MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO

Professora Fernanda Tartuce
Vídeo
Experiência sobre meio consensual – casal em crise sobre registro de filhos e outros
pontos. Debate sobre impressões. http://www.youtube.com/watch?
v=ZLTR9NrAyHE&feature=related
Questões
1) Qual o meio empregado pelo terceiro facilitador: mediação ou conciliação?
2) Há diferença na forma de intervenção do mediador e do conciliador? Que perguntas
cabe a um e a outro??
Brocardo popular
“ANTES UM MAL ACORDO DO QUE UM PROCESSO DEMORADO NA JUSTIÇA”. Procede?
Botelho de Mesquita
Certeza da demora dos processos + forte insistência (dos auxiliares da justiça e do
juiz) para a celebração de acordos + dúvida se o juiz decidirá segundo a lei (e não
conforme a ideologia que prefere) pode gerar um grave problema: “poderoso estímulo
ao descumprimento das obrigações e, portanto, à criação de litígios onde, não fora
isso, maiores seriam as probabilidades de adesão espontânea ao império da lei”.
Perda de legitimidade
Verifica-se quando a autocomposição é imposta: as partes não são propriamente
estimuladas, mas sim coagidas a uma“pseudo-autocomposição...
Carnelutti
“Infelizmente, a experiência tem demonstrado, sem embargo, que não poucas vezes [a
autocomposição] se degenera em insistências excessivas e inoportunas de juízes
preocupados bem mais em eliminar o processo que em conseguir a paz justa entre as
partes”.
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4.
5.

5 conflitos
Pai e mãe controvertem quanto ao direito de visitas ao filho;
Dois vizinhos litigam em razão do corte de um das árvores limitrofes;
Contratantes divergem sobre a interpretação de cláusulas contratuais;
Herdeiras questionam a forma de divisão de bens (de valor afetivo);
Vítima e causador de um acidente de veículo controvertem quanto à
indenização.

Conflito: Definição
Etimologia – conflitu (latim) – choque, embate ou peleja – confligere (verbo) – lutar.
“Uma oposição seguida por outra, sendo que essa oposição pode ser uma afirmação,
uma ação ou a constatação de uma característica pessoal da outra”.
Conflito: Causas
Falta de respeito com as diferenças: crenças, valores, religião, comportamentos,
interesses, objetivos, cultura, opinião, percepção, educação e sentimentos.
Busca por: poder, direitos, liberdade, pertencimento e segurança.
Conflito: Reações
Os conflitos podem apresentar reações nas pessoas de diversas ordens:
a) Emocionais: ansiedade, insegurança, raiva, medo, solidão, confusão e depressão.
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fazer combinar ou combinar. tranqüilizar(-se) pronominal COMPOSIÇÃO DE CONFLITOS Significado . reunir(-se). estrutura. agressividade e promiscuidade. pôr(-se) em acordo ou harmonia. contemporizar. atingir (um estado ou condição) ACOMODAR TORNAR CÔMODO. adotar CONFORMAR dar ou tomar forma.). sujeitar-se a (fato. submeter-se. fazer ir [algo] (para alguém). condição etc. associação. 7 fazer conciliarem-se ou conciliarem-se duas ou mais coisas díspares 1 2 3 4 5 6 7 CONCILIAR conseguir acordo entre (pessoas) ou entrar em acordo com (outrem). CONFORMAR ACEITAR consentir em receber (o que é dado ou oferecido) estar de acordo com. uso excessivo de álcool e drogas. conquistar chegar a. ORDENAR. aprovar conformar-se com. aceitar sujeitar-se a. atrair. aquietar(-se). teoria etc.ação de compor um todo. ARRUMAR. adequar(se) ajustar(-se) concordar. c) Fisiológicas: vômitos. cumpre ao operador do direito encaminhar as partes ao mecanismo adequado para a composição do impasse. CONCILIAR. constituição. de acalmar os ânimos fazer aliança. juntar(-se).Conflito: Reações b) Comportamentais: instabilidade no emprego. suor excessivo e dores no estômago. Conhecimento interdisciplinar? 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 NOÇÕES IMPORTANTES ACEITAR. insônias. TRANQÜILIZAR(-SE) fazer ou dizer (algo) com intenção de conciliar. arranjo. transigir sossegar. concordar pôr(-se) em conformidade com outra coisa tomada como modelo resignar-se com. combinação. assumir ter ou dar como certo ou verdadeiro aderir a (doutrina. adaptar(-se).) reagir (de determinada maneira) a tomar sobre si ou para si. configurar (-se) estar em conformidade ou de acordo com. identificar-se ser da mesma opinião. incompatíveis ou que assim o pareçam). AJEITAR. CONGRAÇAR(SE) PÔR OU FICAR EM PAZ. granjear. 2 . anuir a. CONFORTÁVEL pôr(-se) em lugar cômodo ou em posição cômoda ou disposição adequada PÔR OU DISPOR EM ORDEM. apaziguar(-se). taquicardia. aceitar. juntando as partes. aliar(-se) harmonizar ou harmonizarem-se (coisas contrárias. contraditórias. ACOMODAR. disposição. organização. Técnica adequada ao tratamento do conflito Diante de uma controvérsia.

o Resultado do tipo “ganha-ganha”. Impor o acordo (“pseudo-autocomposição”). Participar ativamente da comunicação (aproximando as partes). 840 do Código Civil: “É lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas”. . Expor desvantagens da passagem judiciária (teorias negativista x positivista sobre a conciliação). * heterocomposição a) arbitragem b) solução judicial AUTOCOMPOSIÇÃO Vantagens: o Possível continuidade nas relações humanas. com maior satisfação e voluntariedade no cumprimento. da confiança 3 . apenas entre si. CONCILIAÇÃO As partes em juízo são conduzidas por um terceiro rumo à obtenção de um acordo (transação). Prejulgar e comprometer a parcialidade. com vistas à extinção do processo. Colaborar para o encontro do interesse (oferecendo espaço para negociação). 5. Simplesmente perguntar se há acordo. NÃO COLABORA PARA PROMOVER O CONSENSO 1. o Aprimoramento na comunicação. o Negativista/ da desconfiança.Às partes devem ser disponibilizados todos os meios jurídicos para que possam defender seus interesses COMPOSIÇÃO DE CONFLITOS Esta pode se verificar  por atitude dos próprios contendores  em auto defesa (autotutela)  ou em autocomposição  ou mediante a decisão imperativa de um terceiro.. o o o AUTOCOMPOSIÇÃO BILATERAL Transação: contrato típico – art. Para a obtenção do acordo. Ajudar a pensar em soluções criativas/ estimular partes a serem flexiveis/ apresentar sugestões. 4. Fazer perguntas e ouvir atentamente.. atividades de negociação ou se valerem da mediação de um terceiro.Jurista português Alexandre Vaz – duas teorias a respeito o positivista/ da confiança. 2. Tese positivista. Intimidar e pressionar. 1) 2) 3) 4) PROMOVER O CONSENSO IMPLICA EM. 3. as partes podem realizar.

como primeira providência a ser intentada na audiência designada no rito sumário.  artigo 331. Mas isso não obsta a que se tente aprender. competindo-lhe: IV tentar. na mesma pessoa. formado nenhuma convicção ou juízo prévio. Percebe-se. a qualquer tempo. no mesmo ou em outro processo. alguma parcela de seus direitos. um “incremento judicial-processual das audiências preliminares e/ou tentativa de autocomposição”. tem o julgador que se preservar. p/ o acórdão Min. sendo sua tentativa um incumbência do magistrado (“O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código. rel. de suas instituições jurídicas e do Direito como um todo. nos últimos tempos. Joaquim Barbosa 11/11/2008) QUESTÃO Pode aconselhar a parte a não propor demanda.limites STF Imparcialidade objetiva: condição de originalidade da cognição que irá o juiz desenvolver na causa. Nosso único receio é que nossa ‘tara’ por autoritarismo leve à irritação os magistrados que pretenderem conciliar a todo custo. Não é o aproximar as partes o que importa para eles mas sim acabar com o ‘abacaxi’ do processo e findá-lo nos moldes em que a ‘eqüidade’ do magistrado recomenda”. manifestação inequívoca do progresso da sociedade contemporânea e do alto nível cívico alcançado por seus cidadãos Tese negativista/ da desconfiança A Justiça é mais um exemplo da falência completa do Estado. conciliar as partes”). com a previsão da audiência preliminar antes do início da fase probatório. Ellen Gracie. Para conciliar bem. Previsões no CPC  artigo 125. Isso menos por falta de capacidade que pela quase intransponível dificuldade de ser o juiz que tenta conciliar e o juiz que julgará a disputa. IV. Reconhecimento explícito da incapacidade do Poder Judiciário de garantir a contento os direitos subjetivos dos cidadãos   Desvantagens da conciliação Desequilíbrio das partes: a mais abastada pode suportar por mais tempo a delonga natural do litigio. orig. Para julgar bem. Confusão. sobre os fatos por apurar ou sobre a sorte jurídica da lide por decidir. Sua perda significa falta da isenção inerente ao exercício legítimo da função jurisdicional (HC 94641/BA. senão todo. Min... rel. por entendê-la improdutiva? 4 . tem o conciliador que se envolver. fazendo. de modo consciente ou inconsciente.Valorização da conciliação é sinal de confiança do legislador e do povo no órgão judiciário. como temos visto tanto.  artigo 277. no sentido de que não haja ainda. Atenção: atuação do juiz para tentar o acordo . se a conciliação não houver. A conciliação é a única alternativa do cidadão para fazer valer. do conciliador e do julgador Calmon de Passos “Poucos magistrados sabem conduzir uma conciliação.

. Alegação de parcialidade em razão de ter o Magistrado. DJ 19.O aconselhamento do Juiz a uma das partes a não propor a ação pretendida. julgar em favor de uma das partes e em detrimento da outra. Causas de resistência Puramente objetivas / jurídicas? O que ensejou as violações (visão retrospectiva)? O que os envolvidos desejam para o futuro (visão prospectiva)? Interesses . Ocorrência. na conciliação. do ângulo do respectivo sujeito do direito.. (REsp 307.12. porque não é o mero interesse.970. vincula sua opinião. restauram as condições para um diálogo eficiente. Des. quando este é feito a ambas as partes. até o julgamento final da lide. .2003 p. a veemência com que ele repele a agressão a seu direito é idêntica ao impulso (e base moral) da pessoa que se defende do assalto. que está em jogo” (A luta pelo direito. II.0/1. sem que esta situação constitua motivo determinante de sua suspeição. pois. 2671629. Ac. com determinação de remessa dos autos ao substituto legal do excepto. com a incerteza da vitória. prejulgado a ação. erro psicológico se. Ministro Antônio De Pádua Ribeiro. 46). 451) TJSP "EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. apontássemos para as custas e as conseqüências decorrentes do litígio. DJESP 31/07/2008) TRECHO DA DECISÃO: Importante afirmar que a Justiça. tornando-o suspeito. QUESTÃO Deve o juiz. com a intermediação do mediador. 5 . alertar as partes sobre os custos do litígio com vistas a incita-lo ao acordo? Ihering “. j. isto é. Julg. Exceção acolhida. deve assim parecer aos olhos das partes. para convencer a parte a sair do processo. na audiência conciliatória. Rel. p. 3a Turma. mas o sentimento de justiça lesado.Pode o juiz adiantar o provável resultado de seu julgamento? STJ I . tomar partido. Não se confunde a referida hipótese com o conselho dado em audiência de conciliação. que age como um facilitador da comunicação.045/MT. podendo resultar em acordo a nova definição da relação jurídica. Seria. MEDIAÇÃO: As partes.diagnóstico Valores essencialmente patrimoniais? Qual o papel / interesse na continuidade das relações ? Qual o papel de elementos como CONFIABILIDADE e RECONHECIMENTO? Princípios da Mediação Princípio da Autodeterminação: poder decisório. além de ser imparcial. onde finalmente o juiz poderá. ". Moreira de Carvalho.2003. por entendê-la "improdutiva". utilizando-se de seu livre convencimento e motivadamente. Câmara Especial. Rel. 25.Recurso especial conhecido e provido para decretar a suspeição do Juiz excepto e declarar nulos os atos decisórios por ele praticados. 23/06/2008. Juiz que afirmou com todas as palavras que o autor da demanda seria vencido no final da ação. Penápolis.11. (ExSusp 159.

contato visual e através de palavras. Demonstração: postura. .  Falar diretamente para com o outro.  Reafirmar. MODO AFIRMATIVO Primeira fase do processo de mediação. Focar no futuro. sem apresentar soluções. com o propósito de lhes permitir a prevenção ou solução de conflitos de modo consensual. Pode ser melhor compreendida por meio da sessão de pré-mediação.  Objetivos:  Clarificar.Parafrasear. Princípio da Imparcialidade do Mediador: Princípio da Confidencialidade. selecionar e ouvir parte. MODO INTERROGATIVO Técnica mais utilizada pelos mediadores. MEDIAÇÃO A proposta é que a partir da intervenção do terceiro facilitador do diálogo os mediandos se comuniquem e possam formular opções para a composição da controvérsia. .  Estimular a criação de idéias. . Modo afirmativo.Checar. MODO AFIRMATIVO Técnicas: . ESCUTA ATIVA Escutar é diferente de ouvir.  Revelar sentimentos. orienta e estimula.Uso de palavras positivas.  Funções das perguntas:  Falar por si mesmo.Compartilhamento. . TÉCNICAS na mediação Escuta ativa. Modo interrogativo. . mediação é a atividade técnica exercida por terceiro imparcial que. e mediante remuneração. Falhas na escuta (levam o “escutar” a se tornar “ouvir”): pressupor. dúvidas. PLC 94/2002 Art. 2º Para fins desta Lei.  Reformular. escolhido ou aceito pelas partes interessadas. emoções.Resumir.Princípio da Consensualidade. 6 .Separar o problema das pessoas. expressão facial. em vez de argumentos.  Demonstrar a complexidade do conflito. as escuta.

Isso é sempre assim? .E quando não é assim? 7 .O que aconteceria se.Essa pessoa faz você lembrar alguém ou de alguma coisa? .O que impede você ? .Em comparação a que? .Isso também vale para você? .Em relação a que/quem? - Perguntas Reflexivas para suscitar a reflexão sobre as bases dos pressupostos: O que te faz pensar que essa pressuposição está certa? Isso é mesmo assim? Isso resiste a uma verificação? Você acha que hoje em dia isso se mantem? - Perguntas Reflexivas para tornar consciente a escolha da interpretação: O que isso significa para você? Isso também poderia significar outra coisa? Quem determina o que isso significa? Como você chegou a esse significado? Uma coisa precisa corresponder à outra? Perguntas Hipotéticas .Melhor ? .Isso também poderia ser diferente? Quem se beneficiaria com isso? MODO INTERROGATIVO Perguntas Clarificadoras – termos universais: ..Quem diz isso? .Mais valioso que/quem? .? .Todos? .Isso vale para quem? .O que você vivenciou naquela ocasião? MODO INTERROGATIVO Perguntas Clarificadoras – lugares comuns e ditados populares: ..Qualquer um? .Mais? .Mais bonito? .O que seria possível fazer em vez disso? Perguntas Orientadas ao Passado: .Perguntas Exploradoras Para evidenciar o que está omisso: O que? Quando? Onde? Com que? Quem? De que? De quem? Com quem? Para quem? Sobre o que? De onde? Para que? Para onde? Perguntas Exploradoras para evidenciar o referencial comparativo: .

135.youtube. 136. § 1o O conciliador poderá sugerir soluções para o litígio. 134. A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro (Cícero) Nas questões de consciência a lei da maioria não conta (Mahatma Gandhi) Vídeos CNJ . observada a legislação pertinente. da confidencialidade. A realização de conciliação ou mediação deverá ser estimulada por magistrados.youtube..youtube. alternativas de benefício mútuo.com/watch?v=j8Rii8X8umw Campanha CNJ – remoçando http://www. Art. O conciliador ou o mediador poderá ser escolhido pelas partes de comum acordo.conciliar é legal http://www. inclusive no curso do processo judicial.Dos conciliadores e dos mediadores judiciais Art. § 2o O mediador auxiliará as pessoas em conflito a identificarem. da oralidade e da informalidade.com/watch?v=5p3sYlRmQqU 8 .Seção V . Não havendo acordo. Novo CPC . o conciliador e o mediador e sua equipe não poderão divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou da mediação. por si mesmas..Resultado da mediação Independe de acordo. da neutralidade. da autonomia da vontade. um setor de conciliação e mediação.  para ser constituído título executivo judicial a partir da homologação pelo juiz (art. cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação das partes. poderá ser subscrito  para constituir título executivo extrajudicial. inerente à sua função. por lei de organização judiciária.com/watch?v=y6suSSwWBO0 Campanha CNJ – envelhecendo http://www. § 1o A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da independência. Art.8). § 3o Em virtude do dever de sigilo. Parágrafo único. Para refletir. o conciliador ou o mediador será sorteado entre aqueles inscritos no registro do tribunal. advogados. § 2o A confidencialidade se estende a todas as informações produzidas ao longo do procedimento. defensores públicos e membros do Ministério Público. Cada tribunal pode propor que se crie. Havendo acordo.