à Capacidade elástica do material

O dobramento é uma operação onde ocorre uma deformação por flexão. Quando
um metal é dobrado, a sua superfície externa fica tracionada e a interna comprimida.
Estas tensões aumentam a partir de uma linha interna neutra, chegando a valores
máximos nas camadas externa e interna.
Em outras palavras, em um dobramento a tensão varia de um máximo negativo na
camada interna para zero na linha neutra e daí sobe a um máximo positivo na
camada externa (fig 20).

Retorno elástico
Fig (20)

Desta forma, uma parte da tensões atuantes na seção dobrada estará abaixo do limite de
escoamento (LE) e a outra parte supera a este limite, conferindo à peça uma deformação
plástica permanente. Uma vez cessado o esforço de dobramento, a parte da seção que ficou
submetida a tensões inferiores ao LE por ter permanecido no domínio elástico, tende a retornar
à posição inicial anterior ao dobramento. Como resultado, o corpo dobrado apresenta um
pequeno “retorno elástico” ou efeito mola (spring back) que deve ser compensado durante a
operação de dobramento.
Como indicação, a tabela da figura 21 mostra o retorno elástico de alguns tipos de aços
inoxidáveis austeníticos em relação ao raio interno de dobra e à espessura da chapa.

Retorno elástico para dobramento a 90º
Raio de dobramento (e = espessura da chapa)

Tipo do
Aço Inoxidável

1e

6e

20 e

302 e 304
301



13°

15°
43°

Fig. (21)

28

Estampagem dos aços inoxidáveis

Em alguns casos, é utilizada a prática de se efetuar uma calibragem em estampo específico, já
compensado o retorno elástico, para dar as dimensões finais da peça. Este procedimento é
viabilizado em produção seriada onde o custo do estampo calibrador pode ser diluído no
preço da unitário da peça (fig.22).

Fig. (22)
à Raio interno mínimo

Quanto menor o raio de dobramento, maiores são as tensões desenvolvidas na
região tracionada. Um excessivo tracionamento provocado por um pequeno raio de
dobramento pode vir a romper as fibras externas da chapa dobrada.
Define-se o raio interno mínimo de dobra, como o menor valor admissível para o raio
para se evitar grande variação na espessura da chapa na região dobrada. Este valor
é função do alongamento que o material sofre ao ser tracionado e da espessura da
chapa que está sendo dobrada.

Estampagem dos aços inoxidáveis

29

0175 α (Ri + t ) 2 0.5/2 = 0.1.0175 = π / 180 α = ângulo de dobramento Ri = raio de dobramento e = espessura f = fator de correção 30 Estampagem dos aços inoxidáveis . Deve-se levar em conta esta variação de espessura da região dobrada. o raio de dobramento mínimo para uma chapa de 1. O comprimento desenvolvido da região dobrada é obtido pela fórmula: Onde. A variação da espessura da chapa na região da dobra impede que o comprimento desenvolvido seja simplesmente a soma dos comprimentos retos e curvos da peça. costuma-se utilizar a relação: 50e e Rmin= − Al% 2 onde Rmin = raio mínimo Al% = alongamento % da chapa e = espessura da chapa Por exemplo.94 mm à Comprimento desenvolvido Quando se quer produzir uma peça dobrada.5) / 60 . é necessário conhecer a dimensão inicial da chapa a ser utilizada .5 mm de aço inox 304 com alongamento garantido de 60% é de: Rmin = (50 x 1. para se obter o exato comprimento da chapa que vai dar origem à peça.Fig (23) Para a determinação do raio mínimo. 4 Le = 0.o chamado comprimento desenvolvido da peça.

25 Fig 25 Material: aço inox 304 Alongamento: 37.6 0.5 f 1.7 0. (24) Exemplo Calcular o comprimento desenvolvido da chapa utilizada para fabricar o perfil U da fig.8 0.5 Fig.8 0.9 0.A tabela da figura 24 mostra os valores de f (fator de correção) em função da relação do raio de dobramento com a espessura da chapa Fator de correção da variação da espessura Ri / e 5 3 2 1.2 0.0 0.5% Espessura Largura Comprimentos e = 3 mm b = 20 mm c = 40 m d = 20 mm Estampagem dos aços inoxidáveis 31 .

especifica-se uma chapa de 3.940 mm A largura da chapa onde o perfil vai ser dobrado é b = 20 mm Neste caso. parte da chapa fica presa pelo prensa chapa e a outra parte permanece livre.5 mm Cálculo do comprimento desenvolvido da região dobrada: Ri /e = 2.65 Ld = 0.940 mm de aço inox 304 para fabricar o perfil da figura 25.5 3 = 0. todo o conjunto funcionando como uma viga em balanço (fig.0175 x 90 x (2.0 x 20 x 90. Forças.47 mm O comprimento desenvolvido da peça será: L = 2 Ld + c + 2 d = 2 x 5.65 x3÷2) = 5.Cálculo do raio mínimo: Ri = (50 x 3 37.47 + 40 + 2 x 20 = 90.833 ⇒ f = 0. à Forças que atuam na operação de dobramento As principais forças que atuam na operação de dobramento são: ã a força de dobramento (Fd).26). distâncias e momentos num processo de dobra simples Fig.5) . ã a força de prensa-chapa (Fpc) e. ã a força lateral (Flat) Numa dobra simples em matriz. (26) 32 Estampagem dos aços inoxidáveis .5 + 0.(3 2) = 2.

(27) A tensão necessária para vencer o limite elástico e o encruamento do material para que haja deformação plástica (permanente) é a tensão de dobramento σ. que levam em consideração coeficientes de segurança para garantir o sucesso do processo.O punção ao descer exerce a força de dobramento (Fd) sobre a parte em balanço da chapa. Tipo de Processo sd Sem calibragem 2 x σrup Com calibragem 8 x σrup Fig (28) A calibragem corresponde ao endireitamento da peça dobrada (fundo do U ou laterais de V. Fig. Parte desta força é transferida à parede lateral da matriz à medida que a chapa se deforma. Para se calcular as forças que atuam no dobramento. A operação de dobramento com calibragem minimiza o efeito do retorno elástico. cujos valores são definidos pelas relações da tabela da Fig (28). ã a espessura da dobra (e). A força lateral é máxima quando a chapa atingir uma posição de 45º com a horizontal (fig 27). consideram-se: ã o comprimento da dobra (b). Estampagem dos aços inoxidáveis 33 . por exemplo). que começa a se deformar.

ã a distância entre o ponto de aplicação da força até a região engastada que. no caso é a própria espessura da chapa (e) ã distância do centro da mola do prensa chapa até a face da matriz (a) e definem-se: Tipo de força Tipo de dobramento Dobramento simples Valor da força (Fds) = bxe x σd 6 (Fdu) = bxe x σd 3 Força de dobramento (Fd) x Força de prensa chapa (Fpc) Dobramento em U (Fpc) = (15 a 20%) (Fdu) Dobramento em L (Fpc) = Força lateral (Flat) (Flat) = Fd xe a Fd 2 A seguir. Dobras em L Fig (30) 34 Estampagem dos aços inoxidáveis . perfis em U e estampo para dobramentos em ângulos diferentes de 90° e/ou para correção de retorno elástico. mostramos alguns tipos de estampos específicos para comprimentos de dobra pequenos para perfis tipo cantoneira (perfil em L).

Duas formas distintas para o acionamentro do prensa chapa Dobra em U Fig (31) Estampagem dos aços inoxidáveis 35 .

(32) 36 Estampagem dos aços inoxidáveis .Estampo para dobramento em U com ângulos diferentes de 90° ou correção do retorno elástico Fig.

4. Fig (33) As tensões que atuam no processo. Durante a operação de repuxo. gerando variações na sua espessura. uma matriz e um sujeitador chamado de prensa-chapa. constituídos por um punção. configurando gradativamente as paredes laterais da peça. são diferentes em cada região da peça. As ferramentas que permitem a obtenção da forma desejada são chamadas de estampos. é transformada em um corpo oco sem que haja aparecimento de rugas e trincas.REPUXO O repuxo ou embutimento é uma operação de estampagem onde uma chapa. O material da chapa flui para dentro da matriz. A geometria da aplicação da deformação é mostrada na Fig (33). inicialmente plana. Fig. (34) Estampagem dos aços inoxidáveis 37 .3 . o punção obriga a chapa penetrar na matriz movido pela ação de uma força denominada de força de repuxo (FR).

à a capacidade de embutimento do material . à as paredes laterais onde ocorre um decréscimo gradual da espessura até o fundo da peça.relação de repuxo. quase não apresentando deformação. à o raio da matriz onde se verifica um aumento de espessura pelas diferenças entre as tensões de tração. à a velocidade de conformação à os lubrificantes utilizados à as forças que atuam na operação de repuxo 38 Estampagem dos aços inoxidáveis . punção e folgas). à o raio do fundo da peça onde ocorre significativa deformação na espessura. compressão e a componente tangencial. à o ferramental (matriz. existem quatro regiões com deformações distintas: à a parte plana do fundo da peça cuja espessura final é praticamente a mesma do blank. à a redução percentual. são: à a capacidade de alongamento do material. Fig (35) Os principais parâmetros envolvidos na operação de repuxo.Basicamente.

Esta capacidade é medida pelo coeficiente de encruamento n (tangente à sua curva tensão deformação). a deformação localizada causa uma estricção (redução de seção) e uma perda da resistência mecânica. É determinada para os aços inoxidáveis. βοmax = 2. Em materiais de pequeno coeficiente de encruamento. ã Se βο ≤ βοmax .001 . A capacidade de endurecimento de um aço é uma função que depende basicamente de sua composição química. a deformação localizada causa um incremento rápido da resistência mecânica e o material se torna capacitado a resistir cada vez mais à deformação.à Capacidade de alongamento do material A capacidade de alongamento é função da velocidade de endurecimento pelo trabalho mecânico a frio de cada material. A severidade máxima de repuxo é a condição limite de repuxo para uma única operação. Estampagem dos aços inoxidáveis 39 . d e onde d é o diâmetro do punção e “e” é a espessura da chapa.48. a peça necessariamente deverá ser estampada em mais de uma operação de repuxo. a peça poderá ser repuxada em apenas uma operação. os aços baixo carbono e o inox tipo 430 apresentam coeficientes n iguais a 0. Comparativamente. A relação abaixo é chamada de relação de repuxo em função da geometria da peça. Em materiais com elevado coeficiente de encruamento. a partir da relação prática. ã Se βο > βοmax . βο = D d onde D é o diâmetro do blank e d o diâmetro do punção.0. à Capacidade de embutimento do material A capacidade de embutimento de um material depende da sua relação de deformação plástica que é uma medida da resistência à estricção do material. válida para o intervalo de 25 a 600 de d/e.22 enquanto que para o aço inox 304 este coeficiente atinge a n = 0.15 .

por este motivo. aço carbono.à Redução percentual A redução numa operação de repuxo é expressa por: Redução % = 100 (D . bronze. 20 e10%. punção e folgas O ferramental deve ser projetado e construído levando-se em conta tanto a matériaprima (aço inox. Raio da Matriz (*) Redução (%) 15 e 10 e 5e 2e 50 a 60 40 a 50 30 a 40 0 a 10 (*) e = espessura do blank Fig. à Ferramental . diminuem também a estampabilidade dos aços inoxidáveis.punção é função do tipo de metal a ser embutido. empregam-se reduções sucessivas (repuxos sucessivos) que consistem em dividir a operação de repuxo em várias etapas para que. em cada uma delas. etc). matrizes compostas com a face de trabalho fabricadas com bronze alumínio.d) D A redução % varia de 40 a 60% para os aços inoxidáveis austeníticos e de 40 a 55% para os aços ferríticos. quanto a quantidade de peças a serem produzidas. Em estampagem profunda. A relação de redução vai diminuindo em cada operação sucessiva. recomenda-se o uso de materiais que minimizem esta adesão: aços ferramentas de alta dureza tratados com cromo duro. Para os aços inox é freqüente se estabelecer a seguinte relação de redução: 35. o grau de redução varia de acordo com o raio da matriz utilizada.matriz. O desgaste do conjunto matriz . À medida que os raios das matrizes decrescem. Um metal de alta dureza causa maior desgaste que um metal macio. um metal oxidado aumenta a abrasão de duas a cinco vezes. A tabela da figura 36. mostra as reduções dos aços inoxidáveis austeníticos em função dos raios das matrizes. 40 Estampagem dos aços inoxidáveis . Os aços inoxidáveis provocam alto desgaste por abrasão e tendem a aderir à matriz e ao punção e. 30.(36) Para o caso de βο > βοmax . punção e matriz endurecidas por tratamento de nitretação. pelo aumento progressivo do encruamento. a condição limite não seja atingida.

000 peças 1.000 peças 100. Os parâmetros de embutimento que dependem da espessura da matéria-prima.000.(37) A deformação da matéria-prima é levada a efeito. ã raio do punção. com as tolerâncias variando em função da espessura do blank. 10.8 (D − d) x e onde Rm é o raio da matriz e.000 peças W1 ou 4140 cementado W1 ou S1 cementado A2 ou D2 W1 ou O1 W1 ou O1 W1 ou O1 Punção Ferro fundido ligado O1 A2 ou D2 Prensa-chapa Ferro fundido ligado Ferro fundido ligado O1 ou A2 Descrição / ferramenta Peças de até 76 mm (seção cilíndrica e quadrada) Peças redondas (até 305 mm) Punção Prensa-chapa Fig. δ = e + 0. médias e grandes séries de peças. ã folgas matriz . Como exemplo. que são: ã raio da matriz. principalmente nos raios de curvatura da matriz.Existem tabelas de seleção de materiais para ferramental em diferentes aplicações que podem servir de referência.punção As relações utilizadas para definir os parâmetros acima mencionados são: Rm = 0. Estampagem dos aços inoxidáveis 41 .07 10 x e onde δ é a folga punção matriz. a figura 37 mostra alguns materiais recomendados para a confecção de punção e prensa-chapa para produção de pequenas.

ã pressão do prensa-chapa. Uma velocidade excessiva. ã peças simétricas de baixa severidade de redução.15 1. Material Aço Aço Aço Aço carbono inox austenítico inox ferrítico inox martensítico Rm 4a8 5a8 7 a 15 7 a 15 r e e e e 2e 4e 5e 5e folga (d) 1.20 e e e e e = espessura do material Fig. o raio do punção r e a folga matriz .20 1. ã qualidade do ferramental.20 1.40 1.05 1. principalmente em metais de menor dutilidade (maleabilidade). A velocidade de conformação deve ser escolhida à luz das seguintes considerações: 42 ã uso de matéria prima de qualidade uniforme. os intervalos recomendados para o raio da matriz Rm.A Fig (38) apresenta.15 1. pode conduzir a fraturas ou a uma redução excessiva de parede na peça repuxada. ã qualidade da prensa.15 a a a a 1. Estampagem dos aços inoxidáveis . (38) à Velocidade de conformação A velocidade de embutimento é um fator crítico. como referência.punção δ em função da espessura do blank. ã lubrificação adequada.

O mecanismo desta lubrificação é idêntico ao da película grossa. que permite algum contato metal-metal. o que reduz a espessura do filme. as velocidades de conformação se reduzem. aumenta também a dificuldade de sua remoção. Com esta finalidade. à medida que se aumenta a efetividade de um lubrificante. Estampagem dos aços inoxidáveis 43 . Alguns lubrificantes atacam determinados metais. ã lubrificação de pressão extrema. Em condições piores. Lubrificantes a base de chumbo e zinco promovem a corrosão intergranular nos aços inoxidáveis quando estes são submetidos a tratamento térmico ou trabalho a quente e por isso devem ser evitados. inclusive aos aços inoxidáveis. A tabela da figura 39 relaciona os lubrificantes mais comumente utilizados. onde as superfícies metálicas mudam pela ação de uma reação química que forma compostos de baixa resistência e cedem facilmente à aplicação de uma deformação. que permite uma aderência física entre o lubrificante e a superfície. Existem vários tipos de lubrificação: ã lubrificação de película grossa. classificados pela facilidade de remoção por meio aquoso ou por desengraxantes e/ou solventes. ã lubrificação de película fina ou mista. devido ao seu apelo estético esta remoção deve ser considerada principalmente no caso de necessidade de recozimento posterior. pode se estabelecer os valores indicativos de 6 a 9 m/min. Freqüentemente. À medida que estas condições pioram. para os aços austeníticos e de 4 a 6 m/min. à Lubrificantes Em geral. onde a queima dos resíduos dos lubrificantes podem manchar a peça. ã lubrificação de película sólida onde a separação metal-metal é feita pela interposição de uma capa de substâncias sólidas. o lubrificante deve ser aplicado uniformemente em toda a superfície metálica. que evita totalmente o contato metal-metal. A seleção de um lubrificante é tão crítica que algumas indústrias modificaram seus processos de fabricação somente para permitir o uso de lubrificante de mais fácil remoção. utiliza-se um lubrificante para evitar os contatos metal-metal que levam à adesão a frio entre eles. ã lubrificação de fronteira.Para os aços inoxidáveis austeníticos a velocidade máxima de conformação é da ordem de 9 a 12 m/min. No caso dos aços inox. para os aços ferríticos.

50% de: . com Cl.óleo clorado não emulsionável .óleo clorado emulsionável Óleo fosfatado concentrado 5 8 6 8 8 6 6 6 7 % > 40 Oleosa Mistura de óleo mineral com pastas pigmentadas sabão/graxa 5 5 9 21 ≤ r% ≤ 40 11 ≤ r% ≤ 20 Fig (39) Obs: Os lubrificantes foram classificados em notas de zero a dez.30% de ácido graxo Idem com 2 . 44 Estampagem dos aços inoxidáveis .20% de óleo clorado ou sulfuradoi 8 7 10 8 8 7 6 6 8 21 ≤ r% ≤ 40 Oleosa Ácidos graxos Óleo mineral com 5 .aplicação Veículo xante/ Aquoso Solvente r% ≤ 10 Aquosa Emulsão de óleo 5 .20% 10 8 6 11 ≤ r% ≤ 20 Aquosa Solução de sabão 5 . com o valor zero correspondendo ao pior comportamento e dez ao melhor comportamento.20% 10 3 6 Aquosa Pasta diluída de sabão e graxa Emulsão de óleo p/ uso pesado.e S= 6 10 5 8 8 7 % > 40 Aquosa Pasta pigmentada sabão/graxa Pasta cera/sabão/borax 5 8 3 3 10 8 r% ≤ 10 Oleosa Óleo residual de processo Óleo mineral 8 8 10 10 6 6 Oleosa Óleo mineral c/ 10 . A redução da coluna à esquerda se refere à porcentagem de redução de diâmetro de peças cilindricas.Lubrificante Redução r% Base Tipo Eliminação Efetividade com de com Desengra.

à Forças que atuam na operação de repuxo As forças que atuam na operação de repuxo são as forças de repuxo e de prensachapa.σ B.1)2 + Pressão do prensa-chapa (p) βο− 1 βοmax −1 π 2 2 (D -d0 ) em cm2 4 0. Considerando: Resistência à tração do aço inox (σB) em kgf / mm2 Fator de correção da severidade de repuxo (s) s = 1. Fig (40) Estampagem dos aços inoxidáveis 45 . Ac à Cálculo dos blanks A seguir mostramos como calcular blanks de peças cilíndricas e não cilindricas.2 x Área de atuação do prensa-chapa (Ac) Ac = p = 0.5d 2 ] σ B em kgf / cm 100e Definem-se: Força de repuxo (FR) ⇒ Força do perensa chapa (Fpc) FR = π . ã Cálculo de blanks cilindricos: Os diâmetros dos blanks cilindricos são calculados pelas fórmulas abaixo. de acordo com a forma da peça.O pó de grafite e graxa de sulfeto de molibdênio só se recomendam em aplicações a altas temperaturas.25 [ (β0 . e . s ⇒ Fpc = p .d .

d2 = 55 mm e h = 100 mm Cálculo do blank da fig (40-a) β0 = 150 = 3. calcular o blank da cuba de pia de aço inox da figura 41.80 Como β0>β0max. d1 = 50 mm.03 50 ⇒ D = 552 + 4 x 50 x 100 = 151. a peça será estampada em mais de uma operação de repuxo. a peça será estampada em mais de uma operação de repuxo. onde d = 50 mm.15 . Cálculo do blank da fig (40-b) β0 = 15174 .001 x 50 = 2.00 50 ⇒ D = 50 2 + 4 x 50 x 100 = 150 mm sendo β0max = 2.09 0.0.Exemplos: Calcular os blanks das figuras acima.0.74 mm sendo β0max = 2. = 3. Fig (41) 46 Estampagem dos aços inoxidáveis .15 .001 x 50 = 2. ã Cálculo de blanks não cilindricos Seja por exemplo.80 Também neste caso.09 0.

24 mm A = 2 x 4.40 mm º = 280 .20 mm · = ¹ = » = ½ = 8. Por esta razão. Os cantos devem ser recortados para aliviar o contato entre blank e prensa-chapa.As dimensões do blank vão ser o comprimento desenvolvido pela largura desenvolvida da cuba acrescidos de uma borda para o contato com o prensa chapa.20 mm · = ¹ = » = ½ = 0.0. Para se determinar o recorte do excesso de material do blank já calculado. ¹. Na operação de repuxo de peças não cilindricas.51 mm ¸ = ¼ = 90 .2 x 5 = 470 mm Comprimento desenvolvido ¶ = ¾ = 4.4 + 270 B = 469. As dimensões desenvolvidas são tomadas em relação à fibra média (metade de espessura). os raios de repuxo apresentam um comportamento idêntico ao de uma peça cilindrica.24) A nossa cuba é uma peça retangular com 4 raios de 60 mm formando a concordância das paredes laterais.0175 x 90 x (5 + ½ 0.2 x 5 = 270 mm Largura desenvolvida A = 2 x 4.4 + 470 A = 669.8 = 78. Estampagem dos aços inoxidáveis 47 .8) = 8. calcula-se o diâmetro do cilindro imaginário (Dci) desenhando-o conforme o mostrado na figura 42.2 + 4 x 8.40 mm º = 480 . » e ½) é calculado pela fórmula apresentada na página 30: e Ld = 0.8 x (669.2 + 4 x 8. O comprimento desenvolvido das regiões dobradas (·.80 = 4.51 + 2 x78. o material necessário para recortar o blank teórico será: 0.2 x 5.α (Ri + f ) 2 Comprimento Largura ¶ = ¾ = 10 .51 + 2 x78.5 .24 x 469.51 mm ¸ = ¼ = 78. considerase um cilindro imaginário em cada raio de repuxo.24 mm Portanto. para facilitar o escoamento do metal.0175. com raios e altura iguais aos do produto.

s 48 Estampagem dos aços inoxidáveis .66 mm A cota da tangente ao Dci é dada por: t= D ci 250. onde d2 = 2 x (60 + 10) = 140 mm (diâmetro correspondente ao raio externo da aba da cuba) d1 = 2 x 60 = 120 mm (diâmetro correspondente ao raio de concordância das paredes laterais) h = 90 mm (profundidade da cuba Dci = 140 2 + 4x120x90 = 250. d1.07 120 sendo β0max = 2. pode-se traçar o blank teórico para o primeiro teste (“try-out”) do estampo com o objetivo de se definir o blank real. e .66 = 2.001 x 120 = 2.d . ˆ 3ˆ 2 = 7.0. utiliza-se a fórmula da página 45.83 = 32 32 Com estes valores. FR = π.15 . (42) O valor de Dci é determinado por: Dci = d 22 + 4. σB.80 Para calcularmos a força de repuxo.Fig.83 β0 = 250.66 = 7.00 0.h .

600 + 2 x 9.600 + 2 x 21. s = 1.407.13 S.73 x 0. a área S é: S = ¶ + 2 x · + 2 x ¸ + 4 x ¹ = 57. S = área transversal do macho de repuxo.309.2 x β0 max− 1 2.00 − 1 o diâmetro d é substituído pelo diâmetro equivalente definido por: deq = 1.47 ≅ 67 toneladas Estampagem dos aços inoxidáveis 49 .31 = 1.309.13 x 131309 .600 + 11.08 − 1 = 1.73 O valor da força de repuxo necessária é então: FR = π x 1.onde: 2 σB = 50 kgf/mm .80 x 50 x 1.73 S = 131.2 x β0 − 1 2. No nosso caso.31 = 67. .

viabilizando o emprego de espessuras menores do que aquelas especificadas para os aços carbono. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este manual técnico contém as informações básicas para o desenvolvimento dos conhecimentos de profissionais interessados no assunto. O processo consiste em tratar as partes atingidas por solução levemente aquecida (50 a 60 ºC) de ácido nítrico em concentração de 20%. Na seqüência. Em suspeita de contaminação por resíduos de aço carbono. os componentes e peças de aços inox ficam mais leves e os esforços de conformação podem se aproximar daqueles exigidos para a conformação dos aços carbono. O oxigênio do ar deverá ser suficiente para recompor a camada passiva. existe a necessidade de se proceder a sua remoção e restabelecer a camada passiva. Neste caso. . Porém. o maior grau de encruamento dos aços inoxidáveis pode ser compensado pela sua excelente resistência à corrosão atmosférica. Caso isto não seja economicamente viável. Uma solução alternativa é submeter a peça ao jateamento ou lixamento das partes afetadas para remoção da contaminação. A tabela a seguir mostra o desempenho comparativo dos aços inoxidáveis produzidos pela ACESITA. equipamentos mais robustos para conformar as mesmas espessuras. Diferenças de comportamento mecânico entre os aços inoxidáveis e aços carbono exigem. E. Em qualquer situação. em grande parte dos casos. a peça deve ser lavada e enxugada. é uma boa prática conformar o aço inox com a película protetora de PVC ou polietileno. disponíveis no mercado brasileiro Limite de Escoamento (MPa) Aços Perfuração Dobramento Calandragem C B B B B B A A A A B A A A A Austeníticos 301 304 304L 316 316L 250 240 240 250 240 Ferríticos 409 430 180 a 320 250 a 430 A A/B A A A A Martensítico 420 250 a 450 B/C C C/D A= excelente 50 a a a a a Desempenho 370 350 350 370 350 B = bom C = razoável Estampagem dos aços inoxidáveis D = não recomendado. Em nenhum momento se pretendeu esgotar o assunto tratado. é imprescindível adotar a prática de limpar as ferramentas antes de iniciar o serviço. para a conformação do inox. recomenda-se o uso de ferramentas exclusivas para a conformação dos aços inoxidáveis. As informações nele contidas.5. são gerais e servem como uma primeira abordagem prática. com espessuras reduzidas. Vale a pena enfatizar a absoluta necessidade de se proceder a limpeza criteriosa dos equipamentos e ferramentas que processam simultaneamente aços inoxidáveis e aços carbono.

Ruiz Vázquez à Berruti Aldo .6.Stampi e Presse à Oehler .300 Series . traços de elementos contaminantes. .International Nickel Publication à Forming of Stainlen Steel and heat resisting alloys . as informações contidas nesta publicação. bem como em função do estado de conservação e correta ajustagem dos equipamentos de soldagem ou conformação. sendo ainda a adequada qualificação de mão-de-obra operacional de grande importância no processo. BIBLIOGRAFIA à Fabrication of Chromium . devem ser consideradas apenas como referência inicial para testes ou para uma especificação mais precisa por parte do comprador.Apostila de Estampagem.Kaiser . resultam de testes de laboratório e de consultas às referências bibliográficas tradicionais e respeitáveis. O desempenho dos aços inoxidáveis em serviço ou durante a fabricação de produtos. PH. A Acesita não se responsabiliza por perdas e/ou prejuízos decorrentes da utilização inadequada das informações aqui contidas. Por estas razões. As informações contidas nesta publicação.Mexico Elaborado por El Dr. Estampagem dos aços inoxidáveis 51 . A. Estampar y Embutir à Bortoloto J.Herramientas de Troquelar.Metal Handbook vol 4 à Mexinox “El Embutido de Aceros Inoxidables” .Nickel Stainless Steel . pode sofrer alterações com mudanças de temperatura. Rafael R.