1 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº3 - Dezembro 2009

EDITORIAL
Revista Cultural Novitas
Com relativo atraso, chegamos ao número 3 de nossa Revista Cultural. Nova edição em um ano novo e cheio de expectativas, em vários segmentos da sociedade. Este ano começa bem: temos o carnaval logo em fevereiro, o que nos proporciona um “restinho” de ano para trabalhar e cumprir as promessas feitas aos estertores finais de 2009. Entramos em ano eleitoral. Sendo você politizado ou não, convém que nos estendamos por esse assunto até a votação que elegerá nosso novo presidente. Comente com seus amigos, sejam eles reais ou virtuais, usando de todos os meios disponíveis para se informar sobre quem é quem no cenário político nacional. Estude cada candidato para criar um conceito crítico, assim como deve-se estudar tanto seu plano para o futuro quanto seu passado. Política é História. História modifica-se pela Política. Vote de maneira correta, para que nosso país tenha um futuro sem tantas desigualdades e que a Cultura, de um modo geral, seja presente na vida de todos os brasileirinhos que hoje correm de calças curtas por nossas ruas. Nesta edição temos pessoas ilustres e/ou iluminadas escrevendo, contando histórias, poetizando a vida... Gente que não só faz, como É Cultura. Merecem nossos respeito e nossos aplausos, pela desavergonhada vontade em acontecer e disseminar conhecimento, cada um sob sua forma própria. Mais uma novidade inicial: Através do Twitter, fomos indicados para o Shorty Awards, como Instituição Cultural. Somos os únicos brasileiros classificados nessa categoria, por conta dos votos daqueles que ali nos seguem (ou que nós perseguimos). Isso nos torna finalistas do prêmio, considerado pelo The New York Times como o Oscar do Twitter. Gostaria de agradecer por esses votos e contar com vocês para a próxima fase. Dois mil e dez tem tudo para ser um ano de mudanças. Façamos cada um nossa parte. Boa leitura!

Ano I Número III Janeiro de 2010
Esta é uma publicação da Editora Novitas em periodicidade bimestral, distribuída em forma eletrônica e gratuita. Todos os textos, imagens ou qualquer outra forma de manifestação aqui publicados foram devidamente solicitados a seus autores, que autorizaram sua utilização por meio de mensagem eletrônica. Editores: Letícia Losekann Coelho David Fordiani Nóbrega Revisora (contos): Carolina Machado Isento de registro ISBN, conforme instrução da Biblioteca Nacional. Nesta Edição: EDITORIAL ENTREVISTA OS MULLETS NA TELA RADIONOVELA CONTOS POESIA TWITTER MEIOAMBIENTE CLASSIFICADOS OPINIÃO 02 03 05 06 07 08 12 14 15 16 17

15 poetas para todas as crianças
Uma nova Coletânea, totalmente direcionada ao público infantil (faixa entre 7 e 9 anos), realizada em parceria com o ilustrador Danilo Marques. Para maiores informações [acesse]

David Nobrega

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EntrEvista
o que poderíamos chamar de homem de ação. Como você poderá ler nas perguntas ao estilo “vamos que vamos” (segundo o próprio) que tivemos a honra de ver respondidas para esta edição da Revista Cultural Novitas, têm-se a impressão que não há movimento cultural concreto no país que não tenha seu dedo, seja através de sua empresa – a JLGoldfarb Eventos Culturais – ou por meio do cidadão José Luiz. Novitas - O José Luiz Goldfarb do meio literário é o curador do Prêmio Jabuti. Quais as outras faces do José Luiz? José Luiz Goldfarb - Sempre uma pergunta difícil pois acabei envolvendo-me com tantas atividades que eu mesmo posso esquecer de citar alguma (risos). Sou professor da PUC-SP desde 2001, doutor em História da Ciência pela USP, Mestre em História e Filosofia da Ciência pela McGill University, Montreal. Minha formação inicial é bacharel em Física pela USP. Na PUC dou aulas de pós em História da Ciência, nas disciplinas História da Física, História da Lógica, Epistemologia, Ciência e Religião, entre outras. Oriento estudantes no Mestrado e Doutorado. Realizo pesquisas sobre a História da Física no Brasil e as influências da Hermética no pensamento de Isaac Newton. Atualmente sou vice-diretor de nosso Programa de Estudos Pósgraduados em História da Ciência na PUC-SP. Mantenho na TVPUC o programa Nova Stella Ciência em Debate, onde a cada semana entrevisto um professor sobre temas relacionados à ciência numa perspectiva histórica, que em 2010 completa seu 3º ano ininterrupto de produção. Na área literária, além de ser curador do Jabuti há 20 anos, coordeno vários projetos de incentivo à leitura em cinco Estados: 1. Programa São Paulo Um Estado de Leitores : conjunto de ações pró leitura do Governo do Estado de São Paulo – Secretaria de Estado da Cultura – através da Organização Social (OS) de Cultura POIESIS; 2. Programa Letras de Luz: conjunto de ações pró

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José Luiz GoLdfarb é

leitura realizado pela Fundação Victor Civita, patrocinado pelo Instituto Energias de Portugal – EDP, com incentivo da Lei Rouanet, em Tocantins, Mato Grosso do Sul, Espirito Santo e Interior de São Paulo; 3.Programa Rio Uma cidade de Leitores: conjunto de ações pró leitura realizado junto à Secretaria de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro. Além disso, ainda sou assessor da Vice-Presidência Social e Cultural da Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo, atividade voluntária dedicada à minha comunidade judaica. N - Em meio a tantas atividades, a literatura é prazer ou trabalho? JLG - Prazer e trabalho. Tenho contratos de consultoria de minha empresa JLGoldfarb Eventos Culturais, responsável pelas atividades de incentivo à leitura, mas a cada realização (e são centenas ao logo do ano) tenho muito muito prazer, alegria, satisfação. N - A produção literária no Brasil é enorme, se formos levar em conta a quantidade de obras que vão ao prelo todos os dias, o que chega a ser um contra senso se formos avaliar a média de leitura anual do brasileiro. Como fazer chegar o novo leitor às mãos do leitor comum? JLG - Tornar a leitura um hábito do brasileiro. É dizer disseminar o hábito da leitura por prazer. Como? Creio q todas as minhas ações e de outras centenas de pessoas. Uma mobilização da sociedade em prol da leitura. Batalhando principalmente pela criação de uma rede de boas bibliotecas públicas no país. Enfim criando um Brasil de Leitores. Na prática, pela nossa história, trabalho para a vida inteira. Mas pelo Jabuti eu sei que temos literatura de primeiríssima qualidade... Claro, José Luiz Goldfarb faltam os leitores. N - São Paulo tem projetos de incentivo à leitura que incluem o livre acesso aos livros. Esse tipo de atitude pode ser disseminada por todo território brasileiro? JLG - Sim e os projetos em que trabalho são exemplos. Sou otimista pois vejo crescer o interesse nacional pelo incentivo a leitura. A JLGoldfarb vive recebendo proposta e nem sei como dar conta (risos). N - Para que possamos fazer com que um outro alguém entenda do que falamos, deve-se dominar o assunto a que se refere, ou acabamos causando mais confusão que realmente elucidando esse alguém. Isso se aplica à Literatura

“...todas as artes, no mundo moderno, exigem muita muita leitura. Ninguém é um grande ator sem leitura, por exemplo. A leitura é requisito para todas as ações na sociedade moderna.”

de maneira geral? Ou seja, um aspirante a escritor deve recorrer a clássicos como base de sua escrita ou é desejável que tente criar seu próprio estilo? JLG - Sim, sim, sim todas as artes, no mundo moderno, exigem muita muita leitura. Ninguém é um grande ator sem leitura, por exemplo. A leitura é requisito para todas as ações na sociedade moderna. N - Para finalizar, o toma-lá-dá-cá que toda entrevista de formadores de opinião deve ter: N - O livro da vez? JLG - Sempre Fernando Pessoa e Álvaro de Campos N - Um novo autor que ainda dará o que falar? JLG - Muitos, muitos anônimos que escrevem em blogs e twitter irão se revelar brevemente. N - Um projeto a ser lapidado e levado adiante? JLG - Projetos de incentivo a leitura pelo Brasil a

ricardo siLvestrin,

é autor de diversos títulos, músico e editor. Já recebeu diversos prêmios, e são eles: • Prêmio do Encontro Brasileiro de Haicai, 2° lugar, São Paulo, 1987. • Prêmio Açorianos, melhor livro de poesia editado no RS em 1995 - livro Palavra mágica. • Prêmio Açorianos, melhor livro infantil editado no RS em 1998 - livro Pequenas observações sobre a vida em outros planetas. • Prêmio Açorianos 2005, Destaque de Editora, editora AMEOPOEMA • Prêmio Açorianos, melhor livro de poesia editado no RS em 2007 - livro O Menos Vendido. • Prêmio Açorianos 2008, Destaque de Mídia - Rádio, Programa Transmissão de Pensamento. Conheça mais sobre o autor em seu site: http://www. ricardosilvestrin.com.br/index2.php

fora.

N - Uma mensagem ao novo autor? JLG - Escreva, blogue, twitter, que hoje a comunicação garantirá leitores no futuro.

Para conhecer mais e se inteirar de projetos que - e por quê não? - você mesmo pode tocar em sua cidade, leia mais sobre o José Luiz, em endereços por ele sugeridos: TWITTER: http://twitter.com/jlgoldfarb FESTIVAL CINEMA JUDAICO SP: http://www.fcjsp.com.br ADOTE BIBLIOTECA: http://www.adotebiblioteca.com.br CRIANÇA QUE LÊ: http://migre.me/ePv0 PROGRAMA NOVA STELLA TVPUC: http://migre.me/ePuW LETRAS E LEITURAS: http://migre.me/ePur CV: http://lattes.cnpq.br/1023793876897710 LETRA DE LUZ: http://migre.me/ePuA SÃO PAULO UM ESTADO DE LEITORES: http://migre.me/ePuG ARTIGO SOBRE SCHENBERG: http://migre.me/ePuO A HEBRAICA: http://www.hebraica.org.br PRÊMIO JABUTI: http://www.premiojabuti.org.br FOTOS TWITTADAS: http://bit.ly/3yEX2O

Novitas - É muito difícil categorizar o período histórico atual de nossa literatura, pois estamos vivendo esse momento. Mesmo assim, quais as características mais marcantes, da literatura hoje? Que papel faz a poesia? Ricardo Silvestrim - Posso fazer um recorte pessoal dessa questão. Creio que viemos de um período da modernidade, que tem como centro a busca do novo, e passamos à pós-modernidade, que dialogo com o velho e o novo, sem hierarquia de um sobre o outro. Nunca fui adepto do re, que caracteriza a pós-modernidade: o remake, a releitura. No entanto, estou (re)descobrindo coisas de séculos passados, como a poesia romana de Marcial, Catulo, Horácio, a prosa de Voltaire, Sêneca, Erasmo de Roterdã, entre outros. Neles, estou gostando dessa verticalidade, do ir fundo no ser humano e no seu tempo. Tento buscar isso na minha produção de hoje. Como disse o peta japonês Bashô: não procure imitar os antepassados, e sim procure o que eles procuravam. Ou seja, não escrevo, na forma, como os antigos, mas busco essa disposição de ir fundo. Isso, na verdade, é algo que sempre foi meu e que encontrei companheiros de séculos anteriores para seguir o caminho comigo. N - Tu achas que poesia não vende, ou tu achas que as editoras não publicam poesia por que se acostumaram a produzir leituras de “fácil” entendimento para pessoas? RS - A minha poesia vende. Já vendi mais de 50 mil livros de poesia. É claro que grande parte dessa venda se deve os livros de poesia para crianças que publiquei. São 6 para adultos e 6 para crianças até o momento. E por que os para crianças vendem bastante? Porque há uma equipe de vendas indo às escolas para vender. É o que fazem a Ática e a

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Salamandra. Coca-cola vende? Não. A equipe de vendas é que vende. Vender é uma profissão. Há muito mais comunidades no orkut dedicadas aos poetas. E muito mais gente nessas comunidades do que nas de prosa. Há muito mais sites e blogs de poesia do que de prosa. Se somarmos essa gente toda, dá cerca de 1 milhão de pessoas. Todos com e-mail ou alguma forma de contato disponível na internet. Isso significa que há um grande público interessado de alguma forma em poesia. Tem que vender para essa gente. Os livros bons de poesia estão todos esgotados. Procure Galáxias, do Haroldo de Campos. Não tem. Está à venda na Estante Virtual por 300 reais! N - Começastes a escrever que idade? com

RS - Os direitos autorais na internet ainda são um desafio. Na música, por exemplo, a venda massificada de cds, feita pelas grandes gravadoras, dançou. O que não quer dizer que ninguém compre mais cds. Vendemos a cada show, os poETs, vários cds. Tanto na música quanto na literatura, a internet é legal para divulgar o trabalho, para conhecer pessoas, para interagir com leitores e gente que gosta do nosso trabalho. N - Acredita que o livro impresso vai sumir no Brasil, ou a mídia digital só vai ser mais uma via de acesso a literatura? RS - Isso é algo que teremos que viver para saber como vai ser. Não dá pra achar nada antes. Mas, hoje, um dos mais bem sucedidos negócios na internet brasileira é o Estante Virtual. Um site de venda de livros que está colocando o estoque de todos os sebos do Brasil. É tecnologia nova para vender livro velho. N - Quais teus autores prediletos da literatura Brasileira e Estrangeira? RS - Brasileira: Machado de Assis, Manuel Bandeira, Paulo Leminski, Alice Ruiz, João Angelo Salvadori, Alexandre Brito, Ronald Augusto, Caio Fernando Abreu. Estangeira: Marcial, Borges, Cortázzar, Kafka, Tolstói, Erasmo de Roterdã, Issa, Verlaine. N - És um escritor premiado, qual prêmio teve mais significado e por qual motivo? RS - O prêmio do Encontro Brasileiro de Haicai. Quando recebi, tive que ler para o público o meu haicai premiado. Leminski, que era jurado, levantou e aplaudiu de pé falando “gênio, gênio!”. N - O que tu gostarias de falar para os novos autores? RS - Leiam e escrevam. Escrevam e leiam.
Fotos: Divulgação

RS - Poesia, com 15 anos. Queria fazer uma banda de rock pesado, como o Deep Purple. Não tocava nada, então comecei a escrever letras de música caso surgisse a oportunidade de fazer a banda. Eu teria as letras e poderia cantar. Fui ler poetas para me aprimorar como letrista. Quando li o Manuel Bandeira, vi que a poesia dele era heavy metal no papel. E passe a escrever poesia. N - Como o Ricardo Silvestrin, encontra tempo para escrever, compor, cantar, fazer show e editar? RS - Tempo para fazer coisas legais sempre acho. Esse é o tempo mais importante. Meu horário de produção escrita é da meia-noite às 2h. N - No Brasil, é possível viver da escrita? RS - É. Há escritores que vivem da escrita e das atividades relacionadas a ela, como oficinas, palestras, participação em feiras, aulas em universidades. Ainda não é um grupo grande de escritores, não é fácil. Mas já não é impossível. N - Qual tua opinião sobre internet, literatura e direitos autorais?

osmullets.blogspot.com

Os Mullets

2012 Atividades Paranormais

Não sou muito simpático a transformar tudo em números. Acho isso uma atitude enfadonha, desnecessária e, pior, simplista demais. Algumas vezes, porém, é vantajoso. Pois, então, vamos lá: 2012 (já no título começam os algarismos) custou cerca de 260 milhões de dólares para 158 minutos de exibição. É, sem dúvida, o maior - em vários sentidos - de todos os filmescatástrofe já lançados nesses últimos tempos. A obra traz nomes para lá de interessantes, como Roland Emmerich na direção (bastante experiente, tendo assinado obras como 10.000 AC - eles novamente - e Um Dia Depois de Amanhã), Danny Glover (veterano que participou de mais de trinta filmes) e John Cusack (Shanghai e 1408 - mais uma vez) e em cinco semanas faturou 155 milhões, somente nas salas do Tio Sam. Esquecendo por um momento os números, o filme é uma sequência assustadora de mentiras bem-feitas. Se existisse o prêmio Maior Atochada de Hollywood, certamente ele seria vencedor. Disparado. Algumas cenas lembram as histórias em quadrinhos de anos atrás, não só pela coisa do fantástico e do improvável, mas também pela plasticidade. Mas, enfim, para que vamos ao cinema? Quando compramos ingresso principalmente para este gênero, considerado por muitos um sub-cinema - firmamos um pacto, um acordo invisível e sem assinaturas, que permite que carros atravessem prédios envidraçados, enquanto esses desabam como legos mal colocados, ou corridas malucas entre crateras e fendas gigantescas, salvando todos aqueles que são interessantes para a história. Enfim, pagamos para ver o “fantástico” e os maravilhosos efeitos especiais nos trazem isso com esmero. Eu diria que beirando a perfeição, sem medo de ser piegas ou exagerado. 2012 tem os melhores efeitos já vistos. Acredito que o fraco enredo e os diálogos cheios de patetices não chegam a atrapalhar, porque o que buscamos neste caso específico é exatamente aquilo que nos venderam: adrenalina e cenas de tirar o fôlego. Um detalhe que não pode passar desapercebido é a “bondade” e o altruísmo do presidente negro dos gringos. Não é a primeira vez (e nem será a última) que fazem, ou tentam fazer, do senhor das armas da vez um verdadeiro heroi. Não acredito que cinema seja o melhor lugar para panfletos. Voltando aos números: Atividade Paranormal, com a produção, direção, montagem e roteiro assinado pelo desconhecido Oren Peli (4 x 1) e elenco sem nenhum ator famoso, conseguiu, em 99 minutos - contando uma história mais do que batida, um verdadeiro clichê do terror (gênero nada bem-visto pelos críticos) e gastando apenas 25 mil dólares 6 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº3 - Dezembro 2009

2012 Atividades

- faturar mais de 107 milhões nas primeiras dez semanas de exibição, somente nas salas norte-americanas. E a grande sacada para tanto sucesso é estrondosamente simples: o filme se parece com um documentário. O protagonista recebe, já na primeira cena, a namorada (atordoada pelo demônio) mostrando a câmara nova, comprada para filmar os diabinhos. Sensacional! Daí em diante, todas as tomadas são feitas (ou pelo menos dão a impressão) com o mesmo equipamento e pelo próprio ator, que deixa a filmadora várias vezes em cima de uma mesa ou em um tripé, permitindo que ele próprio apareça. Essa sensação de documentário (gênero que traz consigo a fama de representar a verdade) fragiliza o espectador. Deixa-o suscetível ao medo. Torna-o refém. Aquele acordo que se tem ao comprar o bilhete vai para o espaço, desde o primeiro minuto. Na verdade, este não é um artifício novo e, inclusive aqui na nossa querida terra brasilis, foi usado no excelente policial Tropa de Elite. A inovação acontece principalmente nos ares de amadorismo na construção do filme e, claro, no gênero de terror. Enfim, os números servem para mostrar várias coisas, entre elas, que cinema (como quase tudo nesse lado ocidental do planeta) é um negócio. E pode ser excepcionalmente lucrativo. Merecidamente, eu diria. Mostram, também, que vale a pena ser coadjuvante desse mundo maluco em eterna transformação, onde dois filmes com orçamentos tão desnivelados, gêneros tão diferentes e recursos técnicos absolutamente distintos, “exigem” uma só coisa: que se vá ao cinema. Preferencialmente de cabeça aberta, para permitir que a magia desta arte tão nobre participe do próprio cotidiano, pincelando a realidade com boas doses de ficção. O resultado disso pode ser um só: diversão! Então, ao escurinho!

por Beto Canales

Paranormais

Beto Canales é um eterno estudante de literatura e produz principalmente contos, apesar de atrever-se “cometer” crônicas, em seu blog cinemaebobagens.blogspot. com. A universalidade de seus personagens e os lugares onde ocorrem suas histórias são marcas registradas, permitindo que aconteçam com qualquer um em qualquer parte. Cinéfilo apaixonado e assumido aprendiz de crítico de cinema, é também editor da Esquina do Escritor e do 3AM Brasil.
É autor de A Vida Que Não Vivi, pela Multifoco, lançado na Bienal do Livro do Rio / 2009.

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TexTo ouvido e Liberdade de imaginação
Caio d´Arcanchy e Odete Rocha Por que não transformar poesias, prosas, contos e outras obras literárias em radionovelas? Esse questionamento do poeta Cristiano Melo, que conheceu nosso trabalho feito na Rádio Justiça, provocou a realização de uma experiência até agora bem sucedida: a dramatização de prosas e poemas do blog “Braços Abertos”, do autor. Tudo é publicado no Youtube, com links no Blog (cristianooliveirademelo.blogspot.com). Profissionalmente temos um programa de entrevista na emissora que relata causos vividos por juízes de Direito. Em 2008 conhecemos um juiz baiano que mantém um blog de crônicas sobre o cotidiano dele. Pensamos: vamos entrevistá-lo e, no meio do programa, dramatizar essas crônicas. Foi um sucesso! Por um desses programas recebemos o 8º Prêmio Arco Íris de Direitos Humanos. Ao conhecerem a experiência com o blog “Braços Abertos” alguns poetas se entusiasmaram com o projeto. Os termos elogiosos nos enchem também de entusiasmo, mas não podemos deixar escapar a autocrítica. Será que ao tirar um texto do papel, que aceita qualquer interpretação do leitor, e imprimir a ele características de rádio, não tolhemos a liberdade que só o papel proporciona? Concluímos que não. Quando lemos, as imagens e os sons são unicamente nossos. A voz do personagem, a roupa, a cadeira, a árvore e o céu são criação nossa. Quando assistimos a um audiovisual, as imagens e sons são criação de outrem. E quando ouvimos? Ao ouvir embrenhamo-nos num espaço intermediário entre a leitura e o audiovisual. Que lugar é esse? Uma obra literária tem a capacidade de inspirar várias leituras e interpretações, qualidade aliás que caracteriza qualquer obra de arte. A cada vez que lemos uma obra literária algo de novo se nos descortina. Então, se a cada leitura a liberdade de imaginação se amplia e as imagens mentais se enriquecem, ouvir o texto seria como ler de novo, com um novo som, que vai trazer novas imagens, dilatando a imaginação. Difícil esquecer o primeiro contato com o poema de Raul Bopp, Cobra Norato, numa interpretação belíssima por um grupo de teatro de mamulengos de Minas Gerais. Ouvido primeiro, lido depois, mostrou novas nuanças, novas riquezas. Por fim, o som da voz de outra pessoa pode nos despertar uma adormecida lembrança ancestral antiquíssima como a transmissão da história oral à beira da fogueira ou os contos infantis ouvidos antes de dormir na infância. Mesmo quem não teve na infância quem lhe contasse histórias antes de dormir, pode resgatar essa prática que faz parte do nosso inconsciente coletivo. E eis aqui outra particularidade de um texto ouvido: é muito gostoso. ***

Eles Fazem!

Sobre os autores: odete rocha é coordenadora do portal da Rádio Justiça na web, interpreta a vovó Graúda no programa infantil da emissora, Aprendendo Direitinho, junto com o Ministro do STF Eros Grau, o vovô Grau. Entre 2002 e 2008 foi Consultora jurídica da TV Justiça, onde tamb ém atuou como comentarista e cronista d o universo jurídico nos telejornais. É poeta e atriz.
é jornalista. Há 12 anos no veículo rádio, conquistou O V Prêmio AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) de Jornalismo por reportagens sobre crimes de trânsito e novas conseqüências jurídicas, e o 8º Prêmio Arco Íris de Direitos Humanos por um programa sobre direitos de transexuais. Repórter da Rádio Justiça desde 2007 atua na cobertura jornalística do Supremo Tribunal Federal e demais órgãos do judiciário e da justiça. Também produz e edita boletim informativo mensal impresso e de áudio do Unicef para radialistas da Amazônia Legal e Semi-Árido.

caio d´arcanchy

contos & cia.
como
se fosse da famíLia
Marcos Vinícius Almeida

quebracorpo.com.br

O fusca perdeu o controle no meio da curva. Foi deslizando sobre a lama, a traseira escapando, e quase se se chocou contra o barranco à beira da estrada, não fosse pelo hábito do velho em guiar nessas condições. Ainda chovia bastante –, mas ele não poderia esperar. “O rapaz apareceu morto no meio do retiro, seu delegado. Uma desgraça, uma tragédia... Moço novo, bão de serviço... Cuidava de tudo aqui pra mim” — disse o fazendeiro João Andrade, que era um dos poucos a ter telefone em casa, naquele tempo. “Mas como é que o moço morreu seu João?” —perguntou o delegado. “Aí é que tá, seu delegado... Aí é que tá...” — e ficou aquele chiado silencioso no aparelho. “Aí que tá o que, seu João?” — insistiu. “Riscaram o bucho do homem, seu delegado...” Não poderia esperar. Um dia antes recebera um aviso do batalhão: dois sujeitos perigosos haviam escapado da cadeia de Lavras, cidade vizinha. Tentou contatar o batalhão, para avisar do crime na propriedade de João Andrade, mas ninguém atendeu. Acordou o Dr. Tavares, recém formado, e único médico do pequeno povoado de Luminárias; e também o soldado Barreto, que vinha no banco de trás do fusca, com sono no rosto –. E Seguiram para a cena do crime. João Andrade, magrelo e barba branca na cara, esperava na varanda da sede, no meio da fumaça do cigarro de palha, quando o fusca parou e os três homens desceram no meio da chuva. Barreto deu de querer escorregar, mas apoiouse rapidamente em uma das colunas, antes de adentrar a varanda. Os homens trocaram cumprimentos em tom de velório. João Andrade, disse que a estrada estava péssima, mas que era culpa do tempo, enquanto levava os sujeitos para tomar um café na imensa cozinha da fazenda. Sua mulher, D. Rosalva, remexia lenha no fogão quando entraram; e. Fez questão de que se sentassem à mesa, toda servida: café fresco, pão de queijo, broa de fubá, pamonha e alguns biscoitos de polvilho em latas de alumínio areado — Coitado do Toinho, gente... Uma barbaridade – comentou D. Rosalva. — Homem bão demais... Nunca tive problema com ele, seu delegado – reforçou seu João. — E como é que o encontraram? — Mortinho! Um horror... fFoi pouco antes de ligar pro senhor, seu delegado... Eu acordo muito cedo, bem cedinho mesmo. Cinco horas já estou andando por aí. Eu não agüento mais serviço, por causa da coluna. Mas também já trabalhei muito nessa vida... E não tenho preguiça não, sabe? Pulo da cama cedinho todo dia... Aí troco de roupa, lavo a cara e vou lá no retiro pra proseá com Toinho, pra ver como é que tá indo a lida. Se eu pudesse, eu
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mesmo tomava conta de tudo lá, mas a coluna não deixa né? E ele é muito bom de serviço, faz tudo direitinho do jeito que eu gosto, mas seu pudesse eu mesmo que pegava na lida. — Sei... Mas o senhor tem mais empregado aqui, seu João? - inquiriu o delegado. — Não, senhor... Só o Toinho... Uma mão na roda. O terreno meu já foi maior, já fui rico seu delegado, rico de esbanjar dinheiro, meu pai foi mais, esse terreno meu, dobrava essa serra inteirinha, o senhor deve de lembrar-se desse tempo... — Já ouvi falar, seu João. — Depois eu fui vendendo as terra pra um, pra outro, os filhos foram indo embora, nenhum quis seguir nessa vida, então fui vendendo e dando o dinheiro pra eles... Ficou só a sede, e um pastinho miúdo, onde mexo com essa meia dúzia de vaca que o Toinho toma conta pra mim... Toma não né, coitado, tomava... Tomava... Como se fosse filho... — O senhor ouviu alguma coisa? Quer dizer, teve algum barulho ou coisa assim? — Não ouvi nada, seu delegado... Cheguei lá, ele tava durinho... — E a sua mulher? — Ouviu nada não, né bem? — perguntou, o fazendeiro. — Nem nada seu delegado – disse a mulher no rabo do fogão em voz trêmula. -–, o João me acordou pra contar, não quis nem ir lá no retiro pra ver... Coitado do Toinho... Ô meu Deus do céu... — Coisa muito estranha – comentou o médico. — Bom, mas o rapaz tinha algum inimigo declarado? — Que inimigo que nada, seu delegado... Toinho era um santo... E só tem nós três aqui... — E os vizinhos, as fazendas vizinhas?... — Vizinho que nada, seu delegado... A fazenda mais próxima aqui só dobrando a serra... — É verdade... — A única pessoa que passa por aqui é o compadre Tião. — Compadre Tião? Da de linha de leite? — Ele mesmo... Passa aqui só lá pelas dez, sempre me traz uns mantimento, carta dos meu menino... — Então ele nem sabe ainda... —e coçou o queixo. — Daqui a pouco ele passa aí. E ficaram em silêncio. Veio então o barulho da chuva no telhado colonial, e da lenha crepitando. — Mas o senhor sentiu falta de alguma coisa? — prosseguiu o delegado. – Pode ter sido um latrocínio... Digo, roubo seguido de assassinato... — explicou enquanto a mulher fez o nome do pai, talvez por causa do pecado daquela palavra. — Olha, na hora do apavoramento, eu nem pensei nisso... Larguei até a porteira do curral aberta... Mas tenho que olhar... Só que não tenho nada de muito valor aqui... Quando muito o telefone... Meu pai quem comprou, foi o primeiro dessas bandas... O povo vinha de longe pra usar.

Hoje não, né? — Dinheiro? Cofre? Algum objeto valioso? — Nem um, nem outro... Passei tudo pros meus menino... Eu já fui rico, teve tempo que eu nem dormia direito, com medo de algum malandro entrar aqui. Agora nem me preocupo... — Há uma grande possibilidade, seu João... A vítima tinha algum dinheiro? — Coitado do Toinho... Muito menos, era um santo. Teve mês de ele trabalhar a troco de comida. Se ele tivesse aqui na época que eu era rico... —e suspirou. — Ele trabalhava há muito tempo para o senhor? — Desde moleque... No começo ele me ajudava, e aos poucos foi aprendendo a mexer com criação. Quando a coluna enguiçou, ele já fazia tudo sozinho... — E quantos anos ele tinha quando chegou aqui? — Quinze anos, bem? — Quatorze, João... — Quatorze, bem? — Quatorze... — E hoje? — Vinte e nove, bem? — Vinte e oito, João. — Vinte e oito, seu delegado... E ficaram em silêncio. — Mas enfim, vamos ver o corpo... — e se levantou. Eles seguiram o velho João Andrade, e sua botina surrada, batendo no assoalho de tábuas velhas. Frestas escuras, algumas com remendos de ripa e pregos bambos; as paredes soltando tinta, uma camada amarela por baixo de uma camada azul. A casa transpirava ausência de força. E seu João disse que o rapaz era sozinho no mundo. Não tinha parentes, nem nada. Apareceu na fazenda a procurar trabalho. Com os filhos longe, achou bom ter um ajudante. Apontou, pela porta aberta, o quarto onde o rapaz dormia. Com a permissão de seu João, o delegado deu uma rápida espiada e sentiu um ar de abandono naquele leito. Na varanda, enquanto seu João vestia uma capa de chuva, o delegado solicitou ao soldado Barreto, que ficasse na cozinha com a D. Rosalva. — Eu tenho alguns calmantes na minha maleta, talvez fosse melhor sedá-la – disse o médico. — Minha preocupação não é essa, doutor. — Você acha que quem fez isso ainda pode estar por aí? — Talvez sim, talvez não. Melhor não arriscar. Barreto voltou pra cozinha. Os três homens puseram-se a caminhar num ladrilhado de pedras de quartzito até o retiro. A porteira do curral estava aberta, nenhuma vaca, nenhum bezerro. Atravessaram o curral. E dentro do retiro, com aspecto de desleixo e cochos vazios, olharam com espanto a ausência do cadáver. — Santa Mãe de Deus... —disse seu João, antes de perder um pouco o controle e apontar, repetidamente, o local exato onde Toinho estava. E os outros dois não entenderam. O médico dispos-se a acalmá-lo. O delegado procurou alguma pista, mas só via sujeira e teias de aranha. “As goteiras e a leve enxurrada que corria no chão, lavaram o sangue”, ele pensou. Depois correu o olho ao redor, foi até o fim do retiro, abriu uma porta toda bamba, ali dentro alguns sacos de farelo. Dois

ratos fugiram rapidamente com o barulho. — Vamos voltar pra casa, doutor. A coisa está pior do que eu imaginava. Voltaram pelo mesmo caminho. A mulher continuava no rabo do fogão. Barreto tomava café com um dos braços apoiados na mesa. — O que foi, João? —indagou a esposa ao ver na cara do marido incompreensão e perplexidade. — Sumiu, Rosa... O Toinho sumiu... E mulher também se agitou. Depois seu João. Houve um falatório danado. Barreto que foi tentar conter a agitação da mulher acabou deixando o copo cair e espatifar-se no chão. O pandemônio durou cerca de uns cinco minutos. Então estavam sentados e quietos de novo. O delegado fez uma breve pausa, respirou fundo e disse: — Não podemos perder a cabeça agora. Eu sei que é difícil pra vocês, mas precisam manter a calma. Vamos fazer o seguinte: Eu vou precisar usar seu telefone, seu João. Vou ligar no batalhão e avisar do ocorrido. Quando muito, até na parte da tarde eles estarão aqui. Quem fez isso não tem como estar muito longe, ainda mais com esse tempo. Enquanto isso, eu e o Barreto ficamos aqui pra garantir a segurança de vocês. Seu João mostrou ao delegado onde estava o telefone, depois voltou pra cozinha onde permaneceu em silêncio. Barreto andava de um lado pro outro. O médico, com cotovelo na mesa e mão no queixo, parecia tentar resolver a questão. A mulher fuçava na lenha cantarolando num tom de sussurro uma canção desconhecida. — Talvez ele ainda esteja vivo... —disse o médico. — Vivo, doutor? —disse Barreto parando de andar. — Vivo sim... — Ah, trem... To falando que eu vi o bucho do homem furado. Como é que homem anda aí com bucho furado, doutor? — Bom, seu João... Em primeiro lugar o senhor não é médico, talvez o senhor não tenha reparado direito. Talvez o sujeito estivesse apenas desacordado. — Tava não seu doutor... Quem dera estivesse... Durinho, com o bucho esturricado. — Bom, é preciso ser um profissional pra saber. — Se ele tivesse só desmaiado, e acordasse, tinha vindo pra casa, gritado. Num ia sumir pro mato... — Talvez estivesse desorientado, seu João... Acho que devemos procurar nos arredores... — Não sei, não... Ninguém viu esse corpo além do senhor, seu João. Na hora do susto o senhor pode muito bem ter se confundido. O senhor não olhou os batimentos do rapaz... Não tem como ter certeza se ele estava morto ou não. — Eu já acho outra coisa – disse Barreto. Quem fez isso carregou o corpo e escondeu no mato. Pra confundir a gente. Enquanto a gente procura o corpo, o caboclo vaza. Isso parece vingança;. Talvez, antes de chegar aqui, esse rapaz tenha feito alguma coisa de muito ruim pra alguém. Descobriram onde ele estava e vieram acertar as contas. Tem gente muito ruim nesse mundo. Talvez nem tenha sido ele, talvez o pai dele... Lembra do caso da Fazenda Tira-Couro, seu João? — Lembro sim... Meu pai me contava essa história, diz ele que o avô dele, meu bis-avô, era vivo quando aconteceu. Onde arrancaram o couro do homem... — Que história é essa? — indagou o

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médico. — Mataram um homem a troco de nada na fazenda. Sete homens o amarraram sem roupa num tronco, e arrancaram o coro dele que nem bicho. Ah, mas aí os três irmãos dele ficaram sabendo, e se juntaram pra vingar o crime. Saíram caçando os culpados, não tinha muita lei naquele tempo... Era olho por olho, não tinha moleza não. Quando eles achavam, matavam mesmo. E depois arrancavam a orelha... E foram juntando, formando um colar com elas. Pegaram todos os sete que tinham escalpelado o coitado. — Não conhecia não, Barreto. — O famoso “Sete Orelhas”, doutor. Caso real, mesmo. Eu acho que esse rapaz, o Toinho, morreu de vingança. Esconderam o corpo pra fugir. Vai saber lá o que esse menino fez antes de aparecer aqui sozinho, sem família, sem passado, seu João? E só pode ter sido vingança. Senão teriam matado o senhor, a sua esposa, se fosse caso de latrocínio... Isolados aqui, demoraria muito pra alguém dar notícia... — Tanto tempo aqui comigo... Muito boa gente... Como se fosse da família. — Mas e antes? Não tem como o senhor saber... — Muito menos o senhor. O senhor nem o conheceu. — Acho mais provável que esteja vivo, agoniando, desorientado em algum canto. A mulher cantarolava, em tom quase inaudível. O delegado entrou na cozinha, andou devagar até a mesa parando próximo do seu João. Deu-lhe dois tapinhas nas costas e disse: — Fique tranqüilo, meu amigo. Vai dar tudo certo. — Acho que esse homem pode estar vivo, delegado – advertiu o médico. — Foi vingança. Certeza. — Eu pensei que eram os dois elementos que tinham escapado da cadeia, em Lavras, há dois dias. Mas liguei no batalhão e me disseram que prenderam os sujeitos num boteco, ontem de madrugada. Bom, mas isso não importa mais... O importante agora é que o seu João e D. Rosalva fiquem bem... — Mas e o Toinho... Nem enterro vai ter... Tragédia... — Tudo vai ficar bem, seu João. O senhor tem que confiar em mim. O senhor confia em mim, seu João? — Confio sim, seu delegado. — Então vamos ficar calmos e esperar. — Esperar? — interveio Barreto. E o delegado fez um sinal com os olhos para o soldado antes de dizer: — Sim, esperar. O médico não se conteve. E depois de um minuto de silêncio, chamou o delegado para conversar em particular. — O que está havendo? — O senhor que é o médico e não percebeu? — Foram eles? E o delegado riu. — Não existe nenhum Toinho, doutor. — Como assim, eles inventaram essa história? — Mais complicado... O senhor viu alguma vaca por aqui? O homem foi morto no retiro, ou seja, estava tirando leite e mesmo que o seu João tenha esquecido a porteira aberta, quando correu pra dentro, os animais são acostumados a ficar
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ali, todo dia no mesmo horário. Mesmo de porteira aberta eles permanecem no curral no horário da ordenha, porque é a hora que eles comem. O senhor não entende de gado não é? Os animais não saíram. Não existem. O retiro está aos pedaços, à porta onde está guardado o farelo não é aberta há anos, não tem silagem, nem bosta de vaca tem doutor. Onde já se viu curral sem bosta de vaca? Não faz sentido... Então liguei na casa do Compadre Tião, falei com esposa dele. Ela me disse que ele não passa aqui na fazenda do seu João pra pegar leite, só pra deixar uns mantimentos, que uns amigos doam. Não tem vacas, não tem Toinho... O quarto onde o suposto rapaz dorme, está abandonado. Veja esse assoalho, doutor. Se tivesse um homem jovem e bom de serviço aqui, essas coisas não estariam assim. — O senhor não está dizendo que... — Sim...Os filhos os abandonaram. Contagiaram-se com a alucinação, doutor. Isolados aqui esses anos todos, convivendo apenas com a loucura do outro...

estranho

seria se eu não me

apaixonasse por você
Tatiana Cavalcanti coffeeandhistory.blogspot.com

Na escola ele era da turma que entregava os trabalhos em dia, tirava boas notas porque tem uma inteligência irritante e todos os professores, coordenadores e bedéis adoravam ele. Porque ele gente, vocês não sabem. Ele tem um olho azul e uma gentileza que só vendo. E a alma dele cintila fazendo dele o cara mais incrível do mundo. Eu era da turma do fundão, que de vez em quando entregava os trabalhos e tirava notas ruins mesmo estudando porque as coisas da vida eram muitas e enfim não dava para prestar atenção em tudo. E os dois únicos professores que gostavam de mim eram aqueles que achavam minha enrolação charmosa e minhas ameaças de revolução uma coisa meio Che. Um deles era o professor de História. O outro era o de educação física. E achavam mais charmosa ainda uma bermuda sexy que de vez em quando eu usava porque eu tinha a bundinha que dava gosto. E os bedéis bom... os bedéis me manjavam muito porque era sempre eles que me recolhiam tentando fugir da aula em busca de coisas mais emocionantes do que a tal da Inconfidência Mineira. Eu cabulava aula. Ele jamais fez isso. Alguns membros da minha turma já rolavam seus baseados. A turma dele enrolava, no máximo, a pipa. Eu era o mano, ele a mina. Eles se encontravam na casa de um deles sábados e seus pais todos se conheciam. Nós íamos ver o pôr do Sol na praça sei lá o

quê depois de sair da balada. Ele passou no FCE e eu tomei pau no T4 daquela maldita Cultura Inglesa. Nunca esqueço que nesse dia minha mãe me chamou de vagabunda. Mas eu realmente não consegui acompanhar. Ele foi morar na Austrália. Eu saí de casa para ir da Rua Tupi para Rua Turiaçu. Ele fala um inglês absoluto. Eu peço dog hot ao invés de hot dog. Ele me explica coisas sobre o PIB e outro dia esclareci para ele o que era coxia. Ele ouvia Pearl Jam. Eu ouvia Chico mas venerava mesmo desde meu primeiro segundo de vida era Tom e Vinicius. Eles tinham onde ficar no Guarujá porque tinha uns playboys na turma deles. Eu quando ia para o Jogos Jurídicos dormia no carro com três amigas estranhas como eu para não gastar no hotel e sobrar para cachaça e talvez para balada que rolaria na outra semana. Ele super apaixonado e romântico. Eu super corna e achando que abafava na companhia dos piores elementos do colégio. Aqueles desgraçados que acham que abafam e abafam? E fica a ala feminina inteira da escola morrendo por eles com seus cabelinhos repicados para cima e suas poses de pseudo comedores de coxinhas de cantina. Ele de camiseta hering embaixo da camisa de listrinhas azuis e eu de all star sem a palmilha porque eu odeio palmilha. Ele dançava com a menina mais bonita da escola no bailinho. Eu não era tirada para dançar porque acho que era debochada demais. Aliás, acho que fui convidada para uns três ou quatro bailinhos da turma dele, no máximo. Eu piscava para peão de obra e ria de chorar quando eles achavam que aquilo era sério. Minha mãe morria de vergonha. Ele não piscava assim como um cafajeste arreganhado qualquer. As meninas com quem ele andava usavam roupas com ombreiras e o sapato de bico fino sempre combinava com a bolsa pink. Elas dançavam em rodinha e cochichavam para falar do menino bonito. Ele sempre discreto e com pessoas discretas. Eu sempre esse furacão que vive ameaçando mas não tem coragem de carregar tudo para me obrigar a começar de novo e quem sabe talvez, sem traumas. Ele sempre pensando no futuro quando fez suas escolhas. Eu sempre pensando que futuro era longe demais e que até chegar eu já tinha caído nas graças de alguma figura que publicasse meus livros e minhas histórias mal resolvidas. Ele sempre tão contido e eu sempre tão maritaca com a voz aguda. Certeza que foi por isso que me apaixonei por ele. Ele é tudo que eu nunca quis ser mas que eu sempre quis no homem que ia me salvar de mim.

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casa
Guile

A casa estava vazia. Entrava nela pela primeira vez após seu casamento. Aquela sensação de que algo não estava exatamente em harmonia carcomia seu cérebro, deixando seus neurônios em estado de emergência, aà espera da próxima tsunami de idéias drásticas do que ocorreria naquele lugar. Como se entrasse numa igreja, ficou por alguns segundos de cabeça baixa e em sileêncio, como se rezasse. Pensou nas coisas que haviam realizados juntos, nos momentos que passaram um ao lado do outro, tristezas, alegrias. Perdia as contas de tantos erros que cometera. Levantou a cabeça e andou devagar até o meio da sala. A vista através da grande porta de vidro da varanda era linda. Era um dia de sol quente, com um vento refrescante que felizmente não parava. Viu algumas nuvens formadas no horizonte. Talvez chovesse nao final da tarde. Por um momento sentiu que alguém a abraçava. Então soube que ele estava ali. Ela sorriu e acariciou o próprio corpo, onde sentia as mãos dele aquecerem sua pele; mesmo não as vendo, mesmo ele não estando ali fisicamente. Ouviu-o suspirar e cochichar algo em seus ouvidos. Não entendeu suas palavras. Apenas sentiu que ele a confortava. Tentou falar, mas não conseguiau. Ao invés disso, seus olhos marearam-se e algumas lágrimas lhe escorreram pelas bochechas. Foi quando ouviu claramente a voz de seu marido atrás dela. — Querida? Assustou-se e virou-se rapidamente, vendo que ele entrava na casa, carregando uma grande caixa de papelão, com várias de suas coisas dentro. — Vamos? Ela respondeu apenas num gesto positivo com a cabeça. Olhou novamente para a frente, enxugou mais algumas lágrimas que teimavam em cair. Sentiu que as mãos dele já haviam soltado de seu corpo. Ele já tinha ido embora, agora de uma vez por todas. Ergueu a cabeça, decidida em não chorar mais. — Adeus, papai. Virou-se e deixou a casa. Ela foi vendida no dia seguinte. Nunca mais voltou lá.

***

A Gente AmA
Denison Mendes bahrboletras.blogspot.com

Giselle Zamboni SeresColetivos.com

E quando encontrares aquilo que busca, No batismo do encontro, um silêncio vivo Te levará distante, e tão de perto sentirás O aroma colorido do amor. Não haverá vozes a angustiar esperas Nem ruídos a estragar prazeres. Nada te alcançará, não estarás fugindo Nem perdida em vãos pensamentos. És a perfeição! Um sereno oceano Sem realidades ilusórias nem veneno Em cálices de cristal dourado. Ama! É tua única e prometida verdade.

Poros abertos na disponibilidade infinda da interação de almas Peitos abertos no colostro primevo da entrega sem ressalvas Braços abertos ao colo coletivo dos rebentos da alma Ventre aberto pelo nascimento certo do coletivo feto da vontade Nasce, levanta, anda, faz, queira, ouse, cante, diga, significante signo letra, seja por nós!!!!!

A CorredeirA

CAtorze/desejos

Marcelo Melo Soriano yohoy.blogspot.com

Giselle Zamboni SeresColetivos.com

O caminho é reto, íngeme, pedregoso, estreito... Um destino de pó. No começo, o colo. Um pedaço de gente, Ressonando no peito, Com cara de gente. Na metade, o entremeio. Nem velho, nem moço, inquieto sujeito, Errante buscando o compasso acertar. Lá em cima da lomba, na virada da curva, um caco de gente, olhar nu, quase ausente, prosseguindo em frente, mas cabeça pra trás... O é é é caminho é incerto, leve, torto, amplo...

misturAdo

Nanda Botelho multiplasrealidades.blogspot.com

Assista Ao desfile de desejos E vá derrubando-os Um a um. Sentindo Que no viver Você não quer o que O outro quer Não vê o que O outro vê Não sabe O que o outro sabe Não sente O que o outro sente E tudo volta para si. Mas ao mesmo tempo Tudo é espelho e labirinto Onde você se perde Sem saber onde termina você E começa o outro. E o único desejo que sobra É o de desaparecer. destino já traçado.

Queria soletrar o amor, engasguei queria descrever a flor, gaguejei minha boca no teu beijo, calei No teu caminho curvilíneo, viajei nos teus olhos farolentos, me ceguei no teu caminho ereto, pousei Tua porção menino, recolhi tua porção homem feito, aceitei tua porção bicho, cruzei tua porção anjo, nem sequer arranhei... Minha porção menina, brinquei minha porção mulher feita, mostrei minha porção fêmea, te dei minha porção anjo, sublimei.

rituAl

Paulo Fodra aredknight.blogspot.com

Profano teu templo branco Com minha loucura lasciva Furtado às pressas de tua fonte, Teu desejo arde em minha língua Incenso meu corpo com teu cheiro Em meio às sombras dos altares Devoção proibida à luz da lua Oferta febril aos teus poderes Em tua face rubra me desfaço Lábios em êxtase contra a pedra fria Em tuas cortinas me oculto Nos teus ossos me aninho À espera de um novo amanhecer

Não é estrada; é rio... Retornando à nascente; Afastando da foz...

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ode

Ao

triste PAlhAço

Eduardo Bisotto edubisotto.blogspot.com Pra fora colocar Termina a noite Pro triste palhaço Começa o açoite De mais uma noite Solitário acabar Ele sabe que é seu destino Ele sabe que é a irônia A ironia do caminho Do mar que ele decidiu navegar Enquanto dos outros Busca o triste palhaço o gozo De si só resta lamentar Esta triste sina Do show continuar Mesmo que seu mais profundo O seu mais profundo mar Clame Reclame Insista em lhe falar Que a tristeza Esta triste dama É sua única ama E pela eternidade Como uma vela Que alumia Só ela A tristeza Sua guia Irá lhe acompanhar Dormirá o triste palhaço Perdido no tempo No espaço E pela manhã irá levantar Pois sabe o triste palhaço Que esse é seu caminho Que esse é seu destino Porque afinal O show tem de continuar

É

o destino

(PArA

quem ACreditA nele)

Paulo R. Diesel movidoavapor.com

O que será Se é que será Do palhaço triste Perdido Na imensidão da noite Sozinho Tão somente a chorar O que será do palhaço O triste Debaixo da máscara Sem nada Sem fada Que insiste Do lado de fora da máscara O seu show continuar O que será do palhaço triste Quando um dia aviste A imensidão dos risos A imensidão dos delírios Que na platéia provoca Enquanto sozinho Somente para si invoca O direito solitário de chorar O palhaço triste que mancha Qua a máscara evita Não desmancha Mas que pelo canto Vê a lágrima deslizar O palhaço triste Que sabe da sina Que sabe como termina O triste show Aquele caminhar O show tem de continuar Mas quando termina Ele sabe com pesar Vai vagando Pro seu camarim Rastejando Pra máscara Pra lágrima Os seus devaneios

Os medos se alternam e se encontram no final das frases. As culpas percorrem a consciência e se alojam onde podem. Chove e os olhos vão junto, lágrimas molham o rosto e as histórias contadas em prosa e verso neste livro reescrito sinalizam o final num destino já traçado.

A CAsA dA morte

Adriana Costa versosbarbaros.blogspot.com

Do outro lado da rua Uma casa abandonada Do outra da vida o que haverá? Morrer não deve ser diferente de fechar os olhos e abrí-los para um cômodo qualquer abandonado no qual, nós mesmos poremos a mobília de sonhos, de amor ou de dor como nos aprouver. Minha casa da morte tem uma estante de livros de poesias uma “long chaise” e “Soleil levant” de Monet no lugar de uma janela. Uma concha para ouvir o mar uma velha foto de família e memórias que ora choram, ora riem. A morte é só mais uma casa abandonada esperando.

difíCil

Letícia Losekann Coelho editoranovitas.com.br Segue fingindo me representar! É inviável ficar sentado reclamando... Todos seguem seus deveres a risca Mas é improvável que um dia... Tenhamos um pouco de justiça. O povo tem contas... Calcula juros... E se não paga vê o serviço cortado O bolo aumenta... E o governo tem com a prole uma conta impagável! É certo que sou minoria... Não vejo mudanças, e aumenta o descaso São projetos e mais projetos que nem começaram Mas tu vais lá e inaugura como se faltasse somente um pedaço. Nelson Rodrigues fez profecia... Pena que poucos o escutaram ... Hoje o comunismo virou moda... Logo veremos Stalin "endeusado" pela patota! Diante disso penso: Seria distração? Falta de informação? Falta de leitura... Pois o livro na vida daquele que tem tanta aprovação virou piada? Presidente, seu momento mágico não existe... Volte para o Brasil e reviva um pouco da revolução Essa que hoje se faz sem o apoio partidário ou de instuição Somente o cidadão!

É difícil andar com a cabeça ereta... Em um País que financia a invasão de terra Dá esmola para a educação Se lixa para o povo, de forma clara e aberta! É impossível não sentir vergonha... Dos 81 senhores discutindo funcionários inexistentes Veja! Naquela casa não se tem controle de nada No Brasil existe até estrada fantasma. É complicado não se revoltar... O povo trabalha e nos bancos continua a mendigar Por no mínimo um empréstimo... E os juízes e Deputados, seus saláros seguem a aumentar. É cada vez mais triste ver o rumo do País... Antes existia a classe média, mas por causa dos impostos Eu vejo a queda E o resultado: é encostar na miséria. É difícil escutar do Presidente... Que o Brasil, vive um momento mágico, Estaria correto se fosse um momento trágico... Sim presidente, nos pagamos as contas com um mês de atraso. É impossível se sentir confortável... Em um País que uma estatal gera lucro Mas o brasileiro angustiado... Continua pagando a gasolina com um preço desagradável! É complicado manter o sorriso no rosto... Escutando as mentiras em série Os interesses de campanha se aproveitando da miséria... Um dia senhores, vocês terão o troco na mesma moeda! É impossível não questionar o motivo do voto obrigatório... Quando vejo o povo ter liberdade para falar mal e argumentar Mas e o Governo?

Enquanto isso, no Twitter da @Editoranovitas...
@CalazansLuciano “Mas a maioria das emoções vem depois dos tímpanos. O beijo vem depois dos tímpanos, o abraço idem. Um encontro vem depois dos tímpanos...” @EuHoje Eu preparo uma canção em que minha mãe “não me reconheça”... #YoHoy @angelcabeza Nunca perguntes o que um escritor quis dizer com seu texto. O encanto do mistério pode desaparecer. @ColunaFantasma Andava vazio: de amor. De paixão. De ambição. De sofreguidão. De destino. Já a saudade, bom, esta ia até a tampa. #curtaconto @gloriadioge “ amar é arriscar. eu acredito em asas. tenho penas leves “
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EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA O CONSUMO CONSCIENTE
Ângela M. Brighenti
E quem pode dizer que Meio Ambiente não tem nada a ver com Cultura? Aqueles que fazem parte do universo cultural são os mesmos que, pela troca de saberes, entendem a necessidade em respeitar tanto o mundo onde vivemos, quanto a individualidade daqueles com que convivem em seu dia a dia. Assim, a Novitas agrega mais uma pequena peça neste quebra-cabeça, com projetos sociais que tenham relevância, como este que divulgamos nesta edição:

Descrição
Anda Ambiente baseia-se em temas relativos ao consumo consciente, reciclagem e coleta seletiva vistos como práticas sustentáveis de consumo e boas práticas de cidadania como oportunidades para ações de comunicação visando a atuar em favor da educação ambiental formal ou informal para todos aqueles que têm mais de sete anos.

trazem diversão com a vantagem de que não há limite etário para quem gosta de cantar.

conteúDos: HistóriAs De FAzer o meio Ambiente AnDAr...
• “Lixo espalhado e jogado”: encenação e canções sobre lixo pós-consumo e poluição ambiental: “O rap do planeta cansado”, “Vamos reciclar”, “Criança ativa”, “A coleta seletiva”, “Os 4 Rs, “A Vila Paplás”. • “Tetralogia da reciclagem”: caracterização lúdica de personagens e cores da coleta seletiva: O menino azul; A raposa vermelha; A girafa verde; O sapo amarelo e Zuleica, 5º Elemento: um texto, um poema, uma canção e um plano pedagógico. • “O Livro das Bruxas” : as histórias das “bruxas ambientais”- A Bruxa Brúvia; A Bruxa Brúvia e o Manual de Feitiços Ambientais; A Bruxa Bruviela ; Bruviela e a Maldição de Zyria : tramas entre gerações de bruxas boas e más que desejam salvar o planeta; outras bruxas são caracterizadas por sutilezas do comportamento humano.

Ações De comunicAção e eDucAção
Incluem ferramentas variadas, tais como criação de vídeos curtos, pintura, desenhos animados, encenações de peças musicais por grupos de estudantes, poemas e canções para ilustrar aulas clássicas de educação ambiental, apresentações culturais e animação profissional.

ForçA Do Argumento
Favorecimento de sua adoção para programas de responsabilidade socioambiental sob a perspectiva corporativa, da EA formal e informal. Os temas se apóiam nas Ciências e a transversalidade ocorre por conta do consumo, cidadania, ética e comportamento.

PersPectivAs
Corporativa: Empresas que prestigiam a educação e a leitura, podendo a interação com a comunidade lhes trazer o benefício do desenvolvimento de produtos mais benéficos do ponto de vista de sustentabilidade. Educação Ambiental formal: Conteúdos inspiram à capacitação profissional de professores, elaboração de planos pedagógicos, internet ou pesquisa. Educação Ambiental informal: Canções temáticas e livros de histórias sempre

sobre

a

autora:

Engenharia de Materiais & Especialista Ambiental
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OpiniãO
Livro digitaL, no BrasiL?
Apesar de ter 28 anos e minha geração ter contribuído e muito com o “sumiço” do livro, eu ainda sou do tempo que um bom livro é diferente de ler links ou mesmo de escrever em blog. Sim, eu escrevo em blogs e leio links, mas sei a diferença entre um e outro. Muito me espanta quando vejo pessoas comemorando sobre o surgimento do livro digital, uma vez que moramos no Brasil, onde ainda hoje existem milhares de pessoas que não tem acesso ao computador doméstico. Pois é, o meu Brasil provavelmente não é igual ao Brasil dos outros; alguns Estados são super desenvolvidos, já outros vivem na miséria. Em muitas cidades existem localidades que a internet não chega, logo não comemoro o livro digital, pois penso que o livro seja ainda a leitura mais democrática. Se baixo um E-book tenho dois trabalhos: o de baixar e o de imprimir. Prefiro ir em uma livraria ou mesmo comprar pela internet o livro pronto. Uma outra coisa que faço é procurar o número de ISBN, que infelizmente em vários e-book’s não existe. Meu lado editorial se mistura com o de leitora e penso que se o livro é bom, precisa existir um registro que comprove que o autor está recebendo seus direitos autorais. Se para existirmos no Brasil como pessoas precisamos ter a certidão de nascimento, porque com o livro seria diferente? Existem regras que devemos cumprir. Não considero o blog um livro: blogs são feitos para ensaios. Blogs são uma amostra do que somos capazes, e quando aconselho as pessoas a guardarem alguns escritos sem publicar na internet, é para voltar a “máxima” do original. O original não tem esse nome a toa. Faço parte da geração que assumiu que o mundo tem muita pressa, e na pressa acabamos não lendo até o final, não voltando ao início se não entendeu e o principal: perguntando muito pouco. O livro pode “acabar” no Japão, nos EUA mas até acabar no Brasil existe um grande abismo. O “sumiço” do livro é preocupante uma vez que somem os livros, somem os leitores. Eu queria acreditar que o “sumiço “ do livro indique que as pessoas estão lendo mais no computador, mas não é o que acontece. Ninguém consegue ler e entender, com o msn ligado, a página do orkut e do twitter aberta e conversando ao mesmo tempo. Todos tem direito a fazer o seu lazer na internet, mas na real quantos adolescentes sentam na frente do computador, para realmente estudar? Alguns ainda investem na história ecológica para

17 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº3 - Dezembro 2009

por Letícia L. Coelho sumir com os livros. Lamentável é que utilizar papel reciclável no Brasil ainda é mais caro que usar o papel virgem. E aproveito para perguntar? Onde está escrito que computadores são benéficos com a natureza? É de se pensar... Pensando comigo mesma, fico satisfeita por países que conseguiram quebrar a barreira tecnológica e todos possuem ou dispõem de recursos para usufruir de tecnologia de ponta. Mas aqui no Brasil, primeiro precisamos “arrumar” velhos problemas como saúde, educação, segurança e modo de vida descente para todos, antes de fazermos campanha para popularizar o livro digital. Vamos tornar popular o livro impresso? É mais realista, é mais o Brasil atual!

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Letícia Losekann Coelho é pedagoga, escritora e editora.

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