ANAIS DO SEMINÁRIO POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO PARA OS POVOS INDÍGENAS

Presidente da República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva Ministro de Estado da Educação Cristovam Buarque Secretário-Executivo Rubem Fonseca Filho Secretário de Educação Média e Tecnológica Antonio Ibañez Ruiz

Ministério da Educação Secretaria de Educação Média e Tecnológica Diretoria de Ensino Médio Programa Diversidade na Universidade

ANAIS DO SEMINÁRIO POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO PARA OS POVOS INDÍGENAS

DEZEMBRO DE 2003

Coordenação Marise Nogueira Ramos Mônica Thereza Soares Pechincha Organização geral e transcrição dos registros Daisy Maria Cadaval Basso Revisão Mônica Thereza Soares Pechincha Susana Grillo Guimarães Tiragem 2.000 exemplares

Ministério da Educação Secretaria de Educação Média e Tecnológica Programa Diversidade na Universidade Diretoria de Ensino Médio Esplanada dos Ministérios, Bloco L – 4º Andar Brasília/DF – 70.047-900 Tel: (61) 410-8010 Fax: (61) 410-9643 e-mail: dem@mec.gov.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC) S471a Seminário Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas (2003: Brasília, DF) Anais do [...]. – Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnológica, Diretoria de Ensino Médio, 2003. 115 p. Programa Diversidade na Universidade. 1. Política da educação indígena. 2. Educação escolar indígena. 3. Política indígena da educação. I. Brasil. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. II. Título. CDU: 373.5(=081)

SUMÁRIO

Apresentação Participantes do Seminário O Programa e a Dinâmica de Execução do Seminário Registro dos Conteúdos Discutidos e das Contribuições Obtidas nos Diferentes Momentos do Seminário Solenidade de Abertura Mapeamento do Grupo e Levantamento de Expectativas com Relação ao Evento Tema 1 - Relato de Experiências de Ensino Médio Vividas pelos Diferentes Povos Indígenas Tema 2 - Conquistas dos Povos Indígenas Relativas à Educação Escolar Tema 3 - Ensino Médio, Identidade e Sustentabilidade Indígena Tema 4 - Concepções, Formato e Estratégias para um Ensino Médio Indígena Sessão de Encerramento A Carta do Seminário A Avaliação do Seminário - Expressão da Opinião dos Participantes

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APRESENTAÇÃO

A importância das falas reunidas nesta publicação
Desde o início desta gestão ministerial, a SEMTEC voltou os seus olhos para as populações cujo acesso ao Ensino Médio é restrito e cercado de dificuldades de diversas ordens. Estas dificuldades evidenciam-se não só na incapacidade ou no despreparo dos sistemas de ensino para receber alunos de grupos sociais, étnicos ou raciais em situação de desvantagem na nossa sociedade, como também para contemplar positivamente esta diversidade em direção a uma sociedade mais justa. Esta inabilidade resulta em contextos escolares expulsivos. No que tange aos povos indígenas, desde as nossas primeiras conversas com alguns de seus representantes, nós da SEMTEC percebemos que, para abordarmos a questão da sua inclusão, não bastava garantir o acesso de estudantes indígenas às escolas regulares de Ensino Médio. Ao tempo em que a demanda por Ensino Médio pelos povos indígenas aparecia como significativa, fazia-se claro pelas suas falas que este Ensino Médio teria que mudar para corresponder às necessidades que impulsionam a sua reivindicação. Naquele momento, a SEMTEC estava ensaiando os seus primeiros passos para abraçar a educação escolar indígena em suas ações e assumimos, em vista da pauta indígena, o compromisso de envidar esforços para a formulação e o estabelecimento de políticas para um Ensino Médio diferenciado. Para concretizarmos esta nossa intenção é preciso, antes, conhecer e diagnosticar a realidade da educação escolar indígena. Nossas primeiras providências neste sentido foram, então, identificar e priorizar os estudos, pesquisas e atividades que pudessem nos fornecer uma base tanto para a construção de políticas quanto para a intervenção naquela realidade. O seminário “Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas”, realizado em outubro de 2003, foi promovido pela Diretoria de Ensino Médio desta Secretaria como parte do planejamento de um conjunto de ações com vistas à formulação de políticas de Ensino Médio e, sobretudo, com vistas à participação dos seus principais interessados. Nesta linha, como critérios para a escolha dos participantes do seminário julgamos imprescindível, em conjunto com a Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Indígenas instituída no âmbito desta Secretaria, reunir, diante das limitações, o maior número possível e a maior representatividade de povos indígenas das regiões onde é mais expressiva a demanda e os problemas enfrentados quanto à oferta, o acesso e a permanência indígena no Ensino
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Médio. Estivemos reunidos com representantes de organizações indígenas, líderes e experientes professores indígenas de diversos desses povos. Convidamos, também, todas as Secretarias Estaduais de Educação, a quem cabe a execução do Ensino Médio, além de outros importantes interlocutores na arena da educação escolar indígena. Na avaliação do seminário fica clara, como se podia prever, a importância atribuída pelos participantes indígenas à oportunidade de falar e ver considerados os seus pontos de vista. Estes, por sua vez, traduzem vivências de povos com práticas e visão de mundo específicas, bem como as experiências históricas que tiveram de relacionamento com a sociedade nacional e todas as suas mazelas. As falas indígenas correspondem, desta perspectiva, a uma ‘posição’ específica no contexto da sociedade não-indígena. Pois é de posicionamento que se trata: ao se rever as falas dos representantes indígenas no seminário, o seu posicionamento converge prioritariamente para a construção de um Ensino Médio específico. Por quê? Principalmente porque há um entendimento indígena de que a educação escolar extrapola a formação individual, pois a educação deve necessariamente estar vinculada ao projeto de futuro de um povo. A dimensão social não se perde. Ao contrário, ela é aí priorizada: os estudantes indígenas querem a educação escolar para se posicionarem como sujeitos num cenário hostil à sua pertença sociocultural; para se posicionarem, portanto, como sujeitos de um povo e, assim, contribuir para a sua continuidade, o seu fortalecimento e segurança. Esta seria a porta principal para a sua verdadeira inclusão no Ensino Médio. Como se pode apreender através da leitura das páginas que se seguem, este foi o tom e o principal recado do seminário. Estamos cientes de que não se formula políticas de Ensino Médio específico sem a escuta dos povos indígenas. Assim sendo, além de estarmos ampliando o âmbito da atuação do MEC frente aos povos indígenas, queremos também reafirmar que adotamos, convictos, uma metodologia que se define pela abertura para a expressão e manifestação indígena, para as quais seremos atentos e receptivos. O seminário “Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas”, o primeiro promovido pela SEMTEC neste processo de diálogo que instauramos, quis ser conforme esta metodologia, como cremos estar explicitado nesta publicação. O seminário foi organizado principalmente para ouvirmos os indígenas. A riqueza de suas falas, o seu valor como documento histórico e de informação sobre o tema tratado justificam esta publicação. Nela estão transcritas também o pronunciamento das autoridades e os compromissos estabelecidos. Que continuemos num trabalho conjunto! MARISE NOGUEIRA RAMOS Diretora de Ensino Medio da SEMTEC/MEC ANTONIO IBAÑEZ RUIZ Secretário de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC/MEC

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PARTICIPANTES DO SEMINÁRIO

Povos indígenas e representantes
Ashaninka – AC – Isaac da Silva Pinhata – OPIAC Bakairi – MT – Magno Amaldo da Silva – Professor Gavião – RO – Zacarias Gavião – SEDUC/OPIRON Gavião – MA – Jonas Apolino Sansão – VYTY CATI Guajajara – MA – Daniel Guajajara – Professor Guarani – RS – Mário Karaí Moreira – Professor Guarani Nhandeva - MS – Teodora de Souza – Professora Guarani Kaiowá – MS – Sandra maria Silva Vito Pessoa – KAGUATECA Kaingang – RS – Irani Miguel – APBKG/CNPI Kaingang – SC – Pedro Alves de Assis – APBKG/CNPI Karajá – MT – José Hani Karajá – Professor Krahô – TO – Sabino Koiame Krahô – Associação dos Professores Timbira/CNPI Macuxi – RR – Aumerino Raposo da Silva – OPIR/CNPI Macuxi – RR – Fausto da Silva Mandulão – COPIAM/CIR/CNPI Macuxi – RR – Natalina da Silva Messias – NEI/SEDUC-RR Macuxi – RR – Rivelino Pereira de Souza – APIR Marubo – AM – Jorge Duarte Marubo – CIVAJA Mura – AM – José Mário dos Santos Ferreira – Conselho de Educação Escolar Indígena – CEEI Pankararu – PE – Elisa Urbano Ramos – Professora Pankararu – PE – Samuray de Oliveira – Estudante Pankararu – PE – Thales de Oliveira – Estudante Pankararu – PE – João Manoel de Oliveira – Funcionário da FUNAI Paresi – MT – Francisca Novantino Pinto de Ângelo – CNE/CNPI Paresi – MT – Rony Azoinayee Paresi – Professor – APROIMT Pataxó Hã-Hã-Hãe – BA – Agnaldo Francisco dos Santos – Professor/Vereador Tapeba – CE – Claudenildo Bento de Matos – APROINT/CNPI/COPIPE Tapirapé – MT – Kamuriwa Elber Tapirapé – Professor Terena – MS – Samuel Dias - Professor
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Tukano – AM – Maria Miquelina Barreto Machado – COIAB Wapichana – RR – Clóvis Ambrósio – CIR Wapichana – RR – Mário Nicácio – Aluno da escola Surumu e CIR Xacriabá – MG – Marcelo Pereira de Souza – Professor Xavante – MT – Lucas Ruri´ô – Professor – APROIMT Xerente – TO – João Xerente – AIX Xerente – TO – Pedro Xerente – Agente de Saúde FUNASA

Organizações indígenas representadas
AIX – Associação Indígena Xerente APBKG – Associação dos Professores Bilíngües Kaingang e Guarani APIR – Associação dos Povos Indígenas de Roraima APROIMT – Associação dos Professores Indígenas de Mato Grosso APROINT – Associação dos Professores Indígenas Tapeba Associação Comercial, Educacional e Agropecuária de Brejo dos Padres Associação de Professores Timbira CIR – Conselho Indígena de Roraima CIVAJA – Conselho Indígena do Vale do Javari COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira COPIAM – Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia COPIPE – Comissão dos Professores Indígenas de Pernambuco KAGUATECA – Associação de Índios Desaldeados Kaguateca Marçal de Souza OPIAC – Organização dos Professores Indígenas do Acre OPIR – Organização dos Professores Indígenas de Roraima OPIRON – Organização dos Professores Indígenas de Rondônia VYTY CATI – Associação Vyty Cati das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins WARÃ – Instituto Indígena Brasileiro

Instâncias de participação indígena nas políticas de educação escolar
Comissão Nacional de Professores Indígenas Conselho de Educação Escolar Indígena – MT Conselho de Educação Escolar Indígena – AM

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Organizações não-governamentais não-indígenas representadas
Assessora Pedagógica da Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngües – OGPTB, Jussara Gomes Gruber CPI – AC – Comissão Pró-Índio do Acre, Vera Olinda CTI – Centro de Trabalho Indigenista, Maria Elisa Ladeira/Gilberto Azanha ISA – Instituto Socioambiental, Fernando Vianna

Secretarias Estaduais de Educação e representantes
Acre – Manoel Estébio Cunha Alagoas – José Gerson Amazonas – Nidia Regina Limeira de Sá Ceará – Maria do Socorro Pereira Moura Espírito Santo – Tânia Oliveira B. Menezes Goiás – Lídia Polec Mato Grosso – Terezinha Furtado de Mendonça Minas Gerais – Raquel Elizabete de Souza Santos Pará – Moisés David das Neves Paraíba – Dulce Alves da S. Magalhães Rio de Janeiro – Mariléia Santiago Rio Grande do Sul – Sônia Lopes dos Santos Rondônia – Zacarias Gavião Roraima – Natalina da Silva Messias Santa Catarina – Jane Mota Sergipe – Maria da Conceição Mascarenhas Tocantins – Soraya V. do Nascimento Gadelha

Instituições governamentais federais representadas
CNE FUNAI – Maria Helena Fialho, Meriel de Abreu Souza, Tânia Maria Ferreira, Helena de Biasi FUNASA – Ademir Gudrin INEP SEED SEIF SEMTEC SESu UNESCO Universidade Federal do Tocantins – Odair Giraldin e Ricardo Nei de Araújo
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O PROGRAMA E A DINÂMICA DE EXECUÇÃO DO SEMINÁRIO

O seminário “Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas” foi realizado nas dependências do Instituto Israel Pinheiro, em Brasília – DF, nos dias 20,21 e 22 de outubro de 2003. O seminário foi desenvolvido a partir de discussões em grupos e sessões plenárias. A programação que consta do quadro a seguir serviu de base para condução das atividades desenvolvidas.

PROGRAMAÇÃO
1o DIA – MANHÃ 1. ABERTURA – A formulação e a implementação de políticas de Ensino Médio para os povos indígenas – a posição e o propósito da SEMTEC Carga horária: 1 hora Horário: 9h às 10h15 Forma de abordagem: Pronunciamentos - Boas vindas, expectativas do MEC Secretário de Ensino Médio – Diretoria de Ensino Médio – Diretoria de Educação Profissional; SEIF/CGEEI; SESu e outras autoridades presentes. 2. Apresentação dos objetivos, da programação, da dinâmica e dos resultados esperados do evento. Base (regras) da convivência durante o evento/contrato de convivência Carga horária: 30 minutos Horário: 10h45 às 11h15 Forma de abordagem: Exposição dialogada 3. Mapeamento do grupo de participantes, identificação dos participantes – crachá (nome e dados de identificação) e identificação de expectativas do grupo em relação ao evento Carga horária: 1 hora e 15 minutos Horário: 11h15 às 12h30 Forma de abordagem: Posicionamento em cenário a partir de orientação dada Comentários – grupo coeso diante de um objetivo. Introdução e preenchimento dos crachás Construção de painel com papeletas – expressão das expectativas do grupo/comentários – consolidação do conteúdo levantado
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1o DIA – TARDE 4. TEMA 1 – Levantamento das Experiências de Ensino Médio Vividas pelos Diversos Povos Indígenas Carga horária: 1 hora e 45 minutos Horário: 14h às 16h Forma de abordagem: Proposta de trabalho Reunião em grupos para preparação da apresentação Apresentação pelos grupos Fechamento – comentários finais 5. TEMA 2 – Quais são as conquistas da educação escolar indígena identificadas pelo grupo? Como um ensino médio acompanharia as conquistas identificadas? Carga horária: 1 hora Horário: 16h20 às 18h Forma de abordagem: Proposta de trabalho – pelo moderador Levantamento das conquistas e exposição em plenária Comentários sobre o tema Expressão de opiniões pelos participantes, em plenária Síntese das contribuições 2o DIA - MANHÃ 6. TEMA 3 – Ensino Médio, Identidade e Sustentabilidade Indígena Carga horária: 3 horas e 30 minutos Horário: 8h30 às 12h Forma de abordagem: Proposta de trabalho e formação dos grupos/Comentários sobre o tema Discussão em grupos Plenária – apresentação das conclusões dos grupos Síntese das conclusões dos grupos – fechamento 2o DIA - TARDE 6. TEMA 3 – Ensino Médio, Identidade e Sustentabilidade Indígena (continuação) Carga horária: 4 horas Horário: 14h às 18h Forma de abordagem: Continuação dos trabalhos da manhã 3o DIA - MANHÃ 7. TEMA 4 – Concepções, Formato e Estratégias para um Ensino Médio Indígena Carga horária: 4 horas Horário: 8h30 às 12h30 Forma de abordagem: Proposta de trabalho e formação dos grupos
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Comentários sobre o tema Trabalho em Grupo – O Ensino Médio que Queremos Plenária – apresentação das conclusões dos grupos Síntese das conclusões dos grupos – fechamento 3o DIA - TARDE 7. TEMA 4 – Concepções, Formato e Estratégias para um Ensino Médio Indígena (continuação) Horário: 14h às 16h Forma de abordagem: Continuação dos trabalhos da manhã 8. Elaboração da Carta do Seminário Carga horária: 1 hora Horário: 15h às 16h Forma de abordagem: Organização espontânea liderada pelos participantes com auxílio do moderador e da coordenação do Encontro – se demandado. 9. Sessão de Encerramento Carga horária: 2 horas Horário: 16h às 18h Forma de abordagem: Assinatura dos contratos firmados pelo Programa Diversidade na Universidade para o desenvolvimento de dois projetos piloto em áreas indígenas Pronunciamento da SEMTEC e de participantes inscritos Leitura da Carta do Seminário 10. Avaliação do Evento Carga horária: 20 minutos Horário: 18h às 18h20 Forma de abordagem: Preenchimento de formulário

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REGISTRO DOS CONTEÚDOS DISCUTIDOS E DAS CONTRIBUIÇÕES OBTIDAS NOS DIFERENTES MOMENTOS DO SEMINÁRIO

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Solenidade de Abertura

SOLENIDADE DE ABERTURA
Composição da mesa • Antônio Ibañez Ruiz – Secretário de Educação Média e Tecnológica do MEC • Marise Nogueira Ramos – Diretora de Ensino Médio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC/MEC • Francisca Novantino P. de Ângelo – Representante indígena no Conselho Nacional de Educação – CNE • Kleber Gesteira de Matos – Coordenador-Geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Ensino Infantil e Fundamental – SEIF/MEC • Renata Maria Braga Santos – Representante da Secretaria de Ensino Infantil e Fundamental – SEIF/MEC • Carlos Henrique Ferreira de Araújo – Diretor de Avaliação da Educação Básica, representante do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP • Cristiano Paiva – Representante da Secretaria de Ensino Superior – SESu/MEC

PALAVRAS

DA

DIRETORA

DE

ENSINO MÉDIO, MARISE NOGUEIRA RAMOS

Saudações. Temos uma importante representação do MEC que compartilha o início desse trabalho. Queria resgatar uma situação marcante neste governo, que diz respeito ao Ensino Médio e às políticas educacionais para os povos indígenas. Houve uma audiência pública no CNE, em março de 2003, quando foram apresentadas, de forma contundente, reivindicações para o cumprimento da legislação no que diz respeito à educação escolar indígena. Essas reivindicações referiam-se ao direito à Educação Básica em todos os níveis e à preservação da cultura indígena. A oferta da educação escolar, em si só, não é suficiente. O respeito à cultura indígena, à sabedoria desenvolvida historicamente em cada um de seus povos, às diferentes línguas que marcam culturalmente os povos indígenas, tudo era colocado fortemente.
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Penso o quanto nós, mergulhados numa cultura “branca”, não sabemos disto, da história que vocês constroem e da marca que este país tem da exclusão, em todos os sentidos. E, de uma forma irônica e vergonhosa, a exclusão daqueles que fundaram este país. Naquele momento, representando a SEMTEC, assumimos o compromisso de que iríamos mover esforços para ouvi-las e incorporar na pauta das políticas educacionais as políticas de educação indígena, em especial a Educação Básica e o Ensino Médio. Estávamos nos apropriando das ações que tínhamos que levar a cabo. Tínhamos o Programa Diversidade na Universidade e uma das questões colocadas pelos representantes indígenas era que o Programa não atendia às necessidades indígenas, apesar de carregar a imagem dos índios e de citá-los, mas não incorporava as suas peculiaridades, inclusive porque tinha em seu recorte ações não voltadas para os índios, mas para aqueles que estavam nas cidades. Isto é uma grande contradição, porque os povos indígenas querem os índios em suas aldeias. E passamos a peregrinar junto ao BID, que financia 50% do Programa, para modificar isto – compromisso nosso. Tivemos uma possibilidade, ainda restrita, mas conseguimos sensibilizar todos à nossa volta. Se nos referirmos ao índio, precisamos respeitar a sua cultura e vamos construir políticas relacionadas às suas necessidades. E nos mobilizamos para incorporar isto nas políticas mais gerais, utilizando o Programa como estratégia. Temos a consciência de que, para além de uniformizar o acesso e a permanência de todos na Educação Básica, vamos dar os primeiros passos para, além da obrigatoriedade do Ensino Médio na faixa etária regular, planejarmos a universalização no sentido pleno, porque o quadro da exclusão da educação nacional na população como um todo é muito significativo, o que se dirá em relação a povos que tiveram seus direitos privados historicamente - os povos indígenas, os afro–descendentes e os trabalhadores adultos que não tiveram acesso à escolaridade. Uma das características de nossas ações é buscar a universalização da Educação Básica, é a garantia do acesso a todos os brasileiros, incorporando a necessidade de uma política em relação àqueles que tiveram a marca da exclusão social mais significativa, como a população alvo do Programa. Existe a consciência de que um Programa como o Diversidade na Universidade tem seus limites, porque se dá num tempo restrito e tem objetivos muito determinados, que não atendem às necessidades mais amplas. Justamente por isto, este Programa é uma estratégia que ajuda a realizar ações e buscar aporte financeiro para realizá-las. Este seminário é exemplo disto, buscando aproximar os povos indígenas e o MEC. Temos na nossa pauta o desenvolvimento de diversos estudos que nos ajudarão a conhecer, mais de perto, a realidade desses povos. Conhecer a realidade dos povos indígenas para construir políticas coerentes e afinadas com a realidade, e não uma construção distante que aconteça de forma restrita no MEC. Com isto, estamos movendo esforços para aproveitar oportunidades de um programa específico para populações afro-descendentes e povos indígenas. Quando realizamos uma reunião com a Comissão Nacional de Professores Indígenas e outra com a Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Indígenas, estamos incorporando no MEC a voz de vocês.
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Este seminário é resultado do processo que começou a ser construído no início deste ano. São representantes indígenas que estão aqui num evento que se caracteriza por ouvilos. O MEC não vem aqui falar. A partir daqui, vamos construir estratégias para dar andamento aos nossos propósitos em direção à política de Ensino Médio para os povos indígenas. Eu queria dizer do nosso orgulho por este passo e ressaltar o apoio do Professor Ibañez, que dá autonomia à Diretoria de Ensino Médio para as nossas ações e cumprimento de metas. Agradecemos ao Professor Kleber, à Renata, à Chiquinha, incansável crítica, ao INEP, pelo apoio aos estudos, e à SESu, representada pelo Cristiano, no sentido de que a construção das políticas do Ensino Médio para povos indígenas não se desvincule dos outros níveis de Educação Básica e da Educação Superior. Desejo excelente trabalho, sabendo que este é um primeiro momento. O trabalho deve ser permanente para uma construção conjunta.

PALAVRAS DA REPRESENTANTE INDÍGENA NO CONSELHO NACIONAL EDUCAÇÃO, FRANCISCA NOVANTINO DE ÂNGELO
Saudações.

DE

Este é um momento histórico muito importante para nós, educadores indígenas, que temos nos mobilizado e lutado para conseguir o nosso posto, conforme a legislação. Não tem sido fácil, nesses últimos dois anos, nossa tentativa de todas as formas, por meio da Comissão Nacional de Professores Indígenas, que foi criada para que possamos trazer até Brasília as reivindicações de nossas bases. São professores que vêm mostrando quais são as suas necessidades. Até que, enfim, começamos esse processo novo de sermos ouvidos e de trazer propostas concretas. Não é só a primeira fase do Ensino Fundamental que tem uma grande demanda, é necessário implementar em nossas comunidades o ensino de quinta à oitava séries e o Ensino Médio. Os jovens, no momento mais importante de aquisição de sua identidade, estão se retirando de suas aldeias para se deslocarem às cidades à procura de Ensino Médio e isto é muito preocupante. Nas andanças que tenho feito em nosso país, tenho ouvido reivindicações das comunidades, das lideranças e dos próprios professores. Até quando iríamos aguardar de fato uma política voltada para esses jovens? São jovens muito importantes para as suas comunidades, que preocupam os seus pais e a comunidade. Então, para nós, esse é um momento muito importante. Para que nós conseguíssemos realizar este evento, foram necessários vários encontros, várias reuniões. Tudo partiu de uma audiência pública realizada no Conselho Nacional de Educação, em que fomos ouvidos pela sociedade de uma maneira geral. Trouxemos professores e lideranças para mostrar o quadro da educação escolar indígena de nosso país. O Ministério Público está concluindo alguns trabalhos importantes, mas o
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mais importante é ter propostas coerentes com a realidade de cada povo e que, principalmente, atendam nossas necessidades. Hoje temos princípios definidos para a educação escolar indígena: a reafirmação da identidade étnica, a valorização dos conhecimentos tradicionais, o reconhecimento e valorização da memória histórica de cada povo. Quando vamos concretizar o que está nesses princípios, construídos ao longo de décadas? Pode-se dizer que começamos aqui uma nova caminhada importante para desencadear uma outra, a do Ensino Superior. E queremos também que a política para o Ensino Superior seja voltada para a realidade de cada povo. É imprescindível a participação e a colocação de propostas das comunidades que serão beneficiadas. Que as etapas da Educação Básica realmente sejam consolidadas para que haja uma política educacional coerente com a realidade dos povos. A Coordenação Geral de Educação da FUNAI, que está presente em todos esses problemas, tem sido uma grande aliada dos povos indígenas. Também as Organizações NãoGovernamentais indígenas e não-indígenas são aliadas muito importantes, principalmente neste momento que estamos passando em relação à discussão da demarcação das terras indígenas. É imprescindível que todos sejam ouvidos. Quero dizer que nós, do Conselho Nacional de Educação, temos feito o possível para que seja dada a devida atenção à educação escolar indígena. Temos a responsabilidade de apresentar propostas construtivas vindas das comunidades por nós ouvidas.

PALAVRAS DO COORDENADOR-GERAL KLEBER DE MATOS GESTEIRA
Saudações.

DE

EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA,

Este seminário é muito importante por trazer a discussão a partir dos representantes indígenas. Eu gostaria de frisar dois pontos. O primeiro é que está em curso uma nova política no MEC com relação aos povos indígenas. Isso transparece principalmente em dois aspectos: num primeiro momento, a educação escolar indígena deixou de ficar restrita ao Ensino Fundamental. Em todos esses anos de implantação das políticas, tudo o que foi feito pelo MEC foi com foco no Ensino Fundamental, desconhecendo as necessidades dos índios, as reivindicações das comunidades, os inúmeros problemas e desafios dos povos indígenas, quando a escolaridade avançava em suas terras. Hoje está marcado um compromisso aqui nesta mesa, nós temos um trabalho de educação escolar indígena voltado para os níveis fundamental, médio e superior e, o mais interessante e importante, é que este trabalho está sendo feito de maneira articulada. Nós estamos permanentemente conversando. Ressalto que estamos vivendo uma nova política de educação escolar indígena em nosso Ministério. Em nossa gestão, temos um profundo respeito com relação à diversidade. É uma política de inclusão. Os povos indígenas esperam que nós, técnicos, solidários com as suas conquistas e lutas, sejamos eficientes no papel de amansar o Estado brasileiro que sempre foi muito agressivo, mesmo quando propôs as políticas “mais adequadas”, e mesmo
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quando, depois da Constituição de 1988, passou a desenvolver ações que contemplassem as reivindicações indígenas. Na maioria das vezes, o Estado foi, no mínimo, paternalista, o que é uma forma de tratamento tão violenta quanto a outra, com relação aos povos indígenas. A política que está em curso no MEC é a da inclusão, mas com profundo respeito à diversidade étnica. Nós compreendemos que o que temos em nosso país não são apenas grupos com diferença cultural ou lingüística, por isso é necessário que toda política homogeneizante, autoritária, centralizadora, seja banida das nossas práticas. É muito importante que nós façamos esse trabalho, a partir da nossa voz e da representação indígena. Um segundo ponto que gostaríamos de ressaltar é que todas as discussões que estão em curso desde o começo da gestão do Professor Cristovam Buarque partem do pressuposto de que as populações indígenas e os representantes indígenas têm que estar na parte política das discussões e no controle social dessas políticas. Desde o início da gestão, estamos desenvolvendo, em parceria com a CNPI e com outras organizações indígenas no país, um trabalho permanente de construção de canais, de fóruns, de espaços, para que os próprios índios controlem a política pública na educação escolar, somando esforços com os técnicos, com os aliados e com as ONGs para amansar esse Estado. Todos nós que trabalhamos nessa área há algum tempo sabemos os enormes danos sofridos pela população indígena ao longo desses séculos. E, sem a participação e o protagonismo indígena, essa situação não vai mudar.

PALAVRAS DO SECRETÁRIO ANTÔNIO IBAÑEZ RUIZ
Saudações.

DE

EDUCAÇÃO MÉDIA

E

TECNOLÓGICA,

O mais importante para ressaltar nesse encontro é a participação, aqui, de todas as Secretarias do MEC, não só de uma Secretaria ou de outra, mas de todas, mostrando a participação do MEC, por orientação do Ministro Cristovam Buarque e do Presidente da República. A participação de todas as Secretarias é uma garantia de que aqui não serão feitas simplesmente promessas e que a participação de todos vocês trará fruto e que serão ouvidas as propostas de vocês, com vontade política para implementá-las. As dificuldades de início de governo estavam relacionadas ao fato de não existir qualquer ação da SEMTEC relativa aos povos indígenas. Não havia também nenhuma ação coordenada em relação aos afro-descendentes e à Educação Rural. Era uma Secretaria voltada única e exclusivamente para três Programas, todos eles desenvolvidos com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento. E isto fazia com que, realmente, a Secretaria não tivesse qualquer capacidade de formulação política, nem quanto ao Ensino Médio, nem ao Ensino Tecnológico. Tratava-se simplesmente da implementação de políticas definidas soberanamente, com recursos externos. Daí o fato de termos montado uma Secretaria que formula políticas
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e que está conseguindo dar respostas, pelo menos políticas, a todas as necessidades relativas ao Ensino Médio e à integração com outras Secretarias do MEC. Esta é uma vitória da equipe que está trabalhando no Ensino Médio, equipe essa que conseguiu implementar o Programa Diversidade na Universidade, apesar de estar ainda no início. Mas, além disso, está trabalhando para que possamos integrar a Educação Profissional ao Ensino Médio. Não entendemos uma separação entre o Ensino Médio e o Profissional; eles têm que estar integrados. Estamos trabalhando, por exemplo, para resolver o caso de São Gabriel da Cachoeira, uma escola que até agora estava desligada e entregue a diversos problemas e que não tinha a ver com as soluções que a população daquela cidade precisava. Estamos em debate para que essa escola realmente possa ser uma escola para os povos indígenas, uma escola que terá o seu projeto político-pedagógico construído com vocês e com a ajuda das ONGs também. Isso é uma demonstração que não existe integração apenas dentro do MEC, mas nas Secretarias é feito um trabalho integrado para que, realmente, nós possamos dar respostas, ainda que com muitas dificuldades. Pouco a pouco resolveremos todas as questões políticas pendentes na SEMTEC. Agradecimentos.

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Mapeamento do Grupo e Levantamento de Expectativas com Relação ao Evento

Neste momento do seminário, buscou-se, por meio de vivência baseada na movimentação dos participantes em um determinado cenário, mapear o grupo e identificar os seus componentes a partir dos subgrupos que o compunham – representantes indígenas, professores indígenas, funcionários do MEC e de outros organismos federais, representantes de Secretarias Estaduais de Educação, de organizações não-governamentais indígenas e nãoindígenas e outros. Ressaltou-se nesta vivência o objetivo comum dos participantes do evento, tendo o grupo demonstrado, na dinâmica estabelecida, a sua integração e seus esforços convergentes para alcançar tal objetivo – a formulação de uma política de Ensino Médio para os povos indígenas. A seguir, os participantes se identificaram com um crachá, no qual registraram o seu nome e sua origem. As expectativas dos participantes em relação ao evento foram levantadas, utilizandose, para tanto, a técnica de visualização por meio de papeletas. As expectativas foram comentadas e sintetizadas pelo moderador do evento. O resultado deste levantamento, com a transcrição do conteúdo dessas papeletas está registrado a seguir.

Expectativas dos participantes com relação ao seminário
• Acontecer na prática • Alternativa de solução • Amadurecimento das experiências e prosseguir com responsabilidade • Aprendizado • Articulação • Articulação MEC, SEDUCs e povos indígenas • Boas conquistas • Buscar soluções • Compartilhar expectativas • Compromisso • Compromisso com a educação indígena • Compromisso com as diferenças
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• Compromisso e respeito • Concretização • Concretizar • Conhecer as etnias • Conquista • Conquistar • Conseguir superar todas as dificuldades • Construção • Construção participativa • Contribuir e aprender o máximo • Criação do Ensino Médio indígena • Definição de política do Ensino Médio • Encaminhamentos • Ensino Médio indígena de fato • Ensino Médio voltado para a realidade indígena • Eqüidade • Esperança e responsabilidade • Esperar resultados positivos do jeito que a gente quer • Espero que agora “é mão na massa” • Início de uma discussão para o Ensino Médio indígena, que vai durar alguns anos para a implantação. • Interagir com a educação para todos • Legislação • Multiplicar e somar, multiplicar e somar • Objetivo do Ensino Médio • Onde buscar recursos • Onde buscar recursos para trabalhar o ensino • Oportunidade • Ouvir o índio • Ouvir os povos indígenas • Ouvir propostas • Ouvir vozes indígenas • Pensamentos em conjunto • Política efetiva e nacional, mas que considere as diferentes realidades étnicas e regionais • Progresso e continuação da educação indígena • Qualidade e autonomia com eqüidade • Que as nossas propostas sejam ouvidas e atendidas • Que sejam discutidos assuntos com clareza • Recursos financeiros
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• Respeitar os direitos indígenas • Respeito aos 500 anos de massacre. Queremos uma educação indígena • Respeito e reconhecimento das reivindicações dos 500 anos “O Brasil que a gente quer são outros 500” • Um seminário que tenha um resultado • Solução • Sucesso para todos • Ver qual caminho concreto

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Tema 1 – Relato de Experiências de Ensino Médio Vividas pelos Diferentes Povos Indígenas

Ainda no primeiro dia de trabalho, no período da tarde, teve início a sessão de abordagem do primeiro tema previsto para o Seminário, qual seja: Levantamento de Experiências de Ensino Médio Vividas pelos Diversos Povos Indígenas. Em subgrupos, formados a partir dos Estados de origem dos representantes indígenas, os participantes prepararam o conteúdo de suas apresentações para a sessão plenária. O conteúdo de tais apresentações encontra-se a seguir transcrito, na ordem em que foi exposto pelos participantes.

SANTA CATARINA Pedro Alves de Assis, do povo Kaingang
Em Santa Catarina, temos uma escola de Ensino Médio chamada Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vaincrê, com quase 200 alunos, dos quais a grande maioria é de índios Kaingang, com pequeno número de não-índios que também ali estudam. É uma escola comum com disciplinas de fora da escola da aldeia, que incluem também o ensino da língua Kaingang, disciplinas de arte indígena e de cultura indígena. Os professores destas disciplinas são índios e alguns são contratados pelo Estado. Outro grupo de professores é composto por não-índios, que são contratados pelo Estado. Para trabalhar nessa escola, pensou-se na formação de professores específicos e, no ano passado, formaram-se professores bilíngües para o Ensino Médio. Temos o curso de magistério para que os professores trabalhem nessa Escola. A grande maioria dos professores não-índios que atuam no Ensino Médio tem formação de magistério bilíngüe e alguns estão na Universidade cursando Letras, Matemática e Língua Portuguesa. Hoje temos uma escola regulamentada e as demais estão caminhando para isto. Iremos implantar a formação para a educação escolar Guarani abrangendo as regiões Sul e Sudeste. Vão participar desta formação, além de Santa Catarina, o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul e o Espírito Santo, além de outros Estados que ainda não se manifestaram.

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RIO GRANDE DO SUL Irani Miguel, do povo Kaingang
Eu gostaria de colocar alguma coisa em relação à questão do Ensino Médio no Rio Grande do Sul. Embora tenha uma escola indígena em funcionamento criada e transformada em Ensino Médio, e nesta escola nós temos hoje duas escolas que são dentro da reserva indígena, só que especificamente ela não é de cultura indígena e sim uma escola de Ensino Médio de brancos. Nós temos uma experiência nesta área que se localiza na Terra Indígena Ligeiro, que era uma escola de branco e foi adquirida através de conquista de terra e essa escola estava dentro dessa reserva, hoje ela é uma Escola Indígena Estadual de Ensino Médio. Hoje nestas duas escolas nós temos cerca de 100 estudantes no Ensino Médio, sendo que alguns são professores Indígenas e outros não-indígenas. Essa é uma das nossas experiências do Rio Grande do Sul. Além disso, nós temos dois cursos de formação de magistério, um na reserva indígena de Guarita e a outra em Votouro.

RIO GRANDE DO SUL Mário Karaí, do povo Guarani
Hoje a gente tem uma escola regulamentada e as demais estão para serem regulamentadas. E, também, pela primeira vez nós iremos fazer uma formação para a educação escolar Guarani, que abrange as regiões Sul e Sudeste. Essa foi a nossa primeira experiência do Ensino Fundamental e Médio. Os Estados que irão participar desta formação são Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo e os demais que estão nestas regiões ainda não se manifestaram.

ESPÍRITO SANTO Tânia Oliveira Menezes, SEDUC
Nós tivemos Ensino Médio voltado para o magistério e, no período de 1996 a 1999, formamos 37 educadores índios, hoje todos atuando na área da educação. Hoje os alunos do Ensino Médio estão distribuídos nos municípios de Aracruz, onde ficam as etnias Tupiniquim e Guarani, e em outros municípios, nas escolas agrícolas. Temos uma média de 80 alunos distribuídos nessas escolas.

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MINAS GERAIS Raquel Elizabete de Souza Santos, SEDUC
Em Minas Gerais temos como experiência o curso de formação de professores para o magistério, para atuar em educação fundamental. Já formamos uma turma com 66 cursistas indígenas, e agora estamos na segunda turma, com 71 professores indígenas. O curso tem uma metodologia específica, um programa diferenciado. Em Minas Gerais, o trabalho é todo discutido com os representantes indígenas nas próprias etnias. Nós já estamos na segunda turma e na semana retrasada tivemos um outro módulo de capacitação. Estamos hoje com demanda muito grande em uma determinada aldeia, discutindo a oferta de Ensino Médio na própria aldeia. Já tivemos duas reuniões para discutir uma política de oferta centrada nas necessidades e nas perspectivas dos índios.

TOCANTINS, MARANHÃO, GOIÁS e PARÁ José Hani, do povo Karajá
Teremos uma fase experimental, quando será avaliado o processo de ensinoaprendizagem por parte da SEDUC e por parte dos indígenas também. Falando dos alunos, a nossa dificuldade é grande porque, quando a gente sai das aldeias, somos obrigados a nos adequar a um habitat diferente. Isto é preocupante para nós, porque deixamos a nossa cultura a desejar. Nós não temos apoio por parte dos governos e das pessoas responsáveis pela educação de povos indígenas. Lá na área Karajá, os estudantes têm muitas dificuldades, porque a aldeia fica bem afastada da cidade e os que vão para a escola na cidade às vezes vão e outras não vão. E como tem aumentado o número de alunos, a gente pede para o Estado e ele não tem vagas para nossos estudantes, só para a primeira fase do Ensino Fundamental. Então apelamos para FUNAI, para ver se conseguimos um pouco, pelo menos para o combustível. Quando acaba a cota, os alunos não vão para a escola, então fazemos essa declaração para a direção, para que os alunos não levem falta. Eu acho que deve haver a criação do Ensino Médio dentro da aldeia.

RORAIMA, RONDÔNIA, ACRE e AMAZONAS Rivelino Pereira de Souza, Macuxi - Roraima, abrangendo os povos Macuxi, Taurepang, Wapichana, Yekuana, Sapará e outros povos.
O primeiro Ensino Médio que tivemos foi o Ensino Médio regular, normal, que acontece em todos os Estados do Brasil. Tivemos dificuldades com o Ensino Médio nas comunidades e com os alunos tentando fazer Ensino Médio nas cidades e até hoje continuamos
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com elas. Só tivemos resultados negativos com o Ensino Médio nas vilas e cidades, porque realmente não contempla a especificidade de cada povo. Tivemos que inserir nossos alunos em um mundo totalmente diferente da comunidade. Isso trouxe então um caminho que a gente nunca trilhou e, com isso, o aluno acabava se perdendo, consumindo bebidas alcoólicas, usando drogas, prostituindo-se e servindo de mão-de-obra barata. Ao invés de estudar, acaba sendo a empregada do branco, a cuidar da filha do branco, cuidar da casa e, muitas vezes, abandona a escola. Então, essa foi uma das experiências negativas que nós tivemos. Claro que alguns se sobressaíram e conseguiram fazer o Ensino Médio. Mas em cem, setenta desistiam. Hoje ainda continua esta dificuldade do aluno estar estudando nas vilas e cidades. Hoje, por exemplo, na minha região, têm alunos que estudam à noite e que estão precisando de transporte escolar, não tem um transporte específico que atenda esses alunos. Acabam arriscando a vida, tendo que pegar carona e, é uma região de fronteira onde ninguém sabe que pessoas transitam naquela BR. Como é de noite e as escolas funcionam até 11h50, ele vai ficar esperando carona até 1h, 2h da manhã. Essa é a primeira questão em relação ao Ensino Médio. Nós tivemos uma experiência de alunos fazendo magistério – formação de professores – no Ensino Médio. O magistério indígena abrangeu 470 professores que não estavam habilitados, que já estão se formando como professores para atuar nas comunidades indígenas, ainda para atender à demanda do Ensino Fundamental. Tivemos também escolas de Ensino Médio implantadas na comunidade. A primeira experiência foi em duas comunidades. A comunidade da Terra Indígena Raposa, é claro, ainda com dificuldades porque não havia uma programação específica que se está implantando hoje. Hoje, aos poucos, a gente assimila o que é uma educação diferenciada, amadurece essa idéia, mas naquela época a gente não tinha assimilado ainda. Essa questão da educação diferenciada foi positiva, porque já se tirou o aluno da vila ou da cidade, evitando o problema de estarem em contato com a droga, a bebida, a prostituição, mas ainda havia dificuldades para formar este aluno. Não tínhamos professor preparado para dar aula naquela escola, mesmo estando em uma comunidade indígena. Outra experiência foi na escola Fernão Dias, próximo de lá, depois foi em Malacacheta, a terceira escola implantada que era ramal de uma escola de vila e que mais tarde foi desvinculada. A mais recente experiência foi a implantação de uma escola de Ensino Médio regular, já com a idéia de educação específica e diferenciada. Esse ensino foi colocado de acordo com a reivindicação de dez comunidades. Foi feito um projeto que era chamado de Ensino Médio Itinerante, ou seja, os professores iriam dar aulas dentro das comunidades fazendo um rodízio. O professor de português, por exemplo, passava um período em uma comunidade e depois se deslocava para outra. Outro vinha e fazia esse tipo de rodízio conforme a matéria e a carga horária. Isto está sendo uma experiência até agora. Existem pontos positivos, mas também negativos, porque não temos recursos específicos para isto e acaba faltando verba
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para transporte, para hospedagem de professores. Tudo isso são dificuldades para uma educação com qualidade; ainda não está do jeito que queremos, mas a experiência está aí e os erros nós temos que acertar futuramente. Quanto à escola profissionalizante, ela ficou específica na missão de Surumu. Essa foi uma experiência diferente das outras, porque discutimos com a base, com as lideranças e com as organizações para implantar essa escola profissionalizante. O objetivo era formar alunos para que, mais tarde, eles assumam suas comunidades e seus projetos, gerenciem esses projetos. Aí estava implantada a agricultura, pecuária, piscicultura. Foi elaborado um programa para formar aqueles alunos, inclusive para elaborar projetos. Tivemos alguns avanços, mas tivemos também algumas dificuldades, que hoje tentamos resolver com as lideranças indígenas. Estamos reivindicando que essa escola seja reconhecida no nível federal e que a Federação Brasileira assuma esta escola. Hoje nós rediscutimos o magistério indígena para a formação de mais professores. Temos uma experiência com 320 professores que já vão assumir o magistério no próximo ano. Estamos para reabrir o magistério indígena para o Ensino Médio, com alunos e professores voluntários que trabalham na comunidade e escolas indígenas.

ACRE Isaac da Silva Pinhata, do povo Ashaninka
Não temos nenhuma experiência com o Ensino Médio nas aldeias. Dois povos estão reivindicando, o povo Nukini e Poianawa, aos quais a Secretaria está atendendo. Temos a experiência de alunos que vão estudar na cidade e futuramente teremos a discussão de como vamos criar o Ensino Médio na aldeia. Nossa única experiência é com formação de professores. Esses professores é que irão conduzir a criação do Ensino Médio nas aldeias, que não pode ser criado se não tiver professor específico para trabalhar com a cultura. Temos, aproximadamente, 80 professores formados em magistério de nível médio e específico e 20 deles já estão fazendo a formação continuada para o Ensino Fundamental.

AMAZONAS José Mário dos Santos Ferreira, do povo Mura - Presidente do Conselho Estadual da Educação Escolar Indígena do Estado do Amazonas
Nós temos uma visão muito ampla do Estado do Amazonas e trabalhamos com todos os povos. Não se pode falar em Ensino Médio sem falar da formação de professores, porque eles estão sendo formados no Ensino Médio. Setenta por cento dos professores de Autazes, onde eu faço o curso de formação também, careciam do Ensino Médio. E eles aproveitaram o curso de formação para fazer o médio, e já vão ser professores. O Ensino
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Médio na área do rio Madeira é carente; falta praticamente cem por cento. O que mais tem são alunos que vão para a cidade e se marginalizam, trazem costumes não-índios. Já se vê a droga dentro das comunidades. Quem serão as pessoas que irão trabalhar no Ensino Médio? Como irão trabalhar? Hoje, levando os índios para a cidade, tirando do seu habitat e, na maioria das vezes, não voltam quando se formam. O máximo que volta são 5%, porque a vida do não-índio na cidade é boa, e a gente se acostuma com coisa boa. A torneira está lá, a luz é só triscar o dedo no interruptor, o ar condicionado... E o índio se adapta a esta realidade. O Amazonas detém o maior número de povos, são 72 povos diferentes e a demanda é muito grande para o Governo do Estado. Estamos solicitando o atendimento à demanda de Ensino Médio. Já existe em Feijoal e em outras aldeias, implantadas neste ano. Os Ticuna podem falar melhor deste trabalho. O povo Sateré-Mawé, do Baixo Amazonas, também tem uma proposta de Ensino Médio. Mas não dá para implantar em todas as aldeias, porque algumas só têm dois ou três alunos que saíram do Ensino Fundamental. Este povo escolheu um local isolado das outras aldeias, e este local é onde, futuramente, será construído um centro de formação de nível médio com os professores já formados. Não sei como é pela lei, mas parece que é preciso nível superior para ser professor do Ensino Médio. Para o Ensino Fundamental de quinta a oitava séries, nós conseguimos pareceres para estar lá, senão estaríamos na rua. Os prefeitos não queriam contratar professores indígenas para trabalhar da quinta à oitava, imagino agora com o Ensino Médio. A educação diferenciada não está sendo trabalhada em parte do Amazonas.

AMAZONAS MARIA MIQUELINA BARRETO, DO POVO TUKANO, REPRESENTANTE DA COIAB
Eu queria expor um problema sério, perguntando aos senhores que fazem parte da Secretaria: onde está escrito que, quando um professor indígena não tem formação de nível superior, ele tem que atuar somente nas áreas de primeira a quarta série? Esta é uma pergunta de um professor do Alto Solimões. Não adianta a gente falar em implementação do Ensino Médio e não se referir à formação de professores. Em São Gabriel, na década de 1970, só tinha Ensino Médio nas comunidades indígenas, e em 1976 abriu o magistério, onde eu me formei. Mas hoje, para se deslocar de São Gabriel para as outras localidades fica muito difícil, porque são regiões muito distantes. As escolas ainda existem, mas São Gabriel cresceu desordenadamente. Hoje as escolas são tanto para alunos índios como para alunos brancos, e vêm pessoas de todos os lugares, desde o sul, nordeste, comerciantes. E os índios, onde ficam? Indo para as margens das cidades como sempre, tentando um meio de sobrevivência, se perdendo por aí nos vícios e prostituição.
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Nós temos cinco pelotões dentro desta área indígena. E o que os pelotões estão fazendo? Qual a participação deles? Isso eu questionei com um general. A implementação do Ensino Médio na minha região é urgente, desde 1976 não existe mais Ensino Médio. Por exemplo, a região de Iawareté, que tem cerca de cinco mil índios, já tem o Ensino Médio implantado, mas somente para aquela região. Na nossa região existe uma escola agrotécnica, que foi implantada pelo Governo Federal, mas não corresponde à demanda da região, e os alunos que se formam vão embora, não atuando na região. É uma questão que deve ser revista. Nós temos vários professores nas áreas de história, geografia, ciência sociais, filosofia e agora também matemática, essas áreas são todas importantes, mas tem que se discutir a escola diferenciada. Recentemente, nós tivemos vários problemas porque têm duas escolas que funcionam com a língua própria, escolas de difícil acesso. E quem é que apóia? Não é o MEC, não é a SEDUC, contam apenas com a parceria de ONGs. Seu filho vai lá estudar em São Gabriel e não se importam se ele é índio ou nãoíndio, mas na Lei Orgânica do Município foram aprovadas as três línguas, então o aluno branco vai ter que estudar estas línguas. Isto é certo? Eu não sei, mas isto é lei. Na maioria das vezes, nas áreas mais críticas, nós temos pelotões, e têm famílias de militares estudando junto com índios. E têm também alunos que se formam e não arrumam emprego, e acabam servindo ao Exército. Isto está certo? É obrigação do índio servir ao exército? Tudo bem, neste caso é uma questão de sobrevivência, mas nós tivemos uma reunião com o exército, porque eles não estavam respeitando as diferenças culturais, principalmente em relação às mulheres, que eram usadas e largadas grávidas. E quem é que assume depois? As comunidades. Neste seminário nós temos que discutir também a demarcação de terras, saúde e sustentabilidade econômica, eu acredito que devemos reivindicar a demarcação desde o sul até o norte do Brasil. Nós temos bastantes terras demarcadas, mas nem todas estão funcionando como deveriam. Então nós devemos discutir, implantar, lutar! Era isso que eu queria colocar.

MATO GROSSO E MATO GROSSO DO SUL Teodora de Souza, do povo Guarani-Nhandeva – Dourados-MS
Até pouco tempo não havia Ensino Médio na aldeia, exceto os que eram mantidos pelos pais nas escolas da cidade. Isto tem trazido problemas como já foi relatado. O Ensino Médio intercultural foi iniciado no Mato Grosso do Sul em 2001. O Estado possui nove etnias, com aproximadamente 55 mil indígenas. No Estado têm quatro áreas indígenas que têm Ensino Médio indígena – Amambaí, Dourados, com o povo Guarani-Kaiowá. Em Sidrolândia, em Dois Irmãos do Buriti, em Miranda, na região Terena. Isto não é suficiente para atender à demanda, porque são várias reservas indígenas. Só os Guarani-Kaiowá compreendem 23 áreas indígenas.
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Uma outra experiência de Ensino Médio refere-se à formação para o magistério Guarani-Kaiowá, que também se iniciou em 1999, formando a primeira turma em 2002, com 76 formandos. Em 2002 iniciou-se a 2a, turma, que conta com 60 professores cursistas. Há interesse grande para a continuação dos cursos de magistério, porque os que temos não atendem à demanda. O Estado é agrário, com muitas terras em litígio e onde a maioria dos donos é prefeito, são parlamentares. Quando há conflito, os municípios não têm interesse em assumir a educação escolar indígena, em todos os níveis. Uma outra experiência é a Exata, supletivo. Às vezes, em uma semana, o indígena já sai com o diploma na mão, como se tivesse concluído o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Assim, a gente percebe que a educação, além de não ser prioridade, ainda é alvo de lucro fácil. Isso é muito ruim, porque cria uma perspectiva e traz uma decepção porque o jovem índio quer entrar na Universidade com esse diploma, mas não tem base, não tem condições de acompanhar, acaba desistindo, e cria-se a idéia de que os índios é que são incapazes. Temos de continuar batalhando por uma educação de qualidade, que sirva para o nosso povo. Não dá para investir numa educação aligeirada, que não leva a lugar nenhum. Ainda hoje, quem consegue terminar o Ensino Fundamental e consegue se manter, vai para a cidade. Mas a grande maioria das aldeias fica muito longe das cidades, fazendo com que os jovens parem de estudar, não terminando nem mesmo a 2a etapa do ensino fundamental. O Ensino Médio na área de Sidrolândia é modular, funciona todos os sábados e os professores são não-indígenas, assim como em todos os outros cursos de Ensino Médio. Não dá para discutir uma política de Ensino Médio sem discutir uma política de formação de professores. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul está com projetos para a formação de professores em nível superior. Já vimos que as conseqüências da saída dos jovens para as cidades são, normalmente, negativas. Os Governos da União, dos Estados e dos Municípios devem assumir o compromisso de dar acesso às escolas indígenas, dentro das áreas. Grande parte da população fica à margem da educação, por falta de condições. Quando vão para a cidade, encontram um currículo inadequado. Os alunos são reprovados um ano, dois anos e desistem. São pouquíssimos os que conseguem se sobressair nesse processo.

MATO GROSSO Magno Amaldo da Silva, do povo Kurâ-Bakairi, do Município de Paranatinga
Dificuldades iguais a todos que já falaram. No Estado de Mato Grosso temos três escolas que oferecem Ensino Médio em áreas indígenas, por iniciativa da Missão Salesiana, duas escolas em área Xavante, e uma escola que foi construída pela própria comunidade. Com relação à Missão Salesiana, as escolas foram implantadas sem a discussão de currículo
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e necessidades pela comunidade; tudo se define a partir dos objetivos da missão. Em Sangradouro, viram que havia necessidade de contratar professores indígenas, mas não tiveram a preocupação de formá-los. A comunidade, por sua vez, estava superesperançosa de obter novos conhecimentos, principalmente com relação à língua portuguesa, mas não tinham confiança nos professores índios nesse sentido, porque eles iriam dar aula na língua materna. Esses professores, não tendo habilitação, quem recebia os honorários eram os salesianos. E nós dizíamos: por que você está aí trabalhando, enquanto tem uma pessoa que é paga para isto? Os salesianos vinham de Campo Grande para ministrar aula na escola de Sangradouro, mas desrespeitavam o processo cultural: eram contra as cerimônias indígenas, dizendo que estas atrapalhavam a escola; diziam que os professores não podiam ficar esperando, pois tinham vindo de longe. Assim, eles acabavam interferindo no processo cultural, detendo os alunos para participar das aulas. A furação de orelha, ritual muito respeitado na etnia Xavante, para o qual o jovem passa o dia inteiro dentro da água e à noite eram retirados porque os padres levavam os alunos para a aula. Assim, não tinham nenhum compromisso com a formação cultural. Tinha um curso de enfermagem que os salesianos colocaram, mas os professores não tinham habilitação. As leis eram burladas, mas o curso foi fechado, após investigação. Os salesianos não estavam voltados para as necessidades das comunidades. O controle externo era fortalecido, em vez de abrir espaços para discussões. A comunidade Xavante que estava esperançosa ficou frustrada, porque não viu a valorização de sua cultura. Hoje, os salesianos estão ouvindo um pouco mais a comunidade, mas ainda é início da discussão, porque quem está à frente ainda são os salesianos. Com relação à outra escola, na área Bakairi. Nessa escola, para evitar problemas, foi realizada reunião com a comunidade para discutir a implantação do Ensino Médio na aldeia. A nossa dificuldade era compreender a legislação relativa ao Ensino Médio, porque as Secretarias Municipais diziam que, para abrirmos escolas de Ensino Médio, temos que ter professores formados, e não formandos. Como é que, em outras aldeias indígenas, a gente via tanta gente como estagiário, dando aula? A discussão com as secretarias mostrava que elas não estavam em condições de exercer suas atividades. Em nosso município tem etnia Xavante e pega parte do Xingu. Quando as pessoas vão à Secretaria conversar, eles perguntam: o que eles estão dizendo? Não sei, eles estão falando na língua deles. – Uai, mas você também não é índio? Tem a mentalidade de que todo índio fala a mesma língua, na Secretaria que está tratando de educação indígena, e é com essas pessoas, que não estão preparadas, que a gente tem que tratar os nossos assuntos. Por isso é que temos dificuldades com a legislação. Saindo de Brasília para chegar à nossa aldeia, é um caminho muito longo. É preciso compreender a legislação para brigarmos pelos nossos direitos, podermos cobrar. Nós fizemos reuniões e fomos atrás de parcerias. Tinha por lá uma estudante que fazia doutorado, que podia pegar algumas disciplinas no ensino médio, mas a nossa opinião de trabalhar apenas com professores índios estava indo por água abaixo. Depois, nós descobrimos que os professores para o Ensino Médio não precisavam estar formados, mas poderiam estar cursando o terceiro grau. Todos os professores estão fazendo o 3o grau
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indígena da UNEMAT, então este não era mais um programa. O projeto pedagógico mais próximo da gente. Eu fiz minha formação numa escola não-indígena, então eu não tinha uma referência. Mas nós temos na nossa escola a parte diversificada, língua materna – as disciplinas na escola são todas na língua materna. Até a 4a série se escreve na língua materna, depois da 5a série escreve-se no português. Então nós temos a língua materna no Ensino Médio, temos a cultura indígena, arte indígena, a valorização das tradições, dos cantos, das cerimônias. Agora, nós estamos fazendo isto na escola, porque não é todo mundo que pode cantar e dançar. No quadro de professores nós temos um dos cantadores da aldeia – ele foi convidado (dava aula até a 4a série, pela FUNAI, como monitor bilíngüe). Nossa escola tem uma participação muito grande da comunidade, trabalhando sempre em conjunto para atender as necessidades e porque ela faz parte da comunidade. Temos 14 professores, tem um coordenador pedagógico, uma secretária, uma merendeira e uma faxineira, todos índios e pertencentes àquela comunidade. Ali dentro nós não estamos preocupados com a formação acadêmica daqueles alunos, mas com a formação pessoal deles. Tem que ter um conhecimento acadêmico, mas tem que ter uma valorização cultural muito grande, tem que estar despertando isto e isto é o objetivo da escola na aldeia – a afirmação da identidade dos alunos enquanto indígenas, evitando o esvaziamento da aldeia. Estamos trabalhando a formação e o caráter do estudante. Não existe exclusão, se ele não conseguir a nota exigida, porque é uma exigência da Secretaria transformar os conteúdos em nota, nós vamos rever os conteúdos com os alunos, ver os pontos em que eles estão mais necessitados, para que ele sempre acompanhe a sua turma. Dos problemas que temos, na escola da aldeia Bakairi, a contratação dos professores fica a cargo do Estado e todos nós somos contratados do município, em contratos temporários. O calendário vai atender as necessidades do município, mas é adaptado à nossa realidade – festa da cidade, de rodeio, a gente tem aula. Já atividades como furação de orelha, a escola vai trabalhando junto à comunidade. O espaço da escola não é só o espaço de estudar, é para brincar, para receber a comunidade. E o pátio da aldeia é também um espaço de estudar; vamos lá, participamos de todos os eventos. Nós temos um coordenador pedagógico que é considerado diretor da nossa escola, mas ele não tem autonomia. Toda a documentação fica na Secretaria, na cidade, a 100 km, da aldeia. Se algum aluno precisa de uma documentação, o coordenador tem que se deslocar, ver se o responsável está presente para resolver a questão. Então, para ele o gerenciamento vira bicho-de-sete-cabeças, ele nem sabe o que está enfrentando. Nossa escola está trabalhando desde 12 de fevereiro, mas até hoje não recebi um centavo, porque não saiu a contratação. Vai sair? Vai, mas não é por causa disto que vamos parar de trabalhar. Uma coisa positiva é que a escola está respeitando os valores da comunidade, trabalhando conforme as necessidades e fortalecendo a cultura, as crianças se sentem em casa, falando a mesma língua, e vão chegar sabendo que o professor é um parente, uma pessoa conhecida. Temos 25 alunos no Ensino Médio e quem fez cursos de formação para o Ensino Fundamental, está na escola reforçando a aprendizagem.

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RONY AZOINAYEE,

DO POVO

PARESI - MT

Sou presidente da Associação de Professores Indígenas de Mato Grosso, na qual temos 478 professores, 39 etnias e 140 escolas indígenas da rede estadual e municipal. Estamos num momento de importância das organizações, para estar unindo esforços para pedir que nossos governantes concretizem, na prática, as leis que garantem aos povos indígenas, e a todos, uma educação de qualidade. Sonho com o Ensino Médio e com o Ensino Superior. Mas para isso temos que pensar na formação de nós, educadores, porque, sem isso, não podemos estar reivindicando aqui. Muitas vezes as Secretarias dizem “Como vocês querem ter ensino médio se não têm professores qualificados para isso”. Jogam a gente contra a parede. Neste momento, a partir desta discussão que estamos tendo, a situação vai estar se revertendo para a melhoria da educação escolar indígena e não-indígena. É importante a participação das organizações indígenas na criação e na execução dos planos político-pedagógicos a partir do que é colocado pelo governo. Se não estivermos presentes os projetos não estarão correspondendo à nossa necessidade. E devemos respeitar o ritmo dos expositores e dos alunos.

REPRESENTANTE

INDÍGENA NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO

......cabe ao Governo Federal assumir as suas responsabilidades. E este é um momento crucial para que a gente esteja encaminhando as nossas reivindicações, tanto sobre Ensino Médio quanto sobre Ensino Fundamental, onde nem sempre este Governo Federal tem estado presente. Eu queria dizer da minha preocupação quanto à presença das missões em terras indígenas. Faltam aqui lideranças indígenas, representantes de organizações indígenas. Temos aqui poucas lideranças. Temos que valorizar essas organizações indígenas, que aos poucos se organizam e somam conquistas. Queremos educação continuada, saúde, tudo diferenciado, como nós queremos. Sobre as missões, queria acrescentar que estive em uma audiência pública em São Gabriel da Cachoeira, e lá no depoimento de um parente foi dito que numa escola de freiras, os alunos têm hora de dormir, hora de levantar, não pode dançar... Quando eles tinham lá na aldeia um pastor e a comunidade reclamou, a igreja mandou um pastor índio, e piorou ainda, porque ele veio mais treinado do que o outro. Há uma contradição muito grande porque, pela legislação, as escolas em áreas indígenas têm que ser reconhecidas como escolas indígenas, e hoje não está acontecendo isto – as escolas são de brancos em terras indígenas. E a gente não pode ter vergonha de falar como há 200 anos atrás, mas a gente ainda tem situações como essa em pleno século XXI.

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MARIA MIQUELINA BARRETO,

DO POVO

TUKANO

Para quem não conhece, na área do Rio Negro as missões praticamente dominaram, quer dizer, eles impuseram uma educação que era uma educação européia e uma educação militar. As missões foram construídas com a mão-de-obra indígena, de acordo com a arquitetura deles. Hoje vemos prédios enormes, em plena selva. Esses internatos destruíram muito da cultura indígena sim, principalmente na área de pajelança, de medicina, e aí os padres diziam: “este negócio é do diabo”. Estão errados. A gente ficava oito meses no internato, só vivendo uma vida monótona, de orações, de estudo e de trabalho, voltado para o artesanato, que eles vendiam e ficavam com os recursos. Hoje a gente está discutindo com eles, resgatando esse trabalho para nós. No Amazonas tem um Museu do Artesanato Indígena, onde as freiras é que arrecadam. E para onde vai esse dinheiro? Em 1980 nós quebramos essa barreira, alguns parentes foram excomungados. Hoje nós estamos discutindo com o governo, frente a frente, reconhecidos, buscando nossos direitos. Os nossos antepassados não tinham como se expressar, não tinham como falar, eles ficaram dependentes dos padres e freiras, temos padres e freiras indígenas, e é duro para nós. Nós hoje podemos exigir nossos direitos. No Amazonas, as missões estão lá. Eles diziam, que o salário que a gente recebia era muito porque nós não tínhamos necessidades. E eles recebiam para dar aula. Agora a gente discute com o governo, com o Banco Mundial e sei onde ele vai buscar esses recursos. Hoje nós falamos, representamos nosso povo, mas antes não, eles queriam falar, eles representavam, eles montavam os projetos, eles trabalhavam para ganhar. Há tantos colégios grandes; eles nos alfabetizaram, mas temos vantagens e desvantagens no que eles deixaram para nós. Este encontro foi fruto de reivindicações dos povos indígenas. Em 2001, quando foi constituída a Comissão Nacional de Professores Indígenas, a educação indígena no MEC dizia respeito apenas ao Ensino Fundamental. Toda essa problemática foi surgindo e o MEC entrou na discussão do Ensino Médio, e por meio da Diretora Marise Ramos, diante das dificuldades de implantação do Ensino Médio em terras indígenas, iniciou a discussão da política para o Ensino Médio indígena. Naquele momento, a gente poderia, a partir da Comissão de Professores, ter sentado e definido, de qualquer jeito, as bases para o Ensino Médio. Percebeu-se então que era necessário chamar as pessoas para discutir com maior profundidade as escolas e o Ensino Médio nas comunidades.

JONAS POLINO SANSÃO,

DO POVO

GAVIÃO – MA

Bom dia a todos. Reclamei para a moderadora, porque observei que o grupo foi formado por regiões e cada pessoa falou. Não sei os problemas do Tocantins e do Pará e eles não conhecem a educação indígena no Maranhão. Então eu queria falar da minha situação. No Maranhão, a gente tem Krinkati, Gavião, Canela e os Krahôs e Apinajés do Tocantins. É a família dos Timbira. Trabalhamos em algumas aldeias dessas comunidades. No ano de 1994, o pessoal do Tocantins fazia curso com o Estado do Tocantins e nós
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fazíamos com o Estado do Maranhão, e também com o CTI, ONG que sempre apoiou a comunidade Timbira. Fazíamos os cursos e cada um ia para sua casa; não conheciam a realidade das comunidades, os movimentos que acontecem. Então, começamos a pedir para uma entidade da Noruega, que trabalha com produtores rurais e comunidades indígenas, recursos para fazermos um diagnóstico dos problemas das escolas. E conseguimos os recursos. Não fizemos projetos, porque nunca sabemos fazer projetos, mas pedimos por meio de uma carta. Começamos a viajar, formamos um grupo de 11 pessoas, que chamamos de Comissão de Professores Timbiras. Eles repassaram os recursos e fomos a todas as aldeias associadas à Associação Vyty Cati. Fizemos o levantamento dos problemas sobre as necessidades de material. Conversamos com os caciques, com os professores, com as lideranças sobre o que eles pensam da escola, para que serve a escola. Que futuro terá a escola no nosso povo? Qual o futuro dos que lá estudam – como eles poderão ajudar a comunidade dos Timbira? Fizemos relatório, mandamos para a FUNAI em Brasília e para a FUNAI regional; mandamos para as Secretarias de Educação do Tocantins e do Maranhão com as nossas reivindicações. Em nossas escolas não tem carteira, não tem armário, não tem material didático e o Estado é responsável por isto. Não tem acompanhamento nas escolas. Com o apoio do CTI nós recebíamos para dar aulas, para fazer nosso trabalho. Não recebíamos pelo Estado. É com amor que a gente faz, a gente é daquela aldeia, daquela comunidade. Fizemos o trabalho, essas 11 pessoas. Com o apoio do CTI conseguimos recurso para a educação, para fazer um Centro de Treinamento para o nosso povo. Compramos terreno e construímos o Centro de Formação dos Povos Timbiras. Foi bom porque, lá fora, quando fazemos encontros, nós temos que alugar alojamentos, por 16 mil reais, 20 mil, 30 mil, 40 mil, e assim mesmo pagando, somos discriminados (sempre fomos discriminados). A idéia de nosso grupo foi crescendo para termos um lugar próprio para nossos encontros, para a gente se sentir bem. Nesse Centro a gente começou a discutir: como ele vai funcionar, para que vai servir. Na nossa comunidade, muita gente não tem acesso ao estudo; alguns param na 4a série e não têm oportunidade de ir em frente. A nossa cultura também obriga que a gente case, tenha filhos, tenha outras responsabilidades, e não pode estudar mais e tem que assumir a família e sustentá-la – tem que caçar, pescar, fazer roça. A nossa idéia foi então de fazer esse Centro de Treinamento para que nosso povo levasse avante os estudos. Lá a gente conseguiu apoio da FUNAI, da Gerência de Desenvolvimento Humano-GDH, com recurso para alimentação e passagem para os estudantes. Temos 60 estudantes – Krahô, Krinkati, Apinajé, Gavião, Kanela, e no momento estamos recebendo apoio da GDH do Maranhão. Esses alunos estão fazendo de 5a à 8a série. A nossa idéia é que esses alunos continuassem lá mesmo o Ensino Médio e essas pessoas terminando o Ensino Médio já vamos ter pessoas suficientes para assumir as salas de aula, para dar aula para nossas crianças. Estamos pensando que esse nosso Centro poderá servir para a nossa Universidade. Muitos parentes disseram aqui que já têm Ensino Médio e Ensino Superior em suas comunidades e eu fiquei ouvindo, mas nosso processo começou agora. A nossa luta
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começou em 1994 e agora é que a Associação Vyty Cati começou a funcionar. Ela é uma Associação dos Povos Timbiras do Maranhão e do Tocantins, e nela abrimos um Departamento para a Educação. Nós achávamos que o nosso trabalho não ia crescer, mas está crescendo. Estamos brigando com a Secretaria do Tocantins para que ela apóie também os estudantes Krahô e Apinajé que estão no Estado. Para nós, indígenas, somos muitos povos, mas nossa luta é única. Quando os portugueses chegaram, nós éramos unidos – Krahô, Apinajé, hoje no Tocantins e nós, Gavião, Kanela, Krikati, no Maranhão. A gente quer mostrar para a sociedade não-indígena que a gente está unido, a gente não está separado. Estamos juntos, tomando nossas providências, no nosso mundo, descobrindo como esse nosso mundo funciona para nós. No meu entender é muito boa essa união. No povo Gavião, nós temos 88 alunos que saem da Aldeia e estudam na cidade, na escola municipal e na estadual. Matriculamos os jovens na 5a à 8a na cidade para que eles continuem estudando, e alguns estão no Ensino Médio. Já é um avanço, mas nós não temos escola própria. Às vezes os professores não são capacitados para atender os alunos indígenas e existem críticas sobre os alunos. Tanto faz ser aluno branco ou índio, mas alguns têm cabeça boa e vão em frente; outros são mais devagar. E na sociedade dos brancos também é assim. É preciso acompanhar a capacidade da criança. Temos planos de ter nossa escola, e espero que aqui a gente avance nisso, porque aqui estamos lutando não só para um grupo, mas para todo o povo, para que todo mundo cresça. Na fala de nossos colegas, foi dito que a criança que sai para a cidade volta usando droga e leva outros - isto acontece em todo lugar. Nós queremos preservar a nossa cultura e conhecer a cultura diferente. Para a gente se defender, para a gente se comunicar precisamos aprender o português. Precisamos aprender a cultura e a língua de vocês, não-índios, e aprender a nossa. E levar a educação para frente, ter Ensino Médio em cada comunidade, para que as crianças não precisem sair. Quem vai dar aula, quem vai administrar as escolas? No início da educação não eram os índios que davam aula nas salas de aula; foram os não-índios que começaram dar aula nas comunidades. Hoje houve avanço – têm professores índios dando aula; a gente aprendeu. O Ensino Médio tem que começar assim: capacitando os professores. Na nossa comunidade, as pessoas da missão Novas Tribos do Brasil começaram dar aula para nós. Depois chegou a FUNAI. Hoje não temos nenhum não-indígena na sala de aula, somos capacitados para dar aula da 1a à 4a série. Agora eles precisam ser capacitados para dar aula no Ensino Médio e no Ensino Fundamental, de 5a à 8a série. Queria agradecer esse tempo para eu falar das experiências dos Timbiras, e queria que as pessoas saíssem mais para conhecer melhor os índios. Só conhecem os que vêm para Brasília. O pessoal da Educação deve conhecer melhor o índio. Eu conheço os Krikati, os Kanela, mas os Guajajaras eu não conheço, e eles estão também no Maranhão. Nós vivemos dois mundos, e precisamos aprender sobre os dois mundos. Como abranger esses dois mundos no Ensino Médio? Muito obrigado pela atenção.
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Experiências Relativas ao Ensino Médio Anotações em Flip-Chart

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul • • • • • • • • Iniciativa da missão salesiana, sem participação da comunidade na filosofia e objetivos do ensino, fixados pela missão Os titulares não davam aula e os suplentes atuavam sem habilitação e remuneração A frustração da comunidade foi muito grande, pois o ensino não atendia a sua expectativa Abertura de diálogo para levar em consideração os anseios e respeitar os valores sócio-culturais da comunidade Professores indígenas estão se habilitando Proposta pedagógica espelhada em ambas as realidades Práticas pedagógicas visando valores culturais do povo Kurâ-Bakairi Gerenciamento de contratos é bicho de sete chifres

Mato Grosso do Sul • • • • • • • • • • • • • • • Ensino Médio intercultural, regular e modular Existe em três áreas indígenas – Amambaí e Dourados (Guarani-Kaiowá), Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti e Miranda (Terena) Oferta não atende a demanda Formação profissional – magistério indígena Guarani-Kaiowá e Kadiwéu Exata – supletivo em uma semana Alguns vão para a cidade Muitos aprendem muita coisa errada – drogas inclusive Muitos estudantes passam a negar a identidade, a língua e a cultura Muitos passam a não obedecer aos mais velhos Estudam e aprendem muitas coisas que não são úteis para a vida deles na aldeia: o que vão fazer com isto? Estudantes sem assistência e sem recursos para sua manutenção na cidade De quem é a responsabilidade? Muitos jovens acabam ficando na cidade e não estudando Muita dificuldade na vida dos estudantes indígenas que ficam viajando todos os dias da aldeia para a cidade: falta transporte, falta combustível... Falta material didático adequado para os estudantes indígenas nas cidades

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• • •

Muitos alunos desistem no meio do ano – muita repetência “Os pais ficam botando e tirando os filhos das escolas da cidade” Baixo rendimento dos estudantes indígenas nas cidades. Algumas causas: preconceito/racismo, língua, experiência muito diferente dos alunos indígenas, ambiente muito diferente

• • • •

Professores não-índios sem nenhuma preparação para acolher os estudantes indígenas Falta de acompanhamento didático dos alunos Muitos alunos saem da experiência com baixa estima – muitos saem com traumas Muito sacrifício, muito sofrimento para estudar fora da terra indígena

Roraima • • • • Ensino Médio nas vilas e cidades - resultados negativos Magistério indígena para a formação de professores indígenas Implantação de Ensino Médio regular diferenciado Escola profissionalizante

Acre • • Ensino Médio Normal Reivindicação de dois povos indígenas pleiteando o Ensino Médio nas comunidades

Região Nordeste • • • • • • • • • Os índios se deslocam para estudar em cidades vizinhas Dificuldades com transporte Não há escolas com Ensino Médio em áreas indígenas O Ensino Médio na cidade não tem disciplinas que tratem das especificidades Dificuldades com estadia Deslocamento de alunos para a capital Cota de alunos para escolas agrotécnicas Ingresso em cursos técnicos e de auxiliar de enfermagem Alunos que deixam de estudar por dificuldades de acesso

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Tema 2 – Conquistas dos Povos Indígenas Relativas à Educação Escolar

Nesta sessão de trabalho, foi apresentada aos participantes a seguinte questão para ser respondida pelos participantes: Quais são as conquistas da educação indígena identificadas pelo grupo? Como o Ensino Médio acompanharia as conquistas identificadas? O registro das conquistas foi feito, inicialmente, em papeletas, a partir de reflexão individual. Posteriormente foi lido o conteúdo de todas as papeletas entregues e aberto espaço para expressão livre dos participantes. O conteúdo registrado em papeletas encontrase a seguir transcrito: • José Mário - Povo Mura/Povos do Amazonas - Gestão de escolas por professores indígenas - Formação de professores – magistério – Tikuna, Sateré-Mawé, e povos diversos no Alto Rio Negro - Implantação de vários cursos de Formação em Autazes, Mawés, Manicoré, Jutaí, Atalaia do Norte – dificuldades diversas. Curso pela OGPTB – Tikuna. - Criação da GEEI - Gerência de Educação Escolar Indígena - na SEDUC. - Criação do CEEI/AM. – Conselho de Educação Escolar Indígena do Estado do Amazonas - Criação de alguns Conselhos e Sistemas Municipais - Criação de setores indígenas nas Secretarias Municipais - Contratação de muitos professores indígenas para atuar nas escolas indígenas do Ensino Fundamental completo - Implantação do Ensino Médio no Alto Solimões - Criação do PEE/AM – Plano Estadual de Educação do Estado do Amazonas, contemplando 25 itens relativos à educação indígena - Confecção de material didático específico - Criação de projetos político-pedagógicos próprios de cada povo. - Realização de fóruns, reuniões, seminários, entre outros, sobre educação escolar indígena - Participação de um membro indígena no Conselho Estadual de Educação - Realização de audiências públicas sobre educação escolar indígena
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- Participação em eventos do MEC, onde oferecem ações para os povos indígenas na educação, inclusive este - O Governo está ouvindo os povos indígenas na área de educação - Reconhecimento legal de três línguas oficiais no Alto Rio Negro - Formação continuada – PCNEI • - Kamuriwa Elber Tapirapé - Povo Tapirapé - Formação de professores - Estadualização da escola indígena, com calendário, regimento, currículo específico e diferenciado - Valorização da nossa cultura pela escola - Conquista na luta pela terra - Valorização do conhecimento dos mais velhos - Aumento do número de professores indígenas devido à grande demanda estudantil - Participação da comunidade na escola. • Comunidade Indígena Guarani - Água Bonita - Espaço para participar em ONGs - Educação de Jovens e Adultos na comunidade. Professor indígena - Representação indígena na Secretaria Estadual de Educação - Escolha dos professores pela própria comunidade • Magno Amaldo - Povo Kurâ-Bakairi – Paratinga – MT – Escola da Aldeia Pakurea - Valorização individual e coletiva do povo - Escola verdadeiramente indígena: professor, alunos, realidade - Funcionamento do Ensino Médio e EJA no ano de 2003 - Proposta curricular própria - Coordenador pedagógico índio - Trabalhos em parceria com AKURAB – Associação Bakairi – formação de professores na própria aldeia; elaboração de módulo sanitário, entre outros - Criação da Unidade Executora da Escola - Todos os professores em formação superior - Dois professores cursando pós-graduação em educação escolar indígena • Maria Miquelina – Povo Tukano - Povos do Alto Rio Negro - Reconhecimento da educação escolar indígena em três esferas: MEC, Estadual e Municipal - Reconhecimento das línguas maternas - Reconhecimento das escolas bilíngües Baniwa, Tuyuka e Tukano
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- Criação do Ensino Médio no distrito de Iawaraté, área indígena - Reconhecimento de Escolas Rurais como Escolas Indígenas - Participação dos professores indígenas no Conselho de Educação Escolar Indígena Estadual e Municipal - Criação de uma associação dos professores indígenas local, a exemplo do COPIAM - Cursos de formação de professores indígenas, modular - Indicação de um indígena no Conselho Estadual - Indicação de um Presidente do Conselho de Educação Escolar Indígena – CEEI/ AM • Jonas Polino Sansão, Povo Pukobyé (Gavião do Maranhão) - Professor índio na sala de aula - Associação de Pais e Mestres - APM - paga os professores - Os alunos estudando com apoio dos representantes líderes na cidade - Construção de uma escola federal - Presidente da APM compra merenda escolar e material didático - Formação de professores em magistério indígena - Criação da Associação dos Professores Indígenas Gavião - Construção de escolas - Formação continuada - Um representante índio na Secretaria de Estado • Teodora de Souza – Povo Guarani – MS - Primeira grande conquista – luta dos povos indígenas junto a outras organizações não-indígenas para aprovação das Leis Nacionais - Decreto de criação da categoria de Escola Indígena no Estado de MS - Deliberação do CEE para criação e funcionamento de Escola Indígena - Participação dos professores indígenas na elaboração dos decretos e deliberações - Criação da coordenadoria de Educação Escolar Indígena na SEED - Apoio do Ministério Público Federal promovendo Audiência Pública sobre Educação Escolar Indígena - Curso de formação para professores indígenas Guarani-Kaiowá pelo Estado - Formação continuada em áreas específicas para professores já formados - Criação do Comitê de Educação Escolar Indígena - Representante indígena no Conselho Municipal de Educação - Critério diferenciado de seleção para contratação de professores indígenas - Coordenadoria de Educação Escolar Indígena na SEMED - Criação do Núcleo de Educação Escolar Indígena vinculado à SEMED
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- Implementação do Ensino Bilíngüe com 21 turmas - Acréscimo de carga horária de 13 horas aula para professores bilíngües - Formação continuada em áreas específicas - Assembléia com a comunidade para discutir a escola que temos e a escola que queremos - Discussão com a comunidade escolar para elaboração de proposta pedagógica para funcionamento de escola indígena - Construção de uma escola, outra está em processo de construção • Isaac Pinhata – Povo Ashaninka – AC - Entender e dar valor aos conhecimentos próprios - Ter autonomia de trabalhar os projetos próprios na proteção dos recursos, terra e cultura • Povos Tupinikim e Guarani – ES - Habilitação de 37 educadores com formação em magistério diferenciado em 1999 - Primeiro concurso público municipal diferenciado – 1999 - Elaboração de propostas para definição de políticas públicas para a educação indígena – Estadual e Municipal - Premiação pela Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford à Educação Indígena Tupinikim e Guarani, como uma das 20 melhores experiências dentre os mais de 700 projetos inscritos em 2001 - Participação anual de educadores indígenas em encontros de intercâmbio internacional na área de educação em Genebra – 1998 a 2003 - Criação da escola bilíngüe e elaboração de currículo diferenciado para as escolas indígenas - Participação de uma educadora Tupinikim no Curso de 3o Grau Indígena de Mato Grosso - Participação de uma educadora Tupinikim representando a Região Sudeste na Comissão Nacional de Professores Indígenas – MEC 2001-2003 • Povo Pankararu – PE - Formação continuada - Profissionais indígenas com nível médio que hoje trabalham com nosso povo - Profissionais de nível superior completo - Implantação de 5a à 8a séries - Professores cursando nível superior em função da educação escolar de qualidade, específica e intercultural

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• Pedro de Assis Krezó – Povo Kaingang – SC - Muitas conquistas de 1990 até agora - Escola de 5a à 8a séries e Ensino Médio dentro da terra indígena - Escola num formato de uma casa arredondada - Ginásio de esporte em forma de um tatu e Centro Cultural em forma de uma tartaruga - Formação de professores índios Kaingang no magistério bilíngüe de nível médio - Criação da Associação dos Professores de nível universitário - Calendários diferenciados - Concurso público diferenciado – muitos indígenas nas universidades! • Marcelo Xakriabá – Povo Xacriabá – MG - Curso de formação de professores indígenas de Minas Gerais - Contratação de professores menores de idade - Implantação do Ensino Fundamental de 5a à 8a séries - Construção de três prédios escolares, discutidos e construídos nos moldes da cultura Xacriabá - Grande valorização do espaço cultural e econômico: escola x comunidade - Fundação da Organização da Educação Indígena Xacriabá - Curso de formação para novos professores indígenas em Minas Gerais • Conquistas dos Povos Indígenas de Mato Grosso - Uma vaga de um representante indígena no Conselho Estadual de Educação - Ter uma conselheira indígena do Estado no Conselho Nacional de Educação - A realização do Projeto Tucum – Formação de Professores Indígenas para o Magistério – de 1996 a 2001 - Implantação do 3º Grau Indígena – MT - Aprovação pelo FNDE de uma merenda diferenciada para as escolas indígenas do Mato Grosso - A garantia de uma educação diferenciada na LOBEB – Lei Orgânica - Formação específica e diferenciada de professores indígenas – Magistério e Ensino Superior - Vaga no Conselho Estadual de Educação, preenchida por um professor indígena - Criação do Conselho de Educação Escolar Indígena - Ampliação do Ensino Fundamental nas escolas indígenas - Legislação que assegura a escola diferenciada - Criação da OPRIMT - Vaga no Conselho Nacional de Educação - Representante indígena secretária

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- Aprovação pelo FNDE de uma merenda diferenciada para escolas indígenas - Equipe de educação escolar indígena escolhida pelos profissionais da chefia do setor na SEDUC - Currículo diferenciado - Elaboração de Minuta de Resolução pelo CEI - Vaga no FUNDEF municipal preenchido por um professor indígena • Comunidade Guarani–Mbyá – Município de Angra dos Reis e Paraty - Criação da Escola Cultural Bilíngüe Guarani – Autorização e funcionamento pelo CEE RJ • Clóvis Ambrósio – Povo Wapichana – RR - Autorização e criação do Centro Regional Indígena na Terra Indígena Raposa Serra do Sol • João de Oliveira – Povo Pankararu – PE - O aumento dos professores indígenas • Rony Azoinayee – Povo Paresi – MT - Criação de conselho estadual escolar indígena MT - Implantação do Ensino Superior – 3º Grau Indígena - Implantação do Ensino Fundamental e Médio - Criação da organização de professores indígenas - Participação efetiva das organizações e professores - Ampliação das escolas e professores indígenas • Povo Kaingang – RS - Concurso Público diferenciado - Regularização das escolas indígenas - Curso de formação em dois núcleos/(FUNAI e Estado) - Ampliações de escolas reconhecidas com Ensino Fundamental • Pedro Xerente – Povo Xerente – TO - Escola de Ensino Médio pode ser conquistada dentro da aldeia • Mário Karaí – Povo Guarani – RS – Conquistas no RS – regularizações das escolas e professores indígenas nessas escolas

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• Povo Gavião – RO - O professor na sala de aula em sua comunidade - Formação do professor no Ensino Médio (magistério indígena) - Representante indígena na Secretaria - Definição da ortografia da língua materna • Samuel Dias – Povo Terena – MS - Calendário Escolar diferenciado - Professores todos indígenas - Direção da escola indígena desde 1997 - Implantação na comunidade de escola indígena da educação infantil à 8a série – Córrego do Meio – Sidrolândia, e Buriti – Dois Irmãos do Buriti. • Claudenildo Bento de Matos – Povo Tapeba – CE - Dois tapebas no 3o Grau da UNEMAT – Graciana e Francisco Lopes - Magistério indígena para todos os povos - Duas vagas na CNPI para o Ceará - Implementação da Resolução 03/99, CEB/CNE no CEC - Criação da Associação dos Professores Indígenas Tapeba - Criação do NEEI - Contratação de todos os professores - Aluguel de prédios para funcionamento das escolas indígenas • João Kwanhã Xerente – Povo Xerente – TO - Resistência e persistência; mobilização na busca de uma educação de qualidade, exigindo a capacitação intensiva dos profissionais • José Hani Karajá – Povo Karajá – TO - Calendário próprio - Escolas diferenciadas - Professores indígenas na sala de aula - Uso de língua própria em sala de aula - Prédio novo devido a aumento do número de alunos • Lucas Ruri´ô – Povo Xavante – MT - Avanço da política educacional no contexto da educação escolar indígena diferenciada, bilíngüe e específica - Inclusão da língua materna no currículo escolar - Alfabetização na língua

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- Estadualização das escolas indígenas - Coordenação Escolar Indígena - Entendimento do processo escolar como instrumento e fortalecimento dos interesses indígenas - Implantação do Ensino Médio e 3o Grau Indígena no Estado de Mato Grosso - Reconhecimento da presença e participação na elaboração de projetos que têm os indígenas como clientela - Abertura de diálogo entre os segmentos envolvidos na educação escolar indígena • Sabino Koiame – Povo Krahô – TO - Aumento do número de professores indígenas na sala de aula - Participação dos caciques nas escolas indígenas - Reconhecimento das escolas indígenas pela Secretaria - Curso de formação continuada dos professores - Escola indígena com suas normas e não originadas no Governo Estadual • Fausto Mandulão – Povo Macuxi – RR - Estadualização das Escolas Indígenas - Representante indígena que coordena as escolas indígenas desde 1991 em Roraima na SEDUC • Mário Nicácio – Povo Wapichana – RR - Criação e implantação de três centros de formação indígena - Comunidades – Maturacá – Malacacheta – Cantagalo • Conquistas dos Povos Indígenas do Estado de Roraima - Projeto de Ensino Médio Regular Diferenciado - Plano Estadual de Gestão Indígena - Concurso Estadual Diferenciado para os professores indígenas - Formação superior intercultural indígena - Processo Seletivo Diferenciado para os professores de línguas indígenas - Conhecimento sobre a legislação indígena - Direitos e deveres - Elaboração do regimento escolar com a participação de lideranças, alunos e comunidades - Mudanças de nome das escolas homenageando líderes indígenas - Autonomia das comunidades indígenas na indicação do diretor e professor para suas escolas - Nomeação de um representante indígena no Conselho Estadual de Educação - Criação do Departamento de Gestão Escolar Indígena
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- Coordenador de Gestão – Coordenador Pedagógico – Coordenador Administrativo – Fórum de Representantes Indígenas - Recenseamento de 63 Escolas Yanomami - Direito a uma Educação cultural e bilíngüe - Povo Macuxi – Terra Indígena Raposa Serra do Sol – identificada com meu povo - Conquistas a partir de 2000. Apesar das dificuldades estamos conseguindo: 1. Plano estadual de gestão da educação indígena, com a participação das organizações, dos nossos representantes, das nossas comunidades. Trabalhamos com Conselhos Regionais. O texto vai passar pela Assembléia Legislativa. 2. Concurso diferenciado para professores indígenas no ano de 2002. Nossos professores fizeram o concurso, assegurando o ensino da língua materna. 460 professores foram atingidos. 3. Formação Superior Intercultural, que está acontecendo no Estado. Projeto com a participação das comunidades, construindo juntos, e estamos conseguindo. 4. Processo seletivo diferenciado para professores de língua indígena: hoje estão em nossas escolas. 5. Conhecimento dos direitos – Constituição Federal, Constituição Estadual, LDB – hoje estamos estudando isso e a partir daí, as comunidades onde as escolas foram municipalizadas sem seu conhecimento, hoje estão reivindicando a volta da Escola para Estadual. Antes, nossas escolas tinham nomes de desconhecidos; hoje as escolas recebem nomes de conhecidos indígenas. 6. Elaboração do Regimento Escolar com a participação das lideranças, alunos e comunidade – em todas as regiões, alguns já estão prontos para enviar para o Conselho Estadual de Educação. 7. Autonomia das comunidades na indicação do Diretor e professores para as escolas – já há algum tempo isso vem acontecendo. 8. Projeto de Ensino Médio regular diferenciado – já está no CEE. 9. Representante indígena no CEE – este ano foi nomeado o Professor Enilton, coordenador da Organização dos Professores Indígenas de Roraima - OPIR. 10. 63 escolas Yanomami entraram no Censo de 2003. As comunidades vêm lutando para reconhecimento de suas escolas e, com dificuldades, conseguimos. Agradecemos ao Professor Kleber e ao representante do INEP que nos deram força nessa conquista. 11. Criação do Departamento de Gestão Escolar Indígena: em Roraima, coordenamos hoje 264 escolas, contando com as 63 que entraram dos Yanomami, com quase 700 professores. A demanda é grande, do Ensino
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Infantil ao Superior. Houve resistência dos técnicos da Secretaria para aceitar o Departamento, mas dissemos que, se não aprovam, vamos rasgar a Lei Estadual aprovada. O Governador ainda não oficializou o Departamento, mas ele já está funcionando. Dentro do Departamento temos três Coordenações: Pedagógica, de Gestão e Administrativa. Temos também o Fórum para Representantes das Organizações Indígenas. 12. Reabertura do Projeto de Formação de Professores Indígenas – que estava parado; lutamos e já vamos reencaminhar. O Ensino Médio acompanhará essas conquistas valorizando os conhecimentos étnicos dos povos indígenas como forma de fortalecimento da luta em defesa de uma educação escolar indígena específica e diferenciada, voltada para atendimento de projetos de futuro das comunidades. Roraima – conquistas dos diversos povos Conquista comum, e não de um só povo. Todos foram beneficiados. Temos buscado inserir os Yanomami desde o primeiro encontro de professores indígenas do Amazonas e Roraima, que aconteceu em 1998, e com isto fortalecemos o movimento. Lutamos por todos os povos em Roraima. Não podemos dizer que desconhecemos um povo, não excluir ninguém.

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Tema 3 – Ensino Médio, Identidade e Sustentabilidade Indígena

A abordagem deste tema foi proposta aos participantes com a indicação de alguns itens para orientação das discussões em subgrupos. Foram eles: • A formação para a autonomia na gestão • O Ensino Médio e as questões territoriais • O Ensino Médio e a formação para a saúde • As questões relativas ao meio ambiente • Como será a participação da comunidade na definição do Ensino Médio indígena? • A relação entre a escola e a cultura no Ensino Médio • Os usos lingüísticos no Ensino Médio. O conteúdo discutido em subgrupos foi apresentado, posteriormente, em sessão plenária. Antes dos trabalhos em subgrupo, Mônica Pechincha, assessora da Diretoria de Ensino Médio da SEMTEC expressou-se para explicar o sentido do tema a ser discutido. Em seguida, a Diretora de Ensino Médio e alguns participantes usaram da palavra. A seguir, a transcrição dessas falas introdutórias ao tema.

PALAVRAS MÉDIO

DE

MÔNICA PECHINCHA –

ASSESSORA DA

DIRETORIA

DE

ENSINO

Sabemos que as conquistas no campo da educação para os povos indígenas são fruto de muita luta e sabemos que há muitas dificuldades ainda. Conforme as palavras do Professor Fausto Macuxi, a educação indígena é uma educação para a identidade dos povos. Quando tratamos do tema das conquistas no campo da educação escolar identificadas pelos representantes indígenas aqui reunidos, vimos que todas elas referem-se aos ganhos quanto a uma educação específica, para a qual é imprescindível a representação e a participação indígena em todos os níveis. Destacaram, também, a necessidade da formação de qualidade para os professores indígenas, e de que as escolas funcionem dentro das aldeias e reconhecidas pelos Estados. As conquistas assinaladas reiteram muito do que é assegurado aos povos indígenas em nível legal no que diz respeito à educação escolar. Neste tema, Identidade e Sustentabilidade, propomos abrir o diálogo e ouvir os representantes indígenas sobre o que deve ser o Ensino Médio segundo o ponto de vista de
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suas comunidades. Quer dizer, para que objetivos e interesses se direcionam as reivindicações quanto a um Ensino Médio para os povos indígenas? O Ensino Médio é útil para que, relativamente à identidade e sustentabilidade indígena, para o futuro dos povos indígenas. Temos indicadores de que é um Ensino Médio voltado para a autonomia dos povos, o que se relaciona à questão da profissionalização: sabe-se que os povos indígenas requerem profissionais de suas comunidades na área de saúde, de meio ambiente, direito, enfim, para defesa dos povos, e requerem a formação de professores. Quais são, portanto, as demandas de profissionalização? É preciso estabelecer como e em que nível vai se dar a participação das comunidades na definição desse Ensino Médio, como estabelecer a interlocução com os diversos agentes governamentais envolvidos e quais serão as estratégias traçadas para assegurar estas reivindicações e interlocução. No Ensino Fundamental, a relação entre escola e cultura está clara. Aí se reconheceu a necessidade de se ter o conhecimento de dois mundos. Quanto ao Ensino Médio, como se introduzem a questão da autonomia, a questão da identidade, a da relação do Ensino Médio com a cultura e a questão dos usos lingüísticos? Este tema é fundamental para a construção do Ensino Médio para os povos indígenas e se relaciona diretamente com as políticas que buscamos construir.

INTERVENÇÃO

DE

CHIQUINHA PARESI

O Ensino Médio é bem diferenciado em relação ao Ensino Fundamental. É outra etapa. Neste tema que vamos discutir, temos que ver que a educação escolar indígena não se restringe apenas aos conteúdos da escola tradicional, mas vai muito mais além. Conforme a fala dos companheiros, já sentimos a necessidade da Educação Profissional, que agora está em fase de regulamentação, e vamos poder levar ao CNE contribuições para a regulamentação da Educação Profissional indígena.

MARISE RAMOS – DIRETORA

DE

ENSINO MÉDIO – MEC

Sobre o Ensino Médio e Educação Profissional, é importante sabermos a necessidade de Educação Profissional específica. Ainda não levamos ao CNE, mas já estamos discutindo. Nós consideramos que, onde for necessário, o Ensino Médio seja integrado à Educação Profissional e vice-versa, com formação plena que, ao mesmo tempo, desenvolva a cultura geral, os conhecimentos gerais, e também prepare para o exercício do trabalho, sem que uma prejudique a outra. Para isto vai ser necessária uma mudança da legislação. O MEC já tem uma proposta, que está sendo discutida com associações e diversas entidades, e vamos ainda propor uma discussão formal no Conselho – terminamos uma minuta muito recentemente. Vamos incorporar a integração entre o Ensino Médio e a Educação Profissional.
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Principalmente para os povos indígenas, com a proposta de um Ensino Médio diferenciado, a predisposição legal é plena. É importante considerar que, diante de necessidades específicas de determinados povos, precisamos recuperar a integração entre o Ensino Médio e a Educação Profissional. Não queremos dizer com isto que tudo vai voltar a ser como antes – estamos colocando as diversas oportunidades: Ensino Médio específico, Educação Profissional específica, mas também Ensino Médio integrado à Educação Profissional. Aliás, isto resgata o que já está na LDB – que o Ensino Médio pode abranger a Educação Profissional, desde que atendida a formação básica. Estamos assim ampliando as possibilidades de atendimento às necessidades específicas das comunidades em geral e, em especial, das comunidades indígenas.

LUCAS RURI´Ô, XAVANTE
Uma reflexão. Estamos na fase de abertura de diálogo. Para saber como seria o Ensino Médio, chegou o momento de discutirmos as linhas que poderiam servir como suporte, norteadoras. A necessidade de demarcação de terras, o aprendizado das línguas... É preciso ressaltar essas questões para não sermos mais uma vez atropelados. Cada região tem necessidades diferenciadas. No meu povo, fico preocupado com a questão da língua, do território (ultimamente estamos em conflito com os produtores rurais). Se as escolas tivessem uma filosofia que estivesse voltada para a demanda da comunidade indígena, teríamos maior facilidade para negociar e enfrentar essas situações, com mais argumentos, essas questões de território. Apesar de sermos professores formados em Universidades, eles ainda passam a gente para trás. É preciso ver a necessidade de cada etnia. Não adiantam aulas sobre equações, trigonometria, se, por outro lado, estamos enfrentando uma questão que poderia ser abordada no Ensino Médio, preparar a cabeça das crianças. Não adianta jogar aqueles conteúdos no Ensino Médio, não vai compensar para o desenvolvimento do raciocínio, para a formação da gente. Não devemos ter pressa para montar a proposta do Ensino Médio, para não sofrermos seqüelas. Temos que pensar nos norteadores a partir dos quais essa proposta vai sendo elaborada, vai se desenvolvendo.

MÔNICA PECHINCHA
A SEMTEC está abrindo um processo e vai aprofundar essa discussão regionalmente, no ano de 2004, em seminários regionais, e essa discussão deve ser levada até as comunidades, ser internalizada, para que não saia apressada, como o Lucas está falando. A carta que vamos fazer amanhã deve conter indicadores, pedindo que sejam assumidos compromissos. Estamos abrindo o processo de diálogo.
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Vocês têm todo o tempo para falar. Podemos discutir à noite, se vocês tiverem fôlego. Podemos trabalhar para esgotar o assunto de hoje, mas ainda vamos ter muita discussão pela frente.

CHIQUINHA PARESI
Muitos povos estão passando pelas situações colocadas pelo Lucas, em relação às suas terras, em relação à diminuição delas, e o Governo do Estado de Mato Grosso está com uma política para detonar as terras. Nós já estamos sabendo de antemão que o governador quer implantar escolas agrícolas, cujo modelo está defasado, e ele quer ampliar isto para o Estado todo. E não é só ele, mas também outros governos de outros Estados. Esta é uma forma de implantar o arrendamento das terras indígenas, a utilização do índio como mão-deobra barata. Vamos passar por um período negro, com estradas cortando as terras indígenas etc. O que o Lucas coloca é muito pertinente – quem é que vai ser a mão-de-obra? O jovem! Têm muitos jovens que estão saindo das terras indígenas para procurar sua sobrevivência, porque não temos uma política em nosso país de sustentabilidade dos povos indígenas. Estão criando bolsas alimentação etc, no Programa Fome Zero, mas nenhum programa voltado especificamente para os povos indígenas, na sua sustentabilidade econômica e cultural. Fiquei decepcionada com o Programa de Ação Social, hoje lançado, que não contempla os povos indígenas. Esta é a nossa oportunidade de discutir o Ensino Médio e concordo com a Marise, porque o Ensino Profissionalizante tem que estar vinculado com o Ensino Médio. São jovens, sem perspectivas de vida. Não podemos desvincular nossa discussão do momento vivido no país. Estamos com um governador doido de jogar pedra lá em Mato Grosso, que cismou de plantar soja até no buraco do tatu e se deixar, ele vai plantar soja até nos rios. Ele só vê o mundo da soja. E eu estou muito preocupada. Temos que deliberar aqui o eixo norteador que vai orientar o Ensino Médio. O Ensino Médio para quem quer entrar na Universidade, para quem quer ter uma profissão – o Ensino Médio tem que estar interligado com o projeto social dos povos indígenas, voltado para atender os projetos de futuro das comunidades. Estou ansiosa por causa dos problemas que estamos enfrentando no Mato Grosso. Estamos sendo obrigados a arrendar terras, e sabemos que isto é um grande desastre. Minha esperança é uma grande mobilização dos índios, para a gente começar a detonar esses projetos que estão vindo por aí. Temos que pensar o futuro dos jovens indígenas, que estão aí abandonados, que saem das aldeias muito novinhos e vão para a cidade peitar emprego, e voltam de lá pior do que foram. A Rota 163, que é o projeto do Governo de Mato Grosso, que vai pegar as terras indígenas para criar a rota da soja e levar para todo o Brasil. O que vale agora é a soja...

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TEODORA

DE

SOUZA, GUARANI NHANDEVA

Quando vim para cá, não imaginei estar discutindo o tema identidade e sustentabilidade, e fiquei feliz. Quero colocar uma experiência que estamos vivendo, e dizer do desastre que estamos vivendo na nossa aldeia. A reserva indígena de Dourados é notícia em nível nacional e internacional, em termos de suicídio, morte por desnutrição de crianças e outros problemas. Mas por que as crianças morrem de desnutrição? Temos diferentes situações em nossa reserva. Somos aproximadamente 10 mil indígenas, das três etnias: Guarani-Nhandeva, Guarani-Kaiowá e Terena, que vivem no mesmo espaço. Já há uma grande miscigenação inclusive com não-índios, que também moram na aldeia. Desde as décadas de 1970 e 1980 começou esse processo de arrendamento. E tudo o que acontece dentro da aldeia é com autorização da FUNAI. Eu não critico o órgão, ele está aí realmente para ajudar o índio, mas o problema são as pessoas que lá trabalham, que precisam de orientação urgentíssima, porque não sabem lidar com a realidade indígena. Com o processo de arrendamento, os arrendatários não-indígenas entraram nas aldeias e estão, há mais de 20 anos, lucrando, tendo lucro fácil. A comunidade indígena, dona da terra, não tem condição de se sustentar. Concordo com a Chiquinha que não há um projeto de política pública séria nessa área de sustentabilidade. Na verdade, não é só o Ensino Médio que deve estar vinculado a isto, e sim toda a Educação Básica. Porque autonomia não é só o direito de votar, de escolher diretor, de ser professor, mas nos aspectos sociais, políticos e econômicos. Temos dificuldades até para viajar para colocar nossas reivindicações. Muitas vezes o Ensino Médio prepara para o vestibular, mas não é isto. Temos que repensá-lo diante de um projeto de futuro de nossas comunidades. O que acontece na Reserva – o índio morre de desnutrição; a mãe, já gestante, passa fome, e a gente sabe as conseqüências que a criança sofre na escola pela desnutrição. Temos também a degradação do solo. Os arrendatários não tratam o solo das terras indígenas; usam, e usam enquanto podem, mas não tratam do solo. E nem pagam o arrendamento. Fazem acordo de pagar 200 reais, 300 reais por um ano, dois anos de arrendamento, e muitas vezes o índio fica sem receber. Há queixas no Ministério Público. Mas é claro que existem índios que vivem muito bem arrendando terras para os próprios parentes dentro da aldeia. A conseqüência disto é muito séria, muitas vezes utilizam agrotóxicos mesmo proibidos e plantam soja até junto das casas de nossos parentes. E as crianças ingerem o cheiro dos venenos, com dor de cabeça, com coceira na pele, provocando doenças. Às vezes a gente vê na aldeia os direitos individuais sobrepondo os direitos coletivos. Direito individual tem limite e não pode sobrepor ao coletivo. Gostaria de colocar isto para que na discussão possamos pensar em uma política de Ensino Médio que dê condição para os nossos jovens repensar isto e descobrirem as potencialidades que temos em nossas terras, para desenvolver a sustentabilidade. Soja não é a única solução – existem outras culturas, inclusive sem o uso de agrotóxicos. A partir dessas manifestações introdutórias ao Tema 3, seguiu-se a organização dos subgrupos de representantes indígenas para discussão. Terminada a discussão em subgrupos,
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foi realizada a sessão plenária para apresentação das conclusões. As apresentações dos subgrupos nessa sessão plenária e a manifestação livre dos participantes encontram-se a seguir transcritas.

REPRESENTANTE

INDÍGENA NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO

O que tem que ser bem pensado e avaliado é que deve haver muita discussão com as lideranças para realização desse trabalho, para se formar as cabecinhas do aluno do Ensino Médio para que estejam voltadas e preocupadas também com a comunidade. Para que isso ocorra, os professores devem estar bem preparados para trabalhar e pensar no futuro dessa comunidade. Formar essas crianças com pensamento de que esta comunidade, esses alunos, esses jovens têm que estar entendendo todo o momento histórico de seu povo. Qual a função da escola? Fazer parte do dia-a-dia da comunidade, inclusive de projetos, discussões. A escola queira ou não é um centro aberto, uma casa, ela deve sempre estar aberta para a comunidade, para poder trabalhar melhor e funcionar melhor. Esperamos que a escola tenha um funcionamento melhor junto com o seu povo, junto com as lideranças. Outro ponto importante seria o controle social que a escola tem que ter sobre a merenda. Tudo vai partir de professores, das lideranças, da comunidade e dos pais. Temos que fortalecer a organização interna, estar sempre juntos com as lideranças, discutindo. É preciso fazer planos, gerar idéias para melhorar a organização interna da comunidade, inclusive elaborar projetos para sua sustentação. Pensando nos estudantes que se formam, a comunidade deve pensar como eles podem contribuir e arrumar trabalho. A escola deve transmitir conhecimentos de acordo com as suas realidades, o respeito à comunidade, a valorização dos índios mais velhos, a realização de pesquisas, a elaboração de materiais didáticos de acordo com a realidade do povo, o fortalecimento e a valorização das tradições, a preservação da natureza, o manejo de diversas atividades como a caça, a pesca, a agricultura. Discutir e pensar o futuro da comunidade, construir um currículo específico e intercultural, acompanhar a demarcação das terras indígenas. A gestão escolar deve ser organizada pela própria escola, que tem que ser comunitária.

AGNALDO FRANCISCO

DOS

SANTOS, PATAXÓ HÃ HÃ HÃE

A minha preocupação é a questão de termos a educação como algo muito maior do que temos colocado. Qual a nossa grande luta hoje como povos indígenas? É na questão da autodeterminação, onde o nosso povo possa realmente ter gerenciamento do que é nosso, onde possamos ter um território, e fazer o que manda a lei, gerenciar. Eu acho que nós professores temos aí um papel importante, porque a escola é formadora de opinião. Nós
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temos que formar os nossos parentes, os nossos jovens, para a independência, porque nós não podemos continuar acatando essa política que está sendo colocada. É interessante a formação de médicos e enfermeiros, como foi colocado, em médio prazo e em curto prazo. Mas, em longo prazo, nós precisamos assumir o que é nosso. Nós não podemos, em pleno século 21, deixar que as pessoas definam o que devemos fazer. Não podemos permitir que o Governo tenha um órgão oficial que gerencie os recursos, e que pessoas que nem nos conhecem definam a sua utilização. Não podemos permitir que nós, 350 mil índios no Brasil, não tenhamos nenhum representante no parlamento federal. Se quisermos fazer nossas leis precisamos pedir favores a outras pessoas. Tanto que está tudo emperrado porque não conseguimos ainda um consenso, despertar dentro de nós o sentimento de autonomia, de autodeterminação. Nós professores, principalmente do Ensino Médio, que lidamos com jovens com domínio melhor da língua portuguesa e da linguagem materna, todos em igualdade de pensamento, entendendo o que o não-índio faz e o que nós queremos para nós. Esse Ensino Médio deve, além de resolver o nosso problema imediato, preparar o nosso jovem para o futuro, fazendo da escola um local de vanguarda para formar o nosso povo para poder, um dia, tornar as nossas ações independentes e controladas pelo nosso povo. Todos os países do mundo estão caminhando para isso, por duas vias: a via educacional e a via cultural; ou nós nos fechamos ou nós nos abrimos pela via da educação, preparando o nosso povo intelectualmente. Já que nós índios, no Brasil, não optamos pela questão da civilização e por fazer parte do Estado, nós temos que optar pela via intelectual, porque é a via melhor que nós temos para enfrentar e debater de igual para igual com as pessoas que não gostam da gente. Hoje, por exemplo, temos governadores de Estados totalmente contra os índios e que se filiaram ao partido do Governo simplesmente para impedir que as terras indígenas pudessem ser demarcadas. Nós temos parlamentares cujo partido foi para a base do Governo simplesmente para ter influência direta em um organismo oficial e defender as mineradoras e as madeireiras que são os nossos principais inimigos. Se nós pudéssemos formar o nosso povo intelectualmente poderíamos, um dia, estar livres desse povo. E a escola é a nossa oportunidade.

ISAAC PINHATA, ASHANINKA
Eu vejo que existem realidades totalmente diferentes. Quando eu sugeri que seria bom nós nos conhecermos primeiro, senão nós iríamos entrar em discussões e acabar não aprofundando naquilo que a gente quer e está tentando buscar de melhor para o nosso povo, eu vejo que o Ensino Fundamental está sendo discutido e ainda não se resolveu nada. E o ensino está vindo, já é uma demanda de alguns povos que vivem em alguns Estados. No caso do Acre existem esses problemas de defender os direitos, assumir ou gerenciar recursos de projetos que venham beneficiar ou fortalecer algo da nossa cultura, do nosso conhecimento.
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No meu ponto de vista, na minha experiência como professor, todos os povos indígenas já são preparados intelectualmente na sua filosofia, essa maneira de pensar, só que isso muitas vezes não é considerado. Uma outra coisa, se nós hoje pensarmos no Ensino Médio para atender essa demanda político-partidária, vamos estar outra vez entrando num caminho totalmente equivocado. Mas eu vejo que o tema principal do Ensino Médio tem que estar voltado para a realidade do povo, da cultura, da língua, porque só assim nós vamos estar produzindo argumentos, e vamos estar fortalecendo a nossa prática, a nossa ciência, a nossa própria tecnologia. Enquanto nós estamos aqui discutindo, no estado do Acre, na fronteira do Brasil com o Peru, existem povos que nunca tiveram contato com essa sociedade, que estão vivendo há questão de 500 anos atrás. As pessoas estão matando 100 índios daquele povo para tirar uma árvore de mogno. Então é essa a situação. De que maneira nós podemos pensar nesse Ensino Médio para criar uma política educacional para proteger os nossos conhecimentos? Na discussão foi bastante falado que hoje nós nos focalizamos muito pelo que está escrito no papel, sobre ciência, geografia, enfim, tudo isto existe no meu povo hoje. Então, eu estava comentando, o meu povo, antigamente, para sair de uma aldeia para outra do mesmo rio, ele se orientava através da floragem. Diziam: “Quando estiverem saindo os frutos, eu estarei chegando”. Então, esta era uma forma de comunicação, um conhecimento científico daquele povo que é atropelado. Uma outra forma: a gente pretende fazer um manejo das espécies animais, então nos é questionado de que maneira nós vamos fazer esse manejo se não identificamos uma queixada, um veado que está levando um filhote no ventre. Antes, havia um conhecimento de que tal espécie estaria no período de fecundação quando determinada árvore estivesse com seus frutos maduros. Então são formas que nós temos que aprofundar neste Ensino Médio, já que o Ensino Fundamental foi um estudo que, no meu ponto de vista, contribuiu muito para o fortalecimento da cultura, mas, ao mesmo tempo, ele também atropelou um pouco esses costumes, que a gente não pode perder de vista, não podemos deixar de lado. Eu gostaria que, com esse Ensino Médio, ficasse bem claro que cada povo, cada nação indígena tem a sua forma de pensar, tem a sua língua própria, seu conhecimento, sua floresta. Eu estava até discutindo com um amigo como nós vamos proteger isso? A escola não é educação, porque educação já convive com cada povo, já convive com cada família, a educação escolar é um instrumento que nós estamos utilizando para pregar alguns conhecimentos, algumas práticas, para poder se comunicar e se defender como a outra sociedade, porque, se não tivesse essa outra sociedade, a gente viveria até melhor. Eu tenho muita preocupação se fechar algo a nível nacional de prejudicar o meu povo, porque eu não estou aqui para prejudicar nenhum povo, da mesma forma que o Governo Federal está agindo com os não-indígenas da zona rural, não existe um programa que vai atender a realidade daquele povo. Como foi colocado, foram formados técnicos em agropecuária que acabaram não servindo para nada e foram parar nas cidades. Eu tenho
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medo que ocorra isso com o meu povo. Que esse Ensino Médio não seja uma coisa fechada, dê uma viajada fora e dentro do seu mundo e centralize no seu próprio mundo, pois ali está sua verdadeira defesa. No meu ponto, se esse curso chegar a acontecer na minha terra, na minha aldeia, é porque estamos voltados para esse conhecimento. É por isso que eu tinha colocado que a escola tem que ser a comunidade, não a comunidade ser a escola. Aquilo que eu falei, você tira o aluno da família e coloca na escola, e na escola não tem conteúdo para ele ajudar a família, e ele acaba indo para fora da comunidade, então isso são reflexões que nós temos que discutir e aprofundar.

CLÓVIS AMBRÓSIO, WAPICHANA
Eu falo aqui como índio, sem ser professor, ser ter formação escolar, e o que eu tenho a falar sobre a questão da formação no Ensino Médio é que nós temos uma discussão para a nossa organização em Roraima, nós dividimos o Estado em nove regiões, e tiramos os Yanomâmis, eles têm pouco conhecimento da realidade do branco, então eles são diferentes das outras populações indígenas. A gente discute por região. Temos lideranças que discutem as questões da saúde, da auto-sustentação, então nós chegamos à conclusão de que há necessidade de uma formação do povo jovem para que ele possa contribuir com o desenvolvimento da própria comunidade. As necessidades que temos em Roraima são decididas pelas lideranças em assembléias gerais e regionais nas quais eles pedem que seja implantado exatamente o que nós estamos comunicando aqui para os senhores, que é esse Ensino Médio profissionalizante, para que esses profissionais sejam formados conforme a necessidade daquela região e daquele povo. Com esses conhecimentos nós temos como traçar uma política dessa educação do Ensino Médio sem prejudicar nem “A” nem “B”. O Brasil é grande, nós estamos lá na fronteira do Brasil com a Venezuela e as Guianas, e tem gente do Rio Grande do Sul. Lá é uma realidade, no Rio Grande do Sul é outra, no Centro-Oeste é outra; então acho que, com essa abertura que foi dada, podemos discutir realmente essa política de educação dentro do Ministério, isso para nós já é um avanço muito grande; agora resta aproveitar essa oportunidade para que a gente não tenha que pôr em atrito uma região com outra para não prejudicar a realidade de uma outra região. Era isso que eu gostaria de colocar para que a gente possa partir para uma definição e traçar a política do Ensino Médio.

MARIA MIQUELINA BARRETO, TUKANO
Interessante as colocações, as sugestões, e eu acho que nós estamos abrindo um diálogo, ninguém está questionando “isso não vai servir para mim” ou “eu só quero isso para mim”, não, a gente está discutindo em coletividade.
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No Alto Rio Negro, a língua que predomina é a tukano, porque os internatos eram para todo mundo, então só se falava tukano ou português, mas hoje o pessoal está se conscientizando e resgatando a sua língua materna. O que eu quero colocar é que muitos de nós moramos nas cidades, porque de alguma forma fomos levados. Mas só que na visão da nossa gente, ela nunca pensou em preparar o aluno para ser um profissional. Mas a gente está discutindo de que forma os povos indígenas poderão implantar esse Ensino Médio. Como eu já coloquei, São Gabriel da Cachoeira, uma área em que predominou o ensino do magistério, hoje tem professores de nível superior, outros que já se aposentaram. E os outros que estão lá nas bases ainda? Quem vai dizer o que eles necessitam são aqueles que estão vivenciando na pele o que tem que ser feito. Eu estou representando uma organização da qual eu faço parte com o indígena e como mulher, porque a gente conquistou também o espaço dentro do movimento. O Peru é mais evoluído que o Brasil e tem parentes que vêm nos visitar e têm mais conhecimento que nós. Politicamente, as questões indígenas sempre são deixadas de lado, para ser a última coisa a ser resolvida. Nas questões de terras, vai haver conflitos e morte, e temos que preparar o povo para poder defender suas terras legalmente.

TEODORA

DE

SOUZA, GUARANI-NHANDEVA

É difícil a gente discutir essa questão da identidade e sustentabilidade sem questionar e refletir sobre o Ensino Fundamental que nós temos na aldeia. Nós não temos ainda resolvida a questão do Ensino Fundamental em grande parte das áreas indígenas do país. Que tipo de Ensino Fundamental nós temos? Esse Ensino Fundamental tem ajudado a resolver os nossos problemas? E onde tem Ensino Médio, como é que ele é? Será que ele está bastante inter-relacionado com a realidade em que vivemos? Eu coloquei essas questões porque vi que existem diversas realidades de acordo com cada região. Essa educação, seja ela do Ensino Fundamental ou Médio, tem dado conta de responder as nossas realidades e dificuldades? Qual é o projeto de futuro que nós indígenas queremos? Porque nós sabemos qual é o projeto de futuro que querem para nós, mas qual o que nós queremos para o nosso povo? Então, quando se pensa em educação, não dá para pensar em educação desvinculada das questões políticas. De que forma a escola de Ensino Médio ou Fundamental pode contribuir na superação da problemática que nós enfrentamos? E para implementar essa política, seja ela do Ensino Fundamental completo ou Ensino Médio, o que nós podemos fazer para garantir essa política de implementação em nossas aldeias?
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O primeiro objetivo nosso é o fortalecimento do nosso povo, conseguir garantir esse fortalecimento, e para isso é preciso que seja implementado de fato o Ensino Médio e Fundamental completo. Para conseguir garantir essa implementação é necessário que a gente tenha indígenas compromissados para fazer realmente acontecer isso tudo. Porque nós sabemos que temos a Comissão Nacional de Professores Indígenas, mas nós não temos indígenas, por exemplo, no MEC, para ajudar os que têm compromisso e trabalham com a educação indígena. Onde é que nós queremos que seja implementado? É claro, dentro da aldeia. Que tipo de Ensino Médio? Isso fica a cargo de cada Estado, já que as realidades de cada local são diferentes, cada qual com a sua necessidade. Quem devem ser professores? Prioritariamente, conforme a lei, que sejam professores indígenas, mas se nós ainda não temos professores indígenas habilitados, quem deve ser? Com relação ao que ensinar, no Ensino Médio tem química, física, matemática, língua portuguesa, biologia, história e geografia, literatura, e por que não acrescentar ou incluir os direitos indígenas, a história indígena, pesquisas da literatura indígena, a língua e a ciência indígena? A gente não desenvolveu até agora uma metodologia de pesquisa para que tornemos os jovens indígenas autores de suas produções históricas. De manhã, eu falei um pouco da questão da potencialidade, e gostaria de retomar rapidamente isso. A gente tem um Ensino Médio para preparar os jovens indígenas para prestar vestibular, para entrar numa universidade ou para ajudar a descobrir as potencialidades que existem dentro das reservas? Por que a gente estuda para ser empregado de outro, por que nós não podemos produzir para nós mesmos? Como é que a escola que nós vamos construir vai ajudar para que nós sejamos autores, donos da nossa produção? Realmente muitos vão para cidade, e é direito de quem quiser ir para cidade para ser médico ou arquiteto na cidade, mas a minoria é que consegue se sobressair. E o que a gente faz com a maioria que está na reserva? São essas as considerações que eu queria fazer.

ELISA URBANO RAMOS, PANKARARU
Cota de alunos para as escolas agrotécnicas – há parceria com a FUNAI. Para nós, a própria FUNAI colabora com essa seleção. Em vários estados do Nordeste, há jovens ingressando em cursos técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem. A procura desses cursos vincula-se à busca de oportunidade de trabalho, e não só à formação científica. Um dos problemas, em Pernambuco, é a dificuldade de acesso. Alunos que deixam de estudar, que ficam dois ou três anos na 4a série, e é uma problemática que nós, enquanto participantes da Comissão de Professores de Pernambuco, estamos reivindicando da Secretaria, é a dificuldade de implantar as séries a partir da 5a série do Ensino Fundamental, e os alunos estacionam a partir daí. Há acesso, mas com a necessidade de percorrer grande quantidade
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de quilômetros, para andar de quatro a seis horas para chegar à escola. E isto se torna uma jornada subumana e nos leva a projetar o que queremos para chegar ao Ensino Médio. Nós temos povos onde a formação ainda não é própria para trabalhar de 5a à 8a séries e no Ensino Médio. Mas temos povos, como os Pankararu, em que nós implantamos de 5a à 8a séries e é um investimento pessoal em busca da qualidade da educação, um sofrimento por parte das pessoas. Há falta de apoio, mas, sobretudo, a boa vontade dos professores dos povos indígenas. A gente investe de fato.

JOÃO

DE

OLIVEIRA, PANKARARU

Nossa aldeia está dividida no terreno de três municípios, e este é um problema muito sério. A palavra divisão já diz tudo. Alguns municípios têm maior consideração conosco, e existem outros que não dão a mínima importância. Mas, independente disto, os municípios vêm favorecendo com o transporte para o acesso à escola. Quanto ao material escolar e outras ajudas, tem que ser tudo por conta do próprio índio, com relação ao Ensino Médio. Quando terminam, há dificuldade de dar continuidade dos estudos. A implantação do Ensino Médio nas comunidades irá facilitar e melhorar a qualidade do ensino.

CLAUDENILDO

DE

MATOS, TAPEBA

Até 2000 nós os povos indígenas do Ceará estávamos completamente alheios à educação indígena, no Estado e no Brasil. Após isto, conseguimos nos organizar enquanto professores indígenas e conseguimos vir a Brasília conhecer os programas. Hoje temos acesso ao MEC, à FUNAI e descobrimos toda a política no âmbito do país. De fato, não estamos nem preparados para atuar no Ensino Fundamental, apenas para o Ensino Fundamental menor, para o Ensino Fundamental maior ainda não existem condições. No Ceará temos professores assumindo o Ensino Fundamental maior, mas não são qualificados para isto. Nossa política enquanto professores indígenas é a de não aceitar professores não-índios em escolas indígenas. Fomos muito massacrados pela colonização desde 1500 e não aceitamos mais que isto venha a acontecer. Temos casos de diretores querendo cortar cabelo de índio, querendo que o índio atuasse de acordo com a regra da escola convencional. Por isso a importância de lutar pela educação específica e diferenciada. Nossa preocupação hoje é como será de fato implementado o Ensino Médio dentro da aldeia, para os adolescentes, jovens e também adultos, porque temos muitos adultos que, pelos fatos já comentados aqui, pararam de ir à escola. Pergunto: quem vai arcar com o Ensino Médio? O professor indígena vai ser preparado para isto? Colocam na legislação que o MEC implementa tal coisa, que o Estado vai assegurar
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outra, e que o Município se encarrega de outra, mas nada acontece. Antes de implantar o Ensino Médio, o MEC deve ver de onde vai vir o financiamento para isto. É isto que nós, professores indígenas, trazemos como preocupação. No Ceará temos que saber quem vai ensinar dentro de nossas aldeias. Nós temos perseguição dos Prefeitos dos Municípios, os políticos são donos da terra – expulsaram os indígenas. É difícil. Já pensamos nisto antes de vir para cá.

ELISA URBANO RAMOS, PANKARARU
Quero frisar a importância da organização dos professores. A organização nos permite reivindicar e ocupar os espaços públicos. Essa discussão sobre o Ensino Médio leva a constatar que o ensino normal médio aumentará a demanda por Ensino Superior. É importante que se tenha um projeto de futuro, um projeto de vida para nossas comunidades. A formação de futuro é colocada no projeto político-pedagógico. Vemos um ônibus com 80 crianças chegando à meia-noite, outros vindo a pé. Sabemos que dependemos da vontade política para implantar melhorias em nossas áreas. Esperamos que nesses próximos dias aqui a gente de fato saia com um encaminhamento e que possamos ter uma certeza de que essas políticas serão, de fato, implantadas, seja via MEC, via Secretarias, mas que tenham retorno para a educação escolar indígena, no menor prazo possível.

REPRESENTANTE

INDÍGENA NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO

Colocação de uma experiência de nosso povo, seguindo no mesmo caminho de outros povos – a constituição do Ensino Médio foi de ter um Centro de Pesquisas para pesquisa do potencial das comunidades. As religiões entram hoje no espaço das comunidades, fazem reuniões e pedem para que as pessoas tragam folhinhas, gafanhotinhos etc, para eles levarem de lembrança. E acontece o problema das patentes: o cupuaçu, o veneno da cobra cascavel está patenteado pela Suíça, o cupuaçu está patenteado pelo Japão, o quebra-pedra por não sei quem. Eles levam isto embora, patenteiam lá e vendem de volta para a gente, caríssimo; o mel de abelha é vendido aqui por 5 ou 10 reais, e você compra nas farmácias de produtos naturais um pote por 8 e 9 reais. Estão levando nossos conhecimentos. Então, precisamos formar pessoas de 2o grau que tenham esses conhecimentos, as técnicas. Queremos uma escola, mas não só uma escola técnica: queremos que ela contemple a dimensão ética, a revitalização da cultura, dos pilares da terra, da língua, da biodiversidade, fosse um centro de formação para o índio. Existe um problema no Ensino Profissional, não haver mercado dentro da área. Na nossa região, foram formados mais de 500 técnicos agrícolas e não existe mercado para eles. O Instituto de Desenvolvimento da Amazônia abriu concurso e ofereceu
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uma vaga para técnico agrícola. Temos muitos técnicos agrícolas como professores. Esta é uma faca de dois gumes: você forma, na intenção de que fiquem nas aldeias, mas não existe mercado e eles acabam indo embora. Temos que respeitar a realidade dos diversos povos. Cada um tem uma linha de pensamento. A questão da soja, no Mato Grosso, não existe na Amazônia. Lá o governo está investindo no extrativismo – ganhar com o que a natureza lhe dá – não tendo a visão do desmatamento, a exploração de aves. Na implantação do Ensino Médio temos que ter o respeito por essa diversidade entre os povos, principalmente na definição do projeto político-pedagógico, onde vai ser falado o que se quer: se matéria por matéria, se interdisciplinar, quem vai dar aula. Construir o projeto político-pedagógico próprio, se tiver demanda para o Ensino Médio.

REPRESENTANTE

INDÍGENA NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO

A política voltada para as áreas indígenas vem de cima para baixo. Não precisamos de técnicos agrícolas e eles abrem cursos. Por exemplo, municípios vizinhos, Nova Olinda do Norte, está abarrotado de professores, porque lá se formavam professores, e entre nós sobram técnicos agrícolas. O pessoal de lá está vindo buscar emprego no nosso município, está indo para outros. Não há conversa, Ensino Médio tinha de ser aceito do jeito que chegava. No Amazonas não foi conversado conosco, nem sobre o Ensino Fundamental. Ninguém tinha acesso aos poderes. Agora estamos aqui conversando. Não adianta só respeitar a Constituição sobre a diversificação do ensino indígena. Estamos cheios de resoluções, de leis, e quanto mais criarem leis, mais infratores nós vamos ter. O próprio Plano Nacional de Educação não está sendo respeitado em alguns aspectos. Agora, temos que aproveitar este momento.

REPRESENTANTE

INDÍGENA NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO

Sobre a questão profissionalizante de formar alunos que possam gerir projetos das comunidades. Hoje temos projetos coletivos nas comunidades, de sustentabilidade. E quem vai gerenciá-los? Temos que capacitar nossas próprias pessoas para gerenciar esses projetos na sua própria comunidade. Hoje se discute implantar Educação Profissional para isto. Fazer com que o jovem não saia de sua comunidade e contribua com ela (e não repetir o caso das escolas agrotécnicas). Formar gestores para projetos. Temos um projeto de fiscalização, antes tocado por uma ONG, está sendo assumido por nós. Conseguimos, os Tuxauas estão assumindo a liderança. Na minha região, não há extrativismo, mas sim a agricultura consorciada, milho, feijão, manejo de peixes, repovoar igarapés, gerenciado pelo nosso povo. Cada povo tem sua especificidade, temos que ter cuidado ao fixar normas, mas precisamos construir isto juntos. Evitar tirar os jovens das comunidades. Nós trazemos a voz do povo que estamos representando.
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Temos poucas lideranças aqui, devíamos ter mais representatividade aqui. Temos que construir caminhos conjuntos, para que o jovem não vire mão-de-obra barata: ele tem que saber as necessidades de seu povo, revitalizar nossa cultura. Temos que ter respeito quanto à coletividade e à individualidade também. Associar a cultura nossa e do branco. Reavaliar o Ensino Fundamental, construir o Médio e pensar no Ensino Superior.

LUCAS RURI´Ô, XAVANTE
Os Ensinos Fundamental, Médio e Superior devem manter a filosofia, a ideologia dos povos indígenas. A escola tem que estar voltada para a construção da vida do pessoal e não direcionada para determinada profissão: direito, doutor e outros. Não gostaríamos que a escola não fosse destinada a uma área. Os alunos devem decidir que tipo de profissão que vão adotar para atender a demanda da comunidade. A educação não deve ser voltada para formação de aluno para tais finalidades, como agrônomo, florestal, o próprio aluno deve decidir. Temos que tomar cuidado. Respeitamos outras colocações, propostas baseadas na necessidade de uma determinada região. Não vamos misturar as coisas. O Ensino Fundamental tem que ter suas prioridades. Com que perspectiva vão sair os formandos do Ensino Médio? Desiludidos, se forem formados em um ramo. Estaremos assim criando uma ilusão para os alunos. A escola pode buscar a capacitação para determinados projetos, reais. Temos medo de adotar uma escola profissionalizante, porque o aluno vai decidir por ele mesmo. Devemos preparar, conscientizar, jogar as diversas realidades e situações e, no fim, ele resolver. O Ensino Médio não pode fazer esse papel de resolver a vida dos jovens. Estou colocando aqui essa reflexão. Como o exemplo que ocorreu: o velho que andava de sala em sala falando dos valores da comunidade acabou enjoando os alunos, porque eles estavam pensando em ser um apicultor, pensando em agronomia, e não queriam ouvir o velho. Por que será que os alunos se comportaram dessa forma? Ah é porque o professor falou que na área de direito, na área de agronomia, na área de enfermagem, se ganha muito dinheiro, mais que o professor. Essa idéia de dinheiro entra e o resto das coisas não vale mais. Temos que pensar nisto. O Ensino Médio deve contemplar a ideologia, a filosofia das populações indígenas – é isto que a gente reivindica aqui e tem que ser levado adiante.

PEDRO

DE

ASSIS, KAINGANG

Ficamos preocupados, porque já temos o Ensino Médio em nossa terra; fica confuso quanto ao Ensino Profissionalizante. Temos o Ensino Médio geral, incluída a língua Kaingang e matérias específicas. Trabalhos com horticultura. Está sendo pensada uma escola há dois anos, uma escola agrotécnica, que ainda não tem projeto. É importante pensar também a profissionalização. Já está também em discussão a Universidade para os Kaingang. Quando se leva para o profissional, é muito importante, para trabalhar com agricultura, pecuária e outras técnicas.
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FAUSTO MANDULÃO, MACUXI
E essa questão do profissionalizante? De cabo a rabo, como é que a gente vai fazer para atender os projetos da comunidade – agricultura, piscicultura, apicultura. É preciso ter condições de um Ensino Profissionalizante para assegurar que o jovem fique na comunidade. Quem vai dar aula no Ensino Médio, se não temos professores habilitados para isso? Temos que importar professores não-indígenas para começar? Pegar a laço? Tem que ter uma formação específica para esses professores. Ensinar o quê? Conhecimentos tradicionais, culturas, valores dos povos? Além dos conhecimentos universais, se isso é colocado e não explicado para que é usado, não adianta nada! É claro, se nós observarmos a forma arquitetônica de nossa casa, é uma verdadeira geometria. Se temos a teoria e a prática aplicando o conhecimento, tem sentido. A universidade tem a ver com o Ensino Médio. O Ensino Fundamental tem a ver com o Ensino Médio. Agora, que Ensino Médio nós teremos, se não tem relação com a universidade? Então a discussão tem que seguir toda uma linha que vai desde a discussão sobre a Educação Básica até a universidade. E isso tem que ter uma linha, passando de um para outro nível. Sobre a Educação Profissional: temos 700.000 indígenas no Brasil. Ou muito nãoíndio está se identificando como índio, ou os índios perderam a vergonha de se identificar ou então os formulários do IBGE estão errados. Tomara que seja verdadeiro! Sem contar cidades como Manaus, onde vivem 12 mil índios, Roraima, mesmo tanto, outras capitais têm índios que não foram contados. Pensar o Ensino Médio: esse momento de colocar nossas idéias. Nos encontros das bases, foi reivindicado isto. E nós estamos credenciados para representá-los aqui.

JOSÉ MÁRIO, MURA
O Fausto colocou uma preocupação sobre quem vai trabalhar no Ensino Médio. Hoje se tem a preocupação de que os professores indígenas trabalhem no Ensino Médio. Vamos estar caindo no mesmo erro de quando colocamos pessoas não-índias para trabalhar em projetos da aldeia. Vou colocar um exemplo meu. Quando eu gerenciava um projeto na minha aldeia natal, tinha quatro professores não-índios. Quando foi para tirar esses professores para substituir por índios, eles fizeram uma política tão grande que quase quem sai sou eu. Quase a própria comunidade me tira, porque eles conseguiram convencer o povo, de porta em porta, de casa em casa. E sabemos o mundo de problemas que isto gera, sem contar que eles levam a cultura deles para dentro das aldeias. É muito grave essa questão. Vamos criar um mercado de trabalho para os não-índios, e depois tirá-los de lá. Assim, é importante que os professores indígenas assumam o Ensino Médio, onde existe demanda. Têm municípios em que nem os professores começaram a se formar, imaginem os alunos que se formam na
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quarta série. Então não tem necessidade de Ensino Médio lá. Na medida que os professores começam a se formar no Ensino Médio, aparece o Ensino Fundamental. Agora, foi revista a legislação que dizia que o professor teria que ter nível superior para trabalhar de 1a à 4a série. Agora, basta ter o Magistério. Então, a legislação mesmo se contradiz, algumas vezes, mas para trabalhar no ensino indígena, dentro de áreas indígenas, com a política indígena, nada melhor que o professor indígena. No Alto Solimões, já temos professores que se formaram no ano passado no Magistério e já estão trabalhando no Ensino Médio. Ninguém morreu até agora e nem ficou aleijado. O que está faltando é inserir o Ensino Superior para que esses professores sejam amparados por lei. Eu passei no vestibular e não fui para a universidade, optei pela formação em magistério escolar indígena. Estou me formando este ano no 5o ano da educação diferenciada. Eu me vejo com a capacidade de enfrentar uma sala de 2o grau. Encontramos dificuldades muito grandes no pessoal formado em dois anos pelo Pró-Rural. Foi tão rápido, que eles não conseguiram assimilar nada. Era passar por passar, tirar nota, e hoje as Secretarias estão sofrendo problemas por causa disto, pois eles não estão dando o retorno que se esperava. É uma preocupação muito grande, e eu reforço a questão: quem tem que trabalhar em áreas indígenas são professores indígenas. Agora, a responsabilidade do Estado ou da União, é de colocar esses professores no Ensino Superior e podem atuar no Ensino Médio. Temos hoje professores que trabalham de 5a à 8a séries que não têm o Ensino Superior, no máximo um curso adicional.

CHIQUINHA PARESI
Vincular a Educação Básica à formação de professores indígenas. Já viemos aqui discutir a certificação dos professores. Vocês sabem que o Governo tem a intenção de criar um Sistema Integrado de Formação de Professores, inclusive de avaliação do desempenho dos professores, e que nós apresentamos uma proposta, porque não temos como avaliar o seu desempenho se não temos nenhum programa de formação de professores indígenas, de nível nacional, como política. Temos que vincular a implantação do Ensino Médio indígena com a implantação de um programa nacional de formação de professores indígenas. A avaliação dos professores não-indígenas começará ano que vem, e a avaliação dos professores indígenas deve começar apenas a partir da implantação do programa de formação. Isto vem como informação e alerta às Secretarias Estaduais de Educação. Isto casa com a idéia de um sistema nacional de avaliação das instituições formadoras, dentre elas a universidade. Deve-se propor também uma política de Ensino Superior para os povos indígenas que tem que ser discutida com as comunidades indígenas. Outra questão que vem preocupando é que o Ensino Médio que estamos propondo esteja atrelado, de forma progressiva, com o Ensino Superior. Ter continuidade, no contexto das comunidades indígenas. Agora são os primeiros esboços sobre o Ensino Médio que
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devem ir para discussão nas comunidades indígenas, em sessões regionais, e que devem estar vinculados aos projetos societários de cada povo indígena. O grande mestre de tudo isto é criar o Ensino Médio a partir da identidade dos povos. No Mato Grosso, nós vamos ter daqui a dois ou três anos, 200 professores indígenas com formação de nível superior. E nós já estamos discutindo agora a pós-graduação, para irmos para as universidades, para atuarmos como professores para os povos indígenas. Temos um caminho muito grande, um espaço a ser ocupado com relação às políticas públicas. É importante que as Universidades estejam abertas, porque se não for assim, vejo que o caminho vai ser os povos, dentro das suas realidades, em suas regiões, cada povo vão acabar criando uma universidade indígena. E isto é possível porque a lei garante uma universidade intercultural, com corpo docente indígena, com o seu gerenciamento com os indígenas. Esta é uma visão de futuro, mas não está muito longe. No Mato Grosso já está com dois anos, indo para o terceiro ano, e já estamos pensando na pós-graduação. Já tem um grupo fazendo especialização em educação escolar indígena. Esta é uma meta para o futuro. A Secretarias Estaduais devem saber que as comunidades indígenas querem assumir o seu destino, querem assumir os seus espaços, e quem sabe a gente tem maior número de indígenas com uma profissão, visando o seu povo, que está na base. Quanto à Educação Profissional, não concordo com a colocação, para nós, de um modelo tal qual está aí. Nem para os brancos está servindo, e por isso tem uma perspectiva de mudar a lei, sem separar Ensino Médio e Educação Profissional, indo para o mercado de trabalho, a competitividade, e temos discutido sobre isso, inclusive no CNE. Nesta Educação Profissional, quais as chances que os indígenas têm? Nenhuma! Se os brancos estão reclamando, imaginem para nós este modelo centrado no mercado.

THALES

DE

OLIVEIRA, PANKARARU

Estou diante de muitos professores, mas sou estudante do 4o ano do Curso de Ciência da Computação, estudo no Recife, e tenho aprendido muito com vocês. Vou contar algumas experiências minhas que batem com o que tenho vivido. Saí da aldeia, fui estudar na cidade, tive toda uma educação fora da aldeia, e senti que não me inseri no contexto urbano, e tudo que aprendi eu teria que passar para a minha comunidade. Formar pessoas no nível profissionalizante, dar um Ensino Médio e depois? É preciso criar perspectivas para eles. Eles vão conseguir trabalhar de acordo com suas expectativas? Esta é uma questão que deixo para vocês.

RIVELINO PEREIRA

DE

SOUZA, MACUXI

RESPONDE AO PARENTE

PANKARARU

A criação das oportunidades de Educação Profissional tem que respeitar os anseios das comunidades, das regiões, o lado particular de cada povo. Isto é um sonho nosso, e vai
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ser implantado, seja aprovado ou não. Já estamos fazendo parceria com o governo do Estado, com a Universidade de Roraima, Embrapa. Já temos projetos em andamento e já implantados nas comunidades. Temos projetos de manejo ambiental: já fizemos o levantamento das potencialidades de cada localidade, por exemplo, com relação à criação de peixes, a reprodução de capivaras, veados etc, que estão sumindo. Já temos projetos e esses jovens vão, futuramente, assumir esses projetos, gerenciar esses projetos. Vamos formar em agronomia, pecuária, piscicultura, porque temos a intenção de trabalhar com peixes, e inclusive a fiscalização da terra por agentes ambientais. Em cima disto é que vamos implantar a Educação Profissional, e se, por exemplo, a Raposa do Sol tiver outras perspectivas, a gente busca o curso para atender àquela necessidade. Não é um sonho. Existe realmente esta perspectiva, o jovem vai sair dali com um compromisso coletivo de assumir os projetos de sua comunidade. Se ele abandonar o projeto, azar é dele, mas eles têm o compromisso com a comunidade. Nós vamos estar trabalhando com a ideologia da coletividade, do movimento indígena.

INTERVENÇÃO

DE

CRISTIANO PAIVA, REPRESENTANTE

DA

SESU

Há interesse do MEC em apresentar para os representantes indígenas uma proposta de estrutura de educação superior articulada com o debate sobre as perspectivas de futuro para o Ensino Superior no Brasil. Verificamos que as universidades perderam um pouco a vanguarda de serem produtoras e reprodutoras de conhecimento, que as universidades estão defasadas do ponto de vista pedagógico e da estrutura curricular, e da sua inserção na sociedade em nível nacional e local. É preciso repensá-la fazendo a crítica da sua estrutura de ensino voltada para o futuro. Pensar em um sistema de educação superior hoje, para superar a crise, para dar valor aos diplomas, para buscar o reconhecimento social, é esforço multilateral. Nesse contexto, estamos tentando colocar a educação superior indígena, assegurando seus princípios básicos. Eu vou relatar aqui o que já estamos sistematizando – quatro princípios: 1. Ser - identidade - a identidade indígena se sustenta a partir da língua, da cultura e da terra. Sem terra, quebra uma perna, sem a cultura, quebra outra e sem a língua, desaparece; 2. Aprender a estudar - importância da metodologia do ensino; 3. Aprender a conviver - a inserção - e não inclusão. O respeito à cultura indígena passa pela inserção e não inclusão, a inclusão é genocídio; 4. Aprender a desenvolver a sua cultura - fabulosa, mas precisa ser desenvolvida. Educação alavanca esse desenvolvimento. Objetivos: 1. Ensino multicultural - desafio atual para todos os níveis de ensino e para todos os povos; 2. Desenvolvimento sustentável - neste ponto existem diversas propostas, e uma delas é incutir nas civilizações indígenas que o desenvolvimento sustentável é a
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favor deles, quando o projeto é de um novo controle baseado no modelo de desenvolvimento sustentável do Estado. É preciso discutir, na ótica dos povos indígenas, o que é desenvolvimento sustentável; 3. Inserção dos povos indígenas na sociedade do conhecimento – não se busca o acesso à informática, à Internet, sem um projeto de futuro, com inserção coletiva, e não individual. Quando essa inserção é individual, ela é desintegradora; 4. O ensino bilíngüe – deve-se ousar mais – inserir o ensino da língua dos primeiros povos da América, reconhecê-las como línguas brasileiras; 5. Integração – o acompanhamento do Ensino Superior Indígena deve seguir os moldes nacionais. A SESu está estudando um novo sistema de avaliação e regulação do Ensino Superior, do setor público e do setor privado. No caso da Educação Indígena, avaliamos que deve haver um sistema nacional, da educação infantil à educação superior, de forma integradora, para não haver interrupção e perder o projeto de futuro. Para isso a Educação Indígena deve ser de responsabilidade do Governo, de todos os parceiros interessados em ajudar na emancipação desses povos. O Governo tem que bancar a Educação Indígena, com parcerias. Formar um Conselho Universitário Superior, de nível nacional, com a participação dos povos indígenas, para acompanhar, controlar, avaliar, discutir, e uma Coordenação Indígena de Nível Superior; 6. Trazer as questões da Educação Indígena para dentro da universidade. Questionamos os conteúdos pedagógicos, a partir da realidade indígena. A Educação Indígena é de dentro para fora e a indigenista de fora para dentro, e temos que fazer esse bom casamento, porque são experiências diversas. A universidade é o local do debate; 7. O Modelo para a Educação Superior Indígena – de indissociablidade do ensino, pesquisa e extensão. O saber hoje não se dá de forma avançada em cada um desses aspectos. O fracasso da universidade brasileira é porque foi cortado esse vínculo. O ensino na sala de aula é um ensino linear, os estudantes não têm visão da sociedade, dos problemas que estão lá fora. Trazer esse Ensino Superior problemático para os povos indígenas é ensinar, ensinar, e não servir nada para o povo. É importante não quebrar esse tripé; 8. 2o Modelo – interdisciplinaridade e fomentar um projeto de futuro dos povos indígenas, para dar sustentação ao projeto cultural. Sem desenvolver a cultura, sem ter uma relação soberana com o mundo, o projeto de futuro dos povos indígenas se reduz a zero; 9. Modelo de financiamento – mais de 1.000 estudantes indígenas na universidade, sustentados muitas vezes pelas universidades ou sociedades religiosas. É preciso discutir o acesso dos povos indígenas ao Ensino Superior e discutir a sua manutenção lá dentro. Ver a demanda imediata para atender os povos indígenas. Ver como os mecanismos para o Ensino Superior se adequam à realidade indígena.
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A universidade indígena vai surgindo à medida que se modifique a universidade brasileira hoje, que está envolta numa casca de ovo, formada de aço. Para quebrar o conservadorismo, criar uma nova ética, um novo relacionamento com a sociedade, a pressão tem que vir de fora, porque parece que, de dentro, o pinto não nasce não. A universidade indígena não é imediata e ela se viabiliza na medida que a universidade brasileira muda a sua cultura hegemonista, capitalista, voltada para o mercado.

AGNALDO

DOS

SANTOS, PATAXÓ HÃ HÃ HÃE

É preciso pensar em se organizar, não ficar só na dependência dos outros. Eu tenho representatividade de meu povo no Estado em que eu congrego e, quando eu chegar daqui, vou passar todas as informações que coletei, para todos, pelo correio, o que foi discutido aqui. Foram criadas idéias que não funcionaram, por não terem sido discutidas com a comunidade. Quando eu falei que aqui não tínhamos representatividade, estava falando de representatividade em termos de decisão. Eu sou professor indígena, o diretor da minha escola pediu que eu viesse aqui, mas esse assunto não foi discutido com a comunidade. O Governo Federal tem esta prática de chamar 30 representantes indígenas e tomar decisão e definir pelo Brasil inteiro. Essa prática tem muitos anos, eu milito há mais de 20 anos nesses movimentos e sei como é. O Governo reunir 50 índios e decidir para o Brasil todo, sem dar tempo para a proposta surgir da base, é prática corriqueira do Governo. A minha preocupação é nesse sentido que amanhã a gente saia daqui com um livro escrito e se dizer que foi uma decisão dos povos indígenas do Brasil. Que não saia daqui um livro para a implantação do Ensino Médio no Brasil.

MÔNICA

RESPONDE A

AGNALDO

Estamos abrindo um processo de discussão, que envolve várias etapas – envolve um diagnóstico profundo da situação do Ensino Médio em todas as regiões, seminários nacionais e este seminário é o início desse processo. Não vamos fechar aqui. Aqui todos são experientes e querem fazer bem feito. E houve um critério para escolher os que estão aqui: são professores indígenas, são lideranças, oriundos de Estados em que a demanda por Ensino Médio pelos povos indígenas é expressiva. Esse é um grupo significativo e você é muito bem-vindo por isso. Temos que seguir a legislação no que ela determina sobre a participação dos povos indígenas na definição de seus programas, na direção de suas escolas, e com relação ao Ensino Médio, amadurecer essa discussão de forma que a gente possa ir em frente. Este processo pode ser tanto rápido quanto demorado, mas vamos construí-lo de forma a contemplar essa participação. Este é um compromisso da SEMTEC.
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FAUSTO MANDULÃO, MACUXI
As exposições dos grupos foram muito bem colocadas, e há um casamento de idéias. A diferença entre os grupos enriquece o trabalho. Eu fico pensando: o que outras instituições podem pensar em relação à formação. Sinto-me como parte desta construção. As idéias estão ainda fragmentadas, a prática de chamar um grupo e dizer que está aprovado por todos é mesmo antiga, mas quem tem que modificar esta situação somos nós indígenas. Precisamos nos identificar para tomar posições políticas. Há uma experiência acumulada que precisa ser colocada no papel. Vamos encontrar dificuldades, mas é preciso criar mecanismos e fundamentos legais para que possamos trabalhar. Ver como vamos ter recursos para manter tudo isto. Cabe a nós cobrarmos para que possa garantir a educação indígena em seus planos e programas. Este não é o primeiro e não vai ser o último encontro. Temos que envolver a base e as instituições, principalmente aquelas que nunca acompanharam a educação indígena e nem querem saber.

FERNANDO VIANNA,

DO

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL-ISA

Em diversos momentos deste seminário, tanto nas discussões em grupo como na plenária, ficaram claros determinados problemas que se referem à articulação e a divisão de responsabilidades entre a União, Estados e Municípios. Isso é uma discussão que vem acontecendo há muito tempo na educação escolar indígena. E existem idéias nesse sentido e esse evento poderia encampar determinadas propostas que já estão colocadas aí, em busca de uma divisão de responsabilidades melhor entre essas instâncias. Há questão de dois meses atrás, houve um encontro em Brasília com entidades não-governamentais que têm longa história com o projeto de educação escolar indígena, representantes indígenas, do MEC, e nesse encontro chegou-se a 11 propostas para a educação escolar indígena em geral, e não apenas para o Ensino Médio. Alguns desses pontos são importantes e, em relação à articulação entre União, Estados e Municípios, a idéia que se tem é de criar um Sistema Nacional de Educação Indígena, que seja parte integrante do Sistema de Ensino da União. Esta proposta seria interessante, e a criação do Sistema avançaria nesses termos. Quem seria responsável por gerir esse sistema de educação indígena? Outra questão fundamental que apareceu diversas vezes aqui é que os Ensinos Fundamental, Médio e Superior estão ligados. O problema é que a educação escolar indígena até hoje foi pensada como ligada ao Ensino Fundamental, tanto que o órgão do MEC que cuida da educação indígena é ligado à Secretaria de Ensino Fundamental. Além da Secretaria de Ensino Fundamental existe a SEMTEC e a SESu. Este seminário é um sinal de que as coisas estão avançando no sentido de integrar a ação dessas Secretarias, no que se refere à educação escolar indígena. Mas a idéia seria a criação de uma Secretaria Nacional de Educação
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Indígena no MEC, porque essa Secretaria iria dar conta do todo, e essa instância seria articuladora. A instituição da Secretaria Nacional de Educação Indígena, do Sistema de Educação Escolar Indígena e um terceiro ponto aqui contemplado, a instituição de mecanismos de controle social relativos a todos os processos referentes à educação escolar indígena. O FUNDEF tem que ser controlado de perto para que não sejam praticados abusos, como ocorrem por aí. Este é um aspecto que remete a coisas mais amplas, ou seja, a todos os mecanismos de controle.

Ensino Médio, Identidade e Sustentabilidade Indígena Anotações em Flip-Chart

- Fazer parte do dia-a-dia da comunidade (projetos) - Controle social da merenda - Fortalecer a organização interna - Ajudar as estruturas da comunidade - Transmitir conhecimentos de acordo com as realidades - Fortalecer e valorizar as tradições - Preservação da natureza - Manejo de diversas atividades como a caça, pesca, agricultura, frutas nativas - Discutir e pensar o futuro da comunidade - Construção de um currículo diferenciado, específico, voltado para a comunidade e intercultural - Acompanhar as demarcações das terras - Gestão escolar (própria organização) - A escola tem que ser comunitária - Escola como centro de informação e de pesquisa - Educação Profissional – facas de dois gumes – em desacordo com o mercado - Projeto político-pedagógico próprio deve configurar o Ensino Médio em cada comunidade - Educação Profissional – formar alunos para gerir projetos da própria comunidade (necessidades próprias) - Construir Ensino Médio com a participação das lideranças indígenas - Associar culturas

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- Ensinos Fundamental, Médio e Superior – Manter filosofias das comunidades indígenas - Planejamento do Ensino Médio desenvolvido por cada etnia - Escola – construção da cidadania (sem perder identidade étnica). Busca de profissão para mercado de trabalho externo, não. Comunidade (aluno) decidindo linhas de profissionalização que necessita - Colocar para o aluno a realidade e ele vai decidir sobre o seu caminho

- Educação para fortalecimento do povo - Necessário ter indígenas compromissados, envolvidos - Onde implementar: na aldeia - Ensino Médio – que tipo? A cargo de cada Estado - Professores prioritários indígenas. Como conseguir (em cada Estado) - O que ensinar? No Ensino Médio?

- Disciplinas universais + direitos indígenas, história indígena, literatura, língua, ciência indígena, metodologia de pesquisa – indígenas autores de sua própria história - Por quê? Ajudar em quê? Ensino Médio por quê? - Preparar para vestibular? Descobrir potencialidades para a comunidade - Minoria se sobressai no ambiente externo. E a maioria? - Ensino Médio x Ensino Profissional (?) - Que permita acesso à universidade (universidade indígena) - Profissionalização – Permanecer na comunidade - Corpo docente – importar para começar? Formação específica para eles - O que ensinar? Currículo: conhecimentos universais (dizer para que aprender tais conteúdos) - Universidade: da Educação Básica ao Ensino Superior (linha que conduz) - Profissionalizar - Quem será o corpo docente? Não-índio traz problemas (levam cultura deles para as aldeias)

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- Implantar Ensino Médio com profissional indígena. Abrir oportunidades no Ensino Superior para formação docente - Vincular Ensino Médio com professores indígenas. Certificar professores e avaliar profissionais da educação (impossível sem uma política de educação e um programa nacional de formação de professores e acesso ao Ensino Superior) - Proposição: política de Ensino Superior para os povos indígenas - Ensino Médio – casamento progressivo com o Ensino Superior - Educação – vinculada ao projeto societário dos povos indígenas - Caminho grande – espaço importante a ocupar - Lei garante – Universidade Indígena intercultural (visão de futuro) - Comunidade indígena assumindo o seu futuro - Ensino Profissional – rediscutir. Qual a chance dos indígenas na Educação Profissional? - Ensino Médio – que respostas, que perspectivas para os jovens? Planejamento, política coerente

- Ensino Médio – ideologia e filosofia da população indígena - Pensar (discutir) a profissionalização. Importante profissionalizar, mas, de que forma? Como conduzir a educação geral e a Educação Profissional? - Professores – estar preparados para a discussão - Autodeterminação dos povos indígenas. Educação como caminho - Ensino Médio – voltado para o povo, a língua, a sobrevivência - Ensino Médio – preservação dos conhecimentos próprios indígenas (originais), tradição - Respeito às diferenças - Preocupação com definições de nível nacional. Não ser proposta fechada, mas sim um ensino focalizado nos “mundos” próprios - Necessidade de formação profissional de jovens para contribuir com desenvolvimento de sua comunidade (foco na necessidade da região e dos povos) Ex.: agentes de saúde - Política de Ensino Médio – Sem privilegiar ou prejudicar uns ou outros - Necessidade crescente de formação em nível superior - Hoje: abrindo diálogo

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- O político deve andar junto com o profissional. Preparar para lidar com as questões políticas, com conflitos - Ensino Fundamental – ainda não resolvido. Tem ajudado a resolver problemas? E o Ensino Médio? A educação tem respondido às necessidades? - Qual projeto de futuro que queremos para o nosso povo? Terras e outras questões políticas - Ensinos Fundamental e Médio - Como podem garantir a pertinência das políticas?

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Tema 4 – Concepções, Formato e Estratégias para um Ensino Médio Indígena

Para a abordagem do Tema 4, que se constituiu, na verdade, na consolidação e na síntese de todos os temas anteriormente tratados, foram formuladas três questões fundamentais para reflexão e expressão dos participantes, quais sejam: 1. Qual é o Ensino Médio que queremos para os povos indígenas? Relativos a esta questão foram listados, à guisa de sugestão, os seguintes itens: • Diretrizes para a definição do currículo do Ensino Médio Indígena • Sistemas de avaliação • Calendários • Áreas de conhecimento • Articulações regionais para o Ensino Médio Indígena • Competências e responsabilidades • Corpo docente para o Ensino Médio • Áreas de formação profissional a considerar 2. Estratégias – o que precisa ser feito para implantar o Ensino Médio que queremos? 3. Que questões permanecem relativas a uma política de Ensino Médio Indígena ao final dos trabalhos neste seminário? Para a discussão e a consolidação de conteúdos nesta sessão de trabalho, os participantes dividiram-se em subgrupos, após o que apresentaram as suas conclusões em sessão plenária. Os conteúdos apresentados estão registrados a seguir.

Tema 4 – 1a. Questão – O Ensino Médio que Queremos Anotações em Flip-Chart
O Ensino Médio que nós queremos • Ensino Médio voltado para a comunidade indígena • Que seja diferenciada, específica, bilíngüe, intercultural, comunitária • Que acompanhe as atividades do dia-a-dia e que seja aberta para a comunidade • Que seja pesquisadora, formadora de opiniões, ao mesmo tempo colaboradora
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• Que seja produtora de materiais didáticos sobre a cultura indígena • Que a escola trabalhe os conhecimentos de dois mundos: indígena e não-indígena • Que possua calendário diferenciado • Propostas pedagógicas voltadas para autodeterminação dos povos indígenas • Gerência de projetos e controle social de políticas públicas • Que possua projeto político pedagógico próprio para subsidiar os professores não-índios • Professores não-indígenas poderão atuar enquanto não tiver professores indígenas formados • Uma escola que contribua na formação de alunos autônomos

O Ensino Médio que queremos • As escolas têm que ter autonomia na implantação e implementação de seus projetos político-pedagógicos, criando seu próprio sistema de educação escolar. Estes projetos deverão ser elaborados com a participação dos professores indígenas, lideranças, organizações indígenas e demais membros da comunidade, tendo como eixo: flexibilidade curricular, participação e organização comunitária, situação lingüística de cada povo e a interculturalidade • O Ensino Médio em escolas indígenas tem que ser bilíngüe, intercultural, diferenciado, de qualidade, que contemple a diversidade cultural de cada povo • A educação escolar do Ensino Médio em escolas indígenas tem que contemplar a interdisciplinaridade, a interculturalidade e o respeito à diversidade • A escola indígena de Ensino Médio deverá ser gerenciada por professores indígenas e efetuada por eles, oriundo de seu povo e da aldeia interessada • O Ensino Médio em escolas indígenas deverá valorizar a identidade étnica, os conhecimentos tradicionais, recuperando a memória histórica, bem como propiciando o acesso aos conhecimentos técnicos e científicos da sociedade envolvente • O Ensino Médio, depois de implantado nas aldeias, deverá formar indivíduos capazes de gerenciar projetos e prepará-los para o mundo e as necessidades de sua aldeia

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O Ensino Médio que nós queremos • O programa de formação de professores em nível de Ensino Médio e específico para atender às necessidades de educação escolar indígena nas aldeias. No entanto, devemos tratar do Ensino Médio geral a ser oferecido aos jovens em idade própria • Queremos um Ensino Médio que discuta conhecimentos gerais, mas que não despreze a formação técnica (não necessariamente começando por ela) • Não ter que ser um Ensino Médio definidamente profissionalizante • Que o aspecto profissionalizante seja um complemento • Que este complemento esteja de acordo com a vocação própria de cada comunidade e a realidade sócio-econômica da região • Que os alunos saiam sabendo resolver os problemas de sua comunidade • Tem que saber: cuidar da saúde, e de sua terra, dos seus rios (manejo) • Que cada curso seja criado a partir de necessidades específicas, e para um período específico, evitando que se planeje cursos que extrapolem a necessidade de pessoas para determinada atuação profissional • Que o Ensino Médio possibilite a continuação de estudos em cursos superiores, privilegiando as discussões e demanda de cada povo • O Ensino Médio deverá atender as comunidades na questão da autosustentação

O Ensino Médio que queremos • Propostas fundamentadas nas especificidades sócio-culturais, políticas e pedagógicas no atendimento aos interesses coletivos, e em identidades étnicas fortalecidas • Formação profissional ligada aos valores culturais, interesses e expectativas de cada povo • Propostas têm que vir das comunidades • As instituições têm que dialogar com a comunidade, entendendo o seu ponto de vista • Elaboração do projeto político-pedagógico com autonomia das comunidades • Comprometimento das instituições responsáveis com previsões orçamentárias para apoiar o Ensino Médio

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O Ensino Médio que queremos • Especificidade sócio-cultural, respeitando a diversidade cultural de cada povo • Fortalecimento da identidade étnica • Diálogo com as comunidades indígenas • Autonomia das comunidades indígenas • Respeito aos valores culturais, políticos, ideológicos, interesse e expectativas de cada povo • Interdisciplinaridade • Recuperação e valorização do conhecimento indígena • Formação profissional que atenda às necessidades de cada aldeia • Profissionalizante como complemento para cuidar das coisas da comunidade: saúde, meio ambiente, atender à realidade de cada comunidade • Auto-sustentabilidade das comunidades indígenas • Disciplinas específicas sobre a realidade e costumes indígenas • Elaboração e definição do projeto político-pedagógico de acordo com a realidade de cada comunidade indígena – autonomia – com a participação dos professores indígenas, lideranças, organizações e todos os membros da comunidade • Ensino bilíngüe, intercultural • Produção de material didático de autoria indígena, específico de cada povo • Contemplar as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio aprovadas no Conselho Nacional de Educação, especialmente sobre os temas transversais • O Ensino Médio como promotor de pesquisa, respeitando o conhecimento indígena tradicional • O Ensino Médio como uma instituição formadora de opinião • Condições materiais adequadas para o desenvolvimento do trabalho pedagógico como o acesso à informática, laboratório, biblioteca, etc. • Considerar os princípios gerais da Educação Escolar Indígena estabelecidos nos RCNEIs • Cursos de formação para os professores atuarem nas escolas indígenas • A gestão do Ensino Médio e a docência deverão ser exercidas por professores indígenas

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O Ensino Médio que queremos • Que contemple os conhecimentos da proposta curricular nacional • Que contemple as disciplinas étnicas específicas • Que a proposta curricular seja flexível, de acordo com a necessidade de cada povo • Que haja um elo de ligação entre os ensinos Fundamental e Médio, inclusive nos aspectos diferenciado, específico, intercultural e realidade sociolingüística • Cursos profissionalizantes adequados à realidade e à reivindicação da comunidade

Tema 4 – 2a Questão – Estratégias – O que fazer para concretizar o Ensino Médio que Queremos Anotações em Flip-Chart

Estratégias - O que fazer para concretizar o Ensino Médio que queremos? • Ouvir a comunidade indígena para o estabelecimento de parcerias com as universidades, escolas técnicas e outras instituições para a oferta da parte profissionalizante, elaboração de materiais, organização de pesquisas na comunidade indígena • Queremos que a União e Estados sejam parceiros para concretizar o Ensino Médio para os povos indígenas • Cabe à União os recursos financeiros e os Estados entram com a contrapartida dos recursos • Mobilizar os diversos grupos para discutir a gestão da escola, recursos humanos e de infra-estrutura para a escola em parcerias com os Estados • Implantação gradativa do Ensino Médio de acordo com as necessidades e possibilidades entre Estado e comunidade

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Estratégias - O que fazer para concretizar o Ensino Médio que queremos? • Realização de seminários regionais envolvendo lideranças indígenas, professores indígenas e atores institucionais (SEDUC, IBAMA, FUNAI, UNIVERSIDADES e outros) • Mobilizar o CNE e os CEE para normatizar propostas de Ensino Médio indígena com formação profissionalizante específica

Estratégias - O que fazer para concretizar o Ensino Médio que queremos? • O Estado ou a União serão os responsáveis pelo Ensino Médio nas escolas indígenas, criando um fundo específico para a sua manutenção • Criação e implementação de um fundo de educação indígena acessível às escolas, organizações e comunidades indígenas • Os professores indígenas deverão fazer concurso público diferenciado para atender as escolas indígenas de Ensino Médio, respeitando a língua materna de cada povo • Os Estados e a União devem criar mecanismos para a elaboração e a publicação de material didático específico para cada povo, considerando, inclusive, o material necessário para as escolas indígenas de Ensino Médio, resguardando a autoria indígena • A escola indígena de Ensino Médio deverá ser reconhecida, regularizada oficialmente pelo CEES • Os Estados ou a União criarão mecanismos para gerir o acompanhamento pedagógico e a possibilidade de encontros pedagógicos gerais • A criação de estruturas físicas para as escolas indígenas deve ser feita ouvindo prioritariamente as comunidades para as quais as escolas se destinam para que estas definam o projeto arquitetônico que as interessem e caracterizem, na forma da lei • Que se inclua no PPA dos Estados a educação escolar indígena garantindo os maiores recursos possíveis • Que a União apóie a criação do FUNDEB, com cifra específica e diferenciada para a Educação Escolar Indígena

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• Que os Estados se comprometam com os recursos tanto para a formação de professores como para o desenvolvimento do Ensino Médio propriamente dito • Que os Estados contemplem o Plano Estadual de Educação, a educação escolar indígena e a garantia do Ensino Médio diferenciado. A União, através do MEC, deve normatizar a questão

Estratégias - O que fazer para concretizar o Ensino Médio que queremos? • Um grupo de gestores indígenas para organizar a escola nos aspectos administrativos e pedagógicos (gestores indígenas) • O currículo deve ser proposto pela comunidade escolar, respeitando os princípios legais e específicos de cada povo • As SEDUC devem desenvolver ação coordenada envolvendo outras instituições (governamentais e não-governamentais) com o objetivo de promover formação superior específica e continuada para os professores • As SEDUC devem implantar o Ensino Médio onde houver reivindicação da comunidade interessada

COMENTÁRIO
GRAVAÇÃO

DE UM PARTICIPANTE NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO DA

Na questão da educação como um todo, o que todo o grupo propôs foi a questão da parceria. Para se construir a parceria nós precisamos chamar parceiros para discussão no começo da construção do projeto, para depois da proposta pronta, não dizermos “esse é o papel da FUNASA, esse é o papel da Secretaria do município, esse é o papel de tal universidade”. Nós precisamos chamar antes de fechar as portas, chamar os parceiros para compor conosco essa discussão, para poder ter a opinião das pessoas. E distribuirmos as tarefas e responsabilidades para não correr o risco que nós temos agora. O que acontece agora? Nós temos educação, temos vários parceiros, mas ainda vemos o absurdo onde a maioria dos estudantes indígenas está pagando escola particular. Enquanto várias regiões têm suas universidades, e nós? Temos vários índios em universidade particular. Então aí está um erro nosso na questão da conclusão do projeto em parceria. E a outra questão é na questão das ações governamentais.
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Não dá mais para a gente poder conviver do jeito que os órgãos do Governo trabalham, independentemente. Nós precisamos de educação como um todo. Tem que ter educação na FUNASA, IBAMA, FUNAI, todos os setores no Ministério da Cultura, no Ministério do Meio Ambiente, da Agricultura.

COMENTÁRIO
DA GRAVAÇÃO

DE OUTRO PARTICIPANTE NÃO IDENTIFICADO NA TRANSCRIÇÃO

A União tinha que assegurar, não sei se através dos Estados, a construção dos projetos pedagógicos. Que cada Estado conversasse sobre a construção de seu projeto pedagógico.

Tema 4 – 3a Questão – Questões que Permanecem Anotações em Flip-Chart
Questões que Permanecem • SEDUCs que não lidam com Educação Profissional • Alteração da legislação para contemplar interesses indígenas • Como vão ficar as experiências conduzidas pelas missões diante da proposta de Ensino Médio indígena? • Definir o perfil do formador e do formando – competências e habilidades • De que forma essas propostas serão implementadas pelo MEC • A continuação dessas discussões em seminários regionais e/ou estaduais • Qual o perfil desejável para o Ensino Médio indígena? • Quem financiará o Ensino Médio? • Quem garantirá a formação dos professores indígenas para o Ensino Médio? • Quem vai implantar e quem vai executar o Ensino Médio indígena? • O que virá depois do Ensino Médio indígena? Quando? • Criação de uma Secretaria Nacional de Educação Escolar Indígena? • Criação de um Conselho Nacional de Educação Escolar Indígena? Observação: Dada a escassez de tempo, nem todos os subgrupos formados para discussão do Tema 4 discutiram a Questão 3 proposta – Questões que Ficam. Os conteúdos transcritos acima se originaram de anotações em folhas de flip-chart, que não chegaram a ser abordadas ou discutidas em sessão plenária.
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Sessão de Encerramento

SESSÃO DE ENCERRAMENTO Composição da Mesa: • Diretora de Ensino Médio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica – Professora Marise Nogueira Ramos • Secretário-Geral do Instituto Socioambiental – ISA, Nilto Tatto • Representante da Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI/Bahia, José Augusto Laranjeiras Sampaio • Representante Indígena no Conselho Nacional de Educação – Francisca Novantino de Ângelo • Coordenador-Geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Infantil e Fundamental – Kleber Gesteira Matos • Representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, Maria Miquelina Barreto Machado • Assessora da Diretoria de Ensino Médio para Assuntos Indígenas – Mônica Thereza Soares Pechincha • Oficial de Projetos Educacionais da UNESCO – Marilza Regathieri

Apresentador
Gostaríamos de encerrar este seminário, promovido pelo Programa Diversidade na Universidade, com a assinatura dos dois contratos de projetos piloto, um para a região do Xingu e outro voltado para as etnias indígenas do Estado da Bahia, firmados entre o Programa Diversidade na Universidade e, respectivamente, o Instituto Sociambiental e a Associação Nacional de Ação Indigenista – ANAI/Bahia, para a promoção de cursos de formação de professores indígenas. Os recursos destinados pelo Programa Diversidade na Universidade visam melhorar as condições e as oportunidades de ingresso no Ensino Superior de jovens e adultos de grupos socialmente desfavorecidos, em especial populações afro-descendentes e indígenas. Tais recursos serão utilizados para deslocamento, alojamento e alimentação dos alunos, bem como para material didático e material de apoio para os professores.
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O primeiro contrato acima mencionado, no valor de R$ 32.400,00, destina-se ao curso de capacitação continuada para aperfeiçoamento na graduação em que o Instituto Socioambiental vai formar 88 professores de 16 etnias do Estado do Mato Grosso. Os beneficiados são os Trumai, Yawalapiti, Suyá, Ikpeng, Kuikuro, Kalapalo, Matipu, Nahukuá, Kamaiurá, Aweti, Mehinaku, Waurá, Yudjá e Kayabi do Parque Indígena do Xingu, os Panará, da Terra Indígena Panará, e os Kayabi, da Terra Kayabi. A Associação Nacional de Ação Indigenista, da Bahia, receberá R$ 70.800,00 para formar 177 professores de Ensino Básico, das etnias das terras indígenas dos Kaimbé, Kiriri, Kantaruré, Tuxá, Xucuru-Kariri, Pancararé, Pataxó, Pataxó-Hã-Hã-Hãe e Tupinambá. Estes projetos já vêm sendo realizados pelas organizações de professores, ONGs e órgãos do Governo. Os projetos piloto do Programa Diversidade na Universidade funcionarão como experiência não apenas para uma política de formação de professores, mas também para a elaboração de uma política de Ensino Médio para os povos indígenas.

Pronunciamentos MARIA MIQUELINA BARRETO MACHADO,
REPRESENTANTE DA

COIAB

Hoje estamos encerrando o nosso seminário, e a participação de todos nós, representantes indígenas, foi um grande avanço, em diálogo aberto com o Governo, e buscando melhorias para o ensino das populações indígenas como um todo. E eu, como representante da COIAB participo das discussões dentro do Estado, de acordo com as nossas condições, em nível nacional e internacional, e hoje estamos discutindo o Ensino Médio para as populações indígenas – O Ensino Médio que queremos. Foram colocadas várias propostas e esse é um momento de início, de articulação nossa junto com o Governo. E, na busca de soluções para os problemas que nós enfrentamos, nas comunidades, nas bases, dentro do Estado, estão envolvidas todas as políticas públicas. Muitas vezes, as políticas indígenas são deixadas de lado, e muito poucos são contemplados. Na educação escolar indígena, temos muitos avanços em nossos Estados, como os senhores colocaram aqui; e, no contexto geral, são amplas as discussões. Não adianta discutir dois ou três dias e querer resolver os problemas. Mas a gente espera o apoio de todos os nossos aliados, parceiros, colaboradores, que lidam, no dia-a-dia, com as questões políticas. Eu vejo que não é uma solução imediata, mas nós estamos construindo um futuro para nossas populações, um futuro para nossos filhos, um futuro para nossos jovens, porque eles serão as lideranças que vão discutir as questões que virão. No âmbito da COIAB, estamos desenvolvendo questões indígenas ligadas ao meio ambiente, saúde, desenvolvimento sustentável das populações indígenas e todas as questões que envolvem a nossa sociedade e a sociedade branca. Temos que estar preparados para dizer o que nós queremos, para defender os nossos direitos, para defender o que nos foi dado desde o início
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da história e exigir nossos direitos. Agradeço a participação na mesa, junto com o MEC, junto com a UNESCO e as outras instituições aqui presentes. Não faltará oportunidade para a gente melhorar esse trabalho. Agradeço a todos os meus companheiros, que estiveram aqui presentes. Daqui a pouco a gente está retornando e levando essa mensagem, que foi importante. A gente sempre lembra de quem colaborou para a melhoria da vida dos povos indígenas. Muito obrigado.

NILTO TATTO, SECRETÁRIO-GERAL

DO

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL - ISA

Gostaria de parabenizar esta iniciativa do MEC de estar buscando desenvolver uma política para o Ensino Médio e o Ensino Superior indígena. É importante neste momento e nesta conjuntura, onde nós estamos vivenciando um novo Governo que resulta de uma luta grande, também no movimento indígena, mas parece que as coisas não estão se concretizando do ponto de vista da política geral indígena. Então se torna importante esse processo de apoio a políticas afirmativas, principalmente na área das políticas educacionais indígenas, porque isto vem fortalecer o próprio movimento indígena, no sentido de ter uma sociedade civil e um movimento forte para garantir aquilo que está pautado no programa deste Governo. É fundamental aproveitar as experiências do movimento indígena e ONGs que vieram experimentando políticas nas áreas indígenas. O ISA já vem há alguns anos de experiências no Parque do Xingu e no Alto Rio Negro, e queria colocar aqui para o MEC a disposição e o compromisso do ISA de apoiar e ajudar na construção dessas políticas para o Ensino Médio e Ensino Superior.

JOSÉ AUGUSTO LARANJEIRA SAMPAIO,

REPRESENTANTE DA

ANAI-BA

É uma satisfação para nós estarmos firmando este contrato com o MEC, em parceria também com a UNESCO, e a gente encara isto como um grande desafio. O Programa Diversidade na Universidade é um programa pioneiro e, no caso das populações indígenas, o projeto tem uma formatação inicialmente para atender à especificidade das comunidades indígenas, sobretudo a sua dispersão territorial e, em se tratando de um projeto piloto, vai nos informar de dificuldades e de fatos e processos que virão instruir futuros projetos, mas este será um projeto que será executado porque a gente conta com a confiança e com a parceria, e até com o sacrifício dos povos indígenas da Bahia, que sabendo das dificuldades e das limitações desse momento desafiador e pioneiro, estão muito entusiasmados e empenhados com a realização desse curso, que será feito agora nos últimos dois meses do ano de 2003, com acompanhamento em área no próximo ano. A gente espera que esta parceria possa nos trazer informações sobre melhores formas de execução desses projetos
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de capacitação continuada de 2o grau e preparação para o 3o grau, adaptados às necessidades das comunidades indígenas. A gente vai fazer uma experiência pioneira e desafiadora que certamente terá dificuldades, que nós tentaremos superar da melhor maneira possível, e a partir disso esperamos que possamos formatar novas experiências que serão cada vez melhores, certamente. Reitero a nossa satisfação de estar engajados neste projeto pioneiro e desafiador, com toda a confiança da parceria com o MEC, com a UNESCO e com os povos indígenas do Estado da Bahia. Obrigado.

KLEBER GESTEIRA MATOS, COORDENADOR-GERAL INDÍGENA - MEC

DE

EDUCAÇÃO ESCOLAR

Gostaria de expressar nossa satisfação, nossa alegria, comemorando o encerramento deste seminário, com a assinatura destes contratos porque eles significam a parceria efetiva do MEC com as organizações não-governamentais. Ao contrário do que se diz, nossa determinação é de trabalhar com todos os setores da sociedade civil organizada, principalmente com as ONGs que, por seu compromisso com os povos indígenas, sua competência técnica e seriedade profissional, ao longo de todos esses anos vêm ajudando a construir políticas públicas eficazes e respeitosas com os povos indígenas. Durante esses três dias de intenso trabalho nós ouvimos aqui o tempo todo algumas expressões como controle social, participação política, protagonismo indígena, autonomia indígena, construção a partir da voz e das necessidades das comunidades indígenas, isso o tempo todo pautado também por um desejo de diálogo permanente com os órgãos públicos, as Secretarias de Educação e agora, nessa mesa de encerramento, a presença simbólica e efetiva de organizações não-governamentais. A gente fez realmente um bom trabalho, pedindo desculpas pelas falhas que ocorrem normalmente em um trabalho desse vulto, mas todo o trabalho que se encerra, como primeiro passo para formulação das políticas de Ensino Médio voltadas para os povos indígenas, todo esse encerramento tem essa conotação muito importante. Mais do que o Governo, o que nos interessa aqui é o trabalho da sociedade civil, dos povos indígenas e de suas organizações e das organizações de apoio, trabalhando em conjunto com os organismos governamentais, entre os quais as Secretarias de Educação dos Estados. Queria agradecer a todos e a toda a equipe do Diversidade, a Mônica e toda a turma, que tem trabalhado 48 horas por dia nas duas últimas semanas para que este seminário acontecesse em tempo recorde. Nunca vi um seminário com essa abrangência, do Rio Grande do Sul ao Amapá, do Acre à Paraíba, acontecendo nesse tempo, todo mundo participando intensamente, uma mobilização intensa, isto por causa do trabalho dedicado de todas as pessoas da SEMTEC. É um prazer trabalhar com vocês.

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MÔNICA THEREZA SOARES PECHINCHA, ASSESSORA PARA ASSUNTOS INDÍGENAS DA DIRETORIA DE ENSINO MÉDIO-SEMTEC/MEC
Estou muito feliz que esse encontro tenha se realizado, apesar da sua organização em um curto espaço de tempo, de forma que eu cheguei a acreditar, em alguns momentos, que ele não sairia. Mas a equipe resolveu ir até o fim, até a última hora, e ele se concretizou. Gostaria de agradecer especialmente a Maria Elisa, a Graciete, a Beta, a Adélia, a Débora, a Kelen, o Barnes do Programa Diversidade na Universidade; a Sandra, a Ana Paula, a Aldilenice, a Rosa, da Assessoria de Comunicação Social da SEMTEC, que foram grandes e incansáveis companheiras na organização e condução deste seminário; aos colegas da área de administração Selma, Pablo, Conceição, Clóvis, Ricardo, Elmodad, Almir e Edvaldo. Muita gente se envolveu, mas a gente ainda assim não conseguiu não ter problemas. Aqueles colegas de vocês que não conseguiram embarcar, seja porque houve problemas no nosso sistema, ou no das empresas aéreas nas suas cidades de origem – que vocês não considerem isto como significando falta de empenho ou que não seja realmente forte a determinação e a intenção da SEMTEC/MEC de levar à frente a construção do Ensino Médio indígena. A gente está aqui começando, e esse começo foi riquíssimo, nas poucas vezes que eu pude participar das discussões, eu fiquei impressionada com o nível e com a paixão com que os representantes indígenas conduziram as discussões e propostas e com o compromisso do pessoal das Secretarias Estaduais de Educação com essa questão. Que a gente considere este seminário um primeiro impulso e um grande passo. O processo não termina aqui, temos o comprometimento com uma agenda de ações e reuniões regionais durante todo o ano de 2004, e vamos levar isso à frente. Parabenizamos, enfim, a todos os participantes. Daqui a pouco vamos ler a Carta do Seminário com os resultados das discussões. Como já foi dito aqui na mesa, a gente sente claramente, desde o início, que todos os aspectos desse Ensino Médio que se quer e as reivindicações colocadas aqui pelos participantes se direcionam para a autonomia indígena e o para o protagonismo indígena. Este é um recado que a gente tem que ouvir, e está incorporado desde já. Agradeço a todos, tive um enorme prazer em conhecêlos, e espero que a gente trabalhe muito junto daqui para frente. Obrigada.

MARISE NOGUEIRA RAMOS, DIRETORA DE ENSINO MÉDIO – SEMTEC/MEC
Eu quero começar essa despedida, que certamente vamos nos encontrar ainda diversas vezes, levantando um voto de louvor, de agradecimento e de forte admiração à Mônica. Isto tudo tem uma história que começa quando a gente chega no MEC e encontra um desafio monstruoso e se dispõe a tocá-lo. Este Programa foi o ponto de partida e nós sabemos o quanto suamos e estamos suando, com as pessoas saindo da SEMTEC à meia-noite, para dormir um pouco e voltar no dia seguinte pela manhã, com uma equipe muito pequenininha, a Beta, a Graciete, a Adélia, quase que como um exército de Brancaleone contra os moinhos
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de vento, assumindo com todo pulso e com a determinação de que nós vamos levar em frente a política de Diversidade. E quando incorporamos as outras diversas pessoas que estão aqui da equipe, Elisa, Barnes e outros que estão na SEMTEC, que não puderam estar aqui, um sentimento bom de fortalecimento e de constituição de uma equipe, foi ficando cada vez mais forte. E Mônica, como pessoa em quem depositamos uma grande confiança e delegamos, com muita tranqüilidade, a mobilização e a organização deste seminário e o diálogo com vocês, indígenas e Secretarias, para a elaboração da política de Ensino Médio, Mônica se mostrou uma guerreira, pegou com determinação, lutou contra os moinhos de vento, porque eles sopraram muito forte contrariamente ao nosso movimento, não por questões deliberadas, porque as dificuldades são inúmeras, porque o funcionamento da máquina pública é pesado e difícil, porque estamos aprendendo a governar. Até já passamos por outros momentos de governança, mas governar um país, estar dentro de um Ministério é um aprendizado novo, as coisas não se colocam prontas, e lutar contra esse vento, que dificulta nossas ações, é um ato de bravura. O trabalho foi muito árduo e merece muito reconhecimento. Eu quero me desculpar em relação àquilo que não pudemos dar conta, para termos aqui todos aqueles que gostaríamos que estivessem, por ter privado a Mônica de uma participação mais efetiva, para cuidar de problemas mais de organização administrativa e logística do seminário, pelos percalços em relação à emissão das passagens, mas dizer que todos os problemas foram absolutamente contrários ao nosso movimento e à nossa vontade. O nosso empenho foi muito forte, mas podem ter certeza que no nosso estilo de governar, os erros não passam desapercebidos. São tomados como fatos importantes para que não aconteçam de novo. Para mim é importante tornar público esse reconhecimento. É preciso consubstanciar políticas e ações concretas. Preciso falar sobre esses contratos que estamos assinando hoje. São só dois, os recursos não são tantos, mas eles são símbolos de uma vitória, de vocês, índios, dos gestores, de sermos teimosos. São dois pilotos, de abrangência restrita, de recursos restritos, mas sinalizam para a sociedade, para o Governo, para os organismos internacionais, que nós estamos comprometidos mutuamente com a educação indígena. A partir desses pilotos, o quanto pudermos, vamos ampliar. Não creio que seja ampliação de recursos do Programa Diversidade na Universidade, ou a ampliação do atendimento no âmbito do programa que tem maior valor. O valor da cooperação de outros acordos que virão está na demonstração efetiva de mudar, porque este programa é passageiro, tem três anos de duração, recursos predefinidos, uma demanda social enorme, e nós não vamos dar conta das demandas por meio de um programa, que tem uma dimensão específica e um limite. E, por isto, nós não vamos nos iludir com o fato que a ampliação da abrangência do programa é o mais importante. O mais importante é a consolidação da política pública. Temos que ser capazes de tomar este programa como uma estratégia, uma oportunidade, para começar a dar os primeiros passos, porque a nossa determinação tem que ser que a política pública seja sustentável, a despeito de qualquer programa com limites e recursos específicos. Isto têm que ficar, este Governo é o nosso Governo, democrático e popular, e as estruturas, os gestores tem um compromisso ético de estarem juntos com o povo brasileiro com todas as suas
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marcas: índios, negros, camponeses, trabalhadores urbanos, os desempregados, os homens, as mulheres, as crianças, os jovens, os velhos, toda a população brasileira que vive de seu trabalho. Esse é o compromisso de nosso Governo, e a educação é a nossa parte. E nós sabemos que a educação, exclusivamente, não dá conta de todos os direitos e todas as necessidades. Ela é um dos direitos sociais e é uma das necessidades da população brasileira. E quando nós reconhecemos a diversidade nacional, nós estamos nos comprometendo até o último fio do cabelo com a mudança da história deste país. Também não serão esses quatro anos, porque o tempo da história é um tempo longo. Outro dia, o presidente, falando dos professores, ele dizia “o Presidente da República, para a história, fica um tempo. Meu mandato é de quatro anos. Agora, vocês, professores, trabalham 30 a 40 anos. Quando terminar o meu governo, sair em caravana, entrar nas escolas e olhar nos olhos dos professores e poder dizer: eu fiz um pouco mais para mudar a realidade”. Essas são palavras do presidente que, por sua origem e por sua história, são as palavras nossas. E não dá mais para voltar atrás, para fechar os olhos. Agora eu consigo conhecer no semblante dos índios, reconhecê-los como irmãos brasileiros e um índio hoje não me passa desapercebido. Os nossos olhos já se abriram. É muito simbólico. Amanhã estamos abrindo o seminário sobre Educação no Campo, estamos discutindo com os movimentos sociais do campo. E temos uma agenda longa, com vocês e outros da sociedade brasileira. Obrigada por nos dar esse voto de confiança. Que o trabalho de vocês nesses três dias se efetive com o tempo necessário e possível, mas tenham a certeza de que queremos ser dignos da confiança de vocês, juntamente com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Nós governo, colocamos que queremos ser dignos da confiança da população e, aqui em especial, dos povos indígenas. Parabéns pelo trabalho e vamos em frente. Obrigada.

PALAVRAS

DA

MÔNICA

Antes de encerrar, eu queria agradecer também a valiosa ajuda que a gente teve também da Daisy, na organização do trabalho, e sem ela nada teria sido possível, e da Rosângela e do Ivan, companheiros da Daisy.

MARISE RAMOS, DIRETORA

DE

ENSINO MÉDIO

Eu quero agradecer aqui à UNESCO, por meio da Marilza, o esforço brutal feito nessas últimas semanas em relação às passagens e em relação aos contratos hoje assinados. Foi uma cooperação efetiva, baseada no mérito, no compromisso que a organização tem e seus membros na construção de uma educação que seja efetivamente de todos. Marilza, transmita ao Dr. Jorge estas considerações nossas, em nome do Ministério. Obrigada.
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APRESENTAÇÃO

DE

NATALINA MACUXI

Sempre em nossos encontros, nós agradecemos. Então eu vou cantar na língua Macuxi agradecendo ao pessoal da mesa, à comissão organizadora, aos representantes indígenas, a todos. Vou cantar uma canção Macuxi, que diz assim: Nós agradecemos por ontem, por hoje e por amanhã. Nós lembramos o passado, para orientar o presente e preparar o futuro. Este é o agradecimento Macuxi. (A participante cantou a canção Macuxi e, após, junto com os colegas Clóvis e Mário Nicácio, uma canção na língua Wapichana)

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A Carta do Seminário

Ao final da última sessão plenária, foi escolhido um grupo de representantes indígenas para a redação de uma Carta, assinada por todos os participantes. A partir dos temas discutidos e dos pronunciamentos feitos durante os três dias de trabalho, foram nela resumidos os posicionamentos, sugestões e reivindicações dos participantes. O texto integral da Carta encontra-se, a seguir, reproduzido. Nós representantes indígenas dos Estados presentes no Seminário “Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas”, promovido pela Diretoria de Ensino Médio – DEM, da Secretaria de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC, do Ministério da Educação – MEC, realizado nos dias 20 a 22 de outubro de 2003, no Instituto Israel Pinheiro, em Brasília, viemos discutir propostas de políticas para o Ensino Médio a partir de reivindicações e demandas das comunidades indígenas e interessadas. Reunimo-nos com Secretarias Estaduais de Educação e seus respectivos setores de Educação Escolar Indígena, com as Secretarias de Educação Média e Tecnológica, de Ensino Infantil e Fundamental e de Ensino Superior do MEC, com organizações não-governamentais não-indígenas, com universidades, com a FUNAI e a FUNASA. Partindo das conquistas da educação escolar indígena no Ensino Fundamental, surge a necessidade da inclusão do Ensino Médio na continuidade do processo escolar específico e diferenciado nas nossas aldeias, principalmente o enfoque o alunado jovem e adulto. Nossas discussões foram sobre os seguintes temas: 1. 2. 3. 4. 5. Levantamento das experiências de Ensino Médio vividas pelos diversos povos indígenas; Quais as conquistas da educação escolar indígena? Como um Ensino Médio; acompanharia as conquistas identificadas? Ensino Médio, identidade e sustentabilidade indígena; A relação entre o Ensino Médio e Ensino Superior para os povos indígenas - a formação de professores indígenas para o Ensino Médio; Concepções, formato e estratégias para um Ensino Médio indígena – O Ensino Médio que queremos. Mediante as discussões e exposições proferidas durante este seminário, concluímos que, para a implementação de uma política diferenciada de Ensino Médio que necessitamos,

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destacamos como proposta para ser analisada junto às comunidades e organizações indígenas os seguintes pontos:

1. Que Ensino Médio queremos? - Especificidade sócio-cultural, respeitando-se a diversidade cultural; - Fortalecimento das identidades étnicas; - Diálogo com as comunidades indígenas; - Autonomia das comunidades indígenas; - Respeito aos valores culturais, políticos, ideológicos e aos interesses e expectativas de cada povo; - Interdisciplinaridade; - Recuperação e valorização do conhecimento indígena; - Formação profissional que atenda às necessidades de cada aldeia; - Ensino profissionalizante como complemento para cuidar das coisas da comunidade; saúde, meio ambiente etc, atendendo à realidade de cada comunidade; - Auto-sustentabilidade das comunidades indígenas; - Disciplinas específicas sobre a realidade e costumes indígenas; - Elaboração e definição do projeto político-pedagógico de acordo com a realidade de cada comunidade indígena - autonomia - com a participação dos professores indígenas, lideranças, organizações e todos os membros da comunidade; - Ensino bilíngüe e intercultural; - Produção de material didático de autoria indígena, específico de cada povo; - Contemplar as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio aprovadas no Conselho Nacional de Educação, especialmente sobre os temas transversais; - O Ensino Médio como promotor de pesquisa, respeitando o conhecimento indígena tradicional; - O Ensino Médio como formador de opinião; Condições materiais adequadas para o desenvolvimento do trabalho pedagógico como o acesso à informática, laboratório, biblioteca etc.; - Considerar os princípios gerais da Educação Escolar Indígena, estabelecidos nos Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Indígena – RCNEI. 2. O que fazer para concretizar o Ensino Médio que queremos: - Realização de cursos de formação específica e diferenciada para os professores atuarem nas escolas indígenas; - A gestão do Ensino Médio e a docência deverão ser exercidas por professores indígenas;
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- Realização de Seminários regionais e estaduais envolvendo lideranças, professores indígenas, organizações indígenas e não-indígenas, instituições do sistema de ensino (SEDUC, SEMEC, CEE, CEI), FUNASA, Universidades, FUNAI e outros; - Mobilizar o CNE e os CEE para normatizar propostas de Ensino Médio indígena, com formação profissionalizante específica; Os Estados e a União serão responsáveis pelo Ensino Médio nas escolas indígenas, criando um fundo específico para a sua manutenção, acessível às escolas, organizações e comunidades indígenas; - Os professores indígenas deverão fazer concurso público diferenciado para atenderem as escolas indígenas de Ensino Médio respeitando-se a língua materna de cada povo; - O Estado e a União criarão mecanismos para a elaboração e a publicação de material didático específico para cada povo, garantindo a autoria indígena; - A escola indígena deverá ser reconhecida e regulamentada pelos CEE; - O Estado e a União criarão mecanismos para o acompanhamento pedagógico e para a realização de encontros gerais; - A construção de estrutura física nas áreas indígenas deve ser feita ouvindo-se primordialmente as comunidades para as quais as escolas se destinam, para que definam o projeto arquitetônico que as interessa e as caracteriza, conforme assegurado em lei; - Que se inclua nos PPA dos Estados a educação escolar indígena, garantindo-se os recursos financeiros; - Que a União apóie a criação do FUNDEB, com cifra específica e diferenciada para a educação escolar indígena; - Que o Estado assuma o investimento na formação continuada dos professores indígenas; - Que os Estados contemplem, no Plano Estadual de Educação, a educação escolar indígena e a garantia do ensino diferenciado. A União, por meio do MEC, deve normatizar a questão; - Instituir grupo de gestores indígenas para organizar as escolas nos aspectos administrativo e pedagógico; - O currículo deve ser proposto pela comunidade escolar, respeitando-se os princípios legais e específicos de cada povo; - As SEDUC devem desenvolver ação coordenada envolvendo outras instituições governamentais e não-governamentais - com o objetivo de promover formação superior específica e continuada para os professores - As SEDUC devem implantar o Ensino Médio onde houver reivindicação da comunidade interessada; - Ouvir a comunidade indígena para estabelecer parcerias com universidades, escolas técnicas e outras instituições para oferta de Educação Profissional;
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- Queremos que a União e os Estados sejam parceiros para a concretização do Ensino Médio para os povos indígenas; - Mobilizar os diversos grupos para discutir sobre gestão da escola, recursos humanos e infra-estrutura para as escolas, em parceria com os Estados; - Implantação gradativa do Ensino Médio, de acordo com as necessidades e possibilidades dos Estados e comunidades. - Diante do exposto, encaminhamos este documento, fruto das discussões realizadas no Seminário Políticas de Ensino Médio para os Povos Indígenas, promovido pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília, DF, 22 de outubro de 2003

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A AVALIAÇÃO DO SEMINÁRIO – EXPRESSÃO DA OPINIÃO DOS PARTICIPANTES

Para coletar a opinião dos participantes sobre o seminário, foi distribuído, ao final do evento, um Formulário de Avaliação, composto por questões fechadas e abertas. Trinta e nove participantes preencheram o formulário. A seguir estão registrados os resultados expressos no Formulário de Avaliação do Seminário. QUESTÃO 1 – O objetivo deste Seminário – reunir contribuições para a formulação de uma política de Ensino Médio para os Povos Indígenas – foi atingido? EM NADA – 0 TOTALMENTE – 10

Notas Freqüência Nº %

0 -

1 -

2 -

3 -

4 -

5 -

6 4

7 8

8 11

9 6

10 10

10,3 20,5 28,2 15,4 25,6

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QUESTÃO 2 – Suas expectativas com relação ao Seminário foram alcançadas? EM NADA - 0 TOTALMENTE - 10

Notas Freqüência Nº %

0 -

1 -

2 -

3 -

4 -

5 2 5,2

6 0 0,0

7 8

8 14

9 5

10 10

20,5 35,9 12,8 25,6

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QUESTÃO 3 – Em que medida a forma com que foi desenvolvido o Seminário – trabalhos em grupo, plenário e outras técnicas – facilitou o andamento dos trabalhos? EM NADA - 0 TOTALMENTE - 10
Notas Freqüência Nº % 0 1 2 3 4 5 6 3 7,7 7 4 8 12 9 11 10 9

10,3 30,8 28,2 23,0

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Transcrição das Questões Abertas
QUESTÃO 4 – A maior vantagem deste Seminário foi... 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Deixar, em sua maior parte, os indígenas conduzirem os trabalhos. Ter uma visão do que pode ser o novo Ensino Médio Indígena, a formatação de um modelo. O MEC promover o seminário com participação dos indígenas e ouvi-los para elaboração de uma proposta política para o Ensino Médio. A oportunidade dos povos indígenas externarem suas conquistas e fazer suas reivindicações. Oportunizar o diálogo com as comunidades indígenas e a reunião com o Kleber e as SEDUC. Assegurar espaço para a exposição de experiências e a apresentação de professores. Que todos colaboraram colocando as experiências que têm sobre Ensino Médio na sua aldeia, partindo disso para uma discussão ampla em nível nacional. Maior liberdade de expressão dos representantes indígenas. A fala dos representantes indígenas. possa construir o Ensino Médio como querem. 11. A interação, conhecer as diferenças regionais, criando amizade com os colegas de trabalho educacional, provando que é possível aprender com a diferença. 12. Abertura de um espaço para a discussão de uma política de implantação do Ensino Médio com a participação de representantes indígenas. 13. Ouvir as propostas dos índios sobre a implantação de políticas para o Ensino Médio (resposta de um representante da SEDUC). 14. Conhecer as experiências de outros povos e o esforço de todos para alcançar os objetivos. 15. Despertar nos órgãos federais uma nova conjuntura com a realidade de nossos povos. 16. Abrir a primeira discussão sobre o Ensino Médio diferenciado para os povos indígenas, ouvindo os representantes vindos do Brasil inteiro. 17. O clima favorável à manifestação de todos os presentes. 18. Ouvir os povos indígenas para obter as contribuições partindo do próprio povo. 19. A unificação de experiências e propostas para um novo Ensino Médio para os povos indígenas. 20. Intercâmbio de idéias dos diferentes povos referentes ao Ensino Médio e outros assuntos. 21. Que as pessoas tiveram essa visão/pensamento de convocar todos os povos indígenas.
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10. Conhecer as realidades de cada povo, Estado e Região, para que cada um

22. Conquista indígena – discutir sobre o Ensino Médio com as demais etnias presentes nesse encontro. 23. A participação ativa de representações indígenas. Discussão e sugestões que funcionarão como rumo para a formação da política de Ensino Médio. 24. A exposição e a expressão dos indígenas de colocarem as idéias. 25. Discutir juntamente com os representantes indígenas para a política ser considerada com participação de indígena. 26. Para eu conhecer as diversas etnias existentes no país e como são organizadas (expressão de um participante não-indígena). 27. Fazer diagnósticos da situação atual da educação escolar indígena em cada Estado. 28. Reunir membros da Educação Fundamental, do Ensino Médio e do Ensino Superior do MEC e mostrar que há articulação entre eles para a educação escolar indígena. 29. A discussão em grupos sobre os referidos temas abordados. 30. Fazer o intercâmbio entre os povos indígenas sobre a educação existente em suas aldeias. 31. Poder discutir a política do ensino indígena. 32. Poder discutir políticas de propostas na educação indígena no que diz respeito ao Ensino Médio. 33. Registrar desde o início quanto à necessidade de discutir nas regiões esses assuntos. 34. A participação indígena e a oportunidade de reunião com o Kleber (manifestação de um representante da SEDUC). 35. A participação indígena com discussões bastante claras sobre a temática. 36. A troca de experiências; conhecer a capacidade de parentes indígenas na luta política pelo povo indígena. 37. Reunir as diversas lideranças da maioria dos Estados. 38. Ouvir mais os representantes indígenas, que hoje têm uma visão crítica do contexto político-pedagógico.

QUESTÃO 5 – Levarei para minha Comunidade... 1. 2. 3. 4. Todas estas discussões para junto analisarmos e amadurecermos todas as propostas aqui construídas e para construirmos as do nosso Estado. A discussão, primeiro o histórico dos três dias e a proposição de uma reflexão em nível local. O objetivo do encontro, os temas discutidos e as propostas apresentadas. Todas as sugestões e opiniões das lideranças indígenas sobre Educação Escolar Indígena.
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5. 6. 7.

As experiências relatadas, as propostas apresentadas como subsídios/referências para a discussão com as lideranças indígenas e parceiras da SEDUC/AL. Todas as discussões dos trabalhos de grupo e plenárias. As informações sobre pensamentos dos parentes e dos representantes governamentais a respeito do Ensino Médio para os povos indígenas. E muita esperança.

8. 9.

As propostas e a importância das discussões desses três dias. É fácil caminhas lado a lado, difícil é se encontrar. As boas lembranças de todas as pessoas que participaram sem nenhuma distinção. Todos com boa vontade.

10. A novidade vivenciada e aprendida durante o seminário, a questão da educação escolar indígena. 11. As matérias aqui discutidas e produzidas e a informação de uma nova discussão da política nacional de implantação do Ensino Médio. 12. Muita vontade de contribuir na construção desta política, muito compromisso com a causa indígena (de um representante da SEDUC). 13. O fortalecimento dos movimentos indígenas em defesa dos direitos na formação das escolas indígenas e de pessoal. 14. Essa nova realidade proposta para debate sobre o novo Ensino Médio. 15. As propostas e preocupações dos povos indígenas do Brasil e as suas expectativas para Ensino Médio. 16. A impressão de que a construção de uma política nacional de Ensino Médio para os povos indígenas teve início de modo positivo. 17. O resultado de todas as discussões que aconteceram durante os três dias do seminário. 18. As experiências de outros Estados referentes ao Ensino Médio e os resultados do encontro. 19. As propostas elaboradas pelos professores coordenadores e Secretarias, como forma de discutirmos mais sobre o assunto. 20. Discutir com o meu povo com relação que “o Estado sempre fazendo na maneira que eles querem” (redação confusa). 21. As informações sobre o assunto Ensino Médio onde já há avanço para a comunidade indígena. Com certeza haverá outros encontros. 22. Exatamente o que os índios pensam e querem para seu Ensino Médio. 23. Ampliação do conhecimento no contexto da educação. 24. Apresentar e tomar conhecimentos. 25. Levarei para a equipe de Ensino Médio da SEDUC todas as discussões, para posteriormente estarmos preparados para a próxima etapa. 26. Muitas experiências colocadas pelos participantes de outros Estados. 27. Todas as propostas feitas durantes estes três dias para rediscutir o que foi levantado
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28. Os resultados propostos para serem discutidos com mais clarezas nas bases. A educação diferenciada e com mais ênfase de posições favoráveis. 29. Muitas informações e novidades sobre a educação indígena. 30. Muitas informações no que diz respeito à educação indígena, direito do índio para sua sustentabilidade. 31. Informações para discutirmos com o povo indígena da Paraíba sobre o Ensino Médio indígena. 32. A discussão preliminar com os resultados alcançados, com o objetivo de gerar novas contribuições. 33. A troca de experiências para discutir com o povo de Rondônia. 34. A premência de implementar um verdadeiro Ensino Médio diferenciado, bilíngüe, intercultural, específico, de qualidade. 35. Uma reflexão sobre como atender os diferentes povos, quando as diferenças são grandes. 36. O que foi falado para podermos discutir em conjunto.

QUESTÃO 6 – Espero que... 1. 2. 3. Sejam realizados mais encontros para que possamos trazer aqui as discussões e propostas debatidas e construídas em nossos Estados. Os projetos saiam do papel. O seminário continue, tenha outros encontros para aprofundar a discussão, e que o MEC articule com os Estados para que promovam discussões com as comunidades sobre o Ensino Médio. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Seminários como este aconteçam mais vezes. Haja mais seminários para que possamos aprender mais e mais com os índios, e que possamos concretizar os desejos e aspirações da Carta Final do Seminário. Estas referências possam ser úteis na busca de soluções para o Ensino Médio nas comunidades indígenas. A gestão governamental estadual continue comprometida com a educação escolar indígena. O MEC sistematize e amplie o apelo aos Estados na construção das políticas de Ensino Médio para os povos indígenas. Todas as discussões e propostas levantadas pelos professores indígenas referentes a políticas de Ensino Médio sejam levadas em consideração e colocadas em prática. 10. A discussão tenha continuidade nos Estados, com maior número de representantes e de tempo para tal, e que tenha continuidade nas demais camadas e Secretarias de Educação.
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11. Essa semente aqui plantada cresça e floresça e dê bons frutos. 12. Outros encontros nos darão mais conhecimento e amadurecimento para podermos assumir as responsabilidades diante do nosso povo e o que conquistamos durante esses anos. 13. As propostas levantadas considerando o contexto sócio-cultural e tradicional sejam incluídas na pauta do MEC. 14. Todo o material e contribuição dos participantes sirvam como subsídio para a formatação da implantação do ensino conforme discutido pelos mesmos. 15. Depois de apresentar as propostas dos índios ao Secretário de Educação, haja sensibilidade e compromisso por parte dele. 16. Este seminário aconteça em outros momentos, afins de que possamos conquistar nossos objetivos. 17. As propostas possam ter encaminhamento. 18. As propostas levantadas se consolidem, ouvindo além dos participantes de seminário as discussões e decisões nas bases (Estado). 19. Este seminário tenha continuidade nos termos que foram afirmados durante o mesmo: diagnóstico aprofundado da situação atual do Ensino Médio para os povos indígenas e amplos processo de consulta em novos seminários regionalizados pelo país. 20. A partir do momento que os povos do Ceará sentirem a necessidade de implantar o Ensino Médio nas aldeias, essas discussões já tenham percorrido um longo caminho. 21. Continue cada vez mais fortalecendo a discussão para melhoria da educação escolar indígena. 22. As propostas sejam válidas para subsidiar as discussões nos Estados e aldeias, e que o Governo seja sensível ao que foi colocado como proposta, para que possamos juntos melhorar as condições de vida nas aldeias através da implantação do Ensino Médio. 23. Esse seminário seja ouvido e aprovado dentro do debate da conclusão de acordo com o que foi concluído. 24. O assunto discutido, dê encaminhamento às regiões onde ficará melhor para as comunidades indígenas discutir sobre o Ensino Médio. 25. Outros encontros aconteçam para aprofundarmos as discussões sobre essa política. 26. Sejam concretizadas essas idéias esplanadas no plenário. 27. Contemplar bem melhor do jeito que a gente elaborou durante o evento. 28. Este espaço seja realmente um começo de um processo, que considero bem longo, para conseguir concretizar as propostas. 29. Vai me ajudar para melhorar os trabalhos de educação no meu Estado e também quero que aconteçam mais encontros.
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30. Aconteçam os seminários regionais e que mais indígenas participem das discussões. 31. Outros encontros como este seja feito várias vezes, para cada vez mais amadurecer este trabalho que esta recém começando. 32. O MEC, SEDUC, as ONGs, os vários indígenas tenham realmente o compromisso, a responsabilidade, a perseverança de multiplicar as discussões dos resultados propostos. 33. Aconteçam outros eventos aprofundando sobre a educação indígena, com mais representante de lideranças. 34. Aconteçam em breve outros eventos para se discutir sobre educação indígena, e que mais lideranças possam participar. 35. Sejam realizados os eventos nos Estados para aprofundarmos as discussões de acordo com a realidade da população indígena. 36. Os anseios dos que estiveram presentes a este encontro tenham condições de se materializarem num Ensino Médio. 37. Tenhamos outros espaços de discussões que possibilitem a ampliação e busca de uma proposta mais próxima do ideal. 38. Alcançarmos nosso objetivo principal que é a educação de qualidade, de acordo com a realidade de cada povo. 39. Estas discussões sejam aprofundadas, e que a discussão sobre o Ensino Superior não demore muito. 40. O Ensino Médio seja realmente diferenciado, respeitando os interesses da comunidade indígena. 41. As propostas do Ensino Médio das comunidades indígenas saiam do papel, e não se percam com o tempo.

QUESTÃO 7 – O que não me agradou... 1. A prepotência de alguns presentes em não querer entender, compreender a grande diversidade de cultura e povos no Brasil, que cada Estado e povo tem sua particularidade, seu modo de construir e discutir os seus conhecimentos. 2. 3. O pouco espaço de tempo nas discussões. O fato de não depositar o dinheiro a tempo na minha conta para voltar para casa, se não tivesse dinheiro particular não teria como voltar. Também em relação a não tomada de providência para alguns colegas chegarem, perdendo o seminário. 4. Não sei bem o que houve, mas tivemos atropelos quanto ao tempo para os trabalhos em grupo. O local é de difícil acesso, tive transtornos.
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5. 6. 7.

Não ter sido organizado algo para o horário da noite (violão, videokê, apresentações artísticas, etc...). Os processos organizacionais prejudicaram o aproveitamento do tempo no primeiro dia de chegada de alguns participantes. Que muitos Estados não estão preparados para implantar uma política de Ensino Médio voltado para realidade de cada etnia, como o nosso caso; o povo Tapirapé - MT.

8. 9.

O próprio tempo. Os povos indígenas não são escravos do tempo e cada qual tem um ritmo. Nem sempre foi levado em conta. Para dar tudo certo, tudo tem que estar sob controle. Somente o local é muito distante da capital.

10. O fuso horário, provocando que o meu ritmo fosse acelerado fora do meu contexto sócio-cultural e tradicional. 11. A falta do cumprimento de horário conforme o contexto. 12. A falta de alguns secretários e representantes indígenas. 13. A organização, referente ao repasse do auxilio às despesas, que não foi satisfatório. 14. A falta de articulação da equipe organizadora com as aldeias, e o constrangimento e sofrimento com prejuízo devido ao que diz respeito ao deslocamento, e a ausência dos outros parentes. 15. A falta de participação das lideranças (caciques, tuxanos e velhos) na construção das propostas. 16. Um certo atropelo nas discussões, por conta de necessidades formais de tempo preestabelecidos, e a falta de critérios para definição dos participantes. 17. Pouca presença de lideranças de professores, e de lideranças qual fica difícil falar as experiências, pensamentos e propostas dos patrícios. 18. O tempo foi muito corrido e parte da noite não foi aproveitada para as manifestações artísticas e culturais. 19. Não posso questionar sobre esse seminário, pois tudo que os povos discutiram foi muito importante. 20. O tempo, considerando que os índios necessitam de um tempo maior para expressarem seus pensamentos. 21. O tempo que foi bem corrido. 22. Faltou a presença da SEDUC. 23. Todo o processo do seminário. 24. A ajuda de custo que não cobriu o gasto. 25. Que não se discutiu satisfatoriamente a integração entre a política de Ensino Médio para os povos indígenas e a política de Ensino Superior para os mesmos. 26. Que este seminário foi um relâmpago, porque para discutir os termos os organizadores olhavam somente a pauta do seminário.
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27. Muita discussão sem resultado claro e definido. 28. A pouca presença dos guaranis de estados existentes. 29. Pouca participação do MS, falo isso em números (lideranças, professores e principalmente guaranis). 30. Ouvir dos indígenas que houve uma certa demora do evento. Outra questão é que mesmo sabendo que nem todas as etnias do Brasil querem escolas, acredito que tínhamos que ter a presença de mais indígenas, pois existem mais de 200 etnias. 31. A distância do local do evento. 32. Uma mistura de discussões ao mesmo tempo. A ausência de pessoas importantes do meu Estado. 33. Nada. 34. O pouco tempo que tivemos, e a falta de participação de mais povos indígenas.

QUESTÃO 8 – Os participantes... 1. 2. 3. 4. 5. 6. Cumpriram seus horários e foram bastante respeitáveis ao discutir o tema em questão. Demonstrou cada um sua própria realidade, seus problemas. Foram pouco índios, porque faltaram de alguns Estados. Faltou participação das universidades e Estados (SEED). Tiveram uma participação contribuindo eficazmente para o trabalho. Foram ativos, comprometidos. Creio que a participação de outras SEDUC bem como de outros professores trará conteúdo para engrandecer nossa discussão. Os participantes do seminário, sendo ele indígena ou não-indígena demonstraram um compromisso: que o Ensino Médio fosse implantado nas comunidades indígenas. 7. 8. 9. Cada qual pode contribuir na medida do possível com sua experiência. Gostei das contribuições de vocês nessa construção. Os participantes conseguiram demonstrar grande empenho para contribuir com o Ensino Médio do MEC. 10. Foram modestos nas colocações, e objetivos. Cumpriram o horário, agüentando o calor do dia. 11. Foram muitos os participantes, e pontuais. 12. Todos contribuíram para que o objetivo fosse alcançado, principalmente as SEDUC, ficando mais em silêncio e deixando os índios falarem. 13. Contribuíram para o desenvolvimento do seminário, todos foram colaboradores. 14. Foram competentes, interessados e compromissados com a educação dos indígenas.
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15. Poderiam ter sido em maior número, e mais representantes do campo da educação escolar indígena no Brasil. 16. Buscaram se empenhar por ser do interesse da comunidade e do Brasil indígena. 17. Foram ótimos, apenas penso que alguns parentes deveriam ter participado mais das discussões. 18. Tiveram seus debates colocando os pontos negativos dos seus problemas. 19. Tiveram as informações; e participantes de cada Estado deram sua contribuição como deve ser o Ensino Médio para os indígenas. 20. Foi legal a socialização entre os representantes índios e as SEDUC, bem como os representantes da coordenação do evento e coordenação escolar indígena. 21. Bem legais, onde existe a confiança dos colegas por domínio nos assuntos relacionados a educação. 22. Pessoas interessantes. 23. Foram muito objetivos e representativos, porém para o próximo queremos mais participação de lideranças indígenas. 24. Não havia representantes de todos os estados (SEDUC), nem de todas as etnias. Ausência de parceiros importantes que são os universitários. 25. Os que estiveram neste seminário foram muitos, mais teria que ter mais participantes indígenas. 26. Contribuíram para a discussão. 27. Gostei dos moderadores porque foram sensíveis à diversidade indígena. 28. Ótimos, bem participativos. 29. Sensíveis e coerentes com a problemática. 30. Foram ótimos. 31. Demonstraram muito conhecimento da questão. 32. Maravilhosos. 33. Colocaram bem o que suas comunidades querem.

QUESTÃO 9 – A minha contribuição durante o seminário... 1. Compartilhar minhas experiências adquiridas com meu povo e demais etnias do Estado, defendendo meu ponto de vista, e a especificidade e particularidade do meu Estado. 2. 3. 4. 5.
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Explicitei o caso da formação técnica não voltada para realidade do nosso povo (técnico sem trabalho). Acho que foi boa, porque contribui na discussão de grupo e na plenária. Foi ótima. Foi muito boa.

6. 7.

Foi mais explicita, versal nos trabalhos de grupo, mais reflexiva, atenta para ouvir, participando de todas as atividades. Foi muito pouca, mas quero justificar que não tenho experiência no Ensino Médio, somente no Ensino Fundamental. Com as experiências ressaltadas pelos companheiros pude entender um pouco como funciona um Ensino Médio.

8. 9.

Espero ter ajudado, principalmente por já possuir Ensino Médio na minha aldeia. Acredito que lembrar o passado serve para nos orientar hoje e nos ajudar a preparar o futuro. Foi essa minha contribuição.

10. Representando uma organização que representa o maior movimento em toda Amazônia brasileira. 11. Foi ótima e gratificante no sentido de subsidiar as proposições levantadas pelos professores indígenas. 12. Na experiência vivida dentro do movimento indígena, expondo o que nós queremos para o Ensino Médio do nosso povo. 13. Contribui nos grupos, esclarecendo questões pertinentes a SEDUC. No plenário preferi ouvir mais. Saio daqui com uma grande bagagem de informação. 14. Participando dos grupos, fornecendo elementos e experiências para as discussões em plenário. 15. Com o repasse da experiência do meu povo e dos demais povos. 16. Em quase nada, por falta de experiência na parte de educação no Brasil inteiro. 17. Foi parcialmente comprometida, em virtude de um papel pouco claro atribuído a presença de representantes de ONG´s de apoio aos projetos de educação escolar indígena, e também da pequena participação de pessoas nestas condições. 18. Apoiar com responsabilidade as decisões dos povos, e dando minha contribuição quando necessário. 19. Foi passar aos demais os meus pensamentos, sugestões e nossa experiência, para podermos subsidiar nossa experiência com os demais, para concluirmos o Ensino Médio que queremos. 20. Penso que foi boa, pois costumo não levar dúvidas para o meu povo, e aproveitei o máximo que pude. 21. Foi bem aproveitada desde o início, contribuindo com meus parentes. 22. Foi dar sugestões para os grupos, contribuindo com meus ideais para a concretização do Ensino Médio. 23. Participando com sugestões nos trabalhos de grupo, e participação das plenárias. 24. Foi importante, pois obtive conhecimentos nas diversas experiências. 25. Com a minha experiência. 26. Como sou da equipe do Ensino Médio, pude contribuir com as questões diretamente pedagógicas. 27. Foi na maneira de respeitar a opinião de outros parentes, e com a minha experiência como gestor pedagógico da escola indígena de Ensino Médio.
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28. Pouca, pois vim (como professor universitário) conhecer o movimento e inserirme nas discussões. 29. Foi muito pouco, pois eu não me sentia bem. 30. Com experiência sobre educação; porém espero a regulamentação do MEC/ Estado de acordo com o regimento proposto. 31. Com opiniões. 32. Senti um pouco tímido, mas consigo entender e pensar junto com os grupos as propostas. 33. No momento sei que está sendo pouca, mas quando chegar ao estado (TO) será significativo, pois irei socializar o ponto de vista que foi trabalhado. 34. A vivência junto à educação nas escolas indígenas do meu Estado. 35. Pude contribuir na reflexão dos objetivos e metas desta proposta. 36. Foi mais ou menos. 37. Foi pequeno por não ser indígena, mas aprendi demais e foram eles que contribuíram comigo. 38. Como assessora da coordenação-geral de educação escolar indígena. 39. O de dar mínimas opiniões ao tema discutido.

Espaço livre... 1. Que este Ensino Médio venha de fato atender a demanda e a especificidade regional, estadual e principalmente local de cada povo, pois cada comunidade possui seu jeito de ser, pensar e organizar-se. Que este programa não venha apenas atender a cultura e especificidade dos povos do norte e centro, mas também do nordeste que vem sendo esquecidos, já que suas especificidades não são mencionadas nestes programas ou nas diretrizes traçadas pelos mesmos. 2. Tem nos preocupado muito a direção do Ensino Médio. A continuidade na universidade ou no pós-médio é um fato e um dever que deve ser obedecido. Outra questão é o acesso a tecnologia que vem para dinamizar entre outras coisas a troca de informação, mas pode também expor-nos ao mundo desconhecido e inimaginável. É uma questão que deve ser estudada com cuidado. Desejo acompanhar de perto esse processo. 3. Quanto a duração do curso achei, às vezes que perdemos um pouco de tempo. Também achei que as questões não foram bem elaboradas. Faltou aprofundar a discussão sobre a concepção de educação do ponto de vista político-pedagógico, e definir melhor algumas questões para a implantação do Ensino Médio. Mas tudo isso é um processo, podemos estar construindo durante os encontros. O encontro dos três dias foi muito bom, recepção ótima, atendimento do pessoal da limpeza, da comida, do transporte, o espaço, enfim, parabéns.
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4. 5.

A SEMTEC está de parabéns pela realização desse evento. Quero dar os parabéns a SEMTEC por ter realizado este seminário e por estar trabalhando articulada com a coordenação de educação indígena. Agradeço ao professor Kleber pelo reforço que o seu telefonema deu no sentido de vir o representante da SEDUC, da educação indígena.

6.

Cumprimento o MEC pela iniciativa. A SEMTEC e a coordenação de educação indígena pelo empenho de seus técnicos. Pude perceber o esforço dos técnicos extrapolando o profissional. Isto revela compromisso! Os problemas operacionais ocorridos especialmente referentes ao deslocamento/chegada de alguns participantes é compreensível no segmentado espaço envolvido: Estados, localidades distantes.

7. 8.

Espero que no segundo seminário sejam convidados pelo menos três professores de cada etnia. Para ter maior participação deveria ser informada a pauta da discussão a todos os participantes. Assim viriam mais bem preparados. Agora a metodologia de valorizar o indígena foi muito boa; chega de ser apenas coadjuvante da história, temos que ser o autor da nossa própria história. É sempre melhor, até mesmo errando, pois até errando nós escrevemos.

9.

Quero agradecer a comissão organizadora que não mediram esforços para que tudo desse certo. Parabéns. Qualquer que seja o problema que aconteceu faz parte do nosso trabalho, e eu tenho certeza de estarmos brevemente nos encontrando, porque o povo indígena não desiste, nós somos muito otimistas. Obrigado por tudo.

10. Não poderia deixar de dar a minha colaboração com experiências. Agradeço a todos que puderam apoiar de alguma maneira. Valeu! Até a próxima vez. 11. Foi ótima e gratificante no sentido de subsidiar as proposições levantadas pelos professore indígenas de vários Estados brasileiros sobre o Ensino Médio para os povos indígenas, realizado em Brasília/DF nos dias 20/10 a 22/10/2003. Nas conversas paralelas com meus colegas de luta foi muito gratificante, trocamos idéias a respeito da educação escolar indígena do país, como professores e educadores de alunos fora dela. 12. Foi bom, porém não tivemos para onde sair. 13. Registro a importância da reunião com o professor Kleber e das SEDUCs. Foi um espaço muito curto para o tamanho das demandas das secretarias, mas suficiente para muitos esclarecimentos, orientações por parte do MEC, e também foi demonstrado apoio e compromisso da CGEI com a educação indígena dos Estados. 14. Sugiro que nos próximos eventos seja envolvido uma maior quantidade de representantes e professores indígenas. Também espero que o MEC junto com as SEDUCs forme comissões e realizem visitas percorrendo as comunidades
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indígenas a fim de que possam conhecer as realidades dos povos indígenas do Brasil. 15. Sinceramente não esperava que eu fosse tão humilhado para participar de uma reunião do MEC, sendo convidado e indicado pela minha comunidade, no que diz respeito a deslocamento. Primeiramente aconteceu este fato no governo de um partido que eu ajudei, espero que esses erros primários possam ser superados nos próximos encontros. 16. Precisa-se que o MEC discuta mais essas propostas, ouvindo todos os segmentos da sociedade, organizações e povos de base das lideranças indígenas. 17. Apesar dos meus comentários anteriores, quero dizer que minha impressão geral foi positiva e desejo sinceramente que o esforço aqui iniciado não fique pelo caminho.Também sei das dificuldades enfrentadas, e por isso mesmo, dou os parabéns à equipe de organização e condução do seminário. 18. A idéia de ouvir os povos indígenas foi de bom tamanho, acredito que o objetivo proposto foi atingido, as discussões entre os povos foram uma riqueza, os resultados apresentados já referência outras discussões posteriores que serão necessárias. 19. Quero dar os parabéns a toda equipe por terem buscado desenvolver um bom trabalho, o que conseguiram alcançar. 20. Na próxima vez vocês deverão organizar melhor a ajuda de custo e conversar diretamente com o participante, além de terem em mãos a lista de quem, qual banco e quanto vai receber, para que assim não haja tumulto e principalmente a ausência de muitos índios na hora das discussões. 21. Eu estarei disponível se me convidarem. É muito importante levarem nossos problemas para serem discutidos em conjunto para se chegar a uma conclusão, assim estaremos fazendo conquistas, ficando mais fortes para sermos considerados um povo. Grato às demais autoridades. 22. Gostaria de ser contemplado em todas as discussões referentes à educação indígena. 23. Parabéns pela escolha do local do seminário, este espaço nos traz muita tranqüilidade para discutir as questões propostas. 24. Quero que no próximo seminário eu atue mais. 25. Gostaria de propor colocarmos as discussões sobre a educação dos povos indígenas nas escolas, respeitando a diversidade cultural. E que o MEC e organizadores façam intercâmbios com as organizações indígenas de todos os Estados. Aceito o convite para construir o que queremos. Quero vida, terra, respeito a cultura e tudo que é da minha realidade para entender a civilização do não-índio.
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26. Quero deixar o e-mail (Ricardonei@bol.com.br), para que se puderem me enviar qualquer informação sobre educação escolar indígena, será de grande importância. 27. Considero uma iniciativa louvável. Parabéns aos facilitadores. 28. Parabéns à organização do evento. 29. Espero que possamos discutir mais vezes. 30. A E.E. indígena é questão de direitos humanos, não de concessão. 31. Que isso não se perca com o tempo, que os índios sejam representados por suas diversidades cultural e religiosa.

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Ministério da Educação