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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ
CURSO DE GEOGRAFIA

XISLEQUE TIOLEIVA DE OLIVEIRA SOUSA

A CARACTERIZAÇAO DA ATIVIDADE LEITEIRA NO MUNICÍPIO
DE ARENÓPOLIS - GO

IPORÁ-GO
2010

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XISLEQUE TIOLEIVA DE OLIVEIRA SOUSA

A CARACTERIZAÇAO DA ATIVIDADE LEITEIRA
NO MUNICÍPIO DE ARENÓPOLIS-GO

Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção
do grau de licenciada no curso de Geografia da Universidade
Estadual de Goiás – Unidade Universitária de Iporá. Sob a
orientação da professora Profª Mestre Paula Junqueira da
Silva.

IPORÁ-GO
2010

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XISLEQUE TEOLEIVA DE OLIVEIRA SOUSA

A CARACTERIZAÇAO DA ECONOMIA LEITEIRA NO MUNICÍPIO
DE ARENÓPOLIS-GO

Monografia defendida e aprovada em 26 de Novembro de 2010,
pela Banca Examinadora constituída pelos professores.
__________________________________________________
Profa. Msc. Paula Junqueira da Silva (presidente)

__________________________________________________
Prof. Msc. Júlio César pereira Borges
1º Arguidor

__________________________________________________
Prof. Esp. Adjair Maranhão Sousa
2º Arguidor

3

Dedico esta pesquisa aos nossos mestres, por
ter nos incentivado a seguir em frente sempre
que nos víamos desanimadas frente aos
obstáculos que a vida acadêmica nos impõe.

4

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por ter me iluminado e abençoado me ajudando
a vencer todos os desafios.
Agradeço ao meu esposo Genival pelo seu apoio e por me incentivar sempre que
estive desanimada diante das dificuldades, durante os quatro anos na Universidade e na
realização da monografia.
Agradeço aos meus filhos Genival Junior e Mayara pela compreensão diante das
minhas ausências durante o período da faculdade.
À minha mãe que sempre me apoiou e me ajudou quando eu estava desanimada.
Á professora Paula Junqueira por ter me orientado com dedicação me ajudando
sempre que precisei, emprestando material e me recebendo muitas vezes em sua casa,
atendendo meus telefones, para responder minhas duvidas sempre que precisei.
Às minhas amigas Silvaci e Evanilda que sempre prontificaram em me ajudar
quando eu precisava.
Ao Sr. João Delfino dirigente de laticínio que contribuiu de forma significativa para
que essa pesquisa fosse feita.
Aos produtores de leite, aos comerciantes que responderam os questionários e os que
me deram informação que eu precisei.
Aos meus amigos de sala de aula e, enfim, a todos que se fizeram presentes neste
trabalho.

5

A maior riqueza de um povo é a sua capacidade
de trabalho. E não há como negar que somente
com o trabalho é que se consegue alcançar os
degraus mais altos do desenvolvimento. (Autor
desconhecido)

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SUMÁRIO

RESUMO .................................................................................................................. 10
INTRODUÇÃO......................................................................................................... 11

1 ANTECEDENTES DA ATIVIDADE PECUÁRIA E A ORIGEM DA
ATIVIDADE EM GOIÁS: INFLUÊNCIAS EM ARENÓPOLIS........................... 15
1.1 - A pecuária em Goiás e sua relação com a ocupação do estado ....................... 17
2 - AS CONDIÇÕES HISTÓRICO-GEOGRÁFICAS DO MUNICÍPIO
DE ARENÓPOLIS PARA A PECUÁRIA LEITEIRA ........................................... 20
3 A MODERNIZAÇÃO E O PAPEL DOS LACTICÍNIOS NA
REESTRUTURAÇÃO DA PRODUÇÃO DE LEITE LOCAL E REGIONAL ... 30
3.1 O papel dos laticínios em Arenópolis ................................................................. 32
4 DESAFIOS PARA A MANUTENÇÃO DA ECONOMIA LEITEIRA PARA
OS PEQUENOS PRODUTORES DE ARENÓPOLIS............................................ 38
4.1 A produção regional de leite e a heterogeneidade dos sistemas produtivos ...... 39
4.1.1 Quantidade de ordenhas diárias realizadas pelos produtores do município . 45
4.1.2 Realização de inseminação artificial................................................................ 46
4.1.3 O uso do tanque de resfriamento de leite ........................................................ 46
4.1.4 O “atraso” técnico e logístico do produtor de leite.......................................... 48
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 50
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 53

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LISTA DE FIGURAS

1: Município de Arenópolis-GO ..................................................................................... 12
2: rebanho regional do gado leiteiro no município de Arenópolis. ................................. 20
3: Criação de gado e produção de leite no município de Arenópolis nos anos de
1998 e 2007. .................................................................................................................. 23
4 - Estratos de área apresentada entre os produtores de leite ........................................... 24
5 – Atividade principal das unidades produtoras de leite ................................................ 25
6 – Nível de escolaridade dos produtores pesquisados.................................................... 26
7 – Propensão dos filhos em continuar com a pecuária leiteira ....................................... 27
8: Lacticínios Borges no município de Arenópolis........................................................ 33
9: Lacticínios Ceará no município de Arenópolis ......................................................... 33
10: Antigo Laticínio Leite Bom no município de Arenópolis.......................................... 34
11 - Laticínio Centro Oeste ............................................................................................ 35
12 – Faixa etária dos produtores pesquisados ................................................................. 39
13 – Utilização de Ordenhadeira mecânica pelos produtores do município de
Arenópolis Go...................................................................................... ............................. 44
14 – Ordenhadeira mecânica utilizada numa propriedade rural especializada na produção de
leite. Arenópolis-GO .................................................................................... .................... 44
15 Quantidade de ordenhas/dia pelos produtores da região Arenopolis-GO .................... 45
16- Tanque de resfriamento de leite numa propriedade rural especializada na produção de leite
no município de Arenópolis ........................................................................................... 46
17 – Utilização de inseminação artificial pelos produtores do município de
Arenópolis-GO .............................................................................................................. 47
18 – Produtores que possuem tanque de expansão no município de Arenópolis-GO ....... 47

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LISTA DE TABELAS

1 - Imóveis rurais cadastrados no INCRA, segundo os municípios. Posição: Outubro
/ 2003............................................................................................................................. 24
2: Estatística Municipal: População Estimada - Total (habitantes) de Arenópolis......... 29
3 - Produtividade dos produtores entrevistados no município de Arenópolis –
Posição: Outubro/2010................................................................................................... 42

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LISTA DE SIGLAS

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
SEPLAN - Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico
INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento
COOPERCOISAS – Cooperativa dos Pequenos Produtores de Iporá
PETI - Programa de Erradicação do trabalho Infantil
SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
FAO - Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação
APRRA – Associação dos Produtores Rurais Ribeirão Areia

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RESUMO

A economia leiteira exerceu uma notável contribuição na organização do espaço geográfico
do município de Arenópolis-GO no período de 1990 a 2009. Pode perceber essa contribuição
a partir da instalação dos principais lacticínios no município, a influência desses na dinâmica
da produção de leite e na mudança local que passou a consumir derivados industrializados do
leite. Nesse sentido o objetivo dessa monografia é apresentar os resultados do trabalho de
conclusão de curso em Geografia –UEG de Iporá que visa entender a contribuição que a
economia leiteira exerce sobre o município de Arenópolis. Destacamos que à origem da
pecuária no território goiano, na inserção de Arenópolis no contexto da interiorização do
estado na década de 1950 e enfatizamos o papel da organização fundiária, principalmente
baseada na pequena propriedade, no processo de territorialização pecuária em Arenópolis.
Para concluir fizemos breve reflexão sobre o papel das novas tecnologias na atividade leiteira,
concentrada nas mãos de poucos, e as conseqüências destas na expropriação da mão de obra
nos

postos de trabalho no campo e na exclusão do pequeno produtor no segmento

competitivo.

Palavras-chave: pecuária leiteira; agricultura familiar; pequeno produtor. Arenópolis-GO

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INTRODUÇÃO

O objetivo desta pesquisa é entender a contribuição que a atividade leiteira
exerceu sobre a organização do espaço geográfico do município de Arenópolis no período de
1990 a 2009. O recorte temporal deveu-se ao período de instalação dos principais lacticínios
no município, a influência desses na dinâmica da produção de leite e na mudança no mercado
consumidor local.
A pecuária leiteira proporciona uma liquidez mensal, o que a torna bastante
relevante para a reprodução social dos pequenos proprietários rurais (Borges, 1990, p. 78).
Esta liquidez mensal movimenta o comércio no município de Arenópolis entre os dias 20 a
30, possibilitando ao proprietário rural saldar suas despesas mensais, como energia elétrica e
despesas, como vestuário, alimentação, transporte, lazer e outros.
Conforme verifica-se na figura 1, a cidade de Arenópolis está as margens da GO060 que liga à capital de Goiás, Goiânia, numa distância de 280 km. O município de
Arenópolis possui uma área de 1.042 km², cujo espaço rural é ocupado pela pecuária e
agricultura. O município arenopolino está localizado na microrregião administrativa
Aragarças, inserida na mesorregião do Noroeste Goiano, ambas do IBGE. De acordo com a
Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico - SEPLAN, Arenópolis
está na região de Planejamento do estado de Goiás, na denominada macrorregião do Oeste
Goiano (eixo da rodovia GO-060) (Figura 1). Uma das características econômicas desta
macrorregião é a produção de pecuária leiteira nos 43 municípios que a compõem. Com
relação à microrregião, Arenópolis foi o quarto município em total de vacas ordenhadas no
ano de 2008 (IBGE, 2009).

Figura 1:

12

13

Tendo em vista que o município de Arenópolis se caracteriza pela atividade
pecuária leiteira pouco especializada e organizada, sobretudo, pelas pequenas propriedades,
analisamos a característica fundiária do município.
Através de entrevistas e questionários, além dos dados sócio-econômicos dos
produtores, levantamos as perspectivas e desafios dos produtores leiteiros para a manutenção
dessa economia, relacionando-as com o papel das políticas públicas no incentivo da produção
de leite em Arenópolis GO.
Vale citar que a motivação para entender a dinâmica dessa atividade econômica
no município de Arenópolis ocorreu, em parte, pelas experiências vividas como pequeno
produtor familiar de leite, sujeito do processo de transformações ocorrido no setor. Nesse
sentido, suscitou-nos a necessidade de compreender os efeitos da modernização da atividade
leiteira, tais como a instalação de tanques de resfriamento, ordenha mecânica, melhoramento
genético, entre outros que, paulatinamente, adentraram no meio rural regional. Elementos
esses que de diferentes formas estão influenciando o modo de produção do campo em
Arenópolis.
A partir desse leque de objetivos, a pesquisa se justificou-se também pela busca
de contribuir e colaborar na reunião de informações sobre a identidade sócio-econômicacultural do município de estudo, cujos resultados da pesquisa ressaltem qual a importância
dessa atividade para Arenópolis e que sirvam de fonte de pesquisa para a sociedade.
Assim, o trabalho está organizado em quatro capítulos que discutiram a
importância da pecuária na formação territorial de Goiás e a sua influência na territorialidade
de Arenópolis.
Abordamos também a economia leiteira no município, procurando relatar o papel
dos lacticínios na reestruturação da produção de leite local e regional. E claro, apresentamos
as análises gráficas dos dados levantados sobre as características sociais dos produtores, o uso
de técnicas ou não nas propriedades, a organização produtiva das unidades, entre outros
aspectos que caracterizam o perfil da economia leiteira em Arenópolis.
Nesse sentido percorremos o seguinte caminho metodológico: leitura de
referenciais teóricos que tratam da origem da pecuária como atividade para suprir as
necessidades humanas (BARSA, 1999); análise dos autores Barreira (1997), Moreira (1985),
Horiestes Gomes (2004a, 2004b), Palacin (1994) e Silva (2002) para compreender a chegada
e a expansão da atividade pecuária no espaço goiano; as obras de Rodrigues (2003), Gomes
(2009) e Paulilo, Herrera e Costa (2002) para especificar dados sobre a pecuária leiteira no
Oeste Goiano (região de planejamento), de Goiás e do Brasil; documentos mimeografados e

14

outros de domínio da prefeitura de Arenópolis que tratam da formação territorial do município
e que ressaltam o papel da economia do leite na cidade; além de outros documentos e obras
que caminharam na mesma perspectiva teórica-metodológica. Dados do IBGE – Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística e SEPLAN – Superintendência Estadual de Planejamento
de Goiás também configuram as análise apresentadas.
Ainda, fomos ao campo de pesquisa verificar, junto aos produtores rurais, quais as
condições sócio-econômicas que a atividade do leite proporciona a eles e aos seus membros
familiares. Características e dados sobre o rebanho leiteiro, quantidade de produção, custos e
lucratividade, mercado imediato que se destina a produção, tecnificação implantada na
atividade, utilização da terra, pessoal empregado e grau de escolaridade, opinião e perspectiva
dos produtores de leite são algumas das orientações levadas ao campo de pesquisa. No mesmo
sentido, tais informações foram levantadas junto aos proprietários de lacticínios em
Arenópolis, acrescidas de perguntas sobre as motivações para a instalação e ou desinstalação
dos mesmos no município.
O trabalho de campo efetuado no mês de setembro de 2010, forneceu os dados os
quais serviram de base para a análise realizada. Aplicamos 100 questionários de forma
aleatória, aos produtores de leite do município de Arenópolis e recolhidos 75%. O anonimato
dos produtores foi preservado. O universo pesquisado foi àqueles que se enquadram na
categoria de pequeno produtor (por total de produção de leite) proprietários de unidades igual
ou menor que 200 ha. Nesse sentido nossa análise será qualitativa da economia leiteira e
contudo não deixamos de conhecer e refletir sobre as condições das médias e grandes
propriedades e produtores.
Após a coleta dos dados, foi realizada a tabulação e sistematização, para a
posterior análise. Este método possibilitou um aprofundamento na investigação das
resistências e ou mudanças que aconteceram na pecuária leiteira do município de Arenópolis.
Ao comércio local dirigimos questionários com perguntas estruturadas sobre a
inflluência da atividade leiteira na dinâmica econômica gerada nos estabelecimentos
comerciais: fluxo de maior adimplência e inadimplência, venda de leite (in natura ou
industrializado) e de seus derivados, entre outras.
Aliado a estas etapas, também a observação empírica da dinâmica da cidade em
função do leite e de conversas informais com consumidores do produto, a apresentação de
fotografias e figuras retratando o objeto, contribuíram na construção dessa pesquisa.

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1 ANTECEDENTES DA ATIVIDADE PECUÁRIA E A ORIGEM DA
ATIVIDADE EM GOIÁS: INFLUÊNCIAS EM ARENÓPOLIS

O conceito de pecuária nada mais é do que uma técnica e a prática da criação e
aproveitamento dos animais domésticos para deles obter, transporte, carne, leite, lã, couro e
outros produtos, que podem ser consumidos em in natura ou servirem de matéria-prima da
indústria. (BARSA, 1999, p. 98), a historiografia mostra que atividade leiteira teve inicio no
período neolítico há cerca de mil anos.
A implantação dos primeiros estabelecimentos dedicados à pecuária foi fruto da
necessidade de obter uma fonte segura e perene de alimento em forma de carne, leite e etc,
assim como de muitos outros produtos, como peles, chifres, usados na fabricação de
agasalhos e utensílios. Vestígios das primeiras experiências de domesticação foram
encontrados em escavações arqueológicas realizadas no oriente onde se criaram, entre outras
espécies, cabras, ovelhas e vacas. Dessa forma, o homem deixou de ser um mero predador,
que defendia da caça para obter proteínas animais, e transformou-se em guardião e senhor dos
rebanhos de diversas espécies de animais herbívoros que até então se mantinham em estado
selvagem (BARSA,1999, p. 134).
O trabalho surge da necessidade do homem em satisfazer suas necessidades e
continuar sobrevivendo. Os modos de produção dominam os modos naturais e estes é que vão
determinar a execução e a organização do trabalho. Segundo a teoria marxista, meios de
produção são o conjunto formado por meios de trabalho e objetos de trabalho - ou tudo o que
medeia a relação entre o trabalho humano e a natureza, no processo de transformação da
própria natureza e o modo de produção, portanto, permite compreender a maneira pela qual a
sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e os distribui O modo de produção de

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uma sociedade é formado por suas forças produtivas e pelas relações de produção existentes
nessa sociedade. (BORGES, Vavy P. O que é história. São Paulo: Brasiliense, 1987).
A tendência gregária1 de alguns animais, seus hábitos alimentares e sua mansidão
favoreceram o empreendimento de domesticação, para qual a humanidade lançou mão de seus
dons de observação e sua capacidade de adaptação às condições que o meio ambiente lhe
impunha. De início, o pastor se limitava a seguir os rebanhos em seus deslocamentos
periódicos em busca de pastos. No momento em que a sociedade se torna sedentária, a criação
passa a se estabelecer dominada pelos agrupamentos humanos. Uma variação observada no
nomadismo é a transumância, deslocamento temporário e sazonal do gado em busca de novos
terrenos para pastagem. Este fato foi importante durante a Idade Média em alguns reinos
europeus, como o de Castela, onde surgiu, no século XIII, uma poderosa e influente
corporação pecuarista conhecida como Mesta. Na época o gado era transferido das zonas
planas, assoladas pelas secas, para os pastos de vales montanhosos e planaltos, onde os
rebanhos podiam obter alimentos em qualidades suficientes. O deslocamento do gado se fazia
pelas canhadas, caminhos utilizados pela estação, que se encontravam sob proteção do rei
(NOVA ENCICLOPÉDIA, 1998, p. 223).
Dessas descobertas foi se acrescentando a lista de produtos derivados dessas
atividades não só a carne como meio alimentar (carne e leite), mas também com a utilização
de algumas espécies animais na execução de tarefas agrícolas, vinculando assim a pecuária à
agricultura, numa associação que se consolidou cada vez mais com o passar do tempo.
Nesse meio tempo, o ser humano foi detectando necessidade de aperfeiçoar ou
incluir novos métodos de manutenção, alimentação e controle veterinário dos animais,
atividades que desenvolveram paralelamente à industrialização, favorecendo o aumento da
produção da pecuária. Esse incremento tornou possível satisfazer à crescente demanda de
proteínas animais que o aumento da população e sua concentração nos aglomerados humanos
geraram. Em grandes porções de terra das antigas colônias européias da América, África e
Austrália, a pecuária se tornou uma das principais atividades econômicas (NOVA
ENCICLOPÉDIA, 1998, p. 145).
No Brasil, a prática pecuarista teve seu início no século XVI com a chegada dos
primeiros espécimes no período de colonização. O gado, encontrando ambiente favorável
multiplicava-se rapidamente, facilitando a penetração em áreas do sul e do norte e nordeste do
país.
1

Tendência que leva os homens ou os animais a se juntarem, perdendo, momentaneamente, suas características
individuais. (Nova Enciclopédia).

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No século XVIII o Brasil, no ciclo do ouro, deveria ter 4.000.000 cabeças de
bovinos (NOVA ENCICLOPÉDIA, 1998, p. 254). Nessa época, a mineração arrastou a
pecuária para o oeste, pois havia nas minas milhares de homens a alimentar. O governo real,
que em janeiro de 1701, proibia a criação de gado a menos de dez léguas do mar, em fevereiro
do mesmo ano, proibia as comunicações diretas entre as capitanias canavieiras e as mineiras,
e passou a fomentar a pecuária no interior do pais.
A partir da década de 1760, especialmente depois de 1770, a mineração declinou
progressivamente, mergulhando em estado de profunda depressão em certas áreas, onde se
estabeleceu uma condição de miséria quase absoluta que se estendeu até depois do período
colonial.
Em Goiás, a maioria dos mineiros que aqui permaneceram, após o declínio do
extrativismo do ouro, foram se dedicar à agricultura de subsistência e a criação de gado.
Estes, com relativo êxito, não só pela existência de boas pastagens, mas porque o gado, se
auto transportava ao mercado consumidor, vencendo grandes distâncias Borges (1990).

1.1 - A pecuária em Goiás e sua relação com a ocupação do estado

A atividade pecuária em Goiás está ligada às remotas formas de ocupação do
território brasileiro. Para Gomes (2004, p.194) logo após o ciclo do ouro do século XVIII os
fazendeiros começaram a ocupar as terras de pastagens naturais, boas para a criação de gado
em todo o território goiano [...]. Considerada uma fonte de alimento e transporte o gado foi
trazido às terras goianas através dos migrantes do Maranhão, Pará, Bahia, Minas Gerais e São
Paulo no século XIX, os quais saiam em busca de espaços para a criação do animal.
(BARREIRA, 1997, p. 67).
O meio natural do Cerrado, fundamentalmente pelo relevo, clima e vegetação,
permitiram o desenvolvimento das atividades pastorais e de criatórios, transformando hoje
Goiás em um grande estado pecuarista.
Durante o período Colonial, existia em Goiás apenas “Ilhas” (Moreira, 1985)
onde se praticava a pecuária, voltada para a exportação especialmente para a Bahia e também
para o consumo local. A agricultura, embora presente, desde o início da colonização, chegou a
contribuir de forma expressiva para a pauta de exportações. Durante o período de declínio da
economia da mineração, o auto-sustento das famílias que viviam em Goiás. Pequenos sítios,
onde eram criada algumas cabeças de gado, e, plantados gêneros básicos, marcaram Goiás;
possivelmente, constituíram a origem de dois segmentos sociais muito distintos entre si, que

18

se configurariam plenamente ao longo do século XIX,

grandes proprietários rurais e

camponeses.
Nas três primeiras décadas do século XIX, espalharam-se fazendas de criação de
gado pelos sertões de Goiás, nas chamadas sesmarias2. A grande maioria dos proprietários
possuía apenas o título de posse e as concessões dos antigos capitães generais3. Estas fazendas
eram mal cultivadas e mal aproveitadas, não só pela falta de braços mas, sobretudo em função
da distancia entre Goiás e os grandes mercados consumidores. Registrou-se neste período uma
média de exportação anual superior a 20.000 cabeças de gado vacum, além de muares.
(Palacin & Moraes, 1998, p. 65).
Borges (1990, p. 51) ressalta que a pecuária em Goiás, mesmo após a crise da
mineração e dada ao isolamento geográfico do estado, foi a economia que resistiu por todo o
século XIX se mantendo organizada e exportando regularmente o gado para o Centro-Sul e
Norte-Nordeste. Segundo o autor “Então, até as primeiras décadas deste século [leia-se século
XX] a pecuária garantia as parcas divisas obtidas pelo Estado e a reduzida taxa de lucros no
setor agrário regional”.
A pecuária de corte era nesse período o carro chefe da economia goiana, contudo
com a industrialização e urbanização do Centro-Sul do país, Goiás se insere na recepção de
migrantes em busca de terras baratas e expansão da fronteira agrícola, abrindo-se para a
implantação de infra-estrutura no seu interior (BORGES, 1990. p. 55). A década de 1930
marca esse outro momento de ocupação do território goiano e, no caso da nossa área de
estudo, a região hoje compreendida no Oeste Goiano é incorporada no processo de Marcha
para Oeste do Governo Getúlio Vargas, sendo o município de Caiapônia (extremo sul de
Arenópolis) a área escolhida para instalação das bases da Fundação Brasil Central,
responsável pelo projeto de interiorização do país. (PEREIRA, 2008)
O incremento da pecuária, a existência de vastas áreas de terras disponíveis e o
avanço do capitalismo para o interior, estimulou o desenvolvimento da região e o conseqüente
aumento da população. Correntes migratórias chegavam a Goiás oriundo do Nordeste do país
e, principalmente, de Minas Gerais, povoando os inóspitos sertões.

2

A Sesmaria era a concessão de terras no Brasil pelo governo português com o intuito de desenvolver a
agricultura, a criação de gado e, mais tarde, o extrativismo vegetal, tendo se expandido à cultura do café e do
cacau. Ao mesmo tempo, servia a povoar o território e a recompensar nobres, navegadores ou militares por
serviços prestados à coroa portuguesa (BARSA, 1999).
3
O termo capitão-general significa "capitão geral", ou seja o chefe de todos os capitães, responsável pela
distribuição e controle das Sesmarias nas capitanias.

19

De acordo com Barreira (1997, p. 78), um novo impulso ao movimento de
ocupação de Goiás se desenvolverá a partir de 1956 fazendo parte de uma tendência que já se
vinha em momentos anteriores.
Todos os fatores que contribuíram para o processo de ocupação dos espaços
demográficos criaram, portanto, condições para o surgimento migratório para o centro-oeste e
por conseqüência do Oeste-Goiano portanto percebe-se que a partir desse processo migratório
vão surgindo novos povoados, cidades e dentro desse contexto surge a história do município
de Arenópolis GO.

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2 AS CONDIÇÕES HISTÓRICO-GEOGRÁFICAS DO MUNICÍPIO DE
ARENÓPOLIS PARA A PECUÁRIA LEITEIRA

As condições geográficas do município de Arenópolis e a presença dos recursos
naturais disponíveis como, água em abundancia, pastagens, clima favorável entre outros, são
essenciais para criação de gado leiteiro. Figura 2:

Figura 2: rebanho regional do gado leiteiro no município de Arenópolis.
Fonte. Xisleque T. Oliveira Sousa/2010.

O relevo ou sua topografia apresenta algumas saliências tais como: Serra Negra,
Serra do Retiro Velho, Serra do Mosquetão, Serra do Sucuri, Serra da Taboca e outras. Esse
perfil favorece o aparecimento de pequenas propriedades que por sua vez tem a pecuária
como opção melhor já que as grandes produções se estabelecem em áreas mais planas, mas
aptos a tecnologia para desenvolver economicamente. O clima é como em varias partes do
Brasil, tropical do tipo quente e semi-úmido.

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A hidrografia do município é abundante, pois conta com vários córregos e
ribeirões tais como: Rio Caiapó, Rio Bonito, Córrego do Areia, Ribeirão das Pedras, Córrego
Capim Branco, Córrego José Manoel entre outros. Nessas regiões citadas concentra a maioria
das propriedades produtoras de leite, compondo a maior parte da cadeia produtiva leiteira do
município.
A pesquisa de Gomes (2009, p. 9) aponta que para alguns produtores de leite do
Estado de Goiás produzir leite, não há necessidade de grandes áreas, pois essa atividade é
típica de pequenas propriedades como é o caso de Arenópolis. Essa atividade se desenvolveu
em Arenópolis a partir de algumas características que ainda permanece. Na região de
Arenópolis, de acordo com dados do IBGE - 1998 a 2007 encontra-se pequenas propriedades
rurais com destaque na criação de gado e produção de leite.
As principais raças de gados de leite criados no município de Arenópolis são: Gir,
Caracu, Nelore (apesar de ser gado de corte), Jersey, girolando (Gir + holandês, cruzado e o
gado comum), sendo predominante, a última. A pastagem mais utilizada é a brachiara-brisanta
e a andropolo; a alimentação do gado é enriquecida com sal mineral, forragem, cana de açúcar
+ uréia, silagem de milho, sorgo e girassol, principalmente no período de estiagem.
O território que hoje do município arenopolino pertencia ao município de
Piranhas até 1982. Contudo as raízes de sua história iniciaram por volta de 1956 quando na
gleba que hoje faz parte do município surgem os primeiros povoados formado por pessoas
atraídas pelas terras férteis. Dentre essas pessoas veio o Sr. Antonio de Castro e Silva que
transformaria no idealizador de muitas lutas do povo arenopolino. Muitas das pessoas que
emigraram de suas terras fixaram residência na área e desenvolveram varias atividades
econômicas, uma delas é a criação de gado.
Por volta de 1959 iniciou a construção das primeiras casas no local onde hoje está
identificada cidade de Arenópolis, nas proximidades do ribeirão Areia o qual serviu de
inspiração para o nome da cidade. Conforme o documento municipal de 1989, nesta época
muitos trabalhadores da pecuária e agricultura (peões, vaqueiros, lavradores e outros) se
instalaram na região denominada de povoado do “Areia”, como o local era chamado,
trabalhando nas fazendas do município.
Na década de 1960 os colonizadores fizeram acordo de doação de quinze
alqueires de terras para que os fazendeiros doassem aos agregados que não tinham um lugar
definitivo para morar.
Porém depois de algum tempo os fazendeiros se desentenderam e o Sr. Albino
Borges desfez o acordo que havia feito e as terras que já tinham sido vendidas em loteamento

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foram doadas a prefeitura de Piranhas já que até 1981 esta região rural era subordinada a
aquele município.
Segundo depoimento do Senhor Osvaldo Pinheiro Dantas, pecuarista e morador
dessa cidade há 36 anos, o leite é a principal fonte de renda do município. Este pecuarista foi
dono de um lacticínio no município e reconhece que essa atividade econômica é de grande
importância para o município.
Na década de 1970 durante o governo estadual de Otávio Lage o patrimônio do
“Areia” conseguiu algumas conquistas. Foi elevado a condição de distrito com o nome de
Arenópolis. Já por volta de 1979 começa a luta pela emancipação, e no dia 14 de maio de
1982 após provação pela Assembléia Legislativa o governo de Ari Valadão assinou a lei nº.
9.153 que criou o município de Arenópolis.
De acordo com Marques (1989), em meados da década de 1970 a maioria dos
fazendeiros investiu na atividade do leite, e assim a bacia leiteira da região tomou uma
dimensão abrangente. O município criado contava com a arrecadação proveniente da pecuária
e da agricultura. A pecuária constituía no principal fator de riquezas da cidade, segundo dados
do IBGE registrados no censo agropecuário de 1985 havia naquela época cerca de 78.671
cabeças de gado bovino no município.
Diante desses dados percebe-se que a pecuária sempre se fez presente no
município haja vista que seus próprios fundadores eram pecuaristas. Observando a figura 3
podemos perceber a dinâmica do rebanho pecuário em Arenópolis no período de 1998 à 2007.
Os dados demonstram uma oscilação da quantidade de rebanho bovino e da produção de leite
no município. De 1998 à 2003 há um acréscimo no rebanho de 81 mil para 98 mil cabeças,
seguindo os próximos anos com uma queda do total do rebanho no ano de 2007 (89 mil). A
produção de leite segue, relativamente, esta dinâmica, apresentando o ano de 2003 maior
produção (10.300 L) e o ano de 2007 a menor (9.000 L). (IBGE, 2009).
Hoje no município, segundo dados do IBGE (2009), existem 71683 cabeças de
gado bovino, tendo um rebanho leiteiro de aproximadamente 8.000 cabeças, produzindo uma
media diária de aproximadamente 7443 mil litros4 de leite. Mesmo não havendo crescimento
do rebanho, nenhuma outra atividade desempenhou importância econômica e nem substituiu a
pecuária leiteira como principal fonte de renda municipal.

4

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/, acesso em 08/06/2010

23

Figura 3: Criação de gado e produção de leite no município de Arenópolis nos anos de
1998 e 2007.
98.000
90.000 87.00094.000
81.00080.000

95.100
89.000
83.000 85.600

9.790 9.775 10.000 9.750 9.360 10.300 9.990 9.880 9.900 9.000

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Bovinos (cab)

Prod. de leite (1.000 l)

Fonte: IBGE, 2008.

Portanto, podemos afirmar que há em Arenópolis uma dinâmica negativa do setor,
cujas influências apresentaremos nos capítulos seguintes. (Diminuição da produção, perda da
população envolvida com a atividade, pouco investimento em pequena produção e
marginalização do pequeno produtor).
Os dados de 2003 sobre os imóveis rurais cadastrados no INCRA e divulgados em
2005 pelo SEPLAN-GO demonstram que 70,35 % das propriedades rurais de Arenópolis
pertencem ao grupo de pequena propriedade, ocupando um total de 23.213,50 hectares.
Contudo, distribui-se em apenas 20,51 % das áreas rurais, enquanto as médias propriedades
ocupam 33,29% das terras inseridas em 21,43% dos imóveis rurais do município. Em
contradição a estes dados e significando uma concentração de terras, 8,22% estão nas mãos da
minoria das grandes propriedades que possuem 46,2% das áreas, com um total de 52.289,8 ha
de terras. Confira na tabela 1, a seguir.
Percebemos que a presença de 53,8% das propriedades nas mãos de pequenos e
médios estabelecimentos, sendo pouco tecnificadas e ou especializadas, faz o município de
Arenópolis se enquadrar no molde da agricultura familiar, uma atividade de trabalho entre os
membros da família de produtores rurais que buscam a subsistência no campo. Geralmente os
membros que compõe a família moram na propriedade onde trabalham e o lucro é da família.

24

Para Lamarche (1993, p. 15), a exploração familiar corresponde “a uma unidade de produção
agrícola onde a propriedade e o trabalho estão intimamente ligados à família”.
Tabela 1 - Imóveis rurais cadastrados no INCRA, segundo os municípios. Posição:
Outubro / 2003
Município
Arenópolis
Pequena propriedade
Média propriedade
Grande propriedade

Módulo
Fiscal
50

Área (ha) Qtd
462
de 0 a 200 325
mais de 200 a 750 99
mais 750 38

Área (ha)
113.176,30
23.213,50
37.673,00
52.289,80

Fonte: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA.
Elaboração: SEPLAN-GO / SEPIN / Gerência de Estatística Socioeconômica – 2005.

O conjunto dos produtores de leite nos quais foram aplicados questionários é
formado de pequenos e médios proprietários, pois são donos de propriedades nas quais as
maiores não ultrapassam 200 ha.
Conforme mostra a Figura 4, a grande maioria dos produtores de leite possuem
pequenas propriedades, dado que 84% dos produtores estão estabelecidos em propriedades de
até 100 ha, enquanto que apenas os restantes 2% possuem propriedades entre 100 e 200 ha.
Percebe-se que o estrato de estabelecimentos de 20 a 50 ha é o predominante dentre os
produtores de leite do município, seguido dos estratos de 10 a 20 ha e de 50 a 100 há sendo
que 14% não responderam. Esses dados indicam a existência da agricultura familiar no
município de Arenópolis, e lá desenvolve o que já afirmamos anteriormente.
Figura 4 - Estratos de área apresentada entre os produtores de leite

44%

50%
40%
28%
30%
20%

12%

10%

2%

0%
10 a 20ha

20 a 50ha

50 a 100ha

100 a 200ha

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

25

Para Gonçalves (2003, p. 86-87) a agricultura familiar é baseada nas necessidades
básicas da dieta alimentar, sendo produzido na propriedade arroz, milho e mandioca. Segundo
o mesmo autor a pecuária é variada, pois geralmente essas famílias criam gado de leite, suínos
e galinhas. O autor salienta que a produção é voltada para as necessidades da família, mas isso
não descarta a necessidade de venda do produto para o mercado.
A produção de leite junto com outras culturas agrícolas tem sido bastante
conveniente aos proprietários rurais do município, já que assim eles conseguem se proteger
dos riscos que a atividade oferece. No entanto, tem sido uma dificuldade à especialização
destes na pecuária leiteira, tornando-os vulneráveis frente às novas exigências para o setor,
aumentando as dificuldades deles permanecer produzindo leite.
Portanto, na região de Arenópolis, segundo observações empíricas e relatos de
chacareiros, fazendeiros, e funcionários de propriedades rurais, a principal fonte de renda é o
leite, com manejo da ordenha feito pelo próprio proprietário e a produção de subsistência,
onde plantam ou cultivam alguns alimentos como: milho, arroz, mandioca e feijão. Há
também o cultivo da cana de açúcar para completar a alimentação do gado. Esses agricultores
também criam outros animais como galinhas, porcos para subsistência e vendendo apenas os
excedentes para complementar a renda, conforme mostra a figura 5.
Cabe enfatizar, que além da pecuária leiteira, os produtores pesquisados, fazem
parte da agricultura familiar, também se dedicam a outras atividades agrícolas, como plantio
hortaliças (15%), criação de aves (8%), produção de mandioca (6%), feijão (4%), criação de
gado de corte (4%) e plantio de arroz (3%). Na Figura 5, é possível verificar que apesar de
40% da produção nas unidades se dedicar à pecuária leiteira.
Figura 5 – Atividade principal das unidades produtoras de leite

6% 4%
3%
4%
8%

60%

15%

Mandioca
Feijão
Arroz
Gado de corte
Aves
Hortaliças
Pecuaria leiteira

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

26

As famílias entrevistadas que se enquadram nesse termo “agricultura familiar”
constituem por pequenos e médios produtores. Esse segmento são pessoas com pouca
escolaridade. Esta situação faz com que os que vivem no campo também passem a encontrar
dificuldades para a sobrevivência no setor, haja vista a dificuldade de adaptação às exigências
de mercado e informações voltadas à agricultura.

Figura 6 – Nível de escolaridade dos produtores pesquisados

Ensino fundamental
incompleto

9%
13%

34%

44%

Ensino fundamental
completo
Enino Médio incompleto
Enino Médio completo

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

De acordo com dados apresentados na Figura 06, do total dos produtores
pesquisados, apenas 9% tem o Ensino Médio completo e 13% incompleto, e 78% tem apenas
o Ensino Fundamental (34% completo e 44 % incompleto), mostrando um baixo nível de
escolaridade. Este fato vem a dificultar sua vida na zona rural, já que o uso da informação se
mostra cada vez mais necessário nos processos produtivos do campo. A baixa escolaridade e a
dedicação a terra, destes pequenos proprietários, são alguns fatores que contribuem para sua
permanência no campo, pouco instruído pois a falta de estudo dificulta a busca de
conhecimento para adequar a cadeia produtiva. Outra conseqüência são aqueles que não se
adaptam as exigências do campo também não se enquadra no mercado de trabalho urbano
devido a sua baixa qualificação profissional. Essa realidade estimula os filhos dos
proprietários a saírem de Arenópolis e ou não quererem a desempenhar a atividade no campo.
Assim, na figura 07 retrata 38% dos produtores asseguraram que os filhos não
almejam continuar trabalhando com a pecuária leiteira, enquanto que 36% asseguraram que
seus filhos desejam continuar, mesmo afirmando existir algumas dificuldades. Porém, 26%
dos produtores não têm confiança a respeito da continuação dos filhos na atividade.

27

Figura 7 – Propensão dos filhos em continuar com a pecuária leiteira

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

Nesse sentido, juntando a parcela dos produtores em que os filhos não pretendem
permanecer com a pecuária leiteira, com os que afirmaram que a continuação ainda é incerta,
chega-se a 64% dos produtores pesquisados, o que é uma parcela significativa dos produtores,
podendo colocar em risco a continuação e o prosseguimento da pecuária leiteira na região a
médio e longo prazo. Portanto vê-se que a maior parte dos produtores pesquisados não sabe se
permanecem produzindo leite, dada as inseguranças estruturais que a atividade vem
apresentando.
Um dos incentivos hoje para os pequenos produtores rurais do município de
Arenópolis que tenta manter a família no campo é a presença da extensão da Cooperativa dos
Produtores Rurais de Iporá (afiliada à Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB),
sediada em Iporá-GO, conhecida como Cooperativa dos Pequenos Produtores de Iporá
(COOPERCOISAS). Essa cooperativa é um plano do governo federal, juntamente com o
governo Estadual e Municipal para contribuir na distribuição dos produtos dos pequenos
produtores.
Para serem beneficiadas com este programa, as famílias devem viver da renda da
propriedade, não tendo outra fonte ou meio de subsistência. Mas, não é necessário que as
mesmas sejam donas de terras, pois existem pessoas que trabalham na terra como meeiros. A
cooperativa, vinculada à CONAB, compra os produtos do campo produzidos pelos
agricultores rurais como: queijo, ovos, mel, bananas e outros. Esses produtos são entregues
nas escolas do município de Arenópolis, creches, PETI (Programa de Erradicação do trabalho
Infantil) e para Pastoral da Criança.
Cada produtor beneficiado com esse programa tem uma cota ou limite para serem
entregue semanalmente nos postos de entrega já mencionado, e o pagamento dessas pessoas é

28

feito semestral a cada produtor que recebe a quantia de R$ 4.500,00 por cota (dados de campo
set./2010).
Mesmo apresentando este quadro ainda na zona rural do município de Arenópolis
concentra-se uma parcela da população ativa no mercado de trabalho, sendo oferecidos
empregos como: vaqueiros, caseiros, tratoristas, e também serviços temporários como limpeza
de pastos, construção de cercas, mata-burros, curral e outros.
Neste município, nas fazendas, os vaqueiros que residem com seus familiares são
assalariados com carteira assinada, seus filhos estudam na cidade, indo de ônibus ou utilitários
conhecidos como Vans (carros da Prefeitura), existem também aqueles que moram na cidade
e trabalham no campo/ou fazendas, indo todos os dias de madrugada e voltando a noite para a
cidade. Os funcionários que são contratados para fazer serviços temporários nas fazendas,
nem sempre moram no município, geralmente ficam hospedados nas fazendas até acabar o
serviço, e ao terminar a tarefa procuram serviços em outras fazendas ou em outra região. Um
dos resultados da falta de emprego e de perspectiva para a população economicamente ativa é
a saída do município para a busca de oportunidades em outros lugares.
Para melhorar a qualidade da mão de obra rural que ainda permanece no campo
Arenópolis tem contado com parceiros como o sindicato rural, desde sua fundação em 2006,
através de convenio com o SENAR, vem oferecendo diversos cursos aos pecuaristas, tais
como: administração rural, inseminação artificial, vaqueiro, trabalhador em bovinocultura de
leite, construção de cerca elétrica, entre outros realizados na sede do sindicato e nas
propriedades rurais, visando o aperfeiçoamento dos produtores, para melhorar e aumentar a
produção do leite. Um dos objetivos destes programas é de aperfeiçoar a mão de obra, o que
por conseqüência poderá fixar o trabalhador agrícola no campo e em Arenópolis.
Segundo Gomes (2009, p. 33) um sistema de vacas especializadas para produção
de leite necessita de alto nível de conhecimento do produtor sobre a atividade leiteira,
portanto de mão de obra especializada, além de boas pastagens, alimentação volumosa
suplementar de boa qualidade, uso de concentrado, cuidados sanitários há casos de
trabalhadores rurais que não conseguem se especializar para atender a esta nova dinâmica tem
como conseqüência o desemprego.
A exemplo da perda do contingente populacional em Arenópolis pode ser
analisado na tabela 2 que se encontra logo abaixo. Veja que há um decréscimo contínuo da
população no período de 2001 a 2008, segundo os dados do IBGE. O acumulado dessa perda
populacional é de aproximadamente 11 % se comparado os anos de 2001(3.974 hab.) a 2008
(3.532hab.) e uma média de crescimento negativo de 1,6 % a cada ano.

29

Tabela 2: Estatística municipal da população estimada - Total de habitantes em
Arenópolis.
2001
3.974

Ano
População
Definição(s):

2002
3.968

2003
3.953

2004
3.923

2005
3.906

2006
3.890

2008
3.532

A estimativa da população municipal é realizada anualmente pelo IBGE para atender a requisitos de
dados do Tribunal de Contas da União. Baseia-se no Método de Tendência, desenvolvido por
MADEIRA e SIMÕES. Refere-se a população total estimada, residentes em 01/07.

Fonte: IBGE, 2009.

Até a década de 1990 muitas famílias moravam na zona rural, mas com a
modernização e a tecnificação no campo muitas pessoas foram obrigadas a procurar empregos
na cidade. Esse processo de transição no município acarretou alguns problemas sociais, tais
como o desemprego (trabalho de campo agosto de 2010). O processo de modernização
contribui para a transferência de renda do setor rural para o setor urbano industrial.
(GRAZIANO DA SILVA, 1982, pg. 23).
Conforme a pesquisa aponta o desemprego e a migração das pessoas de Arenópolis
para outros municípios vizinhos ou ate mesmo para a Capital de Goiás está em parte
relacionado com fechamento dos laticínios (veremos à seguir), já que estes empregavam de
dez a quinze pessoas cada agroindústria. Percebe-se que após o fechamento dos laticínios foi
maior o decréscimo populacional em Arenópolis

30

3 A MODERNIZAÇÃO E O PAPEL DOS LACTICÍNIOS NA
REESTRUTURAÇÃO

DA

PRODUÇÃO

DE

LEITE

LOCAL

E

REGIONAL

A modernização da sociedade brasileira, chegou às cidades a partir de meados do
século XX, atingindo o campo graças a abertura de agências bancárias, a expansão das casas
de comércio, a constituição das bolsas de valores e a dinamização da construção civil.
Sobre a modernização da agricultura no Brasil Graziano da Silva (1996, p. 19),
diz que:
O termo modernização tem tido uma utilização muito ampla, referindo- se ora às
transformações capitalistas na base técnica da produção ora à passagem de uma
agricultura ‘natural’ para uma que utiliza insumos fabricados industrialmente. Neste
texto o termo modernização será utilizado para designar o processo de
transformação na base técnica da produção agropecuária no pós-guerra a partir das
importações de tratores e fertilizantes num esforço de aumentar a produtividade.

A partir dessa época, o país deixou para trás o modelo de substituição de
importações, de uma economia fechada para o mercado internacional, e passou a praticar um
modelo de desenvolvimento que inseriu o Brasil, de modo mais aberto, na economia
internacional. Fato que ocorreu paulatinamente com o pós-guerra e o governo de JK.
Graças a modernização que atingiu o campo goiano, no final de 1980 e durante
toda a década de 1990, começou uma evolução da pecuária em Goiás. As tradicionais bacias
leiteiras foram se alargando, ocupando áreas que, até então, não eram produtoras de leite
promovendo mudanças significativas na economia brasileira. No que se refere à evolução da
pecuária em Goiás, destacamos as observações elaboradas pelo Noronha (2005).

31

A pecuária leiteira foi uma das atividades econômicas que mais se destacou em
Goiás na última década. Praticamente dobrando a produção no período, o estado de
Goiás, que em 1990, era o quinto maior produtor de leite do País, assumiu em 1998
a segunda posição, superando produtores tradicionais, como São Paulo, Rio Grande
do Sul e Paraná. Tal evolução deveu-se, sobretudo, ao aumento da produtividade do
rebanho leiteiro goiano, que apresentou um acréscimo médio por propriedade da
ordem de 117%. Esta situação motivou a FAEG e o SEBRAE-GO, como entidades
indutores e aceleradoras do processo de desenvolvimento regional, a apoiar a
realização de um estudo abrangente sobre a rentabilidade da pecuária leiteira Goiás,
visando a conhecer melhor a sua realidade. Contando com o apoio da Universidade
Federal de Goiás, através da Escola de Agronomia e da Fundação de Apoio à
Pesquisa (FUNAPE) e das escolas Agrotécnicas Federal, a FAEG e o SEBRAE
viabilizaram a realização de um trabalho pioneiro no País, em que se buscou analisar
a rentabilidade da atividade leiteira no Estado de Goiás, como forma de melhorar o
nível de profissionalização dos produtores de leite locais. Noronha 1987 Goiânia,
GO,
v.
35,
n.
3.
1987
reescrito
em
2005.
In
http://www.revistas.ufg.br/index.php/pat/article/viewArticle/2221. Acesso em: 26
setembro. 2010.

Noronha vê a necessidade de aumentar cada vez mais a produção de leite para
atender à crescente demanda, o que implica que um maior número de produtores se
modernizem, através da adoção de sistemas de produção mais produtivos. Assim sendo, podese inferir que a baixa produtividade dos recursos envolvidos na exploração leiteira reflete o
uso de inadequados sistemas de produção.
Embora ainda existam muitos pequenos produtores que utilizam os galões para a
entrega em domicílio, parte do leite produzido em Arenópolis passou a ser resfriado no
máximo 2h após a ordenha, evitando a proliferação de bactérias (acidez do leite). Tal
tecnologia contribui para a qualidade do leite local e aumento do preço do produto, pois quem
possui o tanque recebe um preço melhor, contudo quem não o tem fica excluído da
concorrência do mercado. Assim, a inserção tecnológica acaba se concentrando nas mãos dos
mais abastados, em especial dos médios e grandes produtores.
Isso significa que no município de Arenópolis também é possível observar esta
heterogeneidade de sistemas de produção. De um lado propriedades tradicionais de outro a
tecnologia. A reestruturação pela qual vem passando o setor tem reforçado a heterogeneidade
dos sistemas de produção, pois os produtores que tem conseguido permanecer, passaram a
produzir operando com melhores índices de produtividade e qualidade, enquanto que os
“marginalizados” continuam no mercado informal operando com baixa incorporação de
tecnologias e baixa qualidade da matéria prima (SILVA, 2002, p. 87).
Os agentes atuantes no setor lácteo devem adaptar-se às constantes necessidades
de transformação e modernização da produção, com vistas a atender às exigências de um
mercado globalizado, onde padrão de qualidade, flexibilização na produção (oferta de

32

produtos com maior valor agregado) e concentração da indústria são características
marcantes.
Uma inovação na pecuária leiteira arenopolina que tem modificado a relação do
produtor com a atividade leiteira é a instalação de tanques de expansão (para o resfriamento
do leite local de produção) nas propriedades rurais, que deixa de usar galões, para transporte
do leite, melhorando assim a qualidade do mesmo.
Na cadeia de lácteos, os maiores investimentos no setor estão associados em geral
aos grandes produtores, ocorrendo um esquecimento em relação aos pequenos e médios. Isto
se deve à falta de recursos e dificuldades de obtenção de crédito por parte dos mesmos, o que
está relacionado à carência de auxílios por parte dos governos.
A experiência de criação de gado leiteiro hoje é uma atividade que depende de
técnicas especiais. Nesse sentido esses investimentos visam o lucro, ou capital que vem
acompanhado de um pacote tecnológico.
Segundo Martins (1999) o melhoramento visa aumentar a produção de carne,
leite, e propõe a adaptação do animal ao meio em que vive. O leite (e seus derivados) são os
principais alimentos do homem e com o aumento da população a procura também aumenta a
produção. Desta forma, cabe aos produtores rurais que queiram melhorar sua produção de
leite, se informar sobre as inovações que vem acontecendo no meio rural para aumentar a
produtividade e a qualidade do leite.
Gomes (2009, p. 12), diz que por meio do melhoramento genético o gado leiteiro
tem produzido cada vez mais em menos tempo. Torna-se necessário fornecer alimentação
adequada para o rebanho, como concentrados ou seja ração e outras, e relataram que e
possível aumentar a produção de 50 litros por dia, a 89,50% no estrato acima de 1000 litros.

3.1 O papel dos Lacticínios em Arenópolis

Na entrevista com o senhor João Delfino, (pecuarista e dirigente de laticínios em
Arenópolis deste 1977 até o presente momento da pesquisa), foi nos relatado que o primeiro
laticínio foi inaugurado em maio de 1977, depois outros instalaram, porem não permaneceram
por problemas financeiros e outros motivos fecharam.
O lacticínio Morrinhos Indústria e Comercio LTDA, da agroindústria Leite Bom, foi
o primeiro a instalar em Arenópolis. No início da década de 1990, outros lacticínios se
instalaram ocorrendo neste período algumas transformações sócio espaciais para o município.
Com o fluxo leiteiro instalaram-se em Arenópolis três indústrias agro-leiteiras que são elas;

33

Leite Bom, Lacticínios Ceará, Caiapó e os Lacticínios Borges, Marajoara, porém só a Leite
Bom se consolidou ate 2008. Fig 8,9 e 10.

Figura 8: Lacticínios Borges no município de Arenópolis.
Fonte. Xisleque T. Oliveira Sousa/2010.

Figura 9: Lacticínios Ceará no município de Arenópolis.
Fonte. Xisleque T. Oliveira Sousa/2010.

Segundo o depoimento do Sr. Osvaldo Pinheiro Dantas (dono do ex-laticineo Ceará)
o que levou o fechamento dos demais lacticínios foi o monopólio da Leite Bom que era a

34

empresa mais forte no ramo e possui em São Luis de Montes Belos a indústria beneficiadora
do leite.

Figura 10: Antigo Laticínio Leite Bom no município de Arenópolis.
Fonte. Xisleque T. Oliveira Sousa/2010.

O laticínio Morrinhos se instalou em Arenópolis devido a influencia da pecuária
leiteira naquele município. A partir do ano de 2002 começou a granelização do leite ou seja
resfriar na própria fazenda e transportar em tanques isotérmicos até a industria. Daí diminui o
transporte de leite em latão passou a trabalhar com o leite já granelizado, com isso o produtor
sentiu mais segurança e melhorou a genética do gado, alimentação para melhoria da produção
de leite.
O laticínio Morrinhos, foi vendido em 2008, quando passou a laticínio Centro
oeste nome fantasia do Laticínio Lactosul Industria de Laticínios Ltda (Posto de coleta o qual
pertence ao Sr. João Delfino), conforme se observa na figura 11 , o qual permanece até o
presente momento dessa pesquisa.

35

Figura 11: Laticínio Centro Oeste
Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

A produção de leite no município de Arenópolis é captada no Laticínio Lactosul,
que foi fundado em 1995, em Piranhas (sede do lacticínio), por Alcides Augusto da Fonseca.
A empresa conta atualmente com 200 funcionários, sendo a maioria desses do
sexo masculino. Atende atualmente a 175 fornecedores, classificados pela quantidade de leite
(volume e qualidade) que entregam. A empresa arca com os custos de transporte do leite até o
lacticínio.
Quanto a sua instalação no município de Arenópolis, o principal motivo foi o auto
fluxo de pecuária leiteira. A empresa funciona em unidades divididas nas cidades de
Arenópolis, Iporá e em Piranhas, onde funciona a matriz.
A empresa é de pequeno porte e foi instalada com recursos apenas dos
fundadores, visto que não houve incentivos do poder público municipal de Arenópolis-GO. A
capacidade de processamento diário é de 30.000 litros, contudo o processamento médio diário
é de 20.000 litros/dia, sendo que de novembro a janeiro a empresa trabalha com sua
capacidade máxima, ou seja, é o período da safra.
Do total de leite captado pela empresa, 25% provém do próprio Município de
Arenópolis, enquanto que os 75% restante são oriundos de outros municípios da própria
região como: Iporá, Piranhas e Bom Jardim de Goiás (dados de campo, entrevista com senhor
João Delfino/outubro/2010).
Quanto às relações estabelecidas com o produtor de leite, a empresa possui uma
estratégia de financiamento de tecnologias aos produtores, para compra de equipamentos, pois
a empresa encara o processo de modernização do setor lácteo nacional de acordo com o
mercado evolutivo.

36

Sobre essas novas estratégias da indústria de lácteos; Paulillo, Herrera, Costa
(2002, p. 192) assim se pronunciam:
Essas novas formas de financiamento permitiram maior capacidade de negociação
para as empresas processadoras, pois puderam barganhar com diferentes tipos de
produtores de leite. Essa é a primeira explicação para a quase-integração expandirse, preferencialmente, entre os grandes pecuaristas de alto nível tecnológico. Essas
empresas financiam a aquisição de equipamentos de ordenha e refrigeração com
prazos para pagamentos em até 60 meses. A garantia de recebimento do
financiamento é o próprio leite, sendo o valor descontado do pagamento realizado
aos produtores. Assim, o produtor fica atrelado à indústria sob o foco da escala
produtiva e da qualidade da matéria-prima, e os pecuaristas de baixa escala
produtiva ou de localidades mais distantes, cujo leite é captado em latões, ficam
excluídos desses programas de quase-integração. (PAULILLO, HERRERA,
COSTA, p.192, 2002).

Com esta estratégia, os laticínios passaram a se aproximar dos produtores rurais,
gerando uma situação que os autores denominaram de “quase-integração”, para definir estas
novas estratégias das empresas a partir da reestruturação dos anos 1990.
Este estreitamento dos laços entre a empresa Laticínio Lactosul industria laticínios
Ltda e os fornecedores de leite, tem sido bastante vantajosa para a empresa, pois tem
possibilitado ganhos em qualidade e em escala, redução de custos de transporte, garantia de
entrega da matéria-prima. Pelo lado do produtor, no entanto, tem acentuado a sua
subordinação ao capital industrial.
Assim a empresa Laticínio Lactosul opera com produtores que possuem o tanque
de resfriamento, e ainda com os produtores menos capitalizados, sobretudo os pequenos, que
não possuem condições para adquirir o tanque. Vale salientar que também existem aqueles
que estão na informalidade, ou seja, muitas famílias como foi observado a campo fazem
queijos, doce, requeijão, manteiga, para vender nas feiras, na rua ou por encomenda. Entre
esses possuem também aqueles que moram e trabalham nas fazendas e ganham o leite para o
consumo.
Segundo o dirigente o Sr. João Delfino as principais dificuldades enfrentadas pela
empresa são a falta de incentivos governamentais e a mão de obra não qualificada.
Os produtores de leite fornecedores de Arenópolis entregam sua produção para o
laticínio e, o caso do leite é bem significativo neste sentido, pois a reorganização da cadeia
nos anos 1990, tem estabelecido o uso cada vez maior de novas técnicas no processo
produtivo, procurando maior qualidade e produtividade, de modo a serem competitivos e
garantirem a sua estabilidade no setor (Paschoal, 2010).

37

Entretanto, apenas a disponibilidade de capital sem o preparo profissional dos
produtores não permite a estes encontrarem alternativas de produção, que lhes cubram a
permanência na atividade. Contudo, deve-se notar que o conhecimento preexistente destes
produtores não deve ser desconhecido, mas sim aproveitá-los de maneira associada às
inovações, que agora se apresentam.

38

4 DESAFIOS PARA A MANUTENÇÃO DA ECONOMIA LEITEIRA
PARA OS PEQUENOS PRODUTORES DE ARENÓPOLIS

Percebe-se a contribuição da pecuária leiteira na sociedade arenopolina, haja visto
que muitas famílias vivem basicamente da renda do leite.(campo maio de 2010).
É notada a presença da tecnologia no meio rural anos atrás, e começa cada vez
mais a busca pela modernização ou seja, a melhoria da qualidade do gado, tendo como
exemplo inserção de tanques de resfriamento, inseminação artificial e a seleção do gado, em
algumas propriedades e a ordenha mecânica, sendo esta realizada em poucas fazendas, devido
ao custo.
O tanque de resfriamento tem sido adquirido cada vez mais na região, conforme a
pesquisa realizada mostra. Já existe em média 60% das propriedades rurais que contam com o
tanque de resfriamento de leite nas propriedade rural, que é colhido a cada dois ou três dias
em caminhões tanques.
Percebe-se que a maioria dos produtores já recorre a empréstimos como ao
PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar), conforme relato dos entrevistados.
O PRONAF surgido em 1996, graças à luta dos trabalhadores rurais por uma política pública
específica e diferenciada para a agricultura familiar. Conforme as entrevistas percebe que
muitos pequenos e médios produtores rurais acabam não opinando por empréstimos para não
contrair dividas. Pois tem aqueles que pegam o dinheiro e aplica em melhorias nas
propriedades como na compra de gado, reforma de pasto, genéticas, compra de touros e até
inseminação artificial, e os grandes produtores e médios fazem outros empréstimos para
investir na propriedade já que estes tem mais opção de empréstimos.

39

Ou seja não são apenas grandes produtores de leite, mas grande proprietários de
terras, sendo comum nas fazendas de criação de gado de corte, tendo a pecuária leiteira
apenas para manutenção da fazenda, conforme relato de alguns entrevistados. Nesse sentido
percebe-se que para os mais abastados a renda maior vem de outras fontes, que não é o leite e
sim o gado de corte.
Com base nos dados apresentados na figura 12, entende-se que a continuidade da
pecuária leiteira pode estar comprometida no município de Arenópolis, pois 60% dos
produtores possuem mais de 50 anos de idade, sendo que 22% deles já têm mais de 60 anos. E
é cada vez menor o numero de pessoas entre 30 a 40 anos que pratica a atividade.
Figura 12 – Faixa etária dos produtores pesquisados

22%

16%

30-40
40-50
50-60
24%

a cima de

38%

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

A falta de capital na produção do leite têm sido os principais fatores que
dificultam os produtores de leite do município a acompanharem as mudanças processadas no
setor, que agora, apresenta-se bastante competitivo e cada vez mais requer ganhos de
produtividade.
Ao mesmo tempo em que o setor lácteo requer especialização, aumento de
produtividade, investimento em tecnologias para auferir melhor qualidade da matéria-prima, a
pecuária leiteira ainda permanece apresentando riscos e sendo vista, portanto, com
desconfiança por parte dos produtores, que hesitam em realizar grandes inversões de capital
na atividade (MARTINS, 1999, p. 20).

4.1 A produção regional de leite e a heterogeneidade dos sistemas produtivos

A heterogeneidade dos sistemas produtivos é mais aparente na estrutura
organizacional e tecnológica da pecuária leiteira. O Estado de Goiás, por exemplo, apresenta

40

sistema produtivo bastante diversificado em termos tecnológicos produtivo pois existem
aqueles produtores especializados e aqueles que ainda preservam o sistema produtivos
rudimentares.
Segundo Ferreira et. all (1999), no Estado de Goiás, assim como em todo o Brasil,
apresenta uma grande heterogeneidade de sistemas de produção adotados pelos produtores de
leite.
Tanto entre os criadores de gado de corte como entre os produtores de leite, os
sistemas produtivos são bastante díspares convivendo a mais moderna tecnologia de
confinamento com outras propriedades pecuárias sumamente atrasadas, em que a
produção assemelha -se mais ao extrativismo. (FERREIRA et.all, p. 24, 1999).

Esta heterogeneidade estrutural e tecnológica no setor se definiu nos anos 1960,
período em que grande parte dos produtores de carne entrou na produção de leite, para se
resguardarem das oscilações dos preços da carne. Dentro disso, houve a chegada no setor de
produtores com gado sem especialização, baixa qualidade e sazonalidade na produção
(PAULILLO; HERREIRA; COSTA, 2002).
No que se menciona ao nível tecnológico apresentado por cada bacia leiteira, e
entre os produtores de uma mesma bacia leiteira, ocorrem diferenças básicas de:
caracterização dos rebanhos, ritmo de incorporação tecnológica da propriedade, tipo e manejo
do rebanho e nas formas de gerenciamento das unidades de produção agropecuária
(PAULILLO; HERREIRA; COSTA, 2002).
Numa situação mais delicada no atual momento, encontram-se os produtores não
especializados ou “marginalistas”. Este grupo de produtores é a grande maioria dos
pesquisados na região, por isso, a grande preocupação com a inserção destes produtores na
atividade diante das novas exigências.
O grande número de produtores não-especializados na pecuária leiteira no
município tende a fazer com que o impacto sócio-econômico resultante da reestruturação do
setor adquira grande magnitude naquele espaço. No geral, os produtores não especializados
são os de pequeno porte, que apresentam significativa presença na área em estudo.
A maioria desses produtores investigados trabalha com

equipamentos

rudimentares, gado com baixa especialização produtiva (em geral rebanho misto), e, além
disso, conseguem proporcionar ao rebanho uma alimentação adequada para uma boa
produção de leite apenas no período da safra, pois a produção na entressafra tende a cair
muito.

41

Dentro deste grupo de produtores ocorre ainda uma subdivisão, já que há aqueles
produtores que dependem exclusivamente do leite para a sua reprodução, praticam a pecuária
leiteira de forma bastante incipiente, e dependem da renda obtida com a atividade. Há ainda,
uma minoria de produtores que tem no leite uma fonte adicional de renda, sendo que a
principal fonte de renda destes produtores encontra-se noutra atividade.
Dos produtores pesquisados no município de Arenópolis, a quantidade não
especializados é bastante significativa, elevando os riscos socioeconômicos deste processo de
reorganização do setor, já que eles tendem a enfrentar dificuldades crescentes na atividade e
muitos migrarem para o mercado informal de leite. A grande presença dos produtores nãoespecializados também é um fator que explica os baixos índices de produtividade da pecuária
leiteira regional.
Em um trabalho publicado pela EMBRAPA no ano de 1999, os pesquisadores
VILELLA, BRESSAN, CUNHA (1999) argumenta que o grande número de pequenos
produtores do leite no Brasil é um problema para a especialização dos produtores. Para eles:
“O grande número de produtores muito pequenos, além de tornar a especialização
praticamente impossível, dificulta a disseminação de informações e encarece a coleta e o
controle de qualidade do leite por parte da indústria e a fiscalização pelo governo. (VILELLA,
BRESSAN, CUNHA, 1999, p. 10).”
A maneira assumida neste trabalho é oposta a defendida pelos pesquisadores
acima citados. É necessário indicar condições para a sustentação destes pequenos produtores
e/ou não-especializados, e a partir disso, permitir a eles melhorias na sua produtividade, de
modo a aumentar a oferta de leite nos mercados urbanos do país, já que o consumo médio de
lácteos pela população brasileira é bastante baixo, aquém dos níveis recomendados pela FAO
(GOMES, 2009).
Esta organização internacional sugere um consumo médio de 400 ml/dia/per
capita. Entretanto, devido à forte concentração de renda no país, que faz com que as camadas
mais baixas tenham uma renda insatisfatória, o consumo médio de lácteos no país é de
aproximadamente 246 ml/dia/per capita, muito aquém, portanto, dos níveis recomendados
(DE NEGRI, 1998, p. 146).
Diante de todas estas mudanças, os estudiosos da questão apontam a
especialização do produtor como a panacéia para todos os problemas dos produtores de leite.
Na verdade, os pequenos produtores de leite precisam ser amparados por um conjunto de
medidas e um adequado programa de políticas públicas.

42

A Tabela 03 vem confirmar os baixos índices de produtividade da pecuária leiteira
do grupo pesquisado no município de Arenópolis, seguindo o padrão geral observado no país.
A maior parte dos produtores, ou seja, 64% deles apresentam uma produtividade que não
ultrapassa 5 litros/vaca/dia, enquanto que 24% têm sua produção situada entre 6 a 10
litros/vaca/dia, e apenas 12% dos produtores pesquisados apresentam uma produtividade
superior a 11 litros/vaca/dia.

Tabela 3 - Produtividade dos produtores entrevistados no município de Arenópolis Posição: Outubro/2010
Produção vaca/litros/dia
até 5 litros
6 a 10 litros
Acima de 11 litros
Total

Nº de produtores
48
18
9
75

%
64
24
12
100

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

A produtividade apresentada pelos produtores do município, portanto, está muito
longe do ideal requerido para a permanência na atividade, salvo que a produtividade tem sido
um fator bastante relevante para o produtor ter competitividade frente a este novo cenário, que
se apresenta para o setor (FERNANDES, 2010). Apenas os produtores que se especializaram
aumentaram a sua produtividade, sendo a minoria deles no município de Arenópolis.
Sobre a necessidade de alcançar maiores índices de produtividade, Bressan
(BRESSAN, p. 1, sdp) ressalta que:

[...] mantido o ritmo de mudanças que têm ocorrido, especialmente nos componentes
indústria e consumo da cadeia agroalimentar do leite, o destino da produção familiar
com volume reduzido é desaparecer, porque terá poucas condições de competir no
mercado. A renda que esses produtores obtiverem de seus negócios com o leite será
cada vez menor, o que os forçará a fazer opções por outras atividades econômicas,
no campo ou na cidade. Segundo essas estimativas, prevalecerão no setor leiteiro as
unidades produtivas que, dentre outras coisas, adotarem modernas tecnologias,
obtiverem economias de escala e venderem a melhores preços porque produzem
maior volume.

Segundo Bressan, na pecuária leiteira, será imprescindível os produtores estarem
precavidos para utilizarem tecnologias apropriadas de alimentação e manejo do rebanho, de
gado de genética mais apurada para a produção de leite, de gerência profissional das

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atividades da fazenda e outras tantas, que são determinadas por centros de pesquisa,
universidades e organizações industriais.
A aquisição de economias de escala, para os produtores que dispõem de pouco ou
nenhum capital para inversões na produção de leite, é necessário otimizar a eficiência e a
energia dos fatores de produção que ele dispõe, de modo a aumentar a produtividade e
diminuir custos.
A encurtada escala de produção dos produtores de leite, tende a gerar custos fixos
mais elevados no processo produtivo. Compete advertir que um pequeno produtor pode
empregar seus recursos de forma mais competente que um grande produtor. Em motivo disso,
economia de escala não deve ser confundida com volume de produção. A aplicação
competente dos recursos pelo pequeno produtor de leite é essencial para a continuação deste
na atividade, ao lado do apoio do poder público e também de ganhos obtidos através das
organizações coletivas.
Agindo assim, com certeza obterão ganhos na produtividade do leite (com reflexos
na quantidade produzida) e, conseqüentemente, maior rentabilidade na atividade
leiteira, por causa da maior flexibilidade que têm de redução de custos (baixos
custos operacionais), menores riscos e maiores opções de negócios. Afinal, no
contexto atual da economia leiteira, com baixos preços pagos ao produtor, a
produção familiar tem condições de sair-se até melhor que muitos empreendimentos
de larga escala econômica, apoiados em sistemas caros de produção. (BRESSAN,
p.4, sdp).

Fica claro que a estabilidade dos pequenos produtores de leite, a partir de agora,
dependerá muito da capacidade competitiva destes. Daí, torna-se necessário acatar as
especificações e requisições de qualidade/custo do leite, de maneira a contraírem certa
flexibilidade para sobreviverem neste novo panorama.
È indispensável lembrar que a pequena produção familiar de leite oferece baixos
custos de produção, já que não agrupam expressivas tecnologias ao seu método produtivo.
Perante desta situação, se bem dirigida algumas ações grupais e manejos rotativos de
melhorias da produtividade, podem tornar a pequena produção familiar de leite viável neste
novo cenário (FERNANDES, 2010).
O uso da ordenhadeira mecânica pelos produtores de leite do município de
Arenópolis é praticamente inexpressivo. Considerando os dados de fonte primária, colhidos
em trabalho de campo, verificou-se que apenas 7% dos produtores possuem ordenhadeira,
enquanto que os restantes 93% não a possuem, como se nota pela Figura 13.

44

Figura 13 – Utilização de ordenhadeira mecânica pelos produtores do município de
Arenópolis-GO
7%

S im
Não

93%
Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

A ordenhadeira mecânica constitui-se num aparelho tecnológico importante para o
acréscimo da qualidade do leite, na medida em que abole a necessidade da relação manual
com o leite, cooperando assim para o melhoramento da qualidade da matéria-prima, e desta
maneira, o produtor também tende a ganhar em benefício das novas estratégias adotadas pelas
empresas, que passaram a remunerar o produtor, em função da maior quantidade entregue e
da melhor qualidade da matéria prima.
É importante advertir, entretanto, que a reduzida utilização deste equipamento
dentre os produtores do município, se deve ao fato de serem pequenos produtores de leite e
não possuem escala de produção suficiente para realizar tal investimento. Pois o produtor que
produz 50 litros/dia, não apresenta uma produção que justifique o investimento em
ordenhadeira e tanque de expansão. Veja a seguir a utilização de ordenha mecânica realizada
em uma propriedade rural de Arenópolis-GO. (Figura 14)

Figura 14 – Ordenhadeira mecânica utilizada numa propriedade rural especializada na produção de leite.
Arenópolis-GO.
Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

45

4.1.1 Quantidade de ordenhas diárias realizadas pelos produtores do município.

Outra referência de produtividade, escala de produção mínima e manejo adequado
de modo a garantir ao leite qualidade, referem-se à quantidade de ordenhas realizadas por dia
pelos produtores. De acordo com Paulillo, Herrera, Costa (2002), o número de ordenhas
diárias representa a escala produtiva e o nível de tecnificação dos produtores. Quanto mais
produz-se leite maior a necessidade de tecnologia investida.
No município de Arenópolis, o número de ordenhas por dia está relacionado com
a exploração do tanque de expansão na propriedade, A grande maioria dos produtores
investigados, ou seja, 95% deles efetuam apenas uma ordenha diária e apenas 5% praticam
duas ordenha diária. Isso se constitui num número de sua ineficiência produtiva frente às
novas exigências deste novo cenário que agora se apresenta para o setor. Nos casos de
produtores especializados, eles chegam a realizar 2, 3 e em alguns casos 4 ordenhas diárias.

Figura 15 – Quantidade de ordenhas/dia pelos produtores da região Arenopolis-GO
5%

1 ordenha
2 ordenha
95%

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

De acordo com os dados coletados durante trabalho de campo no município sobre
a quantidade de ordenhas diárias, de acordo com a Figura 15, verifica-se que os produtores
menos tecnificados, ou seja, 95% deles, não realizam 2 ordenhas diárias. Portanto, vê-se que
no geral, os produtores de leite do município de Arenópolis estão muito abaixo do que é
necessário para ser concorrente e sobreviver neste novo cenário que se depara para o setor
lácteo.

46

4.1.2. Realização de inseminação artificial

O tanque de expansão para resfriamento do leite, na propriedade, vem se
estabelecendo num fator de seleção de produtores, visto que a maioria dos produtores não
possuem recursos para adquiri-lo. Isto tem elegido os produtores, reduzindo o número de
fornecedores a estas empresas, mas por outro lado tem aumentado a quantidade entregue por
produtor (MARTINS, 1999).

Figura 16 – Tanque de resfriamento de leite numa propriedade rural especializada na produção de leite Arenópolis.
Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

4.1.3. O uso do tanque de resfriamento de leite

Um número bastante respeitável e pertinente à produtividade do rebanho, refere se à prática de inseminação artificial pelos produtores. Diante de dados coletados no trabalho
de campo realizado nos meses de agosto, setembro e outubro de 2010, apenas 5% dos
produtores utilizam a prática da inseminação artificial, enquanto que a grande maioria, 95%
não faz uso efetivo desta prática, conforme se observa na Figura 17.

47

Figura 17 – Utilização de inseminação artificial pelos produtores do município de
Arenópolis-GO.

5%

S im
Não

95%

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

A inseminação artificial é uma técnica muito importante para pecuária leiteira, ao
passo em que permite o melhoramento genético do rebanho, e assim a rentabilidade de
produtividade, além de permitir ao produtor, inseminar as suas matrizes, em datas que lhe
comporta fazer com que elas comecem a produção em momentos em que o preço do litro de
leite encontra-se em alta no mercado, que é no período da entressafra, (MARTINS, 1999).
Pelos dados conseguidos com a pesquisa campo, de acordo com a Figura 18,
verifica-se que apenas 60% dos produtores de leite possuem o tanque de expansão, enquanto
os restantes 40% não possuem o tanque de expansão.

Figura 18 – Porcentagem de tanque de expansão no município de Arenópolis-GO.

40%
60%

Sim
Não

Fonte: Trabalho de campo, 2010. Org. Xisleque T. Oliveira Sousa.

48

4.1.4 O “atraso” técnico e logístico do produtor de leite.

Segundo foi possível observar nos dados sobre a utilização de tecnologias junto ao
processo produtivo de leite no município, o produtor de leite está longe do ideal na utilização
da tecnologia necessária para adquirir concorrência. O baixo número de produtividade é
representação disso. O baixo nível tecnológico, por sua vez, é representação da mentalidade
do produtor de leite, que foi “adaptada” também pelo cenário que se apresentou ao setor a
partir da década de 1940, a falta de capital, além de outros fatores elencados anteriormente.
O espectro de mercado e negócios, que o produtor de leite no Brasil atua ainda
está muito longe de poder ser compatível a uma visão empresarial, necessária neste novo
cenário competitivo que se apresenta. A superioridade do rebanho misto, ou seja, produzindo
leite e carne ao mesmo tempo, acaba por prejudicar as possibilidades de especialização.
O principal fato apontado pelos produtores está relacionados aos baixos preços do
leito, recebido pelos produtores, que segundo eles mal cobrem os custos de produção que
chega desanimar os produtores, pois na época de safra, em função da grande oferta o preço
tende a ser mais baixo.
E sabido que o preço do leite varia conforme o mercado e a demanda, nesse
sentido o clima e um fator importante, pois no período da seca ou seja entre-safra o leite
diminui e com a pouca oferta o custo do leite tende a subir. Porem este ano no período da
entre-safra o leite não teve aumento no preço. Chegou ser pago à 0,39 centavos o leite gelado
e o inatura á 0,35 centavos preço mínimo. Isso deveu-se a importação de lácteos de outros
países como Estados Unidos e Uruguai. Sindicato Rural de Arenópolis campo (novembro
2010).
Uma das soluções encontradas pelos produtores de leite para superar a questão do
atraso técnico logístico da atividade leiteira em Arenópolis foi a união através das
associações. Arenópolis

conta com cinco associações que reunião os produtores para

enfrentarem o mercado. De acordo com o presidente de uma dessas associações a APRRA
(Associação dos Produtores Rurais Ribeirão Areia) os cinqüenta associados se unirão em
busca de melhorar no setor comprando coletivamente direto das distribuidora complemento
alimentar para o gado (ração, milho. Sal e outros). Assim o custo de produção para cada
produtor fica mais baixo e o produto mais competitivo.
Também nesse sentido o Sindicato Rural realiza todo dia 16 de cada mês uma
reunião com as industrias de laticínios, que são elas Centro Oeste, Vida, Maroca e Catupirí,
nas cidades de Arenópolis, Piranhas, Caiapônia, Bom Jardim, Doverlandia e Ipóra, com

49

objetivo de negociar o preço mínimo do leite em favor dos produtores e cada sindicato tem
uma representação com três representantes nas reuniões.
Ultimamente, com o procedimento de especialização e ganhos de produtividade, a
sazonalidade na produção tem desaparecido entre os produtores especializados, improvisando
com que o preço do leite ao consumidor apresente quedas em plena época de entressafra.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em trabalho de campo concretizado, buscou-se identificar a faixa etária
predominante dos produtores de leite do município, de modo a distinguir os proprietários
rurais que se consagram à pecuária leiteira, bem como lembrar as perspectivas de
prosseguimento da atividade no município.
Realizamos uma análise dos dados referentes à pecuária bovina leiteira da região.
Destacamos os índices de produtividade e as formas de manejo, bem como a funcionalidade
da pecuária na unidade produtora de leite e as mudanças, que vem sendo operadas no setor
primário do leite, advindas da reestruturação industrial, que vêm implicando em mudanças
logística-tecnológicas e sócio-econômicas.
A pecuária leiteira no município de Arenópolis possui significativa relevância
para a reprodução social do pequeno proprietário rural na região, pois proporciona uma
liquidez mensal que nenhum outro produto agrícola oferece aos agricultores locais.
Tem sido bastante comum na região a conjugação por parte dos produtores de
leite com outros produtos, como mandioca, milho, dentre outras, que alcançam maiores
preços que os produtos tradicionais. Contudo, para alguns produtores de leite, a falta de
capitalização e a ausência de escala da produção de leite, bem como a não-especialização, têm
sido os fatores que tem dificultado a permanência destes na pecuária leiteira. De modo geral, a
reorganização do setor aumentou as dificuldades para os produtores de leite nãoespecializados continuarem produzindo.
Percebemos os efeitos da modernização da atividade leiteira no município de
Arenópolis, tais como a instalação de tanques de resfriamento, ordenha mecânica,
melhoramento genético, entre outros que paulatinamente adentraram no meio rural regional.

51

Na cadeia de lácteos, os maiores investimentos no setor estão associados em geral
aos grandes produtores, ocorrendo um esquecimento em relação aos pequenos e médios. Isto
se deve à falta de recursos e dificuldades de obtenção de crédito por parte dos mesmos, o que
está relacionado à carência de auxílios por parte dos governos.
Para Rodrigues (2003, p. 24) a chegada da tecnologia no meio rural modifica em
todos os sentidos a vida das pessoas que moram no campo. A modernização da pecuária
leiteira conforme a proposta de Kageyama (et al., 1990) impõe um modo de produção voltado
para os interesses urbanos. De acordo com essa afirmação estudar o papel da tecnificação ou
modernização no campo na cadeia produtiva de leite nos leva a compreender a dinâmica ou
influencia que estas transformações, exerce sobre o lugar.
As transformações são provocadas pela inserção da tecnologia no meio rural e que
acaba provocando ou acelerando o processo de desemprego de uma determinada região. Esse
processo de modificação dos meios de produção e, por consequência, da substituição da mão
de obra empregada no setor, resulta nas migrações tanto da zona rural para urbana e também
de uma região para outra em busca de novas qualificações e ou emprego. Outros fatores foram
assinalados como: falta de incentivos do Governo, baixa qualidade do rebanho,
desorganização dos produtores, falta de recursos, muita oferta e baixa produtividade.
Diante disso, também foram pesquisadas as perspectivas e alternativas indicadas
pelos próprios produtores no sentido de melhorar as condições de produção.
Levando em apreço as dificuldades encontradas pelos produtores, verificou-se que
60% dos produtores assinalaram como uma alternativa acentuada para a melhoria das
condições de produção, a estabilidade dos preços. Outros distinguiram um melhor arranjo dos
produtores no sentido de conseguirem maior poder de troca frente ao setor industrial. Outro
fator respeitável registrado refere-se à falta de políticas e subsídios governamentais de modo a
instigar e melhorar as qualidades de produção.
Diante de todas as dificuldades assinaladas pelos produtores de leite, as plausíveis
soluções no atual período passam, indispensavelmente, pela necessidade de organização
coletiva dos produtores (MARTINS, 2009). Somente a conexão de forças dos produtores,
para alcançar um maior poder de troca, poderá fazer frente ao capital industrial e tomar
melhores qualidades para produzir e comercializar.
Frente aos graves problemas sócio-econômicos que a marginalização dos
produtores familiares não-especializados possam ocorrer, faz-se necessário um ato mais
articulado do poder público na acepção de viabilizar a produção de leite não-especializada, ou
seja, as unidades de produção, que se destinam ao leite juntamente com outras atividades,

52

otimizando o uso dos fatores de produção e tornando mínimo os ímpetos da atividade aos
produtores. Porem, não é só a ação do poder público que é necessária, mas também é de
extrema importância a ação coletiva destes produtores, para terem ascensão às novas
tecnologias necessárias para consentirem as novas exigências (SANTOS, 1994).
A tática de fortalecer os produtores não-especializados de leite torna-se
fundamental para a geração de emprego e renda no campo.
Perante desse quadro, vê-se ainda que o poder público pode tomar algumas
medidas de modo a reverter o quadro de “desestruturação” da cadeia produtiva do leite no
município de Arenópolis, dando particular atenção aos produtores de leite, como
financiamento subsidiado para que ele possa ter condições de adquirir os equipamentos
(ordenhadeira mecânica e tanque de resfriamento) e assim atender as novas exigências.

53

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PALACIN, L. História de Goiás. Et all (org). 6º edição. Goiânia. UCG, 1994
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Bonita – Caiapônia-Go. Monografia (Licenciatura em Geografia) – Curso de Geografia,
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MCT/CNPq/PADCT, Juiz de Fora: EMBRAPA-CNPGL, 1999.

56

APÊNDICES

57

APÊNDICE A

Roteiro de entrevista – proprietário de casa comercial em Arenópolis-GO
Data: _____/_________________/2010

Horas: _________________

1. Nome da empresa: ____________________________________________
2. Endereço: _____________________________________________________
3. Telefone: (____) ___________________________
4. Nome do entrevistado: ___________________________________________
5. Cargo que ocupa na empresa: ____________________________________
6. Descrição da(s) atividade(s) da empresa: ____________________________
7. Ano de fundação da empresa: ___________________________________
8. Número total de pessoas que trabalham na empresa: _________________
9. Qual é o percentual de distribuição das vendas desta empresa? Compradores da zona
urbana _______________________ %; compradores da zona rural ______________ %
10. Quais são as principais dificuldades atuais da empresa?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
11Quais
são
os
dias
de
melhor
movimento
empresa?_______________________________________________________

na

12- Você acha que a atividade leiteira contribui para a economia do município? Porque?
________________________________________________________

58

APÊNDICE B

Questionário aplicado aos produtores de leite do município de Arenópolis
1 - Dados sobre o produtor
1.1. Nome: ______________________________________________________
1.2. idade: ______________anos
1.3. Escolaridade:_________________________________________________
1.4. Município de origem: ___________________________________________
1.5. Nº de pessoas da família que residem no imóvel?____________________
1.6 Nº de pessoas/empregados: ____________________________________
1.7. Há quanto tempo é produtor de leite? _____________________________
1.8. Quais motivos o levaram a produzir leite? __________________________
1.9. Antes do leite praticava qual cultura? ______________________________
1.10. Seus filhos pretendem continuar com a atividade? Porque? ___________
_______________________________________________________________
2.1. Dados sobre a propriedade
Hectares ou Alqueires
2.2. área total da propriedade ___________________
2.3. área própria _____________________________
2.4. área tomada em arrendamento ______________
2.5. outros. Quais? __________________________
2.6. Propriedade Localizada no município de ________________________
2.7. Como adquiriu a propriedade? ( )herança ( ) compra ( ) posse ( ) assentamento ( ) outro,
qual? _______________________________________
2.8. Há quanto tempo possui a propriedade? ___________________________
2.9.Atividade principal da propriedade? _______________________________
2.10. Possui mais de uma propriedade rural? ( ) sim ( ) não. Se sim, quantas e onde se
localizam? _______________________________________________
2.11. A propriedade possui? ( ) curral ( ) silos ( ) barracão de leite ( ) tratores
3 – Utilização das terras
Hectares ou alqueires
3.1. lavouras permanentes _______________________________
3.2. lavouras temporárias ________________________________
3.3. pastagens _________________________________________

59

3.4. área em descanso __________________________________
3.5. área reflorestada ou veg. Nativa _______________________
4 – Atividade pecuária geral
Tipo
Nº de cabeças
4.1. Bovinos de corte
4.2. suínos
4.3. eqüinos
4.4. aves
4.5. outros

Destino da produção

5 – Características da atividade leiteira
5.1. Rebanho leiteiro
tipos

5.1.1.Vacas em lactação
5.1.2.Vacas secas
5.1.3. novilhas
5.1.4. Bezerros
5.2. Características técnicas da produção de leite
5.2.1. Qual a produção de leite no período da safra? _____________________
5.2.2. Qual a produção de leite no período da entressafra? ________________
5.2.3. Qual a idade média de desmame dos bezerros? ___________________
5.2.4. Quantas ordenhas realiza por dia? ______________________________
5.2.5. Qual a sua produção média/leite/vaca/dia? ________________________
5.2.6. A sua produção é entregue a que laticínio? _______________________
5.2.7. Anteriormente entregava para qual laticínio?_______________________
5.2.8. Qual o motivo que o leva a entregar para este laticínio? ______________
_______________________________________________________________
5.2.9. Responsável pelo transporte ( ) produtor ( ) laticínio
5.2.10. Utiliza ordenhadeira mecânica? ( ) não ( ) sim
5.2.11. Quanto recebe pelo litro de leite? ______________________________
5.2.12. Qual a alimentação do rebanho leiteiro?
Época de seca: __________________________________________________
Época das aguas: ________________________________________________
5.2.13. Realiza inseminação artificial em suas matrizes?_________________
5.2.14. Fez algum tipo de financiamento para o leite? ( ) sim ( ) não
Quando (data/ano)? __________órgão/financiador: _____________________
5.2.15 Possui tanque de resfriamento na propriedade? ( ) sim ( ) não
Se sim, como adquiriu? ____________________________________________
Se não, pretende adquirir?porque? ___________________________________
5.2.16. O senhor produz e comercializa leite in natura? ( ) sim ( ) Não. Se sim,
onde? _________________________________________________________
Quantos litros/ produtos comercializa por dias? ________________________
6 – Características sócio-econômicas e opinião dos produtores de leite
6.1. O senhor gostaria que seus filhos continuassem com a produção de leite? Porque?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

60

6.2. Hoje, o que mais atrapalha o produtor obter melhores condições na atividade leiteira e o
que poderia ser feito para melhorar as condições dos produtores de leite?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________
6.4. Frente às novas perspectivas para o setor, como as novas exigências feitas ao produtor, o
senhor pensa em continuar com a atividade leiteira ou abandonar?
_______________________________________________________________

61

APÊNDICE C

Roteiro de entrevista aplicado aos dirigentes dos laticínios que atuam do município de
Arenópolis

Local: _____________________________ Data ________________________
Nome: _________________________________________________________
Cargo/função que realiza dentro da empresa: __________________________
1) Histórico da empresa
1.1) Razão social da empresa: ______________________________________
1.2) Data de fundação da empresa: __________________________________
1.3) Nome do (s) fundador (es): _____________________________________
1.4) Quais fatores motivaram a instalação da empresa no município? _______
_______________________________________________________________
1.5) A empresa recebeu algum tipo de incentivo da prefeitura para se instalar no município?
De que tipo? _________________________________________
_______________________________________________________________
1.6) Como funciona a empresa?(divisão: unidades, áreas ou setores como funciona cada uma)
_______________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________
1.7) Número de funcionários_________masculino _____ feminino__________
1.8) Quantos fornecedores/produtores possuem? _______________________
1.9) Possuem critérios para a classificação dos produtores em pequenos, médios e grandes?
Quais critérios utilizam? Tamanho do rebanho, da propriedade ou pela quantidade de litros de
leite entregue? ________________
_______________________________________________________________
1.10) Como é feito o pagamento ao produtor? Existe diferença na
safra/entressafra?_________________________________________________
_______________________________________________________________
1.11) Quem arca com os custos de transporte até o laticínio, o produtor ou a empresa?
_______________________________________________________
_______________________________________________________________
2) Produção/consumo/tecnologia
2.1) Capacidade de processamento diário: ____________litros/dia
2.2) Quantidade Média processada ________________litros/dia

62

2.3) Procedência do leite processado: _____% do próprio município; _______% de
municípios da região; ________% de outros locais (de onde ) ___________
2.4) Produz derivados do leite? Quais produtos?__________________
Quantos % __________
2.5) Número de Funcionários: Total __________________________________
2.6) Mão-de-obra não qualificada _____ Nível médio _____ Nível Superior ___
2.7) A empresa atua em outros ramos de atividade? ( ) Sim ( ) Não Se sim, em quais?
_________________________________________________________
2.8) Qual é o nível tecnológico médio da pecuária regional? ( ) Elevado ( ) Médio ( ) Baixo.
Por que?___________________________________________
2.9) Qual época do ano a empresa atua com a capacidade máxima?_________
2.10) Qual a quantidade de leite que a empresa capta no município de Arenópolis?
________Na safra __________% na entressafra ___________%
3) Principais problemas/ financiamentos/ perspectivas
3.1)
Quais
as
principais
dificuldades
encontradas
pela
empresa
atualmente?_____________________________________________________
3.2) A empresa mantém outras atividades além da produção de leite?. Quais e
porque?________________________________________________________
3.3) A empresa já utilizou de algum tipo de financiamento de bancos privados ou públicos?
(sim, para que foi utilizado? Não: porque?) __________________
_______________________________________________________________
3.4 A empresa realiza empréstimos ou financiamentos a seus fornecedores, ou atua como
intermediário entre os produtores e os órgãos financiadores? _____
_______________________________________________________________
3.5 Quais são os planos a curto prazo da empresa? _____________________
_______________________________________________________________
3.6) Como a empresa encara este processo de “modernização” do setor lácteo nacional?
Levando em conta este processo, as perspectivas são boas ou más para a empresa?
_________________________________________________
_______________________________________________________________