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064/DESACOPLAMENTO-DE-CARGAS-SENSIVEL-ELATENTE.ASPX
AR CONDICIONADO
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Desacoplamento de cargas sensível e latente
Conceito pode trazer economia de energia
postado em: 15/07/2014 12:41 hatualizado em: 15/07/2014 13:02 h

Sistema trata o ar externo que vai ser introduzido no ambiente, resfriando-o e desumificando-o
(crédito: Divulgação Petros)

O sistema de climatização de uma edificação, quando bem dimensionado, tem a capacidade de
remover a carga térmica total desta, a fim de manter sob controle, não só a temperatura do ar,
mas também a umidade relativa, já que o conforto dos ocupantes está diretamente relacionado
à combinação destas duas grandezas, dentre outras, como nível de atividade, vestimenta,
temperatura média radiante e velocidade do ar na zona ocupada.
Parte desta carga térmica é gerada internamente ou penetra de fora para dentro do ambiente
condicionado, chamada de carga térmica interna e parte dela entra no sistema, porém não
através do ambiente e sim no caminho do retorno do ar e com o ar admitido para higienização,
ou seja, o ar externo. Em ambientes de uso para conforto, a carga térmica interna é
fundamentalmente formada por calor sensível. A parcela do calor latente é gerada normalmente
pelos ocupantes e quando comparada com a parcela da carga térmica latente externa, é bem
pequena. Logicamente que ambientes com acúmulo de pessoas, como restaurantes, devem
ser considerados caso a caso.
“Chamamos de desacoplamento quando equipamos as instalações com um sistema para tratar
o ar externo que vai ser introduzido no ambiente, resfriando-o e desumificando-o, antes de
entrar nos sistemas de climatização dos ambientes. Desta forma, os sistemas dos ambientes

sendo processada com água gelada a 7. como melhorias na qualidade do ar interior. de forma que estes equipamentos ficam mais fáceis de serem higienizados. ou seja. Por outro lado.têm a função somente de tirar a carga térmica interna. Do ponto de vista energético. como para reposição da água evaporada nas torres de arrefecimento. Segundo ele. Logo. se for acionado pela temperatura de bulbo seco o equipamento irá operar removendo simultaneamente calor sensível de 60% a 70% (variação de . Requisitos de aplicação Para Oswaldo de Siqueira Bueno. as unidades de tratamento do ar externo de renovação precisam operar com temperaturas de água gelada menores. pois para cada 1. e reduz os custos para reaproveitamento da água que se condensa nas serpentinas dos equipamentos de ar condicionado. não apenas o seu próprio). engenheiro de aplicação da Indústrias Tosi. sejam com self-containeds ou com equipamentos VRF ou splits. Como a maior demanda de água gelada / carga térmica ocorrerá nas unidades de média temperatura. diretor da Oswaldo Bueno Engenharia e membro do Comitê Editorial da revista Abrava Climatização+Refrigeração. informa Marcos Santamaria Alves Corrêa. operando as unidades de tratamento de ar externo de renovação com água gelada. cujo predomínio é de calor sensível”. deixando as unidades de resfriamento dos ambientes com a responsabilidade de remover apenas calor sensível. para o próprio sistema. e maior formação de condensado. seu consumo específico (kW / TR) diminui em cerca de 4%. a de baixa temperatura para as unidades de tratamento do ar externo de renovação e as de média temperatura para as unidades de recirculação do ar dos ambientes. terá consumo de energia menor do que um sistema que opere com 100% da carga. o consumo de energia elétrica será reduzido. um sistema em que 65% da carga seja processada com água gelada a 10ºC (unidades de recirculação para remoção de calor sensível). resfriamento e desumidificação) do ar externo de renovação. este conceito pode ser aplicado tanto em sistemas de expansão indireta (água gelada) puros. O desacoplamento das cargas sensível e latente pode trazer tanto economia de energia para os sistemas de ar condicionado. “Ao promovermos toda a remoção do calor latente dos ambientes através do tratamento (filtragem. Por responderem por apenas uma pequena porcentagem do número total de equipamentos. diretor da Klimatu Engenharia.0ºC que aumentamos a temperatura de saída de água gelada dos chillers.0ºC”. o que inibe a formação de biofilmes nas serpentinas e bandejas de condensação. como em sistemas híbridos de expansão direta e indireta. o sistema de ar condicionado mais usado é de controle da carga sensível através da temperatura de bulbo seco do ambiente (ou do retorno do ambiente). e as unidades internas de recirculação com expansão direta. explica Wili Colloza Hoffmann.0ºC (unidades de tratamento de ar externo para remoção tanto de calor sensível como de todo o calor latente. estas passam a operar de forma seca. e apenas 35% com água gelada a 4. isto também viabiliza economicamente a utilização de sistemas de luz ultravioleta nestes poucos equipamentos para também inibir a formação de biofilme nos mesmos. às vezes. passamos a operar com pelo menos duas temperaturas distintas de água gelada.

o resultado é correto com a remoção de ambas na quantidade ideal. “Temos assim duas condições distintas para o controle do calor sensível e do calor latente. Bueno ressalta ainda que é importante lembrar também que existem duas condições externas de projeto: a temperatura de bulbo seco máxima e a temperatura de bulbo úmido coincidente – máxima carga sensível. ou seja. simultâneos para a cidade de São Paulo conforme apresentado por Lew Harriman. nesta condição. controle da carga latente através da vazão de ar e do ponto de orvalho do ar a ser insuflado. O problema está quando a carga sensível é reduzida. mostrando que os valores de alta umidade são bem mais comuns que os de baixa umidade. apresentada na Tabela 1. Em resumo.temperatura) e calor latente de 40% a 30% (variação do conteúdo de vapor de água no ar) do calor total do equipamento. Isto aparece de forma clara e com ênfase para a desumidificação na definição dada por Willis Carrier no início do século 20: ‘Ar Condicionado é o controle da umidade do ar. explica Bueno. se não houver a carga sensível. palestrante do 3º Seminário de Qualidade do Ar em São Paulo. representa os valores da temperatura de bulbo seco e de umidade relativa do ar. “É muito importante caracterizar o ar condicionado a partir dos parâmetros efetivamente controlados. mas a carga latente interna ou do ar externo é mantida e o controle é somente pela temperatura de bulbo seco”. a seleção do equipamento é feita para a carga térmica sensível e latente de projeto e. Somado ao controle de umidade está o controle da temperatura aquecendo ou refrigerando o ar. Na verdade. a purificação do ar pela lavagem ou filtragem e o controle da movimentação do ar e da ventilação’”. e a temperatura de bulbo úmido máxima e a temperatura de bulbo seco coincidente – máxima carga latente. A Carta Psicrométrica. promovido pelo Chapter Brasil da ASHRAE. para a mesma vazão de insuflação a temperatura de insuflação coincide com a temperatura de ponto de orvalho. menor carga sensível interna e ou do ar externo. . Segundo ele é importante considerar a possibilidade de usar dois equipamentos distintos ou um único equipamento com dois processos distintos. o controle da carga sensível através da vazão de ar e o seu diferencial de temperatura. tanto aumentando ou reduzindo o seu conteúdo de umidade. não há remoção da carga latente.

Misturar o ar de retorno com o ar externo para insuflar a quantidade de ar necessária no ambiente. É preciso inicialmente separar os valores de carga térmica sensível e latente interna e externa em uma instalação de conforto para escritórios conforme a Tabela 2.Controlar o calor sensível interno. Conforme podemos notar.Filtrar o ar do ambiente para reduzir a quantidade de material particulado gerado no próprio ambiente. . necessitando um sistema de condicionamento de ar que possa remover de forma independente o calor sensível e o calor latente”. Ele explica que a aplicação poderá ser feita com sistema dedicado de tratamento do ar externo com a função de: . . . a carga externa se caracteriza pela maior parcela de calor latente (20%) e a maior carga sensível está com a carga interna de 60% e que podem não ocorrer de forma simultânea. dentre outros.Filtrar o ar externo para reduzir a quantidade de material particulado em suspensão no ar externo. diz Bueno.Controlar a temperatura do ponto de orvalho do ar externo. por exemplo.“A recomendação é que o projeto seja feito com a condição de máxima temperatura de bulbo úmido e com o bulbo seco coincidente. . representando uma maior carga latente para o projeto. para a remoção da carga de calor latente externo e interno (se possível). .Suprir a vazão de ar externo necessária para a diluição dos contaminantes como CO 2. Para a unidade interna ficam as funções de: .

outras aplicações industriais. informa o diretor da Klimatu. ou vazão de ar variável e temperatura de insuflação constante (vazão de ar variável). Com isso é possível utilizar níveis de temperatura nos sistemas de resfriamento que vai retirar boa parte do calor da edificação à temperatura mais alta. com várias vantagens. não pelo aspecto conceitual. afirma Bueno. A remoção do calor sensível nestes casos poderá ser feita por sistemas de vigas. mesmo naquelas em que a geração de calor latente interna é grande. mas sim pela dificuldade de distribuir o ar externo tratado para os sistemas de climatização dos ambientes. já que as grandes variações de carga se dão pela variação das condições climáticas (do ar externo) e neste conceito serão “retificadas” pelo sistema de tratamento do ar externo. com necessidade contínua de remoção do calor sensível. com fluidos resfriados a uma temperatura mais alta. paredes e pisos frios. suprindo os sistemas internos com ar sempre na mesma condição (seco e frio).A unidade de ar interno poderá trabalhar com vazão de ar constante e temperatura de insuflação variável (convencional). A estabilidade das condições internas de temperatura e umidade relativa. isto possibilita a utilização de sistemas com coeficiente de performance (COP) bem mais vantajosos. Os sistemas. não existe a necessidade de temperaturas tão baixas. Acredito que em qualquer outra instalação de porte significativo (acima de 10 kW) ou para uso coletivo e público é recomendado remover a carga sensível e a carga latente com processos distintos”. “Existem alguns aspectos físicos de posicionamento dos climatizadores que podem limitar a sua aplicação. ou parte do sistema de resfriamento para temperatura mais baixa para promover a desumidificação. Mesmo com climatizadores. onde as vantagens de desacoplar a carga sensível da carga latente não sejam mandatórias. Ana Paula Basile Pinheiro . será somente para suprir os sistemas de tratamento de ar externo”. Vejo várias vantagens da utilização deste conceito. “Este conceito é ideal para ser utilizado em instalações com elevada carga térmica sensível interna e reduzida vazão de ar externo como Centros de Processamento de Dados (Data Center) ou. Já Hoffmann diz que este conceito pode ser aplicado em qualquer instalação.Editora da revista ABRAVA Climatização+Refrigeração .