DESESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO E POLÍTICA SOCIAL1

Luiz Filgueiras2
Reinaldo Gonçalves3
Introdução
Este texto trata do processo que redefiniu, sob inspiração da ideologia e das políticas
neoliberais, o significado e a natureza tradicionais da política social. Essa política foi
transformada, total ou parcialmente, em uma política focalizada contra a pobreza,
principalmente nos países da periferia do capitalismo. Houve, portanto, a redução do escopo
desta política. E isto permitiu sua utilização ideológica e simbólica pelas classes dominantes
e seus governos no sentido de transformar o conflito entre capital e trabalho em uma
oposição formal entre “pobres” e “pseudo-ricos”.
Esse processo contou com a formulação decisiva das instituições multilaterais
(Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial) e necessitou de operação políticoideológica. Esta operação apartou, radicalmente, a “exclusão social” (a pobreza) do “mundo
do trabalho” (o emprego e a produção), considerando-a, implicitamente, um fenômeno
exógeno ao novo padrão de acumulação capitalista. Em consequência, a pobreza passou a
ser tratada de forma pontual, como resultado, fundamentalmente, de atributos individuais ou
familiares (idade e escolaridade, entre outros). Nessa perspectiva, a dinâmica econômicosocial geradora e reprodutora da pobreza - associada à concentração da propriedade, às
formas de exploração do trabalho, às características regressivas do sistema tributário e ao
modo de atuação do Estado - desaparece completamente.
O percurso desse processo histórico será aqui feito, do ponto vista lógico-teórico,
identificando, inicialmente, as grandes transformações ocorridas no capitalismo nas últimas
três décadas: os processos de reestruturação produtiva e de globalização, e a ascensão e a
hegemonia político-ideológica do neoliberalismo. Esses processos marcaram profundamente
1

Trabalho apresentado no Seminário “Política social, trabalho e democracia em questão”, organizado pelo
Programa de Pós-Graduação em Política Social, Departamento de Serviço Social, Instituto de Ciências
Humanas, Universidade de Brasília em 28-30 de abril de 2009.
2

Professor Associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia – UFBA.
luizmfil@gmail.com.
3

Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.
reinaldogoncalves1@gmail.com.

Com a nova hegemonia neoliberal-financeira redefiniram-se a estrutura. no limite. e ela se impôs às outras formas de capital. a política social foi redefinida.2 a dinâmica das sociedades capitalistas. No Brasil todo esse processo se . que. reconstituem as condições e as bases materiais de retomada da acumulação. Uma das conseqüências é o aumento da probabilidade (e até mesmo a necessidade) de crises. bem como as políticas econômicas e sociais implementadas em quase todo o mundo nas últimas trinta anos. adaptada e ajustada à crescente necessidade da dívida pública funcionar como elo crucial da valorização financeira (e fictícia) do capital e. radicalizaram todas as tendências imanentes do capitalismo presentes desde a sua origem.para muito além. em especial com impactos devastadores sobre o “mundo do trabalho” e as condições de vida e trabalho das classes trabalhadoras. instabilidade e descartabilidade. Neste novo contexto. ao acirrarem a competição intercapitalista. à política de ajuste fiscal permanente – fiadora e viabilizadora dessa valorização. com a radicalização das tendências acima mencionadas. A lógica de movimento do capital financeiro é caracterizada por curtíssimo prazo. A dominação das finanças. que configuraram o que se convencionou chamar de regime ou modo de acumulação flexível (HARVEY. Essas transformações. principalmente nos países da periferia. às demais relações econômico-sociais. como consequência. volatilidade. ampliação do exército de reserva e de sua parcela mais pauperizada. para a compreensão da mudança recente da natureza e do significado da política social. passou a ditar a dinâmica das diversas esferas da acumulação. ao trabalho e. 1992). a partir do qual passaram a se organizar todas as dimensões e relações da vida em sociedade. Todo esse processo. Este regime afeta profundamente todas as esferas da vida social . Em suma. quais sejam: desenvolvimento das forças produtivas. portanto. é o capital financeiro. a análise do novo regime de acumulação é condição necessária. reiteradamente. acabou por dar origem a novas características e determinações ao movimento do capital. As chamadas reformas estruturais (neoliberais) e as políticas macroeconômicas ortodoxas ganharam o primeiro plano e se impuseram de modo generalizado. O elemento fundamental de estruturação desse novo modo de acumulação. concentração e centralização de capital. a forma de funcionamento e o conteúdo da intervenção do Estado. da organização do sistema produtivo. embora não suficiente. exploração extensiva e intensiva da força de trabalho. convertida em hegemonia no plano mundial. e o descolamento entre a esfera financeira e a órbita da produção de bens e serviços. em particular nos países periféricos.

é a busca obsessiva pela flexibilidade. bem como as relações entre elas. vale enfatizar. A quarta seção apresenta a síntese das principais conclusões do trabalho. de forma sintética. os três processos marcantes da acumulação flexível: a reestruturação produtiva. na Europa e nos EUA. comerciais e financeiras. nas suas diversas esferas e dimensões. Na primeira. subordinou e redefiniu as políticas corporativas. no que se refere a sua natureza. em contraponto ao padrão fordista anterior. 2000). A busca por resultados de curto prazo. Acumulação flexível. Esta última é entendida como a derrubada de toda e qualquer barreira ao movimento dos capitais e à acumulação. de forma genérica. teve como resposta a redefinição estrutural no padrão de acumulação capitalista até então vigente. na literatura recente. com a distribuição de lucros e dividendos aos acionistas. ao mesmo tempo. Isto implicou profundas transformações tecnológicas. hegemonia financeira e impactos no mundo do trabalho A crise econômica do início dos anos 1970. 1. subordinando a lógica do primeiro à lógica do segundo. Na segunda seção consideram-se as mudanças sofridas pela política social. Os fenômenos denominados convencionalmente. que tomou conta do chamado capital produtivo. Estas transformações tiveram conseqüências dramáticas no mundo do trabalho – nos planos econômico. principalmente. O objetivo é examinar os impactos destes processos sobre o mundo do trabalho. a política social no Brasil. A financeirização redefiniu a relação entre o capital produtivo e o capital financeiro. Estes fenômenos deram origem a novo padrão de acumulação. considera-se. durante o segundo Governo FHC e os dois Governos Lula. abarca as esferas econômica. 1999) aprofundou a racionalização dos . significado. como exemplo da nova tendência assumida pela política social nos países periféricos. A introdução de inovações tecnológicas e organizacionais – práticas e métodos do chamado “modelo japonês” ou “toyotista” – (DRUCK. Na terceira seção. como “reestruturação produtiva”. O processo de reestruturação produtiva foi impulsionado fortemente pela lógica financeira. Além dessa Introdução. aproximando-os e. social e política. são tratados. com destaque para o papel do Estado nesse processo. social e político (FILGUEIRAS. produtivas.3 constituiu nas últimas duas décadas e atingiu sua fase madura a partir dos últimos anos do século XX e. A flexibilidade. “globalização” e “neoliberalismo” enfeixam e sintetizam o conjunto dessas transformações. a globalização e o neoliberalismo. este texto está organizado em quatro seções. escopo e implementação – todas condizentes com o novo modo de acumulação. cuja característica fundamental.

A implementação das conhecidas reformas neoliberais. reforçando o objetivo da flexibilização. essa foi a condição necessária para o crescimento (inchaço) da acumulação financeira fictícia que. esse processo impactou a estrutura produtiva das economias de variadas formas ao criar novos setores. assistiu-se efetivamente ao movimento de reorientação e. A abertura comercial e financeira das economias aprofundou a tendência. liberalização. inerente ao capital. contudo. a globalização do capital. flexibilização e competitividade passaram a sintetizar o ideário do capital. “responsabilidade fiscal”. ou seja. redução e flexibilização de direitos trabalhistas. Em conseqüência houve enorme aumento da produtividade do trabalho e acirramento da concorrência entre as empresas. energia. se difundiram por todo mundo numa grande onda. necessitaram da “mão visível” e forte do Estado. Na prática. acelerou o movimento dos capitais. de fortalecimento. privatização. etc. passaram a soldar politicamente os processos de reestruturação produtiva e globalização. abertura. 2000). Adicionalmente. que arrastou praticamente todos os países. inclusive aqueles do chamado “socialismo real”. embora não passe pela produção e se expanda de modo autônomo. telecomunicações. Desse modo. estimulando-se mutuamente. A queda das barreiras tarifárias e nãotarifárias. privatização dos sistemas previdenciários e dos serviços públicos de saúde. . alçadas à política de governo a partir de Reagan nos EUA e Thatcher na Inglaterra. associada à diminuição dos custos de transação – que “acelerou o tempo” e “reduziu a distâncias entre distintos espaços” – expandiu os fluxos comerciais e possibilitou a formação de redes produtivas mundiais (DUPAS. No fim dos anos 1970 e início dos 1980 a doutrina e ideologia neoliberal. No plano macroeconômico. esses processos. do Estado e de sua capacidade de intervenção. necessita sugar sistematicamente a riqueza gerada no processo produtivo. modernizar setores tradicionais e deslocar outros geograficamente. a menor capacidade dos países da periferia fazerem política econômica. assim como as suas políticas econômicas adotadas. A defesa da eficiência do livre mercado e de sua capacidade de auto-regulação.4 processos produtivos no espaço microeconômico. desregulamentação. privatização de empresas públicas. mas em outra direção. muitas vezes. Uma das conseqüências foi a redução do “espaço de política”. bem como a crítica ao Estado de Bem-Estar Social e às políticas keynesianas – travestidas em crítica à ineficiência do Estado em geral – apareceram como defesa da redução do tamanho e da capacidade de intervenção do Estado. com a liberalização e articulação dos mercados nacionais. Ao longo dos anos 1980 e 1990. de internacionalização da acumulação. em particular na sua forma financeira. Estas reformas caracterizaram-se pela extinção de monopólios estatais. Livre mercado.

) foram precarizadas. Em países industrializados da periferia. segurança. a correlação de forças entre capital e trabalho. reprimarização absoluta ou relativa de suas respectivas estruturas produtivas e pautas de exportações. a venda de empresas públicas. fortemente. etc. Além disso. 2008). Rússia (1998). A desigualdade social e econômica cresceu entre países e no interior de cada país. 1999). em resposta à crise dos anos 1970. A racionalização microeconômica. como é o caso do Brasil. foi mais dramático nos países da periferia. rendimento. tendo em vista a condição historicamente dependente. reduzidos ou negociados. crescimento acelerado das dívidas externa e pública. reforçada pela abertura comercial e financeira. Brasil (1999) e Argentina (2001). A reestruturação produtiva se abateu duramente sobre o emprego visto que postos de trabalho na indústria foram extintos. A informalidade apareceu com força nos países desenvolvidos e se ampliou nos países da periferia. sob hegemonia financeira. Neles. a reestruturação produtiva. com a fragilização das organizações sindicais. que participa do mercado de trabalho (ANTUNES. que determinou todas as outras é política: o processo que constituiu o padrão de acumulação flexível. o processo na periferia foi acompanhado por intensa desnacionalização das economias. Tudo isso resultando no crescimento da vulnerabilidade externa estrutural desses países (GONÇALVES ET AL. esse processo atingiu em cheio o segmento de trabalhadores formais da indústria. que se explicitou em sucessivas crises cambiais: México (1994-95). se fizeram sentir em todo o mundo e ocorreram em todas as dimensões. POCHMANN. financeira e tecnologicamente. jornada. embora ocorrendo e afetando todas as regiões do mundo. desses países. as taxas de desemprego deram saltos sucessivos e as condições de trabalho (garantias. o capital voltou a revolucionar a base produtiva e material em escala mundial. idosos e doentes) difundiu-se e ganhou importância no seu segmento ativo. Os impactos sobre o mundo do trabalho. até então associada principalmente à parcela inativa da população (crianças. A situação de pobreza.5 O impacto dessas transformações. A questão central. reconfigurando o mundo do trabalho. O mercado de trabalho passou por intensa desestruturação e direitos sociais foram extintos. países asiáticos (1997). mudou. estagnação ou baixo crescimento econômico e perda de soberania na condução da política econômica (GONÇALVES. em maior ou menor medida. Em suma. Houve . movimentos sociais e partidos de base trabalhadora. 2007). reformas trabalhistas e dos sistemas previdenciários públicos. e políticas econômicas ortodoxas tiveram impacto devastador no mercado de trabalho e nas condições sociais de existência da população. a globalização e o neoliberalismo se defrontaram com sociedades já caracterizadas por enormes desigualdades econômicas e sociais e com elevado grau de pobreza e informalidade.

Posteriormente. Desse modo. num momento crucial de formação do mercado de trabalho assalariado no país (OLIVEIRA. se universalizaram. 2004). Acumulação flexível e política social Historicamente. por exemplo. os direitos e as políticas sociais remontam aos anos 1930 (a chamada “Era Vargas”). Nos países da periferia. Houve a imposição da ditadura dos mercados sobre a sociedade.). Mas esse processo . Desde o século XIX ficou evidente o caráter instável e cíclico das economias capitalistas. emergiu um novo conceito de pobreza. ampliando as fronteiras e espaços da acumulação. direta ou indiretamente. Assim. indiscriminadamente. etc. as políticas sociais surgiram como condição de sobrevivência da grande maioria da população destituída de meios de produção. pode-se dizer. no contexto da transição da economia agrário exportadora para a economia industrial calcada no mercado interno. portanto. ao propiciar uma renda mínima em situações de desemprego e de incapacidade (ou redução de capacidade) de trabalho por idade ou invalidez. o pacto social-democrata e a constituição do Estado de Bem-Estar Social consolidaram o escopo e os instrumentos das políticas sociais.6 aprofundamento da internacionalização da produção e dos fluxos de capitais. da necessidade da sociedade e. assistiu-se a um círculo virtuoso entre crescimento e distribuição. esse conceito se expandiu para abarcar outras dimensões da vida (moradia. bem como a fonte de seus recursos – através de uma arrecadação tributária fortemente progressiva. ou seja. 2. portanto. esse mesmo processo foi muito diferenciado e. as políticas sociais estiveram associadas ao exercício do trabalho. todos os cidadãos. que garantiram relativa estabilidade econômico-social nos países desenvolvidos. Nos trinta anos que se seguiram à 2ª guerra mundial. As políticas sociais surgiram como o reconhecimento dessa realidade e. o que derrotou politicamente as forças sociais do trabalho. passaram a abranger. No pós 2ª Guerra. associando-se a idéia de cidadania e direitos sociais a ela vinculados (IVO. da política se sobreporem à economia e sua dinâmica. associadas aos direitos da cidadania. bastante incompleto. No âmbito da política social. conhecido como o período fordista do capitalismo. saúde. em particular nos países da periferia. as políticas sociais. que passou a orientar a intervenção focada do Estado. As políticas sociais são fundamentais especialmente em momentos críticos. vendendo a força de trabalho ou trabalhando por conta-própria. 2008a). apoiado por políticas econômicas anticíclicas e políticas sociais universais. o que implica enorme insegurança para quem vive do seu próprio trabalho. educação. através da ação do Estado. No Brasil.

Com a crise do Fordismo nos anos 1970 e a ruptura do pacto social-democrata. A política social focalizada. materializada em programas governamentais específicos. apenas para uma parcela da população trabalhadora. de caráter também flexível como exige a lógica financeira. a partir de um determinado momento. os trabalhadores urbanos informais e. que podem ser sintetizados no binômio desemprego e precarização do trabalho. em nome do equilíbrio fiscal e da competitividade. a imensa massa de trabalhadores rurais. associada a seus direitos correspondentes. nos países desenvolvidos. qual seja. os efeitos dessa política no mundo do trabalho foram os mesmos das reformas neoliberais e suas demais políticas. tem como característica . os direitos trabalhistas foram reiteradamente atacados. A redução das taxas de crescimento e a conseqüente redução dos lucros e da arrecadação tributária conspiraram contra os direitos e as políticas sociais. do pacto populista. a busca pela flexibilização desses direitos se constituiu em política sistemática das empresas e dos governos. num arranjo político que não rompeu com o poder das oligarquias. a estrutura do Estado de Bem-Estar Social não desabou. essa política foi eleita como elemento crucial para possibilitar a inserção mais competitiva das empresas e dos países no processo de globalização. na virada dos anos 1990 para 2000. 2006). bem como a adoção de políticas sociais focalizadas. Nos países da periferia. depois de duas décadas de implementação de reformas e políticas neoliberais. Mas.7 logrou constituir a cidadania. os assalariados formalizados. Desse modo. durante os anos 1980 e 1990. em particular o Banco Mundial. Ficaram de fora. E foi justamente essa instituição que colocou em evidência a política social dos “novos tempos” (Banco Mundial. Desde então. O conceito de pobreza foi definido no sentido de possibilitar a separação desse fenômeno da implantação e da dinâmica do novo padrão de acumulação capitalista sob hegemonia do capital financeiro. no sentido de enfraquecimento do trabalho. não foi surpresa. a gravidade desse problema passou a preocupar as instituições multilaterais controlas pelos países desenvolvidos. sobretudo. em maior ou menor grau. constituindo-se o que se chamou de modernização conservadora ou a via passiva da revolução burguesa no Brasil (COUTINHO. Apesar disso. 2006). Coerente com a lógica da reestruturação produtiva e da globalização. o Estado de Bem-Estar Social passou a ser fortemente questionado nos países desenvolvidos. num momento de grande desemprego e inflexão da correlação de forças políticas. Tendo como argumento a preservação e criação de empregos. e direcionada a determinado público-alvo eleito (os pobres). a partir de uma realidade já previamente bastante precária. o aumento e aprofundamento da pobreza nos países capitalistas periféricos.

do maior ou menor acesso. Portanto. instrução. consigo. entre os indivíduos e as famílias. por definição. o fato de não ser uma política de Estado – que. Portanto. são deixados de lado a estrutura concentrada de propriedade e poder. como a distribuição desigual. a sua marca maior é não se constituir em um direito social. mais profundos. escolaridade. Portanto. bem como a estrutura e dinâmica do modelo particular de desenvolvimento capitalista atualmente vigentes e à política econômica a ele associado (Modelo Liberal Periférico). torna-se um instrumento poderosíssimo de manipulação políticoeleitoral e clientelismo. característicos das sociedades periféricas. As principais características e a lógica dessa concepção hegemônica implicam desconsiderar as razões e os mecanismos estruturais.5 Dessa maneira. No limite. Em contrapartida. . inúmeras “armadilhas” teóricas. a concepção hegemônica destaca razões explicativas mais aparentes e imediatas. qualificação). Essas “armadilhas” deslocam o problema das desigualdades do âmbito da relação entre o capital e o trabalho – característica essencial constitutiva da sociedade capitalista – para o âmbito exclusivo (interno) da classe trabalhadora e suas diferenças. reconhecido política e juridicamente. e os distintos níveis de capacidades dos indivíduos e famílias em adquiri-lo. a distribuição (pessoal/familiar) de renda. chega-se ao seguinte argumento tautológico: as famílias e indivíduos pobres estão na situação de pobreza porque não têm “capital humano” e. do estoque de “capital humano” existente (educação. Neste sentido. entre outros. fundamentalmente. a desigualdade e a pobreza decorrem. conceituais e políticas. assim. Por isso.4 A concepção hegemônica no atual debate acerca das desigualdades econômico-sociais tem por objeto. E isso é feito sem que essa escolha teórico-metodológica seja explicitada de forma clara e transparente. os pobres e as políticas sociais (focalizadas) de combate à pobreza.8 primeira. transforma a pobreza numa variável exógena aos mecanismos econômico-sociais que estruturam as relações entre as classes sociais. A definição do Modelo Liberal Periférico é apresentada na próxima seção onde se discute a política social no Brasil. Esta concepção trás. como 4 5 A discussão do restante desta seção baseia-se em FILGUEIRAS E GONÇALVES (2007: 143-145). que (re)produzem as desigualdades. que precede todas as demais. à educação e à saúde. inscrito na Constituição e. independe do governo de momento. saúde. remete sua explicação para o âmbito das famílias e dos indivíduos e procura identificar os eventuais atributos que diferenciam as famílias (e os indivíduos) pobres das famílias (e dos indivíduos) não-pobres. a pobreza.

eficientes e equânimes – tendo por alvo as famílias e os indivíduos que mais precisam – seriam os programas sociais focalizados. Vale notar que estas pesquisas só obtêm. as análises da distribuição pessoal/familiar da renda dizem respeito. E. Então. deixam de fora os rendimentos do capital (principalmente aqueles derivados da esfera financeira). entre outras. fundamentalmente. constituindo-se uma espécie de circulo vicioso da pobreza. que só poderá ser rompido através das políticas focalizadas de transferência de renda. Na verdade. reduz-se o número real de famílias . por parte das famílias beneficiadas. portanto. às desigualdades existentes entre os trabalhadores. essa perspectiva teórica transforma uma correlação estatística (baixa escolaridade versus pobreza) numa relação de causalidade. com limitação da identificação das desigualdades ao âmbito dos rendimentos do trabalho. da pobreza absoluta e dos pobres se faz a partir de informações sobre os indivíduos e as famílias que são fornecidos por pesquisas domiciliares. no qual os segmentos da chamada classe média – geralmente definida através de medidas estatísticas frágeis – são identificados como ricos e taxados como privilegiados. mais grave ainda. As políticas públicas eleitas como sendo as mais adequadas. não têm capacidade ou estímulo em investir na obtenção desse capital. Posteriormente. dados sobre os rendimentos do trabalho e as transferências da previdência e da assistência social e. por sua vez. deixase de fora qualquer iniciativa de reformas que afetem a distribuição da riqueza. pobres. são identificados através do estabelecimento de linhas de pobreza que subestimam as reais necessidades mínimas de sobrevivência de uma família. e a estrutura e o funcionamento do sistema financeiro vigentes. essencialmente. Dessa forma. inverte-se a causalidade. Com isso. num primeiro momento a escolaridade assume a condição de variável independente (explicativa) e a pobreza a de variável dependente (explicada). relacionadas à educação dos filhos e aos cuidados com a saúde. essa redução das desigualdades é sempre pensada a partir do “nivelamento por baixo”. que passam a ser classificados como muito pobres. dirigidos aos mais pobres entre os pobres.9 nessa situação. na qual. não-pobres e ricos (privilegiados) segundo os seus níveis de renda pessoal ou familiar. permanecerão na pobreza. A identificação das desigualdades. Estes. a busca da menor desigualdade (através de políticas públicas) se restringe à redução das disparidades salariais e outros rendimentos do trabalho. Como conseqüência. condicionadas a ações e iniciativas. para além da operação político-ideológica contida no conceito (antigo) de “capital humano”. inclusive a propriedade fundiária (rural e urbana).

é o de liberar mais recursos financeiros para a obtenção de superávits fiscais primários e o pagamento da dívida pública. atravessou . uma espécie de Fordismo restrito. consequentemente. Como produto dessa nova realidade político-social ampliaram-se os direitos dos trabalhadores. a Assembléia Constituinte de 1988 e a eleição direta para Presidente da República em 1989 foram expressões mais visíveis e importantes do novo momento político vivido país. por políticas sociais focalizadas. é o Governo Collor que. Porém. A crise estrutural do Modelo de Substituição de Importação (MSI). inicialmente. o PT e muitas outras organizações populares na primeira metade dessa década. previdência e assistência social). distinto do Orçamento Geral. que passaram a influir na vida política do país. a CUT. que marca o início da implantação do projeto neoliberal no Brasil. infelizmente por nunca ter sido implementado. Os movimentos sociais e sindicais reapareceram com força na cena política. se constituem na contraface do permanente ajuste fiscal exigido pelo capital financeiro aos países da periferia do capitalismo. trata-se da substituição das políticas sociais universais (com a extinção de direitos). com a incorporação à seguridade social de segmentos de trabalhadores (rurais e urbanos) historicamente excluídos da cidadania integral. A Constituição de 1988 absorveu conquistas fundamentais que avançaram para muito além dos limites da CLT. As greves do ABC (o Novo Sindicalismo) ainda no final da década de 1970. o movimento pelas eleições diretas em 1984. que exige volume maior de recursos. com essa operação. trajetória um pouco distinta dos demais países da periferia do capitalismo. que exigem montantes relativamente pequenos de recursos do orçamento. antes mesmo do término formal da ditadura militar em 1985. 3. Na verdade. além de assistencialistas – funcionalizando e reproduzindo o estado de pobreza e a condição de pobre –. em particular os da América Latina pois apenas a partir da década de 1990 vai-se assistir à ofensiva do capital contra os direitos sociais. A década de 1980. inicia a Era Neoliberal no país. foram criados o MST. O ponto de inflexão. ao contrário. até hoje se permite a equivocada e proposital identificação da existência de déficit financeiro na Previdência Social. a campanha pela anistia dos presos políticos. de fato. se caracterizou pelo fortalecimento e ebulição da sociedade civil. Reconheceuse o caráter universal das políticas sociais e definiu-se um orçamento em separado para a Seguridade Social (saúde. Política social no Brasil O Brasil percorreu.10 pobres e. Portanto. as políticas sociais focalizadas. Para ilustrar. O objetivo. o montante total dos valores a serem transferidos a cada família e ao conjunto delas.

aprofundando e consolidando um novo padrão de acumulação capitalista no Brasil. O modelo é liberal porque se estrutura a partir da liberalização das relações econômicas internacionais nas esferas comercial. os processos de abertura comercial e financeira aparecem como instrumentos de combate à inflação. a reestruturação produtiva selvagem e a inserção passiva na globalização e reformas e políticas neoliberais. crescimento da dívida pública. No processo de constituição do MLP. que implicam a reconfiguração da intervenção estatal na economia e na sociedade. que pode ser caracterizado como um Modelo Liberal Periférico (MLP). Ela virá nas décadas de 1990 e 2000 dentro do mesmo padrão que já havia ocorrido na maioria dos países periféricos. um país que não tem influência na arena internacional. que reforça a exploração da força de trabalho. em circunstâncias internacionais distintas. Em particular. o modelo tem o capital financeiro e a lógica financeira como dominantes em sua dinâmica macroeconômica (FILGUEIRAS. que levou à alteração dessa política no sentido da constituição do tripé que se sustenta até o presente momento: política monetária (fundamentalmente manejo da taxa de juro) conforme metas de . produtiva. 96). privatizações de empresas estatais. e de um processo de desregulação do mercado de trabalho.11 toda a década de 1980. O conjunto da obra é conhecido: abertura comercial sem planejamento e sem contrapartidas. O seu resultado também é conhecido: aumento da vulnerabilidade externa estrutural do país. então. entre outras iniciativas. 2007. isto é. industriais e comerciais de promoção do desenvolvimento econômico. ao mesmo tempo em que se caracteriza por significativa vulnerabilidade externa estrutural nas suas relações econômicas internacionais. O modelo é periférico porque é uma forma específica de realização da doutrina neoliberal e da sua política econômica em um país que ocupa posição subalterna no sistema econômico internacional. sem sinais de resposta. duas reformas da previdência e flexibilização dos direitos trabalhistas. quebra de monopólios do Estado. deram sequência e acabamento à obra iniciada por Collor. a política macroeconômica. sustentada com elevada taxa de juro. p. abertura financeira que inseriu a dívida do Estado brasileiro no circuito da acumulação financeira mundial. da implementação de reformas no âmbito do Estado (em especial na área da Previdência Social) e da privatização de empresas estatais. baixas taxas de crescimento do PIB. completamente descolados de políticas tecnológicas. GONÇALVES. tecnológica e monetáriofinanceira. desnacionalização da economia. caracterizou-se pelo uso de âncora cambial. precarização do trabalho e aumento da pobreza. Por fim. ou seja. iniciada a partir da adoção do Plano Real em 1994. Os Governos de FHC e de Lula. Esta política causou a crise cambial no início de 1999. elevados níveis de desemprego. Verificam-se.

Assim. Também se constata redução na desigualdade de renda. a situação anterior da economia brasileira. através de programas específicos de bolsas. capitaneada pelos EUA e a China.2 milhões de famílias que. . e o formalizado em particular. propiciando a obtenção de superávit na conta de transações correntes. O crescimento sistemático dos saldos positivos da balança comercial. saúde e educação. 2005. 2005) têm evidenciado a redução da pobreza absoluta nos últimos anos. DELGADO E THEODORO. conforme a linha de pobreza estipulada pelo programa6. houve a criação do Programa Bolsa-Família. 2008b). A partir do fracasso do Programa Fome Zero. Entre as políticas de transferência de renda. estão fora do Bolsa-Família. entre outras) convivem com políticas sociais focalizadas de Governo. Este fato resulta do aumento real do salário mínimo e das transferências de renda das políticas sociais. e política cambial “suja” na qual predomina a livre flutuação. em especial os gastos da seguridade social. a sua vulnerabilidade externa. voltou a crescer o emprego em geral. O Programa atinge as famílias do país consideradas pobres e muito pobres (mais de 11 milhões). (Folha de São Paulo. 2006. Esta redefinição se fez com a manutenção de todas as reformas anteriormente efetivadas. de logo. os três primeiros lugares na hierarquia dos gastos sociais (IVO. reduziram-se as taxas de desemprego. foi consolidada e ampliada no Governo Lula. sabidamente subestimadas. direitos e políticas sociais universais de Estado (previdência. Essa mudança não melhorou. respectivamente. abriu espaço para flexibilização da política monetária. a redução conjuntural dessa vulnerabilidade externa se acelerou. a partir de 2003. Com isto. com a manutenção de taxas de inflação baixas e a obtenção de taxas de crescimento do PIB um pouco maiores entre 2004 e 2008. quando a economia mundial. apesar de preencherem os requisitos de perfil e renda. conjunturalmente. A implementação da política social focalizada. 2007. DELGADO. inclusive a abertura comercial e financeira. porem reduziu um pouco. 07/01/2009). No entanto. Considerando-se as linhas de pobreza (renda) utilizadas.12 inflação previamente estabelecidas. em 6 No entanto. iniciada no segundo Governo FHC. SOUZA. política fiscal dirigida para a obtenção de elevados superávits fiscais primários. o Beneficio de Prestação Continuada (destinado a deficientes e idosos a partir de 65 anos) e o programa Bolsa-Família ocupam. assistência social. o Ministério do Desenvolvimento Social detectou mais 2. começou a crescer a taxas muito elevadas. os gastos com a previdência social. estudos recentes (NERI. em virtude da melhora da balança comercial. sobretudo as de caráter universal. para a definição de pobres e miseráveis. que unificou diversos programas e aumentou o número de beneficiários e o volume de recursos utilizados.

Concebeu-se o Fome Zero como um leque de políticas capaz de alterar a arcaica estrutura social brasileira e permitir aos beneficiários vir a produzir a própria renda. Decisão que. foram decisivas para permitir essa ocorrência. em virtude das políticas sociais universais a pobreza – sempre medida por linhas de pobreza definidas de forma minimalista – se reduziu ainda mais. Um desvio ético abortou o Fome Zero.. inicialmente. saneamento básico e acesso à terra. com o controle da inflação em 1994. em menor proporção. Conclusão Na Era Liberal. diferentemente dos direitos e das políticas sociais universais. Em 2005. Do ponto de vista político. Nas palavras de BETTO (2008): “Miséria não se erradica apenas com renda mínima. Posteriormente. MENDES. 2006). ou seja. mas também a de beleza. o programa Bolsa-Família. aprimorar culturalmente os beneficiários e torná-los protagonistas do aperfeiçoamento de nossa democracia. o fim do imposto inflacionário e a estabilidade de preços a pobreza. conforme se adote a velha ou a nova versão (2007) do Sistema de Contas Nacionais divulgado pelo IBGE (HOFFMANN E NEY. anulou o seu caráter emancipatório e o reduziu ao programa Bolsa Família. que teve aumentos reais nos últimos anos – e. Não se pretendia saciar apenas a fome de pão. a partir de 2004. Manter os beneficiários na dependência permanente do Governo traz votos. Sem isso. Exige investimentos em educação. os Comitês Gestores foram cancelados e o governo federal repassou às prefeituras a responsabilidade de controle dos recursos destinados aos beneficiários. O controle do programa cabia à sociedade civil através dos Comitês Gestores. inserção ocupacional. No conjunto destas políticas os destaques são a aposentadoria rural e o Benefício de Prestação Continuada – ambos balizados pelo valor do salário mínimo. que não conseguem medir .. visto que a distribuição funcional da renda piorou (1998-2003) ou praticamente permaneceu a mesma (2000-2005). a política social focalizada executada através de programas de governos específicos. Entretanto. a questão da redução da pobreza deve ser vista com cautela visto que se utilizam linhas de pobreza e indigência minimalistas. se reduziu. 2008). A. se presta a um novo tipo de populismo e vem sendo utilizado política e eleitoralmente (MARQUES R. segundo o Tribunal de Contas da União. meramente compensatório: a fome de poder.13 particular entre aqueles que auferem rendimentos do trabalho.” 4. Taxas de crescimento econômico um pouco maiores. fez aumentar os indícios de corrupção nas administrações municipais. qualquer política social perde seu caráter emancipatório e se restringe ao compensatório. M. Assim a reforma agrária se impunha como prioridade. saúde.

mais pobres. os estragos socioeconômicos promovidos pelo Modelo Liberal Periférico e suas políticas econômicas – baixo crescimento econômico.14 adequadamente (qualitativa e quantitativamente) o fenômeno. pobreza. como no caso da energia elétrica. Trata-se de política social apoiada em um conceito de pobreza restrito. Não há “porta de saída” do programa. com a crise mundial. A política focalizada é uma política social que divide. como participante desses programas. A política focalizada é de natureza mercantil. a “saída da pobreza” é extremamente precária. qualquer inflexão no ciclo econômico. bem como a universidade pública e as políticas de subsídios ao consumo de bens básicos. própria dos países da periferia do capitalismo. canhestramente. que reduz o numero real de pobres. pela sua própria origem e natureza. Formula-se uma política social que. Portanto. por exigência do FMI e do capital financeiro (os mercados). aumenta significativamente o risco de ressurgir os níveis anteriores de pobreza. Ademais. que concebe a redução da pobreza como um “bom negócio” e que transforma o cidadão portador de direitos e deveres sociais em consumidor tutelado. porque dependente estrutural e permanentemente de programa de governo. com a emancipação das famílias. e muito limitadamente. uma política social que se define e se caracteriza por ser a contraface dos superávits fiscais primários. –. não-pobres e privilegiados – estes últimos identificados como aqueles que têm acesso à seguridade social incompleta e limitada. E. os trabalhadores em categorias do tipo: miseráveis. suas necessidades e o montante de recursos públicos a serem disponibilizados. de combate à pobreza. subordina-se a critérios ‘‘técnicos’’ definidos ad hoc a depender do governo de plantão e do tamanho do ajuste fiscal – numa operação ideológica de despolitização do conflito distributivo. etc. e cuja elegibilidade. através da transferência direta de renda. enfim. pensões. 2008b). um processo generalizado de precarização do trabalho (FILGUEIRAS E GONÇALVES (2007: 155-157). em particular da . como a que se configura no início de 2009. para garantirem o pagamento das suas respectivas dívidas públicas. elevadas taxas de desemprego. seguro desemprego. Em síntese. a política social focalizada. através de um discurso que ataca diretamente a seguridade e a assistência social públicas – aposentadorias. busca se implementar e se tornar hegemônica a partir da negação dos direitos e das políticas sociais universais. pobres. baixos rendimentos. Ela procura se adequar ao permanente ajuste fiscal a que se submetem os países periféricos. que não responde ao problema da segurança alimentar a longo prazo (IVO. nasce e se articula umbilicalmente às reformas liberais e tem por função compensar parcial.

fragmentam a classe trabalhadora e estimulam e açulam a disputa entre os seus diversos segmentos. A melhora na distribuição de renda se deu em razão. se manteve. trabalhadores do setor público versus do setor privado. DRUCK. A política focalizada é uma política social que desloca a disputa entre capital e trabalho. trabalhadores qualificados versus não-qualificados.). In: CIMADAMORE. 2006) – ambos produtos do período de vigência do MLP. própria das sociedades capitalistas.15 América Latina. Todas elas. A desconstrução do trabalho e a explosão do desemprego estrutural e da pobreza no Brasil. pode-se constatar que a recuperação do mercado de trabalho. Carlos Nelson. Rio de Janeiro: Fiocruz/EPSJV. 2006. In: LIMA. etc. É uma política social que enclausura o conflito distributivo na base da pirâmide social e é compatível com o empobrecimento e a redução das chamadas classes médias e com o processo de polarização das desigualdades na distribuição de renda (Salama. da desconcentração dos rendimentos referentes ao trabalho. NEVES. Graça. para o âmbito interno da classe trabalhadora. 1999. explicitadas ou criadas pelo capital e sua política. Antonio David (orgs. Esta política transforma a disputa de classes em um conflito distributivo intra-classe trabalhadora visto que opõe os seus vários estratos: assalariados com rendimentos mais elevados versus mais reduzidos. Bibliografia ANTUNES. Num contexto de manutenção da mesma estrutura agrária e tributária. CATTANI. em particular do emprego formal e do rendimento médio real dos trabalhadores. participantes versus não participantes da seguridade social. Alberto D. ocorrida a partir de 2005. não conseguiu retomar os níveis de 1996. Lúcia Maria Wanderley Neves (orgs). Washington. COUTINHO. Produção de pobreza e desigualdade na América Latina.. . POCHMANN. a distribuição funcional da renda piorou ou. O Estado brasileiro: gênese. Poverty Reduction and Growth: Virtous and Vicious Circles. BANCO MUNDIAL. clivagens reais ou imaginárias. Porto Alegre: Tomo Editorial/Clacso. São Paulo: Boitempo. 2007. BETTO. Finalmente. fundamentalmente. Marcio. Júlio César França. as políticas sociais focalizadas se encaixaram funcionalmente como políticas compensatórias. alternativas. novembro de 2008. Ricardo. crise. Fundamentos da educação escolar do Brasil Contemporâneo. Políticas assistenciais. 2006. Terceirização: (Des)Fordizando a fábrica . In: Revista Caros Amigos. Frei. no máximo. trabalhadores formais versus informais.um estudo do complexo petroquímico da Bahia.

Viver por um fio: pobreza e política social. Disponível: http://www. GONÇALVES. jan/mar. 1121-1133. São Paulo: Loyola. v. A história do Plano Real. 1992. 1999. pobreza e trabalho: dilemas do bem-estar em países de capitalismo periférico. Luiz. junho de 2008. al. Rodolfo. Marlon Gomes. MARQUES R. 267.16 DUPAS. Salvador. Texto no prelo. Reinaldo et. . jan. Bolsa Família exclui 2. O ornitorrinco. p. em prego. n. M. Anete Brito Leal. 2000. 2006. do Censo Demográfico e das Contas nacionais. 4. n. O social no governo Lula: a construção de um novo populismo em tempos de aplicação de uma agenda neoliberal. Gilberto. Luiz. Reinaldo. 2004. Vulnerabilidade Externa Estrutural da América Latina.ufrj. São Paulo. HOFFMANN. A condição pós-moderna. In: Bahia Análise de Dados. Folha de São Paulo. 2008b. NEY. Revista de Economia Política. Economia mundial e exclusão social: pobreza.pdf HARVEY. FSP. 7-52. A.br/hpp/intranet/pdfs/vulnerabilidade_externa_america_latina_gep_a bril_2008. A recente queda da desigualdade de renda no Brasil: análise de dados da PNAD. A Economia Política do Governo Lula. 2008a. 2007. 1./mar. Rio de Janeiro. São Paulo: Boitempo. 07/01/2009. n. FILGUEIRAS. MENDES. São Paulo: Annablume. Globalização e Desnacionalização. v. Políticas sociais. Reinaldo. São Paulo: Paz e Terra. Rio de Janeiro: Contraponto. GONÇALVES.2 milhões de famílias. SEI/SEPLANTEC. FILGUEIRAS. São Paulo: Brasiliense. 2000. p. 2008. 10. 58-74. ___________________.ie. IVO. São Paulo: Paz e Terra. Estado e o futuro do capitalismo.1. p. GONÇALVES. OLIVEIRA. Francisco.. 17. v. David. In: Econômica / Revista do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal Fluminense.