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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA:
O caminhar de uma nova experiência
em Minas Gerais

Editores:
José Roberto Soares Scolforo
Antônio Donizette de Oliveira
Antônio Cláudio Davide

1a Edição

Lavras
2012

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

© 2011 by José Roberto Soares Scolforo, Antônio Donizette de Oliveira e Antônio Cláudio Davide, 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, por qualquer meio ou forma, sem a autorização escrita e
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Direitos de publicação reservados à Editora UFLA.
Impresso no Brasil – ISBN: 978-85-87692-98-6

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Revisão de Texto: Rosemary Chalfoun Bertolucci
Referências Bibliográficas: Rosemary Chalfoun Bertolucci
Responsável Editorial da publicação: Ewerton de Carvalho
Capa: Ewerton de Carvalho
Fotografias: Ewerton de Carvalho, Antônio Cláudio Davide, Vanete Maria de Melo Pavan, José Roberto Scolforo,
Thiza Falqueto Altoé, Lucas Amaral de Melo e Vinícius Augusto Morais.

Ficha Catalográfica Preparada pela Divisão de Processos Técnicos da
Biblioteca da UFLA
Manejo sustentável da candeia : o caminhar de uma nova experiência em Minas Gerais / editores:
José Roberto Soares Scolforo, Antônio Donizette de Oliveira, Antônio Cláudio Davide. – 1. ed. –
Lavras : Ed. UFLA, 2012.
329 p. : il. ; 30 cm.
Projeto Candeia, parceria: Departamento de Ciências Florestais
da Universidade Federal de Lavras, Ministério do Meio Ambiente,
CNPq, IBAMA, FAPEMIG e IEF-MG.
1. Eremanthus. 2. Alpha-bisabolol. 3. Sustentabilidade. I. Scolforo, José Roberto Soares. II. Oliveira,
Antônio Donizette de. III. Davide, Antônio Cláudio. IV. Universidade Federal de Lavras. V. Título.
634.97355

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA:
O caminhar de uma nova experiência florestal em Minas Gerais
EDITORES
José Roberto S. Scolforo
Antonio Donizette de Oliveira
Antonio Cláudio Davide
EQUIPE TÉCNICA
Charles Plínio de Castro Silva
Dimas Vidal Resck
Edmilson Santos Cruz
Ivonise Silva Andrade
Jorge Faisal Mosquera Pérez
José Fábio Camolesi
Luciano Teixeira de Oliveira
Luís Fernando Rocha Borges
Olívia Alvina Oliveira Tonetti
COLABORADORES
Adauta Cupertino de Oliveira
Benoît Francis Patrice Loeuille
Edson Gomes Renê
Elizabeth Costa Rezende Abreu
Emanuel José Gomes de Araújo
Ewerton Carvalho
Frederico Silva Diniz
Henrique Ferraço Scolforo
Lilian Telles
Lucas Rezende Gomide
Márcia Cristina de Oliveira Moura
Maria Zélia Ferreira
Sérgio Cecere
Sérgio Teixeira da Silva
Thais Cunha Ferreira
Thiza Falqueto Altoé
Vanete Maria de Melo Pavan
Vinícius Augusto Morais
FINANCIAMENTO DO PROJETO CANDEIA
Ministério do Meio Ambiente – 2001
CNPq - 2001-2002; 2010-2012; 2012-2014
IBAMA - Diretoria de Florestas - 2002
Citróleo - 2004-2006
FAPEMIG - 2007-2008
Instituto Estadual de Florestas – IEF MG - 2007-2011
FINANCIAMENTO DA PUBLICAÇÃO
SEBRAE - MG

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O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Coordenação do Projeto Candeia
Prof. José Roberto S. Scolforo
Departamento de Ciências Florestais
Universidade Federal de Lavras
e-mail: lemaf@dcf.ufla.br

www.lemaf.ufla.br

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O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS

AUTORES
José Roberto Soares Scolforo
Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras
e-mail: jscolforo@dcf.ufla.br

Antonio Donizette de Oliveira
Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras
e-mail: donizette@dcf.ufla.br

Antonio Claudio Davide
Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras
e-mail: acdavide@dcf.ufla.br

Antonio Carlos Ferraz Filho
Doutorando em Engenharia Florestal - Universidade Federal de Lavras
e-mail: acferrazfilho@gmail.com

Benoît Francis Patrice Loeuille
Doutor em Botânica pela Universidade de São Paulo
e-mail: benoit_loeuille@yahoo.fr

Charles Plínio de Castro Silva
Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras
e-mail: charles.plinio@casatora.com.br

Cláudia Lopes Selvati de Oliveira Mori
Doutora em Recursos Florestais pela Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ –
Piracicaba -SP
e-mail: selvaticl@uol.com.br

Daniela Cunha da Sé
Doutoranda em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras
e-mail: cunhadase@yahoo.com.br

Dulcinéia de Carvalho
Professora do Departamento de Ciências Florestais - Universidade Federal de Lavras
e-mail: dulce@dcf.ufla.br

Edmilson Santos Cruz
Doutor em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras
e-mail: edsantoscruz@hotmail.com

Edson José Vidal
Professor do Departamento de Ciências Florestais - Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
- ESALQ – Piracicaba - SP
e-mail: edson.vidal@usp.br

Elizabeth Costa Rezende Abreu
Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras
e-mail: elizabeth.rezende@lemaf.ufla.br

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br Lucas Amaral de Melo Professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro .br Fausto Weimar Accerbi Júnior Professor do Departamento de Ciências Florestais .Universidade Federal do Paraná e-mail: ejgaraujo@gmail.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Emanuel José Gomes de Araújo Doutorando em Engenharia Florestal .Seropédica .ESALQ – Piracicaba -SP e-mail: jobrito@usp.Universidade Federal de Lavras e-mail: jkflorestal.Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz .Universidade Federal de Lavras e-mail: lourival@dcf.com Ivonise Silva Andrade Doutora em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: ivonise@inventar.com.Universidade Federal da Grande Dourados .ufla.br José Márcio de Mello Professor do Departamento de Ciências Florestais .com Fábio Akira Mori Professor do Departamento de Ciências Florestais .ufla.ufla.Universidade Federal de Lavras e-mail: henriquescolforo@hotmail.br 6 .Universidade Federal de Lavras e-mail: fausto@dcf.RJ e-mail: samelinho@yahoo.br Livia Maria Chamma Davide Professora na Faculdade de Ciências Agronômicas .gmb.Universidade Federal de Lavras e-mail: josemarcio@dcf.ufla.br José Otávio Brito Professor do Departamento de Ciências Florestais .br Lourival Marin Mendes Professor do Departamento de Ciências Florestais .com José Carlos Martins Departamento de Ciências Florestais .Universidade Federal de Lavras e-mail: morif@dcf.br Henrique Ferraço Scolforo Graduando em Engenharia Florestal .ufla.com.ufla@gmail.MS e-mail: lmcdavide@yahoo.com José Fábio Camolesi Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: camolesi@dcf.

Universidade Federal de Lavras e-mail: thizaaltoe@gmail.br Soraya Alvarenga Botelho Professora do Departamento de Ciências Florestais .ufla.br Thiza Falqueto Altoé Doutoranda em Engenharia Florestal .ufg.Diamantina – MG e-mail: nery.com Vanete Maria de Melo Pavan Mestre em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e-mail: vanete_melo@yahoo.com Márcia Cristina de Oliveira Moura Professora do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Colatina e-mail: marciacristina@ifes.ESALQ – Piracicaba -SP e-mail: mtomazel@usp.edu.br 7 .Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz .com.com Rosimeire Cavalcante dos Santos Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e-mail: meire_caico@yahoo.ufla.Universidade Federal de Lavras e-mail: sbotelho@dcf.com.Universidade Federal de Lavras e-mail: vemorais@bol.Universidade Federal de Lavras e-mail: rafaelfarinassi@gmail.br Sybelle Barreira Professora da Universidade de Goiás do Curso de Engenharia Florestal – Campus Goiânia e-mail: sybelle@agro.Universidade Federal de Lavras e-mail: oaotonetti@dcf.br Rafael Farinassi Mendes Doutorando em Ciência e Tecnologia da Madeira .ufla.O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS Marcela Carlota Nery Universidade Federal dos Vale do Jequtinhonha e Mucuri – UFVJM .marcela@gmail.br Mário Tomazello Filho Professor do Departamento de Ciências Florestais .br Maria das Graças Cardoso Professora no Departamento de Química .br Olívia Alvina OliveiraTonetti Departamento de Ciências Florestais .Universidade Federal de Lavras e-mail: mcardoso@dqi.br Vinícius Augusto Morais Doutorando em Engenharia Florestal .com.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 8 .

utilizados pelas indústrias cosmética e farmacêutica.O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS PREFÁCIO O manejo sustentável da candeia e o gerenciamento de plantações dessa espécie nativa são temas desta publicação. CITRÓLEO. em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. a espécie também é muito utilizada como moirões para cercas. Da candeia são extraídos produtos de alto valor comercial. A cultura da espécie pode ser uma alternativa para diversificar a produção rural e melhorar o desempenho econômico e ambiental dos pequenos empreendimentos rurais. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Pela alta durabilidade de sua madeira. As informações aqui reunidas são provenientes do estudo realizado pelo Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras (UFLA). o Sebrae-MG espera contribuir com a preservação da candeia e proporcionar aos pequenos produtores rurais oportunidades de negócios em um setor com potencial de desenvolvimento. SEBRAE-MG 9 . A candeia é uma planta nativa de significativa importância na biodiversidade brasileira. como o óleo essencial e o α-bisabolol. Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Ao apoiar a disseminação de práticas de manejos sustentáveis. Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG).

aos Empreendedores.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Aos Agricultores. aos Homens de Boa Fé e à Academia por terem acreditado que é possível 10 .

Scolforo.. em 2000. foi proposto um projeto.. Motivado pela necessidade de gerar conhecimento e tecnologia para a espécie. Outra motivação foi a expectativa de estimular a divulgação de outros trabalhos. Pycnocephalum (Less. será uma solução para o não assoreamento dos cursos de água e a não substituição de áreas com vegetação nativa por outras culturas que nas áreas de campos de altitude são de baixíssima produtividade. 11 .00 pela dúzia de moirões.O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA José Roberto Soares Scolforo As espécies Eremanthus erythropappus (DC. pode-se citar o caso dos pequenos empreendimentos que extraem o α-bisabolol e que pagam entre R$ 100. esse gênero é localmente chamado de candeia. pertencem ao gênero Eremanthus o qual inclui tanto Eremanthus Less. o desenvolvimento de tecnologia que viabilize o manejo de candeiais nativos e de plantios.00 pelo metro “stere” (empilhado) de madeira. Um fluxograma ilustrativo da estrutura do projeto é apresentado na Figura 1. para a produção de óleo. Conc.IBAMA. foi possível agregar renda aos agricultores que detêm candeais nativos com a utilização da técnica de manejo sustentável. Duas foram as linhas básicas para o desenvolvimento da pesquisa: o desenvolvimento de metodologias para promover o manejo sustentável dos candeais nativos e com os conhecimentos adquiridos desenvolver um sistema equivalente para os plantios comerciais da candeia que são a outra vertente desse estudo. contraditoriamente. especialmente no segmento da agricultura familiar.00 pelo metro “stere” de madeira de candeia. A base desse objetivo está no fato de que o manejo possibilita uma constante revitalização dos candeiais. Com a adoção dessa prática. com o subsequente manejo dessa espécie.30 m de altura do solo (DAP). sim. de forma a se contrapor à clandestinidade usual na apropriação da espécie.) MacLeish e Eremanthus incanus (Less. inicialmente. buscando o uso comercial das espécies. 1987). Para atingir as características comerciais desejáveis.) Less. seja na geração de tecnologia para viabilizar plantios puros ou mistos. Vanillosmopsis refere-se ao odor de baunilha. O nome Eremanthus é derivado do grego eremos (solitário) e anthos (sustentação de flor). Assim. e Stachyanthus DC. pela Universidade Federal de Lavras. Chresta Vell. Por esse motivo. Prestella Schultz-Bip. a 1. que se refere à sua capacidade de queimar produzindo chamas (MACLEISH. vela. Já. de forma ordenada. que contou.) Less. por meio do Prof. foi a principal finalidade deste estudo. tem-se a clara convicção de que a adoção de planos de manejo com base em critérios científicos não trará nenhum problema ambiental e. seja para as áreas nas quais sua ocorrência é natural. os produtos da candeia passaram a ser comercializados por preços relativamente altos no mercado. As candeias Eremanthus erythropappus (DC.00 e R$40. que sustentam flores simples. o que gera renda e impede que os povoamentos existentes sejam de alguma maneira substituídos por pastagens de baixíssima produtividade.20 m de comprimento e. a apropriação da candeia nativa. com apoio do Ministério do Meio Ambiente .) DC. não existia um sistema de manejo consolidado. Já os produtores rurais pagam R$ 120. que serão empregados na construção de cercas. Barroso. Assim. Glaziovianthus G. Com o projeto.) MacLeish e Eremanthus incanus (Less. Sphaerophora Schultz-Bip. além da alta relevância econômica da espécie. são espécies florestais geradoras de renda e. (sensu Schultz-Bip. característico desse grupo de plantas.. no mínimo. era predominantemente predatória e clandestina e os agricultores que se sujeitavam a tal prática recebiam entre R$30. esses moirões devem medir 2.) como Vanillosmopsis Schultz-Bip. em referência aos capítulos.. 7 cm de diâmetro. relacionados ao sistema de produção de espécies florestais nativas que contribuam para o desenvolvimento do setor florestal brasileiro. a madeira de plantas com diâmetro maior ou igual a 5 cm. O objetivo era gerar conhecimentos e tecnologias que possibilitassem aos produtores rurais praticar o uso sustentável de uma espécie nativa de alto valor. anteriormente ao ano 2000.. José Roberto S.00 e R$130. mas exclui Albertinia Sprengel. ou todas as demais partes da plantas não utilizadas para a produção de moirões são adequadas. Como exemplo.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 1 .Fluxograma da estrutura do Projeto Candeia. 12 .

.........38 2................71 4.........4 Crescimento das mudas ..........50 3.................39 2......................................................64 4............22 1.....5 Avaliação da viabilidade das sementes.........................................................................................29 2......................70 4................57 3............................1 Implantação de povoamentos de candeia.........................PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA......................................56 3...............................................................69 4...............................................29 2.........23 1...............................................................3 Espaçamento............................................................................................................11 1 ...............................................1 Enxertia .............26 1..........................................................................................3 Secagem das sementes e armazenamento ..............................................................22 1........................1 Introdução..........................29 2.......................................................16 Exemplo de plantios com candeia ....................................................................................................................................................................................................................................................................3 Estaquia e miniestaquia........................................................65 4..............61 4....................................................................9 Adubação pós-plantio.10 Tratos silviculturais.......................................................................................4 Área de ocorrência em Minas Gerais...............................................................................................................1 Descrição do gênero Eremanthus..............................12 Expectativa de produção em diâmetro e altura para a candeia Eremanthus erythropappus .......1................................................................................CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA.................................................94 13 ..............................................61 4.................19 1..................2 Propagação sexuada de mudas.13 Manejo da candeia a partir da área de cobertura................39 3 .....................................................68 4.................27 2 ..........................................................................................2......................................................92 4.......2 Preparo do terreno...................8 Combate às formigas.....................................26 1.....6 Irrigação..............................................................20 1........................................................................................................................................1..........................5 Aclimatação e expedição das mudas...........................4 Análise da qualidade das sementes.....................19 1..............43 3............................................................................15 Expectativa de renda de povoamento com candeia Eremanthus erythropappus..........................................................O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS SUMÁRIO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA....................................................................1 Introdução...................5 Plantio................................................................................) Less...................3 Semeadura................................................14 Modelagem da produção............1.................................3 Aspectos gerais da candeia......................................................................................................................................................................................................54 3.............82 4..3 Área de ocorrência.2 Produção e tecnologia de sementes.........................11 Desrama..........................................................................................44 3..................43 3..6 Propagação assexuada de mudas.....................................................................56 3.........................................2 Micropropagação................................................................................................................1 Recipientes e substrato para a produção de mudas de candeia........58 4 ......................................................6...............PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA................................5 Caracterização do ambiente onde se encontra a candeia..........MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA...89 4..........................................................6..6....................................................) MacLeish....2 Óleos essenciais ...................52 3........67 4.......71 4......................................................................1 Descrição de Eremanthus erythropappus (DC......61 4.................2 Descrição de Eremanthus incanus (Less...............................................43 3.......................................................................

.......105 5.......106 5.......................................................................100 5............107 5.................................99 5..............) MACLEISH) NA PRODUÇÃO E QUALIDADE DE ÓLEO ESSENCIAL.........130 6....132 6.5 Rendimento de óleo essencial e massa de matéria seca................................................................161 14 ............6 Teor de óleo essencial e qualidade do óleo.....................146 7.......................................117 6......O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 5 ...................1 Definição dos grupos ......................1....................100 5......3 Avaliação econômica com base na modelagem de área de copa .........................................................145 7......................................................................102 5..1 Valores médios das variáveis dendrométricas.........................................3 Resultados....................3.........................153 8..................................2 Escopo metodológico................................153 8..118 6....................................2 Fatores que afetam as propriedades dos painéis particulados de madeira................4.......................................................................4 Densidade básica...........................................2.............................3 Resultados e discussões..................................................146 7.130 6................................................5 Análise da composição química do óleo essencial.......................2 Escopo metodológico........121 6...........................133 6...129 6..................................2 Valores médios obtidos da cubagem rigorosa de árvores.............................................................................................2......................................................................................143 7 ...............................................2......................2 Modelagem da copa...............3..1 Introdução.6 Amostragem do solo.............131 6.........3........................................................................................................4 Painéis aglomerados produzidos com a madeira de candeia......1 Introdução............................................131 6...159 8...............99 5....2.....2....................2 Densidade básica......2.............................117 6.................................SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus (DC................118 6.............................INVENTÁRIO EM CANDEIAIS NATIVOS(Eremanthus erythropappus) EM MINAS GERAIS......................................4 Óleo essencial da candeia.....................................5 Síntese............................4 Influência do solo na composição química do óleo essencial................................APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DO ÓLEO DA CANDEIA PARA A MANUFATURA DE PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO .....................................................................................1 Introdução..............145 7........................................3...........................158 8..106 5......................................................... seca e massa de óleo essencial de árvores em pé.......................................................................................................1 Descrição da área de estudo..........................2 Densidade básica................ 2..........3 Avaliação econômica.....................................................1 Área de estudo............................3 Rendimento de óleo essencial e α-bisabolol.......3.............................................................................................1 Análise estatística dos rendimentos do óleo essencial.....1 Uso de variáveis Dummy...................................................................2...........2....................................................................................108 5.......................................................................................................................3...................................................150 8 ............3...........................................................160 8...........123 6............................................................................................3 Equações para estimar volume de árvores em pé ....................................................................................................153 8..........124 6.......7 Equações para estimar massa de mat.........2 Modelagem da área de copa ....3 Parâmetros de processamento industrial dos painéis particulados a base de madeira...............................................................147 7................................MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA BASEADO NA ÁRVORE INDIVIDUAL......113 6 ..3...............................156 8...3 Variáveis dendrométricas.2...............1 Introdução.............................................................................................................................................

.........2...........195 9............... masa seca................5........................237 11.2..) .....220 10.................................................................SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA (Eremanthus erythropappus (DC.........................178 9......................164 9......181 9..4...........199 10 .............................2..........10 Estratégias para ampliar áreas de candeia que margeiam fragmentos nativos............................237 11........................................2 Dinâm.......4........................................ massa de óleo e número de moirões......3..........................................................225 10......................................1 Introdução.....3 Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo tradicional..........................................................................................216 10....OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA .......................................238 11........) Less....................................................197 9.........................................................5...............2 Sistema de árvores porta-sementes.....................................................250 15 ...175 9...............1 Introdução...........230 10................................3 Análise dos dados..2............................................................247 12.1 Amostragem e quantificação do volume................................163 9........183 9....................................................248 12..................2 Estudo de casos.......5 Sistemas silviculturais............1 Sistema de corte seletivo.......................................................1 Diversidade genética de candeia como base para o manejo florestal................GENÉTICA................2 Escopo metodológico...2 Estrut genética........2 Análise estatística do crescimento em diâmetro................ Sistema de corte em faixas.......................................... natural de Eremanthus incanus (Less.................185 9..................................................2..228 10..............................7 Regeneração natural........4................................4 Inventário.................................................................................................163 9............................................................) sob práticas silviculturais........................................179 9.......................4 Dinâm...............1 Volume e número médio de moirões por planta..............................8 Cuidados fundamentais na condução de um plano de manejo para a candeia...............................11 Exemplo de execução de planos de manejo em Baependi.............................................2 Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo em grupos....................................172 9........................ em condições naturais............215 10.......1 Introdução.....6 Aumento da área com candeia...................................................1 Um estudo de caso para o sistema porta sementes..248 12......224 10........... sistema reprodutivo e distribuição espacial de genótipos da candeia..................................................5................5............................DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA Eremanthus incanus .................................................163 9...............4......165 9............ da regeneração natural de Eremanthus incanus (Less....................2.247 12...165 9.....189 9......................................1 Mapa...............................................1 Parâmetros da dinâmica de populações.....................................................233 10..............................234 11 ......................................3 Estudo do crescimento e prognóstico de colheita de Eremanthus incanus..248 12....................9...5.......................................................238 11................................................................2 Taxa líquida de mudança da regeneração natural de Eremanthus incanus.....5...........2 Características de um plano de manejo sustentável para a candeia.169 9....... MANEJO E CONSERVAÇÃO..................243 12 ....................................1 Caracterização das áreas de estudo......................169 9............215 10...........2 Amostragem e coleta dos dados...............1 Análise estatística do crescimento em altura..........................................................................9.. do estrato arbóreo e prognóstico do crescimento de Eremanthus incanus............9............3 Sistemas em seleção de grupo ou sistema de corte seletivo em grupos.............................................................................180 9........3 Equações para estimar volume..185 9......................O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS 9 ............................................2.215 10.............1 Introdução.................172 9......................9 Estudo de caso para sistemas silviculturais para candeia........5 Dinâmica da regen....1 Análise da regeneração natural...........................................................................

..263 13 ......................3....2 Custos de exploração...2.................................282 14......................................................................8 Custo de desbaste ou raleio da regeneração natural da candeia....4........................4.INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS DO LOCAL DE CRESCIMENTO SOBRE O RENDIMENTO E A QUALIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL DE CANDEIA(Eremanthus erythropappus (DC......................1..................................................................................................................287 14.....3.................................290 14...282 14........291 16 ...................................287 14...............................267 13..............................................2....10Resumo dos custos do manejo florestal........................................................2.........................................291 14................................................................2 Horizonte de planejamento de infinitos cortes.....................................1 Introdução.4...........................................4.................2.........1 Seleção das árvores e coleta de madeira............................................................286 14..........286 14............................275 13..................................................................................................273 13.........253 12..............................................................................................5 Receitas do manejo florestal...288 14..............2 Transplantio de epífitas das árvores a serem cortadas.........................................3 Viabilidade econômica do manejo .........................) MACLEISH) NATIVA.........288 14....1 Horizonte de planejamento de um corte..........2...............................6 Custo de limpeza e escarificação do solo após o corte da candeia......................6....2 Coleta e análise do solo ............................4.............................4 Espacialização da regeneração e do estrato arbóreo..1 Custos de elaboração do plano de manejo florestal............3..6..1 Determinação dos custos ...............................286 14.......................................273 13....................................................................2 Diâmetro e altura das árvores...................5 Custo de transporte de madeira..................................................................289 14......2...3 Determinação da idade................................................................................................285 14......282 14.....................................269 13.......................................................................................................................................290 14..................................2....................................................2...................2 Desenvolvimento do estudo........................265 13................282 14............1..252 12....................................................6...........................................289 14.....287 14.....O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 12..................3 Análise econômica do manejo da candeia........................................................282 14....1 Simulação dos ciclos de corte para a candeia........4 Custos do manejo florestal.....................................4 Síntese.........................281 14................272 13.........................................1 Elaboração do mapa da propriedade......278 14 .............2 Inventário florestal e elaboração do plano de manejo florestal..................................7 Custo de taxas e impostos.............................2.................4....................1 Introdução.......4........................................4............................4 Síntese...2................4....................3...............9 Custo da terra....290 14......................................................................................288 14.................................2 Determinação das receitas ..........................265 13.2........5 Avaliação da qualidade do óleo (CG).......................................................................................................................................1 Identificação e marcação das árvores porta-sementes..4...........2..................285 14.............................................................................................6 Viabilidade econômica do manejo......................................................4.......................................3 Resultados.................2...................................................................269 13...........2.................................................4.............................270 13.2......281 14............................ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA......................................4...............................................................................................................3.....................................................2.................................285 14...............267 13......................4 Custo de extração da madeira ..............4.................................1 Análise do solo............2 Área de estudo.....................3 Custo de derrubada e traçamento das árvores.......2.........4 Extração do óleo essencial....285 14...........3 Resultados .........................

....................................5 O Comércio de moirões.........300 15..............317 17 ................4.................................................307 16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................4.......................................................................1.........................................................3 Região de Morro do Pilar/Barão de Cocais..295 15...............................2Óleo essencial de candeia e α-bisabolol natural..............................297 15...........300 15............2 Região de Carrancas/Baependi..6 O comércio de α-bisabolol natural................291 15 .........2 Análise de sensibilidade.................300 15..............301 15......................................1...............4................1Moirões......................................................................................................O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA: ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS.......................1 Os produtos da candeia..............305 15.............................................................................................6.....295 15.....................................................................................1 Considerações socioeconômicas sobre as regiões de ocorrência da candeia no estado de Minas Gerais............................................O CAMINHAR DE UMA NOVA EXPERIÊNCIA EM MINAS GERAIS 14........................................................................................................................4 O comércio dos produtos da candeia........................................298 15................................................................................2.............

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 18 .

segundo Loeuille (2012) e Loeuille. Tabela 1.1 . chamada sincefalia ou capítulo secundário. Eremanthus é o maior gênero da subtribo Lychnophorinae com 22 espécies listadas na Tabela 1. 14 Eremanthus incanus Less. 2012). Bip. rondoniensis) também ocorrem na Bolívia. LOEUILLE. Espécies de candeia 1 Eremanthus arboreus (Gardner) MacLeish 2 Eremanthus argenteus MacLeish & H. Bip. 12 Eremanthus goyazensis Sch. serão abordadas Eremanthus erythropappus e Eremanthus incanus (Figura 1. Eremanthus erythropappus é largamente comercializada para a produção de moirões e a extração de óleo e Eremanthus incanus é utilizada apenas para a comercialização de moirões. Schumach. 13 Eremanthus hatschbachii H. apresentam um pappus persistente a caduco com dois a cinco séries de cerdas estramíneas. cípselas. mais raramente arbustos.CAPÍTULO 1 . 16 Eremanthus mattogrossensis Kuntze 17 Eremanthus mollis Sch. São espécies endêmicas dos cerrados e campos rupestres do Planalto Central Brasileiro. subtribo Lychnophorinae). 22 Eremanthus veadeiroensis H.1). LOEUILLE. às vezes alvas ou avermelhadas (MACLEISH. Rob. ao gênero Eremanthus (tribo Vernonieae. sendo que somente duas delas (E.1 Descrição do gênero Eremanthus A candeia pertence à família Asteraceae (= Compositae). LOPES. Os capítulos são frequentemente agregados num receptáculo secundário formando uma inflorescência de segunda ordem. Bip. já que não tem potencial para a extração de óleo.Schumach. 1987. 21 Eremanthus uniflorus MacLeish & H. Dentre as 22 espécies apresentadas na Tabela 1. 10 Eremanthus erythropappus (DC. 18 Eremanthus pabstii G.) MacLeish 7 Eremanthus cinctus Baker 8 Eremanthus crotonoides Sch. 2011) mostraram o monofiletismo do gênero e confirmaram a circunscrição do gênero proposta pela MacLeish (1987) incluindo Vanillosmopsis e excluindo Paralychnophora. mattogrossensis e E. Os frutos. 19 . PIRANI. Schumach. 2011). de margem não revoluta e sem bainha foliar.M.Lista de espécies do gênero Eremanthus. Barroso 19 Eremanthus polycephalus (DC. Bip. 9 Eremanthus elaeagnus Sch. com corola roxa a alva. Rob.) MacLeish 11 Eremanthus glomerulatus Less. de folhas alternas. 15 Eremanthus leucodendron Mattf. 4 Eremanthus brasiliensis (Gardner) MacLeish 5 Eremanthus brevifolius Loeuille 6 Eremanthus capitatus (Spreng. As espécies de Eremanthus são arvoretas. Lopes e Pirani (2012).1.) MacLeish 20 Eremanthus rondoniensis MacLeish & H.1 (LOEUILLE. discolor. Schumach. árvores. 2012. Estudos filogenéticos (LOEUILLE. pois estas são as de maior ocorrência no estado de Minas Gerais.CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA 1 CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA José Roberto Soares Scolforo Benoît Francis Patrice Loeuille Thiza Falqueto Altoé 1. 3 Eremanthus auriculatus MacLeish & H. Cada capítulo contém de uma a onze flores. com limbo inteiro. sésseis a pecioladas.

. em Delfim Moreira (a) e de Eremanthus incanus. FAJARDO. campos rupestres e campos de altitude).Candeal nativo de Eremanthus erythropappus.5 a 10 m. os quais são agrupados numa sincefalia hemisférica. o que justifica o aspecto esbranquiçado das folhas a olho nu. protetores solares. em média. com grandes quantidades de pólen viável e néctar. A candeia nativa apresenta distribuição de diâmetro decrescente. de cor parda-escura. atingindo até 32. erythropappus apresentam estruturas tipicamente xeromorfas. típica de encraves entre a mata e os campos abertos (cerrado. A candeia (Eremanthus erythropappus) é uma espécie precursora de campo. além de uso na profilaxia e cuidados da pele de bebês e adultos. quando ocorre o início do período das chuvas. entre outros).5 cm. em Morro do Pilar. e sua frutificação e dispersão ocorrem no período de elevação da temperatura. durante a realização deste estudo.2). as folhas de E. atrativos às abelhas. também. cujo princípio ativo é o α-bisabolol. em razão da reflexão da luz. período seco e frio do ano. sendo o óleo essencial fundamental pela sua localização nas duas faces da lâmina foliar (DUTRA et al. um candeal apresente diâmetro em torno de 15 cm. CARVALHO. foram detectados raros exemplares que chegaram a apresentar até 62. de agosto a setembro e estende-se aos meses de outubro e novembro. A época de florescimento é de julho a setembro (Figura 1. em decorrência de sua alta durabilidade e. com aproximadamente 2 mm de comprimento. 2009).5 m. O fruto é do tipo cípsela. pois é uma espécie heliófila e a entrada de luz a beneficia.1. Já. Entretanto. com árvores. nos galhos mais novos. Essa espécie se desenvolve rapidamente em campos abertos. MG (b). certamente. Isso também acontece dentro da floresta.1 Descrição de Eremanthus erythropappus (DC. Na face abaxial foram observados tricomas tectores do tipo ramificado em profusão. que. Têm de três a quatro flores por capítulo. a altura das maiores árvores situa-se em torno de 9. quando há alguma perturbação. embora. 1. 20 .) MacLeish É uma espécie florestal de múltiplos usos.1 . contribuem para uma proteção mecânica e química foliar para a adaptação dessa espécie no seu ambiente natural. O tronco dessa árvore possui a casca grossa e cheia de fendas no fuste. normalmente. a casca torna-se menos rústica. principalmente às das espécies Apis mellifera e Trigona sp (VIEIRA. empregado na fabricação de medicamentos e cosméticos (cremes. A dispersão das sementes ocorre entre os meses de agosto e outubro. 2010). A média de altura está entre 6 e 7 m. muito embora tenha sido encontrado. bronzeadores. com superfície cilíndrica e com dez arestas. A associação de tricomas tectores e glandulares proporcionam a proteção das folhas de candeia a fatores abióticos e bióticos do ambiente. incrustado dentro da mata nativa. Sua madeira é utilizada predominantemente como moirão de cerca. na extração de óleo essencial. Cada fruto contém uma só semente. formando povoamentos mais ou menos puros. Suas flores hermafroditas apresentam-se na cor púrpura. veículo para medicamentos. um indivíduo com 16. Anatomicamente.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b Figura 1.5 cm.

Figura 1. TOMAZELLO FILHO. dentro de uma mesma classe diamétrica e tendência de aumento das menores para as maiores classes diamétricas. à medida que a sucessão secundária alcança sua maturidade.63 e 0.2 . com tendência de decréscimo no sentido base-topo. Enfim. para a aplicação em dendrocronologia. 2007). mesmo.200m. Encontrar indivíduos mortos de candeia é comum e se deve ao estádio sucessional de cada lugar. à medida que a floresta secundária se desenvolve. A faixa de densidade para a candeia situa-se entre 0. os indivíduos de candeia têm sua luz reduzida.. As árvores de candeia apresentam anéis de crescimento caracterizados pela alternância de lenhos inicial e tardio. pois. 2004b). A candeia tem comportamento semelhante às demais espécies das florestas tropicais. A madeira é branca ou acinzentada. 21 . com grã mais escura. determinação da idade e da taxa de crescimento das árvores (CHAGAS.CAPÍTULO 1 . LISI.78 g/cm3. Apresentam também significativa variação das dimensões e frequência dos vasos no sentido radial e potencialidade. quando considerada a mesma altura relativa para retirada dos discos. o que faz com que eles morram (SILVA. rasos e.71 g/cm3. predominando entre 0. como exemplo. apresentando menor esforço reprodutivo. Possui densidade básica média de 675 kg/m³ (PERÉZ et al. demarcados por zonas fibrosas e fina linha de parênquima marginal. 2001).Detalhes da florada da candeia.CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA Uma característica interessante dessa espécie é seu desenvolvimento em sítios com solos pouco férteis.60 e 0. em áreas de campos de altitude que varia entre 400 e 2. a candeia se desenvolve em locais nos quais seria difícil a implantação de culturas agrícolas ou. predominantemente. a implantação de alguma outra espécie florestal.

com nectário apresentando altura entre 0. Ocorre entre 550 e 1. 1.3 a 1. de sua dispersão ser pelo vento e. quando ocorre alguma perturbação. 1987). O tronco é marrom-cinzento. com 4. Essa espécie é comum em Minas Gerais e na Bahia. principalmente em áreas com predominância de Cambissolos. Estudos realizados pela equipe da Universidade Federal de Lavras (UFLA) com a espécie permitiram uma correção nessa classificação. A candeia era classificada como pertencente ao grupo ecológico das pioneiras.2 a 6. As folhas são coriáceas. Isso acontece também dentro da floresta.700 m de altitude. 7 a 15 mm de diâmetro e forma tendendo à esférica. A floração e a produção de frutos ocorrem de julho a outubro (MACLEISH. com casca grossa e poucos galhos. portanto. são glandulares. em campos abertos. características essas das espécies pioneiras.4 a 5 mm de altura e 0. destaca-se a candeia que.5 a 14 cm de comprimento e largura de 2 a 6 cm. para a produção de moirões. Os invólucros são cilíndricos. (2007).. na floresta secundária ou raramente na caatinga e restinga. rapidamente. seu recrutamento via banco de sementes ocorre. a superfície abaxial possui estramíneo com ápice roxo. 1987).1.25 mm de altura e um pappus decíduo com três a quatro séries de cerdas. 2004). pois trata-se de uma espécie heliófila e.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 1. ela não apresenta ciclo de vida curto.3 Aspectos gerais da candeia No sul do estado de Minas Gerais. as margens são inteiras. sendo encontrados exemplares com idade superior a 70 anos. com base aguda e ápice.2 Descrição de Eremanthus incanus (Less. 1979). Segundo esse mesmo autor e Scolforo et al. Sua utilização é. 0.5 mm de diâmetro (MACLEISH. com 30 a 100 capítulos unifloros aglomeradas em cada sincefalo. É uma árvore que. tanto para alcançar as metas da restauração ambiental quanto para participarem do processo de produtos florestais e renda nas propriedades rurais. Dentre as poucas espécies que podem ser indicadas para cultivo nessas áreas. Apesar de apresentar alta produção de sementes. sendo esse último. passando-a a espécie de ecótono. em solos arenosos ou pedregosos.1 a 0. ocorre. com 2. além dos seus atributos relativos à durabilidade natural da madeira e à quantidade de óleo essencial. Os verticilos internos são estreitos. Apresenta inflorescência cimosa.15 a 0. no cerrado. Os verticilos externos têm forma triangular.7 a 3 mm de comprimento.6 a 4 mm de comprimento e 0. com pecíolos de 4 a 17 mm de comprimento e limbo com 5. são localizados vários sítios degradados que dificultam a indicação de espécies florestais que possam ser cultivadas.1. cujas margens são inteiras. secundária inicial.5 mm de largura e os ápices tendem à forma obtusa. já que a produtividade do óleo α-bisabolol é pequena e de baixa qualidade. apresentando crescimento inicial acelerado e com baixa exigência edáfica (RIZZINI.6 mm de altura. As cípselas cilíndricas possuem de 2. a espécie apresentar alta taxa de regeneração natural. 22 . na presença de serrapilheira e nos tratamentos de plena luz. com 5 a 15 mm de altura. 1994). considerada precursora na invasão de campos (CARVALHO. com 1. pubescentes e têm de 15 a 20 costas. corolas púrpuras-pálidas a alvas. Desenvolve-se. ainda. quando adulta. naturalmente.6 mm de altura e lóbulos pontiagudos.) Less. Os ápices são pontiagudos. principalmente.3 a 0. diâmetro médio entre 10 e 12 cm. tem altura média entre 5 e 7 m. tendendo ao obtuso. a entrada de luz a beneficia. Apresenta. quando criadas as condições adequadas. composta por 8 a 50 sincefalos. nas áreas de transição entre as matas semideciduais e os campos abertos (cerrado) ou também os campos de altitude (SCOLFORO et al. nas camadas de 0-10 cm do solo.2 a 2. com exemplares que podem atingir até 20 ou 25 cm. com 2.6 mm de largura. A forma da folha varia de elíptica a oval. variando de estramíneo a avermelhado. Resultados ecofisiológicos obtidos por Pedralli (1997) mostraram que a candeia é fotoblástica positiva. formando povoamentos mais ou menos puros. basicamente.

também. é fundamental a existência de clareiras. Isso é explicado pelo elevado número de indivíduos nas menores classes e pelo reduzido número nas maiores.585 kg. formados por duas moléculas de isopreno e os sesquiterpenos (por exemplo. perda de água. proteínas. responsável pela síntese de celulose. aroma agradável.. desempenhando funções ecológicas. aumento de temperatura e. alguns podem apresentar coloração intensa. geralmente. as árvores contidas nas menores classes de diâmetro são viáveis de serem exploradas. destacam-se volatilidade. em razão da presença dos derivados do azuleno (SIMÕES et al. aromatizantes de alimentos e bebidas). De maneira geral. patógenos. em média. há um destaque para os óleos essenciais. que permitem a entrada de luz necessária à germinação e ao estabelecimento de suas plântulas. ou sofrerem polimerização (GUIMARÃES et al. agindo na atração de polinizadores.042 kg para as árvores entre 30 e 35 cm de diâmetro. Os terpenóides são constituídos de duas ou mais moléculas de isopreno. são incolores ou ligeiramente amarelados. denominados de essências. óleos etéreos ou óleos voláteis. que são misturas de triacilglicerideos. são misturas de substâncias orgânicas voláteis. agindo como: bactericidas. Estudos realizados por Peréz et al. sendo. geralmente.CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA fator imprescindível para a germinação e o estabelecimento de seus indivíduos.109 kg para árvores entre 5 e 10 cm de diâmetro e massa de 4. ao se considerar o controle por unidade de área. Podem ser consideradas moléculas lipofílicas. diferenciação ou síntese de carboidratos. de 1. instáveis à temperatura e à luz. com massa mínima de 0. podendo ser degradadas. de sementes. ocorrendo de forma mais abundante nas espécies produtoras de óleo essencial. transporte de solutos. ainda. diferem dos óleos fixos. por sua utilização crescente nas áreas de alimentos (condimentos. menor quantidade de óleo em relação às de maiores classes. fatores ambientais.2 Óleos essenciais Além do metabolismo primário. assimilação de nutrientes. entre as quais. Os vegetais produzem uma grande variedade de compostos orgânicos. Afirmam ainda.CAPÍTULO 1 . Essas características tornam as plantas que os produzem poderosas fontes de agentes biocidas. definida por um conjunto de propriedades. o α-bisabolol). para seu manejo. e no controle de nematoides. que. Os constituintes dos óleos essenciais são agrupados em duas classes quimicamente distintas: terpenóides e fenilpropanóides. que. Entre os metabólicos secundários. e no controle de microrganismos. açúcares e outras substâncias importantes para a realização das funções vitais. como: fotossíntese. embora as árvores das menores classes apresentem. também. entre outras. por produzirem maior quantidade de óleo por hectare em relação às das maiores classes. A intensidade de produção e a composição dos óleos variam acordo com a espécie. que não possuem ação direta conhecida em seus processos vitais. lipídeos. ZEIGER. formados por três moléculas de 23 . Nos vegetais. solubilidade em solventes orgânicos apolares. insetos e parasitas. obtidos. (2004a) demonstraram que há um acréscimo na quantidade de óleo do fuste produzido pela candeia com o aumento das classes diamétricas. individualmente. as plantas apresentam o chamado metabolismo secundário.. proteínas e lipídeos. sendo. São frequentemente encontrados os monoterpenos. como o óleo de camomila que é azul intenso. variabilidade genética. específico para um determinado órgão e característico para o estágio de desenvolvimento da planta. de baixo peso molecular. antioxidantes. 2004). na proteção contra predadores. em relação à candeia. lignina. respiração. São. cosméticos (perfumes e produtos de higiene). translocação. especialmente como inibidores de germinação. constituídas de uma ou mais insaturações. os óleos essenciais desenvolvem funções relacionadas com sua volatilidade. Assim. 2007). Os mesmos autores consideraram. Quando recentemente extraídos. fungicidas e virucidas. 1. 2008). de consistência semelhante ao óleo. Tais substâncias são conhecidas como metabólitos secundários (TAIZ.

peróxidos. Dentre esses. pouco solúvel em água e que possui massa molar de 222. idade. nutrição mineral.. podem ser aplicados diversos métodos. óxidos. ésteres. cetonas. (Figura 1. trata-se de um líquido ligeiramente amarelado. enfleurage. fenóis. extração por solvente. sesquiterpênico. A constituição química dos componentes presentes em um óleo essencial é muito variada. No processo de extração de óleo essencial.3 . 1996).493 a 1. temperatura. Gobbo Neto e Lopes (2007) citam fatores como o genético. Figura 1. Fonte: Gobbo Neto e Lopes (2007) O componente majoritário do óleo essencial da candeia é o α-bisabolol. disponibilidade hídrica. temperatura de ebulição em 153°C e índice de refração (20°C) de 1. incluindo hidrocarbonetos terpênicos. para o isômero natural alfa. Há diversos fatores que influenciam a produção de óleo pelas plantas e sua constituição química (Figura 1. que é a destilação repetida. estádio de desenvolvimento da planta. ácidos orgânicos.4). que provém da condensação de moléculas de acetil CoA. Também conhecido por levomenol. lactonas e cumarinas. aldeídos. a sazonalidade.Principais fatores que podem influenciar o acúmulo de metabólitos secundários em plantas. insaturado e opticamente ativo. éteres. que se divide em duas técnicas – arraste a vapor e coobação. TYLER. maceração.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA isopreno (ROBBERS. o método de maior aplicação é o de hidrodestilação. monocíclico. 2004). altitude. poluição atmosférica. compostos com enxofre e até compostos com nitrogênio. álcoois simples e terpênicos. SPEEDIE. 24 . É um álcool terciário de fórmula molecular C15H26O. indução por estímulos mecânicos e ataque de patógenos. como a hidrodestilação. radiação ultravioleta. CO2 supercrítico e micro-ondas. (2S)-6-methyl-2-(4-methylcyclohex3-en-1-yl)hept-5-en-2-ol. 1997). a fim de se obter maior concentração dos princípios ativos (SANTOS et al.497 (THE MERCK INDEX. furanos.3).36 g/mol. ritmo circadiano.

25 . santonicum. que apresentam elevados teores deste álcool. creme para escaras que ocorre em pacientes acamados.. Nicotiana tabacum. Artemisia ordosica.. 2006. creme peeling de limpeza e estímulo da circulação.Estrutura química do α-bisabolol As principais funções biológicas do α-bisabolol. Várias pesquisas relatam seu potencial no tratamento de leishmaniose causada por Leishmania infantum (MORALES-YUSTEA et al. creme tonificante. batom líquido. A. 2009). Em quantidades menores. 2010) e anti-inflamatório (KIM et al. como atuante no aumento da permeabilidade da membrana de bactérias à antibióticos (BREHM-STECHER. xampus. JOHNSON. estendendo seu uso às indústrias de alimentos (KAMATOU. assim como nas folhas de Plinia cerrocampanensis. perfumes finos. Achillea aleppica subsp. Baccharis dracunculifolia. Achillea ligustica. 2006. filtro solar.. conforme citadas por Altoé (2012). na ação seletiva no combate a células tumorais (DARRA et al. com um rendimento de óleo essencial satisfatório por planta. antialérgico. VILA et al. Myoporum grassifolium. Artemisia absinthium.CAPÍTULO 1 . Dentre as espécies já estudadas que apresentam α-bisabolol. ou seja. 2010).. como agente pró-apoptótico no tratamento de leucemia aguda (CAVALIERI et al. 2011). antibacteriano (PAULI. a Eremanthus erythropappus destaca-se. 2011). 2004). como analgésico. bem como em produtos não cosméticos. contra câncer de pâncreas (SEKI et al. sabonetes. especialmente para recém-nascidos. 2009. Daucus carota subsp.. É. O α-bisabolol está presente na composição de itens de maquiagens. 2008). também. stenophylla e no tronco de Eremanthus arboreus (= Vanillosmopsis arborea) e Eremanthus capitatus (= Vanillosmopsis pohlii). capilar protetora. VILJOEN. sativus. 2009). Arnica longifolia e Aster hesperius. parte aérea de Salvia runcinata e S.. este foi considerado como um aditivo alimentar seguro. sua presença foi relatada nas espécies Meiogyne cylindrocarpa. PAULI. A.. bloqueador solar. associado à considerável produção de biomassa por área (SCOLFORO et al. gel antissolar. no tratamento de doenças de pele (KIM et al. Schefflera heptaphylla. produtos adstringentes. Satureja thymbra e S.. hidratante pós-sol. pós-barba e pós-depilação (ANDRADE. tais como produtos de limpeza e detergentes (BHATIA et al... Elionurus elegans. spicigera. 2007). TABANCA et al. são: inseticida (ANDRADE et al. parnassica. 2005. LEITE et al. antiespasmódico e vermífugo (KAMATOU. empregado em produtos destinados a peles sensíveis. aleppica. Por apresentar baixa toxicidade.4 . lenços umedecidos para retirada da maquiagem. a Food and Drug Administration (FDA) o classificou como Generally Regarded as Safe (GRAS). creme dental. 2007). Catharanthus roseus. loções antiacne. 2010).. por ser abundante na natureza e ter a vantajosa combinação de apresentar elevado teor desse álcool. creme póscirúrgico.CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA OH Figura 1. 2003). 2004).. 2010). emulsão para pele. VILJOEN. 2008). fungicida (OLIVEIRA et al. entre outras. 2011).. Vários autores citados por Altoé (2012) verificaram que o α-bisabolol está presente em espécies de plantas como a camomila Matricaria chamomilla. como gastroprotetor (BEZERRA et al..

5 .5. incanus ocorre no nordeste (Bahia) e sudeste (Minas Gerais) do Brasil. 1987. 26 .Área de ocorrência e de estudo da candeia em Minas Gerais. 1. Espírito Santo. Figura 1.200 metros. nos domínios do Cerrado.4 Área de ocorrência em Minas Gerais No estado de Minas Gerais. onde também está assinalada a área de execução do Projeto Candeia. Caatinga e Mata Atlântica (MACLEISH. a candeia é encontrada nas regiões demarcadas no mapa da Figura 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 1.3 Área de Ocorrência A candeia Eremanthus erythropappus está distribuída em toda a parte sudeste do Planalto Central de 400 a 2. 2012). E. LOEUILLE. sendo bastante comum em colônias no meio da floresta secundária da faixa costeira e do cerrado e campos rupestres do planalto interior no centro-oeste (Goiás e Distrito Federal) e sudeste (Minas Gerais. São Paulo e Rio de Janeiro) do Brasil.

A soma de bases apresenta baixos valores. verifica-se que possuem acidez elevada.2 cmolc/dm3 e desvio padrão de 0. as distribuições granulométricas por tamanho indicam solos variando de textura média a arenosa. O solo é classificado como Latossolo Roxo distrófico (LRd).8% de argila e 11. Com base nos valores de pH. . migmatitos. dependendo da altitude do local considerado. evidenciando a baixa fertilidade desse solo. onde ainda se encontram remanescentes de candeia. em áreas com altitude em torno de 1.CAPÍTULO 1.7% de areia.2 dag/kg e desvio padrão 0. A capacidade de troca catiônica efetiva é. com valores de bons a baixo. o que pode influenciar negativamente o desenvolvimento do sistema radicular e a disponibilidade de macronutrientes.1 cmolc/dm3.2.4 e o alumínio. o magnésio. a fertilidade e a textura do solo.9. Com relação às características físicas do solo.5 1 . O solo é classificado como Cambissolo álico (Ca). quartzito. na grandeza de 40. e as menores precipitações ocorrem em junho.550 mm. é mesotérmico úmido do tipo Cwb.Clima Com relação ao ambiente no qual a candeia é encontrada. gnaisses. solo litólico álico (Ra) e Podzólico Vermelho Amarelo distrofico (PVd). metabrechas e filitos hematíticos. filitos. micaxisto.6%. Cambissolo álico (Ca). com média de 2. cálcio-cilicáticas e gnaisses. varia de 22 oC a 30 oC. o material de origem é denominado BI. com 68. em média. o fósforo. ocorrendo também Latossolo Vermelho Escuro distrófico (LEd) e Latossolo Vermelho Amarelo distrófico (LVd). 20. valores médios de 1. tropical de altitude. quartzito anfebolitos.7 cmolc/dm3. em média. O índice de saturação de bases é. segundo a classificação de Köppen.CARACTERIZAÇÃO DA CANDEIA Caracterização do ambiente onde se encontra a candeia .Análises químicas e físicas dos solos De maneira geral.5. com desvio padrão de 2. 27 .Classificação do solo Nos campos de altitude da região sul de Minas. o clima. com desvio de 0.2. formações ferríferas.6 e a capacidade de troca catiônica a pH 7. no sul de Minas. metaconglomerado.3 mg/dm3 e desvio padrão 0. granitoides gnaisses e xistos grafitosos.2% de silte. julho e agosto. acidez potencial e saturação por alumínio. em média. .7. com desvio padrão 0. o material de origem dessa região é EIF. a matéria orgânica pode ser classificada como valores bons. ultramáficas e máficas. Na serra do Espinhaço. o cálcio apresenta valor de médio a baixo ou 0. A soma de bases trocáveis é de 0.5 cmolc/dm3.400 e 1. A temperatura do mês mais quente. mais especificamente na região da Serra do Cipó.1 e desvio padrão 0. têm as seguintes características médias: o valor de pH é baixo.8. baixos valores ou 1. com verões suaves.6 cmolc/dm3. com média de 5.000 m. valores de baixo a muito baixo ou 0. Os meses mais chuvosos são: novembro.7 mg/dm3 e desvio padrão 21. alumínio.4mg/dm3 e desvio padrão 0. dezembro.7% e o índice de saturação de alumínio é de 67. ocorrendo também Latossolo Vermelho Escuro álico (LEa).3. a temperatura média anual varia entre 18 oC e 20 oC e a média anual de precipitação pluviométrica entre 1. de 1. O solo é classificado como Cambissolo álico (Ca) e Cambissolo distrófico (Cd).0 é de 6. o potássio apresenta grande variabilidade de disponibilidade nas áreas. Já. de 9. janeiro e fevereiro. conditos e quartzitos. o material de origem é AX.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA MANEJO DA CANDEIA PLANTADA 28 .

Com os avanços obtidos na política ambiental. a produção de sementes e mudas de espécies florestais com algum grau de melhoramento. selecionando-se procedências. há poucas informações referente a produção. maximizando seus usos e benefícios. No caso de plantios com fins comerciais. No Brasil.ano-1 após a introdução de espécies / procedências. A candeia se caracteriza por ser uma espécie com alta capacidade de regenerar áreas sujeitas as ações antrópicas. Além desses fatores. a crescente conscientização da população em relação à preservação ambiental e às necessidades de manejo econômico de espécies florestais nativas. As grandes empresas florestais do setor de celulose e papel e outros produtos da madeira estabeleceram programas de melhoramento que pudessem fornecer sementes e propágulos com características silviculturais e tecnológicas capazes de atender às suas necessidades. progênies e/ou clones mais adaptados e com maiores potenciais de produção de α-bisabolol para diferentes ambientes.CAPÍTULO 2 . um exemplo clássico de incremento em produtividade. por se tratarem de espécies exóticas com ampla utilização em vários países. em razão do melhoramento genético pode ser encontrado em Ferreira (2005). mas pode ser levado em paralelo com plantios comerciais de pequena escala. Esses programas são contínuos. colhidas de populações mais vigorosas. avaliações e seleção dos melhores materiais genéticos. já que.2 Produção e Tecnologia de Sementes . Segundo Xavier. as denominadas ACS (Áreas de Coleta de Sementes). Wendling e Silva (2009). só teve um incremento significativo nas últimas quatro décadas. a seleção é um assunto de grande relevância na silvicultura de qualquer espécie e de acordo com Kageyama (1980). com maior ênfase em espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus. Esse processo é normalmente demorado e dispendioso. da produção e tecnologia de sementes e mudas. no entanto.ha-1. dinâmicos e específicos aos interesses de cada setor. na sua maioria. são também bastante estudadas nos seus aspectos da fisiologia e tecnologia de sementes e mudas. que relata o aumento no rendimento médio volumétrico em plantios do gênero Eucalyptus no Brasil dos 13-30 m3. para aproximadamente 40 m3. têm-se pautado a criação de programas para a busca de conhecimentos sobre essas espécies. 2. explorando as interações com sítios específicos. iniciando-se pelos aspectos ecológicos.ha-1. tecnologia de sementes e plantio de mudas. onde busca-se alcançar a máxima diversidade genética entre e dentro das espécies. que utilizam fontes de sementes locais.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA 2 PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Antônio Claudio Davide José Carlos Martins Livia Maria Chamma Davide Marcela Carlota Nery Olívia Alvina Oliveira Tonetti 2.ano-1 até a década de 70. o que compõe o escopo desta publicação.1 Introdução A silvicultura brasileira é uma atividade recente quando comparada com países da Europa com tradição de vários séculos na área. como os de candeia.Caracterização das Populações Na área florestal. a maioria dos plantios de espécies florestais nativas são destinados à restauração de ecossistemas florestais alterados ou degradados. deve-se explorar ao máximo a variabilidade existente dentro da espécie. Atualmente. baseiam-se na estratégia de multipopulações. somente com a existência da variabilidade genética é possível 29 .

todos os plantios comerciais de candeia têm sido realizados por meio de material seminal e sem nenhum controle genético sobre as sementes coletadas para tal finalidade. que vem a ser a representatividade genética que uma árvore tem. A falta de caracterização adequada dos materiais vegetais coletados. 14. CARVALHO. é muito difícil estabelecer os limites geográficos de uma determinada população e quase sempre. As populações de candeia destinadas à produção de sementes devem ser selecionadas dentro de sua região de ocorrência natural. em testes de espécies x procedências ou procedência x progênie. para que a futura floresta originada dessas sementes represente a variabilidade genética da espécie. ao estudar a variabilidade genética da espécie em seis áreas localizadas na Estação Ecológica de Tripuí e duas localidades no Parque Estadual de Itacolomi – MG. onde parcelas experimentais com espécies florestais nativas foram plantadas há décadas. Os mesmos autores definem a herdabilidade como parâmetro genético que expressa a proporção da variação genética na variação fenotípica. A candeia possui baixa exigência edáfica. No campo. quando se realizam os trabalhos de coleta de sementes. é muito maior do que aquelas existentes em famílias selecionadas em uma mesma população. 2005) e mais produtivos. existe a necessidade de genótipos mais adaptados às diversas condições ambientais (SILVA. Assim. muitos materiais genéticos mostram grandes potencialidades de utilização na silvicultura.9%) em candeia. ou seja. dentro das populações. se aplicada uma determinada intensidade de seleção sobre a variabilidade existente. Assim. para que a seleção do indivíduo geneticamente superior seja eficiente. em função de seu sistema reprodutivo e de sua genealogia. VIEIRA. a característica apresentada pelo individuo é função do seu genótipo e do ambiente em que ele se encontra. muitas vezes só é notada muitos anos após seu plantio. como a candeia. esse termo é utilizado como sinônimo de “origem: localização geográfica onde as populações florestais ou indivíduos fornecedores de sementes ocorrem naturalmente”. além de evitar cruzamentos endogâmicos e. ou seja. O tamanho efetivo de uma população implicará na sua capacidade de manter suas características genéticas ao longo de sucessivas gerações. entre procedências. sendo que. 1979) e. de maneira que a colheita de sementes deverá priorizar o tamanho efetivo da população. Assumindo-se que uma espécie é alógama.3% da variação genética entre indivíduos foi decorrente da variação entre as populações e a maior parte. Freitas (2001) encontrou um alto grau de polimorfismo genético (89. dependendo se a espécie é alógama ou autógama. 2006). em um mesmo local. impossibilitando ou restringindo que o trabalho de melhoramento e/ou comercialização de sementes possa ganhar escala comercial. ROSADO. a sua depressão. A variação biológica total de um caráter é descrita estatisticamente pela variância fenotípica. além da existência de variação. sementes colhidas de uma árvore podem representar um Ne que pode variar de 1 a próximo de 4. Em muitos casos. buscando-se capturar a maior representatividade genética dessas populações.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA realizar seleção. possibilitando maior retorno econômico aos investidores. O termo “população” é definido como: “grupo de indivíduos da mesma espécie que ocorre em uma determinada área e compartilha do mesmo acervo genético”. enfatizam a necessidade do entendimento do conceito de tamanho efetivo (Ne). que é subdivida em dois componentes: a variância genética e a variância ambiental (BUENO. é necessário que a herdabilidade do caráter em questão seja alta. quando se tem estudo desse tipo em uma gama maior de ambientes onde a espécie ocorre naturalmente. ou mesmo como sinônimo de “procedência: localização da população ou das matrizes fornecedoras de sementes ou outro material de propagação” (BRASIL. consequentemente. No entanto. MENDES. mas não existem registros da fonte de sementes ou procedência. respectivamente. a variação genética entre populações. até o momento. O mesmo autor salienta que ganhos em produtividade podem ser conseguidos. Kageyama e Gandara (1999). 2003). pode-se adotar um tamanho efetivo adequado 30 . Mesmo em espécies rústicas como a candeia. ocorrendo naturalmente em solos pobres e pedregosos (RIZZINI. segundo Kageyama (1980).

Segundo Kageyama e Gandara (1999). Uma vez estabelecidas as populações e as matrizes selecionadas e marcadas. Em um teste de procedência x progênie implantado em Baependi. desde que as sementes utilizadas para formar essa população tenham um Ne de 50. Para cada procedência. deve-se colher a mesma quantidade de sementes de cada árvore.Seleção de Matrizes De acordo com as recomendações de Davide.1 . as árvores matrizes devem apresentar características típicas da espécie alvo. Para todos os casos.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA para a colheita de sementes como sendo de 50. tronco cilíndrico.CAPÍTULO 2 . Na prática. distância entre 31 . boa desrama natural. Essa última característica só poderá ser confirmada após vários anos de coleta. os principais aspectos que devem ser considerados no processo de produção de sementes de candeia são: número de matrizes coletadas. com mais de 500 árvores. Figura 2. conforme pode ser visualizado na Figura 2. Baependi. coletar sementes de uma floresta plantada. Carrancas. possuírem copa pequena. ou.1. Faria e Botelho (1995). reunir as sementes de várias populações pequenas. esse valor tem sido aceito na literatura para casos de populações a serem mantidas a médio prazo. somando-se os Ne individuais. estão sendo testadas procedências de Delfim Moreira. ou ainda. assim deve-se eleger um número maior de matrizes do que aquele determinado pelas necessidades atuais de sementes. Nesse teste genético. foi possível identificar materiais superiores.Variações fenotípicas entre progênies de Eremanthus erythropappus com 5 anos de idade. onde foram coletadas sementes de 20 matrizes. ramos finos com ângulo de inserção próximos de 90 graus. sugere-se colher sementes de 12 a 13 árvores de uma população natural grande. apresentar boas condições fitossanitárias. e constituírem-se em boas produtoras de sementes em várias colheitas. serem vigorosas. tanto pelo volume. ou seja. exceto Morro do Pilar. já que matrizes pouco produtivas devem ser eliminadas da unidade de coleta de sementes. foram coletadas sementes de 24 matrizes de polinização aberta. tomando-se o cuidado de obedecer uma distância de 50m a 100m entre as árvores selecionadas. em 2004. Itabirito e Morro do Pilar. . como pela forma.

muitas vezes caracterizadas como Áreas de Preservação Permanente-APP. Em cada etiqueta. onde são selecionadas matrizes. Essas unidades são as mais simples e fáceis de implantação e por não necessitarem de desbaste das árvores inferiores e nem de isolamento contra pólen das árvores inferiores da circunvinhança. com desbaste dos indivíduos indesejáveis e manejo intensivo para produção de sementes. as árvores matrizes deverão ser marcadas com uma etiqueta de alumínio. referentes à população e número da matriz. identificando individualmente o material coletado de cada matriz. natural ou plantada. nativa ou exótica. ou seja. 32 . para cada unidade de produção. Dessa forma. (2000). uma árvore superior. deve-se coletar quantidades semelhantes de sementes de cada árvore e manter uma distância mínima de 50 a 100 m entre matrizes. devendo ser informado o critério de seleção individual”. árvores matrizes de candeia poderão produzir sementes por muitos anos consecutivos. Um segundo interesse poderá ser a produção de sementes destinadas à produção comercial de mudas e nesse caso. devem ser implantadas no início de um programa de melhoramento ou na produção comercial de sementes. isolada contra pólen externo. pois seu ciclo de vida é longo. duração do período de produção e classificação da árvore no candeal. Embora a candeia seja uma espécie colonizadora de campos abertos. natural ou plantada. seguindo-se os procedimentos e recomendações do RENASEM (BRASIL. como exigido para as Áreas de Produção de Sementes – APS. de baixo porte. muitas vezes. ela não pode ser considerada como uma espécie pioneira. Áreas de Coleta de Sementes (ACS) são definidas como: “população de espécie vegetal. na sua maioria. Áreas de Produção de Sementes são definidas como: “população vegetal. número de ocasiões em que a matriz irá produzir sementes em seu ciclo vital. Cerca de 90% das sementes são produzidas por árvores dominantes e/ou codominantes da comunidade florestal. já que as mesmas produzem sementes todos os anos. Num primeiro caso. caracterizada. o selecionador deve ter em mente a imagem da matriz que ele considera ideal. deverão ser topograficamente georreferenciadas e plotadas em mapas ou croquis que possam permitir a localização fácil e rápida dessas árvores nas futuras coletas. De acordo com Davide et al. além de receber uma marca maior com tinta ou fita colorida para facilitar sua visualização. Em ambos os casos. é a classificação das árvores na floresta.2003). Para cada população. mesmo nas situações em que a equipe de coleta for renovada. o interesse poderá ser a coleta de sementes para o início de um programa de melhoramento. onde são coletadas sementes ou outro material de propagação”. copa pronunciada e. Outro importante fator a ser destacado para a seleção de matrizes. nativa ou exótica. Nesse caso. o número de matrizes coletadas será resultante da necessidade de sementes e da capacidade média de produção de sementes de cada matriz. intervalo entre eventos de produção.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA matrizes. É importante que a seleção de matrizes seja rigorosa e para tal. No caso da candeia. Sementes de candeia poderão ser coletadas nas Unidades de Produção de Sementes estabelecidas pelo Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM). árvores dominadas ou suprimidas apresentam pouca ou nenhuma capacidade de produzir sementes. selecionada. assim como todas as matrizes. formando candeais puros. A necessidade de desbaste das árvores inferiores na implantação das APS pode ser um fator complicador diante das leis ambientais. Como as árvores de candeia ocorrem de maneira agregada. Todas as populações. quantidade de sementes produzidas por árvore em cada período de produção. O número de matrizes coletadas irá variar conforme os objetivos a serem alcançados. pois os candeias ocorrem naturalmente em encostas e topos de morro. constará um conjunto de letras e números. devem-se coletar sementes de 15 a 25 matrizes em cada população. as arvores são. devem-se selecionar aquelas dominantes. com inserção de ramos desde a região do colo.

33 .2.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA .Caracterização dos frutos e sementes Cada fruto da candeia é uma cípsela que contém uma semente.4). Figura 2. várias cípselas juntas formam um capítulo.Infrutescência de Eremanthus incanus. 2. infrutescência típica da família Asteraceae (Figuras 2.2 .CAPÍTULO 2 .3 e 2.

gema apical.) MacLeish.Eremanthus erythropappus (DC.epicótilo. Fonte: Davide et al.4 . (G).semente. e . 15.papus.hipocótilo. rs .Eremanthus incanus Less.folha. (d) ovário ainda com o “pappus”.3 . anteras soldadas e estigma. (J) plântula com 40 dias. (F) eixo embrionário. p .raiz secundária. s . estames e estigma. f . Figura 2. 15.coleto. respectivamente).eixo-embrionário. hp . p. (c) corola. ex . co . C .protofilo. (H) e (I) germinação (5. (1994). (2000). 30 dias. (b) capítulos dispostos em glomérulo. corola. Fonte: Ecofisiologia da candeia. (e) fruto (cípsela). (D) e (E) embrião. (C) semente com tegumento. CETEC. (L) estádio inicial da fase de muda com 65 dias.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Legenda: (a) panícula corimbosa.: (A) e (B) fruto.Representação de um ramo de candeia . Figura 2. ga .cotilédone. 34 . (f ) folha de um ramo comum. pp .

erythropappus. o melhor indicador do ponto de colheita é o início da dispersão de suas sementes.5). Essa medida evita a perda de sementes pelo vento.CAPÍTULO 2 . reduzir o tempo de secagem e facilitar a separação das sementes dos capítulos. Visto que espécies do gênero Eremanthus tem características que determinam síndrome de dispersão anemocórica. o que poderia levar ao aceleramento do processo de deterioração das sementes. como Eremanthus incanus Less e E. Estas devem então ser colhidas antes que completem a secagem natural e sejam dispersadas pelo vento.Acondicionamento e transporte de capítulos coletados no campo para o galpão de beneficiamento. juntamente com restos dos pedúnculos. A amplitude no período de frutificação/dispersão pode ocorrer. Os sacos contendo os capítulos devem ser transportados para o galpão de beneficiamento (Figura 2. anos e genótipos diferentes. coincidindo com a maioria das espécies florestais nativas da região. Para as espécies de candeia mais importantes para a produção de moirões e óleos essenciais. no Sul de Minas Gerais. Após coletados. número de árvores coletadas e nome do coletor. em função de microrregiões. 35 .PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA .Colheita e Transporte de Frutos e Sementes Existem vários indicadores da maturação dos frutos que estabelecem a época de colheita ou coleta de sementes. a época de frutificação e dispersão ocorre entre os meses de agosto e outubro. georreferenciamento do local de coleta. deve-se evitar a coleta e o transporte dos capítulos logo após a ocorrência de chuvas. podendo estender-se até novembro. onde devem conter as informações: espécie (se houver dúvida quanto a espécie. Figura 2. que deve ser preferencialmente uma casa de vegetação com cobertura e laterais fechadas com lençol plástico.5 . naturalmente. uma exsicata deve ser coletada e levada para um herbário para a correta identificação). devem ser colocados em sacos de aniagem etiquetados. além de prevenir a entrada de chuvas. data de coleta. Como podem ocorrer chuvas na região durante os meses de coleta. os capítulos.

mostrando a grande proporção de sementes vazias e outros materiais inertes (Tabela 2. respectivamente. tipo “peneira de arroz”). seriam necessárias 2 a 3 sementes/recipiente para garantir ao menos uma plântula/tubete. as sementes (considera-se como tal a cípsela sem os pappus) (Figura 2. beneficiando sementes de Eremanthus incanus e Eremanthus erythropappus com os lotes originais contendo 2. Esse processo promove a separação dos pappus que são estruturas que favorecem a dispersão natural. colocando-se embaixo. (b) sementes sendo separadas por ventilação natural.61% do peso original de sementes após passarem pelo soprador. no final.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA .800. uma bandeja para aparar as sementes já soltas. a b Figura 2. Em contrapartida.1). Em seguida. constará dados de origem. 36 . visto que elimina sementes vazias ou muito pequenas e concentra as de maior qualidade (Figura 2. enquanto que. A peletização de sementes puras poderá ser uma alternativa para otimização do uso de sementes melhoradas.7 e Tabela 2. após o beneficiamento. Identificação e Armazenamento O beneficiamento das sementes de candeia é essencialmente manual.Beneficiamento. para o lote soprado.500. serão necessárias de 8 a 20 sementes/tubete ou saco plástico. coleta e outros dados de interesse como germinação e umidade inicial das sementes. sementes de candeia peletizadas com areia fina e cola a base de PVA (acetato de polivinila) diluída em água na concentração de 15%.700. possibilitou a manutenção da germinação.000 e 3. quando comparada com sementes sem peletização.000 sementes/kg.1). em média. Segundo Rezende (2005). (a) maceração dos capítulos em peneira e. A consequência prática disso é que na semeadura de lotes beneficiados manualmente. obteve lotes com aproximadamente 1. resultaram 4.6a). seguida de maceração sobre peneira (os capítulos devem ser esfregados sobre a superfície de uma peneira fina.05% para sementes beneficiadas manualmente.11% após passarem pelo soprador. (Figura 2. o material que for recolhido na bandeja deve ser abanado ou soprado. do total de sementes beneficiadas manualmente.000 e 1. Tonetti (2004). a germinação passou de 13. obtendo.700.6b). Nota-se que.Beneficiamento de sementes de Eremanthus sp. O uso de sopradores aumenta consideravelmente a qualidade dos lotes de sementes.6 .000 sementes/ kg. estes devem ser identificados por números e registrados em um livro de entrada de sementes. com a secagem dos frutos ao sol. para 74. Após o beneficiamento dos lotes. No registro.

0 0.9 4.12 3.96 3.0 0.23 93.78 13. Tabela 2.37 48.0 6.0 2 Baependi 41.46 64. erythropappus (kg) e germinação (%G) para sementes brutas e sopradas.8 8. 2 .Rego D’água.0 0.7 4.0 Ouro Preto 3.08 8.Rendimentos no processo de purificação das sementes de E.7 .0 Soledade de Minas 12.0 0.0 0.0 0. 3.0 Santa Bárbara 3.0 0. Sementes brutas Sementes sopradas Rendimento3 Locais de coleta (%) kg %G kg %G Baependi1 9.0 0.5 2.6 28.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Figura 2.05 0.0 3.Esquerda: Soprador tipo South Dakota.0 22. direita inferior: sementes sopradas. direita superior: sementes na condição original.0 Virgínia 11.62 5.0 17.45 86.42 85.66 81.75 3.0 Média 12.31 1 .61 37 .11 Total 115.0 5.Gamarra de Cima.0 Delfim Moreira 5.0 Carrancas 16.29 73.59 74.0 Natércia 12.1 .09 82.8 14.CAPÍTULO 2 .4 7.05 3.34 55. 3 – relação entre sementes sopradas/sementes brutas.0 9.4 6.

abaixo do qual a semente não suporta a secagem e o grau de umidade letal para cada espécie.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 2. sabe-se que a mesma evita reações deletérias que causem a perda da viabilidade pois. sendo então.Grau de umidade e germinação após secagem rápida e lenta. ocasionalmente. a viabilidade das sementes foi superior a 50%. 2009. são comuns em espécies que apresentam sementes ortodoxas. de sementes de Eremanthus incanus Espécie Eremanthus incanus 38 Secagem rápida Secagem lenta Conteúdo de água (%) Germinação (%) Conteúdo de água (%) Germinação (%) 11. A secagem rápida não induz a alguma forma de tolerância à dessecação. a água capaz de acelerar o metabolismo destrutivo. isso porque o ciclo de produção de mudas pode se estender por até 150 dias e as mudas devem estar disponíveis com padrão de plantio no início da estação chuvosa.0 (CF) 72 12 (CF) 47 9.2 .0 75 11 75 4. Na secagem devem ser considerados. A secagem contribui para a conservação de sementes.0 78 8 41 8. Para sementes de E.0 (-20 0C) 73 19 (-20 0C) 39 .3 Secagem das sementes e armazenamento Como as sementes de candeia são coletadas entre setembro e outubro. o grau de umidade crítico. Dependendo do método de secagem. sementes secas ao sol atingiram 11% de umidade. incanus. NERY. sem promover distúrbios à semente. SILVA. como tamanho reduzido e síndrome de dispersão anemocórica. no entanto. Características das sementes de candeia. além do menor grau de umidade de segurança. Geralmente. A variação na sensibilidade à dessecação pode ocorrer. que corresponde ao nível de umidade que pode ser atingido sem prejuízos à viabilidade das sementes. o que irá garantir a produção de mudas que deverá ser iniciada em julho/agosto do próximo ano. sendo esse valor de viabilidade mantido quando as sementes foram secas em sílica gel e armazenadas em câmara fria e freezer. entre diferentes lotes da mesma espécie. dados não publicados) (Tabela 2. Em secagem lenta (9 dias). sementes com um menor conteúdo de água podem tolerar taxas de secagem mais rápidas. as sementes irão embeber água em quantidades e velocidades distintas durante a germinação. A germinação inicial foi de 75%.2). alcançando 4% na secagem rápida (com o uso de sílica gel) e 8% na lenta (com uso de sais) (DAVIDE. em ambas as condições de armazenamento. torna-se de fundamental importância a manutenção dos lotes de sementes viáveis. remove com rapidez suficiente. e armazenamento a -20 oC e em câmara fria (CF). essa espécie classificada no grupo das ortodoxas. Tabela 2.

a b c Figura 2.CAPÍTULO 2 .5 Avaliação da viabilidade das sementes Segundo Davide. há saliências no sentido longitudinal.8 . Fonte: Davide e Silva (2008). devem ser retiradas amostras que serão acondicionadas sobre pequenos recipientes de “papel alumínio”. 2.p) P * 100 onde: “P” corresponde ao peso inicial e “p” ao peso final. Dos lotes de sementes a serem armazenados. pesadas em balança de precisão antes e depois de 17 horas em estufa a 103oC + 3 oC. já. no tegumento. (b) Dois dias de embebição mostrando rompimento do tegumento e (c) Três dias de embebição e início da emissão da raiz primária. 39 . a viabilidade será mantida por um período maior de tempo. estas têm coloração marrom-clara e. pela fórmula: Grau de umidade (%) = (P . A diferença de peso observada após este procedimento corresponde à quantidade de água livre que havia nas sementes e pode-se então calcular a umidade.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Por serem ortodoxas.Germinação da semente de Eremanthus erythropappus: (a) Semente seca. sementes de candeia podem ser armazenadas com teores de água de 4 a 8%.Determinação do grau de umidade das sementes A determinação do grau de umidade das sementes é de fundamental importância para sua conservação e baseia-se na perda de água pelas sementes quando secas em estufa. como o período entre a colheita (setembro/outubro) e a semeadura (junho a agosto do ano seguinte). ou vários anos. indicando ser essa a faixa de umidade de equilíbrio. em câmaras frias e secas (5oC e 40% de umidade relativa). Nery e Silva (2009) que descreveram as características morfoanatômicas das sementes de Eremanthus erythropappus.8). Na primeira condição. acondicionadas em sacos plásticos semipermeáveis. ou em salas climatizadas (18oC e 60 a 70% de umidade relativa). As características estruturais registradas antes e durante a germinação mostraram o rompimento do tegumento e o crescimento da raiz primária ao longo de cinco dias de embebição (Figura 2. para sementes beneficiadas de Eremanthus erythropappus e de Eremanthus incanus. pelos dados obtidos no Laboratório de Sementes Florestais da Universidade Federal de Lavras que.4 Análise da qualidade das sementes . em porcentagem. a segunda é mais indicada para armazenamento a curto prazo. o grau de umidade varia de 9% a 11%. Observa-se. 2. Barras representam 200μm.

(2000). numa mesma espécie entre procedências e ano de frutificação. aliado ao uso da técnica de raios-X concluíram que a baixa viabilidade das sementes é devida à ocorrência de estrituras vazias e que logo após o beneficiamento em soprador.9 – Sementes de Eremanthus erythropappus em condições de germinação (lote original) e. apresentam baixas porcentagens de germinação e com grande amplitude de valores entre diferentes lotes. sendo função de vários fatores intrínsecos ou extrínsecos às sementes que ocorrem durante a floração e frutificação.8c). As sementes de candeia. podendo variar muito entre as duas espécies e. Após a germinação e com o crescimento da raiz primária houve a formação de diversos pelos radiculares. A partir do terceiro dia de embebição. após experimentos com separação de sementes por fluxo de ar. Davide e Silva (2006) e Tonetti (2004). Tonetti. mostraram uma variação de 7% a 12% para lotes compostos de diferentes procedências de E. as sementes não apresentaram rupturas no tegumento (Figura 2.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Antes da embebição. foi possível verificar a germinação das sementes caracterizada pela emissão da raiz primária (Figura 2.8b). como Chaves e Ramalho (1996) e Davide et al.10). de diferentes progênies e procedências. erythropappus. a germinação se eleva consideravelmente (Figuras 2. sendo mais evidentes após o segundo dia (Figura 2. erythropappus.9 e 2. quando não beneficiadas. O fato ocorre naturalmente nessas espécies. Esses valores coincidem com os encontrados por outros autores. Figura 2. 40 .8a). incanus e E. realizados pelo Laboratório de Sementes Florestais da UFLA. As primeiras modificações morfológicas ocorreram após o primeiro dia de embebição. sementes beneficiadas em soprador (lote beneficiado). Dados obtidos pelo CETEC (1994) mostraram uma variação de 2% a 46% na porcentagem de germinação para sementes de E. ainda. Os últimos estudos de germinação de sementes de candeia não beneficiadas.

terminando com plântula com 14 dias de germinação (extrema direita). as sementes iniciam a germinação com 4 dias. 2004).Germinação de sementes de candeia (Eremanthus erythropappus). Na Tabela 2. Quando as sementes foram beneficiadas em soprador.10 . desde o início da protrusão da raiz primária (extrema exquerda). a germinação foi sempre superior em relação as sementes não beneficiadas. barra representa 5 mm).11). que começa com 4 dias de embebição. incanus e 14 dias para E. as sementes de Eremanthus devem ser colocadas para germinar sobre substrato de papel.Radiografia de sementes de Eremanthus erythropappus (seta destaca uma semente vazia.CAPÍTULO 2 . 41 . Barra representa 1 cm.PRODUÇÃO E TECNOLOGIA DE SEMENTES DE CANDEIA Figura 2. utilizando soprador para 11 procedências. Nessas condições. erythropappus (Figura 2. Em ambiente de laboratório. preferencialmente em temperatura alternada de 20 oC – 30 oC com fotoperíodo de 10 horas (TONETTI.11 .3. pode-se observar a variação na qualidade dos lotes de sementes de Eremanthus erythropappus. Figura 2. concluindo o processo com 10 dias para E.

97 2.08 3.11 7. o aumento do fotoperíodo em 4h.94 3.98 Germinação (%) Original Após soprador 9 48 7 55 2 76 6 85 14 81 3 47 17 86 14 93 22 81 28 73 6 82 *Proporção. o dia é normalmente longo. essas condições se aproximam mais das condições encontradas pelas sementes no ambiente natural.50 4. 2008). foi ainda mais eficiente em promover a germinação das sementes de E.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 2. visto que a espécie é comum em regiões altas e descampadas. Procedência Natércia Baependi 1 Baependi 2 Virgínia Baependi 3 Baependi 4 Soledade de Minas Delfim Moreira Carrancas Ouro Preto Santa Bárbara Grau de umidade (%) Sementes selecionadas (%)* 9 10 9 11 10 9 10 10 10 9 10 3. erythropappus promovendo o início da germinação em 2 dias (DAVIDE et al. estudando diferentes regimes de temperatura para a germinação de sementes de E. Há evidências de que o aumento do tempo de exposição a luz ou temperatura de 30 oC de 10 horas para 14 horas acelera o processo de germinação de sementes e E..60 3. erythropappus.78 4. Aparentemente. Tonetti (2004).02 4.Grau de umidade e germinação de sementes de Eremanthus erythropappus originadas de 11 procedências de Minas Gerais antes e após o beneficiamento em soprador. 42 . concluíram que a temperatura alternada de 20 oC – 30 oC associada ao fotoperíodo de 10h proporcionou a melhor condição de germinação.65 7. de sementes retidas no soprador. ou seja. erythropappus. Todavia. em relação ao peso original. onde além de uma amplitude de temperatura e luminosidade muito pronunciada entre dia e noite. no presente trabalho.43 3.3 . de 10 para 14h.

O interesse pela espécie Eremanthus erythropappus está. sendo largamente utilizado na indústria de cosméticos na forma de hidratantes e loções cicatrizantes (PERÉZ et al. é utilizada largamente como mourões para cercas e outras construções nas propriedades rurais. em sua forma bruta. inúmeros experimentos e plantios comerciais foram implantados no estado de Minas Gerais. Já. Desde 2002. principalmente na região sul do Estado. pois ocorre a produção de sementes por meio de um processo assexuado. Esse princípio ativo apresenta propriedades farmacológicas. via seminal. 3. a demanda por mudas de candeia teve um aumento significativo e viveiros foram montados com o objetivo principal de produção de mudas para tais projetos.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA 3 . como também a produção de mudas clonadas de genótipos superiores. Mudas de candeia também são produzidas em tubetes em menor escala. formando candeais.1 Introdução A candeia é uma árvore da família Asteraceae. Desde o início dos trabalhos. o maior interesse em seu manejo e cultivo culminou em pesquisas relacionadas à espécie. a propagação assexuada ou vegetativa é baseada na multiplicação de novas plantas. Trabalhos iniciais 43 . Como a candeia apresenta grande valor econômico. o viveiro Florestal do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras tem produzido mudas destinadas a pesquisas e programas de fomento. onde 42 viveiros familiares têm capacidade de produzir 10. durabilidade e poder energético. os quais tiveram impulso no início dos anos 2000. cada um. o programa de melhoramento da candeia implantou e mantém testes genéticos visando à produção de sementes. exclusivamente. O Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras vem desenvolvendo uma série de trabalhos com a espécie Eremanthus erythropappus. ecológico e social. 2004b). não ocorrendo a fecundação. No caso de sementes. em parte. A produção comercial de mudas de candeia ainda é feita. Nesse sentido. principalmente no óleo que pode ser extraído de toda a planta. segmentos de raízes) de uma matriz de interesse. A multiplicação sexuada constitui a reprodução propriamente dita.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Antônio Claudio Davide Lucas Amaral de Melo 3. caules. que apresenta alta resistência. embora também esbarre na falta de sementes melhoradas. envolvendo o desenvolvimento de um novo indivíduo a partir da fecundação e possuindo a semente como propágulo. e pelas dificuldades de produção. este processo propagativo é considerado raro em espécies florestais. o qual contém α-bisabolol.. mas.000 mudas/ano. Com isso. No entanto. em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF/MG) e a OSCIP Amanhágua. o que acarreta grande desuniformidade nos plantios e baixa produtividade. são poucos os viveiros que possuem controle nos aspectos relacionados ao processo. considerada precursora na invasão de campos de altitude. Essas mudas são produzidas em sacos plásticos. sendo encontrado em espécies do gênero Citrus. a apomixia é uma exceção. A madeira.CAPÍTULO 3 .2 Propagação sexuada de mudas A produção de mudas de espécies arbóreas pode ser realizada por meio de multiplicação sexuada ou assexuada. Mudas de candeia são produzidas em maior escala na região de Baependi-MG. essa tecnologia está plenamente disponível aos viveiristas. usando propágulos vegetativos (folhas. na madeira. utilizando sementes sem nenhum grau de melhoramento.

. Figura 3. Tabela 3.2. .3 (três) partes de terra de subsolo peneirada em peneira de encosto. 44 . Condição das Sementes Cheias Mal formadas Vazias Protrusão de radícula (%) 95. Fonte: Tonetti.8 A 21. mal formadas e vazias. Uma hipótese levantada por Chaves e Ramalho (1996) é que a baixa porcentagem de germinação de sementes de candeia fosse decorrente de um grande número de cípselas sem embrião. .1 .Em cada 1000 litros dessa mistura (18 carrinhos de mão). classificadas como cheias. adiciona-se 5 kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio.1.1 (uma) parte de esterco de curral curtido. Suas dimensões são variáveis. com malha de ½ polegada. geralmente é composto por: .Produção de mudas de Eremanthus erythropappus em sacos plásticos. Critério 3.Porcentagem de germinação das sementes de Eremanthus erythropappus.6 B 0B Formação de plântula normal (%) 87.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA mostram que a porcentagem de germinação das sementes de algumas espécies de Eremanthus é bastante baixa (CETEC (1994).1 Recipientes e substrato para a produção de mudas de candeia Um dos recipientes mais utilizados para a produção de mudas de candeia é o saco plástico. Davide e Silva (2006). porém os mais comumente utilizados para a produção de mudas de candeia são de 8 x 15 cm e de 11 x 22 cm (Figura 3. fato que foi mais tarde constatado por Tonetti. semelhante aos utilizados para produzir mudas de café e eucalipto.1 (uma) parte de casca de arroz carbonizada.1).5 A 10. este possui como componente principal a terra de subsolo e. Chaves e Ramalho (1996) e Davide et al.8 B 0B Médias seguidas pela mesma letra na linha são iguais pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Davide e Silva (2006). No caso de substrato para enchimento de sacos plásticos. Tabela 3. (2000)). caso o substrato utilizado seja muito argiloso.1 .

um cronograma deve ser idealizado para o melhor planejamento dessa produção (Figura 3. pois o tempo de produção é razoavelmente maior (5 a 6 meses). Uma observação importante é quanto ao planejamento da produção de mudas de candeia. peneirar uma camada de casca de arroz.3 .PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA A semeadura deve ser realizada diretamente no saco plástico.2).CAPÍTULO 3 . sendo necessárias duas irrigações por dia. Se necessário for. como é o caso do eucalipto (3 a 4 meses). a seguir. Figura 3. Figura 3. é preciso peneirar uma fina camada (de 2 a 3 mm) de terra e. Dessa forma. a tela também age como protetora das mudas nos estágios iniciais contra a ação do granizo (Figura 3.Aspecto de um viveiro com proteção por sombrite.Cronograma para produção de mudas de candeia 45 . Além de proteger as sementes.2 . que deve ser feito com bastante critério. colocando-se de 6 a 10 sementes/recipiente. uma tela de sombrite 50% ainda deve ser utilizada como forma de evitar extremos de temperatura em horas mais quentes do dia e evitar que as sementes sejam “arrancadas” dos recipientes pela ação de chuvas mais intensas. Após a semeadura. após chuva de granizo.3). quando comparado com espécies tradicionais produzidas em viveiros comerciais.

dificuldades em retornar os tubetes para o viveiro.o custo final da muda é reduzido a 1/3 do custo alcançado com o sistema em sacos plásticos. . evitando o enovelamento da raiz pivotante e induzindo a brotação de raízes novas. Problema que pode ser resolvido com a confecção dos “rocamboles” (Figura 3.4 . . de maneira mais facilitada. .4) com capacidade de 50. 46 .problemas com disseminação de doenças por ineficiência do processo de esterilização na reutilização dos tubetes.as raízes são podadas naturalmente pela ação do ar no momento em que saem pela base do tubete. . como toda alternativa. amortizando o custo inicial.melhor agregação do sistema radicular com o substrato. o que facilita nas operações de viveiro.redução do ataque de pragas e facilidade no controle de ervas daninhas. impedindo o enovelamento do sistema radicular. . 80 ou 110 cm3. quando estes são enviados juntos às mudas para o campo. operações durante o ciclo de produção das mudas.os tubetes apresentam arestas internas longitudinais. em razão da estrutura das bancadas.os tubetes podem ser reutilizados diversas vezes. tais como: .maior investimento inicial na implantação do viveiro. . evitando infestações fúngicas. Figura 3.menor peso e volume de substrato por muda. .necessidade de adubações de cobertura frequentemente.menor risco de acidentes com animais peçonhentos. .permite realizar. . como a alternagem por exemplo. essa prática causa aumento de mão de obra. . transporte e plantio no campo.maior frequência de irrigação.Produção de mudas de Eremanthus erythropappus em tubetes. No caso de tubetes. . .5). uma série de vantagens pode ser citada em relação à produção de mudas em saquinhos. . pela intensa lixiviação de nutrientes. . .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA A produção de mudas de candeia também pode ser feita em tubetes (Figura 3. Porém.maior aeração de todo o sistema.reduz significativamente o volume de substrato utilizado para produzir o mesmo número de mudas. No entanto. pela menor quantidade de substrato por recipiente. desvantagens também estão presentes: .redução dos problemas ergonômicos.

devem ser incorporados ainda. casca de arroz carbonizada. dependendo da disponibilidade de matéria-prima (Tabela 3. 47 . • permeabilidade. • P2O5 = 300 a 600 g/m3. 5 kg de superfosfato simples e 120 g de cloreto de potássio por 1000 L (1 m3) de substrato. Nessa formulação. Como base para a produção de mudas em tubetes. fibra de coco. Na produção de mudas de candeia.0 a 6. a qual é determinada pela porosidade. 5 kg de fertilizante de liberação controlada com prazo de liberação de 5 a 6 meses por 1000 L (1 m3) de substrato.2). os substratos mais utilizados são aqueles compostos principalmente por variadas proporções de substrato comercial à base de casca de pinus. terra de subsolo (até 15 %). • Cálcio + Magnésio (níveis de Ca + Mg/T x 100) = 85 a 95%. variando em decorrência de algumas peculiaridades do viveiro. respeitando o tempo médio de produção de mudas de candeia. Os materiais mais usualmente utilizados na formulação do substrato para tubetes são: composto à base de casca de pinus (substratos comerciais). origem do material. para evitar a segregação no momento de retirada das mudas para a realização do plantio. fibra de coco e terra de subsolo. de modo que a amplitude de tamanho não seja muito alta entre partículas. prontas para serem levadas para o campo. • ter boa capacidade de retenção de água. • granulometria: é recomendável que os componentes apresentem mesma densidade. moinha de carvão vegetal e.5. casca de arroz carbonizada. tipo de propagação (sexuada ou assexuada). em pequenas proporções. • pH em H2O = 6. um bom substrato deve possuir as seguintes características: • custo: ser barato e facilmente disponível. e de acordo com Davide e Silva (2008). duas formulações de substrato são bastante utilizadas. • Potássio (níveis de K/T x 100) = 5 a 8%. vermiculita de granulometria média. custo. preenchidos por ar e microporos.5 . De maneira geral. ou. • aeração (bom equilíbrio entre macroporos. Os substratos utilizados no enchimento de tubetes podem apresentar as mais diversas composições. • ausência de sementes de plantas invasoras. dentre outros fatores.Confecção de rocambole com 20 mudas de candeia.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Figura 3. A escolha dos materiais a serem utilizados na formulação do substrato irá depender da espécie. principalmente gramíneas.CAPÍTULO 3 . preenchidos por água).

na formulação NPK 19-06-10. com malha de ½ polegada. . estudando o efeito da adubação. .6 d). Em cada 1000 litros dessa mistura (18 carrinhos de mão).1. principalmente desses materiais. 4) Adicionar os outros componentes da formulação e. a formulação de substratos para a produção de mudas de candeia.110 litros de casca de arroz carbonizada. como o composto orgânico. Formulação Componentes da mistura Observações 1 . . cama de frango.. verificou que o maior crescimento foi observado. em seguida. homogeneizar.0 kg de superfosfato simples.2 (duas) partes de terra de subsolo peneirada em peneira de encosto. é possível observar o incremento em altura ocasionado pela utilização de fertilizante de liberação controlada (FLC) 48 . 30 (trinta) litros de água. 2) Adicionar à fibra de coco peneirada.10 litros de terra de subsolo peneirada em peneira de encosto. em razão do maior crescimento e melhor qualidade das mudas formadas sob ausência. . Braga (2006).1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 3.3 (três) partes de vermiculita com granulometria média. 2 . sem a utilização de matéria orgânica. do tamanho de tubetes e presença (40%) ou ausência (0%) de esterco bovino no substrato.5 (cinco) partes de casca de arroz carbonizada. sobre a altura de mudas de candeia aos 120 dias após a semeadura. etc. De acordo com resultados preliminares de Braga (2006) e Abreu (2007). . O menor crescimento foi verificado no tratamento que continha esterco. no tubete com volume de 55 cm³ (ml) (Figura 3. .Formulações de substrato para enchimento de tubetes na produção de mudas. 1) Peneirar 1 fardo de fibra de coco com volume de 107 litros em peneira com malha de ½ polegada. Além disso. ou 5 kg de superfosfato simples e 120  g de cloreto de potássio. 3) Homogeneizar a mistura até tornar friável todo o volume. na formulação NPK 19-06-10. no tubete com 115 cm³ (ml) de capacidade (Figura 3. no tratamento cujo substrato não apresentou esterco. adiciona-se 5  kg de fertilizante de liberação lenta (5 a 6 meses). deve ser preferida. esterco bovino.107 litros de fibra de coco (1 fardo).2 .6 a). com malha de ½ polegada.0  kg de fertilizante de liberação lenta (5 a 6 meses).

sob influência de três formulações de substrato e duas dosagens de fertilizante de liberação controlada (FLC). (d) Tubete de 55 cm³ (ml) e substrato com matéria orgânica. (c) Tubete de 115 cm³ (ml) e substrato com matéria orgânica. (a) Tubete de 115 cm³ (ml) e substrato sem matéria orgânica. (b) Tubete de 55 cm³ (ml) e substrato sem matéria orgânica.7).PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Fertilizante de liberação controlada (FLC) (kg.7 . Abreu (2007) (Figura 3.6 . Fonte: Braga (2006).m-3 de substrato) Figura 3. aos 120 dias após a semeadura. Fonte: Abreu (2007). 49 . Figura 3.CAPÍTULO 3 . avaliando o efeito da utilização de esterco bovino e quantidades de adubo de liberação controlada na produção de mudas de Eremanthus erythropappus em tubetes.Mudas de candeia aos 120 dias após semeadura.Efeito de doses de FLC sobre a altura de mudas de candeia. encontrou resultados semelhantes aos obtidos por Braga (2006).

1996) a 46% de germinação em laboratório (CETEC. se as sementes de candeia forem colocadas imediatamente para germinar. Esse índice é considerado um bom indicador da qualidade das mudas. o índice de qualidade de Dickson (IQD) é um deles. Davide e Silva (2006). consequentemente. Dentre alguns métodos para separação de sementes vazias. riscos de salinização das mudas. centrifugação.Efeito do esterco bovino e doses de fertilizante de liberação controlada (FLC) sobre o Índice de Qualidade de Dickson. A escolha pela adubação de base com a utilização do superfosfato simples e cloreto de potássio. feita em decorrência de fatores financeiros. deve-se ter em mente que após o desbaste das mudas. trabalhando com a produção de mudas de candeia sob o efeito do esterco bovino e doses de fertilizante de liberação controlada. podem ser citados aqueles que trabalham com diferença de densidade como: uso de peneiras. A maioria dos trabalhos recomenda um valor mínimo de 0.20 para o IQD (GOMES. são encontrados baixos percentuais de germinação. cerca de. sob diferentes fatores atuantes. aumento de custos. ponderando os resultados de vários parâmetros importantes empregados para a avaliação da qualidade. As causas dos baixos índices de germinação foram estudadas por Tonetti. 50 . O valor da unidade de adubo de liberação controlada é.3 Semeadura Depois de coletadas e beneficiadas. 3. verificou que em mudas produzidas sob as maiores concentrações de esterco bovino na formulação do substrato. a germinação tem início oito dias após a semeadura. Para Eremanthus erythropappus. 2004). O fertilizante de liberação controlada tem sido bastante utilizado na produção de mudas de diversas espécies comerciais em tubetes. No entanto. na maioria das vezes. o mínimo valor sugerido para o índice de qualidade de Dickson não foi alcançado. quando se opta por utilizar a primeira formulação. como é mostrado na Figura 3. aos 120 dias após a semeadura. não sendo diferente para a candeia. com a separação das estruturas de dispersão em duas classes (fração pesada e leve). Abreu (2007). mesa gravitacional. mas sim uma alta proporção de cípselas sem embrião.8. é possível aumentar o percentual de germinação significativamente. pois considera no seu cálculo a robustez e o equilíbrio da distribuição da biomassa na muda. Fonte: Abreu (2007). Os mesmos autores observaram que. os quais concluíram que a candeia não apresenta dormência de sementes. RAMALHO. aumento de mão de obra. adubações de cobertura devem ser realizadas toda semana. separadores e soluções diversas. em relação à utilização do adubo de liberação lenta é. 13 vezes mais caro que a mesma unidade do adubo superfosfato simples. acarretando desuniformidade de crescimento das mudas. Figura 3.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Dentre as diversas formas de avaliar a qualidade de mudas.8 . perda de adubo por ineficiência da operação e. PAIVA. atingindo de 6% (CHAVES. 1994).

Porcentagens médias de germinação (protrusão da raiz) e índice de velocidade de germinação (IVG) de dois lotes de sementes de Eremanthus erythropappus. Tratamento 20-30 C/ 10h luz 30 oC 24h luz 30 oC 24h escuro 2002 95. adubações. faz com que as sementes mais leves (chochas ou vazias) permaneçam na superfície.328 bA 4. 51 .821 aA 6.459 aA IVG (raiz) 2001 9. b) evita o enovelamento das raízes ou o “pião torto”. 1995). e) reduz o custo final das mudas.00 aAB 79. sob 3 regimes de temperatura e luz. podem adiantar ou atrasar a expedição de mudas em um viveiro florestal. variando com as condições climáticas durante a fase de produção. Tabela 3. O período de tempo necessário para a produção de mudas pode ser bem variável em decorrência de alguns fatores relacionados ao processo de produção. facilitando sua remoção. fato que é frequentemente observado no momento da repicagem das mudas da sementeira para o recipiente de produção. Bidens pilosa requerem luz para germinar à temperaturas constantes. c) ocorrência de menor incidência de pragas e. No caso especial da candeia. no momento da semeadura e primeiro mês após a germinação.CAPÍTULO 3 . DAVIDE.3). A imersão das sementes. apresenta uma série de vantagens em relação ao semeio em sementeiras. já foi provado que a candeia germina mesmo sob ausência de luz (TONETTI. Vários autores. a semeadura deve ser realizada diretamente nos recipientes (sacos plásticos ou tubetes). entre outros.544 aB 8. onde ocorre a entrada de luz direta e maior alternância de temperatura do solo.00 aA 88. entre noite e dia. aspectos genéticos. as sementes germinam e as mudas jovens crescem a pleno sol ocupando o espaço da clareira.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA como álcool. doenças. de maneira geral. Nesse novo ambiente. Em ambientes naturais. Sementes de Matricaria recutita (NOBREGA et al. com consequente abertura de clareiras. as sementes germinam após a ocorrência de um distúrbio.. A princípio. Fonte: Tonetti. aconselha-se. por exemplo.00 bA 2002 9. SILVA. maltodextrina e sacarose. Quanto ao armazenamento. sob baixas temperatura e umidade. tamanho e forma dos recipientes. A semeadura direta. a qual deve apresentar padrões mínimos de qualidade.9. relatam que algumas espécies de Asteraceae como. d) não necessita de mão de obra e aparatos estruturais para a realização da repicagem. Mudas de candeia. Figura 3. apesar de ser mais onerosa no momento da operação. RAMALHO. porém certos distúrbios ambientais como rajadas de vento.00 bA 50. Davide e Silva (2006). em detrimento ao semeio nas sementeiras (semeio indireto).00 aB Protrusão de raiz 2001 62. Por este motivo. as mudas deveriam ser semeadas e produzidas a pleno sol.838 bB 5.50 bA 47.3 . a utilização de tela sombrite 50%. Critério avaliado Lote o A candeia apresenta grande produção de sementes de tamanho reduzido e sem dormência. chegando a impossibilitar totalmente o processo. tais como: a) dispensa a construção da sementeira. ambas Asteraceae. porém. chuvas torrenciais e granizo podem trazer prejuízos à produção de mudas. principalmente. densidade de mudas.275 bAB Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna (dentro de um mesmo critério) são iguais pelo teste de Tukey a 5%. e Eremanthus erythropappus (CHAVES. mas germinam em luz e escuro a temperaturas alternadas. com padrão de 25 a 40 cm de altura e 4 a 6 mm de diâmetro do colo podem ser produzidas com um ciclo de 120 a 150 dias. em um meio líquido. sendo considerada ortodoxa. citados por Baskin e Baskin (1998). 2006) (Tabela 3. Dentre os fatores que. suas sementes podem ser armazenadas por longo prazo. também mostram bom desempenho em germinação na presença de luz. citam-se: composição e proporções do substrato utilizado. fatores climáticos. 1996).

Alguns nutrientes são importantíssimos nos primeiros estágios de uma cultura. devem ser feitas adubações em cobertura a cada 10-15 dias. as plântulas não se desenvolvem. em especial. dessa forma. No caso de mudas florestais. (2005). caso. é sempre preferível a utilização de fertilizante de liberação controlada para mudas produzidas em tubetes. 3.Semeadura direta de candeia em tubetes. Em tubetes.4 Crescimento das mudas De 30 a 45 dias após o semeio. caso as mudas ainda estejam sob a estrutura de sombrite antes do desbaste. Observou também que a omissão de N. logo após a adubação. S. Nesse momento. 52 . quando se tratar de tubetes e substratos sem a utilização do adubo de liberação controlada. nitrogênio e fósforo devem receber atenção especial. em horários com temperaturas mais amenas (até às 9h ou depois da 16h) ou em dias nublados. Após a adubação. fato que não ocorre em sementes de candeia. Isso mostra a grande dependência das mudas de candeia quanto aos nutrientes acima citados. uma leve irrigação deve ser feita a fim de retirar os sais que permanecem aderidos à superfície foliar. A aplicação dessa solução pode causar salinidade e morte das mudas. a operação deve ser repetida no dia seguinte. verificou que. Figura 3. Essa solução é suficiente para ser utilizada na adubação de 10. utilizando-se 1 kg de MAP purificado (monofosfato de amônio) solúvel em água e 100 g de cloreto de potássio para cada 1000 litros de água. nos tratamento sem adubação ou com adubação incompleta (sem adição de fósforo).000 mudas. a semeadura em sementeiras deve ser efetuada apenas naqueles casos em que as sementes são dormentes e não se conhece um método eficiente capaz de promover uma germinação uniforme dentro de 7 a 30 dias. de preferência. é preciso fazer um desbaste para deixar apenas uma muda por recipiente. As adubações de cobertura devem ser realizadas. Venturin et al.9 . estudando a fertilização de mudas de candeia pela técnica do elemento faltante. pelo motivo da mudança drástica do microambiente. em decorrência da grande lixiviação dos nutrientes que pode ocorrer nestes recipientes sob estas condições. ou 7 dias. a tela deverá permanecer por aproximadamente dez dias a fim de que as mudas remanescentes não sejam queimadas pelo sol.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA De acordo com Davide e Silva (2008).10). ao fósforo (Figura 3. enquanto as demais omissões dos nutrientes foram indiferentes em relação ao tratamento completo. Mg e B na formulação afetou negativamente o crescimento em altura das plantas. chova intensamente. A partir dessa idade. no caso de sacos plásticos.

aproximadamente 240 mudas por m2 de canteiro. De acordo com Davide e Silva (2008). Esse fungo causa lesão deprimida no coleto das mudas. principalmente nos recipientes de produção. favorece o endurecimento das mudas. A operação de alternagem é realizada juntamente com a seleção de mudas por classes de altura e descarte das mudas mortas e defeituosas. pois esta pode trazer consigo sementes de outras espécies. desinfestação térmica dos tubetes e bandejas (ALFENAS et al. Com a seleção por classes de altura. por este motivo.CAPÍTULO 3 .Crescimento relativo da parte aérea e raiz de mudas Eremanthus erythropappus (DC. vistorias diárias e controle por meio da capina manual e “seleção” de substratos a serem utilizados no viveiro. com prováveis perdas no campo. Fonte: Venturin et al. Os viveiros florestais devem ser mantidos limpos de quaisquer plantas que não aquelas de interesse produtivo e. (2005). está o tombamento de mudas causado por fungos do gênero Rhizoctonia. representando perda de qualidade. um cuidado a ser tomado é alternar as mudas quando elas estiverem com aproximadamente 60 dias. Essa operação possibilita maior espaço e.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA Figura 3.11). Outro aspecto importante é quanto ao controle de plantas invasoras. Além do substrato. 2004). e utilização de fungicidas. Doenças causadas por fungos são frequentes em viveiros florestais e dentre as mais encontradas e que causam perdas econômicas. Dessa forma. nutrientes e espaço. ou seja. quando há presença de formigas cortadeiras (cabeçuda e quenquém). deve-se ter atenção quanto à origem da água utilizada na irrigação.) MacLeish. reduz-se a capacidade da estrutura original em 50% (Figura 3. outras preocupações devem estar sempre no alvo do viveirista. água. sendo necessário realizar operações que reduzam este problema. Algumas enfermidades podem surgir em um viveiro de produção de mudas. são maneiras eficientes de combate a esse problema. O controle de formigas em um viveiro é tão importante quanto ao manejo dessa praga no campo. sendo muitas vezes mais eficientes na captação dos recursos que as próprias espécies cultivadas. 53 . há a competição por luz. deixando-se. Em estruturas montadas com tubete. ou seja. porém. consequentemente.. estas cortarão exclusivamente as mudas ali produzidas. doença conhecida como “damping off”. As ditas “ervas daninhas” competem com a muda por luz.10 . principalmente dando maior atenção às menores. é possível manejar de forma diferente as mudas. levando ao tombamento e posterior morte das mesmas. Uma forma de controle é a eliminação das fontes de inóculos dos fungos. mudas produzidas em altas densidades tendem ao estiolamento. Ao longo do cultivo das mudas de candeia. serão mais altas e com menores diâmetros de coleto. Mudas produzidas em tubetes ou sacos plásticos não competem entre si por nutrientes e água.

Durante a operação. rustifiquem-se. principalmente aos períodos de estiagem que sucedem à época de plantio.Alternagem e seleção de mudas por classes de alturas. é feita a poda das raízes. as mudas devem receber menor quantidade de água. No caso de sacos plásticos. se possível. Essa adubação deve ser realizada uma vez por semana. em média. (a) bandeja com mudas adensadas. ao passar as raízes para o solo. estas devem ser reduzidas aos poucos. de forma a possibilitar ambiente mais favorável de crescimento às mudas suprimidas. ou seja. Porém. cuja duração varia. porém. (b) bandeja com mudas alternadas (capacidade reduzida em 50%) e. antes da expedição elas são submetidas ao processo denominado de rustificação. sem crestamento. sendo referida ao fato de que. a muda estivesse absorvendo (mamando) do solo os recursos necessários ao seu crescimento. sendo aconselhado manter a adubação com 100 g de cloreto de potássio para cada 1000 litros de água. a fim de. 3. Adubações à base de fontes nitrogenadas e fosfatadas (MAP. Ao realizar o novo encanteiramento das mudas. com menor duração em cada período de funcionamento. possibilitar meios para que as mudas amadureçam.5 Aclimatação e expedição das mudas As mudas de candeia atingirão padrão de plantio (25 a 40 cm de altura) com aproximadamente 4 a 6 meses de idade. as adubações de cobertura devem sofrer modificações. por exemplo). é necessário realizar moveções periódicas dos recipientes sempre que for notada a possibilidade de transgressão das raízes da muda para fora do saco plástico. para que as mudas adquiram resistência às condições adversas do campo. A aclimatação de mudas por meio da restrição de água proporciona alterações em alguns processos fisiológicos. Durante esse processo. Para melhor controle da frequência e duração das irrigações. independente do recipiente ser saco plástico ou tubete.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c Figura 3. devem ser evitadas. sendo que o sistema só deve ser ligado quando for observado um leve murchamento dos ápices das mudas. as mudas cessam o crescimento em altura e tendem a aumentar a 54 . a irrigação deve ser ligada menor número de vezes por dia e. Com a mudança na irrigação e adubação. estas devem passar por uma seleção a fim de que sejam dispostas de acordo com o padrão de qualidade em que se encontram. Além da irrigação.11 . (c) detalhe da seleção por classe de altura. também. Essa operação é chamada de “desmame da muda”. de 15 a 25 dias.

as plantas podem apresentar sintomas de deficiências nutricionais pelo aumento da lixiviação de nitrogênio e fósforo. prejudicando a qualidade das mudas.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA proporção de tecidos vegetais relacionados com a eficiência no uso da água. conferindo maior eficiência nos processos de troca gasosa (absorção de gás carbônico e perda de água) e. Esse transporte pode ser realizado com as mudas em contato direto com a carroceria do veículo a ser utilizado.CAPÍTULO 3 . Quando as mudas são produzidas em sacos plásticos. além disso. respectivamente: redução no tamanho dos estômatos (Figura 3.12 c). A barra corresponde a 50 μm. durante o período de aclimatação das mudas ocorrer chuvas intensas. Se. o processo é prejudicado. maior espessura de paredes celulares.12 a e b). posteriormente. (b) mudas após 20 dias de aclimatização.(a) e (b) Seções paradérmicas do limbo foliar de mudas de Tabebuia serratifolia. serem dispostas sobre a superfície da carroceria do veículo. (a) mudas sem aclimatação. sendo dispostas uma a uma sobre a superfície. As principais mudanças estruturais e fisiológicas que ocorrem nas mudas após o período de rustificação são. (2008). uma seleção ainda deverá ser feita com o objetivo de obter maior uniformidade e menor taxa de mortalidade no futuro povoamento florestal a ser implantado.12 . Também podem ser acondicionadas em caixas (plásticas ou madeira). uma atividade realizada imediatamente antes da expedição das mudas. tortas e de aspecto deficiente devem sofrer uma limpeza. o que facilita a absorção de água em ambientes com deficiência hídrica. No caso da candeia. como são reduzidas as adubações nitrogenadas e fosfatadas. elas devem ser transportadas ainda embaladas. as mudas raramente apresentam bifurcações laterais (Figura 3. tais como: espessamento de caule. Mudas que passam pelo processo de rustificação apresentam percentuais superiores de pegamento no campo quando comparadas às mudas que não foram aclimatadas. visto que. é a retirada de ramos laterais. 55 . e estas. Mudas com problemas de conformação. ou mesmo. Maior controle estomático. deixando apenas o principal. redução no potencial hídrico foliar das mudas. a b c Figura 3. com aumento no número dessas estruturas por área foliar. No momento de expedição das mudas para o campo. no viveiro. Em espécies de eucalipto. maior deposição de substâncias impermeabilizantes sobre a superfície das folhas. (c) Muda de candeia sem ramificações. essa operação é quase nula. são algumas das modificações obtidas com a mudança do manejo das mudas no viveiro durante a fase de rustificação. pronta para ser plantada no campo. pois o controle das irrigações não poderá ser controlado e. serem eliminadas. principalmente se as condições do campo não se apresentarem como ideais. Fonte: Dousseau et al.

000 unidades de mudas em sacos plásticos. GOMES. promovendo maior habilidade para o enraizamento das estacas provenientes destes brotos. a partir destes. Nos últimos tempos.5 toneladas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Uma das grandes vantagens da produção de mudas em tubetes consiste na redução dos custos de transporte.6. onde propágulos adultos são enxertados em partes juvenis de um porta-enxerto. utilizando partes vegetativas desta. o propágulo vegetativo se rejuvenesce. SILVA. PAIVA. oriundas de polinização livre e ou de polinizações controladas entre as matrizes selecionadas. WENDLING. ganhos substanciais na produtividade de candeais implantados. a propagação assexuada ou vegetativa ocorre por meio de sucessivas mitoses.1 Enxertia A técnica de enxertia em espécies florestais constitui-se em um eficiente método de rejuvenescimento. como a estaquia. (1990). além de apresentar-se a custos competitivos quando comparada às alternativas de propagação de plantas. pois envolve apenas tecidos somáticos de qualquer parte da planta.000 mudas oriundas de produção em tubetes. tem-se verificado um grande aumento no interesse pela utilização das técnicas de propagação vegetativa para a formação de povoamentos florestais. para o caso de tubetes. quando a expedição de mudas é para pequenos produtores rurais. a colheita de sementes melhoradas. Para Huang et al. é facilitada. no máximo. 2009. fica mais fácil a propagação vegetativa da candeia por meio de outras técnicas que possibilitam uma produção de mudas de forma mais rápida. 3. Enquanto um caminhão trucado transporta. a técnica tem sido utilizada como forma de resgatar matrizes superiores no campo. utilizando-se caixas plásticas sobrepostas. visto que essa técnica permite fixar o ganho máximo obtido em programas de melhoramento. maior produtividade e tecnologia da madeira. Somando-se às características já citadas. no início dos anos 90. Ainda. dois fundamentos básicos regem a propagação assexuada: a totipotencialidade das células somáticas (cada célula contém toda a informação genética necessária à geração de um novo indivíduo) e a capacidade de regeneração dos tecidos vegetais. estaquia e cultura de tecidos (XAVIER. a propagação vegetativa. A clonagem possibilita maior uniformização dos plantios. pelo menor volume e peso do material a ser transportado. Com o tecido rejuvenescido. as técnicas mais comuns e de maior aplicação na clonagem de espécies florestais são: enxertia. 3. que dispensa a viagem de retorno dos tubetes vazios ao viveiro. pode-se utilizar a confecção do rocambole. com um peso total de 3. 5. Diante disso. Em candeia.6 Propagação assexuada de mudas A propagação vegetativa da candeia poderá trazer em curto prazo (5 a 12 anos). o mais consistente e mais utilizado método de rejuvenescimento de plantas ou partes maduras destas. o aproveitamento de combinações genéticas raras e a possibilidade de contornar alguns problemas com doenças fizeram com que grande parte das empresas eucaliptocultoras do Brasil substituíssem os plantios comerciais de origem seminal por plantios clonais. A promoção do rejuvenescimento de árvores adultas por meio de enxertias seriadas é uma grande vantagem. ou de indivíduos superiores que ocorrem em candeais nativos ou em reflorestamentos seminais. pomares de sementes clonais podem ser implantados e. Dentre os inúmeros meios de propagação vegetativa. pois é enxertado em mudas jovens propagadas por sementes. Com a clonagem de árvores selecionadas de candeia por meio da enxertia. a enxertia seriada era. possibilitando trazê-las para ambientes mais próximos. 56 . é possível o transporte de até 100. Nesse contexto. A cada enxertia. 2005). ou clonagem de indivíduos superiores torna-se alternativa animadora. De acordo com Pasqual (2000). A propagação vegetativa é um método pelo qual se propaga uma planta.

na qual. principalmente relacionados à adequação dos meios de cultura. Outra questão é o fator operacional relacionado à origem do material vegetal que será introduzido no laboratório. Dessa forma. 3. a primeira etapa para alcançar os objetivos de produção em massa de mudas de candeia por meio da clonagem é rejuvenescer os propágulos através da enxertia ou da micropropagação. bioquímicas e fisiológicas que determinam a resposta do material à propagação vegetativa e. Para eucalipto. Além disso. apresenta maior potencial de enraizamento. No entanto. posteriormente. o laboratório de micropropagação funciona como local de rejuvenescimento e conservação de clones selecionados. consequentemente. Com os sucessivos subcultivos que podem ser realizados durante a fase de multiplicação dos explantes. A cultura de tecidos consiste no cultivo de órgãos. Dessa forma. sob ambiente asséptico. o método mais eficaz para reverter o grau de maturação das plantas. Dentre as várias alterações. a multiplicação rápida dos explantes obtidos sem contaminações. tecidos ou células vegetais em meio nutritivo apropriado. 1987. 1982. as quais vão desde a introdução em tubo de ensaio. por exemplo) e. 1997). Segue os mesmos princípios básicos da totipotência.2 Micropropagação Em espécies lenhosas. Na multiplicação de plantas adultas. Para a candeia esse valor ainda é desconhecido. Durante o processo de micropropagação. a propagação de espécies florestais por meio da cultura de tecidos ainda apresenta problemas. 2007). gera uma série de alterações morfológicas. o uso de métodos de rejuvenescimento é indispensável para se obter maiores índices de enraizamento dos propágulos vegetativos e. a diminuição da capacidade de enraizamento de propágulos constitui o maior obstáculo para a propagação clonal dos genótipos selecionados. sendo que a fase juvenil. Esse fato. 57 . 1996). até a saída do propágulo produzido na fase de alongamento. Nessa técnica. Nesse sentido. quando comparada com a fase adulta (BONGA. A cultura de tecidos ou micropropagação é. HARTMANN et al. O controle de cada uma dessas fases é feito pela proporção entre os hormônios reguladores de crescimento.6. seja pela utilização de partes juvenis da planta ou pela promoção do rejuvenescimento de partes adultas (HACKETT. 1987). decorrente da transição da fase juvenil para a adulta. estes vão adquirindo um estado mais juvenil.CAPÍTULO 3 . nos programas de melhoramento. principalmente auxinas e citocininas (Figura 3. a melhor alternativa é propagar o genótipo selecionado por meio de outro método vegetativo (enxertia. três etapas estão relacionadas com a propagação das plantas. a seleção de genótipos superiores ocorre basicamente na fase adulta. dessa forma. formação de mudas com alto vigor. esse potencial é aumentado pela enxertia em série.13). hoje. coletar as novas brotações produzidas para serem levadas ao laboratório de micropropagação. torna-se necessário explorar a maior capacidade de propagação de material juvenil. dez é o número mínimo de subcultivos capaz de promover um rejuvenescimento satisfatório. 1982). enraízam com maior facilidade do que estacas obtidas de porções mais maduras (REZENDE. a aptidão à propagação vegetativa está associada ao grau de maturação (BONGA. ao crescimento dos povoamentos florestais (HACKETT.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA As brotações de mudas enxertadas possuem maior potencial de enraizamento do que brotações advindas diretamente do campo. também é válido para a candeia. ASSIS. ou seja. estacas retiradas de porções mais juvenis da planta. 1993. qualquer célula encerra em seu núcleo toda a informação genética necessária à regeneração de uma planta completa. na maioria das plantas.. apresentando grandes riscos de contaminações quando estes propágulos vêm diretamente do campo. GEORGE. No entanto. Assim. a maturação dos tecidos da planta.

2003. 1. 1.0 ANA + 1. 2007).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b f c g d h e i Figura 3. O enraizamento de propágulos por meio da estaquia é uma técnica de propagação vegetativa amplamente empregada em espécies exóticas de valor comercial e pode ser viável para propagar espécies nativas.0 BAP (f ).5 ANA + 0..5 BAP (h). SILVA. a propagação por meio da estaquia está em fase inicial.5 ANA + 1.6.3 Estaquia e miniestaquia A estaquia é uma das principais técnicas de propagação vegetativa de clones selecionados dada à sua aplicabilidade operacional e levando-se em conta o custo de produção competitivo em relação às demais técnicas de propagação assexuada (XAVIER.5 BAP (e). Enquanto estacas lenhosas de candeia demoram cerca de 50 a 60 dias para 58 .0 ANA + 1.5 ANA (b). dependendo da facilidade de enraizamento de cada espécie. (OLIVEIRA et al. a propagação vegetativa torna-se mais eficiente com a utilização do enraizamento de estacas e ou miniestacas. porém alguns resultados (GOULART. 0. da qualidade do sistema radicular formado.0 ANA + 0. REZENDE. 0.L-1).5 BAP (d). já mostram que essa técnica pode se tornar de grande valor na produção de mudas para os futuros povoamentos florestais. Em candeia. WENDLING. 2009).5 ANA + 1. 1. Essa técnica pode proporcionar a produção de grande quantidade de mudas de boa qualidade em curto espaço de tempo.5 BAP (i). sendo: testemunha (a). 2005a) e do grau de maturidade dos propágulos vegetativos (XAVIER.13 . 0. Fonte: Rosal (2004). A partir da obtenção do rejuvenescimento requerido.Segmentos apicais de candeia sob diferentes combinações dos reguladores ANA e BAP (em mg. do desenvolvimento posterior da planta.0 BAP (g). 3. WENDLING. SILVA.0 ANA (c). 1. 0. 2009).

(2000).15). Silveira e Gonçalves (2000). como descrito por Xavier e Wendling (1998). foi encontrado uma continuidade e uma maior espessura da camada de esclerênquima em estacas de ramos de árvores de um candeal nativo. Higashi. A grande dificuldade em enraizar estacas de candeia está no elevado grau de maturação das plantas que doam brotações. Por estes resultados. miniestacas enraízam em até 25 dias (Figura 3. a cepa remanescente emite novas brotações. Assis. após 25 dias do estaqueamento. a b Figura 3. Alfenas et al. 2009). (b) detalhe do local de formação de raiz adventícia. as miniestacas serem o material mais juvenil e não possuírem barreiras anatômicas que dificultem à saída das raízes adventícias (Figura 3. estando essa muda com aproximadamente 50 a 60 dias de idade. dependendo. o momento da poda e os intervalos de tempo citados são um pouco superiores aos encontrados para eucalipto. que são coletadas para enraizamento. Em estudo sobre a presença de barreiras anatômicas em estacas de candeia. realizado por Rezende (2007). Wendling et al. (a) formação de raízes adventícias e. Além do maior tempo despendido para o enraizamento. das condições ambientais.Seções transversais da base de miniestacas enraizadas de candeia. clone/espécie. quando comparadas às estacas obtidas em ramos de árvores jovens de um povoamento e miniestacas obtidas de mudas no viveiro.CAPÍTULO 3 . condições nutricionais. dependendo da época do ano. devido. Geralmente. são encontradas também barreiras anatômicas à saída das raízes. Em candeia. principalmente em brotações de plantas adultas. A técnica de miniestaquia consiste na utilização de brotações de plantas propagadas pelo método da estaquia convencional ou pela própria miniestaquia como fonte de propágulos (MELO. Fett-Neto e Alfenas (2004) e Xavier. faz-se a poda do ápice da brotação da estaca enraizada.14 . principalmente. Em intervalos de 10 a 25 dias. Além do problema da maturação. Wendling e Silva (2009). entre outras variáveis. Fonte: Rezende (2007). é possível concluir que a propagação de candeia deve ser realizada por meio da miniestaquia. (2004).14). 59 . o percentual final de enraizamento de estacas lenhosas é muito baixo para ser considerado como viável economicamente.PRODUÇÃO DE MUDAS DE CANDEIA enraizarem em condições de casa de vegetação climatizada. para clones de eucalipto.

assim como é feito em eucalipto. nas mesmas dimensões utilizadas para a propagação sexuada. porém um dos principais complicadores para este estado atual da espécie é a dificuldade de obtenção de material juvenil. sob nevoeiro intermitente e temperatura controlada (aproximadamente 27 oC). Fonte: Rezende (2007). Para o enraizamento de estacas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c d Figura 3. como as árvores de candeia encontram-se em ambientes naturais. (b) estaca da base de ramos de árvore do candeal nativo. por cerca de 10 a 15 dias. Destas.Seções transversais de estacas e miniestaca de candeia. corre-se o risco da cepa não brotar com consequente perda da matriz. (a) Estaca de ponteiro de ramos de árvore do candeal nativo. em trabalho com propagação vegetativa de candeia. (c) estaca de ponteiro de ramos de árvore do povoamento com dois anos de idade e. notou que 60% das cepas produziram brotações. o manejo das brotações torna-se alternativa onerosa e. os procedimentos operacionais são os mesmos que aqueles utilizados para a produção de mudas por sementes. antes de serem levadas para a área a pleno sol e expostas às condições ambientais mais adversas. Como substrato tem-se utilizado a mistura entre partes iguais de vermiculita de granulometria média e casca de arroz carbonizada (1:1).15 . Quando as mudas são levadas para a área aberta. Estacas mais juvenis podem ser obtidas por meio de brotações de cepas. 83% brotaram das raízes e 17% brotaram das próprias cepas. após realizar o corte de árvores no campo e avaliar o percentual de cepas brotadas. o processo de enraizamento de estacas e miniestacas será facilmente dominado. os recipientes utilizados são exclusivamente os tubetes. as mudas de candeia devem ser aclimatadas em estrutura com sombrite 50%. além disso. Rezende (2007). (d) miniestaca. Eremanthus erythropappus ainda é considerada uma espécie recalcitrante à rizogênese. Assim que o estado juvenil de plantas adultas selecionadas no campo for readquirido. No entanto. Após a permanência do material estaqueado por cerca de 20-40 dias em casa de vegetação. 60 .

Assim. enxadetas. Scolforo Antônio Donizette de Oliveira Antônio Cláudio Davide Charles Plínio de Castro Silva José Márcio de Mello Soraya Alvarenga Botelho Henrique Ferraço Scolforo Ivonise Silva Andrade José Carlos Martins Vinícius Augusto Morais Thiza Falqueto Altoé 4.1 . Figura 4. utilizando-se. No entanto. De maneira análoga. pode-se fazer apenas o coveamento (covas de 30 x 30 x 30 cm) do terreno. na faixa de 60 a 120 covas/homem/dia. já que os experimentos implantados para tal ainda estão no estágio de monitoramento e avaliação. dependendo do relevo. não é necessário revolver o solo. Em locais onde não for possível a mecanização.Terreno sulcado para o plantio. apenas fazer sulcos à profundidade de 30 cm. para isso.1 Implantação de povoamentos de candeia Até o momento.2 Preparo do terreno Em terreno com características de campo. da distância para o transporte dos insumos e do tipo de solo. em breve outro salto tecnológico na produção de mudas de candeia com alta qualidade.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA 4 . progênies ou clones testados para a candeia que possam ser indicados para plantio em determinados ambientes ou regiões. inclusive do óleo essencial. não existem procedências. 4. 61 . nos dois capítulos anteriores foi mostrada a enorme evolução alcançada nesse tema.1). no qual a vegetação é composta de gramíneas pouco agressivas. é necessário utilizar fontes locais de sementes. Os sulcos devem ser feitos onde não houver afloramentos de rocha e em situações em que o relevo for pouco acidentado. devem-se evitar os plantios comerciais fora das áreas de ocorrência natural das candeias. a fim de conservar o solo contra erosão e manter a umidade (Figuras 4.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA José Roberto S. Espera-se que. Essa operação tem baixo rendimento. colhendo-as de árvores com boas características na própria região de plantio.CAPÍTULO 4 . até que os materiais selecionados estejam disponíveis.

com faixa de retenção sobre o camalhão (acima) e terraço de base larga (abaixo). como mostrado na Tabela 4.3. EV). Entretanto. sendo chamado de terraço de base estreita. em que D representa a declividade da área (%) e X representa um fator que depende do tipo de terraço (incluindo faixas de retenção). O espaçamento entre terraços depende de fatores como declividade.2. MELO. 2010) 62 . Entre as formas de cálculo do espaçamento (espaçamento vertical. o terraço deve ter entre 2 e 12m de largura. Fonte: (LIMA.3 . como mostrado na Figura 4. destaca-se a fórmula proposta de Bentley citada por Bertoni (1959) e Bertolini et al. Faixas de retenção sobre o Camalhão dos terraços canal camalhão Base do terraço Terraço de base média canal Terraço de base larga camalhão Base do terraço Figura 4. por meio de aração.2 . não é o mais recomendado. tipo de solo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA O procedimento de preparo do solo.1. D EV = ` X + 2 j * 0.Esquema de terraço de base média. sujeita o solo a maior erosão causada pela chuva e pelo vento. média ou larga. pois.Procedimento de preparo do terreno não recomendado para o plantio. Nesse caso. é essencial a adoção de terraços e de curvas de nível para minimizar os impactos no primeiro ano do candeal. OLIVEIRA. Figura 4. mesmo. 305 Figura 4. se essa for a opção adotada e o terreno apresentar declividade acentuada. gradagem e sulcagem. tipo de cultura e. mesmo se forem feitos terraços e curvas de nível. além de aumentar os custos de implantação da floresta. (1993). tipo de manejo a ser adotado na área. do tipo de cultura (anual ou perene) e da resistência do solo à erosão.

45 m. o primeiro terraço está alocado a uma distância equivalente à metade do espaçamento vertical calculado (EV/2). utilizando-se terraços em gradiente e em um tipo de solo com média resistência à erosão.0 2.0 Exemplificando.Valores de X para a equação de Bentley. PRÁTICAS MECÂNICAS Terraços Cultura perene Resistência à erosão Gradiente Alta Média Baixa Cultura anual Nível Alta Média Baixa Gradiente Nível Terraços de base estreita Faixas de retenção Valores Cultura perene Cultura anual de X Gradiente Nível Nivelado Alta Média Baixa Alta Média Baixa Alta Média Baixa Alta Média Baixa Fonte: (LIMA. MELO.5 3.5 4. em um terreno com declividade de 10%.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Tabela 4. para o plantio de um candeal (cultura perene). Fonte: (LIMA. ter-se-á um espaçamento vertical entre os terraços de 2. locadas ao EV (espaçamento vertical). tem-se um valor de X de 2.0 4. OLIVEIRA. 2010) 63 .4 . De posse do EV e de D%. OLIVEIRA.CAPÍTULO 4 . 2010) Alta Média Baixa 1. Primeira nivelada locada à metade de EV e as demais niveladas. pode-se calcular a distância entre terraços.14 m e a sua instalação deve ser executada como mostrado na Figura 4.0 5. MELO.0 3.4. a distância entre terraços é de 21.4. de acordo com a equação a seguir.1 . mensurados na superfície do terreno. Na Figura 4.0.5 2. Seguindo o exemplo descrito.5 6. Distância entre terraços no terreno = EV D% sen 8arctan ` 100 jB Figura 4.5 5.Esquema de locação de niveladas básicas para terraços. para espaçamento entre terraços. Portanto.

5 x 3.5 x 3.5 x 2.5 m.5). aos 44 meses de idade.5 m. por meio de capinas ou coroamento.0 m.5 m ou 2. ou seja. (c) espaçamento 1. pobres em nutrientes. entre outros (Figura 4. aos 19 meses.5 x 1.0 m.5 x 1. ainda não permitem recomendar de maneira científica o espaçamento adequado para essa espécie.5 m. aos 125 meses de idade.3 Espaçamento Os primeiros experimentos referentes a espaçamento para o plantio de candeia foram implantados recentemente e. 64 .Plantio experimental.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 4.0 m.5 x 2.5 m para terrenos nos quais seja possível fazer o preparo mecanizado do solo e os tratos silviculturais serem realizados manualmente. deve-se usar espaçamentos menores em solos piores. em dois espaçamentos: (a) espaçamento 1. Nesse caso. pelas análises iniciais pode-se sugerir os espaçamentos iniciais de plantio 3.5 x 1. pode-se adotar os seguintes espaçamentos: 2. a b c d e f Figura 4. mais arenosos. (e) espaçamento 1.0 m ou 2. (d) espaçamento 1.5 m.0 x 2. aos 44 meses de idade. (b) espaçamento 1.5 x 3. Em áreas nas quais só for possível fazer o coveamento. Entretanto. aos 19 meses de idade. portanto.0 x 2. em Carrancas/MG.5 . aos 125 meses de idade e (f ) espaçamento 1.

9). efetuando-se poda nas raízes. Imediatamente antes do plantio. é preciso fazer uma adubação de cobertura. A profundidade de plantio das mudas deve ser tal que o colo das mesmas não fique acima do nível da superfície do terreno. no caso das mudas produzidas em sacos plásticos. Na Figura 4.6). ou uma formulação N:P:K. ou a 4:14:8.10. já que isso leva ao aumento da umidade. é mostrado um povoamento plantado com candeia. Figura 4. recomenda-se molhar abundantemente as mudas produzidas em tubetes. As figuras a seguir indicam.5 Plantio Podem ser utilizadas mudas produzidas em tubetes ou em sacos plásticos. na mesma dosagem. O oposto também deve ser evitado. Já.7). se essas estiverem enoveladas.4 4 . mas não encharcado.Aplicação da adubação de plantio 4.CAPÍTULO 4. o colo da muda não deve ficar soterrado. adicionando-se 50 g de N:P:K 20:0:20 por planta. ou seja. a sequência de plantio (Figura 4. 30 dias após o plantio.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Adubação Pode-se adotar as adubações de plantio normalmente utilizadas para os plantios de espécies nativas (Figura 4. facilmente encontrada no mercado.6 . com o dobro da dosagem. Elas deverão ser retiradas com cuidado dos tubetes ou sacos plásticos. cerca de 100 a 150 g de superfosfato simples por cova. podendo provocar rachaduras que favorecem a entrada de patógenos. o que causa exposição de raízes e posterior morte da muda. deve-se molhar o substrato até que ele fique úmido. 65 . tanto para mudas produzidas em saco plástico (Figura 4. como a 8:28:16. quanto para as produzidas em tubetes (Figura 4. ou seja. O ideal é que as mudas estejam com altura entre 25 a 35 cm e diâmetro do colo mínimo de 5mm. ou seja.8). agentes causadores de doenças. No caso de utilizar o superfosfato simples.

7 .8 . a b Figura 4. (b) retirada da muda do tubete.Plantio de mudas produzidas em tubetes: (a) instalação do equipamento de plantio da muda em tubete no local da cova.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c Figura 4. b a d c Figura 4. (c) retirada do equipamento deixando a muda plantada e (d) compactação de solo.Preparo da cova para o plantio da candeia: (a) abertura de covas.Plantio de mudas produzidas em saco plástico: (a) retirada do saco plástico da muda e poda das raízes e (b) plantio da muda na cova. (b) distribuição do adubo e (c) homogeneização do adubo no solo.9 . 66 .

Quando o plantio for feito utilizando mudas produzidas em tubetes. Figura 4. voltar a mistura para a cova. é preciso compactar o solo em torno do sistema radicular da muda. deve-se utilizar covas abertas no sulco. O fertilizante deve ser incorporado e bem misturado ao solo. do fundo da cova para a superfície (Figura 4.11). acopladas à traseira. O colo da muda deverá ficar ao nível do solo.CAPÍTULO 4 . deve-se misturar o adubo à terra retirada da cova e. Para o plantio.Área com plantio de candeia. Quando a perda de mudas por morte for superior a 5%. utilizando-se três litros de água por cova.8b).10 . 67 . com o uso de carreta-pipa.Operação de irrigação pós-plantio. Quando o plantio for feito utilizando-se mudas produzidas em sacos plásticos.11 . acondicionando-se às mudas no fundo das covas. As irrigações podem ser realizadas com carretas-pipa com duas ou mais mangueiras (Figura 4. deve-se irrigar novamente a cada dois dias até que as mudas apresentem uma folhagem nova com uma coloração mais forte. deverá ser efetuado o replantio. no espaçamento 2. é preciso fazer irrigação.6 Irrigação Se não chover no período compreendido entre o plantio e a pega definitiva das mudas. tomando-se o cuidado de não deixar bolsas de ar em contato com o sistema radicular das mudas. Se a estiagem persistir. iniciando-se quinze dias após o plantio.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Figura 4. 4.5 m e com dois anos de idade. depois. usando uma vara com um tubete na ponta. abre-se um orifício no local da mistura.0 x 2. de maneira semelhante à que estava no tubete. Para tanto.

Figura 4. 4. Ainda não há estudos do hidrogel para a candeia e. além daqueles situados à distância de 50 m ao redor das áreas de plantio em todo o seu perímetro.4 L dessa solução homogeneizada no solo da cova.7 O uso de hidrogel no plantio Vários estudos indicaram o hidrogel como produto promissor para ser usado na agricultura irrigada ou de sequeiro. Já. deixando aparecer o solo mais claro trazido de camadas mais profundas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 4. A sua aplicação dá-se com o produto seco ou umedecido (Figuras 4. deve-se ter cautela ao utilizá-lo no plantio dessa espécie. o que facilita a localização dos formigueiros. por isso.13 – Aplicação do hidrogel seco no fundo da cova (a) e umedecido misturado ao solo (b). A literatura indica que deve-se usar de 3 a 7 g do produto seco no fundo da cova ou homogeneizado com o solo retirado da cova antes do plantio. à direita. quando elas já desobstruíram seus olheiros. principalmente pela habilidade que o mesmo apresenta em armazenar e disponibilizar água para as plantas.12 . a b Figura 4. É necessário eliminar pelo menos 95% dos formigueiros de saúva e quenquém instalados na área de plantio. à esquerda e seco. antes do plantio. 68 .12 e 4.6 a 1.13).Ilustração do hidrogel hidratado. já que ela se desenvolve melhor em solos bem drenados. para o produto umedecido deve-se colocar 1 kg do produto em 200 L de água e aplicar de 0.8 Combate às formigas O combate às formigas cortadeiras deve ser feito quinze dias após o revolvimento do solo.

as especificações do fabricante do formicida e a legislação pertinente (Lei Federal nº 7802). seis meses após o plantio ou no início da temporada de chuva seguinte. Após a aplicação.CAPÍTULO 4 .MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Inicialmente.15 . rigorosamente. aplicado a uma distância do pé da planta equivalente a 2/3 do raio da 69 . recomenda-se utilizar 50 g do adubo formulado N:P:K (20-00-20) por planta.9 Adubação pós-plantio Estudos relacionados à adubação pós-plantio para a candeia ainda estão em fase de avaliação. Figura 4. Figura 4. 4.14 .Combate inicial de formiga.14). É preciso observar.Combate de repasse. devem ser feitas vistorias periódicas nas áreas e realizar combates de repasse com isca formicida granulada (Figura 4. Apesar disso.15). utilizando-se isca formicida. o combate poderá ser feito usando-se formicida em pó (Figura 4.

podem ser plantadas outras culturas.10 Tratos silviculturais Em áreas onde houve mecanização no plantio. deve-se fazer uma roçada manual. Nas entrelinhas. como se observa na Figura 4.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA copa. pelo menos. a b Figura 4. Figura 4. é necessário fazer o coroamento manual ao redor das mudas. desde que seja tomado o cuidado de deixar a linha de plantio dessas culturas a. com um diâmetro de 0.16. pode-se fazer roçada manual ou mecânica (Figura 4. 70 . um metro de distância da linha de plantio da candeia. Nas entrelinhas (ruas).17). como o feijão e o milho. considerando-se 0.17 .5 m de cada lado.Operação de capina manual (a) e roçada mecânica (b). entre as covas.5 m e. A aplicação dessa adubação deve ser feita com cautela. Em áreas em que não houve mecanização no plantio. já que um erro na dosagem pode causar toxidez à planta. faz-se capina manual na linha de plantio.Aplicação do adubo pós-plantio 4.16 .

Como a candeia Eremanthus erythropappus é uma espécie que. deixando-a mais cilíndrica.18 .0 m) e subparcelas com e sem desrama. nos subtratamentos que sofreram desrama houve uma diminuição no número de fustes. no experimento de espaçamento em Carrancas .0 m. que foi instalado em março de 2002.5 m de comprimento. tem uma bifurcação acentuada. até que se tenha.Indivíduos desramados aos 12 meses após plantio (a) e aos 54 meses.12 Expectativa de produção em diâmetro e altura para a candeia Eremanthus erythropappus Essa informação será apresentada. Em cada combinação espaçamento e desrama foram avaliadas 896 covas. com dois fatores (espaçamentos e prática de desrama). para cada tratamento. um fuste com 2. desconsiderando-se as covas de plantas mortas.18a).5x3. no município de Carrancas.5x2. Estudos para definir qual o número de fustes a serem conduzidos para maximizar o volume ainda estão em andamento.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA 4. que é a extensão de um mourão (Figura 4. 448 covas receberam desrama e 448 não receberam. em condições naturais. 71 . A desrama não deve ultrapassar a metade da altura total da planta. utilizando-se o experimento de parcelas subdivididas delineamento em blocos casualizados. As desramas subsequentes devem ser executadas com um intervalo entre 1 a 2 anos. sendo executada a terceira desrama (b). T02: 1. Na Tabela 4. T03: 1.5x2. em esquema de parcelas subdivididas. Outro ponto importante é o número de fustes total.11 Desrama A desrama é feita com o objetivo de melhorar a forma do fuste.MG.CAPÍTULO 4 . todos mais finos que o desejado. é apresentado o número total de fustes inventariados e a média de fustes por cova. ou seja.5 m. pelo menos. MG. evitando que as plantas fiquem com vários fustes. diminuindo a competição e conduzindo a planta a um fuste mais retilíneo.18b).5x1.5 m e T04: 1. a b Figura 4. além de conduzir esse fuste para a formação de um mourão mais próximo do retilíneo. contendo quatro espaçamentos de plantio (T01: 1. 4.2. A primeira desrama deve ser executada 12 meses após o plantio (Figura 4.

03 (1. Muito provavelmente embora com maior conicidade típica para as plantas não sujeitas a desrama.836 1. Comportamento similar foi encontrado para os demais tratamentos.0 m). aumentando a competição por espaço.5 anos (Tabela 4.Número total de fustes inventariados e a média de fustes por cova de plantas vivas Com desramas Sem desramas Tratamento Total Por cova Total Por cova 1. de acordo com a época de medição da primeira CAP.0 m). o número de fustes medidos até 6.0 m 677 1. Essa separação por grupo de plantas que apresentaram ingresso em cada idade de medição foi necessária.58 anos 3.5 x 2. apresentam-se o número de fustes e a sua porcentagem. 02 (1. semestralmente. formou o grupo 1 do tratamento correspondente. na idade de 6.30 m de altura do solo (CAP) daquelas que apresentaram valor de CAP≥9. como esperado.365 1. com desrama e sem desrama.Agrupamento do dados.5 x 1.5 anos ou 78 meses.2 .08 anos 4. 72 . o conjunto de fustes em que a sua CAP foi mensurada na 4ª medição. inventariados para os tratamentos 01 (1.488 823 2.56% dos fustes chegaram ao diâmetro mínimo de medição aos 3. Já para os fustes sem desrama.92 anos 2.5 x 2. destaca-se que 55.207 738 1.58 anos.888 As medições foram feitas. Isso pode ter ocorrido em razão da ausência de desramas sucessivas. a idade e o ritmo de crescimento possibilitou o grande ingresso de plantas ao sistema de medição.440 954 2.5 anos foi maior para os maiores espaçamentos. até os fustes que não tiveram a sua CAP mensurada até a 11ª medição aos 6.76% superando o tratamento que considerou a desrama. Para cada tratamento.67 anos 4. Os dados coletados foram agrupados em conjuntos de fustes. Já.524 1.30% aos 6. distribuído em cada grupo de plantas. aumentando a conicidade do tronco.0 m 485 1.5 x 3. aos 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.5 m 443 1. Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6 Grupo 7 Grupo 8 Grupo 9 GRUPOS DE PLANTAS CAP à 4ª medição CAP à 5ª medição CAP à 6ª medição CAP à 7ª medição CAP à 8ª medição CAP à 9ª medição CAP à 10ª medição CAP à 11ª medição Sem medição de CAP IDADE 1ª MEDIÇÃO DA CAP 1.5 x 3.5 m) e 04 (1.5 x 1. número muito inferior ao tratamento que considerou a desrama.15% dos fustes chegaram ao diâmetro mínimo de medição aos 3. em razão também do grande número de fustes. o recrutamento das novas plantas causava diminuição na média dos dados ao longo do tempo. Pode-se ainda observar que com o aumento do espaçamento.0 cm.3).5 m 530 1.5 anos o percentual mensurado foi de 87.08 anos 6. de acordo com a idade de mensuração da CAP mínima. Exemplificando para o tratamento 01 com desrama.5 x 2.3 . mensurando-se a altura de todas as plantas e a circunferência à 1.08 anos 3.5 m). já que de uma medição para outra.58 anos 5.08 anos. formam o grupo 2 e assim por diante. destaca-se que mais de 21.693 1158 2.5 x 2.50 anos Na Tabela 4. distribuídos em cada grupo de plantas.08 anos ou 37 meses e 81.92 anos.4. Os fustes que tiveram a sua CAP mensurada a partir da 5ª medição aos 2. Tabela 4.

Tratamento 01 (1.64% 7.60% 66.15% 1.71% 70.95% 73.0 m.87% 48.54% 68.67 anos Grupo 5 – 4.08% 33.87% 21.37% 72.58 anos Grupo 3 – 3.38% 5.67 anos Grupo 5 – 4.15% 15.29% 0.92% 22.76% 94.87% ACUMULADO 0.07% 3.54% 100.5 x 2.00% Tratamento 02 (1.24% 15.48% 21.5 x 3.4 . com desramas e sem desramas.09% 81.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Tabela 4.59% 7.15% 14.58 anos Grupo 7 – 5.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 7 104 87 1295 148 2202 53 789 111 1652 5 74 16 238 48 714 10 149 122 1815 % REAL 1.82% 2.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 13 258 100 1984 176 3492 38 754 44 873 6 119 6 119 43 853 17 337 81 1607 % REAL 2.5 x 1.5 x 1.Número de fustes e suas porcentagens.08 anos Grupo 8 – 6.5 m) com desramas sucessivas.13% 100.00% Tratamento 01 (1. 1.46% 14. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.33% 24.40% 1.49% 39.25% 79.21% 3.56% 42.15% 8.58 anos Grupo 7 – 5.80% 71.26% 5. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.5 x 1.5 m e 1. 1.00% 73 .5 m) sem desramas sucessivas.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 2 40 44 873 123 2440 164 3254 173 3433 30 595 35 694 117 2321 50 992 46 913 % REAL 0.65% 20. medidos nos tratamentos (1.89% 67.08 anos Grupo 6 – 4.58 anos Grupo 3 – 3.58 anos Grupo 7 – 5.08 anos Grupo 6 – 4.5 x 2.73% 18.90% 100.5 x 2.40% 70.25% 8.08 anos Grupo 4 – 3.92 anos Grupo 2 – 2.67 anos Grupo 5 – 4.69% 20.92 anos Grupo 2 – 2.08 anos Grupo 6 – 4.48% 19.30% 84. observados nas parcelas e acumulados para cada grupo de plantas.92 anos Grupo 2 – 2.38% 8.91% 1.26% 5.08 anos Grupo 8 – 6.47% 64.58 anos Grupo 3 – 3. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.83% 87.83% 4.08 anos Grupo 4 – 3.46% ACUMULADO 2.92% 6.15% 62.0 m).08 anos Grupo 4 – 3.CAPÍTULO 4 .61% 15.10% ACUMULADO 1.08 anos Grupo 8 – 6.5 m.56% 55.0 m) com desramas sucessivas.35% 78.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tratamento 02 (1.49% 9.20% 20 238 1.5 x 2.54% 174 2071 28.91% 133 1583 12.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.80% 2.20% 7.08 anos Grupo 8 – 6.08 anos Grupo 4 – 3.67 anos Grupo 5 – 4.43% 76.89% 89.44% 47.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas 74 NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 5 74 61 908 159 2366 248 3690 192 2857 22 327 23 342 92 1369 21 313 100 1488 % REAL 0.52% 23.25% 72.15% 24.46% 70 833 6.92 anos Grupo 2 – 2.54% 6.85% 74.05% 74.58 anos Grupo 3 – 3.38% 2.11% 50 595 8.44% 107 1274 17.20% 6 71 0.5 m) sem desramas sucessivas.00% % ACUMULADO 3. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.99% 15 179 1.07% 71.70% 93.58 anos Grupo 7 – 5.58 anos Grupo 3 – 3.58 anos Grupo 7 – 5.59% 77.87% 20.17% 100.98% 49.58 anos Grupo 7 – 5.92% 248 2952 24.5 x 2.54% 7.80% 74.23% 26.70% 85.95% 40 476 3.08 anos Grupo 6 – 4.58 anos Grupo 3 – 3.0 m) sem desramas sucessivas.92% 86.00% .16% 100.44% 20.20% 75 893 7.66% 72.97% 2.92 anos Grupo 2 – 2. NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE REAL 21 250 3.74% 17 202 2.61% 17.98% 80 952 13.84% ACUMULADO 0.79% 19 226 3.08 anos Grupo 8 – 6.67 anos Grupo 5 – 4.08 anos Grupo 8 – 6.08 anos Grupo 4 – 3.71% 91.11% Tratamento 03 (1.92 anos Grupo 2 – 2.38% 51.22% 258 3071 25.00% % ACUMULADO 0.08 anos Grupo 6 – 4.08 anos Grupo 6 – 4.28% 10.89% 100.90% 86.67 anos Grupo 5 – 4.51% 56.32% 163 1940 15. NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE REAL 2 24 0.83% Tratamento 03 (1.5 m) com desramas sucessivas.08 anos Grupo 4 – 3.80% 78.52% 40 476 6.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.56% 96 1143 15.5 x 2.

0 m) sem desramas sucessivas.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Tratamento 04 (1. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.5 x 3.67 anos Grupo 5 – 4.58 anos Grupo 7 – 5.08 anos Grupo 8 – 6.22% 16.00% Tratamento 04 (1.58 anos Grupo 3 – 3.31% 69. para cada tratamento. será utilizada para análise do crescimento do DAP.07% 6.90% ACUMULADO 0.14% 17.03% 6.5.29% 77.47% 70.97% 67.00% 43.03% 23.92 anos Grupo 2 – 2.13% 47.21% 28. são mostradas as equações que retratam o desenvolvimento da circunferência para os diferentes grupos dos 4 tratamentos avaliados.25% 8. é demonstrada essa estrutura do povoamento para cada tratamento com ou sem desrama.92% 19.97% 20. 75 .66% 91.96% 18.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 7 69 138 1369 167 1657 44 437 132 1310 16 159 30 298 128 1270 15 149 48 476 % REAL 0. sendo feita para cada grupo. de acordo com a idade de mensuração da CAP mínima. exceto para o Tratamento 2 sem desrama.08 anos Grupo 8 – 6.66% 2.62% ACUMULADO 0.5 x 3. por este apresentar inconsistência em algumas medições da área de copa. da altura.85% 1.52% 73. em grupos.58 anos Grupo 7 – 5.CAPÍTULO 4 .31% 93.07% 18. a) Comportamento do diâmetro em função do espaçamento Na Tabela 4.92 anos Grupo 2 – 2.08 anos Grupo 4 – 3.58 anos Grupo 3 – 3..83% 19.25% 9.08 anos Grupo 4 – 3.50% 2. da área de copa e do volume total.74% 3. GRUPO DE PLANTAS Grupo 1 – 1.82% 7.36% 96.38% 100.21% 2.0 m) com desramas sucessivas.10% 100.51% 94.10% 67.08 anos Grupo 6 – 4.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas NÚMERO DE FUSTES REAL HECTARE 3 30 108 1071 228 2262 239 2371 235 2331 34 337 87 863 203 2014 21 208 47 466 % REAL 0.03% 49.08 anos Grupo 6 – 4.21% 4.00% A distribuição dos fustes.97% 19. A seguir.67 anos Grupo 5 – 4.

3592*(1-exp(-0.3376*t)) T02cd .263489*t)) T02cd .9222*(1-exp(-0.333243*t)) T03sd .grupo 2 CAP = 21.202382*t)) T02cd .306518*t)) T01sd .9020*(1-exp(-0.237929*t)) T04cd .419319*t)) T01sd .2776*(1.332132*t)) T04sd .grupo 5 CAP = 14.0821*(1-exp(-0.grupo 5 CAP = 10.grupo 2 CAP = 19.grupo 3 CAP = 22.300655*t)) T03sd .213106*t)) T03cd .263219*t)) CAP: circunferência a 1.308392*t)) T01cd .grupo 7 CAP = 15.30 m de altura do solo (cm).grupo 4 CAP = 15.grupo 3 CAP = 16.grupo 6 CAP = 12.0492*(1-exp(-0.8454*(1-exp(-0.2904*(1-exp(-0.grupo 1 CAP =37.5056*(1-exp(-0.exp(-0.9685*(1-exp(-0.grupo 1 CAP = 32.grupo 7 CAP = 14.7513*(1-exp(-0.4676*(1-exp(-0.grupo 2 CAP = 20.grupo 7 CAP = 16.188217*t)) T03sd .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.0192*(1-exp(-0.9419*(1-exp(-0.grupo 1 CAP = 21.385098*t)) T01sd .Equações ajustadas para estimação da circunferência em função da idade.grupo 6 CAP = 14.grupo 1 CAP = 31.6303*(1-exp(-0.grupo 6 CAP = 12.grupo 6 CAP = 12.grupo 4 CAP = 16.386243*t)) T01sd . t: idade do povoamento em anos.9011*(1-exp(-0.grupo 6 CAP = 13.grupo 1 CAP = 35. TRATAMENTO .247535*t)) T03cd .361071*t)) T04sd .grupo 7 CAP = 23.grupo 7 CAP = 13.4543*(1.grupo 2 CAP = 32.395996*t)) T04sd . sd: sem desrama.176219*t)) T04cd .9966*(1-exp(-0.6842*(1-exp(-0.4494*(1-exp(-0. 76 .7653*(1-exp(-0.grupo 4 CAP = 14.6700*(1-exp(-0. exp: base do logaritmo neperiano.3030*(1-exp(-0.347892*t)) T04sd .303332*t)) T04cd .289259*t)) T02cd .225959*t)) T02cd .2519*(1-exp(-0.0225*(1-exp(-0.543441*t)) T01sd .0108*(1-exp(-0.grupo 3 CAP = 21.grupo 3 CAP = 15.grupo 2 CAP = 26.grupo 4 CAP = 12.grupo 1 CAP = 26.5 .167786*t)) T04cd .253645*t)) T01cd .4026*(1-exp(-0.496384*t)) T01cd .7437*(1-exp(-0.2509*(1-exp(-0.243553*t)) T01cd .0822*(1.grupo 2 CAP = 31.6223*(1-exp(-0.341652*t)) T01sd .267667*t)) T04sd .320488*t)) T01cd .grupo 6 CAP = 19.7829*(1-exp(-0.385189*t)) T03sd .4884*(1-exp(-0.grupo 2 CAP = 29.8104*(1-exp(-0.grupo 4 CAP = 19.grupo 4 CAP = 12.grupo 3 CAP = 21.432009*t)) T03sd .272126*t)) T04cd .427843*t)) T01cd .grupo 5 CAP = 12.240226*t)) T04cd .7826*(1.2247*(1-exp(-0.21565*t)) T04cd .1669*(1-exp(-0.308438*t)) T03cd .exp(-0.9939*(1-exp(-0.grupo 7 CAP = 12.2946*(1-exp(-0.7730*(1-exp(-0.207624*t)) T03cd .grupo 1 CAP = 24.342525*t)) T03cd .505679*t)) T03sd .335249*t)) T04sd .3970*(1-exp(-0.GRUPO DE PLANTAS EQUAÇÃO T01cd .grupo 4 CAP = 13.grupo 7 CAP = 12.292334*t)) T01sd .357304*t)) T02cd .3968*(1-exp(-0.exp(-0.0555*(1-exp(-0.281104*t)) T03sd .grupo 5 CAP = 11.grupo 5 CAP = 15.exp(-0.grupo 3 CAP = 15.6797*(1-exp(-0.3464*(1-exp(-0.4464*(1-exp(-0.26893*t)) T02cd .grupo 3 CAP = 19.277421*t)) T03cd .grupo 5 CAP = 14.0165*(1-exp(-0. cd: com desrama.108724*t)) T03cd .grupo 5 CAP = 12.4943*(1-exp(-0.grupo 6 CAP = 14.316378*t)) T04sd .7059*(1-exp(-0.

08522 6.33024 4.42219 3.82953 3.09371 6.06710 5.08 6. Nota-se melhor desempenho do grupo de plantas que tiveram suas circunferências mensuradas a partir da 4ª medição (1.31985 8.84219 3.6. valores de 7. Tendo cada produto o seu valor.76337 4.88100 77 .50 7. pois essas alcançam um maior diâmetro. similar as plantas dominantes. sendo.08 3. são mostrados os valores individuais de diâmetros estimados para o tratamento 01 (1.55091 3.07743 4.Diâmetro em relação à idade para cada grupo de plantas no tratamento 01 com desramas sucessivas.86437 3. pode-se quantificar melhor a renda da colheita da floresta.5) e tomando como base a idade de 10 anos e diâmetros ≥ 3.76284 5.77227 3.75757 9.18271 6.93233 7.53482 5.0 cm.CAPÍTULO 4 .MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Na Tabela 4.83982 3.31579 4.58943 4.69322 3.40943 9.984 fustes por hectare.50310 4.00872 6.90459 6.67 4.81107 5.03988 3.92 anos ou 23 meses) o que é esperado por apresentarem maior potencial de crescimento.08 4. Já.96580 8.56988 5.00 14.4) para o tratamento 01.45085 4.98252 5. com as projeções do diâmetro (Tabela 4. Vale ressaltar que a projeção da CAP não foi feita para os dois últimos grupos.33838 3.00 9.42514 3.98824 4. menos vigorosas.79790 3.0451 T01cd grupo 2 T01cd grupo 3 T01cd grupo 4 T01cd grupo 5 T01cd grupo 6 T01cd grupo 7 4.34228 3.44866 5.28061 4.49462 6.05511 8.70240 7.59% dos fustes ou 3.37071 4. Relacionando os percentuais dos fustes que sofreram desrama (Tabela 4.81225 3.40 cm de diâmetro.19477 8.36625 4.44180 6. Como exemplo.81902 3.92 2.08% ou 1.58575 3. a renda seria maximizada.43755 8.90597 3. a partir da idade em que atingiram o diâmetro mínimo de medição.00 13.55936 4.01700 4.80175 3.50768 4.21224 4.71873 3.58 3.21304 6.01cm de diâmetro.87748 9.77338 3. direcionando cada grupo de plantas para um uso que a valorize mais. as plantas do segundo e do terceiro grupos podem ser comercializadas para moirão de cerca convencional e as plantas dos outros grupos seriam comercializadas para a extração de óleo essencial.00 8.64699 3.86132 4.12440 8.5m) com desramas.57384 4.43353 3.84209 3.16045 9.17817 3.00 10. e para o Grupo 9 pois este sequer apresentava ainda alguma medição da variável CAP. pois o Grupo 8 ainda não apresentava medições suficientes dessa variável que permitisse sua projeção.64392 3. portanto.11803 4.5 x 1. observa-se que 2.84364 3. De posse dessas informações.58327 4.75593 6.26651 4.39240 4.74673 6.97147 10. 19.00 T01cd grupo 1 3.51127 7. ao longo do tempo até 15 anos.39278 5.44992 3. Esse desempenho diminui à medida que as plantas chegam ao valor mínimo de medição mais tarde.05852 6.83593 3.60459 9. Idades (anos) 1.492 fustes por hectare alcançarão 6.72677 3.94752 7.70 cm e 33.53716 4.00 11.48% dos fustes ou 258 fustes por hectare irão alcançar valores de 9.84280 9.23532 3.85174 4.6 .95255 4.00 15.53695 3.14142 6.00 12.85072 7. as plantas do grupo 1 podem ser colhidas para esteio de curral.58 5.59344 3.26495 7.41137 4. Tabela 4.

objeto desse estudo. em termos absolutos.30 metros de altura do solo.6. Então.243553*t)) Então para a idade de 1. deve-se sempre dividir este valor encontrado da CAP pela constante π. Entretanto. para a equação de ajuste da CAP representar o valor de DAP exposto na Tabela 4. como é típico das espécies nativas. verificou-se que as médias dos diâmetros também aumentaram com o espaçamento. Uma explicação para a não diferenciação estatística da média dos diâmetros é que os tratamentos extremos em espaçamento não foram suficientemente diferentes para que diferenças estatísticas fossem observadas. DAP=12.243553*1. um exemplo de cálculo é mostrado abaixo para o grupo 1.85174 cm Para as demais idades nesse grupo.1006 cm para essa idade. o baixo incremento 78 . Sendo assim: CAP=2πR Em que: CAP é a circunferência medida a 1. apresentados na tabela 4. e π é a constante.1006⁄π DAP = 3. a conversão da CAP para o DAP faz-se da seguinte forma: CAP=2π(DAP⁄2) CAP=πDAP DAP=CAP⁄π Então.6 é o DAP. R é o raio. Assim. Como a CAP nada mais é do que a circunferência medida a 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA EXEMPLO DE CÁLCULO: Para caracterizar como os valores de diâmetro. com desrama. Uma segunda explicação é que a espécie. o processo é o mesmo com essa equação.397*(1-exp(-0.30 metros de altura do solo.6.92)) CAP = 12. Primeiramente aplica-se a equação da CAP ajustada para este grupo (Tabela 4. Quando observada a média dos diâmetros de todos os tratamentos com desrama verificou-se que elas não diferiram estatisticamente. não contempla qualquer trabalho de melhoramento genético e de nutrição de plantas. então existe a necessidade de conversão deste resultado de CAP em DAP.5) em função da idade: CAP=32. foram obtidos. bastando-se apenas mudar o t (idade avaliada).397*(1-exp(-0. esta pode ser expressa como o perímetro da circunferência do circulo medida a 1.30 metros de altura do solo. e para os demais grupos basta apenas a aplicação da fórmula desenvolvida para a CAP do grupo em questão. Como a característica de interesse apresentado pela Tabela 4. o qual representa metade do diâmetro medido a 1.30 metros do solo.92 anos: CAP=32.

grupo 7 T02cd . Esse maior engrossamento que.grupo 3 T01cd . Tabela 4.grupo 6 T01cd . Esse fato ocorre pela retirada dos fustes secundários e pela retirada dos galhos da porção inferior da copa.238049*t)) HT = 6.. Quando observadas as médias de todos os tratamentos sem desrama.7.90075*(1-exp(-0.44550*(1-exp(-0.91057*(1-exp(-0.30873*(1-exp(-0.278234*t)) HT = 5.grupo 7 T01sd .313972*t)) HT = 5.197574*t)) HT = 10..grupo 9 T02cd .16338*(1-exp(-0.322157*t)) HT = 5. ocorre de forma mais intensa na base da copa.grupo 9 T03cd .grupo 5 T01sd .38490*(1-exp(-0. proporcionalmente.8727*(1-exp(-0.11030*(1-exp(-0.324122*t)) HT = 5.grupo 2 T02cd .04341*(1-exp(-0. sendo maiores para os tratamentos em que ocorreu a desrama.grupo 3 T02cd .34441*t)) HT = 5.60784*(1-exp(-0.297805*t)) HT = 5.321848*t)) HT = 5.292118*t)) HT = 5. a energia que sobra é convertida em carboidratos que propiciaram maior engrossamento do fuste desramado.grupo 4 T01cd .275548*t)) HT = 5.21306*(1-exp(-0.62527*(1-exp(-0.19115*t)) HT = 5.08947*(1-exp(-0.51512*(1-exp(-0. 79 .27562*t)) HT = 5.grupo 8 T02cd .86782*(1-exp(-0. No entanto.65929*(1-exp(-0.297956*t)) HT = 5.186751*t)) HT = 5.190989*t)) HT = 4. são mostradas as equações que retratam o desenvolvimento da altura para os diferentes grupos dos 4 tratamentos avaliados.grupo 2 T03cd .24069*t)) HT = 6.grupo 5 T02cd .269554*t)) HT = 5.grupo 6 T02cd .grupo 4 T01sd .grupo 4 T02cd .211721*t)) HT = 5.grupo 7 T01cd .61532*(1-exp(-0.87368*(1-exp(-0.69982*(1-exp(-0.38239*(1-exp(-0.188113*t)) HT = 3.32289*t)) HT = 5. é a reação da árvore na busca de sustentar sua nova arquitetura. Ou ainda.0764312*t)) HT = 4. os quais contemplam as folhas velhas que são grandes consumidoras de energia.grupo 1 T02cd .233093*t)) HT = 5. verificou-se também que elas não diferiram estatisticamente.7 .grupo 1 T01cd .GRUPO DE PLANTAS T01cd .62581*(1-exp(-0. b) Comportamento da altura em função do espaçamento Na Tabela 4.grupo 3 EQUAÇÃO HT = 5.282485*t)) HT = 5.Equações ajustadas para determinação da altura total em função da idade.grupo 6 T01sd .253722*t)) HT = 5.grupo 1 T03cd .27411*(1-exp(-0.grupo 2 T01cd .grupo 3 T01sd .grupo 5 T01cd . quando comparadas às médias de todos os tratamentos com desrama versus todos os tratamentos sem desramas elas diferiram estatisticamente. TRATAMENTO .77517*(1-exp(-0.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA corrente anual em diâmetro (ICAD) não propiciou diferenciação esperada em diâmetro que aquele típico de plantios em que se pratica uma silvicultura intensiva.99822*(1-exp(-0.75338*(1-exp(-0.grupo 8 T01sd .grupo 9 T01sd .73577*(1-exp(-0.233111*t)) HT = 4.grupo 2 T01sd . esta diferenciação poderá ocorrer somente em idades mais avançadas.CAPÍTULO 4 .11816*(1-exp(-0. Eliminando-as.59210*(1-exp(-0.299445*t)) HT = 5.226546*t)) HT = 6.291384*t)) HT = 5.grupo 1 T01sd .grupo 8 T01cd .263144*t)) Continua.75987*(1-exp(-0.72240*(1-exp(-0.

41366*(1-exp(-0.grupo 3 HT = 5.30021*t)) T03sd .grupo 9 HT = 4.Continuação TRATAMENTO . exp: base do logaritmo neperiano.grupo 4 HT = 5. t: idade do povoamento em anos.grupo 5 HT = 5.grupo 2 HT = 5.grupo 5 HT = 5.grupo 4 HT = 5.grupo 7 HT = 5.200712*t)) T04sd .304995*t)) T03sd .97491*(1-exp(-0.285318*t)) T04sd .2224*t)) T03cd .grupo 3 HT = 5.93525*(1-exp(-0.323308*t)) HT: altura total (m).GRUPO DE PLANTAS EQUAÇÃO T03cd .grupo 8 HT = 9.42112*(1-exp(-0.grupo 1 HT = 5.157033*t)) T03sd . 80 .290559*t)) T04cd .64459*(1-exp(-0.grupo 5 HT = 5.24091*t)) T03sd .22786*(1-exp(-0.27364*(1-exp(-0.43295*(1-exp(-0.248218*t)) T04cd .0817767*t)) T04cd .52073*(1-exp(-0.grupo 1 HT = 5.31026*(1-exp(-0.304634*t)) T04sd .35643*(1-exp(-0.182088*t)) T03cd .grupo 1 HT = 5.grupo 8 HT = 5.21753*(1-exp(-0.93349*(1-exp(-0.61516*(1-exp(-0.grupo 2 HT = 5.34760*(1-exp(-0.179902*t)) T03cd .grupo 4 HT = 5.34968*(1-exp(-0.grupo 7 HT = 5.349574*t)) T03sd .210669*t)) T03cd .grupo 6 HT = 5.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.01855*(1-exp(-0.238197*t)) T04cd .278697*t)) T04sd .79953*(1-exp(-0.35662*t)) T03sd .7 .73630*(1-exp(-0.63298*(1-exp(-0.grupo 6 HT = 5.grupo 4 HT = 5.24098*t)) T04cd .grupo 2 HT = 5.291025*t)) T04sd .grupo 7 HT = 6.grupo 7 HT = 6.27866*(1-exp(-0.474134*t)) T04cd .148848*t)) T04cd .88399*(1-exp(-0.336266*t)) T04cd .209302*t)) T03sd .grupo 8 HT = 6.08092*(1-exp(-0.60018*(1-exp(-0.grupo 5 HT = 6.grupo 9 HT = 3.19159*(1-exp(-0.295845*t)) T03sd .268074*t)) T03sd .277411*t)) T04cd .grupo 9 HT = 3.218777*t)) T03cd .59608*(1-exp(-0.54319*(1-exp(-0.grupo 8 HT = 5.grupo 9 HT = 2.27305*(1-exp(-0.48826*(1-exp(-0.grupo 3 HT = 5.28106*t)) T04sd .85726*(1-exp(-0. cd: com desrama e sd: sem desrama.grupo 6 HT = 6.269791*t)) T04sd .238054*t)) T04sd .18001*(1-exp(-0.358914*t)) T04sd .47690*(1-exp(-0.grupo 6 HT = 4.39342*(1-exp(-0.

8 .693 2.404 5.958 4.547 4.686 2.927 5.693 m para esta idade.152 3.107 5.189 4.172 3.023 3.923 4.760 4.195 4.680 3. ao longo do tempo até 15 anos.099 2.156 5.942 5.00 14. Tabela 4.657 3.92 2.002 5.933 5.128 5.830 3.186 5.292 0. são mostrados os valores individuais de altura total estimados para o tratamento 01 (1.322157*t)) Então.750 2.923 3.322157*0.251 3.752 3.67 anos.67 4.850 4.815 4.207 2.896 3.079 2.315 1.273 2.612 3.7) em função da idade: HT = 5.650 4.388 3.860 1.08 3.682 4.352 5.639 5.534 3.235 1.691 3.533 3. Somente as plantas do grupo que não tiveram a CAP mensurada (3.366 5.450 3.278 3.125 1.414 5.539 5.00 11.317 4.553 3.08 6.496 5.340 5.635 4.384 3.443 4.258 4.255 5.346 5.67 1. aplicando-se as equações correspondentes para as projeções da altura (Tabela 4.3% dos fustes irão alcançar valores acima de 5.5 anos.113 5.660 2.08 4.241 5.335 5. Idades (anos) T01cd grupo 1 T01cd grupo 2 T01cd grupo 3 T01cd grupo 4 T01cd grupo 5 T01cd grupo 6 T01cd grupo 7 T01cd grupo 8 T01cd grupo 9 0.588 5.994 4.50 x 1.773 2.548 2.615 3.561 0.118 1.857 4.704 4.217 3.714 1.00 12.133 5.034 5.724 1.639 5.173 3.478 5.993 5. sendo consideradas plantas dominadas.819 3. a equação apresenta-se da seguinte forma: HT = 5.051 3. para cada grupo de plantas no tratamento 01 com desramas sucessivas. um exemplo de cálculo para o grupo 1 é mostrado abaixo.967 4.263 2.421 1.00 13.741 3.635 1.028 2.974 5.530 5.754 0.00 8.5 m).396 3.251 3.664 3.482 0.018 1.352 2.489 3.456 5.451 3.228 4.199 5.8).048 5.538 3.379 3.672 5.619 0.522 5.08 1.018 3.479 4.671 3.968 5.989 4.509 5. para o tempo de 0.450 3.058 1.616 5.730 2.8.016 6.593 5.028 0.50 m) com desrama.821 4.322 5.50 1.00 1. observa-se que 81.576 5.246 5.322157*1.368 4.396 6.423 3.CAPÍTULO 4 .75987*(1-exp(-0.260 1.803 1.24%) não ultrapassaram 3.00 10.765 4.58 5.387 4.638 3.213 4.773 4.624 3.50 7.4) para o tratamento 01 (1.864 4.7) e tomando como base a idade de 6. EXEMPLO DE CÁLCULO: Para caracterizar como os valores de altura total foram obtidos (Tabela 4.861 1.785 4.518 3. Nota-se que a altura não foi influenciada pelo grupo de plantas.08 aplicando-se a equação encontra-se o resultado a seguir: HT = 5.855 2.08)) HT = 1.835 6.600 2.292 6.321 3.527 0.118 m para essa idade.697 5. exceto as plantas claramente dominadas do grupo 9.075 4.031 2.806 4.468 5.Altura total em relação à idade.322 1.998 2. 81 .137 2.75987*(1-exp(-0.8. Primeiramente.379 1.5 x 1.00 15.929 1.417 4.564 Relacionando os percentuais dos fustes que sofreram desrama (Tabela 4.443 5.00 9.05 m de altura para o tratamento 01.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Na Tabela 4.494 2.167 6. Para o ano 1.851 5.58 3.699 1.504 1. aplica-se a equação da HT ajustada para este grupo (Tabela 4.454 5.871 2.56 m de altura. Tabela 4.287 4.812 1.018 3.567 4.75987*(1-exp(-0.251 5.679 5.050 5.630 2.499 2.67)) HT = 1.

67 4 0.19 95 21.80 160 35.81 26 5.67 anos Grupo 5 – 4. sendo considerado o grupo do fuste que apresentou a CAP mínima de medição mais cedo.08 anos Grupo 8 – 6.67 10 2.26 0 0.92 anos Grupo 2 – 2.22 1 0.58 anos Grupo 7 – 5.60 111 24.90 15 3.67 3 0.38 448 100. lembrando-se que o diâmetro usado para o ajuste representa o diâmetro fundido dos fustes de cada cova.75 79 17.56 87 19.00 T03sd N covas % 2 0.95 50 11.22 4 0.79 79 17.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Para as demais idades.23 50 11. definindo.90 100 22.89 6 1. Grupo 1 – 1.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas Total T01cd N covas % 13 2. e para os demais grupos basta apenas a aplicação da fórmula desenvolvida para a HT destes.67 3 0.9 .63 448 100.00 A seguir.O primeiro levou em consideração o comportamento da área de copa em função da idade.01 20 4.08 anos Grupo 6 – 4. conforme apresentado na Tabela 4.58 anos Grupo 7 – 5.93 37 8.14 58 12.22 3 0. portanto. Tabela 4.39 35 7.89 17 3.56 9 2.35 43 9. 4. Na Tabela 4.00 4 0. 82 .56 7 1.22 448 100.67 103 22.58 anos Grupo 3 – 3.89 4 0. a melhor época de intervir na densidade das plantas para que essas não sofram competição.34 76 16.63 4 0.32 172 38.13 Manejo da candeia a partir da área de cobertura A modelagem da área de copa foi feita com base no número de covas.35 59 13. chegando a uma área de cobertura total da floresta em cada idade.71 35 7.47 48 10.16 42 9.58 3 0. proposto por Nutto (2001).16 7 1.68 6 1.73 115 25.89 11 2.08 anos Grupo 4 – 3.67 84 18.00 T02cd N covas % 7 1. pois.89 15 3. ou o número de plantas por hectare.00 T03cd N covas % 21 4.28 36 8.46 47 10.Número de covas e suas porcentagens reais e acumuladas para cada grupo de plantas em cada tratamento.58 anos Grupo 3 – 3.60 448 100.9.45 66 14. chegando a um resultado onde o espaçamento.81 1 0.88 167 37. é mostrado o número de covas mensuradas por grupo de plantas. considerou a área de copa em função do diâmetro.50 anos Grupo 9 – sem CAP Mortas Total Grupo 1 – 1. a medição dos raios de copa não levou em consideração o número de fustes e sim a copa total por cova.08 anos Grupo 4 – 3.7.49 448 100.42 141 31. .17 448 100.21 12 2.08 anos Grupo 6 – 4.46 13 2.08 anos Grupo 8 – 6.00 T04sd N covas % 3 0. precisando-se mudar apenas o t (idade avaliada).O segundo método.78 77 17.00 T01sd N covas % 2 0. é definido de acordo com o diâmetro final Projetado.34 10 2.99 144 32.67 anos Grupo 5 – 4.69 107 23.92 anos Grupo 2 – 2. o processo é o mesmo com esta equação. por tratamento.71 40 8.80 1 0.04 25 5.45 43 9.56 138 30.00 T04cd N covas % 7 1.96 448 100. são abordados dois métodos de análise da área de copa: .23 113 25.

580176*t)) AC = 1.229338*t)) AC = 3.08 anos e 6.55326*t)) AC = 2. foi calculada a área de copa por meio da soma das áreas de 8 triângulos.grupo 1 T01sd .14259*t)) AC = 1.354662*t)) AC = 0.14281*(1-exp(-19. 5.58 anos.77356*(1-exp(-0.58751*(1-exp(-1.grupo 5 T01cd .35353*(1-exp(-0. respectivamente).58 anos.54392*(1-exp(-13.grupo 4 T01cd . T03 e T04) com e sem desrama (cd e sd) e distribuídos em grupos de plantas de acordo com a época em que a CAP atingiu o valor mínimo de medição (4ª.337848*t)) AC = 2. 3.grupo 1 T01cd .71461*(1-exp(-1.17555*(1-exp(-0.286891*t)) AC = 2.grupo 8 T02cd .grupo 6 T01sd .grupo 3 T01cd .grupo 2 T01cd .grupo 2 T02cd .47651*(1-exp(-0.2346*t)) AC = 1.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Área de copa em função da idade Para a modelagem da copa.92 anos. além do grupo de plantas que ainda não atingiu a CAP mínima (sem medição).806894*t)) AC = 1.10 .913191*t)) AC = 2.grupo 6 T01cd .418746*t)) AC = 1. 6ª.. são mostradas as equações resultantes dos ajustes dos dados área de copa em função da idade para cada tratamento (T01. 4.53363*(1-exp(-0.905582*t)) AC = 2. 2. sobre um quadrado de lado j. formados pelos 8 raios medidos por planta (SCOLFORO.grupo 4 T02cd .585388*t)) AC = 1. 3. Esse valor representa a relação de um círculo de diâmetro j.636407*t)) AC = 1.61987*(1-exp(-0. 7ª.grupo 3 T01sd .495647*t)) AC = 1.50519*t)) AC = 1.51350*(1-exp(-0.567355*t)) AC = 1.315947*t)) AC = 2.04297*(1-exp(-0.grupo 5 T02cd . Na Tabela 4. chegando a uma área de cobertura total da floresta em cada idade.67 anos.grupo 2 T01sd . 4. definindo.42100*(1-exp(-0. O cálculo da área de cobertura foi feito ponderando-se o valor ajustado para cada grupo em cada idade pelo seu número de fustes encontrado no hectare.Equações ajustadas para determinação da área de copa em função da idade.84047*(1-exp(-0.50 anos. TRATAMENTO . a melhor época de intervir na densidade das plantas para que essas não sofram competição.CAPÍTULO a) 4 .91597*t)) AC = 2.grupo 9 T01sd .484554*t)) AC = 2.grupo 7 T01sd .1427*t)) AC = 3. THIERSCH..grupo 6 T02cd . 10ª e 11ª medição ou 1. 9ª.grupo 8 T01cd .08 anos.01954*(1-exp(-0. A soma dos valores de cada grupo na idade t é a área de cobertura da floresta. O valor que define a época de intervenção para que não haja competição das copas é equivalente à 78% do valor da área. 8ª.10. que é o valor do espaçamento de plantio.99687*(1-exp(-0.grupo 9 EQUAÇÃO AC = 3.2574*t)) Continua. 2004). Esse método levou em consideração o comportamento da área de copa em função da idade.49713*t)) AC = 1.67163*(1-exp(-0.535064*t)) AC = 1.grupo 3 T02cd .509139*t)) AC = 1.grupo 8 T01sd .02089*(1-exp(-0.grupo 1 T02cd .410273*t)) AC = 1.95660*(1-exp(-0. 83 .grupo 5 T01sd .19205*(1-exp(-0.grupo 4 T01sd .GRUPO DE PLANTAS T01cd .85443*(1-exp(-0.286168*t)) AC = 2.01065*(1-exp(-1.grupo 7 T01cd .74733*(1-exp(-0. que é a área de projeção da copa. T02. Tabela 4. 5ª.91757*(1-exp(-0.grupo 7 T02cd .95475*(1-exp(-0.08 anos.78039*(1-exp(-0.33194*(1-exp(-0.grupo 9 T02cd . portanto.

grupo 9 T04cd .421257*t)) AC = 3.grupo 5 T04cd .71647*(1-exp(-21.0972203*t)) AC = 3.389351*t)) AC = 3.428841*t)) AC = 2.59556*(1-exp(-0.grupo 3 T03sd .192197*t)) AC = 2.352342*t)) AC =2.35847*t)) AC = 1.grupo 8 T03sd .0*t)) AC = 2.grupo 3 T03cd .2126*t)) AC = 3.grupo 7 T03sd .grupo 8 T04sd .719554*t)) AC = 3.440615*t)) AC = 2.54804*t)) AC = 2.315075*t)) AC = 3.255802*t)) AC = 3.08618*(1-exp(-0.33801*(1-exp(-0.438303*t)) AC = 3.Continuação TRATAMENTO .91529*(1-exp(-0.27729*(1-exp(-0. exp: base do logaritmo neperiano e t: idade do povoamento em anos.grupo 6 T03sd .11570*(1-exp(-0.82442*(1-exp(-0.20904*(1-exp(-0.69310*(1-exp(-18.grupo 2 T03cd .grupo 7 T04sd .50224*(1-exp(-14.42819*(1-exp(-35.233317*t)) AC = 1.24268*t)) AC = 4.29885*(1-exp(-0.grupo 3 T04cd .08078*(1-exp(-0.grupo 7 T03cd .84588*(1-exp(-0.grupo 3 T04sd .507088*t)) AC = Não ajustou AC = 1.386566*t)) AC = 2.85*t)) AC: área de copa por cova (m2).2436*t)) AC = 1.grupo 9 T04sd . 84 .grupo 9 EQUAÇÃO AC = 4.grupo 9 T03sd .26796*(1-exp(-185940.4851*t)) AC = 2.546079*t)) AC = 3.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.grupo 2 T04cd .09235*(1-exp(-0.74918*(1-exp(-5371.20503*(1-exp(-0.414887*t)) AC = 3.grupo 5 T03cd .grupo 4 T03sd .4404*t)) AC = Não ajustou AC = 1.21583*(1-exp(-0.grupo 2 T04sd .34927*(1-exp(-0.grupo 5 T03sd .49930*(1-exp(-0.77725*(1-exp(-0.grupo 1 T03sd .grupo 6 T04sd .65152*(1-exp(-0.2*t)) AC = 8.773964*t)) AC = 0.grupo 1 T04cd .97099*(1-exp(-164.grupo 6 T03cd .88773*(1-exp(-46.354992*t)) AC = 2.grupo 4 T04cd .45061*(1-exp(-0.52899*(1-exp(-0.589183*t)) AC = 1.grupo 5 T04sd .grupo 8 T04cd .39927*(1-exp(-18946.grupo 6 T04cd .434642*t)) AC = 3.84593*(1-exp(-0.10 .GRUPO DE PLANTAS T03cd .grupo 1 T03cd .grupo 4 T03cd .09211*(1-exp(-0.446895*t)) AC = 1.grupo 4 T04sd .grupo 2 T03sd .63300*(1-exp(-0.89303*(1-exp(-0.grupo 1 T04sd .grupo 7 T04cd .9724*t)) AC = 0.48399*(1-exp(-0.39*t)) AC = 3.grupo 8 T03cd .96943*t)) AC = 2.

672 1.671 1.622 1. Primeiramente.668 1. aplica-se a equação da AC ajustada para este grupo (Tabela 4.544 1.155 1.19205*(1-exp(-0.696 1.094 1.227 m² para esta idade.104 3.421 1.544 1.421 1.421 1.035 3. para os demais grupos basta apenas a aplicação da fórmula desenvolvida para a AC de cada grupo em questão conforme apresentado na Tabela 4.261 2.318 2.913 2.715 0.610 1.421 1.671 1.17)) AC = 1. Idades (anos) 3.544 1.9 com a Tabela 4. Para o tempo de 4. fez-se um exemplo de cálculo para o grupo 1 de forma a explicar a obtenção dos valores apresentados na Tabela 4.12.25 6.780 1.613 0.311 2.581 1.612 1.778 1.92 anos).497 1.780 1. Essa superioridade dos indivíduos que foram mensurados a partir da 4ª medição foi decorrente da forte relação entre diâmetro e área de copa.17 4.983 1.911 2.17 anos.670 1.50 12.50 10.554 1. aplicando-se a mesma equação porém alterando-se o t (idade avaliada): AC=3.544 1.17 5.996 2.368 1.50 15.544 1.544 1.715 0. menos vigorosas.773 1.540 1. Relacionando-se a Tabela 4.285 2.005 2.544 1.449 1. ao longo do tempo até 15 anos.668 1.768 1.286891*3.409 1.010 2. que mostra a área de cobertura da floresta para cada tratamento.906 2. Esse desempenho diminui a medida que as plantas chegam ao valor mínimo de medição mais tarde.10) em função da idade: AC=3. Para as demais idades. Já.CAPÍTULO 4 .715 0.50 T01cd grupo 1 T01cd grupo 2 T01cd grupo 3 T01cd grupo 4 T01cd grupo 5 T01cd grupo 6 T01cd grupo 7 T01cd grupo 8 T01cd grupo 9 1.59 7.126 3.485 1.933 1.713 0.11 .821 2.776 1.286891*4. chega-se a Tabela 4.326 2.50 11.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Na Tabela 4.50m) com desramas.544 1.11 e as dos demais tratamentos não expostos.671 1.420 1.963 1. a aplicação da equação apresenta-se da seguinte forma: AC=3.714 0. Tabela 4.715 0. são mostrados os valores individuais de área de copa estimadas para o tratamento 01 (1.014 2. precisando-se mudar apenas o t (idade avaliada).17)) AC = 2.507 1.544 1.074 3.19205*(1-exp(-0.709 0.780 1.421 1.016 2.601 1.421 1.664 1.10.715 0.Área de copa (m²/planta) em relação à idade para cada grupo de plantas no tratamento 01 com desramas sucessivas.19205*(1-exp(-0. Nota-se um melhor desempenho do grupo de plantas que tiveram suas circunferências mensuradas a partir da 4ª medição (1.544 1.061 2.328 1.779 1.50 9.906 m² para esta idade.564 1.544 1.484 2.657 1.11.50 8.50 x 1.227 2.17 anos.757 1.715 0.343 1.390 1.741 1.50 14.671 1.544 1.715 0.697 1.983 3.251 1. 85 .592 1.710 2.544 1.323 2.301 2.463 1.715 0.286891*t)) Para o tempo de 3.018 1.715 EXEMPLO DE CÁLCULO: Para caracterizar como os valores da variável área de copa (m²/planta) por indivíduo foram obtidos. portanto.797 1. o processo é o mesmo.715 0.646 1.142 3.224 2.421 1. sendo.893 1.418 1.50 13.11.420 1.176 2.606 1.

715.90 9.898.12 7.9).98 9.20 8.710.247.577.37 7.50 8.50 8.38 9.340.679.00 7.852. 86 .524.11). principalmente.50 8.69 9.94 8.08 6.482.435.165.667.10 6.49 12.449*35)+( 1. Na Tabela 4.11 6.692.00 9.17 6.66 6.14 6.629.77 7.31 5.206.20 6.019.166.214.138.387.57 8.390.98 5.33 7.397.701.12.915.659.89 4.75 7.410.82 7.777.36 6. a época de desbaste é cada vez mais cedo quando se diminui o espaçamento.07 5.16 7.515.169. e divide-se este somatório pelo número de fuste vivos total do tratamento (NFT): Assim para a idade de 3.11 7.716.585.48 6.33 9.512. obtém-se número de plantas que esse tratamento pode conter em um hectare (N/ha).17 7.153. o que compromete a capacidade de crescimento em diâmetro.082.79 15.50 8.93 8. da maior densidade de plantas.40 7.522. para encontrar a área de copa média do tratamento 1.249.12 7.239.861.00 8.91 7.286.544*1)+( 1.497*172)+( 1.01 8.709*17)]/369 AC T1cd = 1.225.56 7. evitando a competição por espaço.06 7.583.82 8.402. Tabela 4. Como constatado na Tabela 4.17 5.24 7.800 m2.15 6.357.51 7.30 8.51 7.793.934.708.482.63 4. em uma dada idade.617. em razão.81 10.20 6.269.75 6.565.54 13.12 – Área de cobertura (m2/ha) para cada tratamento em função da soma da área de copa individual multiplicada pelo número de covas de cada grupo.11 8.832.761.345.45 7.178.50 8.91 8. e o número de fustes (NFi) desse grupo (Tabela 4.758.19 6.688.307.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA A área de cobertura de uma floresta. que promove o tocar das copas de plantas vizinhas mais precocemente.55 7.933.048.615.31 6.982.74 EXEMPLO DE CÁLCULO: Para caracterizar como os valores área de cobertura (m2/ha) para cada tratamento foram obtidos.57 6.88 14.48 9.820.291.32 11.861.50 8.92 5.707.238.41 4.35 8.371.49 8.488.50 8.5x1.077.304.881.906*13)+( 1.079. indicando qual deve ser a idade proposta para efetuar o desbaste em cada tratamento.59 6. deve ser sempre inferior à 78% da área do hectare.50 8.07 9.17 anos temos: AC T1cd = [(1.094*4)+( 0.36 9.44 7.07 6.633.485*1)+ (1. tem-se a área de cobertura por idade.343*26)+( 1.13 9.50 8.45 7.86 5.697*100)+( 1.379.282.5 com desrama (m²/planta) (ACT1cd).22 6.69 8. para que as copas não se toquem. faz-se o somatório do produto entre a área de copa calculada para um indivíduo (ACi) do grupo “i”(Tabela 4.25 7.760.548.59 8. ou 7.097.03 6.25 7.84 6.991.945.706.196.90 7.509778 m²/planta Dividindo-se a área de um hectare (10000 m²) pela área útil que cada planta tem disponível neste tratamento.856.363.943.09 8.37 8.50 6.822.83 9.447.23 5. fez-se um exemplo de cálculo para o grupo 1 de forma a explicar a obtenção dos valores apresentados na Tabela 4.14 6.304.537.33 8.12.12.72 8. Primeiramente. Idades T01cd T01sd T02cd T03cd T03sd T04cd T04sd 3.264.20 8.28 8.

13 – Equações estimadas para determinação da área de copa em função do diâmetro.0113631* DAP2)2 AC = (1. Ainda de acordo com esse autor.00818676* DAP2)2 AC = (1. DAP: diâmetro a 1. existe uma relação estreita entre esses parâmetros.44 plantas/ha Para calcular a AC do tratamento 1. Tabela 4.00029481*DAP + 0. com o aumento do espaçamento. apresenta-se o número de indivíduos por hectare para cada tratamento em função do DAP.20971 + 0.509778*4444.b 2 dap 2 .00966272* DAP2)2 AC: área de copa por cova (m2). Na Tabela 4. TRATAMENTO T01cd T01sd T02cd T03cd T03sd T04cd T04sd EQUAÇÃO AC = (1.0471499*DAP + 0. T03 e T04) com e sem desrama (cd e sd) e suas respectivas medidas de precisão.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA 10000 N ha = (1. Como constatado por Nutto (2001) que trabalhou com a araucária. T02.67477 . trocando-se o termo “lc” por “AC” (área de copa). conforme proposto por Nutto (2001).26526 + 0. Como a área de copa considerou somente as covas e não os fustes.13. Na Tabela 4.00814202* DAP2)2 AC = (1. Esse modelo proposto é .0371549*DAP + 0. nesta idade.0131109*DAP2)2 AC = (1. por hectare.00266374*DAP + 0. com desrama. tirandose a raiz quadrada da soma dos diâmetros ao quadrado. são apresentas as equações resultantes do ajuste dos dados de área de copa em função do diâmetro para cada tratamento (T01.12 e da relação de 78% da área de ocupação da copa para a área do espaçamento.44318 + 0.00685985* DAP2)2 AC = (1.0163497*DAP + 0.509778 m²/planta).44 ACT1cd= 6710.30 m de altura do solo.0.0010828*DAP + 0. b) Área de copa em função do diâmetro Foi feito o ajuste da área de copa em função do diâmetro.22154 .CAPÍTULO 4 .00633143* DAP2)2 AC = (1.14. Essa proposta de Nutto foi realizada para definir alternativas de manejo sob diferentes condições para a obtenção de indivíduos de acordo com o DAP desejado. c = b0 + b1 dap . o DAP final aumenta com a diminuição do número de plantas por hectare. 5) N/ha= 4444. foi calculado o diâmetro quadrático de cada cova para o ajuste.12 m²/ha Para os outros tratamentos e idades segue-se o mesmo procedimento.23746 . originados da área de copa da Tabela 4. 5 * 1. basta multiplicar o valor médio de AC (AC T1cd )= 1. pelo número de plantas vivas que esse tratamento pode conter em um hectare: ACT1cd= 1. porém.0.052534*DAP + 0. ou seja.04227 + 0. 87 .0.

O terceiro ponto é calcular o número de indivíduos possíveis de acordo com o valor médio da AC com um fator máximo de cobertura de dossel de 78% (área de ocupação da copa para a área do espaçamento). seguindo o fator de dossel de 78%.5m x 1. pois o número máximo de indivíduos por hectare para este espaçamento é 4444.5m. Então.052534*DAP + 0.0.14 – Número de indivíduos por hectare para cada tratamento em função do DAP (cm).3970 m²/planta O segundo ponto é determinar de acordo com o espaçamento.0131109*3²)² AC = 1.10000m² 1. N/ha = 10000m²*0. deu um maior número de árvores do que a quantidade máxima por hectare.221540 . no momento que quando o DAP projetado de 3 cm é alcançado ainda não está havendo competição. e como a área de copa de acordo com este DAP.25 = 4444 plantas/ha.222154 – 0. o número máximo de indivíduos que podese ter num hectare.5m ------------2.25 m²/planta Então: 10000/2.052534*3 + 0.5m x 1. que é o número máximo de indivíduos que pode-se ter num hectare de acordo com este espaçamento. indica então que ainda não há competição. para o DAP projetado de 3 cm tem-se: AC = (1. DAP 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 T01cd 4444 4444 4444 4106 3484 2899 2379 1936 1568 1269 1028 835 681 T01sd 4444 4255 3763 3253 2764 2319 1929 1597 1318 1088 899 745 619 T02cd 3333 3333 3333 3333 2905 2466 2089 1769 1499 1272 1082 923 790 T03cd 2667 2667 2667 2667 2667 2597 2226 1899 1614 1370 1163 988 841 T03sd 2667 2667 2667 2667 2515 2262 2018 1791 1581 1391 1221 1071 938 T04cd 2222 2222 2222 2222 2222 2222 2046 1751 1494 1272 1083 923 787 T04sd 2222 2222 2222 2222 2222 2125 1887 1657 1443 1248 1074 922 790 EXEMPLO DE CÁLCULO: A caráter de exemplificar como é feito o cálculo do número de indivíduos por hectare (N/ha).0131109*DAP2)2 AC = (1. segue abaixo a demonstração para o Tratamento 1. Primeiramente é preciso calcular o valor médio de área de copa para um individuo em um determinado DAP projetado. Um segundo exemplo de cálculo do número de indivíduos permitidos por hectare para que não haja competição de acordo com o valor médio da AC foi feito para um DAP projetado de 6 cm: 88 . com desrama.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4. Para 1 hectare ---------.3970m² N/ha = 5584 plantas/ha Esse resultado sugere que para o espaçamento 1.78/1.

000705112*t)) VTcc = 0. pois o número de indivíduos por hectare seguindo o fator de dossel de 78% deu um número de árvores inferior ao número máximo de indivíduos por hectare. apresentam-se as equações resultantes do ajuste dos dados de volume total por fuste em função da idade para cada tratamento (T01. grupo 2.597579*(1-exp(-0. 89 .163540*(1-exp(-0.718975*(1-exp(-0.854780*(1-exp(-0.grupo 1 T01sd .grupo 2 T01sd .58 anos.000783429*t)) VTcc = 0.grupo 2 T01cd .0131109*DAP2)2 AC = (1.15.656985*(1-exp(-0.grupo 3 T01cd . ou seja.746057*(1-exp(-0. o que sugere que a passagem do DAP projetado de 5 cm para o de 6 cm requer a primeira intervenção silvicultural.921550*(1-exp(-0.grupo 5 T01sd . Esse resultado sugere que para o momento de alcance do DAP projetado de 6 cm começou a competição.652029*(1-exp(-0. Tabela 4.533610*(1-exp(-0.08 anos.600389*(1-exp(-0. 2.346780*(1-exp(-0.677043*(1-exp(-0.000522291*t)) Vtcc = 7. TRATAMENTO T01cd . 3.000570359*t)) VTcc = 1.222154 – 0.000464688*t)) VTcc = 0.58 anos e 5.grupo 2 T03cd .grupo 6 T02cd .000567093*t)) Vtcc = 0.298470*(1-exp(-0. grupo 5. N/ha (plantas/ha) para o fator de dossel de 78%..087323*(1-exp(-0.9000 m²/planta Sendo o número máximo de 4444 plantas/hectare.grupo 3 T01sd .000835618*t)) VTcc = 0.08 anos.00085269*t)) VTcc = 1.0.22154 .741450*(1-exp(-0.964292*(1-exp(-0.14 Modelagem da produção Na Tabela 4. 3. de acordo com a época em que a CAP atingiu o valor mínimo de medição (grupo 1.grupo 3 T03cd .grupo 6 T01cd .grupo 4 T01sd .92 anos.grupo 2 T02cd .648590*(1-exp(-0.000337503*t)) Vtcc = 1. 4.0131109*6²)² AC = 1.000546072*t)) Vtcc = 6.Equações ajustadas para determinação do volume total por fuste em função da idade.grupo 5 T02cd .000554286*t)) VTcc = 0.000681388*t)) Continua.000519705*t)) Vtcc = 0.grupo 1 T01cd . T02.grupo 1 T02cd . 4.grupo 7 T03cd .052534*DAP + 0.08 anos.000632156*t)) Vtcc = 0.grupo 1 T03cd . grupo 6 e grupo 7 ou 1.grupo 7 T01sd .00101739*t)) VTcc = 1.000290714*t)) Vtcc = 4. grupo 4.CAPÍTULO 4 .grupo 7 T02cd .000482646*t)) VTcc = 0.000637787*t)) VTcc = 0.67 anos.00166328*t)) VTcc = 1.000625715*t)) Vtcc = 0. respectivamente).052534*6 + 0.877350*(1-exp(-0. T03 e T04) com e sem desrama (cd e sd) e distribuídos em grupos de plantas.314930*(1-exp(-0.grupo 4 EQUAÇÃO VTcc = 1.000290899*t)) Vtcc = 5. a primeira aplicação do desbaste seletivo.939807*(1-exp(-0. 4.000649252*t)) VTcc = 0.170950*(1-exp(-0.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA AC = (1.grupo 3 T02cd .grupo 6 T01sd .754320*(1-exp(-0.892335*(1-exp(-0.000309024*t)) Vtcc = 1.00060927*t)) Vtcc = 0.00498971*t)) VTcc = 1. grupo 3.grupo 4 T02cd .grupo 5 T01cd ..074260*(1-exp(-0.906526*(1-exp(-0.15 .grupo 4 T01cd .

987681*(1-exp(-0.grupo 1 Vtcc = 1.000591477*t)) T04cd .819070*(1-exp(-0.000604732*t)) T03sd .000263198*t)) T03sd .000290875*t)) T04cd .000516419*t)) T04sd .894480*(1-exp(-0.grupo 4 Vtcc = 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.00058606*t)) T04cd .grupo 6 Vtcc = 1.grupo 6 Vtcc = 0.grupo 7 Vtcc = 1.grupo 2 Vtcc = 1.grupo 5 Vtcc = 0.583190*(1-exp(-0.270530*(1-exp(-0.249970*(1-exp(-0.grupo 4 Vtcc = 1.grupo 7 Vtcc = 3.461900*(1-exp(-0. 90 .grupo 1 Vtcc = 0.000578187*t)) T04sd .000593066*t)) T04cd .000885187*t)) T03sd .721650*(1-exp(-0.000571769*t)) T03sd .grupo 3 Vtcc = 1.747553*(1-exp(-0.grupo 7 Vtcc = 0.000641873*t)) T04sd .341650*(1-exp(-0.grupo 4 Vtcc = 0.633922*(1-exp(-0.000101961*t)) T04cd .grupo 2 Vtcc = 1.grupo 7 Vtcc = 0.000588373*t)) T03cd .812603*(1-exp(-0.Continuação TRATAMENTO EQUAÇÃO T03cd .073500*(1-exp(-0.582333*(1-exp(-0.676487*(1-exp(-0.grupo 3 Vtcc = 0.00293856*t)) T03sd .grupo 1 Vtcc = 6.grupo 5 Vtcc = 0.grupo 3 Vtcc = 0.955305*(1-exp(-0.grupo 5 Vtcc = 0.000531114*t)) T04cd .859386*(1-exp(-0.000545988*t)) T03cd .grupo 2 Vtcc = 4.696741*(1-exp(-0. exp: base do logaritmo neperiano e t: idade do povoamento em anos.657530*(1-exp(-0.000338963*t)) T04cd .699671*(1-exp(-0.grupo 6 Vtcc = 0.750935*(1-exp(-0.000873993*t)) T04sd .000453293*t)) T04sd .000644934*t)) T04sd .000685692*t)) T03sd .199080*(1-exp(-0.15 .grupo 5 Vtcc = 0.814200*(1-exp(-0.00022027*t)) T03sd .653610*(1-exp(-0.000693092*t)) T04sd .000555813*t)) 3 Vtcc: volume total com casca (m ).grupo 6 Vtcc = 0.

com desrama.0136 0. para cada idade.0123 0.0082 0.0026 0.0047 0.4). contém o valor do volume total observado em cada idade.0022 0.0060 0.0043 0.0127 0.0046 0.92 2. Para o tratamento 02.92 anos é igual a 0.680 m2. aos 1.0089 0.0034 0.Volume Total (m3) por fuste em relação à idade para cada grupo de plantas no tratamento 01. com e sem desramas.00 0. a área é de 1. Tabela 4.0033 0.6871 1. do tratamento 1.344m2. com desramas sucessivas.58 3.0177 0.0028 0.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA .0057 0.0055 0.0075 T01cd grupo 7 Volume Total 0.0056 0.58 5.0136 T01cd grupo 4 0.0038 0.0035 0. Na Tabela 4.29847*(1-exp(-0.0037 0. Esse volume vezes 13 plantas que foram medidas para o grupo 1.0073 0.92 anos: VTcc = 1.16 .0038 0.00166328*1.0023 0.67 4.08 3. Esse valor é a soma.0063 T01cd grupo 6 0.0299 0. E para o tratamento 04 a área é de 2.0597 4.0118 0.0035 0. Exemplo: 1.0018 0.0099 0.0024 0.0042 0.5893 2.7924 5.0021 0.17).4262 4.0056 0.0150 0.0032 0.0045 0.0062 0.00 15.0091 0.0037 0.0051 0. chegou-se aos valores de volume em m3 por fuste.0059 0.0020 0.16. esse é mostrado para o tratamento 01 (1.0074 0.CAPÍTULO 4 .0055 0.0017 0.1581 5.0025 0.0068 0.0070 0.0538206 ou aproximadamente 0.0235 0.0063 0. observa-se que na última coluna.0050 0.0030 0.6927 4. A área amostral onde foram encontrados esses valores de volume foi de 1.0044 0. a área é de 1.0012 1.4050 2.0278 0.0022 0.0041 0.5234 .0214 0.00 9.0069 0.4911 1.08 6.5 m) com desrama.92)) = 0.0028 0.0027 0.5 x 1.Comportamento do volume total versus idade Com as equações ajustadas para cada tratamento.0051 0. Na Tabela 4.0538 0.Volume por hectare Para cada tratamento.2719 1.0079 0.0065 0. 91 .0064 0.0066 0.0050 0.00 13.00 12.008m2.8811 2.0051 0.0109 0.00 10.0140 0.0079 0.0041 0.00 8.0031 0. ou 0.0040 0.0109 0.16. Nota-se que.9575 3. 0538.0048 0.0163 0.0034 0.0257 0. por idade para cada grupo de plantas. Para o tratamento 03.0193 0.0190 0.016 m2.0040 0.0045 0.0088 0.0059 0.0023 0.0150 0. na idade de referência de 15 anos.0204 T01cd grupo 3 0.0042 0. Idades (anos) T01cd grupo 1 1.08 4.0109 0.0096 0.0029 0.0100 0.00 14. os valores decrescem com o aumento do espaçamento o que é explicado pelo maior número de indivíduos no menor espaçamento.50 7.0041.004140047. dos valores de cada grupo multiplicado pelo número de fustes encontrados nesses grupos em 448 covas (Tabela 4.0172 0. obtiveram-se os volumes por hectare em metros cúbicos (Tabela 4.00 11.0085 T01cd grupo 5 0.0320 T01cd grupo 2 0.4253 1.3253 3.

36 17.49 15. Idades 1.33 29. atingindo valores maiores de DAP.90 O volume por fuste de cada tratamento foi superior estatisticamente quando implementadas desramas sucessivas.49 23.62 12.24 18. 4. associando à avaliação econômica dos custos de implantação. regimes de desramas tendem a ter uma resposta positiva no crescimento do volume por fuste e por hectare. O volume por hectare foi superior.58 3.15 Expectativa de renda de povoamento com candeia Eremanthus erythropappus Um dos pontos principais dentro do planejamento de implantação de uma floresta é a definição do espaçamento de plantio. Desramas deixam o fuste mais cilíndrico.84 14.91 47.66 23.68 35. nos fustes que sofreram desramas.57 36.41 25.22 13.17 35.18 37.54 12.13 6.5 x 1.41 26.87 28.41 14.19 43.66 21. é a condição básica em qualquer processo de planejamento racional.17 32.33 40.69 29.63 7.80 10.67 4.99 36. manejo e colheita e às necessidades do mercado. para o espaçamento 1.64 25.33 13.94 T04 cd 4.90 35. De maneira geral.81 25. a área de cobertura da floresta define a época de desbaste e o volume de madeira depende do diâmetro e do número de fustes. sem desconsiderar a questão da proteção ao solo.76 9.44 12.78 33. deve-se avaliar o espaço necessário para o crescimento ótimo com a melhor relação custo/benefício.98 26.00 25.80 T01 sd 5.88 6.55 7.17 54.60 34.30 11.49 11.08 4.91 43.83 18.13 23.29 31.00 16.09 38. A previsão do crescimento de uma floresta.28 22.22 9.14 41.25 32.60 37.58 5.64 29.56 9.89 16.61 18. Na escolha do espaçamento adequado. pois ele apresenta maior ritmo de crescimento e o fechamento do dossel e a competição ocorre mais cedo.32 23.25 10.17 .34 27.38 32.28 11. A escolha do espaçamento adequado depende do conhecimento dos fatores ambientais que afetam os processos fisiológicos do crescimento e suas prováveis consequências.63 40.36 11.36 39.27 43.89 8.50 7 8 9 10 11 12 13 14 15 T01 cd 7.03 20.79 16.56 11. em geral.42 37.18 14.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 4.34 32.86 30.55 17.62 22.25 39. pois elimina bifurcações.00 40.08 6. Essa análise permite definir o espaçamento de plantio que pode gerar o melhor lucro.95 13.73 31.50 7. por meio de curvas de projeção do desenvolvimento em diâmetro.82 9.84 6.53 7.86 25.5 m. estatisticamente.24 8.64 10.95 34. por outro lado diminui o número de fustes.92 2. O manejo utilizado na condução de candeais plantados está diretamente ligado ao produto desejado.99 30.07 9.88 19.74 13.32 10.66 30. obtendo um produto mais retilíneo.62 20. retirando-se fustes secundários e galhos dos fustes principais reduzindo a competição.20 27.92 T02 cd 5.02 10.05 T03 sd 4. 92 .13 22.69 20.69 T04 sd 5. altura e volume.89 12.Volume Total por hectare (m3) em relação à idade de cada tratamento. Recomenda-se.75 11. As relações aqui expostas entre as variáveis dendrométricas e características do povoamento permitem verificar que a área de copa está diretamente ligada ao diâmetro e torna-se interessante escolher o espaçamento em função dela para que se alcance o diâmetro desejado.83 T03 cd 5.75 20. o plantio em maiores espaçamentos (menor densidade de plantas) para sítios melhores.15 27.22 19.33 18.49 17.08 3.47 37.86 10.39 7.54 51.43 8.

por hectare.82mst. 1998). dentre outros. consegue-se retirar um moirão por planta. por hectare. a frutificação e os custos de produção.0 x 2. Acreditamos que.846. porém. clonagem.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA Para sítios de pior qualidade. quando atingem a idade de rotação de 7 anos e contam com estudos em que foram investidos várias dezenas de milhões de dólares. entre 25 e 35 m. tem um espaço definido nos solos pouco férteis das Serras da Mantiqueira e do Espinhaço. 93 . do convênio com o PROMATA. o número de tratos culturais a serem efetuados. melhoramento genético. de madeira. entre os plantios da UFLA. A produção volumétrica de um plantio de candeia. encontrando-se em estágio inicial. ganhos expressivos em produção por hectare. se vendidos pelo preço de R$10.00/ha.500 moirões que. situa-se em torno de R$130. Entendemos que a candeia não é uma espécie para competir com as espécies do gênero Eucalyptus. ou 98. em 80% das plantas. Para que essa alternativa venha se consolidar basta uma política florestal que apoie de forma continuada projetos como esse. Por outro lado. para a mesma espécie e mesmo local. Para regiões com essas características. as espécies do gênero Eucalyptus têm porte. Portanto. o volume de madeira produzido. é uma ótima opção. aos 10 anos.05 m3. colocado num ponto de fácil carregamento. com a OSCIP Amanhágua e outras iniciativas individuais mais de 2 milhões de mudas de candeia já haviam sido plantadas até fins de 2011. do IEF. serão obtidos.CAPÍTULO 4 . em nutrição. a taxa de mortalidade e dominância. cortando-se a candeia nessa idade. O espaçamento de plantio influencia. Já. A madeira não utilizada para moirão pode ser vendida para a produção de óleo. ao longo de meio século no Brasil. entre outros aspectos (SCOLFORO. além de se destacar no meio rural como uma espécie nativa com propriedades melíferas.5 m.00. a qualidade da madeira. Os investimentos em pesquisas são incipientes. propiciando o cultivo de espécies da flora nativa. o que é bastante natural para essa fase do projeto.60. tem-se a pretensão de viabilizar um sistema de produção comercial para propriedades situadas nas serras da Mantiqueira e do Espinhaço. as práticas de implantação. O preço de um metro estéreo (mst) de madeira para óleo. Para fins ilustrativos.000. com o desenvolvimento de pesquisas silviculturais.00 cada. o volume da copa. considerando que. Com o projeto da candeia. o espaçamento deve ser menor. ao longo dos anos. a idade de estagnação do crescimento. manejo e exploração. o sortimento de madeira. A primeira se desenvolve em áreas de serra. em altura. A comparação do desenvolvimento da candeia com espécies do gênero Eucalyptus não é razoável de ser realizada. no espaçamento de 2. geram uma renda bruta de R$15. estima-se a produção de 1. aumentando ainda mais a renda. a taxa de crescimento. com solos rasos e pouco férteis. mesmo nas áreas de solos pouco férteis. é estimada em 43. O seu porte em altura é de mais ou menos 7 m. na fase adulta. espera-se obter uma renda bruta de R$12.

em diferentes épocas e locais em Minas Gerais. a b c Figura 4.21 e 4. aos 5. 4.16 Exemplo de plantios com candeia As Figuras 4. Panorâmica do plantio (a). 94 . no município de Carrancas. 4. tratamento mais denso.19.20.Plantio de Eremanthus erythropappus.8 anos (experimento de espaçamento e desrama implantado em 20/03/2002. respectivamente.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 4.22 apresentam experimentos estabelecidos com a candeia. com e sem desrama (b). com diferentes objetivos.19 . MG). tratamento menos denso com e sem desrama (c).

MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA a b c d e f Figura 4.Plantio de Eremanthus erythropappus (experimento de adubação implantado em dezembro/2004.CAPÍTULO 4 . MG). (f ). no município de Baependi. aos 31 meses de idade (d) e. 95 . Aos 12 meses de idade em (a).20 . aos 91 meses de idade (e).(b) e (c).

aos 9 meses de idade (a) e (b). (experimento de espaçamento implantado em janeiro/2004. no município de Conceição do Mato Dentro.21 . aos 96 meses de idade (e) e (f ). 96 . aos 20 meses de idade (c) e (d) e. MG).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c d e f Figura 4.Plantio de Eremanthus erythropappus.

Plantio de Eremanthus erythropappus. Vista aérea do esperimento (a). 97 .CAPÍTULO 4 . aos 34 meses de idade (d) e (e) e aos 72 meses de idade (f ) e (g). aos 24 meses de idade (c). no município de Baependi.MANEJO DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA a b c d e f g Figura 4. (experimento agrossilvicultural implantado em janeiro/2005. aos 18 meses de idade (b). MG).22 .

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 98 .

MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA . Este exibe propriedades antiflogísticas. 2008). segundo Peréz et al. bronzeadores. em Minas Gerais. esta não é tratada como uma cultura. Entende-se que com a falta de uma política florestal com foco bem definido e buscando aproveitar a potencialidade da espécie perde-se a possibilidade de ampliar as inovações tecnológicas e também de gerar renda e emprego.) MacLeish.. e não o conceito da agricultura tecnificada. na extração de óleos essenciais. rasos e. Essa é uma espécie de múltiplos usos e sua madeira é utilizada predominantemente como moirão de cerca. em áreas de campos de altitude. entre outros (OLIVEIRA et al. ou seja. (2004b) o sistema de manejo que está sendo desenvolvido para essa espécie é tanto para as áreas de sua ocorrência natural. É interessante observar que uma das características da espécie é quanto ao seu desenvolvimento que se dá em sítios com solos pouco férteis. a candeia consegue se desenvolver em locais que seriam de difícil implantação de culturas agrícolas ou mesmo a implantação de alguma outra atividade economicamente rentável (PERÉZ et al. e também. como para plantios puros e mistos que visam a um uso comercial característicos dos sistemas de produção com alta planificação. predominantemente. além do uso na profilaxia e cuidados da pele de bebês e adultos. Isso fica claro quando é comparado o alto potencial de gerar renda da espécie e o baixo investimento público e privado em pesquisas. 2009).1 Introdução O aumento do consumo de produtos florestais se dá a cada ano. OLIVEIRA. Aplica-se para a candeia o conceito do extrativismo.. do caminhar de novas experiências florestais é a Candeia . veículo para medicamentos. antibacterianas. Uma espécie que pode ser caracterizada como símbolo.. No entanto.. cujo princípio ativo é o α-bisabolol (SILVA et al. antimicóticas. SCOLFORO. 2008. dermatológicas e antiespasmódicas. principalmente voltada para os pequenos proprietários (agricultores familiares). Scolforo Antônio Donizette de Oliveira Antônio Carlos Ferraz Filho Daniela Cunha da Sé Vinicius Augusto Morais Thiza Falqueto Altoé Emanuel José Gomes de Araújo 5.. sendo isso uma influência direta do aumento populacional e da geração de novos materiais advindos destes produtos florestais. baseada na alta produtividade (PERÉZ et al. Uma das muitas ferramentas para tal é a implantação de experimentos para desenvolver a clonagem das mudas 99 . 2004b). 2004b) A busca pela otimização dos recursos florestais deve ser por meio da aplicação de um bom manejo florestal. com uma altitude variando de 400m à 2.CAPÍTULO 5 .200m..Eremanthus erythropappus (DC. ACERBI JÚNIOR. A exploração e comercialização dos produtos da candeia são atividades geradoras de renda. é que apesar da exploração da candeia permitir um grande retorno econômico. em razão da sua alta durabilidade. Um ponto importante a ser observado. sendo empregado na fabricação de medicamentos e cosméticos tais como: cremes. protetores solares. 5 MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA BASEADO NA ÁRVORE INDIVIDUAL Henrique Ferraço Scolforo José Marcio de Mello José Roberto S.

nesses. no município de Baependi.400 mm. O município de Baependi localiza-se na microrregião do Circuito das Águas no sul de Minas Gerais e. experimentos de melhoramento genético da espécie. e de monitoramento da produção do óleo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA de candeia vinculadas à produção do óleo. experimentos de espaçamento. A área experimental. sujeito a diferentes práticas de manejo. com chuvas mais concentradas entre dezembro e março. no estado de Minas Gerais. possui clima Cwb (tropical de altitude) com verões quentes e úmidos e invernos frios e secos.. salientando também que este modelo permite traçar diferentes cenários de auxilio na estratégia de gestão florestal (NUTTO et al. 2. 2006).30 m do solo. sendo 50 plantas de área útil e 4 plantas de bordadura. de forma a maximizar a produção de madeira de alta qualidade aliada a maximização do ganho econômico.) MacLeish (candeia) sob diferentes níveis de adubação. Nesse estudo. O método biométrico conhecido como modelo baseado na área de copa. assim como da qualidade do α-bisabolol. dentre outros. 7569810) e foi distribuída em quatro blocos (Figura 5. sendo 2 ao início e 2 ao final de cada tratamento. divididos em treze tratamentos casualizados. o qual define que o modelo baseado na área de copa pode ser usado como uma ferramenta de decisão para se projetar a estimativa do número de árvores que resultarão no diâmetro projetado. 100 .2 Escopo metodológico 5. ou modelo de árvore individual foi utilizado para inferir sobre a forma mais adequada de se propor o manejo das plantações de candeia. de 1. O modelo baseado na área de copa permite o cálculo do desbaste seletivo baseado nas árvores individuais. com o intuito de obter informações para o seu manejo. 5.1 Descrição da área de estudo O experimento foi instalado em dezembro de 2004. segundo a classificação de Köppen. situa-se nas coordenadas UTM (524798.50 ha. A consequência disso é a forte correlação entre a largura da copa e o diâmetro medido a 1. objetivou-se analisar o potencial do crescimento diamétrico da espécie Eremanthus erythropappus (DC. A temperatura média anual varia entre 18 e 19 ºC e a média pluviométrica é de 1. de adubação.1). A área de cada tratamento é de 54 plantas dispostas em linha. e os meses de junho. julho e agosto compreendendo o período seco.

1 . O experimento resulta numa configuração de um delineamento experimental de blocos casualizados (DBC). Tratamento 02 – Calcário + NPK + micronutrientes. P (Fósforo) = 200 g/cova Superfosfato Simples. Tratamento 10 – Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0.. Tratamento 03 – Calcário + PK + micronutrientes. Tratamento 04 – Calcário + NK + micronutrientes. sul de Minas Gerais (MG). Figura 5. Tratamento 11 – Calcário + gesso + NPK + micronutrientes. K (Potássio) = 50 g/cova Cloreto de Potássio. Tratamento 12 – Calcário + gesso + NP (100g de superfosfato simples + 200g de fosfato reativo) K + micronutrientes. Nos tratamentos.1%. A aplicação dos elementos nos devidos tratamentos foi de: N (Nitrogênio) = 100 g/cova de Sulfato de Amônia. Tratamento 06 – Calcário + NPK. sendo estes: Tratamento 01 – Testemunha.CAPÍTULO 5 . Tratamento 07 – NPK + micronutrientes. Ca (Cálcio) 101 . Tratamento 08 – Calcário + NPK + micronutrientes + adubação orgânica.. Tratamento 13 – Calcário + adubo formulado 6-30-6 + micronutrientes.Experimento dividido em 4 blocos localizado no município de Baependi. Tratamento 09 – Testemunha + adubação orgânica.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA .4% + B-0. foram analisados os efeitos da adubação. Tratamento 05 – Calcário + NP + micronutrientes.

2. 9.8%) + Fe (Ferro.2. e a altura total de cada fuste (HT). Adubo Formulado NPK (8-28-16) = 150 g/cova e Adubo Formulado NPK (6-30-6) = 100 g/cova. Micronutrientes = 0. Foram realizadas desramas quando o plantio atingiu aproximadamente 5 anos e depois estas foram refeitas aos 6 anos do plantio. 102 . a projeção da copa em 8 raios de ângulos fixos. 0. 0. 3.0%) + Mn (Manganês. y é o seno da coordenada que é sempre igual a 45o. Figura 5. A partir dos 5 anos.1%).2 .Medição da projeção da copa em 8 raios de ângulos fixos. Adubo Orgânico = 10 L/cova.0%) + Mo (Molibdênio. O cálculo da área de copa para cada árvore foi feita conforme a expressão (1): D e m = o AC 6^x1 ) x 2h ) sen ^ y h@ + 6^x 2 ) x3h ) sen ^ y h@ + g + 6^x8 ) x1h ) sen ^ y h@ 2 (1) em que: AC é a área do polígono que representa a projeção da copa (área de copa). foi utilizado um espaçamento fixo de 2. Para a instalação do experimento.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA = 200 g/cova de Calcário.2 Modelagem da copa O cálculo da área de cobertura da floresta (área de copa) foi feita por meio da soma da área dos 8 triângulos formados pelos 8 raios medidos em cada avaliação (Figura 5. 5. em intervalos de aproximadamente 1 ano foram coletados além da CAP e HT. sendo que a partir do 2o ano foram coletados em cada medição a circunferência medida à 1.0 x 2.2). iniciando a coleta do primeiro raio sempre direcionado para o norte. Gesso = 100 g/cova.30 metros do solo (CAP). além da supressão dos fustes secundários. iniciando a coleta do primeiro raio sempre direcionado para o norte. A fim de se exemplificar como foi feito o cálculo da área de copa. x é a distância para os diferentes raios. tem-se abaixo um exemplo de cálculo para uma árvore do plantio. e as medições ocorreram em intervalos de aproximadamente 6 meses. A fonte de micronutrientes tem a composição: Zn (Zinco.8%) + Cu (Cobre. 1. As desramas então promoveram a condução do fuste principal por meio da eliminação dos galhos.5 g/cova. A realização da desrama justifica-se pelo fato do tronco da Eremanthus erythropappus em condição natural ser tortuoso e com galhos que sofrem um engrossamento acentuado.0%) + B (Boro.5 metros. No Tratamento 12 em especial aplicou-se P = 100 g/cova Superfosfato Simples + 200g/cova de Fósforo Reativo.

3).CAPÍTULO 5 . calculou-se então a área de projeção da copa pela seguinte expressão: AC = [(164*80)*(sen450)]+ [(80*88)*(sen450)]+ [(88*96)*(sen450)]+ [(96*111)*(sen450)]+[(111*87)*(sen450)]+[ (87*93)*(sen450)]+[(93*142)*(sen450)]+ [(142*164)*(sen450)]/2 AC = 33059.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA .3 . Figura 5. ou seja: Ac=πr2 (2) Aq=(L)2 (3) Ac/Aq= πr2/(2r)² Ac/Aq= πr2/4r² Ac/Aq=π/4 Ac/Aq=0. que é o valor do espaçamento de plantio (Aq). sobre o valor do espaçamento de plantio. adaptado de Assmann (1970). a partir do momento que o somatório da área de cobertura florestal atingir esse valor para uma determinada área de plantio é um indicativo do inicio de competição no crescimento das plantas. se o observarmos pela relação de um círculo de raio j. Aq é a área do quadrado. r é o raio do circulo e L é o lado do quadrado.Relação da área de projeção da copa.. ou seja.. Obteve-se a medida dos 8 raios medidos. sobre um quadrado de lado j. segundo Assmann (1970) este valor se aplica para espaçamentos com este formato. 103 .78 (4) em que: Ac é a área do circulo. que neste caso equivale a 2r.306 m² Um valor clássico que define a época de intervenção para que não haja competição das copas é equivalente à 78% do valor da área. sendo que o ângulo formado entre eles foi sempre igual a 45o: x1 = 164 cm x2 = 80 cm x3 = 88 cm x4= 96 cm x5= 111 cm x6 = 87 cm x7 = 93 cm x8 = 142 cm Com os valores dos raios obtidos. que é a área de projeção da copa (Ac). Esse valor pode ser melhor compreendido (Figura 5.36 cm² ou 3.

quando foi o caso. O diâmetro equivalente é a raiz quadrada da soma dos diâmetros dos perfilhamentos. o modelo monomolecular.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA O enfoque do estudo foi dado à modelagem da copa.30 metros do solo. NI é definido como o nível de adubação (grupo de tratamento com crescimento semelhante). Para a modelagem. DAP é o diâmetro medido à 1. Na primeira foi assumido que o DAP é linearmente correlacionado com a dimensão da copa. conforme proposto por Nutto (2001).30 metros de altura do solo. (6) e (7): lc = (b0 + b1 Dap + b 2 Dap 2) 2 lc = b0 (1 . Os modelos propostos foram (5). A segunda hipótese é a existência de um fator limitante ao incremento diamétrico relacionado à produtividade da área. as adubações aplicadas para os tratamentos resultaram em diferentes níveis (desempenho) de crescimento. No estudo em questão essa produtividade foi limitada pelo nível de adubação. verificado em cada planta (cova). sendo então calculado o diâmetro equivalente para cada planta com os diferentes perfilhamentos. 2006). porém neste estudo foi adotado área de copa. 104 . DAP é o diâmetro medido à 1. o qual é determinado a partir da realização do teste de média aliado a aplicação das variáveis Dummy. o ajuste da área de copa foi feito em função do diâmetro. Portanto tem-se (9): idmedio=f(NI) (9) em que o idmedio é o incremento diamétrico médio. Duas hipóteses foram assumidas para essa modelagem.exp(b Dap)) (6) lc = b0 + b1 Dap (7) 1 (5) em que: lc é a largura da copa. ao quadrado (SCOLFORO. Então tem-se (8): dc = f (Dap) (8) em que: dc é o diâmetro de copa. foi realizada então a definição das alternativas de manejo sob diferentes condições para a obtenção de indivíduos de acordo com o DAP projetado. Para tal. a área de copa foi considerada para as covas e não para os fustes. ou seja. e o modelo proposto por Wachtel (1990). A partir da definição do melhor modelo.

As análises do presente trabalho foram executadas. das desramas realizadas. da compra e do frete para entregar as mudas. OLIVEIRA. e da colheita (desde o corte final do povoamento. da compra e do frete para a entrega dos adubos. 2008) e está especificada (11): Ln(VTcc)=-10. do arraste à formação das pilhas (organização) a partir dos desbastes. Assim. passando pelo arraste com uso de muares (burro) e organização da pilha no local de saída da madeira contando o uso da mão de obra humana).. ACERBI JÚNIOR. HT é a altura total. retirada da madeira do candeal e o seu empilhamento no local de saída da propriedade são de responsabilidade desse produtor. utilizando o software R Development Core Team (2011). O método de avaliação econômica utilizado foi o Valor Presente Líquido que.30 m de altura do solo. Ln logaritmo neperiano. i = taxa de juros anual.CAPÍTULO 5 . A taxa de juros real utilizada foi de 3% ao ano. a qual foi desenvolvida no projeto Inventário da Flora Nativa e dos Reflorestamentos do Estado de Minas Gerais (SCOLFORO.010656Ln(DAP2HT) (11) em que: VTcc é o volume total com casca.069537+1. Os custos de implantação do projeto. segundo Rezende e Oliveira (2008) pode ser determinado pela fórmula (10): VPL = n / ^1 R+ ih j=o j j - Cj ^1 + i hj (10) em que: VPL = valor presente líquido Cj = custo no final do ano j. dos desbastes feitos de acordo com o modelo baseado na árvore individual. Rj = receita no final do ano j. colheita.1).MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA . considerou-se que todos os custos relacionados à implantação. foram obtidos junto à empresa Citróleo (Tabela 5. enquanto que o rendimento volumétrico (m3/ ha) da candeia foi estimado por meio da equação de volume total com casca (VTcc) para a região da área de estudo. O preço da madeira foi fornecido pela empresa Citróleo.. DAP é o diâmetro medido a 1. manutenção.3 Avaliação econômica A avaliação econômica foi realizada com foco no pequeno produtor rural. 5. 105 . n = duração do projeto em anos. A partir desse ponto os demais custos são por conta do comprador da madeira. A receita obtida pela venda da madeira foi determinada multiplicando-se o preço de venda pelo volume produzido.2.

07 5.03 5.37 4.00 0.82 0.98 5.60 1. Na Tabela 5.41 5.91 4. Tratamentos 1 5 3 4 12 11 8 13 7 6 9 2 10 106 Médias 4.2 .3 Resultados e discussões 5.79 280.48 21.82 45.0458).99 Resultados do teste A AB AB AB AB AB AB AB AB AB AB AB B .71 390.35 40. é apresentado o teste média de Tukey com o nível de significância de 5 % para demonstrar a diferença entre tratamentos.75 0.1 .05 Fonte: Citróleo 5.53 5.00 18.39 5. Com esse resultado.94 4.Fluxo de Caixa para a análise econômica do empreendimento. utilizou-se o teste de média com o objetivo de definir os grupos. Tabela 5.Teste de média Tukey para um nível de significância de 5%.37 5.35 0.1 Definição dos grupos Pela abordagem autoregressiva foi possível verificar que pelo menos 1 tratamento difere dos demais (Fc ≥ 0.26 0.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 5.50 0.70 1. Itens Implantação/ha Muda/unidade Frete muda/km Frete adubo/ton Aplicação do adubo/ha Desrama/ha Desbaste/m3 Arraste e organização/m3 Venda madeira/m3 Colheita/m3 Adubo N/kg P/kg K/kg Ca/kg Micronutrientes/kg Orgânico/kg NPK 8-28-16/kg NPK 6-30-6/kg Fósforo reativo/kg Gesso/kg Valor (R$) 2.37 1.00 27.22 0.2.38 5.25 5.56 5.000.30 0.3.

Schneider e Tonini (2003) verificaram a diferença no crescimento em volume para a espécie florestal Acacia mearnsii em função do local com o uso das variáveis dummy. que é o grupo que apresenta a menor intensidade de crescimento. O ajuste resultante pelo uso das variáveis dummy é mostrado pela expressão (12): DAP=0.3.02524Ótimo (12) em que: DAP é o diâmetro medido a 1. o que ratifica a validade do uso deste método auxiliar.Distinção dos três grupos limitantes de crescimento. sendo estes estatisticamente semelhantes ao Tratamento 10 e ao Tratamento 1.1 Uso de variáveis Dummy A realização do teste de média possibilitou identificar a formação dos grupos de tratamentos com crescimentos semelhantes. ou seja. então. 107 . conforme pode ser visto na Figura 5. tendo em vista que o teste F foi significativo.64734Id + 0. e Ótimo é a variável Dummy para o grupo definido como o nível ótimo de adubo. detalhando um pouco mais o teste. Para verificar a veracidade dos 3 grupos encontrados foi utilizado também o ajuste de modelos para expressar o crescimento do DAP por meio das variáveis dummy.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA .4 . A partir desses procedimentos determinou-se.. As variáveis dummy.37908Intermediário + 1. o tratamento 10 (Adubo formulado NPK 8-28-16) como o nível ótimo de adubação.1%). Nesta pode-se observar a existência de dois grupos distintos quais sejam a testemunha (sem qualquer adubação) e o tratamento 10 (Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0. Pôde-se ainda verificar um terceiro grupo ou grupo intermediário formado pelos demais tratamentos.4 explicam e demonstram a veracidade do teste estatístico.CAPÍTULO 5 . 5. Intermediário é a variável Dummy para o grupo definido como nível intermediário de adubo.4% + B-0.1. os 11 tratamentos intermediários como o nível intermediário de adubação e o Tratamento 1 (testemunha) como o nível testemunha. porém níveis de crescimento diferentes. os grupos apresentaram a mesma forma. Figura 5..30 metros do solo. Id são os diferentes tempos onde a variável DAP é definida como sendo igual para todas as observações. e permitindo então formar o grupo intermediário com confiança.

52 0. Tabela 5.966334+0. foram testados o modelo parabólico (NUTTO.66 0. pela sua forma matemática.2 Modelagem da área de copa Para estimar a variável área de copa (AC). que compromete as projeções desta para as maiores idades. quando os diâmetros também serão maiores. 5.Valores de Syx (m) para os 3 modelos nos diferentes grupos de fatores limitantes de crescimento.66 0. Observando o comportamento dos valores observados (Figuras 5.67 . para os maiores valores de DAP no grupo 1 (Testemunha).3.53 0.68 0. Id são os diferentes tempos onde a variável HT é definida como sendo igual para todas as observações.5. não conseguindo então captar a tendência de crescimento de uma forma coerente. 2001). em muito subestimaram a AC. modelo linear (WACHTEL.3. A projeção dessa variável em relação à Idade foi feita para todos os tratamentos pelo ajuste linear apresentado a seguir (13): HT=1.6 e 5.7) e os valores do erro padrão dos resíduos (Syx). o modelo parabólico.52 Syx (m) Intermediário 0. Modelo Nutto Wachtel Monomolecular Testemunha 0. começou a subestimar os valores de AC de tal forma. que com posteriores aumentos do valor do DAP ocorreu uma tendência de decréscimo.232047Id (13) em que: HT é a Altura total da árvore. 2001) e monomolecular.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Para a variável altura (HT).3 . 5. Esse fato compromete a estratégia de se manejar a candeia a partir deste modelo quando for o caso de inferir para idades acima da idade máxima correspondente à base de dados.69 Figura 5. Além disso.68 0. foi realizado o mesmo procedimento adotado para a variável DAP e não foi detectada diferença entre os tratamentos.Testemunha. 1990) e o modelo monomolecular. na Tabela 5.5 . 108 Ótimo 0.Projeção da AC em relação ao DAP para o grupo 1 . 1990) foi o que apresentou o menor erro médio para os três grupos de fatores limitantes de crescimento. o modelo linear (WACHTEL. para os maiores valores de DAP. Os modelos parabólico (NUTTO.

Figura 5. explica o desenvolvimento da área de copa da espécie para os três grupos formados nesse estudo.86 Dessa forma.Correlação AC-DAP para os diferentes grupos..Projeção da AC em relação ao DAP para o grupo 2 . Figura 5. Exemplos de medição da AC são mostrados nas Figuras 5. Grupos Testemunha Nível médio Nível ótimo Correlação 0. também a exemplo de outras espécies como a Araucaria angustifólia (NUTTO.8 e 5. Quando avaliado o parâmetro b 1 responsável pela inclinação da curva de crescimento. Tabela 5.6 . fica claro que o DAP das plantas de candeia.. maior será a área de copa.82 0. Esse modelo consegue correlacionar a AC linearmente com o DAP.4 .nível ótimo de adubação. Nesse caso quanto maior o DAP.nível intermediário de adubação. verifica-se que esse é crescente da testemunha para o melhor tratamento. Pelas análises feitas. 2001). o modelo selecionado foi o modelo linear proposto por Wachtel (1990).CAPÍTULO 5 .78 0. 109 . Por meio do coeficiente de correlação elevado (Tabela 5.Projeção da AC em relação ao DAP para o grupo 3 .9.4) obtido e dos parâmetros b 0 e b 1 positivos.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA .7 .

Figura 5. com ângulo fixo entre estes de 45º.O primeiro raio a ser medido sempre voltado para a face norte.Para cada indivíduo foram obtidos 8 raios da AC.8 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 5. Os raios foram medidos com a ajuda de uma baliza perpendicular as folhas do galho mais extremo de cada vértice correspondente 110 .9 .

09 10.29 3.966334 + 0.43117DAP AC = 0.000.66 1.97 2.00 2.5.32 2.83 6.45 5.00 Para exemplificar como é feito o cálculo do número de indivíduos por hectare (N/ha).42 9.33665 + 0.000.00 5.77 8. para o ano 11 no grupo Testemunha.78) para um espaçamento de 2.905.97 2.15 2.03 2.775.01 4.21942 + 0.000.57 4.00 2.02524*0 DAP = 7.00 8.41 2.000.26 2. Id 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 DAP 0.75 3.00 7.36 2.90 3.13 5.80 4. sendo a variável independente.50 4.56 6.85 5.85 7.17 3.11 2.43 1.00 2.85 2.000. O modelo linear proposto por Wachtel (1990) para calcular as áreas de copa (AC) para os grupos testemunha (14).000.56 2.00 2.80 2.99 5.000.000.000.30 m do solo.79 9.20 1.13 1.000.00 3.000.05 3.61 3.62 2.00 1.00 4.35 2.75 4.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA .000.21 4.00 2.00 2.78 2.00 8.997.73 1.750.09 4.000.000.000.00 2.00 2.53 5.43 0.29 N/ha 2.475.69 5.09 Nível intermediário H AC N/ha 2.34 3. A determinação do DAP se faz pela seguinte forma: DAP = 0.91 2.46 1.00 4.52 4.000.00 DAP 1.00 2..20 0.59 2.000.15 8.82 2.00 4.75 3.46133DAP (14) (15) (16) em que: AC é definida como a variável dependente área de copa. conforme mostrado na Tabela 5.50 2.000.25 2.91 1.00 9.5 .00 2.00 3.59 2.000.06 9.00 1.86 2.13 2.000.43 1.00 1.82 2.47 7.662. necessita-se da determinação do DAP e da H.00 2.29 4.45 4.26 4.88 4.05 2.18 1.98 3.865.69 2.67 2.18 5.890.36 1.29 3.20 6.000. estimadas com a ajuda do modelo da área de copa (fator de cobertura do dossel = 0. segue abaixo a demonstração: Primeiramente.52 m 111 .000.66 1.06 2.65 1.82 3.00 4.52 2.0 x 2.50 2.45 4.60 3.89 1.63 2.42706DAP AC = 0.000.13 1.00 2.563.00 3.98 4.CAPÍTULO 5 .29 3.71 Testemunha H AC 2.000.00 6.14 2.29 1.37908Intermediário + 1.71 2.98 4. Baseados nesses ajustes da variável AC foi possível calcular o espaço vital necessário para uma árvore da espécie candeia atingir uma dimensão determinada (DAP projetado).00 1.00 10.00 3.97 3.966334 + 0.00 3.30 3.52 3.67 2.000.74 Nível Ótimo H AC 2.000.12 cm E a determinação da H: H = 1.44 10.647.89 1.00 1.232047Id H = 1.000.21 4.000.12 7.00 4.36 2.00 1.66 1.32 2.000.00 6. nível intermediário de adubação (15) e nível ótimo de adubação (16) se apresentam da seguinte forma: AC = 0.00 5.24 3.52 3.21 4.94 2.000.64734Id + 0.770.08 2.232047*11 H = 4.79 1.05 3.000.20 4.00 5.64734*11 + 0.73 4.61 4.59 3.00 3.50 8.00 4.42617 + 0.39 4. Tabela 5.000. DAP é definido como o diâmetro medido a 1.20 0.21 2..59 2.41 N/ha DAP 2.00 1.42 2.00 2.45 4.89 3.91 5.37908*0 + 1.000.00 4.89 2.5 metros.44 1.00 2.Número de indivíduos por hectare com DAP projetado (cm) para diferentes idades.000.02524Ótimo DAP = 0.

29 m² Tendo-se.232047*11 H = 4.15 cm H = 1. o grupo testemunha.02524*1 DAP = 8. então.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Obtidas essas duas variáveis.29 m² e seguindo o fator de cobertura de dossel de 0.33665 + 0.21942 + 0. determina-se o número máximo de indivíduos permitidos no hectare. então. pode-se. de acordo com o espaçamento de 2.02524Ótimo DAP = 0.46133DAP AC = 0.232047*11 H = 1.5 metros: 1 hectare = 10000 m² 2 m x 2.33665 + 0.5 m = 5 m²/individuo Número máximo de indivíduos por hectare = 10000 m²/5 m² Número máximo de indivíduos por hectare = 2000 indivíduos A partir disso. calcular o número de indivíduos por hectare de acordo com a idade 11: N/ha = 10000 m²*0.37908Intermediário + 1.12 AC = 3.78. parte-se então para a obtenção do valor médio da AC.64734*11 + 0.966334 + 0.0 x 2.52 m Obtenção do valor médio da AC: AC = 0.46133*8.37908*0 + 1.09 m² 112 . o valor médio da AC igual a 3. o que indica que ainda não há a necessidade de intervenção silvicultural.21942 + 0.29 m² N/ha = 2371 indivíduos Pode-se observar que para essa idade. o que indica que o mesmo ainda não entrou em competição. ainda não atingiu o valor de 78% de ocupação de área de copa no hectare.64734Id + 0.43117DAP AC = 0. Pode-se verificar esse resultado. Realizando o mesmo procedimento para o grupo nível ótimo de adubação no ano 11: DAP = 0.15 AC = 4. A obtenção da AC para o grupo Testemunha se dá pela seguinte forma: AC = 0.78/3.966334 + 0.43117*7. pois o número de indivíduos por hectare encontrado sobre o valor médio da AC para essa idade foi superior a 2000 plantas por hectare (que é o número máximo de indivíduos no hectare).

3. mostrando que a testemunha tem um menor incremento diamétrico. então.0 x 2.1%) apresentou um maior incremento diamétrico para todas as idades avaliadas e. o grupo de nível ótimo de adubação já receberá uma primeira intervenção silvicultural (desbaste seletivo). tendo em vista que o espaçamento é de 2. Deve-se observar que a única diferença de custo entre os 3 grupos se dá em razão do tipo de adubo a ser usado. para esse valor de AC.CAPÍTULO 5 . Isso sugere que os diferentes níveis de fatores limitantes de crescimento responderão de uma forma diferente no povoamento plantado de candeia.6. diferentemente do grupo testemunha que ainda não entrou em competição.78 e que o número máximo de indivíduos por hectare é de 2000. tem que se desbastar seletivamente do ano 10 para o ano 11. Para esse resultado do grupo de nível ótimo de adubação. que. Tem-se então o cálculo do número de indivíduos por hectare para a idade 11: N/ha = 10000 m² * 0.5 metros. ratificando a lógica do modelo que indica que os indivíduos que estão num local de maior crescimento precisarão de um desbaste mais cedo para não perder sua capacidade máxima de crescimento.5. Foi mostrado na Tabela 5. Esse fato é observado na Tabela 5. Por ela podemos inferir que a área de copa (AC) tem relação direta com a variável DAP.5 o potencial de crescimento para a espécie candeia sujeito a diferentes níveis de crescimento. sendo que quanto maior o DAP projetado. ou seja. Já. bem como o preço de venda da madeira.3 Avaliação econômica com base na modelagem de área de copa Na Tabela 5. em razão do seu crescimento acelerado. maior será a área de copa individual. que árvores que crescem menos em diâmetro serão sujeitas a um desbaste mais tardio do que as árvores de rápido crescimento. 5. acarretou num menor número de plantas por hectare. exigindo uma menor densidade de plantas por hectare. pode-se entender. o grupo do nível ótimo de adubação (Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0. consequentemente..MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA . esse povoamento deve ter 1905 indivíduos. apresentam-se os custos para a implantação e manutenção do candeal. Pode-se notar por esta. um total de 95 indivíduos.09 m² N/ha = 1905 indivíduos Pode-se observar que para a mesma idade.4% + B-0. frisando que esse povoamento apresenta sempre o mesmo espaçamento.. Para o grupo de nível ótimo de adubo foi necessária a aplicação do adubo apenas no momento de formação do plantio e no grupo intermediário houve a necessidade de quatro aplicações.09 m² e seguindo o fator de cobertura de dossel de 0. porém uma maior quantidade de plantas remanescentes no hectare. 113 .78/4. sendo que para o grupo 1 (testemunha) não há custo com esse insumo. Tendo-se o valor médio da AC igual a 4. feitas em intervalos de um mês aproximadamente.

5311 1. Tabela 5.000.48 Arraste e organização (R$/m3) 21.00 2.000.3503 0.Preço de venda da madeira e custos relacionados à implantação e manutenção de um plantio de candeia.00 2. o preço da madeira e os custos (Tabela 5.1387 2.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 5.00 31.26 40.8). 114 .4017 7.35 280.4366 36.8735 13.4156 33.1848 9.00 316.7) para os três grupos analisados nesse estudo.6455 25.5.55 13.00 Frete muda 82.00 Adubo (R$/ha) 0.2854 16.Capacidade volumétrica de cada grupo de adubação.6 .50 Desrama (R$/ha) 390. para as diversas idades do plantio de candeia (Tabela 5.0485 21.6966 2.00 1.0218 7.0151 Utilizando as produções volumétricas em cada grupo (Tabela 5.4749 6.84 27.6).26 Em que o valor do adubo (R$/ha) usado para o grupo intermediário de adubação foi o do Tratamento mais barato.000.00 1.26 40.07796 0.5707 41.0808 20.2499 2.5377 9.3766 Nível Ótimo 0.48 18.30 411.7066 29.7 .9549 18. multiplicando pelo número de plantas da Tabela 5.35 280.2362 3.48 18.5643 25. posteriormente.6904 10.5216 42.79 21.1228 12.00 82.00 390. Idade (anos) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Testemunha 0.5886 1.000.71 Frete do adubo 0. determinou-se o VPL.8794 4.000.0412 22.00 82.1515 Volume (m3/ha) Nível intermediário 0.5231 13. Utilizando-se os dados de DAP e H da Tabela 5.5 e aplicando-se a equação (11) e.7757 41.000.0534 3.7914 31.3659 37.8373 28.1430 17. tendo em vista que os 11 tratamentos deste grupo apresentam o mesmo ritmo de crescimento.3589 32.35 3 Colheita (R$/m ) 40.00 110.8717 1.1979 0.00 390.6019 5.00 Muda (R$/ha) 1.00 Desbaste (R$/m3) 18. foram obtidos os volume por hectare (Tabela 5.00 Aplicação do adubo (R$/ha) 0.79 3 Venda madeira (R$/m ) 280.7).3296 5.8179 36. Itens Testemunha Intermediário Ótimo Implantação (R$/ha) 2.79 21.

se o plantio for feito em locais onde houver condições para que a candeia tenha um bom crescimento e se o manejo utilizado for adequado.77 577.1%.420.3 -242.4% + B-0.34 11 -178.1%). Grupo Testemunha Intermediário Ótimo 10 -872.8 .26 -980. e para os demais tratamentos. o nível de adubação ótimo (Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0.60 2.98 15 3. • A análise autorregressiva possibilitou identificar diferença no crescimento dos tratamentos com a agregação de componente espacial..456.35 3.742.4% + B-0. • O manejo da candeia por meio da associação do desenvolvimento do DAP com a área de copa. para o Tratamento 10 (Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0. Assim.886.82 14 2.50 756.09 2.345. haverá um bom retorno financeiro para o produtor rural.1%) apresentou uma rentabilidade (VPL) maior para o produtor rural.163.4% + B-0. indicando estratégias diferenciadas para a Testemunha (sem adubação).73 -330.059.02 1.MANEJO DO CRESCIMENTO DIAMÉTRICO DA CANDEIA . Essa análise autorregressiva é um procedimento com maior capacidade discriminatória em relação à estatística clássica.283.4% + B-0. 5.39 VPL (R$/ha) / Idade de Corte (anos) 12 13 598. Apesar da aplicação do adubo implicar em um aumento de custo (gastos com a compra do adubo e frete para a sua entrega). • Do ponto de vista econômico é interessante adubar a candeia com a prescrição do tratamento 10 com 150 gramas de NPK 8-28-16 por cova + Zn-0.CAPÍTULO 5 . A melhor resposta foi obtida com o Tratamento 10 (Adubo formulado NPK 8-28-16 + Zn-0. Tabela 5.VPL para os três grupos nas diferentes idades do plantio de candeia.40 3.80 2.250. responde de maneira diferente de acordo com os tratamentos de adubação. este é compensado pela acumulação de um maior volume de madeira ao longo do tempo..24 Nota-se que para todas as idades avaliadas.4 Conclusões • Há diferença no crescimento com diferentes estratégias de adubação.26 1. 115 .1%).74 261.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 116 .

citados por Altoé (2012) relatam que este composto é utilizado nas indústrias de cosméticos. câncer de pâncreas. este é extraído principalmente da candeia e da camomila. fungicida. raiz. de leishmaniose. e aquelas impróprias para o cultivo agrícola. galhos. adubação e a prática da desrama que visam a um uso comercial planificado. potencializando seu uso em áreas degradadas. antiespasmódico e vermífugo.LEMAF da Universidade Federal de Lavras – com o apoio de diversas instituições e empresas implantaram no período de 2001 a 2006 uma série de experimentos em campo. definir a idade de corte ideal visando a moirões ou extração de óleo. 117 . garantir um produto natural mais homogêneo. Vários autores. com baixas exigências nutricionais. antialérgico.. antibacteriana. Serão apresentadas quantidades médias de volume. torna-se promissor por ser uma espécie nativa.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus (DC.1 Introdução A extração de óleo essencial de candeia até o momento é proveniente do manejo de candeais nativos. necessitando de uma quantidade muito maior para se ter o mesmo resultado. Neste capítulo serão apresentadas informações que permitem análises sobre a sustentabilidade de plantios de candeia visando à produção de óleo essencial. pelo ao controle das variações externas à planta. como analgésico. é cerca de 50% inferior ao do óleo essencial de candeia. a equipe do Laboratório de Estudos e Projetos em Manejo Florestal . casca. além de ser uma fonte de renda alternativa para os agricultores. por meio desses experimentos. peso de matéria seca e qualidade de óleo para a candeia plantada. Todas as partes da planta de candeia possuem α-bisabolol (folhas. na ação seletiva no combate a células tumorais. lenho). por suas propriedades inseticida. mas comercialmente. realizar modelagem do crescimento e prognose. leucemia aguda. como gastroprotetor. O componente ativo do α-bisabolol sintético. porém para a extração comercial. por possuir maior rendimento e pureza. O plantio de candeia. para assim produzir mudas. anti-inflamatória e por apresentar baixa toxidade. É possível. contemplando diferentes espaçamentos.) MACLEISH) NA PRODUÇÃO E QUALIDADE DE ÓLEO ESSENCIAL Thiza Falqueto Altoé José Roberto Soares Scolforo Maria das Graças Cardoso José Márcio de Mello Antônio Donizette de Oliveira Emanuel José Gomes de Araújo Vinicius Augusto Morais Antônio Cláudio Davide 6. alimentícia e de fármacos.CAPÍTULO 6 .SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ). 6 . Várias pesquisas relatam seu potencial no tratamento de doenças de pele. permitir a previsão e sustentabilidade de madeira para a extração. potencializador da ação de antibióticos. também. Para a consolidação dos plantios de candeia. definir progênies que apresentem crescimento e produção de óleo desejado. Há uma diversidade de plantas que possuem o α-bisabolol na composição química de seu óleo essencial. o óleo essencial é retirado da madeira do tronco.. Outra fonte para a demanda de α-bisabolol é o produto sintético que possui qualidade inferior ao do óleo essencial da candeia.

5 m. contém 56 plantas úteis.0 – espaçamento 1. 2.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 6. implantado em março de 2002. O experimento se manteve limpo. para cálculo da circunferência média quadrática (Cg). quando necessário.4% (Zinco).21’’ de latitude Sul e 44º42’43. retirando-se duas árvores por combinação. por meio de capinas manuais periódicas e o monitoramento das formigas e.1 118 . Fósforo. dispostas em oito linhas de sete plantas. utilizaram 30g/cova de bórax. com os subtratamentos sem desrama e com desrama organizados conforme Figura 6.5 x 1. em esquema de parcelas subdivididas.0 m. Potássio). Tratamento 2.5 x 2. no delineamento em blocos casualizados. Sendo assim. totalizando 64 árvores conforme Tabela 6. na composição 4-14-8 + Zn 0.5 m e Tratamento 3. Isso impossibilita a amostragem por classe diamétrica de diversas árvores por subtratamento. o combate foi realizado com isca granulada.67 anos e 6.50 anos. Trata-se de um experimento com área de 2. Os tratamentos consistem em espaçamentos. Tratamento 2. Cada subtratamento.5 – espaçamento 1. em intervalos bianuais. Foram utilizados os dados de circunferência a 1.2.1 e separados por bordadura dupla. com dois fatores (espaçamentos e prática de desrama).1 Área de estudo A área de estudo está localizada no município de Carrancas. Os subtratamentos consistem na presença ou ausência de desrama. Sul de Minas Gerais. que consistiu na seleção de uma árvore representativa de cada subtratamento. nas coordenadas 21º33’00. em todos os blocos. o acompanhamento da produção e qualidade do óleo essencial ao longo do tempo.5 x 3.87 hectares. Já. As desramas foram executadas aos 0.75 anos.30 metros de altura do solo (CAP) do último inventário realizado em fevereiro de 2011. possui uma repetição e. na adubação de cobertura. quatro tratamentos casualizados e subdivididos em dois subtratamentos.5 – espaçamento 1. contemplando várias idades. o método mais apropriado para a seleção das árvores foi o método da árvore modelo ou árvore média.0 – espaçamento 1.2 Escopo metodológico 6. dentro de cada espaçamento. cada tratamento foi dividido em 4 partes. de acordo com o valor de sua circunferência quadrática. para cada repetição. A pesquisa com a extração de óleo essencial de candeia plantada tem como principal foco. Sendo assim.5 x 2. sendo que: a) b) c) d) Tratamento 1.43’’ longitude Oeste. constituído de quatro blocos. pois o experimento seria comprometido para as análises futuras. A adubação de plantio foi feita com 100g/cova do adubo formulado NPK (Nitrogênio.0 m.

119 .Localização do experimento com a distribuição dos tratamentos e disposição dos subtratamentos.1 ..CAPÍTULO 6 .SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ).. Figura 6.

5x3.30 metros de altura do solo. + CAP n2 O valor gerado indica uma circunferência com mesma área seccional da árvore com vários fustes. que é a raiz quadrada da soma das circunferências de cada fuste ao quadrado.0 1 Com 2 2 2 2 2 Sem 2 2 2 2 Com 2 2 2 2 3 Sem 2 2 2 2 Com 2 2 2 2 4 Sem 2 2 2 2 Com 2 2 2 2 Sem 2 2 2 2 Total 16 16 16 16 Para o cálculo da árvore média. para não comprometer o experimento.2 – Borda de onde foram selecionadas as árvores médias. no caso dos subtratamentos sem desrama. da borda interna. Figura 6.1 – Número de árvores retiradas em cada subtratamento dentro de cada tratamento. na idade de nove anos. considerou-se a circunferência mínima de medição de nove centímetros a 1. como segue: D ee m=o C (CAP12 + CAP 22 + .0 1.. e para os subtratamentos com desrama.5x1.5 1. foi considerada sua circunferência equivalente (Ce). a borda considerada foi a externa.. em cada tratamento. CAP e Cg = já definidos anteriormente. de cada bloco.5 1. em cada bloco. 120 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 6.2). Para as árvores que apresentavam mais de um fuste com diâmetro mínimo de medição. A circunferência média quadrática é dada pela seguinte fórmula: D e m= o Cg / n i=1 (CAP 2) N em que: N = número total de árvores de cada repetição do subtratamento.5x2. As árvores escolhidas. foram retiradas das bordas. Tratamento Bloco Desrama 1. de acordo com a Cg . entre as duas repetições (Figura 6.5x2.

5 Sem 27.44 20. quando não conduzida pela desrama.89 24.48 5. em relação à altura comercial (HC) do fuste principal (Figura 6.2 Densidade básica Depois de identificada a árvore média e medida a sua CAP e HT procedeu-se à cubagem pelo método de Huber.2.60 20.43 6. representativas das árvores de cada subtratamento. 25%.00 1. 50%.17 5.85 22.00 4.5x1.53 Com 25.0 Sem 21.24 5. sobre o método da árvore média.04 25.95 25.45 5.76 26.59 5.53 21. podem ser vistos em Scolforo e Mello (2006). A saturação por água foi alcançada.15 6. não apresentando um fuste que se sobressaia aos demais ou que acompanhe o eixo principal da árvore.11 4.97 20.5%. os discos foram submersos em água por um período de dez dias (Figura 6.57 4.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ).79 29.46 4.3 – Esquema de coleta dos dados da árvore cubada e retirada dos discos para densidade. Tabela 6. Figura 6.5x2.03 26. Estabeleceu-se que a árvore representativa deveria ter sua CAP ou circunferência equivalente (quando mais de um fuste) igual ou com a variação máxima de um desvio padrão.45 5.59 5. Para a obtenção da densidade..44 24.06 4. Bloco 1 2 3 4 Trat.90 4. As Cg e altura total das árvores selecionadas encontram-se na Tabela 6. Fonte: Camolesi (2007) Para se determinar o volume saturado de madeira e casca. Desrama Cg (cm) HT (m) Cg (cm) HT (m) Cg (cm) HT (m) Cg (cm) HT (m) Com 20.91 4.50 5.24 Com 27. Como a candeia.22 5.34 5.89 22.47 21. e que sua altura total.27 5.CAPÍTULO 6 .73 5. a 0%.23 26.02 4.11 21.30 5.93 5.86 4.06 Com 23.2 – Circunferência quadrática média e altura total média das árvores selecionadas.27 23. apresenta elevado número de fuste.75 5. 121 . foram retirados cinco discos com três centímetros de espessura.14 24.13 1.09 5.4).14 1.55 20. uma variação de 0.5x2. em relação à Cg calculada.99 25.11 25.5 Sem 16.. copa e características do tronco fossem.88 4.2.3).80 4. 75% e 100%.0 Sem 23.05 5. também.5x3.5 5.66 5. quando os discos atingiram massa constante ou com no máximo.44 4. o fuste de maior altura comercial foi considerado como sendo o principal.31 19.75 1. Maiores detalhes. A altura comercial foi considerada a altura até três centímetros de circunferência do fuste principal.69 24.14 22.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Figura 6.4 – Saturação dos discos para densidade.

Em seguida, separou-se a casca do lenho e cada amostra foi submersa em água, dentro de um recipiente
sobre uma balança, que forneceu a massa do volume deslocado pelo líquido, equivalente ao volume da amostra
submersa (Princípio de Arquimedes), de acordo com a Figura 6.5. O volume da amostra do lenho e da casca foram
considerados, isoladamente, como sendo o volume saturado (vsat ) de cada parte.

b

c

a
Figura 6.5 – Medição do volume saturado por meio do princípio de Arquimedes, a esquerda para a casca e a direita para o
lenho (a), vista superior da medição do volume saturado da casca (b) e vista superior da medição do volume
saturado do lenho (c).

Para determinar a massa seca, os discos e as cascas foram colocados em câmara de secagem, com temperatura
média de 103 oC ± 2 oC. Durante a secagem, pesou-se a massa dos discos a cada 6 horas, e quando ocorreu uma
variação menor ou igual a 0,5% entre duas medidas consecutivas, a última massa medida foi considerada como
sendo a massa seca dos discos (ms). A densidade básica (DB) de cada amostra é definida pela razão entre a massa
seca e o volume saturado, ou seja:

122

CAPÍTULO

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )...

m
DB = v sats
em que: DB = densidade básica em g/cm3; ms = massa seca, em g; vsat = volume saturado, em cm3.
Para cada árvore, calculou-se a densidade básica média ponderada do lenho e da casca, utilizando-se o volume
da seção entre um disco e outro, de madeira e de casca, respectivamente, obtidos por meio da cubagem pelo método
de Huber. A densidade média ponderada do lenho ou da casca é dada pela seguinte fórmula:

DMPi =

+
+
+
+
a d0 2 d 25 k V1 + a d 25 2 d50 k V2 + a d50 2 d 75 k V3 + a d 75 2 d100 k V4
V1 + V2 + V3 + V4

em que:
DMPi = densidade básica média ponderada da casca ou do lenho,
i = casca ou lenho,
d0,d25,...,d100 = densidade, da casca ou do lenho, nas diferentes alturas relativas na árvore, e
v1 + v2 + v3 + v4 = volumes, de casca ou de lenho, das seções entre discos.

Para calcular a densidade média ponderada da árvore (DMA), foi realizado o somatório da
densidade média ponderada da casca (DMPC) e do lenho (DMPL), reponderados pelo volume total de casca (VTC)
e de lenho (VTL), respectivamente, de acordo com a fórmula seguinte:

DMA =

(DMPC . VTC) + (DMPL . VTL)
VTL + VTC

6.2.3 Variáveis dendrométricas

As variáveis dendrométricas servem de base para a tomada de decisões, pois permitem obter informações
sobre características atuais e futuras de um povoamento. O método de seleção e estimativa de volume das árvores
aqui utilizado oferece algumas restrições no que diz respeito à forma de trabalhar com estas variáveis. O método da
árvore modelo, quando não é estratificado por classes diamétricas, que é esse caso, oferece informações pontuais sobre
o povoamento, ou seja, são informações que se aplicam somente para a idade e a faixa de diâmetro contempladas
pela base de dados, não permitindo fazer extrapolações para diferentes idades.
Como a produtividade de óleo essencial está diretamente relacionada à produção de biomassa, o estudo das
variáveis dendrométricas faz-se necessário para o melhor entendimento dos fatores que influenciam no dinamismo
da produção do óleo essencial de candeia, e teor de α-bisabolol. As variáveis dendrométricas consideradas foram
diâmetro a 1,30 metros de altura do solo (DAP), altura total (HT), obtidas de todas as plantas úteis, que compõem
o experimento e volume individual com casca (VAcc), volume individual sem casca (VAsc), massa seca da árvore
com casca (PScc), massa seca da árvore sem casca (PSsc) e porcentagem de casca (Casca) provenientes dos dados de
cubagem. As variáveis volume e massa seca foram extrapolados por unidade de área. Foi determinada, também, a
mortalidade (Mt) de cada subtratamento.
Para a obtenção do volume individual, todos os galhos da árvore média menores que 3 cm de diâmetro
foram retirados e procedeu-se à cubagem pelo método de Huber (Figura 6.6).

123

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

i = comprimento da seção (m)
dint = diâmetro no meio da seção (cm)
* Aplicado a todos os galhos da árvore.

Altura total
6
5

Altura do fuste

1

2

dint1

dint2

3 4
dint3

dint6
dint5
dint4

Figura 6.6 - Cubagem pelo método de Huber. Fonte: Scolforo e Thiersch (2004)

Depois de realizada a cubagem, a árvore, foi cortada nas alturas relativas de: 0%, 25%, 50%, 75% e 100%
da altura comercial para a retirada dos discos da densidade e para a extração de óleo essencial.

6.2.4 Óleo essencial da candeia

Para a extração do óleo essencial da candeia, das 64 árvores médias selecionadas, após o processo de cubagem
foram retirados discos com dez centímetros de comprimento logo abaixo do local de onde foram retirados os discos
para a densidade básica. Esses discos, então, foram retirados a 0%, 25%, 50%, 75% e 100% da altura comercial
aproximadamente. Os cinco discos de cada árvore foram isolados dentro de sacos plásticos e refrigerados para evitar
perdas dos constituintes voláteis, durante o processo de coleta e armazenamento.
Na sequência, em sala climatizada a casca foi separada do lenho e o lenho foi seccionado em partes menores
(Figura 6.7). Nesse ponto, misturou-se o material das duas repetições de cada subtratamento, do mesmo tratamento
e do mesmo bloco, reduzindo o total de amostras de 64 para 32. O lenho dos dez discos (cinco de cada repetição)
foram misturados e moídos em um desintegrador, por se tratar de um material lenhoso. Em seguida, estes foram
isolados em sacos plásticos e armazenados em refrigerador, assim como a casca dos dez discos (cinco de cada
repetição) que também foram misturadas.
As extrações foram realizadas no Laboratório de Química Orgânica da Universidade Federal de Lavras,
empregando-se a metodologia de hidrodestilação. Utilizaram-se aparelhos de Clevenger modificados acoplados
a balões de fundo redondo com capacidade de 5L (Figura 6.8). Para as extrações do lenho, foram pesados em
balança analítica, com precisão de 0,01 gramas, de 300 a 400 gramas de madeira provenientes de cada amostra
mista (compostas por dez discos das duas repetições de cada subtratamento), e anotou-se o valor exato da massa de
madeira úmida usada. Na sequência, essa amostra foi colocada no balão de cinco litros, que foi completado até a
metade do seu volume com água, colocado em manta aquecedora e acoplado ao aparelho de Clevenger modificado.

124

CAPÍTULO

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )...

a

b

c

d

Figura 6.7 - Processamento do material para extração de óleo. Separação da casca do lenho (a), particionamento do lenho com
facão (b) e no desintegrador (c) e, lenho moído (d).

a

b

Figura 6.8 - Processo de hidrodestilação, em (a) colocação da amostra do lenho com massa conhecida no balão de fundo
redondo e em (b) aparelho de Clevenger modificado em processo de destilação para a extração do óleo essencial
de candeia.

125

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Após a mistura da água com a amostra de madeira ferver e condensar, a primeira gota destilada de óleo+água,
o sistema ficou ligado por um período de oito horas. Mantendo-se sempre a mistura em ebulição, foi coletado o
hidrolato (mistura da água + óleo) das quatro horas iniciais de extração, do intervalo de quatro a seis horas de
extração e do intervalo de seis e oito horas de extração, separadamente.
O hidrolato foi centrifugado (Figura 6.9) em centrífuga de cruzeta horizontal a 965,36 x g por 15
minutos. O óleo essencial que ficou suspenso na água foi coletado com o auxílio de uma micropipeta de Pasteur,
acondicionado em frasco de vidro âmbar de massa conhecida e colocado na pistola de secagem por dez minutos,
com a temperatura do fluido, no caso o ciclohexano, de 40o C. Em seguida, o óleo essencial foi pesado e armazenado
sob refrigeração, em frasco envolto com papel alumínio e hermeticamente fechado. Todo esse procedimento foi
realizado em triplicata, para as 32 amostras do lenho.
A manta aquecedora pode chegar até a 300 oC, mas esta foi mantida constante na temperatura de ebulição
da água, pois sua variação pode resultar na extração de componentes voláteis diferentes e não desejados da madeira.
A centrífuga de cruzeta horizontal é utilizada para separar o óleo essencial da água. Como o óleo essencial
de candeia é menos denso que a água, a força centrífuga separa a água na parte inferior do recipiente e o óleo
essencial na parte superior. A pistola de secagem é apropriada para retirar a umidade do óleo essencial, por meio do
aquecimento indireto do sistema e aplicação de vácuo, que puxa a água para uma sílica absorvente.
Foram utilizados sete aparelhos de Clevenger modificado, sendo que as triplicatas foram feitas em três
aparelhos de Clevenger diferentes, para evitar tendenciosidade, em razão da utilização do mesmo aparelho. A cada
nova amostra, os aparelhos foram lavados com cloreto de metileno.
Para a obtenção de óleo essencial da casca, foi feita uma amostragem, considerando a variação em DAP
das árvores e escolhendo-se nove amostras para extração. O objetivo não foi comparar os tratamentos, já que sua
quantidade em análise prévia mostrou-se muito inferior aos rendimentos do lenho mas, estabelecer uma quantidade
média de teor de óleo essencial para a casca de candeia.
Os óleos essenciais das amostras de casca foram extraídos em aparelho de Clevenger modificado por duas
horas. Após esse período, a coluna de extração do Clevenger foi lavada com solvente (cloreto de metileno), para
recolher possíveis resíduos de amostra. O hidrolato coletado durante a extração foi colocado em funil de separação de
500 mL, onde o óleo essencial foi separado da fase aquosa, utilizando-se cloreto de metileno (20 mL) como solvente
extrator. Esse processo foi repetido por três vezes (Figura 6.10). A fração orgânica (óleo+solvente) proveniente
do funil de separação foi coletada em béquer de 100 mL e, em seguida, tratada com sulfato de magnésio anidro
(MgSO4) em excesso, para a retirada da água remanescente.
A seguir, a solução foi filtrada e levada ao evaporador rotativo a 40o C, até a retirada do excesso de solvente.
Posteriormente, a fração orgânica foi colocada em vidro de âmbar, parcialmente vedado com material plástico,
envolto em papel alumínio e colocado em capela com exaustor ao abrigo da luz, para a retirada do restante do
reagente, até o conjunto óleo+vidro com massa conhecida, alcançar massa constante (BANDEIRA et al., 2011).

126

CAPÍTULO

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )...

a

b

c

d

Figura 6.9 – Obtenção do óleo essencial do lenho de candeia. Hidrolato coletado em tubo de centrífuga (a), centrifugação em
centrífuga de cruzeta horizontal (b), coleta do óleo essencial com micropipeta de Pasteur (c) e retirada da umidade
do óleo essencial na pistola de secagem.

127

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

a

b

c

d

Figura 6.10 – Método de partição para obtenção do óleo da casca. Adição de cloreto de metileno (a); adição de sulfato de sódio
(b); filtração (c) e rotaevaporação (d) do óleo extraído da casca de candeia.

A quantificação do óleo essencial foi realizada pela pesagem em balança analítica, com precisão de 0,0001
gramas, sendo o resultado expresso em porcentagem em relação à massa seca. Após a quantificação, os recipientes
com óleo essencial foram vedados com tampa de borracha e parafilme, envoltos em papel alumínio e armazenados
em refrigerador.
Para a determinação da umidade da madeira e da casca, foram utilizadas 5 g de cada amostra (32 amostras
de lenho e 9 amostras de casca), em triplicata, submersas em um balão de fundo redondo (250 mL), contendo 75
mL de ciclohexano (Figura 6.11). Após o processo de destilação, realizado por 2 horas à temperatura de ebulição do
ciclohexano, quantificou-se o volume de água extraída da amostra, por meio do coletor de vidro tipo Dean Stark
(trap para destilação), Método Oficial da American Oil Chemists Society, 2b-42, (AMERICAN OIL CHEMISTS
SOCIETY - AOCS, 1994) para a determinação da umidade em produtos que contêm substâncias voláteis, adaptado
por Pimentel et al. (2006).
A umidade (Ubs%) foi calculada, considerando-se a base seca, conforme a fórmula que se segue:

m
U bs % = ` mus - 1 j .100

128

CAPÍTULO

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )...

em que:
mu = massa úmida da amostra destinada a determinação de umidade
ms = massa seca da amostra destinada a umidade.

Figura 6.11 – Aparelho para a determinação da umidade.

A massa seca da amostra utilizada para extração do óleo essencial foi obtida por meio dos valores da
massa úmida, pesada antes da extração, e sua umidade, calculada pela fórmula de obtenção da umidade (Ubs%). O
rendimento de óleo essencial (R0) de cada amostra foi dado pela razão entre a massa de óleo essencial extraída e a
sua massa seca.

Com o valor de R0, foram obtidos os valores de óleo essencial por árvore (relação com a massa seca de cada
árvore), por metro cúbico (razão do rendimento de óleo essencial por árvore e seu volume) e por hectare (relação
entre o rendimento por árvore e o número de plantas), considerando-se quatro, seis e oito horas de extração e
trabalhando-se com a média das triplicatas. Para a obtenção dos rendimentos totais, foram somados os rendimentos
dos três tempos de extração.
6.2.4.1 Análise estatística dos rendimentos do óleo essencial
Os rendimentos de óleo essencial foram analisados em relação aos rendimentos totais quando a candeia foi
submetida a desrama e a diferentes espaçamentos, e em relação ao tempo de extração. Para a análise dos rendimentos
de óleo essencial, por matéria seca, por área e por volume de madeira, os dados foram submetidos à análise de variância.
Segundo a literatura, fatores de estresse, como: variações na disponibilidade hídrica, na temperatura, e na
nutrição do solo, normalmente causam uma resposta na planta em relação à produção e composição química de óleo
essencial (GOBBO NETO; LOPES, 2007). A realização da desrama, como já exposto, visa a melhorar as características
do fuste, mas para a produção de óleo essencial ela pode ser entendida como um estresse para a planta. Com o intuito
de verificar se a desrama interfere na produção do óleo essencial, foi realizada a análise de variância.
Já, em relação ao espaçamento de plantio, espaçamentos menores podem ser entendidos como um fator de
estresse, já que a competição por água, luz e nutrientes torna-se maior. Para verificar se os diferentes espaçamentos
de plantio considerados interferem nos rendimentos de óleo essencial, foi realizada a análise de variância, e caso
o teste F fosse significativo, seria aplicado o teste de média Tukey com 5% de significância. O processamento dos
dados foi realizado no software SISVAR, versão 5.0 (FERREIRA, 2003).
129

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

6.2.5 Análise da composição química do óleo essencial

Para a análise de composição química de óleo essencial, além da metodologia de coleta já descrita no item
6.2.4, de óleo essencial de candeia, para o período de zero a quatro horas, de quatro a seis e de seis a oito horas
de extração, foram realizadas extrações do lenho com somente duas horas, sem controle de rendimento do óleo
essencial, com objetivo apenas de verificar os teores dos compostos químicos do óleo essencial nesse período.
Foram analisadas amostras do óleo essencial do lenho de candeia em cada subtratamento, de cada
tratamento, em cada bloco, com duas, quatro, de quatro a seis e de seis a oito horas de extração. Já, para a casca,
foram analisadas somente as nove amostras com duas horas de extração. Para isso, as amostras de cada tempo
em cada combinação de espaçamento, desrama e bloco, feitas em triplicatas, foram misturadas em constância de
volume e diluídas em 1,0 μL de diclorometano, na concentração de 1% de óleo essencial. Essa solução foi enviada
para a análise qualitativa do óleo essencial.
As análises qualitativas dos óleos essenciais foram realizadas no Departamento de Química do Centro
Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG– Belo Horizonte, por Cromatografia em fase
gasosa, acoplada à espectrometria de massa CG-EM. O cromatógrafo utilizado foi o modelo Agilent 7890A
equipado com detector seletivo de massa modelo MSD 5975C e autosampler 7643. O equipamento foi operado
nas seguintes condições: coluna capilar de 30 m x 0,25 mm x 0,25 DI com fase ligada HP-5MS; temperatura da
fonte de íons de 280 oC; programação da coluna com temperatura inicial de 50 °C por 2 min, com um aumento de
4° C/min., até 200 °C, depois 10 °C/min até 300 °C , finalizando com uma temperatura de 300 °C por 2 min; gás
carreador hélio (1 mL.min-1); pressão inicial na coluna de 100,2 KPa; taxa de split 1:80 e volume injetado de 1,0 µL
(1% de solução em diclorometano). Para o espectrômetro de massas (EM), foram utilizadas as seguintes condições:
energia de impacto de 70 eV; velocidade de decomposição 1000; intervalo de decomposição de 0,50; e fragmentos
de 40 Da e 550 Da de compostos. Foi injetada, nas mesmas condições da amostra, uma série de padrões de
hidrocarbonetos lineares (C8H20). Os espectros obtidos foram comparados ao banco de dados da biblioteca Wiley
229 e o índice Kovats, calculado para cada constituinte, foi comparado ao tabelado, de acordo com Adams (2007).

6.2.6 Amostragem do solo

Ao lado de cada árvore cubada, foram retiradas amostras de solos de 0 a 20 centímetros e de 20 a 40
centímetros de profundidade. Essas amostras foram enviadas para análise, no Laboratório de Análise do Solo,
Departamento de Ciências do Solo da Universidade Federal de Lavras (UFLA), onde foram calculados os valores
de: pH em água, acidez potencial (H+Al), alumínio (Al), cálcio (Ca), magnésio (Mg), boro (B), enxofre (S),
fósforo disponível (P), potássio disponível (K), zinco (Zn), ferro (Fe), manganês (Mn), cobre (Cu), soma de bases
(SB), capacidade de troca catiônica efetiva (t), capacidade de troca catiônica a pH 7,0 (T), saturação por bases
(V), saturação de alumínio (m), fósforo remanescente (Prem), matéria orgânica (MO) e os valores médios das
características físicas do solo (areia, silte e argila), de todas as 64 amostras.
As possíveis relações existentes entre os rendimentos de cada composto identificado do óleo essencial e
as variáveis ambientais, referentes ao solo, foram testadas por meio de técnica multivariada, por meio da análise
de correspondência canônica (CCA), no programa PC-ORD 5 for Windows. Na matriz das variáveis do solo,
utilizaram-se apenas as propriedades químicas, na profundidade 0-20 cm, totalizando 20 variáveis. Já, a matriz com
os rendimentos foi formada com os seis compostos identificados pela cromatografia para um total de 32 árvores.
Após uma CCA preliminar, os dados foram transformados em log(n+1), para compensar os desvios causados pela
baixa frequência dos valores mais elevados (TER BRAAK, 1996); também foi feita a análise sem estes, para verificar
130

CAPÍTULO

6 - SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )...

se a tendência apresentada era coincidente para todas as amostras ou se havia interferência somente de extremos.
Calcularam-se os autovalores, a variância explicada de cada eixo de ordenação e os coeficientes de correlação
de Pearson. Foi realizado, também, em conjunto com a CCA, o teste de Monte Carlo.

6.3 Resultados

6.3.1 Valores médios das variáveis dendrométricas

São apresentados para os espaçamentos de plantio 1,5x1,5 m; 1,5x2,0 m; 1,5x2,5 m e 1,5x3,0 m os valores
médios por árvore, de volume com casca, volume sem casca e porcentagem de casca obtidos por meio de cubagem
rigorosa das árvores médias, para plantas com desrama e sem desrama. Assim como o diâmetro a 1,30 metros do
solo e a altura total da árvore, provenientes do inventário com todos os indivíduos de cada subtratamento e também
os valores médios de massa seca com casca e sem casca (Tabela 6.3).
Tabela 6.3 - Variáveis dendrométricas por árvore, para a candeia com nove anos de idade, com e sem desrama.
DAP
HT
Hc
PSsc
PScc
VAsc
VAcc
Casca
(cm)
(m)
(m)
(kg/árv) (kg/árv) (m³/árv) (m³/árv)
(%)
Média
5,9500
4,5800
2,7100
4,9900
5,4300
0,0076
0,0088 14,0300
1,5x1,5
CV (%) 27,0000 11,3400 13,4400 24,1600 23,0800 19,3100 18,5000
4,8500
Média
6,9600
4,7900
3,1600
7,5600
8,1500
0,0116
0,0132 12,2600
1,5x2,0
CV (%) 28,6600 10,4800
9,5200 20,5200 20,2500 18,7000 18,5600
8,2300
Média
7,1900
4,6300
2,7600
7,2300
7,9000
0,0111
0,0128 13,9700
Sem
1,5x2,5
CV (%) 30,5800 10,8700
9,8400 34,3200 33,6800 31,6000 30,6700
5,1000
Média
7,8200
4,6500
2,9500
9,1400 10,0200
0,0145
0,0168 13,7500
1,5x3,0
CV (%) 27,5800 10,5600 11,8500
21,400 22,2700 22,5900 22,9700
2,7300
Média
7,0100
4,6600
2,8900
7,2300
7,8800
0,0112
0,0129 13,5000
Média
CV (%) 30,2200 10,9200 11,8200 31,2900 31,4000 31,3500 31,2400
7,3400
Média
6,6200
4,9500
3,3500
6,8000
7,4000
0,0110
0,0126 12,4700
1,5x1,5
CV (%) 28,1500 13,7300 17,0500 38,6800 39,6000 42,5700 43,6200 10,8400
Média
7,1200
4,8900
3,4300
8,8600
9,5200
0,0143
0,0160 12,2800
1,5x2,0
CV (%) 31,7900 13,0700 14,0900 42,1200 39,4700 46,0800 42,1300 22,5100
Média
7,5300
4,9300
3,4100
7,6900
8,5100
0,0120
0,0139 14,0800
Com
1,5x2,5
CV (%) 26,2000 12,2800
8,8500 17,3000 17,3900 14,7500 14,7200
0,7300
Média
7,7600
4,7200
3,1100
7,8800
8,6500
0,0126
0,0145 13,1100
1,5x3,0
CV (%) 27,0500 12,1900
9,8800 14,4200 14,1600 13,2300 12,8000
2,6600
Média
7,2900
4,8700
3,3300
7,8100
8,5200
0,0125
0,0143 12,9900
Média
CV (%) 28,7600 12,9200 12,2500 29,6200 28,4700 31,8000 29,9600 12,0400
Média
7,1500
4,7600
3,1100
7,5200
8,2000
0,0118
0,0136 13,2400
Média
Geral
CV (%) 29,5500 12,1700 13,8200 30,1900 29,6600 31,5900 30,4900
9,9300
Espaç: espaçamento de plantio; DAP: diâmetro a 1,30 m de altura do solo; HT: altura total; Hc: altura comercial; PSsc: massa
seca da árvore sem casca; PScc: massa seca para a árvore com casca; VAsc: volume da árvore sem casca; VAcc: volume da árvore
com casca.
Desrama

Espaç.
(m)

Na Tabela 6.4, apresentam-se as informações por área, para os espaçamentos de plantio 1,5x1,5 m;
1,5x2,0 m; 1,5x2,5 m e 1,5x3,0 m para as plantas com desrama e sem desrama das variáveis número de plantas,
massa seca com casca, massa seca sem casca, volume com casca, volume sem casca e também a mortalidade
acumulada até a idade de nove anos.

131

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Tabela 6.4 – Variáveis dendrométricas por área, para a candeia aos nove anos de idade, com e sem desrama.
Desrama

Espaç.

 

(m)
1,5x1,5

VTsc

VTcc

VTsc

VTcc

Mt

 

(árv/ha)

(Mg/ha)

(Mg/ha)

(m³/ha)

(m³/ha)

(mst/ha)

(mst/ha)

(%)

Média

3.591,27

17,66

19,25

27,19

31,57

72,60

84,30

19,20

CV (%)
Média
CV (%)
Média

1,5x3,0

CV (%)
Média

Média

CV (%)
Média

1,5x1,5

CV (%)
Média

1,5x2,0

CV (%)
Média

1,5x2,5

CV (%)
Média

1,5x3,0

CV (%)
Média

Média
Média

PSTcc

Média

1,5x2,5

Com

PSTsc

CV (%)

1,5x2,0
Sem

N

CV (%)
Média

Geral

CV (%)

12,96

19,38

18,55

14,62

14,21

14,62

14,21

54,57

2.604,17

18,20

19,68

27,96

31,98

74,66

85,38

21,88

19,27

12,50

12,08

14,05

13,14

14,05

13,14

68,83

2.220,24

15,41

16,87

23,82

27,67

63,61

73,89

16,74

10,45

23,08

22,83

22,12

21,63

22,12

21,63

51,96

1.899,80

17,28

18,93

27,60

32,02

73,70

85,49

14,51

11,26

26,56

27,26

29,11

29,47

29,11

29,47

66,35

2.578,87

17,14

18,68

26,64

30,81

71,14

82,26

18,08

28,61

19,61

19,46

19,73

19,49

19,73

19,49

57,74

3.105,16

19,76

21,46

31,74

36,34

84,75

97,03

30,13

26,28

17,55

18,21

20,44

21,32

20,44

21,32

60,93

2.358,63

18,78

20,33

29,98

34,02

80,05

90,83

29,24

22,98

16,58

16,46

17,15

16,16

17,15

16,16

55,60

2.160,71

16,38

18,11

25,62

29,85

68,40

79,71

18,97

8,02

16,74

16,70

15,10

15,15

15,10

15,15

34,23

1.949,4

15,39

16,89

24,75

28,44

66,08

75,94

12,28

2,26

15,46

15,15

13,85

13,45

13,85

13,45

16,13

2.393,48

17,58

19,20

28,02

32,16

74,82

85,88

22,66

26,45

18,25

17,94

18,94

18,59

18,94

18,59

60,57

2.486,17

17,36

18,94

27,33

31,49

72,98

84,07

20,37

27,46

18,66

18,45

19,18

18,85

19,18

18,85

59,99

Espaç.: espaçamento de plantio; N: número de plantas por área; PSTsc: massa seca sem casca por área; PSTcc: massa seca com
casca por área; VTsc: volume total sem casca por área; VTcc: volume total com casca por área e Mt: mortalidade

6.3.2 Densidade básica

O comportamento da densidade básica da casca e do lenho no sentido longitudinal da árvore está
apresentado na tabela 6.5, para as plantas submetidas ou não a desrama. Há uma tendência dos valores diminuírem
no sentido base topo. A desrama tende a gerar plantas com maior densidade básica de casca ao longo de todo o fuste
com exceção da altura 100% e, com menores valores de densidade básica do lenho.
Tabela 6.5 – Densidade básica (g/cm³) da casca e do lenho de candeia nas porcentagens relativas (0%, 25%, 50%, 75% e
100%) à altura comercial, submetida ou não a desrama.
Material

Casca
Com

Sem

Com

Sem

0%

0,424

0,410

0,662

0,716

25%

0,414

0,382

0,628

0,636

50%

0,374

0,351

0,629

0,621

75%

0,348

0,339

0,602

0,610

100%

0,314

0,333

0,587

0,601

Posição Hc

Desrama

Lenho

DMP

0,390

0,629

Posição Hc: posição de onde foram retirados os disco da densidade; DMP: densidade média ponderada

132

629 0.6.5x1.372 0.Densidade média ponderada (g/cm³) por espaçamento..6 .612 0. mostram-se as informações sobre quantidade de óleo essencial para a candeia aos nove anos de idade sem casca e com casca. nutrientes e luz.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ). A abordagem das informações são para as árvores de candeia até 3 cm de diâmetro com casca.5x2. submetidas ou não a desrama. entendendo como estresse.5 m. informam-se os valores de densidade média ponderada para a casca. nos espaçamentos 1. respectivamente.373 0.5x1.378 0. 2001). A hipótese inicial era que a desrama e espaçamentos menores causassem uma maior produção de óleo essencial na planta. a quantidade de óleo em litros. 1.5x2.. com importância maior para esse último. em campos abertos. o espaçamento menor. por exemplo: ataque de insetos e microrganismos.608 0.0 m.363 0. a desrama provocou um ligeiro aumento dessa variável para a casca e uma leve diminuição para o lenho e para a árvore. por vezes.644 0. para os quatro espaçamentos considerados e com e sem a prática de desrama. que pode chegar a mais de 50 anos (PERÉZ. Na Tabela 6. embora seja uma espécie de ecótono. Já.627 1. 1. sua produção está associada a um ambiente de estresse para a planta. Tabela 6.5 m e 1.0 0. 6.: espaçamento de plantio (m). mas sua produção está associada ao fator de melhora na relação planta-ambiente.5X2. podendo.. danos mecânicos.5x3.636 1. para cada metro estéreo e por hectare. em kg.630 0. também para cada metro cúbico sólido.0 0.390 0.0 m.8. Nesse sentido. Nada se sabe sobre o comportamento da candeia sob condições de plantio para obtenção de maiores rendimentos de óleo essencial e princípio ativo. por ser um ambiente de competição entre plantas por água. como Bakkali et al. A desrama. Nas Tabelas 6.624 0. restrições nutricionais.629 0.614 0.378 0.369 0. diferindo das pioneiras por apresentar um tempo de vida mais longo. lenho e para a árvore de candeia.653 0.7 e 6. algum fator que promova uma resposta na planta.638 0. A densidade média ponderada apresentou valores próximos e sem tendência para os diferentes espaçamentos e. que garantem a sobrevivência das plantas. lenho e para a árvore de candeia aos nove anos de idade. entre outros.6 . serem considerados como características de adaptação (BOURGAUD et al.622 0.3. Material Casca Desrama Espaçamento CAPÍTULO Lenho Árvore Com Sem Com Sem Com Sem 1.5X2.408 0.3 Rendimento de óleo essencial e α-bisabolol O óleo essencial da candeia é uma mistura de metabólitos secundários que.629 1. (2008) e Gobbo Neto e Lopes (2007).5 0. variações de temperatura e disponibilidade hídrica.5X3. para a casca. já que a candeia ocorre naturalmente.5 0. em porcentagem em relação à massa seca de madeira.371 0. cada metro estéreo e por hectare.648 0.626  Média  Espaç.406 0. com várias características similares às plantas pioneiras. A prática da desrama ocasionou uma redução no rendimento de óleo essencial por massa seca de madeira 133 . 1985). submetidas ou não a desrama.609 0. não participam das reações químicas básicas. como. 2001.615 0. em razão de seu efeito.646 0. obtidas para cada metro cúbico sólido. por requerer uma reorganização dos recursos na árvore e iniciar um processo de cicatrização na região desramada.623 0. DIRZO. Um grande número de estudos comprova que esses e outros fatores alteram o rendimento e a composição química dos óleos essenciais.

44 5.09 1.99 7. pelo fato da candeia plantada possuir menor altura.71 21.99 6.02% para as mesma condições.57 31.27% e -1.91 Média 196.4 181. com e sem desrama.14 30.04 0.06 7.68 27.94 34.46 2.81 36.17 29.17 29.87 18.84 6.02 29.35 7. Oliveira e Acerbi Júnior (2008) encontraram rendimentos de óleo essencial.91 Média 2. Isso pode levar à uma menor concentração desses metabólitos por diluição.53 2.87%.02 29.61 25.60 15.71 5.14 27.49 CV (%) 33.44 24.93 5.20 48.60 15. Nota-se que o rendimento do óleo essencial da candeia nativa é bem variável e que o valor encontrado por Scolforo et al.98 Média Média Geral 7.58 6. para a candeia nativa dos municípios de Delfim Moreira. a hipótese de que a desrama seria uma causa de estresse para a planta.08 4.90 30.91 23. conforme Gobbo Neto e Lopes (2007) afirmaram. Apesar do uso da árvore média.17 29. -10.79 27.10 178.80 19.80 173. (2004) encontraram um rendimento de 1.72 19.34 Média Média 1. as variações nos rendimentos do óleo essencial podem ser decorrentes do desenvolvimento de partes da planta concomitante a uma constância no conteúdo total de metabólitos secundários.05 4.42 44. A diferença entre o subtratamento das plantas com desrama em relação às plantas sem desrama foi.82 2.82 0. Tabela 6.91 23. de -23.96 5.79 27.14 27.1 CV (%) 27.00 33.07 2. que é o que acontece em todos os plantios de candeia instalados até o momento. e para os valores com casca. em grande parte.36 6.32 CV (%) 33.0 6. de maneira geral que.97 CV (%) 34.90 171.16 31.1 176.13 2. ela ainda não chegou a uma taxa percentual equivalente aos dos candeais nativos.77 24. Já. Aiuruoca e Ouro Preto.41 2. (2004) aproxima-se mais dos rendimentos da candeia plantada.68 7.70 5.14 5. 134 . ou seja.20 48.79 27.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA em todos os espaçamentos. Camolesi (2007) e Scolforo.40 160.52 7.91 ROsc: rendimento de óleo essencial. Porém.21 26.93 32. deve-se à composição do experimento ter-se dado com material selvagem.90 190. para madeira sem casca.0 2.44 24.43 6.5 2.25 19. é possível verificar a alta variabilidade dos dados que.89 19.49 1.20 48.76 2.80 164.35 7.93 5.00 184. respectivamente.44 24. massa seca.77 8.57 6.11 20.2% e -2.29 2.25 6.00 33.2 18.02 0.00 6.66 CV (%) 33.62 2.56 2.29 2. -20.19 CV (%) 33. -9. de -22.25 5.5 3.93 18. Desrama Sem Espaçamento (m) DAP cm HT m PScc Mg/ha VTcc m³/ha % kg/ha kg/m³ ROsc kg/mst L/ha L/m³ L/mst Média Com 1.08 Média 6.61 Média 182.14 5.26 32.6 146. em diferentes espaçamentos.53 6.5 2.24 7.21 26.72 44.93 2.93 5.69 24.91 23.10 6.36 2.72 19. porém sem uma tendência clara.85 28.00 5. pode ser descartada.06 0.68 6.11%.91 23.0 7. do menor para o maior espaçamento.30 189.93 32.44 32.5 157.14 27. considerando o fuste até 3 cm de diâmetro e classe diamétrica de 5 cm a 10 cm.88 1.33 18.91 7.42 44.70 2.92%.03 19.65%.64%.91 Média 2.14 30.29 5.64 2.51 1.5 3.34 16.14 27.90 0. com casca.50 168. estimulando-a a produzir óleo essencial.12 6. muitas vezes.56% e 1.67 32.26 32.5 166.69 24.0 2.21 5.68 21.05 5.46 5.99 1.68 31.72 19. pode-se inferir.75%.5 CV (%) 27.16 21. na mesma ordem. -19.7 – Rendimento de óleo essencial para madeira sem casca de candeia aos nove anos de idade.20 48.57 30. Em relação à queda dos rendimentos provocada pela desrama.04 1.69 24.25 2. 1.02 30.00 33. sem o controle da variabilidade genética.09 2.57 30.69 24.46 27.72 19.00 204.40 191.95 7.00 33.85 5.11 16.71 21. Assim. pelo método de arraste a vapor de 1. desconsiderando-se a casca.8 170.53 8.13 2.08 Média 7.50 155.17 4.18 7.44 24.50 177.59 2.68%.17 29.76 19. volume individual e idade.90 0.76 6.10 5.16 21. Scolforo et al.93 5.10 158.79 27.59 36.09%.

38 6.40 20.07 Média 6. apresentou a mesma tendência que o rendimento por massa seca.20 177.89 24. as variações nos rendimentos não foram significativas.5x3.46 5.89 24.27 23.92 32.73 5.53 29. entre outros.13 30.27 23.59 15.52 2.33 7.03 2.02 0.69 21. disponibilidade hídrica.83 33.09 27.60 155. pois esses valores são próximos aos da candeia nativa de mesma classe diamétrica.0 7.44 Média 2.14 18.70 168.0.25 32.93 Média 7.40 28.85 0. Pode-se entender que esses resultados são extremamente promissores. pois. 1.49 0.05 5.0 7.13 30.5 8.30 1. o que está em conformidade com as expectativas da equipe da UFLA que conduz os experimentos.12 33.23 5.25 2.28 CV (%) 33.99 5.10 CV (%) 33.86 6.11 47.16 5.94 31.02 0.31 2.74 5. além do fator genético.26 5.5 6.55 30.57 0. A principal vantagem do cultivo da candeia para a produção do óleo essencial está no controle da maioria dessas variações e com grande possibilidade de sucesso.25 32.53 29. considerando-se a desrama.24 29.53 26..11 47.98 0.09 27.46 23.23 5.97 CV (%) kg/ha kg/m³ ROcc kg/mst L/ha L/m³ L/mst Média Geral 7. 2.5x2.38 kg/m³ com casca). assim como os maiores rendimentos médios (6.00 164.24 5.07 Média 6.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ).97 6.59 15.27 19.10 5.8 – Rendimento de óleo essencial para madeira com casca de candeia aos nove anos de idade. foi o 1. Tabela 6.89 24. às variações ambientais e ao estágio de desenvolvimento da planta. que o manejador não tem controle.12 CV (%) 33.00 173.99 2.92 32. Outra vantagem é a idade.67 CV (%) 33.30 158.27 19.08 19.73 6.5 7.05 5.10 204.42 2.53 26.0 7.93 27.60 CV (%) 27.12 33. em relação aos espaçamentos e à prática da desrama.53 26.29 kg/m³ sem casca e 5. em diferentes espaçamentos.33 34.99 kg/m³ sem casca e 6.85 19.96 18.77 5.63 5.26 5.46 23.79 3.27 23.90 170.30 CV (%) 27.18 4.53 26. índices pluviométricos. sazonalidade.44 Média 196.5 6.CAPÍTULO 6 .78 1.93 32.28 19.12 33. que podem diferir de uma área para outra.23 2.5 (6. altitudes.10 16.76 3.0 (6.26 24.43 6. o menor espaçamento resultou em menores valores (5.53 29.17 18.89 28.67 0.32 35. o que mostra a homogeneidade destes (Tabelas 7 e 8).73 kg/m³ com casca) foram encontrados no maior espaçamento. mesmo com espaçamentos distintos.53 29.94 2.25 31.55 30.60 161. o espaçamento que obteve menores rendimentos.15 4.0 8. 135 . incidência de ataques de patógenos e herbivoria.60 192. porém estas apresentam idade superior.96 1.43 44.30 25.25 19. Para os tratamentos sem desrama.16 21..46 23.96 1.11 47.43 44.60 181.44 43.09 2. fertilidade do solo.43 kg/m³ sem casca e 5.53 4.89 ROcc: rendimento de óleo essencial.95 Média 7. com e sem desrama.33 7.89 2. ritmo circadiano.41 6.34 0.46 36.25 4.95 5.27 19.20 26.23 5.20 32.69 21.14 kg/m³ sem casca e 4.58 6.19 5.91 2.74 kg/m³ com casca). níveis de radiação UV.61 5.60 177. As variações dos rendimentos de óleo essencial da candeia nativa estão relacionadas.39 2.16 0.68 30.87 27.81 0.20 26. apesar de a diferença não ter sido significativa.14 1.00 190.12 33.44 0.09 27. para madeira com casca.57 2.40 2.44 21.09 27.68 31.07 Média 182.40 190.00 5.5x2.27 19.23 5.92 Sem 2. O rendimento de óleo essencial em relação ao volume (kg/m³) de madeira.23 5.11 18.97 kg/m³ com casca) e os maiores rendimentos foram encontrados no espaçamento 1.44 Média 2.68 5. temperaturas.10 184.30 178.11 29. embora indiquem que 9 anos ainda não é a idade de colheita das candeias plantadas. pois estas provêm de formações naturais com idades.16 21.27 23.35 2.60 157.11 2.10 171.48 1.11 47.70 146.46 6.82 Com 2.44 Desrama Espaçamento (m) DAP cm HT m Média PScc Mg/ha VTcc m³/ha Média % 1.60 166.34 20.76 16.46 23.01 6.89 24.

Na Tabela 6. de 25 anos e 39.5x2. os quais explicam cerca de 48% do seu rendimento (Tabela 6. mas. e em mesma idade provavelmente superiores. Todavia só foi possível identificar seis compostos. também.16 kg/ha. o que pode ser visto pelo grande número de picos. o que renderia 254. no rendimento de óleo essencial. o rendimento em óleo essencial seria de 159. na Figura 6. o que renderia 573. com 77.36 Mg/ ha. conforme o estudo de Peréz (2001). A massa seca de casca foi então de 1.5m. para o fragmento 2 com 38. mostram-se os rendimentos médios de óleo essencial para a casca da candeia.58 kg/ha. 136 Unidade g/kg g/árv kg/ha kg/m³ kg/mst L/ha L/m³ L/mst Valor médio 0.032 0. (2008b).94 Mg/ha e sem casca foi de 17. o eremanthin e o ácido heptanóico. já que possui menos árvores por área. o maior espaçamento pode tornar-se mais interessante economicamente que o espaçamento 1.10).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Comparando-se os espaçamentos sem desrama. o volume de casca foi de 4. apesar de apresentar valores de rendimento de óleo essencial (gramas de óleo por quilogramas de matéria seca) maior que os menores espaçamentos e com massa seca por árvore maior que nestes. que não foi superada pelo maior número de indivíduos por área e que. o que renderia 275. não é possível fazer afirmações com embasamento estatístico.132 kg/ha de óleo essencial. o óxido de α-bisabolol e o δ-selineno. proporcionalmente. provavelmente. de acordo com o estudo de Mori et al. Devido pela alta variabilidade dos dados.73 m³/ha.132 0. pela competição entre plantas. Sendo assim. Já. Isso indica o baixo potencial da casca na produção de óleo essencial para a candeia plantada. Para valores relativos ao hectare.45 kg/ha. presente em todas as amostras. proporcionalmente. o óleo essencial da casca da candeia apresentou uma variedade de compostos.9 – Rendimento de óleo essencial para a casca da candeia aos nove anos de idade Rendimento ROc ROc: rendimento de óleo essencial da casca de candeia. (2009).083 0.43 kg/ha.013 .142 0. proporcionalmente. seriam removidas 24. Porém. estimaram a produção de óleo essencial em três fragmentos: do fragmento 1 com 35. no espaçamento 1. o número de plantas reduzido interferiu na produtividade.16 m³/ha e estes valores resultaram em apenas 0. positivamente.056 0. Esses valores são bem variáveis. chegará a valores equivalentes a estes. Entre eles. presentes em cerca de 90% das amostras e.33 m³/ha de candeia com casca. Há poucas informações sobre os rendimentos por área de candeais nativos. seriam removidos 54. resultando em um total de 478.34 m³/ha de candeia com casca.5x2m por resultar em menores custos de implantação. a produção de óleo essencial estimada é considerável. Apesar do baixo rendimento. o valor médio geral de massa seca com casca foi de 18. em idades futuras a candeia plantada. o α-bisabolol apresentou-se como composto majoritário (31%) em todas as amostras.39 indivíduos desta. Tabela 6.47 m³/ha de candeia com casca.034 0. e no caso do fragmento 3. de acordo com o índice de Kovats teórico e calculado. em uma área com predominância de 39% de candeia.9.8 anos e esses autores concluíram que a idade interfere. e para o fragmento 3. certamente. seriam removidos 26. Já.58 Mg/ha. seguindo a mesma lógica.12. Scolforo et al. Os outros compostos presentes no óleo essencial da casca da candeia foram o β-selineno. causada.012 0. mas esses valores podem sugerir que o fato de o menor espaçamento apresentar uma ligeira queda em seu valor esteja relacionado à redução da massa seca por planta. não há uma tendência de acordo com o aumento do espaçamento. controle e colheita.84 m³/ha.23 m³/ha. em apenas algumas amostras. considerando a exploração máxima permitida de somente 70%. o candeal nativo apresentou idades médias.

foi considerada apenas a frequência em que ocorreram nas amostras e não a variabilidade dos dados.55 33.55 88. aos nove anos de idade Rendimento CV Frequência (g/kg) (%) (%) (%) α-bisabolol 0. ainda é considerável.66 29. mesmo no intervalo de seis a oito horas de extração.11 e 6. mostram-se os rendimentos dos principais compostos extraídos da madeira da candeia. indicando o forte potencial da candeia cultivada.72 88.00 Óxido de α-bisabolol 0.75 68..60 100.0034 4. também.0028 3. Componentes Nas Tabelas 6. como o espaçamento não mostraram-se influentes.0261 31.78 11.35 19. estão indicadas a frequência.0039 4.Cromatograma do óleo essencial extraído da casca da candeia. Nas Tabelas 6. Frequência: porcentagem de ocorrência do composto na amostra. Tabela 6.12.0015 1.90 Ácido heptanóico 0. já que estes não estavam presentes em todas as amostras. Rendimento (g/kg): rendimento composto em relação a massa seca de casca. Observa-se. o óxido de α-bisabolol nas duas primeiras horas apresenta valores menores que o tempo de quatro horas e nos intervalos de quatro a seis horas e seis a oito horas tornam-se decrescentes. seu rendimento.10 – Composição química do óleo essencial da casca de candeia.11 e 6.0023 2. já.12. apesar de menor em relação aos tempos iniciais.30 Eremanthin 0. Para os compostos δ-selineno e β-selineno. que estes ocorrem em cada condição de espaçamento 137 .46 100.06 47. a baixa variabilidade entre os valores e que tanto a desrama. As concentrações dos compostos α-bisabolol e espatulenol diminuem com o tempo de extração.10 CV: coeficiente de variação. É notável que o α-bisabolol é o componente majoritário e que.12 .SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ). Figura 6.90 δ-Selineno 0.CAPÍTULO 6 . 2 – óxido de α-bisabolol e 3 – β-selineno.52 38. Em que: 1 – α-bisabolol. em diferentes intervalos de tempo de extração.00 β-selineno 0. A concentração do eremanthin ou vanilosmim apresenta relação direta com o tempo de extração..

70 12. por esse método.21 0.00 0.85 37.64 0.88 1.08 3.5x2.04 51.61 50. usando o mesmo processo de extração.63 0.00 15.84 4-6 86.00 3.00 0.84 12.43 50.34 25.79 0-2 94.27 0.95 2.79 9.76 50. Nascimento et al.67 6-8 81.39 2.29 25.5 1.63 9.81 3.91 20.73 52.29 25.69 0-4 89.5x1. 138 δ-Selineno .59 0.94 0.03 16. porém nota-se que o óxido de α-bisabolol aumenta sua concentração apenas até as quatro primeiras horas e depois torna-se decrescente.91 5.27 50. em estudo sobre o processo de extração supercrítica para o óleo essencial de candeia.02 48. e pelo método de hidrodestilação.53 3. são extraídos em maior quantidade na fase inicial do processo.00 3. para árvores desramadas ou não e seus teores médios. em relação à quantidade total de óleo essencial extraído com o tempo de oito horas.91 11. 87.00 0-4 90.61 0.29 15.89 0. rendimentos de α-bisabolol para a classe diamétrica de 5 cm a 10 cm.37 25.91 33.80 2.33 4. usando-se a média do rendimento de α-bisabolol. aos teores encontrados nas plantas nativas.36 25. (2008).00 0.63 34.75 15.41 4.61 54.94 7.71 1.90 10.53 0.00 0.15 0.0 α-bisabolol Óxido de α-bisabolol Eremanthin Média CV Média CV Média CV 0-2 93. Camolesi (2007). Para efeito de comparação.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA e tempo.00 0.60 50.44 19.3%.29 3.26 25.46 2.5x3.00 0.00 0.00 7. de 88. já que este é gerado a partir do α-bisabolol.0 1.88 0-2 93.00 39.00 15.95 6.55 1. assim o fato dos teores de α-bisabolol e de óxido de α-bisabolol serem maiores no início do processo de extração deve estar mais relacionado à volatilidade dos compostos que.34 25.32 70.14 0. em média de 89.19 2. encontrou valores.71 11.70 0-4 89.54 0.79 1.00 0.39 2.00 6-8 82.00 0.32 1.70 0.36 75.51 4-6 6-8 Espatulenol Média β-selineno CV Média Freq.87 3.56 0.0% do óleo essencial de candeia como sendo α-bisabolol.00 4. é um excelente resultado a favor do cultivo da candeia.26 25.00 82.3 0. de 88. sendo que esse valor só foi inferior ao encontrado por Souza et al.30 6-8 83. Componente Espaç.43 25.00 0.89 1. (2008).16 0.00 0. Scolforo et al. de 71% a 74%.29 50.15 3.46 3.61 5.55 30. Aiuruoca e Ouro Preto.03 0. em diferentes espaçamentos sem desrama.30 50.5x2.11 5.72 15. por serem de cadeia pequena.28 23.00 0.55 4-6 86.78 4. Oliveira e Acerbi Júnior (2008) encontraram para os municípios de Delfim Moreira.19 1.00 0.00 0.07 4.00 2. Todos esses estudos supracitados são relativos aos rendimentos em relação ao fuste da árvore. Isso indica que a desrama gera uma ligeira queda no teor do α-bisabolol. Souza et al.25 25.31 14.62 0.00 0.18 1.99 4. Os teores de α-bisabolol são bastante variáveis para a candeia nativa.02%.61 0.45 1.5 1.00 (%) CV: coeficiente de variação.55 3.58 3.00 0.31 0. Tabela 6.21 52.27 50.68 1.00 4-6 85.00 8. e que.23 0. Período (m) (horas) 1.00 0. mas a 3 bar de pressão.40 0.95 4.71 27.00 0.00 0.01 7.6 1. a candeia plantada teve um rendimento para os tratamentos sem desrama.56 27.00 0.00 0.25% respectivamente. de 92% de α-bisabolol.78 40.53 2.08 17.92 2. (2007) encontraram 63.20 50.51 40. 0.67 0. (2008b) e Scolforo.89 2.17 0-4 90.24 25.23 1.00 0.56 3.00 0-2 93.: frequência que o composto ocorreu nas amostras.28 25.67 5.79 18.00 0.15 4.49 3.43 42.78 3.29 0.30 12.00 0.65% e 86.95 0.11 – Concentração dos principais componentes do óleo essencial do lenho de candeia aos nove anos de idade.15 1.65 39.59 1.00 0.36 3.12 18.53 0. Média Freq.47 0. Freq. e para os tratamentos com desrama.00 85.69%.05 3.85 0.00 3. A queda do rendimento do α-bisabolol com o aumento do tempo de extração poderia estar relacionado com a produção de óxido de α-bisabolol. comparativamente.26 25.74 11.31 25.29 0.

0 α-bisabolol Média CV Óxido de α-bisabolol Média CV Eremanthin Média CV Espatulenol Média δ-Selineno β-selineno CV Média Freq.06 1. Período (m) (horas) 1.98 0.00 0.20 3.51 1.93 1..98 0.00 0-4 89.89 24.91 3.43 3.00 0.25 50.75 9.37 1.33 2.00 0.57 0.95 15.00 4-6 86.62 1.47 75.93 4.84 1.14 18.00 0-2 94.00 0.67 2.53 0.90 2.57 4.58 1.5x1.62 75. Média Freq.95 12.00 0.16 3.38 1.76 7.71 19.00 6-8 83.5x3.54 0.95 0.29 25.21 25.86 28.85 17.83 35.89 0.83 0.74 16.00 6-8 87.26 29.00 6-8 82.17 26. em diferentes espaçamentos com desrama.74 24.09 0.28 50.40 0.26 25.12 0.27 0. 139 . Componente Espaç.00 0-4 88.76 1.23 25.38 3.00 Espaç: espaçamento.00 0.47 3.14 0.00 4-6 84.00 0.00 6-8 80.04 3.33 11.0 1.11 0.10 3.63 21.59 1.26 25.25 50.23 25.26 3.50 35.47 50.5x2.99 38.60 3.85 0.26 25.18 2.61 15.00 0.45 33.92 14.00 0..3 1.98 0.57 5.00 0.00 0.62 22.00 0-4 90.16 14.44 0.85 0.00 0.00 0.15 0.88 31.20 25.59 13.86 7.5x2.25 4. (%) 0-2 92.82 25.99 38.06 4.68 1.85 24.23 25.69 14.64 0.87 3.35 2.29 25.81 3.00 4-6 86.70 20.21 10.82 1.07 3.76 2.5 1. Tabela 6. CV: coeficiente de variação.38 1.CAPÍTULO 6 .09 30.29 50.93 0.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ).26 3.88 0.97 10.21 0.00 0.92 26.24 27.00 0.00 0-2 95.04 2.82 3.00 0.98 2.28 30.30 13.00 4-6 85.63 4.94 0.5 1. Freq.37 3.98 3.34 0.00 0.28 0.96 11.70 9.: frequência que o composto ocorreu nas amostras.00 0.86 0.24 50.00 0.22 0.79 29.69 0.14 30.00 0-2 94.01 15.00 0.29 50.87 15.65 0.00 0.00 0.37 1.27 3.76 1.12 – Concentração dos principais componentes do óleo essencial do lenho de candeia aos nove anos de idade.75 2.69 41.00 0.39 21.09 0.19 1.00 0.29 3.29 50.33 50.00 0.29 2.00 0-4 90.00 0.

36 g/mol. espatulenol (e). monocíclico. 1996). α-bisabolol (b).selineno (d).493 a 1. ocorre um aumento dos teores de compostos com pequenos picos. Comparando-se as Figuras 6. é um álcool terciário de fórmula molecular C15H26O. c b a OH O OH d OH g e f OH O O O Figura 6.13 – Estrutura química dos compostos: ácido heptanóico (a). acarretando uma ligeira diminuição no teor de α-bisabolol. apresenta-se a estrutura química dos compostos presentes no lenho e na casca de candeia. que provém da condensação de moléculas de acetil CoA. β – selineno (c). insaturado e opticamente ativo. trata-se de um líquido ligeiramente amarelado. δ. O componente majoritário do óleo essencial da candeia.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Na Figura 6. para o isômero natural α. 140 .13. pouco solúvel em água e que possui massa molar de 222. Eremanthin (f ) e óxido de α-bisabolol (g). temperatura de ebulição em 153°C e índice de refração (20°C) de 1. Também conhecido por levomenol. (2S)-6-methyl-2-(4-methylcyclohex-3-en1-yl)hept-5-en-2-ol. nota-se o comportamento geral das amostras em relação ao tempo de extração. no qual há uma variedade de compostos extraídos desde as primeiras horas de extração e que com o aumento do tempo de extração. o α-bisabolol. sesquiterpênico.497 (THE MERCK INDEX.14 (a) e (b).

141 . (a) das quatro horas iniciais de extração e (b) do período de seis a oito horas de extração.. Figura 6. 2 – óxido de α-bisabolol e 3 – eremanthin.CAPÍTULO 6 .14 – Cromatogramas do óleo essencial do lenho de candeia. Em que: 1 – α-bisabolol.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus )..

10 176.33 6.92 9.46 1.87 7.37 2.43 5.04 8. O comportamento do α-bisabolol seja em massa ou volume.00 112.61 7.80 173.80 169.13 – Rendimento de óleo essencial e α-bisabolol do lenho de candeia aos nove anos de idade. Tabela 6.00 2.22 4.75 4.57 6.32 2.63 4.27 5.21 6. kg/ mst: quilogramas de óleo essencial por metro estéreo de madeira.65 PScc Mg/ha 19.95 6.9 120.60 117.00 164.50 123.06 4.92 2.80 5.75 2.66 5. pode-se considerar esses valores satisfatórios em relação à produção de óleo essencial.50 5.06 2.40 127.62 1.19 142.93 6.91 5.67 32.20 2.74 2.50 165.30 183.92 8.02 OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa g/kg kg/ha kg/m³ kg/mst L/ha L/m³ L/mst 8 7.80 121.83 9.98 27.30 127.50 169.57 5.00 190.69 5.89 2.34 9.41 1.99 4. para diferentes tempos de extração.29 8.47 5. g/kg: gramas de óleo essencial ou de α-bisabolol por quilograma de madeira seca. por área.19 7. já que a porcentagem dele mostrou-se bastante homogênea.88 7.68 8.87 6.8 170.25 19.36 5.39 9.64 1.40 137.55 2.29 2.58 4.94 2.98 2. L: litros.0 8 4 6 1.82 HT m 4.20 141.71 2.67 6.14 mostra-se a quantidade de α-bisabolol e de óleo essencial.18 5.09 2.80 2.36 2.70 182.79 4.70 133.75 2.77 5.04 6.5 8 4 6 1.44 1.60 157.10 164.30 157.5x1.68 16.59 1.89 2.82 1.51 4.30 140.84 4.80 161.52 5.60 149.93 VTcc m³/ha 31.5x2.35 6.67 2.50 1.86 2.68 6.7 146. em massa e em volume por hectare.86 1.32 1.  Espaçamento (m) Tempo (horas) 1.06 9. Para essa idade.92 8.50 170.00 151.0 8 4 6 DAP cm 5.49 2.96 7.20 146.87 18.67 6.9 132. de acordo com as variações do óleo essencial.10 2.40 204.40 182.12 2.90 143.65 7.15 1.60 152.03 6.00 196.54 9.80 109.60 6.60 189. com a variação dos tratamentos e subtratamentos.51 6.18 6.56 1.27 1.05 4.5 4 6 1.76 1.57 31.5x3.10 6.13 e 6.60 4.95 2.68 5.33 2. com e sem a prática da desrama. para a candeia sem casca.20 156.70 160. em diferentes espaçamentos e sem desrama.90 153.62 1.19 6.16 2.70 8.28 2. 142 .59 2.20 177.36 8.25 5.57 4.31 7.21 5.5x2.12 2.33 1.26 132.78 6.90 158.97 6. em diferentes tempos de extração para os quatro espaçamentos considerados.10 130.22 2. por massa ou por volume de madeira.60 10.36 OE: óleo essencial.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Sendo o α-bisabolol o composto de interesse.27 10. α-bisa: α-bisabolol.12 6. por massa seca e por volume.79 2.10 118.33 5.81 7.00 177.69 4.38 6. nas Tabelas 6. segue as mesmas tendências dos rendimentos em óleo essencial.85 10.37 6.71 9.

O coeficiente de Pearson foi de 0.76 3.80 130.5x2. quanto na de 20 a 40 cm.76 1.74 6.85 4.23 5. g/kg: gramas de óleo essencial ou de α-bisabolol por quilograma de madeira seca. ainda.03 1.40 158. E o teste de Monte Carlo obteve valor de 0.70 155.43 1.24 34.00 166.60 1.10 2.71 2.70 3.06 1.00 4.97 4.24 6.19 9.10 109.03 5. e o segundo explicou 24% da variância com autovalor de 0.85 1. E que a variabilidade explicada se deve.88 2.60 123.3. com isso.77.10 124.02 6.49 3. são apresentados na Tabela 6.36 1.20 154.53 7.53 1.80 166.11 3. assim.69 1.20 101.09 1.24 5.49 1.61 7.70 132.11 123.40 165. do primeiro bloco.89 4.07 8.50 142..15.16 4.70 129.02 2.90 2.60 139.80 138.07 2. e sem os valores discrepantes.86 2. assim como.90 128.62 7.52 3.26 OE: óleo essencial.14 – Rendimento de óleo essencial e α-bisabolol do lenho de candeia aos nove anos de idade.90 133.0 8 4 6 1.44 OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa OE α-bisa g/kg kg/ha kg/m³ kg/mst L/ha L/m³ L/mst 6.18 9. se a variação da composição do solo interferiu na composição química do óleo essencial de candeia.11 16.29 1. hectare. que não houve tendência entre as variações do solo e os rendimentos dos componentes do óleo essencial. metro cúbico.61 1. na profundidade de 0-20 cm e os rendimentos dos componentes químicos identificados do óleo essencial de candeia.10 139.811 e 0.53 4.33 18.96 6.82 1. em diferentes espaçamentos e com desrama.90 117.54 4.24 6.5 97.26 2..02 29.90 8. L: litros.93 3.54 1.59 1.86 28.1% da variância com autovalor de 0.60 93.60 2.70 148.5x2.96 5.28 5.30 146.73 6.95 4.00 173.46 20.03 5.76 HT m 4.12 8 10.80 4.005.04 5.12 7.00 126.SUSTENTABILIDADE DE PLANTAÇÕES DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus ). comprovando.5 107. notou-se a tendência de alguns nutrientes interferirem na composição química do óleo essencial. 6.60 149. para diferentes tempos de extração Espaçamento (m) Tempo (horas) 1.42 6.20 157.00 160.13 5.26 8.41 5.50 8.36 7.29 3.72 PScc Mg/ha 21. juntamente com os baixos valores de autovalor.50 3.89 VTcc m³/ha 36. considerando todas as amostras. Os valores médios dos componentes do solo e coeficientes de variação.27 5.71 5.55 5.30 4.56 1. procedeu-se à retirada de uma amostra que apresentava valor extremo.03 2.5x1. no menor espaçamento e.10 132. α-bisa: α-bisabolol.20 147.CAPÍTULO 6 . árvore e quilogramas de matéria seca.65 2.5 115. Em uma primeira análise entre o solo.25 1.5x3.44 1.61 5.28 5.99 5. mais a fatores aleatórios do que à composição do solo no caso desse experimento.9 4.00 137.03 7.89 2.00 141.60 2.67 7.7 171.60 104.25 7.66 8. 143 . de todas as 64 amostras.98 5.13 1.50 115.92 2. referente à testemunha.49 1.48 4.50 112.54 8.49 1. muito provavelmente.5 8 4 6 1.14 4.12 4. A tendência de o solo não interferir no rendimento do óleo essencial foi observada tanto na profundidade de coleta do solo de 0 a 20 cm.5 4 6 1.51 6.90 153. o qual pode interferir no resultado da análise multivariada.60 6.007.33 1.8 118.0 8 4 6 DAP cm 6.10 148.68 1.73 1.84 4.07 1. kg/ mst: quilogramas de óleo essencial por metro estéreo de madeira.93 1.47 4.2 104.98 1. para o rendimento de cada componente em quilogramas por.06 5. por metro cúbico de madeira.67 6. o primeiro eixo de ordenação explicou 35.91 1.874 para o primeiro e segundo eixos.8 152.68 1. Tabela 6. respectivamente.58 4.44 1.90 138.34 1.04 7.81 5.3 184.60 137.4 Influência do solo na composição química do óleo essencial Foi investigado.40 6.80 1.12 4. Porém.93 4.77 2.84 4.57 4.76 7.

50 4.20 24.60 26.40 3.00 1.20 23.00 4.70 30.00 141.10 0.60 (T) 7. de todas as amostras e sem os valores discrepantes para as variáveis P.20 21.10 0.00 5.60 5.40 15.60 10.40 41.60 14.20 15.50 4.90 0.00 1.00 43.50 18.30 16.70 49.80 15.00 19.80 25.90 1. CTC (T): Capacidade de Troca Catiônica com pH 7.20 0.00 0. V: índice de saturação de bases.10 14.40 15.10 2.60 14.50 18.70 0.80 27.30 38.60 0.90 1.00 8.20 24.70 15.90 46.20 50.90 16.10 2.00 74.60 38.80 6.60 0.00 5.70 K 44.60 30.40 31.90 (t) 1.40 3.20 50. K.60 14.10 19.90 6.30 9. CTC (t): Capacidade de Troca Catiônica.40 S Físicas Todas as amostras 0-20 20-40 Média CV (%) Média CV (%) Mg H+Al Químicas   mg/dm³ Caract.00 1.30 13.90 24.30 18.60 9.40 31.   Profund.20 15.90 7.0.90 22.50 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 6.90 16.70 0.90 18.00 70.70 24.10 8.00 Al 0.50 Mn 1.10 14.80 25.10 30.20 35.90 0.70 6.50 39.80 6.40 13.10 8.00 1.80 0.50 22.20 5.30 P 1.30 6.80 0.60 38.70 24.30 10.60 1.30 18.60 10. (cm) Fator pH Sem valores discrepantes 0-20 20-40 Média CV (%) Média CV (%) 5.10 14.30 9.50 1.00 70.60 45.10 38.10 0.20 21.10 14.90 0. MO: matéria orgânica.10 2.10 42.40 13.90 6.80 m Cu B % 0.70 0.20 0. MO dag/kg 3.10 2.10 15.80 13.10 8.90 22.80 15.20 0.40 Prem mg/L 14.00 1.10 74.50 22.30 39.30 16.90 V 4.30 6.10 8. 144 .60 28.20 23.60 30.10 19.60 9.00 8.00 19.50 231.: Característica do solo.30 13. m: índice de saturação de Alumínio.30 45.70 28.90 1.30 61.10 39.10 Zn 1.40 41.70 cmol/dm³ Ca SB 0.80 49.70 0. Zn e S.70 Areia Silte Argila % Caract.80 1.60 5.60 46.60 46.40 3.70 0.20 0.40 13.90 18.70 28.90 12.60 Fe 39.80 27.10 0.40 1.60 1.30 4.70 38.50 15.80 54.50 15.30 4.15 – Médias e coeficientes de variação (CV) dos componentes do solo.20 6.10 42. P-rem: Fósforo remanescente.

cimento madeira e plástico madeira com a madeira de candeia proveniente do processo após a extração do óleo. particulados. 145 . O processo de produção do óleo da madeira de candeia gera um subproduto com potencial para ser aproveitado para diversos fins. os quais agregam maior valor ao produto final.1 Introdução A floresta. cimento Portland (aglomerante) e água. a tecnologia de produção dos painéis de madeira-cimento é muito similar ao processo de produção de aglomerados com resina sintética. que são ligadas por resinas sintéticas. Aditivos químicos têm sido empregados com o propósito de reduzir o tempo de endurecimento do cimento.APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO. laminados. áreas de preservação de mananciais de águas e áreas de lazer. pode ser desmembrado em sete modalidades de utilização da madeira. com níveis elevados de perdas. sob a ação do calor e pressão (IWAKIRI. em uma proporção de 1:3:1. o aproveitamento de resíduos gerados na cadeia produtiva florestal se torna uma obrigação social. em virtude da melhor relação preço/desempenho e da crescente conscientização dentro da sociedade moderna de que não é mais viável a convivência com processos que utilizam reservas florestais. ecológica e econômica para os empresários que atuam no setor florestal brasileiro. basicamente. Nesse contexto. Os laminados e particulados constituídos pelas lâminas.5. compensados. Painéis de madeira aglomerada convencional ou chapas de partículas são painéis manufaturados. etc. essencialmente na forma de partículas. ou outros agentes aglutinantes apropriados. serrados. energia. produtos de fibra e madeira “in natura”. quando comparados com a madeira in natura ou com os produtos sem industrialização ou semi-industrializados. geralmente madeira. As duas modalidades de uso da madeira vêm substituindo os produtos tradicionalmente utilizados e vários tipos de painéis vêm ganhando espaço comercial. 7 .. O segundo grupo. a saber: produtos sem industrialização ou semi-industrializados. a partir de materiais lignocelulósicos. de forma geral e simplificada. briquetes. O primeiro deles é representado pela função ecológica e social na forma de parques ecológicos. Segundo Latorraca (2001). foram produzidos painéis de madeira aglomerada convencional. É composto.CAPÍTULO 7 . pode ser dividida em dois grandes grupos.) ou para a produção de painéis de madeira reconstituída. Painéis plástico-madeira são uma variação dos painéis conhecidos como painéis de madeira aglomerada. No trabalho de Santos (2008).. Produtos de maior valor agregado são caracterizados como produtos secundários obtidos por meio do reprocessamento ou do rebeneficiamento. de importância econômica.APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DO ÓLEO DA CANDEIA PARA A MANUFATURA DE PRODUTOS DE MAIOR VALOR AGREGADO Lourival Marin Mendes Rafael Farinassi Mendes Fabio Akira Mori Rosimeire Cavalcante dos Santos 7. aglomerados e chapas de fibra são produtos com maior valor agregado. 2005). de partículas ou fibras de madeira (agregado). acelerando o desenvolvimento da resistência. como energéticos (combustão direta. sendo transformados em outro produto acabado ou semiacabado de maior valor em relação ao produto original.

principalmente aqueles de composição termoplástica. Essa densidade tem sido um importante fator na determinação de quais espécies podem ser empregadas na manufatura dos painéis. Contudo. a fim de controlar o processo de formação do painel de forma adequada.1). a presença de extrativos em grandes quantidades na madeira pode causar estouro dos painéis após a prensagem. 2001). madeiras de densidade mais reduzida possibilitam a produção de painéis dentro da faixa adequada de densidade. outros polímeros. por exemplo. têm sido testados. 3) geração das partículas. fonte principal de matéria-prima para a produção de chapas de partículas. principalmente aqueles de composição termoplástica. como se pudesse ter manipulação independente e fácil.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Além da madeira. nos dois sentidos. a mudança de um desses fatores resultará na alteração de vários outros relacionados com o processo de formação do painel. pode aumentar em demasia os custos variáveis. 5) secagem das partículas. 2) descascamento das toras. que regula as propriedades da chapa. Na produção de painéis plástico-madeira são adicionados também polímeros.2 Fatores que afetam as propriedades dos painéis particulados de madeira Quase todos os parâmetros mostrados na Tabela 7. Nesse contexto. um parâmetro não pode ser considerado isoladamente. Por outro lado. 9) prensagem a quente e 10) acabamentos e esquadrejamento final (Figura 7. para a elaboração desses produtos. 1993). 7) mistura dos componentes do colchão. Por conseguinte.1 . como. é a densidade da própria matéria-prima lenhosa. 4) armazenamento das partículas úmidas. 146 . normalmente. 8) formação do colchão. propriedades de resistência superiores às espécies de densidades mais elevadas (MENDES.1 interagem entre si. bem como impedir a pega do cimento na produção de chapas minerais. um alcance mais completo do processo pode ser atingido e a manipulação real pode ser desenvolvida com sucesso para o controle da maior parte do processo (MALONEY. além de possuir. 6) classificação por peneiramento.3 Parâmetros de processamento industrial dos painéis particulados a base de madeira O processo industrial de produção de painéis de madeira aglomerada pode ser dividido resumidamente em 10 etapas: 1) toragem e condicionamento das toras. uma vez aceita a existência dessa inter-relação entre certo número de parâmetros. Tabela 7.Fatores que afetam as propriedades dos painéis particulados de madeira INERENTES À MADEIRA Espécies Densidade da madeira pH Teor de umidade Extrativos Local de crescimento Idade cambial Substâncias estranhas Forma do Tronco INERENTES AO PROCESSO Densidade dos painéis Razão de compactação Composição dos painéis Resina e parafina Dimensão e orientação das partículas Umidade das partículas Tempo de fechamento da prensa e de prensagem Temperatura de prensagem Pressão específica Fonte: Mendes e Iwakiri (2002) 7. 7. o aumento da quantidade de resina no colchão. fundidos ou em forma de partículas. inviabilizando praticamente a produção. Ou seja. objetivando o ganho em propriedades. A mais importante variável relativa à espécie. o poliestireno (PS) e o polie­tileno tereftalato (PET). Em termos gerais.

em Carrancas. o que causa problemas de ordem ambientais com a lixiviação dos extrativos para os cursos de água. Figura 7. 147 .1 . a Atina.. Fonte: Abipa . existem três fábricas em operação de extração do óleo de candeia.Cadeia produtiva de painéis de madeira aglomerada. na produção de painéis madeira-cimento ocorre a incorporação de cimento Portland.4 Painéis aglomerados produzidos com a madeira de candeia No estado de Minas Gerais.. por meio da confecção de painéis de madeira reconstituída. em Pouso Alegre e a Citroflora. o aproveitamento desses resíduos para a produção de painéis particulados se torna uma alternativa viável com a venda dos resíduos para indústrias de aglomerados. causa sérios problemas aos empresários. Esse resíduo. cuja prensagem é feita com temperaturas elevadas. em Morro do Pilar. foi avaliada a possibilidade de utilização do resíduo gerado pelas indústrias de extração de óleo da madeira de candeia. bem como a possibilidade de implantação de uma fábrica de pequena capacidade de painéis de madeira aglomerada.CAPÍTULO 7 . Já. Nesse contexto. pois não é dado um destino para o mesmo.Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (2000) 7. bem como de outros aditivos para a formação do colchão. o volume gerado de resíduos na forma de partículas (Figura 7. diferente dos painéis mencionados anteriormente. a Citrominas. Eremanthus erythropappus.APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO. e a liberação de monóxido e de dióxido de carbono na atmosfera com a queima dos mesmos.2) é muito grande nessas indústrias. o mais utilizado. que é prensado a frio. No trabalho realizado por Santos (2008). Portanto. na geração de produtos de maior valor agregado.

12 Incorporações 51.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 7.70 65. pode-se observar que os painéis madeira-cimento.25 11. cujo valor máximo é de 0.176.18 (candeia + eucalipto) 11.67(candeia + eucalipto) 9. Propriedades Módulo de elasticidade (kgf/cm²) Módulo de ruptura (kgf/cm²) Ligação interna (kgf/cm²) Compressão paralela (kgf/cm²) Absorção de água (2h) % Absorção de água (24h) % Inchamento em espessura (2h) % Inchamento em espessura (24h) % Fonte: Santos et al.05 (candeia + pinus) 6.Propriedades físico-mecânicas de painéis madeira-cimento produzidos com a madeira de candeia e incorporações. (2008) 148 Candeia 36.532. Tabela 7.28 (candeia + pinus) . apresentaram valores que atendem aos exigidos pelo processo BISON. quando a madeira de candeia foi combinada com a madeira de eucalipto e de pinus.2. produzidos com a madeira de candeia no trabalho de Santos et al.Subproduto gerado na extração do óleo da madeira de candeia. No entanto.31 1. exceto para o módulo de ruptura.08 12. respectivamente.02 (candeia + pinus) 0. foi possível atender às especificações da norma. Pelos dados da Tabela 7. cujo valor mínimo exigido é de 91 kgf/cm2 e para o inchamento em espessura durante duas horas. Fonte: Santos (2008).00 75.85 (candeia + pinus) 99.2 . A madeira de eucalipto e de pinus contribui para a melhoria das propriedades dos painéis madeira-cimento produzidos com a madeira de candeia.41 1.30 (candeia + eucalipto) 0.8%.2 .00 (candeia + eucalipto) 120.64 5. (2008).

00 (candeia + eucalipto) 7. com essa incorporação. Tabela 7.. Já para o módulo de elasticidade e de ruptura.00 18.00 (candeia + eucalipto) 110.69 (candeia + pinus) 13.00 24.4). Com relação às demais propriedades. (2009) com a madeira de candeia e incorporações de eucalipto e pinus alcançaram os valores mínimos estabelecidos pela norma CS 236-66 (Tabela 7. segundo a norma CS 236-66.803. que é de 112 kgf/cm2.5. o módulo de ruptura tenha sido de 110 kgf/cm2. bem próximo do valor mínimo exigido.Valores estabelecidos para painéis aglomerados convencionais.90 - Fonte: Commercial Standart (1968) 149 .00 (candeia + pinus) Fonte: Santos et al (2009) Pelos dados da Tabela 7.94 83.89 11.00 6.00 Incorporações 9. ligação interna e inchamento em espessura..66 (candeia + eucalipto) 103. Propriedades Módulo de elasticidade (kgf/cm²) Módulo de ruptura (kgf/cm²) Ligação interna (kgf/cm²) Compressão paralela (kgf/cm²) Absorção de água (2h) % Absorção de água (24h) % Inchamento em espessura(2h) % Inchamento em espessura (24h) % Candeia 8.00 4. para as propriedades de ligação interna e inchamento em espessura.00 (candeia + eucalipto) 16. os valores atenderam à referida norma. os painéis plástico-madeira produzidos por Santos et al.00 40. Os melhores resultados foram alcançados com a incorporação da madeira de eucalipto para todas as propriedades. Tabela 7. não alcançaram os valores mínimos estabelecidos pela norma CS 236-66 para o módulo de elasticidade e de ruptura. pode-se observar que os painéis aglomerados convencionais produzidos por Santos et al. pode-se observar que.3 . (2011).3. os valores obtidos ficaram abaixo dos valores especificados pela norma.00 4.00 (candeia + eucalipto) 35. mesmo com a incorporação da madeira de eucalipto.APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO. absorção de água em duas horas e inchamento em espessura em duas horas.232.00 104. com a madeira de candeia e incorporações. semelhante aos painéis aglomerados convencionais.00 (candeia + eucalipto) 5.4 . embora.CAPÍTULO 7 . Propriedades Módulo de ruptura (kgf/cm²) Módulo de elasticidade (kgf/cm²) Ligação interna (kgf/cm²) Inchamento em espessura (2h) % Inchamento em espessura (24) % Valores máximos 35 35 Valores mínimos 112.500.Propriedades físico-mecânicas de painéis aglomerados convencionais produzidos com a madeira de candeia e incorporações. A incorporação do PET apenas provocou ganhos em propriedades para o módulo de ruptura. Na Tabela 7.

00(50% de PET) 8.82 (sem PET) Fonte: Santos et al. 150 .00 (sem PET) 96. • A manipulação das variáveis de processamento pode viabilizar a utilização da madeira de candeia na produção de painéis de madeira aglomerada.50 (sem PET) 17. no entanto. (2011) 7.54 (25% PET) 13. objetivando a melhoria do processo de utilização da madeira de candeia na indústria de painéis de madeira aglomerada.989.Propriedades físico-mecânicas de painéis plástico madeira produzidos com a madeira de candeia e incorporações.34 (sem PET) 8.5 Síntese • A madeira de candeia. esse procedimento pode elevar os custos de manufatura. produz painéis madeira-cimento de qualidade.5 . • Há necessidade do desenvolvimento de novos trabalhos de pesquisa. combinada com a madeira de eucalipto e pinus.17 (25% PET) 54.69 (sem PET) 89.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 7. Propriedades Módulo de elasticidade (kgf/cm²) Módulo de ruptura (kgf/cm²) Ligação interna (kgf/cm²) Compressão paralela (kgf/cm²) Absorção de água (2h) % Absorção de água (24h) % Inchamento em espessura (2h) % Inchamento em espessura (24h) % Incorporações 9. • A madeira de candeia ainda apresenta problemas para ser aproveitada na produção de painéis de madeira aglomerada (convencional e plástico).

.APROVEITAMENTO DO SUBPRODUTO DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO.CAPÍTULO 7 . 151 ..

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA MANEJO DA CANDEIA NATIVA 152 .

por classe de diâmetro.1 Introdução A grande importância da madeira de candeia tanto para moirão como para a extração de α-bisabolol consolida a necessidade de conhecimento sobre a espécie e implicações do seu manejo. para volume com casca. quantidade de óleo essencial e teor de α-bisabolol para a candeia.. 8 . Scolforo José Fábio Camolesi Antônio Donizette de Oliveira José Márcio de Mello Fausto Weimar Acerbi Júnior Charles Plínio de Castro Silva Ivonise Silva Andrade Vanete Maria de Melo Pavan Elizabeth C.. Neste capítulo serão apresentadas informações que permitem análises sobre o potencial da candeia em áreas nativas. massa de matéria seca. para as regiões de Delfim Moreira. densidade básica da madeira. 153 . O acompanhamento mais detalhado do comportamento da candeia em formações nativas permite a melhoria das práticas do seu manejo tanto pelo lado ecológico. Serão apresentadas quantidades médias de volume. para diferentes condições naturais.1.INVENTÁRIO EM CANDEIAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus) EM MINAS GERAIS José Roberto S. porcentagem de casca e número de moirões. densidade de plantas. Rezende Abreu 8. promovendo um desenvolvimento satisfatório do candeal. além de ser uma importante informação para viabilizar o plantio dessa espécie. 8. obtidos por meio de cubagem rigorosa.CAPÍTULO 8. pois é possível determinar quais condições de solo. como econômico. entre outros. MG. volume sem casca.2 Valores médios obtidos da cubagem rigorosa de árvores Os valores médios. contribui para basear os detentores de candeais do rendimento de suas áreas.INVENTÁRIO EM CANDEAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus). que promovem uma melhor produção. relevo. Aiuruoca e Ouro Preto. são apresentados na Tabela 8. Conhecer a produtividade em madeira e em óleo essencial. fator de empilhamento. clima.

31278 0.65 22.46.5 32.34 13.80 27.09 9. 154 .89 15.64 12.41238 0.24 2.10 7.31602 15.12444 0.36814 12. percentual de casca (% casca) e número de moirões (NM) para a candeia (Eremanthus erythropappus). volume até 3 cm de diâmetro sem casca (VTsc).44973 14.36 1. o que gera muitos espaços vazios quando a madeira é acomodada na pilha de madeira com 1 m de largura por 1 m de comprimento e 1 m de altura.11314 0.1.21832 15.40 10.12 10.91 Classes de diâmetros 17.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 8.60 12.49 10.27598 14.03975 21.00 31.11 5.80 27.17486 15.39 18.05271 0.01758 0.38811 13.52935 12.72 0.20 10.60 12.51118 0. Região Delfim Moreira (1) Aiuruoca (2) Ouro Preto (3) Variável DAP HT VTcc VTsc % Casca NM DAP HT VTcc VTsc % Casca NM DAP HT VTcc VTsc % Casca NM 7.67 0.5 27.10913 0.21983 20.24 3.54 0.07766 0.20459 0.04916 0.01438 25.67 6.75 4.11 0.25 0.69 6.50 11.66 0.70 O fator de empilhamento médio para a conversão de volume em metro estéreo para volume em metro cúbico é 2.55 12.45 8.26 22.04859 20.04 10.40 7.13 0.03 2.01849 0.61 8.5 12.14 27.45 7.96 12.01361 23.Valores médios. constata-se a tendência do volume total com casca.58 5.67 0.32 0.12921 0.26100 0.47 6.24570 0.05 9.20 8. para altura total (HT).30 32. volume total sem casca e número de moirões à medida que aumenta a classe de diâmetro.5 17. O valor expressivo de conversão deve-se à forma irregular da candeia nativa.01718 0.54 7.41 0.10 17.37 22.02 9.35 19.71 11.04428 18. Pelos gráficos da Figura 8.09248 0. por árvore.05893 0.40 17.5 7.20 32. volume com casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTcc).42635 0.36336 0. para as três regiões de estudo.70 7.96 0.90 0.59058 0.94 18.69 0.28 10.50 1.1 .96 13.67 6.68 0.01440 21. classe diamétrica e região.5 22.95 3.64 0.58 18.

5 32.5 22.. (a) 0.2000 VTsc R3 0.5 32.5 7.5 27.4000 VTcc R2 0.4000 15 10 0. em função da classe de diâmetro.5 12.1000 0.5000 15 0.5 32.5 diâmetro 17.3000 0.5 12.0000 0..5000 20 0.1000 0 0.5 17.5 22.5 (cm)27.CAPÍTULO 8.5 32.5 NM NM VTsc NM R1 VTsc R1 NM VTsc R2 NM VTsc R2 NM R3 VTsc VTsc R3 17.5 0 0.5Classe 17.5 22. (b) volume da árvore sem casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTsc) e (c) número de moirões (NM).5000 VTcc R1 0.6000 20 0.5 27. MG.5 17.1000 7. 155 .6000 0.0000 7.5 32.4000 VTsc R1 0.7000 (m3) Volume (m3) 0.4000 0.5 27.5000 0.2000 5 0.1 .5 de 22.5 17.5 22.5 12.0000 7.2000 0.6000 0. Aiuruoca (R2) e Ouro Preto (R3).5 12.6000 0.Comportamento da candeia (Eremanthus erythropappus) quanto às variáveis (a) volume da árvore com casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTcc).5 12.3000 VTcc R3 0.INVENTÁRIO EM CANDEAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus).3000 10 5 0.5 Classe de diâmetro (cm) (c) (c) (b) (b) Número de moirões Volume (m3) (m3) Volume Número de moirões 25 25 0.5 27.5 Classe de diâmetro (cm) (b) (m3) Volume (m3) 0.3000 VTsc R2 0.0000 7.5 7.2000 0.5 22.5 32.5 Classe de de diâmetro Classe Classe dediâmetro diâmetro Figura 8. para as regiões de Delfim Moreira (R1).1000 0.5 12.

30 m de altura do solo.52 25.004040*Ln(DAP *HT) 98.2 . oriundas do modelo logarítmico definido por Spurr.6680710*Ln((DAP2*HT) 88.60 Ln(NM)= -3.069537+1. os gráficos de resíduo não demonstram haver tendenciosidade.17 36. Aiuruoca (R2) e Ouro Preto (R3).77959 Syx(%) 20.18 Ln(VTsc) = -10.05510 0.36 VTcc .566759+1. DAP – diâmetro a 1. dessas equações também são apresentadas na mesma tabela. MG. erro padrão da estimativa. VTsc – volume total sem casca até 3 cm de diâmetro com casca.04888 0.042880+1.946925+0.Equações de volume da árvore com casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTcc).9997888*Ln(DAP2*HT) 98.93 23. Tabela 8. em função do DAP. que deverá produzir um erro que esteja dentro do aceitável.). Nota-se que. Região Variável Volume da árvore cc Delfim Volume da árvore sc Moreira Número de moirões Volume da árvore cc Aiuruoca Volume da árvore sc Número de moirões Volume da árvore cc Ouro Preto Volume da árvore sc Número de moirões Equações R2 aj.445067+1.414458+1. denominado de variável combinada. As medidas de precisão.537986+0.04312 3.93 2 Ln(VTcc) = -10.66437647*Ln((DAP2*HT) 86. em função da classe de diâmetro.88672 0. quando aplicado à população.036544*Ln(DAP *HT) 98. em m3 e porcentagem (Syx).06185 0. embora o erro da estimativa de um único indivíduo para as variáveis ajustadas seja alto. Isso indica que os erros de estimativa anulam-se quando se considera que o interesse está na estimativa do volume de todas as árvores contidas na parcela. MG.46 19.046108*Ln(DAP2*HT) 98.44 2 Ln(VTsc) = -10. verificam-se as equações selecionadas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 8.2. (%) 2 Ln(VTcc) = -10. A eficiência da equação de Spurr logarítmica foi comprovada pela análise da distribuição gráfica dos resíduos (Figura 8.71 Ln(VTcc) = -9.6367788*Ln(DAP *HT) 88.50 25.05288 2.3 Equações para estimar volume de árvores em pé Pelos dados da Tabela 8.60988+0.28 2 Ln(NM)= -3.02590 1. 156 .153187+0. volume da árvore sem casca até 3 cm de diâmetro com casca e número de moirões gerados por árvore.52 21.16 Ln(NM)= -3. para estimar volume da árvore com casca até 3 cm de diâmetro com casca.50 Syx(m3) 0.23 28. Os gráficos de resíduos mostram o comportamento do erro padrão da estimativa.03513 0. coeficiente de determinação ajustado (R2 ajust.2).50 2 Ln(VTsc) = -10. para as regiões de Delfim Moreira. em porcentagem.010656*Ln(DAP *HT) 98. volume da árvore sem casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTsc) e número de moirões (NM).030248*Ln(DAP *HT) 98. para a candeia (Eremanthus erythropappus). Aiuruoca e Ouro Preto.15 34. HT – altura total. Ln logaritmo neperiano.volume total com casca até 3 cm de diâmetro com casca. NM – número de moirões. Esse tipo de representação ajuda a visualizar a qualidade do ajuste. Isso garante que as equações podem ser usadas com segurança nas regiões de estudo. para as regiões de Delfim Moreira (R1).

50 22.5 17. 2 (e). 157 . 2 (h).5 27.50 7.50 17.5 7.5 32. volume da árvore sem casca até 3 cm de diâmetro com casca para as regiões 1 (d).5 32.5 12.5 12.5 32.INVENTÁRIO EM CANDEAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus).50 17.Distribuição gráfica de resíduos em função do diâmetro (cm) para as estimativas do volume da árvore com casca até 3 cm de diâmetro com casca para as regiões 1 (a).50 -100 12.5 27. 2 = Aiuruoca e 3 = Ouro Preto.2 . sendo: 1 = Delfim Moreira.5 12.5 27.5 27..5 22. 3 (c).50 22.5 12.5 (l) (i) 100 50 0 -50 -100 7.5 32.50 -100 12.50 (f) 100 50 0 -50 -100 7.5 22. 2 (b).5 17.50 27.5 Figura 8.5 12.5 17.8.50 32.5 22.50 (j) (g) (k) (h) 100 100 50 50 0 0 -50 -50 -100 -100 7. 3 (f ) e número de moirões para a região 1 (g).50 7.5 22.5 27.5 17.5 22. CAPÍTULO (a) (b) 100 100 50 50 0 0 -50 -50 -100 7.5 22.5 27.50 27..5 12.5 22.50 32.5 (d) (e) 100 100 50 50 0 0 -50 -50 -100 7.50 32.5 32. para a candeia (Eremanthus erythropappus).5 17.50 27.5 17. 3 (i).5 (c) 100 50 0 -50 -100 7.5 32.50 12.50 17.

a 75% da altura.00 380.00 620.00 460.68 g/ cm3.40 6.63 g/cm3) e Aiuruoca (0.00 680.00 Valor central da classe de diâmetro 12. nas regiões de Delfim Moreira.00 12.00 640.00 660.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 8.12 10.00 680.00 640.00 460.00 650. Segundo Palermo et al.00 660.67 17.00 680.00 640.00 670.02 8.47 6.04 10.00 540.00 640.54 8.00 620.65 22.00 620.00 610. da densidade média ponderada e densidade da casca para a candeia (Eremanthus erythropappus).40 17. Os valores da densidade básica da casca foram de 0. Região Delfim Moreira (1) Aiuruoca (2) Ouro Preto (3) 158 DAP (cm) H (m) 0% 25% Densidade básica Alturas 50% (kg/m3) 75% 100% Densidade média ponderada Densidade média da casca DAP (cm) H (m) 0% 25% Densidade básica Alturas 50% (kg/m3) 75% 100% Densidade média ponderada Densidade média da casca DAP (cm) H (m) 0% 25% Dens.00 600.00 690.64 g/cm3) foram muito próximos.00 580. Os valores da densidade média ponderada para os municípios de Delfim Moreira (0.00 680.00 670.00 620.00 650.00 700.00 640.00 640. MG. pois é uma região de inserção dos ramos.00 390.00 640.00 640.00 690.00 710.32 650.00 32.00 660.5 7.00 680.00 560.00 630. Os valores de densidade encontrada por esse estudo assemelham-se aos obtidos por Peréz et al.50 7.00 630.41 g/cm3.00 430.00 620.00 640.72 11.00 580.00 700.00 370.4 Densidade básica Os dados sobre o comportamento da densidade básica da madeira e da casca de candeia são apresentados na Tabela 8.11 720.00 640.00 480.00 670. provocando aumento da densidade. Tabela 8.00 650.00 640.00 620.00 700.00 520.00 390.00 . com algumas variações que ocorrem.00 690.68 670.61 27.Valores médios da densidade por altura e classe de diâmetro.00 640.00 610.00 630.00 620.3.67 6.00 600.00 7.00 630. em Delfim Moreira.00 710. Já.64 12.00 720.45 17. A formação de lenho de reação ou outros fatores.00 610.00 400.00 680.13 740.00 420.00 640.00 590. Esse comportamento foi semelhante ao da densidade básica da madeira.00 700.5 27.00 590. como ação do vento na copa da árvore. MG.00 500.00 630.67 g/cm3.67 9.00 700.00 7.3 . em Ouro Preto.00 600.00 680. porém.00 31.26 22.49 10.00 650.00 440.00 670.00 650.00 630.00 610.25 700.96 7.00 630.00 32. No sentido longitudinal.00 660.5 12.00 630.00 480.37 22.00 660.00 670. (2004a).00 610.00 640.00 650. também pode influenciar o comportamento da densidade ao longo do tronco e entre árvores.00 650. em Aiuruoca e 0.00 670.00 580. a densidade básica da madeira tende a diminuir no sentido base-topo. principalmente.09 27.00 480.00 12.41 9. cuja densidade atingiu 0.5 32. Aiuruoca e Ouro Preto.00 640.00 670.00 650.00 690.66 660.00 630. 0.00 540.69 6.00 690.00 610.00 680.00 650.44 g/cm3. (2006). básica Alturas 50% (kg/m3) 75% 100% Densidade média ponderada Densidade média da casca 7.00 470.90 10.00 670.05 9.5 17. uma explicação para o aumento da densidade a 75% da altura comercial pode estar relacionada à copa. a densidade média foi de 0.00 420.00 640.00 640. onde ocorrem alterações na estrutura anatômica da madeira.00 650.64 660.00 610.69 640.00 580.00 660.00 650.49 g/cm3.00 690.28 10.54 27.5 22.00 620. para árvores de candeia amostradas no município de Baependi. no município de Ouro Preto.67 650.

CAPÍTULO

8.5

8- INVENTÁRIO EM CANDEAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus)...

Rendimento de óleo essencial e massa de matéria seca

Na Tabela 8.4, encontram-se as informações sobre quantidade de óleo, em kg, obtidas para cada metro
cúbico sólido e cada metro estéreo de madeira empilhada (RO), a quantidade de óleo em litros (LO), para as árvores
de candeia com diâmetro de até 3 cm com casca. Na mesma tabela, observa-se também a quantidade de óleo, em
kg, existente em cada metro cúbico de casca. A abordagem das informações é por classe de diâmetro e se referem às
árvores obtidas nas regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro Preto, MG.
Na Tabela 8.5, observa-se as informações sobre massa de matéria seca, em kg, para a árvore média de cada
classe de diâmetro considerada na Tabela 8.1, referentes às regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro Preto, MG.
Tratando-se de plantios de candeia, essas informações indicam o diâmetro médio a ser utilizado como
referência para conduzir o plantio, de forma a assegurar um bom rendimento de óleo essencial por hectare. Por
exemplo, considere um plantio com 1.600 plantas por hectare, cujo diâmetro médio, em determinada idade, seja
de 12,5 cm. Nesse caso, o volume médio de cada árvore será de 0,05893 m3 (Tabela 8.1 - Delfim Moreira) e a massa
média de matéria seca (610 kg/m3 Tabela 8.3) o produto resultante será de 35,947 kg. Assumindo um rendimento
de óleo essencial de 1,64% (Tabela 8.6), chega-se a uma média de 943,24 kg de óleo essencial por hectare. Vale a
pena ressaltar que, o rendimento de óleo para a candeia oriunda de plantios homogêneos teve, recentemente, sua
primeira avaliação.
Tabela 8.4 - Informações médias de massa de óleo (kg), litros de óleo, e massa de óleo na casca (kg), para a candeia (Eremanthus
erythropappus), nas regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro Preto, MG. RO = rendimento médio de óleo por
CLD; LO = litros médios de óleo por CLD.
Região
RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m cc)
RO do fuste + galhos≥3 cm (kg/mst cc)
Delfim
LO do fuste + galhos≥3 cm (L/m3 cc)
Moreira
LO do fuste + galhos≥3 cm (L/mst cc)
RO casca do fuste + galhos≥3 cm (kg/m3 cc)
RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m3 cc)
RO do fuste + galhos≥3 cm (kg/mst cc)
Aiuruoca LO do fuste + galhos≥3 cm (L/m3 cc)
LO do fuste + galhos≥3 cm (L/mst cc)
RO casca do fuste + galhos≥3 cm (kg/m3 cc)
RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m3 cc)
RO do fuste + galhos≥3 cm (kg/mst cc)
Ouro
LO do fuste + galhos≥3 cm (L/m3 cc)
Preto
LO do fuste + galhos≥3 cm (L/mst cc)
RO casca do fuste + galhos≥3 cm (kg/m3 cc)
3

7,5
10,584
4,302
11,378
4,625
7,392
8,757
3,559
9,413
3,826
5,421
10,586
4,303
11,379
4,626
7,268

Classe de diâmetro (CLD)
12,5
17,5
22,5
27,5
10,004
9,300 11,328
8,576
4,066
3,780
4,604
3,486
10,754
9,997 12,177
9,219
4,371
4,064
4,950
3,747
6,888
7,800
7,434
5,762
9,699 11,256 14,322
8,832
3,942
4,575
5,822
3,590
10,426 12,100 15,396
9,494
4,238
4,918
6,258
3,859
6,201
8,064 10,199
5,106
11,926 10,948 11,454 14,472
4,848
4,450
4,656
5,882
12,820 11,769 12,313 15,557
5,211
4,784
5,005
6,324
9,612
7,728
7,968 10,800

32,5
11,520
4,682
12,384
5,034
7,200
9,945
4,042
10,690
43,459
5,814
13,860
5,634
14,899
6,056
9,108

159

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Tabela 8.5 - Informações de massa de matéria seca (kg) para a árvore média e para o seu fuste, referentes à candeia (Eremanthus
erythropappus), na região de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro Preto, MG.
Região

Variável

Delfim Moreira
(1)

PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/m3 cc)
PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/mst cc)

Aiuruoca
(2)

Ouro Preto
(3)

7,5

12,5

Classe de diâmetro (cm)
17,5
22,5
27,5

32,5

11,0750 35,9470 77,1520

130,9370

200,1790 272,8640

4,5022 14,6127 31,3629

53,2267

81,3737 110,9203

PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/m3 cc)

11,6487 29,9876 61,9616

172,2600

232,5504 332,2670

PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/mst cc)

4,7352 12,1901 25,1876

70,0244

94,5327 135,0679

PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/m3 cc)

11,5039 35,3157 87,8628

169,5330

276,2940 413,4000

PS do fuste + galhos
≥3 cm (kg/mst cc)

4,6760 14,3560 35,7160

68,9150

112,3140 168,1000

Em que: PS = massa seca médio de madeira por classe de diâmetro.

8.6

Teor de óleo essencial e qualidade do óleo

Os dados da Tabela 8.6 referem-se ao rendimento de óleo essencial, ao teor de α-bisabolol, e ao coeficiente
de variação, todos em porcentagem, por classe de diâmetro para as regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro
Preto. O rendimento de óleo essencial tende a crescer com o aumento das classes de diâmetro, apesar de haver
flutuação do mesmo das menores para as maiores classes, decorrentes da amostra. Peréz et al. (2004a), trabalhando
com a candeia Eremanthus erythropappus em Baependi, MG, encontraram comportamento semelhante a este, em
relação ao rendimento de óleo.
Tabela 8.6 - Rendimento em óleo essencial, teor de α-bisabolol e os respectivos coeficientes de variação (CV) por classe de
diâmetro, para a árvore de candeia (Eremanthus erythropappus) até 3 cm de diâmetro com casca, para três regiões.
 
Região

 

Delfim
Moreira
(1)

Rendimento de óleo essencial (%)
CV do óleo essencial (%)
Teor médio de α-bisabolol (%)
CV do α-bisabolol (%)

Aiuruoca
(2)
 

Rendimento de óleo essencial (%)
CV do óleo essencial (%)
Teor médio de α-bisabolol (%)

Ouro
Preto
(3)

Rendimento de óleo essencial (%)
CV do óleo essencial (%)
Teor médio de α-bisabolol (%)

 

160

Classe de diâmetro

 

CV do α-bisabolol (%)

CV do α-bisabolol (%)

7,5

12,5

17,5

22,5

27,5

32,5

1,68
14,94
88,30

1,64
13,47
88,96

1,50
17,97
90,38

1,77
10,75
88,65

1,34
31,35
86,34

1,80
2,71
89,73

3,48

4,23

2,16

1,54

1,87

0,52

1,39
27,62
87,65

1,59
48,91
88,42

1,68
35,00
85,66

2,17
10,92
91,79

1,38
12,20
90,16

1,53
13,52
89,83

0,65

2,42

0,20

1,24

2,49

4,11

1,58
5,03
86,25

1,78
6,41
85,72

1,61
34,23
86,17

1,66
14,62
89,52

2,16
5,70
89,8

1,98
12,93
89,34

2,33

2,27

2,50

0,18

1,72

2,53

CAPÍTULO

8- INVENTÁRIO EM CANDEAIS NATIVOS (Eremanthus erythropappus)...

O teor de α-bisabolol encontrado neste estudo, para as três regiões, indica que a porcentagem desse produto
aumenta discretamente das menores para as maiores classes de diâmetro. Expressam também que há similaridade
entre as regiões para o teor de α-bisabolol. Os valores encontrados variaram de 85,5% a 92%, aproximadamente.

8.7

Equações para estimar massa de matéria seca e massa de óleo essencial de árvores em pé

Pelos dados da Tabela 8.7, verificam-se as equações selecionadas para estimar a massa de matéria seca,
em kg, e o rendimento de óleo, em kg, para as regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca e Ouro Preto, bem como
suas respectivas medidas de precisão. O modelo de Spurr logarítmico foi o que melhor se ajustou à base de
dados, conforme indicaram suas medidas de precisão.
Por meio da distribuição gráfica dos resíduos apresentada na Figura 8.3, comprova-se que o modelo
ajustado de Spurr logarítmico permite uma boa estimativa para as variáveis massa de matéria seca e massa de óleo.

Tabela 8.7 - Equações para estimar a massa de matéria seca (PS), em kg e massa de óleo (RO), em kg e respectivas medidas de
precisão, considerando a árvore de candeia (Eremanthus erythropappus) até um diâmetro mínimo de 3 cm com
casca, para as regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca, e Ouro Preto, MG.
Região
Delfim Moreira (1)
Aiuruoca (2)
Ouro Preto (3)

Variáveis

Equações

R2 aj.(%)

Syx (kg)

Syx (%)

21,1746

20,71

PS

Ln PS = -3,6776993+1,0141433*Ln (DAP2*HT)

98,48

RO

Ln RO = -7,8573267+0,981953*Ln (DAP *HT)

97,84

0,2980

24,80

PS

Ln PS = -3,695112+1,0221402*Ln (DAP2*HT)

98,05

33,5544

23,24

RO

Ln RO = -12,957923+1,524742*Ln (DAP *HT)

96,37

0,5497

43,74

PS

Ln PS = -3,513087+1,0109135*Ln (DAP *HT)

98,40

46,1944

27,62

RO

Ln RO = -8,205267+1,0496572*Ln (DAP2*HT)

98,47

0,6684

30,24

2

2

2

DAP – diâmetro a 1,30 m de altura do solo; HT – altura total; Ln - logaritmo neperiano.

161

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

(b)

(a)
100

100

50

50

0

0

-50

-50
-100

-100
7,5

12,5

17,5

22,5

27,5

7,5

32,5

12,5

17,5

22,5

27,5

32,5

22,5

27,5

32,5

22,5

27,5

(d)
80
60
40
20
0
-20
-40
-60
-80
-100
7,5

12,5

17,5

(f)

(e)
100

100

50

50

0

0

-50

-50

-100
7,50

-100

12,50

17,50

22,50

27,50

32,50

7,5

12,5

17,5

32,5

Figura 8.3 - Distribuição gráfica dos resíduos em função do diâmetro (cm) para massa de matéria seca com casca para a árvore
com diâmetro mínimo de até 3 cm, nas regiões de Delfim Moreira, Aiuruoca, e Ouro Preto, (1a), (2c) e (3e) e de
óleo essencial nestas mesmas regiões (1b), (2d) e (3f ), referentes à candeia (Eremanthus erythropappus).

162

CAPÍTULO

9 - OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA

9 OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA
José Roberto S. Scolforo
Antônio Donizette de Oliveira
Fausto Weimar Acerbi Junior
Charles Plínio de Castro Silva
Ivonise Silva Andrade
Vanete Maria de Melo Pavan
Antônio Carlos Ferraz Filho

9.1 Introdução

A atratividade da comercialização do α-bisabolol, em razão da sua grande aplicabilidade nas industrias
de fármacos e cosméticos, não permite que a extração deste da árvore de candeia seja desconsiderada ou mesmo
cessada. Isso porque a candeia apresenta grande qualidade e rendimento desse álcool sesquiterpênico, o α-bisabolol,
além de ser facilmente encontrada nas matas do sudeste do Brasil. Para evitar a clandestinidade dessa operação,
como antes ocorria, de forma totalmente irresponsável e ambientalmente degradante, foi necessário investigar sobre
como seria o seu manejo de forma sustentável.
Há de se saber que muitos estudos foram e são realizados para se manejar da forma mais adequada as florestas
nativas, porém manejar um ecossistema dinâmico, retirando algo dele e, ainda assim, mantê-lo em equilíbrio, requer
um estudo holístico que leve em consideração todas as suas características e necessidades. Nota-se no decorrer dos
capítulos desse livro que muitas pesquisas foram feitas abordando tanto os fatores ambientais, como econômicos e
sociais e verifica-se que o manejo da candeia vem a ser a melhor opção para a conservação da espécie, em sua forma
nativa, para a manutenção da floresta e sua diversidade, agregando a isso um retorno econômico contínuo, para o
proprietário rural, ao longo dos ciclos de corte. É essencial a continuidade da verificação dos fatores que regem o
desenvolvimento de um candeal, para se aprimorar suas técnicas de manejo sustentável.
Assim, a alternativa para o aproveitamento dos candeais nativos é a implementação do plano de manejo
sustentável, o qual é um instrumento previsto no artigo 15 do Código Florestal, no artigo 1o do Decreto 1.282/94,
no artigo 1o da Portaria no 048/95 e na Portaria 184, de 10 de dezembro de 2004. Para poder realizar a extração
de madeira, o usuário deve ter em mãos a competente autorização para exploração, expedida em modelo próprio,
pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF). Em caso de desrespeito a essas leis, decretos e portarias,
o usuário poderá ser enquadrado na lei contra crimes ambientais, Lei no 9.605, editada em fevereiro de 1998, que
dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

9.2

Características de um plano de manejo sustentável para a candeia

O manejo florestal é prática prevista no artigo 15 do Código Florestal, com várias regulamentações ao longo
dos anos. Assim, a alternativa para o aproveitamento dos candeais nativos, no estado de Minas Gerais, deverá se
basear na Portaria n0 01, de janeiro de 2007 (MINAS GERAIS, 2007), do Instituto Estadual de Florestas (www.ief.
mg.gov.br) ou em instrumentos a posteriori definidos pelos órgãos competentes, quando for o caso. Quando a área
for de proteção ambiental (APA) e federal, como é o caso da APA da Mantiqueira, ela estará sob a responsabilidade
do Instituto Chico Mendes, salvo em casos de localidades em que a Federação passa a responsabilidade ao Estado.
Em outros estados da federação, deve-se observar a legislação específica, recorrendo-se ao órgão ambiental estadual ou

163

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

ao IBAMA.
Características de um plano de manejo sustentável para a candeia:
- bom mapa com controle dos fragmentos;
- conhecer o estoque de madeira;
- definir o sistema de exploração com base na característica ecológica da espécie e no formato do fragmento;
- exploração compromissada com a minimização de impactos;
- cuidar do povoamento após a exploração (cercar, revolver o solo antes da próxima dispersão de sementes,
conduzir a regeneração, não permitir a presença de animais domésticos, fogo, entre outros).

9.2.1 Mapa

A propriedade-objeto do plano de manejo deve apresentar o contorno definido; cada fragmento com mais
que 70% de candeia também deve ter contorno estabelecido, a reserva legal deve estar explicitada no mapa e,
também, as áreas de preservação permanente associadas a curso de água, nascentes, áreas com declividade superior
a 45 graus e altitude acima de 1.800 m, como ilustrado na Figura 9.1.

Figura 9.1 - Exemplo de mapa de uma propriedade.

164

04916 0. massa de óleo e número de moirões A quantificação do volume real das árvores ou de partes das mesmas possibilita: gerar equações de volume e/ou fator de forma para estimativas a partir de qualquer árvore da população.1 Volume e número médio de moirões por planta A Tabela 9.45 7. relacionando-se o volume com a densidade básica da mesma e.58 14.21983 0.31278 0.28 10.69 6. volume sem casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTsc).10 7.11314 0.96 0.2 e 9. para facilitar o entendimento de como é realizado um plano de manejo sustentável para a candeia.40 13.50 8. Sua repetição.68 0.5 cm de diâmetro na menor extremidade e 2. são apresentados os valores médios ajustados para as árvores cubadas rigorosamente.14 17.21832 0.24 3.80 11.01438 25.64 0.01440 21.26100 0.66 0.24 2. que seguem.20459 0.05271 0.91 CLASSES DE DIÂMETRO (CLD) 15├20 20├25 25├30 17. volume com casca até 3 cm de diâmetro com casca (VTcc).3. a qual pode ser utilizada para a elaboração e a implementação de planos de manejo otimizados. assim como das Tabelas 9.01361 23.36814 15.65 22.09 27. Nela.40 7.36336 0.90 10.17486 0.67 9.70 7.37 22.67 0.04428 18.52935 12.95 3. masa seca.10913 0.75 12.11 0.20 8.71 4.54 27.04 10.12444 0.51118 0.05893 0.59058 0.55 12.49 10.45 8. 9. Tabela 9.00 31.58 18.54 0.03 2.02 9. FIGUEIREDO FILHO.67 6.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Equações para estimar volume. permitir também estabelecer uma base de dados consistente e precisa.09248 0.01758 0. das variáveis volume e número de moirões. conhecer a porcentagem de casca e obter os mais diversos volumes comerciais.11 15.50 1.60 12.1. gerar equações para a estimativa da massa seca de qualquer árvore da população.30 32.05 9. em cada classe de diâmetro. altura total (HT).30 m de altura do solo (DAP).32 0.89 15. tem puro e simplesmente caráter didático neste capítulo 9. tanto para florestas plantadas quanto nativas (SCOLFORO. REGIÃO Delfim Moreira (1) Aiuruoca (2) Ouro Preto (3) VARIÁVEL DAP HT VTcc VTsc % Casca NM DAP HT VTcc VTsc % Casca NM DAP HT VTcc VTsc % Casca NM 5├10 7.12 10.4 7.94 18.47 6.12921 0. 1998).26 22.42635 0. foi um dos objetos de estudo do capítulo 8.03975 21.96 5.25 0.01718 0. classe diamétrica e região para diâmetro a 1.3 9 .39 18.20 10.2457 0.1 .41 0.CAPÍTULO 9.61 27.44973 14. percentual de casca (% casca) e número de moirões com 7. entre outras possibilidades.Informações médias por árvore.01849 0.64 12.35 19.27598 15.31602 20.13 0.60 10├15 12.34 13.36 1.41238 0.10 12.20 30├35 32.04859 20.70 165 .38811 13.96 5.69 0.3.20 m de comprimento (NM) para a candeia (Eremanthus erythropappus).72 11.67 6. obter os fatores que permitam a conversão de volume de madeira sólida em volume de madeira empilhada e vice-versa.07766 0.80 17.

São também indicados quantos mourões estão contidos em 1 m3 sólido e em 1 metro estéreo de candeia. advindas de plantações ou de um sistema de manejo que propicie tal condição. além de implicarem em maiores custos na exploração. que propiciam entre 1. incluindo o fuste mais galhos até 3 cm de diâmetro Na Tabela 9. natural que os empreendimentos que extraem o óleo da candeia para produzir o α-bisabolol desejem se apropriar das árvores mais grossas. implicará numa grande quantidade de volume explorado num tempo expressivamente menor que o necessário para explorar árvores de grandes dimensões. por metro cúbico e por metro estéreo. é de 2. a) Massa de óleo e mourões contidos em um metro cúbico sólido e estéreo.600 e 2. quando considerado fuste mais galhos até 3 cm de diâmetro. contido em 1m3 sólido com casca de candeia. em muito maior número por hectare. Entretanto. além de permitir intervenções em períodos de tempo expressivamente menores que o necessário para as maiores árvores. novamente corrobora a posição de que explorar árvores com menores dimensões. Esse valor expressivo de conversão deve-se à forma irregular da candeia nativa. quando considerado o fuste mais galhos. em metro estéreo. levará a uma maior possibilidade de renda. para volume em metro cúbico. enquanto o das maiores árvores está em torno de 11 kg. É. Esse fato. são indicados os valores médios da massa de óleo.2. essa é uma ação que não propicia o desenvolvimento de sistemas de manejo e de plantio de candeia com maior possibilidade de ganho para o empreendedor. porém. até 3 cm de diâmetro.000 plantas por hectare. portanto. o que gera muitos espaços vazios quando a madeira é acomodada na pilha de madeira com 1 m de largura por 1 m de comprimento e 1 m de altura. Observou-se que a massa de óleo contida em 1 m3 sólido de madeira de árvores de pequenas dimensões é em torno de 6 kg. Os valores de rendimento de óleo (RO) e de litros de óleo (LO). A adoção de plantações ou a adoção de sistemas de manejo que privilegiam a alta intensidade de regeneração natural. em 1 m3 sólido sem casca e em 1 metro estéreo de candeia. Além desse fato.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA O fator de empilhamento médio para a conversão de volume. mantêm uma tendência razoavelmente estável entre as diferentes classes de diâmetro.46. devese considerar que árvores de grandes dimensões necessitam de grandes espaços. 166 . Essa mesma tendência é observada para o volume sem casca e para o volume de madeira empilhada.

848 4. No caso de inventário de candeais fora das regiões mostradas na Figura 9.625 7.557 5.328 8. é mostrada a área de abrangência de cada região. massa de óleo e número de moirões As equações selecionadas para estimar o volume.201 8.860 5.769 12.814 13.CAPÍTULO 9 .005 6.Informações médias de massa de óleo (kg).378 4.584 4.575 5.2.780 4.859 6.826 5.656 5.459 5.832 3.268 CLASSES DE DIÂMETRO (CLD) 10├15 15├20 20├25 25├30 10.747 6.303 11. acompanhadas de suas medidas de precisão: coeficientes de determinação (R2) e erro padrão dos resíduos (Syx).968 10.450 4.754 9. massa seca.899 6.784 5.313 15. litros de óleo (L) e massa de óleo na casca (kg).426 12. deve-se utilizar a equação do local mais próxima desse inventário. a massa de óleo e o número de mourões são apresentadas na Tabela 9.942 4.520 4.200 9. 167 .064 4.576 4.413 3.3.728 7. LO = litros médio de óleo por CLD b) Equações para volume.926 10.100 15.2 .945 4.371 4.300 11.486 10.396 9.219 4.066 3.434 5. Aiuruoca e Ouro Preto.004 9.820 11.586 4.322 8. para a candeia (Eremanthus erythropappus).472 4.106 11.256 14.258 3.690 43.2.177 9.948 11.379 4.612 7. para fins de sua aplicação.822 3.590 10.950 3.064 10.034 7.108 RO = rendimento médio de óleo (kg) por CLD.392 8. REGIÃO   RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m3 cc) Delfim RO do fuste + galhos≥3 cm (kg/mst cc) Moreira LO do fuste + galhos≥3 cm (L/m3 cc) (1) LO do fuste + galhos≥3 cm (L/mst cc) RO casca do fuste + galhos≥3 cm (kg/m3 cc) RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m3 cc) RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/mst cc) Aiuruoca LO do fuste + galhos ≥3 cm (L/m3 cc) (2) LO do fuste + galhos ≥3 cm (L/mst cc) RO casca do fuste + galhos≥3 cm (kg/m3 cc) RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/m3 cc) Ouro RO do fuste + galhos ≥3 cm (kg/mst cc) Preto LO do fuste + galhos ≥3 cm (L/m3 cc) (3) LO do fuste + galhos ≥3 cm (L/mst cc) RO casca do fuste + galhos 3≥cm (kg/m3 cc) 5├10 10. nas regiões de Delfim Moreira.626 7.762 9.384 5.997 12.211 4.918 6. a massa seca.634 14.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Tabela 9.882 12.8 30├35 11. Na Figura 9.888 7.494 4. MG.056 9.199 5.604 3.238 4.042 10.800 7.699 11.302 11.454 14.559 9.682 12.757 3.421 10.324 9.

24 Em que: V .62 30.8573267+0.1944 0.massa de óleo.524742*Ln (DAP2*HT) 96.71 2 Ln(PS) = -3.414458+1.17 36.18 2 Ln(VTsc) = -10.2 . em kg.erro padrão dos resíduos na unidade da variável dependente.5497 0. número de moirões.52 20.004040*Ln(DAP2*HT) 98.sem casca). DAP – diâmetro a 1. do fuste + galhos com casca >3 cm de diâmetro.0618 0.9469247+0.6680710*Ln((DAP *HT) 88.30 m de altura do solo.50 2 Ln(VTsc) = -10.981953*Ln (DAP *HT) 97.0141433*Ln (DAP2*HT) 98. destacando as regiões onde foram realizadas as cubagens das árvores de candeia.16 Ln(NM)= -3.71 24.0351 0.0488 0.93 Ln(PS) = -3.53798588+0.44 Ln(VTsc) = -10.60 2 Ln(NM)= -3.28 Ln(NM)= -3.0431 3.(%) Ln(VTcc) = -10.0551 33.24 43.46 19.05288 2.0302480*Ln(DAP2*HT) 98.0496572*Ln (DAP2*HT) 98.0109135*Ln (DAP *HT) 98. do fuste + galhos >3 cm de diâmetro (cc .513087+1. 168 . em m3.6367788*Ln(DAP2*HT) 88.66437647*Ln(DAP2*HT) 86.50 25. do fuste + galhos com casca > 3 cm de diâmetro.0365443*Ln(DAP *HT) 98.40 Ln(RO) = -8. massa seca e quantidade de óleo para a candeia.0461081*Ln(DAP *HT) 98.número de moirões. PS – massa seca.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 9.6098768+0.2980 0.0259 1.93 23. em kg.logaritmo neperiano.80 21.1746 0.9997888*Ln(DAP *HT) 98.7795 46.74 25.05 Ln(RO) = -12.Equações para a estimativa do volume. HT – altura total. Syx .47 Syx 0. RO .15318629+0.3 .695112+1.8867 21.37 2 Ln(VTcc) = -9.010656*Ln(DAP2*HT) 98.volume.52 23.445067+1.205267+1.15 34.069537+1. REGIÃO VARIÁVEL Volume da árvore cc Delfim Volume da árvore sc Moreira Número de moirões (1) PS RO Volume da árvore cc Volume da árvore sc Aiuruoca Número de moirões (2) PS RO Volume da árvore cc Volume da árvore sc Ouro Preto Número de moirões (3) PS RO EQUAÇÕES R2 aj. sc .957923+1. NM .6776993+1.0428800+1. Ln .6684 Syx(%) 20.Mapa do estado de Minas Gerais. Figura 9.50 2 Ln(PS) = -3.566759+1.0221402*Ln (DAP *HT) 98.84 Ln(VTcc) = -10. para cada região.5544 0.com casca.48 2 Ln(RO) = -7.36 27.23 28.

com área mínima de 600 m2 e máxima de 1.CAPÍTULO 9 . Os resultados constam nas Tabelas 9. somente poderá ser autorizada pelo Instituto Estadual de Florestas. Entendese como predominância da espécie. Eremanthus erythropappus ou Eremanthus incanus. no qual. De acordo com o mapa apresentado na Figura 9. relacionando-se esses valores com os das Tabelas 9. obtêm-se os volumes. encraves. no mínimo. Recomendase usar o garfo diamétrico.5 e 9. a massa de matéria seca e a quantidade de óleo para a candeia.1 Amostragem e quantificação do volume O inventário florestal realizado com a utilização de parcelas a partir de alguns dos procedimentos de amostragem deverá seguir os parâmetros definidos pelo IEF em regulamento próprio. sejam as parcelas equidistantes.4 Inventário A exploração. Com o diâmetro e a altura de cada árvore contida nas parcelas e relacionando-se com as equações da Tabela 9. reboleiras ou aglomerados de Eremanthus erythropappus ou Eremanthus incanus. descritos tanto para o fragmento quanto para o hectare. Outra opção para a realização do inventário é por meio do censo. distribuídos por classes de diâmetro com amplitude de 5 cm. na forma de manejo florestal. No caso de encrave ou reboleira ou aglomerado dentro da mata nativa. ou ainda. o censo foi realizado nos três fragmentos. a massa de óleo e o número de moirões. reboleiras ou aglomerados dentro da mata nativa cuja ocorrência média seja igual ou superior a 70% dos indivíduos das espécies Eremanthus erythropappus ou Eremanthus incanus.1. 70% dos indivíduos da espécie. das espécies Eremanthus erythropappus e Eremanthus incanus (candeia).2. em metro cúbico sólido e metro cúbico estéreo. a quantificação do volume ou de qualquer outra variável de interesse deverá ser feita por meio de censo em cada um desses encraves.6. desde que com vistas ao uso sustentável. que consiste na contagem de todos os indivíduos acima de 5 cm de diâmetro. fragmentos ou borda de fragmentos.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA 9.1 e 9. 9. assim como o número de moirões. obtêm-se os volumes. deve ser utilizado o procedimento de amostragem sistemática.4.4. em metro cúbico com e sem casca. Preferencialmente. dentro dos transectos estabelecidos na área. como mostrado na Figura 9. descrevendo o número de indivíduos encontrados em cada classe diamétrica e. 9.3. à proteção e à perpetuação da espécie e em maciços onde haja a predominância da mesma.000 m2 cada uma. 169 . com ocorrência de.3.

41 35.3 – Garfo diamétrico utilizado no censo executado no fragmento 1.59 109. CLASSE DE DIÂMETRO Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia 170 FRAGMENTO 1 – área 3.90 363.37 11.00 226.50 VALORES PARA O HECTARE 530.70 147.70 2.96 0.25 6.29 6. cálculo de volume.00 374.20 555.82 94.46 30. massa de óleo e número de moirões com os valores para o fragmento e para o hectare.92 65.87 1.59 20.14 ha 5├10 10├15 15├20 20├25 VALORES PARA O FRAGMENTO 1.97 17.81 12.32 86. com o número de indivíduos.50 3.23 16.62 41.93 51.826.86 1.63 83.48 34.24 8.90 14.99 0.500.20 4.84 2.00 785.97 18.00 55.90 2.00 1.82 38.70 4.281.142.114.29 235.20 57.92 374.175.52 9.47 35.53 3.40 52.40 3.48 1.94 48.15 95.96 119.72 11.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9.72 16.26 205.72 152.92 272.57 3.44 875.20 74.24 85.00 110.Censo do fragmento 1.667.46 26.91 25├30 30├35 TOTAL 13.70 13.96 166.00 1.89 250.00 4.87 900.00 71.27 176.62 1.14 30.35 75.14 1. Tabela 9.65 4.29 5.77 15.00 30.02 464.57 24.749.4 .48 .637.31 269.

46 190.90 16.30 41.00 140.67 7.00 28. nessa classe.77 3.62 25.79 243.01 24.09 1.055.196.98 60.01849 m3.24 48.02 33. Exemplo: Fragmento 1 da Figura 9.56 819.54 63.00 53.14 5.57 8. massa de óleo e número de moirões.5 . assim como para as demais variáveis.50 27.20 333.47 135. o volume médio de cada árvore foi de 0.00 368.96 195.23 247.04 104.45 1.71 18. massa de óleo e número de moirões com os valores para o fragmento e para o hectare.12 5.79 59.20 7.1.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Tabela 9.57 424.380.186 12.81 936.97 18.71 26.85 20.1 no município de Carrancas.77 2.69 ha 5├10 10├15 15├20 20├25 VALORES PARA O FRAGMENTO 393.60 67.16 29.65 182.70 1.59 14.55 1927.71 412.86 70.243. pelo volume com casca de fuste + galhos obtido na Tabela 9.1.27 77.53 38.61 88.33 49.26 237.75 44.64 175.65 4. 171 .93 28.00 32.6 .00 2.00 6.82 m3.451. Na Tabela 9.47 1.98 46.20 6.63 139.35 46.10 25.46 128.42 79.20 VALORES PARA O HECTARE 569.93 32.75 51.94 8.05 159.64 202.97 148.667 x 0.05 128.42 71.35 18.09 11.77 92.825.667 indivíduos inventariados.33 8.80 728.30 85.00 59. com os valores para o fragmento e para o hectare.Censo do fragmento 2 com o número de indivíduos.54 10.22 202.20 82.52 O volume total com casca.00 123.15 77.33 52.73 119.97 24.10 884.47 211.63 825.76 12.46 10.57 20.76 20.45 131.24 13.45 25├30 30├35 TOTAL 10.70 8. um volume de 30.87 35.37 7.60 282. cuja região mais próxima é a de Aiuruoca.92 352.90 51.42 82.98 17.34 5.00 16.309. Multiplicando o número de indivíduos pelo volume médio de cada árvore (1.00 293.58 27. A classe de 5├10 teve 1.58 2. Procedimento idêntico foi adotado para cada classe diamétrica.60 27.36 37.18 609.35 17.00 3.49 82.05 11.90 46.054.80 639.80 1324.80 35.33 94.49 565.Censo do fragmento 3.45 2.04 5.00 4.40 12.55 ha 5├10 10├15 15├20 20├25 VALORES PARA O FRAGMENTO 918.01849) totalizou.06 10. por exemplo.37 35.12 38.63 8.41 25├30 30├35 TOTAL 19.42 146. foi obtido do produto das informações do número de indivíduos coletados por meio do censo.07 468.24 229.CAPÍTULO 9 .01 4796.70 145. para cada fragmento. com o número de indivíduos.87 18.93 Tabela 9.00 323.00 7. para cada classe.05 42.67 60. CLASSE DE DIÂMETRO Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia FRAGMENTO 2 – área 1.87 56.33 4.95 11. cálculo de volume. CLASSE DE DIÂMETRO Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia Número de indivíduos Vcc total (m3) Vcc total (mts) Massa de óleo kg (m3 cc) Massa de óleo kg (mst cc) Número de moirões de candeia FRAGMENTO 3 – área 0.43 31.26 14. cálculo de volume.31 3.30 1.00 3.90 113.80 1281.20 1.53 20.59 95.03 20.21 173.31 393.74 854.58 1.09 13. em m3.528.38 10.80 VALORES PARA O HECTARE 592.

ventos e geadas.redução dos danos causados pela erosão. que visa obter informações sobre a viabilidade do sistema e delimitar as unidades de exploração. além de garantir a manutenção da fauna.exige intensiva intervenção silvicultural e perícia do operador na operação de derrubada. é um sistema caracterizado pela seleção das árvores. são apresentados apenas aqueles que podem ser aplicados ao manejo da candeia. Como desvantagens. advindo da regeneração natural. O corte seletivo é difundido nas florestas do mundo todo (florestas tropicais. . respeitando as leis ecológicas impostas pela natureza. o conjunto de métodos silviculturais que mais se aproxima do manejo desejável para a candeia é o que se baseia no método de transformação. a fim de garantir a regeneração natural e as árvores sem interesse comercial. Para a implantação desse sistema é necessário realizar um inventário detalhado. Atualmente. de acordo com uma série contínua de classes de idade e um contínuo recrutamento. desvitalizar as árvores sem interesse e remover os cipós. esse método foi modificado e passou a constituir um sistema silvicultural. a partir de um DAP mínimo preestabelecido. 9.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 9. as árvores marcadas serão exploradas e as árvores aneladas ou envenenadas serão derrubadas.sistema flexível. Dessa forma. Tratava-se de um método pelo qual removiam-se todas as árvores que alcançassem um diâmetro mínimo preestabelecido.5 Sistemas silviculturais Um sistema silvicultural é um conjunto de regras e ações necessárias para conduzir a floresta a uma nova safra. que é representada pela distribuição exponencial negativa. espécie de ecótono e cujo aproveitamento para fins comerciais deve ser restrito a áreas com predominância da espécie. Dentre os vários sistemas silviculturais. . As vantagens desse sistema são: . pois não contemplava os princípios do manejo florestal e nem constituía um sistema silvicultural. Com base na produção sustentada. Especificamente para a candeia.1 Sistema de corte seletivo O sistema de corte seletivo é um método que. subtropicais e equatoriais) e pode sofrer algumas modificações para adequação às condições locais. devem-se marcar e mapear as árvores selecionadas. consistia em mera exploração da floresta. tornando-se uma prática de melhoramento da floresta. podem-se citar: . 172 . por via da sucessão dirigida. . Posteriormente.respeita a capacidade-suporte do sítio e possibilita melhor desenvolvimento das árvores maiores e com forma comercializável. Esse é um sistema muito apropriado para as florestas da Amazônia.proporciona a manutenção da aparência estética da floresta. Após a exploração. adaptável a qualquer área.5. A seguir. com a implantação da regeneração artificial (se necessário) e com a condução e o acompanhamento do crescimento da regeneração natural. obtém-se uma floresta balanceada. quando criado. deixando-se apenas as menores e algumas porta-sementes. de forma a abastecer o estoque de crescimento para que a razão entre o número de árvores remanescentes nas classes de diâmetro seja constante. procede-se ao reparo dos danos causados por tal atividade.

OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA . podem ocorrer danos aos indivíduos remanescentes.durante a derrubada. ilustra os detalhes de um fragmento explorado nesse sistema. . Figura 9. A representação esquemática do sistema de cortes seletivo. pode ser visto na Figura 9.5.4. 173 .4 . o qual constituía o sistema tradicionalmente utilizado na exploração da candeia.CAPÍTULO 9 . Na Figura 9. cuja supervisão e acompanhamento tornam-se difíceis.Representação esquemática do sistema de corte seletivo.necessidade de estoque de regeneração das espécies de interesse.

5 .Fragmento de candeia (a).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c Figura 9. regeneração natural com ocorrência eventual. 174 . por não ser observada a ecologia da espécie (c) – prática não sustentável. corte seletivo em um fragmento (b) e.

O sucesso para que haja uma alta intensidade de regeneração natural para a candeia é obtido quando as sementes. morfologicamente. pelo vento. a dispersão ocorre nos meses de agosto a outubro. visto que as novas mudas estão mais aptas. é necessário ter grande dispersão de sementes (chuva de sementes). No caso da candeia. se a regeneração natural for intensa. Para isso.7). Figura 9. No caso da candeia. às condições do sítio (fatores bióticos e abióticos). recomenda-se que cada porta-sementes esteja a uma distância média de 6 a 8 m uma das outras e máxima de 10 metros.5.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA 9.6 . a partir de árvores porta-sementes (Figura 9.Representação esquemática do sistema silvicultural de árvores porta-sementes. recebem luminosidade direta e água das chuvas. Outra característica importante desse sistema é a redução (quase a zero) das despesas necessárias com a implantação da regeneração. portanto. 175 . pode-se adotar esse sistema. normalmente.6 e 9. A candeia não apresenta problemas de dormência e. estando em contato com o solo.2 Sistema de árvores porta-sementes Para espécies heliófilas. A aplicação desse sistema é simples e a cobertura vegetal do solo é restabelecida com rapidez e de forma segura. o solo deve estar limpo para que a regeneração seja intensa.CAPÍTULO 9 .

(d) áreas escarificadas para receber as sementes e (e. são apresentadas as quantidades a serem exploradas e as quantidades remanescentes para o fragmento. O 176 . que é a fração máxima permitida de exploração. o volume em metro estéreo com casca e o número de moirões. (a) Fragmento onde a metade de baixo foi explorada e a metade de cima não. . ou seja.749 indivíduos e multiplicar por 0.7.9.1. ainda. onde estão registrados os resultados do inventário. 2. o volume com casca com diâmetro mínimo de 3 cm.7 . tais como o número de árvores. São apresentadas.7.7. 9.Fragmento de candeia antes e após a implantação do sistema de árvores porta-sementes. Para obter o número de árvores de candeia a serem exploradas para o fragmento 1 na Tabela 9. as quantidades a serem exploradas e as quantidades remanescentes por hectare.Quantificação dos volumes remanescente e a serem explorados Nas Tabelas 9.8 e 9. basta ir à Tabela 9.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c d e f Figura 9. (b) vista interna do candeal explorado. f) regeneração natural em estágio inicial. quando o sistema de manejo é o de porta-sementes (70%). (c) escarificação do solo.

60 Vcc total (mts) 43.86 Vcc total (mts) 102.96 Número de moirões de candeia 3.72 VALORES PARA O HECTARE Valores remanescentes de candeia Valores explorados de candeia Número de indivíduos 384.066.15 Tabela 9.33 Número de moirões de candeia 1.30 Número de indivíduos 1015.81 Vcc total (m3) 23.438.42 Vcc total (mts) 39.797.78 Número de moirões de candeia 1.316.35 Número de indivíduos 896. Tabela 9.30 3 3 Vcc total (m ) 33.24 Tabela 9.Valores a serem exploradas para o fragmento 1. FRAGMENTO 2 VALORES PARA O FRAGMENTO Valores remanescentes de candeia Valores explorados de candeia Número de indivíduos 435. Portanto.30).978.01 Número de moirões de candeia 2.23 Vcc total (mts) 57.30 indivíduos explorados. segue-se o mesmo procedimento.924.7 indivíduos (2.357. FRAGMENTO 1 VALORES PARA O FRAGMENTO Valores remanescentes de candeia Valores explorados de candeia Número de indivíduos 824.83 Vcc total (m3) 10.73 Vcc total (mts) 26.06 Número de moirões de candeia 3. FRAGMENTO 3 VALORES PARA O FRAGMENTO Valores remanescentes de candeia Valores explorados de candeia Número de indivíduos 265.17 Vcc total (mts) 133.70 Número de indivíduos 1. ficarão na área 824.57 177 .45 Vcc total (mts) 92.29 Vcc total (m3) 11.24 Vcc total (m3) 54.51 Número de moirões de candeia 5.04 Número de moirões de candeia 992.29 Vcc total (mts) 66.84 Número de indivíduos 655.02 Número de moirões de candeia 847.846.14 VALORES PARA O HECTARE Valores remanescentes de candeia Valores explorados de candeia Número de indivíduos 280.84 Vcc total (mts) 28.314.749-1.CAPÍTULO 9 .64 Número de indivíduos 612.Quantidades a serem exploradas para o fragmento 3.8 .924.19 VALORES PARA O HECTARE Valores remanescentes de candeia Valores Explorados de candeia Número de indivíduos 262.Quantidades a serem exploradas para o fragmento 2.924.07 Vcc total (mts) 60.484.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA resultado será de 1.50 Vcc total (m3) 26.25 Número de moirões de candeia 1.86 Vcc total (mts) 191.04 Vcc total (m ) 37.83 Vcc total (m3) 41.9 .28 Vcc total (m ) 77.7 Vcc total (m3) 17.60 Vcc total (m3) 24.88 Número de moirões de candeia 2.20 Número de indivíduos 618.7 .83 Número de moirões de candeia 791.40 Número de moirões de candeia 1. Para as demais variáveis e para os resultados por hectare.65 Vcc total (mts) 81.80 3 3 Vcc total (m ) 16.

8 . na qual árvores isoladas são exploradas. o que reduz a possibilidade de serem rapidamente suprimidas pelas espécies de rápido crescimento (exigentes de luz). na operação de exploração e derrubada. Dessa forma. Figura 9.Representação esquemática do sistema silvicultural de corte seletivo em grupos. Nesse sistema de manejo.9). é mais indicada para se trabalhar com espécies que se desenvolvem e se reproduzem na sombra. O sistema de corte seletivo aplicado em espécies que sejam exigentes de luz baseia-se na remoção de um pequeno grupo de árvores. pequenas clareiras são formadas para que haja boa incidência de luz solar e estas sejam distribuídas por toda a área.5. 178 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 9. O propósito é garantir que a regeneração natural das espécies de interesse ocorra de forma satisfatória.8 e 9. geralmente sem interesse econômico. cada grupo é explorado numa área que tem entre 14 e 20 m de diâmetro (Figuras 9.3 Sistemas em seleção de grupo ou sistema de corte seletivo em grupos A forma típica do sistema de corte seletivo. Os cuidados para garantir uma alta intensidade de regeneração natural são os mesmos que os adotados para o sistema porta-sementes.

10).Implantação do sistema de seleção em grupos. O sistema em faixa pode ser dividido em cinco formas: • sistema de faixas progressivas. desenvolvimento da regeneração natural da candeia aos 6 (b) e 24 meses (c) e. Nesse caso. • sistema de faixas alternadas.9 . tendo em comum a característica de deixar o estrato superior. • sistema de faixas em cunha.4.5. 9. visando a proteger naturalmente o solo. Sistema de corte em faixas Esse sistema difere em poucos detalhes dos outros.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA a b c d Figura 9. 179 . vista aérea do sistema de seleção em grupos. a regeneração dirigida é conduzida em estreitas faixas abertas na floresta (Figura 9. • sistema de faixas em grupo. • sistema de cobertura em faixas.CAPÍTULO 9 . Vista interna do candeal explorado (a). aos 24 meses após a exploração (d).

de um lado. é apresentada uma situação em que.Áreas agregadas com candeia. Assim. Essa ação se caracteriza pelo baixo custo e baixo impacto. 9. Figura 9. o solo foi preparado para receber as sementes de candeia e. do outro.Representação esquemática do sistema silvicultural em faixas. nenhuma prática foi adotada. 180 .11 . Na Figura 9.6 Aumento da área com candeia Essa é uma estratégia para agregar áreas marginais com candeia aos fragmentos existentes.11.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9. não se constatou nessa área a presença da espécie.10 .

Um método de regeneração natural descreve a maneira de cortar corretamente um povoamento florestal. devem-se usar muares. Vantagens da regeneração natural em relação à regeneração artificial: • baixos custos de estabelecimento. Na realidade. frequentemente. em geral.Exploração de baixo impacto Para retirar a madeira do fragmento até uma estrada próxima.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA . bastante diversas de uma espécie arbórea para outra. 181 .. enquanto o sistema silvicultural é um plano geral de tratamentos para povoamento até seu aproveitamento final (DANIEL. Cada tipo de regeneração surge na dependência de numerosas pré-condições que são. pois a movimentação de terra pode causar erosão (Figura 9. BAKER.Retirada da madeira do candeal com muares (a e b).CAPÍTULO 9 . madeira empilhada (c) e transporte em caminhão (d). esses dois termos se diferenciam pelo fato de o método de regeneração tratar apenas do corte e do estabelecimento do novo povoamento. Todas as espécies arbóreas possuem mecanismos que permitem a perpetuação do sistema natural. 1982. A abertura de estradas no interior do fragmento não é recomendada.12 . 9.12). SMITH. et al.7 Regeneração natural A regeneração natural é a forma mais antiga e natural de renovação de uma floresta. o mesmo nome. Os métodos de regeneração natural e os sistemas silviculturais são constantemente confundidos por levarem. 1996). • pequenos distúrbios no solo. a b c d Figura 9. assegurando sua renovação. • utilização de pouca mão de obra e equipamentos pesados. HELMS.

outras estratégias de revegetação da área deverão ser adotadas. desbastes seletivos deverão ser aplicados para que haja a redução da competição. então. se existem áreas com espécies de ecótono como a candeia (Eremanthus erythropappus ou Eremanthus incanus). se. • podem resultar povoamentos irregulares. se o número de plantas é ou não adequado. No entanto.13). em parte da área. mas também à sua distribuição na área. uma estratégia é. Dessa maneira. então. • não apresentam problemas com a origem geográfica das sementes. Nos estudos de manejo florestal. não está associado somente à abundância da regeneração. é necessário avaliar a sua presença ou não na área que está sendo manejada. a produção sustentada daquela vegetação ao longo do tempo. dificultando os trabalhos mecanizados. que tem como característica colonizar áreas por meio de chuva de sementes. É importante salientar que toda área sujeita a algum regime de manejo deve ser protegida de animais domésticos e de fogo. Para tal. • não pode fazer uso acentuado do melhoramento genético. conduzir a sua regeneração natural (Figura 9. for detectado que não há regeneração natural ou que sua intensidade não é satisfatória para promover a ocupação do local. Por exemplo. para que não comprometa a regeneração natural e. 182 . consequentemente. é muito importante estimar a quantidade da regeneração natural. • menor produção.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA • poucos problemas com pragas e doenças. Desvantagens da regeneração natural: • pouco controle sobre o espaçamento e a densidade inicial. Se detectada sua presença em toda a área e com alta intensidade. em alguns casos. depois da sua exploração. principalmente onde há e onde não há adequada regeneração na área florestal que está sendo avaliada.

9.Ilustração de uma área queimada. Esse tratamento que viabilizará a regeneração natural e. a área explorada deverá receber tratamento. a) Somente poderão ser explorados espécimes de candeia com DAP igual ou superior a 5 cm.8 Cuidados fundamentais na condução de um plano de manejo para a candeia A seguir. transplantadas para áreas próximas e o mais similar possível à área sob manejo. apresenta harmonia ambiental. a forma e a nova área para o transplantio de epífitas facultativas e obrigatórias e outras. para propiciar a germinação de um grande contingente de sementes de candeia e garantir a sustentabilidade da produção e da prática de manejo. que deve ser exclusivo da candeia. em outubro de 1999. ao mesmo tempo. fato que ocorre entre os meses de agosto e outubro. descrever os cuidados.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA a b c d Figura 9. quando existirem na área objeto do manejo. Figuras ilustram a não adoção de nenhuma prática (a). 18 meses após a realização do desbaste (c) e 60 meses após a realização do desbaste (d). Implantação do desbaste em julho de 2002.CAPÍTULO 9 . necessariamente. obrigatórias e facultativas que porventura existirem na área sujeita ao manejo deverão ser quantificadas e. b) Descrever os cuidados para não interferir na vegetação lenhosa de porte arbustivo e/ou arbórea que existir no fragmento que não seja a candeia e que estiver contida nas áreas demarcadas para fins de manejo. que servirão como porta-sementes. c) Epífitas. os itens fundamentais para garantir a produção sustentável de um candeal. são descritos.13 . regeneração com 9 meses após a realização do desbaste (b). de forma sumarizada. d) Após a retirada do material lenhoso e imediatamente antes da dispersão de sementes das árvores remanescentes de candeias. é a chamada escarificação do solo que 183 .

apresentarem altura em torno de 1 m. para propiciar a germinação de um grande contingente de sementes. transplantio de epífitas facultativas e obrigatórias e outros componentes que caracterizem o manejo sustentável. esse revolvimento superficial do solo deve ser realizado em faixas com 20 m de largura cada uma. j) Proteger obrigatoriamente a área sob regime de manejo. i) Para que não haja risco à diversidade genética das candeias.5 m um do outro. e) No caso do sistema de porta-sementes e do sistema em faixas. assim como o desbaste dessas quando a concorrência for acima do que o sítio tem capacidade de suportar.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA consiste no revolvimento do solo. para condução da regeneração das áreas. Portanto. com maior desenvolvimento. onde não haverá qualquer intervenção no capim nativo ou em outra vegetação que porventura exista. com regeneração natural. Essas prescrições estão sujeitas à restrição definida no item i. Essa escarificação deve ser em círculos de 60 cm de diâmetro ou quadrados com 60 x 60 cm. no sentido das curvas de nível do terreno. envolvendo eliminação de invasoras como cipós que estiverem restringindo a possibilidade de estabelecimento da candeia. esse desbaste deve ser realizado quando as plantas. g) Na condução da regeneração natural. deverão ser adotadas práticas. distantes em torno de 2. em qualquer dos sistemas aplicados. por meio do revolvimento do solo.800 m de altitude. em caso de chuvas torrenciais. bem como em áreas com declividade igual ou superior a 45o e acima de 1. com vistas ao aumento do incremento volumétrico. pelo menos. Nas faixas de 20 m. k) Não será permitida. sob regime de manejo. h) Será autorizada a exploração de. A prática a ser adotada deverá ser realizada em faixa com largura de referência de 20 m. no máximo. l) Deverá ser apresentado Relatório Técnico Anual até o 3º ano. Normalmente. em que a declividade da área for superior o a 10 . na forma da Lei. contra a ação de animais domésticos e fogo. 184 . sem supressão de qualquer outra espécie com característica de arbusto ou árvore. Esse é o caso de áreas de campo ou áreas degradadas. 60% do estoque do número de plantas de candeia distribuídos nas diferentes classes diamétricas para o sistema de manejo. matas ciliares. deve-se realizar a escarificação do solo (conforme item d). esse desenho poderá ser irregular para atender a essa especificidade do manejo. a supressão de vegetação nativa protetora de nascentes. estabelecida imediatamente antes da dispersão de sementes das árvores de candeias existentes que servirão como porta-sementes. f ) Uma possibilidade complementar ao manejo é aumentar a área propícia à regeneração natural da candeia. seleção de grupo ou corte em faixa e. em profundidade não necessariamente superior a dez centímetros. no máximo. de 70% para o sistema porta-sementes. deverá haver um número mínimo de porta-sementes de candeia equivalente a. na profundidade de 5 a 10 cm. em hipótese alguma. contíguas ao manejo ou a áreas onde exista candeia. com o objetivo de servir como barreira ao possível escoamento de água. o que ocorre entre os meses de agosto e outubro. intercaladas com faixas de 5 m. 100 plantas por hectare.

não havia candeia. está representada na Figura 9.15.Representação do sistema porta sementes implantado no município de Baependi/MG.14 . houve uma densidade de regeneração menor em relação aos outros locais.15. Após a exploração e antes da dispersão das sementes.9. o que propiciou o contato da semente com o solo. Observa-se que a regeneração natural está distribuída por toda a área. representa-se o sistema de árvores porta-sementes. 185 . ao longo dos primeiros anos. Essas árvores foram escolhidas em função de seu vigor e de maneira a representarem a população existente no local. para fornecerem sementes para o restante da área. Figura 9. A regeneração natural do sistema porta-sementes. deixadas equidistantes entre 8 e 10 m. Na Figura 9. com o propósito de propiciar as condições ideais para a germinação das sementes. no lado direito da área mostrada na Figura 9.1 Um estudo de caso para o sistema porta sementes O sistema porta-sementes foi instalado em agosto de 2003. em agosto de 2003. exceto 240. Isso pode ter ocorrido em razão da limpeza e do revolvimento do solo feito com a aração. o que prejudicou o desenvolvimento da regeneração de candeia.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA 9. que é uma das exigências para a germinação da semente de candeia. Isso pode ter ocorrido em razão da existência de braquiária (Brachiaria sp) no local.CAPÍTULO 9 . fez-se a escarificação do solo. Os pontos verde-claros são a regeneração natural existente dois anos após a intervenção na área para a implantação do manejo. Nos locais onde as clareiras são maiores.9 Estudo de caso para sistemas silviculturais para candeia 9. implantado na área de estudo. em uma área de um hectare. Nota-se que. Foram cortadas todas as árvores do fragmento.14.

15 . totalizando 1. com a reocupação da área com a regeneração. avaliar se a espécie é ou não estabelecida nos locais.Classes de tamanho da regeneração natural.874 quadrats. 2 e 4 anos da implantação do sistema. Os quadrats foram lançados em toda a área do experimento.10. assim. Tabela 9.3 m 0. foi medida a altura de todas as regenerantes e cada uma delas recebeu uma placa de identificação para o acompanhamento do seu crescimento ao longo do tempo. Para tal.10 . então. Dentro de cada quadrat. O tamanho dos quadrats foi de 4 m2 (2 x 2 m).5 m Denominação Recruta Muda não estabelecida Muda estabelecida Símbolo R U E A regeneração natural da candeia foi avaliada pelo método dos quadrats com forma quadrada. considerou-se que quatro plantas não estabelecidas correspondem a uma estabelecida. Foram coletados dados das regenerantes após 1. pode-se. dois anos após a intervenção na área. Definidas as classes de regeneração. o valor real existente de regeneração.Representação do sistema de árvores porta-sementes.5 m h>1. 186 . Avaliação do status da regeneração natural da candeia Para avaliar a regeneração natural.3 m≤h<1. Limites das classes h<0. sob o argumento de que pelo menos uma delas atingirá a classe das estabelecidas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9. que consiste em uma adaptação da definição proposta por Barnard (1950) utilizada por Andrade (2009). foram utilizadas as classes mostradas na Tabela 9. obtendo-se.

744. fazendo com que a quantidade dessas plantas diminua ao longo do tempo.30 m e menor que 1. As plantas estabelecidas é que definem a sustentabilidade do sistema de manejo.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Na Tabela 9.5 m. Figura 9. a densidade de plantas estabilizadas tende a aumentar com o passar do tempo. ao longo do tempo. No primeiro ano após a exploração. com o passar do tempo.30 e 1.40 e 5.50 m). a altura das plantas regenerantes se enquadrará em uma classe de altura superior. não estabelecidas (plantas com altura entre 0. Isso também ocorreu com a densidade de mudas não estabelecidas. sendo um bom sistema de manejo sustentável para a candeia.275. o sistema de árvores porta-sementes propiciou um aumento do número de plantas estabelecidas. a densidade de plantas por hectare caiu para 5. as plantas regenerantes ainda estão com altura menor que 0. Sendo assim. o percentual de plantas estabelecidas em relação ao número total de regeneração foi zero. 187 .50 m) e estabelecidas (plantas com altura superior a 1.11% e 85. indica-se que não houve uma regeneração estabelecida no primeiro ano após a intervenção. fica nítido o crescimento da regeneração. já que. sendo esse resultado esperado. Na Figura 9. pois elas garantem um estoque de plantas que irá se tornar adulto. respectivamente.30 m. uma vez que a regeneração encontra-se com altura menor que 1.30 m).16. À medida que o tempo passa. esse percentual foi de 36.Distribuição da densidade da regeneração no sistema de árvores porta-sementes.5 m. um ano após a exploração.5 m).19. uma vez que.CAPÍTULO 9 .364. o que também era o esperado. No segundo e no quarto anos.16 .35 (altura maior que 0. composto pela soma do número de mudas recrutas (plantas com altura até 0. no segundo ano e no quarto ano. Um ano após a implantação do sistema. que atinge alturas maiores que 1. Decorrente disso. apresentando o número de mudas estabelecidas e o número total de mudas. mostra-se que a densidade de recrutamento foi maior no primeiro ano. respectivamente.58%.11. nos primeiros anos. aumentado assim a classe da regeneração estabelecida. Já. a densidade plantas por hectare foi de 11. Esse resultado já era esperado.

30 e 1.38 4. a b c d e f Figura 9.074.17 . Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Idade (anos) 2 182.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 9.65 4.36 720.50 m). e) e regeneração com quatro anos após a intervenção (f ). regeneração com dois anos após a intervenção (d. 188 .44 5. por hectare.487.Comportamento da densidade da regeneração.11 .19 A seguir são apresentadas sequências de fotos (Figura 9. nos primeiros anos.76 3.364.590.Área antes da implantação do sistema porta-sementes (a).275.69 0.851.19 2.30 m). mudas não estabelecidas (plantas com altura entre 0.00 11. no sistema porta-sementes.45 5.744.50 m) e mudas estabelecidas (plantas com altura superior a 1.423.17) desde a instalação até quatro anos após a intervenção do sistema de árvores porta-sementes. apresentando o número de mudas recrutas (plantas com altura até 0.40 1 6. regeneração com um ano após a intervenção (c). após a implantação do sistema (b).35 4 53.

sempre que possível. ou seja. uma vez que proporciona regeneração natural suficiente para garantir a sustentabilidade do candeal. aumento da intensidade de luz que chega à semente. proporcionada pelas chuvas frequentes nos meses seguintes.12). 9. Todas as outras plantas situadas no interior dos grupos (SG1 a SG20) foram retiradas. 189 . o sistema porta-semente propicia uma boa dispersão da regeneração natural por toda a área manejada. com diâmetro variando de 15 a 20 m.2 Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo em grupos O sistema de corte seletivo em grupos foi instalado em agosto de 2003. SG7. a fim de verificar a influência dos mesmos na regeneração natural. apresenta-se a distribuição dos grupos ou clareiras formados na área de estudo. As figuras de árvores representam as árvores remanescentes do sistema de manejo. SG8. indicando que a regeneração foi satisfatória. Tabela 9. Tratamento 1 2 3 4 5 Tratamento aplicado após exploração Deixou a galhada e a serrapilheira Retirou-se a galhada e deixou a serrapilheira Revolvimento do solo (aração+gradagem) Revolvimento do solo (aração+gradagem) + calagem Revolvimento do solo (aração+gradagem) + fosfatagem Grupos SG17 e SG18 SG15 e SG16 SG19 e SG20 SG12 e SG14 SG09 e SG10 6 Revolvimento do solo (aração+gradagem) + calagem + fosfatagem SG1. constituídos pela abertura de clareiras que. SG5.Tratamentos silviculturais realizados nas clareiras abertas nos diversos grupos formados após a intervenção. Nas bordas de cada grupo. procurou-se otimizar as condições favoráveis para o estabelecimento da regeneração natural da candeia.18.12 . Em dois grupos (SG21 e SG22).OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Realizando-se a limpeza e a escarificação do solo após a exploração.9. SG6.CAPÍTULO 9 . Nas clareiras abertas. foram deixadas árvores de candeia para fornecerem sementes para o interior dos mesmos. considerados como testemunha (Tratamento 7). foram realizados diversos tratamentos silviculturais (Tabela 9. as que foram selecionadas como porta-sementes para compor a borda da clareira e o interior das testemunhas. que era tradicionalmente utilizado pelos agricultores para a exploração da candeia. A densidade de plantas estabelecidas aumentou com o passar do tempo. SG3. facilitado pela limpeza da área no processo de exploração e disponibilidade de água para a semente. Nesse tratamento não foi feito nenhum tipo de prática silvicultural após o corte. Com isso. foi utilizado o sistema seletivo. SG4. SG2. contato da semente com o solo. proporcionado pela retirada das árvores. O sistema porta-sementes pode ser utilizado para o manejo da candeia. ou seja. SG11 e SG13 7 Testemunha SG21 e SG22 Na Figura 9. tinham forma circular. Foram formados 22 grupos.

que os tratamentos SG17 e SG18. MG. também tiveram pouca regeneração natural. Observa-se. deixar a galhada e a serrapilheira na área. onde os pontos verde-claros são a regeneração natural existente dois anos após a implantação do manejo. o que dificulta a sua germinação.18 . com exceção dos grupos SG21 e SG22. não foram abertas clareiras.67 hectares. 190 . mas a serrapilheira não. Além disso.19. após a exploração. está representada na Figura 9. com área de 0. em agosto de 2003. onde não houve nenhum tratamento. uma vez que. Como nesses grupos não foi feita a limpeza da área. na Figura 9. nesses grupos. em que a galhada foi retirada. Conforme já foi dito. isso ocorre porque a semente não entra em contato direto com o solo.19. que consistiram em. Nos grupos SG21 e SG22. a existência de serrapilheira impediu que houvesse o contato da semente com o solo. ao longo dos primeiros anos. Os tratamentos SG15 e SG16. foram os que tiveram a regeneração menos intensa. A avaliação da regeneração natural do sistema seletivo em grupos. por não haver as condições necessárias ao seu bom desenvolvimento. houve pouca regeneração. houve pouca luminosidade no dossel inferior da floresta.Representação do sistema seletivo em grupos implantado no município de Baependi. Observa-se que ocorre distribuição da regeneração dentro de cada grupo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9.

Isso ocorreu em razão do sombreamento das sementes de candeia. Esse resultado era esperado.30 m.19 . após dois anos.13 demonstram que a densidade de recrutamento foi maior no primeiro ano em todos os tratamentos implantados. Em todos os tratamentos houve um crescimento considerável do número de plantas estabelecidas em relação ao número total de regeneração. Isso confirma que todos os tratamentos utilizados no 191 . Ocorreu o mesmo com a densidade de mudas não estabelecidas. E esta foi avaliada pelo método dos quadrats com forma quadrada.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9. um ano após a exploração. Avaliação do status da regeneração natural da candeia Para a avaliação da regeneração natural. Isso ocorreu em razão da pouca regeneração encontrada. as plantas regenerantes ainda estão com altura menor que 0. não houve densidade de planta estabelecida. já que.CAPÍTULO 9 . o que também era esperado. SG19 e SG20 a intensidade da regeneração foi menor que na área restante dos mesmos. Em razão disso. Observou-se que.Representação do sistema seletivo em grupos com a reocupação da área com a regeneração. a densidade de plantas estabelecidas tende a aumentar com o passar do tempo. causado pelas árvores da mata nessas áreas limítrofes. uma vez que. próximo à divisa da mata com os tratamentos SG1. foram utilizadas classes de acordo com a definição proposta por Barnard (1950) adaptada por Andrade (2009). SG12. SG14. a altura das plantas regenerantes se enquadrará em uma classe de altura superior. em todos os grupos. SG3. com o passar do tempo. Os dados da Tabela 9. com exceção da testemunha. SG10. Nos grupos onde foi instalada a testemunha. SG5. fazendo com que a quantidade dessas plantas diminua ao longo do tempo.

69.5 m. em todos os tratamentos. com exceção do tratamento 7.14. 13.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA sistema seletivo em grupos são viáveis.13. 5. com o passar do tempo. que o percentual de mudas estabelecidas em relação ao número total de mudas regeneradas aumentou com o passar do tempo. fica nítido o crescimento da regeneração que.70 plantas por hectare (altura maior que 0. 3. Observa-se.85. confirmando a hipótese de que o sistema com tratamento pós-exploratório é válido para a candeia. com exceção do tratamento 7.079. com exceção dos tratamentos 1. 37. Houve pouca regeneração estabelecida no primeiro ano após a intervenção (Tabela 9. atingindo valores de altura maior que 1. 2. no primeiro ano após intervenção. 2 e 1. 40.948. Nos tratamentos 1. O tratamento 5 foi o que apresentou melhor resultado em relação ao percentual de mudas estabelecidas (97. pois garantem um estoque de plantas que irá se tornar adulto.883. houve um aumento do número de plantas estabelecidas em todos os tratamentos. Com o passar do tempo. 192 . uma vez que. 4.090.5 m). respectivamente.30 m e menor que 1. nessa idade. No caso deste estudo.89%).20 e 1. 3. 33. 6 e 7 houve densidades de 18.13). seguido dos tratamentos 4.955. aumenta de quantidade na classe de regeneração estabelecida.505.5 m.62. Isso permite inferir que o sistema de corte seletivo em grupos com tratamento pós-exploratório é um bom sistema de manejo para a candeia. 2 e 7. a regeneração ainda se encontra com altura menor que 1. As plantas estabelecidas é que definem a viabilidade do sistema de manejo. 6.809. 55. pelos índices apresentados na Tabela 9. Esse resultado era esperado.25. em que não há revolvimento do solo.

00 561.343.597. por hectare.226.52 189.82 6.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Tabela 9.14 0.85 9.67 15.479.948.03 4.13 .20 286.50 m) e mudas estabelecidas (plantas com altura superior a 1.14 7.107.874.30 m).93 3.074. pois.955. A seguir são apresentadas sequências de fotos referentes ao sistema de seleção em grupos (Figuras 9.076.983.21).37 0.16 857.366.00 0.14 21.72 28.840.43 12.809. Tratamentos 1 Densidades Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento 2 3 4 5 6 7 1 4.765.26 3.928.53 34.25 15. no sistema seletivo em grupos.30 e 1.19 8.750.64 14.CAPÍTULO 9 .093. 193 .43 9.61 11. a altura das plantas regenerantes aumenta e as mesmas passam a fazer parte da classe referente ao estoque estabelecido.23 228.36 25.453. Esse resultado era esperado.883.50 m).250. com o passar do tempo.34 4.139. que o estoque estabelecido no quarto ano foi maior que o do primeiro ano.051.334.37 42.66 609.00 40.842.35 42.39 23.48 2.91 481. apresentando o número de mudas recrutas (plantas com altura até 0.69 0.20 42.13 0.047.018.20 e 9.62 Idade (anos) 2 152.72 94.855.76 333.049.059.95 0.92 1.00 253.73 21.148.129.00 Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento 9.74 8.652.87 739.52 10.335. também.13 12.00 605.749.375.835.00 13.08 3.04 249.35 227. mudas não estabelecidas (plantas com altura entre 0.00 84.00 55.63 3.00 Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total 22.15 4 0.62 54.548.424.048.257.04 0.00 1090.67 6.48 2.329.71 33.356.98 0.92 315.041.Comportamento da densidade da regeneração.30 12.253.094. com exceção do tratamento 7.42 20.00 0.00 18.82 14.19 11.18 9.27 12.53 14.61 37.69 8.20 6.40 20.7 5.73 0. desde sua instalação até a idade de três anos após a intervenção.502.50 367.89 12.75 Observa-se. nos primeiros anos.

20 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Exemplo 1 a b c d e f Figura 9. f ). regeneração com três anos após a intervenção (e. regeneração com um ano após a intervenção (c. d). 194 .Implantação do sistema seletivo em grupos (a. b).

Especificamente no caso do sistema tradicional de corte seletivo.CAPÍTULO 9 . confirmando que o sistema tradicional não é viável. por não haver condições adequadas para a sua ocorrência. não houve regeneração satisfatória (Tabela 9. A ausência de regeneração satisfatória é decorrente do baixo número de regenerantes encontrados nesse sistema. ou seja.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Exemplo 2 a b c d Figura 9. não deve ser utilizado como sistema de manejo para a candeia. 195 . regeneração com um ano após a intervenção. pelo baixo número de regenerantes encontrados. A regeneração não é satisfatória.13). ou seja. no tratamento 3 (d). não deve ser utilizado para o manejo da candeia. no tratamento 3 (c) e. imediatamente após a implantação do sistema (b).3 Um estudo de caso para o sistema de corte seletivo tradicional No tratamento 7. regeneração com três anos após a intervenção. observandose a ausência de uma regeneração satisfatória. o gráfico da Figura 9.9. além de apresentar distribuição espacial não capaz de recobrir a área. causado pelas baixas condições adequadas para a sua ocorrência.Área antes da implantação do sistema seletivo em grupos (a). confirmando que o sistema tradicional não é um sistema sustentável. 9.22 indica a porcentagem de plantas estabelecidas nos primeiros anos após o início do sistema de porta-semente.21 .

utilizando o sistema seletivo. são apresentadas sequências de fotos. aspecto do tratamento 7 dois anos após a intervenção (d). no tratamento 7 (c) e.Área antes da implantação do sistema seletivo tradicional (a). regeneração com dois anos após a intervenção. ou sistema tradicional.Percentual do número de mudas estabelecidas em relação ao total de mudas regenerantes. Na Figura 9.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9.23. a b c d Figura 9.22 .23 . 196 . imediatamente após a implantação do sistema (b). para sistema tradicional de corte seletivo. mostrando desde a instalação até três anos após a intervenção.

30 e 1.30 m).14.10 Estratégias para ampliar áreas de candeia que margeiam fragmentos nativos Na Figura 9. apresentando o número de mudas recrutas (plantas com altura até 0. mudas não estabelecidas (plantas com altura entre 0.50 m) e mudas estabelecidas (plantas com altura superior a 1.25 e na Tabela 9.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA 9. vista aérea da área após três anos (c) e. ao longo dos dois primeiros anos após a implantação dos tratamentos. A avaliação da regeneração natural.24 .50 m). MG em julho de 2003. à regeneração. de acordo com as estratégias utilizadas e a condição natural de cobertura do solo. está representada na Figura 9.24. a b c d Figura 9. apresentam-se fotos desde a instalação do experimento no município de Baependi.CAPÍTULO 9 .Área marginal a fragmento nativo antes de estabelecimento dos tratamentos (a). dois anos após a implantação do manejo. de acordo com as estratégias implantadas. 197 . representação da regeneração natural ao lado de um fragmento nativo de candeia. um ano após a implantação dos experimentos (b). após dois anos da dispersão das sementes (d).

187. após queima e após revolvimento do solo.33 95.529.17 6. ou seja.17 0 10.25 e da Tabela 9.33 1737.250. o melhor tratamento é o que há o revolvimento do solo.50 4. após capina.17 4.566. mantida a condição natural do terreno marginal ao fragmento nativo com candeia.17 3.258. nos primeiros anos.820.83 5.17 26.67 De acordo com os dados da Figura 9.17 5.50 39.404.67 6.67 9.50 4.67 17.00 18708.14.67 4.854.995. mantida a condição natural do terreno marginal ao fragmento nativo com candeia. nos dois primeiros anos após sua implantação.583.575.00 3883. Tabela 9.67 2.83 5429.Avaliação do comportamento da densidade da regeneração.14 .33 5145.50 2 487. após queima e após revolvimento do solo.50 6.67 12.33 20466.33 66.83 2.5 3166. após capina. o que deixa o solo em condições para que a semente germine e povoe a área.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA anos anos anos anos Figura 9.166.83 41. Idade (anos) Tratamentos Condição natural Capina manual Queimada controlada Revolvimento do solo Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total Densidade recrutamento Densidade não estabelecida Densidade estabelecida Total 1 1737.908.212.Avaliação do comportamento da densidade da regeneração.791.625. 198 .25 .00 3.

O sistema seletivo em grupos pode ser utilizado como um sistema de manejo da candeia. uma vez que ele propicia as condições adequadas para a germinação das sementes e o estabelecimento da regeneração natural. Figura 9. 199 .OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Síntese Na regeneração natural. Entre os tratamentos pós-exploratórios estudados. O sistema tradicional utilizado pelos agricultores (corte seletivo) não deve ser utilizado para o manejo da candeia. desde que seja realizado o tratamento pós-exploratório. 9.11 Exemplo de execução de planos de manejo em Baependi A orientação sobre o corte das candeias. recomenda-se aquele em que é feita a limpeza e a escarificação do solo.CAPÍTULO 9 . a seleção das árvores porta-sementes e o cuidado com as orquídeas e bromélias presentes no local devem ser fornecidos antes de iniciar o corte e transporte das madeiras. A densidade de plantas estabelecidas cresceu com o passar do tempo. após a exploração.Área com candeia a ser manejada. indicando que a regeneração foi satisfatória.26 .28.26. 9. Um fragmento a ser explorado é mostrado nas Figuras 9. a densidade de recrutamento é maior no primeiro ano e diminui com o passar do tempo.27 e 9.

Área com candeia a ser manejada (interior do fragmento) 200 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9.27 .

CAPÍTULO 9 .OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9. 201 .28 .Área com candeia a ser manejada (interior do fragmento).

202 .30 e 9. vitalidade e pela maior copa capaz de produzir grande quantidade de sementes (Figuras 9. Figura 9.Seleção das árvores porta-sementes.31). As árvores porta-sementes são escolhidas por seu porte. Essas árvores são selecionadas de maneira que elas fiquem distantes de 6 a 8 m umas das outras.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA As árvores porta-sementes são marcadas com uma fita colorida ou com tinta.29).30 . para facilitar o corte e não acontecer de serem retiradas por engano (Figura 9.29 .Árvores porta-sementes. Figura 9.

Árvore porta-semente florida.31 . 203 .CAPÍTULO 9 .OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9.

Figura 9. as demais nativas permanecerão. sempre tendo cuidado para que todas sejam transplantadas (Figuras 9.32 e 9.32 . As orquídeas e as bromélias são transplantadas para locais de mata próximos às áreas manejadas ou. 204 . para algumas árvores portasementes.Presença de bromélias e orquídeas.33). até mesmo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Somente são retiradas árvores de candeia do local.

é feita orientação para melhoria do trabalho que está sendo executado na propriedade.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9. é verificada a distância que as árvores porta-sementes estão ficando umas das outras.CAPÍTULO 9 . Figura 9.35 .34 .Orquídeas que foram transplantadas para áreas de mata. se há madeira espalhada pela área manejada. quando necessário.33 . O engenheiro florestal responsável pelo plano de manejo deve acompanhar.Madeira amontoada. é observado o transplantio das orquídeas e bromélias e a permanência das espécies nativas no local.37.34 a 9. A cada visita são verificados esses e outros itens que caracterizam o manejo e. Os engenheiros do IEF realizam visitas periódicas para vistorias. destaca-se a sequência de exploração de um candeal. Figura 9.Corte da candeia com motosserra. 205 . Nas Figuras 9. Nessas visitas. orientar e esclarecer dúvidas dos funcionários responsáveis pelo corte e transporte da madeira.

37 . Figura 9.36 . 206 .Árvores porta-sementes após corte das demais árvores de candeia.Disposição das árvores porta-sementes.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9.

Para o transporte da madeira. ou pessoa por ele designada.Pilha de madeira.38 . Figura 9. Essas medições também serão realizadas após o carregamento do caminhão.OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA A madeira é retirada da área de corte carregada por muares e empilhada em local próximo da estrada para.39 .38 e 9. realizando várias medidas ao longo da pilha de madeira (Figura 9. o engenheiro. 207 .41 e 9.39). faz a conferência da madeira. com a nota fiscal da madeira acompanhada da Guia de Controle Ambiental (GCA eletrônica). Figura 9. ser transportada por caminhões até a indústria de extração do óleo (Figuras 9. Somente após essa medição é que os caminhões podem ser carregados (Figuras 9. Antes de essa madeira ser transportada. o responsável pelo caminhão deve estar.CAPÍTULO 9 . posteriormente. em mãos.42).40).Transporte da madeira por muares.

40 .Medição da pilha de madeira.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9. 208 .

área maior que a exigida pela legislação em vigor.41 . além de sempre deixar uma faixa de proteção entre as áreas manejadas e a área de reserva legal. sempre que possível.CAPÍTULO 9 . 209 .OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9.Carregamento do caminhão. para que não sofram interferência.Caminhão carregado.42 . Também deve-se ter o cuidado com as áreas de reserva legal. deixando. transportando madeira para a indústria. Figura 9. As áreas de preservação permanente devem ser totalmente respeitadas.

45 e 9.44). diminuindo o impacto sobre o solo. Mesmo com uma regeneração nova. as sementes possam entrar em contato com o solo exposto.5. época em que a regeneração já estará estabelecida. logo após. a presença da fauna já é constante (Figuras 9. retirando-se o excesso de mudas. Figura 9. A escarificação (Figura 9. será realizado um desbaste ou raleio nos círculos de 60 cm. ao mesmo tempo. propiciando uma regeneração intensa da candeia.10. no item 9. propiciando a regeneração da candeia e. selecionando-se as mais vigorosas (Figura 9. Após dois anos. As outras espécies arbóreas encontradas no local não são removidas. deve ser realizada antes da dispersão das sementes.4 ilustra esta situação).43 . uma faixa de 5 m totalmente intacta.43). para que.46). Esse trabalho deverá ser realizado em toda a área manejada. pois só é revolvido o solo em pontos específicos. de maneira que funcione como uma proteção contra erosão. para que seja minimizado o impacto sobre a área manejada (a Figura 9.Escarificação do solo com enxada. deixando-se.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Quando há declive na área manejada. a exploração é realizada em frações de área com 20 m de largura. nesse momento. 210 . Essa faixa servirá como uma barreira.

OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9.CAPÍTULO 9 . 211 .44 – Regeneração natural que ocorre nas áreas.

Presença de aves na área manejada. Para que se possa conhecer ou ter uma idéia da área sujeita ao manejo após a exploração é apresentada a Figura 9. Figura 9.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 9. 212 . Toda prestação de contas referentes à madeira retirada da propriedade será realizada juntamente ao órgão ambiental competente.46 .45 .Ninho com filhote de pássaro na regeneração da candeia.47.

após corte das candeias.Vista geral de um fragmento.CAPÍTULO 9 .47 . 213 .OPÇÕES DE MANEJO SUSTENTÁVEL PARA A CANDEIA Figura 9.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 214 .

1 Introdução A candeia Eremanthus incanus ocorre no estado de Minas Gerais. mas também para estratégias de conservação. desde que sejam aplicados tratamentos adequados ao manejo e eliminadas as queimadas (PERÉZ et al. não simplesmente como ferramenta para planos de ações silviculturais. mantendo-se a 215 . poderá ocorrer aumento das áreas marginais com candeia e melhor preservação das matas nativas. sabe-se que os padrões de mortalidade. Essa ação só é possível extrapolando-se os registros de crescimento a curto prazo. Do ponto de vista de manejo florestal.CAPÍTULO 10 . Assim. O manejo da vegetação nativa passa. depois. sendo utilizada para a comercialização de moirões. e considerando que eles serão cercados. 10 DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA Eremanthus incanus (LESS) LESS Edmilson Santos Cruz José Roberto S. recrutamento e crescimento podem variar consideravelmente ao longo dos anos.. trabalhos envolvendo dinâmica de espécies vegetais nas regiões tropicais são raros na literatura. mas são essenciais para o estudo dos processos ecológicos das comunidades. estudos sobre os processos de estabelecimento e crescimento das plantas têm adquirido importância no manejo de espécies florestais. pelo conhecimento dos processos de sua dinâmica. por ter baixo potencial para a extração de óleo. 10. o impedimento ao acesso de animais domésticos nas áreas manejadas e a maior conscientização ambiental do detentor do plano de manejo. Além disso. Como os candeais passíveis de exploração geralmente são marginais às áreas de mata. como também das taxas de crescimento. Um dos métodos é encontrar a taxa de crescimento anual das árvores em diferentes classes diamétricas e. situando-se em locais onde a candeia tem grande capacidade de se instalar. obrigatoriamente. Essas variações podem estar ligadas ao clima ou aos ciclos biológicos inerentes às espécies. assim como pela compreensão de como e quando as intervenções silviculturais devem ser feitas e como elas afetariam o crescimento das árvores em um povoamento manejado.2 Dinâmica do estrato arbóreo e prognóstico do crescimento de Eremanthus incanus (Less. Segundo Crawley (1997). deve-se fazer uso de modelos para estimar o crescimento a longo prazo em florestas nativas.) Less.. calcular o tempo que uma árvore levaria para alcançar classes de diâmetros sucessivas. Scolforo José Márcio de Mello Antônio Donizette de Oliveira Thiza Falqueto Altoé Vinícius Augusto Morais 10.. Espera-se que haja diversos benefícios ambientais nas propriedades em que for implementado o manejo do candeal. 2004b). já que a maioria das espécies não possui anéis de crescimento. podendo-se citar a necessidade implícita de averbação da reserva legal. é necessário realizar uma avaliação detalhada não só dos padrões espaciais de mortalidade e recrutamento. principalmente quando os estudos sobre uma espécie são ainda incipientes. Para que se possa avaliar adequadamente a dinâmica populacional de espécies vegetais.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.

taxa anual média de ganho. em relação ao número de indivíduos e as taxas anuais médias de ganho (ou acréscimo) e de perda (ou decréscimo) em área basal. O prognóstico é uma estimativa da produção para espécies em particular. P .taxa anual média de mortalidade. t . AB0 . R . foram obtidos os parâmetros que expressam a dinâmica da população.tempo decorrido entre os dois levantamentos. Nt . r . Essa ação possibilita a realização de prognóstico sobre colheitas futuras e permite avaliar o efeito da alteração do ciclo de corte e também o DAP mínimo de corte. ABd – decremento (por meio de quebra ou perda parcial do tronco) em área basal das árvores sobreviventes.área basal do primeiro levantamento.taxa anual média de perda. N0 .número de árvores mortas.área basal das árvores recrutas.área basal das árvores mortas. ABm . taxas anuais médias de mortalidade e de recrutamento.incremento em área basal das árvores sobreviventes.número de árvores recrutas. como é o caso da candeia Eremanthus incanus e possibilita uma resposta à pergunta: Quanta madeira poderia ser produzida numa base sustentável a partir dessa espécie em uma floresta? 10. ABt . Eremanthus incanus. ABr .número de árvores do primeiro levantamento. G .2.número de árvores do segundo levantamento m .área basal do segundo levantamento.taxa anual média de recrutamento. ABg . 216 . ou seja.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA mesma taxa de crescimento. a) Mortalidade b) Recrutamento c) Ganho d) Perda em que: M .1 Parâmetros da dinâmica de populações Para a espécie-alvo.

tempo de duplicação. ou seja. em termos de número de árvores e de área basal. menor será o tempo de rotatividade (KORNING. 2000). ln (0. cujas dimensões mínimas são 7 cm de diâmetro e 2. Para o cálculo dos parâmetros da dinâmica de populações apresentado anteriormente. para cálculo do tempo de duplicação. as quais também compreenderam subparcelas de 5 x 20 m (100 m2) para o levantamento da regeneração natural (árvores com DAP < 5cm). N0.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA. conforme a seguir: em que: ChN .taxa de mudança líquida. distribuídos sistematicamente na área de estudo. BALSLEV. t2 . Já. conforme expressões a seguir. Na Figura 10. obtida nos inventários de 2001 e de 2006. tanto para número de árvores como em área basal. BALSLEV. foram alocadas 25 parcelas permanentes de 20 x 50 m (1.. verificando-se que houve aumento do número de indivíduos em todas as classes.tempo de meia-vida. ChAB . 1994). Dessa forma. r .20 m de comprimento. Ainda foram calculados o tempo de meia-vida e o tempo de duplicação.para cálculo do tempo de meia-vida. refere-se à taxa anual média de recrutamento em número de indivíduos ou ganho em área basal. A rotatividade refere-se à média entre o tempo de meia-vida e o tempo de duplicação. O tempo de meia-vida corresponde ao tempo estimado (em anos) para que a floresta reduza seu tamanho à metade..30 m. 5) t1 2 = ln (1 + r) t2 = ln (2) ln (1 + r) em que: t 1 2 . Em 2001. com base no número de árvores e na área basal. Nt. considerou-se cada caule como um indivíduo. foi considerada a dinâmica por caules (fustes). expresso em anos. e) Mudança líquida no período (KORNING. apresenta-se o número de árvores (frequência observada) por classe diamétrica.000 m2) para levantamento do estrato arbóreo (árvores com DAP ≥ 5 cm) de um candeal de Eremanthus incanus.1.CAPÍTULO 10 . para árvores com ramificações abaixo de 1. 1994). em área basal. ABt. o tempo de duplicação diz respeito ao tempo necessário para a floresta duplicar seu tamanho em função da taxa atual de recrutamento ou de ganho (PINTO.taxa de mudança líquida. quanto maior for a dinâmica da população. Na locação das parcelas. em número de árvores. Os valores do tempo de meia-vida e de duplicação foram utilizados para a obtenção do tempo de rotatividade (turnover). foram estabelecidos três transectos. AB0 e t . 217 .já definidos anteriormente. nos quais as parcelas distanciavam 50 m entre si. refere-se à taxa anual média de mortalidade em número de indivíduos ou perda em área basal. visto que a espécie em estudo é destinada à produção de moirões. em função da taxa atual de mortalidade ou de perda.

Figura 10. em 2001. conforme Tabela 10. MG.671 m2. Isso correspondeu a uma taxa de mudança em área basal de 7.1 . Os parâmetros obtidos para a dinâmica do candeal mostraram aumento no número de fustes.853 em 2006.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA exceto para a classe de 17 cm a 20 cm.70%.436 m2. 218 . que apresentou duas árvores em 2001 e nenhuma em 2006. em 2001 e 3.Distribuição do número de árvores por classe diamétrica no estrato arbóreo um candeal de Eremanthus incanus no município de Morro do Pilar.1. para 13.22%. nos inventários realizados em 2001 e 2006.988. passando de 9. sendo encontrados 2. em 2006. a uma taxa anual de mudança de 5.ano-1.

Valor central N1 N2 MOR REC SOB EMI IMI Taxa Anual (%) Z P-value 6.ano-1) 2.ano-1) 9.ano-1.ano ) 2.ano-1) 4. resultando em diminuição da densidade de árvores e aumento na dimensão diamétrica (aumento em área basal) das árvores sobreviventes.492 Decremento das árvores sobreviventes (m2) -0. Pode-se inferir que isso tenha acontecido em decorrência do processo natural de evolução da estrutura conhecida como “paliteiro” (adensamento de árvores finas).225.árvores emigrantes.436 Área basal do segundo inventário (m2) 13.00 Ns Total 2.5 2.37%.628.988 3.783 3.ano-1) 6.ano-1 e 2.258 370 370 2. respectivamente.05 15.628.53%. N2 .492 m2 e 0.00 Ns 18.440 Taxa de mudança (%.ano-1) 7.5 181 487 39 18 124 18 345 4.062 Taxa de perda (%.910 Taxa de rotatividade (%.00 Número de árvores sobreviventes 2.59 0.067 Incremento das árvores sobreviventes (m2) 2.001 N1 .CAPÍTULO 10 .331 317 1.853 360 1. Assim. apesar do número elevado de árvores mortas (317 indivíduos) e recrutadas (1.67 0. Na dinâmica por classe diamétrica (Tabela 10.067 m2 em área basal) e 360 árvores mortas (1. REC .número de árvores em 2001.988. de um candeal de Eremanthus incanus no município de Morro do Pilar.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.206 2.95 Taxa de mudança (%.261 2 Área basal das árvores recrutas (m ) 3. resultando em valores de incremento e decremento em área basal de 2. ou seja. Tabela 10.árvores recrutas.1 .00 -1 Taxa de mortalidade (%. tendo sido registradas 1.árvores mortas.206 indivíduos).39 12.Parâmetros da dinâmica em número de indivíduos por classe diamétrica (valor central) para o estrato arbóreo de um candeal de Eremanthus incanus no município de Morro do Pilar.20 1. MG. o número de árvores sobreviventes no período 2001-2006 foi de 2.37 Taxa de rotatividade (%.2 . Parâmetro Período 2001-2006 Número de indivíduos Número de árvores do primeiro inventário 2.225 árvores recrutadas (3.671 Área basal das árvores mortas (m2) 1.062 m2.001 12.74 14.2).121 345 4 2. 219 .53 Taxa de recrutamento (%.5 20 30 3 1 12 5 17 3.00 Número de árvores do segundo inventário 3.700 O recrutamento de árvores foi maior do que o número de árvores mortas. respectivamente.00 Número de árvores recrutas 1.ano-1. MG.ano-1) 5. porém. o que correspondeu a 7..5 4 4 1 0 1 2 3 5.94 0. EMI .00 Número de árvores mortas 360. para as taxas de recrutamento e mortalidade.53 17.853. MOR . IMI .5 0 1 0 0 0 0 1 0.árvores imigrantes.22 Área basal Área basal do primeiro inventário (m2) 9. SOB árvores sobreviventes.225 2. com pequenas dimensões diamétricas (área basal baixa) e pelo processo do autodesbaste.ano-1) 7.39%.número de árvores em 2006. isto é.001 9. na qual existe alta densidade de indivíduos.96 0. mortalidade de árvores por competição..93 0.00 1. pode-se observar que a menor taxa de mudança foi registrada para a menor classe diamétrica (de 5 cm a 8 cm). expressos em número de indivíduos e em área basal.261 m2 em área basal).Parâmetros da dinâmica do estrato arbóreo. 2. Tabela 10.980 Taxa de ganho (%.

O método de Condit.erro aleatório associado ao modelo. devem ser obtidas duas equações por meio de análise de regressão. DAP1 . e c . em diâmetro. em função do DAP na forma logarítmica. t. obtido no primeiro levantamento.30 m de altura do solo. obtido no segundo levantamento. g e ln . e estimar as curvas que permitiram conhecer o padrão da referida espécie.taxa de crescimento (médio ou acelerado). Hubbel e Foster (1993) recomenda o ajuste do modelo de regressão quadrático para obter g = aL2 + bL + c + ε as equações de crescimento médio e acelerado. conforme expressão a seguir: DAP ln a DAP2 k 1 g= t em que: g . ou seja: DAP ln a DAP2 k 1 + f gl = t f = g . b.já definidos anteriormente.intervalo de tempo entre os levantamentos. Já. ε .30 m de altura do solo. de posse dos cálculos apresentados. embora outros 220 . Os mesmos autores afirmam que.coeficientes obtidos a partir do ajuste do modelo quadrático e ε . o respectivo erro ( ε ) gerado pela equação de crescimento médio. sendo este último resultante de melhores condições de crescimento propiciadas por tratamentos silviculturais. médio e acelerado.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 10. gˆ . calcula-se a taxa de crescimento médio (em DAP). A equação de crescimento médio permite estimar a curva que corresponde às taxas médias de crescimento em diâmetro (g). as quais possibilitam conhecer o padrão de crescimento. para as duas modalidades citadas. para a candeia Eremanthus incanus. basta somar ao valor “g” de cada árvore.gt em que: g ′ . Para calcular a taxa de crescimento acelerado. Então.3 Estudo do crescimento e prognóstico de colheita de Eremanthus incanus a) Cálculo das taxas de crescimento médio e acelerado Possibilita conhecer o padrão de crescimento por espécie de duas formas. Após ter sido calculada a taxa de crescimento médio (g). Para tanto. para cada árvore da espécie estudada.taxa de crescimento médio estimado. a. ln . sendo uma para estimar o crescimento médio e outra para o crescimento acelerado. t .diâmetro a 1. a equação de crescimento acelerado fornece as taxas de crescimento acelerado em função do DAP na forma logarítmica. crescimento médio e crescimento acelerado.logaritmo neperiano.diâmetro a 1.taxa de crescimento acelerado. em que: g .logaritmo neperiano do DAP1 (já definido anteriormente). DAP2 . podem-se gerar as taxas de crescimento diamétrico. L . DAP2. isto é.taxa de crescimento médio. DAP1. em valores absolutos.

m 1 2 3 Ainda.. já que as integrais para polinômios de graus mais elevados não possuem soluções tão claras. segundo a forma proposta por Scolforo (2006).CAPÍTULO 10 . a partir de um valor mínimo de DAP pré-estabelecido. ou seja. as quais foram ajustadas.3. DAP + . Entretanto. Essas trajetórias fornecem estimativas do tempo necessário para que as árvores atinjam qualquer valor de DAP. ε b) Trajetória do diâmetro sob crescimento médio e acelerado A partir dos coeficientes gerados pelo ajuste do modelo exponencial negativo.2. a projeção dos diâmetros deve ser realizada por meio da utilização da expressão do tempo mostrada anteriormente. A aplicação do cálculo diferencial resulta em três situações distintas para estimativas da trajetória do DAP.b $ DAP) 1 t = a $ 'ln (DAP) + : 1 $ 1! D + : 2 $ 2! D + : 3 $ 3! D . em face das propriedades matemáticas inconsistentes com o padrão biológico de crescimento que rege a vida dos seres vivos. Na Figura 10. segundo Scolforo (2006).b $ DAP) (. pode-se obter.b $ DAP (. a saber: a) Para b2 c e para a ≠ 0 . o modelo parabólico foi escolhido por se ajustar melhor do que o modelo linear e possuir soluções claras para as integrais das equações. o DAP mínimo foi de 5 cm. em que são utilizados métodos iterativos para estimar os diâmetros nas várias idades.2 4a 1 t = ak arctan > a L + 2ba k k H+ m 221 . o modelo parabólico gera. tanto para crescimento médio como acelerado. bem como a curva de crescimento médio e acelerado estimada pelas equações apresentadas na Tabela 10. que consistem em substituir o modelo parabólico pelo modelo da exponencial negativa. segundo esses autores. esses autores propuseram modificações no método original. Sendo assim. ln (g) = ln (a) + b. médio ou acelerado.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA. taxas de crescimento negativas.. ou seja: ou Scolforo (2006) testou a modificação proposta em trabalho realizado com Xylopia brasiliensis de um fragmento de floresta estacional semidecidual montana do município de Lavras/MG. são utilizadas as seguintes expressões: 2 1 a 4a c b2 k2 = a . Para esse estudo. a partir de inventários realizados em 1996 e 2000 e propôs a expressão apresentada abaixo para o cálculo do tempo (idade). a trajetória do DAP em função do tempo. modelos possam se ajustar de forma mais precisa aos dados. no qual a variável dependente é a taxa de crescimento. em alguns casos. . por meio de cálculo diferencial. é apresentada a dispersão das taxas de crescimento médio e acelerado observadas para a espécie estudada. e a variável independente é o diâmetro.

são utilizadas as seguintes expressões: 4a2 k2 = b2 .c 4a 2 a R V b S a L + 2a . são utilizadas as seguintes expressões: 4a2 k2 = b2 . atingirão um valor desejável. 222 . 3 cm).k k W 1 W+ m t = 2ak ln S SS a L + b + k k WW 2a T X em que os termos já foram definidos anteriormente.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA em que: t . nas modalidades de crescimento médio e acelerado. b) Para b2 c 2 a e para a > 0 . c) Para b2 c 2 a e para a < 0 . permitindo saber em quanto tempo árvores de Eremanthus incanus. a partir de um DAP mínimo de 5 cm. foram obtidas também as trajetórias do DAP. bem como conhecer o comportamento da variável dendrométrica DAP para espécie estudada. Os demais termos já foram definidos anteriormente. de qualquer DAP.constante que zera o crescimento em t = 0. m . Assim.c 4a 2 a em que os termos já foram definidos anteriormente.tempo após valor mínimo de DAP (neste estudo.

2 . esse padrão já foi encontrado para espécies exigentes de luz (caso da candeia. curvas exponenciais nas quais o crescimento é aumentado com o aumento da idade das árvores. a taxa anual de crescimento foi de 2.97% 63. no período de 2001 a 2006.CAPÍTULO 10 . MG.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA. Hubbel e Foster (1993)..05123 -0. Dessa maneira.83% para crescimento acelerado. é fato largamente conhecido.36 61.. principalmente entre as classes de diâmetros. em especial com a distribuição de luz. A grande variância das taxas de crescimento das árvores de florestas tropicais nativas. também). Na Figura 10. tanto para crescimento médio como acelerado.62% para crescimento médio e de 3. em que as árvores crescem de forma acelerada até a morte dos indivíduos. Taxas de crescimento 25% 20% 15% 10% 5% 0% 0 5 10 15 20 25 DAP (cm) CM observado CA observado CM estimado CA estimado Figura 10. Equação Crescimento médio Crescimento acelerado Coeficientes a -3.68% Em termos médios.3. Essa amplitude de variação pode ser explicada pela grande heterogeneidade do ambiente físico do sub-bosque da floresta. ou seja.Taxas observadas de crescimento médio (CM) e acelerado (CA) e curvas de crescimento estimadas para a candeia Eremanthus incanus em Morro do Pilar. MG.08269 b -0. Tabela 10. é apresentada a trajetória do crescimento diamétrico em função da idade.84 2. Pode-se observar que as curvas tiveram formas semelhantes. 223 .Equações geradas para estimativa do crescimento médio e acelerado de Eremanthus incanus em Morro do Pilar.55592 -3.04996 R2 Syx 0. o DAP explica pouco ou nada das variações na taxa de crescimento e as equações geradas devem ser utilizadas apenas como instrumentos para se obter as taxas de crescimento médio e acelerado das populações.3 . Segundo Condit.

SCOLFORO. características essas fundamentais nas diretrizes dos planos de manejo. 2005). a concentração de plantas jovens em determinadas áreas de uma floresta em regeneração faz necessária a aplicação de tratamentos silviculturais a tal floresta. como alternativa de diminuir a competição e aumentar o crescimento em diâmetro dos indivíduos da comunidade de candeia sob investigação.4 Dinâmica da regeneração natural de Eremanthus incanus (Less. Esses valores mais uma vez mostram que há necessidade de estabelecimento de tratamentos de manejo para a população estudada. 10. caso a exploração das espécies de interesse econômico tivesse levado em conta. A maioria dos remanescentes florestais poderia encontrar-se em melhores condições. oferecendo. além da densidade. WATKINSON. 224 . 1974. Já. estrutura e dinâmica. 2006). por meio do conhecimento de sua autoecologia.Trajetórias de crescimento médio e acelerado para a Eremanthus incanus.) Less. PRADO. 1979. a legislação florestal brasileira estabelece que a produção de informações a respeito do estoque da regeneração natural é imprescindível para a elaboração de planos de manejo sob regime sustentado (NARVAES BRENA. suas dimensões e condições de desenvolvimento. MG. seriam necessários cerca de 87 anos sob crescimento médio e 54 anos sob crescimento acelerado. respectivamente. Isso porque a nova população deve ter um número suficiente de plantas por unidade de área.3 . bem como suas dimensões e distribuição na comunidade vegetal. para crescimento médio e acelerado. De acordo com a trajetória de crescimento obtida. 1995). SOLBRIG. quantificando a natalidade e a mortalidade anuais (SOLBRIG. no período de 2001 a 2006. para uma árvore atingir 20 cm de DAP. em condições naturais A regeneração natural é a base para a sobrevivência e o desenvolvimento do ecossistema florestal. 1982). Estudá-la possibilita o conhecimento da relação entre espécies e da quantidade destas na formação do estoque da florestal. por exemplo. LONGHI. Essas características podem ser ótimas. no sentido de garantir a regeneração em toda área. as árvores atingiriam. devem-se conhecer. porém. de forma que não se apresentem grandes áreas vazias (STEIN. Os elementos mais importantes na avaliação da regeneração natural são: a densidade e a distribuição das plantas. Atualmente. em Morro do Pilar. Além disso. para entender as relações dos organismos com seu ambiente. as flutuações temporais de suas populações. oferecendo dados que permitem previsões sobre o comportamento e o desenvolvimento da floresta no futuro (CARVALHO. 1997). o diâmetro mínimo de 7 cm na idade de 16 anos e 10 anos. sobretudo a regeneração natural. ainda.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 30 Crescimento acelerado DAP (cm) 25 Crescimento médio 20 15 10 5 0 0 20 40 60 80 100 120 140 Idade (anos) Figura 10. caracterização. além de apresentar uniformidade na distribuição. aproximadamente. subsídios para o desenvolvimento de planos de manejo adequados à conservação das florestas (BLANCHARD.

indivíduos com altura (h) < 1. para melhor conhecer a autoecologia. podem ser obtidas as estatísticas da regeneração natural. desenvolveu-se este capítulo. obteve-se um total de 500 quadrats. na qual quatro mudas não estabelecidas correspondem a uma muda estabelecida. Assim. uma muda estabelecida em cada subparcela. foram instaladas parcelas permanentes em Morro do Pilar/MG.50 m ≤ h < 3. Na locação das parcelas. pelo menos.número de unidades de registro (quadrats) em cada subparcela. Após a definição do tamanho e do número de quadrats em cada subparcela. elas foram remedidas. Foi utilizada a relação determinada por Scolforo e Mello (2006) para a candeia.CAPÍTULO 10 .00 m.. Em 2001. Como foram amostradas 25 parcelas. nos quais as parcelas equidistavam de 50 m entre si. De posse dessas informações. também.0 m (5 m2) em cada subparcela de 100 m2. • Ui . as quais também compreenderam subparcelas de 5 x 20 m (100 m2) para o levantamento da regeneração natural (árvores com DAP < 5 cm).número total de recrutas em cada subparcela. conforme formulação descrita a seguir.número total de mudas não estabelecidas em cada subparcela.número total de mudas estabelecidas em cada subparcela..4.1 Análise da regeneração natural Para a implementação desse método. conforme o sistema de coordenadas retangulares. • ei . • plantas estabelecidas . foram estabelecidos três transectos. Foram 25 parcelas permanentes de 20 x 50 m (1.indivíduos com h > 3. em 2006. distribuídos sistematicamente no candeal na área de estudo. 225 . • Ei . • ri . O número de plantas em cada quadrat foi obtido com base no levantamento das mudas.indivíduos com 1. • mi .50 m.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA. As classes de altura foram estabelecidas abrangendo três categorias descritas abaixo. • m . É necessário. • plantas não-estabelecidas .número de unidades amostrais (subparcelas). foram estabelecidos quadrats de 2. totalizando 20 quadrats em cada subparcela. a estrutura e a dinâmica da regeneração natural da candeia Eremanthus incanus. 10.número de quadrats que contém pelo menos uma muda não estabelecida em cada subparcela. na propriedade denominada Fazenda dos Coelhos e.00 m e DAP menor que 5 cm.5 x 2. • ui .número total de quadrats no levantamento.000 m2) para levantamento do estrato arbóreo (árvores com DAP ≥ 5 cm) de um candeal de Eremanthus incanus.número de quadrats que contém. • plantas recrutas . foram obtidas as seguintes estatísticas. definir o número de mudas não estabelecidas que corresponde a uma muda estabelecida. para os levantamentos de 2001 e de 2006: • n .

n /u 10000 m 2 1 # i =m DNE = 2 área do quadrat (m ) i n R= /r 10000 m 2 # i =m1 2 área do quadrat (m ) i b) Fração da área ocupada pela regeneração de mudas estabelecidas e não-estabelecidas Pode-se estimar. a densidade de mudas estabelecidas por fração da área (FRE) e a densidade de mudas não estabelecidas por fração da área (FRNE). ou seja. também. as expressões abaixo fornecem o número de mudas não-estabelecidas (DNE) e de recrutas (R). respectivamente. basta utilizar a seguinte expressão: n n H # / ei + / hi # ui i=1 i=1 h= n n / ei + / ui i=1 i=1 226 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a) Densidade de mudas estabelecidas. definidas por: n n 10000 m 2 # / ei 100 # / E i 2 área do quadrat (m ) i = 1 i=1 em (percentual da área) FRE = n m / Ei i=1 n n 10000 m 2 # # / / u 100 Ui i área do quadrat (m 2) i = 1 =1 i em (percentual da área) FRNE = n m / Ui i=1 c) Média ponderada das alturas Para o cálculo da média ponderada das alturas das mudas estabelecidas e não estabelecidas. a fração da área total nas quais as diferentes categorias de regeneração estão presentes e a densidade de cada uma delas. considera-se que todas as mudas estabelecidas têm altura H. não-estabelecidas e recrutas A densidade de mudas estabelecidas (DE) fornece o número de mudas estabelecidas por hectare e é dada pela seguinte expressão: n /e 10000 m 2 1 # i =m DE = área do quadrat (m 2) i De forma análoga. Assim.

nas demais categorias de tamanho.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.2%) 5. verificou-se que houve aumento na proporção de plantas estabelecidas. Índice de estabelecimento (I1) 2. não existe consenso quanto ao nível satisfatório de densidade e áreas desocupadas que um povoamento regenerado naturalmente deve alcançar. em Morro do Pilar.4 . em que o termo “H” corresponde à altura mínima das mudas estabelecidas.4. ao se observar a proporção desse número por classe de tamanho em cada um dos inventários.80 (42.63 0.00 808.89 1. em 2006. Índice de estoque (I2) J n N 10000 m 2 K / ui n O 2 área do quadrat (m ) K i = 1 # K npn + / e iOO I2 = m i=1 P L em que “npn” é o número de mudas não estabelecidas que corresponde a 1 muda estabelecida. d) Índices da regeneração natural h I1 = H 1.513.00 1. Quanto aos valores de densidade de plantas estabelecidas. Já. MG.00 1468. já que cada um apresenta características 227 . em 2001.. hi é a altura média das plantas não estabelecidas em cada subparcela e os demais termos já foram estabelecidos anteriormente.00 3.648.173.00 2. totalizando 25.124.130.67 0. é apresentado o status da regeneração natural nos dois períodos do levantamento. no período de 2001 a 2006.20 (48.Parâmetros da regeneração natural de Eremanthus incanus obtidos a partir do levantamento pelo método dos quadrats nos períodos de 2001 e de 2006.838. houve redução no número de indivíduos.70 Embora tenha ocorrido redução no número absoluto de indivíduos. I2 Na Tabela 10. foi encontrado decréscimo para as três categorias de tamanho.00 1.332.60 (44. não-estabelecidas e recrutas.196.6%) 2.2%.90 (50. Parâmetros Categoria Estabelecidas Não-estabelecidas Recrutas Estabelecidas Densidade (plantas/ha) por fração de área Não-estabelecidas Média ponderada das alturas (m) Índice de estabelecimento Índice de estoque (plantas/ha) Estoque estabelecido (plantas/ha) Densidade (plantas/ha) Período 2001 2.8%.344. A redução na densidade de plantas do levantamento de 2001 para o de 2006 pode ser atribuída ao ingresso de indivíduos para o estrato arbóreo (DAP ≥ 5 cm) e ou pela mortalidade causada por competição.419.00 5.. ou seja. Tabela 10.50 2006 2. Estoque estabelecido = I1 . 3. para 48.8%) 6. quatro.9% de redução no número total de indivíduos regenerantes.CAPÍTULO 10 . de acordo com o método dos quadrats. de 44.00 4.428.88 1677.8%) 2. Segundo Wenger & Trousdell (1958). neste caso.

Tabela 10. também predominou o decréscimo em número de indivíduos.67 m. dois anos após a ocorrência de fogo num candeal.4. Na categoria das plantas não-estabelecidas e estabelecidas. Foi obtida a taxa anual de mudança.29% e -0. ou seja. pois este não correrá risco de ser extinto. N0 . MG.400 a 132. abrangendo as três categorias de tamanho. em número de árvores. de maneira geral. de Eremanthus incanus. N 1t ChN = . A maior e a menor taxa anual de mudança foram encontradas para as plantas recrutas e estabelecidas. Quanto ao índice de estabelecimento. em condições naturais Para estudar a dinâmica da regeneração de Eremanthus incanus no período 2001-2006.80%. Esses autores identificaram.334 em 2006. conforme mostrado na Tabela 10. o que deixou toda a área a céu aberto. em número de indivíduos. Categoria Plantas estabelecidas Plantas não-estabelecidas Plantas recrutas Total Período 2001 607 781 412 1800 2006 583 549 202 1334 Mudança anual líquida (%) -0. variando de 56. respectivamente.tempo decorrido entre os dois levantamentos. regeneração natural. verificou-se uma diferença muito pequena entre os períodos de 2001 e de 2006 (de 0. Em essência.63 m para 2.Dinâmica.número de árvores do segundo levantamento.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA e objetivos próprios. no caso de ser uma espécie heliófila.taxa de mudança líquida.88 para 0.6). isto é. Os dados da Tabela 10. foram encontrados os mais altos valores de mudança com decréscimo no número de indivíduos na categoria das recrutas. os resultados do estrato arbóreo mostram que a estagnação neste não permitiu a evolução da regeneração natural.número de árvores do primeiro levantamento.5 .000 indivíduos regenerantes. visto que esse índice é obtido com base na média ponderada das alturas.81 -13. no período 2001-2006. 228 . foram calculadas as taxas de mudança líquida em termos de número de indivíduos.82% no número de plantas.a N0t k .29 -5. proposta por Korning & Balslev (1994).89). -13. conforme expressão abaixo. a qual apresentou ligeiro aumento no período avaliado. Nt . sendo 1. para cada uma das categorias de tamanho definidas. para a candeia Eremanthus incanus.82 Quanto às taxas anuais de mudança por parcela em cada categoria de tamanho (Tabela 10. 10.80 -6. pode-se realmente promover a exploração periódica do candeal. por parcela e para a população.5 demonstram que a dinâmica da regeneração natural apresentou redução anual de 5.1E # 100 em que ChN . t .4. Scolforo & Mello (2006) consideram que tão ou mais importante que o número de indivíduos regenerantes é a sua distribuição espacial de maneira que possa ocupar todas as clareiras existentes numa área. no período 2001-2006. de 2.800 indivíduos em 2001 e 1. em Morro do Pilar. Portanto.2 Taxa líquida de mudança da regeneração natural de Eremanthus incanus.

00 2.plantas recrutas.71 -6.45 -24. N-est .79 -22.93 -8..79 -1.63 N-est -9.00 -16.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.88 -14.Altura média por categoria de tamanho dos indivíduos regenerantes de Eremanthus incanus.39 -5. MG.54 5.71 2.16 0.38 -3.14 -100.00 1.ano-1) Est 22 78 42 32 9 32 18 29 13 5 12 31 54 3 18 69 24 18 12 6 10 24 2 11 9 Rec -7.Dinâmica.4 .09 -2.82 -6.58 -7.29 -10.95 0.71 10.76 -32.91 -9.66 39..84 1. MG.59 19.22 5.24 -7.97 -11.66 -8.24 -16.94 -1.73 0.74 -30.31 -32.82 -15. pode-se verificar.21 -7.57 0.21 0.00 0.46 -22.69 -10.20 -4.42 -7.84 -8.00 -100.15 2. Parcela 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Inventário 2001 Rec 15 76 40 7 19 7 5 12 4 13 4 4 0 5 26 9 21 0 41 1 0 70 0 2 31 N-est 20 156 89 30 15 41 24 32 13 18 8 28 7 5 29 60 66 2 49 3 7 56 1 9 13 Inventário 2006 Est 28 47 8 50 7 28 16 35 23 1 22 45 86 3 18 71 24 24 5 12 11 12 8 16 7 Rec 10 17 18 1 13 1 2 2 1 3 6 1 0 4 9 3 7 1 17 0 0 64 0 0 22 N-est 12 88 62 16 13 18 17 20 10 15 7 19 2 5 33 31 54 2 53 2 2 37 1 6 24 Taxas de mudança (%.16 -7.58 -2.18 -8.37 -3.00 -0.6 .12 -24.11 -3.64 -7.97 -5.85 -5. Est . que houve pequena redução na altura média das plantas recrutas no período 2001-2006 e pequeno aumento na altura média das plantas não-estabelecidas e estabelecidas.05 Est -4. Tabela 10.73 -19.00 -4.00 -1.12 -19.CAPÍTULO 10 .97 -11.90 -12.00 -6. 229 .65 -1.52 Rec . em número de indivíduos de Eremanthus incanus por parcela.36 -19.85 -3.18 -6.4. Quanto à distribuição das alturas nas categorias de tamanho.11 -7.15 Total -6.79 -25.21 -25.81 -2.00 -5.79 13.38 -9.87 -24.plantas não-estabelecidas.73 -8.89 14. Figura 10.71 -10.62 -12.96 -19. na Figura 10. em Morro do Pilar.95 -5.67 -3.78 37.42 8.78 0.00 -7.96 -7.94 -7.00 0.14 -12.plantas estabelecidas.93 0.59 -3. em Morro do Pilar.33 -8.89 0.18 -2.

é apresentado o número de plantas de cada parcela antes e após a aplicação do desbaste. já que o objetivo maior da comercialização dessa espécie está centrado na comercialização de moirões e poste para cerca e currais.9 plantas/parcela. . de forma a se obter a densidade esperada.Instalação do experimento A instalação do experimento ocorreu segundo o delineamento experimental em blocos casualizados. distribuídos ao acaso em cada um dos blocos.5 m.222. as densidades desejáveis após o desbaste foram: • tratamento 1 – 6.5 Dinâmica da regeneração natural de Eremanthus incanus (Less. subdivididos em seis parcelas de 400 m2 (20 x 20 m). Após o incêndio.666.688 plantas/ha.3 plantas/ha ou 133. • tratamento 4 – 2. foi. Na Tabela 10. • tratamento 6 . Scolforo et al. • tratamento 2 – 4.2 plantas/ha ou 88. em agosto de 2002 (33 meses após o incêndio). após o desbaste. instalado nessa área o experimento para a condução da regeneração natural da candeia Eremanthus incanus.7 plantas/ha ou 266. Foram instalados quatro blocos de 2. sob práticas silviculturais Especificamente.8 plantas/parcela.7 plantas/parcela.) Less. em média.0 x 1. segundo o arranjo planejado conforme um espaçamento regular.4 plantas/ha ou 177. 230 .0 x 1. então.5 x 1. • tratamento 3 – 3. por meio da aplicação de desbaste. em arranjo similar ao espaçamento 2. a área de estudo está localizada na propriedade denominada Fazenda dos Coelhos.5 m.666. (2004) formando um candeal com 79. conforme preconizado por Pedralli (1997).444. em arranjo similar ao espaçamento 2.333. para uma densidade específica para cada tratamento. Percebe-se que foi possível atingir o número desejado de plantas por hectare. • tratamento 5 – 2.400 m2 (20 x 120 m).testemunha (monitoramento do crescimento das plantas em condições naturais. Assim. iniciou uma intensa regeneração natural de Eremanthus incanus.3 plantas/parcela.5 m. em arranjo similar ao espaçamento 1. Os tratamentos aplicados nas parcelas. Portanto.5 m.7 plantas/ha ou 106.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 10. Assim. de forma que se mantivesse a distância entre plantas semelhante a um espaçamento regular.5 m. consistiram na redução da densidade inicial de plantas.7. (2002) e Scolforo et al.0 x 1. a qual teve aproximadamente 100 hectares de suas terras completamente incendiados em outubro de 1999.7 plantas/parcela. essas condições foram adequadas para o estabelecimento de um experimento de desbaste conjugado com desrama.5 x 1. em arranjo similar ao espaçamento 3. sem nenhuma intervenção). em arranjo similar ao espaçamento 1.

7 pl/ha 7.025 254 6.401 60.4 pl/ha 6. em que foram realizadas as medições do experimento.625 90.032 50.7 pl/ha 2.7 pl/ha 2.118 77.718 167.700 2.7 pl/ha 3.4 pl/ha 1.Número de plantas de Eremanthus incanus presentes nas parcelas experimentais antes e após a aplicação do desbaste.3 pl/ha 4.2 pl/ha 3.250 Testemunha 782 19. foi obtido o número de indivíduos mortos e de sobreviventes por tratamento.125 137 3.30 m de altura do solo (CAP).666.3 pl/ha 4.800 91 2.7 pl/ha 2.275 Testemunha 1. Tabela 10.222.250 Testemunha 3.630 65. 52 meses.146 28. Bloco Densidade .864 96.666.028 50. conforme expressão de Kornig & Balslev (1994).7 pl/ha 2.222.800 179 4. 231 .808 45. A condução do experimento consistiu de levantamentos periódicos nos quais foram mensuradas a altura (com vara telescópica) e a circunferência a 1.232 180.331 58.750 4.425 4 2. de todas as plantas.625 90 2. O material desbastado permaneceu no bloco para incorporação.200 90 2.350 1 2. 43 meses.7 pl/ha 2.800 4.666. N/ha .666.3 pl/ha 3.2 pl/ha 3. um desbaste em todos os blocos (exceto nas parcelas testemunha).700 4.444.056 76.950 6. com fita métrica. após a ocorrência do incêndio (outubro de 1999).4 pl/ha 6. foi realizada.600 6.750 2. Antes do desbaste Após o desbaste N/parcela N/ha N/parcela N/ha 6.750 111 2.número de plantas por parcela.475 3.950 180 4..3 pl/ha 2. aos 52 meses.666.550 N/parcela . A primeira desrama ocorreu aos 43 meses e a segunda.4 pl/ha 2.333.número de plantas por hectare.318 157. Também foram calculadas as taxas anuais de mudança líquida para cada tratamento. Foram também efetuadas duas desramas. Morro do Pilar. assim como o número de indivíduos que migraram para a categoria do estrato arbóreo adulto.747 68.900 179 4. com a finalidade de manter a densidade de plantas requerida para cada tratamento.675 138 3.333 58. com DAP ≥ 3 cm.430 110.325 Testemunha 6.Condução do experimento A época de medição foi considerada como o período.333.500 3.444.269 156. MG.475 3.325 272 6.2 pl/ha 752 18.333. Os galhos desramados permaneceram nas parcelas para incorporarem o material decomposto.725 180 4.275 110 2.596 39.222. ou seja.040 26.2 pl/ha 1.375 3 2.950 134 3.444.750 135 3.000 108 2.7 pl/ha 1.7 .509 87. aos 33 meses.CAPÍTULO 10 .725 2.725 93 2.444.450 2 2. Para o experimento de condução da regeneração natural em diferentes densidades. 61 meses e 75 meses.222.666.666..725 118.650 6.700 268 6.775 2. que consistiram na retirada do terço inferior da altura da copa de todas as plantas do experimento.333.666.500 3. bem como evitar que a competição apresentasse interferência no crescimento das plantas sob avaliação.350 4.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.400 109 2. Em decorrência da elevada densidade de indivíduos regenerantes que ocorreu após a implantação do experimento. 33 meses.800 270 6.

51 4444.7 plantas/ha.51% para 6666.222. É evidente o efeito da densidade sobre o crescimento. Entretanto.7 66 12 986 1064 986 -1. SOB . até -3. de -1. enquanto a maior densidade (6.número de árvores do segundo levantamento t .2 plantas/ha (9.3 27 23 494 544 494 -1. em Morro do Pilar. 6. em número de indivíduos. Em todas as densidades testadas. Na Tabela 10.04% e 0.número de plantas em 2006.22% para 2222. Número de indivíduos Densidade (plantas/ha) MOR ARB SOB N1 N2 Mudança anual líquida (%) 6666. 23 indivíduos recrutados para o estrato arbóreo e apenas 27 indivíduos mortos. ARB . Foi obtida a taxa anual de mudança.91 2666. recrutas e não-estabelecidas.55 2222. sendo a taxa anual de mudança inversamente proporcional à densidade de plantas.4 plantas/ha.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA N 1t ChN = .taxa de mudança líquida.222. nas diferentes densidades. em número de indivíduos por categoria de tamanho. 232 .4 54 6 658 718 658 -1. Em todas as densidades e para todas as categorias de tamanho. Os dados da Tabela 10.3 plantas/ha.8 . enquanto o número de indivíduos que migrou para o estrato arbóreo foi maior na densidade de 2. exceto para os indivíduos não-estabelecidos da densidade de 3. no período de 33 meses (momento de aplicação dos desbastes) a 61 meses após o inicio da regeneração natural. a mortalidade em número de indivíduos foi maior na densidade 2.1E # 100 em que: ChN .97 MOR . já que a mortalidade foi maior na densidade maior e resultou em redução do número de plantas das menores categorias de tamanho.2 33 22 309 364 309 -3.333. N1 número de plantas em 2001.84%. isto é.444. N0 .Dinâmica. pode-se observar também que as menores densidades apresentaram maior número de indivíduos que ingressaram para a categoria do estrato arbóreo (DAP ≥ 3 cm) e menor número de indivíduos mortos.plantas sobreviventes. Tabela 10.8.73 3333.a N0t k . pois é isso que vai garantir o manejo. Esse fato é muito importante.666.96%). A densidade de 3.tempo decorrido entre os dois levantamentos.7 plantas/ha) apresentou o maior número de indivíduos mortos (66 plantas) e somente 12 indivíduos recrutados para o estrato arbóreo. Entretanto.9 referem-se à dinâmica. foram observados valores significativos de saída (mortos e emigrantes) e entrada (imigrantes) de indivíduos. isto é. MG.3 plantas/ha (4.22 Total 216 80 2832 3128 2832 -1.número de árvores do primeiro levantamento. para cada uma das categorias de tamanho definidas.plantas que passaram para o estrato adulto (DAP ≥ 3 cm).333. respectivamente.07%) e menor na densidade de 3.3 plantas/ha apresentou resultado mais satisfatório. de Eremanthus incanus conduzidos sob diferentes densidades. em número de árvores. por parcela e para a população. ou seja. o que é bastante natural.plantas mortas.7 36 17 385 438 385 -2.2 plantas/ha e menor em 4. podem ser observados os resultados da dinâmica em número de indivíduos da regeneração natural de Eremanthus incanus conduzida sob diferentes densidades. N2 .2 plantas/ha. ocorreu diminuição do número de indivíduos. em termos relativos. ou seja. Nt .333. cuja saída foi de 172 indivíduos e entrada de 153 indivíduos.

91 0.número de plantas em 2001.69 0.001 Não-estabelecidas 28 220 111 71 359 291 139 71 4.020 Recrutas 8 2 153 0 163 2 161 0 12.69 0.001 Não-estabelecidas 19 209 153 153 381 362 172 153 1.1 Análise estatística do crescimento em altura Na Figura 10.plantas que permaneceram na mesma categoria.001 Estabelecidas 0 0 0 80 0 80 0 80 8. 10.3 2666. PER ..5.2 Categoria Número de indivíduos MOR PER EMI IMI N1 N2 Saída Entrada Z p-value Recrutas 31 26 445 0 502 26 476 0 21. a aplicação de desbaste e desrama não exerceu influência no crescimento em altura dos indivíduos regenerantes de candeia do município de Morro do Pilar. IMI . para regeneração natural de Eremanthus incanus conduzida sob diferentes densidades em Morro do Pilar.69 0. MG..9 .001 Estabelecidas 0 0 0 94 0 94 0 94 9.7 4444. aos 75 meses.12 0.82 0. Densidade (plantas/ha) 6666.001 Não-estabelecidas 35 349 177 442 561 791 212 442 8. em nenhuma das densidades testadas. N2 .37 0. MG.7 2222.05 ns Estabelecidas 0 0 0 130 0 130 0 130 11.001 Não-estabelecidas 33 275 122 262 430 537 155 262 5. a análise de variância mostrou que não houve diferença significativa entre blocos e tratamentos.CAPÍTULO 10 . N1 .plantas emigrantes.001 Estrato arbóreo 0 0 0 12 0 12 0 12 3.89 0.61 0.número de plantas em 2006.001 Estrato arbóreo 0 0 0 17 0 17 0 17 4.001 Estrato arbóreo 0 0 0 23 0 23 0 23 4.001 Recrutas 8 0 71 0 79 0 79 0 8.4 3333.001 Não-estabelecidas 32 161 100 67 293 228 132 67 4.70 0. observam-se as curvas de crescimento em altura de Eremanthus incanus nos diferentes tratamentos avaliados e os valores de altura média por tratamento e em cada idade de medição.24 0. EMI . Não foram registrados indivíduos mortos para a categoria das plantas estabelecidas.001 Estrato arbóreo 0 0 0 6 0 6 0 6 2.001 Recrutas 1 1 69 0 71 1 70 0 8.Dinâmica em número de indivíduos por categoria de tamanho.40 0. Embora essa figura mostre que a testemunha apresentou crescimento inferior em relação às densidades testadas.001 MOR .45 0.plantas imigrantes. Isso significa que.plantas mortas.001 Estabelecidas 0 0 0 119 0 119 0 119 10. Tabela 10.5.001 Estabelecidas 0 0 1 169 1 169 1 169 12. com teste de significância da entrada e saída de plantas em cada categoria. Também não foi encontrada diferença significativa entre os blocos quanto ao crescimento em altura de Eremanthus incanus sob desbaste e desrama. submetidos a diferentes densidades de condução.94 0.46 0.001 Recrutas 21 2 265 0 288 2 286 0 16. 233 .DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.99 0.001 Estrato arbóreo 0 0 0 22 0 22 0 22 4.91 0.89 0.80 0.

exceto aos 33 meses. devido ao fato de nenhuma plântula apresentar o DAP mínimo de inclusão (3 cm).Valores de DAP médio por época de medição e curvas de crescimento de plantas de Eremanthus incanus submetidas a desbaste e à desrama em Morro do Pilar. 234 .Valores de altura média por idade de medição e curvas de crescimento para plantas de Eremanthus incanus submetidas a desbaste e desrama.2 Análise estatística do crescimento em diâmetro Na Figura 10. são apresentadas as curvas de crescimento em DAP para plantas de Eremanthus incanus em diferentes densidades após aplicação de desbaste e desrama e em diferentes épocas de medição. Figura 10.5 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 10. Também são apresentados os valores médios de DAP para cada densidade em todas as medições.6. 10. MG.5.6 . após a ocorrência do incêndio.

5 82.3 57.5 74. Aos 75 meses.10 .2 12110 1064 718 544 438 364 43 meses N 28 63 59 67 65 66 % 0. no município de Morro do Pilar.2 12.8 45. em cada um dos períodos do levantamento. via de regra. MG. Densidade (pl/ha) N inicial Testemunha 6666.4 3333.3 plantas/ha para a condução da regeneração natural de Eremanthus incanus no município de Morro do Pilar.9 86.7 são apresentados o número de plantas que.3 plantas/ha.2 75.. na Tabela 10.número de plantas.444.10 e na Figura 10.333. Tabela 10. efetivamente.1 20. os quais foram inferiores aos tratamentos 3.333.9 8.8 40.3 55.1 N . claramente a distinção do crescimento diamétrico.20 m de comprimento. pelos resultados obtidos e considerando-se a idade de 75 meses após a ocorrência do incêndio. em relação ao número inicial de plantas de cada tratamento. percebe-se. ingressaram em cada um dos tratamentos. podese recomendar preliminarmente o uso da densidade de 3.1 52 meses N 137 219 228 246 229 210 % 1.7 plantas/ha e 2.0 75 meses N 315 630 539 473 379 299 % 2.3 2666. sendo. em cada período de medição.6 59. Isso porque espera-se que haja maior produtividade ao se considerar a produção de moirões com diâmetro mínimo de 7 cm e 2. de forma que os tratamentos testemunha. 6.1 86. tanto entre blocos como entre as densidades testadas.2 5. inversamente proporcional à densidade testada. 2.222. pode-se afirmar que a aplicação do desbaste e da desrama para a condução da regeneração natural de Eremanthus incanus exerceu influência no crescimento em diâmetro das mesmas.Número de plantas de Eremanthus incanus recrutadas para o estrato arbóreo. que foram superiores aos demais e também apresentaram crescimento semelhante.2 52. Em outras palavras.7 4444.2 plantas/ha.2 73. Assim.. Assim. 235 . Logo.6 31.4 plantas/ha apresentaram crescimento diamétrico muito semelhante.666.8 18. o número de plantas recrutadas para o estrato arbóreo. Todos os tratamentos apresentaram ingresso a partir dos 43 meses.DINÂMICA E PROGNOSE DO CRESCIMENTO DA CANDEIA.3 14.4 75.7 plantas/ha e 4. de forma cumulativa.7 61 meses N 215 429 396 400 326 273 % 1.CAPÍTULO 10 .666. MG.7 2222. verificou-se que o desbaste e a desrama com a finalidade de controle da densidade de plantas contribuíram para maior crescimento em DAP das menores densidades avaliadas.

4 plantas/ha continuaram apresentando as menores taxas de ingresso (59. MG.3 plantas/ha. respectivamente).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 10. MG.2% aos 33 meses até 2.Número de plantas de Eremanthus incanus recrutadas em cada período de medição. consequentemente. houve uma ligeira inversão na taxa de ingresso.2 plantas/ha. novamente. para 3.666. sempre à taxas crescentes para cada tratamento.1%. 18.5% e 82. 236 . ou seja.6% aos 75 meses. Já.333.7 plantas/ha apresentou o menor ingresso (5. entre as três densidades menores. quando comparada aos demais tratamentos. enquanto a densidade de 2. 0.7 plantas/ha e 4. ou seja. mostrando o efeito negativo da densidade elevada no recrutamento de plantas e.666. 2. Esse fato permite inferir.444. Além disso.222. 86. como desbaste e desrama. em relação ao número inicial de plantas de cada tratamento. para otimizar a produtividade e possibilitar que sejam obtidos produtos com maior valor agregado e em ciclos mais curtos.1%.2% e 75. a densidade de 6. respectivamente. As densidades de 6. de 86.222. houve uma inversão nas taxas de ingresso. que a densidade de 3. Esse mesmo efeito se repetiu de forma similar nos períodos de 52 meses e 61 meses. no crescimento diamétrico das mesmas.333.666. aos 43 meses. Assim. mostra a importância da aplicação de tratamentos silviculturais.7 . no município de Morro do Pilar. Entretanto.9%). A testemunha apresentou baixíssima taxa de ingresso em todo período do levantamento. na 5ª medição (75 meses).7 plantas/ha e 2.3 plantas/ha pode ser recomendada como a mais adequada para a condução da regeneração natural de Eremanthus incanus no município de Morro do Pilar.1%.2 plantas/ha apresentou o maior número de plantas ingressadas.9%.

1994). SEBBENN.GENÉTICA.. YOUNG. nada se conhece sobre os níveis de diversidade genética. ZANATO. PLUHAR. KAGEYAMA. visto que o sistema de reprodução é o elo genético entre as gerações e a diversidade genética é o fator responsável pela adaptação e a sobrevivência de indivíduos diante de mudanças ambientais e de ataque de pragas e doenças (RAJORA. 2003). alterando a vizinhança genética reprodutiva. Sebbenn. necessariamente. a endogamia. O corte seletivo envolve a extração de uma proporção de árvores de tamanho reprodutivo (MURAWSKI. em diversas partes do estado de Minas Gerais. decorrente do seu valor econômico para pequenos e médios agricultores. redução na heterozigosidade (YOUNG. a coancestria e o tamanho efetivo das populações descendentes. MANEJO E CONSERVAÇÃO 11 . o sistema de cruzamento (SEOANE. 1998. MANEJO E CONSERVAÇÃO Dulcinéia de Carvalho Sybelle Barreira Márcia Cristina de Oliveira Moura 11. E. O corte seletivo de árvores tem três principais efeitos sobre as populações de espécies arbóreas: (a) redução no número total de indivíduos. BOYLE. evolução e sobrevivência das espécies e indivíduos. 1996. 2001). uma espécie arbórea tropical de dossel endêmica do Sri Lanka. Murawski. 1999).130). 2000. Gunatilleke e Bawa (1994). 2000). Contudo. Reduções na diversidade genética podem predispor as espécies a doenças. 1999. Seu crescimento se dá predominantemente em campos abertos.CAPÍTULO 11 . (b) redução no tamanho médio das populações. HAMRICK. 2001.) MacLeish (candeia) é uma espécie arbórea neotropical de grande importância econômica que está no centro das atenções. Em Minas Gerais. SEBBENN. consequentemente.1 Introdução Eremanthus erythropappus (DC. KAGEYAMA. KAGEYAMA. BOYLE. distribuição espacial dos genótipos e sistema de reprodução da espécie. 2002) e ruptura no fluxo de genes via pólen e sementes entre populações (YOUNG. erythropappus está sob regime de manejo no estado de Minas Gerais. 1999. em termos. aumento da taxa de autofecundação (MURAWSKI. estudando os efeitos da exploração sobre o sistema de reprodução de Shorea megistophylla. quando indivíduos são restritos a pequenos fragmentos florestais e (c) isolamento espacial de indivíduos remanescentes. detectaram maior taxa de autofecundação em uma população explorada (0. HAMILTON. ZANATO.290) em comparação a uma não explorada (0. em parte. Igualmente. aumento da divergência genética entre populações por deriva genética (DAYANANDAN et al. BOYLE. HAMILTON. pode reduzir a densidade de polinizadores (MURAWSKI. 2001. Pelo seu grande porte e vida longa. pedregosos e com solos ruins. o melhoramento genético e a exploração florestal sustentada de espécies arbóreas. conforme apresentado no Capítulo 1. OBAYASHI et al. 1995). Esses efeitos demográficos podem ter efeitos negativos sobre a genética de populações das espécies arbóreas. as espécies arbóreas são normalmente as espécies chaves dos ecossistemas florestais e sua diversidade genética pode ser vista como fundamental para a sustentabilidade e a estabilidade de tais ecossistemas (RAJORA. a estrutura genética das populações e a diversidade genética promove a matéria-prima para adaptação. DICK. reduz a densidade populacional local de florescimento que. 2003). BOYLE. Essa prática. BROWN. O sistema de reprodução determina. GUNATILLEKE.. Tais informações são de fundamental importância para o delineamento de estratégias para a conservação. PLUHAR. 1998) e. reduzir a produtividade e limitar o melhoramento genético. como perda de alelos. ALDRICH. SEBBENN. formando povoamentos mais ou menos puros. GUNATILLEKE.GENÉTICA. 1994. Kageyama e Zanatto (2001). BAWA. 2001. comparando o sistema de reprodução de uma população explorada e uma não explorada de 237 . sua área de ocorrência é típica de locais montanhosos. HAMRICK. ALDRICH.

que observaram. onde se podem encontrar até 400 indivíduos por hectare de Eremanthus erythropappus. fez-se a exploração da espécie para fins científicos e os estudos genéticos sobre a diversidade e o sistema de reprodução puderam ser realizados antes e após a exploração em 20 ha da referida área (BARREIRA.2. JAIN 1981) e cruzamentos correlacionados (RITLAND. 1969) e utilizando uma população idealizada como referência. obtido por reamostragem jackknifee entre locos. correlação uniloco de paternidade ( rˆp ( s ) ). Da correlação de paternidade estimou-se também a divergência genética entre o pólen cruzado ( ). donde derivam-se a proporção de irmãos-completos ( tˆm rˆp ) e meios-irmãos [ tˆm (1 − rˆp ) ]. podendo afetar o comportamento dos polinizadores de tal forma que seu movimento tende a ocorrer predominantemente dentro da copa das árvores. Os parâmetros estimados foram: taxa populacional de cruzamento multiloco ( tm ). indicando que os cruzamentos foram mais aleatórios na população explorada do que na não explorada. O coeficiente de coancestria ( ) entre plantas dentro de progênies foi estimado do coeficiente de parentesco ( ) dentro de progênies. 1989).037). A análise da distribuição espacial dos genótipos foi estimada pelo coeficiente de coancestria ( ) entre pares de árvores para 12 classes de distância iguais de 50 m.217) na população explorada relativamente a não exploradas (0. (1995).O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabebuia cassinoides. comparativamente a uma população não explorada (0. (2002).105). detectaram maior taxa de autofecundação (0. favorecendo o movimento dos polinizadores.1 Diversidade genética de candeia como base para o manejo florestal Em estudo recente. utilizando o estimador do coeficiente de coancestria proposto por Loiselle et al. taxa de cruzamento entre aparentados ( tm . taxa populacional de cruzamento uniloco ( ts ). Kageyama e Bawa (2001) que observaram que a correlação de paternidade ou a proporção de progênies de cruzamentos que são irmãos-completos reduziu de 54. 11.5% na explorada. em Shorea curtisi. correlação multiloco de paternidade ( rˆp ( m ) ). conforme derivação de Ritland (1989). alta taxa de autofecundação (0. . A causa das maiores taxas de autofecundações em populações exploradas pode estar associada ao fato de que a exploração reduz a densidade de árvores reprodutivamente maduras. município de Baependi. Isso pode ter sua causa atribuída ao mesmo fator que favoreceu a maior taxa de autofecundação. heterozigosidade observada ( Hˆ o ) e esperada. 238 .2 Estudo de casos 11. A diversidade genética foi caracterizada pelos índices de diversidade: número médio de alelos por loco ( Aˆ ). Efeitos ainda mais drásticos foram detectados por Obayashi et al.7% na população não explorada para 29. Para conhecer a representatividade genética das progênies foi estimado o tamanho efetivo de variância ( Nˆ e ( v ) ) de uma progênie com base na variância amostral das frequências alélicas (COCKERHAM.478) em uma população após a exploração. realizado em área de vegetação nativa na Fazenda Bela Vista. O sistema de reprodução foi analisado com base nos modelos de reprodução mista (RITLAND.ts ). Outro aspecto importante foi detectado por Sebbenn. ou seja. a redução na densidade populacional poderia ter favorecido a visita de vários polinizadores às copas das árvores em razão da escassez de flores ou à abertura de espaço pela exploração. 2005). conforme Weir (1996). O intervalo de confiança a 95% de probabilidade do coeficiente médio de coancestria estimado para cada classe de distância foi construído com base no erro padrão da média das estimativas. O número provável de doadores de pólen ( ) foi estimado da correlação de paternidade por. segundo as proporções do equilíbrio de Hardy-Weinberg ( Hˆ e ) e número efetivo de alelos por loco Também foi estimado o índice de fixação ( fˆ ).

provavelmente.425). ou seja. indicando que a população está ajustada as proporções do EHW.963+0.914+0. indicando que o tamanho reprodutivo da população era menor do que o tamanho genético da população adulta amostrada. o aumento do tamanho reprodutivo da população não obrigatoriamente reflete um grande tamanho de vizinhança genética.017).423. Por outro lado. assim.017). que alguns fragmentos recebiam grande contribuição de pólen vindo de mais de 4. Boshier e Powell (2002) detectaram. Comparando os índices de diversidade genética nas progênies antes e após a exploração. A estimativa da taxa de cruzamento uniloco foi igualmente alta e significativamente diferente da unidade.05). erythropappus indicou a existência de altos níveis de diversidade genética na espécie. MANEJO E CONSERVAÇÃO A estimativa dos índices de diversidade genética em E. Hˆ o e Hˆ e aumentaram após a exploração. alto e significativo índice de fixação (0. A grande área abrangida pelas amostras das árvores adultas (20 ha) e o restrito número de árvores que tiveram suas sementes coletadas (máximo 27) podem explicar este resultado. tanto antes ( tˆs = 0. As estimativas das 239 . embora eles não sejam estatisticamente diferentes entre si. Em outros termos. A heterozigosidade observada nos adultos e nas progênies antes da exploração foi menor que a esperada. a heterozigosidade observada e esperada nas progênies após o manejo apresentou valores muito próximos ( Hˆ o = 0. O mesmo resultado pode ser observado e confirmado no positivo. na espécie arbórea tropical Swietenia humillis. favorecendo. eram o resultado da contribuição de pólen de árvores isoladas e localizadas em pastagens a centenas de metros dos fragmentos. quando o valor é igual a zero. a estimativa da taxa de cruzamento multiloco foi alta e não significativamente diferente da unidade antes ( tˆm = 0. o sistema de reprodução. Os altos níveis detectados de diversidade genética na espécie. o que reflete a presença de deriva genética no processo de reprodução como um resultado da fragmentação da paisagem. respectivamente. embora ele. aparentemente. Para o sistema de reprodução.202). Isso também sugere que o tamanho reprodutivo da população aumentou com a exploração. portanto. embora também tenham detectado que muitas sementes produzidas nos fragmentos foram resultantes da contribuição polínica de poucas árvores polinizadoras.967+0. O aumento no tamanho reprodutivo da população pode ter ocorrido. White. Em suma. Aldrich & Hamrick (1998) observaram que muitas das sementes produzidas dentro de fragmentos de Symphonia globulifera. Populações grandes e ocorrentes em ambientes extremos têm maior probabilidade de incorporarem novos alelos por mutação do que populações pequenas e ocorrentes em ambientes homogêneos. pelo fato de a exploração reduzir a densidade vegetal.GENÉTICA. interpretando esses resultados como um fator positivo da fragmentação que teria favorecido à longa distância de polinização pela abertura de espaço. podem ser atribuídos às suas características demográficas como alta densidade populacional e ocorrência em ambientes extremos (locais montanhosos. na Costa Rica. número efetivo de alelos por loco e heterozigosidades.CAPÍTULO 11 . esse resultado indica a ocorrência de deriva genética no processo de reprodução. favorecendo o voo dos polinizadores. O número efetivo de alelos por locos e a heterozigosidade esperada nas progênies antes e após a exploração foram menores do que a observada nas árvores adultas. quando os valores são significativamente maiores ou menores que zero. Existem algumas evidências de que certas taxas de exploração possam alterar o comportamento dos polinizadores e. terrenos rochosos e solos de baixa qualidade). O índice de fixação mede o excesso ou a deficiência de heterozigotos em relação ao esperado em uma população panmítica. o movimento dos polinizadores. indicando que há mais homozigotos na população do que o esperado pelas proporções do equilíbrio de Hardy-Weinberg (EHW). indica que há um excesso de homozigotos ou de heterozigotos. resultando em maiores níveis de diversidade genética nas sementes após a exploração. em termos de número médio de alelos por loco.5 km de distância. Hˆ e = 0.026) como após a exploração ( tˆs = 0. verifica-se que os índices Aˆ e .042) e alta e significativamente diferente da unidade após a exploração ( tˆm =0. Esse fato foi confirmado pelo índice de fixação não significativo próximo e não significativamente diferente de zero (0. a população está ajustada às proporções do equilíbrio de Hardy–Weinberg e. como anteriormente comentado.933+0. seja menor do que o potencial da população adulta.

em média.05).011) a exploração. uma espécie arbórea tropical também de alta densidade populacional de ocorrência na floresta ombrófila densa. para Eschweilera ovata. como E. estudando o sistema de reprodução de Esenbeckia leiocarpa.112. não foi detectada endogamia ( Fˆ p =0. A estimativa do número médio de árvores que polinizaram as árvores maternas.92+0. Degen. A taxa de cruzamento entre parentes foi menor após a exploração (3. Assim. mas estatisticamente diferentes de zero antes ( tˆm − tˆs = 0. sugerindo que a exploração favoreceu a homogeneidade no pólen cruzado. Sebbenn e Kageyama (2006) estimaram. antes e após a exploração. o cruzamento entre parentes e a endogamia na descendência. o coeficiente de coancestria e o tamanho efetivo de variância ( Nˆ e ( v ) ) foram semelhantes.368. nas florestas da Guiana Francesa.414. A geração descendente antes da exploração revelou alto nível de fixação de alelos. P<0. A estimativa da divergência genética entre o pólen cruzado ( ) foi de 0.05) a exploração.9%).967). valores para taxa de cruzamento multiloco de 0.184 após a exploração. a estimativa tenha sido significativamente diferente da unidade. A respeito da falta de diferenças nas estimativas da taxa de cruzamento entre parentes antes e após a exploração. como valores geralmente superiores a 0.009). P<0.049+0. P<0. A estimativa da taxa de cruzamento multiloco foi alta.01).05) a exploração. as diferentes proporções de progênies. 240 . adicionalmente à forte estrutura genética espacial.022) e após ( tˆm − tˆs = 0.357. embora esse valor não tenha sido detectado como significativamente diferente de zero ( Fˆ p =0.034+0. embora ambas não sejam estatisticamente diferentes entre si. Igualmente.963) como após a exploração ( tˆm =0. A endogamia em uma geração é igual à coancestria na geração precedente ou parental. em uma população natural e de 0. a diferença entre as correlações uniloco e multiloco de paternidade ( rˆp ( s ) − rˆp ( m ) ) só foi significativamente diferente de zero após a exploração (0. erythropappus. sugerindo que a exploração alterou a estrutura genética espacial da população. P<0.005. têm apresentado alta taxa de cruzamento. P>0. esses resultados revelam um aspecto positivo da exploração. consequentemente. embora. o qual poderia ter sido gerado pelo cruzamento entre árvores parentes entre o grau de meios-irmãos.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA diferenças entre as taxas de cruzamento multiloco e uniloco ( tˆm − tˆs ) foram baixas.999. A população adulta apresentou altos e significativos níveis de endogamia ( Fˆa =0. Sebbenn e Kageyama (2001). Gusson. após a exploração. apresentam alta taxa de cruzamento. a taxa de cruzamento estimada para E. As altas taxas de cruzamento detectadas antes e após a exploração indicam que a espécie é de fecundação cruzada.5%).017). polinizaram cada árvore e a estimativa das diferentes proporções de progênies e do coeficiente de coancestria ( ) indica que as progênies são compostas por misturas de diferentes tipos de parentesco. erythropappus encontra-se dentro do padrão observado para outras espécies arbóreas tropicais de alta densidade populacional. reduzindo o parentesco entre as árvores e.202. em geral. As estimativas da correlação multiloco de paternidade ( rˆp ( m ) ) foram altas e significativamente diferentes de zero antes (0. P>0. Seoane. A endogamia e o parentesco reduzem o tamanho efetivo populacional e geram endogamia na descendência. P<0. observaram taxa de cruzamento alta ( tˆm = 0. estudando o sistema de reprodução de Symphonia globulifera. as estimativas da correlação uniloco de paternidade ( rˆp ( s ) ) foram altas e significativamente diferente de zero antes (0. Espécies arbóreas tropicais.05) e após (0. uma espécie de alta densidade populacional (>10 indivíduos por hectare) nas florestas brasileiras.207. Outras espécies arbóreas tropicais de alta densidade populacional. tanto antes ( tˆm =0. comparada a antes da exploração (4. após a exploração.05).985.394. Bandou e Caron (2004).8.05) e após (0. A alta densidade populacional pode favorecer altos níveis de cruzamentos pela menor distância entre coespecíficos e grande número de indivíduos em fase reprodutiva nas vizinhanças reprodutivas. antes da exploração e de 0. em uma explorada. sugerindo que as árvores que polinizaram as árvores maternas eram parentes entre si.010+0. Contudo. Por outro lado.925) e não significativamente diferente da unidade. uma espécie arbórea de alta densidade populacional (>122 indivíduos/hectare). a redução do parentesco intrapopulacional. indicando que ocorreram cruzamentos entre parentes na população. detectaram taxa de cruzamento multiloco alta (mínimo tˆm = 0. A estimativa do número médio de árvores que polinizaram as árvores maternas indicou que aproximadamente cinco árvores.

estudando duas populações de Myracroduon urundeuva. embora tenham apresentado a tendência de reproduzirem-se com maior taxa de autofecundação do que árvores localizadas em fragmentos. ou seja. Ribeiro & Lovato (2004). (2003). 0. estudando os sistemas de reprodução de duas populações naturais de Senna multijuga. em parte. sugerindo que existe variação na taxa de cruzamento entre plantas individuais. BROWN. Moraes.925. Sebbenn e Kageyama (2001) encontraram valores de 0. observada após a exploração. no mínimo. Esse resultado demonstra que os cruzamentos não ocorreram de forma aleatória. Dick (2001). foram relativamente baixas. reduzindo o número de indivíduos reprodutivos e a distância entre coespecíficos. embora a taxa de cruzamento multilocos tenha sido alta e próxima à unidade. em espécies arbóreas tropicais. O autor também observou que os vetores naturais de polinização foram substancialmente substituídos por abelhas exóticas (Apis mellifera scutellata) e que a produção de sementes de árvores localizadas em fragmentos foi mais de três vezes maior do que de árvores localizadas em florestas contínuas. as autofecundações. detectaram de dois a três polinizadores efetivos. sugerindo que uma parte das progênies geradas por cruzamentos biparentais tinha árvores polinizadoras parentes entre si. é possível que isso favoreça.368) a exploração. 2001). corroboram com esse resultado.CAPÍTULO 11 . 2001). em razão da limitação do fluxo de pólen e da erosão genética em decorrência da deriva (YOUNG. erythropappus. como E. de alguma forma. Alta correlação de paternidade também tem sido observada em outras espécies arbóreas tropicais de alta densidade populacional. estudando uma população de Teobroma grandiflorum. 241 . A partir da correlação de paternidade é possível estimar o número médio de indivíduos que efetivamente polinizaram as árvores maternas. HAMRICK. as diferenças observadas nas frequências alélicas do pólen e dos óvulos. As estimativas da correlação de autofecundação ( rˆs ). Kageyama e Sebbenn (2004). Sebbenn e Kageyama (2006) encontraram correlação de paternidade de. pode ser consequência da exploração. As estimativas foram relativamente altas e significativamente diferentes de zero. Como a exploração envolve alterações na densidade populacional. A ruptura do processo natural de polinização pelo corte seletivo de árvores pode resultar na redução da fecundidade das plantas hospedeiras.188 e 0. Estudos semelhantes do sistema de reprodução. Nason & Hamrick (1997) detectaram que pequenas populações fragmentadas da espécie arbórea tropical Spondias mombim sofriam significativa redução na taxa de germinação e produção de frutos relativa a grandes fragmentos e populações localizadas em florestas contínuas. no sudeste do Brasil. 1996). Portanto. se existir autoincompatibilidade na espécie.414) e após (0. comparando a reprodução em árvores da tropical Dinizia excelsa. em estudos comparando o sistema de reprodução em árvores isoladas em campos e pastagens detectou-se maior taxa de autofecundação em árvores isoladas. Os valores estimados de rˆp ( s ) foram significativamente diferentes de zero e levemente superiores à estimativa de rˆp ( m ) . MANEJO E CONSERVAÇÃO A diferença significativa entre a taxa de cruzamento multiloco e a unidade. mas significativamente diferentes de zero nas amostras antes e após a exploração (0. em que foi encontrado outro indivíduo de autofecundações. existe variação genética para autoincompatibilidade na população e algumas plantas podem se autofecundar com maior taxa do que outras. Alves et al. ou a probabilidade de encontrar um indivíduo gerado por autofecundação.GENÉTICA. A correlação de paternidade ( rp (s ) ) mede a proporção de indivíduos de cruzamentos que foram gerados por cruzamentos biparentais (são parentes no grau de irmãos-completos). nem antes nem após a exploração e explicam. As estimativas para a população foram baixas. em Eschweilera ovata e Seoane.423. ambas as espécies arbóreas tropicais de alta densidade populacional. para E. BOYLE. encontraram que o número médio de polinizadores era de um a dois indivíduos. 1998. em torno de dois a três polinizadores por árvore. os resultados mostram que. isoladas em pastagens e em fragmentos. observou que essas árvores espacialmente isoladas não estavam reprodutivamente isoladas. se as árvores tornarem-se reprodutivamente isoladas (DICK. Gusson. leiocarpa. a média do número provável de indivíduos que contribuíram com pólen no evento de reprodução de uma árvore-mãe. Por exemplo. DICK. relativamente a árvores localizadas em fragmentos e áreas contínuas (ALDRICH.179). Igualmente. antes (0.

247 e 0. estima mais variância genética aditiva.444. praticando cruzamentos aleatórios. A estimativa do tamanho efetivo de variância é particularmente importante quando se pensa na coleta de germoplasma para a conservação genética ex situ. em vez de 0. combinando-se a estimativa da correlação de paternidade com a taxa de cruzamento multiloco. são dispersas sementes com alto grau de parentesco entre si. as estimativas serão superestimadas.229) e após ( =0.125). em caso da estimativa da variância genética aditiva e parâmetros genéticos de caracteres quantitativos em progênies da população de E. Tal resultado indica que.99 e 2. 2002). O conhecimento do coeficiente de coancestria dentro de progênies é de fundamental importância em programas de melhoramento e conservação genética. Os valores estimados para o tamanho efetivo de variância em E. em progênies mistas com diferentes graus de parentesco. a de meios-irmãos. 1974) e.08 para população. aumentou a proporção de descendentes advindos de diferentes parentais polinizadores (meios-irmãos). o valor estimado está próximo ao esperado em progênies de irmãos-completos ( N e (v ) =2). dever-se-iam utilizar os coeficientes de 0. Em termos. sendo n o número de plantas amostradas por progênie). O coeficiente de correlação de parentesco é a base para o cálculo da variância genética aditiva e. deseja-se reter um determinado tamanho efetivo que permita a manutenção da diversidade genética por um certo período de tempo ou vários ciclos de 242 . respectivamente. erythropappus.5%. pode ser a causa. Após a exploração. sendo F p o coeficiente de endogamia na geração parental) e do tamanho efetivo de variância . Caso contrário. foram superiores em 45. início de um programa de melhoramento e coleta de sementes para a recuperação ambiental (SEBBENN.4% e 43. Antes da exploração de E.9%.4% e a de irmãos de autofecundação. Assim. pelo fato de ser esse coeficiente a base para a estimativa do coeficiente de correlação de parentesco entre plantas dentro de progênies . após a exploração. 56. Gusson (2003) detectou que apenas uma a duas árvores efetivamente polinizou as árvores de Eschweilera ovata.1% e a de irmãos de autofecundação manteve-se mais ou menos constante (3.235) (KAGEYAMA et al. a proporção de irmãos-completos reduziu para 35. a de meiosirmãos aumentou para 61. antes ( =0. mutação e migração.25. o coeficiente de parentesco estima 25% da variação genética aditiva (SQUILLACE. erythropappus. polimix).7%. ao esperado em progênies de meios-irmãos (0. respectivamente. portanto. isto é.458 e 0. É possível conhecer a proporção dos diferentes tipos de progênies na descendência da população. explica forte estrutura genética espacial existente na população sob consideração. em decorrência de efeitos de deriva genética no processo de reprodução.. Diante de tais situações.4%). erythropappus foram de 1. 3. antes e após o manejo. 2003). a proporção de irmãos-completos foi de 39. Os valores estimados para o coeficiente médio de coancestria dentro das progênies. Em progênies perfeitamente de meios-irmãos (progênies de polinização controlada. de tamanho infinito. em função de alterações nas frequências alélicas entre gerações. A abertura de espaço na floresta. O tamanho efetivo de variância ( N e (v ) ) mede a representatividade genética de uma população. valores estes que são basicamente a metade do valor teórico máximo esperado (aproximadamente 4) em uma progênie de uma população referencial ideal. aproximadamente quatro árvores polinizaram cada árvore materna. dos coeficientes de herdabilidade no sentido restrito e ganhos esperados na seleção.222) a exploração. Isso demonstra que a exploração alterou a estrutura genética da geração descendente no sentido de aumentar a diversidade genética. sem seleção. favorecendo o movimento dos polinizadores e a contribuição de um número maior de árvores polinizadoras para a descendência. ou seja.7%. Valores semelhantes para coeficiente de coancestria foram detectados para Trema micrantha e Cecropia pachystachya (0. ou seja. o que explica a alta coancestria estimada na classe de distância de zero a 180 m. a cada evento reprodutivo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA detectaram que.

as correlações de paternidade indicaram a ocorrência de cruzamentos biparentais ( rˆp iguais a 0. com amostras de cinco populações naturais. melhoramento ou coleta de sementes para restauração ambiental) pelo tamanho efetivo de variância de uma simples progênie. Por exemplo. ele indica que a população em estudo apresenta alto potencial genético para a conservação genética e manutenção dos níveis de diversidade genética por.999 e 0. A espécie E.367).500 aleoenzimáticos e Hˆ o = 0. No presente caso. Ressalta-se. erythropappus foi analisada com base em duas classes distintas de marcadores: aloenzimas e RAPD.123 e 0. em Minas Gerais.335 a 0. No entanto. A estimativa do tamanho efetivo de endogamia (178. os valores de iguais a 0.4) foi menor do que o número senso (213). erythropappus. 2005). erythropappus apresentou elevados índices de diversidade genética. para a conservação de espécies arbóreas. é uma espécie de fecundação cruzada. Os coeficientes de coancestria estimados nas progênies foram superiores ao esperado em progênies de meios-irmãos.99) árvores garantiria a retenção do tamanho efetivo alvo de 100.651 e 0. Lavras (PB). Carrancas (CR).2. revelados tanto por marcadores enzimáticos espécie ( Hˆ e = 0. MANEJO E CONSERVAÇÃO seleção recorrente.43 a 1. por suas características de vida longa e sobreposição de gerações. Sugere-se. 11. A menor representatividade genética dos indivíduos em relação ao tamanho senso da população foi compensada pelo grande tamanho da população. Os resultados sobre o sistema reprodutivo indicaram que E. 243 . Morro do Pilar (MP) e São Tomé das Letras (ST). pelo menos. a coleta de sementes entre 49 (100/2.718) nas populações naturais de E. o sistema de reprodução dessa espécie deve ser considerado misto. contudo.2 Estrutura genética. 10 gerações ( Nˆ e >>50).08) a 51 (100/1. não diferentes da unidade e taxas de cruzamentos individuais tˆ variando de 0.CAPÍTULO 11 . Ambos os tipos de marcadores indicaram que a maior parte da variabilidade genética dessa espécie ( θˆ p em média de 0. com fluxo gênico dependente da distância.531) quanto por marcadores RAPD ( Hˆ e variou de 0. no entanto.GENÉTICA. estimados pela AMOVA e o índice de Shannon.982. deve-se procurar reter um tamanho efetivo de pelo menos 100. Assim. o número de 60 árvores (BARREIRA. que.653 e P= 0. a estrutura genética de E. Embora a maior parte dessa variabilidade esteja contida dentro das populações.78. sistema reprodutivo e distribuição espacial de genótipos da candeia Em outro estudo. realizado pela equipe do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal de Lavras. com ocorrência de cruzamentos e autofecundação. é possível determinar o número de árvores necessárias para a coleta de sementes. Apesar de não ter sido verificada a ocorrência de endogamia nas progênies. dividindose o tamanho efetivo alvo do programa (conservação. resultando na relação Nˆ e /n de 0.00).122. sugerindo que as populações estudadas podem estar se diferenciando por um processo estocástico. indicaram divergência moderada entre as populações. com sistema misto de reprodução ( tˆm iguais a 0. erythropappus reproduz-se por cruzamentos. respectivamente.1. A estimativa da correlação de Mantel entre as matrizes de distâncias genética e geográfica foi positiva e significativa (r = 0.035) encontra-se distribuída dentro de suas populações naturais.0345). Os dados genéticos obtidos são apresentados na Tabela 11. localizadas em Aiuruoca (AI) Baependi (BM e BR). embora o tamanho efetivo de endogamia seja menor do que o número senso. como ocorreram diferenças significativas nas taxas de cruzamentos individuais.

500 (NUNNEY. erythropappus. Hˆ em que: A e o e estimativa da heterozigosidade esperada.1. [ ] . fˆ . respectivamente nas áreas de Lavras (PB) e Baependi (BM). além de um bom aspecto fitossanitário.coeficiente de coancestria ou divergência genética entre as populações. Figura 11. respectivamente. BR e CR. em curto prazo. erythropappus. Essas árvores devem estar em plena fase reprodutiva. a população mínima viável para a conservação de E. Esse número foi de 63 e 55 matrizes para as populações BM e PB. 1993). dessa espécie.desvio padrão. são necessárias 139 árvores porta-sementes por hectare.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA TABELA 11.021. Considerando o tamanho efetivo médio das populações avaliadas nesse estudo. para cada uma das dez classes de distância estabelecidas. Nas populações BM. Na população CR. nas populações avaliadas. distribuídas de maneira uniforme por toda a área. foi obtida por meio de estimativas do coeficiente de coancestria entre plantas.intervalo de confiança. indicando a presença de parentesco na primeira classe de distância (até 87 m).028 e 0.032. Dessa forma. Dentre as cinco populações estudadas. θˆ p . respectivamente.031). Nˆ m -Fluxo gênico. a avaliação da distribuição espacial das árvores sugere uma possível ocorrência de estruturação espacial. com base no tamanho efetivo da população.estimativa do índice de fixação de Wright. cerca de 60 seria o número mínimo de matrizes a serem coletadas para a conservação genética ex situ. a 95% de probabilidade A estimativa de tamanho efetivo de variância permitiu estimar o número de matrizes necessário para reter um N e de 150 para E. O parentesco estimado entre os indivíduos da população CR pode ser considerado próximo ao parentesco esperado entre indivíduos primos de segundo grau (0. ˆ -número médio de alelos por loco. os valores estimados para os coeficientes de coancestria foram 244 . No intuito de evitar a ocorrência de seleção disgênica.500 indivíduos. para assegurar um tamanho efetivo de 150. os coeficientes de coancestria. deverá ser 450 e 4. erythropappus. A definição do número mínimo de árvores porta-sementes a ser mantido em uma área sob manejo deve ser feita. o coeficiente de coancestria estimado foi igual a 0. em curto e em longo prazo.Índices de diversidade genética de cinco populações naturais e duas progênies de Eremanthus erythropappus. CAMPBELL. Considerando Ne(referência) de 150 e 1. Hˆ .estimativa da heterozigosidade observada. A distribuição espacial dos genótipos de E. Na população BR. em duas populações. ( ). MP e PB. as árvores remanescentes devem apresentar genótipos variados. obtidos na segunda e na terceira classe de distância (de 196 a 441 m de distância) foram estimados em 0. dentro de cada população.1 .

A análise dos valores médios do índice I de Moran. BM e PB. Nas populações BM. associados às características demográficas da população estudada de E.1 .021 para BM e PB. sugerida pelo coeficiente de coancestralidade para as populações BR e CR. o padrão espacial foi evidenciado pelos valores positivos e significativos do índice I de Moran. relacionados geneticamente. --. nessas três populações. o melhoramento e a conservação da candeia Os resultados da diversidade genética e do sistema de reprodução. são necessários estudos sobre a sustentabilidade volumétrica para determinar qual a intensidade e o tamanho dos ciclos de exploração e estudos genéticos baseados em modelagem 245 . demonstrando. os coeficientes de coancestria. (. No entanto. Na classe de distância de 750 a 900 m. BR e CR. A população CR apresentou valores positivos e significativos do índice I de Moran nas segunda e na quarta classe de distância.CAPÍTULO 11 . Não se deve desconsiderar.Correlogramas para coeficiente de coancestria estimado por classes de distâncias nas populações Baependi (BR) e Carrancas (CR) de Eremanthus erythropappus. ou seja.017 e 0. Esses resultados sugerem a ocorrência de distribuição aleatória dos genótipos nessas três populações. mostrou que os índices mantêm-se praticamente constantes. em termos genéticos. Implicações para o manejo. sugerindo estruturação espacial dos indivíduos até 200 m de distância. Essas taxas indicaram que existem indivíduos próximos. já que a comparação de parâmetros de diversidade genética e sistema de reprodução antes e após a exploração indica que a exploração alterou a estrutura genética da espécie. MANEJO E CONSERVAÇÃO bem próximos a zero ou negativos. a não-formação de estrutura espacial significativa. não significativos a 95% de probabilidade. No caso da população BR. responsáveis por alguns cruzamentos endogâmicos. foi confirmada pela estimativa do índice I de Moran. a população poderá aparentemente ser explorada de forma sustentada. a 95% de probabilidade). o índice I de Moran foi negativo e significativo. foi observada uma tendência que permitisse sugerir que indivíduos mais distantes espacialmente sejam mais divergentes geneticamente. que as populações BM e PB apresentaram taxas de cruzamento entre aparentados diferentes de zero (0. até cerca de 450 m de distância. Contudo. assim. apesar de apresentar valores do índice I de Moran negativos e significativos em classes de distâncias maiores. indicando que o parentesco entre os indivíduos de cada população não foram suficientes para a formação de uma estruturação familiar. mas no sentido de aumentar os níveis de diversidade genética e favorecer a reprodução entre um maior número de indivíduos. estimados a partir de 21 locos de cada uma das populações. Entre 350 e 400 m. o índice I de Moran apresentou valor negativo e significativo. MP e PB não foram detectados indícios de estruturação genética espacial a partir do índice I de Moran.coeficiente de coancestria.GENÉTICA. entretanto. indicando que árvores localizadas espacialmente próximas não apresentam nenhum grau de parentesco entre si. No entanto. se a intensidade de exploração não for muito drástica. A presença de estruturação espacial dos genótipos. em nenhuma das populações.intervalo de confiança. permitem supor que a mesma tem potencial para a exploração florestal e que. não foram significativos. como já havia sido sugerido pelos resultados obtidos pelos coeficientes de coancestralidade. respectivamente). Figura 11. erythropappus como alta densidade populacional.

foram estudadas somente sete populações naturais de E. dessa espécie. Baependi e Carrancas. Assim. Os resultados dos estudos genéticos em várias populações naturais indicaram que E. a conservação de áreas com gradiente altitudinal diferenciado pode garantir a manutenção da variabilidade genética. a amostragem de árvores situadas em diferentes gradientes de altitude pode trazer possíveis ganhos genéticos. destas. como ocorreram diferenças significativas nas taxas de cruzamentos individuais. as árvores porta-sementes devem ser mantidas não só considerando uma distância mínima como também o gradiente altitudinal. o sistema de reprodução dessa espécie deve ser considerado misto. para se fazer afirmações mais fortes sobre a sustentabilidade genética da exploração. As correlações de paternidade foram elevadas. Os dados obtidos até o momento dão somente uma direção de estabelecimentos de estratégias de manejo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA e simulação de longo prazo. erythropappus. respectivamente. Essas árvores devem estar em plena fase reprodutiva. a população mínima viável para a conservação de E. para garantir a perpetuação e a manutenção da variabilidade genética de E. a manutenção do patrimônio genético dessa espécie. os resultados indicaram que a amostragem de sementes em 60 matrizes seria suficiente para reter o tamanho efetivo de 100. a fim de se obter informações sobre a distribuição da variabilidade genética dessa espécie. Considerando Ne(referência) de 150 e 1. Esse número foi de 63 e 55 matrizes para as populações BM e PB. Para o manejo. Dessa forma. Ambos os tipos de marcadores indicaram que a maior parte da variabilidade genética dessa espécie encontrase distribuída dentro de suas populações naturais. Portanto. erythropappus. Considerando o tamanho efetivo médio das populações avaliadas neste estudo. deve ser implementado somente nas áreas estudadas. 246 . A definição do número mínimo de árvores porta-sementes a ser mantido em uma área sob manejo deve ser feito com base no tamanho efetivo da população.500 (NUNNEY. Houve indicativos de cruzamentos entre indivíduos aparentados. nas populações avaliadas. respectivamente. No entanto. pela ocorrência de níveis de estruturação genética espacial nas populações de Aiuruoca. além de um bom aspecto fitossanitário. em curto prazo. erythropappus. revelados tanto por marcadores aloenzimáticos quanto por marcadores RAPD. populações de outras regiões do estado de Minas Gerais devem ser avaliadas geneticamente. a coleta de sementes deve ser feita a uma distância mínima de 150 m entre as árvores. garantindo. melhoramento e conservação dessa espécie. A estimativa de tamanho efetivo de variância permitiu estimar o número de matrizes necessário para reter um N e de 150 para E. erythropappus. erythropappus apresenta elevados índices de diversidade genética. No intuito de evitar a ocorrência de seleção disgênica. uma vez que a variabilidade genética demonstra ser alta entre populações localizadas em gradientes distintos. indicando a ocorrência de cruzamentos biparentais nas populações naturais de E. deverá ser 450 e 4. com ocorrência de cruzamentos e autofecundação. início de um programa de melhoramento florestal e coleta de sementes para restauração ambiental. três apresentaram genótipos estruturados em família. cerca de 60 seria o número mínimo de matrizes a serem coletadas para a conservação genética ex situ. as árvores remanescentes devem apresentar genótipos superiores. Os coeficientes de coancestria estimados nas progênies foram superiores ao esperado em progênies de meio-irmãos. o que foi abordado e sugerido acima. a fim de se evitar a coleta de sementes de árvores aparentadas. distribuídas de maneira uniforme por toda a área. Para a conservação in situ e ex situ da espécie. em curto e em longo prazo. Para a conservação ex situ. Dessa forma. Os resultados sobre o sistema reprodutivo indicaram que a espécie é predominantemente de fecundação cruzada. pois as taxas de cruzamentos unilocos foram menores que as taxas multilocos. CAMPBELL.500 indivíduos. dessa forma. ainda para fins de melhoramento. De acordo com os resultados. a fim se evitar os efeitos da estruturação genética detectada. erythroppapus e. No total. Para a implantação de um programa de melhoramento da espécie. 1993). a escolha de áreas a serem mantidas conservadas devem ter tamanho adequado. são necessárias 139 árvores porta-sementes por hectare para assegurar um tamanho efetivo de 150.

) MACLEISH) Emanuel José Gomes de Araújo José Roberto Soares Scolforo José Marcio de Mello Daniela Cunha da Sé Antônio Donizette de Oliveira Vinicius Augusto Morais Thiza Falqueto Altoé Henrique Ferraço Scolforo 12. 247 . situação esta que garante a sustentabilidade do manejo da candeia. Em contrapartida.CAPÍTULO 12 . A criação dessas normas representou um marco para o manejo dessa espécie em Minas Gerais. Além disso.. 12 SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA (Eremanthus erythropappus (DC. é que seja feita a escarificação do solo. 2007).521. Sendo assim. sugere um alto potencial regenerativo na floresta (PEDRALLI. uma vez que permitiu aos pequenos e médios produtores rurais das regiões da Serra da Mantiqueira e Serra do Espinhaço a possibilidade de usufruir de forma legal das áreas com candeia. 1997. sob a disponibilidade de luz e água das chuvas a semente poderá germinar e propiciar intensa regeneração das áreas submetidas ao manejo. onde a espécie ocorre em maior intensidade e representam uma área total manejada de 1. Nesta seção.) MacLeish) foi explorada de forma desordenada sem que os executores seguissem os critérios de um manejo que garantisse sua sustentabilidade..71 hectares e um volume de madeira extraída das áreas nativas em torno de 30.89 m3. a candeia (Eremanthus erythropappus (DC. A prática do manejo favorece a abertura de clareiras.. gerando renda e desenvolvimento social. 2008a) entre árvores porta-sementes e a quantidade mínima de 100 indivíduos arbóreos por hectare. Esses estudos proporcionaram a criação da Portaria Nº 01 de 5 de janeiro de 2007 que dispõe sobre as normas para elaboração e execução de um plano de manejo para produção sustentada da candeia em Minas Gerais (MINAS GERAIS. a regeneração natural fica prejudicada.107. é garantida a manutenção da variabilidade genética do povoamento manejado (BARREIRA et al. Foi a partir de 2000. além de incentivar a preservação e conservação do ambiente. quando o manejo é realizado sem o critério de predominância mínima da espécie. com a necessidade de regulamentar essa atividade e garantir que a candeia não entrasse na lista das espécies ameaçadas de extinção. com base em dados coletados em áreas submetidas ao manejo. permitindo que a semente entre em contato direto com este. buscou-se. apresentar a situação real de desenvolvimento da regeneração natural da candeia quando são atendidas as prescrições estabelecidas pela portaria. 2008a). que o Laboratório de Estudos e Projetos em Manejo Florestal (LEMAF – UFLA) iniciou os estudos com a candeia.. e a característica heliófila conferida à espécie candeia.. Um dos primeiros critérios que deve ser atendido para que uma área com candeia se caracterize como potencial para manejo é que ela tenha predominância de no mínimo 70% dos indivíduos arbóreos dessa espécie. Até o final do ano de 2009 foram apresentados cerca de 130 planos de manejo da espécie candeia ao Instituto Estadual de Florestas (IEF). 2006).SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. durante a exploração deve ser respeitada a distância máxima de 10 m (SCOLFORO et al. Outro fator importante.1 Introdução Ao longo de muitos anos. Assim. SCOLFORO et al. Estes planos abrangem 35 municípios das regiões sul e central de Minas Gerais.

centradas em uma árvore porta semente e com área total de 300 m2. além da central. conforme os intervalos apresentados na Tabela 12.19 24 1400 1. Essas áreas passaram por todos os tratamentos recomendados durante e após a exploração. em algumas áreas a exigência de predominância mínima de 70 % de candeia. cepas de candeias removidas durante a exploração e os indivíduos arbóreos de candeia e de outras espécies nativas (não candeia).44 59 1750 1.2. de acordo com a portaria que regulamenta o manejo da candeia e exige essa distância máxima entre porta-sementes.2 Escopo metodológico 12. Para essa classificação buscou-se uma adaptação da definição proposta por Barnard (1950) utilizada por Andrade (2009). foram selecionadas 5 (cinco) áreas submetidas ao sistema de manejo com porta-sementes. 3.1 Caracterização das áreas de estudo Para estabelecer de maneira clara que a sustentabilidade do manejo somente é garantida quando são aplicadas as prescrições da Portaria Nº 01 de 5 de janeiro de 2007. tempos diferentes entre a realização da exploração e a coleta dos dados. Em todos os casos. os dados foram coletados com diferentes idades de manejo. Foram contabilizadas as regenerações de candeia. 15 e 5 parcelas nos fragmentos 1. 9. Tabela 12. foi possível quantificar outras árvores portas sementes. Foi definido o raio do polígono de 10 m. No estrato arbóreo foram mensuradas a altura total (HT) e o diâmetro a 1. Assim.700 1. No entanto.1. 12. não foi obedecida. 4.1 . Al a altitude média em metros. em cada uma das parcelas.700 2. Em que A representa a área do fragmento em hectares. ou seja. IM representa a idade de manejo em meses. 4 e 5 respectivamente.700 5. foram obtidas as coordenadas geográficas para a análise espacial da regeneração natural e do estrato arbóreo. numa mesma parcela e captar a variabilidade de ocorrência da regeneração natural na distância entre elas. conforme dados apresentados a seguir.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA comprometendo a sustentabilidade.600 7.2. Em cada fragmento. P a precipitação média anual em mm e T a temperatura média anual em °C. Estas foram distribuídas sistematicamente.30 m do solo (DAP) de todos os indivíduos. foi admitida a intensidade amostral mínima de 5% da área total em cada fragmento. contêm-se as informações básicas referentes à localização e aspectos edafoclimáticos de cada fragmento submetido ao manejo e alvo deste estudo.5 8 1450 1.28 36 950 1.2. em classes de altura. foram alocadas 14. 2. F 1 2 3 4 5 Município Baependi Pedralva Conceição do Rio Verde Virgínia Itamonte Latitude 21°59’04’’ S 22°16’48’’ S 21°49’03’’ S 22°20’04’’ S 22°16’45’’ S Longitude 44°45’16’’ W 45°24’20’’ W 45°03’23’’ W 45°11’29’’ W 44°46’24’’ W A IM Al P 8.2 Amostragem e coleta dos dados Com o intuito de garantir a representatividade dos dados analisados.03 44 1620 1. Na Tabela 12. sendo que cada parcela foi definida com formato de polígono regular de 12 lados (dodecágono).700 T 17 17 17 16 16 Solo Predominante Cambissolo Húmico Argissolo Vermelho Neossolo Litólico Cambissolo Háplico Cambissolo Húmico 12. Nos indivíduos regenerantes foi feita a mensuração da altura total (h) e a classificação. Assim. 248 .Caracterização dos fragmentos (F) submetidos ao manejo. como visto anteriormente.

CAPÍTULO 12 .3 m 0. apresenta-se a localização das áreas de estudo e a distribuição das parcelas em cada fragmento.2 . com a mesma centrada em uma árvore porta-semente de candeia.1 .SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. a Figura 12. caracteriza o procedimento de instalação da parcela em campo.Localização das áreas de estudo e distribuição sistemática das parcelas nos fragmentos.3 m ≤ h < 1.2.. Já. Tabela 12.50 m e DAP < 5 cm Denominação Regeneração Recruta Regeneração não estabelecida Regeneração estabelecida Símbolo R NE E Na Figura 12. Figura 12..1. 249 . Limites das classes h < 0.Classes de altura da regeneração natural da candeia.5 m h ≥ 1.

para as três classes de altura. b. coleta de dados (d. e) e porta semente central devidamente marcada (f ).3 Análise dos dados Para analisar os dados e retratar a sustentabilidade nos diferentes fragmentos manejados foram estimados. A seguir. c). 12.2 .2.Procedimento de alocação da parcela em campo (a.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA a b c d e f Figura 12. são apresentadas as formulações utilizadas para obter esses índices: 250 . os parâmetros que caracterizam a densidade e a frequência das regenerações.

SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA.CAPÍTULO 12 . em que: = média das alturas das regenerações não estabelecidas na i-ésima parcela. Em seguida.. que equivalem a uma regeneração estabelecida. = número total de parcelas. = número total de regenerações estabelecidas. em que: = área da parcela (m2). = número total de regenerações não estabelecidas. considerando as regenerações com altura maior ou igual a 0. = número total de regenerações na i-ésima parcela. = número de regenerações não estabelecidas. de estoque e o estoque estabelecido da regeneração natural da candeia.3 m (não estabelecidas e estabelecidas). foram obtidos os índices de estabelecimento.50 m). = número total de regenerações não estabelecidas na i-ésima parcela.. = número de parcelas onde ocorreram regenerações. = altura mínima das regenerações estabelecidas (1. 251 .

τ2 + σ2 é o patamar e τ2 representa o efeito pepita. num mesmo fragmento.30 m do solo (DAP) e de altura total. os índices calculados em cada parcela compuseram as repetições. Para analisar as diferenças quanto ao desenvolvimento da regeneração natural entre os fragmentos manejados. Além disso. 12.3): Figura 12. além da densidade de indivíduos e área basal em cada fragmento. 252 . Onde “ø” é o alcance da função.2. aplicou-se o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. foram estimadas as médias de diâmetro a 1.3 . Para isso.30 m do solo superior ou igual a 5 cm. ) = o número total de pares de pontos possíveis a uma distância h considerada. 2009). os índices da regeneração também foram correlacionados com a idade de exploração e com a predominância de candeia em cada fragmento. A correlação entre os índices da regeneração natural e os índices do estrato arbóreo foi estabelecida por meio do coeficiente de correlação não paramétrico de Spearman (FERREIRA. . conforme Pimentel-Gomes (2009). foi feita a análise do semivariograma e ajustados modelos que melhor retratassem a estrutura de dependência espacial de cada característica. em que: é a semivariância experimental. obtida pelos valores amostrados e = distância entre os pontos amostrais. e do estrato arbóreo. A seguir. Todas essas variáveis foram estimadas para os indivíduos de candeia e de outras espécies nativas (não candeia) com diâmetro a 1.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Para o estrato arbóreo. considerou-se cada fragmento como sendo um dado tratamento e.Representação gráfica de um semivariograma teórico típico para o ajuste do semivariograma experimental.4 Espacialização da regeneração e do estrato arbóreo Para compreender a estrutura espacial da variável número de indivíduos da regeneração natural. é apresentado um exemplo de semivariograma teórico e formulação aplicada para o cálculo da semivariância (Figura 12.

a regeneração natural da candeia não ocorre.SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. a regeneração será menor. 12. principalmente no que diz respeito à predominância mínima de 70%. = valor mensurado da variável. Já. em parcelas que apresentaram diferentes intensidades de plantas de outras espécies florestais após a realização do manejo. em que a regeneração consegue se estabelecer somente na região livre do sombreamento causado pela copa de outras espécies. Na Figura 12. mesmo que estejam em contato direto com o solo. quando o manejo não é realizado conforme as prescrições da Portaria Nº 01 de 05 de janeiro de 2007. onde foi realizada a exploração de madeira e. quando submetida ao manejo. onde o estrato arbóreo de outras espécies é mais expressivo. sendo a candeia bem adaptada a esses locais. a regeneração não ocorre. A questão a ser destacada é que a regeneração natural da candeia pode ser comprometida. foi um fator limitante para o desenvolvimento de sua regeneração natural. é demonstrada uma situação intermediária de predominância de candeia. o número de regenerações da candeia.4. Quando o manejo é realizado sem atender tal exigência. e de indivíduos arbóreos esperados para as áreas não amostradas dos fragmentos foi estimado pelo método da krigagem ordinária. mesmo que a semente de candeia germine. pois haverá outros agentes interferindo no seu desenvolvimento.. como é o caso da mato competição. sua regeneração não será influenciada pela concorrência de outras espécies regenerantes ou samambaia. A dependência espacial foi determinada conforme formulação a seguir e classificada como: dependência espacial baixa para IDE ≤ 25%. retrata a situação ideal para garantir a sustentabilidade do manejo. Pode-se perceber que na parcela 1. é visível que essa região do fragmento. = peso associado a cada valor medido. caracteriza-se por apresentar percentual de candeia abaixo dos 70%. áreas de campo. Comprovada a dependência espacial. As áreas onde esse critério é atendido são. o sombreamento causado pelas copas de indivíduos arbóreos que competem com ela. = número de amostras da variável. pois é caracterizada 253 . geralmente. pois o sombreamento causado pelas copas das árvores impede a germinação das sementes. Assim. assim. o seu desenvolvimento se dará com baixa taxa de crescimento. a parcela 13. existe a competição por nutrientes do solo e por espaço. mostra-se a realidade quanto à quantidade e distribuição espacial da regeneração. Além disso.3 Resultados Como a candeia é uma espécie que precisa de radiação direta para o seu desenvolvimento e estabelecimento. moderada para 25% < IDE ≤ 75% e forte para IDE > 75%. Na parcela 10. além da competição pela radiação. mesmo com presença considerável de árvores porta-sementes de candeia. conforme a formulação descrita a seguir: em que: = valor estimado da variável.CAPÍTULO 12 . Do lado oeste da parcela. É importante destacar que. com cambissolos e baixa fertilidade.. onde não foi atendida a predominância mínima de 70% com candeia.

nas parcelas dos fragmentos 2.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA por apresentar predominância de candeia dentro do recomendado pela portaria e com árvores porta sementes bem distribuídas. caracterizados por áreas de campo e compostos por candeia com predominância superior a 70%. Pode-se perceber que nos fragmentos 1 e 5. a Tabela 12.3). respectivamente. a regeneração de candeia é intensa e garante a sustentabilidade do manejo.4 indica os valores dos índices estimados para a regeneração natural da candeia. propiciando a dispersão de sementes e estabelecimento da regeneração natural. Já. 3 e 4. a área basal. Na Tabela 12. por parcela.3. apresentando elevada densidade de indivíduos de outras espécies (Tabela 12. 62 e 64%. No entanto. 254 . a regeneração é baixa e. a altura média e diâmetro médio dos indivíduos arbóreos de candeia e de outras espécies nativas quantificados em cada parcela dos 5 fragmentos. manejados numa situação de área de transição onde a predominância de candeia era de 50. consequentemente. onde não há competição com outras espécies (densidade de outras espécies nativas baixa ou nula). em cada fragmento.4. o que pode ser percebido pelos baixos valores dos índices apresentados na Tabela 12. mostra-se a densidade. compromete a sustentabilidade do manejo.

CAPÍTULO 12 .4 ..Distribuição espacial do componente arbóreo e da regeneração natural da candeia.SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. 255 .. Figura 12.

80 6.00 24.36 6.00 0.23 3 9 133.24 2.33 8.33 2.33 2.00 0.00 0.94 6.33 4.33 15.67 4.95 4.40 11.33 3.63 6.05 15.00 0.33 1.51 9.00 0.63 7.04 7.00 1 2 133.23 0.39 4 14 66.00 0.00 0.52 1 14 33.32 3 6 166.04 7.33 1.33 0.67 6.33 4.46 1433.59 4.33 0.67 9.90 100.11 4 8 166.63 6.67 8.04 366.46 5.33 2.85 6.56 4.55 4.53 3.00 1 4 100.55 3.80 4 1 633.13 733.33 2.48 18.85 10.00 0.49 13.31 3.64 14.67 1.17 9.63 7.77 733.00 4 9 66.41 6.41 4 13 133.Densidade (DA.58 266.67 2.67 0.67 1.03 3 4 166.35 14.00 0.33 2.26 1 6 66.67 2.36 66.93 3.18 17.40 8.28 14.44 15.89 9.22 33.15 27.33 2.17 7.75 14.28 5 5 33.33 3.37 5.00 1 3 100.33 0.10 16.00 5 3 400.24 3.34 8. em m2.77 1233.76 100.67 4.3 .00 0.00 0.96 19.72 3.67 1700.33 3.09 12.87 4 6 166.99 66.66 5.00 3.98 13.63 4.   Fragmento 256 Candeia Parcela DA G Outras Espécies Nativas HT DAP DA G HT DAP 1 1 66.15 566.94 4.37 14.67 0.57 7.80 6.33 3.32 533.26 1700.56 7.08 7.00 5 2 33.67 1.35 6.33 1.59 4 7 33.82 5.36 13.21 3.98 6.85 10.38 13.10 15.00 1.00 1 7 366.00 0.00 1.33 7.00 34.30 433.38 10.73 6.33 1.33 1.33 6.85 11.00 0.37 0.39 8.06 6.89 11.99 8.43 7.09 5.00 11.55 7.00 0.41 10.50 15.50 4 2 133.07 3 8 133.00 2.18 3 3 233.33 0.34 11.00 3.90 6.94 66.27 0.60 5 1 33.00 .91 4 11 233.60 4 4 100.00 2.30 m de altura do solo (DAP.21 4.33 1.82 66.65 0.89 433.78 5. em m) e diâmetro a 1.97 1 11 200.26 3 2 100.67 3.20 6.94 9.67 3.93 2 3 266.18 5.53 0.00 1.60 9.00 5 4 33.ha-1).51 6.78 4.72 266.00 0.71 8.00 0.88 7.67 7.42 33.32 3.18 1 8 133.78 4.93 200.67 0.33 17.33 4.01 3 1 166.33 7.04 3 7 100.21 400.06 233.73 100.85 7.00 1 5 33.29 5.00 0.48 4 12 100.13 6.00 0.44 8.70 166.67 0.33 5.33 5.65 16.72 0.00 0.22 5.33 8.33 11.67 6.75 133. em cm) do estrato arbóreo.29 0.00 1 9 100.42 7.67 4.67 5.73 5.00 2.00 1 13 33.67 8.65 4.52 9.00 1.35 25.33 4.00 13.49 17. altura total média (HT.00 0.00 6.05 0.44 7.19 9.32 8.85 3.90 4.31 14.11 7.29 2 4 366.49 700.92 66.00 1.58 6.11 6.00 0.37 6.09 5.01 3.00 0.00 0.99 15.00 2.25 16.00 0.25 6.75 11.33 4.33 0.43 5.00 0.91 5.33 2.59 4 3 200. em indivíduos.72 5.25 19.14 1 10 633.67 0.02 300.05 2 2 266.00 0.00 25.00 0.33 1.00 0.23 5.13 23.51 17. para cada parcela dos fragmentos.67 1.25 13.28 0.00 0.07 16.25 6.49 2 1 233.66 0.00 2.55 1633.22 2.58 16.41 3.00 18.00 0.67 0.00 8.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 12.00 2.37 15.38 6.67 0.00 0.75 10.00 0.67 4.50 11.33 1.00 0.19 24.15 16.65 9.73 9.00 0.ha-1).33 1.44 4.93 4 15 33.63 6. área basal (G.00 3.37 11.62 5.33 7.20 3.00 2.00 0.59 0.44 17.92 533.00 2.44 4 5 100.25 6.14 0.75 13.87 6.34 133.09 3 5 66.46 15.34 633.00 4 10 166.67 0.79 433.00 0.21 7.67 1.27 16.64 7.23 5.22 12.40 1 12 33.83 7.

00 0.67 1766.41 5 5 2666.28 891.67 371.51 1591.67 0.00 208.33 483.00 1800.00 982.00 0.85 4 15 0.80 600.33 1233.00 0.00 0.00 7733.00 33.00 133.33 333.33 2100.67 66.00 100.33 157.67 322.36 275.67 4933.56 3 5 66.52 4 14 366.00 0.69 1975.00 0.00 66.33 0.91 183.75 500.00 1100.33 0.00 0.67 33.74 2191.33 2033.90 5 2 1366.61 5 0.48 3366.00 0.49 2533.00 0.62 516.00 0.80 466.67 366.46 4 9 100.00 4800..67 533.00 0. Fragmento Parcela 1 1 1 2 1 3 1 1 DE DNE DR DT I1 I2 EE 66.00 66.53 1166.28 1 6 0.00 0.67 16733.00 1363.67 257 .18 2 4 300.00 500.00 766.00 0.00 0.00 100.57 583.33 3 2 166.00 0.00 0.67 833.00 29.33 1033.33 0.67 307.44 475.78 4 4 333.00 5066.CAPÍTULO 12 .43 4 12 1000.00 233.67 3900.67 0.00 0..67 18.00 800.67 300.67 633.67 6000.00 3433.33 1666.00 100.33 3000.33 166.33 0. Todos os valores indicam indivíduos.00 3566.33 333.38 816.67 2861.33 0.67 1100.67 1400.87 2033.00 4400.67 1200.00 700.67 400.00 0.67 0.33 1166.33 4 3 133.67 0.00 75.33 600.62 0.67 33.67 766.90 4 13 200.67 373.00 7.39 75.67 2433.33 2433.67 800.00 1.67 1606.33 116.36 400.67 1800.65 2 3 66.33 2459.43 175.67 1866.67 4666.89 3 4 0.33 495.33 0.00 14300.67 833.33 2000.67 247.00 0.33 1666.33 900.33 4 8 300.Densidade de regenerações estabelecidas (DE).33 5766. Tabela 12.22 3 3 0.00 233.33 0.67 0.33 566.00 0.00 33.67 0.56 5 1 1866.00 2001.56 2 2 66. recrutas (DR) e total (DT) e índices de estabelecimento (I1).61 3 9 33.00 133.67 0.56 1 14 33.67 466.67 0.67 1614.33 88.33 5300.00 166.33 1764.00 1833.67 0.11 1 13 1900.67 2066.45 75.06 1 11 0.56 158.76 2650.67 500.63 1 10 1033.93 4 6 466.00 0.33 892.33 300.37 3 1 0.33 1 12 0.50 1816.67 666.50 358.67 1266.00 400.33 138.67 2400.00 766.67 0.00 66.67 11.33 150.67 8700.60 375.00 4 2 0.33 2666.00 376.44 5 3 2200.08 2 1 0.50 4 1 0.67 1633.67 666.67 600.00 300.33 0.00 1933.00 800.28 66.67 366.67 0.67 0.ha-1.39 383.33 1033.87 158.80 4 7 200.67 817.79 3133.28 1 8 0.00 142.33 333.33 0.67 433.57 183.29 25.17 4 5 1300.52 716.67 0.00 133.67 0.67 900.00 266.00 300.00 3266.00 100.33 1237.00 480.33 1633.70 116.4 .00 700.33 0.35 333.67 908.56 5141.00 4 10 366.56 1583. exceto I1 que é adimensional.00 133.00 223.67 433.00 1866.00 1000.00 1100.33 180.67 3100.33 104.00 166.00 8733.28 3 7 100.50 1 9 66.83 391.33 1 7 0.00 0.33 2233.00 0.33 166.SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA.00 600.00 4966.33 1000.84 4 11 700. estoque (I2) e estoque estabelecido (EE) para cada parcela dos fragmentos.67 766.67 266.33 266.67 100.93 5 4 2966.37 175.67 81.00 1333.00 5866.67 0. não estabelecidas (DNE).84 600.00 966.67 613.67 323.82 3 8 0.33 10366.00 0.33 0.22 4 0.00 1533.00 0.00 9566.00 3566.67 0.67 12433.00 833.00 65.00 2766.37 2625.00 4066.00 3266.33 4966.33 100.33 0.00 700.29 41.33 400.00 700.43 8.42 3 6 133.33 3.00 66.58 858.33 166.33 11.67 0.00 100.35 33.33 0.33 33.00 1600.00 0.00 5133.33 66.

52 500.523. mostrando que o tempo necessário para o estabelecimento da regeneração varia entre áreas manejadas e está mais relacionado aos tratamentos aplicados conforme recomenda a portaria.8 com a densidade de regenerações estabelecidas.33 1.26 0.08 60. foi possível avaliar a correlação entre essas variáveis e analisar quais delas apresentam maior efeito no desenvolvimento da regeneração natural nas áreas manejadas. em m) e diâmetro a 1.21 5.81 6. observa-se que os fragmentos 2.60 652.56 0. total (FT) e índices de estabelecimento (I1).5 e 12.86 195.88 86. os que apresentaram menor frequência de distribuição da regeneração (Tabela 12.56 1. também.6 .090.22 4. de predominância de candeia antes da realização do manejo. Na sequência.7 e 0. por hectare.33 16. A variável área basal das espécies nativas não candeias apresentou correlação negativa de 0.90 2. Fragmento Candeia Outras Espécies Nativas DA G HT DAP DA G HT 1 111.89 53.19 12. que possuíam 92 e 91%.ha-1). o fragmento 1 se destaca por 258 .075.53 579.73 3 4 5 55.69 581.01 50.5 .33* 1.65 4.866. Além disso.33* 3.32 2 108.42 0. total (DT).52* 1. 0.64 Tabela 12.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Nas Tabelas 12.56 92.59 65.6.04 23. Além disso.158.213. não estabelecidos e recrutas foram superiores aos demais fragmentos.48 785. indicando que o sucesso da regeneração está relacionado com a predominância dessa espécie antes do manejo.713. não estabelecidas (FRNE).37 6. a correlação com a frequência total da regeneração foi de -0.48 4.81* 4.00 0.89 19.67 0. recrutas (DR). de indivíduos regenerantes de candeia. os fragmentos 1 e 5.82 9.14 7.093.84 2.30 8.30 m de altura do solo (DAP.15 11. que foi significativo em todas essas situações.33 1. é que não houve alta correlação entre a densidade de regenerações e a idade de manejo.560.33 0.066.16 5.41 18.5.56 148.92 15.78 411.89 15.36 414.8 e indica que o estrato arbóreo de outras espécies é um fator que afeta também a distribuição das regenerações ao longo da área.29 3.52 10.64 DAP 8.00 4 122. o fragmento 5 se destaca por ser significativamente superior aos demais quanto a média.27* *Significância do teste de Kruskal-Wallis Conforme a Tabela 12.67* 2. não estabelecidas (DNE).44 1.41 2. não estabelecidas e recrutas.00 9.65 5 73.34 6. Fragmento DE DNE DR DT FRE FRNE FRR FT I1 I2 Ee 1 264.33 71.67 93. Ao analisar a Tabela 12.67 58.56 0.33 166.15 364.33 2.67* 96.6. foram os que apresentaram a melhor distribuição das regenerações na área.67 11. respectivamente.Valores de Densidade de regenerações estabelecidas (DE).00 4. altura total (HT. Já a frequência e I1 são expressos em porcentagem.986. Isso indica que o estrato arbóreo teve efeito maior na quantidade de regenerações em fase inicial de desenvolvimento.30 4.33 28. frequência de regenerações estabelecidas (FRE). em indivíduos.Valores de Densidade (DA. respectivamente. em m2. Essa superioridade é evidenciada ainda por meio do teste de Kruskal-Wallis. em cm) obtidos para o estrato arbóreo de candeia e de outras espécies em cada fragmento. estoque (I2) e estoque estabelecido (Ee) em cada fragmento.21 14.31 3. Tabela 12.33 27.6.71 92.42 2 250. Outro aspecto importante. pois a densidade de indivíduos estabelecidos.ha-1.67 2. 3 e 4 são os que possuem maior área basal de outras espécies e.67* 462.ha-1).41 1.81 55. I2 e Ee indicam indivíduos.209. De posse desses dados.6).883.90 60.17 332. recrutas (FRR). área basal (G.15 39.997.62 14.153.00 3.32 3 107.25 23.28 1.00* 6.67 96.22 4.44 60. Os valores de densidade. são apresentados os valores dos índices do estrato arbóreo e da regeneração da candeia estimados para a área total de cada fragmento.

Já.53 1. Tabela 12. ou seja. 2. Fragmento Modelo 1 Exponencial 2 3 4 5 Exponencial Gaussiano Gaussiano Wave σ2 ø τ2 IDE Dependência 0. contribuição (σ2) alcance (ø) e índice de dependência espacial (IDE).08 1.8.59 22. do número de indivíduos da regeneração da candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas para as regiões não 259 . A partir da espacialização da regeneração da candeia e do estrato arbóreo. aquelas que irão garantir o crescimento e se tornar árvores adultas. 3 e 4.12 42.13 15. Por esse índice não levar em conta as regenerações recrutas. o fragmento 1 se torna semelhante aos fragmentos 2. sendo representada pelo índice de estoque.55 Moderada 0.76 51.Parâmetros estimados para regeneração natural da candeia.52 3. isso indica que regiões próximas.08 73. é preciso levar em consideração.Parâmetros estimados para o estrato arbóreo de outras espécies nativas.. indicam-se os modelos que melhor se ajustaram para a regeneração e o estrato arbóreo e seus respectivos parâmetros: efeito pepita (τ2). ao longo do tempo a regeneração cresce e se estabelece nas áreas manejadas. 3 e 4.95 Dependência Forte Forte Forte Moderada Forte Tabela 12.41 70.94 34.09 16.7 e 12. Já. ou seja.8 .86 Moderada Esses resultados evidenciam que a continuidade espacial da regeneração natural da candeia.9.35 12. em áreas manejadas é um fator de relevância.07 ø 135.CAPÍTULO 12 .89 35. são semelhantes quanto ao desenvolvimento da regeneração da candeia.SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. foi possível compreender a relação espacial entre esses dois estratos. Isso não representa problemas para o fragmento 1.02 21. como já mencionado.46 22.72 τ2 46. a sustentabilidade do manejo nesta área não é comprometida. além do estabelecimento em altura.. Para garantir a sustentabilidade. De forma prática.57 1. Fragmento 1 2 3 4 5 Modelo Gaussiano Gaussiano Gaussiano Wave Gaussiano σ2 204. mais uma vez. assemelhando-se a estes somente em termos de densidade de regenerações estabelecidas.36 5. 4 e 5.5 a 12. a partir da krigagem ordinária.21 51. apresentar regeneração de indivíduos não estabelecidos e recrutas significativamente superiores aos fragmentos 2. o que não ocorre nos fragmentos 2. garantindo a sustentabilidade. Nas Tabelas 12.27 30.48 75.78 Moderada 0.86 81. observa-se na Tabela 12.96 0.6 que os fragmentos 1 e 5 são. para a dependência espacial do estrato arbóreo. 3 e 5 e moderada no fragmento 4. Quanto ao índice de estabelecimento da regeneração. Nas Figuras de 12.09 2.69 41. para a quantidade de regenerações estocadas.75 IDE 81. De acordo com os resultados. o grau de dependência espacial da regeneração foi forte nos fragmentos 1.92 7. 3 e 4.38 18.29 87. essa quantidade de regenerações estocadas. esta foi fraca nos fragmentos 1 e 3 e moderada nos fragmentos 2.79 35. pôde-se perceber que a relação é positiva e igual a 1.55 93. dentro de um mesmo fragmento. quanto à sustentabilidade do manejo. os de maior estoque e significativamente superiores aos demais.42 Fraca 1. para auxiliar no manejo sustentável dessa espécie.58 0. esse índice foi significativamente superior aos demais. pois este possui apenas 8 meses de exploração e é ocupado por regenerações em fase inicial de desenvolvimento.49 7.78 Fraca 2. Fazendo-se a correlação entre essas duas variáveis.7 . que retrata o desenvolvimento dessa somente em termos de altura. esse foi crescente com a idade de manejo de cada fragmento. mostram-se os mapas de estimativa. no fragmento 5. Porém. pois o banco de regenerações que está em pleno desenvolvimento garantirá o estabelecimento dela ao longo do tempo. Já.

3 e 4. em razão da frequência da regeneração da candeia ter apresentado elevada correlação com a área basal dessas outras espécies.Mapas de krigagem da regeneração de candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas no fragmento 1 260 .5 . Conhecer a forma de distribuição espacial do estrato arbóreo foi importante. pois permite que a espécie se estabeleça novamente na área manejada.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA amostradas em cada fragmento. tendendo a se concentrar nas áreas em que o dossel é mais aberto. foi possível inferir sobre a existência de uma relação espacial entre a regeneração natural da candeia na área manejada com o estrato arbóreo remanescente. esse comportamento é extremamente importante. garantindo a sustentabilidade e permitindo que esta se torne apta ao manejo no futuro. a regeneração da candeia é menos intensa e mais irregular do ponto de vista da distribuição espacial. onde o estrato arbóreo de outras espécies nativas ocorre com maior intensidade. onde o estrato arbóreo ocorre com baixa intensidade. Pode-se perceber que nos fragmentos 2. tanto em quantidade quanto em distribuição por toda a área manejada. Esse resultado fortalece a premissa de que o manejo é sustentável quando realizado em áreas de predominância com candeia. Figura 12. a regeneração natural da candeia se estabelece de forma expressiva. Do ponto de vista ecológico. Pode-se perceber que nos fragmentos 1 e 5. Assim.

Mapas de krigagem da regeneração de candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas no fragmento 3.Mapas de krigagem da regeneração de candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas no fragmento 2..SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA. Figura 12.7 .6 . 261 .. Figura 12.CAPÍTULO 12 .

262 .Mapas de krigagem da regeneração de candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas no fragmento 4.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 12.9 .8 .Mapas de krigagem da regeneração de candeia e do estrato arbóreo de outras espécies nativas no fragmento 5. Figura 12.

onde não foi atendida a exigência de predominância mínima de 70% de candeia. O manejo da candeia.SUSTENTABILIDADE DO MANEJO DA CANDEIA NATIVA.. livre de competição com outras espécies. além de estimular a preservação e conservação do meio ambiente. Pois são áreas de campo. que recomenda que este seja implantando somente em áreas de predominância de candeia e que sejam aplicados todos os tratamentos que favoreçam o desenvolvimento de sua regeneração natural. pois propicia geração de renda e desenvolvimento social para os produtores rurais. torna-se uma opção sustentável..CAPÍTULO 12 . 3 e 4.4 Síntese Os fragmentos 1 e 5 retratam as condições ideais para a realização do manejo sustentável da candeia. Os planos de manejo com candeia são viáveis somente quando realizados conforme as normas da Portaria Nº 01 de 05 de janeiro de 2007. 12. a regeneração dessa espécie é menos intensa e sua distribuição espacial mais irregular. 263 . quando realizado dentro das normas. Nos fragmentos 2. com cambissolos e de baixa fertilidade. que desejam usufruir de áreas nativas em suas propriedades. o que pode comprometer a sustentabilidade do manejo. em que essa espécie é bem adaptada e se estabelece com predominância mínima de 70%.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 264 .

Tal ocorrência vai desde as plantas rasteiras. Japão. A função desse óleo essencial nas plantas tem sido amplamente discutida. Atualmente. em sua maioria.). líquidas ou voláteis.. São obtidos a partir de diversas partes das plantas. por duas classes de compostos: os terpenos e os fenilpropenos. em ambientes adversos. China e Índia. na reprodução. sementes e seus produtos extrativos como as resinas) é tão antigo quanto a história da humanidade. passando facilmente a resinas. Nos relatos sânscritos dos Ayurvedas (há mais de 2. no crescimento ou na produção de compostos químicos para se defenderem dos insetos. provavelmente álcoois aromáticos de espécies de capins do gênero Cymbopogon (capim-limão e citronela) e mirra. possuem a tendência para se polimerizarem ou auto-oxidarem.C. entre as mais de 700 substâncias aromáticas citadas (DE LA CRUZ. 265 . por hidrodestilação (BRAGA. quimicamente muito complexas e variáveis na sua composição. segundo processamentos específicos. A evolução de conhecimentos técnicos sobre óleos essenciais deu-se em meados do século XVIII quando se iniciaram os estudos para suas caracterizações químicas.000 a. Os terpenos são compostos geralmente insaturados. Segundo Foekel (1977). Carneiro e Fernandes (1996) citam que. 2003). basicamente. os óleos essenciais mais conhecidos e utilizados são constituídos. Pérsia. 1971). como é o caso da hortelã.) MACLEISH) NATIVA Cláudia Lopes Selvati de Oliveira Mori José Otávio Brito José Roberto Soares Scolforo Mário Tomazello Filho Lourival Marin Mendes Edson José Vidal 13.INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS. com destaque para Egito. até plantas de porte arbóreo. 13 INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS DO LOCAL DE CRESCIMENTO SOBRE O RENDIMENTO E A QUALIDADE DO ÓLEO ESSENCIAL DE CANDEIA (Eremanthus erythropappus (DC. óleos essenciais são constituídos de misturas de numerosos compostos voláteis. da candeia (VITTI. com a variação entre espécies: flores. frutos. As referências históricas de obtenção e utilização desses óleos estão ligadas. mesmo. Segundo Costa (1975).1 Introdução O uso de plantas aromáticas (inteiras ou suas partes como folhas. na cosmética e em cerimônias religiosas. insolúveis na água. havendo concordância quanto a tratar-se de substâncias de defesa. herbívoros. mas solúveis em vários solventes imiscíveis nesta e também no álcool. BRITO. microrganismos patogênicos e outros inimigos naturais.CAPÍTULO 13 . 1997).. as plantas “escolhem” onde aplicar mais sua energia e seus recursos. aos países orientais. como é o caso do eucalipto e. sendo empregadas na medicina. sementes. originalmente. formando derivados de adição com hidroácidos. sendo os primeiros os mais abundantes. há descrições de técnicas rudimentares utilizadas pelos hindus para a obtenção de produtos destilados. é amplo o número de plantas conhecidas para a produção de óleos essenciais em bases econômicas. com tensões de vapor elevadas. A denominação óleo essencial define um grupo de substâncias naturais aromatizantes. cascas. que são extraídas de diferentes partes de algumas espécies vegetais. Os óleos essenciais existem naturalmente em diversos órgãos das plantas e consistem numa mistura de substâncias que podem ser sólidas.

. pela alta demanda e consumo de produtos naturais de origem vegetal. antimicótica. A madeira de candeia apresenta odor desagradável decorrente da presença de óleo-resina. sendo essa uma característica que. em razão de suas propriedades antiflogísticas. de clima e de culturas às quais a planta produtora se encontra submetida. Mori e Mendes (2010). enquanto a omissão de boro contribuiu para o aumento da tortuosidade do caule das plantas. nas chamadas “terras frias”. origem e natureza química dos componentes majoritários (BRAGA. particularmente. SCOLFORO et al. com afloramento de rochas. em produtos cosméticos hipoalergênicos (TEIXEIRA et al. 1996. são empregados nas indústrias cosméticas. 2003). farmacêutica e alimentícia. A utilização de óleos essenciais apresentou crescimento nos últimos anos. elementos de vasos com pontuações numerosas e muito pequenas. a candeia vem sendo intensamente explorada em suas regiões de origem. são exemplos o bálsamo de copaíba e o bálsamo do Peru. em áreas nativas.52% de holocelulose. foi demonstrado que plantas jovens de candeia (Eremanthus erythropappus) apresentaram alto requerimento nutricional. fibras fibriformes curtas de parede celular espessa e presença de células de óleo no raio. 2000). De acordo com a sua consistência. A espécie é considerada por Lorenzi (1992) como sendo de hábitat especial. onde o solo se classifica como Cambissolo e Litossolo. bálsamos e óleo-resinas. 2010). 1996). vem sendo utilizada nas indústrias cosméticas e farmacêuticas. cascas. MORI. S. Os óleos essenciais podem ser classificados com base em diferentes critérios: consistência (viscosidade). às vezes. pois. FERNANDES. pela alta concentração do constituinte químico α-bisabolol.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA folhas. 2002). Os órgãos que têm um elevado teor de umidade ou aqueles em que os tecidos são constituídos por células de paredes delgadas.. 50. tendo P. O α-bisabolol tem sido empregado em substituição ao azuleno (substância ativa da camomila). As características de um óleo essencial são dependentes das condições de solo. Durante o seu crescimento. seguidos por Mg e B. Neste capítulo será apresentada uma análise da influência das condições do solo. Por conta desse fato. (MORI. Em estudo realizado por Pereira (1998). dermatológicas e espasmódicas. altitude e idade da árvore no rendimento de óleo essencial e teor de α-bisabolol comparando-se essas variáveis em dois povoamentos distintos de candeia nativa (Eremanthus erythropappus). As essências fluidas são os líquidos voláteis à temperatura ambiente. Os bálsamos são de consistência mais espessa. microscopicamente possui parênquima axial escasso e radial bastante fino. placas de perfuração simples. MENDES. o que pode ser parcialmente dependente de sua nutrição mineral. é encontrada em altitudes em torno de 1. às mudanças químicas que se operam como oxidação e resinificação dos componentes (CARDOSO et al.39% de constituintes inorgânicos. grã-reversa e dura ao corte. Por outro lado.000 metros. 2007). Essa perda deve-se não somente à evaporação. também tem grande influência na qualidade dos óleos essenciais o método segundo o qual o óleo é extraído (CARNEIRO. 2001. A aplicação de Zn reduziu o crescimento das plantas. a composição química da madeira de candeia varia entre 20. As óleo-resinas têm o aroma das plantas em forma concentrada e são tipicamente líquidos muito viscosos ou substâncias semissólidas (GUENTHER. tais como flores e folhas podem perder uma parte considerável do seu óleo. Por causa de sua importância econômica. dificulta seu uso. o que tem causado forte redução da sua área de ocorrência natural.. os óleos essenciais se classificam em essências fluídas. madeira ou raízes com composição e concentrações diferentes. como os nutrientes mais limitantes ao crescimento das plantas. Estes. é típica a formação de caules tortuosos. se forem secas antes da colheita. 20.59% de lignina e 0. N. A candeia (Eremanthus erythropappus). PERÉZ. são pouco voláteis e propensos a sofrerem reações de polimerização. mas. Segundo Mori. 266 . antibacteriana. 1972).89% de extrativos totais. tem crescido o interesse pela a realização de estudos sobre a espécie e a obtenção de óleo de sua madeira (GALDINO et al. por sua vez.

A área está localizada nas coordenadas de 21°58’23” de latitude sul e 44°44’35” de longitude oeste.1 Seleção das árvores e coleta de madeira O material em estudo foi coletado na região do Sul do Estado de Minas Gerais. e as menores precipitações ocorrem em junho. a média anual varia entre 18 0C e 19 0C e a média anual de precipitação pluviométrica é de 1. Assim.1 a 15 cm e terceira classe de 15. Os meses mais chuvosos são dezembro. tropical de altitude.CAPÍTULO 13 . se comparada à área localizada morro acima (Área 2).1 . O local de estudo não apresentava histórico registrado de prática anterior de manejo de candeia. totalizando o corte de 30 árvores (Figura 13. O clima. possui melhores condições de solo para o desenvolvimento da candeia.INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS.1.000 m. A altitude média gira em torno de 1. na Fundação Matutu. 13.2 Desenvolvimento do estudo 13. Área 2: 1.Croqui da área (Área 1: 1000 m. Figura 13. segunda classe de 10. 267 . com verões suaves.2. conforme a Figura 13. na classificação de Köppen.400 mm. julho e agosto. A temperatura do mês mais quente é inferior a 22 0C. é mesotérmico úmido do tipo Cwb. As classes diamétricas consideradas.1 a 20 cm. As árvores foram provenientes de duas partes distintas do candeial. As alturas foram consideradas até a primeira bifurcação da árvore.. foram abatidas cinco árvores em cada uma das três classes diamétricas nas duas condições de solo.2). janeiro e fevereiro. em Aiuruoca. em Cambissolo..100 m de altitude) Coletaram-se amostras de madeira nas duas áreas acreditando-se que a área de baixada (Área 1). com medidas tomadas no DAP foram: primeira classe de 5 a 10 cm.

5% . Figura 13.Medição do diâmetro e corte das árvores. em razão da dificuldade de acesso ao candeal até a estrada. com níveis de significância de 0.3). 5% e 10% na tabela T bilateral. Posteriormente.3 .2 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Para comparação das médias dos diâmetros e alturas. aplicou-se o teste t de Student. as amostras foram levadas para Carrancas/MG. O transporte da madeira foi realizado por meio de animais (muares) (Figura 13. 1% . 268 . para o processamento das mesmas.Transporte da madeira por muares. Figura 13. utilizando-se o nível de probabilidade com maior ou menor restrição conforme a variação amostral.

2 Coleta e análise do solo Em cada uma das duas áreas de estudo identificadas.CAPÍTULO 13 . mediante o auxílio de uma lixadeira mecânica. Essa metodologia foi adaptada de Baruso (1977) citado por Peréz (2001). as granulações mais finas foram utilizadas para um acabamento mais refinado. .Preparo dos discos Os discos obtidos da base das árvores foram trabalhados de maneira a eliminar as irregularidades deixadas pela motosserra.2. foram utilizadas lixas d’ água com as seguintes granulações: 100. a idade da árvore (Figura 13. Área 2: 1100 m de altitude) As análises foram realizadas seguindo metodologias de análise do solo descrita por Ferreira et al. obtendo-se. 13.Amostragem do solo (Área 1: 1000 m. 269 . foram coletadas quinze amostras de solo. 13. Já. Para tanto. incluindo determinação do pH. (1998). que possibilitou uma melhor visualização dos anéis de crescimento das árvores. resultando em duas amostras compostas de solo (Área 1 e Área 2)..Contagem dos anéis O lixamento foi procedido pela contagem dos anéis da seguinte maneira: primeiramente foi traçada uma reta marcando um diâmetro do disco. na camada de 0 e 20 cm de profundidade. 150. Solo1 Solo2 Figura 13. assim. fertilidade do solo e do gradiente de retenção de água no solo a 0. Essas amostras foram misturadas para cada área de estudo. o número de anéis de crescimento foi contado.4). 320 e 400. Com o auxílio de uma lupa.5). 220.2.4 .INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS.. (2003) e Silva et al.02 atm e a 15 atm.3 Determinação da idade . destinadas às análises químicas e físicas (Figura 13. As granulações de lixas mais grossas foram utilizadas para uniformizar as irregularidades mais grosseiras.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Figura 13.5 - Disco preparado para contagem dos anéis de crescimento

No caso dos discos que apresentavam forma muito diferente da circular, ou no caso de apresentarem defeitos,
que não permitiram a aplicação dessa metodologia, foram traçados raios em locais em que era possível a contagem.

13.2.4 Extração do óleo essencial

Os troncos das árvores selecionadas foram levados até a empresa Citrominas, em Carrancas/MG, onde
passaram pelo processo de transformação em cavacos, como mostrado na Figura 13.6, cuja granulometria foi
aproximadamente de uma polegada. Após picadas, as amostras foram enviadas para a Escola Superior de Agricultura
“Luiz de Queiroz”, em Piracicaba, SP, para as destilações.

270

CAPÍTULO

13 - INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS...

Figura 13.6 - Sequência da transformação da madeira de candeia em cavacos.

271

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Para o isolamento do óleo essencial, foi utilizado o método de destilação por arraste a vapor d’água com
pressão, conforme Figura 13.7.

Figura 13.7 - Destilador por arraste a vapor d’água com pressão para extração de óleo essencial.

No método de destilação por arraste a vapor, as amostras em forma de cavacos foram destiladas em autoclave,
à pressão de 2,0 kg/cm2, durante 2h30. O óleo e o vapor d’água proveniente da autoclave foram coletados mediante
condensação, à temperatura entre 50 oC e 60 oC. Após a destilação, o óleo foi recolhido e quantificado quanto ao
seu rendimento em relação à massa de madeira. Foram realizadas três destilações por material avaliado, cujos óleos
foram, em seguida, analisados por cromatografia gasosa (CG), para a determinação do teor de α-bisabolol.
No final de cada extração, o hidrolato foi coletado em balão de separação e, na capela, foram adicionados
12 mL de diclorometano para que o óleo decantasse (no fundo do balão) juntamente com o solvente. Após algumas
agitações do balão e liberação dos vapores, a mistura água-óleo-diclorometano permaneceu em repouso por 24 horas.
A mistura solvente-óleo foi então, transferida para um recipiente de vidro com massa conhecida, evaporando-se o
solvente a uma temperatura de 45 0C (estufa de circulação de ar), durante 4 horas. Após essa etapa, foi determinado
gravimetricamente o rendimento em óleo essencial da madeira de candeia.

13.2.5 Avaliação da qualidade do óleo (CG)

Essa etapa, foi realizada no Laboratório de Química, Celulose e Energia (LQCE) do Departamento de
Ciências Florestais da ESALQ/USP. A caracterização do óleo foi feita em cromatógrafo gasoso (CG), tendo como
padrão de referência o α-bisabolol. Visando à determinação desse componente, a injeção de óleo se deu mediante
sua diluição em éter, na proporção de 250 mg/L de solvente. A coluna utilizada foi a HP Ultra 2 (5% fenil-metilsiloxano, 25 m x 0,2 mm x 0,33 mm). O fluxo na coluna foi de 1 mL/min, a temperatura do injetor de 250 0C, a
temperatura inicial do forno de 45 0C por 2 minutos e a velocidade de aquecimento de 5 0C /min, até a temperatura
de 280 0C. O volume injetado de amostra foi de 1,0 µL e a razão split de 1:20. O gás de arraste utilizado foi o hélio.

272

CAPÍTULO

13 - INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS...

A fim de se reduzir os erros experimentais das estimativas dos efeitos de tratamentos, tornando-as mais
exatas, efetuou-se a análise de covariância para ajustar os valores da idade das árvores e o teste de Tukey, a 5% de
probabilidade, para as variáveis rendimento em óleo essencial na madeira de candeia e teor de α-bisabolol contido
no óleo.
O modelo estatístico utilizado foi: Yij = μ+ ti + β(xij – X) + eij,
em que:
Yij = observação relativa ao i-ésimo tratamento na j-ésima repetição;
μ = média geral;
ti = efeito do i-ésimo tratamento;
β = coeficiente de regressão linear;
xij = covariável (idade) medida no i-ésimo tratamento na j-ésima repetição;
eij = erro experimental.

13.3 Resultados

13.3.1 Análise do solo
Os resultados de análise de solo são apresentados na Tabela 13.1.
Tabela 13.1 - Fertilidade e retenção de água no solo (Área 1: 1.000 m; Área 2: 1.100 m de altitude)

Fertilidade
Área 1
Área 2
pH (H2O)
5,2
4,9
P (mg/dm3)
1,2
0,6
3
K (mg/dm )
25
42
Ca 2+ (cmolc/dm3)
0,4
0,4
Mg 2+ (cmolc/dm3)
0,2
0,2
Al 3+ (cmolc/dm3)
0,9
1,7
3
H + Al (cmolc/dm )
6,3
9,8
SB (cmolc/dm3)
0,7
0,7
3
CTP (t) (cmolc/dm )
1,6
2,4
CTC (T) (cmolc/dm3)
7,0
10,5
V (%)
9,5
6,8
M (%)
58
71
MO dag/kg
4,0
4,3
P-rem (mg/L)
10,9
9,9
Curva de retenção de umidade
Área 1
Área 2
15 atm (%)
10,70
11,19
0,02 atm (%)
53,03
40,56
pH em água, KCL e CaCl2 – relação 1:2,5; P–Na–K–Zn–Mn–Cu – Extrator Mehlich 1; Ca – Mg – Al – extrator KCl 1N; H +
Al extrator: SMP; B – extrator água quente; S – extrator – fosfato monocálcico em ácido acético; SB = soma de bases trocáveis;
CTC (t) – capacidade de troca catiônica efetiva; CTC (T) – capacidade de troca catiônica a pH 7,0; V= índice de saturação de
bases; M = índice de saturação de alumínio; ISNa – índice de saturação de sódio; matéria orgânica (MO) – oxidação: Na2Cr2O7
4N + H2SO4 10N ; P-rem= fósforo remanescente.

273

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA

Ambas as áreas estudadas apresentam solos com baixa fertilidade, apesar de algumas distinções entre os
mesmos. O solo da Área 2 apresentou menor teor de P e maior teor de K. O fósforo (P) é essencial para o crescimento
das plantas, para completar seu ciclo normal de produção. Atua na fotossíntese, na respiração, no armazenamento
e na transferência de energia, na divisão celular, no crescimento das células e em vários outros processos da planta
(VENTURIN et al., 2005). O potássio (K) também é um nutriente importante e que atua no metabolismo dos
vegetais, pois, em menor quantidade, diminui o suprimento de carboidratos nas plantas (LOPES, 1989).
Quanto aos nutrientes secundários (Ca, Mg e S), não houve diferença entre os teores dos mesmos nas duas
áreas estudadas. No caso dos micronutrientes (B, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn), não foram encontrados nem mesmo traços
desses elementos em ambos os solos. Muitos nutrientes, por exemplo, Zn, Mn, Cu, Fe, Mo, Co, apresentam baixa
ou nenhuma mobilidade no solo, o que dificulta a sua absorção pelas plantas, principalmente durante os estádios
de desenvolvimento em que as mesmas demandam altas quantidades de nutrientes, podendo, nessa situação, vir a
comprometer a produtividade (BRAKEMEIER, 1999). O B ativa a enzima fosforilase do amido responsável pela
síntese de amido, substância de reserva das sementes, raízes e colmos. Plantas deficientes em boro podem apresentar
grãos leves, bem como menor pegamento de florada e formação de sementes, seca de ponteiros com morte de gema
terminal, proporcionando a concentração do hormônio de crescimento (AIA) nas folhas e ramos, colaborando para
o superbrotamento e o pequeno desenvolvimento radicular (FAVARIN; MARINI, 2000).
A capacidade de troca catiônica do solo (CTC) apresentou valores, variando de 1,6 (área 1) e 2,4 (área 2).
Segundo Lopes (1989), solos com CTC entre 1 e 10 apresentam alto teor de areia, tendo maior predisposição para
a lixiviação de nitrogênio e potássio e baixa capacidade de retenção de água. Isso pode ser confirmado pela textura
arenosa-siltosa das áreas estudadas.
Os valores de matéria orgânica nas Áreas 1 e 2 foram, respectivamente, 4,0 e 4,3 e associados aos valores
da CTC e do pH do solo, pode-se concluir que, no aspecto geral, ambas as áreas apresentam solo intemperizado. De
acordo com Schumacher, Hoppe e Zancon (1999), a matéria orgânica tem correlação positiva com P, K, Ca, Mg,
CTC e V, como verificado em solos com alto teor de matéria orgânica e pH baixo, em região de altitude elevada.
Logo, quanto maior o teor de matéria orgânica, maior o teor desses elementos no solo.
Nota-se também predominância de Al3+ nos solos, sendo esse teor maior no solo da Área 2. Nessas
condições, a percentagem de saturação de cálcio, magnésio e potássio mostrou-se também baixa.
Observando a curva de retenção de água no solo, nota-se que o solo da Área 1, localizada na parte baixa
da encosta, apresenta maior valor que o da área superior da encosta (Área 2), sobretudo considerando-se a retenção
de água a 0,02 atm.
Segundo Lima (1986), com relação à retenção de água do solo em florestas, pode-se afirmar que:
- quanto maior o declive, maior será o escoamento superficial, existindo uma estreita correlação entre
a densidade da floresta e o escoamento, porém, em floresta densa, com a mesma declividade, o escoamento
superficial é menor;
- nas encostas, com exposição norte, ocorre maior escoamento superficial. Isso se deve à alta insolação que
acelera a decomposição e impede a formação de uma espessa camada de serapilheira;
- nas florestas de folhosas, o escoamento superficial é ligeiramente menor que nas florestas de coníferas,
embora, nas coníferas, ocorra formação de uma manta hidrofóbica. Esse menor escoamento ocorre em florestas que
produzem manta densa e com boa estrutura. Em povoamentos jovens e com pouca manta na superfície do solo, o
escoamento é sensivelmente maior.
- Os solos arenosos permitem maior infiltração da água, quando comparados aos solos argilosos.
- As queimadas influenciam diretamente no escoamento superficial, pois, além de eliminar os resíduos e a
matéria orgânica, parecem produzir substâncias hidrofóbicas que formam uma camada de impedimento para a água
a uma pequena profundidade do solo. E nas áreas estudadas já apresentaram um histórico de ocorrência de incêndio.
274

CAPÍTULO

13 - INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS...

De modo geral, o solo da Área 2 é mais ácido, com maior saturação de alumínio trocável, maior capacidade
de troca catiônica e maior acidez potencial que o solo da Área 1. Sem contar que, em termos de fertilidade e
retenção de água, o solo da Área 1 apresenta-se em melhores condições de desenvolvimento das plantas que o solo
da Área 2, mesmo este tendo um pouco mais de matéria orgânica e potássio. Os resultados da análise do solo das
áreas estudadas foram semelhantes aos resultados apresentados por Scolforo et al., (2007), em candeais de áreas
manejadas da região sul do estado de Minas Gerais.

13.3.2 Diâmetro e altura das árvores

Os valores médios referentes ao diâmetro a 1,30 m de altura do solo (DAP) e altura das árvores até a

primeira bifurcação encontram-se na Tabela 13.2.
Tabela 13.2 - Diâmetro e altura das árvores – valores médios por tratamento
Área

1

2

DAP / CD

DAP / Área

CD

________

DAP

CV

1

6,80

23,01

2

11,50

6,87

3

16,80

1

________

CV

DAP

Altura / CD
__

H

CV

1,64

20,38

1,53

15,60

7,60

1,26

8,60

6,90

17,30

1,83

32,43

2

11,30

10,56

1,40

20,97

3

16,70

11,51

1,46

17,07

11,70

12,34

11,60

13,15

Altura / Área
H

__

CV

1,47

14,86

1,56

23,49

Área 1 = 1.000 m e Área 2 = 1.100 m; CD: classes de diâmetro: 1 (5,0-10,0 cm), 2 (10,1-15,0 cm), 3 (15,1-20,0 cm); CV:

coeficiente de variação (%); M: média; DAP diâmetro médio em centímetros; H altura média em metros.

O diâmetro medido a 1,30 m do solo (DAP) e a altura das árvores da área 1 não diferiram estatisticamente
da área 2 pelo teste “t” Student, a 10% de probabilidade.

- Determinação da idade
Nas Tabelas 13.3 e 13.4, são apresentados, respectivamente, o resumo da análise de variância da idade das
árvores e os resultados dos valores médios por área e classe de diâmetro.
Tabela 13.3 - Análise de variância da idade das árvores de candeia
Fonte de variação
Classe de diâmetro
Área
Resíduo
CV

GL
2
1
23
14,35

QM
120,73 *
1385,66*
20,21

GL: grau de liberdade; QM: quadrado médio; CV (%): coeficiente de variação; * significativo, a 5% de probabilidade, pelo teste F.

Observou-se que a idade das árvores de candeia estudadas foi significativa para as Áreas 1 e 2 e para as
classes de diâmetro, a 5% de probabilidade, sendo considerados seus valores estatisticamente diferentes.

275

com nível de significância de 5%. para a comparação das médias das idades de cada classe de diâmetro.0 cm).65 Resíduo 22 154. 3 (15. QM: quadrado médio. a 5% de probabilidade. 3 (15.47 Classe de diâmetro 2 130.100 m. 276 .8 a 18. Esses resultados devem ser considerados com certa cautela.100 m (tratamentos). foi a que apresentou árvores com maior idade.1-15. CV = Coeficiente de variação (%). as árvores das classes 1 e 2.49 CV 19.62x10-2 Área 1 0. pelo teste F.12* Idade 1 0.75* Resíduo 22 0. as médias dessas mesmas variáveis são apresentadas na Tabela 13. As médias seguidas de uma mesma letra em uma mesma coluna não apresentam diferença significativa.0 cm). mostrou que as árvores das classes de diâmetro maiores (classe 3) foram as que apresentaram maiores idades.78* Idade 1 2.0 cm).0-10. 2 (10.75 3 45 a 9.000 m e Área 2 = 1.Rendimento em óleo essencial e teor de α-bisabolol Os valores estatistíscos do rendimento em óleo essencial da madeira de candeia e o seu teor de α-bisabolol são apresentados na Tabela 13. a 5% de probabilidade. O teste Tukey.4 . enquanto ao considerar as classes diamétricas não houve diferença estatística.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 13.73 39. da área 2 podem ser consideradas iguais.1- Área CLD − − 20.000 m e Área 2 = 1. I = média das idades. . Tabela 13.26 1 24 b 11.0-10.0 cm). * significativo. dado aos altos valores de coeficientes de variação das médias. Já. 2 (10.Resumo da análise de variância do rendimento em óleo essencial e teor de α-bisabolol Rendimento de óleo essencial Teor de α-bisabolol Fonte de variação GL QM Classe de diâmetro 2 0.5. Em termos estatísticos.3 Área 1 164.82x10-1 CV 56. O teor de α-bisabolol apresentou diferenças significativas de uma área para outra. que indicam uma variabilidade importante entre as árvores. CLD: classes de diâmetro: 1 (5.1-20.04 Área 1 = 1.1-15. comparativamente às da área 2 de maior altitude. Observou-se que as diferenças de rendimento foram estatisticamente significativas para a área e a idade e não significativas para as classes diamétricas. GL: grau de liberdade.0 cm). pelo teste Tukey.56 Área 1 = 1.6. CV: coeficiente de variação (%).03 25 b 11. Classes: 1 (5.64 1 2 40 b 12. As árvores coletadas na área de baixada (área 1).0 cm).21 3 27 a 6.41 2 2 24 b 12.Valores médios de idade das árvores por classe de diâmetro e por tratamento − CV CV I /CLD I /área 1 34 c 20.5 .

74 38.100 m. Médias seguidas de uma mesma letra em uma mesma coluna não apresentam diferença significativa. 3 (15. maior será o rendimento em óleo essencial.67%) foi maior do que o rendimento na Área 2 (0.56 3 0.7 3 60..38 1 63.7 . significando que.47 1 0. Observando-se os dados da Tabela 13.89 (%) 1 71.37 b 19.57 58. Tabela 13.32 0.235%) que na Área 1 (58.05 50.Coeficiente de correlações de Pearson entre a idade com o rendimento em óleo essencial da madeira de candeia e seu teor de α-bisabolol Variável Rendimento em óleo essencial Teor de α-bisabolol Idade 0.Influência da idade no rendimento em óleo essencial da madeira de candeia e teor de α-bisabolol A influência da idade no rendimento em óleo essencial da madeira de candeia e o teor de α-bisabolol podem ser observados na Tabela 13.68 0. respectivamente. O rendimento em óleo essencial apresentou correlação positiva com a idade. quanto maior a idade das árvores de candeia.06 3 1.7.347* * e ** significativo. O teor de α-bisabolol apresentou correlação negativa com a idade. nota-se que. 277 .35 2 2 69.23 a 23.30 28.35 50. em plantas adultas.valores médios por área e classe de diâmetro (%) 1 2 Rendimento médio/CLD 0. pelo teste Tukey. Tabela 13. esse metabolismo tende a estabilizar até a senescência. maior capacidade de produzir e armazenar materiais de reserva para a proteção e crescimento das plantas.43 Área 1 = 1.6 .0 cm). .0 cm). CLD: classes de diâmetro 1 (5. portanto.27 2 2 0.88 b 27.0 cm).INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS. a 5% e 1% de probabilidade.652** -0. Isso pode ser explicado pela fisiologia da planta: árvores mais jovens tem uma taxa metabólica maior e.93 67.67 a 56. a idade apresentou correlação significativa com o rendimento em óleo essencial da madeira de candeia e com o teor de α-bisabolol contido no óleo.. sendo maior na área 2 (67.10 31.03 56.40 10. ou seja. pelo teste Tukey com 5% de significância.88 Área CLD 1 Rendimento de óleo essencial (%) CV Rendimento médio/área CV 0.60 11. Já. a 5% de probabilidade.46 1 2 50.CAPÍTULO 13 . enquanto que.7.0-10. para as árvores estudadas.Rendimento em óleo essencial e teor de α-bisabolol .88%). o teor de α-bisabolol apresentou resultado inverso.1-15. menor será a porcentagem do teor de α-bisabolol contido no óleo essencial. CV: coeficiente de variação (%). quanto maior a idade das árvores de candeia. 2 (10.40 31. O rendimento de óleo essencial de candeia na Área 1 (0. pelo Teste F.70 12.99 α -bisabolol 3 59.1-20.49 37.37%).000 m e Área 2 = 1.80 16.

278 . assim como as árvores mais velhas.4 Síntese Qualitativamente. fatores estes que afetam o desenvolvimento das plantas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 13. as amostras de solo apresentam baixa fertilidade. uma menor altitude produziu maior rendimento de óleo essencial. Os rendimentos de óleo essencial e α-bisabolol não apresentaram diferenças entre as classes diamétricas. baixo pH e baixa capacidade de retenção de água. O teor de α-bisabolol foi maior na área de maior altitude e nas árvores mais jovens.

. 279 ..INFLUÊNCIA DA IDADE DA ÁRVORE E DAS CARACTERÍSTICAS.CAPÍTULO 13 .

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA ECONOMICIDADE E CADEIA DE COMERCIALIZAÇÃO DA CANDEIA 280 .

as empresas que tiverem selo verde. Segundo Amaral et al. já que as técnicas de manejo diminuem drasticamente os riscos de acidentes de trabalho. além de outras investigações que permitam. a conservação da estrutura da floresta e suas funções. Define. a conservação florestal. a manutenção da diversidade biológica e o desenvolvimento socioeconômico da região. a segurança do trabalho. 1993).1 Introdução O manejo florestal sustentável contribui para a manutenção e a utilização de maneira adequada da cobertura florestal e favorece o desenvolvimento de técnicas de análises quantitativas nas decisões sobre composição. de maneira que esta forneça benefícios ambientais. poderão ter maiores facilidades de comercialização no mercado internacional. para que a técnica seja viabilizada. a análise e o controle dos impactos ambientais. A candeia (Eremanthus erythropappus) é uma espécie florestal nativa cuja madeira é muito utilizada para a 281 . (1998). as oportunidades de mercado. já que as empresas que adotam um bom manejo são fortes candidatas a obter um selo verde e como a certificação é uma exigência cada vez maior dos compradores de madeira.ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14 ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Antônio Donizette de Oliveira Ivonise Silva Andrade José Roberto S. em função de este ser o sistema que está voltado para conciliar os ganhos econômicos com os ecológicos e sociais. os procedimentos de exploração florestal que minimizem os danos sobre o ecossistema. estrutura e localização de uma floresta. provando a autenticidade da origem manejada de sua madeira. assim. se comparado à colheita não-manejada e os serviços ambientais. a viabilidade técnico-econômica e a análise das consequências sociais. que. é necessário o levantamento criterioso dos recursos disponíveis. uma vez que os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Scolforo (1998) citou que os princípios do manejo florestal para a produção sustentada são: a conservação dos recursos naturais. retém maior parte da diversidade vegetal original e pode ter pequeno impacto sobre a fauna. sempre que necessário. É um sistema que deve se basear em pesquisas básicas. a existência de estoque remanescente do recurso que garanta a produção sustentada da floresta. A maneira mais promissora de explorar os recursos florestais é por meio do manejo sustentado. Scolforo 14. a rentabilidade. já que as florestas manejadas prestam serviços para o equilíbrio do clima regional e global. a identificação. a adoção de sistemas silviculturais adequados e o uso de técnicas apropriadas de plantio. com a finalidade de assegurar a confiabilidade das informações pertinentes. mantendo a diversidade e garantindo a sustentabilidade da floresta. o manejo pode conciliar a colheita de produtos florestais com a conservação da biodiversidade da floresta. por meio da intensidade de exploração realizada. garantindo. atendendo à legislação pertinente. na quantidade e na qualidade necessárias. Nessa mesma linha filosófica. uma vez que o manejo florestal garante a cobertura florestal da área. econômicos e sociais. para o futuro. já que a adoção do manejo garante a produção de madeira na área indefinidamente e requer a metade do tempo necessário na colheita não-manejada ou convencional. Além disso. o respeito à lei.CAPÍTULO 14 . de estudos de crescimento e sucessão da regeneração natural. ainda. tratamentos silviculturais. uma fonte de recursos de igual tamanho para as próximas gerações (PINTO. especialmente por meio da manutenção do ciclo hidrológico e da retenção de carbono. 2000). a elaboração de planos de manejo mais bem embasados para outras áreas com as respostas desses estudos (LOPES. os quais decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira. a caracterização da estrutura e do sítio florestal. capazes de verificar como ocorre a recuperação da floresta. as principais razões para manejar florestas são: a continuidade da produção. especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Os fragmentos se situam no município de Baependi. etc. a candeia apresenta alto potencial econômico e forte pressão de exploração. tropical de latitude.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA produção de moirões e óleo essencial. aqueles referentes às atividades de limpeza. Foram analisadas as seguintes situações para a venda da madeira da candeia: madeira em pé.2 Área de estudo A área de estudo é composta por fragmentos florestais nativos. 14. Além disso. que funcionarão como porta-sementes.2 Determinação das receitas As receitas foram obtidas. multiplicando-se o preço de venda da madeira para a produção de óleo pela quantidade de madeira produzida.3.. que foram explorados para a implantação do manejo florestal. na classificação de Köppen. em sistemas de manejo sustentável.3 Análise econômica do manejo da candeia 14. Neste capítulo. constituídos. 282 .3. predomina o solo Latossolo Vermelho-Amarelo. madeira explorada e entregue na beira da estrada pelo produtor rural e madeira entregue na fábrica de óleo pelo produtor rural. A temperatura do mês mais quente é inferior a 22oC. foram determinados os custos pós-exploração. nas coordenadas de 21o58’23’’ de latitude sul e 44o44’35’’ de longitude oeste.350 a 1. janeiro e fevereiro. 14. estado de Minas Gerais. julho e agosto. ou seja. Assim. predominantemente (mais de 70%). com verões suaves. A altitude varia de 1. O clima. Para determinar os rendimentos e os custos dessas operações. 14. é consumido pelas indústrias de cosméticos e medicamentos. 14. necessários para deixar a área explorada em condições de receber as sementes das árvores remanescentes. Os meses mais chuvosos são dezembro. o α-bisabolol.1 Determinação dos custos Foram determinados os rendimentos e os custos de todas as operações relacionadas à exploração e transporte da madeira de candeia utilizada para a produção de óleo. de árvores de candeia (Eremanthus erythropappus). é mesotérmico úmido do tipo Cwb. objetivou-se especificar e valorar os custos relacionados ao manejo da candeia e analisar a viabilidade econômica desse manejo.400 mm. aração. cujo princípio ativo. e as menores precipitações ocorrem em junho.700m. a temperatura média anual varia entre 18o e 19oC e a média anual de precipitação pluviométrica é da ordem de 1.3.3 Viabilidade econômica do manejo Para analisar a viabilidade econômica do manejo sustentável da candeia foram consideradas duas situações: horizonte de planejamento finito ou de um corte e horizonte de planejamento infinito ou de infinitos cortes. equipes de campo acompanharam as atividades para o estabelecimento dos sistemas de manejo. Na região.

fará a limpeza e a escarificação do solo (um ano após o corte) e o desbaste da regeneração natural (dois anos após o corte). mostra-se o fluxo de caixa que representa essa situação. n = duração do projeto. mais 283 . para uma taxa de juros de 8% ao ano. ou em número de períodos de tempo. confirma-se que o proprietário retirará a madeira. conforme formulações extraídas de Rezende e Oliveira (2001). O VPL de um projeto de investimento pode ser definido como a soma algébrica dos valores descontados do fluxo de caixa a ele associado. atualizados de acordo com determinada taxa de desconto. Nesse modelo. Rj = receita no final do ano j ou do período de tempo considerado. Assim: n VPL = ∑ j =0 n Rj (1 + i)-j - ∑ j =0 Cj (1 + i)-j em que: Cj = custo no final do ano j ou do período de tempo considerado.Horizonte de planejamento de um corte Na Figura 14.ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA . em que: R – receita obtida com a venda de madeira em cada ciclo de corte C1 – custo de elaboração do plano de manejo C2 – custo de exploração C3 – custo de transporte C4 – custo de taxas e impostos C5 – custo de limpeza e escarificação do solo C6 – custo de desbaste da regeneração natural C7 – custo anual da terra Figura 14. em anos. Quanto maior o VPL. a área não vai mais ser explorada para a produção de madeira. Considerou-se um ciclo de corte de 15 anos e que. i = taxa de juros ou de desconto.CAPÍTULO 14 .1. A analise econômica foi feita utilizando-se os métodos do valor presente líquido (VPL) e custo médio de produção (CMPr). depois.Fluxo de caixa para análise econômica do manejo da candeia em horizonte de planejamento de um corte. A viabilidade econômica de um projeto analisado pelo método do VPL é indicada pela diferença positiva entre receitas e custos.1 .

pressupõe-se que haverá exploração de madeira no candeal a cada ciclo de corte (rotação ou intervalo de tempo entre explorações sucessivas do candeal) e que o volume de madeira obtido nos cortes subsequentes serão sempre iguais aos obtidos no primeiro corte do fragmento. É necessário que esses valores sejam convertidos num mesmo período de tempo. variando de 15 a 30 anos. Assim. mostra-se o fluxo de caixa que representa esta situação. foram estabelecidos diversos cenários para simular ciclos de corte possíveis para essa espécie. Pode-se calcular o CMPr pela seguinte fórmula: Para saber se o projeto é viável.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA atrativo será o projeto. deve-se comparar o custo médio da produção de uma unidade com o valor de mercado do produto. pode ser obtido como se segue: VPL3 = 284 VPL ^1 + ihn ^1 + ihn . considerando um horizonte de planejamento infinito (VPL∞) que. em que: R – receita obtida com a venda de madeira em cada ciclo de corte C1 – custo de elaboração do plano de manejo C2 – custo de exploração C3 – custo de transporte C4 – custo de taxas e impostos C5 – custo de limpeza e escarificação do solo C6 – custo de desbaste da regeneração natural C7 – custo anual da terra Figura 14. assume-se que. O CMPr resulta da relação entre o custo total atualizado (CTj) e a produção total equivalente (QTj). .2 .Fluxo de caixa para análise econômica do manejo da candeia em horizonte de planejamento de infinitos cortes. para um ciclo de 15 anos. A análise econômica foi feita utilizando-se o método do valor presente líquido.1 . o candeal volte a ter produção volumétrica igual à de antes da exploração. o projeto será economicamente inviável. As simulações consideraram ciclos de corte. segundo Rezende e Oliveira (2001). nesse tempo. Quando o VPL for negativo. Uma vez que ainda não existem estudos mostrando qual o ciclo de corte ideal para fragmentos de candeia nativa submetidos ao manejo sustentável.2. Na Figura 14.Horizonte de planejamento de infinitos cortes Nesse caso. por exemplo.

970. as mesmas sejam transplantadas para outras áreas. O custo para a elaboração do mapa com todas as informações necessárias para a aprovação do plano de manejo é de cerca de R$12. é necessário fazer o censo da área de candeia. aproximadamente. em média. Considerando que.4. produtividade do candeal e custo de exploração sobre a viabilidade econômica do manejo.CAPÍTULO 14 . É necessário identificar os confrontantes. sendo uma para anotações e as demais para medir o diâmetro das árvores. Com base nessa informação. um fragmento com candeia produz 45 m3/ha. preço da madeira. Quanto maior o VPL∞.4.4 Custos do manejo florestal 14. Com base nessas informações. é realizado com a utilização do garfo diamétrico.1 Elaboração do mapa da propriedade Utilizando um GPS. Durante as medições realizadas no inventário. quando for o caso. as áreas de preservação permanentes (APPs) e a área de reserva legal que deverá ser averbada para a propriedade em questão. utilizando-se um software adequado (ArcMap ou AutoCad). Para a execução do inventário. a fim de que. o custo do inventário é de. acrescido do processamento e da elaboração do plano de manejo. utilizando o procedimento definido na Portaria 001/2007 do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF) ou em instrumentos a posteriori definidos pelos órgãos competentes. conforme preconiza a Portaria 001/2007 do IEF. faz-se o caminhamento pelas divisas da propriedade na qual será feito o manejo sustentável da candeia. O custo de obtenção dos dados do inventário. medir as árvores com diâmetro maior ou igual a 5 cm.4.00 por hectare. o procedimento mais comum para a contagem do número de árvores existentes na área. o projeto será economicamente inviável.40 por metro estéreo de madeira explorada. para um fator de empilhamento de 2. lançar parcelas de 1. 285 . R$1. nestas. mais atrativo será o plano e. 14. para poder implementar o manejo sustentável em um fragmento.67. quando esse valor for negativo.1. É importante ressaltar que. antes da época de corte das árvores. 14. por classe de diâmetro. medindo-se todas as árvores cujo diâmetro seja maior ou igual a 5 cm.ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Um determinado projeto ou plano de manejo da candeia será considerado viável economicamente se o VPL∞ for positivo. faz-se o mapa da propriedade.2 Inventário florestal e elaboração do plano de manejo florestal Devem ser consideradas duas situações para a realização do inventário florestal dos fragmentos de candeia a serem manejados: se o fragmento for pequeno (área até 10 ha).46/ha. é necessário utilizar um procedimento de amostragem adequado à situação. Foi realizada análise de sensibilidade para verificar o efeito da taxa de juros. situa-se na faixa de R$16. demarcar os córregos e nascentes. Para a realização do censo. obtém-se o volume de madeira por hectare e para toda a área do fragmento. é necessário que mais de 70% de sua área seja constituída de candeia. deve-se observar a existência de bromélias e orquídeas nas árvores. normalmente utiliza-se uma equipe composta de cinco pessoas.1 Custos de elaboração do plano de manejo florestal 14. se o fragmento tiver área grande (maior que 10 ha).000 m2 e.1.

40).02 por hectare.2 Transplantio de epífitas das árvores a serem cortadas É necessário retirar as epífitas que porventura estejam nas árvores a serem cortadas e transplantá-las para locais próximos.1 Identificação e marcação das árvores porta-sementes O sistema de árvores porta-sementes consiste em deixar no campo uma quantidade suficiente de árvores produtoras de sementes. Para determinar o custo dessa atividade por hectare. 14.4. Assim. Considera-se que são trabalhadas 176 horas por mês. conforme preconiza a legislação trabalhista. uma pessoa já treinada gasta.01. O rendimento dessa operação depende da intensidade de ocorrência de epífitas na área e da distância até o local para onde as mesmas serão transplantadas. três horas para executar essa atividade em um hectare.2 Custos de exploração Os custos apresentados a seguir se referem à exploração de fragmentos de candeia a serem manejados de acordo com o sistema de árvores porta-sementes. levaram-se em consideração os gastos com um trabalhador que recebe um salário mínimo (R$ 622.02/ha para executar essa atividade. a fim de garantir uma população adequada nos novos povoamentos. etc. Para uma situação de média intensidade de ocorrência de epífitas (cerca de 100 epífitas/ hectare) e distância de até um quilometro.4. uma pessoa gasta cerca de 2. 14.2.00). distribuídas em toda a área. 286 . preferencialmente para áreas de preservação permanente. reserva legal. Para identificar e marcar as árvores porta-sementes. gastam-se R$15. o custo da hora de trabalho é de R$ 6.4.2. as árvores deixadas como porta-sementes situam-se a uma distância entre seis e oito metros umas das outras. estimados em 70% do salário mínimo (R$ 435. acrescido dos encargos sociais. Assim.01 e o custo médio desta atividade é de R$ 18. em média.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14. Normalmente.5 horas de trabalho por hectare para fazer o transplantio. considerando o custo da hora trabalhada como sendo de R$ 6.

incluídas todas as despesas com motosserra. Como. R$ 1. em média. 287 . da topografia da área e de outras dificuldades encontradas pelo trabalhador para retirar a madeira do candeal. o corte é feito utilizando-se motosserra e o rendimento dessa operação varia em função do diâmetro e da altura das árvores. o custo de derrubada e traçamento das árvores é de. Em média. aproximadamente. em média. utiliza-se um caminhão que consegue transportar entre 16 e 20 mst de madeira. Quando a distância é grande. o custo de transporte com caminhão truck é de cerca de R$ 1. Assim. Considerando uma jornada diária de trabalho de 8 horas.2.00. O custo médio é de R$ 12. há dois tipos de veículos utilizados para o transporte da madeira até a indústria de óleo. e de outras dificuldades encontradas pelo operador de motosserra para cortar a madeira. para um fator de empilhamento de 2. da topografia da área. Considerando uma distância média de 630 km. é realizada por um trabalhador que utiliza dois ou três muares (burros) para o transporte da madeira até a beira da estrada mais próxima do candeal.25 mst de madeira por viagem e. resultando em um custo de R$ 37.ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14. obtém-se um rendimento de 0. 14. aproximadamente.561.4.67. Esses valores podem variar. alimentação.2.00/mst.441. com o aproveitamento dos galhos até um diâmetro mínimo de 3 cm. considerando a utilização de dois muares.4.CAPÍTULO 14 . para um fator de empilhamento de 2. que transporta cerca de 40 mst.4.2. o custo de extração é de. 14. transporte. o custo de transporte da madeira até a indústria é de. o pagamento da mão-de-obra necessária à execução dessa atividade é feito de acordo o rendimento obtido em mst de madeira cortada. Quando a distância do candeal à indústria é pequena. da proximidade das estradas para onde a madeira será baldeada. R$1. utiliza-se caminhão truck. normalmente. cada animal consegue realizar oito viagens em uma jornada de oito horas diárias de trabalho.00 por viagem. O preço pago por mst de madeira extraída é de R$13. ajudante.505.88 mst/hora. um fragmento com candeia produz 45 m3/ha. a uma distância média de transporte 500 m. Considerando que. um fragmento com candeia produz 45 m3/ha.500. etc. Normalmente. combustível. Cada animal transporta cerca de 0.5 Custo de transporte de madeira Normalmente. um trabalhador consegue cortar 7 mst de madeira em um dia de trabalho. dependendo do diâmetro da madeira.67. um fragmento com candeia produz 45 m3/ha.67. da densidade de árvores por unidade de área. R$ 4.62/ha.4 Custo de extração da madeira Essa atividade. Considerando que. aproximadamente.50/mst.80/ha.95/ha.3 Custo de derrubada e traçamento das árvores As árvores são derrubadas e cortadas em toras de cerca de um metro. em média. Normalmente. para um fator de empilhamento de 2. um trabalhador consegue extrair 4 mst de madeira por dia.

consequentemente.4. topografia da área. Essa operação dever ser realizada em época próxima a da dispersão de sementes (de agosto a setembro). Antes de realizar o corte. A profundidade de revolvimento do solo é de 5 cm.50 m). em média. 288 . Considerando uma área média em relação às dificuldades mencionadas. o custo dessa atividade é de R$ 120.50 m) e as regenerantes (altura<0.4.44/ha para executar esta atividade. diminuir a competição entre as remanescentes. 14. Findo esse período.8 Custo de desbaste ou raleio da regeneração natural da candeia Após a dispersão das sementes. sempre que possível.16/ha. Assim.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14.2. totalizando R$ 593. Para que o transporte da madeira possa ser efetuado.01 para a hora trabalhada. um trabalhador consegue limpar e escarificar 650 m2 de área por dia de trabalho (8 horas). Considerando o valor de R$ 6. conforme já calculado. R$ 29. o custo com DAIA é de. equidistantes 2 metros. as plantas devem estar com uma altura média de um metro (considerando as plantas estabelecidas (altura>1.4.65/m3 de madeira a ser cortada. O desbaste deve ser feito para reduzir a densidade de plantas por unidade de área e.30 e 1. as não estabelecidas (altura entre 0. Em média. aproximadamente. A taxa a ser paga é de R$ 0. um fragmento com candeia produz 45 m3/ha. a fim de deixar a área onde foi feito o corte em boas condições para receber as sementes a serem produzidas pelas árvores porta-sementes. Considerando que.2. tipo de vegetação que se encontra no sub-bosque do candeal. Sua finalidade é expor e revolver a camada superficial do solo que normalmente se encontra muito compactada. com base em um custo de R$ 6.30 m)) e haverá uma grande quantidade de plantas nos círculos onde foram feitas a limpeza e a escarificação do solo.01 para a hora de trabalho. é necessário que a indústria compradora da madeira disponibilize uma Guia de Controle Ambiental (GCA) e que o proprietário do candeal ou a pessoa que vai fazer a exploração da candeia retire uma nota fiscal para a indústria. tomando-se o cuidado de deixar uma distância aproximada de 2 m entre plantas remanescentes que.97. gastam-se R$739. O rendimento da mão de obra necessária para desenvolver essa atividade depende de fatores. onde são colocados os selos emitidos pelo órgão competente. é necessário um período de cerca de dois anos para que haja o estabelecimento da regeneração natural da candeia nas áreas em que foi feito o plano de manejo. a fim de acelerar o seu desenvolvimento.6 Custo de limpeza e escarificação do solo após o corte da candeia Para a execução dessa atividade utiliza-se enxada ou enxadão. como tipo de solo.7 Custo de taxas e impostos Nesse item devem ser considerados os gastos com autorização para exploração florestal (DAIA) e o pagamento de duas taxas obrigatórias: taxa de protocolo do processo e taxa de vistoria. A limpeza e a escarificação são feitas em forma de círculos de cerca de 60 cm de diâmetro. é necessário solicitar a DAIA junto ao órgão competente. entre outros. devem ser as de maior altura e melhor forma.25/ha. um trabalhador gasta 20 horas de serviço para desbastar 1 ha de área.2. 14. O desbaste pode ser feito por um trabalhador que utiliza foice para cortar as plantas.

95 250.67.441.505. o proprietário do candeal ainda tem que arcar com os custos de limpeza e escarificação do solo (ano 1) e desbaste (ano 2).036.46 1.90%).27 43.33 6.9 Custo da terra Como custo da terra.70 100.970.13 18. O custo para colocar a madeira na beira da estrada em condições de ser transportada.1. já é possível perceber claramente que vender madeira ao preço de R$ 115.Transporte da madeira (ano 0) 4 . taxas e impostos (5.04 34. limpeza e escarificação do solo (6.Custo anual da terra 2.65 29.84/m3. consideraram-se os juros sobre o valor desse fator de produção.00.DAIA 0.25 0.22 5.Taxas e impostos (ano 0) .48 100.80 1.50 0. O custo de transporte da madeira é que tem a maior participação percentual no custo total (39.06%). ou R$ 11.Mapa da propriedade .94 13. elaboração do plano de manejo (17.40 0.00 é bastante lucrativo.00 2.20 593.79 44.97 5.13 12.982.00 * Foram considerados os seguintes parâmetros: fator de empilhamento = 2.71 67.Custos médios do manejo da candeia.26 . Mesmo assim.46 0.50 0.52 6 . encontra-se um resumo dos custos médios do manejo da candeia. aparecem os custos de exploração (26. % 0.10 Resumo dos custos do manejo florestal Na Tabela 14.52%).00 13.13 12.287.Extração da madeira Sub-total 2 3 .26 Sub-total 3 5.55 5 .84 26.70/ha.000.4.24 0.55%) e desbaste da regeneração natural (1.46 17.63 0.Exploração (ano 0) . resultado da soma dos custos de elaboração do plano de manejo.16 0.85 623.48 Total Geral 93.00 a R$ 5.79 4. adotou-se o valor médio de R$ 3.287.16 1. A seguir. Tabela 14.06 7 .44 6.95/mst. 2007).ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14. A soma de todos os custos atinge R$ 93.05 12.2.561.28 por mst de madeira.000.22 280 2. exploração e taxas e impostos.Limpeza e escarificação do solo após o corte da candeia (ano 1) Custos (R$)* Por mst Por m3 Por ha Partic. o preço da terra varia de R$ 2.500.84 11.33 32.02 1. Na região em que este estudo foi realizado.4.Desbaste da regeneração natural (ano 2) 1.11 17.Taxas obrigatórias por processo 4.92%). Para efeito da análise econômica.Derrubada e traçamento das árvores .95 3.Inventário florestal e plano de manejo Sub-total 1 2 .92 6. Discriminação dos custos 1 . volume médio de madeira de candeia obtido por hectare: 45 m3/ha (Portaria IEF 01/2007.28 37. Além desses custos.67 120.56 0. 14.CAPÍTULO 14 .10 16.15 0.02 15.43 739.15 16.2.56%). ou R$ 250.00 25.Identificação e marcação das árvores porta-sementes .00 por hectare.40 16.00 1.1 .19 13.Transplantio de epífitas .77 13. 289 .90 39. é de R$ 79.Elaboração do plano de manejo (ano 0) .

Na Tabela 14.50 . Tabela 14.007. Naturalmente.15 13.693. ficando os demais custos por conta do comprador da madeira.46 para o custo de produção do mst de madeira entregue na beira da estrada indica que. volume médio de madeira de candeia obtido por hectare: 45 m3/ha (Portaria IEF 01/2007.16 4.6 Viabilidade econômica do manejo 14. Considerou-se que o proprietário do candeal vai incorrer apenas nos custos de limpeza e escarificação do solo e no desbaste da regeneração natural.3 .25 * Foram considerados os seguintes parâmetros: fator de empilhamento = 2.96 O baixo valor do CMPr obtido para a venda de madeira em pé (R$ 26. Foram analisadas as seguintes situações para a venda da madeira da candeia: madeira em pé (R$50.46 110.67.VPL e CMPr para o manejo da candeia em horizonte de um corte Venda de madeira Em pé Entregue na beira da estrada Entregue na indústria VPL (R$/ha) 2. o valor do custo de transporte não pode ser superior a R$60. o proprietário aufere um lucro de R$ 41.00 120.00/mst. Discriminação da receita 14.990. vender a madeira entregue na beira da estrada ao preço de R$115. Deve-se atentar para o fato de que os resultados são válidos apenas para as condições de custos.00/ mst) e madeira entregue na fábrica de óleo pelo produtor rural (R$175. que. O valor de R$ 73.00/mst). Considerando uma produtividade de 45 m3/ha ou 120.Receitas obtidas com a venda de madeira de candeia oriunda do manejo. madeira explorada e entregue na beira da estrada pelo produtor rural (R$ 115. o lucro por hectare será de R$4.43 (VPL). Os valores de VPL mostram que o lucro obtido com o manejo da candeia é maior se a madeira for vendida para ser entregue na indústria ao preço de R$175.54/mst de madeira explorada.81 CMPr (R$/mst) 26. 290 .1 Horizonte de planejamento de um corte Na Tabela 14. Tabela 14.Madeira colocada no pátio da indústria 175.50/mst. 2007).2 .00/mst pode ser mais interessante.00 120. o VPL cai e. preços da madeira e produtividade do candeal considerados na Tabela 14.50 73. vendendo madeira ao preço de R$ 115.15 21.00/mst.Madeira em pé 50.5 Receitas do manejo florestal As receitas são obtidas multiplicando-se o preço de venda da madeira para a produção de óleo pela quantidade produzida deste produto. por exemplo. que é a diferença entre o preço de venda da madeira na beira da estrada e o preço na indústria. Assim.00/mst).Madeira colocada na beira da estrada 115.15 6.00.817.2.823.6.25 . para ser viável a venda de madeira entregue na indústria.990.43 7.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14. Preço Volume Receita (R$/mst) (mst/ha) (R$/ha)* .3.026. se o custo de transporte for superior a R$ 37.50/mst) é decorrente da maneira como a análise econômica foi conduzida.00 120. dependendo da dimensão desse custo. mostram-se as receitas obtidas com a venda da madeira obtida no manejo da candeia.2. mostra-se a análise econômica para horizonte de um corte.15 mst/ha.

à medida que aumenta o ciclo de corte.81 16 3.352.72. ou seja. 291 .86 7.612. mostram-se os VPL∞ para diversos ciclos de corte para a candeia.2. o manejo da candeia mostra-se muito viável economicamente. O procedimento mais comum é a venda da madeira colocada na beira da estrada.73 9.42 19 3. ciclos de corte mais curtos permitem auferir maior lucro por hectare com o manejo da candeia.295. 14. em anos. Assim.03 10.623. isso só será definido após a conclusão dos estudos sobre a regeneração e o manejo da candeia. O que fica evidente nos resultados da análise econômica é que.115. Contudo. Isso é o esperado.32 5.4 . nas duas situações. Como era esperado.70 20 3. considerando várias situações de venda da madeira e taxa anual de juros de 8%.87 17 3. toda a análise econômica será feita levando-se em conta essa situação.577.287.462. à taxa de 4%.1 Simulação dos ciclos de corte para a candeia Na Tabela 14.09 6.3.13 10.145.4. permite analisar o comportamento do VPL∞ as mudanças em diversos em parâmetros. ou seja. o volume será o mesmo.21 7.871. uma vez que. A opção mais interessante é vender a madeira entregue no pátio da indústria.932.958. o comprador assume o custo de transporte. para R$ 5. independente da extensão do ciclo de corte.235.00 9. Para uma mesma situação de venda da madeira. VPL∞ (R$/ha) Ciclo de corte (anos) Madeira em pé Madeira na beira da estrada Madeira na indústria 15 4.653. O efeito da taxa de juros na viabilidade econômica do manejo da candeia é apresentado na Figura 14. o VPL∞ cai. ou seja.ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 14. Assim.17 8.2 Análise de sensibilidade A análise de sensibilidade ou simulação de cenários.62 5. o VPL∞ cai de R$13.Comportamento do VPL∞ para diversos ciclos de corte para a candeia. Tabela 14.294.79 4. é mais vantajoso do que a cada 16 anos.315.633. o volume de madeira a ser obtido será igual ou bem próximo do volume original da floresta. à taxa de 12%. fazer o corte a cada 15 anos de idade da floresta.6. a partir desse ponto. o que deverá acontecer nos próximos anos.90 9.6.70 25 2.6.702.150.122. por exemplo.2 Horizonte de planejamento de infinitos cortes 14. isso só será verdade se o proprietário da floresta conseguir vender a madeira pelo preço de R$ 175.65 18 3.07 6.88 11. no ciclo de corte de 15 anos.904.13. já que a pressuposição feita é a de que o volume de madeira a ser obtido em cada corte é o mesmo (45 m3/ha). Assim. já que estes foram os dados utilizados na análise econômica. por exemplo. após cada ciclo de 15 anos. mesmo para um ciclo de corte de 30 anos. Entretanto. se a extensão do ciclo de corte será de apenas 15 anos.50/mst.346.327.00/mst e efetuar o seu transporte por R$ 37.07 6.032. taxas de juros elevadas reduzem a lucratividade do manejo da candeia.88 Uma questão a ser levada em consideração é se.2.48 6.CAPÍTULO 14 .749.78 30 2. realmente.703.

no ciclo de corte de 30 anos. se o preço do mst de madeira cair de R$ 115.4 . o que contribui para que a atividade continue sendo viável economicamente. Por exemplo. mostra-se que o preço da madeira pode cair bastante que o manejo da candeia ainda constitui uma alternativa viável economicamente.4.21 para R$ 699. para taxa de juros de 8% ao ano. Assim. o VPL∞ passa de R$ 4.3 .00 para R$ 85.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 14. como os custos de transporte e de exploração.702. Figura 14. 292 .97. Comportamento semelhante também pode ser observado em relação a alterações na produtividade de madeira do candeal a ser manejado (Figura 14.Comportamento do VPL∞ em relação a alterações na taxa de juros. quando o volume de madeira produzida cai. Mesmo fragmentos com produtividade baixa (35 m3/ha) apresentam boa lucratividade. Na Figura 14.00. É importante salientar que os custos mais significativos relacionados ao manejo da candeia. são custos variáveis. por estarem vinculados ao volume de madeira produzida.5).Comportamento do VPL∞ em relação a alterações no preço de venda da madeira colocada na beira da estrada. esses custos também caem. para qualquer ciclo de corte considerado.

para a taxa de juros de 8% ao ano.O manejo da candeia visando a obter madeira para a produção de óleo é viável economicamente.53. pequenas alterações neste custo provocam mudanças significativas na viabilidade econômica. como se constata na Figura 14.5 . Figura 14.291.904.Comportamento do VPL∞ em relação a alterações na produtividade de madeira do fragmento a ser manejado.6 .ANÁLISE ECONÔMICA DO MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 14.6. mesmo 293 . no ciclo de corte de 20 anos.CAPÍTULO 14 . Assim. Contudo. o custo de exploração representa cerca de 25% do custo total do manejo da candeia. Conforme mencionado. para taxa de juros de 8% ao ano.Os custos mais significativos relacionados ao manejo da candeia são o de transporte e o de exploração.90 para R$ 6. eles representam 67% do custo total do manejo.Comportamento do VPL em relação às alterações no custo de exploração. Juntos. . mesmo em situações em que a taxa de juros é alta ou o preço da madeira cai a níveis bem abaixo dos atualmente vigentes no mercado. Ciclos de corte mais curtos possibilitam a obtenção de lucratividades maiores no manejo da candeia. As principais conclusões desse capítulo são: . Por exemplo. uma redução de 10% no valor deste custo faz com que o VPL∞ aumente de R$ 5.

pode-se obter bom retorno econômico. 294 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA em situações em que o ciclo de corte é relativamente longo (30 anos).

CAPÍTULO 15 . abrange os municípios de Morro do Pilar. conhecer os principais aspectos socioeconômicos relacionados aos agricultores e o real interesse que eles têm nessa espécie. 15 O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA: ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS Antônio Donizette de Oliveira José Roberto S. principalmente para a produção de moirões para cerca e para a produção de óleo essencial. perfumaria e medicamentos. Itutinga. a exploração e o comércio dos produtos da candeia são atividades importantes para a geração de renda e emprego. abrange os municípios de Carrancas. é importante para auxiliar na definição de políticas sociais e florestais para o estado. sendo muito utilizada pelos habitantes dessas regiões. Bom Jesus do Amparo.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. Jaboticatubas. Itambé do Mato Dentro. Baependi. produto consumido pelas indústrias de cosméticos. São Sebastião do Rio Preto. A segunda região. Aiuruoca. Santana do Riacho..1 Considerações socioeconômicas sobre as regiões de ocorrência da candeia no estado de Minas Gerais A candeia é uma espécie florestal que ocorre em diversos municípios de Minas Gerais e de outros estados brasileiros. Minduri. denominada de “Região de Carrancas/Baependi”.1 observase a localização das duas regiões no estado de Minas Gerais. Nova União. Em alguns municípios. Santa Bárbara. Conceição do Mato Dentro. Cruzília. Taquaruçu de Minas. A primeira região. Luminárias. 295 . Dela se extrai o α-bisabolol. Seritinga. Itabira e São Gonçalo do Rio Abaixo. Assim. cuja característica marcante é a ocorrência em grande abundância de candeais nativos das espécies Eremanthus erythropappus e Eremanthus incanus. As informações principais obtidas por meio do diagnóstico estão sintetizadas a seguir. Na Figura 15. Santo Antônio do Rio Abaixo. Serranos e São Vicente de Minas.. principalmente para produtores rurais. Caeté. Madre de Deus de Minas. denominada de “Região de Morro do Pilar/Barão de Cocais”. bem como na definição de estratégias para o manejo sustentável dos candeais nativos e de um programa de fomento florestal para o plantio de candeia. Scolforo Ivonise Silva Andrade José Fábio Camolesi 15. Para conhecer os aspectos socioeconômicos relacionados aos agricultores realizou-se um diagnóstico em duas regiões do estado de Minas Gerais. Barão de Cocais. São Tomé das Letras.

1 .Mapa do estado de Minas Gerais. 296 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15. com a localização dos municípios das duas regiões onde foi realizado o diagnóstico socioeconômico.

As atividades agropecuárias estão em mãos de pessoas cuja idade média é de 54 anos. a população residente nesses municípios é de 78. cada vez mais.2). prevalecendo um regime de minifúndios. realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). há 6. A população rural tem importância significativa na demanda por produtos florestais.265 habitantes. a pecuária é a atividade mais importante. há 49 estabelecimentos de ensino pré-escolar. pois cerca 62% da área total dos agricultores entrevistados está destinada a essa atividade. indicando que os agricultores estão pouco propensos a adotarem técnicas melhoradas de produção. para uso energético. sendo 50. pois 2% dos entrevistados são analfabetos e 42% não completaram o ensino fundamental. exploração apícola. 297 . em uma alternativa econômica significativa para a região. etc. Isso porque as pastagens nativas ainda ocupam um índice expressivo das terras (34%) e a área ocupada por capineiras (0.CAPÍTULO 15 . mas os municípios de Aiuruoca e Minduri possuem maior população rural do que urbana.16% têm menos de 100 hectares. Há 12. a maior parte das propriedades rurais tem tamanho abaixo de 100 hectares.8%) é baixo.86% têm área maior que 500 hectares. Dessas propriedades. dando uma característica essencialmente rural a esses municípios. Em termos de uso da terra. O índice de reflorestamento (0. ou seja. ao que parece. o aumento da capacidade de suporte para a produção de madeira.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA.319 km2. Tal atividade pode resultar. 12. 86. os jovens tendem. A maior parte da população (74. apresentando densidade demográfica de 14. mas há um número expressivo de produtores com interesse na produção de madeira.73 habitantes/km2. O grau de escolaridade é baixo. a médio prazo. 125 de ensino fundamental e 13 de ensino médio.2 Região de Carrancas/Baependi A área total dos doze municípios que compõem a região de Carrancas/Baependi é de 5. Em vista da falta de perspectivas no campo.3 mil hectares.35% mulheres.08%) reside em áreas urbanas. A criação de um programa de florestamento e reflorestamento pode propiciar.. De acordo com dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). 15. No total. Segundo censo de 2010. a migrarem para as cidades. principalmente a lenha. ocupando uma área total de 342.6% de pessoas com mais de dez anos de idade que não sabem ler e escrever. sugerindo que o incentivo ao reflorestamento e ao florestamento por meio do fornecimento de mudas e orientação técnica terá sucesso.98% têm área entre 100 e 500 hectares e 0. essências. além do atendimento às exigências de preservação ambiental. Porém.65% homens e 49.263 propriedades rurais nos doze municípios dessa região.70%) é quase inexpressiva (Figura 15.. não está sendo desenvolvida corretamente.

A área ocupada com reflorestamento representa 10. No setor de saúde. sendo a maior parte constituída de pastagem artificial. em termos de área. havendo um total de 108 estabelecimentos de ensino pré-escolar. Segundo o censo realizado em 2010 pelo IBGE. havendo apenas 9 hospitais. O número de propriedades rurais dos municípios é de 9.2 . apresentando uma densidade demográfica de 30. Santana do Riacho.4%. a situação é bem precária.3 Região de Morro do Pilar/Barão de Cocais A área total dos quinze municípios que compõem essa região é de 9.291 e. Taquaruçu de Minas. dando uma característica essencialmente rural a esses municípios. já que a maior parte das propriedades rurais tem tamanho abaixo de 100 hectares.Uso da terra nas propriedades da Região de Carrancas/Baependi. Esse índice é significativo e enfatiza a necessidade de promover mais orientação técnica em relação à formação e ao manejo de florestas plantadas. já que 78% dos entrevistados manifestaram interesse em iniciar/incrementar o plantio e/ou o manejo sustentável da candeia. mas os municípios de Nova União. a fim de aumentar a produção e a produtividade das áreas 298 . a pecuária é a atividade mais importante. São Sebastião do Rio Preto. pois cerca 27. Esse índice mostra a presença marcante da candeia nos municípios amostrados.50% da área total das propriedades dessa região. segundo o INCRA. Quase 80% da população reside em áreas urbanas. observa-se que.3. 15.22% da área total das propriedades amostradas.41% da área total das propriedades do entrevistados está destinada a essa atividade. por isso. estão pouco propensos a adotarem técnicas melhoradas de produção. a população residente nesses municípios é de 279. Bom Jesus do Amparo.95% de mulheres. Itambé do Mato Dentro.67 habitantes/km2. São Gonçalo do Rio Abaixo e Santo Antônio do Rio Abaixo têm maior população rural do que urbana.600 habitantes. pois 56% dos entrevistados não completaram o ensino fundamental e. Prevalece um regime de minifúndios.682 km2.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15. 7. O grau de escolaridade é baixo.15% têm menos de 100 hectares. A taxa de alfabetização dos quinze municípios é de 89.01% de homens e 48. 284 estabelecimentos de ensino fundamental e 36 estabelecimentos de ensino médio.10% está acima de 500 hectares. Um fato importante é que a área ocupada com candeia representa 7. Na Figura 15. sugerindo que programas relacionados ao uso desta espécie podem ter êxito na região.75% estão no estrato de 100 a 500 hectares e 1. deste total. sendo 51. 91.

a fim de conter a exploração desordenada e clandestina a que essa espécie está sujeita nessa região. A candeia ocupa 25% da área total das propriedades. Figura 15.Uso da terra nas propriedades da Região de Morro do Pilar/Barão de Cocais.. demonstrando a importância dessa espécie nos municípios desta região. Programas de incentivo ao plantio de candeia têm possibilidade de sucesso. já reflorestadas.CAPÍTULO 15 . 299 . A criação de um programa de florestamento e reflorestamento pode alcançar bons resultados.3 .. É importante desenvolver programas relacionados ao manejo sustentável de candeia e incrementar a fiscalização.33% dos entrevistados manifestaram interesse nesse tipo de atividade. já que 29.33% dos entrevistados manifestaram interesse em iniciar/incrementar atividades relacionadas ao florestamento/ reflorestamento de áreas em suas propriedades. já que 37.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA.

1 Moirões Os moirões são utilizados de diversas maneiras nas propriedades rurais. utilizado pelas indústrias de perfumes. por exemplo. 15. Entretanto. os principais produtos obtidos da candeia são moirões para cerca e seu óleo essencial.1 Os produtos da candeia A madeira de candeia tradicionalmente foi empregada na construção naval. Moirões com diâmetro menor que 7 cm não têm boa aceitação pelo mercado. pela sua baixa durabilidade. uma vez que a madeira tem pouco cerne e muito “branco” (alburno).4 O comércio dos produtos da candeia 15. Figura 15.4 . que apresenta altos teores de α-bisabolol. o ideal é que o diâmetro do moirão se situe na faixa de 7 a 15 cm. plantios agrícolas e limites de propriedades. Para essas finalidades. Os de maior diâmetro (acima de 15 cm). ultimamente. na Figura 15. construção de canoas.5.Pilhas de moirões de candeia (Eremanthus erythropappus) Figura 15. Entretanto. uma cerca construída utilizando moirões dessa espécie. 300 . lenha e postes.Cerca de arame farpado sendo construída utilizando moirões de candeia.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 15.1. observa-se pilhas de moirões da espécie Eremanthus erythropappus e. são utilizados para construir currais e galpões. um composto de grande importância econômica. Na Figura 4. o principal uso dos moirões é para a construção de cercas que dividem pastagens. medicamentos e cosméticos.4.4.5 .

terpenos menos voláteis podem aparecer na composição do óleo essencial (assim como podem se perder os elementos mais leves) (SIANI et al. exercendo papel fundamental na defesa contra microrganismos e predadores. se instalaram no país. produtos alimentares. 2003). no atendimento do mercado externo. Isso ocorreu em função da grande demanda imposta pelas indústrias do ocidente. dois derivados são obtidos. 2000). Durante a Segunda Guerra Mundial. eucalipto. Rohwer). das glândulas ou nos espaços intracelulares. basicamente. num grande número de plantas.. a maioria deles tem aroma agradável e intenso. tendo como base o puro extrativismo de essências nativas. geralmente. bem como os produtos obtidos por expressão dos pericarpos de frutos cítricos. 1998). gerando US$ 61. canela sassafrás. de fenilpropanoides. como álcoois. Na década de 1950. um composto alilbenzênico de grande importância econômica..4. elemento essencial na produção de inseticidas biodegradáveis (EMBRAPA. os óleos essenciais são constituídos de substâncias terpênicas e. 301 . normalmente. apresenta altos teores de safrol. Estão associados a várias funções necessárias à sobrevivência do vegetal em seu ecossistema.2 15 .3 milhões em divisas para o país. De forma geral. voláteis. A partir do safrol. O perfil terpênico apresenta.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. com a introdução de outras culturas para a obtenção de óleos de menta. No entanto. por exemplo. Dessa forma. em sua maioria. em razão da composição lipofílica que apresentam. são solúveis em solventes orgânicos apolares e apresentam solubilidade limitada em água. No primeiro semestre de 2003.. patchouli. porém. Diversos tipos de óleos essenciais são exportados pelo Brasil. Algumas características dos óleos essenciais é que. mas. e também na atração de insetos e outros agentes fecundadores (SIANI et al. provocou um aumento do consumo interno dos óleos essenciais. farmacêuticos e de higiene. Óleo essencial de candeia e α-bisabolol natural Os óleos essenciais constituem os elementos voláteis contidos em vários órgãos das plantas e assim são denominados. ésteres. o Brasil passou a ter a atividade mais organizada. Os óleos essenciais se formam. eventualmente. quimicamente diferente da composição glicerídica dos verdadeiros óleos e gorduras. O óleo essencial extraído da canela sassafrás (Ocotea odorífera (Vell). laranja. pau-rosa e lima. Na Tabela 15. Esse fato.1. são líquidos de aparência oleosa. Outros tipos de óleos essenciais que estão no topo da pauta exportadora são os de eucalipto. dando maior estabilidade à nossa produção (BRITO. a produção de óleos essenciais no Brasil foi consolidada.1. geralmente odoríferas e líquidas. a heliotropina. Quimicamente. como subprodutos do metabolismo secundário. inicialmente. aldeídos e cetonas de cadeia curta. acrescidos de moléculas menores. Eles se acumulam em certos tecidos no seio das células ou de reservatórios de essência. limão. A International Standard Organization (ISO) define óleos essenciais como os produtos obtidos de partes de plantas por meio de destilação por arraste a vapor d’água. capim-limão. etc. substâncias constituídas de moléculas de dez e de quinze carbonos (monoterpenos e sesquiterpenos). mandarina). destinados às indústrias de perfumes. sob a epiderme dos pelos. importantes empresas internacionais especializadas no aproveitamento de óleos essenciais para a produção de fragrâncias e aromas. são misturas complexas de substâncias voláteis. cosméticos. que é um fixador de aroma. e o butóxido de piperonila. em virtude da desorganização do transporte e do comércio.CAPÍTULO 15. a produção de óleos essenciais teve início ao final da segunda década dos anos 1920. que se viram privadas de suas tradicionais fontes de suprimento. dependendo do método de extração e da composição da planta. principalmente do pau-rosa.. estão listados alguns tipos de óleos essenciais. suficiente para aromatizar as soluções aquosas. No Brasil. o carro-chefe é o de laranja. ocasionada pela guerra. outros cítricos (tangerina. 2000). lipofílicas. as exportações brasileiras de óleos essenciais totalizaram 36 mil toneladas.

1 . contudo. pode-se utilizar madeira do fuste.5-dimetil-1-hidróxi-4(5)-hexenil)-1-cicloexeno) 302 . com 1 kg de óleo essencial de candeia.6. O óleo essencial de candeia tem. geralmente. um álcool sesquiterpênico insaturado e opticamente ativo.alemã Candeia Canela Capim-limão Cedro Cipreste Citronela Copaíba Eucalipto Jasmim Laranja-pêra Lima-indiana LFC Limão-siciliano Mandarina-da-índia LFC Palma rosa Pau-rosa Pau santo Tangerina Sassafrás Planta Dichiptera aromática Myocarpus fastigiatus Citrus aurantium bergamia Anthemis nobilis Matricaria chamomilla Eremanthus erythropappus Cinnamomun zeylanicum Cymbopogon flexuosus Citratus Juniperus virginiana Cupressus sempervirens Cymbopogon nardus Copaifera officinalis Eucalyptus citriodora Jasminum officinalis Citrus aurantium sinensis Citrus auratifolia Citrus medica limonum Citrus deliciosa Cymbopogon martini motia Aniba rosaeodora ducke Guaiacum officinalis Citrus reticulata Ocotea odorífera (Vell. ácido isovalérico.) Rohwer País de origem da planta Brasil Brasil Índia Inglaterra Índia Brasil Índia Índia EUA Espanha Brasil Brasil Brasil Índia Brasil Índia Brasil Índia Índia Brasil Paraguai Brasil Brasil O óleo essencial de candeia é obtido por meio da destilação por arraste a vapor da madeira. em sua composição química. 95% do isômero ativo (-)-α-bisabolol. óxido de bisaboleno B e é a principal fonte de α-bisabolol natural.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Tabela 15. α e β bisaboleno. no mínimo. o rendimento varia de 65% a 75%. No processo de destilação do óleo essencial de candeia nativa para obter o α-bisabolol. das folhas e das raízes da árvore. dos galhos. Para a extração do óleo essencial de candeia.Estrutura química do α-bisabolol (1-metil-4 (1.Alguns tipos de óleos essenciais produzidos no Brasil Óleo essencial de Alecrim do campo Cabreuva Bergamota Camomila-romana Camomila. A fórmula estrutural do α-bisabolol é C15H26O e sua estrutura química é mostrada na Figura 15. produzem-se de 650 a 750 gramas de α-bisabolol. as indústrias extratoras utilizam apenas o fuste e os galhos com até 3 cm de diâmetro. de mesmo nome. OH Figura 15. contendo.6 . ou seja.

odor característico levemente amadeirado floral. Figura 15. 2012). cicatrizantes. Nas Figuras 15. cosméticas ou farmacêuticas (CITRÓLEO. observam-se sites que oferecem produtos que contêm α-bisabolol em sua formulação.CAPÍTULO 15 . ofertado no site da L’OCCITANE http://uk. O α-bisabolol possui as seguintes propriedades físico-químicas: estabilidade química. A relação de produtos que têm α-bisabolol em sua formulação é grande e inclui produtos de higiene e cuidado do bebê e de crianças. protetores solares. não apresentando decomposição e degradação. O α-bisabolol. creme dental.7 . protetores labiais.9.Produto que contém α-bisabolol. bronzeadores. líquido transparente e levemente amarelado.7. também chamado de “levomenol”.8 e 15.loccitane. antiespasmódicas e sua melhor estabilidade química. O α-bisabolol não apresenta riscos toxicológicos. entre outros. loções após sol. Acesso em 01/10/2012 303 . tem sido empregado na indústria farmacêutica como veículo para certos medicamentos e na indústria cosmética de tratamento como ingrediente ativo de certas formulações. por às suas propriedades anti-inflamatórias. cremes para peles delicadas. antimicóticas. pós-depilação.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA.com. pósbarba. considerando-se as concentrações e as aplicações recomendadas pelas formulações de empresas distribuidoras.. enxaguatório bucal. quando incorporado em formulações cosméticas. não possui sabor e possui boa solubilidade.. 15.

Figura 15.com.carli. ofertado no site da Línea Mediterrânea http://www.8 .br.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15. ofertado no site da Dermage http://www. Acesso em 01/10/2012.Produto que contém α-bisabolol.9 . Acesso em 23/06/2012.Produto que contém α-bisabolol.dermage.aspx. 304 .com/mediterranea/default.

2.00 até US$ 1. como a flor da camomila (Matricaria recutita) ou a árvore do sândalo (Santalum álbum).000. derivada da produção de extratos intermediários da vitamina D sintética. são trabalhadores rurais e pequenos produtores rurais.5% do isômero ativo. oriunda do sudeste asiático. uma mistura racêmica de 85% (+)-α-bisabolol ou 42. Como o α-bisabolol de candeia possui pureza mínima de 95% (pode chegar até a 97%) do isômero ativo (-)-α-bisabolol. 120 componentes químicos.00 até US$ 600. O α-bisabolol natural de candeia tem sido utilizado em substituição ao “azuleno”.Cadeia de comercialização de moirões de candeia. normalmente. 305 . uma substância ativa presente no óleo essencial de camomila.00 e de US$ 1.. respectivamente. ele tem. a quantidade de farnesol contida nos produtos cosméticos torna-se um forte argumento contra o uso do ingrediente ativo sintético. O α-bisabolol sintético contém concentrações de até 10% do subproduto “farnesol”. torna-se necessário o uso de mais do que o dobro do produto sintético em relação ao natural. no mínimo.500.5 O comércio de moirões O comércio de moirões inicia-se com o corte da árvore.. 15. Para se conseguir o mesmo resultado na aplicação de determinados produtos sintéticos.CAPÍTULO 15 . além do α-bisabolol. de 5% a 10% do isômero ativo. no de sândalo.00 no mercado mundial. Um substituto real e em potencial para o α-bisabolol natural de candeia é o α-bisabolol sintético. uma substância química considerada como tóxica (podendo ser usada no tratamento contra câncer) e com alto potencial alergênico. Com o público consumidor cada vez mais conscientizado.5% de (-)-α-bisabolol ativo. Consumidores desses produtos veem os cosméticos com ingredientes sintéticos muitas vezes como artificiais e qualitativamente inferiores aos com ingredientes derivados de fontes naturais. atividade realizada pelos extratores de moirões que. já que os preços de seus óleos essenciais variam entre US$ 460. com 42.10 .24 vezes a eficácia do substituto sintético.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. Esse óleo contém. Figura 15. A cadeia de comercialização de moirões de candeia é mostrada na Figura 15. Existem outras fontes naturais de α-bisabolol. por exemplo. Seu uso como substituto para a candeia também não é econômico.10. O teor de α-bisabolol no óleo essencial de camomila é de 30% e.

11). da quantidade de moirões existentes por unidade de área. A área de abrangência do atacadista pode envolver vários municípios onde a candeia ocorre em abundância. dentre outras dificuldades.00 a R$50. algumas vezes. Há casos de produtores rurais que atuam como atacadistas de candeia. fazendeiros capitalizados que dispõem de caminhões para transportar a candeia. o rendimento é de 15 a 30 dúzias por dia. dedicam-se à retirada de candeia em terra de terceiros. entre outras dificuldades encontradas para retirar a madeira de dentro do candeial. Cada burro transporta de oito a quinze moirões. os pequenos produtores rurais têm pouca terra onde pode ou não haver candeia. da topografia da área. ou por atacadistas de candeia. dependendo do diâmetro dos mesmos e das condições do terreno.11 . sendo esta a maneira mais usada. sendo essa variação decorrente das diferenças de proximidade das estradas para onde os moirões serão baldeados. é feito com muares (burros) (Figura 15. mesmo. mas a atividade principal é o transporte de candeia. Em média.00. um trabalhador consegue cortar de 8 a 20 dúzias de moirões por dia. sendo esse rendimento dependente do diâmetro dos moirões.Corte de candeia utilizando motosserra (a) e retirada da madeira usando muares (b) Os extratores são contratados pelos proprietários de terras onde há candeia e. utilizado para o transporte de diversas mercadorias. na maior parte do tempo. Eles residem em zonas rurais e urbanas dos municípios onde a candeia ocorre com abundância. ou seja. o salário diário de um trabalhador varia de R$40. normalmente. 306 . os extratores usam machado e ou motosserra. que fazem o pagamento por dia de trabalho ou em função da quantidade de moirões cortados e baldeados até a beira da estrada. normalmente. enquanto o baldeio da madeira até a beira das estradas.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Os trabalhadores rurais são pessoas não-proprietárias de terras que. Para baldear a madeira até a beira da estrada utilizando tropa de três burros. Compram a madeira de produtores rurais e a vendem em diversos municípios mineiros e de outros estados. Já. possuem caminhão. os grandes proprietários rurais. a b Figura 15. compram candeia de outros proprietários de terra de seu município e. Dedicam parte do tempo a atividades agropecuárias em sua propriedade e parte na extração de candeia em terras próprias ou em terras de terceiros. dos municípios vizinhos. Os extratores de candeia são contratados pelos grandes proprietários rurais que exploram candeia e pelos atacadistas de candeia. em determinado município. Os atacadistas de candeia são pessoas que comercializam candeia e que. além de explorar candeia em sua propriedade. O salário pago por dia de trabalho varia entre regiões e. sendo. Utilizando machado. Para cortar a candeia.

00 210. que normalmente são trabalhadores rurais e pequenos produtores rurais (Figura 15.17 por metro estéreo (mst). topografia da área e outras dificuldades encontradas para cortar e retirar o moirão de dentro do candeial.. quantidade de moirões existentes por unidade de área. garantir um fluxo mais constante do produto no mercado. que danificam as estradas rurais e impedem o acesso dos caminhões aos candeiais para a retirada da madeira. dependendo do diâmetro e da altura das árvores.2 .6 O comércio de α-bisabolol natural A cadeia de comercialização do óleo de candeia/α-bisabolol inicia-se com as operações de exploração da madeira (veja no capítulo 14 . assim. praças e vias de tráfego intenso e aguardam a chegada dos compradores. havendo paralisação apenas em épocas de chuvas intensas. onde estacionam próximo a sindicatos rurais.00 7 a 15 Moirão cortado e retirado do candeial 85. A faixa de variação de preço dos moirões de candeia em diversas situações de venda é mostrada na Tabela 15.12).00 1 Madeira em pé 75. Para a exploração da madeira. quando há necessidade de isolar as áreas para evitar acesso de animais domésticos nos plantios.CAPÍTULO 15 .00 2 Moirão entregue na propriedade do comprador 140. estabelecimentos comerciais que vendem produtos agropecuários.Preço de venda de moirões de candeia em diversas situações de acordo com o seu diâmetro.00 Moirão cortado e retirado do candeial 110. 2 A variação nos preços ocorre devido a fatores como diâmetro dos moirões. da proximidade das estradas para onde a madeira será baldeada.2. 15. sendo esta a forma mais utilizada. Alguns atacadistas possuem pátios para estocar moirões e. Diâmetro dos moirões (cm) Condição de venda Preço mínimo (R$/dúzia) Preço máximo (R$/dúzia) Madeira em pé1 55.00 65. época do ano e distância de transporte. cooperativas agrícolas.00 95.análise econômica do manejo sustentável da candeia). Os caminhões com candeia se deslocam para cidades mineiras (principalmente do Sul de Minas e do Triângulo Mineiro) e de outros estados (principalmente de São Paulo e do Espírito Santo). A época em que há mais procura por moirões é no início do plantio da safra agrícola. atividade realizada pelos extratores de candeia.00 85.00 125. e de outras dificuldades encontradas pelo extrator para cortar e retirar a madeira do candeial. A negociação é feita diretamente entre o comprador (normalmente fazendeiros da região) e o caminhoneiro. Esse valor pode variar. da topografia da área.00 1 A variação nos preços da madeira em pé ocorre devido a fatores como diâmetro dos moirões do candeial. a comercialização de moirões ocorre o ano inteiro.00 Acima de 15 Moirão entregue na propriedade do comprador2 180. O extrator recebe o pagamento por dia de trabalho ou em função do volume de madeira extraído.. da densidade de árvores por unidade de área. Contudo. Tabela 15. 307 .00 160. o extrator recebe cerca de R$ 23.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. proximidade das estradas para onde os moirões serão baldeados. conforme diâmetro médio dos moirões.

00 a R$185. que atuam como intermediários no comércio de madeira para óleo. O site de uma indústria que produz óleo essencial de candeia é mostrado na Figura 15.00/mst pela madeira colocada no pátio da fábrica. uma no Paraná e uma na Bahia (Tabela 15. Os extratores trabalham para grandes produtores rurais e para atacadistas de candeia. peças de maior diâmetro têm proporção maior de cerne que de “branco” (alburno) e.00 a R$60.00/mst ou a madeira já cortada e colocada na beira da estrada por um preço na faixa de R$100. No primeiro caso. Um dos parâmetros visuais mais utilizados para avaliar a qualidade da madeira é o diâmetro das peças.13. esses custos são de responsabilidade do proprietário do candeal. A candeia é vendida para as fábricas de óleo essencial que pagam de R$165. principalmente em função da qualidade da madeira.00 a R$130.Cadeia de comercialização de α-bisabolol natural.00. no segundo caso. Esses intermediários adquirem a madeira em pé no candeal por um preço que varia de R$40. o intermediário assume os custos de corte. três em Minas Gerais. elas têm maior valor.3). impostos e de tratos silviculturais pós-exploração e. até a fábrica. As informações disponíveis indicam haver. O preço pago pela indústria varia. Normalmente. como a concentração maior de óleo está no cerne. 308 . sendo duas em São Paulo.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15. no Brasil. sete indústrias que extraem o óleo essencial de candeia.12 . em termos de produção de óleo e da distância de onde foi retirada a madeira. baldeio.

.Citroflora Ltda.** . O óleo que não é exportado é utilizado pelas próprias indústrias que o produzem para a destilação do α-bisabolol.Purita óleos essenciais indústria e comércio Ltda.Destilaria Maripá – Óleos essenciais** * produção de óleo essencial de candeia e α-bisabolol natural ** produção de óleo essencial de candeia Município Torrinha Carrancas Morro do Pilar Ituaçu Pouso Alegre Torrinha Maripá Estado São Paulo Minas Gerais Minas Gerais Bahia Minas Gerais São Paulo Paraná Figura 15.14). para empresas como a Symrise (Figura 15. que produz α-bisabolol http://www. que compra óleo de candeia para o posterior processamento em sua fábrica na Alemanha.* .br/. O preço de venda do kg do óleo essencial de candeia pelas indústrias produtoras situa-se na faixa de US$ 50.Indústrias que extraem o óleo essencial de candeia e/ou α-bisabolol natural Especificação . Estima-se que mais da metade do óleo essencial de candeia produzido no Brasil seja comercializado para o exterior.13 .Atina* .CAPÍTULO 15 .Citroflora Ltda.00 a US$ 55.** .Citrosul** .O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA.Site da empresa Citróleo. 309 .com.3 ..00.Citróleo óleos essenciais indústria e comércio Ltda.citroleo. Tabela 15.* . Acesso em 23/06/2012. sendo o restante vendido no mercado doméstico para indústrias que também produzem α-bisabolol.

Site da empresa Symrise. após ser descarregada e irrigada. é transformada em cavacos em um picador. As Figuras 15. Os cavacos de candeia são colocados nos reatores (autoclaves ou dornas). que compra óleo essencial de candeia das indústrias brasileiras. Na Figura 15. observam-se as principais fases do processo industrial de extração do óleo essencial de candeia. 15. o óleo é separado da água por diferença de densidade. A madeira chega ao pátio de estocagem da indústria em caminhões e.15. a destilação do óleo essencial de candeia para obter o α-bisabolol natural é realizada por duas indústrias situadas no estado de São Paulo e uma situada em Minas Gerais (Tabela 3).14 . Acesso em 01/10/2012. www. No Brasil. Depois.symrise. nos quais é injetado vapor d’água para arrastar o óleo essencial até o condensador.13.16 e 15.com. onde ele passa de vapor para o estado líquido. O umedecimento da madeira é necessário para reduzir o atrito entre as facas do picador e a madeira. 310 .O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15. auxiliando no resfriamento das facas do picador e contribuindo para a diminuição do pó gerado na operação.17 mostram o site dessas indústrias.

311 .15 .O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. (f ) óleo essencial de candeia produzido no processo industrial.Fases do processo industrial de extração do óleo de candeia: (a) caminhão com candeia no pátio da indústria. (e) condensador que separa a água e o óleo. (c) autoclaves (dornas) nas quais os cavacos são colocados.. (b) picador que transforma a madeira em cavacos.CAPÍTULO 15 . a b c d e f Figura 15.. (d) caldeira que gera o vapor d’agua injetado nas autoclaves.

atina.Site da empresa Atina.br/ Acesso em 01/10/2012. que produz α-bisabolol natural. Acesso em 01/10/2012.16 . que produz α-bisabolol http://www. 312 .com. http://www. Figura 15.br/ .com.puritta.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA Figura 15.17 .Site da empresa Puritta.

48%.Extratores (PE) . a margem de comercialização dos extratores. Na Tabela 15. Os preços recebidos pelos produtores rurais e pelos atacadistas podem ser obtidos seguindo essa mesma lógica.. 1. por exemplo. por um preço que varia de US$ 90. Participantes da cadeia de comercialização .75).68 74.83 (R$23.Indústrias que produzem α-bisabolol (PIA) . Utilizando um fator de empilhamento para a candeia de 2.00).Produtores rurais (PP) .85).381). é possível estimar a margem de comercialização de cada participante da cadeia.00 US$ = 2. Com base nos valores da Tabela 15. a madeira necessária para produzir 1 kg de α-bisabolol (PE). por exemplo. PIA = preço de venda do kg de α-bisabolol pelas indústrias que o produzem (referência: 1 kg de α-bisabolol: US$ 95. é necessário conhecer a relação metro estéreo (mst) de madeira/kg de α-bisabolol.00).381 mst de candeia para cada kg de α-bisabolol produzido.O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA. consta o preço recebido pelos participantes da cadeia de comercialização de α-bisabolol pela venda de seus produtos/serviços.. Assim. a participação relativa de cada setor mercantil da cadeia produtiva da candeia na formação do preço final.85 253.00 o quilo. PP = preço (madeira colocada à beira da estrada) recebido pelos produtores rurais pela venda da madeira consumida na produção de 1 kg de α-bisabolol (referência: 1 mst de madeira = R$ 115. PIO = preço recebido pelas indústrias que produzem óleo essencial pela venda da quantidade deste produto necessária para produzir 1 kg de α-bisabolol (referência: 1 kg de óleo essencial: US$ 52. Considerando o rendimento de 10 kg de óleo/m3 de madeira estimado por Peréz (2001) e um rendimento médio de 70% na extração do α-bisabolol a partir do óleo essencial.4.67 e efetuando-se os cálculos necessários. multiplicando-se o preço do óleo pelo fator 0.83 43. é de 3.4.00. se refere ao valor recebido para cortar e retirar.03 R$. com 1 m3 de madeira produzem-se 7 kg de α-bisabolol. PA = preço recebido pelos atacadistas pela venda da madeira consumida na produção de 1 kg de α-bisabolol (referência: 1 mst de madeira: R$ 175. até a beira da estrada.Indústrias que extraem óleo essencial de candeia (PIO) .Distribuidores de α-bisabolol (PAL) Preço recebido (R$/kg)1 8. PAL = preço de venda do kg de α-bisabolol pelos distribuidores (referência: 1 kg de α-bisabolol: US$125. O cálculo do preço recebido foi feito em relação ao preço de venda do kg de α-bisabolol pelos distribuidores. valor do dólar em 19/09/2012). ou seja. Já o preço do α-bisabolol ofertado por distribuidores situa-se na faixa de US$ 120.50 ou R$ 106. os preços recebidos pelas indústrias produtoras de óleo essencial são obtidos.60 192. que é a relação entre o preço recebido por estes para extrair a quantidade de mst de madeira necessária para produzir 1 kg de α-bisabolol e o preço recebido pelos distribuidores deste produto. até a beira da estrada. obtém-se a seguinte relação: consumo de 0.58.00 ou R$ 192.82 66. em média.00 a US$ 130.17).00/kg.7 (rendimento médio obtido na extração do α-bisabolol).4 – Preço recebido pelos participantes da cadeia de comercialização da candeia pela venda de seus produtos em quantidade necessária para se obter 1 kg de α-bisabolol. o extrator de candeia recebe R$23. Assim. a madeira necessária para produzir 1 kg de α-bisabolol (referência: 1 mst de madeira: R$ 23. considerado como sendo de US$ 125.17 x 0. Tabela 15. O α-bisabolol produzido pelas indústrias brasileiras é vendido para distribuidores e para indústrias de cosméticos e medicamentos do Brasil e do exterior. seu PE será igual a R$8.00 ou R$ 253.75 1 PE = preço recebido pelos extratores para cortar e retirar. Já. considerando que. Para estimar esse preço.00 a US$ 100.Atacadistas (PA) . podendo ser calculada pela seguinte fórmula: 313 . O preço recebido pelos extratores.CAPÍTULO 15 .17 por mst colocada na beira da estrada.

Outra consideração é que as indústrias que produzem α-bisabolol podem vender esse produto diretamente aos consumidores sem que ele passe por um ou mais distribuidores. sem a intermediação do atacadista. Deve-se considerar que a base para o cálculo das margens de comercialização foi o preço de venda do α-bisabolol pelos distribuidores. Para calcular as margens dos demais participantes da cadeia de comercialização. fato que também altera substancialmente as margens de comercialização. Finalmente. A margem de comercialização dos produtores rurais é dada pela relação entre a diferença do preço recebido por estes e o preço recebido pelos extratores.60% do valor total pago pelos consumidores do produto. Nesse caso.PEh /PAL@ x100 em que: MP = margem de comercialização dos proprietários de terra.48%. A fórmula para o cálculo é: M P = 6^PP . basta seguir esse procedimento. PP = preço (madeira colocada na beira da estrada). sua participação na margem de comercialização passa de 13.80%. Assim. ou seja. em percentagem. recebido pelos distribuidores. o preço de venda do α-bisabolol pelas indústrias pode ser menor que quando ele é vendido pelos distribuidores. já que ele se apropria da margem do atacadista. PE = preço recebido pelos extratores para cortar e retirar até a beira da estrada a madeira necessária para produzir 1 kg de α-bisabolol. recebido pelos produtores pela venda da madeira consumida na produção de 1 kg de α-bisabolol. e o preço recebido pelas indústrias que produzem α-bisabolol. a menor margem de comercialização fica com os extratores de candeia. Na Figura 15.O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA M E = ^PE /PALh x100 em que: ME = margem de comercialização dos extratores.79% para 22. qualquer redução ou elevação nesse valor altera todas as margens de comercialização.18 são apresentadas as percentagens encontradas. pode acontecer de o produtor rural vender a candeia diretamente para a fábrica de óleo. que participam com apenas 3. PAL = preço do kg de α-bisabolol. Nesse caso. Nota-se que a maior margem de comercialização corresponde às industrias que produzem o α-bisabolol que ficam com 46. Por outro lado. 314 .

O COMÉRCIO DOS PRODUTOS DA CANDEIA.CAPÍTULO 15 .18 – Participação relativa de cada setor mercantil da cadeia de comercialização da candeia na formação do preço final (preço do α-bisabolol vendido pelos distribuidores)... 315 . Figura 15.

O MANEJO SUSTENTÁVEL DA CANDEIA 316 .

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