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Felipe Mio de Carvalho

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18/06/2011
VIGOTSKI, L.S. a construção do pensamento e da linguagem. São
Paulo:Martins Fontes, 2001.
Capítulo 5: Estudo experimental do desenvolvimento dos conceitos
O autor abre o capitulo discutindo sobre os resultados e métodos das pesquisas
realizadas no campo da origem dos conceitos. Neste sentido os divide em dois grupos;
um referido como “Método de Definição” [p. 40] que busca sondar os conceitos já
apreendidos pela criança através da definição verbal. Deste modo, o autor tece duas
críticas, uma referente o foco do método, que apenas olha para o desenvolvido e para o
intelecto (como se o processo de aprendizagem não devesse considerar o sensorial que
ajudou a formar o conceito). O outro método referido como “Métodos utilizados no
estudo da abstração” [p.40] que tenta investigar os processos psíquicos que embasam a
formação de conceitos, porém, acaba reduzindo o processo apenas a uma parte: só
destaca o papel do signo, a palavra, na formação do conceito. Em suma os dois
processos separam a palavra do material que constituiu a percepção.
Pontua em seguida que surgiu um novo método para tentar entender o processo
de formação de conceitos. Este se pautava na introdução de conceitos artificiais que
relacionam cada palavra [que não significa nada ao sujeito experimental] com uma
combinação peculiar dos atributos presentes nos objetos que compõe a situação de
testagem. Com este método foi possível verificar a gênese de conceitos de uma forma
não estática e isolada, mas como um parte ativa do processo intelectual que transparece
pela comunicação e na resolução dos problemas. Assim o novo método investiga as
condições funcionais da formação de conceitos.
Ao utilizar deste método, Ach e Rimet (cada um de sua forma), conseguiram
provar a falsidade dos preceitos anteriores, que condicionavam a gênese de conceitos
através da persistência e associações entre as palavras. Conseguiram provar que o
processo não é mecânico e passivo. Com estes preceitos, Ach, postulou que surge de
uma complexa operação orientada para a resolução de um problema, formulando assim
a tese que a “tendência determinante” que regula o que é gerado pela tarefa
experimental. Conclui assim que a memorização não é suficiente para o surgimento de
um conceito, é necessário surgir um problema que não possa ser resolvido senão através
pela formação de um novo conceito.
D. Usnadze apontou que a crianças da pré-escola chegam aos mesmo resultados
do que um adulto que opera com conceitos, com a diferença que o caminho tomado para
a resolução é inteiramente diferente.Vigotski aponta que nestes estudos de Ach não
houve uma boa precisão, pois a diferença no pensamento do adulto e crianças não é
explicável pela tendência dominante e nem pelo objetivo almejado e sim por outros
fatores que os pesquisadores não investigaram.
Usnadze ainda assinalou que nas crianças existe a utilização dos conceitos e
estes podem serem usados como meios de comunicação, de forma à mutua compreensão

o grupo fundido. fundidos em uma imagem. porém. Neste sentido é importante que os adolescentes entrem em contatos com as tarefas culturais que a sociedade impõe e assim terão seu intelecto estimulado à atingirem os estágios mais elevados do pensamento. A imagem. já consegue agregar somente peças da cor azul em uma estante. tomam forma e se desenvolveram durante a puberdade. Pela tentativa e erro um grupo. Em seguida o autor. Sakharov. é necessário que estudemos os meios que conduziram a operação. Vigostki. ex. que apta o método[ anunciado anteriormente]: apresentam ao sujeito duas series de estímulos. divida em três estágios. como o fechamento de um conceito.. de forma que o pensamento por complexos é coerente e objetivo. A segunda fase. Este tipo de pensamento é divido em cinco estágios. denominada pensamento por complexos é marcada pelo aparecimento por relações realmente existente entre os objetos agrupados. que proporcionam o amadurecimento da formação dos conceitos. p. Já o terceiro estágio é composto de elementos que foram retirados dos diferentes grupos e se processa com uma operação de dois tempos. A formação de conceitos acontece em três fases distintas e dividas em estágios. pois tenta dar significado a um novo nome. presentes no cérebro da criança ou adulto [cabe ressaltar que até no pensamento completamente desenvolvido existe o pensamento por complexos] e separa dados aspectos por semelhança. que orienta e domina os processos psíquicos. de forma que não é mais puramente subjetiva como era na fase sincrética. No segundo estágio a composição do grupo é grandemente determinada por uma organização sincrética do campo visual da criança. se põe a detalhar os resultados obtidos. uma que funciona como objeto da atividade e outra como signos que ajudam a orientar a anterior. no entanto de forma ainda sincrética e está relacionada a reunião de diversos grupos. Seguiram-se pesquisas. Cabe ressaltar que para alcançar este estagio é necessário a superação parcial do egocentrismo. pensamento e ação através de uma única impressão [imagem]. para não confundir as relações entre as impressões subjetivas com relações entre as coisas. Neste sentido surge o signo. se formará através da proximidade dos elementos isolados no tempo ou no espaço ou ainda submetido à relação complexa ocasionada pela percepção imediata dos objetos. com mais de cem indivíduos (crianças. S. na qual a criança pequena carente de nexos objetivos utiliza de ligações subjetivas para agregar [através de uma pluralidade não ordenada] sua percepção. o que demonstra a instabilidade do processo. adultos e adolescentes) e com isto puderam concluir que os processos que fundamento a formação dos processos conceitos começam durante fases precoces da infância e que as funções intelectuais. Vigotki propõe que para se entender uma atividade finalista. vai se formando a dita e os objetos vão sendo substituídos por outros. ainda não atingiram o nível dos conceitos que característico do pensamento completamente desenvolvido. A segundo estagio é referenciada como coleção e funciona através do contraste . Para investigar tal processo de melhor forma o autor recorre à um colaborador. como grande expoente mediador. pois com este estimulo afeta-se o conteúdo do pensamento e também o modo do pensar. utiliza dos objetos individuais isolados. utilizando este método.com os adultos. L. O primeiro o do tipo associativo. A primeira é denominada por Sincrética.

O próximo estagio é o do complexo difuso que agrega generalizações difusas que não carregam o traço agregador e se baseiam em atributos difusos. é necessário ressaltar. é o complexo por cadeia que opera pela destituição da hierarquia e também não tem um núcleo [anteriormente definível nas coleções e nas associações] e os objetos ali presentes não estão diretamente relacionados entre si. que é subdivida em duas partes. mas ao transplantar tais para outra situação o nível de dificuldade aumenta. mas mesmo assim não desaparecem totalmente. O próximo estágio. sabe-se. Considerando estes apontamentos. Acontece que os conceitos começam a se formarem e a definirem melhor o mundo. com todas as suas características. pois antes de assimilar-los. é o fundamento do desenvolvimento da linguagem. devido as suas próprias características de síntese. que o pensamento por complexo. na forma do pseudoconceito. A seguir. Com o estudo experimental com os adolescentes pôde-se observar como as formas primitivas de pensamento vão abrindo espaço para as mais evoluídas. Vê-se no adolescente uma facilidade em operar com o conceito no concreto. sendo que em algumas áreas ainda são predominantes. que as crianças surdas-mudas conseguem aprender muitas coisas sobre o pensamento por complexos. A criança não consegue explicar o que rege a idéia que enunciou. o fator indispensável para a tal transplantação. E tal pensamento serve de elo para a fase do pensamento por conceitos. na qual. A primeira. mas existe uma ligação não estática e seqüencial de ligações isoladas em uma única. ela já consegue operar com estes. . mas não conseguem apontar o que motivou a escolha.e não a associação por semelhança. Em especial. é o do pseudoconceito que se pauta em uma repetição do conhecimento que o adulto enunciou ou para a criança ou para outros adultos. o último estágio desta fase. Por fim. o significado é transmitido de um elo para o outro da cadeia. o terceiro estágio. em virtude da ausência do principal estímulo para formação dos conceitos. de forma que uma criança consegue agregar diversas figuras geométricas que detenham traços comuns (hexágonos. bater no dente com um dedo. a decomposição que opera pela semelhança onde se destaca um traço se for abstraído dos demais de tal forma que inicia os processos de generalização e discriminação. abstração e generalização. irreais e instáveis. O autor cita de exemplo uma expressão motora. o de conceitos potenciais. A próxima fase é a dos conceitos. É somente pela análise experimental que é possível encontrar todas estes estágios e fases. firma a relação de generalização e discriminação e são posteriormente abstraídos e sintetizados agregando as funções sociais e características fundamentais do objeto. pentágonos e triângulos). devido a necessidade da utilização dos processos citados no período anterior e também ao fato de que a análise da realidade com ajuda dos próprios conceitos vem muito antes da analise dos próprios conceitos. que pode significar três coisas e sendo assim necessita de uma outra para poder ter um significado particular.