DIREITO PENAL II - CURSO DE DIREITO

ROTEIRO
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I. CONSUMAÇÃO: ocorre quando o fato concreto se adequa ao tipo abstrato da lei
penal, quando preenchidos todos os elementos do tipo objetivo, cf. CP, 14, I.
. crimes materiais (ou de resultado): sao aqueles em que o tipo penal descreve conduta
e resultado naturalistico; logo, consumam-se com o resultado, ou seja, a alteracao no
mundo exterior provocada pela conduta. Ex. homicidio, 129, 124 a 126, 155, 157, 168,
171 etc. Da mesma forma os crimes culposos e os omissivos improprios.
. crimes formais: sao aqueles em que o tipo descreve uma conduta e um resultado,
sendo que este pode ou nao ocorrer, ja que se trata de um objetivo buscado pelo agente,
mas que nao precisa acontecer para que haja a consumacao. Logo, a consumacao ocorre
com o agir, a conduta. Ocorrendo ou nao o resultado, o crime ja se consumou. Ex. 159.
. crimes de mera conduta: sao aqueles em que somente ha a descricao da conduta
comissiva ou omissiva, sem alusao a qualquer resultado naturalistico. Basta a conduta,
positiva ou negativa, para haver a consumacao. Ex. porte ilegal de arma de fogo (L
10826/03, 14); CP, 135. Da mesma forma os crimes omissivos proprios.
. crimes de dano: sao aqueles em que o tipo penal exige a lesao ou dano ao bem
juridicamente tutelado, como ocorre com a maioria dos delitos. A consumacao, pois,
somente ocorre com tal resultado (sao crimes materiais) Ex. homicidio somente se
consuma com o resultado morte; o furto com a ofensa ao patrimonio da vitima etc.
. crimes de perigo: sao aqueles em que a consumacao se da quando o bem juridico
sofre um perigo, uma ameaca, a simples exposicao a tal perigo ja basta. Ex. arts. 130,
131, 132. Ha delitos em que o perigo figura como elemento do tipo, devendo haver a sua
comprovacao, chamados delitos de perigo concreto, como no caso do CTB, 309, CP,
250. Outros, chamados delitos de perigo abstrato, em que o perigo e' presumido, nao se
havendo necessidade de comprovar o perigo, ja que a conduta seria perigosa por sua
propria natureza. Ex. porte ilegal de arma de fogo, CTB, 306, art. 4. da Lei 8492/86
(gestao temeraria).
. crimes habituais: sao aqueles que somente existem em razao da habitualidade da
conduta delitiva, ou seja, o delito somente se consuma caso haja a reiteracao de atos
semelhantes, em que havera apenas um crime. Se houver uma so conduta, isoladamente,
o fato sera atipico. Ex. 282, 284.
. crimes permanentes: sao aqueles em que a conduta tipica dura no tempo, como
requisito essencial do tipo penal. Logo, a consumacao se protrai no tempo, ate que cesse
o comportamento. Nesse sentido o CP, 148, caput, CP, 149.

II. TENTATIVA (conatus): e' a realizacao incompleta do tipo penal. Ha a pratica de
ato de execucao, mas o agente nao chega `a consumacao por circunstancias alheias a
sua vontade. O crime entra na fase da execucao, mas ha interrupcao antes da

Ela acabou. Lei 11. nao sera punido. . deixa de fora atos que já se encontram em uma zona neutra imediata do tipo e que já haveria punibilidade. preparacao para o 239 (CP. 2. mas também aqueles imediatamente anteriores. 287. em razão dos atos muito próximos da execução. nao chegando sequer a tentar. subdividida. NAO adotada pelo CP. 31: se o agente nao sai da preparação. FORMAL-OBJETIVA: considera-se iniciada a execução de um crime quando o autor pratica os atos descritos no verbo nuclear do tipo. Ex. II. punindo ambos. mas que precisa de complementacao. 286. mesmo depois de receber o pagamento e planejar o homicídio. execucao . dado o problema de visualização da fronteira entre preparação (impunidade) e execução: A) SUBJETIVA: importa a vontade criminosa. Porem. subjetiva e objetiva. TEORIAS sobre o inicio da execução: . 34. sao 2 teorias. mas este desiste. ITER CRIMINIS . já que aqui nao haveria ato típico de subtrair. 291). A figura tipica nao se completa. a fim de tentar ficar mais clara a solução. no entanto. A previsao vem no CP. posse e porte ilegal de arma de fogo. no caso da pessoa que deseja furtar e e' surpreendida dentro da residência ou quando tenta ingressar nesta. esta se subdivide. B) OBJETIVA: teoria adota genericamente pelo CP. consumacao ATOS PREPARATORIOS: passa-se da cogitacao `a acao. sendo que o inicio da execução e' constituído de atos que principiem a concretização do tipo penal. ATOS EXECUTORIOS: (problema e' a exata distinção dos atos preparatórios) . Por essa teoria. procura o local.consumacao. 14.: o legislador preve como puniveis algumas hipoteses: petrechos para falsificacao de moeda (CP. verifica a melhor hora. entao.343/06. Se alguém contrata um matador de aluguel para dar cabo de um desafeto. assim como a do mandante. 238). * IMPORTANTE: CP. OBS. havendo de se fazer a analise em cada caso concreto: 1. . REGRA: atos impuniveis. que. o agente nao sera punido meramente pelo seu "querer". 288. p/ex.. o agente se arma de instrumentos necessarios.. esta presente tanto nos atos preparatórios quanto nos atos executorios. o participe que o induziu.FASES: INTERNA: ideacao/cogitacao: elaboracao mental (desimporta ao DPenal) EXTERNA: . porem. a tipicidade nao se conclui. preparacao . OBJETIVO-MATERIAL: considera-se iniciada a execução nao somente com atos que realizam o nucleo do tipo penal. sua conduta sera atípica. como. instigou ou auxiliou.basicamente.

II: 1. coloca-se em atividade direta e imediata `a realização do tipo. 1. Assim. Ex. nao exatamente expresso. ele percorre todo o iter criminis que estava a sua disposição. 4. o animo em relação `a consumação (quem tenta matar age com o mesmo animo de quem mata). Por essa teoria. momento em que foge sem nada. com a nítida intenção de matar. Subjetivamente. 2. ainda que nao seja propriamente típica. Seguem a Objetivo-subjetiva autores como Andre Estefam. e' levada ao hospital e salva por uma intervenção cirúrgica. ele e' consumado em relação ao agente que o comete. segundo sua representação do fato. ou seja. Ha uma combinação do critério subjetivo (representação do autor. Cezar Bitencourt. art. somente após o primeiro disparo se poderia responsabilizar o agente. que. HIPÓTESE: TENTATIVA IMPERFEITA: aqui o agente nao exaure toda a sua potencialidade lesiva. seria responsabilizado o agente que apontasse a arma para a vitima. diante do planejamento do agente esteja ligada estreitamente `a ação típica executiva. 3. OBS. 3. antes de apertar o gatilho. pela primeira teoria nao haveria sequer tentativa. de tal forma que. ELEMENTOS DA TENTATIVA: retirados da decomposição do CP. ESPÉCIES DE TENTATIVA: iniciada a fase executoria. Assim. considera-se a decisão e o plano do agente. mas a distinção e' importante no estudo da desistência voluntária e do arrependimento eficaz. O agente fez tudo que estava ao seu alcance para consumar o delito. em relação ao objeto ou pessoa contra a qual se dirigia o crime. sim. Ex. deva conduzir diretamente `a realização do tipo legal. Pela primeira teoria. o agente dispara todos os projeteis na vitima. Da mesma forma no caso de o agente ser detido quando fica preso na entrada da chaminé. seu plano) e do critério objetivo (dar principio diretamente `a realização do tipo). c) chegar `a consumação do resultado naturalistico. Inicio da execução. 14. mas. nao bastaria qualquer atividade. A fase executoria se realiza integralmente. começa a apoderar-se de bens e e' surpreendido. mas mesmo assim nao consegue chegar `a consumação.quando a conduta gera uma imediata colocação em PERIGO do bem juridico protegido. alem dos elementos descritivos do tipo penal. sem cortes e maiores interrupções no decorrer dos acontecimentos. 2. por essa teoria. o agressor e' seguro quando esta desferindo golpes na vitima para mata-la. O CP nao faz distinção entre as espécies de tentativa. Nao consumação do resultado. Nucci e. b) parar na execução completa. A ocorrência de circunstancia alheia `a vontade do agente. o movimento criminoso pode: a) interromper-se no curso da execução. O dolo em relação ao crime total. HIPÓTESE: TENTATIVA PERFEITA ou CRIME FALHO: aqui o agente realiza todos os atos necessários para alcançar o resultado. mas nao o e' objetivamente. uma conduta que. OBJETIVO-SUBJETIVA ou OBJETIVO-INDIVIDUAL: a tentativa começa quando o agente. atingida. ou quando e' impedido de continuar atirando e ainda sobram projeteis em sua arma. o agente entra na residência. ficam faltando atos executorios para chegar `a consumação. . O problema e' a demasiada amplitude deste conceito.

imprudência ou imperícia. 4. mas nao o alcança por causas independentes de sua vontade. basta o nao fazer.. mas o resultado acaba sendo mais grave em razão de culpa. aproximar-se mais da vitima. chamada minorante ou causa de diminuição de pena. a acao constante do nucleo do tipo pode ser dividida em varios atos (no homicidio: sacar a arma. . nesses casos o agente praticou o fato (e o crime se consumou) ou nada fez (e nao ha fato penalmente relevante). DESISTENCIA VOLUNTARIA: chamada de tentativa abandonada. III. INFRACOES QUE INADMITEM TENTATIVA: . . ou seja. podem ser fracionados. ou ha a reiteracao e o mesmo esta consumado.crimes omissivos próprios: sao crimes de mera conduta. o bem jurídico nao chega a ser lesionado. o objeto material nao e' atingido. imprudência ou imperícia. 14. ou seja. nao havendo de ser beneficiado com pena inferior. . resultado mais grave que o agente nao queria. em seu art. De se ver que os plurissubsistentes. Na segunda. art. nao adotada por nosso CP. mas a lei nao se importa com isso. de outro lado.crimes culposos: o resultado ocorre por negligencia. OBS. Aqui o agente realiza uma conduta dolosa.* TENTATIVA INCRUENTA ou BRANCA e TENTATIVA CRUENTA: outra distinção que se faz: na primeira. o oposto. e difere da tentativa porque nela o agente quer o resultado. Assim. 3. PUNIBILIDADE DA TENTATIVA: o CP adota a teoria OBJETIVA. toma-se a pena do delito consumado se a diminui. 352. ou seja.crimes preterdolosos: dolo no antecedente. . em que se prevê um decréscimo em limites variáveis (1/3 a 2/3). Excepcionalmente. injuria na forma verbal. em que o agente quer o resultado. usando o julgador. Somente os plurissubsistentes admitem a tentativa. 15. A teoria subjetiva. Ex. a conduta descrita no tipo penal consiste em um agir ou nao agir indivisível. ou seja.contravencoes penais: por forca de lei nao sao punidos na forma tentada. pugna pela mesmo pena do consumado `a tentativa. e no CEl. efetuar um disparo. 309. pode o legislador criar tipo penal em que a pena e' igual para a consumação ou tentativa. o objeto material e' atingido. ou nao ha a reiteracao e o fato e' atipico. a proximidade para a consumação. nao ha como separar execução de consumação. O AGENTE QUER MAS .crimes habituais: como dependem de uma reiteracao de atos para configurar-se o crime. logo. * TENTATIVA ABANDONADA e TENTATIVA INIDONEA: a primeira corresponde `a desistência voluntária e ao arrependimento eficaz. ou seja. negligencia.crimes unissubsistentes: sao aqueles que a conduta nao admite qualquer fracionamento. parágrafo único. vem prevista no CP. 135. efetuar outro disparo etc. como no caso do CP. . culpa no consequente. independente do resultado. mas nao logra alcanca-lo por circunstancias alheias a sua vontade. Pode ocorrer a tentativa de tais infracoes. enquanto a segunda diz com o crime impossível. ate obter-se o resultado letal). e o agente nao deseja o resultado. com a ideia de que a vontade do agente era a mesma do crime consumado. vale dizer. Ex. cf. 129. o que se choca com a tentativa. da LCP. como critério. trata-se da mesma lógica dos culposos. Ex.

se o agente erroneamente supoe a existencia de um obstaculo ao prosseguimento (ouve um barulho que acredita ser da vitima. pratica algum conduta positiva. ja efetuou disparo de arma de fogo contra a vitima. que varia entre 1/3 a 2/3 da pena. mas ainda nao a esgotou. caso de o sujeito descarregar sua arma contra a vitima e. Em havendo a busca do agente de voltar atras. REQUISITOS: 1. Os Efeitos também sao os mesmos. aqui subentende-se que o sujeito ja tenha esgotado todos os meios disponiveis e finalizado os atos executorios. tenham lesado algum bem juridico. e por isso deixa de prosseguir (ainda que em pensamento equivocado). nao respondera pelo delito que o agente teria tentado praticar. arrependimento interno. deixar de prosseguir. aconselhamento. ARREPENDIMENTO EFICAZ: tambem chamada de tentativa abandonada. Eficiência ou eficácia: significa que a consumação deve efetivamente ser evitada. Consiste em um prêmio a atitude do agente DEPOIS DA CONSUMAÇÃO do delito. EFEITOS: o agente responde somente pelos atos ja praticados. Haverá tentativa se ele acreditar que algo o impede. mas desiste de dispara-los. e pode prosseguir na execucao. . Ex. pode seguir. vale dizer. Requisitos sao os mesmos da desistencia voluntaria. . . descabera falar em desistencia voluntaria. tendente a evitar a consumacao (ex. que permite ao sujeito escapar da pena da tentativa. respondera pelo delito consumado. NATUREZA JURÍDICA: Trata-se de causa de exclusão de tipicidade. Significa que o agente ja iniciou a fase executoria. . assim como sua Natureza Jurídica. III. ARREPENDIMENTO POSTERIOR: vem previsto no CP. IV. mas conclui que nao quer. arrepende-se e a socorre. nao exige a espontaneidade do agente (sua propria e única iniciativa). sendo responsavel apenas pelos comportamentos anteriores que. diante dela agonizando. 65. remorso. porem ainda sem alcancar a consumacao. resolve desistir da empreitada criminosa depois de ja a haver começado. se forem tipicos. ainda possui projeteis. por vontade propria. A lei. Trata-se da referida ponte de ouro. Entao. outrossim. e desiste). que esta a sua disposicao. por sua conta e vontade. 15. Reparacao integral do dano ou restituição da coisa como antes se encontrava: ideia de preservacao do status quo ante. mas e' de um animal. Contudo. MAS NAO QUER (teoria de FRANK). resolve. 2. e consiste em uma causa obrigatória de diminuição de pena. podendo haver a atenuante do CP. como suplicio da vitima. Na desistencia voluntaria o AGENTE PODE. Segundo Von Liszt. tambem prevista no CP. desistindo. e' a ponte de ouro. b. pela inocorrência do elemento da tentativa que diz com o inalcance da consumação por circunstancias alheias a vontade do agente. REQUISITOS: 1. V. evitando a morte). Voluntariedade: diz com a livre escolha do agente. De se ver que. piedade etc. Assim. significa que ele possuía mais de uma opcao a escolher e. Desimportam as razoes internas. . uma minorante. pois tal ser involuntaria. Ele reflexiona sobre a situacao: nada o impede de prosseguir. mas ja havendo a consumação. ele prosseguiria.NAO PODE. pode haver iniciativa de terceiro. por si sos. ou seja. se dependesse do agente. 16. como na suplica da propria vitima. ja praticou algum ato de execucao.

NATUREZA JURÍDICA: trata-se de causa de exclusão de tipicidade. P/ex. ingerir medicamento abortivo para interromper gravidez que e' somente psicologica. CRIME IMPOSSÍVEL: chamado tentativa inidonea. por erro. usar documento grosseiramente falsificado. 3. vêse IMPOSSÍVEL A CONSUMAÇÃO. tentar furtar em local com forte vigilancia de cameras (ou. acreditando ser o seu. f) pessoa mantem em sua casa recipiente com um po que acredita ser talco. porem. p/ex. MEIO: trata-se do meio executorio da infracao. e' de verdade. Tratar-se de crime sem violencia ou grave ameaca. tentar matar alguem com pistola d'agua. mas era de outrem. Arrependimento dentro do lapso temporal ate o recebimento da denuncia/queixa: o recebimento e' ato do juiz. d) o agente porta um revolver que acredita ser uma replica. no Direito Penal.2. corresponde a uma falsa percepcao da realidade. a) alguem vai pegar seu carro no estacionamento e entra em carro igual ao seu. Voluntariedade: mesmo da desistência voluntaria. em se tratando de concurso de pessoas. b) um aluno. ou seja. colocado em pratica o plano delituoso.. tentar matar um cadáver. .. VI. a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta.ERRO JURIDICO-PENAL: erro. e acredita ser mesmo um cigarro comum. perceber que esta cometendo um crime. cf. coloca em sua pasta livro de um colega. ou seja. e divide-se em erro de tipo (CP. pensando ser o seu (nao sabe que o livro e' de outrem). pois ha algum dado fora da realidade. Ato do agente criminoso: deve ser o proprio sujeito ativo do delito que age. ao final da aula. sem. OBJETO: trata-se do objeto material da infração. VII . . 21). mas e' de maconha. . caso concreto. O erro recai sobre uma situacao fatica ou normativa prevista como elemento constitutivo do tipo legal de crime. sendo proclamada a impunidade da tentativa quando. como. 4. aciona a ignicao e sai do local (o agente nao tem nocao de que esta dirigindo veiculo de outrem). ESPÉCIES: erro de tipo. . mas se trata de . Ex. entre outros. 17. O agente realiza concretamente todos os elementos de um tipo penal (crime). em razao de dispositivo instalado no objeto). c) ao sair de um mercado. tentar abortar atraves de crendices populares/simpatias. sabe quando o mesmo acontece. sendo que. e) pessoa recebe um cigarro de alguem para consumo proprio.. 20) e erro de proibicao (CP. que sua conduta esta adequada ao tipo penal. Ele sabe o que e' crime. erro de proibição. basta que uma delas o faca para alcancar todas. ERRO DE TIPO: 1) Conceito: trata-se da falsa percepcao do agente sobre a realidade que o circunda. quando se torna impossivel a saida do lugar sem que um alarme soe. 5. no entanto. . ele nao absorve corretamente os eventos que ocorrem ao seu redor. em face da absoluta ineficácia do meio empregado ou da absoluta impropriedade do objeto material. vem previsto no CP. e nao possui o porte legal de arma de fogo. trocando um fato por outro. mas nao percebe. o agente pega um guarda-chuva. de brinquedo. Ele se confunde.

no ex. mas mata uma pessoa que se fazia passar pelo animal de forma convincente. O erro sera considerado acidental. 20. contra o qual desfere um golpe e mata. dai interessando analisar a intensidade do erro. cf. Veja-se que o agente agiu com habilidade. 73. Nesse caso. o agente atira contra um arbusto.. e acaba subtraindo outras coisas.1 erro de tipo ESSENCIAL: aqui a falsa nocao da realidade retira do agente a capacidade de perceber que pratica determinado crime. g) agente oferece propina a um funcionario de uma autarquia. o erro exclui o dolo. anterior. a pessoa somente atirou porque estava sem seus oculos. erro sobre a pessoa. 20. cf. c) erro na execucao: pode ocorrer aberractio delicti/criminis/resultado diverso do pretendido ictus ou aberractio . para fins de pena. incorreria no mesmo equivoco. 327) 2) Formas: erro de tipo essencial (inevitavel ou evitavel) e erro de tipo acidental: 2. havera erro inevitavel quando qualquer pessoa de mediana prudencia e discernimento. ocorre quando a inabilidade do agente ou acidente no emprego dos meios executorios faz com que se atinja pessoa diversa da pessoa pretendida (terceira pessoa). . Ex.erro inevitavel: a partir das circunstancias concretas. ouo seja. Subdivide-se erro sobre o objeto. CP. no caminho encontra alguem muito parecido. parte: desvio/acidente ou erro no golpe. a) erro sobre o objeto (error in objecto): o agente se engana sobre o objeto material do crime. e o agente respondera como se houvesse atingido a pessoa que buscava atingir. sera evitavel o erro quando o homem medio nao o teria cometido. o agente pretende entrar em certo lugar e subtrair garrafas. supondo que este nao se reveste da qualidade de funcionario publico (erra sobre elemento normativo do tipo. O CP. a fim de verificar se havera punicao pela culpa): . tornando atipica a conduta. P/ex. ou seja.. O erro de tipo essencial pode ser inevitavel/invencivel/escusavel ou evitavel/vencivel/inescusavel (o que apenas importa se o tipo prever. teria percebido o equivoco e deixado de praticar o fato. 3.2 erro de tipo ACIDENTAL: ocorre quando a falsa percepcao da realidade pelo agente incide sobre dados irrelevantes da figura tipica. mas houve imprudencia em atirar sem estar de oculos. na situacao em que o agente se encontrava. acreditando estar atirando em um animal feroz. b) erro sobre a pessoa (error in persona): o agente possui um desafeto e sai para mata-lo.cocaina. acreditando ser seu desafeto. CP. O erro exclui o dolo. O erro e' irrelevante e nao altera o essencial. Ex. e este nao e' uma pessoa. 155. ocasiao em que confundiu a pessoa com um animal. mas houve um erro de representacao (mental). mas uma coisa. a existencia de um delito. e erro sobre o nexo de causalidade. erro na execucao. 1. determina que o erro e' irrelevante. aberractio ictus em sentido estrito (com unidade simples ou resultado único): CP. mas se equivoca com o lugar.erro evitavel: a partir do mesmo conceito. e o agente respondera como se tivesse matado a pessoa que intencionava matar. tambem a forma culposa. 2.afastada pelo erro -. no CP. . alem da forma dolosa .

Tera assumido o risco com relacao ao terceiro. e não pela tentativa daquele do qual errou). por má pontaria. 2. pois ha previsao da forma culposa. acerta C. que nao era seu alvo. o resultado sera atipico. porém. A atira em B. pois). que se lesiona. 1. 70). . Na dolosa. respondera por 2 homicidios consumados em concurso formal (CP. B e C.. De observar. 73. Com uma só conduta A atinge duas pessoas. as circunstancias e condicoes pessoais da vitima que queria atingir (B). o . Caso. para fins de aplicacao de pena. respondera pelo resultado causado (nao pretendido) na forma culposa. dado que inexiste a forma culposa. 73. Caso não fosse previsível que seria atingida a pessoa diversa tambem. o primeiro na forma dolosa e o segundo na forma culposa. Erro provocado por terceiro: CP. Ex. 20. É o caso da colocacao de bomba para matar certo politico.. já que não há tipo em relação a B). A atira em B. seu desafeto. Além de B (seu alvo).Perceba-se que. . OBS. em uma relacao coisa-pessoa ou pessoa/coisa. pois. pois uma só pessoa foi atingida (desconsidera-se o alvo pretendido. por erro ou acidente. pessoa a qual não queria atingir: respondera por homicidio doloso consumado de C. de patrimonio para integridade corporal. p/ex. nao sera hipótese do CP. para fins de tipicidade. mas. ha aberractio criminis (abaixo). havera alteracao de crime. O erro fez com que se atingisse bem juridico diverso do pretendido. 2º: ocorre quando o agente e' induzido ao erro por conduta de terceiro. OBS. cf. No entanto. por má pontaria. 74. Não responderá também pela tentativa contra B (por isso se diz que B fica desconsiderado nesse ponto. nesta modalidade. respondendo por duplo homicidio doloso consumado. acerta C. disposta no CP. ou seja. seu desafeto. caso queira dar uma pedrada em uma pessoa. o agente nao respondera por este segundo delito. Respondera por lesoes corporais culposas. 20. Caso nao preveja. 73. tenha causado a morte de seu alvo e a morte do terceiro não-alvo. o agente responde pelo resultado produzido. Tambem aqui se tem a divisao em aberractio criminis com unidade simples e com unidade complexa. que o agente responde por dolo quanto ao resultado pretendido e por culpa quanto ao resultado não pretendido se este segundo resultado for previsivel para uma pessoa com discernimento normal. mas acerta uma vitrine. entre seres humanos. a pessoa que se pretende acertar não é atingida. CP. . 3º. desde que o tipo preveja essa forma. aberractio criminis/delicti/resultado diverso do pretendido: aqui o erro ou acidente faz com que seja atingido bem juridico diferente do pretendido. levando-se em conta. nao pessoa diversa da pretendida. 74.aberractio ictus em sentido amplo (com unidade complexa ou resultado duplo): CP. parte. mas que não foi atingido. Há crime único. o agente quer acertar uma pedrada no automovel de seu desafeto. Por exemplo. Conforme CP. A provocacao pode ser dolosa ou culposa. P/ex. Utiliza-se a mesma solucao engendrada para o erro sobre a pessoa. se houver dolo direto ou dolo eventual com relacao ao terceiro. e o acerta. sabendo que ele estara no local com seu assessor. nao respondera por dano. por forca do disposto no CP. Veja-se que na abberactio ictus ha sempre uma relacao pessoa-pessoa.: esta hipotese somente existe quando o terceiro for atingido por erro ou acidente (por culpa. parte): aqui o agente acerta a vitima que era seu alvo MAIS uma outra pessoa (ou pessoas). Responderá por crime doloso em relação ao alvo pretendido e por crime culposo em relação ao nãoalvo. pessoa que não queria certar (não-alvo). porem acerta uma pessoa que passava. Se a relacao for coisa-pessoa.

entao. Ex. .. acreditando ser farinha. P/ex. . resolvendo. o agente viola alguma proibicao contida em uma norma penal que desconhece por absoluto. busca restitui-lo ao dono. O agente erra sobre ser a sua conduta ilicita. salvo se obrou com culpa. Viola o CP. respondera pelo crime em concurso de agentes. ERRO DE PROIBICAO: enquanto no erro de tipo ha uma falsa percepcao da realidade. ocorre erro de proibicao. c) possuir cocaina em casa. un. Com seu comportamento . ocorre erro de tipo. Se o provocado aderir a conduta do provocador. a) o agente encontra um relogio valioso. mas nao sabe que o que faz e' proibido. entao. b) se o agente subtrai coisa de outrem. por culpa. erra sobre a ilicitude do fato.. no erro de proibicao o agente tem plena nocao da realidade que se passa ao seu redor. por erro. enquanto quem atirou fica isento de pena. mas nao descobre quem e'. alguem coloca balas de verdade em uma arma de fogo e convence outrem de que sao de festim. mas a mata. erro de proibicao. mas se acreditava que pudesse ficar com a coisa de outrem em pagamento de uma divida impaga por este outrem. entendendo que "achado nao e' roubado". erro de tipo. Esse outrem dispara contra a vitima.provocador e' o que responde pelo crime a titulo de dolo. Seu equivoco recai sobre a compreensao acerca de uma regra de conduta. salvo se tivesse razoes para desconfiar. O agente sabe o que faz. mas acredita nao ser crime ter em deposito. respondendo. Quem provocou o erro respondera por homicidio doloso.. 169. acreditando que nada acontecera. ficar com o mesmo. acreditando ser sua. II. se sabe que possui cocaina em casa. ele sabe exatamente o que faz. par. O provocado nao responde pelo crime.