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Ativistas pedem a órgãos internacionais

empenho por mídia mundial democrática

Internacional

Carta Mundial de Mídia Livre: Documento aprovado durante Fórum
Social na Tunísia é considerado um marco na briga por democratização
da comunicação
04/04/2014
Por Vanessa Martina Silva, do Opera Mundi
Diante do cenário heterogêneo da comunicação no mundo, a discussão
sobre a necessidade de democratizar os meios e o acesso à comunicação
ganhou um novo marco, a partir da aprovação da Carta Mundial de Mídia
Livre, em Túnis, durante o Fórum Social Mundial realizado na Tunísia na
última semana. O documento será enviado a uma série de organismos

Foto: Mídia Ninja

internacionais, como Nações Unidas e União Europeia, pressionando pela
adoção, conjuntamente com outros movimentos sociais, dos princípios
contidos no texto.
A carta, aprovada por ativistas de todo o mundo presentes no FMML
(Fórum Mundial de Mídia Livre), no último sábado (28/03), contém
princípios e ações estratégicas para a promoção de uma comunicação
democrática e é fruto de quatro anos de discussões, vários seminários e
um intenso processo de consulta virtual. O texto defende a governança
democrática da internet, a garantia de neutralidade da rede, o direito à
vida privada e à liberdade de expressão, além da universalização do
acesso aos meios de comunicação e à internet banda larga.

Diante do cenário heterogêneo da comunicação no mundo, a discussão
sobre a necessidade de democratizar os meios e o acesso à comunicação
ganhou um novo marco, a partir da aprovação da Carta Mundial de Mídia
Livre, em Túnis, durante o Fórum Social Mundial realizado na Tunísia na
última semana. O documento será enviado a uma série de organismos
internacionais, como Nações Unidas e União Europeia, pressionando pela
adoção, conjuntamente com outros movimentos sociais, dos princípios
contidos no texto.
A carta, aprovada por ativistas de todo o mundo presentes no FMML
(Fórum Mundial de Mídia Livre), no último sábado (28/03), contém
princípios e ações estratégicas para a promoção de uma comunicação
democrática e é fruto de quatro anos de discussões, vários seminários e
um intenso processo de consulta virtual. O texto defende a governança
democrática da internet, a garantia de neutralidade da rede, o direito à
vida privada e à liberdade de expressão, além da universalização do
acesso aos meios de comunicação e à internet banda larga.
Desta forma, ela avalia que as pessoas, mesmo em seus diferentes
contextos, poderão se apropriar do conteúdo da carta para fazer frente à
realidade que enfrentam. Por esta razão, ela será usada como um
instrumento de reivindicação dos movimentos sociais e será enviada a
uma série de organismos internacionais, como ONU (Organização das
Nações Unidas), União Europeia, Liga Árabe, Celac (Comunidade dos
Estados Latino-Americanos e Caribenhos), etc.

Foto: Fación Latina

Particularidades
A questão da democratização da comunicação enfrenta etapas muito
distintas dependendo de regiões e países. Como uma aplicação prática
desta carta, Bia cita o exemplo do blogueiro chadiano Makaila N’Guebla
que, perseguido em seu país pelo conteúdo de suas postagens, teve que

pedir exílio à França. Agora, utilizará o instrumento pata fazer pressão
internacional para garantir a liberdade de expressão no Chade.
O Brasil contou com uma grande delegação no FMML. Para Barbosa, isso
reflete a dimensão que a discussão está tomando no país. Apesar de não
ter políticas tão desenvolvidas quanto as que se observam em outras
regiões do mundo, o país conta com uma “profusão de ativistas e coletivos
que percebem ser cada vez mais importante a disputa de ideias no âmbito
da democratização da comunicação”, conta. Como exemplo positivo do
que está ocorrendo em outros países, a jornalista ressaltou a experiência
equatoriana, onde um consórcio de mídias comunitárias está montando
agências de publicidade para atender especificamente as mídias
comunitárias. “Essa iniciativa ocorre após a constatação de que esse tipo
de veículo não consegue disputar espaço com os meios comerciais”,
observa.
Outra experiência que se destaca, segundo a especialista, ocorre na
Argentina onde, passados cinco anos da aprovação da Lei de Meios, já é
possível mensurar o impacto que a legislação teve ao reservar parte do
espectro para canais comunitários e ter implantado uma política pública
de financiamento “que mudou o panorama do audiovisual de maneira
brutal. Não só diminuiu a importância do [jornal] Clarín, como garantiu
sustento de rádios indígenas, TVs comunitárias. Esse é um exemplo de
que um marco regulatório aliado a políticas públicas pode transformar o
cenário midiático de um país”, conclui.
Confira os principais eixos presentes no documento:
· Afirmar o direito à comunicação comum como um direito fundamental.
· Defender a internet como um bem comum.
· Desenvolver os marcos democráticos de regulação da comunicação,
através de órgãos ou agências independentes, especialmente visando a
combater a concentração dos meios.
· Apoiar e incentivar o desenvolvimento dos meios de comunicação
comunitários e associações, com reserva de frequência para os diferentes
setores da sociedade civil.
· Reforçar a independência dos serviços públicos de difusão (ou mídia
pública) frente aos serviços governamentais e de mercado.
· Incentivar a utilização das línguas e dialetos nos diversos espaços de
expressão midiática, dando uma atenção particular às línguas
minoritárias.
· Reivindicar o desenvolvimento de políticas públicas que visem a reforçar
as mídias livres, sua qualidade e sustentável.

· Recusar o monopólio das infraestruturas de internet, a guarda de dados
pelas corporações e a vigilância do ciberespaço.
· Desenvolver uma governança democrática para a internet, incluindo a
garantia de neutralidade de rede, o direito à vida privada e a liberdade de
expressão nas redes.
· Facilitar o acesso às tecnologias livres e abertas.
· Universalizar o acesso aos meios de comunicação e à internet banda
larga.
· Lutar contra a criminalização de militantes e organizações que
desenvolvem mídias livres.
· Proteger jornalistas e todos os atores da comunicação contra a violência,
a perseguição ou a exploração.
· Mobilizar e criar conexões entre as diferentes mídias e os movimentos
sociais, especialmente no processo do Fórum Social Mundial.