You are on page 1of 14

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Número do

1.0245.10.009424-3/002

Relator:

Des.(a) Estevão Lucchesi

Relator do Acordão:

Des.(a) Estevão Lucchesi

Data do Julgamento:

20/02/2014

Data da Publicação:

28/02/2014

Númeração

0094243-

APELAÇÃO CÍVEL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. CASAMENTO
ANTERIOR. MERA DETENÇÃO. POSSE QUE NÃO SE CONVALIDA.
NOTIFICAÇÃO. ESBULHO. BENFEITORIAS. AUSÊNCIA PROVA.
DEFENSOR DATIVO. HONORÁRIOS. Advindo a posse sobre o bem de
mera permissão do real possuidor e proprietário, que mantinha com a
apelante relação matrimonial anteriormente, não é legítima a negativa de
restituição da coisa, mormente não havendo direito a meação sobre o bem.
Configurada a posse precária e o esbulho, haja vista o desatendimento à
notificação para desocupação voluntária, encontram-se presentes os
requisitos do art. 927 do CPC, sendo de direito a procedência do pedido de
reintegração de posse. Ausente a prova de que, após a separação, a
recorrente levantou benfeitorias no imóvel, descabida a retenção do bem a
tal título. O defensor dativo, nomeado para a defesa em juízo de pessoa
pobre, faz jus à fixação de honorários advocatícios, a serem custeados pelo
Estado.
APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0245.10.009424-3/002 - COMARCA DE SANTA
LUZIA - APELANTE(S): ZEFERINA RIBEIRO DA SILVA - APELADO(A)(S):
JOSÉ GUILHERME SOARES
ACÓRDÃO
Vistos etc., acorda, em Turma, a 14ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal
de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos
julgamentos, à unanimidade, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AO
RECURSO.
DES. ESTEVÃO LUCCHESI
1

É o relatório. qualificada nos autos. mas a situação seria regularizada. a apelante pretende a reforma da sentença. interposto por ZEFERINA RIBEIRO DA SILVA. Em suas razões recursais. Inexistindo questões prejudiciais a analisar. ESTEVÃO LUCCHESI (RELATOR) VOTO Cuida-se de recurso de apelação. em razão da nomeação de defensor dativo para sua defesa em juízo. Em contrarrazões. aduzindo que não resta provada a sua posse como injusta. durante o tempo em que foram casados. durante sua permanência no imóvel. Pugna. sendo que. Afirma que. pugna o apelado pela manutenção da sentença hostilizada. passa-se diretamente à questão de fundo. o autor/apelado alegava que o imóvel estava no nome de seus irmãos. contra sentença que julgou procedente em parte o pedido inicial da ação de reintegração de posse. providência não observada pelo Juiz de primeiro grau. ainda. Afirma ter sido casada com o apelado entre 1989 e 2007. Dispensado o preparo recursal. permaneceu no imóvel juntamente com seus filhos. por estar a apelante sob o pálio da gratuidade de justiça. Argumenta que. realizou diversas benfeitorias para a sua manutenção. manejada por JOSÉ GUILHERME SOARES. após a separação.RELATOR. DES. Encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do recurso. Pretende a apelante a reforma da sentença que julgou procedente em parte o pedido de reintegração de posse manejado em . pela fixação de honorários.

a título de comodato. que está sendo vítima de esbulho por parte da ré/apelante. após o final do relacionamento do apelado com a apelante. 926. configurando o esbulho possessório. e segurado de violência iminente. Assevera que. sustenta o apelado. "o possuidor tem direito de ser mantido na posse no caso de turbação e reintegrado no de esbulho". se tiver justo receio de ser molestado. restituído no de esbulho. mesmo notificada. verbis: O possuidor tem direito a ser mantido na posse. . em caso de turbação. essencial é que a agressão provoque a perda da possibilidade de controle e atuação material no bem antes possuído. esta continuou residindo no imóvel de propriedade da família do apelante. sendo privado do poder físico sobre a coisa. recuperando o poder fático de ingerência socioeconômica sobre a coisa. 1210 do Código Civil.seu desfavor pelos apelados. Sobre a reintegração de posse. vale transcrever o lúcido magistério dos professores Cristiano Chaves de FARIAS e Nelson ROSENVALD: É o remédio processual adequado à restituição da posse àquele que a tenha perdido em razão de um esbulho. Conforme a dicção do art. Na dicção do art. em sua peça inicial. No caso dos autos. do Código de Processo Civil. por mera liberalidade. Não é suficiente o incômodo e a perturbação. A pretensão contida na ação de reintegração de posse é a reposição do possuidor à situação pregressa ao ato de exclusão da posse. a apelante continuou a residir no imóvel. Diz que. não vislumbro razões para reformar a bem lançada sentença guerreada. que perduraria até quando o autor ou algum dos demais proprietários viesse a reivindicar a devolução do imóvel. conforme ajustado verbalmente e na própria ação de separação. Em que pese ao esforço da recorrente.

248) (atual artigo 579) isto é. chamado empréstimo de consumo. efetivamente. é necessário que o possuidor perca. de modo a alterar-lhe os limites (clandestinidade).) Frise-se que o esbulho não é apenas consequente a um ato de força ou ameaça contra a pessoa do possuidor ou de seus detentores. aproveitando-se da ausência do vizinho. se distingue do mútuo.(. Também se vislumbra o esbulho na conduta de quem se recusa a restituir o imóvel após o término da relação contratual que conferiu a posse direta (precariedade). gratuitamente.. não basta a simples ameaça ou perturbação ao exercício da posse. e seus . Daí lhe advém o nome de empréstimo de uso... de forma cristalina. aquele contrato pelo qual uma pessoa entrega a outra. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. desde o Direito Romano. 122/123) É de se ver. há esbulho no ato daquele que.. com que. precariedade e clandestinidade. para que a utilize e depois restitua. no esbulho. ed. Vale dizer: violência. 2006. III. 10ª ed. p. enumerados no art. Rio de Janeiro: Forense. que. verifica-se. arreda as divisas do imóvel. Vol. 3. Não obstante a tese sustentada pela apelante.) (grifo nosso) (in Direitos reais. 213) Na hipótese ventilada. tenho que a solução adotada pelo magistrado a quo foi acertada. artigo 1. portanto. É fato incontroverso nos autos que a posse da autora/recorrente sobre o imóvel objeto da lide é oriunda de comodato verbal. o poder físico sobre a coisa. 1200 do Código Civil. Seu espectro é mais amplo e abarca as situações em que a posse é subtraída por qualquer dos vícios objetivos. ps.. coisa não fungível. que a apelante passou a residir no imóvel de propriedade do apelado. (in Instituições de Direito Civil. Nas lições de Caio Mário da Silva PEREIRA: Comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis (Código Civil. (. Portanto.

sempre teve total conhecimento acerca do fato de que o imóvel não era de propriedade exclusiva de seu marido.208 do Código Civil. e termo de homologação do acordo de separação (fl. Como cediço. Tratando-se de mera liberalidade. conforme se depreende do registro imobiliário de fl. Com efeito. após o fim da relação. em função da união matrimonial anteriormente existente entre a recorrente e o recorrido. após o término da relação. lá permanecendo. a teor do disposto no art. conforme se constata da inicial reproduzida à fl. 26). a permanência da autora/apelante no imóvel se deu por uma exclusiva liberalidade do apelado. de forma clara e direta. em razão do relacionamento afetivo mantido com o recorrido. 13-32. como já delineado. a intenção do apelado em ver restituída a posse efetiva sobre o bem foi manejada. 23. os atos de mera liberalidade ou tolerância. a título de comodato. a autorização para permanência da autora no imóvel. por mera liberalidade dos proprietários. Permanecendo a apelante na posse precária do imóvel. Doutro norte. Assim. No caso em comento. através da notificação judicial de fls. uma vez que a situação fática nutrida em relação ao bem estava sujeita ao direito potestativo dos proprietários e reais possuidores. são incapazes de induzir a posse. conforme se depreende da própria narrativa exposta pela recorrente em suas razões recursais.irmãos. constou do processo de separação do casal. é nítida a precariedade da posse mantida. 1. ora apelado. bem como aqueles advindos de violência ou clandestinidade. . Desta forma. enquanto estas não se cessarem. a apelante. durante e depois de finda a relação matrimonial. mas sim em condomínio com seus irmãos. não pode o detentor se opor à desconstituição da situação fática por iniciativa do verdadeiro possuidor.20.

A parte que se encontra em estado de submissão não poderá evitar que a outra. com o desdobramento da posse (San Tiago Dantas. Daí em diante.. o locatário ou o comodatário se recusam a devolver a coisa depositada. por relações de parentesco ou de vizinhança. o espectador. Basta lembrar as hipóteses em que o depositário. 453/454). unilateralmente. ps. a título de precário. desse modo. que a posse precária tem origem no descumprimento de obrigação de restituir. Verifica-se. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Heloisa Helena. A situação de sujeição não se compatibiliza com a constituição de qualquer direito subjetivo. Assim. Da posse. desconstitua sua situação fática sobre a coisa. BARBOZA. é nítida a configuração do esbulho possessório. p. Tito Fulgêncio. o usuário encontra-se em situação de poder transitório e efêmero sobre a coisa. inibindo eventual caracterização de posse. Em comum na permissão e tolerância. MOARES. seja a cargo de detentor ou possuidor. o possuidor coloca a coisa à disposição de um usuário. ensejando o chamado direito potestativo.) (TEPEDINO. Dos já citados Cristiano Chaves de FARIAS e Nelson ROSENVALD. sem que. conservando-a consigo de maneira indevida. (. Rio de Janeiro: Renovar. 2011. jamais poderá ser chamado . ao assistir ao filme. Programa. Gustavo. Vol. em face do objeto apreendido. transcrevo: Ínsito ao conceito de precariedade está o abuso de confiança daquele que detém (ou possui) a coisa para devolução posterior. p. 39).. entre ambos. Assim. colhe-se: (. 62. caracteriza-se o possuidor em nome próprio e segundo seu exclusivo alvedrio..mesmo após instada a desocupá-lo. mas não o faz oportunamente. forme-se um negócio jurídico. III.) comuns são os episódios em que. A respeito do vício de precariedade da posse. formam-se relações jurídicas em que uma das partes exerce um poder sobre a situação jurídica outra. Maria Celina Bodin de..

Sua qualidade de detentor é fruto do estado de transitoriedade na sujeição sobre a coisa. em que o permitente pode denunciar a situação jurídica do usuário. a qualquer tempo o concedente poderá impor um procedimento pela outra parte. inexistindo o elemento de ingerência socioeconômica que caracteriza as situações possessórias. a qual lhes permite agir contra a possuidora direta.AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE .09.HIPÓTESE DE CO MO D ATO V ER B A L .CARÊNCIA DE AÇÃO. Hilda Teixeira da Costa. Desª. a permanência no imóvel caracteriza esbulho. caracterizando-se ambas pela transitoriedade e pela faculdade de supressão do uso. APENAS .) (ob.CONFIGURAÇÃO DO ESBULHO REQUISITOS COMPROVADOS . ps.. sem erigir proteção possessória ao usuário. na condição de comodantes. detêm a posse indireta do imóvel.de possuidor da poltrona que ocupa.ALEGAÇÃO AFASTADA.. cit. Os autores. e não em negócios jurídicos.208 do Código Civil. ora apelante. Extinto o comodato através de notificação. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 68/69) Outro não é o entendimento do C.0145. pelo real possuidor.552060-0/002. em 03. impondo-se a reintegração da posse em favor dos comodantes. conforme o disposto no art. Tribunal de Justiça de Minas Gerais: APELAÇÃO CÍVEL .P E DI D O JU LG AD O PROCEDENTE .PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. Rel.NO TI F I CA Ç Ã O . Há um verdadeiro estado de sujeição.2011) A Ç Ã O DE RE I N T E G R A Ç Ã O DE P O SS E . Consistindo a permissão apenas em atos jurídicos stricto sensu mandamentais.RECURSO QUE APENAS ATACA O CABIMENTO DA TUTELA POSSESSÓRIA . j. a qualquer instante. Enquanto a permissão nasce da autorização expressa do verdadeiro possuidor para que terceiro utilize a coisa.D E SO CU PAÇ Ã O VOLUNTÁRIA NÃO CONSUMADA . (TJMG APELAÇÃO CÍVEL N° 1. a tolerância resulta de consentimento tácito ao seu uso.02. (. POR SER O CASO DE AÇÃO PETITÓRIA . no sentido de desconstituir a detenção. 1.

sem resolução do mérito.9 / 0 0 2 em c o n e x ã o c o m A p e l a ç ã o C í v e l n. 0 6 9 6 .APELAÇÃO CÍVEL N° 1 . têm direito os usufrutuários e os proprietários à reintegração na posse do bem. (TJMG - .DEVER DE DEVOLUÇÃO DO IMÓVEL .162635-7/001 EM CONEXÃO COM APELAÇÃO CÍVEL Nº. A proprietária de imóvel em comodato ostenta legitimidade para demandar a reintegração de posse. impõe a procedência da reintegração de posse.11. não havendo se falar em carência de ação.PROCEDÊNCIA DA REINTEGRATÓRIA. não pode se negar a devolver o imóvel quando o proprietário o requerer.04.164397-2/001. 0 3 4 7 2 1 . Merece ser indeferido o rol de testemunhas depositados fora do prazo. Cessada a convivência do casal.06. e nunca a extinção do processo. j. sendo certo que eventual falta de prova da posse apenas poderia acarretar a improcedência do pedido.2011) POSSESSÓRIA . j.DIREITO À REINTEGRAÇÃO NA POSSE.. cabível se mostra o ajuizamento de ação de reintegração de posse. Eduardo Andrade. 0 8 . Rel. já restando reconhecido.MERA TOLERÂNCIA . colocando a ré em mora. após notificação. e comprovada a realização de notificação prévia pelo ex-companheiro. Relator para o Acórdão Des. Tiago Pinto. em 11. 1. nem à retenção pelo valor de eventuais benfeitorias (o que sequer foi pedido).NÃO SE CONVALIDA A POSSE . Assim.APELAÇÃO CÍVEL N° 1. (.035604-6/001.PARA CONCEDER A GRATUIDADE DE JUSTIÇA. que a ex-companheira não tem direito à meação do imóvel.MERA DETENÇÃO . em ação própria.08.0696. a sua permanência no imóvel o é por mera tolerância. Des.0701. evidenciado está o esbulho. Cessada a convivência do casal e não reconhecida a propriedade ou a meação do imóvel em favor do apelante.06. 1.2010) Assim já decidiu esta douta Câmara: REINTEGRAÇÃO DE POSSE . Se a tutela pleiteada pelo autor funda-se na posse que tinha sobre o bem e no esbulho praticado pela requerida. Quando a parte exerce a posse.. em 12. 927.0701. Presentes os pressupostos do art. ciente de que se trata de mero ato de tolerância. do CPC. (TJMG .) (TJMG .

ao restituir ao apelado a posse direta do bem.2006) APELAÇÃO CÍVEL . não se pode olvidar ser daquele que alega o ônus de comprovar suas afirmações.581619-3/001. j. para o recebimento da indenização que lhe seria devida. em 23.NOTIFICAÇÃO . não há falar-se em usucapião. Lecionando acerca do tema. como meio de defesa do possuidor de boa-fé. em 11. pois. . ônus. tratando-se de comodato.APELAÇÃO CÍVEL N° 1. com segurança. foi de inteiro acerto a sentença de primeiro grau.09.I MP O S SI BI LI DAD E . após ter sido notificado da extinção do comodato. Nelson Nery Júnior nos esclarece que: A palavra vem do latim. restando configurada a posse precária sobre o imóvel objeto da lide e o esbulho. Se. Rel.05. Rel. após a produção da prova pericial para a avaliação do imóvel. Comprovados os requisitos previstos pelo artigo 927 do Código de Processo Civil.AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE . a parte junta ao feito avaliação particular constando valor a menor. que significa carga.USUCAPIÃO COMO MATÉRI A DE DEF E S A .0024.CONFIGURAÇÃO . a proteção possessória deve ser reconhecida. Nessa quadra.970514-0/001. farda. Valdez Leite Machado.03.COMODATO . a tese de que a recorrida realmente levantou benfeitorias no bem após o término de seu casamento com o recorrente.0024. A negativa do comodatário em desocupar o imóvel emprestado. (TJMG . haja vista a permanência da apelante mesmo após notificada a desocupá-lo.ESBULHO . Des. credenciando o comodante a ser reintegrado na posse do bem.APELAÇÃO CÍVEL N° 1. este último é que deve prevalecer. Des. em que pese ao direito de retenção.2008) Desta sorte. Rogério Medeiros. peso. nada há nos autos a corroborar.11. caracteriza esbulho. No que pertine às alegadas benfeitorias.I NDENI Z AÇÃO . por completa ausência de animus domini. j. A posse do comodatário é inválida para gerar direito à prescrição aquisitiva.

razão pela qual o fato não comprovado deve ser tido como inexistente: Ônus é o encargo atribuído à parte e jamais uma obrigação. páginas 635/636) Ressalte-se. as regras de ônus da prova ajudam o magistrado na hora de decidir. senão vejamos: Não existe obrigação que corresponda ao descumprimento do ônus. Trata-se. inexistir obrigação de produzir provas. quando não houver prova do fato que tem que ser examinado. Vol. Regra geral... XXII.gravame. pois. (Nelson Nery Júnior. compilada por Justiniano. a prova incumbe a quam afirma e não a quem nega a existência de um fato (Dig. (Fredie DIDIER JR in Curso de direito processual civil. (obra citada. Não se trata de regras que distribuem tarefas processuais. de regras de julgamento e de aplicação subsidiária. que se reputa como não ocorrido. 2). porquanto somente incidam se não houver prova do fato probando. 3. 2. ainda. 55) (grifamos) Nesse caminhar de ideias. (. O autor precisa demonstrar em juízo a existência do ato ou fato por ele descrito na inicial como ensejar de seu direito. Segundo a regra estatuída por Paulo. 2007. 636) E o escólio do renomado jurista FREDIE DIDIER JR não discrepa. Salvador: Editora JusPodivm. p. deve a lide ser decidida em . O não atendimento do ônus de provar coloca a parte em desvantajosa posição para a obtenção do ganho de causa. Código de Processo Civil Comentado.) A expressão "ônus da prova" sintetiza o problema de se saber quem responderá pela ausência de prova de determinado fato. motivo pelo qual o supracitado jurista nos ensina ser o ônus da prova um encargo ao qual corresponde uma posição de desvantagem e não uma obrigação. página.

(Nelson Nery Júnior. encontra previsão legal no art. 22.BEM EM PÉSSIMO ESTADO DE CONSERVAÇÃO .BUSCA E APREENSÃO .PAR Â M E T R O S P R O C E S S U A I S OBSERVÂNCIA. isto é. 635) Por derradeiro. Com efeito. não se pode deixar de fixar os honorários devidos ao advogado dativo que representou a apelante desde a primeira audiência designada no feito (fls. sabe-se que a tabela da OAB não vincula o julgador. 1º da lei 13. bem como no art. não o fez: O ônus da prova é regra de juízo.CONVERSÃO EM DEPÓSITO . do Estatuto do Advogado.desfavor daquele que tinha obrigação de comprovar suas assertivas.TABELA DA OABMG . servindo tão somente como parâmetro.N Ã O V I N C U L ATI V A . 272.OAB-MG.HONORÁRIOS . .O advogado que não for Defensor Público. Neste sentido é a orientação deste Tribunal de Justiça Mineiro: APELAÇÃO . página. Nessa quadra.38). na questão atinente aos honorários de seu defensor dativo. § 1º . quando nomeado para defender réu pobre em processo civil ou criminal. de acordo com tabela elaborada pelo Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil . na forma estabelecida nesta Lei. entretanto. Neste ponto. cabendo ao juiz. proferir julgamento contrário àquele que tinha o ônus da prova e dele não se desincumbiu. 1º .166/99. § 1º. razão assiste à apelante. em razão de impossibilidade da Defensoria Pública.Seção de Minas Gerais .166 de 20/01/99 que: Art. de julgamento. da Constituição Mineira e Lei Estadual nº 13. obra citada. dispõe o art. terá os honorários pagos pelo Estado. quando da prolação da sentença.. (.)-O direito à remuneração do advogado dativo que atuou na defesa de pessoa carente.Os honorários a que se refere este artigo serão fixados pelo Juiz na sentença..POSSIBILIDADE NOMEAÇÃO DEADVOGADO DATIVO .

no art. 5º. ainda. LXXIV. da .e.

(a) Marcos Lincoln J. Ante o exposto. No restante. mantenho inalterada a sentença guerreada.De acordo com o(a) Relator(a). Apelação Cível 1.De acordo com o(a) Relator(a). DES. A nosso aviso. É como voto. Considerando não ter o autor/apelado decaído de sua pretensão.00 (hum mil reais).00 (hum mil reais) os honorários em favor do defensor dativo nomeado para defesa da apelante nos autos. DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. o Magistrado não está obrigado a observar a Tabela da OAB. a quantia de R$1. devem os honorários ser fixados de forma equitativa no presente feito. devendo levar em consideração os parâmetros estabelecidos artigo 20. para fixar em R$1. VALDEZ LEITE MACHADO . única e exclusivamente.0694.000. observado o disposto no art.Para a fixação dos honorários advocatícios do advogado dativo. na forma da Lei.09.055689-5/001 Des. as custas recursais ficam inteiramente a cargo da apelante. mostra-se suficiente para remunerar o trabalho desempenhado. 12 da Lei 1. . (TJMG.CR/88.060/50. . DES. estando condizente com os valores preconizados na Tabela de Honorários de Advogados Dativos instituída pela Resolução-Conjunta TJMG/AGE/OAB 001/2013. MARCO AURELIO FERENZINI (REVISOR) . a serem custeados pelo Estado. do CPC.000. em atenção ao trabalho desempenhado pelo defensor dativo. 16/11/2011) (grifamos) Destarte.

SÚMULA: "DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO" .