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Professores voltam à rua em sete cidades para lembrar ao Governo que as "divergências" se mantêm
22.04.2008, André Jegundo e Sandra Ferreira

Os professores voltaram ontem à rua em sete cidades da Região Centro com o objectivo de mostrar ao Governo que, apesar do entendimento alcançado em torno do processo de avaliação, continuam descontentes com as políticas para o sector. "Queremos deixar claro que o entendimento respondeu a problemas imediatos mas que as divergências de fundo se mantêm", justificou Mário Nogueira, dirigente da Fenprof, que ontem marcou presença nas concentrações de Leiria e de Coimbra. Esta foi a segunda edição das "segundas-feiras de protesto" que vão acontecer ao longo do terceiro período escolar, e que arrancaram na semana passada no Porto. Depois da Região Centro, estão marcadas novas manifestações para Lisboa, no dia 28 de Abril, e na região Sul e nas regiões Autónomas a 5 de Maio. De acordo com a Fenprof, os protestos realizados ontem em Castelo Branco, Guarda, Viseu, Lamego e Leiria, que aconteceram durante tarde, reuniram ao todo cerca de duas mil pessoas. Mais tarde, durante a noite, tiveram lugar as manifestações de Coimbra e Aveiro. Mário Nogueira classificou a adesão dos professores como "razoável" tendo em conta que "o pico da contestação aconteceu em Março". O dirigente da Fenprof acrescentou ainda que estes encontros têm também permitido à estrutura sindical "explicar melhor" aos professores o memorando de entendimento que foi assinado com o Ministério da Educação, isto apesar de Mário Nogueira defender que "são poucos os docentes que estão contra o acordo". "Nós respeitamos esses professores mas o que dizemos é que se não assinássemos este entendimento então era todo o modelo de avaliação que entrava em vigor já neste ano", declara, acrescentando que a Fenprof vai realizar reuniões com os professores nas escolas para continuar a debater o acordo. Ontem, em Viseu, o protesto reuniu cerca de 150 professores junto ao Governo Civil, onde discursaram os sindicalistas. Francisco Almeida, dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro, admitiu que a mobilização dos docentes foi menor do que a registada noutras alturas, acrescentando, no entanto, "que não se trata de um momento baixo, mas de um momento diferente" na contestação. "Vencida a primeira batalha, alguns professores podem considerar agora a sua participação menos importante", declara. Após o entendimento entre os sindicatos e o ME, Almeida defende que o "descontentamento dos professores se mantém" por causa do "novo modelo de gestão escolar", da "prova de ingresso na profissão" e do "encerramento das escolas". Dirigindo-se para os professores, Almeida lembrou ainda que o entendimento entre os sindicatos e o Governo foi largamente apoiado pelos professores.

http://jornal.publico.clix.pt/main.asp?dt=20080422&page=10&c=A

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