Ensaios Económicos de um Transformador Trifásico

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Data de criação: 31 de Março de 2004 Versão: v0.02 – 3/MAI/2008 Autor: Ricardo Filipe Teixeira Gomes

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Instituto Politécnico do Porto Instituto Superior de Engenharia do Porto
Departamento de Electrótecnia Curso de Engenharia Electrotécnica – Electrónica e Computadores

Disciplina de Máquinas Eléctricas

Ensaios Económicos de um Transformador Trifásico

31-03-2004

Trabalho elaborado por: Indice Ricardo Filipe Teixeira Gomes

Ensaios Económicos de um Transformador Trifásico

31-03-2004

Objectivo --------------------------------------------- 2 Introdução ------------------------------------------- 2 Valores Previstos ------------------------------------ 5 Esquema de Montagem ----------------------- 5 Material Utilizado ---------------------------------- 6 Descrição do Trabalho -------------------------- 6 Cálculos ----------------------------------------------- 7 Resultados -------------------------------------------- 8 Conclusão ------------------------------------------- 9 Bibliografia -------------------------------------------- 9

I.P.P.-I.S.E.P. – D.E.E.-E.C.

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Objectivo
− Obtenção do circuito equivalente simplificado por fase referido ao primário; − Determinação da tensão de curto-circuito nominal – Z2I2n; − Determinação da queda de tensão óhmica nominal – R2I2n; − Determinação da queda de tensão reactiva nominal – X2I2n; − Determinação do triângulo de Kapp;

Introdução
Tal como conhecido, o principal campo de aplicação dos transformadores é o transporte e distribuição de energia eléctrica, assim, e devido ao facto de este sistema utilizar quase exclusivamente o sistema trifásico de tensões surge a necessidade do transformador trifásico. Este tipo de transformador surgiu da junção de três transformadores monofásicos iguais entre si, de modo a constituírem um sistema trifásico. Esse conjunto de transformadores monofásicos, ligados de forma a realizar uma transformação trifásica, constitui um banco de transformadores monofásicos. Ao alimentarmos os primários de cada transformador por um sistema trifásico de tensões obtemos um sistema trifásico de fluxos:

Φ Ι + Φ ΙΙ + Φ ΙΙΙ = 0

Fig. 1- Banco de transformadores monofásicos

Logo efectuarmos a fusão numa só coluna, das três colunas centrais, nela não circulará qualquer fluxo, podendo-se suprimir, passando assim a dispormos de um só circuito magnético que conterá seis enrolamentos. Teremos assim um transformador trifásico.

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Fig. 2 – Transformador trifásico de 3 colunas

Os dois extremos dos enrolamentos de uma mesma coluna têm a mesma polaridade se simultaneamente (devido ao fluxo comum) possuírem potencias positivos (ou negativos) em relação aos outros dois extremos. Assim na primeira coluna, A e a representam os dois extremos com a mesma polaridade, sendo os opostos designados por A’ e a’. O mesmo raciocínio é seguido para as colunas B e C. As letras maiúsculas referem-se às tensões mais elevadas e as minusculas às tensões inferiores. Os transformadores trifásicos possuem três formas de ligação, sendo estas a ligação em estrela, triângulo e zigue-zague. A ligação em estrela tem a vantagem de ter o neutro acessível (acesso a tensão composta e tensão simples) e de os enrolamentos terem menor isolamento (porque apenas estão sujeitos à tensão simples). A ligação em triângulo é mais utilizada quando se prevêem correntes elevadas (corrente no enrolamento √3 vezes inferior à na linha) necessitando assim de condutores das espiras de menor secção. A ligação em ziguezague é utilizada quando são previstos grandes desequilíbrios de distribuição de carga pelas três fases (no secundário) , sendo isto conseguido pelo facto de cada enrolamento ser dividido em duas bobines colocadas em duas colunas diferentes, logo, “olhando” do enrolamento primário teremos um sistema mais equilibrado.

Fig. 3 – Diferentes tipos de ligação do transformador trifásico e suas principais características

Cada tipo de ligação é simbolizado por uma letra, sendo a correspondência a seguinte:
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Estrela – Y (y se no lado da tensão mais baixa); Triângulo – D (d se no lado da tensão mais baixa; Zigue-zague – Z (z se no lado da tensão mais baixa). As ligações de um transformador são ainda caracterizadas pelo índice horário. Este tipo de classificação é obtido quando os diagramas de tensões primárias e secundárias são sobrepostos, e medimos o desfasamento entre uma tensão primária e a sua correspondente secundária em horas como se tratassem de dois ponteiros de relógio (a deslocarem-se no sentido horário), estando o primeiro no zero e o segundo no valor (hora) que caracterizará o desfasamento. Os valores mais comuns são descritos no quadro da página seguinte:

Fig.4 – Quadro de valores de desfasamento horário para os tipos de ligações mais comuns

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Valores Previstos
o Para o ensaio em vazio: U1n > 450 V; U20 = 300 V; IA0, IB0 e IC0 – na ordem das centenas de mA. o Para o ensaio em curto-circuito: IAcc, IBcc e ICcc = In = 5ª; U1cc – na ordem de 10% de U1n.

Esquema de montagem

a V1 Autotransformador b c

A B V1

400/230V 50 Hz ~

C

A

Fig.5 – Esquema de montagem para o ensaio em vazio

A V1 400/230V 50 Hz ~ Autotransformador C B

a

b

c

A

Fig.6 – Esquema de montagem para o ensaio em curto-circuito

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Material Utilizado
1- Multímetro digital Fluke 79 III (V1 e V2); 1- Pinça amperimétrica Prova 11 (A); 1- Medidor de potência Fluke 43B; 1- Transformador trifásico de 3 colunas com 4 enrolamentos (cada de 150 V 5 A e resistência a 20ºC de 0,55Ω) por coluna. O secundário é composto pela série dos 2 enrolamentos centrais de cada coluna e o primário pelos externos; Fios de ligação; Pontas de prova.

Descrição do trabalho
Este trabalho foi dividido em dois ensaios, o ensaio em vazio e o ensaio em curto-circuito. Ensaio em vazio: - Montou-se o esquema da Fig. 5 - Alimentou-se o secundário, por transformador, com U20=300V - Registaram-se os seguintes valores: IA0=300 mA IB0=212 mA IC0=220 mA Ensaio em curto-circuito: - Montou-se circuito da Fig. 6 (notar que o secundário está curto-circuitado - Alimentou-se o primário, por meio do auto-transformador, até que este obsorve-se a sua corrente nominal (In=5 A) - Registaram-se os seguintes valores: IAcc=5 A IBcc=3,88 A ICcc=4,7 A U1cc=76,6 V PCu=316 W

meio

do

auto-

U1n=519 V U20=301 V PFe=75 W

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Cálculos
3 × U1n 3 × 519 = = 2,99 U 20 301 I +I +I 300 + 212 + 220 I 0 = A0 B 0 co = = 244 mA 3 3 PFe 75 cos ϕ 0 = = = 0,59 U1n × I 0 519 × 244 ×10−3 m=
R0 = U1n 519 = = 3605 Ω I 0 × cos ϕ 0 244 ×10−3 × 0,59 U 1n 519 = = j 2626 Ω I 0 × senϕ 0 244 ×10−3 × 0,81

senϕ 0 = sen(arccos 0,59) = 0,81 Xm =

I Acc + I Bcc + I Ccc 5 + 3,88 + 4,7 = = 4,53 A 3 3 2 I 52 I ≠ I n ⇒ PCun = PCu × n2 = 316 × = 385 W I 4,532 I 5 U1ccn = U1cc n = 76,6 × = 84,5 V I 4,53 PCu 316 = = 0,91 ⇒ ϕ cc = ar cos 0,91 = 24,5º cos ϕ cc = U1cc × I 76,6 × 4,53 I= Z1 = U1cc 76,6 = = 16,9 Ω I 4,53

R1 = Z1 × cos ϕcc = 16,9 × 0,91 = 15,4 Ω X 1 = Z1 × senϕcc = j 7,0 Ω
R1 15,4 = = 1,72 = 1,72 ∠0º (Ω ) m 2 2,99 2 X1 7,0 X2 = 2 = = j 0,78 = 0,78∠90 º (Ω ) m 2,99 2 Z 2 = R2 + jX 2 = 1,72 + j 0,78 = 1,89 ∠ 24,4º (Ω ) R2 =

U cc 2 n = Z 2 × I 2 n = 1,89 ∠ 24,4 º× 7,85∠ 24,5º = 14,83∠ 48,9º (V )

I 2 n = 3 × I = 3 × 4,53∠ 24,5º = 7,85∠ 24,5º ( A )

Queda de tensão óhmica nominal:
U Ωn = R2 × I 2 n = 1,72∠0º×7,85∠24,5º = 13,5∠24,5º (V )

Queda de tensão reactiva nominal:

U Rn = X 2 × I 2n = 0,78∠90º×7,85∠24,5º = 5,87∠115º (V )

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Resultados
o Circuito equivalente para as três fases simplificado e referido ao primário:
I I12 X1 j7,0 ohm

I0

R1 15,4 ohm

U1n 519 V

R01 3605 ohm

Xm1 j2606 ohm

U12

o Ucc2n=14,83∠49º (V) o UΩn=13,5∠25º (V) o URn=5,87∠115º (V) o Triângulo de Kapp:
U 2 = U 20 − U Ωn − U Rn U 20 = 1552∠ − 30º (V ) U 20 = U1n × m = 519 × 2,99 = 1552 V

U 2 = 1552∠ − 30º −13,5∠25º −5,87∠115º = 1548∠ − 30,5º (V )

-30º

-30,5º

U20

U2 URn U
0

NOTA: A escala do diagrama de Kapp encontra-se ligeiramente alterada por forma a poderem ser evidenciados os seus principais detalhes.

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Conclusão
Após terem sido efectuados todos os cálculos necessários e de se ter analisado os valores obtidos, bem como os registados, tornou-se possível inferir que a teoria inerente ao transformador trifásico se verificou válida, não obstante o facto do transformador ensaiado apresentar algumas deficiências de funcionamento. As deficiências de funcionamento verificadas deveram-se muito provavelmente ao curto-circuito de algumas das espiras dos enrolamentos primário e secundário, isto porque ocorreram discrepâncias, entre as várias correntes medidas nos enrolamentos, demasiadamente significativas para se tratarem apenas de diferenças aliadas à bobinagem dos enrolamentos. Foi também possível verificar que o transformador em causa apresentava um valor de elevado de perdas nos enrolamentos (PCun=385 W) e de perdas no circuito magnético (PFe=75 W). Ao analisar o diagrama de Kapp obtido observa-se que existe um reduzido desfasamento e diferença de amplitude entre U20 e U2, sendo por isto responsável UΩn e URn. Estas diferenças ocorrem pelo facto de o transformador não apresentar o seu comportamento ideal (tal como qualquer outro).

Bibliografia
o “Tecnologias 11º ano”- PINTO, António; ALVES, Vitor – Porto Editora; o Apontamentos de Máquinas Eléctricas 2004 – NEVES, Betina Campos;

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