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T O R A H (PENTATEUCO) - Símbolos

Judaicos
CAPÍTULO 1: O que é Torah?
A grande maioria de vocês me responderia esta pergunta da seguinte
forma: "Torah é a palavra hebraica, cuja tradução é Lei."
E alguns outros também falariam: "Nós hoje não estamos mais
debaixo da Lei, mas sim debaixo da graça".
Se você é um indivíduo que responderia dessa maneira, peço que por
um instante deixe todo preconceito de lado, e faça comigo uma análise
minuciosa e completa do que vamos explanar daqui para frente. Seja
como os Bereanos, que ao ouvirem o discurso do Rav. Shaul (apóstolo
Paulo) deixaram todo o preconceito e foram minuciosamente examinar
as Escrituras, para ver se o que era pregado era verdade (ver Atos
17.11,12).
Um dos maiores equívocos e erros da grande maioria dos crentes
atuais é com respeito à Torah.
Para começar, deve ficar claro que Deus sempre salvou e salvará
indivíduos em todas as épocas pela graça, por meio da fé.
Bereshit (Gênesis) 6.8 8 Noé, porém achou GRAÇA aos olhos do
Senhor.
Em Efésios 2.8 lemos que somos salvos pela graça, por meio da fé. E
a seguir o versículo continua dizendo que a salvação não é pelas
obras, ou seja, a obediência aos mandamentos não traz salvação. No
entanto, o trecho continua, dizendo no versículo 10 que depois que
somos salvos, feitos nova criação em Yeshua HaMashiach (Jesus
Cristo), devemos andar nas boas obras preparadas por Deus, ou seja,
devemos andar em total obediência à Palavra Escrita de Deus e aos
comandos de Ruach HaKodesh (o Espírito Santo).

Vamos fazer um parêntesis por um instante para introduzir o conceito
bíblico de Torah.
Olhando para as versões bíblicas em português, vamos perceber que
a palavra Torah, foi traduzida por "Lei". No entanto, analisando o
hebraico original em que a Tanakh foi escrita, percebemos que esta
tradução não é somente pobre, como também não representa o maior
significado da palavra no original.
A palavra "lei" carrega um sentido negativo que transmite a idéia de
legalismo, peso e jugo. O mesmo pode-se dizer da tradução
corrrespondente da maioria das versões inglesas: "law". E uma das
influênciadoras destas traduções equivocadas é a Vulgata Latina de
Jerônimo, em que a palavra Torah é traduzida erradamente por "lex".
Qual é o significado de Torah então?
A palavra Torah (Strong’s number 8451) deriva da palavra hebraica
Yarah, que quer dizer ensinar, instruir, apontar para o alvo, estabelecer
uma fundação.
Assim, podemos afirmar que a palavra Torah fala da INSTRUÇÃO e
ENSINO de Deus ao seu povo, que deve ser recebida e praticada por
cada um de nós DEPOIS que somos salvos.
Assim, somos salvos pela graça, por meio da fé em Yeshua
HaMashiach, mas DEPOIS que somos salvos, devemos crescer no
conhecimento e prática da Torah (Instrução, Ensino) de Deus para as
nossas vidas.
É evidente que nunca foi o propósito de Deus dar a Torah para a
salvação. A salvação foi e sempre será através de Yeshua
HaMashiach. Mas DEPOIS que somos salvos, temos que andar nas
boas obras que Deus preparou para que nós andássemos nelas, ou
seja, temos que crescer no conhecimento e na prática da Torah.
Resumindo:
Yeshua = Salvação. Torah = Instrução, depois que sou salvo.

A Torah é a Palavra de Deus
Para o leitor ocasional, pode-se achar que Torah refere-se somente
aos cinco livros de Moisés (o Chumach) ou então a aliança que Deus
fez no Sinai.
No entanto, embora a Torah também englobe estes conceitos (e seja
usada em alguns versículos da Bíblia referindo-se especificamente a
isso), ela na realidade é mais ampla do que somente estes
significados.
Isaías 2.3
3 De Sião sairá a Torah, e de Jerusalém a Palavra de YHWH (YHWH é
o tetragrama com a transliteração das quatro letras hebraicas que
compoem o nome de Deus. Na ARA este nome é traduzido por
SENHOR).
Observe o paralelismo:
Sião = Jerusalém.
Torah = Palavra de YHWH. (IAVÉ)
Na realidade, olhando o original hebraico vemos que Deus diz que
Abraão guardou e obedeceu a sua Torah, ou seja, se Torah fosse
somente o que foi estabelecido no Sinai, teríamos uma contradição
aqui:
Bereshit (Gênesis) 26.5
5 porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu
mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e a minha Torah.
Resumindo: toda a Palavra de Deus é Torah. A Torah é de Gênesis a
Apocalipse. A Torah é TODO o conselho de Deus.
Neste ponto você poderia se perguntar então: Então o "Novo
Testamento" também é Torah?

B’rit Hadasha também é Torah
Sim, B’rit Hadasha (o termo hebraico que é traduzido erradamente por
"Novo Testamento" - em breve explicaremos porque) também é Torah:
Jeremias 31.31-33
31 Eis que os dias vêm, diz YHWH, em que farei B’rit Hadasha com a
casa de Israel e com a casa de Judá,
32 não conforme B’rit (aliança) que fiz com seus pais, no dia em que
os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, essa minha aliança
(B’rit) que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz
YHWH.
33 Mas esta é minha aliança (B’rit) que farei com a casa de Israel
depois daqueles dias, diz YHWH: POREI A MINHA TORAH NO SEU
INTERIOR, E A ESCREVEREI NO SEU CORAÇÃO; e eu serei o seu
Deus e eles serão o meu povo.
Note o contexto deste trecho. O povo havia invalidado a aliança pelo
pecado e desobediência, mas aqui é profetizado que Deus iria fazer
uma renovação de aliança com Israel, não para anular ou revogar o
que tinha sido estabelecido anteriormente, mas sim para confirmar,
ratificar e renovar a aliança anterior.
É interessante perceber que se Deus fez a aliança com Israel,
trazendo a Torah diante do povo em Shavuot (Pentecostes) (Ex 19 e
20), ele vai RENOVAR a aliança com o povo de Israel, trazendo agora
a Torah para o coração através do derramar de Ruach HaKodesh no
mesmo dia festivo de Shavuot (Atos 2).
Isso Ele teve que fazer pois embora a Torah seja boa, o homem não
tinha condiçõs de praticar a Torah por causa de sua natureza
pecaminosa. Mas, pelo sangue de Yeshua, a Renovação de Aliança é
estabelecida e agora tem-se condições de praticar a Torah, pois ela é
levada por Ruach HaKodesh para o coração daquele faz uma aliança
com Yeshua.
Resumindo:

Primeiro Shavuot (no Sinai): Torah entregue.
Segundo Shavuot (de Atos 2): Torah levada para o coração. B’rit
Hadasha (Renovação de Aliança) estabelecida.
[Nota: você já deve ser percebido que não é correto usar o termo
"Nova Aliança" para se referir ao "Novo Testamento", pois não é algo
"novo" que anula o que foi estabelecido anteriormente, mas que sim
ratifica e confirma o pacto anterior. Desse modo, o termo correto é
RENOVAÇÃO DE ALIANÇA.
Da mesma forma, a tradução de B’rit Hadasha por "Novo Testamento"
também está errada, pois não se trata de testamento e sim de aliança.
A causa deste erro está na influência da tradução de Jerônimo, a
Vulgata Latina, nas nossas versões bíblicas.
Em Hebreus 9.17,18, na maioria das versões portuguesas, inglesas e
na Vulgata, traduz-se a palavra grega diatheke, por testamento,
testament e testamentum. De fato, a palavra diatheke no grego tanto
pode significar aliança quanto testamento. No entanto, a
correspondente hebraica a diatheke é B’rit, que não significa
testamento, mas sim, aliança. Como o autor de hebreus está
pensando hebraicamente, ao usar diatekhe ele está pensando em B’rit
(aliança) e não em testamento.
De fato, basta analisar Hb 9.17,18 para se ver que o autor está falando
numa linguagem hebraica de aliança de sangue: Hb 9.17 diz que
quando uma aliança de sangue é estabelecida é necessário que seja
feita mediante uma morte sacrificial. Em Hb 9.18 diz que uma aliança
de sangue não tem valor senão pela morte do sacrifício, pois não está
de fato estabelecido enquanto o sacrifício não for morto e oferecido.
Conclusão da nota:
Termo errado: "Novo Testamento"
Termo certo: Aliança Renovada ou Renovação de Aliança = B’rit
Hadasha]

Voltando a falar agora sobre o fato de que B’rit Hadashah também é
Torah, vejamos dois trechos do livro de Hebreus:
Hebreus 10.15
15 Esta é a aliança (B’rit) que farei com eles depois daqueles dias diz
Adonai: POREI A MINHA TORAH NOS SEUS CORAÇÕES....
B’rit Hadasha não anula, mas sim confirma a Torah, pois leva a Torah
para o coração. Assim, todos os livros de B’rit Hadasha (de Mateus a
Apocalipse) também são Torah.
O segundo texto do livro de Hebreus que gostaria de analisar é Hb
8.6. Consultando este versículo no original grego, vemos o
aparecimento do verbo nomotheteô (Strong’s number 3549), composta
por sua vez de duas palavras: nomos=Torah e tithemi= colocar, por.
Esta palavra aparece somente duas vezes na B’rit Hadasha:
Em Hebreus 7.11 esta palavra é traduzida por "receber a Torah". Do
mesmo modo, o substantivo correspondente "nomothetês" é usado Tg
4.12 para se referir a Deus como "doador da Torah".
Assim, a tradução correta de Hb 8.6 do original grego seria:
Hebreus 8.6
6 Mas agora (Yeshua) obteve um ministério superior ao deles (aos
cohanim segundo a ordem de Levi), também porque é mediador de
uma aliança superior. POIS ESTA ALIANÇA FOI DADA COMO
TORAH, com base em superiores promessas.
Isto confirma Hb 10.15 colocando B’rit Hadasha também como Torah.
A posição de Yeshua diante da Torah de Moshe (Moisés)
Vamos analisar Mt 5.17. De acordo com a maioria de nossas
traduções em português lemos o seguinte em Mt 5.17: Não penseis
que vim destruir a lei e os profetas; não vim destruir, mas cumprir.

No entanto, veremos que esta tradução não corresponde ao que
Yeshua estava pretendendo dizer. Na realidade para ser um bom
intérprete e/ou tradutor da Palavra de Deus, dois requisitos são
indispensáveis:
É necessário PENSAR HEBRAICAMENTE.
Yeshua é judeu, viveu aqui na terra totalmente imerso no meio da
cultura judaica, transmitiu seus ensinos não em grego, mas sim em
hebraico, e muito mais do que isso, ensinou usando uma linguagem
simples, muitas vezes utilizando-se de expressões rabínicas
conhecidas pelo povo.
É por isso que não basta que o servo de Deus seja um bom
conhecedor do grego koinê para ser um bom intérprete/tradutor da
B’rit Hadasha. É preciso conhecer o hebraico e pensar hebraicamente,
sabendo fazer a ponte de ligação entre a palavra grega usada com a
correspondente no hebraico, usando-se no mínimo a Septuaginta.
Sem esta prática, teremos uma tradução que não corresponde
fielmente ao que queria-se ser transmitido no original.
Preciso olhar o CONTEXTO de todo o discurso e não um versículo
isoladamente.
Veremos que em ambos os casos, a referida tradução deste versículo
da maioria das Bíblias do inglês e do português é falha. A seguir
mostraremos qual deve ser a tradução correta.
Na realidade, Yeshua usa aqui uma expressão rabínica: quando um
rabbi interpretava errradamente a Escritura, um outro rabbi diria para
ele: "Você está destruindo a Torah". O que Yeshua quer dizer é que
Ele não veio invalidar, abolir ou revogar a Torah por meio de
interpretações erradas, mas sim trazer o significado pleno,
interpretando a Escritura no seu significado total.
E de fato é que análise do contexto nos diz. Ao dizer: "Ouvistes o que
foi dito...., eu porém vos digo...", Yeshua mostra ao ouvinte que muitas
vezes eles receberam um ensino com uma verdade parcial a respeito
de um trecho da Torah, no entanto Ele veio trazer o significado pleno,
enfatizando não somente a ação exterior, mas a interioridade da ação.

Por exemplo, os ouvintes tinham sido ensinados a respeito do
mandamento "Não adulterarás", que não adulterar e não cometer uma
relação exterior. No entanto Yeshua leva a interpretação ao seu
significado pleno quando diz que o mandamento só é plenamente
cumprido quando não há o pensamento interior de intenção impura.
Assim, teríamos a seguinte tradução correta de Mt 5.17: Não penseis
que vim abolir a Torah (por meio de interpretações erradas) ou os
profetas; não vim abolir, mas sim trazer o seu significado pleno
(através da interpretação correta).
A conclusão que tiramos deste trecho, é que a Torah de Moshe,
permanece de pé hoje e para sempre, pois nem mesmo um yod (a
menor letra do alfabeto hebraico) nem um taggim (o menor sinal do
alfabeto hebraico) passará da Torah.
A posição do Rav. Shaul diante da Torah de Moshe
A "teologia" vigente na mente da maioria dos crentes, é que Shaul
abandonou completamente a Torah de Moshe depois que recebeu
Yeshua como seu Mashiach.
Na realidade este falso conceito provém de uma série de má
interpretações de alguns versículos das epístolas paulinas, os quais
são erradamente atribuídos como se referindo à Torah.
No entanto, analisando a vida do apóstolo Shaul/Paulo, observamos
na Palavra de Deus a confirmação da sua fidelidade à Torah de
Moshe, DEPOIS de receber Yeshua em sua vida.
Vejamos abaixo uma série de trechos no livro de Atos que comprovam
tal afirmação:
1) Shaul pregava nas sinagogas, no Shabat:
Atos 17.2,3
2 Shaul, segundo o seu costume, foi procurá-lo, e por três sábados,
arrazoou com ele acerca das Escrituras,

3 expondo e demonstrando ter sido necessário que Mashiach
padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é
Mashiach, Yeshua, que eu vos anuncio.
2)Shaul tomou o voto de nazireu, de acordo com a Torah em Números
6.18.
Atos 18.18
18 Mas Shaul, havendo permanecido ali ainda muitos dias, por fim,
despedindo-se dos irmãos, navegou para a Síria, levando em sua
companhia Priscila e Áquila, depois de ter raspado a cabeça em
Cencréia, porque tomara voto.
3)Shaul foi a Jerusalém observar Shavuot
At 20.16
Porque Shaul já havia determinado não aportar em Éfeso, não
querendo demorar-se na Ásia, porquanto se apressava com o intuito
de passar o dia de Shavuot em Jerusalém, caso lhe fosse possível.
4) Cumpriu outro voto, incluindo com ofertas sacrificiais descritas na
Torah, e isso para mostrar a outros judeus que continuava fiel à Torah
de Moshe.
Atos 21 17-26
17 Tendo nós chegado a Jerusalém, os irmãos nos receberam com
muita alegria.
18 No dia seguinte, Shaul foi conosco encontrar-se com Yacov, e
todos os anciãos se reuniram.
19 E, tendo-os saudado, contou minuciosamente o que Deus fizera
entre os gentios por seu ministério.

20 Ouvindo-o, deram eles glória a Deus e lhe disseram: Bem vês,
irmãos, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram,
e todos são zelosos da Torah.
21 e foram informados a teu respeito que ensinas todos os judeus
entre os gentios a apostatarem de Moshe, dizendo-lhes que não
devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da
Torah.
22 Que se há de fazer, pois? Certamente saberão da tua chegada.
23 Faze, portanto, o que te vamos dizer: estão entre nós quatro
homens que, voluntariamente, aceitaram voto;
24 toma-os, purifica-te com eles e faze a despesa necessária para que
raspem a cabeça; e saberão que não é verdade o que se diz a teu
respeito; e que, pelo contrário, andas também, tu mesmo, guardando a
Torah.
25 Quanto aos gentios que creram, já lhes transmitimos decisões para
que se abstenham das cousas sacrificadas a ídolos, do sangue, da
carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas.
26 Então, Shaul, tomando aqueles homens, no dia seguinte, tendo-se
purificado com eles, entrou no templo, acertando o cumprimento dos
dias da purificação, até que se fizesse a oferta em favor de cada um
deles.
Aliás, a análise deste versículo é interessante diante do falso conceito
de que os milhares de milhares de judeus que iam recebendo Yeshua
como seu Messias abandonavam a Torah. Isso é falso diante de Atos
21.20, que afirma que eles se tornavam ainda mais zelosos pela Torah
de Moshe DEPOIS que recebiam Yeshua em suas vidas.
Atos 21.20
20 Ouvindo-o, deram eles glória a Deus e lhe disseram: Bem vês,
irmãos, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram,
E TODOS SÃO ZELOSOS PELA TORAH.

Tal conclusão é evidente diante de Mt 5.17 e pelo fato de que se agora
(depois que recebo Yeshua em minha vida) a Torah vai para o
coração, mais zeloso eu posso me tornar para praticá-la.
5) Declarou diante do Sanhedrin que era Parush (fariseu) (continuou
sendo mesmo DEPOIS de crer em Yeshua).
Atos 23.7
6 ...varões irmãos, EU SOU parush, filho de parushim...
Observe que Shaul não diz que FOI parush, mas sim que É parush.
6)Declarou a Festus, governador romano, que nada fizera nem contra
a Torah, nem contra o templo:
Atos 25.8
8 Shaul, porém, defendendo-se, proferiu as seguintes palavras:
Nenhum pecado cometi contra a Torah dos judeus, nem contra o
templo, nem contra César.
7) Declarou em Atos 28.17 que nada fez contra os costumes dos seus
pais:
Atos 28.17
17 Três dias depois, ele convocou os principais dos judeus e, quando
se reuniram, lhes disse: Varões irmãos, nada havendo feito contra o
povo ou contra os costumes paternos, contudo, vim preso desde
Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos;
CAPÍTULO 2: Interpretações erradas com respeito a posição de Shaul
diante da Torah
Conforme falamos no capítulo anterior, a Torah é toda a Palavra de
Deus, e não foi revogada pela B´rit Hadasha, pelo contrário foi
confirmada e ratificada.

Vimos que Yeshua veio trazer o pleno significado à Torah e que Shaul
continuou vivendo e praticando a Torah de Moshe DEPOIS de ser
salvo.
Antes de falarmos dos trechos com respeito as declarações de Shaul
erroneamente interpretadas como se referindo à Torah, queremos ver
alguns versículos que confirmam o que vimos no capítulo anterior:
1 TIMÓTEO 1:8
8 Sabemos, porém, que a Torah é boa, se alguém dela se utiliza de
modo legítimo,
ROMANOS 7.12
12 Por conseguinte, a Torah é santa; e o mandamento, santo, e justo,
e bom.
Segundo Shaul, a Torah é boa e santa. Não há nenhum problema com
relação à Torah. Ela é para ser vivida e praticada, e conforme veremos
abaixo, viver a Torah não é um jugo, pelo contrário é um deleite.
Na realidade, o problema não está do lado da Torah (que é o lado de
Deus), o problema está do lado humano, em suas fraquezas e
incapacidades de ser um praticante da Torah pelas suas próprias
forças (a enfermidade está na natureza pecaminosa do homem não
nascido de novo, e não na Torah). A falta de entendimento deste
conceito leva a uma série de distorções de interpretação nas
afirmações de Shaul em sua epístolas.
Além disso, o problema também não está do lado de Deus, que deu a
Torah para ser vivida e obedecida DEPOIS que recebemos a salvação
em Yeshua. O problema está do lado humano, que introduziu uma
distorção legalista da Torah (as “obras da lei” - ergon nomos), que via
a obediência à Torah como o MEIO para a salvação, o que JAMAIS foi
o propósito de Deus, pois a salvação SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ
através da pessoa bendita de Yeshua HaMashiach.
O salmista e a Torah

É interessante notar que o maior Salmo da Palavra de Deus (o 119)
tem como tema principal a própria Torah. De fato, a palavra Torah
(Strong’s number 08451) aparece 25 vezes neste Salmo.
E isso não pode passar desapercebido pois 25 = 5 x 5, e cinco é o
número da GRAÇA. Temos aqui a relação entre a GRAÇA e a TORAH.
Na realidade, a própria revelação da Torah por Deus é uma
manifestação da sua graça.
E a graça é manifesta de maneira mais abundante ainda, na pessoa
de Yeshua HaMashiach, que mediante B´rit Hadasha confirma a Torah
trazendo a graça necessária para praticar a Torah, levando-a para o
coração.
Vejamos então os versículos do Sl 119:
SALMOS 119:1 Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho,
que andam na Torah de YHWH.
Você quer ser bem-aventurado (bem-sucedido, mais do que feliz)?
Então aprenda a andar (praticar, viver) todo o conselho da Torah de
YHWH. Há uma promessa de bem aventurança para toda aquele que
anda na Torah (idem para Sl 1.1,2)
SALMOS 119:18 Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as
maravilhas da tua Torah .
Esta é a oração que temos que fazer por nós mesmos e pelo povo de
Deus: pedir REVELAÇÃO de toda a Torah.
SALMOS 119:29 Afasta de mim o caminho da falsidade e ensina-me
graciosamente a tua Torah.
Este versículo é tremendo. O salmista está dizendo que a Torah é
dada ao homem como manifestação da graça de Deus. A palavra
“graciosamente”, traduzida na ARA por “favorece-me” (de receber
favor e graça) no hebraico é hanan (Strong’s number 2603) é quer
dizer mostrar graça, favor e misericórdia.

Deus mostra sua graça ao homem em dar-lhe a Torah para que
aprenda o caminho de felicidade e bem-aventurança.
SALMOS 119:34 Dá-me entendimento, e guardarei a tua Torah ; de
todo o coração a cumprirei.
Novamente aqui a oração por revelação da Torah. Na realidade, não
se pode viver a Torah em sua plenitude sem a revelação da Torah em
sua plenitude.
SALMOS 119:44 Assim, observarei de contínuo a tua Torah , para todo
o sempre.
SALMOS 119:51 Os soberbos zombam continuamente de mim;
todavia, não me afasto da tua Torah .
SALMOS 119:53 De mim se apoderou a indignação, por causa dos
pecadores que abandonaram a tua Torah .
SALMOS 119:55 Lembro-me, YHWH, do teu nome, durante a noite, e
observo a tua Torah .
SALMOS 119:61 Laços de perversos me enleiam; contudo, não me
esqueço da tua Torah .
Este versículo traz a condição para não ser enlaçado pelo inimigo: não
se esquecer da Torah. Assim como no tempo do rei Josias ela esteve
esquecida no interior do Templo até que foi redescoberta, durante
séculos a Torah foi negligenciada e esquecida pelos crentes (que são
templo de Ruach HaKodesh), mas nesta última hora do tempo do fim,
Deus tem levado o seu povo a redescobrir e a viver a Torah em seu
pleno significado.
SALMOS 119:70 Tornou-se-lhes o coração insensível, como se fosse
de sebo; mas eu me comprazo na tua Torah
Querido leitor, a Torah de Adonai tem sido o seu prazer?
SALMOS 119:72 Para mim vale mais a Torah que procede de tua boca
do que milhares de ouro ou de prata.

SALMOS 119:77 Baixem sobre mim as tuas misericórdias, para que eu
viva; pois na tua Torah está o meu deleite.
Não pense você leitor que praticar a Torah é um jugo, o salmista está
dizendo que vivê-la é um deleite.
SALMOS 119:85 Para mim abriram covas os soberbos, que não
andam consoante a tua Torah .
SALMOS 119:92 Não fosse a tua Torah ter sido o meu deleite, há
muito já teria eu perecido na minha angústia.
SALMOS 119:97 Quanto amo a tua Torah ! É a minha meditação, todo
o dia!
SALMOS 119:109 Estou de contínuo em perigo de vida; todavia, não
me esqueço da tua Torah.
SALMOS 119:113 Aborreço a duplicidade, porém amo a tua Torah .
SALMOS 119:126 Já é tempo, YHWH, para intervires, pois a tua Torah
está sendo violada.
SALMOS 119:136 Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque
os homens não guardam a tua Torah .
SALMOS 119:142 A tua justiça é justiça eterna, e a tua Torah é a
própria verdade.
SALMOS 119:150 Aproximam-se de mim os que andam após a
maldade; eles se afastam da tua Torah .
SALMOS 119:153 Atenta para a minha aflição e livra-me, pois não me
esqueço da tua Torah .
SALMOS 119:163 Abomino e detesto a mentira; porém amo a tua
Torah .

SALMOS 119:165 Grande paz têm os que amam a tua Torah ; para
eles não há tropeço.
SALMOS 119:174 Suspiro, YHWH, por tua salvação; a tua Torah é
todo o meu prazer.
Diante do exposto, vemos que a Palavra de Deus apresenta a Torah
sempre no sentido positivo, e jamais com uma conotação negativa.
Assim, quando Rav. Shaul fala da Torah na B´rit Hadasha (usando a
palavra grega nomos) ele tem em mente a mesma conotação positiva
do salmista no Salmo 119 (ver por exemplo os versículos já citados: I
Tm 1.12 e Rm 7.8).
A má interpretação é causada no entanto, quando Rav. Shaul usa as
expressões compostas no grego ergon nomos e hupo nomos,
traduzidas respectivamente na ARA por “obras da lei” e “debaixo da
lei”. Analisando os versículos em que elas apararecem percebemos
que as mesmas são usadas no sentido negativo, e assim não se
referem à Torah, que é vista como santa e boa.
Na realidade fazendo uma análise detalhada destes versículos,
percebemos que hupo nomos se refere não à Torah mas sim a uma
perversão legalista da Torah, que estabelece a obediência à Torah
como condição sine qua non para a salvação, anulando pois a obra
redentora do Messias Yeshua.
Conforme já comentado, a Torah jamais foi dada para a salvação, mas
sim para ser obedecida DEPOIS de sermos salvos por Yeshua. A
conclusão que chegamos é que Shaul nunca combateu à obediência à
Torah (o que já foi provado anteriormente), mas sim toda distorção e
perversão legalista da mesma.
Da mesma maneira, ergon nomos se refere à prática legalista da Torah
visando a salvação.
Resumindo,
·
hupo nomos: Fala do sistema legalista que estabelece a
obediência a Torah como condição para a salvação.

·
ergon nomos: fala da obediência legalista à Torah, como meio
para ser salvo.
Apresentamos a seguir como exemplo em alguns versículos da B´rit
Hadasha, a melhor tradução para ergon nomos e hupo nomos do que
“obras da lei “ e debaixo da lei”, respectivamente:
ROMANOS 3:20 visto que ninguém será justificado diante dele por
observância legalista da Torah, em razão de que pela Torah vem o
pleno conhecimento do pecado (ela mostra as pessoas o quão
pecadoras elas são, e portanto as leva à necessidade de salvação, a
assim a irem ao Messias Yeshua).
ROMANOS 3:28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé,
independentemente da observância legalista da Torah.
GÁLATAS 2:16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado pela
observância legalista da Torah, e sim mediante a fé em Yeshua
HaMashiach, também temos crido em Yeshua HaMashiach, para que
fôssemos justificados pela fé no Messias e não por observância
legalista da Torah, pois, por observância legalista da Torah, ninguém
será justificado.
GÁLATAS 3:2 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito
pela observância legalista da Torah ou pela pregação da fé?
GÁLATAS 3:5 Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera
milagres entre vós, porventura, o faz pelas observância legalista da
Torah ou pela pregação da fé?
GÁLATAS 3:10 Todos quantos, pois, são das observância legalista da
Torah estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo
aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da
Torah, para praticá-las.
ROMANOS 6:14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois
não estais debaixo de um sistema legalista, e sim da graça.
ROMANOS 6:15 E daí? Havemos de pecar porque não estamos
debaixo de um sistema legalista, e sim da graça? De modo nenhum!

CAPÍTULO 3: Compreendendo Atos 15
Nos capítulos anteriores, vimos que a Torah é todo o conselho da
Palavra de Deus e que deve ser praticada e vivida tendo como base e
fundamento a salvação em Yeshua HaMashiach.
Vimos também que Rav. Shaul jamais se opos à obediência à Torah,
mas sim a toda distorção legalista da mesma, que estabelecia uma
obediência legalista à Torah como caminho para a salvação.
Neste capítulo, continuaremos a falar do mesmo assunto, analisando o
capítulo 15 do livro de Atos.
Como ponto introdutório, gostaríamos de destacar que Yeshua e seus
primeiros seguidores eram judeus. Eles nasceram, cresceram em
Eretz Israel, tendo a Escritura (a Tanakh) como regra de fé e prática.
Na realidade, os Evangelhos (basar) são livros cujo pano de fundo é
totalmente judaico, pois tudo se passa como CUMPRIMENTO a todas
as profecias da Tanakh.
Dessa forma, os primeiros discípulos de Yeshua não estavam criando
algo "novo", mas sim dando pleno cumprimento ao que já existia,
levando a fé bíblica para a sua plenitude em Yeshua. Assim, não
houve afastamento da Tanakh (com o Templo, o Shabat, as festas, a
sinagoga, etc), pelo contrário eles se tornavam ainda mais zelosos
pela Torah quando se convertiam a Yeshua (At 21.20).
Os primeiros seguidores de Yeshua [chamados de o Caminho (At 9.2;
19.9, 22.4, etc), ou Nazarenos(At 24.5)], eram vistos como uma das
vertentes do judaísmo que se reunia na sinagoga [juntamente com os
P'rushim (fariseus), Tz'dukim (Saduceus), etc].
A questão que entra em cena agora alguns anos depois, do derramar
de Ruach HaKodesh em Atos 2, é com relação aos gentios que
estavam se convertendo a Yeshua. Quais seriam os parâmetros e
linhas mestras básicas que deveriam ser estabelecidas, para o

enxertar dos discípulos das nações na oliveira de Israel? Será que
estes teriam que se circuncidar? Será que deveriam se tornar judeus?
Temos que entender o contexto do Assembléia de Yerushalayim
(Jerusalém)(relatado em Atos 15) é judaico. Foi uma assembléia
solene dos líderes crentes em Yeshua (que eram judeus) para
estabelecer o que deveria ser exigido dos gentios que estavam se
convertendo, e quais seriam os primeiros passos de sua fé em
Yeshua.
Lembrando que os gentios vinham de uma cultura pagã com total
alienação e ignorância da Tanakh, o que foi decidido aqui (em Atos
15.20), tratava dos requisitos mínimos para que a comunhão com os
judeus crentes na sinagoga fosse iniciada:
1.
Abstinência das contaminações dos ídolos (comida sacrificada
aos ídolos, e por extensão, abandono de toda a forma de idolatria).
2.
Abstinência da prostituição (todo o tipo de relação física/mental
pré-conjugal ou extra-conjugal).
3.
Abstinência de comer sangue (o que vale também em se comer
carne de animais cujo sangue não foi vertido, mas foram mortos por
sufocamento).
Na realidade, temos aqui os primeiros passos do andar com Deus pós
conversão. Isso é só para o começo, pois não podemos imaginar que
alguém atinja a maturidade espiritual só praticando estes princípios
básicos e iniciais.
No entanto, o que o Assembléia de Yerushalayim deixa claro, é que os
gentios convertidos deveriam crescer espiritualmente, por meio do
estudo e aprendendizado da Torah. As reuniões da sinagoga, onde a
Torah era ensinada, trariam as condições para este aprendizado. Isso
está claro em Atos 15.21: Porque Moshe tem, em cada cidade, desde
tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todo
Shabat.
O crescimento espiritual é algo que demanda tempo. Por isso, os
judeus crentes foram exortados a não pertubarem os novos

convertidos das nações, mas sim terem paciência com eles, deixando
que o tempo e o contato com a Torah na sinagoga produzisse todas as
mudanças necessárias.
Demora tempo até que um crente venha conhecer e praticar a Torah
em sua plenitude. O contato com a sinagoga iria trazer entendimento
do papel dos crentes não-judeus diante da Torah, incluindo o
entendimento que o Shabat e as festas bíblicas (Pesach, Hag
HaMatza, Bikkurim, Shavuot, Rosh Hashanah, Yom Kippur, Sucot...)
são para todas as nações, para todos os crentes, e que estas festas e
o Shabat trazem verdades tremendas a respeito de Yeshua o Seu
plano de redenção (falaremos sobre isso no próximo capítulo).
Causas da Assembléia de Yerushalayim - Parte 1
Uma vez compreendido o que foi decidido na Assembléia de
Yerushalayim, vejamos quais foram os agentes motivadores desta
Assembléia:
ATOS 15.1-5
1 Alguns indivíduos que desceram de Y'hudah (Judéia) ensinavam aos
irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moshe,
NÃO PODEIS SER SALVOS.
2 Tendo havido, da parte de Shaul (Paulo) e Bar-Nabba (Barnabé),
contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses
dois e alguns outros dentre eles subissem a Yerushalayim, aos
apóstolos e anciãos, com respeito a esta questão....
Com o início da aproximação dos gentios ao Evangelho, um grupo de
judeus crentes, tomou a iniciativa de obrigar os gentios a realizarem a
circuncisão (B'rit milah), tendo em mente o falso conceito que era
necessário que os gentios se tornassem judeus como condição prévia
para a salvação (At 15.1).
Sabemos que tal atitude é errada pelos seguintes motivos:
A condição necessária e suficiente para a salvação é arrepender-se e
crer em Yeshua como Senhor (Adonai).

Quanto um não-judeu se converte a Yeshua, ele é enxertado na
oliveira de Israel (espiritual)(Rm 11.24), ou seja, passa a fazer parte do
conjunto de todos os salvos cujo nome é Israel (espiritual). Portanto, o
não-judeu crente passa a ter um papel e obrigações diante da Torah,
incluindo a prática do Shabat e de Yom Tov (as festas bíblicas), os
quais foram feitos para todas as nações (para todas as famílias da
terra).
No entanto, alguns mandamentos da Torah são específicos para os
judeus e para os judeus crentes em Yeshua, tais como o uso de tsitzit
e a b'rit milah (circuncisão) ao oitavo dia. Os crentes não-judeus não
são obrigados a guardar tais mandamentos, e muito menos abraçar
tais mandamentos como condição prévia para a salvação.
Para um judeu e um judeu crente, tais mandamentos continuam de pé.
B'rit milah (circuncisão) permanece de pé hoje:
Bereishit (Gênesis) 17.10-13
10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua
descendência: todo macho entre vós será circuncidado.
11 Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de
aliança entre mim e vós.
12 O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas
vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado
a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe.
13 Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado
por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será
ALIANÇA PERPÉTUA.
Observe que Deus está dizendo que a circuncisão dos filhos de Israel
permanece para sempre, como sinal da aliança Abraâmica, ou seja,
para um judeu é mandamento de Deus praticar a circuncisão de seus
filhos, e ele deve continuar a fazê-lo mesmo depois de crer em
Yeshua, pois B'rit Hadasha não anula nem revoga nenhuma aliança
anterior, pelo contrário, ela confirma e ratifica.

Rav. Shaul confirma a permanência da circuncisão para os judeus
crentes, quando diz:
I Coríntios 7.10a,20
18 Foi alguém chamado, estando circunciso? Não desfaça a
circuncisão....
20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado...
Assim, a decisão da Assembléia de Yerushalayim é que o não-judeu
não precisa se tornar judeu (através da circuncisão) depois que crê em
Yeshua. No entanto, mesmo sendo não-judeu, o crer em Yeshua com
o consequente enxerto na oliveira de Israel, leva o novo crente a uma
série de responsabilidades e obrigações diante da Torah.
Desse modo, ele deve estudar e aprender a Torah até que se torne
plenamente ciente de seu pleno papel para com ela.
Causas da Assembléia de Yerushalayim - Parte 2
Voltando agora para os primeiros versículos de Atos 15, para
continuarmos a análise dos fatores motivadores da Assembléia de
Yerushalayim, com as resoluções tomadas, temos:
Atos 15.5-11
5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos P'rushim (fariseus)
que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinarlhes que observem a Torah de Moshe.
6 Então, se reuniram os apóstolos e os anciãos para examinar a
questão.
7 Havendo grande debate, Shimon Kefa (Pedro) tomou a palavra e
lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu
dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a
palavra do evangelho e cressem.

8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho,
concedendo Ruach HaKodesh (o Espírito Santo) a eles, como também
a nós nos concedera.
9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificandolhes pela fé o coração.
10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos
discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?
11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Yeshua
(Jesus), como também aqueles o foram.
No versículo 5, vemos uma parcela dos judeus crentes em Yeshua
entre os P'rushim estavam DISTORCENDO a verdade do Evangelho,
achando que é necessário a obediência a Torah como CONDIÇÃO
para a salvação.
Ora, Deus usa a boca de Shimon Kefa (Pedro) na Assembléia de
Yerushalayim, para deixar claro que a salvação sempre é e sempre
será através de Yeshua, pela sua graça (e isso tanto para o judeu
como para o não-judeu) (v11).
A questão aqui não é com a Torah, mas com uma DISTORÇÃO
LEGALISTA da Torah, que coloca a obediência à Torah como condição
para a salvação do judeu e do não judeu.
Assim, o JUGO a que Kefa fala no versículo 10, NÃO se refere a
Torah, pois sabemos que a Palavra de Deus diz que obedecer a Torah
é um DELEITE (leia os trechos do Salmo 119 no capítulo anteior), mas
se refere a um sistema legalista, o qual estava colocando erradamente
a obediência a Torah como condição para a salvação.
Diante disso, a palavra da Assembléia é ratificar a verdade que tanto o
judeu quanto o não-judeu são salvos pela graça do Senhor Yeshua
(v11).
Além disso, a Assembléia não deixa a Torah de lado, mas sim pede
aos judeus crentes paciência (v19) para com os novos crentes recém
enxertados na oliveira, estabelecendo alguns requisitos mínimos pós
enxerto (v20)(para consolidar a comunhão com os crentes mais

maduros), e trazendo mandamento do estudo e prática progressiva da
Torah para os novos convertidos (v21).
Em nada aqui a Torah é anulada ou revogada, pelo contrário ela é
confirmada, pois os crentes não-judeus vão começar a estudar a Torah
até que cheguem à maturidade espiritual.
A causa motivadora da Assembléia, não foi a Torah, mas sim uma
distorção legalista da Torah, tentando colocar os novos crentes sob
este sistema legalista baseado em salvação pela obediência legalista
à Torah.
A obediência à Torah não foi abolida, pois é deixado claro que o
aprendizado e prática da mesma é um processo que se segue APÓS a
salvação em Yeshua, através do estudo e prática de todo o conselho
da Palavra, de toda a Torah (leia Ef 2.8-10 onde este conceito está
claro). Rav. Shaul vai tratar do mesmo assunto em sua epístola aos
Gálatas, conforme veremos em outro capítulo.
"Lei Cerimonial" e "Lei Moral"???
Uma outra conclusão que chegamos da análise de Atos 15, é que a
natureza de alguns requisitos mínimos exigidos dos novos crentes
confronta diretamente a falsa teologia da chamada "lei moral" e "lei
cerimonial".
Segundo esta teologia, a "lei cerimonial" foi abolida no Gulgota
(Gólgota) no sacríficio de Yeshua.
No entanto, um dos requisitos mínimos de At 15.20, a ser exigido dos
crentes não-judeus, é a abstinência do comer sangue, tido
erradamente por esta falsa teologia como "lei cerimonial" (que
supostamente teria sido abolida no pós Gulgota). Como Deus poderia
abolir algo que ele mesmo continua ordenando como mandamento
DEPOIS do sacrifício de Yeshua ter se consumado no Gulgota? (pois
o episódio de Atos 15 ocorreu vários anos depois da ressurreição de
Yeshua).

Na realidade, o falso conceito de "lei cerimonial" e "lei moral" tem
levado os crentes a desprezarem uma série de mandamentos da
Palavra de Deus.
O conceito bíblico não é de "lei cerimonial" e "lei moral", mas sim de
TORAH!! Toda a Palavra que sai da boca de Deus é TORAH, e Deus
não sai por aí anulando e revogando sua TORAH, pois Sua TORAH
permanece ETERNAMENTE!!!
Por exemplo, Deus ordena em Sua Torah, antes mesmo de haver
judeu e não-judeu, nos dias de Noé:
Gênesis 9:4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não
comereis.
E Deus tanto não muda de idéia em relação ao seu mandamento que
vai falar a mesma coisa milhares de anos depois de Noé, nos dias da
B'rit Hadasha:
Atos 15.20 mas escrever-lhes que se abstenham... da carne de
animais sufocados e do sangue.
Isto porque a Torah não varia ou muda, pois mesmo a B'rit Hadasha
também é TORAH!!
É bom que venhamos a decidir: vamos ficar com os "teologias"
humanas que levam os crentes a desprezarem uma série de
mandamentos da Palavra, ou com as Palavras de Yeshua relatadas
em Mattityahu (Mateus) 5.19?
Mattityahu 5.19
19 Aquele, pois, que violar um destes mitzvot (mandamentos), posto
que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado
mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar,
esse será considerado grande no reino dos céus.
No próximo capítulo, falaremos um pouco mais do papel do crente
judeu e do crente não judeu diante da Torah...

CAPÍTULO 4: Sua posição diante da Torah
Nos capítulo anterior, vimos que a Torah não foi abolida tendo em vista
os novos crentes em Yeshua (vindo das nações). Somente foi
estabelecido uma progressão de aprendizado à prática da Torah a
partir de requisitos mínimos.
Vimos também que a Torah estabelece que alguns mandamentos são
específicos para os judeus e os judeus crentes em Yeshua (tal como
b’rit milah ao oitavo dia, ou o uso de tzitzit), ao passo que outros
mandamentos são válidos tanto para o judeu crente quanto para o
não-judeu crente.
Neste capítulo, vamos espandir este conceito.
Comecemos pelo mandamentos válidos para todos crentes em
Yeshua, independentemente de serem judeus ou não-judeus. Vejamos
inicialmente os dois maiores:
Amar a Deus acima de todas a coisas, servindo-o de todo o coração e
alma (Dt 11.13; Dt 6.5; Mt 22.37; Dt 10.12; Dt 11.1; Dt 30.6).
Este é o primeiro mandamento (Mt 22.38) e fala de um relacionamento
profundo de amor com o Senhor.
Este mandamento é tão grande, que mesmo diante de uma
congregação cheia de obras, labor sacrificial na obra de Deus,
discernimento espiritual e perseverança, o Senhor exorta esta mesma
congregação ao arrependimento (teshuvah) por haverem deixado de
darem o seu melhor amor ao Senhor (Ap 2.4)
Deus coloca o nosso relacionamento pessoal com Ele acima de
qualquer coisa, e mesmo acima de Sua obra na terra.
Como conseqüência da obediência a este maior mandamento, temos
que uma série de outros mandamentos serão obedecidos. Por
exemplo, quem dá o maior amor ao Senhor jamais cometerá a
prostituição espiritual da idolatria, mas obedecerá o mandamento de
adorar só ao Senhor (Ex 20.1-6).

Amar ao próximo como a si mesmo (Pv 25.21,22; Pv 24.17,18; Ex
23.4,5; Mt 22.39).
O segundo maior mandamento também é relacional. Os crentes em
Yeshua estão aqui na terra para serem canais de Deus para a
salvação das vidas, e para edificação daqueles que se convertem a
Yeshua.
Deus nos chama a desenvolvermos todo o nosso potencial de
relacionamento com o próximo, a fim de que possamos levar a Palavra
de Deus a todos que nos cercam.
Como conseqüência da obediência a este mandamento, outros
mandamentos relacionais também o são (Rm 13.8-10).
Shabat, Rosh Rodesh e Yom Tov: mandamentos para todos os crentes
Não iremos falar aqui sobre o calendário bíblico (isso fica para outro
estudo). No entanto, gostaríamos de destacar que Shabat (sábado),
Rosh Rodesh (o primeiro dia de cada mês bíblico, que é iniciado com
a lua nova vista de Jerusalém), e Yom Tov (os festivais bíblicos, que
ocorrem em dias específicos dos meses bíblicos conforme a Torah),
foram dados por Deus para toda humanidade, para serem uma
lembrança perpétua dos grandes eventos do plano de redenção.
Isto está claro em Bereishit (Gênesis) 1.14:
14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para
fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para SINAIS,
para estações, para dias e anos.
Vemos aqui que Deus, no quarto período de tempo de ação sobre a
terra até a criação do homem, torna a atmosfera de translúcida para
transparente, a fim de que o sol, a lua e as estrelas possam ser vistos
claramente do ponto de vista do referencial da terra. E assim o foi para
que eles pudessem ser elementos de marcação do tempo do
calendário bíblico, a fim de que fossem SINAIS.
A lua, o sol e as estrelas são para marcação do tempo, e em
períodos/dias específicos determinados por Deus, ocorrem os

memoriais eternos dos grandes eventos do plano de redenção. Estes
são os sinais (Strong’s number 0226). O uso desta mesma palavra no
original hebraico (ot) para se referir ao Shabat do Senhor, confirma o
uso da mesma em Gn 1.14. Vejamos por exemplo:
Êxodo 31:13
13 Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente,
guardareis os meus sábados; pois é sinal <0226> entre mim e vós nas
vossas gerações; para que saibais que eu sou o YHWH, que vos
santifica.
Êxodo 31:17
17 Entre mim e os filhos de Israel é sinal <0226> para sempre; porque,
em seis dias, fez YHWH os céus e a terra, e, ao sétimo dia,
descansou, e tomou alento.
Ezequiel 20:12
12 Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal <0226>
entre mim e eles, para que soubessem que eu sou YHWH que os
santifica.
Ezequiel 20:20
20 Santificai os meus sábados, pois servirão de sinal <0226> entre
mim e vós, para que saibais que eu sou YHWH, vosso Deus.
Além disso, várias versões bíblicas confirmam este conceito
traduzindo Gn 1.14 da seguinte maneira:
“Então Deus ordenou, que apareçam luzeiros no céu para separar o
dia da noite e para mostrar o tempo em que os dias, anos e FESTAS
SAGRADAS se iniciam” (Good News Bible).
“Que hajam luzeiros na abóboda do céu para separar o dia da noite e
para marcar as ESTAÇÕES SAGRADAS, os dias e anos” (Moffat
Bible).

“E Deus disse, que hajam luzeiros na abóboda do céu para dividir o
dia da noite para para indicar as FESTAS, dias e anos” (Jerusalem
Bible).
Fica claro então que as festas bíblicas (incluindo o Shabat) são para
todos os povos, para todas as nações, pois de acordo com Gn 1.14
foram dadas por Deus antes mesmo da criação do homem.
Na realidade, cada uma destas festas nos leva a relembrar
eternamente um grande evento do plano de redenção que ela
representa. Além disso, Deus ordenou que cada um dos eventos do
plano de redenção venha a acontecer EXATAMENTE no dia da FESTA
(Yom Tov) que fala dele (refiro-me aqui às sete festas bíblicas que
falam da ação do Messias Yeshua no plano de redenção):
As sete festas bíblicas do Deus de Israel são (vou trazer aqui somente
uma visão geral das festas, o detalhe ficará para outro estudo):
Pesach (Páscoa)(Ex 12.6-17): me refiro aqui a Páscoa BÍBLICA do
décimo-quarto dia do mês de Nisan (que nada tem a ver com a
“Páscoa” romana). Esta festa fala da morte de Yeshua no madeiro. Ela
é um memorial eterno do sacrifício de Yeshua no Gólgota. E é
interessante notar que Yeshua entregou a sua vida por nós naquele
madeiro EXATAMENTE no décimo-quarto dia do mês de nisan, numa
quarta-feira às 15:00 Hs.
Hag HaMatza (Pães ázimos)(Lv 23.4-7): esta festa é um memorial
eterno do sepultamento de Yeshua. Esta festa ocorre no décimo quinto
dia de Nisan. E notemos que EXATAMENTE neste dia Yeshua esteve
no túmulo.
Bikkurim (Primícias)(Lv 23.9-14): esta festa é um memorial eterno da
ressurreição de Yeshua. Seu dia é a partir do por do sol do fim do
primeiro Shabat que ocorre após Hag HaMatza. Também notemos que
a ressurreição de Yeshua ocorreu antes do por do sol do fim do
Shabat (após ter estado três dias e três noites no túmulo), tornando-se
Ele as PRIMÍCIAS da ressurreição (I Co 15.20,23). Assim quando o sol
se pôs no fim daquele Shabat e se iniciou aquele Bikkurim, a
ressurreição já ocorrera, tendo-se então o cumprimento EXATO que
no Bikkurim Yeshua já tinha sido ressurreto dentre os mortos.
Shavuot (Pentecostes)(Ex 19; Lv23.15,16; At 2): esta festa é celebrada
cinquenta dias após o Bikkurim. Ela é um memorial eterno da

formação do povo de Deus, com a outorga da Torah, ou seja com a
outorga dos caminhos em que o Seu povo deve andar. E isto teve
cumprimento EXATO no Sinai, e depois com a Revovação da Aliança
com a Casa de Israel e Judá (B’rit Hadasha) quando mediante Ruach
HaKodesh a Torah foi escrita na tábua do coração do Seu povo (At 2).
Rosh HaShanah (Trombetas)(Lv 23.24): esta festa é celebrada no
primeiro dia do mês sétimo que o mês de Tishri, ou seja, esta festa
também é Rosh Rodesh (o primeiro dia do mês, que é lua nova vista
de Jerusalém). Neste dia todo o povo deve OUVIR o toque do Shofar
(que é o “berrante” de chifre de carneiro). Esta festa fala do grande
evento do plano de redenção chamado natzal (arrebatamento) dos
crentes, em que ouviremos o último Shofar soar do céu e seremos
arrebatados para estarmos para sempre com o Senhor (I Co 15.50-55;
I Ts 4.15-17; Ap 1.10).
Devemos notar que o nosso arrebatemento ocorrerá EXATAMENTE
num dia de Rosh HaShanah. Yeshua deixa isso claro em Mateus
24.26 quando diz que “daquele dia e hora ninguém sabe, nem os
anjos do céu, nem o Filho, senão o Pai”.
Isso porque para cada festa bíblica o povo podia calcular quando ela
ocorreria a partir do decreto do início de um novo mês. O presidente
do Sanhedrin (Sinédrio) entrevistava duas testemunhas independentes
quanto a sua visualização da lua nova, e a partir daí ele tinha
autoridade para decidir se um novo mês (Rosh Rodesh) era iniciado
ou não. Em caso positivo os arautos saiam proclamando o início do
novo mês. Com a proclamação do novo mês (que era de autoridade
exclusiva do Sanhedrin) podia-se calcular quando as festas seriam
celebradas.
Porém para Rosh HaShanah era diferente, pois Rosh HaShanah iria
se iniciar EXATAMENTE com a decisão do Sanhedrin de iniciar o novo
mês. Assim não tinha como fazer planos de quando celebrar a festa,
pois ela se iniciaria IMEDIATAMENTE com o decreto do Sanhedrin.
Assim, quando Yeshua fala Mt 24.26, Ele está falando uma
EXPRESSÃO IDIOMÁTICA NO HEBRAICO, a qual se refere a Rosh
HaShanah. Isto é confirmado também ao se referir ao Pai como
Aquele que sabe (tem autoridade) para determinar o dia e a hora, ou
seja, ao estabelecer o Pai o presidente do Sanhedrin celestial, Yeshua
está reforçando a linguagem de Rosh HaShanah!

Yom Kippur (Dia da Expiação)(Lv 23.26-32): Este não é propriamente
um dia de festa, mas sim é um dia de jejum, que ocorre no décimo dia
do mês de Tishri. Era neste dia que o sumo sacerdote entrava no
Santo dos Santos para oferecer a expiação anual pelos pecados DE
TODA A NAÇÃO. Observe a diferença: enquanto no Pesach a provisão
do sacrifício do cordeiro é a salvação individual ou familiar, no Yom
Kippur a extensão é NACIONAL. Este dia é um memorial eterno da
segunda vinda de Yeshua para o seu povo Israel, pois será na
segunda vinda que o TODO ISRAEL SERÁ SALVO (como nação).
Devemos entender que a segunda vinda ocorrerá EXATAMENTE num
dia de Yom Kippur, sete anos após o Rosh Hashanah de natzal.
Yeshua diz que o Shofar HaGadol (o Grande Shofar: Mt 24,31; Is
27.13) será tocado do céu para anunciar às nações da terra a Sua
Vinda.
Querido leitor, minha oração é que você esteja selado até Aquele Rosh
HaShanah, para que não seja necessário que você sofra
tremendamente para ser selado antes dAquele Yom Kippur!
Sucot (Tabernáculos)(Lv 23.33-36): esta dia também é chamado a
Festa das Nações. Esta festa é um memorial eterno dAquele dia em
que todas as nações da terra subirão a Jerusalém para coroarem
Yeshua HaMashiach com Rei de toda a Terra, pois a coroação de
Yeshua aqui na terra ocorrerá em Sucot.
Conforme já visto, estas festas são para todas as nações (pois foram
estabelecidas antes da criação do homem). A Bíblia chama estas
festas de FESTAS FIXAS DE YHWH (Lv 23.1,37; Ez 44.24).
Em Zc 14.16 este conceito de universalidade das festas (para todas as
nações, é confirmado quando diz):
Zacarias 14.16
16 Todos os que restarem de TODAS AS NAÇÕES que vieram contra
Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, YHWH dos
Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos.
E também Ez 44.24 fica claro que as festas fixas estarão sendo
celebradas no Reino Milenar de Yeshua:

Ezequiel 44:24
24 Quando houver contenda, eles assistirão a ela para a julgarem;
pelo meu direito julgarão; as minhas leis e os meus estatutos EM
TODAS AS FESTAS FIXAS GUARDARÃO e santificarão os meus
sábados.
Da mesma maneira, o Shabat é para todas as nações, pois temos o
Shabat estabelecido não só em Gn 1.14 (junto com Yom Tov) mas
também em Gn 2.2,3:
Gênesis 2.2,3
2 E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera,
descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito.
3 E ABENÇOOU DEUS O DIA SÉTIMO E O SANTIFICOU; porque
nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.
Este dia foi estabelecido por Deus para ser o memorial eterno de
Elohim (Criador) como soberano sobre a nossa vida. E se Deus
estabelece o Shabat antes de haver judeu e não-judeu, é que Ele está
trazendo o mandamento para TODOS celebrarem o Shabat
(independentemente de ser judeu ou não-judeu).
Em Hebreus 4.8,9 também fica claro que o Shabat é um memorial
eterno do sétimo dia da terra, ou seja, do repouso milenar sabático da
terra (o Milênio de Yeshua HaMashiach).
Em Isaías 56.3,6,7 há conexão do Shabat com todos aqueles que
vieram das nações para servirem ao Deus de Israel, ou seja, Deus
conecta o Shabat com todas as nações da terra e não somente com o
povo judeu:
Isaías 53.3,6,7
3 Não fale O ESTRANGEIRO que se houver chegado a YHWH,
dizendo: YHWH, com efeito, me separará do seu povo; nem tampouco
diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca.

6 AOS ESTRANGEIROS que se chegam a YHWH, para o servirem e
para amarem o nome de YHWH, sendo deste modo servos seus, sim,
TODOS OS QUE GUARDAM O SHABAT, não o profanando, e
abraçam a minha aliança,
7 também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha
Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão
aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de
Oração para todos os povos.
Também em Isaías 66 lemos no versículo 23 que toda a carne (todos
os povos) virão adorar o Senhor no Shabat na nova terra.
Isaías 66.22,23
22 Porque, como os novos céus e a NOVA TERRA, que hei de fazer,
estarão diante de mim, diz YHWH, assim há de estar a vossa
posteridade e o vosso nome.
23 E será que, de um Rosh Rodesh a outro e de um Shabat a outro,
virá TODA A CARNE a adorar perante mim, diz YHWH.
Assim, fica claro que o Shabat é para todos, independente de ser
judeu ou não-judeu.
Quais os mandamentos específicos para o judeu?
Os mandamentos específicos para os judeus crentes em Yeshua ou
para um judeu são aqueles que estabelecem um sinal no plano do
corpo (incluindo vestuário), tal como o sinal da circuncisão ou o uso de
tzitzit (Nm 15.38; Dt 22.12).
E é interessante notar que estes sinais de aliança são para se
constituirem em elementos (visíveis e físicos) de lembrança ao povo
judeu da sua aliança com YHWH e com os seus mandamentos (leia
Nm 15.39).

No caso da circuncisão ao oitavo dia, Deus coloca este sinal no orgão
reprodutor masculino, para deixar claro que Ele tem uma aliança com
toda a descendência de Israel:
Gênesis 17.7-11
7 Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti E A TUA
DESCENDÊNCIA no decurso das suas gerações, aliança perpétua,
para ser o teu Deus E DA TUA DESCENDÊNCIA.
8 Dar-te-ei e À TUA DESCENDÊNCIA a terra das tuas peregrinações,
toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus.
9 Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu E A TUA
DESCENDÊNCIA no decurso das suas gerações.
10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós E A TUA
DESCENDÊNCIA: todo macho entre vós será CIRCUNCIDADO.
11 CIRCUNCIDAREIS a carne do vosso prepúcio; será isso por SINAL
DE ALIANÇA entre mim e vós.
Neste caso, estes são MANDAMENTOS do Senhor para o judeu
crente e para o judeu.
Um judeu que se converte a Yeshua DEVE CONTINUAR a circuncidar
seus filhos meninos ao oitavo dia e DEVE CONTINUAR a usar tzitzit.
Um crente não judeu NÃO é obrigado a guardar tais mandamentos.
No entanto, se quiser guardá-los não peca, desde que o faça com
sabedoria e por opção pessoal, e não devendo portanto requerer que
outros crentes não-judeus se obriguem a imitá-lo.