entrada no setor. É ele quem detém o poder. quer dizer. Desta forma. as decisões são tomadas pelo proprietário ou pelos sócios. com formato piramidal. Assim. Competição básica via lançamento de novos cursos. na qual cada função hierarquicamente inferior está sob controle e supervisão da mais alta. no qual o que interessa é o resultado e não o esforço. para Braga e Monteiro (2005. Produto gerado – alunos – detentor de alto conteúdo tecnológico e de conhecimento.5 6 7 8 9 Existência de barreiras legais e governamentais à entrada de novas instituições. 10.

devendo guardar estreita coerência com a missão da IES. Para a gestão estratégica na IES. ensino. O modelo da IES proposto por Tachizawa (2006) se dá como um fluxo de processos ou fluxo básico da instituição. 10. através do instrumento analítico fluxo básico da instituição (instrumento analítico criado com a aplicação do enfoque sistêmico e destinado à solução de problemas organizacionais). Normalmente prevalece numa instituição de ensino a estrutura tradicional. 10. que. avaliação e certificação). jan. 2006). • Integração social: avaliação do grau de inserção da instituição na comunidade. por meio de programas de extensão e de prestação de serviços. qualificados considerando-se o seu regime de trabalho na instituição./jun. e dos critérios e procedimentos de avaliação do rendimento escolar. • Produção científica. Posteriormente à explicitação da finalidade. segundo Tachizawa (2006). n. A finalidade diz respeito ao cliente externo (admissão. devem ser inseridos. compostos por um conjunto de tarefas executadas a partir de insumos e transformadas em produtos. v. associando cada produto às tarefas pertinentes. cultural e tecnológica: avaliação da produtividade em relação à disponibilidade de docentes. podendo ser o responsável por um determinado órgão. e a estas. estruturado conforme Figura 1. 2008 . é o conjunto de atividades que produzem um resultado/produto/ serviço – com um ou mais itens de controle. o qual deve iniciar com a descrição da finalidade.A configuração organizacional é essencial para um melhor desempenho no processo de gestão. Incorporando-se as entidades relevantes do processo (fornecedores e clientes) no contexto da IES como um todo. Deve haver um gestor de processo. os produtos e respectivos clientes extraídos da própria descrição da finalidade do processo. Como propõe o Decreto no 2026. do tipo verticalizada e funcional (TACHIZAWA. ou o gestor do processo ensino-aprendizagem de um determinado curso. matrícula. Processos sistêmicos é um conjunto de tarefas – partes em que se desdobram o processo sistêmico. Um chefe de departamento de ensino pode ser o coordenador do curso. 12 GESTÃO • Revista Científica de Administração. no fluxo básico da instituição – demonstrado na Figura 1 –. os insumos e respectivos fornecedores. • Administração acadêmica: adequação dos currículos dos cursos de graduação e da gestão da sua execução. desde que exista a finalidade para o processo sistêmico. deve-se observar os seguintes aspectos: Administração geral: efetividade do funcionamento dos órgãos colegiados • com eficiência das atividade-meio em relação aos objetivos finalísticos. devem ser caminhos lógicos e fluentes para a concretização dos objetivos e estratégias. é importante conhecer os processos. Conforme modelo de gestão proposto por Tachizawa (2006). procura-se estabelecer uma compreensão dos processos sistêmicos como um todo. com base na configuração organizacional estabelecida. que é o propósito maior da IES. qualquer que seja a alternativa organizacional adotada. tem-se o fluxo básico da instituição. realizado por várias pessoas. ou seja.

• Os clientes contemplam os internos e externos à IES. e se as interfaces entre as etapas do processo estão previstas e estão sendo gerenciadas. relativos aos sistemas e equipamentos. se este é o processo mais eficiente e efetivo para atingir a finalidade da IES. • Não há redundância nas tarefas que geram os produtos inerentes ao processo. 10. se foram estabelecidos os devidos objetivos. 10. • Os insumos necessários estão relacionados. A análise do fluxo básico está exemplificada através da Figura 2. Tachizawa (2006) ainda levanta as seguintes questões: se as finalidades do processo estão ligadas aos requisitos do cliente. 153) Figura 2 – Exemplo de fluxo básico de uma IES típica Fonte: Tachizawa (2006. p. jan. n. v. se são alocados recursos suficientes para o processo. 2008 13 . e na IES pode ser averiguada se: • Os produtos do processo estão relacionados de forma completa. p./jun.A análise do fluxo básico da instituição deve abordar se o processo sob estudo consiste em tarefas que permitem atender eficientemente à sua finalidade básica. Figura 1 – Fluxo básico na IES Fonte: Tachizawa (2006. 157) GESTÃO • Revista Científica de Administração. • Foi diagnosticada a situação da informatização no processo.

Desta forma. indicadores de qualidade e de desempenho. indicadores de desempenho global. os indicadores de desempenho ou de produtividade são estabelecidos sobre os pontos de verificação do processo. bem como oportunidades e ameaças. Os indicadores de desempenho global visam a avaliar o desempenho da IES como um todo. Cada instituição deve ter seu próprio conjunto de indicadores./jun. 2008 . faz-se necessário abordar alguns indicadores que poderão ser utilizados para avaliar a instituição. De acordo com este autor (2006). Ainda segundo Tachizawa. ao longo da cadeia. sendo possível identificar pontos fracos e fortes. v. 5. 10. INDICADORES DE GESTÃO Os indicadores de gestão podem ser classificados. jan. de seu impacto de trabalho. são os itens de controle. n. ou seja. na forma de: indicadores de negócio. quanto ao relacionamento entre processos em que o indicador de desempenho pode ser o item de qualidade de um processo anterior. 10. Numa IES o indicador de desempenho do gestor é o item de qualidade do subordinado. com as métricas estabelecidas na forma de indicadores de desempenho. destinam-se. indicadores de desempenho global e indicadores de qualidade e de desempenho. As métricas são estabelecidas na forma de macroindicadores. • Identificar adequadamente os problemas e o ordenamento de prioridades. os indicadores de gestão na instituição de ensino podem levar em conta três níveis de abrangência: indicadores de negócio. • Garantir uma base objetiva e equitativa para recompensas e programas de incentivos. Indicadores de qualidade ou de resultados de um processo são aqueles índices numéricos estabelecidos sobre os efeitos de cada processo para medir a sua qualidade ou o seu grau de expectativa em relação a um produto ou serviço. possibilitando obter como resultados: monitoração da IES em todos os seus níveis e a visualização pelos executores. pode-se: • Assegurar que o desempenho na instituição está sendo gerenciado. A definição do que medir na instituição deve estar relacionada aos fatores críticos que afetam o comportamento e a própria sobrevivência da IES. tais como: gestão global (podem ser aferidos indicadores voltados para o grau de 14 GESTÃO • Revista Científica de Administração.Uma vez conhecida a gestão numa IES. conforme Tachizawa (2006). destina-se à avaliação da qualidade e de desempenho relativa a cada professor/tarefa. basicamente. que correspondem ao nível estratégico e que efetivamente mensuram os resultados globais da instituição de ensino. ou seja. no qual podem ser considerados alguns fatores básicos. Os indicadores de negócio destinam-se a avaliar a IES como uma instituição prestadora de serviços aos seus clientes atuais e potenciais. E o último nível. ou áreas de abrangência das métricas. à permanente análise do corpo gerencial da instituição de ensino. e indicadores de qualidade e de desempenho. • Estabelecer uma compreensão clara para os funcionários do que a IES espera deles.

por exemplo). PROCESSOS DE RECURSOS HUMANOS Para Drucker (1996. integração do saber e do fazer. eficácia e a efetividade do curso. As deficiências criam a insatisfação com o produto. bem como na eficiência da implementação das estratégias institucionais. v. 6. e recursos humanos (podem ser mensurados itens como gestão de recursos humanos. 2008 15 . De acordo com Tachizawa (2006). Cada um desses cursos. sendo os principais envolvidos na definição da missão. abandonar os modelos pragmáticos de conhecimento. coragem. Algumas características devem fazer parte do coordenador. portanto. Outra definição simples da qualidade é “adequação ao uso”. atuar como gestor de oportunidades. reconhecimento e desempenho. p. cuidado. o processo ensino-aprendizagem de uma IES é composto dos cursos de graduação. por meio do fortalecimento da crítica e da criatividade de todos os agentes envolvidos no processo. responsabilidade comunitária e resultados econômicos). sob pena de não sobreviverem. com um respectivo coordenador.279). reclamações e resultados inerentes ao grau de satisfação. Nas IES os gestores são fundamentais. envolvimento dos funcionários. 10. compostura e competência. pode constituir um processo sistêmico. interações com processos produtivos. desenvolver atividades que venham incrementar a qualidade. qualidade dos produtos. ideias e atividades sugeridas para assegurar a eficiência. os coordenadores proporcionam um papel fundamental para a efetivação dos objetivos da IES. como os gestores. gerenciamento das mudanças. Também se pode utilizar outro significado para qualidade. caráter. GESTÃO DA QUALIDADE Segundo Juran (1995). dos objetivos e das metas da IES./jun. sendo: levar a sério o aperfeiçoamento contínuo. possuir uma consciência crítica altamente desenvolvida das premissas de valor presentes no dia a dia. legitimidade e competitividade dos cursos. que é a ausência de deficiências. Este deve tirar proveito das oportunidades internas e externas com o intuito de torná-los mais competitivos. 2006). jan. e bem-estar e motivação do pessoal da IES). a credibilidade de um líder se baseia em seis critérios. qualidade do processo do negócio e dos serviços de apoio e melhoria contínua). quesito fundamental para os cursos alcançarem seus objetivos. e isso leva os clientes a reclamarem. 7.liderança da alta direção. bens ou serviços (podem ser considerados lançamentos de produtos/serviços no mercado. garantindo uma gestão de qualidade (TACHIZAWA. n. sendo: convicção. De tal modo. define-se qualidade como o desempenho do produto (bens ou serviços) que proporciona satisfação e leva os clientes a comprá-lo. GESTÃO • Revista Científica de Administração. satisfação do cliente (podem ser mensurados os requisitos e as expectativas dos clientes. 10.

atender à reivindicação da comunidade. e melhorar a imagem perante a sociedade. também de percepção de uma organização de negócios. da sociedade e. 8. atender ao consumidor com preocupações ambientais. a qual demanda uma dimensão ética. segundo Tachizawa (2006). Algumas questões que poderiam ser associadas à gestão ambiental: aumentar a qualidade dos produtos. • Subsidiar o processo de planejamento estratégico. segundo Tachizawa (2004). n. 2008 . bem como melhorá-lo com eficiente e eficaz aplicação dos insumos para garantir a qualidade do atendimento. portanto./jun. 1997). Esse novo estilo de administração induz à gestão ambiental associada à ideia de resolver os problemas ecológicos e ambientais da empresa. normalmente visualizada via variação das métricas dos indicadores apurados (GIL. jan. • Criar métricas e indicadores para monitoramento das decisões estratégicas e operacionais. atender à pressão de organização não governamental ambientalista. • Fazer diagnóstico geral da organização. qualquer que seja seu segmento econômico. O modelo de gestão ambiental e de responsabilidade social. a qualidade deve ser entendida como um processo de gestão em estreita interação com a gestão estratégica da IES.Gestão da qualidade é o conjunto de práticas para institucionalizar e operacionalizar qualidade. A gestão ambiental envolve a passagem do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico. • Estabelecer um processo de medição de desempenho e comparação com o mercado (benchmarking). estar em conformidade com a política social da empresa. Em instituições de ensino. GESTÃO AMBIENTAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL Tachizawa (2004) contextualiza que a gestão ambiental e a responsabilidade social tornam-se importantes instrumentos gerenciais para capacitação e criação de condições de competitividade para as organizações. Qualidade na gestão é a sistemática de administração do nível da qualidade alcançada. v. no qual um aspecto essencial dessa mudança é que a percepção do mundo como máquina cede lugar à percepção do mundo como sistema vivo. cujas motivações são a observância das leis e a melhoria da imagem da organização. que é responsável pela criação da visão organizacional centrada na qualidade e em fixar um padrão de atendimento adequado às necessidades dos clientes. quando então é feita uma abordagem global dos elementos do modelo de gestão proposto. 10. O ponto fundamental de qualquer programa de qualidade nas instituições de ensino é obter o comprometimento da alta direção. conforme Tachizawa (2004) pode ser aplicado de forma completa ou de maneira parcial para: • Implementar estratégias ambientais e sociais. aumentar a competitividade das exportações. frequentemente dimensionada via indicadores de qualidade. Essa mudança diz respeito à concepção da natureza. 16 GESTÃO • Revista Científica de Administração. do organismo humano. 10.

e se há uma consciência de que o Sistema de Gestão Ambiental pode ser considerado como fator estratégico a ser utilizado pelo marketing e. • Projetos sociais em cultura. podem delinear estratégias de gestão ambiental e de responsabilidade social. mediante instrumentos relacionados com o aluno. v. e preferencialmente. de caráter genérico. como por exemplo. n. de baixo impacto ambiental. comparando. • Projetos sociais em saúde. 10. • Projetos sociais em educação. As IES devem dispor de informações para a avaliação da qualidade e da melhoria continuada. o problema formulado no início deste artigo. segundo Tachizawa (2004). normalmente aplicável às organizações desse setor. plano diretor de informática. que são: • Projetos sociais em meio ambiente. As instituições do setor educacional.• Auxiliar na formulação do planejamento dos recursos de tecnologias da informação a serem implementados. • Criar referencial para implantação de um sistema de avaliação de desempenho e de mérito para fins de remuneração estratégica do pessoal da organização. permite reconhecer ameaças e oportunidades. dentre elas: possibilita acompanhar o mercado e o setor de forma prospectiva. • Imagem ambiental da empresa para fins de marketing. • Projetos sociais em apoio à criança e ao adolescente. e traz inteligência competitiva para a instituição. 9. 10. Nele constava o desconhecimento de práticas de gestão que resultem em benefícios no que tange à melhoria da qualidade dos serviços e da produtividade das IES privadas. segundo Braga e Monteiro (2005). jan. com o desempenho dos serviços. • Implementar os sistemas (séries das normas ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas) ISO 9000 e ISO 14000. 2008 17 . transformando inúmeros dados e informações em conhecimento com valor agregado ao negócio. • Projetos sociais em voluntariado./jun. A realização da atividade de gestão ambiental e social na IES permite que os alunos conheçam o grau de preocupação com a questão ambiental na região. a IES com a concorrência. A correta utilização da gestão traz inúmeras possibilidades para a instituição. até mesmo. sempre que possível. GESTÃO • Revista Científica de Administração. como possibilidade de abertura de novos negócios. CONSIDERAÇÕES FINAIS A contextualização utilizada neste artigo permitiu responder. mesmo que parcialmente. com referenciais de excelência e aspectos financeiros.

CALEFFE. 2008 . de 09 de julho de 2001. que estabelece a organização do ensino superior. O. M. L. 2006. Decreto no 2026: procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições de ensino superior. 18 GESTÃO • Revista Científica de Administração. F. n. BRASIL. 2005. A. e no 9. DRUCKER. Planejamento estratégico sistêmico para instituições de ensino. de 20 de dezembro de 1961.stm>. J. 1997. T. JURAN. Rio de Janeiro: Editora FGV. São Paulo: Hoper. ver. 2001. no 9. BRASIL. Juran planejando para a qualidade. Diário Oficial da União. P. São Paulo: Atlas. 10.br/tipos_de_instituicao.391. O líder do futuro: visões.. G. Gestão da qualidade empresarial: indicadores da qualidade. de 20 de dezembro de 1996. H. TACHIZAWA. jan. T. F./jun. L. 10 de out. Decreto-lei no 3860. 9 de jul. C. J. rev. Acesso em: 19/07/2007. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa: estratégias de negócios focadas na realidade brasileira. Rio de Janeiro: DP&A. e ampl. Brasília.. M. São Paulo. 4. BRASIL. Educação Superior: cursos e instituições. P. SABIA. de 24 de novembro de 1995. São Paulo: Atlas. incisos IV e VI. et al. Tradução de HESSELBEIN. Profissionalização da gestão das instituições de ensino superior privadas na década de 90. Ministério da Educação. 2. Regulamenta art. e ampl. São Paulo: Pioneira. 1995.394. Brasília. 1997 a 2005.inep. e dá outras providências. da Constituição. 2. P. tendo em vista o disposto nas Leis no 4024. estratégias e práticas para uma nova era. tipos de instituição de ensino superior. R. MEC. ed. e. 84. de 1996.REFERÊNCIAS BRAGA. 10. Ministério da Educação. et al.gov. 2006. 2004. 2004. BRASIL. ed. B.educacaosuperior. 2001. A. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. ROSSINHOLI. C. Brasília. ANDRADE. Disponível em: <http://www. ed. 3. M. Gestão de instituições de ensino. MOREIRA. TACHIZAWA. ed.. GIL. São Paulo: Futura. In: XII ENANGRAD. Anais. Ministério da Educação. Censo da Educação Superior 2004: sinopses estatísticas da educação superior – graduação. MONTEIRO. Tradução de CSILLAG. R. v. a avaliação de cursos e instituições. 1996..