You are on page 1of 38

Estudo de caso: Processo de envolvimento da família com o

adolescente em cumprimento de medida socioeducativa

Natália Pimenta de Paula
Ms. Joseleno Vieira dos Santos
Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Cátia Cilene do Carmo
Centro de Referência Especializado em Assistência Social- Leste

Goiânia, 2014

2

Estudo de caso: Processo de envolvimento da família com o
adolescente em cumprimento de medida socioeducativa

Natália Pimenta de Paula
Artigo apresentado ao Centro de Estudos,
Pesquisas e Práticas Psicológicas do
Departamento de Psicologia da PUC Goiás
como requisito parcial para a obtenção do grau
de Psicólogo.
Campo de Estágio: CREAS Leste
Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Goiânia, 2014

3

Banca Examinadora:
Joseleno Vieira dos Santos, Ms.
Presidente da Banca: Professor Supervisor

Cátia Cilene do Carmo, Esp.
Profissional de Campo

Rosival Barbosa Lagares, Ms.
Professor Convidado

Data da Avaliação: ______/______/______
Nota Final: ________________________

. medidas socioeducativas e ato infracional. nem sempre é preparada para cumprir esse papel. no entanto. O presente trabalho tem como objetivo discutir a importância do processo de envolvimento da família com o adolescente em cumprimento de medida socioeducativa. família. A partir da perspectiva desse estudo surgem questionamentos a respeito do efeito ressocializador das medidas socioeducativas.4 Resumo O estudo de caso apresentado foi realizado com um adolescente de 17 anos de idade e sua família. Palavras-chave: Adolescente. A família tem como tarefa principal o cuidado e proteção de seus membros. tendo uma importância na ressocialização de adolescentes em conflito com a lei. que se encontra cumprindo medida socioeducativa em meio aberto e que está sendo acompanhado pelo CREAS Leste na cidade de Goiânia-GO.

costumes e ideias. Para Gomes & Pereira (2005) considera-se família um grupo social composto de indivíduos que se relacionam cotidianamente gerando uma complexa trama de emoções. e pode ser composta de variadas formas. casamento ou adoção. para muitos autores que abordam o assunto. por tempo indefinido. transmitindo a herança social e cultural através da educação de seus filhos. é preciso pensar essa organização de forma plural. porque prepara a criança para o ingresso na sociedade.5 Estudo de caso: Processo de envolvimento da família com adolescente em cumprimento de medida socioeducativa Natália Pimenta de Paula Ms. se baseiam em aspectos socioeconômico-culturais e históricos. 2009). A família tem a função socializadora. aliança. geralmente na mesma casa. vivendo juntas. Consiste em um aglomerado de pessoas relacionadas entre si pelo sangue. econômica e psicológica e estes cuidados se passam num processo que estende da infância a velhice (Cayres. padrões de comportamento dependendo do status social da família. educativa. não existe um modelo regular de organização familiar. Outra função que vem sendo contextualizada ao que diz respeito aos seus membros é a responsabilidade pela proteção física. valores. com seus vários arranjos familiares. como uma unidade básica e universal. E é encontrada em toda civilização humana. . Ao exercer tal função a família também transmite ideologias através de hábitos. Joseleno Vieira dos Santos Pontifícia Universidade Católica de Goiás O conceito de família é abordado em diferentes enfoques e definições. Para Cayres (2009).

em razão de: a) falta. menor abandonado. Esse fato trouxe a falta de cidadania. em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária. porém a economia tem forte influência na área social (Gomes & Pereira.2005). considera-se em situação irregular: privado de condições essenciais à sua subsistência. de modo habitual. vítima de maus tratos ou castigos imoderados impostos pelos pais ou responsável.6 A pobreza no Brasil constitui preocupação permanente e o estado deve assegurar direitos e propiciar condições para efetiva participação da família no desenvolvimento de seus filhos. De acordo ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA. o sexo. com desvio de conduta. O objetivo previsto em lei1 voltada ao “menor” era apenas aquele que fosse marginalizado. delinquente.697/79 dispõe que: “Para os efeitos deste código. envolvendo adolescentes. pela falta eventual dos pais ou responsável. porém ao mesmo tempo tem alto índice de pobreza. em ambiente contrário aos bons costumes. a desgraça alheia. Exploram a privacidade. saúde e instrução obrigatória. desvalorização do próximo. O aumento da violência no país. tem relação com a má distribuição de renda a qual está imersa o Brasil. O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) surge para abolir o Código de Menores de 1979. ainda que eventualmente. b) exploração de atividade contrária aos bons costumes. assim a infância e adolescência no Brasil eram tratadas. ação ou omissão dos pais ou responsável. 1 . visando apenas interesses próprios (Levisky. perda de solidariedade. racionalidade e universalidade. formas mais frequentes de violência que banalizam a vida. em perigo moral. A violência também está relacionada à pós-modernidade fruto de um processo socioeconômico-político-cultural que se caracteriza pela individualidade. junto à globalização e veículos tecnológicos trazendo maior liberdade ao homem. autor de infração penal”. b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. devido a: a) encontrar-se. privado de representação ou assistência legal. as relações afetivas. A responsabilidade do Poder Público passava para o juiz de menores sem O artigo 2º da Lei 6. 1998). o Brasil está entre os países de alta renda. 2000).

não como sujeito (Machado. segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). meio de se regular as responsabilidades do adolescente (Brasil. A Constituição Federal de 1988 inova na proteção à criança e ao adolescente adotando a doutrina de proteção integral. Para este estudo vamos considerar a criança. em condições de liberdade e de dignidade (ECA. 1990).069/90. Para o ECA a menoridade é toda pessoa que à época de um ato ilícito possui menos de 18 anos de idade incompletos. citado por Sousa e Tavares (2012). art. 2º da Lei 8. 2003). eram tratados como objeto. 2008). e as possibilidades na esfera das políticas direcionadas àqueles sujeitos que se encontram em contextos empobrecidos. e adolescente aquela entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade. por considerar as crianças e adolescentes pessoas em desenvolvimento. moral e espiritual e social. a pessoa até 12 (doze) anos de idade incompletos. O artigo 3º. Para Vigotsky (2001). e sim.7 haver qualquer tipo de apoio ao “menor”. assegura-lhes todas as oportunidades e facilidades a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico. então o processo social de construção e execução de políticas públicas é sempre ligado à construção subjetiva dos sujeitos. art. . acreditando-se que os significados e execução das políticas públicas são uma importante passagem para referir-se ao contexto social em que estamos. 3º). a inimputabilidade não é sinônimo de impunidade. O ECA veio ao encontro da Constituição Federal e em seu primeiro artigo é enfatizado a proteção integral da criança e do adolescente (Rocha e Pereira. Entretanto. mental. as estruturas sociais tanto quanto as mentais têm raízes históricas bem definidas.

sociais. mas como se define a lei. . a adolescência se confundia com a infância. todas essas referências seguem o preceito de que se trata de uma fase de transformações dinâmicas biopsicossociais. com transformações corporais e de ajustamento às novas construções sociais e psicobiológicas entre a infância e idade adulta. além da integração em seu grupo social.8 Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). obtendo independência econômica. Para Eisenstein (2005). o ECA considera entre 12 a 18 anos. desigualdades e injustiças sociais se refletem de forma relevante na adolescência. devido à ascensão da burguesia e do processo de industrialização. entres 10 e 19 anos. e não era compreendida como hoje. pela Organização das Nações Unidas (ONU). um momento em que se têm expectativas culturais para o ingresso na vida adulta. entre 15 e 24 anos. Para Becker (1997). No Brasil também não há um consenso. O adolescente de classe mais pobre atravessa a adolescência com grandes desvantagens por ter necessidades básicas mais permanentes como conseguir roupa e comida. para os jesuítas. adolescência era um empecilho no sistema social (Becker. mentais. para Organização Mundial de Saúde (OMS). Ocorrem mudanças. o ECA é aplicável até 21 anos. sexuais. 1997). adolescência é um período de transição entre a infância e a fase adulta. a adolescência se confundia com a idade adulta. Apesar das discordâncias entre o início e o fim da adolescência. adolescência é o período compreendido entre 10 e os 19 anos. para o Ministério da Saúde são idades 10 a 24 anos. No entanto na atualidade há divergências nos limites cronológicos de adolescência. A adolescência nem sempre teve a importância. e se torna característico devido aos impulsos físicos. Até o século XVIII. essa fase era vivida apressadamente em direção ao ser adulto. a noção do limite da infância estava relacionada à dependência do indivíduo do que a puberdade.

criando consciência de transformação. roubos. Ou seja. o desemprego. essa é a forma mais comentada pelo senso comum como violência. irracionalidade e disfunção. tiroteios entre gangues. A autora ressalta que a última forma de violência citada não é um fenômeno natural e nem explicada pela conduta patológica dos indivíduos e muito menos pode ser explicada como atributo dos pobres e negros.9 e suas perspectivas de futuro são muito limitadas. criando desigualdade e levando a consequências como a fome. sequestros. furtos. 2008). Segundo o Centro de Referência em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP). O autor lembra que no Brasil os adolescentes se encontram em sua maioria nesta situação. do desejo do lucro fácil e da perda de referências culturais. Minayo (1990) classifica violência brasileira em três categorias: violência estrutural. que nasce no próprio sistema social. Lira. que vê movimentações de classes e grupos discriminados. 1990). Por último a delinquência. da desvalorização das normas e valores morais. da alienação dos indivíduos.112 são: . como desordem. As medidas socioeducativas aplicada pelo ECA do Art. Tal fenômeno advém das desigualdades sociais. dentre outras discriminações. delitos sob efeito de álcool e drogas. A violência revolucionária. que seria a forma que está mais presente na sociedade. as medidas socioeducativas na perspectiva do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) fazem parte de um sistema de justiça especial aplicado aos adolescentes com prática do ato infracional e contemplam em sua finalidade dois aspectos fundamentais: a defesa social e a intervenção educativa (Souza. Qualquer forma de violência tem que ser vista em rede (Minayo. as medidas socioeducativas se caracterizam pelo aspecto coercitivo (determinado pelo Poder Judiciário) e pelo aspecto educacional.

Internação em estabelecimento educacional Tratando-se de políticas públicas. As ações da assistência social são organizadas em dois tipos de proteção social. o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). responsabilizando o adolescente quanto às consequências do ato infracional (Brasil. Advertência II. a medida socioeducativas possui efetividade quando se influencia a vida do adolescente. o auxiliando na construção de sua identidade. destinada à prevenção de riscos sociais e pessoais. comunidade e estado (Brasil. 2012). Proteção Social Básica.10 I. tendo a intenção de reeducar. por meio da oferta de programas. serviços e benefícios a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social. 2012). Prestação de serviço a comunidade IV. A política de assistência social é organizada por tipos de proteção social e por níveis de complexidade do atendimento. considerando a corresponsabilidade da família. Inserção em regime de semi-liberdade VI. Liberdade assistida V. o proporcionando uma melhor perspectiva de vida futura. primeiramente é necessário situar a partir do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) que é o sistema regulador dos serviços de assistência social no Brasil. destinada a famílias e indivíduos que já se . Ao se falar de CREAS. Para o SINASE. é uma política social de execução do atendimento das medidas socioeducativas prevista na ECA. projetos. Obrigação de reparar o dano III. A Proteção Especial.

(Brasil. Esse processo é acompanhado pelo técnico da instituição designado para a função. não só do adolescente. que estejam conveniadas ao CREAS. embasado no ECA (Brasil. . que visa auxiliar.11 encontram em situação de risco e que tiveram seus direitos violados por ocorrência de abandono. 2013).) e de Prestação de Serviço a Comunidade (PSC). e o serviço de orientação e acompanhamento a adolescente em cumprimento as medidas socioeducativas de Liberdade Assistida (L. O CREAS2 é uma unidade que compõe o SUAS e faz parte da rede de proteção social especial de média complexidade. centrado no atendimento personalizado. orientação. podendo ser realizadas tais tarefas em instituições governamentais ou não. entre outros. inserção no mercado de trabalho e/ou cursos (Brasil. maus-tratos. A PSC consiste na realização de tarefas gratuitas que propicie ao adolescente em conflito com a lei tenha alguma experiência que contribua com sua reeducação. que são medidas aplicadas em meio aberto. de acordo com o que é estabelecido pelo Plano Individual de Atendimento (PIA). escola. acompanhar e orientar o adolescente. 2013) A LA é uma medida socioeducativa aplicada aos adolescentes em conflito com a lei. Oferece serviços de orientação e apoio especializado de assistência social a indivíduos e famílias que tenham tido seus direitos violados. Quem determina o tempo da PSC é o poder judiciário de acordo com ato infracional. por meio do fortalecimento de veículos na família. 2 O CREAS oferece atividades da Proteção Especial que são diferenciadas de acordo com níveis de complexidade (média ou alta) e conforme a situação vivenciada pelo indivíduo e família. 2012.A. 2012). abuso sexual e uso de drogas. pelo poder judiciário. comunidade. Este profissional faz o acolhimento. garantindo a promoção social do mesmo. mas também da família.

435/12. de acordo com a técnica responsável das medidas socioeducativas e percebido através da observação de prontuários. . da Norma Operacional Básica de Assistência Social/NOBSUAS (Brasil. A SEMAS busca assegurar o cumprimento da Lei Orgânica de Assistência Social/LOAS. O estudo proposto neste trabalho foi motivado pela minha experiência de estágio. cujos principais sujeitos eram os adolescentes em conflito com a lei3. na região leste da cidade de Goiânia. Este estudo tem como proposta discutir o processo de envolvimento das famílias junto ao adolescente em cumprimento de Medida Socioeducativas em Meio Aberto. tráfico e lesão corporal. é a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). firmada pela Lei 12. essa informação foi obtida no campo de estágio.12 A responsabilidade pela execução da Política de Assistência Social no município. 3 Os atos infracionais mais comuns são roubo. Esse estágio proporcionou uma reflexão sobre a temática das medidas socioeducativas. furto. 2014). vinculado á área de Psicologia Social o qual foi realizado em um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). tomando como exemplo o contexto do CREAS-Leste. o atendimento às diretrizes da Política Nacional de Assistência Social/ PNAS-2004.

mãe e um casal de filhos. de acordo com Resolução 466/1. pai. os nomes utilizados são fictícios para preservar a identidade dos participantes. Carlos. do Ministério da Saúde. trabalham juntos com vendas na área de hortifrúti no CEASA. morando em barracão cedido pela família da companheira. 17 anos. cumulado com Prestação de Serviço à Comunidade (PSC). porém a casa se localiza em uma área de invasão. Segundo o relato do pai a renda familiar está em torno de seis salários mínimos. mas trabalha com os pais de ajudante no hortifrúti. também vendedor. que normatiza pesquisas com seres humanos. A mãe informa que Carlos morava com a avó materna desde o nascimento. de 14 anos de idade. O genitor relatou estar construindo uma casa para a família em outro local e avó já estava de mudança para outro setor. vendedora e João. da qual a família terá de se mudar. revela que atualmente se encontra amasiado há cinco meses. Residem na casa avó materna. para cumprir as medidas de Liberdade Assistida pelo período de seis meses. Joana. 35 anos. Os pais de Carlos. A família escolhida é composta por quatro pessoas. pelo período de três meses durante quatro horas . filha do casal. O adolescente passou a ser atendido neste CREAS a partir de junho de 2013. 36 anos.13 Método Participantes Foi selecionado um caso para estudo. Verbaliza que não está estudando. os genitores e a irmã.

na copa da unidade em torno de uma mesa com três cadeiras. O ambiente escolhido para entrevista foi a cozinha. com boa iluminação e pouca ventilação. No decorrer do cumprimento das medidas o jovem cometeu novo ato infracional. Também foi utilizado o prontuário do adolescente e a ata do grupo “inter-agir” no CREAS. composto por: mesa e cadeiras. uma copa. Foi firmado o termo de Consentimento Livre e Esclarecido. como fonte de pesquisa. que . ventilada. prorrogando assim a medida de LA por mais seis meses. Foram utilizados: gravador de voz. caderno e caneta para anotações e o roteiro de entrevista semiestruturado elaborado pela estagiária pesquisadora. contendo dois quartos. e que o acompanhamento seria realizado pela estagiária pesquisadora.Leste. com boa ventilação e iluminação. uma sala. Carlos cumpriu a PSC no período de agosto a novembro de 2013. fogão geladeira. Procedimentos Foi feito um convite ao adolescente e a família para participarem de um estudo de caso. e em outro momento foi realizada em uma sala com uma mesa e duas cadeiras. Após a concordância dos mesmos. termo de Consentimento Livre e Esclarecido.14 semanais. um banheiro e uma cozinha. e itens que geralmente compõe uma cozinha. Instrumentos Em um primeiro momento o instrumento utilizado foi a entrevista realizada no CREAS-Leste. que se encontra em cumprimento. A entrevista teve continuação e foi finalizada na casa da família: um imóvel de alvenaria ocupando todo o lote. estava bem iluminada.

a família compareceu ao CREAS-Leste em dois momentos. devido adolescente se encontrar em cumprimento de medida socioeducativa de LA. A terceira foi realizada na casa da família onde se encontrava os genitores. Em cada encontro foi trabalhado um tema diferente. O número de participantes a cada encontro oscilava entre seis a dez pessoas. o interesse dos mesmos em participar do estudo foi voluntário. Os temas eram trabalhados com dinâmicas de grupo. palestras e ao fim das atividades era realizado um momento para reflexão. O segundo encontro também na unidade foi realizada entrevista somente com o adolescente. dentre eles: relação familiar. Tendo como objetivo trabalhar as famílias e adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. . Os critérios para a escolha dos participantes foram a assídua participação da família no grupo psicossocial “inter-agir” que estava acontecendo no CREAS. avó e a irmã.Leste. Durante os oito encontros ocorridos do grupo psicossocial “inter-agir” a família compareceu a seis reuniões. a partir de temas sugeridos pela equipe.15 assegura a preservação da identidade e confidencialidade dos dados obtidos. A primeira entrevista se iniciou ao término do sexto encontro do grupo psicossocial “inter-agir” no CREAS-Leste realizado apenas com os pais. sexualidade. drogas. porém o adolescente não estava presente. Para a realização da pesquisa. e acompanhamento por telefone. escola e outros. realizou-se uma visita domiciliar.

Carlos morava apenas com a avó.157. 10/10/2014). Em consulta ao Termo de Audiência de Continuação. art. Segundo relatos o adolescente começou fazer uso de substâncias psicotrópicas e veio o primeiro ato infracional. não tinha problemas com ele. Carlos justifica seu primeiro ato infracional. para chamar a atenção da família. Mas ao entrar na adolescência e depois da morte do avô a família notou uma mudança em seu comportamento. 4 A abordagem a vítima no momento do ato infracional feita por Carlos na companhia de dois colegas. Para melhor entender o contexto dessa família. Nesse contexto o adolescente relata se sentir mais esquecido. “ninguém tava me dando atenção. vou fazer uma coisa que eles vão ter que me dá atenção. a avó Matilde relata que na infância Carlos era uma criança comportada. . um aparelho celular. que depois de viúva entrou em outro relacionamento afetivo. documentos pessoais. ai eu fiz primeiro pra receber atenção. reunidas provas suficientes para a justiça para provar que os adolescentes praticaram o ato e que as autorias foram confessadas”.16 Resultados e Discussão O adolescente desde dois anos de idade morou com os avós. por volta das 21h abordaram4 a vítima e utilizando de grave ameaça com emprego de simulacro de arma de fogo subtraíram a quantia de 400 reais. cartões de crédito. dentre outros objetos pertencentes a vítima. o fato ocorreu na companhia de dois colegas. e os pais de Carlos era divorciados e moravam em diferentes cidades. o que está registrado é que “em dezembro de 2012. depois fiz de novo porque gostei na terceira vez gostei mais ainda” (segunda entrevista. pois estava se sentia esquecido.

por ser pobre e pardo. pagos com dinheiro público cuja pretensão é garantir segurança da população. os jovens e as crianças são precocemente criminalizados e suas famílias tidas como coniventes suspeitas ou parceiras de crimes.17 As medidas aplicadas a Carlos foram LA e PSC. logo a TV que foi uma das coisas que comprei com dinheiro do meu trabalho” (segunda entrevista. quebraram minha TV e meu videogame. a minoria segregada e oprimida. “eles chegaram dando bicuda e revirando tudo. são criminalizados pelos agentes de repressão. Carlos pode ser um exemplo de vitimizador. mas a orientadora local respondia dizendo que ele apenas estava ajudando. pois a mãe o obrigava e se sentia constrangido quando alguém perguntava o que ele estava fazendo lá. em geral. em sua maioria pobre e negros são vítimas preferenciais da violência. cometeu novos atos infracionais e novamente foi para Delegacia de Apuração de Ato Infracional (DEPAI) e não está estudando. Nessa ocasião. ao mesmo tempo. O adolescente faz uso de maconha todos os dias segundo ele. já teve sua casa invadida por agentes policiais. A situação de opressão e violência policial. agressores e testemunhas e as provas se perdem numa conspiração de intimidação e medo. ia. foi também observado nos relatos de genitoras no grupo “inter-agir”. mas também vítima preferencial da violência. apesar dos pais participarem com ele do grupo psicossocial “inter-agir” que ocorreu no segundo semestre de 2014 no CREAS-Leste. Tornando-se quase impossível distinguir os papéis de vitimas. agentes policiais. A LA não foi cumprida com o mesmo sucesso. diz que não gostou muito. A PSC ele cumpriu com bom desempenho em um Centro Espírita. que relataram que por diversas vezes os filhos apanharam de . Para Bierrenbach (1998). 10/10/2014).

”(oitavo encontro. cinco salários mínimos e meio. mas o genitor informa que está construindo uma casa em outro local.18 policias. Carlos relata satisfação em ter o pai mais perto.Leste um lazer. depois apanhavam e mesmo em situações passivas como apenas estar em praças também eram agredidos. Ao fazer visita domiciliar foi constatado que a família está morando em área de invasão. pelo fato de parecerem suspeitos. pelo genitor seria a renda bruta ou está havendo uma melhora na renda recentemente ou ocorreu uma falsa informação em relação à renda familiar. e os mesmos alegam que o principal motivo da reconciliação foi o adolescente. A partir dessas informações e a fala da genitora que demonstra a falta de lazer do casal e/ou família. e a genitora acha . importante destacar que a renda familiar informada não condiz com a realidade da família. após quinze anos de separação. Há cerca de um ano e meio os genitores de Carlos retomaram a relação conjugal. mas não obteve sucesso. que pena que acabou o nosso passeio de sábado a tarde. Pode-se pensar que a renda relatada. quando pegos em flagrantes passavam primeiro pelo Instituto Médico Legal. 18/10/2014). Uma observação feita pela estagiária são os móveis da casa e carro simples da família. A avó até então a principal responsável por Carlos recorreu à genitora alegando que o adolescente estava dando muito trabalho por estar envolvido com substâncias psicoativas e ato infracional. pois terão que desocupar a área por motivos legais e também relatou que tentou ganhar uma casa do projeto do governo federal “minha casa minha vida”. Um fato que também chamou atenção foi a fala da genitora para o conjugue no último encontro do grupo “inter-agir” “ah bem. ao considerar reuniões na unidade do CREAS .

No entanto houve mudança no comportamento e na relação familiar após a reconciliação de seus pais que trouxe maior união familiar e melhores expectativas quanto ao futuro. costumes. Os fatos acima se encaixam no que é trazido por Cayres (2009). tomar conta da vida dele. O pai alega transmitir boa educação ao filho. a família tem função socializadora. João afirma transmitir ao filho valores e a educação que recebeu na infância.. acredita que os desvios de conduta do filho têm relação com educação que recebeu na infância pelo avô.. transmitindo a herança social e cultural. Também transmite ideologias através de hábitos. e Carlos sempre gostou de coisa boa. tomar conta da família dele.” (terceira entrevista. se preparando para obter independência econômica.] ele tem que seguir o rumo certo da vida. João afirma que o filho tem de aprender a ter independência financeira. Visto na fala do pai “o avô fazia tudo que ele queria. educativa. acredita que o filho também tem que trabalhar para o próprio sustento. ideias.. como trabalhou desde muito cedo. 25/10/2014).. principalmente pelo fato de já está constituindo uma nova família “[. valores e padrões de comportamento.19 que o comportamento do adolescente melhorou. a adolescência é uma fase de transição. Para Eisentein (2005). Neste sentido. se eu . Isso em um momento de transição que ele está saindo da casa dos pais para constituir uma família junto à namorada. após a reconciliação dos pais e o namoro também o ajudou. um momento em que se têm expectativas culturais da sociedade para a entrada na vida adulta. ir trabalhar. porque prepara o indivíduo para o ingresso na sociedade.

sempre alcançou bens materiais facilmente oferecidos pelo avô apesar de sua condição financeira. sociais. e também ocorrem as transformações físicas. 10/10/2014). Bock & Ozella. É importante destacar que no momento da fala ele se mostrava revoltado com a avó. esses motivos não justificam os atos infracionais. “[. que era a figura de pai mais presente em sua vida. pois tinham companheiros diferentes e residiam em outras cidades. mas podem ser motivos . a instabilidade. Carlos teve uma infância muito permissiva. que o individuo vive contradições que contribui para algumas características que compõe a adolescência: a rebeldia. A partir dos relatos da avó e dos genitores.. E em uma fase crucial de mudanças em sua vida. eu comia porque a vizinha me dava comida. a morte do avô.. 2002). a busca da identidade e os conflitos (Aguiar.. depois ela ficou folgada. os genitores eram pouco participativos em sua vida. sexuais e para nossa cultura é uma fase de transição brusca entre a infância e vida adulta. e de certa forma sente que perdeu um pouco o afeto da avó. e não tendo seus genitores próximos. deixando o adolescente em casa sozinho. ela era de boa quando meu avô era vivo. saía de casa e nem deixava comida pronta.. e outro motivo de sua revolta é o namorado da avó Matilde. A adolescência é uma fase de mudanças. a adolescência se depara com a perda desse avô. emocionais. Nessa fase de sua vida Carlos passou por perdas.20 ficar ajudando demais ele vai achar que não precisa trabalhar” (terceira entrevista.” (Segunda entrevista. pois saía de casa para se divertir. 25/10/2014). a avó se tornou mais ausente.] Minha avó ficou folgada depois que meu avô morreu.

e quase sempre aparece nos atendimentos com técnica no CREAS . que pela sociedade em geral são consideradas responsáveis pela educação de seus filhos.Leste. voltando a culpa principalmente para as mães. Talvez por isso haja uma negação da culpa do envolvimento de seus filhos em atos infracionais.. esse caminho é o mais difícil [.. os filhos são influenciados por tal..21 que levam a compreender a vulnerabilidade para iniciar uso de substâncias psicoativas e o ato infracional.] ele acha que é esse o caminho mais fácil. esse tipo de fala apareceu no grupo “inter-agir” vindas de outras mães que tem filhos em cumprimento de medidas. esse negócio de torcida do vila nova. segundo a mãe “é as más companhias. que não conseguiu fazer a matrícula do filho. Vale explicitar que a mãe não responsabiliza o adolescente pelos atos infracionais. as “más companhias”.” (primeira entrevista.. Importante ressaltar que esse tipo de fala da não responsabilização dos filhos sobre o ato infracional não é única de Joana. Existe preconceito também por parte da escola que... por relatos da mãe e também foram observados nas evoluções do prontuário. só pra fazer arruaça [. No caso de Carlos a família sofre preconceito por parte de parentes próximos que cortaram relações com a mãe e o adolescente. O pai responsabiliza a torcida.” (primeira entrevista. 04/10/2014). evitando até mesmo o convívio dos primos com Carlos. mas também reconhece a culpa do filho “esse trem de torcida não presta não. . pois a escola sempre colocava empecilhos. 04/10/2014).] eu mostro que não é esse o caminho que ele tem que seguir. falas que responsabilizam sempre as amizades.. mas não é. sofrido pelas famílias de adolescentes em conflito com a lei. Há preconceito por parte da sociedade..

Mas nem sempre a família está preparada para assumir esse papel.. A Liberdade assistida é uma medida na qual a efetividade do cumprimento depende muito da disposição familiar. braçais e mais frequentes. eu que chamei eles. o grupo é bom mas só isso não é o suficiente. que por vez é responsável por fazer relatórios informativos e enviar à juíza. tirar leite. O fator econômico não é motivo suficiente para se explicar a violência. o mesmo ao ser questionado na entrevista com a estagiária. sobre a ocorrência do ato infracional diz que a ideia do primeiro assalto foi dele “A ideia foi minha. 04/10/2014). . pois determina que a liberdade do adolescente seja vigiada.22 Apesar da fala da mãe ao dizer que a culpa não foi do adolescente. A respeito do atendimento no CREAS e o grupo “inter-agir” a família se mostra satisfeita.” (primeira entrevista. Assim. mas sim da forma violenta a qual se estrutura a sociedade. e o revólver de brinquedo era meu” (segunda entrevista. e não diretamente do trabalho oferecido pelo CREAS. Os níveis de desigualdades sociais. mas o pai acha que a forma do cumprimento das medidas deveriam ser trabalhos em fazendas. a pobreza e as diversas questões que implicam uma situação de risco e vulnerabilidade ao ser humano são expressões da violenta forma como a humanidade se organiza socialmente (Silva. crianças e adolescentes sem proteção integral se tornam mais expostos às práticas violentas. ele discorda de políticas públicas. capinar e não só vir nesse grupo de psicologia. Fala que “tinha que mandar eles para uma fazenda. cuidar de horta.. A família deve relatar todo o comportamento do adolescente à técnica socioeducativa. 10/10/2014). sendo a vida infracional um aspecto desta realidade complexa. 2012). porém não há uma clareza sobre o funcionamento das medidas.

criando fantasias para a necessidade de consumo supérfluo. segundo Sawaia (2002).23 Carlos e sua família estão imersos em uma sociedade em que predominam as desigualdades sociais. além da insuficiência das políticas públicas. Fazendo parte de uma sociedade excludente. . e também o sistema capitalista que impõe demandas de consumo através da mídia. que inclui para excluir.

Além disso. o que dificulta o atendimento já que não pode ser realizado um atendimento psicossocial. dos momentos de estudo e o acompanhamento deste caso. no sentido de esclarecer para os pais a importância das medidas e que eles façam essa internalização. acompanhá-las mais de perto.24 Considerações Finais A partir da vivência como estagiária no CREAS. não atendem aos telefonemas e nem ligam para dar notícias do adolescente. junto a todas as unidades dos CREAS. esses profissionais são contratados como técnicos. O papel do CREAS é proporcionar suporte a família e ao adolescente. notou-se a importância do papel da família no processo de desenvolvimento do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa. e principalmente oferecer condições para que a família possa ajudar o adolescente para que assim haja mudanças de comportamento e pensamento. a maioria das famílias não comparece aos atendimentos solicitados. não só o da Psicologia. mas também a Pedagogia. a começar pelo carro que raramente está disponível na unidade. portanto a estrutura não atende as demandas do usuário. evitando reincidências. A equipe técnica não dispõe de recursos necessários para fazer um melhor acompanhamento. Mas os papéis das profissionais já estão sendo repensados e discutidos pela coordenação. o que dificulta o trabalho da equipe. especificamente nas medidas socioeducativas. Em relação ao papel do psicólogo no CREAS. dificultando a ida à casa dos adolescentes e famílias. Faz-se necessário oferecer maior suporte a família. Serviço Social e .

pois tem a certeza de que não vão ser punidos. Mas há também uma responsabilização da sociedade. . planos e programas para lidar com fenômenos de violência. E por diversas vezes ocorrem a extinção e/ou arquivamento do processo em casos que o adolescente não cumpriu a medida. 2012). O SINASE coloca que objetivos da medida socioeducativa são a responsabilização do adolescente. Para Borges (2012).25 outras. Mas há uma sensação de impunidade. se reprogramando através de seus sistemas. ou para algum serviço de Psicologia gratuito oferecido por universidades. integração social e desaprovação do ato infracional (Brasil. O presente estudo faz considerações à importância da Psicologia para as medidas socioeducativas. supram condições de vulnerabilidade e fragilidade. que enquanto estiver perdendo o controle da situação dos adolescentes em cumprimento de medida e temendo aproximação de modelos educativos mais eficazes. pois há envio de relatórios por parte das técnicas informando a juíza a situação do adolescente. é necessário que o estado se responsabilize. Por enquanto em casos que o técnico percebe a necessidade de atendimento psicológico o usuário é encaminhado para o serviço do Programa de Atendimento Especializado à Família e ao Individuo (PAEFI). também presente no CREAS. principalmente por parte dos adolescentes que se recusam a cumprir as medidas. Diante desses fatos surgem questionamentos a respeito do efeito ressocializador das medidas socioeducativas e do modo em que o Juizado da Infância e Juventude se posiciona. não alcançará os caminhos para reformas que poderão transformar o presente e o futuro de adolescentes do nosso país.

.26 Há um grande destaque por parte da mídia sobre violência praticada por adolescentes. gerando discussões e questionamentos em relação às responsabilidades penais dos adolescentes e a eficácia das medidas socioeducativas. Por se tratar de um tema polêmico há necessidade de mais estudos e pesquisas sobre o assunto.

(2005). M. I. A. & Pereira. Adolescência & Saúde. Gomes. Manual de Procedimentos Técnicos: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. L. Macaé Chaves. Adolescência: definições. Adolescência pelos caminhos da violência – São Paulo: Casa do Psicólogo.br/sagi/atendimento/doc/Manual_de_Instrucoes_-_CREAS. (2005). Lei Federal 8069 de 13 de julho 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Cayres. Código de Menores. Goiânia: Editora PUC GO. Nov. conceitos e critérios. C. E.gov. São Paulo: Editora Brasiliense S.pdf http://desigualdade-social. Eisenstein. (1998). Sousa. 2014 BRASIL (1990). R.gov. DF: Senado. (2009). D. E. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. Ciência e Saúde Coletiva http://aplicacoes. Brasília.mds.br . (1997). R. Acessado em 01... Disponível em http://www. & Tavares. Bierrenbach.. S.27 Referências Becker. BRASIL (2012). J. C. M. G. BRASIL (1979).(2012).A. D. C. Família em situação de vulnerabilidade social: uma questão de políticas públicas.planalto. Violência: Sociedade e Família: O lugar do jovem. Lei 6026. M. O que é adolescência. S. Psicologia Social e Políticas Públicas. M. Família Brasileira no Contexto Histórico e Cultural. BRASIL (2013).info/mos/view/Desigualdade_Social_no_Brasil/ acessado no dia 03/09/2014 às 20h18min .

Bittencourt. 5. dez. C.4.proec. No.. S. M. E.goiania. C. (2012). S. L.ibge.br/cidadaos/infancia-e-juventude/informacoes/medidas-socioeducativas-1 acessado no dia 09/06/16 às 11h17min Levisky. Em Rossetti-Ferreira. Descentralização Participativa e a Doutrina da Proteção Integral da Criança e do Adolescente. Rocha. C. Machado. SMAD. n. (Ed.br) Rossetti-Ferreira. Vol. M. B. 2.jus. Introdução . (2008) Estatuto da Criança e do adolescente: a construção de uma nova realidade. Oliveira.gov. (2002). A. O processo de inclusão social na vida de adolescentes em conflito com a lei. (2004).Seguindo a receita do poeta tecemos a rede de significações e este livro. port. S. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. D. B. (1999). Dissertação de Mestrado. J. online (www. & Carmo.. L.28 http://www. Rev. M. Socioeducação e juventude: reflexões sobre a educação de adolescentes e jovens para a vida em liberdade. (2008). Universidade Regional do Cariri-URCA Minayo. Petróplis: Vozes.) v. Silva. http://www.go. C. K. C. R. FFCL-RP. As artimanhas da Exclusão: Análise Psicossocial e Ética da Desigualdade social. Secretaria Municipal de Assistência Social. (2003). . C. G.gov. Adolescência: pelos caminhos da violência: a psicanálise na prática social. C. Adolescência pelos caminhos da violência – São Paulo: Casa do Psicólogo. M. Universidade de São Paulo. Agosto. M. Oliveira. Ribeirão Preto. (1990) A violência na adolescência: um problema de saúde pública. & Amorim. P. Sawaia. 2. Pereira. Revista da UFG. M. A importância da família na prevenção do uso de drogas entre crianças e adolescentes: papel materno.ufg. E.br/html/semas/ acessado no dia 15/10/2014 às 19h18m. F.. (1998). B.br/home/ acessado no dia 07/06/14 23h22min http://www.tjdft.

Porto Alegre: Artmed. A. P. & Carvalho. (Orgs. Secretaria Especial dos Direitos Humanos – Brasília: CONANDA.). pp. S. da. SINASE. 15-19. M.29 Silva. A. . 2006. Rede de significações e o estudo do desenvolvimento humano.

30 Anexos .

Qual visão de vocês em relação ao trabalho do CREAS nas MSE? É eficaz? 12.A relação após o cometimento do ato infracional mudou? 9.Como você auxilia seu filho no cumprimento da MSE? 13.O que vocês esperam do adolescente para o futuro? 17.31 Entrevista Semiestruturado (família).O que vocês pensam sobre o grupo “inter-agir”? 15.Qual perspectiva que a família tem para o futuro? 16.Quais motivos podem ter levado o adolescente a cometer o ato infracional? 7.Quem mora na casa em que vive o adolescente? Quantidade de membros que moram juntos? 4.Antes do ato infracional como era a freqüência escolar do adolescente? E depois do ato infracional? 10.Como era a relação do adolescente com a família na infância.Qual ato infracional cometido pelo adolescente? 6.Qual a visão de vocês em relação a polícia? 11.Anexo A 1.Como você acha que a família deveria ajudar o adolescente no cumprimento da MSE? 14.Quando vocês (pais) eram adolescentes qual a visão vocês tinham dos seus pais? 2.Como foi a educação que vocês (pais) receberam? 3.Qual reação da família ao saber do ato infracional? 8.O que levaram vocês (pais) a se separarem? E por que resolveram voltar? . préadolescência? 5.

A avó materna mora com a família? .32 18.

Anexo B 1.O que você pensa do trabalho do CREAS? É eficaz? 18.O que você pensa do grupo “inter-agir”? Mudaria algo? 19.Você faz uso de álcool e outras drogas? Com que freqüência? 22.Como você vê sua família? 4.Sua família te apóia no cumprimento das MSE? 17.Até que idade você morou com sua avó? 15.Está trabalhando? E a relação com o trabalho? 9.33 Entrevista Semiestruturado (adolescente) .O que te motivou a cometer o ato infracional? 11.Como é a relação com os amigos? 7.Como a policia deveria agir com os adolescentes? 21.Como era sua relação com sua família na infância.Você se recorda de fatos que marcaram sua infância? 3.Está estudando? Como é a relação com a escola? 8. pré-adolescência? 2.Tem algo na sua família que gostaria de mudar? 5.Qual ato infracional cometido? 10.A partir de que idade você foi morar com ela? 16.O que te levou a cometer outros atos infracionais? 12.Como sua família reagiu ao saber do ato infracional? 13.O ato infracional tem relação com o uso de álcool e outras drogas? .Qual a visão que você tem sobre a polícia? 20.Tem algo que você admira em sua família? 6.Você acha que a relação com sua família mudou após o ato infracional? 14.

O que você tem vontade de fazer? 27.Como você acha que sua família poderia te ajudar no cumprimento das MSE? 25.Você mudaria algo em seu passado? 24.O que você sonha para seu futuro? 28.Quais perspectivas você tem para o futuro? 26.34 23.O que você está fazendo para alcançá-lo? .

e ficar devidamente esclarecido (a) sobre do que se trata esta pesquisa. Título da Pesquisa: Estudo de caso: Processo de envolvimento da família com o adolescente em cumprimento de medida socioeducativa Pesquisadora Responsável: Natália Pimenta de Paula. Em caso de dúvida sobre o estudo você poderá entrar em contato com o orientador da pesquisa. Joseleno Vieira dos Santos. em uma pesquisa do curso de Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUCGO). Todas as suas respostas serão confidenciais e não poderão ser utilizadas contra ou a seu favor. Uma delas é sua e a outra da pesquisadora responsável. Objetivos da Pesquisa: Discutir a relevância da relação familiar durante o processo de ressocialização dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa e de que forma a família pode contribuir para a eficácia da medida. graduanda em Psicologia. assine ao final deste documento. Ms. Meu nome é Natália Pimenta de Paula. sob a supervisão do professor Ms. que dispõe de duas vias. Telefone para contato: (62) 9968-7766. como voluntário (a). professor. e desenvolvo essa pesquisa como parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso.35 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO . Detalhamentos do Procedimento: Os procedimentos desta pesquisa visaram atender às recomendações da Resolução nº 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia e nº 196/96 do . sobre de que forma a família de adolescentes em cumprimento de Medida Socioeducativa em meio aberto contribuem para a eficácia da medida. pelo telefone: (62) 96144447. pesquisadora.Anexo C Você está sendo convidado (a) para participar. Joseleno Vieira dos Santos. caso aceite fazer parte do estudo. sou pesquisadora. Após ler este documento com atenção.

Especificação dos riscos. Entretanto. para registro das respostas. aplicado de forma individual. Caso se sinta desconfortável durante a sua participação. você pode interrompê-la sem quaisquer prejuízos. como. referentes à conduta ética na pesquisa com seres humanos. a realização fica sob encargo e responsabilidade da Pesquisadora responsável. desenvolvidas pela pesquisadora.36 Conselho Nacional de Saúde. prejuízos. por exemplo. não se trata de nenhum procedimento considerado invasivo. Dessa forma a família do adolescente será convidada a participar da pesquisa de acordo com a disponibilidade a ser negociada com a técnica da unidade. e se recusar a assinar o Termo de Consentimento. Esta pesquisa contará com a aplicação de entrevistas semiestruturadas. sob a orientação do professor Ms. desconfortos. não validadas. Você tem todo o direito de pleitear indenização em caso de danos recorrentes de sua . Joseleno Vieira dos Santos. existe a previsão de riscos mínimos. Critérios de exclusão: Não participará da pesquisa a família que não quiser participar da pesquisa. Será utilizado um gravador de voz. durante visitas às casas do adolescente e durante atendimentos realizados nas dependências do CREAS Leste. lesões que podem ser provocados pela pesquisa: Avaliação do risco da pesquisa (probabilidade de que o indivíduo sofra algum dano como consequência imediata ou tardia do estudo: ( ) Sem risco (x) Risco mínimo ( ) Risco médio( ) Risco baixo ( ) Risco alto Sua participação não lhe trará nenhum risco em termos jurídicos ou médicos. um pequeno desconforto em relação a determinadas perguntas. Forma de Acompanhamento: É importante ressaltar que durante todos os procedimentos aplicados na pesquisa. acompanhados pelo CREAS Leste. Natália Pimenta de Paula. Critérios de inclusão: Participará como sujeito da pesquisa membros da família de adolescente em cumprimento de Medida Socioeducativa.

Natália Pimenta de Paula. Ademais. . Esclarecimento sobre o período de participação e término: O período de sua participação na pesquisa será de. são confidenciais e não poderão ser utilizadas contra ou a seu favor. Garantia dos dados coletados: Os dados obtidos serão coletados e utilizados apenas para os fins desta pesquisa. Sua participação é de caráter voluntário. e não serão armazenados para estudos futuros. Descrição dos benefícios decorrentes da participação na pesquisa: Sua participação neste estudo possibilitará conhecer mais da situação da família e das contribuições da mesma para a eficácia da medida socioeducativa aplicada ao adolescente. uma hora.37 participação na pesquisa. devido a isso não haverá ressarcimento de despesas. no máximo. Ressalta-se que você terá a garantia de sigilo e sua identidade não será vinculada às informações prestadas. tendo como base os discursos da família sobre o mesmo. Também colaborar para a ampliação de pesquisas e estudos no que se refere a esse assunto. Divulgação dos resultados: Os resultados da pesquisa serão divulgados no Trabalho de Conclusão de Curso da Pesquisadora responsável. interrompendo sua participação. Todas as despesas serão custeadas pela Pesquisadora responsável. Garantia de sigilo: Todas as suas respostas serão confidenciais. Lembre-se que durante e depois da pesquisa não haverá nenhum tipo de pagamento ou gratificação financeira por sua participação. Apresentar a garantia expressa de liberdade de não aceitação: Você terá o direito de retirar seu consentimento a qualquer tempo sem nenhum prejuízo da continuidade do acompanhamento/tratamento usual. caso não queira mais participar da pesquisa.

RG. assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Declaro ter lido o Termo de Consentimento Livre e Informado. como sujeito. os procedimentos nela envolvidos. abaixo assinado.____________________________________________. Local:___________________ Data: ______/ ______/ 2014 Assinatura do (a) Participante __________________________________________________________ Assinatura da Pesquisadora Responsável . sem que isto leve qualquer penalidade. Natália Pimenta de Paula. sobre a pesquisa. Foi-me garantido que posso retirar meu consentimento a qualquer momento. e ter sido devidamente informado (a) e esclarecido (a) pela Pesquisadora responsável.38 CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO Eu._______________. concordo em participar da presente pesquisa “Estudo de caso: Processo de envolvimento da família com o adolescente em cumprimento de medida socioeducativa”.