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O ESPIRITISMO E AS

IGREJAS
REFORMADAS

Ficha Catalográf ica
Andrade , Jaym e
O E I R — J a y m e A n d r a d e - E d i t o r a E M E - C a p i v a r i - S P -1ª E d i ç ã o 1 9 8 3 - E d i t o r a A B C do I n t e r i o r - C o n c h a s - S P .
2 5 0 p.
- Literatura Brasileira - Espiritismo.
- Espiritismo - Estudos bíblicos e espíritas
C D D 133. 9

O Espiritismo e as Igrejas Reformadas
Jayme Andrade
7ª edição - julho/1999 - 1.000 exemplares
Capa e Arte:
Nori Figueiredo
Matheus Rodrigues de Camargo

Jayme Andrade

O ESPIRITISMO E AS
IGREJAS
REFORMADAS

Acaso me torno vosso inimigo
dizendo a verdade? (Gal. 4:16)

Capivari-SP

Edição e Distribuição:
E D I T O R A

Caixa Postal 1820 - 13360-000 - Capivari-SP
Fone/Fax: (019) 491-3878

Aos

queridos

amigos
AURÉLIO
]0Ã0

DE

AZEVEDO

BATISTA

diletos colegas do Banco do
ros

na

Seara

d Mestre,

CORDEIRO
Brasil

os

0

às

verdades

do

e

quais,

bondade, foram os primeiros a
reção

VALENTE

CAMPOS,

consagrados
com

guiar

muito

meus

NETTO

HERMÍNI O

CORREA

DE

e

CELSO

vontade,

prestaram

amor

e

Espiritismo;

ALVES

escritores

Obrei•

passos em di•

AURELIANO

eméritos

e

espíritas

que,

inestimável

MIRANDA

MARTINS,

com

inexcedível

colaboração

na

boa
pesqui•

sa, organização e revisão deste livro; e

à

minha

dedicada

esposa

LÚCIA
pelo

ANDRADE,

carinhoso

incentivo

das as horas,

ofereço este modesto
ra

gratidão,

do

nosso

em longos

trabalho,

almejando-lhes
Pai

que

como

copiosas

um preito
bênçãos

de
e

me

anos

dispensou

de afetuosa

imorredou•

compensações

Celestial.
O

autor.

durante

to•

convivência,

ÍNDICE

PREFACIO

-

7

I — INTRODUÇÃO

13

II — A OPINIÃO
Conceito de opinião

15

A nossa opinião

19

III— A INFALIBILIDADE DA BÍBLIA

25

IV — A DIVINDADE DE JESUS
A divindade e a lógica

53

A divindade e a Bíblia

59

A divindade e a História

... .

63

V — AS PENAS ETERNAS

71

VI — A SALVAÇÃO

89

VII— COMUNICABILIDADE ENTRE VIVOS E MORTOS 131
VIII — A REENCARNAÇÃO
A reencarnação e a lógica

155

A reencarnação na Bíblia

167

A reencarnação na História

175

A reencarnação e a Ciência

191

Objeções à reencarnação

205

IX— BREVE HISTÓRIA DO ESPIRITISMO

209

X — METAPSÍQUICA E PARAPSICOLOGIA

229

XI— CONCLUSÕES

243

P R E F Á C I O
AURELIANO

ALVES

Sentenciava, com muita argúcia, o filósofo
Bacon: "Há livros que devem ser saboreados,
rados, e poucos mastigados e digeridos."

NETTO

inglês Francis
outros
devo•

O livro que vais ler,
estimado leitor,
classifica-se entre
esses últimos, que são raros. Ê uma iguaria saborosa e nu•
triente que, embora bem digerível,
deve ser deglutida após
demorada mastigação, para maior regalo do paladar.
O mestre-cuca muniu-se
duma farta provisão
de
ingre•
dientes da melhor qualidade
e
procedência,
misturou-os
q u a n t u m satis,
temperou-os com
os condimentos adequados,
lê-los passar pela cocção em fogo brando e... pronto: surgiu
o prato opíparo e aromático, bem no ponto de ser servido
a glutões e temperantes.
Deixando de lado a metáfora,
podemos assegurar que
ESPIRITISMO E AS IGREJAS
REFORMADAS
é
uma
obra que, no gênero, nada deixa a desejar. Após sua leitura,
a gente tem vontade de declamar o célebre verso de Camões:
"Cessa
tudo quanto a antiga musa canta".

O

Efetivamente,
"Outro
valor mais alto se alevanta",
ante
as obras conhecidas que cuidam da mesma problemática. En•
tre elas, salienta-se
UMA ANÁLISE CRITICA
DA BÍBLIA, de
C. G. S. Shalders — estudo minucioso dos livros escriturísticos, através de seus principais capítulos e versículos. Da
lavra do mesmo autor, temos
A RELIGIÃO E O BOM SEN•
SO
(Shalders foi praticante do Protestantismo durante mais de
meio século). Outro protestante ex-professo,
Romeu do
Amaral Camargo, com 22 anos de
experiência religiosa, que
exerceu o diaconato
na 1.ª Igreja Presbiteriana Independen•
te da Capital de São Paulo, publicou DE CÁ E DE LÁ (Vo•
zes da Terra e do Além). De eminentes escritores
estrangei• ros,
que
também
perlustraram
os
caminhos do
Protestantis• mo, possuímos em nossa
minibiblioteca: R E L Í G Í Ã O EM
LITÍGIO ENTRE
ESTE
MUNDO
E
O
OUTRO
(Rev. Ro7

bert
Dale
Owen);
ENSINOS
ESPIRITUALISTAS
(Rev.
William Stainton
Moses);
O
ESPIRITISMO
E
A
IGREJA
(Rev. Haraldur
Nielson).
E Cairbar Schtttel, abalizado escri•
tor espírita,
publicou
ESPIRITISMO
E
PROTESTANTIS•
MO. Com o mesmo título, Benedito A. da Fonseca, cuja fi•
liação religiosa ignoramos, deu a lume uma "obra de muito
valor", na opinião de Schutel.
O ESPIRITISMO
E AS IGREJAS REFORMADAS
c, na
verdade, uma obra extraordinaria, porque bem
estruturada e
produzida com pleno conhecimento de causa.
Seu
autor,
Jayme Andrade, foi criado no seio da Igreja Evangélica, es•
tudou em
escolas protestantes, freqüentou assiduamente,
os
cultos da religião que professava. Pesquisou, comparou, ana•
lisou e dá-nos conta das judiciosas conclusões a
que pôde
chegar.
Todo o livro gravita em torno do le i tm o t i v das dissi•
dências entre católicos e protestantes: a Bíblia. Razão por
que o Autor trata dessa circunstância com especial interesse,
no mais extenso dos capítulos: "A infalibilidade da Bíblia".
A esse respeito, ocorre-nos trazer à
dios para o devido enfoque da questão.

baila

alguns

subsí•

No seu livro BIBLE BLUNDERS (Erros
Palpáveis
da
Bíblia), afirma o Rcv. G. Maurice Elliot: "A Bíblia erronea•
mente compreendida é o pior
inimigo
da
humanidade
(...)
Nenhum livro é infalível. Nenhuma Igreja é infalível.
Nós
temos sido erroneamente ensinados. Deus é Verdade. Amar
a Deus é amar a Verdade, amar a busca da Verdade, amar a
luta pela Verdade. Não há outro meio."
Carlos Imbassahy,
dilucidando dúvidas
de um
dos seus
leitores, escreveu: "Assentar
qualquer
provano Velho Tes•
tamento ou assentar no vazio é a mesma coisa. Até hoje
não conseguimos saber onde se acham as fontes exatas em
que se
foi ele inspirar. Ainda se o conteúdo fosse de
granito!... Mas... Há ali umas coisas incríveis, outras
fantásticas, outras escabrosas,
outras terríveis... Há umas
matanças, umas iniqui• dades, uma parcialidade que não se
explica. E Deus metido no
meio daquilo. Os textos estão
sujeitos ainda, a interpre• tações variadas. Cada qual opina
de um jeito.
O mais inte• ressante é que um dos
interpretadores dá o seu modo de ver como absoluto,
irrefragavelmente certo,
sem perceber, na maioria das
vezes, que aquilo que ele supõe a expressão da verdade,
está em flagrante oposição ao que a Bíblia diz. Não vê que
é ele quem diz, e não a Bíblia; não cuida que o ver8

sículo passa a ser dele, e não bíblico.
E
não percebe que
nos falham os elementos para o reconhecermos
como
"por• ta-voz" do Divino Espírito Santo; e se já a Bíblia
nos é du• vidosa, por não sabermos os esteios em que se
estabiliza, muito mais duvidosa nos é
a palavra dele, cuja
iluminação não sabemos
de onde veio.'' (Coluna "Na
Hora da
Consul• ta",
in MUNDO
ESPÍRITA, de
Curitiba
28-9-46).
Por seu turno, assim se expressa o teólogo K. Tonnin",
em LE PROTESTANTISME
C0NTEMP0RAIN:
"A Bíblia
não pode ser o princípio
único
do
conhecimento
religioso;
impede-o sua própria natureza: nenhum dos seus textos o
prova;
muitos se
contradizem."
Em
UMA
ANÁLISE
CRÍTICA
DA
BÍBLIA,
pág.
213,
C.G.S. Shalders observa: "Desde o berço é incutida a idéia
de que a Bíblia é Palavra de Deus, e a Palavra de Deus não
erra; é pecado sequer entreter dúvida a esse respeito. Entre•
tanto é essa aceitação errônea que tem trazido a confusão,
é o que explica a multiplicidade de seitas entre os Protestan•
tes, cada seita interpretando a Bíblia segundo o seu ponto
de vista e julgando-se a única depositária da verdade."
Apesar

de

tudo isso,

confessa

Tomaz

de Aquino:
"So

u homem de um só livro (a Bíblia)."
vale

Como
o
livro
recordar:

fala

freqüentemente

em

Protestantismo,

O termo "protestante"
apareceuno século XVI, precisa•
mente em 1529, quando, na dieta de Spira, Alemanha, seis
príncipes
e os
representantes
de
catorze
cidades convencio• naram: "Nós protestamos, por meio
das presentes (sic), dian• te de Deus, nosso único Criador,
Conservador, Redentor e Salvador, e que será um dia
nosso juiz, assim como diante de todos os homens e de
todas as criaturas, que não consen• timos nem aderimos de
nenhuma maneira, nem quanto a nós nem quanto aos nossos,
ao
decreto proposto em todas as coisas que são
contrárias a Deus, à sua santa Palavra, à nos• sa boa
consciência, à salvação de nossas almas c ao nosso último
decreto de
Spira."
A dieta de 1529, como se vê, opunha-se a determinadas
decisões assentadas na assembléia anterior, reunida na
mes• ma localidade alemã, em 1526.
(Cf.
HISTÓRIA DO PROTES• TANTISMO,de Jean
Boisset,
pág.
15).
Mas

o Protestantismo,
como doidrina
religiosa
cismática ou divergente do Catolicismo,
surgiu oficialmente em 31
de
9

outubro de 1517, por ocasião da propalada afixação das 95
teses contra as indulgências, de Martinho
Lutero,
na porta
da igreja do
Castelo de Wittenberg.
(Gottfried
Fitzer,
cm
seu livro O
QUE
LUTERO REALMENTE
DISSE,
contesta
essa versão. Afirma que se trata de uma lenda histórica, in•
ventada pelas Igrejas Protestantes. As aludidas teses, segun•
do Fitzer, foram enviadas ao arcebispo
Albrecht von Hohenzollern, de Madgeburgo. Uma respeitosa carta teria
acompa•
nhado
o manuscrito).
Muito curiosa a tese n.° 27,
assim redigida: "Ê
doutrina de homens a pregação que diz: Tão logo na
o dinheiro ressoa, a alma do purgatório para o céu já
Uma blasfêmia, em boa conceituação teológica.
A definição da fé luterana foi sendo feita
paulatinamen• te, culminando na Confissão de Augsburgo,
que é uni
dos primeiros
textos
fundamentais da
Reforma (1530). (Cf.
TERO — Biblioteca de História — Editora Três).

pura
caixa
voa",

LU•

Martinho Lutero figura na História como um dos seus
vultos mais controvertidos
e excêntricos.
Era uni psicopata,
no entender de Hartmann Grisar. — Uma alma atormentada
— dizia Lucien Febvre. Para Vicente Themudo
Lessa, foi
o paladino da liberdade de consciência.
Faia Luiz Antônio
do
Rosário, "uma personagem marcante, a cujo poder de
sedu• ção não escaparam sequer alguns de seus adversários".
Para Ricardo Feliu, uma das personagens mais enigmáticas e
in• compreensíveis
da
História Universal.
Preferimos subscrever as sensatas palavras
de Hermínio
C.
Miranda:
"Espíritos como Lutero renascem investidos de
uma autoridade e de um apoio que os tornam praticamente
invulneráveis, enquanto se mantiverem
fiéis
aos
seus princí•
pios e, nisto, Lutero foi inflexível.
Sua missão:
devolver à
sua pureza original os ensinamentos do Mestre
de Nazaré,
abrindo caminho para a liberdade religiosa, base de todas
as demais,
porque, sendo o homem criatura de Deus,tem
de, antes de tudo, harmonizar-se com o Pai." (AS MARCAS
DO CRISTO - Vol.
II, pg. 205).
Concordamos ainda com
Hermínio,
quando
certifica:
"João Huss é o precursor de Lutero, assim como Lutero abriu
caminho para Kardec. Sem Lutero no século XVI, certamen•
te não teríamos Kardec no século XIX, pronto para receber
a mensagem que os Espíritos vieram, confiar às suas mãos
seguras e competentes." (Ibd. pág. 283).
10

Pena é que a doutrina luterana, ao invés de pugnar pela
sua unidade estrutural e pela depuração de seus
enganos
ou
desacertos, ramificou-se desordenadamente no
tempo
e
no
espaço.

nos
Estados
Unidos,
proliferam
nada menos
de
46 seitas protestantes diferenciadas entre si, ao que informa
o Dr.
César Ruiz Izquierdo,
em
ECUMENISMO
(Burgos,
1948).
O que vimos de dizer apenas contêm em
essência
um pouquinho do
que, com proficiência e minúcia,
Jayme Andra• de
expõe em seu admirável livro.
Tão-somente ligeiras con• siderações, não propriamente
acerca, mas à margem de O ES• PIRITISMO
E
AS
IGREJAS
REFORMADAS.
Deixamos de
referir-nos especificamente a
temas impor•
tantes focalizados no livro, todos convergentes para o tema
central, tais como "A divindade de Jesus", "As penas eter•
nas", "A Reencarnação" e
"Metapsíquica
e Parapsicologia",
porque, para tal, teríamos de fazer um tour de force,
incom• patível com o nosso entibiamento
mental.
Ademais, não
que• remos roubar ao leitor o delicioso sabor
da novidade, do ines• perado.
Afinal, mais não é preciso
E

estamos

dizer:

— o livro é muito bom.

conversados.

11

I — INTRODUÇÃO

Para e n se j a r aos l e i t o r e s um a idéia das ra zõe s que
l ev a r a m à e l a b o r a çã o do p r e se n t e t r a b a l h o , e s c l a r e ç o que
fu i cr i ad o no sei o da Igre ja Ev a n g é l i ca e que dela — be m
com o do s e d u c a n d á r i o s p r o t e s t a n t e s que f r e q ü e n t e i —
s e m p r e re ce b i a s mai s sa l u ta r e s i n f l u ê n c i a s , a s qu ai s ,
pelo m e n o s sob doi s a s p e c t o s , f o r a m d e gra nd e i m p o r t â n
• ci a na m i n h a f o r m a ç ã o : A i d e n t i f i c a ç ã o co m os e n s i n o
s
da E s c r i tu r a e os r íg i d o s p r i n c í p i o s mo ra i s que me f o r a m
i n c u t i d o s na m e n t e desd e a p r i m e i r a i n f â n ci a .
Por isso d ese j o in i cia r co m um a h o m e n a g e m a me u
sa u d o s o pai M A N U E L DE S O U Z A A N D R A D E , por longos
anos a b n e ga d o p r e s b í t e r o d a " I gr e j a C o n g r e g a c i c n a l " , ini•
c i a l m e n t e em C a r u a r u e de po i s no R e c i f e . A maio r part e
da sua vid a fo i d e d i c a d a à p r e g a çã o do E v a n g e l h o .
Prega• v a p r i n c i p a l m e n t e pel o e x e m p l o . Suas o r a çõ e s
fervorosa; ;
e os m a v i o s o s câ n t i co s da Igreja ainda
r e s s o a m em meu s o u v i d o s co m o u m suav e l e n i t i v o para o
s n a t u r a i s pe rca l • ço s de cada dia .
Por v á r i o s anos f r e q ü e n t e i o s cu l to s e v a n g é l i c o s , se
m
e n c o n t r a r a so l u çã o que b uscav a para os
p r o b l e m a s de o r d e m e s p i r i t u a l . C o m e c e i a ler obra s
e s p í r i t a s e nelas
e n c o n t r e i a r e sp o s t a a d e qu a d a
aos meu s í n t i m o s a n se i o s . Qua n t o mai s lia, mai s s e
r o b u s t e c i a m minha s c o n v i c ç õ e s .
Q u a n t o mai s
s u p l i ca v a a Deus que me o r i e n t a s s e no ru mo da Ver d a d e
, mai s me p a r e c i a m cla ro s e ló gi co s os en• s i n a m e n t o s d
o Espiritismo .

13

A l g u n s dos a n ti go s ir mã o s não p o u p a r a m e sf o r ç o s no
se n t i d o de r e co n d u zi r ao a pr i sc o a ov el h a t r a n s v i a d a . Só
que não havia di ál o g o p o s s í v e l , pois ja m a i s e n co n t r e i al•
gu m co m p a c i ê n c i a b a st a n t e para e x a m i n a r co m i sen ção
mi nh a s ra zõ e s.
Essa i n c o m p r e e n s ã o é que talvez
nar a idéia de um a e x p o si ç ã o t e n d e n t
pio s d o u t r i n á r i o s d o E s p i r i t i s m o e m

to s do C r i s t o e em c o n f r o n t o
religio • sas d o c r i s t i a n i s m o o r t o d o x o .

tenh a feit o ger m i •
e a situa r os pr in c í•
fac e dos. e n s i n a m e n
co m as c o n c e p ç õ e s

O r e su l t a d o foi est e m o d e s t o t r a b a l h o , que o f e r e ç o
co m m u i t o amo r e g r a t i d ã o aos b o n d o s o s ir mã o s evangé•
l i co s , que tant o me s e n s i b i l i z a r a m co m o seu c o m o v e n t e
e m p e n h o no se n ti d o de o b t e r e m a sa lva çã o da m in h a al•
ma . Rogando ao noss o M e s t r e Je sus que os ab en ço e e
i l u m i n e a to do s , h u m i l d e m e n t e e sp er o que a qu e le s que
não v i e r e m a a ce i ta r mi nh a s c o n c l u s õ e s , ao m e n o s se
m o s t r e m c o m p r e e n s i v o s co m o me u mod o de pe nsar.
O b s e r v e - s e que a e x p r e s s ã o " I g r e j a s R e f o r m a d a s "
te m aqui a a b r a n g ê n c i a de toda s as que r e s u l t a r a m da Re•
f o r m a , e não apenas as dos ramo s " z u i n g l i a n o " e " c a l v i •
n i s t a " , que a ss i m f i c a r a m c o n h e c i d a s para s e d i s t i n g u i •
re m das " l u t e r a n a s " .

14

I I — A OPINIÃO

1 — Conceito de opinião.
Todos sab e m que o p i n i ã o é um ju ízo que se f o r m u l a
sobr e d e t e r m i n a d o a s s u n t o , e que pode ser ou não ver•
d a d e i r o . Tanto e m i t i m o s u m ju íz o quando d i ze m o s " o
azul
é um a c o r " , com o qua nd o d i ze m o s " o azul é a
mais bela das cor e s " . Ma s esse s c o n c e i t o s d i f e r e m , po r qu
e o pri•
m e i r o e x p r i m e um a ve r d a d e ace i t a por t o d o s ,
e n qu a n t o o se g u n d o e x p r i m e um a o p i n i ã o , que pode até
ser c o r r e t a , mas que s e g u r a m e n t e não é r e c o n h e c i d a po
r todos .
Então, a o pi ni ão co n s i s t e em a d m i t i r com o v e r d a d e i •
ro um ju ízo , ma s se m ex cl u i r a a l t e r n a t i v a de se estar em
e r r o . U m ju íz o pe sso a l pode se r c o m p a r t i l h a d o por mu i t a
ge n te , até pela quase u n a n i m i d a d e das p e s s o a s , mas se
h ouv e r i n d i v íd u o s que o c o n t e s t e m , desd e que sej a obje•
to de c o n t r o v é r s i a , por m u i t o que o c o n s i d e r e m o s ver da •
d e i r o , ele r e f l e t e apenas um a o p i n i ã o . A i n d a que o ado te•
mo s co m a mai s p r o f u n d a das c o n v i c ç õ e s , se não te m aco•
lhida u n i v e r s a l não pode ser r e p u ta d o i n f a l ív e l e, con se•
q ü e n t e m e n t e , não pass a m e s m o d e s i m p l e s o p i n i ã o .
É i n t e r e s s a n t e a n a l i sa r co m o se cheg a a ad o ta r um
p on t o d e vi s t a e s p e c í f i c o sobr e d e t e r m i n a d o a s s u n t o . Co•
mo se f o r m a um a o p i n i ã o ? Se gu nd o o e m i n e n t e j u r i s t a pa•
t r íc i o D A R C Y A Z A M B U J A ,
" A im en s a m a i o r i a das n ossa s i dé ia s , a t i t u d e s
,
a f i r m a ç õ e s e n e g a t i v a s , qua s e toda s e l a s ,
não são
15

o r e su l t a d o do r a c i o c í n i o , e si m do noss o te m p e •
r a m e n t o , do noss o ca r á t e r , da nossa e d u ca çã o ,
das n ossa s c r e n ç a s . Essas f o r ça s mai s o u m en o s
s u b c o n s c i e n t e s m o d e l a m o que a p r e n d e m o s , ve•
mo s e o u v i m o s , e qua se s e m p r e o que c o n s i d e r a •
mo s r e s u l ta d o do noss o p e n s a m e n t o não passa de
m a n i f e s t a ç õ e s dos no sso s s e n t i m e n t o s , t e n d ê n •
cia s , d e se j o s e a s p i r a ç õ e s .
A l é m di sso , r e c e b e m o s e a c e i t a m o s o p i n i õ e s
f ei ta s que nos vê m d o mei o so c i a l , dos livros que
l e m o s , das p essoa s do c ír c u l o em que v i v e m o s , e
a d e r i m o s a essas idéia s f e i ta s co m o se as tiv és •
se mo s f e i t o . Ne m p o d e r i a se r d e ou tr o mo do , por•
que não p o d e m o s a b s o l u t a m e n t e , por fa l t a d e tem •
po e de c o n h e c i m e n t o s a d e qu a d o s , ra cio cin a r e
c o n c l u i r sobr e to do s os a s su n t o s que nos in ter e s•
sam .
A s s i m , for a d o se to r l i m i t a d í s s i m o d a espe•
ci al i da d e e m que cada u m s e a p e r f e i ç o o u , a ce i ta

mo s as o p i n i õ e s dos o u t r o s ,
p r o c u r a m o s e faze• mo s a n o ssa , e co m
razão, a o pi ni ão das p essoa s c o m p e t e n t e s . U m
m é d i co , u m e n g e n h e i r o , u m ad•
vo ga d o , u m
c o m e r c i a n t e , pod e te r o p i n i õ e s pró•
pria s,
p e s s o a i s , sobr e os a s su n t o s da su a pr of is• são;
em tud o o mai s a ce i t a a op in iã o dos ou tro s
e s p e c i a l i s t a s . Não é pelos meu s c o n h e c i m e n t o s
,
o u pela mi nh a e x p e r i ê n c i a , que m e
va ci n o co n tr a
o tif o e a v a r ío l a , é p or qu e
a ce i t o com o v e r d a d e i • ras as o p i n i õ e s dos
médicos .
Não é pelo e s tu d o de Teo l o g i a e

História das Religiões que os cató• licos são
católicos e os protestantes são protes tantes
— é por tradição, educação, inclinação."
( "Teo r i a Geral do E s t a d o " , 5. a
285/287) .
( G r i f o s n o s so s ) .

ed., pgs .

Se gu nd o L a m a r c k , " t i r a n t e os f a to s , tud o o mai s não
passa de o p i n i ã o ; para o h o m e m , s o m e n t e serão v e r d a d e s
p o s i t i v a s os fato s que ele pude r o b s e r v a r " (SÉRGIO VAL•
LE, em " S i l v a M e l l o e os Seus M i s t é r i o s " 2. a ed., pg .
193).
Os fato s são f a to s , são e v i d e n t e s por s i m e s m o s .
Um fato
não e v i d e n t e deix a de se r um fat o para a s s u m i
r a fe içã o de um a t e o r i a , ou de um a h i p ó t e s e . E e s ta s ,
e n qu a n t o não
c o m p r o v a d a s , e m ú l t i m a a ná li se não pa ssa
m també m d e
simple s opiniões .
16

M u i t o s r e ce i a m e x t e r n a r um a o p i n i ã o que co l id a co
m
as dos o u t r o s , p r i n c i p a l m e n t e qua nd o se tra t a de um a
idéia
pouc o c o n h e c i d a e que , por isso m e s m o e
por co n t r a r i a r a op in iã o ger a l , pode ser o b je t o de m o t e j o s .
Não é raro
que, ainda qua nd o c o n v e n c i d o s do acer t o
de seu s p on to s de v i s t a , alguns s i m u l e m a c o m p a n h a r a
o pi ni ã o ge r a l , an•
te o
re ce i o de
p a s s a r e m por
i n e x p e r i e n t e s ou t o l o s .
Por o u tr o lado, qu e m te m um a op in iã o que lhe
parece a c o r r e t a , ou p or qu e sej a a d o m i n a n t e no mei o
social ,
ou
por sa t i s f a ze r seu s ín t i m o s a n se i o s ,
n a t u r a l m e n t e não aco•
lhe d e bo m grado um a c o n c e p ç ã
o d i f e r e n t e , que possa
p e r t u r b a r a e s t r u t u r a de suas
c o n v i c ç õ e s . Por isso reage
i n s t i n t i v a m e n t e a qualque
r idéia nova que lhe poss a per•
turba r o e qu i l íb r i o
i n t e r i o r . Isto é n a t u r a l , poi s é p r e c i s o
muit a c o r a g e
m para r e p u d i a r ve l h o s c o n c e i t o s , o que im •
plic a e
m c o n f e s s a r que até entã o s e la bo ra va e m e r r o . Pou cos se
l e m b r a m de que erra r é p r ó p r i o da n a tu r e z a hu•
man a e
que os no sso s c o n c e i t o s pa ssa m por s u c e s s i v a s m o d i f i c a ç õ e s
d e c o r r e n t e s d o e n t r e c h o q u e d e o p i n i õ e s , dos
fato s
e da p r ó p r i a v i d a .
O cert o é que novas v e r d a d e s vão send o a s s i m i l a d a
s à m e d i d a em que os h o m e n s se e m a n c i p a m dos seu s
er•
ros e p r e c o n c e i t o s . E o que são
preconceitos ?
Evi de n te •
m e n t e são idéia s f o r m a d a s n a m e n t e " a
p r i o r i " , co m ex•
clu sã o d e q u a i s q u e r a r g u m e n t o s e m
c o n t r á r i o . Por como •
d i d a d e , ado ta-se o c o n c e i t o co m
o " o p i n i ã o f i r m a d a " , se m
q u a l q u e r i n t e r e s s e em co n h e ce r
m e l h o r o a s s u n t o . Todos
t e m o s p r e c o n c e i t o s e são este
s que ge r a m p r e v e n ç ã o con•
tr a q u a i s q u e r idéia s que
c o n t r a r i e m o noss o mod o de pen•
sar, ou de a l gu m mod
o p o s s a m q u e b r a r a ro tin a m e n ta l a que
estamo s
habituados .
S e o s próprio s
conceito s
r e l i g i o so s e m ú l t i m a
análi• se não p a s s a m de o p i n i õ e s , a p r ó p r i a d e f i n i çã o da
pa lav ra m o s t r a o qu an t o d e v e m o s se r t o l e r a n t e s em re la ção
às opi •
niõe s a lh ei a s. E é de t o l e r â n c i a , s o b r e t u d o , que
se m o s t r a m
ca r e n t e s t o d o s qu a n to s s e e n c a s t e l a m nos
seu s p r ó p r i o s juí•
zos, não a d m i t i n d o p o s sa m te r a l g u m a
razão os que inter• p r e t a m os fato s de m a n e i r a d i v e r s a . O
que rev el a ess a
a t i t u d e ? L i m i t a çã o e s p i r i t u a l , fal t a d e
m a t u r i d a d e psi col ó •
gi ca , e sca ss a i l u m i n a çã o i n t e r i o r .
Ser t o l e r a n t e é apren•
der a r e s p e i t a r as i dé ia s, c r e n ça
s e s e n t i m e n t o s das ou•
tra s p e s so a s , se m que se
se ja o b r i g a d o a delas c o m p a r t i • lhar .
Ex e m p l o de
t o l e r â n c i a nos deu VOLTAIR E, ao di zer:

17

"Nã o co n co r d o co m o que d i ze i s , mas d e f e n d e r e i até
a m o r t e o voss o d i r e i t o de d i z ê - l o " .
Por ta n to , e n c a r e c e m o s aos p re za do s l e i t o r e s que se
d i sp a m de p r e c o n c e i t o s e se r e v i s t a m de t o l e r â n c i a ao
e x a m i n a r n ossa s razões, l e m b r a n d o que o i m p a ct o de no•
vas idéia s e n r i q u e c e o e s p í r i t o , poi s , a f i n a l , o que seri a do
mu nd o se m idéias nov as , se são elas que s e r v e m de veí•
culo ao p r o g r e s so ? É claro que se o p e n s a m e n t o de um a
époc a p e r m a n e c e s s e para s e m p r e o m e s m o , não h ave ri a
ja m a i s p r o g r e s s o a l g u m . Por isso p e d i m o s que m an te •
nha m a m en t e r e ce p t i v a e e n c a r e m m e s m o a p o s s i b i l i d a
• d e d e re ava li a r o s seu s ve l h o s c o n c e i t o s , tend o e m vi st
a
que, co m o di ss e R EN AN ,
" m u d a r de idéias é
evoluir" .
O que p r e t e n d e m o s co m est e m o d e s t o tr ab al ho não é
c o n v e r t e r os ad ep to s de o u t r o s ramo s c o n f e s s i o n a i s aos
no sso s po n to s de v i s t a ; o o b j e t i v o p r e c íp u o é levá-los a
c o m p r e e n d e r e an al i sa r os n osso s a r g u m e n t o s , para , atra•
vés dess a a ná li se , c h e g a r m o s t o d o s , o qua n t o p o s s í v e l , ao
c o n h e c i m e n t o da Ver d a d e . Não t e m o s a p r e t e n s ã o do se r
dono da Ver d a d e e ne m r e c o n h e c e m o s a q u a i s q u e r gr up o s
ou se i ta s o p r i v i l é g i o de m o n o p o l i z á - l a . A Ver d a d e Ab so •
luta é Deus , A u to r e C r i a d o r de tud o qua n t o ex ist e e aqui
ne sl e mu nd o não p a s sa m o s de a p r e n d i ze s t r ô p e g o s e va•
c i l a n t e s , ainda em fase m u i t o r u d i m e n t a r do noss o apren•
di zado , p o r é m co n f i a n t e s em que um dia a t i n g i r e m o s o al•
vo, p or qu e o noss o M e s t r e p r o m e t e u : " C o n h e c e r e i s a Ver•
dade e a Ver d a d e vo s l i b e r t a r á " (João 8:32).

18

2 — A nossa opinião

Co m o o s n osso s i r m ã o s e v a n g é l i c o s , nós cr e m o s que
ex ist e u m Poder S u p r e m o d i r i g i n d o o s d e s t i n o s d a huma •
n i d a d e . Esse Poder S u p r e m o a que c h a m a m o s Deu s faz
se n ti r su a i n f l u ê n c i a sobr e os h o m e n s e sobr e tod o s os
a c o n t e c i m e n t o s h u m a n o s , poi s af in al , co m o di ss e o após•
t o l o , " n e l e v i v e m o s e nos m o v e m o s e e x i s t i m o s " ( A t o s
1 7 :2 8) . C r e m o s t a m b é m que d e t e m p o s e m t e m p o s Ele
envi a seu s m i s s i o n á r i o s para i m p u l s i o n a r e m o p r o g r e s s o
dos e s p í r i t o s que ve m f o r m a n d o desd e a s mai s r e m o t a s
e r a s . E que doi s de sse s m i s s i o n á r i o s f o r a m M OIS É S e
JESU S, co m o s e acha c l a r a m e n t e e x p r e s s o n a E s c r i tu r a
S a g r a d a . Por M OISÉS Ele o u t o r g o u os "De z M a n d a m e n •
t o s " , fa ze nd o d e s ce r à h u m a n i d a d e a noçã o da J u s t i ç a .
Por JESUS m i n i s t r o u e n s i n a m e n t o s de paz e f r a t e r n i d a d e ,
t r a ze n d o para os h o m e n s a noçã o do A m o r .
Tam b é m a c r e d i t a m o s que a s r e v e l a ç õ e s t e n h a m
sido
m i n i s t r a d a s em c o n s o n â n c i a co m o está gi o de
desenvol •
v i m e n t o i n t e l e c t u a l e mora l dos h o m e n s ,
poi s o Ev an ge lh o
a f i r m a que o a l i m e n t o dev e se r
p r o p o r c i o n a l à p o s s i b i l i • dade de a s s i m i l a ç ã o ( H e b r e u s
5 : 1 3 / 1 4 ) e o p r ó p r i o C r i s t o a d e qu o u os seu s e n s i n a m e n t o
s à ca p a c i d a d e de p e r ce p çã o
dos o u v i n t e s ( M a r c o s
4:33) .
Tod a v i a , não c o n c o r d a m o
s
co m os i r m ã o s qua nd o p r e t e n d e m que a R eve la ção
se es•
go to u na p esso a de Je su s : 1.º — po r qu e Ele
m e s m o afir•
mo u que não d i s se r a t u d o ; e 2.º — p o r q u e ,
se a R e v e l a çã o é dada na m e d i d a do c o n h e c i m e n t o
a l ca n ça d o , t e m o s de
co n v i r em que a e sp é c i e h u m a n
a ainda est á longe de atin19

gir o ápi ce da sua e v o l u çã o e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , far á
jus
a novas luzes c o m p a t í v e i s co m cada nov o
e stá gi o de pro•
gresso ,
pois s e ainda ne m se qu e r
fora m assimilado s o s e n si n a m e n t o s d o M e s t r e ! . . .
Então, o co r r e - n o s um a i n d a g a çã o : Se a h u m a n i d a d e
p r o g r i d e i n i n t e r r u p t a m e n t e , se o C r i s t o veio tra zer novo s
e n s i n a m e n t o s aos h o m e n s d o seu t e m p o , e n s i n a m e n t o s
esse s c o n d i ze n te s co m o a d i a n t a m e n t o i n te l e c tu a l e mo•
ral da sua ép oca , por que não a d m i t i r qu e ou tra s r eve la •
çõe s se j a m m i n i s t r a d a s d o Al t o e m o u tr o s e s t á g i o s d e de•
s e n v o l v i m e n t o d a i n t e l i g ê n c i a h um an a ?
Por isso, qua nd o Jesu s d i sse : "Ten h o ainda m u i ta s
coi sas a d i ze r - vo s , mas vós não as po de i s s u p o r t a r a go r a "
(João 16:12), Ele na m e s m a o ca si ão p r o m e t e u env ia r " o
Es p ír i t o de Ver d a d e , que t e s t i f i c a r á de mi m e vo s guiará
em tod a a v e r d a d e ; ele vo s e n s i n a r á toda s as co i sa s e vo s
far á l e m b r a r d e tud o qua n t o vo s te nh o d i t o " (João
14:26
e 16:13).
P r e t e n d e m o s e n c a r e ce r a b e n é v o l a a ten çã o

dos

ir•
mão s para o m o v i m e n t o e s p i r i t u a l d e s e n c a d e a d o no mun

do em me ad o s do sé cu l o pa ssa do e que, em noss a
o p i n i ã o , c o n s t i t u i u o c u m p r i m e n t o da p r o m e s s a do
Cristo .
Seus
e n s i n a m e n t o s , logo nos p r i m e i r o s anos do C r i s t i a n i s m o
e
p r i n c i p a l m e n t e após a c o n v e r s ã o de
Constantino ,
fora m
s u f o ca d o s por um a ava la ncha de d o gm a s e de p r á ti c a s
ex• t e r i o r e s , de c r e n d i c e s e s u p e r s t i ç õ e s a s s i m i l a d a s do
pa•
g a n i s m o . Tais i n f l u ê n ci a s t e r m i n a r a m por
apagar a mani •
f e s t a çã o do Es p ír i t o o u to r g a d a no
P e n t e co s t e s e p e r s i s t i • ra m nu m cr e s ce n d o d u r a n t e tod a
a Idade M é d i a e até nos dias a tu ai s , c o m u n i c a n d o - s e
t a m b é m à Igreja R e f o r m a d a ,
co m d e s f i g u r a ç ã o in te gra l
d a d o u tr i n a pr e ga d a por J e s u s .
E em que c o n s i s t i u r e a l m e n t e ess a d o u tr i n a ? Qual
a e s sê n c i a dos e n s i n a m e n t o s do M e s t r e ? Ele veio
exclusi •
v a m e n t e tr a ze r à h u m a n i d a d e a lição do
A m o r , a p r e se n t a r nos Deu s co m o um Pai
m i s e r i c o r d i o s o , que que r a salva•
ção de tod o s os
seu s f i l h o s , vei o ensina r o novo manda • m e n t o : " A m a i
o s v o s s o s i n i m i g o s , fazei be m aos que vo s p e r s e g u e m ,
não j u l g u e i s para não se r d e s j u l g a d o s , fazei
aos
h o m e n s o que q u e r e i s que ele s vo s f a ç a m " . Eis a li•
ção que Ele d e i x o u e que em n e n h u m a part e do mu nd o
e e m n e n h u m p e r ío d o d a H i s t ó r i a o s que s e di ze m
"cristãos "
aprendera m a praticar .
20

A lição foi d e sp r e za d a e em nom e dess e C r i s t o de
b ra ço s e s t e n d i d o s e cor a çã o ab er t o c o m e t e r a m - s e em to•
dos os t e m p o s as m a i o r e s a t r o c i d a d e s , desd e as Cr u za da s
para a r r a n ca r a " t e r r a s a n t a " das mão s dos " i n f i é i s " , até
as lu tas f r a t r i c i d a s dos no sso s dias entr e os c r i s tã o s irlan•
d e s e s . Pa ssar a m- se os o m i n o s o s t e m p o s da In qu i si çã o
e
o que ainda hoje se vê por tod a par te é a
incompreensão ,
a i n t o l e r â n c i a , o e g o í s m o , a luta pelo
pode r e pela poss e
dos bens m a t e r i a i s , até m e sm o
por par t e dos que se apre• goa m " s a l v o s " , co m ca de i r a
ca tiv a a s s e g u r a d a n o cé u .
P e r g u n t a - s e : Foi est a a re gr a de c o n d u t a que o M es
• tr e le go u ao
m un do ? C o n s u l t e cada um a
sua
c o n s c i ê n c i a e r e sp o n d a com o se e s t i v e s s e di an t e do
t r i b u n a l do Cris•
to . Qua nd o Ele a f i r m o u : " O E sp ír i t o
d e Ver d a d e t e s t i f i c a •
rá de mi m e vos fará
lembrar de tud o qua n t o vo s e n s i n e i " ,
é que sabia que
os seu s e n s i n a m e n t o s se r i a m logo esque•
ci d o s , e que
se t o r n a r i a n e c e s s á r i o env ia r novos m i s s i o n á • rios para
fazê-los l e m b r a r aos h o m e n s .
Há mai s de um sé cu l o a Nov a R eve la ção ve m pr ocu •
rando l e m b r a r aos h o m e n s a d o u tr i n a de amo r pr e ga d a por
J e s u s . Tra b a l h a n d o co m h u m i l d a d e , se m r i tu a i s o u pr á ti •
cas e x t e r i o r e s , seu s a d e p to s se e s f o r ç a m po r levar a cada
co ra çã o a m e n s a g e m de p er dã o e de m i s e r i c ó r d i a , cons•
c i e n te s de que só a tr a v é s da r e f o r m a ín t i m a de cada se r
se o b te r á a t r a n s f o r m a ç ã o de tod a a h u m a n i d a d e .
Qu e a d o u t r i n a dos E s p ír i t o s c o n s t i t u i a Ter ce i r a Re•
ve la çã o é o que , co m a graç a de Deus , nos d i s p o m o s a de•
m o n s t r a r . Ter c e i r a Rev el a çã o c o m p l e m e n t a r das dua s an•
t e r i o r e s , pois se a p r i m e i r a t r o u x e a noção da Ju s t i ç a e a
se gu n d a a do A m o r , esta veio tr a ze r aos h o m e n s a noção
do Dev er .
R e p e t i m o s que não p r e t e n d e m o s m o n o p o l i za r a Ver•
dade , c r e m o s até que est a sej a apenas mai s um a e tap a
a se r p e r c o r r i d a pelo h o m e m no c a m i n h o da Re de n çã o e
que — a seu t e m p o e quando a E s p i r i t u a l i d a d e S u p e r i o r o
ju l ga r o p o r t u n o — ou tra s r e v e l a çõ e s p od er ã o se r m in i s •
tr a d a s , até que o se r h u m a n o se li be r t e de suas i m p e r f e i •
çõe s e se i n te gr e no foc o de Luz e Gr a ça , que é o noss o
I n f i n i t o Pai C e l e s t i a l .
Nos c a p í t u l o s s e g u i n t e s e x a m i n a r e m o s alguns dos
p on to s d o u t r i n á r i o s e m que d i v e r g i m o s dos i rm ão s
evan-

21

gélicos, como a "inerrância" da Bíblia, a divindade de Je
sus, as penas eternas, a salvação, a comunicabilidade en•
tre os dois mundos e a pluralidade das vidas no plano fí•
sico. Em seguida daremos um esboço da história do Es•
piritismo, bem como das recentes conquistas científicas
que estão comprovando todos os seus postulados.

22

A BÍBLIA

O Velh o Tes t a m e n t o , em sé cu l o s c o m p o s t o ,
c o n t ê m a t r a d i çã o e a saga dos h e b r e u s :
Seus ju íze s e rei s , seu s he ró i s e p r o f e t a s ,
"o lh o por o l h o " é a Lei, Jeová zel oso é o D e u s .
Ma s eis que ve m Jesu s e, a f a s ta n d o a co r tin
a da o p r e s sã o , faz br il ha r e x ce l s a c l a r i d a d e :
sur ge , em manh ã ra di o sa
co m m e n s a g e n s de paz,

o Novo Tes t a m e n t o
p er dã o , f r a t e r n i d a d e .

C r i s t o veio m o s t r a r que a m or t e não ex i s te ,
que a vid a c o n t i n u a , e o ga l ar dã o c o n s i s t e
em r e ce b e r cada um se g u n d o o que fi zer.
Cada qual e x a m i n e be m o e n s i n a m e n t o ,
ve ja . à luz do Ev a n ge l h o , o seu c o m p o r t a m e n t o
e . . . diga que é C r i s t ã o , d e p o i s , s e a ss i m q u i s e r
.

23

111 — A INFALIBILIDADE DA BÍBLIA

A Bíbl ia para os p r o t e s t a n t e s é a úni c a regr a de fé e
p r á t i ca , ela é a " p a l a v r a de D e u s " , cada um dos seu s tex•
to s fo i d i v i n a m e n t e i n sp i r a d o e dela nada pode ser r e ti r a •
do, ne m a ela a c r e s c i d o . Val e t r a n s c r e v e r aqui o j u d i c i o s o
c o m e n t á r i o d o e s c r i t o r RU BE M ALVES :
" Par te - se de um " a p r i o r i " d o g m á t i c o : A Bí•
blia fo i e s c r i t a por i n sp i r a çã o d e D e u s . M a s , mai
s d o que i s to . Não basta di zer " f o i " , p or qu e então
e n t r a r í a m o s n o ca m p o das m e d i a ç õ e s h i s t ó r i c a s .
C o m o g a r a n t i r que o t e x t o não fo i c o r r o m p i d o ? E
co m isto a a u to r i d a d e se d i s so l v e pela d ú v i d a . O
t e x t o foi p r e s e r v a d o pur o e m tod o s o s s é c u l o s , d e
so r t e que o te x t o que t e m o s hoje d ia n t e de nós
c o n t é m , na su a t o t a l i d a d e , as p r ó p r i a s p a l av r a s de
D e u s . A Bíb lia é, a s s i m , a voz de D e u s " . ("Pro•
t e s t a n t i s m o e R e p r e s s ã o " , ed . Á t i c a , pg . 98).
Nó s não t e m o s da Bíb lia a m e s m a noção que os nos•
sos i r m ã o s e v a n g é l i c o s . R e s p e i t a m o - l a com o u m r e p o si •
tó ri o d e e n s i n a m e n t o s d i v i n a m e n t e i n s p i r a d o s e , so b r e t u •
do, co m o a ce rv o d o c u m e n t á r i o d a h i s t ó r i a d o povo h e b r e u .
Duas m e n s a g e n s i m p o r t a n t e s nela se i n s e r e m , v i sa n d o a
i m p u l s i o n a r o s h o m e n s pela send a d o p r o g r e s s o : Um a n o
A n t i g o Tes t a m e n t o , c o n s i s t e n t e n o cód i g o d e mora l m in i s •
tr ad o por M o i s é s co m a s "T áb ua s d a L e i " . Ou tr a n o Nov o
Tes t a m e n t o , dada po r Je su s , co m a noção da i m o r t a l i d a d e
da alm a e das r e c o m p e n s a s e p u n i ç õ e s após a m o r te ,
se25

g und o a s o b ra s , boas o u más , d o ser hu m a n o e m sua exis •
t ê n c i a te r r e n a .
Essas m e n s a g e n s são c o n s i d e r a d a s " r e v e l a ç õ e s
e o
são , co m e f e i to , n o s e n t i d o d e c o n s t i t u í r e m e n s i n a m e n t o
s
no vo s para o pov o a que e ra m d i r i g i d a s ; mas ,
se c o m p u l • s a r m o s a H i s t ó r i a , v e r e m o s que não f or a m
e n s i n o s dado s
e m p r i m e i r a mão , poi s o u t ro s po vo s
mai s a n ti g o s , j á o s h avi a m re c e b i d o . A s s i m é que o s
"De z M a n d a m e n t o s " fo •
ra m a d ap ta do s dos L i vro s
V é d i c o s , m u i t o a n t e ri o re s à Bí• blia , nos quais s e
a c h a va m c l a s s i f i c a d o s co m o p ec ad o s d o co rp o (ba ter ,
m ata r , ro u ba r
vi o l a r m u l h e r e s ) ,
pe c a - ,
dos da p ala vra (se r f a l s o , m e n t i r , i n ju ri a r )
e "pecado s
"da v o n t a d e " ( de seja r o m al , c o b i ç a r o be m 'alheio , não te
r
d ó do s o u t r o s ) . (THE ODORE "ROBINSON, em
"Introduction '
d e I" ' H i s to i r e des R e l i g i o n s " , ci t . po r
M Á R I O C A VA L C A N •
T I D E MEL O e m "D a Bíbli a
aos N os s o s D i a s " , ed . 1 9 7 2 ,
pg . 2 0 7 ) . A noçã o d a
i m o r t a l i d a d e d a alm a j á e x i s t i a e m
d i v e rs a s
civilizaçõe s anteriore s à israelita .
f

M o i s é s c e r t a m e n t e fo i u m h o me m d e g ran d e c u l t u r a
para a sua é po c a , v e rs a d o nos s e g re d o s da c i ê n c i a eg íp•
cia , po r te r sid o c ri ad o e edu ca d o pela f a m í l i a real (A to s
7 : 2 2 ) . Isto não i n val i d a o e n s i n o dado ao pov o h e b re u , ne m
lhe ti r a o c a rá t e r de " r e v e l a ç ã o " , apenas s ug e r e m o d e r a •
ção aos qu e p r e t e n d e m se r a Bíb li a a ún ic a r e ve l a ç ã o mi •
n i s t ra d a po r Deus aos h o m e n s .
Da m e s m a f o r m a , a lei de a mo r p re ga d a por Jesu s já
havia sid o o b j e t o d e p re ga ç ã o pel o f i l ó s o f o hind u K r i s t n
a e era c re n ç a c o m u m en tr e os p o vo s da a n t i g u i d a d e ori en

t a l . Ma s a s r e v e l a ç õ e s da que l e e g ré g i o fi l ó s of o f o r a m
ab afad as pel o B r a h m a n i s m o , e x a t a m e n t e c o m o a s d e Je•
su s v i e ra m a ser a bafa da s pe lo s que se p r o c l a m a m seu s
seguidores .
O p ont o que d e s e j a m o s s a l i e nt a r é que , se a Bíbli a
t ro ux e re v e l a ç õ e s d i vi n a s a o h o m e m , o utr a s r e v e l a ç õ e
s
tê m sid o m i n i s t r a d a s por Deu s a o u t ro s p o v o s . Vá ri o s
li •
vro s r e l i g i o s o s da a n ti g u i d a d e , cada um a seu t e m p o
e a t e n d e n d o à s c i r c u n s t â n c i a s d a sua é po c a , c o n t r i b u í r a
m
par a a e l e v aç ã o mo ra l dos p o v o s . A p ró p ri a
C i ê nc i a
pod e
se r c o n s i d e r a d a u m i n s t r u m e n t o d e
r e v e l a ç õ e s , se nd o o s
g ra n d e s i n v e n t o r e s m i s s i o n á r i o s
inspirado s n o sentid o d e
inc e nt i va r e m o progress o
i n t e l e c t u a l . E o que são os g ran•
des a rt i s t a s ,
senã o m e n s a g e i r o s i n c u m b i d o s d o a p r i m o r a •
ment o d a
s e n s i b i l i d a d e d o e s p ír i t o h u m a n o ?
26

Deu s é o C r i a d o r de tod o s os h o m e n s , e send o um
Pai A m o r o s o , qual o r e tr a t a Je su s , não iria p r i v i l e g i a r um
p e qu e n o grup o de b á r b a r o s , r e l e g a n d o ao abandono tod
o o rest o da h u m a n i d a d e por Ele c r i a d a . Os h e b r e u s se con•
s i d e r a m " o pov o e l e i t o de D e u s " , e os i r m ã o s e v a n g é l i c o s
a c r e d i t a m p i a m e n t e ness a h i s t ó r i a , por haver i n ú m e r a s re•
f e r ê n c i a s a isso na E s c r i t u r a . . . E com o não h a v e r i a , se os
e s c r i t o r e s d a Bíb lia f o r a m tod o s j u d e u s ?
É i n t e r e s s a n t e o b s e r v a r que tod o o Velh o Tes t a m e n t o
r e tr a t a um a e v i d e n t e p r e p a r a çã o para o a d v e n t o do Mes •
sias . Ma s qua nd o e n f i m d esc e à Terra a que l e que , segun•
do os n osso s i r m ã o s , é a e n ca r n a çã o do p r ó p r i o Deu s , os
i s r a e l i t a s o r e j e i t a m e o c r u c i f i c a m . . . E doi s mi l anos de•
p oi s , qu an d o a f i gu r a do C r i s t o se p r o je t a na H i s t ó r i a co•
mo o ma io r de t o d o s os p r o f e ta s e n v i a d o s por Deus à hu•
m a n i d a d e , a quele que vei o tra ça r novo s r u m o s à gr an d e
c i v i l i za çã o o c i d e n t a l que s e i n t i t u l a " c r i s t ã " , ne m a ssi
m
o "p o v o e l e i t o " r e c o n h e c e ou se p e n i t e n c i a do mai s
cla•
m o r o s o dos seu s e r r o s , c o n t i n u a n d o apegad o à vel h a
con• ce p çã o f a r i sa i c a , al he i o à p e sso a do N a za re no e não mai
s e s p e r a n d o um M e s s i a s p e r s o n a l i za d o , mas a t r i b u i n d o à
p r ó p r i a c o m u n i d a d e a ta r e f a m e s s i â n i c a , de co n d u zi r a hu•
m a n i d a d e aos pés de Jeo vá , na p l e n i t u d e dos t e m p o s . . .
Send o um pov o de gr an d e i n t e l i g ê n c i a e s a g a c i d a d e
,
é n a tu ra l que os i sr a e l i ta s dos t e m p o s h o d i e r n o s
usasse m
seu in e gáve l p r e s t í g i o b íb l i c o j u n t o à s
o p u l e n ta s c o m u n i •
dades cr i s t ã s , p r i n c i p a l m e n t e a s
p r o t e s t a n t e s , para dese n
cadear o m o v i m e n t o
sionista ,
que
tev e por d e s f e c h o
a
" d o a ç ã o " que lhes f i ze r a m as N a çõ e s U n i d a s , em
1948, de
va s to s t e r r i t ó r i o s m a n t i d o s so b p r o t e t o r a d o ,
ma s cu jo s
p o s s u i d o r e s , l e g í t i m o s o u não, era m o s povo s
palestinos .
Par e ce - no s q u e s t i o n á v e l a p r e t e n s ã o a t e r r i t ó r i o s cuj a
poss e for a p e r d i d a há mai s de trê s mi l anos , alé m de
te• re m sid o a d qu i r i d o s por d i r e i t o de c o n q u i s t a , m e d i a n t e o
a r r a s a m e n t o das ci da de s e a e l i m i n a ç ã o de p r a t i c a m e n t e
to do s os h a b i t a n t e s . Ma s o que a Bíbl ia deix a be m
claro
é que toda s a que l a s i m p i e d o s a s c o n q u i s t a s f o r a
m ef etua • das por o r d e m d i r e t a e sob a i m e d i a t a p r o t e çã o do
p r ó p r i o " D e u s d e I s r a e l " . Leiam-se a s s e g u i n t e s e l o q u e n t e s
pas•
sagens :
Lev.

20:26 - " E se r - m e - e i s santos, po r qu e eu ,
o Se nh or , sou sa n to , e vos separei
27

dos povos para serdes meus."
Deut. 7: 2 - "Quando o teu Deus te tiver dado
gentes mais poderosas do que tu
totalmente as destruirás, não farás
acordo com elas e nem terás pieda•
de delas."
7: 6 - "Porque povo santo és ao Senhor
teu Deus, que te escolheu para que
fosses o seu povo próprio, de todos
os povos que existem sobre a ter•
ra."
Não se veja em nossas palavras nenhum laivo de an•
ti-semitismo; o que apenas fazemos é expor fatos, para
ilustrar duas importantes conclusões: A primeira é que,
para insuflar um povo bárbaro, de índole indomável, os
seus próceres tinham de incutir-lhe na mente precisamen•
te isto: — que eram "o povo santo de Deus", portanto
bem superiores aos povos idólatras cujas terras deviam
conquistar, e que era o próprio Jeová quem ordenava o
arrasamento das cidades e o extermínio total dos seus ha•
bitantes.
A segunda conclusão é que o grande apóstolo São
Paulo, que recebeu de Jesus a missão de levar a mensa•
gem do Evangelho aos gentios, trouxe, como resquício da
sua condição de judeu e fariseu, o mesmo sentimento de
privilégio, através da insólita doutrina da "predestinação":
os "salvos" foram eleitos desde a eternidade para a sal•
vação (Efésios 1:4), todos os demais são "ímpios", estão
condenados à perdição eterna...
Os astrônomos calculam que, só em nossa galáxia,
existem mais de um bilhão de mundos, inúmeros deles
provavelmente em condições semelhantes às do nosso e
conseqüentemente com boas probabilidades de serem ha•
bitados. O nosso Sistema Solar inteiro não passa de um
ponto insignificante perdido na vastidão do imenso cos•
mo. E o habitante deste minúsculo planeta, moralmente
tão atrasado que quase tudo o que faz é para prejudicar
o próximo, impa de arrogância para dizer-se o centro do
Universo e de vaidade para se proclamar o expoente má•
ximo da Criação! Ora, com o extraordinário avanço da
Ciência nestes últimos tempos, já é tempo de pormos um
28

p a r a d e i r o em tão p r e t e n s i o s a s d i v a ga ç õ e s , pois é evi de n

te que o S u p r e m o C r i a d o r não te r i a por que
e s c o l h e r tã o d e sp r e z ív e l "grã o d e p o e i r a " para nel e
i n s ta l a r um a hu•
m a n i d a d e e l e i t a ; e ne m dela
s e l e c i o n a r um a hord a de bár• baros co m o seu "p o v o
santo".. .
Ne m t a m p o u c o
p re de s•
tina r uns t a n to s p r i v i l e g i a d o s para a
sa lva çã o e t e r n a , con•
d e n a n d o to do s os d e m a i s a
sofrimento s in te r m in á v e i s. . .
Jesu s p re go u a h u m i l d a d e ( M a r c o s 9:35 ) e e n s i n o u
que tod o s os h o m e n s são ir mã o s ( M a t . 5:45 e 2 3 : 8 ) .
Ora,
ã co n v i c çã o c r i s ta l i za d a no i n c o n s c i e n t e co l e t i v o
em mi• lênio s de a u t o - d o u t r i n a ç ã o , de se r um a nação
p r i v i l e g i a d a pel o Todo Pod er o so co m o " p o v o e l e i t o " , não
pod e gera r
s e n t i m e n t o s de h u m i l d a d e ,
só de
a r r o g â n ci a e 'or gu lh o ,
j u s t i f i c a n d o todo s os
e x c e s s o s . De igual modo , a idéia de
um a
pr ed es ti na ç ã o oriund a
da
c o n c e p ç ã o j u d a i c a cr i st ã
p e r f i l h a d a pelo a p ó s t o l o S. Paulo,
não pode i nd u zi r na
m e n t e de n i n g u é m o ideal de s o l i d a r i e d a d e h u m a n a que
o noss o M e s t r e p r e g o u , e si m s e n t i m e n t o s de e g o í s m o
e
o r gu l h o , talve z até u m cert o d e sp r e z o pelo s
considerado s
" í m p i o s " . E o que a d m i r a é que —
e s t a n d o já e s c o l h i d o s
de a n t e m ã o a que l e s que
dev er ã o ser sa lv o s — ainda se dêe m ao t r a b a l h o de
pre gar o Ev an ge lh o aos i n c r é d u l o s . . .
Ma s f a l á v a m o s da Bíb lia e da sua i n f a l i b i l i d a d e . Vol

t e m o s a est e a s s u n t o . Que m e x a m i n a r co m
i se n çã o o tex•
t o b íb l i c o , o b s e r v a r á que a qu e l e Jeová
d o A n t i g o Testa •
m e n t o nada te m de c o m u m co m o
Deus a p r e s e n t a d o por Je su s no N o v o .
E não e s t a m o
s i n c o r r e n d o em n e n h u m a
i m p i e d a d e , s a b e m o s que o
noss o Pai C e l e s t i a l é o m e sm o de tod o s os t e m p o s —
se m p r e m i s e r i c o r d i o s o para co m
to d o s o s h o m e n s .
S a b e m o s que por i n sp i r a çã o Sua f o r a m
o u t o r g a d o s os
Dez M a n d a m e n t o s , e que de vez em quan
do
m i n i s t r a v a m e n s a g e n s d e alto c o n t e ú d o m o r a l , co m o
v e m o s em Lev . 19: 1,15,18 e 34 ; D e u t . 6:8 , 8:6 , 1 5 :11
,
16:19 , e tc . Ma s essa s e vá ri a s o u tr a s p a ssa ge n s e ra m co•
mo f u ga ze s l a m p e j o s que a Di vi n a M i s e r i c ó r d i a la n çav a à
c o n s c i ê n c i a do pov o co m o s e m e n t e s de v e r d a d e s que de•
veria m germina r e m temp o p r ó p r i o .
Tudo faz cre r que o p r o t e t o r i m e d i a t o da nação judai •
ca era um a En ti da de mai s ou m e n o s i d e n t i f i c a d a co m a
ín dol e g u e r r e i r a de raça . Cada h o m e m , cada povo , te m o
Guia Es p i r i tu a l que m e r e c e , é di zer, c o m p a t í v e l co m o seu
grau de e v o l u ç ã o m o r a l . Podia ser, t a l v e z , um dos ante
29

p a s s a d o s , co m a u to r i d a d e para im po r seu d o m í n i o sobr e
os h o m e n s . Tais e n t i d a d e s , por a tr a sa da s que s e j a m , não
f i c a m ao d e s a m p a r o da E s p i r i t u a l i d a d e S u p e r i o r , ma s é
claro que est a não pode i m p o r e n s i n a m e n t o s que os as•
s i s t i d o s não e s t e j a m ainda em c o n d i ç õ e s de a s s i m i l a r . A
e v o l u ç ã o te m que vi r n a t u r a l m e n t e , s e m p r e r e sp e i ta d o o
l i v r e - a r b ít r i o de cada ser.
O m e s m o o co r r e ainda hoje, co m os " p r e t o s - v e l h o s
"
e " o r i x á s " que o r i e n t a m os cu l to s a f r i c a n o s . Qua nd
o se
d e d i c a m a o b em , t r a b a l h a n d o e m favo r dos que
sofrem ,
r e c e b e m a s s i s t ê n c i a e o r i e n t a çã o de Es p ír i to s
elevados .
Se p r e f e r e m a p r á ti c a do mal , t o r n a m - s e
v í t i m a s de enti •
dades m a l é v o l a s e f i ca m e n t r e g u e s
à p r ó p r i a so r t e até que, ca i nd o em si , p e r c e b a m a voz da
c o n s c i ê n c i a e, arre• p e n d i d o s , s e v o l t e m para Deus .
O exa m e do Velh o Tes t a m e n t o nos leva a duas alter•
n a t i v a s : Ou era o p r ó p r i o l e gi sl a d o r q u e m , co m o propó•
sit o de i n f u n d i r r e s p e i t o , a t r i b u í a à D i v i n d a d e t o d o s aque•
les r o m p a n t e s de f e r o c i d a d e de que o A n t i g o Tes t a m e n t o
est á r e p l e to , ou Deus se fazia r e p r e s e n t a r ante o pov o por
um a d ei da d e t r i b a l , talve z até mai s d e um a , co m o s e
infe•
re de G ê n . 3:22 : "Eis que o h o m e m é co m o um de
nós , sa b e n d o o be m e o m a l . " E a prov a de se tr a ta r de
Espí•
rito ainda um tan t o m a te r i a l i za d o é que h ab i ta va no
taber • náculo (2.

a

Sam . 7:6), o u "d e tend a e m t e n d a " ( 1 .

a

Crôn .
17:5 ) e "s e co m p r a zi a co m o ch e ir o do s
a n i m a i s imo la• dos e m h o l o c a u s t o " ( N ú m e r o s 2 9 :3 6 ) .
Para o s g n ó s t i c o s
do 2.° S é cu l o , se g u n d o o t e ó l o g o
W AL K E R ,
" O Deu s d o A n t i g o Tes t a m e n t o , cr i a d o r d o mun•
do v i s í v e l , não pod e se r o Deu s S u p r e m o rev el a

d o por C r i s t o , mas si m u m d e m i u r g o i n f e r i o r . "
( " H i s t ó r i a d a Igre ja C r i s t ã " , 2.
80) .

a

e d i çã o , pg .

Do que não rest a d úvi d a é que o Jeová do P e n ta te u c o
fo i f o r ja d o pelo s h o m e n s à i m a g e m e s e m e l h a n ç a d e s t e s ,
co m to d o s os seu s d e f e i to s e i d i o s s i n c r a s i a s . Senão, veja •
mo s : C o n c l u í d a a cr i a çã o , fo i e x a m i n a r se e stav a tud o per•
f e i t o ( Ge n . 1:31), co m o se o S u p r e m o C r i a d o r p u d e s s e fazer
a l g u m a coi s a i m p e r f e i t a . N o e n ta n to , logo s e a r r e p e n d e u ,
quando vi u que a m a l d a d e se m u l t i p l i c a r a na Terra ( G ê n .
6:6), co m o se a p r e s c i ê n c i a e a o n i s c i ê n c i a não f o s s e m
qu a l i d a d e s i n e r e n t e s a D e u s . A l i á s , em m a té r i a de arre•
p e n d i m e n t o , Ele nada fi ca v a a deve r a qu a l q u e r m o r t a l ;
'
30

A r r e p e n d e u - s e d a C r i a çã o ( Gê n . 6:6), be m co m o d o ma l
que p r o m e t e r a fazer ao pov o (Êxodo 32 :14 ) , a r r e p e n d e u - s e
de haver fe i t o rei a Saul (1.ª S a m . 15: 11 e 35), a r r e p e n • deuse por haver d i zi m a d o co m pest e 70 mi l do se u pov o (2.ª
S a m . 2 4 :1 6 ) . Tam b é m s e a r r e p e n d e u e m A m ó s 7:3 , be
m co m o do mal que p r o m e t e r a fazer a N íni v e (Jonas 3 :
10) . N a v e r d a d e , a pe sa r d e "nã o se r h o m e m para que m in
• ta , ne m f il h o d o h o m e m para que s e a r r e p e n d a " ( N u m .
23:19 e 1.ª Sam . 15:29), Jeová se a r r e p e n d e u tan ta s veze s
que ch e go u a se d e c l a r a r " c a n sa d o de se a r r e p e n d e r " , co•
mo se l ê em Jer . 15 :6 . Or a , send o Deu s a i n f i n i t a p e r f e i •
ção, é claro que não p o d e r i a j a m a i s se a r r e p e n d e r de nada
que h o u v e s s e f e i t o . Então, co m o é que q u e r e m que tud o
qua n t o s e e n c o n t r a n a Bíbl ia te nh a sido e s c r i t o
diretamen •
t e por Deu s ?
Ma s ainda há m a i s . O Deu s que a m a m o s e a d o r a m o
s não pode esta r su j e i t o às p a i x õ e s h u m a n a s . Não se
con •
ceb e u m
Deus d e i n f i n i t a
p e r f e i çã o t o m a d o d e r an co r , pr on t o a d e s ca r r e g a r sobr
e sua s cr i a tu r a s a sua t r e m e n •
da i ra . E no e n ta n to ,
e m b o r a Ele se dig a " m i s e r i c o r d i o s o
e piedoso ,
tar di o em se irar e grande em b e n e f i c ê n c i a
e
v e r d a d e " (Ex. 3 4 :6 ) , c o n t a m - s e para mai s d e 6 0 a ce s so
s
de có le r a e n tr e os l iv ro s Êxodo e 2. a
Reis . O
Jeová do Ve• lh o Tes t a m e n t o , que de u ao seu povo e l e i t o
o mandamen •
t o "Nã o m a t a r á s " , m a n d av a e x t e r m i n a r
o s i n i m i g o s ( e até
o s a m i g o s . . . ) co m i n cr ív e l
f e r o c i d a d e . A s s i m , a d e sp e i •
to de que " D e u
s é a v e r d a d e e nele não há i n j u s t i ç a , jus • to e ret o é"
( D e u t . 3 2 :4 ) , ap esa r de se r um Deu s que "fa z j u s t i ç a ao
órfã o e à vi ú v a e am a o e s t r a n g e i r o " ( D e u t e r .
10:18), v e j a m o s co m o s e e x e r c i t a v a n a p r á ti c a ess e
am or :
" Q u a n d o ch e g a r e s a um a cid ad e a c o m b a t ê - l a ,
ap re goa r - lh e- á s a paz; se não fize r paz, a tod o va •
rão que nel a ho uve r p a ssa r á s ao fi o da e sp a d a ,
salv o as m u l h e r e s , as cr i a n ça s e os a n i m a i s . "
( D e u t . 20 : 10, 13 e 14). Ma s isso vali a para as ci•
dade s d i s t a n t e s . Para a s p r ó x i m a s , " n e n h u m a co is a
que te m f ô l e g o d e ix a r á s co m v i d a . "
( De u t .
20 :16 ) .
e co m r el a çã o ao seu p r ó p r i o pov o :
"Ca d a um
seu i r m ã o
vizinho. "
i sr a e l i ta s
"

t o m e a su a espada e ma t e cad a
, cada um a seu a m i g o , cada um
(Ex . 32:27 ) " E m a t a r a m uns 3 mi
que h a v i a m a do ra do o be ze r r o de

um a
a seu
l dos
ouro.
31

Ma s M o i s é s não m a to u o seu irmã o Ar ão , que fo•
ra o f a b r i ca n t e do íd olo , (Ex. 32:28 e 35) .
"Se te u i rm ão , te u f i l h o , tu a m u l h e r o u te u
am i g o t e co n v i d a r para
se rv i r o u tr o s d e u se s ,
c e r t a m e n • te o m a t a r á s . " ( D e u t . 1 3 : 6 / 9 ) .
"S e o povo de um a cidade i n ci ta r os m o r a d o r e s a
se r v i r o u tr o s d e u se s , d e s t r u i r á s ao fi o da espada
tud o qu an t o nela h ouv er , até o s a n i m a i s . " ( De u t .
13:12/15) .
Jeová di ss e ao pov o : " P e r f e i t o serás com o o Se nh o
r te u D e u s " ( D e u t e r . 1 8 :1 3) . Eis co m o o povo e le i t o
p r o cu • rava i m i ta r ess a " p e r f e i ç ã o " : M o i s é s , que "er a
o mai s
man s o de to do s os h o m e n s que havia sobr
e a t e r r a " (Num .
12 :3), desc e do Sinai co m as "T á bu a s
da L e i " , onde cons•
tav a o m a n d a m e n t o "nã o m a t a r á s "
e logo, para passar da
t e o r i a à p r á ti c a , mand a
ma ta r 3 mi l dos seu s c o m p a t r i o t a s
e ainda por cim a
pede a bênção de Deus para os a ssa ssi • nos (Ex.
3 2 : 2 8 / 2 9 ) . Jo sué c o n q u i s t o u toda s as c i d a d e s da
p r o m e t i d a " C a n a ã " " d e s t r u i n d o t o t a l m e n t e a tod a alm a
que
nelas h a v i a " , (Jos. 10:35) , " d e s t r u i n d o
tud o o que tinh a fô•
lego, co m o o r d e n a r a o Se nh o r
D e u s " (Jos . 10:40), p or qu e
" O Se nh o r p e l e j a v a por
I s r a e l " (Jos. 10:42), o que afinal não é de a d m i r a r , um a
vez que "J e o v á é h o m e m de guer• r a " (Ex. 1 5 :3 ) . Das
m u i ta s ci da de s c o n q u i s t a d a s ,
"nad a
r esto u que t i v e s s e f ô l e g o " (Jos . 11:14 ) " p o r q u e d o
Se nh o r
vinh a que o s seu s c o r a çõ e s s e e n d u r e c e s s e m
para s a ír e m
ao e n c o n t r o de Israel na g u e r r a , para
d e s t r u í- l o s t o t a l m e n •
te , para se não te r pi ed ad e de le s
, ma s para os d e s t r u i r a t o d o s , co m o o Sen ho r tin h a
o r d e n a d o a M o i s é s " (Jo s . 11 :
20). " C o m o o r d e n a r a
Jeová a M o i s é s , assi m M o i s é s o r d e n o u
a Jo su é e
a s si m Jo sué o f e z " (Jos. 11:15). " Jo su é os des• tr u i u
t o t a l m e n t e , t o m o u tod a a te rr a e a de u em h er an ça
aos f i l h o s de I s r a e l . " (Jo s . 11:21 e 23) . É de e st r a n h a
r
que o s i sr a e l i ta s e s t e j a m agora t e n t a n d o r e cu p e r a
r essa " h e r a n ç a " ?
Je f té , jui z e m Isr ae l , o f e r e c e a o Senhor e m h ol o ca u s•
to a sua p r ó p r i a filh a (Ju íze s 11:31 ) e em se g u i d a mat a 42
mi l e f r a i m i t a s ( t a m b é m j u d e u s )
(Ju ízes
12 :6) .
O s
i sr ae l i •
ta s m a ta m 25 mi l da tri b o de B e n j a m i m (Juízes
20:35) , pas• sando ao fi o da espada até os a n i m a i s (Ju ízes
20:48 ) e de• poi s d i z i m a m a tr ib o " G i l e a d " , p o u p a n d o
apenas 400 vir•
gen s para os que hav ia m sob ra d o dos
b e n j a m i t a s (Juízes 21:12 e 14). Sa mu e l era v i d e n t e de
Deus ( 1 . a
32

S a m . 9:19) ,

ma s m a n d o u que o rei d e s t r u í s s e t o t a l m e n t e os amalequ i ta s , " m a t a n d o desd e o h o m e m até a m u l h e r , de sd e os
m e n i n o s até os de m a m a , desd e os boi s até as ov e l h a s e
desd e o s c a m e l o s até o s j u m e n t o s " ( 1 .

a

S a m . 1 5 :3 ) . Ma

s
Saul p ou po u os a n i m a i s e p o r i s s o fo i ca s t i g a d o ( 1 . a
Sam .
15:26), e n qu a n t o S a m u e l
"despedaço u
o
rei
amalequit a
dian te d o S e n h o r " ( 1 . a S a m . 1 5 :3 3) . O s
a m a l e q u i t a s , pa•
gaos , era m mais h u m a n o s , p o r q u a n t o
t o m a r a m a cid ad e de
Davi " e a n i n g u é m m a t a r a m , s ó
levara m c a t i v o s " ( 1 . * S a m .
30 :2) , mas Davi "o s p e r se g u i
u e m a to u a tod o s os amale • qu i ta s , p or qu e ess a for a a
orde m

d o

Senhor "

(1.

a

Sam .

15:

3),

"s ó

e sca p a d o 400 m a n ce b o s que f u g i r a m " ( 1 . a S a m .

ten d o

30:17) .

Ma s há ou tra s t r o p e l i a s a r e l a ta r : Porque o ir mã o de
M o i s é s , A r ã o , f a b r i c a r a u m be ze r r o d e our o para se r ado•
rado pelo s j u d e u s , Jeová pede permissão a M o i s é s para
d e s t r u i r o pov o (Ex. 32 :10 ) , p o r é m est e o repreende (Ex.
32:12 ) e Ele se a r r e p e n d e (Ex. 3 2 :1 4 ) . Deu s mand a Davi
r e ce n se a r o pov o (2. a S a m . 24:1 ) e co m o est e o b e d e c e
e logo e m se g u i d a s e m o s t r a a r r e p e n d i d o (por qu ê? ) , Jeov á
mand a um a pest e que di zi m a 7 0 mil i sr a e l i ta s (2. a S a m .
24 :15 ) , ma s de po i s se arrepende e o p r ó p r i o Davi lhe ver•
ber a a i n j u s t i ç a : "S e fu i eu que p e qu e i , po r que ca s t i g a s
este s i n o c e n t e s ? " (2. a
Sam . 24:17) .
Esse m e sm o
Jeová
de u aind a i n s t r u ç õ e s i n u si t a d a s com o a s co n t i d a s
e m Deut . 23:13 e 25:11 e 12 e m a n d o u que o p r o f e t a
Eze quiel co• m e s s e pão co zi d o sob r e fe ze s h u m a n a s ( E ze q .
4 : 1 2 ) . Vol • t a m o s a p e r g u n t a r : Foi m e s m o Deus qu e m
p r a ti c o u toda s essa s s a n d i ce s ? Terá sido Ele m e s m o qu e m
i n s p i r o u tud o qu an t o se acha e s cr i t o na Bíb lia?
Não nos a l o n g a r e m o s mai s nest a a ná li s e d o A n t i g o
Tes t a m e n t o , po r qu e o que aí se e n c o n t r a p e r m i t e f o r m a r
um a idéia sobr e o p r o b l e m a da " i n e r r a n c i a " da B íb l i a , ou
se ja , d o p r i n c í p i o d o g m á t i c o d e que tud o qua n t o nela s e
c o n t é m fo i e s cr i t o so b a d i r e t a i n sp i r a çã o do p r ó p r i o
De u s ,
e , p o r t a n t o , te m que esta r tu d o c e r t o , não pod e
have r na• da e r r a d o . O le i to r que de se ja r fa zer um e st u d o mai
s apro•
f u n d a d o sobr e as i n c o n g r u ê n c i a s e i n c o r r e ç õ e s
co n t i d a s
n ess e li vr o , po de r á e n c o n t r a r v a l i o s o s
s u b s í d i o s n a impor •
tan t e obr a d o e s c r i t o r M Á R I O
C A VA L C A N T I D E M EL L O .
i n t i tu l a d a "D a Bíbl ia aos No sso
s D ias" ,
ed .
FEP.
Curitiba ,
onde ele d i s se c a
m a g i s t r a l m e n t e o Velh o T es t a m e n t o . Eis
alguma s
das i n t e r e s s a n t e s i n d a g a çõ e s d o r e f e r i d o auto r
33

(Pgs. 3 6 3 / 3 7 1 ) , aliás em al gun s ca sos t r a n s c r e v e n d o per•
gun ta s f o r m u l a d a s por D O M Ê N I C O Z A PATA , p r o f e s s o r d e
Teo lo gi a na U n i v e r s i d a d e de S a l a m a n ca , no sé cu l o X VII :

34

1

— Co m o pôde Deus criar a
— ( Gên . 1:3 e 14]. C om o
das tre va s ( Gên . 1:4), se
são do que a p r i v a çã o da
dia an tes que o Sol f oss

2

— Co m o a f i r m a r que do Éden saía um rio que
s e d iv i d i a e m ou tro s q u a t r o , u m dos
qu a i s , o C I O M , que cor r i a no país de Cus e
( Eti óp i a)
( Gê n e s i s 2:13 ) só podia se r o Nilo ,
cuja nas• cen t e di stav a mai s de mi l léguas
da nas• cent e do Euf ra te s?

3

— Por que a p r o i b i ç ã o de co m e r do fr ut o da
" á r v o r e da ci ê n ci a do be m o do m a l " (Gên .
2:17) , se é fat o que, dando a razão ao ho•
m e m , Deus só p o d e r i a e ncor a já - lo a i n str u ir se?
A ca s o p r e f e r i r i a Ele ser s e r v i d o por
u m tolo ?

4

— Por que se a tr i b u i u à s e r p e n t e o papel de
Satã ( A p o c . 12:9), se a Bíb lia apenas diz
que " a se r p e n t e era o mai s a stu t o dos ani•
m a i s " ( Ge n . 3:1)? Qu e l íngua fa lav a essa
s e r p e n t e , e co m o andava ela ante s da mal•
diçã o de que p assar i a a a r r a s ta r - s e sobr e o
v e n t r e e c o m e r pó? ( Ge n . 3 :14 ) . E com o
e x p l i c a r a d e s o b e d i ê n c i a da s e r p e n t e , se
nunc a se o uvi u falar de cobr a que c o m e s s e
pó? E co m o e x p l i c a r que ta n ta s m u l h e r e s
p o s sa m hoje dar à luz se m dor e ta n to s ho•
men s co m a m o seu pão se m p r e c i s a r e m de
suar o rosto? ( Ge n . 3 : 1 6 / 1 9 ) .

5

— Co m o pôde se r punido co m tan t o ri go r um
ent e p r i m i t i v o com o Adã o , que não sabia
d i s c e r n i r en tr e o be m e o mal? (e a prova
d i ss o se e n co n t r a no ve rs o 22 : "Eis que o
h o m e m é co m o um de nós , sa be nd o o be
m e o m a l " ) . Cai m c o m e t e u um f r a t r i c í d i o
e
não m e r e ce u um a pena tã o se v e r a ; a
des• peit o
da
maldição :
"Fugitiv o
e
vagabund o
será s n a t e r r a " ( Ge n . 4 :1 2) ,
foi para Node ,

luz an te s do Sol?
se pa ro u Ele a luz
estas nada mai s
luz? Co m o fez o
e cr i ad o ?

onde c o n s t i t u i u f a m íl i a e até c o n s t r u i u um a
cidade ( Ge n . 4:17 ) e " s e u s d e s c e n d e n t e s
f o r a m m e s t r e s e m várias a r t e s " ( Gê n e s i s
4:20/22) .

6

— Os t e ó l o g o s p r e t e n d e m que a m o r t e e n tr o u
no m u n d o em c o n s e q ü ê n c i a do p ecad o de
Ad ã o (pelo m e n o s é est e o en sin o de San•
to Irineu no 1.º S é cu l o , c o n f i r m a d o por
San•
t o A g o s t i n h o ) . Pe r gu n ta - se : Co m o
e s ta r i a
hoje a p o p u l a çã o da Terra se a
h u m a n i d a d e só f i ze s s e na sce r ? E por que a
p u n i çã o te • ve de se e s t e n d e r aos a n i m a i s ,
que nada ti • v e r a m a ve r co m o pecado de
Ad ão ?

7

— C om o p u d e r a m e n c e r r a r " c a sa i s de tod o s
os a n i m a i s da t e r r a " ( G e n . 6:19 ) num a ar•
ca de 300 cô v a d o s (198m) de c o m p r i m e n t o
por 50 de la r gur a e 30 de a l tu r a ( G e n . 6:15)?
C o m o c o n s e g u i r a m apanhar to do s esse s
a n i m a i s e re un i r t a n to s e tã o v a r i a d o s ali•
m e n t o s e de que mod o se h o u v e r a m as 8
p e s so a s a bord o ( Ge n . 7:13 ) para a l i m e n
• ta r t o d o s ele s ( e li m pa r tod o s o s d e j e t o s )
d u r a n t e mais de um ano? Note- se que o di •
lúvi o c o m e ç o u a 17 do 2 ° mê s ( G e n . 7:11
)
e os que nela hav ia m e n tr a d o set e dias
an• te s ( G e n . 7:10 ) só s a ír a m da A r c a a 27
do 2.º mê s (do ano s e g u i n t e , é óbv io ) G e n .
8 : 14) .

8

— Se Deu s é j u s t o e se fo i Ele p r ó p r i o que en•
d u r e c e u o cor a çã o do Faraó para que não
p e r m i t i s s e a sa íd a dos i sr a e l i ta s (Ex. 11 :
10), po r que ter i a de mata r t o d o s os pr im o •
g ê n i to s d o Egito, i n cl u s i v e m u i t o s m i l h a r e s
de i n o c e n t e s cr i a n ça s e até os p r i m o g ê n i •
to s d e to do s o s a n i m a i s ? (Ex. 1 2 :2 9) .

9

— C om o t e r i a m os m a go s e g íp c i o s t r a n s f o r •
mad o a água do Nil o em san gu e (Ex. 7:22),
se M o i s é s já o fi ze r a a n te s ? (Ex. 7:20 ) E
co m o p u d e r a m p e r s e g u i r o s I sr a e l i ta s co
m o se u e x é r c i t o d e s f a l c a d o de t o d o s os pri•
m o g ê n i t o s (Ex. 12:29 ) e e m p r e g a n d o a sua
ca v a l a r i a (Ex. 14 :23), se na 5.ª pra ga hav ia
m
35

sido m o r t o s to do s o s ca va lo s?

[Ex.

9:6) .

10 —

Se o mar tr a go u tod o o e x é r c i t o do Faraó,
est e i n cl u s i v e (Ex. 14:28), não é de estr a •
nhar que co m a d e c i f r a çã o dos h i e r ó g l i f o s ,
que p e r m i t e hoje c o n h e c e r tod a a h i s tó r i a
do an ti g o Egito, não se te nh a e n c o n t r a d o
um a só r e f e r ê n c i a a tão e s p a n t o s a ca l a m i •
dade?

11 —

Co m o e n t e n d e r que os a u to r e s do A n t i g o
Tes t a m e n t o , tão p r e c i so s ao ci ta r pelos no•
me s d e zen a s de p e qu e n o s reis das c i d a d e s
v e n c i d a s , co m o A d o n i z e d e q u e (Jo s . 10-1),
Hoão , Pirã, Za fi a , Debi r (Jos. 10:3), Horã o
(Jos. 10:33), Ja b i m , Jobab (Jos. 11:1), Seo m
(Jos. 12:2) , Igue (Jos. 12 :4), Jee b (Ju íze s 7 :
25), S a l m u n a e Zeb a (Ju ízes 8 :5), Aga g (1.ª
Sa mu e l 15 :8), A q u í s ( 1 . a Sam ue l 21 :10), e t c ,
não t e n h a m m e n c i o n a d o o n om e do Faraó
que r e i n a v a ao t e m p o da fug a dos i s r a e l i •
tas , o qual é ci ta d o ta n ta s veze s nos p r i m e i •
ros 14 c a p ít u l o s do livr o de Êxodo?

12 —

Co m o p u d e r a m o Sol e a Lua fica r pa ra do
s n o mei o d o céu po r o r d e m d e Jo sué? ( Jo s .
10:13 ) e po r que n e c e s s i t o u ele d ess e mi •
lagre para ve n ce r o s a m o r r e u s , s e este s j á
e s t a v a m d e s t r o ç a d o s pelas pe dr a s que "ca í•
ra m d o c é u " ?

13 —

Por que a lei j u d a i c a não m e n c i o n a em lu•
gar al gu m as penas e r e c o m p e n s a s após a
m o r te ? E po r que ne m M o i s é s ne m os ou•
tro s p r o f e ta s f a l a r a m na i m o r t a l i d a d e da al•
ma , s e isso j á era c o n h e c i d o dos a n ti g o s
c a l d e u s , dos p e r sa s , dos e g íp c i o s e dos
gregos ?

14 — C om

o e n t e n d e r que f o s s e m e l e i to s e prote •
gi do s po r Deus a s sa s s i n o s co m o EUDE, que
a p u n h a l o u à t r a i çã o o rei E GL O M (Ju íze s
3:21), D AVI , que fez m o r r e r UR IAS para to•
mar-lhe a m u l h e r (2. a S a m . 11:15 ) e SAL O •
M Ã O , que tend o 700 m u l h e r e s e 300 con•
cu b i n a s ( 1 . a Reis 11:3), m a n d o u mata r seu
irmã o A D O N I A S s ó por que est e lhe pe di r
a

36

uma ? (1.ª Reis 2:21 e 25) .

15 —

C o m o se ex p l i c a que os i s r a e l i t a s ,
que
" e r a m co m o doi s p e qu e n o s r e b a n h o s d e
cabras" , (1. a
Reis 2 0 :2 7) , t e n h a m po di d o
fe•
ri r nu m só di a 100 mi l s ír i o s (1.ª
Reis 20 : 29), e ainda por cim a tenh a o mur o
da cida• de ca íd o sobr e os
27
mi l
r e s t a n te s ? (1.ª Reis 20 :30 ) .

16 —

Co m o a d m i t i r que o Deu s que a f i r m o u : —
"O s pais não m o r r e r ã o pelo s f i l h o s e ne m
os f i l h o s pelo s pais, ma s cada qual m o r r e
• r á pel o seu p e c a d o " ( D e u t . 2 4 :1 6) , s e te•
nha e n f u r e c i d o tant o co n tr a o ex-rei S AU L ,
ao pon t o de a sso l ar o pov o co m um a fo m e
de trê s anos (2. a S a m . 2 1 :1 ) , só se apla•
cand o quando DAV I m a n d o u matar set e ne•
to s d a qu e le se u a n t e c e s s o r ? (2.
8/9) .

a

Sam .

21 :

A h i s t ó r i a de to do s os povo s est á r e p l e t a de le nd a s,
c r e n d i c e s , m i t o s , a l e go r i a s e s u p e r s t i ç õ e s . Por que a dos
j u d e u s t e r i a que se r d i f e r e n t e ? Qua nd o o h i s t o r i a d o r per•
t e n c e a o u tr a c o m u n i d a d e , ou se e n c o n t r a a f a sta d o dos
a c o n t e c i m e n t o s no t e m p o e no espa ço , ainda se pod e es•
perar a l gum a i m p a r c i a l i d a d e . Ma s se qu e m narra a his•
tóri a é um dos p r ó p r i o s i n t e r e s s a d o s , é na tur al que pro•
cur e ex a ge r a r o s f e i to s dos c o m p a t r i o t a s , se ja m c o n t e m •
p o r â n e o s ou a n t e p a s s a d o s , e s u b e s t i m a r os dos seu s ad•
versários .
Isso o co r r e até nos t e m p o s a tu ai s ,
e m qu
e
o s e v e n to s f i ca m r e g i s t r a d o s n a i m p r e n s a , e m l i v r o s ,
nos
f i l m e s , nas fi ta s d e " v í d e o " , e tc . M e s m o f ato s c o n t e m

porâneos , a m p l a m e n t e divulgado s e d o c u m e n t a d o s
por to •
dos os me io s de r e g i s t r o d i s p o n í v e i s , se
p r e s t a m a inter•
p r e t a ç õ e s d i f e r e n t e s , ao sabor das
c o n v e n i ê n c i a s de cada
g r u p o . A p a t e r n i d a d e do
av iã o , i nv e n ta d o já no in íci o des• te sé cu l o , não é a t r i b u í d
a pelo s n o r t e - a m e r i c a n o s
aos
ir• mão s W r i g h t , co m
e v i d e n t e i n d i f e r e n ç a aos m é r i t o s d o
noss o p a t r íc i o
Sa n to s D u m o n t ? Im a gi n e - se o que não ocor•
ria nos
t e m p o s p r i m e v o s , quando o s a c o n t e c i m e n t o s era m
t r a n s m i t i d o s por t r a d i ç ã o oral , e só m u i t o de po i s v i n h a
m
a se r r e g i s t r a d o s por e s c r i t o . . .
A saga dos i sr a e l i t a s est á r e f e r t a de fá bu la s e exa•
ge ro s , e não é a tr i b u i n d o a p a te r n i d a d e do r e g i s t r o a Deu
s
37

que se pode dar cunh o de v e r a c i d a d e a um a sér i e de fan•
t a s i a s . A h i s t ó r i a d a cr ia çã o d o m u n d o h á 6 mi l anos,,
tal ,
como d e s cr i t a n o G ê n e s i s , a C i ê n c i a j á p r ov o u
que não passa d e l en da , ou . n o m á x i m o d e um a a l e g o r i a .
A forma- ,
cão d o h o m e m d o p ó d a t e r r a e a d a mu lh e r d
e um a c os t e - l a d e Adã o era m c o n c e p ç õ e s a c e i t á v e i s ,
talvez , at é a Ida .de M é d i a , ma s hoje a A n t r o p o l o g i a e a P a l e o n t o l o g i a j á
.d e m o ns t ra r a m qu e a e s p é c i e h u m a n a te m pel o m e no s 40 ,
anos d e e x i s t ê n c i a n a Ter r a . C e r t o aue ess a l e nd a . — aliás o ri u n d a d a v e t u s t a Índi a — te m o se u v a l o r s i m b ó
lico. po r e x p l i c a r d e f o r m a v el a d a o s u r g i m e n t o d a
r aça
ad â m ic a e m n o s s o m u n d o , c o m o te m o se u va l o
r a fabu• la da A rc a de Noé , r e f l e t i n d o a r e m i n i s c ê n c i a
de i n u nd a ções qu e a s s o l a r a m v á ri a s re g i õ e s d
o gl o b o e m t e m p o s
p r i m i t i v o s, e t r a n s m i t i d a s d e
g e ra ç ã o a g e ra ç ã o a t ra v é s .
d e tradiçã o oral .

A h i s t ó r i a da mul a de Balaão que falou ( N u m . 22 : 23
/ 25), é e v i d e n t e que nos t e m p o s atuai s só pode se r
ace i t a
co m o lenda , a m e n o s tenh a o co r r i d o um
f e n ô m e n o de
"vo z d i r e t a " do anjo que fi ze r a e m p a ca
r o a n i m a l . As •
si m t a m b é m a p a s sa g e m dos
i sr a e l i ta s a seco pelo Ma r
V e r m e l h o (Ex.
14:22), be m
com o a " p a r a d a " do Sol e da
Lua no mei o do céu
por o r d e m de Jo sué (Jo s . 10:13), o r e t r o c e s s o de 10
graus na s o m b r a do Sol por o r d e m
de
Isaías (2. a
Reis 20 :11) , a t r a n s f o r m a ç ã o da m u l h e r de Ló
em
e st á tu a de sal ( Ge n . 19:26 ) e a m a ta n ç a dos a m o r r e u s po
r p ed ra s a tir ad a s do cé u por Deu s
(Jo s . 1 0 :11) . De
igual m od o , as proezas do f a b u l o s o Sansão dão o que pen•
sar : co m o p o d e r i a ele, por mais f o r t e que f o s s e , f e n d e
r um leão de alt o a baixo (Juízes 14:6 ) e com o te ri a
con • s e g u i d o apanha r 300 r aposa s viva s e at ar -lhes
caudas par a in ce n d ia r a sear a do s f i l i s t e u s ? (Juízes
E co•
m o po d e ri a Eliseu de poi s d e m o r t o te r
ressuscitad o

um

homem ?

(2.

a

Reis

Não hav er á e v i d e n t e exa ger o em
r ae l it a s nu m s ó dia m a t a r a m

100

mi l

13:21) .

a f i r m a r que

sí r io s ?

as
15:4).

( 1. "

os

Reis

is•
20 :

29) . A noss o ver , ce m mi l h o m e n s não m o r r e m nu m só
dia , ne m co m a s mai s d e v a s t a d o r a s arma s
modernas .
Co m
até

As

as

bom ba s

nu cl e a r e s

e xist e

a

possibilidade ,

ma s

o m o m e n t o não nos con st a tenh a de fat o o c o r r i d o .
lançadas sobr e H i r o s h i m a e N agasak i em

6 e 9-8-45

c h e g a r a m a e x t e r m i n a r tan t a gen te , pel o m e n o s não
no
primeir o
di a .
E
n o te - se
que
não
fora m
a r r e m e s s a d a s connão

38

tr a e x é r c i t o s a g u e r r i d o s , mas co n t r a p o p u l a çõ e s c i v i s . S e
co m o s r e c u r so s a l t a m e n t e s o f i s t i c a d o s d a t e c n o l o g i a
atual
a e m p r e s a não é f á c i l , i m a gi n e - se o que não seri
a
nos
t e m p o s em que as a rm a s mai s le tai s era m
espa da s e lan•
ças , e os v e íc u l o s mai s vel o ze s era m ca r ro
s p uxa do s por cav al o s e c a m e l o s . . .
Pela m e s m a razão não nos parec e m u i t o v e r o s s í m i l
que o " A n j o do S e n h o r " tenh a num a só noit e e x t e r m i n a •
do 185 mi l a s s ír i o s (2.ª Reis 19:35) , ne m que 120 mil " m i d i a n i t a s " t e n h a m sid o m o r to s pelo s 300 d e Ge de ã o (Juí•
zes 8:10) , ne m que o s ju d e u s t e n h a m e l i m i n a d o e m u m
só dia 120 mi l da t r i b o de Judá , " t o d o s h o m e n s po de ro •
sos , po r t e r e m a b a n d o n a d o o Sen ho r Deu s d e seu s p a i s "
(2.º C r ô n . 28:6) , e ainda levado ca ti va s 200 mi l m u l h e r e
s

e cr i a n ça s do seu pov o i r m ã o " (2.

a

C r ô n . 2 8 :8 ) .

E o qu e di zer dos "500 mi l h o m e n s e s c o l h i d o s que
ca ír a m f e r i d o s de I s r a e l " ? (2. a C r ô n . 1 3 :1 7 ) . E o que
di
zer d o 1 mi l hã o ( 1 m i l h ã o! ) d e e t ío p e s , que " f o r a m des•
t r o ç a d o s sem restar nem um sequer"? (2. a
Crôn .
14: 9 e
13
Será qu e a Eti óp ia j á d i s p u n h a n a qu e le t e m p o d e 1
mi hão de h a b i t a n t e s ? (*)
:

Ve j a m o s a gor a , d e p a s s a g e m , co m o era m o s pa dr õe
s
d e m o r a l i d a d e dos h o m e n s que Jeová co l o co u co m o
pa- r ed ro s d o seu " p o v o s a n t o " . Ain d a aqui t o m a m o s por
e m p r é s t i m o o s a r g u m e n t o s d o noss o co n f r a d e M Á R I O CA•
V A L C A N T I D E M ELL O e m sua obr a j á ci ta d a "D a Bíb lia
aos N o sso s D i a s " :
1 — Noé , ainda sob o e f e i t o da ca r r a s p a n a que
t o m a r a , a m a l d i ç o o u seu f i l h o C A M s ó por•
que est e o vir a d e s p i d o e for a avisa r seu s
i r m ã o s . ( G e n . 9:21 e 25 ) . Ma s a m a l d i çã o
p ar ec e que não s u r t i u m u i t o e f e i to , poi s a
d e s c e n d ê n c i a d e C A M t o r n o u - s e nação po•
d e r o s a , send o o se u net o N INR O D um "v a •
len te ca ça do r d ia n t e d o S e n h o r " ( G e n . 10:
9) .
( *) . Temo s 2 Bíb l i a s t r a d . A l m e i d a , amba s e d i t s .
pe
l a So c . B i b l . d o B r a s i l , co m re da çã o d i v e r s a
d o v e r s í c u l o 13 . A d e 1966 diz corno est á a c i m a . A d e
1969
(ed. r e v i s t a e c orrigida) r eza :
Caíra m tanto s
e t ío p e s qu e
já não havia nele s vi go r a l g u m " . . . Veja-se co m o vão aos
poucos a l t e r a n d o o t e x t o !
:

39

40

2

— A b r a ã o engana o Faraó fa ze nd o passar su a
m u l h e r Sara por irm ã e o Faraó o leva pa•
ra sua casa e o r e c o m p e n s a a b u n d a n t e m e n •
te e po r causa dess a f e l o n i a o Deu s ju st o
de Israel fer e co m gra nd e s pra gas o Faraó
i n o ce n t e e sua casa ( G e n . 12: 1 0 / 2 0 ) . Em
Gerar r e p e ti u a p a tr a n h a co m A b i m e l e q u e
( G e n . 20:2 ) e o rei só tev e a sua vid a
sal• v a por i n t e r c e s sã o d o p r ó p r i o Ab r a ã o
( Ge n . 20 :17 ) , que de l á se r e ti r o u co m vá ri o s
pre• s e n t e s e mi l m oe da s de prata ( G e n .
20:14 e 16). Só não e n t e n d e m o s é que graça
en•
c o n t r o u A b i m e l e q u e num a m u l h e r
de 90
anos ( Ge n . 17:17 ) e ainda por
cim a grávi• da ! E por cau sa da m u l h e r o
velh o patria r• ca , tão b on zi n ho , e x p u l so u sua
e scr a v a Ha- gar para o d e s e r t o , p r o v i d a
apenas
de
pão e u m odre d 'á gua , que logo
seco u ( G e n . 21 : 1 4 / 1 5 ) . A m e sm a fars a
t e n t o u o seu f il h o
Isaac co m o m e sm o
A b i m e l e q u e , fa ze nd o
passar por sua irm
ã a sua m u l h e r Rebeca ( G e n . 26 : 7) .

3

— Jacó en gan o u duas ve ze s o seu irmã o Esaú
( G ê n e si s 27 : 36 ) e por duas vezes en gan ou
t a m b é m o se u sogr o Labão ( G e n . 30 : 37 /
42 e 31 : 8) . Raquel alu gou o m a r i d o Jacó
por um a noi t e à sua irm ã Lia em tro c a da s
m a n d r á g o r a s co l h i d a s pelo filh o dest a ( Ge n .
30 : 15). E os f i l h o s de Jacó a s s a s s i n a m
t r a i ç o e i r a m e n t e a to do s os h o m e n s de Siqu é m ( G e n . 34 : 25) e sa q u e i a m c o m p l e t a •
m e n t e a c i d a d e . Em se gu id a v e n d e m o seu
p r ó p r i o irmã o José por 20 mo ed a s ( G e n .
3 7 :2 8 ) .

4

— Deu s mand a d e s t r u i r os m i d i a n i t a s ( N u m
. 31:2 )
e os i sr a e l i ta s
m a t a m to do s os ho• m e n s , p o r é m leva m
ca ti va s as m u l h e r e s , as cr i a n ç a s e to do s
os a n i m a i s ( N u m . 3 1 :9 ) , de po i s de
q u e i m a r e m toda s as ci da de s
e
a c a m p a m e n t o s ( 3 1 : 1 0 ) . Ma s M o i s é s , que
"er a o mai s man s o dos h o m e n s e x i s t e n t e
s
na t e r r a " ( N u m . 12:3 ) e t a m b é m " o
ma io r
dos p r o f e t a s , d e I s r a e l " ( D e u t
. 34:10 )
se

e n f u r e c e u co m os o f i c i a i s do e x é r c i t o e or•
deno u que m a t a s s e m " t o d o s o s v a r õ e s en•
tr e os m e n i n o s " ' e " to d a s as m u l h e r e s de
q u a l q u e r idade , p o u p a n d o s o m e n t e as vir•
g e n s " para d i v e r sã o d a s o l d a d e s c a ( N u m .
3 1 :1 7 - 1 8 ) . E só co m esse "at o de m i s e r i •
c ó r d i a " fora m
sa lvas 3 2 m i l !
(Num .
31 :35 ) .

5

— O

rei

Davi j u r a r a a Saul

que

não e l i m i n a

• ria a sua d e s c e n d ê n c i a ( 1 . a
S a m . 24 :
21-22),
ma s al gun s anos d e p o i s , "pa r a
apla car a ira de Deu s co n tr a Saul e su a
casa sa n g u i n á • r i a " (2. a
S a m . 2 1 :1 ) ,
e n tr e g o u aos g i b e o n i - ta s (que não era m
israelitas ,
ma s amor- reus )
(2.
s

a
6

a

S a m . 21:2) ,
set e d e s c e n d e n t e
d e Saul, para s e r e m e n f o r c a d o s (2.
Sa m . 21 : 6 e 9).

— Elias er a p r o f e t a d e Deus e c o m e t e u
várias
a t ro c i d a d e s :
m a to u 400 p r o f e t a s
d e Baa l ( 1 . a
100 so l d a d o s

Reis 18:22 e 40 ) e d e p o i s
e n v i a d o s pelo rei Ac a zi a s

(2. a
Reis 1:10 e 12), e m e s m o a s si m
foi a r r e b a ta d o a o cé u num
car r o de fogo
(2. a
Reis 2 :11) . E o se u su c e s so r
El i seu , s ó po r qu e uns r a p a zi n h o s " c a ç o a v a
m dele , co m a i r r e v e r ê n c i a p r ó p r i a
d a j u v e n tu d e a m a l d i ç o o u - o s e m nom e d e
Deus, sa i nd o d o bo squ e duas ursa s que
despedaçara m 4 2
/
24).

m e n i n o s . (2.

a

Reis

2:23

R e p e t i m o s que ja m a i s nos p a ssa r i a pela idéia o in tui •
to de a m e s q u i n h a r o papel da Bíbl ia co m o re gra de fé da
C r i s t a n d a d e , e ne m se r i a m p i g m e u s co m o nós que ousa•
ria m tão i n e x e q u ív e l t a r e f a . S a b e m o s e p r o c l a m a m o s que
ela é o fanal de to do s os povo s c r i s t ã o s , e que os p re cio •
sos e n s i n a m e n t o s m o r a i s nela c o n t i d o s b r i l h a r a m e con•
t i n u a r ã o a b ri lh a r por m u i to s sé cu l o s c o n c o r r e n d o para
d i s si p a r as t r e v a s da i g n o r â n ci a dos h o m e n s s e m p r e que
eles e s t i v e r e m à a l tu r a de os a s s i m i l a r .
A q u i l o que u n i c a m e n t e c o n t e s t a m o s é a tese da "iner •
r a n c i a " , a idéia de que ela e n ce r r a tod a a Ver d a d e e de
que tud o qua n t o c o n t é m é a p al avr a sa ída dos lábio s do
p r ó p r i o D e u s . O que a f i r m a m o s é que a Bíb lia fo i escr i •
ta por h o m e n s e por isso m e s m o est á r e f e r t a de
falhas

41

r e s u l t a n t e s da
tej a a Ver d a d e
fusã o na m e n t
me no s d e v i a m

i m p e r f e i ç ã o h u m a n a . Pre te nd er que ali es•
com o um bloco m o n o l í t i c o , é se m e a r con •
e de h o m e n s que j á a p r e n d e r a m , cu pelo
ter a p r e n d i d o , a r a c i o c i n a r .

E n te n d e m o s
que
nest e
mund o
ningué m
pode
chegar à Ver d a d e a b so l u ta , ne m a ti n gi r o c o n h e c i m e n t o
total ,
m e s m o p or qu e a mer a p r e t e n s ã o de p o s su í- l o s
gera a in• t o l e r â n c i a . De fato , com o a f i r m a o
e s c r i to r
RUBEM
AL•
VES no seu m a g n í f i c o livro que tod o
p r o t e s t a n t e dev e não
apenas ler, mas e s tu d a r a f u n d o :
" Q u e m quer que a f i r m e a v e r d a d e de f o r m a abso•
lu ta , se m a s u sp e n s ã o da d úv i d a , est á d e s t i n a d o
ao d o g m a t i s m o e à i n t o l e r â n c i a . Ond e que r
que
a ve rd ad e sej a a f i r m a d a co m o p osse ,
p ro ib e- se o e x e r c í c i o livre da razão, no ch a m a d o
"livre-exa m e " . Todo aque le que po ssu i a v e r d a d e
, está con•
denado a se r um i n q u i s i d o r . "
("Protestantism o e
Repressão" ,
ed .
Á t i c a 1979, pg . 280).
Vej a m o s ainda a l gu m a s i n c o n g r u ê n c i a s e i n co r r e çõ e s
e n c o n t r a d a s no que os no sso s ir mã o s d e n o m i n a m " A Pa•
lavra d e D e u s " :
São João a f i r m o u : " D e u s nunc a foi vi s t o por n i n g u é m
"
(João 1:18) e
João 4 :
12),
por São Paulo:

" n i n g u é m ja m a i s vi u a D e u s " ( 1 . a
o que foi c o n f i r m a d o
"(aquele )
a
que m

n e n h u m dos h o m e n s viu ne m pode v e r " ( 1 a
Timó •
te o 6:16 ) e pelo p r ó p r i o Je su s : "nã o que a l gu m h o m e
m tenh a vist o o Pa i " (João 6 :4 6) . Ma s le mo s no A n t i g o
Tes• t a m e n t o que Deus d i sse : "Eu ap ar eci a A b r a ã o .
Isaac e
Ja có " (Ex. 6:3 ) e que M o i s é s , A r ã o , Nadib e
Abi ú e mai s
70 an ciã o s v i r a m Deus (Ex. 24 : 9-11).
"F al av a Deus a M oi • sés face a face , com o q u a l qu e r h o m e
m fala ao seu a m i g o "
(Ex. 33:11 ) e c o n t u d o o a d v e r t i u :
"Nã o po de rá s ve r a mi •
nha face , po r qu e h o m e m
ne nh u m ver á a mi nh a face e vi • v e r á " (Ex. 33:20 ) e
em se gu i d a abriu
um a c o n c e s s ã o : "Ver m e - á s pelas co st a s , mas a minh a fac e não se ver á (Ex.
3 3 :2 3 ) . E no e n ta n t o o p r ó p r i o Deus a f i r m o u :
"Eu
falo co m M o i s é s boca a boca e ele vê a f o r m a do S e n h o r
"
( N u m . 12:8) e m ai s : "C a r a a cara o Senhor falo u
conos•
co no m o n te , no mei o do f o g o " ( D e u t . 5:4 ) e
"(Moisés) ,
a que m o Sen ho r c o n h e c e r a cara a
ca r a " ( D e u t . 3 4 :1 0 ) . F i n a l m e n t e , " D e u s por duas ve ze s
ap ar eceu a S a l o m ã o "
(1.ª Reis 11:9 ) .
42

A f i n a l , a l gu é m vi u ou não vi u Deu s ? Não é p r e c i s o
que r e s p o n d a m a est a i n d a ga çã o , pois t e m o s por v e r d a d e
que Deu s j a m a i s fo i v i s t o po r n i n g u é m , e que as
ap ar en •
te s d i s c r e p â n c i a s p o d e m se r a t r i b u íd a s , ou à
i n t e n ç ã o de
e n f a t i za r a e x p e r i ê n c i a para va l o r i za r o
e n si n o , ou ao fat o d e t e r e m v i st o e s p í r i t o s d e
luz
(a n jo s) j u l g a n d o t r a ta r - s e
do p r ó p r i o Deus , co m o de
rest o se o b se r v a em vár ia s ou• tra s p a s s a g e n s . Poré m o
que aí está se rv e para i l u s t r a r
que , s e h á d i v e r g ê n c i a
s en tr e o s a u to r e s b íb l i c o s sobr e
co i sa s até cer t o po n t
o
irrelevantes ,
por
que
não
h ave ri a
també m
r e l a t i v a m e n t e a o u tr a s
mai s
importantes ?
E
isso
ba sta , ao noss o ver , para e li d i r a tes e de que o p r ó p r i o
Deus te r i a di tad o d i r e t a m e n t e tud o qu an t o fo i e s c r i t o .
Deu s p r o i b i u fazer i m a g e n s d e e s c u l t u r a (Ex. 20 :4),
mas Ele m e s m o o r d e n o u a M o i s é s que f i ze ss e um a ser•
pen t e d e bronze ( N u m . 21 :8), Ele d e t e r m i n o u a o povo :
" P e r f e i t o será s co m o o Se nh o r te u D e u s " ( D e u t . 18:13),
mas ess a p e r f e i ç ã o era d e tal o r d e m que "s e d e l e i t a r á e m
d e s t r u i r - v o s e c o n s u m i r - v o s " ( D e u t . 28:63 ) e se a s s i m o
p r o m e t e u , m e l h o r o fez : m a to u 50.070 h o m e n s de BeteS e m e s só por t e r e m o lh ad o para o i n t e r i o r da A r c a (1.º
S a m . 6:19 ) e e x t e r m i n o u de praga nada m e n o s que
14.700,
s ó po r qu e m u r m u r a r a m ( N u m . 16:49).
Em d i v e r s a s p a ssa ge n s d i v i n a m e n t e i n sp i r a d a s se diz
que "o s f i l h o s não pa garão pelo s p ecad o s d e seu s p a i s "
( D e u t . 24:16 , Jer . 3 1 : 29-30), Es e q . 1 8 :2 0) , o que é um a
noção de e l e m e n t a r j u s t i ç a , i m a n e n t e à c o n s c i ê n c i a de
q u a l qu e r p esso a d e bo m s e n s o . E m n e n h u m o r d e n a m e n t o
j u r í d i c o do m u n d o se p r e s c r e v e que a pena p assar á da
p esso a d o c r i m i n o s o . Ma s e n tã o , por que o s no sso s pri•
m e i r o s pais t i v e r a m o seu p ecad o t r a n s m i t i d o , po r um a
e s t r a n h a h e r e d i t a r i e d a d e , a tod o s os seu s d e s c e n d e n t e s ?
( R o m . 5: 10).
N o te - s e t a m b é m que h á p a ssa ge n s e m f r a n c a co n tra •
d i çã o co m as a ci m a c i t a d a s , e são a que l a s ond e Deu s diz
que " v i s i t a r á a i n i q u i d a d e dos pais nos f i l h o s até a t e r c e i •
ra e q u a r t a g e r a ç ã o " (Ex. 34 : 7 ; N u m . 14: 18; D e u t . 5 : 9),
ma s ne sta s é fáci l o b se r v a r que a t r a d u çã o fo i a je i ta d a
para a c o m o d a r o s e n t i d o às idéias v i g e n t e s , poi s no tex•
to o r i g i n a l de São J e r ô n i m o , ou se ja , a " Vul g a t a L a t i n a " ,
em vez de "até a 3.ª e 4.ª g e r a ç ã o " , lê-se "na 3.ª e 4.ª ge•
r a ç ã o " , co m o m e n c i o n a PAUL O FINOTTI e m seu livr o "Res
-

43

s u r r e i ç ã o " ( Ed i to ra Edigraf, 1972, pg . 45 ) . A í te m ló gi ca ,
poi s é e v i d e n t e que na t e r c e i r a e qua r t a ge ra ção o e sp ír i •
to pode j á te r vo l ta d o para r e s ga ta r suas f a l t a s .
Deus pr oi b e um p r o f e t a de co m e r e beber ( 1 . a
Reis 13: 17) e logo o u tr o p r o f e t a o induz a co m e r , di zen do
ser " o r d e m de um a n j o " e ele o faz ( 1 . a Reis 13: 19) e
aque le
que o in du zir a lhe diz que m o r r e r á "po r haver
d e so b e d e c i • do à o r d e m do S e n h o r " (1 . " Reis 13:22 ) e ele
segue o seu
c a m i n h o e logo um leão o mat a (1.ª Reis
13 :24 ) . Mai s a di an t e um " a p r e n d i z de p r o f e t a " pede a ou tr o
que o es•
mu rr e ( 1 . " Reis 20:35 ) e com o o o u tr o
r e cu sa ss e o b e d e ce r a tã o e s d r ú x u l a o r d e m , v a t i c i n o u que
um leão o m a ta r i a
"po r te r d e s o b e d e c i d o à o r d e m do
S e n h o r " (1.ª Reis 20 :
36) . Pois não é que um
leão m a to u t a m b é m a este ?
A d e sp e i t o da e x p r e s s a p r o i b i ç ã o : "E m t i não se
acha• r á qu e m faç a p assa r pelo fog o seu fi lh o o u su a
filha "
(D eu t . 18:10), o s j u d e u s d e vez e m qu an d o
queimava m
seu s f i l h o s em s a c r i f í c i o (2. a Reis 17:17 ) e
até a l gun s reis
c o m e t e r a m esse c r i m e h e d i o n d o , co m o
M a n a s s e s (2.ª Reis
21:6 ) e Aca z (2.ª C r ô n . 28 : 3), e até
m e s m o o gra nd e li •
b e r ta d o r Je f l é , que fo i Juiz em Israel
por 6 anos, "f o i chei o do E sp ír i t o e o f e r e c e u a sua filh a em
h o l o c a u s t o a D e u s " (JuTzes 11:29 e 39). A l g u n s t e x t o s
p e r m i t e m supo r que os
s a c r i f íc i o s h u m a n o s t i n h a m o
b e n e p l á c i t o de Jeo vá , um a vez que " o h o m e m c o n s a g r a d o a
Deus não p od er á ser resga• tado , ser á m o r t o " (Lev .
2 7 : 2 9 ) . P e r g u n t a m o s : Tudo isso
fo i e s cr i t o sob a
d i r e t a i n sp i r a çã o de Deus ?
Jeú , rei de Israel por 28 anos , m a to u 2 reis i sr a e l i ta s ,
Ac a zi a s e Jorão (2.ª Reis 9 : 24-33), be m co m o tod a a linha•
ge m do ex-rei A c a b , i n cl u s i v e os seu s 70 f i l h o s (2.ª Reis
10:7 ) e mai s 42 i rm ão s de Ac a zi a s (2. a Reis 10:14),
alé m de i n ú m e r o s a d o r a d o r e s de Baal (2.ª Reis 10:25 ) e
apesar de tã o ze l o s o "nã o se a pa r to u dos pe ca do s do ex-rei
Jo- roboão e ne m d e s t r u i u os b e ze r r o s de o u r o " (2.ª Reis
10:
2 9) . Pois fo i a ess e rei i d ó l a tr a e sa n g u i n á r i o que Jeová
a f i r m o u : "Be m o b r a s t e em fazer o que é reto aos meu s
o l h o s " . . . (2.ª Reis 10:30).
Deu s p r o m e t e a Josias (rei de Judá por 31 an os) , que
seri a levado em paz à s e p u l t u r a (2.ª Reis 22-20), e embo

r a " n e m ante s ne m d ep oi s h o u v e s s e rei que ( co m
o ele) se c o n v e r t e s s e ao Sen ho r de tod o o seu c o r a ç ã o " (2.ª
Reis
23 :25 ) , o e x e m p l a r Josias fo i m o r t o em c o m b a t
e co n tr a o rei do Egito (2.ª Reis 2 3 :2 9) .
44

Vej a m o s o livr o de E c l e s i a s te s e m e d i t e m o s se teri a
sido o p r ó p r i o Deu s que m dito u li ções de puro m a t e r i a l i s •
mo , co m o " N e n h u m a v a n t a g e m tê m o s h o m e n s sobr e o s
a n i m a i s " ( Ecl . 3:9) , "Tenh o por mai s f e l i ze s o s que j á
m o r r e r a m " (4:2 ) e " m a i s feliz ainda é a quele que não nas•
c e u " (4:3 ) e " t u d o su ce d e i g u a l m e n t e a t o d o s , ao j u s t o e ao
ím p i o , a o puro co m o a o i m p u r o " (9:2) ,
tud o e m co n f l i t
o
co m o u tr a s s e n t e n ç a s co m o : "Eu sei co m ce r te z a
que que m g u a r d a r o m a n d a m e n t o j a m a i s e x p e r i m e n t a r á
al gu m
m a l " (8 :5) . "A o h o m e m que é bo m d ia n t e dele
, Deu s d á sa b e d o r i a , c o n h e c i m e n t o e a l e g r i a " (2:26 ) e " D e u
s há de
tra ze r a ju íz o tod a obra , sej a boa, sej a
m á " (1 2 :1 4) .
C om o co n c i l i a r : "O s vivo s sa be m que hão d e m o r r e r ,
irias os m o r t o s não sa b e m coi s a a l g u m a " (Ecl. 9:5 ) co m o
que se c o n t é m na pa rá bo la do ric o e Lázaro (Lucas 16:23
)
e co m a cena em que M o i s é s e Elias c o n v e r s a m co m
Je su s
no alto do Tabor? (Lucas 9:30) .
Jesu s e n s i n o u a ama r até os i n i m i g o s ( M a t . 5:44) ,
be m co m o a p e r d o a r i n d e f i n i d a m e n t e as o f e n sa s ( M a t .
18:
22 ) e Paulo, m e s m o r o b o r a n d o ess e e nsi n o (Rom . 12:14),
não p e r d o o u ao l a to e i r o e até pedi u ca st i g o para ele (2.ª
Tim . 4 :1 4 ) ; e ao se r f e r i d o na boca , bradou ao Sum o - Sa ce rd o te : " D e u s t e f e r i r á , pa re d e b r a n q u e a d a ! " ( A to s 23 :3) .
Não é noss o i n tu i t o e m p a n a r o valo r de São Paulo co m o o
mai s d e s t a c a d o dos a p ó s t o l o s , mas apenas i l u st r a r que
ne m o s m a i o r e s san to s são i n f a l ív e i s , co m o , d e r esto , ele
p r ó p r i o h u m i l d e m e n t e o r e c o n h e c e u em R o m . 7:15 .
É i n t e r e s s a n t e notar que vár ia s das p r e d i ç õ e s a tr i b u
í
das ao C r i s t o não se r e a l i za r a m , c o m o :
"Nã o
a ca b a r e i s de p e r c o r r e r as ci d a d e s de Isra el , se m que
venh a o Filho
do H o m e m " ( Ma t . 10:23), " A l g u n s dos
que aqui estã o não
verão a m o r t e até que ve ja m o
Filho do H o m e m no seu re i n o " ( M a t . 16:28 , M a r c o s 9 :1
, Lucas 9:27 ) e "Nã o pas•
sará esta ger a çã o até
que toda s estas co i sa s a c o n t e ç a m "
( M a t . 2 4 :3 4 ) .
Ora , pode-se a d m i t i r que Je su s te nh a pre•
dit o co i sa
s que não se r e a l i za r i a m ?
E v i d e n t e m e n t e que
não! Então a e x p l i c a çã o mai s l ó gi c a é a t r i b u i r tai s
passa • gen s e i n t e r p o l a ç õ e s i n t r o d u zi d a s no t e x t o ,
tal ve z para
ev i ta r que o s fi éi s d e c a í s s e m d e seu s
devere s p i e d o so s ,
p e r m a n e c e n d o v i g i l a n t e s na
e x p e c t a t i v a da p a r ú s i a . A es•
se r e s p e i t o ,
v e j a m o s o que diz o t e ó l o g o a n g l i ca n o W.
W AL K E R :

45

" C o m o o s p r i m e i r o s d i s c í p u l o s e m ge ra l , ele ( o
a p ó s to l o Paulo) j u l g a v a p r ó x i m a a vind a do Cris

to ; em suas p r i m e i r a s ca r ta s , é e v i d e n t e que
ele
cria que tal a c o n t e c i m e n t o se dari a d u r a n t e a
su a
p r ó p r i a vid a (1.ª Tes s . 4 : 13-18). De po i
s perce• beu que p r o v a v e l m e n t e m o r r e r i a an te s
d a vi nd a
do S e n h o r " ( F i l i p . 1: 23-24 e 2.º T im .
4: 6 a 8)
( " H i s t ó r i a d a Igreja C r i s t ã " , 2.ª ed .
p á g . 51) .
Os que a c o m p a n h a v a m Saulo ao e nse j o da sua con•
ver sã o " o u v i r a m a voz se m ve r n i n g u é m " ( At o s 9:7 ) ou
" v i r a m a luz se m ouvi r a v o z" ? ( A to s 2 2 :9 ) . Qual a ver•
são co r r e ta ?
Pode-se a f i r m a r que foi o p r ó p r i o Deu s que m falo u
por São Paulo, c o n s i d e r a n d o v e r g o n h o s o (e m o u tr a v e r sã o
" i n d e c e n t e " ) a m u l h e r falar na Igreja? (1.º Cor . 1 4 :3 5) . E
no e n ta n t o havia p r o f e t i s a s (11:5) , e pelo m e n o s essas te•
ria m que falar n a i g r e j a . . .
Foi Deu s qu e m p r o i b i u i n s c r e v e r vi úva s co m m e n o
s de 60 anos , " p o r q u e quando se t o r n a m l evi an a s co n tr a
C r i s t o , q u e r e m c a s a r - s e . . . " ? (1.ª T im . 5 :11) . Qu e mal
pode haver em que as vi úva s q u e i r a m ca sa r - se ?
C om o co n c i l i a r : "Se d i s s e r m o s que não t e m o s peca•
do, não exi st e v e r d a d e em n ó s " (1.º João 1:8) e " Q u e
m
é n asci d o de Deus não p e c a " (1.º João 3: 9 e 5:18)?
Embora o Novo Tes t a m e n t o r eve l e um a nova m e n ta •
l id ad e , o b se r v a - s e que ainda p e r s i s t e e m a l g u m a s passa •
gen s o ranço da i n t o l e r â n c i a , tão p e cu l i a r ao V e l h o . Por
e x e m p l o : " H o r r e n d a co is a é cair nas mão s do Deus v i v o "
( H e b r . 10 :31 ) . Eis aí um a e x p r e s sã o que a gr id e f r o n ta l •
m e n t e tod a a p r e ga çã o do M e s t r e . Ele e n si n o u que Deu
s
é Pai ( M a t . 23 :9) , que am a a h u m a n i d a d e (João 3:16) ,
que
é m i s e r i c o r d i o s o e c o m p a s s i v o (Lucas
6:36 ) e
b en i gn o
até para co m os i n gr a to s e mau s (Lucas
6 :35). O n i p r e s e n • te , Deu s está em tod o s os r e c a n t o s do
U n i v e r s o , no âma• go de toda s as co i sa s , no im o de tod o s os
s e r e s , na con s • c i ê n ci a de toda s as cr i a tu r a s d o ta da s de
razão, poi s , co• mo di ss e o a p ó s t o l o : " N e l e v i v e m o s e nos
movemo s e
e x i s t i m o s " ( Ato s 17 :28 ) . Logo, pelo s i m p l e s
fat o d e exis•
t i r m o s , j á e s t a m o s , l o g i c a m e n t e , em
Suas
mão s ,
e são
elas , e v i d e n t e m e n t e , que
d i r i g e m n osso s d e s t i n o s . Então,
co m o pode a l gu é
m "cai r nas mão s de D e u s " ? E co m o po• d e tal fato
c o n s t i t u i r um a " c o i s a h o r r e n d a " ?
46

Preferiríamos deixar sem comentários os milagres
realizados por Jesus. Os espíritas não cremos em mila•
gres, no sentido de derrogação das leis naturais; estas fo•
ram estabelecidas por Deus como leis eternas e imutá•
veis, e não seria Ele quem as infringiria somente para de•
monstrar a Sua onipotência. Assim, entendemos que Je•
sus não usou meios "sobrenaturais", e sim formas de
energia ainda desconhecidas dos homens. Nem provam
tais feitos a divindade do Mestre, pois seus discípulos
também os praticaram. Mas dois desses "milagres" me•
recem ligeira referência:
O evangelista Lucas (13: 6-9) relata a parábola de uma
figueira que há 3 anos não frutificava, e que deveria ser
cortada se dentro de mais um ano não desse frutos. Em
Mateus (21:18) e Marcos (11: 13-20) essa parábola se
transformou em fato real: Jesus estava com fome, não en•
controu figos e amaldiçoou a figueira, que secou. Esse
"milagre" se configura absurdo, porque: 1.° — O pobre
vegetal não tinha culpa alguma, eis que o próprio evange•
lista (Marcos 11:13) afirma que "não era tempo de figos";
2.° — Foi o único "milagre" de maldição e castigo, o que
não condiz absolutamente com o caráter bondoso do Mes•
tre.
Também o "milagre" relatado em Mateus 17:27, por
sinal o único que Jesus teria realizado em benefício pró•
prio, teve origem, segundo o teólogo KARL HERMANN
SCHELKLE:
" . . . e m histórias de fadas que falam de uma jóia
na boca de peixes; aparece na história do anel de
Polícrates (Heródoto 3, 40-42) e entre os rabinos
em histórias de judeus que, como recompensa da
virtude, acham pérolas preciosas dentro de pei•
xes comprados" ("Teologia do N. Testamento",
ed. Loyola, 1978, pg. 92).
Ainda sobre os "milagres": Como se explica que as
menores curas de Jesus sejam relatadas minuciosamente
nos 3 primeiros Evangelhos, enquanto que o seu mais
portentoso milagre, a ressurreição de Lázaro, só veio a
constar do 4.° (João 11), que apareceu 60 anos após a sua
morte?
Para finalizar nossas breves considerações acerca da
47

" i n e r r a n c i a " da B íb l ia , se ja-nos l íci t o t r a n s c r e v e r a o pi ni ã
o
de al gu n s t e ó l o g o s e e s c r i t o r e s i l u s t r e s :
"H á p r o f u n d a d ivi sã o entr e o s e s t u d i o s o s n o que
c o n c e r n e à e x a t i d ã o de m u i to s i n ci d e n t e s narra •
dos nos E v a n g e l h o s . No s seu s t r a ço s , p o r é m , o
ca r á t e r e en sin o de Jesu s t o r n a m - s e v i s í v e i s nas
pá gi na s dos E v a n g e l h o s . " (W . W AL K E R , " H i s t ó •
ria d a Igre ja C r i s t ã " , 2.

a

ed., pg . 35).

" S e g u n d o A . Sa ba tie r,
decano d a Fa cul da de d
e Teo l o gi a P r o t e s ta n t e de Paris, os m a n u s c r i t o s
ori •
gi n ai s dos Ev a n g e l h o s d e s a p a r e c e r a m se
m de ixa r
n e n h u m v e s t íg i o cert o n a H i s t ó r i a .
F or a m , prova•
velmente , destruído s
po r
o ca si ã o d a p r o s c r i ç ã o
geral dos l iv ro s
c r i s tã o s o r d e n a d a pel o i m p e r a d o r D e o cl e c i a n o
( ed i t o i m p e r i a l d e 303) . O s e s c r i t o s sa gr a d o s
que e s c a p a r a m à d e s t r u i ç ã o não são, por
c o n s e g u i n t e , senã o c ó p i a s " (F .
L IC HT EN BER GEN ,
e m " E n c i c l o p é d i a das
C i ê n c i a s R e l i g i o s a s " , ci t .
por LEON
DENIS em " C r i s t i a n i s m o e E s p i r i t i s m o " ,
6. a

ed . FEB, pg . 270).

" A p e s a r de tod o s os seu s e s f o r ç o s , o que a crí•
tic a pôde c i e n t i f i c a m e n t e e s t a b e l e c e r d e mai s an•
tig o f o r a m os t e x t o s dos sé cu l o s IV e V. Não se
pôd e r e m o n t a r mai s lon ge senão por c o n j e c t u r a s ,
s e m p r e s u j e i t a s a d i s cu s s ã o ( . . . ) " O r í g e n e s j
á
s e q u e i x a v a a m a r g a m e n t e d o esta d o dos
m an u s •
c r i to s d o seu t e m p o . Irineu r e f e r e que
p o p u l a çõ e s
i n te i r a s a c r e d i t a v a m em Je su s se m
a i n te r v e n çã o do papel e da t i n t a . Não se e s c r e v e
u i m e d i a ta •
m e n t e po r qu e era e sp e r a d a a vol t a
do C r i s t o . "
( . . . ) " C e l s o , desd e o sé cu l o II, no
" D i s c u r s o Ver•
d a d e i r o " , lançava aos cr i s t ã o s
a acu sa ção de re•
t o c a r e m c o n s t a n t e m e n t e os
Ev a n ge l h o s e e l i m i n a •
re m no dia s e g u i n t e
o que h avi a m e s c r i t o na vés • p e r a . " (LEON DENIS e m
" C r i s t i a n i s m o e Espi r i •
. FEB, pg . 271).

t i s m o " , 6. a

ed

" A e x p e r i ê n c i a prov a à s a c i e d a d e que é d i f íc i l co•
piar-se um a po rçã o d e e x t e n s ã o c o n s i d e r á v e l se m
c o m e t e r u m o u doi s la pso s , n o m í n i m o . Qu an d
o
se tra t a de e s c r i to s co m o os do Nov o
Tes t a m e n • to , co p i a d o s e r e c o p i a d o s m i l h a r e s de
ve ze s , a m a r g e m de erro s de c o p i s t a s a u m e n t a
de tal mo48

do que é surpreendente não seja a cifra muito
maior do que o é. " (F. F. BRUCE, em "Merece
Confiança o Novo Testamento?", trad. da Junta
Edit. Cristã, ed. 1965, pg. 2 7 ) .
"A fim de pôr termo às divergências existentes
entre os vários manuscritos que circulavam por
cópias nas primitivas comunidades cristãs, resol•
veu o papa Dâmaso, em 384, incumbir Jerônimo
de redigir uma tradução latina do Novo Testamen•
to. O tradutor teve que enfrentar consideráveis
dificuldades, pois, como declara no prefácio diri•
gido ao papa, "existiam tantos exemplares dos
Evangelhos quantas eram as cópias." E concluía:
"Depois de haver comparado um certo número de
exemplares gregos, mas dos antigos, que se não
afastam muito da versão itálica, de tal modo os
combinámos que, corrigindo somente o que nos
parecia alterar o sentido, conservamos o resto co•
mo estava." (LEON DENIS em "Cristianismo e Es•
piritismo", 6.ª ed. FEB, pgs. 31/32).
"Depois da proclamação da divindade do Cristo,
no século IV, e depois da introdução, no sistema
eclesiástico, do dogma da Trindade, no século VI,
muitas passagens do Novo Testamento foram mo•
dificadas, a fim de que exprimissem as novas dou•
trinas. Em sua obra "As Bíblias e os Iniciadores
Religiosos", diz LEBLOIS, pastor em Strasburgo:
"Vimos na Biblioteca Nacional, na de Santa Geno•
veva, na do Mosteiro de Saint Gall, manuscritos
em que o dogma da Trindade está apenas acres•
centado à margem. Mais tarde foi intercalado no
texto, onde ainda se encontra." (Ibd. pg. 2 7 2 ) .
"Numerosos Concílios têm discutido a Bíblia, mo•
dificado os textos, proclamado novos dogmas,
afastando-se cada vez mais dos preceitos do Cris•
to (... ) Leon Denis afirma que "a tradução de Je•
rônimo foi considerada boa de 386 a 1586, tendo
mesmo sido aprovada pelo Concílio de Trento em
1546. Em 1590 Sixto V achou-a insuficiente e er•
rônea, ordenando uma nova revisão. A edição daí
resultante, e que trazia seu nome, foi a seu turno
modificada por Clemente VIII, sendo afinal a edi49

ção que se r v i u de base às t r a d u ç õ e s e x i s t e n t e s
e m d i f e r e n t e s l í n g u a s . " ( PAU L O FINOTT!, e m
" R e s s u r r e i ç ã o " , ed . Edigraf, pg. 42).
Co m o se vê , a E s c r i tu r a Sa gr a d a , e n c e r r a n d o , se m
d ú v i d a , p r e c i o so s e n s i n a m e n t o s para o p r o g r e s s o mora l
da h u m a n i d a d e , não se r e v e s t e dess a " i n e r r a n c i a " que
lhe q u e r e m a tr i b u i r n osso s ir mã o s e v a n g é l i c o s . M e s m o
nos Estado s Un id o s , ond e ainda cont a co m ra ízes pr of un •
das , a idéia vai p e r d e n d o t e r r e n o à m e d i d a em que o pov o
se e s c l a r e c e . Veja-se o que diz um c o n c e i t u a d o órgão da
imprens a norte-americana :
" O p asto r A D R I A N ROGERS, que p r e s i d i u a "Sou •
t h e r n Ba p ti s t C o n v e n t i o n " de 1979 a 1980, é cam •
peão i n t r a n s i g e n t e da " i n e r r a n c i a " da Bib l ia , no
se n ti d o d e que "cad a p al avr a fo i i n sp ir ad a por
Deus e seu s l iv ro s p e r m a n e c e m co m o o r i g i n a r i a •
m e n t e e s c r i t o s , li vr e s d e err o e m cada d e t a l h e . "
Ma s vár io s
p r o f e s s o r e s d e s e m i n á r i o s b a ti st a
s
tê m c r i t i c a d o ess a t e o r i a , a d m i t i n d o que ,
por
ex e m • plo, Adã o
e
Eva
se ja m
apenas
s ím b o l o s . " ("TIME "
de 2-7-79).
"Se u s u c e s s o r , o Rev . BAILEY S M IT H , foi re el ei
• t o e m junh o d e 1981 , ma s e n f r e n t o u f o r t e o po si

ção por se r p a r ti d á r i o da " i n e r r a n c i a " . Esta
ainda
é
a
idéia
do
povo ,
mas
não
n e c e s s a r i a m e n t e a dos
p r o f e s s o r e s dos
s e m i n á r i o s , m u i t o s dos quai s in•
terpreta m a
Bíbl ia
me no s
rigidamente. "
("TIME "
de 22-6-81).

50

JESUS

Fulge a tr a v é s da H i s t ó r i a o me i g o N a za re no
co m

m e n s a g e n s de paz, c o m p r e e n s ã o e a mo r

.

Ma s sé c u l o s se e s co a m e o pobr e

se r t e r r e n o ainda não e n t e n d e u o e nsi n o do
Se nh or.
Pu lu l am

r e l i g i õ e s , se i ta s , ri to s e c u l t o s ,

cada qual p r e t e n d e n d o a poss e da V e r d a d e . . .
Em nom e de Jesu s t r o ca m - s e ódio s e i n s u l t o s
, c a m p e i a a i n t o l e r â n c i a , em vez da C a r i d a d e . .
.
E a h u m a n i d a d e se gu e , a p á ti ca , d e s c r e n t e ,
às liçõe s do Eva n gel ho a lh ei a , i n d i f e r e n t e . . .
Por que o M e s t r e p r e go u ? Terá pr e ga d o em vão?
Não, pois do que Ele en sin o u o s e n t i d o p r o f u n d
o é que a Ju s ti ç a e a Paz hão de reinar no m u n d
o quando

existi r A M O R

em

cada c o r a çã o !

51

IV — A DIVINDADE DE JESUS

1 — A Divindade e a Lógica.
I n i c i a r e m o s co m um a brev e d i g r e s s ã o sobr e A s t r o n o •
mia , a s s u n t o d e c e r t o j á be m c o n h e c i d o dos l e i t o r e s , mas
que s e r v i r á para l e m b r a r - l h e s a exat a po si çã o no Cos•
mo s , do h o m e m e do m i n ú s c u l o p l a n e t a que ele h ab i ta .
C i n g i m o - n o s , nest a p ar te , a um i n t e r e s s a n t e t r a b a l h o di•
v u l ga d o pela e x t i n t a r e v i s t a " L I F E " há mai s de 20 anos,
a l gun s d e cu jo s c o n c e i t o s , p o r t a n t o , p od er ã o j á te r sido
modificados .
C o m o a Terra te m 12.756 km . de d i â m e t r o e qu a to r i a
l
e di st a em m éd i a 150 m i l h õ e s de km do Sol , as
d i m e n • sõe s do noss o s i s t e m a p l a n e tá r i o p o d e m à p r i m e i r a
vist a
p a r e ce r
estupendas ,
principalment e
s e
c o n s i d e r a r m o s que
0 p l a n e t a mais d i s ta n t e do Sol , Plutão, di st a d est e cer c a
de 6 b i l h õ e s de q u i l ô m e t r o s . Ma s o noss o Sol , e m b o r a
co m um v o l u m e 1,3 m i l h õ e s de veze s ma io r que o da Ter•
ra, não passa de um a e s t r e l a de t a m a n h o m é d i o . Se o ima •
g i n a r m o s co m o um a bola de 15 cm . de d i â m e t r o , a Terr a
d i s t a r i a del e uns 17 m e t r o s e o p l a n e t a Plutão cerc a
de
1 km . Pois b em , as e s t r e l a s mai s p r ó x i m a s f i c a r i a m a 5
mi l km e m e s m o esta s são c o n s i d e r a d a s v i zi n h a s do Sis•
tem a Solar, ta l a v a s t i d ã o do Esp a ço .
Em noit e clara p o d e m se r vi s ta s a olh o nu ce r c a de
6 mi l e s t r e l a s , m e t a d e e m cada h e m i s f é r i o . Co m u m
pe que53

no t e l e s c ó p i o d i s t i n g u e m - s e mai s de 2 m i l h õ e s , enquan •
to o gr an d e t e l e s c ó p i o do M o n t e Palo mar p e r m i t e cap ta
r
a luz de b i l h õ e s . À d i s t â n c i a p a r e c e m f o r m a r v e r d a d e i r o
s a g l o m e r a d o s , po ré m n a r ea li da de b r i l h a m com o lu zei ro s
s o l i t á r i o s , se p a r a d o s por m i l h õ e s de q u i l ô m e t r o s , qua i s
naves a f l u tu a r nu m oceano va zio .
As d i m e n s õ e s do U n i v e r s o são tão vasta s que
não
p o d e m ser m e d i d a s pelo s m ei o s c o m u n s , por
isso recor •
re-se a um a u ni da de e s p e c i a l , que é o
"ano-lu z" . Aliás ,
é bo m l e m b r a r que toda s as
m e d i d a s do t e m p o vê m do espa ço ,
send o na r ea li da de
d i m e n s õ e s e sp a c i a i s .
Por
e x e m p l o : O que c h a m a m o s "u m a h o r a " é , co m e f e i to , u
m
arco de 15 graus na r o ta çã o d i á r i a , a p a r e n te , da e sf e r
a ce• l e s t i a l . Então, o " a n o - l u z " é o e sp a ç o p e r c o r r i d o
pela luz
no te m p o de um ano. S a b e n d o - se que a
v e l o c i d a d e da luz é de cerc a de 300 mi l km por
s e g u n d o , se gu e- se que o "a n o - l u z " c o r r e s p o n d e a quase
10 t r i l h õ e s de q u i l ô m e t r o s .
Pois be m : e n qu a n t o o
Sol está apenas a 8,2 " m i n u t o s - l u z "
da Terra , a mai s
p r ó x i m a e st r e l a ( A l f a , do C e n t a u r o ) , fic a a 4,4 anos-lu z
da Ter ra , a gi ga n t e v e r m e l h a B e t e l g e u s e (da co n s t e l a çã o
de Or io n ) a 300 " a n o s - l u z " e a gi ga n t e azul
Riegel
( t a m b é m de Or io n ) leva 540 anos para a l ca n ça r
n osso s o lh o s .
Vej a m o s ou tr o a sp e c t o dess a d e s c o n c e r t a n t e
noção
de " e s p a ç o - t e m p o " : Qua nd o o l h a m o s para o
céu em um a
noi t e e s t r e l a d a , na r ea li da de e s t a m o
s o lh an d o "par a trá s no t e m p o " . Vem o s a luz de
e s t r e l a s com o elas era m há
m i l h a r e s , ta lv e z m i l h õ e s
d e anos .
C e r t a m e n t e nenhum a
dela s est á mai s nos p on to s ond e a s v e m o s , a l gu m a s
po•
de m até te r sido t o t a l m e n t e e x t i n t a s . M e s m o a
mais pró•
xi m a de nós ( A l f a , do C e n t a u r o ) , não a
v e m o s co m o é ho• je e. si m co m o era há pouc o mai s de
4 a no s . O que real• m e n t e v e m o s é o f a n t a s m a de um a
e s tr e l a que e m i t i a luz há 4 anos ; se ela c o n t i n u a , ou
não,
b r i l h a n d o agora , só
p o d e r e m o s sabe r de n tr o de mai s 4 anos. Então, para
des•
c r e v e r a p o s i çã o de um a ga l áx i a , não basta
fixá-la nas trê s d i m e n s õ e s d o espa ço , mas t a m b é m num
a d e tempo .
Daí o di zer-se que o U n i v e r s o é
q u a d r i d i m e n s i o n a l , send o
tempo .

a 4.

a

d i m e n sã o o

Ma s toda s essa s e s t r e l a s a que nos r e p o r t a m o s até
agora po de m se r c o n s i d e r a d a s vi zi nh a s p r ó x i m a s , e suas
d i s t â n c i a s e q u i p a r a m - s e a c e n t í m e t r o s , quando m e d i d a
s
54

em esca l a c ó s m i c a . Foi só nas ú l ti m a s d écad a s que se
p e r ce b e u que o noss o S i s t e m a Solar é apenas um a uni•
dade i n f i n i t e s i m a l na bord a ex te r n a de um a galáxi a a que
d e n o m i n a m o s "Vi a L á c t e a " . E est a m e s m a não pass a de
um a un id ad e nu m a g l o m e r a d o d e ga l áxi a s li ga da s pel a
g r a v i ta ç ã o , m o v e n d o - s e i n i n t e r r u p t a m e n t e a tra vé s do Es•
paço .
Essa faix a l u m i n o s a que a v i s t a m o s e m no i te s
claras
co r t a n d o o f i r m a m e n t o de nor t e a su l , só em
t e m p o s re•
ce n te s vei o a se r c o n h e c i d a pel o que
de fat o é: um estu • pend o caudal de ca m p o s e s t e l a r e s
i n te g r a n d o a part e vi • síve l da galáxi a em que se mov e
o noss o S i s t e m a So l a r .
A d i f i c u l d a d e em a p r e e n d e r a
e s t r u t u r a da "Vi a L á c t e a " ,
é que nos a ch a m o s
" d e n t r o d e l a " . S ó nos ú l t i m o s t e m •
pos o s
a s t rô no m o s pudera m c ie n t if i ca me n t e estabelece r
que o que v e m o s da "Vi a L á c t e a " é apenas par t e do arco
i n te r n o d e u m c o l o s s a l a g l o m e r a d o d e e s t r e l a s , e m
form a
de di sco , s i m i l a r às ga láx ia s do e sp a ç o e x t e r n o
. O noss o
p l a n e t a est á si tu a d o a 30 mi l " a n o s - l u z "
do ce n tr o da ga•
láxia, e del e p o d e m o s d ivi sa r
apenas um a p e qu e n a fr açã o dos b i l h õ e s de e s t r e l a s que
ela c o n t é m . O d i â m e t r o da
"Vi a L á c t e a " é de mai s
de 100 mi l " a n o s - l u z " , o que sig• ni fi c a que a luz, à
a s s o m b r o s a v e l o c i d a d e de 300 mi l qui •
l ô m e t r o s po r
segundo ,
leva mai s de 100 mi l anos para
p e r c o r r e r a ga láx ia de um a e x t r e m i d a d e à o u tr a .
A galáxi a t a m b é m gi ra , c o m p l e t a n d o um a r e v o l u ç ã
o
a cada 200 m i l h õ e s de anos , não apenas l eva nd o
co m ela o noss o S i s t e m a Solar co m v e l o c i d a d e s u p e r i o r
a 1 mi • lhão de km por hora , co m o a r r a sta n d o um
e n x a m e ex• ter n o d e a g l o m e r a d o s e s t e l a r e s , cada u m
co m ce n t e n a s
d e m i l h a r e s d e e s t r e l a s , toda s gi r an d
o e m vol t a d o cen• tr o da g a l á x i a .
Ma s a "Vi a L á c t e a " não é senão um m e m b r o de um
a gr e ga d o c ó s m i c o i n f i n i t a m e n t e m ai or , d e n o m i n a d o " G r u

p o L o c a l " , c o m p o s t o por ce r c a d e 2 0 s i s t e m a s
galáctico s
un id o s pela e n e r gi a g r a v i t a c i o n a l e co m
um d i â m e t r o de uns 3 m i l h õ e s de " a n o s - l u z " . P r ó x i m o a um
a das ex tre •
m i d a d e s dess e s u p e r - s i s t e m a gira
o
luminos o
di sc o
da
"Vi a L á c t e a " , e n q u a n t o na
e x t r e m i d a d e o p o s t a via j a a
grande esp ir a l de sua
galáxia-irmã , A n d r ô m e d a . O "Gru •
po L o c a l " ab ra n g
e t a m b é m 6 p e qu e n a s ga láx ia s e l íp t i c a s
e mai s as
i n f o r m e s " N e b u l o s a s M a g e l â n i c a s ' , alé m de
55

a l g u m a s d i s t a n t e s e s p i r a i s , p e r d i d a s no i m e n s o vácuo . Re•
m o ta s com o s e e n c o n t r a m , estã o toda s unidas por um a
i gno t a e n e r g i a g r a v i ta c i o n a l e r e v o l u c i o n a m ao redo r de
um eix o d e s c o n h e c i d o , si tu a d o em a l gu m a p ar te , en tr e
a
Vi a Láctea e A n d r ô m e d a .
Ma s ainda não é t u d o : Vol v e n d o o t e l e s c ó p i o para
alé m das mais d i s t a n t e s n e b u l o s a s d o Grup o Loca l, d esco •
bre-se u m c r e s c e n t e n ú m e r o d e e n e v o a d a s m a n ch a s lum i •
no sa s , s u s p e n s a s n o vácu o co m o t ê n u e s teia s d e ar an ha .
São as c h a m a d a s " G a l a x i a s - E x t e r n a s " , ou
"Universos l l h a s " , cada um a dela s c o m p o s t a por b i l h õ e s e b i l h õ e s de
e s t r e l a s , mas tã o p r o f u n d a m e n t e e n tr a n h a d a s n o a b i sm o
do e sp a ç o que a luz que e m i t e m leva m i l h õ e s de anos pa•
ra che ga r até nós. Só no i n t e r i o r da Ursa M a i o r , fr aco s
b r u x u l e i o s r e v e l a m um a c o n c e n t r a ç ã o de mais de 300 ga•
l á x i a s . Junt o dela o nosso Grup o Local ser i a um a g l o m e •
rado anão.
Em geral as galáxias do espa ç o e x t e r n o t e n d e m a aglo•
m e r a r - s e em c o m u n i d a d e s de cerc a de 500 — ga láx ia s de
ga l áxi a s — u ni da s pela g r a v i d a d e e, não raro , i n te r p e n e t r a n d o - se , se m que ja ma i s o co r r a co l i sã o , um a vez que as
suas c o m p o n e n t e s estão sep ar ad a s en tr e s i por t r i l h õ e s
de q u i l ô m e t r o s . Os a s t r ô n o m o s c a l cu l a m que cerc a de 1
bilhão de ga l áxi a s se e n c o n t r a m ao a l ca n ce dos no sso s
m a i o r e s t e l e s c ó p i o s , a p r e s e n t a n d o 3 t i p o s : Ga lá xi as espi •
rais ( 8 0 % ) , Ga lá xi as e l í p t i c a s ( 1 7 % ) e Ga lá xi as i rr e gu la •
res ( 3 % ) .
Não foi senã o a p ar ti r do i n íci o dest e sé cu l o que o
foc o da A s t r o n o m i a se d e s l o co u dos pl an e ta s para as es•
t r e l a s e só nos ú l t i m o s 40 anos ele passou a a br an ge r as
ga l áxi a s do e sp a ç o e x te r n o . Po r tan to , é cert o que os con •
ce i to s d a m o d e r n a A s t r o n o m i a não era m c o n h e c i d o s dos
n osso s avós . Então, r e su l t a e v i d e n t e que os p r i n c í p i o s
a ce i to s co m o v e r d a d e s há 100 ou 200 anos não são os
m e s m o s p r i n c í p i o s agora r e c o n h e c i d o s com o f i r m e m e n t e
a n co r a d o s nos c o n h e c i m e n t o s c i e n t í f i c o s .
Ora , até 100 ou 200 anos o h o m e m se a c r e d i ta v a o
ce n t r o d o U n i v e r s o , c o m p e n e t r a d o d a sua m a g n i f i c ê n c i a
co m o o "Rei da C r i a ç ã o " . Para ele, a Terra for a criada no
ano 4004 an te s de C r i s t o , o h o m e m f o r m a d o de barro e
os a stro s f i n c a d o s co m o l u ze ir o s no céu apenas para lhe
p r o p o r c i o n a r luz e d e l e i t e . Se a Terra era plana, co m
o
56

céu por cim a e o in fe rn o por ba ixo , fo i até lógica a te o r i a
de que o C r i a d o r v i e s s e e n c a r n a r nest e m í s e r o p l a n e ta ,
para sa lva r a H u m a n i d a d e co n d e n a d a pel o pecado de A d ã o .
Ora , que o O n i p o t e n t e tenh a o poder de fazê-lo, que m du•
vida ? Ma s em fac e da ló gi c a e co m os c o n h e c i m e n t o s
c i e n t í f i c o s d e que hoje d i s p o m o s , não s e c o n f i g u r a dema •
siado p r e t e n s i o s a ess a teo ri a ?
Se Deu s nunc a tev e p r i n c í p i o , é p e r f e i t a m e n t e razoá•
vel a d m i t i r que Ele ven h a cr i a n d o de tod a a e t e r n i d a d e .
Q u a n to s m i l h õ e s d e s i s t e m a s não j á f o r a m , a tr a v é s d e mi •
lênio s se m f i m , e l a b o r a d o s pelo seu P e n sa m e n t o C r i a d o r
? E co m t a n to s e t a n to s b i l h õ e s de p l a n e ta s e s p a l h a d o s pela
i m e n s i d ã o do Esp a ço , q u a n t o s não hav er á p a l p i t a n t e s de
vi da , co m h u m a n i d a d e s e m d i f e r e n t e s e s t á g i o s d e evo lu •
ção, m u i ta s dela s se m d úvi d a mai s a di an tad a s que a nos•
sa? V e j a m o s co m o ideal i za o caso o e m i n e n t e c i e n t i s t a
C H ARL E S RICHET:
"Se i que n o e sp a ç o i n f i n i t o m i l h õ e s d e p l a n e ta s
g i r a m a o redo r d e o u tr o s t a n t o s só is . C o n h e ç o
um d esse s p l a n e t a s , a Ter ra , e vej o que é ha bi ta •
d o po r se re s i n t e l i g e n t e s . Co m o po de re i a d m i t i r
que só ele goza ess a v a n t a g e m ? (se é v a n t a g e m ) .
Eis aqui um saco co n t e n d o 1 m i l h ã o de b ol a s ,
cu ja s core s i g n o r o . Tiro um a ao aca so e vej o
que
é v e r m e l h a . Será l ó gi c o supo r que entr e as
999.999
r e s t a n t e s não haja mai s n e n h u m a ou tr
a
dess a c o r ? " (" A Gr an d e E s p e r a n ç a " , 2.ª ed .
L AKE, 1976,
pg . 19).
E aqui cabe a gr an d e i n d a ga çã o : Por qu e te ri a o Cria•
dor do U n i v e r s o de punir o " p e c a d o " c o m e t i d o pel o mai s
i g n o r a n t e dos se r e s , no mai s r u d i m e n t a r dos m u n d o s ? Por
que te ri a o p r ó p r i o Deu s de d e s ce r da su a gl ó ri a para en•
car na r nu m orbe tão d e s p r e z í v e l , a fi m de, co m o se u pró•
pri o sa n g u e , " r e s g a t a r " o s " e r r o s " d e c r i a t u r a s tã o frá •
gei s? D e s c u l p e m o s i r m ã o s , ma s não te m l ó gi ca !
Tal idéia p o d e r i a te r sido , não d i r e m o s r a zo á v e l , ma s
pelo m e n o s c o m p r e e n s í v e l , e m ép oca s p a s s a d a s , a o t e m

po em que se a c r e d i t a v a a Terra o ce n t r o do
U n i v e r s o e os seu s h a b i ta n t e s a obr a m á x i m a do C r i a d o r ;
ma s nos
t e r m o s d a C o s m o g o n i a a tua l , c o n v e n h a m o s e
m que cer•
ta s d o u t r i n a s estão a ex i gi r u r ge n t e
r e v i s ã o , para que não
r e su l t e d e s l u s t r a d a a i n t e l i g ê n c i
a dos seu s p r o f i t e n t e s .
57

E é bo m que ess a r evi são se faça lo go , p or qu e se a qual•
que r m o m e n t o o s " c o n t a t o s i m e d i a t o s d o t e r c e i r o g r a u "
c o m p r o v a r e m a quilo que todo s j á i n t i m a m e n t e a d m i t i m o s ,
ou se ja , a e x i s t ê n c i a de ou tra s h u m a n i d a d e s co m o u tr o s
tip o s de c i v i l i za ç ã o , co m o é que vão e x p l i ca r essa s com •
p l i ca d a s te o r i a s da cr i a çã o do m u n d o , do pecado o r i g i n a l ,
da e ncar na çã o do De u s- F i lh o em noss o plane ta?
Ma s est e é apenas um dos a sp e c t o s do p r o b l e m a da
d i v i n d a d e d e C r i s t o . Exi ste m vár io s o u tr o s , que ex a m i n a •
r em o s e m seguida .

58

2 — A Divindade e a Bíblia

Je su s nunc a a f i r m o u que era D eu s ; n i n g u é m
e ncon •
tra r á n o Eva n gel ho um a s ó p al avr a su a e m
tal s e n t i d o .
O t ít u l o que Ele h a b i t u a l m e n t e se a t r i b u í a
era o de "F i lh o
do H o m e m , que f i gu r a 80 veze s
nos Ev a n g e l h o s (30 no de M a t e u s , 14 no de M a r c o s , 26
no de Lucas e 10 no de
Jo ã o ) . Poucas ve ze s , e em
geral de f o r m a i n d i r e t a , Ele s e a u t o d e n o m i n o u "F i lh o d e
D e u s " , t í t u l o est e que o s dis•
c íp u l o s , ou tra s
p essoa s e até Es p ír i to s i m p u r o s às vezes lhe a t r i b u í a m .
É de notar que ser "f i l h o de D e u s " não é
ser De u s ,
co m o se i nf er e de João 1:12: " A to do s q u a n t o s o
r e c e b e r a m , d eu -l he s o pode r de se t o r n a r e m f i l h o s de
Deus. "
O s t e ó l o g o s c o s t u m a m a p r e se n t a r co m o prov a d a su a
d i v i n d a d e a f ra s e "Eu e o Pai s o m o s u m " (João 10:30)
sem a te n ta r para o fat o d e que logo a di an t e Ele i n cl u i u n a
me sma c a t e g o r i a o s a p ó s t o l o s qu an d o a f i r m o u : "Pai San•
to, guarda e m te u nom e a qu e l e s que m e d e s te , para qu e
sejam um . a ss i m com o n ó s " (Jo. 17:111 e "pa r a que tam•
bém ele s se ja m u m e m nós
(Jo . 17:21) .
C u m p r e te r e m v i s t a , o u t r o s s i m , que n o m e s m o epi•
sódi o a cim a ci ta d o , quando os ju de u s o a cu s a r a m de "s e
fazer Deu s a si m e s m o " (João 10:33), Ele e n ce r r o u a dis•
cu ssã o a f i r m a n d o : "S e a p r ó p r i a lei ch a m o u deuses aque•
les a que m a palavra de Deu s fo i d i r i g i d a , com o di ze is
que b l a s f e m a aque le que o Pai s a n t i f i c o u e e nvi o u ao mun •
do, p or qu e diz: "So u filh o de D e u s " ? (João 10:36).
Em vá r i o s o u tr o s t r e c h o s Ele se p r o c l a m o u um " e n v i a •
do de D e u s " (João 4:34, 5:24, 6:29; 6:44; 7:29; 8:26; 12:45,
17:3) e ch e g o u a a f i r m a r : " P o r q u e eu desc i do Céu . não

59

para fazer a m in h a v o n t a d e , ma s a da que l e que me e n v i o u "
(João 6:38} . É claro que um env ia d o é s e m p r e i n f e r i o r
àque le que o e nvi a . Ele se a tr i b u i u t a m b é m vá ri o s ou tro s
t í t u l o s , co m o se ja m os de " F i l h o " , de " M e s t r e e Se nh or '
,
d e "Lu z d o M u n d o " , d e "Bo m P a s t o r " , e t c ,
mas é clar o
que n e n h u m a d essa s e x p r e s s õ e s i m p l i c a
a p r e t e n s ã o de s e fazer d i v i n o . Co m o u m env ia d o d e
Deu s para pr e ga r
aos h o m e n s a Ver d a d e , Ele foi um
i n s t r u m e n t o , um me io ,
um ca m i n h o para se ch e ga r a
Deus. foi v e r d a d e i r a m e n t e
o "pã o da v i d a " que a
H u m a n i d a d e e sp e r a v a para sa ciar sua fo m e e s p i r i t u a l .
Se João 14:9 parec e ro bo ra r a idéia da d i v i n d a d e , logo
no v. 10 Je su s e s c l a r e c e que faz as obras p or qu e o Pai
p e r m a n e c e nele e no v. 12 aduz que os que c r e s s e m fa•
ria m obras até m a i o r e s , m o s t r a n d o que a ação div in a se
p a t e n t e a v a nas obras de todo s os que c r e s s e m , nada ha•
vend o na p a s s a g e m que j u s t i f i q u e a noção de que Je su s
se r e p u ta v a Deus .
Ou tr o t r e c h o que se supõe c o n f i r m a r a d o u t r i n a da
Trin da de é o de 1.ª João 5 : 7 / 8 , mas aí a i n te r p o l a ç ã o é tã o
e v i d e n t e que a p r ó p r i a " B íb l i a de J e r u s a l é m " ( e d i t a d a co m
a p r o v a çã o e c l e s i á s t i c a ) o r e su m e co m esta s p a l av r a s :
" Por qu e trê s são os que t e s t e m u n h a m : O E sp ír i to , a
água
e o s a n g u e " , adu zi ndo em nota de rodapé que as
f ra se s
r e s t a n t e s "não c o n s t a m dos an ti go s m a n u s c r i t o s ,
ne m das
a n ti ga s
v e r s õ e s , ne m dos
melhore s
m a n u s c r i t o s d a Vul •
ga ta , parecendo ser uma glosa
marginal introduzida pos• teriormente." ( N . T . , 6.ª ed .
pá g . 649 ( grifo n o s s o ) .
Paulo nunc a ch a mo u Je sus de Deus , e m b o r a pre gas•
se a un id ad e de car á te r en tr e a m b o s . Se gu nd o o t e ó l o g o
a n gl i ca n o W I L U S T O N W AL KE R " a t r a d u ç ã o d e R om . 9: 5
não dev e se r c o n s i d e r a d a p a u l i n a " ( " H i s t .
d a Igr .
Cristã" ,
2 ª ed . pg . 56) . O m e s m o se pode dizer
de Tito 2:13 , "d o qual não é p o s s ív e l um a i n t e r p r e t a ç ã o
s e g u r a " , se g u n d o
o t e ó l o g o KAR L SCH ELKLE, em
sua " Teo l o g i a do Novo Tes• t a m e n t o " , ed . Lo yo l a , pg . 218 .
O que se o b se r v a a tr av é s da H i s t ó r i a , é um a t e n d ê n
• ci a para c o n s i d e r a r " d e u s e s " a qu e le s que s e d e s t a c a m
dos h o m e n s c o m u n s por sua sa b e d o r i a , sua a u to r i d a d e ou
su a s u p e r i o r i d a d e m o r a l . Em Êxodo 7:1 le mo s que "Jeo v á
fez de M o i s é s um deu s d ia n t e do F a r a ó " . Os p r ó p r i o s
a p ó s t o l o s , e m ce r ta s o c a s i õ e s , f o r a m tido s por d e u se s
( At o s 1 4 :11 , 28 :6). Veja- se t a m b é m 1.º Cor. 8:5 .
60

"N o m un d o a n ti g o havia m u i t o s f i l h o s d e d e u se s
. N o O r i e n t e an ti g o o s reis e ra m tid o s co m o
gera • dos p el o s d e u s e s . N a m i t o l o g i a greg a o s
de use s
gera m
filho s
co m
mulhere s
humanas .
E m
Roma
os i m p e r a d o r e s era m
d i v i n i za d o s d e p o i s de sua m o r t e . G ê n i o s que
s u p e r a v a m a médi a human a
(politicos , filósofos
) era m v e n e r a d o s co m o d i v i n o s , ou f i l h o s de D e u s
.
O
sentiment o
anti go
percebi a
no
e x t r a o r d i n á r i o e i m e n s o a r eve la ção do d i v i n o .
A l é m diss o a Estoa e n s i n a v a , em ou tr o s e n t i d o , a
f i l i a çã o d ivi n a d e to d o s o s h o m e n s " ( Ep i cte t o
1 ,
3 , 1) . A h i s tó r i a das r e l i g i õ e s acha que est a
men • t a l i d a d e a n ti g a c o n t r i b u i u para que Jesu s f o s s e
v e n e r a d o co m o Filho d e D e u s . " (KAR L H . SCHELKLE, em " Teo l o g i a do Nov o T es t a m e n t o " , ed . Loyo•
la, 1978, pg . 205).
Ne st e s e n t i d o , n i n g u é m mai s d o que Jesus m e r e c e
para nós o t ít u l o de Deu s , co m o o r e c o n h e c e u o a p ó s t o l o
Tom é (João 2 0 :2 8 ) . Ele foi , co m e f e i t o , a mai s p e r f e i t a
das c r i a t u r a s que ja ma i s p i sa r a m nest e p l a n e ta , nele se
m a n i f e s t o u " c o r p o r a l m e n t e tod a a p l e n i t u d e da d iv i n d a •
d e " ( C o l . 2:9) , pois e m n e n h u m o u tr o h o m e m s e apre•
s e n t a r a m mais e x ce l sa s a s a b e d o r i a e a v i r t u d e . Ma s foi
p r e c i s a m e n t e i sso , um a cr i a tu r a de Deu s que a ti n gi u a
m á x i m a p e r f e i ç ã o , ao pon t o de gozar de ín ti m a co m u n h ã o
co m D eu s , daí o te r d i to : " Q u e m me vê a m i m , vê ta m •
bé m o Pai " e " O Pai está em mi m e eu no P a i " (João 14:
9,10) e " G l o r i f i c a - m e , Pai, co m a gl ó ri a que eu t i n h a con•
tig o an te s que h o u v e s s e m u n d o " (João 1 7 :5 ) . Ma s Ele
t a m b é m di sse : "Eu r o ga r ei ao Pai " (João 14:16 e 16:26
)
e o que roga e v i d e n t e m e n t e é i n f e r i o r ao r o g a d o . Ele
tam •
bé m a f i r m o u : " O Pai é m ai o r do que e u " (João
14:28) .
Ora , r a c i o c i n e m o s : Se Deu s ve m cr i a n d o de tod a a
e t e r n i d a d e ( e ne m se c o n c e b e r i a um Deu s i n a ti v o ) , é na•
tura l que os E sp ír i to s cr ia do s no que para nós pod e se r
d e f i n i d o co m o o " p r i n c í p i o dos t e m p o s " , ou se ja , há mi •
lhões e m i l h õ e s de anos, to d o s ele s , ou qua se t o d o s , já
d e v e m te r a ti n g i d o o grau m á x i m o da p e r f e i çã o , s i tu á n d o •
se na ca t e g o r i a dos " E s p í r i t o s P u r o s " , em gozo de plena
c o m u n h ã o co m o C r i a d o r . Eles são, p o r t a n t o , os colabo•
r a d o r e s na obr a de Deus . os seu s a u x i l i a r e s d i r e t o s , aque•
les que ta n t o no Vel h o co m o no Nov o Tes t a m e n t o ( e por•
que não nos t e m p o s a tu ai s?) são ch a m a d o s de A N J O S .
A u ni da d e na cri a çã o
é a característic a
do
noss o
Pai
61

e só ela pode e sp e l h a r sua i n f i n i t a J u s t i ç a . Seri a a dm i s •
sível qu e Ele cr i a s s e o s anjos co m o entes p r i v i l e g i a d o s ,
sa ídos d e Suas mãos co m o c r i a t u r a s
j á
perfeitas ,
e nquan •
t o o s E s p ír i to s h u m a n o s sae m s i m p l e s e
i g n o r a n t e s , fa•
dados a so f r e r v i c i s s i t u d e s se m c o n t a ,
para u m di a pode rem a l ca n ça r a b e m - a v é r i t u r a n ç a
e te r n a ? S e u m anjo dis• s e a João : "Nã o t e a j o e l h e s ,
pois e u sou c o n s e r v o te u e d e teu s irmãos, o s p r o f e t a s "
( Ap o c . 2 2 :9 ) , não fo i po r sa•
ber que a o r i g e m d e
todos o s se re s é a m e s m a ?
E par a e n c e r r a r esta s c o n s i d e r a ç õ e s , i n d a g a m o s : Aca •
so não p ar ec e m u i t o mai s g r a n d i o s a a f i gu r a de Jesu s co•
mo um se r hu ma n o que , por se haver e lev ad o ao ápi ce do
a p r i m o r a m e n t o e s p i r i t u a l , pode a p r e s e n t a r - s e aos no sso s
olho s co m o um m o d e l o da p e r f e i çã o a que to do s a sp i ra •
mo s e que um dia , co m a graç a do Pai, h a v e r e m o s de tam •
bé m al can çar ? Pois se a s s i m não f o s s e , por que te r i a Ele
a f i r m a d o : " D e i - v o s o e x e m p l o para que , co m o eu voz fiz,
a ss i m o fa ça i s vó s t a m b é m " ? (João 13:15).
Então , fi qu e be m claro o noss o p e n s a m e n t o , se g u n d
o
o qua l , send o Jesu s um E sp ír i t o ge ra d o em eras
i n i m a g i • n áve is , e que po r isso
m e s m o já f ru í a da
c o m u n h ã o co m o Pai " a n te s que h o u v e s s e m u n d o " (João
17:5), te nd o si•
do Ele, por c e r t o , um dos p l a n e j a d o r e s
e f u n d a d o r e s des• te Pla ne ta , ta n t o que é o se u G o v e r n a d o r
E sp i r i t u a l e até che go u ao e x t r e m o de i mo l ar - se para fazer
progredi r a
H u m a n i d a d e , o a b i s m o que nos se pa r a da su a
e x ce l s a p e r f e i ç ã o é tão i m e n s o que
para
nós
Ele
certament e é
Deu s , mas ist o p o r qu e , send o t a m b é m
um a c r i a t u r a d e
Deus , " o p r i m o g ê n i t o d e toda s a s
criaturas "
(Col .
1:15),
logo " c r i a t u r a " e não
" c r i a d o r " , pode a p r e se n ta r - s e com o
noss o m o d e l o
e noss o e x e m p l o pelo fat o de haver a tin • gid o a su m a
p e r f e i ç ã o , e não p or qu e sej a " i n g e r a d o , con•
substancia l
co m Deus de tod a a e t e r n i d a d e " , co m o de•
cr e t o u o
C o n c íl i o de Ni cé i a no ano 325 da noss a Era.
Diz H E R C U L A N O PIRES que :
" . . . a Igreja ad o to u o " c r e d o qui a a b s u r d u m " , co•
mo f o r m a t íp i c a de coa ção p s i c o l ó g i c a . E a div in •
dade de Jesu s t o r n o u - s e o r i g e m de p e r s e g u i ç õ e s ,
to r tu r a s , m a ld i çõ e s e morte s h o r r ip ila n t e s . .GAN DHI, que não era cr i s t ã o , apó s ler o S e r m ã o d a
"Montanha, p e r g u n t o u a ü m m i s s i o n á r i o in gl ê s co- .
m o s e e x p l i c a v a á c o n t r a d i çã o e n tr e o s f r u t o s d
o
. C r i st i a n i s m o e m seu pais e a arv or e e s p i r i t u a l do
E v a n g e l h o . " [ " R e v i s ã o do C r i s t i a n i s m o " , pg . 95) .
62

3 — A Divindade e a História

Já v i m o s que não a pa re ce no Nov o Tes t a m e n t o ne•
n hu m a p r o c l a m a ç ã o t a x a t i v a da d i v i n d a d e de Je su s , no
s e n t i d o que lhe de u o C o n c íl i o de N i cé i a , de " c o n s u b s t a n •
cial co m o Pai de tod a a e t e r n i d a d e " . É cer t o que a idéia
a pa re ce di fu s a no Eva n ge l ho de João, ma s est e só apa•
receu 60 anos d ep oi s da m o r t e do M e s t r e , quando a Cris to lo gi a ( i n t e r p r e t a ç ã o t e o l ó g i c a da fi gur a do C r i s t o ) j á se
achava
impregnad a
do
n e o p l a t o n i s m o , co m
a
sua
noção
d o "Logos" .
A g o r a v e j a m o s em linha s ge ra i s com o se ch e go u a
c o n c r e t i za r a idéia da d i v i n d a d e , que era t o t a l m e n t e des•
c o n h e c i d a nos p r i m i t i v o s t e m p o s d o C r i s t i a n i s m o . Toda
gent e sabe que na d e c i sã o de Ni cé i a (325 d.C.) p r e d o m i •
nou a v o n t a d e do i m p e r a d o r C o n s t a n t i n o , que , e g r e s s o do
p a ga n i sm o , estav a ainda be m lon ge de poder ser co n si •
d er ad o C r i s t ã o , tan t o que c o n t i n u o u co m o p o n t í f i c e d a
a n ti g a r e l i gi ã o e só vei o a r e ce b e r o b a t i s m o qu an d o so
achava à m o r te , no ano 337 .
Ma s não c o m e t e r e m o s a i n j u s t i ç a de a tr i b u i r aque la
d eci sã o u n i c a m e n t e ao a r b ít r i o do I m p e r a d o r , pois a His•
tóri a r e g i s t r a que as c o n t r o v é r s i a s r e i n a v a m fe ro ze s des•
de o in ício do se g u n d o sé c u l o , e a m e a ç a v a m d iv i d i r a Igre•
ja, de sort e que a i n f l u ê n c i a a u to r i t á r i a de C o n s t a n t i n o po•
de te r tid o o p r o p ó s i t o de ev i ta r a cisã o do C r i s t i a n i s m o
,
o que, t o d a v i a , c o n f o r m e v e r e m o s , não foi c o n s e g u i d o
no
C o n c íl i o de N i cé i a e ne m nos s u b s e q ü e n t e s .
Vej a m o s

os

e s c l a r e c i m e n t o s que

nos

pode m

tra zer

63

e m i n e n t e s t e ó l o g o s p r o t e s t a n t e s sobr e
a
controvertid
a
qu e st ã o da d i v i n d a d e de C r i s t o :
"O s ch a m a d o s Pais da Igre ja e n t e n d i a m Je su s co•
mo o r e v e l a d o r d ivi n o do c o n h e c i m e n t o do ver da •
deir o Deu s e ar au t o de um a "n o v a l e i " de mora •
lidade s i m p l e s , e lev ad a e s e v e r a " (W IL LIST ON
W AL K E R , e m " H i s t ó r i a
ed. ,
pg . 62).

da

Igre ja

Cristã" ,

2.

a

" In á ci o (b i sp o de A n t i o q u i a de 110 a 117), p ro fe s

sava o m e s m o tip o e lev ad o de c r i s t o l o g i a
ev id en • ciada nos d o c u m e n t o s j o a n i n o s .
O
s a c r i f í c i o de
C r i s t o é o "s a n g u e de
D e u s " . Saúda os cr i s t ã o s
r o m a n o s em " Je su s
C r i s t o , noss o D e u s " e no en•
tan t o não che ga
a i d e n t i f i c a r e x a t a m e n t e C r i s t o co m o Pai.
C r i s t o , e s c r e v e ele, r e a l m e n t e é
da
e s t i r p e de Davi se gu n d o a ca rn e , Filho de
Deu s por v o n t a d e e pode r de D e u s . " [ I d e m , pg .
61).
" J u l i a n o ( C o n tr a C h r i s t i a n o s , apud C i r i l o
d e Ale •
x a n d r i a , op. IX, 3 26 ss) :
"Mas ,
infortunadament e
não soi s fi éi s à s
v o ca ç õ e s a p o s t ó l i c a s ; esta s , e m
mão s d e
seu s s u c e s s o r e s , t o r n a r a m - s e e m máxi •
ma
b l a s f ê m i a . Ne m Paulo, ne m M a t e u s , ne m Lu•
cas ou M a r c o s o u sa r a m a f i r m a r que Je su s é D eu s
. Foi o v e n e r á v e l João q u e m , c o n s t a t a n d o que
um gra nd e n ú m e r o d e h a b i t a n t e s das ci da de s
gr e ga s e i ta li an a s era m v í t i m a s de e p i d e m i a s e
ouvindo ,
i m a g i n o , que as t u m b a s de Pedro
e Paulo se tor• nava m o b je t o de cu l to , João,
r e p i to , fo i o p r i m e i r o a ousa r tal a f i r m a t i v a . " (H .
BETTENSON em "Do •
c u m e n t o s d a Igre ja
C r i s t ã " , pg . 50).
" Ter t u l i a n o ( 1 5 0 /2 2 5 ) d i s t i n g u i a entr e o s e l e m e n •
to s div in o e h u m a n o em C r i s t o . D e r i v a d o s do Pai
por e m a n a çã o , o Filho e o Es p ír i t o são su b o r d i n a •
dos a Ele. A d o u t r i n a da s u b o r d i n a ç ã o , já p r e se n •
te nos A p o l o g i s t a s , viri a a se r c a r a c t e r í s t i c a da
c r i s t o l o g i a do " L o g o s " até o t e m p o de A g o s t i n h o . "
(W. W AL K E R , e m " H i s t ó r i a d a Igre ja C r i s t ã " , p g
9 9) .
"Para Paulo de S a m ó s a t a , bisp o de A n t i o q u i a en•
tr e 260 e 272 , Je su s era um h o m e m c o n s i d e r a d o
únic o po r causa d o seu n a s c i m e n t o v i r g i n a l , al é m
de che i o do pode r de D eu s , isto é, o " L o g o s "
de

64

Deus. Mediante essa inspiração, Jesus era unido
a Deus por amor, em vontade, mas não em subs•
tância." (WALKER, ibd. pg. 102).
"Para Ário (presbítero de Alexandria) Jesus não
era da mesma substância do Pai, tendo sido tira•
do do "nada", como as demais criaturas. Não era,
por conseguinte, eterno, embora o primeiro entre
as criaturas e agente na criação deste mundo. Cris•
to era na verdade Deus em outro sentido, mas um
Deus inferior, de modo algum uno com o Pai em
essência e eternidade. Seu opositor foi o bispo
Alexandre, para quem o Filho "era eterno, da mes•
ma substância do Pai, e absolutamente increado".
Ele convocou um Sínodo em Alexandria (cerca de
321), Sínodo esse que lançou condenação sobre
Ário e seus seguidores." (WALKER, ibd., pgs.
155/156).
"A disputa dividiu a Igreja e causou perturbação à
ordem pública. Então o Imperador convocou o Con•
cílio de Nicéia, ao qual compareceram cerca de
300 bispos, só 6 do Ocidente. Depois de acirra•
das discussões, o Imperador, desejando que se
chegasse a uma expressão unificada da fé, forçou
a definição de Nicéia. Sob sua supervisão, todos
os bispos a subscreveram, com exceção de dois
que, juntamente com Ário, foram banidos pelo Im•
perador." (WALKER, ibd., pg. 158) (grifos nossos).
"Na realidade as decisões de Nicéia foram fruto
de uma minoria. Foram mal entendidas e até re•
jeitadas por muitos que não eram partidários de
Ário. Posteriormente 90 bispos elaboraram outro
credo (o "Credo da Dedicação") em 341, para subs•
tituir o de Nicéia. (... ) E em 357, um Concílio em
Smirna adotou um credo autenticamente ariano."
(H. BETTENSON ,em "Documentos da Igreja Cris•
tã", pg. 74 e 76).
"Passando em revista essa longa controvérsia, é
de afirmar-se ter sido uma infelicidade o fato de
uma frase menos controvertida não ter sido ado•
tada em Nicéia, e infelicidade ainda maior a cir•
cunstância de a interferência imperial se consti•
tuir fator tão importante no correr das ulteriores
discussões. Em meio a essa luta surgiu a Igreja

65

i m p e r i a l e se d e s e n v o l v e u p l e n a m e n t e a p o l ít i c a
de i n t e r f e r ê n c i a i m p e r i a l . A r e je i çã o da o r to do •
xi a o f i ci a l e r i g i r a - se e m c r i m e . " (W AL K E R , ibd.,
pg . 171).
"L o g o
que
Constantin o
se
constitui u
p a tr on
o
d o C r i s t i a n i s m o , est e s e t o r n o u um a re li gi ã o
eiva•
da de h e r e s i a s e de i n o v a ç õ e s . " ( . . . )
A maiori a
dos que e n t r a v a m para a Igr e ja ,
era r e a l m e n t e pa•
gã , gen t e de vid a r e p r o v á v e l
.
Era
assi m
n a tu ra l
que a p a r e c e s s e um a
queda do n ível mora l do ca• ráter c r i s t ã o . " (ROBERT
H A ST I N G S N I C H O L S , e m
" H i s t ó r i a d a Igreja
C r i s t ã " , ed . Casa Edi to ra Pres•
biteriana ,
1978, pgs . 44 e 46) .
" A q u e s tã o d a d i v i n d a d e d e C r i st o t e n d o sido vi •
t o r i o sa , a d i s c u s s ã o vo l to u - s e para a relação en•
tr e a su a n a tu re za d ivi n a e a h u m a n a . Foram tre•

mendas as divergências de opinião, que chegaram
a provocar divisões na Igreja." ( N I C H O L S , ibd.,
pg . 48), ( Gr i f o n o s so ) .

"A s gr an de s v e r d a d e s que são vi tai s à fé c r i s t ã ,
co m o as da e n ca r n a çã o e da Tri n d a d e , f o r a m exa•
m i n a d a s e e x p r e s sa s pela Igreja ness a "Er a dos
C o n c í l i o s " . Tais d e c i s õ e s tê m sid o desd e então
a ce i ta s pela c r i s t a n d a d e . A o lado dess a v i t ó r i a ,
sur gi u u m p r e ju ízo , e m v i r t u d e d a t e n d ê n c i a d e s e
pensar que a coi s a mai s i m p o r t a n t e era d e f e n d e
r
e gua rd a r as d e f i n i ç õ e s c o r r e ta s da v e r d a d e
cr is• tã . A prov a da fé cr i st ã de um a pe sso a não
era tant o a su a lealdade a C r i s t o , em e s p ír i t o e pelo
c o m p o r t a m e n t o m o r a l , senão a sua a q u i e s c ê n c i a
ao que a Igre ja d e c l a r a v a a d o u t r i n a co r r e t a ,
isto

é, a sua ortodoxia. Aquele que não fosse conside•
rado ortodoxo, era expulso como herege, embora
a sua vida fosse um testemunho contínuo de
leal• dade ao Cristo." ( N I C H O L S , ibd ., pgs. 48 e
49).

E m to do s o s t e m p o s m u i t o s cr i s t ã o s s e i n s u r g i r a m
co n t r a a idéia da d i v i n d a d e que, co m o v i m o s , não encon •
tr a apoio ne m na E s c r i tu r a , ne m na razão. Ma s o "s i s te •
m a " o r t o d o x o que d e ti n h a o pode r se m p r e tr a to u d e su•
foca r toda s as t e n t a t i v a s de c o n t e s t a ç ã o . S u b m e t e m o s à
a te n çã o dos l e i to r e s mai s al gun s e x ce r t o s d a obr a " H i s •
tór i a da Igreja C r i s t ã " , do t e ó l o g o W AL K E R , que o com •
provam :
66

" C o m a s t e n d ê n c i a s r a c i o n a l i za d o r a s d o sé cu l o
X VI I I , as idéia s a n t i t r i n i t á r i a s , qu e via m na mora •
lidade a e s s ê n c i a da r e l i g i ã o , f o r a m g r a n d e m e n t e
f o r t a l e c i d a s . Tais idéia s era m r e p r e s e n t a d a s no
c o n t i n e n t e e u r o p e u por a n a b a ti s t a s e s o c i n i a n o s .
Em 1575 f o r a m q u e i m a d o s " b a t i s t a s a r i a n o s " nos
Países Baixos e em 1612 f o r a m q u e i m a d o s os úl•
t i m o s i n gl e se s por m o t i v o d e fé . E m 1717 a l gun s
p a s t o r e s p r e s b i t e r i a n o s t o m a r a m po si çã o en tr e a
o r t o d o x i a e o a r i a n i s m o . " (Pg. 594).
"E m 1774 o c l é r i g o L in d sa y se r e t i r o u da Igre ja
A n g l i c a n a e f u n d o u em L on dr e s um a Igreja Un i tá •
r i a . Em 1813 o Pa r l a m e n t o Br i tâ n i c o e x t i n g u i u as
penas co n t r a os n e ga d o r e s da T ri n d a d e . Este an•
tig o u n i t a r i s m o in glê s era claro e m sua n e ga t i v a
dos " c r e d o s f e i t o s pelo s h o m e n s " e na i n s i s t ê n •
cia da sa lva çã o pelo c a r á t e r . " (Pg. 595).
"N o sé cu l o XIX su r gi u o l i b e r a l i s m o e c l e s i á s t i c o
,
C OL ER ID GE ( 1 7 7 2 / 1 8 3 4 ) fo i o p r e c u r s o r e
J.
F.
D. M A U R I C E ( 1 8 0 5 /1 8 7 2 ) o i m p u l s i o n a d o r do pen•
s a m e n t o l i b e r a l . Para ele , " C r i s t o é o ca be ç a
de
tod a a h u m a n i d a d e , n i n g u é m est á so b a
maldiçã o
de Deu s e n i n g u é m se p e r d e r á para
sempre. "
O
n ú m e r o dos l ib er a i s não era gr a n d e , mas su a
in• f l u ê n c i a sobr e o p e n s a m e n t o r e l i g i o s o in gl ê s
fo i
e n o r m e . " (Pg. 661).
"A o dealbar d o sé cu l o X X o s l i b e r a i s h avi a m con•
q u i s t a d o u m lugar e m m u i t a s d e n o m i n a ç õ e s . Nas
p r i m e i r a s dé ca da s o s c o n s e r v a d o r e s tud o f i ze r a m
para e x p u l sá - l o s , a tr a v é s d e a ma r g a c o n t r o v é r s i a
f u n d a m e n t a l i s t a - m o d e r n i s t a . " (Pg. 687).
A luta ainda c o n t i n u a no sei o das i gre ja s c r i s t ã s . Em
1977 set e t e ó l o g o s i n g l e se s (sei s a n g l i ca n o s e um da
Igre• j a R e f o r m a d a Unida) p u b l i c a r a m u m livr o (" O M i t o
d o Deus E n c a r n a d o " ) em que c o n s i d e r a m a cre n ç a na div in

dade "u m mei o p o é ti c o ou m i t o l ó g i c o de e x p r e s sa r a sig•
n i f i ca çã o de C r i st o para nós, não a v e r d a d e l i t e r a l . " ("T I•
M E " d e 15-8-77). O livro te m d e s p e r t a d o f o r t e s p o l ê m i c a s
,
e é bo m que assi m se ja , a fi m de que as c o n s c i ê n c i a s
aco•
m od ad a s d e s p e r t e m d o seu t o r p o r .

67

A CRISTO CRUCIFICADO

Não

me m ove , meu

Deus , para quere r-Te

o Cé u que me hás um dia p r o m e t i d o ;
e ne m me mov e o in fe rn o tão t e m i d o
para d eix ar , por isso, de of en de r- Te !
Tu me m o v e s , Sen ho r, m o v e - m e o ver-Te
pr e ga d o nessa

cruz e e s c a r n e c i d o ;

m ov e - m e no Teu corp o tão fe ri d o
ver o suo r de a gonia que ele v e r te
.
M o v e s - m e ao Teu amo r de tal m a n e i r a
que a não haver o Céu ainda te a ma ra
, e a não haver o in fe rn o te t e m e r a .
Nada me ten s que dar po r qu e Te q u e i r a ,
que se o que ous o e sp e r a r não e s p e r a r a
, o m e s m o que Te quer o Te qu i se r a !

(De poeta espanhol não identificado.
Trad. de Manuel Bandeira)

69

V — AS PENAS ETERNAS

P r e t e n d e m o s agora m o s t r a r aos no sso s ir mã o s pro•
t e s t a n t e s po r qu e não p o d e m o s a ce i ta r a idéia das penas
e t e r n a s , tal co m o é e n s i n a d a pelo s ramo s o r t o d o x o s do
C r i s t i a n i s m o . Ped i mo s que nos si ga m e m noss o arra zoa•
do co m m u i t a c o m p r e e n s ã o e s e n s i b i l i d a d e , um a vez que
v a m o s i n gr e ssa r num a áre a que não dev e se r d e sb r a v a d a
apenas co m a razão, ma s s o b r e t u d o co m o c o r a ç ã o . Refle•
te-se co m a m e n t e , mas se n te- se por um c o m p l e x o de im •
p ul so s í n t i m o s da alm a a que v u l g a r m e n t e se ch a m a co•
r ação . Então t e m o s de m a n t e r a b e r ta s as p or ta s da per•
cep ção , mas t a m b é m , e p r i n c i p a l m e n t e , as da i n t u i çã o .
Diz a P si co l o gi a que a p e r ce p çã o é a p r o j e ç ã o na con s•
ci ê n ci a de um fat o ex te r n o f o ca l i za d o pela a t e n ç ã o ; e
que a i n tu i çã o é um a f o r m a de p e r ce p çã o que não passa pel o
r a c i o c í n i o . C om o est a ú l t i m a d e f i n i ç ã o nada d e f i n e , ten •
t a r e m o s a p r o x i m a r - n o s do se n t i d o real di zen do que a in•
tui çã o é a ca p t a çã o de um f e n ô m e n o pelo i n c o n s c i e n t e
se m pr évi o t r â n s i t o pelas via s d a r e f l e x ã o . N a v e r d a d e ,
qua n to s e quão v a l i o so s c o n h e c i m e n t o s nos ch e g a m pela s
ver ed a s i n tu i t i v a s s e nos p o m o s e m s i n t o n i a co m suas fon
• te s e t e r n a s ! . . .
A s s i m , p e d i m o s aos q u e r i d o s ir mã o s que nos aco m p a n h e m nest a jo r n a d a m e d i t a n d o sobr e ce r ta s v e r d a d e s
co n s t a n t e s da Bíb lia e que não f o r a m e s cr i t a s apenas como m er o s c o n c e i t o s f i l o s ó f i c o s , mas com o e n s i n a m e n t o s
reais, d e s t i n a d o s a mu da r o c o m p o r t a m e n t o dos h o m e n
s
71

quando este s a t i n g i r e m o e st á g i o i n t e l e c t u a l e mora l
ne•
ce s s á r i o para c o m p r e e n d ê - l o s e a s s i m i l á - l o s .
Deus é amo r ( 1 . a
João 4:16 ) e esse amo r se
r e f l e t e na a tr a çã o u n iv e r sa l que i n te r l i g a toda s as co i sa s
, desd e os e l é t r o n s em seu gir o no i n t e r i o r do á t o m o , até
as ga• láxia s co m seu s i m e n s o s ca m po s g r a v i t a c i o n a i s
a tr a v é s do e sp a ç o i n f i n i t o . E est a c o n c e p ç ã o não p ar ec e
envolve r
n e n h u m laivo de " p a n t e í s m o " , poi s a ló gi ca e a
razão nos_
d i ze m que o P e n s a m e n t o - C r i a d o r atua se m
ce ssa r em to• dos o s q u a d r a n t e s d o U n i v e r s o e , af in al ,
co m o diss e o a p ó s t o l o Paulo : " N e l e v i v e m o s e nos
m o v e m o s e existi •
m o s " ( Ato s 1 7 :2 8) . Co m esse
mesm o pensamento , assi m
se e x p r i m i u o gra nd e poet a
G u e r r a Ju n q u e i r o no seu ins•
pi ra d o p o e m a " O M e l r o "
:
"Tud o o que ex ist e é i m a c u l a d o e é san to
, há em tod a m i s é r i a o m e s m o pr an t o
e em tod o co r a çã o um gr i t o i gual .
Deu s s e m e o u d 'al m a s o u n i v e r s o to d o
, tud o o que viv e e ri e can t a e ch o r a ,
tud o fo i fe i t o co m o m e s m o lodo,
p u r i f i c a d o co m a m e s m a a u r o r a . . .
Oh! m i s t é r i o sa gra d o da e x i s t ê n c i a
,
só hoje eu te a d i v i n h o ,
ao ve r que a alm a te m a m e s m a e s s ê n c i a ,
pela dor , pelo amor , pela i n o cê n ci a ,
que r gua rd e u m b e r ço , que r p r o te j a u m
ni nh o . Só hoje eu sei que em tod a c r i a t u r a ,
desd e a mai s bela até a mai s i m p u r a
, o u num a p o m b a o u num a fer a b rav a
,
Deu s ha bi ta , Deu s so n h a , Deu s m u r m u r a . . .
Ah ! Deu s é be m maio r d o que e u
julgava!.. .
Qu e le mo s na Bíbl ia? " D eu s que r que to do s o s ho•
mens s e s a l v e m e c h e g u e m a o c o n h e c i m e n t o d a Ver d a d e .
(1.ª Tim . 2 : 3 / 4 ) . Ora , o que Deu s quer, f a t a l m e n t e se rea•
l i za , p or qu e a Sua Von ta d e é s u p r e m a , não está su j e i t a às
c o n t i n g ê n c i a s p r ó p r i a s da v o n t a d e h u m a n a . Eu poss o "que •
r e r " , ma s de qua n ta s co i sa s d e p e n d e a r ea li za çã o da mi •
nha v o n ta d e ! A s s i m , o me u " q u e r e r " não pass a de um "de •
s e j o " ne m s e m p r e r e a l i zá v e l , po r qu e s u j e i t o à s l i m i t a •
çõe s i n e r e n t e s à m in h a i m p e r f e i ç ã o . Ma s a v o n t a d e de
Deu s é caus a g e r a d o r a , p o r q u a n t o Ele é i n f i n i t o em to do
s o s seu s a t r i b u t o s , d o c o n t r á r i o não seri a p e r f e i t o .
Portan•
to , é i n a d m i s s í v e l a mai s leve r e s t r i ç ã o
à sua so b e r a n a
72

vontade, daí o afirmarmos que tudo o que Ele quer neces•
sariamente acontece.
Se Deus é amor, os Espíritos saídos de suas mãos
onipotentes são fruto desse trabalho de amor, sendo cria•
dos ignorantes e naturalmente imperfeitos, a fim de que,
através das experiências da vida, possam elevar-se gra•
dualmente em conhecimento e virtude, para retornarem
afinal ao seio do Criador e participarem da Sua glória, no
concerto dos Espíritos Puros. Quer Ele transmita o sopro
da vida a cada novo ser no instante da concepção (ou no
período entre a concepção e o nascimento), como pensam
os irmãos evangélicos, quer essa criação tenha sido bem
mais remota, como entendemos nós, no que todos con•
cordamos é que saímos das mãos do nosso Pai Celestial
envoltos na auréola do Seu amor infinito, pois se "Deus
é amor", tudo o que sai das Suas mãos é produto desse
amor, que extravasa em catadupas de luz através da eter•
nidade dos tempos e da imensidão dos espaços.
Se esse é o quadro que nos pintam a imaginação e a
esperança — e não podemos concebê-lo de outra forma
— é lícito concluir que esse Ente de afeição e de bonda•
de só pode criar as almas para fazê-las felizes e para que
um dia participem da Sua glória, de modo algum para tor•
ná-las desgraçadas, ou para as condenar a sofrimentos
eter• nos. Portanto, não nos parece lógico supor que
esse Pai amoroso, sendo onisciente, e pois conhecendo
de ante• mão o destino das almas por Ele criadas,
sabendo que, segundo a ortodoxia cristã, a esmagadora
maioria delas será fatalmente condenada à perdição
eterna, mesmo as• sim continue gerando criaturas tão
frágeis, tão suscetí• veis de sucumbir às tentações,
quando lhe seria mais fá• cil, uma vez que é onipotente,
fazê-las mais perfeitas, ou pelo menos mais resistentes
ao mal.
Daí o não aceitarmos, nós espíritas, a doutrina das
"penas eternas", visto nos parecer incompatível com a
suprema bondade e a suprema justiça, qualidades excel•
sas e essenciais do nosso Criador e Pai.
Alega-se em defesa da eternidade das penas que a
gravidade da falta é diretamente proporcional à importân•
cia da pessoa ofendida, e que assim uma ofensa dirigida
a um ser infinito como Deus seria também infinita, impli•
cando uma punição igualmente infinita. Mas esse argu•
mento é especioso, porque sendo o homem um ser finito,

73

d e mod o a l gu m po de ri a c o m e t e r um a o fe ns a i n f i n i t a ,
de
sort e que a o f e n s a não gu ar d a relação co m a
p e s so a do o f e n d i d o , mas co m a ca p a ci d a d e do o f e n s o r .
Nas p r ó p r i a s n o r m a s do noss o D i r e i t o Penal ( ar ts . 22 a
24), o b se r v a - se a " i n i m p u t a b i l i d a d e " do d e l i n q ü e n t e por
c i r c u n s t â n c i a s de
idade, p e r tu r b a çã o de
s e n t i d o s ou al ie na ção m e n t a l . Per•
g u n t a m o s : Pode
a l gué m de bo m sen s o e no plen o d o m í n i o
das sua s
f a c u l d a d e s sen ti r - se o f e n d i d o pelas d i a t r i b e s que lhe di ri j
a u m ébri o o u u m a li en ad o m e n t a l ? Pode u m adul• t o
c o n s c i e n t e se n ti r - s e a t i n g i d o pelas i n jú r i a s que lhe di •
rija um a cr i an ç a de t e n r a idade? Não e x i st e aí um a tal
des• p r o p o r çã o d e m a t u r i d a d e i n te l e c tu a l s u f i c i e n t e para
e li d i r
qu a l q u e r p o s s i b i l i d a d e de a gr av o? E não é
infinitament e
maio r a d e s p r o p o r ç ã o qu e ex ist e entr
e o Ser S u p r e m o e
a minh a i n si gn i f i c an t e pessoa ,
do que a e x i s t e n t e en tr e
mi m e um a cr i a n ci n h
a
que mal c o m e ç a a ensaia r seu
s p r ó p r i o s pa sso s ? Então co m o poss o eu , Es p ír i t o
i mp er • f e i to , a s si m cr ia d o por Ele e que mal e n ga t i n h a
em su a p e r e g r i n a ç ã o pelo s ca m i n h o s d o
a p e r f e i ç o a m e n t o moral ,
com o poss o o f e n d e r o
Todo Pod er o so ao pon t o de mere • ce r um a co n d e n a çã o a
penas se v e r a s e i n e x t i n g u í v e i s , por
d e sl i ze s
r e s u l t a n t e s da i m p e r f e i ç ã o i n e r e n t e à m in h a pró• pria
na ture za h um an a ? Não e st a r i a aí a s e v e r i d a d e da pe• na
em brutal d e s p r o p o r ç ã o co m a gr a v i d a d e da fal ta?
E o pior é que, e n qu a n t o Jesu s nos vei o e n s i n a r a
ama r os n osso s i n i m i g o s , a pe rd oa r i n d e f i n i d a m e n t e as
o f e n sa s , a ve r no Pai C e l e s t i a l um ser c o m p a s s i v o e mi •
s e r i c o r d i o s o , se m p r e p r o n t o a a co l he r um filh o que se
t r a n sv i a (ver pa rá bo la do Filho Pr ó d i g o ) , esse Deu s qu
e a o r t o d o x i a cr i s t ã nos i m p i n g e é de um a s e v e r i d a d e ex•
t r e m a , c o m i n a n d o penas que n e n h u m t r i b u n a l hu ma n o
s u b s c r e v e r i a , e ainda por cim a i r r e m i s s í v e i s , de nada
a d i a n ta n d o , após a m o r te , o a r r e p e n d i m e n t o dos por ess a
form a c o n d e n a d o s . . .

.O ra , nós sa b e m o s que a e x p e r i ê n c i a na carne , por
p r o l o n g a d a que se ja , não passa de um i n sta n t e fugaz em
fac e d a e t e r n i d a d e . Então t e m o s d e f o r ç o s a m e n t e c o n c l u i r
que a co n d e n a çã o a um a e t e r n i d a d e de s o f r i m e n t o s por
f al ta s c o m e t i d a s d ur an t e tão breve t e m p o , não se coadu •
na co m a idéia de um Deu s ju st o , m i s e r i c o r d i o s o e in fi ni •
t a m e n t e b o m . E se Deus p er do a ao cu lp ad o que se arre•
pende de seu s erro s no cur s o da vid a t e r r e n a , por qu e
não poderá fazê-lo em re la ção aos que se a r r e p e n d e m de74

poi s da m o r t e ? De que s e r v i r i a ,
en tã o a " p r e g a ç ã o do
Ev an ge lh o aos m o r t o s , a que alud e o a p ó s t o l o Pedro em
sua e p ís t o l a ? (1.ª Pedro 4 :6) . Pe r gu n ta - se : D e p o i s da m o r t
e o se r c o n s e r v a a su a i n d i v i d u a l i d a d e ou não?_Pode
pe nsar , s e n t i r ,
r a c i o ci n a r ? Pode a r r e p e n d e r - s e de seu s
er ro s ? Se se a r r e p e n d e , por que não pode se r p e r d o a d o ?
Qu e Deu s mi • s e r i c o r d i o s o é esse , que só p er do a as
fa l ta s de seu s fi Ihos d u r a n t e a vid a t e r r e n a , qu e é
u m á t i m o , e não p e r d o a
d u r a n t e a vid a e s p i r i t u a l ,
que dur a a e t e r n i d a d e ? Se Deu s
c rio u o s h o m e n s par
a a Sua g l ó r i a ( Isa ía s 4 3 :7 ) , po r qu e co n d e n a r á a penas
e te r n a s a qu e le s que o i n v o c a r e m ? (Joel 2 :3 2 ) . Ond e estã
o os f u n d a m e n t o s da idéia de que Deu s
s ó a te n d e
aos p e c a d o r e s d u r a n t e a vid a co r p ó r e a ? C o m o e n te n d e r
" a m i n h a ira não du ra r á e t e r n a m e n t e " (Jer. 3 :12) ,
se
as alma s são co n d e n a d a s pel a e te r n i d a d e ? Co m o pod e
a l g u é m " a m a r a Deu s sobr e toda s as c o i s a s " ( De u t .
6:5) ,
s e e n t e n d e r que ess e Deus é um t i r a n o , que
co n d e n a o p ecad o r a penas e te r n a s e não lhe p e r d o a r á
após a m o r t e ,
por mai s que s e a r r e p e n d a ? U m ta l Deu
s não p o d e r i a se r am ad o , mas apenas t e m i d o ( Sa l m o
89:7) .
O p r ó p r i o Jesu s fo i p re ga r aos E s p ír i t o s em pr i sã
o (1.ª Pedro 3 :19). Por que fo i Ele pr e ga r, se os m o r t o s
não se a r r e p e n d e m ? O b s e r v e - s e que não se tr a t a da
expres •
são " m o r t o s em d e l i t o s e p e c a d o s " , pois log
o o versícul o
s e g u i n t e e s c l a r e c e : "O s quai s
n o u tr o t e m p o f o r a m deso •
b e d i e n t e s , qu an d o a
l o n g a n i m i d a d e de Deu s e s p e r a v a , nos
dias d e N o é " .
P o r t a n to , E s p ír i to s que h a v i a m vi v i d o n a
Terr a ao
t e m p o de No é e a que m Deu s c o n c e d e u nov a
o p o r t u n i d a d e , a tr a v é s da p r e ga çã o de J e s u s . E s e o
destin o dos m o r t o s é i r r e m i s s í v e l , po r que se
b a ti za v a m po r
eles os p r i m i t i v o s cr i s t ã o s ? (1.º C or .
1 5 :29 ) . Ve j a m o s de
que f o r m a falo u sobr e o a s su n t
o o te ól o g o a n gl i ca n o W. W A L K E R :
" O r a ç õ e s e m favo r do s m o r t o s , e m ge ra l , e me•
m o r i a i s n a f o r m a d e o f e r ta s e f e t u a d a s nos ani•
v e r s á r i o s d o se u p a s s a m e n t o , era m c o m u n s j á n o
c o m e ç o d o sé cu l o I I . " ( " H i s t ó r i a d a Igreja Cris •
t ã " , pg . 125).
" Qu an t o a o b a t i s m o , i n s t i t u i ç ã o a n te r i o r a o Cr i s •
t i a n i s m o , e m b o r a Paulo não o c o n s i d e r a s s e abso•
l u t a m e n t e n e c e s s á r i o à sa l v a çã o (1.º Cor. 1 :14-17),
seu c o n c e i t o a p r o x i m a v a - s e da noção de i n i c i a çã o
e sp o sa d a pela s
religiõe s d e m i s t é r i o .
Seus
con75

v e r s o s e m C o r i n t o , pelo m e n o s , t i n h a m um a con•
cep çã o quas e m á gi c a d o rito , d e i x a n d o - s e b a ti zar
em lugar de seu s a m i go s já f a l e c i d o s , a fi m de
que os b e n e f í c i o s do rit o a l c a n ç a s s e m a e s t e s . "
(1. a

Cor . 15:29 ) ( Ibd., pg . 127).

Se Deu s é o n i p o t e n t e e o n i p r e s e n t e , não pode de ixa r
de ve r o qu e se passa em tod o s os r e c a n t o s do i n f i n i t o
U n i v e r s o e, p o r t a n t o , t a m b é m o s o f r i m e n t o dos co n d e n a •
dos no i n f e r n o . E se fic a a s s i s t i n d o ao s o f r i m e n t o dos in•
f e l i ze s por Ele m e s m o c r i a d o s , a c l a m a r e m por p er dã o
nu m a r r e p e n d i m e n t o i n ú t i l , e não se c o m o v e ante ess e
e s p e t á c u l o d a n t e s c o , ess e Deus é de um a i n s e n s i b i l i d a

d e e s p a n t o s a , que n e n h u m ser h u m a n o ,
por
empedernid o
que f o s se , ser i a capaz de m a n t e r .
Di ga m - no s, e m s ã c o n s c i ê n c i a , é c o n c e b í v e l que o
Deus cuj o e n s i n a m e n t o m i n i s t r a d o aos h o m e n s , a tr a v é
s
d e Je su s , fo i o d e ama r até m e s m o aos i n i m i g o s
e perdoa r
i n d e f i n i d a m e n te a s o f e n s a s , é c o n c e b í v e l qu e
ess e Deu s
mande o s h o m e n s f a ze r e m i sso , e não
se j a Ele m e s m o capaz d e p e r d o a r , ne m capaz d e a co l h e r o
cl a m o r d e pe• cadore s a r r e p e n d i d o s ? U m Deu s que a ss i m
e x e r c e con •
tra cr i a tu r a s po r el e m e s m o ge ra da s um
a vi n ga n ç a i n f i n i • ta, é u m se r i n f i n i t a m e n t e v i n g a t i v o , e ,
p o r t a n t o , não é
bondoso ne m m i s e r i c o r d i o s o e
c o n s e q ü e n t e m e n t e não é
"D e u s . Pelo me no s '
não a qu e l e " D e u s d e A m o r " r e v e l a d o
aos h om en s po r
Je su s .
Só há um a c o n c l u s ã o a ti ra r , e é que os h o m e n s con •
t i n u a m i d e a l i za n d o Deu s à sua p r ó p r i a i m a g e m e seme •
lh an ça , a t r i b u i n d o - l h e as suas p r ó p r i a s q u a l i d a d e s e to •
dos os seu s d e f e i t o s . E n t e n d e m o s que é i m p i e d a d e pen•
sa r e m Deu s n e s te s t e r m o s , p r i n c i p a l m e n t e e m fac e dos
e n s i n a m e n t o s tão cl ar o s m i n i s t r a d o s pelo C r i s t o .
Ma s ainda não é t u d o : Qual ser á a s i tu a çã o das alma s
dos ju sto s c o n d u zi d a s à b e m - a v e n t u r a n ç a e te r n a ? P e r d e m
c o m p l e t a m e n te a l e m b r a n ç a d a qu e l e s co m quem co nv i veram e m su a e x i s t e n c i a t e r r e n a , o u c o n s e r v a m viv a a
m e m ó r i a dos que f o r a m áqui seu s pai s , seu s f i l h o s , seu s
j r m ã o s . seu s a m i g o s ? Se" e s q u e c e m tudo', d e que s e r v i r a
m
o s la ços d e f a m í l i a a s r e l a ç õ e s d e a m i za d e , o s
vin cu l o s
d e amo r qu e aqui c o n s t i t u í r a m ? Ficará tud o isso
perdid o
para s e m p r e ? Ma s s e c o n s e r v a m a l e m b r a n ç a ,
a situaçã o
ficará i n f i n i t a m e n t e pior : Com o p o d e m
ele s go zar d e fe li - _
cid ad e p e r f e i t a
sab en do
que
en te s q u e r i d o s estã o a pade -

76

çer t o r m e n t o s i n f i n d á v e i s ? C om o pode um a mãe gozar
a
f e l i ci d a d e dos ju st o s , te nd o c o n s c i ê n c i a d e qu e u
m filho
muito a ma d o ja m a i s p od er á c o m p a r t i l h a r d a
su a v e n t u r a
n o céu , po r qu e foi c o n d e n a d o a so f r e
r e t e r n a m e n t e n o in•
ferno?
i

Eis po r qu e nós , e s p í r i t a s , não p o d e m o s ace i ta r a dou•
tr in a das penas e te r n a s , p or qu e ela não s e co a d u n a co
m a idéia de um Deu s j u s t o e m i s e r i c o r d i o s o . Aí estão doi s
a t r i b u t o s a p a r e n t e m e n t e c o n f l i t a n t e s . C om o pod e Deu s
se r j u s t o e ao m e s m o t e m p o m i s e r i c o r d i o s o ? É que
sen•
d o j u s t o Ele não d e i x a se m p un i çã o n e n h u m
a o f e n s a , co• m o não deix a se m r e c o m p e n s a n e n h u m at o
meritório . E
send o m i s e r i c o r d i o s o , não deix a que
seu s f i l h o s s o f r a m
pela e t e r n i d a d e . A c r e d i t a m o
s que Ele
é
i n f l e x ív e l
para
co m o p e ca d o r
e n d u r e c i d o , ma s
s e m p r e pr on t o a a co l h e r os que a
q u a l qu e r t e m p o se
arrependa m e
implore m
o
per•
dão de suas f a l t a s . A Ju s ti ç a Di vi n a se faz se n ti r dando ao
p e n i t e n t e novas o p o r t u n i d a d e s d e re pa ra r o s erro s p ra ti •
cad o s , de r ef a zer sua s e x p e r i ê n c i a s , de r e s s a r ci r as ofen •
sas e p r e j u í z o s que tenh a ca u sa d o ao seu p r ó x i m o . Para
as alma s sa ída s das mão s do C r i a d o r há s e m p r e um a es•
p e r a n ça , não mai s a t e r r í v e l i n s c r i ç ã o i m a gi n a d a por
Dan•
te no p ó r t i c o do i n f e r n o : " L a s c i a t e ogni spr an za voi
ch 'en - t r a t e ! " , po r qu e Deu s é Pai e Ele que r que to do s os
homen s
se s a l v e m e o que Ele, quer, já o d i s s e m o s ,
infalivelment e
acontece .
Ma s há ainda o u tr o pon t o a c o n s i d e r a r : Se nos pare•
ce a b su r d a a co n d e n a çã o a penas e t e r n a s por f al ta s co•
m e t i d a s co m o r e s u l t a d o das i m p e r f e i ç õ e s i n e r e n te s à al•
m a h u m a n a , ou , não raro , por i n f l u ê n ci a d o p r ó p r i o mei o
em qu e cada um viv e u sua e x p e r i ê n c i a t e r r e n a , o que po•
d e r í a m o s di zer d a tes e a br açad a por n osso s i r m ã o s evan•
g é l i co s , qu e c o n d i c i o n a m a p e r d i çã o e t e r n a , não a tai s ou
quai s o f e n sa s p e r p e tr a d a s d u r a n t e a vi da , ma s ao s i m p l e s
fato de não a c e i t a r e m a m e d i a çã o de Jesu s nos t e r m o s em
que é p re gad a pel a o r t o d o x i a cr i s tã ?
Não é p r e c i s o que nos v e n h a m cita r os i n ú m e r o s ver•
s íc u l o s em que o M e s t r e e seu s a p ó s t o l o s a f i r m a r a m qu e
tod o a que l e que nele cr e s s e te r i a a vid a e t e r n a . G o s ta r ía •
mos ap en a s d e p e r g u n t a r : E m que co n s i s t e e x a t a m e n t e
"crer e m J e s u s " ? Pára nós, é a co l h e r n o cor a çã o o s seu s
e n s i n a m e n t o s e pa ssa r a vi v e r d e a co rd o co m o s seu s prec e i t o s . E o que foi , r e a l m e n t e , que Ele e n si n o u ? Quais
os
77

preceitos que ministrou? Ensinou a amar até mesmo aos_
inimigos, a perdoar e esquecer as ofensas, a extirpar do
coração o egoísmo e o orgulho, a fazer aos outros o que
queremos que eles nos façam, a sempre retribuir o ma|
com o bem, á socorrer os irmãos em suas necessidades
sem visar a qualquer recompensa, enfim, a compreender,
servir e perdoar, perdoar i ndefinidamente...
Até mesmo na parábola das ovelhas e dos bodes, a
que se refere o evangelista Mateus (25: 31-45), Jesus colo•
cou como condição única da salvação a prática do amor
nas relações com o próximo. Quem observar esse precei•
to terá o reino de Deus no coração, e quando cada ser hu•
mano se compenetrar desta verdade e promover sua re•
forma íntima, a Humanidade inteira estará reformada e o
reino do céu se instalará na Terra.
Chegaremos um dia a esse glorioso evento? Chega•
remos sim, sem a menor dúvida, porque a semente do
Evangelho não foi plantada em vão e se aparentemente
demora em germinar, é que dois ou três milênios nada são
diante da E ternidade... Pergunta-se. então: Serão os se•
res daqueles tempos futuros mais privilegiados que os da
época atual e todos os seus predecessores? De modo al•
gum, pois essa Humanidade será a mesma de hoje e de
ontem, "porgue somos de ontem eo ignoramos" (Jó 8:9);
é a mesma Humanidade que vai aprendendo e se aprimo•
rando em sucessivas e proveitosas experiências, através
de lutas e de sofrimentos, caindo e se reerguendo, pur•
gando suas faltas resgatando seus erros, var aos poucos
assimilando os divinos ensinamentos, crescendo em conhecimento (progresso intelectual) e em virtude (progres•
so moral) até um dia atingir a perfeiçao dos Espiritos Pu•
ros, irmanando-se ao Cristo e integrando-se ao Pai.
Dizei-nos: Não é muito mais lógica e muito mais su•
blime essa perspectiva do que a doutrina que supõe:
"um pequeno número de "eleitos" entregues à
contemplação perpétua, enquanto a maioria das
criaturas é condenada a sofrimentos sem fim no
inferno? Como é pungente, para os corações amo•
rosos, a barreira que ela coloca entre os vivos e
os mortos! As almas felizes, dizem, só pensam na
sua felicidade e aquelas que são infelizes somen•
te nas suas penas. É de admirar que o egoísmo
reine sobre a Terra, quando no-lo mostram no pró-

78

pri o céu? C o m o , po i s , é e s t r e i t a a idéia que ela
nos o f e r e c e da gr an de za , do pode r e da b on da d e
de D e u s ! " ( K A R D E C , em " O Cé u e o I n f e r n o " , 2 ª
ed. L AKE, pg . 3 8).
A c r e d i t a m o s haver d e m o n s t r a d o que a d o u t r i n a das
penas e te rn a s não cond i z co m a idéia que f a ze m o s de
Deus, aliás e x p r e s s a m e n t e e n si n a d a por Je su s : a de um
Pai de amo r e de m i s e r i c ó r d i a . C o n tu d o , os n osso s i r m ã o s
e v a n gé l i co s se ap e ga m d e m a s i a d a m e n t e à le tra da Escri •
tur a e g o s t a m d e re pi sa r e x p r e s s õ e s co m o "f o g o e t e r n o " ,
"geena d e f o g o " , e t c , com o prov a d e e t e r n i d a d e das pe•
nas . Basta co n su l t a r u m d i c i o n á r i o q u a l qu e r , para v e r i f i •
car que a pa lav ra " e t e r n o " c o m p o r t a vár ia s a c e p ç õ e s , sig •
n i f i c a n d o não s o m e n t e " a q u i l o que não te m f i m " , co m o
t a m b é m "alg o d e du ra çã o i m p r e c i s a " , o u " a q u i l o d e que
não se co n h e c e o t e r m o " . A l g u n s e x e ge t a s ch e g a m a dis•
t i n g u i r " e t e r n i d a d e " d e " e v i t e r n i d a d e " , c o n c e i t o est e pe•
culiar à c o n t i n g ê n c i a h u m a n a , d e s i g n a t i v o de "u m t e m p o
i n d e f i n i d o " o u "u m t e m p o cu j o l i m i t e s e d e s c o n h e c e " .
A s s i m f o i , po r e x e m p l o , a " a l i a n ç a e t e r n a " e st a b e l e
cid a po r Deu s para a casa de Davi (2." Sam . 2 3 :5 )
, a s si m fo i co m o s L evi ta s e s c o l h i d o s "p a r a s e r v i r e m
p e r p e tu a •
m e n t e " ao Sen ho r (1.º C r ô n . 15:2) . É cer t o
que Je su s dis•
se : " Id e , m a l d i t o s , para o fog o
e t e r n o " , ma s não d i s s e :
"Id e e q u e i m a i
eternamente" ,
po r qu e ainda que o fog o
q u e i m a s s e pela e t e r n i d a d e , isso
não
i m p l i c a r i a que
o
co n d e n a d o ali d e v e s s e p e r m a n e c e r para tod o o s e m p r e
.
O fato de que s e m p r e haverá p r i sõ e s não que r dizer
que um p r i s i o n e i r o dev a fica r na pr i sã o por tod a a
eternidade .

E por falar em p r i sã o , c o n s i d e r e m o s o qu an t o a Hu•
m a n i d a d e te m p r o g r e d i d o no que r e s p e i t a à p un içã o dos
c r i m i n o s o s : A pena , que desd e a mais r e m o t a a n ti g u i d a d e
até os t e m p o s r e c e n t e s ti nh a o car á te r de um ca s t i g o ,
hoje te m por o b j e t i v o a r e i n t e g r a ç ã o do d e s a j u s t a d o ao
corp o s o c i a l , tant o que nas p e n i t e n c i á r i a s j á não se alude
aos d e t e n t o s co m o " c o n d e n a d o s " , e si m com o " r e e d u c a n d o s " . Então, p e r g u n t a m o s : Será a j u s t i ç a t e r r e n a , que
por ess a f o r m a se h u m a n i za , c o n s i d e r a n d o o c r i m i n o s o
co m o u m " d e s a j u s t a d o s o c i a l " , qua se s e m p r e u m p r o d u t o
da m i s é r i a , da f al t a de i n s t r u ç ã o , de c o n d i ç õ e s m e s o l ó g i cas a d v e r s a s , será ess a j u s t i ç a mai s p e r f e i t a , o u mais
c o m p r e e n s i v a , do que a Ju s t i ç a Di vi na ? L e m b r e m o - n o s
das p a l av r a s de Je su s : "Se vós , send o ma u s , sab e i s
dar

79

boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai Ce•
l e s t i a l . . . " (Lucas 11: 13). Enfim, tem cabimento pensar
que está sujeito ao fogo do inferno até mesmo aquele que
chamar o seu irmão de "tolo"? (Mateus 5:22).
Argumentam ainda os teólogos que, para entender co•
mo "duração indefinida" a expressão "suplício eterno", é
preciso atribuir idêntico sentido à expressão "vida eter•
na", ambas citadas no mesmo versículo (Mat. 25:46). Ora,
perguntamos: Para que cria Deus as almas, para fazê-las
felizes ou desgraçadas? Acaso seria justo e bom um Deus
que as criasse para submetê-las a sofrimentos eternos?'
Então é lógico supor que Ele as cria para a eterna felici•
dade e que os sofrimentos por que devem passar são ne•
cessários ao seu aperfeiçoamento e purificação. Aliás ,
tais sofrimentos não são impostos por Deus, mas resul•
tam das faltas cometidas, pois o ser humano colhe aquilo
que semeia e. como sabemos, "a semeadura é livre, más
a colheita é obrigatória" . Então, se os sofrimentos tem
por objetivo o resgate das faltas, é claro que devem ser
temporários, desaparecendo com a reparação do mal pra•
ticado. É também claro que para um Espírito obstinado
em seus erros os sofrimentos persistirão enquanto não
houver arrependimento e resgate, tendo em tal caso dura•
ção indefinida.
Diletos irmãos evangélicos: Os preconceitos enraiza•
dos em vossas mentes impedem mediteis sobre assuntos
religiosos com isenção e espírito criticó . A qualquer idéía
estranha aos cânones consagrados como rrfatériá dê fé" ,
receais estar sendo tentados por Satanás, essa figura sim•
bólica do mal. E no entanto, para que vos concedeu o Pai
á inteligência, se não foi para raciocinar?' Por que receais
sair no encalço da Verdade, se o próprio Cristo disse: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará"? ,(João
8:32).
Se os que negam a preexistência da alma ousassem
refletir... Sim, porque a tendência é deixar a mente aco•
modada às idéias estabelecidas, é seguir as regras fixa•
das pelos que pensaram antes, principalmente em maté•
ria de religião. Porque para pensar é necessário ter gar•
ra, a reflexão lógica por vezes traz perturbação, pode que•
brar antigos tabus e abalar convicções tidas como "ver•
dades" secularmente arraigadas...
Então, se ousassem pensar — mesmo dentro do seu
80

ponto de vista ortodoxo — raciocinariam assim: "Meu Es•
pírito foi criado por Deus no momento da concepção (ou
no do nascimento, se o preferirem), criado para uma vida
terrena que em certos casos pode até ser amena, mas que
em geral representa um fardo pelos esforços que exige,
pelas responsabilidades que envolve, pelos dissabores que
acarreta durante toda a existência. Ora, eu não pedi para vir
ao mundo, não fui consultado a respeito, logo a minha vida
resultou de um ato de arbítrio do Criador. Ninguém per•
guntou se eu estava disposto a enfrentar as vicissitudes
da existência. E se no curso desta eu cometer faltas gra•
ves e não dispuser de tempo ou por qualquer circunstân•
cia não for induzido a um arrependimento eficaz, ou, mes•
mo sem ter cometido tais faltas, se apenas não seguir de•
terminadas regras religiosas, ou se a minha razão não se
amoldar a certas normas tidas como verdades ou meios
de salvação, ou mesmo se, simplesmente, eu não tiver si•
do predestinado desde a fundação do mundo para compar•
tilhar a sorte dos eleitos, então estarei irremediavelmente
condenado a sofrimentos terríveis, bem maiores que os
experimentados aqui na Terra e com a agravante de, ao
contrário destes, serem destinados a durar para todo o
sempre! Que fiz eu para merecer tão cruel tratamento?
Por empedernido delinqüente que fosse, como é possível
rotular de justa uma tal punição?"
E no entanto, o quadro delineado na Bíblia não nos
pinta Deus como um carrasco das suas criaturas. Desde
o Velho Testamento, mas principalmente com Jesus, o nos•
so Criador e Pai nos é apresentado com feições inteira•
mente diversas. Abstraídos os rompantes de fúria do
Jeová judaico, evidente concepção mosaica destinada a in•
timidar homens contumazes em rebeldia e desobediência,
o que notamos é que Deus os castigava, mas estava sem•
pre pronto a perdoar quando se arrependiam. Vejam-se os
profetas, principalmente os maiores. Os judeus tinham
noção muito vaga da sobrevivência, se é que tinham algu•
ma, por isso as punições e recompensas eram todas na
existência terrena. Jesus trouxe a revelação da vida espi•
ritual e com ela a noção grandiosa de Deus em toda a sua
plenitude de amor. Vejamos se as seguintes passagens
roboram a esdrúxula idéia da punição eterna:
Salmo
22:27 - "Toda a terra se converterá ao
Senhor e todas as nações ado•
rarão a sua face."
81

Isaias

Jerem .

49:15 - "Aca s o pode um a m u l h e r s e
es• qu e ce r do filh o que ainda
ma• ma , de so r t e que não se
co m p a • deç a do f i l h o de suas
e n tr a • nhas? Pois
ainda que ela vies • se a se
e s q u e c e r dele , eu , toda • via ,
54 : 7
não m e e s q u e c e r e i d e t i . "
"Por u m m o m e n t o t e d e sa m p a

rei , ma s t o r n a r e i a
55 : 7 a co l h e r - t e co m
gr an d e m i s e r i c ó r d i a . "
" D e i x e o p e r v e r s o o seu cami
66:13 - • nho, e vo l te - s e para Deus ,
que é ric o em p e r d o a r . "
" C o m o a l gu é m a que m a su a
mãe c o n s o l a , eu vo s co n so l a •
rei. "
29:13 -

" Bu sca r - m e - e i s e me a ch a r e i s
qua nd o me b u s c a r d e s de cora •
ção. "

31 : 3 - " C o m amo r e te rn o t e a m e i , por
isso c o m p a d e c i d o de t i te atraí
a mim. "

Ezeq.

Miquéa
s

Joe l

M a te u s

82

31:34

" Por qu e tod o s m e c o n h e c e r ã o ,
de sd e o m e n o r até o maior, per•
do ar e i as m a l d a d e s de todo s e
não me l e m b r a r e i mai s dos seu s
pecados. "

33:11

"Jur o pela m in h a vi da , diz o Se•
nhor, que não quer o a m o r t e do
ím p i o , ma s que ele s e c o n v e r t
a e viva. "

" O Sen ho r não r e té m a sua ira
para s e m p r e , po r qu e te m pra•
zer n a m i s e r i c ó r d i a . "
2:32 - " Po r qu e tod o a que l e que invo•
car o nom e do Sen ho r , será sal•
vo . "

7:18 -

6:14
e 15

"S e p e r d o a r d e s aos h o m e n s as
suas o f e n sa s , t a m b é m o vo ss o
Pai C e l e s t i a l p e r d o a r á vo ssa s
ofensas. "

7:11

"Poi s se vós send o

mau s

sa-

Mateu s

bei s dar boas co i sa s aos v o s s o s
f i l h o s , qua n t o mai s vo s s o Pai
C e l e s t i a l dará boas co i sa s aos
que a s p e d i r e m . "
10:29
" N e n h u m p a s s a r i n h o ca ir á e
m
e 31 - t e r r a , se m a v o n t a d e do
vo ss o Pai ( . . . ) ; não t e m a i s , pois , mai s
va le i s vó s do que m u i t o s passa•
rinhos. "
18:14 - "Nã o é da vo n ta d e do voss o Pai
que n e n h u m d e s t e s p e q u e n i n o
s s e perca. "

Lucas

Ato s

Ro ma no s

6:35 -

"Ama i vosso s inimigo s ( . . . ) e
se r e i s f i l h o s do A l t í s s i m o , o
qual é b e n i g n o até par a os in•
gr a to s e m a u s . "
15: 7 - " D i g o - v o s que h ave r á mai s
ale- e 10
gri a no céu por üm
pe ca do r que se a r r e p e n d e , do que por
99
ju sto s que não n e c e s s i t a m de
ar r e p e n d i m e n t o . '
17:30 - " M a s Deus ( . . . ) an un ci a agor a
a to do s os h o m e n s e em tod o
lugar que s e a r r e p e n d a m . "
2:11 - " P o r q u e para co m Deu s não há
a ce p çã o d e p e s s o a s . "
10:13 - "Po r qu e tod o a quele que invo•
car o nom e do Sen ho r, será sal•
vo. "
11:32 - " Por qu e Deu s e n c e r r o u a tod o s
d e b a i x o da d e s o b e d i ê n c i a , par a
usar d e m i s e r i c ó r d i a para co m
todos .

Efé si o s

1.º Tim .

2: 4
-

"Ma s

Deu s ,

que e

riquíssim o

misericórdia ,
em
pelo
muit o
amo r co m que nos a m o u . . .
2 : 4 - " D e u s que r que t o d o s os ho•
men s se s a l v e m e v e n h a m ao
conheciment o d a v erdade . "
4:10 - " P o r q u e t e m o s p ost o a noss a
e s p e r a n ç a n o Deu s v iv o , sa lvado r d e to d o s o s h o m e n s . "

83

2:11

Tit o

2.

a

"Po r qu e a graç a de Deu s se
há m a n i f e s t a d o ,
t r a ze n d o a
salva•
ção a to do s os h o m e n s . "

Pedro

1.º João

3: 9

"Ele ( o Se nh or ) é l o n g â n i m o pa•
ra c o n v o s c o , não q u e r e n d o que
n e n h u m s e p e r ca , ma s que
to• c h e g u e m a o a r r e p e n d i m e n •
dos
to. "

4:16

"D e u s é a mo r ; e que m est á
em a mo r , est á em Deu s e Deu
sle.ne•
"

E para c o n c l u i r , p e r g u n t a m o s : A c a s o a p a r á b o l a d o
"c r e d o r i n c o m p a s s i v o " ( M a t . 18:34 ) não depõ e c o n t r a a '
e te r n i d a d e das penas? " O seu Se nh o r o entregou aos ator•
m e n ta d o r e s , até que pa ga ss e tud o qu an t o dev i a , l i m i t a n •
do, p o i s , a p u n i çã o a o t e m p o s u f i c i e n t e par a o r e s s a r ci •
mento d o dano .
V á r i o s do s ch a m a d o s "Pai s d a I g r e j a " não a d m i t i a
m
a idéi a das penas e t e r n a s . " P a r e c i a - l h e s " , a f i r m a
Vol ta i •
re,
"absurd o
queima r
durant e a
e t e r n i d a d e um pobre ho• me m po r have r f u r ta d o um a
c a b r a . " Ve j a m o s o que di sse •
ra m a l gun s d e l e s :
São J e r ô n i m o , t r a d u t o r d a " Vul g a t a L a t i n a " :
" M u i t o s s u s t e n t a m que o s t o r m e n t o s te rã o u m
fim ,
mas no m o m e n t o isso não dev e
se r dit o à qu e le s
para os quai s o t e m o r é ú ti l , a
fi m de que , pel o ter• ror dos s u p l í c i o s , c e s s e m
d e p ecar. " ( " O b r a s d e
S . J e r ô n i m o " , Ed .
B e n e d . Ill , co l . 514).
Clement e d e Alexandria :
" O C r i s t o S a l v a d o r op er a f i n a l m e n t e a sa lv a çã o de
t o d o s , e não apenas a de a l gun s p r i v i l e g i a d o s . O
so b e r a n o M e s t r e tu d o d i s p ô s , que r e m seu co n ju n

to , que r e m seu s d e t a l h e s , para que f o s s e
a ti n g i d o ess e fi m d e f i n i t i v o . " ( C i t . por M Á R I O
C A VA L C A N •
TI DE M EL L O , em " C o m o os
Teó l o go s R e f u t a m " ,
pg . 230) .
São G r e g ó r i o de N i c é i a :
" Q u a n d o Deu s faz so f r e r o p e ca d o r , não é por es•
p ír i t o de ódi o ou de v i n g a n ç a ; que r c o n d u zi r a al•
ma a Ele, que é a f on t e de tod a f e l i c i d a d e . O fog
o
d a p u r i f i c a ç ã o não dur a mais que u m t e m p o
con• v e n i e n t e e o úni c o fi m de Deu s é fa zer
definitiva 84

m e n t e p a r t i c i p a r e m todo s o s h o m e n s dos ben s que
c o n s t i t u e m a su a e s s ê n c i a . " ( Ib id . pg . 230).
N a m e s m a obr a o au to r M Á R I O C . MELL O cit a emi •
n en te s f i gu r a s dos t e m p o s m o d e r n o s que s e tê m i n s u r g i

do co n t r a a noção das penas e t e r n a s . Por e x e m p l o
:
" O t e ó l o g o c a l v i n i s t a PETIT PIERRE p re go u e es•
cr e v e u que os c o n d e n a d o s t e r i a m um dia a sua
gra ça , o se u p e r d ã o . I m p u s e r a m - l h e a r e t r a t a ç ã o
das suas t e o r i a s , ma s ele r e cu s o u e fo i d e p o s t o
pelo s seu s co le ga s d a i gre j a d e N u c h a t e l " (pg .
226).
" O cé l e b r e e s c r i t o r i taliano Gi o v a n n i Papini e m
seu ú l t i m o livr o p r e t e n d e que De u s , e m su a infi

nit a b o n d a d e , p e r d o a r á u m dia a o d i a b o . Ma s
logo se l e v a n to u a Igreja de Roma , para exi gi r do
ilus• tr e e s c r i t o r um a r e t r a t a ç ã o . Para a Igre ja dit a
cr is•
tã Deus é bo m apenas t e o r i c a m e n t e , só
sab e dar
bon s c o n s e l h o s , pois r e c o m e n d a a
seu s f i l h o s , pe•
la boca de Je su s , p er do a r
as o f e n sa s s e t e n t a ve• zes set e ve ze s , e não nos
dá o e x e m p l o p e r d o a n d o a v e r m e s co m o nós. "
(Pg. 228).
Para c o n c l u i r , d e i x a m o s à m e d i t a ç ã o dos l e i t o r e s al•
gu m a s i n d a g a çõ e s que , e m b o r a r e p e t i n d o c o n c e i t o s j á an•
t e r i o r m e n t e e x p e n d i d o s , s e r v i r ã o para fixa r o s p o n to s que
c o n s i d e r a m o s d e m ai o r r e l e v â n ci a e m noss a a r g u m e n t a •
ção :

1

- Se Deu s é i n f i n i t o em toda s as suas p e r f e i ç õ e s , é
t a m b é m i n f i n i t a m e n t e j u s t o . En tão, por qu e pre•
d e s t i n a Ele a l gu m a s alma s à e te r n a b e m - a v e n tu rança e o u tr a s à e ter n a c o n d e n a ç ã o ? Ond e a infi•
nit a Ju st i ça ?

2

- Se Ele é i n f i n i t o em toda s as suas p e r f e i ç õ e s , co•
m o o n i s c i e n t e te m c o n h e c i m e n t o p r év i o d o d esti

no das a lm a s que vai c r i a n d o , e co m o
p r e s c i e n t e sab e qu e a maio r part e delas ser á
co n d e n a d a à p e r d i çã o e t e r n a . Por que, m e s m o
a s s i m , Ele con •
ti n u a cr i a n d o ? Ond e a i n f i n i t
a Bondade?

3

- Se Ele é i n f i n i t o em toda s as sua s p e r f e i ç õ e s , é
t a m b é m o n i p r e s e n t e . Logo, tan t o est á n o céu , con•
t e m p l a n d o a f e l i c i d a d e dos e l e i t o s , co m o no infer•
no, c o n t e m p l a n d o o s o f r i m e n t o do s c o n d e n a d o s
.
E co m o pod e fica r i n se n s ív e l a
esse
sofriment o
85

por tod a a e te r n i d a d e ? Ond e a i n f i n i t a m i s e r i c ó r •
dia?

86

4

- Se um p ecad o r pod e se a r r e p e n d e r dos seu s er ro s
d u r a n t e a vid a t e r r e n a , por que não po de r á fazê-lo
após a m o r te ? Não v e m o s n e n h u m a razão lógica
par a que não o p o s s a . Então, por que Deus , que
m a n d o u que p e r d o e m o s i n d e f i n i d a m e n t e aos que
nos o f e n d e m , e que é tão c o m p a s s i v o para co m
os que ainda se e n c o n t r a m no plano f í s i c o , é tã o
i n f l e x ív e l co m os que já d e i x a r a m a Terra? Será a
j u s t i ç a h u m a n a mai s e qu â n i m e do que a j u s t i ç a
div in a ?

5

- Co m o e x p l i ca r a c o n d e n a ç ã o da H u m a n i d a d e i n te i •
ra pelo err o de um só h o m e m , se Deu s diss e por
E ze qu ie l : " O filh o não pagará pel a m a l d a d e d o pai,
ne m o pai pela m a l d a d e do f i l h o ; a alm a que pe•
car, ess a m o r r e r á " ? (Ezeq. 18:20). E co m o pode o
san gu e de um j u s t o apagar os p ecad o s de tod o o
gê ne r o h u m a n o ?

6

- Qu e ad ia n ta te r fé , se a fé i n d e p e n d e da v o n t a d e
do h o m e m , e não r e su l t a das o br as , por se r "u m
do m de D e u s " , e se ne m se q u e r é n e c e s s á r i a ,
um a vez que a sa l v a çã o é p r i v i l é g i o e x c l u s i v o de
alguns " e l e i t o s " ?

7

- Se as alma s salvas na b e a t i t u d e do céu conser •
va m a l e m b r a n ç a dos que f o r a m seus p a r e n te s e
a m i g o s n a e x i s t ê n c i a t e r r e n a , co m o po de rã o te r
f e l i c i d a d e plen a sab en d o que ente s q u e r i d o s es•
tã o s o f r e n d o t o r m e n t o s se m fi m n o i n f e r n o ?
Co•
m o pode um a mãe c a r i n h o s a , que s e
sacrifico u
po r um f il h o r e b e l d e , d e s f r u t a r a b e m a v e n t u r a n ç a e te r n a , sa be nd o que u m filh o
e s t r e m e c i d o s e con•
so m e em s o f r i m e n t o s
por tod a a e te r n i d a d e ?

ACAS O

ME
,

TORN O

VOS S O

D IZ END O

V ER D A D E ?

JUÍZO

INIMIGO
A

(Gal .

4:16 )

FINAL

S e n ta d o o Padre Ete rno em tr o n o r e f u l g e n t e ,
olhar se v e r o envi a a tod a a quel a g e n t e !
En qua n to anjos c a n t a m , o u tr o s vão lev an d o
ante a f i gu r a a u s te r a d ess e Ven e r a n d o
a s al ma s que d a t u m b a e m i g r a m a s su s t a d a s ,
ve nd o o t r i b u n a l so l e n e , m a j e s t o s o ,
e m que vão se r j u l g a d a s .
Doi s gru po s são f o r m a d o s ,
um de cada lado :
o da d i r e i t a , C é u ; o da e s q u e r d a , A v e r n o
;
e Sa ta n á s , ao can to , o c h i f r e
fumegante ,
e sp er a i m p a c i e n t e ,
impávido , arrogante ,
a " t u r m a " para o i n f e r n o .
A c o n c h e g a n d o o f i l h o , a alm a b e m - a m a d a
.
e que na te rr a for a algo
desassisada ,
um a m u l h e r se che g a e a su a prec e faz,
ro gan do ao Padre Eterno poup e do i n f e r n o
o pobr e do rapaz.
C of i a o Padre Eterno a longa barba branca
e os ócu lo s a j u s ta n d o à pont a do nari z,
o olha r d ir i g e então à pobr e d e s g r a ç a d
a e c o m p a s s a d o diz:

87

"O s anjo s vão levar- te a gor a ao Paraíso
e dar-te a r e c o m p e n s a , o te u d e s ca n s o e t e r n o
.
Al i d e s f r u t a r á s f e l i c i d a d e s m i l ,
p o r é m te u f i l h o ma u irá para o i n f e r n o . "
Um anjo to m a o moç o e o leva a S a ta n á s ;
p o r é m a pobr e mãe , ao ve r p a r ti r o f i l h o ,
a f l i ta , co r r e a tr á s !
E ao i n co r p o r a r - s e às h o s te s i n f e r n a i s ,
eis gr i t a o Padre Eterno em to m a s s u s t a d o r
: " M u l h e r , para ond e v a i s ? ! ! ! "
E o que p a s so u - se , en tão ,
n i n g u é m e s qu e c e m a i s :
"Eu vo u para o i n f e r n o , ao lado do me u f il ho
, a r e p a r t i r c o m i g o a sua d e s v e n t u r a !
A s l á g r i m a s d e mãe , a s go ta s d o me u
p ra n t o a ca l m a r ã o no A v e r n o a su a
queimadura! "
"Eu deix o para t i ess e te u Para íso,
ess a ma n sã o c e l e s t e ond e o amo r é s u r d o !
Ond e se goza a vid a a c o n t e m p l a r t o r m e n t o ,
onde a pa lav ra amo r r e p r e s a um a b s u r d o ! "
" E n t r e g a esse te u Cé u à s mãe s m a l v a d a s ,
vis , que os f i l h o s já m a t a r a m para os não
cr iar, poi s s ó essa s m e g e r a s p o d e r ã o , n o
Céu ,
ouvi r gr i ta r seu s f i l h o s se m s e c o n s t e r n a r ! "
" D e s p r e z o ess e te u Cé u ! O me u amo r é g r a n d e !
I m e n s o ! Assa z s u b l i m e ! E poss o te a f i r m a r
que se não te c o m o v e o p ra n t o lá do i n f e r n o
,
e os que no A v e r n o estão são to do s f i l h o s t e u s
,
o me u amo r exced e o p r ó p r i o amo r de
Deus! "
E ante o e s t u p e f a c t o olhar do Padre Ete rn o ,
a mã e b ei jo u o f il h o
. . . e fo i para o i n f e r n o . . .

(Benedito Godoy Paiva)
(Anuário Espírita de 1981)
88

VI — A SALVAÇÃO

P e n sa m o s haver d e m o n s t r a d o n o c a p ít u l o a n te r i o r
que
a d o u t r i n a das penas e te r n a s é i n c o m p a t í v e l co m
os atri •
b u to s d e u m
Deus
i n f i n i ta m e n t e bom ,
infinitament e
just o
e
infinitament e
m i s e r i c o r d i o s o . Porque um Deu s que en•
sin a
seu s f i l h o s a ama r os i n i m i g o s e p e r d o a r i n d e f i n i d a • me n t e
as o f e n sa s , e n qu a n t o Ele p r ó p r i o c o n d e n a os peca• dore s a
s o f r i m e n t o s e te r n o s , não a d m i t i n d o p o s sa m arre•
p en de r- se após a m o r t e , não é um Deu s b o m . Um Deus que
co n d e n a a penas i r r e m i s s í v e i s por f al ta s r e s u l t a n t e s da
p r ó p r i a i m p e r f e i ç ã o das alma s qu e Ele c r i o u , não é um
Deu s j u s t o . E um Deu s que c o n t e m p l a po r tod a a e t e r n i •
dade o cl a m o r dos c o n d e n a d o s no i n f e r n o , se m se como •
ve r co m o s o f r i m e n t o de sse s d e s g r a ç a d o s , não pode se
r
u m Deus m i s e r i c o r d i o s o .
Agora vam o s a n a l i sa r a d o u t r i n a a do tad a para evi ta
r que a s a lm a s i n c o r r a m n a co n d e n a çã o e t e r n a , e aqui o
pro- bl em a se c o m p l i c a para os n osso s
i rm ão s
evangélicos ,
poi s para eles a sa lv a çã o nada te m a ve
r co m a maio r ou menor gr a v i d a d e das f a l ta s , ne m co m
o s p r e d i c a d o s mo• rais que cada u m p o s su a , ma s úni c a e
e x c l u s i v a m e n t e co m
a a ce i t a çã o o u r e j e i çã o d o
s a c r i f í c i o p r o p i c i a t ó r i o d o Cris- ,
to. que d e r r a m o u
seu sa n gu e n o C a l v á r i o para r e d i m i r a H u m a n i d a d e .
É cert o que os v á r i o s ramo s do C r i s t i a n i s m o " o r t o d o •
xo " d i v e r g e m n o t o ca n t e aos e l e m e n t o s a s s e c u r a t ó r i o s d a
sa lva çã o . O s c a t ó l i c o s r o m a n o s , b a se a d o s n a f i l o s o f i a to •
m i s t a , acha m que ta n t o a fé co m o as obras c o n c o r r e m
pa89

ra a sa l v a çã o do s f i é i s , se nd o t o d a v i a i n d i s p e n s á v e l o sa•
c r a m e n t o do b a t i s m o , se m o qual não se a l ca n ça r á a sal•
vaçã o e t e r n a . J á a s i gre ja s di ta s r e f o r m a d a s d i v e r g e m u m
pouc o e m po n to s s e c u n d á r i o s , achand o a l g u m a s ( Lu ter a •
nos , Igre ja C r i s t ã ) que o b a t i s m o é e s s e n c i a l à sa l v a çã o ,
e n qu a n t o as d e m a i s e n t e n d e m que ele apenas c o n f i r m a a
co n d i ç ã o do s sa l v o s , o p e r a n d o - s e a sa lv ação e x c l u s i v a •
m e n t e a tr a v é s d a fé , o u se ja , pela plen a a ce i ta çã o d o
Cris • t o co m o sa l v a d o r .

.P ara nós , a ce i ta r Jesu s co m o sa l v a d o r é ado tar o s seu s
ensinos co m o r o t e i r o d e v i d a , é e n ch e r o cor a çã o d e amo
r e sair r e p a r t i n d o co m o p r ó x i m o , se m e x ce t u a r ne m
mes •
m o o s que nos f a ça m mal , é p e r d o a r e e s q u e ce r a
s ofen • sas, é fazer aos o u t r o s a qu il o que g o s t a r i a m o s qu e
nos
f i ze s se m , é s o co r r e r o s p ob re s
e m
suas
n e c e s s i d a d e s , en•
fim, é usar d e m i s e r i c ó r d i a co m t o d o s
, Este s f o r a m o s
e n s i n a m e n t o s d o M e s t r e , qu e
a c r e s c e n t o u : "S e sa be i s es ;
tas c o i sa s , b e m aventurado s
se r e i s
s e a s praticardes" .
(João
13:17) .
En tão, s e p r a t i c a r m o s to da s esta s co i sa s , e s t a r e m o s
r e a l i za n d o o rein o de Deu s em n osso s c o r a ç õ e s . É d i f íci l
fa zê- lo? Si m , qua s e i m p o s s í v e l n o e s t á g i o atual d a Huma •
n id ad e , e m cu jo s gr up o s so c i a i s c o n t i n u a m i m p e r a n d o o
e g o í s m o e o o r g u l h o , os doi s m a i o r e s i n i m i g o s a co m b a

te r . Ma s o s h o m e n s vão l e n t a m e n t e c r e s c e n d o e m
con he •
ci m e n to e e m v i r t u d e e h á d e che ga r u m dia ,
fatalment e
ch e gar á , e m que , p r e d o m i n a n d o e m cada
cor a çã o o s e n ti •
mento d o amor , o reino d e Deu s
i n f a l i v e l m e n t e s e imp lan •
tará n a T erra. Um a f a n ta s i a
u tó p i ca ? Não, d e mo d o a l g u m , pois o C r i s t o nao p l a n t a r i a a
s e m e n t e (Lucas 17:20-21)
s e não a n t e v i s s e a g l o r i o s a co l h e i t a p o r v i n d o u r a .
'
Os t e ó l o g o s s e m p r e t e n d e r a m a c o m p l i c a r as verda•
des do Ev a n g e l h o , a d e s p e i t o de se r e m elas tã o claras e
e x p l í c i t a s . Esse p r o b l e m a da sa l v a çã o pel a fé é um dos
que mai s tê m s u s c i t a d o c o n t r o v é r s i a s n o sei o das p r ó p r i a s
i gr e ja s c r i s tã s , e isso ve m desd e as eras a p o s t ó l i c a s , sa•
bid o que houv e d i v e r g ê n c i a de i n t e r p r e t a ç ã o e n tr e Paulo
(Ef. 2 : 8 / 9 ) e Tiago (2 :24). A noss o ver , c o n d i c i o n a r a salva•
ção a um s e n t i m e n t o í n t i m o , s u b j e t i v o , é de cer t a f o r m a
d e tu r p a r a v e r d a d e c r i s t a l i n a do e n s i n a m e n t o c r i s t ã o .
V e j a m o s em qu e c o n s i s t e a fé . A pa lav ra pode te r
doi s s e n t i d o s : U m é q u e r e r co m v o n ta d e f i r m e , a pl i ca r - se
d e l i b e r a d a m e n t e à co n se c u çã o de d e t e r m i n a d o o b j e t i v o
.
90

Foi o b v i a m e n t e nest a acep çã o que o C r i s t o a f i r m o u : "Se
t i v e r d e s fé co m o um grão de m o s t a r d a di re i s a est e mon
• t e . . . " ( M a t . 1 7 :2 0 ) . O ou tr o e x p r i m e um a c r e n ç a , um a
c o n v i c ç ã o ín t i m a co m rela ção a d e t e r m i n a d o a s s u n t o . As •
s i m , qua nd o s e diz: "Tenh o f é e m D e u s " , e x p r i m e - s e u m
s e n t i m e n t o p u r a m e n t e s u b j e t i v o , que não adv é m d a expe•
r i ê n ci a dos s e n t i d o s , ne m t r a n si t a pelo cr iv o da ra zã o . A
e p ís t o l a aos h e b r e u s (11:1 ) d e f i n e a fé co m o " o f i r m e fun •
d a m e n t o das co i sa s que não s e v ê e m . "
Os c a t ó l i c o s e p r o t e s t a n t e s s e g u e m a d o u t r i n a de
San•
t o Tomaz d e A q u i n o , que d e f i n i a a " f é " co m o um a
opçã o
e x c l u s i v a d a v o n t a d e , se m i n t e r f e r ê n c i a d a razão,
distin guindo- a d a " d ú v i d a " p or qu e nest a h á i n d e ci sã o
e n tr e doi s
c o n c e i t o s o p o s t o s , e da " o p i n i ã o " que é a
a ce i ta çã o de um
ju íz o se m e x c l u i r t o t a l m e n t e o u t r o s
, ma s j á a í co m base
em f a t o r e s r a c i o n a i s . Tam b é m
a d i s t i n g u e da " c e r t e z a " ,
p or qu e est a a s s e n t a n o
conheciment o científico .
Na époc a atual já não é a d m i s s í v e l a c o n c e p ç ã o aquiniana d a fé , por se r e v i d e n t e que :
" A f é d e p e n d e d a razão, poi s qu e m crê dev e te r
um a razão para cr e r . A fé em Jesu s é a a c e i ta ç ã o
del e co m o o M e s s i a s e S a l v a d o r . Ma s a a c e i ta ç ã o
não é só um ato de v o n t a d e , ma s um ato de dis •
c e r n i m e n t o , p o r t a n t o u m ato d e razão. C o m o pos•
so a ce i ta r ist o e co n d e n a r a qu il o , se m r e co r r e r ao
ju ízo , qu e é f u n çã o da razão.?" ( H E R C U L A N O PI•
RES, e m " R e v i s ã o d o C r i s t i a n i s m o " , pg . 89).
A p r e e n d i d o s e st e s c o n c e i t o s , v e j a m o s co m o s e pro•
ce ssar i a a " s a l v a ç ã o pel a f é " , n o e n t e n d i m e n t o do s evan•
gé l i co s: U m i n c r é d u l o ouv e o s e r m ã o , se n te - s e t o c a d o pe
; l a c o m o v e n t e m e n s a g e m do p r e ga d o r e se tor n a um " c o n
v e r t i d o ", re ce b e C r i s t o n o se u co r a çã o e s e
a c r e d i t a "nas •
cido d e n o v o " , sa lv o pela gra ç a d o
Se n h o r ,
e purificad o
dos seu s p e ca d o
s pel o san gu e d o C o r d e i r o . E m s e g u i d a ,
f ilia- se à
co n g r e g a ç ã o dos f iéi s a tr av é s do b a ti s m o e pas• sa, a o
m e n o s e m t e o r i a , a v i v e r su a e x i s t ê n c i a d e n tr o dos
p r e ce i to s d o Ev a n g e l h o ,
p o d e n d o t o r n a r - s e até u m dos
" m e n s a g e i r os d a p a l a v r a " , n o afã d e tr a ze r o u tr o s pe ca do res aos br aço s do Sa lv ad or.
Lon ge de nós o i n tu i t o de p a r e ce r de a l g u m a f o r m a
i r r e v e r e n t e para co m o s n o b r e s s e n t i m e n t o s dos n osso s
i r m ã o s . S a b e m o s que age m m o v i d o s pela mai s pur a das
i n t e n ç õ e s , ch e io s da que l a f é que d e s c r e v e m o s a ci m a
co91

m o " c o n v i c ç ã o ín t i m a i n a b a l á v e l " . Ma s , se ja- nos l íci t o
p e r g u n t a r : É s u f i c i e n t e ess a a t i t u d e tão s i m p l e s para mo•
d i f i ca r um a vid a e t r a n s f o r m a r s u b s t a n c i a l m e n t e u m cará•
ter ? Basta m e s m o ess e " p e q u e n o p a s s o " para o cre n t e se
cr e d e n c i a r à " c o m u n h ã o dos s a n t o s " e te r a s s e g u r a d a a
su a a d m i s s ã o à " e t e r n a b e m - a v e n t u r a n ç a " ? En tão, por que
só uns p o u co s , ta lve z os de Esp ír i t o mai s e v o l u í d o , p e r m a •
ne ce m r e a l m e n t e r e g e n e r a d o s ? A m a i o r i a o s t e n t a um Cri s •
t i a n i s m o d e f a ch a d a , p e r s i s t i n d o co m o s m e s m o s sen ti •
m e n to s ín t i m o s d o " h o m e m v e l h o " : e g o ís m o , d e s a m o r , in•
t o l e r â n c i a , r a c i s m o , a u s ê n c i a de e m p a t i a e de f r a t e r n i d a •
de . M e s m o a d m i t i n d o que o s i n d i v í d u o s s e t r a n s f o r m e m ,
que e f e i to s te m p r o d u zi d o o Eva n gel ho nos gr up o s so c i a i s
que s e i n t i t u l a m c r i s tã o s , tan t o c a t ó l i c o s co m o p r o te s t a n •
tes ? Aca s o o mu nd o fo i t r a n s f o r m a d o , após quas e doi s mi l
anos de ca t e q u e se ? Re in a m paz e h a r m o n i a e n tr e os po•
vo s c r i s tã o s ? Foi i m p l a n t a d o nos c o r a çõ e s o ideal da soli •
dariedad e
hu ma na ?
Ou
continua m
os
ho me n s
a
di gl ad i ar -se, não raro t r u c i d a n d o o s a d v e r s á r i o s e m nom e d o pró•
pri o C r i s t o , co m o o c o r r e u nas " C r u z a d a s " , nos t r i b u n a i s
da " San t a I n q u i s i ç ã o " , no m a s sa c r e dos c a m p o n e s e s ale•
mãe s (co m o apoio do p r ó p r i o L u te r o ) , na m a ta n ç a do s hug u e n o t e s e nas lutas f r a t r i c i d a s dos n osso s dias entr e os
c r i s tã o s i r l a n d e s e s ? O b s e r v e - s e que o p r ó p r i o Jesu s pre•
v e n i u : " Pel o s f r u to s o s c o n h e c e r e i s " . . . ( M a t . 7 :16 ) .
Quem t i v e r olho s d e ve r e o uv i d o s d e ouv ir , por favo r
leia o Nov o T es t a m e n t o co m o s o lh o s be m abertos e a
men te d e s p i d a d e p r e c o n c e i t o s , e ch e gar á f a t a l m e n t e a
co n cl u sã o d e que Jesu s não d e sce u a est e m u n d o para
fundar n e n h u m a r e l i g i ã o , e si m para tr a ze r a noçã o d e um a
vid a f u tu r a
e
da
sobrevivênci a
da
alma ,
de 1
recompensa s
e p u n i ç õ e s se gu n d o a s obras qu e o
s sere s h u m a n o s
te
nham p r a t i ca d o , e n f i m , vei o
a p r e s e n t a r aos h o m e n s
u m
Deus d e amo r e d e
m i s e r i c ó r d i a , m u i t o d i f e r e n t e d a qu e l e
Jeová r a n c o r o s
o d o Velho Testa me n to .
r

Dizer que para al gu é m se r salv o só p r e c i s a de fé , é
levar p e r p l e x i d a d e à m e n t e dos que p r o c u r a m r a ci o ci n a r
co m a i n t e l i g ê n c i a que Deu s lhes d e u . Pois j á v i m o s que
,
se a fé pode se r a d q u i r i d a por um ato v o l u n t á r i o do
a ge n t e , ela te m de a sse n ta r em bases r a c i o n a i s . Já p asso
u a épo•
ca do " c r e d o qui a a b s u r d u m " e o ato de cre r
d e p e n d e de
p r e s s u p o s t o s que p o d e m ou não esta r
p r e s e n t e s no for o
í n t i m o de cada um . E o a p ó s to l o
Paulo d eix o u isso evi de n 92

te ao afirmar: "Pela graça sois salvos mediante a fé, e is•
so não vem de vós, é um dom de Deus, não vem das obras
para que ninguém se glorie" (Ef. 2:8). E o mesmo apósto•
lo também afirmou: "A fé não é de todos" (2.a Tess.
3:2). Do que se conclui que a salvação resulta de um
"ato de fé" e que esta independe da vontade do agente,
sendo antes um dom ofertado por Deus
àqueles a quem lhe apraz, porque Ele, "cujos juízos são
insondáveis e os caminhos inescrutáveis"
(Rom. 11:33), "se compadece de quem
quer, e endurece a quem quer" (Rom. 9:18). Se as coisas
se passam realmente assim, não se pode evitar a pergun•
ta: Onde a justiça desse Deus, que escolhe alguns privilegiados para a salvação e condena os demais, sem duvi
da á maioria, a tormentos sem fim no inferno?
São Paulo completou tão esdrúxula doutrina com a da
"predestinação" (Rom. 8:30, Ef. 1:11), segundo a qual
Deus teria escolhido desde a eternidade aqueles que de•
verão ser salvos. Ora, cada ser humano acolhe dentro de
si um sentimento inato de justiça, e basta refletir um pou•
co para repudiar quaisquer conceitos que contrariem esse
sentimento. É talvez por isso que muitos protestantes es•
clarecidos, mesmo os filiados a denominações calvinis•
tas, se sentem de certo modo inibidos de polemizar sobre
a controvertida doutrina da predestinação.
Mas os partidários da "inerrancia" da Bíblia não po•
dem esquivar-se ao dilema. A predestinação é ensino de
Paulo, portanto "artigo de fé". Além disso, vem claramen•
te expressa em documentos básicos das igrejas, como:
C o n f i s s ã o d e f é d e W e s t m i n s t e r (1643):

"III — Pelo decreto de Deus para a manifestação
de sua glória, alguns homens e anjos são predes•
tinados para a vida eterna e outros preordenados
para a morte eterna... Ninguém é redimido por
Cristo senão somente os eleitos. O resto da Hu•
manidade aprouve a Deus deixá-la de lado para a
desonra e para a ira." (H. BETTENSON, "DOCS.
DA IGREJA CRISTÃ", ed. da Assoc, de Seminá•
rios Teológicos Evangélicos, 1967, pg. 278).
1.' C o n f i s s ã o B a t i s t a d e F é (1646):

"III — Deus antes da constituição do mundo preordenou alguns homens para a vida eterna através
de Jesus Cristo, para louvor e glória da sua graça,
deixando os restantes em seus pecados, para seu
93

j u s t o j u l g a m e n t o , para lo uvo r d e su a j u s t i ç a . " (Ibd ..
pg . 282).
Instituição Congregacionalista (1 658):
" O Se nh o r Jesu s ch a m a do m u n d o para a co mu •
nhão a que l e s que lhe são dado s pel o P a i " . . . (Ibd .,
pg . 285) .
O s j e s u ít a s c a t ó l i c o s a o m e n o s f o r a m mai s s o l e r te s
em d r i b l a r os a b su r d o s da d o u t r i n a , poi s l em o s nos "Exer•
c íc i o s E s p i r i t u a i s " d e Iná cio d e L o i o l a :
"1 4 — É p r e c i s o t a m b é m te r em m e n t e que, em •
bor a se j a v e r d a d e que n i n g u é m é sa lv o a não se r
aque le que é p r e d e s t i n a d o , d e v e m o s falar c i r c u n s •
p e c t a m e n t e dest e a s s u n t o , poi s d o c o n t r á r i o , s e
a c e n t u a r m o s por d e m a i s a gra ç a da p r e d e s t i n a ç ã o ,
p o d e r i a p a r e ce r que f e c h a m o s a p or t a à vo n ta d e
livr e e aos m é r i t o s das boas o b r a s ; de o u tr o lado,
a t r i b u i n d o a esta s mai s do que lhes p e r t e n c e , der•
r o g a m o s o poder da g r a ç a " ( Ibd., pg . 295).
S i n c e r a m e n t e , não e n t e n d e m o s co m o s e pod e a do ta r
um a d o u t r i n a que seri a b l a s f e m a s e não r e f l e t i s s e u m
p r i m a r i s m o i n te l e c tu a l di gn o d e l á s t i m a . Ba sta u m racio •
c ín i o : S e
Deu s e s co l h e d ê a n te m ã o a que l e s
que
serã o
salvos, é claro que , por e x c l u s ã o , e s c o l h e t a m b é m os que
serã o perdidos. E isso se m o u tr o o b j e t i v o que o de e n tr e •
gá-los g r a c i o s a m e n t e a Sa tã , que, d e s c r i t o na Bíb l i a co m o
"u m leão que ru ge , b u s ca n d o a qu e m poss a t r a g a r " (1.º
Pedro 5 :8), ne m p r e c i s a rugi r o u t r a g a r n i n g u é m , basta
que fi qu e e m se u can t o c o n t a b i l i za n d o a s alma s que lhe
são c o n s i g n a d a s a cada i n s ta n t e pela m u n i f i c ê n c i a ce les•
t e . . . P e r g u n t a - se : Por que p e r s i s t e Deu s e m cr ia r in ces•
s a n t e m e n t e t a n to s m i l h õ e s de a l m a s , se a m a i o r i a dela s
te m po r d e s t i n o a p e r d i ç ã o e te rn a ? É ele o m e s m o Deu s
que "nã o faz acep ção de p e s s o a s " ( A t o s 10: 34 e Rom , 2
:
11) e qu e foi a p r e s e n t a d o por Je su s co m o o p a r a d i g m a da
p e r f e i ç ã o ( M a t . 5:48)? O p r ó p r i o Paulo a f i r m o u : "Tod o
a que l e que inv oca r o nom e do Sen ho r ser á s a l v o " (Roma •
nos 10:13 ) e Tiago e n s i n o u : " A q u e l e que c o n v e r t e r do er•
ro um p e ca d o r sa lva rá da m o r t e um a alm a e co b r i r á um a
m u l t i d ã o d e p e c a d o s " (Tiago 5 :20 ) . Tudo iss o não co nf i •
gur a a a n t ít e s e da d o u t r i n a da p r e d e s t i n a ç ã o ?
Um dos no sso s i r m ã o s e v a n gé l i co s l e v a n t o u , co m o
irrespond ív e l , o seguint e a r gu m en t o :
"Se , co m o p r e t e n d
e
o Espiritismo, os h o m e n s todos deverão salvar-se, seria

94

inú til e s t a r m o s a p r e ga r - l h e s o Eva n gel ho para que se sal•
v e m " , se m lhe o c o r r e r que , a a d m i t i r a d o u t r i n a da
"p re •
d e s t i n a ç ã o " , ou a da
sa lva çã o pela fé co m
o um do m de
D e u s " ( o que tud o ve m a dar no
m e s m o ) , ser i a ainda mai s
inútil pr e ga r , um a vez que
os que dev er ã o ser sa lvo s j á estã o p r e d e s t i n a d o s a isso
desd e a f u n d a çã o do m u n d o . . .
E não se p r e t e n d a sair pela t a n g e n t e sob a al e ga çã o
de que a palavra e n ce r r a a idéia de presciência, poi s essa
foi um a tes e a r m i n i a n a que m e r e c e u r e p ú d i o d e gra nd e
m a i o r i a dos p r o t e s t a n t e s r e u n i d o s no S ín od o de Dor t , Ho•
landa, em 1619 ("T he Five Points of C a l v i n i s m " , Baker
Book H o u se , M i c h i g a n , pg . 14). Ao noss o ver, a d o u tr i n a
a r m i n i a n a che go u mai s per t o d a v e r d a d e , p or qu e
s i tu a v a a fé co m o um ato v o l u n t á r i o do h o m e m , que te m
o poder
de a ce i ta r ou não a o p e r a çã o do Es p ír i t o Sant o na
su a re• g e n e r a ç ã o , ao passo que a tes e c a l v i n i s t a ex cl u i o livr
e ar• b í t r i o , a f i r m a n d o que o h o m e m não te m c o n d i ç õ e s de
acei•
tar ou r e j e i t a r a sa lv a çã o , a m e n o s que re ce b a a fé
co m o p r e se n t e e sp e c i a l d e De u s .
São de rest o c o m p r e e n s í v e i s amba s as p o s i ç õ e s , se
c o n s i d e r a r m o s que não havia u n i f o r m i d a d e se qu e r no pen•
s a m e n t o a p o s t ó l i c o , um a vez que , c o n s o a n t e j á v i m o s ,
pa•
ra Paulo é só a fé que salva (Gal . 2:16 , Ef. 2:8) ,
e n qu a n t o que para Tiago a j u s t i f i c a ç ã o t a m b é m o co r r e pelas
obras
(Tiago 2 :2 4) , p or qu e " s o m e n t e a fé não pode
s a l v a r " (Tia•
go 2 :1 4) . A l é m d i sso , o a s s u n t o c o m p o r t a
o u tr a s indaga•
çõ e s : Se a sa lv ação é p e s s o a l , por que o
"C r ê no Se nh o r Jesu s e será s sa lv o , tu e a tua casa"? ( A to
s 16 :31), ou : " F a ze n d o ist o te s a l v a r á s , a t i m e s m o e aos
que te ouvem" (1.ª Tim . 4 : 1 6 ) . Por que a m u l h e r , " s e n d
o e n ga n a d a , caiu e m t r a n s g r e s s ã o , ma s se salvará dando à
luz filhos"? (1.ª
Tim . 2 :1 5 ) . Não e n t r a r á t a m b é m n o
reino d o céu " a q u e l e
que faz a v o n ta d e do me u p a i " ?
( M a t . 7 :21), ou " a q u e l e
cuj a j u s t i ç a e x c e d e r à dos
e s cr i b a s e f a r i s e u s " ? ( M a t .
5 :2 0) .
Não t e m o s dúv id a e m a f i r m a r que Paulo foi u m após•
tol o d i v i n a m e n t e i n sp i r a d o e m qua se t o d o s o s seu s ensi•
n a m e n t o s , mas e n t e n d e m o s que não era i n f a l ív e l , pois
send o h o m e m e stav a su j e i t o a er ro s , co m o qu a l q u e r u
m de nós . S a b e m o s quão d o l o r o s o é a d m i t i r est e fat o para
os que f u n d a m e n t a m a su a fé na i n f a l i b i l i d a d e da B íb l ia ,
mas
o fat o i n c o n t e s t á v e l é que, de par co m os e n si n o s
subs•
tancioso s
que
levo u
à
Cristandade ,
ele
t a m b é m la bo ro u

95

em erros doutrinários, e isso inúmeros teólogos de valor
já têm admitido. Observe-se que de modo algum estamos
tentando desmerecer a importância da Bíblia como instru•
mento da revelação divina; o que ocorre é que as conquis•
tas científicas já estabeleceram no seio das igrejas cris•
tãs um consenso de que as revelações do Alto costumam
chegar à Humanidade de permeio com idéias meramente
humanas. Segundo o teólogo WILLISTON WALKER:
"Paulo introduziu na teologia cristã muitos ele•
mentos provenientes de sua cultura rabínica e ex•
periência helénica. Paulo, enquanto teólogo, mui•
tas vezes nos apresenta uma imagem de Cristo
um tanto diferente da que se vê nos Evangelhos."
("História da Igreja Cristã", pg. 49).
Não admira, assim, que o seu próprio companheiro de
apostolado, São Pedro, tenha afirmado que "entre os en•
sinos de Paulo há coisas difíceis de entender". (2." Pe•
dro 3:16).
Perguntaríamos então: Por que introduziu Paulo no
Cristianismo as doutrinas da "redenção pelo sangue de
Cristo" e da "predestinação"? A primeira pode ser atri•
buída à sua formação farisaica, pois se sabe que a tradi•
ção hebraica não concebia a remissão dos pecados sem
derramamento de sangue. A idéia da predestinação em
princípio talvez resultasse das condições da sua própria
conversão. Fariseu entre os fariseus (Atos 23:6), perse•
guidor feroz dos cristãos em sua mocidade, era rigoroso
e inflexível nas suas convicções, e por isso mesmo foi
escolhido por Jesus para ser o divulgador do Evangelho en•
tre os gentios. Dadas as circunstâncias em que ocorreu a
sua conversão, nada mais natural que se sentisse um "to•
cado pela graça", ou um "predestinado" (Gal. 1:15), como,
de resto, indubitavelmente o foi.
Mas não deve ser descartada a hipótese de que outra
razão de maior peso pode ter contribuído para a formula•
ção da doutrina: Lembremos que ele foi transportado em
Espírito a elevada esfera espiritual a que chamou de "ter•
ceiro céu" (2.a Cor. 12:2) e ali recebeu, talvez do próprio
Cristo (Gál. 1:12) revelações extraordinárias, que os ho•
mens ainda não estavam preparados para assimilar, como
permitem supor as palavras que dirigiu aos coríntios (1."
Cor. 3:1/2) e igualmente aos hebreus (5: 11/13).
O certo é que a doutrina da predestinação dividiu a
96

Cristandade em duas alas aparentemente inconciliáveis: a
dos deterministas e a dos partidários do "livre-arbítrio".
Dentro das igrejas reformadas, essa questão vem sendo
mantida em aberto desde a célebre polêmica entre LUTE•
RO — determinista intransigente com o seu "De Servo
Arbítrio" e ERASMO, defensor da livre opção, com o seu
"De Libero Arbítrio".
Até agora foram inúteis todos os esforços para se
chegar a uma síntese das duas concepções, pois se de um
lado o "determinismo" tira ao homem a faculdade de es•
colher livremente o seu caminho, de outro o "livre-arbí•
trio" vai de encontro ao ensino do apóstolo, que considera
o destino dos homens preordenado por Deus.
A essa síntese, contudo, chegar-se-á facilmente, quan•
do a consciência cristã se libertar do dogma das penas
eternas e compreender que o homem tem por destino a
felicidade suprema, quando atingir o ápice da perfeição.
Assim, a predestinação significa a reintegração de todo o
gênero humano no seio do Criador. Todos os homens são
criaturas de Deus, por conseguinte Seus filhos; e Ele não
seria justo se preordenasse qualquer deles à condenação
eterna, porquanto sendo prescíente, bastaria abster-se de
criá-los.
Deus representa o Amor em sua expressão mais su•
blime, portanto é lógico que Ele cria as almas para o fim
de alcançarem a felicidade eterna, na plenitude dos tem•
pos. Esta é a essência dos ensinamentos de S. Paulo;
e se a Cristandade continua a se debater no dilema "determinismo-livre-arbítrio", é que ainda não tomou conheci•
mento da solução trazida pelo Espiritismo, revivendo a mi•
lenar doutrina, agora cientificamente provada, da suces•
são de vidas no plano físico, de que o Espírito necessita
para atingir a perfeição.
Fica, portanto, claro que o que Deus predestinou foi
a reunião de todos os seres e coisas com Cristo, na ple•
nitude dos tempos (Ef. 1:10/11). Mas esse determinismo
é o da meta final e coexiste com o "livre-arbítrio" que ca•
da Espírito tem de escolher o caminho que melhor lhe
convier para atingir seu destino. Os que seguem a trilha
da retidão, progridem rapidamente; os que, por vontade
própria, se emaranham no cipoal dos vícios e das paixões,
retardam a sua caminhada e sofrerão as conseqüências, até
que um dia o sofrimento os reconduza ao bom caminho.
97

A compreensão de que coexistem "determinismo" (no
objetivo final) e "livre-arbítrio" (nos meios empregados pa•
ra alcançar o objetivo), só se tornou possível com a acei•
tação, hoje generalizada, da idéia das vidas sucessivas.
Aos leitores que desejarem conhecer melhor esse te•
ma tão polêmico da predestinação, nos termos da exegese
adotada pela Doutrina Espírita, aconselhamos a leitura aten•
ta do 5.° capítulo do Volume I da importante obra "As Mar•
cas do Cristo", no qual o eminente escritor espírita HER•
MÍNIO C. MIRANDA efetua uma bem elaborada análise
dos ensinamentos do apóstolo Paulo sobre a "predestina•
ção" e a "justificação pela fé". Seguem-se dois trechos
bastante sugestivos do referido trabalho:
"O homem é ao mesmo tempo subordinado a um
esquema determinista e livre para fazer opções.
Na verdade, viver é escolher e ele não poderia
progredir e aprender, se não lhe tivesse sido con•
cedida essa liberdade de escolha." (Pg. 208).
"A doutrina multimilenar da reencarnação, que os
Espíritos introduziram no corpo da filosofia espírita,
trouxe os elementos que faltavam para entender
a aparente contradição das duas idéias e reconci•
liá-las numa síntese racional que não se choca com
a noção que temos dos atributos de Deus. Não há,
pois, condenação eterna após a morte física, nem
salvação gratuita ao cabo de uma única existência
em que mal é possível estimar, com certa proprie•
dade, os nossos próprios valores íntimos, Deus
seria imensa e incompreensivelmente injusto se
decidisse, por puro arbítrio, premiar alguns com a
salvação e condenar tantos outros ao sofrimento
eterno. Sendo a expressão máxima do Amor, para
o qual todos nós caminhamos, como poderia punir
inapelavelmente o Espírito antes de este ter qual•
quer oportunidade de demonstrar suas boas ou
más inclinações? Dir-se-ia que Deus sabe de ante•
mão que aquele Espírito não vai dar boa conta de
si. Então, como se justifica a sua criação? A no•
ção de um Deus que cria para a dor ou para o cri•
me é totalmente incompatível com os seus atribu•
tos de perfeição e amor", (pg. 210).
Mas voltemos ao assunto deste capítulo, que é o con•
ceito de salvação adotado pelos nossos irmãos evangéli98

cos. Observa-se que a idéia da "purificação completa dos
pecados pelo sangue de Cristo" (1.º João 1:7) é a tônica em
todas as pregações. No entanto, essa salvação não tem
o sentido de "iluminação da alma", ou de "resgate dos
erros", ou de "libertação da ignorância e das paixões que
obscurecem o espírito humano". Nada disso, a idéia é a
de "salvação das penas eternas" a que todo pecador se
acha irremediavelmente condenado, é a de salvação como
um passaporte direto para o Céu, naturalmente aos "toca•
dos pela graça", não por esforço próprio, mas como uma
dádiva de Deus. E esta é uma "idéia-força" tão arraigada
entre os fiéis, que não raro alguns dos próprios membros
das congregações se sentem movidos em campanhas de
reavivamento e repetem o "passo decisivo", sem dúvida
para, por esse meio, garantirem a sua salvação pessoal.
Não temos o intuito de levantar críticas ou por qual•
quer forma censurar um comportamento que reflete aspi•
rações íntimas até louváveis, pois em face da insegurança
que o mundo oferece, deve ser assaz confortador cristali•
zar na mente a certeza da salvação. O que apenas nos pa•
rece objeto de reparo é que, adotando essa atitude místi•
ca, os nossos irmãos relegam a segundo plano os ensina•
mentos que se constituíram o objeto principal da missão
do Cristo na Terra. Note-se que o equívoco não é recente;
vem dos tempos apostólicos, talvez da própria tese paulina da "salvação pela graça", dando lugar a que os precei•
tos do Mestre fossem sendo paulatinamente esquecidos
pelos que se dizem cristãos. E a idéia, afinal, não deixa
de ter sua lógica, pois se o essencial é "estar salvo", tudo
o mais vem por via de conseqüência...
Provavelmente por isso é que poucos adotam como
norma de vida o que Jesus ensinou. A ponto de um teólo•
go do porte do Rev. ROBERT HASTINGS NICHOLS, profes•
sor em dois seminários norte-americanos, haver escrito
em sua obra "História da Igreja Cristã" o seguinte:
"Jesus, sentindo clara a necessidade de haver
uma sociedade constituída de seus seguidores, a
fim de oferecer ao mundo o Evangelho, e minis•
trar, em seu espírito, os ensinos que lhe dera com
o objetivo de propagar o reino de Deus... credo
algum prescreveu para ela e n e n h u m c ó d i g o d e
re•
g r a s lh e i m p ô s . " (Pg. 18) (grifo nosso).
Ora, se não houve aí um lapso do historiador, como

99

admitir que tão eminente teólogo seja capaz de afirmar
que Jesus não impôs nenhum "código de regras"? Pois
aqui nos permitimos transcrever nada menos que 30 das
mais importantes regras que Ele ministrou aos discípulos,
não só aos de então, como, evidentemente, a todos os que
os sucederam e sucederão pelos séculos afora:
Mateus
5:16 - "Assim brilhe a vossa luz dian•
te dos homens, para que vejam
as vossas boas obras e glorifi•
quem ao vosso Pai, que está nos
céus".
5:25 - "Reconcilia-te com o teu adver•
sário enquanto estás com ele a
caminho".
5:34 - "Não jureis, nem pelo céu, nem
e37
pela t e r r a . . . Mas seja o vosso
falar sim, sim, não, não".
5:39 - "Não resistais ao mal, mas ao
que te bater numa face, ofere•
ce também a outra".
5:42 - "Dá a quem te pedir e não te
desvies de quem quiser que
emprestes".
5:44 - "Amai vossos inimigos, bendi•
zei aos que vos maldizem, fazei
bem aos que vos odeiam e orai
pelos que vos maltratam e vos
perseguem".
5:48 - "Sede perfeitos, como é perfei•
to o vosso Pai que está nos
céus".
6: 3 - "Quando deres esmola, não sai•
ba tua mão esquerda o que faz
a direita".
6: 7 - "Quando orardes, não useis de
vãs repetições".
6:19 - "Não ajunteis tesouros na tere 20 ra, mas ajuntai para vós tesou•
ros no céu".
6:25 - "Não andeis cuidadosos quanto
à vossa vida, do que haveis de
100

c o m e r ou do que hav ei s de
tir" .
Mateu s

6:33 -

ves•

" B u s c a i p r i m e i r a m e n t e o rein o
de Deu s e a su a j u s t i ç a e toda s
as o u tr a s co i sa s vo s serã o acrescidas" .

6:34 - "Nã o vo s i n q u i e t e i s pel o di a de
a m a n h ã , p o r qu e o di a de ama •
nhã cu i d a r á d e s i m e s m o .
Basta
a cada di a o se u m a l " .
7: 5 - "Tir a p r i m e i r o a tr av e do te u
olho , para en tã o c u i d a r e s d e ti •
rar o a r g u e i r o do olh o do te u ir•
mão" .
7: 6

7:

- "Nã o dei s aos cães as co i sa s
san ta s ne m aos p o r co s a s vos •
sas p é r o l a s " .

7 - "Pedi e dar- se-vos-á , bu sca i e
a ch a r e i s , batei e ab ri r - se - vosá" .

7:12 - "Tud o o que q u i s e r d e s que os
h o m e n s vo s f a ç a m , isso mes•
mo fazei vó s a e l e s " .
7:13 - " E n tr a i pel a po r t a e s t r e i t a , por•
que larga é a port a e e s p a ç o s o
o c a m i n h o que condu z à p er di •
ção ; e m u i t o s são os qu e en•
t r a m po r e l a " .
7:15 -

Marco s

" A c a u t e l a i - v o s dos f a l so s pro•
f e t a s , que vê m até vó s v e s t i d o s
co m o o v e l h a s , mas por d e n t r o
são lobos d e v o r a d o r e s " .
23 : 8 - "Nã o q u e i r a i s ser c h a m a d o s
m e s t r e s , po r qu e um só é o vos •
so M e s t r e — o C r i s t o — e to•
dos vó s soi s i r m ã o s " .
11:25 - " Q u a n d o o r a r d e s , p e r d o a i ,
se
t e n d e s a l g u m a co is a co n t r a al•
g u é m , par a que o v o ss o Pai, que
est á n o céu , vo s pe rd o e v o ssa s
ofensas" .

Lucas

6:35 -

" A m a i vosso s

inimigo s

e fazei

101

o bem sem esperar recompen•
sa, e será grande o vosso galar•
dão e sereis filhos do Altíssi•
mo, que é benigno até para os
ingratos e maus".
Lucas
6:36 - "Sede, pois, misericordiosos,
como o vosso Pai também é
misericordioso".
6:37 - "Não julgueis e não sereis jul•
gados; não condeneis e não se•
reis condenados, perdoai e vos
será perdoado".
6:38 - "Dai e vos será dado ( . . . ) , pois
com a medida com que medir•
des, com essa vos medirão a
vós".
12:15 - "Guardai-vos da avareza, pois a
vida de um homem não consis•
te na abundância dos bens que
possui".
12:33 - "Vendei o que tendes e dai es•
molas, e fareis um tesouro no
céu, aonde não chega ladrão e a
traça não rói".
João
7:24 - "Não julgueis segundo a apa•
rência, mas julgai segundo a re•
ta justiça".
13:34 - "Um novo mandamento vos
dou: Que vos ameis uns aos ou•
tros"
15:12 - "O meu mandamento é este:
e 17 Que vos ameis uns aos outros,
assim como eu vos amei".
Mesmo abstraindo as ministradas de forma indireta
(por exemplo: Mat. 6:14/15: 10:42; 12:36/37, Lucas 14:33,
João 8:51 e 14:23), aí está um elenco das mais notáveis
regras de conduta jamais outorgadas à humanidade. To•
das elas podem resumir-se numa só "Ouvistes que foi di•
to: Amarás o teu próximo e aborrecerás teu inimigo. Eu,
porém, vos digo: Amai vossos inimigos, fazei bem aos
que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e perse•
guem, para que sejais filhos do vosso Pai, que está nos
102

céus" . (Mateu s 5:43/45) ;
Por qu e o s h o m e n s nunc a s e p r e o c u p a r a m m u i t o co
m
a i m p o r t â n c i a d e s se s e n s i n a m e n t o s ? P r o v a v e l m e n t
e
por•
que sua s p a i x õ e s e va i d a d e os
i n c o m p a t i b i l i z a r a m co m a
m or a l c r i s t ã . " A m a r a m
mai s as tr ev a s do que a luz, por•
que a s sua s obra s
e ra m m á s " (João 3 :1 9 ) . Ma s é d e cre r que ess e
a n t a g o n i s m o te n h a r e s u l t a d o , a n te s , d e i gn o r â n •
cia ,
d e a tr a s o i n t e l e c t u a l , e n f i m , d e i n a d e q u a d a s e n s i b i l i •
dade do e s p ír i t o h u m a n o para c o m p r e e n d e r e a s s i m i l a r tã o
sublime s preceitos .
A b r a m o s aqui u m l i ge i r o p a r ê n t e s e para e x a m i n a r ,
co m o e m i n e n t e p e n sa d o r f r a n c ê s EUGÈN E NUS , co m o s e
d e s e n v o l v e a s e n s i b i l i d a d e do ser :
" A vid a — nós a t e m o s o b s e r v a d o pel o e s t u d o
das sua s e v o l u ç õ e s o r g â n i c a s em noss o p l a n e t a

o u tr a co is a
não é que a
m a n i f e s t a ç ã o cad a vez
mai s c o m p l e t a do
Espírito . A propriedad e primor •
dial d o E s p ír i t
o é a SENSIBILIDAD E — faculdad e d e percebe r
a s s e n s a ç õ e s — qu e o põe e m re- la cão co m
o s se re s e a s c o i s a s . Por m ei o d e s t a s
rela ções o E s p ír i t o m a n i f e s t a o u tr a s f a c u l d a d e s :
a s d o s e n t i m e n t o e a s d a i n t e l i g ê n c i a . A vid a
é.
pois, an te s d e t u d o , o
d e s e n v o l v i m e n t o d a se n s i •
b i l i d a d e , pel a
p r o g r e s s ã o do s o r g a n i s m o s . Quan to
mai s e l ev a d o é o ser , tan t o mai s p e r f e i t a é
a sua s e n s i b i l i d a d e , o u se ja , qua n t o mai s ele é
apt o
a p e r c e b e r s e n s a ç õ e s , t a n t o mai s ele
a s p e r c e b e : tanto mai s ele p e r c e b e a s s e n s a ç õ e s
mai s d e se n • v o lv e a s sua s f a c u l d a d e s
s u p e r i o r e s : sen ti m en t o
e inteligência" .
( "Le s Gra nd s
M y s t è r e s " , pg .
131).
Vol v e n d o ao p r o b l e m a da s a l v a çã o , t e n t a r e m o s de•
m o n s t r a r , usan d o o p r ó p r i o t e x t o b í b l i c o : 1.º — Qu e ela
não é p r i v i l é g i o de uns p o u co s , mas e s t e n d i d a u n i v e r s a l •
m e n t e a t o d o s os h o m e n s ; 2.º — Qu e ela não c o n s i s t e na
e l i m i n a ç ã o i n s t a n t â n e a do s p e ca d o s pel o s i m p l e s at o d e
crer , ma s nu m l a b o r i o s o e s f o r ç o d e a p e r f e i ç o a m e n t o mo•
ral de cada ser h u m a n o , cu j o d e s t i n o f u t u r o d e p e n d e es•
s e n c i a l m e n t e d o amo r que t e n h a d i s p e n s a d o aos seu s se•
m e l h a n t e s e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , das ob ra s , boas ou más ,
que t e n h a p r a ti c a d o n a Ter ra .
1 .º c a s o — S a l v a ç ã o par a t o d o s :
Isaias

45:22 -

" Ol h a i

par a

mi m e s e r e i s sal103

vos , o h vó s t o d o s o s t e r m o s d a
terra" .
Ezeq.

Mateu s

33:11

-

"Nã o te nh o pra ze r na m o r t e do
ím p i o , ma s e m qu e ele s e con
• ve r t a do seu c a m i n h o e v i v a "
.
18:14 - "Nã o é da v o n ta d e do vo s s o Pai
que u m s ó d e s t e s p e q u e n i n o
s s e perca" .

Lucas

3: 6 -

"E tod a carne
o d e Deus" .

ver á

a sa lv a çã

João

3:16 - " . . . p a r a que tod o a que l e qu e
nele cr ê não p e r e ç a , mas ten h
a a vid a e t e r n a " .
3:17 - " Por qu e Deu s e n v i o u se
ao m u n d o , não para que
nass e o m u n d o , ma s par
m u n d o f o s s e sa lv o po r

At o s

Romano s

Ef é sio s
1 .º Tim .

u fi lh o
co nd e •
a que o
ele" .

4:42 - "Est e é o v e r d a d e i r o C r i s t o , o
salvado r d o m u n d o " .
2:21 - " E a c o n t e c e r á que tod o a qu e l e
que i nv o ca r o n om e do Se nh o r
ser á s a l v o " .
10:34 - " D e u s não faz a ce p çã o de
pes- e 35
soa s ,
ma s lhe é
a gr a d á v e l a- que l e que , e m q u a l q u e r
nação ,
o te m e e obr a o que é j u s t o " .
1:16 - " O Ev an ge lh o de C r i s t o é o po•
der de Deus para a sa lv ação de
tod o a qu e l e qu e c r ê " .
2:1 1 - "Po r qu e para Deu s não há acepção d e p e s s o a s " .
6 : 9 - " . . . e para co m Ele ( De u s ) não
há a ce p çã o de p e s s o a s " .
1:15 - "Je su s vei o ao m u n d o para sal•
va r o s p e c a d o r e s . . . " .
2 : 4 - " D e u s que r que to do s os ho•
me n s se s a l v e m e c h e g u e m ao
conheciment o d a verdade" .
4:10 - "Poi s e s p e r a m o s no Deu s vi v o ,
que é o s a l v a d o r de to do s os
homens ,
principalment e
do
s

104

fiéis" .
Tito

2:11 - " Po r qu e a gra ç a de Deu s se
m a n i f e s t a , t r a ze n d o a sa lva çã o
a t o d o s os h o m e n s " .

1.ª João

2: 2 -

"Ele se fez
p r o p i ci a çã o pelo s
n o sso s p e c a d o s , e não só pelo s
n o s s o s , co m o pelo s de to d o o
mundo" .

4:1 4 - " T es t i f i c a m o s que o Pai e n v i o u
se u fi lh o para s a l v a d o r d o mun •
do" .
2.o caso — S a l v a ç ã o pe l o a m o r ( r e f l e t i d o na s o b r a s ) :
Prov.

10:12 -

" . . . e o amo r
cobr e to da s
transgressões" .

Ecles.

12:14 -

" Por qu e Deu s há de tr a ze r a
ju íz o toda s as ob ra s , até as que
estã o e s c o n d i d a s , que r se j a m
boas , que r se j a m m á s " .

Isaias

Jerem .

58:10 -

as

"S e a b r i r e s tu a alm a ao f a m i n •
to , e f a r ta r e s a alm a a f l i ta , en•
tã o a tu a luz n a s ce r á nas t r e v a s
, e a tu a e s c u r i d ã o será co m o o
meio-dia" .

7: 9 - "Qu e é i sto? F ur ta i s e m a ta i s
,
e 10 c o m e t e i s a d u l t é r i o e j u r a i s
fal•
s a m e n t e ( . . . ) e de po i s v i n d e s
di an t e de mi m e d i ze i s : "Esta •
mo s s a l v o s ! " , s ó para co n t i n u a r •
de s a p r a t i ca r esta s a b o m i n a •
ções! " .
17:10

- "Eu , o Se nh or, e s q u a d r i n h o os
c o r a ç õ e s e prov o os p e n s a m e n •
to s , só para dar a cada um se•
gund o o f r u t o das suas a ç õ e s "
.

31:16 - " R e p r i m e a tu a voz de ch o r o , e
as l á g r i m a s do s teu s o l h o s , por•
qu e há r e c o m p e n s a
para as
tua s o b r a s " .
Mateu s

10:42 -

" E que m de r a beber ne m que
sej a um cop o d'á gua a um des•
te s p e q u e n i n o s ( . . . )
d e mod
o

105

.

Mateu s

Lucas

Ato s
Ro ma no s

al gu m p e r d e r á o se u g a l a r d ã o "
16:27 - " Por qu e o Fiiho do H o m e m
re•
t r i b u i r á a cada um se gu n d o sua s
obras" .

26:52 - " E m b a i n h a a tu a e sp a d a , por•
que os que l an ça m mão da es•
pada , à espada m o r r e r ã o " .
6:35 - "Fa zei o be m se m nada espe•
rar e ser á gra nd e a vo s s a re•
compensa" .
7:47 . " P e r d o a d o s lhe são os seu s
pe• ca do s , p or qu e m u i t o
amou" .
14:22 - "Po r m u i ta s t r i b u l a ç õ e s nos im •
po r t a e n tr a r n o reino do s c é u s " .
2: 6 - " ( D e u s ) r e t r i b u i r á a
cada um
se gu n d o a s suas o b r a s " .
2: 9 - " T ri b u l a ç ã o e a n gú st i a sobr e
os e1 0 que o b r a m o mal , g l ó r i a , honr
a e paz aos que p r a t i c a m o b e m " .
12:10 - " O r a , o c u m p r i m e n t o da lei é o
amor" .
14:12

106

- " A s s i m cada um de nós dará
con ta s a Deus de si m e s m o " .

2 .º Cor.

5:10 -

" I m p o r t a que c o m p a r e ç a m o s pe•
rante o t r i b u n a l de C r i s t o , a fi m
de que cada um r eceb a se gun •
do o be m ou o mal que ti ve r f ei
• t o enquant o n o c o r p o " .

Ef ésio s

6: 8 -

" S a b e n d o que cada um re ce be •
rá do Senhor tod o o be m que
fizer" .

Coloss .

3:25 -

" Q u e m fi zer a gra vo , r e ce b e r á o
a gravo que fizer, poi s não há
acep çã o d e p e s s o a s " .

Tiago

2:13 -

" Por qu e o ju ízo será se m mi se •
r i c ó r d i a so br e a qu e l e que não
fez m i s e r i c ó r d i a ; e a m i s e r i c ó r •
di a t r i u n f a d o j u í z o " .

1 .º Pedro

4:18

" E se o ju st o co m d i f i c u l d a d e
se sal va , que se dir á do ím p i
o e pecador?" .

Apocal .

13:10 -

14:13

"Se a l gu é m leva em c a t i v e i r o ,
e m ca t i v e i r o irá ; s e al gu é m ma
• ta r à e sp a d a , é n e c e s sá r i o que
seja m o r t o à e s p a d a " .
- " B e m - a v e n t u r a d o s os que mor•
re m no Sen ho r , para que des•
c a n s e m do seu t r a b a l h o , e suas
obra s o s s i g a m " .

O que aí está se m d úvi d a e v i d e n c i a a i n te n çã o do
Pai, de e s t e n d e r a sa lv ação a to do s os h o m e n s . Não há
acep• ção de p e s so a s , não há p r i v i l é g i o s , não se fal a em
"elei •
t o s " o u " p r e d e s t i n a d o s " ; t o d o s são f i l h o s e po
r igual con •
vi d a d o s a p a r t i c i p a r da b e m a v e n t u r a n ç a e t e r n a . No ta-se
t a m b é m o p r i n c íp i o da
J u s t i ç a D i v i n a , em r e t r i b u i r a cada
um se gu n d o as sua s
o b r a s , ou , o que ve m a dar no mes • mo , se gu n d o o amo
r que t i v e r d i s p e n s a d o aos seu s i r m ã o s .
Não é est e o c o n c e i t o de sa l v a çã o p e r f i l h a d o pela s
i gre ja s r e f o r m a d a s , entr e as qua i s , por s i n a l , p ar ec e não
e x i s t i r um a o r i e n ta ç ã o u n i f o r m e . Há v a r i a ç õ e s s e g u n d o o
pont o d e vi s t a d e cada d e n o m i n a ç ã o : a l g u m a s , co m o vi •
mo s , a c e i t a m a p r e d e s t i n a ç ã o , o u tr a s d e f e n d e m
o
livre- a r b ítr i o do h o m e m , a t r i b u i n d o - l h e a f a c u l d a d e de cre r ou
não crer , ma s tod a s , de mod o ge ra l , a d m i t e m a " j u s t i f i c a •
ção pela f é " . En f i m , co m o o s c a t ó l i c o s r o m a n o s , o s pro•
t e s t a n t e s f u n d a m e n t a m sua cr e n ç a nas c o n c e p ç õ e s agost i n i a n a s , que tan ta s d e t u r p a ç õ e s t r o u x e r a m a o c r i s t i a n i s •
mo n a s c e n t e ; haja vist a que A g o s t i n h o che go u a p re ga r a
i r r e m i s s í v e l co n d e n a çã o das c r i a n ci n h a s m o r ta s se m ba•
tismo .
Co m o i n tu i t o de a c o m o d a r o t e x t o aos seu s pr in c í•
p io s , al gu n s t e ó l o g o s a p l i c a m um a s e m â n t i c a f o r ç a d a , afir•
mand o que e x p r e s s õ e s co m o " o m u n d o " (João 3:17 ,
4:42
e 1.º João 2: 2 e 4 :14 ) , " q u a l q u e r n a çã o " ( At o s
10:35 ) e "to •
dos os h o m e n s " (1.ª Tim . 2: 4 e 4 :10 ) , não
q u e r e m di zer o
que d i ze m , ma s o b j e t i v a m " c o r r i g i r a
e r r ô n e a idéia de
que
a sa lv a çã o d e s t i n a v a - s e
apenas aos j u d e u s " ("T he Five
Points of C a l v i n i s m " , pg .
46). E é co m tai s e x e g e se s que
p r e t e n d e m co n d u zi r os
h o m e n s aos pés do Sal va do r, que
d e c l a r o u : " D i g o - v o s que
haverá maio r a le gr i a no céu por
um pe ca do r que se
a r r e p e n d e , do que por 99 ju st o s que não n e c e s s i t a m de
a r r e p e n d i m e n t o " ! (Luca s 15 :7).
Para nós , e s p í r i t a s , a sa lv ação c o n s i s t e na d e p u r a çã o
da alm a pela r e p a r a çã o dos erro s c o m e t i d o s , na e l ev a çã
o
107

pel o t r a b a l h o , pel o e s tu d o e s o b r e t u d o pel o s o f r i m e n t o ,
até que , a t i n g i n d o o grau m á x i m o em sa b e d o r i a e v i r t u d e
, el a se i n te g r e na c a t e g o r i a dos E s p ír i to s Puros e poss a
gozar d a f e l i c i d a d e do s j u s t o s , c o l a b o r a n d o nas a t i v i d a d e s
do seu C r i a d o r e Pai. O E s p ír i t o é e t e r n o , p r e e x i s t e e so•
b r e v i v e a cada e x i s t ê n c i a t e r r e n a , em cada e s t á g i o ad qui •
rind o novo s c o n h e c i m e n t o s e d e s c o r t i n a n d o novo s hori •
zo n t e s . Co m o " D e u s é A m o r " ( 1 . a João 4 :1 6) , Ele não
cri a
os seu s f i l h o s para a p e r d i çã o e te r n a , ma s para que
se i n t e g r e m na Sua gl ór i a e se t o r n e m seu s a u x i l i a r e s
nes•
s a m a g n í f i c a a t i v i d a d e d o se u P e n s a m e n t o
Criador .
Ba sta lançar um a v i s t a d e olho s pela H u m a n i d a d e ,
pa• ra e v i d e n c i a r quã o d i s ta n t e ainda se e n c o n t r a ela do
ideal da s u p r e m a p e r f e i çã o , q u a n t o te m de lutar e de so f r e
r pa•
ra c r e s c e r em sa b e d o r i a e se a p r i m o r a r em v i r t u d e ,
para
d o m i n a r seu s i n s t i n t o s e
desenvolve r
os
sentimentos . A
luta é árdu a e i n c e s sa n te , ma s já se
pod e o b s e r v a r o quan• to t e m o s ava nçad o em r el a çã o a
ép oca s p a s sa d a s . Tudo
nos m o s t r a que não é p o s s ív e l
a ti n gi r a p e r f e i ç ã o num a
só e x i s t ê n c i a t e r r e n a e po r
isso o Pai, que é j u s t o ma s é
també m misericordioso ,
co n ce d e - n o s tan ta s
oportunida •
des qua n ta s
c a r e ç a m o s para c o m p l e t a r m o s noss a ca m i n h a •
da
em d i r e çã o à Luz.
Não é est e um " p l a n o de s a l v a ç ã o " m u i t o mai s
racio • nal e e qu â n i m e do que o a t r i b u í d o a Deu s por n osso
s caro s i r m ã o s p r o t e s t a n t e s ? A d e m a i s , não r e f l e t e esse
plano o
Deu s m i s e r i c o r d i o s o e j u s t o
i n s i s t e n t e m e n t e pr e ga d o por
Je su s ? Send o
m i s e r i c o r d i o s o — poi s e n s i n o u a p e r d o a r as
o f e n sa s
e a ama r até m e s m o aos i n i m i g o s — Ele não con• denará
n e n h u m dos seu s f i l h o s à p e r d i çã o e t e r n a ; e sen d o
j u s t o , t a m p o u c o d e ix a r á n e n h u m a boa ação se m r e c o m

pens a e n e n h u m a fal t a se m p u n i çã o . Por isso Je su s
diss e que " c a d a u m r e ce b e r á se gu n d o sua s o b r a s " ( M a t .
16:27).
P o r t a n to , d e s p e r t a i , i r m ã o s , para as c o n s o l a d o r a s men •
sa gen s que j o r r a m dos e n s i n a m e n t o s do C r i s t o , e p r o cu r a i
se gu i r os seu s p r e c e i t o s — de amar, c o m p r e e n d e r , per•
doar e se r v i r — pois nele s est á c o n t i d a , tod a i n te i r a , a
m e n s a g e m d a sa lv a çã o .
Basta que m e d i t e i s u m pouc o e m cer ta s p a s s a g e n s d a
E s c r i t u r a para que a p r e c i e i s o p r o b l e m a da sa lva çã o so
b u m ân gu l o i n t e i r a m e n t e d i v e r s o d a qu e l e que p e r f i l h a s t e
s
até a gor a . Não é a fé que salva do i n f e r n o , poi
s o após• tol o Tiago, ao c o n t r á r i o de Paulo, p r e ga v a a
justificaçã o

108

t a m b é m pela s obra s (Ti. 2 :24). Não estã o sa lv o s s o m e n t
e
o s que s e f i l i a m a est a o u a qu e l a r e l i gi ã o , poi s o
m e s m o Tiago e n s i n o u que :
r e l i gi ã o pur a e se m m á cu l a
perante , Deus é e s t a : Vi s i t a r o s ó rf ão s e a s vi úva s nas sua s
a tri • b u l a çõ e s, e g u a r d a r - se d a c o r r u p ç ã o d ò m u n d o "
(Tiago
1:27). P o r v e n t u r a não d i ss e o C r i s t o : " B e m aventurado s o s
limpos d e co r a çã o , p or qu e eles verã
o a D e u s " ? ( M a t . 5 :8) .
Ora, l i m p o s d e cor a çã o e x i s t e m
e m todas a s r e l i g i õ e s , e
até m e s m o se m r e l i g i ã o
nenhuma .
i

A noss a idéia de " s a l v a ç ã o " d if er e da p e r f i l h a d a pelos
n o sso s i r m ã o s p r o t e s t a n t e s , e m pel o m e n o s doi s s e n t i d o s :
em p r i m e i r o lugar, não a e n t e n d e m o s co m o " s a l v a ç ã o de
penas e t e r n a s " , — e ess e pont o p e n s a m o s te r d e ix a d o
be m clar o no ca p í t u l o a n te r i o r . C o m p r e e n d ê m o - l a co m o
se n t i d o d e " l i b e r t a ç ã o d o e s p í r i t o h u m a n o do s g r i l h õ e s
que o o p r i m e m ; co m o a i g n o r â n c i a , o s v í c i o s , a s p a i x õ e s
,
o s e rr o s e o s p r e c o n c e i t o s . A m e d i d a e m que o
home m
s e l i b e r t a d e s se s g r i l h õ e s , vai d e s c o r t i n a n d o
novo s hori- ,
zo ntes, t o m a n d o - s e mai s l iv re , mai s
sá b io , mai s puro , nu•
m a p a l a v r a , mai s p e r f e i t o .
Qua nd o ò noss o M e s t r e e n s i n o u : "Se d e p e r f e i t o s ,
co m o p e r f e i t o é o vo s s o Pai C e l e s t i a l " , ele fez d e p e n d e r
ess a p e r f e i ç ã o d a p r á t i c a d o amor , co m o s e v ê n a m e r i •
diana clare za d e M a t e u s 5 : 4 4 / 4 8 . Ele m o s t r o u , de ss e mo•
do, que " a e s sê n c i a da p e r f e i ç ã o é a ca r i d a d e na sua mai s
am pl a a c e p ç ã o , po r qu e i m p l i c a a p r á ti c a de toda s as ou•
tra s v i r t u d e s . " (Ev. Seg . Esp. 67.

a

ed . FEB, pg . 284).

O p r ó p r i o a p ó s t o l o Paulo, que cria i n d i s p e n s á v e l a fé
co m o c o n d i çã o "s i n e q u a " d a sa lv a çã o , não t r e p i d o u e m
a f i r m a r que m e s m o um a f é tã o e x t r a o r d i n á r i a que ch e ga s•
se ao pont o de r e m o v e r m o n t a n h a s , se não e s t i v e s s e a co m •
pa nh ad a de amo r não ter i a valo r a l g u m . ( 1 . a Cor . 13:2) . E
t e r m i n o u po r co l o ca r a e x c e l s a v i r t u d e da ca r i d a d e , ist
o
é, o amor , co m o mai s i m p o r t a n t e do que a fé : " A g o r a poi
s
p e r m a n e c e m esta s t r ê s , a fé , a e s p e r a n ç a e a
caridade ;
Cor . 13:13).

p o r é m a ma io r delas é a c a r i d a d e . " " ( 1 .

a

Por isso é que , em s e g u n d o lugar, não e n t e n d e m o s
a " s a l v a ç ã o " co m o r e s u l t a n t e da fé , mas s i m p l e s m e n t e
do
a m o r . Para nó s a " s a l v a ç ã o " , n o se n t i d o e m
qu e a e n te n d e m o s, d e p e n d e e x c l u s i v a m e n t e d o
exercici o indiscrimina •
d o d o amo r par a co
m t o d o s o s n osso s s e m e l h a n t e s , se m
ex ce tua r ne m
m e s m o a qu e l e s que no s d e s e j e m o m al . pois
so m e n te
assi m e s t a r e m o s resgatand o
a s no ssa s f al ta s
i

f

109

qu i tan do a s n ossa s d ív i d a s p e r a n t e o Trib un al d a J u s t i ç
a D i v i n a . Porque. como afirmou outro grande apóstolo: "
A caridade cobr e um a m u l t i d ã o d e p e c a d o s " . (1.° Pedro
4:8) .
Por isso p r e g a m o s o amo r c o m o * i n s t r u m e n t o efica z
de s a l v a çã o , po r te r sid o o p r ó p r i o Jesu s qu e m o e n s i n o u ,
i n c l u s i v e e m ou tra s p a s s a g e n s , co m o n a pa rá bo l a d o Bo m
S a m a r i t a n o (Luca s 10:25/37) e s o b r e t u d o na das ov e l h a
s
e do s bode s ( M a t . 25: 31/45). Ob se r v e - s e qu e ali Ele não
d e s t a co u a ca r i d a d e co m o um a das c o n d i ç õ e s , mas co m
o
a " c o n d i ç ã o ú n i c a " da sa lv a çã o . Não se p e r g u n t a r á no
jul •
g a m e n t o qual a r e l i g i ã o se gu i d a po r cada um ,
qual o prin • cíp i o f i l o s ó f i c o a do tad o ou qual o corp o de
d o u tr i n a a que
se f i l i a , ma s únic a e e x c l u s i v a m e n t e
i sto : " S o c o r r e s t e s a
u m d e s te s p e q u e n i n o s e m
suas n e c e s s i d a d e s ? A mi m m e
s o c o r r e s t e s ; vinde ,
b e n d i to s do me u Pai, p ossu í o rein o
que vo s est á
preparado !
D e i x a s t e s de s o co r r e r
a um des• te s
p e q u e n i n o s ? Ide para o t o r m e n t o e t e r n o ! "
E no e n t a n t o o f a n a t i s m o r e l i g i o s o de alguns vai ao
pon t o d e a f i r m a r que :
"Boa s obra s são s o m e n t e a que l a s que Deus reco•
m e n d o u em sua sant a p a l a v r a , e não as que se m
est a g a r a n t i a são i n v e n ta d a s por h o m e n s por u m
zelo ceg o ou sob o p r e t e x t o de q u a l q u e r boa in•
t e n ç ã o . Obra s f e i ta s por h o m e n s não r e ge n e r a d o
s
— e m b o r a em s i m e s m a s p o s s a m se r m a t é r i a s
que Deus or de n a — são p e c a m i n o s a s e não p o d e m
a gr ad a r a D e u s . " ( H BETT ENSON, em " D o c u m e n •
to s da Igreja C r i s t ã " , ed . 1967, pg . 280).
Sabe m de onde fo i ti ra d o o t r e ch o t r a n s c r i t o ? Da cé•
lebre " C o n f i s s ã o de Fé de W e s t m i n s t e r " ( i te m XVI) ór•
gão básico do p r e s b i t e r i a n i s m o . E n te n d e r a m ? Se um cri s •
tã o não p e r t e n c e r à I gre ja , ne m t e n t e p r a t i ca r boas o b r a s ,
p or qu e esta r á é . . . p e c a n d o ! Esse p r i m o r d e i n t o l e r â n c i a ,
e m b o r a r e d i g i d o há mai s de 300 anos , c o n t i n u a co m o fun •
d a m e n t o da t e o l o g i a a tua l . É ce r t o que al gu n s t e ó l o g o s
mai s e v o l u íd o s tê m p r o c u r a d o c o n c i l i a r o s v e l h o s d o g m a
s co m a s c o n c e p ç õ e s c i e n t íf i c a s m o d e r n a s , ma s são logo
r e c h a ç a d o s pelo s " f u n d a m e n t a l i s t a s " , que não a d m i t e m a
m e n o r c o n t e s t a ç ã o à s " v e r d a d e s i m u t á v e i s " co n s i g n a d a
s
n a Bíb lia . Isso te m o c o r r i d o e m
vár ia s
oportunidade s e m
que se q u e s t i o n o u a d i v i n d a d e de
Je sus ( " T I M E " de 15-877) ou a i n e r r â n c i a da Bíbl ia ( " T I M E " de 2-7-79) e agor a
m e s m o estã o send o i m p e t r a d a s açõe s nos t r i b u n a i s d e

110

v á r i o s Estados n o r t e - a m e r i c a n o s , v i sa n d o a to r n a r o br i ga •
t ó r i o , nas Escolas Púb l i ca s, o en sin o da d o u t r i n a b í b l i c a
da cr ia çã o em pé de i gu al da de co m o da "Teo r i a da Evo•
l u ç ã o " . É que o e s p í r i t o de i n t o l e r â n c i a não deix a perce •
ber que o E v o l u c i o n i s m o é c i ê n ci a , ao pass o que o " C r i a c i o n i s m o " é r e l i g i ã o . Ora , C i ê n c i a se e n s i n a na Escol a ,
mas R el i gi ão é na Igre ja ou no iar.
A no ss o ver, por i lu str e que sej a o seu e m i t e n t e , não
p r o c e d e a o p i n i ã o de que " o E v o l u c i o n i s m o é apenas um a
h i p ó t e s e j á não c o n s i d e r a d a d e f i n i t i v a pelo s c i e n t i s t a s "
( " V E J A " de 11-3-81), poi s em r e c e n t e e n t r e v i s t a o gene •
t i c i s t a f r a n c ê s J A C Q U E S RUFFIÉ (a u to r d o livro " T ra i t
é d u V i v a n t " ) , a f i r m o u que :
"Todo s os t r a b a l h o s r e ce n t e s no c a m p o da p al eo n •
t o l o g i a , d a g e n é t i c a , d a b i o l o g i a m o l e c u l a r am pl a •
m e n t e c o n f i r m a r a m a te o r i a da Ev o l u çã o . " (" O Es•
tad o de São Pa u l o " , 9-5-82).
Hoje se d i v e r g e da t e o r i a o r i g i n a l de D A R W I N ape•
nas quan t o aos p r o c e s s o s da " s e l e ç ã o n a t u r a l " , poi s no•
vo s e n f o qu e s c i e n t í f i c o s m o s t r a r a m qu e a s " m u t a ç õ e s "
o c o r r e m p r i n c i p a l m e n t e em f u n çõ e s s e c u n d á r i a s , e que
"o s gr up o s c o n s e r v a m c a r a c t e r í s t i c a s u n i f o r m e s , ma s o s
i n d i v íd u o s de cada grup o d i f e r e m entr e s i na e s t r u t u r a
g e n é t i c a ( p o l i m o r f i s m o g e n é t i c o ) " . Ora , tud o isso a í não
i n f i r m a , an te s ro bo r a a te o r i a da Ev ol u çã o , que é hoje
a ce i t a pela quase t o t a l i d a d e d o p e n s a m e n t o c i e n t í f i c o .
Ma s v o l t e m o s à idéia de que Deu s só ace i t a as boas
obras
qua nd o
p r a ti ca d a s
pelo s
"regenerados" .
Ela
reve•
l a um a i n t o l e r â n c i a dign a da m e n t a l i d a d e
m e d i e v a l . Não
c r e m o s que o s e v a n g é l i c o s d e hoje
c o m p a r t i l h e m d a qu e l a
o p i n i ã o . Qu an d o Jesu s qui s
p re ga r a s o l i d a r i e d a d e en tr e o s h o m e n s , não a p o n to u
co m o " p r ó x i m o " da que l e que fo•
ra e sp a n c a d o por
s a l te a d o r e s os r e p r e s e n t a n t e s das reli•
gi õe s o f i c i a i s d
a époc a (u m s a c e r d o t e , u m l e v i t a ) , mas j u s t a m e n t e u m
" s a m a r i t a n o " , que en tr e o s j u d e u s era
considerad o
"herege" .
Hoje , s e u m " h e r e g e " p r a t i ca r
um a
boa ação, est á p e ca n d o , se g u n d o a " C o n f i s s ã o de
W e s t m i n s t e r " , cujo a r t . XX III , por sin al , t a m b é m r e c o m e n •
da : "Qu e toda s as h e r e s i a s e b l a s f ê m i a s se ja m bani•
d a s " . . . (BETT EN SON, ibd. pg . 281).
Se p e n sa m qu e a i n t o l e r â n c i a a r r e f e c e u co m o pa ssa r
dos anos, ve ja m o que e s cr e v e u o e s c r i t o r GILBERTO
FREYRE e m a r ti g o r e ce n t e :
111

"Fui ainda, por uns curtos meses, nos Estados
Unidos, protestante, pensando até em ser missio•
nário, não sabia onde, talvez entre os indios do
Brasil. Mas, repito, só por curtos meses. O que
vi de sadismo no tratamento dos negros pelos
protestantes brancos — quase assisti a um lin•
chamento, dos então comuns — a rígida divisão,
nas próprias igrejas, entre brancos e negros, de•
sencantou-me com o Protestantismo." ("Jornal do
Comércio", Recife, 15-3-81).
Mencionamos estas coisas porque a maioria dos evan•
gélicos desconhece o que existe nos bastidores da sua
própria doutrina. Contentam-se com a certeza da salvação
e abdicam do direito de crítica, no que, de resto, agem
bem, pois seriam logo postos "de quarentena" como "joei•
rados por satanás", correndo sério risco de expulsão da
Igreja, quem sabe até do Paraíso... Por isso, muito em
bora São Paulo tenha recomendado: "Examinai tudo e retende o que for bom" (1. a Tess. 5:21), poucos se
atrevem a analisar argumentos que possam contrariar suas
cren• ças.
Quem ilustrou muito bem o estado de espírito domi•
nante nas congregações evangélicas foi o Prof. RUBEM
ALVES no seu magnífico livro "Protestantismo e Repres•
são" (Ed. Ática, 1979). Para uma breve idéia do conteúdo
da obra, transcrevemos inicialmente um trecho da análise
de RENATO POMPEU na revista "VEJA" de 10-10-79:
"O caminho da conversão até a lei rigorosamente
examinado, em sua lógica de ferro, na maior parte
do livro. Fica claro, por exemplo, que o protes•
tantismo, pelo menos o analisado por Alves, se
baseia num equívoco. O livre exame, por exem•
plo, não existe. Tal como o católico, que na aná•
lise da Bíblia deve seguir uma autoridade — por
exemplo, o papa infalível — o protestante também
não é livre para interpretar as Escrituras. Ele de•
ve seguir o que se chama de "confissões", inter•
pretações elaboradas por pessoas consideradas
entendidas no assunto. Só podem ser aceitas as
"confissões" aprovadas pelos poderes dominan•
tes na comunidade protestante, ou seja, a fé pas•
sa a ser uma questão de poder.
Também o progressismo sócio-político do protes112

tantismo é posto em xeque por Alves, já que as
comunidades protestantes julgam mais importan•
te salvar os indivíduos que mudar as estruturas so•
ciais — o que as torna um baluarte do conservadorismo e mesmo reacionarismo."
E agora um pequeno trecho do livro:
"O que está em jogo na experiência da conversão
não são os e n s i n o s do Cristo. O converso não
é
alguém que abandonou uma filosofia de vida
e uma ética, para abraçar a filosofia e a ética de
Je• sus. Se assim fosse, ele deveria ter idéias
muito claras acerca da nova filosofia e da nova
ética que está abraçando. Mas, como indicamos, a
experiên• cia da conversão não se caracteriza por
clareza de idéias, mas pela intensidade das
emoções. Nin• guém se converte aos ensinos de
Cristo, seja o mandamento do amor, a lei áurea, o
sermão do monte, a despreocupação frente ao
futuro, o per• dão dos inimigos,
(. ..)
Na
conversão importa q u e m foi Jesus Cristo, e não o
qu e e n s i n o u Jesus
Cristo."
(Pg. 68)
O plano elaborado por Deus para a salvação das al•
mas, segundo a ortodoxia cristã (católicos e protestan•
tes) se fundamenta na doutrina do "pecado original", ou
seja, pela desobediência do primeiro homem transmitiuse o pecado a todo o gênero humano, de sorte que pelo erro
de Adão todos os seus descendentes ficaram automatica•
mente excluídos da graça de Deus e condenados irremissivelmente a uma eternidade de penas.
Custa crer como os preconceitos se enraízam na men•
te das pessoas e se transmitem como que por heredita•
riedade (à semelhança do pecado original...), de modo
que não adianta a Ciência haver demonstrado, há mais de
um século, com a Paleontologia e o Evolucionismo, que o
homem vive na Terra há no mínimo 40 mil anos e que a
lenda dos "primeiros pais" vale hoje apenas como um sím•
bolo. Desprezam-se todos os argumentos para manter de
pé as velhas concepções, e os denodados padres e pas•
tores continuam pregando nas igrejas que o pecado en•
trou no mundo por Adão e foi resgatado, satisfazendo à
justiça divina, pela imolação de um justo no Calvário.
Isso significa que continuam a semear a incredulida•
de no espírito humano, pois não é admissível que em ple113

no " S é c u l o das L u ze s " p e s so a s i n t e l i g e n t e s ainda acei•
te m co m o v e r d a d e s a s lenda s b íb l i ca s r e f e r t a s d e tan ta s
i n f a n t i l i d a d e s : 1.ª — D e s g r a ç o u tod o o gê ne r o h um an o a
d e s o b e d i ê n c i a d e u m ser p r i m i t i v o que ne m sabia d i s ti n •
guir en tr e o be m e o ma l ; 2.ª — Um Deu s que não ad mi
• ti a o p r o g r e s s o de suas c r i a t u r a s e ne m que r i a qu e
vive s • se m e t e r n a m e n t e ( Gen . 3:22) ; 3.ª — Um a s e r p e n t e
supos•
t a m e n t e má , mas que se l i m i t o u a fala r
e s t r i t a m e n t e a ver•
dade ( Gen . 3 : 4 / 5 ) ; 4.ª — A
transmissã o
in íqua
do
pecado
a
to d o s
os
d e s c e n d e n t e s de Ad ão , por todo s os sé c u l o s
se m fi
m ( R o m . 5 :12); e 5.ª — A r e m i s s ã o do pecado por o u tr a
i n j u s t i ç a ainda m ai or , ou se ja , a i m o l a çã o de um ino• cent e
(R om . 5 :17).
O s a c r i f í c i o de a n i m a i s pelo s p e ca d o s dos i sr a e l i ta s
era u m at o p r ó p r i o d e u m pov o b á r b a r o , send o i n co n ce b í•
vel que Deu s , o m e sm o que a f i r m o u : " M i s e r i c ó r d i a que•
ro, e não s a c r i f í c i o " (Oséas 6:6 ) e n g e n d r a s s e tã o a b su r d o
" p l a n o " para r e s g a t a r o s e rr o s d a H u m a n i d a d e . C r i s t o
e f e t i v a m e n t e se s a c r i f i c o u para a s s e g u r a r o c u m p r i m e n t o
da g r a n d i o s a m i s sã o que o fez d e s ce r à Ter r a . Sua mor•
te , se m dúv id a a l g u m a , estav a nas p r e v i s õ e s d i v i n a s ,
pa• ra p r o v o c a r o i m p a c t o que se fazia n e c e s s á r i o na cons•
c i ê n ci a dos h o m e n s , seu s c o n t e m p o r â n e o s e os das ge•
r açõe s v i n d o u r a s . Ele m e s m o a f i r m o u : " Q u a n d o fo r le•
v a n ta d o da t e r r a , a tr a i r e i t o d o s a m i m ! " (João 12:32).
É n i st o que os e sp ír i t a s c r e m o s , e e s t a m o s ce r to s
de que a H u m a n i d a d e i n te i r a um dia t a m b é m c r e r á . Não
há sa lv a çã o de "p en a s e t e r n a s " , a s s i m co m o não há con•
d en ação i r r e m i s s í v e l . A co n d e n a çã o c o n s i s t e em p er ma •
n e c e r e m o s homen s e m treva s esp ir i tua i s , enquant o a s
suas obra s f o r e m m á s . (João 3 :1 9) . Porque não sab e
m o que f a z e m . Deu s p e r d o a r á os mau s no dia em qu e se
v o l t a r e m para Ele d i s p o s t o s a c o r r i g i r seu s e r r o s ! Não fo i
e v i d e n t e m e n t e co m ess e p r o p ó s i t o a t o c a n t e prec e de Je•
sus em favo r dos que o c r u c i f i c a r a m ? (Lucas 2 3 :3 4) .
A d o u tr i n a da sa lv a çã o pela fé s u s c i t a vár ia s inda•
ga çõe s que nunc a nos p a r e c e r a m s a t i s f a t o r i a m e n t e res•
p o n d i d a s : C om o s e sa l v a r a m o s povo s que a n t e c e d e r a m
Je su s ? Pela o b s e r v â n c i a da Lei? Ma s n i n g u é m j a m a i s cum •
pri u a Lei, a não se r o p r ó p r i o J e s u s . A l é m d i s s o , a Lei
era para o povo i s r a e l i t a . E os povo s g e n t i o s , mai s nume •
roso s e, n a t u r a l m e n t e , e n t r e g u e s à i d o l a t r i a , d e c e r t o que
por i g n o r â n ci a , ante s que por m a l d a d e ? S e er a m t a m b é
m
114

criaturas de Deus, por que estariam excluídos da salva•
ção? E depois do Cristo, quantos milhões têm nascido e
morrido no mundo inteiro sem conhecer o Evangelho? E
até mesmo no seio do próprio Cristianismo, quantos mirhões continuam sendo excluídos pela simples razão de,
usando o raciocínio que Deus lhes deu, interpretarem o
texto bíblico de maneira diversa da adotada pelas igrejas
estabelecidas?
Pretender condicionar a salvação eterna a uma de•
terminada exegese da Escritura é desconhecer a extrema
variabilidade dos critérios humanos de julgamento. Dian•
te de um fato novo, cada ser reage de um modo peculiar
ao seu senso íntimo de valores; cada um tira conclusões
ditadas por sua inteligência, seu acervo de conhecimen•
tos, sua evolução intelectual e moral.
Não há nem pode haver unanimidade no modo de pen•
sar dos homens, daí a justeza do provérbio "Cada cabe•
ça, uma sentença". Vejam-se os Tribunais de Justiça, por
exemplo: existem para examinar as questões legais que
lhes chegam e decidir se confirmam ou reformam as sen•
tenças proferidas em primeira instância. Seus membros
são em geral figuras venerandas, magistrados que enca•
neceram, por 20, 30 ou até 40 anos, no estudo, interpre•
tação e aplicação das leis. São, portanto, profundos co•
nhecedores do ordenamento jurídico e seria de esperar
pudessem resolver sumariamente as demandas em que
se chocam pretensões conflitantes. Mas o que ocorre é
que os "acórdãos" bem raramente exprimem a unanimi•
dade, havendo quase sempre opiniões discrepantes, que
figuram como "votos vencidos". Ora, se isso ocorre num
campo restrito como o Direito, entre homens que passa•
ram a vida inteira estudando as leis e suas aplicações,
como pretender que na exegese do texto bíblico todos os
homens adotem a interpretação que os evangélicos en•
tendem ser a correta? E como admitir sejam condenados
à perdição eterna todos os que divergirem dessa inter•
pretação? A nosso ver, só a formulação de tal premissa
denota uma estreiteza sectarista que de modo algum se
coaduna com a pregação de amor, perdão e tolerância mi•
nistrada pelo Divino Mestre.
Querem os nossos irmãos que todo o ensino de Jesus
esteja pleno e completo na Escritura, não sendo admis•
sível retirar ou aduzir qualquer palavra (Apoc. 22:19), nem
115

mesmo pela revelação do Espírito, e isso está bem claro
no item I da Confissão de Westminster que a seguir trans•
crevemos:
"A autoridade da Sagrada Escritura não depende
do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas
totalmente de Deus, o seu autor (... ) Nada nunca
deve ser acrescentado, quer por novas revelações
do Espírito, quer por tradição de homens. A regra
infalível' da interpretação da Escritura é a própria
Escritura." (H. BETTENSON, em "Documentos da
Igreja Cristã", pg. 278).
Quem escreveu essa "Confissão" parece não se ha•
ver apercebido de que o próprio Jesus deixou sua reve•
lação incompleta, visto como afirmou aos seus discípu•
los: "Ainda tenho muito a dizer-vos, mas vós não o podeis
suportar agora." [João 16:12). "Mas quando vier o Espirito de Verdade. Ele vos guiará em toda a Verdade e vos
fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. (João 14:26)..
Os teólogos explicam essa profecia com os eventos
do Pentecostes, quando o Espírito se manifestou sobre
os apóstolos reunidos e começaram a falar outras línguas
e a profetizar (Atos 2: 1/6). Houve ali, realmente, uma
manifestação espiritual sobre o Colégio Apostólico, para
a consolidação da fé. Mas era ainda muito cedo para que
se concretizasse a predição do Mestre, pois não consta
de qualquer escrito antigo ou moderno que àquele ense•
jo tenham sido ministradas novas revelações, mesmo por•
que a capacidade de percepção dos discípulos continuava
a mesma. O que eles realizaram ali foi precisamente o
que se pratica atualmente nas reuniões mediúnicas, com
as entidades espirituais se manifestando através de um
ou mais irmãos, ministrando a orientação necessária à
propagação do Evangelho de Amor pregado por Jesus.
Note-se que o apóstolo Paulo, em sua 1.ª Epístola aos
Coríntios (caps. 12 a 14), nada mais fez do que discipli•
nar a metodologia das reuniões, para que não houvesse
tumulto e todos saíssem edificados. Eis o que ele pres•
creveu:
"A manifestação do Espírito é dada a cada um pa•
ra o que for útil. Porque a um, pelo Espírito, é da•
da a palavra da sabedoria; a outro pelo mesmo
Espírito, a palavra da ciência; e a outro a profe116

ci a ; e a o u tr o o do m de d i s c e r n i r os E s p í r i t o s ;
e
a o u tr o a v a r i e d a d e de l ín g u a s ; e a o u tr o a
inter• p r e ta ç ã o das l í n g u a s . " ( 1 . a Cor., 12 : 7 / 1 0 )
. "Por•
qu e o que p r o f e t i z a é ma io r do que o
qu e fal a lín • guas e s t r a n h a s " ( 1 4 : 5 ) .
" E
s e
a l g u é m fala r lín •
gu a e s t r a n h a , faça- se isso
por do i s , ou , qu an d o m u i t o , t r ê s , e cad a um por
su a vez e haja intér•
p r e t e . E f a l e m doi s ou trê s
p r o f e t a s e os o u t r o s
j u l g u e m . " (14 : 2 7 / 2 9 ) . " M a s
s e a o u tr o
que e s ti •
ve r s e n t a d o fo r
r e v e l a d a a l g u m a co i sa , cale- se o p r i m e i r o . Porque
t o d o s p o d e i s p r o f e t i za r , un s de•
poi s do s
o u t r o s , par a qu e to do s a p r e n d a m e t o d o s
se j a m
c o n s o l a d o s . " ( 14 :31 ) .
Q u a n d o o a p ó s t o l o di ss e qu e "u m s ó Es p ír i t o op er a
to da s esta s co i sa s , r e p a r t i n d o p a r t i c u l a r m e n t e a cada um
co m o q u e r " ( 1 . a
Cor . 12:11) , p r e t e n d e u c e r t a m e n t e
referir -se ao Gui a E sp i r i t u a l da r e u n i ã o , que f a c u l t a a cad a Es•
p ír i t o c o m u n i c a n t e o e nse j o de m i n i s t r a r su a m e n s a g e m ,
tan t o qu e n o v e r s í c u l o i m e d i a t a m e n t e a n te r i o r ele fala n o
" d o m d e d i s c e r n i r o s E s p í r i t o s " e u m po uc o a di an t e afir•
ma : " O s E s p í r i t o s do s p r o f e t a s estã o s u j e i t o s aos pr of e •
t a s . " ( 1 4 :3 2 ) . N o te - s e que o a p ó s t o l o João t a m b é m adver•
ti u : " A m a d o s , não c r e i a i s e m to d o E s p ír i t o , ma s p rov a i
se

o s E s p í r i t o s são d e D e u s . " ( 1 .

a

João 4 :1 ) .

Essas m a n i f e s t a ç õ e s d o plano e s p i r i t u a l p e r s i s t i r a m
até a p r o x i m a d a m e n t e o fi m d o p r i m e i r o s é c u l o , se m dú•
vid a co m o p r o p ó s i t o de m a n t e r a u n i d a d e da Igreja Cri s

tã , e p r e s u m e - s e t e n h a m ce s s a d o d ev i d o à i n t r o d u ç ã o
do m u n d a n i s m o e de p r á t i ca s pagãs no sei o da I g r e j a . Os
cr i s t ã o s se f o r a m aos p o u co s e n c h e n d o de vai da d e e não
d av a m o u v i d o s à s a d m o e s t a ç õ e s que lhes era m d i r i g i d a
s
d o plan o e s p i r i t u a l , t e r m i n a n d o por t r a n c a r e m a s via s
de
c o m u n i c a ç ã o e n tr e o s doi s m u n d o s .
V e j a m o s a l gun s dado s d a h i s t ó r i a d o C r i s t i a n i s m o ,
tod o s e x t r a í d o s d e livros d e t e ó l o g o s p r o t e s t a n t e s :
"O s c r i s tã o s d o p r i m e i r o sé cu l o s e t r a t a v a m
co•
m o i r m ã o s , c u i d a v a m d e s v e l a d a m e n t e do
s
órfãos ,
do s d o e n t e s , das v i úv a s e do s
desamparados .
Es•
sas
característica s
d e r i v a v a m e m part e d a cons•
ta n t e
e x p e c t a t i v a e m que v i v i a m e sse s d i s c í p u l o s
qu a n t o à i m i n e n t e vi nd a do Sen ho r em gl ó ri a visí •
vel , para r e s t a b e l e c e r se u rein o t r i u n f a n t e n a
Ter117

ra . " (ROBERT H . N I C H O L S , e m " H i s t ó r i a d a Igre ja
C r i s t ã " , Cas a Edi t. P r e s b i t . pg . 21 ) .
"N a m a i o r i a das i gr e ja s do sé cu l o I I a p r i m i t i v a
e s p e r a n ç a d a p r ó x i m a vol t a d o C r i st o d e sa p a r e •
c e r a . A c o n s c i ê n c i a da i n sp i r a çã o c o n s t a n t e do
E s p ír i to , c a r a c t e r í s t i c a d a i gr e j a a p o s t ó l i c a , pr a ti •
c a m e n t e e x t i n g u i r a - s e . " (W . W AL K E R , e m " H i s t ó •
ria d a Igre ja C r i s t ã " , 2.

a

ed., pg . 84] .

"N o sé cu l o I I a p a r e c e r a m o s A p o l o g i s t a s (Ju sti •
no, Q u a d r a t u s , Taci an o , A r i s t i d e s , Ter tu l i a n o , Me lit o e A t e n á g o r a s ) e os g n ó s t i c o s . Os p r i m e i r o s
er a m d e f e n s o r e s l i t e r á r i o s d o C r i s t i a n i s m o ; o s úl•
t i m o s e n s i n a v a m que , alé m d o e n s i n o a p o s t ó l i c o
p ú b l i c o dos E v a n g e l h o s , havia um a i n s t r u ç ã o
oral d a " s a b e d o r i a entr e o s p e r f e i t o s " ( 1 . a Cor .
2:6/7) .
O g n ó s t i c o M a r c i ã o foi
o
p r i m e i r o dos r e f o r m a d o •
re s c r i s t ã o s ; e n s i n a v a
que C r i s t o p r o c l a m o u u m
Eva n gel ho de amo r e
m i s e r i c ó r d i a , mas seu s es•
f o r ço s para que a
Igre ja v o l t a s s e ao que ele con• s i d e r a v a a pureza do
Ev an ge lh o r e s u l t a r a m na su a
e x c o m u n h ã o no ano
144 . Su r gi u t a m b é m o M on •
t a n i s m o , co m o
p r o t e s t o co n t r a o c r e s c e n t e mun •
d a n i s m o que
invadi a a I g r e j a . O se u a r a u to , Mo n • tano , foi
co n d e n a d o po r u m S ín o d o , e m 160 . N a Igre ja fo i
se nd o a u m e n t a d o o pode r dos b i sp o s e
formulou-s
e u m " c r e d o " . Por vo l t a d e 180, mem •
bro da
Igre ja era a qu e l e que a c e i ta s s e a re gr a de fé
( c r e d o ) , o " c a n n o n " do Nov o Tes t a m e n t o e a
a u t o r i d a d e dos b i s p o s . " (W . W AL K E R , ibd. p gs .
72 a 86).
"L o g o o c o r r e u a c i r r a d a d i sp u t a sobr e a data cer•
ta da P á s c o a . Roma e a l gu m a s o u tr a s i gr e ja s co•
m e m o r a v a m - n a s e m p r e nu m d o m i n g o ; nas d a Ási a
M e n o r era c e l e b r a d a no dia 14 do mê s de Nisa,
e x a t a m e n t e co m o a Páscoa j u d a i c a . Em 190 a dis•
cu ssã o t o r n o u - s e tã o a gu da , qu e v á r i o s S ín o d o
s s e d e c i d i r a m e m favo r d o c o s t u m e r o m a n o . A s
i gr e ja s da Ási a M e n o r n e ga r a m - s e a c o n c o r d a r , e
por isso f o r a m e x c o m u n g a d a s pel o bi sp o de Ro•
m a . " ( Ibd., pg . 93).
" O bisp o Irineu ( 1 2 8 / 2 0 0 ) , p r i m e i r o líder t e o l ó g i c o ,
a tr i b u i u à mã e de Jesu s o papel de se g u n d a Eva .
Ter t u l i a n o ( 1 6 0 / 2 4 0 ) e n s i n av a que o Filho e o
Es-

118

p ír i t o são s u b o r d i n a d o s a D e u s . " (Ibd ., pg . 9 6 / 9 9 ) .
"N o fi m do sé cu l o III o c o r r e u a d i s p u t a c r i s t o l ó gi ca . S u r g i r a m os M o n a r q u i a n o s , que p r e ga v a m a
u n i d a d e de D e u s , não a c e i t a v a m o 4.º Ev an ge lh o
e n e g a v a m a d i v i n d a d e de J e s u s . Paulo de Samósa ta , bisp o d e A n t i o q u i a , e n s i n a v a que Jesu s er a
unid o a Deu s po r amor , em v o n t a d e , p o r é m
não e m s u b s t â n c i a ; fo i e x c o m u n g a d o e m 269 .
Sabélio a t r i b u í a igual i m p o r t â n c i a às trê s
p e s so a s da
Tri n d a d e , mas foi
excomungad o
po r C a l i x to , bis•
p o d e Roma , e m 317 . H i p ó l i t o
c o m b a t e u o s Mo •
n a r qu i a n o s e
r o m p e u co m
Calix to ,
t o r n a n d o - s e ch ef e de um a c o n g r e g a çã o
rival em Roma , o que lhe vale u se r r e f e r i d o n a
H i s t ó r i a co m o " o p r i m e i • r o a n t i p a p a " ( Ibd., pgs .
1 0 4 / 1 0 5 ) . N o v a c i a n o , pres•
b íte r o
roman o
en tr e 240 e 250 , e n s i n a v a que en• tr e o Pai e o
Fi lho exi st e um a " c o m u n h ã o de subs •
tância" ,
sen d o a s si m u m dos
precursore s
d a
idéi a
que viri a a se r ad o ta d a no C o n c íl i o de N i c é i a .
O r íg e n e s ( 1 8 2 /2 5 4 ? ) fo i o mai s c o m p l e t o co nh e •
cedo r da Bíb lia entr e to do s os e s c r i t o r e s da igre•
j
a p r i m i t i v a . Não houv e na h i s tó r i a da Igre ja
an ti •
ga h o m e m de e s p ír i t o mai s puro , ou de
mai s no• bres p r o p ó s i t o s . O se u "D e P r i n c i p i i s " foi
a
pri•
m ei r a
gr an d e a p r e s e n t a ç ã o
s i s t e m á t i c a d o Cristia •
nismo . Apresentav a
Crist o
co m o
"criatur a
d e
Deus " e
e n s i n a v a que est e cr io u o u n i v e r s o visí•
vel co m
o lugar de p u n i çã o e r e f o r m a , nel e colo •
cando
os
E s p ír i t o s d e c a íd o s p r o p o r c i o n a l m e n t e à
g r a v i d a d e das suas f a l t a s . (Ibd. 110 e 113). "N o
fi m to do s os h o m e n s , e até m e s m o o diabo e os
E sp ír i to s que o a c o m p a n h a m , serã o s a l v o s . Esta
será a r e s t a u r a çã o de toda s as co i s a s , qua nd o
Deu s será tud o em t o d o s . " Mas , à luz da o r to d o •
xia r ígi d a das ép oca s s e g u i n t e s , vei o a se r con •
s i d e r a d o h e r é t i c o e tev e as suas idéias co n d e n a •
das po r um S ín od o em A l e x a n d r i a (399 ou 400),
be m co m o pelo C o n c íl i o Geral d e C o n s t a n t i n o p l a
,

em 553). Sua obra destinava-se evidentemente
aos eruditos, e não ao cristão comum. Porque a
sua ciência não era a nossa, ela nos parece
estranha."
( Ibd., pg . 114) ( Gr i f o s n o s s o s) .

O

teólog o

WALKER

ainda a d v e r t e que :

119

"O s don s d o E s p ír i t o , que era m m u i t o reais n o
p e n s a m e n t o dos cr i s t ã o s das eras a p o s t ó l i c a e
s u b - a p o s t ó l i c a , e que p o d e r i a m ser p o s s u í d o s por
qu a l q u e r p e s so a , c o n s t i t u í a m agora um a t r a d i ç ã o ,
mai s d o que um a re al id ad e v i t a l , ( . . . ) O s dons
era m agora poss e of ici a l d o c l e r o , e s p e c i a l m e n t e
dos b i s p o s . Estes era m o s gu a r d i ã e s , d i v i n a m e n t e
d e s i g n a d o s , do d e p ó s i t o da fé , e, p o r t a n t o , os ór•
gãos que p o d i a m d e ci d i r o que era h e r e s i a . " (Ibd .,
p g . 119).
A qu i nos p e n i t e n c i a m o s d e haver o b r i g a d o o s l e i t o r e
s
a ess a d e m o r a d a d i g r e s sã o a tr a v é s dos p r i m e i r o s
s é cu l o s
d o C r i s t i a n i s m o , ma s c o n f i a m o s e m que nos
perdoarão ,
p o r qu e a o fazê-lo t i v e m o s e m mir a doi s
o b j e t i v o s d e tr an s •
ce n d e n t a l i m p o r t â n c i a : O p r i m e i r o
fo i m o s t r a r co m o , embo •
ra a r ev e l a çã o d ivi n a sej a
m i n i s t r a d a a tr a v é s dos h o m e n s
s u p o s t a m e n t e mai s
cap a ze s para ess a m i s sã o , o s a r a u to s
são fa lh o s e
quase s e m p r e d e t u r p a m o se n t i d o das men • sa ge n s de que
são p o r t a d o r e s . Tanto são f a l h o s os que
t r a n s m i t e m co m
o o s que r e c e b e m , pois cada u m i n te r p r e •
ta a
lição se gu n d o a su a ó tic a p a r t i cu l a r , daí o s u r g i r e m ta n ta s
d i v e r g ê n c i a s n a ex e ge s e d o t ex t o
b í b l i c o . S ó isso
e x p l i c a as i n t e r m i n á v e i s d i sp u ta s e os f r e q ü e n t e s d e s v i o s
s o f r i d o s pelo C r i s t i a n i s m o d esd e os seu s p r i m ó r d i o s , e
i l u s t r a co m o f o r a m send o a b so r v i d a s i n f l u ê n c i a s e s t r a n h a
s e co m o fo i send o p a u l a t i n a m e n t e e l a b o r a d o um corp o de
d o u t r i n a tã o d i f e r e n t e d a qu e l e que Je su s legou à H u m a n i •
dade .
Esse f e n ô m e n o d e d e s c a r a c t e r i za ç ã o c o m e ç o u desd e
os t e m p o s a p o s t ó l i c o s e a p a r e n t e m e n t e c o n t i n u a em mar•
ch a . A Igre ja C a t ó l i c a r e f u g i o u - s e h i e r a t i c a m e n t e num a
séri e d e d o g m a s que d e s f i g u r a r a m por c o m p l e t o o s ensi •
n a m e n t o s d o C r i s t o . O s n osso s i r m ã o s p r o t e s t a n t e s per•
f i l h a r a m vár io s d esse s d o gm a s e , p a r t i d á r i o s , e m pr in c í •
pio, d o " l i v r e e x a m e " , e m a r a n h a r a m - s e nu m ci po a l d e in•
t e r p r e t a ç õ e s d i f e r e n t e s , d i v i d i n d o - s e e m vá ri a s " d e n o m i •
n a ç õ e s " , cada um a delas p r e s u m i n d o - s e d e t e n t o r a ex cl u •
siv a da V e r d a d e . Só na A m é r i c a do N o r te , se gu n d o a re•
vist a " T I M E " (15-8-77) e x i s t i a m e m 1973 nada m en o s que
735 d e n o m i n a ç õ e s r e l i g i o sa s ( cla r o que não só p r o t e s t a n •
te s) , c o n s o a n t e i n v e n tá r i o l ev a n ta d o por A RT H U R C .
PIEPKOR N, o qual con du zi a então um a p e s q u i s a no " C o n •
có rd i a S e m i n a r y " d e St . L ou i s . P i e p ko r n f a l e ce u e m
1973 ,
120

deixando o resultado de sua pesquisa (com 2900 folhas
manuscritas) com o seu amigo JOHN TIETJEN, presidente
do Seminário. Este decidiu publicar o resultado, que abran•
gerá 7 volumes, dos quais o primeiro, com 324 páginas e
o título "Profiles in Belief: The Religious Bodies of the
United States and Canada", (Harpert Row) foi editado em
1977.
O segundo e mais importante dos objetivos a que nos
propusemos foi demonstrar como, em tantas disputas e
controvérsias surgidas nos primeiros séculos do Cristia•
nismo, nem uma só vez estiveram em causa os ensina•
mentos de Jesus, ou, se alguma vez chegaram a ser apre•
ciados, os teólogos do nosso tempo a isso não fazem a
menor referência, talvez por não julgá-los assaz impor•
tantes para merecerem menção. Tais disputas ocorriam
pelos motivos os mais irrelevantes, como os relativos à
data certa da páscoa, à preexistência do Cristo ou à sua
consubstancia com o Pai, a "imaculada conceição de Ma•
ria", etc., mas que foram suficientes para ocasionar di•
visões, excomunhões, desterros e até mortes. Só as con•
trovérsias sobre a relação entre as naturezas divina e
humana de Jesus se arrastaram por quase um século, até
o Concílio da Calcedônia (451). Eram, como se evidencia
pelas múltiplas narrativas históricas, discussões que nada
tinham a ver com a essência dos ensinos do Cristo e em
nada contribuíam para a edificação dos fiéis, antes provo•
cavam o entorpecimento da fé e a secularização da igreja,
fazendo com que o Espírito de Deus se afastasse dela,
abrindo lugar para os Espíritos das trevas, que em todos
os tempos se têm aproveitado das fraquezas humanas para
semear a cizânia entre os homens. Basta lembrar o histó•
rico episódio de Bizâncio, onde, com a região já sendo in•
vadida pelos bárbaros, os doutores da Igreja se ocupavam
em polemizar sobre... o sexo dos anjos!
Essas mesmas entidades malévolas persistem na sua
luta para que as igrejas ditas cristãs continuem desaper•
cebidas dos ensinamentos do Cristo. Enquanto cada cris•
tão procura egoisticamente salvar-se, todos decerto im•
buídos das melhores intenções, cumprindo os rituais im•
postos pelos "gurus" das suas seitas, as gerações se vão
sucedendo sem que nenhuma das religiões estabelecidas
consiga eliminar os males que assolam a Humanidade, e
o mundo vai afundando no vício, na depravação e na vio121

l ê n ci a , p a r e ce n d o achar- se n a i m i n ê n c i a
- m a p r o v o c a d o pel a m a l d a d e h u m a n a .

d e u m ca t a cl i s

Tudo isso po r quê? S i m p l e s m e n t e p or qu e c o n t i n u a
m
e x i b i n d o u m Sa l v a d o r m í s t i c o , se m d i sp e n s a r
a te n çã o a o
acer v o de r e gra s que Ele e s t a b e l e c e u .
Por qu e se dari a
Ele ao t r a b a l h o de p r e s c r e v ê - l a s ,
se não era par a s e r e m o b s e r v a d a s ? Qua nd o a b r i r e m os
olho s para p e r c e b e r a su •
b l i m i d a d e do e n s i n o , os
h o m e n s verã o que a H u m a n i d a d e tod a é so l i d á r i a e que
o " R e i n o de D e u s " se i n s ta l a r á na Terra qu an d o e s t i v e r
i n s ta l a d o e m t o d o s o s co r a ç õ e s (Lu• cas 1 7 : 2 0 / 2 1 ) .
Qu an d o cada se r h u m a n o a p r e n d e r a per•
doar e
e s q u e ce r as o f e n s a s , a ama r até m e s m o a que l e s que
ten h a por a d v e r s á r i o s , j á não e x i s t i r ã o a d v e r s á r i o s ,
um a vez qu e to d o s serã o i r m ã o s e hav er á paz na Ter r a
. Foi ist o o que Jesu s e n s i n o u e há de a c o n t e c e r um
d i a . Por que t r a ça r i a Ele o p r o g r a m a , se o j u l g a s s e
i r r e a l i zá v e l ?
É i n t e r e s s a n t e no tar que no sei o do s g r u p o s mai s
em •
pedernido s e m preconce it o s do gmá ti co s su r g e
m por ve •
zes l a m p e j o s d e v e r d a d e s d i v i n a s .
L e m b r a m o - n o s d e u m p e qu e n o livr o e v a n g é l i c o ,
d e c e r t o j á lido por i n ú m e r o s ir• mão s se m que a m a i o r i
a lhe t e n h a , ta lv e z , a p r e e n d i d o a m e n s a g e m . Trata-se do
"E m Seus Passos, Qu e Faria Je•
s u s ? " , (de C h a r l e s
M . S h e l d o n , Ed i tor a JUERP, Rio) obr a
que r e p u t a m o s
das mai s e x p r e s s i v a s e não nos ca n sa m o s
de
r e c o m e n d a r aos a m i g o s . Al i est á co m o s e reali za n a
p r á t i c a o que Jesu s e n s i n o u . Al i se a p r e n d e qu e não
bas•
t a c o m o v e r - s e num a cru zad a d e r e a v i v a m e n t o
espiritua l
e em se g u i d a recair na r o ti n a de um
c r i s t i a n i s m o ex cl u •
s i v a m e n t e n o m i n a l . É d e se j a r e
fa zer s o m e n t e o be m a
to d o s , é en ch e r o cor a çã o
de amo r e sai r r e p a r t i n d o um pouc o co m o s que s e
e n c o n t r a m c a r e n t e s . Clar o que não
é f á ci l ,
p or qu e
é o " c a m i n h o e s t r e i t o " , de qu e f al av a o
Messias .
O M e s t r e c o n h e c i a e co n h e c e be m os h o m e n s —
não f o ss e Ele um Es p ír i t o Puro que co n v iv e co m o Pai de
toda a e t e r n i d a d e . C o n s e q ü e n t e m e n t e já sab ia que a Sua
m e n s a g e m f i ca r i a e s q u e c i d a nos d e sv ã o s d a v a i d a d e hu•
m a n a . Por i sso , d ep oi s de a d v e r t i r os d i s c í p u l o s de que
tinh a algo mai s para e n si n a r , mas que ele s aind a não es•
tava m p r e p a r a d o s para su p o r t a r (João 16:12), Ele p r o m e •
teu que e n v i a r i a o " C o n s o l a d o r " para en sin a r toda s as
co i sa s e "f a ze r l e m b r a r " tud o qua n t o Ele p r ó p r i o d i s s e r a .
(João 14:26).

122

Se o Consolador devia fazer lembrar, é que o Mestre
tinha a perfeita previsão de aue os seus ensinamentos ,
seriam logo esquecidos. E se a Humanidade ficou por qua•
se dois mil anos à margem desses ensinamentos, eis que
é chegada a plenitude dos tempos, uma vez que o mani•
festo descompasso entre o progresso científico e o moral,"
entre o saber e a virtude, trouxe-nos a um momento cru•
cial, em que não é mais possível fazer ouvidos de merca•
dor aos preceitos do Cristo. Grande é a responsabilidade
perante o Tribunal Divino daqueles que exerceram a função de condutores de povos, ou de mentores espirituais
de massas e não souberam ou não quiseram transmitir
as divinas verdades de que se diziam portadores. Maior
ainda é à responsabilidade daqueles que — conhecendo
as tarefas que lhes cabe agora desempenhar — esquivamse ao dever de transmitir aos homens a mensagem da sal•
vação. Salvação, esta sim, com o sentido de libertação
da ignorância, dos vícios, das paixões e dos preconceitos .
Porque Jesus afirmou, e não é demais repetir: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará." (João 8:32).
Para encerrar, façamos uma ligeira recapitulação do
conteúdo deste capítulo: Os nossos irmãos entendem que
a salvação se efetua pela graça (Ef. 2:8), a justificação pe•
la fé (Rom. 3:28) e a remissão dos pecados pelo derrama•
mento do sangue de Cristo (1.ª Jo. 1:7), de sorte que as
boas obras são a conseqüência, e não a causa da salvação
(João 15:16 e Ef. 2:10). É como consta do livro "The Five
Points of Calvinism" (pg. 33): "Faith and good works are
the "result", not the "cause" of Gods choice"."
Nós, espíritas, entendemos que Jesus veio ao mundo
para ensinar aos homens a lição do amor (João 13:34) e
que a sua morte, aliás predita por vários profetas, resul•
tou da inadequação da Humanidade para assimilar suas
extraordinárias mensagens. Os discípulos e os primitivos
cristãos atribuíram a essa morte um caráter propiciatório
(1.ª João 2:2) porque entre os judeus estava secularmente
arraigada a noção do resgate das faltas pelo derramamen•
to de sangue. Era um costume milenar a imolação de ani•
mais pelos pecados do povo (Lev. 4:20, etc.) e isso na•
quelas eras bárbaras não deixava de ter um fundamento
psicológico, pois funcionava como catarse coletiva, con•
tribuindo para aliviar as consciências culpadas.
Nota-se, porém, que já nos tempos do profeta Eze123

quie l Deu s e n s i n a v a que a r e s p o n s a b i l i d a d e era pe sso a
! e que não cabia ao j u s t o pagar pelo pe ca do r (Ezeq. 18:20).
Co m as luzes de que di spõ e agor a a H u m a n i d a d e , é pos•
síve l p e r ce b e r que não h a v e r i a j u s t i ç a e m fazer u m ino•
cen t e r e s p o n d e r pelo s e r r o s dos c u l p a d o s . A l i á s , ne m
m e s m o o san gu e de t o u r o s e de bode s podi a tir a r os pe•
cado s d e n i n g u é m , co m o p o d e m o s ler e m H e b r e u s 10:4
.
Isto não que r di zer que n e g u e m o s a d o u t r i n a da Re•
d e n çã o ; apenas a c h a m o s que ela se r ea li za rá no m un d o
a tr a v é s do a m o r . Para isso o M e s t r e nos d e i x o u o seu
en sin o e o seu e x e m p l o . Qu an d o os h o m e n s , r e p u d i a n d o
os d o g m a s e p r e c o n c e i t o s a que se a f e r r a m há t a n to s sé•
cu l o s , a b r i r e m as p or ta s da p e r c e p ç ã o para a s s i m i l a r a
cr i s t a l i n a s i m p l i c i d a d e dos e n s i n a m e n t o s d o C r i s t o , eles
f a t a l m e n t e se c o n s c i e n t i z a r ã o de seu s erro s e se r e d i m i •
rão pel o am or , cuj a p r á ti c a co n co r r e par a o r e sg a t e das
f a l ta s , co m o a Es cr i tu r a deix a be m claro em Prov. 10:12
(" O amo r cobr e toda s a s t r a n s g r e s s õ e s " ) , Lucas 7:47
( " M u i t o será p e r d o a d o a que m m u i t o a m o u " ) e 1.ª Pedro
4: 8 (" O amo r cobr e a m u l t i d ã o de p e c a d o s " ) .
Qu an d o Je su s di zi a aos cego s e a l e i j a d o s : "O s teu s
p e ca d o s te são p e r d o a d o s " , é que os sab ia já em fi m de
p r o v a . Ma s n o te - s e que a um d a q u e l e s que cu r o u , ele ad•
v e r t i u : "Va i e não pe que s m ai s , par a que não te a co n t e ç a
co is a p i o r " (João 5:14) , o que prov a que , m e s m o co m os
p e ca d o s j á p e r d o a d o s , q u a i s q u e r nova s fa l ta s a c a r r e t a m
novas p u n i ç õ e s , be m co m o o deve r de re pa ra r as o f e n s a s .
Esta é a lei e del a n i n g u é m se e x i m e a tr a v é s do sa cr i f í•
cio de o u t r e m . Q u e m e rr a , é o b r i g a d o a r e s ga ta r seu s er•
ros , e qu e m o f e n d e te m de qu i tar - se ju n t o à qu e l e s que
o f e n d e r ; cada h o m e m fic a pres o à s cad e ia s que por seu s
p r ó p r i o s atos c o n s t r ó i , e " n i n g u é m sa ir á da p ri sã o até que
tenh a pago o ú l t i m o c e i t i l . " (Luca s 12:59).

124

OS ENSINAMENTOS DE JESUS

Mateus :
5:16 - A s s i m br il h e a v o s s a luz d ia n t e dos h o m e n s , para
que ve ja m as vo s sa s boas obra s e g l o r i f i q u e m ao
vo ss o Pai que est á no Céu .
5:25 - R e co n ci l i a - t e co m o te u a d v e r s á r i o e n qu a n t o está s
co m ele a c a m i n h o , para que te não e n tr e g u e ao
juiz e est e te ma nd e à p r i sã o , de ond e não sa irás en•
qua n t o não t i v e r e s pago o ú l t i m o c e i t i l .
5 :3 9 - A o que t e ba te r num a face , o f e r e c e t a m b é m a
oue 40
tra ; e ao que te a r r a n ca r o m an to , não
r e c u se s a
túnica .
5:42 - Dá a que m te p ed ir ; e a que m t o m a r o que te n s ,
não o to r n e s a pedir.
5 : 4 4 - A m a i a v o s s o s i n i m i g o s e orai pelo s que vo s perse •
gue m e m a l t r a t a m , para se rd e s f i l h o s do vo ss o Pai
Celestial .
5 :4 8 - Sede p e r f e i t o s , co m o é p e r f e i t o o voss o Pai Cele s•
tia l .
6 : 1 - Não dei s vo s s a e s m o l a para se r d e s vi s to s pelo s ho•
m e n s , p or qu e a s si m não te re i s r e c o m p e n s a d o vos•
so Pai C e l e s t i a l .
6 : 3 - Qu an d o de rd e s e s m o l a , não saiba a vo ss a mão
es- e
4
qu er d a o que faz a
d i r e i t a ; para que a voss a e s m o l a f i qu e em s e g r e d o ; e
voss o Pai,
que vê o que se
passa e m s e g r e d o , p u b l i c a m e n t e vo s
recompensará .
6 : 6 - Qua nd o o r a r d e s , e n tr a i
no voss o qu ar t o e, fe ch ad a
a p o r ta , falai co m o vo ss o Pai.
125

Mateu s :
6: 7 - E or an do , não usei s de vãs r e p e t i ç õ e s , poi s o v o ss
o
e8
Pai sabe o que vo s é n e c e s s á r i o , an tes que o
p e ça i s . 6:14 - Se p e r d o a r d e s aos h o m e n s sua s o f e n sa s ,
també m
e 15 - o Pai C e l e s t i a l vo s p e r d o a r á vossa s
o f e n s a s ; ma s se não p e r d o a r d e s aos h o m e n s suas
o f e n sa s , tam •
pouc o o vo s s o Pai p e r d o a r á vo s sa s o f e n s a s .
6:19 - Não a j u n te i s para vó s t e s o u r o s na t e r r a , onde a tra•
ça e a f e r r u g e m p o d e m co r r o ê - l o s e os l ad rõ e s rou•
bá-los, ma s a jun ta i para vós t e s o u r o s no Cé u ; por•
que ond e e s t i v e r vo s s o t e s o u r o , a í e star á t a m b é m
voss o c o r a çã o .
6:25 - Não a nd ei s i n q u i e t o s qua n t o à vo s s a vid a , do
que e 32
h av e r e i s de co m e r , ou de beber, ou v e s ti r ,
pois vos • so Pai C e l e s t i a l sabe que n e c e s s i t a i s de toda s
es•
ta s co i sa s .
6:33 - Buscai p r i m e i r a m e n t e o reino de Deu s e a su a jus•
tiç a e toda s as mai s co i sa s vo s serão a c r e s c e n t a •
das.
6:34 - Não vo s i n q u i e t e i s pelo dia de a m a n h ã , poi s o dia
de a ma nh ã cu i d a r á de si m e s m o . Basta a cada dia
o se u mal .
7 : 1 - Não j u l g u e i s , para não se rd e s j u l g a d o s ; poi s co
m
e
2
o ju ízo co m que j u l g a r d e s se r e i s
j u l g a d o s ; e co m
a m e d i d a co m que m e d i r d e s , t a m b é
m vo s m e d i r ã o
a vós .
7: 7 - Pedi e dar- se-vos-á ; buscai e a c h a r e i s ; batei e abrire
8
se-vos-á;
poi s o que pede , r e ce b e ; o que b u sca
,
acha ; e ao que ba te, se abre .
7:11 - Se vós , send o maus , sa be i s dar boas co i sa s aos
v o s so s f i l h o s , qu an t o mai s v o ss o Pai C e l e s t i a l dará
boas co i sa s aos que as p e d i r e m !
7:12 - Tudo o que q u i s e r d e s que os h o m e n s vo s f a ç a m ,
isso m e s m o fazei vó s a e le s ; po r qu e est a é a lei e
os p r o f e t a s .
7:16 - Pelos f r u t o s os c o n h e c e r e i s ( . . . ) Toda á rvo r e boa
e 17
produ z bons f r u t o s e tod a á rvo r e má produz f r u to
s
ma u s .
7:21 - Ne m tod o o que me diz " S e n h o r , S e n h o r " en tra r á
no reino do Céu , mas a quele que faz a v o n t a d e do
me u Pai.
9:12 - Os sãos não n e c e s s i t a m de m é d i c o ,
ma s si m
os
e 13 - d o e n te s . ( . . . ) Eu não vi m ch a m a r os
j u s t o s , ma s
os p e c a d o r e s ao a r r e p e n d i m e n t o .
126

Mateus:
10:29 - N e n h u m p a s sa r i n h o cair á em t e r r a se m a v o n t a d
e
e
31
de v o ss o Pai ( . . . ) Não t e m a i s , poi s mai s
va le i s vó s
d o que m u i t o s p a s s a r i n h o s .
10:42 - Qu e m que r que te nh a dado ne m que sej a um cop
o d e água fri a a u m d e s t e s p e q u e n i n o s , e m v e r d a d
e vo s digo que de mod o a l gu m p e r d e r á o seu galar•
dão.
11:28 - Vind e a m i m , tod o s os que vos achai s c a n s a d o s e
o p r i m i d o s , e eu vo s a l i v i a r e i .
11:29 - Tomai sobr e vó s o me u ju g o e a p r e n d e i de m i m
, e 30
que so u m a n s o e h u m i l d e de co r a ç ã o ; e a ch a r e i
s d e s c a n s o para as vo s sa s a l m a s ; p or qu e o me u ju •
go é su av e , e o me u f ar d o é leve .
12:36 - De tod a p al avr a o c i o s a que os h o m e n s d i s s e r e m
,
e
37
hão de p r e s t a r con ta s no dia do ju í zo ;
p o r qu e por tua s p a l a v r a s será s j u s t i f i c a d o e po r tua s
p a l av r a s
será s c o n d e n a d o .
18: 4 - A q u e l e que se to r n a r h u m i l d e co m o um m e n i n o ,
ser á o m a i o r no rein o do Cé u .
18:14 - A s s i m t a m b é m não é da v o n t a d e do v o ss o Pai que
u m s ó d e st e s p e q u e n i n o s s e p e r ca .
23 : 8 - Não qu e i r a i s se r c h a m a d o s m e s t r e s , p or qu e
um
só é o v o ss o M e s t r e , o C r i s t o , e to do s vó s
soi s
irmãos .

Marcos :
8:36 - O que a p r o v e i t a r i a ao h o m e m ga nh a r o m u n d o
e 37 t e i r o , e pe rd e r a su a alma? Qu e daria um
home m
e m tr o c a d a su a alma ?
11:25 - Qu a n d o o r a r d e s , se t i v e r d e s a l g u m a coi s a c o n t r
a e 26
a l g u é m , p e r d o a i , para que t a m b é m o v o ss o Pai
Ce•
lestia l vos p e r d o e ; poi s se não p e r d o a r d e s , tam

bé m v o ss o Pai não vo s p e r d o a r á .
in-

Luca s :
6:36

-

Sede m i s e r i c o r d i o s o s , co m o t a m b é m o v o ss o
Pai
é misericordioso .
6:45 - O h o m e m b o m , do bo m t e s o u r o do seu co ra çã o tir
a o b e m ; e o h o m e m mau , do ma u t e s o u r o do seu
co ra çã o tir a o mal ; po r qu e a boca fala do que o
co ra çã o est á ch e io .
127

Lucas :
8:18 - Ved e , po i s , co m o o u v i s ; po r qu e a qu e m t i v e r , lhe
ser á dado ; e a qu e m não t i v e r , até o que j u l g a te r
lhe ser á t i r a d o .
11:35 - Vê , p oi s , que a luz que há em t i não se j a m t r e v a s
. 12:15 - G u a r d a i - v o s da a v a r e za , poi s a vid a de um
h o m e m não c o n s i s t e na a b u n d â n c i a dos bens que p o s s u i
.
12:33 - Vend e i o que t e n d e s e dai e s m o l a s , e fa re i s
para e
34
vó s um t e s o u r o no C éu ; p o r qu e ond e
e s t i v e r o voss o t e s o u r o , aí esta r á t a m b é m o vo ss o
cor a çã o .
12:48 - A que m m u i t o fo r dado , m u i t o ser á p e d i d o ; e a
que m m u i t o se c o n f i o u , m u i t o se p e d i r á .
12:57 - Por que não j u l g a i s t a m b é m , po r vó s m e s m o s , o
que é j u s t o ?
14:35 - A q u e l e que não r e n u n c i a a tud o qu an t o t e m , não
pode se r me u d i s c í p u l o .
15: 7 - Di go - vos que h ave r á maio r a l e g r i a no Cé u por um
p e ca d o r que se a r r e p e n d e , do que po r n o v e n t a e
nove j u s t o s que não n e c e s s i t a m d e a r r e p e n d i m e n •
to .
16:10 - Que m é fie l no po uco , t a m b é m é fie l no m u i t o ; e
qu e m é i n ju st o no po uco , t a m b é m é i n ju st o no mui

to .
17:20 - O rein o de Deus não ve m co m a p a r ê n c i a e x t e r i o r
, e 21
p o r q u a n t o o reino de Deu s est á d e n tr o de vós .
22:26 - O maio r en tr e vó s se j a co m o o m e n o r ; e que m go•
v e r n a , se j a com o qu e m se r v e .

João :
7:24 - Não j u l g u e i s s e g u n d o a a p a r ê n c i a , ma s ju l ga i se•
gund o a ret a j u s t i ç a .
8:12 - Eu so u a luz do m u n d o ; a que l e que me segu e não
andará em t r e v a s , ma s ter á a luz da vi da .
8:31 - Se p e r m a n e c e r d e s na mi nh a p a l av r a , v e r d a d e i r a •
m e n t e se r e i s meu s d i s c í p u l o s .
8:36 - Se o Filho vo s l i b e r ta r , v e r d a d e i r a m e n t e ser e i s
livres .
12:35 - Anda i e n qu a n t o t e n d e s luz, para que as t r e v a s não
vos a p a n h e m ; poi s qu e m anda nas t r e v a s , não sa•
be para ond e vai .
12:47 - Se a l g u é m ouvi r mi nh a s pa lav ra s e não crer , eu
não o ju l g o , pois não vi m para ju l ga r o m u n d o , ma s
para salvar o m u n d o .
128

João:

12:48 - Quem me rejeitar, já tem quem o julgue; a pala•
vra que tenho pregado, essa o julgará no último
dia.
13:15 - Porque eu vos dei o exemplo, para que como eu
vos fiz assim façais vós também.
13:34 - Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns
aos outros, assim como eu vos amei.
14:15 - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.
14:27 - Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou (...) Não
se turbe o vosso coração, nem fique sobressalta•
do.
15: 7 - Se estiverdes em mim, e minhas palavras estive•
rem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos
será feito.
15:10 - Se guardardes os meus mandamentos, permanece•
reis no meu amor.
16:33 - Digo-vos isto para que tenhais paz. No mundo te•
reis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o
mundo.
13:17 - Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sereis
se as praticardes.

"Quando uma centésima parte
do Cristianismo de nossos lá•
bios conseguir expressar-se em
nossos atos de cada dia, a Ter•
ra será plenamente libertada de
todo o mal."
(Emmanuel - F C X )

129

VII — C O M U N I C A B I L I D A D E

ENTR E

VIVOS

E

MORTOS

Os p r o t e s t a n t e s n e ga m p e r e m p t o r i a m e n t e a p o s s i b i •
lidade de c o m u n i c a ç ã o en tr e os doi s p la no s de v i d a , o
m a t e r i a l e o e s p i r i t u a l , send o assaz c o n h e c i d o s os argu•
m e n t o s que usa m para f u n d a m e n t a r ess a c o n v i c ç ã o . U m
dele s é o e p i s ó d i o do ric o e Lázaro (Luca s 16: 19 a 31),
na rr ad o po r Jesu s e a p r e s e n t a d o em a l g u m a s v e r s õ e s da
Bíb lia co m o p a r á b o l a . Ora , um a p a r á b o l a é um a f i c çã o
usada para i l u s t r a r um a v e r d a d e . E que ve r d a d e p r e t e n •
de u o M e s t r e i l u s t r a r naque l e ca so ? A de que os que pas•
sa m a vid a t e r r e n a e m p r a ze r e s , se m s e i n c o m o d a r e m co
m
o s s o f r i m e n t o s d o p r ó x i m o , irão so f r e r t o r m e n t o s ,
pr ovo •
cado s
pelo
remorso ,
n o
plano
espiritual .
O u t r o s e n t e n d e m que o fat o de Lázaro haver sid o ci •
tad o pel o nom e in di c a não s e t r a ta r d e p a r á b o l a , ma s d e
e p i s ó d i o r e a l . Seja p a r á b o l a ou não, o n úcl e o do en sin a •
m e n t o é o m e s m o ; nada e x i st e ali que c o m p r o v e a i m p o s •
s i b i l i d a d e da
comunicação .
O
a b i sm o m e n c i o n a d o
não
é e n tr e o m u n d o do s v iv o s e o do s m o r t o s ,
ma s si m en •
tr e o local em qu e se a ch av a o ri co ,
d i g a m o s o " i n f e r • n o " , e o local em que se achava Lázaro,
digamo s o " c é u " .
E ess e a b i s m o , a f i n a l , não era tã o
gr an d e a s s i m , um a vez
que o ri co , l ev a n ta n d o os o l h o s ,
"vi u ao longe A b r a ã o e Lázaro n o se u s e i o " . . .
Q u a n d o o ric o pedi u f oss e um dos m o r t o s re la ta r aos
seu s i r m ã o s o s t o r m e n t o s po r que p a s sa v a , A b r a ã o não
r e s p o n d e u que tal co is a era i m p o s s í v e l , ma s apenas que
"el e s lá tê m M o i s é s e os p r o f e t a s , e se não lhes dão cré•
di to , m u i t o m e n o s c r e r i a m ainda que a l gu m do s mor tos,
f o ss e te r co m e l e s " .
131

E tan t o é v e r d a d e que não c r e r i a m , que é isto , pre•
c i s a m e n t e , o que ve m o c o r r e n d o desd e os p r i m ó r d i o s da
h i s tó r i a da H u m a n i d a d e . Em tod o s os t e m p o s os Esp ír i •
to s dos ch a m a d o s " m o r t o s " tê m p r o cu r a d o e n tr a r e m co•
m u n i c a ç ã o co m os que v i v e m na carn e e não po uca s ve ze
s o c o n s e g u e m , sej a a tr av é s de so n h o s ou de a p a r i ç õ e s , ou
pelo s p r o c e s s o s p s i c o g r á f i c o s o u p s i c o f ô n i c o s m o d e r n o s .
U l t i m a m e n t e te m - s e o b s e r v a d o a i n t e n s i f i c a ç ã o do tra ba •
lho dos n osso s ir mã o s e s p i r i t u a i s n o se n t i d o d e sa cu d i
r a H u m a n i d a d e do seu ape g o às co i sa s m a t e r i a i s , de
fazêla c o n s c i e n t i za r - s e da s o b r e v i v ê n c i a . A m u l t i p l i c a ç ã
o da s
m a n i f e s t a ç õ e s tra du z o c u m p r i m e n t o da
p r o f e c i a de Joel
(2 :28 ) , c o n f i r m a d a pel o a p ó s t o l
o
Pedro
( A to s
2 :1 7) :
" E
nos ú l t i m o s t e m p o s
d e r r a m a r e i d o me u E sp ír i t o sob r e tod a
a ca r n e ; vo s so
s f i l h o s e vossa s f il ha s p r o f e t i za r ã o , v o s s o s v e l h o s terã o
s o n h o s , v o s s o s j o v e n s te rã o v i s õ e s . "
O s f e n ô m e n o s e s p ír i t a s s e r e p r o d u z e m por tod o s o s
c o n t i n e n t e s , são d i v u l g a d o s a tr a v é s de todo s os m ei o s de
c o m u n i c a ç ã o e, no e n t a n t o , qu a n to s se c o n s c i e n t i z a m da
r e a l i d a d e de ssa s m a n i f e s t a ç õ e s ? São r e l a t i v a m e n t e pou•
cos, po r e n qu a n t o , os que " t ê m olho s para ve r e o u v i d o s
para o u v i r " , ma s c e r t a m e n t e u m dia , talve z j á não d i sta n

te , to d o s a ti n g i r ã o o a m a d u r e c i m e n t o e sp i r i t u a l
n e ce s s á •
rio para r e c e b e r e m e c o m p r e e n d e r e m a Ver d a d
e que os
libertará .
C om o j á d i s s e m o s e m ou tr o l o ca l , a s idéia s novas
são s e m p r e en ca ra da s co m c r i t é r i o s s u b j e t i v o s e não é
fáci l d e s c a r t a r p r e c o n c e i t o s a r r a i g a d o s ; por isso o s fenô •
m e n o s se s u c e d e m e são c o m p r o v a d o s pela C i ê n c i a , se m
qu e a m a i o r i a dos h o m e n s lhes d i sp e n s e a n e c e s s á r i a
atenção .
O s n osso s i rm ão s e v a n g é l i c o s , por e x e m p l o , a t r i b u e m
toda s essa s m a n i f e s t a ç õ e s a Es p ír i to s m a l é v o l o s , que pro•
cu r a m d e sv i a r a H u m a n i d a d e do c a m i n h o da sa l v a çã o . São
" d e m ô n i o s " , d i ze m , e não se d e tê m se qu e r a e x a m i n a r os
e l o q ü e n t e s caso s d e c o m u n i c a ç ã o e sp i r i t u a l d o c u m e n t a •
do s n a B íb l i a . N o e p i só d i o d a " t r a n s f i g u r a ç ã o " , por e x e m •
plo, ( M a t . 1 7 : 1 / 8 ) , não se t o r n a e v i d e n t e o i n t e r c â m b i o
en•
tr e o plano f í s i c o e o e s p i r i t u a l ? E o que di zer
do fat o tã o be m a u t e n t i c a d o da c o m u n i c a ç ã o entr e Sa mu e l
e Saul , re• latado e m 1.

a

Sam . 2 8 : 1 1 / 2 0 ?

P r e t e n d e m al gun s t e ó l o g o s que

132

esse

caso

constitui u

um a e x ce ç ã o , p e r m i t i d a por Deu s par a a p u n i çã o de S a u l
.
O u tr o s a l e ga m que ali o d e s e m p e n h o fo i do a s t u c i o s
o Sa•
tan á s , e c i ta m co m o prov a o a v i so : " A m a n h
ã tu e teu s fi •
lhos e s t a r e i s c o m i g o " ( 1 . " Sam . 28:19 )
quando a e x e ge s e
ló gi ca é a de que Sam ue l se r e f e r i
a ao plan o e s p i r i t u a l ,
e m c o n t r a p o s i ç ã o a o plano
f í s i c o e m qu e s e achava Saul .
O e p i só d i o c o m p o r t a mai s a cu r a d a r e f l e x ã o : A pi to•
nis a e st av a e x e r c e n d o um a a ti v i d a d e s e v e r a m e n t e r e p r i m i •
da pel a lei m o s a i c a e a ss i m não é de e s t r a n h a r t e n h a sid o
t o m a d a de p ân i c o ao i d e n t i f i c a r S a u l . A E s c r i tu r a não fal
a e m m i s t i f i c a ç ã o , an te s d eix a be m clar o que fo i o p r o f e t a
m e s m o qu e m se d i r i g i u a S a u l . C o m p r o v a m o fat o a pró•
pri a e l e v a çã o da l i n g u a g e m , be m co m o a s e r i e d a d e e o
a ce r t o da p r e v i s ã o . A Bíb l i a a c r e s c e n t a que "Sau l fo i to •
mad o d e gra nd e med o po r cau s a das pa lav ra s d e S a m u e l "
(1.ª Sam . 28 :20 ) . A t r i b u i r o e p i só d i o a E s p ír i to s ma lé vo •
los, qua nd o o p r ó p r i o e n u n c i a d o b íb l i c o é tã o clar o e taxa •
t i v o , é e v i d e n t e c o n t r a - s e n s o . Daí o t e r m o s co m o cer t o
que , e x c e p c i o n a l m e n t e ou não, fo i o p r ó p r i o Sa m u e l que m
se m a n i f e s t o u a S a u l . E se o c o r r e u n a qu e la o ca s i ã o , po r
que não pod e o c o r r e r e m o u tr a s ?
As s i b i l a s , p i t o n i s a s , p r o f e ta s e v i d e n t e s de que a
n a r r a t i v a — b íb l i c a e p r o f a n a — est á r e f e r t a , e aos quai s
d e n o m i n a m o s a t u a l m e n t e " m é d i u n s " , er a m i n d i v íd u o s que
p o s s u ía m a f a c u l d a d e d e s e p o r e m e m c o m u n i c a ç ã o co
m
o m u n d o i n v i s í v e l , ou m e l h o r , de f u n c i o n a r e m co m o
in ter•
m e d i á r i o s entr e o s doi s p la no s d e vid a .
L e m o s e m 1. ª Sam . 9:9 : " A n t i g a m e n t e , e m Isr ae l , ind o
a l gu é m c o n s u l t a r a Deus , d i zi a : " V i n d e , v a m o s te r co m o
v i d e n t e " ; p or qu e a o p r o f e t a d e hoje , a n t i g a m e n t e s e cha •
mav a " v i d e n t e " . S i m p l e s q u e s t ã o d e n o m e , p o r t a n t o ; a o
que a n t i g a m e n t e s e c h a m a v a " p r o f e t a " , c h a m a m o s hoje
" m é d i u m " . D e r e sto , est a d e n o m i n a ç ã o j á f i g u r a e m al•
g u m a s p a s sa g e n s b íb l i ca s (da t r a d u ç ã o b r a s i l e i r a de 1966,
pel o m e n o s ) , co m o 1.
21 : 6 e 23 :
24 .

a

S a m . 28 : 3 e 7 ; 2.

a

Reis

C o n s e q ü e n t e m e n t e , b asta - no s o e p i só d i o de Sa m u e l
para e v i d e n c i a r que não são s o m e n t e os d e m ô n i o s que se
m a n i f e s t a m , p o r é m o s E s p ír i t o s dos m o r t o s e m ger a l ,
tan •
t o o s bon s co m o o s m a u s . O s que c h a m a m o s
"demônios "
são a qu e l e s
que
s e apresenta m
e n d u r e c i d o s n o mal . A l i á s ,
a e t i m o l o g i a i nd i c a
que a pa lav r a " d a i m o n " a n t i g a m e n t e ti 133

nha a co n o t a ç ã o de " e s p í r i t o f a m i l i a r " , a ss i m e n te n d i d o s
a que l e s que , e m v i r t u d e d e sua pouc a e lev ação m o r a l , con•
t i n u a m a p e ga d o s aos a m b i e n t e s que c o s t u m a v a m f r e qü e n •
ta r qu an d o n a c a r n e . N a Rom a a n ti g a er a m d e n o m i n a d o s
" m a n e s " e se lhes p r e s t a v a um cu l t o r e s p e i t o s o . A li tera •
tur a de tod o s os povo s faz r e f e r ê n c i a a tai s E s p ír i to s e até
m e s m o en tr e o s s e l v a g e n s ele s são c o n h e c i d o s . Por que
d uvi da r d a m a n i f e s t a ç ã o do s E s p ír i to s s e m e s m o nos tem •
pos a tu ai s são p ou ca s as f a m í l i a s qu e não tê m a re la ta r
f e n ô m e n o s do tip o que a C i ê n c i a d e n o m i n a hoje de "pa ra •
n o r m a i s " ? Não é aind a o pov o b r i t â n i c o tã o cio s o dos seus
c a s t e l o s e m a n sõ e s m a l - a s s o m b r a d o s ?
A literatur a
t e r c â m b i o entr e
nha i n s u s p e i t a ,
em R om a , m é d i c
m u i t o e s cr e v e u
religiã o católica

est á che i a de r e f e r ê n c i a s ao c o n s t a n t e in•
o s doi s m u n d o s . V e j a m o s um a t e s t e m u •
o Dr . GIUSEPPE L APP ON I, a n ti g o c l ín i c o
o de dois papas (Leão XIII e Pio X) e que
sobr e o E s p i r i t i s m o , se m a ba nd on ar a su a
.

" A c o m u n i c a ç ã o co m o s E s p ír i to s e n tr a v a
grande •
m e n t e en tr e os e g íp c i o s nas p r á ti c a s
da i ni ci a çã o dos m i s t é r i o s e do cu lt o de Isis e
O s í r i s " ( "H ip •
n o t i s m o e E s p i r i t i s m o " , ed .
FEB, pg . 30).
" J a c o l l i o t na su a obr a "L a
Bible Dans les I n d e s " diz
qu e aos h e b r e u s a
Cabala ( qu a n t o se pod e ju l ga r pelo s f r a g m e n t o s
ch e g a d o s a nós )
d evi a in di ca
r
p e r f e i t a m e n t e o m od o de tr a v a r r e l a çõ e s
co m os
E s p ír i t o s . " (Ibd ., pg . 35).
"N a an ti g a G r é ci a o s o r á cu l o s dos m o r t o s s e in•
vocava m c o n t i n u a m e n t e . Homer o n a O dis séi a ,
d e s c r e v e U l i s s e s que , a co n se l h o e co m i n str u •
çõe s d a mag a C i r c e , i n te r r o g a a s s o m b r a s d o te bano Tir r e s i a s sob r e a p r ó p r i a mã e e so br e o u tr a s
m u i t í s s i m a s pe sso a s q u e r i d a s o u f a m o s a s . " (Ibd .,
pg . 35).
" C o n h e c i d a s são a s f r e q ü e n t e s v i sõ e s qu e
Sócra •
te s tin h a do seu Gê ni o , e as
s a l u t a r e s a d v e r t ê n • cias que r e c e b i a , não só a
r e s p e i t o de co i sa s que lhe t o c a v a m d i r e t a m e n t e ,
ma s ainda em r el a çã o a
n e gó c i o s d e seu s
amigos ,
dos quai s ele m e s m o
i gn o r a v a o s s e c r e t o s d e s í g n i o s . " (Ibd ., pg . 36).
"À s r e l a çõ e s d e vivo s co m o s E s p ír i to s f i ze r a
m m e n ç ã o , a in da , alé m d e A r i s t ó t e l e s , t a m b é m
Lu•
cia no , Flávio José e F i l ó s t r a t o . " ( Ibd.,
pg . 36).
134

"Claramente Cícero nos diz que o seu amigo Ápio
mantinha freqüentíssimas conversações com os
mortos." (Ibd., pg. 37).
"Giordano Bruno (1550/1600), no seu "Candelaio"
mostra-se fervorosamente convicto do possível
contato dos vivos com os Espíritos" (cita Césare
Cantu, vol. V. pg. 233) (Ibd., pg. 43).
"No continente americano os Peles-Vermelhas re•
presentam com bastante verossimilhança os últi•
mos restos de uma das mais antigas raças huma•
nas. Pois bem, os primeiros viajantes encontra•
ram entre eles as práticas espiritistas já muito di•
fundidas e com fama de antiquíssimas." (Ibd., pg.
45).
"No México, ainda no início do Século XVIII, a co•
municação com os Espíritos era muito difundida."
(Ibd., pg. 45).
"Entre os povos civilizados, até a metade do Sé•
culo XVIII, pouco mais ou menos, ninguém ousou
jamais contestar a possibilidade das relações en•
tre os homens e os Espíritos. Mas o sopro de in•
credulidade que, depois da metade do Século, se
difundiu pelo mundo, fez relegar para as fábulas
tudo quanto sobre tal assunto nos fora transmiti•
do pelas gerações precedentes." (Ibd., pg. 46).
Mas contra todas as evidências de que a comunica•
ção não apenas é possível como ocorre cotidianamente,
surgem os nossos irmãos com o argumento "demolidor"
de que "Deus proibiu terminantemente a evocação dos
mortos." Vejamos como se acha expressa na Bíblia essa
proibição:
"Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus
te der, não aprenderás a fazer conforme as abo•
minações daquelas nações. Entre ti não se achará
quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua
filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem
agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de en•
cantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, e nem quem consulte os
mortos, pois todo aquele que faz tais coisas é abo•
minação ao Senhor; e por estas abominações o
Senhor teu Deus as lança fora de diante dele."
(Deut. 18: 9 a 14).
135

Vê- se que a p r o i b i çã o ti nh a po r e sco p o evi ta r que os
i sr a e l i ta s s e c o n t a m i n a s s e m co m a s p r á ti c a s s u p e r s t i c i o •
sas e i d ó l a tr a s dos povo s b á r b a r o s que d e v e r i a m con•
q u i s t a r . O que t a m b é m prov a que a qu e l e s pov o s ti n h a m
por h áb i t o c o n s u l t a r seu s m o r t o s .
Os e s p ír i t o s que d e i x a m a v e s t i m e n t a da carn e
não
se t o r n a m sáb i o s ne m sa n to s da noit e para o
dia , antes c o n s e r v a m tod a a sua b a ga g e m de cr e n ça s
e p r e co n ce i •
tos , be m co m o toda s a s sua s
c a r a c t e r í s t i c a s m o r a i s . As•
s i m , é fáci l de
c o m p r e e n d e r que , ne m as e v o c a ç õ e s era m
fe i ta s co
m f i n a l i d a d e e l e v a d a , ne m a s e n t i d a d e s m a n i f e s • tan te s
a p r e s e n t a v a m c o n d i ç õ e s de c o n t r i b u i r par a o aper•
f e i ç o a m e n t o ín t i m o d o povo , l i m i t a n d o - s e ,
evidentemente ,
a p r e s c r e v e r p r á ti c a s f r ív o l a s e
g r o s s e i r a s , em co n so n â n •
cia co m a f o r m a ç ã o
mora l d a qu e l e s a g r u p a m e n t o s p a gã o s.
O m e s m o ocor r e ainda nos dia s a t u a i s . Qua nd o os
h o m e n s e v o ca m o s m o r t o s lev ad os po r s e n t i m e n t o s in•
f e r i o r e s , é n a tu ra l que a t r a i a m E s p ír i to s que lhes se ja m
a fi ns , os quai s se p r e s t a m a co l a b o r a r em seu s p r o p ó s i

to s s u b a l t e r n o s , ou os m i s t i f i c a m e não raro os
i n d u ze m
a fazer o m a l . O E s p i r i t i s m o nada te m de
c o m u m co m es•
sas p r á ti c a s c o n d e n á v e i s e te n t a
s e m p r e c o n d u zi r tai s e n ti d a d e s m a l é v o l a s ao c a m i n h o da
r e g e n e r a ç ã o ; co n tu • do, não lhes lança n e n h u m a n á t e m a ,
por saber que essa s a t i t u d e s apenas r e f l e t e m a pouc a
e l e v a ç ã o mora l dos seu s p r o f i t e n t e s e
que
este s
m o d i f i c a r ã o o seu c o m p o r t a m e n •
to tão logo
a t i n j a m a ad e qu ad a m a t u r i d a d e e s p i r i t u a l .
En te n d a - se , p o r t a n t o , que o corp o de d o u t r i n a rev el a •
do pela E s p i r i t u a l i d a d e S u p e r i o r e c o d i f i c a d o no sé cu l o
p assad o pelo e d u ca d o r li on ê s A L L A N K AR D E C nada te
m a ve r co m as p r á t i ca s do c h a m a d o " b a i x o e s p i r i t i s m o " ,
send o de notar que os no sso s m e n t o r e s e guia s não ces •
sa m d e a d v e r t i r co n t r a q u a i s q u e r t e n t a t i v a s d e i n t e r c â m •
bio co m o m u n d o e sp i r i t u a l que não se r e v i s t a m de fi na •
lidade séri a e e l e v a d a (co m o b j e t i v o s de i n s t r u ç ã o ou de
ca r i d a d e ) o u se ja m r ea li zad a s por e x p e r i m e n t a d o r e s se
m
a necessári a qualificaçã o moral .
M u i t o m e n o s te m a noss a D o u t r i n a q u a l q u e r pon t
o d e li ga ção , por m í n i m o que se ja , co m a d i v i n h a d o r e s , má•
gi co s , q u i r o m a n t e s , c a r t o m a n t e s , e t c , m u i t o e m b o r a cos•
t u m e m alguns usar o r ó tu l o de " e s p í r i t a " u n i c a m e n t e
pa•
r a
melho r
ludibriare m
o s
incautos .
C o n q u a n t o se j a m e m

136

geral e x p l o r a d o r e s d a cr e d u l i d a d e a l h e i a , a d m i t i m o s que
alguns d esse s " m í s t i c o s " , o u p s e u d o m í s t i c o s (co m o cer•
to s " c u r a d o r e s " que m e r c a n t i l i z a m seu s dons ) p o d e m pos•
sui r p o d e r e s m e d i ú n i c o s (pois a m e d i u n i d a d e não é p r i v i •
légio dos e s p í r i t a s ) , ma s não se e n q u a d r a m nos p o s t u l a •
dos da D o u t r i n a , um a vez que os a s s i s t i d o s por En tid ad e s
e l ev a d a s r e c u s a m s i s t e m a t i c a m e n t e qu a l q u e r r e m u n e r a •
ção e m tr o c a dos b e n e f í c i o s p r e s t a d o s aos que s o f r e m ,
dando s e m p r e de graç a o que de gra ç a r e c e b e r a m , con •
so an t e a r e c o m e n d a ç ã o do M e s t r e ( M a t e u s 10 :8) . Eis aí,
p o r t a n t o , um a das m a n e i r a s de i d e n t i f i c a r os l e g í t i m o s se•
g u i d o r e s d a D o u tr i n a E s p ír i t a .
A o te m p o d e M o i s é s , nada mai s j u s t i f i c á v e l qu e a
p r o i b i ç ã o de um a p r á ti c a que só t e n d e r i a a d esvi a r a na•
ção i sr a e l i t a dos e n s i n a m e n t o s m o s a i c o s , p a r e c e n d o - n o s
apenas d e l a m e n t a r que o s m é d i u n s d a q u e l e s t e m p o s fos•
se m p e r s e g u i d o s e por ve ze s e x t e r m i n a d o s (Lev. 20:27 )
por um do m de que não t i n h a m a m í n i m a cu lp a , eis que
sur g e e s p o n t a n e a m e n t e e, não raro, c o n t r a r i a n d o a von ta •
de do p e r c i p i e n t e .
As re gr a s de co n d u t a m i n i s t r a d a s a cada pov o de pe n •
de m n a t u r a l m e n t e das c i r c u n s t â n c i a s de t e m p o e de lu•
gar, be m co m o do grau de d e s e n v o l v i m e n t o m e n ta l e mo•
ral d ess e povo . Ao s f i l h o s d e Israel f o r a m m i n i s t r a d a s duas
e s p é c i e s d e n o r m a s : uma s r e v e l a d a s a tr a v é s das "T á bu a s
da L e i " e c o n s i s t e n t e s nos "De z M a n d a m e n t o s " , se nd o
a p l i c á v e i s em to d o s os t e m p o s e a t o d o s os p ov o s ; o u tr a s
ba ixa da s pelo l e g i s l a d o r co m o o b j e t i v o de m a n te r a qu e l e
pov o b á r b a r o d e n tr o d e ce r ta s no rm a s d e c o m p o r t a m e n t o
m o r a l . Estas a b r a n g i a m toda s a s r e s t a n t e s p r e s c r i ç õ e s d o
Êxodo, do L e v í t i c o e do D e u t e r o n ô m i o e se a d e q u a v a m à
gen t e d a qu e l a ín d o l e , num a époc a e m que o s c o s t u m e s
era m o s mai s p r i m i t i v o s , não ten d o ap li ca çã o e m c i r c u n s •
tân cia s d i v e r s a s , o u en tr e povo s mai s e v o l u í d o s .
De r esto , é pont o p a c íf i c o em D i r e i t o que "a s n o r m a s
j u r í d i c a s de cada pov o r e f l e t e m n e c e s s a r i a m e n t e a r ea li •
dade so cia l v i g e n t e n a c o m u n i d a d e " .
Ma s s e o s no sso s i r m ã o s c o n t i n u a m f a zen d o
ab so l u •
t a q u e s t ã o d e que se ja m r i g o r o s a m e n t e
observado s o s
p r e c e i t o s m o s a i c o s , l e m b r a r í a m o s que
não d e v e m fazer
d i s cr i m i n a çã o , poré m estende r a
o b s e r v â n c i a a todos os
p r e c e i t o s , e não s o m e n t e
à qu e le s que p r o í b e m a evoca-

137

ção do s m o r t o s . Seri a o caso de se gu i r à ri sc a tod a a
le•
g i s l a çã o d e M o i s é s , c o m o , por e x e m p l o :
Gênesi s
Êxodo
,

Levit.

Deut .

Deut .

17:14 21:12 -

" O i n c i r c u n c i s o que não fo r cir•
cu n c i d a d o , ser á e l i m i n a d o . "
" Q u e m f e r i r a l g u é m que m o r r a

c e r t a m e n t e ser á m o r t o . "
21:17 - " Q u e m a m a l d i ç o a r pai ou mãe ,
ser á m o r t o . "
31:15 - " Q u e m fi zer a l g u m a co is a no
sáb ad o , m o r r e r á . "
3:17 - " G o r d u r a ne m sa n gu e , j a m a i
s
comereis. "
7:27 - " Q u e m c o m e r
sa n gu e ,
ser á
m o r t o . " ( O b se r v e - s e que até
aos " g e n t i o s " fo i p r e s c r i t a a
a b s t e n çã o d o sa n g u e : Ato s 15 :
20 , 29 ; e 21 :25 ) .
20:18 - " Q u e m se chegar a um a mu •
lher n o p e r ío d o , a m b o s serã o
mortos. "
24:19 - " Q u e m d e s f i g u r a r o se u p r ó x i •
mo , co m o ele fez a s s i m lhe
se• r á f e i t o . "
21:18 - "U m f il h o d e s o b e d i e n t e
dev
e
e 21
ser
a p e d r e j a d o até que m o r r a . "
22 : 5 " M u l h e r v e s t i r traj e de h o m e m ,
ou v i c e - v e r s a , é a b o m i n a ç ã o ao
Senhor. "
22:21 - " M u l h e r ca sada não achada vir•
ge m , dev e se r a p e d r e j a d a até
morrer. "
22:22 - " Q u e m se che gar a m u l h e r ca•
sada , a m b o s m o r r e r ã o . "

A í estã o a l g u m a s das n o r m a s b a ix a d a s pel o l e g i s l a
• do r h eb re u para d i s c i p l i n a r o seu pov o de ín d o l e r e b e l d e .
J u s t i f i c a - s e a s e v e r i d a d e das penas por i n e x i s t i r e m pri •
sõ e s , e po r i sso , para um pov o n ô m a d e , qu e v i v i a a pere •
gr in a r pel o d e s e r t o , não era p o s s ív e l e s ca l o n a r ca s t i g o s
p r o p o r c i o n a i s à g r a v i d a d e dos d e l i t o s . Po r ta n t o a p u n i çã o
h a b i tu a l er a a m o r t e , poi s m e s m o as m u t i l a ç õ e s (Lev.
24 :
19) r e s u l t a v a m p r e j u d i c i a i s à a t i v i d a d e do povo .
Co m o s e vê , era m toda s n o r m a s t e m p o r á r i a s , elabo•
radas para u m dado povo , nu m d e t e r m i n a d o p e r ío d o h i stó
138

rico. O mesmo se pode dizer das que proibiam o recurso
aos adivinhos ou a consulta aos mortos, uma vez que, atra•
vés de tais práticas, um povo tão atrasado só poderia ab•
sorver as crendices e superstições dos pagãos ainda mais
bárbaros com os quais teria de entrar em contato.
A proibição era, por conseguinte, justa e necessária,
tanto mais que existiam — como sempre existiram em to•
dos os tempos e entre todos os povos — os médiuns que
poderíamos chamar de "oficiais", então denominados "vi•
dentes", ou "profetas" ( 1 . a Sam. 9:9) e através dos quais
os israelitas "consultavam Deus", obtendo orientação e
conselho dos seus guias espirituais. Em Números 11:
27/29 lemos que vieram comunicar que Eldade e Medade
estavam profetizando, isto é, transmitindo comunicações
de Espíritos; e quando o seu assessor Josué lhe disse:
"Senhor meu, proíbe-o", Moisés retrucou: "Por que te en•
ches de zelo por mim? Oxalá todo o povo de Deus fosse
profeta, qüè o Senhor lhes desse o seu Espírito!" Por on•
de se vê que a proibição só atingia os médiuns inescrupulosos, que serviam de instrumento a Espíritos frívolos
ou enganadores.
Então, repetimos, se os nossos irmãos insistem na
idéia de que aquela proibição era de origem divina e váli•
da para todas as épocas, devem ser coerentes e observar
todas as prescrições mosaicas, algumas das quais bem
esdrúxulas para os nossos tempos, e cuja transcrição omi•
timos em respeito à sensibilidade dos leitores, como as
de Deut. 23:13 e 25: 11/12.
O fato incontestável é que em todos os tempos exis•
tiu intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo físico,
entre a humanidade invisível e a humanidade encarnada.
Basta folhear as páginas da Bíblia para constatar como
eram freqüentes as intervenções do plano espiritual nas
atividades dos homens. Naqueles tempos dava-se a tais
entidades a denominação de "anjos", supondo-se que
eram seres de uma ordem superior e privilegiada, criados
por Deus para funcionarem como seus colaboradores e
ministros. Hoje sabemos, porque eles próprios nos vie•
ram esclarecer, que existe unidade na criação e que Deus,
sendo justo, não criaria seres já perfeitos, enquanto os
Espíritos dos homens são criados simples e ignorantes,
necessitando de passar por um longo aprendizado para
atingirem a perfeição.

139

Se Deu s nunc a tev e p r i n c í p i o , se o U n i v e r s o é a Sua
m or ad a e os m i l h õ e s e m i l h õ e s de m u n d o s qu e p o v o a m o
e sp a ç o são obr a Sua , é p r e c i s o não te r i m a g i n a ç ã o para
supo r qu e Ele só se l e m b r o u de c o m e ç a r a cria r qu an d o
f o r m o u a Terr a , s u p o s t a m e n t e há un s 6 mi l a n o s . . . Por
que não a d m i t i r que Ele ve m cr i an d o de tod a a e t e r n i d a d
e e p o r ta n t o con t a hoje co m i n c o m e n s u r á v e i s l e g i õ e s de Es•
p ír i t o s Puro s, que c o l a b o r a m n a Sua o br a , ma s qu e e m
é po ca s r e m o t a s j á r e v e s t i r a m a f o r m a h o m i n í d e a com o
nós , j á t r a n s i t a r a m por to da s a s v i c i s s i t u d e s h u m a n a s ,
nest e o u e m o u t r o s p l a n e ta s , t e n d o co m isso a t i n g i d o o
" e s t a d o de a n g e l í t u d e " ao qual , co m a gra ç a e a m i s e r i •
có r d i a d o Pai, h a v e r e m o s u m dia d e t a m b é m ch e g a r ? Ve •
j a m o s o que e n s i n o u Je s u s : "O s que f o r e m h a v i d o s por
d i gno s de a l ca n ça r o m u n d o v i n d o u r o e a r e s s u r r e i ç ã o do s
m o r t o s , ne m hão d e casar, ne m se r dado s e m c a s a m e n t o ,
p or qu e j á não p o d e m mai s m o r r e r , poi s são i g u a i s ao s an •
j o s . . . " (Lucas 20 : 3 5 / 3 6 ) . Tam b é m qu an d o João s e pros•
tro u aos pés do anjo para o adorar, est e d i s se : " O l h a , não
faça s ta l , po r qu e eu sou c o n s e r v o te u e de teu s i r m ã o s
, os p r o f e t a s , e do s que g u a r d a m as p a l av r a s d est e l i v r o ;
adora a D e u s . " ( Ap o c . 22 : 8 / 9 ) .
C om o se vê , d e n o m i n a v a - s e " a n j o " o que hoj e cha•
m a m o s " e s p í r i t o " . Um a q u e s t ã o d e p a l av r a s , a p e n a s . Ora ,
para que s e r v e m as p al avr a s? Clar o que para e x p r i m i r as
i d é i a s . Então, por que ta n t a gen t e se e m b a r a ç a nas pala•
vr as , ao pont o de c o n f u n d i r o s e n t i d o qu e elas e n c e r r a m ?
D i s se - n o s cer t a vez u m a m i g o e v a n g é l i c o , a o lhe f a l a r m o s
em " p r e c e " : "Pr e c e é e s p í r i t a , para o cr e n t e é " o r a ç ã o " .
Se m d ú v i d a , co m o para o ca t ó l i c o é " r e z a " . . . Não e x p r i •
me m tod a s um a idéia só? Ou por acas o p e n s a m que a
" o r a ç ã o " é mai s efica z do que a " p r e c e " ?
At é aqui f a l a m o s do s E s p ír i to s Puros, s u p e r i o r e s aos
h o m e n s e m s a b e d o r i a e v i r t u d e , a o m e n o s a s si m p a r e c e
m
o s mai s f r e q ü e n t e m e n t e m e n c i o n a d o s nas E s c r i tu r a s ,
em •
bora se j a l íci t o sup o r que , t r a ta n d o - s e d e
a n ti g o s sere s h u m a n o s d e s v e n c i l h a d o s d a v e s t e ca r n a l , h á
d e have r mui •
to s , tal ve z por sua e v o l u ç ã o mai s
r e c e n t e , em qu e a supe• r i o r i d a d e não sej a a ss i m tã o
grande .
M a s . . . e o s E s p ír i t o s i n f e r i o r e s , o u s e j a m , a qu e l e s
que ainda não s e d e s e m b a r a ç a r a m d e seu s i n s t i n t o s ma •
t e r i a i s e de sua s a v i l t a n t e s p a i x õ e s , m u i t o s dele s de
cer• ta f o r m a e n d u r e c i d o s no mal e r e f r a t á r i o s a q u a l q u e
r in-

140

c e n t i v o que os con du z a ao c a m i n h o da r e d e n çã o ?
Estes são o s que n a E s c r i t u r a s e d e n o m i n a m
"demônios" , d e
re st o e s c a s s a m e n t e m e n c i o n a d o
s n o A n t i g o Tes t a m e n t o ,
ma s
f r e q ü e n t e m e n t e ci ta d o s n o Nov o co m o a t o r m e n t a d o •
res dos h o m e n s , m u i t o s d e l e s o b r i g a d o s a deixar suas ví•
t i m a s por o r d e m d o Se nh o r Jesu s o u d e seu s
discípulos .
" N o s rolos d e Q u r ã n , alé m
• te m r e f e r ê n c i a s a E s p ír i to s
cia , E sp ír i to s da luz e das
SC H EL KL E, e m " Teo l o g i a d
ed . Lo yo la 1978, pg . 237).

d o E s p ír i t o Santo exis
da v e r d a d e e da malí•
t r e v a s . ' ' — (K . H.
o Nov o T e s t a m e n t o " ,

Em vár ia s p a s sa g e n s b íb l i ca s a p al avr a " e s p í r i t o "
ta n t o s e re fe r e aos bons , o u " a n j o s " ( A to s 23:9 , H e b r .
1:14, e t c ) , com o aos maus , o u " d e m ô n i o s ' ' (Lucas 9:39 ,
10:20 ; Ato s 16:16 e 18; 1.º Tim . 4 :1) . Poré m há vár ia s ou•
tra s p a s sa g e n s em que a p al avr a não te m a co n o t a ç ã o de
" a n j o " ne m d e " d e m ô n i o " , ma s d e s i m p l e s Es p ír i to s d e
m o r t o s , p o p u l a r m e n t e d e n o m i n a d o s " f a n t a s m a s " . Exem•
p l o s : " En tã o um E s p ír i t o pa sso u d ia n t e de mi m e me fez
a r r e p i a r o s ca b e l o s d a c a b e ç a " (Jó 4 :1 5 ) . Ven d o Je su s
andar à noi t e por sobr e o mar , os d i s c í p u l o s se a s su s t a •
r am , j u l g a n d o ve r u m f a n t a s m a ( M a t . 14:26 , M a r c o s 6 :49).
Qu an d o o C r i s t o r e s s u r r e t o a p a r e ce u aos a p ó s t o l o s , e s te s
p e n sa r a m ve r um " E s p í r i t o " , ma s o Sen ho r lhes d i s s e :
" A p a l p a i - m e e vede , poi s um E s p ír i t o não te m carn e e ne m
o s so s , co m o vede s que e u t e n h o " (Lucas 2 4 : 3 7 a 39) . Ve•
ja-se t a m b é m a d i s t i n ç ã o f ei t a e m Ato s 23 :8 . Qu e " Esp í •
r i t o s " e ra m e sse s ? E v i d e n t e m e n t e , ne m " a n j o s " ne m "de •
m ô n i o s " , apenas alma s dos c h a m a d o s " m o r t o s " , o u até
m e s m o de " v i v o s " , co m o p e n s a r a m ser a de Pedro, ao ba•
te r na p or t a da casa ond e e s t a v a m r e u n i d o s . No te-se que
aqui a p al avr a " a n j o " é que te m a c o n o t a çã o de " E s p í r i t o "
.
" É o seu a n j o " ( A to s 12:15).
O s p r o t e s t a n t e s e n t e n d e m o s " a n j o s " com o ser e s
p r i v i l e g i a d o s , de um a c a t e g o r i a e s p e c i a l , e os " d e m ô n i o s "
co m o an jo s d e c a í d o s , sere s v o t a d o s p e r p e t u a m e n t e a o
m a l . En qu an to nós , e s p í r i t a s , t e m o s so b e j a s razões para
a cr e d i t a r que o s c h a m a d o s " d e m ô n i o s " nada mai s são
que
o s E sp ír i to s dos h o m e n s que s e r e t i r a r a m d o plano
f ís i c o
pres a da t u r b u l ê n c i a de suas p a i x õ e s e — por
sere m
pou•
co e v o l u í d o s e não
tere m
ainda
a
c o n s c i ê n c i a d e s p e r t a d a par a o amo r — se c o n s e r v a m de
ce r t a f o r m a e s c l e r o s a d o s

141

no mal, operando em conluio com outras entidades afins,
no sentido de corromper os homens sobre os quais pos•
sam exercer influência, seja para se vingarem de antigas
ofensas, seja para impedir-lhes ou dificultar-lhes o pro•
gresso moral.
Mas não são seres votados perpetuamente ao mal.
Antes, são vítimas da sua própria ignorância ou das im•
perfeições inerentes ao seu estágio evolutivo; seres que
pelo mau uso do seu livre-arbítrio abraçaram o caminho
largo dos deleites materiais, deixaram-se dominar pelo
egoísmo, pelo orgulho, pela concupiscência, e por isso
mesmo terão de sofrer as conseqüências do seu atraso.
Mas também são filhos de Deus e um dia lhes chegará
um raio de luz à consciência e compreenderão que não
lhes está fechada a porta do arrependimento e da reden•
ção. Com o arrependimento, lhes advirá a oportunidade
de repararem as ofensas cometidas contra aqueles a
quem prejudicaram e assim começarão a resgatar suas dí•
vidas e a obter auxílio cada vez maior dos Espíritos Supe•
riores. Ninguém ficará permanentemente ao desabrigo da
misericórdia divina, do contrário por que diria Jesus que
"há mais alegria no céu por um pecador que se arrepende,
do que por 99 justos que não precisam de arrependimen•
to"? (Lucas 15:7). Por que narraria Ele a belíssima pará•
bola do Filho Pródigo? (Luc. 15: 11/32). Por que ensinaria
a perdoar indefinidamente, se Ele próprio não perdoasse
aos Espíritos que erraram? Por mais baixo que uma cria•
tura caia, ela chegará um dia à comunhão com Deus, que,
acima de tudo, é Pai.
A figura de Satanás evidentemente não passa de uma
alegoria. Uma vez que os homens primitivos não tinham
condições de assimilar conceitos abstratos, estes lhes
eram apresentados como entidades físicas. A palavra quer
dizer "adversário", e foi com este sentido que Jesus cha•
mou Pedro de Satanás (Mat. 16:23) e disse que um dos
doze era o diabo (João 6:70). No Antigo Testamento essa
figura aparece raríssimas vezes, cremos que apenas três:
Em 1.º Crôn. 21:1 lemos que incitou Davi a recensear o
povo, o que custou a vida de 70 mil israelitas. (O curioso
é que a mesma história aparece em 2.a Sam. 24:1, mas aí
quem incitou Davi foi Deus mesmo. . . ) . Em Jó 1:6 lemos
que Satanás estava entre os filhos de Deus que vieram
apresentar-se a este. E em Zacarias 3:1 lemos que "o Su142

mo S a c e r d o t e Josué e stav a di an t e do A n j o do Se nh o r
e qu e Sa tan á s e stav a à d i r e i t a dele , para se lhe o p o r . "
A h i s tó r i a da t e n ta ç ã o de Je su s ou é só Um s í m b o l o
,
o u não pass a d e i n t e r p o l a ç ã o . Co m o di ss e Leon
D e n i s : "S e Je su s era Deu s , p o d e r i a Sa tanás i gno rá - lo ? E
co m o te r i a a p r e t e n s ã o de ex e r ce r i n f l u ê n c i a sobr e E l e ? "
Hoj e fa ze m d o diabo u m se r mais p o d e r o s o d o que Deus ,
poi s est e vai cr i a n d o as al ma s , e o cap e t a se a p o d e r a n d o à
sor• relf a d a m a i o r i a d e l a s . . . Não a d m i r a qu e até o s
n osso s
i r m ã o s o c o l o q u e m co m o " m i n i s t r o d e D e u s " !
Duvidam ?
Pois é o que co n st a das " I n s t i t u i ç õ e s de
Calvin o (Calvin i
Op er a II , 31-ss, ed . 1559): " . . . para
c u m p r i r seu s ju ízo s
(D eu s ) d i r i g e seu s c o n s e l h o s e e x ci t
a suas v o n t a d e s na d i r e çã o que Ele d e c i d i u , a tr a v é s da
a g ê n c i a de Sa ta n á s , o m i n i s t r o d a Su a i r a "
(H .
BETT ENSON, e m " D o c s . , d a Igre•
j a C r i s t ã " , pg .
264). ( gr i f o n o s s o ) .
A lenda dos anjos que se r e b e l a r a m (2. a Pedro 2:4 )
t a m b é m vale apenas co m o u m s í m b o l o , poi s não h á ló gi

ca na s u p o s i ç ã o de que E s p ír i t o s já c h e g a d o s ao
pon t o m á x i m o d a p e r f e i çã o (ou cr i a d o s j á p e r f e i t o s , se gu n d
o o s n osso s i r m ã o s , o que ser i a ainda pi or ) , p u d e s s e m
alimen •
tar s e n t i m e n t o s de o r g u l h o ou r e v o l t a , poi s se
tal o co r r e s •
se , é e v i d e n t e que não s e r i a m p e r f e i t o s
.
Tudo , p o r é m , e n co n t r a e x p l i ca ç ã o nos qua dr o s da In•
f i n i t a J u s t i ç a do Pai C e l e s t i a l . Hoj e s a b e m o s que os pla•
netas p a s sa m por d i f e r e n t e s e s t á g i o s d e e v o l u ç ã o , aco m •
p a n h a n d o o níve l de p r o g r e s s o a l ca n ça do pelo s seu s ha•
b i t a n t e s . Ma s é claro que ne m to d o s o s E s p ír i t o s e v o l u e m
u n i f o r m e m e n t e e a ss i m cada orb e che ga a um po n t o em
que o s E sp ír i to s r e c a l c i t r a n t e s terã o d e se r e x p u r g a d o s
para m u n d o s i n f e r i o r e s , ond e irão r e n a sce r não apenas
com o p un i çã o pela n e g l i g ê n c i a n o deve r d e e l e v a ç ã o mo •
ral, ma s i g u a l m e n t e co m a m i s sã o de c o n t r i b u í r e m par
a
o p r o g r e s s o d a q u e l e s novo s m u n d o s , a tr a v é s das
"idéia s
i n a ta s " d e que serã o p o r t a d o r e s .
Basta c o m p u l s a r a G ê n e si s para c o m p r o v a r que a ra•
ç a a d â m i c a fo i um a d essa s d e s t e r r a d a s d e u m m u n d o su•
p e r i o r . A s idéias inata s d a " e x p u l s ã o d o p a r a í s o " , d o
cas•
tig o de " c o m e r o pão co m o suo r do p r ó p r i o
r o s t o " , a evi •
dê nci a de o u tr a s raças p r é - a d â m i c a s j á
e x i s t e n t e s na Ter•
ra ( Ge n . 4:17 e 6:2 ) e a i n d u b i t á v e l
c o m p r o v a ç ã o , pelas
c o n q u i s t a s c i e n t íf i c a s m o d e r n a s ,
de que o h o m e m já exis•
ti a na Terr a m u i t o ante s da
époc a a s si n a l a d a pela cro no • logia b í b l i c a , tud o isso se
e nca ix a co m o um a luva à tes e
143

de que a lenda dos " a n j o s d e c a í d o s " nada mai s é que um
s í m b o l o de ssa s t r a n s m i g r a ç õ e s de E s p ír i t o s , as qua i s , de
r e s to , não são tã o raras qua n t o se p o d e r i a sup or .
Tudo nos leva a de du zi r que o noss o p l a n e t a p o d e r i a
achar- se em vi a de so f r e r um a de ssa s t r a n s m i g r a ç õ e s . O
h o m e m terráque o s e desenvolv e u inte lectualmen t e , o u
se•
ja , cr e s ce u em c o n h e c i m e n t o ao pont o de
d o m i n a r a tec •
n o l o g i a n u cl e a r , ma s co m que
finalidad e
est á
u ti l i za n d o ess e e x t r a o r d i n á r i o avanço
c i e n t íf i c o ?
Principalment e
pa•
ra a l i m e n t a r a
esca la da da v i o l ê n c i a , em tal m e d i d a que
as n açõe s
que l i d e r a m o mu nd o a c u m u l a r a m a r se n a i s atô•
m i co s
capa ze s d e d e s t r u i r , não s o m e n t e uma , mas deze•
nas
de ve ze s , tud o o que a c i v i l i za ç ã o c o n s t r u i u em mi lê •
nios .
Então, em noss a c a m i n h a d a pel o e sp a ç o ( é sa b id o
que o S i s t e m a Solar i n te i r o se gu e um a d e t e r m i n a d a tra •
j e t ó r i a p r ó p r i a a tr a v é s do é te r ) , e s t a r í a m o s a a p r o x i m a r
-nos de um gl ob o ond e as c o n d i ç õ e s de vid a são aind a
assaz r u d i m e n t a r e s e para o qual to d o s os h a b i ta n t e s da
Terr a ( e n ca r n a d o s e d e s e n c a r n a d o s ) cuj a e v o l u ç ã o mora l
não ten h a p r o g r e d i d o p a r a l e l a m e n t e à su a e v o l u çã o inte•
l e c t u a l , te rã o d e se r d e s t e r r a d o s , ali r e e n c a r n a n d o e m
c o n d i ç õ e s as mai s p r i m i t i v a s , co m o dupl o o b j e t i v o a que
nos r e f e r i m o s a c i m a .
Essa t r a n s f o r m a ç ã o não se f ar i a i n s t a n t a n e a m e n t e ,
p o r é m de m a n e i r a lent a e p r o g r e s s i v a , co m o tud o o qu e
o co r r e em esca l a c ó s m i c a . Daí a e sp e r a n ç a nas p r o f e c i a s
que p r e n u n c i a m um Ter ce i r o M i l ê n i o de paz e f r a t e r n i d a •
de na Ter ra , pois aqui só p e r m a n e c e r i a m os E sp ír i to s que ,
por s u a s - v i r t u d e s , m e r e c e s s e m u s u f r u i r a s c o n q u i s t a s al•
can çad a s pel a c i v i l i za çã o . Parece u m son ho , o u f a n t a s i a ?
Tan ta co is a ex i s t e nest e m u n d o que para o s E s p ír i to s si m •
p l ó r i o s s e c o n f i g u r a i r r e a l . . . P o r t a n to , " q u e m te m o uvi •
dos para o uv i r , o u ç a ! " .
Ma s , v o l ta n d o à q u e s tã o da c o m u n i c a b i l i d a d e entr
e
o s doi s m u n d o s , h ave r á que m d u v i d e a t u a l m e n t e d e
ta l
p o s s i b i l i d a d e ? U m m a t e r i a l i s t a , t a l v e z . Ma s u m
espiritua •
l i sta , p r i n c i p a l m e n t e se e s t i v e r
familiarizad o
co m
a
Escri •
tur a S a g r a d a . . .
A c r e d i t a m o s que e m s ã c o n s c i ê n c i a nin•
gu é m
põe mai s em d ú v i d a hoje em dia a a u t e n t i c i d a d e dos
f e n ô m e n o s . O que os no sso s ir mã o s ta lv e z c o n t e s t e m ,
ma s já se m tan t a s e g u r a n ç a co m o a n t i g a m e n t e , é a ex pl i •
cação d a sua o r i g e m co m o r e s u l t a d o d a m a n i f e s t a ç ã o d e
E s p ír i t o s d e s e n c a r n a d o s . Um a vez que só a d m i t e m a si
-

144

tuação do Espírito, após a morte do corpo, ou na bem-aventurança do céu, ou em tormentos no inferno, é claro
que só lhes resta mesmo a saída de atribuírem todas es•
sas manifestações ao trabalho de Espíritos malévolos (de-,
mônios), com o objetivo de induzirem os homens em er•
ro, para levá-los à perdição eterna.
Mas observem a incoerência: A Bíblia está cheia de
exemplos da intervenção dos bons Espíritos (anjos) na
vida cotidiana dos homens. Essa intervenção é constante
e evidente. Quase não se abre o Velho Testamento em
uma página sequer, sem encontrar menção a uma ativida•
de angelical no meio dos homens. No Novo Testamento
a freqüência é ainda maior, bastando dizer que encontra•
mos para mais de 150 referências a tais seres, mais de
70 delas só no Apocalipse. Eles chegam a se identificar
como homens iguais a nós. (Apoc. 22:9).
Mas, argumentam: Isso antigamente era possível;
agora já não é mais; atualmente só se manifestam os Es•
píritos maus, todos os que se manifestam são demônios.
E então perguntamos: Por quê? Por quê os bons Espíritos
não podem mais aparecer entre nós? O nosso Deus será
tão injusto ao ponto de só permitir a atuação dos maus,
para tentar os homens, e não permitir a dos bons, para
fortalecê-los na fé?
Se os mensageiros do mundo espiritual viviam em
constante contato com os homens, o que se pode consta•
tar em todas as páginas da Bíblia, qual a razão de haver
cessado esse intercâmbio depois dos tempos apostólicos?
Onde se diz que foi trancado o ministério dos Anjos? E
por que todas as manifestações espirituais dos nossos
dias têm de ser atribuídas à "operação do mal para que
creiam na mentira", como gostam de citar nossos irmãos?
(2.º Tess. 2:11). Se o Cristo mesmo afirmou: "Pelos fru•
tos os conhecereis" (Mat. 7:16), por que receiam exami•
nar de frente os frutos do Espiritismo?
Todas as manifestações do plano espiritual, desde as
mais rudimentares do século passado até as sofisticadas
dos tempos modernos, jamais tiveram outro objetivo que
o de provar a sobrevivência e a imortalidade da alma, ou
seja, de combater o materialismo e a indiferença pelas
coisas espirituais. Examinem a abundante literatura espí•
rita existente em quase todas as livrarias, estudem os
fundamentos da Doutrina, para então poderem julgar com
145

i m p a r c i a l i d a d e . E x a m i n e m , m e s m o d u v i d a n d o , poi s o gran•
de f i l ó s o f o D e s c a r t e s t r a ço u a re gra da v e r d a d e i r a sabe•
d o r i a : " N e m r ecu sa r "i n l i m i n e " , ne m aco lh e r i n f a n t i l m e n •
t e " . Ele el evo u a d ú v i d a às al tur a s do mai s fin o in stru •
m e n t o da Ver d a d e : " D u v i d a r , não para d e sp r e za r , ma s pa•
ra e x a m i n a r , o b se r v a r e e x p e r i m e n t a r , é o b r i g a ç ã o do ho•
me m de ci ê n ci a e do h o m e m de bo m s e n s o " (ci t . por BE•
ZERRA DE MENEZES, em " E s t u d o s F i l o s ó f i c o s " ,
Edi ce l , pg . 12).

2.a

ed .

Co m relação à f i n a l i d a d e das m a n i f e s t a ç õ e s , v e j a m o s
co m o se e x p r e s s o u o e m i n e n t e e s c r i t o r Sir A RT H U R CONAN DOYL E:
" O G o v e r n a d o r Tal m a d g e , i l u s tr e Se na do r dos Es•
tado s U n i d o s , fez a p e r g u n t a : "Qua l o o b j e t i v o
dos f e n ô m e n o s ? " , em doi s anos d i f e r e n t e s e a
doi s m é d i u n s d i v e r s o s . A s r e s p o s t a s f o r a m idên•
t i c a s . U m a : " É para co n d u zi r a H u m a n i d a d e e m
h a r m o n i a e para c o n v e n c e r os c é t i c o s da i m o r t a •
lidade da a l m a " . A o u t r a : " É par a uni r a H u m a n i •
dade e c o n v e n c e r as m e n t e s cé ti ca s da i m o r t a l i •
dade d a a l m a . " ( " H i s t ó r i a d o E s p i r i t i s m o " , ed .
P e n sa m e n t o , pg . 90).
Todos os m é d i u n s , em to do s os t e m p o s e a tr a v é s
de
t o d o s o s p a ís e s , tê m dado a m e sm a r e s p o s t a .
Milhõe s d e
h o m e n s tê m sid o a r r a n ca d o s d o v íc i
o pelo s e n s i n a m e n • to s e s p í r i t a s . M i l h õ e s tê m v e n c i d o
o e g o í s m o e se dedi •
cad o à p r á ti c a do amo r e
da f r a t e r n i d a d e , se g u i n d o os pre•
ce i to s da mora l
cr i st ã e n s i n a d a por Je su s e p r e ga d a pel o E s p i r i t i s m o .
E o que f a ze m as i gr e ja s di tas
"cristãs "
q u a n d o , a tr a v é s d e f ar t a d o c u m e n t a ç ã o , lhes t r a ze m o s a
s
pr ova s da c o m u n i c a b i l i d a d e entr e os doi s m u n d o s
, e co m
elas a e v i d ê n c i a c i e n t í f i c a da
s o b r e v i v ê n c i a e da i m o r t a •
l id ad e , j u s t a m e n t e o
que essa s i gr e ja s vê m p r e ga n d o , há
t a n t o s s é cu l o s ,
co m o a r ti g o s d e fé , co m base e m d o g m a s ? R e c u sa m
se qu e r e x a m i n a r o s f a to s , e m tud o e n x e r g a n d o a
" o p e r a ç ã o do e r r o " , ou . . . " m a q u i n a ç õ e s de sa t a n á s . . . "
Or a , j á é t e m p o de olhar as co i sa s co m um pouc o
mai s de r a c i o n a l i d a d e . Se tud o o que o E s p i r i t i s m o ve m
r e a l i za n d o há mai s de um sé cu l o é obr a de i n sp i r a çã o sa•
t â n i c a , entã o já é t e m p o de a p o se n t a r o pobr e do cap e ta ,
por se r i n d u b i t á v e l que ele ve m t r a b a l h a n d o co n t r a o seu
p r ó p r i o i n t e r e s s e , co m o já o d i s s e Jesu s há quas e doi
s

146

mi l anos : "S e Sataná s está d i v i d i d o co n tr a s i m e s m o , co•
mo s u b s i s t i r á o seu r e i n o ? " (Lucas 11:1 8 ) . Não fo i se m
razão que o M e s t r e a d v e r t i u : "Pe lo s f r u to s os c o n h e c e •
r e i s " ( M a t . 7:16 ) e be m sabia o que di zia, poi s ele m e s m o
era f r e q ü e n t e m e n t e acu sa d o d e e x p u l s a r o s E sp ír i to s por
i n t e r v e n ç ã o d o d e m ô n i o . Tanto que d e i x o u um a e l o q ü e n

te lição aos d i s c í p u l o s — não só aos de en tão , co m o
aos
de to d o s os t e m p o s : — "S e c h a m a r a m de
Bel zebu ao do•
n o d a ca sa , qua n t o mai s aos seu s
familiares? " (Mateu s
10 :25).
A Igre ja C a t ó l i c a , ness e p o n to , p ar ec e mai s r a zo á v e l ,
um a vez que a d m i t e a i n t e r v e n ç ã o dos San to s e a ele s re•
cor r e e m sua s o r a ç õ e s . Co m f u n d a d a s r a zõe s, al iá s , v i s t o
co m o os ch a m a d o s Pais da Igre ja a d m i t i a m a c o m u n i c a •
ção . V e j a m o s o que a f i r m o u Sant o A g o s t i n h o , e m seu "D e
Cur a Pro M o r t u i s " :
"O s E s p ír i t o s dos m o r t o s p o d e m se r m a n d a d o s
aos v i v o s , aos quai s p o d e m d e sv e n d a r o f u t u r o
que f i c a r a m c o n h e c e n d o por o u tr o s E s p ír i t o s , o u
pelo s a n jo s , o u pela r e v e l a çã o d i v i n a . " (cit . por
C O N A N DOYL E, e m " H i s t ó r i a d o E s p i r i t i s m o " ,
edit . P e n sa m e n t o , pg . 453).
Ma s , para o s p r o t e s t a n t e s , não h á a p e l a çã o : "O s
m o r t o s s ó p o d e m esta r n o céu o u n o i n f e r n o , i n e x i s t i n d o
para ele s q u a l q u e r p o s s i b i l i d a d e d e c o m u n i c a ç ã o co m o s
v i v o s . Logo , o s que s e c o m u n i c a m s ó p o d e m se r "e sp í •
rito s das t r e v a s " . . . E os fato s vã o d e s m o n t a n d o as cren •
d i ce s , e a C i ê n c i a r o b o r a n d o os f a to s , e os n osso s i r m ã o s
a m a r r a d o s a seu s p r e c o n c e i t o s , se m ve r qu e o s t e m p o s
m u d a m co m o p r o g r e s s o e que as tre va s da i g n o r â n c i a
t e r m i n a r ã o por se d i s s i p a r ante o br il h o o f u s c a n t e das no•
vas v e r d a d e s que a i n t e l i g ê n c i a h u m a n a , so b a i n sp i r a çã
o
d e Deus , vai aos p o u co s d e s v e n d a n d o . . .
Aqu i e x p u s e m o s a s p r i n c i p a i s ra zõe s que nos ocor•
re ra m para pr ova r a p o s s i b i l i d a d e da c o m u n i c a ç ã o entr e
os doi s planos de v i d a . Se f a l h a m o s na t e n t a t i v a de con •
ve n ce r o s l e i t o r e s , ter á sid o po r d e f i c i ê n c i a d a noss a ar•
g u m e n t a ç ã o , poi s os fato s estã o aí e são po r d e m a i s elo•
q ü e n t e s . "F a to s são f a to s , e não há nada mai s o b s t i n a d o
do que os f a t o s " , di zia o c é l e b r e n a t u r a l i s t a in gl ê s Sir
RUSSEL W A L L A C E .
Q u e m fi ze r q u e s t ã o d e o b te r um a pr ov a p e s s o a l , não

147

h e si t e e m p r o c u r a r o s c e n t r o s k a r d e c i s t a s , que e x i s t e m
às dezenas em toda s as c i d a d e s , e ond e c o t i d i a n a m e n t e
são r e ce b i d a s m e n s a g e n s de alto c o n t e ú d o m or a l e espi •
r i tu a l . A l g u n s de sse s c e n t r o s tê m m e r e c i d o a a s s i s t ê n c i
a de e f i c i e n t e s e qu i p e s m é d i c a s do Espa ço,
as qua i s
efe• tu a m a cur a de i n ú m e r o s e n f e r m o s e até , vez po r o u tr a
,
r e a l i za m co m a b so l u t o s u c e s s o d e l i c a d a s i n t e r v e n ç õ e s
ci•
r ú r g i c a s , co m o tã o be m e co m t a n ta s m i n ú c i a s
d e s c r e v e o noss o irmã o A U R E L I A N O ALVES NETTO em
se u peque •
n o gr an d e livr o " E x t r a o r d i n á r i a s Cura s
E s p i r i t u a i s " (Edi•
tor a ECO, 1978).
O m é d i u m m i n e i r o F R A N C I S C O C Â N D I D O X AVI ER ,
p o p u l a r m e n t e c o n h e c i d o co m o C H I C O X AVIER , é um a
pro•
v a viv a d a c o m u n i c a b i l i d a d e en tr e o s doi s
m u n d o s . Mo •
de st o f u n c i o n á r i o p ú b l i c o a p o s e n t a d o
, h á mai s d e 5 0 anos
ele re ce b e m e n s a g e n s do Plano
E s p i r i t u a l , a m a i o r i a das
qua i s são t r a n s f o r m a d a s em
l i v r o s . Ini cio u o seu a po sto •
lado aos 22 anos de
idade , um mo ç o p a u p é r r i m o , de ins•
t r u çã o r u d i m e n t a r
. O se u p r i m e i r o t r a b a l h o m e d i ú n i c o ,
"Parnas o d
e A l é m T ú m u l o " , co n t a v a n a mai s r e ce n t e edi•
ção ( a
10. a ) co m 259 p o e si a s de 56 a u to r e s d e s e n c a r n a d o s .
Ele até a gora j á p s i c o g r a f o u mai s de 200 l i v r o s , em pr os
a e v e r s o . Co m a saúde d e b i l i t a d a e a visã o qua s e e x t i n t a ,
se gu e nessa fain a h á mai s d e mei o s é cu l o , se m ja m a i
s te r r e c e b i d o um ce n t a v o pelo seu t r a b a l h o , poi s tod a a
rend a é r e v e r t i d a em favo r de i n s t i t u i ç õ e s de b e n e f i cê n •
ci a . E ainda fic a até alta m a d r u g a d a p s i c o g r a f a n d o men •
sa gen s p e s s o a i s para c e n t e n a s d e s o f r e d o r e s que , d e to

do o Brasil e até do Ex te r i o r , o p r o c u r a m d i a r i a m e n t e
em
busc a d e l e n i t i v o .
Leia m as suas obras e nelas e n c o n t r a r ã o c o n c e i t o s de
gr an d e e l ev a çã o , tan t o n o camp o c i e n t í f i c o , co m o n o filo •
s ó f i c o ou no r e l i g i o s o , p r e d o m i n a n d o as m e n s a g e n s da
mai s pur a mora l e v a n g é l i c a . Leiam al gu n s dos seu s li vr o
s
e d e p o i s d i ga m se est á ou não p r ov a d a a p o s s i b i l i d a d e
de c o m u n i c a ç ã o .
A s c o m u n i c a ç õ e s d o m u n d o i n v i s ív e l j á s e d i s s e m i •
nara m a tal pon t o que m o d e r n a m e n t e se r e a l i za m até
pe•
l a f i x a ç ã o d i r e t a da voz dos E s p ír i to s em
g r a v a d o r e s de s o m . A o que p a r e ce , ess a fas e tev e i n íci o
e m 1959 , quan• do o p i n to r e s t o n i a n o de nom e F R IED R IC H
J Ü R G E N S O N c o l o c o u o seu g r a v a d o r no q u i n t a l , co m o
o b j e t i v o de apa• nhar o can t o de alguns p á s s a r o s . Ao t e n ta r
a r e p r o d u çã o ,
f i co u s u r p r e e n d i d o a o p e r ce b e r , alé m
do s e s p e r a d o s can 148

to s , d i v e r s a s voze s e s t r a n h a s , a l g u m a s r a z o a v e l m e n t e in•
t e l i g í v e i s . Co m a c u r i o s i d a d e a gu ç a d a , p r o s s e g u i u nas ex•
p e r i ê n c i a s e o b te v e c e n t e n a s de r e s u l t a d o s p o s i t i v o s , co•
mo r el a t a no seu livr o " Tel e f o n e para o A l é m " , de gra nd e
a ce i t a çã o e m vá r i o s p a ís e s , i n c l u s i v e n o Bra si l .
J ü r g e n s o n c o n s e g u i u i n t e r e s s a r n o a s su n t o m u i t o s
p e s q u i s a d o r e s , d e s t a c a n d o - s e o p s i c ó l o g o su e c o Dr.
K O N STAN T I N R A U D I V E , o qual se d e d i co u co m e n t u si a s •
mo à i n v e s t i g a ç ã o do f e n ô m e n o e t e r m i n o u por a p r e s e n t a r ,
no 3.º C o n g r e s s o I n t e r n a c i o n a l de P s i co l o g i a , em P u c h b e r g
,
u m r e l a t ó r i o c o m p l e t o d e sua s p e s q u i s a s , co m
milhare s
de g r a v a çõ e s de ssa s "v o ze s f a n t a s m a s " . O
fato
e n tr o u
para o d o m ín i o da P a r a p s i c o l o g i a ,
c o m p r o v a n d o - s e que o
f e n ô m e n o é real e se c l a s s i f i c a
com o " p a r a n o r m a l " (en •
q u a d r á v e l na c a t e g o r i
a " p s i - k a p a " ) e que as ve ze s são
d e entidade s
ex t r a f í s i c a s , alguma s i d e n t i f i c áv e i s .
At é p i n to r e s e c o m p o s i t o r e s cé l e b r e s do p assad o —
co m a p e r m i s s ã o do Pai C e l e s t i a l e c u m p r i n d o c e r t a m e n •
te os d e s í g n i o s da E s p i r i t u a l i d a d e M a i o r , — tê m f e i t o
s e n t i r sua p r e s e n ç a en tr e nós para , co m o toqu e i n co n •
f u n d ív e l da sua arte , tr a ze r - n o s s i m u l t a n e a m e n t e a pr ov a
da su a i d e n t i d a d e , da s o b r e v i v ê n c i a da alm a e da p o ss i •
bilidad e d e c o m u n i c a ç ã o .
Leia m o d e s c o n c e r t a n t e livr o " R E N O I R , É V O C Ê ? "
,
e m ed i çã o b i l ín g ü e d a F ed er a çã o E sp ír i t a d o
Estado d e São Paulo, co m r e p r o d u ç õ e s de tela s de a r t i s t a s
famoso s
co m o RENOIR, T OU L O U S E - L A U T R E C ,
PIC A SSO , RAFAEL , D E L A C R O I X , PORT IN AR I , G U A U G U I N ,
VA N G O G H , MO NET,
M ATI S S E ,
REMBRANDT ,
BOTT ICELLI, e t c ,
obtido s
a tr a v é s d a m e d i u n i d a d e d o j o v e m p a u l i s t a n o LUIZ ANT Ô •
NIO GA S PAR ET O , que te m r ea li zad o ce n t e n a s d e d e m o n s •
t r a ç õ e s p ú b l i c a s , p i n t a n d o co m rapide z i m p r e s s i o n a n t e e
u ti l i za n d o t é c n i c a s das mais v a r i a d a s . Em 1978 ele com •
p a r e ce u a um p r o g r a m a de 35 m i n u t o s na f a m o s a " B B C "
de L o n d r e s , p r o g r a m a ess e a s s i s t i d o por cerc a de 9 mi •
lhõe s de t e l e s p e c t a d o r e s e u l t e r i o r m e n t e r e p r i s a d o , tal a
r e p e r c u s s ã o que a l c a n ç a r a . T a m b é m c o m p a r e c e u a um
p r o g r a m a d a " N B C " dos Estados U n i d o s , co m não m e n o r
sucesso .
O u ç a m a m ú si c a p s i c o f ô n i c a da co n h e c i d a m é d i u m
in gle s a R O S E M A R Y B R OW N , que t a m b é m j á s e a p r e se n

to u n a " B B C " e te m v á r i o s " L P s " g r a v a d o s , send o
um a
dos i n ú m e r o s s e n s i t i v o s que tê m se r v i d o d e
instrument o
149

para m e n s a g e n s m u s i ca i s de M e s t r e s com o BAC H BET H OV EN , C H O P I N , D EBUSSY, e t c . O s e n t e n d i d o s e m mú •
sic a não t r e p i d a m em ap on ta r as n ua nce s do e stil o indi•
vid ua l d e cada c o m p o s i t o r , m u i t o s dele s s e c o n f e s s a n d o
perplexos .
I n ú m e r o s ou tro s f a to s , t e s t e m u n h a d o s por pe sso a s
assaz c o n h e c i d a s , e v i d e n c i a m a p e r s i s t ê n c i a dos "m o r •
t o s " ju n t o à que l e s que a m a m , c o m p r o v a n d o a tes e da so•
b r e v i v ê n c i a e a i m p l í c i t a p o s s i b i l i d a d e de c o m u n i c a ç ã o .
Caso r e ce n t e e de gr an d e r e p e r c u s sã o fo i o do Rev
. Dr . J A M E S A . PIKE, Bi spo d a Igre ja Ep i sco pa l n o r te a m e • r i c a n a . Ele e stav a na I n g l a t e r r a qu an d o soub e da
m o r t e t r á g i c a do seu f il h o úni c o J I M , em 1956 . Logo
pa sso u a se r a s se d i a d o por um a séri e de f e n ô m e n o s de
e f e i t o s fí•
si co s (r ou pa s a r r e m e s s a d a s de a r m á r i o s ,
li vr o s e m ó v e i s
que s e d e s l o c a v a m se m
i n t e r f e r ê n c i a h u m a n a , e t c ) . Pro•
cu r a n d o i n v e s t i g a
r a o r i g e m dos f e n ô m e n o s , e a co n se l h o
do seu co l e g
a Dr . M ER VY N S T O C K W O O D , r e c o r r e u à fa•
mo s a
m é d i u m in gle s a ENA T W I G G , a tr av é s d a qual e n tr e •
tev e i n ú m e r a s c o n v e r s a ç õ e s co m o seu f il ho , o b te n d o
pro•
vas i r r e f u t á v e i s da s o b r e v i v ê n c i a . De vol t a aos
Estados
Unidos , re s t ab el e c e u o s contato s
a tra vé s d e ou tro s mé •
d iu n s , um dos qua i s , o
a f a m a d o ART H U R FORD, ch e go u a t r a n s m i t i r m e n s a g e n s
d e JI M e m pleno p r o g r a m a d e tele •
v i sã o ,
o que
p r o v o c o u gra nd e c e l e u m a e o p r o t e s t o da Igre ja
E p i s co p a l , da qual o Rev. PIKE r e so l v e u se af astar.
PIKE re un i u o m a te r i a l de toda s as s e s sõ e s nu m li •
vro , a que de u o nom e de "THE OTHER S I D E " (" O Ou tr o
L a d o " ) , o qual
se to r n o u
"bes t seller "
e foi ,
seguramente ,
o livr o mai s p o l ê m i c o do ano . À q u e l a
a l tu r a , sua s expe• r i ê n c i a s s e h avi a m t o r n a d o a ssu n t o
i n t e r n a c i o n a l , tend o a r e v i s t a " L O O K " e o jo rn a l "T IM E
S U N D A Y " publicad o
seu livro e m c a p í t u l o s s e r i a d o s
.
E, para c o n c l u i r , doi s t e s t e m u n h o s a b s o l u t a m e n t e in•
s u s p e i t o s : Um é do Rev. BILLY G R A H A M , que em en tre•
v i st a ao j o r n a l i s t a LEE H A R R I S O N , p u b l i ca d a no " N AT I O •
NA L E N Q U I R E R " de 7-9-76, após d e s c r e v e r m a r a v i l h o s o
f e n ô m e n o p s íq u i c o que p e s s o a l m e n t e o b s e r v o u a o e nse j
o
d o f a l e c i m e n t o d a sua avó m a t e r n a , al ud e , co m
e n tu si a s •
mo , à s p e s q u i s a s que, n o m u n d o i n t e i r o ,
estã o c o m p r o • van d o a p r e s e n ç a de en te s já f a l e c i d o s ju n t o
ao leito de m o r i b u n d o s , por ess a f o r m a a s s e g u r a n d o a
cer te z a da so150

b r e v i v ê n c i a e, p o r t a n t o , a i m p l í c i t a e v i d ê n c i a da c o m u n i •
c a b i l i d a d e e n tr e o s doi s plano s d e v i d a .
O o u tr o é do Rev. N O R M A N VINC EN T PEALE, que,
e m sua j á f a m o s a obr a " O VAL O R D O PE N SA M E N T O PO•
S I T I V O " ( Ed i to ra CULTRIX , 1969), e x te r n a o seu pensa •
m e n t o co m esta s e l o q ü e n t e s f r a s e s :
" A c h a m o - n o s c e r c a d o s por
f e n ô m e n o s — até
m e s m o f e n ô m e n o s f í s i c o s — qu e não p o d e m o s
e x p l i ca r f a c i l m e n t e . E e s t r a n h o s a c o n t e c i m e n t o s
f a ze m - n o s a d i v i n h a r a e x i s t ê n c i a du m m u n d o fan •
t á s t i c o , e s p i r i t u a l , onde , se m d úv i d a , e s t a r e m o s
mai s p r ó x i m o s das l e g í t i m a s r e a l i d a d e s e m no ss o
u n i v e r s o , e que t a m b é m d e s a f i a m um a e x p l i c a •
ção . Qual é, por e x e m p l o , a r el a çã o que há e n tr e
os que já estã o do o u tr o lado e noss a vida? Ser á
que se c h e g a m a nós , de vez em qu a n d o , de ma•
neir a e s t r a n h a e m a r a v i l h o s a , co m o fi t o de aju•
d a r - n o s ? " (Pg. 242).
Em o u tr o livro (" O PODER DO P E N S A M E N T O POSITI•
V O " , Edi to r a CULTR IX, 1976), o m e s m o auto r a f i r m a :
" . . . t o d o s o s fato s i n d i ca m que o s no sso s e n te s
am ad o s c o n t i n u a m a e x i s t i r e não se acha m m ui

to d i s t a n t e s e, mai s a in da , o que não deix a de
se r
real , h a v e r e m o s de nos re un i r a e l e s .
Entremen •
te s , c o n t i n u a m o s e m c o m u n h ã o co m
a qu e le s que
v i v e m n o m u n d o dos E s p í r i t o s . "
(Pg. 240).
" O n d e estão eles? Qual a sua co n d i çã o ? Qu e es•
péci e d e corp o têm ? São q u e s t õ e s d i f íc e i s d e res•
p o n d e r . A idéia de um a d i m e n s ã o d i f e r e n t e é, pro•
v a v e l m e n t e , a mai s a d m i s s í v e l , ou talve z sej a
mai s exat o cre r que ele s v i v e m e m u m cicl o d e
f r e q ü ê n c i a d i f e r e n t e . É i m p o s s í v e l ve r a l gu m a
co i s a a tra vé s das lâ m in a s de um v e n t i l a d o r para•
do ; e m alta v e l o c i d a d e , p o r é m , elas p a r e c e m se r
t r a n s p a r e n t e s . N a f r e q ü ê n c i a o u n o esta d o mai s
e l ev a d o e m que o s n osso s q u e r i d o s v i v e m , a s qua•
li da de s i m p e n e t r á v e i s d o U n i v e r s o p o d e r ã o , tal •
vez, vi r a se r r e v e l a d a s aos m o r i b u n d o s . " (Pg .
243).
" O Nov o Tes t a m e n t o e nsi n a que a vid a é inde s•
t r u t í v e l e d e s cr e v e Je su s , após a c r u c i f i c a ç ã o ,
nu151

ma sér i e de a p a r i çõ e s , d e s a p a r i ç õ e s e novas ma•
n i f e s t a ç õ e s . Co m o se Ele q u i s e s s e dizer que , se
NÃ O O V E M O S , não s i g n i f i c a que não e s te j a pre•
sen te . Longe dos olho s não que r di zer lon ge da
v i d a . ( . . ) E m ou tra s p a l a v r a s , no sso s en te s que•
rido s t a m b é m se a ch a m ao noss o lado e o ca s i o •
n a l m e n t e nos p r o c u r a m c o n f o r t a r . " (Pg. 246J.
" P e s s o a l m e n t e , não ponho d úvi d a a l gu m a ne ssa s
q u e s t õ e s p r o f u n d a s e m i s t e r i o s a s . A c r e d i t o fir •
m e m e n t e n a c o n t i n u a çã o d a vid a d e p o i s da qu il o
que c h a m a m o s m o r t e . C re i o que h á doi s lados pa•
ra esse f e n ô m e n o c o n h e c i d o co m o send o a mor•
te — est e lado ond e a gora v i v e m o s , e o o u tr o la•
do, ond e c o n t i n u a r e m o s a v i v e r . A e t e r n i d a d e não
c o m e ç a co m a m o r t e . Esta mo s agora na e t e r n i d a •
de . S o m o s c i d a d ã o s d a e t e r n i d a d e . A p e n a s mu •
da mo s a f o r m a d ess a e x p e r i ê n c i a ch a m a d a vida
, e essa m u d a n ç a — esto u p e r su a d i d o — é para me•
lh or. " (Pg. 247).
Não há dúv id a de que o Rev . PEALE e s cr e v e seu s li •
vro s sob i n sp i r a çã o da E s p i r i t u a l i d a d e S u p e r i o r , e a prov a
diss o é que os a r r e m a t a co m tão bela s m e n s a g e n s , que
p a r e c e m p r e c i p u a m e n t e d e s t i n a d a s a e n t e r n e c e r os cora•
çõ e s , a fi m de que se abra m às m a r a v i l h o s a s r e a l i d a d e s
da vid a no plano e s p i r i t u a l .

152

EVOLUÇÃO

D e m u i t o longe ven ho , e m su r t o s m i l e n á r i o s
, viv i na luz dos só i s , va gue i por mil e sf e r a s
e, pres o ao t u r b i l h ã o de m o t o s p l a n e t á r i o s ,
fu i lodo e fu i cr i sta l no albor de pr i sca s e r a s . . .

Mi l f o r m a s an im e i nos m u n d o s m u l t i f á r i o s
,
fu i p la n t a n o v e r d o r d e f r e s c a s
primaveras ,
e, após s o m b r i o e st á g i o entr e os p r o t o z o á r i o s ,
ga l gu ei novo s d e g r a u s , fui fer a d en tr e as f er as .

D ep oi s que em mi m b r i l h o u o fach o da razão,
fu i ín co l a fero z d e t r i b o s p r i m i t i v a s ,
e com o tal viv i por vida s s u c e s s i v a s .

E s e m p r e na esp ir a l da e te r n a e v o l u çã o ,
u m dia a l ca n ça r e i , e m plano s be m
diversos ,
a gl ó ri a de ser luz, na luz dos
universos !

(RU BE M C . R O M A N E L L I , e m
" O Primado d o E s p í r i t o " )

153

VIII — A REENCARNAÇÃO

1 — A reencarnação e a lógica
Nós , e s p i r i t u a l i s t a s , s a b e m o s , por se r um a d e d u çã o
r aci on al assaz c o n f i r m a d a pelo s e n s i n a m e n t o s r e c e b i d o s ,
que o e st a d o , por a ss i m di zer, " n o r m a l " do se r h u m a n o ,
por Deu s cr ia d o à su a i m a g e m e s e m e l h a n ç a , é o e stad o
e s p i r i t u a l . N o r m a l e t a m b é m d e f i n i t i v o , p or qu e o p e r ío d
o
d e t e m p o pa ssa do n a i n d u m e n t á r i a f í s i c a ,
quer se j a e m
uma , que r e m vá ri a s e x i s t ê n c i a s ,
não te m q u a l q u e r si gni •
f i ca çã o e m fac e d o t e m p o que
ele p e r m a n e c e r á co m o Es•
p í r i t o . A s s i m , d ia n t e da
e t e r n i d a d e , a e x p e r i ê n c i a no pla•
no f í s i c o se reduz
a um i n s t a n t e fu ga z.
P e r g u n t a - se e n tã o : Por que o C r i a d o r S u p r e m o achou
n e c e s s á r i o s u b m e t e r os sere s cr i a d o s a ess a e x p e r i ê n c i a
nos g r i l h õ e s da car ne ? A boa l ó gi c a nos diz se r ess a um a
e x p e r i ê n c i a n e ce s s á r i a a o a p r i m o r a m e n t o das q u a l i d a d e s
do ser . C r i a d a s s i m p l e s e i g n o r a n t e s , ma s p e r f e c t í v e i s ,
as a lm a s d e v e m passar por tod a s as p rov a s qu e de
algu• m a so r t e c o n t r i b u a m para fazê-las p r o g r e d i r n o
caminh o
da p e r f e i ç ã o .
S e Deu s que r que o s Es p ír i to s po r ele f o r m a d o s se•
j a m , ou v e n h a m a ser, seu s c o l a b o r a d o r e s na a d m i n i s t r a •
ção dos m i l h õ e s de m u n d o s que sa ír a m e c o n t i n u a m sa in •
do do seu P e n sa m e n t o C r i a d o r , p a r e ce - n o s r aci on al su po r
que o e s t á g i o no plan o f í s i c o sej a i n d i s p e n s á v e l ao apri•
m o r a m e n t o de sse s a tuais e f u t u r o s a u x i l i a r e s . E f a l a m o
s
e m " a t u a i s " po r qu e Deu s , não te nd o tid o
p r i n c í p i o , logi•
c a m e n t e ve m cr ia nd o de tod a a e t e r n i d a d e
, e a s s i m os Es•
p í r i t o s f o r m a d o s n o que p o d e r í a m o s
ch a m a r " p r i n c í p i o
dos t e m p o s " j á d e v e m te r
a l ca n ça d o o e s t á g i o d a m á x i m a
perfeiçã o (Hebreu s
12:23) , ou se ja , o e stad o a n g e l i c a l , f u n c i o n a n d o co m o a ti vo
s c o l a b o r a d o r e s n a obr a d o Pai.
J á o s cr i a d o s

mai s r e c e n t e m e n t e e n c o n t r a m - s e e m

155

d i f e r e n t e s e s t á g i o s de a p r e n d i za d o , c o n f o r m e o grau de
e v o l u çã o que t e n h a m a ti n gi d o , p r e c i s a n d o d e pa ssa r, in•
c l u s i v e no plano f í s i c o , por i n ú m e r a s pr ova s e e x p e r i ê n •
cia s que c o n c o r r e r ã o para o p r o g r e s s i v o a p r i m o r a m e n t o
de sua s q u a l i d a d e s i n t e l e c t u a i s e m o r a i s .
Per gu n ta- se a go ra : Se a e n ca r n a çã o é n e ce s s á r i a pa•
ra o p r o g r e s s o do E s p ír i to , co m o e em que c o n d i ç õ e s se
v e r i f i c a ess e p r o g r e s s o ? R e s p o n d e m o s : Pelo e s t u d o , pela
a q u i si ç ã o p a u l a t i n a d e novo s c o n h e c i m e n t o s , pel a apli ca•
ção da i n t e l i g ê n c i a à so l u çã o de p r o b l e m a s que s u r g e
m
a cada pa sso , o ser vai d e s e n v o l v e n d o os seu s
do te s in•
t e l e c t u a i s , até a ti n gi r a p l e n i t u d e da s a b e d o r i a
. Pela
su •
pe ra çã o
das d i f i c u l d a d e s
que
c o t i d i a n a m e n t e s e a p r e se n •
t a m , s o b r e t u d o pelo
s o f r i m e n t o que a s c o n t i n g ê n c i a s d a
vid a
c o m u m e n t e a c a r r e t a m , o se r hu ma n o vai aos p o u co s
b u r i l a n d o o seu ca r á t e r , t r a n s f o r m a n d o os i n s t i n t o s em
s e n t i m e n t o s e " i p s o f a c t o " c r e s c e n d o em m o r a l i d a d e e
v i r t u d e . E f i n a l m e n t e , é a tra vé s do r e l a c i o n a m e n t o co
m
o s o u t r o s sere s h u m a n o s , n o e n t r e c h o q u
e dos i n t e r e s s e s
e da s pa ixõ e s e sob o guant e das
n o r m a s é ti ca s e j u r í d i •
cas e s t a b e l e c i d a s , que o h o m e m
a pr en d e a d o m i n a r seu s
i m p u l s o s , a r e p r i m i r seu
e g o í s m o , a cr e s ce r em f r a t e r n i •
dade , a se
e x p a n d i r em a mo r .
U m a n a co r e t a que v i v e s s e c o m p l e t a m e n t e a f a sta d
o
d o c o n v ív i o so cia l não te r i a co m o a p r i m o r a r o s seu s
do te s
m o r a i s . Vi v e r i a se m m e i o s d e p r a t i ca r o mal ,
mas t a m p o u •
co t e r i a c o n d i ç õ e s de e x e r c i t a r o b e m . É na
vid a em so•
ci e d a d e que o h o m e m d ep ur a os seu s
sentimento s e é
t a m b é m ond e pod e rev el a r o seu
v e r d a d e i r o c a r á t e r . Por
isso di ss e Kardec que " a vid
a social é a pe dr a de to qu e das boas ou má s q u a l i d a d e s " ("
O Cé u e o I n f e r n o " , 2.a

ed .

LAKE, pg . 33).

E aqui c h e g a m o s ao pont o em que um a p e r g u n t a de
gra nd e i m p o r t â n c i a se i m p õ e : É s u f i c i e n t e um a e x i s t ê n

ci a na Terra para o se r h u m a n o a ti n g i r a p l e n i t u d e em
sa• b e d o r i a
e v i r t u d e ? Um s i m p l e s r a c i o c ín i o nos
responder á
que não . M e s m o o s mai s p r i v i l e g i a d o s
dos
h o m e n s po•
de m se r c o n s i d e r a d o s sá b i o s ,
pelo s p a d r õ e s c e l e s t e s ?
M e s m o o s mai s v i r t u o s o s ,
p o d e m ser c o n s i d e r a d o s san•
to s ?
Então, por que não a d m i t i r que um a só e x i s t ê n c i a não
bast a para n i n g u é m a ti n gi r o ápi c e da p e r f e i ç ã o ? A no ss
a

156

p r ó p r i a c o n s c i ê n c i a nos a d v e r t e de que ainda nos acha•
mo s nos p r i m ó r d i o s d a no ss a e v o l u ç ã o , tan t o que o s mai s
sáb i o s da Terra são os p r i m e i r o s a r e c o n h e c e r a p r ó p r i a
i g n o r â n c i a , e os mai s sa n to s e v i r t u o s o s a p r o c l a m a r sua
própri a i m p e r f e i ç ã o .
E aqui t e m o s de a n a l i sa r as vár ia s a l t e r n a t i v a s que
se nos d e p a r a m : A p r i m e i r a é que no céu , ou em r e gi õ e s
do espa ç o i n f i n i t o , ond e que r que a e x i s t ê n c i a c o n t i n u e ,
os sá b io s c o n t i n u a r ã o sáb i o s e os i g n o r a n te s c o n t i n u a r ã o
i g n o r a n t e s , e ness e caso as d e s i g u a l d a d e s t e r r e n a s per•
s i s t i r ã o para s e m p r e , não h ave nd o f e l i c i d a d e u n i f o r m e ,
m e s m o en tr e o s E s p ír i to s c o n s i d e r a d o s e l e i t o s . N o te - s e
que não é s o m e n t e a v i r t u d e que traz f e l i c i d a d e , o con he •
c i m e n t o a m p l i a os h o r i zo n t e s da m e n t e . E não hav er á jus •
ti ça , poi s n a m a i o r i a dos ca so s o s i g n o r a n t e s p e r m a n e c e •
rão a s s i m p or qu e não d i s p u s e r a m de m e i o s para se edu•
car.
Ou tr a a l t e r n a t i v a : Co m o nu m pass e d e m á g i c a , o s
E s p ír i to s f icar ã o to do s sáb i o s d e p o i s d a m o r t e . Seri a tal•
vez mai s j u s t o , ma s t o r n a r i a in ú ti l tod o o a p r e n d i za d o fei
• to , não raro a dura s p en as , d u r a n t e a vid a c o r p ó r e a . Ade •
m ai s , seri a um a so l u çã o i l ó g i c a , c o n s i d e r a n d o - s e que a
S a b e d o r i a D i v i n a nada faz se m o b j e t i v o e p r o v e i t o .
C o m o r e so l v e r d e mod o a c e i tá v e l pel a razão tã o in•
q u i e t a n t e p r o b l e m a ? I n q u i e t a n t e p o r qu e , afinal d e co n t a s ,
co n ce r n e a cada um de n ó s . Se so m o s e s p i r i t u a l i s t a s e
t e m o s plen a c o n v i c ç ã o de que a noss a i n d i v i d u a l i d a d e
não se e x t i n g u e co m a m o r t e , entã o é na tur a l que p ro cu •
r e m o s d e s v e n d a r u m pouc o co m o serão a s c o n d i ç õ e s que
nos a g u a r d a m d o o u tr o lado d a v i d a .
P o r t a n t o q u e r e m o s e n c a r e c e r a b o n d o s a a te n çã o de
n osso s l e i t o r e s para os a r g u m e n t o s que f u n d a m e n t a m a
noss a c o n v i c ç ã o de que o E s p ír i t o não te m s o m e n t e um a
e x i s t ê n c i a n o plano f í s i c o , ante s re ce b e vária s o p o r t u n i •
d ad es , ta n ta s qua n ta s se j a m n e c e s s á r i a s a o seu d e s e n v o l •
v i m e n t o i n te l e c tu a l e m o r a l . São t a n t o s e tã o l ó g i co s os
a r g u m e n t o s e m apoio dest a t e s e , que ne m s a b e m o s por
onde c o m e ç a r .
P r e s su p o n d o que o Pai C e l e s t i a l cri a os E s p ír i to s
pa• r a um a s ó e x i s t ê n c i a , co m o s e e x p l i c a r i a t a m a n h a
dispa •
ridade nos d e s t i n o s dos h o m e n s ? Ba sta r ia a
diversidad e
na d i s t r i b u i ç ã o dos do te s i n t e l e c t u a i s para
nos d eix a r in-

157

t r i g a d o s . Por que a l gun s são tã o b r i l h a n t e s e o u t r o s tão
r e ta r d a d o s que c h e g a m quas e à s f r o n t e i r a s d a i m b e c i l i d a

de , qu an d o não n a s c e m logo i m b e c i s ? Por qu e par a
un s to d o s os c a m i n h o s são f á c e i s e to da s as p o r ta s se a b r e m
, e n q u a n t o o u t r o s só se d e p a r a m co m d i f i c u l d a d e s , e
não
rar o ch e g a m a o fi m d a e x i s t ê n c i a se m t e r e m
conseguid o
um lugar ao sol? Por que un s são
virtuoso s
de sd e o
ber•
ço e o u tr o s já
n a s ce m
d e g e n e r a d o s ? Por que un s só pra•
t i c a m o be m e são
s e m p r e v í t i m a s do i n f o r t ú n i o , e n qu a n •
to o u t r o s são
e m p e d e r n i d o s no ma l e tud o na vid a lhes
p ar ec e
s o r r i r ? Por que un s n a s c e m belo s e sa d i o s e ou• tro s já
vê m à luz ce g o s , su r d o s ou a l e i ja d o s ? Por que so• f r e m a
s c r i a n c i n h a s , que cr i m e c o m e t e r a m par a tã o cr ue l •
m e n t e p a d e c e r e m ? Por que uns v i v e m n a o p u l ê n c i a , en•
qu an t o m i l h a r e s d e i n o c e n t e s m o r r e m d e f o m e to d o s o s
dia s , se m nad a t e r e m f e i t o para m e r e c e r tã o d o l o r o s o
d e s t i n o ? Não é o m e s m o Deu s qu e m cri a to da s as al ma s ?
Não é Ele i n f i n i t a m e n t e j u s t o e i n f i n i t a m e n t e bom ? E co•
m o p e r m i t e tamanh a iniqüidade ? H á algum a explicação ,
para tud o isso? A l g u m a r e l i g i ã o sab e e x p l i ca r , o u f i c a m
toda s r e p e t i n d o co m o o E v a n g e l i s t a BILLY G R A H A M e m
um do s seu s a r t i g o s no t a b l ó i d e " D E C I S I O N " — ( A g o s t o
1981): "Sã o m i s t é r i o s de D eu s , que não nos é dad o co m •
preender"? ?
Ou tud o isso é obra do A c a s o , ou da P r o v i d ê n c i a . E
co m o nós , e s p i r i t u a l i s t a s , não p o d e m o s a d m i t i r a h i p ó te

s e d o a ca so , p or qu e a tr a v é s das p r ó p r i a s
leis n a tu r a i s v e m o s a m a n i f e s t a ç ã o de um Poder I n t e l i g e n t
e a vel a r
pela h a r m o n i a d o U n i v e r s o , t e m o s d e
c o n c l u i r que tud o
isso o co r r e por d e t e r m i n a ç ã o d e um
a Von t a d e S u p e r i o r
que reg e o s m u n d o s .
Então a s i m p l e s l ó gi c a nos leva ao s e g u i n t e r aci o cí•
nio : Se não há e f e i t o se m ca u sa , e se a cau s a é s e m p r e
a n t e r i o r ao e f e i t o , só é p o s s ív e l ch e ga r a um a c o n c l u s ã o
, e d u v i d a m o s que a l g u é m nos a p r e s e n t e o u tr a m e l h o r : A
caus a d e tai s a n o m a l i a s s ó pod e s e achar s i t u a d a a n t e
s d o n a s c i m e n t o , p o r t a n t o n um a e x i s t ê n c i a a n t e r i o r . É
cla•
r o qu e não h á outr a sa íd a , d o c o n t r á r i o
t e r í a m o s d e enca•
rar o S u p r e m o C r i a d o r , não co m o
a qu e l e Deu s a m o r o s o
de que f al av a Je su s , e si m co m o
um ent e crue l e sá d i co , que s e c o m p r a z e m a t o r m e n t a r
Suas p r ó p r i a s c r i a t u r a s .
A e x p l i c a ç ã o e s p í r i t a que d a r e m o s a se g u i r nos

158

pa-

rece tã o l ó gi ca , tão s i m p l e s , tã o r a c i o n a l , tã o e v i d e n t e ,
que até se c o n f i g u r a e s p a n t o s o que, já qua se ao d ea lb a
r
d o sé cu l o XX I , o s h o m e n s p e r m a n e ç a m a p e ga d o s aos
seu s
ve lh o s p r e c o n c e i t o s e c o n t i n u e m f e c h a n d o os
olno s para
não ve r e tap an d o os o uv i d o s para não
o uvi r , co m o se lhes h o u v e s s e m " g r u d a d o os olho s para que
não v e j a m " (Isaías
44:18). E há tan t o t e m p o di ss e
o C r i s t o : " Q u e m te m ouvi •
dos d e o uvi r , o u ç a " ( M a t .
11:15). E ele s p r e so s às ve lh a s c o n c e p ç õ e s , co m r ece i o
de e n ca r a r de f r e n t e a Ver d a d e ,
da qual o m e s m o
C r i s t o f a l o u : " C o n h e c e r e i s a Ver d a d e e
a Ver d a d e
vo s l i b e r t a r á " (João 8:32).
Pois aqui est á a Ver d a d e , am ad o s i r m ã o s , e ela para
nós não é o b j e t o apenas de c r e n ça , ma s t a m b é m de cer•
te za ! S a b e m o s p or qu e não só a E s c r i tu r a v e l a d a m e n t e a
e n s i n a , co m o a H i s t ó r i a a r e f e r e , a ló gi ca a e v i d e n c i a , os
m e n t o r e s e s p i r i t u a i s a c o n f i r m a m e a p r ó p r i a C i ê n c i a já
c o m e ç a a r a t i f i ca r to do s os seu s p o s t u l a d o s .
A s s i m , p o d e m o s e s t a b e l e c e r co m a b s o l u t a se g u r a n •
ça qu e o E s p ír i t o e n ca r n a no plano f ísi c o para se a p r i m o •
rar e aí vol t a tan ta s ve ze s qu a n ta s n e c e s s á r i a s para a tin•
gir d e t e r m i n a d o grau d e a p e r f e i ç o a m e n t o , c o m p a t í v e l co
m
o e s t á g i o e v o l u t i v o do noss o p l a n e ta ,
p a r t i n d o em se gu i •
d a para m u n d o s mai s a d i a n ta d o s ,
s e m p r e a v a n ça n d o e m c o n h e c i m e n t o e v i r t u d e , até a ti n gi r
a c o n d i çã o de Esp ír i •
to Puro, i n te g r a d o à c o m u n h ã o do
Pai C e l e s t i a l . A esse
r e s p e i t o , l e m b r a m o s que u m
a mi g o nos o b s e r v o u e m to m
j o c o s o : "Q u ã o f a t i g a n t e
deve se r ess a j o r n a d a i n t e r m i n á •
ve l a tr a v é s dos a st r o
s e dos m i l ê n i o s ! . . . " O que evi de n •
ci a co m o fal t a a
ta n ta s p e s so a s a noção do que sej a a E t e r n i d a d e !
A s i tu a çã o dos vá ri o s m u n d o s e m qu e d e v e m esta •
giar os Es p ír i to s em sua j o r n a d a para o I n f i n i t o e qu i p a r a
-se à dos C o l é g i o s em re la ção aos al un o s que os f r e q ü e n •
t a m . A c r i a n c i n h a c o m e ç a no " J a r d i m da I n f â n c i a " , os Es•
p ír i t o s d e e v o l u ç ã o i n ci p i e n t e i n i c i a m su a c a m i n h a d a , e m
geral (ma s não n e c e s s a r i a m e n t e ) em orbe s p r i m i t i v o s . O
e s t u d a n t e vai te n d o a ce ss o à s c l a s se s mai s ad ia n ta da s
qu an d o a p r o v a d o no ex am e final de cada ano l e t i v o ; se
não c o n s e g u i r a p r o v a ç ã o , ter á que r e p e ti r o ano . O Espí•
rit o e m seu a p r e n d i za d o pass a por u m " j u l g a m e n t o " de•
poi s de cada e x i s t ê n c i a no plan o f í s i c o ; se a p r o v a d o , re•
ceb e nov o s d e v e r e s e mai s g r a t i f i c a n t e s e n c a r g o s e,
ao

159

concluir o ciclo do planeta, tem merecido acesso a orbes
mais evoluídos. Se, por negligência ou preguiça, não lo•
gra aprovação, terá que refazer a experiência, quiçá com
maiores dificuldades, até que chegue à conclusão de que
deverá encarar seus deveres com seriedade. E assim vai
evoluindo, de prova em prova, não raro caindo mas se
reerguendo, sempre com o seu livre-arbítrio respeitado,
mas contando também, quantas vezes pedir, com o auxí•
lio e apoio dos seus companheiros mais evoluídos e sem
jamais retroceder em sua caminhada.
As desigualdades chocantes que se observam na sor•
te dos homens não resultam de arbítrio do Onipotente,
mas de condições criadas pelos próprios homens, nesta
ou em existências precedentes. Se são ditosos, é que
desempenharam bem suas tarefas e seguem progredindo.
Se sofrem, é que fizeram sofrer os seus irmãos. "A cada
um segundo as suas obras", disse o Mestre (Mateus 16:
27). Se nascem cegos, ou surdos, é que empregaram olhos
ou ouvidos na prática do mal. Deus é misericordioso, mas
é sobretudo justo. Sendo misericordioso, não condena ne•
nhum dos seus filhos a sofrimentos eternos; e sendo jus•
to, não deixa nenhum bem sem recompensa e nenhum mal
sem a conseqüente punição.
Como se poderia entender o sofrimento de crianci•
nhas que nenhum mal puderam ainda praticar na vida? Só
pela pre-existência da alma, ou seja, pela volta ao plano
físico de seres que muito deviam à Justiça Divina, porque
"a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória". Quan•
do o desencarnado observa a enormidade dos seus erros
e chora o pranto do arrependimento, o nosso Pai amoroso,
que nos ensinou a perdoar indefinidamente, não deixará
o seu filho abandonado, enviar-lhe-á Espíritos evoluídos,
que o ajudarão a reerguer-se e a planejar a tarefa do res•
gate. Então o próprio penitente suplicará uma nova opor•
tunidade e aguardará sua vez de voltar ao plano físico, não
raro junto àqueles de quem se fez devedor, para iniciar
o trabalho de reparação. Não diz o Evangelho que "nin•
guém sairá da prisão até que tenha pago o último ceitil"?
(Mat. 5: 25/26).
Muitos perguntam de que vale a punição se aqueles
que a sofrem não se lembram das faltas que lhe deram
causa. Não lembram enquanto na matéria, e até isso vem
160

comprovar a misericórdia divina. Imagine-se dois inimigos
mortais de outras eras, agora reunidos como irmãos, ou
como pai e filho, suportando-se com a intuição de um de•
sajuste que não logram compreender. Se pudessem lem•
brar, não seria muito pior, talvez insuportável? Mas ao
retornarem ao plano espiritual, todo o quadro se lhes de•
senhará bem nítido na mente e renderão graças ao Pai
pela oportunidade da reconciliação.
Todas essas ilações, que se fundamentam precipua•
mente na lógica, não parecem mais racionais, além de
mais consentâneas com a idéia que fazemos da Justiça
Divina, do que supor que Deus cria os Espíritos para uma
só existência na Terra, e depois escolhe uns poucos para
a salvação e condena a maioria a tormentos sem fim no
inferno? E isso por faltas de que nem sequer tiveram cul•
pa, porque resultantes do "pecado original", herdado de
Adão...
Mas passemos às considerações finais: O homem se
encontra aqui na Terra para evoluir. Isto é um truísmo, ou
seja, uma verdade tão evidente que dispensa demonstra•
ção. Através do trabalho e do estudo, ele desenvolve suas
faculdades intelectuais. Através das lutas e sofrimentos,
nas relações intersubjetivas, ele aprimora suas qualida•
des morais.
É claro que numa só existência terrena ninguém pode
atingir as culminâncias em sabedoria e virtude; conse•
qüentemente a Divina Providência faculta os meios para
que o Espírito, que já vem de um longo aprendizado, per•
corra toda a escala das provas de que necessita, para o
seu aperfeiçoamento, não importa quantas experiências
tenha de suportar, nem por quantos orbes tenha que tran•
sitar.
Por que o temor de uma jornada aparentemente inter•
minável? As noções de distância e duração são próprias
aqui da Terra, inerentes aos nossos sentidos limitados.
Na Eternidade não há espaço nem tempo, só o Infinito. E
o Espírito que prossegue em sua jornada em direção à Luz
vai gozando de crescente felicidade à medida em que se
despoja de suas imperfeições.
A evolução é uma lei da natureza e uma constante no
Universo. O destino do homem é evoluir. E é também o
dos mundos, que necessariamente refletem o grau de evo161

lução dos E sp ír i to s que os

habitam .

É só olhar a H i s t ó r i a para co n s t a ta r que a
Humanidad
e j á ev o l u i u c o n s i d e r a v e l m e n t e desd e o s t e m p o s p r i m i t i v o s
.
Nos ú l t i m o s s é cu l o s , en tão , o p r o g r e s s o te m
sid o extr ao r •
d i n á r i o . Basta l e m b r a r que há 200 anos o
t r a n s p o r t e por
te r r a era f ei t o no lomb o de a n i m a i s e
por água em
navios a v e l a ; toda s as v e s t i m e n t a s
e
utensílio s
era m
p r o d u to s
do a r te s a n a to , i n e x i s t i a
q u a l q u e r idéia das m a r a v i l h a s da t e c n o l o g i a m o d e r n a . Não
era m co n h e c i d a s a s v a ci n a s , ne m a a n e s t e s i a , as p e st e s
d i z i m a v a m populaçõe s inteiras ,
que m n e c e s s i t a s s e d
e e x t r a i r u m den t e tin h a d e r e co r r e r
ao b a r b e i r o e as
i n t e r v e n ç õ e s c i r ú r g i c a s era m fe i ta s a cru ,
se m m e i o s
de e v i ta r a dor. Há 100 anos já havia tr e n s e v a p o r e s , e
c o m e ç a v a a se r u ti li zad a a e n e r gi a e l é t r i c a ,
mas
i n e x i s t i a o t r a n s p o r t e aéreo e ne m se c o g i t a v a da in• d ú s t r i a
e l e t r ô n i c a ; não havia
rádio, ne m a s c o m u n i c a ç õ e s
por ondas h e r t zi a n a s e ne m a grande c o n q u i s t a do noss o
s é cu l o , que é a t e l e v i s ã o ; até r e f r i g e r a d o r e s e m á q u i n a s
de e s c r e v e r , que tan t o s i m p l i f i c a m a vid a , era m ainda des•
c o n h e c i d o s . F i n a l m e n t e , há e s ca s s o s 50 anos ainda não
era m c o n h e c i d o s o s a n t i b i ó t i c o s , o u o s c o m p u t a d o r e s , não
havia a t e c n o l o g i a espa ci al e ne m as m a r a v i l h a s da ciên •
cia a t ô m i c a e n u cl e a r .
É v e r d a d e que m u i t o s gr up o s h u m a n o s p e r m a n e c e m
se m a ce ss o à m a i o r i a dos r e c u r so s t e c n o l ó g i c o s atual •
m e n t e à d i sp o si ç ã o da h u m a n i d a d e , ma s é i ne gáv e l que ,
pelo m e n o s nos gr an de s a g l o m e r a d o s u r b a n o s , se r i a qua•
se i m p o s s í v e l co n ce b e r a vid a se m o c o n f o r t o que ele s
proporcionam .
Então, t e m o s de co n c l u i r que a h u m a n i d a d e está pas•
sand o po r um a fas e d e
ex tra or di ná r i o progresso ,
i n d i ca ti •
v o d e a ce n t u a d a exp an sã o i n t e l e c t u a l .
Infelizment e
não
fo i
a l ca n ça d o
o
m e sm o
d e s e n v o l v i m e n t o no
ca mp o da
m o r a l , e ess e é o
gra nd e d i l e m a da so c i e d a d e m o d e r n a .
Essa d e f a s a g e m
ger a um d e s e q u i l í b r i o que pod e levar a
resultado s
i m p r e v i s t o s , e x p l i c a n d o , por
e x e m p l o , p or qu e
as
gr a n d e s c o n q u i s t a s o b ti d a s no ca mp o da F ísi ca Nu • clear
e s t e j a m sendo a p l i ca d a s p r i n c i p a l m e n t e
n a
manufa •
tur a de a r t e f a to s capa zes de d e s t r u i r vá ri a s veze s tod a a
Humanidade .
ess a
r
162

E s o m o s l eva do s a i nd a gar : At é ond e nos co n d u zi r á
i n u si ta d a e x p a n sã o da i n t e l i g ê n c i a hu ma na ? E po

que o mesmo desenvolvimento não tem sido conseguido
no terreno moral? É que os dois aspectos nem sempre
correm simultâneos, porque os fatores que geram o pro•
gresso científico não são os mesmos determinantes do
progresso moral. E por que os homens progrediram tanto
em saber, sem progredir em virtude? Para nós a resposta
é que eles não assimilaram os ensinamentos do Cristo.
Não aprenderam a amar, e essa é a razão do desequilí•
brio psico-social dos tempos modernos.
O progresso tecnológico tornou os seres humanos
mais interdependentes, e por isso deveria fazê-los mais
solidários. Ao invés, tornaram-se mais competitivos e
egoístas. A multiplicação dos meios de comunicação de•
veria estimular o sentimento de fraternidade entre os po•
vos, e o que fez foi torná-los mais agressivos e intoleran•
tes. E o interessante é que entre os que se dizem cris•
tãos, parecem ainda mais ignorados os preceitos do Mes•
tre. Até quando? Até que todos se conscientizem das ver•
dades que Ele ensinou e ponham em prática dentro de
seus corações a Lei do Amor.
Mas não se pense que o progresso moral tem sido
nulo nestes séculos transcorridos desde que o homem
começou a engatinhar na superfície da Terra. Na realida•
de ocorreram consideráveis avanços em todos os setores.
Veja-se, por exemplo, o campo da Criminologia: Nas eras
primitivas, a vingança era da iniciativa privada e não raro
ultrapassava a pessoa do delinqüente, atingindo a sua fa•
mília e até mesmo o seu clã. Depois as próprias contin•
gências da vida em sociedade impuseram a "Pena de Ta•
lião" (olho por olho, dente por dente, veja-se Êxodo 21:
23/25), que atualmente nos parece repulsiva, mas que, na•
queles tempos primitivos, já refletia um progresso. Em
seguida o Estado tomou a si a tarefa de punir, de modo
que as sanções se foram amenizando, ao ponto de já po•
dermos antever a extinção da pena de morte, evidente
resquício dos tempos da barbárie, enquanto que as penas
privativas da liberdade tendem a revestir modernamente
menos o caráter de "punição" que o de "medida de se•
gurança", visando ao duplo objetivo de resguardar a co•
munidade e de ensejar ao criminoso a sua reintegração
no corpo social, tanto que os reclusos nas penitenciárias
já não são referidos como "condenados", e sim como
"reeducandos".
163

T am b é m c o n s t i t u i e v i d ê n c i a de p r o g r e s s o mora l a ex•
ti n çã o d a e s c r a v a t u r a , que h á pouc o mai s d e u m sé cu l o
e x i s t i a co m base na l e g i s l a çã o de quas e to d o s os povo s
c i v i l i z a d o s . O m e s m o o c o r r e u co m a e l i m i n a ç ã o de ce r to s
c o s t u m e s que hoje r e p u t a m o s d e s u m a n o s , co m o o s cas•
ti go s c o r p o r a i s , a pr i sã o po r d ív i d a s , a t o r t u r a a p l i ca d a
aos a cu s a d o s ou s u s p e i t o s de c r i m e s , co m o o b j e t i v o de
e x t o r q u i r c o n f i s s õ e s , e t c . N o te - s e que nos r e f e r i m o s à
h u m a n i d a d e co m o u m t o d o , poi s s a b e m o s que ainda per•
s i s t e m a l gu m a s d essa s p r á ti c a s c o n d e n á v e i s entr e a gru•
p a m e n t o s h u m a n o s mai s a tr a sa d o s .
P o d e r ía m o s ap on ta r ainda o s d i r e i t o s hoje r e c o n h e c i •
do s às cl a sse s t r a b a l h a d o r a s , que ainda há m e n o s de um
sé cu l o não t i n h a m l i m i t a ç ã o d e h o r á r i o s , ne m f é r i a s , ne m
a p o s e n t a d o r i a , ne m q u a i s q u e r dos p r i v i l é g i o s hoje asse •
g u r a d o s pel a l e g i s l a çã o t r a b a l h i s t a . F i n a l m e n t e , l e m b r a •
r ía m o s que há m e n o s de 50 anos não e x i s t i a um co n se n
• s o u n i v e r sa l sobr e o s d i r e i t o s
d o
homem ,
hoje
co n sa g r a •
do s de sd e a m e m o r á v e l A s s e m b l é i a Geral d a
"ONU" em
10 de d e ze m b r o de 1948.
Tudo isso r e f l e t e u m a p r i m o r a m e n t o d a c o n s c i ê n c i a
c o l e t i v a e c o n f i g u r a u m e v i d e n t e p r o g r e s s o m o r a l . O s des •
r e s p e i t o s e t r a n s g r e s s õ e s que p e r s i s t e m em a l g u m a s co •
m u n i d a d e s apenas s e r v e m para c o n f i r m a r a re gr a co m o
e x c e ç õ e s , e para i l u s t r a r que em tod o s os g r u p o s so c i a i s
e x i s t e m e l e m e n t o s d e s a j u s t a d o s , e que este s terã o qu e
a ce i ta r o s i m p e r a t i v o s d o p r o g r e s s o , o u d e e m i g r a r para
o u tr o s orbe s mai s a d e qu a d o s ao seu grau de e v o l u çã o es•
piritual .
Todas esta s c o n s i d e r a ç õ e s nos leva m a um a i nev i tá •
vel c o n c l u s ã o : A de que a h u m a n i d a d e t e r r e s t r e te m pro•
g r e d i d o , ta n t o i n t e l e c t u a l q u a n t o , e m b o r a e m m e n o r gra u ,
m o r a l m e n t e , e que as al ma s aqui e x i s t e n t e s hoje não são
a lm a s n ova s , cr i ad a s po r Deu s co m o sere s p r i v i l e g i a d o s
para se l o c u p l e t a r e m do p r o g r e s s o c o n s t r u í d o à cu st a dos
e s f o r ç o s e das penas das g e r a ç õ e s p a ssa d a s . Tal p r i v i l é •
gio ser i a i n c o m p a t í v e l co m o s i m p e r a t i v o s d a Ju s ti ç a Di •
v i n a . Por isso , não t e m o s d úvi d a em a f i r m a r que a hu ma •
n id ad e atual est á u s u f r u i n d o o s b e n e f í c i o s que ela me s

m a f o r jo u e m um a séri e d e e x i s t ê n c i a s l a b o r i o s a s ,
n est e m e s m o p l a n e ta , o u e m o u tr o s e m i d ê n t i c o n íve l d e
evo •
l u çã o . C o n c l u í m o s , poi s , que o p r o g r e s s o c o n j u n t o
da hu-

164

manidade é mais uma evidência da autenticidade da dou•
trina das vidas sucessivas.
E para finalizar, perguntamos: É tão absurda assim a
idéia da preexistência da alma? Acaso não a admitiam
quase todos os povos da antiguidade? E não a admitiam
também os judeus, como o prova o episódio do "cego de
nascença" (João 9: 1/3), que os apóstolos perguntaram
ao Mestre se nascera cego por haver pecado, portanto
pecado antes de nascer, evidentemente numa existência
anterior? Esse e outros episódios bíblicos serão objeto
de nossa atenção no próximo capítulo.

165

2 — A r e e n c a r n a ç ã o na Bí bl i a.

Digno de especial menção é o episódio com Nicode•
mos (João 3) . Este era um fariseu tão importante que, pro•
vavelmente receoso da repercussão do seu gesto, só ou•
sou procurar Jesus na calada da noite. Sendo um "prín•
cipe", ou "um dos principais" (na versão inglesa King Ja•
mes "ruler", governador, dirigente), não podia evidente•
mente desconhecer a Cabala e seus ensinamentos secre•
tos. E como Jesus falava segundo o que podiam entender
os ouvintes (Mar. 4:33), era natural que lhe dissesse ex•
plicitamente: "Aquele que não nascer de novo, não pode
ver o Reino de Deus" (João 3:3). Assim a pergunta de Ni•
codemos: — "Como pode um homem nascer sendo ve•
lho?" (v. 4) não pode ser tomada como prova de ignorân•
cia; ele talvez quisesse apenas testar até onde iam os
conhecimentos de Jesus sobre os "mistérios". A respos•
ta deste: "O que é nascido da carne é carne, e o que é
nascido do espírito é espírito" (v. 6) aplica-se como uma
luva à tese da reencarnação. O corpo nasce dos pais, o
espírito vem de Deus e, tal como o vento, que sopra onde
quer sem que se saiba a sua origem, os homens não sa•
bem de onde ele v e m . . . (v. 8) .
Quando a Igreja primitiva trancou as portas da comu•
nicação com o mundo invisível, os teólogos passaram a
forjar explicações para episódio tão claro. Os protestan•
tes se escoraram na "renovação espiritual" dos que se
convertem e recebem o Senhor em seus corações. Ou,
como os Pentecostais, entendem que a transformação se
opera através da atuação direta do Espírito Santo. Daí os
apelos patéticos dos Pastores, conclamando os ouvintes
a darem um passo decisivo em direção ao Cristo. Com as
energias mentais de toda a congregação concentradas no
veemente propósito de levar os pecadores aos pés do Sal•
vador, é natural que o efeito sugestivo crie um ambiente
de fortes vibrações emotivas, que leva não poucos a se
167

s e n t i r e m " t o c a d o s pela g r a ç a " , ou " c h e i o s do E s p í r i t o "
e
a se a c r e d i t a r e m , co m a b so l u t a s i n c e r i d a d e
, p a r t í c i p e s na
" c o m u n h ã o dos e l e i t o s " .
F o r m u l a m o s este s c o n c e i t o s a t í t u l o m e r a m e n t e ilus•
t r a t i v o , se m o mai s leve i n tu i t o de m e n o s c a b a r o se n t i •
m e n to , assaz l o u v á v e l , dos n osso s q u e r i d o s i r m ã o s . Reco•
n h e c e m o s a p i e d o s a i n t e n ç ã o que os m ov e , ma s não po•
d e m o s d eix a r d e p o n d e r a r qu e r a r a m e n t e a s p e sso a s por
ess a f o r m a s u g e s t i o n a d a s , p e r s e v e r a m n a " g r a ç a " , vi s t o
co m o , p assad o a quele i n s ta n t e e m o c i o n a l , a m a i o r i a dos
" n a s c i d o s d e n o v o " , m e s m o qua nd o p e r m a n e c e m n o sei
o
da Igr e ja , logo se a d a p t a m à r o ti n a de um
Cristianism o
qua s e que m e r a m e n t e de f a ch a d a . E tan t
o ist o é v e r d a d e
que, d e t e m p o s e m t e m p o s , s u r g e m
movimento s
d e
"r e •
n ova çã o e s p i r i t u a l "
p r o p o r c i o n a n d o o e nse j o de um "no v o
nascimento
" a m u i t o s que j á v i n h a m t r a b a l h a n d o d e n tr o
de sua
s p r ó p r i a s i g r e j a s . Aí estã o para c o m p r o v á - l o as c a m p a n h a s d
e
"reaviv amento " empreendida s
p el o s
diri •
ge n te s das vár ia s d e n o m i n a ç õ e s , n o t a d a m e n t e nos Esta•
dos U n i d o s , m o v i m e n t o s d e " r e n o v a ç ã o d a f é " , quai s o s
das " C r u z a d a s " d o n o táv e l Ev a n g e l i s t a BILLY G R A H A M ,
lev an d o a sa lva çã o a t a n to s que já se c l a s s i f i c a v a m com o
" c r e n t e s " , co m r e s u l t a d o s o b s e r v á v e i s nas c e n t e n a s d e
ca r ta s r e m e t i d a s aos d i r i g e n t e s das " C r u z a d a s " e que são
h a b i t u a l m e n t e d i v u l g a d a s a tr a v é s d o seu órgã o " D E C I SION" .
E tan t o é p r e s u m í v e l que ess e " n o v o n a s c i m e n t o " te •
nha valo r u m tant o p r e c á r i o , que o s P a s to r e s d e a l g u m a s
d e n o m i n a ç õ e s c e n s u r a m d i s c r e t a m e n t e ess e mod o d e an•
ga r ia r p r o s é l i t o s , a b s t e n d o - s e d e p r a ti cá - l o e m sua s igre•
jas , e m b o r a co m e v e n t u a i s c o n c e s s õ e s e m m o v i m e n t o s
de e v a n ge l i za ç ã o , ou d u r a n t e o ca s i o n a i s ca m p a n h a s de
reavivament o espiritual .
Co m esta s
ponderações ,
que
nos
parecera m
ló gi ca s
e o p o r t u n a s , r e t o r n e m o s à c o n v e r s a ç ã o de
Jesu s co m Ni •
c o d e m o s , para fr isa r o v e r s í c u l o 10 —
ao noss o ve r o
mai s e l o q ü e n t e no e p i s ó d i o — qua nd
o Jesu s inda ga , sur• p r e s o : "Tu é s M e s t r e e m Israel e
i gno ra s esta s c o i s a s ? "
Ora , os j u d e u s v i v i a m so b a
Lei, de sor t e qu e não p o d i a m co g i t a r d e um a " r e f o r m a
i n t e r i o r " , e m e s m o que c o g i t a s •
se m não ca b e r i a
inv oca r a c o n d i çã o de " m e s t r e " para ma •
nifesta r
e s t r a n h e z a ante a i g n o r â n ci a do f a to . Seri a um a e x e ge s e
d e m a s i a d o f o r ça d a a tr i b u i r tal s e n t i d o à s pala168

vras de Jesus. Assim, o que Nicodemos, como mestre em
Israel não podia evidentemente ignorar eram os "MISTÉ•
RIOS" contidos na "CABALA" judaica e só acessíveis aos
Iniciados, como os que diziam respeito à imortalidade da
alma e às existências sucessivas.
Outro episódio eloqüente é o de que já falamos, nar•
rado em João 9:2, quando os discípulos perguntaram ao
Cristo, reportando-se a um cego de nascença: "Mestre,
quem pecou para que este nascesse cego, ele ou seus
pais?" É claro que essa pergunta seria descabida se os
discípulos não acreditassem que aquele cego podia ter
pecado antes de nascer, ou seja, numa existência anterior.
E a resposta de Jesus prova que ele não encarou essa
idéia como erro, do contrário a teria corrigido.
Outra referência digna de meditação é a de Romanos
9: 11 e 13. Se Deus amava Jacó e detestava Esaú antes
que houvessem nascido, é claro que só podia ser pelo que
tivessem feito em vida precedente, de outra forma Deus
não seria justo.
Outras passagens bíblicas aludem, ainda que em al•
guns casos veladamente, à noção das vidas sucessivas:
Êxodo
20:5 - " . . . visito a iniqüidade dos
pais nos filhos NA terceira e
quarta geração..."
(É claro que após duas ou três
gerações os transgressores já
terão renascido para resgatar
suas faltas. É como está no tex•
to da VULGATA: " i N t e r t i a m e t
q u a r t a m g e n e r a t i o n e m " , ao
qual

foi
fiel
a
"Tradução
Brasilei• ra", da
A m e r i c a n Bible S o c i e t y .

É também correta a tradução
de ZAMENHOF, genial criador

do ESPERANTO: " E N la tria kaj
k v a r a g e n e r a c i o j " . Todas as de•

mais versões modernas, inclu•
sive a inglesa Ki ng J a m e s ,
para
acomodar o texto à
idéia de uma só existência na
Terra, uti• lizam a expressão
"ATÉ",
o que, além de
tremendamente iníquo, agride
frontalmente pre169

ceitos do próprio Deus (Deut.
24:16) e de seus profetas (Jer.
31: 29/30 e Ezeq. 18:20).
8:8/9 - "Pergunta às gerações passa•
das e examina as memórias de
nossos pais; pois somos de on•
tem e o ignoramos." (Pergunta
às gerações passadas, pois se
sofremos hoje devemos buscar
a razão em vidas anteriores,
porque somos de ontem, isto é,
já vivemos antes, embora o te•
nhamos esquecido.)

14:14 - "Morrendo um homem tornará
a viver? Todos os dias da pre•
sente vida esperarei que che•
gue a minha mudança." (Jó
pressente uma outra vida e es•
sa esperança lhe dá resignação
para suportar as provas que o
amarguram).

21:17 - "Quantas vezes se apagará a
luzerna dos ímpios e lhes so•
brevirá a destruição?"
(Os ímpios terão apagada a lu•
zerna da vida tantas vezes quan•
tas necessitem para se arrepen•
derem de seus erros e renas•
cerem para resgatá-los).
71:20 - "Tu, que me tens feito provar
tantas angústias e males, me
restaurarás a vida e de novo
me tirarás do abismo da terra,
aumentarás minha grandeza e
de novo me consolarás."
(Davi louva a Deus porque pres•
sente que as angústias atuais
serão compensadas em uma no•
va existência).

Salmo

78:33 - "Consumiam seus dias na vaie 34 dade e os seus anos na angús•
tia. E quando os fazia morrer,
170

Jer.

Ezeq.

Malaq.
Mat.

Mat.

então o procuravam e voltavam
e buscavam Deus."
(Abreviavam a vida e só após a
morte é que se arrependiam e
o Pai permitia que voltassem à
vida para que o buscassem).
1 : 5 - "Antes que te formasses
no
ventre materno, eu te conheci;
e antes que saísses da madre,
eu te consagrei e te constituí
profeta."
(O Espírito não foi criado espe•
cialmente para animar o corpo
de Jeremias, mas designado pa•
ra a sua missão antes que o
corpo fosse gerado).
37: 9 - "Vem dos quatro ventos, oh Es•
pírito, e assopra sobre estes
mortos, para que vivam."
(Portanto, Espírito já e x i s t e n •
te , e não criado especificamen•
te para animar aqueles corpos).
37:12 - "Sabereis que eu sou o Senhor
a 14 quando eu abrir vossas sepul•
turas e vos fizer sair delas; po•
rei em vós o meu Espírito e vi•
vereis, e vos estabelecerei em
vossa própria terra."
(A idéia de uma ressurreição
na carne se explica porque a
profecia era dirigida a um povo
ignorante, que só podia assimi•
lar conceitos materiais).
4: 5 - "Eis que vos enviarei o profeta
ELIAS, antes que venha o gran•
de e terrível Dia do Senhor."
11:14 - "Se puderdes compreender, ele
mesmo (João Batista) é o ELIAS
que devia vir."
16:13 - "E Jesus perguntou aos seus
e 14 discípulos: Quem dizem os ho•
mens que sou? E responderam:
171

"Uns, João Batista; outros,
ELIAS; outros, Jeremias, ou al•
gum dos profetas."
17:12 - "Mas eu vos declaro que ELIAS
e 13 já veio e não o reconheceram,
antes fizeram-lhe tudo o que
quiseram. Então compreende•
ram os discípulos que era de
João Batista que lhes falava."
(Tudo isso prova: 1.° — Que a
volta de ELIAS fora predita pe•
lo profeta Malaquias; 2.° — Que
os discípulos e o povo julga•
vam que JESUS era a reencar•
nação de ELIAS, de Jeremias,
ou de outro profeta; e 3.° —
Que JESUS deixou bem claro
que JOÃO BATISTA é que fora
a reencarnação de ELIAS).
26:52 - "Todos os que lançarem mão
da espada, pela espada morrerao.
(Como tantos cometem homicí•
dio e morrem tranqüilamente
na cama, terá JESUS laborado
em erro? De maneira alguma:
Toda violência será resgatada
pela violência, se não na vida
atual, numa próxima. Isto não
quer dizer que um homicida te•
rá que desencarnar por homicí•
dio; poderá sofrer morte vio•
lenta por acidente, desastre ou
convulsão da natureza).
Lucas

172

11:50 - "Desta geração será requerido
e 51
o sangue de todos os profetas."
(Só admitindo que a geração do
tempo se Jesus era a mesma
que em existências anteriores
havia derramado o sangue dos
profetas, será possível enten•
der o sentido dessas palavras,

João

João

uma vez que "os filhos não pa•
gam pelos pecados dos pais"
(Ezeq. 18:20), e nem seria justo
que pagassem).
3: 6 - "O que é nascido da carne, é
carne; o que é nascido do Espí•
rito, é Espírito; não te admires
de eu dizer: "Necessário vos é
nascer de novo."
(Renasceu ELIAS, renascem to•
dos os homens para se eleva•
rem em sabedoria e virtude. O
renascimento é da água e do
Espírito, ou seja, da matéria
(carne) e da substância espiri•
tual. A primeira resulta dos
pais terrenos, a segunda vem
de Deus. E o Mestre acrescen•
tou: "Como o vento sopra onde
quer e ninguém sabe de onde
vem nem para onde vai, assim
também o Espírito que renasce
(João 3:8), cuja origem só Deus
conhece.)
5:28 - " . . . todos os que estão no tú•
mulo ouvirão a Sua voz e sai•
rão, os que fizeram o bem para
a ressurreição da vida; e os que
fizeram o mal para a ressurrei•
ção do juízo."
(Todos os que estão mortos se•
rão chamados para reviver; os
que praticaram o bem, renasce•
rão para uma vida mais feliz; e
os que praticaram o mal, para o
juízo, isto é, para resgatarem,
através do sofrimento, os ma•
les praticados).
1.º Pedro

3:19 - "(JESUS) foi pregar aos
Espíri- e 20
tos em
prisão, os quais noutro tempo foram
rebeldes,
quando
a longanimidade de Deus espe•
rava, nos dias de NOÉ."
173

(Se JESUS p re go u aos E s p ír i to s
que h a v i a m sid o r e b e l d e s nos
dias de NOÉ, isso prov a que os
m o r t o s r e c e b e m nova s o p o r tu •
n i d a d e s , poi s s e e s t i v e s s e m
condenado s
irremissivelment e
de nada a d i a n ta r i a que o C r i s t o
lhes t i v e s s e ido p r e g a r ) .
E para f i n a l i za r, p e r g u n t a m o s : O que há de er ra d o
co m a idéia da r e e n c a r n a çã o ? O E v a n g e l i s t a não i d e n t i f i •
cou JESUS co m o um E s p ír i t o que "s e fez carn e e h a b i to u
en tr e n ó s " ? (João 1:14). O s j u d e u s não s u p u n h a m que
Ele er a a r e e n c a r n a çã o de ELIAS, ou de a l g u m dos o u t r o s
p r o f e t a s ? E o p r ó p r i o C r i s t o não a s se g u r o u que JOÃ O
BATISTA era a r e e n c a r n a ç ã o de ELIAS? O cu r i o s o é que
r e f u t a m est a p a s sa g e m a l e g a n d o que o Ba ti st a negou ti •
v e s s e sid o ELIAS (João 1:21). Clar o que só podia ne gar,
poi s e n qu a n t o na carne o E sp ír i t o não se r e c o r d a de exis •
t ê n c i a s a n t e r i o r e s . Ma s n o t e m que n o m e s m o v e r s í c u l o
ele t a m b é m ne go u se r p r o f e t a , e no e n ta n t o JESUS afir•
mo u que " e n t r e o s n a s c i d o s d e m u l h e r não houv e u m pro•
fet a maio r d o qu e J O Ã O B ATI STA " (Luca s 7:28).
De tud o o que a c i m a f i co u dit o se co n c l u i que a idéia
do s r e n a s c i m e n t o s era f a m i l i a r aos h e b r e u s e que as re•
f e r ê n c i a s que a ela f a ze m os Ev a n ge l h o s são até por de•
mai s
explícitas ,
s e
considerarmo s
tratar-s e
d e
ensinamen •
t o que, à quel a é p o ca , i n t e g r a v a o s
d e n o m i n a d o s "M IST É •
RIOS" ,
então
quase
que
r e s t r i t o s a um r e d u zi d o c ír c u l o
d e "iniciados".. .

174

3 — A r e e n c a r n a ç ã o na H i s t ó r i a .
A l g u n s le i go s c o s t u m a m a t r i b u i r a KAR D E C a
pa ter•
nidade da d o u t r i n a do s r e n a s c i m e n t o s , ma s é
suficient e
f o l h e a r as pá gi na s da H i s t ó r i a para
c o n s t a t a r que a idéia d a p l u r a l i d a d e d e e x i s t ê n c i a s
estev e sempr e present e n a
c o n s c i ê n c i a do s p o v o s ,
d esd e a mai s r e m o t a a n t i g u i d a d e .
Foi n a v e t u s t a Índia ond e p r i m e i r o s e c r i s t a l i z a r a m
as n o çõ e s da i m o r t a l i d a d e da alm a e das vida s s u c e s s i •
vas . O s c â n t i c o s sa g r a d o s dos Ved a s , que a b r i g a m o s f un •
d a m e n t o s das c o n c e p ç õ e s f i l o s ó f i c a s o r i e n t a i s e cuj a ori •
ge m s e perd e n a noi t e do s t e m p o s , er a m i n i c i a l m e n t e
t r a n s m i t i d o s por t r a d i ç ã o oral , te n d o sid o c o m p i l a d o s por
um sáb i o b r â m a n e cerc a de 14 sé c u l o s an te s de
Cristo .
J á a l u d i a m aos r e n a s c i m e n t o s , ma s , co m o tod o s o
s en si •
n a m e n t o s a n t i g o s , e n c e r r a v a m duas d o u t r i n a s :
a
"cientí •
f i c a " , r e s e r v a d a aos a d e p to s mai s
e s cla r e cid o s , e a "sim •
b ó l i c a " , m i n i s t r a d a so b a
f o r m a de a l e go r i a s à m a ss a que
não e stav a e m
c o n d i ç õ e s d e a s s i m i l a r a s g r a n d e s ve r d a •
des .
"Par a os " i n i c i a d o s " , a a s c e n ç ã o era gradua l e
p r o g r e s s i v a , se m r e g r e s s ã o à s f o r m a s i n f e r i o r e s ,
e n q u a n t o que a o povo , pouc o e v o l u í d o , era ensi •
nado que as alma s ruin s d e v i a m r e n a s c e r em cor•
po s d e a n i m a i s ( m e t e m p s i c o s e ) (GABRIEL D EL AN NE em " A R e e n c a r n a ç ã o " , 5." ed. pg . 23).
N e sse s l i v r o s , o u " H i n o s V é d i c o s " , era m c o m u n s a s
r e f e r ê n c i a s à r e e n c a r n a ç ã o das alma s e à p l u r a l i d a d e do s
m u n d o s , co m o s e v ê nos s e g u i n t e s t r e c h o s :
"S e vo s e n t r e g a r d e s aos v o sso s d e s e j o s , s ó fa re i s
c o n d e n a r - v o s a c o n t r a i r , ao m o r r e r d e s , novas liga•
çõe s co m o u t r o s co r p o s e co m o u tr o s m u n d o s . "
(Cit . po r PEDRO G R A N J A , e m " A f i n a l , Q u e m So•
m o s ? " , 8.ª ed., pg . 36).
"H á um a part e i m o r t a l no h o m e m , que é a que l a
,
o h A g n i , que c u m p r e a qu e ce r co m teu s r ai o s
, in -

175

flamar com teus fogos. De onde nasceu a alma?
Umas vêm para nós e daqui partem, e tornam a
voltar." (cit. por LEON DENIS em "Depois da Mor•
te", 10.° ed., pg. 30).
O "CÓDIGO DE MANU", o mais antigo corpo de leis
de que se tem notícia, menciona a reencarnação. MANU,
que codificou as leis hindus mais de 3 mil anos antes da
nossa Era, não poderia supor que sua obra viesse a ins•
pirar o "Corpus Júris Civilis", de Justiniano, e por essa
forma servir de fonte para todos os legisladores moder•
nos. Segundo as leis de MANU:
"Os Espíritos imperfeitos voltam a ocupar um no•
vo corpo, trazendo consigo a influência resultante
de suas primeiras obras" (Brama-Sondra III e I,
§§ 4 e 6, cit. por MARIO CAVALCANTI DE MELLO
em "Como os Teólogos Refutam", pg. 83).
Com o advento do Bramanismo, surgiu o "Bhagavad-Gitã", que é um cântico à imortalidade e ao renascimen•
to das almas. O mais notável missionário dessa época foi
Kristna, que renovou as doutrinas védicas e espalhou na
região do Himalaia os mais sublimes ensinamentos, dos
quais transcrevemos alguns tópicos:
"Quando o corpo entra em dissolução, se a pure•
za é o que o domina, a alma voa para as regiões
desses seres puros que têm o conhecimento do
Altíssimo. Mas se é dominado pelas paixões, a
alma vem de novo habitar entre aqueles que estão
presos às coisas da Terra. Todo renascimento,
feliz ou desgraçado, é conseqüência das obras pra•
ticadas nas vidas anteriores." ("Bhagavad-Gitã",
cit. por P. GRANJA, em "Afinal, Quem Somos",
8.ª ed., pg. 39).
"Trazes em ti próprio um amigo sublime que des•
conheces, pois Deus reside no imo de cada ser,
porém poucos sabem procurá-lo. Aquele que faz
o sacrifício dos seus desejos e de suas obras ao
Ser de que procedem todas as coisas, obtém por
tal renúncia a perfeição, porque quem alcança em
si mesmo a sua felicidade, sua alegria e também
sua luz, é uno com Deus. Ora, fica sabendo, a al•
ma que encontra Deus, está livre do renascimen•
to e da morte, da velhice e da dor, e bebe a água

176

d a i m o r t a l i d a d e . " (Id. cit . por LEON DENIS e m "De •
poi s d a M o r t e " , 10.

a

ed., pg . 32).

BU D A , o gra nd e f i l ó s o f o m í s t i c o que v iv e u na Indi a
600 ano s ante s da Era C r i s t ã , p r e ga v a que :
" O c o n h e c i m e n t o e o amo r são os doi s f a t o r e s
e s s e n c i a i s do U n i v e r s o . En qu an to não ad qu ir e o
amor , o se r est á c o n d e n a d o a p r o s s e g u i r na séri e
de r e e n c a r n a ç õ e s t e r r e s t r e s . " (Ci t . po r LEON DE•
NIS e m " D e p o i s d a M o r t e " , pg . 37).
O v e l h o Egito r e ce b e u da ín d ia , se g u n d o a l gun s o r i e n •
t a l i s t a s , a su a c i v i l i za ç ã o e a su a fé . Se gu n d o o u t r o s ,
suas p r ó p r i a s t r a d i ç õ e s r e m o n t a m a mais de 30 mi l
a n o s . A d o u t r i n a o cu l t a dos seu s s a c e r d o t e s , c u i d a d o sa •
m e n t e ve la d a so b o s " m i s t é r i o s " d e Ísi s e O s i r i s ,
achas e e x p o s t a nos " l i v r o s s a g r a d o s " d e H e r m e s
Trismegisto ,
do s qua i s " P i m a n d e r " , c o n s i d e r a d
o o mai s a u t ê n t i c o , re•
gistra :
" O d e s t i n o d o Es p ír i t o h u m a n o te m dua s f a c e s :
c a t i v e i r o n a m a t é r i a , a s c e n ç ã o n a lu z . A s alma s
são f i l h a s do céu e a v i a g e m que f a ze m é um a
p r o v a . Na e n ca r n a çã o p e r d e m a r e m i n i s c ê n c i a de
su a o r i g e m c e l e s t e . A s al ma s i n f e r i o r e s e má s
f i c a m p re sa s à Terr a por m ú l t i p l o s r e n a s c i m e n t o s ,
p o r é m a s al ma s v i r t u o s a s so b e m para a s e sf e r a s
s u p e r i o r e s , ond e r e c o b r a m su a visã o das co i sa s
d i v i n a s . " (Id., ibd., pg . 45) .
Heródot o e scr ev eu :
"O s e g íp c i o s f o r a m dos p r i m e i r o s a d i v u l g a r a
t e o r i a d a i m o r t a l i d a d e d a a l m a . Eles e n s i n a v a m
que logo que ela de ix a u m co r p o , e n tr a e m o u tr o
p r o n t o a r e ce b ê - l a , e que, d ep oi s de have r p er co r •
rido toda s as f o r m a s cr i ad a s nas á gua s , na t e r r
a e no ar, vol t a em um nov o corp o h u m a n o n a s ci d o
para e l a . " ( H i s t o i r e s , t . II , cap. C X X I I I ) .
Segund o M Á R I O C .

M EL L O ,

"Par a CÉSAR C A N T U ( " H i s t ó r i a U n i v e r s a l " , T . I. ,
pg . 290 ) o m o n u m e n t o mai s i m p o r t a n t e para o
e s t u d o da r e l i g i ã o do Egito é o c h a m a d o LIVRO
DOS M O RT OS , d e s c o b e r t o nas s e p u l t u r a s de Te•
bas pel a C o m i s s ã o F r a n ce s a que po r o r d e m d e
N a p o l e ã o e x p l o r o u o Egito no in íci o do sé cu l o
XIX.

177

Este livr o fo i p u b l i c a d o pel a p r i m e i r a vez e m 1805 .
Suas i l u m i n u r a s m o s t r a m que o t e x t o t r a t a v a das
c e r i m ô n i a s r e l i g i o s a s em honr a dos m o r t o s e da
t r a n s m i g r a ç ã o das a l m a s . ( " C o m o os Teó l o g o s Re•
f u t a m " , pgs . 9 4 / 9 5 ) .
"N a " H i s t ó r i a d a C i v i l i z a ç ã o " , d e M . O l i v e i r a Li•
ma , c a p ít u l o " A Rel igião dos M o r t o s " , l e m o s : "Pa

ra o acer v o e s p i r i t u a l da h u m a n i d a d e a ve lh a ci •
vi l i za çã o e g íp c i a c o n t r i b u i u
p a r t i c u l a r m e n t e co
m
a su a i n te n s a p r e o c u p a çã o co m a vid a
f u t u r a , do
d e s t i n o da alm a quando se p a r a d a do
corp o e da su a r e e n c a r n a ç ã o . " ( Ibd., pg . 98).
P I T Á G O R A S , que p asso u 30 anos no Egi to , i n t r o d u zi u
na Gr é ci a a d o u t r i n a dos r e n a s c i m e n t o s , t a m b é m co m
duas v e r s õ e s : D e l f o s , O l í m p i a e El êu si s era m os c e n t r o s
da d o u t r i n a i n i c i á t i c a , ond e f i l ó s o f o s e a r ti s t a s iam assi •
m i la r o s " m i s t é r i o s " . A l i ,
" c o m o no Egito e na ín d ia , c o n s i s t i a m os " m i s t é •
r i o s " n o c o n h e c i m e n t o d o se g r e d o d a m o r te , n a
r ev e l a çã o das vida s s u c e s s i v a s e na c o m u n i c a ç ã o
co m o m u n d o o c u l t o . " (LEON D EN IS, e m " D e p o i
s
d a M o r t e " , pg . 53).
A obr a de Pi tá go ra s fo i c o n t i n u a d a por SÓC R ATES e
PL ATÃ O , t e n d o est e ú l t i m o ido ao Egito para i n i ci a r - s e
nos " m i s t é r i o s " . A o v o l ta r , e x p u n h a a s suas idéias sob
f o r m a ve l a d a , poi s su a c o n d i çã o d e " i n i c i a d o " não mai s
lhe p e r m i t i a falar l i v r e m e n t e .
A p e s a r d i s so , e n c o n t r a m
-se no " F é d o n " e no " B a n q u e t e " , r e f e r ê n c i a s à t e o r i a das
m i g r a ç õ e s das alma s e das suas r e e n c a r n a ç õ e s . PLOTINO , o p r i m e i r o dos d i s c í p u l o s da Escola N e o p l a t ô n i c a de
A l e x a n d r i a , e s cr e v e u no Livro IX da 2.

a

En éa da :

" A p r o v i d ê n c i a dos d e u se s a s s e g u r a a cada um
de nós a sort e que lhe c o n v é m e que é h a r m ô n i
• c a co m seu s a n t e c e d e n t e s , c o n f o r m e sua s vida s
s u c e s s i v a s . " (ci t . por GABR I EL D EL A N N E , e m " A
R e e n c a r n a ç ã o " , 5. a

ed., pg . 25).

PORFÍRIO não cr ê n a m e t e m p s i c o s e , ne m m e sm o co
m o p un i çã o das alma s p e r v e r s a s . Se gun d o ele :
" A j u s t i ç a de Deu s não é a j u s t i ç a dos h o m e n s . O
h o m e m d ef in e a j u s t i ç a das r e l a çõ e s t i r a d a s da
sua vid a atual e do seu esta d o p r e s e n t e , Deu s a
d ef in e r e l a t i v a m e n t e à s no ssa s e x i s t ê n c i a s su ce s
-

178

siva s e à t o t a l i d a d e da s n ossa s vid as . A s s i m , as
penas que nos a f l i g e m são m u i t a s ve ze s o ca sti •
go de um pecado do qual a alm a se t o r n o u culpa •
d a e m um a vid a a n t e r i o r . A l g u m a s ve ze s Deus
nos e sco n d e a razão dela s, ma s ne m po r isso Ele
deix a d e se r j u s t o . " (cit . po r M A R I O C .
M ELL O ,
e m " C o m o o s Teó l o g o s R e f u t a m " , pg .
35).
Essas idéia s p e n e t r a r a m no m u n d o r o m a n o , poi s Cí•
cer o a elas alude no " S o n h o de S c i p i ã o " (cap. II), e Oví•
dio nas " M e t a m o r f o s e s " (cap . IX ) . N o V I Livro d a "Enei•
d a " , vê-s e que Enéas e n c o n t r a seu pai nos C a m p o s Elíseo s e est e lhe t r a n s m i t e a lei dos r e n a s c i m e n t o s . " (LEON
DENIS, e m " D e p o i s d a M o r t e " , pg . 55).
Virgíli o e s c r e v e u :
"Todas essa s a l m a s , de po i s d e h a v e r e m por mi •
lhares d e anos gi ra d o e m t o r n o dess a e x i s t ê n c i a
(no El ísio ou no T á r t a r o ) , são c h a m a d a s por Deu s
em gra nd e s e n x a m e s para o rio LETES, a fi m de
que , p r i v a d a s d a l e m b r a n ç a , r e v e j a m o s lu ga re s
s u p e r i o r e s e c o n v e x o s e c o m e c e m a qu e r e r vol •
ta r a o c o r p o . " (cit. por GABRIEL D EL AN N E, e m " A
R e e n c a r n a ç ã o " , 5.ª ed., pg . 28).
V e j a m o s o e nsi n o da d o u t r i n a p a l i n g e n é s i c a entr e os
hebreus :
"O s i n i ci a d o s j u d a i c o s , e m ép oca s r e m o t a s , ha•
via m r e g i s t r a d o a d o u tr i n a s e c r e t a em 2 obra s cé •
l e b r e s : o Z O H A R e o SC PH ER -JESIRAH, — que
ju n ta s f o r m a r a m a " C A B A L A " , um a das obra s ca•
pita is d a c i ê n ci a e s o t é r i c a . " ( GABR IEL D EL A N N E
,
e m " D e p o i s d a M o r t e " , pg . 80).
A " C A B A L A " é o en sin o s e cr e t o dos i sr a e l i ta s , e fo i
nela que s e c o n s e r v a r a m o cu l t o s o s p o n to s mai s eleva•
dos da d o u t r i n a , que não p o d i a m se r e n s i n a d o s p u b l i ca •
m e n t e . O e n s i n a m e n t o das r e e n c a r n a ç õ e s das alma s
acha-se c l a r a m e n t e e x p r e s s o n o " Z O H A R " :
"Tod a s as alma s são s u b m e t i d a s às pr ova s das
t r a n s m i g r a ç õ e s . Os h o m e n s não c o n h e c e m o ca•
minh o d o Mai s A l t o , não sab e m co m o são j u l g a d o s
em to do s os t e m p o s e i g n o r a m po r q u a n t o s s o f r i •
m e n to s e t r a n s f o r m a ç õ e s m i s t e r i o s a s d e v e m pas•
sar ( . . . ) . A s a lm a s d e v e m , f i n a l m e n t e , m e r g u l h a
r
n a s u b s t â n c i a d e ond e s a í r a m .
Poré m an te s de -

179

ve m te r d e s e n v o l v i d o toda s a s p e r f e i ç õ e s cu jo s
g e r m e s estão p l a n ta d o s ne la s ; ma s s e esta s con•
d i çõ e s não são r ea li zad a s e m um a e x i s t ê n c i a , re•
n a s ce r ã o até que t e n h a m a ti n g i d o su a a b so r çã
o e m
D e u s . " (Ci t.
por F R AN C K ,
e m "L A
KABBALE" ,
pg . 244).
"D e acor d o co m a " C A B A L A " , as e n c a r n a ç õ e s
o c o r r e m a longos i n t e r v a l o s . As alma s e s q u e c e
m
o seu p assad o e, longe de c o n s t i t u i r
um a p u n i çã o ,
o s r e n a s c i m e n t o s são um a
b ên çã o , que p e r m i t e
aos h o m e n s o seu
d e s e n v o l v i m e n t o para a t i n g i r e m
o se u
f i m . " ( M Á R I O C A VA L C A N T I DE M ELL O , em
" C o m o o s Teó l o g o s R e f u t a m " , pg . 120).
"O s e s sê n i o s e n s i n a v a m a i m o r t a l i d a d e da a l m a ,
be m co m o a s r e e n c a r n a ç õ e s . Um a o u tr a p a r t i cu •
la ri da de m a r ca n t e d a d o u t r i n a dos
e s sê n i o s
era
a fé na p r e e x i s t ê n c i a das alma s ( . . . ) . Não
se po•
de di zer que os e s s ê n i o s a c r e d i t a s s e
m na r e ssu r •
reição dos c o r p o s , mas s o m e n t
e n a ressurreiçã o
d a a l m a , ou , co m o di ss e São
Paulo, d o " c o r p o es• p i r i t u a l ' ' . Isto é p o s i t i v a m e n t e
a f i r m a d o por JOSEPHO e m "Bel l Jud . II
, I I " (ERNEST D E BU N SEN ,
e m "Th e Hi dd e n W i s d o m o f C h r i s t " 1864, v o l . I ,
pg . 39).
" T am b é m a c o m u n i d a d e de Q u m r â n era a be r t a pa•
ra p e n s a m e n t o s sobr e a p r e e x i s t ê n c i a , e n qu a n t o
se co n ce b i a tud o o que foi cr ia d o co m o f u n d a d o
nos p e n s a m e n t o s e te r n o s d e D e u s . A s ge r a çõ e s
dos h o m e n s du ra m da e t e r n i d a d e para a e t e r n i d a
• d e ( . . . ) . E m Fílon ( Gi g a n t e s 12:15 ) So nh o s (1 :
1385), em Jo se p h o ( Gu e r r a s Ju da i ca s 2:1545 ) e
entr e os rabino s t a m b é m se pode c o n s t a t a r o pen•
s a m e n t o d a p r e e x i s t ê n c i a d a alm a i m o r t a l , a l i m e n •
tad o n o fi m pela f i l o s o f i a p l a t ô n i c a . " ( KAR L H .
SC HEL KL E, e m " Teo l o g i a d o Novo T e s t a m e n t o " ,
pg . 179).
"E m suas obras faz o h i s t o r i a d o r ju d a i c o JOSEFO p r o f i s s ã o de su a fé na r e e n c a r n a ç ã o . Refere
ele que era ess a a cre n ç a dos f a r i s e u s . O Padre
Dido n o c o n f i r m a n e st e s t e r m o s , em sua " Vi d a
de J e s u s " : "En tr e o pov o ju de u e m e s m o nas es•
cola s a c r e d i ta v a - s e na vol t a da alm a em o u tr o s
corpos. "
(LEON
D EN IS,
em
"Cristianism o e
Es-

180

p i r i t i s m o " , 6.ª ed . FEB, pg . 273).
TH . PAS C A L , e m seu " E v o l u t i o n H u m a i n e " (pg . 263 )
a f i r m a que en tr e o s i s l a m i t a s s e a c r e d i t a v a n a r ee nca r •
nação , ma s que est a cr e n ç a ce s so u d e p o i s que M a o m
é a p r o i b i u . No e n ta n to , o nov o " C O R Ã O " , e x p o s i ç ã o mo•
dern a d e um a part e d a d o u t r i n a s e c r e t a d o I sl a m , diz:
" O h o m e m que m o r r e vai a Deu s e r e n a s ce , mai s
t a r d e , e m u m corp o n o v o . O ca d á v e r fic a n o tú •
m u l o , o E s p ír i t o vo l t a à m a t r i z . ( . . . ) . Os que se
amam , s e e n c o n t r a m e m futura s e n c a r n a ç õ e s . "
( Qu e s tã o XX II I , vs . 17 e 27 , ci t . por M Á R I O CA •
V A L C A N T I DE M ELL O , em " C o m o os Teó l o g o s Re•
f u t a m " , pgs . 1 0 1 /1 0 2 ) .
Na Gáli a a f i l o s o f i a dos d r u i d a s t a m b é m a f i r m a v a as
e x i s t ê n c i a s p r o g r e s s i v a s d a a l m a , n a e sca l a do s m u n d o s .
A s s i m se e x p r e s s o u Lucano no Can t o I da " F a r s á l i a " :
"Par a nós
r ei no s do
co r p o s e
D EN IS,

as alma s não se s e p u l t a m nos s o m b r i o s
Érebo, ma s si m vo a m a a n i m a r o u tr o s
m novo s m u n d o s . "
(cit . po r LEON
e m " D e p o i s d a M o r t e " , pg . 58).

Agor a p e r g u n t a m o s : S e o s " m i s t é r i o s " t r a n s m i t i d o s
aos " i n i c i a d o s " na ín d i a , no Egito, na G r é c i a e até en tr e
os j u d e u s co m a " C A B A L A " c o n s i s t i a m na r e v e l a çã o da
p r e e x i s t ê n c i a e s o b r e v i v ê n c i a da alm a e na c o m u n i c a b i •
lidade co m o m u n d o i n v i s í v e l ; e se Je su s e n s i n a v a aos
seu s d i s c í p u l o s o s " m i s t é r i o s d e D e u s " , p r e v e n i n d o - o s
de que "a o s de for a não se dev e falar senã o po r parábo•
l a s " (leia-se a t e n t a m e n t e M a r c o s 4 :11) , po r que não es•
ta ri a en tr e esse s e n s i n a m e n t o s o da r e e n c a r n a ç ã o , com p r e e n d e n d o - s e que os Ev a n ge l h o s del a não f a l e m aber•
t a m e n t e , por se r m a t é r i a en tã o r e s t r i t a , a in da , aos " i n i •
c i a d o s " ? Esse c o n h e c i m e n t o não j u s t i f i c a r i a a p e r gu n t a
dos d i s c í p u l o s em João 9:2 , a qual , se fo ss e d e s c a b i d a ,
não t e r i a m e r e c i d o a p r o n t a r e p r i m e n d a do M e s t r e ? Não
e x p l i c a r i a t a m b é m o que pa re c e tão clar o em M a t e u s 17
:
12 e 13 e João 3 : 7 /1 0 , cuj o se n t i d o fo i de po i s
d e t u r p a d o par a s e a c o m o d a r à s idéias v i g e n t e s ? Pe n se m u
m pouc o
n esta s p a s sa g e n s o s p r e za d o s i r m ã o s .
A d o u t r i n a s e c r e t a se m a n t e v e em vi go r por al gu m
t e m p o en tr e os cr i s t ã o s p r i m i t i v o s , ma s é cu r i o s o o bser •
va r que a reação co n t r a ela p ar ti u p r e c i s a m e n t e do Cri s •
t i a n i s m o , ao c o n s o l i d a r - s e nos p r i m e i r o s sé c u l o s da
Era
181

Cristã, talvez por ter sido ele a primeira religião a orga•
nizar-se em princípios rígidos, cedo cristalizados em dog•
mas que se faziam acompanhar de anátemas terríveis
contra toda e qualquer idéia que os contrariasse. Tran• couse por essa forma o pensamento humano, e durante dezoito
séculos, arvorando-se
em intérprete soberana dos
ensinamentos do Cristo, a Igreja impôs aos povos cristãos
um regime de opressão e intolerância. É que os que já
se julgavam "donos da verdade" compreenderam que com
a reencarnação a morte deixava de ser um motivo de ter•
ror, e por isso
"A Igreja, já não podendo abrir à vontade as por•
tas do paraíso e do inferno, via diminuir o seu
poder e prestígio. Julgou portanto necessário im•
por silêncio aos partidários da doutrina secreta,
renunciar a toda comunicação com os Espíritos e
condenar os ensinos destes como inspirados pelo
demônio. Desde esse dia Satanás foi ganhando
cada vez mais importância na religião católica.
Tudo o que a esta embaraçava, foi-lhe atribuído.
A Igreja declarou-se a única profecia viva e per•
manente, a única intérprete de Deus. Orígenes e
os gnósticos foram condenados pelo Concílio de
Constantinopla (553 d.C), a doutrina secreta de•
sapareceu com os profetas e a Igreja pôde exe•
cutar à vontade a sua obra de absolutismo e de
imobilização." (LEON DENIS, em "Depois da Mor•
te", 10." ed., pg. 84).
"As sociedades secretas que guardaram o ensino
esotérico (Alquimistas, Templários, Rosa-Cruzes,
etc.) foram encarniçadamente perseguidas." (Ibd.,
pg. 85).
Mas voltemos à idéia da reencarnação nos primei•
ros séculos do Cristianismo. Embora nos tempos primi•
tivos não fossem transmitidos com muita precisão os en•
sinamentos acerca de uma doutrina que a tradição con•
siderava "secreta", mesmo assim os documentos de que
dispomos comprovam que os Pais da Igreja ensinavam a
preexistência da alma. Rufino escreveu a Santo Inácio
que "esta crença era comum entre os primeiros pais".
Arnobius, em "Adversus Gentes", evidencia uma certa
simpatia por essa doutrina e acrescenta que Clemente
de Alexandria "escreveu histórias maravilhosas sobre a
182

m e t e m p s i c o s e " . São J e r ô n i m o a f i r m o u ( H ye r o n , E p i s to l a
ad D e m e t é r ) que " a d o u t r i n a das t r a n s m i g r a ç õ e s era en•
sin ad a s e c r e t a m e n t e a um p e qu e n o n ú m e r o , desd e os
t e m p o s a n t i g o s , co m o um a ver da d e t r a d i c i o n a l que não
devi a se r d i v u l g a d a . " Esse m e s m o Pai se m o s t r a cr en t e
na p r e e x i s t ê n c i a , em sua 94.

a

Car t a a Á v i t u s .

L a ct à n ci o , que São J e r ô n i m o ch a m av a " o C íc e r o cri s•
t ã o " , c o m b a t e n d o as d o u tr i n a s pagã s, s u s t e n t a v a que a
alm a não podia se r i m o r t a l , e ne m s o b r e v i v e r ao se u cor•
po, se não fo ss e p r e e x i s t e n t e . (In st. Div . Ill , 18). N e m é s i o s ,
bisp o de Emesa ( S ír ia ) s u s t e n t a v a e n e r g i c a m e n t e a
pre- e x i s t ê n c i a e dizia que to d o s os gre go s que t i n h a m fé na
i m o r t a l i d a d e a c r e d i t a v a m n a p r e e x i s t ê n c i a . " (T H . PAS•
CAL , e m " L ' E v o l u t i o n H u m a i n e " , pg . 253).
Santo A g o s t i n h o e s c r e v e u :
"Nã o te r i a e u vivi d o e m o u tr o co r p o , o u e m o u tr a
parte q u a l q u e r , an te s de en tra r no v e n t r e da mi •
nha m ã e ? " ( " C o n f i s s õ e s " , I , cap . VI) .
São G r e g ó r i o de Ni ss e a f i r m o u :
" É e s t r i t a m e n t e n e c e s sá r i o à alm a se r cu ra d a e
p u r i f i c a d a e se ela não o fo r d u r a n t e a vid a t e r r e s •
tre , dev er á se r e m sua s vida s f u t u r a s . " ( " G r a n d
D i s c o u r s C a t h e c h e t i q u e " , t . Ill e VIII) .
C l e m e n t e d e A l e x a n d r i a , u m dos m a i o r e s v u l t o s d a
Igreja p r i m i t i v a , fo i a cu sa d o por Pho tiu s de h e r e s i a por
e n s i n a r em suas " H y p o t i p o s e s " a e t e r n i d a d e da m a t é r i a
,
o Filho co m o s i m p l e s cr i a tu r a do Pai, a e x i s t ê n c i
a de um a
sér i e de m u n d o s co m um a h u m a n i d a d e p r ó p r i a
e a me• t e m p s i c o s e , a p l i ca n d o - s e aos h o m e n s an te s e
d e p o i s des•
t a v i d a . " (PIERRE C .
C OVAD AVE A U ,
cit . por M Á R I O C .
M ELL O , e m " C o m o o s Teó l o go s R e f u t a m " , pg . 149).
O r í g e n e s , d i s c í p u l o de C l e m e n t e , fo i o mai s co m p l e

to dos Pais da Igre ja no t o c a n t e ao e nsi n o
palingenésico .
Ele ch e g o u
a te ce r
judiciosa s
p o n d e r a ç õ e s so br e ce r t o s
t r e c h o s d a E s c r i t u r a (co m o
o s d e Malaq . 1 : 2 / 3 e J e r e m .
1:5) que não t e r i a m
s e n t i d o se m a d m i t i r a p r e e x i s t ê n c i a
da a l m a :
"S e o noss o d e s t i n o atual não era d e t e r m i n a d o
pelas obra s de n ossa s e x i s t ê n c i a s p a s sa d a s , o
que di zer de um Deu s j u s t o p e r m i t i n d o que o pri •
m o g ê n i t o s e r v i s s e ao mai s j o v e m e f o s s e o di ad o ,
an te s de haver c o m e t i d o atos que m e r e c e s s e m
a
183

s e r v i d ã o e o ódio? Só as no ssa s vida s a n t e r i o r e s
p o d e m e x p l i c a r a luta de Jacó e Esaú ante s do seu
n a s c i m e n t o , a e le i çã o de J e r e m i a s qu an d o ainda
e stav a no seio da sua m ã e . . . e ta n to s o u tr o s fa •
to s que a ti r a r ã o o d e s c r é d i t o sobr e a Ju s t i ç a Di •
vi na , s e não f o r e m j u s t i f i c a d o s pelo s atos bons
o u mau s c o m e t i d o s o u p r a t i c a d o s e m e x i s t ê n c i a s
p a s s a d a s " ( " C o n t r a C e l s o " , I , III , ci t . po r M Á R I
O
C . M ELL O , e m " C o m o o s Teó l o g o s R e f u t a m " ,
pg .
153).
Para dar aos l e i t o r e s um a idéia de co m o os f i l ó s o f o
s
e p e n s a d o r e s m o d e r n o s se e x t e r n a r a m a ce r c a da
doutri •
n a dos r e n a s c i m e n t o s , t r a n s c r e v e m o s o u tr o s
tópico s d a
obr a " C o m o o s Teó l o g o s R e f u t a m " d
o e m i n e n t e e s cr i t o r
e s p ír i t a M Á R I O C A VA L C A N T I D
E M EL L O :
D e S O A M E J EN YN :
" A o p i n i ã o dos gr an de s s á b i o s , desd e a a n t i g u i •
dade mai s r e cu a d a , fo i que a H u m a n i d a d e e x i st i
u e m u m e stad o a n te r i o r
a o
atual .
O s
ginosofista s
do Egi to , os b r â m a n e s da Índ ia , os
ma go s da Pér• sia e os m a i o r e s f i l ó s o f o s da Gré ci a e
de Roma
p e n s a v a m dest a f o r m a , co m o t a m b é m
o s Pr im e i •
ros Pais e os p r i m e i r o s e s c r i v ã e s da
Igreja. "
( "D i s •
curs o
Sobr e
a
P r e e x i s t ê n c i a " ) . (Pg. 160)
D o gr an d e f i l ó s o f o VO LTAIR E :
o

" É tã o s u r p r e e n d e n t e na sce r duas
ve ze s co m
uma ; tud o é r e s s u r r e i ç ã o na n a t u r e z a . " ("La
Prince ss e de B a b y l o n e " )
(Pg. 161)

GOETHE, em po esi a d e d i ca d a à sua a m i g a Frau Vo n
Stein :
" D i z e - m e , o que nos r e se r v a o d e s t i n o ? Por que
nos li gou ele tã o e s t r e i t a m e n t e u m a o ou tro ?
Ah ,
t u dev e s te r sid o e m t e m p o l o n g ín q u o
m i n h a ir• mã ou m i n h a e s p o s a . . . e de tod o ess
e p assad o ,
s ó rest a um a r e m i n i s c ê n c i a d e
an ti g a ve r d a d e
sempr e present e e m m i m . "
(Ed. H e m p e l , vo l . Ill ,
pg . 86).
(Pg. 162).
H.
sivas :

DE B A L Z A C est á r e f e r t o da idéia das vida s su ce s •
" T e m o s de v iv e r novas e x i s t ê n c i a s , até ch e ga r ao
c a m i n h o ond e a luz b r i l h a . A m o r t e é a e s t a ç ã o

184

dest a

viagem. "

("Seraphitis-Seraphita" )

(Pg. 162).

PIERRE LERROUX:
"H á um a voz i n te r i o r p a r ti d a se m d úvi d a d o pró•
pri o Deu s , que nos diz que Ele não pode fa zer o
m al , ne m cr ia r para fa zer s o f r e r . Ora , er a ist o
que a c o n t e c e r i a c e r t a m e n t e s e Deu s a b a n d o n a s s e
suas c r i a t u r a s d e p o i s de um a vid a i m p e r f e i t a e
v e r d a d e i r a m e n t e in fe li z . Ma s se, a o c o n t r á r i o , con •
c e b e m o s o m u n d o co m o um a sér i e de vi da s su•
c e s s i v a s para cada
criatura , c o m p r e e n d e r e m o s
m u i t o be m que Deu s p e r m i t a o s o f r i m e n t o e o
mal co m o fase s n e ce s s á r i a s por ond e as cr i a tu •
ras d ev e r ã o passar, para c h e g a r e m a um e stad o
de f e l i c i d a d e . " (De L ' H u m a n i t é " , t . I., pg . 233).
( Pg . 164).
A F O N S O ES Q U I R O S :
"H á um a vid a a n t e r i o r cu jo s e l e m e n t o s p r e p a r a
m
a vid a que se c u m p r e n est e m o m e n t o para
cada
u m d e nós? O s an ti go s p e n s a v a m a s s i m . A s
dis •
p o s i ç õ e s in a ta s, tã o d i f e r e n t e s en tr e a s
crianças ,
f i ze r a m cre r e m t r a ço s
deixado s
pelas
e x i s t ê n • cia s a n t e r i o r e s , n o g e r m e
imperecíve l d o h o m e m . "
("Confessio n
d'un Cur e de V i l l a g e " ) .
(Pg. 165)
M . D'ORIENT, c a t ó l i c o o r t o d o x o :
"Tud o se e n c a d e i a e se e n qu a d r a nest a d o u t r i n a ,
aliás tã o f u n d a d a na razão, na p r e s c i ê n c i a de Deu
s e em sua c o n c o r d â n c i a co m a v o n ta d e livr e do
h o m e m . Este e n i g m a , até aqui i n d e c i f r á v e l , não
te m mai s d i f i c u l d a d e , s e s e qu i se r c o m p r e e n d e r
que , c o n h e c e n d o an te s d o n a s c i m e n t o , pela s
obras a n t e c e d e n t e s , o que há no co ra çã o do ho•
m e m , Deu s o cha m a à vid a e del a tir a o que me •
lhor c o n v é m em toda s as c i r c u n s t â n c i a s , para o
c u m p r i m e n t o do seu d e s t i n o . "
(Pg. 166).
JEAN R A Y N A U D :
" Q u e m a g n íf i c a s c l a r i d a d e s o c o n h e c i m e n t o de
no ssa s e x i s t ê n c i a s a n t e r i o r e s não e sp a l h a r i a so•
bre a o r d e m atual da Ter r a ! Ma s não s o m e n t e é
nossa m e m ó r i a i m p o t e n t e , co m r el a çã o aos t e m •
pos que p r e c e d e r a m noss o n a s c i m e n t o , co m o não
ab ar c a m e s m o , se m e x ce ç ã o , o s t e m p o s que
se
185

s e g u e m . Ela nos falh a e m um a m u l t i d ã o d e pas•
sa gen s i m p o r t a n t e s e m noss a v i d a , não co n se r v a
a b s o l u t a m e n t e nada d est e p r i m e i r o p e r ío d o que
passamo s
no
seio
materno ,
não
conserv a
senão u m tra ç o qua se i n s e n s ív e l d a e d u ca çã o d e
n osso s p r i m e i r o s a no s ; e i g n o r a r í a m o s
que
tínhamo s
si •
do c r i a n ça s , se não se
e n c o n t r a s s e m ju n t o a nós
t e s t e m u n h a s que
nos v i r a m nest a ép oca , e
que
nos fa ze m
saber o que é r a m o s e n t ã o . " ( "Ter r e et
C i e i " ) (Pg.
167)
L ESSIN G, em r e s p o s t a a um pa sto r l u t e r a n o :
"Todo h o m e m dev e se g u i r , ced o ou t a r d e , o ca•
minh o que leva à p e r f e i ç ã o . Isto pode se r possí•
vel em um a só e únic a e x i s t ê n c i a ? ( . . . ) Por que
não teri a eu já pa ssa do por toda s as fase s do pro•
gr e ss o h u m a n o , fa se s d e t e r m i n a d a s por p u n i ç õ e
s
e r e c o m p e n s a s t e m p o r á r i a s ? ( . . . ) Por que
não
v o l ta r i a eu a in da , e tan ta s veze s qu an ta s
f o s s e e nvi ad o , para a d qu i r i r um c o n h e c i m e n t o m ai o
r e
para c u m p r i r novas obras? E por que t e r i a eu
es•
q u e c i d o que já vivi ? E não sou eu feli z por est e
e s q u e c i m e n t o ? A l e m b r a n ç a da mi nh a vid a pas•
sada m e i m p e d i r i a d e fazer u m bo m uso d a vid a
p r e s e n t e , e se eu hoje sou o b r i g a d o a e s q u e c e
r o p a s sa d o , s i g n i f i c a r i a isto que eu o e s qu e c i
pa•
r a
sempre? "
( "Ev o l u çã o
d a
Raça
Humana") .
(Pg. 169)
FICHTE, d i s c í p u l o d e Kant:
"N a n a tu r e z a cada m o r t e é um n a s c i m e n t o . Não
há nela o p r i n c í p i o da m o r te , poi s ela é a vid a e
tud o nela é v i d a . A na tur e za me faz m o r r e r , por•
que me faz r e v i v e r . . . Estes doi s s i s t e m a s , o pu•
r a m e n t e e s p i r i t u a l e o se n su a l — o ú l t i m o con•
s i s t i n d o e m um a sér i e d e e x i s t ê n c i a s se p a r a d a
s
— estã o em me u Es p ír i t o de sd e o m o m e n t o em
que m in h a razão
se d e s e n v o l v e u . " (La d e s t i n é e
de l ' H o m m e " ) .
(Pg. 170)
HERDER:
"Nã o c o n h e c e i s ce r t o s h o m e n s , raro s e g r a n d e s ,
que não s e p o d i a m te r t o r n a d o tai s e m um a s ó
e x i s t ê n c i a hu ma na ? Qu e d e v e m te r e x i s t i d o vá•
rias ve ze s já , ante s d e h a v e r e m a ti n g i d o est a
pu186

reza de s e n t i m e n t o , esta i m p u l s ã o i n s t i n t i v a a tu •
do o que é belo , v e r d a d e i r o e bom ? A q u e l e que
não pode a m a d u r e c e r e m um a d e t e r m i n a d a for•
ma de h u m a n i d a d e , r e c o m e ç a a e x p e r i ê n c i a até
que , ced o o u ta r d e , s e to rn e p e r f e i t o " ( " D i a l o g u e s
Sur la
Metempsicose" )
(Pg. 171).
SH ELL E Y :
" M a l g r a d o tod a a h a b i l i d a d e dos que q u e r e m es•
con de r a v e r d a d e , não é m e n o s ce r t o que tod o co•
n h e c i m e n t o não é mai s que um a r e m i n i s c ê n c i a .
Esta d o u tr i n a é be m mai s velh a que o sé cu l o de
P l a t ã o . " ("Vi e de S h e l l e y " , D o w d e n , Vol . I , pg .
80).
( Pg. 171).
SCHOPENHAUER :
"D e acor d o co m a m e t e m p s i c o s e , as q u a l i d a d e s
inatas que e n c o n t r a m o s em um h o m e m e que fal •
ta m e m o u tr o , não são o f e r t a g r a c i o s a d e qual •
quer d i v i n d a d e , mas o f r u t o das açõe s p e s so a i
s d e cada h o m e m , e m um a vid a p r e c e d e n t e . " ("Parerga et P a r a l i p o m e n a " , vol . Il , c . XV , "Essai su r
les R e l i g i o n s " ) .
(Pg. 172).
O Rev. W I L L I A M ALGER , m i n i s t r o u n i t á r i o :
" A perd a d a l e m b r a n ç a d e nossa s e x i s t ê n c i a s an•
t e r i o r e s não pr ov a que elas não f o s s e m um a rea•
l i d a d e . U m dos fato s que mai s ch o ca m n a d o u tr i
• na das e n c a r n a ç õ e s r e p e ti d a s da a l m a , é a sua
co n s t a n t e ap ar i çã o e m toda s a s pa r te s d o m u n d
o e su a p e r s i s t ê n c i a p e r m a n e n t e en tr e ce r ta s
gran•
des n a ç õ e s . . . " ( " H i s t o i r e C r i t i q u e d e
l a Doctri •
ne d 'une Vi e F u t u r e " ) . (Pg.
174).
O Prof. F. H. HEDGE:
"E se a p r e e x i s t ê n c i a é v e r d a d e i r a , é p r o v i d e n c i a l
que não nos l e m b r e m o s de no ssa s vida s a n te r i o •
re s . De toda s as t e o r i a s sobr e a o r i g e m da al ma ,
est a me parece a mais p l a u s ív e l e espa r g e mai s
luz sobr e a q u e s t ã o da vid a f u t u r a " ("Le s Voie s
de l ' E s p r i t " )
(Pg. 175).
Sir W ALTER SCOTT tin h a r e m i n i s c ê n c i a s be m viva s
de suas vida s pa ssa da s e elas lhe i m p u s e r a m a fé na so•
b r e v i v ê n c i a . GEORGE S A N D , e m " C o n s u e l o " , c o m p r e e n •
deu tod a a gra nd e za e ló gi c a da r e e n c a r n a ç ã o . RICHET
e s cr e v e u u m r o m a n c e ( "A u Seuil d u M y s t è r e " ) a d o ta n d
o
187

com o t e m a a r e e n c a r n a ç ã o , GERARD DE N ERVAL , VICT OR
H U GO , THEÓPHILE GAUT IER
e
PON S O N DU
TERRAIL,
era m a r d o r o s o s p a r ti d á r i o s da r e e n c a r n a ç ã o .
(Pg. 175)
Ve j a m o s o u tr o s a u t o r e s : J . M A X W E L L , P r o cu r a d o r
Geral da C or t e de Paris, f i s i o l o g i s t a e p s i c ó l o g o de
gran •
d e e r u d i ç ã o , d i sse , e m t r a b a l h o p r e f a c i a d o
por C h a r l e s
R i ch e t:
"S e f i z e r m o s a s ín t e s e das d o u t r i n a s a n t i g a s , dos
e n s i n a m e n t o s dos mai s c é l e b r e s f i l ó s o f o s , en co n •
t r a r e m o s o e s p i r i t u a l i s m o m o d e r n o co m toda s as
suas c o n c l u s õ e s : A s o b r e v i v ê n c i a da a l m a , a cren •
ça nas r e e n c a r n a ç õ e s , no corp o f l u íd i c o do Espí•
ri to , a cre n ç a na c o m u n i c a ç ã o dos E s p ír i to s co m
os e n ca r n a d o s , a sanção do be m e do mal , mora l
p e r f e i t a , digna da D i v i n d a d e , que de u a i n tu i çã o
aos m i s s i o n á r i o s por ela e n v i a d o s para i n s t r u i r a
h u m a n i d a d e . " ("Le s
Phénomène s
Psychiques")
.
(Pg. 176).
GU STAV E GELEY:
" A f i l o s o f i a p a l i n g e n é s i c a dá-nos a chav e de inú•
m e r o s e n i g m a s d e o r d e m p s i c o l ó g i c a . Eis o s enig •
mas mais n o t á v e i s : As p r i n ci p a i s f a cu l d a d e s e ca•
p a c i d a d e s in a ta s; o t a l e n t o e o gên i o ; as d e s i g u a l •
dades p s í q u i ca s c o n s i d e r á v e i s d e sere s v i zi n h o s
pelas c o n d i ç õ e s de n a s c i m e n t o e de vid a , espe •
c i a l m e n t e entr e p a r e n t e s e c o m p a t r i o t a s cr ia do s
em c o n d i ç õ e s i d ê n t i c a s , as d i f e r e n ç a s pa ra dox ai s
e n o r m e s entr e a h e r e d i t a r i e d a d e f ísi c a e a p s í q u i •
ca, e t c . Qu e e x p l i c a ç õ e s t e n t o u dar a Ps i co l o g i a
c l á s si c a a esse s e n i g m a s ? " ( " I n t r o d u ç ã o ao Estu•
do da M e d i u n i d a d e e R e e n c a r n a ç ã o " ) .
(Pg.
177)
"Tem o s m ai s , n o sé cu l o XIX, G O D I N , ENGÊNE NUS ,
C H ARL E S FAUVET Y, ALFR ED DE VI G N Y , C el . ALBERT DE
R O C H A S , S A U V A G E ELY, o poet a t r á g i c o L O M O N , os his•
t o r i a d o r e s B ON N E M É R E e M ICH EL ET. o a c a d ê m i c o VIC TORIEN S A R D O U ,
LOUIS J AC OL L IOT ,
A U G U S T E VAC
QUERIE, o Cond e de G A S PAR I N , a Rainha V I C T OR I A da
I n g l a t e r r a , LUIS, Rei da Ba vi er a , os doi s ú l t i m o s i m p e r a •
dore s da França e da R ú ssi a , o su l tã o M U R A D , o grande
Juiz E D M O N D S , d a S u p r e m a C or t e dos Estados U n i d o s
,
e os dois p r e s i d e n t e s L IN C OL N e THIERS, tod o s
p a r ti d á • rios c o n v i c t o s da p a l i n g e n é s i a . "
(Pg. 178).
188

" H U X L E Y , d a r w i n i s t a , ce r t o d a ve r d a d e r e e n c a r n a c i o n i s ta , a d e f e n d i a d e s a s s o m b r a d a m e n t e e a p r o p a ga v a co m
toda s as suas f o r ç a s . Sir OLIVER L OD GE , um dos mai s al•
to s o r n a m e n t o s das c i ê n ci a s f ís i c a s m o d e r n a s , e m seu
livr o " R A Y M O N D " , diz, t e x t u a l m e n t e : "H á m u i t o s graus,
m u i t o s e st a d o s de ser , — e cada cr i a tu r a vai para o lugar
a d e q u a d o . " " W A L K E R m e n c i o n a 4 2 po e ta s que c a n t a v a m
os r e n a s c i m e n t o s . "
(Pg. 179).
" E n c o n t r a m - s e entr e os a s i á t i c o s mai s de 600 m i l h õ e
s
d e reencarnacionistas : Chinese s , tibetanos , tártaro s ,
in•
dianos ,
siameses ,
mongólicos ,
birmanianos ,
cambodgen ses , co r e a n o s ,
j a p o n e s e s . Quas e to d o s o s p ov o s , m e s m o
os mai s
s e l v a g e n s , r e c e b e r a m pela t r a d i ç ã o o e nsi n o palingenésico. "
(Pg. 180).
(Fi m das t r a n s c r i ç õ e s de M á r i o C. M e l l o )
Ju l g a m o s haver a s s i m d e m o n s t r a d o que a noção de
s u c e s s i v o s r e n a s c i m e n t o s é um a c o n s t a n t e na m e n t e dos
p o v o s , e m to do s o s t e m p o s a tr a v é s d a H i s t ó r i a . E p ar ec e
que j á e s t a m o s o u v i n d o a o b j e çã o : " O fat o d e esse s prin •
c íp i o s s e r e m a ce i t o s por t e ó l o g o s , f i l ó s o f o s e c i e n t i s t a s
i l u s t r e s , e por part e c o n s i d e r á v e l da p o p u l a çã o m u n d i a l ,
não c o n s t i t u i p rov a d e que se j a m v e r d a d e i r o s ! "
C e r t o , c e r t í s s i m o , d i ze m o s n ó s . Ma s a í t a m b é m per•
g u n t a m o s : " E po r que d e v e m o s ace i ta r co m o a r ti go s
de
f é c e r t o s d o gm a s i m p o s t o s po r C o n c í l i o s que d
e cr i s t ã o s
só t i n h a m m e s m o o n om e , co m o o da
" D i v i n d a d e de C ri s •
to "
(Consubstânci a
co m o
Pai) ( C o n c í l i o d e N i cé i a , e m
325
d . C ) , o da " S a n t í s s i m a - T r i n d a d e "
(Constantinopla ,
553 ) e o da " P r e s e n ç a Real de C r i s t o na E u c a r i s t i a "
(Tren •
to , 1551), est e ú l t i m o ace i t o por a l g u m a s
denominaçõe s
e v a n g é l i c a s ? Por que d e v e m o s a do ta r
esse s d o g m a s que ,
à f o r ç a de por t a n to s sé c u l o s
s e r e m i m p o s t o s pela v i o l ê n •
cia ( à époc a da Idade
M é d i a b astav a l ev a n ta r um a d úv i d a para se r c o n d e n a d o
co m o h e r e g e ) , t e r m i n a r a m po r cr i s •
ta l i za r - se co m o
v e r d a d e s d e f i n i t i v a s nas m e n t e s dos f i é i s ?
E no te-se que d e i x a m o s de m e n c i o n a r o u t r o s d o gm a s
a b s u r d o s , co m o o da " I m a c u l a d a C o n c e i ç ã o " (Bu la " I n e f f a bili s D e u s " , de Pio IX, 1854), o da " A s s u n ç ã o da V i r g e m
M a r i a " em cor p o e a lm a , e o da " I n f a l i b i l i d a d e Pap al " (am •
bos p r o m u l g a d o s n o C o n c íl i o Vat i c a n o , e m 1890), p or qu e
to d o s e s te s , u l t e r i o r e s à R e f o r m a — e ta lv e z por isso
m e s m o — não f o r a m a c e i to s pelo s p r o t e s t a n t e s .
189

Todo s esse s d o gma s p r o v o c a r a m e m b a t e s t e r r ív e i s
no sei o da Igr e ja , e que m nos ga ra n t e te r sid o p r e c i sa •
m e n t e o Di vi n o Es p ír i t o San to que m i n sp i r o u em cada ca•
so a m e l h o r so l u çã o ? Vej a m o s o que di ze m os t e ó l o g o s :

"
O " E n si n o dos Doze A p ó s t o l o s " d e m o n s t r a
que
logo s u r g i r a m h o m e n s a m b i c i o s o s e
fraudulentos ,
p r e t e n s a m e n t e dirigido s
por De u s ,
que
o ca s i o n a •
ra m danos à s
i g r e j a s . " ( AYER ,
e m " A Sou r c e
Book fo r
A n c i e n t C h u r c h " , pg . 40).
"N o que se re fe r e à r e s s u r r e i ç ã o , idéia s h e b r a i •
cas e gre ga s e n t r a r a m em ch o q u e . O c o n c e i t o he•
brai co era de um a nova vid a na ca rn e , e n q u a n t
o o gre g o aludia à idéia da i m o r t a l i d a d e da
alma .
A p o si çã o de Paulo não é c l a r a . O t ex t
o de
Ro•
mano s 8 : 11 , l e m b r a o p e n s a m e n t o
h e b r a i co , en•
qua n t o 1. a C o r í n t i o s 15: 3 5 / 5 4 , o
p e n s a m e n t o gre•
g o . " (W . W AL K E R , e m
" H i s t . d a Igreja C r i s t ã " ,
pg . 51).

"
A p e n e t r a ç ã o d e idéias p r o v i n d a s d e f o n t e s
ou• tra s que não as c r i s t ã s , se m d ú v i d a tr a zi d a s por
c o n v e r s o s d e a n t e c e d e n t e s p a gã o s, m o d i f i c a r a m
as cr e n ç a s e as p r á ti c a s c r i s t ã s , e s p e c i a l m e n t e
no que tan g e aos s a c r a m e n t o s , aos j e ju n s e ao
s u r g i m e n t o das f ó r m u l a s
l i t ú r g i ca s . D e s a p a r e ci
a
a an ti g a c o n v i c ç ã o da d ir e çã o i m e d i a t a do
Espí• rito , se m co n t u d o
extinguir-s e
por
completo. "
(Ibd., pg . 53).
"N a m a i o r i a das i gre ja s do sé cu l o I I a p r i m i t i v a
e sp e r a n ç a n a p r ó x i m a vo l t a d o C r i s t o d e sa p a r e •
c i a . A c o n s c i ê n c i a da i n sp i r a çã o c o n s t a n t e do Es•
p ír i t o , c a r a c t e r í s t i c a d a Igreja a p o s t ó l i c a , p r a ti c a •
m e n t e e x t i n g u i r a - s e . " (Ibd., pg . 84).

190

4 — A reencarnação e a Ciência
At é aqui a n a l i s a m o s a r e e n c a r n a ç ã o em fac e da ló•
gi ca , em fac e da Bíbl ia e em fac e da H i s t ó r i a , s u p o n d o te r
a l i n h a v a d o , ta lv e z até co m ce r t a p r o l i x i d a d e , a s razões
que f u n d a m e n t a m a cre n ç a na d o u t r i n a das vida s s u c e s s i •
va s . Ma s s a b e m o s co m o a s m e n te s das p e s so a s s e aco•
m o d a m às idéias t r a d i c i o n a l m e n t e e s t a b e l e c i d a s , e co m o
r e a ge m i n s t i n t i v a m e n t e a q u a i s q u e r novas c o n c e p ç õ e s
que v e n h a m de e n co n t r o a tai s i dé ia s .
Pois b e m : Para a par t e da c o m u n i d a d e cr i s t ã cuj a
m e n t a l i d a d e p e r m a n e c e e s c l e r o sa d a nos d o g m a s , o u ads•
t r i t a à i n t e r p r e t a ç ã o li te ra l do te x t o b íb l i c o , v a m o s apre•
sen ta r agora o s a r g u m e n t o s que r e p u t a m o s d e c i s i v o s
pa•
r a um a t o m a d a d e p o s i ç ã o , poi s c o n s i s t e m
nas
pr ova s
científica s
a
que
estã o
ch e ga n d o
i n v e s t i g a d o r e s id ôn eo s
nos seu s e s t u d o s so br e o
que a C i ê n c i a c o n v e n c i o n o u
ch a m a r d e " m e m ó r i a
e x t r a c e r e b r a l " ( " M e c " ) . É est e u m
tip o d e
memóri a
cuj a e x i s t ê n c i a
real te m
sido c o n s t a t a d a
e cuj a lo cal i za çã o e v i d e n t e m e n t e não est á no c é r e b r o ,
pois
é clar o que est e só pod e r e g i s t r a r os fa to s da
su a
vid a f ís i c a , ao passo que a " M e c " se r e p o r t a a
l e m b r a n ç a s de
p o s s ív e i s e n c a r n a ç õ e s p r e t é r i t a s .
O f e n ô m e n o tant o pod e o co r r e r de m a n e i r a e sp on •
tâne a ( r e m i n i s c ê n c i a s de e v e n t o s não p e r t e n c e n t e s à vid a
a tu al , p r i n c i p a l m e n t e e m c r i a n ç a s ) , co m o pod e se r pro •
vocad o por su g e s t ã o h i p n ó t i c a , est a m o d a l i d a d e conhe•
cid a nos me io s c i e n t í f i c o s co m o " r e g r e s s ã o d a m e m ó r i a " ,
ou , mai s p r o p r i a m e n t e , r e g r e s s ã o da idade, se gu n d o a
e x p r e s sã o i n gle s a "ag e r e g r e s s i o n " .
M u i t o s m é d i c o s e m p r e g a m a h i p n o t e r a p i a para indu•
zir seu s p a c i e n t e s a r e g r e d i r e m na idade até a i n f â n ci a
(para a lo cal i za çã o de t r a u m a s e n e u r o s e s ) e às veze s
até o p e r ío d o f e t a l . Em i n ú m e r o s caso s em que a su ge s •
tão fo i e s t e n d i d a alé m dess e p e r ío d o , o s o p e r a d o r e s s e
deparara m
co m
um a
personalidad e
completament e
diver-

191

sa, r e f e r i n d o a c o n t e c i m e n t o s e p e s so a s i n t e i r a m e n t e es•
t r a n h o s à sua vid a a t u a l . É be m c o n h e c i d o o caso BRIDEY M U R P H Y , nos Estados U n i d o s , que deu lugar a um
livr o m u i t o v e n d i d o na que l e país ("T he Sea r c h fo r Bride y
M u r p h y " ) e c r e m o s que até a um f i l m e r od ad o pela "Paramount" .
At é há pouc o n e ga v a m v a l i d a d e c i e n t í f i c a a esse tip
o
d e f e n ô m e n o ; c o n t u d o j á estã o a p a r e c e n d o pr ova s con •
c l u d e n t e s da su a r e a l i d a d e , com o r e s u l ta d o de i n te n s i v a s
p e s q u i s a s r e a l i za d a s s i m u l t a n e a m e n t e nos Estados Uni •
dos , na ín dia e na União S o v i é t i c a .
O p i o n e i r o no t e r r e n o da " r e g r e s s ã o da m e m ó r i a " fo
i
o E n g e n h e i r o C e l . ALBERT DE R O C H A S , Pr o f e sso r
na Es•
col a P o l i t é cn i c a de Paris no p r i m e i r o q u a r t e l
dest e Sé• c u l o . Ele ch e go u a p u b l i ca r um l iv ro , em 1924 ( "Le s
Vie s S u c e s s i v e s " ) , c o n t e n d o u m ra zoável a ce rv o d e
experiên •
cias , c o m p r o v a d a s a tr a v é s d e r i g o r o s o
c o n t r o l e . Sua téc •
nic a d e " r e g r e s s ã o d a m e m ó r i
a por su g e s t ã o h i p n ó t i c a "
ve m send o e s t u d a d a
por i n ú m e r o s p e s q u i s a d o r e s con •
t e m p o r â n e o s , co m o o
Prof . V L A D I M I R R AIKO V , da Uni•
v e r s i d a d e de
M o s c o u , e m b o r a este , d e c e r t o sob a i n f l u ê n •
ci a d a
f i l o s o f i a p o l ít i c a v i g e n t e n a União S o v i é t i c a , tenh a
d e sv i a d o suas p e s q u i s a s para o que ch a m a de " r e e n c a r •
nação a r t i f i c i a l " ( i n d u çã o na m e n t e do
p a ci e n t e de
que
é a r e e n c a r n a ç ã o de f i gu r a i l u st r e do p a ssa d o ,
vi sa n d o à a m p l i a ç ã o dos seu s t a l e n t o s ) . Essa t é cn i c a te m
levado a
r e s u l t a d o s p r e c á r i o s e, co m o é de ver , nada
te m de co• mu m co m a " r e e n c a r n a ç ã o " no seu se n t i d o
tradicional .
Vá r io s o u tr o s c i e n t i s t a s estão a t u a l m e n t e e m p e n h a

dos n a p e s q u i s a d a " m e m ó r i a e x t r a - c e r e b r a l " ,
doi s dos
quai s se d e s t a c a m por se r e m mai s
c o n h e c i d o s e acata•
dos m u n d i a l m e n t e por su a
i d o n e i d a d e p r o f i s s i o n a l e mo•
r al . São eles o Dr
. H A M E N D R A S NAT BANERJEE, cat e
d r á t i c o na
U n i v e r s i d a d e de Jaipur. Ín di a , e o Dr . IA N STE
V E N S O N , p r o f e s s o r na U n i v e r s i d a d e de V i r g í n i a ,
Estados
Unidos .
Ma s em vez de s e g u i r e m , a t é c n i c a da s u g e s t ã o
hip•
n ó ti c a (na qual , se g u n d o H e r c u l a n o Pi res, "nã o
ser i a in• t e i r a m e n t e d e s ca r t á v e l a h i p ó te s e de f a b u l a ç õ e
s incons•
c i e n te s d o h i p n o t i z a d o " ) , esse s doi s
p e s q u i s a d o r e s pr e
f e r i r a m d e d i c a r - s e aos caso
s d e l e m b r a n ç a s e sp o n t â n e a s
de vida s a n t e r i o r e s
r e v e l a d a s por c r i a n ç a s , o que , em bo 192

ra i n c o m u m , não é tão raro qu an t o se pod e sup or . "E m
s e g u i d a " , diz H e r cu l a n o , " p r o m o v e m a v e r i f i c a ç ã o obje•
tiv a das l e m b r a n ç a s nos lo cais e m e i o s , so ci a l e f a m i l i a r ,
em que t e r i a v iv i d o a p e r s o n a l i d a d e a n t e r i o r , qu e a gor a
ap ar ece com o r e e n c a r n a d a . Essa v e r i f i c a ç ã o , qu an d o d e
r e s u l t a d o s p o s i t i v o s , c o n f i g u r a - s e ta n t o mai s s i g n i f i c a t i v a
qua n t o m e n o s as a tuais p essoa s em cu j o mei o viv e o
r e e n c a r n a d o , t i v e r a m i n f o r m a ç õ e s sobr e o s fato s l e m b r a •
do s. " ( H E R C U L A N O PIRES, em " P a r a p s i c o l o g i a Hoj e e
A m a n h ã " , 6.

a

e di ção , pg . 95).

O Dr . BANERJEE ve m e f e tu a n d o desd e 1954 p e s q u i •
sas r i g o r o s a s e s i s t e m á t i c a s no cam p o da " m e m ó r i a ext r a - c e r e b r a l " . Ele cont a no seu a r qu i v o co m mai s de 1000
ca so s c a t a l o g a d o s , te nd o p u b l i ca d o d i v e r s o s l iv ro s so br
e o a s s u n t o , e a f i r m a te r r e u n i d o pr ova s de que cer c a
de
500 cr i a n ça s d e m o n s t r a r a m c o n s e r v a r r e c o r d a ç õ e s d e um a
vid a a n t e r i o r , a du zi n d o que "o s seu s r e l a to s f o r a m ob je •
t i v a m e n t e c o m p r o v a d o s , pela s p e s q u i s a s r e a l i z a d a s . "
O Dr . ST EVEN SON p u b l i co u em 1966 um a l e n ta d o vo
• lum e i n t i t u l a d o " Vi n t e Ca so s S u g e s t i v o s d e R e e n ca r n a •
ção " ( tr a d u zi d o n o Brasil pel a " E d i c e l " e m 1970),
caso s
esse s s e l e c i o n a d o s en tr e mai s de 600 por ele
investiga •
d o s . N a par t e final d o seu livr o (onde
a p a r e c e m doi s ca• sos por ele p e s s o a l m e n t e p e s q u i s a d o s
no Bra si l) , ele ana•
lisa co m i sen çã o as o b j e ç õ e s
g e r a l m e n t e l ev a n ta d a s à hi •
pó te s e da r e e n c a r n a ç ã o ,
c o m o , po r e x e m p l o , a da "m e •
móri a g e n é t i c a "
( r e s s u r g i m e n t o d e e x p e r i ê n c i a s d e an•
ce s t r a i s do p a c i e n t e ) , a qual r e f u t a l e m b r a n d o que,
na quas e t o t a l i d a d e dos ca so s p e s q u i s a d o s ,
não
constato u
q u a l q u e r p a r e n t e s c o e n tr e a
p e r s o n a l i d a d e atual e a an• t e r i o r . Ele não t e m e a f i r m a
r que " a l g u n s ca so s são mai s
que s u g e s t i v o s , ch e g a n d
o à e v i d ê n c i a . " ( Op . c i t . , pg . 20).
A s r e m i n i s c ê n c i a s d e vi da s a n t e r i o r e s tê m so br e
r e g r e s s ã o por su g e s t ã o h i p n ó t i c a a v a n t a g e m da e s p o n t a
n e i d a d e , ma s não há d ú v i d a de qu e são m é t o d o s c o m p l e
m e n t a r e s , que c o m p r o v a m c i e n t i f i c a m e n t e a " m e m ó r i
ex•
tr a c e r e b r a l " e, p o r t a n t o ,
p r e e x i s t ê n c i a da alm a e, con •
seqüentemente ,
r e a l i d a d e das vida s s u c e s s i v a s .

a


a
a
a

A l é m das r e c o r d a ç õ e s que a l g u m a s cr i a n ç a s apre•
se n t a m d e e x i s t ê n c i a s p r e g r e s s a s , h á o u tr o tip o d e fa to ,
não m u i t o c o m u m , mas que cha m a a a ten çã o pelo a sp e ct o
i n s ó l i t o , que é o das cr i a n ça s s u p e r d o t a d a s , c o m u m e n t e
r e f e r i d a s co m o " c r i a n ç a s - p r o d í g i o s " .
193

Do s i n ú m e r o s caso s d e s c r i t o s por LEON DENIS (" O
Pr ob l em a do Ser, do D e s t i n o e da D o r " , 14." ed., FEB, pgs.
2 3 6 / 2 4 3 ) , c i t a r e m o s apenas al gun s que nos p a r e c e r a m
mai s s u g e s t i v o s :
" M I C H E L A N G E L O ( 1 4 7 5 / 1 5 6 4 ) co m 8 ano s fo i
des•
pe di d o por seu m e s t r e G H I R L A N D A J O
,
di zen do
est e que "n ad a mai s tinh a para lhe e n s i n a r . "
" P A S C A L ( 1 6 2 3 /1 6 6 2 ) aos 12 anos d e s c o b r i r a
as
p r i m e i r a s 32 p r o p o s i ç õ e s de Eucl ides e
p u b l i ca r a
um tr a ta d o sobr e a G e o m e t r i a
Pl a n a . "
" B A R ATI E R , Jean Phi lippe ( 1 7 2 1 /1 7 4 0 ) aos 7 anos
f al av a o al em ão , o f r a n cê s , o h e b r a i c o e o l a t i m .
Co m 14 anos fo i r e ce b i d o co m o p r o f e s s o r na Uni •
versidad e d e Halle. "
"H EN R I DE H E IN EC K EN , de Lubeck ( 1 7 2 1 /1 7 2 5 ) fa•
lou qua se ao n asce r e aos 2 anos co n h e c i a 3
idio• ma s . Co m doi s anos e mei o p r e s t o u
ex am e s de G e o g r a f i a e H i s t ó r i a . Fa le ceu aos 5
anos. "
" M O Z A R T ( 1 7 5 6 /1 7 9 1 ) co m apenas 4
anos exe cu •
tava um a son a t a ao piano e aos 8
c o m p ô s sua pri • m ei r a ó p e r a . "
" T H O M A S Y O U N G ( 1 7 7 5 / 1 8 2 9 ) , f ís i c o i n glê s , au•
to r da te o r i a das o n d u l a ç õ e s da luz, aos 8 anos
c o n h e c i a be m sei s l í n g u a s . "
" W I L L I A M H A M I L T O N e s tu d a v a h e b r a i c o aos 3
anos e aos 13 c o n h e c i a doze l ín gu a s Ao s 8 anos,
diss e del e u m a s t r ô n o m o i r l a n d ê s : "Eu não a f i r m o
que ele será , ma s que já é o p r i m e i r o m a t e m á t i c
o
d o seu t e m p o . "
"PEPITO A R I O L A ( 1 8 8 7 /
) , p e qu e n i t o e sp a n h o l
co m 3 anos de idade t o co u para os rei s da Espa•
nha sei s c o m p o s i ç õ e s d a su a l a v r a . "
"W I L L Y FERREROS ( 1 9 0 6 /
) , co m qua tr o anos
e mei o d i r i gi u a o r q u e s t r a do " F o l l i e s B e r g è r e " de
Paris. "
" D E N N I S M A H A N , d e M o n t a n a , d e s t a c o u - s e com
o
u m dos mai s cé l e b r e s p r e g a d o r e s dos
Estado s U n i d o s , poi s desd e
os
6
anos
i m p r e s s i o n a v a pela
sua e l o q ü ê n c i a e por seu
profund o co n h e c i m e n t o
da E s c r i t u r a . "
Co m o p r e s s u p o s t o

194

de

um a úni c a vid a t e r í a m o s de

a d m i t i r u m C r i a d o r c a p r i c h o s o , d i s t r i b u i n d o sua s benes•
ses de m a n e i r a a r b i t r á r i a , o que não se co a d u n a co m a
idéia d e u m Deu s j u s t o . A s e x p l i c a çõ e s " c i e n t í f i c a s " não
c o n v e n c e m : a da " h e r e d i t a r i e d a d e " não r e s i s t e à mai s li •
geir a a n á l i se , se c o n s i d e r a r m o s os a s c e n d e n t e s e des •
c e n d e n t e s dos " g ê n i o s " , g e r a l m e n t e be m m e d í o c r e s .
A
d a " c o m b i n a ç ã o a r b i t r á r i a d e cé l u l a s
cerebrai s reunida s
po r me r o a c a s o " é ainda mai s
i l ó g i c a , para não m e n ci o • nar a i m p i e d a d e i m p l í c i t a . E a qu
e a tr i b u i o f e n ô m e n o a
" p ro c e s s o s mentai s a u to má ti c o
s for a d a alçada d a cons •
c i ê n c i a " (ci t. po r SÉRGIO
VAL L E , e m " S i l v a Me l o e Seus
M i s t é r i o s " , pg . 337 ) a ce r t
a n a " m o s c a " , se m e x p l i ca r
n ad a . De fa to , na
g e n i a l i d a d e p r e co c e é p a te n t e o c h a m a • d o " a u t o m a t i s m o
p s i c o l ó g i c o " , ma s est e p r e s s u p õ e a pr en •
di zado
a n t e r i o r . U m p i a n i s t a não s e t o r n a " v i r t u o s e "
por
ar te s m á g i ca s ; te m que ba tu ca r no piano anos a fio , repe•
t i n d o até que cada v a r i a ç ã o , cada m i n ú c i a , f i q u e m inde•
l e v e l m e n t e g r a v a d a s e m sua m e n t e . Se gu nd o C l a p a r è d e ,
" s e m o e x e r c í c i o , se m a i m i ta ç ã o , toda s as n ossa s fun •
çõe s p s í q u i ca s p e r m a n e c e r i a m e m esta d o e m b r i o n á r i o . "
Então a úni c a e x p l i c a çã o lógica só pod e ser m e sm
o a r e e n c a r n a ç ã o . Tra ta - se e v i d e n t e m e n t e de Es p ír i to s que
a c u m u l a r a m a v u l ta d o cab ed a l d e c o n h e c i m e n t o s sobr e de•
t e r m i n a d o s s e t o r e s de a t i v i d a d e , e em e x i s t ê n c i a u l te r i o r
m a n i f e s t a m , aind a no v e r d o r dos anos , o ta l e n t o que tra •
ze m do p a ssa d o .
A l i á s , não são apenas as " c r i a n ç a s - p r o d í g i o s " as que
r o b o r a m est a c o n c l u s ã o ; é cert o que elas p r e n d e m a a ten•
ção pelo i n u s i t a d o , p o r é m a s i m p l e s o b se r v a ç ã o dos pen•
dore s de q u a l q u e r cr ia n ç a é s u f i c i e n t e para p e r m i t i r ava•
liar em que se to r mai s se e x p a n d i r a m as suas f a cu l d a d e s
intelectuais .
O fi m e s p e c íf i c o d est e ca p í t u l o fo i m o s t r a r co m o a
d o u t r i n a dos r e n a s c i m e n t o s ve m send o i n t e g r a l m e n t e con •
f i r m a d a pela s c o n q u i s t a s c i e n t í f i c a s de ste s ú l t i m o s t e m •
p o s . A c r e d i t a m o s tê-l o f e i t o e por isso p r e t e n d e m o s ago•
ra a f a s ta r - n o s um pouc o do a s su n t o para de ixa r e v i d e n t e
que não é só no ca mp o da r e e n ca r n a ç ã o que a C i ê n c i a
ve m c o m p r o v a n d o a s v e r d a d e s d o E s p i r i t i s m o . Senão , ve •
jamos :
A p r ó p r i a r ea li da de do que o a p ó s t o l o Paulo, em ma •
r a v i l h o s a i n sp i r a çã o , v i s l u m b r o u co m o " c o r p o e s p i r i t u a l "
(1.° Cor . 15:44), já pode se r c o n s i d e r a d a co m o c i e n t i f i c a
195

ment e e s t a b e l e c i d a .

M as , d e que

modo ?

S a b e m o s que o c o n h e c i m e n t o nos che g a por i n t e r m é •
dio dos s e n t i d o s e que o avanço c i e n t í f i c o já nos p e r m i t e
d i sp o r de i n s t r u m e n t o s capa zes de a m p l i a r o raio de ação
dos s e n t i d o s . A t u a l m e n t e j á n i n g u é m d uvi d a d e que
exis•
te m m i c r ó b i o s , um a vez que eles p o d e m se r
v i s t o s a tra •
vé s d o m i c r o s c ó p i o .
A b r a m o s aqui um ligeir o p a r ê n te s e para e x a m i n a r o
e n s i n a m e n t o m i n i s t r a d o a Karde c sobr e a e s t r u t u r a do
" c o r p o e s p i r i t u a l " m e n c i o n a d o por São Paulo:
Perg.: — " O E s p ír i to , p r o p r i a m e n t e d i to , viv e a
d e s c o b e r t o ou , co m o p r e t e n d e m al gu n s ,
e n v o l v i d o por a l g u m a s u b s t â n c i a ? "
Resp .: — " O E sp ír i t o é e n v o l v i d o por um a subs •
tâ n ci a que é v a p o r o s a para ti , ma s ainda
b a s ta n t e g r o s s e i r a para nós ; s u f i c i e n t e •
m e n t e v a p o r o s a , e n t r e t a n t o , para se ele•
var no espa ç o e t r a n s p o r t a r - s e para on •
de q u i s e r . "

Nota

(de K A R D E C ) : " C o m o a s e m e n t e de
um f r u t o é e n v o l v i d a pelo p e r i s p e r m a , o
E sp ír i to , p r o p r i a m e n t e d i to , é r e v e s t i d o
por u m e n v o l t ó r i o que, por c o m p a r a ç ã o
, s e pod e ch a ma r p e r i s p í r i t o . "
Perg.: — "D e onde tir a o E sp ír i t o o seu e nv o l tó •
rio s e m i m a t e r i a l ? "
Resp.: — "D o f l u íd o u n i v e r s a l de cada g l o b o ! É
por isso que ele não é o m e s m o em to•
dos os m u n d o s ; pa ssa nd o de um a o u tr o
m u n d o , o E sp ír i t o mud a de e n v o l t ó r i o ,
com o m ud ai s d e r o u p a . " (" O Livro dos
E s p í r i t o s " , 38.

a

ed . LAKE, pg . 93).

Fica, e n tã o , e v i d e n t e que o que São Paulo ch a m o u de
" c o r p o e s p i r i t u a l " , é o que d e n o m i n a m o s a t u a l m e n t e "cor •
po e t é r e o " , ou " p e r i s p í r i t o " . E se o r o tu l a m às vezes de
" i m a t e r i a l ' , é p or qu e escapa à p e r ce p çã o
dos no sso s
s e n t i d o s . N a r e a l i d a d e , c o n f o r m e s e d e p r e e n d e dos en•
s i n a m e n t o s aci ma , a sua c o n s i s t ê n c i a é " s e m i m a t e r i a l "
,
o u se ja , um a e sp é c i e
d e matéri a
e x t r e m a m e n t e su t i l , ex•
t r a íd a do éte r que c i r cu n d a
o gl ob o .
Pois b e m : A s s i m co m o o m i c r o s c ó p i o d e s v e n d o u o
u n i v e r s o d o i n f i n i t a m e n t e p e q u e n o , t a m b é m j á exi st e u m
196

i n s t r u m e n t o e l a b o r a d o pela t e c n o l o g i a m o d e r n a que per•
m i t e ca p ta r o ca mp o v i b r a t ó r i o do " p e r i s p í r i t o " , c o m p r o •
vand o a r e a l i d a d e o b j e t i v a d e s t e . Q u e r e m o s r e f e r i r - n o
s
à C Â M A R A K I R L I A N , d e s e n v o l v i d a po r u m ca sal d e
pes•
q u i s a d o r e s s o v i é t i c o s ( S E M Y O N e VAL E N T I N A
K IR L I AN ) ,
um a câ m a r a f o t o g r á f i c a que oper a sobr e u m
ca mp o d e
e n e r g i a de alta f r e q ü ê n c i a
e permit e
fotografa r a " a u r a "
d e q u a i s q u e r sere s o u c o i sa s ,
m o s t r a n d o que todo s o s
c o r p o s tê m um a e s t r u t u r a
i n te r n a d e n a tu r e z a e n e r g é t i c a ,
a f u n c i o n a r co m o
um a e sp é c i e de mold e para as e s t r u t u •
ras m a t e r i a i s .
Esse corp o e n e r g é t i c o é t r a n s p a r e n t e e lu•
minoso ,
e o seu br il h o rev el a um a f o r m a de e n e r g i a ainda
d e s c o n h e c i d a , que vari a de i n te n s i d a d e e de co l o r a çã o
c o n f o r m e sej a de saúd e ou de e n f e r m i d a d e o e stad o ín t i

m o dos s e r e s . A l i á s , co n st a j á e x i s t i r até u m
p r o ce s s o
mai s s i m p l e s — a e l e t r o g r a f i a — que ter i a sid
o demons •
tr a d o pel o p e s q u i s a d o r in gl ê s JOH N J .
WILLIAMSO N e m
1979 , c o n f o r m e ar ti g o de A n t ô n i o
Cé sa r Perri de Carva•
lho no " A n u á r i o E sp ír i ta ' " de
1980.
E m 1968 um a c o m i s s ã o d e e m i n e n t e s c i e n t i s t a s so •
v i é ti c o s e x a m in o u e m p ro fu nd id ad e o f e n ô m e n o KIRLIAN ,
c o n c l u i n d o pela r e a l i d a d e i n d i s c u t í v e l d o corp o e n e r g é t i •
co , a que de u o nom e de " c o r p o b i o p l a s m á t i c o " , ou "cor

p o b i o p l á s m i c o " , d e f i n i d o co m o " u m a e sp é c i e d e
co n st e •
lação d e tip o e l e m e n t a r , s e m e l h a n t e a o
plasma , constituí •
do de e l é tr o n s i on i za do s e parec e
que e x c i t a d o s , de próto n s e p r o v a v e l m e n t e d e o u tr a s
p a r t íc u l a s a t ô m i c a s " (J .
H E R C U L A N O PIRES, em
"Parapsicologi a
110).

Hoje

e Amanhã" ,

6. a

ed. , pg .

É di gno de nota o fat o de que os p e s q u i s a d o r e s so•
v i é t i c o s d o c u m e n t a r a m até o s i n s t a n t e s f i n a i s d e m o r i •
b u n d o s , que m sab e para p rov a r a te s e m a t e r i a l i s t a da ine•
x i s t ê n c i a d a a l m a . Pois, para e sp a n t o ge r a l , c o n s t a t a r a
m
a d i s p e r s ã o gr ad ua l dos p o n to s , l u m i n o s o s e su a
a gl o m e •
ração em s e g u i d a a pouc a d i s tâ n c i a do
cad áv er, co nf ir • m a n d o as d e s c r i ç õ e s de v i d e n t e s que tê m
a s s i s t i d o a pro•
ce sso s de d e s e n c a r n a ç ã o , be m co m o a
e x p l i ca ç ã o de Kardec de que "n o i n s t a n t e da m o r t e
o d e s p r e n d i m e n t o do
E s p ír i t o não s e c o m p l e t a
s u b i t a m e n t e , mas g r a d u a l m e n t e ,
co m l e n t i d ã o
v a r i á v e l se g u n d o o s i n d i v í d u o s . " (" O Livro
do s
E s p í r i t o s " , 38.ª ed . LAKE, pg . 118).
As a u to r a s n o r t e - a m e r i c a n a s SH EILA OST R AND ER e
LYN N SC H R O ED E R , e m se u livro " D e s c o b e r t a s Ps íq u i ca
s
197

A t r á s d a C o r t i n a d e F e r r o " ( t r a d . Ed . C u l t r i x , SP) asse•
g u r a m que a s c o n s e q ü ê n c i a s d a d e s c o b e r t a d o " c o r p o
e n e r g é t i c o " a t i n g i r ã o qua s e to da s , senão t o d a s , a s áreas
do c o n h e c i m e n t o h u m a n o . H E R C U L A N O PIRES a vê co m o
" u m a v e r d a d e i r a r e v o l u ç ã o c o p é r n i c a , f a zen d o l e m b r a r a s
v i sõ e s b íb l i ca s e p a r t i c u l a r m e n t e as r e f e r ê n c i a s do após•
tol o Paulo ao " c o r p o e s p i r i t u a l . " (op. cit. pg . 109).
C om o j á f u g i m o s u m pouc o d o te m a " r e e n c a r n a ç ã o "
para m o s t r a r as p rov a s da e x i s t ê n c i a do " p e r i s p í r i t o " , va•
mo s e n c e r r a r o c a p ít u l o co m o u tr a s p a l p i t a n t e s e v i d ê n •
cias de fato s c o n e x o s , co m o a p r e e x i s t ê n c i a e a so b r e v i •
v ê n c i a , a mb a s p r e s s u p o s t o s d a d o u t r i n a das vida s su ce s •
s iv a s , po r qu e se a alm a r e e n c a r n a é que já e x i s t i a ante s
do n a s c i m e n t o e c o n t i n u a r á e x i s t i n d o após a m o r t e .
S a b e m o s que o av an ç o da M e d i c i n a te m dado lugar
a o c o r r ê n c i a s que s e r i a m i n a d m i s s í v e i s há al gu n s anos
p a s s a d o s , co m o os t r a n s p l a n t e s de ó r gã o s , a i m p l a n ta ç ã
o
d e m e m b r o s , e t c . Entre e sse s ca so s , d e s t a c a m - s e o s
d a
" r e s s u r r e i ç ã o " , a tr a v é s d e m a s s a g e n s ca r d ía c a s ,
e l e tr o c h o q u e s , e t c . , d e p a ci e n t e s dado s co m o
clinicament e
mortos .
M u i t o s d esse s p a c i e n t e s r e l a t a m p a l p i t a n t e s expe•
r i ê n c i a s v i v i d a s d u r a n t e o s rá pi do s i n s t a n t e s que p e r m a •
n e c e r a m n o " o u t r o l a d o " e alguns c l ín i c o s tê m r e co l h i d
o e dado à p u b l i c i d a d e essa s e x p e r i ê n c i a s . Um dele s é a
D r a . ELIZABETH KU BL ER- ROSS, que e m seu i n t e r e s s a n t e
livro "O n Dea t h An d D y i n g " ( M a c M i l l a n , N . Y. , 1969)
d e s c r e v e vá r i o s ca so s m u i t o s u g e s t i v o s , d e fato s o co r r i •
dos co m c l i e n t e s seus .
O u tr o é o Dr . R A Y M O N D A. M O O D Y JÚ N IO R , psi•
qu i a tr a n o r t e - a m e r i c a n o , que s e c o n f e s s a fi lh o d e pais
p r e s b i t e r i a n o s e m e m b r o da Igreja M e t o d i s t a . Ele catalo•
go u c r i t e r i o s a m e n t e i n ú m e r o s caso s d e " m o r t e c l í n i c a "
em que os p a c i e n te s r e t o r n a r a m à vid a gra ça s aos r ecu r •
sos da m e d i c i n a m o d e r n a , e f i z e r a m r e l a to s i m p r e s s i o •
na n te s dos br eve s p e r ío d o s e m que s e a c r e d i t a r a m "f o r
a
do c o r p o " , r e l a to s e sse s que o auto r s i n t e t i z a em
seu li •
vr o "LIFE AFTER LIF E " (Ben to n Bo o ks , N. Y. ,
1975), o qual fo i " b e s t s e l l e r " nos Estados Un id o s e j á tev
e várias edi•
çõe s no Br a si l , sob o t í t u l o " V I D A APÓ S A
V I D A " . Na rea•
l id ad e , o livr o te m sid o tão d i v u l g a d o
que nos d i sp e n sa • mo s d e te ce r m a i o r e s c o n s i d e r a ç õ e s
sobr e ele , l i m i t a n d o -nos a t r a n s c r e v e r a l gun s t r e c h o s que nos p a r e c e r a m mai s
198

e l u c i d a t i v o s . O Dr . M O O D Y co m e ç a por a f i r m a r que " a
s e m e l h a n ç a en tr e os vá ri o s r el a to s é tã o gr an d e que se
p o d e m f a c i l m e n t e se pa ra r cerc a d e quin ze e l e m e n t o s que
r e a p a r e c e m r e p e t i d a m e n t e na ma ss a de n a r r a t i v a s " e que
co m base ne sse s p on to s s e m e l h a n t e s c o n s t r u i u um a ex•
periênci a t eo ri c a me n t e " i d e a l " , incorporand o " t o d o s o s
e l e m e n t o s co m u n s na o r d e m em que é t íp i c o que ocor•
ram" :
"U m h o m e m está m o r r e n d o e , quando cheg a a o
pon t o d e maio r a fl i çã o f ís i c a , ouv e seu m é d i c o
d e c l a r á - l o m o r t o . C o m e ç a a ouvi r um ru íd o desa•
g r a d á v e l , u m zu m b i d o alto o u toqu e d e ca mp ai •
nhas, e ao m e sm o t e m p o se sen t e m o v e n d o mui•
to r a p i d a m e n t e a tr a v é s de um túne l longo e es•
c u r o . De po i s d i s so , r e p e n t i n a m e n t e s e e n c o n t r a
for a de seu corp o f í s i c o , ma s ainda na vi zi n h a n ç a
i m e d i a t a do a m b i e n t e f í s i c o , e vê seu p r ó p r i o cor•
po à d i s t â n c i a , co m o se f o s s e um e s p e c t a d o r . As•
s i s t e à s t e n t a t i v a s d e r e s s u r r e i ç ã o dess e pon t
o
d e vi s t a i n u si t a d o , e m u m esta d o d e
p e r t u r b a ç ã o e m o c i o n a l . D ep oi s de al gu m t e m p o ,
a ca l ma - se
e
vai se a c o s t u m a n d o à
su a
e s t r a n h a c o n d i ç ã o . Ob•
serv a que ainda te m u
m " c o r p o " , mas u m co rp o
de n a tu r e z a m u i t o
d i f e r e n t e e co m
ca p a c i d a d e s m u i t o d i f e r e n t e s
d a qu e l a s d o corp o f ís i c o que dei•
xo u para t r á s
. Logo o u tr a s co i sa s c o m e ç a m a
a c o n t e c e r . O u tr o
s vê m ao seu e n c o n t r o e o aju•
d a m . Vê de
r el an c e os Es p ír i to s de p a r e n te s e a m i g o s que já
m o r r e r a m e a pa re c e d ia n t e dele
u m ca l o r o s o
E sp ír i t o d e um a e sp é c i e que nunc a e n c o n t r o u ante s
— um E sp ír i t o de luz . Este se r p e d e - l h e , se m usar
p a l a v r a s , que
reexamin e
sua vi d a , e o ajuda
m o s t r a n d o um a r e c a p i t u l a ç ã o pa•
norâmic a e
i n s ta n t â n e a dos p r i n c i p a i s a co n t e ci • m e n to s d e sua
v i d a . E m al gu m pont o e n c o n t r a - s e c h e g a n d o per t o
de um a e sp é c i e de b a r r e i r a
ou f r o n t e i r a ,
representand o
aparentement e
o
limit e
en tr e a vid a t e r r e n a e a vid a s e g u i n t e . No e n ta n

to , d e s c o b r e que p r e c i s a vo l ta r para a Ter ra
, que o m o m e n t o da
su a
mort e
ainda
não
chegou .
A
ess a al tur a o f e r e c e r e s i s t ê n c i a ,
pois
est á
a gora
tomad o
pelas
suas
e x p e r i ê n c i a s no após vid a e
não que r v o l t a r .
Está a gora i n u n d a d o de s e n t i m e n -

199

to s de a l e gr i a , amo r e paz. A d e s p e i t o dess a ati•
tud e , p o r é m , de al gu m mod o se reún e ao seu cor•
po f ís i c o e v i v e . " ( "Vid a De po i s da V i d a " . 4.ª ed .
N ó r d i c a , pg . 27).
"H á um n o táv e l acor d o qu an t o às " l i ç õ e s " , ou o
que s e j a m , que f o r a m t r a zi d a s d e vol t a d esse s en•
c o n t r o s e s t r e i t o s co m a m o r t e . Quase to do s in•
s i s t e m sobr e a i m p o r t â n c i a de t e n ta r cu l t i v a r o
amo r pelo s o u t r o s , amo r de um a e sp é c i e úni c a e
p r o f u n d a . M u i t o s o u tr o s a c e n t u a m a i m p o r t â n c i a
de b usca r o s a b e r . A c h a m que f o r a m av i sa d o s ,
d u r a n t e suas e x p e r i ê n c i a s , de que a a q u i si ç ã o do
saber co n t i n u a m e s m o n o a l é m - v i d a . Um a m u l h e r ,
por e x e m p l o , te m a p r o v e i ta d o toda s a s o p o r t u n i •
dades e d u c a c i o n a i s que te m tid o desd e su a expe•
ri ên ci a de " m o r t e " . Um ou tr o h o m e m dá o con •
se l h o : "Nã o i m p o r t a a idade co m que voc ê e s t e j a ,
nunc a pare de a p r e n d e r . Pois esse é um p r o c e s s o ,
foi co m o e n t e n d i , que c o n t i n u a pela e t e r n i d a d e . "
(Ibd ., pg . 95).

Nota

— C o n f i r m a - s e , num a e x p e r i ê n c i a p r á ti c a , o
en sin o d a E s p i r i t u a l i d a d e : " A m a i - v o s , ei s
o p r i m e i r o e n s i n a m e n t o : i n s t r u í - v o s , eis o se gu n •
d o . " (" O E v a n g e l h o " , ed . LAKE, pg . 102).
"D e a co rd o co m essa s novas p e r s p e c t i v a s , o de•
s e n v o l v i m e n t o d a al ma , e s p e c i a l m e n t e nas fa cu l •
dades e s p i r i t u a i s de amo r e c o n h e c i m e n t o , não
pára co m a m o r te . Em vez d i s so , c o n t i n u a do ou•
tr o lado, talvez e t e r n a m e n t e , mas d e c e r t o por u m
lapso de t e m p o e co m um a p r o f u n d i d a d e que ape•
nas pod e ser v i s l u m b r a d a , e n qu a n t o ainda esta •
mo s e m corp o f í s i c o , co m o " a t r a v é s d e u m vidr o
f o s c o . " (Dr . M O O D Y , Ibd., p . 100).
" O " L i v r o Tib e ta n o dos M o r t o s " , e s cr i t o p r o v a v e l

m e n t e oit o sé cu l o s ante s d e C r i s t o , c o n t é m
um a
longa d e s c r i ç ã o dos vár io s e st á g i o s pelo s
qua is passa a alm a d ep oi s da m o r t e f í s i c a . A
correspon •
d ên ci a en tr e os vá ri o s e s t á g i o s
da m o r t e que o li • vr o r e tr a t a e a qu e le s que me
f o r a m r e l a ta d o s pe• los que c h e g a r a m pe r t o da
m o r t e , só pod e se r de- si gna d a co m o f a n t á s t i c a ! " .
(Ibd ., pg. 119).
Ou tr o re la t o d e v e r a s i m p r e s s i o n a n t e é o do m é d i c o
p s i q u i a t r a Dr . GEORGE G. RITCHIE, que em 1943 foi da200

do co m o m o r t o em c o n s e q ü ê n c i a de p n e u m o n i a e in e sp e •
r a d a m e n t e r e t o r n o u à vid a nove m i n u t o s d e p o i s , para des•
cr e v e r a e m o c i o n a n t e e x p e r i ê n c i a pela qual pa ssa r a na•
que l e brev e lapso d e t e m p o .
Ele narr a co m o e n c o n t r o
u
u m se r d e luz que , i r r a d i a n d o amor , lhe d i r i g i u um a
sin• gela p e r g u n t a : " O que fez voc ê da su a v i d a ? " e co m
o
a quela e x p e r i ê n c i a t r a n s f o r m o u por c o m p l e t o a su
a ma •
neir a de v i v e r . O seu livro " R e t u r n f r o m
T o m o r r o w " ( "Re •
t o r n o do A m a n h ã " ) , aliás já
t r a d u z i d o para o p o r t u g u ê s
por G i l b e r t o C . G u a r i n o ,
f i n a l i z a co m esta s e x p r e s s i v a s p a l av r a s :
"Eu crei o que o d e s t i n o da p r ó p r i a Terra d e p e n d e
do p r o g r e s s o que f i z e r m o s , e que o t e m p o agora
est á be m c u r t o .
Qu a n t o a o que e n c o n t r a r e m o
s
n o a l é m , crei o que d e p e n d e d e quão be m
nos en• g a j a r m o s , aqui e a gor a , na t a r e f a de a m a r. "
(p g . 124).
o b j e t i v o d est e c a p ít u l o foi d e m o n s t r a
da r e e n c a r n a ç ã o , v o l t a m o s ao a s su n t
o para
— em c o n c l u s ã o de tud o qua n t o a cim a e x p u s e m o s —
t r a n s c r e v e r a l gun s t r e c h o s d e a r ti go s que e v i d e n c i a m
co•
m o i l u s t r e s p e r s o n a l i d a d e s d a noss a époc a
a d m i t e m , aber•
t a m e n t e , a tes e das vida s s u c e s s i v a s :
D o j o r n a l i s t a A U R E L I A N O ALVE S NETTO:
r

Ma s co m o o
a realidad e

"H EN R Y F ORD , o gi g a n t e da i n d ú s t r i a a u t o m o b i •
l í s t i c a , a s s i m s e e x p r e s s o u e m e n t r e v i s t a a o jor•
n al i st a FRAZIER HU NT : "O s h o m e n s vê m a est e
m u n d o par a a d q u i r i r e x p e r i ê n c i a . Isto é o que
mai s i m p o r t a . Deu s fez as pul ga s para dar ocup a •
ção aos c a c h o r r o s e as d i f i c u l d a d e s e penas para
dar t r a b a l h o a o h o m e m . Ma s tud o s e r e su m e e m
o b te r e x p e r i ê n c i a nest a v i d a " , a c r e s c e n t a n d o :
" B e m , e x p e r i ê n c i a s para a p r ó x i m a v i d a . Todo ho•
me m s e e n co n t r a aqui para a d q u i r i r e x p e r i ê n c i
a
e a ss i m p r o s s e g u i r para d i a n t e . " Co m o o
j o r n a • li st a i n d a ga ss e se se r e f e r i a à r e e n c a r n a ç ã o ,
re• p l i c o u : " C e r t a m e n t e qu e s i m . Cad a vid a que vi

v e m o s a u m e n t a o to ta l de n ossa s
experiências .
Tudo o que se e n c o n t r a na
Terra fo i nela post o para o noss o b em , par a
c o n s e g u i r m o s experiên •
cia s que hão d e se r
a r m a ze n a d a s co m um a f i n a l i • dade f u t u r a . Não h á
um a p a r t íc u l a d o h o m e m , u m
p e n s a m e n t o , um
a e x p e r i ê n c i a , um a go ta , que não

201

s u b s i s t a . A vid a é e t e r n a , não exi st e a m o r t e . "
" A r t i g o n o " C o r r e i o F r a t e r n o d o A B C " , out.
79).
Do co n f r a d e A N T Ô N I O CÉSAR PERRI DE C A R V A L H O :
" A e d i to r a PS YC H IC PRESS, de L o n d r e s , lançou
em 1970 a obr a " R E I N C A R N AT I O N — BASED
ON
F A C T S " , de KARL E. M U L L E R , e que já foi edi ta•
da em p o r t u g u ê s . O au to r e s c r e v e u tal livro de•
poi s de se d ed i ca r por mais de 10 anos aos e s tu •
dos sobr e a r e e n c a r n a ç ã o , vi sa n d o a e s c l a r e ce r
se a cr e n ç a era um a v e r d a d e , ou m e r a m e n t e um a
s u p e r s t i ç ã o d e m i l h õ e s d e p e s s o a s . Ou tr o psi •
q u i a t r a , o Dr . ART H U R G H I R D H A M , em sua obr
a
" A FOOT I N BOTH W O R L D S " , m o s tr a - s e
co n v e n •
cido d a r e e n c a r n a ç ã o , m o t i v a d o por suas
p r ó p r i a s r e c o r d a ç õ e s co m o u m t íp i c o " c a t h a r "
(povo
que
vive u no sé cu l o XIII) e aind a nas
i n f o r m a ç õ e s ob•
tida s d e al gun s dos seu s
p a c i e n te s que
també m
tê m r e c o r d a ç õ e s d e
vida s p a s s a d a s . In cl u s iv e es• t e p s i q u i a t r a te m
reconhecido ,
e m
seu s
p aci en •
tes ,
e n f e r m i d a d e s d e orige m e s p i r i t u a l . "
"N o ano d e 1977 a obr a " M A I S D E U M A V I D A ? " ,
de JEFFREY IVER S ON , a l ca n ço u s u ce s s o na Ingla•
t e r r a . O auto r relata e x p e r i ê n c i a s sob r e reenca r•
nação, e, em f o r m a de d o c u m e n t á r i o , ganhou gran•
de d i v u l g a çã o pela f a m o s a BBC de L o n d r e s . Na
époc a est a obr a fo i um a das mai s v e n d i d a s n o
Reino Unid o "
" A D r a . HELEN W A M B A C H , após e s t u d a r 750 ca•
sos d e c o n s u l t ó r i o a te n d i d o s e m duas re gi õe s nor•
t e - a m e r i c a n a s , e co m o o b j e t i v o de c o n h e c e r me•
lhor a m e n t e h u m a n a , ch e g o u a c o n c l u s õ e s em
o u tr o e x t r e m o . Ba seada e m o b s e r v a ç õ e s c l ín i c a s ,
a d m i t e que o Es p ír i t o é i m o r t a l , e p r e e x i s t e ao
c o r p o . Se gun d o a p e s q u i s a d o r a n o r t e - a m e r i c a n a
,
8 1 % do s p a c i e n te s r e l a t a r a m que s e
h avi a m
de• cid id o
espontaneament e
pelo
n a s c i m e n t o . Ver i f i •
cou ainda que, en tr e
as r e c o r d a ç õ e s de vida s an• t e r i o r e s , 90 % dos
p a c i e n t e s c o n s i d e r a r a m que
" m o r r e r é um
a e x p e r i ê n c i a mai s a gra dá ve l do que
nascer. "
" O u t r o fat o c u r i o s o é que o " P S Y C H I C NEW S , edi•
tad o em local t r a d i c i o n a l m e n t e av ess o à h i p ó te s
e
202

d a r e e n c a r n a ç ã o , te m tra zid o vá ri a s no tas sobr
e o t e m a . P a r t i c u l a r m e n t e a ed i çã o de 5-1-80 est á
m u i t o c h a m a t i v a , pois tr o u x e vária s n o t a s . Este
p e r i ó d i c o l o n d r i n o e s t a m p o u n a p r i m e i r a página
que a u t o r i d a d e s " T O P " i n t e r n a c i o n a i s estã o con •
v e n c i d a s d a r e e n c a r n a ç ã o . Ba sea ra m - se e m en •
t r e v i s t a d o " N A T I O N A L E N Q U I R E R " , jorna l d e
grande c i r cu l a ç ã o nos Estado s U n i d o s . Tra ze m en•
t r e v i s t a s co m p r o f i s s i o n a i s que tê m p e s q u i sa d o
ca so s que e v i d e n c i a m a r e e n c a r n a ç ã o : E R L A N D U R
H A R A L D S O N , p r o f e s s o r d e P si co l o gi a d a U ni ve r•
si da d e da Is l â n d i a ; J A M E S PAR EIKO, p r o f e s s o r de
F i l o so f i a da U n i v e r s i d a d e Estadual
de C h i ca g o ;
JOEL W H IT T ON , p r o f e s s o r de Ps i co l o g i a da U ni ve r•
si da d e d e Tor o n t o ; H . N . BANERJEE, d o I n s t i tu t o
Indiano de P a r a p s i c o l o g i a . Na ú l t i m a pá gin a des •
te p e r i ó d i c o , duas n o t íc i a s c h a m a m a a te n çã o : A
p s i c ó l o g a EDITH FIORE d e c l a r o u : " A m o r t e é um a
e x p e r i ê n c i a i n a c r e d i t á v e l " ; e re la to u as suas ex•
p e r i ê n ci a s co m o h i p n o t e r a p i s t a , o b te n d o o que ela
consider a "ev idênci a c ient íf i c a d a reencarnação "
.
E m tr an s e p r o f u n d o , p r o v o ca d o pela
h i p n o s e , seu s p a c i e n te s l e m b r a m o
"fabulos o
i n te r l ú d i o en tr e
m o r t e e n a s c i m e n t o " . Co n t a
mai s ai nd a : " A p ó s a
m o r t e , há um i m e d i a t o
a l ívi o
da
dor e um a enor• me se n sa çã o de
liberdade .
Freqüentement e
a
al•
ma se
e n c o n t r a co m o E sp ír i t o gu a r d i ã o e co m pa• re n te s e
a mi go s m o r t o s . Se gu e- se um p e r ío d o de
intensiv a
i n s tr u çã o e o u tr o de p l a n e j a m e n t o para a nova vid
a t e r r e s t r e . " (Artig o
" A A t u a l i d a d e da
R e e n c a r n a ç ã o " , no " R E F O R M A D O R " de abril
de
1981 , pg . 31).
E co m o a r r e m a t e f i n a l , esta s j u d i c i o s a s co n s i d e r a
• çõe s d o e m i n e n t e e s cr i t o r H E R M Í N I O C . M I R A N D A :
" A r e e n c a r n a ç ã o é hoje um fat o que a p esso a ra•
z o a v e l m e n t e be m i n f o r m a d a não pode r ecu sa r su •
m a r i a m e n t e se m e x a m e . P r i m e i r o f a l a r a m del a
r e m o t o s m í s t i c o s e g íp c i o s e h i n d u s . M u i t o s es•
c r i t o r e s , p o e ta s , f i l ó s o f o s e a r ti s t a s a a d m i t i r a m
.
H á pouc o mai s d e u m sé c u l o , o s
espírita s
t o m a • ra m a palavra para falar dela e
d e m o n s t r a r a su a
n e ce s s i d a d e
filosóficor e l i g i o s a para ex p l i ca r cer•
to s e n i g m a s
d a v i d a . D e anos mai s r e c e n t e s pa203

ra cá, m é d i c o s e c i e n t i s t a s co m o o Dr . IA N STEV E N S O N , ou o Dr . BANERJEE, c o m e ç a r a m a ca•
ta lo ga r ca sos d e l e m b r a n ç a s e sp o n t â n e a s e m
c r i a n ça s , e n qu a n t o p s i q u i a t r a s e p s i c ó l o g o s , co•
mo o Dr . DENIS KELSEY, ou a D r a . EDITH FIORE,
p a s s a r a m a t r a ta r de d i s t ú r b i o s e m o c i o n a i s pes
• quisand o o s trauma s e m existência s
pregressas. "
"D e tal f o r m a cr e s ce u o a ce rv o de ca so s do •
c u m e n t a d o s que, e m b o r a i gno ra r a r e e n c a r n a çã o
sej a d i r e i t o de que m a s s i m o d e se ja r , negá-la
a p r i o r i s t i c a m e n t e p asso u a ser, no m í n i m o , para
usar um a palavra mais b e n i g n a , s i n t o m a e v i d e n t
e
d e desinformação. "
"Se j a com o for , p o r é m , para os que i n te g r a m a
m u l t i d ã o dos n e ga d o r e s , po r c o n v e n i ê n c i a , a co m o •
dação , ou c o n v i c ç ã o be m i n t e n c i o n a d a , a re al id a •
de da r e e n c a r n a ç ã o cria i n s u p o r t á v e i s i m p a c t o s ,
d e s a r r u m a tod o u m u n i v e r s o í n t i m o , ond e cada
co is a te m u m l u ga r zi n h o ce r to , ond e tud o est á au•
t o m a t i za d o , onde , e n f i m , a cr i a tu r a est á d e so b r i •
gada do i n cô m o d o de p en sa r (tudo já foi pe nsad o
por ela) e livr e de p r e o c u p a ç õ e s , t e m o r e s e res•
p o n s a b i l i d a d e s , desd e que c u m p r a d e t e r m i n a d o s
r i tu a i s , ou s i m p l e s m e n t e i gnor e até a e x i s t ê n c i a
de D e u s . É m u i t o mai s fáci l negar cer ta s realida •
des do que a s s u m i - l a s (no se n t i d o m o d e r n o da pa•
lavra) e arcar co m as c o n s e q ü ê n c i a s dos n osso s
a t o s . R e e n ca r n a çã o i m p l i c a ação e reação , fal t
a e co r r e ç ã o , abus o e r e p a r a çã o , tant o qu an t o a re•
m u n e r a çã o do be m co m a paz, do amo r co m a fe •
l i c i d a d e . " ( Ar t i g o " B r i d e y M u r p h y — Um a Reava•
l i a çã o " no " R E F O R M A D O R " de j a n e i r o de 1980,
pg . 28).

204

5 — O b j e ç õ e s à reencarnação .

Ba se ad o s nos " E s t u d o s F i l o s ó f i c o s " d o Dr . Be ze rr a
de M e n e ze s (2.ª ed . Ed i ce l , pgs . 116 /118 ) , da mo s em se•
gu id a as r e s p o s t a s a a l g u m a s das o b j e çõ e s que c o s t u m a m
l ev a n ta r à d o u t r i n a das vida s s u c e s s i v a s :

1 — Qu e a di an ta r e e n ca r n a r para so f r e r , se não
mo s l e m b r a r a o r i g e m do s o f r i m e n t o ?

pode•

O e s q u e c i m e n t o é n e c e s s á r i o nos m u n d o s ex•
p i a t ó r i o s , poi s não é raro i n d i v íd u o s que f o r a m
i n i m i g o s m o r t a i s nu m a e x i s t ê n c i a , s e r e u n i r e m
n o u tr a co m o m e m b r o s d a m e s m a f a m í l i a , par a s e
r e c o n c i l i a r e m pelo s laços d o a m o r . C om o pode
a l g u é m c o n t i n u a r o d i a n d o u m i n i m i g o se , a o vol

ta r a o plano e s p i r i t u a l , c o n s t a t a qu e a quele
vei o
a se r d ep oi s u m f i l h o m u i t o am ad o ?
M u i t o s so•
f r e m hoje o que f i ze r a m so f r e r o n t e m
. A c a s o não
se r i a maio r o t o r m e n t o se a
l e m b r a n ç a f o ss e man •
tid a e v i s s e m ao seu
lado , co m o pe sso a s q u e r i d a s ,
a qu e l e s d e que m
m u i t o s o f r e r a m , o u a q u e m mu i •
t o fizera m
s o f r e r e m e x i s t ê n c i a pa ssa da ? A l é m d i s s o , o
E sp ír i t o r eceb e em cad a nov a e n c a r n a ç ã o as
m e s m a s p rov a s em que f al ho u no p a s sa d o , e se
c o n s e r v a s s e a c o n s c i ê n c i a do fato , iss o cer•
cea r i a o se u l i v r e - a r b í t r i o . Ma s a e x i s t ê n c i a ver•
d a d e i r a é a e s p i r i t u a l e nest a o i n d i v íd u o c o n h e c e
toda s as cau sa s e toda s as c o n s e q ü ê n c i a s ,
saben •
d o co m s e g u r a n ç a a s razões da s p rov a s
por que p a s s o u . O e s q u e c i m e n t o , t o d a v i a , já não é
nece s•
sári o e m orbe s mai s e v o l u í d o s .

2 — O b j e ç ã o de São J e r ô n i m o a Po m a co : " Vos s a dou •
t r i n a p e r m i t i r á que n o fi m do s t e m p o s e s t e j a m r e u n i d o s
Ga b r i e l e S a ta n á s , Paulo e C a i f á s , as v i r g e n s co m as pros •
titutas . . . "

Se m

d ú v i d a a l g u m a , por mai s

p e c a d o r e s que
205

t e n h a m sido , o Pai não f e ch a r á a n i n g u é m a por t
a d o a r r e p e n d i m e n t o , d e sor t e que to do s ch e ga r ã
o
um dia ao esta d o de
angelitude ,
após
palmilhare m
um a longa send a de e x p i a çõ e s e
de p r o v a s . Por•
ta n to , o s mai s p e ca d o r e s e s ta r ã
o j u n to s co m o s mai s sa n to s , co m tod a a ce r t e za
, desd e que este • ja m tod o s no m e s m o níve l de
aperfeiçoamento , é
cla ro .

3 — Se to do s d e v e m o s che ga r à p e r f e i ç ã o , não há
n e c e s s i d a d e de nos p r i v a r m o s dos p ra ze r e s da vi da .

Se m d ú v i d a não há . Deu s co n ce d e o livr e ar•
b ít r i o para que o h o m e m e s c o l h a , l i v r e m e n t e , o
c o m p o r t a m e n t o a a d o t a r . Ma s se p r e f e r i r os pra•
ze re s da v i d a , co m isso r e ta r d a o seu p r o g r e s s
o e sofr e as c o n s e q ü ê n c i a s , poi s t o d o s r e s p o n d e r e

mo s pelo mal que f i ze r m o s e pel o be m que
dei • x a r m o s de f a zer . A c o n s c i ê n c i a ap on t a a cada
ho•
me m os seu s d e v e r e s , e a qu e l e que
passa a vid a e m d e l e i t e s e s q u e c i d o dos seu s
i r m ã o s que so• f r e m , a s s u m e p e r a n t e a Ju st i ç a
Di vi n a um a enor• m e r e s p o n s a b i l i d a d e . C o n s o a n t e j
á d i s s e m o s al•
gu r e s , " a s e m e a d u r a é li vr e
, ma s a co l h e i t a é obri• g a t ó r i a " .

4
e

— A idéia de um p r o g r e s s o i n d e f i n i d o não
às a sp i r a ç õ e s da alm a h u m a n a .

a ten d

Esta o b j e çã o dev e pa r ti r dos que s o n h a m co
m a b e m - a v e n t u r a n ç a no céu após um a brev e exis •
t ê n ci a n a Ter r a . Qual será m e l h o r ? U m p r o g r e s s o
i n c e s s a n t e até che ga r a o pont o m á x i m o e m sabe•
dori a e v i r t u d e , para então a l ca n ça r o esta d o de
b e m - a v e n t u r a n ç a , ou um p r o g r e s s o rá pi d o e al can•
çar o céu (ou o i n f e r n o . . . ) co m toda s as d e f i c i ê n •
cia s m e n t a i s e m o r a i s de um a só e x i s t ê n c i a ?

5 — Por que a vo l t a à car ne , para expiar as f al ta s
co• m e t i d a s , qu an d o elas p o d e r i a m se r ex p i a d a s n o
Espaço?
—A

r e e n c a r n a ç ã o não é só um mei o de e x p i a çã o ,
mas t a m b é m de p r o v a . A J u s t i ç a re que r que o Es•
p ír i t o repare a s sua s f al ta s e m c i r c u n s t â n c i a s
i d ê n t i c a s à que l a s e m que a s c o m e t e u , e n f r e n t a n

d o a s m e s m a s d i f i c u l d a d e s , so f r e n d o a s m e s m a
s
v i c i s s i t u d e s . M u i t a s f al ha s r e s u l t a m d e
co n t i n •
gê n ci a s m a t e r i a i s , e no plano e sp i r i t u a l
o ser não p a ssa r i a pela s m e s m a s c o n t i n g ê n c i a s .

206

JORNADA

Fui á t o m o , v i b r a n d o en tr e as fo rça s do e sp a ço ,
d e v o r a n d o a m p l i d õ e s , e m longa e a n s i o s a e s p e r a . .
.
P a r t íc u l a , p o u s e i . . . e n c a r c e r a d o , e u era
i n f u s o r i o d o ser, e m m o n t õ e s d e s a r g a ç o . . .

Por s é c u l o s fui p l a n ta , e m m o v i m e n t o e s c a s so
,
sofr i no i n v e r n o rude e ame i na p r i m a v e r a
d e p o i s fu i an im a l e, no i n s t i n t o da f e r a ,
achei a i n t e l i g ê n c i a e ava ncei passo a p a s s o . . .

Gua rd e i por m u i t o t e m p o a e x p r e s sã o dos g o r i l a s ,
pondo mai s fé nas mão s e mai s luz nas p u p i l a s ,
a lutar e a so f r e r , para então c o m p r e e n d ê - l a s . . .

A g o r a , h o m e m que sou , pelo for o d i v i n o ,
viv o de corp o em corp o a f or ja r o d e s t i n
o
que me leve a t r a n s p o r o clarão das e s t r e l a s !

..

(De ADELINO FONTOURA CHAVES, em
"Antologia dos Imortais" (FCX)

207

IX — BREVE HISTÓRIA DO ESPIRITISMO

M u i t a gen t e t o r c e o nariz quando ouv e fala r de
Es• p i r i t i s m o . O u tr o s se s e n t e m a t e m o r i z a d o s ,
imaginand o a
" o p e r a çã o d o e s p í r i t o d o m a l " .
Por isso va m o s i ni ci a r es•
te c a p ít u l o co m l i ge i r a s
e x p l i c a ç õ e s so br e o que é o Espi• r i t i s m o e com o se
c a r a c t e r i z a a d o u t r i n a nos t e m p o s a tu a i s .
D e n o m i n a m - s e " e s p i r i t u a l i s t a s " a qu e le s que c r ê e m
que o h o m e m se c o m p õ e de um co rp o e de um e s p í r i t o .
O corp o não passa de um i n v ó l u cr o m a t e r i a l , o e s p ír i t o
é
a part e i n v i s ív e l e a mai s i m p o r t a n t e , por s o b r e v i v e r
ao
corp o e se r i m o r t a l . Nist o a c r e d i t a m to do s os
espiritua •
li sta s , p o r ta n t o est e é um co n ce i t o g e r a l . Por
i sso , para e s t a b e l e c e r um a d i s t i n ç ã o , KAR D E C ad o to u o t e r m
o "e s • p í r i t a " (ou " e s p i r i t i s t a " ) para d e s i g n a r a qu e le s
que , sen •
d o e s p i r i t u a l i s t a s , a ce i t a m t a m b é m o s
p o s t u l a d o s d a Dou •
tr i n a E s p ír i t a , por ele
codificada .
O nom e é a d e qu a d o à idéia e nada te m de i n s ó l i t o .
Se to d o s so m o s e s p í r i t o s e n c a r n a d o s , se o n oss o se n t i
r e pe nsa r est á no e s p í r i t o e não no co r p o , se na
trajetóri a
d e no ssa s e x i s t ê n c i a s p e r m a n e c e m o s por t e m p
o be m mai s
c o n s i d e r á v e l no plano e sp i r i t u a l do que
no f ís i c o ( e
isso
vale para toda s as r e l i g i õ e s
e s p i r i t u a l i s t a s ) , se fo i cod i •
f i ca d o u m co n j u n t o d e
p r i n c í p i o s que r e ge m a s r e l a çõ e s
entr e e s p í r i t o s na
carne e o u tr o s for a da ca rn e , ou se ja ,
n a dimensã o
i n v i s ív e l aos no sso s o lh o s m a t e r i a i s , então n e n h u m a
d e n o m i n a ç ã o s e c o n f i g u r a r i a mai s a d e qu a d a pa•
ra
ess e corp o de d o u tr i n a do que a de E s p i r i t i s m o .
Vam o s dar e m se gu i d a um a brev e si n o p s e d a hi stó
• ria d o E s p i r i t i s m o m o d e r n o .
D i ze m o s " m o d e r n o " ,
po r qu e
o s fa to s e s p í r i t a s e x i s t i r a m e m tod o s o s
t e m p o s , co m o s e
pode c o m p r o v a r não só pela Bíb l i a ,
co m o pela l i t e r a t u r a
r e l i g i o s a e p ro fa n a de tod o s os
p o v o s . No e n ta n to , fo i so-

209

me n t e e m me ad o s d o ú l t i m o sé cu l o que ele s s e i n t e n s i f i •
ca r a m , co m o d e l i b e r a d o p r o p ó s i t o de c o n v e n c e r os ho•
men s da r ea li da de da s o b r e v i v ê n c i a e da v e r d a d e dos re•
n a s c i m e n t o s , a f a s ta n d o - o s do m a t e r i a l i s m o a que e s t a v a m
send o lev ad os pela o r i e n ta ç ã o d e t u r p a d a das r e l i g i õ e s tr a •
dicionalistas .
P e r g u n t a - se : "Por que s ó r e c e n t e m e n t e o c o r r e r a m e m
maio r esca la essa s m a n i f e s t a ç õ e s do plano e s p i r i t u a l ? " É
que as tre va s que se a b a te r a m sobr e a h u m a n i d a d e duran•
te a longa noi t e da Idade M é d i a , i m p e d i r a m tod a e qual •
que r m a n i f e s t a ç ã o do p e n s a m e n t o . A Igre ja se co n s i d e •
rava a únic a d e p o s i t á r i a e fie l i n t é r p r e t e da Ver d a d e e, em
nom e dess a " v e r d a d e " , p e r s e g u i u i m p l a c a v e l m e n t e tod o
s
o s que o u sa v a m r a c i o c i n a r
co m
i n d e p e n d ê n c i a . N a reali •
dade , ne m era ;r e ci so p en sa r ,
b astav a um a d e n ú n c i a anô• ni ma , d e f a m i l i a r e s o u até
m e s m o d e cr i a n ç a s , par a a tir a r
multidõe s à s masmorra
s d o " Sa n t o O f í c i o " , o u aos tr i b u •
nais da " San t
a I n q u i s i ç ã o " . Tudo, o b v i a m e n t e , "pa r a a
maio r
gl ó ri a de D e u s " e em nom e d a qu e l e qu e vei o ao mu nd o
para e n si n a r aos h o m e n s um a lição de amo r e de
m i s e r i c ó r d i a . . . Eis o que r e g i s t r a um t e ó l o g o sobr e esse
t r i s t e p e r ío d o d a H i s t ó r i a :
" A cr e n ç a d o pov o era d e t e m o r , co m o nas reli •
giõe s pagãs que o C r i s t i a n i s m o d e s t r o n a r a . Pen•
sava-se que o m un d o era che i o de mau s e s p í r i t o s ,
de d e m ô n i o s , cu j a obr a era d e s t r u i r as al ma s . Pa•
ra anular a obr a dos d e m ô n i o s , a pe lav a- se para a
i n te r ce s s ã o dos San to s , e para as v i r t u d e s mági •
cas das san ta s r e l i q u i a s . ( . . . ) À p r i m e i r a vi s t a
parec e i n cr ív e l que o C r i s t i a n i s m o ch e g a s s e a tal
p on to , a p r e s e n t a s s e tal c a r i c a t u r a das sua s belas
d o u t r i n a s , e f i c a s s e tã o longe d a qu e l a s i m p l i c i d a •
de , e s p i r i t u a l i d a d e , al e gri a e c o n f i a n ç a da r e l i g i ã
o
d e J e s u s . " (R . H . N I C H OL S , e m " H i s t ó r i
a
d a
Igre•
j a
Cristã" .
Casa
Edit .
P r e s b i t e r i a n a , 1978 , pg . 76).
" O Cristianism o
de quas e tod o o pov o na IdadeM é d i a era
e s s e n c i a l m e n t e a r e l i gi ã o do t e m o r . A
Igreja
m a n t i n h a seu s f i l h o s e m s u b m i s s ã o , con•
s e r v a n d o be m viv o em toda s as p e sso a s o med o
do seu pode r sobr e a vi d a , aqui e no a l é m - t ú m u l o .
( . . . ) Isso o b r i g a v a a t o t a l i d a d e das m a s sa s a to •
mar part e nas o b s e r v a n c i a s r e l i g i o s a s e o b e d e c e r
aos p r e c e i t o s m o r a i s da r e l i g i ã o , não por amo r
e
210

co n f i a n ç a e m Deu s, p o r é m pelo t e r r o r i n sp i r a d o
pela idéia ou l e m b r a n ç a das c o n s e q ü ê n c i a s de ou •
tr a a t i t u d e " . (Ibd ., pg . 120). (A s ú l t i m a s pa lav ra s
são um e u f e m i s m o , para m a s ca r a r o " p a v o r do in •
f e r n o " , que ainda hoje p e r s i s t e , i n c l u s i v e nas i gre •
jas r e f o r m a d a s ) .
E não se pens e que os v a l o r o s o s r e f o r m a d o r e s do Sé•
cul o XV I e s t i v e r a m i se n to s de ss e r a d i c a l i s m o . Pr e ten de •
ra m r e s t a u r a r o C r i s t i a n i s m o do C r i s t o e o que f i ze r a m
fo i e l i m i n a r a l gun s d o g m a s . S u b s t i t u í r a m a i n f a l i b i l i d a d e
do Papa ( s a n c i o n a d a em 1870, ma s j á en tão a ce i ta) pela
i n f a l i b i l i d a d e da Bíb l i a , p o r é m c o n s e r v a r a m a m e s m a into•
l e r â n ci a dos seu s p r e d e c e s s o r e s . Prova- o o apoi o de Lu•
ter o a o e s m a g a m e n t o d a r ev o l t a dos c a m p o n e s e s a l e m ã e s ,
em 1525, e a p a r t i c i p a ç ã o de C a l v i n o no a s sa s s i n a t o de
M i g u e l S e r v e t , e m 1553 .
Ve j a m o s com o s e e x p r e s s a
m
a r e s p e i t o doi s h i s t o r i a d o r e s p r o t e s t a n t e s :
"D e i n íci o L u te r o p r o c u r o u ve r a s i n j u s t i ç a s d e
a m b o s os l ad o s . Ma s qua nd o a r e v o l t a mal diri •
gida caiu em e x c e s s o s m a i o r e s e p a r e ce u f a zer - se
a n a r qu i s t a , v o l t o u - s e co n tr a o s c a m p o n e s e s co m
um v i o l e n t o p a n f l e t o " C o n t r a a Cor j a de C a m p o n e •
ses A s s a s s i n o s e L a d r õ e s " , e x i g i n d o que os p r ín c i •
pes os e s m a g a s s e m pela f o r ç a . A i n s u r r e i ç ã o cam •
p on es a foi m a r ca d a por e s p a n t o s a c a r n i f i c i n a . " (W .
W AL K E R e m " H i s t ó r i a d a Igre ja C r i s t ã " , pg .
433).
" A part e d e C a l v i n o n a e x e cu ç ã o d e
Se rv et , mé • dico e s p a n h o l , por m o t i v o d e h e r e s i a ,
te m c o n t r i • bu íd o para que m u i t a s p e s so a s d e i x e m
d e fazer j u s t i ç a à gr an d e obr a de ss e r e f o r m a d o r .
Por ne•
gar a d o u tr i n a da Tri n d a d e , S e r v e t
fo i c o n d e n a d o à f o g u e i r a , send o Ca lv in o um dos ju íze
s que o con •
d e n a r a m . C om o qua se toda s a s
p e s so a s d o seu
t e m p o , Calvin o
he rd o u da
Idade M é d i a a cr en ç a
de que a h e r e s i a devi a se r
p un id a co m a m o r t e .
T ra i r ía m o s a noss a c o n s c i ê n c i
a cr i s t ã se d e i x á s s e • mo s de co n d e n a r co m toda s
as f o r ça s o ato de C a l v i n o nest e ca s o . Toda vi a ,
d e v e m o s nos lem •
brar d e que na que l e t e m p o
su a a ti tu d e fo i geral • m e n t e a pr ova da em G e n e b r a
e pelo s p r o t e s t a n t e s
d e quase tod a p a r t e . "
(R . H . N I C H O L S , op. c i t . ,
pg - 166).
A lição de i n t o l e r â n c i a fo i be m a p r o v e i t a d a pelo s se211

g u i d o r e s , poi s o m e s m o N I C H O L S , fa la nd o dos a n a b a ti s tas , a s s i n a l a :
" A Igreja R om an a , n a t u r a l m e n t e , p e r s e g u i u - o s d e
mod o b r u t a l . E até os l u te r a n o s e zu i n g l i a n o s os
p e r s e g u i r a m por sua r e j e i ç ã o d o b a t i s m o i n f a n ti
l
e o p o s i çã o às i gre ja s o f i c i a i s . Na Diet a de
Spira ,
em 1529, e n qu a n t o os l u te r a n o s e
zu i n g l i a n o s pro• t e s t a v a m co n tr a a p e r s e g u i ç ã o
que se lhes mo•
via , c o n c o r d a v a m e m que s e
p e r s e g u i s s e m o s anab a ti s t a s , alguns dos
quai s s o f r e r a m m o r t e à s mão s
d e vár io s
p r o t e s t a n t e s . " ( Ib d . pg . 182).
Ma s das t r e v a s d a Idade M é d i a não sur gi u s o m e n t
e a R e f o r m a . Nu m t r a b a l h o len to e p r o g r e s s i v o , a Renas•
cenç a l i b e r t o u o e s p ír i t o h u m a n o dos g r i l h õ e s que o apri •
s i o n a v a m . O h o m e m p r o cu r o u av an ça r e m c o n h e c i m e n t o ,
c o m e ç o u a i n v e s t i g a r os m i s t é r i o s da e x i s t ê n c i a .
Tudo isso ex p l i c a p or qu e s o m e n t e e m époc a r el a ti •
v a m e n t e r e ce n t e os fato s que a C i ê n c i a r o tu l a hoje de "pa •
r a n o r m a i s " e n c o n t r a r a m a m b i e n t e p r o p íc i o à su a m a n i f e s •
taçã o e d i v u l g a ç ã o . Na Idade M é d i a os s e n s i t i v o s era m
a cu sa d o s de f e i t i ç a r i a e f r e q ü e n t e m e n t e lev ad os à m o r t e
pela s co r te s i n q u i s i t o r i a i s . A e m a n c i p a ç ã o do e s p í r i t o não
se fez de i m e d i a t o , e ne m se pode a f i r m a r que tenh a ter•
m in ad o a i n d a . O s ra nço s d a i n t o l e r â n c i a r e l i g i o s a ainda
se fa ze m se n t i r por tod a p a r t e . Ma s o Pai C e l e s t i a l vel a
pelo s d e s t i n o s dos h o m e n s e de vez em quando — se m •
pre que lhe parec e o p o r t u n o — p e r m i t e o d e s p o n t a r de
novas v e r d a d e s , ou m e l h o r , de novo s a sp e c t o s da Verd a •
de .
M as , p e r g u n t a - s e : "S e as c o m u n i c a ç õ e s do m un d o
e sp i r i t u a l o c o r r e r a m em tod o s os t e m p o s e entr e tod o s os
p ovo s , po r que p r e c i s a m e n t e o s v e r i f i c a d o s e m me ad o s d o
sé cu l o p assad o t i v e r a m r e p e r c u s sã o tã o a m p l a , a o pon t
o
de e n s e j a r e m o a p a r e c i m e n t o de um a nova co n ce p çã o do
Cristianismo ?
Por v á r i o s m o t i v o s : 1.º — Era p r e ci s o que a h u m a n i •
dade e s t i v e s s e e m a n c i p a d a da o p r e s s ã o r e l i g i o sa , ou se•
ja , co m l i b e r d a d e para i n v e s t i g a r l i v r e m e n t e e a do ta r ca•
da um o pon t o de vist a que m e l h o r lhe a p r o u v e s s e ; 2.º —
Era n e c e s s á r i o que o d e s e n v o l v i m e n t o i n t e l e c t u a l a ti n g i s

s e u m n ível e m que s e p u d e ss e a na li sar o s fato s
sob cr i • t é r i o s e s t r i t a m e n t e r a c i o n a i s ; e 3.º — Im p u n h a - s
e que os
212

ór gão s de d i v u l g a ç ã o se e x p a n d i s s e m ao pon t o de to r n a r
p o s s ív e l a a m p l a r e p e r c u s s ã o de q u a i s q u e r a c o n t e c i m e n •
to s .
Tudo isso se t o r n o u vi áve l no sé cu l o p a s s a d o . O are•
j a m e n t o das idéia s p r o d u zi d o pela R e n a sce n ç a l i b e r t o u o
p e n s a m e n t o das a m a r r a s m e d i e v a i s , f a zen d o su r g i r novo s
c o n c e i t o s f i l o s ó f i c o s , e n se j a n d o o r e p ú d i o aos do gm a s e
até o r i e n t a n d o d i a l e t i c a m e n t e o e s p ír i t o h u m a n o para ru •
mo s m a t e r i a l i s t a s , pelas via s d o p o s i t i v i s m o d e C o m t e .
Está aí be m clar a a o p o r t u n i d a d e para um a sa lu ta r r e v i sã o
nas base s d o C r i s t i a n i s m o .
A C i ê n c i a t a m b é m se e m a n c i p o u co m as t e o r i a s evo•
l u c i o n i s t a s de Laplace e D a r w i n , e p r o c u r o u r u m o s pró •
p r i o s , co l o ca n d o - s e em p osi çã o a n ta g ô n i c a à da t e o l o g i a
o r t o d o x a . Eis aí ainda mai s i n d u b i t á v e l a p r e m ê n c i a de um
r e a j u s t e c o n c e p t u a l que e n s e j a s s e a c o n c i l i a ç ã o das
idéias e m ch o q u e .
F i n a l m e n t e , a ex p a n sã o do livro e da i m p r e n s a , dos
m e i o s de c o m u n i c a ç ã o , a e cl o sã o da era i n d u s t r i a l , o de•
s e n v o l v i m e n t o d a e d u ca çã o , to d o s e ste s f a t o r e s con cor •
re ra m para vu l ga r i za r a c u l t u r a , d i s s e m i n a n d o c o n h e c i m e n •
to s que era m a n t e r i o r m e n t e p r i v i l é g i o de um a e l i t e . Eis a
t e r c e i r a j u s t i f i c a t i v a " d a ad e qu a çã o d a m e n s a g e m e s p i r i •
tual a um m u n d o que já a m a d u r e c i a i n t e l e c t u a l m e n t e para
r e ce b e r e n s i n a m e n t o s mai s c o m p l e t o s .
C o n q u a n t o a s m a n i f e s t a ç õ e s c o n h e c i d a s co m o "ca •
sas m a l - a s s o m b r a d a s " se ja m m e n c i o n a d a s e m toda s a s
é po ca s e em to da s as pa r te s do m u n d o , as o c o r r i d a s no
v i l a r e j o de H y d e s v i l l e (N . Yor k ) em 1848 a p r e s e n t a r a m a
peculiaridad e d e s e ala stra r e m rapidamen t e , repercu tin d o
em tod a a A m é r i c a do No r t e e t a m b é m na Eur op a .
Re sidia ali o casal m e t o d i s t a FOX, co m sua s f i l h a s
C a th a r i n a ( Ka te ) e M a r g a r e t h , de 9 e 12 anos , r e s p e c t i v a •
m e n t e . Co m a o c o r r ê n c i a de e s t r a n h o s r u íd o s que se fa •
zia m ouv i r por tod a a ca sa , no di a 31 de m a r ç o da que l e
ano a pe que n a Kate d e c i d i u d e sa f i a r o " f a n t a s m a " a
repe•
ti r as b a ti da s que ela p r o d u zi a , o que fo i f e i t o .
Logo de•
zena s de cu r i o s o s v i zi n h o s e n c h e r a m a p e qu e n a
ca sa , es- t a b e l e c e n d o - s e u m cód i g o a tr av é s d o qual fo i
p o s s ív e l
en•
ceta r um di ál o go co m a i n t e l i g ê n c i a
i n v i s í v e l . Esta se iden •
t i f i c o u co m o um e x - v e n d e d o
r a m b u l a n t e ( C H AR L E S B.
R O S M A ) que t e r i a sido
a s sa s s i n a d o por an ti g o l o ca tá r i o
da ca sa .
213

As p e s q u i sa s então r ea li zad a s para c o m p r o v a r a au•
t e n t i c i d a d e d a c o m u n i c a ç ã o t i v e r a m êxit o apenas parcial
( e n c o n t r a r a m - s e alguns osso s e ca be l o s h u m a n o s ) , mas 56
anos d ep oi s foi e n c o n t r a d o n a cas a u m e s q u e l e t o h um a
• no quase c o m p l e t o , ao ruir um a parede fals a que for a con s •
tru íd a na a d e g a . O " B o s t o n J o u r n a l " n o t i c i o u o fat o em
23 de n o v e m b r o de 1904.
Os f e n ô m e n o s v e r i f i c a d o s co m a f a m í l i a FOX f o r a m
c o m p r o v a d o s por de zena s de t e s t e m u n h a s da mai s abso•
luta i d o n e i d a d e , en tr e as quai s o m i n i s t r o m e t o d i s t a
Rev.
A . H . JERVIS, e m cuja ca sa, e m R o ch e ste r , be m
com o e m várias o u tr a s , t a m b é m s e f i ze r a m se n t i r a s
manifestações .
Ma s logo o f a n a t i s m o r e l i g i o s o se
l ev a n to u co n tr a os "he •
r é t i c o s " , a pon to de o " q u a k e r "
Mr . W ILIT S te r sido
obri •
gado a d e c l a r a r em
a s s e m b l é i a p ú b l i ca : "Para li n ch ar as
m o ça s , ess a cor ja
de b a n d i d o s ter á que passar so br e o meu ca d á v e r. "
Vár i a s c o m i s s õ e s d e m o r a d o r e s f o r a m o r ga n i za d a s
co m o o b j e t i v o de d e s m a s c a r a r a " f a r s a " , e toda s elas ter•
m i n a r a m por c o n f i r m a r a a u t e n t i c i d a d e d a qu e l e s f e n ô m e •
nos.
Tudo o que ali o co r r e u est á m i n u c i o s a m e n t e n ar ra do
no livro " H i s t ó r i a do E s p i r i t i s m o " , do e s cr i t o r Sir ART H U R
C O N A N DOYL E, o co n sa g r a d o cr ia do r do f a m o s o d e te t i v e
Sherloc k Holmes .
A d e s p e i t o da e n ca r n i ç a d a p e r s e g u i ç ã o lev an tad a por
toda p ar te , o s f e n ô m e n o s e m po uco s anos s e p r o p a ga r a m
por tod a a A m é r i c a do Nor t e e logo em se gu i d a se espa•
lharam t a m b é m pela Eur op a .
O s i s t e m a r u d i m e n t a r que se g e n e r a l i zo u com o e f e ti •
vo mei o de c o m u n i c a ç ã o era o das ch a m a d a s " m e s a s gi•
r a n t e s " , a tr av és das quai s a s " i n t e l i g ê n c i a s i n v i s í v e i s "
r e s p o n d i a m às p e r gu n t a s e t a m b é m às ve ze s se d i v e r t i a m
e lev an d o as m e sa s , ou r o d o p i a n d o - a s no ar . Tor n o u - s e mo•
da , p r i n c i p a l m e n t e entr e as cla sse s a b a s ta d a s , a " c o n s u l

t a " a essa s m e sa s , claro que e m geral se m
p r e o c u p a ç õ e s de o r d e m e l e v a d a , mas apenas com o d i v e r s ã o ,
ou para in• d a ga çõe s f r í v o l a s . É e v i d e n t e que as i n t e l i g ê n c i a s
comu •
n i ca n te s s ó p o d i a m se r d o m e s m o níve l me n ta l
d a qu e l e s que a s i n t e r r o g a v a m , mas se m dúv id a c u m p r i a m
desígnio s
da E s p i r i t u a l i d a d e S u p e r i o r , no se n t i d o de
d e s p e r t a r a aten• ção dos h om en s para a r ea li da de da
sobrevivência .
214

Co m o àque l a époc a e s ta v a m m u i t o e m vog a o s mag •
n e t i z a d o r e s , os que se d e t i n h a m a e x a m i n a r os f e n ô m e •
nos a t r i b u í a m su a o r i g e m à ação de f l u i d o s m a g n é t i c o s , ou
e l é t r i c o s , ou o u tr o s de n a tu r e z a i g n o r a d a .
Entre os que a s si m p e n s a v a m , e stav a o Prof. DENIZ AR D RIVAIL, que desd e j o v e m s e i n t e r e s s a r a pelo s es•
tu do s do m a g n e t i s m o a n i m a l . A ele estav a r e s e r v a d a a
important e
missã o
d e
e x tr a i r
d e
fenômeno s
aparentemen •
t e i n ó cu o s a s p r e c i o sa s il a çõ e s
que
deveria m
contribui r
para
o
progress o
da
humanidade .
A l g u n s dos dados que s e s e g u e m f o r a m e x t r a í d o s d a
e x c e l e n t e obr a e m 3 v o l u m e s " A L L A N K A R D E C " , ed i ta d a
pela " F E B " em 1981 e de a u to r i a de ZEUS W A N T U I L e
F R A N C I S C O TH IESEN .
HIPOLYTE LEON D E N I Z A R D RIVAIL, m u n d i a l m e n t e co•
n h e c i d o pelo p s e u d ô n i m o d e A L L A N K AR D E C , n asce u e m
Lion , Fran ça, em 3-10-1804 . Passou vá ri o s anos co m o alu•
no do e m i n e n t e e d u ca d o r PESTAL OZZ I, no " L a r - E s c o l a " de
Y v e r d o n , Su íça , ond e a b so r v e u não s ó o s c o n h e c i m e n t o
s
d e p e d a g o g i a que d e v e r i a m r e v o l u c i o n a r o s
m é t o d o s edu •
ca c i o n a i s no m u n d o i n te i r o , com o
o s e n t i m e n t o de ex tre •
m a t o l e r â n c i a d o m e s tr e e m
rela ção aos po n to s d e v i st a a l h e i o s .
R ad i co u- se em Paris em 1822 e ali se d e d i co u ao ma •
g i s t é r i o e logo no ano s e g u i n t e , co m apenas 19 anos de
idade, p u b l i co u su a p r i m e i r a obr a d i d á t i c a : " C u r s o Práti•
co e Teó ri c o de A r i t m é t i c a Se gun d o o M é t o d o Pestalo zzi
Co m M o d i f i c a ç õ e s . " E m 1828 p u b l i c o u u m "Plano Para Me •
l h o r a m e n t o d a Educação P ú b l i c a " , sen d o cu r i o s o m e n ci o •
nar que ness e t r a b a l h o , e s cr i t o aos 23 anos , ele e n a l te c i
a a s C i ê n c i a s di zen do que : " O e s t u d i o s o d esta s rir á d a cre•
d u l i d a d e s u p e r s t i c i o s a dos i g n o r a n t e s , não mai s cr e r á e m
alma s d o o u tr o m u n d o e e m f a n t a s m a s , ne m t o m a r á "fo •
gos f á t u o s " por e s p í r i t o s " . . .
C o n h e c e n d o be m o a l e m ã o , t r a d u zi u para ess a l íngua
vá ri a s obras de a u to re s f r a n c e s e s , d e s t a c a n d o - s e o "Te l ê m a c o " , d e F EN EL ON . E m 1831 p u b l i c o u um a " G r a m á t i •
ca F r a n c e s a " e em 1847 a p r e s e n t o u um " P r o j e t o de Refor•
m a d o E n s i n o " , co m vária s s u g e s t õ e s i n t e r e s s a n t e s .
A falt a de r e cu r s o s o b r i g o u - o a e m p r e g a r - s e co m o
c o n t a b i l i s t a em casa s c o m e r c i a i s , ma s à noit e se d e d i ca v
a
à t r a d u çã o de obras i n gl e sa s e a le mã s , be m
com o ao pre-

215

paro de cu r so s que m i n i s t r a v a no " f a u b o u r g " de Sa ín t - Ge r m a i n . E m su a cas a dava aulas g r a t u i t a s d e F ísi ca , Q u í m i •
ca, A s t r o n o m i a , etc., alé m d e cu r so s p ú b l i c o s d e M a t e m á

tic a e A s t r o n o m i a . (A . K . Vol . 1 , pg . 136).
Em 1854 , no auge das " m e s a s g i r a n t e s " co m o diver •
são das e l i t e s , um ami g o lhe t r o u x e a n o t í c i a de que elas
" t a m b é m f a l a v a m " , ist o é , dav a m r e s p o s t a s i n t e l i g e n t e
s
à s p e r g u n t a s que lhes f a zi a m , a o que r e t r u c o u :
"S ó acre•
d i ta re i qua nd o vi r e s e m e p r o v a r e m que um a
mes a te m c é r e b r o para p en sa r , ne rvo s para se n t i r e que
poss a tor• nar-se s o n â m b u l a " (A . K . Vol . II, pg . 62).
Em mai o de 1855 p r e s e n c i o u pela p r i m e i r a vez o fe •
n ô m e n o das " m e s a s g i r a n t e s " , "e m c o n d i ç õ e s t a i s " , es•
cr e v e , "qu e não d e i x a v a m m a r g e m a q u a l q u e r d ú v i d a " .
D e s c r e v e ou tra s s e s s õ e s a que a s s i s t i u e d e c l a r a :
"En tre • v i n a qu e l a s a p a r e n t e s f u t i l i d a d e s , n o p a s s a t e m p o
que fa •
zia m d a qu e l e s f e n ô m e n o s , q u a l q u e r co i s a
d e sé r i o , co m o
que a r ev e l a çã o de
um a
lei
i n t e i r a m e n t e nova , que t o m e i
a mi m i n v e s t i g a r a
fundo" .
239).

("Obra s P ó s t u m a s " ,

10.

a

ed .

FEB, pg .

C o m e ç o u en tã o a fazer p e r g u n t a s sé r i a s , . de cunh o
c i e n t í f i c o ou f i l o s ó f i c o , às qua i s as e n t i d a d e s d ava m res•
po sta s de gra nd e e l ev a çã o , " p r e c i s a s , p r o f u n d a s e ló gi •
c a s " . Ced o ele c o n s t a t o u que o s e n s i n o s r e ce b i d o s ganha•
va m a s d i m e n s õ e s d e u m " c o r p o d e d o u t r i n a " que m er e

cia se r p u b l i c a d o para e d i f i ca ç ã o dos h o m e n s . E em
30 de
abril de 1856 tev e a c o n f i r m a ç ã o de que o o b j e t i v
o era es•
se e fo i av isad o de que tan t o p o d e r i a ve n ce r
co m o f r a ca s • sar, p o r é m que n est e ú l t i m o caso o u tr o o
s u b s t i t u i r i a , "por •
qu an t o os d e s í g n i o s de Deu s não
a s s e n t a m na cab e ç a de
u m h o m e m . " Pôs-se en tã o nas
mão s d o Pai, e m f e r v o r o s a
p r e ce : " S e n h o r , r e c o n h e ç o
a mi nh a f r a qu e z a d ia n t e de tã o gr an d e t a r e f a . A m i n h a boa
v o n ta d e não d e s f a l e c e r á ; as
f o r ç a s , p o r é m , tal ve z
m e t r a i a m . Supr e a mi nh a d e f i c i ê n •
cia , dá-me as
f o r ça s f ís i ca s e m o r a i s que me f o r e m ne ce s • s á r i a s . " (A . K .
v o l . II, pg . 69).
C o m e ç o u en tã o a er i gi r , co m a a s s i s t ê n c i a de um a
pl êi ad e de E s p ír i to s S u p e r i o r e s , o m o n u m e n t a l e d i f íc i o da
D o u tr i n a E s p ír i ta , cuj a obr a f u n d a m e n t a l , o " L i v r o dos Es•
p í r i t o s " , fo i p u b l i c a d o e m abril d e 1857 , d ep oi s d e so f r e r
c o m p l e t a r evi sã o d e t e r m i n a d a pelo s p r ó p r i o s E s p í r i t o s .
Uso u o p s e u d ô n i m o A L L A N KAR D E C por te r sid o este ,
se216

gund o o seu Gui a E s p i r i t u a l , o nom e que t i v e r a em encar•
nação a n t e r i o r , en tr e o s d r u i d a s .
A p r i m e i r a ed i çã o , co m 501 p e r gu n t a s e r e s p o s t a s , lo•
go se e s g o t o u . A se g u n d a , sa ída em m a r ç o de 1860, " i n •
t e i r a m e n t e r e f u n d i d a e c o n s i d e r a v e l m e n t e a u m e n t a d a " , fi •
co u send o a e di çã o d e f i n i t i v a , co m 1019 q u e s t õ e s , te nd o
sid o e s g o t a d a em 4 m e s e s .
Eis aí o p r i n c i p a l t r a b a l h o do C o d i f i c a d o r , em relação
ao qual ele fez q u e s t ã o de fr isa r que é " u m a c o m p i l a ç ã o
dos e n si n o s d i ta d o s pelo s Es p ír i to s S u p e r i o r e s e p u b l i ca
• d o po r o r d e m d e l e s " ; que ele " n a d a c o n t é m que não
sej a
a e x p r e s s ã o do p e n s a m e n t o de le s , que não lhes
tenh a so•
f r i d o o c o n t r o l e . " Na r e a l i d a d e , ele não fo i um
simple s
c o m p i l a d o r , poi s suas j u d i c i o s a s no ta s e
o b s e r v a ç õ e s exa• radas ao longo da o br a , be m com o a su a
n o táv e l " I n t r o d u •
ç ã o " , b a s ta m para a te sta r a sua gr an d e
c u l t u r a . Po ste r i o r •
m e n t e f o r a m dadas a p ú b l i c o as sua s
obras c o m p l e m e n t a •
res : " O Livro dos
Médiuns "
(1861). " O Ev an ge lh o Se gun •
do o E s p i r i t i s m o " (1864), "
O Cé u e o I n f e r n o " (1865 ) e " A
G ê n e s e " (1868),
formand o o
que
se c o n v e n c i o n o u
ch a m a r
o
" P e n t a t e u c o " kardequiano .
Em 1869 a " S o c i e d a d e D i a l é t i c a de L o n d r e s " , i n te gr a •
da por 34 sá b i o s , entr e os qua is o c é l e b r e n a t u r a l i s t a Sir
ALFR ED RUSSEL W A L L A C E , r e u n i u - s e para e s t u d a r os fe •
n ô m e n o s e sua s c o n c l u s õ e s f o r a m tão c o n v i n c e n t e s que
l o g r a r a m d e s p e r t a r a a te n çã o de i n ú m e r o s o u tr o s c i e n t i s •
tas , entr e os qua is o r e n o m a d o f ís i c o in glê s Sir W I L L I A M
C R OO K E S , que se d e s t a co u co m o o mai s q u a l i f i c a d o in•
v e s t i g a d o r para e x a m i n a r o d e s c o n c e r t a n t e p r o b l e m a do s
fenômeno s paranormais .
Q u e m fo i e o que fez W I L L I A M CR OO KES? Na sce u em
1832 e ainda mo ç o to r n o u - s e f i gu r a das mai s p r e e m i n e n t e s
no m un d o c i e n t í f i c o . Elei to m e m b r o da S o c i e d a d e Real
em 1863, del a r e ce b e u em 1875 a "R o ya i Gol d M e d a l " po r
suas vár ia s p e s q u i sa s nos c a m p o s da Q u í m i c a e da F ís i c a
,
a " D a v y M e d a l " em 1888 e a "Si r Jo se p h C o p l e y
Medal "
e m 1904 . Foi n o m e a d o C a v a l e i r o pela Rainha
Vitória , e m
1897, e r e ce b e u a " O r d e m do M é r i t o " em
1910 .
Foi
po r
vá ri a s ve ze s Pr e si d e n t e d a "R o ya i
Society" , d a "Chemica l
Society" , d a "Institutio n o f
E l e c tr i ca l E n g i n e e r " , d a " B r i tis h A s s o c i a t i o n " e
d a " S o c i e t y fo r Ps ych i ca l R e s e a r c h " .
Sua
d e s c o b e r t a do novo e l e m e n t o q u í m i c o a que de u o no217

me de " T h a l í u m " , suas i n v e n ç õ e s do " R a d i ó m e t r o " , do "Esp i n t a r i s c ó p i o " e do "Tubo de C r o o k e s " r e p r e s e n t a m ape•
nas um a pe que n a part e de su a gra nd e p e s q u i s a . Em 1859
f u n d o u a " C h e m i c a l N e w s " , que e d i t o u , e em 1864 t o r n o u se r ed a to r do " Q u a r t e l e y Jou rn a l of S c i e n c e " . Em 1880 a
A c a d e m i a de C i e n c i a s da França lhe c o n c e d e u um a meda •
lha de our o e um p r ê m i o de 3 mi l f r a n c o s por seu impor•
tant e t r a b a l h o . (Dado s e x t r a íd o s do livro " H i s t ó r i a do Es•
p i r i t i s m o " , d e Sir ART HU R C O N A N D OYL E, e d i t . Pensa•
m e n t o , pg . 201).
Qua nd o C R OO K E S , en tão co m 37 anos, d e ci d i u pes•
qui sar o s f e n ô m e n o s p s í q u i c o s , tod o s o s c i e n t i s t a s s e
m o s t r a r a m s a t i s f e i t o s , p or qu e a i n v e s t i g a ç ã o ia ser con•
du zi da por u m h o m e m tã o a l t a m e n t e q u a l i f i c a d o . M u i t o s
e l o g i a r a m p u b l i c a m e n t e a sua a t i t u d e , e o p r ó p r i o CROO •
KES a ss i m se e x p r e s s o u : "D o u m u i t o valo r à p e s q u i s a da
v e r d a d e e à d e s c o b e r t a de q u a l qu e r fat o novo na n a tu r e za ,
para me i n su r g i r co n tr a a i n v e s t i g a ç ã o apenas por pa re ce r
que ela se choc a co m as o p i n i õ e s p r e d o m i n a n t e s . "
C R OOKE S i n i c i o u sua s p e s q u i s a s co m a m ai o r seve•
ridade , cer t o de que ia d e s m a s c a r a r o que ju l gav a se r e m
t r u q u e s . Ma s qu an d o c o m e ç o u a a d m i t i r a r e a l i d a d e dos
f e n ô m e n o s , e a de cla ra r que os tinh a o b s e r v a d o , pe sa do ,
m e d i d o , r e g i s t r a d o , e t c , p r o v o c o u um a i r r i ta çã o geral
en•
tr e o s que t i n h a m p r e v i a m e n t e a ce i ta d o a s suas
conclu •
sõe s , co n t a n t o que elas não c o n t r a r i a s s e m suas
opiniõe s
estabelecidas .
D u r a n t e qu a tr o anos o sábio re al i zo u ce n t e n a s de ex•
p e r i ê n ci a s , sob o mai s r i g o r o s o co n t r o l e c i e n t í f i c o , abran•
gendo f e n ô m e n o s d e p e r c u s s ã o , m o v i m e n t o d e o b j e t o s pe•
sados se m q u a l qu e r co n t a to , e lev ação d e m e sa s , ca d e i r a s ,
l e v i ta çã o d e co r p o s h u m a n o s , a p a r i çõ e s l u m i n o s a s , apari •
ção de mão s l u m i n o s a s , ou v i s í v e i s em plena luz, e s cr i t a
d i r e ta , t r a n s p o r t e s d e o b j e t o s ,
apariçõe s d e f a n ta s m a s
,
e t c , c u l m i n a n d o co m a c o m p l e t a m a t e r i a l i z a ç ã o
d o espí• rito de KATIE KIN G , que por mais de 3 anos se
submete u
a tod a sor t e de e x p e r i ê n c i a s , por i n ú m e r a s
veze s
send o
vi s t a ao lado da m é d i u m FLORENCE
C O O K . O sábi o des•
ta co u as d i f e r e n ç a s en tr e a e n ti d a d
e m a t e r i a l i z a d a e a mé • d i u m , o b s e r v a n d o que KATIE era
mai s alta d o que Mi s s COO K al gun s c e n t í m e t r o s e que, em
cer t a o ca si ão , o seu
pulso a cu sav a 75 p u l sa ç õ e s ,
co n tr a 90 da m é d i u m .
Todas as e x p e r i ê n c i a s de Sir W I L L I A M CR OO KES fo218

ra m m i n u c i o s a m e n t e r e g i s t r a d a s n o " Q u a r t e l e y Journa l o f
S c i e n c e " e c o n s t a m do livro " F a to s E s p í r i t a s " , e di tad o no
Brasil pela " F E B " , e be m se pode avaliar a c e l e u m a que
c a u s a r a m nos m ei o s c i e n t í f i c o s e t a m b é m entr e o v u l g o .
Todas a s a cu sa çõ e s p o s s ív e i s f o r a m assa ca da s co n t r a ele,
que , ante a v i o l ê n c i a dos o p o s i t o r e s e o r e t r a i m e n t o dos
qu e d e v e r i a m a po iá - lo , che go u a c o n s i d e r a r a m e a ça d a a
su a po si çã o no mei o c i e n t í f i c o e por isso p asso u vá r i o s
anos r e t r a íd o , se m p e r m i t i r a r e e d i çã o dos seu s t r a b a l h o s .
Ma s e m t e m p o al gu m m o d i f i c o u suas c o n v i c ç õ e s , ta n t o
que em 1898, no " r e l a t ó r i o p r e s i d e n c i a l " que d i r i g i u à As •
so ci a çã o B r i tâ n i ca , a ss i m s e e x p r e s s o u :
" T r i n t a anos se p a s sa r a m desd e que p u b l i q u e i as
atas das e x p e r i ê n c i a s t e n d e n t e s a d e m o n s t r a r que
for a d o noss o c o n h e c i m e n t o c i e n t í f i c o ex ist e um a
f o r ç a u ti l i za da por i n t e l i g ê n c i a s d i f e r e n t e s d a inte•
l i g ê n c i a c o m u m dos m o r t a i s . Nada tenh o que re•
tr a ta r de ssa s e x p e r i ê n c i a s e m a n t e n h o mi nh a s de•
c l a r a çõ e s já p u b l i ca d a s , p o d e n d o m e s m o a elas
a c r e s c e n t a r m u i t a c o i s a . " ( "Fa to s E s p í r i t a s " , pg .
147).
N a h i s t ó r i a d o E s p i r i t i s m o m u i t o s f o r a m a que l e s que ,
d o ta d o s de f a cu l d a d e s m e d i ú n i c a s , e s t a b e l e c e r a m as pro•
vas da s o b r e v i v ê n c i a e do i n t e r c â m b i o entr e os doi s pla•
nos d e v i d a . Ai n d a an te s d e K AR D E C , f u n c i o n o u com o
um a e sp é c i e de " p r e c u r s o r " o v i d e n t e sue c o E M M A N U E L
SW ED EN BO R G ( 1 7 1 9 /1 7 7 1 ) , cu jo s don s p a r a n o r m a i s eclo •
d i r a m em 1744, qua nd o tinh a 25 anos de i d a d e . De sd e en•
tã o dizia vive r em c o n s t a n t e c o m u n i c a ç ã o co m o m u n d o
e s p i r i t u a l , que d e s c r e v i a co m m i n ú c i a s tida s com o inusi •
tada s para a sua ép oca , e que no e n ta n t o f o r a m de po i s am •
p l a m e n t e c o n f i r m a d a s a tr a v é s d e e x p e r i ê n c i a s e s p í r i t a s .
Cona n Do yl e o c o n s i d e r a " o p r i m e i r o e mai s d e s t a ca d o
m é d i u m dos t e m p o s m o d e r n o s . " SW ED E N B OR G de ixo u
obra s i m p o r t a n t e s , c o m o : "Cé u e I n f e r n o " , " A Nov a Jeru •
salém " e "Arcan a Celestia" .
Ou tr o m é d i u m e x t r a o r d i n á r i o , est e c o n t e m p o r â n e o d e
K A R D E C , fo i A N D R E W J A C K S O N D AVI S ( 1 8 2 6 / 1 9 1 0 ) .
Ele
na sce u nu m d i s t r i t o rural de N e w - Yo r k , e mal sa ído da in•
f â n c i a , foi d o ta d o de n o táv e l c l a r i v i d ê n c i a . A d e s p e i t o de
sua pouc a i n s t r u ç ã o , e s c r e v e u , aos 19 anos , um dos mai s
p r o f u n d o s t r a t a d o s d e f i l o s o f i a ja m a i s p r o d u zi d o s : "F i l o •
so fi a H a r m ô n i c a " , o qual tev e de ze na s de e d i çõ e s so m e n
219

te nos Estados Unidos. Sua visão paranormal lhe permitia
ver através do corpo humano e até os depósitos minerais
no seio da terra. Em "desdobramento" experimentado em
1844, foi transportado a 40 milhas da sua casa e ao retor•
nar disse ter estado em contato com GALENO e SWEDENBORG, sendo esse o primeiro contato por ele admitido com
os chamados "mortos".
Falando das faculdades desse médium, assim se ex•
pressou o Dr. GEORGE BUSH, professor de hebraico na
Universidade de New-York:
"Declaro solenemente que ouvi Davis citar corre•
tamente a língua hebraica em suas palestras e de•
monstrar um conhecimento de Geologia muito ad•
mirável numa pessoa da sua idade, ainda quando
tivesse devotado anos a esse estudo.
Discutiu com grande habilidade as mais profundas
questões de arqueologia histórica e bíblica, de mi•
tologia, da origem e das afinidades das línguas,
etc, etc." (CONAN DOYLE em "História do Espi•
ritismo", pg. 63).
No seu livro "Princípios da Natureza" publicado em
1847, quando contava apenas 21 anos, Davis predisse o
aparecimento do Espiritismo. Na obra "Penetrália" profe•
tizou os automóveis e os veículos aéreos, bem como as
máquinas datilográficas. E no 1.° volume da obra "A Gran•
de Harmonia", descreve em minúcias como, sentado aos
pés da cama de uma senhora que agonizava, assistiu ao
desprendimento da sua alma:
"O processo começou por uma extrema concentra•
ção no cérebro, que se foi tornando cada vez mais
luminoso, enquanto as extremidades escureciam.
Então o novo corpo começa a emergir, a começar
pela cabeça; em breve se acha completamente li•
vre, de pé ao lado do seu cadáver, e com uma faixa
luminosa vital, correspondente ao cordão umbili•
cal. Ao romper-se o cordão, pequena parte é ab•
sorvida pelo corpo, assim o preservando de ime•
diata decomposição. Quanto ao corpo etéreo, le•
va algum tempo para adaptar-se ao novo ambien•
te; eu o vi passar para a sala contígua através da
porta e da casa, erguer-se no espaço, onde encon•
trou dois espíritos amigos e, depois de um terno
220

r e c o n h e c i m e n t o , n a mai s g r a c i o s a das m a n e i r a s ,
c o m e ç o u a sub i r o b l i q u a m e n t e pel o e n v o l t ó r i o eté•
reo d o noss o g l o b o . M a r c h a v a m j u n t o s tã o natu •
r a l m e n t e , tão f r a t e r n a l m e n t e , que m e cu stav a ima •
ginar que se l i b r a s s e m no ar . Pa r e ci a m sub i r pel a
e n c o s t a de um a m o n ta n h a g l o r i o s a e f a m i l i a r . Con •
t i n u e i a o l h á - l o s , até que d e s a p a r e c e r a m aos me u s
o l h o s . " ( C i t . por C O N A N D OYL E, e m " H i s t ó r i a d o
E s p i r i t i s m o " , pg . 65).
Ou tr o m é d i u m e x t r a o r d i n á r i o , t a m b é m c o n t e m p o r â n e
o
d e K AR D E C ,
fo i D AN IE L D U N G L A S
H OM E ( 1 8 3 3 / 1 8 8 6 ) .
N a sce u p er t o de E d i m b u r g o , Es có ci a , e logo aos 13 anos
de idade c o m e ç o u a rev el a r seu s dote s p s í q u i c o s . Dos
" d o n s do E s p í r i t o " de que f al av a São Paulo, ele e x e r c i a
p r a t i c a m e n t e t o d o s . Duro u 30 anos o seu e s t r a n h o apos•
t o l a d o , d u r a n t e o s qua is j a m a i s a ce i to u u m c e n t a v o e m re•
m u n e r a çã o dos seu s s e r v i ç o s . No ano de 1857 o f e r e ce •
r am - lh e duas mi l libras por um a úni c a se s sã o , mas ele, po•
br e e i n v á l i d o , r e cu so u t e r m i n a n t e m e n t e : "Fu i m a n d a d o em
m i s s ã o ; ess a m i ssã o é d e m o n s t r a r a i m o r t a l i d a d e ; nunca
r eceb i n e n h u m d i n h e i r o por isso e nunca o r e c e b e r e i . "
C o n f o r m e a t e s t a m dezenas d e t e s t e m u n h a s d a m ai o r
r e s p e i t a b i l i d a d e , fo i v i s t o por mai s d e ce m ve ze s f l u t u a n

do no ar . Sobre os f e n ô m e n o s que p r o d u zi a , a ss i m
se ex•
p r e sso u o auto r da " H i s t ó r i a do E s p i r i t i s m o " :
" É fáci l ch a m á - l o s de p u e r i s , ma s r e a l i za r a m o ob•
je ti v o a que f o r a m d e s t i n a d o s , s a cu d i n d o em seu s
f u n d a m e n t o s a d e s c r e n ç a dos c i e n t i s t a s se m fé
que s e p un ha m e m c o n t a t o co m e l e s . Eles não de •
ve m se r e n ca r a d o s co m o u m fi m e m si , ma s co m
o um mei o e l e m e n t a r pelo qual a m e n t e d e v e r i a se r
co n d u zi d a a novo s canai s do p e n s a m e n t o . E esse s
canai s l ev a r a m ao r e c o n h e c i m e n t o da s o b r e v i v ê n •
cia do E s p í r i t o . " (Pg . 178).
O f a m o s o Dr . EL L IOT SON , um dos ch e f e s do mate •
r i a l i s m o b r i t â n i c o , t e s t e m u n h o u os p o d e r e s de H OM E e
tev e a c o r a g e m de a f i r m a r que ti nh a v i v i d o tod a a su a vi
• da em t r e v a s , mas que a gora tinh a a f i r m e e s p e r a n ç a que
a l i m e n t a r i a e n qu a n t o v i v e s s e .
Ve j a m o s com o o p r ó p r i o H OM E s e e x p r e s s o u e m um a
c o n f e r ê n c i a que p r o n u n c i o u e m Lo nd re s e m 1 5 d e f e v e r e i

ro de 1866 :
221

" S i n c e r a m e n t e , pens o que ess a fo rç a a u m e n t a r á
cada vez mai s para a p r o x i m a r - n o s de D e u s . Per•
g u n t a r e i s s e ela nos t o r n a mai s p u r o s . M i n h a úni•
ca r e s p o s t a é que s o m o s apenas m o r t a i s s u j e i t o s
ao e r r o . Ma s ela en sin a que os de co ra çã o puro
verão a D e u s . Ela en sin a que Deu s é amor , e que
não h á m o r t e . Ao s v e l h o s ela ve m co m o um a con •
so l a çã o , quando s e a p r o x i m a m a s t e m p e s t a d e s d a
vid a e qua nd o ve m o d e s c a n s o . Ao s m o ço s ela
fala d o d e v e r que t e m o s uns para co m o s o u t r o s
,
e diz
qu e
colheremo s
o
que
tivermo s
semeado .
A tod o s e n si n a r e s i g n a ç ã o . Ve
m d e sf a ze r as nu• ven s do err o e tr a ze r a manh ã
r ad io sa de um di a i n t e r m i n á v e l . " ( Ibd., pg . 179).
D e en tão para cá , alé m d e um a p lê ia d e d e s e n s i t i v o s
n o t á v e i s , m u i t o s e s c r i t o r e s e c i e n t i s t a s f a m o s o s tê m es•
tud ad o o E s p i r i t i s m o e p r o c l a m a d o suas v e r d a d e s . Pode•
r ía m o s ci ta r o g r a n d e sábio russ o A L EX A N D E R A K S A K O F
( 1 8 3 2 / 1 9 0 3 ) , o n a t u r a l i s t a in glê s ALF RED RUSSEL WAL •
LACE ( 1 8 2 3 / 1 9 1 3 ) , o in si gne a s t r ô n o m o f r a n cê s C A M I L E
F L A M M A R I O N ( 1 8 4 2 / 1 9 2 5 ) , o e m i n e n t e f i l ó s o f o i ta li an o
ERNESTO B O Z Z A N O ( 1 8 6 1 / 1 9 4 3 ) , p r o f e s s o r na U n i v e r s i •
dade de T ur i m , o n o táv e l f í s i c o in glê s Sir JOSEPH OLIVER
LODGE ( 1 8 5 1 /1 9 4 0 ) , alé m d e i n ú m e r o s o u tr o s qu e e stud a
• ra m o s f e n ô m e n o s p s í q u i c o s so b r i g o r o s o c o n t r o l e cien

t í f i c o e p u b l i c a r a m t r a ta d o s e r e l a tó r i o s co m os
r e su l t a • dos d e suas p e s q u i s a s . D i s p e n s a m o - n o s , co n t u d o ,
dess a
t a r e f a , p or qu e a b i b l i o g r a f i a a r e s p e i t o é
m u i t o vast a e se acha p r a t i c a m e n t e ao a l ca n ce de q u a l qu e
r l ei to r que dese •
j e e x a m i n á - l a . Oua s e toda s as
obras de sse s a u to r e s es•
tão tr a d u zi d a s para a l ín gu
a portuguesa .
Ma s não q u e r e m o s c o n c l u i r est e ca p í t u l o se m
realçar
o t e s t e m u n h o de e m i n e n t e s p e s q u i s a d o r e s
l i gad o s à Igre•
ja Ev a n gé l i c a e que , a d e s p e i t
o de a l t a m e n t e co l o ca d o s no
mei o so ci a l e r e l i g i o s
o em que v i v i a m , não t e m e r a m pro•
cl a m a r , em
c o n f e r ê n c i a s e em l i v r o s ,
os
r e su l t a d o s de
suas e x p e r i ê n c i a s n o ca mp o d a f e n o m e n o l o g i a
paranormal .
O Rev . W I L L I A M STAIN T O N M OSE S ( 1 8 3 9 /1 8 9 2 )
ex e r c i a a f u n çã o de Cur a na Ilha de M an n e t a m b é m a de
p r o f e s s o r na " U n i v e r s i t y C o l l e g e - S c h o o l " . C o m e ç o u a in•
v e s t i g a r os f e n ô m e n o s p s í q u i c o s ao c o m p r o v a r a e v i d ê n •
ci a d e sua p r ó p r i a m e d i u n i d a d e . A l é m d e i n sp i r a d o pre•
gador, to r n o u - s e u m p o d e r o s o m é d i u m d e e f e i t o s f í s i c o s
,
222

te nd o p u b l i ca d o o s livros " S p i r i t I d e n t i t y " (1879), " H i g h e
r
A s p e c t s of S p i r i t u a l i s m " (1880), " P s y c h o g r a p h y
" (1882 ) e
" S p i r i t Tea c h i n g s " (1883), aliás
t o d o s , o u qua s e t o d o s , j á
t r a d u z i d o s para o
p o r t u g u ê s . O cé l e b r e p s i c ó l o g o M YER S
a ss i m s e
e x p r e s s o u a o t o m a r c o n h e c i m e n t o d a su a mor•
te : " C o n s i d e r o a sua vid a co m o um a das mai s n o t á v e i s
de
noss a g e r a ç ã o , e de p o u co s h o m e n s o u v i , em
p r i m e i r a mão , f ato s
mai s n o tá v e i s d o que o s que dele o u v i . " ( ci t .
po r
C O N A N DOYLE e m " H i s t ó r i a d o E s p i r i t i s m o " , pg . 312).
O Rev . GEORGE VAL E OW E N ( 1 8 4 4 / 1 9 2 1 ) , pá ro c o de
O x f o r d por 20 anos, d e d i c o u - s e ao e st u d o dos f e n ô m e n o s
p s í q u i c o s e r e ce b e u gra nd e s e n s i n a m e n t o s por vi a psi cog r á f i c a , te n d o r eu ni d o essa s m e n s a g e n s num a a l e n t a d a
obr a e m 4 v o l u m e s i n t i tu l a d a " L i f e Be yon d th e V e i l " (" A
Vid a A l é m d o V é u " , n a t r a d u ç ã o p o r t u g u e s a ) .
I m p r e s s i o n a d o co m a l e i t u r a de " R a y m o n d " , de OLI•
VER LOD GE, o Rev . W ALTER W Y N N , p asto r de um a i gr e j a
b a ti s t a em C h e s a m , pert o de L o n d r e s , e que i g u a l m e n t e
havia p e r d i d o u m f il h o n a g u e r r a , d e p o i s d e vár ia s ten ta •
t i v a s , c o n s e g u i u e s t a b e l e c e r co n t a t o co m o m e s m o e ob•
tev e pr ova s i n e q u ív o c a s d a s o b r e v i v ê n c i a , ten d o re la tad o
sua s e x p e r i ê n c i a s n o livro " R u p e r t L i v e s " ( t r a d . b r a s . d e
1976 so b o t ít u l o " M e u Filho Viv e no A l é m " ) . São do ca•
p ítu l o fina l d a qu e l e livro os t r e c h o s que a se gu i r t r a n s c r e •
vemos :
" O le i to r te m o d i r e i t o de me f o r m u l a r a se g u i n t e
p e r g u n t a : "Qu e e f e i t o c a u s a r a m essa s p e s q u i s a
s
e m su a c r e n ça , co m o pa sto r p r o t e s t a n t e ?
R e sp on •
do f r a n c a m e n t e o s e g u i n t e : Não re di g
i um a únic a
ata c o n s t a n t e dest e livr o e m
que
não
tivess e
ob ti •
d o p rov a s d a
s o b r e v i v ê n c i a d o me u f i l h o . ( . . . ) Es•
to u
cer t o d e que m u i t a s o u tr a s pr ova s p o d e r i a m se r
f o r n e c i d a s e m apoio d e mi nh a s a f i r m a ç õ e s .
No que me diz r e s p e i t o , as p e s q u i s a s re al i za da s
t i v e r a m por e f e i t o f o r t a l e c e r a mi nh a cr e n ç a e m
C r i s t o e nos e n s i n a m e n t o s do Nov o T e s t a m e n t o . "
(Pg . 149). ( . . . ) Sou u m p r e ga d o r e v a n g é l i c o . A s
m e s m a s gra nd e s v e r d a d e s que a l i m e n t a r a m a s al •
mas de Ol iv e r C r o m w e l l e de C h a r l e s H. Spurge on , m e a l i m e n t a r a m t a m b é m . E u pre g o a s mes •
mas v e r d a d e s . As p e s q u i s a s p s í q u i ca s não as aba•
l ar am , a b s o l u t a m e n t e . " (Pg . 150).
E para co n c l u i r se ja- n os l íci t o m e n c i o n a r o Rev . HA223

RALDUR NIELSON (1868/1928), o qual, sendo professor
de teologia na Universidade da Islândia, se interessou pe•
los fenômenos psíquicos e se dedicou ao seu estudo por
alguns anos, narrando os resultados de suas experiências
no interessante livro "O Espiritismo e a Igreja" (ed. bras.
Edicel), do qual destacamos os seguintes sugestivos tre•
chos:
"Os primeiros pesquisadores psíquicos, na sua
maior parte foram céticos, senão mesmo adver•
sários do Espiritismo, porém aqueles que verda•
deiramente aprofundaram a questão, — não em
algumas semanas, ou em alguns meses mas nu•
ma série de anos — ficaram t o d o s convencidos
da realidade dos fenômenos, e m u i t o s , dentre
eles,
da possibilidade de entrar-se em relação
com os seres inteligentes de um mundo que nos
é invisí• vel e, em particular, com os nossos
mortos que• ridos." (Pg. 14) (Grifos do próprio
autor).
"A verdade é que estudamos nas Faculdades Teo•
lógicas da maior parte das Universidades, com os
óculos da dogmática ( . . ) . Não temos, porém, o
direito de esquecer que, evidentemente o ensino
ortodoxo da Igreja é, em vários pontos, um tanto
diferente do ensino ministrado pelo Cristo." (Pg.
61).
"Mostraram-me em Londres uma lista de nomes
de mais de 50 eclesiásticos que se interessam pe•
las pesquisas psíquicas, ou são espíritas convic•
tos. Permiti-me citar somente alguns nomes: O
pastor Arthur Chambers, hoje falecido, escreveu,
sobre as relações do Espiritismo com a Igreja e o
Cristianismo, numerosos livros, dos quais só um
teve 120 edições. Thomas Colley, pastor em Stock•
ton, trabalhou por mais de 30 anos na difusão do
Espiritismo, tendo obtido os mais notáveis fenô•
menos com outro pastor, que lhe servia de mé•
dium.
O pastor Charles L. Tweedale escreveu uma das
melhores obras que existem sobre as ciências psí•
quicas, ("Man's Survival After Death"), e não há,
absolutamente, espírita mais convicto do que ele "
(Pg. 76).
"O pastor inglês George Vale Owen, de Oxford, é
224

u m h o m e m m a r a v i l h o s o , u m v e r d a d e i r o serv o d e
Deus . De po i s d e sua prec e n o t u r n a , ainda co m
suas v e s te s s a c e r d o t a i s , ele ia para a s a c r i s t i a e
ali c o m e ç a v a a e s c r e v e r as m e n s a g e n s que rece•
bia, m e n s a g e n s essa s que m u i t o s c o n s i d e r a v a m a
mai s p e r f e i t a d e s c r i ç ã o d o A l é m r e ce b i d a até ho•
je . " (Pg. 77).
"U m dos p r e ga d o r e s que m e l h o r tê m d e f e n d i d o o
E s p i r i t i s m o na I n g l a t e r r a , é o D o u to r em Teo l o g i a
Percy D e a r m e r , que d u r a n t e a g u e r r a m u i t o tr ab a •
lhou em prol da União C r i s t ã de M o ç o s . " (Pg. 78).
" Esto u c o n v e n c i d o de que as p e s q u i sa s p s í q u i c a s
darão à H u m a n i d a d e pr ova s da c o n t i n u a ç ã o da vi •
da de a l é m - t ú m u l o , e que isto e x e r c e r á p o d e r o s a
i n f l u ê n c i a sobr e a vid a r e l i g i o s a dos h o m e n s . " (Pg.
88).
" M u i t a gen t e não pode c o m p r e e n d e r que e u
pos•
s a ser, a o m e sm o t e m p o , u m a rd en t e
pesquisado r
p s i q u i s t a e um t e ó l o g o e n c a r r e g a d o
de cu r so s em um s e m i n á r i o de f u t u r o s p a s t o r e s . (
) Tenho
o s e n t i m e n t o p essoa l de que, co m o e c l e s i á s t i c o e
p r o f e s s o r n o S e m i n á r i o , mai s valo r tenh o desd e
que, há anos , me e n tr e g u e i às p e s q u i s a s p s íq u i •
cas . M u i t o a pr en di d u r a n t e os 9 anos em que es•
tiv e ao se r v i ç o da S o ci e d a d e B íb l i ca B r i tâ n i ca , po•
ré m m u i t o mais ap re nd i nas mi nh a s e x p e r i ê n c i a s
e s p ír i t a s d e n u m e r o s o s a n o s . " (Pg. 135).
Para co n c l u i r , g o s t a r í a m o s de — à que l e s de no sso s
i r m ã o s que se s u r p r e e n d e m co m o fato de m i n i s t r o s evan•
gé l i co s se e x p r e s s a r e m dest a m a n e i r a — a d v e r t i r que o
C o d i f i c a d o r a p r e s e n t o u o E s p i r i t i s m o co m o um a C i ê n c i a
de o b se r v a ç ã o e um a d o u tr i n a f i l o s ó f i c a . Co m o ci ê n ci a
p r á ti c a , ele e s tu d a as r e l a çõ e s entr e o plano f í s i c o e o es•
p i r i t u a l . C om o f i l o s o f i a , e stud a a s c o n s e q ü ê n c i a s m o r a i s
que d i m a n a m de ssa s r e l a ç õ e s . ( K AR D E C em " O Qu e é o
E s p i r i t i s m o " , pg . 8) . A s s i m , é e v i d e n t e que os a de p to s de
qu a l q u e r re li gi ã o p o d e m e s tu d a r o E s p i r i t i s m o co m o C iê n •
cia e co m o F i l o so f i a , se m a b d i c a r e m dos p o s t u l a d o s que
a d o ta m e m m a t é r i a d e fé .
Ma s não há dúv id a de que os p r i n c íp i o s d o u t r i n á r i o s
e n v o l v e m c o n s e q ü ê n c i a s m o r a i s , que o s s i t u a m , i m p l i c i t a •
m e n te , no â m b i t o da R e l i gi ã o , e isso m e s m o o C o d i f i c a
225

dor deixou bem claro no primeiro capítulo d'" 0 Evange•
lho". Religião no sentido lógico de "religação com o Pai",
pois quem quer que se aperceba da grandeza dos ensina•
mentos, logo compreenderá que não se encontra na Terra
por acaso, mas com um propósito definido, uma missão
a cumprir, uma tarefa a realizar que, grande ou pequena
segundo a capacidade de cada um, tem sempre capital im•
portância aos olhos do Senhor. E a plena conscientização
de sua responsabilidade diante da vida, faz de cada espí•
rita um obreiro de Deus a serviço do próximo, praticante
de uma religião sem dogmas, sacramentos ou rituais, a
Religião do Amor pregada por Jesus e confirmada por São
Tiago. (1:27).

226

BILHET E F R AT E R N O

" Q u a l q u e r qu e vo s de r a b e b e r u m c o p o
d ' á g u a e m me u n o m e , e m v e r d a d e v o s
di•
g o qu e nã o p e r d e r á o se u
galardão" .
(JESUS :

M a r c o s 9:41)

Me u a m i g o , n i n g u é m te ped e a sa n ti d a d e de um dia
para o u tr o .
N i n g u é m r e cl a m a d e tu a alm a e s p e t á c u l o s d e gran•
de za .
Todos s a b e m o s que a jo r n a d a h u m a n a é in çad a de
s o m b r a s e a f l i ç õ e s cr i ad a s por nós m e s m o s .
L e m b r a - t e , p o r é m , de que o Cé u nos ped e so l i d a r i e •
dade, c o m p r e e n s ã o , amor .
Planta um a árv or e b e n f e i t o r a à beir a do c a m i n h o .
Escre v e a l g u m a s f r a se s a m i g a s que c o n s o l e m o ir•
mã o i n f o r t u n a d o .
Traça p e qu e n i n a e x p l i ca çã o para a i g n o r â n ci a .
Of e r e c e a roup a que se fez inútil agora ao te u co r p o
,
ao c o m p a n h e i r o n e c e s s i t a d o que se gu e à r e t a g u a r d a .
Di vi d e se m alarde as sob ra s do te u pão co m o fa•
minto .
Sorri para os i n f e l i ze s .
Dá um a prec e ao a g o n i za n t e .
A c e n d e a luz de um bo m p e n s a m e n t o para a quele que
te p r e c e d e u na longa v i a g e m da m o r te .
Estende o braço à cr i a n c i n h a e n f e r m a .
Leva um r e m é d i o ou um a flo r ao d o e n te .
I m p r o v i s a u m pouc o d e e n t u s i a s m o para o s que tra •
b al ha m c o n t i g o .
Emi te um a palavra a m o r o s a e c o n s o l a d o r a onde a can•
dei a d o be m e s t i v e r a pa gad a .
Co nd u z e um a x íca r a de leite ao r e c é m - n a s c i d o que o
m un d o a co l h e u se m u m berç o e n f e i t a d o .
C o n c e d e al gun s m i n u t o s de p a l e s t r a r e c o n f o r t a n t e ao
co le g a a b a ti d o .
O rio é um co n j u n t o de gota s p r e c i o s a s .
A f r a t e r n i d a d e é um sol c o m p o s t o de raios d i v i n o s ,
e m i t i d o s por noss a ca p a c i d a d e de ama r e s e r v i r . Q u a n to s
raios l i b e r a s t e hoje do astr o viv o que é o te u p r ó p r i o se r
imortal ?
227

R e co rd a que o Di vi n o M e s t r e te ce u l i çõ e s i n e sq u e c í •
vei s e m t o r n o d o v i n t é m d e um a vi ú v a po br e , d e um a se•
m e n t e d e m o s t a r d a , d e um a d r a c m a p e r d i d a . . .
Faze o be m que p u d e r e s .
N i n g u é m e sp er a que a pa gue s so zi nh o o i n cê n d i o da
maldade .
Dá o te u cop o de água f r i a !

(EMMANUEL (F.C.X. em "Nosso Livro",
2.' ed. LAKE, pág. 69)

PALAVRAS DE CARIDADE

O a p o i o . . . A s i m p a t i a . . . Um a or açã o a pe na s,
C a r r e g a d a de fé na Bondade D i v i n a . . .
A b ên çã o do s o r r i s o . . . A pá gi n a que en sin a A
v e n ce r o a m a r g o r das l á g r i m a s t e r r e n a s . . .

O m i n u t o de paz. . . O aux íl i o que a r m a ze n a s ,
Na s u p r e s s ã o do mal , ao t r a b a l h o em s u r d i n a . .
.
O b i l h e t e f r a t e r n o . . . Um a flo r p e q u e n i n a . .
.
O s o c o r r o . . . A b r a n d u r a . . . As p al avr a s s e r e n a s . . .

A e s m o l a . . . A roup a u s a d a . . . O copo de água f r i a . . .
O pão . . . O e n t e n d i m e n t o . . . Um raio de a l e g r i a . . .
Um fi o de e s p e r a n ç a . . . A a ti tu d e s i n c e r a . . .

Da migaTha mai s pobr e à dádiv a mai s r i ca ,
Tudo a quilo que dás a vid a m u l t i p l i c a
Nos t e s o u r o s de amo r da gl ór i a que te e s p e r a ! . . .

(AUTA DE SOUZA, em
" P o e t a s R e d i v i v o s " (F.C.X., Pg. 61}

228

X — METAPSÍQUICA E PARAPSICOLOGÍA

A pa rti r de st e s é cu l o , a l gun s c i e n t i s t a s i n i c i a r a m a in •
v e s t i g a ç ã o dos f e n ô m e n o s p a r a n o r m a i s , co m a p r e o c u p a •
ção d e e n qu a d r á - l o s e m p a r â m e t r o s r i g o r o s a m e n t e cie n tí •
f i c o s . A ação d e s se s h o m e n s tev e o m é r i t o de tra ze r
para
o ca mp o das i n v e s t i g a ç õ e s sé r ia s o e st u d o dos fa to s
psí•
qu i co s que, e m b o r a o b j e t o das e s p e c u l a ç õ e s d e
um a eli •
te , e m geral e ra m r e l e ga d o s a o t e r r e n o
das s u p e r s t i ç õ e s ,
o u considerado s
crendice s
i n d i g n a s d e p e s so a s cu l t a s .
U m d esse s e s t u d i o s o s fo i o e m i n e n t e f i s i o l o g i s t a
f r a n cê s CH AR L E S RICHET ( 1 8 5 0 / 1 9 3 5 ) , p r o f e s s o r da SORBON N E , p r ê m i o Nobel de M e d i c i n a em 1913 , o qual , co
m
o o b j e t i v o de i n v e s t i g a r os f e n ô m e n o s a t u a l m e n t e deno•
m i n a d o s " p a r a n o r m a i s " , cr i o u um a c i ê n ci a a que d e n o m i •
nou " M E T A P S Í Q Ü I C A " . E m su a a l e n t a d a obr a " T R ATA D O
DE M E T A P S Í Q Ü I C A " , ele e st u d a e c l a s s i f i c a os fato s psí•
q u i co s , se m , c o n t u d o , ch e ga r a c o n c l u s õ e s d e f i n i d a s . Pre•
f e r i m o s , por isso, e f e tu a r li ge i r a an ál i s e d o seu ú l t i m o li

vr o " A G R A N D E E S P E R A N Ç A " (1932), n o qua l , m e s m o
se m
ace i ta r p l e n a m e n t e os p o s t u l a d o s e s p í r i t a s ( o que
fez ul •
t e r i o r m e n t e e m cart a a o e s c r i to r ERNESTO
BOZZANO) ,
emit e
consideraçõe s
sobremod o
interessantes .
Ele d ef in e a M E T AP S Í Q Ü I C A co m o " a c i ê n c i a que te m
po r o b j e t o f e n ô m e n o s f i s i o l ó g i c o s o u p s i c o l ó g i c o s d e na•
t u r e z a até a gor a m i s t e r i o s a , d e v i d o a f or ça s qu e p a r e c e m
i n t e l i g e n t e s , ou a f a c u l d a d e s d e s c o n h e c i d a s do E s p ír i t o . "
(" A Gra nd e E s p e r a n ç a " , ed . LAKE 1976, pg . 182).
Logo em s e g u i d a av an ç a um a x i o m a : "Para o co nh e •
c i m e n t o d a r e a l i d a d e , h á m e i o s que não são o s m e i o s sen •
so r i a i s n o r m a i s . " D e n o m i n a a Isso " s e x t o s e n t i d o " , ma s
se co n f e s s a p e r p l e x o , p o r qu e é um se n t i d o para o qual
i n e x i s t e órgão
sensorial .
Fala
e m "vibraçã o d a
realidade" ,

229

porque os fenômenos conhecidos são todos de natureza
vibratória. Então conclui que "a realidade nos chega por
meios desconhecidos, mas por vibrações capazes de pro•
vocar em certas pessoas um vago conhecimento dessa rea•
lidade." (Pg. 185).
Declara que o conhecimento paranormal é um fato,
mas julga inaceitáveis todas as hipóteses sobre a origem
desse fato (pg. 187). Diz que a explicação espírita é bem
simples, "quase se poderia dizer que ela se impõe por sua
simplicidade", mas para logo apresenta algumas "objeções formidáveis": a primeira é que seria forçoso admitir
"que a memória sobrevive à destruição do cérebro", quan•
do "ensinamos que a memória é função do cérebro"; (!)
mas logo acrescenta que "a objeção não é definitiva, pois
o paralelismo absoluto, constante, irresistível, entre o pen•
sar e a função do cérebro, não é de uma evidência indis•
cutível." (Pg. 188).
Outra objeção é a de como se manifestaria um indi•
víduo desencarnado aos 90 anos: como criança, adulto ou
ancião? Bem se vê que o ilustre pesquisador não procu•
rou conhecer de antemão os fundamentos da ciência es•
pírita. ..
Depois, para não ser injusto, ele introduz alguns da•
dos "que fariam propender em favor da doutrina espírita":
"Eis, por exemplo, a xenoglossia, da qual possuí•
mos belos casos, raríssimos, particularmente o
caso antigo, mas o melhor, talvez, o do Juiz EDMONDS, que foi presidente do Senado america•
no. Sua filha escrevia em diversas línguas, que
desconhecia. Há, também, o que BOZZANO cha•
ma de "literatura de além-túmulo": um mecânico
aprendiz recebe do Espírito de Dickens, por escri•
ta automática, ordem de terminar a sua obra in•
terrompida "The Mistery of Edwin Drood"; esse
mecânico, então, escreve um romance do qual é
quase impossível negar a autoria de Dickens, tão
idênticos são seu estilo e origem." (Pg. 189).
"Outros fatos de xenoglossia são muito sérios.
Que o médium fale muitas línguas, e línguas que,
sendo vivas, ele não conhece, é verdadeiramente
maravilhoso. D e c i d i d a m e n t e a e x p l i c a ç ã o e s p í r i •
ta é a m a i s a c e i t á v e l ! " (Ibd. pg. 190). (Grifo nos•

so).
230

Depois de tudo isso, o autor se confessa indeciso en•
tre duas hipóteses: a espírita ou "uma prodigiosa lucidez
do médium", optando pela última "por poder explicar to•
dos os casos, enquanto que a hipótese espírita, a melhor
em um pequeno número de casos, é inadmissível em mui•
tos outros" (sem esclarecer que outros e porque seria
inadmissível).
Apresenta ainda objeções indignas de um sábio do
seu renome: "A Senhora Vickman vê o fantasma de um
Oficial que acaba de morrer. Será, então, mais simples
admitir a teoria espírita de um corpo astral, e contudo, se
rigorosamente se pode admitir que a memória dos defun•
tos persiste, será realmente admissível que o corpo de
um indivíduo, após alguns dias, muitas semanas ou me•
ses, depois que a putrefação o desorganizou completa•
mente, possa reaparecer ainda?" O que não passa de uma
pífia concessão ao materialismo então vigente, fazendo
surgir a indagação: Como pode um cientista pesquisar os
problemas do Espírito sem ao menos tomar conhecimento
do que ensinou São Paulo em 1.º Cor. 15:40?
Embora o velho sábio, após mais de trinta anos de
pesquisas, não tenha assumido uma posição inequívoca
de apoio às verdades do Espiritismo, talvez inibido pelo
respeito humano, pelo receio de se expor às "zombarias
de seus colegas e ao sarcasmo dos ignorantes", como ele
próprio afirmou, não há dúvida de que o vasto acervo de
experiências documentadas contido em suas obras cons•
titui prova granítica da veracidade insofismável da feno•
menologia espírita. Eis alguns outros trechos de "A Gran•
de Esperança" que merecem transcritos:
"Certos fatos singulares pareciam provar que, fo•
ra de toda ideoplastia, há talvez seres (como an•
jos) que aparecem, em certas condições. Bozza•
no reuniu casos emocionantes de aparições de de•
funtos no leito de morte. Apresentou 61 casos,
cada qual mais curioso que o outro. E contudo os
moribundos não eram médiuns. Sem dúvida, de•
vemos supor que, no momento da morte, os mo•
ribundos têm um poder, senão de evocação, pelo
menos de visão." (Pg. 192).
"Entre essas aparições de fantasmas há algumas
notáveis que são, quando quem as vê é uma crian•
ça. Posso citar dois casos admiráveis, que pare231

ce m c o p i a d o s , de ta l f o r m a i d ê n t i c o s . Um é o de
um a cr ia n ç a a m e r i c a n a , o ou tr o o de um a m e n i n a
f r a n c e s a . Rey, co m a idade de 2 anos e 7 m e s e s ,
vê seu i r m ã o zi n h o que acab ar a de m o r r e r e qu
e o c h a m a v a . " M a m ã e " , diz ele , " o i r m ã o zi n h o
sor•
ri u para Rey, ele que r l e v á - l o " . Doi s
dias d e p o i s
ele d i s se : " O i r m ã o zi n h o so r r i u para
Rey, ele que r l e v á - l o " . O p e qu e n i n o Rey m o r r e u doi s
m e se s de•
p o i s . " (Pg . 193).
" O cas o d a m e n i n a f r a n c e s a t a m b é m é m a r a v i l h o •
so . Tinha ela 3 anos e 3 m e s e s . Um mê s após a
m o r t e de um a ti a que a a d o r a v a , ela ia à ja n e l a ,
o lh av a f i x a m e n t e e di zia : " M a m ã e , olh e lá a ti a
Lili que me c h a m a " ; e isso se r e p e ti u m u i t a s ve •
ze s . Três m e s e s de po i s a p e qu e n a a d o e ce u e, du•
ran t e a e n f e r m i d a d e , d i zi a : "Nã o cho re , m a m ã e ,
a
ti a Lili est á me c h a m a n d o . C om o é b o n i t o !
Há an•
jo s co m e l a . " A pobr e cr i a n ç a m o r r e u
qu a tr o me•
se s d ep oi s d a sua t i a . " (Pg . 193).
" D e v o apelar a tod o me u r a c i o n a l i s m o , poi s me
pa re c e i m p o s s í v e l negar que , n o m o m e n t o d a mor•
te , a n u n c i a n d o ess a m o r t e , haja sere s s o b r e n a t u •
rais, f a n t a s m a s , tend o a l gu m a r ea li da de o b j e t i v a ,
que e s t e j a m p r e s e n t e s , e m b o r a s ó se ja m d i v i sa •
do s por um a c r i a n ç a . Ma s não é a b su r d o supo r
que a s c r i a n ça s , nu m a e s p é c i e d e t r a n s e (a gôn i co, e s p i r í t i c o , s e q u i s e r e m ) p o s s a m d iv i sa r sere s
que o s o u tr o s a s s i s t e n t e s não v ê e m . " (Pg. 193).
" Q u a l q u e r que se ja a a ud áci a dest a a f i r m a ç ã o , da
e x i s t ê n c i a de an jo s e d e s e n c a r n a d o s , é i m p o s s í •
vel , e m ce r t o s ca so s , não a d m i t i - l a , co m o , por
e x e m p l o , qua nd o c r i a n ça s ( o p e qu e n o Rey e a pe•
quen a f r a n ce s a ) vêe m ( a l g u m a s s e m a n a s ante s d e
m o r r e r ) lindas se n h o r a s que a s c h a m a m ; qu an d o
f a n t a s m a s e r r a m e m ca sas a s s o m b r a d a s , p r i n ci •
p a l m e n t e qua nd o G e o r g e s Pel ha m , co m m i l h a r e s
de r e c o r d a ç õ e s de su a vid a p a s sa d a , vo l t a na Sra.
Piper, e t c , etc. Então a e x p l i c a çã o e s p í r i t a é a
mai s r a c i o n a l , ous o d i z e r. " (Pg . 199).
" . . . h á m u i t o s f e n ô m e n o s a b s u r d o s , p o r é m i n co n •
t e s t á v e i s e, c o n q u a n t o a c i ê n c i a o f i c i a l ainda não
os re ce b a em seu sei o ze l o so , não há dúv id a que
da qui a al gu n s anos dará lugar ao i n a b i t u a l , cr ip232

te ste sia s , telepatias , tele cine sia s , asso mbraçõe s ,
fantasma s materializados , xenoglossia s , premon i •
çõ e s . Tudo ist o est á be m a u te n t i ca d o e d eve -s e
r e c o n h e c e r que o i na bi tu al e x i s t e . " (Pg. -196).
T r a n s c r e v e m o s to d o s e ste s t r e c h o s para d eix a r evi

de n t e que , m u i t o a o revé s d o que p e n sa m al gu n
s i r m ã o s e v a n g é l i c o s , o c i e n t i s t a RICHET de mod o a l gu
m ch e go u
a c o n c l u s õ e s c o n t r á r i a s ao E s p i r i t i s m o ,
an te s d e m o n s t r o u
e m p e n h o e m c o n f e s s a r que
" p a r a al gu n s f e n ô m e n o s não
h á e x p l i ca ç ã o m e l h o r qu
e a e s p í r i t a " ( op . ci t . pg . 190).
E as " o b j e ç õ e s
f o r m i d á v e i s " que l e v a n to u são de tama •
nha
f r a g i l i d a d e que
ne m se qu e r m e r e c e m c o m e n t a d a s
.
Di zer, por e x e m p l o , que não é p o s s ív e l a
m a n i f e s t a ç ã o de
um " m o r t o " po r qu e a m e m ó r i a
não pod e s o b r e v i v e r à de•
c o m p o s i ç ã o do
c é r e b r o , é te s e m a t e r i a l i s t a que, e s t a m o s
certos
, n e n h u m p r o t e s t a n t e e n d o s s a r i a . Ele t a m b é m achou
a b su r d o que u m Es p ír i t o s e m a n i f e s t a s s e co m a s v e s t e
s
que usav a qua nd o e m v i d a : " C o m o s e pode
e x p l i c a r haja
m a t e r i a l i z a ç ã o não s o m e n t e d a f i gu r a d o
d e f u n t o , mas ta m • bé m dos seu s v e s t u á r i o s ? " (Pg . 145) .
E m o u tr o local apre•
se n t a com o ou tr a " o b j e ç ã o
f o r m i d á v e l " a de que "at é ho•
j e o s Es p ír i to s j a m a i
s i n t r o d u z i r a m idéia s nova s n a Ciên •
cia , n e n h u m
p r o g r e s s o c i e n t í f i c o lhes é d e v i d o . " (Pg. 194).
É claro que o sáb i o não podia e x t r a p o l a r de suas li •
m i t a ç õ e s n o ca m p o d a p e s q u i s a e x p e r i m e n t a l . N o e n ta n

to , é i n cr ív e l p r e t e n d e s s e fu nd a r um a nova c i ê n c i
a d e st i •
nada à e x p l i c a çã o r aci on al dos f e n ô m e n o s
p s í q u i c o s , se m
p r o c u r a r c o n h e c e r o que o E s p i r i t i s m o
, nu m a u t ê n t i c o des •
b r a v a m e n t o , j á o f e r e ci a ness e
ca m p o há mai s de 50 anos !
Tiv esse - o f e i t o e não
l ev a n ta r i a
tã o
p ue ri s
objeções ,
ou
pel o m e n o s
p a l m i l h a r i a o t e r r e n o de m a n e i r a mai s cau te • l o s a .
Pois
entã o sa b e r i a que cab e a o h o m e m p r o g r e d i r
e m
c o n h e c i m e n t o pelo s seu s p r ó p r i o s e s f o r ç o s , c o n q u a n •
to j a m a i s lhe falt e o a ux íl i o da E s p i r i t u a l i d a d e , a tr a v é s da
i n s p i r a ç ã o e da f a c i l i t a ç ã o dos m e i o s .
"Ess e Deu s de bo nd ad e e de m i s e r i c ó r d i a , que
na•
d a co n ce d e an te s d a hor a m a r ca d a , deix a
p r i m e i • r a m e n t e que seu s f i l h o s t r a b a l h e m e m p r o cu r
a d a s a b e d o r i a e , d ep oi s que ele s s e te m e s f o r ç a d o
e m d e s c o b r i r a v e r d a d e , aí en tão Ele lhes envia
um
raio d e su a d ivi n a l u z. " ( M e n s . d e Estev ão
Mont g o l f i e r , c i t . por S YLVI O BRITO SOAR ES e m
" G r a n • des
Vul t o s
da
Humanidad e
e
o
E s p i r i t i s m o " , 2.ª
ed . FEB, pg . 33).

233

Para nós a maio r pr ov a de ss e a u x íl i o foi p r e c i s a m e n

te o s u r g i m e n t o da co d i f i ca ç ã o
do
en sin o dos
E s p ír i to s ,
em 1857, poi s ela é que
desperto u a
c u r i o s i d a d e do s ho•
men s de c i ê n ci a para a i n v e s t i g a ç ã o
dos f e n ô m e n o s para•
n o r m a i s . Se m ela, p r o v a v e l m e n t e
não h a v e r i a hoje a METAP S Í Q U I C A , e ne m tai s
f e n ô m e n o s e s t a r i a m sen d o ago•
r a e s t u d a d o s sob
c r i t é r i o s e s t r i t a m e n t e c i e n t í f i c o s atra •
vé s d
a PAR A P S I C O L O G I A .
RICHET f a l e ce u e m 1935 se m te r v i s t o sua c i ê n ci a
che ga r a s o l u ç õ e s o b j e t i v a s , i m a g i n a m o s que por inade•
quação d e m é t o d o s . Ela e sb a r r o u e m t r e m e n d a o p o s i ç ã o ,
tant o do s c i e n t i s t a s , que em su a m a i o r i a se r e c u s a r a m a
i n v e s t i g a r os f e n ô m e n o s , qu an t o do cle r o de toda s as igre•
jas , cu jo s p r ó ce r e s a l e g a r a m , co m o o f a ze m ainda ho je ,
que " o ca m p o da ci ê n ci a é um e o da r e l i gi ã o é o u t r o " . Todos
r e c e o s o s d e v e r e m abalada s a s sua s c o n v i c ç õ e s . . . Ma
s
o gr an d e c i e n t i s t a c u m p r i u su a m i s sã o , t r a ze n d o os
fato s
p s í q u i c o s para o â m b i t o da C i ê n c i a e p r o c u r a n d
o
ex p l i ca • çõe s r a c i o n a i s para f e n ô m e n o s até entã o
r el e gad o s ao ter•
reno da s u p e r s t i ç ã o ou da ma gi a .
E co m o mai s um a prov a de que a E s p i r i t u a l i d a d e - M a i o r
não deix a d e vela r pelo p r o g r e s s o dos h o m e n s , v e m o s que
na dé ca d a de 30 sur g e o u tr a p lê ia d e de c i e n t i s t a s d i sp o s
• to s a i n v e s t i g a r a f un d o os fa to s p a r a n o r m a i s , ou
se j a m ,
o s f e n ô m e n o s que não p o d e m se r e x p l i c a d o s
satisfatoria •
m e n t e pela s leis n a tu r a i s c o n h e c i d a s
.
Em 1926 o f a m o s o p s i c ó l o g o inglês Prof. W I L L I A M
M cDOUGAL L , e m memoráve l conferênci a n a Universidad e
de Clar k ( E . U . ) , d e c l a r o u que a C i ê n c i a não devi a recear
i n v e s t i g a r o s fato s p a r a n o r m a i s , ma s e n f r e n tá - l o s e m suas
U n i v e r s i d a d e s . Por sua i n i c i a t i v a , fo i cr ia d o em 1930 o "La •
b o r a t ó r i o de P a r a p s i c o l o g i a " da DUK E U N IVER S IT Y, send o
n o m e a d o seu D i r e t o r o Dr . JOSEPH BA N K S RHINE, biólo •
go da m e s m a U n i v e r s i d a d e .
Se m d e sp r e za r as v a l i o s a s c o n q u i s t a s da METAPSÍQ U I C A , d e c i d i u - s e m o d i f i c a r a m e t o d o l o g i a . RICHET ado•
tar a o m é to d o " q u a l i t a t i v o " ( o b se r v a çã o e ca t a l o g a ç ã o de
ca so s e s p e c í f i c o s , e m gera l e s p o n t â n e o s ) , e n q u a n t o RHI•
NE e sua e qu ip e a d o ta r a m o m é to d o " q u a n t i t a t i v o " ( in ve s •
t i g a ç ã o em m a s sa , para a se l e çã o de
sensitivos) ,
usando
a E s t a t í s t i c a e o " C á l c u l o das P r o b a b i l i d a d e s "
.
C r i o u - s e então a PAR A P S I C O L O G I A , com o um a espé •
cie de ram o da P S I C O L O G I A , co m o o b j e t i v o de i n v e s t i g a
r
234

os fenômenos psíquicos, denominados paranormais justa•
mente por fugirem ao âmbito do que se considera "nor•
malidade".
Para a investigação quantitativa o Prof. RHINE intro•
duziu os testes padronizados de cartas "ZENER" (baralho
de 25 cartas com 5 símbolos: ESTRELA, CRUZ, CÍRCULO,
QUADRADO e ONDAS, 5 cartas de cada símbolo), consis•
tindo a pesquisa na adivinhação das cartas retiradas uma
a uma. A probabilidade matemática atribuível a mero aca•
5
so é de acertar 5 cartas nas 25 tentativas (— = 0,2) ou 400
400
25
cartas em 2.000 tentativas (
2000
te.
= 0,2), e assim por dianForam realizadas dezenas de milhares de experiências,
as quais — descontados alguns desvios matematicamente
comprováveis — evidenciaram que muitos dos indivíduos
submetidos ao teste eram s e n s i t i v o s , pois obtinham
sis•
tematicamente "acertos" superiores aos que
seriam de esperar da mera probabilidade.
O acervo dessas experiências trouxe a prova iniludí•
vel de que os seres em geral possuem o que se conven•
cionou chamar de "percepção extra-sensorial", em inglês
"extrasensory perception", precisamente o título da mo•
nografia com que o Prof. RHINE deu por inaugurada a era
da PARAPSICOLOGIA, em 1934.
Criou-se uma nomenclatura própria para classificar os
resultados, denominando FUNÇÕES PSI ao processo men•
tal que produz os efeitos paranormais (equivalente à "mediunidade" do Espiritismo), e FENÔMENOS PSI a esses
efeitos, os quais, para facilitar a investigação, foram divi•
didos em dois grupos:
"PSI-GAMA" — Fenômenos s u b j e t i v o s , como cla•
r i v i d ê n c i a (faculdade

de ver sem

os órgãos da visão), t e l e p a t i a
(transmissão do pensamento de
uma
mente
a
outra),
precognição
(e
retrocogníção

)

(percepção

de

eventos futuros ou passados sem
prévia informação).
"PSI-KAPA"

— Fenômenos o b j e t i v o s , ou p s i c o c i -

n e s i a (ação direta da mente so•
bre objetos físicos), que abrange
235

a t e l e c i n e s i a de RICHET e mai s
f e n ô m e n o s o b j e t i v o s por est e ca•
t a l o g a d o s (co m o " r a p s " , m ov i •
m e n t o e t r a n s p o r t e de o b j e t o s , le•
v i ta ç ã o , etc.)
Ao s f e n ô m e n o s P S I - G A M A o Prof . RHINE de u a d e s i g •
nação g e n é r i c a de EXT R ASEN SOR Y PERCEPTION ( a b r e v i a •
d a m e n t e " E S P " ) , E aos PSI-KAPA d e n o m i n o u " P - K " .
Nas i n v e s t i g a ç õ e s m e r e c e r a m p r i o r i d a d e a c l a r i v i d ê n •
cia e a t e l e p a t i a . A p r i m e i r a p asso u por v á r i o s anos de
r i g o r o sa s e e x a u s t i v a s p e s q u i s a s , f i c a n d o p r o v a d o , a c i m a
de q u a l q u e r d ú v i d a , que o se r p ossu i a f a c u l d a d e de per•
ceb e r por o u tr a s vias , que não a dos s e n t i d o s f í s i c o s , e
que pod e a d qu i r i r c o n h e c i m e n t o s sobr e a m a t é r i a por via s
não m a t e r i a i s . Em 1940 o Prof . RHINE d e c l a r o u a c l a r i v i •
d ên ci a " c i e n t i f i c a m e n t e p r o v a d a " .
A t e l e p a t i a c o n t i n u a so b r i g o r o s a s p e s q u i s a s . A su a
r e a l i d a d e t a m b é m est á d e m o n s t r a d a , mas n o cur s o das
e x p e r i ê n c i a s s u r g i r a m d e s d o b r a m e n t o s que , de sd e o
pon•
t o d e v i st a c i e n t í f i c o , e x i g e m i n v e s t i g a ç õ e
s mai s a cu r a d a s .
Por e x e m p l o , f ico u p rov ad o
que a s m e n t e s s e c o m u n i c a m
nu m plano s u p e r i o r a o
d o c o n d i c i o n a m e n t o f í s i c o d e es •
paço e t e m p o .
A s s i m é que de Z a gre b o Dr. M A R C H E S I se
comunicou ,
telepáticament e
co m
a
Universidad e
de
DU KE ,
a 4 mi l mi l ha s de d i s t â n c i a . E o e x p l o r a d o r polar HUBERT
W IL K I N S se c o m u n i c o u do Polo N or t e co m o p e s q u i s a d o r
t e l e p a t a H AR OL D M . S H E R M A N , e m N e w - Yo r k . A d e s c r i •
ção d est a ú l t i m a e x p e r i ê n c i a co n st a d o livr o " T h o u g h t s
T h r o u g h S p a c e " ( P e n s a m e n t o s A t r a v é s d o Espa ço) , co m
t r a d u çã o a r ge n t i n a d e 1944 . Tam b é m n a União S o v i é t i c a
efetuam-s e atualment e i m p o r ta n t e s pesquisa s tel ep á ti ca s ,
co m a p a r t i c i p a ç ã o de c i e n t i s t a s n o t ó r i o s .
O u tr o d e s d o b r a m e n t o nas e x p e r i ê n c i a s t e l e p á t i c a s fo
i
o s u r g i m e n t o de f e n ô m e n o s de " p r e " e " p o s t cognição "
( a d i v i n h a çã o d e a c o n t e c i m e n t o s
f u t u r o s o u p a s s a d o s se m
informaçã o
prévia) ,
c o m p r o v a n d o que as
F U NÇ ÕE S PSI,
alé m d e não
s o f r e r e m l i m i t a ç ã o n o e sp a ço , t a m b é m não
conhece m
l i m i t a çã o no t e m p o , o que nos p e r m i t e i m a g i n a r
quão
p r ó x i m o s p o d e m o s esta r d a r a t i f i ca ç ã o pel a C i ê n c i a dos
don s de a d i v i n h a ç ã o e p r o f e c i a .
Qua n t o aos f e n ô m e n o s PSI-KAPA (ação da m e n t e , po r
m e i o s e x t r a f í s i c o s , sobr e o b j e t o s f í s i c o s ) ,
a s p e s q u i sa
s

236

começaram na DUKE UNIVERSITY em 1934 (com a utiliza•
ção de DADOS, em vez de CARTAS ZENER) e os resulta•
dos vieram à luz em 1943, com a decisiva conclusão do
Prof. RHINE: "A mente possui uma força capaz de agir
sobre a matéria; produz sobre o meio físico efeitos inexplicáveis por qualquer fator, ou energia, conhecidos pela
Física."
As pesquisas se intensificaram em diversos países,
já se tendo chegado à evidência de que a ação da mente
pode, entre outras coisas, acelerar o processo de germi•
nação e desenvolvimento das plantas. Pergunta-se: "Co•
mo pode a força mental agir sobre o meio físico?" Para
o Prof. RHINE, por meios extra-físicos, ainda não conhe•
cidos. Para o cientista soviético VASSILIEV, por meios fí•
sicos ainda não identificados. É interessante aduzir que
vários dos fenômenos comprovados pela METAPSÍQUICA
ainda não foram objeto de pesquisa pela PARAPSICOLO•
GIA.
E aqui chegamos a um ponto que interessa sobremo•
do ao Espiritismo como Ciência: Nas experiências parap•
sicologías classificadas como PSI-GAMA e PSI-KAPA, de•
pararam-se os pesquisadores com ocasionais fenômenos
identificáveis como "avisos de morte" (recente), ou "ma•
nifestações de entidades extracorpóreas" (mortes não re•
centes). Na DUKE UNIVERSITY as pesquisas dessa cate•
goria ficaram a cargo da equipe do Prof. PRATT, e logo se
constatou a impossibilidade de catalogá-los no campo de
PSI-GAMA ou PSI-KAPA, pois tanto abrangiam fenômenos
s u b j e t i v o s , como o b j e t i v o s . Foi necessário, por isso,
criar
para eles uma designação específica, a de
"FENÔMENOS PSI-TETA" ("Teta" é a 8.a letra do alfabeto
grego, adotada talvez pela analogia com a palavra grega
"THANATOS", que significa "morte"). Fez-se então a
dupla designação de:
"TETA PSI-GAMA" — Para os fenômenos "pura•
mente s u b j e t i v o s " (perce•
bidos individualmente pelo
sujeito); e
"TETA-PSI-KAPA"
— Para os fenômenos objeti•
v o s , ou "de efeitos
físicos"
(como a queda
de um qua• dro, a quebra
de
um
vaso,
etc);
também os fenôme237

nos de escrita direta e voz
direta, inclusive a registra•
da em gravadores de som,
e outros que resultam da
"ação da mente sobre a
matéria".
Os fenômenos conhecidos como "avisos de morte"
sempre existiram, mas somente com as pesquisas parapsicológicas modernas ficou cientificamente provada a sua
realidade. A Dra. LOUISE RHINE, esposa e colaboradora
do Prof. RHINE, em seu livro "Canais Ocultos da Mente",
refere alguns desses casos, aduzindo que "em muitos de•
les torna-se impossível qualquer outra explicação além de
uma presença extrafísica".
Os casos de manifestações mediúnicas de mortos,
cuja investigação se vem processando com compreensí•
vel morosidade, já apresentam apreciável acervo de dados,
e inúmeros livros têm sido publicados sobre o assunto,
tanto nos Estados Unidos como na Europa. Na Carolina
do Norte a PSYCHICAL RESEARCH FOUNDATION tem se
dedicado especificamente a essa área de investigações,
notadamente aos casos de "poltergeist" (ruídos, queda de
objetos, arrastamento de móveis e outros) e de "haunting''
(aparição de fantasmas).
Os fenômenos de escrita direta foram investigados no
século passado pelo Prof. FREDERICO ZOLLNER, da Uni•
versidade de Leipzig, o qual relatou suas experiências na
obra "Física Transcendental", constando algumas delas do
livro "Provas Científicas da Sobrevivência", da editora
"Edicel" (1978).
O Prof. RHINE considera a dificuldade de pesquisa
nesse tipo de fenômenos PSI como simples questão de
metodologia, entendendo que, com a adoção de processos
mais aperfeiçoados, os resultados serão de molde a con•
vencer os mais empedernidos incrédulos.
Antes de concluir, ocorre-nos aduzir que em 1975 foi
expressa a definição de uma nova ciência, oriunda da União
Soviética, a que deram o nome de "PSICOTRÔNICA", e
cujo objetivo seria "estudar as interações entre organis•
mos vivos e sua ambientação interna e externa, bem co•
mo o processo energético envolvido". Portanto suas fina•
lidades, sob certos aspectos, confundem-se com as da
238

PAR A P S I C O L O G I A . E com o est a ú l t i m a j á ve m ex p a n d i n •
do o seu ca mp o de ação à p e s q u i s a de f e n ô m e n o s que , de
cer t a f o r m a , e s ca p a m ao â m b i t o da P S IC OL OG I A , é na tu •
ral que se co gi t e de novas d e n o m i n a ç õ e s mai s a b r a n ge n •
te s , co m o é o caso da PS I C O B I OF ÍS I C A , p r o p o s t a pelo nos•
s o e m i n e n t e p a t r íc i o , Dr . H ER N ÂN I G U I M A R Ã E S A N D R A •
DE . São d est e as s e g u i n t e s p al avr a s, que t r a n s c r e v e m o
s
d o seu livr o " P a r a p s i c o l o g i a E x p e r i m e n t a l " :
" G r a ç a s aos e s f o r ç o s do Dr . J. B. Rhine e seu s
c o l a b o r a d o r e s a P a r a p s i c o l o g i a , a go ra , ocup a um
lugar mai s só l id o na C i ê n c i a e ve m sendo o b je t o
da p r e o c u p a çã o de e m i n e n t e s s á b i o s . Ela de sco r •
tin a h o r i zo n te s tã o a m p l o s a o f u t u r o d o c o n h e c i •
m e n t o c i e n t í f i c o , que é l íci t o a d m i t i r venh a o ho•
me m a d e s c o b r i r um m u n d o mai s i m p o r t a n t e e
va st o do que pode e sp e r a r - s e co m a e x p l o r a ç ã o do
e sp a ç o c ó s m i c o . " ( . . . ) . "Tud o indica que in i cia •
mo s , co m a P a r a p s i c o l o g i a , a f a b u l o s a Era do Es•
p í r i t o . " ( Pgs . 20 e 21).
Para os que d e s e j a r e m c o n h e c e r m e l h o r o que a Ci ên •
ci a te m c o n s e g u i d o a tr a v é s d o e s tu d o dos f e n ô m e n o s pa•
r a n o r m a i s , i n d i c a m o s o " T ra t a d o de M e t a p s í q u i c a " , do
Prof. CH AR L ES RICHET (Ed . L AKE) , be m co m o o s li vr o
s " O Nov o M u n d o d a M e n t e " , " O A l c a n c e d a M e n t e " e "No

vas F r o n te i r a s d a M e n t e " , d o Dr . JOSEPH BAN K S
RHINE,
" C a n a i s O c u l t o s da M e n t e " , da D r a . LOUISE
RHINE, e tam •
bé m os dois que s e r v i r a m de base a est a
l i ge ir a r e se n h a : " P a r a p s i c o l o g i a E x p e r i m e n t a l " d o Dr .
H ER N ÂN I G U I M A •
RÃES A N D R A D E (Ed . BoaNova) e " P a r a p s i c o l o g i a Hoj e e
Amanhã" , d e
J .
H E R C U L A N O PIRES (Ed . E d i ce l ) . São des•
t e últim o o
s s e g u i n t e s t ó p i c o s , que nos p e r m i t i m o s tr a n s •
cr e v e r
para e n c e r r a r o p r e s e n t e c a p í t u l o :
" A M e t a p s í q u i c a e a P a r a p s i co l o g i a r e p r e s e n t a m
e sf o r ç o s c i e n t í f i c o s para a e x p l i c a çã o dos fenô •
m e n o s e s p í r i t a s . L o uv á v e i s e s f o r ç o s , que farã o
os h o m e n s de ci ê n ci a c o m p r e e n d e r e m a ve r d a d
e
d o E s p i r i t i s m o , d a n d o - l h e s um a visã o
mais a mp l a
e mai s bela da vid a u n i v e r s a l . "
(Pg . 200).
" É i m p o r t a n t e a s si n a l a r que até a gor a as p e s q u i •
sas p a r a p s i c o l ó g i c a s não p r o v a r a m nada co n tr a o
E s p i r i t i s m o . Pelo c o n t r á r i o , elas s ó tê m co nf ir •
ma do , pass o a p asso , a D o u t r i n a Esp ír i ta em se u
a s p e c t o c i e n t í f i c o . " (Pg . 204).
239

O ETERNO ENIGMA

Se vid a é te r a gent e a alm a r e ti d
a no cá r ce r e do co r p o , de tal sor t e
que a ele f i qu e , a s s i m , se m p r e r e n d i d a ,
então a vid a não é vida , é m o r t e .

Se m o r t e é o e x i m i r - s e a al ma , do f o r t e
g r i l h ã o d a car ne , al an do - se e m se g u i d a
para o alto céu , nu m r áp id o t r a n s p o r t e ,
então a m o r t e não é m o r t e , é v i d a .

Se vid a é da alm a a e s c r a v i d ã o que a h u m i l h a ,
t r e v a que e nv o l v e a e s tr a d a que p a l m i l h a ,
se m o r t e é a m u ta çã o da sua so r t e ,

e a vo l t a sua , l iv re , à luz p e r d i d a . ..


Por que esse ape go que se te m à vida?
Por que esse med o que se te m da m o r te ?

( ÍN D I O D O PRADO, e m
" M u n d o E s p í r i t a " , 1954)

241

XI — CONCLUSÕES

C h e g a n d o a esta s c o n s i d e r a ç õ e s f i n a i s , d a m o s por
c o n c l u í d a a .n o s s a t a r e f a , na qual o ún i c o o b j e t i v o que
nos
i n sp i r o u fo í si tua r a po si çã o d a D o u t r i n a E s p ír i t a
e m face dos p r i n c í p i o s e s p o s a d o s pela s i gre ja s c r i s tã s
reformadas .
Não a l i m e n t a m o s o i n tu i t o de p r o s e l i t i s m o , m e s m o
p o r q u e , ao c o n t r á r i o dos n o sso s i r m ã o s e v a n g é l i c o s —
que s e e m p e n h a m e m c o n q u i s t a r a s al ma s m o v i d o s pel o
nobr e p r o p ó s i t o de sa lvá- las da co n d e n a çã o e te r n a — pa•
ra nó s to d o s os c a m i n h o s lev a m ao Pai, poi s t e m o s a
fir•
m e c o n v i c ç ã o d e que , a o i n g r e s s a r n o plan o e s p i r i t u a l ,
nin•
gué m ser á i n t e r p e l a d o a r e sp e i t o da r e l i gi ã o
que s e g u i u , o u d o s i s t e m a f i l o s ó f i c o qu e a d o t o u , ma s
apenas
sobr e
o que fez, o quanto amo u e como
s e r v i u . Por iss o não ti •
v e m o s ne m t e m o s a i n te n çã o de
abalar as cr e n ça s de que m que r que se ja , d e so r t e que
a qu e l e s cu j a r e l i gi ã o o u ideo• logia s a t i s f a ç a c a b a l m e n t e
o s seu s a n se i o s í n t i m o s , po•
de m p e r m a n e c e r
c a l m a m e n t e n a s i tu a çã o e m qu e s e en •
contram ,
ce r to s d e que n i n g u é m ter á d e p r e s t a r co n t a s por
questõe
s de fé , co m o be m o i l u s tr a o Ev an ge lh o em M a t . 25 :
31/46 .
O E s p i r i t i s m o vei o para d i s si p a r as t r e v a s do M a te •
r i a l i s m o , por isso s e d i r i g e e s s e n c i a l m e n t e à que l e s que
não tê m fé , be m co m o aos que a n s e i a m po r um a so l u çã o
r a c i o n a l par a as gr a n d e s i n d a g a çõ e s da e x i s t ê n c i a . A es•
se s ele p r o p o r c i o n a co n so l o e t r a n q ü i l i d a d e , po r se r o
úni •
c o s i s t e m a f i l o s ó f i c o capaz d e a f u g e n t a r
toda s a s d ú v i d a s ,
de r e s p o n d e r a tod a s as i n q u i r i ç õ e
s e de r e so l v e r sa t i s f a • t o r i a m e n t e to d o s o s p r o b l e m a s .
O que t e m o s a l a m e n t a r é que p ou co s do s n o s so s ami •
go s e v a n g é l i c o s o u sa r ã o p e r l u s t r a r a s p á gin a s d e st e mo •
de st o t r a b a l h o .
M u i t o s e s p ír i t a s p r o v a v e l m e n t e no s
lerão,
243

p or qu e este s c o s t u m a m e x a m i n a r tud o co m sen s o c r í t i c o ,
se g u i n d o a r e c o m e n d a ç ã o de S. Paulo (1.ª Tess . 5 :21), e até
s e i n t e r e s s a m e m c o n h e c e r a r g u m e n t o s c o n t r á r i o s , par a
m e l h o r p o d e r e m r e f u t á - l o s . Ma s o s p r o t e s t a n t e s e m ge•
ral se e s q u i v a m à an ál i se de o p i n i õ e s a l h e i a s , na p e r su a •
são de que já estã o de poss e da Ver d a d e , o qu e os t o r n a
r e f r a t á r i o s a o ex a m e d e q u a l qu e r idéia c o n t r á r i a . Co m o j á
v i m o s , os que p r e t e n d e m p o s su i r a Ver d a d e , i n v a r i a v e l •
m e n t e r e s v a l a m para a i n t o l e r â n c i a .
No e n t a n t o , e n c o r a j a - n o s a e s p e r a n ç a de que a l g u m a
s m e n t a l i d a d e s mai s a r e ja d a s , s u p e r a n d o ve l h o s
preconcei •
tos , o u s e m f i ta r as novas c l a r i d a d e s
capa ze s de abalar as e s t r u t u r a s c a r c o m i d a s d a o r t o d o x i a
p re t e n s a m e n t e cristã .
Dar-nos-emo s
por
satisfeito s
s e
conseguirmo s
a trair
a a ten çã o de al gu n s
leitore s
para
a
i m p o r t â n c i a e se r i e d a •
de da D o u t r i n a E s p ír i t a , be m
co m o
para
a
fenomenologi a
que lhe serv e de
f u n d a m e n t o . O E s p i r i t i s m o é um c a m p o
muit o
va st o de c o n h e c i m e n t o s e aqui
mal
nos d e t i v e m o s
a e x a m i n a r a l gun s dos seu s a s p e c t o s .
À q u e l e s qu e d e s e j a r e m a d q u i r i r u m c o n h e c i m e n t o
mai s a p r o f u n d a d o , r e c o m e n d a m o s a s obra s r e l a c i o n a d a
s
n a ú l t i m a p á gin a , co m o
a s que r e p u t a m o s
indispensávei s
para u m bo m c o n h e c i m e n t o d a
D o u t r i n a . Ma s ess a rela•
ção val e apenas co m o
e x e m p l o ; tod a a b i b l i o g r a f i a espí•
rit a é da maio r
i m p o r t â n c i a e é bo m l e m b r a r que , s o m e n t e
no
Br a sil , e n tr e o r i g i n a i s e t r a d u ç õ e s , já f o r a m e d i ta d o s
m u i t o s m i l h a r e s d e obra s e m to do s o s gê n e r o s l i t e r á r i o s ,
s o b r e s s a i n d o o e s t u p e n d o t r a b a l h o do n o táv e l m é d i u m mi •
neir o F R A N C I S C O C Â N D I D O X AVI ER , o qual , em mai s de
mei o sé cu l o d e i n i n t e r r u p t a a ti v i d a d e co m o p o r ta - v o z d e
e l e v a d a s E n t i d a d e s E s p i r i t u a i s , j á p s i c o g r a f o u mai s de 200
obra s em p oe si a e p ro sa , est a a b r a n g e n d o r e l i g i ã o , ciên •
cia , f i l o s o f i a , h i s t ó r i a , r o m a n c e e p r e c e i t o s é t i co s , so br e •
tud o e n si n o s e v a n g é l i c o s .
C om o m e n s a g e m final para o s n o s so s i r m ã o s , lem •
b r a m o s que o "te r C r i s t o no c o r a ç ã o " i m p l i c a a grav e res•
p o n s a b i l i d a d e de fazer da vid a o e x e m p l o viv o do s ensi •
n a m e n t o s que Ele m i n i s t r o u . O Juiz ELIÉZER R OSA , be m
c o n h e c i d o no Brasil pelas s e n t e n ç a s h u m a n a s que p ro la t o u , in da ga do sobr e co m o d ev e r i a p r o c e d e r u m ca sal para
a s se g u r a r a f e l i ci d a d e no m a t r i m ô n i o , r e s p o n d e u : " B a s t a
amar ; amo r é d o a ç ã o , é não di zer j a m a i s "F u l a n o é m e u " ,
mas s i m : "Eu so u de F u l a n o " . Pois fo i isso o que Je su
s

244

e n s i n o u , não para vale r s ó e n tr e c ô n j u g e s , ma s en tr e to •
dos o s h o m e n s : ama r se m l i m i t e s , pe rd oa r e s q u e c e n d o ,
s u p o r t a r i n j u s t i ça s (1.º Co r . 6:7), e n f i m , c u l t i v a r o e s p ír i

to de s o l i d a r i e d a d e . Porque a h u m a n i d a d e tod a te m
que
se r s o l i d á r i a , e m b o r a p ou co s h o m e n s j á s e t e n h a
m aper•
ceb i d o dest a v e r d a d e . C o m o di zia o f i l ó s o f o
Krisnamurti :
" C a l a - t e , não a m a l d i ç o e s , os seu s e rr o
s são de to d o s nós ,
p o r qu a n t o
a
humanidad e
constitu i u m todo " .
Foi est a a lição que nos d e i x o u Je su s , e que o C o n so •
lador s e e s f o r ç a por r e av i v a r nos c o r a çõ e s do s h o m e n s .
Ao s que ainda não p o d e m ace i ta r o s p r i n c í p i o s e s p í r i t a s ,
d i r e m o s co m K A R D E C :
" C h e g a r - l h e s - á a vez, qu an d o e s t i v e r e m d o m i n a •
dos pela o pi ni ã o geral e o u v i r e m a m e s m a co is a
i n c e s s a n t e m e n t e r e p e t i d a a o se u d e r r e d o r . A í ju l •
garão que a c e i t a m v o l u n t a r i a m e n t e , po r i m p u l s o
p r ó p r i o , a i dé ia , e não por p r e s sã o de o u t r e m . De•
pois , há idéia s que são co m o as s e m e n t e s : não
p o d e m g e r m i n a r for a d a e sta çã o a p r o p r i a d a , ne
m e m t e r r e n o que não ten h a sid o d e a n te m ã o p re pa
• r a d o . " (" O Eva n gel ho Se gun d o o E s p i r i t i s m o " ,
71.ª
ed . FEB, pg . 366).
E s p e r a m o s que os b o n d o s o s l e i t o r e s nos p e r d o e m a
p r o l i x i d a d e , e o fat o de t e r m o s sid o , em d e t e r m i n a d o s
p o n t o s , u m tan t o r e p e t i t i v o s , isto po r qu e al gun s c o n c e i

to s e c i t a çõ e s nos p a r e c e r a m e n c a i x á v e i s sob mai s de
um
a s s u n t o ; alé m do que a r e p e ti ç ã o ainda nos parec e se
r o melho r s i s t e m a d e m e m o r i z a r co n h e c i m e n t o s novos
.
Qu a n t o à f r e q ü e n t e c i ta çã o de t e x t o s b íb l i c o s , decor•
reu d a cer te z a d e que o s n osso s i r m ã o s , e m g e r a l ,
repe• le m tud o o que não e s t i v e r f u n d a m e n t a d o na
B íb l i a ; daí
a p r e c a u ç ã o que t i v e m o s em , s e m p r e qu e
poss ív e l ,
cal•
çar n ossa s
ra zõe s na
E s c r i tu r a
Sa gr ad a .
Qu e Je su s nos

abençoe .

245

SEGUNDO MILÊNIO

Apa ga - se o m i l ê n i o . . . a s o m b r a d e b l a t e r a . . .
Vej o a noit e av an ça r, do an se i o em que me a gi to
. Gu e r r a e sonh o de paz e s t a d e i a m c o n f l i t o ,
de pol o a polo a dor r e c l a m a em longa e sp e r a .

Explode a t r a n s i ç ã o no ápice i r r e s t r i t o ,
a c u l tu r a p e r q u i r e , a cr e n ç a se o b l i t e r a . . .
a f o r m a an ti ga , em lu ta , a gu ar d a a Nov a Era,
r o ga - se t e m p o nov o ao t e m p o a ma r g o e a f l i to
.

A c i v i l i za ç ã o a tô n i t a , i n se g u r a ,
l em br a um t e s o u r o ao mar que a tr e v a d e s f i g u r a ,
va ga nd o aos t u r b i l h õ e s d e mar é d e s v a i r a d a . . .

E n t r e ta n t o , no m u n d o , à nau que e stal a e t r e m e
,
a luz p r o s se g u e e b r i l h a , o C r i st o est á no lem
e p r e p a r a n d o na Terra a Nova M a d r u g a d a ! . . .

(Soneto de CIRO COSTA, psicografado por
CHICO XAVIER ao encerrar-se o programa
"PINGA-FOGO" da TV-TUPI, — S. Paulo,
na noite de 28-7-71).

247

PRECE

Senhor:
Faze d e mi m u m i n s t r u m e n t o d a tu a PAZ;
ond e haja ódio , c o n s e n t e que e u leve A M O R
;
onde haja o f e n sa , que eu leve PER D ÃO ;
ond e haja d i s c ó r d i a , que eu leve U N I Ã O ;
ond e haja d úv i d a , que eu leve a FÉ;
ond e haja e rr o , que eu leve a V E R D A D E ;
ond e haja d e s e sp e r o , que eu leve ESP ER AN Ç A;
onde haja t r i s t e z a , que eu leve A L E G R I A ;
onde haja t r e v a s , que eu leve a LUZ !

O h Mestre :
Faze co m que eu não p r o cu r e tant o
se r co n so l a d o , qua n t o co n so l a r ,
se r c o m p r e e n d i d o , quan t o c o m p r e e n d e r ,
se r a ma do , qua n t o a m a r !

Po r que :
S o m e n t e da nd o , é que se r e ce b e
; p e r d o a n d o , é que se é p e r d o a d o
; e m o r r e n d o , é que se r en asce
para a Vida Ete rna !

(Francesco)

248

PRECE DE SÃO FRANCISCO

Sen ho r, faze d e mi m u m i n s t r u m e n t o
da tua paz! Qu e eu leve amor , v e r d a d e
aond e h ouv e r ódio , o f e n s a o u f a l s i d a d e
, e leve l e n i t i v o ao s o f r i m e n t o .

Que e s p e r a n ç a e a l e gr i a , se m ce ssar,
eu e sp a lh e ond e que r que o mal p e r d u r e !
D iv in o M e s t r e : Faze que eu p r o c u r e
não tant o ser am ad o , qu an t o amar,

ser c o m p r e e n d i d o , qua n t o c o m p r e e n d e r ,
ne m p r o cu r e se r an te s co n so l a d o ,
que t r a n s m i t i r co n so l a çã o f r a t e r n a !

Pois só d an do , é que va m o s r e ce b e r ,
p e r d o a n d o , é que s o m o s p e r d o a d o s
e m o r r e n d o , é que h e r d a m o s Vid a Ete rna !

249

LIVROS RECOMENDADOS
(Para

um

m e l h o r c o n h e c i m e n t o d a D o u t r i n a Es p ír i ta )
CARLO S I M B A S S A H Y
KAR D E C

ALLA N

O Livro dos E s p ír i t o s
O Livro dos M é d i u n s
O Eva n gel ho Se gun d o o
Espiritism o
O Cé u e o In fe rn
o A Génes e

O E s p i r i t i s m o à Luz dos
Fatos
A M a r g e m do E s p i r i t i s m o
Re l i giã o
O Que é a M o r t e
Eni gm a s da P a r a p s i co l o g i a

O Qu e é o E s p i r i t i s m o

J. H E R C U L A N O PIRES

LEON DENIS

Revi são do C r i s t i a n i s m o
Cu r s o D i n â m i c o d e
Espiritism o
P a r a p s i c o l o g i a Hoje e
Amanh ã

Cr i s t ia n i s m o e Espiritism
o
D ep oi s d a M o r t e
No In v i s ív e l
O Porquê da Vid a
O P r o b l e m a do Ser, do
D e s t i n o e da Dor
GABRIEL

D EL AN N E

A Evo lu ção A n í m i c a
O Fenómen o Esp írit
a A Alm a é imorta l
A R e e n ca r n a çã o
O E s p i r i t i s m o Perante a
Ciênci a
ERNESTO

GIBIER

O Espiritism o
A n á l i s e das Co i sa
s
A . CONA N

DOYLE

H i s t ó r i a do

Espiritism o

250

O

MIRAND A

R e e n ca r n a çã o e
Imortalidad e
Sobrevivênci a e Comuni

c a b i l i d a d e dos
E s p ír i to s
A s Marca s d o Crist o
FRANCISC O
XAVIER

CÂNDID O

BOZZAN O

A n i m i s m o e Espiritism o
M e t a p s í q u i c a Human a
Os En i gm a s
da P s i c o m e t r i a
PAU LO

HERMÍNI O

Obra s p s i c o g r a f a d a s :
Parnaso de À l é m - T ú m u l o
( p o e si a s )
N o s s o Lar
O s Mensageiro s
M i s s i o n á r i o s da Luz
O b r e i r o s d a Vid a Eterna
N o Mund o Maio r
Açã o e Reação
Evolução e m Dois M u n d o s
Paulo e Estevão
O Consolado r
A C a m i n n o da Luz