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INTRODUÇÃO

Esta pesquisa traz diversas narrativas de um Oficinar entrelaçadas na problematização
dos processos transversalizados na clínica em saúde mental e álcool e outras drogas
bem como no âmbito da assistência social. Aposta-se cartografar – por meio de
narrativas, músicas, fotos, vídeos – os encontros e seus efeitos. O trabalho objetiva
afirmar alguns modos, princípios de num determinado modo de Oficinar, suas
modulações experimentos que foram possíveis. Bem como afirmar as oficinas1 como
um artifício na e da clínica.
Num exercício de cartografar os efeitos do que se transversaliza nas Oficinas e suas
relações com uma vida que é simultaneamente singular e atravessada pelo coletivo.
Propomos acompanhar as modulações, repensando alguns modos de um Oficinar numa
clínica que trans-borda os/nos estabelecimentos de assistência à saúde, à assistência
social, à arte, e caminha por diversos campos e estabelecimentos, clínicas, abrigos,
serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos... Abrindo novas possibilidades de
espontanear, e expressar às novas formas de vida que pedem passagem.
“O estilo é narrativo”. Trata-se de percursos realizados em diversas paisagens que foram
percorridas desde o final do ano de 2005 e ainda hoje continuam suas efetuações. Na
linguagem dos contos de tradição oral trama-se enredos, hora fictícios mais que reais,
hora reais na oralidade dos contos. Pela maioria das vivências terem sido um mergulho
nas intensidades do passado, para ressignificá-las no presente, foi impossível falar disso
tudo impassível e comportadamente. (ROLNIK, p.230)
Para tal narrativa lançamos mão da definição de personagens conceituais de Deleuze
(1992). Descolado de um narrativa individualizante e os personagens e expõem e/ou
vivem os conceitos-ferramentas trabalhados, de forma que “operam os movimentos que
descrevem o plano de imanência do autor, e intervém na própria criação de seus
conceitos”. (p.85). (...) “O personagem conceitual é o devir ou o sujeito de uma
filosofia” (p.86). Aqui, os personagens conceituais e as figuras estéticas misturam-se,
ora em tipos psicossociais, ora em potências de afectos e perceptos. (p.88).
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Espaços destinados ao uso de atividades no cotidiano dos estabelecimentos de assistência à saúde e
assistência social.

Tião começa descobrir aos poucos que não conseguirá capturar por completo ou reduzir aquelas narrativas de vida a um modelo rígido. O filme conta a história de um jovem. sua ginga cadenciou e noutra levada sua dança fez movimentos diferentes. Ambos os personagens vivem as histórias e narram por meio de cartas as experiências vivenciadas pelo autor.. nossos personagens vão correr mundo. Acompanha processos. Uma crítica aos estabelecimentos asilares e seus diversos modos de pensar-sentir-agir que atualizam e retroalimentam essa lógica manicomial de produção de doença. dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno. traz uma descrição dos personagens Pedro Malasartes. Num solo comum Pedro caminhou. Na boca da noite ao redor de uma fogueira. A tarde foi se transformando em noite.. Já o termo “patologizante” refere-se a um processo manicomial institucionalizante produtor de doença e alienação. um típico matuto brasileiro. 2 Fazemos referência ao filme nacional de Drama “Bicho de cabeças” . vadiava pelas ruas. Cultiva uma atenção aos movimentos daquilo que é processo. A superfície narrativa nos modos da história oral traz contornos aos fluxos e intensidades enviesadas nas experiências. “quem não é louco acaba ficando”.(2000). Entende e sente aos poucos àquela ética. No plano 1: Narrativas Híbridas. um pesquisador-cartógrafo e Terapeuta Ocupacional e o Bicho-de-sete-cabeças. enquanto as notas de rodapé trazem “traços” de densidades conceituais e outros esclarecimentos que ajudam a entender as relações feitos com o campo teórico. passa e foge. Há algum tempo um menino Pedro. do improviso. Uma espécie de. Os efeitos da marretada o amoleceram. que foi internado num manicômio pelos pais terem o encontrado com um cigarro de maconha. um cientista estrangeiro que com certo ar de superioridade vivia a pesquisar os modos de vida e a ética do “entre”. Após se conhecerem num lugar chamado “entre”. queria reproduzir as mandingas e vadiações daquele povo. arteiro.. contam histórias. Sebasthian Rodrigues..Este trabalho foi configurado em três planos narrativos. Este encontro foi uma marretada em sua existência e o tirou do lugar. Canto dos Malditos. Um dia numa de suas andanças foi surpreendido por um tal bicho-de-cabeças2-patologizante. . Exercita seus afectos e perceptos numa lógica dos encontros. Pedro traz no corpo a capoeira e uma ética da vadiação... num lugar chamado “entre” aprendeu um ofício e conheceu Tião.

vídeos.“Viagens no Recife”. cada um a seu modo. Ali. afetados pelos encontros. buscando caminhar nos interstícios de espaços que realizam e usam atividades com finalidades diversas – caçam curtos instantes revolucionários num impulso experimentador. Álcool e outras drogas do Ministério da saúde. músicas e relatos – artifícios expressivos possíveis nos processos e experiências em oficinas ocorridas num abrigo de população em situação de rua e numa ONG de arte-educação e educação não-formal. atividades e terapia ocupacional. Contarão histórias de suas trajetórias e os efeitos dos encontros por eles vivenciados. O projeto do Ministério da Saúde Percursos formativos.. Vivenciar diversidades nos modos de estar na clínica com estes e outros personagens. bricolagens híbridas para compor suas cartografias. O projeto percursos formativos na RAPS: Intercâmbio entre experiências e supervisão clínico-institucional. é um projeto da coordenação geral de saúde mental. num CAPS ad do Recife. No segundo plano narrativo .. Tião após conhecer Pedro. relata a experiência de imersão de durante 30 dias na rede de atenção psicossocial (RAPS). ávido às novas trilhas. apostas éticas. aprende a cartografar seus encontros. poderemos sobrevoar e caminhar entre as paisagens por eles contempladas. poesias. Além das histórias de vida. Foi uma imersão na rede de atenção psicossocial do Recife. Dizem os que sabem que eles irão trocar cartas com outros personagens e visitar novos lugares. numa clínica que alguns a chamam de oficinas. cada um com sua ginga continuam trilhando seus ofícios e correspondem-se por cartas narrando os efeitos e seus encontros num oficinar. dispositivos. Eles trazem fotos. grafite contidos no território. A temática neste plano está associada às demandas relacionadas ao álcool e outras drogas. As cartografias realizadas foram registradas apartir dos diversos analisadores (fotos. Será? . Falam de artifícios. Como ocorrem Plano 3 Com os personagens Pedro Malasartes e Sebasthian Rodrigues. o “entre” e suas cartas exercita no corpo um afetar-se com aquilo que apenas racionalizava em seus relatos de pesquisa.Ao sair dali. Pedro ao escrever as cartas. narram encontros no “entre” de seus ofícios.

anti-heroi. sempre disparando um pensar sobre as convenções e regras naturalizadas. ingênuo. Ao ouvir suas narrativas. ficou conhecido como "Pedro de Udermales". Metodologia cartografia e historial oral 3 Personagem do filme brasileiro: O Auto de Compadecida lançado e lançado em 2000.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/auto-dacompadecida.html 4 Um dos contos tradicionais brasileiros mais famosos que conta uma das aventuras de Pedro Malasartes. disponível em: http://educacao. vaidosos e avarentos . . Ele. Em Portugal era simplesmente "Malasarte". No Brasil já foi identificado também pelos que queriam capturá-lo como: Besouro Preto de Mangangá. Pedro apresenta varias faces em suas narrativas. baseado na peça teatral homônima lançado em 1955 e escrita por Ariano Suassuna. Acesso em 12/12/13.globo. temido pelos capitães do mato. O fato é que o astuto e humilde Pedro Malasartes continua explorando o mundo em suas aventuras e peripécias.Pedro Malasartes é um típico matuto brasileiro. enfrenta o que der e vier principalmente se for diante de poderosos. e até bichos esquisitos que cruzarem seu caminho. na Noruega o conhecido "Peer Gynt". Ficou Famoso também nas histórias árabes. Recentemente ele reapareceu no cinema como João Grilo3. Na Espanha. suas histórias estão espalhadas pelo Brasil afora e até pelo mundo. Na Alemanha existiu como "Till Eulenspiegel". dirigido por Guel Arraes. Tolo. há quem diga que ele não existiu. coisas. alguns dizem que já o viram pessoalmente e até aprendeu como fazer uma Sopa de Pedra4 deliciosa. onde recebeu o nome de "Nasrudin". corajoso e louco-sábio. que são seguidas sem serem questionadas. porém. cheio de artifícios e artimanhas. Contam que Malasartes percorreu vários países do mundo e recebeu diferentes nomes por onde passou.pessoas. um capoeira.