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APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.72.99.003891-0/SC
RELATOR
APELANTE
ADVOGADO
APELANTE
ADVOGADO
APELADO

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Des. Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Milton Drumond Carvalho
CARLOS ANDRADE DE ARRUDA
Roque Fritzen e outro
(Os mesmos)

EMENTA

PREVIDENCIÁRIO. ATIVIDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL
CORROBORADO POR TESTEMUNHAS. CONTAGEM A PARTIR DOS 12
ANOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APOSENTADORIA
ESPECIAL. RECONHECIMENTO DE TEMPO ESPECIAL. CONVERSÃO DE
TEMPO COMUM EM ESPECIAL. POSSIBILIDADE. PERÍODO ANTERIOR
AO ADVENTO DA LEI Nº 9.032/95. TUTELA ESPECÍFICA.
1. O tempo de serviço rural para fins previdenciários, a partir dos 12 anos, pode ser
demonstrado através de início de prova material, desde que complementado por prova
testemunhal idônea. Precedentes da Terceira Seção desta Corte e do egrégio STJ. 2. O
reconhecimento de tempo de serviço prestado na área rural até 31-10-1991, para efeito de
concessão de benefício no Regime Geral da Previdência Social, não está condicionado ao
recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes (arts. 55, §2º, e 96, IV, da Lei
8.213/91, art. 195, §6º, CF e arts. 184, V, do Decreto 2.172/97, e 127, V, do Decreto 3.048/1999).
3. Uma vez exercida atividade enquadrável como especial, sob a égide da legislação que a
ampara, o segurado adquire o direito ao reconhecimento como tal. 4. Possível a conversão do
tempo de serviço comum em especial em relação a todo período de labor desempenhado até
24-08-95, dia imediatamente anterior à vigência da Lei nº 9032/95 que alterou a redação do § 3º
do art. 57 da Lei nº 8.213/91. 5. Contando a parte autora com 25 anos de trabalho sob condições
nocivas à saúde ou à integridade física e preenchidos os demais requisitos previstos na legislação
pertinente lhe é devida a concessão de aposentadoria especial. 6. Determina-se o cumprimento
imediato do acórdão naquilo que se refere à obrigação de implementar o benefício, por se tratar
de decisão de eficácia mandamental que deverá ser efetivada mediante as atividades de
cumprimento da sentença stricto sensu previstas no art. 461 do CPC, sem a necessidade de um
processo executivo autônomo (sine intervallo).

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a
Egrégia 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar provimento
ao recurso do autor, negar provimento ao recurso do INSS e determinar a implantação do
benefício, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante
do presente julgado.
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31/8/2008 17:04

divididas igualmente entre autor e réu.INSS Milton Drumond Carvalho CARLOS ANDRADE DE ARRUDA Roque Fritzen e outro (Os mesmos) RELATÓRIO Cuida-se de remessa oficial e de apelação interpostas da sentença que. alegando que faz jus ao benefício de aposentadoria especial ou 2 de 11 31/8/2008 17:04 .ph.200-2/2001 de 24/08/2001.72. reconhecendo o período rural de 02-07-51 a 02-05-70 e a especialidade do período de 02-05-94 a 03-04-00. sendo que para o INSS são devidas por metade.. condenou as partes a pagarem custas processuais.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL . que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira . julgou procedente o pedido para condenar o INSS a averbar os referidos lapsos.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. Porto Alegre. O INSS recorre postulando a reforma da sentença. Deixou de implementar a aposentadoria especial tendo em vista que o autor possui apenas 05 anos.ICP-Brasil.. Em face da sucumbência recíproca. No que pertine ao tempo de serviço especial. 11 meses e 02 dias de tempo especial. alega que não há documentos que comprovem o exercício de atividades sujeitas a condições prejudiciais à saúde ou integridade física da parte autora. Desembargador Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA Relator Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.jus. Refere a impossibilidade do cômputo do tempo rural antes dos 14 anos. Sustenta inexistir início de prova material a demonstrar o trabalho rural e a necessidade do recolhimento das contribuições. em razão da AJG.trf4. No tocante aos honorários advocatícios. determinou a compensação. e suspensa em relação ao autor. 06 de agosto de 2008. O autor recorre.003891-0/SC RELATOR APELANTE ADVOGADO APELANTE ADVOGADO APELADO : : : : : : Des.99. por: Signatário (a): JOAO BATISTA PINTO SILVEIRA:22140646053 Nº de Série do Certificado: 42C5179E Data e Hora: 07/08/2008 12:06:41 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007. Refere que não é possível a concessão da aposentadoria por tempo de serviço porque o autor postulou apenas aposentadoria especial.

subiram os autos a este Tribunal. A questão controversa nos presentes autos cinge-se à possibilidade de reconhecimento do período rural de 02-07-51 a 02-05-70 e da especialidade do período de 02-05-94 a 03-04-00.jus..trf4.99.ph. 3 de 11 31/8/2008 17:04 . aposentadoria por tempo de serviço proporcional. É o relatório. 27 v. por: Signatário (a): JOAO BATISTA PINTO SILVEIRA:22140646053 Nº de Série do Certificado: 42C5179E Data e Hora: 07/08/2008 12:06:47 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007. frente à legislação previdenciária aplicável à espécie. Assim. À revisão.ICP-Brasil.003891-0/SC RELATOR APELANTE ADVOGADO APELANTE ADVOGADO APELADO : : : : : : Des. que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira . não obstante a ausência de requerimento administrativo. porquanto o valor da condenação ou da controvérsia não é excedente a 60 (sessenta) salários mínimos (§ 2º do art. Apresentadas contra-razões.72. a contar da data da citação.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. Inicialmente. Aduz que.DOU 27-12-2001). acrescido pela Lei nº 10. Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL . havendo interesse processual do demandante. cumpre referir que.200-2/2001 de 24/08/2001.352 .). ainda que não postulado. Desembargador Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA Relator Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.INSS Milton Drumond Carvalho CARLOS ANDRADE DE ARRUDA Roque Fritzen e outro (Os mesmos) VOTO Correta a sentença que não submeteu o presente feito à remessa oficial. e à conseqüente concessão de aposentadoria especial ou por tempo de serviço/contribuição (NB 42/1346162481). está presente a pretensão resistida. 475 do CPC.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. pode o magistrado conceder o benefício proporcional.. em 19-05-2000 (fl. o INSS contestou o pedido.

se caracterizado o regime de economia familiar (STJ . também. AMS 2001. como início de prova material. normalmente é o genitor. Federal Paulo Afonso Brum. Esse entendimento.AgRg no REsp 318511/SP. não há impedimento a que sejam considerados os documentos emitidos em período próximo ao controverso. 244 do CPC. Min. 55 da Lei nº 8213/91 e Súmula 149 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Paulo Gallotti. consoante disposto no art. Sabe-se ainda que os documentos expedidos em nome de integrantes do grupo familiar e a qualificação em certidões têm sido aceitos pela jurisprudência como início de prova material.001187-6/SC. STJ.jus. desde que indiquem a continuidade da atividade rural. conforme disposto no parágrafo 3º do art. Min.2002.. Nesse sentido: EDREsp 297. ainda quando o autor postulou o benefício de aposentadoria especial. Rel. via de regra. Vale lembrar que não se mostra razoável exigir que os documentos carreados ao processo sigam sempre a forma prescrita em lei. Ressalvo que é possível a concessão da aposentadoria por tempo de serviço proporcional. na qual predomina a informalidade na demonstração dos fatos. Jorge Scartezzini. consoante interpretação sistemática da lei.302/RS. o importante é a apresentação de documentos que caracterizem o efetivo exercício da atividade rural.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. Visando à comprovação do efetivo exercício nas atividades agrícolas. alternativamente. do qual se conclui não haver violação aos limites da lide quando a nomenclatura da aposentadoria concedida é diversa da constante no pedido inicial ou daquela reiterada em apelação.08..ph. DJU de 12-05-2003). devendo ser contemporâneos à época dos fatos que se pretende comprovar. tendo em vista o princípio jura novit curia e seu corolário narra mihi factum dabo tibi ius. cumpre ao julgador valorar os fatos e circunstâncias evidenciados com ênfase no artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil e levar em conta a realidade social em que inserido o trabalhador rural. geralmente o chefe da unidade familiar. reproduz a orientação consolidada no âmbito das Turmas integrantes da 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (AGREsp 603. como já referido.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. nesse tipo de entidade familiar os atos negociais são efetivados em nome do chefe do grupo familiar. REsp 461. Des. o qual. DJU de 19-04-2004. por isso devem ser considerados válidos quando de outra forma atingir a finalidade precípua de comprovar o exercício da atividade rural. DJ 01. os documentos relacionados nos incisos do artigo 106 da Lei de Benefício (rol não exaustivo). Gilson Dipp. se contemporânea aos fatos. Hamilton Carvalhido. pois não há essa exigência na lei e. podendo estender-se ao cônjuge. 5ªT. Min. não precisam estar em nome da parte autora para serem tidos como início de prova do trabalho rural. De outro modo. TRF 4ªR.72. ainda que parcialmente. 5ª T. Registre-se que o início de prova material. haja vista que o trabalho com base em uma única unidade produtiva tem como regra a documentação emitida em nome de uma única pessoa.03. Rel. 6ª T. configurar-se-á mediante documentos que comprovem o exercício da atividade nos períodos postulados. os quais.663/RS.trf4. a qualificação de lavrador ou agricultor em atos do registro civil tem sido considerada. Da comprovação do tempo de atividade rural Tratando-se de rurícola.2004 e AgRg nos EDcl no Ag 4 de 11 31/8/2008 17:04 . DJ 26. Em sendo assim. DJ 05-06-2002).06.823/SP. aliás. salvo na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito. Rel. a parte autora poderá apresentar. Outrossim. Rel. não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal. Min. Rel.

O e. se pronunciado a favor do reconhecimento do tempo de serviço agrícola ao menor de quatorze anos. da relatoria do Ministro Gilmar Mendes. por sua 3ª Seção. tendo recentemente a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. a data de início da cobrança das contribuições 5 de 11 31/8/2008 17:04 . Destarte. Eros Grau. afastou-lhe a aplicação em relação ao trabalhador rural enquanto este estava desobrigado de contribuir ao Regime Geral de Previdência Social. outrossim. consoante o seguinte precedente: EREsp 576741/RS. sem recolhimento de contribuições. de sorte que. previu o cômputo do tempo rural. as exações em comento. o tempo de serviço rural anterior à vigência da Lei 8. Juiz Federal Ricardo Teixeira do Valle Pereira. a princípio só poderiam ser exigidas após noventa dias da data da publicação da lei que as instituiu. 195. não merecendo tal questão maiores digressões. com decisão publicada no DJU de 11-03-05. o regime de custeio e de benefícios da Previdência Social. se as Leis 8. nos termos do §2º do art.01.. 561483/SP. a sua incidência deve observar o ditame do art.213/91. 55.º 529694/RS. da Constituição Federal. quando anterior à sua vigência. Da dispensa do recolhimento de contribuições Nos casos de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição. independentemente de contribuições.trf4. 3ª Seção. também impugnado na mesma ação. DJ 06-06-05. Supremo Tribunal Federal possui o mesmo posicionamento (AgRg.º 2001. DJ 22-04-2005 e AgRg no RE 339.213/91 estabeleceram. não se exige prova material plena da atividade rural em todo o período requerido. § 2º. Rel.ph. (grifado) Destarte. firmou entendimento no sentido da possibilidade do cômputo do tempo de serviço laborado em regime de economia familiar a partir dessa idade. DJ 15-04-2005). O tempo de serviço do segurado trabalhador rural. tendo estipulado. Superior Tribunal de Justiça pacificou recentemente.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. na sessão de 12-03-2003. No tocante à possibilidade do cômputo do tempo rural na qualidade de segurado especial a partir dos 12 anos de idade. tendo a normativa de regência sido publicada em 25 de julho de 1991. salvo para carência. Min. ipsis literis: §2º. Rel. §6º. 55 da referida lei. mas início de prova material. a quota de participação do segurado especial na manutenção do sistema previdenciário. Rel. Por outro lado. Ademais.jus. Frise-se que o e. justificando-se tal restrição apenas em relação à contagem recíproca de tempo de serviço público. da Lei 8213/91.RE 369.04. Rel. ao julgar o AI n. Hélio Quaglia Barbosa.655/PR. exceto para efeito de carência.. 96 da Lei de Benefício.351/PR. a Terceira Seção desta Corte ao apreciar os Embargos Infringentes em AC n. Min. no que tange ao inciso IV do art. 55 da Lei 8.212 e 8. o que vai ao encontro da realidade social no sentido de não inviabilizar a concessão desse tipo de benefício. Gilson Dipp. Min.025230-0/RS. conferida pela mencionada medida provisória. 5ª T.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. a matéria. na esteira de iterativa jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça. Min. o STF. conforme dispuser o Regulamento. por expressa ressalva do § 2º do art. tratando-se o tributo em apreço de contribuição social. Nessa senda. respectivamente. (cuja nova redação. DJ 24-05-2004). o art. passou a prever que o cômputo de tempo de serviço. só seria realizada por intermédio de indenização das exações correspondentes ao interregno correspondente). será computado independentemente do recolhimento das contribuições a ele correspondentes. anterior à data de início de vigência desta Lei. Eros Grau. emprestando-lhe interpretação conforme à Constituição.213/91 pode ser computado para a aposentadoria por tempo de serviço/contribuição.

o segurado adquire o direito à contagem como tal. posicionamento. Do caso em análise Visando à demonstração do exercício da atividade rural. Ressalte-se que o tempo de serviço rural sem o recolhimento das contribuições.172/97 e no art. batata. resta devidamente comprovado o trabalho agrícola desenvolvido pela parte autora. Desse modo. é de ressaltar-se que o tempo de serviço é disciplinado pela lei em vigor à época em que efetivamente exercido. ao alistar-se. à míngua da correspondente fonte de custeio de tempo de serviço rural em regime de economia familiar. 10). o qual expressamente refere que o tempo de contribuição do segurado trabalhador rural anterior à competência de novembro de 1991 será computado. informando que o autor. os quais devem ser averbados pelo INSS. independe de repasse ao erário das contribuições previdenciárias relativas a esse período. a parte autora juntou aos autos documentos.. de 02-07-51 a 31-05-70. Laurita Vaz. Min. 11-2). dos quais se destacam: 1) certidão do Ministério do Exército. o patrimônio jurídico do trabalhador. V.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. Inquiridas as testemunhas Olindino Manoel Mendes. 2) certidões de nascimento de seus filhos. Rel. 09).ph. Verifica-se. ocasiões em que o demandante foi qualificado como lavrador (fls. a partir dos documentos acostados aos autos. Jorge Scartezzini.959/RS. todo ele compreendido anteriormente a 31-10-1991. não se aplicando retroativamente uma lei nova que venha a estabelecer restrições à admissão do tempo de serviço especial. em 07-10-03 e REsp 603. do Decreto 3. Min. corroborados pelo depoimento testemunhal.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. 184. j. bem como à comprovação das condições de trabalho na forma então exigida.048/1999. em 1956. aliás. em regime de economia familiar. declarou que exercia a profissão de lavrador (fl. como direito adquirido. aliás. do Decreto 2. totalizando 18 anos e 11 meses. Osni Batista de Souza e Valdemar Rogério Valter (fls.. restou confirmado que o requerente trabalhou na agricultura. os quais constituem início de prova material.REsp 506.202. feijão. sendo o excedente comercializado. decisão de 06-05-04). que a contagem do intervalo temporal a ser declarado para fins de averbação no RGPS. em regime de economia familiar. por conseguinte.trf4. possível a extensão daquela data até 31-10-91. com assentos em 1962 e 1964. no período alegado. realizado na década de 1960. advertidas. 98. é a orientação adotada pela Terceira Seção do Egrégio Superior 6 de 11 31/8/2008 17:04 . Assim. 3) certidão de seu casamento. compromissadas e não impugnadas pelo Instituto Previdenciário. Eram cultivados milho. aproveita tanto ao arrimo de família como aos demais dependentes do grupo familiar que com ele laboram (STJ . V. previdenciárias seria dia 22 de outubro daquele ano. na qual foi referido como lavrador (fl. Desse modo. 127. passando a integrar. uma vez prestado o serviço sob a égide de legislação que o ampara. DA ATIVIDADE ESPECIAL Com relação ao reconhecimento da atividade exercida como especial.jus. 112-3). Rel. já assentado no art. em se tratando de regime de economia familiar. Nesse sentido.

b) a partir de 29-04-95. a agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física. possível o reconhecimento da especialidade do trabalho quando houver a comprovação do exercício de atividade enquadrável como especial nos decretos regulamentadores e/ou na legislação especial ou quando demonstrada a sujeição do segurado a agentes nocivos por qualquer meio de prova (exceto para ruído. data da extinção do reconhecimento da atividade especial por presunção legal. 6ª Turma. Sexta Turma. d) após 28-05-98. considerando-se suficiente. de forma permanente.831/64 (Quadro Anexo . DJU de 23-06-2003). devem ser considerados os Decretos nºs 53.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. 58 da Lei de Benefícios pela Medida Provisória nº 1.2ª parte) e 83.1ª parte) e 83.. sem a exigência de embasamento em laudo técnico. Tem-se.832/PR. 57 e 58). devem ser considerados os Decretos nºs 53.523/96 (convertida na Lei nº 9. 70 do Decreto nº 3. necessária a demonstração efetiva de exposição. Quinta Turma. em que necessária sempre a aferição do nível de decibéis por meio de perícia técnica. passou-se a exigir.032/95 no art. Relator Ministro Hamilton Carvalhido.ph. e REsp nº 491. Já para o enquadramento dos agentes nocivos. em que vigentes as alterações introduzidas pela Lei nº 9.080/79 (Anexo II) até 28-04-95. carreada aos autos ou noticiada em formulário emitido pela empresa. Rel. em que vigente o Decreto nº 2. Min. Min. Hamilton Carvalhido. DJU de 04-08-2003. Laurita Vaz.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www.338/RS. Relator Ministro Gilson Dipp. DJU de 01-03-2004). qual a legislação vigente quando da prestação da atividade pela parte autora. inclusive. DJU de 23-06-2003. necessário inicialmente definir qual a legislação aplicável ao caso concreto.831/64 (Quadro Anexo .trf4. para tanto.213/91 (Lei de Benefícios). REsp nº 513. embasado em laudo técnico. Rel.800/RS.663/98. Feita essa consideração e tendo em vista a diversidade de diplomas legais que se sucederam na disciplina da matéria. por qualquer meio de prova. a fim de se verificar a nocividade ou não desse agente). ou por meio de perícia técnica.458/RS. Jorge Scartezzini. em sua redação original (arts. ou seja. a seguinte evolução legislativa quanto ao tema sub judice: a) no período de trabalho até 28-04-95. DJU de 25-02-2004. foi definitivamente extinto o enquadramento por categoria profissional.048/99.. Tribunal de Justiça (AGREsp nº 493.172/97. que regulamentou as disposições introduzidas no art.827/2003. não ocasional nem intermitente.711/98). c) no lapso temporal compreendido entre 06-03-97 e 28-05-98. a apresentação de formulário-padrão preenchido pela empresa. que introduziu o § 1º ao art. de modo que. então. 57 da Lei de Benefícios. posteriormente. Para fins de enquadramento das categorias profissionais. quando vigente a Lei nº 3.jus. convertida na Lei 9. para fins de reconhecimento de tempo de serviço especial. Rel. 28 da MP 1. não é mais possível a conversão de tempo especial para comum (art. Min.080/79 (Anexo I) até 05-03-97 e o Decreto nº 2.807/60 (Lei Orgânica da Previdência Social) e suas alterações e. REsp nº 397. 5ª Turma. no interregno compreendido entre esta data e 05-03-97. 5ª Turma. a comprovação da efetiva sujeição do segurado a agentes agressivos por meio da apresentação de formulário-padrão. a qual passou a ter previsão legislativa expressa com a edição do Decreto nº 4.207/RN. a Lei nº 8.528/97).172/97 (Anexo IV) no interregno 7 de 11 31/8/2008 17:04 . Essas conclusões tem suporte em remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 461.

71-2).71.ph. a Lei nº 9.10 do Anexo I do Decreto 83. não atinge os períodos anteriores à sua vigência. de forma habitual e permanente. Da conversão do período comum em especial Pretende o demandante a concessão do benefício de aposentadoria especial. o labor especial controverso está assim detalhado: Período: 02-05-94 a 03-04-2000 Empresa: Posto Jonas Ltda. 8.213/91.831/64. Função/Atividades: Frentista e vigia noturno Agentes nocivos: Hidrocarbonetos e inflamáveis Enquadramento legal: Códigos 1.jus. Provas: Laudo pericial judicial (fls. o patrimônio jurídico do trabalhador. ainda que os requisitos para a concessão da inativação venham a ser preenchidos posteriormente. AGREsp nº 228832/SC.2.19 do Anexo IV do Decreto 2.172/97 e súmula 198 do TFR. compreendido entre 06-03-97 e 28-05-98.. visto que não se aplica retroativamente uma lei nova que venha a estabelecer restrições em relação ao tempo de serviço. era regulamentada pelo Decreto 611/92. A fim de obter o mencionado benefício. a hidrocarbonetos e inflamáveis (periculosidade). 64.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. pois.032. Considerando que a Lei nº 8. como direito adquirido. No caso concreto.032. O fato de os requisitos para a aposentadoria terem sido implementados posteriormente. a partir de então. Relator Ministro Hamilton Carvalhido.0. 57 da Lei n. nos termos da Súmula nº 198 do extinto Tribunal Federal de Recursos (STJ. ao alterar o § 3º do art. Assim. Desse modo. DJU de 30-06-2003).. Sexta Turma. até as alterações introduzidos pela legislação em comento. Consoante já referido. por meio de perícia técnica. de 28-04-1995. Conclusão: Restou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período antes indicado. não havendo. Além dessas hipóteses de enquadramento. conforme a legislação aplicável à espécie. sempre possível também a verificação da especialidade da atividade no caso concreto.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. consoante o art. a possibilidade de conversão de tempo de serviço comum em especial para fins de concessão do benefício de aposentadoria especial. óbice à pretensão. corresponde a 0. o índice de conversão a ser utilizado. No caso dos autos. de modo que chega-se ao seguinte tempo de serviço: 8 de 11 31/8/2008 17:04 . de 28-04-1995. vedando. 11 meses e 02 dias de atividade especial. o referido período corresponde a 05 anos.11 do Quadro Anexo do Decreto nº 53. deve haver a conversão para especial dos períodos em que laborou em atividade comum. os intervalos de tempo comum cuja conversão para especial postula o autor são todos anteriores à Lei nº 9. passando a integrar.080/79 e 1. e 1. não afeta a natureza do tempo de serviço e a possibilidade de conversão segundo a legislação da época.213/91.trf4. em virtude de sua exposição. o tempo de serviço é disciplinado pela lei em vigor à época em que efetivamente exercido.2.

resta comprovado ter o autor trabalhado em atividades especiais por mais de 25 anos. 21-3) 02a 09m 01d 0. a teor do que restou decidido pelo acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EFICÁCIA PREPONDERANTEMENTE MANDAMENTAL DO PROVIMENTO. 13-19) 20a 05m 04d 0. 142 da LB). 461 do Código de Processo Civil nas ações de natureza previdenciária.ph. quais sejam. REQUERIMENTO DO SEGURADO. CUMPRIMENTO IMEDIATO DO ACÓRDÃO.. TUTELA ESPECÍFICA. DESNECESSIDADE.jus. bem como para os trabalhadores e empregadores rurais cobertos pela Previdência Social Rural.213/91.. POSSIBILIDADE. 1. o que lhe garante o direito à aposentadoria especial. por tempo de serviço e especial obedecerá a tabela de acordo com o ano em que o segurado implementou as condições necessárias à obtenção do benefício (art. Para fazer jus à aposentadoria especial deve a parte autora preencher os requisitos previstos no art.71 14a 06m 00d Carnês (fls. ART. a carência exigida para a concessão do benefício é de 114 meses de contribuição nos termos da disposição contida no artigo 142 da Lei nº 8. OBRIGAÇÃO DE FAZER.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. somando-se o período rural e especial judicialmente admitido e o labor comum convertido em especial por este julgado. DA TUTELA ESPECÍFICA DO ART. Atento à necessidade de aparelhar o processo de mecanismos preordenados à obtenção do resultado prático equivalente à situação jurídica que se verificaria caso o direito material tivesse 9 de 11 31/8/2008 17:04 .trf4.71 01a 11m 14d Total 29a 10m 19d Dirimida a questão acerca da comprovação do tempo de serviço controvertido. No caso em análise. tendo a parte autora ajuizado o seu pedido em 2000. a contar da data da citação. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. a carência para as aposentadorias por idade. conforme delimitado na inicial (19-05-2000 -DIB). PREVIDENCIÁRIO.71 13a 05m 05d CTPS (fls. Contudo.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. 57 da Lei de Benefícios. 461 do CPC. cabe a análise do direito à aposentadoria pretendida. a carência e o tempo de serviço. No que pertine ao tempo de serviço. 13-9 e 21-3. o que restou devidamente comprovado nos autos conforme documentos de fls. para os segurados inscritos na Previdência Social Urbana até 24-07-91. o autor perfaz o seguinte tempo de atividades especiais até 03-04-2000: Tempo de serviço especial reconhecido pelo julgado 05a 11m 02d Tempo comum convertido em especial pelo julgado 29a 10m 19d Total (julgado + INSS) 35a 09m 21d Portanto. Períodos Tempo Comum Multiplicador Acréscimo resultante da conversão do tempo comum em especial 02-07-51 a 31-05-70 (rural) 18a 11m 00d 0. 461 DO CPC A 3ª Seção deste Tribunal firmou posição no que se refere à aplicabilidade do art. Da carência A carência exigida no caso de aposentadoria por tempo de serviço é de 180 contribuições.

via de regra.078/90) instituído a tutela específica do direito do "credor" de exigir o cumprimento dos deveres de fazer ou não fazer decorrentes de relação de consumo. na parte referente à implantação futura do benefício. 461 do Código de Processo Civil operada pela Lei 8. a fim de que seja outorgado à parte autora o benefício na forma da fundamentação precedente. enseja o cumprimento imediato da determinação de implantar o benefício. em até 45 dias. § 2º. de efeito suspensivo daqueles recursos. caput. p/acórdão Des. sem a necessidade de um processo executivo autônomo (sine intervallo). fixados em 10% 10 de 11 31/8/2008 17:04 . visto que o acórdão que concede o benefício previdenciário. A respeito do momento a partir do qual se poderá tornar efetiva a sentença. conferindo-lhe efeitos concretos. No tocante à determinação de implantação do benefício (para o futuro. não a Lei do Mandado de Segurança. a tutela específica para o cumprimento dos deveres de fazer ou não fazer decorrentes das relações do direito material que não as de consumo.jus. em regra. 461 do CPC. a natureza preponderantemente mandamental da decisão não implica automaticamente o seu cumprimento imediato. conforme os parâmetros definidos neste acórdão. na época da edição do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8. em segundo grau. Tal cumprimento não fica sujeito. pois há de se ter por referência o sistema processual do Código. portanto). Em suma.trf4. do cumprimento imediato da sentença. do CPC. 1º-A e 3º do art. que já havia. Portanto. em parte. 100 da Constituição Federal.ph. independe de requerimento expresso por parte do segurado ou beneficiário.952/94. independentemente de trânsito em julgado e de pedido específico da parte autora. de regra. tirando o direito do plano genérico-abstrato da norma. consequentemente. inseriu no ordenamento processual positivo. nos termos do art. Federal Celso Kipper. que esteja sujeito apenas a recurso especial e/ou recurso extraordinário. estando o presente acórdão sujeito apenas a recurso especial e/ou extraordinário. a morosidade judicial. compõe-se de uma condenação a implantar o referido benefício e de outra ao pagamento das parcelas atrasadas. nos termos dos parágrafos 1º. na proporção em que busca dar ao cidadão aquilo e somente aquilo que lhe é devido. em casos tais. a sentença merece reforma. pois aquele é inerente ao pedido de que o réu seja condenado a conceder o benefício previdenciário. implante o beneficio de APOSENTADORIA ESPECIAL. ante a ausência. com o fito de lhe garantir a mesma conseqüência do que aquela que seria obtida pelo adimplemento voluntário. (QOAC 2002.. 71. 461 do CPC. acrescidos de juros de mora de 12% ao ano a contar da citação e dos honorários advocatícios. 7. com o pagamento dos valores atrasados. rel. O cumprimento imediato da tutela específica. traz por conseqüência a impossibilidade. entretanto. intime-se o INSS para que. por meio da alteração no art. e o seu deferimento sustenta-se na eficácia mandamental dos provimentos fundados no art. em vista da procedência do pedido. tal como no mandado de segurança. A adoção da tutela específica pela reforma processual de 1994 do CPC veio para suprir. seja determinado o cumprimento imediato do acórdão sujeito apenas a recurso especial e/ou extraordinário. Desse modo. de acordo com o art. no tocante à obrigação de implantar (para o futuro) o benefício previdenciário. 6. primeira parte. Questão de ordem solvida para que. A sentença que concede um benefício previdenciário (ou assistencial). 273 do CPC. 3. DE 02-10-2007). o de concessão do benefício) contido na petição inicial da ação.00.:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. 542. a sentença é condenatória mandamental e será efetiva mediante as atividades de cumprimento da sentença stricto sensu previstas no art.. corrigidos monetariamente pelo IGP-DI desde o vencimento de cada prestação. 520. 2. ao trânsito em julgado do acórdão. eis que a apelação de sentença concessiva do benefício previdenciário será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. motivo pelo qual a ausência de previsão de efeito suspensivo ex lege da apelação. requisito imprescindível apenas para a execução da obrigação de pagar (os valores retroativamente devidos) e.050349-7/RS. o legislador. 5. pois. 4. a determinação da implantação imediata do benefício contida no acórdão consubstancia. do CPC. diversamente do que ocorre no tocante à antecipação de tutela prevista no art.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. para a expedição de precatório e de requisição de pequeno valor. sido observado espontaneamente pelo "devedor" através da realização da conduta imposta pelo direito material. uma ordem (à autarquia previdenciária) e decorre do pedido de tutela específica (ou seja. Situação diversa ocorre.

Desembargador Federal JOÃO BATISTA PINTO SILVEIRA Relator Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.ICP-Brasil.trf4.jus.ph.. que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira .200-2/2001 de 24/08/2001. em conformidade com a Súmula nº 76 deste Tribunal e custas processuais por metade. a teor da LC/SC nº 161/97.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro. negar provimento ao recurso do INSS e determinar a implantação do benefício.. Frente ao exposto. voto por dar provimento ao recurso do autor. por: Signatário (a): JOAO BATISTA PINTO SILVEIRA:22140646053 Nº de Série do Certificado: 42C5179E Data e Hora: 07/08/2008 12:06:44 11 de 11 31/8/2008 17:04 .:: Portal da Justiça Federal da 4ª Região :: http://www. nos termos da fundamentação. sobre o valor das parcelas devidas até a data do presente julgamento.