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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

DIÁRIO

LEANDRO LEITE RAMOS DA SILVA

VITÓRIA
2014

conhecido como polivalente. ao chegarmos na escola fui atrás da pedagoga da escola. a fim de conhecer os espaços da escola. Pois então. Mas. Com isso. estávamos no prédio antigo. nesse primeiro momento não obtivemos sucesso. Andamos por toda a escola e vimos o quão grande.RELATO DE UM ESPERANÇOSO PROFESSOR Há uns dias atrás. Seus espaços têm rampas de acessibilidade para cadeirantes. Mas se passaram alguns anos e agora a escola já está quase toda pronta. Então. chamei Carol para darmos uma volta na escola. observamos algumas turmas que estavam ensaiando peças teatrais para apresentação de um concurso teatral que iria acontecer na escola. No terceiro ano do ensino médio. eles derrubaram o antigo prédio para a construção de uma nova escola. Quando eu estudava lá. levando em consideração o relato de muitos colegas de classe que disseram ter tido dificuldade para visitarem suas respectivas escolas. Entramos. Desta forma. Foi um momento de grande emoção poder retornar e ver que as mudanças já começaram a acontecer. para que assim pudesse conversar e saber um pouquinho do trabalho de inclusão dos alunos especiais. Após esse tour pela escola. visitei a escola onde eu estudei no meu ensino médio. as plaquinhas das portas são identificadas em braile e existem banheiros acessíveis. resolvemos tentar mais uma vez e ver se a pedagoga tinha acabado a reunião e foi certeiro. senti que seríamos bem recebidos e que nossa visita daria super certo. A pedagoga estava fazendo atendimento a uma mãe. estudei em módulos. Quando passamos pelo portão. bonita e inclusiva a escola ficou. Eu e Carol tivemos livre acesso a escola. cumprimentamos e perguntamos se poderíamos conversar um pouquinho sobre o trabalho de inclusão de alunos especiais na escola e ela . lá estava ela.

mas o Estado não mandou esse acompanhante. quando a escola estiver toda pronta. mas dissemos que queríamos a verdade. Existe apenas uma professora que os acompanha e mesmo assim ela não fica todos os dias na escola e isso também é um problema.” . Nossa escola foi construída para ser a “escola modelo” do estado para Educação Especial e nós esperamos que no ano que vem. talvez por me conhecer. vive excitado. tenha mais alunos especiais. pois ele já fez cocô em sua roupa. Um deles tem laudo médico para ter um acompanhante o dia todo. Muitas vezes eles não tem tempo de sentar com a professora da Educação Especial para elaborarem um plano de aula que inclua os três alunos especiais. isso não vem ao caso. Enfim. De 1000 alunos nós temos apenas 3 alunos especiais. dois deles tem autismo e uma tem síndrome de down. Mas antes que pudéssemos dizer algo. professores de Educação Especial em tempo integral. etc.. se esfregando na parede. porque na prática não tem nenhuma inclusão. Então ela começou a abrir o jogo para nós dizendo: “É preciso que vocês levem em consideração que o projeto de inclusão do Estado é totalmente diferente da Prefeitura. sabe de uma coisa? Tenho esperança de que essa situação mude. Ah. A inclusão aqui na escola só existe no papel. dizendo que o número de DT’S foi insuficiente.respondeu positivamente. Os professores não tem capacitação nenhuma para trabalhar com esses alunos. pois sem ela eles não ficam dentro da sala. Mas. e eu não posso esquecer de ressaltar uma coisa maravilhosa. Nisso. e que todos os outros professores tenham capacitações para trabalhar com esses alunos e em conjunto com os professores da Educação Especial. o social desses alunos melhoraram muito e vemos que os outros alunos os aceitam e os ajudam. eu senti que ela não esconderia nada da gente e abriria o jogo. ela perguntou da seguinte forma: “. Os três alunos não são analfabetos o que dificulta o ensino das matérias existentes na ementa do Ensino Médio. A professora de educação especial está alfabetizando dois deles.Quer a verdade ou prefere que eu maquie?”. isso é gratificante. pois os três estão mudando o jeito e a maneira dos seus colegas os enxergarem.

“E você não vai acreditar. perguntamos se elas conheciam os meninos e elas responderam positivamente e toparam participar de nossa entrevista. . fomos atrás da professora de Educação Especial. ficamos instigados a conhecer ainda mais a rotina escolar desses três alunos. Agora ficamos na esperança de que chegue novos professores de educação especial. para que a inclusão seja feita de verdade. Que saia do papel e que funcione na prática. quando chegaram a escola sofriam muito bullying. brincam e etc. Para isso. Com isso. disse uma das meninas. por eles serem diferentes. agora eles ficam fazendo piadinhas com outras pessoas”. Ela estava em outra escola. que todos os professores tenham uma capacitação continuada para trabalhar com esses meninos e que os pais desses alunos sejam apoiadores dos seus filhos e trabalhe em conjunto com a escola. Elas contaram para nós que os meninos. nos despedimos e fomos embora. que ficam com eles no recreio.Ao ouvir o relato da pedagoga. Contaram para nós que eles não conversam muito. Depois disso. os outros zoavam muito. Disseram também que raramente eles faltam as aulas. Ao abordarmos duas meninas que estavam no pátio. tivemos a brilhante ideia de perguntarmos a alguns alunos se eles conheciam os três alunos especiais que estudavam na escola. conversam. mas que eles têm muitos amigos. com a certeza de que a escola já está preparada estruturalmente para receber esses alunos. mas a mesma não estava na escola. onde acompanha outros alunos especiais.